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Matemática de Financiamento e Capital

Este documento apresenta os conceitos fundamentais da matemática financeira, como o valor temporal do dinheiro, taxas de juro, regimes de capitalização e taxas efetivas. Aborda tópicos como juros compostos e juros simples, equivalência entre taxas, taxas reais versus nominais, e efeitos fiscais. Tem como objetivo fornecer os conhecimentos básicos necessários para a análise de projetos de investimento e tomada de decisão financeira.

Enviado por

Maria Pedroso
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Matemática de Financiamento e Capital

Este documento apresenta os conceitos fundamentais da matemática financeira, como o valor temporal do dinheiro, taxas de juro, regimes de capitalização e taxas efetivas. Aborda tópicos como juros compostos e juros simples, equivalência entre taxas, taxas reais versus nominais, e efeitos fiscais. Tem como objetivo fornecer os conhecimentos básicos necessários para a análise de projetos de investimento e tomada de decisão financeira.

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MATF

A MATEMÁTICA DO FINANCIAMENTO E DAS


APLICAÇÕES DE CAPITAL

Natália Canadas

Magali Costa, Lígia Febra, Maria João Jorge, Célia Oliveira

2ª Edição
Dedicatória

Aos estudantes

i
Agradecimentos

Em primeiro lugar, o nosso imenso e sentido agradecimento dirige-se à doutora Natália


Canadas, que, apesar de não ter participado nesta edição do livro, permitiu que esta fosse
possível ao consentir que atualizássemos e reformulássemos o seu livro publicado em
1998, e, também, por todos os seus ensinamentos enquanto trabalhámos juntas. Muito
obrigada, doutora Natália Canadas!

Endereçamos um especial agradecimento a todos os nossos colegas que têm lecionado a


unidade curricular de Finanças Empresariais I do departamento de Gestão e Economia da
Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria, em particular, Carla
Simões, Caroline Cunha e Ricardo Marques.

Agradecemos igualmente a todos os estudantes de Finanças Empresariais I que passaram


pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria ao longo dos anos.

E, por fim, um agradecimento à Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de


Leiria e ao Politécnico de Leiria por nos permitirem tornar este livro uma realidade.

iii
Índice

DEDICATÓRIA .......................................................................................................................... I
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... III
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................. IX
LISTA DE TABELAS ................................................................................................................. XI
LISTA DE SIGLAS ................................................................................................................... XII
PREFÁCIO ............................................................................................................................... 1
PARTE I ................................................................................................................................... 1
1. CONCEITOS BASE ........................................................................................................... 3
1.1. Valor temporal do dinheiro ........................................................................................... 3
1.2. As variáveis e os conceitos de base ............................................................................... 4
1.2.1. Tempo ............................................................................................................................ 4
1.2.2. Capital ............................................................................................................................ 5
1.2.3. Juro ................................................................................................................................ 6
1.3. Valor acumulado e valor atual de um capital ................................................................ 8
1.4. A taxa de juro i ............................................................................................................... 9
1.5. Fórmulas gerais do processo de capitalização e de atualização ................................. 10
1.5.1. Considerando taxa periódica não contínua ................................................................. 10
1.5.2. Considerando taxa contínua ........................................................................................ 11
1.5.3. Equivalência entre a taxa de capitalização não contínua i e contínua δ ..................... 12
1.6. Exercícios propostos .................................................................................................... 13
2. REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO ...................................................................................... 15
2.1. Regime de Juro Composto (RJC) .................................................................................. 15
2.1.1. Fórmulas gerais do processo de capitalização e atualização em RJC .......................... 16
2.1.2. O juro periódico e o juro total em RJC......................................................................... 17
2.1.3. Outras incógnitas possíveis na fórmula geral do processo de capitalização: taxa de
juro e o número de períodos................................................................................................... 18
2.1.4. Escolhas Intertemporais .............................................................................................. 20
2.2. Regime de Juro Simples (RJS) ...................................................................................... 21
2.2.1. Fórmula geral do processo de capitalização em RJS ................................................... 22
2.2.2. O juro periódico e o juro total em RJS ......................................................................... 23
2.2.3. Fórmulas gerais do processo de atualização ou de desconto em RJS ......................... 24

v
[Link]. O desconto por dentro ou desconto racional (D) ................................................................ 25
[Link]. O desconto por fora ou desconto comercial (Df) ................................................................ 25
[Link]. Taxa real ou efetiva em desconto comercial (i’) .................................................................. 27

2.3. Equivalência entre os dois regimes de capitalização: RJC e RJS ................................. 28


2.4. Anatocismo e os regimes de capitalização ................................................................. 29
2.5. Exercícios propostos.................................................................................................... 31
3. TAXAS EFETIVAS E TAXAS NOMINAIS .......................................................................... 35
3.1. Taxas relativas a períodos diferentes.......................................................................... 35
3.1.1. Taxas proporcionais e taxas equivalentes ................................................................... 36
[Link]. Taxas proporcionais............................................................................................................. 36
[Link]. Taxas equivalentes .............................................................................................................. 37
[Link]. Proporcionalidade em RJC ................................................................................................... 39

3.2. Taxa de rendibilidade efetiva e taxa de custo efetivo ................................................ 40


3.2.1. Taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) ............................................................. 42
3.3. Taxas brutas e taxas líquidas: o efeito fiscal ............................................................... 44
3.3.1. Em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS) ...................... 44
3.3.2. Em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas (IRC)........................ 46
3.4. Taxa de inflação e taxa de juro real ............................................................................ 48
3.4.1. A taxa de inflação......................................................................................................... 48
3.4.2. Preços constantes e preços correntes ......................................................................... 49
3.4.3. O juro real ou deflacionado ......................................................................................... 50
3.5. Taxas de juro ativas e passivas e os principais indexantes ......................................... 54
3.5.1. Taxas de juro ativas e passivas .................................................................................... 54
3.5.2. Os principais indexantes .............................................................................................. 54
3.6. Exercícios propostos.................................................................................................... 55
EXERCÍCIOS GLOBAIS – PARTE I ........................................................................................... 59
Exercícios resolvidos............................................................................................................ 59
Exercícios propostos............................................................................................................ 62
PARTE II................................................................................................................................ 65
4. RENDAS (UM CASO PARTICULAR DA EQUIVALÊNCIA DE VALORES) ........................... 67
4.1. Equação de valor ......................................................................................................... 67
4.2. Renda: noção e classificação ....................................................................................... 68
4.2.1. Noção ........................................................................................................................... 68
4.2.2. Classificação ................................................................................................................. 69

vi
4.3. Rendas inteiras, com termos constantes .................................................................... 75
4.3.1. … temporárias .............................................................................................................. 75
[Link]. … imediata, de termos normais .......................................................................................... 75
[Link]. … imediata, de termos antecipados.................................................................................... 77
[Link]. ... diferida, de termos normais ou antecipados .................................................................. 78
4.3.2. … perpétuas ................................................................................................................. 81
4.4. Rendas inteiras, com termos variáveis ........................................................................ 83
4.4.1. … com termos a variar em progressão geométrica ..................................................... 83
[Link]. … temporárias ..................................................................................................................... 83
[Link]. …perpétuas ......................................................................................................................... 85
4.4.2. … com termos a variar em progressão aritmética crescente ...................................... 86
[Link]. … temporárias ..................................................................................................................... 86
[Link]. … perpétuas ........................................................................................................................ 89
4.4.3. … com termos a variar em progressão aritmética decrescente .................................. 90
[Link]. … temporárias ..................................................................................................................... 90

4.5. Exercícios propostos .................................................................................................... 93


5. EMPRÉSTIMOS INDIVISOS ........................................................................................... 97
5.1. O princípio geral de reembolso de empréstimos ........................................................ 97
5.2. O reembolso de empréstimos indivisos – O quadro gerador de hipóteses................ 98
5.3. Reembolso com amortização massiva ........................................................................ 99
5.3.1. Os juros são pagos no fim do prazo ............................................................................. 99
5.3.2. Os juros são pagos na data de contração do empréstimo ........................................ 100
5.3.3. Os juros são pagos escalonadamente ....................................................................... 100
5.4. Reembolso com pagamento escalonado do capital.................................................. 102
5.4.1. Os juros são pagos no fim do prazo ou na data de contração do empréstimo ......... 102
5.4.2. Os juros e o capital são pagos escalonadamente ...................................................... 103
[Link]. Sistema francês ou dos pagamentos constantes .............................................................. 103
[Link]. Extensões do modelo de base – Sistema Francês............................................................. 110
[Link]. Prestações variáveis com amortizações constantes de capital ........................................ 114

5.5. Exercícios propostos .................................................................................................. 116


6. OS PRODUTOS/INSTRUMENTOS FINANCEIROS DE CURTO PRAZO ........................... 119
6.1. O desconto bancário.................................................................................................. 119
6.1.1. O desconto de letras .................................................................................................. 121
6.2. O factoring ................................................................................................................. 128

vii
6.3. O crédito em conta-corrente .................................................................................... 133
6.4. Exercícios propostos.................................................................................................. 137
EXERCÍCIOS GLOBAIS – PARTE II........................................................................................ 139
Exercícios resolvidos.......................................................................................................... 139
Exercícios propostos.......................................................................................................... 147
SOLUÇÕES DOS EXERCÍCIOS PROPOSTOS ......................................................................... 149

Equation Chapter (Next) Section 1

viii
Lista de figuras

Figura 1.1. Capital financeiro ................................................................................................. 5


Figura 1.2. Qual a forma da função capital ........................................................................... 7
Figura 2.1. Evolução da Função Capital em RJC .................................................................. 17
Figura 2.2. Evolução da Função Capital em RJS................................................................... 23
Figura 2.3. Ponto de equivalência entre RJC e RJS .............................................................. 29
Figura 4.1. Classificação de rendas ...................................................................................... 74

ix
Lista de tabelas

Tabela 2.1. Ponto de equivalência entre RJC e RJS ............................................................. 28


Tabela 3.1. Principais indexantes ........................................................................................ 55
Tabela 5.1. Quadro do serviço da dívida – sistema francês ou dos pagamentos constantes
........................................................................................................................................... 108
Tabela 5.2. Quadro do serviço da dívida – prestações variáveis com amortizações
constantes de capital ......................................................................................................... 115

xi
Lista de siglas

IRC – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas


IRS – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
RJC – Regime de Juro Composto
RJS – Regime de Juro Simples
TAEG – Taxa Anual de Encargos Efetiva Global

xii
Prefácio

Este livro resultou da necessidade premente de reformulação e atualização do livro MATF


– Matemática do Financiamento e das Aplicações de Capital publicado, em 1998, pela
Editora Plátano e escrito por mim. Ao longo destes mais de 20 anos, as minhas colegas da
equipa docente da unidade curricular de Finanças Empresariais I, dos cursos de licenciatura
em Contabilidade e Finanças e em Gestão da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do
Politécnico de Leiria, complementando com os preciosos contributos dos nossos
estudantes, têm vindo a atualizar os conteúdos do livro. Em bom rigor, esta reformulação
resulta de um esforço coletivo de aprendizagem, que surge quando se trabalha em equipa.
Assim, acreditando que estes conteúdos são de interesse para muitos outros estudantes, e
também para profissionais ligados a estas temáticas, dada a sua simplificação da aparente
complexidade e exemplificações práticas, lancei o repto às minhas colegas para
desenvolverem a reformulação do livro, em formato digital, pensando na sustentabilidade
e na facilidade de acessibilidade.

O livro está estruturado em duas partes, com três capítulos em cada parte. Na primeira
parte, são apresentados os conceitos e instrumentos de análise basilares da matemática
financeira: (1) conceitos base; (2) regimes de capitalização e, (3) taxas efetivas e nominais.
Na segunda parte, são apresentados os conceitos e instrumentos de análise mais
complexos da matemática financeira e estudados os produtos/instrumentos de
financiamento de longo prazo e de curto prazo: (1) rendas; (2) modalidades clássicas do
reembolso de empréstimos de longo prazo e, (3) instrumentos de financiamento de curto
prazo. Após cada parte são apresentados um conjunto de exercícios resolvidos que
interligam os conteúdos.

Esta segunda edição do MATF deve ser entendida como (mais) um ponto de partida, e não
de chegada, pelo que todos os comentários e contributos serão pertinentes. Como em
qualquer trabalho com os atributos deste, a avaliação do resultado final pertence aos
leitores, especialmente aos estudantes de Matemática Financeira da Escola Superior de

1
Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria, figuras centrais do desenvolvimento do
trabalho, a quem espero que o livro ajude na sua procura pelo sucesso!

O meu Muito Obrigada às doutoras Magali Costa, Lígia Febra, Maria João Jorge e Célia
Oliveira!

Natália Canadas

2
PARTE I

A primeira parte compreende os três primeiros capítulos, nos quais são apresentados os
conceitos e instrumentos de análise da matemática financeira. No capítulo 1 definimos as
variáveis de base e os conceitos estruturantes da análise, no capítulo 2 caracterizamos os
regimes de capitalização e, no capítulo 3, estudamos as taxas de juro de acordo com
diferentes cenários. Temos assim todo o instrumental de análise.

No final desta Parte I apresentam-se alguns exercícios resolvidos que interligam o conteúdo
dos primeiros capítulos, assim como se propõem outros para resolução.

1
1. CONCEITOS BASE

Neste capítulo apresentamos os conceitos base da matemática financeira. As diversas


operações financeiras apresentam características diferentes em função dos intervenientes
e em função da natureza dos ativos a que respeitam. Contudo, as bases da matemática
financeira são as mesmas. No primeiro ponto centramo-nos na ideia central da matemática
financeira: “O tempo é dinheiro”. No ponto seguinte identificamos as variáveis básicas da
matemática financeira: tempo, capital e juro. No ponto 1.3 introduzimos os conceitos de
valor atual e valor acumulado. Por fim, nos pontos 1.4 e 1.5 é definido o conceito de taxa
de juro i e apresentadas as fórmulas gerais dos processos de atualização e capitalização
com taxa de juro i, respetivamente.

OBJETIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Compreender a ideia do valor temporal do dinheiro;
- Compreender e identificar as variáveis básicas da matemática financeira;
- Compreender o conceito de capital financeiro e identificar qual o seu rendimento;
- Compreender os conceitos de juro, em particular, juro periódico e juro total e a sua
formalização algébrica;
- Compreender os conceitos de valor atual e valor acumulado e do processo de atualização e
capitalização;
- Compreender os conceitos de taxas de juro;
- Compreender, deduzir e aplicar as fórmulas gerais do processo de capitalização e atualização à
taxa i constante e não constante.

1.1. Valor temporal do dinheiro

A ideia base da matemática financeira é que “O tempo é dinheiro”, o tempo estica ou


encolhe o valor do dinheiro. Tal é a ideia que está na base da Matemática Financeira. O
problema que se pretende equacionar, o tema central da análise, é o do valor temporal do
dinheiro, isto é, como comparar capitais que estão posicionados em momentos diferentes.
É um problema de equivalência de valores.

3
... € … € ... €
tempo

Efetivamente quando compramos um automóvel, quando compramos uma casa, quando


pedimos emprestado, quando emprestamos, entre outros exemplos, deparamo-nos com
operações de carácter financeiro e, por isso, é essencial perceber como comparar capitais
localizados em momentos diferentes do tempo.

1.2. As variáveis e os conceitos de base

1.2.1. Tempo

Notação: n ou t

O tempo é por natureza uma variável contínua: n 0,+

No entanto, normalmente, quantificamos o tempo em horas, dias, meses, semestres, anos,


etc., isto é, fragmentamos o tempo em intervalos reais. Tais intervalos podem ser tomados
de modo discreto, de modo que o tempo nos aparece como uma sucessão de instantes:

n0, n1, n2, ..., nn

Ao iniciarmos qualquer análise devemos proceder à representação da sucessão de


instantes na reta do tempo:

0 1 2 n

Em conformidade com o Decreto-Lei nº 88/2008, artigo 1º, para operações de crédito em


euros, usa-se a base de referência de 360 dias para o cálculo dos juros e para o indexante,
conduzindo à utilização de um referencial de 30 dias/mês para o cálculo do referido juro.
Ainda de acordo com o Decreto-Lei nº 88/2008, artigo 2º, para o cálculo dos juros dos

4
depósitos usa-se a convenção de mercado ACTUAL/360, correspondente ao número de
dias efetivamente decorridos no período a que se refere o cálculo do juro corrido do
depósito e a um ano de 360 dias.

1.2.2. Capital

Notação: C ni ou f (ni )

O capital é outra das variáveis básicas da matemática financeira. Mas, o termo capital é
usado na linguagem económico-financeira em múltiplas aceções: capital económico,
capital humano, capital social, capital próprio, capital financeiro, etc. O conceito de capital
a que nos referimos neste livro é o de capital financeiro. Para percebermos melhor o
conceito de capital financeiro observe-se a figura seguinte:

Figura 1.1. Capital financeiro

Consumo

Rendimento Disponível
Poupança

Investimento Entesouramento

Investimento Indireto ou Investimento Direto


Capital Financeiro ou Capital Económico

Uma parte do rendimento disponível auferida pelos agentes económicos é gasta em


consumo; a parte restante é o aforro ou poupança. A poupança é, assim, a diferença entre
o rendimento disponível e o que se gasta em consumo. Note-se que a poupança poderá ser
negativa quando o consumo é superior ao rendimento disponível. Nesse caso, o agente
económico terá de financiar esse excesso de consumo recorrendo à poupança de outros
agentes económicos.

Quando a poupança é investida em meios de produção, falamos em investimento direto


ou capital económico. Por exemplo, ao investir em ações, partes do capital social de uma

5
sociedade anónima, estamos a efetuar um investimento direto. O capital económico é uma
função de múltiplos argumentos, entre os quais pode figurar o tempo, mas este não é o
único argumento desta função.

Por outro lado, quando a poupança é investida na forma de capital financeiro o rendimento
é o juro. Uma aplicação financeira, sob a forma de depósitos, ou outros produtos
financeiros é sempre geradora de débitos e de créditos. Uma das entidades, a que aplica,
coloca, cede, empresta, passa a deter um crédito sobre (dívida a receber), passa a deter um
ativo financeiro; a outra entidade recebe em colocação, passa a ter um débito a (dívida a
pagar). Estes dois aspetos caracterizam o capital financeiro.

O capital financeiro gera relações de débito e de crédito.

O capital é uma função do tempo

C ni  f  ni  (1.1)

com Cni o valor do capital no momento ni; e ni representa um dado momento na reta do
tempo.

1.2.3. Juro

O juro é o conceito básico da Matemática Financeira, é o conceito integrador de toda a


análise. Mas, o que é o juro?

O JURO é o preço do crédito.

Por outras palavras, para o devedor é o preço do uso do capital alheio (o capital que é de
outrem). Para quem investe, para o credor, é a recompensa por renunciar à liquidez. De
facto, sempre que alguém empresta uma determinada quantia renuncia, durante o período
que dura o empréstimo, à possibilidade de utilizar o seu dinheiro. Para estimular tal
diferimento do consumo é necessário remunerar a poupança. O juro representa o preço
do sacrifício de consumo no presente em favor do consumo no futuro.

O juro é, assim, a remuneração atribuída ao fator capital quando este se consubstancia em


capital financeiro.

6
O JURO é o preço do tempo.

O juro é a variação (acréscimo) que sofre o valor de um capital durante um determinado


período de tempo, o período de aplicação. Formalizando algebricamente:

Jn  f (C , n) (1.2)

Por outras palavras, o juro é a diferença entre o capital final, C n , e o capital inicial, C 0 , isto

é, a diferença entre o valor de um mesmo capital localizado em momentos diferentes.

Jn  C  C n  C 0 (1.3)

O juro também é capital, dado que é a diferença entre dois valores de um capital.

Graficamente:

Figura 1.2. Qual a forma da função capital

Capital

(n1, Cn1)
Cn1

C0

0 n1
Tempo

A questão que se coloca é a de saber como é a forma da função capital. A resposta a esta
questão também permite perceber qual forma da função juro.

Exemplo 1.1.
O Francisco empresta ao António € 5 000,00 durante um prazo de 3 anos. Os dois
intervenientes acordam que o António tem de reembolsar o montante emprestado na
totalidade no final do prazo e pagar adicionalmente € 1 025,00.

7
1. Quanto é o capital inicial?
2. Quanto é o montante do juro?
3. Quanto é o capital final?

Resolução:
n = tempo = 3 anos C0 Cn
variáveis básicas: tempo e capital
0 3 anos

1. Capital inicial = C0 = € 5 000,00


2. Jn  C  € 1 025,00

3. Jn  C  C n  C 0  C n  C 0  Jn  C n  € 6 025,00

1.3. Valor acumulado e valor atual de um capital

Antes de procedermos à análise da questão supra importa precisar alguns conceitos que
evidenciam os dois sentidos da variação do valor de um capital no tempo.

O processo de capitalização conduz-nos de um valor atual (valor no momento de


referência) à obtenção de um valor acumulado do capital, isto é, um valor acrescido do
juro. Conduz-nos de um valor no presente para um valor no futuro. Na Figura 1.2 o processo
de capitalização pode ser representado pela passagem de C 0 para C n . Capitalizar significa

converter em capital, adicionar, acumular, acrescer um juro.

Quando invertemos o sentido da análise, passamos de um valor futuro para um valor


presente ou passado, seguimos um processo de atualização ou de desconto. Partindo de
C n na Figura 1.2 obtemos C 0 , isto é, obtemos um valor atual ou descontado do capital,

deduzido do desconto. Repare-se que C1 por sua vez é um valor atual ou descontado de um

qualquer C2 .

8
1.4. A taxa de juro i

Por definição, a taxa de juro, i, representa o juro (j) produzido por uma unidade de capital
numa unidade de tempo.

i  j 1,1 (1.4)

Por exemplo, i=0,10 significa que uma unidade de capital aplicada durante uma unidade de
tempo produz o juro de 0,10 unidades. O devedor para usar o capital de uma unidade
monetária durante um período de tempo (o período em que está definida a taxa de juro)
tem de pagar no fim desse prazo 0,10 unidades monetárias. O credor receberá essa
importância como recompensa de ter renunciado à liquidez.

A taxa de juro traduz ainda o crescimento relativo do capital numa unidade de tempo
(unidade de tempo a que a taxa reporta)

j0,1
C0
i0,1   j0,1  C 0  i0,1 (1.5)
1

O juro inerente a um período é diretamente proporcional ao capital que estava no processo


de capitalização no início do período.

jt 1,t  Ct 1,t  it 1,t (1.6)

A expressão anterior traduz o juro para o período unitário de tempo t  1, t  , sendo a

unidade de tempo consistente com a unidade de tempo a que a taxa se reporta: um ano,
taxa anual; um semestre, taxa semestral. A taxa de juro periódica, não contínua, i, é a
constante de proporcionalidade. Sempre que omitirmos a periodicidade da taxa
consideramos que nos estamos a referir à taxa anual.

Exemplo 1.2.
Complete as seguintes frases:

9
O capital de 100 unidades monetárias (u.m.) aplicado durante um ano à taxa de 15% produz
o juro de _______________. Se em vez de 100 u.m. aplicarmos 200 u.m., o juro produzido
à referida taxa é de _______________.

Resolução:
O capital de 100 unidades monetárias (u.m.) aplicado durante um ano à taxa de 15% produz
o juro de 15 u.m.. Se em vez de 100 u.m. aplicarmos 200 u.m., o juro produzido à referida
taxa é de 30 u.m..
Se C0 = 100 u.m.  j0,1  C 0  i0,1  100  0,15  15 u.m.

Se C0 = 200 u.m.  j0,1  C 0  i0,1  200  0,15  30 u.m.

Conclusão: O juro é diretamente proporcional ao capital investido.

1.5. Fórmulas gerais do processo de capitalização e de


atualização

1.5.1. Considerando taxa periódica não contínua

Retomando o conceito de juro dado pela expressão Jn  C  C n  C 0 , segundo a qual o

juro é dado pela diferença entre o valor de um mesmo capital situado em momentos
diferentes do tempo, particularmente, o conceito de juro de um período (juro periódico)
j  C  Ct  Ct 1 e considerando o intervalo [0,1], temos que:

j0,1  C1  C 0  j0,1  C 0 .i0,1


C 0 .i0,1  C1  C 0  C1  C 0  C 0 .i0,1  C1  C 0 1  i0,1 

C1 é o valor acumulado pelo capital C 0 , no período [0,1], com taxa de juro não contínua i.

Estendendo a análise a n períodos, temos:

 Intervalo [1,2]
C2  C1 1  i1,2   C2  C 0 1  i0,1 1  i1,2 

 Intervalo [2,3]

10
C 3  C2 1  i2,3   C 3  C 0 1  i0,1 1  i1,2 1  i2,3 


 Intervalo [n–1, n]
C n  C n1 1  in1,n  

C n  C 0 1  i0,1 1  i1,2 1  i2,3  ... 1  in 1,n 

Se i0,1  i1,2  ...  in 1,n  i , então

C n  C 0  1  i 1  i 1  i ... 1  i   C n  C 0 1  i 


n

Sistematizando, as fórmulas gerais do processo de capitalização com taxa de capitalização


não contínua i são:

n 1,n
taxa de capitalização i não constante: C n  C 0  1  i j  (1.7)
j  0,1

Cn  C 0 1  i 
n
taxa de capitalização i constante: (1.8)

Do mesmo modo, as fórmulas gerais do processo de atualização com taxa de capitalização


não contínua i são:

n 1,n
taxa de capitalização i não constante: C 0  C n  1  i j 
1
(1.9)
j  0,1

C 0  C n 1  i 
n
taxa de capitalização i constante: (1.10)

1.5.2. Considerando taxa contínua

Neste livro toda a abordagem é feita tendo por base uma taxa de capitalização não
contínua. No entanto, tal como referido na análise da variável tempo, o tempo é por
natureza uma variável contínua. Nesse sentido, o processo de geração do capital,
apresentado no ponto anterior, é equivalente ao processo de geração do rendimento
utilizando uma taxa de capitalização instantânea ou contínua. Dado que em algumas
temáticas de finanças é utilizada a taxa instantânea de capitalização, neste ponto, são
apresentadas as fórmulas gerais do processo de capitalização e de atualização, com taxa

11
instantânea de capitalização, sem a pretensão de desenvolver os conceitos teóricos
subjacentes à taxa contínua.

Considere- se que δ é a taxa instantânea de capitalização, isto é, a taxa periódica e contínua


de capitalização.

A fórmula geral do processo de capitalização com taxa de capitalização contínua δ é:

C n  C 0 .e .n (1.11)

Resolvendo em ordem ao capital inicial, a fórmula geral do processo de atualização com


taxa de capitalização contínua δ é:

Cn
C0  
e . n

C 0  C n .e  .n (1.12)

1.5.3. Equivalência entre a taxa de capitalização não contínua i e


contínua δ

As taxas de capitalização i e δ são equivalentes quando aplicadas ao mesmo capital,


durante o mesmo período, produzem o mesmo valor acumulado.

Considerando um único período de capitalização, para simplificação, o valor acumulado é


igual a:

considerando a taxa de capitalização i não contínua: C1  C 0 1  i 


1

considerando a taxa de capitalização δ não contínua: C1  C 0  e 1

Nesse sentido i e δ são equivalentes se: C1  C 0 1  i   C 0  e 1


1

Resolvendo em ordem a i:

1  i 
1
 e 1 

12
i  e  1 (1.13)

Resolvendo em ordem a δ:

1  i 
1
 e 1  ln(1  i)  ln e  ln(1  i)    ln e 

  ln(1  i) (1.14)

Se pretendermos determinar a taxa de capitalização não contínua i equivalente à taxa de


capitalização contínua δ utilizamos a equação (1.13), se, por outro lado, tivermos uma taxa
de capitalização não contínua i e pretendermos determinar a taxa de capitalização
instantânea δ equivalente utilizamos a equação (1.14).

1.6. Exercícios propostos

1.1 “O juro é, simplesmente, o preço ou valor do dinheiro. O juro é dado pelo montante
pago pelo dinheiro que se pede emprestado ou pelo montante que se recebe quando
se faz uma aplicação financeira. O dinheiro que se pede emprestado ou que se aplica
é também conhecido por capital.”
Fonte: [Link]

Comente a frase supra explicitando o conceito de juro quer em termos diagramáticos


quer em termos algébricos.

