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Desigualdade das Médias na Matemática

Este documento discute vários tipos de médias matemáticas, incluindo média aritmética, média geométrica, média harmônica e média quadrática. Ele fornece definições formais para cada média e demonstra uma desigualdade fundamental entre elas: a média quadrática é sempre maior ou igual à média aritmética, que é maior ou igual à média geométrica, que é maior ou igual à média harmônica. Exemplos numéricos ilustram essas desigualdades.

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Desigualdade das Médias na Matemática

Este documento discute vários tipos de médias matemáticas, incluindo média aritmética, média geométrica, média harmônica e média quadrática. Ele fornece definições formais para cada média e demonstra uma desigualdade fundamental entre elas: a média quadrática é sempre maior ou igual à média aritmética, que é maior ou igual à média geométrica, que é maior ou igual à média harmônica. Exemplos numéricos ilustram essas desigualdades.

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RCMat – Revista do Clube de Matemáticos nº 4 –outubro de 2020

Desigualdade das médias

Miller Dias
Fortaleza - CE

Introdução

O uso das desigualdades é muito comum em provas de vestibulares e olimpíadas de


Matemática. Neste artigo, iremos conversar um pouco sobre essa ferramenta fantástica.
Iniciaremos com a parte básica e nas próximas edições teremos as partes intermediária e
avançada dessas ferramentas maravilhosas!

1. Definição de Média

Dada uma sequência finita de números reais  a1, a 2 , , a n  e uma operação qualquer
* com essa sequência. A média dos elementos dessa sequência, em relação à operação
* , é um número M tal que

a1  a 2   an  M  M  M
"n" vezes

A partir desse conceito, podemos definir diversas médias.

1.1. Média Aritmética (MA)

A média aritmética simples de uma sequência de números reais  a1, a 2 , , a n  é dada


por
a1  a 2   an 1 n
MA     ai .
n n i1

1 2  3
Exemplo: A média aritmética de 1, 2, 3 é MA   2.
3

Demonstração:
Da definição de média, temos:
a1  a 2   a n  MA  MA   MA  n  MA  a1  a 2   an
"n" vezes
a1  a 2   an
 MA 
n
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1.2. Média Aritmética Ponderada (MAP)

A média aritmética ponderada de uma sequência de números reais  a1, a 2 , , an  é


dada por
n

a  b  a  b   a n  bn
 a i  bi
MAP  1 1 2 2  i 1 ,
b1  b 2   b n n
 bi
i 1
onde  b1, b2 , , b n  são os pesos.

Exemplo: A média aritmética ponderada de 1, 2, 3, com pesos 2, 3, 1, respectivamente, é


1 2  2  3  3 1 11
MAP    1,8333
2  3 1 6

Demonstração:
Da definição de média, temos:
a1   a1  a 2   a 2   a n   an
"b1 " vezes "b2 " vezes "bn " vezes
 MAP   MAP  MAP   MAP   MAP   MAP
"b1 " vezes "b2 " vezes "b n " vezes
 a1b1  a 2 b 2   a n b n  MAP  b1  MAP  b 2   MAP  b n
 MAP   b1  b 2   b n   a1b1  a 2 b 2   a n bn
a1b1  a 2 b 2   a n b n
 MAP 
b1  b 2   b n

1.3. Média Geométrica (MG)

A média geométrica de uma sequência de números reais  a1, a 2 , , a n  é dada por

n
MG  a1  a 2 
n  an  n  ai .
i 1

Exemplo: A média geométrica de 1, 2, 3 é MG  3 1 2  3  3 6.

