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Revolução Francesa

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Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi resultado da crise política, econômica e social que a França enfrentou no

final do século XVIII (só foi possível graças aos novos ideais do Iluminismo). Nessa época, a França

era governada por Luís XVI, e a sociedade era dividida em classes sociais:

- Primeiro Estado: clero;


- Segundo Estado: nobreza;
- Terceiro Estado: povo, uma classe extremamente heterogênea, formada por grupos distintos,
como a burguesia e os camponeses.

De toda forma, a sociedade francesa era marcada por uma desigualdade extrema, uma vez que a
nobreza e o clero gozavam de privilégios, essa desigualdade social era a raiz da crise enfrentada pela
França no século XVIII.

A França, começou a sofrer as consequências do atraso econômico no avanço do capitalismo.


Havia também gastos elevados e desnecessários do governo francês, o envolvimento da França na
Revolução Americana, em que o resultado foi uma crise econômica (que impactou as relações
sociais) - a nobreza intensificou a exploração sobre o povo, estes foram obrigados a pagar impostos
e rendas feudais ao clero e à nobreza.

Os Estados Gerais (espécie de assembleia convocada por Luís XVI em momentos de crise como
forma de obter soluções para a situação do país). Iniciou-se uma eleição para a escolha dos
deputados, (no terceiro estado eram todos burgueses) e criaram os Cadernos de Queixas, onde as
comunidades apresentavam as suas queixas e denúncias (5 de maio de 1789).

As soluções debatidas nesse conselho eram determinadas a partir de votação realizada por Estado,
e não por indivíduo, onde a nobreza e o clero uniam-se sempre para derrotar o Terceiro Estado,
até que estes começaram a exigir que o voto fosse individual, o que possibilitaria que as propostas
da burguesia fossem aprovadas.
A proposta foi rejeitada e o terceiro estado com os seus deputados, (alguns da nobreza e outros
clero), uniram-se e criaram a Assembleia Nacional Constituinte (20 de junho de 1789). Perante a
cedência do rei, as 3 ordens fundiram-se numa só, deixando o antigo regime e a monarquia
absoluta chegarem ao fim.

Apesar da esperança de mudança, o monarca procurou dissolver a Assembleia Nacional


Constitucional, gerando revolta no 3 estado, que nos campos, assaltavam abadias e residências
senhoriais, recusaram o pagamento de impostos e obrigações feudais, incendiava repartições
públicas (de modo a destruir os registros e títulos senhoriais). Em Paris (14 de julho de 1789), a
população saiu à rua e tomou a fortaleza da Bastilha (símbolo do poder absoluto).

Etapas da Revolução Francesa

- Assembleia Nacional Constituinte e Assembleia Legislativa (1789-1792)


- Convenção (1792-1795)
- Diretório (1795-1799)

A abolição do regime feudal

Em (4 de agosto de 1789), os representantes da Assembleia Nacional Constituinte decretaram a


supressão de todas as servidões feudais (privilégios e direitos).

Os camponeses, pressionados pela fome, iniciaram uma autêntica revolução, o Grande Medo (julho
e agosto de 1789) atacaram propriedades aristocratas, queimaram registros de taxas e obrigações
(matando quem lhes fazia frente). Os nobres, em pânico consentiram com a supressão dos direitos e
privilégios feudais:

- tinham medo que os seus interesses fossem postos em causa por uma população desgovernada;
- aproveitou o clima de crise e medo para dar um golpe aos interesses senhoriais.
Declaração dos direitos do homem e do cidadão

Os deputados (influenciados pelo iluminismo e constituição americana) fizeram um importante


documento (26 de agosto 1789) que orienta a constituição francesa e estados democráticos
(republicanos e monárquicos) por ser universalista e generalista.

Os direitos naturais são a liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão.

- os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos, liberdade individual direito natural e
inviolável (pensamento, expressão e religião).

- direito à igualdade perante a lei, perante a justiça, fisco e administrativo. (decretando o fim da
velha sociedade de ordens).

