Guia de Treinamento Policial 2022/2023
Guia de Treinamento Policial 2022/2023
11º BIÊNIO
2022/2023
BELO HORIZONTE – MG
2022
Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Reprodução proibida – Circulação restrita.
COORDENAÇÃO E REVISÃO
Cel PM QOR Cleyde da Conceição Cruz Fernandes
Cel PM QOR Ederson da Cruz Pereira
Ten Cel PM Marcos A. Araújo Gonçalves
Maj PM Welvisson Gomes Brandão
Cap PM Cristina de Morais Pereira
Cap PM Cláudio José Virgílio
CDU 355.231
Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais –
Centro de Pesquisa e Pós-Graduação. Bibliotecária: Regina Simão Paulino – CRB-6/1154
2022
ADMINISTRAÇÃO
Academia de Polícia Militar / Centro de Treinamento Policial
Rua Diábase, 320, Prado. Belo Horizonte.
Minas Gerais. Brasil – CEP: 30.411-060
Tel: (31) 2123-9430
PUBLICAÇÃO:
Editora Academia do Prado Mineiro / Centro de Pesquisa e Pós-Graduação
Rua Diábase, 320, Prado. Belo Horizonte.
Minas Gerais. Brasil – CEP: 30.411-060 - Tel: (31) 2123-9513
CONTEUDISTAS
1. Abordagem a pessoas Cap PM Rodrigo Albuquerque Biffi
Cap PM Wilson Oliveira dos ReisJúnior
Maj PM Renato Quirino Machado Júnior Cap PM Rogério José Mol Lima
Cap PM Adenilson Brito Ferreira Cap PM Marco Túlio Resende
Cap PM Diego Martins Furtado 1º Ten PM Edgar Franca Rosa Severino
1º Ten PM Edgar Franca Rosa Severino 1º Ten PM Bruno Alves Pardini
1º Ten PM Victor Navarro dos Reis 1º Ten PM Caio Rezende Coelho
1º Ten PM Evandro Flávio Lisboa 1º Ten PM Paulo Silas dos S. Ferreira
2º Ten PM Rander Nevinton da Silva 1º Ten PM Leonardo Augusto F. S. Lemos
2º Sgt PM Wallysson Fernandes Silveira 1º Ten PM Hugo Diniz Magalhães
2º Sgt PM Anderson Soares Marques 1º Ten PM Romeu Junio de Bessa
3º Sgt PM Wadson Rodrigues Pereira 1º Ten PM Fernando de Abreu Lima
3º Sgt PM Davidson Gomes de Paiva 1º Ten PM Leonardo Bruno M. Neves
2º Ten PM Davidson Wallace Silva Leite
2. Abordagem a Veículos
Maj PM Iran Martins de Oliveira
7. Atendimento Pré-Hospitalar
Cap PM Sandro Isidoro de Abreu Cap PM Lilian Freitas A. A. Rodrigues
1º Ten PM David Alexandre Nazareth 1º Ten PM Alexandre Ribas de Carvalho
2º Ten PM Davidson Wallace Silva Leite 1º Ten PM Raquel Batista Dantas
2º Ten PM Juliano Cota Avelar 2º Sgt PM Luiz Andrey Teixeira Duarte
2º Ten PM Jefferson Cosme de Siqueira 2º Sgt PM Wagner Tardim Santos
2º Ten PM Anderson Martins de Souza Cb PM Marcelo H. Teixeira Silva
2º Sgt PM Vinícius Ribas Gonçalves Cb PM Richardson C. Ribeiro Nunes
3º Sgt PM Sérgio Cordeiro Souza Cb PM Cristóvão Roque Lopes
3º Sgt PM Cléber do Carmo Santos Cb PM Osmar Fernandes Afonso
2. Abordagem a Veículos
11. Legislação Jurídica Maj PM Guilherme Tiradentes Pimenta
Maj PM Reginaldo de A. Teixeira Leite Cap PM Christian Pecinalli Mardones
Cap PM Thiago Emanuel de F. Cardoso 2º Ten PM Devair Dias Lopes
1º Ten PM Stefani da Silva R. Mota
3. Blitz Policial
1º Ten PM Everton Geraldo da Silva
Cap PM José Rômulo De Assis
1º Ten PM Silas Hermann Christian Bicca 1º Ten PM Carlos A. Pereira Lobato
1º Ten PM Rodrigo R. Ferreira Alves
1º Ten PM Luiz Carlos Gontijo 4. Defesa Civil
1º Ten PM Verônica G. de Macedo Maj PM Carlos Eduardo Gomes
2º Ten PM Jovenniu Leite dos Santos Maj PM Luis Antônio e Silva
Cap PM Junior Silvano Alves
12. Imagem Institucional, Uso das Mídias Sociais e
Representatividade 5. Defesa Pessoal Policial
Cel PM QOR Carlos Alberto Sacramento
Cap PM Cristiano Luiz da Silva Araújo Maj PM Claudio Antônio Jorge
Cap PM Pablo Sérgio de Souza Correa 1º Ten PM José Luiz Gonçalves Machado
1º Ten PM Davidson Rodrigues
1º Ten PM Lucas de Oliveira Vital 6. Primeiro Interventor
Ten Cel PM Alexandre de P. dos Santos
2º Sgt PM Diogo Ambrósio S. Fernandes
Ten Cel PM Juliano Jose Trant de Miranda
2º Sgt PM Lucas Cancela de Oliveira
Maj PM Daniel Lopes Teixeira
3º Sgt PM Amanda Carolina T. de Souza
Cap PM Felipe Bruno Lopes
A pesquisa realizada junto a nossa operosa tropa contou com a participação de mais de 7.000
integrantes de toda a Corporação, militares que atuam ou atuaram em diversas especialidades,
Unidades e atividades meio e fim.
Todas as sugestões apontadas na pesquisa foram analisadas e levadas em consideração para que
os assuntos abordados conduzam com segurança, energia e firmeza nossas ações operacionais.
Primeiro Interventor – o conteúdo procura preparar o policial militar para o primeiro contato com
ocorrências complexas, ocasião em que as ações iniciais e decisivas nortearão o melhor desfecho,
solução ou encaminhamento da ocorrência.
5
atendimento às necessidades das comunidades, decorrentes de situações de emergência ou de
estados de calamidade pública.
Entendemos que o policial militar deve receber orientação para o melhor uso de sua imagem,
evitando riscos pessoais desnecessários, compreendendo também a relevância da preservação ou
potencialização da imagem da Corporação em prol da legitimidade das nossas ações e operações.
Esperamos, neste biênio, que o TPB possa ser útil, agregando conhecimentos técnicos
profissionais e despertando valores institucionais como o AUTOAPERFEIÇOAMENTO, ESPÍRITO
DE CORPO, CAMARADAGEM, AUTOCONFIANÇA, COMBATIVIDADE, DISCIPLINA, RUSTICIDADE,
PATRIOTISMO, CIVISMO e muito especialmente FÉ NA MISSÃO.
Força e honra!
