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Gerenciamento de Resíduos de Gesso em JP

Este documento analisa o gerenciamento dos resíduos de gesso da construção civil no município de João Pessoa-PB. A pesquisa identificou que o gerenciamento destes resíduos é inadequado em praticamente todas as etapas, com disposição irregular devido à falta de fiscalização e locais adequados para destinação. Entretanto, existe potencial para reutilização dos resíduos de gesso na indústria cimenteira localizada na cidade.

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Bruno Martins
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Gerenciamento de Resíduos de Gesso em JP

Este documento analisa o gerenciamento dos resíduos de gesso da construção civil no município de João Pessoa-PB. A pesquisa identificou que o gerenciamento destes resíduos é inadequado em praticamente todas as etapas, com disposição irregular devido à falta de fiscalização e locais adequados para destinação. Entretanto, existe potencial para reutilização dos resíduos de gesso na indústria cimenteira localizada na cidade.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE TECNOLOGIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE GESSO DA


CONSTRUÇÃO CIVIL NO MUNICÍPIO JOÃO PESSOA-PB.

Samara Cíntia Alves Gama

João Pessoa- PB
2015
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE TECNOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE GESSO DA


CONSTRUÇÃO CIVIL NO MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA-PB.

Dissertação submetida ao Programa de Pós-


Graduação em Engenharia Civil e
Ambiental da Universidade Federal da
Paraíba, como parte dos requisitos para a
obtenção do título de Mestre.

Samara Cíntia Alves Gama

Orientador: Dr. Joácio de Araújo Morais Júnior

João Pessoa- PB
2015
Àquele que é digno de toda glória e louvor,
o Criador de todas as coisas, Jesus Cristo.

Dedico.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente e acima de tudo, agradeço a Deus por todas as bênçãos concedidas, por
tudo que tenho e sou, pois tudo provém Dele.

À minha família, pai, mãe e irmão, por todo o apoio, amor e carinho em todos os
momentos da minha vida.

Ao meu amado noivo, Jefter Barbosa Rodrigues, por toda ajuda que me deu em todas as
etapas deste trabalho, sem você eu não faria a metade do que fiz. Obrigada por todo
amor, atenção e dedicação. Eu te amo.

Ao professor Joácio de Morais Araújo Júnior, agradeço-lhe pela orientação que me foi
dada, por todo apoio e compreensão em muitos momentos difíceis, pelo incentivo e por
todos os ensinamentos ao longo destes dois anos. Muito obrigada por tudo!

À professora Cláudia Coutinho Nóbrega, obrigada por todo ensinamento durante a


disciplina “Gestão de Resíduos Sólidos” que foi muito importante para o
desenvolvimento da pesquisa, obrigada por ter aceitado participar da minha banca de
mestrado e por toda a sua paciência. A senhora é dez!

A todos os professores do PPGCAM, em especial àqueles com os quais tive maior


contato durante as disciplinas. Professor Rênio, Cláudia Coutinho, Gilson Athayde,
Pimentel, Elisângela e Carmem, obrigada por todos os ensinamentos e pelo
conhecimento transmitido de forma tão excelente.

À minha querida amiga desde os tempos de graduação, Beatriz Cristina Barbalho de


Melo, por todo o apoio e amizade ao longo desses oito anos de amizade e caminhada.

A todos os meus colegas de turma, em especial Robson Arruda dos Santos e Rômulo
Wilker Neri de Andrade pelo companheirismo, apoio e parceria durante esta importante
etapa das nossas vidas.
À Sára Pedrosa, secretária do PPGCAM, por toda ajuda e suporte dado a mim, por sua
doçura, conversas descontraídas e por sempre tentar resolver os problemas de todos da
melhor forma possível.

Ao CAPES pelo apoio financeiro dado por meio da concessão da bolsa que permitiu a
realização do trabalho.
RESUMO

Ao longo da cadeia produtiva do gesso é possível observar a geração de um grande


volume de resíduos. Esses resíduos apresentam características químicas peculiares que
exigem um tratamento especial para a destinação final. Todavia, estudos mostram que a
facilidade de reversão da composição do gesso propicia a sua reciclagem para várias
formas de reutilização, fazendo-se necessário apenas um gerenciamento eficiente do
resíduo. Visto que a disposição irregular é algo notório no município de João Pessoa e
traz inúmeros problemas à sociedade e ao poder público, o presente estudo buscou
identificar a problemática existente no gerenciamento dos resíduos de gesso, sob a
perspectiva das novas exigências trazidas pela Resolução 431/2011 do CONAMA, que
reclassificou o gesso como material reciclável. A análise do processo de gerenciamento
foi feita através de uma metodologia qualitativa com base em um estudo exploratório,
onde foram feitas pesquisas bibliográficas, análise documental em órgãos públicos,
observação de campo, visitas às empresas e órgãos responsáveis pelo gerenciamento do
Resíduo da Construção Civil (RCC) e entrevistas não estruturadas. O presente estudo
constatou que o gerenciamento dos resíduos de gesso no município de João Pessoa é
inadequado em praticamente todas as etapas, atendo-se apenas ao preenchimento do
Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil pelos geradores. O estudo
apontou várias fragilidades dos órgãos públicos responsáveis pela gestão e fiscalização,
especialmente no que se refere ao cumprimento da própria legislação municipal vigente
e à fiscalização das atividades dos geradores e transportadores. Através das entrevistas,
foi possível notar uma disposição por parte dos transportadores em evitar a deposição
irregular dos resíduos de gesso, bem como o interesse dos órgãos públicos em discutir
alternativas que busquem solucionar o problema no município. A disposição irregular
dos resíduos de gesso em João Pessoa se dá, principalmente, devido à falha na
fiscalização e à ausência de um local adequado para a destinação destes resíduos.
Embora a legislação ambiental obrigue a reciclagem dos resíduos de gesso, não há na
cidade uma usina que faça o tratamento deste material e promova a sua destinação
adequada. No entanto, através da pesquisa foi constatado que existe solução viável para
o reaproveitamento dos resíduos de gesso no município de João Pessoa, esta se dá
através da reutilização como matéria prima para a indústria cimenteira. No centro de
João pessoa está localizada uma das maiores fábricas de cimento do nordeste que utiliza

VIII
cerca de 3.000 toneladas de gesso por mês para a produção do cimento. Este material
pode ser substituído por resíduo de gesso da construção, desde que o mesmo não esteja
contaminado a outros resíduos, dependendo apenas de um correto gerenciamento na
etapa de triagem na obra.

Palavras-chave: gerenciamento, resíduos da construção civil, resíduos de gesso

ABSTRACT

Along the productive chain of gypsum is possible observe a big amount of waste. These
wastes have peculiar chemical characteristics that require a special handling for
disposal. However, studies show that the easy reversion of gypsum composition
provides it recycling to several destinations, being necessary only an eficient
management of the wastes, enabling its reuse. This study aim to indentify the problems
in the management of gypsum waste in the municipality of João Pessoa, since the
irregular disposal is commom bringing several problems to both society and
government, from the perspective of the new requirements brought by Resolution
431/2011 of CONAMA, that classified the gypsum waste as recyclable. The analysis of
the management process was made with a qualitative methodology based on an
explanatory study, which were carried out literature searches, document analysis in
government agencies, field observations, visits to companies and agencies responsible
for the management of construction waste and unstructured interviews. This study
found that the management of gypsum waste in municipality of João Pessoa is
inadequate in almost all the stages, complying with only the completing the form
regarding to Construction Waste Management Project by those responsible. This study
pointed out several failures from the government agencies responsible for manage and
inspection, especially with regard to complying of one’s current municipal legislation
and inspection of the activities of the generators and transporters. With the interviews,
was possible to note the interest by those transporters to avoid the irregular disposal of
gypsum waste, as well as the interest of the government agencies at discuss about
alternatives that solve it problem in the city. The irregular disposal of gypsum waste in
municipality of João Pessoa happen, mainly, because the inspection is insufficient and

IX
lack suitable places to disposal these wastes. Although the environmental legislation
requires the recycling of gypsum waste, there is not in the city any factory the make the
processing of gypsum waste and finally provide its adequate disposal. However, this
research found that there is practicable solution to the reuse of gypsum wastes in
municipality of João Pessoa, it is possible through of the reuse as feedstock to
manufacturing cement. In João Pessoa city is located one of the largest cement plants of
Northeastern of Brazil that use approximately 3.000 tons of gypsum per month for
cement production. It can be replaced for the construction gypsum waste, on condition
that it is not contaminated with another kind of wastes, depending only of the adequate
treatment at the screening stage when the wastes are generated by construction.

Keyword: management, construction waste, gypsum waste.

X
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1- Uso do gesso ao longo do tempo.....................................................................25

Figura 2- Formas encontradas da Gipsita........................................................................27

Figura 3- Tipos de gipsita encontradas no pólo gesseiro de Araripe...............................31

Figura 4- Localização do pólo gesseiro do Araripe e extração (lavra) de gipsita

localizada em Araripina-PE.............................................................................................33

Figura 5- Utilização da pasta de gesso para revestimento de paredes e tetos na

construção civil................................................................................................................38

Figura 6- Parede divisória e forro feito de gesso acartonado..........................................39

Figura 7- Impacto na paisagem e por interrupção de tráfego de pedestres.....................45

Figura 8- Obstrução de córrego causada pela deposição irregular de RCC....................45

Figura 9- Deposição irregular de RCC em áreas urbanas que podem causar a

proliferação de vetores.....................................................................................................45

Figura 10- Deposição irregular de RCC áreas urbanas que podem causar a proliferação

de vetores.........................................................................................................................46

Figura 11- Triagem do RCC no canteiro de obra............................................................58

Figura 12 a- Área de Transbordo e Triagem e Usina de beneficiamento de RCC de João

Pessoa- PB.......................................................................................................................58

Figura 12 b- Ponto de Entrega de Pequenos Volumes no Rio de Janeiro.......................59

Figura 13- Adesivos indicadores de cada tipo de resíduo...............................................59

Figura 14 a- Caminhão Poliguindaste apropriado para o transporte de caçambas de

RCC.................................................................................................................................61

Figura 14b- Caminhão caçamba basculante....................................................................61

Figura 15- Agregado reciclado provenientes do RCC classe A......................................65

XI
Figura 16- Resíduo de gesso acartonado........................................................................69

Figura 17a- Utilização do gesso para revestimento em alvenaria...................................69

Figura 17b- placas de gesso utilizadas para forro...........................................................69

Figura 18- Resíduo de gesso de aplicação para revestimento em alvenarias..................69

Figura 19- Resíduo de gesso não segregado no canteiro de obra...................................70

Figura 20- Armazenamento do resíduo de gesso............................................................71

Figura 21- Métodos de segregação para os diferentes resíduos de gesso.......................71

Figura 22- Acondicionamento de RCC feito de forma irregular em um canteiro de obra

na cidade de João Pessoa................................................................................................81

Figura 23- Caminhão basculante e caminhão poliguindaste de caçambas estacionárias

utilizados no transporte de RCC na cidade de João Pessoa............................................82

Figura 24- Vala de deposição de RCC no Aterro Sanitário Metropolitano....................85

Figura 25- Chegada de caminhão poliguindaste trazendo pouca quantidade de RCC para

depositar no Aterro Sanitário Metropolitano...................................................................85

Figura 26- Disposição irregular de RCC no bairro Quadramares...................................86

Figura 27- Deposição irregular de RCC no bairro Altiplano..........................................87

Figura 28- Disposição irregular de RCC no bairro Portal do Sol. Fonte: Autor da

Pesquisa...........................................................................................................................87

Figura 29- Disposição irregular de RCC no bairro Quadramares...................................88

Figura 30- Deposição irregular de RCC no bairro Quadramares....................................88

Figura 31- Deposição irregular de RCC no bairro Quadramares....................................88

Figura 32- Disposição irregular de RCC em logradouros na cidade de João Pessoa.....89

Figura 33- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro do Altiplano.................90

Figura 34- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro Quadramares................90

Figura 35- Disposição irregular no bairro do Valentina.................................................90

XII
Figura 36- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro de Mangabeira..............91

Figura 37- Deposição irregular de gesso próximo a corpos d’água no bairro de

Mangabeira......................................................................................................................91

Figura 38 - Deposição irregular de resíduo de gesso no bairro dos Bancários...............91

Figura 39- Fábrica de cimento da Cimpor localizada no centro de João Pessoa............93

Figura 40- Processo de reutilização dos resíduos de gesso na indústria cimenteira.......94

Quadro 1- Formas de utilização do gesso mais utilizada na construção

civil..................................................................................................................................36

Quadro 2- Principais impactos ambientais causados em cada etapa do processo de

construção.......................................................................................................................44

Quadro 3- Principais instrumentos legais e normativos utilizados no estudo................49

Quadro 4- Classificação dos resíduos da construção civil..............................................54

Quadro 5- Cores padronizadas para cada tipo de resíduo..............................................60

Quadro 6- Tipo, classe e destinação final adequada para alguns tipos de RCC.............62

Quadro 7- Resumo da metodologia da pesquisa.............................................................77

Quadro 8- Valores da demanda de gesso em real e estimativa da quantidade de resíduos

gerada segundo os valores das notas fiscais emitidas na cidade de João Pessoa-PB......78

Gráfico 1- Porcentagem do uso do gesso no Brasil na forma

calcinada..........................................................................................................................35

Gráfico 2- Consumo anual de gesso acartonado desde o início da sua utilização..........39

Gráfico 3- Geração diária de RSU em 2013 comparado com 2012................................41

Fluxograma 1- processo de produção da gipsita para a fabricação do gesso destinado à

contrução civil, indústria cimenteira e agricultura..........................................................32

Fluxograma 2 - Etapas da fabricação do gesso..............................................................33

Fluxograma 3- Divisão das etapas da fabricação do gesso na mina e na usina.............33

XIII
Fluxograma 4- Impactos ambientais na cadeia da construção civil...............................43

LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Composição química da gipsita.......................................................................26

Tabela 2- Distribuição das minas de gipsita no Brasil....................................................30

Tabela 3- Produção brasileira de gipsita no ano de 2013...............................................30

Tabela 4- Contribuição dos estados na produção de gipsita no Brasil em 2015.............31

Tabela 5- Exigências das propriedades químicas para o gesso utilizado na construção

civil..................................................................................................................................37

Tabela 6- Exigências das propriedades físicas e mecânicas do gesso utilizado na

construção civil................................................................................................................37

Tabela 7- Exigências das propriedades granulométricas e tempo de pega do gesso

utilizado em construção civil...........................................................................................37

Tabela 8- Quantidade de resíduo da construção coletado por região no Brasil..............42

XIV
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABELPRE Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e


Resíduos Especiais
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

ATT Áreas de Transbordo e Triagem

ART Anotação de Responsabilidade Técninca

CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente

CTR Controle de Transporte de Resíduo

DIFI Divisão de fiscalização

DIEP Divisão de Estudos e Pesquisas

DIOP Diretoria de Operações

DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral

EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

EMLUR Autarquia Especial Municipal de Limpeza urbana

FIEP Federação das Indústrias do Estado da Paraíba

IAP Instituto Agronômico de Pernambuco

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICC Indústria da Construção Civil

LP Licença Prévia

LI Licença de instalação

LO Licença de Operação

PGRCC Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil

PNRS Política Nacional dos Resíduos Sólidos

RCC Resíduo da Construção Civil

XV
RSU Resíduos Sólidos Urbanos

SEMAM-JP Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa

SINDUSGESSO Sindicato da Indústria do Gesso

UNICAMP Universidade de Campinas

USIBEN Usina de Beneficiamento de Resíduos da Construção Civil

USP Universidade de São Paulo

XVI
SUMÁRIO

RESUMO....................................................................................................................VIII
ABSTRACT..................................................................................................................IX
LISTA DE ILUSTRAÇÕES.......................................................................................XI
LISTA DE TABELAS...............................................................................................XIV
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS..............................................................XV
1- INTRODUÇÃO....................................................................................................... 20
1.2- OBJETIVOS.......................................................................................................23
1.2.1- Objetivo Geral..................................................................................................23
1.2.2- Objetivos Específicos.......................................................................................23
1.3. JUSTIFICATIVA................................................................................................24
1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO........................................................................25
2- REVISÃO DA LITERATURA...............................................................................26
2.1 Histórico...............................................................................................................26
2.2 A matéria prima do gesso e seus empregos atuais...............................................28
2.2.1- Gipsita..............................................................................................................28
2.2.2- Os empregos da gipsita....................................................................................29
[Link]- Utilização na forma bruta..............................................................................30
[Link]- Utilização na forma beneficiada (calcinada).................................................30
2.3 As reservas de gipsita no Brasil............................................................................31
2.4 A produção do gesso de construção.....................................................................34
2.5 O uso do gesso na construção civil.......................................................................36
2.5.1- Uso do gesso como pasta para revestimento na construção civil.....................40
2.5.2- Uso do gesso acartonado na construção civil...................................................40
2.6. Resíduos da construção civil...............................................................................42
2.6.1- Geração de RCC e sua contribuição nos resíduos sólidos urbanos..................43
2.6.2- Impactos ambientais dos resíduos da construção civil e a problemática nos
centros urbanos...........................................................................................................44
2.7 O gerenciamento dos resíduos da construção civil...............................................48
2.7.1- Bases legais do gerenciamento dos resíduos da construção civil.....................50
2.7.2- Resolução 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente.....................52
2.7.3- Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).............................................53
2.7.4- Principais normas técnicas para a gestão dos RCC.........................................54

XVII
2.7.5- Classificação dos resíduos da construção civil de acordo com a Resolução
307/02 do CONAMA.................................................................................................55
2.7.6- A reclassificação do gesso na Resolução CONAMA 307/2002 dada pela
Resolução 431/2011....................................................................................................56
2.7.7- Projeto de gerenciamento dos resíduos da construção civil..............................57
2.7.8- Etapas do gerenciamento dos resíduos da construção civil...............................59
2.7.9- Reciclagem dos resíduos da construção civil....................................................65
2.8 A construção civil no município de João Pessoa..................................................67
2.9 Os resíduos da construção civil e sua problemática...............................................68
2.9.1- Perdas do gesso na construção civil...................................................................70
2.9.2- Gerenciamento dos resíduos de gesso da construção civil................................72
2.9.3- Reaproveitamento e reciclagem dos resíduos de gesso....................................74
2.9.4- Reaproveitamento do resíduo de gesso na indústria cimenteira.......................75
2.9.5- Reaproveitamento do resíduo de gesso na agricultura......................................75
2.9.6- Reaproveitamento do resíduo de gesso como material de construção..............76
3. METODOLOGIA.....................................................................................................77
3.1. Procedimento de coleta de dados........................................................................78
4. RESULTADOS.........................................................................................................78
4.1 Geração.................................................................................................................80
4.2. Caracterização do gerenciamento dos resíduos da construção civil no município
de João Pessoa.............................................................................................................81
4.2.1- Triagem, acondicionamento dos RCC nos canteiros de obra...........................82
4.2.2- Triagem dos resíduos de gesso.........................................................................83
4.2.3- Transporte dos RCC.........................................................................................84
4.2.4- Transporte e destinação final dos resíduos de gesso........................................84
4.2.5- Áreas de recebimento dos resíduos da construção civil no município de João
Pessoa..........................................................................................................................86
4.3. Deposição irregular dos RCC no município de João Pessoa...............................88
4.3.1- Deposição irregular dos resíduos de gesso no município de João
Pessoa..........................................................................................................................91
4.4. Alternativa para a destinação final dos resíduos de gesso no município de João
Pessoa..........................................................................................................................94
5. CONCLUSÃO...........................................................................................................96

XVIII
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................98
ANEXO A..................................................................................................................111
ANEXO B..................................................................................................................117