1.2 “As taxas Euribor são as taxas interbancárias europeias mais importantes.
Verificando-se uma subida ou descida (abruptas) das taxas Euribor é quase certo que
o nível das taxas de juros para produtos bancários como hipotecas, contas poupança
e empréstimos também são ajustadas.”
Fonte: [Link]

1.2.1 Explicite o conceito de taxa de juro i.


1.2.2 Enumere fatores que condicionam o valor da taxa de juro.

1.3 O processo de formação de juros designa-se por processo de capitalização.

13
Explicite os conceitos de valor acumulado e de valor atual de um capital.

1.4 Calcule:
1.4.1 A taxa de capitalização não contínua i correspondente à seguinte taxa
contínua:
[Link] 0,05
[Link] 9%
[Link] 4,005%
[Link] 0,154
[Link] 12,25%
1.4.2 A taxa contínua correspondente à seguinte taxa não contínua i:
[Link] 0,025
[Link] 5,87%
5
[Link] 9 %
6
[Link] 0,006

14
2. Regimes de Capitalização

No capítulo 1 chegámos a fórmulas gerais do processo de capitalização e de atualização, e


a ideia subjacente é que todo o capital (e juro também é capital) que permanece no
processo de capitalização produz juro. A forma da função capital depende da intensidade
da capitalização, e é a intensidade de capitalização que distingue os dois regimes de
capitalização que iremos tratar neste capítulo: o regime de juro simples (RJS) e o regime de
juro composto (RJC). Equation Chapter (Next) Section 1

No primeiro ponto deste capítulo iremos caracterizar o regime de juro composto, em


particular, deduzir a fórmula geral do processo de capitalização e atualização. No ponto
seguinte iremos caracterizar o regime de juro simples, nomeadamente deduzir a fórmula
geral do processo de capitalização e também vamos ver duas formas de atualizar em
regime de juro simples. No ponto 2.3 apresentamos a análise do ponto de equivalência
entre os dois regimes de capitalização. Por fim, apresentaremos o conceito de anatocismo.

OBJETIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Distinguir o regime de capitalização composto e regime de capitalização simples;
- Para cada regime de capitalização, identificar a intensidade de capitalização, o incremento em
cada unidade de tempo, demonstrar a forma de evolução do capital e do juro periódico;
- No caso do regime de juro simples, calcular o valor atual pelo desconto por dentro e desconto
por fora;
- Identificar o ponto de equivalência entre os dois regimes de capitalização;
- Compreender o conceito de anatocismo.

2.1. Regime de Juro Composto (RJC)

No caso do regime de juro composto a intensidade periódica da capitalização é constante,


isto é, que a taxa periódica de capitalização (i) é constante. Isto quer dizer que:

i0,1  i1,2  ...  in 1,n  i

15
Para definir a função capital neste regime de capitalização, dado que a intensidade de
capitalização é constante, podemos utilizar a fórmula geral do processo de capitalização
com taxa de capitalização constante definida no capítulo 1.

2.1.1. Fórmulas gerais do processo de capitalização e


atualização em RJC

A fórmula geral de capitalização em regime de juro composto é dada pela equação


seguinte:

C n  C 0 1  i   C 0  n com   1  i 
n
(2.1)

Resolvendo a equação (2.1) em ordem ao valor atual C 0 obtemos a fórmula geral do

processo de atualização em regime de juro composto:

C 0  C n 1  i   C n n com   1  i 
n 1
(2.2)

Note-se que a notação  representa o fator de capitalização 1  i  e de  para representar

o fator de atualização 1  i  .
1

Exemplo 2.1.
Qual é o valor acumulado produzido, em RJC, por uma unidade monetária em 10 anos à
taxa de 6%?

Notas Importantes:
1) Quando não se refere a periodicidade da taxa de juro, assume-se que a taxa é anual.
2) A unidade de tempo tem de ser consistente com a periodicidade da taxa de juro.

Resolução:
Cn = ?

C 0 = 1 u.m.

n = 10 anos
i = 0,06 ao ano

16
C n  C 0 1  i   1  (1  0,06)10  1,79085 u.m. 
n

Em RJC, a função capital varia em progressão geométrica de razão 1  i  .

Isto é, considerando que:

n
 r , onde n e n 1 representam o último e o penúltimo termo da progressão e r a
n1
razão da progressão geométrica.

Sendo em RJC o último termo C n e o penúltimo C n 1 , a razão da função capital é:

Cn C (1  i)n (1  i)n (1  i)n


r  0 n 1
 r  n 1
 r  n 1
 r  (1  i)n (1  i)(n1)  r  r  (1  i)
C n 1 C 0 (1  i) (1  i) (1  i)

A função capital é polinomial de grau n, como se pode visualizar na Figura 2.1:

Figura 2.1. Evolução da Função Capital em RJC

Capital

C1 (1, C1)

C0

0 1
Tempo

2.1.2. O juro periódico e o juro total em RJC

Da mesma forma que o capital cresce em progressão geométrica, o juro periódico, em RJC,
também cresce em progressão geométrica de razão (1+i).

No caso do juro periódico, o último termo é jn 1,n e o penúltimo é jn 2,n 1 , então:

17
jn 1,n C n 1i C (1  i)n1 (1  i)n 1
r  r  0 n 2
 r  n 2
 r  (1  i)n 1 (1  i)(n 2)  r  r  (1  i)
jn 2,n 1 C n 2 i C 0 (1  i) (1  i)

O juro total, em RJC, para n períodos, é determinado da seguinte forma:

Jn  C  C n  C 0 
Jn  C 0 (1  i)n  C 0 

Jn  C 0 (1  i)n  1 (2.3)

Exemplo 2.2.
Qual é o valor acumulado produzido, em RJC, por um capital de € 10 000,00 colocado à taxa
de 1% ao mês durante 1 ano? E o juro total?

Resolução:

Nota Importante: A unidade de tempo tem de ser consistente com a periodicidade da


taxa de juro. Neste caso concreto com a taxa de juro é mensal temos de medir o tempo em
meses, isto é, 1 ano tem 12 meses.

C n  ? e Jn  ?

C 0  € 10 000,00

i = 0,01 ao mês
n = 1 ano = 12 meses

C n  C 0  1  i   10000.(1  0,01)12  € 11 268,25


n

Jn  C  C n  C 0  11 268,25 – 10 000 = € 1 268,25

ou

Jn  C n  C 0  C 0  1  i   C 0  C 0  1  i   1  10000  1  0,1   1  € 1 268,25


n n 12
   

2.1.3. Outras incógnitas possíveis na fórmula geral do processo


de capitalização: taxa de juro e o número de períodos

Para além das incógnitas de C n e C 0 podemos ter ainda como incógnitas possíveis na

equação (2.1) a taxa de juro e o número de períodos.

18
Para determinar a taxa de juro, podemos resolver a fórmula de capitalização em regime de
juro composto em ordem a i.

1
C  C n
C n  C 0 1  i 
n
 n  (1  i)n   n   (1  i) 
C0  C0 
1
 C n
i   n  1 (2.4)
 C0 

Se a incógnita for o prazo, resolvemos a equação em ordem a n da seguinte forma:

Cn C   Cn 
C n  C 0 1  i  
n
 (1  i)n  ln  n   ln(1  i)  ln    n ln(1  i) 
n

C0  C0   C0 

C 
ln  n 
C
n  0  (2.5)
ln(1  i)

Exemplo 2.3.
1. O Francisco pediu emprestado, em RJC, a quantia de € 15 000,00 comprometendo-se a
entregar daqui a 5 anos € 23 079,36. A que taxa é remunerado o capital?
2. O António pediu emprestado, em RJC, € 50 000,00 à taxa de 8% e compromete-se a
entregar € 63 962,59 na data de vencimento para pagamento do capital e dos juros.
Qual é o prazo deste financiamento?

Resolução:
1. C 0 = € 15 000,00

C n = € 23 079,36
n = 5 anos
i=?
1
 
  1
Cn  C n  n  n  n 
C n  C 0  1  i     1  i      1  i 
 
n n

C0  C0   
1 1
 
 C  n   
 23079,36  5 
i   n  1  i     1  i  0,09 ao ano
 C0   15000 

19
2. C 0 = € 50 000,00

C n = € 63 962,59

i = 0,08 ao ano
n=?

C 
ln  n 
C C  C
C n  C 0  1  i   n  1  i   ln  n   ln  1  i    n   0  
n n n

C0  C0 
  ln 1  i 
lnCn  lnC 0 ln  63962,59   ln  50000 
n n  3,2 anos
ln 1  i  ln 1  0,08 

n = 3 anos e 0,2x360 dias = 3 anos e 72 dias 

2.1.4. Escolhas Intertemporais

O conteúdo que aprendemos até este ponto permite-nos fazer escolhas intertemporais,
por exemplo, nesta fase já conseguimos encontrar resposta para a questão se devemos
comprar a pronto ou a crédito.

Em geral, a melhor via para comparar diferentes alternativas consiste na determinação do


valor atual de cada uma delas.

Efetivamente, só podemos comparar capitais que estejam reportados a um mesmo


momento do tempo.

Exemplo 2.4.
O Filipe pretende adquirir um imóvel por € 14 300,00 a pronto ou € 15 400,00 pagando
dentro de um ano. O comprador dispõe atualmente da soma necessária, a qual está
aplicada à taxa de 7%.
1. Qual é o método de pagamento a escolher?
2. Determine a taxa que torna indiferentes as duas alternativas.

Resolução:
1. Para tomar uma decisão deveremos calcular o valor atual da hipótese de pagamento a
um ano e compará-lo com o valor atual do pagamento a pronto.
C0  ?

20
C n  € 15 400,00

i = 0,07 ao ano
n = 1 ano

C0=? -15 400

0 1 anos

C 0  C n  1  i   15400(1  0,07)1  € 14 392,52


n

O Filipe teria de investir € 14 392,52 à taxa de 7% para dispor de € 15 400,00 dentro de


um ano, ou seja, o resultado da aplicação de € 14 300,00, à taxa de 7% por um ano, não
será suficiente para pagar os € 15 400,00. Se Filipe escolher o pagamento a pronto
poupará € 92,52.
2.

-14 300 i? -15 400

0 1 anos

1
    1
C  C n  n  n  n 
C n  C 0  1  i   n  1  i      1  i 
 
n n

C0  C0   

1 1
 
 C n  n   
 15400  1 
i    1  i     1  i  0,07692 ao ano 
 C0   14300 

2.2. Regime de Juro Simples (RJS)

No caso do regime de juro simples a intensidade periódica da capitalização é decrescente,


isto é, que a taxa periódica de capitalização (i) é decrescente. Isto quer dizer que:

i0,1  i1,2  i2,3  ...  in 1,n

21
Em RJS o capital inicial C 0 , gera um incremento constante em cada unidade de tempo, isto

é, considerando n períodos:

2.2.1. Fórmula geral do processo de capitalização em RJS

Dado que o valor acumulado é igual a:

C n  C 0  j0,1  j1,2  j2,3  ...  jn 1,n

E como j0,1  j1,2  j2,3  ...  jn 1,n  C 0 i0,1 , então:

C n  C 0  C 0 i0,1  C1i1,2  C2 i2,3  ...  Cn 1in1,n 


C n  C 0  C 0 i0,1  C 0 i0,1  C 0 i0,1  ...  C 0 i0,1  C n  C 0  C 0 i0,1n 

C n  C 0 (1  i0,1n)

Neste caso, a taxa periódica de capitalização é a taxa de juro inerente ao primeiro período.
Então, poderemos escrever a fórmula geral do processo de capitalização da seguinte forma:

C n  C 0 (1  in) (2.6)

Podemos ainda demonstrar que se C 0 i0,1  C1i1,2  C2 i2,3  ...  C n1in 1,n então

i0,1  i1,2  i2,3  ...  in 1,n , ou seja, a taxa periódica de capitalização é decrescente. Como o

incremento de capital (o juro periódico) é constante j0,1  j1,2  j2,3  ...  jn 1,n  C 0 i0,1 ,

temos j0,1  C 0 i0,1 e j1,2  C1i1,2  C 0 i0,1 e, dado que C1  C0 , necessariamente i1,2<i0,1;

j2,3  C2 i2,3  C1i1,2  C 0 i0,1 , como C2>C1>C0, necessariamente i2,3<i1,2<i0,1, ou seja, a taxa

periódica de capitalização é decrescente.

Exemplo 2.5.
Qual é o valor acumulado produzido, em RJS, por um capital de € 15 000,00, colocado à
taxa de 5% ao semestre, durante 12 meses?

Resolução:
Cn  ?

22
C 0  € 15 000,00

i = 0,05 ao semestre
n = 12 meses = 2 semestres
C n  C 0  1  in   C n  15000  1  0,05  2   € 16 500,00

Em RJS, a função capital varia em progressão aritmética de razão C 0 i .

Isto é, considerando que:


n  n1  r , onde n e n1 representam o último e o penúltimo termo da progressão e
r a razão da progressão aritmética.

Sendo em RJS o último termo C n e o penúltimo C n 1 , a razão da função capital é:

C n  C n1  r  C 0  1  in   C 0 1  i  n  1    r  C 0  C 0 in  C 0  C 0 in  C 0 i  r  C 0 i  r

A função capital é linear, como se pode visualizar na seguinte figura:

Figura 2.2. Evolução da Função Capital em RJS

Capital

C1 (1, C1)

C0

0 1
Tempo

2.2.2. O juro periódico e o juro total em RJS

O juro periódico é constante em cada unidade de tempo e igual a C 0 i .

O Juro total, em RJS, para n períodos, é determinado da seguinte forma:

23
Jn  C  C n  C 0  Jn  C 0 (1  in)  C 0  Jn  C 0  C 0 in  C 0 

Jn  C 0 in (2.7)

Exemplo 2.6.
Qual é o valor acumulado produzido por um capital de € 10 000,00, colocado em RJS, à taxa
de 1% ao mês, durante 1 ano? E o juro?

Resolução:
Cn  ?

C 0  € 10 000,00

i = 0,01 ao mês
n = 1 ano = 12 meses
C n  C 0  1  in   C n  10000   1  0,01  12   € 11 200,00

Jn  C  C n  C 0  11 200 – 10 000 = € 1 200,00

ou
Jn  C 0 in  10000  0,01  12  € 1 200,00

A função juro também varia em progressão aritmética de razão C 0 i . Considerando que:

n  n1  r , onde n e n1 representam o último e o penúltimo termo da progressão e


r a razão da progressão aritmética.

Sendo em RJS o último termo Jn e o penúltimo Jn1 , a razão da função juro é:

Jn  Jn1  r  C0 in  C 0 i  n  1   r  C 0 in  C 0 in  C 0 i  r  C 0 i  r

2.2.3. Fórmulas gerais do processo de atualização ou de


desconto em RJS

Em RJS há duas formas de atualizar ou descontar. O desconto por dentro ou desconto


racional e o desconto por fora ou comercial. O desconto é o decréscimo de valor sofrido
por um capital sujeito a um processo de atualização. Algebricamente corresponde à

24
diferença entre o valor nominal da dívida na data do seu vencimento, Cn, e o seu valor atual,
C0.

[Link]. O desconto por dentro ou desconto racional (D)

Sendo o desconto o decréscimo de valor por um capital sujeito a um processo de


atualização. O desconto é igual a:

D  C  C n  C 0

O desconto por dentro ou por racional é determinado em RJS, através da fórmula geral do
processo de capitalização em RJS que é dada pela expressão (2.6), C n  C 0 (1  in) :

D  C  Cn  C 0  C 0 (1  in)  C 0  C 0 in (2.8)

Em desconto por dentro a fórmula geral do processo de atualização resulta da resolução


da função capital em RJS em relação ao valor atual:

C n  C 0  (1  in)  C 0  C n  (1  in)1 (2.9)

[Link]. O desconto por fora ou desconto comercial (Df)

O desconto por fora ou comercial é o desconto utilizado na atividade comercial e é


calculado como juro do valor nominal, ou seja, corresponde ao juro produzido pelo valor
nominal do capital durante o prazo que falta para o seu vencimento.

D f  C n in (2.10)

Como Cn > C0  Df > D, ou seja, o desconto por fora ou comercial é superior ao desconto
por dentro ou racional.

O valor atual comercial, C0f, que se obtém ao considerar o desconto comercial, será
necessariamente inferior ao que se obtém considerando o desconto por dentro, ou seja,
C0f < C0. Em desconto por fora a fórmula geral do processo de atualização é determinada
da seguinte forma:

D f  C  C n  C 0 f  C 0 f  C n  D f  C 0 f  C n  C n in  C0 f  C n (1  in) 

25
C 0 f  C n  (1  in) (2.11)

onde (1 – in) é o fator de atualização em desconto por fora.

Que leituras podemos fazer da prática de utilização do desconto por fora ou comercial?

i) O devedor, dispondo do valor atual, paga juros como se tivesse ao seu dispor o valor
nominal da dívida, o que “em termos lógicos e não práticos significa que o decurso
da ação é posterior ao momento em que o senso comum a localiza”.

0 n 2n
A prática localiza Df Df produz-se no

no intervalo [0,n] intervalo [n,2n]

ii) O devedor suporta os juros a uma taxa (taxa de juro real que subjaz ao desconto
comercial) superior à nomeada (taxa de juro nominal ou contratual).

O desconto por fora ou comercial é muitas vezes apelidado de desconto irracional derivado
do facto de o devedor estar a pagar juro sobre um montante que efetivamente não possui,
como se pode verificar pelas duas leituras anteriores. Acresce ainda o facto de, nesta
modalidade de desconto, ser possível que o valor atual comercial seja nulo. Vejamos em
que condições:

C 0 f  0  C n  (1  in)  0  C n  0  (1  in)  0

Como a primeira condição não faz sentido, analisando a segunda condição:

1
1  in  0  i 
n

Isto é, quando a taxa de juro é igual ao inverso do prazo, o valor atual comercial é nulo.

Exemplo 2.7.
Admita-se que o Francisco contraiu um empréstimo de € 100,00, à taxa de 10%, em RJS,
pagável daí a um ano. O credor entrega a Francisco no momento de contração do
empréstimo € 90,00. O Francisco reembolsa-o de € 100,00 (valor nominal da dívida) na data
de vencimento. Comente.

26
Resolução:
Neste caso, utilizou-se o desconto comercial ou por fora, na medida em que Francisco,
dispondo do valor atual C 0 f de € 90,00, não pagou juros no montante de € 9,00, mas sim

no montante de € 10,00. Isto é, o montante de juro foi calculado sobre o valor acumulado
e não sobre o valor atual como deveria ser de acordo com a premissa da matemática
financeira.

[Link]. Taxa real ou efetiva em desconto comercial (i’)

A taxa real ou efetiva no desconto comercial é a taxa a que seria necessário efetuar o
desconto racional ou por dentro para que D = Df, ou seja, é a taxa que em desconto por
dentro permite obter o valor do desconto por fora: i’  D = Df.

D  D f  C0 i ' n  C nin  C n (1  i ' n)1 i ' n  C n in  (1  i ' n)1 i '  i  i '  i(1  i ' n)  i '  i  ii ' n 
i ' ii ' n  i  i '(1  in)  i 
i
i'  (2.12)
1  in

Exemplo 2.8.
Considere um empréstimo de € 100,00 a 12 meses, em RJS, à taxa de 1% ao mês, com juros
pagos à cabeça e incidindo sobre o valor nominal. Qual é a taxa real deste empréstimo?

Resolução:
A taxa real ou efetiva utilizada no desconto comercial é igual a:
i 0,01
i'    0,011364 , ou seja, 1,1364%.
1  in 1  0,01x12
Neste caso, os juros perfazem D f  C n in  100 x 0,01x12  € 12,00 e são pagos

imediatamente, pelo que o mutuário recebe hoje 100 – 12 = € 88,00 e pagará € 100,00
daqui a 12 meses. Tal equivale a dizer que o empréstimo foi de € 88,00 com juros
postecipados, isto é, pagos no fim do prazo, à taxa de 1,1364% ao mês. 

27
2.3. Equivalência entre os dois regimes de capitalização:
RJC e RJS

Considera-se ponto de equivalência entre os dois regimes de capitalização o momento n


em que o valor acumulado de um capital aplicado em RJS é igual ao valor acumulado desse
mesmo capital aplicado em RJC.

Se as taxas de capitalização forem iguais e dado o mesmo capital inicial, teremos as


situações descritas na Tabela 2.1:

Tabela 2.1. Ponto de equivalência entre RJC e RJS

Valores de n Verificação ou não da identidade


n=0 Carece de significado financeiro
0<n<1 C 0 (1  in)  C 0 (1  i)n
n=1 C 0 (1  in)  C 0 (1  i)n - ponto de equivalência

n>1 C 0 (1  in)  C 0 (1  i)n

Podemos então concluir que o ponto de equivalência entre os dois regimes de capitalização
verifica-se quando o período é igual à unidade. Por exemplo, se uma aplicação for efetuada
à taxa de juro 5% ao semestre, o ponto de equivalência é obtido quando o período é igual
a um semestre (unidade de tempo da taxa de juro).

Em termos gráficos, podemos visualizar o ponto de equivalência na Figura 2.3

28
Figura 2.3. Ponto de equivalência entre RJC e RJS

Capital

RJC RJS Ponto de equivalência entre RJS e RJC



C1 Cn(RJS)=Cn(RJC)
(1, C1)

C0

0 1
Tempo

2.4. Anatocismo e os regimes de capitalização

A teoria da Matemática Financeira estabeleceu-se no pressuposto de que existe


anatocismo, isto é, produção de juro de juro. Efetivamente, e como poderemos verificar
de seguida, o juro produz sempre juro.

j0,1  C 0  i0,1

j1,2  C1  i1,2  j1,2  (C 0  j0,1 )  i1,2

j2,3  C2  i2,3  j2,3  (C1  j1,2 )  i2,3

jn 1,n  C n 1  in 1,n  jn1,n  (C n 2  jn 2,n 1 )  in1,n

Procedemos à leitura do RJS e do RJC atendendo a tal pressuposto.

O facto de o juro periódico produzido, em cada período, em RJS, ser sempre constante
parece contradizer o pressuposto de anatocismo, mas é apenas em aparência porque, se o
período de capitalização for superior à unidade, a capitalização processa-se a uma taxa de
juro realmente decrescente. Na prática, esta contradição pode ser irrelevante dado que o

29
juro simples é sobretudo utilizado em operações de curto prazo (prazos inferiores a um
ano), sendo tido como um juro proporcional produzido de uma só vez.

Assim, em RJS, se n>1, em aparência, o capital que produz juro é sempre o mesmo e, como
tal, o juro produzido em cada unidade de tempo é constante. Em RJC, para além do capital
inicial, também o juro vencido em cada unidade de tempo passa imediatamente a vencer
juro nas unidades de tempo posteriores. Mas, como vimos anteriormente, a “aparência de
que no RJS o juro não produz juro resulta de taxa de capitalização ser decrescente”. Assim,
também em RJS se verifica anatocismo.

Exemplo 2.9.
Um capital de € 100,00 foi aplicado durante 2 anos à taxa de juro de 0,1. Qual é o juro
produzido no fim desse período em RJS?

Resolução:
RJS
C0 = € 100,00
i = 0,1 ao ano
n = 2 anos
Jn = ?
Jn  C n  C 0  Jn  C 0  1  in   C 0  Jn  C 0  C 0 in  C 0  Jn  C 0 in 
Jn  100  0,1  2  € 20,00

C1=110 C2=120

0 1 2 anos

Os juros periódicos são iguais a:


j0,1 = C1-C0 = 110-100 = € 10,00
j1,2 = C2-C1 = 120-110 = € 10,00
A taxa de capitalização no primeiro período é igual a:
j0,1 10
j0,1  C 0 i0,1  i0,1    0,1
C 0 100
j 10
j1,2  C1i1,2  i1,2  1,2   0,09(09)
C1 110

Verificamos, com este exemplo, que em RJS a taxa de juro periódica decresce.

30
2.5. Exercícios propostos

2.1 Calcule o juro simples produzido por um capital de € 3 000,00 aplicado durante 5
meses à taxa anual de 11,5%.

2.2 Calcule, em regime de juro simples e em regime de juro composto, o juro produzido
por um capital de:
2.2.1 30 000 u.m. aplicado durante 130 dias à taxa anual de 11,275%.
2.2.2 12 500 u.m. aplicado durante 3 anos, 5 meses e 15 dias à taxa anual de 8,23%.
2.2.3 17 550 u.m. aplicado durante 10 meses e 20 dias à taxa semestral de 7,665%.

2.3 Aplicou-se um capital de 180 000 u.m., durante 4 anos, à taxa de 7,5%. Determine,
em regime de juro simples e em regime de juro composto:
2.3.1 O juro periódico.
2.3.2 O valor total a receber no termo do processo de capitalização.
2.3.3 O juro total.
2.3.4 O juro de juro durante os 3º e 4º anos, considerando o RJC.

2.4 Calcule, em regime de juro simples e em regime de juro composto, a taxa de juro a
que foi aplicado um capital de 25 000 u.m., sabendo que, ao fim de três anos e três
meses, o investidor obteve um valor acumulado de 30 500 u.m..

2.5 Calcule, em regime de juro simples e em regime de juro composto, o número de


meses de aplicação necessários para que, à taxa trimestral de 2%, um capital de
12 000 u.m. produza um juro de 1 040 u.m..

2.6 O capital de 4 000 000 u.m. foi aplicado, em regime de juro composto, à taxa de juro
i nos dois primeiros anos, à taxa de 6% no 3º, 4º e 5º anos e à taxa de 8% no 6º ano.
O capital acumulado no fim do 6º ano somava 5 672 571,0048 u.m.. Determine:
2.6.1 O juro produzido durante o 2º ano.
2.6.2 O capital no início do 6º período.
2.6.3 O juro total vencido.

31
2.7 Um capital foi aplicado, em regime de juro composto, pelo prazo de 2 anos. Durante
os primeiros três quadrimestres vigorou uma taxa de juro quadrimestral efetiva de
1%. Determine o montante aplicado, sabendo que o juro de juro produzido durante
o 3º quadrimestre da aplicação é de € 1,1055.

2.8 O Tó aplicou € 15 000,00 no banco Invest em regime de juro composto, nas seguintes
condições: taxa de juro semestral de 2,75 % durante os 3 primeiros anos; taxa de juro
semestral de x% nos 3 anos seguintes; reforço da aplicação de € 950,00 no final do
3º ano. Sabendo que, no final do prazo, o valor recebido é de € 22 536,63, determine
a taxa de juro semestral que vigorou nos últimos 3 anos.

2.9 A Vera efetuou um depósito a prazo no banco BCC. As condições do depósito são as
seguintes:
 Regime de juro composto;
 Prazo: 4 anos;
 Taxa de juro semestral de 2,1% durante os 4 primeiros semestres;
 Taxa de juro semestral de 2,4% nos restantes semestres;
 Reforço de capital no final do 4º semestre no montante de € 1 000,00;
Determine o valor que a Vera depositou no banco, sabendo que o juro do 5º semestre
é igual a € 284,804.

2.10 A Catarina fez duas aplicações, uma de € 10 000,00, em regime de juro simples, por
um ano, à taxa de juro efetiva trimestral de 0,4% e outra de € 8 813,57, em regime
de juro composto, por um ano e meio. Sabendo que o juro total gerado pelas duas
aplicações é idêntico, determine o valor da taxa efetiva mensal da aplicação em
regime de juro composto.

2.11 Uma aplicação de 12 000 u.m., em regime de juro composto, permitiu obter ao fim
de um ano (ano comercial) a quantia de 13 039,5112 u.m., tendo vigorado
inicialmente a taxa de juro de 10% e depois de 8%. Determine durante quanto tempo
vigorou a primeira taxa de juro.

32
2.12 F recebeu a menos 1 150 u.m. do que poderia receber se, em vez de emprestar a um
ano 30% do que dispunha à taxa de 10% e o restante à taxa de 8%, tivesse efetuado
o contrário, isto é, emprestar os 30% à segunda taxa. Determine o valor aplicado.

2.13 Em que condições é mais vantajoso para o devedor que seja convencionada
capitalização a juro simples à taxa de 12,5% relativamente à capitalização composta
à taxa de 10%?

2.14 Partindo da formalização matemática do conceito de valor acumulado de um capital,


deduza a expressão que lhe permite calcular, em RJS:
2.14.1 O juro total produzido ao fim de n períodos, sendo conhecido o valor
acumulado do capital e a taxa de capitalização.
2.14.2 O valor acumulado de um capital ao fim de n períodos, sendo conhecido o
juro total e a taxa de capitalização.

2.15 Explicite o significado das seguintes expressões:


2.15.1 1  i  n 

i n
2.15.2 f  n  
1  i n

2.16 F é titular de um título de crédito cujo valor nominal é de 6 500 u.m.. Para superar
dificuldades financeiras resolveu descontá-lo quando faltavam 10 meses para o seu
vencimento, à taxa de juro de 10,5% ao ano.
2.16.1 Determine o valor recebido por F utilizando a) desconto por fora; b) desconto
por dentro.
2.16.2 Comente os valores obtidos e explicite as leituras do desconto por fora.
i
2.16.3 Explicite o significado de .
1 i n

2.17 Se for convencionada a taxa de 12,5%, o valor atual comercial de uma letra, que se
vence no prazo n, é nulo. Calcule o referido prazo.

