DIREITO
ADMINISTRATIVO
ESTADO: Instituição organizada social, jurídica e politicamente, detentora de
personalidade jurídica de direito público e de poder soberano.
FORMA DE ESTADO: Federativa (dispersão do poder político)
FORMA DE GOVERNO: Republica
Entes federados (Estado, municípios, União) são dotados de AUTÔNOMIA
(independência para agir dentro dos parâmetros constitucionais), enquanto o estado Brasileiro
com representação internacional é dotado de SOBERANIA.
Três funções propostas por Montesquieu:
1. FUNÇÃO LEGISLATIVA: exercido pelo poder legislativa (legislar e fiscalizar)
2. FUNÇÃO EXECUTIVA: exercida pelo poder executivo (administrar)
3. FUNÇÃO JUDICIAL OU JURISDICIONAL: exercida pelo poder judiciário (julgar)
A função administrativa tem caráter residual, pois o que não for função legislativa ou
judicial será função executiva.
Critério que permitem identificar uma função administrativa
a) Critério Subjetivo: observa-se o sujeito que exerce a ação, o órgão.
b) Critério Objetivo-material: observa-se o conteúdo da matéria tratada.
c) Critério Objetivo-formal: observa-se a forma do regime que disciplina o assunto
(Regime de direito público ou privado)
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
a) Sentido OBJETIVO: Execução das atividades de administrar pelo poder público.
b) Sentido SUBJETIVO: Conjunto de órgãos, pessoas e agentes que executam as
atividades. Neste sentido escreve-se “Administração Pública” com inicias maiúsculas.
No brasil é adotado o Critério da Administração Pública (Hely Lopes Meirelles): o direito
administrativo é o ramo do direito que envolve normas jurídicas que disciplinam a Administração
Pública no sentido de exercício da sua função administrativa.
Administração pública extroversa: relação entre administração e administrados.
Administração pública introversa: relação entre os próprios entes públicos.
FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO
a) Leis
b) Princípios e regras
c) Atos normativos infralegais
d) Doutrina
e) Jurisprudência
f) Costumes
g) Precedentes administrativos
Quanto aos precedentes haverá 3 casos em que a administração não estará vinculada:
1. Se o ato invocado como precedente for manifestamente ilegal.
2. Quando se verificar que há distinção entre paradigma e o caso analisado
(distinguishing)
3. Quando o interesse público justificar a alteração do entendimento (overruling)
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
É a incidência de normas específicas, de caráter administrativo, referindo-se a princípios e
regras.
Na Teoria da tridimensionalidade funcional dos princípios eles servem como
fundamentação, orientação e suplementação:
a) Fundamentadores: valores que fundamentam o ordenamento jurídico, servindo como
pressupostos de validade das normas.
b) Orientadores: orienta a compreensão e tem função interpretativa.
c) Supletivos: suplementa/completa as demais fontes do direito.
A união do princípio da Supremacia do interesse público sobre o privado e do
princípio da Indisponibilidade do interesse público forma o REGIME JURÍDICO
ADMINISTRATIVO, é o raciocínio base que deve pautar toda a atuação da
administração pública.
1. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO
É princípio IMPLÍCITO (não está escrito) da Constituição Federal, que decorre da
interpretação de institutos como a desapropriação ou a requisição.
Interesse público primário: interesses individuais preponderantes em uma
sociedade. Está relacionado à satisfação das necessidades coletivas. É a razão de
ser do Estado pois sintetiza os fins que ele deve prover: justiça, segurança e bem
estar social.
Interesse público secundário: é o aparelhamento do estado, o interesse da própria
administração (manutenção das receitas e proteção dos bens públicos). Com isso
vai ser possível promover o interesse primário.
No conflito entre o interesse do particular e do Poder Público, este último sempre irá
prevalecer, porque em tese representa o interesse da coletividade.
Deve-se considerar ainda que a supremacia do interesse público não está acima de
direitos e garantias fundamentais.
Em uma prova deve-se marcar a opção que afirma existir a supremacia do interesse
público sobre o privado, ainda que não expressa na constituição (implícita).
2. INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO
A administração pública jamais deve atuar visando suas predileções, e sim tendo
como foco a efetivação dos interesses públicos primários. O patrimônio pertence a
coletividade, não podendo o administrador dispor deles.
Também é um princípio implícito (não está escrito) na constituição federal. A
administração apenas gerencia o patrimônio público de acordo com o ordenamento jurídico, ou
seja, busca alcançar o bem comum (interesse público primário) e conservar o patrimônio público
(interesse público secundário). Ex.: licitação, concursos públicos, transparência.
PRINCÍPIOS EXPRESSOS DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA
Previstos no artigo 37 caputs da CF.
L EGALIDADE
I MPESSOALIDADE
M ORALIDADE
P UBLICIDADE
E FICIÊNCIA
1. Princípio da LEGALIDADE
Esse princípio exige que toda conduta da Administração Pública tenha base em lei.
Costumes não permitem que a Administração faça X ou Y, todo ato administrativo deve
ter base jurídica na legislação.
Ex.:
Não se pode exigir exame psicotécnico como etapa em concurso público sem
previsão de lei (STF, AI 677718 AgR);
Não é possível impor limite de idade em concurso público se não for por lei (STF,
RE 425760 RE).
Quanto ao administrador o princípio da legalidade tem duas vertentes:
a) Vertente negativa: legalidade representa uma limitação a atuação do administrador.
b) Vertente positiva: havendo mandamento legal o administrador deve cumpri-lo.
Não basta que o ato seja legal, ele também deve ser legitimo. Dessa forma o poder
judiciário pode invalidar um ato administrativo que não atinge a finalidade pública ou quando
violar princípios da administração pública.
Ainda, do princípio da LEGALIDADE decorre o princípio da JURIDICIDADE:
Que afirma que a Administração pública fica vinculada ao ordenamento jurídico como um
todo, e não apenas à lei stricto sensu. O que permite uma maior margem ao administrador, que
ganha maior autonomia, que poderá atuar dentro do ordenamento constitucional, e não apenas
dentro da regra legal específica.
Na prova deve marcar que a administração deve seguir o princípio da legalidade, ou seja,
só faz aquilo que está previsto em lei, enquanto o particular pode fazer tudo aquilo que a lei não
está proibindo.
IMPORTANTE: Os princípios podem ser aplicados até mesmo contra a lei quando o
interesse público justificar esta aplicação.
2. Princípio da IMPESSOALIDADE
A Administração tem o dever de tratar todos de forma equânime, isonômica, devendo
adotar uma postura objetiva sem favoritismo.
Aspectos:
a) Busca do Interesse público: as decisões devem ter finalidade pública. O administrador
não pode utilizar o cargo para beneficiar amigos ou parentes.
b) Imputação do ato administrativo: quem realiza o ato não é o agente público
pessoalmente, e sim o órgão ou entidade da Administração a qual o agente pertencer.
Em relação a publicidade governamental, esta deve ter caráter educativo, informativo ou
de orientação social; jamais deve trazer nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
3. Princípio da MORALIDADE
A atuação da Administração deve ser ética.
Daí surge a Súmula Vinculante 13 do STF que veda o nepotismo (colocar parente para
ocupar cargos na administração pública).
O STF entende que a nomeação de parente para um cargo político (livre nomeação e
exoneração) não viola a sumula vinculante nº 13 quando comprovada a razoabilidade,
qualificação técnica e idoneidade moral. (OBS: CASO DOS MINISTROS DE ESTADO
NOMEADOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA)
A SV 13 refere-se até a parentes de 3º grau (tio e sobrinho), portanto o primo (4º grau)
não está sobre incidência da súmula.
A vedação do nepotismo não alcança servidores que foram aprovados por concurso
público!
4. Princípio da PUBLICIDADE
Publicação clara e transparente dos atos, permitindo ao cidadão fiscalizar a
atuação.
Qualquer interessado pode pedir informação a um órgão ou entidade, que deverá prestar
a informação de IMEDIATO se não puder fazer, a administração terá um prazo de 20 dias,
podendo ser prorrogado por mais 10 dias.
