0% acharam este documento útil (0 voto)
28 visualizações52 páginas

Inclusão de Alunos com Deficiência Visual

1. O documento fornece orientações para professores sobre a inclusão de estudantes com deficiência visual na escola, abordando conceitos, história, práticas pedagógicas e recursos. 2. Inclui definições de deficiência visual, desenvolvimento visual, funcionamento da visão, prevenção e identificação de problemas visuais. 3. Fornece orientações sobre como lidar com alunos com baixa visão e cegueira na sala de aula.

Enviado por

Soraia Romano
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
28 visualizações52 páginas

Inclusão de Alunos com Deficiência Visual

1. O documento fornece orientações para professores sobre a inclusão de estudantes com deficiência visual na escola, abordando conceitos, história, práticas pedagógicas e recursos. 2. Inclui definições de deficiência visual, desenvolvimento visual, funcionamento da visão, prevenção e identificação de problemas visuais. 3. Fornece orientações sobre como lidar com alunos com baixa visão e cegueira na sala de aula.

Enviado por

Soraia Romano
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Orientações práticas

para professores
de estudantes com

Deficiência Visual
Orientações práticas
para professores
de estudantes com

Deficiência Visual
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

SESI-SP
Orientações práticas para professores de estudantes com deficiência
visual / SESI-SP. – São Paulo : SESI-SP, 2018.
50 p. : il.

Vários autores.
ISBN 978-85-8170-057-1

1. Educação Inclusiva 2. Inclusão Escolar 4. Acessibilidade 5.


Deficiência Visual I. Título.

CDD: 371.911

1. Educação Inclusiva : Adaptação Curricular : Deficiência Visual


2. Adaptação Curricular : Educação Inclusiva : Deficiência Visual
3. Deficiência Visual : Inclusão Escolar : Adaptação Curricular
4. Inclusão Escolar : Deficiência Visual : Adaptação Curricular

Bibliotecária responsável: Enisete Malaquias CRB-8 5821


Informações Técnicas

Presidente em exercício
José Ricardo Roriz Coelho

Superintendente em exercício
Alexandre Ribeiro Meyer Pflug

Divisão de Educação Autores


Fernando Antônio Carvalho de Souza Eliana Cunha
Luciana Campacci Soraia Romano

Elaboração e Coordenação do projeto Revisão de Língua Portuguesa


Anne Lise Dias Brasil Elisabete Santos de Oliveira
Célia Maria Amato Balian
Soraia Romano Editoração Eletrônica
Kamila Sayuri Uchino
Taináh Linhares dos Santos

Todos os direitos reservados ao SESI-SP


Av. Paulista, 1.313 – São Paulo – SP | CEP: 01311-923 Tel: (11) 3146-7000 | [Link]
6
Caro Educador,

Apresentação
As informações foram organizadas com o objetivo de contribuir para você,
educador, desenvolver suas próprias estratégias de ensino e, assim, facilitar a
comunicação e o bom relacionamento dos estudantes com baixa visão e cegos.

Acreditamos que este material irá colaborar para o desenvolvimento de uma


escola que proporcione acessibilidade e igualdade, aspectos tão necessários
para a inclusão de todas as pessoas.

Boa Leitura!
Introdução ................................................................................................................. 13

sumário Inclusão: concepções, história e práticas pedagógicas .............................................


A inclusão escolar dos estudantes com deficiência visual .........................................
Definições sobre a deficiência visual .........................................................................
Legal .....................................................................................................................
14
21
21
21
Educacional .......................................................................................................... 21
Desenvolvimento visual no primeiro ano de vida .................................................... 22
Funcionamento da visão ........................................................................................... 23
Funções visuais .................................................................................................... 24
Prevenção da deficiência visual ................................................................................ 25
Identificando problemas visuais ............................................................................... 27
Refração da luz e erro de refração ............................................................................ 27
Visão normal ........................................................................................................ 27
Tipos de erro de refração ..................................................................................... 28
Hipermetropia .................................................................................................. 28
Miopia ............................................................................................................... 28
Astigmatismo .................................................................................................... 28
Presbiopia ......................................................................................................... 28
Outras alterações .............................................................................................. 28
Doenças oculares mais frequentes ........................................................................... 30
Recursos e serviços ............................................................................................................ 32
Recursos ópticos .......................................................................................................... 32
Para perto ................................................................................................................. 32
Para longe ................................................................................................................. 32
Recursos eletrônicos .................................................................................................... 33
Recursos tecnológicos .................................................................................................. 33
Recursos não ópticos e adaptações ambientais ........................................................... 33
Recursos de audiodescrição: para alunos com baixa visão e cegos ............................. 34
Orientações aos professores ............................................................................................. 35
Como lidar com a baixa visão ........................................................................................... 37
Baixa visão na infância ................................................................................................. 37
Baixa visão na adolescência ......................................................................................... 37
Considerações sobre o cotidiano ................................................................................. 38
Como lidar com a Cegueira ............................................................................................... 39
Desenvolvimento da criança cega ................................................................................ 39
Oferecer atividades concretas ..................................................................................... 41
Alfabetização ................................................................................................................ 41
Escrita ........................................................................................................................... 41
Sistema braile .............................................................................................................. 41
Materiais utilizados para escrita em braile .................................................................. 42
Importância da autonomia na escola ........................................................................... 43
Noções básicas de orientação e mobilidade ................................................................. 43
Técnica de Guia Vidente ........................................................................................... 43
Técnica de autoproteção .......................................................................................... 43
Localização de assentos ............................................................................................ 43
Travessia de rua ........................................................................................................ 43
Subir e descer escadas .............................................................................................. 43
Orientação para professores ..................................................................................... 43
Dicas importantes ..................................................................................................... 44
Para saber mais .................................................................................................................. 46
Instituições e Associações em São Paulo .......................................................................... 47
Bibliografia ......................................................................................................................... 49
11
12
Como instituição social, a escola está inserida em uma realidade histórica da qual so-

Introdução
fre e exerce influência, porém não é apenas uma organização por onde transitam os
valores, a ciência, as ideologias, a política, os costumes e a cultura de uma sociedade.
Por um lado, ela desempenha o papel de acolher a realidade social e, por outro, tem
o poder de atuar sobre essa mesma realidade formando cidadãos plenos.

Dessa maneira, a cidadania que a escola deve formar é essencialmente da consciên-


cia de direitos e deveres no exercício da democracia que garanta direitos civis, sociais
e políticos fundamentados numa concepção que mobiliza cada um, individualmente
e todos na conquista de novos direitos.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reconhece o direito à


educação que, para efetivá-la sem discriminação e com base na igualdade de oportu-
nidades, assegurará um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como
o aprendizado ao longo de toda a vida.

E quando se fala em inclusão, pressupõe-se que não basta apenas inserir as pessoas
com deficiência nos ambientes dos quais participam a maioria. Também é necessário
que esses meios promovam a sua participação, o que exige preparação para que isso
se efetive.

Este material se propõe a auxiliar o professor e a escola no processo de inclusão da


pessoa com deficiência visual de forma a colaborar com o ambiente acessível, capaz
de atender a todos, indistintamente, incorporando as diferenças no contexto escolar.

13
Inclusão:
Na perspectiva inclusiva, a educação relaciona-se proposta educacional e contribuir para a formação
a uma das principais questões ligadas ao plano de de cidadãos comprometidos com a sociedade.
direitos humanos e promoveu uma reestruturação

Concepções,
acelerada nestas últimas décadas para reafirmar o Nessa perspectiva, aceitar as diferenças e criar am-
que já era de direito, tal como foi inscrito na De- bientes propícios ao desenvolvimento das poten-
claração Universal dos Direitos do Homem (ONU, cialidades individuais são as principais premissas

História e
1948), Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), da escola inclusiva que incorporam o entendimen-
Convenção sobre os direitos das pessoas com de- to sobre equidade e diversidade humana.
ficiência (BRASIL, 2007) e Lei Brasileira de Inclusão

Práticas
(BRASIL, 2015). Incluir significa inserir, compreender, tornar-se
parte de ou colocar, de acordo com a etimologia.
Na esfera atual, o educador vive o privilégio de rea- Entretanto, para congregar a mudança de para-

Pedagógicas
lizar ações assertivas que podem marcar, de forma digma que essa ação revela, deve-se considerar o
positiva, a vida de cada estudante. O ambiente es- percurso da educação especial, que apresenta um
colar, as dinâmicas e metodologias escolhidas são histórico estruturado em princípios preconceituo-
aspectos essenciais para o aprendizado e predis- sos e discriminatórios.
põem a motivação necessária para a criança e o
jovem conquistarem o sucesso escolar. Com essa clarificação, é possível identificar o por-
quê de tantas dificuldades e tantos tabus envolven-
Ao incorporar na escola atitudes de respeito à in- do as crianças e jovens com deficiência, transtornos
dividualidade e diversidade, o professor exerce in- e altas habilidades na tal chamada escola regular.
fluência direta e configura-se como modelo para os
educandos. Quando o ambiente assegura o direito A história da deficiência no Brasil perpassa pelos
de todos se sentirem pertencentes ao meio, cada mesmos ápices de negação, segregação, integra-
estudante experimenta o reconhecimento e a valo- ção e inclusão ocorridos no mundo todo. Mesmo
rização de sua identidade, que garantem a motiva- antes do descobrimento das terras brasileiras, as
ção para participar e aprender em grupo. sociedades indígenas mantinham a ideia de excluir
pessoas com deficiência ou até mesmo eliminá-las.
Tema amplamente debatido, a inclusão escolar E esse descaso se manteve pelo povo europeu que
apresenta um percurso que perpassa por diferen- chegava com a intenção da colonização.
tes ações, fases e concepções. E conhecer o histó-
rico, as leis e as transformações originadas da ideia As primeiras indicações de ações voltadas às pes-
da educação inclusiva é investir na qualidade da soas com deficiência ocorreram na época do Impé-
14
rio quando foram criadas fundações para cegos, No Brasil, uma nova diretriz ganhou impulso a partir é considerada hipócrita, ocorrendo dentro das ins-
surdos e tratamentos psiquiátricos na metade do da segunda metade dos anos 80. As primeiras indi- tituições de ensino. Os estudantes com deficiência
século XIX (Moreira, 2014). Essa instituição pio- cações ao encontro do movimento de integração so- se mantinham nas escolas, mas nenhuma mudan-
neira se fundamentou na concepção biológica cial, que já era bem preconizado no resto do mundo, ça do sistema educacional foi promovida.
que priorizava o atendimento médico em detri- deveriam prover meios adequados na educação para
mento do educacional e no distanciamento do atender às necessidades dessas crianças e jovens. Definitivamente, não é possível manter estudan-
convívio em sociedade. tes com deficiência, transtornos e altas habilida-
Entretanto, o conceito de integração escolar pare- des em sala de aula apenas para socialização e
A fase foi caracterizada por um cunho assistencial ce ter assumido o sentido da mera colocação de sem avanços na aprendizagem. É preciso ousar
e filantrópico que mantinha os indivíduos com pessoas com deficiência numa mesma escola, não e saber envolvê-los muito além disso e trabalhar
necessariamente na mesma classe, ratificando, as- para que sejam aceitos sem preconceitos pelo
deficiência ou transtornos separados dos demais
sim, o caráter assistencialista, protecionista, persis- grupo de maior convivência.
grupos e com grande tendência à piedade. As
tindo a segregação nas relações e atitudes.
atribuições eram descentralizadas, e o apoio do
Até a integração, a concepção de atendimento
governo era restrito com ações de auxílio finan-
Segundo Mantoan (1993), o movimento de inte- educacional era fundamentada no modelo médi-
ceiro para entidades assistencialistas.
gração escolar foi relacionado ao conceito de pro- co, que, durante muitos anos, foi a única possibi-
mover o acesso escolar para as pessoas em condi- lidade de ações educativas, inicialmente planeja-
Com o tempo, as associações especializadas ções desfavoráveis, isto é, crianças com deficiência, das em instituições especializadas.
modificaram seu direcionamento e iniciaram transtornos e altas habilidades deveriam dividir os
um novo trajeto com o objetivo de criar possi- espaços escolares e se adaptar ao ambiente onde Os movimentos internacionais, contra a premissa
bilidades para pessoas com deficiência. E de tal nada seria modificado. Dessa forma, a adaptação da educação de crianças e jovens com deficiência,
modo se desenvolveram serviços de reabilitação era compreendida de forma em que o estudante transtornos e altas habilidades serem segregados
médica e cuidados, alguns mais outros menos buscaria meios para atingir o máximo possível dos em instituições, marcaram a luta pela educação
voltados à educação. padrões considerados normais. para todos, sem exceção ou restrição.