6
SUMÁRIO
1 Introdução...............................................................................................................................................................................................21
2 Conceitos .................................................................................................................................................................................................21
3 Amparo Legal ........................................................................................................................................................................................22
4 Doutrina Institucional .........................................................................................................................................................................23
4.1 Níveis de intervenção ..............................................................................................................................................................23
4.2 Fundamentos da abordagem ...............................................................................................................................................24
4.3 Uso da força.................................................................................................................................................................................24
4.4 Níveis de abordagem a pessoas..........................................................................................................................................25
4.4.1 Abordagens a pessoas aparentemente desarmadas .......................................................................................25
4.4.2 Abordagem a pessoa portando arma branca .....................................................................................................27
4.4.3 Abordagem a pessoa portando arma de fogo ...................................................................................................29
4.5 Tática de aproximação ............................................................................................................................................................29
4.6 Posição de contenção ..............................................................................................................................................................30
5 Abordagem a Domicílios, Bares e Afins ......................................................................................................................................31
5.1 Abordagem a pessoas em residências .............................................................................................................................31
5.2 Abordagem a bares e afins....................................................................................................................................................32
6 Conclusão ................................................................................................................................................................................................33
7 Referências..............................................................................................................................................................................................34
1 Introdução...............................................................................................................................................................................................36
2 Considerações Iniciais ........................................................................................................................................................................36
2.1 Níveis de abordagem a veículos .........................................................................................................................................38
2.2 Conceitos aplicáveis à área de abordagem a veículos ...............................................................................................38
3 Distribuição de Funções e Posicionamento dos Policias .....................................................................................................40
4 Posicionamento das Viaturas ...........................................................................................................................................................42
5 Abordagem a Veículos – Passo a Passo .....................................................................................................................................45
6 Abordagem a Veículos Com Características Especiais..........................................................................................................48
6.1 Abordagem a motocicleta .....................................................................................................................................................48
6.2 Abordagem a ônibus ...............................................................................................................................................................50
6.3 Abordagem a caminhão .........................................................................................................................................................51
7 Limitadores de Fuga ...........................................................................................................................................................................52
8 Dos Locais Para Realização de Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação ................................................................52
9 Montagem do Dispositivo de Bloqueio na Via ........................................................................................................................54
10 Uso do Limitador de Fuga .............................................................................................................................................................56
10.1 Uso do limitador de fuga no cerco ..................................................................................................................................56
10.2 Uso do limitador de fuga no bloqueio...........................................................................................................................57
11 Limitações no Uso dos Limitadores de Fuga .........................................................................................................................59
12 Conclusão .............................................................................................................................................................................................59
1 Introdução...............................................................................................................................................................................................62
2 Conceito e Classificação ....................................................................................................................................................................62
2.1 Tipos de blitz ...............................................................................................................................................................................62
2.2 Categorias de blitz ....................................................................................................................................................................63
2.3 Preparo mental, avaliação de riscos e pensamento tático na blitz policial .......................................................63
7
3 Planejamento e Desenvolvimento ................................................................................................................................................64
3.1 Efetivo e logística .......................................................................................................................................................................64
3.2 Funções dos policiais militares na blitz ............................................................................................................................65
3.3 Montagem do dispositivo e procedimento operacional ..........................................................................................66
3.3.1 Blitz categoria 1 ...............................................................................................................................................................67
3.3.2 Blitz categoria 2 ...............................................................................................................................................................68
3.3.3 Blitz categoria 3 ...............................................................................................................................................................70
3.4 Comunicações operacionais .................................................................................................................................................71
3.5 Busca ...............................................................................................................................................................................................72
4 Processos de Comunicação .............................................................................................................................................................73
4.1 Sinalização ....................................................................................................................................................................................73
4.2 Verbalização policial e emprego de arma de fogo durante a blitz.......................................................................75
4.2.1 Abordado cooperativo ..................................................................................................................................................75
4.2.2 Abordado resistente passivo ou ativo ....................................................................................................................77
4.2.3 Disparos contra veículos em fuga ............................................................................................................................78
5 Situações Dificultadoras das Abordagens em Blitz ................................................................................................................79
5.1 Evasão ............................................................................................................................................................................................79
5.2 Abordagem a motocicletas ...................................................................................................................................................80
5.3 Abordagem a autoridades .....................................................................................................................................................80
5.4 Blitz noturna ................................................................................................................................................................................81
5.5 Tentativa de corrupção ...........................................................................................................................................................81
5.6 Condutor embriagado .............................................................................................................................................................82
6 Conclusão ................................................................................................................................................................................................82
[Link]ção ...............................................................................................................................................................................................84
2 Histórico de Proteção e Defesa Civil ............................................................................................................................................85
2.1 No mundo ....................................................................................................................................................................................85
2.2 No Brasil ........................................................................................................................................................................................85
2.3 Em Minas Gerais.........................................................................................................................................................................86
2.4 Coordenadoria Estadual de Defesa Civil ..........................................................................................................................86
2.5 Regionais de Proteção e Defesa Civil – REDEC .............................................................................................................87
3 Conceitos no Âmbito da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil .........................................................................88
4 Ações Adotadas Pelo Primeiro Interventor em Ocorrência de Desastres ....................................................................94
4.1 Informar sua chegada no local da ocorrência ...............................................................................................................95
4.2 Assumir e estabelecer o Posto de Comando .................................................................................................................95
4.3 Avaliar e dimensionar a situação ........................................................................................................................................97
4.4 Estabelecer um perímetro de segurança .........................................................................................................................97
4.5 Estabelecer os objetivos iniciais ..........................................................................................................................................98
4.6 Determinar as estratégias ......................................................................................................................................................99
4.7 Definir os recursos ....................................................................................................................................................................99
4.8 Preparar informações para transferir o comando ..................................................................................................... 100
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 101
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 101
8
4.3 Imobilização de membros superiores ............................................................................................................................ 113
4.4 Defesas contra golpes traumáticos ................................................................................................................................. 113
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 113
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 116
2 Aspectos Gerais da Doutrina de Gerenciamento de Crises e Primeira Intervenção .............................................. 116
2.1 Tentativa de autoextermínio com o indivíduo armado .......................................................................................... 122
2.2 Ocorrências com reféns ....................................................................................................................................................... 124
2.3 Ocorrências envolvendo artefatos explosivos ............................................................................................................ 125
2.4 Infratores armados homiziados em área de mata .................................................................................................... 126
3 Acionamento de Demais Unidades Especializadas ............................................................................................................. 127
3.1 Comando de Aviação do Estado – COMAVE .............................................................................................................. 127
3.2 Batalhão de Polícia de Choque – BPChq....................................................................................................................... 129
3.2.1 Eventos em via pública .............................................................................................................................................. 129
3.2.2 Manifestações com obstrução de vias ................................................................................................................ 130
3.3 Rondas Ostensivas Com Cães – ROCCA ....................................................................................................................... 130
3.3.1 Ação dos cães do faro antidrogas ........................................................................................................................ 130
3.3.2 Ação dos cães de captura ......................................................................................................................................... 131
3.3.3 Cerco da área de mata e/ou edificações ............................................................................................................ 131
3.4 Tático Móvel (TM), Grupo Tático Rodoviário (GTR), Grupo Especial de Policiamento Ambiental
(GEPAM) ............................................................................................................................................................................................. 132
3.5 Rondas Táticas Metropolitanas (ROTAM) e Grupamento Especializado em Recobrimento (GER) ....... 133
4. Conclusão ............................................................................................................................................................................................ 133
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 136
2 Aspectos gerais e legais em APH ............................................................................................................................................... 137
2.1 Aspectos legais e noções gerais de APH ...................................................................................................................... 138
2.2 Particularidades e diferenças entre o APH Civil/Convencional e APH Tático ................................................ 143
3 APH Civil/Convencional - abordagens para policiais militares ...................................................................................... 145
