0% acharam este documento útil (0 voto)
621 visualizações15 páginas

Racionalismo e Epistemologia de Descartes

O documento apresenta um resumo de três textos sobre epistemologia de Descartes. O primeiro texto descreve o método da dúvida de Descartes para alcançar o conhecimento verdadeiro, começando pelo cogito como primeira verdade indubitável. O segundo texto explica a hipótese do gênio maligno, que testa a resistência do cogito. O terceiro texto contextualiza as Meditações de Descartes e seu objetivo de estabelecer os limites do conhecimento.

Enviado por

Gonçalo Bento
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
621 visualizações15 páginas

Racionalismo e Epistemologia de Descartes

O documento apresenta um resumo de três textos sobre epistemologia de Descartes. O primeiro texto descreve o método da dúvida de Descartes para alcançar o conhecimento verdadeiro, começando pelo cogito como primeira verdade indubitável. O segundo texto explica a hipótese do gênio maligno, que testa a resistência do cogito. O terceiro texto contextualiza as Meditações de Descartes e seu objetivo de estabelecer os limites do conhecimento.

Enviado por

Gonçalo Bento
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

TEMA I | EPISTEMOLOGIA

24. Lê o texto e responde às questões apresentadas.


A posição epistemológica que vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento
humano chama-se racionalismo (de ratio=razão). Segundo ele, um conhecimento só merece na
realidade este nome quando é logicamente necessário e universalmente válido. Quando a nossa
razão julga que uma coisa tem de ser assim e que não pode ser de outro modo, que tem de ser
assim, portanto, sempre e em todas as partes, então, e só então, nos encontramos ante um
verdadeiro conhecimento, na opinião do racionalismo. Um conhecimento desse tipo apresenta-
se-nos, por exemplo, quando formulamos o juízo «o todo é maior do que a parte», ou o juízo
«todos os corpos são extensos». Em ambos os casos vemos com evidência que tem de ser assim
e que a razão se contradizia a si mesma se quisesse sustentar o contrário. E porque tem de ser
assim, é também sempre e em todas as partes assim. Estes juízos possuem, pois, uma
necessidade lógica e uma validade universal rigorosa.
Johannes Hessen (1976). Teoria do Conhecimento. Arménio Amado, pp. 60-62.

24.1. Caracteriza a tese racionalista.

24.2. Por que razão os juízos «o todo é maior que a parte» e «todos os corpos são extensos»
são produto da razão?

Cenários de resposta
24.1. O racionalismo vê a razão como fonte de todo o conhecimento, pois só ela garante um conhecimento
logicamente necessário e universalmente válido.
24.2. Segundo os racionalistas, estes juízos são produto da razão, porque, se assim não fosse, a razão
entrava em contradição. Que todos os corpos possuem extensão e que o todo é maior do que a parte é algo
que se percebe recorrendo apenas à razão, sem auxílio da experiência.

25. Lê o texto com atenção.


Será mesmo muito útil rejeitarmos como falsas todas aquelas coisas a respeito das quais
pudermos imaginar a mínima dúvida, a fim de que, se descobrirmos algumas, apesar de tal
precaução, nos parecerem manifestamente verdadeiras, possamos considerar que também elas
são muito certas e as mais fáceis que é possível conhecer.
René Descartes (1984). Princípios da Filosofia. Guimarães, p. 52.

