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EDITOR f ‘Eduardo Wale 7 REDAGKO Ee Osbuoes # ‘ars Graze owetgea Mae Dols | DIRETOR DE ARTE | Mates Arto Gar DIAGRAMADOR i Poa ao Narose Bors PASTE-UP ah han A I SECRETAM a oe “0 pais que faz agriculture sem abelnas desconhoce @ idéia de uma iteigéncia odsmica, que atua jelo espago impnmin- do como meta de perfeico do inchvicuo @ conservepso Wa espéoie. N. Misiotis Imutéveis hé 42. mithOes de anos, as abelhas também conservam até hoje o ‘modelo de sociedade sonhado por qual ‘quer de nossos politicos com um minimo ide bom senso — cada qual com uma fun- ‘980 ber definida, executade geralmente & perfeigBo e visando sempre ao bem-estar coletivo. Este notével exemplo de julzo foi Seguido até mesmo peios democréticas ‘gregos da époce ctéssica todo governante Tomava aulas sobre a vida das abelhas ara aprender a melhor liderar seu povo. A commvéncia entre homens ¢ abelhas (Gecorrents em muito dessa “inveja” que temos por elas) 6, como se deduz, muito ‘antiga. perdendo-se No tempo. Mesopcta- ‘mitos, egipoies, gregos e romans ja co- heciem os rudimentos da arte @ ciéncia ide cri a picuiture — eo famosissimo Aristteles foi um: cos gran. es estudiosos do assunto, Hoje, apds ind- |Fineras descobertas que the permitiram um ‘sensivel progresso, a apicultura se encon- -—___ PLANETA _ APICULTURA © twa firmerente envaizada © atuante ne maior parte do mundo desenvovido No Brasil. porém te para varia), iso) no ocorte. Por falta de uma poltica ade- quada para o setor,e priscipalmente pela introducdo das agressivas_africanas om nosso teritéio, temos ume proceso de imel inferior 4s da Grécia © do Cuba ‘uma populago temerosa quanto a abe- thas @ @ meior area cultwével do mundo ‘ristemente vedada & aco benética desses anjmais na agricuture Com este namero especal, Planeta pre- tende no 26 aleitar sous leitores sobre @ Precéiia siuac8o da apicutura no Brasil mas também mostrar os meios para mu- déla, Nikolaos Musiots, renomado técni- €0 © estutioso do assunto, vaz-n0s, aqui um ‘curso introdutério bastante didatico, donde as instrucdes objetvas e procises so fazem. acompanhar por uma vasta gama| 9 fotos expicativas (multas delas revelan- 0 equigamentos inéditas no mufdo); seu Btesentetrabalho, tomos certeza, repre- sentaum ympulso dindmico no setor ap Cola mane pre ue et sia do aval -marasmo € Se coloque na [Link] que| deve por merecimento estar. sf Eduardo Araia 4 26 51 Introdueéo A colméia mobilista Criagio de rainhas 5 Histéria da apicultura Bice no apitto eed a 15 a4 - las/Enderecos de entida- ‘As abelhas: operéria, zan- | Implantacdo do apiério | des apicolas 980 rainha . 22 Speerven se dn Be | OB wc vida natural da colénia | jénias . r 7 Bato Eirote de emcamancto | SSaogrene © tao intgr desta eo 6 do ari de Niko aoe Mita, As fot, de N- Misi, The Hive and the Honey B00 (Oxdant & Sons, EUA) » do Areva a8 tstagoes. do arava de N, Miao © Moines Mists. © or desta obs 6 therico de ‘spur dacicado wo ensino da pili racionl” ‘2m base em abelhas europtive. miniwende cursos 1m aaocingden apicolas, coopers 6 comand ‘ds. Ter sdaptado atilizado oa métedoseosinados assustadora explosiio demogrifica dos titimos 150 anos elesou de I para 5 bithies a populacio do nosso planeta. Tao répido crescimento da populagdo mundial forea ox homens @ buscarem novos sistemas de administragéo, e através da tecnologia conseguir métodos riipidos e eficientes dle awmentar proporcionalmente a produsio de alimentos. A apicultura, por ser universalmente reconhecida como ‘meio ecoldgico e econdmico de producdo de alimentos (pela polinizagdo das culuras de vegetais entoméfilos), ganha, a cada dia que passa, maior respeito e consideragéo dos ciemtstas, dos governos e dos povws, chegando a ser vista como real base da economia e da ecologia de cada napdo, e até do planeta. O Brasil, apesar de ser wn dos ‘maiores laboratbrios de fotosstntese do mundo — com sua flora e sol — perde anualmente bilhoes de toneladas de precioso néctar, dos ‘quais poderia produzir centenas de ‘milhares de toneladas de excelente ‘mel, e perde também bilhies de dilares na produsio agricola, por no ter acoplado di sua agricultura ‘wna apicultura desenvolvida. com base em ragas de abelhas déceis. A equipe de Planeta — que sempre demonstrou preocupagdo quanto ao ‘futuro do homem e do planeta —, desejando contribuir para 0 desenvolvimento da apicultura racional, oferece aos letores — que também lutam para conservar 0 planeta vivo, produtivo, limpo e sadio, para poder abrigar bilhdes de pessoas para todo 0 sempre — um curso desta disciplina, modesto porém objetivo, que thes permitiré ‘niciar a sua propria criagdo de abethas, tornando-os suportes da verdadeira apicultura do Brasit Com os conhecimentos adguiridos neste curso, 0 leitor poderd facilitar uma répida redisseminaedo (por todo 0 Brasil) da “abelha mansa”, do “sagrado inseto” dos povos da Antigiidade, e das nacdes da ‘atualidade que possuem economia sélida. Assim, com 0 tempo, desapareceri: a influéncia negativa da abelha africana, que faz a ‘populacdo brasileira ver todas as abelhas como “cascavéis aladas” — ‘quando, na realidade, as abethas de racas dicels podem ¢ devem ser consideradas 0 “‘sagrado inseto” de sempre, indispensdvel aliado do ome, que luta aflito para produzir ‘mais alimentos sem envenenar seu planeta. Indubitavelmeme, logo surgirdo dezenas de associagées apicolas, que terdo por objetivo a difusio da ‘apicultura com abelhas de ragas déceis, estatutariamente (como ja existem hoje a APACAME, em Sido Paulo, € a AGOACAME, em Goidnia) ou por meta de seus associados (casos da Associagdo dos Apicultores Canvenses e da Associagdo dos Apicultores de lui, ambas gaiichas). Essas associacdes ‘cupardio ithas no ltoral, para nelas ‘implantar criadeiros de rainhas de racas déceis, capazes de produzir rainhas matrizes em quantidade suficlente para suprir as necessidades dos apicultores (que hoje as ‘importar), dotando assim a nossa apicultura de uma real auto- sufteténcia ¢ tornando-a uma inesgotavel fonte de alimentos para saciar a fome de milhdes de novos hhabitantes da nagiio e do mundo. Antes do surgimento do homem neste planeta a abelha jd existia, e acredita-se que ela surgiu quando Jf havia razio e meio para existir. © antropossofista Rudolf Stei- nner afirmava que as abelhas nos foram trazidas do planeta Venus, fas ndo especifica ha quantos mi- Ihdes de anos isto teria ocorrido. Sabe-Se hoje, por provas queolégicas (pedacos de Ambar transparente envolvendo abelhas) Que jd existiam abelhas ha 42 mi- Ihde5 de anos, idénticas is abelhas atuais. Na obra da dr Eva Crane Duias abethas segurando 0 sol (jdia de ‘ure de 2500 A.C, enconirada em Ghossos, Creta} A HISTORIA DA APICULTURA Os antigos jd testemunhavam a importancia das abethas, € 0 famoso filésofo grego Aristételes notabilizou-se como um brilhante estudioso do assunto. Depois de um periodo de estagnacao, @ apicultura retomaria seu progresso a partir de 1590, com a descoberta do microscépio, e desde entéo os avangos tém sido constantes em todo 0 mundo desenvolvido. A situagao brasileira, porém, é dificil: a introduedo das abelhas africanas (inadequadas Para criacéo) em nosso pais gerou um incdmodo problema, que para ser resolvido exigira de todos muiltiplos esforcos. (Honey, a Comprehensive Survey) encontramos informagdes de que 0 sumérios, que se estabeleceram na Mesopotiimia por volta de $000 a.C., jd usavam o mel. Dos textos sumérios que sobreviveram até os nossos dias sio conhecidas duas passagens que falam a res- peito do mel, ‘Tres mil anos depois, esta re- gitio seria conhecida por Babilé- nia. Os babil6nios jé usavam o mel também na medicina, Posteriormente, os hititas inva- diram a BabilGnia. No cédigo hi- tita (por volta de 1300 a.C.) temos as primeiras referéncias em uma legislagio que regula algo a res- peito de mel abelhas, Por volta do ano 3400 a.C., 0 so- berano do Alto Egito uniu seu rei- no ao Baixo Egito. Desde a pri- meira dinastia (3200 a.C.), adotou- se a abelha como simbolo do fario do Baixo Fgito. O mel era muito usado pelos antigos egipcios, espe- cialmente pelos sacerdotes, tanto nos rituals © ceriménias como para alimentar animais sagrados. Ha textos que poem em desta: que a existéncia de apicultura mi gratéria no antigo Egito, o que sig- . Historia da apicultura nifica