3.1 Dimensionamento da cena para atuação do socorrista ......................................................................................... 145
3.2 Algoritmos para avaliação das vítimas de trauma em APH .................................................................................. 146
3.2.1 Intervenções direcionadas pelo Mnemônico x-ABCDE ................................................................................ 147
3.3 Hemorragias e choque nos quadros de trauma ........................................................................................................ 152
4 Atendimento à parada cardiorrespiratória (PCR) e Obstrução de vias aéreas por corpo estranho
(OVACE) .................................................................................................................................................................................................... 153
4.1 Parada Cardiorrespiratória (PCR) ..................................................................................................................................... 153
4.1.1 Abordagem geral à reanimação cardiopulmonar (RCP) no ambiente extra-hospitalar
(PCREH) ....................................................................................................................................................................................... 153
4.1.2 Atendimento sequencial do policial militar à vítima em PCR .................................................................... 156
[Link] Acionamento do serviço de emergência auxiliar e uso do Desfibrilador Externo Automático
(DEA) ..................................................................................................................................................................................... 156
[Link] Manobras de reanimação cardiopulmonar............................................................................................. 159
4.2 Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) ......................................................................................... 161
4.2.1 Abordagem geral da OVACE no APH .................................................................................................................. 161
4.2.2 Atendimento sequencial das vítimas com obstrução de via aérea ......................................................... 162
5. Atendimento pré-hospitalar tático (APH Tático) ................................................................................................................ 163
5.1 Objetivos e princípios do APH Tático ............................................................................................................................ 163
5.2 Atendimento aos feridos no contexto tático .............................................................................................................. 165
6. Acrônimo MARCH do APH Tático ............................................................................................................................................. 166
7. Técnicas de resgate policial em APH Tático ......................................................................................................................... 177
7.1 Resgate sob confronto armado (sob fogo) ................................................................................................................. 177
7.1.1 Neutralizar ameaças .................................................................................................................................................... 178
7.1.2 Resgate do agente ferido ......................................................................................................................................... 178
[Link] Extricação - auxílio remoto (caso possível) ............................................................................................. 178
[Link] Comunicação via rede de rádio ................................................................................................................... 179
9
[Link] Evacuação tática (hora de ouro) .................................................................................................................. 179
[Link] Transporte do militar ferido .......................................................................................................................... 179
[Link].1 Tipos de transporte do militar ferido .............................................................................................. 180
8. Conclusão ............................................................................................................................................................................................ 185
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 188
2 Estratégia de desenvolvimento de aplicações – primeira entrega e evolução ........................................................ 189
3 Aplicações da PMMG ...................................................................................................................................................................... 189
3.1 Sistema HÉLIOS ....................................................................................................................................................................... 189
3.1.1 Acesso e operação ....................................................................................................................................................... 190
3.1.2 Aplicação operação policial ..................................................................................................................................... 193
3.1.3 Pesquisa de veículos ................................................................................................................................................... 194
3.2 QApp............................................................................................................................................................................................ 198
3.2.1 QApp – Indivíduos ....................................................................................................................................................... 199
3.2.2 QApp – Envolvidos ...................................................................................................................................................... 200
3.2.3 QApp – Condutores .................................................................................................................................................... 201
3.2.4 QApp – Veículos ........................................................................................................................................................... 201
3.2.5 QApp – Gestão .............................................................................................................................................................. 202
3.2.6 QApp – Codificador..................................................................................................................................................... 202
3.2.7 QApp – Sistema de segurança do usuário – Sistema de reconhecimento facial ............................... 203
4 Aplicações externas .......................................................................................................................................................................... 203
4.1 CORTEX ....................................................................................................................................................................................... 203
4.2 Operação do sistema CÓRTEX .......................................................................................................................................... 204
4.2.1 Acesso ............................................................................................................................................................................... 204
4.2.2 Módulo cercamento eletrônico .............................................................................................................................. 204
4.2.3 Consulta veículos ......................................................................................................................................................... 205
4.2.4 Consulta pessoas.......................................................................................................................................................... 206
4.2.5 Consulta embarcações ............................................................................................................................................... 207
4.2.6 Consulta radares ........................................................................................................................................................... 207
4.2.7 Alerta pessoas ............................................................................................................................................................... 208
4.2.8 Alerta veículos ............................................................................................................................................................... 208
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 208
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 209
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 213
2 Processo de Registro de Evento de Defesa Social .............................................................................................................. 213
2.1 Diretriz Integrada de Ações e Operações (DIAO)...................................................................................................... 213
2.2 Estrutura do Sistema de Classificação e Codificação de Ocorrências ............................................................... 214
2.3 Sistema de Registro de Eventos de Defesa Social .................................................................................................... 215
2.3.1 Boletim de Ocorrência Policial ................................................................................................................................ 215
2.3.2 Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS) e Relatório de Atividades (RAT) ....................................... 217
2.3.3 Campos parametrizados ........................................................................................................................................... 218
[Link] Dificuldades relativas ao preenchimento inadequado de alguns campos específicos do
REDS ...................................................................................................................................................................................... 218
2.4 Atribuição da natureza do REDS ...................................................................................................................................... 222
2.4.1 Atribuição de natureza da Classe 99 - “outras” no REDS ............................................................................ 224
2.5 Histórico do evento ............................................................................................................................................................... 224
2.5.1 Características da Redação Oficial ........................................................................................................................ 225
[Link] Impessoalidade................................................................................................................................................... 225
[Link] Correção ................................................................................................................................................................ 225
[Link] Concisão ................................................................................................................................................................ 225
[Link] Padronização ....................................................................................................................................................... 226
[Link] Clareza .................................................................................................................................................................... 226
[Link] Formalidade ......................................................................................................................................................... 226
3 Erros a serem evitados .................................................................................................................................................................... 227
3.1 Principais naturezas apuradas nas auditorias do C 99.000 ................................................................................... 228
10
3.2 Evento em outro estado ...................................................................................................................................................... 228
3.3 Autor preso ou objeto apreendido após encerramento da ocorrência inicial .............................................. 229
3.4 Registro de embriaguez no trânsito ............................................................................................................................... 229
3.5 Arma de fogo e simulacro .................................................................................................................................................. 230
4 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 230
5. Referências.......................................................................................................................................................................................... 231
1 Aspectos gerais de segurança para manuseio das armas de fogo .............................................................................. 235
2 Noções de tiro tático ....................................................................................................................................................................... 236
3 Técnicas e táticas aplicáveis ao tiro policial no TPB............................................................................................................ 237
3.1 Uso de cobertas e abrigos .................................................................................................................................................. 237
3.2 Posições táticas de emprego da arma de fogo e posturas de abordagem ................................................... 239
3.3 Engajamento de diferentes alvos ..................................................................................................................................... 244
3.4 Duplo impacto (“double tap”) e tiro em par (“controlled pair”) .......................................................................... 244
3.5 Saque rápido com disparos em sequência .................................................................................................................. 245
3.6 Recarga rápida entre disparos .......................................................................................................................................... 246
3.7 Tiro com compressão de tempo ...................................................................................................................................... 247
3.8 Verbalização ............................................................................................................................................................................. 248
3.9 Solução de panes entre disparos ..................................................................................................................................... 249
3.9.1 Falha de extração ......................................................................................................................................................... 249
3.9.2 Falha de carregamento .............................................................................................................................................. 250
3.9.3 Falha de ignição ............................................................................................................................................................ 251
3.9.4 Falha de ejeção ............................................................................................................................................................. 251
3.9.5 Falha de trancamento ................................................................................................................................................ 252
3.9.6 Ausência de ciclo causada por estojo preso à câmara ................................................................................. 252
3.10 Fundamentos de tiro aplicados ao tiro tático .......................................................................................................... 253
3.10.1 Postura ........................................................................................................................................................................... 253
[Link] Posição de pé ................................................................................................................................................... 254
[Link] Posições de pé não convencionais para tomada de cobertas e abrigos ................................. 254
3.10.2 Empunhadura com armas de porte ................................................................................................................... 255
3.10.3 Pontaria ou visada ..................................................................................................................................................... 256
[Link] Visada monocular ........................................................................................................................................... 258
[Link] Visada binocular .............................................................................................................................................. 259
3.10.4 Acionamento do gatilho ......................................................................................................................................... 260
3.10.5 Respiração .................................................................................................................................................................... 261
3.11 Protocolo de segurança após o confronto ................................................................................................................ 262
3.11.1 Acompanhamento e verificação do alvo ......................................................................................................... 262
3.11.2 Varredura no ambiente ........................................................................................................................................... 263
