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Etapas da Sistematização da Enfermagem

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Felipe Sousa
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Etapas da Sistematização da Enfermagem

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Sistematização da Assistência de

Enfermagem (SAE)

Apresentação
A sistematização da assistência de Enfermagem (SAE) se propõe a organizar o processo de trabalho
de Enfermagem, sobre o qual o enfermeiro é responsável e tem o objetivo de atender às
necessidades em saúde individuais e coletivas. Para tanto, a sistematização da assistência de
Enfermagem é composta por cinco etapas: coleta de dados, diagnóstico, planejamento,
implementação e avaliação.

Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre as características do processo de


trabalho de Enfermagem e compreender a importância da sistematização da assistência de
Enfermagem (SAE) para garantir cuidados seguros e de qualidade.

Bons estudos.

Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

• Reconhecer as normativas do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho


Regional de Enfermagem (Coren) que tratam da SAE e do processo de enfermagem.
• Descrever a evolução histórica das etapas do processo de Enfermagem.
• Demonstrar as implicações do processo de Enfermagem na assistência.
Desafio
O processo de trabalho de Enfermagem é composto por cinco etapas: coleta de dados, diagnóstico,
planejamento, implementação e avaliação. Dessa forma, o enfermeiro, na sua atuação profissional,
deve direcionar as práticas assistenciais da equipe de Enfermagem.

Você é um enfermeiro que atua no centro cirúrgico de um hospital especializado de um grande


centro urbano e está assistindo um paciente em período pós-operatório imediato que acabou de
chegar na sala de recuperação pós-anestésica.
A partir da situação apresentada, considerando apenas o recorte ilustrado, descreva os dados
coletados que subsidiarão a identificação de diagnósticos de Enfermagem.
Infográfico
O processo de trabalho de Enfermagem é composto por cinco etapas e tem o indivíduo, a família, o
grupo social ou a coletividade como centro da sua atenção. Para a implantação do processo de
trabalho, o enfermeiro deve ter competências relacionadas ao domínio de conhecimento,
habilidades e atitudes, reforçando a provisão dos cuidados com a combinação de ciência e arte.

Confira neste Infográfico as etapas do processo de trabalho de Enfermagem e suas principais


características, sendo o paciente compreendido de forma integral e como centro do cuidado.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
Conteúdo do livro
O processo de trabalho de Enfermagem teve a sua origem com o advento da Enfermagem
Moderna, em meados do século XIX e início do século XX, e hoje é a força motriz da sistematização
da assistência de Enfermagem, regulamentada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por
meio da Resolução nº 358/2009. Dessa forma, para garantir cuidados pautados na qualidade e
segurança, o enfermeiro deve embasar a prática da equipe de Enfermagem, considerando um
referencial teórico e o seu processo de trabalho.

No capítulo Sistematização da assistência de Enfermagem (SAE), da obra Conhecimento e métodos


do cuidar em Enfermagem, você vai conhecer o processo de trabalho de Enfermagem, verificando as
suas premissas, a origem histórica, as etapas e a normativa legal, além de identificar a importância
do enfermeiro em dominar esse conteúdo, que direcionará a sua prática profissional.

Boa leitura.
CONHECIMENTO E
MÉTODOS DO
CUIDAR EM
ENFERMAGEM

Alexandra Bulgarelli do Nascimento


Sistematização da
Assistência de Enfermagem
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Reconhecer as normativas do Cofen e do Coren que tratam da Sistema-


tização da Assistência de Enfermagem e do processo de enfermagem.
 Descrever a evolução histórica das etapas do processo de enfermagem.
 Demonstrar as implicações do processo de enfermagem na assistência.