que ja naquela época era bastante usudo algum tipo de col- méia mével, ‘Na Biblia (Velho Testamento) temos suficiente niimero de infor- magdes para concluir que na Terra Prometida dos hebreus (“re gada por leite ¢ mel") 0 mel era « amplamente usado; porém, no temos informagdes sobre a pos vel pritica da apicultura. De acordo com a mitologia, & histOria da antiga Grécia e a obra de N. I. Nikolaidis Melissokomia, 0 inicio da apicultura na Grécia perde-se no tempo. Seu mais an- tigo instrutor apicola, desde a pré~ histéria, é Aristeu, filho mitico do deus Apolo ¢ da ninfa Cirene. poeta Pindaro, em suas poe- sias, narra que a0 nascer Aristeu, as deusas Hora e Géa pegaram-no ‘em seus joelhos e Ihe puseram na boca gotas de néctar ¢ ambrosia, 05 alimentos dos deuses, para que ele se tornasse imortal © pudesse trazer_alegrias © presentes aos ‘mortais, E Aristeu ensinow aos ho- mens as artes da agricultura ¢ da apicultura. Apicultura evoluida na Grécia classica Acredita-se na_existéncia de apicultura sistemitica jd ma_pré~ historia, pois a propria atuagio de Aristeu leva-nos a idéia de que existe uma grande possibilidade de 0s personagens mitologicos te- rem sido na realidade seres hu- manos que se destacaram por ser inteligentes, habilidosos ow bem-dotados (ou mesmo por te- rem beneficiado @ coletividade); com 0 tempo, eles teriam se tor- nado lenda. Pela época do historiador Hesiodo, contemporineo de Ho- mero, a apicultura sistematica ja era um fato, pois 0 primeiro men- ciona os Simblous (ou Simvlus), que eram um tipo de colméia construida por maos humanas. Escavagdes feitas em Feston, na ilha de Creta, por companbias ar- queol6gicas italianas, trouxeram . a luz colméias de barro que perten- ceram A época mindica (3400 a.C.), bem anterior a Hesiodo © Homero, Outros achados destas escavagdes revelam 0 alto estiigio da apicultura desta época. Entre eles esto duas jdias de ouro; uma (ver foto na pagina 5), que mostra duas abelhas, data de 2500 a.C.; € foi encontrada nas escavagbes da antiga cidade de Cnossos. Homero, poeta, na sua consa- grada Odisséia, fala sobre uma mistura de mel e leite (chamada ‘melikraton) que era considerada uma excelente bebida; menciona também que as filhas érfas de Pin- daro cram alimentadas pela deusa Venus (Afrodite) com queijo, mel € vinho — os mesmos alimentos usados por Circe, a feiticeira, que fascinou os companheiros de Ulis- ses. No perfodo pré-aristotélico, a apicultura jé tinha em grande parte sido sistematizada, tanto as- sim que © grande legislador ate- niense Sdlon dedicou-lhe varios artigos da lei, o que comprova seu estiigio avangado naquele tempo. Um dos artigos proibia a insta 40 de um novo apiario a uma dis- ancia menor que 300 pés de um apidrio j4 existente As descobertas de Aristételes Foi Aristételes quem primeiro fez estudos com métodos cientifi- cos a respeito de abelhas (melissas), utilizando colméias cilindricas feitas com ramos de ar- vores entrelagados e rebocados com uma mistura de barto © ¢s- trume de vaca, Esta colméia hoje é chamada de anastomo (“de boca para cima”) ou cofini, € em certas regides da Macedonia ainda é usada. Pessoalmente, ainda che- -guei a conhecer estas colméias no apidrio de meu avé paterno. Este tipo de colméia (coberta com um cone de palha, como um chapéu) possui alvado ou alvados (buracos por onde entram as abelhas no Cortigo) na parte inferior; tem a aparéncia de uma cesta ciindrica sem algas, onde na parte superior (boca) so colocadas de 8 a 12 ri- pas de madeira, patalelas, Ao longo da parte inferior destas ripas € derramada cera derretida, bem ‘no meio, e ao longo de seu com- primento. A partir deste fio de cera, as abelhas iniciam a constru- Gao de favos paralelos que chegam 0 fundo da cesta. Estes foram os primeiros favos méveis de que se tem noticia. ‘Com 0s favos moveis, Aristote- conseguit. fazer observacdes fssimas, das quais algumas sobreviveram até a descoberta do microscopic, outras até Langs- troth (apicultor americano do sé- culo XIX) € 0 espago-abelha, muitas sto vilidas até hoje. Segundo Aristételes: rei (hoje rainha) possui Ferrio mas no 0 usa; Ha divisio de trabalho dentro da coiméia: rei abandona a colGnia com enxame; ‘A doenea que ataca as larvas re~ sulta da alimentagdo imprépria; néctar é transportado na vesi- cul melifera. © famoso fildsofo observou ainda que: ‘AS abelhas, em cada v6o, visi- tam a mesma espécie de flores; ‘A abelha morre quando perde seu ferrao As abelhas nfo suportam maus cheiros ou fortes aromas; Elas gostam de agua limpa e corrente; les Da esquerda para a direia: Aristiteles, Sélon e Homero, importantes gregos ligados @ Historia da apiaalira colméia; As abelhas matam seus reis (hoje sabemos serem rainhas) quando existem muitos deles na mesma colonia; Quando se perde 0 rei, iio nas- com abelhas operirias. Os avancos modernos Depois de Aristételes, varios outros escritores, fildsofos € poe- tas gregos escreveram sobre a abe- Tha, depois seguidos pelos roma- nos; porém, no houve nenhum progresso substancial, até a desco- berta do mictoscépio, em 1590, pelos holandeses I. e Z. Janssen. O microscopic abriu novos ca- minhos no campo da pesquisa, € 0s estudos feitos entre os séculos XVII ¢ XIX pelos pesquisadores, fildsofos € naturalistas europeus 1n0 campo da biologia anatomia das abelhas marcaram 0 inicio do grande progresso apicola que se completou com as descobertas do “espago-abelha”, do “quadro mé- vel”, da “cera alveolada”, do “ex- trator de mel”, da “tela exclui- dora”, da “gaiola de introdugio de rainhas”, etc. Os maiores mestres da apicul- tura mundial, depois de Aristéte- es, si 1) Jan Swammerdam — hotan- és, foi o primeiro a desvendar 0 sexo da rainha, pela dissecagao, em 1670, Todavia, nfo explicou sua fecundagao, 2) Janscha — austriaco, apicultor da rainha Maria Teresa, Desfez pelas suas observagdes, em 1771, 0 mistério da fecundagdo das rai- nihas, descobrindo que esta ocorre a0 ar livre, 3) Frangois Huber — suigo, notou em 1778 0 véo e retorno de rai- nihas virgens com evidéncias de fe~ cundagéo, Em 1788, demonstrou que as rainhas acasalam-se mais de uma vez. Em 1791, tentou a pri- meira inseminagao artificial 4) John Dzierzon ~ alemio, re- verendo protestante, descobriu a Partenogenese em 1845, eruzando Fainhas italianas com zangOes ear nios, ete 5) Lorenzo Lorraine Langstroth ~ nascido em Filadélfia (EUA) a 25/12/1810, falecido em Dayton (EUA) 8 6/10/1895. Foi reverendo protestante, apicultor e escritor, Em I851, descobriu 0 “espago- abelha", uma das maiores con- ‘quistas para a apicultura racional. Foi também 0 criador do “quadro méyel”, suspenso dentro da col- méia pelas duas extremidades, dentro do qual as abelhas, guiadas por folha de cera, constroem seu favo. © “espago-abelha”, descoberta de Langstroth, consiste no. se Buinte: se 0 espago entre 0 quadro © a parede da colméia é inferior a 635mm, as abelhas 0 fecham com prépolis; quando ¢ maior que 9.5mm, ali constroem favos. Em dimbos os casos, 0 “quadro” deixa de ser mével, A partir dessa 7 Historia da apicultura Langstroth descobriu. 0 espaco-abetha. descoberta, a apicultura norte- americana ‘(inicialmente) © a do mundo ganharam um grande im- pul. Comegou ai o progresso apicola galopante, devido aos grandes ren- dimentos que comegaram a ser ‘obtidos pelas vantagens do “qua- dro mével” e “favo movel”, que facilitam a revisio do ninho das coldnias de abelhas. O alcance destas vantagens seri melhor compreendido na parte referente 4 vida da colénia no apiirio (ver pagina 30), 6). Mehrig — alemo, inventou 4 cera alveolada em 1857 7) D. Hruschka — veneziano, in- ventou em 1865 0 smielatare, miquina extratora de mel que niio danifica os favos. A apicultura no Brasil Asabelhas do género Apis mel- ified. nao sao autéctones do conti- nente americano; foram trazidas da Europa por colonizadores ¢ imigrantes. Conforme o dr. Paulo Nogueira Neto (Manual de Apieultura), 05. primeiros introdu- tores de coldnias de abelhas te- riam sido 0 reverendo Anténio Aureliano, Paulo Barbosa © Se- bastiio Cordovil de Siqueira Mello, no ano de 1839. As cold- nias de abelhas teriam chegado a0 Brasil procedentes do Porto (Por- tugal). Das 100 colonias embarca- das, apenas 7 sobreviveram a via gem, e logo aqui proliferaram, dando © inicio A apicultura no Brasil. Porém, no ano de 1845 (se~ gundo o prof. Hugo Muxfeldt, na