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Funções e Princípios da Administração Pública

O documento resume os principais conceitos do direito administrativo brasileiro, incluindo: 1) o Estado é uma instituição jurídica e política detentora de soberania e poderes; 2) as três funções do Estado são legislativa, executiva e judiciária; 3) a administração pública é regida por princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade.

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Funções e Princípios da Administração Pública

O documento resume os principais conceitos do direito administrativo brasileiro, incluindo: 1) o Estado é uma instituição jurídica e política detentora de soberania e poderes; 2) as três funções do Estado são legislativa, executiva e judiciária; 3) a administração pública é regida por princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade.

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DIREITO

ADMINISTRATIVO
ESTADO: Instituição organizada social, jurídica e politicamente, detentora de
personalidade jurídica de direito público e de poder soberano.

FORMA DE ESTADO: Federativa (dispersão do poder político)

FORMA DE GOVERNO: Republica

Entes federados (Estado, municípios, União) são dotados de AUTÔNOMIA


(independência para agir dentro dos parâmetros constitucionais), enquanto o estado Brasileiro
com representação internacional é dotado de SOBERANIA.

Três funções propostas por Montesquieu:

1. FUNÇÃO LEGISLATIVA: exercido pelo poder legislativa (legislar e fiscalizar)


2. FUNÇÃO EXECUTIVA: exercida pelo poder executivo (administrar)
3. FUNÇÃO JUDICIAL OU JURISDICIONAL: exercida pelo poder judiciário (julgar)

A função administrativa tem caráter residual, pois o que não for função legislativa ou
judicial será função executiva.

Critério que permitem identificar uma função administrativa

a) Critério Subjetivo: observa-se o sujeito que exerce a ação, o órgão.


b) Critério Objetivo-material: observa-se o conteúdo da matéria tratada.
c) Critério Objetivo-formal: observa-se a forma do regime que disciplina o assunto
(Regime de direito público ou privado)

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

a) Sentido OBJETIVO: Execução das atividades de administrar pelo poder público.


b) Sentido SUBJETIVO: Conjunto de órgãos, pessoas e agentes que executam as
atividades. Neste sentido escreve-se “Administração Pública” com inicias maiúsculas.
No brasil é adotado o Critério da Administração Pública (Hely Lopes Meirelles): o direito
administrativo é o ramo do direito que envolve normas jurídicas que disciplinam a Administração
Pública no sentido de exercício da sua função administrativa.

Administração pública extroversa: relação entre administração e administrados.

Administração pública introversa: relação entre os próprios entes públicos.

FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

a) Leis
b) Princípios e regras
c) Atos normativos infralegais
d) Doutrina
e) Jurisprudência
f) Costumes
g) Precedentes administrativos

Quanto aos precedentes haverá 3 casos em que a administração não estará vinculada:

1. Se o ato invocado como precedente for manifestamente ilegal.


2. Quando se verificar que há distinção entre paradigma e o caso analisado
(distinguishing)
3. Quando o interesse público justificar a alteração do entendimento (overruling)

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

É a incidência de normas específicas, de caráter administrativo, referindo-se a princípios e


regras.

Na Teoria da tridimensionalidade funcional dos princípios eles servem como


fundamentação, orientação e suplementação:

a) Fundamentadores: valores que fundamentam o ordenamento jurídico, servindo como


pressupostos de validade das normas.
b) Orientadores: orienta a compreensão e tem função interpretativa.
c) Supletivos: suplementa/completa as demais fontes do direito.

A união do princípio da Supremacia do interesse público sobre o privado e do


princípio da Indisponibilidade do interesse público forma o REGIME JURÍDICO
ADMINISTRATIVO, é o raciocínio base que deve pautar toda a atuação da
administração pública.

1. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO


É princípio IMPLÍCITO (não está escrito) da Constituição Federal, que decorre da
interpretação de institutos como a desapropriação ou a requisição.
 Interesse público primário: interesses individuais preponderantes em uma
sociedade. Está relacionado à satisfação das necessidades coletivas. É a razão de
ser do Estado pois sintetiza os fins que ele deve prover: justiça, segurança e bem
estar social.
 Interesse público secundário: é o aparelhamento do estado, o interesse da própria
administração (manutenção das receitas e proteção dos bens públicos). Com isso
vai ser possível promover o interesse primário.

