Universidade Lueji A’Nkonde/ULAN
IV Região Académica de Angola
◊ Lunda Norte ◊ Lunda Sul ◊ Malanje ◊
Projecto de Investigação em Literatura de
Tradição Oral de Angola
Título provisório do projecto: Provérbios
de Angola. O testemunho da
perspicácia do espírito dos Tu-Cokwe
da Lunda Norte
Autores: Joaquim J. Calala1 & Márcio E. da S. Undolo2
Dundo, Setembro de 2012
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Estudante de Linguística Portuguesa, matriculado no 4.º, Escola Superior Pedagógica da Lunda
Norte/ULAN. Professor do Ensino Secundário.
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Professor de Linguística e Literatura, da ULAN. Director dos Serviços de Documentação e Informação
Científica da ULAN.
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ÍNDICE
IDENTIFICAÇÃO DO PROJECTO .............................................................. 2
MOTIVAÇÕES DO TRABALHO ................................................................. 2
OBJECTIVOS .............................................................................................. 4
FASES DO TRABALHO .............................................................................. 5
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 7
IDENTIFICAÇÃO DE NECESSIDADES ...................................................... 9
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IDENTIFICAÇÃO DO PROJECTO
Título do Projecto Projecto de Investigação em Literatura de Tradição Oral
de Angola
Abreviatura PROILTOA
Domínio de Especialidade Literatura de Tradição Oral
Investigador Principal Márcio E. da S. Undolo
Duração 11 meses
Data de Início Setembro de 2012
Entidade financiadora Universidade Lueji A’Nkonde_ULAN
MOTIVAÇÕES DO TRABALHO
No quadro do presente projecto, concentramos as nossas atenções à recolha e ao
estudo de textos proverbiais ou provérbios junto da comunidade étnica dos Tu-Cokwe da
Lunda Norte. Os provérbios, tal como referimos na matriz acima indicada, situam-se na
área da Literatura cujo domínio específico é o da Literatura de Tradição Oral, também
designada por Literatura Oral ou, ainda, Oratura.
Segundo Oliveira (2006 : 4)3, por literatura oral entende-se aquela que
«pretende recobrir todo o domínio da literatura transmitida oralmente,
pela via erudita ou popular, desde que tradicional, no sentido
etimológico [traditio, “acção de entregar ou dar (alguém ou alguma
coisa); entrega; transmissão; narração, narrativa; história;[…]”], e
corrente do termo (tradição, “transmissão oral de factos, lendas, dogmas,
etc., de geração em geração”)».
Em relação ao nosso objecto de estudo, isto é, o provérbio, Lopes diz tratar-se de
textos breves, sentenciosos e anónimos que se transmitem oralmente de geração em
geração.
«Através deles exprime-se uma determinada visão do mundo, sob a
forma de supostas verdades ominitemporais que configuram
regularidades induzidas por generalização empírica, consensualmente
aceite pela comunidade, e veiculam-se normas de conduta socialmente
consideradas exemplares (apud Oliveira, 2006: 8)».
Para Valente, «o provérbio é um dito popular exprimindo a filosofia e o modo de
ver do povo (idem, p. 33)». Oliveira acrescenta ainda que
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texto utilizado no decurso de um seminário metodológico de “Literatura Angolana Oral” no curso de
Licenciatura em Ciência da Educação, na opção de Linguística/Português (no ano lectivo de 2006, ISCED
do Lubango da Universidade Agostinho Neto) pelo Prof. Doutor Américo Correia de Oliveira.
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«Os provérbios assumem, assim, muitas vezes, o lugar de “máxima” ou
“moral”, no fim das narrativas, ou, então, sintetiza a narrativa, em
forma de título. Neles comparecem sistematicamente: os objectos
familiares (fauna e flora de cada região do país), como “evidências
visualizadas”; as crenças na feitiçaria (para aplacar ou esconjurar) e em
Deus; os valores perenes duma sociedade; a importância dos filhos, dos
pais (mãe, predominantemente) e dos mais-velhos. Constituem lições de
vida para a vida. […]
A linguagem dos provérbios é “irregular, precisa e propositadamente
para os tornar mais misteriosos. A omissão de prefixos e infixos, as
trocas da ordem normal, a concisão, a concordância irregular –
constituem a finura e beleza que os caracterizam.” Os provérbios podem
assumir a estrutura de trava-línguas/trocadilhos/jogos de palavras,
lengalengas (nomeadamente, entre os Ovimbundu e Ovanyaneka) e
cantos (Ambundu e Ovimbundu, designadamente) (op cit, pp. 33-34)».