25.1. Mostra em que medida, em Descartes, a dúvida é fundamental para obter conhecimento.

25.2. Esclarece a importância de Deus para a obtenção do conhecimento verdadeiro no sistema


cartesiano.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

25.3. Expõe a diferença estabelecida por David Hume entre ideias e impressões.

Cenários de resposta
25.1. É através da dúvida que Descartes chega às verdades claras e distintas – evidentes –, como seja o
cogito. Descartes começa por duvidar dos dados dos sentidos, depois dos sonhos e até mesmo das
demonstrações matemáticas. Enquanto instrumento metodológico, a dúvida permite-lhe encontrar uma
verdade indubitável – o pensamento. Na posse do seu primeiro princípio claro e distinto, Descartes encontra-
se habilitado para encetar a construção do seu edifício do saber verdadeiro.
25.2. Deus é, para Descartes, o garante do conhecimento verdadeiro. É Deus que garante a evidência da
clareza e distinção do conhecimento. Deus, criador do mundo e do entendimento humano, criou o ser
humano por modo a que este nunca se enganasse sempre que encontrasse um conhecimento claro e
distinto. Em função disto, a razão pode ambicionar um conhecimento verdadeiro e universalmente válido.
25.3. Hume começa por dizer que as impressões as ideias são representações ou perceções do espírito. As
ideias são as menos vivas e as menos fortes e são produto da memória e da imaginação. São cópias das
impressões e atingem-se por reflexão. Quanto às impressões, são as perceções mais fortes e mais vivas e
são o material primitivo do conhecimento.

26. Lê, com atenção, o texto e responde às questões.


Enquanto desta maneira rejeitamos tudo aquilo de que podemos duvidar, e que simulamos
mesmo ser falso, supomos, facilmente, que não há Deus, nem céu, nem terra, e que não temos
corpo. Mas não poderíamos igualmente supor que não existimos, enquanto duvidamos da
verdade de todas estas coisas: porque, com efeito, temos tanta repugnância em conceber que
aquele que pensa não existe verdadeiramente ao mesmo tempo que pensa que, apesar das mais
extravagantes suposições, não poderíamos impedir-nos de acreditar que esta inferência eu
penso, logo existo, não seja verdadeira e, por conseguinte, a primeira e a mais certa que se
apresenta àquele que conduz os seus pensamentos por ordem.
René Descartes (1984). Princípios da Filosofia. Guimarães, p. 55.

26.1. Qual a importância da dúvida no pensamento de Descartes?

26.2. Que característica fundamental possui a inferência «Eu penso, logo existo»?

26.3. Qual o critério cartesiano de verdade?

26.4. Tendo em conta o texto, podemos afirmar que:


(A) Duvidar é o mesmo que não existir.
(B) Só se existe porque se duvida do pensamento.
(C) A inferência «Eu penso, logo existo» é necessariamente verdadeira.
(D) A ordem no pensamento decorre da capacidade de duvidar.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

26.5. Tendo em conta o texto, para Descartes:


(A) O pensamento nega a dúvida.
(B) A dúvida afirma o pensamento.
(C) Dúvida e pensamento são antagónicos.
(D) Pensa-se porque existe Deus.

Cenários de resposta
26.1. A dúvida é importante no pensamento de Descartes pois ela é o método que este institui para
combater o erro e alcançar o conhecimento verdadeiro. É pela dúvida que Descartes procura alcançar o
conhecimento indubitável, capaz de garantir o edifício do saber apoiado em verdades necessárias e
universais.
26.2. A inferência «Eu penso, logo existo», ou seja, o cogito, é a primeira verdade que Descartes encontra
com caráter de evidência, isto é, como conhecimento claro e distinto. Como Descartes diz no texto, «Mas
não poderíamos igualmente supor que não existimos, enquanto duvidamos da verdade de todas estas
coisas», pois para duvidar é preciso existir, e é nesta medida que Descartes considera que o «Eu penso, logo
existo» é a verdade «mais certa que se apresenta àquele que conduz os seus pensamentos por ordem».
26.3. O critério cartesiano de verdade decorre das características que o autor encontra na sua primeira
verdade, a clareza e a distinção, ou seja, a evidência.
26.4. (C).
26.5. (B).

27. Lê o texto seguinte.


Descartes é habitualmente considerado o pai da filosofia moderna. Nas Meditações Metafísicas,
Descartes tenta estabelecer aquilo que é possível conhecer. Consequentemente, o foco principal
da obra é a epistemologia, a teoria do conhecimento. Estabelecer os limites do conhecimento
não constituía um mero exercício académico, pois Descartes acreditava que, se fosse capaz de
eliminar quaisquer erros no seu pensamento e descobrir princípios sólidos para se obter opiniões
verdadeiras, seria capaz de erigir os fundamentos sobre os quais o edifício do entendimento
científico mundial e o lugar dos indivíduos nesse edifício poderiam ser construídos.
Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 47.