No conflito entre o interesse do particular e do Poder Público, este último sempre irá
prevalecer, porque em tese representa o interesse da coletividade.

Deve-se considerar ainda que a supremacia do interesse público não está acima de
direitos e garantias fundamentais.

Em uma prova deve-se marcar a opção que afirma existir a supremacia do interesse
público sobre o privado, ainda que não expressa na constituição (implícita).

2. INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO


A administração pública jamais deve atuar visando suas predileções, e sim tendo
como foco a efetivação dos interesses públicos primários. O patrimônio pertence a
coletividade, não podendo o administrador dispor deles.
Também é um princípio implícito (não está escrito) na constituição federal. A
administração apenas gerencia o patrimônio público de acordo com o ordenamento jurídico, ou
seja, busca alcançar o bem comum (interesse público primário) e conservar o patrimônio público
(interesse público secundário). Ex.: licitação, concursos públicos, transparência.

PRINCÍPIOS EXPRESSOS DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA


Previstos no artigo 37 caputs da CF.
L EGALIDADE
I MPESSOALIDADE
M ORALIDADE
P UBLICIDADE
E FICIÊNCIA
1. Princípio da LEGALIDADE
Esse princípio exige que toda conduta da Administração Pública tenha base em lei.
Costumes não permitem que a Administração faça X ou Y, todo ato administrativo deve
ter base jurídica na legislação.
Ex.:
 Não se pode exigir exame psicotécnico como etapa em concurso público sem
previsão de lei (STF, AI 677718 AgR);
 Não é possível impor limite de idade em concurso público se não for por lei (STF,
RE 425760 RE).

Quanto ao administrador o princípio da legalidade tem duas vertentes:

a) Vertente negativa: legalidade representa uma limitação a atuação do administrador.


b) Vertente positiva: havendo mandamento legal o administrador deve cumpri-lo.

Não basta que o ato seja legal, ele também deve ser legitimo. Dessa forma o poder
judiciário pode invalidar um ato administrativo que não atinge a finalidade pública ou quando
violar princípios da administração pública.

Ainda, do princípio da LEGALIDADE decorre o princípio da JURIDICIDADE:

Que afirma que a Administração pública fica vinculada ao ordenamento jurídico como um
todo, e não apenas à lei stricto sensu. O que permite uma maior margem ao administrador, que
ganha maior autonomia, que poderá atuar dentro do ordenamento constitucional, e não apenas
dentro da regra legal específica.

Na prova deve marcar que a administração deve seguir o princípio da legalidade, ou seja,
só faz aquilo que está previsto em lei, enquanto o particular pode fazer tudo aquilo que a lei não
está proibindo.

IMPORTANTE: Os princípios podem ser aplicados até mesmo contra a lei quando o
interesse público justificar esta aplicação.

2. Princípio da IMPESSOALIDADE
A Administração tem o dever de tratar todos de forma equânime, isonômica, devendo
adotar uma postura objetiva sem favoritismo.
Aspectos:
a) Busca do Interesse público: as decisões devem ter finalidade pública. O administrador
não pode utilizar o cargo para beneficiar amigos ou parentes.
b) Imputação do ato administrativo: quem realiza o ato não é o agente público
pessoalmente, e sim o órgão ou entidade da Administração a qual o agente pertencer.

Em relação a publicidade governamental, esta deve ter caráter educativo, informativo ou


de orientação social; jamais deve trazer nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

3. Princípio da MORALIDADE
A atuação da Administração deve ser ética.
Daí surge a Súmula Vinculante 13 do STF que veda o nepotismo (colocar parente para
ocupar cargos na administração pública).
O STF entende que a nomeação de parente para um cargo político (livre nomeação e
exoneração) não viola a sumula vinculante nº 13 quando comprovada a razoabilidade,
qualificação técnica e idoneidade moral. (OBS: CASO DOS MINISTROS DE ESTADO
NOMEADOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA)
A SV 13 refere-se até a parentes de 3º grau (tio e sobrinho), portanto o primo (4º grau)
não está sobre incidência da súmula.
A vedação do nepotismo não alcança servidores que foram aprovados por concurso
público!

