Fitocanabinoide isolado da
planta Cannabis sativa
CANABIDIOL (CBD) Modula diferentes vias
de neurotransmissão
SOLUÇÃO 3% Potencial terapêutico em
diversas condições clínicas
O QUE É?
A primeira evidência documentada do uso medicinal da planta Cannabis sativa remonta há mais de 5.000 anos
na China Antiga. Ao menos 554 compostos e 113 fitocanabinoides já foram identificados nesta planta, incluindo
o canabidiol (CBD). Isolado pela primeira vez em 1940 e estruturalmente caracterizado em 1963, o CBD tem se
destacado especialmente por seus efeitos associados à modulação de diversos processos no organismo humano,
assim como pelo seu perfil de segurança e tolerabilidade.1–3
Neste contexto, evidências crescentes vêm demonstrando o potencial promissor do CBD especialmente em condições
nas quais outras opções de tratamentos não se mostram completamente efetivas, incluindo epilepsia refratária aos
tratamentos convencionais (síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut), fibromialgia, dor neuropática crônica, doenças
neurodegenerativas (doença de Parkinson e esclerose múltipla), transtornos psiquiátricos e como recurso paliativo em
tratamento oncológico. Desta forma, a administração de CBD pode contribuir para a melhora da qualidade de vida ao
reduzir a manifestação e a gravidade de crises convulsivas, dor, tremor, espasticidade muscular, náusea e vômito, além
de outros sintomas característicos destas condições. 4,5
FIGURA 1 – Estrutura química do canabidiol (CBD). Adaptado de [Link], 2021.
QUAL O MECANISMO DE AÇÃO?
Diferentes alvos de ligação e vias de sinalização têm sido elucidadas para justificar os efeitos biológicos observados para o CBD.
Dentre estas, o CBD participa da modulação do sistema endocanabinoide, descrito como um dos sistemas bioquímicos mais
complexos e relevantes do organismo humano. O sistema endocanabinoide é responsável pela manunteção da homeostase do
organismo, incluindo a regulação de funções imunológicas, digestivas, neurológicas, metabólicas e reprodutivas, dentre outras. Os
endocanabinoides (eCBs) anandamina (AE) e 2-araquidonoilglicerol (2-AG), os receptores canabinoides CB1 e CB2 e as enzimas de
síntese e degradação destes endocanabinoides constituem o sistema endocanabinoide. 3,4,6–8
FIGURA 2 – Distribuição dos receptores canabinoides (CB1 e CB2) no organismo humano e principais processos biológicos modulados pelo sistema endocanabinoide.
Adaptado de [Link], 2021.
Tem sido demonstrado que o CBD apresenta baixa afinidade de ligação aos receptores CB1 e CB2 (acoplados a proteínas inibitórias
Gi/o), atuando como um modulador alostérico negativo do receptor CB1 e como um antagonista/agonista inverso do receptor CB2.
Enquanto o receptor CB1 é expresso principalmente no sistema nervoso central (SNC) e modula a liberação de neurotransmissores
na fenda sináptica através da inibição de canais de cálcio dependentes de voltagem, o receptor CB2 é encontrado em maior
quantidade no sistema nervoso periférico (SNP) e em células do sistema imune, estando envolvido na regulação de respostas
imunes e inflamatórias. Desta forma, ao modular a atividade de receptores CB1 e CB2, o CBD pode desencadear diferentes efeitos
biológicos. 4,7,9,10
Além da interação com receptores CB1 e CB2, estudos demonstram que os efeitos do CBD no organismo humano podem ser
associados com a modulação de outros receptores metabotrópicos. Neste contexto, o CBD atua como um antagonista do receptor
órfão GPR55 e do receptor opiode σ1, antagonista não competitivo do receptor serotoninérgico 5HT3A, bem como agonista dos
receptores serotoninérgicos 5HT1A e 5HT2A e do receptor adenosinérgico A1. Tem sido sugerido que interação do CBD com o
receptor 5HT1A, por exemplo, estaria relacionada ao potencial terapêutico deste canabinoide no manejo de certos transtornos
psiquiátricos. Adicionalmente, o CBD também pode regular a ativação de receptores acoplados a canais iônicos (receptores
ionotrópicos) e canais iônicos dependentes de voltagem, alterando o potencial de membrana das células. Assim, já foi demonstrado
que o CBD inibe canais de sódio dependentes de voltagem e o canal de cálcio tipo T, assim como ativa o receptor GABAérgico do
subtipo A (GABAA), receptores de glicina (GlysR) e receptores vaniloides de potencial transitório (TRPV1 e TRPV2). Ainda, o CBD
pode acarretar na dessensibilização de canais TRPV, levando à redução do influxo de cálcio para as células e, consequentemente,
redução da atividade celular. Particularmente, à interação do CBD com o receptor TRPV1 tem sido sugerido um papel na mediação
dos efeitos neuroprotetores, anticonvulsivantes e imunomoduladores. 4,9,11–14
Por fim, além da modulação da atividade de receptores de membrana, tem sido demonstrado que o CBD exerce seus efeitos
biológicos através de outros mecanismos moleculares. Como exemplo, a ativação do receptor nuclear PPARγ (limitando o estresse
oxidativo e a inflamação), a inibição do transportador de nucleosídeo ENT1 (reduzindo a captação de adenosina e promovendo
o aumento de sua concentração no meio extracelular), e a inibição da enzima amida hidrolase de ácidos graxos (FAAH) – o que
acarreta no aumento dos níveis endógenos do endocanabinoide anadamida. 15,16
FIGURA 3 – O canabidiol (CBD) interage com diferentes alvos celulares no organismo humano e pode desencadear diversos efeitos biológicos de interesse terapêutico.
