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Teoria de Enfermagem de Ida Orlando

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Luisa Macedo
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Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Escola Superior de Saúde

XXIII CLE

Teorias de Enfermagem

Ida Jean Orlando Pelletier

DISCENTES:

Beatriz Araújo Carvalho e Silva, 1º A, Nº 28688

Beatriz Moreira Brito, 1º A, Nº 27924

Flávia Rafaela de Oliveira Figueiredo Lopes da Silva, 1º A, Nº 28684

Isaías Sassenda Lopes, 1º A, Nº 27926

Luísa Maria Ribeiro Macedo, 1º A, Nº 28686

Rafaela Ferreira Rodrigues, 1º A, Nº 28679

Rodrigo Reis Pinto, 1º A, Nº 28730

Veronica Francisca Martins Coelho, 1º A, Nº 28886

Viana do Castelo, dezembro de 2021


Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Escola Superior de Saúde

XXIII CLE

Trabalho elaborado no âmbito da Unidade Curricular de


História e Epistemologia de Enfermagem
Ano letivo 2021/2022
1º ano, Turma A

Regente: Luís Carlos Carvalho da Graça

DISCENTES:

Beatriz Araújo Carvalho e Silva, 1º A, Nº 28688

Beatriz Moreira Brito, 1º A, Nº 27924

Flávia Rafaela de Oliveira Figueiredo Lopes da Silva, 1º A, Nº 28684

Isaías Sassenda Lopes, 1º A, Nº 27926

Luísa Maria Ribeiro Macedo, 1º A, Nº 28686

Rafaela Ferreira Rodrigues, 1º A, Nº 28679

Rodrigo Reis Pinto, 1º A, Nº 28730

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ÍNDICE:
1. Introdução……………………………………....4
2. Enquadramento Histórico………………………5
3. Evolução da Teoria……………………………..7
4. Pressupostos Filosóficos………………………..9
5. Conceitos……………………………………….11
6. Utilização na Prática Clínica…………………...12
7. Investigação…………………………………….13
Conclusão…………………………………………14
8. Referências Bibliográficas...…………………....15

3
1. INTRODUÇÃO

Este trabalho foi elaborado no âmbito da Unidade Curricular de História e Epistemologia de


Enfermagem, do 1º ano, do 1º semestre do curso de Enfermagem, lecionada pelo docente
Professor Doutor Luís Graça.

Este trabalho, que nos foi proposto, tem por objetivo explorar uma Teoria de Enfermagem -
a Teoria da enfermeira psiquiátrica, teórica, consultora e pesquisadora Ida Jean Orlando
Pelletier, mais conhecida, por Ida Orlando.

A Teoria de Enfermagem de Ida Orlando centra-se na capacidade que o enfermeiro deve


possuir para identificar e dar resposta às necessidades dos doentes, tendo proposto a
dinâmica recíproca e inter-relacional Enfermeiro-paciente.

4
2. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

A relação Enfermeiro-Paciente é relatada por vários teoristas da área de Enfermagem, em


que cada um expõe a sua tese mediante a sua perspetiva. Esta, por sua vez, é influenciada
por diversos fatores internos e externos da pessoa, culminando em múltiplas e díspares
teorias que podem, ou não, apresentar ideias/pontos concordantes.

Para abordar a teoria de Ida Jean Orlando é pertinente enquadrar o seu percurso académico,
de forma a demonstrar os seus objetivos e convicções, bem como a sua influência na história
da Enfermagem, ou, de forma mais precisa, no Processo de Enfermagem.

Ida Orlando é conhecida pelo seu empenho na área de Administração e Saúde Mental, com
ênfase em relações interpessoais dinâmicas (Toniolli e Pagliuca, 2002). Nota: Ao relatarem
a sua biografia e percurso académico, os autores Toniolli e Pagliuca (2002) e George (2000)
compactuaram com as datas e eventos que serão relatados abaixo de forma resumida.