3.11.3 Inspeção tática da arma .......................................................................................................................................... 263
4 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 264
5 Referências........................................................................................................................................................................................... 265
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 268
2 Considerações Sobre a Lei de Tortura – nº 9.455/1997 .................................................................................................... 268
2.1 Introdução à tortura .............................................................................................................................................................. 268
2.2 Crime militar de tortura por extensão ........................................................................................................................... 269
2.3 Tratamento legal da tortura ............................................................................................................................................... 269
2.4 Meios e modos de execução da tortura ....................................................................................................................... 270
2.5 Condutas que são consideradas crime de tortura que possam advir do desvio na atividade
policial ................................................................................................................................................................................................ 271
2.5.1 Tortura-prova (Art. 1º, Inciso I, alínea a) ............................................................................................................. 271
2.5.2 Tortura-castigo (Art. 1º, inciso II) ........................................................................................................................... 271
2.5.3 Figura privilegiada: tortura-omissão (art. 1º, § 2º) ......................................................................................... 272
2.6 Efeito automático da sentença condenatória por tortura ..................................................................................... 272
3 Lei do Crime Organizado (LCO) − Lei n°. 12.850/2013 ..................................................................................................... 272
4 Considerações Sobre a Ampliação do Conceito de Crime Militar Diante da Lei n°. 13.491/17 ....................... 274
11
4.1 Crime propriamente militar ......................................................................................................................................... 274
4.2 Crime impropriamente militar .................................................................................................................................... 275
4.3 Alteração legislativa trazida pela Lei n°. 13.491/17, que alterou o art. 9º do Decreto-Lei n°. 1001, de
21Out69, Código Penal Militar, e ampliou a competência da Justiça Militar. ............................................... 275
5 Lei n°. 13.869, de 05 de Setembro de 2019 – Nova Lei de Abuso de Autoridade ................................................. 277
5.1 Sujeitos ativos dos crimes de abuso de autoridade ................................................................................................. 278
5.2 Alguns crimes na lei de abuso de autoridade mais afetos à atividade policial militar .............................. 278
6 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 280
7 Referências........................................................................................................................................................................................... 281
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 284
2 Imagem Institucional e Representatividade ........................................................................................................................... 285
3 Uso das Redes Sociais Pelo Policial Militar – Mem 10.019.2/19 CG............................................................................. 286
4 Possíveis Penalidades – Mem. 10.275.0/2020 EMPM......................................................................................................... 289
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 293
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 294
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 297
2 Conceito de Saúde integral .......................................................................................................................................................... 298
3 Estresse.................................................................................................................................................................................................. 300
3.1 Sintomas do estresse ............................................................................................................................................................ 300
3.2 Fases do estresse .................................................................................................................................................................... 301
3.3 Estresse ocupacional ............................................................................................................................................................. 303
4 Estratégias de Enfrentamento ao Estresse .............................................................................................................................. 304
5 Saúde Integral e Prevenção ao Estresse: Pontos de Atenção ......................................................................................... 305
6 Programa de Saúde Ocupacional na Polícia Militar de Minas Gerais (PSOPM) ...................................................... 309
7 A Importância da Conscientização e do Acolhimento nas Situações de Violência Doméstica ........................ 310
8 Saúde Socioassistencial .................................................................................................................................................................. 311
9 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 312
10 Referências ........................................................................................................................................................................................ 313
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 317
2 Conceito de Cadeia de Custódia ................................................................................................................................................ 318
3 Local do Crime ................................................................................................................................................................................... 319
3.1 Classificação do local de crime e conceitos correlatos ........................................................................................... 319
4 Provas e Elementos Informativos ............................................................................................................................................... 321
5 Procedimentos no Local de Crime ............................................................................................................................................. 324
6 Etapas da Cadeia de Custódia ..................................................................................................................................................... 327
6.1 Reconhecimento ..................................................................................................................................................................... 328
6.2 Isolamento ................................................................................................................................................................................. 329
6.3 Fixação ........................................................................................................................................................................................ 330
6.4 Coleta .......................................................................................................................................................................................... 331
6.5 Acondicionamento ................................................................................................................................................................. 332
6.6 Transporte ................................................................................................................................................................................. 334
6.7 Recebimento ............................................................................................................................................................................ 335
6.8 Processamento ........................................................................................................................................................................ 336
6.9 Armazenamento...................................................................................................................................................................... 336
6.10 Descarte ................................................................................................................................................................................... 337
7 Etapas da Cadeia de Custódia da Prova nas Infrações Penais Comuns e nas Infrações Penais Relacionadas
aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo................................................................................................................................... 337
8 Procedimentos Operacionais em Infrações de Menor Potencial Ofensivo ............................................................... 339
9 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 342
12
15 AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR .......................................................................................... 343
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 344
2 Objetivo da Disciplina ..................................................................................................................................................................... 344
3 Força de Resistência Abdominal – Abdominal Tipo Remador ....................................................................................... 345
3.1 Objetivo ...................................................................................................................................................................................... 345
3.2 Procedimentos ......................................................................................................................................................................... 345
3.3 Observação ............................................................................................................................................................................... 346
4 Avaliação de Força de Resistência de Braço na Barra Fixa ............................................................................................... 347
4.1 Flexão estática (isométrica) – feminino ......................................................................................................................... 347
4.1.1 Objetivo............................................................................................................................................................................ 347
4.1.2 Procedimentos .............................................................................................................................................................. 347
4.1.3 Observações ................................................................................................................................................................... 348
4.2 Força de resistência de braço na barra fixa - flexão dinâmica (isotônica) na barra – masculino .......... 349
4.2.1 Objetivo............................................................................................................................................................................ 349
4.2.2 Procedimentos .............................................................................................................................................................. 349
4.2.3 Observações ................................................................................................................................................................... 349
5 Resistência Cardiorrespiratória – Corrida 2400 Metros..................................................................................................... 350
5.1 Objetivo ...................................................................................................................................................................................... 350
5.2 Procedimentos ......................................................................................................................................................................... 351
5.3 Observações ............................................................................................................................................................................. 351
6 Tabelas de Pontuação do Teste de Capacitação Física do Treinamento Policial Básico (TPB) ......................... 352
7 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 355
8 Referências ......................................................................................................................................................................................... 355
Anexo A - Métodos de treino para o Teste de Abdominal ................................................................................................. 356
Anexo b - Métodos de treino para o Teste de Barra ............................................................................................................. 358
Anexo c - Métodos de treino para o Teste de Corrida 2.400m ......................................................................................... 362
1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 366
2 Os IMPO e o Modelo do Uso Diferenciado da Força ......................................................................................................... 367
3 Aspectos Legais ................................................................................................................................................................................. 370
3.1 Inobservância das Normas e Preceitos Legais ............................................................................................................ 371
3.2 Registros..................................................................................................................................................................................... 371
4 Habilitação para Emprego dos Espargidores e Pistolas de Emissão de Impulsos Elétricos (PEIE) .................. 372
4.1 Espargidores ............................................................................................................................................................................. 372
4.1.1 Apresentação visual do agente químico ............................................................................................................ 374
4.1.2 Manejo e emprego ...................................................................................................................................................... 374
4.1.3 Descontaminação......................................................................................................................................................... 378
4.1.4 Modelos disponíveis no portfólio de equipamentos fornecidos pela PMMG .................................... 378
[Link] Fornecedora RJC ................................................................................................................................................ 378
[Link] Fornecedora Condor ........................................................................................................................................ 379
4.2 Pistolas de emissão de impulsos elétricos (PEIE)....................................................................................................... 380
4.2.1 Regras de segurança da PEIE .................................................................................................................................. 380
4.2.2 Manejo e Emprego ...................................................................................................................................................... 381
4.2.3 Retirada dos dardos .................................................................................................................................................... 384
4.2.4 Situações de risco inerentes ao uso das PEIE ................................................................................................... 386
4.2.5 Modelos Taser M26 e Spark DSK700 ................................................................................................................... 387
4.2.6 Cartuchos ........................................................................................................................................................................ 393
4.2.7 Auditoria .......................................................................................................................................................................... 395
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 395
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 396
13
14
IDENTIDADE
ORGANIZACIONAL
Missão
Promover a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública, valorizando as pessoas, contribuindo
para a garantia de um ambiente seguro para se viver, trabalhar e empreender em Minas Gerais.
Visão
Ser uma instituição de Estado reconhecida pela excelência em gestão e inovação, exemplo de
sustentabilidade e efetividade na prestação de serviços de segurança pública.
VALORES
REPRESENTATIVIDADE
Internalização e prática dos valores institucionais pelos servidores, que os tornam em condições de
demonstrar, positivamente, a imagem da PMMG, tanto na condição de policial militar como em
situações da vida cotidiana.
RESPEITO
São deveres em relação a quem serve na PMMG e a quem servimos: o cidadão e a sociedade. A PMMG
se esforça para dar aos seus servidores condições para que expressem o seu potencial de inteligência
e suas capacidades no respeito e garantia dos direitos fundamentais das pessoas.
