FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE ARQUEOLOGIA E ANTROPOLOGIA
LICENCIATURA EM ANTROPOLOGIA III ANO
Cadeira: Técnica de pesquisa documental e de arquivo
Docente: Dr. Johane Zonjo
Discente: Helena Novela
Introdução
O seguinte trabalho da cadeira de Técnica de pesquisa documental e de arquivo consiste
num exercício sobre arquivos, neste contexto pretendemos abordar sobre a estrutura
organizacional do departamento de Arquivo Permanente, departamento este que faz parte do
Arquivo Histórico de Moçambique. Relativamente a metodologia do trabalho, basei-me no
material colhido da visita recomendada pelo docente ao Arquivo histórico da Universidade
Eduardo Mondlane, onde tivemos acesso a um guia consultor daquele departamento.
Relativamente a estrutura do trabalho, esta estruturado em dois capítulos, na qual primeiro
(i): abordo sobre uma breve contextualização e descrição do Arquivo Histórico de
Moçambique (AHM) e (ii) sobre a Estrutura organizacional do (DAP) Departamento de
Arquivos Permanentes do AHM.
1-Contextualização e descrição do Arquivo histórico de Moçambique
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Segundo Nharreluga (2014) O Arquivo Histórico de Moçambique (AHM) é uma instituição
arquivística pública cuja criação foi sugerida em 1934, pela Portaria n. 2.267, de 27 de junho,
dentro do cenário político que caracteriza Portugal e Moçambique este enquanto território
colonial daquele na década de 1930. Criado junto à Repartição de Estatística, o AHM tinha,
de acordo com esta Portaria, como objetivo “reunir, num arquivo único, os muitos e
importantes documentos existentes nos vários arquivos da Colónia que interessam à
constituição de um arquivo histórico de Moçambique organizar e manter na Colónia uma
colecção bibliográfica sobre Moçambique”.
Sugerida a criação do AHM, a sua organização viria a iniciar alguns anos depois
supostamente devido à falta de recursos (sobretudo pessoal) e instalações (diminutas) dentro
das disponibilidades orçamentais da Repartição Técnica de Estatística que, de acordo com o
relatório do Governador-geral (o General José Tristão d Bittencourt) referente ao período de
20 de março de 1940 a 31 de dezembro de 1942, até então, ainda não contava com qualquer
verba específica para o funcionamento do AHM (idem).
Conforme Caetano Montez citado pelo Nharreluga (2014) afirma que, a criação do AHM se
traduz atrelada formalmente ao objetivo maior de se estabelecer um lugar de guarda e
preservação de documentos voltados para propósitos administrativos referidos no quadro
geral do processo de gestão da administração colonial em suas diferentes vertentes. Nesse
âmbito, o AHM viria a ser criado dentro das “medidas para a organização da Colecção
Bibliográfica de Moçambique e a reunião dos núcleos documentais dos arquivos dos diversos
Serviços e Repartições” de forma a assegurar o andamento e execução dos trabalhos da
referida revista
Decorrido um ano da conquista da independência de Moçambique do domínio colonial
português, o AHM seria transferido, através do Decreto 26/76, de 17 de Julho de 1976, do
Ministério da Educação e Cultura para a sua atual vinculação, a Universidade Eduardo
Mondlane (UEM). A transferência aqui aludida é interna e refere-se à desvinculação do AHM
do nível central do Ministério e sua vinculação a uma das unidades orgânicas deste, a UEM.
Na perspectiva de Nharreluga (2014) a organização interna do AHM compreende, além dos
conselhos do AHM, de Direcção, e Técnico-científico, todos criados nesta última
regulamentação interna sob direcção da UEM, um Director (coadjuvado por dois diretores
adjuntos), um Departamento de Arquivos Permanentes; um Departamento de Gestão de
Documentos (então Departamento de Coordenação do Sistema Nacional de Arquivos); um
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Departamento de Investigação e Extensão (então Departamento de Investigação e Divulgação
que se estima sua criação tenha iniciado no âmbito do processo da produção da revista
Arquivo); um Departamento de Arquivos e Colecções Especiais; um Departamento de
Tecnologia de Informação e Transferência de Suportes; um Departamento de Administração
e Finanças e um Departamento do Arquivo Central da UEM (este último criado pela primeira
vez na segunda metade da década de 2000 para gerir o arquivo desta Universidade).
Actualmente o AHM além de dar acesso aos documentos do período colonial, configura um
determinado tipo de memória voltada à construção da nação moçambicana.
2-Estrutura organizacional do (DAP) Departamento de Arquivos Permanentes do
AHM.
Do ponto de vista do acervo documental e de acordo com dados fornecidos pelo
Departamento de Arquivos Permanentes (DAP), o AHM possui, só neste Departamento,
26.500 metros lineares de documentos textuais tratados, agrupados em 76 fundos
arquivísticos provenientes de diversas instituições públicas e privadas, e mais de 30.000
metros lineares de documentos textuais ainda em fase de tratamento técnico, documentos
esses que a consultoria afirmou que são do seculo XIX até a actualidade.