A partir de 1970, a educação especial brasileira Nessa perspectiva, a proposta educacional foi re- Com isso, a concepção de modelo médico deixa
ganhou um espaço maior no Plano do Governo, duzida, e a ação de “integrar” assumiu a concepção de ser utilizada e a nova abordagem é o mode-
que estimulou a criação de instituições públicas de “estar no mesmo espaço”, mas não necessaria- lo social, no qual as pessoas com deficiência são
e privadas, órgãos normativos federais e esta- mente de interagir com esse meio. aquelas que podem ter alguns impedimentos na
duais. De acordo com Mantoan (2002), a condu- locomoção, coordenação do movimento, fala,
ção para instituições e associações beneficentes A possibilidade de acesso, que garantia apenas o compreensão de informações auditivas ou vi-
perpetuou a concepção assistencialista, com convívio, vinculou o termo integração à outra forma suais. Entretanto, essas características não são
forte caráter protecionista. de exclusão, que se pode até ser pior, uma vez que mais consideradas como incapacidade para a
15
aprendizagem. São as barreiras presentes nos tégias, conteúdos e de forma individualizada para gem; busca esgotar estratégias e modificar con-
lugares ou produzidas pelos próprios sujeitos promover avanços pedagógicos significativos. teúdos para atingir os objetivos propostos, que
que podem dificultar a participação plena des- revelam o processo de aprendizagem de cada
sas pessoas na sociedade. Nessa perspectiva, não se limita em direcionar e um; analisa a situação em que o educando está
suscitar a aprendizagem apenas dos estudantes inserido e as vulnerabilidades do sistema; e pro-
com dificuldades na escola, como também capa- põe vias para a transposição das barreiras.
Na proposta inclusiva, ocorre uma mudança de
citar a todos – professor, educando e equipe ad-
paradigma da perspectiva educacional em que as
ministrativa – para possibilitar o desenvolvimen- Portanto, a escola inclusiva é um processo contí-
necessidades de cada um devem ser considera-
to educacional dos envolvidos. nuo, que analisa as possibilidades de cada cená-
das, transpondo-se as barreiras do sistema para
rio e daqueles que pertencem àquela realidade.
a promoção de acesso irrestrito de todos os estu- Na escola inclusiva, não existe falta de compro- As pessoas não são diagnósticos, cada um tem
dantes no ambiente escolar. Para tanto, torna-se metimento diante de uma possível não evolução sua história, características, habilidades, seus de-
necessário proporcionar diferenciação de estra- do estudante. Respeita-se o ritmo de aprendiza- sejos e apresenta particularidades que podem ou

16
não estar ligadas a diferentes tipos de deficiência, com a premissa da transposição de barreiras por expressão entre as comunidades de brasileiros
transtornos e altas habilidades. meio da promoção adequada de todos os níveis surdos. (Brasil, 2005)
de acessibilidade.
No que tange à educação especial, a nomenclatu- Outros recursos que contribuem para eliminar
ra referente aos estudantes passou por grandes De acordo com Brasil (2015), a educação deve barreiras de interlocução dizem respeito às for-
transformações. Na primeira LDB, em 1961, era ser planejada com foco nas possibilidades per- mas de comunicação alternativa e suplementar,
denominada Educação de excepcionais; na Cons- cebidas no estudante, com base na avaliação como, por exemplo, os cartões de comunicação
tituição Federal de 1988, educandos portadores socioambiental das barreiras de acesso. Acessi- e as pranchas de comunicação que são utilizados
de deficiência; na LDB de 1996, educandos por- bilidade é um termo que deve ser considerado com os sistemas de símbolos gráficos.
tadores de necessidades especiais; e na Resolu- como a transposição de barreiras nas seguintes
ção 02/2011, do Conselho Nacional de Educação dimensões: arquitetônica, urbanística, de trans- Com referência à realidade escolar, é preciso
(CNE), educandos com necessidades educacio- porte, naturais, comunicacional, metodológica, atentar para as dificuldades de acesso a recursos
nais especiais. instrumental, programática e atitudinal. Para a e materiais, que podem ser equilibrados com o
pessoa com deficiência, devem estar garantidas uso de instrumentos e serviços que facilitam a au-
É importante notar que a busca por uma forma a segurança e a autonomia de espaços, mobiliá- tonomia dos estudantes. Metodologias de ensino
mais adequada de nomear essas crianças e jo- rios, instrumentos e serviços. se utilizadas de forma ortodoxa podem acarretar
vens também revela a concepção adotada e o em prejuízos significativos e fracasso escolar.
percurso. Atualmente, a terminologia utilizada Nessa perspectiva, promover acesso à essas pes-
e recomendada pela Lei de Diretrizes e Bases - soas é muito mais amplo do que a condição de A acessibilidade é condição central para garantia
LDB (2017) é pessoa com deficiência, transtor- transitar. Esse é apenas um dos níveis que engloba aos direitos das pessoas com deficiência, trans-
nos e altas habilidades. a circulação com segurança e eliminação dos obs- tornos e altas habilidades e deve incorporar em
táculos urbanísticos, de transporte, natural (natu- suas dimensões. Não se trata de ajuda ou auxílio,
Outras referências apontadas pelas associa- reza) e arquitetônicos existentes nas edificações. mas de direito e, nesse âmbito, intensifica-se a
ções pró-inclusivas enfatizam algumas expres- barreira mais difícil de ser atravessada: a barreira
sões como o uso de pessoa surda ou pessoa Outro nível de acessibilidade está relacionado à programática e a atitudinal.
cega para diferenciar a identidade da comuni- transposição das barreiras de comunicação e de
dade surda e pessoas com deficiência auditiva, informações por meio de sistemas de comuni- A escrita de documentos, referenciais, circulares
como também de pessoas cegas e as com baixa cação e tecnologia da informação. Nessa cate- escolares, informativos que embutem atos pre-
visão, respectivamente. goria, cabe salientar que o Brasil possui como conceituosos ou discriminatórios são da catego-
língua oficial a Língua Portuguesa e a modalida- ria programática. Quando há referência à acessi-
A concepção de educação inclusiva prevê matrí- de de sinais (Libras – Língua Brasileira de Sinais), bilidade atitudinal, embrenha-se no universo da
cula de crianças e jovens com deficiência, trans- reconhecida como meio legal de comunicação e ética, delineado ao conceito de empatia.
tornos e altas habilidades em escolas regulares,