2.18 F tem uma dívida que se vence daqui a 15 meses. Se proceder ao pagamento dessa
dívida, à taxa trimestral i, ao fim de 1 ano, teria de entregar ao credor 97% do
valor em dívida. Se, por outro lado, solicitar um prazo adicional de 60 dias, à mesma

33
taxa i, teria de entregar ao credor mais 303 448,17 u.m. do que aquele valor.
Determine o valor da dívida.

34
3. TAXAS EFETIVAS E TAXAS NOMINAIS

Neste capítulo analisamos os conceitos de taxa real e nominal, partindo de diferentes


cenários de realidade. No primeiro cenário, o do ponto 3.1, não existe inflação, o efeito
fiscal é nulo e os custos de transação são nulos. Nos pontos seguintes abandonamos
progressivamente estas hipóteses simplificadoras. Assim, no ponto 3.2 introduzimos os
custos de transação, no ponto 3.3. consideramos o efeito fiscal e no ponto 3.4.
incorporamos na análise o efeito da inflação. Por fim, no ponto 3.5. fazemos referência aos
principais indexantes. Equation Chapter 3 Section 1

OBJECTIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Compreender os conceitos de taxas proporcionais e taxas equivalentes, efetuando a sua
distinção;
- Compreender o conceito de taxa de rendibilidade ou de custo real ou efetivo;
- Compreender os conceitos de taxas brutas e taxas líquidas;
- Compreender os conceitos de taxas reais e taxas nominais;
- Estabelecer a distinção entre preços constantes e preços correntes;
- Compreender os conceitos de taxas de juro ativas e taxas de juro passivas;
- Conhecer os principais indexantes.

3.1. Taxas relativas a períodos diferentes

Nos casos que analisámos nos capítulos anteriores admitimos que quando havia
divergência entre o período da taxa e o período da capitalização haveria que expressar este
último em termos do período da taxa. Podemos ultrapassar tal restrição se conhecermos a
relação entre taxas de períodos diferentes, que analisaremos em seguida.

35
3.1.1. Taxas proporcionais e taxas equivalentes

[Link]. Taxas proporcionais

Duas taxas dizem-se proporcionais quando, sendo de períodos diferentes, existe entre elas
a mesma relação de valor que existe entre os seus períodos.

Sejam:
 ianual a taxa de capitalização definida na unidade de tempo, que designaremos por

taxa anual,
 isubanual a taxa de capitalização cujo período está compreendido m vezes no período

de ianual , a qual será designada por taxa subanual,

período de ianual
 m , pelo que m representa o número de vezes que o período
período de isubanual

de isubanual cabe no período de ianual , com m inteiro e m>1.

Assim, a taxa subanual para um período igual a 1 do ano proporcional à taxa anual é
m
ianual
igual a , onde m representa o número de vezes que o período da taxa subanual cabe
m
no período da taxa anual.

Período da taxa anual m/m = 1

0 1/m 2/m … m/m =1

Período da taxa subanual 1/m

ianual 1 i
  ianual  m  isubanual  isubanual  anual (3.1)
isubanual 1 m
m

Exemplo 3.1.
Considere uma taxa anual de 12%. Determine a taxa trimestral que lhe é proporcional.

36
Resolução:
ianual  12%  0,12 ao ano
m  4 (um ano tem 4 trimestres)
ianual 0,12
itrimestral  ? itrimestral    0,03  3% ao trimestre 
4 4

[Link]. Taxas equivalentes

Duas taxas relativas a períodos diferentes dizem-se equivalentes quando aplicadas a um


mesmo capital durante o mesmo prazo de tempo produzem o mesmo valor.

ianual

C0 C1
0 1/m 2/m … m/m =1

isubanual

A fórmula geral do processo de capitalização, considerando C 0  1 e n  1 , dado que

i  j 1,1 , virá:

Taxa Regime de juro simples Regime de juro composto


ianual C n  C 0 1  ianual  n   C n  1  ianual C n  C 0  1  ianual   C n  1  ianual
n

isubanual 1 C n  C 0  1  isubanual  m  n   C n  C 0  1  isubanual 


mn

C n  1  isubanual  m C n   1  isubanual 
m

As taxas ianual e isubanual serão equivalentes se os valores acumulados forem iguais, pelo que:

1  ianual  1  isubanual  m  1  ianual  1  isubanual  


m

ianual 1
isubanual  ou isubanual  1  ianual  m
 1 ou
m
ianual  1  isubanual   1
m
ianual  isubanual  m

Deve existir correspondência entre o período da taxa e a unidade de tempo em que se expressa o prazo da
1

operação. Assim, no período unitário em causa existem m subperíodos, atendendo ao período a que a taxa
isubanual se reporta.

37
Neste caso, a taxa ianual será designada por taxa anual efetiva ou equivalente e isubanual será

designada por taxa subanual efetiva ou equivalente.

Como se mostrou, em regime de juro simples, a relação de equivalência corresponde a:

ianual
isubanual   ianual  isubanual  m (3.2)
m

A expressão (3.2) mostra que, no regime de juro simples, existe proporcionalidade entre a
taxa anual efetiva e a taxa subanual efetiva que lhe é equivalente. Assim, podemos afirmar
que no regime de juro simples taxas equivalentes são proporcionais ( ianual e isubanual são

proporcionais).

Em regime de juro composto, a relação de equivalência permite obter:

1
isubanual  1  ianual   1  ianual  1  isubanual   1
m
m
(3.3)

A expressão (3.3) evidencia que não existe proporcionalidade, no regime de juro composto,
entre a taxa anual efetiva e a taxa subanual efetiva que lhe é equivalente, ou seja, taxas
equivalentes em RJC não são proporcionais.

Exemplo 3.2.
Seja um empréstimo de € 10 000,00, a um ano, à taxa de 1% ao mês em RJC.
1. Qual é o capital acumulado ao fim de um ano?
2. Determine a taxa de juro anual efetiva.
3. Determine o capital acumulado utilizando a taxa anual efetiva.

Resolução:
C 0  € 10 000,00
imensal  0,01 ao mês
n  1 ano  12 meses

1. C n  C 0 1  imensal   C n  10 000  1  0,01  C n  € 11 268,25


n 12

2. C 0 (1  ianual )1  C 0 (1  imensal )12  (1  ianual )1  (1  imensal )12  ianual  (1  imensal )12  1 

ianual  (1  0,01)12  1  0,126825  12,6825% ao ano

38
3. C n  C 0 (1  ianual )1  10 000  (1  0,126825)1  € 11 268,25 

[Link]. Proporcionalidade em RJC

Se em RJC as taxas de juro ianual e isubanual são equivalentes mas não são proporcionais
podemos, partindo daquelas, definir taxas que lhes sejam proporcionais.

Assim, partindo da taxa subanual efetiva (isubanual) podemos calcular, em RJC, uma taxa
proporcional cujo período é o de ianual, ou seja, um ano. Esta taxa é a taxa anual nominal,
capitalizável ou pagável m vezes por ano e representa-se por i(m)2:

i  m   m  isubanual (3.4)

i(m) é uma taxa proporcional à taxa subanual efetiva, mas é meramente nominal e o seu
período é o ano.

A partir da expressão (3.4) podemos escrever a taxa subanual efetiva como:

i m
isubanual  (3.5)
m

Exemplo 3.3.
Considerando uma taxa de 1% ao mês em RJC, qual é a taxa nominal anual?

Resolução:
RJC A taxa anual nominal pretendida corresponde à taxa
imensal  0,01 ao mês i (12) , pois será a taxa proporcional a uma taxa imensal e,
m  12
portanto, m=12 (um ano tem 12 meses). Assim:
i 12  ?

i (m)  isubanual  m  i (12)  imensal  12  i (12)  0,01  12  i (12)  0,12  12% ao ano 

Nota Importante: Quando nos referimos a uma taxa efetiva, regra geral, omitimos
esta última qualificação. No caso de uma taxa aparente ou nominal pode, por vezes, ser
omitida a palavra nominal, mas nesse caso é indicado o valor de m. De forma idêntica, no

2
Note-se que i (m) não é uma potência.

39
caso de uma taxa ser identificada como nominal pode, por vezes, ser omitido o valor de m,
que decorrerá do período de capitalização inerente à operação.

Quando perante duas taxas subanuais, ianual nas expressões (3.2) e (3.3) representa a taxa
com maior período.

Exemplo 3.4.
Considere uma taxa de juro mensal de 1% em RJC. Qual é a taxa trimestral efetiva?

Resolução:
RJC
imensal  0,01 ao mês Neste caso, na expressão (3.3), ianual será substituída
itrimestral  ?
por itrimestral e m=3 pois um trimestre tem 3 meses:
m3

C 0 (1  itrimestral )1  C 0 (1  imensal )3  (1  itrimestral )1  (1  imensal )3  itrimestral  (1  imensal )3  1 

itrimestral  (1  0,01)3  1  0,030301  3,0301% ao trimestre 

3.2. Taxa de rendibilidade efetiva e taxa de custo efetivo

Qual é a taxa de custo efetivo de um dado financiamento ou de rendibilidade efetiva de


um investimento?

Considere-se, por agora, apenas a incidência, nos encargos financeiros, dos custos de
transação, isto é, a existência de comissões e outras despesas, e a componente fiscal em
sede de imposto de selo.

A taxa de custo efetivo ou rendibilidade efetiva é a taxa que torna equivalentes as


prestações do mutuante (o que empresta) e do mutuário (o que recebe a título de
empréstimo) ou, por outras palavras, que torna o valor recebido equivalente ao valor
cedido.

Tal equivalência será estabelecida tendo em conta o regime paradigmático da Matemática


Financeira: o regime de juro composto.

40
Assim se F, o devedor, recebeu C0 em 0 e pagou C 'n no momento n, a taxa de custo efetivo

será i’, que resulta de:

+C0 -C’n

0 n

1
 C ' n
C 0  C 'n  1  i '
n
 i'   n  1 (3.6)
 C0 

O mesmo para uma taxa de rendibilidade efetiva, agora na ótica do credor. Observe-se que
as prestações recebidas e pagas pelo devedor podem não coincidir com as prestações
pagas e recebidas pelo credor.

O raciocínio anterior aplica-se a qualquer caso em que existam n recebimentos (C1, C2, ... ,
Cn) e k pagamentos (C’1, C’2, ... , C’k)3. Assim, considerando que o valor atual do fluxo de
recebimentos é representado por VAFR e que o valor atual do fluxo de pagamentos é
representado por VAFP, a taxa de custo efetivo ou rendibilidade efetiva, i’, é a taxa que
permite estabelecer a igualdade entre o valor atual do fluxo de n recebimentos e o valor
atual do fluxo de k pagamentos, ou seja:

Ct n k
C 't
i ': VAFR  VAFP   t
 t
(3.7)
t 1 (1  i ') t 1 (1  i ')

Exemplo 3.5.
Considerem-se os recebimentos e pagamentos identificados na reta do tempo seguinte:

+C0 +C1 +C2 -C’3 -C’5

0 1 2 3 4 5

A expressão que permite determinar a taxa de custo efetivo é a seguinte:

3
Geralmente, para facilitar a sua identificação, os recebimentos são indicados precedidos de um sinal + e os
pagamentos são precedidos de um sinal –.

41
C1 C2 C '3 C '5
VAFR  VAFP  C 0     
1  i ' 1  i '  1  i '   1  i '  5
2 3

3.2.1. Taxa anual de encargos efetiva global (TAEG)

O Decreto-Lei nº 359/91, de 21 de setembro de 1991, transpondo para o direito interno as


diretivas do Conselho das Comunidades nº 87/102/CEE, de 22 de dezembro de 1986 e
90/88/CEE, de 22 de fevereiro de 1990, obrigou à divulgação da taxa anual de encargos
efetiva global (TAEG) nos contratos de crédito aos consumidores.

Esta taxa traduz o custo real do crédito para o consumidor, expresso em percentagem anual
do montante do crédito concedido, e não é mais do que a taxa de custo efetivo:

A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) torna equivalentes, numa base anual, os
valores atuais do conjunto das obrigações assumidas, considerando os créditos utilizados,
os reembolsos e os encargos, atuais ou futuros, que tenham sido acordados entre o credor
e o consumidor. (art.º 24.º, n.º 1, Decreto-Lei nº 133/2009 de 2 de junho de 2009).

A TAEG inclui os impostos associados ao empréstimo e é a medida de custo utilizada no


crédito à habitação, noutros créditos relativos a imóveis e no crédito aos consumidores.

De acordo com a legislação em vigor, no cálculo da TAEG são incluídos:


a) Os custos relativos à manutenção de conta que registe simultaneamente operações
de pagamento e de utilização do crédito, exceto se a abertura da conta for
facultativa e os custos da conta tiverem sido determinados de maneira clara e de
forma separada no contrato de crédito ou em qualquer outro contrato celebrado
com o consumidor;
b) Os custos relativos à utilização ou ao funcionamento de meio de pagamento que
permita, ao mesmo tempo, operações de pagamento e de utilização do crédito; e
c) Outros custos relativos às operações de pagamento;

e não são incluídas:


a) As importâncias a pagar pelo consumidor em consequência do incumprimento de
alguma das obrigações que lhe incumbam por força do contrato de crédito; e

42
b) As importâncias, diferentes do preço, que, independentemente de se tratar de
negócio celebrado a pronto ou a crédito, sejam suportadas pelo consumidor
aquando da aquisição de bens ou da prestação de serviços.

Adicionalmente, o cálculo da TAEG é efetuado no pressuposto de que o contrato de crédito


vigora pelo período de tempo acordado e de que as respetivas obrigações são cumpridas
nas condições e nas datas especificadas no contrato. Sempre que os contratos de crédito
contenham cláusulas que permitam alterar a taxa devedora e, se for caso disso, encargos
incluídos na TAEG que não sejam quantificáveis no momento do respetivo cálculo, a TAEG
é calculada no pressuposto de que a taxa nominal e os outros encargos se mantêm fixos
em relação ao nível inicial e de que são aplicáveis até ao termo do contrato de crédito.

Exemplo 3.6.
F pediu um empréstimo, em RJC, de € 2 000,00, a 6 meses, ao Banco V, pagando de
imediato os seguintes encargos: seguro de proteção de vida de € 12,57, seguro de proteção
de pagamentos de € 85,15, outros encargos de € 11,20. Na data do vencimento deve
liquidar o capital em dívida e os juros à taxa de 16,521%. Imposto de selo às taxas em vigor.
Determine a taxa de custo efetivo deste financiamento.

Resolução:
C 0  € 2 000,00
D  12,57  85,15  11,20  € 108,92  despesas diversas 
i  0,16521 ao ano
n  6 meses  6 ano
12
w  0,04
sa  0,0004  6  0,0024
i ’  ? (taxa de custo efetivo)
ISac  sa  C 0  0,0024  2 000  € 4,80

-ISac=4,80
-D=108,92
+C0 =2 000,00 -Cn = C0+Jn (1+0,04)

0 6 meses
Em primeiro lugar, temos de calcular o valor acumulado a pagar na data de vencimento
(Cn):

43
C n  C 0  Jn  1  w   2. 000  2 000  1  0,16521  1  1,04  € 2 165,253782
6
12
 

Agora, podemos determinar a taxa de custo efetivo, i’:


1
 Cn n
C 0  D  ISac  C n (1  i ' ) n  i '    1 
 C 0  D  ISac 
1
 2 165,253782   6 12
i'     1  i '  0,31767  31,767% ao ano
 2 000  108,92  4,8 
No momento 0, F recebeu € 2 000,00 deduzidas das despesas no total de € 108,92 e o
imposto de selo de abertura de crédito no valor de € 4,80, ou seja, recebeu € 1 886,28, e
ficou a dever € 2 000,00 acrescidos dos juros e do imposto de selo sobre os juros, o que
perfaz aproximadamente € 2 165,25. Assim, € 2 165,25 é o capital acumulado produzido
por € 1 886,28 à taxa anual de 31,767% durante 6 meses.

3.3. Taxas brutas e taxas líquidas: o efeito fiscal

3.3.1. Em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas


singulares (IRS)

De acordo com o Código do IRS, os rendimentos de capitais obtidos em território português


estão sujeitos a retenção na fonte à taxa liberatória de 28%. Estes rendimentos de capitais
incluem, entre outros, os juros e outras formas de remuneração derivadas de depósitos à
ordem ou a prazo em instituições financeiras, bem como de certificados de depósitos e de
contas de títulos com garantia de preço; os juros, os prémios de amortização ou de
reembolso e as outras formas de remuneração de títulos da dívida pública, obrigações,
títulos de participação, certificados de consignação, obrigações de caixa ou outros títulos
análogos, emitidos por entidades públicas ou privadas.

O valor acumulado líquido produzido por uma aplicação, por exemplo, num depósito a
prazo, é dado por:

C nliq  C 0  Jnliq  C nliq  C 0  Jn 1  tIRS 

44
Em RJS,

C nliq  C 0  C 0  i  n  1  tIRS   C nliq  C 0 1  i  n  1  tIRS   (3.8)

Em RJC,

C nliq  C 0  C 0   1  i   1  1  tIRS   C nliq  C 0 1  i   1  tIRS   tIRS 


n n
(3.9)
   

As taxas de juro geralmente divulgadas correspondem a taxas brutas ou ilíquidas, ou seja,


não incorporam o efeito fiscal dos impostos sobre o rendimento. Quando as taxas
incorporam o efeito fiscal dos impostos sobre o rendimento são designadas por taxas
líquidas.

A taxa de juro líquida é a taxa que usada no processo de capitalização permite obter o
valor acumulado líquido de impostos sobre o rendimento.

O valor acumulado líquido pode ser obtido usando uma taxa de juro líquida. Assim:

Em RJS,

C nliq  C 0 1  iliq  n  (3.10)

Ao estabelecer a igualdade entre as expressões (3.8) e (3.10) é possível determinar a taxa


de juro líquida, em RJS:

C 0 1  i  n  1  tIRS    C 0 1  iliq  n   iliq  i  1  tIRS  (3.11)

Em RJC,

C nliq  C 0 1  iliq 
n
(3.12)

De forma semelhante, igualando as expressões (3.9) e (3.12), obtemos a taxa de juro


líquida, em RJC:

1
C 0  1  i   1  tIRS   tIRS   C 0 1  iliq   iliq  1  i   1  tIRS   tIRS 
n n n n
 1 (3.13)
   

45
Exemplo 3.7.
Uma aplicação, em RJS, de € 40 000,00 a 5 meses e 4 dias proporcionou € 40 972,10 líquidos
de impostos à taxa liberatória em vigor. Determine:
1. a taxa de juro líquida; e
2. a taxa de juro bruta.

Resolução:
C 0  € 40 000,00
n  5 meses e 4 dias  5 4 ano
12 360
C nliq  € 40 972,10
tIRS  28%
1. Sabe-se que o valor acumulado líquido pode ser obtido diretamente com base na taxa
de juro líquida. Assim, a taxa de juro líquida vem igual a:
C nliq  C 0
C nliq  C 0 1  iliq  n   C nliq  C 0  C 0  iliq  n  iliq  
C0  n
40 972,10  40 000
iliq   iliq  0,056811  5,6811% ao ano

40 000  5  4
12 360 
2. A taxa de juro bruta vem igual a:
iliq 0,056811
iliq  i  1  tIRS   i  i  i  0,0789042  7,89042% ao ano
1  tIRS 1  0,28

Esta taxa também poderia ser determinada da seguinte forma:


C nliq  C 0
C nliq  C 0 1  i  n  1  tIRS    C nliq  C 0  C 0  i  n  1  tIRS   i  
C 0  n  1  tIRS 
40 972,10  40 000
i  i  0,0789042  7,89042% ao ano 

40 000  5  4
12 360 
  1  0,28 

3.3.2. Em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas


coletivas (IRC)

No caso das empresas, que são tributadas em sede de IRC, verifica-se que algumas
despesas inerentes aos financiamentos, tais como os juros, comissões e o imposto de selo,
entre outras, são custos aceites fiscalmente. Mas os custos fiscais traduzem-se em menos

46
resultado tributável, logo em menos impostos. Podemos então determinar a taxa de custo
efetivo líquido, i’liq, dos financiamentos, atendendo à poupança fiscal.

Considere-se o caso simples de uma empresa que recorreu a um financiamento, de valor


atual C0, à taxa i pelo período n. No fim do prazo paga C0 mais os juros. Ignorando o
pagamento de imposto de selo, o cálculo da taxa de custo líquido do financiamento, i’liq,
vem:

C 0 1  i 'liq   C 0  Jn  1  tIRC  
n

C 0 1  i 'liq   C 0  C 0 1  i   1  1  tIRC  


n n
 
C 0 1  i 'liq   C 0 1  i   1  tIRC   tIRC  
n n
 
1
i 'liq  1  i   1  tIRC   tIRC 
n n
1 (3.14)
 

Exemplo 3.8.
F, Lda. contraiu um empréstimo, em RJC, de € 3 000,00, por 3 meses, à taxa de juro de 12%,
para financiar a sua tesouraria. No fim do prazo pagou € 3 000,00 mais juros no valor de
€ 86,21. Imposto de selo às taxas em vigor. Determine a taxa de custo efetivo anual líquido
deste financiamento, assumindo que a taxa média de IRC da empresa é de 25%.

Resolução:
C 0  € 3 000,00
n  3 meses  3 ano
12
i  0,12 ao ano
Jn  € 86,21
w  0,04
sa  0,0004  3  0,0012
tIRC  25%
i ’liq  ?  taxa de custo efetivo líquida
ISac  sa  C 0  0,0012  3 000  € 3,60

-Isac (1-tIRC)=3,60 (1-0,25)


+C0 =3 000,00 -Cn = C0+86,21 (1+0,04) (1-0,25)

0 3 meses

47
Atendendo a que os juros e o imposto de selo constituem custos fiscais e proporcionam
poupança fiscal, a taxa de custo efetivo líquido, i’liq vem igual a:
C 0  ISac  (1  tIRC )  C 0  Jn (1  w)(1  tIRC )(1  i ') n 
C0  ISac  (1  tIRC )(1  i ')n  C0  Jn (1  w)(1  tIRC ) 
1
C  J (1  w)(1  tIRC )  C  J (1  w)(1  tIRC )  n
(1  i ')n  0 n  (1  i ')   0 n  
C 0  ISac  (1  tIRC )  C 0  ISac  (1  tIRC ) 
1 1
 C  J (1  w)(1  tIRC )  n  3 000  86,21  (1  0,04)  (1  0,25)   3 
i'   0 n  1  i'     12   1 
 0C  ISac  (1  t IRC )   3 000  3,60  (1  0,25) 
i '  0,096661  9,6661% ao ano 

3.4. Taxa de inflação e taxa de juro real

3.4.1. A taxa de inflação

A inflação reflete a perda de poder de compra da moeda, ou por outras palavras, a redução
do poder de compra, traduzindo-se no aumento contínuo e generalizado dos preços.

Seja Pt um índice representativo do nível geral de preços referido ao momento t, e seja zt a


taxa de inflação no instante t:

Pt  Pt 1
zt  (3.15)
Pt 1

Normalmente considera-se o índice de preços no consumidor (IPC), o qual reflete a


evolução dos preços de um cabaz de bens que traduz a estrutura de consumo de uma
família representativa. O índice traduz a variação global dos preços do cabaz de bens entre
dois períodos, o momento de referência (o ano base) e o momento t, sendo calculado como
um índice de Laspeyres: considerando no numerador a despesa, que aos preços do período
corrente, se registaria se se consumissem as quantidades do período de base.

48
3.4.2. Preços constantes e preços correntes

O valor a preços correntes de um capital vencível daqui a t períodos é indicado por Ct. O
valor a preços constantes, ou seja, o valor que indica o poder de compra hoje desse capital
é dado por Ct', que se determina da seguinte forma:

a) Se a taxa de inflação, inerente a cada período unitário, for constante e igual a z:

Ct
C 't  (3.16)
(1  z)t

b) Ou se a taxa de inflação não for constante:

Ct
C 't  t
(3.17)
 (1  z )
k 1
k
k

Exemplo 3.9.
Considere que as taxas de inflação para os anos n e n+1 foram de 0,5% e 0,45%,
respetivamente. Se tivéssemos € 1 000,00 em n-1/12/31, quanto teríamos de ter em
n/12/31 e em n+1/12/31 para mantermos o mesmo poder de compra?

Resolução:
C n 1  € 1 000,00
zn  0,005 ao ano
zn 1  0,0045 ao ano

Para manter o poder de compra, teríamos de ter em n/12/31:


C n  C n' 1   1  zn   C n  1 000  1  0,005  C n  € 1 005,00

€ 1 005,00 é o valor de € 1 000,00 a preços correntes do ano n.


Em n+1/12/31, teríamos de ter:
C n1  C n' 1  1  zn   1  zn1   C n1  1 000  1  0,005  1  0,0045 
C n1  € 1 009,52

€ 1 009,52 é o valor de € 1 000,00 a preços correntes do ano n+1.


Note-se que € 1 005,00 também corresponde ao valor de € 1 009,52 a preços constantes
do ano n.

49
3.4.3. O juro real ou deflacionado

Em épocas de inflação o juro é um compósito de duas partes, de modo a manter o valor


real do capital: a parte que remunera o capital e a parte que compensa a erosão monetária.
Assim, falamos de juro nominal, agora no sentido de juro a preços correntes, à taxa i, e juro
real ou deflacionado, a preços constantes, à taxa ireal.

Logo, o valor acumulado à taxa i resulta de duas capitalizações cumulativas, a que


compensa a inflação, à taxa z, e a capitalização real à taxa ireal.

Para um período:

Capital acumulado Capital acumulado


 
a preços correntes   
a preços constantes

C 0  1  i   C 0  1  ireal   1  z  
n n

1i
1  ireal  
1 z

1i
ireal  1  (3.18)
1 z

A expressão (3.18) traduz a relação entre a taxa de juro real para um período, a taxa de
juro nominal e a taxa de inflação.

Para n períodos:

a) Se as taxas forem constantes, temos:

C 0  1  i   C 0  1  ireal    1  z  
n n n

1  i  
n

1  ireal  
n

1  z 
n

1i
1  ireal  
1 z

1i
ireal  1  (3.19)
1 z

50
b) Se as taxas i e z variarem de período para período, podemos determinar a taxa real média

ireal , tal que:

 
n
C 0  1  i1    1  in   C 0  1  z1    1  zn   1  ireal 
1  i1    1  in  
1  i 
n

real
1  z1    1  zn 
1
 1  i1    1  in   n
1  ireal  
  1  z1    1  zn  

1
  1  i1    1  in   n
ireal   1 (3.20)
 1  z1    1  zn  

Exemplo 3.10.
Considere um depósito de € 1 000,00 durante um ano à taxa de juro de 8,5%, sendo a taxa
de inflação no mesmo período de 4,5%.
1. Não considerando o efeito fiscal, determine a taxa de juro real.
2. Determine a taxa de juro líquida real, considerando que a taxa de juro de 8,5% é a taxa
de juro bruta e que a taxa de IRS é de 28%.

Resolução:
C 0  € 1 000,00
n  1 ano
i  0,085 ao ano
z  0,045 ao ano
1. Podemos, em primeiro lugar, calcular o valor acumulado a preços correntes:

C n  C 0  1  i   C n  1 000  (1  0,085)1  C n  € 1 085,00


n

Em seguida, calculamos o valor acumulado a preços constantes:


Cn 1 085
C n'   C n'   C n'  € 1 038,2775
1  z  1  0,045
Por fim, calculamos a taxa de juro real:

51
1 1
C'  C ' n  C ' n
C 'n  C 0 1  ireal   n  1  ireal   1  ireal   n   ireal   n   1 
n n

C0  C0   C0 
1 038,2775
ireal   1  ireal  0,0382775  3,82775% ao ano
1 000
Em alternativa, podemos estabelecer a igualdade entre o valor acumulado a preços
constantes e o valor acumulado a preços correntes deflacionado:

C 0 1  i 
n
Cn 1i 1  0,085
 C 0 1  ireal  
n
C 'n   1  ireal   ireal  1 
1  z  1  z 
n n
1 z 1  0,045
ireal  0,0382775  3,82775% ao ano

2. Primeiro temos de calcular o valor acumulado líquido e/ou a taxa de juro líquida e só
depois se pode calcular a taxa de juro real. Assim, o valor acumulado líquido vem:
C nliq  C 0  Jnliq  C nliq  C 0  Jn 1  t IRS   C nliq  C 0   C n  C 0 1  tIRS  
C nliq  1 000  1 085  1 000    1  0,28   C nliq  € 1 061,20

Pelo que a taxa de juro líquida vem igual a:


1 1
C nliq  C n  C n
C nliq  C 0 1  iliq    1  iliq 
n n
 1  iliq   nliq   iliq   nliq   1 
C0  C0   C0 
1 061,2
iliq   1  iliq  0,0612  6,12% ao ano
1 000
Finalmente, a taxa de juro líquida real vem:

C 0 1  iliq 
n
C nliq 1  iliq
 C 0 1  iliq ,real  
' n
C nliq   1  iliq ,real  
1  z  1  z 
n n
1 z
1  0,0612
iliq ,real   1  iliq ,real  0,0155  1,55% ao ano
1  0,045
A taxa de juro líquida real pode também ser calculada com base no valor acumulado
líquido:
C nliq C nliq C nliq
 C 0 1  iliq ,real    1  iliq ,real  
' n n
C nliq  
1  z  1  z  C 0 1  z 
n n n

1
1
 C nliq  n  1 061,20 1
iliq ,real    1  i   1 000  (1  0,045)1   1 
 C 0 1  z  
n liq ,real
 

iliq ,real  0,0155  1,55% ao ano 

Exemplo 3.11.