Relativamente aos tipos de fundos existentes no departamento de arquivos permanentes, o
consultor daquele sector afirmou dizendo: estão constituídos estruturados e organizados em
quatro (4) épocas específicas de cada natureza de acervos, na qual primeiro encontramos
Fundos Documentais Tratados do século XIX que foram produzidos no período colonial e
incorporados – com a exceção do 1º Cartório Notarial de Maputo (1940- 1995) no AHM
através do recolhimento ocorrido entre 1982 e 1984 onde podemos encontrar fundos de
governo do distrito de Loureço Marques, governo de distrito militar de gaza, governo de
distrito de Inhambane, governo do distrito de Cabo Delgado etc.
Em seguida encontrados fundos referentes a fundos documentais tratados – século XX –
anterior à independência, segundo os dados estabelecidos pelo DAP, os fundos dessa época
também constituem em fundos produzidos no período colonial, onde podemos encontrar
fundos de Direcção dos Serviços de, Administração Civil de Moçambique, Câmara
Municipal de Chibuto, Direcção dos Serviços de Negócios Indígenas, Administração do
Concelho de Bilene, Inspeção dos Serviços Administrativos e dos Negócios Indígenas
(ISANI), Administração do Concelho da Maxixe, Repartição Saúde, Repartição Educação
etc.
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Em Terceiro, temos os Fundos Documentais Tratados do século XX – pós-independência, na
qual segundo os dados estabelecidos pelo DAP, reúne fundos tratados do período pós-
independência que, produzidos nesse período, passam além da data-limite do período de
recolhimento de 1982-1984, por pertencerem a um conjunto de fundos incluindo o do 1º
Cartório Notarial de Maputo cuja responsabilidade ainda é detida pelos respectivos
produtores. Mais do que isso, a guarda desses fundos documentais no AHM não é feita ao
abrigo de algum dispositivo legal ou dentro dos procedimentos arquivísticos de transferência
de documentos. Baseia-se em entendimentos institucionais isolados e muitas vezes
sustentados pela respectiva figura do dirigente da instituição produtora que então cedeu a
guarda dos documentos ao AHM. Encontramos fundos da Comissão Nacional das Aldeias
Comunais, Secretaria do Estado das Pescas, Universidade Eduardo Mondlane (Gabinete do
Reitor), Partido Frelimo, ONUMOZ, Millennium Challenge Account (Mozambique),
Gabinete do Primeiro Ministro.
E por fim temos os Fundos Documentais não Tratados, foram produzidos no período
colonial e outros no pós-independência. Estes últimos fundos, incluindo o do 1º Cartório
Notarial de Maputo são fundos incorporados ao AHM pelos seus respectivos produtores que,
reclamando falta de espaço, solicitaram esta instituição a proceder ao recolhimento desses
acervos que corriam risco de destruição. Algumas exceções se aplicam, porém, ao fundo da
Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e ao do Ministério do Comércio.
A forma de acesso e pesquisa destes fundos segundo o DAP, consiste primeiro na consulta de
fundo que esta listada no inventario e em seguida vai a procura do ficheiro e a organização
esta em ordem alfabética, que pode ser procurado por secções de autores ou assuntos, mas
antes a estrutura organizacional do departamento obriga o preenchimento de um formulário e
posterior o acesso a os acervos é feito através da cota, a cota tem servido de uma espécie de
Bússola que indica e Orieta a o armário, a prateleira e o respectivo número do acervo
interessado.
Relativamente ao processo de recuperação ou instrumento de recuperação da informação
segundo os dados do DAP, consiste primeiro, em procurar se o documentou ou acervo está
misturado entre os outros documentos por resultado da desorganização dos que vem visitar e
consultar os arquivos. E recuperação pode variar da natureza do próprio documento, por
exemplo, no contexto de roubo documentos únicos, existem um sector de conservação e
restauro que consiste em recuperar os acervos.
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Relativamente aos serviços prestados, consiste em diversas áreas, sendo o arquivo histórico
um órgão que engloba uma rica e vasta informação e herança da soberania e história de
Moçambique, podem variar, desde arquivísticas, consultoria histórica, serviços de natureza
turística etc.
O DAP tem regras básicas de funcionamento, que reúne normas de conduta e comportamento
naquele espaço que são considerados tolerados e não tolerados, como o roubo, o desrespeito
aos funcionários do Arquivo Histórico de Moçambique etc. Relativamente ao horário do
funcionamento antes da eclosão da pandemia de Covid-19 o horário do funcionamento e
exercício era das segundas-feiras há sábados, das 7:30 às 17:00, actualmente o funcionamento
é das segundas às sextas-feiras no horário das 07:30 às 15:30.
Conclusão
Contudo, de uma forma geral, o exercício que consistiu na caracterização da estrutura e
descrição das actividades no Departamento de Arquivo permanente, Noentanto, sendo que
este faz parte da estrutura orgânica do Arquivo Histórico de Moçambique me pareceu
oportuno abordar ou arrolar antes sobre o contexto do órgão de AHM.
Durante o processo de visita conclui que, o arquivo histórico de Moçambique em especial o
departamento de Arquivo Permanente reúne das diversas riquezas da historia do nosso País e
a visita foi também bastante proveitosa na medida em que conhecemos o processo de
consultoria do DAP que acaba diferindo do procedimento que normalmente usamos nos
Museus e bibliotecas.
Referência Bibliográfica
Nharreluga, Rafael. 2014. O estado e a construção da ordem arquivística em moçambique
(1975-2010). Rio de Janeiro, Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História,
Política e Bens Culturais do CPDOC/FGV.