LEALDADE
Deve expressar, além do comportamento, uma resposta atitudinal constituída por componentes
cognitivos e afetivos, considerados importantes nos relacionamentos da organização policial e entre
os seus integrantes.
DISCIPLINA
Exteriorização da ética profissional dos policiais militares e manifesta-se pelo exato cumprimento de
deveres, integrando o hábito interno que correlaciona o cumprimento das atribuições e regras. Inclui
a disciplina tática no regramento de atitudes e ações.
ÉTICA
Deve permear ações e relações internas e externas do policial militar. A ética é orientada por um
conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si, a autoridade de
guiar as ações em grupo.
JUSTIÇA
Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana e respeita os
direitos humanos. A justiça trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à
comunidade e à sociedade.
HIERARQUIA
Entendida como a ordenação da autoridade em níveis diferentes dentro das estruturas das instituições
militares estaduais. Deve servir como fator facilitador do controle, de forma a permitir a coesão do
funcionamento das atividades da PMMG.
17
1 ABORDAGEM
A PESSOAS
APRESENTAÇÃO
O policial militar durante o turno de serviço estará sujeito a vários tipos de empenho.
Alguns poderão ser previstos, devido a experiência da equipe e a rotina da região, outros
serão anunciados pelo COPOM/SOU, ou ainda, poderá se deparar com a ocorrência.
Independente da maneira em que se apresentar a ocorrência, os policiais militares terão
que agir e buscar uma solução de forma legal e aceitável. Dessa forma, as guarnições
policiais sempre estarão em contato com a sociedade, seja para orientar, encaminhar o
cidadão a outro órgão ou para adotar as medidas que o caso exigir.
Do exposto, esta disciplina tem como objetivo geral fazer com que o policial militar realize
intervenções policiais preservando a sua integridade física e de terceiros, aplicando
adequadamente o Modelo Gráfico do uso diferenciado da força.
A disciplina de abordagem a pessoas tem como objetivos específicos, fazer com que o
policial militar: empregue corretamente a doutrina de abordagem a pessoas estando
estas em situação de transeuntes, usuários de bares ou afins e em residências; atue em
cenários diversos realizando abordagens, estando inicialmente embarcados em viaturas
no caso de abordagem a transeunte e desembarcados no caso de abordagem a pessoa
em bar ou em residência; esteja capacitado para solucionar situações que envolvam
abordado cooperativo, resistente passivo ou ativo, estando aparentemente desarmado,
visivelmente portando arma branca ou imprópria ou visivelmente portando arma de fogo;
realize com eficácia, eficiência e efetividade os tipos de busca pessoal.
20
Biênio 2022/2023
1. INTRODUÇÃO
Abordagem a Pessoas
O policial militar durante o turno de serviço estará sujeito a vários tipos de empenho. 1.
Alguns poderão ser previstos, devido a experiência da equipe e a rotina da região, outros
serão anunciados pelo COPOM/SOU, ou ainda, poderá se deparar com a ocorrência.
Independente da maneira em que se apresentar a ocorrência, os policiais militares terão
que agir e buscar uma solução de forma legal e aceitável. Dessa forma, as guarnições
policiais sempre estarão em contato com a sociedade, seja para orientar, encaminhar o
cidadão a outro órgão ou para adotar as medidas que o caso exigir.
2. CONCEITOS
21
Qualquer contato do policial militar com as pessoas, decorrente da atividade
profissional, é considerado abordagem. Exemplos: orientações diversas, coleta
de informações, contatos comunitários, medidas assistenciais, buscas pessoais,
imobilizações físicas, prisão e condução (MTP 3.04.01/2020 – CG).
O policial está inserido em uma sociedade repleta de nuances, podendo atuar em uma
cidade pequena, de médio porte ou em regiões metropolitanas. Há pessoas com
diferentes níveis socioculturais e intelectuais, pessoas que convivem de forma harmônica
umas com as outras e indivíduos em constante conflito com a lei. Portanto, para abordar
pessoas, o policial necessita ter habilidade para lidar com variados perfis de público.
3. AMPARO LEGAL
Insta salientar que para a realização de uma busca pessoal em uma pessoa abordada, faz-
se necessário que o policial tenha a fundada suspeita de que o abordado esteja envolvido
em crimes ou porte algo ilícito. O artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP) prevê
sobre a busca pessoal:
Ressalta-se que o policial militar representa o Estado. Nesse sentido, em uma abordagem
a pessoas age independente de ordem judicial ou aceitação do abordado, desde que
embasado pela legislação.
22
Biênio 2022/2023
Abordagem a Pessoas
consentimento (MTP 3.04.02/2020 – CG).
1.
Já no que tange a abordagem a pessoas em domicílios, o policial militar deve se atentar
aos dispositivos legais específicos. A abordagem poderá ser realizada considerando os
dispositivos do art. 5º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988:
4. DOUTRINA INSTITUCIONAL
23
deverão estar prontos para o emprego de força, quando assim a situação exigir,
sempre com segurança, e observando os princípios da legalidade, necessidade e
proporcionalidade. (MTP 3.04.01/2020 – CG).
O uso da força pode ser necessário durante uma abordagem a pessoas. Conforme o
Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020 – CG, não se confunde a força com violência,
haja vista que esta última é uma ação arbitrária, ilegal, ilegítima e não profissional. A força
utilizada por um policial é um ato discricionário, legal, legítimo e profissional, desde que
o policial cumpra com os princípios éticos e legais.
Durante uma abordagem a pessoas, muitas variáveis podem levar ao uso da força pela
guarnição policial militar, mesmo que a equipe ou uma vítima não esteja sendo atacada.
O policial aplicará os meios necessários para resolver a situação de acordo com a
gravidade da ameaça, podendo até mesmo realizar disparos com arma de fogo, sempre
observando os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade.
24
Biênio 2022/2023
Abordagem a Pessoas
1.
a) abordado cooperativo;
b) abordado resistente passivo;
c) abordado resistente ativo.
25
comportamento é possível a qualquer momento e por diversos motivos. Cabe ao policial
militar estar preparado para isso. Ressalta-se que o outro policial estará com a arma
localizada (Posição 1).
26
Biênio 2022/2023
Abordagem a Pessoas
armas, o policial deverá utilizar a postura defensiva.
1.
Arma branca: é aquela criada para causar lesão que não seja arma de fogo ou
explosivo, ex.: espada ou faca de ataque (MTP 3.04.02/2020 – CG).
Arma imprópria: é qualquer instrumento que, embora tenha sido criado com
finalidade diversa, é eficaz à prática delitiva, ex.: faca de cozinha, chave de fenda,
pedaço de madeira, etc (MTP 3.04.02/2020 – CG).
27
Posição 2 Posição 3 Posição 4
28
Biênio 2022/2023
Abordagem a Pessoas
Os policiais devem sempre ter em mente a procura de um abrigo mantendo a arma na 1.
posição 3 ou 4. Iniciam a abordagem com um policial determinando que o abordado
solte a arma. Com a ordem acatada, determina então que o abordado fique em posição
de contenção. Se o objeto estiver no corpo do abordado, este deverá ficar na posição de
contenção 3 ou 4, tendo os pontos quentes monitorados a todo tempo.
Nesta tática são dispostos dois policiais militares e o abordado, de maneira que formem
um triângulo. É considerada a forma mais segura e eficiente em uma aproximação. A
distância dos policiais militares em relação ao suspeito será de aproximadamente 3 (três)
metros para proporcionar o mínimo de segurança à guarnição em caso de repentina
agressão.
29
Os conceitos de área de contenção, a área de busca e área de custódia devem ser
observados pelos policiais militares.
30
Biênio 2022/2023
Abordagem a Pessoas
5.1 ABORDAGEM A PESSOAS EM RESIDÊNCIAS 1.
Caso não haja cooperação para abrir a porta, a porta será arrombada e a entrada forçada,
nos termos dos § 2º e § 3º do artigo 245 do CPP:
Nos demais casos de flagrante delito em que a guarnição se depara com o fato, o policial
militar pode não ter tempo suficiente para um planejamento detalhado, por isso, é
importante que realize o patrulhamento no estado de prontidão adequado, estando
31
preparado para uma resposta rápida, dentro da técnica e tática policial militar, conforme
o nível de intervenção observado.