Fonseca (1996 : 52) afirma que os provérbios
«constituem uma classe que podem aparecer como um conjunto de textos
soltos, em regra aparecem integrados em outros textos literários ou
fazendo parte de acontecimentos da vida social, quer no plano familiar,
quer no plano comunitário, circunstâncias em que ganham plenitude de
utilização e interpretação…»
Lupenha (2002 : 44) enfatiza dizendo que
Os provérbios constituem uma autêntica filosofia dos povos. Eles são o
testemunho da perspicácia do espírito africano. Quem quiser penetrar
na alma do Bantu… deve ter em conta os provérbios. Ignorá-los é
colocar-se à margem da estrutura mental deste povo. Conhecer um povo,
é já compreendê-lo; compreendê-lo é aceitá-lo e isto facilita a unidade
nacional».
Valente vai um pouco mais longe ao referir que
«a ignorância do provérbio corresponde à ignorância das leis que regem
a vida, e através dos provérbios consegue-se não só o enriquecimento do
património nacional, mas também o meio de, pelo seu uso, melhor se
conhecer a mentalidade (dos povos)» (apud Oliveira, 2006: 37).
Quanto à aplicação ou uso deste tipo de texto, Oliveira refere que ele ocorre em
distintos contextos. E Valente (1973: XI), pelo menos, oferece-nos muitos exemplos:
«o uso do provérbio, em bundu [Comunidade Ovimbundu], é invocado:
para prova das afirmações que se fazem ao correr de um discurso, para
decisão final; numa troca de impressões, a fim de destacar a ideia-mestra
do diálogo; para conclusão de julgamentos em tribunais indígenas […];
para reforço de ordens de execução obrigatória, etc., e em que aquele
que o emprega ou dá por finda a questão ou decide convencendo. É
filosofia popular em acção. Lukoki (1987: 12), referindo-se aos Bakongo,
afirma que os provérbios entram na linguagem comum, isto é, nas
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conversas do quotidiano, nas reuniões familiares como judiciais, o que
aliás se verifica do mesmo modo em todas as sociedades africanas, seja
ela Bantu, Árabe ou outra (op. cit, p. 37)».
Os provérbios são, de facto, como pudemos ver, um texto de grande
indispensabilidade para a educação, instrução, relações humanas/comunicação, convívio
social [e muito mais] das pessoas. De acordo com Ribas (1979) e Mitteberger (1991), esse
tipo de texto vem «perdendo vitalidade». Aliás, basta vermos que as novas gerações,
sobretudo das grandes cidades de Angola, vão desconhecendo essa prestimosa matéria
filosófica para o indivíduo e a sociedade. Podemos verificar este dado em ambientes
festivos, na rua, em locais públicos, em carros públicos ou de serviço público, etc. Por
tudo isto, o resgate e a valorização constituem a nossa motivação e interesse em
desenvolver o presente trabalho. Entendemos que a valorização passa por preservar essa
cultura, o que significa pôr ao serviço dos indivíduos. Consideramos ainda que a
utilização da sabedoria popular deve ser também do interesse da Escola/Universidade. As
palavras de Valente, reitere-se, segundo o qual
«a ignorância do provérbio corresponde à ignorância das leis que regem
a vida, e através dos provérbios consegue-se não só o enriquecimento do
património nacional, mas também o meio de, pelo seu uso, melhor se
conhecer a mentalidade (dos povos)» (apud Oliveira, 2006: 37).
constituem o epicentro dum interesse que, mais do que particular, é-o da Universidade ao
serviço da Comunidade étnica Tu-Cokwe na Lunda Norte.
OBJECTIVOS
No quadro dos nossos objectivos, pretendemos, de modo bastante geral:
Efectuar uma recolha significativa de provérbios, junto das povoações e
indivíduos da referida comunidade;
Demonstrar a utilidade do texto proverbial como factor de desenvolvimento
humano e social;
Contribuir para o incremento de manuais para o ensino da Língua Cokwe em
Angola.
