25/05/2021 Como é a terapia focada em esquemas de Jeffrey Young - Instituto NeuroSaber
Como é a terapia focada em esquemas de
Jeffrey Young
Por NeuroSaber
06/05/2020
JEFFREY YOUNG
Muitas pessoas que apresentam transtornos psiquiátricos e psicológicos
não respondem às abordagens clássicas de tratamento. A terapia focada
em esquemas, de Young, é uma opção para esses casos. Entenda melhor.
O psicólogo Jeffrey E. Young desenvolveu a terapia focada em esquemas a
partir das demandas que enfrentava diariamente em sua clínica. Os
esquemas de Young abordam várias linhas e escolas, como a
comportamental e a Gestalt, com conceitos de psicanálise e do
construtivismo. Ela se mostra muito eficaz no tratamento de transtornos
psicológicos crônicos que não respondem bem a outras terapias.
Young, na busca de um tratamento efetivo para superação desse problema,
entendeu que a terapia cognitiva tradicional era limitada para tratar alguns
transtornos. Assim, sistematizou a terapia focada em esquemas, um
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modelo integrativo de terapia clínica que atende melhor a complexidade
humana. Saiba mais neste artigo.
Os esquemas de Young
A terapia de Young tem uma abordagem integrativa e estratégias que vão
além do tratamento cognitivo de Aaron T. Beck. Isso porque o seu foco é
um nível de cognição mais profundo, que ele chamou de Esquema Inicial
Desadaptativo (EID).
Segundo Young, desenvolvemos estruturas estáveis de pensamento e
comportamento desadaptativo que se cristalizam muito cedo na vida e que
estão associadas a psicopatologias. Para superar isso, é preciso mudar
esses comportamentos e esquemas passados.
Esquema Inicial Desadaptativo
Os Esquemas Iniciais Desadaptativos são padrões emocionais e cognitivos
que interferem na interação social da pessoa e moldam sua personalidade.
Os esquemas disfuncionais levam a consolidação de comportamentos
prejudiciais.
Young construiu um questionário para identificar esses esquemas,
oferecendo uma teoria simples e compreensível para os pacientes. O
questionário avalia 15 esquemas iniciais desadaptativos, reunidos em 5
grupos, a saber:
Desconexão e rejeição — avaliação de 5 esquemas que estariam ligados
ao sentimento de frustração: privação emocional, abandono,
desconfiança/abuso, isolamento social e defectividade/vergonha.
Autonomia e desempenho prejudicados — avaliação de sentimentos de
incapacidade de conquista da autonomia: fracasso,
dependência/incompetência, vulnerabilidade a dores e doenças,
emaranhamento.
Limites prejudicados — deficiência nos limites internos, dificuldade em
respeitar o direito do outro e de concretizar objetivos. Esquemas
associados: merecimento e autocontrole/autodisciplina insuficientes.
Orientação para o outro — foco excessivo nos desejos e sentimentos do
outro em busca de receber amor e aprovação, deixando suas necessidades
em segundo plano. Esquemas: subjugação e auto-sacrifício.
Supervigilância e inibição — bloqueio da felicidade, supressão dos
sentimentos, rigidez. Esquemas: Inibição emocional e padrões inflexíveis.
Como é a terapia de Young
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A terapia focada em esquemas é integrativa com uma base mais emocional
e afetiva do que a terapia cognitivo-comportamental. O seu foco é buscar
esquemas disfuncionais estabelecidos na infância, trabalhando o senso de
identidade, a capacidade de autocontrole, a comunicação, a autonomia e o
senso de competência do paciente.
Os esquemas de Young se baseiam em dois pilares: identificar os
esquemas comportamentais e o estilo de enfrentamento.
O esquema é um padrão que determina comportamentos e pensamentos
que podem ser desconfortáveis e causar sofrimento. Para Young, é muito
importante entender as primeiras experiências de vida e a personalidade da
pessoa para detectar os esquemas originais.
Eles são causados por experiências traumáticas que impossibilitaram a
pessoa de ter suas necessidades emocionais atendidas. Tais necessidades
seriam: segurança, proteção, autonomia, liberdade para se expressar,
limites e autocontrole. Ainda que não tenham havido traumas, esses
esquemas de padrão de comportamento são sofridos e prejudiciais.
A partir do entendimento dos próprios esquemas, é possível buscar outro
modo de enfrentar os desafios diários. Young descreveu 4 estilos de
problemas de enfrentamento:
1. Evitação: fugir das responsabilidades.
2. Abandono: sentimento de incapacidade e impotência diante os
desafios da vida.
3. Contra-ataque: reage com violência as circunstâncias.
4. Defeituosidade: sentimento de ser defeituoso, inadequado.
Esses comportamentos desadaptativos se formam para responder aos
esquemas, mas não fazem parte deles. Um esquema desadaptativo é
causado por padrões emocionais e cognitivos, levando a essas respostas
desadaptativas.
Na terapia de Young, ao identificar os esquemas, eles poderão ser
trabalhados com intervenções específicas para reduzir os sintomas.
Para quem é a terapia focada em esquemas
Agora você deve estar se perguntando quem pode se beneficiar com os
esquemas de Young. A terapia focada em esquemas é eficaz para pessoas
com transtornos de ansiedade, do humor e transtornos dissociativos.
Além disso, o próprio Young defende que a terapia pode beneficiar outras
pessoas, que não têm transtornos, mas dificuldade em expor seus
sentimento e emoções. Essas pessoas têm bloqueios e negações que as
impedem de se manifestar livremente. Os esquemas de Young podem ser
muito úteis também nesses casos.
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Referências:
CAZASSA, Milton José; OLIVEIRA, Margareth da Silva. Terapia focada em
esquemas: conceituação e pesquisas. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo , v.
35, n. 5, p. 187-195, 2008
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