Introdução
Para a organização da prática profissional de enfermagem, faz-se per-
tinente a aproximação do enfermeiro com uma base teórica potente
que ampare o processo de trabalho da equipe de enfermagem. Esse
processo de trabalho implica compreender que a atuação humana sobre
um objeto se propõe a modificá-lo, acarretando o uso de instrumentos
para a sua viabilização.
Nessa ideia, destaca-se o processo de trabalho de enfermagem, que,
a partir de um escopo de conhecimento teórico, sustenta a sua prática
com o uso de instrumentos como a Sistematização da Assistência de
Enfermagem (SAE) para intervir sobre o objeto, ou seja, os cuidados de
enfermagem visando a restabelecer a condição de saúde.
Neste capítulo, a SAE, considerada um instrumento legal para orga-
nizar o processo de trabalho de enfermagem, será apresentada, a fim de
demonstrar a sua potencialidade para oportunizar cuidados de qualidade
isentos de risco.
2 Sistematização da Assistência de Enfermagem

Processo de enfermagem
O trabalho da equipe de enfermagem tem como objeto o cuidado, o qual deve
ser provido de forma a responder às necessidades em saúde de indivíduos,
famílias, grupos sociais e coletividades (MCEWEN; WILLS, 2016). Para
que a provisão de cuidados ocorra, o processo de trabalho de enfermagem
é essencial para organizar a assistência e possibilitar o monitoramento dos
resultados alcançados (MCEWEN; WILLS, 2016; VAUGHANS, 2012).
O processo de trabalho, porém, deve ser sustentado por algum referencial
teórico, como, por exemplo, a Teoria Ambientalista, de Florence Nightingale, a
Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Wanda Aguiar Horta, a Teoria
do Autocuidado, de Dorothea Orem, a Teoria do Cuidado Transpessoal, de
Jean Watson, a Teoria do Cuidado Transcultural, de Madeleine Leininger, entre
outras (DIAGNÓSTICOS..., 2018; VAUGHANS, 2012). Esse embasamento é
fundamental para que o cuidado provido atenda de forma efetiva às necessi-
dades em saúde das pessoas (MCEWEN; WILLS, 2016, VAUGHANS, 2012).

Um paciente do sexo masculino buscou atendimento em uma Unidade Básica de


Saúde (UBS) para realizar a troca de um curativo decorrente de uma lesão causada
por um acidente de trabalho.
Para a realização do curativo, a enfermeira que o atendeu buscou, inicialmente, por
informações referentes aos sentimentos que o paciente tem sobre o seu afastamento
do trabalho devido ao acidente sofrido, bem como os impactos que esse afastamento
está trazendo para a sua família. Em seguida, ela finalizou o atendimento orientando-o
a buscar auxílio no serviço de referência de assistência social, mas não procedeu com
a conduta sobre a realização do curativo.
Nessa situação, o embasamento teórico-prático adotado pela enfermeira não atendeu
à necessidade em saúde que levou o paciente à UBS, que, nesse caso, tratava-se de ter
a lesão de pele avaliada e receber orientações sobre a realização e a troca do curativo
para que pudesse se recuperar e retornar ao trabalho.
A identificação da necessidade em saúde e a escolha coerente do embasamento
teórico-prático são fundamentais para que o processo de trabalho de enfermagem
flua de forma a agregar valor ao cuidado oferecido aos indivíduos, às famílias, aos
grupos sociais e às coletividades.
Sistematização da Assistência de Enfermagem 3

A Enfermagem é concebida como ciência e arte, ou seja, ela concilia a


obrigatoriedade de apropriação científica, por meio de referenciais teóricos
robustos, para sustentar a sua prática. A partir da atitude profissional espe-
cializada da equipe de enfermagem, a Enfermagem provém cuidados que
transformam a realidade das pessoas, sendo estes concebidos, em última
análise, como arte (VAUGHANS, 2012).
O processo de trabalho de enfermagem que se conhece na atualidade é
derivado do advento da Enfermagem moderna, com Florence Nightingale
(Figura 1a), que, em meados do século XIX, utilizando-se da observação da
realidade, ao considerar sistematicamente as intervenções realizadas e os
resultados alcançados, propôs a análise organizada e racional dos eventos
como um método contributivo para agregar valor aos cuidados de enferma-
gem por meio de desfechos clínicos favoráveis (DIAGNÓSTICOS..., 2018;
VAUGHANS, 2012).
Concomitantemente, nos Estados Unidos, também em períodos de guerra,
Dorothea Dix (Figura 1b), Clara Barton, Linda Richards e Mary Eliza Mahoney
se destacaram como precursoras da organização do processo de trabalho de
enfermagem.

Figura 1. a) Florence Nightingale (1820-1910); b) Dorothea Dix (1802–1887).


