1
Letícia Sousa da Silva
O desafio de trabalhar de forma efetiva e significante
a inclusão dentro da sala de aula
Trabalho efetuado sob a orientação da
Professora Doutora Elisabete Pinto da Costa
2021
2
ÍNDICE
p.
Introdução 3
1 Inclusão 3
2 Escola Inclusiva 4
3 A inclusão na sala de aula 6
3.1 O professor como mediador da inclusão 7
3.2 Formas de trabalhar a inclusão na sala de aula 8
4 Conclusão 10
Referências 12
3
Introdução
Nesta pesquisa pretende-se discutir a respeito da inclusão em sala de aula. É um estudo
pertinente para a realidade atual na qual as diferenças culturais, cognitivas e sociais são
constantes e numerosas a cada dia dentro e fora da escola. Sendo esta instituição que molda as
crianças e jovens para a sociedade, é necessário saber lidar com todas as diferenças que possam
surgir no meio educativo.
Portanto, reconhecer e refletir a respeito das diferenças faz parte, também, do papel do
professor enquanto agente transformador. Em virtude desta realidade que nos desperta para um
novo cenário educativo, a escola inclusiva exige um profissional capaz de repensar e mudar a
forma de ensinar, entendendo e respeitando a individualidade e desenvolvimento de cada aluno.
É um processo constante e contínuo.
O trabalho está dividido em 4 capítulos. O primeiro apresenta conceitos de diferentes
autores a respeito da inclusão, o segundo mostra, através da visão dos autores referência como
funciona a inclusão dentro da escola. O terceiro discute a importância e os benefícios do
professor como mediador da inclusão dentro da sala de aula, o quarto e último compartilha as
conclusões da pesquisa e aponta algumas soluções para se trabalhar de forma significativa a
inclusão dentro da sala de aula.
1 Inclusão
O conceito de inclusão estabelecido pela Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994)
abrange as crianças com deficiências ou sobredotadas, crianças da rua, crianças que trabalham
de populações imigradas ou nômades, crianças das minorias étnicas, linguísticas ou culturais e
as crianças de outras áreas ou grupos em desvantagem ou marginalizados.
Mesquita (2014, p.62), aborda o princípio da inclusão, defende uma escola que acolha
todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais,
emocionais, linguísticas ou outras. “O conceito de Inclusão ultrapassa o princípio fundamental
de que os alunos com necessidades educativas especiais devem ser educados no sistema regular
de ensino, com os seus parde es sem necessidades educativas”. Seguindo este pensamento, a
4
conceção de inclusão já não se resume a alunos deficientes aprendendo com aqueles que não o
são, esta visão ultrapassada foi reconfigurada e, por iso, vai muito mais além, abraça questões
culturais, sócioeconômicas, psicológicas, e, mais importante é mencionar o respeito e a
preocupação com o ser humano por parte de todos indivíduos envolvidos neste processo.
Chousa (2012), reforça essa ideia quando diz que a diversidade possibilita aos alunos
mais desfavorecidos que avancem, impulsionados pela interação social, sob a orientação do
professor e com a colaboração dos colegas.
Ainscow & César (2006) mencionado por César, Machado e Ventura (2014), adoptaram
uma definição com dois sentidos mais abrangentes: “a inclusão como respeitante a todos os
grupos vulneráveis à exclusão”; e “a inclusão enquanto educação para todos”. Os dois conceitos
mencionados acima estão focados na união de duas palavras significativas para a inclusão:
respeito e educação para todos.
Estes conceitos fazem parte de um movimento recente e crescente, que assenta num
princípio fundamental: todos os alunos devem aprender juntos, independentemente das suas
dificuldades e diferenças, encontrando nas escolas regulares a resposta a todas as suas
necessidades educativas, com sucesso (Leite, Martins, 2012).
No contexto escolar, local onde se trabalha e desenvolve a consciência das crianças e
jovens, esses conceitos precisam está enraizados e serem cultivados dia a dia, a fim de que se
torne um hábito dentro e fora da escola, por isso, a necessidade de uma escola inclusiva na
prática.
2 Escola inclusiva
Uma escola inclusiva é um tipo de comunidade educativa cujas prática respondem à
diversidade dos seus alunos, atendendo às necessidades emocionais, académicas e sociais que
os mesmos manifestam (Improvement through Research in the Inclusive School, 2006
mencionado por Chousa, 2012).