XIX
1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o crescimento populacional e o avanço tecnológico


desencadearam um aumento considerável no consumo de bens e serviços em diversos
setores da produção. Este aumento está atrelado ao desenvolvimento industrial que, por
sua vez, proporcionou a intensificação da exploração de matérias-primas gerando cada
vez mais resíduos, especialmente aqueles que não se decompõe facilmente na natureza.
A visão ambiental contemporânea tem revelado uma enorme preocupação com os
impactos ambientais causados pelos mais variados setores da atividade industrial. A
intensa geração de resíduos sólidos tornou-se um grave problema urbano, apresentando
um gerenciamento complexo e oneroso devido ao grande volume de massa produzida
nas cidades.
O setor da construção civil é conhecido como um dos que mais cresce no país e
ocupa lugar de destaque na economia. Desde 2005 os números do desenvolvimento da
Indústria da Construção Civil (ICC) mostram a sua grande contribuição no Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro. Todavia, é importante destacar que o setor é considerado
como grande consumidor de recursos naturais- cerca de 15% a 50% dos recursos
extraídos do planeta- e um grande gerador de resíduos que são produzidos, em sua
maioria, através das perdas e do desperdício de materiais na própria obra (AGOPYAN,
1998; JOHN, 2000, 2003).
O constante desenvolvimento gerado pela ICC gera impactos nocivos ao meio
ambiente, quer pela modificação do meio natural ou pela grande quantidade de resíduos
gerados, que, sem o controle e gerenciamento adequado, causam danos desastrosos e
muitas vezes irreparáveis ao meio ambiente (GUEDES, 2014).
No Brasil, o problema ocasionado pelos RCC em ambientes urbanos alcançou
índices preocupantes nos últimos anos. O segmento que mais contribuiu para a geração
desse resíduo foi o desperdício nas obras de construções por falta de gerenciamento
adequado (JOHN, 2000; NOVAIS; MOURÃO, 2008). Um gerenciamento correto é de
grande relevância para o meio ambiente e para saúde pública, pois quando esse tipo de
resíduo é manejado ou depositado de forma inadequada, pode gerar contaminação do
solo, da água e do ar. Segundo Bidone (2001), para cada 1t de lixo urbano recolhido, 2t
são recolhidas de RCC, indicando que a quantidade de entulho é, em massa, maior que a
quantidade de resíduo sólido doméstico. Sabe-se que o RCC é um resíduo gerado em

20
grande quantidade, necessitando de grandes áreas para a disposição final, o que resulta
em uma rápida saturação na capacidade dos aterros. Esse problema gera outro ainda
mais alarmante que é a disposição em áreas clandestinas e locais inapropriados, o que
acarreta uma série de impactos graves ao meio ambiente e à população (JOHN, 2007).
No Brasil, a legislação que regulamenta o gerenciamento dos resíduos da
construção civil são as Resoluções Nº 307/02 e Nº 431/11 do CONAMA. Por exigência
da Resolução CONAMA Nº 307/02, os órgãos ambientais dos municípios têm por
responsabilidade elaborar a política local de gerenciamento de resíduos da construção
civil. Infelizmente, a maioria dos municípios brasileiros ainda não estabeleceu o seu
Plano Integrado de Gerenciamento, e ainda tem muita dificuldade em gerenciar a
correta destinação dos RCC, bem como estabelecer regras que promovam a reutilização
e redução desses resíduos (FAGURY, 2007; ROTH, 2009). Na cidade de João Pessoa-
PB, a lei N° 11.176/2007 que dispõe sobre os resíduos da construção só foi sancionada
cinco anos depois e ainda tem suas dificuldades para atingir seus objetivos,
principalmente devido à deficiência na fiscalização que favorece a disposição irregular.
Dentre os resíduos gerados na construção civil, o gesso é um dos mais
complicados de se gerenciar e demanda um manejo especial em função do seu alto teor
de contaminação (JOHN; CINCOTTO, 2003). É um material que gera muita quantidade
de resíduo, além da sua baixa taxa de reutilização e reciclagem, fato que vai de encontro
à nova legislação vigente e que contribui ainda mais para os impactos ambientais
ocasionados por deposições irregulares. O gesso quando disposto em locais
inadequados, como terrenos baldios, áreas de preservação e próximo a corpos d’água,
pode contaminar o solo e o lençol freático. Um problema ainda maior é quando o
resíduo do gesso é levado aos aterros sanitários, pois, quando o gesso entra em contato
com a matéria orgânica, libera gás sulfídrico, que é altamente prejudicial à saúde
humana (JOHN, 2007).
Desde a década de 1990 tem se estudado técnicas e alternativas que viabilizem a
reciclagem do gesso, apesar das dificuldades que existem devido à sua toxidade que
acaba tornando o custo da reciclagem mais oneroso (PINHEIRO, 2011). Atualmente,
estudos constatam que o resíduo de gesso é altamente reciclável, sendo o produto desse
processo muito semelhante (características físicas e mecânicas) ao gesso puro utilizado
na construção civil, podendo este ser facilmente substituído pelo gesso reciclado. O
gesso reciclado pode ser utilizado não apenas na construção civil, mas também de várias

21
outras formas, tais como: na indústria cimenteira (aglomerante no cimento), fabricação
de pré-moldados de gesso, na agricultura para correção de toxidade do solo por
alumínio, aditivos para a compostagem, forração para animais, secagem de lodo de
esgotos, entre outras (RIBEIRO 2006; PINHEIRO, 2011).
Antes, a Resolução N° 307/2002 do CONAMA em seu artigo 3° classificava o
gesso como sendo “Classe C”, ou seja, resíduos para os quais não foram desenvolvidas
tecnologias viáveis que permitam sua reciclagem. Em 2009, a Associação Brasileira dos
Fabricantes de Chapas para Drywall enviou um parecer ao Conselho Nacional do Meio
Ambiente solicitando a mudança do artigo 3° da Resolução N° 307/2002 do CONAMA,
após vários estudos e testes feitos em parceria com a Universidade de São Paulo,
verificou-se que o gesso é um produto altamente reciclável e poderia ser reutilizado para
diversas finalidades. Após estes estudos, em 2011 a Resolução N° 431/2011 do
CONAMA deu uma nova redação ao texto da lei passando o gesso para a “Classe B”,
que são os resíduos que devem ser reciclados para outras destinações. Desde então
técnicas economicamente viáveis para a reciclagem do gesso estão sendo desenvolvidas
(PINHEIRO, 2011).
A alteração na Resolução N° 307/2002 reclassifica o gesso para a classe materiais
recicláveis, significando que o resíduo de gesso deve ser obrigatoriamente reciclado. A
reciclagem de gesso é um mercado promissor, tendo em vista que o gesso utilizado na
construção civil gera muito resíduo. Além da valorização comercial, a nova
classificação favorece o processo de gerenciamento e diminui os impactos ambientais
que são provocados quando o resíduo é disposto de forma inadequada.
Apesar da nova legislação já vigorar há 4 anos, este resíduo que apresenta alto
potencial de desestabilização do meio ambiente, ainda não recebe o tratamento
adequado e disposição correta. No Brasil, são poucas as empresas que fazem o trabalho
de reciclagem de gesso da construção civil, uma delas é a OK Ambiental localizada no
Paraná, que recebe mais de 4.000 toneladas de gesso por mês e 100% desse resíduo é
reciclado e vendido como fertilizante para a agricultura.
Assim como na maioria das cidades brasileiras, o município de João Pessoa tem
dificuldades para gerenciar a grande quantidade de resíduos de gesso que atualmente
vem sendo gerada devido ao crescimento no ramo da construção civil na cidade. De
acordo com a legislação ambiental, o gesso não pode ser direcionado aos aterros
sanitários devido a seu potencial de contaminação e também não existe na cidade um

22
programa de reciclagem e reutilização desses resíduos. Devido a isto, o gesso muitas
vezes é depositado em locais irregulares, geralmente em terrenos baldios ou em áreas de
preservação. Infelizmente, este é um problema grave que o município de João Pessoa
vem enfrentando e que necessita de alternativas e soluções que facilitem a correta
destinação desse resíduo.
Frente aos problemas trazidos devido às disposições irregulares dos resíduos de
gesso provenientes da construção civil, este trabalho visa analisar o gerenciamento
desses resíduos identificando os principais problemas existentes no mesmo, bem como
propor uma alternativa economicamente viável para a reutilização dos resíduos de gesso
dentro da cidade de João Pessoa-PB.

1.2. OBJETIVOS

1.2.1- Objetivo Geral

No mercado da construção civil as empresas devem atender as exigências da atual


legislação ambiental. Deste modo, esta pesquisa tem por objetivo analisar o
gerenciamento dos resíduos de gesso provenientes da construção civil frente às
mudanças ambientais que classifica o gesso como material reciclável, bem como propor
uma alternativa economicamente viável para a reutilização destes resíduos dentro do
município de João Pessoa-PB.

1.2.2- Objetivos Específicos

 Caracterizar e analisar todas as etapas do gerenciamento dos resíduos de gesso no


município de João Pessoa;
 Observar os fatores que mais influenciam no gerenciamento dos resíduos de gesso e
identificar quais as problemáticas que possam impedir um correto e eficaz
gerenciamento;
 Propor uma medida ambientalmente correta e economicamente viável para a
destinação e reutilização destes resíduos no município de João Pessoa.

23
1.3. JUSTIFICATIVA

O uso do gesso tem crescido gradativamente nos últimos anos e, como


conseqüência, a quantidade de resíduos também. O gerenciamento desse material
residual precisa ser diferenciado devido à sua toxidade e seu alto potencial de
contaminação do meio ambiente. Além dos danos ambientais, os transtornos causados
por deposições irregulares podem sobrecarregar os serviços municipais de limpeza
pública e também afetar a qualidade de vida nas áreas urbanas. Hoje, os resíduos de
gesso apresentam um gerenciamento falho em sua maioria. Devido a esta realidade, faz-
se necessário disciplinar o gerenciamento dos resíduos de gesso através de soluções
tecnicamente corretas, bem como uma maior conscientização e fiscalização por parte
dos órgãos responsáveis para que se faça cumprir a legislação e o gesso receba o
tratamento e destinação de forma correta.
Devido às conseqüências que um mau gerenciamento dos resíduos de gesso
pode trazer para o meio ambiente e saúde pública, analisar as etapas do gerenciamento
dos resíduos de gesso com a finalidade de identificar os erros e contribuir para a gestão
correta destes resíduos determinam a relevância principal desse trabalho. A partir dos
resultados obtidos, propor medidas que melhorem e incentivem um gerenciamento
eficiente, bem como encontrar uma maneira para que esses resíduos possam ser
reaproveitados de forma economicamente viável para o município de João Pessoa. No
que diz respeito ao conhecimento científico, a futura pesquisa ampliará o conhecimento
a respeito de novas estratégias de gerenciamento dos resíduos de gesso e servirá
também como base para outros trabalhos que busquem informações sobre o tema.

24
1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO

A pesquisa foi organizada em cinco capítulos. No primeiro capítulo é apresentada


a introdução, os objetivos, a justificativa e relevância do trabalho e a estrutura do
mesmo. No segundo capítulo é apresentada a revisão da literatura sobre o tema em
questão, abordando conceitos, classificações, normas e leis relacionadas ao
gerenciamento dos resíduos da construção civil, com ênfase nos resíduos de gesso.
Também são abordados as formas de utilização deste material e os impactos ambientais
trazidos pelo gerenciamento incorreto de seus resíduos.
O terceiro capítulo apresenta a metodologia aplicada na pesquisa, detalhando todo
o procedimento de coleta de dados necessário para a caracterização do gerenciamento
dos resíduos de gesso. O quarto capítulo mostra os resultados obtidos no estudo
exploratório abordando todas as etapas do gerenciamento dos resíduos de gesso no
município de João Pessoa, da coleta do resíduo a sua destinação final, indicando todos
os problemas encontrados em cada uma delas. No quinto capítulo encontra-se a
conclusão da pesquisa e recomendações finais.

25
2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Histórico

O gesso é um dos mais antigos materiais de construção fabricados e utilizados


pelo homem, estudos datam mais de 9.000 anos da sua utilização por diversas
civilizações. Evidências mostram que os romanos utilizavam a gipsita no acabamento de
suas construções, assim como os egípcios para argamassa na construção de pirâmides e
revestimento interno, há cerca de 3.000 anos a.C. (THOMPSON, 1956; BOLOGNA,
1976).
Descobertas arqueológicas em ruínas na Síria e na Turquia revelaram que o uso
do gesso data mais de 8.000 anos a.C. A generalização do uso da gipsita veio na
Península Ibérica durante o período de ocupação romana, onde era utilizado para a
decoração de igrejas e capelas (DOMINGUEZ; SANTOS, 2001; SYNDICAT
NATIONAL DES INDUSTRIES DU PLATRE, 2002). Durante o Renascimento
(século XIII) e o Barroco (século XVIII), foi utilizado como elemento decorativo em
toda a Europa. No século XIX, o gesso também foi utilizado na decoração e foi
incorporado na arquitetura civil como reboco. Gradativamente, o uso do gesso foi se
generalizando na Europa, tendo a França como maior pólo disseminador e também
como fonte da matéria prima (PERES et al., 2001; CINCOTTO et al., 1988).
Desde a antiguidade, o sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4.2H2O) tem sido
utilizado por gregos e romanos como fertilizante na agricultura (fonte de cálcio e
enxofre para plantas cultivadas), e ainda vem sendo utilizado desta forma até hoje. Na
Europa do século XVIII, o gesso já era utilizado na agricultura como corretivo para o
solo, onde atuava na modificação química do mesmo, o que melhorava a colheita
(SYNDICAT NATIONAL DES INDUSTRIES DU PLATRE, 2002).
O primeiro registro da utilização do gesso como um condicionador de solos foi
em 1798, quando, em um experimento feito na Suíça, foram observados benefícios no
crescimento do trevo. Nos Estados Unidos o gesso foi aplicado em um campo nativo
por Bejamin Franklin que foi transformado em um gramado verde e intenso. O produto
ficou conhecido como “Gesso agrícola Ben Franklin” e é utilizado até hoje no mercado
(BORKERT et al., 1987; JONES, 1979). Os primeiros estudos científicos com o gesso
que se tem registro foram feitos no início do século XVIII (1798) com Lavoisier, que

26
apresentou um estudo sobre os fenômenos relacionados à preparação do gesso. Em
seguida, Vant’Hoff, em 1887, que mostrou a ciência da desidratação e hidratação da
gipsita para formar o gesso (GOURDIN; KINGERY, 1975; PERES et al., 2001).
Apesar da utilização da gipsita pelos antigos, o gesso não poderia ser aproveitado
em grande escala e de forma diversificada por falta de tecnologias que facilitassem a
produção. Com o desenvolvimento industrial no século XX, novas tecnologias foram
atribuídas à produção do gesso, e, a partir daí, os equipamentos para a sua fabricação
deixaram de ter uma estrutura incipiente e passaram a incorporar maiores tecnologias
que proporcionaram novas aplicações e a produção de materiais de maior desempenho e
qualidade (CINTOCCO, et al., 1988).
No século XXI o gesso é tido como um material com grande potencial de
utilização devido ao seu baixo consumo energético e custo de produção, diferentes
formas de aplicação e versatilidade. É utilizado não apenas na construção civil, mas
também na indústria de cerâmicos, cimento, agricultura, odontologia, ortopedia, etc. O
gesso é um material versátil, de baixo custo, resistente ao fogo, estável e de peso leve.
Devido a tais características, o gesso se tornou um dos elementos mais utilizados
principalmente na construção, sua aplicabilidade abrange o uso para revestimento de
paredes e tetos, placas de gesso, blocos divisórios entre outros (JOHN; CINCOTTO,
2003; SEVERO, 2011).

Figura 1- Uso do gesso ao longo do tempo.

Período Ocorrência

7.000aC a 2.800 Argamassa, afrescos, moldes e modelagens


aC
300 aC a 222 aC Extração de gipsita e início do seu uso na Europa
ocidental
Sec. V a XVII Disseminação do uso na Europa

Sec. XVIII a XIX Estudos científicos

Sec. XX Agregação de tecnologia e uso mundial

Fonte: Adaptado de Gourdin e Kingery (1975).

27
2.2. A matéria prima do gesso e seus empregos atuais.

2.2.1- Gipsita

A gipsita, sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4.2H2O), é um mineral que ocorre


em diversas regiões do mundo. É bastante solúvel e de cores que variam de acordo com
as impurezas contidas nos cristais; incolor, branca, cinza e marrom. A gipsita é um
mineral pouco resistente que se desidrata sob temperatura de calcinação 160°C
originando um material semi-hidratado (CaSO4.1/2H2O), comumente conhecido como
gesso. Os termos gipsita, gipso e gesso são comumente utilizados como sinônimos,
contudo, a denominação gipsita é mais adequada ao mineral em seu estado natural,
enquanto que a denominação “gesso” é o termo mais apropriado para ser usado ao
produto calcinado (BALTAR, 2005, CINCOTTO, et al., 1998; JOHN, 2000).
A composição química da gipsita (tabela 1) consiste em: 32,5% de CaO, 46,6%
de SO3 e 20,9% de H2O (ANGELERI et al., 1982; BALTAR et al., 2005). O minério de
gipsita ou rocha gipsífera é constituído também de outros minerais sempre em menor
quantidade, são eles a anidrita, dolomita, calcita, halita, enxofre quartzo e argilas. Em
geral, a produção do gesso é obtida a partir de minério com 80 a 95% de pureza
(BALTAR, 2005; CINCOTTO, et al., 1998). Na figura 2, pode-se observar as três
formas de gipsita: as que ocorrem como cristais monoclínicos prismáticos ou tabulares
(Selenitas); as que ocorrem como fibras longas paralelas aglomeradas (gipsita fibrosa);
e as que têm forma maciça e granulação fina (alabastro), esta ultima é a mais importante
economicamente, e também a mais freqüente (BALTAR, 2005; PINHEIRO, 2011).

Tabela 1- Composição química da gipsita.


Composto químico Composição em %
CaO 32,5
SO3 46,6
H2O 20,9

Fonte: Adaptado de Baltar (2005).

28
Figura 2- Formas encontradas da Gipsita. 2a: Selenita; 2b: fibrosa; 2c: alabastro.

Fonte: Núcleo de Geotecnia da Universidade Federal de Juíz de Fora.

À gipsita é atribuída uma característica peculiar: a facilidade de desidratação e re-


hidratação, esta é uma das principais características que a torna economicamente
importante. O processo de produção do gesso consiste na desidratação térmica da
gipsita, moagem do produto e a seleção granulométrica de acordo com a sua posterior
utilização. A gipsita é um sulfato de cálcio que apresenta duas moléculas de água de
cristalização e que pode perder de 1/5 a 2 destas moléculas se submetida a temperaturas
específicas. O gesso é produzido a partir da calcinação da gipsita. É um aglomerante
aéreo (apresenta baixa resistência quando exposto à ação prolongada da água), e
também um material não combustível muito resistente ao fogo (CINCOTTO, et al.,
1998; JOHN; CINCCOTO, 2000; BALTAR, 2005).
No processo de calcinação, a gipsita é submetida a temperaturas entre 150 e
200°C em fornos industriais, sob pressão atmosférica. O produto final deste processo é
o gesso de construção, sulfato de cálcio hemi-hidratado (CaSO4.1/2H2O), esse composto
quando misturado com água, pode ser moldado antes de endurecer e adquirir
consistência mecânica estável podendo ser utilizado de diversas formas (JOHN, 2003,
2007).

2.2.2- Os empregos da gipsita

Devido à suas características peculiares, a gipsita apresenta várias formas de


aplicações tanto da forma bruta quanto da calcinada. A forma bruta é amplamente
utilizada na indústria cimenteira e agrícola, já a beneficiada é utilizada
predominantemente na construção civil. A utilização comercial do hemidrato

29
(CaSO4.1/2H2O) é dividida em dois campos: o gesso da construção civil e o gesso
industrial.

[Link]- Utilização na forma bruta:

a) Indústria cimenteira: utilizada na fabricação do cimento portland, a gipsita é


indispensável na produção do cimento, serve para retardar o tempo de pega do mesmo.
O gesso é adicionado ao clínquer durante o processo de moagem na proporção de 5%.
b) Agricultura: o gesso agrícola é a gipsita moída; pode atuar na dessalinização de
solos, condicionador de solos tornando-os mais permeáveis e aerados, corretivo para
solos ácidos, fonte de cálcio e enxofre e fertilizante (LEITE, et al. 2007; VELHO,
GOMES e ROMARIZ, 1998).

[Link]- Utilização na forma beneficiada (calcinada):

a) Construção civil:
Para este mercado é utilizado o gesso do tipo beta, produzido do minério de
gipsita com pureza acima de 75%. O gesso β é obtido através da calcinação sob pressão
atmosférica. Em geral, o processo de produção do gesso-beta é mais rápido (cerca de 40
minutos), proporcionando uma liberação mais rápida da água de cristalização. Devido o
processo de retirada da água de cristalização ser rápido, seus cristais ficam com a
morfologia irregular. O gesso beta é amplamente utilizado na construção civil.
No mercado da construção civil existem dois tipos de gesso: Gesso para fundição
e o gesso para revestimento. O gesso β pode ser do tipo A ou B, o do tipo A é formado
basicamente por hemidrato (CaSO4.1/2H2O), esse constitui o gesso para fundição e é
usado para a confecção de pré-moldados como: placas, blocos, divisórias, placas para
rebaixamento de teto, etc. O gesso β tipo B é constituído de hemidrato e anidrita
insolúvel (CaSO4), esse é o gesso para revestimento e é usado para revestir paredes e
tetos, substituindo rebocos e massas para acabamento.

b) Gesso industrial:
O gesso industrial é um produto de maior pureza e pode ser obtido a partir do
gesso  ou β, dependendo da aplicação. O diferencial do gesso  é o seu processo de

30
calcinação que é realizada em um equipamento fechado sob pressão maior que a
atmosférica (autoclave), esse processo proporciona uma liberação mais lenta da água de
cristalização, proporcionando um produto mais homogêneo. Com o produto mais
homogêneo, após a mistura com água, obtém-se um produto com maior resistência
mecânica. Diferente do gesso beta, o gesso alfa é produzido em um processo bem mais
lento (cerca de 5 horas), isto proporciona uma demora na retirada da água de
cristalização produzindo cristais de morfologia uniforme. O gesso alfa apresenta uma
menor demanda de água para formação da pasta, resultando em produtos de melhor
qualidade. O que vai classificar o gesso como sendo alfa ou beta é o seu processo de
calcinação. Se a gipsita for desidratada em fornos de sob pressão atmosférica, produz-se
o gesso beta, se for desidratada em fornos do tipo autoclave, produz-se o gesso alfa. O
preço do gesso alfa é cerca de seis vezes maior que o gesso beta. O gesso industrial é do
tipo e é utilizado na produção de moldes, decoração, porcelanas, cerâmica sanitária,
indústria de vidro; na produção de papel, plásticos, adesivos, tintas alimentos; indústria
farmacêutica, ortopédica, odontológica, entre outras.