- soberania nacional, o poder reside na Nação contrato entre governantes e governados.

A Monarquia Constitucional - Constituição de 1791

Reorganização política, administrativa, social e econômica de França veio por fim a monarquia
absoluta…

nível de organização política

- poder legislativo - exercido pela assembleia legislativa, composta por deputados eleitos
(durante o período de 2 anos);

o seu processo eleitoral, o sufrágio era censitário (pagamento de um imposto), nem todos podiam
participar:

cidadãos passivos - pagavam -3 libras só tinham direitos cívicos;

cidadãos ativos - +3 libras podem votar e +10 libras podem ser eleitos.

- poder executivo - exercido pelo chefe de estado (o rei que deixou de ser assim chamado);
- poder judicial - exercido por magistrados (juízes independentes do poder político).

nível de economia - liberdade de produzir, comprar e vender, os burgueses foram os mais


beneficiados.
Convenção 1ª fase

➙ 21 de julho de 1791 - Luís xvl aceitou a constituição mas foi apanhado a fugir com a família
para Áustria.

➙ julho de 1792 - toda a Europa absolutista acabou por se organizar militarmente contra
França apoiando os movimentos contra revolucionários;

Áustria e Prússia ameaçaram arrasar Paris, se ameaçassem a família real por alguma ação
revolucionária, as pessoas ficaram com a ideia de que o rei francês era aliado do inimigo, ou
seja estava a trair a revolução e a pátria.

➙ 10 de agosto de 1792 - a multidão enfurecida, liderada pela Comuna de Paris prende o rei,
acaba com a Assembleia Legislativa e convoca a Assembleia Constituinte.

Convenção 2ª fase

Os dois grupos políticos: girondinos (mudanças contidas, defensores da revolução às monarquias


absolutistas europeias) e os montanheses (mudanças radicalizadas, defensores da revolução e
opositores da constituição burguesa), convergiam na oposição à monarquia e na coligação europeia
contra frança revolucionária.

O rei foi executado (janeiro de 1793) pois foi acusado de conspirar contra as revoluções e a liberdade.
Para as nações absolutistas da Europa, foi considerado uma ameaça, por isso formaram a coligação
contra França.

Os montanheses passaram a dominar a Convenção e acusavam os girondinos de defenderem o rei e a


sua causa monárquica (girondinos exigiam que o rei fosse exilado e os montanheses a execução). A
Convenção montanhesa era um governo revolucionário apoiado pelos sans-culottes - influenciados
pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade democrática. (defendia uma revolução radical, em
favor das classes mais desprotegidas contra a alta burguesia), teve um papel muito importante na
condição de militantes da revolução popular substituindo o cidadão ativo da revolução burguesa.

O Terror - A guerra com a Europa, agravou as dificuldades económicas e financeiras.


Os montanheses (liderados por Robespierre) radicalizaram a revolução na tentativa de reformar o
país (perseguiam os inimigos da revolução, julgavam-nos e guilhotinavam-nos). O governo foi
dominado pelo Comitê de Salvação Pública - importantes medidas: resolveram as dificuldades e
eliminaram o movimento contra revolucionário.

Constituição do Ano l

Ano l da República (1793) - princípios democráticos e até socializantes.

nível político

- Sufrágio universal (masculino) e novidades democráticas;

nível econômico

- Lei do Máximo (proteção aos grupos sociais mais desfavorecidos) - preços máximos de produtos
de 1ª necessidade e limite do seu consumo (combater a compra de grandes quantidades de
modo a não aumentar os seus preços);

nível social

- Direitos sociais (trabalho e assistência);


- Educação como direito universal do homem (ensino primário gratuito e obrigatório);
- Justa repartição de terras em pequenos lotes (aquisição de propriedades nacionais por
camponeses);

Triunfo da Revolução Burguesa

A atuação dos montanheses (as execuções) fez com que os girondinos, com o apoio da alta burguesia,
fizessem um golpe, a Reação Termidoriana (1794) - 9 do Termidor (novo calendário).