Demonstração:
Da definição de média, temos:
a1  a 2   a n  MG  MG   MG  MG n  a1  a 2   a n  MG  n a1  a 2   an
"n" vezes
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1.4. Média Harmônica (MH)

A média harmônica de uma sequência de números reais  a1, a 2 , , a n  é dada por

n 1
MH   .
1 1
  
1 1 n 1
a1 a 2 an   
n i1  a i 

1 3 18
Exemplo: A média harmônica de 1, 2, 3 é MH    .
1 1 1 6  3  2 11
 
1 2 3 6
3

2 2ab
A média harmônica de dois números a e b é dada por MH   .
1 1
 ab
a b

3 3abc
A média harmônica de três números a, b e c é dada por MH   .
1 1 1 ab  ac  bc
 
a b c

Demonstração:
Da definição de média, temos:
1 1 1 1 1 1 n 1 1 1
           
a1 a 2 a n MH MH MH MH a1 a 2 an
"n" vezes
n
 MH 
1 1 1
  
a1 a 2 an

1.5. Média Quadrática (MQ)

A média quadrática de uma sequência de números reais  a1, a 2 , , a n  é dada por

a12  a 22   a 2n 1 n 2
MQ     ai .
n n i1

12  22  32 14
Exemplo: A média quadrática de 1, 2 e 3 é MQ   .
3 3
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Demonstração:
Da definição de média, temos:
a12  a 22   a 2n  MQ2  MQ2   MQ2  n  MQ2  a12  a 22   a 2n
"n" vezes

a12  a 22   a 2n
 MQ 
n

2. Desigualdade das Médias

Para quaisquer n números reais positivos a1 , a 2 , , a n , temos

MQ  MA  MG  MH,

onde as igualdades ocorrem somente se a1  a 2   an .

Nos exemplos apresentados anteriormente calculamos essas médias para os números 1, 2


18 14
e 3, obtendo MA  2, MG  3 6  1,817 , MH   1,63 e MQ   2,16 .
11 3
Esses valores satisfazem MQ  MA  MG  MH.

Vamos demonstrar a desigualdade das médias para n  2 e n  3, depois generalizaremos


para qualquer n natural, n  2.

1° caso: n  2

Demonstração de MQ  MA.
Sabemos que qualquer número real ao quadrado é não negativo, então:
 a1  a 2 2  0  a12  2  a1  a 2  a 22  0  a12  a 22  2  a1  a 2

 a12  a 22  a12  a 22  a12  a 22  2  a1  a 2  2  a12  a 22   a1  a 2   2

a 2  a 22  a1  a 2 
 4  2
a 2  a 22 a1  a 2
 1   1   MQ  MA
2 4 2 2
A igualdade ocorre se, e somente se,  a1  a 2   0  a1  a 2  0  a1  a 2 .
2

Demonstração de MA  MG.
Usando novamente que qualquer número real ao quadrado é não negativo, então:

     
2 2 2
a1  a 2 0 a1  2  a1  a 2  a2  0  a1  a 2  2 a1  a 2
a1  a 2
  a1  a 2
2
A igualdade ocorre se, e somente se,
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 
2
a1  a 2  0  a1  a 2  0  a1  a 2  a1  a 2 .

Demonstração de MG  MH.
1 1
Aplicando MA  MG, para e , temos:
a1 a 2
1 1 1 1
 
a1 a 2 1 1 a1 a 2 1 2
     a1  a 2   MG  MH
2 a1 a 2 2 a1  a 2 1 1

a1 a 2
1 1
A igualdade ocorre se, e somente se,   a1  a 2 .
a1 a 2

2° caso: n  3

Demonstração de MQ  MA.
Sabemos que qualquer número real ao quadrado é não negativo, então:
 a1  a 2 2   a 2  a 3 2   a 3  a1 2  0
 a12  2  a1  a 2  a 22  a 22  2  a 2  a 3  a 32  a 32  2  a 3  a1  a12  0
 
 2  a12  a 22  a 32  2  a1  a 2  2  a 2  a 3  2  a 2  a 3
 a12  a 22  a 32  a1  a 2  a 2  a 3  a 2  a 3 (importante!)

 
 2  a12  a 22  a 32  2  a1  a 2  2  a 2  a 3  2  a 2  a 3

 3   a12  a 22  a 32   a12  a 22  a 32  2  a1  a 2  2  a 2  a 3  2  a 2  a 3
 9  2
 a 22  a 32  a1  a 2  a 3 
2
 3  a12  a 22  a 32    a1  a 2  a 3  2
 1
a
3

9
a12  a 22  a 32 a1  a 2  a 3
 
3 3
A igualdade ocorre se, e somente se,
 a1  a 2 2   a 2  a3 2   a3  a1 2  0  a1  a 2  a 2  a3  a3  a1  0  a1  a 2  a3.