Fonte: (a) Hering (2019); (b) Biography (2019).
4 Sistematização da Assistência de Enfermagem

Quando se pensa no processo de trabalho de enfermagem, é fundamental


compreender que ele parte do pressuposto da observação sistemática, ou seja,
de uma visão organizada e contínua da realidade, a qual irá acompanhar e
comparar as intervenções realizadas e os desfechos clínicos alcançados para
estabelecer nexos causais e, consequentemente, identificar evidências cientí-
ficas das melhores práticas a serem utilizadas no contexto em que os cuidados
são providos (MCEWEN; WILLS, 2016; VAUGHANS, 2012).

Evolução das etapas do processo de


enfermagem
O processo de enfermagem organiza, de forma sistemática e rigorosa, as
intervenções realizadas por meio de cinco etapas: coleta de dados, diag-
nóstico, planejamento, implementação e avaliação (Figura 2). Na prática
profissional, a execução do processo de enfermagem exige do enfermeiro um
sólido conhecimento clínico e raciocínio crítico da realidade, além do uso da
teoria que melhor responde às necessidades em saúde identificadas — sejam
elas em âmbito individual, familiar ou coletivo (DIAGNÓSTICOS..., 2018;
VAUGHANS, 2012).

Etapa 3
Planejamento
Etapa 2 Etapa 4
Diagnóstico Implementação

Etapa 1 Etapa 5
Coleta de dados Atendimento efetivo Avaliação
às necessidades
em saúde de
indivíduos, famílias,
grupos sociais
e coletividades.

Figura 2. Processo de enfermagem.


Fonte: Adaptada de Abert/[Link].
Sistematização da Assistência de Enfermagem 5

A partir da apresentação das etapas do processo de enfermagem, é funda-


mental compreender que cada uma delas exige competências específicas do
enfermeiro. Na etapa de coleta de dados, por exemplo, é imprescindível que o
enfermeiro tenha o discernimento de que os dados podem ser de duas naturezas
distintas, ou seja, há dados de natureza subjetiva, que majoritariamente são
referidos pelo paciente (p. ex., local, duração e intensidade da dor, início dos
sintomas, história familiar relacionada à queixa, estilo de vida, entre outros),
e há os dados de natureza objetiva, os quais são produto da observação do
enfermeiro (p. ex., aferição dos sinais vitais, ausculta pulmonar e cardíaca,
avaliação da mucosa oral, interpretação do eletrocardiograma, entre outros)
(VAUGHANS, 2012).

Entre os dados a serem coletados, o enfermeiro irá se deparar com os sinais e sintomas
do paciente.
 Sinais: dados que o enfermeiro deve observar no paciente. Exemplo: aferição da
pressão arterial, da avaliação do pulso, entre outros.
 Sintomas: dados referidos pelo paciente por meio da comunicação verbal e não
verbal. Exemplo: tipo de mal-estar, início dos sintomas, face de dor, etc.

Independente se a coleta ocorre em relação aos dados subjetivos ou obje-


tivos, o enfermeiro precisa dominar os instrumentos específicos para que a
coleta de dados ocorra de forma satisfatória. Esses instrumentos envolvem
a análise da história de saúde do paciente, a realização do exame físico, a
análise de exames complementares e a investigação de fatores colaborativos
à situação de saúde do paciente.
Após a aplicação desses instrumentos, os dados coletados devem ser vali-
dados e interpretados, o que exige, do enfermeiro, domínio de competências
para identificar as necessidades em saúde, as quais devem ser compreendidas
a partir da integralidade do cuidado, ou seja, considerando o ser humano como
um ser biopsicossocial.
Depois de finalizado esse processo, será iniciada a fase do diagnóstico.
Nela, haverá um julgamento clínico e crítico a partir dos dados coletados,
visando a responder às necessidades em saúde identificadas. Nessa fase,
é imprescindível que o enfermeiro consiga identificar um padrão entre os
6 Sistematização da Assistência de Enfermagem

dados subjetivos e objetivos coletados, o que permite que ele eleja o conjunto
de diagnósticos com potencial para responder às necessidades identificadas
(DIAGNÓSTICOS..., 2018; VAUGHANS, 2012).