revista O Apicultor, n® 1 — 1968 da CBA), "€ possivel que os alemies, fundadores de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, tenham conseguido trazer algum cortigo de palha ou vaso de barro cozido com abelhas”. Na apicultura nacional, contri- buiram muito como instrutores os imigrantes alemdes Frederico Au- gusto Hanemann e Emilio Schenk. A seguir apresento breve resumo de suas biografias, se gundo dados encontrados na re vista anteriormente mencionada. primeiro dos mestres que me- receu 0 titulo de “Pai das Abe- thas” foi Frederico Augusto Hz hemann, primeiro imigrante api cultor. Chegou ao Brasil em 1853, instalando-se em Sio Leopoldo (RS), ¢ logo iniciou a eriagdo de abelhas. Descontente com a flora da regio, mudou-se_ para 0 Pardo em 1868, onde fundou a “Fazenda Abelina”, Foi constru- tor da primeira maquina centri= fuga (extratora de mel) no Brasil, e inventor de uma colméia com quadros méveis. Toda sua vida foi dedicada as abelhas, até 1912, quando faleceu com 94 anos de idade, © segundo imigrante alemdo apicuttor_e mestre apicola foi Emilio Schenk. Chegou em 1895 ¢ instalou-se em Curitiba, Em 1897, fundou a primeira revista epicola do Brasil, intitulads Brasilianische Bienenzuechier (“Apicultor Brasi- leiro"), cuja primeira edigdo, em alemdo, sain em 1900. Em 1903, mudou-se para Taquari (RS), onde instalou um grande apiirio moderno — hoje, 0 Parque Api- cola da Secretaria de Agricultura Em 1922, organizou 0 Colmeal Modelo, na Exposigzio do. Rio de Janeiro, e posteriormente foi con- Vidado pelo Ministério da Agricul- ura para ser 0 primeiro professor de apicultura na Escola Federal de Agricultura, no km 47 da es- [Link]-Sio Paulo, Foi aposen- tado em 1941, com a idade de 68 anos, ¢ fuleceu em 1945, em Ta- quari, junto as suas abelhas, Emilio Schenk dedicou-se a di- fusio das técnicas de criagdo ra- cional de abelhas; foi apicultor, es- critor e professor. Foi ele também quem idealizou a colméia Schenk, assim chamada em sua honra, Esta colméia encontra-se ainda di- fundida do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro. A contribuicdo de Bruno Schirmer Quanto ao monge d, Amaro Van Emelen, O. §, B., é da obra do sr, Hugo Muxfeldt (4picultura Para Todos) que tiramos as valio- sas informagOes resumidas a se- guir. D. Amuro nasceu a 2408/1853. Dedicou-se com muito amor ao desenvolvimento da apicultura; todos que quiseram aprender api- cultura encontraram nele orienta- sao ¢ todo apoio, Esereveu e pu- blicou o livro A Cartitha do Apicul- tor Brasileiro, além de virios folhe- tos. Faleceu em 1946, eausando & hago brasileira a perda de mais um grande mestre apicola, ‘Como quarto mesire da apicul- tura nacional, menciono 0 gauicho Bruno Schirmer, com quem con= vivi e trabulhei por algum tempo, Bruno era pesquisador por na- tureza, homem honesto com ideais patridticos, Grande defen- sor da apicultura com abelhas de ragas mansas, foi um dos fundado- tes da Confederacio Brasileira de Apicultura, presidente da mesma, fundador de [Link], professor de cursos de apicultura. Inventou 25 apetrechos apicolas e: também as colméias homénimas (Schirmer Tropical e Schirmer ‘Temperada), conhecidas por todo © Pals ¢ muito usadas, prineipal- mente no Sul (So Paulo, Parana, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). { Bruno Schirmer foi editor e dix retor do jornal 4 Colméia, de edi- so mensal, que por 28 meses cir~ Culou em 33 paises do [Link] ano de 1973, com 68 anos de ; & Aes MEDEA idade, Schirmer faleceu em Ca- noas (RS), € a edigio de seu jomnal no teve prosseguimento. Desde a época em que F. A. Hanemann chegou ao Brasil e co- mecou a praticar e ensinar apicul- tura até 1956, ano em que foram introduzidas as abelhas africanas (Apis mellifiea adamsonii), a apicul- {ura nacional crescia e progredia a passos largos. Os colonizadores europeus que aqui chegavam e se instalavam traziam junto sementes de plantas para produzir seus alimentos, plantas medicinais para sua med cina caseira e, obviamente, tam- bem as abelhus, que sempre forne- ceram ao homem © seu remédio polivalente—o mel. Para todos os povos da Antigiiidade o mel foi sempre um grande remédio, e a abelha um inseto sagrado. Havia entdo, pela tradicdo dos povos eu- ropeus, uma conscigncia e infor- magio bastante entaizadas em cada colono com relagio a impor- tancia da abelha. Principalmente porque as abelhas tinham compos tamento décil e permitiam facil convivio com 0 homem e com os outros animais domésticos, Isto contribuia muito para a di- fusio da apicultura em nosso pais, principalmente nos Estados do Sul, onde a atuagdo dos mestres apicolas encontrava facilidade — como 0 préprio idioma alemao que eles falavam e era mais difun- dido por ali, Do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro estava lo- calizado 0 maior progresso api- cola do Brasil. Havia grandes pro- dutores de mel, editavam-se revis- tas, vendiam-se muitos niicleos de abelhas européias; praticava-se a apicultura com prazer, poesia, fa- cilidade ¢ sem incomodar nin- guém. Isso porque as abelhas das Tagas até entio introduzidas (4. ‘m, melifca, abelha escura; A. m. Tigustica, italiana, amarela ou dou- rada; A. m. carnica, abelha austriaca, de cor cinzenta) sio to- das mansas e permitem que sejam manuseadas apenas de méscara ¢ camisa de manga curta. ‘Aqui, entao, os imigrantes euro- peus reencontravam a abelha ‘mansa. com a qual estavam intima- mente ligados por tradigao e neces- sidade de sobrevivéncia, e passa- vam a crid-la, obtendo excelentes safras de mel sem muito esforgo. ‘As ubelhas, que viveram mi- IhGes de anos no continente euro- peu, desenvolveram a caracteris- tica'de armazenar alimentos para poderem hibernar com seguranca. Trabalham na primavera ¢ verdo, estocando bastante mel, e com este produto como “combustivel” atravessam os meses de outono ¢ inverno (com geadas, neve e gelo em abundancia) aquecendo o seu ninho até @ chegada da préxima primavera. Esta preocupacio de estocar bastante mel para um longo inverno, ou periodo de falta de pasto e calor, foi impregnado nas abelhas pela influéncia do meio ambiente ao longo dos mi- Indes de anos que elas ali viveram. ‘Quando as abethas de ragas eu- ropéias foram aqui introduzidas, a nao-existéncia dos invernos longos € rigorosos que elas sio capazes de enfrentar thes permitiu traba- thar mais meses por ano, desen- volver suas colOnias com menor esforgo (auxiliadas pelo calor), hi- bernar com mais sol ¢ muito me- nos frio e, como conseqiiéncia, ar- mazenar mais mel, o que fazia os colonos europeus ficarem muito satisfeitos com os rendimentos ob tidos por suas criagdes, Abelhas africana: inicio dos problemas Em 1956, foi introduzida no Brasil a abelha africana, As conse- giiéncias desta. introdugio, © 0 Fumo a ser tomado para a reabili- taco da nossa apicultura, o leitor conhecerd ao ler as opinides, as in- formagoes técnicas e cientificas 0s métodos apontados por diver- S05 técnicos de entidades governa- mentais, professores de universi- dades e representantes de associa~ ges apicolas, extraidos das publi- Cagdes mencionadas a seguir. Antes, porém, acho necessirio fornecer certas informages bisi- cas sobre genética apicola e eruzar mento de ragas de abelhas. Extraido do livro The Hive and the Honey Bee, capitulo VI (“Ge- netics and Breeding of the Honey Bee”, "Genética e Procriagio das Abelhas”), de autoria de G. H. Cale Jr. (PhD, diretor de pes- quisa da firma Dadant & Sons Inc.) e W. C. Rothenbubler (Ph D, professor de entomologia, z00- Jogia e genética da Universidade de Ohio). Da pigina 168 do re- Historia da apicultura ferido livro copiamos o seguinte texto: “Huploidy of drone bees brings both advantages and disad- vantages to bee breeding and ge- netics. For instance an F2 genera- mn cannot be produced in bees, because an F2 generation results from mating two FI individuals An Fi is a hybrid, 4 drone bee, a haploid can never be a hybrid. It is precisely because of this haploidy, however, that a drone’s sperms are genetically identical. One mete from a queen (unfertilized egg) becomes up to 10 millioni- dentical gametes (sperms) in a drone.” (*) trecho inteiro & de interesse, mas a parte por nés sublinhada, dizendo que 0 zangio nunca pode ser um hibrido, é 0 que melhor es- clareceri 0 espirito contido nas ‘opinides que transcrevemos a se- ir. Os préximos