Demonstração de MA  MG.
Considerando a identidade de Gauss e que, para a, b e c positivos, a igualdade ocorre se,
somente se, a  b  c, temos:
a 3  b3  c3  3abc   a  b  c   a 2  b2  c2  ab  ac  ab 

  a  b  c    a  b    a  c    b  c    0
1 2 2 2
2
Fazendo a  3 a1 , b  3 a 2 e c  3 a 3 , então
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 3 a1    3 a 2    3 a3 
3 3 3
 3  3 a1  3 a 2  3 a 3  0
a1  a 2  a 3 3
 a1  a 2  a 3  33 a1  a 2  a 3   a1  a 2  a 3  MA  MG
3
A igualdade ocorre se, e somente se, 3 a1  3 a 2  3 a 3  a1  a 2  a 3.

Demonstração de MG  MH.
1 1 1
Aplicando MA  MG, para , e , temos:
a1 a 2 a3
1 1 1 1 1 1
   
a1 a 2 a 3 1 1 1 a a 2 a3 1
3    1 
3 a1 a 2 a 3 3 3 a a a
1 2 3
3
 3 a1  a 2  a 3   MG  MH
1 1 1
 
a1 a 2 a 3
1 1 1
A igualdade ocorre se, e somente se,    a1  a 2  a 3.
a1 a 2 a 3

3° caso: n natural, n  2

Demonstração de MQ  MA.
Sabemos que qualquer número real ao quadrado é não negativo, então:
 a1  a 2 2   a 2  a 3 2    a n  a1   0
2

 a12  2  a1  a 2  a 22  a 22  2  a 2  a 3  a 32   a n2  2  a n  a1  a12  0

 2  a12  a 22  
 a n2  2  a1  a 2  2  a 2  a 3   2  a n  a1
 a12  a 22   a 2n  a1  a 2  a 2  a 3   a1  a n (importante!)

 3  a12  a 22  
 a 2n  a12  a 22   a 2n  2  a1  a 2  2  a 2  a 3   2  a n  a1
 n   a12  a 22   a 2n   a12  a 22   a 2n  2  a1  a 2  2  a 2  a 3   2  a n  a1
 n   a12  a 22   a 2n    a1  a 2   an 
2

 n 2  a 2  a 2   a 2n a  a   an 
2
 1 2  1 2
n n2
a12  a 22   a 32 a1  a 2   a 3
 
n n
A igualdade ocorre se, e somente se,
 a1  a 2 2   a 2  a3 2    a n  a1   0  a1  a 2   a n .
2

Demonstração de MA  MG.
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Para essa demonstração, vamos usar um Lema interessante.


Lema: Dados a1, a 2 , , a n números reais positivos, se a1  a 2   a n  1, , então
a1  a 2   a n  n.