2.3. As reservas de gipsita no Brasil

No Brasil, as reservas de gipsita estão localizadas nas Bacias sedimentares do


Tocantins, Amazonas, Parnaíba, Potiguar, Araripe e Recôncavo (Tabela 2). Dessas,
destacam-se por volume e qualidade da gipsita as reservas de Pernambuco, Pará e
Bahia, todavia, do ponto de vista econômico, as principais reservas se localizam na
Bacia Sedimentar do Araripe, região nos limites dos estados do Pernambuco, Ceará e
Piauí (ARAÚJO, 2004; DPMN, 2009).
A mineração da gipsita no Brasil teve início na década de 1960. Até hoje, muitas
jazidas aproveitam este recurso em escala pequena atendendo geralmente a demanda
local. A jazida de Camamu, localizada na Bahia, por exemplo, embora se localize mais
próxima da região sudeste que é o principal centro comercial, apresenta vários
obstáculos que dificultam a mineração, um deles é a grande espessura do capeamento,
impossibilitando a produção em larga escala (ARAÚJO, 2004). A Tabela 2 mostra a
distribuição das minas de gipsita ativas no Brasil.

31
Tabela 2- Distribuição das minas de gipsita no Brasil.
Distribuição das minas no Brasil
Estado Número de Minas Minas ativas
PE 55 37
AM 1 1
MA 11 3
PI 2 0
CE 4 2
TO 2 2

Fonte: Adaptado de DNPM (2009).

No Brasil, o principal estado produtor de gipsita é Pernambuco. Neste cenário,


destaca-se o pólo gesseiro do Araripe, que abrange os municípios de Araripina,
Trindade, Ipubi, Bodocó e Ouricuri. Em 2013 a produção brasileira de gipsita (Tabela 3)
bruta foi de 3.332.991t, o estado de Pernambuco foi responsável por 87,6% do total de
gipsita produzida no país, os demais estados produtores foram responsáveis por 12,4%
da produção nacional (DNPM, 2014). Em 2015, os estados produtores de gesso (Tabela
4) foram: Pernambuco (Araripina, Trindade, Ouricuri, Ipubi e Bodocó) com 97% da
produção; Maranhão (Grajaú, Codó e Balsas) 1,5%; Ceará (Nova Olinda) 0,8% e
Tocantins (Filadélfia) com 0,7% (Sindusgesso, 2015).

Tabela 3- Produção brasileira de gipsita no ano de 2013.


Produção brasileira de gipsita (2013)
Estado Produção (%) Produção (t)

Pernambuco 87,6 2.919.700,12


Maranhão 9,1 303.302,181
Ceará 2,5 83.324,775
Amazonas 0,6 19.997,946
Pará 0,2 6.665,982

Fonte: Adaptado de DPMN (2014).

32
Tabela 4- Contribuição dos estados na produção de gipsita no Brasil em 2014.

Produção de gipsita no Brasil (%)


Pernambuco 97
Maranhão 1,5
Ceará 0,8
Tocantins 0,7
Fonte: Adaptado de DNPM (2014).

O Pólo gesseiro do Araripe se destaca devido às condições favoráveis de


mineração e qualidade industrial das suas jazidas, sendo produtor de 97% da gipsita
consumida no país. A gipsita encontrada nesta área é considerada a de melhor qualidade
do mundo; o minério apresenta elevada quantidade de sulfato e impurezas praticamente
desprezíveis (2 a 5%). A localização, elevada pureza da gipsita (em torno de 95%) e a
geomorfologia da jazida tornam o pólo o melhor e maior produtor de gesso do Brasil
(ARAÚJO, 2004; IAP, 2014). A sua geologia também permite que o minério seja
extraído a céu aberto (BALTAR et al., 2005). Nas jazidas do Araripe existem cinco
variedades de gipsita, cada uma apresenta destinações econômicas distintas,
dependendo do produto que se deseja obter: alabastro (Figura 3a), pedra Johnson
(Figura 3b), rapadura (Figura 3c), estrelinha (Figura 3d) e selenita (Figura 3e)
(SOBRINHO et al., 2001; ARAÚJO, 2004; BALTAR, et al., 2004).

Figura 3- Tipos de gipsita encontradas no pólo gesseiro de Araripe.

Fonte: Figuras 3a, 3b e 3c Pinheiro (2011); Figura 3d Baltar (2004).

33
2.4 A produção do gesso de construção

O gesso de construção civil é um material produzido através do processo de


calcinação do sulfato de cálcio di-hidratado (gipsita bruta), em fornos industriais, sob
pressão atmosférica e temperatura entre 160 a 200°C. A calcinação da gipsita produzirá
o sulfato de cálcio hemi-hidratado (CaSO4 . 0,5H2O), gesso utilizado na construção
civil, e outros compostos como anidritas (CaSO4). O método de extração é o de lavra a
céu aberto (Figura 4) com utilização de explosivos e equipamentos convencionais para a
retirada do minério. O processo de lavra consiste nas etapas de limpeza do terreno,
perfuração, desmonte utilizando explosivos, fragmentação e transporte da gipsita
(BALTAR, 2005). O fluxograma 1 mostra o processo de fabricação da gipsita
posteriormente utilizada na fabricação do cimento, na agricultura e na construção civil.

Fluxograma 1- processo de produção da gipsita para a fabricação do gesso destinado à


contrução civil, indústria cimenteira e agricultura.

34
Figura 4- Localização do pólo gesseiro do Araripe e extração (lavra) de gipsita localizada em
Araripina-PE.

Fonte: SINDUSGESSO- PE (2013).

O processo para a produção do gesso beta (amplamente utilizado na construção


civil) consiste nas etapas de extração, catação manual, britagem, moagem, peneiramento
e calcinação (fluxograma 2). O produto resultante da britagem deve apresentar
granulometria uniforme para possibilitar a desidratação regular das partículas de gipsita
(BALTAR, et al., 2005).
Fluxograma 2 - Etapas da fabricação do gesso.

A fabricação do gesso envolve duas etapas: as atividades executadas nas minas e


as atividades executadas na usina (Fluxograma 3). As atividades executadas na mina
são: extração, catação, redução do tamanho dos blocos e britagem; já as atividades
executadas na usina são: rebritagem, moagem, peneiramento, secagem, calcinação,
ensilamento e acondicionamento (JOHN; CINCOTTO, 2007).

Fluxograma 3- Divisão das etapas da fabricação do gesso na mina e na usina.

35
Os blocos de gipsita são extraídos da jazida e fragmentados a um tamanho de 45 a
50 cm, para serem transportados ao setor de britagem primária que, geralmente, fica
localizado perto da mina. Neste local, os blocos de gipsita fragmentados passam pelo
primeiro processo de britagem (britagem primária) a fim de reduzir o seu diâmetro.
Após a primeira britagem, a gipsita é transportada para a usina onde será submetida a
uma nova britagem (britagem secundária) a fim de reduzir seu diâmetro para 100 mm,
isso tornará possível o transporte do material em esteiras até o setor de moagem.
Na moagem, a gipsita será reduzida a um diâmetro de 25 mm, essa granulometria
tornará possível o processo de calcinação. Em seguida, o material é submetido ao
peneiramento para que se tenha a granulação máxima para a calcinação. Após o
peneiramento, o produto pode ainda apresentar umidade em torno de 10%, então, o
mesmo é submetido ao processo de secagem. Todos estes processos participam da etapa
de preparação da gipsita para a calcinação.
A calcinação é a mais importante etapa no processo de fabricação do gesso e
exige condições específicas para cada tipo de produto desejado. No processo ocorre a
desidratação do produto em fornos a 160°C sob pressão atmosférica ou em fornos do
tipo autoclaves, isso vai depender da destinação comercial que será dada ao produto.
Após a calcinação, o gesso é armazenado em silos para que haja a estabilização dos seus
elementos. O ensilamento torna o material mais homogênio e aumenta a qualidade do
gesso. Na etapa de acondicionamento o gesso é seguido para as ensacadeiras onde será
ensacado em sacos específicos que protegem o gesso da umidade. O ensacamento é
feito, dependendo do produto, em sacos de 40 kg ou em big bags de 1.400 kg já prontos
para a comercialização.

2.5. O uso do gesso na construção civil

O uso do gesso apresenta uma vasta amplitude no mercado, principalmente como


material de construção, isso porque o gesso é um material versátil e apresenta
características como a facilidade de hidratação e re-hidratação. A gipsita perde água
durante o processo de calcinação, tranformando-se em sulfato de cálcio hemidratado
(CaSo4 . 0,5 H2O), popularmente conhecido como gesso. Esse material quando em
contato com água pode ser trabalhado antes de adquirir a consistência mecânica dura e
estável. O gesso apresenta características peculiares que faz com que seja um material
de vasta utilização em diversos mercados e principalmente no da construção civil.

36
Antunes (1999) afirma que, pelo fato do gesso apresentar rápido endurecimento e
ausência de retração por secagem, é possível aumentar a velocidade da execução,
aumentando assim a produtividade do serviço. Apesar das vantagens, o gesso também
apresenta uma desvantagem que pode limitar seu uso: é um aglomerante aéreo com
baixa resistência à água, isso restringe sua aplicação apenas a ambientes secos. Quando
exposto também à ambientes com umidade alta e baixa ventilação, pode ocasionar
crescimento de fungos como os bolores (ANTUNES, 1999; PINHEIRO, 2011).
Das formas de utilização na construção civil se destacam: argamassa para
revestimento, placas, blocos, divisórias de gesso acartonado e decoração como sancas
de gesso. Cerca de 95% do gesso produzido no Brasil é oriundo do estado de
Pernambuco. Como mostra o gráfico 1, deste percentual, 61% são destinados à
fabricação de blocos e placas de gesso acartonado, 35% para revestimento, 3% para
moldes cerâmicos e 1% para outros usos, sendo assim, 96% do gesso produzido no
Brasil é destinado à indústria da construção civil (SINDUSGESSO, 2014). Segundo o
DNPM (2013), em 2013, o Brasil consumiu 3,5 milhões de toneladas de gipsita no setor
da construção civil.

Gráfico 1- Porcentagem do uso do gesso no Brasil na forma calcinada.


70%

60%

50%

40%

30% Utilização do gesso

20%

10%

0%
Gesso Gesso para Moldes Outros
acartonado revestimento cerâmicos

Fonte: Adaptado de SINDUSGESSO (2014).

Como mostram os dados do Sindusgesso, o gesso aplicado na construção civil é


amplamente utilizado na forma de argamassa para revestimento. No entanto, a produção

37
de divisórias de gesso acartonado, placas e blocos são onde o gesso tem maior utilidade
neste setor. A utilização do gesso em forma de pasta é, tradicionalmente, aplicada no
revestimento interno das edificações. Segundo John e Cincotto (2007), no Brasil, a
aplicação do gesso está mais voltada para o revestimento de alvenaria, fabricação de
blocos, painéis para forro e divisórias. A descrição e a utilização desses materiais são
mostradas no quadro 1.

Quadro 1- Formas de utilização do gesso mais utilizada na construção civil.


Tipo de material Utilização Constituição

Duas lâminas de papel cartão


Gesso acartonado Divisórias em geral
envolvidas por gesso.
Gesso em pó misturado com
Gesso em pasta Aplicação de revestimentos água.

Mistura de gesso e água com


Placas de gesso Forros e rebaixamento de teto possíveis aditivos (fibras e
pigmentos).

Vedação vertical, paredes e Mistura de gesso e água


Blocos de gesso divisórias internas. podendo conter aditivos.

Fonte: Adaptado de PERES et al. (2001).

No Brasil, a utilização do gesso na construção civil é regulada pela Associação


Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através das NBR 13.207 com as diretrizes do
gesso para revestimento e NBR 12.127; NBR 12.128, NBR 12.129 e NBR 12130 com
as demais diretrizes. A NBR 13.207 define o gesso como: “Material moído em forma de
pó, obtido da calcinação da gipsita, constituindo predominantemente de sulfato de
cálcio, podendo conter aditivos controladores de tempo de pega” (ABNT, 1994). As
demais normas que regulam a utilização do gesso na construção civil estão descritas a
seguir:
- NBR 12.127: Gesso para a construção – Determinação das propriedades físicas do pó-
Método de ensaio.
- NBR 12.128: Gesso para a construção- Determinação das propriedades físicas da
pasta- Métodos de ensaio.
- NBR 12.129: Gesso para construção- Determinação das propriedades físicas da pasta-
Métodos de ensaio.

38
- NBR 12130: Gesso para a construção- Determinação de água livre e de cristalização e
teores de óxido de cálcio e anidro sulfúrico- Método de ensaio.
As exigências das propriedades químicas, físicas, mecânicas e glanulométricas do
gesso para ser utilizado na construção civil são mostradas nas tabelas 5, 6 e 7.

Tabela 5- Exigências das propriedades químicas para o gesso utilizado na construção civil.

Componentes Limite permitido (%)

Água livre 1,3 (Max)


Água de cristalização 4,2-6,2
Óxido de cálcio (CaO) 39,0 (mín)
Anidrido sulfúrico (SO3) 53,0 (mín)

Fonte: NBR- 13.207 (ABNT, 1994).

Tabela 6- Exigências das propriedades físicas e mecânicas do gesso na construção civil.

Variáveis Limite Norma

Dureza (MN/m²) > 30 NBR-12129


Resistência à compressão (MPa) > 8,40 NBR 12129
Massa unitária (Kg/m²) > 700 NBR 12127

Fonte: NBR- 13.207 (ABNT, 1994).

Tabela 7- Exigências das propriedades granulométricas e tempo de pega do gesso utilizado em


construção civil.
Módulo de finura
Classificação Tempo de pega NBR 12129
(NBR 12127)
Início (min) Fim (min)
Gesso fino (revestimento) > 10 > 45 < 1,10
Gesso grosso (revestimento) > 10 > 45 > 1,10
Gesso fino (fundição) 4-10 20-45 < 1,10
Gesso grosso (fundição) 4-10 20-45 > 1,10

Fonte: NBR- 13.207 (ABNT, 1994).

39
2.5.1- Uso do gesso como pasta para revestimento na construção civil

Este composto gera um rápido endurecimento e um material que adere muito


bem ao concreto ou alvenaria. O gesso em pasta é uma das formas mais utilizadas na
construção civil, sendo o gesso aplicado como revestimento interno de paredes e tetos
de ambientes secos (Figura 5) (DIAS; CINCOTTO, 1995; JOHN; CONCOTTO, 2007).
O gesso de revestimento é um material de mistura fácil que utiliza apenas água e
gesso em pó. A pasta de gesso promove excelente aderência em diversos tipos de
materiais, tais como: alvenaria, concreto e blocos cerâmicos. O revestimento de paredes
e tetos promove uma superfície mais plana e regular, além disso, o gesso proporciona
baixo custo e maior produtividade no serviço, pois a velocidade do seu endurecimento
diminui o tempo de aplicação (ANTUNES, 1999; BERNHOEFT; GUSMÃO;
TAVARES, 2011; GUSMÃO, 2008; SOBRINHO, 2009). Todas estas características
em conjunto tornam o uso do gesso para revestimento algo estratégico e cada vez maior
na construção civil. No entanto, deve-se ressaltar que o uso da pasta de gesso pode gerar
grande quantidade de resíduo se a mão-de-obra não for qualificada.

Figura 5- Utilização da pasta de gesso para revestimento de paredes e tetos na construção civil.

Fonte: Associação Brasileira do Drywall (2012); Santos (2011).

2.5.2- Uso do gesso acartonado na construção civil

O uso do gesso acartonado iniciou no Brasil em meados dos anos 1990 e o


mercado brasileiro da construção civil respondeu positivamente a esta iniciativa devido
a sua inovação tecnológica, às facilidades da sua instalação e redução de custos
(DRYWALL, 2014). O gesso acartonado é usado como divisórias, forros e
40
revestimentos de diversos tipos. Consiste em uma edificação de parede de gesso mais
leve e com menor espessura que as paredes de alvenaria. A utilização das chapas de
gesso acartonado, conhecidas como sistema Drywall, reduz o tempo de trabalho, o
volume da mão de obra, bem como o desperdício de materiais; o gesso acartonado é
resistente ao fogo, muito estável (não dilatam nem contraem), excelente isolante
térmico/acústico e imune ao ataque de fungos (SABBATINI, 1998). Todas estas
qualidades fizeram com que o uso do gesso acartonado crescesse expressivamente no
Brasil (Gráfico 2). A utilização do gesso acartonado continua se expandindo fortemente
no Brasil. Em 2012, o consumo cresceu 12,2% em relação ao ano anterior e, em 2013,
fechou com um aumento no consumo de 13,5% atingindo 49,7 milhões de metros
quadrados de chapas de gesso acartonado. As regiões sudeste e sul lideram o mercado
consumindo 76% do total de gesso acartonado, os 24% restantes de dividem entre as
regiões centro-oeste e nordeste com 15% e 9%, respectivamente (DNPM, 2013).

Gráfico 2- Consumo anual de gesso acartonado desde o início da sua utilização.


1995
1997
1999
2001
2003
2005
2007
2009
2011
2013
0 10 20 30 40 50

Fonte: Adaptado de Associação Brasileira do Drywall (2014).

Figura 6- Parede divisória e forro feito de gesso acartonado.

Fonte: Associação Brasileira do Drywall (2014).


41
2.6. Resíduos da construção civil

A construção civil é um dos setores mais importantes da economia, porém,


também se destaca pelo seu elevado consumo de recursos naturais e, mais ainda, pelos
resíduos que gera (JOHN, 2004; GUEDES, 2014). Em escala geral, as atividades na
construção civil são as que mais trazem impactos ao meio ambiente; estima-se que, em
todo o mundo, a ICC consome de 40 a 75% dos recursos naturais que existem. O vasto
consumo de recursos naturais gera também uma grande quantidade de resíduos.
(TEIXEIRA; CARVALHO, 2005; JOHN, 2000, 2004; GUEDES, 2014).
No Brasil, a construção civil é responsável por cerca de 25% do total de resíduos
produzidos pela indústria em geral (DIAS, 2007). A geração crescente e contínua dos
RCC está diretamente relacionada ao desperdício de materiais nas obras de construção.
A maior causa deste desperdício é a ineficiência na utilização dos materiais, falta de
planejamento e de mão-de-obra qualificada, bem como a falta de um gerenciamento
eficaz no canteiro de obra. Esses fatores aumentam o índice de perdas de materiais, que
é a principal causa da geração de resíduos (DIAS 2007; JOHN, 2004; SOUZA, 2005).
Os RCC apresentam um dos maiores problemas para o saneamento em áreas
urbanas, pois o grande volume de resíduo produzido quando gerenciado de forma falha,
degrada a qualidade de vida nos centros urbanos e sobrecarrega os serviços municipais
(DIAS, 2007). Esta realidade revela a necessidade de projetos que atuem de forma
eficaz em todas as etapas do gerenciamento e que viabilizem a reutilização destes como
forma de materiais reciclados para serem utilizados como matéria prima na confecção
de novos materiais.
Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-
JP) mostram que a construção civil desperdiça cerca de 30% dos seus materiais e, a cada
três obras, boa parte do próximo empreendimento poderia ser erguido apenas com
material desperdiçado (SINDUSCON-JP, 2013). Segundo a Federação das Indústrias do
Estado da Paraíba (FIEP) (2013), o setor da construção civil é um dos mais aquecidos
do estado e as empresas ligadas a esta atividade totalizam 40% das indústrias no
mesmo. Este dado indica um aumento no desperdício de materiais e grande parte desse
desperdício já acontece na etapa de transporte e aumenta devido à falta de qualificação
na mão-de-obra e à falta de planejamento na construção de um empreendimento
(SINDUSCON-JP, 2013).