Ida Jean Orlando nasceu a 12 de agosto 1926, em Nova Iorque (EUA), onde realizou a sua
formação inicial em Enfermagem, e veio a formar-se, mais tarde, em 1947, no New York
Medical College, Flower Fifth Avenue Hospital School of Nursing.

Em 1951 obteve o seu Bacharelato em Enfermagem de Saúde Pública, na Universidade de


St. John’s, em Nova Iorque, tendo feito o seu Mestrado, de seguida, em 1954, na área de
Consultoria em Saúde Mental na Universidade Columbia (Columbia University Teachers
College), também em Nova Iorque.

Na Escola de Enfermagem de Yale (Yale School of Nursing, New Haven Connecticut -USA),
veio a tornar-se Assistente de Pesquisa e Investigadora Principal no projeto “Integração de
conceitos em saúde mental ao currículo básico de enfermagem”, que tinha como propósito
identificar variáveis que interferissem (positiva ou negativamente) na integração dos
princípios de saúde mental no currículo básico de enfermagem. Este projeto resultou no livro
intitulado “O Relacionamento Dinâmico Enfermeiro-Paciente: função, processo e princípios
da prática profissional de enfermagem” (“The Dynamic Nurse-Patient Relationship:
Function, Process and Principles of Professional Nursing”).

Escrito em 1958, este livro constitui a primeira obra da autora, e proporciona uma ideia
primária do conteúdo da sua teoria - a declaração da enfermeira sobre a sua perceção, o seu
pensamento ou até mesmo a sua intuição sobre o comportamento do paciente diferenciava a

5
comunicação afetiva da inefetiva - porém, apenas viria a ser publicada em 1961, tendo por
objetivo oferecer ao estudante de enfermagem uma teoria de prática de enfermagem efetiva.

Esta obra veio dar relevo ao percurso académico da teorista e embasou as suas impressões
de como os pacientes eram tratados e como realmente deveria ser a postura ideal do
enfermeiro para corroborar com o tratamento adequado e recuperação do paciente
hospitalizado.

Orlando veio a ser diretora do Programa de Graduação em Saúde Mental e Psiquiátrica na


Universidade de Yale e, ainda em Yale, casou-se com Robert J. Pelletier, antes de partir para
o desafio seguinte em Massachussetts. Nessa cidade, Ida tornou-se Consultora Clínica de
Enfermagem na McLean Hospital em Belmont, Massachussetts, por 10 anos (1962 a 1972),
onde prosseguiu com os estudos observacionais na interação Enfermeiro-Paciente. Este
processo gerou um programa de estágio subsidiado pelo governo federal americano que
consistia em fomentar as suas teorias na área da saúde mental. Assim sendo, em 1967,
publicou o artigo “The patient´s Predicament and Nursing Function” na revista Psychiatric
Opinion.

Fruto dos seus 10 anos no hospital em questão, nasceu o seu segundo livro, em 1972,
intitulado de “The Discipline and Teaching of Nursing Process: An Evaluative Study”, o
qual apresentava a reformulação da sua teoria. Ida descreve o Processo de Enfermagem, nos
seus dois livros, como algo focado e baseado na interação entre o doente e o enfermeiro.

De 1972 a 1985, prosseguiu como Consultora, mas, também, como Orientadora de 60 grupos
de trabalho, e palestrou sobre a sua teoria em vários fóruns nos EUA e no Canadá.

Ainda nesse período, tornou-se membro do quadro da Harvard Community Health Plan;
desempenhou o cargo de Nurse Educator of Metropolitan State Hospital em Waltham,
Massachussetts (1981) e de Diretora Assistente de Enfermagem para o Ensino e
Investigação, no mesmo hospital (1987).

Veio a reformar-se em 1990 e, ainda nesse ano, houve uma reimpressão do primeiro livro de
Orlando em 1990 pela National League for Nursing (NLN), onde a autora afirmou, no
prefácio, que “se eu tivesse sido mais corajosa em 1961, altura em que este livro foi
publicado, tê-lo-ia proposto como ‘teoria do processo de enfermagem’ em vez de uma
‘teoria de prática de enfermagem eficiente”.