O serviço de fornecimento da informação é gratuito, más nos casos de cópias de
documentos será cobrado o valor dos materiais utilizados.
Informações que guardam sigilo há restrição de acesso:
a) Informação ultra secreta: restrita por até 25 anos.
b) Informação secreta: restrita por até 15 anos.
c) Informação reservada: restrita por até 5 anos.
Constitui ato de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, QUE ATENTA CONTRA OS
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, negar publicidade a atos oficiais.
5. Princípio da EFICIÊNCIA
Bons resultados com o mínimo de desperdício, evitando a morosidade e baixa
produtividade. Executar a atividade com presteza, perfeição e bom rendimento funcional.
6. Outros Princípios
a) Princípio da economicidade: custo-benefício, trata-se da adequação entre receita e
despesa.
b) Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade: conduta coerente equilibrada, sem
excessos e pautada na racionalidade. Filtros:
Adequação: ato deve ser apto para alcançar o fim desejado;
Necessidade ou exigibilidade: o ato deve ser apenas o suficiente para atingir o
fim desejado, sempre optando pela medida menos gravosa.
Proporcionalidade: ponderação entre o ônus imposto e o benefício que será
alcançado com o ato.
c) Princípio da autotutela: permite que a Administração revise os seus atos tantos os
legais, quanto os inconvenientes ou inoportunos – revogação (no caso de atos
válidos discricionários) ou invalidação/anulação (no caso de atos ilegais).
Sum. 473, STF: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revoga-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”
Tema 20 do CJF (2020): “O exercício da autotutela administrativa, para o
desfazimento do ato administrativo que produza efeitos concretos favoráveis aos seus
destinatários, está condicionado à prévia intimação e oportunidade de contraditório
aos beneficiários do ato”.
d) Princípio da Presunção de Legitimidade: presume-se que os atos foram praticados
conforme o direito.
Presunção de verdade: se presume que as alegações da administração pública
são verdadeiras.
Presunção de legalidade: os atos estão de acordo com a lei.
Presunção relativa: o ônus de prova é invertido em desfavor do administrado. O
administrado quem deve provar.
e) Princípio da Segurança Jurídica: a atuação da administração pública deve ser
previsível e estável evitando-se incertezas e receios. A prescrição e a decadência
são exemplos desse instituto de segurança jurídica.
Prisma objetivo: irretroatividade das normas.
Prisma subjetivo: preservação das expectativas legítimas da sociedade.
f) Princípio da Confiança legitima: busca proteger o sentimento do indivíduo em
relação a atos do Estado dotados de presunção de legitimidade e com aparência
de legalidade.
A administração pode anular atos administrativos, mas consagra um prazo de 5 anos
para anular atos administrativos geradores de efeitos favoráveis para os destinatários ,
salvo de comprovada má-fé, contados da data em que praticados os referidos atos,
ainda que anteriores à edição da lei.
g) Princípio da motivação: necessidade de externar os motivos, os fundamentos da
decisão estatal.
“a decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua
opacidade motivo de invalidação”.
h) Princípio do Informalismo e da Simplificação: os atos devem ser realizados e
veiculados de maneira mais simples possível, além de gerar o mínimo de encargos
aos interessados.
i) Princípio da Igualdade: tratar iguais de forma igual e os desiguais de forma
desigual, na medida de suas desigualdades – ponto de vista material.
Teoria da auto vinculação administrativa: medidas adotadas pelo poder público
que geram a ele próprio determinadas contenções. Limitação a prática dos atos
administrativos, mesmo os discricionários. Os precedentes impedem uma
atuação diferente da administração mesmo que os atos sejam
discricionários.
j) Princípio da Finalidade Pública: a finalidade da atuação da Administração Pública
é atender aos interesses da coletividade. O desvio dessa finalidade torna o ato
ilegal.
Desvio de finalidade genérico quando não atender nenhuma finalidade
pública. Ex.: prefeito desapropria imóvel de desafeto por vingança.