4. Princípio da PUBLICIDADE
Publicação clara e transparente dos atos, permitindo ao cidadão fiscalizar a
atuação.
Qualquer interessado pode pedir informação a um órgão ou entidade, que deverá prestar
a informação de IMEDIATO se não puder fazer, a administração terá um prazo de 20 dias,
podendo ser prorrogado por mais 10 dias.
O serviço de fornecimento da informação é gratuito, más nos casos de cópias de
documentos será cobrado o valor dos materiais utilizados.
Informações que guardam sigilo há restrição de acesso:
a) Informação ultra secreta: restrita por até 25 anos.
b) Informação secreta: restrita por até 15 anos.
c) Informação reservada: restrita por até 5 anos.
Constitui ato de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, QUE ATENTA CONTRA OS
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, negar publicidade a atos oficiais.

5. Princípio da EFICIÊNCIA
Bons resultados com o mínimo de desperdício, evitando a morosidade e baixa
produtividade. Executar a atividade com presteza, perfeição e bom rendimento funcional.

6. Outros Princípios
a) Princípio da economicidade: custo-benefício, trata-se da adequação entre receita e
despesa.
b) Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade: conduta coerente equilibrada, sem
excessos e pautada na racionalidade. Filtros:
 Adequação: ato deve ser apto para alcançar o fim desejado;
 Necessidade ou exigibilidade: o ato deve ser apenas o suficiente para atingir o
fim desejado, sempre optando pela medida menos gravosa.
 Proporcionalidade: ponderação entre o ônus imposto e o benefício que será
alcançado com o ato.
c) Princípio da autotutela: permite que a Administração revise os seus atos tantos os
legais, quanto os inconvenientes ou inoportunos – revogação (no caso de atos
válidos discricionários) ou invalidação/anulação (no caso de atos ilegais).
Sum. 473, STF: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revoga-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”
Tema 20 do CJF (2020): “O exercício da autotutela administrativa, para o
desfazimento do ato administrativo que produza efeitos concretos favoráveis aos seus
destinatários, está condicionado à prévia intimação e oportunidade de contraditório
aos beneficiários do ato”.
d) Princípio da Presunção de Legitimidade: presume-se que os atos foram praticados
conforme o direito.
 Presunção de verdade: se presume que as alegações da administração pública
são verdadeiras.
 Presunção de legalidade: os atos estão de acordo com a lei.
 Presunção relativa: o ônus de prova é invertido em desfavor do administrado. O
administrado quem deve provar.
e) Princípio da Segurança Jurídica: a atuação da administração pública deve ser
previsível e estável evitando-se incertezas e receios. A prescrição e a decadência
são exemplos desse instituto de segurança jurídica.
 Prisma objetivo: irretroatividade das normas.
 Prisma subjetivo: preservação das expectativas legítimas da sociedade.
f) Princípio da Confiança legitima: busca proteger o sentimento do indivíduo em
relação a atos do Estado dotados de presunção de legitimidade e com aparência
de legalidade.
A administração pode anular atos administrativos, mas consagra um prazo de 5 anos
para anular atos administrativos geradores de efeitos favoráveis para os destinatários ,
salvo de comprovada má-fé, contados da data em que praticados os referidos atos,
ainda que anteriores à edição da lei.
g) Princípio da motivação: necessidade de externar os motivos, os fundamentos da
decisão estatal.
“a decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua
opacidade motivo de invalidação”.
h) Princípio do Informalismo e da Simplificação: os atos devem ser realizados e
veiculados de maneira mais simples possível, além de gerar o mínimo de encargos
aos interessados.
i) Princípio da Igualdade: tratar iguais de forma igual e os desiguais de forma
desigual, na medida de suas desigualdades – ponto de vista material.
 Teoria da auto vinculação administrativa: medidas adotadas pelo poder público
que geram a ele próprio determinadas contenções. Limitação a prática dos atos
administrativos, mesmo os discricionários. Os precedentes impedem uma
atuação diferente da administração mesmo que os atos sejam
discricionários.
j) Princípio da Finalidade Pública: a finalidade da atuação da Administração Pública
é atender aos interesses da coletividade. O desvio dessa finalidade torna o ato
ilegal.
 Desvio de finalidade genérico  quando não atender nenhuma finalidade
pública. Ex.: prefeito desapropria imóvel de desafeto por vingança.
 Desvio de finalidade específico  embora tenha a intenção de atender a
finalidade pública, se desvia do que está previsto em lei. Ex.: diante de um erro
passível de punição ao invés de instaurar um PAD, o superior remove o
servidor para outra comarca.
k) Princípio da Ampla Defesa e Contraditório: No processo administrativo também deve
ser observado o princípio da ampla defesa e do contraditório.
Em regra, o contraditório é prévio. Em caso de urgência poderá ser diferido.
Sum. V. 5. A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.
Sum. V. 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