6
3. EVOLUÇÃO DA TEORIA

Como referido anteriormente, Ida Jean Orlando Pelletier publicou dois livros, tendo sido
uma colaboradora importante para a Teoria do Processo de Enfermagem.

O primeiro livro, “The Dynamic Nurse-Patient Relationship” foi publicado em 1961 e em


1972 foi reformulado em “The Discipline and Teaching of Nursing Process”. Neste livro,
Orlando direciona-se para os princípios que orientam a prática de enfermagem. Já no
segundo livro, direciona uma especial atenção às necessidades que o doente apresenta,
solicitando ao enfermeiro a capacidade de identificar e aliviar corretamente as necessidades
do doente. O seu pensamento centraliza-se num profissional de enfermagem singular, em
que o foco é o doente e não apenas a doença ou as exigências da profissão; e em profissionais
de enfermagem que possuam a autonomia de conseguirem atuar profissionalmente em
pessoas saudáveis ou doentes, quer numa instituição ou como profissionais independentes.

Orlando foi uma das primeiras a identificar os elementos do Processo de Enfermagem: o


comportamento do doente, a reação da enfermeira e as ações de enfermagem, tendo sido
crucial a participação do doente neste processo.

A Teoria de Enfermagem de Ida Orlando salienta a relação entre doente-enfermeiro e refere


que, para a profissão de enfermagem, o aperfeiçoamento dos cuidados ao doente é
considerado valioso. Para a teorista, enfermagem era vista como uma profissão distinta em
que a enfermeira auxiliava o doente a executar a “ordem”, ou executava por ele quando este
não era capaz de o fazer.

Na sua teoria define o processo de ação e descreve quais os tipos de ações que facilitam ou
impedem a enfermeira de descobrir as necessidades que o doente apresenta. A enfermeira
satisfaz as necessidades do doente podendo este apresentar limitações físicas, reações
negativas a um ambiente ou impedimento de comunicação, existindo, assim, uma
responsabilidade direta de interpretação por parte da enfermeira. Um profissional de
enfermagem deve estar apto para identificar as necessidades dos doentes e ter a capacidade
de as solucionar.

Orlando não reconhece nenhuma fonte teórica para o desenvolvimento da sua teoria e
nenhuma das suas publicações inclui uma bibliografia. Desenvolveu a sua teoria a partir de

7
situações reais de enfermeira-doente (observações), registando os contactos entre estes e,
com a análise obtida nestes dados, construiu a sua teoria.

Reuniu registos das suas observações durante 3 anos e, perante a avaliação dos resultados
dos dados obtidos, conseguiu identificar bons e maus resultados. Os bons resultados
basearam-se na melhoria do comportamento do doente e os maus resultados basearam-se no
oposto: na ausência de melhoria.

Posto isto, reconhece a importância da disciplina no processo de enfermagem, pois ajuda o


doente a comunicar a sua necessidade, sendo um meio a atingir para obter a eficácia dos
resultados. Para Ida Orlando, a importância da disciplina referida requer que o enfermeiro
consiga ser eficiente no alívio da sensação de desamparo do doente.

A partir desses resultados decidiu reformular a sua Teoria, tendo uma definição específica
da função de enfermagem, da sua organização, e uma orientação para o profissional na sua
reação ao comportamento do doente, contribuindo para a teoria e prática de enfermagem.

Orlando denomina o Processo de Enfermagem como um instrumento que as enfermeiras


utilizam para efetuar as suas funções, sendo que este processo ainda continua útil para as
enfermeiras nas suas interações com o doente.