Diferente dos domicílios, por ser um ambiente aberto ao público, nos bares e afins,
quando houver fundada suspeita ou indícios de existência de crime, como porte de armas,
drogas ou qualquer ilícito, independente de mandado, as pessoas poderão ser abordadas
e revistadas. Ressalta-se que no interior do balcão, o local é privado e não aberto ao
público, devendo ser observado os ditames do artigo 150, § 4º e 5º do CP:
A abordagem nestes ambientes pode ser oriunda de uma operação planejada, como por
exemplo, em um bar de grande incidência de crimes violentos. Nestes casos, durante o
planejamento será verificado o melhor horário para a abordagem, a estratégia, a logística
32
Biênio 2022/2023
e o efetivo. Pode ser considerado o apoio de outros órgãos públicos que poderão agir na
Abordagem a Pessoas
fiscalização administrativa do estabelecimento.
1.
Em situações de fundada suspeita a indivíduo (os) em um bar, observadas durante o
patrulhamento, sem um planejamento mais detalhado, a guarnição deverá fazer uma
leitura de ambiente e uma avaliação de risco, considerando o número de presentes,
efetivo disponível - supremacia de força, dimensões do ambiente, iluminação, volume do
som, número de portas, rotas de fugas, presença de armas impróprias (tacos de sinuca,
cadeiras, garrafas), entre outras peculiaridades do estabelecimento. Feita a avaliação,
deve decidir se realizará a abordagem ou acionará apoio.
Nesse contexto, considerando que na maioria das vezes será realizada abordagem a um
número considerável de pessoas, os policiais militares deverão agir dentro do nível de
intervenção adequado. Deverão empregar as táticas de aproximação em consonância
com as técnicas de varredura, bem como utilizar abrigos e cobertas existentes no
ambiente.
Por fim, cabe considerar que se trata de uma intervenção complexa, e não há uma forma
singular para a sua execução, devido a “n” variáveis. Assim, a guarnição avaliará in loco, a
melhor forma para realizar a busca pessoal nas pessoas, seja transformando o interior do
estabelecimento em uma área de segurança, monitorando os pontos de foco e pontos
quente, ou verbalizando para direcionar os abordados para um local mais seguro onde a
busca pessoal será realizada.
6. CONCLUSÃO
A abordagem a pessoas é a essência do serviço policial, pois são as pessoas, que cometem
os crimes, e a todo momento nossos policiais estão abordando-as por todo o estado, a
qualquer hora do dia ou da noite.
Por causa dessa grande importância que o tema tem, foram passadas exaustivamente as
lições e técnicas mais relevantes para este tema, voltadas sempre para a eficiência das
abordagens, e principalmente a segurança de nossos militares.
Os detalhes das abordagens a pessoas desarmadas, armadas com arma branca e com
arma de fogo foram exaustivamente explicados, por serem as situações mais comuns e
que geram mais riscos aos policiais. Por fim foram ensinadas técnicas de abordagem em
para os locais mais comuns além da via pública, por exemplo os bares, residências e afins.
33
7. REFERÊNCIAS
BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-lei n. 3.689, de 03 de outubro de 1941. Rio de Janeiro 1941.
Disponível em: [Link] Acesso em: 24 set. 2021.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretriz de Direitos Humanos Nº 3.01.09/18-CG: Regula a atuação da Polícia
Militar de Minas Gerais segundo a Filosofia de Direitos Humanos. Belo Horizonte: Comando-Geral,
Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (AE/3), 2018.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Plano Estratégico: 2020 – 2023/Comando-Geral. Belo
Horizonte: Assessoria de Desenvolvimento Organizacional, 2020.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Diretriz de Direitos Humanos Nº 3.01.09/18-CG: Regula a
atuação da Polícia Militar de Minas Gerais segundo a Filosofia de Direitos Humanos. Belo Horizonte:
Comando-Geral, Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (AE/3), 2018.
MUNIZ, Jacqueline; PROENÇA JR., Domício; DINIZ, Eugênio. Uso da força e ostensividade na ação policial.
Conjuntura Política - Boletim de Análise. Belo Horizonte: Departamento de Ciência Política/UFMG, n. 6, abril
de 1999, pp. 22-26.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. [Link]. ver., atual e ampl. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2005.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Princípios Básicos sobre a utilização da Força e de Armas de Fogo
pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (PBUFAF). 8º Congresso das Nações Unidas. Cuba,
1990.
34
2 ABORDAGEM
A VEÍCULOS
1 INTRODUÇÃO
Assim, o ponto focal da disciplina é demonstrar de uma maneira simples e didática como
se aplicar os ensinamentos massificados no Manual Técnico-Profissional, para que você
consiga internalizar e utilizar no seu dia a dia tudo aquilo que aprendeu, de forma natural
e flúida.
Essa proposta de treinamento visa preparar o policial militar para a tomada de decisão
frente às nuances e imprevisibilidades que podem ocorrer durante a abordagem a
veículo, tornando-o mais preparado para exercer seu trabalho, o que redunda em maior
segurança na atuação policial e, por conseguinte, menor risco, uma vez que não se pode
eliminar e/ou prever todas as variáveis a que o policial fica exposto.
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Pois bem, a abordagem a veículos tem vários objetivos, basta apenas um deles para que
a intervenção ocorra e, nesse sentido, você deve pensar tática e tecnicamente a
viabilidade de efetuar ou não uma abordagem.
Desenvolvendo esse raciocínio, tem-se o início do preparo mental (MTP-01, pág. 15), e
concomitante, o momento em que o militar fará a sua avaliação de riscos e definirá a sua
linha de ação, sendo fator primordial a leitura de ambiente.
36
Biênio 2022/2023
Abordagem a Veículos
Uma conduta imprescindível ao iniciar uma abordagem a veículo é comunicar ao
2.
CICOP/COPOM a localização; nesse ponto, é necessário demonstrar a você a
importância de adotar tal postura. A COMUNICAÇÃO norteia todas as nossas
ações/intervenções policiais, pois é ela que irá manter informados os militares que estão
no turno de serviço, o que em caso de pedido de prioridade/apoio facilitará a chegada
de esforços para fazer frente à demanda. Logo, você deverá primar por uma
comunicação clara, precisa e objetiva.
Superada essa etapa, a abordagem a veículo nada mais é que a APROXIMAÇÃO dos
militares a um veículo, tendo por base vários objetivos possíveis.
O MTP 04 trouxe uma distinção importante para a abordagem, qual seja, a definição
mais explícita do que é a BUSCA, que consiste na verificação interna e externa do
veículo abordado, por meio de revista nos compartimentos suscetíveis a serem
utilizados para esconder objetos ilícitos, necessitando aqui a existência de fundada
suspeita, seja ela objetiva e/ou subjetiva. E o conceito de VISTORIA, que está vinculado às
ações policiais, visa identificar as marcações e características dos veículos e pessoas em
relação aos registros existentes nos diversos sistemas informatizados.
37
2.1 NÍVEIS DE ABORDAGEM A VEÍCULOS
Vale ressaltar que, tanto os níveis de abordagem quanto os estados de prontidão não
são estáticos e mudam de acordo com as situações específicas de cada abordagem.
Situação idêntica é percebida no modelo de uso diferenciado da força (MTP 01). Logo,
você deve se adaptar às situações que se apresentam durante a abordagem, colocando-
se no nível adequado da realidade daquele momento.
Os conceitos aplicáveis às áreas de abordagem, por vezes, causam dúvidas, não no seu
significado em si, mas em sua interpretação. Observe a figura a seguir. O que deve
nortear o seu entendimento é que alguns conceitos não são estáticos e que as
representações mostradas são apenas para facilitar e sedimentar o aprendizado.
38
Biênio 2022/2023
Abordagem a Veículos
local contra a intervenção de terceiros. Nesta área se encontram a viatura, os
policiais, o veículo e os abordados.