A administração pública tem o prazo decadencial de 5 anos para anular seus próprios
atos com efeitos favoráveis, se for comprovada a má fé do beneficiado não existe
prazo. Leis específicas podem estipular outro prazo.
Se o ato afrontar diretamente a constituição não há prazo decadencial.
Sum. V. 3. Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou
revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Observe que o TCU entende que os atos concessivos de aposentadoria, reforma e
pensões tem natureza complexa, portanto dispensa o contraditório. Por ser ato inicial
de concessão entende-se que o benefício nunca foi concedido e assim não há
anulação de ato que beneficia o interessado. O ato só se completa após decisão do
TCU.
Como a concessão de aposentadorias e pensões são essenciais a manutenção da
subsistência da pessoa, o pagamento começa a ocorrer antes da decisão do TCU, é
onde as pessoas se enganam por achar que já adquiririam o direito.
Somente após a decisão do TCU é que começa a fluir o prazo decadencial de 5 anos
para anulação do ato.
Ainda, o TCU só pode negar registro por motivo de ilegalidade do benefício de
aposentadoria, pensão ou reforma nos 5 anos contados do recebimento do processo
pela corte de contas. Após esse prazo o benefício não poderá ser cancelado/anulado.
l) Princípio da Continuidade: a prestação de serviços públicos não pode ser
interrompida, sob pena de grave prejuízo à coletividade.
a) O direito de greve do servidor público nem sempre é permitido. As categorias
militares são consideradas essenciais e por isso esse direito é mitigado. Para os
demais servidores o direito de greve é garantido.
Como não há lei de greve especifica de servidores, é aplicada por analogia a lei de
greve dos celetistas.
IMPORTANTE: a greve deve ser pondera com o princípio da continuidade.
 A paralisação só pode ser parcial;
 Descontos dos dias não trabalhados; pode haver compensação em caso de
acordo;
 Não haverá desconto se o que ocasionou a greve foi conduta ilícita do poder
público;
 Deve ser cientificado no mínimo 72h antes do início da greve, através de
comunicação formal.
b) Suspensão do serviço público por inadimplemento. Havendo inadimplemento
é possível que haja o corte do fornecimento de água e luz. No entanto quando se
falar em escolas, hospitais ou presídios esse corte é proibido, por ser instituições
que prestam serviço público.
Durante a pandemia da COVID19 a suspensão dos serviços considerados
essências foi proibida, inclusive internet e telefonia, enquanto durasse o período de
isolamento.
c) Se o estado não pagar o concessionário, este não pode interromper de
imediato o serviço, devendo esperar 90 dias.
m) Princípio da transcendência e atos praticados pelas gestões anteriores  o estado só
pode sofrer restrições nos cadastros dos devedores da União por atos praticados pelo
Poder Executivo.
A administração atual não pode ser punida por atos dos antigos gestores.
n) Princípio da responsividade  o administrador deve reagir adequadamente às
demandas da sociedade.
O administrador deve prestar contas pela legitimidade das suas escolhas fiscais.
Devendo ser responsabilizado quando não observa a vontade do administrado,
supostamente constante na lei, inclusive orçamentaria.
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 Centralização administrativa ou atuação centralizada : não há delegação de
funções, o próprio poder público executa suas atividades diretamente. Pelos
órgãos da administração pública direta.
 Desconcentração: as atividades do ente administrativo são distribuídas
internamente para os órgãos de forma hierárquica. Há apenas uma pessoa jurídica
de direito público.
 Descentralização administrativa ou atuação descentralizada: a administração
pública cria entidades administrativas com personalidade jurídica própria. Não há
relação de subordinação, mas sim vinculação.
A descentralização pode ser:
a) Por outorga: ente da federação cria uma pessoa jurídica, visando alienar para
esta a execução de determinada atividade pública.
b) Por delegação: ente público repassa a execução da atividade pública para uma
pessoa jurídica de direito privado. Só é possível repassar a execução da
atividade, a titularidade é sempre do ente público.
c) Territorial: ocorre quando a união cria os territórios federais. É uma pessoa
jurídica de direito público com espaço territorial determinado, com
competências e autonomia.
A administração é divindade em:
1. ADMINISTRAÇÃO DIRETA: composta por ÓRGÃO PÚBLICO, não tem
personalidade jurídica própria. É o fenômeno da desconcentração. As atividades são
realizadas pelo próprio órgão administrativo de forma centralizada. Ex.: União e seus
ministérios.
2. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA: é produto da descentralização. Cria novos entes
públicos com personalidade jurídica própria. Possuem receita e patrimônios próprios e
capacidade de autoadministração. Para sua criação ou extinção deve ser feita lei
ordinária de iniciativa do chefe do poder executivo.
 Fundações (p.j. direito público)
 Autarquias (p.j. direito público ou privado)
 Sociedade de economia mista (p.j. direito público e privado)
 Empresa pública (p.j. direito privado)