42
2.6.1- Geração de RCC e sua contribuição nos resíduos sólidos urbanos.

Um dos principais responsáveis pela geração de resíduos são as perdas de


materiais nos canteiros de obra. Estudos estimam que a cada metro quadrado
construído, cerca de 150 kg de resíduos são gerados, levando uma quantidade de dez
caçambas de resíduos em qualquer construção de 250 m², destes resíduos se destacam as
perdas de cimento, areia, concreto, argamassa, cal, ferro, componentes de vedação e
madeira (BATISTA, 2013; BARRETO, 2005; PINTO, 1999; PINTO, 2000).
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) Lei Federal N°
12.305/10, os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) englobam os resíduos domiciliares, ou
seja, os originários de atividades domésticas e os resíduos de limpeza urbana (varrição,
limpeza de logradouros, vias públicas, etc.). Segundo a Associação Brasileira de
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABELPRE), em 2013, a geração
total de RSU foi de aproximadamente 76.387.200 toneladas, com um aumento de 4,1%
em relação a 2012 (Gráfico 3). Este índice ultrapassa a taxa de crescimento
populacional que foi de 3,7%. A última estimativa feita para os RCC pela ABELPRE
foi em 2013, onde foram avaliados 404 municípios brasileiros, 125 municípios no
nordeste. Constatou-se que a quantidade total de RCC coletada foi de 117.435 toneladas
por dia, totalizando 42.863.775 toneladas por ano, a produção de RCC obteve um
aumento de 4,6% em relação a 2012. A quantidade de RCC coletada por cada região do
Brasil é mosrada na tabela 8.

Gráfico 3- Geração diária de RSU em 2013 comparado com 2012.


209.208
Geração de resíduos (ton/dia)

4,1%

201.058

2012 2013

Fonte: Adaptado de ABELPRE (2013).

43
Tabela 8- Quantidade de resíduo da construção coletada por região no Brasil.
Quantidade de RCD por região
Região t/dia t/ano

Sudeste 61.487 22.442.755


Nordeste 22.162 8.089.130
Sul 16.067 5.864.455
Centro-oeste 13.439 4.905.235
Norte 4.280 1.562.200

Fonte: Adaptado de ABELPRE (2013).

2.6.2- Impactos ambientais dos resíduos da construção civil e a problemática nos


centros urbanos.

A indústria da construção ocasiona um grande impacto ambiental,


principalmente devido à intensa extração dos recursos naturais e a má gestão da
demanda de resíduos que gera. O volume de recursos naturais consumidos pelo setor,
muitos não-renováveis, corresponde a um terço do total de recursos consumidos no
mundo e estima-se que a construção civil seja responsável por 40% do total de todo o
resíduo gerado no planeta (PINTO, 1999; SOUZA, et. al., 2004; RIBEIRO et al. 2008).
Especialistas avaliam que a atividade humana que mais causa impacto ao meio ambiente
é a indústria da construção civil, esta causa danos graves e muitos deles irreparáveis em
todas as suas etapas; seja da extração do recurso, na construção das edificações, na
manutenção e durante o uso (ROTH, 2009).
No Brasil, a construção civil gera impactos negativos ao meio ambiente em toda
sua cadeia de produção (Fluxograma 4). Na extração há uma retirada elevada de
recursos e matéria-prima não renovável, bem como um alto consumo de energia na
extração, transporte e no processamento de materiais; além do desperdício de materiais
que gera grandes quantidades de resíduos (ROTH, 2009; ALMEIDA, et al., 2015).
Segundo Barreto (2005) e Almeida et al. (2015), a construção civil gera impactos
negativos ao meio ambiente e alterações na paisagem urbana em todas as etapas da sua
execução; desde a extração da matéria-prima até a destinação final dos resíduos (Quadro
2). Um dos mais severos impactos ao meio ambiente é a formação de áreas degradadas

44
que ocorre em três etapas do processo geral de construção: a etapa de aquisição dos
insumos quando se retira a matéria prima; a etapa de execução da obra e a etapa de
disposição final dos resíduos (ROTH, 2009).
As atividades desenvolvidas nos canteiros de obras geram grandes quantidades
de resíduos nas áreas urbanas e, na maioria das vezes, esses resíduos não recebem o
tratamento adequado e a destinação correta, são dispostos em áreas de fácil acesso como
terrenos baldios ou em canteiros de vias públicas. As políticas públicas norteiam as
construtoras a adotarem novas práticas de gerenciamento, no entanto, dados mostram
que a maioria das empresas não tratam seus resíduos devidamente (GUEDES, 2014). A
construção civil, apesar da sua contribuição econômica e social, ainda carece de
políticas firmes para a destinação de seus resíduos, principalmente nos centros urbanos.

Fluxograma 4- Impactos ambientais na cadeia da construção civil.

Fonte: Adaptado de Roth (2009).

45
Quadro 2- Principais impactos ambientais causados em cada etapa do processo de construção.
.
Fase Exemplo Principais impactos ambientais
Formação de áreas degradadas dependendo do
tipo de mineração; alto gasto de energia e
Extração Mineração
poluição do ar (Brasil, 2007; Roth, 2009).

Poluição do ar por material particulado e metais


pesados (Maury, 2012); gera mais de 6% do
total de CO2 (Brasil, 2007) /desertificação de
florestas devido ao uso irracional da lenha para
Fabricação do Indústria cimenteira/
a queima do tijolo; degradação do solo devido à
material fabricação de tijolos
extração da argila; utilização de grandes áreas
de deposição de peças rejeitadas (Vale, et. al,
2006).

Perda de materiais e geração de resíduos;


interferências no entorno da obra; alteração do
Execução meio biótico, físico e antrópico; poluição do ar
Construção em geral
por partículas em suspensão e gases emitidos
por máquinas, veículos e equipamentos, etc.

Fonte: Adaptado de Brasil (2007); Maury (2012); Roth (2009); Vale et al. (2006).

Dentre os impactos negativos ao meio ambiente, destacam-se os decorrentes da


geração de resíduos; os RCC são um dos maiores poluidores dos centros urbanos e um
dos que mais degradam a qualidade de vida da sociedade. Os principais impactos
relacionados aos RCC são os associados à deposição irregular, essa traz problemas
sanitários e um conjunto de fatores capazes de deteriorar o ambiente local. A maioria
dos impactos causados pela deposição irregular de RCC nos centros urbanos é
totalmente visível, degradando o ambiente local e qualidade de vida. Um exemplo deste
impacto visível é a interrupção do tráfego de pedestres e veículos (Figura 7). Outro
impacto visível é o prejuízo que os RCC podem causar no sistema de drenagem urbana,
podendo ocorrer desde a drenagem superficial até a total obstrução de córregos (Figura
8) que pode trazer impactos imediatos como alagamentos e enchentes. Portanto, os
principais impactos sanitários e ambientais relacionados aos RCC são aqueles
associados às deposições irregulares, esta acarreta um conjunto de efeitos que
deterioram o ambiente local ((ALMEIDA, 2015; PINTO, 2005; ROTH, 2009).
A deposição irregular de RCC em áreas urbanas atrai resíduos não-inertes que
são, geralmente, depositados pela população em áreas ajuntamento de entulho,
oferecendo água, alimento e abrigo para vetores. Estes ambientes tornam-se nicho
46
ecológico de muitas espécies de patogênicos como ratos, moscas, baratas, bactérias e
fungos, criando ambientes propícios para a proliferação de vetores que prejudicam a
saúde humana e o saneamento da cidade (Figuras 9 e 10). Em áreas de aglomeração de
entulhos é comum encontrar animais peçonhentos como aranha e escorpiões, também
insetos e roedores transmissores de doenças perigosas como a dengue e leptospirose
(PINTO, 2001).

Figura 7- Impacto na paisagem e por interrupção de tráfego de pedestres.

Fonte: SEMAM-JP, 2013.

Figura 8- Obstrução de córrego causada pela deposição irregular de RCC.

Fonte: SEMAM-JP, 2013.

47
Figura 9- Deposição irregular de RCC em áreas urbanas que podem causar a proliferação de
vetores.

Fonte: SEMAM-JP,2013.

Figura 10- Deposição irregular de RCC áreas urbanas que podem causar a proliferação de
vetores.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

2.7 O gerenciamento dos resíduos da construção civil

Sabe-se que os resíduos da construção civil, quando não tratados e depositados


de forma correta, trazem profundas conseqüências ao meio ambiente e à saúde pública.
O volume de construções aumenta a cada dia e gera uma quantidade imensa de resíduos
nos canteiros de obras. Tratar esses resíduos de maneira correta sempre foi uma
preocupação tanto para os geradores quanto para as administrações públicas municipais.
O poder público enfrenta problemas com a remoção de montes de resíduos de diversos
tipos todos os dias, resíduos estes que não são removidos pela coleta regular, pois são
48
descartados clandestinamente em terrenos baldios, vias públicas e áreas de proteção
ambiental (ALMEIDA, 2015).
A geração de resíduos é decorrente principalmente das perdas de materiais em
várias etapas da construção civil, as etapas que mais geram resíduos são: canteiro de
obra na fase de construção, na fase de manutenção e reformas e na fase de demolição
(AGOPYAN, 2005; FORMOSO, 1996). A amenização dos impactos ambientais e
sociais causados pelos RCC é obtida através de um planejamento do uso dos materiais
no canteiro de obra e de um processo de gerenciamento eficaz dos resíduos produzidos.
Novas tecnologias que reduzem o desperdício têm sido introduzidas na construção civil.
Todavia, métodos ultrapassados ainda têm sido utilizados devido à falta de qualificação
na mão de obra, esses métodos geralmente causam desperdícios gerando grandes
quantidades de resíduos (TEIXEIRA, 2010).
Além da redução do volume de resíduos, para o gerenciamento eficaz, é
necessário um sistema eficiente de reutilização e reciclagem. Segundo Evangelista e
Costa (2010), no Brasil, a maioria das prefeituras ainda não implantaram usinas de
reciclagem de RCC com produção regular. Apesar disso, tendo em vista a gravidade do
problema que estes resíduos trazem aos centros urbanos, os municípios têm procurado
adotar uma política de gerenciamento dos seus RCC com o objetivo de reciclá-los
transformando-os em agregados de uso comercial, o que já acontece em muitas das
grandes cidades brasileiras.
Schneider e Philippi (2004) descrevem alguns métodos capazes de otimizar a
gestão dos RCC e minimizar seus impactos ao meio ambiente, tais como: impor limites
a componentes e substâncias perigosas presentes nos materiais de construção visando a
não contaminação do solo e da água durante seu uso e reciclagem; incentivo à
confecção de materiais com maior durabilidade; incentivo ao uso de materiais
reciclados; fiscalização e cobrança de multas elevadas a quem depositar os resíduos de
forma irregular; cobrança elevada para a deposição do resíduo em aterros como
incentivo à reciclagem; triagem obrigatória dos resíduos nas obras e entrega obrigatória
nos pontos de reciclagem, entre outros. Todas essas alternativas vêm sendo aplicadas
em diversos países, por exemplo: a triagem é obrigatória em sete países europeus e
também no Japão que adotou esta alternativa como instrumento de política regulatória,
já a cobrança de valores elevados para a deposição em aterros com o intuito de
incentivar a reutilização, é um método utilizado na Inglaterra, Dinamarca, República
Checa, Itália e França (SHNEIDER; PHILIPPI, 2004).

49
Embora seja importante a destinação correta dos resíduos, ações que visem a
redução na fonte geradora tornam-se imprescindíveis; a reutilização dos resíduos podem
contribuir significativamente na redução dos impactos ambientais. A maioria dos
estudos já realizados mostra que o primeiro passo para um gerenciamento eficaz dos
resíduos da construção é fazer um diagnóstico local que identifiquem aspectos
relevantes, tais como: origem do resíduo, taxa de geração e atores envolvidos na
geração, coleta, transporte e destinação final (BARRETO, 2005; SOUZA, 2005).
A elaboração de um projeto de gerenciamento deve envolver a descrição das fases
de planejamento, caracterização, triagem, acondicionamento, transporte, reutilização e
reciclagem na obra, remoção dos resíduos dos canteiros e destinação final. Entretanto, a
literatura mostra que na maioria das cidades brasileiras a gestão dos RCC acaba como
uma gestão meramente corretiva e não preventiva. Carneiro (2001) afirma que a gestão
corretiva é ineficiente, dispendiosa e que geralmente não surte efeitos positivos, nela o
poder público tem grandes despesas com a remoção dos resíduos dos locais de descarte
indevidos, bem como com o seu aterramento.
A gestão preventiva nos canteiros de obras por meio da reutilização dos RCC
pode acarretar em vários benefícios ao meio ambiente e ao poder público, por exemplo:
redução dos impactos causados pela extração de matéria prima, redução dos custos da
limpeza urbana e da recuperação de áreas degradadas pela disposição irregular,
preservação das paisagens urbanas e incentivo à empresas de reciclagem que podem
constituir parcerias para a captação, reciclagem e reutilização de RCC (FAGURY;
GRANDE, 2007). A implantação de uma gestão eficaz traz resultados positivos para o
desenvolvimento urbano sustentável, trazendo aos municípios benefícios tanto para o
meio ambiente quanto para a qualidade de vida nos centros urbanos.

2.7.1- Bases legais que regem o gerenciamento dos resíduos da construção civil

Devido às especificidades da pesquisa, faz-se necessário a definição de alguns


conceitos básicos definidos na legislação específica. Segundo a NBR 10004:2004 da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Resíduos Sólidos são: aqueles em
estado sólido e semi-sólido que resultam de atividades de origem industrial, hospitalar,
comercial, agrícola de serviços e varrição. Esta mesma norma classifica os resíduos
sólidos quanto aos seus riscos à saúde pública e ao meio ambiente em:

50
 Classe I (Resíduos Perigosos): resíduos que apresentam riscos à saúde e ao meio
ambiente, inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade e patogenicidade.

 Classe II A (Não-perigosos e não-inertes): resíduos que não se enquadram na


Classe I nem na Classe II B. Podem ter propriedades tais como: combustibilidade,
biodegradabilidade ou solubilidade em água.

 Classe II B (Não-perigosos e inertes): resíduos que, quando submetidos a ensaios


de solubilização da NBR 10.006, não apresentam teores solubilizados em
concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água.

Até o ano de 2001, não existiam no Brasil leis e resoluções direcionadas aos RCC,
apenas em 2002 o poder público tornou vigente a lei que foi o marco regulador dos
resíduos da construção, a Resolução CONAMA N ° 307/02. A resolução considerou a
necessidade de implementar diretrizes visando a redução dos impactos causados pelos
RCC, e, com isso, proporcionar benefícios sociais, econômicos e ambientais. Em 2010,
o poder público promulgou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei N°
12.305/2010, que dispõe sobre as diretrizes para a gestão integrada dos resíduos sólidos,
incluindo os resíduos perigosos, e estabeleceu a responsabilidade dos geradores e do
poder público. O Quadro 3 mostra as principais leis que regem a gestão dos resíduos da
construção civil em âmbito nacional e local.

Quadro 3- Principais instrumentos legais e normativos utilizados no estudo.

Lei Descrição

Resolução 307/2002 Resolução CONAMA- estabelece as diretrizes, critérios e


procedimentos para a gestão dos Resíduos da Construção e Demolição

Lei 12.305/2010 Política Nacional dos Resíduos Sólidos

Resolução 431/2011 Altera a Resolução CONAMA 307/02 incluindo o gesso nos resíduos de
classe B.
Lei municipal- institui o sistema de gestão sustentável de RCD e o plano
Lei 11.176/2007 integrado de gerenciamento de resíduos da construção civil, previsto na
Resolução 307/02.

Fonte: Adaptado de Brasil (2002); Brasil (2010); Brasil (2011), João Pessoa (2007).

51
2.7.2- Resolução N° 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente

Até a década de 1990, a legislação que abrange o tema “resíduos sólidos” era
muito escassa pelo fato da sociedade ainda conseguir conviver com os transtornos
causados pela destinação inadequada. A partir do momento que os RCC começaram a
causar problemas de saúde pública e provocar impactos ambientais, foi criada a
legislação específica para tratar destes resíduos. Considerando a necessidade de redução
dos impactos gerados pelos resíduos da construção civil, o poder público criou a
Resolução N° 307/02 do CONAMA, que foi publicada no dia 5 de julho de 2002 e tem
por objetivo apresentar as diretrizes necessárias ao correto gerenciamento dos resíduos
da construção e demolição, desde a geração até a disposição final. Segundo a referida
resolução, aos geradores de RCC é atribuída a responsabilidade pelos resíduos
provenientes de suas atividades: construção, reforma, reparos e demolições de
edificações e estradas, bem como os resíduos provenientes de escavações de solos e
remoção de vegetação. Segundo a resolução, os geradores deverão priorizar a não
geração de resíduo e, em plano secundário, mas não menos importante, a redução,
reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente correta. A
Resolução CONAMA N° 307/2002 estabelece diretrizes que visam reduzir a quantidade
de resíduos para assim amenizar os impactos ambientais gerados por eles (CONAMA,
2002). Ainda de acordo com a Resolução CONAMA N° 307/2002, as diretrizes básicas
a serem seguidas pelos geradores de resíduos são:

- Geração: é dos geradores de RCC a responsabilidade pelos resíduos das suas


atividades. Os geradores devem priorizar a não geração do resíduo e o máximo de
aproveitamento dos seus materiais no canteiro de obra.
-Tratamento: Aos grandes geradores é obrigatória a elaboração do plano de
gerenciamento que objetiva estabelecer os procedimentos necessários para o manejo e
destinação correta dos resíduos. No plano, o gerador deverá quantificar e caracterizar os
resíduos separando-os por classe no canteiro de obra e aplicar a reutilização ou
reciclagem e acondicionamento dos RCC na obra detalhando cada procedimento.
- Disposição final: Os resíduos não poderão ser dispostos em aterros de resíduos
sólidos urbanos, em áreas de “bota fora”, em encostas, corpos d’água, lotes vagos e em
áreas protegidas por lei. Os RCC deverão ser dispostos de acordo com a sua
classificação em áreas apropriadas.

52
A Resolução N° 307/02 apresenta um modelo para a gestão dos RCC, é nela que
estão definidas as responsabilidades atribuídas aos atores envolvidos (geradores,
transportadores e município). Após a publicação da resolução, os municípios são
obrigados a elaborar o plano municipal de gerenciamento de RCC que deve estabelecer
os critérios a serem seguidos pelos geradores, que são os responsáveis pelo correto
gerenciamento dos resíduos. Os geradores devem segregar os resíduos que produzem de
acordo com a sua classe, devem também encaminhá-los para a reciclagem ou disposição
final correta, e nunca dispor os resíduos em áreas proibidas por esta resolução

2.7.3- Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS)

Devido à problemática causada pela constante e crescente geração de resíduos


sólidos urbanos no Brasil, a preocupação com a preservação dos recursos naturais e a
questão saúde pública relacionada a este fator, as autoridades competentes criaram leis
com o objetivo de preparar as empresas e a população para esta realidade. A Política
Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada em agosto e regulamentada em
dezembro de 2010 e é mais um marco importante para o gerenciamento de RCC em
âmbito nacional. A PNRS regulamenta o manejo ambientalmente correto dos resíduos
sólidos e define metas de reutilização, redução e reciclagem. A lei, que visa minimizar o
nível de rejeitos para disposição final, demanda a participação de todos os setores da
sociedade, e engloba mudança de postura de empresários do ramo da construção. A
PNRS prevê a responsabilidade das empresas e empreendimentos privados pelo ciclo de
vida dos produtos, sendo responsáveis não apenas os fabricantes, mas também os
importadores, as distribuidoras, os comerciantes, os serviços de limpeza urbana os
consumidores. Para os RCC, a PNRS deixa claro que as empresas de construção devem
elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos atendendo ao disposto no plano
municipal. O objetivo principal da lei é a não geração de resíduos, seguida da redução,
reutilização, reciclagem e disposição final ambientalmente correta.

53
2.7.4- Principais normas técnicas para a gestão dos RCC

 NBR 15112- Estabelece as diretrizes para o projeto, implantação e operação das


áreas de transbordo e triagem dos resíduos da construção civil e resíduos volumosos.