Demonstração do lema:
Vamos aplicar o Princípio da Indução Finita (P.I.F.).
1°) n  1
a1  1  a1  1 (Verdadeiro)
2°) n  2
Se a1a 2  1, então usando a desigualdade das médias para n  2, temos
a1  a 2
 a1  a 2  1  a1  a 2  2 (Verdadeiro)
2
A igualdade ocorre para a1  a 2  1, onde a1  a 2  2.
3°) Hipótese de indução
Suponha que a desigualdade seja válida para n  k, então:
a1  a 2   a k  1  a1  a 2   a k  k,
e a igualdade ocorre somente se a1  a 2   a k  1.
Vamos provar que a desigualdade é válida para n  k  1, ou seja,
Se a1  a 2   a k 1  1, então a1  a 2   a k 1  k  1 (Tese).
Demonstração da Tese:
Se a1  a 2   a k  a k 1  1, então a1  a 2   a k 1  k  1, que satisfaz a
desigualdade.
Vamos analisar o caso em que nem todos os a i são iguais a 1.
a) Pelo menos um dos número não é menor do que 1, pois se todos os números fossem
menores do que 1, o produto de todos eles seria menor do que 1.
b) Pelo menos um desses números não é maior do que 1, pois se todos os números fossem
maiores do que 1, o produto de todos eles seria maior do que 1.
Consideremos, sem perda de generalidade, que a k  1  a k 1  0 e
a k 1  1  1  a k 1  0. Agora, note que
 a k  11  a k 1   0  a k  a k  a k 1  1  a k 1  0  a k  a k 1  a k  a k 1  1
 k  a k  a k 1  a k  a k 1  1  k  *
Vamos aplicar a hipótese de indução aos k números a1, a 2 , , a k 1,  a k  a k 1  tais que
a1  a 2  a k 1   a k  a k 1   1, então
a1  a 2  a k 1   a k  a k 1   k
 a1  a 2  a k 1  a k  a k 1  k  a k  a k 1   a k  a k 1 
 *
 a1  a 2  a k 1  a k  a k 1  k  1
Também a partir da hipótese de indução, a igualdade ocorre somente se
a1  a 2   a k 1  a k  a k 1  1, então
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a1  a 2   a k 1   a k  a k 1   k
1
 a1  a 2   a k 1  a k  a k 1  k  1  a k  a k 1  k  1  a k  a k 1  2
Se a k  a k 1  1 e a k  a k 1  2, então a k  a k 1  1.
O que implica que a igualdade ocorre somente se a1  a 2   a k  a k 1  1.
Pelo Princípio da Indução Finita, o lema é válido para qualquer quantidade n de números
naturais n  1.

a1 a 2 a
Aplicando o lema, aos n números , , , n , com MG  n a1  a 2   a n , tais
MG MG MG
a a a a  a   an
que 1  2   n  1 2  1, então
MG MG MG MG n
a1 a a a  a   an
 2   n n 1 2  MG  MA  MG .
MG MG MG n
a a a
A igualdade ocorre se, e somente se, 1  2   n  a1  a 2   a n .
MG MG MG

Demonstração de MG  MH.
1 1 1
Aplicando MA  MG, para , , , , temos:
a1 a 2 an
1 1 1 1 1 1
     
a1 a 2 an 1 1 1 a1 a 2 an 1
n     
n a1 a 2 a3 n n a a   a3
1 2
n
 n a1  a 2   a3   MG  MH
1 1 1
  
a1 a 2 an
1 1 1
A igualdade ocorre se, e somente se,     a1  a 2   an.
a1 a 2 an

Dessa forma, demonstramos a desigualdade MQ  MA  MG  MH para qualquer


quantidade n de números naturais, n  1.

3. Técnica do balanceamento de coeficientes

O uso da desigualdade das médias é muito comum em questões de máximo e


mínimo, mas em alguns casos não é possível utilizá-la diretamente, pois isso não levaria
ao valor máximo ou mínimo procurado. Para transpor essa dificuldade, aplicaremos uma
técnica chamada de balanceamento de coeficientes. Vamos ver alguns exercícios onde se
mostra como aplicar essa técnica.
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Nesse primeiro exemplo, a aplicação direta da desigualdade MA  MG nos leva ao


valor mínimo procurado. Note que o valor mínimo ocorre na igualdade, então é necessário
que os números utilizados possam assumir o mesmo valor.

3
Exemplo 1: Qual o valor mínimo de f  x   x  , com x  0?
x

Resolução:
Aplicando MA  MG , temos:
3
x
x  x  3  x  3  2 3  f x  2 3
2 x x
3 x 0
A igualdade ocorre quando x   x 2  3  x  3.
x
Portanto, o valor mínimo de f é f  3   2 3.

Note que os expoentes da variável no numerador e denominador da soma são iguais


e assim serão cancelados na multiplicação, deixando o produto constante.

81 243
Exemplo 2: Qual o valor mínimo de f  x   x 3   , com x  0?
x x2

Resolução:
Aplicando MA  MG , temos:
81 243
x3   2
81 243 81 243
 3 x 3   2  x 3   2  3 39  f  x   81
x x 3
3 x x x x
81 243
A igualdade ocorre quando x3    x  3.
x x2
Portanto, o valor mínimo de f é f 3  81.

Novamente, os expoentes da variável no numerador e denominador da soma serão


cancelados na multiplicação, deixando o produto constante.