Os diagnósticos de enfermagem são organizados por meio de taxonomias, ou seja,


por um sistema de classificação cujo objetivo é padronizar a linguagem das ações da
equipe de enfermagem.
Essa padronização possibilita a melhor compreensão e o alinhamento da comunica-
ção entre os profissionais de enfermagem e no contexto da atuação multidisciplinar,
o que se traduz em melhores resultados clínicos e de segurança para o paciente, bem
como em gerenciamento efetivo dos recursos disponíveis para viabilizar a assistência.
Em linhas gerais, há dois sistemas de classificação existentes: um da Associação
Norte-Americana de Diagnósticos de Enfermagem (NANDA, do inglês North American
Nursing Association) e outro do Conselho Internacional de Enfermeiros, chamado de
Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem.
Esses sistemas de classificação organizam e publicam os diagnósticos de enfermagem,
o que significa que eles foram propostos, testados e validados para que pudessem
ser utilizados na prática de enfermagem.

Uma vez escolhidos os diagnósticos de enfermagem com potencial para


responder às necessidades em saúde identificadas, o enfermeiro deverá rea-
lizar o planejamento de enfermagem, ou seja, propor e prescrever o plano de
cuidados a ser executado pela equipe de enfermagem (DIAGNÓSTICOS...,
2018). Nesse momento, o enfermeiro deverá eleger os diagnósticos prioritários
e, consequentemente, os cuidados para que a condição de saúde do indivíduo,
da família, dos grupos sociais ou das coletividades seja restabelecida (VAU-
GHANS, 2012).
Essa preocupação em priorizar as ações no plano de cuidados é de grande
relevância, pois, ao identificar as necessidades em saúde, o enfermeiro irá se
deparar com um quantitativo de necessidades infinitas frente àquilo que é
prioritário no momento em que a pessoa busca auxílio no serviço de saúde.
Sendo assim, cabe ao enfermeiro tomar a decisão em relação aos diagnósti-
cos e cuidados prioritários, considerando, por exemplo, o contexto em que o
processo de cuidar ocorre, bem como a iminência ou não de morte. Depois
de finalizar essa etapa, a implementação do plano de cuidados será iniciada
e executada pela equipe de enfermagem.
Sistematização da Assistência de Enfermagem 7

Ao prescrever os cuidados de enfermagem, o enfermeiro deve considerar


que haverá ações em que a equipe de enfermagem irá intervir de forma inde-
pendente, como, por exemplo, ao propor o monitoramento dos sinais vitais a
cada duas horas e comunicar se houver alteração, além de avaliar a ocorrência
de dor e proceder com a administração de analgésico conforme prescrição da
equipe médica, caso seja necessário. No entanto, há ações em que a equipe de
enfermagem poderá atuar de forma dependente ou interdependente dos demais
profissionais que compõem a equipe multidisciplinar (composta por médicos,
fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, etc.) (VAUGHANS, 2012).

Um paciente idoso, internado em uma unidade de internação, está caquético e tem


três lesões por pressão grau III.
Um dos diagnósticos de enfermagem identificados se refere à integridade da pele
prejudicada, porém, para responder a esse diagnóstico, intervenções de enfermagem
em relação à realização de curativo, bem como da equipe de nutrição para suplementar
a dieta do paciente, são necessárias.
Essa situação demonstra que, para atender às necessidades de saúde desse paciente,
a atuação multiprofissional é mandatória, exigindo, portanto, uma postura colaborativa
dos membros das equipes de saúde.

Junto à implementação do plano de cuidados, é obrigatório realizar o seu


monitoramento, visando a analisar se ele está ou não atendendo às necessidades
em saúde do paciente e colaborando para desfechos clínicos satisfatórios. Esse
monitoramento evidencia a etapa de avaliação, que consiste na proposição e
no acompanhamento de indicadores assistenciais para subsidiar o enfermeiro
sobre o ajuste do plano de cuidados quanto à inclusão, exclusão ou modificação
das ações inicialmente propostas.
Essa etapa não deve ser negligenciada pelo enfermeiro, já que ela permite
a retroalimentação do processo de trabalho de enfermagem, ou seja, a coleta
de novos dados, bem como a identificação de diagnósticos emergentes e ree-
mergentes e a resposta efetiva às necessidades em saúde, que são dinâmicas
(DIAGNÓSTICOS..., 2018; VAUGHANS, 2012).
8 Sistematização da Assistência de Enfermagem

Sistematização da Assistência de Enfermagem


O processo de trabalho de enfermagem organiza a prática profissional por
meio de ações planejadas e monitoradas. Nesse sentido, a SAE surgiu como
um método para a implantação do processo de trabalho de enfermagem a
partir da execução das etapas de coleta de dados, diagnóstico, planejamento,
implementação e avaliação do plano de cuidados frente à resposta às neces-
sidades em saúde das pessoas (DIAGNÓSTICOS..., 2018).

