0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações3 páginas

Lendas Amazônicas: Cobra Grande e Mapinguari

As lendas descrevem criaturas míticas que habitam a floresta amazônica, como a Cobra Grande, o Mapinguari e o Curupira. Elas também contam histórias sobre a origem de rios e plantas da região.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações3 páginas

Lendas Amazônicas: Cobra Grande e Mapinguari

As lendas descrevem criaturas míticas que habitam a floresta amazônica, como a Cobra Grande, o Mapinguari e o Curupira. Elas também contam histórias sobre a origem de rios e plantas da região.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Lenda da Cobra Grande

A Cobra Grande, ou Boiúna, é uma lenda amazônica que fala de uma imensa cobra que
cresce de forma desmensurada e ameaçadora, abandonando a floresta e passando a habitar a
parte profunda dos rios. Ao rastejar pela terra firme, os sulcos que deixa se transformam nos
igarapé[Link] a lenda que a Cobra Grande pode se transformar em embarcações ou outros
seres. Ela está presente em diversos contos indígenas, um deles conta que em uma certa tribo,
uma índia, grávida da Boiúna, deu à luz a duas crianças gêmeas. Uma delas, má, atacava os
barcos, naufragando-os. A história tornou-se célebre no poema Cobra Norato, de Raul Bopp,
sendo encenado inclusive, em teatros de vários paí[Link] mundo real, a verdadeira cobra
grande é na verdade a sucuriju, ou sucuri, a temida anaconda. O animal pode atingir mais de
10 metros de comprimento. Ela mata as presas por constrição, apertando-as até a
[Link] em filmes de terror, é temida pela população ribeirinha, pois habita as
áreas inundáveis e é dotada de grande força, sendo capaz de neutralizar qualquer tentativa de
defesa da vítima.

Lenda do Mapinguari

Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um
olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém usa uma
armadura feita do casco da tartaruga. Para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré.Há
quem diga que seus pés têm o formato de uma mão de pilão. O Mapinguari emite um grito
semelhante ao grito dado pelos caçadores. Se alguém responder, ele logo vai ao encontro do
desavisado, que acaba perdendo a vida.A criatura é feroz e não teme nem caçador, porque é
capaz de dilatar o aço quando sopra no cano da espingarda. Os ribeirinhos amazônicos
contam muitas histórias de grandes combates entre o Mapinguari e valentes caçadores.O
Mapinguari sempre leva vantagem e os caçadores que conseguem sobreviver, muitas vezes
ficam aleijados ou com terríveis marcas no corpo para o resto da vida. Há quem diga que o
Mapinguari só anda pelas florestas de dia, guardando a noite para [Link] anda pela
mata, vai gritando, quebrando galhos e derrubando árvores, deixando um rastro de destruição.
Outros contam que ele só aparece nos dias santos ou [Link] que ele só foge quando
vê um bicho-preguiça. O que ninguém explica é porque ele tem medo justamente do seu
parente, já que é considerado um bicho-preguiça pré-histórico.

Lenda do Curupira

O Curupira é o guardião das florestas e dos animais. Possui traços indígenas, cabelo de fogo
e os pés virados para trás. Dizem que possui o dom de ficar invisível.O curupira é o protetor
daqueles que sabem se relacionar com a natureza, utilizando-a apenas para a sua
sobrevivência. O homem que derruba árvores para construir sua casa e seus utensílios, ou
ainda, para fazer o seu roçado e caçar apenas para alimentar-se, tem a proteção do Curupira.
Mas aqueles que derrubam a mata sem necessidade, os que caçam indiscriminadamente, estes
têm no Curupira um terrível inimigo e acabam caindo em suas armadilhas. Para vingar-se, o
Curupira se transforma em caça. Pode ser uma paca, onça ou qualquer outro bicho que atraia
os caçadores para o meio da floresta, fazendo-o perder a noção de seu rumo e ficar dando
voltas no mato, retornando sempre ao mesmo lugar. Outra forma de atingir os maus caçadores
é fazendo com que sua arma não funcione ou fique incapaz de acertar qualquer tipo de alvo,
principalmente a caça. Na realidade, a lenda do Curupira revela a relação dos índios
brasileiros com a mata. Não é uma relação de exploração, de uso indiscriminado, mas de
respeito pela vida.
Lenda do Pirarucu