2.
Caminhando em busca dos esclarecimentos no que tange a figura acima, observe que o
MTP 04 trouxe uma atualização em relação à área de busca e custódia. Isso posto, você
deve entender que aquele local disposto na figura é dinâmico e foi colocado ali para
simbolizar a área de busca e custódia. Entretanto, essas áreas podem ser definidas por
você em qualquer lugar dentro da área de contenção, com a exceção dos locais que não
oferecem segurança ao policial militar (parte dianteira do veículo abordado na imagem
em questão).
39
caso, esse local passará a ser a área de busca, tendo em vista a postura adotada pelo
abordado.
Ao realizar uma abordagem veicular, para obter vantagem tática e para alcançar o
sucesso, é preciso uma ação sincronizada dos policiais que compõem a guarnição.
O mais comum, são as guarnições policiais serem compostas por dois policiais. Logo,
você assumirá uma ou mais funções elencadas, conforme a composição da sua equipe.
Fique atento! Entre essas funções, a função de segurança é incompatível com a ação de
revistador e vistoriador.
É preciso também dizer que as funções guardam uma relação direta com o
posicionamento que os policiais irão ocupar no “teatro de operações”, mas não há essa
associação direta vinculada a postos e graduações, com exceção da função de PM
Comandante que está atrelada a condição do posto/graduação. Então, significa dizer
40
Biênio 2022/2023
Abordagem a Veículos
Quadro 01 - Posicionamento dos policiais.
2.
Composição da Esquema de
Observações
guarnição posicionamento
41
O policial que ocupa a
Posição 4 pode variar entre
a cobertura do policial que
Guarnição com ocupa a Posição 1, 2 ou 3,
4 policiais dependo do momento da
abordagem ou da
necessidade que a situação
impõe.
Esta tática deve ser empregada em abordagens de nível 1, as quais tem caráter
educativo ou assistencial, ou ainda em operações preventivas com parada de veículos
para fiscalização de documentos e equipamentos obrigatórios.
42
Biênio 2022/2023
Abordagem a Veículos
2.
43
A regra para o posicionamento na abordagem a veículos nas abordagens níveis 2 e 3
comporta exceção. Então, a recomendação passa ser o emprego da tática de
posicionamento paralelo, se ocorrer situações que impeçam ou prejudiquem o
posicionamento diagonal.
São alguns exemplos de situações que podem gerar essa modificação no padrão de
posicionamento das viaturas a abordagem em vias estreitas ou em locais de grande
fluxo de trânsito/tráfego que seja perigoso para equipe manter o padrão estabelecido.
É preciso que você perceba que o posicionamento diagonal da viatura para situações de
averiguação preventiva e situações repressivas possui vantagens maiores que o
posicionamento paralelo. Entretanto, em última instância, o que você deve ter em
mente é que o posicionamento da viatura, assim como, qualquer outra tática proposta,
só vai funcionar se você se capacitar para executá-la. Você executa o que você treina.
Em breve resumo, o esquema para atuar numa abordagem a veículos pode ser descrito
a partir das competências técnicas e táticas conforme está resumido na fugura abaixo.
Conhecer cada um desses pontos e saber executá-los em cada momento da abordagem
permitirá que você alcance êxito na sua atuação.
44
Biênio 2022/2023
Abordagem a Veículos
2.
Quadro 02 - Resumo das ações na abordagem a veículo, PMMG, 2020.
45
Fonte: Elaborado pelo autor.
A descrição das ações do policial que está ocupando a posição 1 demonstra que ele
avançará dentro da área de risco, fazendo uso da Tática de Aproximação Triangular e
fazendo a varredura visual do interior do veículo até que consiga dizer se no interior do
veículo há riscos. E após isso, o policial se voltará em direção ao abordado para
proceder a busca pessoal. Momento em que o policial que ocupa a posição 2 se
aproxima e faz a segurança da ação policial.
46
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Abordagem a Veículos
2.
47
Figura 07 - Esquema de ação para a busca pessoal, PMMG, 2020.
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Abordagem a Veículos
2.
49
6.2 ABORDAGEM A ÔNIBUS
A abordagem a ônibus é, sem dúvida, uma das ações mais desafiadoras para a
guarnição policial, quando se pensa em abordagem a veículos. As características do
veículo e o número de pessoas no ambiente são fatores dificultadores da ação policial.
Pode ser resumidamente extraído as seguintes condições de ação em relação aos níveis
da abordagem:
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Abordagem a Veículos
Assim sendo, conforme o Manual Técnico (pág. 67), em qualquer nível de abordagem a
caminhão, é primordial realizar o desembarque dos ocupantes da cabine, em função da
2.
dificuldade de se visualizar o interior e monitorar as ações nesse espaço.
51
7 LIMITADORES DE FUGA
Durante a execução do serviço policial militar, seja nas atividades de prevenção ao crime
ou nas situações de resposta a ilícitos penais, por diversas vezes, o policial militar se
depara com ocorrências nas quais o cidadão infrator empreende fuga, utilizando-se de
veículos automotores, que permitem um deslocamento rápido pelas vias de trânsito.
Uma das formas de intervenção, visando minimizar ou cessar tais riscos, é o cerco,
bloqueio e interceptação policial. Tal operação pode ser originária de planejamento
prévio ou pode ser desencadeada de forma adaptada durante o turno de serviço, para
conter um grave problema de perturbação da ordem pública que não havia sido
previsto.
Os locais apropriados para a montagem dos dispositivos de cerco e bloqueio devem ser
criteriosamente escolhidos. Os policiais militares envolvidos devem ter pleno
conhecimento desses locais, o que refletirá na agilidade do deslocamento e na
eficiência da operação. Na montagem do dispositivo para a Operação Cerco, Bloqueio e
Interceptação deverão ser observados os seguintes aspectos:
a) favoráveis
Redutores de velocidade (quebra-molas, lombadas e radares eletrônicos),
principalmente em vias de trânsito rápido;
Abrigos naturais ou artificiais no ambiente;
Pontos de comandamento para uma melhor amplitude de visão do local;
Vias rurais (estradas e rodovias).
b) desfavoráveis
Abismos, paredes abruptas ou de danos naturais na via (buracos, obras), que
possam prejudicar a segurança de procedimentos;
Curvas, aclives, declives ou vias com grande circulação de pessoas;
Vias marginais em relação à via principal, ou de estradas vicinais que possam
favorecer a fuga do veículo.
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Abordagem a Veículos
Existem 3 tipos mais comuns de dispositivos para a montagem do cerco:
2.
a) “Zigue e zague”: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação à guia do
passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais militares se
posicionarão próximos e após a viatura;
53
c) Afunilamento Diagonal: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação à
guia do passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais
militares posicionarão próximos e após a viatura.
Assim que a viatura do ponto de cerco receber a informação de que o veículo em fuga
passará pelo local, providenciará o bloqueio imediato da via, num dispositivo que
contará com a montagem de 3 (três) barreiras:
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Abordagem a Veículos
2.
55
Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado)
O modelo mais comum possui várias denominações, sendo que a mais usual é “cama de
faquir”, conforme se na Imagem 11, podendo ser descrito como “dispositivo móvel
constituído de agulhas de aço distribuídos numa base pantográfica” que tem por
finalidade realizar a perfuração ou dilaceração de pneus de veículos automotores.
É importante salientar que, assim que o veículo evasor passar sobre o limitador de fuga,
a ferramenta deve ser recolhida, de maneira a evitar que as viaturas policiais, que
estejam em perseguição, passem sobre o equipamento e sejam danificadas, e com isso,
fiquem impossibilitadas de dar continuidade a ação, caso seja necessário.
56
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Abordagem a Veículos
2.
Ressalta-se que a distância entre o limitador de fuga e a terceira barreira deve ser
suficiente para que os efeitos de comprometimento da dirigibilidade do veículo em fuga
já se façam sentir, possibilitando a real efetivação da interceptação, motivo pelo qual a
distância dos policiais em relação a segunda barreira deve ser entre 100 (cem) e 200
(duzentos) metros.