52
Considere um depósito de € 1 000,00 durante dois anos à taxa de juro de 8,5%, sendo a
taxa de inflação de 4,5% no primeiro ano e de 4% no segundo. Não considerando o efeito
fiscal, determine a taxa de juro real.

Resolução:
C 0  € 1 000,00
n  2 anos
i  0,085 ao ano
z1  0,045 ao ano
z2  0,04 ao ano

Em primeiro lugar, calculamos o valor acumulado a preços correntes:

C n  C 0  1  i   C n  1 000  (1  0,085)2  C n  € 1 177,225


n

O valor acumulado a preços constantes vem:


Cn 1 177,225
C n'   C n'   C n'  € 1 083,20298
1  z1  1  z2   1  0,045  1  0,04 
Logo, a taxa de juro real é igual a
1 1
C 'n  C ' n  C ' n
C 'n  C 0 1  ireal    1  ireal   1  ireal
n n
  n   ireal   n   1 
C0  C0   C0 
1
 1 083,20298  2
ireal    1  ireal  0,04077=4,077% ao ano
 1.000 
É também possível calcular a taxa de juro real por via da igualdade entre o valor acumulado
a preços constantes e o valor acumulado a preços correntes deflacionado:
1

C 0 1  i    1 i n
n n
Cn
 C 0 1  ireal  
n
C 'n   1  ireal   
1  z1 1  z2  1  z1 1  z2   1  z1 1  z2  
1 1
  1  i n   1  0,085 2
n 2

ireal    1  ireal    1 
 1  z1 1  z2    1  0,0451  0,04  

ireal  0,04077=4,077% ao ano 

53
3.5. Taxas de juro ativas e passivas e os principais
indexantes

3.5.1. Taxas de juro ativas e passivas

As taxas de juro ativas, as relativas ao empréstimo de fundos, diferem, como sabemos, das
taxas passivas, as relativas à tomada de fundos. Tal diferença entre taxas ativas e passivas,
vulgarmente chamada de spread, traduz-se numa remuneração para os intermediários
financeiros por assegurarem a função de intermediação financeira.

Reportamo-nos, de seguida, apenas às taxas ativas.

3.5.2. Os principais indexantes

A taxa de juro nominal pode manter-se fixa durante o prazo da operação ou poderá ser
revisível ou variável.

Se a taxa for sujeita a revisão, isto é, revisível, será constante durante um determinado
intervalo de tempo findo o qual será revista.

A taxa de juro pode ser variável. No caso mais comum, a taxa variável determinar-se-á
atendendo a uma taxa de referência, também designada por taxa de juro de base ou
indexante (determinada ex-ante, isto é, no início do período de contagem dos juros, ou ex-
post, isto é, no momento do pagamento dos juros) e a uma margem ou diferencial (spread),
que pode ser aditivo ou multiplicativo. O spread depende das características da operação
e fundamentalmente do nível de risco que lhe está associado ou do risco do devedor.

Os principais indexantes são atualmente os que constam na Tabela 3.1.

54
Tabela 3.1. Principais indexantes
Indexante Descrição
ESTER A taxa ESTER é a taxa de juro de referência do mercado monetário
interbancário do euro para o prazo de 1 dia. É divulgada pelo Banco Central
Europeu.
EURIBOR (Euro As taxas Euribor baseiam-se na média das taxas de juros praticadas em
Interbank empréstimos interbancários em euros por cerca 25/40 bancos proeminentes
Offered Rate) europeus (o painel de Bancos). Para a determinação das taxas Euribor são
excluídos 15 por cento tanto das percentagens mais altas como das
percentagens mais baixas relatadas. São calculadas paras as seguintes
maturidades: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. É divulgada
pelo European Money Markets Institute.
LIBOR (London As taxas LIBOR são taxas médias interbancárias contra a qual um grupo
Interbank representativo de bancos se propõe efetuar empréstimos mutuamente no
Offered Rate) mercado monetário de Londres. São calculadas para 7 períodos de duração
diferentes e em 5 moedas diferentes.
Taxa equivalente A taxa equivalente é a taxa de referência a que se refere o n.º 2 do artigo
10.º do Decreto-lei n.º 138/98, de 16 de maio, que substituiu a taxa de
desconto do Banco de Portugal. De acordo com a Portaria nº 1227/2001,
esta taxa passou a ser igual à taxa mínima de proposta aplicável às operações
principais de refinanciamento pelo BCE.
Taxa da operação Taxa de juro aplicada pelo Banco Central Europeu às suas principais
principal de operações de refinanciamento. É divulgada pelo Banco Central Europeu.
refinanciamento
do Eurosistema
TBA (Taxa de O cálculo desta taxa é feito usando a seguinte fórmula: 0,52 L3 + 0,47 L12 -
base anual) 0,12, onde L3 e L12 representam as médias móveis das últimas 20
observações da EURIBOR a 3 e a 12 meses, respetivamente, terminadas no
penúltimo dia útil ao dia a que se refere o cálculo (Decreto-Lei n.º 11/99 e
Portaria n.º 359/2002).
Fontes: Banco Central Europeu, Banco de Portugal, European Money Markets Institute.

3.6. Exercícios propostos

3.1
3.1.1 Mostre que no regime de juro composto não existe proporcionalidade entre
a taxa anual efetiva e a taxa subanual que lhe é equivalente.
3.1.2 Defina taxas nominais ou aparentes em regime de juro composto.

55
3.2 Para uma taxa anual de 10%, determine, em RJC:
3.2.1 A taxa semestral efetiva.
3.2.2 A taxa trimestral equivalente.
3.2.3 A taxa anual nominal i(4).
3.2.4 A taxa de juro nominal capitalizável mensalmente.
3.2.5 i(3)/3 e o respetivo período.

3.3 Considere a taxa trimestral de 5%. Determine, em RJC:


3.3.1 A taxa semestral efetiva.
3.3.2 A taxa anual nominal i(4).
3.3.3 A taxa de juro anual nominal capitalizável mensalmente.

3.4 Sendo 2,5%, 5%, 7,5%, taxas de juro anuais nominais, capitalizáveis mensalmente,
calcule as taxas anuais efetivas, em RJC, e conclua sobre a relação existente entre
ambas.

3.5 Determine, em RJC, a taxa de juro anual equivalente à taxa de 6% capitalizável:


3.5.1 uma vez ao ano;
3.5.2 semestralmente;
3.5.3 mensalmente;
3.5.4 semanalmente;
3.5.5 diariamente.

3.6 Considere que a taxa capitalizável quadrimestralmente é igual a 12%. Determine, em


RJC:
3.6.1 A taxa efetiva trimestral;
3.6.2 A taxa efetiva anual;
3.6.3 A taxa efetiva semestral;
3.6.4 A taxa anual nominal capitalizável trimestralmente.

3.7 Considere que a taxa efetiva anual é igual a 12%. Determine, em RJC:
3.7.1 A taxa efetiva mensal;
3.7.2 A taxa anual nominal pagável duas vezes ao ano.
3.7.3 A taxa equivalente trimestral.

56
3.8 F solicitou um empréstimo de 1 500 u.m. por 18 meses, em RJC. O credor reteve para
despesas de dossier 25 u.m. e foi acordado que receberá no fim do prazo a quantia
de 1 800 u.m. para pagamento do capital, juros e imposto de selo. Imposto de selo
às taxas em vigor. Determine a taxa de custo efetivo deste financiamento.

3.9 F solicitou um empréstimo de 1 500 u.m. o qual será liquidado através de três
prestações de capital e juros. Retiveram-se para despesas de dossier 25 u.m. A
primeira e a segunda prestação com o valor nominal de 410 u.m. vencem-se,
respetivamente, dentro de 3 e 6 meses. A terceira prestação vence-se dentro de um
ano e tem o valor nominal de 810 u.m. Determine a taxa de custo efetivo deste
financiamento. Ignore o imposto de selo.

3.10 Determine o juro líquido proporcionado por uma aplicação, em RJC, de 15 000 u.m,
no prazo de 15 meses à taxa de juro anual nominal, capitalizável mensalmente, de
8,5% (IRS à taxa em vigor).

3.11 Um capital aplicado à taxa de 5% produziu, em RJC, ao fim de 2 anos e 73 dias, o


capital de 16 320.000 u.m. (após imposto sobre o rendimento). Calcule aquele
capital.

3.12 F constituiu um depósito a prazo por um ano, com instrução de capitalização


composta, à taxa de juro de 8%. Determine o valor acumulado líquido, no final do
prazo, sabendo que lhe são retidos 92 u.m. de imposto sobre o rendimento.

3.13 F efetuou uma aplicação, em RJC, de 20 000 u.m., pelo prazo de 18 meses, à taxa de
juro anual nominal, capitalizável mensalmente, de 3%. Determine a taxa de juro anual
líquida, considerando que a retenção de IRS é efetuada no final do prazo à taxa em
vigor.

3.14 F, Lda. solicitou um financiamento por 90 dias, em RJC, no montante de 150 000 u.m.,
com juros postecipados à taxa anual de 3,5%. Liquidou imediatamente 250 u.m. de
custos associados ao contrato. Imposto de selo às taxas em vigor. A taxa média de
IRC da empresa é de 25%.
3.14.1 Determine a taxa de custo bruto deste financiamento.

57
3.14.2 Determine a taxa de custo efetivo líquido.

3.15 F aplicou 1 500 u.m. em janeiro de n. O valor acumulado, em RJC, em janeiro de n+5
era de 3.000 u.m. As taxas de inflação anuais foram 9,4%, 9,6%,12,6%,13,4% e 11,4%,
no período em referência, respetivamente.
3.15.1 Determine o valor acumulado desta aplicação a preços do ano n.
3.15.2 Determine a taxa de juro real.

58
Exercícios globais – Parte I

Exercícios resolvidos

1 O Rodrigo aplicou as suas poupanças de € 20 000,00 em dois depósitos diferentes no


Banco A:
Depósito 1
 Aplicação de € 12 000,00 pelo prazo de 1 ano
 Regime de juro simples
 Taxa de juro semestral i
Depósito 2
 Aplicação de € 8 000,00 pelo prazo de 2 anos
 Regime de juro composto
 Taxa de juro trimestral de 0,125% no 1.º ano e de 0,135% no 2.º ano

1.1 Considerando que o juro total do Depósito 1 é igual ao produzido pelo Depósito 2
até ao final do sexto trimestre, determine a taxa de juro semestral i do Depósito 1.
1.2 Considere, agora, apenas o Depósito 2.
1.2.1 Determine a taxa de juro real esperada desta aplicação, admitindo uma
inflação estimada de 0,8% para o primeiro ano e de 1% para o segundo.
Interprete o valor obtido.
1.2.2 Determine o valor acumulado líquido a receber no final dos dois anos. A
retenção de imposto sobre o rendimento é efetuada apenas no final do
prazo à taxa de 28%.

Resolução:
1.1 C 0RJS = € 12 000,00
RJS
isem  i =?

C 0RJC = € 8 000,00

i1,RJCtrim  0,00125 ao trimestre

59
i2,RJCtrim  0,00135 ao trimestre

J2RJSsem  J6RJC
trim 

 n1RJS  C 0RJC 1  i1,RJCtrim  1  i2,RJCtrim   1 


RJC RJC
n1 n2
C 0RJS  isem
RJS
 
 2  8 000 1  0,00125  1  0,00135   1 
4 2
12 000  isem RJS
 

8 000 1  0,00125   1  0,00135   1


4 2

i  
12 000  2
i  0,002575 ao semestre
1.2

1.2.1 C 0 1  i1,trim  1  i2,trim   C 0 1  ireal  1  z1 1  z2  


4 4 2

1  i  1  i   1  i
1,trim   1  i2,trim 

4 4 4 4 2

1  ireal 
2

1,trim 2,trim
 1  ireal    
1  z1 1  z2   1  z1  1  z2 



1
 1  i
1,trim  1  i2,trim 
4

4 2

ireal   1 
 1  z1 1  z2  
 
1
 1  0,001254 1  0,00135 4  2
ireal    1  ireal  0,003756 ao ano
 1  0,008 1  0,01 
Interpretação: como a taxa de juro é negativa verificou-se perda de poder de compra.

1.2.2 C n  C 0 1  i1,trim  1  i2,trim  


4 4

C n  8 000 1  0,00125  1  0,00135  C n  € 8 083,58


4 4

Jnliq  Jn 1  tIRS   Jnliq   C n  C 0 1  tIRS  


Jnliq   8 083,58  8 000,00 1  0,28   Jnliq  € 60,18

C nliq  C 0  Jnliq  C nliq  8 000  60,18  C nliq  € 8 060,18 

2 A empresa ABC pediu um empréstimo, em Regime de Juro Composto, nas seguintes


condições:
 Prazo: 3 anos
 Taxa de juro anual nominal, capitalizável ao semestre: 4%
 Juros pagos no final do prazo do empréstimo

60
 Empréstimo sujeito a imposto de selo às taxas em vigor*.
2.1 Sabendo que o juro do terceiro semestre é igual a € 1 040,40, determine o valor do
empréstimo.
2.2 Determine a taxa de custo efetiva líquida deste financiamento. Considere que a
empresa está sujeita a imposto (IRC) à taxa de 25%.

*Tabela do Imposto de Selo

Imposto de selo Taxas em vigor


Imposto de selo de abertura de crédito:
- crédito até um ano – por cada mês ou fração 0,04%
- crédito de prazo igual ou superior a um ano 0,50%
- crédito de prazo igual ou superior a 5 anos 0,6%
Juros e outras comissões 4%
Comissões por garantias prestadas 3%

Resolução:

2.1 i 2  0,04 ao ano  isem  0,02 ao semestre

j2,3  € 1 040,00

j2,3
j2,3  C2 isem  j2,3  C 0 1  isem  isem  C 0 
2

1  isem 
2
isem
1040,40
C0   C 0  € 50 000,00
1  0,02 
2
 0,02

2.2 ISac  saC 0  ISac  0,005  50 000  ISac  € 250,00

C n  C 0  1  i   C n  50 000  1  0,02   C n  € 56 308,12


n 6

Jn  56 308,12  50 000  Jn  € 6 308,12

i 'liq : VAFR  VAFP  C 0  ISac 1  tIRC   C 0  Jn 1  w 1  tIRC   1  i 'liq  


n

1

C 0  ISac 1  tIRC   C 0  ISac 1  tIRC   n
1  i ' 
n
  1  i 'liq    
C 0  Jn 1  w 1  tIRC   C 0  Jn 1  w 1  tIRC  
liq

1

 C 0  ISac  1  tIRC   n
i 'liq    1 
 C 0  Jn 1  w  1  tIRC  

61
1

 50 000  250 1  0,25   3
i 'liq     1  i 'liq  0,03307 ao ano 
 50 000  6 308,12 1  0,04 1  0,25 

Exercícios propostos

1 Considere que deseja comprar um computador portátil e que conhece a informação


abaixo:
PVP: € 999,00
Simulador de Crédito
 Prestações Mensais: 3
 Entrada: 0
 Prestação: € 361,01
 Ignore o imposto de selo

1.1 Admitindo Regime de Juro Composto e que a taxa de mercado é 6% ao ano, verifique
qual será a melhor opção a tomar das seguintes hipóteses:
 Hipótese A: Pagamento a pronto;
 Hipótese B: Pagamento em três prestações mensais, sendo o vencimento da
primeira prestação daqui a um mês.
1.2 Considere agora que recorreu ao Banco SóDinheiro para financiar a compra do
computador e que o reembolso de capital e juro será feito ao fim de um ano no valor
de € 1 050,00.
1.2.1 Considerando que foi acordado o Regime de Juro Simples, qual é a taxa de juro
anual subjacente a este financiamento?
1.2.2 Considere agora que o financiamento era em Regime de Juro Composto e que a taxa
anual efetiva é igual à que obteve na alínea anterior. O prazo do financiamento é
de 4 trimestres.
[Link] Qual é o juro produzido no 3º trimestre?
[Link] Quanto é que teria de reembolsar no final do empréstimo? Comente o resultado
comparando-o com o Regime de Juro Simples.
1.3 Considerando que a taxa de juro se mantém, determine ao fim de quantos trimestres
o reembolso do capital e juro em Regime de Juro Composto é igual a € 1 104,00.

62
2 O Sr. António foi ao Banco DepósitoCerto saber quais as condições para aplicar um
determinado montante das suas poupanças durante 2 anos. O Banco ofereceu-lhe um
produto com capitalização composta anual. No final do 1º ano, o Sr. António teve de
fazer um levantamento de parte do capital no valor de € 1 025,00, que correspondia
exatamente a 10% dos juros a receber no final da aplicação (se não efetuasse o
levantamento). A taxa efetiva trimestral é de 1,5%.

2.1 Determine o montante que o Sr. António vai receber no final do período da aplicação.

3 O Sr. Aníbal está casado há 20 anos e decidiu constituir um depósito com o intuito de
realizar uma viagem nas suas bodas de prata (25 anos de casado). Atualmente o casal
tem disponível para aplicação € 2 500,00. E sabe-se que a instituição financeira irá
oferecer ao casal um montante de € 200,00 na data das bodas de prata (momento em
que ocorre o levantamento).
Considere as seguintes características do depósito:
 Juros vencem semestralmente e são capitalizados.
 Taxa de juro anual de 4%, pagável semestralmente.
 A partir do 3º ano, inclusive, é atribuído um prémio de permanência de 0,15% por
ano (que acresce à taxa nominal), até ao limite de 1,5%.
 Os juros e o prémio auferidos estão sujeitos a imposto sobre o rendimento, à taxa
em vigor. A retenção ocorre no final da aplicação.

3.1 Determine o montante líquido que o casal obterá no final da aplicação.


3.2 Determine a taxa de rendibilidade efetiva líquida trimestral desta aplicação.
3.3 Determine a taxa de rendibilidade efetiva líquida real desta aplicação, considerando
uma taxa de inflação anual de 2% nos dois primeiros anos e 3% nos restantes.

4 A empresa Sucesso, Lda. obteve um empréstimo no valor de € X, por três anos, à taxa
de juro de 3,5% ao ano. No final do segundo ano, a empresa efetuou um pagamento de

63
50% do montante em dívida até esse momento (capital e juro). O pagamento do
restante foi efetuado no final do 3º ano e totalizou o valor de € 24 946,15 (ignore o
imposto de selo).

4.1 Determine o valor nominal do empréstimo.


4.2 Determine o juro de juro contido no 2º ano.
4.3 Determine a taxa de juro real quadrimestral. Para o efeito, considere que a taxa de
inflação anual nos dois primeiros anos foi de 2,5% e de 3% no terceiro ano.

64
PARTE II

A segunda parte compreende os últimos três capítulos, nos quais são apresentados os
conceitos e instrumentos de análise mais complexos da matemática financeira e estudados
os produtos/instrumentos de financiamento de longo prazo e de curto prazo. Assim, no
capítulo 4 formalizamos a equação do valor quando estamos perante um conjunto de
capitais vencíveis em momentos equidistantes, ou seja, o estudo das rendas. No capítulo 5
procedemos à análise das modalidades clássicas do reembolso de empréstimos de longo
prazo e, no capítulo 6, caracterizamos os instrumentos de financiamento de curto prazo –
desconto de letras, reforma de letras, factoring e conta-corrente.

No final desta Parte II apresentam-se alguns exercícios resolvidos, assim como se propõem
outros para resolução.

65
4. RENDAS (UM CASO PARTICULAR DA
EQUIVALÊNCIA DE VALORES)

Nos capítulos seguintes iremos proceder à generalização da análise a n capitais ou a n


valores utilizando os princípios formadores de capitalização e atualização vistos nos
capítulos anteriores. Procuraremos caracterizar novos instrumentos, efetuar novas
sistematizações que visam minorar o trabalho de cálculo e que, por essa via, possibilitam a
análise de situações aparentemente mais complexas.

Iremos abordar um caso particular da equivalência de capitais, as rendas, cujo elemento


caracterizador é o facto do conjunto de capitais se vencer em momentos equidistantes.

OBJETIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Compreender o conceito de equação de valor;
- Compreender e identificar uma renda;
- Classificar as rendas, distinguindo as diferentes classificações;
- Compreender, deduzir e aplicar as fórmulas gerais do processo de capitalização e atualização
das diferentes classificações de rendas.

4.1. Equação de valor

Considere-se o seguinte problema: “Pretendemos pagar hoje um conjunto de dívidas


localizadas em diferentes momentos: 1 000 u.m. que se vencem daqui a um ano e 2 000
u.m. que se vencem daqui a dois anos.”

1 000 2 000

0 1 2 anos

Obviamente que não iremos entregar ao credor 3 000 u.m. hoje. Teremos então de
determinar o valor atual deste conjunto de capitais ou, por outras palavras, teremos de
determinar o capital no momento de referência, à taxa combinada com o credor.

67
A equação que traduz a equivalência de capitais é a equação do valor.

A ideia base, que importa reter, é a seguinte:

Dois conjuntos de capitais são equivalentes quando os seus valores são iguais depois de
referidos ao mesmo momento de tempo - o momento de referência.

4.2. Renda: noção e classificação

4.2.1. Noção

Na linguagem comum usamos o termo renda para identificar pagamentos/recebimentos


que ocorrem com uma periodicidade certa. Falamos em "renda da casa", em "rendas de
um contrato de leasing", etc. O significado técnico do termo renda é próximo do seu
significado corrente. De facto, para a Matemática Financeira,

Uma renda é um conjunto de capitais vencíveis em momentos equidistantes.

Trata-se, assim, de um caso particular da equivalência de capitais em que o(s) conjunto(s)


de capitais, F(nk), tem como característica o escalonamento regular do vencimento dos
seus elementos. Na reta do tempo viria:

Cn1 Cn2 … Cnk-1 Cnk

n1 n2 … nk-1 nk

com n2  n1  n3  n2   nk  nk 1 .

A cada um dos capitais dá-se o nome de termo da renda, e o período de tempo


compreendido entre o vencimento de dois termos consecutivos constitui o período da
renda. A renda pode tomar designações específicas que traduzem claramente a dimensão
do seu período, como por exemplo, a de mensalidade, semestralidade, anuidade, etc.. No
entanto o termo anuidade pode, igualmente, ser usado de modo genérico para designar
uma renda, independentemente da dimensão do período.

68
Exemplo 4.1.
Suponha as seguintes situações:
1. F deve as importâncias de 1 200,00, 1 800,00 e 2 100,00 u.m., vencíveis respetivamente
em 30/09/n, 30/03/n+1 e 30/09/n+1.
2. H tem que pagar 1 000,00 u.m. em cada uma das seguintes datas: 30/09/n, 31/12/n e
31/12/n+1.

Resolução:
Representando as duas situações na reta do tempo:
1.

1200 1800 2100

30/09/n 30/03/n+1 30/09/n+1

6 meses 6 meses

2.

1000 1000 1000

30/09/n 31/12/n 31/12/n+1

3 meses 12 meses

No primeiro caso estamos perante uma renda (de termos variáveis), dado que os capitais
se vencem em momentos equidistantes (vencem-se semestralmente); no segundo caso,
apesar dos capitais terem o mesmo valor, o período de tempo que medeia entre eles não
é constante, pelo que o conjunto não constitui uma renda.

4.2.2. Classificação

Analisando o conjunto de capitais (Tk) vencíveis em momentos equidistantes, conseguimos


proceder à classificação das rendas utilizando um conjunto de critérios:
A- Quanto à aleatoriedade da produção
B- Quanto ao nº de termos da renda
C- Quanto à relação entre o período da taxa de capitalização e o período da renda
D- Quanto ao valor dos termos da renda

69
E- Quanto ao momento de vencimento dos termos da renda
F- Quanto ao momento a que é referido o valor atual da renda
G- Quanto ao objetivo de constituição da renda

A- Quanto à aleatoriedade da sua produção, a renda dir-se-á,

Certa: o vencimento dos seus termos não depende da verificação de um facto


aleatório.

Incerta: o vencimento dos seus termos depende da realização de um acontecimento


externo, como por exemplo, o número de anos de vida de uma pessoa. 4

Os prémios de seguro de vida que um segurado paga a uma seguradora constitui uma renda
incerta.

Vamos apenas debruçar-nos sobre rendas certas. De notar que as rendas incertas são
essencialmente aplicadas na atividade seguradora.

B- Quanto ao número de termos, a renda será

Perpétua: o número de termos situa-se fora de um determinado horizonte de


visibilidade.

T1 T2 …
0 1 2 … t t+1 t+2 … +

Temporária: o número de termos é limitado.

T1 T2 … Tn-1 Tn
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n

4Neste caso, a renda diz-se vitalícia. Note-se que a renda é incerta quando, por exemplo, existe incerteza
quanto ao vencimento do último termo.

70
Muitas vezes, quando o número de termos da renda se situa fora de um determinado
horizonte de visibilidade, assume-se que a mesma é perpétua, como, em regra, ocorre com
os investimentos em terrenos ou em imóveis.

C- Quanto à relação entre o período da taxa de capitalização (i) e o período da renda, esta
dir-se-á,

Inteira: o período da taxa de capitalização, i, e o período da renda coincidem.

Fracionada: o período da taxa de capitalização, i, é superior ao período da renda.

No entanto, uma mesma renda tanto pode ser considerada inteira como fracionada, uma
vez que dada uma taxa relativa a um determinado período é sempre possível obter uma
taxa equivalente relativa a outro período qualquer.

Assim, na representação seguinte, a renda será inteira se considerarmos a taxa i1 e


fracionada se retivermos a taxa i2.

T1 T2 … Tn-1 Tn
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n

i1

i2

D- Quanto ao valor dos seus termos, a renda pode ter

Termos constantes: o valor nominal dos termos sempre igual.

Termos variáveis: os termos da renda podem não apresentar regularidade na variação


ou variarem em progressão aritmética ou geométrica, crescente ou
decrescente.

71
E - Quanto ao momento de vencimento dos seus termos, a renda dir-se-á de

Termos normais: cada termo vence-se no fim do período a que se considera referido.

T1 T2 … Tn-1 Tn

0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n

Período do Período do Último


1º termo 2º termo período

Termos antecipados: cada termo vence-se no início do período a que se considera


referido.

T1 T2 T3 … Tn

0 1 2 … t t+1 t+2 t+3 … t+n t+n+1

Período do Período do Último


1º termo 2º termo período

F - Quanto ao momento a que é referido o seu valor atual, a renda dir-se-á,

Imediata o valor da renda está referido ao início do período correspondente ao


primeiro termo.

C0 T1 T2 Tn-1 Tn

0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n

Período do Período do 2º
1º termo termo

Diferida o valor da renda está referido a um momento anterior ao início do


vencimento do primeiro termo.

C0 T1 T2 … Tn-1 Tn

0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n

Prazo de diferimento Período do Período do 2º


1º termo termo

72
O período de tempo compreendido entre o momento a que está referido o valor da renda
(momento de referência) e o início do período correspondente ao 1º termo é o prazo de
diferimento (t).

A renda é diferida se o seu valor estiver referido, por exemplo, ao momento 0. Neste caso,
o prazo de diferimento é t períodos se os termos da renda se considerarem normais e t+1
períodos se forem tidos como antecipados. Se o valor da renda estiver referido ao
momento t, ela é imediata se os termos forem normais, mas será diferida de um período
se os termos forem antecipados.

G - Quanto ao objetivo de constituição da renda, a renda dir-se-á de

Amortização se se destinar a amortizar uma dívida. Os seus termos são calculados de


modo a incluir uma parcela que reembolsa o capital inicial e outra que
paga os juros;
Acumulação se visa a obtenção de um capital acumulado. Os seus termos são
calculados de modo que, acumulados com os próprios juros, resultem no
capital desejado;
Remuneração se se destina a remunerar um capital ou a prestação de um serviço.

Nota Importante: O valor de uma renda num determinado momento é igual à soma
dos valores, referidos a esse momento, dos seus termos.

Exemplo 4.2.
Utilizando a terminologia das rendas classifique a seguinte situação: A Ana adquiriu um
equipamento no dia 01/05/n e acordou com o fornecedor pagar mensalmente, no primeiro
dia de cada mês, durante 5 meses a quantia de 200 u.m., vencendo-se a 1ª prestação em
01/06/n. Admita-se uma taxa de juro efetiva mensal de 2%.