Os girondinos reverteram as decisões dos montanheses (encontrar soluções legislativas de


compromisso). Pondo fim à Convenção Nacional (Robespierre e vários montanheses foram
guilhotinados).
Constituição do Ano l

Fim da Convenção Nacional (1795) - individualismo da burguesia e leis mais conservadora;

nível político

- manteve o regime republicano, sufrágio censitário;


- Divisão tripartida do poder :

poder legislativo - assembleia dos Quinhentos (propor leis) assembléia dos Anciãos (decidia sobre elas);

poder executivo - Diretório por 5 membros eleitos pelo poder legislativo (5 anos);

poder judicial - Tribunais independentes.

nível econômico

- liberdade econômica e revogada a Lei do máximo

nível social

- Sem igualdade e liberdade de expressão (prática de censura - pacificar o país)


- Sem medidas de proteção da classe social mais desfavorável (direito ao trabalho e assistência);

Diretório

Principais objetivos: paz e ordem interna e resolução da guerra contra a coligação internacional
(paz pretendida a da burguesia - limitação das atividades mais radicais, desejo utópico);

A situação agravou-se (revogação da lei dos máximos) preços elevados e inflação incomportável;

Democratas populares c/ posições radicais (reagiram a perda de poder e direitos)

Diretório, não praticou a política de pacificação e união dos franceses, ao perseguir violentamente
quem se impôs contra a ordem burguesa.

A guerra contra a coligação internacional, não facilitava a prosperidade econômica, para a


pacificação do povo francês.

Com a França imersa no caos, sob ameaça de ataques, a burguesia entregou o poder a, Napoleão
Bonaparte (general famoso com vitórias na Europa) dirigiu a guerra contra as coalizões
internacionais - os objetivos não foram totalmente conseguidos - Europa organizou a 2ª Coligação -
obrigou Napoleão a recuar.

O resultado disso foi a organização de um golpe por Napoleão (9 de novembro de 1799), tomou o
poder pela força, o Golpe do 18 de Brumário - o diretório foi suspenso - poder executivo (3 cônsules,
Napoleão do 1º) - Constituição VIII - fim de revolução e triunfo da burguesia leberal.

Antecedentes e Conjuntura

Conjuntura ideológico-cultural

Apesar da repressão das doutrinas liberais, Portugal não permaneceu fechado ao ideário da revolução
francesa…

- escola de intelectuais “afrancesados” estudavam e divulgavam pensamentos iluministas


(livros, jornais);
- maçonaria nas lojas do reino, faziam propaganda das novidades políticas que a Europa ia
aderindo, com grande oposição ao absolutismo régio;
- opositores ao regime absolutista fugidos da repressão, fazem grande propaganda (publicações
penetradas no reino);
- parlamento inglês e o desenvolvimento econômico inglês (inspirado em doutrinas liberais);
- movimento liberal portugues (1807) ganha alento das tropas napoleônicas e exilados políticos.

Conjuntura política

Napoleão não conseguia vencer militarmente a inglaterra então dominou as áreas econômicas -
bloqueio continental (a europa não podia comercializar nem manter relações com inglaterra,
encerrou os portos).

[Link]ão VI, estava a adiar a cedência a Napoleão (pela aliança com inglaterra e pelos problemas
econômicos que o bloqueio continental provocou). Na primeira invasão francesa (1807-1811) foi
executado um plano com o apoio inglês - retirada da família real para o Brasil.

A situação política de portugal estava complicada (protetorado inglês e brasileiro) - os ingleses


auxiliaram no combate as tropas francesas, permanecendo no reino defendendo - mas acabaram por
se instalar no altos cargos governativos - Beresford passou a exercer cargos poderosos (presidente da
junta governativa e general das tropas portuguesas).