Desvio de finalidade específico embora tenha a intenção de atender a
finalidade pública, se desvia do que está previsto em lei. Ex.: diante de um erro
passível de punição ao invés de instaurar um PAD, o superior remove o
servidor para outra comarca.
k) Princípio da Ampla Defesa e Contraditório: No processo administrativo também deve
ser observado o princípio da ampla defesa e do contraditório.
Em regra, o contraditório é prévio. Em caso de urgência poderá ser diferido.
Sum. V. 5. A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.
Sum. V. 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
A administração pública tem o prazo decadencial de 5 anos para anular seus próprios
atos com efeitos favoráveis, se for comprovada a má fé do beneficiado não existe
prazo. Leis específicas podem estipular outro prazo.
Se o ato afrontar diretamente a constituição não há prazo decadencial.
Sum. V. 3. Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou
revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Observe que o TCU entende que os atos concessivos de aposentadoria, reforma e
pensões tem natureza complexa, portanto dispensa o contraditório. Por ser ato inicial
de concessão entende-se que o benefício nunca foi concedido e assim não há
anulação de ato que beneficia o interessado. O ato só se completa após decisão do
TCU.
Como a concessão de aposentadorias e pensões são essenciais a manutenção da
subsistência da pessoa, o pagamento começa a ocorrer antes da decisão do TCU, é
onde as pessoas se enganam por achar que já adquiririam o direito.
Somente após a decisão do TCU é que começa a fluir o prazo decadencial de 5 anos
para anulação do ato.
Ainda, o TCU só pode negar registro por motivo de ilegalidade do benefício de
aposentadoria, pensão ou reforma nos 5 anos contados do recebimento do processo
pela corte de contas. Após esse prazo o benefício não poderá ser cancelado/anulado.
l) Princípio da Continuidade: a prestação de serviços públicos não pode ser
interrompida, sob pena de grave prejuízo à coletividade.
a) O direito de greve do servidor público nem sempre é permitido. As categorias
militares são consideradas essenciais e por isso esse direito é mitigado. Para os
demais servidores o direito de greve é garantido.
Como não há lei de greve especifica de servidores, é aplicada por analogia a lei de
greve dos celetistas.
IMPORTANTE: a greve deve ser pondera com o princípio da continuidade.
A paralisação só pode ser parcial;
Descontos dos dias não trabalhados; pode haver compensação em caso de
acordo;
Não haverá desconto se o que ocasionou a greve foi conduta ilícita do poder
público;
Deve ser cientificado no mínimo 72h antes do início da greve, através de
comunicação formal.
b) Suspensão do serviço público por inadimplemento. Havendo inadimplemento
é possível que haja o corte do fornecimento de água e luz. No entanto quando se
falar em escolas, hospitais ou presídios esse corte é proibido, por ser instituições
que prestam serviço público.
Durante a pandemia da COVID19 a suspensão dos serviços considerados
essências foi proibida, inclusive internet e telefonia, enquanto durasse o período de
isolamento.
c) Se o estado não pagar o concessionário, este não pode interromper de
imediato o serviço, devendo esperar 90 dias.
m) Princípio da transcendência e atos praticados pelas gestões anteriores o estado só
pode sofrer restrições nos cadastros dos devedores da União por atos praticados pelo
Poder Executivo.
A administração atual não pode ser punida por atos dos antigos gestores.
n) Princípio da responsividade o administrador deve reagir adequadamente às
demandas da sociedade.
O administrador deve prestar contas pela legitimidade das suas escolhas fiscais.
Devendo ser responsabilizado quando não observa a vontade do administrado,
supostamente constante na lei, inclusive orçamentaria.
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Centralização administrativa ou atuação centralizada : não há delegação de
funções, o próprio poder público executa suas atividades diretamente. Pelos
órgãos da administração pública direta.
Desconcentração: as atividades do ente administrativo são distribuídas
internamente para os órgãos de forma hierárquica. Há apenas uma pessoa jurídica
de direito público.
Descentralização administrativa ou atuação descentralizada: a administração
pública cria entidades administrativas com personalidade jurídica própria. Não há
relação de subordinação, mas sim vinculação.