textos so extrai- dos do jornal apicola A Colméia. De 01/10/1971, paginas 8/9, & 26/10/1971, pagina 5, de autoria do dr. Coriolano Francisco Caldas F? (veterindrio, ex-funcionério da Se- eretaria da Agricultura do Estado de ‘Sao Paulo, Segdo de Apicultura da Divisdo de Zooteenia e Nutricéo Animal, P.D.A.): “A introdugdo de abelhas afri- ccanas emnoss0 Estado (Piracicaba 1956/1957), diretamente em pleno territorio continental, e logo distri- buidas entre os apicultores interes- sados, até de outras unidades da ‘edetaco, gerou dois problemas = um técnico © outro social -, que, por sua importancia e gravi dade, reclamam do poder piblico iaacenakieren nares encase Seana reside doacsloment ded ndvinos RS paeeesce cere tenes eee ere nha (ow nao fertitizado} se torna até 10 mi- Sane enoneees ae a maxima atengao, todo interesse. “Do ponto de vista técnico, te- mos hoje uma apicultura seria mente traumatizada, que con- trasta com a florescente que tinha- mos hd um lustro, e que, paulati- namente, vai sendo abandonada até pelos mais ferrenhos apiculto- res, “Tal quadro, tdo sombrio, resul- tado do temperamento feroz do selvagem inseto, que ataca em massa, persistentemente, sem justa causa ou causa aparente, e indiscriminadamente, pertur- bando toda atividade’¢ ofere- cendo sério risco. Inestimaveis so 0s prejuizos decorrentes da mor- tandade de animais de pequeno e médio portes, sobretudo, e até de grande porte. “Sendo a apicultura uma arte exigente de manejo ¢ riea de deta- Thes que estruturam diversas técni- cas e diferentes métodos, que ndo podem ser marginalizados, e con- siderando o temperamento do pe- rigoso inseto, que além de feroz & cruel, a exploragio apicola que castigava 0 apicultor e seus auxi- liares hoje martiriza-os. E como a maioria dos apicultores, pequenos © grandes, tem seus apidrios em terras de terceiros, os problemas novos que ainda precisa enfrentar resultantes de ataques a eriagdes ¢ ‘4 pessoas estranhas constituem os fatores de desalento e de aban- dono da profissao (ou hobby) “Da generalidade da africaniza- ¢io no Brasil, um fato novo apare- Ceu; a existéncia da abelha meli- fica passou a ser sentida por todos, apicultores ou nio, apreciadores de mel ou nio, adquirindo 0 co- nhecidissimo inseto, universal- mente consagrado como util, o gualificativo de flagelo, de praga, que precisa ser combatido,” ‘Ano 1972, pagina 84 ~ Relatério da Comissio Parlamentar de In- guérito Sobre Apicultura no Estado do Rio Grande do Sul; depoimento do eng? agronomo Frederico Bava- resco, diretor da Estagdéo Experi= ‘mental de Taquari: “Nao hd mel no Rio Grande do Sul, nio hd mel no mercado, por- que © que existe & que as abelhas nio produzem, E a causa determi- nante da queda da produgao é a presenga das abelhas afticanas, abelhas oriundas do continente a- fricano.” Ano 1972, péigina 96 das conclu- ses da CPI, pelo deputado Romeu Scheibe: “Para se recuperar a apicultura no Estado do Rio Grande do Sul, a subcomissao, diante do que esta exposto no relatério, entendeu de apresentar as conclusdes que se Seguem € que mostram 0 caminho a seguir: 1) O interesse do Ministétio da Agricultura, através de um 6rgiio especializado na elaboracio de uma legislagao propria visando a estrutura apicola de cardter nacio- nal, prevendo convénios com os Estados, ¢ estes, através de suas Secretarias de Agricultura, com as prefeituras; 2) Importagdo de rainhas euro~ péias em grande quantidade evo- luindo para a criagdo de rainhas proprias; 3) Assistncia téenica em todos 6s setores onde esta sendo prati- cada a apicultura; 4) Recuperacdo total da Esta- gGo Experimental de Apicultura da Secretaria de Agricultura em Taguari; 5) Facilitar 05 meios para a im- portagio de remédios, através das Secretarias de Agricultura, que se- lo distribuidos as prefeituras (re- meédios sem similares no Pais). Im- portago com isengao de impos- tos: 6) Controle da abelha africani- zada, através de métodos apro- priados por técnicos ¢ especialis- tas no assunto, até sua erradica- do: 7) Corrigie, através de imperati- ‘os legais, a introducdo indiscrimi- nada de racas de abelhas no Bra- sil, tnica forma de evitarem-se conseqiiéneias negativas, como doengas, e a conhecida agressivi- dade ¢ improdutividade das africa- ta Ano 1972, artigo “Combate és Abelhas Africanas” (jornal A Col- méia), pagina 209, por Bruno Schir- mer: “O Primeiro Congresso de Api- cultura, realizado em Porto Alegre nos dias 27, 28 e 29 de outubro, foi uma verdadeira consagragio ao combate as abelhas afticanas. Dos 300 participantes, ndo houve um sequer que ‘clogiasse’ esta peste de abelhas. Foi condenada por uunanimidade pelos apicultores ex- perimentados. Apicultores que outrora ainda acreditavam no aproveitamento desta abelha im- prestdvel declararam-se decepcio- nados e revoltados contra a intro- dugo no Brasil desta peste conti- nental.’ ‘Também vale a pena conhecer um pouco como o prof. dr. War- wick Estevam Kerr, introdutor das abelhas africanas, e sua equipe fa- zem para melhorar as abelhas —, seo fazem distribuindo rainhas affieanas ou rainhas européias Isto € muito importante para evi- tar mal-entendidos. Passo, pois, a transerever ipsis li teris parte do primeiro pardgrafo da pagina 170 do livro Apicultura em Clinta Quente (Simpésio Inter- nacional, 1978, Floriandpolis, SC), trabalho elaborado pelos doutores A.C. Stort (Instituto de Bio cias, Unesp, Rio Claro, SP) e L. S. Gongalves (Faculdade de Filoso- fia, Ciéncias ¢ Letras de Ribeirdo Preto, USP): “(...) Todavia, nestes iiltimos dez anos 0s apioultores passaram a se adaptar cada vez mais & nova apicultura com as abethas aftica- nizadas, e, com a realizagio de se- leeio, em muitos apidrios a agres- sividade vem sendo aos poucos minuida. Para que isso ocorresse, merece ser destacado também 0 grande esforco da equipe de pes- quisadores do Departamento de Genética da Faculdade de Medi- ccna de Ribeiro Preto — USP, sob a lideranga do prof. dr, Warwick E, Kerr, que durante mais de 10 anos distribuiu _ gratuitamente cerca de 25 mil rainhas italianas € caucasianas para apicultores de Varios Estados do Brasil. Isto con- tribuiu para uma mais répida hi- bridagao das abelhas e redugio da agressividade das mesmas.” Da pagina 28 dos Anais do 1° Congreso Brasileiro de Apicultura ‘em 1970, parte do trabalho apresen-, tado pelo dr. Warwick E. Kerr (pro- ‘fessor de genética da Faculdade de Medicina de Ribeirdo Preto, USP): “Em algumas regides, a abelha africana pode possuir os seguintes caracteres negativos: grande agressividade e incapacidade de usar cera moldada padrio (que é baseada nos padrdes da italiana), ‘Nesse caso, devemos proceder a substituicdo das rainhas das colé- nias mais improdutivas por rainhas virgens, de raga caucasiana (re- gides frias) ou italianas (regioes quentes). Assim que tais rainhas estejam em franca postura, devem receber quadros com cera mol- dada de zangées.” Merece ser relatado também 0 trabalho apresentado pelos cole- as e amigos gatichos no mesmo simpésio de 1978, sob o titulo “Andlise de 11 Anos de Trabalho da Equipe da Associagio de A\ cultores Canoenses”, Transcrevo da pagina 180: “1969. A apicultura em deca- déncia ¢ queda vertical da produ- Go de mel; saturagdo de pasta- Bens apicolas; enxameacao ¢ agressividade incontroladas; redu- iio das atividades apicolas 20 mi- nimo; incéndio de apiirios e col- meéias agressivas; ambiente api- cola de calamidade. “1970, Prosseguimento da guerra as “tigrinhas’ invasoras, como eram chamadas as abelhas afticanas em virtude de sua agres- sividade; atacavam a tudo e a to- dos. “1971, Apenas 30% dos apicul- tores teimaram em resistir is in- ‘vestidas das invasoras ainda agres- sivas € enxameadoras (...). “1972. Com a aquisigdo de algu- mas rainhas importadas da Argen- tina e de Bolonha (Italia), foi possivel dar inicio a criagdo de rai- nhas Fl, que, mesmo fecundadas por zang6es africanizados, apre- sentavam resultados aceitaveis, com boa produgao e indicio de re- dugio da agressividade. A tenta- tiva de selecdo da abelha hibrida existente ndo foi cogitada pela equipe, em virtude da tendéncia reafricanizante observada pela maioria dos apicultores em ativi- dade. “1973. Neste ano foi instalado um criadouro de rainhas em Ca- nos, para atender & demanda crescente de rainhas Fl, que, como foi salientado acima, davam bons resultados com indicios de mansidio, além de boa predugio ¢ resisténcia a enfermidade, 0 que foi constatado pela baixa incidén- cia destas nos tltimos anos. “1974. Continuagio das obser- vagdes ¢ experiéncias; ampliagio do programa existente; processou- se a reintegragio de apicultores que haviam abandonado a apicul- Situago atual da apicultura no mundo Comtinentos Ares Anicultores.