Pirarucu era um índio que pertencia à tribo dos Uaiás. Era um bravo guerreiro, mas tinha um
coração perverso, mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração, chefe da tribo.
Egoísta e cheio de vaidades, Pirarucu adorava criticar os deuses. Um dia ele aproveitou a
ausência do pai para tomar índios da sua tribo como reféns e executá-los sem nenhum
[Link]ã, o deus dos deuses, decidiu puni-lo chamando Pólo para que espalhasse o seu
mais poderoso relâmpago. Também convocou Iururaruaçu, a deusa das torrentes, e ordenou
que provocasse a mais forte tempestade sobre Pirarucu quando estava pescando com outros
índios às margens do Rio Tocantins.O fogo de Tupã foi visto por toda floresta. Pirarucu
tentou escapar, mas foi atingido no coração por um relâmpago fulminante. Todos que
estavam com ele correram para a selva assustados.O corpo de Pirarucu, ainda vivo, foi levado
para as profundezas do Rio Tocantins e transformado em um gigante e escuro peixe. Acabou
desaparecendo nas águas e nunca mais retornou, mas por um longo tempo aterrorizou toda a
região.

Lenda do Guaraná

Um casal de índios pertencente a tribo Maués vivia junto por muitos anos sem ter filhos. Um
dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar suas vidas. Tupã, sabendo
que o casal era bondoso, lhes atendeu o desejo dando a eles um lindo menino. O tempo
passou e o menino cresceu bonito, generoso e querido por todos na aldeia. No entanto,
Jurupari, o deus da escuridão e do mal, sentia muita inveja do menino e decidiu matá-lo.
Certo dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari aproveitou a ocasião para lançar
sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa que atacou e matou o menino. A
triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos
caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma
mensagem de Tupã, dizendo que deveriam plantar os olhos da criança e que deles uma nova
planta cresceria dando saborosos frutos. Assim foi feito e os índios plantaram os olhos da
criança. No lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras rodeadas por uma película
branca, muito semelhante ao olho humano.

Lenda do Monte Roraima

Os índios Macuxi contam que antigamente, no local onde hoje existe o Monte Roraima,
existiam apenas terras baixas e alagadiças, cheias de igapó. As tribos que viviam naquela área
não precisavam disputar comida, pois a caça e a pesca eram fartas. Uma vez, nasceu um belo
pé de bananeira. A estranha planta cresceu muito rápido e deu belíssimos e apetitosos frutos.
Os pajés avisaram a todos que aquele vegetal era um ser sagrado e que como tal seus frutos
eram proibidos para qualquer pessoa da tribo. Eles disseram ainda que caso alguém
desobedecesse a regra e tentasse comer uma fruta daquelas, desgraças terríveis aconteceriam:
a caça se tornaria rara, as frutas secariam e até a terra iria tomar um formato diferente. Era
permitido comer de tudo, menos os frutos da bananeira sagrada. Todos passaram a temer e a
respeitar as ordens dos pajés. Mas houve um dia em que, ao amanhecer, todos correram para
ver com espanto a primeira desgraça de muitas que ainda estavam por vir: um cacho da
bananeira havia sido decepado. Todos se perguntavam, mas ninguém sabia dizer quem
poderia ter feito aquilo. Antes que tivessem tempo para descobrir o culpado, a previsão dos
mais velhos começou a acontecer. A terra começou a se mover e os céus tremiam em trovões.
Todos os animais, da terra ou do céu, bateram em retirada. Um dilúvio começou a despencar
e um enorme monte começou a brotar rasgando aquelas alagadas terras. E foi assim que
nasceu o Monte Roraima. É por tudo isso que, até os dias de hoje, acredita-se que o monte
Roraima chora quando de suas pedras caem pequenas gotas de água cristalina.

Lenda dos rios Xingu e Amazonas

A origem dos rios Xingu e Amazonas também faz parte do imaginário indígena. Dizem que
antigamente era tudo seco. Na Floresta Amazônica não tinha água nem rio. A ave Juriti era a
dona da água e a guardava em três tambores. Certo dia, os três filhos de Cinaã estavam com
sede e foram pedir água para o passarinho. Ele não deu e disse: - Seu pai é Pajé muito grande,
por que não dá água para vocês? Eles voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou
porque estavam chorando e eles contaram. Cinaã disse para eles não irem mais lá que era
perigoso, tinha peixe grande dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram
os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe
grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos), que ficou com as pernas para
fora da boca do peixe. Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e
cachoeiras com a corrida. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu.
Continuaram a correr até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava
morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente.
Depois eles sopraram a água no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e
disseram que haviam quebrado os tambores e que teriam água por toda a vida para beber.

Você também pode gostar