Conhecer e praticar a inclusão escolar é responsabilidade de todos, no entanto, sabe-se
que na prática isso não acontece em todos os ambientes (escolares e sociais). A Declaração de
5
Salamanca de 1994 chama atenção quando diz que “a escola tem de se adaptar a todas as
crianças, sem excepção, para responder às necessidades de TODOS os alunos”.
Nesta perpectiva, a escola precisa estar apta para receber todos os alunos,
independentemente de suas limitações e não o contrário. Os alunos diferentes ou não tem direito
a receberem um ensino e aprendizagem de qualidade. As práticas de aceitação e acolhimento
em torno da escola devem ser desenvolvidas, bem como os processos inclusivos devem ser
proporcionais aos processos de exclusão gerados pela sociedade (Beyer, 2005, p. 61
mencionado por Dantas, Silva, 2007 ).
Ao visualizar o desafio, as reflexões acerca da inclusão educacional forma intesificadas
a partir da década de 90, é concebida como um processo contínuo e permanente no qual é
abribuído valores. Segundo Carvalho (2005, p. 1) “A escola inclusiva não deve ser concebida
como um preceito administrativo, dado a priori, que leva a estabelecer datas, a partir das quais
as escolas passam a ter o estado de inclusivas, em obediência à hierarquia do poder ou a pressões
ideológicas”. A autora ressalta os preceitos estabelecidos ao s epensar em uma escola inclusiva,
não se trata de um um órgão administrativo, existem questões humanas e significativas fundidas
no real conceito de uma escola verdadeiramente inclusiva.
Oliveira (2004), relaciona o conceito de escola inclusiva, educação inclusiva e inclusão.
A autora parte da visão macro para a micro, assim entende a “escola inclusiva como uma uma
nova concepção do meio onde se processa a educação; que educação inclusiva é um processo
de inovação educativa; e que inclusão respeita a um novo princípio (paradigma?)”. Assim, a
escola inclusiva, na visão da autora, é o local onde acontece a nova forma de ensinar, a educação
inclusiva já trata do processo inovado de ensinar e a inclusão é o modelo inovador regido por
princípios próprios.
No entanto, para que a escola seja, de fato, inclusiva, é necessário criar condições para
sua realização. Existem barreiras dentro da escola e, para ultrapassá-la é necessário derrubar os
preconceitos associados à inclusão. Esses preconceitos podem ser eliminados, ou pelo menos
reduzidos, “por meio das ações e sensibilização da sociedade, mediante a convivência na
diversidade humana dentro das escolas inclusivas” (Silveira e Almeida, 2005 mencionado por
Chousa, 2012). São muitas as escolas que enfrentam limitações para trabalhar a inclusão no
sentido real da palavra. Sabe-se que a legislação por si só não resolve todos os problemas
relacionados com a inclusão, contudo fala-se de educação de qualidade para todos, igualmente
todos devem fazer parte desse todo (César, Machado e Ventura, 2014, p. 15).
6
Escribano, (2013, p. 249), contribui ao dizer “La inclusión pone el énfasis no en el niño
que se integra, sino en que el centro escolar tiene que estar preparado para satisfacer las
necesidades de todos los que se encuentran en él”. Faz parte do papel da escola, enquanto escola
inclusiva, fornecer todas as ferramentas necessárias para a realização da inclusão para todos,
principalmente na raiz da interação: a sala de aula.
3 Inclusão na sala de aula
A sala de aula é o foco das interações, é nesse ambiente que o professor pode plantar a
raiz da inclusão e promover uma interação e desenvolvimento positivo de todos os alunos.
Florian (2003), afirma que as atitudes dos professores são consideradas contextos fundamentais
no desenvolvimento do educando com papéis complementares no processo educativo.
Na perpectiva de Escribano e Booth (2013), a implantação e a realização da inclusão de
modo efetivo é uma árdua tarefa, é um processo com olhos voltados para uma profunda
renovação pedagógica que depende de recursos adequados nem sempre disponíveis, dessa
forma, ficam os profissionais limitados, o que impede a real realização da inclusão.
Beyer (2013), defende que a principal condição para uma educação inclusiva é uma
nova forma de pensar: a certeza de que os alunos são sempre diferentes entre si e de que todos
são especiais. O autor sugere tornar concretas algumas alternativas que vivenciou na Alemanha
em relação à inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas: a individualização do
atendimento pedagógico, uma avaliação mediadora, não-comparativa, e a adoção de sistemas
de bidocência, onde os professores especialistas atuam em colaboração com os professores de
classe.