17
18
Considerando a diversidade, a convivência é o Compreende-se melhor a questão da adequação O conceito de inclusão, proposta pela UNESCO
maior entrave, pois cada pessoa é única e con- de atitudes quando se internaliza o conceito de (2005), é abrangente e corrobora com os ideais
dizente à sua própria crença que resulta de suas equidade, que, na educação, de acordo com Ha- da melhoria na educação.
percepções e história. Conviver com o diferen- ddad (2010), “significa igualar as oportunidades
te pode parecer estranho para algumas pessoas, de todas as pessoas acessarem, permanecerem A inclusão é vista como um processo de
que até conseguem manter o discurso esperado e concluírem a Educação Básica e desfrutarem de atender e de dar resposta à diversidade de
nos tempos de inclusão, mas não sabem lidar um ensino de alta qualidade, independentemen- necessidades de todos os alunos através de
com o diferente, tornando-se reféns de suas pró- te de origem étnica, racial, social ou geográfica”. uma participação cada vez maior na apren-
prias atitudes inadequadas. dizagem, culturas e comunidades, e reduzir a
No âmbito pedagógico, todos os estudantes de- exclusão da educação e dentro da educação.
A ação de se colocar no lugar do outro e com- vem ter o direito preservado de participar de todas Isso envolve modificação de conteúdos, abor-
preender a sua real necessidade está centrada as atividades propostas na escola, com objetivos dagens, estruturas e estratégias, com uma vi-
com a ética. As atitudes e práticas de cada pessoa definidos para resultar em aprendizado. O profes- são comum que abranja todas as crianças de
procedem de suas experiências e reflexões sobre sor deve planejar e desenvolver propostas com um nível etário apropriado e a convicção de
as informações assimiladas e de seu aprendizado. equidade de condições e considerar a peculiarida- que educar todas as crianças é responsabili-
O histórico social da deficiência percorre desde de do sujeito, procurar atingir o máximo possível dade do sistema regular de ensino.
a exclusão perpassando pelo sentimento de pie- da autonomia e promover a acessibilidade.
dade em tempo próximo, que chegou às últimas De acordo com o conceito da UNESCO, a inclu-
décadas do século XX. É neste caminhar de processos de transformação são é um processo, ou seja, não acontece de uma
e desenvolvimento que a Escola Inclusiva ganha hora para outra, implica na identificação e remo-
As instituições especializadas em algum tipo de forma, constituindo a certeza de que o sistema ção de barreiras de participação e aprendizagem.
deficiência reforçam essa ideia de benevolência necessita de mudanças, independentemente de Amplia o conceito para todos os estudantes e não
ou caridade e, tal hipocrisia pode resistir atual- quais sejam a condição ou deficiência dos estu- somente para aqueles com deficiência e respon-
mente por fazer parte da memória viva da socie- dantes. A inclusão escolar delineia seu caminho sabiliza as escolas pela garantia da educação de
dade. E, são os mesmos indivíduos que convivem de acordo com a diversidade e busca promover, todos promovendo as transformações curricula-
na comunidade circundante e trabalham nesta na escola, condições mais amplas do que a igual- res e organizacionais.
escola inclusiva almejada. dade de condições.
Assim, a escola deve identificar as particulari-
A transposição de barreiras atitudinais é extre- O conceito de igualdade, permeado à justiça dades de cada caso para não desconsiderar as-
mamente difícil na medida em que atitudes não que valoriza a diversidade e suas especificida- pectos importantes em relação ao histórico do
éticas, apesar de coexistirem no ambiente esco- des, permite os processos equânimes e, assim, estudante, os quais podem contribuir de modo
lar, podem estar veladas e escondidas em discur- considera o convívio baseado no respeito e no considerável para a elaboração das ações que de-
sos destoantes da prática. acesso ao aprendizado. vem ser executadas em sala de aula, de acordo
19
com as especificidades de cada educando. mente terá êxito se as responsabilidades entre para, assim, vislumbrar as possibilidades pedagó-
As mudanças de paradigma e concepção não de- escola, estudantes, famílias e terapeutas fo- gicas e o seu desenvolvimento.
pendem apenas das reflexões teóricas. Dessa for- rem compartilhadas.
ma, a inclusão deve ter planejamento e organi- À vista disso, é fundamental proporcionar à fa-
zação de funcionamento. A equipe escolar deve A equipe escolar deve esclarecer a realidade, mília a compreensão de que há necessidade de
ter um líder para assumir o papel de organizador, o seu modo de trabalho e acolhê-los, uma vez participação próxima com a escola, bem como
regulador para monitorar os mecanismos de im- que, em qualquer situação ou cenário novo, o o entendimento das ações realizadas nos trata-
plementação da gestão educacional. medo e a insegurança se instalam. Ao mesmo mentos clínicos dessas crianças e jovens. Os pro-
tempo, a escola não os conhece e é durante os fissionais da saúde também são integrantes in-
A liderança compreende assumir tanto o moni- primeiros contatos que a equipe gestora irá le- dispensáveis na troca de experiências escolares
toramento de ações da equipe escolar quanto as vantar algumas informações preliminares sobre e, assim, ampliar o conhecimento das particula-
tratativas para manter o ponto de equilíbrio das como as famílias conduzem a educação dos fi- ridades de cada estudante. Dessa maneira, cada
relações provenientes com outros setores que lhos que apresentam deficiência, transtornos e um assume sua parte e a escola se responsabiliza
atendem o estudante e sua família. altas habilidades. pelo aprendizado e contribui para o desenvolvi-
mento integral dos estudantes.
Com esse cenário, o líder que assumir a organiza- Essas famílias podem ter vivenciado diferentes fa-
ção das relações pró-inclusivas deve estabelecer ses emocionais que interferem em suas ações, e, Concluindo, o movimento de educação inclusiva
a partilha de responsabilidades entre o próprio muitas vezes, adotam posturas que incorporam é crescente, mas não deixa de prosseguir numa
estudante, sua família, além das parcerias com juízos de valores, o que pode gerar desentendi- dinâmica controversa, desigual e complexa. O
serviços da comunidade. Esse posicionamento é mentos logo no primeiro contato. Dessa forma, a professor precisa analisar como a diversidade
extremamente importante, uma vez que as ne- equipe escolar precisa ouvir atentamente os pais se reflete na sala de aula para estabelecer quais
cessidades são complexas, e os encaminhamen- e permitir que exponham suas angústias em rela- abordagens seguir e organizar o trabalho diante
tos devem ser decididos e conduzidos sempre ção ao desenvolvimento de seus filhos na escola. das escolhas de seu estilo de ensinar, podendo
em comum acordo com as famílias, que têm o encontrar as melhores estratégias e, dessa for-
direito e o dever de participar do processo edu- É sabido que não é uma condução fácil, por isso, ma, atingir todos os estudantes, incentivando-os
cacional de seus filhos. a comunicação deve ser clara e sem uso de ter- a encontrar o prazer da aprendizagem e do co-
minologias técnicas ou, se necessário, utilizar nhecimento como subsequente trajetória de su-
O primeiro contato entre os colaboradores da sempre a forma simplificada. Todos devem ter cesso e respeitar a identidade de cada um.
escola com os pais deve ser priorizado logo no conhecimento de que são parceiros em uma
início do ano letivo. É importante evidenciar mesma empreitada. Essa é uma ação que se es-
que a inclusão das crianças e dos jovens com tabelece por meio de empatia, ao se valorizar
deficiência, transtornos e altas habilidades so- as habilidades e saberes que o estudante possui

20
A inclusão escolar Definições sobre a
importa somente um número, uma quantidade,
mas, sim, a qualidade dessa visão, como o estu-
dante utiliza e quais são os potenciais visuais a

dos estudantes com deficiência visual


serem explorados e quais os recursos adequa-
dos para cada caso.

deficiência visual:
O sistema de escrita e leitura braile será o fator
A classificação da deficiência visual pode ser feita
de definição para classificação. Há estudantes
de acordo com diferentes critérios.
com o diagnóstico clínico de baixa visão, porém

cegos e baixa visão


com desempenho funcional de pessoa cega, ou
Legal
seja, necessita de adaptações ambientais e edu-
Legalmente, a deficiência visual é definida de
cacionais iguais às de um estudante cego.
acordo com a acuidade visual (quantidade de
A deficiência visual é classificada em dois grupos visão) encontrada na mensuração realizada com
• Cegueira: ocorre uma perda total ou a presença
distintos: dos cegos e o da baixa visão (ou visão testes quantitativos para longe.
de um resíduo mínimo de visão que leva a pessoa
subnormal). Muitas dúvidas surgem no cenário
necessitar do sistema braile como meio de leitura
da deficiência visual, a utilização da terminologia Cegueira: A acuidade visual igual ou menor que
e escrita.
é uma delas. Parece simples, mas pode impactar 0,05 no melhor olho, com a melhor correção
as relações no dia a dia desses estudantes. óptica.
• Baixa Visão (ou visão subnormal): há um
comprometimento do funcionamento visual de
A palavra “cega” deve ser utilizada? A resposta é Baixa visão (ou visão subnormal): A acuidade vi-
ambos os olhos, mesmo após tratamento ou
SIM. Ela não é preconceituosa. Pode-se tranqui- sual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a me-
correção com óculos comuns, porém as pessoas
lamente referir: “João é cego” ou “você é cego? lhor correção óptica; os casos nos quais a soma-
com baixa visão possuem resíduos visuais em tal
”. Quanto à baixa visão, simplesmente pode-se tória da medida do campo visual em ambos os
quantidade que lhes permite ler textos impres-
dizer: “Maria tem baixa visão” ou “Maria, você olhos for igual ou menor que 60°; a ocorrência
sos ampliados ou com uso de recursos ópticos
tem baixa visão?”. simultânea de quaisquer das condições anterio-
especial.
res. O comprometimento da baixa visão varia de
Esses dois grupos no universo da deficiência vi- leve a profunda.
De uma forma mais prática, uma pessoa tem
sual apresentam peculiaridades que necessitam
baixa visão quando apresenta 30% de visão no
ser esclarecidas, de forma a tornar possível o Educacional
melhor olho e não melhora com o uso de óculos
pleno desenvolvimento das pessoas cegas e com Do ponto de vista educacional, o que mais in-
comuns, bem como após tratamentos clínicos
baixa visão em todos os aspectos, quer sejam fa- teressa é a observação de como a visão do es-
ou cirúrgicos.
miliar, social e educacional tudante ”funciona” em termos práticos. Já não

21
Desenvolvimento
visual no primeiro
ano de vida
Desde a primeira semana de vida, a visão desem-
penha um papel fundamental no desenvolvimento
geral. Ela deflagra o progresso motor e é uma fun-
ção que acentua as habilidades mentais, um cons-
trutor de conceitos espaciais, quando se adquire
a linguagem é um instrumento para desenvolver
as relações emocionais. A criança aprende a ver,
vendo.
de alguém, brinquedo); a princípio, a uma distân- • 6 a 9 meses: engatinha, mais tarde anda, diri-
A visão se desenvolve até os 7 anos de vida, porém cia bem próxima (15 cm); ge-se às coisas evitando obstáculos à sua frente.
os primeiros meses são marcados por mudanças Eventualmente, para por um instante enquanto
fundamentais, sendo uma fase nobre de desenvol- • 4 a 7 semanas: o contato visual está estabeleci- engatinha para pegar ou explorar visualmente pe-
vimento. Por esse motivo, qualquer intervenção do. Isso significa que é possível observar mudan- quenos objetos, olhando atentamente para eles,
deve ser feita o mais rápido possível após a detec- ças na expressão da criança, indicando que ela como migalhas, fiapos.
ção de qualquer problema ocular. pode ver os olhos de outra pessoa;
Importante: até os 2 meses de idade, não apre-
Mudanças esperadas no primeiro ano de vida: • 3 meses: brinca com as mãos em frente aos olhos; senta boa coordenação dos olhos, podendo des-
viar um deles ou ambos. Ao tentar fixar um obje-
• recém-nascido: volta sua cabeça em direção a • 3 a 4 meses: reage a seu próprio reflexo em um to, aparenta um estrabismo que, na verdade, não
uma janela iluminada; espelho, mostrando interesse por outras crianças; possui. São espasmos de acomodação que apare-
cem involuntariamente.
• 4 a 12 semanas: fixa um objeto visual e logo se- • 4 a 5 meses: tenta alcançar objetos, ou seja, tenta
gue em movimento com seu olhar (lanterna, face o alcance visualmente direcionado para pegá-los;
22
Funcionamento
Os olhos captam a luz do mundo exterior, trans- • retina: membrana formada por células nervosas,
formando-a em impulso nervoso que será decodi- denominadas fotorreceptoras, localizadas na por-
ficado pelo cérebro em imagens. Para que a visão ção interna do olho, com a função de transformar

da visão
ocorra, as estruturas que os compõem devem estar os estímulos luminosos em estímulos nervosos
íntegras garantindo sua funcionalidade. São elas: que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico.
São de dois tipos: os cones, responsáveis pela vi-
• córnea: membrana transparente, localizada na são central e pela visão de cores, o que propicia
Os olhos são o início do processo visual; estão si-
porção anterior do globo ocular. Tem como fun- a leitura, a discriminação das feições das pessoas,
tuados dentro de uma cavidade óssea; possuem
ções permitir a entrada de raios de luz no olho e por exemplo; e os bastonetes, responsáveis pela
por volta de 24 mm de diâmetro anteroposterior
formar uma imagem nítida na retina; visão periférica, menos rica em detalhes, e pro-
e 12 mm de largura; apresentam anexos para sua
porcionam, entre outras funções, a percepção
proteção: sobrancelhas, cílios e pálpebras.
• esclera: parte branca do olho com a função de espacial, assegurando o caminhar com segurança.
proteção ocular;
A sobrancelha retém o suor que escorre pela testa,
os cílios são responsáveis pela retenção de poeira e Retina