Adaptado de [Link], 2021.
EVIDÊNCIAS NA LITERATURA
EPILEPSIA (SÍNDROMES DE DRAVET E LENNOX-GASTAUT)
A epilepsia é um distúrbio comum a diversas doenças. É caracterizada pela hiperexcitabilidade de um grupo de neurônios
em determinada região cerebral, que acarreta na manifestação de crises epilépticas parciais (se os sinais elétricos estão
desorganizados em um dos hemisférios cerebrais) ou totais (se essa desorganização ocorrer nos dois hemisférios). Os sinais
e sintomas associados a estas crises epilépticas podem variar entre os indivíduos, incluindo perda de consciência, movimentos
involuntários em determinadas partes do corpo ou movimentos repetitivos, tontura e formigamento, alterações sensoriais, entre
outros. Embora diversos medicamentos antiepilépticos tenham sido disponibilizados para uso clínico nas últimas décadas, o
prognóstico da epilepsia permanece inalterado e aproximadamente um terço dos pacientes são refratários ao tratamento, ou seja,
continuam apresentando crises convulsivas mesmo com a utilização contínua destes medicamentos. Além disso, muitos pacientes
são acometidos por efeitos adversos significativos durante o tratamento com os medicamentos antiepilépticos disponíveis
atualmente. Com isso, a eficácia e a segurança de novas abordagens terapêuticas que auxiliem no tratamento da epilepsia e na
remissão das crises convulsivas tem sido avaliada, visando promover uma melhora da qualidade de vida destes indivíduos. Neste
contexto, estudos clínicos vem demonstrando que a administração de CBD pelas vias oral ou sublingual reduz a frequência e a
intensidade das crises convulsivas em pacientes com epilepsia refratária, incluindo nas síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut. 17–25
ESCLEROSE MÚLTIPLA
A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune caracterizada pela destruição progressiva da bainha de
mielina – estrutura lipoproteica sintetizada por oligodendrócitos e depositada ao redor do axônio de neurônios. Nesta doença
altamente incapacitante, a desmielinização dos neurônios compromete a função destas células e resulta na manifestação de
uma série de alterações sensoriais e motoras que prejudicam de maneira significativa a qualidade de vida dos indivíduos. A
espasticidade (aumento involuntário da contração muscular) é um sintoma comum em pacientes com esclerose múltipla e que
aumenta em prevalência e gravidade à medida que a doença progride, frequentemente acompanhada de dor, espasmos, rigidez
muscular, restrições de mobilidade, distúrbios do sono e disfunções urinárias. Atualmente, relaxantes musculares (como baclofeno,
tizanidina e dantroleno), benzodiazepínicos e anticonvulsivantes tem sido utilizados para o tratamento da espasticidade associada
à esclerose múltipla, embora estes fármacos sejam considerados pouco efetivos na redução deste sintoma e possam acarretar
diversos efeitos adversos. Neste contexto, estudos clínicos demonstram que a administração de CBD pelas vias oral ou sublingual
promove uma redução significativa da espasticidade muscular, frequência de espasmos, dor e distúrbios do sono em pacientes
com esclerose múltipla, além de melhorar a mobilidade destes indivíduos. Desta forma, estas evidências apontam que o CBD pode
auxiliar no tratamento da esclerose múltipla ao reduzir a manifestação dos sintomas associados a esta condição clínica e contribuir
para a melhora da qualidade de vida destes pacientes. 26–34
DOR CRÔNICA
A dor neuropática é um tipo de dor crônica decorrente da lesão em fibras nervosas nociceptivas após danos teciduais ou
degeneração relacionada a outras doenças (incluindo doenças neurodegenerativas ou autoimunes, diabetes, câncer, alcoolismo,
entre outras). A intensidade da dor é variável e os sintomas mais comuns são dor contínua em queimação, dor em choques,
anodinia mecânica, formigamento ou amortecimento em regiões específicas do corpo. Além da dor neuropática, a fibromialgia
é uma síndrome de etiologia desconhecida, caracterizada pela manifestação de dor musculoesquelética crônica e generalizada,
geralmente acompanhada de outros sintomas, tais como fadiga, dor de cabeça, distúrbios do sono, alterações de humor e
depressão. Para o tratamento destes tipos de dor crônica usualmente são empregados fármacos que diminuem a atividade
elétrica nas fibras nervosas nociceptivas (como anestésicos, analgésicos opioides, anticonvulsivantes e alguns antidepressivos).