27.1. A partir do texto, apresenta o percurso de Descartes na construção do seu edifício do


saber verdadeiro, referindo o método utilizado e o primeiro princípio da filosofia cartesiana.

Cenário de resposta
27.1. Descartes parte para a construção do seu edifício do conhecimento usando como método a dúvida.
Crê que o indivíduo, para procurar o conhecimento verdadeiro, deve duvidar de tudo aquilo em que possa
encontrar a menor dúvida. Assim, começa por duvidar dos dados dos sentidos, pois eles são enganadores.
Depois, rejeita igualmente o conhecimento racional, pois não são poucas as vezes que nos enganamos. Por
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

fim, rejeita todo o conhecimento com origem na realidade, pois, muitas vezes, o sonho confunde-se com a
vigília. A dúvida tem assim um caráter universal e metódico, mas é provisória: mantém-se até encontrar um
primeiro conhecimento verdadeiro, isto é, evidente, claro e distinto, sobre o qual não possa existir qualquer
dúvida. Esse primeiro princípio sobre o qual Descartes edificará todo o edifício do conhecimento verdadeiro é
o cogito, o pensamento, que lhe aparece com clareza e distinção e resiste a qualquer dúvida, mesmo à
dúvida extremada, a dúvida hiperbólica. O pensamento é, assim, a primeira verdade que servirá de modelo
para aceitar todos os outros conhecimentos como verdadeiros, desde que lhe apareçam ao espírito como
claros e distintos, isto é, evidentes.

28. Lê o texto seguinte.


Mas quando se procura uma convicção imune a qualquer dúvida, a experiência mental do
espírito maligno proporciona um teste muito poderoso. Qualquer convicção que consiga
ultrapassar este teste, que tenhamos a certeza de não ter sido provocada pelo demónio, deve
estar, seguramente, correta.
Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 50.

28.1. A partir do texto, explica a hipótese do génio maligno, referindo o alcance de tal hipótese e o
papel de Deus no sistema cartesiano.

Cenário de resposta
28.1. Ao colocar a hipótese do génio maligno, Descartes conclui que todas as crenças do mundo exterior
podem ser falsas. No entanto, com essa hipótese, Descartes comprova o poder do seu primeiro princípio. O
cogito continua a resistir à dúvida, mesmo quando esta é colocada a nível hiperbólico. O génio maligno não
destrói essa primeira verdade. Descartes tem assim a certeza de que tudo o que tiver as mesmas
características dessa primeira verdade será verdadeiro. Em última análise, essa verdade é garantida por
Deus. Deus é perfeito, não pode querer enganar, garantindo assim a Descartes as verdades claras e
distintas. Com Deus como garantia, Descartes pode deduzir outras verdades e construir, com segurança, o
seu edifício do conhecimento.

29. O racionalismo é a doutrina epistemológica que:


(A) Afirma o primado da razão ou pensamento.
(B) Sustenta que a mente é, à partida, uma tábua rasa.
(C) Questiona a possibilidade de conhecer.
(D) Defende que todas as nossas crenças são falsas.

Cenário de resposta
29. (A).
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

30. O racionalismo rejeita que possamos aspirar a um conhecimento universalmente


válido. Esta afirmação é:
(A) Verdadeira: qualquer conhecimento é sempre probabilístico.
(B) Falsa: a razão, devidamente orientada, formula certezas.
(C) Verdadeira: os sentidos e a imaginação são enganadores.
(D) Falsa: a mente opera por associação de ideias, a partir do hábito.

Cenário de resposta
30. (B).