• íris: disco colorido com um orifício central (pupi- Esclera


Coroide
as pálpebras superiores e inferiores pela distribui-
la). Regula a quantidade de luz que entra no olho:
ção da lágrima durante o piscar e defesa dos olhos
ambiente com muita luz, a pupila se fecha (con-
contra qualquer agente agressor ou invasivo. Por Córnea
tração); ambiente com pouca luz, a pupila se abre Mácula
isso, a dificuldade de pingar colírio, em um ato refle-
(dilatação);
xo, os olhos se fecham em fração de segundos. Humor aquoso

• cristalino: lente biconvexa, transparente e flexí- Pupila

vel, localizada atrás da íris. Tem a função de focar Cristalino

Cílos os raios de luz para a retina; Íris


Nervo óptico

Pálpebra superior Músculo ciliar

• humor vítreo: estrutura gelatinosa que preen- Humor vítreo


che toda a cavidade posterior do olho. Mantém a
Pupila forma e a tonicidade do olho;
Conjuntiva Externamente, cada olho possui seis músculos de
cobrindo a
esclerôtica • humor aquoso: líquido transparente que preen- forma que os olhos se movimentem sincronica-
Íris che o espaço entre a córnea e a íris. Tem a função mente garantindo a percepção da mesma imagem,
Pálpebra
de nutrir a córnea e o cristalino e também regula a que irá fundir-se em uma só na região cerebral.
inferior pressão interna do olho;

23
Vias Ópticas • acuidade visual: é uma medida de resolução vi- • visão binocular: resulta da coordenação de
A luz que chega do mundo exterior entra pela pu- sual, isto é, a capacidade de discriminar detalhes imagens dos dois olhos, percebidas simultanea-
pila no globo ocular direito e esquerdo. Ao chegar com alto contraste; mente, permitindo a noção de profundidade. É o
na retina (fundo do olho), transforma-se em im- que confere a visão 3D;
pulso nervoso. A partir daí, metade do impulso irá • sensibilidade ao contraste: é a capacidade que o
para o hemisfério cerebral direito e metade para o sistema visual possui em detectar a diferença de bri- • funções óculo-motoras: são responsáveis por
esquerdo, porque cada um dos hemisférios cere- lho (luminância) entre duas superfícies adjacentes controlar a posição e os movimentos dos olhos
brais recebe fibras de cada retina. (detecção de objetos grandes de baixo contraste); e do olhar.

• campo visual: refere-se a uma área específica Para a mensuração da acuidade visual, há vários
no espaço, na qual objetos são vistos simultane- testes que podem ser aplicados nas diversas fai-
amente; xas etárias:

• visão de cores: refere-se à capacidade de per- • teste dos cartões de Teller: para crianças na ida-
ceber e distinguir diferentes sombreamentos de pré-verbal, de 0 a 3 anos ou mais velhas, porém
(nuances); apresentam algum comprometimento cognitivo;

• adaptação visual: diz respeito à habilidade que • testes com símbolos ou com letras: de acordo
o sistema visual possui para se adaptar a diferen- com o nível de compreensão da criança.
Lobo Occipital tes condições de iluminação;

A área cerebral que correspondente à visão é o


lobo occipital, localizado na região da nuca. Cada
um dos hemisférios recebe fibras de ambos os
olhos. Desse modo, apesar de ter dois olhos, é
percebida uma única imagem.

Funções visuais
O comportamento visual de uma pessoa expressa
a habilidade visual global e resulta da interação
de diferentes funções visuais que garantem o ple-
no desempenho visual, como segue:

24
Prevenção da
• vacinar periodicamente a criança para evitar
doenças que possam causar problemas visuais:
sarampo, rubéola, meningite, varíola etc.;

deficiência visual • não deixar de usar o cinto de segurança no trân-


sito e colocar crianças no banco traseiro;
É possível evitar problemas de visão se forem
• colocar óculos de proteção no trabalho e em
tomados alguns cuidados básicos e necessários.
casa sempre que lidar com substâncias perigosas:
Várias medidas podem ser utilizadas para evitar
inseticidas, ácidos, poeira e, principalmente, ao
doenças, infecções ou traumatismos oculares,
trabalhar com solda;
tais como:
• procurar um médico ao entrar cisco ou fagulhas
• fazer aconselhamento genético em casos de ca-
nos olhos. Não esfregar e não os retirar com a
samento consanguíneos;
ajuda de objeto caseiro.
• seguir corretamente o pré-natal, porque existem
• realizar exame oftalmológico no recém-nasci-
doenças, tais como rubéola, sífilis e toxoplasmose,
do sempre que for observada qualquer altera-
que podem causar cegueira ou baixa visão no feto;
ção ocular: olhos muito grandes, lacrimejamento
intenso, mancha branca na “menina” dos olhos
• tratar as inflamações dos olhos, infecções na
(íris), sinal do reflexo vermelho na maternidade;
garganta e nos dentes;

25
26
Identificando
• move a cabeça excessivamente quando lê; • tamanho do globo ocular;
• perde o local de leitura e salta linhas ao ler; • irregularidades na córnea.
• omite letras, palavras ou números;

problemas visuais
• acompanha a leitura com o dedo; Sintomas mais comuns observados para quem
• baixa velocidade de leitura; apresenta erro de refração:
• baixa compreensão de textos orais;
• dificuldade em manter a atenção; • desconforto nos olhos;
Observar o comportamento do estudante em
• dificuldade em manter o equilíbrio; • dificuldade para focalizar objetos;
sala de aula é um dos melhores meios de identifi-
• cobre um dos olhos; • dificuldade para leitura;
car possíveis problemas visuais. O professor deve
• pouca habilidade para copiar; • dores de cabeça;
orientar a família que leve seu filho para uma
• responde melhor oralmente do que por escrito; • dificuldade para enxergar de perto ou de longe;
avaliação oftalmológica, porque somente assim
• pode apresentar baixo rendimento nos esportes; • dificuldade para enxergar tanto de perto quanto
poderá detectar a necessidade de prescrição de
• coordenação comprometida. de longe em alguns casos.
óculos comuns ou verificar se é um caso de defi-
ciência visual.
Visão normal
Algumas características apresentadas pelo
estudante:
Refração da luz e Quando não há erro de refração, a imagem se for-
ma na retina.

• olhos vermelhos após esforço;


• “entorta” um dos olhos;
erro de refração
• esfrega os olhos;
Refração (da luz) é o nome dado quando a luz de
• lacrimeja;
um ambiente passa para o interior do globo ocu-
• aproxima muito os olhos do caderno;
lar, atravessa as diferentes estruturas do interior
• dificuldade em copiar da lousa;
do olho e chega até a retina para formação da
• queixa-se de visão embaçada;
imagem que será enviada ao cérebro. São cham-
• reclama de dores de cabeça;
dos erros de refração, erros refrativos ou vícios
• pouca compreensão de leitura;
de refração quando essa mesma luz não chega
• evita realizar as tarefas;
com nitidez na retina. Existem dois motivos que
• cansaço nos olhos ao ler;
podem causar o erro de refração:
• piora de rendimento com o passar do tempo;

27
Tipos de erro de refração De forma contrária à hipermetropia, a imagem se e presbiopia). Em algumas situações, o astigma-
forma antes da retina, conforme observa-se na tismo pode se desenvolver rapidamente ao longo
Hipermetropia
imagem a seguir. dos anos, devido às alterações da curvatura da
A pessoa com hipermetropia apresenta dificulda-
córnea, provocada pelos milhares de movimen-
de de enxergar objetos que estão próximos. Isso
tos do piscar dos olhos.
acontece quando possui o olho mais curto do que
o normal e/ou apresentam uma curvatura cornea-
Sintomas:
na mais plana. É mais comum em criança e pode
• dificuldade de enxergar para perto e para longe;
desaparecer conforme o crescimento do globo
• sensação de objetos desfocados;
ocular seguindo o desenvolvimento natural.
• não visualização com boa definição de linhas e
contornos;
A imagem se forma depois da retina, conforme
• dores de cabeça constantes, uma vez que a
figura a seguir. Sintomas: • imagem fica embaçada;
• visão turva;
• dores de cabeça; Presbiopia
• vista cansada ao final do dia; Conhecida como “vista cansada”, ocorre por volta
• pestanejar frequente; dos 40 anos. Há um endurecimento gradativo do
• enxergar pessoas, paisagens e letreiros sempre cristalino, o que acarreta dificuldade em focalizar
desfocados em longa distância; objetos próximos e ler letras pequenas.
• dores de cabeça, decorrentes do esforço para
tentar ver melhor; O uso de óculos garante uma boa visão em todos
Sintomas: os erros de refração.
• boa visão; Astigmatismo
• às vezes são assintomáticos; A córnea nem sempre é uniforme e lisa. Em al- Outras alterações
• dificuldade visual para perto; gumas pessoas, pode apresentar irregularidades Além dos erros de refração, existem alterações
• episódios de cansaço visual; e/ou diferentes raios de curvatura. Essas carac- oculares encontradas em crianças: o estrabismo
• dores de cabeça; terísticas fazem com que os raios luminosos mu- (olho torto ou “vesguice”), que é um desvio do
dem de direção e cheguem de forma distorcida eixo ocular em que um ou ambos os olhos estão
Miopia na retina. desalinhados e a ambliopia, caracterizada pelo
A pessoa com miopia apresenta dificuldade de fraco desenvolvimento da visão em um ou ambos
enxergar de longe, e os olhos apresentam maior Em grande parte dos casos, o astigmatismo ocor- os olhos, pode ser decorrente de um estrabismo,
comprimento. re por causas hereditárias e está associado a ou- no qual o olho desviado não desenvolve a visão
tras insuficiências visuais (miopia, hipermetropia normalmente ou por algum erro de refração não
corrigido.
28
O tratamento eficaz para a ambliopia (com ou
sem estrabismo) é o uso do tampão que, sob
orientação médica e na época adequada, promo-
ve a cura, praticamente, de todos os casos. Vale
reforçar que o tampão não melhora o estrabis-
mo, e sim promove o desenvolvimento da visão
do olho comprometido com a oclusão do olho de
preferência. O estrabismo se corrige com o uso
de óculos em alguns casos e com cirurgia em sua
maioria, cujos resultados são diretamente de-
pendentes do bom desenvolvimento visual de
ambos os olhos.

Doenças oculares
mais frequentes
As patologias que causam deficiência visual, em
sua maioria, são aquelas que provocam altera-
ções na retina ou no nervo óptico e são irreversí-
veis, causando a deficiência visual.