ÓRGÃOS PÚBLICOS
Integram a estrutura de uma mesma pessoa jurídica pois são frutos da
desconcentração administrativa. Não tem personalidade jurídica própria.
Teoria do órgão ou teoria da imputação volitiva: (exterioriza a vontade da Adm. pública) –
o estado manifesta sua vontade por meio de seus órgãos. Os agentes manifestam sua vontade
em nome dos órgãos, sendo imputado ao estado a vontade exteriorizada pelo agente.
IMPORTANTE: apesar dos órgãos serem entes despersonalizados, que representam o
poder da pessoa jurídica, poderão defender em juízo as suas prerrogativas constitucionais. Ex.:
o TJ pode impetram MS contra ato do governador que não repassar o duodécimo orçamentário
devido. O ORGÃO NÃO TEM PERSONALIDADE JURÍDICA, MAS TEM PERSONALIDADE
JUDICIÁRIA.
Sum. 525, STJ: A câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos
institucionais.

AUTARQUIAS
Pessoa jurídica de direito público interno. É criada por lei ordinária específica para
prestar atividades típicas do estado (descentralização). Não há subordinação com a
administração Direta, mas há vinculação. Ex.: CVM (Comissão de Valores Mobiliários), BACEN
(banco central), IBAMA (Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais
renováveis), INMET (Instituto nacional de meteorologia).
A responsabilidade civil da autarquia é objetiva – responderão pelos danos causados
pelos seus agentes a terceiros independente de culpa, sendo assegurado a autarquia o direito
de regresso (responsabilidade civil subjetiva) se este estiver agido com dolo ou culpa. – Essa é a
teoria do risco administrativo.
As autarquias tem as mesmas prerrogativas da Fazenda pública, possuindo privilégios
processuais como:
 Isenção de custas, salvo o reembolso das despesas judiciais feitas pela parte
autora.
 Duplo grau de jurisdição obrigatório quando a sentença for desfavorável.
 Dispensa de deposito prévio para interposição de recursos.
 Prazo em dobro para se manifestar.
 Realização de cobrança para executar o credito e acordo com a lei de execução
fiscal.
 Pagamento das condenações por meio de precatórios. Obs.: as autarquias tem fila
própria de precatórios, ou seja, não confunde com a fila da União.
 Estão submetidas a prescrição quinquenal, ou seja, eventuais cobranças de
direitos contra a autarquia, prescreve em 5 anos.

Além disso por seus bens serem classificados como bens públicos, vai haver a
impenhorabilidade, não pode ser objeto de hipoteca e anticrese. São imprescritíveis, e
relativamente inalienáveis (só pode alienar se houver lei permitindo).