31. O conhecimento a priori é constituído pelas crenças que:


(A) Só podemos justificar sem recorrer à experiência.
(B) Só podemos justificar recorrendo à experiência.
(C) Podemos justificar sem recorrer à experiência.
(D) Podemos justificar recorrendo à experiência.

Cenário de resposta
31. (C).

32. Para Descartes, as crenças fundadas nos sentidos e na experiência não são
rigorosas. Esta afirmação é:
(A) Verdadeira: Descartes afirma que os sentidos não fornecem informação.
(B) Falsa: Descartes afirma que os sentidos fornecem informação rigorosa.
(C) Verdadeira: Descartes considera que os sentidos são enganadores.
(D) Falsa: Descartes rejeita que os sentidos sejam enganadores.

Cenário de resposta
32. (C).

33. Segundo Descartes, o cogito é uma verdade indubitável porque:


(A) Intuímo-lo com toda a clareza e distinção.
(B) Podemos provar que Deus existe.
(C) A existência do nosso corpo pode ser uma ilusão.
(D) Somos uma substância cuja natureza é o pensamento.

Cenário de resposta
33. (A).
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

34. Diz-se que a proposição Penso, logo existo é conhecida a priori porque:
(A) É conhecida apenas pelos racionalistas.
(B) Exige recurso à experiência sensível.
(C) É conhecida por todas as pessoas.
(D) É anterior e independente da experiência.

Cenário de resposta
34. (D).

35. Com a dúvida metódica Descartes justifica:


(A) A existência do génio maligno.
(B) A não existência de Deus.
(C) A verdade dos dados dos sentidos.
(D) O seu primeiro princípio claro e distinto.

Cenário de resposta
35. (D).

36. Diz-se que a proposição O lume queima traduz um conhecimento:


(A) A posteriori.
(B) A priori.
(C) Formal.
(D) Inato.

Cenário de resposta
36. (A).

37. Considera os enunciados relativos às verdades da razão para o racionalismo.


1. As verdades da razão são universalmente lógicas e necessariamente válidas.
2. As verdades da razão são universalmente válidas, mas não logicamente necessárias.
3. As verdades da razão são logicamente necessárias, mas não universalmente válidas.
4. As verdades da razão são logicamente necessárias e universalmente válidas.
Devemos dizer que:
(A) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(B) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.
(C) 3 é correto; 1, 2 e 4 são incorretos.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

(D) 4 é correto; 1, 2 e 3 são incorretos.

Cenário de resposta
37. (D).

38. Para chegar ao primeiro princípio da sua filosofia, Descartes:


(A) Rejeitou as informações dos sentidos, mas não o conhecimento com origem na realidade.
(B) Rejeitou as informações dos sentidos, mas não o conhecimento com origem na razão.
(C) Rejeitou as informações dos sentidos e também o conhecimento com origem na razão.
(D) Rejeitou as informações dos sentidos, mas não o conhecimento com origem na realidade e
na razão.

Cenário de resposta
38. (C).

39. Para Descartes, o cogito é:


(A) Uma verdade estritamente racional e questionável.
(B) Uma verdade atingida através dos sentidos e, por isso, a posteriori.
(C) Uma verdade exclusivamente a priori e evidente.
(D) Uma verdade estritamente racional, mas não uma evidência.

Cenário de resposta
39. (C).

40. Considera o excerto.


O juízo «o sol aquece a pedra» apresenta deste modo dois elementos, dos quais um procede da
experiência e o outro do pensamento. Agora cabe perguntar: qual destes dois fatores é decisivo?
A consciência cognoscente apoia-se de preferência, ou mesmo exclusivamente, na experiência
ou no pensamento?
Johannes Hessen (1976). Teoria do Conhecimento. Arménio Amado, p. 59.

40.1. Identifica o problema subjacente ao texto.

40.2. Apresenta a resposta que os dois modelos do conhecimento estudados dariam a esse
problema.

Cenários de resposta
40.1. O problema subjacente ao texto é o da origem do conhecimento, como se pode ver pela questão que o
encerra.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

40.2. O racionalismo diria que o conhecimento provém da razão, pois só através dela podemos obter um
conhecimento universal e logicamente válido. Já o empirismo diz que a fonte do conhecimento é a
experiência sensível, pois não existe um património a priori na razão. Tudo o que está na razão esteve antes
na experiência. A mente é, à partida, uma tábua rasa onde a experiência escreve. Todo o conhecimento,
para o empirismo, é a posteriori.