São medidas que visam a mudança, no sentido positivo, e a melhoria no sistema
educativo seguindo o paradigma da inclusão. Quanto aos professores, além dos recursos, estes
precisam está conscientes e preparados para conviver neste novo cenário, aptos a potencializar
as características de cada indivíduo e, principalmente partilhar experiências de sucesso com os
profissionais da área. A formação de professores, inicial e contínua, é primordial nesta
preparação para escola inclusiva com o olhar voltado para a diversidade e diferenças (César,
Machado e Ventura, 2014).
7
3.1 O professor como mediador da inclusão
São inúmeros os estudos desenvolvidos sobre inclusão com base nas atitudes dos
professores e, quase todos revelam a necessidade de transpor alguns obstáculos para alcançar
verdadeiramente uma política educativa inclusiva. Dentre alguns destes obstáculos estão: a falta
de recursos, a falta de preparação dos professores, as práticas pedagógicas pouco adequadas, a
necessidade de reestruturação do ambiente da escola, o preconceito com a deficiência, a
parceria entre a comunidade e a escola, a adequação dos currículos entre outros (IGEC, 2016).
Porquanto, o professor, consciente e preparado para trabalhar a inclusão, promove o
desenvolvimento de amizades na sala de aula regular e construção de um grupo de amigos que
ajuda na inclusão de todos os alunos nas atividades da sala de aula; promove a construção de
comportamentos socialmente apropriados e o desenvolvimento de capacidades de participação
ativa nas atividades escolares. Aos restantes educandos promove uma maior sensibilidade às
questões de discriminações que acontecem no dia a dia; a crítica aos estereótipos produzidos
socialmente; o desenvolvimento das capacidades de aceitação e flexibilidade e capacidades de
liderança e cooperação (Teixeira, 2019).
A atitude dos professores constituirá uma variável importante na inclusão dos alunos
com necessidades educativas especiais (NEE) na sala de aula regular e contribuirá para o seu
sucesso educativo. Devido ao crescente número de alunos com problemas académicos e de
conduta, e à medida que os programas de integração aumentam, os ambientes educativos
requerem uma preparação mais cuidada que vai da manifestação de atitudes positivas por parte
dos professores do ensino regular até ao uso de materiais e métodos diversificados de modo a
que todos os alunos sejam incluídos em atividades de aprendizagem enriquecedoras (Dantas,
Silva 2017).
Para que os professores consigam dar resposta às necessidades educativas das crianças
com NEE e assim desenvolver atitudes positivas com a inclusão, faz-se necessário estar em
constante formação, adquirindo assim novas competências de ensino. Na perpectiva de Sanches
e Teodoro (2006), promover a inclusão significa sobretudo, uma mudança de postura e de olhar
acerca da deficiência, implica romper paradigmas, reformular o sistema de ensino para garantir
um atendimento adequado e a permanência de todos os alunos, independentemente das suas
diferenças e necessidades. Assim, as atitudes que os professores adotam determinam as suas
respostas à inclusão de alunos com NEE na sala de aula do regular.
8
Nota-se que os ambientes inclusivos, proporciona aos professores uma melhoria na vida
profissional e pessoal gerada pela virtude da colaboração entre todos. Dessa forma, a inclusão
é benéfica tanto para os alunos que aprendem a aprender juntos como para o professor ao sentir-
se com a sensação de dever cumprido (realização pessoal e profissional) e, também para a escola
por cumprir seu papel ao fornecer todas as ferramentas aos educadores para que estes possam
desempenhar um trabalho efetivo.
3.2 Formas de trabalhar a inclusão na sala de aula
Trabalhar a inclusão é um desafio para a maioria dos educadores em sala de aula.
Estudos confirmam que as atitudes dos docentes, quando positivas, facilitam a inclusão dos
alunos na escola e na sala de aula (Florian, 2003).
Nas palavras de César, Machado & Ventura (2014, p. 22), “[...] praticar a inclusão na
sala de aula e não apenas falar de inclusão, contribui para que as trajectórias de participação ao
longo da vida de professores, alunos e famílias .... possam ser vividas com mais esperança,
menos sofrimento e, sobretudo, com mais justiça social.” Por meio da prática positiva da
inclusão, é possível transformar a sociedade tornando-a mais justa para todos.