Conjuntura econômica e financeira

crise generalizada:

- rasto de destruição da agricultura, setor industrial e comercial (combates das invasões);


- homens de negócio saíram do país (elite social e econômica do reino), levando fortunas e
mentalidades (Brasil ou Inglaterra);
- abertura dos portos do Brasil a comércio internacional, Tratado de 1810 (liberdade de
comércio em Portugal e Brasil) - falência do comércio luso-brasileiro, que era o grande
suporte do reino.

Conjuntura social

grande descontentamento e revolta:

- orfandade política do reino, rei no Brasil e ingleses a ocupar os altos cargos políticos;
- Portugal a perder uma colônia (presença real no Brasil e os seus portos abertos ao comércio
internacional);
- humilhante repressão, pelos ingleses e superioridade política de Beresford;
- grave crise econômica.

Tudo isto gerou grande descontentamento e revolta (setores burgueses) - tentativa de revolta em 1817,
Moçaria conspirou contra Beresford (dirigida por Gomes Freire de Andrade) - a descoberta, levou a
perseguições e condenações à morte (enforcamento do líder e de alguns cúmplices) - a violência de
repressão agravou o descontentamento dos opositores das forças inglesas, que culminou para a
Revolta de 1820.

A Revolução de 1820 (dificuldades de implantação do liberalismo)

Teve início no Porto, dirigida por uma associação secreta de revolucionários liberais - Sinédrio,
estavam à espera de um momento certo (março de 1820):

- ânimo que veio de espanha (triunfou o movimento liberal);


- partida de Beresford para o Brasil (tratar com o rei assuntos das despesas militares e
crescimento da agitação social).

O sinédrio aproveitou o tempo de descompressão política, (apoio espanhol e brasileiro) - militares do


porto (apoio da população) tomaram a Câmara Municipal (24 de agosto de 1820) - em Lisboa o
governo do reino ia cedendo à revolução e as autoridades inglesas foram demitidas - juntos (Porto e
Lisboa) criaram uma Junta Provisional Preparatória das Cortes (administravam o país a partir de
Lisboa onde fizeram uma reunião para iniciar a redação da nova constituição).

Medidas:

- fim da dominação inglesa (expulsar Beresford e os seus militares);


- fidelidade ao rei [Link]ão VI e à familia real, reclamar o seu regresso (impor a aceitação da
futura reconstituição);
- discutir os projetos para a futura constituição do reino (resolução de problemas e eleições);
- por fim a alguns privilegios (clero e fidalgos);
- negociar c/ a diplomacia internacional, o reconhecimento da legitimidade do governo
revolucionário e apoio à causa liberal portuguesa.

Constituição de 1822 (vintismo)

Criada uma nova lei para que o regime liberal não fosse regido pelas “velhas leis”, a constituição
(jurada por [Link]ão VI), estava dividida: tendência moderada (conservadora e monárquica) e
tendência radical (popular e democrática). Saiu vencedora a tendência mais radical do liberalismo.

nível da organização política (monarquia constitucional)


- poder legislativo (Cortes, câmara, por sufrágio universal - +25 anos, ler e escrever);
- poder executivo (monarca e governo);
- poder judicial (magistrados independentes do poder político).

nível social (combate aos privilégios)


- igualdade de todos perante a lei;
- extinguir a Inquisição;
- abolir privilégios senhoriais (nobreza e clero);
- direitos naturais dos cidadãos (liberdade individual, propriedade e segurança);
- religião católica portuguesa (outros cultos apenas para os estrangeiros e de forma privada).

nível econômico (reforma dos forais)

- Banco de Lisboa (primeiro banco portugues), bens da Igreja;

- Abolição dos privilégios na reforma dos forais (leigos e religiosos passam a ter direitos e
privilégios senhoriais) e o desenvolvimento das atividades econômicas (terras inóspitas
doadas pelo rei). Os foros, impediam o livre usufruto e a propriedade rural (não favorecia o
desenvolvimento da agricultura, impedia uma burguesia rural).