41. Completa as lacunas do texto com as palavras sugeridas, por forma a que faça
sentido.
• certeza • compreendo • sentidos • clara e distinta • sensações • eu
• verdade • imaginações • absolutamente • pensa

Agora fecharei os olhos, taparei os ouvidos, porei de parte todos os ____________________


(1), apagarei também do meu pensamento todas as coisas corpóreas, ou pelo menos, porque
isto é quase impossível, não as tomarei em conta, por inanes e falsas, e, dialogando só comigo
próprio e inspecionando-me mais intimamente, procurarei tornar-me o meu próprio
____________________ (2) progressivamente mais conhecido e familiar. Eu sou uma coisa que
____________________ (3), quer dizer, que duvida, que afirma, que nega, que conhece poucas
coisas, que ignora muitas, que quer, que não quer, que também imagina, e que sente. Porque,
como atrás notei, embora as coisas que sinto ou que imagino não sejam possivelmente nada
fora de mim, todavia aqueles modos de pensar que chamo ____________________ (4) e
____________________ (5) existem em mim, de facto, enquanto são certos modos de pensar.
E, com estas poucas palavras, enumerei tudo o que verdadeiramente sei, ou pelo menos tudo
aquilo que até agora notei que sabia. Neste momento, vou considerar com mais exatidão se em
mim há outros conhecimentos que não tomei em conta até agora. Estou certo de que sou uma
coisa que pensa. Mas sei também o que se requer para que eu tenha a ____________________
(6) de alguma coisa? Seguramente, neste primeiro conhecimento há apenas uma certa
compreensão ____________________ (7) daquilo que afirmo – compreensão que não será
suficiente para me dar a certeza da ____________________ (8) da coisa, se pode dar-se, por
acaso, que fosse algo que eu compreendesse assim clara e distintamente. E, por consequência,
parece-me que já posso estatuir como regra geral que é ____________________ (9) verdadeiro
tudo aquilo que ____________________ (10) clara e distintamente.

René Descartes (1985). Meditações Metafísicas (Terceira Meditação). Almedina, pp. 135-136.

Cenários de resposta
41. (1) sentidos; (2) eu; (3) pensa; (4) sensações; (5) imaginações; (6) certeza; (7) clara e distinta;
(8) verdade; (9) absolutamente; (10) compreendo.

42. Lê o texto e responde às questões apresentadas.


EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

O empirismo (de experiência) opõe à tese do racionalismo (segundo a qual o pensamento, a


razão, é a verdadeira fonte de conhecimento), a antítese que diz: a única fonte do conhecimento
humano é a experiência. Na opinião do empirismo, não há qualquer património a priori da razão.
A consciência cognoscente não tira os seus conteúdos da razão; tira-os exclusivamente da
experiência. O espírito humano está por natureza vazio; é uma tábua rasa, uma folha em branco
onde a experiência escreve. Todos os nossos conceitos, incluindo os mais gerais e abstratos,
procedem da experiência. Enquanto o racionalismo se deixa levar por uma ideia determinada,
por uma ideia de conhecimento, o empirismo parte dos factos concretos. Para justificar a sua
posição, recorre à evolução do pensamento e do conhecimento humanos. Esta evolução prova,
na opinião do empirismo, a alta importância da experiência na produção do conhecimento. A
criança começa por ter perceções concretas. Com base nessas perceções chega, paulatinamente,
a formar representações gerais e conceitos. Estes nascem, por conseguinte, organicamente da
experiência. Não se encontra nada semelhante a esses conceitos que existem completos no
espírito ou se formam com total independência da experiência. A experiência apresenta-se, pois,
como a única fonte do conhecimento.
Johannes Hessen (1976). Teoria do Conhecimento. Arménio Amado, pp. 68-69.