O Processo de Enfermagem da teorista é dinâmico e totalmente interativo, segundo a autora


George (1993, p. 137) - “ele descreve, passo por passo, o que ocorre entre uma enfermeira e
um paciente, num determinado encontro”. Esta ainda salienta que o processo se inicia com
o comportamento do doente e desenvolve-se na reação do profissional de enfermagem face
a esse comportamento e a uma ação de ajuda adequada por parte do profissional. Enquanto
um profissional de enfermagem aplicar este processo, irá prevenir um fracasso na sua
interação com o doente e na sua capacidade de gerar respostas às necessidades que o doente
apresenta, pois está constantemente a reavaliar a relação enfermeira-doente.

Aspetos negativos: Por outro lado, um exemplo de uma das funções principais de um
profissional de enfermagem é o controle dos sinais vitais do doente, evitando doenças e
promovendo a saúde, e Orlando pouco menciona estas características do papel do enfermeiro
e também não expõe a importância de incluir a família na recuperação do doente.

8
4. PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS

Na teoria de Ida Orlando todos os pressupostos estão implícitos. Como não existe
documentação sobre a forma como os pressupostos se formaram, não fica muito clara a
maneira como Orlando os formou, sendo este um dos maiores problemas da sua teoria, do
ponto de vista de alguns analistas. É de referir que Orlando é uma das figuras alusivas a uma
das 6 escolas de pensamento de enfermagem: a Escola da Interação, a qual tem por base o
Paradigma da Integração.

É de imaginar que esta escola tem como foco os processos de interação entre a enfermeira e
o doente, ou até mesmo a família do mesmo. Para esta “instituição”, o cuidado é uma ação
de índole humanitária, e as enfermeiras devem possuir conhecimentos que permitam avaliar
as necessidades do doente, bem como fazer juízos clínicos e a planificação da intervenção -
Processo de Enfermagem -, mantendo sempre o carácter holístico da pessoa - devem ser
capazes de reconhecer as individualidades do doente. Assim sendo, a prestação de cuidados
deve centrar-se no seu todo (multidimensões da pessoa), integrado no seu contexto
(individualização dos cuidados) - paradigma da integração.

Segundo as autoras Ann Tomey e Martha Alligood (2004, p.449-450), os pressupostos meta-
paradigmáticos da Teoria de Ida Orlando são os seguintes: Enfermagem, Pessoa, Saúde e
Ambiente.

Posto isto, Ida Orlando define:

Enfermagem: O pressuposto principal sobre enfermagem que Ida Orlando apresentou é que
esta devia ser uma profissão distinta, totalmente autónoma, mesmo estando historicamente
ligada à medicina e, mesmo que, até hoje, exista uma relação entre as duas áreas - a prática
da medicina e a enfermagem são profissões completamente independentes. Estes
pressupostos estão espelhados na definição que Orlando faz do exercício da enfermagem
profissional.

Orlando declara que o papel da enfermagem é concetualizado com o objetivo de descobrir


se o paciente precisa de ajuda imediata e que é da responsabilidade da enfermeira verificar
se as necessidades do doente foram satisfeitas. Este pressuposto é explicado com maior
detalhe na abordagem de Orlando à disciplina do processo de enfermagem que, segundo ela,
é composto pelos seguintes elementos básicos: “o comportamento do doente, a reação da

9
enfermeira e as ações da enfermagem reunidas para o benefício do doente.” (Ann Marriner
Tomey e Martha Raile Alligood,2004, p.449). A relação entre estes elementos é o que forma
o processo de enfermagem segundo a teorista. Outro pressuposto dentro desta área afirma
que a enfermeira deve ajudar a diminuir o mal-estar físico ou mental, para que não
contribuam para o aumento da angústia do paciente. Este pressuposto é claro no conceito de
melhoria do comportamento do doente como efeito desejado das ações de enfermagem.
Orlando preocupa-se em fornecer assistência direta aos utentes, em qualquer tipo de contexto
“com o objetivo de evitar, aliviar, diminuir ou curar o sentimento de desamparo da pessoa”
(Ann Marriner Tomey e Martha Raile Alligood,2004, p.449).