Resolução:
Estamos perante uma renda certa, temporária, inteira, dado que o período da taxa e o
período da renda coincidem, de termos constantes, sendo o valor nominal destes 200 u.m..

73
A renda é imediata e de termos normais, ou, o que é o mesmo, de termos antecipados e
diferida de um período. Como se destina a pagar uma dívida, é uma renda de
amortização.

Nota Importante: Relembrar que, no caso de não ser referido o período da taxa, se
assume que esta é anual.

Em suma:

Figura 4.1. Classificação de rendas


Termos normais
Imediatas
Termos antecipados
Temporárias
Termos normais
Diferidas
Termos antecipados
Termos constantes
Termos normais
Imediatas
Termos antecipados
Perpétuas
Rendas inteiras Termos normais
Diferidas
Termos antecipados

sem regularidade na variação

Termos variáveis em progressão geométrica


crescente
em progressão aritmética
decrescente

Na Figura 4.1, cada uma das classes identificadas para as rendas de termos variáveis pode
ser subdividida em rendas perpétuas ou temporárias, imediatas ou diferidas, de termos
normais ou de termos antecipados, de acordo com as ramificações presentes nas rendas
de termos constantes.

74
4.3. Rendas inteiras, com termos constantes

4.3.1. … temporárias

Considere-se em primeiro lugar o caso de uma renda certa, inteira, com n termos
constantes, ou seja, temporária. Admita-se que os termos da renda são unitários.

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Nota Importante: As notações supra representam o valor da referida renda nos


momentos assinalados pelas setas, o mesmo ocorrendo nas figuras que se seguem ao longo
deste capítulo.

[Link]. … imediata, de termos normais

Se o momento de referência for o momento t, an e sn representam, respetivamente, o

valor atual e o valor acumulado de uma renda certa, inteira, imediata, com n termos
(temporária) constantes, normais e unitários.

Explicitando a equação do valor:

a) Se a avaliação ocorrer um período antes do vencimento do primeiro termo, isto é,


em t

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

an  1.(1  i)1  1.(1  i)2  ...1.(1  i)(n1)  1.(1  i) n 

an    2  ...  n1  n , pois   (1  i)1

75
O 2º membro desta identidade é a soma dos n termos de uma progressão geométrica5,
sendo o 1º termo v e a razão v, daí que:Equation Chapter 4 Section 1

 n .   ( n  1)  ( n  1)  n 1
an   an   an   an  
 1  1  1 1
 1   1
  
 n 1  n 1  n 1
an   an   an  
1 1  (1  i) i
1
1  i 
1

1  n 1  (1  i ) n
an   (4.1)
i i

b) Se a avaliação ocorrer no momento do vencimento do último termo, isto é, em t+n

sn  1  1.(1  i)1  ...1.(1  i)n2  1.(1  i)n1

O 2º membro desta identidade é a soma dos n termos de uma progressão geométrica,


sendo o 1º termo 1 e a razão (1+i), daí que:

(1  i)n1 (1  i)  1
sn  
(1  i)  1

(1  i )n  1
sn  (4.2)
i

Estabelecendo uma relação entre (4.1) e (4.2) resulta que

sn  an (1  i)n (4.3)

1  n (1  i)n  (1  i)n n
sn  an (1  i)n  sn  (1  i)n  sn  
i i
(1  i)n  (1  i)n (1  i) n (1  i)n  1
sn   sn 
i i

Un .r  U1 rn 1
5
A soma dos termos de uma progressão geométrica é dada por: Sn   U1 , em que o 1º
r 1 r 1
termo U1  é  , o último Un  é  n e a razão (r) é  .

76
an  sn (1  i) n (4.4)

(1  i)n  1
an  sn n  sn (1  i) n  an  (1  i) n 
i
(1  i)n (1  i) n  (1  i) n 1  (1  i) n 1  n
an   an   an 
i i i

O valor acumulado de uma renda certa, inteira, imediata, temporária, com termos normais,

constantes e unitários  sn  resulta da capitalização durante n períodos do valor atual da

mesma renda  an  .

[Link]. … imediata, de termos antecipados

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Se o momento de referência for t+1, an e sn representam, respetivamente, o valor atual

e o valor acumulado de uma renda certa, inteira, imediata, com n termos (temporária)
constantes, antecipados e unitários.

Explicitando a equação do valor:

a) Se a avaliação ocorrer no vencimento do primeiro termo, isto é, em t+1

an  1.(1  i)1  1.(1  i)2  ...1.(1  i)(n1) 

an  1   2  ...  n1 , pois   (1  i)1

O 2º membro desta identidade é a soma dos n termos de uma progressão geométrica,


sendo o 1º termo 1 e a razão  , daí que:

77
 n1 .  1  n 1  n 1  n 1
an   an   an   
a  
 1  1 (1  i)1  1 n 1
1
1i
 1
n
 1 n
 1 n
an   an   an  1  i  
1 1  i i i
1i 1i
1  n 1  (1  i) n
an  1  i   1  i   1  i  an 
i i

an  1  i  an (4.5)

O valor atual de uma renda de termos antecipados resulta da capitalização durante um


período do valor atual de uma renda de termos normais.

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Do mesmo modo, o valor acumulado de uma renda de termos antecipados resulta da


capitalização durante um período do valor acumulado de uma renda de termos normais.
sn   1  i  sn
 (4.6)

[Link]. ... diferida, de termos normais ou antecipados

a) Se o momento de referência for 0 ou 1 a renda será diferida.

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Considere-se que em ambos os casos o prazo de diferimento é de t períodos, pelo que


quando o momento de referência for 0 a renda é de termos normais e quando for 1 os
termos são antecipados.

78
O valor atual de uma renda certa, inteira, diferida, com n termos constantes, normais e
unitários é representado por t an e no caso de termos antecipados por t an .

Da equação do valor obtemos:

an   t an  1  i  an
t
t (4.7)

an   t an  1  i  an


t
t (4.8)

Isto é, o valor atual de uma renda diferida resulta da atualização durante t períodos, o prazo
de diferimento, do valor atual de uma renda imediata.

1 1 … 1 1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

(4.7) (4.8)

Considerando (4.8) e (4.5), temos que

an   t an  1  i  an  1  i  1  i  an  1  i 


t t  t 1
t an   t 1an

Exemplo 4.3.
A empresa Eletrolar, Lda. lançou uma campanha de facilidades de pagamento na compra
de uma máquina de lavar roupa, cujo preço de venda é de 500 u.m..
a) Hipótese A: Pagamento em 6 mensalidades iguais, à taxa de juro anual (após
imposto de selo) de 12,68%, vencendo-se a primeira mensalidade um mês após a
venda.
b) Hipótese B: Pagamento em 3 mensalidades iguais, à taxa de juro mensal (após
imposto de selo) de 1%, vencendo-se a primeira mensalidade dois meses após a
venda.
Determine o valor das mensalidades relativas a cada uma das hipóteses.

79
Resolução:
a) Hipótese A:
C0 = 500 u.m.
n = 6 mensalidades
T=?

T T T

0 1 2 … 6 meses

Estamos perante uma renda certa, temporária, fracionada, de termos constantes,


imediata e de termos normais.

O primeiro passo é transformar esta renda fracionada numa renda inteira alterando a
taxa de juro anual para taxa de juro mensal.

Nota Importante: iw – taxa de juro com imposto de selo incluído: iw  i  1  w 

iw,anual =12,68% = 0,1268 ao ano


iw,mensal = ?
1 1
(1  iw ,anual )1  (1  iw ,mensal )12  (1  iw ,anual )12  (1  iw ,mensal )  iw ,mensal  (1  iw ,anual )12  1 
1
iw ,mensal  (1  0,1268)  1  0,01 ao mês
12

C0 500 500
C 0  Tan iw  T  T    86,274 u.m.
an iw a6 0,01 1  (1  0,01)6
0,01
b) Hipótese B:
C0 = 500 u.m.
n = 3 mensalidades
iw,mensal = 0,01 ao mês.
T=?

T T T

0 1 2 3 4 meses

80
Estamos perante uma renda certa, temporária, inteira, de termos constantes, diferida
e de termos normais.
C0 500
C 0  Tan iw 1  iw   T 
1
T  
an iw 1  iw 
1
a3 0,01 (1  0,01)1

500
T  T  171,71 u.m. 
1  (1  0,01)3 1
(1  0,01)
0,01

4.3.2. … perpétuas

Consideremos agora uma renda certa, inteira, com um número infinito de termos, isto é,
perpétua sendo o valor nominal de cada termo igual a uma unidade.

1 1 …

0 1 2 … t t+1 t+2 …

Para a renda certa, inteira, perpétua, de termos constantes e unitários, representado por
a , o valor atual vem

a  1.(1  i)1  1.(1  i)2  1.(1  i)3  ...  a    2   3  ... 

1  n 1  (1  i) n
a  lim an  a  lim  a  lim 6
x  x  i x  i
1
a  (4.9)
i

O fator de atualização de uma renda perpétua, imediata de termos constantes e normais é


o inverso da taxa de atualização.

O valor atual de uma renda certa, inteira, perpétua, de termos constantes e unitários é a

se for imediata de termos antecipados, t a e t a no caso de ser diferida de termos

normais ou antecipados, respetivamente.

6 Quando n, (1+i)-n0.

81
a  a (1  i) (4.10)

t a  (1  i)t a (4.11)

t a  (1  i)t a (4.12)

Exemplo 4.4.
Determine o valor atual de uma renda perpétua, à taxa de 5%, admitindo que o primeiro
termo, de valor 10 u.m., se vence:
1. Hoje.
2. Daqui a 3 anos.

Resolução:
1. Vencimento do 1º termo hoje:
ianual = 5% = 0,05 ao ano
T = 10 u.m.
C0 = ?

T T T

0 1 2 …  anos

Estamos perante uma renda certa, perpétua, inteira, de termos constantes, imediata e
de termos antecipados.
1 1
C 0  Tai  C 0  T  (1  i)  C 0  10  (1  0,05)  210 u.m.
i 0,05
2. Vencimento do 1º termo daqui a 3 anos:
ianual = 5% = 0,05 ao ano
T = 10 u.m.
C0 = ?

0 1 2 3 …  anos

Estamos perante uma renda certa, perpétua, inteira, de termos constantes, diferida de
2 períodos e de termos normais.

82
1 1
C 0  T t ai  C 0  T  (1  i)(1  i)t  C 0  10   (1  0,05)2  181,41 u.m. 
i 0,05

4.4. Rendas inteiras, com termos variáveis

E se os termos da renda não forem constantes? Assumiremos, em particular, que os termos


da renda variam em progressão aritmética ou geométrica, crescente ou decrescente, dado
que na hipótese de assumirem valores quaisquer não se poderá deduzir uma regra de
simplificação da equação do valor.

4.4.1. … com termos a variar em progressão geométrica

[Link]. … temporárias

Considere-se uma renda certa, inteira, temporária, com termos a variar em progressão
geométrica de razão r e o primeiro termo igual a 1.


1 1.r [Link]-2 [Link]-1
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Se o momento de referência for t, gan representa o valor atual de uma renda certa, inteira,

imediata, com n termos normais, a variar em progressão geométrica de razão r e em que o


primeiro termo é unitário.

Considerando que o primeiro termo é T, a equação do valor vem

gan  1   1  r 2  1  r 2 3  ...  1  r n 2 n1  1  r n 1 n 


gan    r 2  r 2 3  ...  r n 2 n1  r n1 n

O segundo membro desta expressão é a soma dos termos de uma progressão geométrica
de razão rv, pelo que:

83
r n 1 n r  (r n 1 nr  )(1  i)
gan   gan  
r  1 (r  1)(1  i)
r n 1 n r (1  i)  (1  i) r n n  1
gan   gan  
r (1  i)  (1  i) r  (1  i)

1  r n n 1  r 1  i 
n n

gan   (4.13)
1i r 1i r

Se a avaliação ocorrer em t+n, a equação do valor vem

gsn  (1  i)n  gan (4.14)

Exemplo 4.5.
F tem de pagar 10 anuidades, à taxa de 6%. Estas aumentam anualmente 2% e a primeira,
com o valor de 20 000 u.m., vence-se dentro de 6 meses. Determine o valor atual.

Resolução:
n = 10 anuidades
ianual = 6% = 0,06 ao ano
r = 1,02
T1=20 000 u.m
Vencimento do 1º termo daqui a 6 meses
C0 = ?

T1 T2= T1.r T10= T1.r9

0 0,5 1,5 … 9,5 10,5 anos

Estamos perante uma renda certa, perpétua, inteira, de termos a variar em progressão
geométrica de razão 1,02, diferida de 0,5 períodos e de termos antecipados.

1  r n (1  i) n
C 0  T1 t ga n  C 0  T1 . (1  i)(1  i)t 
1i r

1  1,0210 (1  0,06)10
C 0  20000. (1  0,06)(1  0,06)0,5  164 379,97 u.m. 
1  0,06  1,02

84
[Link]. …perpétuas

O valor atual de uma renda perpétua é dado pelo limite, quando o número de termos, n,
tende para infinito da expressão que traduz o valor atual da respetiva renda temporária.

Considere-se uma renda certa, inteira, perpétua, com termos a variar em progressão
geométrica de razão r e o primeiro termo igual a T.

1 1.r … [Link]-2 [Link]-1 …


0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n …

Se o momento de referência for t, temos:

ga  lim gan i  ga  lim gan i 


n  n
n n
1  r (1  i)
ga  lim 
n  1i r
n
 r 
1 
ga  lim 1i 
n  1i r

r
Este limite só tende para um valor finito se  1 e, neste caso, obtemos
1 i

1
ga  (4.15)
1i r

Exemplo 4.6.
Considere um número infinito de anuidades que aumentam anualmente 2%. A primeira,
com o valor de 20 000 u.m., vence-se dentro de 6 meses. Determine o valor atual, à taxa
de 6%.

Resolução:
r = 1,02
T1 = 20 000 u.m.
Vencimento do 1º termo daqui a 6 meses

85
ianual = 6% = 0,06 ao ano
C0 = ?

T1 T2= T1.r

0 0,5 1,5 …  anos

Estamos perante uma renda certa, perpétua, inteira, de termos a variar em progressão
geométrica de razão 1,02, diferida de 0,5 períodos e de termos antecipados.
1
C 0  T1 t ga   C 0  T1 . (1  i)(1  i)t 
1i r
1
C 0  20000. (1  0,06)(1  0,06)0,5  514 781,5 u.m. 
1  0,06  1,02

4.4.2. … com termos a variar em progressão aritmética


crescente

[Link]. … temporárias

Considere-se uma renda certa, inteira, temporária, com termos a variar em progressão
aritmética crescente.

 Admita-se que o primeiro termo é unitário e que a razão da progressão é 1.


1+r= 1+(n-2)r= 1+(n-1)r=
1+1= … n-2+1= n-1+1=
1 2 n-1 n
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

Se o momento de referência for t, Aan representa o valor atual de uma renda certa,

inteira, imediata, com n termos normais, a variar em progressão aritmética crescente,


sendo o primeiro termo unitário e a razão da progressão também unitária.

A equação de valor vem:

86
Aan  1  (1  i)1  2  (1  i)2  3  (1  i)3  ...  (n  1)  (1  i)(n 1)  n  (1  i) n 
Aan    2 2  3 3  ...(n  1) n 1  n n

O segundo membro desta equação pode ser decomposto em n somas, cada uma das quais
é uma progressão geométrica de  n  x  termos, sendo o primeiro termo  x e a razão  ,

com x  0, n , pelo que:

Aan     2  3  ...  n1   n  an


  2   3  ...   n1   n  (1  i)1 an1
 3  ...  n1   n  (1  i)2 an2
 ... 
  n1  n  (1  i)(n2) a2
  n  (1  i)(n1) a1

Aan  an  (1  i)1 an 1  (1  i )2 an 2  ...  (1  i)(n2) a2  (1  i)(n 1) a1 


Aan  an   an 1   2an2  ...   n 2a2   n 1a1 
1  n 1   n 1 1   n 2 1  2 1  1
Aan    2  ...   n 2   n 1 
i i i i i
1   n   n  2   n  n 2  n  n 1  n
Aan     ...   
i i i i i
1     2  ...   n2   n 1  n  n  n  ... n  n
Aan  
i

an  n n an  n  1  i 
n

Aan   (4.16)
i i

Se o momento de referência for t+n, Asn representa o valor acumulado de uma renda

certa, inteira, imediata, com n termos normais, a variar em progressão aritmética


crescente, sendo o primeiro termo unitário e a razão da progressão também unitária.

Asn  Aan (1  i)n (4.17)

87
 Admita-se que o primeiro termo é T e que a razão da progressão é r.


T T+r T+(n-2)r T+(n-1)r
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

C0 Cn

Se o momento de referência for t, temos

C 0  T (1  i)1  (T  r )(1  i)2  (T  2r )(1  i)3  ...  T   n  1  r  (1  i) n 


C 0  T  (T  r ) 2  (T  2r ) 3  ...  T  (n  2)r  n1  T   n  1  r  n 
C 0  T  r  r   T  r  2r  2  T  r  3r  3  ...  T  r   n  1 r  n1  T  r  nr  n 
C 0  T  r   T  r  2  T  r  3  ...  T  r  n1  T  r  n 
 r  r 2  r 3  ...   n  1  r n1  nr n 
C 0  T  r     2  3  ...   n1   n   r    2  3  ...   n  1 n1  n n  

C 0  (T  r )an  rAan (4.18)

Se o momento de referência for o momento t+1:

C 0  (T  r )an  rAan   1  i  (4.19)

Se o momento de referência for o momento 0:

C 0  (T  r )an  rAan  1  i 


t
(4.20)

Se a avaliação ocorrer em t+n, a equação do valor vem

C n  (T  r )an  rAan  1  i 


n
(4.21)

Exemplo 4.7.
Determine o valor atual e acumulado de uma renda com 15 anuidades, cujo primeiro termo
é 2 000 u.m., e que variam em progressão aritmética crescente de razão 100 u.m., à taxa
de 15%.

88
Resolução:
n =15 anuidades
T1 = 2 000 u.m.
r = 100
ianual = 15% = 0,15 ao ano
C0 = ?
Cn = ?

T1 T2= T1+r T15= T1+14.r

0 1 2 … 15 anos

Estamos perante uma renda certa, temporária, inteira, de termos a variar em progressão
aritmética crescente de razão 100, imediata e termos normais.
an  n n
C 0  (T  r )an  rAan com Aan 
i
an (1  i)  n n

Aan 
i
1  (1  i) n
an   5,85
i
5,85  (1  0,15)  15  (1  0,15)15
Aan   32,54
0,15
C 0  (2000  100)  5,85  100  32,54  14 364,04 u.m.

C n  (T  r )an  rAan  (1  i)n  14 364,04  (1  0,15)15  116 881,1 u.m. 

[Link]. … perpétuas

Considere-se uma renda certa, inteira, perpétua, com termos a variar em progressão
aritmética crescente de razão r e o primeiro termo igual a T.

… …
T T+r T+(n-2)r T+(n-1)r
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n …

C0

89
Se o momento de referência for t, temos

C 0  lim  T  r  an i  rAan i   C 0  T  r  lim an i  r lim Aan i 


n  n  n 

1  (1  i) n ai  n  (1  i ) n

C 0  T  r  lim  r lim n 
n  i n i
1  (1  i) n
 (1  i)  n  (1  i ) n
1 i
C 0  T  r   r lim 
i n  i

1 i
0
T r
C0  r i 
i i
T r 1i
C0  r 2 
i i

T r
C0   (4.22)
i i2

n 
lim n  (1  i) n  lim   Regra de Cauchy:
n  n (1  i )n

Sejam f e g duas funções diferenciáveis e verificando as seguintes condições:
a) lim f ( x)  lim g( x)  
x a x a

b) lim f ( x)  lim g( x)  0 ou lim f ( x)  lim g( x)  


x a x a x a x a

f '(x) f (x)
Nestas condições, se existir lim então também existe lim e estes dois limites são
x a g '( x ) x a g( x )

iguais.
n 1 1
lim  lim  0
n  (1  i )n n  (1  i)  ln  1  i 
n


4.4.3. … com termos a variar em progressão aritmética


decrescente

[Link]. … temporárias

Considere-se uma renda certa, inteira, temporária, com termos a variar em progressão
aritmética decrescente.

90
 Admita-se que o último termo é unitário e que a razão da progressão é 1.
1+(n-1)r= 1+(n-2)r= 1+r=
n-1+1= n-2+1= … 1+1=
n n-1 2
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

 i representa o valor atual de uma renda certa,


Se o momento de referência for t, Aan

inteira, imediata, com n termos normais, a variar em progressão aritmética decrescente,


sendo o último termo unitário e a razão da progressão também unitária.

A equação de valor vem:

 i  n  (1  i)1   n  1  (1  i)2    1  (1  i) n 


Aan
 i  n    n  1   2    1  n
Aan

O segundo membro desta equação pode ser decomposto em n somas, cada uma das quais
é uma progressão geométrica de  n  x  termos, sendo o primeiro termo  x e a razão  ,

com x  0, n , pelo que:

 i     2   3     n 2  n 1   n 
Aa  an i
n

   2  3    n 2   n 1 
 an 1 i
   2  3    n 2 
 an 2 i
 
   2  3 
 a3 i
   2 
 a2 i
 
 a1 i

 i  a i  a i  a i  a i  a i  a i 
Aan n n 1 n 2 3 2 1

 i  1    1   1     1    1   1  
n n 1 n 2 3 2
Aan
i i i i i i
 i  n          
2 3 n 2 n 1 n
Aan
i

91
n  an i
 i
Aa (4.23)
n
i

 i representa o valor acumulado de uma renda


Se o momento de referência for t+n, Asn

certa, inteira, imediata, com n termos normais, a variar em progressão aritmética


decrescente, sendo o último termo unitário e a razão da progressão também unitária.

 i  (1  i)n Aa
As  i (4.24)
n n

 Admita-se que o último termo é T e que a razão da progressão é r.


T+(n-1)r T+(n-2)r T+r T
0 1 2 … t t+1 t+2 … t+n-1 t+n t+n+1

C0 Cn

Se o momento de referência for t, à semelhança da renda de termos a variar em progressão


aritmética crescente, temos duas rendas: uma de termos constantes e iguais a T  r  e

outra que resulta da multiplicação de r pelos termos de uma renda a variar em progressão
aritmética decrescente, com o último termo unitário e razão unitária:

 i
C 0   T  r  an i  rAa (4.25)
n

Se o momento de referência for o momento t+1:

 i  1  i 
C 0  T  r  an i  rAa (4.26)
n 

Se o momento de referência for o momento 0:

 i   1  i  t
C 0  T  r  an i  rAa (4.27)
n 

Se a avaliação ocorrer em t+n, a equação do valor vem

 i  (1  i)n
C n  T  r  an i  rAa (4.28)
n 

92
Exemplo 4.8.
Determine o valor atual e acumulado de uma renda com 15 anuidades, cujo último termo
é 2 000 u.m., e que variam em progressão aritmética decrescente de razão 100 u.m., à taxa
de 15%.

Resolução:
n =15 anuidades
T15 = 2 000 u.m.
r = 100
ianual = 15% = 0,15 ao ano
C0 = ?
Cn = ?
n  an i
 i com Aa
C 0  T  r  an i  rAa  i
n n
i
1  (1  i) n
an   5,85
i
  15  5,85  61,02
Aa n
0,15
C 0  (2 000  100)  5,85  100  61,02  17 211,76 u.m.

 i  (1  i)n  17 211,76  (1  0,15)15  140 053,12 u.m. 


C n  T  r  an i  rAan 

4.5. Exercícios propostos

4.1 Considere que o rendimento proporcionado por um investimento possa ser de


1 500 u.m. por ano, durante 20 anos, a uma taxa de juro de 4%. Determine:
4.1.1 O valor do investimento hoje considerando:
[Link] que as anuidades se vencem no final de cada ano e a primeira no final
do 1º ano;
[Link] que as anuidades se vencem no início de cada ano e a primeira no
início do 2º ano;
[Link] que as anuidades se vencem no início de cada ano e a primeira no
início do 5º ano;

93
4.1.2 O valor acumulado de cada uma das alternativas da alínea anterior.

4.2 O Xavier está a estudar o processo de compra de casa. As condições negociadas são
as seguintes:
 Valor da casa: € 190 000,00;
 Empréstimo: 75%;
 Taxa nominal negociada: Euribor a 12 meses com um spread de 0,9%;
 Prazo: 30 anos;
 Prestações: mensais constantes;
 Imposto de selo às taxas em vigor.
Considerando que no ato da escritura a Euribor a 12 meses se situa em 4%, qual
deverá ser o valor de cada prestação?

4.3 Determine o número de anos necessários para uma renda imediata, de termos
normais e iguais a 80 000 u.m. cada, tenha o valor atual de 536 806,5 u.m., sendo a
taxa de 8% ao ano.

4.4 Considere que pretende adquirir um automóvel hoje no valor de € 40 000,00 e que,
para o efeito, irá recorrer a um empréstimo no valor do automóvel, a reembolsar em
8 prestações trimestrais, à taxa de juro anual de 8%, vencendo-se a primeira
prestação no final do primeiro mês. Imposto de selo às taxas em vigor. Determine o
valor de cada prestação.

4.5 Considere uma possível aplicação da quantia mensal de € 350,00, num Plano de
Poupança-Reforma/Educação (PPR/E) de uma companhia de seguros, durante 20
anos, às taxas nominais anuais de 12% nos primeiros 10 anos e de 9% nos restantes
10 anos (para simplificação ignoremos a habitual retenção de imposto sobre o
rendimento). Determine o valor acumulado obtido no PPR/E ao fim dos 20 anos,
considerando que a primeira entrega seria efetuada imediatamente.

4.6 R obteve um empréstimo de € 150 000,00, a pagar em 20 anuidades iguais, à taxa


anual de 9,5% (imposto de selo incluído). Ao pretender efetuar o pagamento da 10ª
anuidade é forçado, por falta de disponibilidades, a recorrer a um novo empréstimo,
à taxa de 9,7% (imposto de selo incluído), a reembolsar em 15 anuidades constantes,

94
vencendo-se a 1ª no prazo de 1 ano. Determine o valor de cada anuidade do 2º
empréstimo, de modo que o montante deste lhe permita reembolsar o valor em
dívida.

4.7 F obteve um empréstimo (isento de imposto de selo), à taxa anual nominal revisível
de 7%, amortizável por meio de 30 semestralidades constantes, vencendo-se a 1ª 6
meses após a data da contração do empréstimo. Após o pagamento da 8ª
semestralidade, a taxa nominal passou para 9%, mantendo-se o valor nominal das
semestralidades (a última pode ser diferente para acerto de contas).
4.7.1 Determine o n.º de semestralidades a pagar pelo devedor, para além das 8 já
satisfeitas, de forma a saldar a sua dívida.
4.7.2 Sabendo que o valor nominal do empréstimo era € 279 326,82, determine o
valor nominal da enésima semestralidade, após a revisão da taxa.

4.8 Considere uma renda perpétua, de termos semestrais e iguais a € 100,00 cada. Se o
1º termo se vencer daqui a 1 semestre o valor atual da renda é 0,917431193 do valor
atual que a mesma terá se o 1º termo se vencer hoje. Determine a taxa de juro a que
ocorreu a avaliação.

4.9 Uma renda anual, imediata, de 10 termos postecipados e constantes, é convertida


numa renda perpétua, anual, cujo 1º termo será pagável de imediato. Calcule a taxa
de juro a que ocorreu a conversão, sabendo que o valor nominal dos termos da renda
perpétua é 55,86% do valor dos termos da renda temporária.

4.10 F solicitou um empréstimo de € 8 000,00, a reembolsar em 16 anuidades, as quais


aumentam anualmente 3,5%. Determine os termos da renda que reembolsam o
empréstimo à taxa de 8,5% (imposto de selo incluído), admitindo que o primeiro se
vence daqui a 2,5 anos.

4.11 Certa empresa solicitou apoio financeiro à instituição T para efetuar investimentos
de modernização. A operação foi aprovada nas seguintes condições:
 Prazo de diferimento: um ano;
 Amortização do capital e juros em 10 semestralidades que crescem semestralmente
2,5%, vencendo-se a primeira 12 meses após a contração do empréstimo;

95
 Taxa de juro semestral efetiva de 6,8% (imposto de selo incluído).
Determine o valor do empréstimo, sabendo que a 6ª semestralidade é de 7 709,459
u.m.