As principais doenças na infância são: retinopatia


da prematuridade, glaucoma congênito, catarata
congênita, toxoplasmose ocular congênita, atro-
fia do nervo óptico, albinismo óculo cutâneo e
nistagmo congênito, sendo todas congênitas. Na
idade adulta, encontram-se as adquiridas, desta

29
Doenças oculares
Toxoplasmose ocular congênita Glaucoma
Durante a gestação, a mãe infectada passa a Aumento da pressão interna do olho, causada
doença para o feto, provocando cicatriz na má- por anomalia na eliminação do humor aquoso.

mais frequentes
cula (região central da retina). Os agentes trans- Ocorre aumento do globo ocular, sensibilidade à
missores estão nas fezes do cachorro, gato, aves luz, lacrimejamento e coceira; provoca defeitos
e na carne de porco. Os casos de baixa visão são no campo visual; pode ser congênito (presente
classificados como graduação leve, moderada ou ao nascer) ou adquirido, associado a outros pro-
As patologias que causam deficiência visual, em
profunda, de acordo com a extensão da cicatriz blemas oculares.
sua maioria, são aquelas que provocam altera-
ções na retina ou no nervo óptico e são irreversí- no centro da retina (mácula) e presença de outras
cicatrizes periféricas. Nos casos de glaucoma congênito, a maioria ini-
veis, causando a deficiência visual.
cia-se com baixa visão e, aproximadamente, na
Degeneração macular relacionada à idade adolescência, apresenta evolução para cegueira,
As principais doenças na infância são: retinopatia
mesmo com os tratamentos cirúrgicos e medica-
da prematuridade, glaucoma congênito, catarata Processo degenerativo que afeta a mácula com
mentosos.
congênita, toxoplasmose ocular congênita, atro- redução da visão central e pode se desenvolver
fia do nervo óptico, albinismo óculo cutâneo e em pessoas após os 50 anos de idade. Leva a bai-
Retinose pigmentar
nistagmo congênito, sendo todas congênitas. Na xa visão de todos os níveis de perda conforme a
Doença que provoca degeneração da retina, ini-
idade adulta, encontram-se as adquiridas, desta- extensão da degeneração.
cialmente na periferia, comprometendo a visão
cando-se a degeneração macular relacionada à
central. Dificuldade para visão noturna. Com
idade, ao glaucoma, à retinopatia diabética e à Doença de Stargardt
início, em geral, na adolescência, apresentando
doença de Stargardt. Caracteriza-se por alteração das células retinia- baixa visão e pode levar à cegueira na quinta ou
nas, com lesão da visão central. Essa doença se sexta década de vida.
Segue uma breve descrição das principais patolo- manifesta dos 10 aos 20 anos de idade. São casos
gias oculares: de baixa visão que podem apresentar graduações A pessoa com glaucoma ou retinose pigmentar
de leve à profunda. apresenta a redução do campo visual e tem pre-
juízo na visão periférica.
As três doenças supracitadas definem-se por uma
lesão central. A pessoa, ao olhar em frente, vê Retinopatia da prematuridade
uma mancha preta, tendo preservada somente Ocorre nos bebês prematuros em decorrência da
sua visão periférica. exposição ao oxigênio na incubadora. Há o surgi-

30
mento de uma massa fibrosa na região central da Albinismo No albinismo ou na catarata congênita, a pessoa
retina sendo capaz de levar ao seu descolamento e Diminuição ou ausência de pigmentação na íris. percebe as imagens de maneira desfocada e com
pode ocasionar de baixa visão à cegueira. A pessoa possui pele, cabelos, cílios e sobrance- pouca nitidez.
lhas muito claros. Apresentam baixa visão e tem
Retinopatia diabética como característica peculiar forte sensibilidade à Atrofia do nervo óptico
Alteração da retina por tratamentos prolongados luz (fotofobia). Alteração nas fibras do nervo óptico que é o res-
insuficientes ou por repetidos tratamentos defi- ponsável pela condução da informação visual do
cientes do diabetes. Hemorragias do vítreo e da Catarata congênita globo ocular ao cérebro. São casos de baixa visão
retina estão presentes. Inicialmente a pessoa tem Opacificação do cristalino presente ao nascimen- com estabilidade do quadro.
baixa visão e, conforme a intensidade das hemor- to ou desenvolvido logo após. A catarata pode
Nistagmo congênito
ragias retinianas, pode apresentar cegueira. ser ocasionada por infecção durante a gestação,
É uma oscilação ocular, tipo vai e vem, repetitiva,
como, por exemplo, o vírus da rubéola, heredita-
involuntária e genética. Surge ao nascimento ou
A pessoa com retinopatia percebe projeções de riedade ou trauma durante o parto. Ao realizar
logo após e persiste por toda a vida. Pode estar as-
manchas escuras ao observar as imagens que se- cirurgia no estágio inicial, apresentará baixa visão
sociado a movimentos de cabeça que geralmente
rão mais presentes se houver maior quantidade não evoluindo para cegueira.
diminuem com o tempo. A pessoa desenvolve baixa
de lesões na retina.
visão que se mantém estável no decorrer da vida.

31
Recursos e serviços
Para perto
Óculos esfero prismáticos: colocam a imagem Óculos com lentes microscópicas: são lentes de
num ângulo correto para que não seja necessário alto poder dióptico e são prescritas para aumen-
o movimento da cabeça para ler um livro ou ver to da imagem.
As pessoas com baixa visão necessitam da am-
a televisão.
pliação das imagens, de perto e longe, para con-
Para longe
seguir enxergar melhor. Além disso, deve-se aten-
Lupas: servem para ampliar o tamanho de fontes Telelupas ou telescópios de aumentos variados: são
tar à iluminação e às condições do ambiente.
para leitura, aumentar as dimensões de mapas, mais utilizados para leitura de lousa, letreiros de ôni-
gráficos, figuras etc. Existem vários tipos e mode- bus e placas de rua. Existem vários tipos e modelos
Em relação à ampliação, são quatro maneiras que
los, como as lupas manuais, esféricas, de apoio, e podem ser tanto monoculares como binoculares.
podem trazer benefícios:
de pescoço, iluminadas, entre outros.
• reduzir a distância entre o observador e o ob-
jeto (ex.: aproximar o livro dos olhos, assistir aos
programas de TV sentando-se bem próximo);

• ampliar o tamanho das letras do texto a ser lido


(materiais ampliados);

• utilizar lentes especiais de aumento (recursos


ópticos);

• ampliar por meio de projeção em uma superfí-


cie (recursos tecnológicos).

Recursos ópticos
Os recursos ópticos, tanto para perto quanto
para longe, resultam em uma maior resolução de
imagem pelas suas propriedades ópticas de am-
pliação. Para garantir o sucesso da adaptação, é
essencial que se faça um treinamento nas diver-
sas atividades e condições ambientais. No caso
de estudante, a família e equipe escolar também
deverão ser orientadas.
32
Max TV: óculos que podem auxiliar para assistir Nowill para Cegos foi pioneira no Brasil (desde • lousa: o professor deve escrever na lousa com
à televisão. 1972) na produção e distribuição desses livros letra maior e boa organização; utilizar maior con-
em formato MP3. traste na escrita da lousa (ex.: no quadro negro,
Recursos eletrônicos usar giz branco; na lousa branca, canetas pretas
Lupas eletrônicas: são recursos constituídos por • Softwares: permitem ler o texto através de um e as coloridas somente para sublinhar o que se
câmera, um sistema óptico e um monitor. Os sistema de voz sintetizada Dosvox, Virtual Vision, quer destacar). No caso de quadro branco, deve-
mais utilizados são os sistemas de lupas eletrôni- Jaws, Winvox, NVDA. Alguns deles são comple- se evitar superfícies muito polidas ou brilhantes.
cas que possuem também a versão portátil. mentados com sistemas de ampliação de texto e E, conforme a dificuldade de copiar da lousa, for-
imagens como o Magic e o Zoomtext e até com o necer material impresso com o conteúdo princi-
Recursos tecnológicos recurso de lupa do Windows. pal para facilitar o acompanhamento da lição;
A tecnologia vem contribuindo cada vez mais
para a reabilitação da pessoa com deficiência vi- Recursos não ópticos e adaptações ambientais • materiais que associem tato e visão: principal-
sual em atividades nas áreas educacional, profis- Os recursos não ópticos são mudanças realizadas mente para explorar os conteúdos de história,
sional e social. nas condições ambientais da pessoa com deficiên- geografia, ciências, matemática, entre outros.
cia visual, visando adaptar e melhorar as condições São mapas em alto relevo, maquetes, figuras em
• Livros Digitais: desenvolvidos no Brasil pela visuais. Podem ou não serem associados aos de- relevo, maquetes e objetos tridimensionais;
Fundação Dorina Nowill para Cegos. O livro Daisy mais recursos. São muito utilizados em ambientes
permite ao leitor cego ou com baixa visão am- escolares para o acesso às informações do meio. • tiposcópio: guia para leitura, confeccionado em
plo acesso à literatura destinada ao estudo e à Devem ser analisados em uma postura reflexiva e EVA ou qualquer tipo de papelão ou plástico pre-
pesquisa. No formato CD-ROM, é dirigido a es- de debate com a pessoa que utilizará para realmen- to sem brilho. Apresenta uma fenda que pode ser
tudantes, pesquisadores e profissionais liberais; te obter resultados satisfatórios: recortada de acordo com a necessidade de dispo-
oferece ao usuário grandes possibilidades e faci- sição da escrita no livro ou caderno do estudan-
lidades na exploração de textos em áudio e letras • iluminação adequada: é fundamental para a te; possibilita o aumento do contraste, evita pular
ampliadas; projetado para ser portátil e utilizado eficiência visual: o uso de lâmpada incandescen- alguma linha, facilita a localização e continuidade
em qualquer computador com configurações mí- te e ou fluorescente no teto. No ambiente, não da leitura, além de diminuir a reflexão de luz no
nimas; possui diversas vantagens: buscas de pala- pode ter focos de luz que causem reflexo de luz papel branco;
vras, termos e expressões, marcadores de texto, na lousa. A falta de iluminação é um fator que
anotações pessoais, tutorial, acesso à ajuda etc. pode causar discriminação visual. Uma maneira • prancha de apoio ou plano elevado: tornar o
pratica que pode auxiliar o professor é sentar-se uso de apoio de leitura/escrita um hábito, preve-
• Livro Falado: importante recurso para as pes- na carteira do estudante para observar como está nindo problemas posturais significativos no futu-
soas com deficiência visual adquirirem informa- a luminosidade para a leitura; ro. Entretanto, deve-se deixar o estudante apro-
ção, conhecimento e cultura. A Fundação Dorina ximar o material de leitura para perto e permitir