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FASES DO TRABALHO
Para o pretendido trabalho, seguiremos criteriosamente as fases que apresentamos
abaixo:
DURAÇÃO 2012-2013
N.º Actividades Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul.
1 Concepção de
instrumentos
de recolha:
ficha de X
recolha de
dados,
entrevista
2 Identificação e
aquisição de
meios de
recolha de
dados: X
aparelhos de
som e de
imagem,
computador e
acessórios
3 Identificação
das X
zonas/espaços
de recolha
4 Identificação e
contacto com X
possíveis
informantes
5 Recolha de X X X X
dados
6 Organização
por temáticas X
dos dados
recolhidos
7 Sistematização X
dos dados
8 Elaboração da
informação
cujo resultado X X
deverá sair em
livro
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9 Revisão e
entrega do
trabalho à
Entidade X
financiadora
do Projecto
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UTILIZADAS NO CORPUS DO
PROJECTO
FONSECA, António (1996), Contribuição ao estudo da literature oral angolana,
Luanda: INALD.
LUPENHA, Abílio (2002), Ovimbundu: origem e simbologia,
Lubango: ISCED.
RIBAS, Óscar (1979), MISOSO – Literatura Tradicional Angolana,
1.º Volume. S/l, s/e.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE PARTIDA PARA A CONCRETIZAÇÃO
DO PROILTOA
DUARTE, B. (1975), Literatura tradicional angolana,
Benguela.
FERNANDES, João & NTONDO, Zavoni (2002). Angola: Povos e Línguas,
Luanda: Editorial Nzila.
FONSECA, António (1996), Contribuição ao estudo da literature oral angolana,
Luanda: INALD.
GUEDES, Armando Marques (1987) . "O texto e o contexto na recolha de tradições orais
em Angola". Revista do ICALP , n.º 10, Dezembro de 1987.
GUENNEC, G. Le; VALENTE, J. F. (1972) . Dicionário Português-Umbundo, Luanda:
Instituto de Investigação Científica de Angola (IICA).
GUERREIRO, M. Viegas (1976) . Guia de recolha de literatura popular. Lisboa:
Secretaria-Geral - Div. de Documentação - M.E.C.
KANDJIMBO, Luís (2003) . O provérbio: um género da Literatura Oral Angolana.
[Link]
LOPES, Ana Cristina Macário (1992b)) . “Provérbios: o ´eterno` retorno”, in ACARTE –
Literatura popular portuguesa. Teoria da literatura oral/tradicional/popular,
Lisboa, Fundação C. Gulbenkian – Acartepp. 269-280.
MALUMBU, Moisés (2005), Os Ovimbundu de Angola: tradição – economia e cultura
organizativa, Roma, Edizioni Vivere In.
7
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MATTA, J. C. Cordeiro da (1891), Philosophia popular em provérbios angolenses,
Boston/New York.
MBAMBI, Moisés (1990) . “O direito proverbial entre os Ovimbundu”, in Vida e
Cultura, Suplemento de Artes, Letras e Ideias do Jornal de Angola (Luanda), Ano
13, n.º 4.166, Domingo, 14 de Janeiro de 1990, p. 11.
OLIVEIRA, Américo Correia (2000), A criança na literatura tradicional angolana de
transmissão oral impressa em Português, Tomo I e II, Leiria: Magno Edições.
REDINHA, José, P. D. (1975) . Etnias e culturas de Angola. Luanda: Instituto de
Investigação Científica de Angola.
SANDERS, W. H.; FAY, W. E. et al. (1958) . Provérbios Populares Umbundo--
Português. Bela Vista, Angola: Tipografia do Dôndi. [s. ed.].
VALENTE, José F. (1964), Selecção de provérbios e adivinhas em Umbundo. Lisboa:
Junta de Investigação do Ultramar.
VANSINA, Jan (1982), “A tradição oral e a sua metodologia, in KI-ZERBO, J. (dir.)
(1982:157-218) História Geral de África I. Metodologia e Pré-História de África,
S. Paulo: Ed. Ática/UNESCO.
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