Também goza de imunidade tributária reciproca. Não vai haver cobrança de imposto
sobre o patrimônio e renda das autarquias desde que estes sejam relacionados a sua finalidade
principal.

IMPORTANTE: as autarquias possuem autonomia administrativa, mas se subordinam a


um controle finalístico pela entidade que a criou (vinculação). – Tutela ou supervisão ministerial
– visa a realização dos objetivos que justificaram a criação da autarquia.

a) UNIVERSIDADES PÚBLICAS

São organizadas como autarquias de regime especial. – Possui maior autonomia e o


reitor não pode ser exonerado ad nutum.

Prerrogativas:

 Imunidade tributária: desde que relacionados às suas finalidades essenciais.


 Impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade dos bens;
 Débitos pagos por meio de precatórios;
 Execução fiscal de seus créditos;
 Benefício da prescrição quinquenal de seus débitos.
b) AUTARQUIAS CORPORATIVAS

São as entidades de classe (CFM, CRO, COFEN). – São classificados como autarquias
especiais. Gozam de imunidade tributária, devem realizar concurso publico para contratação de
pessoal e licitações para contratação. TCU fiscaliza.

c) OAB

STF: a OAB não deve ser considerada uma entidade pública, mas sim AUTARQUIA SUI
GENERIS. Os regimes aplicados aos demais conselhos de classe não é extensível a OAB. – É
entidade privada, conservando uma maior autonomia, independência e distanciamento da
entidade ao Poder Público. Não se submete a fiscalização do TCU.

d) AGÊNCIAS REGULADORAS
São entidades administrativas com alto grau técnico, instituídas como autarquias
especiais com a finalidade de regular setor especifico da economia ou determinado serviço
público.
Ex.: ANP (Agência Nacional do Petróleo, gás natural e Biocombustíveis), ANAC (Agência
nacional de Aviação Civil), ANATEL, ANEEL.
Características:
 As decisões das agências reguladoras não se submetem a uma revisão de um
órgão integrante do Poder Executivo. – Caráter técnico prevalece.
 Os dirigentes das agencias reguladoras são nomeados pelo Presidente da
República, após aprovação do Senado Federal, exercendo mandatos fixos e com
estabilidade. – Os mandatos não devem coincidir com os do presidente da
república. Não pode ser exonerado ad nutum, nem ser destituído pelo presidente.
 Quarentena dos dirigentes: ao fim do mandato, o ex-dirigente ficara impedido por 6
meses de assumir outro cargo no setor público ou empresa privada que integre o
setor regulado pela agência. – Recebera compensação durante esse tempo.
 Não há tutela ou subordinação hierárquica. Gozam de autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira. – Seus atos só podem ser revistos por eles
próprios ou pelo poder judiciário. O controle externo é exercido pelo congresso em
conjunto com o TCU.

e) TEORIAS DO RISCO DA CAPTURA:


O regime adotado pelas agencias regularas visa evitar conflitos de interesses, a
advocacia administrativa, e o uso de informações obtidas ou conhecimento obtido para atuar de
plano naquele setor. – Seria a influencia de interesses privados no desempenho das atividades
regulatórias, visando seu beneficio em face do que é legalmente previsto.
 Captura econômica: materializada em razão da vinculação entre os interesses dos
setores regulados e a agência reguladora, gerando um desvirtuamento das
finalidades regulatórias da agência reguladora.
 Captura política: prevalência das decisões politicas em detrimento das decisões
técnicas.

A regulação deve ser imparcial e impessoal.

f) DESLEGALIZAÇÃO E TEORIA DA FUNÇÃO REGULATÓRIA


Deslegalização: ato do parlamento em delegar toda ou parcela de sua competência
legislativa, para que essas decisões passem s ser tomadas por um órgão técnico, e não mais
por lei. – A agência reguladora teria o poder editar um ato normativo inclusive inovando na
ordem jurídica.
No Brasil É PRIBIDO A DESLEGALIZAÇÃO TOTAL. – Os regulamentos emanados por
agências reguladoras não podem ser atos normativos primário, que inovam a ordem jurídica.
Cabe aos órgãos e entidades apenas editar atos normativos complementares, de
conteúdo técnico. Ex.: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai dizer o que é
droga (entorpecente e psicotrópico) para fins penais.

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