42.1. Caracteriza a perspetiva empirista.

42.2. Diz o que separa o empirismo do racionalismo.

Cenários de resposta
42.1. O empirismo considera que a única fonte do conhecimento é a experiência. A consciência cognoscente
não tira os seus conteúdos da razão, mas exclusivamente da experiência.
42.2. Para o empirismo, não há qualquer património a priori da razão. A razão está, por natureza, vazia, é
uma folha em branco, uma tábua rasa onde a experiência escreve. A formação dos conceitos e das
representações gerais nascem organicamente da experiência, nada há de parecido no espírito.

43. O empirismo distingue-se do racionalismo porque:


(A) Pressupõe a natureza dedutiva e universalmente válida do saber.
(B) Sustenta que uma entidade transcendente, Deus, garante a verdade.
(C) Defende a existência de ideias claras e distintas, isto é, evidentes.
(D) Afirma que todo o conhecimento é empírico e a posteriori.

Cenário de resposta
43. (D).

44. David Hume defende que:


(A) As impressões são cópias menos vívidas do que as ideias.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

(B) As impressões são cópias mais vívidas do que as ideias.


(C) As ideias são cópias mais vívidas do que as impressões.
(D) As ideias são cópias menos vívidas do que as impressões.

Cenário de resposta
44. (D).

45. David Hume defende que as inferências causais:


(A) Baseiam-se na observação de conjunções constantes.
(B) Não se baseiam na observação.
(C) Baseiam-se na observação de conexões necessárias.
(D) Têm um caráter demonstrativo.

Cenário de resposta
45. (A).

46. Segundo David Hume, a ideia de conexão entre causa e efeito:


(A) Resulta de conhecimento a priori.
(B) Resulta da força do hábito.
(C) Tem uma origem desconhecida.
(D) Tem uma origem duvidosa.

Cenário de resposta
46. (B).

47. Considera o texto.


Hume não pretende que se deixe de confiar nas relações entre causas e efeitos, visto que tal
seria impossível para os seres humanos. Em vez disso, o filósofo tem como objetivo demonstrar
o quão dependente o comportamento humano se encontra da natureza herdada por cada um e
dos hábitos e não da razão.
Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 101.

47.1. Explica a relação entre hábito e causalidade.

Cenário de resposta
47.1. O hábito ou costume está na origem da relação causal entre ideias, daí que Hume refira a associação
que se faz entre a neve e o frio ou a chama e o calor. Mas esta relação não é adquirida mediante a
experiência, ideia ou conhecimento. Ou seja, a crença na relação causa-efeito não é nem produto de toda a
nossa experiência, por maior que ela seja, nem da razão. É o hábito que nos faz estabelecer essa relação
causal, levantando assim o problema da indução, pois as inferências resultam de a imaginação permitir
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

antecipar o futuro, o que nem sempre garante que a associação que é feita se concretize. Como Hume diz,
«sem a influência do costume, seríamos plenamente ignorantes em toda a questão de facto para além do
que está imediatamente presente à memória e aos sentidos».

48. Tem em atenção o texto.


Hume utiliza o termo «perceção» para referir quaisquer conteúdos da experiência (…). As
perceções ocorrem quando o indivíduo observa, sente, recorda, imagina, e assim por diante,
sendo que o uso atual da palavra cobre um leque muito menos vasto de atividades mentais.
Para Hume, existem dois tipos básicos de perceções (…).
Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 99.

48.1. A partir do texto, mostra por que razão David Hume considera que todo o conhecimento
provém da experiência sensível, referindo o que distingue as perceções e que tipo de
conhecimento é possível alcançar.

