FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE ARQUEOLOGIA E
ANTROPOLOGIA
LINCENCIATURA EM ANTROPOLOGIA IV ANO
Cadeira: Antropologia da saúde e Doença
Docente: doutora Carla Braga e Sandra Manuel
Discente: Alfredo Xavier Jonh
Os Media como meios de Intervenção Médica: O HIV/SIDA e a Luta pelos Cuidados de
Saúde Reprodutiva da Mulher na África do Sul
Susan Levine no seu texto aborda sobre a sua experiência com as mulheres através da
investigação levada a cabo com um cinema (filme) móvel e documentários não prescritivos
em comunidades nas quais o silêncio e o medo dominam a pandemia do HIV/SIDA. Este
artigo indica o estigma e a desigualdade estrutural propiciadas pelo Patriarcado como sendo
os principais obstáculos para que as mulheres acedam a serviços de saúde adequados.
O estudo da Levine demonstra como se pode reduzir ou mesmo eliminar este obstáculo
através do apoio da média, cujo objectivo é iniciar o debate sobre o HIV/SIDA e romper os
silêncios que intensificam o sentimento de isolamento das mulheres e que as impede de
procurar assistência sanitária em zonas rurais e urbanas da África Meridional.
A autora apresenta uma intervenção eficiente para romper os silêncios que impedem o acesso
das mulheres aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva. Devido a factores sociais múltiplos,
incluindo a fraca governação, disponibilidade insuficiente do tratamento do HIV, estigma, a
culpabilização do género e a dependência económica, as mulheres são, com frequência,
incapazes de falar abertamente sobre a testagem, a revelação dos resultados, a transmissão
mãe-filho do HIV/SIDA, a sexualidade e o tratamento.
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Usando métodos de campo qualitativos como instrumento de diagnostico para identificar os
obstáculos que impedem as mulheres de procurar cuidados de saúde sexual e reprodutiva,
constatamos que os documentários para fins de entretenimento, não didáticos, sobre o
HIV/SIDA promovem discussões abertas entre as mulheres e mobilizam as estruturas de
apoio comunitárias em relação as pessoas que vivem com o HIV.
Para ultrapassar a dificuldade em falar abertamente das barreiras e dos dilemas que as
mulheres, e não só, enfrentam perante um resultado positivo durante a gravidez, foi
produzido um filme cujo título é: “Silêncio da Mulher”, e que tem como objectivo estimular o
debate e a reflexão comunitária.
O facto de o filme retratar experiências, sentimentos, receios e opiniões relativas a
comunidades e suas experiências concretas, permitiu que as pessoas falassem com mais
franqueza, liberdade e apresentassem as suas experiências pessoais com exemplos para os
debates, uma situação que facilitou uma reflexão colectiva42 bem como reflexões a nível
individual.
Durante um dos debates, realizados depois da projecção do filme, foram levantadas questões
que revelam medos e constrangimentos relacionados com vários dos temas anteriormente
apresentados ao longo deste manual, como ilustra o seguinte depoimento:
Para se saber que alguém tem HIV a pessoa não tem medo da doença, tem medo que duas ou
três pessoas saibam e espalham a notícia e daí essa pessoa pode ser desprezada e
marginalizada na zona onde vive. Na nossa região não há segredo sobre nossas vidas
mesmo da parte do hospital a informação escapa através da enfermeira porque ela pode
dizer a uma enfermeira da sua confiança e essa por sua vez falar com uma outra da
confiança dela, propagando-se assim a referida informação. É disso que as pessoas têm
medo, as pessoas não têm medo da doença porque já consideram essa doença como outras
que não têm cura, posso dar exemplo de cancro e outras. Muita gente costuma meter na
mente que esta doença se apanha através de relações sexuais e acabam pensando que e
outras pessoas souberem que tem essa doença podem pensar que apanhou através de
relações sexuais com pessoas diferentes (grupo focal com mulheres idosas).