Eu escolhi apresentar a Antologia poética de Bocage, seleção e introdução por Maria
António Mourão e Maria Fernanda Nunes, composta por 289 páginas, incluindo vários
poemas
Bocage, cujo nome completo é Manuel Maria Barbosa du Bocage, foi um dos mais
importantes poetas do Arcadismo português. Nasceu em Setúbal, em 1756, filho de
um advogado e de uma senhora francesa, inspirado pela cultura antiga e com muitos
traços da obra de Luís de Camões, o poeta teve uma vida atribuída que pode ser
comparada às inúmeras convulsões sociais ocorridas no tempo em que viveu.
No livro em si, podemos observar na capa o Bocage, autor da obra, na lombada temos
o autor e o nome da obra e na contracapa os nomes dos 47 poemas.
Na obra bocagiana projeta-se a vida pessoal do seu autor, com todas as grandezas
misérias, esperanças e desilusões. Sentimentos desmedidos e ideais revolucionários
transformam-se em matéria poética servida por uma beleza formal inexcedível. Nela
decorre a natural indisciplina do genial vate, fonte de uma permanente irritabilidade
por um temperamento impulsivo e inclinado a ciúmes delirantes. Pode também
detetar-se uma certa insatisfação religiosa, testemunhada por uma firme atitude
anticlerical, enquanto se adivinha o inevitável choque entre uma existência condenada
à banal domesticidade, que o humilhava profundamente, e o ideal de dignidade a que
sempre aspirou. Obra de transição, ela revela afinal as próprias contradições da época
agitada em que Bocage viveu.
Destina-se também à divulgação da sua escrita erótica e amorosa, não tendo,
portanto, quaisquer veleidades de representar uma panorâmica de uma obra muito
vasta, que ultrapassa o tema desta antologia.