Um recém-nascido está sendo assistido em um Centro de Terapia Intensiva Neonatal.


A enfermeira que está responsável pela provisão dos cuidados a ele, fazendo uso da
SAE, iniciou a etapa de coleta de dados com a realização do exame físico no bebê e
observando as reações que ele apresentava conforme era tocado.
A partir desses dados, ela verificou que o bebê apresentava falta de ar, estava muito
choroso e com face de dor e cansaço, o que embasou a enfermeira a proceder com a
etapa de diagnóstico de enfermagem, da qual emergiram — conforme a taxonomia
NANDA-I — os diagnósticos de dor aguda, distúrbio no padrão de sono e troca de
gases prejudicada.
De acordo com esses diagnósticos, a enfermeira irá elaborar um plano de cuidados
que evidencia a etapa de planejamento, na qual ela procederá com a prescrição dos
cuidados a serem oferecidos ao bebê para resolver os diagnósticos de enfermagem
anteriormente apontados, denotando a etapa de implementação.
Por fim, será necessário que a enfermeira analise se as intervenções realizadas re-
solveram os problemas identificados, isto é, se o bebê está realizando troca gasosa
de melhor qualidade, se está conseguindo dormir e se está sem dor, ou seja, será
verificado se os cuidados prestados foram efetivos, o que demonstra a relevância da
adoção da SAE para responder às necessidades em saúde das pessoas.

Como marco normativo, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)


publicou a Resolução nº. 358, de 15 de outubro de 2009, a qual estabelece
que todo estabelecimento de saúde que provisiona cuidados profissionais de
enfermagem deve ter o processo de trabalho de enfermagem implementado
por meio da SAE (BRASIL, 2009).
Sistematização da Assistência de Enfermagem 9

De acordo com a Resolução Cofen nº. 358/2009:

Art. 2º O Processo de Enfermagem organiza-se em cinco etapas


inter-relacionadas, interdependentes e recorrentes:
I — Coleta de dados de Enfermagem (ou Histórico de Enfermagem)
— processo deliberado, sistemático e contínuo, realizado com o
auxílio de métodos e técnicas variadas, que tem por finalidade a
obtenção de informações sobre a pessoa, família ou coletividade
humana e sobre suas respostas em um dado momento do processo
saúde e doença.
II — Diagnóstico de Enfermagem — processo de interpretação e
agrupamento dos dados coletados na primeira etapa, que culmi-
na com a tomada de decisão sobre os conceitos diagnósticos de
enfermagem que representam, com mais exatidão, as respostas da
pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do
processo saúde e doença; e que constituem a base para a seleção
das ações ou intervenções com as quais se objetiva alcançar os
resultados esperados.
III — Planejamento de Enfermagem — determinação dos resultados
que se espera alcançar; e das ações ou intervenções de enfermagem
que serão realizadas face às respostas da pessoa, família ou coletivi-
dade humana em um dado momento do processo saúde e doença,
identificadas na etapa de Diagnóstico de Enfermagem.
IV — Implementação — realização das ações ou intervenções de-
terminadas na etapa de Planejamento de Enfermagem.
V — Avaliação de Enfermagem — processo deliberado, sistemático
e contínuo de verificação de mudanças nas respostas da pessoa,
família ou coletividade humana em um dado momento do proces-
so saúde doença, para determinar se as ações ou intervenções de
enfermagem alcançaram o resultado esperado; e de verificação da
necessidade de mudanças ou adaptações nas etapas do Processo
de Enfermagem (BRASIL, 2009, documento on-line).