- Resíduos volumosos: são os constituídos por material volumoso não removido pela
coleta pública municipal: móveis, equipamentos domésticos inutilizados, grandes
embalagens, peças de madeira, podas e outros semelhantes, não provenientes de
processos industriais.
- Áreas de transbordo e triagem: área destinada ao recebimento de RCC e resíduos
volumosos para a triagem e armazenamento temporário dos mesmos.
- Ponto de entrega para pequenos volumes: Área de transbordo e triagem de pequeno
porte destinada à entrega voluntária de pequenas quantidades de RCC e de resíduos
volumosos. Esta área é integrante do sistema público de limpeza urbana.
- Aterro de resíduos da construção civil e de resíduos inertes: área onde são
empregadas técnicas de disposição de RCC classe A e resíduos inertes no solo. A área
tem por finalidade reservar materiais segregados de forma que possibilite o seu uso no
futuro e uso futuro da área. Nesta área, os materiais devem ser segregados conforme
princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível, sem causar danos
à saúde pública e ao meio ambiente.
Reservação de resíduos: processo de disposição segregada de resíduos triados para
reutilização ou reciclagem.
Controle de transporte de resíduos (CTR): documento emitido pelo transportador de
resíduos que fornece informações sobre o gerador, origem, quantidade, descrição e
destinação dos resíduos.

 NBR 15113- estabelece as diretrizes para o projeto, implantação e operação dos aterros
de resíduos da construção civil classe A e resíduos inertes. A NBR 15113:2004 visa a
reservação de materiais de forma segregada que possa viabilizar o uso futuro dos
materiais e da área.
 NBR 15114- estabelece os requisitos para o projeto, implantação e operação das áreas
de reciclagem de resíduos da construção civil classe A. Visa o beneficiamento de
materiais já triados para a produção de agregados para a aplicação em obras de
infraestrutura.
54
 NBR 15115- estabelece diretrizes para a o procedimento da execução de camadas de
pavimentação feitas com agregado reciclado de resíduos da construção civil. Esta NBR
tem por objetivo estabelecer os critérios para a execução de camadas de reforço do
subleito, sub-base e base de obras de pavimentação com agregados de RCC,
denominado “agregado reciclado”.
 NBR 15116- estabelece os requisitos para a utilização de agregados reciclados de
resíduos da construção civil em pavimentação e preparo de concreto sem função
estrutural. A norma estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados.

2.7.5- Classificação dos resíduos da construção civil de acordo com a Resolução N°


307/02 do CONAMA.

A resolução CONAMA N° 307/02 classifica os resíduos da construção e


demolição de acordo com a característica de cada tipo. Os resíduos denominados como
de Classe A são os resultantes de construção, demolição, reformas e reparos de
pavimentação e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de
terraplanagem, reparos de edificações, argamassa, concretos, componentes cerâmicos
(tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, etc.), bem como os provenientes de
processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto produzidas
nos canteiros de obras (blocos, tubos, meio-fios, etc.). Esses são os resíduos recicláveis
como forma de agregados. Os resíduos denominados como de Classe B são os que
devem ser reciclados para outras destinações, são eles: plásticos, papel, papelão, metais,
vidros, madeiras e gesso. A terceira classificação dos resíduos da construção civil são os
resíduos de Classe C, nesse grupo se enquadram os resíduos para os quais não foram
desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
reciclagem ou recuperação. E, por fim, os resíduos de Classe D que são os oriundos da
construção considerados perigosos e nocivos à saúde tais como: tintas, solventes, óleos,
etc.

55
Quadro 4- Classificação dos resíduos da construção civil segundo o CONAMA 307/02.

Classificação Definição Tipo de resíduo Tratamento/


disposição final
Oriundos de obras de Deverão ser
infra-estrutura reutilizados ou
(pavimentação e reciclados na forma
terraplanagem); de de agregados ou
construção, reformas, encaminhados a
São os resíduos que reparos e demolições de aterro de resíduos
Classe A podem ser reutilizados edificações (tijolos, classe A para de
como agregados. blocos, telhas, placas de reservação de
revestimento) e do materiais para uso
processo de fabricação e futuro.
demolição de pré-
moldados em concreto
(blocos, tubos, meio-fios).
Deverão ser
reutilizados,
reciclados ou
São os resíduos Plásticos, papel, vidro, encaminhados a áreas
Classe B recicláveis para outras papelão, metal, madeira e de armazenamento
destinações. gesso. temporário para
serem utilizados ou
reciclados
futuramente.
São os resíduos para os Produtos oriundos do Deverão ser
quais não foram gesso. (texto alterado pela armazenados,
Classe C desenvolvidas resolução 431/11 que transportados e
tecnologias passa a classificar o gesso destinados em
economicamente viáveis como classe B) conformidade com as
para a sua recuperação. normas técnicas.
Tintas, solventes, óleos; Deverão ser
prejudiciais à saúde armazenados,
oriundos de demolições transportados e
São os resíduos
reformas e reparos de destinados em
considerados perigosos
clínicas radiológicas, conformidade com as
Classe D à saúde humana.
instalações industriais; normas técnicas
telhas que contenham específicas.
produtos nocivos à saúde.

Fonte: Adaptado de BRASIL (2002).

2.7.6- A reclassificação do gesso na Resolução CONAMA 307/2002 pela Resolução


431/2011.

O artigo 3° da Resolução CONAMA N° 307/2002 classificava o gesso como


sendo um resíduo de classe C, ou seja, os resíduos para os quais não foram
desenvolvidas tecnologias economicamente viáveis para a sua recuperação ou

56
reciclagem. Em dezembro de 2009, após estudos em parceria com a indústria
cimenteira, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas
UNICAMP que demonstraram o potencial de reciclagem do gesso para diversas
destinações, a Associação Brasileira de Fabricantes de Chapas Drywall, considerando a
comprovada possibilidade e viabilidade técnica e econômica da reutilização do gesso
residual, enviou ao CONAMA um requerimento solicitando a mudança da Resolução
N°307/2002 no que diz respeito à classificação do gesso, alegando que este tipo de
resíduo apresenta alto potencial de reciclagem e reutilização na cadeia produtiva com
aplicações economicamente viáveis. Os estudos mostraram que os resíduos de gesso
poderiam ser reutilizados principalmente para três destinações: produção de cimento, na
qual o gesso é um material indispensável; na indústria de fabricação de gesso para ser
reaproveitado no processo produtivo e como gesso agrícola para ser utilizado como
corretivo de solo. Os estudos foram iniciados em 2008 e deram origem ao “Manual
Prático de Resíduos de Gesso da Construção Civil: coleta, armazenagem e destinação
para a reciclagem”. No entanto, apenas três anos depois, através da Resolução 431/2011
do CONAMA, o gesso recebeu uma nova classificação saindo dos resíduos de Classe C
para resíduos de Classe B, ao lado de materiais como plástico, metal, vidro, entre
outros. Dada a nova resolução, o gesso passa a ser classificado como um resíduo com
possibilidade de reciclagem para outras destinações. A alteração feita pela Resolução
N° 431/2011 fez com que a antiga classificação deixasse de ser um limitante na cadeia
produtiva do resíduo e abriu um novo cenário econômico para o gesso como o
reaproveitamento e a reciclagem.

2.7.7- Projeto de gerenciamento dos resíduos da construção civil

O Projeto de Gerenciamento dos Resíduos da Construção Civil é previsto por lei e


trata das atividades que devem ser desenvolvidas nos canteiros de obras, sendo a sua
elaboração e execução de responsabilidade dos grandes geradores de RCC,
obrigatoriamente. A gestão dos RCC deve seguir os regulamentos do Plano de
Gerenciamento dos resíduos da Construção Civil (PGRCC), que deve ser apresentado
ao órgão municipal competente juntamente com o projeto do empreendimento
(BRASIL, 2002). O Projeto de Gerenciamento deve informar detalhadamente aos
órgãos competentes o que será feito com os resíduos durante a construção do
empreendimento, da geração até a destinação final. O PGRCC tem como escopo

57
principal: caracterizar os resíduos produzidos e estimar o seu volume, bem como
executar medidas que promovam a redução no canteiro de obra e a destinação correta
dos RCC. Segundo o artigo 9° da Resolução N° 307/2002, o projeto de gerenciamento
de RCC deve apresentar cinco etapas: caracterização dos resíduos, triagem, transporte,
acondicionamento e destinação final (BRASIL, 2002). A definição de cada etapa está
descrita abaixo.
- Caracterização: nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar todos os
resíduos gerados. A caracterização visa classificar os tipos de resíduos segundo a
classificação dada pela Resolução N° 307/02 do CONAMA (classe A, B, C ou D).
Fazer uma estimativa quantidade média gerada por tipo de resíduo (m³ ou kg).
- Triagem: preferencialmente deve ser realizada no canteiro de obra pelo gerador ou ser
realizada nas áreas de destinação licenciadas para esta finalidade, respeitando as classes
dos resíduos.
- Acondicionamento: o gerador deve acondicionar os resíduos após a geração até a
etapa de transporte, sendo possível a reutilização e reciclagem que devem ser
priorizadas.
- Transporte: deve ser realizado de acordo com as normas técnicas vigentes para o
transporte de resíduos.
- Destinação: devem ser destinados às áreas de transbordo e triagem de RCD e resíduos
volumosos e aterros de resíduos classe A de reservação de material para uso futuro.

A efetivação do projeto de gerenciamento no canteiro de obra traz bons resultados


para as empresas geradoras. Segundo Pinto (2005), aspectos positivos podem ser
claramente observados em empresas que implantam o programa em seus
empreendimentos, tais como: redução do custo da coleta; redução do desperdício e
melhor utilização dos materiais; reutilização dos resíduos dentro da obra
proporcionando a redução dos custos com novos materiais e com o transporte dos
resíduos; limpeza e organização nos canteiros e redução de riscos com acidentes no
trabalho.
Cunha (2005) desenvolveu a Cartilha de Gerenciamento para os Resíduos Sólidos
da Construção Civil onde descreveu um roteiro básico a ser seguido pelos geradores de
RCC. Nesta, ele aborda sete atividades referentes ao PGRCC a serem desenvolvidas
pela equipe técnica da obra: Caracterização dos resíduos: identificar os resíduos de
acordo com a classificação dada pela Resolução N° 307/2002, incluindo a “classe E”

58
como resíduos de características domésticas, bem como descrever o procedimento
adotado para a quantificação dos resíduos gerados; minimização dos resíduos: descrever
os procedimentos empregados para minimizar a geração; Segregação: separar os
resíduos de acordo com a sua classe e descrever os procedimentos utilizados para esta
segregação; Acondicionamento: descrever os procedimentos utilizados para
acondicionar os resíduos garantindo a integridade dos mesmos e identificar e descrever
os locais destinados a esta armazenagem nos canteiros de obras; Transporte: identificar
as empresas responsáveis pela coleta e o transporte, informando os locais de destinação
final.

2.7.8- Etapas do gerenciamento dos resíduos da construção civil

O gerenciamento dos RCC apresenta seis etapas que são efetuadas por diferentes
atores participantes do processo, são elas: geração, triagem, coleta, transporte,
tratamento e disposição final dos resíduos.

 Geração
Segundo Meira (2012), uma das etapas mais importantes do gerenciamento de
RCC é a geração, pois, é nela que se pode aplicar técnicas para otimizar a utilização dos
materiais, e assim reduzir o desperdício. Segundo Pinto (2005), a gestão no canteiro de
obra contribui para a não geração dos resíduos e, havendo a identificação e
quantificação dos resíduos descartados, há a possibilidade de identificação de focos de
desperdício. De acordo com a Resolução CONAMA N° 307/2002, aos geradores é
atribuída toda a responsabilidade dos resíduos gerados em seus empreendimentos,
cabendo a estes a preocupação com a não-geração e reutilização dos resíduos na obra.
No canteiro de obra, o gerador deve caracterizar o volume e a composição do resíduo
para poder proceder ao dimensionamento dos recipientes que o condicionarão.

 Triagem
Esta é uma etapa relevante para o processo de gerenciamento, pois se a triagem
for executada corretamente, os resíduos serão bem encaminhados para a reciclagem e
produzirão materiais de boa qualidade para o reuso. Para um bom reaproveitamento do
resíduo como matéria prima, as características do produto reciclado devem atender as
exigências do uso a que será submetido. A segregação correta dos resíduos é de suma
59
importância para o processo de reciclagem, pois, reciclar resíduos contaminados com
materiais não-inertes, por exemplo, produz reciclados de baixa qualidade (CABRAL;
MOREIRA, 2011). Segundo a legislação, a triagem deve ser feita preferencialmente na
origem do resíduo, sendo estes separados e estocados cada um de acordo com a sua
classificação. A segregação no canteiro de obra pode ser feita por meio da equipe de
mão-de-obra treinada logo após a geração (Figura 11) (BRASIL, 2002; CABRAL;
MOREIRA, 2011).
Existem também as áreas de transbordo e triagem que são próprias para a
destinação dos RCC. A disponibilização dessas áreas é de responsabilidade dos
municípios e são definidas no Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção
Civil de cada município. As ATT são áreas destinadas ao recebimento de RCC e
também de resíduos volumosos, nelas são feitos a triagem e o armazenamento
temporário dos materiais, eventuais transformações e posterior remoção para a
reutilização ou destinação adequada. A disposição de RCC nestas áreas é norteada por
normas técnicas específicas de modo a evitar danos à saúde e ao meio ambiente
(BRASIL, 2002). A legislação também prevê Pontos de Entrega de Pequenos Volumes
(PEPV) ou Ecopontos, são áreas de transbordo e triagem de pequeno porte destinadas à
entrega voluntária de RCC por pequenos geradores, devem ser integrantes do sistema
público de limpeza urbana.

Figura 11- Triagem do RCC no canteiro de obra.

Fonte: TÉCHNE (2014).

60
Figura 12 a- Área de Transbordo e Triagem e Usina de beneficiamento de RCC de João Pessoa-
PB. Figura 12 b- Ponto de Entrega de Pequenos Volumes na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Figura 12a: Batista JR. e Romanel (2013). Figura 12b: Pimentel (2013).

 Acondicionamento
Na etapa de acondicionamento, os resíduos devem ser acondicionados já
segregados em recipientes específicos segundo a classificação do resíduo e depois
encaminhados para o armazenamento final, onde aguardará a coleta. O gerador deve
garantir o confinamento dos resíduos até que seja feita a coleta e transporte,
assegurando a separação por classes para garantir a reciclagem (BRASIL, 2002; JOÃO
PESSOA, 2007). No local do acondicionamento é imprescindível a sinalização do tipo
de resíduo. Essa sinalização deve ser feita através de adesivos com a indicação
padronizada de cada tipo de resíduo por meio de cores (Quadro 5) estabelecida pela
Resolução N° 275/2001 (Figura 13).

Figura 13- Adesivos indicadores de cada tipo de resíduo.

Fonte: Master Ambiental (2012).


61
Quadro 5- Cores padronizadas para cada tipo de resíduo.
Cor Tipo de resíduo
Laranja Resíduos perigosos
Cinza Resíduos não-recicláveis
Marrom Resíduos orgânicos
Amarelo Metal
Azul Papelão e papel
Preto Madeira
Branco Resíduos de serviço de saúde
Roxo Radioativos
Verde Vidro
Vermelho Plástico
Fonte: Adaptado de Brasil (2001).

Para os resíduos classe A, que são os volumosos e pesados, devem ser utilizadas
caçambas estacionárias em locais que facilitem a retirada pela empresa transportadora
contratada. Já os volumosos leves (papeis, plástico, papelão, etc.) podem ser
acondicionados em grandes caixas cobertas e posicionadas de fácil acesso para a
remoção. No caso de quantidades pequenas de resíduos de madeira, metal, plástico,
papel e vidro, podem ser acondicionados separadamente em tambores ou coletores de
lixo com as cores padronizadas de cada tipo de resíduo. Em relação aos resíduos
orgânicos deve se utilizar tambores com tampa e saco de lixo simples, localizados
próximo a refeitórios e bebedouros.

 Coleta e transporte
A coleta e o transporte de RCC devem ser realizados de acordo com as normas
técnicas vigentes para o transporte de resíduos (BRASIL, 2002). A Norma Técnica que
orienta o transporte terrestre de modo a evitar danos ao meio ambiente e à saúde pública
é a NBR 13221:2010. Essa norma estabelece que o transporte de resíduos deve atender
à legislação ambiental específica (federal, estadual ou municipal) quando existente, bem
como deve ser acompanhado de documento de licença e controle ambiental emitido pelo
órgão competente (ABNT, 2010). A Lei Municipal N° 11.176/2007 orienta como deve
ser feito o transporte dos RCC e dá todas as diretrizes para que este seja feito de forma
que não prejudique a saúde pública e o meio ambiente.

62
Segundo a Lei Municipal N° 11.176/2007, o deslocamento dos RCC só pode ser
feito por transportadoras cadastradas na prefeitura que devem obrigatoriamente portar o
documento de Controle de Transporte de Resíduos (CTR). Aos transportadores é
obrigatório fornecer para os geradores comprovantes identificando a destinação dada
aos resíduos coletados, apresentando contrato que demonstre claramente sua
responsabilidade pela correta destinação nas áreas de reciclagem e aterros de resíduos
classe A. Os RCC não podem ficar expostos, poluir vias públicas, ocasionar transtornos
à população e ao tráfego, devendo a carga permanecer sempre protegida durante o
trajeto. O órgão fiscalizador é responsável por coibir as ações de transportadores
irregulares descompromissados com o Sistema de Gestão Sustentável de RCC
(BRASIL, 2002; JOÃO PESSOA, 2007; CABRAL; MOREIRA, 2011).

Figura 14 a- Caminhão Poliguindaste apropriado para o transporte de caçambas de RCC. Figura


14 b- Caminhão com caçamba basculante.

Fonte: Sinduscon-SP (2012).

 Tratamento
Quando se fala em tratamento de RCC, os métodos mais importantes a serem
empregados são o beneficiamento e a reciclagem. O beneficiamento é o ato de
submeter os resíduos a operação que permita que sejam reutilizados ou a processos que
tenham por objetivo dotá-los de condições que permitam a sua utilização como matéria
prima ou produto (JOÃO PESSOA, 2007).
Os RCC classe A são os inertes que podem ser reciclados sem processos de
transformação (tijolos, cerâmica, concreto, argamassa, telhas, etc), estes devem ser
encaminhados para usinas de beneficiamento e lá serem transformados para
reutilização, reciclados na forma de agregados ou encaminhados para um aterro de
resíduos classe A, onde ficarão reservados para o uso futuro. Os RCC classe B são

63
aqueles que precisam de processos industriais para sua reinserção (plástico, papel,
metal, vidro, gesso, etc.), estes devem ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a
áreas de armazenamento temporário, nessas áreas devem ser dispostos de modo que não
comprometa a sua utilização ou reciclagem futura. Os RCC classe C são os resíduos
para os quais ainda não foram desenvolvidos processos e tecnologias viáveis que
possibilitem a sua reciclagem, devem ser armazenados, transportados e destinados em
conformidade com as normas técnicas específicas para cada tipo de resíduo. Os RCC
classe D são os considerados perigosos (tintas, solventes, óleo, hospitalar, amianto,
etc.), devem ser armazenados, transportados e destinados também de acordo com as
normas técnicas vigentes. O tratamento de RCC é diferenciado para cada classe de
resíduo, devendo ser observadas as normas técnicas específicas e a legislação municipal
vigente (BRASIL, 2002).

 Destinação final
Segundo a Resolução CONAMA N° 307/02, os RCC classe A devem ser
reciclados na forma de agregados ou, em último caso, encaminhados para aterros de
resíduos da construção classe A. Já os resíduos classe B devem ser reutilizados,
reciclados ou, em último caso, encaminhados a áreas de armazenamento temporário e
nelas serem dispostos de modo a não comprometer a sua reutilização ou reciclagem
futura. Os resíduos classe C e D não recebem por lei diretrizes de disposição final, a
resolução apenas indica que devem ser armazenados e destinados em conformidade com
as normas técnicas específicas vigentes. Cabral e Moreira (2011) em seu manual de
gerenciamento de RCC sugerem alguns tipos de destinação final adequada:

Quadro 6- Tipo, classe e destinação final adequada para alguns tipos de RCC.
Tipo Classe Destinação
Não-beneficiado: construção de estradas e aterramento
de áreas baixas; Beneficiado: agregados para a
Entulho A
produção de concreto asfáltico, concreto de sub-bases
de rodovias, meio-fio, blocos de vedação
Utilizada na fabricação de papel e papelão, ou
Madeira B combustível. Quando não danificada ou suja, pode ser
reutilizada na obra.
Papel, papelão, B Podem ser doados para cooperativas de catadores.
plástico e metal
Vidro B Reciclado em novo vidro, fibra de vidro, telha e bloco
de pavimentação ou adição na fabricação de asfalto.

64
Continuação

Tipo Classe Destinação

Sacos de cimento B Deve retornar à fábrica para ser utilizado como


combustível na produção do cimento.
Utilizado na fabricação de cimento portland; na
Gesso B agricultura para a correção de solos e reciclado para
produzir o pó de gesso.

Fonte: Adaptado de Cabral e Moreira (2011).