Para que os professores trabalhem a inclusão de maneira significativa, devem inovar
suas aulas, na busca por recursos e estratégias diferenciadas a fim de promover a integração de
todos. Os inter-empowerment, por exemplo, são mecanismos que valorizam estratégias
alternativas de resolução de um mesmo problema, recorrem a exemplos das várias culturas para
ilustrar um conceito, permitem aos alunos a escolha do tema e como desenvolver um trabalho
de projecto. À medida que estes mecanismos de inter-empowerment vão sendo postos em jogo,
os alunos vão-nos internalizando e transformam-nos em mecanismos de intra-empowerment,
que já conseguem usar autonomamente, noutros contextos, cenários e situações (citado por
César, Machado & Ventura, 2014).
Nesse sentido, a aprendizagem torna-se efetiva e significativa pois permitir ao aluno o
desenvolvimento da autonomia e visão crítica de si e do outro, pois o confronta em meio a
desafios que exigem dele a resolução de problemas, para isto, deve refletir em conjunto para
chegarem ao resultado, concomitantemente, aprendem a aprender juntos.
Ainscow (2000), adotou uma abordagem a qual designa “questionamento colaborativo,
é uma forma de investigação-ação, o objectivo é aperfeiçoar a prática e a compreensão da
9
realidade, através duma combinação da reflexão sistemática com a inovação estratégica. É uma
metodologia que conduz à melhoria da qualidade da educação, por meio dela os próprios
grupos-alvo são responsáveis pelas mudanças necessárias, usam as próprias interpretações e
análises críticas como uma base para monitorizar, avaliar e decidir r o próximo passo no
processo de investigação. Consequentemente, a investigação-acção aponta a questão crucial da
“posse” relativamente ao processo de mudança em educação.
O autor ressalta que quando se adopta uma abordagem participativa numa investigação
é preciso não esquecer um ponto importante. Estas formas de trabalhar podem assumir aspectos
muito diversos sob a influência de diferentes culturas. Isto representa um desafio especial para
os elementos externos na sua tentativa de acompanhar estes processos.
Em virtude disso, planejar a sala de aula para a diversidade envolve, primeiramente,
aceitar a gama de habilidades, de estilos de aprendizados, de capacidades e de interesses na sala
de aula. Quando o docente percebe que o plano pedagógico já não tem efeito com o corpo
diverso de alunos, os professores fazem as adaptações e começam a ponderar como reformular
a instrução, daquele momento em diante, para todos os alunos (Orsati FT, 2013).
Teixeira (2019), salienta a filosofia da inclusão, a considera um modelo educacional,
pois proporciona uma educação igual e de qualidade para todos. Na visão do autor, a inclusão
desemcadeia trabalhos entre professores, onde desenvolve-se a partilha de estratégias,
resultando na melhora do desenvolvimento dos alunos, no combate aos problemas de
comportamento e aumento de comunicação entre os parceiros educativos.
Nesta perpectiva, a filosofia inclusiva garante às crianças com NEE aprendizagens
similares e interações sociais adequadas. Estas vantagens também abarcam os alunos sem NEE,
mentalizando-os que todos somos diferentes e que é importante respeitar e aceitar as diferenças
individuais. Nesse sentido, Compreende-se a inclusão como a maneira mais digna de abordar a
diversidade, é o paradigma com mais foco no respeito as características individuais e promove
por meio do diálogo intercultural a compreensão das necessidades individuais de cada um.
Se o desafio é melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem para todos de forma igual,
(Vygotsky, 1934/1962 citado por César, Machado & Ventura, 2014) apontam as interacções
sociais como essencial na aprendizagem e no desenvolvimento, é uma abordagem que faz a
mediação das relações entre o conhecimento a apropriar e o aluno. Outra ferramenta útil para
enriquecer e proporcionar uma aprendizagem entre todos os alunos são os jogos interactivos,
10
por desempenharem um papel de relevo em qualquer contexto e tipo de aprendizagem formal
e informal.
Este processos interactivos facilitam a apropriação de conhecimentos, a mobilização e
o desenvolvimento de capacidades e competências e, principalmente, promovem a inclusão. Os
conflitos podem surgir nas relações de interação, no entanto eles abarcam o processo
constituintes da própria aprendizagem e do desenvolvimento. As interacções sociais devem ser
potenciadoras da aprendizagem e do desenvolvimento, quando decorrem em contexto escolar e
em sala de aula, é essencial que se estabeleça um contrato didáctico, entre professores e alunos,
que seja coerente com as práticas desenvolvidas em aula. Esta deve contemplar tarefas de
naturezas diversificadas e um processo de avaliação transparente, coerente com as práticas e
que envolva diversos instrumentos de avaliação (César, Machado & Ventura, 2014).