33
que ele movimente sua cabeça dirigindo o olhar Esse recurso deve ser feito de acordo com a rotina O professor pode e deve fazer uso desse recur-
para a posição que permita a utilização do seu escolar e com o detalhamento que for possível em so descrevendo o universo imagético presente
melhor campo de visão; cada aula. Por exemplo, a audiodescrição a seguir na escola, como ilustrações nos livros didáticos
pode ser feita de forma mais simplificada: e livros de história, gráficos, mapas, vídeos, fo-
• caderno adaptado: favorecer o acesso do es- tografias, experimentos científicos, desenhos,
tudante ao lápis 6B ou 4B, caneta hidrográfica feiras de ciências, visitas culturais, entre outros,
preta, cadernos com pautas escurecidas e mais sem precisar de equipamentos para tal. Também
largas; usar letra bastão para melhor visualização “A figura é de um castelo na grama verdinha.
estar ciente da importância de verbalizar aquilo
das lições; permitir o uso de canetas mais gros- Ele tem paredes beges, com várias torres
que é visual, sem omitir informações que possam
sas, caneta tipo “marca texto”; e não utilizar o altas, telhados vermelhos em formato de
comprometer a compreensão do contexto.
verso da folha; cone, um grande portão de madeira e jane-
las arredondadas. À esquerda, o rei e a ra- Isso certamente irá contribuir para a aprendiza-
• material pedagógico ampliado e uso de con- inha estão com as mãos dadas. Ele olha para gem de todos os educandos e não somente dos
traste: ampliar o material observando aspectos ela com carinho. A rainha também o olha estudantes com deficiência visual.
como fonte (Arial ou Verdana) e tamanho de com afeto”.
letras (tentar individualizar, mas o tamanho 24 Como fazer?
atende à grande maioria dos estudantes com bai- • realizar a descrição de maneira objetiva, bus-
xa visão). O tamanho não deve exceder à necessi- cando oferecer o máximo de informação, respei-
dade visual do estudante. É importante favorecer tando o momento de desenvolvimento da crian-
o acesso do estudante ao livro, às provas, aos tex- ça e seu potencial de compreensão;
tos de apoio com tipos ampliados.
• usar palavras do cotidiano da criança e, quando
Recurso de audiodescrição: para alunos com
perceber que não está conseguindo transmitir a
baixa visão e cegos
informação, pedir ajuda para a própria criança;
Audiodescrição é a arte de transformar aquilo que
é visto em palavras. Configura-se como um pode-
• não se intimidar ao descrever cores para crian-
roso recurso na inclusão escolar e acadêmica na
ças cegas congênitas, além do conceito “visual”, a
medida em que possibilita referência e compreen-
cor também é um conceito social;
são do ambiente. Traz independência e autonomia
para a inclusão das pessoas com deficiência visual,
• fazer da audiodescrição uma prática prazerosa.
possibilitando acesso à informação e à cultura
Descrever ao educando com deficiência visual o
com maior entendimento dos programas de tevê,
espaço da escola, as características físicas de seus
filmes e peças de teatro, exposições e amostras.
coleguinhas etc.;

34
• habilitar outras crianças a ajudar nessa ativida- Nem todos que possuem baixa visão precisam • verbalizar as etapas de um exercício evitando
de. É muito enriquecedora a experiência da crian- de óculos comuns. Para aquele que necessita, a expressões como “lá”, “aqui”;
ça sem deficiência conhecer e usar esse recurso sua utilização acarretará em melhor visão, po-
de forma espontânea com seu colega com baixa rém, ainda assim, a pessoa continuará tendo uma • dar mais tempo para o estudante cumprir as
visão ou cego; deficiência visual. Conforme a causa, ela poderá tarefas ou diminuir a quantidade de exercícios,
apresentar posicionamento incomum de cabeça, caso seja necessário;
• se for apresentar um vídeo de desenho anima- com o objetivo de utilizar suas áreas de visão.
do ou outro material audiovisual, fazer um pla- Essa atitude deve ser respeitada. • disponibilizar um computador quando o estu-
nejamento prévio das descrições para oferecer dante se beneficiar dos recursos tecnológicos (le-
as informações das imagens ao educando com A superproteção por parte dos indivíduos que tra aumentada, contraste etc.);
deficiência visual; com ela convivem, em qualquer fase da vida, é
prejudicial para o desenvolvimento da pessoa • propiciar cópias de algumas atividades do
• ao realizar uma atividade externa, levantar com baixa visão. Para a convivência adequada, caderno de outros colegas. Com esse material
informações prévias sobre o evento e construir a família, o cuidador e os profissionais devem duplicado, o estudante com baixa visão poderá
um roteiro de audiodescrição, incentivando a procurar conhecer e atender às suas especifici- ter acesso ao conteúdo, sendo possível com-
participação das crianças e dos jovens com com dades. pletar atividades em outros momentos fora da
baixa visão ou cegos sala de aula.
É de fundamental importância ter o acompanha-
mento de profissionais especializados na área

Orientações aos da deficiência visual e/ou encaminhamento aos


programas específicos de atendimento. Além dis-

professores
so, os estudantes com baixa visão necessitam de
recursos ópticos e não ópticos para desempenha-
rem suas atividades escolares.

Os professores devem estar atentos para o fato Alguns cuidados que devem ser observados pelo
de que a capacidade de ver é aprendida, desen- professor:
volvendo-se nos primeiros sete anos de vida. Em
todas as idades, a utilização da baixa visão deve • permitir a aproximação do estudante à lousa
ser estimulada para que a pessoa aprenda a usar para que seja possível a leitura (cada estudante
seu resíduo visual. terá sua distância ideal);

35
36
Como lidar com
• encorajar a exploração em ambientes externos; e habilidades para participar de brincadeiras e re-
creações com os colegas, facilitando o processo
• pendurar ao redor do berço todo tipo de estí- de socialização e inclusão;

a Baixa Visão
mulos com cores contrastantes;
• ensinar sobre sua deficiência e o que pode ou
• movimentar objetos lentamente e encorajá-la a não ver bem;
seguir com os olhos. Por volta de quatro meses,
Baixa visão na infância
deve alcançá-lo com as mãos; • orientar o uso do contraste de claro e escuro
• lembrar que a experiência e o processo de
entre os objetos e o seu fundo;
aprendizagem são muito mais importantes do
• auxiliar o bebê a movimentar-se para perto dos ob-
que o quanto a criança vê para desempenhar
jetos, combinando a estimulação tátil com a visual; • orientar a trabalhar, treinar olhando para os ob-
uma tarefa;
jetos e para as pessoas;
• usar a palavra “olhe” constantemente;
• encorajar a coordenação de movimentos com a
• estimular a olhar para aspectos como cor, forma,
visão, principalmente os das mãos;
• mostrar figuras familiares de revistas e livros; encorajando-o a tocar nos objetos enquanto olha.
aproximar dos olhos da criança para que seja en-
• estar ciente da diferença entre nunca ter tido
corajada a ver; • orientar a diversificar o uso de recursos (ópti-
boa visão e tê-la perdido após os dois anos;
cos, computador, tablets) de forma a diminuir o
• estimular a criança a olhar para aspectos como cansaço visual e aumentar a independência;
• compreender que o sentido da visão funciona
cor, forma e encorajá-la a tocar nos objetos en-
melhor em conjunto com outros sentidos;
quanto olha; • pensar como pessoas que enxergam;

• permitir ampla liberdade para mover-se, pois é
• dar-lhe tempo para olhar os livros e as revistas, • usar as palavras “olhe” e “veja” constantemente;
nesse momento que a visão começa a se desen-
chamando atenção para os objetos familiares.
volver mais consistentemente;
Pedir-lhe para descrever o que vê; • aprender a ignorar comentários negativos so-

bre sua deficiência visual;
• evitar a superproteção, deixando, por exemplo,
• escolher tarefas mais simples no início das ex-
que ocorram pequenas quedas por erro de apre-
periências visuais, com o objetivo de obter suces- • lembrar-se de que o uso prolongado da baixa
ciação de distância ou falha em ver um objeto;
so e, assim, estimular o uso da visão. visão pode causar fadiga;

• maior será a chance de usar significativamente
Baixa visão na adolescência • ser realista nas expectativas de seu desempe-
a visão mais tarde se a criança for encorajada a
• ajudar o jovem a desenvolver comportamentos nho visual, encorajando sempre o progresso;
olhar e mover-se nos primeiros anos de vida;

37
• estar sempre atualizado sobre os aparelhos de
aumento e apoiar seus usos;

• manter comunicação com a equipe especializa-


da;

• orientar sobre segurança, pontos de referência,


pistas.

Considerações sobre o cotidiano


A pessoa com baixa visão, no dia a dia, sofre o im-
pacto de sua redução visual em vários aspectos.

• ela vê as pessoas, mas não as reconhece de longe;

• no ponto de ônibus, tem dificuldade em ler o


letreiro (o mesmo acontece com as placas);
• sempre há desconforto ao utilizar recursos óp- É a mais adequada combinação de todas essas
• não consegue ler, mas vê, por exemplo, uma ticos especiais; variáveis que vai garantir a melhoria na qualidade
formiga andando no chão, um fio de cabelo na de vida desse estudante. E para isso, não existe
roupa; não enxerga na lousa, mas corre, pula, • preconceito social (na escola, o professor é o uma receita ou um conjunto de procedimentos
brinca e vê pequenos objetos no chão, etc., o que principal mediador na sala de aula e no ambiente padrão. É na relação entre o professor e educan-
desperta dúvidas sobre sua condição de pessoa escolar como um todo); do, no diálogo constante que se encontrarão as
com deficiência visual por parte da sociedade; corretas soluções.
• a difícil realidade de viver entre dois mundos, o
• luz demais atrapalha e de menos também!; dos videntes e o das pessoas cegas. Por isso, o professor deve sempre ter em conta
que a capacidade de ver pode ser aprendida em
• demora em adaptar-se às mudanças de ilumi- Assim, ter um estudante com baixa visão traz vá- qualquer idade. Isso significa que uma pessoa
nação; rios desafios para o professor. São muitas as va- com baixa visão deve ser ensinada a utilizar o seu
riáveis envolvidas. A forma como cada aluno vê, resíduo visual da forma mais eficaz possível. Esse
• apresenta variação da quantidade de visão con- as diversas adaptações ambientais e inúmeros é um dos grandes desafios para o professor dian-
forme o dia e as circunstâncias (se estiver mais recursos ópticos e não ópticos que serão neces- te do estudante com baixa visão.
cansada ou tensa sua percepção visual reduz); sários para potencializar a sua visão.
38
Como lidar
com a Cegueira
As especificidades do estudante cego são dife-
renciadas.

“Quando a criança cega vai à escola, sua vida


passa a ter o ritmo, a rotina e as possibilida-
des próprias da sua idade, que são essenciais
para o desabrochar de uma inteligência e
uma expectativa que pareciam, até então,
impossíveis de serem verdadeiramente usu-
fruídas por ela”. (Dorina de Gouveia Nowill)

Desenvolvimento da criança cega


A criança cega quando recebe os estímulos ade-
quados e apoio nos primeiros anos de vida che-
ga aos 4 anos com evolução muito próxima da
criança com visão normal. A sua participação na
escola é fundamental para garantir um adequado
desenvolvimento social e de aprendizado.

Os principais aspectos a serem observados são:


coordenação motora global, coordenação moto-
ra fina, linguagem e sua relação com o mundo. O
aprendizado ocorre por meio da interação com o
mundo que a rodeia, por isso é fundamental que
os demais sentidos da criança cega sejam explora-
dos, tais como o paladar, o olfato, a audição e o tato.