Exemplo 3: Qual o valor máximo de f  x   x 2  6  x 2  , com 0  x  6 ?

Resolução:
Aplicando MA  MG, temos:
x2  6  x2 
 x2  6  x2   3  x2  6  x2   f  x   3  f  x   9 .
2
A igualdade ocorre quando x 2  6  x 2  x 2  3  x  3.
Portanto, o valor máximo de f é f  3   9.
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Note que, nesse exemplo, a variável é cancelada na soma, levando a um valor


constante da média aritmética, o que propicia o cálculo do valor máximo.

Exemplo 4: Qual o valor máximo de f  x   x 2 1  x  , com 0  x  1?


2

Resolução:
Aplicando MA  MG , temos:
x  x  1  x   1  x  4 2 4
 x  x  1  x   1  x    x 2  1  x 
2
4 4 .
1 1
 f x   f x 
4
2 16
1
A igualdade ocorre quando x  1  x  x  .
2
1 1
Portanto, o valor máximo de f é f    .
 2  16

Note que os fatores do produto foram separados de forma a obtermos parcelas que
somadas levassem a um valor constante, de forma a propiciar o cálculo do valor máximo.

Essa seleção conveniente dos números que serão utilizados na aplicação da


desigualdade das médias é o que chamamos de técnica do balanceamento de coeficientes.
Observe que essa seleção deve permitir que todos os números sejam iguais para que possa
ser satisfeita a condição da igualdade.

No próximo exemplo adotaremos esse procedimento para a obtenção de um valor


mínimo.

3
Exemplo 5: Qual o valor mínimo de f  x   x3  , para x  0?
x

Resolução:
Aplicando MA  MG , sem “ajeitar” a expressão, temos:
3
x3 
x  x 3  3  x 3  3  2 3x 2  f  x   2x 3 .
2 x x

Note que os expoentes da variável no numerador e denominador da soma não são


iguais e assim o resultado na multiplicação não foi constante. Assim, a aplicação da
desigualdade das médias dessa forma, não propicia o cálculo do valor mínimo da
expressão.
Para resolver esse impasse, temos que separar as parcelas de forma a obter
expressões que, quando multiplicadas, resultem em um valor constante.
RCMat – Revista do Clube de Matemáticos nº 4 –outubro de 2020

Note que, no numerador, há uma variável com expoente 3 e no denominador há


uma variável com expoente 1, para gerar um produto constante, deverão aparecer 3 fatores
lineares, para cancelar o fator x 3 .
1 1 1
x3   
x x x  4 x3  1  1  1  x3  3  4 4 1  f  x   4
4 x x x x
1
A igualdade ocorre quando x3   x 4  1  x  1.
x
Portanto, o valor mínimo de f é f 1  4.

Observe que os números escolhidos devem poder ser igualados para que se atinja o
valor mínimo ou máximo. Assim, não podemos usar, por exemplo, termo de mesmo grau
com coeficientes diferentes.

1
Exemplo 6: Qual o valor mínimo de f  x   x 4  , para x  0?
x2

Resolução:
Aplicando MA  MG, sem “ajeitar” a expressão, temos:
1
x4  2
x  x 4  1  x 4  1  2 x 2  f  x   2x
2 x2 x2

Note que os expoentes da variável no numerador e denominador da soma não são


iguais e assim o resultado na multiplicação, não deixou o produto constante.
Para resolver esse impasse, temos que separar as parcelas de forma a obter
expressões que, quando multiplicadas, resultem em um valor constante.
No numerador, há uma variável com expoente 4 e no denominador há uma variável
com expoente 2, para obter um produto constante, deverão aparecer 2 fatores com
denominador x 2 .

