Sétima Aula – Topografia I
1 - Métodos de Levantamentos Planimétricos:
Nos itens anteriores foram descritos os métodos e equipamentos
utilizados na medição de distâncias e ângulos durante os levantamentos
topográficos.
Estes levantamentos, porém, devem ser empregados obedecendo certos
critérios e seguindo determinadas etapas que dependem do tamanho da área,
do relevo e da precisão requerida pelo projeto que os comporta.
Na seqüência, portanto, serão descritos os métodos de levantamentos
planimétricos que envolvem as fases de:
Reconhecimento do terreno
Levantamento da Poligonal
Levantamento das feições planimétricas
Fechamentos, área, Coordenadas
Desenho da Planta e Memorial Descritivo
1.1 – Levantamento por Irradiação:
Segundo ESPARTEL (1977), o método da irradiação, também é conhecido
como método da decomposição em triângulos ou das coordenadas polares.
É empregado na avaliação de pequenas superfícies relativamente planas.
Uma vez demarcado o contorno da superfície a ser levantada, o método
consiste em localizar, estrategicamente, um ponto (P), dentro ou fora da área
demarcada, e de onde possam ser avistados todos os pontos que a definem.
Assim, deste ponto P são medidas as distâncias aos pontos definidores da
referida superfície (área), bem como, os ângulos horizontais entre os
alinhamentos que possuem P como vértice.
A medida das distâncias poderá ser realizada através de método direto,
indireto ou eletrônico e a medida dos ângulos poderá ser realizada através do
emprego de teodolitos óticos ou eletrônicos.
A precisão resultante do levantamento dependerá, evidentemente, do tipo de
dispositivo ou equipamento utilizado.
A figura a seguir ilustra uma superfície (área) demarcada por cinco pontos
com o ponto P estrategicamente localizado no interior da mesma. Do ponto P
são medidos os ângulos horizontais (Hz1 a Hz5) e as distâncias horizontais
(Dh1 a Dh5).
Hz5 e Dh5 1
5
Hz1 e Dh1
.P
Hz4 e Dh4 2
4
Hz3 e Dh3 Hz2 e Dh2
3
De cada triângulo (cujo vértice principal é P) são conhecidos dois lados e um
ângulo. As demais distâncias e ângulos necessários à determinação da
superfície em questão são determinados por relações trigonométricas.
1.2 – Levantamento por Interseção:
Segundo ESPARTEL (1977), o método da interseção também é conhecido
como método das coordenadas bipolares.
É empregado em pequenas áreas (superfícies) de terreno acidentado.
Uma vez demarcado o contorno da superfície a ser levantada, o método
consiste em localizar, estrategicamente, dois pontos (P) e (Q), que constituirão
uma base de referência, bem como, todos os ângulos horizontais formados
entre a base e os demais pontos demarcados.
A medida da distância poderá ser realizada através de método direto, indireto
ou eletrônico e a medida dos ângulos poderá ser realizada através do emprego
de teodolitos óticos ou eletrônicos.
A precisão resultante do levantamento dependerá, evidentemente, do tipo de
dispositivo ou equipamento utilizado.
A figura a seguir, ilustra uma área demarcada por sete pontos com os pontos P
e Q estrategicamente localizado no interior da mesma. De P e Q são medidos
os ângulos horizontais entre a base e os sete pontos (1 a 7).
1 2
7 3
Hz1
P Hz2 Q
6 5 4
De cada triângulo são conhecidos dois ângulos e um lado (base definida por
PQ). As demais distâncias e ângulos necessários à determinação da superfície
em questão são determinados por relações trigonométricas.
1.3 – Levantamento por Caminhamento:
Segundo ESPARTEL (1977), este é o método utilizado no levantamento
de superfícies relativamente grandes e de relevo acidentado. Requer uma
quantidade maior de medidas que os métodos descritos anteriormente, porém,
oferece maior confiabilidade no que diz respeito aos resultados.
Este método inclui as seguintes etapas:
1.3.1 – Reconhecimento do Terreno: Durante esta fase, costuma-se fazer a
implantação dos piquetes (também denominados estações ou vértices) para a
delimitação da superfície a ser levantada. A figura geométrica gerada a partir
desta delimitação, recebe o nome de POLIGONAL.
As poligonais podem ser do tipo:
Aberta: O ponto inicial (ponto de partida – PP) não coincide com o ponto
final ou ponto de chegada (PC).
Fechada: O ponto de partida coincide com o ponto de chegada (PP=PC).
Apoiada: Parte de um ponto conhecido e chega a um ponto também
conhecido. Pode ser aberta ou fechada.