A descentralização pode ser:
a) Por outorga: ente da federação cria uma pessoa jurídica, visando alienar para
esta a execução de determinada atividade pública.
b) Por delegação: ente público repassa a execução da atividade pública para uma
pessoa jurídica de direito privado. Só é possível repassar a execução da
atividade, a titularidade é sempre do ente público.
c) Territorial: ocorre quando a união cria os territórios federais. É uma pessoa
jurídica de direito público com espaço territorial determinado, com
competências e autonomia.
A administração é divindade em:
1. ADMINISTRAÇÃO DIRETA: composta por ÓRGÃO PÚBLICO, não tem
personalidade jurídica própria. É o fenômeno da desconcentração. As atividades são
realizadas pelo próprio órgão administrativo de forma centralizada. Ex.: União e seus
ministérios.
2. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA: é produto da descentralização. Cria novos entes
públicos com personalidade jurídica própria. Possuem receita e patrimônios próprios e
capacidade de autoadministração. Para sua criação ou extinção deve ser feita lei
ordinária de iniciativa do chefe do poder executivo.
Fundações (p.j. direito público)
Autarquias (p.j. direito público ou privado)
Sociedade de economia mista (p.j. direito público e privado)
Empresa pública (p.j. direito privado)
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Integram a estrutura de uma mesma pessoa jurídica pois são frutos da
desconcentração administrativa. Não tem personalidade jurídica própria.
Teoria do órgão ou teoria da imputação volitiva: (exterioriza a vontade da Adm. pública) –
o estado manifesta sua vontade por meio de seus órgãos. Os agentes manifestam sua vontade
em nome dos órgãos, sendo imputado ao estado a vontade exteriorizada pelo agente.
IMPORTANTE: apesar dos órgãos serem entes despersonalizados, que representam o
poder da pessoa jurídica, poderão defender em juízo as suas prerrogativas constitucionais. Ex.:
o TJ pode impetram MS contra ato do governador que não repassar o duodécimo orçamentário
devido. O ORGÃO NÃO TEM PERSONALIDADE JURÍDICA, MAS TEM PERSONALIDADE
JUDICIÁRIA.
Sum. 525, STJ: A câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos
institucionais.
AUTARQUIAS
Pessoa jurídica de direito público interno. É criada por lei ordinária específica para
prestar atividades típicas do estado (descentralização). Não há subordinação com a
administração Direta, mas há vinculação. Ex.: CVM (Comissão de Valores Mobiliários), BACEN
(banco central), IBAMA (Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais
renováveis), INMET (Instituto nacional de meteorologia).
A responsabilidade civil da autarquia é objetiva – responderão pelos danos causados
pelos seus agentes a terceiros independente de culpa, sendo assegurado a autarquia o direito
de regresso (responsabilidade civil subjetiva) se este estiver agido com dolo ou culpa. – Essa é a
teoria do risco administrativo.
As autarquias tem as mesmas prerrogativas da Fazenda pública, possuindo privilégios
processuais como:
Isenção de custas, salvo o reembolso das despesas judiciais feitas pela parte
autora.
Duplo grau de jurisdição obrigatório quando a sentença for desfavorável.
Dispensa de deposito prévio para interposição de recursos.
Prazo em dobro para se manifestar.
Realização de cobrança para executar o credito e acordo com a lei de execução
fiscal.
Pagamento das condenações por meio de precatórios. Obs.: as autarquias tem fila
própria de precatórios, ou seja, não confunde com a fila da União.
Estão submetidas a prescrição quinquenal, ou seja, eventuais cobranças de
direitos contra a autarquia, prescreve em 5 anos.
Além disso por seus bens serem classificados como bens públicos, vai haver a
impenhorabilidade, não pode ser objeto de hipoteca e anticrese. São imprescritíveis, e
relativamente inalienáveis (só pode alienar se houver lei permitindo).
Também goza de imunidade tributária reciproca. Não vai haver cobrança de imposto
sobre o patrimônio e renda das autarquias desde que estes sejam relacionados a sua finalidade
principal.