2.7.9- A reciclagem dos resíduos da construção civil

A geração de resíduos se tornou um problema para o setor da construção civil,


que se vê em meio ao desafio de conciliar sua produção com a sustentabilidade, a
alternativa da reciclagem e reaproveitamento se apresenta como uma importante
solução. A reciclagem dos resíduos da construção vem sendo praticada há milênios,
porém, essa prática se intensificou no período pós Segunda Guerra Mundial,
principalmente na Alemanha, devido à grande demanda por matéria prima para reerguer
as cidades e à quantidade de entulho espalhado. A prática da reciclagem é hoje bastante
difundida em praticamente todos os países da União Européia, bem como nos Estados
Unidos e Japão (DORSTHORST; HENDRIKS, 2000; LORDELO; EVANGELISTA,
2007; PINTO, 1999).
No Brasil, a prática da reciclagem de RCC é ainda uma atividade recente, tendo
sido iniciada nos anos 1980 com pequenas máquinas de processamento para resíduos
menos resistentes. Os equipamentos de maior porte capazes de processar resíduos
maiores e mais resistentes começaram a ser utilizados por volta do ano 1991 (PINTO,
1999). Se comparado a outros países, a reciclagem no Brasil ainda é sutil. A variação da
quantidade de países que reciclam RCC se dá em função da disponibilidade de recursos
naturais, situação econômica e tecnológica do país, entre outros fatores
(DORSTHORST; HENDRIKS, 2000). O Brasil apresenta dificuldades em relação à
reciclagem por diversos fatores; a pesar da legislação que orienta a prática da
reciclagem como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) Lei N° 12.305/2010,
muitos dos geradores não destinam corretamente seus resíduos e a fiscalização dos
órgãos ambientais é muito falha (DOS SANTOS, et al., 2015). Outro fator que dificulta
o comércio de reciclados é a concepção errônea de que um produto reciclado tem
qualidade inferior ao produto convencional (LORDELO; EVANGELISTA, 2007).

65
Das fases do gerenciamento, a reciclagem é uma das mais importantes, tanto para
o meio ambiente quanto para a economia de materiais na obra. A reciclagem diminui a
possibilidade de deposição irregular de resíduos em áreas proibidas por lei e a
necessidade de extração de matéria prima da natureza (ÂNGULO, et al., 2001;
BATISTA JR.; ROMANEL, 2013;). Batista Jr. e Romanel (2013) afirmam que,
substituir a deposição irregular pela reciclagem, além de ser benéfico ao meio ambiente,
é economicamente vantajoso, pois o custo que o município tem com um metro cúbico
de resíduo depositado clandestinamente é de aproximadamente R$ 25,00, por outro
lado, estima-se que o custo da reciclagem seria 25% deste valor, com a produção de
agregados reciclados poderia gerar mais de 80% de economia em relação aos preços dos
agregados convencionais.
A reciclagem dos RCC gera inúmeros benefícios ambientais: redução no consumo
de matéria prima não-renovável; redução de áreas necessárias para a construção de
aterros; redução do consumo de energia durante o processo de fabricação dos materiais
e redução da poluição do ar, do solo e da água (ÂNGULO, 2001; JOHN, 1999, 2000;
JOHN; PINTO, 1999, 2005; JOHN; ÂNGULO, 2003; SPADOTTO, et al., 2011). No
entanto, se o processo de reciclagem não for bem gerenciado, ele também pode causar
impactos negativos ao meio ambiente assim como qualquer outra atividade humana.
Variáveis como o tipo de resíduo ou a tecnologia empregada podem tornar o processo
de reciclagem muito impactante; a quantidade de materiais e de energia necessária para
a fabricação do reciclado muitas vezes é alta, bem como os resíduos que esse processo
pode gerar, dependendo da utilização futura que será dada a cada produto. Portanto, a
escolha do processo de reciclagem de um produto deve ser feita de forma criteriosa,
ponderando todas as alternativas possíveis com relação ao consumo de energia e de
matéria prima a ser utilizada no processo (ÂNGULO, et al. 2001).
A Resolução CONAMA N° 307/2002 foi um passo importante para efetivação da
reciclagem no gerenciamento dos resíduos da construção civil. Por meio desta
resolução, os órgãos públicos municipais e construtoras passaram a ter
responsabilidades legais quanto ao tratamento que deve ser dado aos RCC,
principalmente por meio do incentivo à reutilização e reciclagem. O Art. 4 deixa claro
que os geradores devem ter como objetivo prioritário a não-geração de resíduos e, se
gerados, dependendo da classe do resíduo, devem ser reutilização e reciclados.
A NBR 15.116 (ABNT, 2004) define agregado reciclado como: “Material
granular proveniente do beneficiamento de resíduos de construção ou demolição de

66
obras civis que apresenta características técnicas para a aplicação em obras de
edificação e infra-estrutura.” (Figura 15). Esta norma dispõe sobre os requisitos para o
uso de agregados reciclados e preparo de concreto sem função estrutural (CABRAL,
2011).
Algumas alternativas de reciclagem de RCC classe A são bem difundidas no
Brasil, as principais destinações são: fabricação de agregados reciclados para
pavimentação; uso do agregado para o preparo de concreto sem função estrutural;
fabricação de concreto de sub-base de rodovias; fabricação de meio-fios e de blocos de
vedação.

Figura 15- Agregado reciclado provenientes do RCC classe A.

Fonte: Dicyt (2011).

2.8 A construção civil no município de João Pessoa-PB

O município de João Pessoa apresenta uma população estimada de 780.738


habitantes, uma área territorial em 211.475 Km² e densidade demográfica de 3.421,28
hab/km². Nos últimos dez anos, o município vem sofrendo grandes processos de
urbanização e explosão no setor da construção civil (IBGE, 2014). Estudos apontam que
João Pessoa está entre uma das melhores cidades ideais para se investir no mercado
imobiliário, pois além dos atrativos da cidade, o preço do m² ainda é considerado baixo
em relação a outras capitais (SINDUSCON-JP, 2015). Em 2013, um estudo realizado
pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (SINDUSCON-JP)
revelou que a capital teria o maior crescimento imobiliário de sua história nos dez anos
seguintes. Mesmo com o baixo crescimento da economia, a indústria da construção civil
liderou a taxa de crescimento nos últimos anos. Só em 2013 as construtoras da grande
João Pessoa e Campina Grande movimentaram 2,4 bilhões de reais em vendas de novos
67
imóveis, obtendo uma taxa de crescimento de 25% em 2013 sobre o ano anterior
(SINDUSCON-JP, 2013). Nenhum outro setor da economia paraibana registrou tão
grande crescimento (SINDUSCON-JP, 2014). O uso do gesso cresce simultaneamente
com o crescimento do setor da construção civil, visto que o gesso é amplamente
utilizado na construção de novas edificações, tanto para revestimento em alvenarias
como para forros, divisórias entre outros. As perdas do gesso na construção ocorrem
diariamente e em grandes quantidades nas obras do município; estima-se que 45% do
gesso utilizado para revestimento em uma obra se transforme em resíduo e 30% do
gesso utilizado de outras formas; acartonado, blocos, forros, etc. (AGOPYAN, et al.,
1998; JOHN; CINTTOCO, 2003).
Como já citado, o gesso é um material tóxico que, quando em contato com água,
libera íons de Ca²+ e SO4²- capazes de contaminar os lençóis freáticos e que, devido à
sua composição química, não pode ser depositado em aterros sanitários comuns, pois,
em contato com matéria orgânica, libera ácido sulfídrico (H2S), um gás tóxico
prejudicial à saúde humana. Devido à suas peculiaridades e composição química, o
gesso é um dos resíduos mais difíceis de tratar e requer cuidados especiais tanto no seu
tratamento como na sua disposição final. Após a nova classificação dada ao gesso pela
Resolução CONAMA N° 307/2002, o resíduo desse material deve ser reciclado e
reutilizado obrigatoriamente. Apesar de ter sido um dos primeiros municípios
brasileiros a implementar o Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Construção e
Demolição, João Pessoa ainda enfrenta muita dificuldade no gerenciamento correto dos
RCC, em especial do gesso oriundo da construção civil.

2.9 Os resíduos de gesso na construção civil e sua problemática

O gesso é um material amplamente utilizado na construção civil em diferentes


aplicações e sua utilização vem crescendo no setor gradativamente (DRYWALL, 2009).
No entanto, esse material gera grandes quantidades de resíduos que trazem problemas
tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente (CINCOTTO, et al., 1998;
JOHN; CONCOTTO, 2003, 2007). Devido às suas características químicas, os resíduos
de gesso não podem ser depositados em terrenos baldios e nem em aterros sanitários
comuns, pois pode contaminar o lençol freático. O resíduo de gesso é um material
formado por sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4 . 2H2O) que se torna tóxico em
contato com o oxigênio da água, um problema quando deixado em terrenos baldios
68
onde podem ter contato com a chuva ou próximo a corpos d’água. O problema ainda se
torna maior quando o gesso é levado aos aterros sanitários comuns, pois em contato
com a matéria orgânica, libera gás sulfídrico (H2S), um gás tóxico que tem odor de ovo
podre e carne em decomposição e é altamente prejudicial aos seres humanos se inalado.
O gás paralisa o sistema nervoso que controla a respiração, provocando asfixia, em
concentrações menores provoca dores de cabeça, fadiga e irritação nos olhos (JANG;
TOWNSEND, 2001; NITTA, et al., 2004). Além de inflamável, se torna letal em uma
concentração atmosférica acima de 500 ppm (ENVIROMENT AGENCY, 2002). A
incineração do gesso também pode produzir outro ás tóxico como o dióxido de enxofre
(SO2) (JOHN; CINCOTTO, 2007; MEDEIROS, 2003; SEVERO, 2011). Devido a essas
características peculiares, os resíduos de gesso devem ser tratados e dispostos de
maneira correta como prevê a Resolução N°431/2011 do CONAMA. No entanto,
estudos mostram que o gesso, na maioria das vezes, acaba sendo depositado em aterros
sanitários e terrenos baldios (CARTAXO, et al., 2013; JOHN, 2000; PINHEIRO, 2011;
PIMENTEL, 2013).
Nos Estados Unidos, o problema com a disposição de resíduos de gesso em
aterros começou a ser detectado em 1991 pela Gypsum Association (U.S.A.), que
encontrou também a presença de gás sulfídrico até mesmo em aterros exclusivos de
RCC (GYPSUM ASSOCIATION, 1992). Embora não se espere a ocorrência de
matéria orgânica em aterros de resíduos da construção, estudos mostram que isso pode
acontecer. Em uma pesquisa feita em dez aterros de RCC na Flórida foi detectada a
presença de ácido sulfídrico em todos os aterros, por este motivo o gesso começou a ser
banido dos aterros sanitários nos Estados. Desde 2005, os países da União Européia
exigem que os resíduos de gesso sejam depositados em células isoladas de qualquer
outro material, principalmente dos biodegradáveis Unidos (JOHN; CINCOTTO, 2003;
LEE, et al., 2006).
As possibilidades de minimizar o impacto ambiental causado pelos resíduos de
gesso são a redução, a reutilização e a reciclagem. No Brasil, a reciclagem de gesso
ainda é algo escasso e esses resíduos acabam sendo depositados em aterros sanitários ou
em de forma irregular em terrenos baldios, contaminando o solo e lençóis freáticos,
causando sérios danos ao meio ambiente. Apesar das novas exigências da legislação
vigorar há quatro anos, o gesso, que apresenta alto potencial de desestabilização do
meio ambiente, ainda não recebe o tratamento adequado e disposição final correta,

69
sendo muito poucas as empresas que trabalham com a sua reciclagem. (PINHEIRO,
2011; SEVERO, 2011).

2.9.1- Perdas do gesso na construção civil

A geração dos resíduos de gesso nas atividades de construção civil é decorrente


principalmente das perdas e desperdício de materiais nos canteiros de obras
(CINCOTTO, 2003; JOHN; CINCOTTO, 2007; PINHEIRO, 2011; SHENINI;
BAGNATI; CARDOSO, 2004). O descarte de gesso na construção civil é considerável
em todas as suas modalidades e aplicações. Porém, as principais modalidades do uso do
gesso responsáveis pela geração de resíduos são os revestimentos em alvenaria e teto
com pasta de gesso, aplicação de divisórias com gesso acartonado e placas para forro
(PINHEIRO, 2011). Estima-se que o desperdício na indústria da construção civil é de
45%, já os fabricantes de gesso em pó estimam uma perda de 30% da massa do gesso
no processo de produção (CINCOTTO, 2003). O gesso acartonado (utilizado para forros
e divisórias) gera cerca de 5% de desperdício devido às atividades de corte e de chapas
danificadas (Figura 16) (CINCOTTO, 2003). O gesso para revestimento é o que gera a
maior quantidade de resíduo dentre as aplicações na construção civil, pois o tempo de
endurecimento é curto e a mão-de-obra muitas vezes é desqualificada para o serviço,
deixando cair no chão grande quantidade de gesso que é lançado na parede, ou até
mesmo desperdícios na hora do preparo da massa (Figura 17-a) (CINCOTTO, 2003;
PINHEIRO, 2011; RIBEIRO, 2006). Agopyan (1998) revelou que a perda média
nacional do gesso para revestimento é de 45%. De Sá e Pimentel (2009) realizaram um
estudo em algumas obras na cidade de São Paulo onde se constatou um desperdício de
mais de 30% do gesso aplicado para revestimento. Pimentel e Camarini (2009)
estimaram perdas de 40% em obras no interior de São Paulo. Já Dórea et al. (2009)
estimou valores de mais de 20% e Grosskopf (2012) 35%. Souza (2007) estudou 19
obras na cidade do Recife e encontrou uma média de 38,7% de desperdício, em apenas
uma obra foi calculado 52 toneladas de resíduo de gesso. Há também quantidades
consideráveis de desperdício na aplicação de placas de gesso para forros devido a
quebras de placas durante o transporte, manuseio e aplicação (Figura 17-b) (RIBEIRO,
2006).

70
Figura 16- Resíduo de gesso acartonado.

Fonte: Revista do Desenvolvimento Sustentável Corporativo (2013).

Figura 17 a- Utilização do gesso para revestimento em alvenaria. Figura 17 b- placas de gesso


utilizadas para forro.

Fonte: DRYWALL (2009).

Figura 18- Resíduo de gesso de aplicação para revestimento em alvenarias.

Fonte: SANTOS (2012).

71
2.9.2- Gerenciamento dos resíduos de gesso da construção civil

No Brasil, os resíduos de gesso tiveram sua disposição final regulamentada pela


Resolução N° 307/2002 do CONAMA, sendo o gesso inicialmente classificado como
classe C (resíduos para os quais não existe tratamento adequado e economicamente
viável). Essa classificação foi revista em 2011 pela Resolução N° 431/2011 do
CONAMA (BRASIL, 2002; BRASIL, 2011).
Devido à crescente utilização do gesso na construção civil e consequente aumento
na geração de resíduos, os construtores devem ter maior atenção com relação à gestão
dos resíduos de gesso para atender as novas exigências da legislação ambiental. A
começar no canteiro de obra, o gesso necessita de uma separação adequada dos demais
materiais para evitar contaminação e tornar viável a reciclagem. No entanto, são poucas
as construtoras que efetivam a gestão correta, a maioria não faz a triagem e
acondicionam o gesso juntamente com outros resíduos (Figura 19) (JOHN, 2007;
SEVERO, 2011; CARTAXO, 2011; PINHEIRO, 2011; SILVA, 2013). A ideia de se
realizar um controle eficaz dos resíduos de gesso não traz apenas benefícios ao meio
ambiente, mas também econômicos. Quando a gestão é feita de maneira adequada,
ajuda a aumentar a produtividade nos canteiros de obras reduzindo as perdas, diminui os
riscos com acidentes e reduz os custos com a destinação dos resíduos (DRYWALL,
2009). Segundo John e Cincotto (2003), outro fator de suma importância com relação à
gestão eficaz nos canteiros de obra é que, se medidas corretas de gerenciamento não
forem postas em prática, como por exemplo a triagem dos resíduos, poderão ocorrer
problemas que eventualmente podem afetar a confiabilidade dos materiais produzidos
com agregados reciclados tornando-se um problema no mercado da reciclagem de RCC.

Figura 19- Resíduo de gesso não segregado no canteiro de obra.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

72
 Triagem, acondicionamento e transporte dos resíduos de gesso
Em uma obra de construção, todo o resíduo de gesso deve ser separado de
qualquer outro tipo de resíduo, evitando a contaminação, principalmente por metais
(Figura 21). O procedimento de separação do gesso na obra melhora qualidade do
resíduo tornando viável a sua reciclagem e, para isto, é de suma importância a
qualificação e o treinamento da mão-de-obra envolvida nos processos de aplicação de
gesso. Após a triagem o gesso deve ser acondicionado em local seco separado de outros
resíduos para evitar a contaminação, principalmente por metais, podendo ser feito em
caçambas ou em baias com piso de concreto, os locais devem ser cobertos e protegidos
da chuva e sem contato algum com água ou umidade (Figura 20).

Figura 20- Armazenamento do resíduo de gesso.

Fonte: Drywall (2012).

Figura 21- Métodos de segregação para os diferentes resíduos de gesso.

Fonte: Silva (2013).

73
A coleta dos resíduos deve ser procedida por empresas especializadas, com
transportes adequados, como poliguindaste e caçambas estacionárias. O transporte deve
ser feito de acordo com a lei municipal em vigor, em concordância com as normas
específicas para o transporte terrestre de resíduos. De acordo com a Lei Municipal N°
11.176/2007, o transporte é submetido às diretrizes e à gestão do poder público
municipal, e deve ser feito por transportadoras cadastradas na Autarquia Especial
Municipal de Limpeza urbana (EMLUR). Para proceder com o deslocamento do
resíduo, a empresa contratada deve portar o documento Controle de Transporte de
Resíduo (CTR). O gesso deve ser transportado em caçambas de caminhão basculante
cobertas por lona, ou caminhão poliguindaste apropriado para o transporte de caçambas
de RCC.

2.9.3- Reaproveitamento e reciclagem dos resíduos de gesso

A reciclagem dos resíduos da construção civil é uma das formas mais eficazes de
tratamento para estes resíduos, principalmente quando se fala em resíduos de gesso,
tendo em vista que a sua composição química o impossibilita de ser depositado em
aterros sanitário e de RCC (JOHN; CINCOTTO, 2003; PINHEIRO, 2011). Um fator
importante da proibição da deposição do gesso em aterros de RCC, é o fato do gesso
não pode ser processado juntamente com os resíduos da construção civil para produzir
agregados reciclados, pois o sulfato do gesso na presença de aluminatos do cimento
reage gerando etringita, componente que pode gerar tensões de expansão na matriz dos
concretos produzidos com o agregado reciclado e destruir elementos construtivos
(JOHN; CINCOTTO, 2003, 2007). A NBR 1516:2004 que estabelece os requisitos para
a utilização de agregados reciclados em pavimentação e preparo de concreto sem função
estrutural, especifica os limites do teor de sulfato que podem estar presentes nos
agregados, 1% para concretos sem função estrutural e 2% para o concreto usado em
pavimentos (ABNT, 2004).
Segundo John e Cincotto (2003), no caso dos resíduos de gesso, alguns cuidados
devem ser tomados para que possam ser reciclados, cuidados estes relacionados
principalmente com a triagem, o estoque e o transporte. A segregação correta dos
resíduos de gesso na obra e os cuidados para evitar contaminação nas etapas de estoque
e transporte são necessários para garantir a viabilidade da reciclagem. Para reutilizar o
resíduo de gesso na cadeia produtiva da construção civil, ele precisa estar livre de

74
impurezas de outros materiais, tendo em vista que, livre de impurezas, ele readquire as
características químicas da gipsita, podendo ser reinserido no processo de produção
(DRYWALL, 2012). O gesso tem sido reutilizado principalmente em três frentes de
reaproveitamento: a indústria cimenteira, agrícola e de produção do gesso de
construção.

2.9.4- Reaproveitamento do resíduo de gesso na indústria cimenteira

A gipsita é amplamente utilizada na fabricação do cimento portland, é


adicionada ao clínquer durante a moagem na proporção de 5% da massa total, servindo
para retardar o tempo de pega (secagem) do cimento. Sem a adição do gesso, o cimento
se tornaria inviável de se trabalhar, pois endureceria muito rapidamente (DRYWALL,
2012; PINHEIRO, 2011; FERREIRA; CRUVINEL, 2014).
O reaproveitamento do gesso na indústria cimenteira é possível porque o resíduo
de gesso de construção, quando hidratado, torna apresentar composição química igual a
da gipsita, sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4 . H2O). A reutilização dos resíduos de
gesso na fabricação do cimento é feita na fase final de moagem do clínquer,
substituindo a gipsita bruta. Esta é uma opção viável de reuso de gesso, visto que há
fábricas de cimento espalhadas por todo país, havendo sempre unidades “próximas” às
Áreas de Transbordo e Triagem (DRYWALL, 2012). No entanto, a aplicação de resíduo
de gesso da construção na fabricação de cimento exige pureza do resíduo, sendo viável
apenas se o material estiver livre de contaminação por outros resíduos na obra,
ressaltando a importância da triagem e acondicionamento do gesso de forma correta
(PINHEIRO, 2011). A utilização do gesso em substituição à gipsita virgem utilizada na
produção de cimento constitui-se como uma saída para a redução deste material no meio
ambiente, bem como em economia para as construtoras, fábricas de cimento e poder
público, que é responsável pelo resíduo quando descartado de forma irregular em vias
públicas.