Pessoa: Sobre a área da «Pessoa», Orlando parte do princípio que as pessoas têm dois tipos
de comportamento: verbal e não-verbal. A confirmação deste pressuposto está no destaque
que Orlando dá às alterações de comportamentos no doente. Orlando assume que, por vezes,
as pessoas conseguem satisfazer as suas próprias necessidades de ajuda. No entanto, ficam
angustiadas quando não o conseguem. Assim, as enfermeiras devem observar e comunicar
com os doentes regularmente para determinar novas necessidades de ajuda.

Declara ainda que cada utente é único e individual na sua resposta - “um profissional de
enfermagem consegue reconhecer que o mesmo comportamento em doentes diferentes pode
indicar necessidades bastante diferentes” (Ann Marriner Tomey e Martha Raile
Alligood,2004, p.450).

Saúde: Para Ida Orlando não existe uma definição objetiva de saúde e, por isso, assume que
o sentimento de suficiência e bem-estar juntamente com a ausência de mal-estar físico e
mental contribuem para a promoção de saúde. Orlando observa também que “experiências
repetidas de se ter sido ajudado culminam, indubitavelmente, após períodos de tempo sem
grandes níveis de melhoria” (Ann Marriner Tomey e Martha Raile Alligood,2004, p.450).

Ambiente: Ida Orlando também não define Ambiente, mas assume que, quando há contacto
entre a enfermeira e o doente, tanto o doente como a enfermeira têm a capacidade de
distinguir, sentir, pensar e atuar na situação imediata. No entanto, ainda que qualquer
característica do ambiente seja concebida com propósitos terapêuticos e de auxílio, o doente
pode reagir com angústia, sendo o papel da enfermeira fundamental nestas situações, pois
esta tem a capacidade de observar qualquer comportamento do doente e identificá-lo como
indício de angústia.

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5. CONCEITOS

Segundo Schmieding (2004), Ida Jean Orlando foca-se em cinco grandes conceitos que se
encontram inter-relacionados. São eles:

• A função do profissional de enfermagem


• O comportamento apresentado pelo doente
• A resposta imediata ou interna do enfermeiro
• A disciplina do processo de enfermagem
• A melhoria
Dentro do primeiro conceito, verificamos que a enfermagem é exclusiva e independente, isto
é, os enfermeiros são responsáveis pelo apuramento das necessidades dos utentes, sejam elas
diretas ou indiretas, e pela posterior satisfação das mesmas.

As necessidades dos pacientes estão relacionadas com o segundo conceito, comportamento


do doente, podendo este ser verbal ou não verbal, e ambos representam um pedido de ajuda.
Cada doente é único e individual (“humanização e diferenciação do cuidado”), ou seja, o
mesmo comportamento num paciente pode significar necessidades totalmente diferentes
num outro indivíduo. Quando existe dificuldade na compreensão do comportamento e das
necessidades, por parte do profissional de enfermagem, pode surgir complicações na relação
terapêutica entre ambos.

A resposta do profissional de enfermagem, segundo Ida Orlando, está dividida em três fases,
sendo a primeira a perceção do comportamento do doente e as suas necessidades, o que leva
à segunda fase: o pensamento, que pode ser automático ou deliberado. Os enfermeiros devem
ter a certeza de que a sua ação será a mais apropriada para satisfazer as necessidades dos
utentes. A disciplina do processo de enfermagem corresponde à interação enfermeiro-
paciente. Dessa forma, Orlando acredita que a atuação da enfermeira só pode ser considerada
efetiva quando esta faz uso do seu processo de enfermagem, ou seja, do seu pensamento
crítico. Então, este processo de ação feito pela enfermeira num contacto com o doente é
denominado Processo de Enfermagem.

Por fim, segundo a teorista, a melhoria vai ser sempre o resultado da ação da enfermeira.
Logo, considera que jamais uma boa enfermeira vai atuar sobre o paciente e gerar uma piora
do seu quadro clínico.