4.12 Determine a importância que F irá receber ao fim de 15 anuidades se efetuar


colocações anuais num fundo, à taxa anual de 10%, sendo a 1ª entrega de 1 000 u.m.
e aumentando as seguintes 120 u.m. em cada ano, admitindo que:
4.12.1 As entregas ocorrem no final de cada ano, a primeira daqui a 1 ano.
4.12.2 As entregas ocorrem no início de cada ano, a primeira daqui a 6 meses.
4.12.3 As entregas ocorrem no início de cada ano.

4.13 Determine o valor atual, à taxa de 12%, de uma perpetuidade cujo k-ésimo termo
anual é Tk = Tk-1 + 0,05T1, e o primeiro termo é igual a € 1 000,00 admitindo que:
4.13.1 O 1º termo se vence daqui a um ano.
4.13.2 O 1º termo se vence hoje.
4.13.3 O 1º termo se vence daqui a 5 anos.

4.14 Considerando a taxa de 6% ao semestre, calcule o valor atual de uma renda, com 10
semestralidades, cujo k-ésimo termo semestral é Tk =1,2k-1T1, sendo o 1º termo igual
a 2 000 u.m. e supondo que:
4.14.1 O 1º termo se vence daqui a um semestre.
4.14.2 O 1º termo se vence hoje.

4.15 Uma renda imediata de termos iguais a 25 451,77 u.m., vencíveis no final de cada
semestre, durante 12 anos, foi convertida numa renda perpétua trimestral, de
termos a variar em progressão aritmética crescente, de razão 100 u.m., vencendo-se
o 1º daí por meio ano. Considerando a taxa de 6,5% ao ano, determine o valor do 1º
e 3º termos da renda perpétua.

96
5. EMPRÉSTIMOS INDIVISOS

As modalidades de obtenção de fundos são hoje muito numerosas e versáteis, como


consequência do esforço de diversificação que o sistema financeiro vem desenvolvendo
desde o início da década de 1980.

Propomo-nos, agora, analisar formas de financiamento a médio e longo prazo,


financiamento do investimento, por recurso a capitais alheios. A par dos empréstimos ditos
clássicos, ainda analisaremos outra forma de financiamento: a locação financeira.

OBJETIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Compreender o princípio geral de reembolso de empréstimos;
- Distinguir os tipos de reembolsos de empréstimos;
- Compreender e aplicar os regimes clássicos de amortização de capital: sistema francês e o
sistema de quota de capital constante;
- Compreender e aplicar o quadro de serviço da dívida;
- Compreender o sistema de locação financeira.

5.1. O princípio geral de reembolso de empréstimos

Um empréstimo ou mútuo financeiro é um contrato pelo qual uma entidade – o mutuante


– coloca à disposição de outrem – o mutuário – uma certa quantia, obrigando-se este a
restituir o capital recebido mais o preço do uso desse capital – o juro.

Neste caso, o valor atual das obrigações do mutuante (cedência do capital) deve ser igual
ao valor atual das obrigações do mutuário (reembolso do capital e juros).

Um empréstimo está totalmente especificado quando se conhece o seu valor nominal, o


seu valor de emissão, a duração e a modalidade de reembolso. Debruçamo-nos de seguida
sobre as modalidades de reembolso, dando especial relevo aos chamados sistemas
clássicos.

97
5.2. O reembolso de empréstimos indivisos – O quadro
gerador de hipóteses

As hipóteses a considerar quanto às modalidades de reembolso resultam de combinação


de alternativas quanto à amortização, quanto ao pagamento de juros e quanto à taxa de
juro que subjaz à operação.

Quanto à amortização:

A amortização poderá ocorrer:


 integralmente no fim do prazo;
 escalonadamente ao longo do período de vida do empréstimo.

Quanto ao pagamento dos juros:

O pagamento dos juros poderá ocorrer:


 no final do prazo;
 no início do prazo;
 de forma escalonada ao longo do período do empréstimo.

Quanto à taxa de juro:

A taxa de juro poderá ser:


 fixa;
 variável (função de um indexante);
 revisível (é sujeita a revisão – constante durante um período de tempo, findo o
qual é efetuada a revisão).

Nota Importante: Quando a amortização ocorre no fim do período pode utilizar-se


quer o RJS quer o RJC; quando a amortização é escalonada utiliza-se apenas o RJC.

98
5.3. Reembolso com amortização massiva

Quando existe uma amortização massiva de capital, todos os fluxos de reembolso


intermédio são nulos. No entanto o juro pode ser pago: 1) no final do prazo; 2) no início do
prazo e 3) de forma escalonada (no final ou início) de cada período.

5.3.1. Os juros são pagos no fim do prazo

Exemplo 5.1.
F contraiu um empréstimo de € 6 700,00, pelo prazo de 33 meses, vencendo juros (isentos
de imposto de selo) à taxa de 8,5% capitalizável duas vezes ao ano. Determine o montante
de juros vencidos, admitindo que os juros e o capital são pagos no fim do prazo, aplicando
o RJC.

Resolução:
Jn = ?

C 0 = € 6 700,00

n = 33 meses
i(2) = 0,085 ao ano
i (2) 0,085
isemestral    0,0425 ao semestre
2 2
imensal  (1  0,0425)1/6  1  0,006961062 ao mês

-C’0
+C’0 - Jn

0 1 2 … 33 meses

A equação do valor, que se obtém igualando o valor atual dos pagamentos ao valor atual
dos recebimentos, vem:

C '0 6700
C '0   C '0  Jn  (1  imensal )33  Jn  33
 C '0  Jn   6700 
(1  imensal ) (1  0,006961061)33

Jn  € 1 723,51 

99
5.3.2. Os juros são pagos na data de contração do empréstimo

Exemplo 5.2.
F contraiu um empréstimo de € 6 700,00, pelo prazo de 33 meses, vencendo juros (isentos
de imposto de selo) à taxa de 8,5% capitalizável duas vezes ao ano. Determine o montante
de juros vencidos, admitindo que os juros são pagos na data de contração do empréstimo,
aplicando o RJC.

Resolução:

+C’0
- Jn -C’0

0 1 2 … 33 meses

C '0  C '0 (1  imensal )33  Jn  Jn  C '0  C '0 (1  imensal )33  Jn  6700  6700  (1  0,006961061)33 

Jn  € 1 370,87 

5.3.3. Os juros são pagos escalonadamente

Exemplo 5.3.
F contraiu um empréstimo de € 6 700,00, pelo prazo de 33 meses, vencendo juros (isentos
de imposto de selo) à taxa de 8,5% capitalizável duas vezes ao ano. Determine o juro
periódico na hipótese de o capital ser reembolsado no fim do prazo e os juros pagos:
1. no fim de cada trimestre.
2. no início de cada trimestre.

Resolução:
itrimestral  (1  0,0425)1/2  1  0,021028893 ao trimestre

A amortização ocorre, de uma só vez, no final do empréstimo, pelo que o capital em dívida
no fim de cada período é constante e igual à quantia obtida a título de empréstimo. Logo
as anuidades, com exceção da última, só contêm juros. Os juros periódicos são calculados
com base no capital em dívida no início de cada período, como sabemos, pelo que são
constantes se vencíveis em momentos equidistantes e se a taxa for fixa.

100
1. no fim de cada trimestre.

-j11
+C’0 -j1 -j2 -C’0

0 1 2 … 11 trimestres

j1  j2  ...  jn
C '0  C '0 (1  itrimestral )11
C '0  C '0 (1  itrimestral )11  jan  j  
a11
6700  6700(1  0,021028893)11
j 
a11
j  € 140,893
2. no início de cada trimestre.

-j1
+C’0 -j2 -C’0

0 1 2 … 11 trimestres

j1  j2  ...  jn
C '0  C '0 (1  itrimestral )11
C '0  C '0 (1  itrimestral )11  jan  j  
a11
6700  6700(1  0,021028893)11
j 
a11

j  € 137,992 

101
5.4. Reembolso com pagamento escalonado do capital

5.4.1. Os juros são pagos no fim do prazo ou na data de contração


do empréstimo

Exemplo 5.4.
F contraiu um empréstimo de € 100 000,00, pelo prazo de três anos, vencendo juros à taxa
anual de 6,54%. O capital é amortizado em trimestralidades constantes, vencendo-se a 1ª
três meses após a contração do empréstimo. Determine o montante de juros a pagar se os
mesmos forem pagos:
1. na totalidade no fim do prazo.
2. à cabeça.

Resolução:
Jn  ?

C 0 = € 100 000

n = 3 anos=12 trimestres
i = 0,0654 ao ano
itrimestral  (1  0,0654)1/4  1  0,015963658 ao trimestre

1. na totalidade no fim do prazo.

+C’0 - Jn

0 1 2 … 12 trimestres

Estamos perante amortizações constantes de capital, vencíveis em momentos


equidistantes e localizando-se a 1ª um período após a data do contrato. Isto é, os n
C '0
pagamentos de quota de capital constituem uma renda de termos normais. A
n
equação do valor vem:

102
C'
C '0 C '0  0 an
C '0  an  Jn (1  itrimestral )12  Jn  n 
n (1  itrimestral )12
100000
100000  a12
Jn  12 
(1  0,015963658)12
Jn  € 11 666,69

2. à cabeça.

-J
+C’0

0 1 2 … 12 trimestres

C '0 C' 100000


C '0  an  J  J  C '0  0 an  J  100 000  a12  J  € 9 647,38 
n n 12

5.4.2. Os juros e o capital são pagos escalonadamente

Dentro das situações de reembolso com pagamento escalonado do capital e dos juros,
analisamos os chamados regimes clássicos de amortização, o sistema francês e o sistema
de quota de capital constante, cuja utilização é muito frequente.

[Link]. Sistema francês ou dos pagamentos constantes

Para a formalização do sistema francês ou das prestações constantes reteremos as


seguintes hipóteses:
- o momento de vencimento dos juros e de amortizações de capital coincidem;
- trata-se de uma renda inteira (a periodicidade do reembolso coincide com a
periodicidade da taxa de juro que subjaz à operação);
- trata-se de uma renda imediata e de termos normais (anuidades de reembolso
postecipadas e imediatas).

[Link].1 Admita-se que a taxa de juro é constante

Teremos, neste caso, as seguintes variáveis:


- C'0 – o valor nominal do empréstimo;

103
- C – o valor nominal de cada prestação (inclui imposto de selo, se o empréstimo
não estiver isento);
- jk ou jkw – o juro contido na prestação de ordem k, isto é, o juro periódico; se o

empréstimo não estiver isento de imposto de selo, o valor jkw inclui imposto de selo

sobre juros (w=4%);


- pk – a amortização de capital contida na prestação de ordem k;
- C'k – o capital em dívida no momento k, isto é, após o pagamento de ordem k;
- Pk – as amortizações acumuladas até ao fim do período de ordem k.

+C’0 …

0 1 2 3 ... n

Se em cada período é constante o valor do pagamento do serviço do empréstimo, a


equação do valor virá:

Equation Chapter 5 Section 1 C '0  C  an i oui (5.1)


w

Nota Importante: iw – taxa de juro com imposto de selo incluído: iw  i  1  w 

Explicitem-se alguns agregados de valor:

- A prestação periódica

O valor de cada prestação será dado por:

C '0
C ou por C  pk  jk ou C  pk  jkw (5.2)
an i oui
w

De facto, como o capital em dívida vai diminuindo, o juro periódico, função do capital em
dívida no início do respetivo período, será decrescente; como o valor nominal das
prestações é sempre igual, o valor da amortização será crescente, ou seja,

104
C  pk   jk
j1  j2  j3 ...  jn  p1  p2  p3 ...  pn

- O capital em dívida no fim do período k

No momento k há equivalência, à taxa i, entre o capital em dívida e o valor nesse momento


das anuidades que estão por pagar, ou seja,

C’k
-C -C … -C -C -C … -C
0 1 2 ... k k+1 k+2 ... n

C 'k  C (1  i)1  C (1  i)2    C (1  i)(n  k )  C 'k  Can k i


ou (5.3)
C 'k  C (1  iw )1  C (1  iw )2    C (1  iw )(nk )  C 'k  Can k iw

Mas, o capital em dívida no fim do período k é também igual ao capital inicialmente em


dívida deduzido das amortizações já efetuadas, ou seja,

k
C 'k  C '0   p j (5.4)
j 1

- O juro periódico

O juro periódico é dado pelo produto do capital em dívida no início do período pela
respetiva taxa de juro:

jk  C 'k 1  i ou jkw  C 'k 1  iw (5.5)

Então, de (5.5) e (5.3), vem

 
jk  C  ank i i ou jkw  C  ank i w
 i
w (5.6)

E de (5.5) e (5.4) vem

105
 k 1
  k 1

jk   C '0   p j   i ou jkw   C '0   p j   iw (5.7)
 j 1   j 1 

- A amortização periódica

A primeira amortização é igual a:

C  p1  j1  p1  C  j1  p1  C  C '0  i 


p1  C  C  an i  i  p1  C  1  an i  i 
 1  (1  i) n  (5.8)
p1  C  1  i 
 i 
p1  C  1  i 
n

A última amortização resulta da capitalização da primeira durante n-1 períodos:

C  pn  jn  pn  C  jn  pn  C  C 'n 1  i 


pn  C  C  an(n1) i  i  pn  C . 1  a1 i  i 
 1  (1  i)1  (5.9)
pn  C   1  i  
 i 
pn  C  1  i 
1

A amortização de ordem k será:

C  pk  jk  pk  C  jk  pn  C  C 'k 1  i 
pk  C  C  an(k 1) i  i  pk  C  1  an(k 1) i  i  
 
 n ( k 1) (5.10)
 1  (1  i) 
pk  C  1  i 
 i 
 n ( k 1)
pk  C  1  i 

De relembrar que, no caso do empréstimo não estar isento de imposto de selo sobre
juros, nas equações (5.8), (5.9) e (5.10), a taxa de juro inclui imposto de selo, ou seja,
iw  i  1  w  .

Nota Importante: Lei da variação das anuidades e das amortizações

106
A anuidade de ordem k é C  pk  jk e a anuidade de ordem k+1 é C  pk 1  jk 1 .

Substituindo nestas expressões jk pela expressão (5.5) e subtraindo-as vem

C  C  pk  C 'k 1 i  pk 1  C 'k i  0  pk  pk 1   C 'k 1  C 'k  i 


0  pk  pk 1  pk i  (5.11)
pk 1  pk (1  i)

pk 1 C  (1  i) n k   n  k   n ( k 1)


  n ( k 1)
 (1  i) 1 i (5.12)
pk C  (1  i)

As amortizações crescem em progressão geométrica de razão (1+i) ou, por outras palavras,
pk+1 resulta da capitalização de pk durante um período.

Mais uma vez, no caso do empréstimo não estar isento de imposto de selo sobre
juros, nas equações (5.11) e (5.12), a taxa de juro inclui imposto de selo, ou seja,
iw  i  1  w  .

- O capital amortizado até ao fim do período k e após o pagamento de ordem k

O capital amortizado até ao fim do período k e após o pagamento de ordem k corresponde


à soma das k amortizações periódicas ou então na diferença entre o valor nominal do
empréstimo e o capital em dívida no final do período k:

k
Pk   p j  Pk  C '0  C 'k  Pk  Can  Cank  Pk  C  an  ank  (5.13)
j 1

A informação necessária à evidência do serviço da dívida, num empréstimo deste tipo,


pode ser sistematizada num quadro de amortização, do qual devem constar os seguintes
elementos:
- o período de vida do empréstimo;
- o capital em dívida no início do período;
- o juro a pagar no fim de cada período;
- a amortização contida em cada prestação periódica.

Podemos admitir o formato constante na Tabela 5.1.

107
Tabela 5.1. Quadro do serviço da dívida – sistema francês ou dos
pagamentos constantes

Exemplo 5.5.
Elabore o quadro do serviço da dívida relativo a um empréstimo de € 103 800,00, o qual
será reembolsado em 15 trimestralidades, de capital e juro, constantes à taxa trimestral de
5% com imposto de selo incluído.

Resolução:
C '0 = € 103 800,00

n = 15 trimestralidades
iw,trimestral = 0,05 ao trimestre
No fim de cada trimestre os juros em dívida calculam-se por aplicação da taxa ao capital
em dívida no início do respetivo período. Assim,
j1w  C '0  iw  103800  0,05  € 5 190,00

C '0
A anuidade vem C   € 10 000,33 .
an

Pelo que o capital amortizado no fim do período um é igual a p1  C  j1w  € 4810,33 .

O capital em dívida no fim do primeiro período vem C '1  C '0  p1  € 98989,67 .

E por sua vez:


j2w  C '1 .iw  € 4949,48

108
p2  C  j2w  € 5050,85

C '2  C '1  p2  € 93938,82 , e assim sucessivamente.

Obviamente que no final do último período o capital em dívida será nulo, dado que, o
empréstimo estará totalmente amortizado.

Valor nominal do empréstimo C’0 = 103 800


Prestação/Anuidade C = 10 000,33
Taxa de juro (imposto de selo incluído) iw = 0,05
Prestação/Anuidade
C’k-1
jkw C’k
k Capital em dívida pk
Pagamento de juro e Capital em dívida
Período no início do período Amortização de capital
imposto de selo no no fim do período k
k no fim do período k
fim do período k
1 103 800,00 5 190,00 4 810,33 98 989,67
2 98 989,67 4 949,48 5 050,85 93 938,82
3 93 938,82 4 696,94 5 303,39 88 635,44
4 88 635,44 4 431,77 5 568,56 83 066,88
5 83 066,88 4 153,34 5 846,99 77 219,89
6 77 219,89 3 860,99 6 139,33 71 080,56
7 71 080,56 3 554,03 6 446,30 64 634,26
8 64 634,26 3 231,71 6 768,62 57 865,64
9 57 865,64 2 893,28 7 107,05 50 758,59
10 50 758,59 2 537,93 7 462,40 43 296,19
11 43 296,19 2 164,81 7 835,52 35 460,67
12 35 460,67 1 773,03 8 227,30 27 233,38
13 27 233,38 1 361,67 8 638,66 18 594,72
14 18 594,72 929,74 9 070,59 9 524,12
15 9 524,12 476,21 9 524,12 0,00

[Link].2 Admita-se que a taxa de juro é variável

Admita-se agora que a taxa de juro é i1 durante os primeiros n1 períodos e i2 durante os n2


n
períodos seguintes, ..., in durante os últimos nn períodos, com n
k 1
k  n.

-C -C … -C … -C
0 1 n1 ... n2 ... nn

i1 i2 ... in

A equação do valor virá:

109
C '0  Can i  Can i2 (1  i1 ) n1    Can in (1  i1 ) n1 (1  i2 ) n2 (1  in 1 ) nn1 
1 1 2 n

C '0  C an i1  an i2 (1  i1 ) n1    an in (1  i1 ) n1 (1  i2 ) n2 (1  in1 ) nn1  (5.14)


 1 2 n 

Exemplo 5.6.
Um empréstimo de € 600 000,00 será reembolsado em 180 mensalidades constantes, à
taxa anual nominal de 12%, durante os primeiros 5 anos, e nos seguintes à taxa anual
nominal de 15%. Calcule a mensalidade constante, considerando que o empréstimo está
isento de imposto de selo sobre juros.

Resolução:
C '0 = € 600 000,00

n = 180 mensalidades
i(12) = 0,12 ao ano →imensal,1=0,01 ao mês
i(12) = 0,15 ao ano→imensal,2=0,0125 ao mês
A equação de valor e o valor da prestação vêm:
C '0
C '0  Ca60 i1  Ca120 i2 (1  i1 )60  C   C  € 7 587,88 
a60 i1  a120 i2 (1  i1 )60

Analisamos de seguida extensões do sistema francês, que resultam do abandono de


algumas das hipóteses simplificadoras enunciadas.

[Link]. Extensões do modelo de base – Sistema Francês

[Link].1 Existência de um valor residual (leasing) – isento de imposto de selo

O modelo de base pressupõe a extinção total da dívida no momento do pagamento da


última anuidade. Suponha-se, agora que existe um valor residual (VR), isto é, que a última
anuidade é VR. Regra geral, o contrato de leasing pressupõe o pagamento de uma entrada
(E), que pode ser ou não de valor igual às prestações constantes.

-E
+C’0 -C -C … -C … -C -VR
0 1 2 ... k ... n-1 n

110
Assim, a equação de valor e o valor da prestação virão:

C '0  E  C  an 1  VR  (1  i) n 
C '0  E  VR  (1  i) n
C
an 1

A aplicação desta hipótese ocorre em particular com o leasing e com certas formas de
empréstimo.

A locação financeira, ou leasing, é uma modalidade de financiamento através do qual uma


sociedade financeira – a locadora – cede temporariamente a um terceiro – o locatário ou
utente – o uso de um bem, móvel ou imóvel, adquirido ou construído por indicação
daquele, contra o pagamento de uma renda periódica. De referir que no leasing o juro
periódico está isento do pagamento de imposto de selo.

Findo o prazo contratual e de acordo com os termos do contrato, a empresa locatária


poderá optar por devolver o objeto do contrato ou comprá-lo pelo seu valor residual.7

São objeto de operações de leasing quaisquer bens suscetíveis de serem dados em locação,
sendo as situações mais relevantes as que se reportam à locação de bens móveis para uso
profissional ou empresarial, de bens de consumo duradouro (leasing mobiliário) ou de bens
imóveis para utilização produtiva na indústria, na agricultura ou no comércio ou, para a
habitação (leasing imobiliário).

Exemplo 5.7.
Considere um contrato de leasing de € 500 000,00, a 15 anos, a reembolsar por meio de
mensalidades antecipadas e constantes, à taxa anual nominal de 12%. O valor residual
corresponde a 20% do valor do contrato. Determine o valor da prestação mensal.

Resolução:
C '0 = € 500 000,00

7
O bem locado permanece propriedade do locador até ao fim do prazo do contrato. O valor residual, isto é,
o preço fixado contratualmente para a compra do bem locado, caso seja exercida essa opção, não pode ser
inferior a 2% do valor do bem locado e, relativamente aos bens móveis não pode ser superior a 25%. O Banco
de Portugal pode estabelecer limites mínimos e máximos do valor residual (art.º 4º do Decreto-Lei nº 194/95,
de 24 de junho).

111
n = 180 mensalidades
i(12) = 0,12 ao ano →imensal=0,01 ao mês
VR = € 100 000
A equação de valor será:

C '0  C  a180  VR 1  i   500000  C  a180  100000  1  0,01


n 180

Logo, o valor de cada mensalidade será igual a:

500000  100000 1  0,01


180

C  € 5743,24 
a180

[Link].2 Existência de um período de carência (período durante o qual apenas se


pagam juros)

No sentido de aliviar financeiramente os primeiros tempos do serviço da dívida, pode


existir um prazo de carência, isto é, um período inicial em que o mutuário paga apenas o
juro. Saliente-se que o prazo de carência não é um prazo de diferimento uma vez que
respeita apenas à amortização e não aos juros.

Neste caso, a anuidade constante de amortização, C, é calculada para o prazo restante,


após o período de carência.

Exemplo 5.8.
Considere um empréstimo de € 200 000,00, reembolsável por meio de 5 anuidades
constantes, à taxa anual de 6% com imposto de selo incluído, e um ano de carência. Elabore
o quadro do serviço da dívida.

Resolução:
C '0 = € 600 000

n = 5 anuidades
i = 0,06 ao ano

112
Valor nominal do empréstimo C’0 = 600 000
Prestação/Anuidade C = 142 437,84
Taxa de juro (imposto de selo incluído) iw = 0,06
Prestação/Anuidade
C’k-1
jkw C’k
k Capital em dívida pk
Pagamento de juro e Capital em dívida
Período no início do período Amortização de capital no fim do período k
k imposto de selo no
no fim do período k
fim do período k
1 600 000,00 36 000,00 600 000,00
2 600 000,00 36 000,00 106 437,84 493 562,16
3 493 562,16 29 614,00 112 824,11 380 738,05
4 380 738,05 22 844,00 119 593,56 261 144,49
5 261 144,49 15 669,00 126 769,17 134 375,32
6 134 375,32 8 063,00 134 375,32 0,00

[Link].3 Prestações variáveis (em progressão aritmética ou geométrica)

Exemplo 5.9.
Um empréstimo de € 200 000,00, à taxa de juro de 6%, será reembolsado em 5 anuidades,
de capital e juros, com crescimento anual de 2%. Elabore o quadro do serviço da dívida.

Resolução:
C '0 = €200 000,00

n = 5 anuidades
i = 0,06 ao ano
r = 1,02
C '0
C '0  C1gan i oui  C1   € 45 723,01
w
gan i oui
w

113
Valor nominal do empréstimo C’0 = 200 000
1ª Prestação/Anuidade C1 = 45 723,01
Taxa de juro (imposto de selo incluído) iw = 0,06
Prestação/Anuidade
C’k-1
Capital em jkw Ck C’k
k pk
dívida no Pagamento de Prestação no fim do Capital em dívida
Período Amortização de
início do juro e imposto capital no fim do período k no fim do período k
período k de selo no fim período k
do período k
1 200 000,00 12 000,00 33 723,01 45 723,01 166 276,99
2 166 276,99 9 976,62 36 660,85 46 637,47 129 616,13
3 129 616,13 7 776,97 39 793,26 47 570,22 89 822,88
4 89 822,88 5 389,37 43 132,25 48 521,63 46 690,62
5 46 690,62 2 801,44 46 690,62 49 492,06 0,00

[Link]. Prestações variáveis com amortizações constantes de capital

Nesta modalidade, em cada período de reembolso, procede-se à amortização de uma


fração constante do empréstimo. O capital em dívida diminui em cada pagamento de uma
quantia constante (p), pelo que a amortização é linear. Os juros, calculados na base do
capital em dívida no início de cada período, decrescem linearmente. Assim, a prestação de
reembolso é decrescente.

Tal como no sistema francês, admitimos, para simplificar, que a periodicidade de


reembolso coincide com a da taxa de juro, que as prestações são postecipadas e imediatas
e que a periodicidade do pagamento dos juros coincide com a da amortização.

Sendo Ck, a prestação periódica, variável, temos:

C k  jk  p ou C k  jkw  p (5.15)

A amortização periódica é constante, pelo que existindo n pagamentos do principal, temos:

C '0
p (5.16)
n

O capital amortizado após o pagamento de ordem k, vem:

Pk  k.p (5.17)

114
O capital em dívida após o pagamento de ordem k, é dado por:

C 'k  C '0  Pk  p.n  p.k  p.(n  k) (5.18)

O juro periódico, como sabemos, vem:

jk  C 'k 1  i ou jkw  C 'k 1  iw (5.19)

Logo, atendendo a (5.18), vem:

jk  p   n  k  1  i ou jkw  p   n  k  1  iw (5.20)

O quadro do serviço da dívida correspondente consta da Tabela 5.2.

Tabela 5.2. Quadro do serviço da dívida – prestações variáveis com


amortizações constantes de capital

Exemplo 5.10.
Elabore o quadro do serviço da dívida de um empréstimo de € 50 000,00 a reembolsar em
4 pagamentos semestrais, com quota de capital constante, à taxa anual nominal de 10%.
Empréstimo isento de imposto de selo.

Resolução:
C '0 = € 50 000,00

115
n = 4 anuidades
i(2)= 0,10 ao ano →isemestral=0,05 ao semestre
C '0
p  € 12 500,00
n
Valor nominal do empréstimo C’0 = 50 000
Taxa de juro i= 0,05
Prestação/Anuidade
C’k-1 C’k
jkw pk Ck
k Capital em Capital em
Pagamento de Amortização de Prestação no
Período dívida no início dívida no fim
juro no fim do capital no fim do fim do período
do período k do período k
período k período k k
1 50 000,00 2 500,00 12 500,00 15 000,00 37 500,00
2 37 500,00 1 875,00 12 500,00 14 375,00 25 000,00
3 25 000,00 1 250,00 12 500,00 13 750,00 12 500,00
4 12 500,00 625,00 12 500,00 13 125,00 0

5.5. Exercícios propostos

5.1 Considere um empréstimo de 45 100 u.m. à taxa de 8,5% (imposto de selo incluído),
com reembolso em 4 anuidades constantes, de capital e juros, vencendo-se a 1ª um
ano após a data do empréstimo. Determine:
5.1.1 O valor de cada anuidade.
5.1.2 Os juros vencidos (sem imposto de selo) nos 1º e 3º anos.
5.1.3 As amortizações a efetuar nos 1º e 4º anos.
5.1.4 Elabore o quadro do serviço da dívida.

5.2 Um empréstimo de 50 000 u.m. à taxa anual nominal de 8% deve ser amortizado
através de pagamentos semestrais iguais durante três anos. Período de carência: um
ano e meio. Imposto de selo às taxas em vigor. Elabore o quadro do serviço da dívida.

5.3 Considere um empréstimo de 100 000 u.m. a amortizar através de 15 anuidades


constantes, as primeiras cinco à taxa de juro de 10% capitalizável semestralmente e
as restantes à taxa de 9% anual efetiva (imposto de selo incluído). Imposto de selo às
taxas em vigor. Calcule:
5.3.1 O valor da anuidade constante.