IMPORTANTE: as autarquias possuem autonomia administrativa, mas se subordinam a
um controle finalístico pela entidade que a criou (vinculação). – Tutela ou supervisão ministerial
– visa a realização dos objetivos que justificaram a criação da autarquia.
a) UNIVERSIDADES PÚBLICAS
São organizadas como autarquias de regime especial. – Possui maior autonomia e o
reitor não pode ser exonerado ad nutum.
Prerrogativas:
Imunidade tributária: desde que relacionados às suas finalidades essenciais.
Impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade dos bens;
Débitos pagos por meio de precatórios;
Execução fiscal de seus créditos;
Benefício da prescrição quinquenal de seus débitos.
b) AUTARQUIAS CORPORATIVAS
São as entidades de classe (CFM, CRO, COFEN). – São classificados como autarquias
especiais. Gozam de imunidade tributária, devem realizar concurso publico para contratação de
pessoal e licitações para contratação. TCU fiscaliza.
c) OAB
STF: a OAB não deve ser considerada uma entidade pública, mas sim AUTARQUIA SUI
GENERIS. Os regimes aplicados aos demais conselhos de classe não é extensível a OAB. – É
entidade privada, conservando uma maior autonomia, independência e distanciamento da
entidade ao Poder Público. Não se submete a fiscalização do TCU.
d) AGÊNCIAS REGULADORAS
São entidades administrativas com alto grau técnico, instituídas como autarquias
especiais com a finalidade de regular setor especifico da economia ou determinado serviço
público.
Ex.: ANP (Agência Nacional do Petróleo, gás natural e Biocombustíveis), ANAC (Agência
nacional de Aviação Civil), ANATEL, ANEEL.
Características:
As decisões das agências reguladoras não se submetem a uma revisão de um
órgão integrante do Poder Executivo. – Caráter técnico prevalece.
Os dirigentes das agencias reguladoras são nomeados pelo Presidente da
República, após aprovação do Senado Federal, exercendo mandatos fixos e com
estabilidade. – Os mandatos não devem coincidir com os do presidente da
república. Não pode ser exonerado ad nutum, nem ser destituído pelo presidente.
Quarentena dos dirigentes: ao fim do mandato, o ex-dirigente ficara impedido por 6
meses de assumir outro cargo no setor público ou empresa privada que integre o
setor regulado pela agência. – Recebera compensação durante esse tempo.
Não há tutela ou subordinação hierárquica. Gozam de autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira. – Seus atos só podem ser revistos por eles
próprios ou pelo poder judiciário. O controle externo é exercido pelo congresso em
conjunto com o TCU.
e) TEORIAS DO RISCO DA CAPTURA:
O regime adotado pelas agencias regularas visa evitar conflitos de interesses, a
advocacia administrativa, e o uso de informações obtidas ou conhecimento obtido para atuar de
plano naquele setor. – Seria a influencia de interesses privados no desempenho das atividades
regulatórias, visando seu beneficio em face do que é legalmente previsto.
Captura econômica: materializada em razão da vinculação entre os interesses dos
setores regulados e a agência reguladora, gerando um desvirtuamento das
finalidades regulatórias da agência reguladora.
Captura política: prevalência das decisões politicas em detrimento das decisões
técnicas.
A regulação deve ser imparcial e impessoal.
f) DESLEGALIZAÇÃO E TEORIA DA FUNÇÃO REGULATÓRIA
Deslegalização: ato do parlamento em delegar toda ou parcela de sua competência
legislativa, para que essas decisões passem s ser tomadas por um órgão técnico, e não mais
por lei. – A agência reguladora teria o poder editar um ato normativo inclusive inovando na
ordem jurídica.
No Brasil É PRIBIDO A DESLEGALIZAÇÃO TOTAL. – Os regulamentos emanados por
agências reguladoras não podem ser atos normativos primário, que inovam a ordem jurídica.
Cabe aos órgãos e entidades apenas editar atos normativos complementares, de
conteúdo técnico. Ex.: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai dizer o que é
droga (entorpecente e psicotrópico) para fins penais.
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