1 1
x4  
2x 2  3 x 4  1  1  x 4  1  3  3 1  f  x   3  2
2 3
2x
3 2x 2 2x 2 x2 22 2
1 1 1
A igualdade ocorre quando x 4   x6   x  6 .
2 2
2x 2
3 3 2
Portanto, o valor mínimo de f é f  6 2   .
2
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2
Exemplo 7: Qual o valor máximo de f  x   x 3  2  5x  , para 0  x  ?
5

Resolução:
Vamos separar os fatores da expressão de forma que a soma dessas parcelas seja
constante. Note que, no produto, há um fator com expoente 3 e um fator com expoente 1,
para obter uma soma constante, deverão aparecer ”3 fatores lineares” provenientes da
separação do termo cúbico, além do fator linear que já havia.
5x 5x 5x 
   2  5x 
5x 5x 5x 2 125 3
3 3 3 4     2  5x    4 x   2  5x 
4 3 3 3 4 27
125   1 27
 f x   f x 
27 16 2000
5x 3
A igualdade ocorre quando  2  5x  x  .
3 10
 3 27
Portanto, o valor máximo de f é f    .
 10  2000

A escolha dos denominadores vem de onde? Mágica? Claro que não! É o coeficiente do
x do termo linear, no caso o 5, dividido pela quantidade de “fatores lineares” do termo
cúbico que tem que aparecer, no caso o 3.

A escolha das parcelas da soma também poderia ter sido feita da seguinte madeira, onde
os 3 “fatores lineares” iguais a 5x do termo cúbico, cada um foi multiplicado pelo 1 do
fator linear e o fator linear foi multiplicado pelo 3 do termo cúbico, para que o resultado
fosse uma soma constante.
1  5x   1  5x   1  5x   3   2  5x  4
 5x  5x  5x  3   2  5x 
4
6 4 34 27
  125x 3  3   2  5x   125  3  f  x   4  f  x  
4 2 2000
3
A igualdade ocorre quando 1 5x  3   2  5x   x  .
10
 3 27
Portanto, o valor máximo de f é f    .
 10  2000

Exemplo 8: Qual o valor máximo de f  x   x3 1  2x 2  , para 0  x 


2
?
2

Resolução:
Note que, no produto, há um fator com expoente 3 e um fator com expoente 2, para obter
uma soma constante, devem aparecer 3 parcelas em x 2 (que multiplicadas resultarão em
um fator x 6 ) e 2 parcelas com o termo 1  2x 2  .
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4x 2 4x 2 4x 2 
   1  2x 2   1  2x 2 
4x 2 4x 2 4x 2 
3 3 3 5    1  2x 2   1  2x 2 
5 3 3 3
2 5 64 6 
x  1  2x 2  
2
 f x     f  x  
64   2 32 2 27
 
5 27 27 3125 2  3125
3 30
 f x 
250
4x 2 3
A igualdade ocorre quando  1  2x 2  x  .
3 10
 3  3 30
Portanto, o valor máximo de f é f   .
 10  250

Note que devemos escolher coeficientes numéricos adequados para as parcelas a fim de
resultar uma soma constante. Além disso, termos do mesmo grau devem ter os mesmos
coeficientes para que a igualdade das parcelas seja possível.

A escolha das parcelas de soma constante também poderia ser feita da seguinte forma.
2   2x 2   2   2x 2   2   2x 2   3  1  2x 2   3  1  2x 2 

5
 4x 2  4x 2  4x 2  3  1  2x 2   3  1  2x 2 
5

6 5 3 2 6  65
 4  3  x  1  2x 2   42  62   f  x  
2 2

5 3125
63
  f  x  
2 6 6 3 30
 f x  =
42  3125 4  25 5 250

A igualdade ocorre quando 2   2x 2   3  1  2x 2   x 


3
.
10
 3  3 30
Portanto, o valor máximo de f é f   .
 10  250

Vamos agora apresentar uma lista de 8 exercícios propostos para que você tente resolver
aplicando as ideias apresentadas até aqui. As soluções são apresentadas no final do artigo.

Exercícios propostos

4
x y  8
1) (ITA) Mostre que   2      .
y x   4

2) Considere o inteiro n  1, e o real x  0. Prove que x n 1   n  1 x  n  0.