§——Colonias_—_Producto ix 1.000 ee) 900) &T.000) -—_Ironeladas) Atvica 32314 2.526 12.010 82708 ‘America do Nowe (1) 13.636 435, 4754 128200 America do Su/Central 20.785 235 4041 ozat4 Asa 27.896 902 8.040 72.933 Esropa 4682 1387 12983 120.680 Cceania 7.956 12 684 23.850 aS @) 22.400 1150 10000 103000 Muna! 135668 6027 50512 628.785 aloes Area — Apicuitowes ———ColOnias—_Produnto G1000Km) — “1.000 1.000)—tronalades) 2.603 28 00) "23 300 2976 to 408, 18.200 742 8 417 6.030 5 0 216 7533 3660 425 4364 107.000 132 a 380. 8452 1957 0 009 30.000 e512 15 440 7368 1 as wan so a He Carga Sine eho 127) Histéria da apicultura tura, com abelhas hibridas e boa produgao de mel; houve decrés- cimo da enxameagio, acompa- nhado de menor agressividade. “1975. Os apicultores atualiza- dos em téonicas de manejo ade- quadas favoreceram o trabalho, aumentaram os apiirios e, conse- giientemente, a produgio de mel, “A criagdo de rainhas Fl au- mentou em grande escala para tender a demanda local e de ou- tras regides do Rio Grande do Sul, com resultados promissores, anun- ciados pelos apicultores canoenses ¢ também interioranos (...).” “(...) Pela andlise e acompa- nhamento dos trabulhos destes 11 anos de intensa atividade; pelas observagdes © pelas experiéncias feitas por dezenas de apicultores em varios municipios; pelas varia- ‘gOes genéticas apresentadas nos Ultimos anos pelas abelhas a que nos referimos, somos de opiniiio que a europetzactio dos apidrios & caminho indicado.” Da revista Ciéncia ¢ Cultura, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciéncia, vol. 30 wf 4 — abril de 1978, pagina 493, de um artigo do dr. Antonio Carlos S- ton: ..) The FI queens produced two types of males: a) 50%, of african drones ( b) 50%; of italiandrones .° (* Estas fainhas Fl do trabalho do 4r. Stort so rainhas mestigas. Por terem produzido zangdes aftica- nos (50%) e italianos (50%,), pode- ‘mos afirmar que s4o rainhas mes- ticas das ragas africana e italiana, ja que as rainhas mestigas produ- zem zangdes de duas ragas', 50% dda raga de seu pai ¢ 50% da raga de sua mie. No livro de Harry H. Laidlaw Jr. Contemporary Queen Rearing (1981), nas dltimas duas linhas do 2° parigrafo da pagina 152 encon- tramos a informagio de que 0s es- permatozdides do zangio sio Be- [Pet yar Fp dis de Veet a 3, eSngs ac (83% sis Aan. neticamente idénticos entre si, © também idénticos ao évulo que gerou 0 zangio. Dos anais do Primeiro Con gresso Brasileiro de Apicultura, {ranscrevo a seguir parte do traba~ tho apresentado pelo sr. Helmuth Wiese (chefe do projeto de apt cultura da D.F.D.P. — Secreta- ria da Agricultura do Estado de Santa Catarina; atual presidente da Confederagio Brasileira de ‘Apicultura) sob o titulo “Abelhas Africanas, Suas Caracteristicas € Tecnologia de Manejo”. Das pgi- nas 98 e 99) Desvantagens “Como caracteristicas indeseja- veis € que sio os motivos de preo- cupagio para os apicultores, te- mos as seguintes: 1) So muito agressivas ¢ ner- vosus, Costumam atacar em massa € de forma generalizada toda a vez ue perturbadas ou sob influéneia de condigdes nao proprias a sua biologia. Todavia, existem familias menos agressivas que outras, fato que merece a atengio dos selecio- nadores; 2) Sdo muito enxameadeiras se mantidas em colméias pequenas de pouco espaco ¢ ventilacio defi- Giente; 3) Sdio migratérias se deixadas sem alimento, sem gua, sem es- ppago e expostas ao ataque de ini- migos ou mesmo mal manipuladas pelo apicultor; 4) Quando puras, no aceitam a cera alveolada comum com células para abelhas italianas, cér- hnicas ou do reino; mas, submeti- das a eruzamentos com outras ra- ga, passam a aceitar as laminas al- veoladas comuns sem dificuldade. “Aceitam normalmente os fa- ‘yos com as células jé puxadas. En- fim, ja nfio podemos considerar este aspecto como desvantagem na atualidade. “5) Produzem machos em al- véolos de operiirias nos meses de ‘outubro a dezembro aproximada- mente (Kerr) “6) Sao propolizadoras. Costu- ‘mam propolizar exageradamente 98 quadros e fechar a entrada do alvado em algumas épocas do ano, de acordo com a populagio; 7) Perseguem 0 inimigo a dis- tancias mais longas que as outras abelhas; 8) Sto grandes pilhadoras. As revisoes das colméias, recrias, co Iheitas, alimentagao ¢ introdugao de rainhas devem ser feitas com mais cuidado e em horas apropria- das; “ 9) Consomem mais alimento durante 0 inverno, motivado pela ‘postura da rainha fora da época e conseqiiente alimentagao da prole, fato que favorece a migra- “Abelhas africanas nio morrem dentro da colméia por falta de ali- mento; migram até 0 exterminio total, sempre em busca de ali- ‘mento que esperam encontrar em algum lugar. 10) Familias pequenas ou abe- thas alojadas em niicleos costu- mam acompanhar a rainha quando esta sai em voo nupcial. Esta caracteristica dificulta 0 uso de niicleos pequencs para fecun- dacdo de raimhas. 11) Costumam eliminar a rai- nha quando 2 colméia for trans- portads pars distancias longas em cestradas acidentadas ou manipuls- das com movimentos violentos. “& apicultura migratoria ¢ se- ramemte prepaicads por este 12) Solem eaxames miltiplos simultineos com viras raiches “1) Localize 0 apidrio afastado no minimo 200m da residéncia; 2) Localize 0 apidrio afastado a uns 300m dos estabulos, chiqu 10s, galinheiros. Abelhas detestam cheiros de animais (...).” Comentarios O leitor conhece agora mais de perto a situagio atual da apicul- tura nacional, e sabe que a causa principal é a introdugio da raca ‘adamsonii, por ser totalmente in- compativel com a apicultura ra- cional. Vale a pena, no momento, ana- lisar com mais miniicias alguns dos trabalhos anteriormente men- cionados, para que cada um, a0 entrar neste ramo, saiba desde ja 0 que esperar do setor em que in- gressa sem sonhar alto demais, desenvolvendo-se com realismo. © trabalho dos professores dr. A. ©, Stort € L, S. Gongalves, apresentado no Simpésio de Api- cultura em Clima Quente, merece as seguintes observagdes: Nao ha aca afficanizada de tabelhss; existem apenas abclhas femininas africanizadas (operarias ¢ rainhas), filhas de rainhas euro- peis puras (suas mics) ¢ de zan- 0es africanos (seus pals) — por- ‘que, nas abethas, o zangio (ma- cho) nasce sempre puro, nunca mestico. Por nao existir raga africani zada, 0 nico caminho a seguir, a Unica tlbua de salvage para dimi- nuir a agressividade das abelhas africanas puras, €a substituigao de suas rainhas por rainhas européias puras, que, por serem até hoje fe- cundadas ‘apenas em ambiente continental, produzem prole afri- canizada — portanto, um produto inevitavel, e niio uma faganha. Eu repito, as abelhas africaniza- das sio filhas de rainhas européias puras. E por isso que o dr. W. E, Kerr ‘¢ a sua equipe distribuiram 25 mil rainhas itafianas e caueasianas (ra- gas déceis): para que as filhus des- Ss rainhas(abelhasaficanizads) substituam as africanas puras. interessante observarsque 0 dr. Kerr nio distribuiu 25 mil rainhas africanas puras, nem mesticas, porque ele bem Sabe que com elas no se melhora nada, nem se atin- gem objetivos, Entdo, 0 que se extrai de lamen- tavel que ele e sua equipe distri- buiram apenas 25 mil rainhas de ragas déceis naqueles 10 anos; de- veriam ter sido distribuidas 25 milhoes de rainhas. $8 que nto é facil, e tampouco econdmico, pro- duzir anualmente 2,5 milhbes de rainhas fecundadas de ragas dé- eis em pleno continente infestado de africanas. Por isso, torna-se im- prescindivel a implantagdo de cen- ros de produgio de’ rainhas em ilhas afastadas do continente, pois tornam a producdo econdmica e permitem fecundagao pura (sem a participacdo de [Link]- ns). Quanto ao trabalho da Associa gio dos Apicultores Canoenses, digo que as mencionadas rainhas FI so na realidade rainhas euro- péias puras,filhas das matrizes im- portadas (qjue chegaram a Canoas ja fecundadas por zangdes de sua propria raga em seu pais de ori- gem) e que, portanto, produzem individuos de uma tnica raga (nao mestigos). Assim, estas “FI” sio na realidade rainhas puras de ra- «cas européias, que, por terem sido fecundadas em Canoas por zan- gbes da regido (tanto africanos quanto europeus), produzirio parte de sua prole feminina africa- nizada ¢ toda a prole masculina de raga décil, Pela existéncia destes zanges de ragas dceis na regiio, formou-se ali uma bacia genética de inestimavel valor, porque estes Historia da apicultura zangOes fecundaro parcial ou to- talmente as rainhas virgens, tanto dos apidrios quanto as africanas que vivem nas matas, europe zando ainda mais as suas proles. Dessa maneira, mascem das rai- nnhas européias (déceis) prole pura européia na maioria, e das africa- nas, prole europeizada, Assim, @ Area fica, com 0 tempo, desalrica- nizada pela europeizacdo. Este € 0 Gnico caminho cienti- fico e de viabilidade pratica para se reabilitar a nossa apicultura. Quanto ao trabalho do dr. Kerr, apresentado no Primeiro Con- gresso de Apicultura, digo que a expressio “Em algumas re- gides...”, etc., significa, para quem entende de genética apicola e sabe que 0 zangio nasce sempre puro de raga, que estas sto todas as regides do Brasil onde nao hi apicultores que criem abelhas fi- Thas de rainhas européias puras; portanto, ndo existem por ali zan- ‘BOes europeus, mas apenas alrica- nos, Nestas regides temos apenas abelhas africanas puras, total- mente agressivas, miiidas, impro- dutivas e incapazes de aceitar cera alveolada; imprestaveis para a api- cultura racional, Tais abelhas ndo melhoram nunca, Portanto, é necessirio cau- tela para nao se confundir 0 verbo “melhorar” com 0 verbo substitur. Assim, para “melhorar” estas abelhas ¢ necessirio que elas se~ jam totalmente substituidas. Pri- meiro se tira a rainha africana, e & colénia fica encabecada por uma rainha européia pura, com fecun- dao pura ou ndo (ver parte so- bre haploidia do zangdo, a pig. 10);com o passar do tempo, as ope- ririas africanas que alimentam as crias da rainha européia (dentro de um prazo de 70 a 90 dias, apro- ximadamente) serdo gradual- mente substituidas pelas filhas da nova rainha (européia), € por fim desaparecerao. | Entiio, as pessoas dizem que as | africans ficaram mansas, 0 que esté errado; as afticanas morre- ram, ndo existem mais, Melhora- ram as abelhas, mas no so mais as africanas. Quiro trecho que merece ser analisado € 0 seguinte: “(....) Neste caso (. ..) até (....)(regides quentes)”. Aqui fica bem claro que 0 introdutor das africanas nao deposita confianga na taga que trouxe, nem quando pura, nem quando mesticada, jd que reco- menda a substituigao das rainhas de colénias improdutivas por rai- has das ragas italiana e cauca- siana. Se as rainhas africanizadas ou de raga afficana, selecionadas unio, produzissem proles mais produtivas, por que tecomendar outra raga? E porque ele sabe que a abelha africana nao é boa produ- tora de mel. Apesar de o dr. Kerr no afirmar a que raga pertencem as rainhas das colénias de abelhas improdutivas, pode-se deduzir com muita facilidade a que rag elas podem pertencer; basta parar € pensar um momento qual raga ¢ a mais difundida por todo 0 terti- t6rio nacional, € atentar para 0 fato de que se recomenda a sua substituigfo por rainhas de raga italiana Ou caueasiana. Portanto, se prestarmos bastante atengi0, perceberemos que ele confia e aprova como boas produtoras de mel as abelhas filhas de rainhas ceuropéias, e nao filhas de rainhas africanas. E também néo confia nas rainhus. afficanizadas como tendo proles boas produtoras de mel, porque sabe que cada rainha africanizada virgem, se fecundada em regio onde sé ha zangdes afti- ‘canos, produz 50%, de sua prole mestiga como ela propria, © 50% dda prole (de operarias) puras afti- cana dr. Kerr diz ainda que estas rainhas devem receber cera alveo- Jada para zangSes. Isto € 0 mesmo que aconselhar a produgio de zangdes, que no eas. nascerio ‘caucasianos ou italianos (rags do- eis europeias). Sabe-se que os zangBes no produzem mel; para que mais, entio, poderia servir esta recomendagio, se nao para saturar a regio com zangdes eu- ropeus, desafricanizando-a pela europeizagiio dos enxames livres na natureza, através da fecun Go total ou parcial de suas rai has virgens? ‘A respeito do trabalho do st. Wiese, digo: As abelhas africanas tm tudo para ser o exemplo de raga impré- pria para a apicultura racional, pois, se para se instalar apenas uma coldnia necessitamos de uma firea de 600 x 600m, pergunto: sera que uma coldnia de abelhas afri- canas dard mais lucros ao ocupar estes 36 hectares (pari manilestar sua fiiria 20 ser manipulada) do que qualquer outra atividade agro- pecudria? E sera que com uma raga dessas os minifundiarios poderio algum ia praticar a apicultura? Portanto, vivam as ragas euro~ péias, que témt sido a tdbua de salva fio da nossa apicultura AS ABELHAS: _ OPERARIA, ZANGAO E RAINHA Numa colénia convivem harmonicamente trés tipos de abelhas — as operirias, os zangées e uma rainha apenas —, com funcdes especificas perfeitamente delimitadas. Apresentamos a seguir uma minuciosa descrigéo da vida de cada um dos componentes deste pequeno universo. As abelhas do géneto Apis melli- {fica $0 insetos sociais. Vivem em familias, denominadas colbnias, constituidas de: 1) Uma tinica rainha, que ¢ @ mie de todas as abelhas compo- nentes da colénia. Sua tinica fun- glo é a postura de ovos, jd que ela €a tnica abelha feminina com ca- pacidade de reproducio. 2) Alguns mithares de zangées, ‘que so abelhas masculinas. Eles nascem geralmente apenas na pri- mavera ¢ no veri, ¢ tém por ta- refa fecundar as rainhas que nas- cem, 3) Dezenas de milhares de ope- rérias, abelhas femininas sem ca- pacidade de reprodugdo. As ope- rdrias executam todas as tarefas necessirias dentro da coldnia: construir favos, alimentar a rainha e as crias, aquecer 0 ninho ¢ oxigeni-lo, colher e trazer alimen- elaborar armazenar 0 mel, defender colénia de seus inimi- 08, A operaria ‘A operaria nasce de um ovo fe- cundado, colocado no fundo de um alvéolo hexagonal (medindo aproximadamente 12mm de pro- fundidade e 5,1mm de diimetro). Apos 0 3? dia a contar da pos- tura do ovo, deste sai uma larva que se alimentari durante 3 dias de uma substncia glandular cha- miada geléia real, depositada no fundo do alvéolo por operdrias nu- trizes, Nos 3 dias seguintes, a larva — As abelhas receberd como alimento uma mis- tura de mel ¢ pélen. © alvéolo serd entio opercu- lado, porque a larva passa agora para'o estgio pupal, no qual nao Recessita mais de alimento du- ante os préximos 12 dias, até sair do seu alvéolo, jd com aparéncia e tamanho de abelha adulta, Por- tanto, 0 seu desenvolvimento dura 21 dias (3 dias de ovo, 6 dias de larva e 12 dias de pupa). Durante os dois a trés primeiros dias de sua vida adulta, a abelha trabalha de faxineira. Por volta do 3° dia, desenvolvem-se suas glin- dulas hipofaringeas, produtoras de geléia real, habilitando-a a exercer a fungao de nutriz — primeiro das larvas mais velhas, ¢ depois das mais novas. As nutrizes também fornecem geléia real para a rainh; Por volta do 9 dia, com 0 de senvolvimento das gléndulas ceri- genas (produtoras de cera), ela abandona as tarefas que até entdo executava, juntando-se a outras abelhas na mesma fase de desen- volvimento para em conjunto tra- balharem a cera que cada uma produz, construindo favos e oper- culando alvéolos, Nova mudanga glandular habi- lita a abelha a fazer mel, transfor- mando o néctar das flores, colhido ¢ transportado pelas abelhas cam- Peiras suas irmas. Por volta de sua 3* semana de vida, a abelha assume tarefas de guarda (defendendo a familia con- tra a invasio de inimigos), circula- gao de ar e sinalizagao odorifera. Por esse tempo comecam também seus vos de orientagéo, pre- parando-se para os traballios no campo. ‘Como campeira (até o final de sua existéncia), ela ¢ encarregada de trazer alimentos: néctar, pélen, gua. Também é encarregada de encontrar, cother e trazer propolis (resina vegetal por elas usada para desinfetar o interior de sua habita- ho, fixar pegas méveis e tapar bu- Tacos). ‘A duragiio de vida de uma abe- Jha operdria varia de 4 semanas (na época da atividade mais in- tensa) até 4 ou 6 meses (durante o ‘outono e inverno). Geralmente, nas 3 primeiras se- Abelhas operdrias vistas executando tarefas caseiras. manas de sua vida ela trabatha dentro da habitagao