Na visão de Rangel e Guimarães (2020), a sala de aula é um lugar de trocas de
experiências na qual os alunos têm a possibilidade de aprender a partir da interação com o
professor e também com os seus pares, os trabalhos em grupo integram boa parte das
metodologias ativas. Metodologias ativas podem ajudar no processo de ensino e inclusão da
turma inteira, pois proporcionam ao aluno com deficiência e aos seus colegas sem deficiência
a interação e integração em turmas regulares no ambiente escolar, melhorando a aprendizagem
de ambos os grupos.
Outra alternativa de ensino apontada pelos autores diz respeito a sala de aula invertida
a qual promove os meios que favoreçam a inclusão de pessoas com deficiência, pois o professor
pode apresentar os conteúdos atendendo a diferentes necessidades dos alunos. Diante disso,
percebe-se a existência de muitas abordagens eficazes de ensino aprendizagem e atuam como
fortes ferramentas para serem utilizadas pelo docente em sala de aula.
4 Conclusão
O presente estudo buscou refletir as questões que envolvem os desafios ao trabalhar a
inclusão na escola, e, primordialmente na sala de aula. Estas limitações enfrentadas pelos
professores ao se depararem com crianças ou jovens com alguma NEE mencionadas neste
trabalho, como os autistas, surdos-mudos, défict de aprendizagem, diferenças culturais e
sociais, entre outras. São inúmeras as diversidades abraçadas pela inclusão. O que fazer quando
o docente não tem o preparo exigido? Como este profissional deve agir? Que estratégias utilizar
11
de modo a alcançar todos e ao mesmo tempo oferecer um ensino e aprendizagem de qualidade?
Estas questões foram discutidas ao longo desta pesquisa. A príncipio foram abordados alguns
conceitos da palavra inclusão, seguindo para o contexto escolar e, por fim foram mostradas
algumas alternativas para o processo de ensino aprendizagem em sala e aula.
Sabe-se que a inclusão é um desafio mas com um significado positivo, e, junto a palavra
desafio está interligada outra: mudança. Alcançar esta segunda palavra exige, inicialmente,
reflexão e, consequentemente uma transformação na visão que professor tem da sua forma de
ensinar, o mesmo terá de se reinventar a cada dia, criar novas estratégias para a sua prática
educativa onde seja possível incluir todas as crianças/jovens. Ao longo deste estudo, os autores
partilham da mesma ideia ao considerarem indispensável que todos os estudantes sejam
beneficiados com a inclusão na aprendizagem e com a inclusão social, exercitando e
desenvolvendo a plena cidadania (Carvalho, 2011).
Com base nos autores, existem muitas metodologias disponíveis a fim de apoiar o
professor na inserção da inclusão na sala de aula e intensificar sua aplicação. Estas estratégias
podem e devem ser utilizadas pelos docentes para alcançar o ensino significativo da inclusão
são as interações entre os alunos, oferecendo um ensino igual à todos. Outra sugestão de César,
Machado & Ventura (2014) é o uso do mecanismo inter-empowerment, uma forte é útil
ferramenta no trabalho com a inclusão, pois potencializa a autonomia e facilita o
desenvolvimento cognitivo nos discentes.
Logo, percebe-se que a educação inclusiva aumenta a capacidade de atenção,
comunicação e participação em atividades educativas num espaço de tempo menor do que se
frequentassem salas de aula do ensino especial (Teixeira, 2019). Em vista disso, pode-se dizer
que a inclusão é um mundo de possibilidades e sua aplicação em/na sala de aula está
estritamente relacionada com a forma como o profissional de educação a trabalha no contexto
de sala de aula.
Esta discussão mostrou que uma coisa é certa: o professor precisa está preparado para
trabalhar a inclusão, para isto precisa de formação e de recursos. No que diz respeito a formação,
esta é importante nesse processo, o permite acompanhar as mudanças, o prepara para a nova
realidade do contexto educativo, por isso, sua formação é contínua, jamais finita.
12
Referências Bibliográficas
AINSCOW, Mel (2000). “O processo de desenvolvimento de práticas mais inclusivas em sala
de aula”. Comunicação apresentada no Simpósio “Improving the Quality of Education
for All”, organizado pela “British Education Research Association”, em Cardiff
Setembro.
BOOTH, Tony e AINSCOW, Mel (2012). “index para a inclusão: desenvolvendo a
aprendizagem e a participação nas escolas”. Título original: Index for Inclusion:
developing learning and participation in schools; 3rd edition 2011. Traduzido para o
português brasileiro por Mônica Pereira dos Santos e João Batista Esteves (LaPEADE).