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a 2 b2  a  b 
2
3) Mostre que, se a, b, x, y  *
, então   , onde a igualdade ocorre
x y xy
a b
somente quando  .
x y

4) Prove que, se a, b e c são números reais positivos, tais que abc  1, então vale a
a b c
desigualdade    a  b  c.
b c a

5) (N. V. Hung) Sejam 0  a, b, c  1 números reais. Prove que


1 1
3  4.
3 1  a 1  b 1  c  abc

6) (D. Marghidanu) Se a, b, c, d   0,1 , tais que a  b  c  d  3. Prove que


811  a 1  b 1  c 1  d   abcd.

7) (N. V. Hung) Sejam a, b, c números reais positivos, tais que ab  bc  ca  3abc. Prove
1 1 1
que  2 2  2 2  1.
2a  b
2 2
2b  c 2c  a

1 1 1 1
8) Sejam a, b, c números reais não nulos, tais que    . Determine o valor
a b c abc
a4 b4 c4
mínimo de 2   .
a  b 2 b 2  c2 c2  a 2

Agora que você já tentou fazer os problemas propostos, recomendamos a leitura das
soluções, mesmo que você tenha conseguido resolvê-los.

1) Para que apareça o expoente 4 é conveniente aplicar MA  MG para 4 termos.


x y x y
11 2
y x x y y x x y
 4 1 1   1  2  4
4 y x 4 y x
4
x y 8
   2    44  256  70   
y x  4

2) Aplicando MA  MG, temos:


"n" vezes
n 1
x 11 1  n 1 n 1
  n 1 x n 1 11 1  x n 1  n   n  1  x
n 1 "n" vezes

 x n 1  n   n  1 x  x n 1   n  1 x  n  0
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3) Sabendo que todo número real ao quadrado é não negativo, temos:


 ay  bx 2  0  a 2 y2  2aybx  b2 x 2  0  a 2 y 2  b 2 x 2  2aybx
 a 2 y 2  b 2 x 2  xy  a 2  b 2   2aybx  xy  a 2  b 2 
 a 2 y 2  b 2 x 2  xya 2  xyb 2  xy  a 2  2ab  b 2 
 a 2 y  x  y   b 2 x  x  y   xy  a  b    x  y   a 2 y  b 2 x   xy  a  b 
2 2

a 2 y  b2 x  a  b  a 2 b2  a  b 
2 2
  + 
xy xy x y xy
a b
A igualdade ocorre quando  ay  bx   0  ay  bx  0  ay  bx 
2
= .
x y
Essa desigualdade também poderia ser demonstrada por redução ao absurdo. Assim, seja
por absurdo:
 a  b 2 a 2 b 2
    a 2  2ab  b2  xy  a 2  xy  y 2   b 2  x 2  xy 
xy x y
 a 2 y 2  b 2 x 2  2abxy  0   ay  bx   0 (ABSURDO)
2

 a  b 2 a 2 b 2
Logo,   . Note ainda que a igualdade ocorre somente quando
xy x y
a b
ay  bx  0   .
x y

4) Aplicando MA  MG , temos:
a a b
  2 3
b b c  3 a  a  b  2a  b  3  3 a  2a  b  3  3 a  2a  b  3  a  eq1
3 b b c b c bc b c abc b c
b b c
  2 3
c c a  3 b  b  c  2b  c  3  3 b  2b  c  3  3 b  2b  c  3  b  eq2 
3 c c a c a ca c a abc c a
c c a
  2 3
a a b  3 c  c  a  2c  a  3  3 c  2c  a  3  3 c  2c  a  3  c  eq3
3 a a b a b ab a b abc a b
Somando membro a membro as (eq1), (eq2) e (eq3), temos:
2a b 2b c 2c a a b c
      3 a  3 b  3 c  3     3a  b  c
b c c a a b b c a
a b c
    a  b  c.
b c a
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5) Aplicando MA  MG, temos:


1  a   1  b   1  c  3
 1  a 1  b 1  c 
3
3
 abc 
 1    1  a 1  b 1  c  *
 3 
abc 3 abc a bc
 abc     3 abc  1   1  3 abc
3 3 3
3
 abc  3 3
 1    1  abc **
 3 
*  **  1  3 abc   1  a 1  b 1  c   1  3 abc  3 1  a 1  b 1  c 
3