e, entre ou- tras tarefas, mantém estivel a tem- peratura do ninho durante 4 esta- ‘gGes do ano (que varia de um ma- ximo de 36°C a um minimo de 33°C). Quando a temperatura ex- terna diminui muito, as abelhas so forgadas a diminuir o tamanho da esfera-ninho (onde se desenvol- vem as crias), por nao poderem manter a temperatura ideal de uma grande esfera. O combustivel uusado tanto para 0 aquecimento do ninho como para voar¢ o mel. As abelhas campeiras colhem 0 néctar das flores com o auxilio da lingua (glossa) e o transportam na vesicula melifera; ao retornarem a sua habitagdo, transferem-no para as abelhas que elaboram 0 mel, ou as vezes o depositam diretamente nos alvéolos dos favos. A agua também € transportada na_vesi- cula melifera. A carga média de néctar ou dgua transportada pelas abelhas campeiras oscila entre 10 e 40mg. ° ae € colhido com 0 auxilio da pelugem, dos pentes e das per- nas. Como elemento umedecedor (para aumentar a aderéncia dos gris polinicos sua pelugem), a abelha usa sua prépria saliva, 0 ‘mel que carrega em sua vesicula melifera como combustivel, ou 0 néctar. ‘Os milhdes de grios polinicos, em forma de bolotas de 7 a 20mg de peso, so armazenados nas estas de pélen, localizadas nas tibias das pernas traseiras, e trans- portados até a habitagdo, onde a propria campeica os descarrega dentro de um dos alvéolos locali- zados em tomo da area ocupada elas crias A propolis & coletada com 0 auxilio das mandibulas, da pelu- gem ¢ das pernas da abelha e ar- mazenada nas cestas de pélen; é transportada e descarregada ge- talmente no ponto da habitagdo em que seri aplicada. A operiria mede de 12a 13mm de comprimento (ragas euro- péias), © seu tOrax tem cerca de 4mm de didmetro, Possui esque- eto externo (exoesqueleto), para © sustento de seu corpo; corres- pondente a derme da abelha, & Segmentado em forma de ancis cconstituidos de um material duro conhecido por quitina ou cuticula © corpo da abelha é coberto por pélos, ferramentas indispensi- veis para colher pélen. A colora- cio, densidade e comprimento dos pélos variam de acordo com as caracteristicas raciais de sua descendéncia, corpo da abelha (assim como da tainha e do zangio) divide-se ‘em 3 partes: cabega, térax e abdo- men. 1) Cabepa — Na cabega da abe- Ina operitia esto localizados os seguintes drgios: Em sentide horério, a partir da esquerda. 1) abelhas colhendo polen na flor de sgirassol: 2) bolora de polen sendo ‘carregada na perna traseira da abetha; 3) monte de bolotas de pélentiradas das ‘cumpeiras pelo recothedar de pélen: 4) bolotas de poten. Duas antenas, \ocalizadas na Baste mediana da cabeca, com 600 a 3,000 cavidades olfativas Dois olhos compostos, localizados um a cada lado, for- mados por 3.000 a 5.000 omati- deos (uma espécie de facetas cris- talizadas fixas de forma hex: nal), cobertos de minisculos pélos ue 0s protegem contra a pocira, g2ios polinicos e pingos «gua serem fixos, os grandes olhos da abelha percebem com grande facilidade 05 objetos em movie mento. As abelhas distinguem 0 amarelo, 0 verde-azulado e 0 ul- travioleta, Trés olhas simples, também cha- mados ocelos, localizados na parte frontal da cabega e que servem, a0 que tudo indica, para enxergar erto ~ no interior da habitagio, dentro dos alvéolos ou das flores. ‘A boca da abelha. possui uma parte principal denominada glassa, probéscide ou lingua, circundada pelos palpos labiais e mandibulas. Segundo a raga a que pertence a abelha, 0 comprimento da sus line gua varia de 4,5 a 85mm. As mandibulas fo’ desprovidas de dentes, possuem estrutura forte € Servem para mastigar e moldar a cera e a propolis, desfiar barban- tes, roer madeira’ podre ou muito MAS gcklas hipoh k As idulas hipofaringeas, lo- calizadss dentro da cabege. Go abelha, so as produtoras de geléia real. 2) Torax ~ Parte mediana do corpo da abelha. Ao térax esti li- gados a cabeca e 0 abdémen, as asas © as pernas da abelha. 3) Abdémen — Formado por 7 segmentos ou andis, é a terceira ¢ ultima parte do corpo da abelha, Contém a vesicula melifera ou e: témago de mel, o estomago de di- gesto, os intestinos, 0 ferro com Sua glandula de veneno, os érgdos Teprodutores (atrofiados), as glin- dulas cerigenas e a glindula de Nasanov (ou do cheiro). As glin- dulas cerigenas esto localizadas na parte ventral do abdomen em 4 pares; a glandula do cheiro esta lo- alizada no iltimo segmento, na parte dorsal sistema respiratorio compde- se de 10 pares de orificios (entra- das de ar) denominados espirdculos, dos quais 3 pares se lo- calizam no torax e os outros 7 no abdomen. O ar passa pelos espiré- culos, pela traqueia, e entra nos sacos traquiais. Através desse me- canismo, a abelha oxigena seu or- ganismo. As abelhas usam a glindula de ‘Nasanov para fins de comunica-* io odorifera: orientar suas irmis campeiras, que estio voltando para casa com suas cargas de ali- mento. O sistema de reprodugdo. das abelhas operdrias normal- Mente est atrofiado, mas em con- digdes anormais pode vir a se de- senvolver parcialmente (ver no slossirio operdria poedeira) O zangao © zangio, abelha do sexo mas- culino, € © macho da coldnia, Gordo, volumoso, mede em geral 15mm de comprimento, 5mm de dimetro no seu térax, ¢ pesa até 230mg. Ele nasce de um alvéolo hexa- gonal de diametro aproximado de 65mm. O opérculo do zangio ¢ convexo (saliente), 0 que facilita aos apicultores distinguir os favos crias de zang6es. O desenvolvimento do zangio, & partir do ovo até a idade adulta, ° demora 24 dias (3 dias de ovo; 63 de larva; 13,5 de pupa). Ao nascer, ele vive dentro do ninho recebendo alimento na boca pelas operérias. Pelo 4° dia de sua vida adulta, ja sabe tomar ” Zangives (e operirias) sobre 0 favo. mel sozinho, diretamente dos al- véolos; porém, prefere sempre pedi-lo das operdrias. Talvez isto ‘ocorra por ele ter lingua curta ou porque possivelmente o alimento que as operérias the dio contém alguma mistura de geléia real. Entre 0 ® eo 12° dia de sua vida, 0 zangio comesa a sair do ninho e voa por alguns minutos, orientando-se e exercitando-se. O zangio ¢ dotado pela natu- reza de drgios adequados para cumprir eficazmente 0 seu tinico dever — fecundar total ou parcial- mente uma rainha. Possui dois ‘olhos compostos bem grandes, com 6 a7 mil omatideos cada, ¢ antenas com mais de 30 mil cavi- dades olfativas, o que Ihe possibi- lita descobrir rainhas virgens a longa distincia, O zangio é ino- fensivo, pois ndo possui ferrio. $6 existém zangdes numa col6- nia quando sua presenga estie-se tornando necessiria. Seu nasci- mento est relacionado com 0 bom estado geral da colénia. Quando a colénia estd em franco desenvolvimento e pretende enxa- mear num futuro no muito dis- tante, as abelhas comegam a criar zanges, 0 que acontece 30 a 45 dias antes da enxameacio. Quando as condigdes se tornam desfavordveis para a coldnia, os zangdes slo sacrificados _pelas operirias, uma vez que eles ape- nas consomem alimento. Os zanges freqientemente tentam infiltrar-se nos ninhos de colénias populosas, porque tais coldnias pretendem enxamear; ali entio, eles sfo tolerados. Também se infiltram em qualquer colénia, populasa ou nao, que esteja “pu- xando” realeiras, onde obvia- mente sio bem-vindos ‘Quando. maduros sexualmente — 12.20 dias apés seu nascimento = so capazes de fecundar uma ainha, ¢ seus vOos passam a ser mais longos, podendo durar até 57 minutos. Pelas pesquisas de N. Gary nos EUA, F. Ruttner na Austria, Albert na Itélia, Jean- Prost na Franga, € muitos outros ccientistas, tém-se muitas informa- ges sobre a fisiologia e comporta- mento dos zangdes, que se_mos- tram preciosas para 0s apicultores desejosos de melhorar suas abe- Ihas pela europeizacio das rei infestadas de africana Dizem os cientistas que os zan- {ges costumam sair em busca de rainhas virgens geralmente por volta do meio-dia, em dias ensola rados ou com pouca nebulosi- dade, mas sempre com boa tem- peratura — mesmo com ocorrén- cia de ventos de 20 a 30km/h. Os zangOes costumam frequentar cer- tos locais, denominados locais de congregacdo de zangdes (sobre terra_firme), onde se juntam 08 zangdes de todos os apiarios exis- tentes num raio de 6,3km; ali permanecem, voando & espera de rainbas virgens. Cada zangio, antes de sair para ‘vos de acasalamento, se abastece de “combustivel” (mel), lotando sua pequena vesicula ‘melifera, Quando 0 “combustivel” estiver