116
5.3.2 O capital em dívida logo após o 5º pagamento.
5.3.3 O valor em dívida antes do 9º pagamento.

5.4 Considere um empréstimo de 60 000 u.m. à taxa anual de 9,54%. O reembolso é


efetuado por 14 semestralidades variáveis com quota de capital constante,
vencendo-se a 1ª um ano após a data do contrato; durante o período de carência são
pagos apenas os juros. Imposto de selo às taxas em vigor. Determine:
5.4.1 O capital em dívida no final do 4º ano.
5.4.2 O juro vencido (sem imposto de selo) durante o 6º ano.
5.4.3 O capital amortizado durante os primeiros 4 anos.
5.4.4 Elabore o respetivo quadro do serviço da dívida.

5.5 Um empréstimo, vencendo juros à taxa anual efetiva de 10% (imposto de selo
incluído), foi amortizado através de n anuidades constantes. A quota de capital
referente ao pagamento de ordem n-5 é de 200 u.m.. Determine:
5.5.1 O valor de cada anuidade.
5.5.2 O capital em dívida antes do referido pagamento.

117
6. OS PRODUTOS/INSTRUMENTOS
FINANCEIROS DE CURTO PRAZO

O crédito de curto prazo é utilizado no financiamento da tesouraria das empresas, fazendo


face a necessidades pontuais e cíclicas. Não sendo nosso objetivo efetuar um inventário
exaustivo dos diferentes tipos de produtos/instrumentos8 financeiros de curto prazo que a
empresa pode usar ou a que pode recorrer, dedicamos neste capítulo especial atenção a
casos particulares de aplicação do processo de capitalização e desconto, em regime de juro
simples, como o desconto bancário, concretamente com o desconto de letras, o factoring
e o crédito em conta corrente.

Pretendemos, também, pôr em evidência alguns princípios de cálculo do custo real destes
produtos/instrumentos financeiros de curto prazo.

OBJETIVOS:
No final deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de:
- Conhecer os produtos/instrumentos financeiros de curto prazo;
- Determinar o valor atual decorrente da utilização dos produtos/instrumentos financeiros de
curto prazo;
- Determinar a taxa de custo real ou efetivo dos produtos/instrumentos financeiros de curto
prazo.

6.1. O desconto bancário

O desconto de títulos tem sido uma das vias mais utilizadas pelas pequenas e médias
empresas para a obtenção de financiamento bancário a curto prazo.

Descontar um título de crédito traduz-se na realização antecipada do valor do título.

8
Produtos financeiros e instrumentos financeiros são dois conceitos distintos. Em ambos os casos podemos
estar perante contratos ou operações meramente escriturais, mas enquanto os produtos financeiros são
unidades de valor com identidade e vida própria, os instrumentos financeiros possibilitam a manipulação
para fins de política empresarial, por exemplo, visando alcançar objetivos de rendibilidade, ou de salvaguarda
e garantia de riscos financeiros.

119
O desconto bancário representa um adiantamento feito por um banco ao portador de um
título de crédito, antes da data do seu vencimento, mediante a cobrança de um prémio de
desconto, correspondente ao juro e despesas. O banco torna-se proprietário do crédito
que cobrará no seu vencimento. Equation Chapter (Next) Section 1

As operações deste tipo – desconto de letras, livranças9, extratos de fatura, warrants10,


crédito documentário11 – recebem a designação de desconto comercial, desconto
cambiário ou titulado quando têm subjacente um título de crédito, ou desconto não
cambiário ou não titulado quando têm subjacentes direitos de crédito não materializados
em títulos de crédito.

Importará antes de formalizarmos algebricamente a operação de desconto bancário,


clarificar o conceito de título de crédito.

Um título de crédito é, como a designação traduz, qualquer documento necessário para o


exercício do crédito nele exarado. Afigura-se-nos relevante analisar os títulos de crédito
que conferem o direito a receber uma determinada quantia em dinheiro, designados de
títulos de crédito monetários. Letra, livrança e obrigações são alguns dos títulos de crédito
monetários que nos são familiares. A característica que nos interessa reter é a de que os
mesmos permitem a circulação do crédito por meio da simples circulação do título.

Analise-se o desconto bancário a partir do título de crédito que é a letra comercial, também
designada por efeito ou papel e que passamos a caracterizar.

9
A livrança é um título de crédito, que se traduz numa promessa de pagamento, na qual o subscritor
(devedor) se compromete a pagar à ordem do seu credor (banco), uma determinada importância, num prazo
determinado.
10
O warrant também pode ser designado pela expressão “cautela de penhor”. Trata-se de um título executivo
de crédito que representa a constituição de um penhor sobre certas mercadorias, depositadas em armazéns
especiais (armazéns autorizados por legislação a emitir warrants, que se designam de armazéns gerais).
11
Um crédito documentário é todo e qualquer acordo nos termos do qual um banco emitente, por conta e
ordem de um seu cliente, assume, perante um beneficiário, o compromisso irrevogável de efetuar um
pagamento à vista ou de pagar numa data futura, contra a apresentação de documentos estipulados,
cumpridos que sejam os termos e condições do crédito. É identificado como “documentário” porque está
implícito a existência de documentos que comprovam a transação comercial, e que constitui a contraparte
do crédito para as instituições financeiras. O crédito documentário pode ser “de exportação” ou “de
importação”.

120
6.1.1. O desconto de letras

A letra é um título de crédito à ordem pela qual uma pessoa (o credor, o sacador), dá ordem
a outra (o devedor, o sacado) para pagar certa quantia (o valor nominal do título) no fim
de certo prazo (vencimento) à pessoa que for o seu legítimo portador (o sacador, o tomador
ou um endossado).

A letra pode circular por ordem do portador, oferecendo a possibilidade de utilizar o


crédito, melhor diríamos, de mobilizar o crédito. Note-se que, um título de crédito à ordem
é transmissível por endosso. Assim, ao transmitir o direito ao crédito, o portador da letra
pode estar a usá-la como meio de pagamento: se A deve uma determinada quantia a B e
se, simultaneamente, é portador de uma letra sacada sobre C pode liquidar o seu débito
endossando a letra a B, o qual passará por essa via a ser o beneficiário do crédito.

Mas, o portador da letra pode ainda obter hoje o valor atual correspondente ao valor
nominal do seu crédito, descontando a letra junto de uma instituição bancária. A operação
de desconto bancário da letra pressupõe igualmente a transmissão do título, o qual será
endossado ao banco em branco. Mas a operação de desconto não consiste apenas na troca
de um título pelo valor que representa, implica igualmente a formalização de um contrato
entre o banco e o portador do título, o que ocorre através do preenchimento e assinatura
da proposta de desconto12.

Note-se que a emissão de uma letra envolve um custo – imposto de selo – à taxa unitária s
(veja-se a Tabela Geral do Imposto de Selo, incluída no Código do Imposto de selo). Este
imposto de selo poderá ser custeado pelo credor ou pelo devedor e, neste último caso,
pago imediatamente ou incluído no valor nominal da letra. Em qualquer das hipóteses, s
incide sobre o próprio valor nominal do título, assim:

Custo de Emissão  E   s  C n (6.1)

12
A proposta de desconto, uma vez preenchida, é entregue no banco juntamente com o efeito. O banco
decidirá então atendendo, nomeadamente, às responsabilidades já assumidas pelos intervenientes,
principalmente pelo cedente; aos saldos médios das contas deste; às informações internas e externas sobre
o cedente e os outros intervenientes. A decisão positiva implica a formalização do contrato. Após a celebração
deste, a instituição de crédito fica com direitos sobre todos os intervenientes no título descontado.

121
O desconto bancário da letra concretiza-se através de um adiantamento feito por um banco
ao portador da letra de um título de crédito, antes da data do seu vencimento, mediante a
cobrança dos encargos de desconto. Os encargos de desconto são conhecidos como
“desconto bancário”. Assim, o desconto bancário (DB) representa a soma de todas as
deduções feitas pelo banco ao valor nominal da letra.

De um modo geral as deduções feitas ao valor nominal da letra são constituídas por:

a) O desconto comercial ou por fora (Df): tendo em conta que os encargos de desconto
são cobrados pelo banco quando o crédito é colocado à disposição do seu cliente, então
os juros são antecipados ou à cabeça. Assim, na operação de desconto de letras usa-se
o desconto por fora. Na contagem do tempo, desde a data da operação até ao
vencimento do título, é considerado o ano comercial e os bancos adicionam a esse
2
prazo mais dois dias13, pelo que n '  n  do ano. Assim,
360

Df  C n  i  n ' (6.2)

b) Comissão de cobrança (T): em regra calculada com base numa percentagem (x) sobre
o valor nominal da letra. Esta percentagem varia em função da letra ser ou não
domiciliada, com ou sem protesto, cobrável no banco onde é descontada ou noutro
banco. Alternativamente, a comissão de cobrança pode também ser um valor fixo.

T  x  Cn (6.3)

c) Imposto de selo (I), à taxa w (expressa em termos unitários e de acordo com a Tabela
Geral de Imposto de Selo), a qual incide sobre as receitas bancárias identificadas nas
alíneas a) e b), ou seja, sobre o desconto por fora e sobre a comissão de cobrança.

I  w   Df  T  (6.4)

d) Outros encargos (OE) – portes e outros

Assim, tem-se:

13
De acordo com o estabelecido no artigo 38º da Lei Uniforme relativa às Letras e Livranças.

122
DB  Df  T  I  OE (6.5)

E atendendo às expressões (6.2), (6.3) e (6.4):

DB  C n  i  n ' x  C n  w   C n  i  n ' x  C n   OE 
DB  C n   i  n ' 1  w   x  1  w    OE 

DB  C n   i  n ' x   1  w   OE (6.6)

Ou, no caso em que a comissão de cobrança pode ser um valor fixo:

DB  C n  i  n ' T  w   Cn  i  n ' T   OE 
DB  C n  i  n ' 1  w   T  1  w   OE

Do ponto de vista da Matemática Financeira, a operação de desconto de uma letra


reconhece basicamente três questões:

1- Qual o valor nominal que uma letra deve ter?

A letra representa o direito a receber, daqui a n dias, um determinado capital. Conhecido


este, o valor nominal da letra é um valor acumulado. Em face dos custos envolvidos com a
emissão e o desconto bancário da letra, poderemos descrever três possibilidades para a
formação do valor nominal da letra:

- O valor nominal da letra inclui, para além do valor da dívida, as despesas de


desconto bancário e as despesas de emissão:

C n  Dívida  DB  E (6.7)

- O valor nominal da letra inclui, para além do valor da dívida, as despesas de


desconto bancário:

C n  Dívida  DB (6.8)

- O valor nominal da letra não inclui as despesas de desconto bancário nem de


emissão, ou seja, pode inclui simplesmente o valor da dívida:

C n  Dívida (6.9)

123
No caso da possibilidade identificada pela expressão (6.7), iremos obter:

C n  Dívida  DB  E 
C n  Dívida  C n  i  n ' x  C n  w   C n  i  n ' x  C n   OE  s  C n 
C n  Dívida  C n   i  n ' x   1  w   OE  s  C n 
C n  C n   i  n ' x   1  w   s  C n  Dívida  OE 
C n 1   i  n ' x   1  w   s   Dívida  OE 
Dívida  OE
Cn 
1   i  n ' x   1  w   s

2- Qual o valor atual, após desconto bancário, de uma letra?

O valor atual C0, denominado neste caso de Produto Líquido do Desconto (PL), será dado
por:

PL  C n  DB (6.10)

e aplicando a expressão (6.6), vem:

PL  C n  C n   i  n ' x   1  w   OE  

PL  C n 1   i  n ' x   1  w    OE (6.11)

Exemplo 6.1.
Descontou-se no Banco V uma letra com o valor nominal de € 6 500,00, quando faltavam
88 dias para o seu vencimento. Os encargos de desconto bancário são: juros à taxa de
14,5%, comissão de cobrança à taxa de 0,5%, imposto de selo sobre os juros e comissões
de 4% e portes no valor de € 1,25. Quanto é o produto líquido do desconto, ou valor atual
da letra, após desconto bancário?

Resolução:
C n  € 6 500,00
i  14,5%=0,145 ao ano
88 88  2
n do ano, logo n ' 
360 360

124
x  0,5%  0,005
w  4%  0,04
OE  € 1,25

Recorrendo à expressão inicial (6.10), teremos:


PL  C n  DB  PL  C n   Df  T  I  OE  
PL  C n  C n  i  n ' 1  w   C n  x  1  w   OE  

PL  C n  C n   i  n ' x   1  w   OE  
PL  C n 1   i  n ' x   1  w    OE 

  88  2  
PL  6 500,00  1   0,145   0,005   1  0,4    1,25  PL  € 6 219,90 
  360  

3- Qual o custo efetivo (i’) do recurso a esta forma de financiamento?

Estamos agora em condições de determinar o custo efetivo do desconto bancário de uma


letra, determinando a taxa de juro que teria de ser praticada para que o valor atual fosse o
que resulta da expressão (6.10). Como vimos no capítulo 3,

A taxa de custo efetivo/rendibilidade efetiva é a taxa que torna equivalentes as prestações


do mutuante (o que empresta) e do mutuário (o que recebe a título de empréstimo) ou,
por outras palavras, que torna o valor recebido equivalente ao valor cedido.

Assim,

1

 PL  n
PL  C n  1  i ' 
n
 i'    1 (6.12)
 Cn 

Nota Importante: Independentemente do regime de capitalização subjacente à


operação de desconto de letras, o cálculo da taxa de custo real ou efetivo é sempre
formalizado em regime de juro composto.

125
Sendo i’ a taxa de custo efetivo e PL (ou C0) o produto líquido do desconto, promovemos a
substituição de PL pela expressão (6.11), e teremos:
1

 C n 1   i  n ' x   1  w    OE  n
i'     1 (6.13)
 Cn 

Exemplo 6.2.
Uma letra com o valor nominal de € 6 500,00 foi descontada, quando faltavam 88 dias para
o seu vencimento, nas seguintes condições: juros à taxa de 14,5%, comissão de cobrança à
taxa de 0,5%, imposto de selo sobre os juros e comissões de 4% e portes no valor de € 1,25.
O produto líquido do desconto bancário foi de € 6 219,90. Determine a taxa de custo
efetivo do recurso ao financiamento.

Resolução:
C n  € 6 500,00
i  14,5%=0,145 ao ano
88 88  2
n do ano, logo n ' 
360 360
x  0,5%  0,005
w  4%  0,04
OE  € 1,25
PL  € 6 219,90

 C 0  PL  6 219,90  C n  6 500,00

0 88 dias
1 1

 C n 1   i  n ' x   1  w    OE 

 PL  n n
PL  C n  1  i '   i '    1  i'   
n
 1 
 Cn   Cn 
1

   88  2    88 360 
 6 500,00  1
  0,145   0,005    1  0,4    1,25 
   360   
i'    1 
 6 500,00 
 
1

 6 219,90  88 360 
ou simplesmente, i '     1  i '  19,75% ao ano.
 6 500,00 

126
As letras podem ser reformadas, sendo possível e mais ou menos vulgar haver o acordo
entre sacador e sacado para que este pague na data de vencimento apenas uma parte do
valor nominal da letra. Nesse caso, será emitida uma nova letra, denominada letra de
reforma, cujo valor nominal representará o restante da dívida.

Também a letra de reforma pode ser submetida a desconto bancário, sendo a operação em
tudo similar ao enunciado para o desconto bancário da letra inicial.
A reforma de letras
A operação de reforma de uma letra consiste na sua substituição por outra letra, de
montante igual, superior ou inferior, com vencimento posterior e com os mesmos
intervenientes. A reforma pode ser parcial ou integral (por inteiro), consoante haja ou não
amortização da dívida inicial.

No valor nominal da nova letra devem ser incluídas todas as despesas resultantes da
operação de reforma, salvo se pagas pelo sacado no momento em que a operação é
realizada.

Considere-se o seguinte quadro gerador de hipóteses:

Exemplo 6.3.
A empresa Y solicitou a reforma do seu aceite, de valor nominal € 17 457,93, que se vence
hoje. Condições propostas: amortização de 20%, aceite de nova letra a 60 dias pelo
restante, incluindo encargos de uma possível negociação bancária (i = 14%, x = 0,5%,
w = 4% e portes € 1,25). Determine o valor nominal da nova letra (letra de reforma).

Resolução:
Amortização  20%  17 457,93, logo o valor em Dívida  17 457,93  1  0,2 
i = 14%=0,14 ao ano
60 60  2
n do ano, logo n '  ano
360 360

127
x  0,5%  0,005
w  4%  0,04
OE  € 1,25
Cn  ?

O valor da Dívida será:


Dívida=17 457,93  1  0,2   € 13 966,34

O valor nominal da letra de reforma inclui as despesas de desconto bancário, logo virá:
C n  Dívida  DB
C n  Dívida  Df  T  I  OE 
C n  Dívida  C n  i  n ' x  C n   1  w   OE 
C n   C n  i  n ' x  C n   1  w   Dívida  OE 
C n 1   i  n ' x   1  w    Dívida  OE 
Dívida  OE
Cn  
1   i  n ' x    1  w 
13 966,34  1.25
Cn  
 60  2 
1   0,14   0,005   1  0,04 
 360 
C n  € 14 403,67 

6.2. O factoring

O factoring é um produto financeiro caracterizado pela prestação de um conjunto de


serviços por um operador (factor) a empresas ou equiparados (aderentes). Tendo surgido
nos EUA, foi exportado para a Europa após a 2ª Guerra Mundial e autorizado em Portugal
em 1965. No início da década de 70 surgem as primeiras sociedades de factoring e no final
dos anos 80 a atividade ganha expressão, com a liberalização do sistema financeiro.

O factoring consiste na tomada, para fins de administração e cobrança, por uma sociedade
financeira - o factor, dos créditos a curto prazo que determinada empresa – o aderente-
tem sobre os seus clientes - devedores, derivados da venda de produtos ou da prestação
de serviços nos mercados interno e externo.

128
A transmissão dos créditos que está na essência do contrato de factoring, o qual é
necessariamente reduzido a escrito, implica a transmissão dos respetivos suportes
documentais.

As sociedades de factoring, cuja atividade é regulada pelo Decreto-Lei nº 171/95, de 18 de


julho14, para além de outra legislação para o sector financeiro que lhes é aplicável, prestam
os seguintes serviços:
- cobrança e gestão de créditos15;
- cobertura de risco de crédito (risco de mora e/ou de insolvência);
- antecipação, total ou parcial, dos créditos tomados ao aderente.

O factoring constitui um instrumento cuja utilização representa um apoio à gestão da


tesouraria e à seleção da clientela, mas é igualmente um instrumento de financiamento
complementar do crédito bancário, sendo este o aspeto que nos importa reter no âmbito
da temática em análise.

Podemos distinguir diferentes modalidades de factoring atendendo à inclusão, no contrato


em apreço, de todos os serviços, ou apenas de alguns, anteriormente descritos:

- Factoring com recurso


Nesta modalidade, a empresa aderente beneficia de um contrato de factoring que
inclui o serviço de gestão e cobrança dos seus créditos sobre clientes e o
financiamento por parte do factor dos créditos cedidos, não existindo cobertura do
risco de crédito sobre a carteira de clientes. Nesse sentido, qualquer
incumprimento reverte para a empresa aderente a responsabilidade da reposição
do valor adiantado pelo factor.

- - Factoring sem recurso

14
Com alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 157/2014, de 24 de outubro, Decreto-Lei n.º 100/2015,
de 2 de junho e Decreto-Lei n.º 186/2002, de 21 de agosto.
15
A gestão e cobrança de créditos pode incluir o processamento e gestão de faturas e das contas correntes
dos devedores, gestão e processamento de cobranças, análise do risco de crédito, informação de controle de
gestão relativa à carteira de créditos e cobranças e outras ações complementares de apoio aos clientes,
designadamente no campo jurídico, comercial (por exemplo, na identificação e classificação dos potenciais
clientes) ou contabilístico.

129
Nesta modalidade, além dos serviços existentes na modalidade factoring com
recurso, está também incluída a cobertura do risco de crédito (seguro de crédito),
pelo que nesta situação a empresa aderente está também protegida contra o
incumprimento, ou atraso no pagamento dos seus clientes.

O recurso ao factoring envolve dois tipos de encargos:


a) se o factor paga ao aderente o valor dos créditos nas respetivas datas de vencimento,
ou na data de um vencimento médio, presumindo que este seja fixado no contrato de
factoring, neste caso, pela prestação de serviços o factor cobra uma comissão de
factoring. Essa comissão, normalmente pré-negociada, e que consta do próprio
contrato, assume o valor T e resulta da aplicação de uma percentagem x sobre o valor
nominal dos créditos cedidos (Cn). Essa percentagem varia normalmente de acordo com
o número e qualidade dos devedores, condições de pagamento e serviços prestados.
As comissões estão sujeitas a imposto de selo à taxa w (conforme Tabela Geral do
Imposto de Selo).

T  x  Cn (6.14)

I  w T (6.15)

Sintetizando, teremos:

T   1  w   x  C n  1  w  (6.16)

b) pela antecipação dos créditos ao aderente, numa percentagem a sobre o valor nominal
dos créditos cedidos, C np  a  C n , à comissão de factoring acrescem:

- imposto de selo da abertura do crédito, à taxa sa (conforme Tabela Geral do Imposto


de selo), sobre o valor do adiantamento:

ISaC  sa  C np (6.17)

- juros, relativos ao período de antecipação, expresso em dias e incluindo o próprio


dia do desconto, sobre o valor do adiantamento, que podem ser postecipados (a regra)
ou antecipados, neste último caso determinados em desconto por fora. Os juros estão
sujeitos a imposto de selo à taxa w (conforme Tabela Geral do Imposto de Selo).

130
1
J  1  w   C np  i  n ' 1  w   n '  n  do ano (6.18)
360

- e pode acrescer, ainda, uma comissão de garantia, de valor T’, que resulta da
aplicação de uma percentagem x’ sobre o valor do adiantamento, Cnp. Sobre a comissão
de garantia incide imposto de selo à taxa wa (conforme Tabela Geral Imposto de Selo):

T ' 1  wa   x ' C np  1  wa  (6.19)

Assim, no caso de antecipação de fundos, o valor atual (C0) a receber pelo aderente será:

• admitindo juros antecipados e desconto por fora:

I  w  J 
 J  I  C np  i  n’  1  w 
 J  C np  i  n’
 I ’  wa  T ’ 
T ' I '  x ’  C np  1  wa 
 T ’  x ’  C np 
 I  w T 
T  I  x  C n  1  w 
 T  x  Cn 
 ISaC  sa  C np
 C np  a  C n  C np

0 n

C 0  C np  ISaC  T   1  w   T ' 1  wa   J  1  w  
C 0  C np  sa  C np  x  C n  1  w   x ' C np  1  wa   C np  i  n '  1  w  

C 0  a  C n  sa  a  C n  x  Cn  1  w   x ' a  Cn  1  wa   a  Cn  i  n '  1  w  

C 0  C n a  sa  a  x  1  w   x ' a  1  wa   a  i  n ' 1  w   (6.20)

• admitindo juros postecipados:

131
 I ’  wa  T ’ 
T ' I '  x ’  C np  1  wa 
 T ’  x ’  C np 
 I  w T 
T  I  x  C n  1  w 
 T  x  Cn 
I  w  J 
 ISaC  sa  C np  J  I  C np  i  n’  1  w 
 J  C np  i  n’
 C np  a  C n  C np

0 n

C 0  C np  ISaC  T  1  w   T ' 1  wa  
C 0  C np  sa  C np  x  C n  1  w   x ' C np  1  wa  
C 0  a  C n  sa  a  C n  x  C n   1  w   x ' a  C n  1  wa  

C 0  C n a  sa  a  x  1  w   x ' a  1  wa   (6.21)

Para determinar a taxa de custo real ou efetivo do recurso a esta forma de financiamento
basta resolver, em ordem a i’, a equação que estabelece a equivalência entre o valor
recebido e o valor cedido pelo aderente.

Exemplo 6.4.
Considere-se o recurso ao factoring com antecipação de fundos e juros postecipados.
Determine a taxa de custo efetivo bruto deste financiamento.

Resolução:
  I ’  wa  T ’
 T ’  x ’  C
 np

 I  w  T
C0  
 I  J  w
 T  x  Cn 
 ISaC  sa  C np C n'   J  C np  i  n '
  C
 C np  a  C n
  np

0 n
A taxa de custo efetivo bruto desta forma de financiamento é dada por:
1
C  n
C 0  C  1  i ' 
' n
n  i '   0'   1 e atendendo à expressão (6.21):
 Cn 

132
1
 C n  a  sa  a  x  1  w   x ' a   1  wa   
n

i'    1 
 C np  C np  i  n ' 1  w  
1
 C n  a  sa  a  x  1  w   x ' a   1  wa    n

i'    1 
 C n a  a  i  n '  1  w   
1
  n

 a  s  a  x  1  w   x ' a  1  w  
i'   a a
 1 
  1  

a  a i  n    1  w  
 360 

As principais vantagens do factoring advêm da sua flexibilidade e da possibilidade que


confere ao aderente de obter fundos de curto prazo que tendem a acompanhar o
crescimento das vendas. O factoring permite às empresas aderentes:
- reduzir custos com cobranças, gestão e manutenção de contas-correntes, etc.;
- reduzir, ou mesmo eliminar, prejuízos com incobráveis;
- eliminar custos com classificação de devedores e com a gestão e controlo do
crédito;
- transformar as vendas a crédito em vendas a dinheiro;
- libertar fundos bancários para utilizações de médio ou de longo prazo;
- racionalizar a gestão de tesouraria e minimizar as necessidades de capital
circulante;
- eliminar encargos financeiros com desconto de letras.

6.3. O crédito em conta-corrente

O crédito em conta-corrente, também designado de conta-corrente caucionada,


caracteriza-se pela concessão, por um banco a uma empresa, de um montante máximo de
crédito por um prazo determinado. A empresa pode, dentro dos limites fixados,
movimentar a referida conta sem a sujeição a um plano financeiro pré-determinado. A
abertura deste tipo de linha de crédito é normalmente efetuada mediante um contrato, no
qual se estabelece a taxa de juro, o plafond máximo de crédito, as garantias, o prazo, as
obrigações do devedor, etc.

133
A vantagem associada ao crédito em conta-corrente, relativamente a um empréstimo com
um plano financeiro pré-determinado, consiste na possibilidade da empresa utilizar o
crédito de acordo com as suas necessidades de tesouraria, o que conduz a um custo de
financiamento menor que o inerente a um empréstimo pelo plafond negociado.

Assim, seja CU o valor utilizado no prazo n, C o plafond negociado ou valor total do crédito
e (C – CU) a parte da linha de crédito não utilizada. Os encargos que estão associados a este
tipo de contrato são os seguintes:

a) juro simples pelos montantes utilizados e pelo prazo de utilização, e incluindo o próprio
dia em que o montante utilizado é colocado à disposição. Os juros estão sujeitos a
imposto de selo à taxa w (conforme Tabela Geral do Imposto de Selo).

1
J  CU  i  n '  n '  n  do ano (6.22)
360

I wJ (6.23)

Logo, podemos formalizar da seguinte forma:

J   1  w   CU  i  n ' 1  w  (6.24)

b) comissão de imobilização à taxa x sobre a parte da linha de crédito não utilizada. A


comissão está sujeita a imposto de selo à taxa w (conforme Tabela Geral do Imposto
de Selo).

T  x   C  CU  (6.25)

I  w T (6.26)

Sintetizando, teremos:

T  1  w   x   C  CU   1  w  (6.27)

c) imposto de selo da abertura da linha de crédito (IsaC) à taxa sa (conforme Tabela Geral
do Imposto de Selo) sobre o montante médio utilizado, a liquidar na data de términus
do contrato:

134
ISaC  sa  CU (6.28)

Obviamente que, neste caso, a questão básica é a da determinação do custo real do recurso
a esta forma de financiamento. A sua determinação à posteriori não levanta problemas
adicionais procedendo-se como evidenciámos no capítulo 3. A determinação à priori da
taxa de custo real do crédito pressupõe a utilização de uma previsão do valor médio das
utilizações.

Assim, seja:
CU - o valor utilizado, no prazo n;
C - o plafond negociado;
(C-CU) - a parte da linha de crédito não utilizada.