Os constituintes de 1821 manifestam contra, ao propor a redução do corpo de forais, nada a


ver com a evolução da vida social nem com o quadro político instituído em 1820.

Precariedade da legislação vintista…


nível político-social
- Voto universal - eleitores e eleitos, não podiam ser analfabetos, excluindo grande parte da
população (exclusão da participação democrática) e uma assembleia apenas com a elite social
do reino (quase os únicos que tinham acesso escolar);
- Igualdade perante a lei - não se aplicava na prática, tempo de afirmação dos interesses da
burguesia;
- Lei dos Forais - decepcionou os camponeses e rendeiros, propriedades passaram das mãos
do clero e aristocracia para a elite de burgueses (não podiam competir, ou seja sem
mudanças).

nível econômico
- protecionismo aduaneiro (satisfez os interesses da burguesia rural) ao limitar a entrada de
produtos agrícolas e prejuízo dos interesses da burguesia comercial (que era dependente do
dinamismo e liberdade comercial).
- Política de recolonização do Brasil (medo de perder o grande suporte da economia nacional),
suprimiu todas as liberdades, contrariando o espírito liberal, acelerando o processo de
revoluções e independência.
Independência do Brasil

Começou quando a família real fugiu para o brasil (1808), pela invasão de Napoleão do reino.
O Brasil tornou-se a sede do Governo e centro do poder ([Link]ão VI, fez mudanças econômicas e
culturais, pois achava que não podia ficar limitado a estruturas coloniais) - dotado de características
de um país livre economia, cultura e política-administrativa.

Este grande desenvolvimento conduziu o Brasil à elevação à categoria reino (1815) (igualdade de
direitos e deveres - tirando todas as características de colônia, era uma réplica de Portugal) - Reino
Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Isto causou dificuldades económicas em Portugal e as Cortes Vintistas exgiram o retorno do rei
[Link]ão VI (pela revolução no Porto) adotando uma política recolonizadora:

- anulou medida liberais;


- suspendeu tribunais e instituições administrativas;
- exigiu o regresso do filho [Link] ao brasil (regente);
- autoridades locais - chefes militares.

Apelo dos nacionalista brasileiro á presença de [Link] no brasil, este ficou (1822) e a luta pela
independencia tornou-se irreversível:

- convocou uma Assembleia Constituinte;


- tropas portuguesas eram inimigas;
- diplomacia brasileira (explicar às nações amigas os motivos de luta e angariar apoios);
- leis promulgadas pelas Cortes não tinham vigor sem a sua retificação.

[Link] declarou a independência do Brasil (7 de setembro de 1822) no rio Ipiranga - Portugal só


reconheceu a 1825 (pressão da diplomacia inglesa).

Liberalismo em Portugal

Conjuntura interna

A burguesia era um grupo pequeno e heterogêneo, lidava com o processo revolucionário embora
longe de ter uma base sólida (dominado por Beresford e a perda do Brasil), o radicalismo vintista
provocou na burguesia uma reação (conservadora, reformas moderadas).
A população teve de enfrentar as dificuldades da contra revolução:

- lentidão e ineficácia das medidas;


- as poucas transformações apenas beneficiaram a burguesia;
- autoridades eclesiásticas não queriam aderir à revolução
- militares e funcionários públicos, descontentes por não verem melhorias na economia.

Conjuntura externa (internacional)

A conjuntura internacional não favorecia a revolução portuguesa:

- Santa Aliança (1815) Áustria Prússia e Rússia - Congresso de Viena (restaurar o absolutismo,
derrotado por Napoleão) - Portugal contou com a oposição da europa conservadora, que levou
ao bloqueio continental (impedir o acesso aos portos), isolamento político e apoio às forças
contra revolucionárias.
- Posição inglesa, desagradou-lhes o ataque vintista, à forte presença na economia portuguesa e
brasileira. E desagradou aos revolucionários vintistas, o apoio de Inglaterra à independência
do Brasil (para não perder influência nos mercados brasileiros).