39
40
Oferecer atividades concretas • construir e montar jogos pedagógicos ou que Escrita
Propiciar que a criança manipule e crie espon- envolvam habilidades de seriar, classificar, rela- Anteriormente à escrita do sistema braile, é im-
taneamente jogos a partir da exploração de cionar, raciocínio lógico (blocos lógicos, material portante que o estudante tenha bom desenvol-
objetos concretos. Isso facilitará que, posterior- dourado e outros que possam ser adaptados), vimento de agilidade, destreza e força dos mo-
mente, ela aceite a intervenção diretiva para a auxiliam bastante nessa fase de desenvolvimento vimentos refinados das mãos necessários para o
aquisição de conceitos. e favorecem a interação com o grupo; uso da reglete e também da máquina de datilo-
grafia braile:
Brincadeiras com modelos em miniatura de obje- • adaptar jogos como: dominó, memória, que-
tos, animais e meios de transportes, possibilitam bra-cabeça, o que ajuda a estabelecer relações e • picotar, usando base de feltro, agulha para ta-
a ela ter melhor compreensão de objetos muito memorização de conceitos. peçaria e/ou punção, papéis de diferentes tex-
grandes ou impossíveis de serem alcançados (ca- turas (gramatura 75, 90 e 120; papel crepom e
sinha com telhado, elefante, caminhão, avião, fo- Alfabetização finalmente, seda), com o objetivo de controlar a
gão, geladeira). As crianças têm acesso à leitura desde muito cedo preensão e a força;
em virtude do contato frequente com cartazes,
O conhecimento das formas deve partir dos ob- televisão, revistas e outros estímulos presentes • alinhavar usando talagarça de trama larga, agulha
jetos comuns (bola), para sólidos tridimensionais na vida cotidiana, facilitando o processo de leitu- para tapeçaria e lã, para coordenação das mãos;
(esfera), jogos de montar (carrinho de montar ra/escrita. Tal fato não ocorre com a maioria das
com roda), formas bidimensionais (círculos), até crianças com cegueira que, pela falta de visão, só • cortar, passando por todas as fases do uso da
chegar à representação em relevo/gráfica (dese- tem acesso ao sistema braile no período escolar. tesoura;
nho da roda).
Não se pode esquecer de que, para a criança • colar livremente e em espaços determinados:
• separar objetos conforme uma característica que se desenvolve por meio de estímulos não pedaços de papel, bolinhas feitas com diferentes
(tamanho, forma, textura); visuais, o que vale é sua potencialidade e o rit- tipos de papel usando as pontas dos dedos, ca-
mo próprio, portanto, sua individualidade deve nudinhos, tampinhas.
• identificar pares em um conjunto de objetos; ser respeitada.
Atenção à postura do estudante que deverá sen-
• separar peças de acordo com ordem verbal; As orientações que seguem abaixo podem facili- tar-se confortavelmente paralelo à mesa, assim
tar a sistematização do processo ensino e apren- como a reglete deverá ficar reta ou com leve in-
• trabalhar, a princípio, os conceitos, oferecendo um dizagem do sistema braile na alfabetização, ca- clinação sobre a mesa.
contraste simples (grande/pequeno, liso/áspero); à bendo ao professor ter bom senso e criatividade
medida que a criança refinar sua percepção, aumen- ao utilizá-las de modo a não as tornar mecânicas Sistema braile
tar a gradação em ordem crescente e decrescente, e cansativas. Anteriormente à escrita do sistema braile, é im-
oferecendo várias nuances entre os extremos; portante que o estudante tenha bom desenvol-
41
vimento de agilidade, destreza e força dos • 2ª linha: é derivada da 1ª acrescentando-se um
movimentos refinados das mãos, necessários ponto abaixo à esquerda (ponto 3);
para o uso da reglete e também da máquina
de datilografia braile. • 3ª linha: forma-se pelo acréscimo dos dois pon-
tos abaixo (pontos 3 e 6);
O sistema de escrita em relevo, conhecido
como braile, é constituído por 63 sinais for- • 4ª linha: é formada pela 1ª linha com o acrésci-
mados por pontos a partir do conjunto matri- mo do ponto abaixo à direita (ponto 6);
cial (1-2-3-4-5-6). Esse conjunto de seis pon-
tos chama-se “sinal fundamental”. • 5ª linha: é formada pela transposição da 1ª li-
nha para a posição inferior dos pontos na cela
Os pontos são numerados de cima para bai- (pontos 2, 3, 5 e 6) e correspondem aos sinais de
pontuação. reglete: material formado, geralmente, por uma base
xo e da esquerda para direita. Os três pontos
de madeira e um guia metálico com pontos onde se
que formam a coluna ou fila vertical esquer-
Atualmente, com a nova grafia braile para a Lín- ajustam a ponta do estilete (punção). Existem outros
da têm os números 1, 2, 3; aos que com-
gua Portuguesa, houve uma pequena modifica- modelos em plástico ou só o guia que é chamado de
põem a coluna ou fila vertical direita, cabem
ção em relação a algumas pontuações. reglete de bolso. A escrita é feita da direita para es-
os números 4, 5, 6.
querda pressionando o punção nos pontos das celas
Usam-se prefixos para, através de combinações para que fiquem em relevo;
1••4
2••5 de pontos, mudar a significação do símbolo. Po-
de-se exemplificar com as letras maiúsculas que máquina datilográfica para escrever em braile: seu
3••6
são escritas com a combinação dos pontos 4, 6 e teclado tem mais ou menos 9 peças, permite a im-
a letra correspondente. pressão de todas as letras e a mudança de espaço e
A simplicidade do alfabeto braile permite
de linha e retrocesso. Possibilita a leitura simultânea
grande facilidade de aprendizagem. A se-
O sistema braile permite, ainda, a partir das 63 e a correção direta dos erros;
guir estão as orientações de como usar esse
combinações, a sua utilização em: química, mate-
sistema: impressora braile: com o avanço da informática, é
mática, música, informática.
• conhecendo-se os dez sinais da 1ª linha que possível produzir um braile com ótima qualidade em
estão colocados na parte superior da cela (de Materiais utilizados para escrita em braile impressoras especiais, conectadas a um computa-
a a j - pontos 1, 2, 4 e 5), já se tem base para Os instrumentos de escrita utilizados são: dor. Possibilita, também, a reprodução de livros e de
50 combinações; punção: estilete de ponta arredondada para fa- gráficos em relevo.
zer os pontos em relevo;

42
Importância da autonomia na escola Técnica de guia vidente Travessia de rua
O desenvolvimento da autonomia é fundamental Guia vidente é a pessoa com visão dentro dos pa- O guia vidente deve sempre ajudar a pessoa com
também para o estudante cego. E algumas orien- drões da normalidade que auxilia a pessoa com de- deficiência visual na hora de realizar uma travessia.
tações podem facilitar esse processo: ficiência visual em seu deslocamento. Para a técnica,
ele deve oferecer o braço e segurar na região acima Subir e descer escadas
• na sala de aula e em outros recintos (banheiro, do cotovelo, também ficar um passo à frente dela. O guia vidente deve ficar um degrau à frente da
sala de vídeo etc.), estabelecer a porta de entrada pessoa com deficiência visual ao subir ou descer
como referência para, a partir dela, a criança per- Técnicas de autoproteção uma escada.
ceber a mesa da professora, o cesto de lixo, a pia, o Tem como objetivo proteger a parte frontal e in-
vaso sanitário e outros móveis ou utensílios; ferior do tronco, detectando obstáculos ao nível Orientação para professores
da pélvis e abdômen. O professor deve descrever os ambientes inter-
• ao acompanhar o estudante em percursos na nos e externos para as crianças e os adolescentes
escola, conversar sobre algumas informações do Na proteção superior, a criança ou adolescente com deficiência visual, identificando quantas sa-
ambiente (sons e odores característicos da cozi- com deficiência visual deve posicionar o braço na las de aula, banheiros e andares a escola possui.
nha, barulho de carros próximo ao portão que altura da cabeça de maneira que seu antebraço fi- A sala de aula deve ser bem explorada por esses
se comunica com a rua, degraus e corrimãos que que à frente do rosto e o dorso da mão voltado estudantes, afinal é o espaço onde eles permane-
fazem ligação entre os ambientes) possibilitando para fora na direção do ombro oposto. Também cem a maior parte do tempo.
que ela conheça e assimile essas pistas; manter uma distância entre o antebraço e cabeça.
É importante que o professor e os colegas da tur-
• as portas podem ter sinalização em relevo para Na proteção inferior, a criança ou adolescente ma não mudem os móveis da sala de lugar sem
que ela possa identificá-las como as outras crianças. com deficiência visual deve colocar um braço em comunicar o estudante com deficiência visual,
diagonal em relação à parte inferior do corpo, pois ele já conhece e consegue se locomover com
Noções básicas de orientação e mobilidade deixando o dorso da mão na direção do quadril segurança naquele ambiente. Além disso, deve
Orientação é o processo no qual uma pessoa usa do lado oposto. Nesse caso, o dorso da mão deve mostrar sempre aos outros educandos a maneira
outros sentidos, não o visual, para estabelecer estar voltado para fora. correta de conduzir um estudante com deficiên-
sua posição no ambiente. cia visual (técnica de guia vidente).
Localização de assentos
Mobilidade é a habilidade de deslocar-se com Se a criança ou adolescente estiver com guia vidente, O professor tem um papel fundamental na apren-
segurança e eficiência no ambiente por meio da esse deve direcionar a mão da criança ou adolescen- dizagem com o foco na independência desse es-
utilização dos sentidos remanescentes. te com deficiência visual até o assento da cadeira; tudante ensinando e encorajando a locomoção
orientar para que use o dorso da mão para fazer uma independente por meio do uso da bengala ou
Esses dois aspectos são fundamentais para o des- breve pesquisa no assento e encosto da cadeira. seguindo linhas guias (rastreamento de mão na
locamento no ambiente e para o desenvolvimen- parede), desde a chegada dele na escola até o
to integral da criança e do adolescente cegos.
43
parquinho, o refeitório, a quadra, o banheiro, as 6. quando for se relacionar com a pessoa com defi-
salas de aula. ciência visual, direcione-se diretamente para falar
com ela e não com seu acompanhante;
Ele deve ser estimulado a sair e chegar ao seu
lugar na sala com autonomia e escolher sentar 7. sempre que um móvel for deslocado de seu local
onde lhe for mais conveniente. Isso garante que a habitual, avise a pessoa com deficiência visual e leve-
criança com deficiência visual mantenha interes- -a até o local da mudança para conhecer e realizar um
se e disponibilidade para tornar-se autônomo e mapeamento mental;
independente.
8. durante a refeição, pergunte à pessoa com defi-
Dicas importantes ciência visual se quer auxílio para cortar a carne, o
1. ao auxiliar a pessoa com deficiência visual para frango ou para adoçar o café e explique-lhe a posição
atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela neces- dos alimentos no prato;
sita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em
linha reta, senão ela poderá perder a orientação; 9. ao observar aspectos inadequados quanto à sua
aparência, não tenha receio em avisá-la discretamen-
2. identifique-se sempre ao se aproximar da pes- te a respeito de sua roupa (meias trocadas, roupas
soa com deficiência visual. Nunca empregue brin- pelo avesso, zíper aberto etc.);
cadeiras, como: “adivinha quem é? ”;
10. ao orientá-la, dê direções do modo mais claro
3. se conviver com uma pessoa com deficiência possível. Diga direita ou esquerda, de acordo com o
visual, nunca deixe uma porta entreaberta. As caminho que ela necessite. Nunca use termos como
portas devem estar totalmente abertas ou com- “ali”, “lá”;
pletamente fechadas. Conserve os corredores li-
vres de obstáculos; 11. avise a pessoa com deficiência visual quando hou-
ver estreitamento do trajeto ou obstáculos (como
4. ao afastar-se da pessoa com deficiência visual, postes e orelhões) para que fique atrás do guia viden-
avise-a para que ela não fique falando sozinha; te se apoiando em seus ombros ou segurando o seu
braço, até que a ultrapassagem seja feita com segu-
5. se a pessoa com deficiência visual estiver com rança.
seu cão guia, não mexa com o cão. Ele está em
trabalho e qualquer distração pode influenciar
em seu desempenho;
44
45
Para saber mais
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]