Adicionalmente, estudos clínicos também apontam a eficácia e segurança do CBD no tratamento de dores crônicas, reduzindo a
alodinia e a hiperalgesia nestes pacientes. 35–39
OUTRAS EVIDÊNCIAS
Evidências clínicas também sugerem o potencial terapêutico do CBD na redução dos sintomas associados a transtornos psiquiátricos
(como ansiedade, depressão e transtorno do estresse pós-traumático), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, doenças
neurodegenerativas (doença de Parkinson e doença de Huntington) e condições inflamatórias da pele. 41–47
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SUGESTÃO POSOLÓGICA:
A critério do prescritor, devendo a dose de CBD ser ajustada de acordo com
a resposta individual do paciente e sua condição clínica. Doses diárias de 1
a 50 mg/kg de CBD tem sido reportadas na literatura. 48
USO ORAL: deve ser administrado logo após as refeições a fim de melhorar
a absorção e aumentar a biodisponibilidade do CBD. 48–50
FORMAS FARMACÊUTICAS: soluções orais
*O CBD pertence à classe II no Sistema de Classificação Biofarmacêutica, ou seja, apresenta baixa solubilidade
em água e alta permeabilidade através das membranas biológicas. Desta forma, sua absorção e biodisponibilidade
são diretamente influenciadas pela sua solubilização/dissolução em excipientes apropriados, recomendados para
substâncias pertencentes a esta classe biofarmacêutica. 24,51
OBSERVAÇÕES
Não é recomendada a utilização de CBD por crianças menores de 2 anos de idade, gestantes e lactantes devido à escassez de
evidências clínicas que demonstrem sua eficácia e segurança nestas populações. Em idosos, a dose máxima utilizada pode ser
menor do que a usualmente empregada para pacientes mais jovens, e o aumento da dose deve ser realizado gradualmente,
a critério e sob acompanhamento do médico prescritor. Além disso, a administração CBD deve ser realizada com cautela em
pacientes com comprometimento da função hepática ou renal, bem como em pacientes com distúrbios intestinais, cardiovasculares
ou neurológicos, ou ainda em pacientes com disfagia grave, devido ao risco de complicações pulmonares em decorrência da
aspiração do produto. 52
Evidências clínicas apontam a administração de canabidiol pela via oral é segura e bem tolerada tanto em regimes posológicos
agudos quanto crônicos. As reações adversas que podem ser observadas durante a sua utilização não se manifestam em todos
os indivíduos, bem como sua ocorrência é mais provável no início do tratamento e geralmente desaparece após alguns dias. De
acordo com o descrito na literatura científica, as reações adversas mais comuns associadas à administração destes canabinoides
incluem sonolência, fadiga e alterações no apetite. Além destas, também pode ocorrer sedação, tontura, confusão, agitação,
insônia, irritabilidade, perda de peso, distúrbios gastrointestinais, reações de hipersensibilidade cutânea, distúrbios respiratórios e
alterações nos níveis de enzimas hepáticas. 52,53
Adicionalmente, já foram descritas na literatura científica interações medicamentosas do CBD com diversos fármacos metabolizados
pelo citocromo P450 (CYP), tais como carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, topiramato, clobazam, itraconazol, fluconazol,
fluoxetina, clopidogrel, efavirenz, ritonavir, rifampicina, claritromicina, entre outros. Desta forma, a administração concomitante de
CBD com outros fármacos deve ser realizada com cautela e apenas mediante prescrição e supervisão médica, visto que o ajuste
da dose deste canabinoide ou de outros medicamentos pode ser necessária. 52,54,55
Este insumo deve ser utilizado sob orientação médica
Informativo destinado a profissionais de saúde.
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