A revolução liberal portuguesa não podia contar com o apoio de Inglaterra contra a reação
conservadora portuguesa!!

Portugal encontrava-se dividido entre o partido constitucional/liberal e o partido


realista/absolutista…

Martinhada - ação contra revolucionária (novembro 1820) contra a lei democrática;

Vila-Francada - dirigida por [Link] (1823, vila franca de xira) quando defendeu o reino da invasão
espanhola (absolutista) A revolta fracassou, mas [Link]ão cedeu algumas medidas aos revoltosos:

- suspendeu a constituição de 1822 e o rei prometeu uma nova lei;


- remodelou o governo, integrou liberais moderados;
- nomeou [Link] general e comandante-chefe do exército.

Abrilada - as medidas não satisfizeram os extremistas absolutistas. [Link] liderou outra revolução
em que o rei era obrigado a abdicar pela rainha [Link] Joaquina - os diplomatas apoiaram o rei na
demissão de [Link] e na condenação ao exílio (viagem na Europa) .
A crise política e econômica facilitaram as medidas absolutistas por [Link]ão, a redação da nova
constituição foi suspensa e a assembleia encarregue demitida.

A Carta Constitucional de 1826 (cartismo)

Sucessão

[Link]ão VI morreu, deixando o reino sem sucesso… o seu sucessor era [Link] (imperador do Brasil)
acusado de crime de lesa-pátria e se ter tornado estrangeiro. A alternativa seria [Link] (segundo
filho) apoiado de absolutistas e contra liberais (diziam que estava proibido no reino por ser contra
revolucionário).

Solução - [Link] considerou-se rei, negociava que se a Nação aceitasse a carta constitucional, sua
filha [Link] da Glória casava com o seu tio [Link] e este seria o regente do reino até a herdeira
ser maior de idade.

A carta constitucional (1826)

Doutrina da soberania nacional e recuperação dos antigos poderes do rei (é uma nova constituição
só que não redigida nem aprovada pela assembleia), foi elaborada e proposta à Nação.

Alterações da organização política

- moderador (exercido pelo rei que dirige os 3 poderes);


- poder legislativo (Cortes - Câmara dos Deputados baixa, eletiva e temporária e Câmara dos
Pares alta nobreza e clero, nomeados pelo rei, vitalício e hereditário);
- poder executivo (rei através dos ministros);
- poder judicial (independente, juízes);
- direitos dos cidadãos (liberdade de expressão, segurança - não pode ser preso sem culpa
formada e propriedade).

Fim da revolução vintista, nova corrente liberal - o cartismo…


Guerra Civil

[Link], aclamado rei pelos partidários absolutistas (que nunca aceitaram a sucessão de [Link]),
este aceitava a condição de regente e era fiel a [Link], a [Link] e à carta, (1828) contudo começou
a exercer o poder de forma pessoal (segundo os princípios absolutistas).

- Cortes em modelo tradicional (clero, nobreza e povo);


- anulou os direitos e atos de [Link] (Carta Constitucional);
- perseguição aos liberais (obrigados a fugir e esconder-se, alguns presos, torturados e
executados).

[Link] IV (1831) abdicou do trono brasileiro (deu ao filho, [Link] de Alcântara) e organizou um
exército para defender os direitos da rainha legítima de Portugal, [Link] II (apoiado do movimento
liberal francês e inglês e um grupo de fiéis constitucionalistas dos Açores). Para angariar apoio,
prometeu:

- poder de regente durante a menoridade da sua filha;


- repor a Carta Constitucional e novas eleições para as Cortes;
- respeita a vida e bens da população;
- política de pacificação do reino, tolerante com os absolutistas;
- recompensar os que o apoiarem.