2.9.5- Reaproveitamento do resíduo de gesso na agricultura

O gesso agrícola serve para fornecer cálcio e enxofre ao solo; neutralizar a ação
do alumínio; diminuir a presença de sódio no solo; elevar os teores de cálcio
favorecendo o maior crescimento das raízes dando mais vigor e resistência a doenças,

75
entre outros benefícios. A presença de alumínio no solo impede a penetração das raízes
e compromete o crescimento das plantas, o sulfato (SO4²-) presente no gesso ajuda a
neutralizar o alumínio ajudando assim o crescimento das raízes. O gesso também ajuda
na remediação de problemas de compactação dos solos causados pelo uso de
maquinário pesado na agricultura. O gesso é utilizado como solução para o solo
compactado; o cálcio que ele libera deixa o solo mais poroso e aerado, facilitando a
entrada de ar, água e a penetração das raízes (EMBRAPA, 2010; JANG; TOWNSEND,
2001; AHMED; UGAI, 2011). O gesso oriundo dos resíduos da construção civil pode
ser amplamente utilizado para a correção de solos na agricultura, possuindo os mesmos
benefícios do uso do gesso agrícola. O mesmo serve para os resíduos de gesso
acartonado, pois os teores de metais pesados dos componentes adicionais ao gesso são
insignificantes (MARVIN, 2000). Nos Estados Unidos, a utilização dos resíduos de
gesso na agricultura é um método comum; utilizam cerca de 22 toneladas de gesso por
hectare. No entanto, em alguns estados esta prática é proibida devido à possibilidade de
contaminação do lençol freático. No Brasil, o uso do gesso agrícola (fosfogesso) para a
correção de solos é uma prática muito comum, já a utilização do gesso reciclado para o
mesmo fim ainda é algo sutil. Poucas empresas são especializadas neste serviço, uma
delas está situada no estado do Paraná, a OK Ambiental, ela recebe mais de 4.000
toneladas de gesso por mês e 100% desse resíduo é reciclado e vendido como
fertilizante para a agricultura. Outra empresa situada no Rio Grande do Sul, com sede
em Canoas se especializou na preparação e venda da matéria-prima para produção de
adubos. A Sabanella recebe cerca de 1,4 mil toneladas de gesso oriundos do descarte
irregular em áreas clandestinas. O processo de produção do resíduo de gesso para ser
utilizado na agricultura é simples, consistindo apenas na separação dos outros materiais,
secagem a céu aberto e moagem (PERES, 2008).

2.9.6- Reaproveitamento do resíduo de gesso como material de construção


Após vários estudos sobre as propriedades físicas e mecânicas do gesso residual
oriundo da construção civil, foi constatado que este material pode ser amplamente
reutilizado no próprio setor da construção, após o processo de reciclagem (PINHEIRO,
2011). Bardella e Camarini (2003, 2004) constataram que o gesso reciclado tem os
mesmos níveis de propriedade mecânica que o gesso comercial, apresentando melhor
desempenho quando calcinado a 200°C. Pinheiro (2011) concluiu que o resíduo de

76
gesso apresenta propriedades físicas e mecânicas, tempo de pega, resistência e consumo
de energia para fabricação, muito similares ao gesso comercial.
Desde 2003, estudos sobre a viabilidade da reciclagem do gesso vêm sendo
desenvolvidos na expectativa de mudar a Resolução CONAMA N° 307/2002, que
determinava que para o gesso não existiam tecnologias viáveis para a reciclagem. Em
2009, a Associação Brasileira de Chapas de Drywall (Associação Drywall) solicitou a
mudança da lei ao Conselho Nacional de Meio Ambiente, tendo sido concedida em
maio de 2011 através da Resolução 431/2011 do CONAMA. A Drywall reciclava seus
próprios resíduos desde 2003, esse processo é facilitado pela composição das chapas de
gesso e pelo processo de reciclagem desse tipo de material já ser conhecido e utilizado
em outros países como Japão, Alemanha, Canadá e Estados Unidos (JOHN;
CINCOTTO, 2003; PERES, 2008). O gesso acartonado pode ser amplamente reciclado
após um beneficiamento para a remoção de papel e outros materiais presentes. Essa
prática é muito comum nos Estados Unidos, onde reciclam 95% do gesso acartonado
para a fabricação de novos materiais. No Brasil, assim como a reciclagem dos resíduos
de gesso de revestimento e placas de gesso, a reciclagem do gesso acartonado também é
muito escassa (JOHN; CINCOTTO, 2003; MARVIN, 2000).

3. METODOLOGIA

Em razão do objeto de estudo, o referencial metodológico da pesquisa baseia-se em


uma metodologia qualitativa que busca desenvolver resultados teóricos sobre as
regularidades do gerenciamento dos resíduos de gesso de construção. A investigação do
gerenciamento constou de vários estudos desenvolvidos de forma simultânea, tais como:
pesquisa bibliográfica, pesquisa documental em órgãos públicos, observação de campo,
visitas às empresas e órgãos responsáveis pelas etapas de todo o processo de
gerenciamento, entrevistas não estruturadas e questionários. Dessa forma, a pesquisa foi
realizada com base em um estudo exploratório e utilizadas técnicas de abordagem que
geraram uma análise qualitativa acerca do gerenciamento dos resíduos de gesso da
construção civil no município de João Pessoa.

77
3.1. Procedimento de coleta de dados

O procedimento de coleta de dados foi feito através da busca bibliográfica e


documental; visitas às empresas participantes do processo de gerenciamento e
entrevistas aos órgãos responsáveis pela fiscalização. A pesquisa documental foi feita de
forma direta em fontes como leis federais, leis municipais, resoluções e normas
técnicas. Foram realizadas buscas em relatórios gerenciais na prefeitura municipal de
João Pessoa- Secretaria de Meio Ambiente (SEMAM) e Autarquia Especial Municipal
de Limpeza Urbana (EMLUR), responsáveis pela fiscalização e coleta de RCC na
cidade, respectivamente.
Para caracterizar o gerenciamento dos resíduos de gesso, buscou-se informações
junto aos atores envolvidos no processo, desde a geração, passando pelo transporte
(transportadoras e EMLUR) até a destinação final (aterro, usinas beneficiadoras). Não
foram feitas visitas aos canteiros de obras para obtenção de informações sobre a triagem
e acondicionamento dos resíduos, as visitas feitas às obras foram apenas para fins
ilustrativos da pesquisa. Para a obtenção destas informações foi utilizada a literatura.
Também foi necessário pesquisar o órgão gestor e fiscalizador como um dos atores
responsáveis pela fiscalização do manejo e destinação correta, a SEMAM. Neste órgão,
a pesquisa foi feita na Divisão de Fiscalização (DIFI) e Divisão de Estudos e Pesquisas
(DIEP) na área de resíduos da construção. Ao todo foram entrevistadas três
transportadoras cadastradas na prefeitura que são as principais do município, duas
usinas beneficiadoras também cadastradas (as únicas que aceitam resíduo de gesso) e o
aterro sanitário.
Para obtenção de informações sobre os fatores que mais influenciam no
gerenciamento dos resíduos de gesso e identificar quais as problemáticas que dificultam
um correto e eficaz gerenciamento, foi feito um levantamento de informações através de
entrevistas e revisão de documentos concedidos pelos órgãos gestores responsáveis.
Para que as informações e documentos pudessem ser concedidos foi feito um pedido
prévio formal do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental e todos
foram autorizados pelos responsáveis dos respectivos órgãos. Para fins ilustrativos,
foram realizadas vistorias nas áreas que podem ser mais propensas a deposição irregular
dos resíduos utilizando uma câmera fotográfica para o registro das imagens.
Em relação a etapa de reutilização, foi feita uma análise através de uma busca
bibliográfica sobre as formas de reutilização do resíduo de gesso proveniente da

78
construção civil e como ele pode ser comercializado, com o resultado das buscas foram
feitas visitas a empresas situadas no município de João Pessoa que possivelmente têm
interesse comercial nos resíduos de gesso para a sua comercialização.
Para estimar, aproximadamente, a quantidade de resíduos de gesso gerado no
município, foi feito uma inferência com base em dados fornecidos pela Secretaria do
Estado da Receita. O fisco estadual disponibilizou os valores em real de todas as notas
fiscais eletrônicas de gesso emitidas nos últimos três anos na cidade de João Pessoa. A
partir desses valores, foi feito um cálculo utilizando a regra de três simples, baseando-se
no preço da saca de 40kg de gesso, que é a forma comercializada para o gesso de
revestimento. Através do cálculo foi possível estimar a quantidade de gesso em
toneladas. A literatura informa que 45% do total de gesso torna-se resíduo, sabendo o
valor aproximado da quantidade de gesso em tonelada que foi comercializado e a
porcentagem de resíduo gerado fornecido pela literatura, foi feito uma estimativa da
quantidade de resíduos de gesso no município de João Pessoa nos últimos três anos. Um
resumo dos procedimentos realizados para a coleta de dados está descrito no quadro 7.

Quadro 7- Resumo da metodologia da pesquisa.


Objetivo Atores envolvidos Procedimento
Acompanhamento das etapas
Caracterizar o gerenciamento Transportadores, de transporte à destinação
e analisar todas as suas beneficiadoras e aterro final dos resíduos e
etapas. sanitário. entrevistas com os atores
evolvidos. Comparação dos
resultados com a exigência
imposta na legislação.

Identificar os problemas que Órgãos públicos responsáveis Acompanhamento das etapas


mais influenciam no (SEMAM e EMLUR) do gerenciamento;
gerenciamento eficaz dos levantamento de informações
resíduos de gesso. através de entrevistas ao
órgão gestor e análise
documental.
Propor uma alternativa viável
e ambientalmente correta para Bibliografia; empresas Busca bibliográfica e visitas à
a resolução da problemática interessadas no resíduo de empresas interessas.
dos resíduos de gesso. gesso para comércio. (CIMPOR e Rebrite)
Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

79
4. RESULTADOS

4.1. Geração

A partir de dados obtidos na Secretaria de Estado da Receita (Anexo B), foi feito
um levantamento da demanda de gesso que entrou no município de João Pessoa. Esta
inferência foi calculada por meio do valor das Notas Fiscais Eletrônicas de gesso
recebidas no município de João Pessoa nos anos de 2012, 2013 e 2014 (Quadro 8). Os
valores foram calculados baseado no valor do gesso em pó para revestimento que é,
atualmente, por volta de 20,00 R$ o saco de 40kg.

Quadro 8- Valores da demanda de gesso em real e estimativa da quantidade de resíduos gerada


segundo os valores das notas fiscais emitidas na cidade de João Pessoa-PB.
Ano Valor R$ Quantidade em Estimativa do
Tonelada resíduo gerado
2012 6.453.820,37 12.907,64 5.808,438 t
2013 8.964.435,96 17.928,8 8.067,96 t
2014 9.407.499,70 18.814,9 8.466,750 t
Fonte: Secretaria do Estado da Receita-PB, 2015.

A demanda de gesso utilizada não é simples de se calcular, pois, o gesso não é


comprado apenas em pó como foi baseado o cálculo dos valores do quadro 8, mas
também em placas pré-moldadas, blocos de gesso e gesso acartonado, cujos valores
variam muito. Além disso, esses valores estimados foram baseados nas notas fiscais da
Receita do Estado, não há como saber se foi emitida notas fiscais de todo gesso
utilizado nas obras do município, sendo esse valor anual da quantidade de resíduos
apenas uma estimativa geral. No município de João Pessoa, a maior parte dos resíduos
de gesso é proveniente da utilização como pasta para revestimento de paredes e tetos
(RIBEIRO, 2006); não diferindo da maioria dos trabalhos que avaliam a taxa de
desperdício do gesso em outras cidades brasileiras. Isto se dá principalmente devido à
ausência de mão-de-obra qualificada (BALTAR, 2008; JOHN; CINCOTTO, 2007).

80
4.2. Caracterização do gerenciamento dos resíduos da construção civil na cidade de
João Pessoa.

Em outubro de 2007, o poder público municipal de João Pessoa estabeleceu o


Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) para ser seguido
por todos os grandes geradores (acima de 2,5 m³ de resíduos). No referido plano, devem
estar incluídos a caracterização e quantificação de todos os resíduos que serão gerados
na obra nas etapas de demolição e construção. A quantidade estimada de cada classe de
resíduo em m³ deve ser informada, bem como a quantidade de resíduo que foi reciclado
na obra, descrição do processo de reciclagem a ser utilizado e aplicação que será
empregada. No projeto deve ser descrito a forma de acondicionamento utilizado para
cada classe de resíduo, a quantidade estimada de resíduo a ser transportado e as
informações das empresas responsáveis pelo transporte com toda a documentação de
licença ambiental e CTRs anexadas ao projeto. As informações acerca da destinação
final dos resíduos também devem ser informadas; local de destinação, endereço e o
volume estimado para cada classe de resíduos. O modelo do PGRCC utilizado pelo
órgão ambiental da prefeitura do município de João Pessoa encontra-se no Anexo A.
Segundo as informações obtidas junto ao órgão ambiental da prefeitura, o projeto
de gerenciamento deve ser apresentado ao órgão ambiental municipal, Secretaria de
Meio Ambiente (SEMAM), para obtenção das licenças necessárias para a construção do
empreendimento: a Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de
Operação (LO). Segundo a SEMAM, quando o gerador apresenta o plano de
gerenciamento, uma equipe técnica da SEMAM vai até o local do empreendimento para
averiguar se o projeto já está sendo cumprido, isso se tiver dado entrada nas licenças na
época correta para cada uma delas. O construtor deve dar entrada na LP antes de
começar qualquer atividade no local que pretende construir, essa licença serve para que
o construtor tenha a autorização do órgão ambiental para construir qualquer edificação
na área de interesse. Antes de começar a construir, o interessado deve retirar a LI, e é
nessa etapa que o PGRCC é solicitado pela SEMAM. Quando o projeto é apresentado
ao órgão ambiental, uma equipe técnica vai ao local do empreendimento para averiguar
se o projeto já está sendo efetivado, se não estiver, o construtor será autuado com multa
e sua obra será paralisada até que ele regularize a situação. A LO é solicitada quando a
obra já está concluída. Nessa etapa, o construtor deve apresentar todos os documentos
necessários para o recebimento da licença, comprovando que o gerenciamento dos

81
resíduos foi feito de forma correta, por exemplo: comprovantes de que gerou a
quantidade que foi estimada no projeto de gerenciamento; contratos de locação das
caçambas estacionárias de separação dos resíduos para acondicionamento;
comprovantes de contrato com as transportadoras (Controle de Transporte de Resíduos-
CTR) que devem ser devidamente cadastradas junto à Autarquia Especial Municipal de
Limpeza Urbana (EMLUR), entre outros. Se qualquer uma das exigências não for
cumprida, o órgão ambiental municipal autua o construtor com multa. Segundo a
SEMAM, a equipe de fiscalização é responsável por fiscalizar todas as obras e averiguar
se cada uma delas está cumprindo o PGRCC corretamente, porém, nem sempre isso é
feito devido ao quadro de funcionários que é insuficiente para fiscalizar todas as obras
do município, fazendo com que muitas delas ainda depositem irregularmente seus
resíduos em áreas proibidas.

4.2.1- Triagem, acondicionamento dos RCC nos canteiros de obra


Segundo a Resolução N° 307/2002 do CONAMA e a Lei Municipal N°
11.176/2007, a triagem deve ser feita, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser
realizada nas áreas de destinação licenciadas, Áreas de Transbordo e Triagem de
Resíduos da Construção Civil (ATT). No entanto, estudos sobre o gerenciamento dos
RCC em municípios do Brasil mostram que grande parte das construtoras não faz o
gerenciamento correto (BALTAR, 2008; GUEDES, 2014; JOHN E CINCOTTO, 2007;
ROTH; GARCIAS, 2009; SANTOS, 2008; SILVA; FERNANDES, 2012; SOUZA;
CABETTE, 2014). Não diferente de outros municípios brasileiros, em João Pessoa a
maioria das construtoras não faz a triagem na obra como deveria, embora essa
ordenança esteja explícita na lei municipal e no Projeto de Gerenciamento dos Resíduos
da Construção Civil da cidade (PIMENTEL, 2013). De acordo com as três
transportadoras entrevistadas, a grande maioria das construtoras não separa os resíduos
por classe, geralmente depositam os RCC misturados na caçamba, inclusive o gesso,
onde permanecem acondicionados a espera da coleta e transporte. Esse fato também foi
observado em algumas visitas feitas a canteiros de obras na cidade (Figura 22). De
acordo com as transportadoras, o trabalho da triagem é feito, em sua maioria, nas usinas
de beneficiamento presentes na região.

82
4.2.2- Triagem dos resíduos de gesso
Apesar das exigências estabelecidas na legislação ambiental, os resíduos de gesso
não recebem a triagem correta na maioria dos canteiros de obras (BALTAR, 2008;
JOHN, 2007). Segundo a primeira transportadora entrevistada, apenas uma construtora
faz a triagem do gesso na obra, todas as outras para as quais presta serviço de transporte
de RCC acondicionam o resíduo de gesso juntamente com outros tipos de resíduos
(Figura 22). A segunda transportadora entrevistada também informou que todo o gesso
que coleta vem misturado com outros resíduos e é sempre em pequena quantidade. A
terceira transportadora informou que raramente transporta caçamba apenas de gesso e
confirmou que o gesso vem misturado na grande maioria das vezes. No geral, não existe
triagem dos resíduos de gesso nas obras do município de João Pessoa, o gesso fica
misturado com outros materiais e são poucas as construtoras que fazem a triagem no
canteiro de obra.
Durante as visitas ao órgão ambiental responsável pela fiscalização das
construtoras e transportadoras, SEMAM, foi questionado quanto à existência de algum
tipo de projeto de gerenciamento dos resíduos de gesso no município de João Pessoa.
Foi constatado que, além de não haver nenhum projeto neste sentido, o órgão também
ainda não estava ciente acerca da mudança com relação à nova classificação dada ao
gesso pela Resolução CONAMA N° 431/2011. Ou seja, há quatro anos a legislação deu
novas exigências para o tratamento adequado dos resíduos de gesso e o órgão ambiental
responsável pela gestão dos RCC ainda não tinha ciência disto. Na análise documental
feita na SEMAM, foi constatado que no Projeto de Gerenciamento dos Resíduos da
Construção Civil que é entregue aos grandes geradores, o gesso ainda aparece como
sendo um resíduo de classe C, ou seja, resíduos para os quais não existem tecnologias
viáveis para a reciclagem (Anexo A).
Figura 22- Acondicionamento de RCC feito de forma irregular em um canteiro de obra.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.


83
4.2.3- Transporte dos RCC
O transporte de RCC no município de João Pessoa é reconhecido pela Lei
Municipal N° 11.176/2007 como ação privada de coleta regulamentada e submetida à
ação gestora do poder público municipal, sendo obrigatório o cadastramento das
transportadoras junto à EMLUR. Segundo a legislação municipal, os transportadores
são obrigados a fornecer aos geradores comprovantes que identifiquem a destinação
correta dada aos resíduos coletados. Os geradores são proibidos de contratar
transportadores não cadastrados na EMLUR. O transporte utilizado pelas construtoras
para o descarte de RCC no município de João Pessoa é geralmente feito por empresas
transportadoras terceirizadas que utilizam caçambas estacionárias ou caminhões
basculantes de volumes específicos (Figura 23). Estes equipamentos de coleta e
transporte de RCC não podem ser usados para coletar e transportar outro tipo de
resíduo. Os transportadores não podem fazer o deslocamento dos resíduos sem o
documento de Controle de Transporte de Resíduos (CTR).