Semi Apoiada: Parte de um ponto conhecido e chega a um ponto do qual se
conhece somente o azimute. Só pode ser do tipo aberta.
Não apoiada: Parte de um ponto que pode ser conhecido ou não e chega a um
ponto desconhecido. Pode ser aberta ou fechada.
Observação Importante: Um ponto é conhecido quando suas coordenadas
UTM (E,N) ou Geográficas (φ, λ) encontram-se determinadas. Estes pontos
são implantados no terreno através de blocos de concreto (denominados
MARCOS) e são protegidos por lei. Normalmente fazem parte de uma rede
geodésica nacional, de responsabilidade dos principais órgãos cartográficos do
país (IBGE, DSG, DHN, entre outros). Quando destes pontos são conhecidas
as altitudes (h), estes são denominados Referência de Nível (RN).
1.3.2 – Levantamento da Poligonal: Durante esta fase, percorre-se as
estações da poligonal, uma a uma, no sentido horário, medindo-se os ângulos
e distâncias horizontais. Estes valores, bem como, o croquis de cada ponto,
são anotados em cadernetas de campo apropriadas ou registrados na memória
do próprio aparelho. A escolha do método para a medida dos ângulos e
distâncias, assim como dos equipamentos, se dá em função da precisão
requerida para o trabalho e das exigências do cliente (contratante do serviço).
1.3. 3 – Levantamento dos Detalhes: Nesta fase, costuma-se empregar o
método das perpendiculares ou da triangulação (quando o dispositivo utilizado
para amarração é a trena) ou método da irradiação (quando o dispositivo
utilizado é o teodolito ou estação total).
1.3.4 – Orientação da Poligonal: É feita através da determinação do rumo ou
azimute do primeiro alinhamento. Para tanto, é necessário utilizar uma bússola
(rumo / azimute magnéticos) ou a partir de uma base conhecida (rumo /
azimute verdadeiros).
1.3.5 – Computação dos Dados: Terminadas as operações de campo, deve-se
proceder a computação, em escritório, dos dados obtidos. Este é um processo
que envolve o fechamento angular e linear, o transporte de rumos / azimutes e
das coordenadas e do cálculo da área.
1.3.6 – Desenho da Planta e Redação do Memorial Descritivo: Depois de
determinadas as coordenadas (X,Y) dos pontos medidos, procede-se à
confecção do desenho da planta da seguinte forma:
a) Desenho Topográfico: Os vértices da poligonal e os pontos de referência
mais importantes devem ser plotados segundo suas coordenadas (eixos X e Y),
enquanto os pontos de detalhes comuns (feições), devem ser plotados com o
auxílio do escalímetro, compasso e transferidor (para desenhos
confeccionados manualmente).
No desenho deve constar:
As feições naturais e/ou artificiais (representados através de símbolos
padronizados ou convenções) e sua respectiva toponímia;
A orientação verdadeira ou magnética;
A data do levantamento;
A escala gráfica e numérica;
A legenda e convenções utilizadas;
O título (do trabalho);
O número dos vértices, distância e azimute dos alinhamentos;
Os eixos de coordenadas;
Área e perímetro;
Os responsáveis pela execução.
O desenho pode ser:
Monocromático (todo em tinta preta);
Policromático:
Azul -> Hidrografia
Vermelho -> Edificações, estradas, ruas, calçadas, caminhos,...
Verde -> Vegetação
Preto -> Legenda, malha e toponímia.
b) Escala:
A escolha da escala da planta se dá em função do tamanho da folha de
papel a ser utilizado, do afastamento dos eixos coordenados, das folgas ou das
margens e da precisão requerida para o trabalho.
A tabela a seguir indica os formatos de papel utilizados para a confecção de
plantas, segundo as normas da ABNT:
Formato Tamanho (mm) Área (m2)
2x A0 1682 x 1682 2
A0 841 x 1189 1
A1 594 x 841 0,50
A2 420 x 594 0,25
A3 297 x 420 0,1250
A4 210 x 297 0,0625
A5 148 x 210 0,0313
Estes formatos correspondem à seguinte divisão de folhas, a partir do formato
principal, que é o A0:
A2 A1
A4
A3
A5
As margens (ou folgas) normalmente aplicadas são de 25 a 30 mm para a
lateral esquerda e de 5 a 15 mm para as outras laterais.
C) Memorial Descritivo: É um documento indispensável para o registro, em
cartório, da superfície levantada. Deve conter a descrição pormenorizada
desta superfície no que diz respeito à sua localização, confrontantes, área,
perímetro, nome do proprietário, etc...