Cenário de resposta
48.1. De acordo com o princípio empirista, para Hume todo o conhecimento provém da experiência; a razão
está vazia, é uma folha em branco onde a experiência escreve. Assim, na base de todo o conhecimento
estão, como diz o texto, as perceções sensíveis. Estas são de dois tipos, impressões e ideias. As primeiras
são experiências mais vívidas e mais fortes; as segundas são cópias das impressões, são representações
delas e, como tal, menos vívidas e mais fracas. As ideias são produto da memória ou da imaginação,
havendo ideias simples, como a de cor, e ideias complexas, como a ideia de montanha dourada. O nosso
conhecimento é produto da associação de ideias, que assentam em três princípios: semelhança,
contiguidade e causa e efeito. A partir daqui, podemos obter conhecimento de ideias relacionando-as, como
acontece com a matemática, e conhecimento de questões de facto, como a afirmação «o calor dilata os
corpos».

49. Tem em atenção o texto seguinte.


Não se pode utilizar o facto de a assunção da regularidade na natureza ter resultado no passado
como justificação para efetuar um raciocínio indutivo acerca do futuro: usar a indução para
justificar a indução constituiria um argumento circular vicioso. A verdade é que se trata apenas
de um hábito dos seres humanos, não obstante o facto de se tratar de um hábito que, em geral,
tem bons resultados. Os seres humanos são guiados na vida pelo costume e pelo hábito e não
pelos poderes da razão.
Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 101.

49.1. De acordo com o sentido do texto, o conhecimento:


(A) Tem por base a experiência, a indução e o hábito.
(B) Tem por base a razão e as regularidades da natureza.
(C) Tem por base a razão, a indução e o costume ou hábito.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

(D) Tem por base a experiência e a infalibilidade do hábito.

49.2. Redige um texto argumentativo em que discutas o papel do hábito no pensamento de


David Hume, bem como as implicações dos raciocínios indutivos. Na tua resposta deves referir:
• O problema em análise;
• As teses de David Hume em relação à causalidade e ao papel do costume;
• As justificações do filósofo e a sua perspetiva sobre o raciocínio indutivo.

Cenários de resposta
49.1. (A).
49.2. Tal como se pode inferir pelo texto, para David Hume o hábito está na origem da relação de causa e
efeito. É pelo hábito, e não pela razão, que os seres humanos constroem o conhecimento baseado na relação
de causa e efeito. É porque ligamos um certo acontecimento A, ao qual nos habituamos a ver associado um
acontecimento B, que esperamos que sempre que acontece A aconteça B. Ora, como diz Hume, tal conexão
necessária não existe na realidade, ela é resultado do hábito. Isto significa que é produto da indução. Hume
chamou a atenção para o problema do raciocínio indutivo que está associado à associação de ideias. Se a
relação entre objetos e acontecimentos distintos é sempre contingente, não podemos estabelecer inferências
necessárias do passado para o futuro; é pelo hábito que as estabelecemos. Hume mostra assim o seu
ceticismo, pois evidencia os limites da inteligência humana. Como o acesso à realidade assenta em
perceções, as nossas crenças nos fenómenos da realidade perdem fundamento, limitando assim a
possibilidade do conhecimento.

50. A análise da causalidade, fundada na indução, conduz Hume:


(A) Ao ceticismo radical.
(B) Ao racionalismo extremo.
(C) Ao ceticismo moderado.
(D) Ao criticismo.

Cenário de resposta
50. (C).

51. Considera os seguintes enunciados, relativos à epistemologia de David Hume.


1. Todo o conhecimento é universal.
2. Todo o conhecimento é resultado da ação da razão.
3. Todo o conhecimento deriva de associações de ideias estabelecidas pelo hábito.
4. Todo o conhecimento é produto da experiência sensível.
Devemos afirmar que:
(A) 1 e 2 são corretos; 3 e 4 são incorretos.
(B) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.
(C) 1 e 3 são corretos; 2 e 4 são incorretos.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

(D) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.

Cenário de resposta
51. (B).

52. Em termos gerais, o ceticismo pode ser caracterizado como a perspetiva segundo a
qual:
(A) O conhecimento não precisa de justificação.
(B) É impossível ter a certeza seja do que for.
(C) Somos enganados pelos sentidos.
(D) Todas as nossas crenças são falsas.