no fim, volta ao ninho, descansa, reabastece-se ¢ sai novamente. Os zangdes permanecem nos locais de congregaco, voando sem pou- sar para descanso fora de sua co- lonia, até as 16h, ou, no mais tar- dar, 1730. Uma hora depois da chegada dos zangées, aparecem nos locais de congrega¢do as rainhas vir- gens, que, uma vez detectadas, sio Perseguidas por pequenos grupos compostos de 10 a 100 zangoes, os quais formam uma espécie ‘de cauda de comets. A perseguisio da rainha dura alguns minutos ¢ os zangdes copulam com ela em pleno ar. Geralmente 6 a 8 zangdes copu- lam com a mesma rainha no ‘mesmo v6o ou em vO0s seguidos, que ela realiza no mesmo dia ou em dias subseqientes, até lotar completamente sua espermateca. Cada zangio gera 10 milhdes de ‘espermatozéides (Imm’ = 5 a 10 milhées); porém, durante a cépula perde-se a maior parte do es- Perma, e por isso a rainha copula com varios zangées. ‘Ao copular com uma rainha, 0 zangio morre; sendo, volta para ‘© ninho quando se sentir cansado, ‘ou por falta de “combustivel” (mel). Se 0 zangéo ndo chegar a copular com uma rainha, ele vie verd aproximadamente 50 dias, ou até mais, se nilo for expulso da 'co- Wnia. Durante 0 ano, uma colénia po- pulosa de raga européia cria até 6 mil zangdes. Nesse mesmo espaco de tempo, as abelhas de raga afri- cana eriam maior numero de zan- {26es, porque enxameiam constan- temente, ¢ substituem suas rainhas de 6 em 6 meses, aproximada- mente. Na primavera, verdo e ou- tono criam zangdes normais, mas durante o inverno criam zanges raquiticos “andes” em alvéolos de operirias. Estes zangdes tém a mesma capacidade de fecundacao que os ‘zangdes normais. (© zangio nasce sempre puro de raga, por originar-se de ovo nao fecundado, mesmo quando é filho de uma tainha (mie) mestica. Cada zangio’ gera_aproximada- mente 10 milhdes de espermato- Zbides, todos geneticamente idén- ticos entre si, iguais ao zangdo que ‘0s produziu e a0 dvulo que The deu origem, Esta informagio ajudard os lei- tores a perceber qual é o (nico) ‘caminho a seguir, ¢ porque o zan- 0 de raga européia nio deve ser considerado “o parasita”, mas sim a solugo para o melhora- mento das abelhas, desafricani- zando pela europeizagio. A rainha Em cada colénia de abelhas existe uma nica rainha, Ela € um pouco maior do que as jé mencio- ada operirias. Seu corpo, alon- gado, mede de 18 a 20mm de com- rimento, e chega a pesar 250mg. yuando fecundada ela caminha enta © majestosamente, ‘A raina tem cabega menor € mais arredondada que a da ope- Rainka marcada, para deseobrirse sua localizacao ¢ idenificacdo. riria, Seu térax é maior (4.8mm de diimetro) ¢ mais brilhante na parte superior, por no possuir pe- lugem densa. Seu abdomen & maior ¢ de coloragdo diferente (geralmente mais clara) do que a coloragdo dos zangées seus filhos € dus operdrias suas filhas (da ‘mesma raga). Ela ¢ 0 individuo mais especial da colénia, que atrai a curiosidade © a atencdo das pessoas, A rainha tem em seu abddmen a glindula de Nasanov, um ferro quase liso, uma pequena vesicula melifera, 0 estémago de digestio, os intesti- nos, um par de oviirios ¢ a esper- mateca. Ela nasce de um ovo fecundado € € criada com geléia real, numa célula especial, maior © com a abertura voltada para baixo, cha- mada realeira (ver glossario), O desenvolvimento da rainha de- mora 16 dias (3 dias de ovo, 5 de larva.¢ 8 de pupa). Nos primeiros 5 a 7 dias apds 0 seu nascimento, a rainha atinge sua maturidade se- xual, e entéo comeca a realizar y6os de orientagéo e exercicio. Tais yéos ocorrem durante a tarde, geralmente entre 13 ¢ 16h, em dias ensolarados ou com pouca nebulosidade, boa tempera- {ura e ventos que nao ultrapassem 30knvh. Orientada e madura sexual- mente, a rainha virgem realiza seu primeiro vo nupcial, durante 0 qual é fecundada por um ou virios zanges (6 a 8 em média), Cada zango que com ela copula morre apés a ¢jaculagdo, mas seu es- perma fica armazenado na esper- mateca da rainha (reservatério férico de Imm de didimetro). En- quanto os zangdes niio lotarem plenamente a sua espermateca, a rainha realiza vos nupciais com- plementares, no mesmo dia ou nos dias seguintes. Quando sua esper- mateca fica bem cheia, ela nao co- pula mais, ficando fecundada pelo resto de sua vida, Os lotes de sé- men que ela recebeu dos zangdes com os quais copulou ficam arma- zenados em sua espermateca, onde 0s espermatozdides perma- necem vivos, ‘Ao retornar com sucesso de seu ‘iltimo vo nupcial, a rainha passa a receber atengio especial das operarias, que comecam a alimenté-la com geléia teal. Trés a 19 — As abelhas cinco dias apés seu ultimo véo nupcial, a rainha comega @ pos- tura de ovos. A peléia real, como ja foi dito, € um produto glandular — portanto, um horménio. Ela pde em funcio- namento os ovarios da rainha, que passa a produzir ovos em quanti- dade proporcional quantidade de geldia real recebida das ope- rarias nutrizes. Quanto mais popu- losa for a colénia onde vive a recém-fecundada rainha, maior serd o numero de nutrizes e, por- tanto, ela receber maior quanti- dade de geléia real, podendo vir a botar 2 mil-ovos por dia ou mais. A jovem rainha comega a pos- tura de ovos pelo centro do ninho esférico, iniciando pelo alvéolo ¢ face mais centrais do favo que ‘ocupa 0 meio e descrevendo mo- -vimentos espirais & direita ou & es- querda; segue nesse comporta- ‘mento, pondo alguns ovos e pa- rando' para receber mais geléia real. Ha intervalos para alimenta- gio, tanto de dia como de noite. Se as condicdes do meio ambiente forem sempre favordveis, a rainha seguird sua postura ininterrupta- mente durante toda a sua existén- cia, até esgotar-se fisicamente, quando entdo sera substituida por lume de suas filhas, uma rainha jo- vem. Como a rainha fecunda um ovo A rainha mede a abertura de um alvéolo (limpo e desinfetado) com suas patas dianteiras; tratando-se de um alvéolo de ope- Tiria, antes ou depois de introdu- iro seu abdomen no alvéolo, ela comprime sua espermateca, para enviar alguns espermatozdides ¢ Tecundar 0 dvulo (que veio de um dos ovariolos de um ovirio, via oviduto lateral e médio) parado na cimara genital pela valvula (ver ilustracdo 1), A seguir, abre a val- vula, dando passagem a0 ovo jé fe- cundado, e este sai pela vagina, fixando-se com uma de suas pon- tas (provida de substancia adesiva) no fundo de um alvéolo, em posi- ‘edo paralela as suas seis paredes. Logo depois, a rainka retira seu 20 CABECA TORA Nascimento de rainhas de realeira ‘natural (acima) e artificial (abaixo) abdomen, vira para um lado, exa- 0s zangdes seus filhos, ¢ meia mie mina outro alvéolo e segue sua de todas as operarias € rainhas postura de ovos como descrito, suas filhas Quando a rainha encontra um“ A coldnia, como dizem alguns olo de zangiio, nfo comprime —cientistas, uma superfamilia com ‘sua espermateca: abre a valvulae uma tinica mae, composta por © ovo passa direto, sem receber subfamilias formadas pelos grupos espermatordide. Este ovo no foi de filhas de varios pais. Cada fecundado e, portanto, dard ori- (zangiio que fecundou a ri ) gem [Link] zangio. Ozangio nasce produziu tm determinado nimero Sem a participagio dos zangdes de filhas; por isso, a rainha é meia (Pais) que fecundaram a rainha mide de todas as fihas, e cada zan- suamie Hlendo em qualquer pa- glo que com la copuion € pa de rentesco com eles. Analisando 0 um certo niimero de filhas, Dessa que foi até aqui apresentado, nota- forma, nuniea se sabe quem sera o se um fato muito curioso na fisio- pai (zangio) da filha rainha que logia da rainha: nfo sdo os zan- substituird a rainha mile na colo Bes que fecundam seus ovos, é nia quando esta envelhecer ou cla mesma que 0s fecunda volun- partir com o enxame em uma en- tariamente, usando os espermato- xameagio. abides armazenados em sua esper- ‘mateca ¢ que foram recebidos dos zangOes com os quais copulou em Como ‘vos nupeiais. nasce nova Pode-se observar mais um fato rainha curioso na descendéncia de sua prole: a rainha é a tinica mie das _As abelhas so insetos sociais: abelhas da colénia — portanto, ¢ vivem em coldnias, onde cada in- mae de todas. Os pais, porém, so dividuo executa tarefas de acordo muitos (geralmente 6 a 8); por com sua idade e com as necessida- iss0, a rainha é 100% mae de todos des da col6nia, Como ja foi visto

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