Admitindo, para simplificar, uma só utilização (ou uma utilização média de valor CU)
teremos na óptica do devedor os seguintes recebimentos e pagamentos:

I  w  J 
 J  I  CU  i  n’  1  w 
 J  CU  i  n’ 
 I  w T 
T  I  x   C  CU   1  w 
 T  x   C  CU  
 ISaC  sa  CU
 CU  CU

0 n

Sendo i’ o custo real ou efetivo do recurso a esta forma de financiamento, resulta da


equivalência entre as prestações recebidas e cedidas pelo devedor:

1
C  n
C 0  C  1  i ' 
' n
n  i '   0'  1 
 Cn 

E utilizando as expressões (6.24), (6.27) e (6.28), a taxa i’ vem:

1
 CU  n
i'    1 
 CU  ISaC  T  1  w   J  1  w  

135
1
 CU  n
i'    1 
 CU  ISaC  T  1  w   J  1  w  
1
  n

 CU 
i'    1
 CU  s  CU  x   C  CU   1  w   CU  i   n  1   1  w  
 a   
 360 

Exemplo 6.5.
F, Lda. negociou com o Banco X uma linha de crédito de € 100 000,00, pelo prazo de 6
meses, à taxa de 12%. Admitindo uma utilização média de 90% do plafond negociado e que
não existe comissão de imobilização, determine a taxa de custo real previsional que F, Lda.
deverá suportar.

Resolução:
CU  C  90%  CU  100 000,00  0,9  €90 000,00
sa  0,04% por cada mês ou fração do mês, logo sa  0,0004  6
6 6 1
n ano  n '   ano
12 12 360
i  12%  0,12 ao ano
w  4%  0,04

 6 1 
 J  1  w   90 000,00  0,12      1  0,04 
 12 360 
 ISaC  sa  CU  0, 0004  6  90 000,00
 CU  90 000,00  CU  90 000,00

0 6 anos
12
1
C  n
C 0  C  1  i ' 
' n
n  i '   0'  1 
 Cn 
1
 CU  n
i'    1
 CU  ISaC  J  1  w  
1
   6 
 
 12 
 
90 000,00
i'    1 
   6 1  
 90 000,00 1  0,0004  6  0,12   12  360   1  0,04   
    
i '  13,454% ao ano

136
6.4. Exercícios propostos

6.1 A empresa Kapa, Lda. adquiriu matérias-primas no valor de € 250 000,00. Dado não
dispor da capacidade financeira necessária para satisfazer este pagamento, resolveu
aceitar uma letra com vencimento daqui a 180 dias. A letra inclui os encargos de
desconto bancário nas seguintes condições: taxa de juro de 12%, comissão de
cobrança à taxa de 0,5%, imposto de selo às taxas em vigor e portes de € 1,55.
6.1.1 Determine o valor nominal da letra.
6.1.2 Calcule a taxa de custo efetivo deste financiamento.

6.2 A empresa R, Lda. descontou uma letra de € 1 730 000,00, à taxa de 14%. Outros
encargos de desconto: comissão de 0,5%, imposto de selo às taxas em vigor e portes
de € 2,50. O valor líquido recebido pela empresa foi de € 1 669 582,60. Calcule o nº
de dias que faltavam para o vencimento da letra.

6.3 O preço a pronto pagamento de um lote de mercadorias é de € 100 000,00 + IVA à


taxa de 23%. Para pagamento, o comprador aceita uma letra a 180 dias, sendo de sua
conta e incluídos no valor nominal da letra os respetivos encargos, quer de emissão,
quer de desconto: taxa de juro 12%, comissão de cobrança € 50,00. Imposto de selo
às taxas em vigor.
6.3.1 Determine a taxa de custo bruto deste financiamento.
6.3.2 Suponha agora que o comprador entrega imediatamente € 40 000,00, e
entrega também os encargos de desconto bancário (nas condições definidas
inicialmente) e a selagem da letra, comprometendo-se a pagar o restante
através do aceite de uma letra a 180 dias. Qual é o valor nominal da letra e o
valor a pagar imediatamente?
6.3.3 Suponha agora que o comprador entrega imediatamente € 40 000,00 e
compromete-se a pagar duas mensalidades de valor nominal X, tituladas por
letras, a primeira das quais se vence um mês após a venda. Determine o valor
nominal das letras, atendendo a que este inclui os encargos de desconto
bancário (nas condições definidas inicialmente) e de emissão.

137
6.4 A empresa Y solicitou a reforma do seu aceite, de valor nominal € 35 000,00, vencível
hoje. Condições propostas: amortização de 20%, aceite de nova letra a 60 dias pelo
restante, incluindo esta encargos de uma possível negociação bancária (i=14%,
x=0,5%, imposto de selo às taxas em vigor e portes € 2,50).
6.4.1 Determine o valor nominal da nova letra.
6.4.2 Considere agora que a letra de reforma não inclui os encargos de desconto
bancário, sendo estes pagos imediatamente. Qual é o valor a liquidar
imediatamente (incluindo a amortização)?

6.5 Considere as seguintes condições propostas por uma sociedade de factoring à


empresa F, Lda.: adiantamento de 70% das faturas, com valor nominal de
€ 100 000,00 e vencimento a 60 dias. À data do adiantamento procede-se ao
pagamento da comissão de factoring (taxa 0,5%), do imposto de selo da abertura de
crédito, e da comissão de garantia de 0,25%. Os juros são pagos postecipadamente à
taxa anual nominal de 14%. Imposto de selo às taxas em vigor.
6.5.1 Determine a quantia líquida que o aderente recebeu na data do
adiantamento.
6.5.2 Determine a taxa de custo anual efetivo deste financiamento.

6.6 A empresa F, Lda. pretende negociar a utilização de uma linha de crédito de


€ 200 000,00, a prazo de 6 meses, junto de um banco. Condições de utilização: taxa
de juro anual de 9%, ausência de comissões; imposto de selo às taxas em vigor. O
nível de utilização esperado é de 90%. Determine a taxa de custo efetivo, previsional,
deste financiamento.

138
Exercícios globais – Parte II

Exercícios resolvidos

1.1 O Samuel pretende adquirir uma moto. Para tal, necessita de recorrer a um
financiamento. O banco apresentou-lhe 2 opções.
Opção A:
 Prestações mensais constantes e postecipadas;
 Taxa de juro mensal com imposto de selo incluído (imposto de selo à taxa de 4%)
igual a 1,248%;
 Excerto do quadro do serviço da dívida:

C’k-1 Prestação/Mensalidade
C’k
Capital em jk pk
k Capital em dívida
dívida no Pagamento de Imposto de Amortização de
Período no fim do período
início do juro no fim do selo em k capital no fim
k
período k período k do período k
1 ---- ---- --- ---- ---
--- ---- ---- --- ---- ---
60 ---- ---- --- € 469,685 € 0,00

Opção B:
 Pagamento de n prestações variáveis mensais com amortização de capital
constante;
 O contrato de financiamento prevê o pagamento de juros mensais durante o
período de carência;
 Taxa de juro mensal com imposto de selo incluído (imposto de selo à taxa de 4%)
igual a 1,144%;
 Excerto do quadro do serviço da dívida:

139
Prestação/Mensalidade
C’k-1
jk C’k
k Capital em Imposto pk
Pagamento de Capital em dívida
Período dívida no início de selo Amortização de capital
juro no fim do no fim do período k
do período k em k no fim do período k
período k
1 ---- ---- ---- € 0,00 ----
2 ---- € 198,00 ---- € 0,00 ----
3 ---- ---- ---- € 375,00 ----
--- ---- ---- ---- ---- ---
n ---- ---- --- --- € 0,00

1.1 Determine o valor da prestação constante da opção A.


1.2 Determine o valor do financiamento da opção A.
1.3 Na opção B:
1.3.1 Determine o valor do financiamento.
1.3.2 Determine o número de prestações de capital e juro. (1v)
1.3.3 Determine o valor da prestação paga no final do 6º mês (considerando o
imposto de selo sobre os juros).
1.4 O Samuel optou pela opção A. Imagine que ao pretender efetuar o pagamento da
10ª prestação, o banco fez as seguintes alterações às condições do financiamento:
 As prestações mensais crescem 1,2% por mês;
 O pagamento das prestações ocorrerá no início de cada mês.
1.4.1 Admitindo que a taxa de juro e o número de prestações se mantêm,
determine o valor da 3ª prestação com base nestas novas condições.

Resolução:
1.1 p60  C '59  € 469,685

j60 (1  w)  C '59  i(1  w)  469,6  0.01248  € 5,860608

C  p60  j60 (1  w)  469,685  5,860608  € 475,5467

1  1  i(1  w)
n 60
1  (1  0,01248)
1.2 C 0  Can  C   475,55   € 20 000,00
i(1  w) 0,01248
1.3
0,01144
1.3.1 i  0,011
1,04

140
j 198
j  C0  i  C0    € 18 000,00
i 0,011
C 0 18000
1.3.2 C0  n  p  n    48
p 375
1.3.3 j6 mês (1  w)  (n  k)  p  i(1  w)  (48  3)  375  0,01144  € 193,05

C 6ºmês  p  j6 mês (1  w)  375  193,05  € 568,05

1.4
51
1  (1  i(1  w))
1.4.1 C '9  Cä51  C  1  i(1  w) 
i(1  w)
51
1  (1  0,01248)
C '9  475,5467   (1  0,01248) 
0,01248
C '9  € 18 084,87

C '9
C '9  T1gä51  T1  
gä51

18084,87
T1   T1  € 358,83
1  1,012  1,01248 51
51
 (1  0,01248)
1  0,01248  1,012

T3  T1  r 2  T3  358,83  1,0122  T3  € 367,49 

2. A empresa ESTG, Lda. teve de recorrer a uma empresa de factoring (o factor) de forma
a reduzir os seus problemas de tesouraria. Negociou com o factor a entrega das suas
faturas nas seguintes condições:
- Juros a pagar postecipadamente;
- Taxa de juro anual de 8%;
- Prazo de pagamento de 90 dias;
- Comissão de factoring de 0,5%;
- Imposto de selo sobre juros e comissões de 4%;
- Imposto de selo de abertura de crédito de 0,04%;
- Valor do adiantamento sobre as faturas de 75%.

141
2.1 Sabendo que o valor líquido a receber inicialmente pela empresa ESTG, Lda. é de
€ 14 878,00, determine o valor do adiantamento feito pelo factor e o valor das
faturas cedidas pela empresa ESTG, Lda.
2.2 Determine o valor a pagar pela empresa ESTG, Lda. no final do contrato.
2.3 A empresa tem também a possibilidade de se financiar descontando uma letra, que
tem em sua posse, com valor nominal de € 20 000,00. O banco para descontar a
referida letra propôs as seguintes condições: juros no valor de € 448,77; comissão
de cobrança de € 100,00; prazo de pagamento de 90 dias; imposto de selo sobre
juros e comissões de 4%; portes de € 5,00.
2.3.1 Sabendo que a empresa ESTG, Lda. tem de pagar de imediato as despesas do
desconto bancário e que a taxa de custo efetivo do factoring foi de 12,34%,
refira qual a melhor forma de financiamento. Justifique devidamente.

Resolução:
i=8%=0,08 ao ano
n=90 dias, logo n’ = (90+1)/360 = 91/360 ano
x=0,5%=0,005
w=4%=0,04
sa=0,04% x 3=0,0004 x 3
a=0,75
C0=€ 14 878,00
2.1 Cnp=?
Cn= ?
1º) Determinar Cn
C o  C np  sa  C np  T  I  C o  a  C n  sa  a  C n  x  C n  w  x  C n 
Co
C o  C n  a  sa  a  x  (1  w)  C n  
a  sa  a  x  (1  w)
14 878,00
Cn  
 0,75  0,0004  3  0,75  0,005  (1  0,04)
C n  € 20 000,00

2º) Determinar Cnp


C np  a  C n  C np  0,75  20 000  C np  € 15 000,00

142
R: O o valor do adiantamento feito pelo factor é de € 15 000,00 e o valor das faturas
cedidas pela empresa é de € 20 000,00.

2.2 C np  J  I  C np  C np in'  wC np in'  C np 1  in' (1  w ) 

 91 
C np  J  I  15 000 1  0,08  (1  0,04)  € 15 315, 47
 360 
R: O valor a pagar no final do contrato é de € 15 315,47.
2.3 Cn=€ 20 000,00
Df=€ 448,77
T=€ 100,00
n=90 dias, logo n’=(90+2)/360 ano
x=0,5%=0,005
w=4%=0,04
OE=€ 5,00
i'factoring=0,1234 ao ano
DB pagos de imediato, logo Cn=Dívida= € 20 000,00
2.3.1 i’letra=?
1º) Determinar DB
DB  Df  T  I  OE  DB  Df  T  w  (Df  T )  OE 
DB  Df  (1  w )  T  (1  w )  OE 
DB  448,77  (1  0,04)  100  (1  0,04)  5  DB  € 575,72

2º) Determinar a taxa de custo efetivo da letra


 90 Dívida  DB  90
Dívida  DB  C n (1  i ') 360
  (1  i ') 360
Cn
1

 Dívida  DB  90
360
i'    1 
 Cn 
1

 20000  575,72  90
i'   
360
 1  i '  0,1239 ao ano
 20000
R: A melhor forma de financiamento é o factoring porque a taxa de custo efetivo é
mais baixa. 

143
3. A empresa ABC, Lda. adquiriu um lote de mercadorias. O preço de aquisição é de
€ 20 000,00 e o financiamento será efetuado por meio de duas letras de igual valor
nominal, que submetidas a desconto proporcionam o referido valor. A primeira letra
vence-se daqui a 3 meses e a segunda letra daqui a seis meses. O desconto bancário
das letras será efetuado nas seguintes condições: taxa de juro de 5,5% ao ano; comissão
de cobrança de 1%; Imposto de selo às taxas em vigor (*).
Imposto de selo (*) Taxas em vigor
Imposto de selo de abertura de crédito:
- crédito até um ano – por cada mês ou fração 0,04%
- crédito de prazo igual ou superior a um ano 0,50%
- crédito de prazo igual ou superior a 5 anos 0,6%
Juros e outras comissões 4%
Comissões por garantias prestadas 3%
Selagem de letras e livranças 0,5% com o mínimo de € 1,00

3.1 Determine o valor nominal das duas letras.


3.2 Suponha que para efetuar o pagamento da primeira letra a empresa tem de
recorrer à utilização de um crédito em conta corrente pelo prazo de 60 dias, cujo
plafond negociado é de € 50 000,00, com as seguintes condições: taxa de juro
nominal de 6%; ausência de comissões; imposto de selo às taxas em vigor (*).
3.2.1 Determine a taxa de custo efetivo do recurso ao crédito em conta corrente.
3.3 Suponha que na data de vencimento da segunda letra a empresa ABC, Lda. solicita
a reforma desta letra. A letra de reforma não inclui encargos e as condições da
reforma e do desconto bancário da nova letra são as seguintes: - percentagem da
reforma é de 50%; - vencimento a 3 meses; - taxa de juro de 7,5%; - comissão de
cobrança de 1%; - imposto de selo às taxas em vigor (*). Tendo em conta que a
empresa pagará na data da reforma € 5 322,895, qual será o valor de encargos de
desconto a entregar imediatamente?

Resolução:
3.1 PLTotal  PL1  PL2  € 20 000,00

C n 1  Cn 2  Cn

144
3 3 2
n1  ano, logo n1'   ano
12 12 360
6 6 2
n2  ano, logo n2'   ano
12 12 360
i  5,5%  0,055 ao ano
x  1%  0,01
w  4%  0,04
Cn 1  Cn 2  Cn  ?

PLTotal  PL1  PL2  PLTotal  C n  DB1  C n  DB2 


PLTotal  C n   C n  i  n1'  x  C n   1  w   C n   C n  i  n2'  x  Cn   1  w  
PLTotal  2C n  C n  i  n1'  1  w   x  C n  1  w   C n  i  n2'  1  w   x  C n   1  w  

PLTotal  2C n  2  x  C n  1  w   C n  i  n1'  1  w   C n  i  n2'  1  w  


PLTotal  C n 2  2  x  1  w   i  n1'  1  w   i  n2'  1  w   

PLTotal
Cn  
2   2  x  i  n1'   i  n2'   1  w 
20 000
Cn  
  3 2   6 2 
2  2  0,01  0,055      0,055       1  0,04 
  12 360   12 360  
C n  € 10 332,37

R: O valor nominal de cada uma das letras é € 10 332,37.


3.2 i  6%  0,06 ao ano
s/ comissões
60  1
n  60 dias, logo n'  ano
360
sa  0,04%  2  0,0004  2
w  4%  0,04

3.2.1 i’=?

CU  CU  CU  i  n ' (1  w)  CU  sa   1  i '  


n

1

 CU  n
i'    1 
 CU  CU  i  n ' (1  w )  CU  sa 

145
1

  60

 10 332,37  360

i'    1 
 10 332,37  10 332,37  0,06  61  (1  0,04)  10 332,37  0,0004  2 
 360 

i '  0,07021 ao ano


A taxa de custo efetivo do recurso ao crédito em conta corrente é de 7,021%.
3.3 A=0,5 x Cn_letra_inicial, logo o valor da Dívida= Cn_letra_inicial – A
3 2
n=3 meses, logo n '   ano
12 360
i=7,5%=0,075 ao ano
x=1%=0,01
w=4%=0,04
DB=?
Cn inclui apenas Dívida
1º) Calcular o valor nominal da nova letra
A nova letra não tem encargos incluídos, logo:
Cn = Cn_letra_inicial - Cn_letra_inicial x 50% = 10 332,37 x (1 – 0,5) = € 5 166,185
O montante a amortizar é:
A = Cn_letra_inicial x 50% = 10 332,37 x 0,5 = € 5 166,185
2º) Determinar o valor dos encargos de desconto
Valor pago – valor de amortização = valor de encargos de desconto bancário
DB = 5 322,895 – 5 166,185 = € 156,71
ou
DB  Df  T  I  EE  DB  C n  i  n ' x  C n    1  w  
  3 2  
DB  5 166,185  0,075      5 166,185  0,01  1  0,04  
  12 360  
DB  € 156,71
R: O valor dos encargos de desconto a entregar imediatamente é de € 156,71. 

146
Exercícios propostos

1. A Bárbara pretende solicitar um financiamento para poder custear as obras de


remodelação do apartamento onde reside. No anexo 1 encontra-se um excerto de uma
simulação realizada junto de uma instituição bancária.

ANEXO 1

Fonte: adaptado de [Link].

Tendo em conta todas as informações disponíveis, responda às seguintes questões:


1.1. Determine o valor das incógnitas A e B.

147
1.2. Supondo que a Euribor a 3 meses se manteve constante ao longo do 1º ano e que no
final deste se alterou para 3%, complete o seguinte excerto do quadro do serviço da
dívida (incógnitas C, D, E, F e G).

Mês do contrato Capital em dívida (Início do mês) Juros Amortização Prestação

(…) (…) (…) (…) (…)


11 (…) (…) C € 251,23
12 (…) (…) (…) € 251,23
13 D E F G
(…) (…) (…) (…) (…)

1.3. Considerando a taxa anual nominal da proposta e caso a Bárbara tivesse preferido
reembolsar o financiamento através de prestações variáveis com amortização de
capital constante, qual seria o valor da primeira prestação de reembolso?

2. O Virgílio está a pensar comprar um automóvel ligeiro de passageiros novo, no valor


de € 20 000,00, com recurso a um leasing por um prazo de 4 anos. O contrato
contempla uma entrada inicial de 20%, rendas mensais e um valor residual de 2%. A
taxa de juro anual nominal de base é de 2,625% à qual acresce o spread de 3,5%.
2.1. Determine o valor da renda mensal a pagar pelo Virgílio.
2.2. Sabendo que no momento da aprovação do crédito serão liquidados € 178,50
relativos à comissão de estudo da operação e que, juntamente com o pagamento
da renda mensal, serão pagos € 1,07 de portes postais, determine a taxa de custo
efetivo deste financiamento.

148
Soluções dos exercícios propostos

Capítulo 1
1.4.1
[Link] i  0,051271096
[Link] i  0,094174284
[Link] i  0,040862816
[Link] i  0,166490887
[Link] i  0,13031912
[Link]   0,024692613
[Link]   0,05704174
[Link]   0,093793879
[Link]   0,005982072

Capítulo 2
2.1 Jn  € 143,75

2.2
2.2.1 Jn , RJS  1 221,46 u.m. ; Jn , RJC  1 179,99 u.m.

2.2.2 Jn , RJS  3 557,76 u.m. ; Jn , RJC  3 932,20 u.m.

2.2.3 Jn , RJS  2 391,48 u.m. ; Jn , RJC  2 462,37 u.m.

2.3
2.3.1 RJS: j0 ,1  j1,2  j2,3  j3,4  13 500

RJC: j0 ,1  13500 ; j1,2  14 512,5; j2,3  15 600,95; j3,4  16 771,01

2.3.2 C n , RJS  234 000 ; C n , RJC  240 384,44

2.3.3 Jn , RJS  54 000 ; Jn , RJC  60 384,44

2.3.4 jj2,3  2 100,94 ; jj3,4  3 271,01

2.4 iRJS  0,067692 ; iRJC  0,063095

2.5 nRJS  13 meses; nRJC  12 meses e 18 dias

2.6

149
2.6.1 j1 ,2  210 000

2.6.2 C 5  5 252 380,56

2.6.3 J6  1 672 571,004

2.7 C 0  5 500

2.8 isemestral  0,0325

2.9 C 0  10 000

2.10 imensal  0,001

2.11 n1  120 dias

2.12 C 0  143 750

2.13 5 anos e 164 dias.


2.16 C 0 f  5 931,25 ; C 0  5 977,011494

2.17 n  8 anos
2.18 C n  14 792 456,44

Capítulo 3
3.2
3.2.1 isemestral  0,04881

3.2.2 itrimestral  0,024114

3.2.3 i  4   0,096456

3.2.4 i (12)  0,09564


3.2.5 iquadrimestral  0,03228

3.3
3.3.1 isemestral  0,1025

3.3.2 i  4   0,2

3.3.3 i 12  0,196752

i 12  2,5% → i  0,025284; i 


12 
3.4  5% → i  0,051166; i 12  7,5% → i  0,077633;
3.5

3.5.1 i 1  0,06

150
3.5.2 ianual  0,0609

3.5.3 ianual  0,06168

3.5.4 ianual  0,0618

3.5.5 ianual  0,06183

3.6
3.6.1 itrimestral  0,0299

3.6.2 ianual  0,12486

3.6.3 isemestral  0,0606

3.6.4 i  4   0,1196
3.7
3.7.1 imensal  0,0094888

3.7.2 i 2  0,1166


3.7.3 itrimestral  0,028737

3.7.4 i  4   0,1196
3.8 i '  0,1458548223
3.9 i '  0,158846238540114
3.10 Jnliquido  1.206,18099 u.m.

3.11 C 0  15.087.467,28 u.m.

3.12 C1,líquido  4.343,71429 u.m.

3.13 iliq  0,021945

3.14
3.14.1 i '  0,0483889
3.14.2 i 'liq  0,0361043

3.15
3.15.1 C 'n  5  1.758,96 u.m.

3.15.2 ireal  0,0323645825

151
Exercícios Globais propostos Parte I
1
1.1 Hipótese A.
1.2
1.2.1 i  0,051051
1.2.2
[Link] j2,3  €12,83

[Link] C 4  €1.050,00

1.3 n  8 trimestres

2
2.1 C n  €90 193,91

3
3.1 C n ,líquido  € 3 057,61939

3.2 i 'trimestral ,líquida  0,010118170861

3.3 i 'líquida ,real  0,01472013802

4
4.1 C 0  €45.000,00

4.2 jj1,2  €55,125

4.3 ireal ,quad  0,00269922

Capítulo 4
4.1
4.1.1
[Link] C 0  20 385,49

[Link] C 0  20 385,49

[Link] C 0  18 122,63

[Link] C n  44 667,12

[Link] C n  46 453,80

[Link] C n  46 453,80

152
4.2 T = 756,25
4.3 n  10 anos
4.4 T= 5 392,115299
4.5 C n  267 579,09

4.6 T2 = 16 011,13637
4.7
4.7.1 n = 26 semestralidades
4.7.2 Tn  16 165,83

4.8 i  0,1881
4.9 i  0,10 ao ano
4.10 T1  853,085; T2  882,943;T3  913,846

4.11 C0 = 50 000
4.12
4.12.1 C n  51 899,460

4.12.2 C n  57 089,406

4.12.3 C n  57 089,406

4.13
4.13.1 C 0  11 805,56

4.13.2 C 0  13 222,22

4.13.3 C 0  7 502,64

4.14
4.14.1 C 0  35 106,18969

4.14.2 C 0  37 212,56107

4.15 T1 = 500; T3 =700

Capítulo 5
5.1
5.1.1 C '0  13 768,48

5.1.2 j3  1 993,05

5.1.3 p4  12 689,85

153
5.1.4
Valor nominal do empréstimo C’0 = 45.100,00
Prestação/Anuidade C = 13.768,48
Taxa de juro (imposto de selo incluído) iw = 0,085
k C’k-1 Prestação/Anuidade C’k
Período Capital em jk ISk pk Capital em
dívida no Imposto de selo Amortização de dívida no
início do Juro no fim fim do
no fim do capital no fim do
período k do período k período k
período k período k
1 45100 3 686,06 147,4423077 9 934,98 35 165,02
2 35 165,02 2 874,06 114,9625525 10 779,46 24 385,56
3 24 385,56 1 993,05 79,72201802 11 695,71 12 689,85
4 12 689,85 1 037,15 41,48603815 12 689,85 0,00
5.2

Valor nominal do empréstimo C’0 = 50 000,00


Prestação/Semestralidade C = 9 587,835
Taxa de juro c/ imposto de selo iw = 0,0416
Prestação/Semestralidade
C’k-1 C’k
ISk
k Capital em jk pk Capital em
Período dívida no início Juro no fim do Imposto de selo Amortização de capital dívida no fim
do período k no fim do do período k
período k no fim do período k
período k
1 50 000,00 2 000,00 80,00 0,00 50 000,00
2 50 000,00 2 000,00 80,00 0,00 50 000,00
3 50 000,00 2 000,00 80,00 0,00 50 000,00
4 50 000,00 2 000,00 80,00 7 507,84 42 492,16
5 42 492,16 1 699,69 67,99 7 820,16 34 672,00
6 34 672,00 1 386,88 55,48 8 145,48 26 526,52
7 26 526,52 1 061,06 42,44 8 484,33 18 042,19
8 18 042,19 721,69 28,87 8 837,28 9 204,91
9 9 204,91 368,20 14,73 9 204,91 0,00
5.3
5.3.1 C  13 166,27
5.3.2 C '5  84 496,64

5.3.3 C '8  66 265,23

5.4
5.4.1 C '7  30 000

5.4.2 j10+j11 = 1 797,97


5.4.3 P7  30 000

154
5.4.4

Valor nominal do empréstimo C’0 = 60.000


Prestação/Semestralidade Variável
Taxa de juro c/ imposto de selo i = 0,04847856
Prestação/Semestralidade
C’k-1 C’k
jk p
k Capital em Ck Capital em
Período dívida no início Pagamento de Amortização de dívida no fim
Prestação no fim do
do período k juro no fim do capital no fim do período k
período k
período k do período k
1 60 000,00 2 908,71 0,00 2 908,71 60 000,00
2 60 000,00 2 908,71 4 285,71 7 194,43 55 714,29
3 55 714,29 2 700,95 4 285,71 6 986,66 51 428,57
4 51 428,57 2 493,18 4 285,71 6 778,90 47 142,86
5 47 142,86 2 285,42 4 285,71 6 571,13 42 857,14
6 42 857,14 2 077,65 4 285,71 6 363,37 38 571,43
7 38 571,43 1 869,89 4 285,71 6 155,60 34 285,71
8 34 285,71 1 662,12 4 285,71 5 947,84 30 000,00
9 30 000,00 1 454,36 4 285,71 5 740,07 25 714,29
10 25 714,29 1 246,59 4 285,71 5 532,31 21 428,57
11 21 428,57 1 038,83 4 285,71 5 324,54 17 142,86
12 17 142,86 831,06 4 285,71 5 116,78 12 857,14
13 12 857,14 623,30 4 285,71 4 909,01 8 571,43
14 8 571,43 415,53 4 285,71 4 701,24 4 285,71
15 4 285,71 207,77 4 285,71 4 493,48 0,00
5.5
5.5.1 C  354,312
5.5.2 C 'n 6  1543,122

Capítulo 6
6.1
6.1.1 C n  268 326,4583

6.1.2 i '  0,1519856


6.2 n  71 dias
6.3
6.3.1 i´ 0,15245
6.3.2 45 703,75
6.3.3 C n  42456,03

6.4

155
6.4.1 C n  28876,76

6.4.2 7850,22

6.5
6.5.1 C 0  69 243,750

6.5.2 i’ = 0,2354
6.6 i’ = 0,101366

Exercícios Globais propostos Parte II


1.
1.1. A= 251,23; B=0,095
1.2. C= 186,18; D= 7 842,82; E= 63,72; F=188,43; G=252,15
1.3. C1  287,50

2.
2.1. C = 376,24
2.2. i’ = 0,07063 ao ano

156

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