Os liberais entraram no Porto, onde foram cercados por absolutistas (lutaram e resistiram) - a
armada liberal destruiu as armada miguelista, por isso as tropas avançaram para Lisboa… derrota
de [Link] (1834), [Link] propôs lhe um acordo que pôs fim à guerra civil (Convenção de Évora
Monte), este cumpriu todas a promessas (acusado ser demasiado tolerante com [Link], obrigado a
sair do país). O liberalismo triunfou, porém continuaram as lutas entre, os vintistas e os cartistas.

Ministro Mouzinho da Silveira, defensor da Carta Constitucional, autor da legislação (novo


ordenamento político e socioeconómico).

- libertação da terra e das atividades comerciais internas e externas, com supressão de


privilégios.
- reorganização das estruturas administrativas e judiciais, eliminou velhas justiças de foro
privado e submeteu todos os cidadãos a uma justiça igual para todos.
- ministro das Finanças, pôs fim a direitos fiscais privados (nobreza e do clero) e instituiu um
sistema de tributação nacional e centralizado.

As medidas de Mouzinho da Silveira foram acusadas por vintistas de favorecerem a alta burguesia
(enriquecida com a aquisição dos bens vendidos e com novos títulos de nobreza).
Projeto Setembrista

A ação do governo cartista provocou descontentamento na população, que sofria pelo atraso
econômico do reino (pequena e média burguesia) - denunciaram o caráter conservador, corrupto e o
favoritismo da alta burguesia da Carta Constitucional, querendo o regresso dos princípios do
vintismo. [Link] II nomeou um governo, com uma política mais vintista, Setembrismo (1836-1842).
(suspendeu a Carta Constitucional e repôs a Constituição de 1822)

Constituição de 1838 - jurada pela rainha, face ao protesto violento dos cartistas, acaba por conciliar
o radicalismo da Constituição de 1822 e o caráter conservador da Carta Constitucional. Supressão do
poder moderador - sistema bicamarário (senadores eleitos pelo povo - sufrágio direto).

Medidas Setembristas: (inspiradas no protecionismo da economia e desenvolvimento industrial -


Passos Manuel ministro do reino)

- pauta aduaneira (10 janeiro de 1837) travar a entrada de produtos estrangeiros, de modo a
arrancar com a produção industrial no país;
- exploração de colônias africanas e o comércio colonial (suprimir a perda do mercado
brasileiro);
- reforma na educação (ensino primário, secundário e superior para formar operários e
técnicos fabris;
- fomentou a produção nacional (desenvolvimento de unidades industriais, setores
decadentes), importação de técnicos estrangeiros;
- primeira exposição industrial portuguesa (divulgar a produção nacional e fomentar a
exportação).

Desenvolvimento e modernização do setor industrial nacional (aumento de mecanização, produção


em série, concentrações industriais e setores produtivos novos) - mas o Setembrismo falhou,
faltavam em Portugal infraestruturas de modernização econômica:

- núcleo empresarial (mentalidade capitalista, havia apenas um pequeno grupo de empresários


dependentes de subsídios);
- investimento nas comunicações (dinamização do comércio);
- instituições de crédito (financiar a modernização técnica e estimular o lucro capitalista);
- fraca qualidade de produtos (preferência de produtos a preços baixos);
Projeto Cabralista

A crise política abriu caminho ao triunfo cartista (1842) Costa Cabral dirigiu o Projeto Cabralista. Fez
com que a alta burguesia e alguns da média e baixa (descontentes pelo fracasso econômico)
voltassem ao poder - continuou com as tentativas de industrialização (modernizou vias de
comunicação e obras públicas).

Suspendeu o projeto setembrista e adotou o projeto livre cambista (abriu a entrada de capitais
estrangeiros - surto do desenvolvimento, se não houvessem crises de capitalismo internacional)

Crise (1846-47) consequências políticas que quase geraram uma guerra civil entre os apoiantes do
cabralismo (governou em ditadura) e outras forças políticas - Revolta da Maria da Fonte e Patuleia

Segundo derrube do governo de Costa Cabral (1 de maio de 1851) com a revolta dirigida pelo
marechal Saldanha) em que a vida política nacional iniciou um tempo de calma política e
prosperidade econômica - Carta Constitucional reformulada.