Tradução português brasileiro: CSIE.
BEYER, Hugo Otto (2013). “Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades
educacionais especiais”. 4. ed. Porto Alegre: Mediação. 128 p. ISBN: 9788577060023.
CARVALHO, Rosita Edler, (2011). “Educação Inclusiva: do que estamos falando?” Cadernos:
N°26.
CÉSAR, Margarida, MACHADO, Ricardo e VENTURA, Cláudia (2014). “Praticar a inclusão
e não apenas falar de inclusão”. INTERACÇÕES NO. 33, PP. 18-72.
[Link]
CHOUSA, Mónica Maria Neves (2012). “Sala de aula inclusiva – práticas de diferenciação
pedagógica”. Lisboa.
DANTAS, Nozângela Rolim. SILVA, Karla Fernanda Wunder da (2017). “Inclusão na escola:
da utopia à realidade - Inclusion in school: from utopia to reality”. Educação Por Escrito,
Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 146-151, jan.-jun.
ESCRIBANO, A. y Martínez, A. (2013). “Inclusión educativa y profesorado inclusivo.
Aprender juntos para aprender a vivir juntos”. Madrid: Narcea, 152 p.
FLORIAN, (2003). “Práticas Inclusivas. Que práticas son inclusivas, por qué y como?” In C.
Tilstone; L. Florian; R. Rose (coord.): Promocion y desarollo de práticas educativas
inclusivas. (pp 43-58). Madrid: Editorial EOS.
IGEC - Inspeção-Geral da Educação e Ciência (2016). “A escola inclusiva: desafios”. Programa
Gulbenkian Qualificação das Novas Gerações. Coordenação: Augusto Patrício Lima
Rocha (Subinspetor-Geral) Subcoordenação: Maria Judite Meira da Cruz (Inspetora).
Lisboa.
LEITE, Lúcia Pereira; MARTINS, Sandra Eli Sartoreto de Oliveira (2012). “Fundamentos e
estratégias pedagógicas inclusivas: respostas às diferenças na escola”. São Paulo: Cultura
Acadêmica, Marília: Oficina Universitária, 143 p.
MESQUITA, Maria Helena Ferreira de Pedro (2014). “Escola para todos - o percurso
necessário – mito ou realidade?”
OLIVEIRA, Márcia Rejane Almeida de (2014). “Inclusão escolar: estudo realizado entre alunos
com síndrome de Down na rede privada de ensino no município de Olinda/PE”.
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação.
13
ORSATI FT, (2013). CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ESCOLA.
Acomodações, modificações e práticas efetivas para a sala de aula inclusiva. Temas sobre
Desenvolvimento 19(107).
RANGEL, Ingrid Ribeiro da Gama Rangel. GUIMARÃES, Décio Nascimento, (2020). “Active
methodologies in the inclusive classroom. Metodologias ativas na sala de aula inclusiva”
ROMERO, Carlos Giménez (2005). “Convivencia Conceptualización y sugerencias para la
praxis. Área de Gobierno de Empleo y Servicios a la Ciudadanía del Ayuntamiento de
Madrid”. Abril-mayo. ISSN 1699-6119ÐÐ.
SANCHES, isabel, & TEODORO, antónio. (2006). “Da integração à inclusão escolar: cruzando
perspectivas e conceitos. revista lusófona de educação”, (8), 63-83. recuperado em 05 de
fevereiro de 2021, de [Link] script=sci_arttext&pid=
s1645-72502006000200005&lng=pt&tlng=es.
SILVA, Maria Deolinda Oliveira; RIBEIRO, Célia e CARVALHO, Anabela (2013). “Atitudes
e Práticas dos Professores Face à Inclusão de Alunos com Necessidades Educativas
Especiais”. Revista portuguesa de pedagogia, ANO 47-I, 53-73.
TEIXEIRA, Célia Patrícia Magalhães (2019). “Atitudes dos Professores em turmas com
alunos NEE face à inclusão". IESF – Escola Superior de Educação de FAFE.
VENTURA, Cláudia; CÉSAR, Margarida e MACHADO, Ricardo (2014). “Praticar a inclusão
e não apenas falar de inclusão”. INTERACÇÕES NO. 33, PP. 18-72.
UNESCO (1994). “Declaracion de Salamanca y Marco de Accion para las Necessidades
Educativas Especiales”. España: Ministério de Educación y Ciencia.