 1  3 1  a 1  b 1  c   3 abc ***


Aplicando MA  MH, , temos:
3 1  a 1  b 1  c   3 abc 2

2 1 1
3
3 1  a 1  b 1  c  abc

***  1  2

1
3
1
4
2 1
3
1 3 1  a 1  b 1  c  abc
3 1  a 1  b 1  c  abc

6)

1  a 1  b 1  c 1  d   3 1  a 3 1  b 3 1  c 3 1  d 3


 1  a 1  b 1  c 1  d   3 1  a 1  b 1  c   3 1  a 1  b 1  d  
 3 1  a 1  c 1  d   3 1  b 1  c 1  d 
 * 1  a   1  b   1  c  1  a   1  b   1  d 
 1  a 1  b 1  c 1  d    
3 3
1  a   1  c   1  d  1  b   1  c   1  d 
 
3 3
3  a  b  c 3  a  b  d  3  a  c  d  3  b  c  d 
 1  a 1  b 1  c 1  d     
3 3 3 3
3   3  d  3   3  c  3   3  b  3   3  a  abcd
 1  a 1  b 1  c 1  d      
3 3 3 3 81
 811  a 1  b 1  c 1  d   abcd
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7) (N. V. Hung) Sejam a, b, c números reais positivos, tais que ab  bc  ca  3abc. Prove
1 1 1
que  2 2  2 2  1.
2a  b
2 2
2b  c 2c  a

7) Manipulando a expressão e aplicando MA  MG  MH, para três termos, temos:


ab  bc  ca 1 1 1
ab  bc  ca  3abc  3   3
abc a b c
a 2  a 2  b2 3 2 2 2  
 a a b  2a 2  b 2  3a ab 2  3a  3 abb   3a 
3 3
3 1 1 1 
   
a b b
 1  1 1 1 2 1 1 2
 2a 2  b 2  9a    2     2  2
1 2 2a  b 2 9a  a b  2a  b 2 ab
   a
a b
1 1 1 2 1 1 1 2 
Analogamente,  
2 9  2 bc 
e 2 2  2 
2b  c
2
b  2c  a 9c ac 
1 1 1 1 1 2 1 2 1 2
          
2a 2  b2 2b 2  c2 2c2  a 2 9  a 2 ab b 2 bc c2 ca 
2
1 11 1 1
1 1 2 1
       
 3
2a 2  b2 2b 2  c2 2c2  a 2 9  a b c  9
1 1 1
 2  2 2  2 2 1
2a  b 2
2b  c 2c  a

8) Manipulando a expressão e aplicando MA  MG, para três termos, temos:


1 1 1 1 ab  bc  ca 1
      ab  bc  ca  1
a b c abc abc abc
a4  a 2  b2 
  a 4   a 2  b2 
a 2  b2 4 a4 a 2  b2 a2
  2      2 
2  a  b2  4 a 2  b2 4 2
 
a4 a 2  b2
   a 2 1
a 2  b2 4
b 2  c2b4 c4 c2  a 2
Analogamente,  b 2

(2), e   c2 (3).
b c
2 2 4 c a
2 2 4
Somando (1), (2) e (3), vem:
a4 a 2  b2 b4 b2  c2 c4 c2  a 2
  2 2  2 2  a 2  b2  c2
a 2  b2 4 b c 4 c a 4
a4 b4 c4 a 2  b 2  c2
     a 2  b 2  c2
a 2  b2 b 2  c2 c2  a 2 2
a4 a 2  b2  c2
b4 c4
 2   
a  b2 b2  c2 c2  a 2 2
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Sabemos que a 2  b2  c2  ab  ac  bc e que ab  ac  bc  1, então


a4 b4 c4 a 2  b2  c2 ab  ac  bc
   
a 2  b2 b2  c2 c2  a 2 2 2
a4 b4 c4 1
   
a b
2 2
b c
2 2
c a
2 2 2

Referências

KOROVKIN, P. P.; Desigualdades. Moscou: MIR, 1976.

YAGLOM, I. M. et al; The USSR Olympiad Problem Book: Selected Problems and
Theorems of Elementary Mathematics. New York: Dover, 1993.

LIDSKI, V. B et al; Problemas de Matematicas Elementales. Moscou: Mir, 1972.

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