Cenário de resposta
52. (B).

53. Para Hume, o hábito tem um papel importante porque:


(A) Sem ele, não viveríamos felizes.
(B) Sem ele, não obteríamos qualquer tipo de conhecimento.
(C) Sem ele, não haveria verdade absoluta.
(D) Sem ele, todo o conhecimento seria contingente.

Cenário de resposta
53. (B).

54. Completa as lacunas do texto com as palavras sugeridas, por forma a que faça
sentido.
• cópias • observa • claras • ideias • pensamento • perceção
• vívido • experiência • impressões • imagina

Hume utiliza o termo «_________________» (1) para referir quaisquer conteúdos da


_________________ (2) (…). As perceções ocorrem quando o indivíduo _________________
(3), sente, recorda, _________________ (4), e assim por diante, sendo que o uso atual da
palavra cobre um leque muito menos vasto de atividades mentais. Para Hume, existem dois
tipos básicos de perceções: _________________ (5) e _________________ (6). As impressões
constituem as experiências obtidas quando o indivíduo observa, sente, ama, odeia, deseja ou
tem vontade de algo. Hume descreve este tipo de perceções como sendo mais
«_________________» (7) do que as ideias, termo com que o filósofo parece querer afirmar
que as impressões são mais _________________ (8) e mais pormenorizadas do que as ideias.
As ideias, por sua vez, são _________________ (9) das impressões. Trata-se dos objetos do
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

_________________ (10) humano quando os indivíduos recordam a sua experiência ou


exercitam a sua imaginação.

Nigel Warburton (2001). Grandes Livros de Filosofia. Edições 70, p. 98.

Cenários de resposta
54. (1) perceção; (2) experiência; (3) observa; (4) imagina; (5) impressões; (6) ideias; (7) vívido; (8)
claras; (9) cópias; (10) pensamento.

55. Assinala com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas.


A. O racionalismo considera que toda a crença verdadeira justificada é produto da razão.
B. Para racionalismo, o conhecimento a priori é universalmente válido e logicamente
necessário.
C. Segundo o racionalismo, afirmar que «o todo é maior do que a parte» é referir um
conhecimento a posteriori.
D. Em Descartes, o cogito é uma verdade justificada racionalmente.
E. A dúvida é, para Descartes, o método para atingir o conhecimento claro e distinto.
F. A dúvida cartesiana é provisória e universal.
G. O génio maligno é uma criação de Deus para enganar Descartes.
H. Clareza e distinção é o critério de verdade para Descartes.
I. O penso, logo existo cartesiano é uma intuição racional.
J. Deus garante a Descartes apenas e só o conhecimento claro e distinto do cogito.
K. Para o empirismo, o racionalismo está certo quando diz que os sentidos são enganadores.
L. Segundo o empirismo, não há conhecimento a priori na razão.
M. Para o empirismo, a experiência sensível é o critério para o conhecimento e a sua
justificação.
N. Para o empirismo, as verdades a priori, e somente elas, são analíticas.
O. David Hume é empirista, pois considera a razão uma tábua rasa, sem qualquer conteúdo
anterior à experiência.
P. Para David Hume, os primeiros dados do conhecimento são ideias sob a forma de imagens.
Q. Em David Hume, as impressões sensíveis são mais fiáveis do que as ideias.
R. Afirmar «automóvel verde» seria considerado, por Hume, uma ideia complexa.
S. Para David Hume, o conhecimento de matérias de facto não origina verdades necessárias.
T. O conhecimento das matérias de facto assenta na relação causa e efeito, que é uma
conexão necessária e fruto do hábito.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
TEMA I | EPISTEMOLOGIA

Cenários de resposta
55. A. V; B. V; C. F; D. V; E. V; F. V; G. F; H. V; I. V; J. F; K. F; L. V; M. V; N. V; O. V; P. F; Q. V; R. V;
S. V; T. V.

Você também pode gostar