11
6. UTILIZAÇÃO NA PRÁTICA CLÍNICA
Ida Orlando teve um grande impacto na investigação e na prática de enfermagem, tendo sido
esta a responsável pela grande Teoria do Processo de Enfermagem. Atualmente, esta teoria
tem vindo a ser desenvolvida e aperfeiçoada. É através desta que o profissional de
enfermagem determina, antecipadamente, qual o método mais adequado para satisfazer as
necessidades do paciente, de modo a promover um atendimento mais sistemático, rentável e
individualizado. Consequentemente, é possível verificar um maior foco na relação
terapêutica entre paciente e enfermeiro, e não tanto na doença em si, porque quanto maior
for a transmissão de segurança por parte do profissional de enfermagem, mais confiante e
seguro o paciente irá sentir-se, atingindo assim, um melhor resultado.

No entanto, o processo de enfermagem não é exclusivo de uma interação enfermeiro-


paciente. Pode ser utilizado de inúmeras formas, como por exemplo, quando existe um
descontentamento por parte dos profissionais de enfermagem estes dirigem-se ao seu
superior (Enfermeira Chefe), que por sua vez irá analisar as necessidades da sua equipa e,
em seguida, avaliar qual o melhor método para promover o bem-estar de todos.

Resumidamente, todo o profissional de enfermagem necessita focar-se no seu pensamento


lógico e tirar partido do mesmo, para que seja possível proporcionar um atendimento digno
ao utente. E, como referido no ponto anterior, esta teoria pode ainda ser utilizada com a
finalidade de ensino a estudantes de enfermagem.

12
7. INVESTIGAÇÃO
Segundo Schmieding (2004), a teoria de Ida Orlando tem um papel importante na
investigação em enfermagem, sendo possível encaixá-la em vários cenários diferentes dentro
da área, pois, estudos anteriormente realizados, comprovaram a veracidade da mesma.

Uma das definições da teoria de Orlando estudada foi a necessidade de ajuda. O estudo
realizado por Dracup e Breu, tinha como princípio abordar a necessidade de ajuda das viúvas,
assim como Hampe, que seguiu a mesma ideia num estudo semelhante. Outro foi Pienschke,
que, num estudo relacionado com doentes oncológicos, “descobriu a adequação dos cuidados
aperfeiçoada pela abertura da abordagem, pela perceção das necessidades e concordância
entre doente e enfermeira sobre a necessidade do doente e a adequação dos cuidados.”
(Schmieding, 2004, p.455).

Uma outra definição estudada foi a disciplina do processo de enfermagem de Orlando, que
após diferentes estudos foi designada como uma “abordagem experimental” (Schmieding,
2004, p.455), de forma a avaliar o estado de angústia do doente no momento da sua
administração e antes da cirurgia. No estudo das ações de enfermagem, Anderson, Mertz e
Leonard constataram que essas intervenções reduziam o stress do doente na sua admissão
aos cuidados, e Wolfer e Visintainer comprovaram isso tanto com crianças como com os
seus pais. Dessa forma, os estudos concluíram que, se a enfermeira determinar a verdadeira
fonte de angústia do doente, isso irá permitir-lhe tomar a atitude correta para aliviar essa
angústia e possibilitar que haja menos complicações derivadas a esse estado emocional antes
e após a cirurgia. Posteriormente, foi comprovado por Olson e Hanchett, que a teoria que
melhor se enquadra no estudo da relação de empatia da enfermeira com a resposta do doente
é a de Ida Orlando.

Os estudos que utilizam a disciplina do processo de enfermagem podem ser considerados


como estudos de experimentação, por fornecerem suporte empírico à teoria de Orlando;
como estudos de criação de teoria, por ajudarem com novas ideias na prática; ou como
estudos para o ensino dos estudantes de enfermagem.

Em suma, a forma como a teoria de Orlando se enquadra em várias investigações realça a


sua abrangência e a utilidade que tem para a aplicação dos resultados.