Figura 23- Caminhão basculante e caminhão poliguindaste de caçambas estacionárias utilizados


no transporte de RCC na cidade de João Pessoa.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

4.2.4- Transporte e destinação final dos resíduos de gesso


Nas entrevistas com as três principais transportadoras de RCC do município de
João Pessoa, foi informado que o gesso vem misturado nas caçambas com outros
resíduos e é ínfimo o número de construtoras que fazem a triagem desse material na
obra. Durante a pesquisa, foi questionado aos entrevistados quanto à destinação final
dada aos resíduos de gesso que vêm misturados nas caçambas. Uma das transportadoras
afirmou que todo o resíduo de gesso que transporta é destinado para a Rebrite, usina de
reciclagem de RCC no município de João Pessoa, a única que recebe esse tipo de
resíduo. A outra transportadora informou que não transporta esse tipo de resíduo e,
84
quando vem misturado, é feita a segregação e o gesso é estocado na usina da empresa.
Segundo o proprietário da Rebrite, o gesso que chega já segregado ou misturado a
outros materiais é separado, processado e estocado, onde permanece aguardando um
comércio local viável. Um outro ponto importante acerca da destinação dos resíduos de
gesso é o fato da responsabilidade de destinar corretamente ser do gerador. Em
entrevistas feitas a uma empresa de aplicação de gesso, foi informado que muitas das
construtoras que contratam o serviço pedem para o gesseiro não deixar resíduo na obra,
obrigando-o a levar o volume de resíduo que produzir. Alguns gesseiros trazem o
resíduo e fazem a reciclagem, adicionando 10% do gesso reciclado ao gesso puro,
outros descartam irregularmente. Em 2012, houve uma audiência com o Ministério
Público onde estiveram presentes gesseiros e alguns empresários interessados em buscar
uma solução para os resíduos de gesso através da implantação de um comércio viável.
Porém, na entrevista feita com a Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público,
foi constatado que nenhum avanço ocorreu e não foi tomada nenhuma medida com
relação ao tema.
Pode-se observar que o gerenciamento dos resíduos de gesso no município de
João Pessoa é insatisfatório, tanto por parte dos construtores como por parte dos órgãos
responsáveis pela gestão e fiscalização, resumindo-se apenas ao preenchimento do
Projeto de Gerenciamento de RCC por parte dos grandes geradores, sendo este falho
também, pois ainda apresenta o gesso como sendo resíduo de classe C (Anexo A).
Em 2007, quando o poder público municipal implantou o Plano de Gerenciamento
dos RCC, predefiniu também a implantação de pontos de entregas para pequenos
volumes (até 2,5m³ de resíduos) (Ecopontos) definidos como: “Equipamento público
destinado ao recebimento de pequenos volumes de resíduos da construção civil e
demolição gerados e entregues pelos munícipes ou por pequenos transportadores
diretamente contratados pelos geradores, com utilização de equipamentos que não
causem danos à saúde pública e ao meio ambiente”. Estes pontos devem ser usados para
a triagem de resíduos recebidos, coleta diferenciada e posterior remoção para adequada
disposição, em atendimento às especificações da Norma Brasileira (NBR 15.112/2004),
da ABNT.” (JOÃO PESSOA, 2007). Não há no município nenhum tipo de gerência ou
controle sobre a responsabilidade dos pequenos geradores e nem a existência dos
Ecopontos previstos da legislação municipal. Segundo a Diretoria de Operações da
EMLUR, os pequenos geradores geralmente depositam os RCC, inclusive o gesso, em
terrenos baldios e em vias públicas, ficando sob a responsabilidade da EMLUR a coleta

85
e destinação final. A Diretoria de Operações (DIOP) da EMLUR, que é responsável por
gerenciar toda a coleta realizada por empresas terceirizadas, informou que os resíduos
de gesso são coletados de forma inadequada, misturado a outros resíduos, e que estes
são encaminhados ao Aterro Sanitário Metropolitano junto com os RCC ou à USIBEN,
porém, não soube informar que medidas podem ser tomadas com relação à destinação
final adequada do gesso, já que no município ainda não existe nenhuma empresa que
faça a reciclagem do material. Segundo a entrevista feita com o responsável da
USIBEN, a usina não recebe resíduos de gesso e, quando chega misturado, é feita a
separação do material que é estocado. No entanto, não souberam informar a destinação
final do gesso.
A gestão dos resíduos de gesso é um problema grave para o município de João
Pessoa. O poder público municipal arca com o ônus de grande parte do RCC, pois estes
são depositados irregularmente em vários locais da cidade. Este problema se dá devido à
falta de uma fiscalização mais atuante, bem como à ausência de um local para a
destinação final do gesso, por exemplo, uma usina de reciclagem que comercialize o
produto para outros fins.

4.2.5- Áreas de recebimento dos resíduos da construção civil em João Pessoa.


Até o ano de 2007, a destinação final dos RCC em João Pessoa era feita no Aterro
Metropolitano, localizado a cerca de 20 km do centro urbano do município, onde uma
área era disponibilizada para a deposição desses resíduos, os quais eram aproveitados
para o recobrimento das células junto com o material de escavação das mesmas
(FONSECA, et al., 2007). Essas células não poderiam ter sido cobertas com RCC, pois,
como citado anteriormente, na maioria dos RCC há gesso misturado e este resíduo não
pode entrar em contato com matéria orgânica. Para atender às exigências da Resolução
N° 307/2002 do CONAMA, o poder público municipal instituiu o Sistema de Gestão
Sustentável dos Resíduos de Construção Civil e, no mesmo ano, visando atender a
demanda dos grandes geradores, implantou a Usina de Triagem e Beneficiamento dos
Resíduos da Construção Civil (USIBEN). A USIBEN é de responsabilidade da
EMLUR, está localizada no bairro do José Américo e tem por finalidade fazer a triagem
e reciclagem dos RCC classe A, transformando-os em agregados reciclados. A usina
tem capacidade para produzir 20 toneladas por hora de agregados, os quais são
utilizados como matéria-prima na fabricação de pré-moldados e sub-base de vias
públicas. Os agregados produzidos na USIBEN são também muito utilizados pela

86
Secretaria de Infraestrutura em obras no município. Além da USIBEN, existem outras
duas usinas privadas de beneficiamento de RCC na região metropolitana de João
Pessoa, a Rebrite, localizada no Distrito Industrial e a Atrevida localizada no Conde. Os
resíduos da construção civil pertencentes a classe A devem ser destinados a uma destas
beneficiadoras, no entanto, ainda existem muitos pontos de deposição irregular no
município. No ano de 2013, a USIBEN e as outras usinas de beneficiamento não
estavam conseguindo absorver a demanda de RCC que era gerado no município, então,
mediante uma autorização dos órgãos ambientais, o Aterro Sanitário Metropolitano
passou a receber novamente RCC (Figura 24). O Aterro continua com autorização para
receber, mas a quantidade que chega é pouca. O RCC é trazido por transportadoras
privadas cadastradas na EMLUR (Figura 25), é depositado em uma vala separada das
células e é utilizado na melhoria das vias dentro do aterro e recuperação das áreas
degradadas da jazida.

Figura 24- Vala de deposição de RCC no Aterro Sanitário Metropolitano.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 25- Chegada de caminhão poliguindaste trazendo pouca quantidade de RCC para
depositar no Aterro Sanitário Metropolitano.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.


87
4.3. Deposição irregular dos RCC no município de João Pessoa
Apesar da presença de usinas de beneficiamento de RCC no município e na zona
metropolitana de João Pessoa, ainda há muita disposição irregular em diversos locais. A
Lei Municipal N° 11.176/2007 proíbe a disposição dos RCC em encostas, corpos
d’água, terrenos baldios, áreas de passeio, vias públicas, em áreas não licenciadas, e
principalmente, nas áreas protegidas por lei. No entanto, durante as inspeções visuais foi
observado que a deposição irregular dos RCC é uma prática freqüente em alguns pontos
da cidade, principalmente em áreas verdes e terrenos baldios (Figura 26). A deposição
contrária à lei persiste em diversos locais, ocorrendo mais ainda em pontos fixos de
bairros específicos. Como mostra a figura 26, há locais de deposição ambientalmente
inadequada.

Figura 26- Deposição irregular de RCC no bairro Quadramares.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Segundo Pimentel (2013), muito dos resíduos gerados no município de João


Pessoa não tem sua destinação final correta. Em seu estudo foi constatado cinco grandes
pontos de deposição irregular, estas deposições são feitas frequentemente em terrenos
baldios próximos aos canteiros de obras. Geralmente, os locais onde os transportadores
depositam seus resíduos irregularmente são mais próximos à obra que as usinas de
beneficiamento, até mesmo à USIBEN que está localizada na zona urbana do município.
Desta forma, os responsáveis pelo transporte economizam combustível e tempo,
conseguindo assim lucrar mais (PIMENTEL, 2013).
Os pontos de deposição irregular aparentemente possuem volumes pequenos de
RCC para favorecer uma descarga rápida sem despertar atenção, no entanto, esses
resíduos estão espalhados em muitas áreas. Muitas vezes, por não haver uma

88
fiscalização rigorosa, os RCC saem dos canteiros de obras e são dispostos em locais
inadequados, geralmente próximos a zonas residenciais dos bairros em crescimento, ao
invés de serem destinados para as usinas de beneficiamento. Em alguns locais foram
observadas quantidades imensas de RCC de todos os tipos, depositados de forma
clandestina em áreas proibidas (Figuras 27 a 31). Esse tipo de transgressão cometida por
transportadores e/ou construtoras descompromissados com o Sistema de Gestão
Sustentável, deve ser coibida e autuadas pelas ações de fiscalização que, no município
de João Pessoa, é feito pelo órgão ambiental SEMAM.

Figura 27- Deposição irregular de RCC no bairro Altiplano.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 28- Disposição irregular de RCC no bairro Portal do Sol.

Fonte: Autor da Pesquisa, 2015.

89
Figura 29- Disposição irregular de RCC no bairro Quadramares.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 30- Deposição irregular de RCC no bairro Quadramares.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 31- Deposição irregular de RCC no bairro Quadramares.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

90
A gestão dos resíduos de pequeno volume e a presença de Ecopontos visa a
melhoria da limpeza urbana e o exercício da responsabilidade dos pequenos geradores.
No entanto, segundo a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (EMLUR),
não existem Ecopontos no município de João Pessoa, os Ecopontos é apenas um projeto
que ainda não foi implantado. O que existe, atualmente, é uma divisão comercial que
faz a coleta de RCC quando solicitado pelos geradores ou populares que denunciam
disposições irregulares. Segundo a superintendência da EMLUR, o papel atual da
autarquia com relação aos RCC é fazer a coleta dos resíduos dispostos irregularmente
em logradouros da cidade, como mostra a figura 32, e encaminhá-los à USIBEN.

Figura 32- Disposição irregular de RCC em logradouros na cidade de João Pessoa.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

4.3.1- Deposição irregular dos resíduos de gesso no município de João Pessoa.


Segundo a Resolução N° 307/2002 do CONAMA, o gerador é responsável pelo
resíduo e o transportador é co-responsável. O gerador tem obrigação de contratar um
transportador devidamente cadastrado no órgão ambiental e de portar toda a
documentação com as informações da destinação que será dada ao resíduo. Porém, ao
longo da pesquisa foi observado que grande parte do resíduo de gesso está sendo
depositado de forma irregular em vários pontos da cidade. Como mostra a literatura, a
quantidade de resíduos de gesso gerado na construção civil é grande e preocupante; em
João Pessoa, grande parte desse resíduo está sendo depositado em áreas irregulares de
“bota-fora” de RCC, encostas, áreas verdes e terrenos baldios, trazendo graves
problemas ao meio ambiente e ônus ao poder público.
As Figuras 33 a 38 mostram deposições irregulares que foram observadas no
município de João Pessoa em algumas inspeções visuais.

91
Figura 33- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro do Altiplano.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 34- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro Quadramares.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 35- Disposição irregular no bairro do Valentina.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

92
Figura 36- Deposição irregular de resíduos de gesso no bairro de Mangabeira.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 37- Deposição irregular de gesso próximo a corpos d’água no bairro de Mangabeira.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

Figura 38 - Deposição irregular de resíduo de gesso no bairro dos Bancários.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

93
4.4. Alternativa para a destinação final dos resíduos de gesso no município de João
Pessoa.
A partir da análise do gerenciamento dos resíduos de gesso feita no município de
João Pessoa, foi possível constatar que são vários os problemas que o torna
insatisfatório. A destinação final dos resíduos de gesso não é feita da forma correta e um
dos principais fatores que corroboram para isso é a inexistência de um local adequado
para a destinação e tratamento dos resíduos, como por exemplo, uma usina de
reciclagem que reutilize esse material e o faça retornar ao mercado. No levantamento de
informações a respeito de como o gesso pode ser reutilizado para atender as
necessidades locais, atrelado às formas de reutilização do gesso já existentes, pôde-se
constatar que uma alternativa economicamente viável para o município de João Pessoa
seria através da indústria cimenteira.
João Pessoa abriga a mais antiga indústria de cimento em atuação no país, e uma
das maiores do nordeste, a Cimpor. Além da Cimpor, existem também nas
proximidades da cidade a Elizabeth Cimentos, localizada no município de Alhandra, e a
Brennand localizada na cidade de Pitimbu, cerca de 40 km de João Pessoa. Juntas, elas
tornaram o estado da Paraíba o maior produtor de cimento do nordeste e o terceiro
maior do Brasil. Em 2013 a produção de cimento na Paraíba subiu de 2,5 para 7,5
milhões de toneladas por ano, e em 2014 esse número subiu para 10 milhões de
toneladas/ano (CINEP-PB, 2014).
Em se tratando da viabilidade econômica para a reutilização do gesso residual
pela indústria cimenteira em João Pessoa, a Cimpor apresenta maior viabilidade pelo
fato de estar localizada no centro urbano da cidade (Figura 39). O gesso é um material
fundamental na fabricação do cimento. Atualmente, a Cimpor utiliza o gesso mineral
trazido de Araripina-PE, o que traz um custo considerável à indústria, principalmente
com o frete. A quantidade de gesso utilizada pela Cimpor é de 2.500 a 3.000 toneladas
por mês, o qual é adicionado a 4% da massa total do clínquer. A Cimpor compra o
gesso mineral em Araripina por R$ 20,00 a tonelada, se multiplicarmos este valor pelo
total de toneladas de gesso utilizado por mês, o custo é de R$ 60.000, além do frete de
Araripina para João Pessoa, que, segundo o responsável pelo setor, torna o produto
ainda mais caro. Segundo a Cimpor, o gesso oriundo da construção civil atende
totalmente às condições de fabricação do cimento, desde que ele não esteja contaminado
com pedaços de ferro ou outros materiais, ou seja, desde que a triagem seja feita da
forma correta. O processo de beneficiamento do gesso, para ser reutilizado na

94
fabricação de cimento, é simples; basta que o resíduo esteja separado de outros RCC
para evitar a contaminação com outros materiais, necessitando apenas de uma britagem
para tornar o gesso em grãos de cerca de uma polegada (Fig. 40).
Pensando em um mercado futuro, a usina de beneficiamento Rebrite foi a única na
cidade de João Pessoa a receber e processar os resíduos de gesso. Segundo o
proprietário, a demanda que chega à usina é muito pequena, principalmente porque os
geradores não querem arcar com os custos da destinação ambientalmente correta, já que
a Rebrite cobra para receber o resíduo. Para não ter esse tipo de custo, os geradores
destinam o resíduo de gesso em locais irregulares sem compromisso algum com o meio
ambiente, fato que também está atrelado à falha na fiscalização ambiental.
Segundo o responsável pelo processo de fabricação do cimento da Cimpor, o
gesso puro que é utilizado na produção do cimento pode ser substituído pelo gesso
oriundo da construção civil. A empresa demonstrou muito interesse em comprar esse
resíduo se houver quem o beneficie, e que ainda não utiliza o gesso proveniente da
construção porque não há na cidade uma empresa que beneficie e comercialize o
produto. Faz-se necessário um estudo mais aprofundado sobre a viabilidade técnica e
econômica da instalação de uma usina de beneficiamento de resíduos de gesso que
comercialize o produto para as fábricas de cimento próximas a João Pessoa, dando
assim uma solução ambientalmente correta para a problemática dos resíduos de gesso
no município.
Figura 39- Fábrica de cimento da Cimpor localizada no centro da cidade de João pessoa.

Fonte: CINEP-PB, 2014.


95
Figura 40- Processo de reutilização dos resíduos de gesso na indústria cimenteira.

Fonte: Autor da pesquisa, 2015.

5. CONCLUSÃO

Esta pesquisa foi realizada objetivando uma reflexão crítica acerca das etapas do
gerenciamento dos resíduos de gesso oriundos da construção civil no município de João
Pessoa-PB, sob à luz da nova classificação dada pela Resolução N° 431/2011 do
CONAMA, que mudou o cenário da destinação dos resíduos de gesso, possibilitando
novas perspectivas para a sua reutilização. Conforme as novas exigências trazidas pela
resolução, os resíduos de gesso requerem um tratamento especial para que possa ser
reciclado sem causar danos ao meio ambiente.
Atualmente, a única ferramenta utilizada para efetuar o gerenciamento do resíduo
de gesso no município João Pessoa é o Projeto de Gerenciamento dos Resíduos da
Construção Civil. A pesquisa constatou que o projeto utilizado se mostrou frágil para
atender um gerenciamento eficaz, tendo em vista que muito do resíduo gerado está
sendo depositado em áreas proibidas por lei como Aterro Sanitário e terrenos baldios.
Em relação ao fluxo de resíduos dos pequenos geradores, o modelo de gestão vigente
não contempla nenhuma área de transbordo para o recebimento dos resíduos até 2,5m³,
96
que são os Ecopontos previstos na Lei Municipal N° 11.176/2007. Os resíduos gerados
por pequenos geradores são geralmente depositados em vias públicas, logradouros e
terrenos baldios que acabam por se tornar responsabilidade da EMLUR. De acordo com
a pesquisa realizada, o gerenciamento dos resíduos de gesso não é feito de forma correta
desde a geração até a destinação final. A grande maioria das construtoras não faz a
triagem na obra e o gesso residual geralmente é acondicionado junto com outros
resíduos, onde posteriormente é destinado ao Aterro Sanitário entre os RCC, ou a
alguma das Usinas de Beneficiamento de RCC existentes na cidade, onde permanecem
estocados. A fiscalização por parte dos órgãos responsáveis se mostrou falha para
atender a demanda de construtoras que utilizam o gesso em suas obras. No entanto, o
maior problema detectado é a não existência de um local apropriado para a reciclagem
dos resíduos de gesso, ainda que o órgão fiscalize as construtoras e as transportadoras,
se não há um local adequado para a destinação final, não há como cobrar dos
transportadores uma correta destinação.
O crescimento do setor da construção civil no município tem causado uma
elevada geração dos resíduos de gesso, este crescimento demonstra a necessidade da
criação de novas políticas de valorização deste resíduo e o investimento nas suas
possíveis formas de reaproveitamento. Através da pesquisa realizada foi possível
observar que pode existir uma solução viável para a reutilização dos resíduos de gesso,
que é através da reutilização como matéria prima para a fabricação do cimento, tendo
em vista que há no centro urbano do município uma das maiores indústrias cimenteiras
do nordeste que utiliza uma grande demanda de gesso no seu processo produtivo.
Notou-se a disposição dos transportadores em evitar a disposição irregular dos
resíduos de gesso, bem como um interesse em discutir alternativas que visem solucionar
o problema da disposição irregular dos resíduos de gesso por parte dos órgãos
responsáveis pela fiscalização e limpeza urbana. Diante dos resultados obtidos, é
recomendado ao poder público municipal investir em alternativas para a melhoria do
gerenciamento dos resíduos de gesso. Essa melhoria pode ser realizada através de
políticas públicas que abranjam todas as etapas do gerenciamento, inclusive o incentivo
à reciclagem como fonte geradora de renda e uma solução para a redução do descarte
inadequado e prejudicial ao meio ambiente. Os pontos fundamentais para a resolução da
problemática são a melhoria na fiscalização e o incentivo ao mercado de reciclagem que
pode ser viável para o município de João Pessoa através da indústria cimenteira.

97
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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110
ANEXOS

ANEXO A- Modelo do Projeto de Gerenciamento dos Resíduos da Construção


Civil da cidade de João Pessoa.

111
112
113
114
115
116
ANEXO B - Demanda de gesso solicitada à Secretaria do Estado da Receita.

DESPACHO 027/2015- NAPDF

Documento: Processo Nº 0762722015-7


Interessado: SAMARA CÍNTIA ALVES GAMA
Assunto: Solicitação de informações

Ao Gabinete do Sr. Secretário de Estado da Receita,

1. A interessada solicita informações da demanda de gesso na cidade de João Pessoa nos


últimos três anos. O que conseguimos levantar foi o valor total de Notas Fiscais Eletrônicas de
gesso recebidas no município de João Pessoa nos anos de 2012,2013 e 2014, filtrando as NF-e
pelo NCM de gesso (252020__), onde os 2 últimos dígitos poderiam ser 10 ou 90. Os valores
encontrados foram os seguintes:
Ano / Valor (em R$)
2012/ 6.453.820,37
2013/ 8.964.435,96
2014/ 9.407.499,70

João Pessoa (PB), 5 de junho de 2015.

Fábio Roberto Silva Melo


Chefe do NAPDF/ GOIEF

117

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