O Liberalismo - A ordem liberal

A idade contemporânea (sé[Link]) - triunfo do liberalismo…

nova ordem social (valorização de direitos naturais desde o nascimento - liberdade, igualdade e
segurança - interesses do indivíduo)

- livre exercício de pensamento e expressão (exercício do livre-arbítrio) tanto individualmente


como em associações (políticas, sociais…) e rejeição à opressão;

- mérito individual, igualdade perante a lei e oportunidades nas aspirações individuais;

- defesa rígida dar ordem e disciplina (garantir a segurança e propriedade privada).

nova ordem política (constitucional ou parlamentar) restrição - caráter censitário

- soberania nacional, poder exercido pela vontade da Nação (nova forma de governação);

- representação do poder, os cidadãos pelos seus deveres cívicos elegem um corpo


representante e organizam-se na assembleia/parlamento (discutem, propõem, aprovam);
- separação de poderes, poder repartido por diferentes órgãos de soberania (legislativo,
executivo e judicial) - não foi uniformemente interpretado - dependia do caráter radical ou
moderado do parlamento (o equilíbrio era raro) - legislativo sobre o executivo
(parlamentarista) - executivo sobre o legislativo (presidencialista);

- mudança de instituições, os liberais achavam que a Igreja punha em causa a liberdade, por
isso tornaram-se inimigos da religião - separação da igreja e estado - secularização das
funções (educação e assistência) - perda de bens, nacionalizados;

- ator político, o cidadão, passam a intervir ativamente na vida pública do estado, têm deveres
- candidatar-se aos cargos políticos - elegerem os seus representantes para os diferentes
órgãos - vigiar atentamente o exercício do poder (criticar, denunciar) ou (ler e escrever em
jornais, participar em conversas, formando uma opinião pública).

nova ordem econômica

- direito à livre iniciativa e concorrência, o progresso depende da liberdade dos indivíduos


produzirem riqueza e multiplicam (trabalho) - apropriar-se dessa riqueza sem limitações
políticas - a prosperidade do Estado é maior quanto maior forem as riquezas do indivíduo;

- interesse individual, os cidadãos orientam o sistema da produção na qualidade e quantidade -


Estado garante a ordem social, a liberdade individual, proteção de propriedade e mantém
serviços e instituições que são essenciais à vida em sociedade;

- lei do mercado, o preço de um bem sobe quando é escasso e desce quando é abundante - o
equilíbrio entre a oferta e a procura ocorre naturalmente.

A igualdade perante a lei e oportunidades acabou por se tornar um critério de fortuna pessoal -
analfabetismo impede o exercício da liberdade de expressão - defesa da fraternidade era uma forma
de a burguesia poder impedir a agitação social e salvaguardar as pessoas e os seus bens;
- (apenas que fosse proprietário de riqueza é que podia usufruir de todos os direitos).
Limites da universalidade dos direitos humanos

A luta pela abolição da escravatura…


Ganhou bastante força na Inglaterra (sé[Link]), por organizações religiosas, por questões de moral -
caráter desumano do trabalho escravo.

Chegou às doutrinas iluministas, que defendiam “os homens nascem livres e iguais” - a escravatura é
a negação da própria vida, um atentado à espécie humana.

Juntaram-se os economistas liberais (interesses capitalistas) - um trabalhador escravo, não tem


interesse em trabalhar, é forçado e improdutivo, faz o mínimo ficando mais caro do que um
trabalhador livre, que acaba por produzir os lucros pretendidos.

O tema da escravatura acabou por chegar aos parlamentos da burguesia, onde ocorreram acesos
combates contra esclavagistas e abolicionistas, este acabou por triunfar no (sé[Link]) em:

- Inglaterra (1834) - Estados Unidos da América (1869)


- Portugal (1869) - França (1848)

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