A partir da publicação da Resolução Cofen nº. 358/2009, que estabeleceu


a obrigatoriedade de implantação da SAE nos estabelecimentos que têm a
provisão de cuidados de enfermagem (BRASIL, 2009), os Corens (Conselhos
Regionais de Enfermagem) passaram a desempenhar o papel de agentes fisca-
lizadores da sua implantação, com o objetivo de garantir a oferta de cuidados
de enfermagem de qualidade e seguros.
10 Sistematização da Assistência de Enfermagem

1. O enfermeiro de um hospital de apoio espiritual. Diante desse


pequeno porte assumiu a posição achado, é possível afirmar que
de gerente de enfermagem e o enfermeiro identificou:
precisa organizar o processo de a) o plano de cuidados.
trabalho da equipe. Para atender a b) uma necessidade em saúde.
esse objetivo, ele deverá se utilizar: c) o resultado das ações propostas.
a) do diagnóstico de enfermagem. d) a prescrição de enfermagem.
b) das linhas de cuidados. e) o processo de trabalho
c) da SAE. de enfermagem.
d) dos protocolos assistenciais. 4. Em relação à SAE, é possível
e) dos indicadores assistenciais. afirmar que ela se trata de:
2. A enfermeira de uma UBS tem a) uma teoria.
recebido um progressivo número b) um método.
de novos casos de pacientes com c) um instrumento.
dengue e que residem no território d) uma diretriz.
sanitário pelo qual é responsável. e) uma norma.
Ao considerar as etapas que 5. Um ambulatório recebeu a
compõem o processo de trabalho de visita de um fiscal do Coren, o
enfermagem, ela fez o diagnóstico qual solicitou à enfermeira que
de enfermagem e propôs ações responde como responsável técnica
para a contenção do número de que apresentasse o prontuário
casos. Em seguida, ela deverá: dos pacientes atendidos, a fim
a) avaliar os resultados das de identificar as evidências
intervenções realizadas. da implantação da SAE. Essa
b) prescrever os cuidados. solicitação do fiscal do Coren
c) propor novas ações. ocorreu devido à existência:
d) fazer um planejamento de saúde. a) da Teoria das Necessidades
e) treinar a equipe de enfermagem. Humanas Básicas.
3. O enfermeiro de uma instituição b) da Resolução Cofen nº. 358/2009.
de longa permanência para c) do processo de trabalho
idosos admitiu um idoso de 92 de enfermagem.
anos. Durante esse processo de d) de necessidades de saúde.
admissão, o profissional identificou e) da Teoria Ambientalista.
que o paciente demandava
Sistematização da Assistência de Enfermagem 11

BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre


a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de
Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profis-
sional de Enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF, 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 jun. 2019.
HERING, H. Florence Nightingale (H Hering NPG x82368). London, 1860. Disponível em:
[Link]
gale_(H_Hering_NPG_x82368).jpg. Acesso em: 15 jun. 2019.
MCEWEN, M.; WILLS, E. M. Bases teóricas de enfermagem. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-Idefinições e classi-
ficação 2018–2020. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
VAUGHANS, B. W. Fundamentos de enfermagem desmistificados: um guia de aprendizado.
Porto Alegre: AMGH, 2012.

Leituras recomendadas
GARCIA, T. R. Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem: CIPE. Porto Alegre:
Artmed, 2018.
PEREIRA, I. B.; LIMA, J. C. F. (org.). Dicionário de Educação profissional em saúde. 2. ed. Rio
de Janeiro: Fiocruz, 2008.
ROCHA, E. M.; LUCENA, A. F. Projeto terapêutico singular e processo de Enfermagem
em uma perspectiva de cuidado interdisciplinar. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 39,
p. e2017−e0057, 2018. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 16 jun. 2019.
SILVA, J. P.; GARANHANI, M. L.; PERES, A. M. Sistematização da assistência de enfermagem
na graduação: um olhar sob o pensamento complexo. Revista Latino-Americana de
Enfermagem, v. 23, n. 1, p. 59−66, 2015. Disponível em: [Link]
v23n1/pt_0104-[Link]. Acesso em: 16 jun. 2019.
SILVA, M. J. P. Ciência da enfermagem: editorial. Acta Paulista em Enfermagem, v. 25,
n. 4, p. i−ii, 2012. Disponível em: [Link] Acesso
em: 16 jun. 2019.
Dica do professor
O processo de trabalho de Enfermagem tem como premissa o cuidado como objeto de intervenção,
visando a transformar a realidade. Diante disso, a sistematização da assistência de Enfermagem
(SAE) emerge como método a ser utilizado por todos os estabelecimentos de saúde em que sejam
oferecidos cuidados profissionais de Enfermagem.