13
CONCLUSÃO

Como é possível averiguar, o presente trabalho foi realizado tendo por base diversas fontes
bibliográficas em relação ao tema em questão – Teoria de Enfermagem de Ida Orlando.

Com este trabalho, compreendemos que Ida Orlando, através da observação e,


posteriormente, através do pensamento crítico, apercebeu-se de um ponto de extrema
importância para a “arte de cuidar” que, de certa forma, era ignorado. Este ponto é a
interação/relação entre o doente e o enfermeiro.

Assim, a Teoria de Enfermagem de Orlando realça a relação recíproca entre enfermeira e


paciente: o que a enfermeira e o paciente dizem e/ou fazem irá afetar ambos. Orlando
centrou-se na melhoria do comportamento do paciente, predominando a evidência no alívio
da angústia enquanto mudança positiva do seu comportamento, visando atender sempre às
multidimensões da pessoa; individualizando sempre o cuidado e “tendo como arma” o
pensamento crítico na avaliação e na capacidade de tomada de decisão (planeamento),
mantendo, desta forma, o carácter holístico do doente.

14
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Prá, L.A. & Piccoli, M. (2004). Enfermagem perioperatória: diagnósticos de


enfermagem fundamentados na teoria de ida Jean Orlando. Revista Eletrónica de
Enfermagem, v.6, n.2, p.234-253.

Mendes, J.M.G. (1997). As práticas profissionais e os modelos de enfermagem.


SERVIR, v.45, n.1, p.6-15.

SCHMIEDING, Norma Jean – Ida Jean Orlando (Pelletier): teoria do processo


de enfermagem. In TOMEY, Ann Marriner; ALLIGOOD, Martha Raile – Teórica de
enfermagem e a sua obra: modelos e teorias de enfermagem. 5.º
ed, Loures: Lusociência,2004. ISBN: 972-8383-74-6.

LEONARD, Mary Kathryn; CRANE, Mary Disbrow – Ida Jean Orlando. In


GEORGE, Julia B. – Teorias de enfermagem: os fundamentos para a prática
profissional. Porto Alegre, RS, Brasil: Editora Artes Médicas Sul LTDA, 1993.

George, Júlia B. Ida Orlando. In J. B. George. -Teorias de enfermagem: os


fundamentos para a prática profissional (pp. 75-82, 4a ed.). Porto Alegre: Artes Médicas,
2000.

LEONARD, M.K.; GEORGE, J. B. - Ida Jean Orlando. In J. B. George -Teorias de


enfermagem: os fundamentos para a prática profissional (pp. 131-146, 4a ed). Porto

Alegre: Artes Médicas, 2000

TONIOLLI, Ana Cláudia de Souza; PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag - Análise da


Aplicabilidade da Teoria de Orlando em Periódicos Brasileiros de Enfermagem.
Rev. Bras. Enferm., Brasília, v. 55, n. 5, p. 489-494, set./out. 2002.

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Regente: Luís
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ÍNDICE: 
1. Introdução……………………………………....4 
2. Enquadramento Histórico………………………5 
3. Evolução da Teoria…………………………….
4 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO  
Este trabalho foi elaborado no âmbito da Unidade Curricular de História e Epistemologia de 
Enferm
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2. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO 
A relação Enfermeiro-Paciente é relatada por vários teoristas da área de Enfermagem, e
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comunicação afetiva da inefetiva - porém, apenas viria a ser publicada em 1961, tendo por 
objetivo oferecer ao estu
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3. EVOLUÇÃO DA TEORIA 
Como referido anteriormente, Ida Jean Orlando Pelletier publicou dois livros, tendo sido 
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situações reais de enfermeira-doente (observações), registando os contactos entre estes e, 
com a análise obtida nes
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4. PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS 
Na teoria de Ida Orlando todos os pressupostos estão implícitos. Como não existe 
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enfermeira e as ações da enfermagem reunidas para o benefício do doente.” (Ann Marriner 
Tomey e Martha Raile Allig

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