46
Instituições e Associações em São Paulo
ADEFAV - Centro de Recursos em Deficiência Múltipla, Surdocegueira e Deficiência Visual
Rua Clemente Pereira, 286 - Ipiranga - São Paulo /SP
[Link]

Associação de Deficientes Visuais e Amigos


Rua São Samuel, 174 - Vila Clementino - São Paulo /SP
[Link]

Associação dos Deficientes Visuais Evangélicos do Brasil


Rua Agostinho Gomes, 2235 - Ipiranga - São Paulo /SP
[Link]

Fundação Dorina Nowill para cegos


Rua Doutor Diogo De Faria, 558 - Vila Clementino – São Paulo /SP
[Link]

LARAMARA - Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual


Rua Conselheiro Brotero, 338 - Barra Funda - São Paulo /SP
[Link]

PROJETO ACESSO - Centro Brasileiro de Apoio Pedagógico Especializado ao Deficiente Visual


Rua Salles Guerra, 147 - Vila Romana - São Paulo /SP
[Link]

URDV - Unidade Para Reabilitação De Deficientes Visuais


Rua Ministro Godoy, 101 - Barra Funda - São Paulo /SP
[Link]

47
48
ALVES, Maria Glicélia; AMORIM, Célia Maria Araújo. A criança cega vai à escola. São Paulo: Fundação

bibliografia
Dorina Nowill para Cegos, 2008.

AMIRALIAN, M. L. T. M. Sou cego ou enxergo? as questões da baixa visão. Educar. Curitiba, PR: Editora
UFPR, nº 23, p. 15-28, 2004.

BARRAGA, N. C.; MORRIS, J. E. Programa para desenvolver a eficiência no funcionamento visual:


livro de informações sobre visão subnormal. Fundação para o Livro do cego no Brasil, 1985.

BRASIL. Decreto nº 5.626, 2005 – Regulamentação da Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dis-
põe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras. Brasília, 2005. Disponível em: <[Link]
[Link]/sileg/integras/[Link]>. Acesso em: 23 fev. 2018.

______. Senado Federal. LDB: Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Senado Fede-
ral, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. Disponível em: <[Link]
tream/handle/id/529732/lei_de_diretrizes_e_bases_1ed.pdf>. Acesso em: 23 fev. 2018.

______. Lei brasileira de inclusão. Brasília, 2015. Disponível em: <[Link]


vil_03/_ato2015-2018/2015/lei/[Link]>. Acesso em: 23 fev. 2018.

______. MEC/SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação inclusiva.


Brasília, Ministério da Educação e Cultura, 2007. Disponível em: <[Link]
arquivos/pdf/[Link]>. Acesso em: 07 maio 2017.

BRUNO, M. Escola Inclusiva: problemas e perspectivas. Série Estudos, v.10, p. 79-90, 2000.

CARVALHO, K. M. M. et al. Visão subnormal: orientações ao professor do ensino regular. Campinas,


SP: Editora da UNICAMP, 1992.

CORDE. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília,
DF: Corde, 1994.

49
HADDAD, Maria Aparecida Onuki; SAMPAIO, Marcos Wilson; JOSÉ, Newton Kara. Auxílios para baixa visão. São Paulo: Lara Mara, 2001.

HARRISON, Chandra. Designing for people with low vision: learnability, usability and pleasurability. Annual Conference of the Ergonomics Society, Contem-
porary Ergonomics. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 30 mar. 2012.

LIMA, Eliana Cunha; NASSIF, Maria Christina Martins; FELIPPE, Maria Cristina Godoy Cruz. Convivendo com a baixa visão: da criança à pessoa idosa. São
Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2008.

MARTIN, Manuel Bueno; BUENO, Salvador Toro. Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Livraria Santos Editora, 2003.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Ensinando à turma todas as diferenças na escola. Pátio Revista Pedagógica. Educa Brasil. São Paulo: Midiamix, v. 20, p. 18-23,
2002. Disponível em: <[Link] Acesso em: 04 dez 2017.

______. Integração x Inclusão: escola (de qualidade) para todos. 1993. Disponível em: <[Link]/todosnos/integinclusao/Escola para to-
dos. rtf>. Acesso em: 04 dez 2017.

MASINI, Elcie F. Salzano (org.). A pessoa com deficiência visual: um livro para educadores. São Paulo: Vetor, 2007.

MOREIRA, C. J. de M. Educação especial: uma análise sobre a concepção e o direito à educação em documentos nacionais e internacionais. Disponível em:
<[Link] GT3_integral-.pdf>. Acesso em: 23 fev. 2018.

NASSIF, Maria Christina Martins; ALVES, Maria Glicélia; AMORIM, Célia Maria Araújo. Escola e deficiência visual. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para
Cegos, 2008.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos do Homem. Assembleia Geral das Nações Unidas do dia 10 de dezembro de 1948.
Disponível em: <[Link]>. Acesso em: 24 abr 2017.

SAMPAIO, Marcos Wilson; ET al. Baixa visão e cegueira: os caminhos para reabilitação, a educação e a inclusão. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2010.

SIAULYS, Mara O. de Campos; HADDAD, Maria Aparecida Onuki; SAMPAIO, Marcos Wilson. Baixa visão na infância: guia prático de atenção oftalmológica.
São Paulo: Lara Mara, 2011.

50
SOUZA, Olga Solange Herval (org). Itinerários da inclusão escolar. Porto Alegre: Editora da Ulbra, 2008.

UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação: sobre necessidades educativas especiais. Conferência mundial sobre educação para necessidades espe-
ciais: Salamanca, 1994. Disponível em: <[Link] Acesso em: 13 maio 2017.

______. Orientações para a inclusão: garantindo o acesso à educação para todos. Paris, 2005. Disponível em: <[Link]
com_docstation/20/ fl_43.pdf>. Acesso: 29 abr. 2016.

Common questions

Com tecnologia de IA

Os programas e recursos preparados para estudantes com baixa visão, como o uso de tecnologias acessíveis e adaptações nas atividades e materiais escolares, têm um impacto significativo na sua experiência educacional e inclusão social. Eles promovem independência e potencializam a capacidade de aprendizado, ao mesmo tempo que facilitam a socialização e participação em atividades escolares, mostrando-se fundamentais para uma inclusão efetiva e para a superação de barreiras impostas pela deficiência .

Estudantes com deficiência visual enfrentam desafios como dificuldades para ler na lousa ou placas, variações de percepção conforme iluminação e cansaço, e preconceitos sobre sua condição. Estratégias para melhorar seu aprendizado incluem permitir aproximação à lousa, uso de recursos tecnológicos, fornecimento de materiais impressos em formato acessível, além de estimular a utilização de outros sentidos e integração em atividades sociais e recreativas para melhor inclusão .

Ao incorporar atitudes de respeito à individualidade e diversidade na escola, os professores influenciam diretamente os alunos, servindo como modelos e criando um ambiente onde todos se sintam pertencentes. Isso reconhece e valoriza a identidade dos estudantes, garantindo a motivação para participar e aprender coletivamente. Quando o ambiente escolar assegura que todos se sintam parte, cada aluno experimenta reconhecimento, o que é essencial para sua motivação e sucesso escolar .

São necessárias mudanças que incluem a adoção de tecnologias assistivas, adaptações no ambiente físico e curricular, e uma mudança cultural que perceba a deficiência visual não mais como uma limitação incapacitante, mas como uma parte das diversas condições humanas. Essas mudanças se traduzem em práticas educativas que respeitam o ritmo e as necessidades dos estudantes, proporcionando experiência de aprendizado significativo e promovendo a consciência e aceitação do grupo .

As novas diretrizes educacionais introduzidas desde os anos 80 buscaram alinhar o Brasil ao movimento internacional de integração escolar já preconizado, visando atender as necessidades de crianças e jovens com deficiência nas escolas regulares. No entanto, a implementação frequentemente manteve o caráter assistencialista e protecionista, com a 'integração' entendida mais como mera colocação no mesmo espaço em vez de inclusão plena e adaptada às necessidades dos alunos, destacando a necessidade de mudanças estruturais e atitudinais para uma efetiva educação inclusiva .

A concepção de inclusão escolar contribui para o desenvolvimento de cidadãos comprometidos com a sociedade ao garantir que a educação não apenas acomode, mas integre efetivamente alunos com diversidade de capacidades e histórico. Ao aceitar diferenças e criar ambientes propícios ao desenvolvimento das potencialidades individuais, a escola promove compreensão e prática de equidade e diversidade, fornecendo as bases para um aprendizado colaborativo e consciente das necessidades e direitos dos outros .

A transição do modelo médico para o modelo social marcou um reconhecimento de que as dificuldades de aprendizagem não residem nas deficiências dos indivíduos, mas nas barreiras impostas pelo ambiente físico e social. Essa mudança influenciou a prática educacional ao promover a diferenciação de estratégias e conteúdos com vistas à inclusão efetiva, superando barreiras do sistema educativo e capacitando toda a comunidade escolar para promover um desenvolvimento educacional inclusivo e sem preconceitos .

A educação especial no Brasil iniciou com um foco assistencialista e filantrópico, mantendo as pessoas com deficiência distantes do convívio social. As primeiras ações surgiram no Império com fundações para cegos e surdos, com foco na assistência médica. A partir de 1970, passou-se a promover mais instituições públicas e privadas voltadas para a educação especial, embora mantendo um caráter protecionista. Nos anos 80, começou a integrar-se o movimento de inclusão social, mas ainda com desafios de adaptação e integração efetivas no ambiente escolar regular .

A evolução das terminologias, passando de 'Educação de excepcionais' em 1961 para 'educandos com necessidades educacionais especiais' na Resolução 02/2011, reflete um avanço na percepção social e educacional, alinhando-se ao modelo social de deficiência e promovendo um foco inclusivo que prioriza as possibilidades dos indivíduos e a transposição de barreiras de acesso nas escolas .

Uma abordagem educacional personalizada, ao focar nas necessidades individuais e transpor as barreiras do sistema, promove avanços pedagógicos significativos. No ambiente inclusivo, não apenas os estudantes com dificuldades se beneficiam, mas todos os envolvidos, incluindo professores e a equipe administrativa. Essa personalização permite que o aprendizado ocorra no ritmo de cada estudante, maximizando o potencial de desenvolvimento de suas habilidades em um contexto que valoriza a diversidade .

Você também pode gostar