Veja nesta Dica do Professor a interface do processo de trabalho de Enfermagem com a SAE, tendo
foco na dimensão do assistir.

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Exercícios

1) O enfermeiro de um hospital de pequeno porte assumiu a posição de gerente de


Enfermagem e precisa organizar o processo de trabalho da equipe de Enfermagem. Para essa
organização, ele dispõe de metodologia e legislação específica que se propõe a dar maior
solidez às práticas de Enfermagem. Dessa forma, esse enfermeiro, para atender ao objetivo,
deverá utilizar:

A) diagnóstico de Enfermagem.

B) linhas de cuidado.

C) sistematização da assistência de Enfermagem.

D) protocolos assistenciais.

E) indicadores assistenciais.

2) A enfermeira de uma Unidade Básica de Saúde tem recebido um progressivo número de


casos novos de pacientes com dengue e que residem no território sanitário que é
responsável. Ao considerar as etapas que compõem o processo de trabalho de Enfermagem,
ela fez o diagnóstico de Enfermagem e propôs ações para a contenção do número de casos.
Em seguida, ela deverá:

A) avaliar os resultados das intervenções realizadas.

B) prescrever os cuidados.

C) propor novas ações.

D) fazer um planejamento em saúde.

E) treinar a equipe de Enfermagem.

3) O enfermeiro de uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) admitiu um idoso
de 92 anos. Durante esse processo de admissão, o enfermeiro identificou que o paciente
demandava apoio espiritual, pois apresentava-se deprimido e queixoso em relação à
iminência da morte. Diante desse achado, é possível afirmar que o enfermeiro identificou
uma necessidade em saúde que:
A) a Enfermagem não tem ação.

B) transcende os aspectos biológicos da existência humana.

C) exige atuação de um psiquiatra.

D) requer o uso de medicamentos.

E) deve ser compreendida como uma disfunção orgânica.

4) A sistematização da assistência de Enfermagem (SAE) foi estabelecida por meio da


Resolução Cofen n.o 358/2009, assim, todo o serviço que tem equipe de Enfermagem
atuando deve tê-la implementada. Nesse sentido, a SAE se caracteriza por ser:

A) uma teoria.

B) um método.

C) um instrumento.

D) uma diretriz.

E) uma norma.

5) Um ambulatório recebeu a visita de um fiscal do Coren, o qual solicitou à enfermeira que


responde como responsável técnica que apresentasse o prontuário dos pacientes atendidos,
a fim de identificar as evidências da implantação da SAE. Essa solicitação do fiscal do Coren
ocorreu em razão da existência de:

A) teoria das necessidades humanas básicas.

B) Resolução Cofen n.o 358/2009.

C) processo de trabalho de Enfermagem.

D) necessidades de saúde.

E) teoria ambientalista.
Na prática
A sistematização da assistência de Enfermagem (SAE) é um método potente para garantir a
implantação do processo de trabalho de Enfermagem, exigindo do enfermeiro a adoção de uma
visão de mundo, uma teoria de Enfermagem, conhecimentos técnico-científicos, habilidades e
atitudes específicas.

Confira no anexo a utilização dos processos de Enfermagem em um paciente pós-operado de


apendicectomia com a demonstração de aplicação da SAE.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:

Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem


Estes materiais abordam dois sistemas de classificação de diagnósticos de Enfermagem: da CIPE e
da NANDA.

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Sistematização da assistência de Enfermagem na graduação: um


olhar sob o pensamento complexo
No editorial escrito pela Profa. Dra. Maria Júlia Paes da Silva, é abordada a Enfermagem como
ciência e arte. No artigo de Silva et al. (2015), o objetivo do estudo foi discutir como a SAE é
percebida pelos estudantes de graduação. Esta leitura amplia o debate, no sentido de problematizar
a necessidade de esse conteúdo ser abordado sequencialmente ao longo do curso de Enfermagem
de forma articulada.

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