Limitador de fuga
57
Pontos a serem observados:
As viaturas policiais que estiverem perseguindo o veículo evasor não devem avançar
com a viatura dentro da área estabelecida como ponto de bloqueio se não houver
confirmação de que o equipamento limitador de fuga tenha sido recolhido pela equipe
policial que estiver ocupando o ponto de bloqueio.
c) sempre que possível, tão logo o veículo suspeito ou em fuga passe pelo
equipamento, o policial militar deverá fazer seu recolhimento;
d) o policial militar deverá estar em via que seja reta e não seja declive, não se
recomendando ações em curvas, próximos a abismos e locais onde o desvio na direção
do veículo objeto da ação policial possa resultar em maior dano do que o objetivo
proposto.
Assim sendo, durante uma ação de resposta a infratores, é facultado e lícito ao policial
empregar o equipamento para perfurar os pneus de veículos que estejam no
cometimento de delitos se a situação requerer o seu emprego para evitar uma fuga e o
consequente aumento do risco a terceiros, avaliadas as características do ambiente, as
recomendações técnicas do equipamento e as circunstâncias determinantes do seu uso.
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As limitações no uso dos limitadores de fuga dependem do tipo de recurso que está
sendo empregado. Pode-se destacar, de maneira exemplificativa, com base em
observações realizadas em testes e pesquisas:
Abordagem a Veículos
a) no emprego do limitador de fuga, tipo “cama de faquir”, em virtude do pneu do
veículo conter fluídos que blindam sua “banda de rodagem”, o esvaziamento pode não
2.
ocorrer tão rápido quanto se espera;
b) pode ocorrer a não perfuração dos 4 (quatro) pneus se o veículo a ser interceptado
estiver transitando em velocidade acentuada;
12 CONCLUSÃO
Espera-se que esse arcabouço estimule você a buscar o conhecimento contínuo e que a
partir desse material se sinta estimulado a colocar em prática, nos treinamentos e na sua
atividade cotidiana, as orientações apresentadas.
As variáveis que envolvem cada abordagem policial são muitas, por isso, você deve
estar mentalmente preparado e tecnicamente qualificado. Só assim, você será capaz de
atuar assertivamente.
59
3 BLITZ
POLICIAL
1 INTRODUÇÃO
Devido a sua importância, é preciso ter padronização na sua execução para evitar
desgastes à imagem da Instituição e do próprio policial executante e, sobretudo,
assegurar que haja um correto emprego de técnicas e táticas para evitar que haja riscos
à vida do policial e de outras pessoas que estejam no ambiente. Para elaboração deste
material foi usado como fonte teórica o Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020 – CG
– BLITZ POLICIAL.
2 CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO
A blitz é um tipo de operação policial realizada em vias urbanas ou rurais, com a utilização
de sinalização física, visual e sonora, no intuito de abordar veículos e seus ocupantes,
realizando checagens e vistorias em geral.
Tal operação pode ser executada por uma equipe composta somente por policiais
militares ou por policiais militares em conjunto com os integrantes de diversos órgãos,
tais como órgãos fazendários, sanitários, guardas municipais, agentes ambientais entre
outros.
As operações blitz são divididas de acordo com seus objetivos, sendo educativa quando
visa informar, orientar e conscientizar as pessoas sobre temas de interesse público e
preventiva quando visa realizar verificações em locais onde há incidência significativa ou
possibilidade de ocorrerem infrações e delitos.
Frisa-se que os objetivos poderão variar, ainda que temporariamente, em função dos
riscos que se apresentarem no desenvolvimento da operação, podendo implicar até
mudança de categoria, mediante reforço logístico e de efetivo policial.
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Blitz Policial
3.
Nas operações blitz, em regra, os policiais militares integrantes da equipe devem adotar
as seguintes orientações:
c) algumas situações do policiamento podem fazer com que a blitz passe a ter
caráter repressivo. Dessa forma, é necessário considerar a hipótese do uso de força em
níveis mais elevados, permanecendo no estado de prontidão adequado (estado de
alerta - laranja, ou alarme - vermelho), conforme avaliação de riscos;
63
técnicos e táticos, como apoio de outras guarnições, cerco e bloqueio, transmissão de
características do veículo e ocupantes ao COPOM entre outras, para que a ação de
resposta seja efetiva.
3 PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
A blitz policial deve ser precedida de planejamento elaborado pela Seção de Emprego
Operacional (P-3), por meio de ordens de serviço ou outros instrumentos, nos quais
estejam presentes todos os aspectos que, direta ou indiretamente, venham a contribuir
para o sucesso da operação.
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Blitz Policial
3.
● Coletes reflexivos;
● Etilômetro;
● Apitos de trânsito;
● Cavalete de sinalização;
● Lanternas;
● Luz sinalizadora;
● Kit de biossegurança;
● Lombada móvel;
● Computador portátil.
65
que retornem com seus veículos à via de trânsito; responsável pelo acionamento do
limitador de fuga, caso exista na operação.
Nas operações de blitz categoria 1, será instalado 1 box. Nas operações de blitz
categoria 2 e 3, poderão ser instalados 2 ou mais boxes, que permitirão abordagens
simultâneas, analisando as condições de segurança, de acordo com a avaliação de riscos,
o número de policiais disponíveis e os objetivos a serem atingidos.
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Blitz Policial
3.
selecionado que adentre ao Box;
● O PM Comandante deverá se posicionar na retaguarda do veículo parado no box,
ficando sobre a calçada e atuando como PM Segurança;
● O PM Selecionador deverá deslocar o cone 5 diagonal ao cone 4, fechando a entrada
do Box e passará a atuar como PM Revistador/Vistoriador;
● Encerrada a fiscalização, o PM Revistador/Vistoriador orientará o tráfego para fazer o
veículo retornar ao seu deslocamento com segurança;
● Assim que o veículo sair do Box, o PM Revistador/Vistoriador deverá retornar à sua
posição inicial, para novamente atuar como PM Selecionador.
67
● Quando houver 3 policiais militares na blitz, o PM Revistador/Vistoriador será o
responsável por instalar o dispositivo limitador de fuga e operá-lo, conforme avaliação
de riscos, em caso de algum veículo evadir descumprindo a ordem do selecionador para
que o veículo adentre ao Box.
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3.
● Assim que o veículo sair do Box, o PM Selecionador selecionará outro veículo.
69
3.3.3 Blitz Categoria 3
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Blitz Policial
3.
71
para que as medidas de proteção sejam adotadas, como o envio de unidades de apoio
para o local, ou para que sejam implementadas ações de cerco, bloqueio e interceptação.
3.5 BUSCA
Via de regra, veículos não são domicílios, por isso devem ser alvos de buscas toda vez
que houver fundada suspeita.
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4 PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO
4.1 SINALIZAÇÃO
Os sinais de orientações são sonoros e gestuais e devem ser executados com firmeza,
correção, determinação e objetividade. Uma correta sinalização evitará que os condutores
tenham uma interpretação equivocada ou duvidosa quanto à obediência às ordens
emitidas durante a fiscalização. Desta forma, o PM Selecionador não pode apresentar
timidez, embaraço ou dúvida na sua atuação.
Blitz Policial
3.
● Os sinais sonoros emitidos por meio de silvos de apito estão descritos no quadro
abaixo, conforme previsto no CTB. Os sinais sonoros devem ser utilizados em conjunto
com os sinais gestuais.
73
Figura 07 - Sinalização blitz.
Os procedimentos para a parada do veículo no Box e seu retorno à via são os seguintes:
● Escolhido o veículo a ser abordado, o PM Selecionador determina aos veículos
que diminuam a marcha, emitindo 1 silvo longo de apito, bem como gesticulando a
ordem de diminuição de velocidade;
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Blitz Policial
3.
● Retirar quaisquer materiais que impeçam ou dificultem a saída do veículo;
● Parar o trânsito na via, através de gesto e 2 silvos breves, caso necessário;
● Emitir 1 silvo breve, olhar para o condutor, apontar para o sentido do fluxo de
trânsito e indicar “SIGA EM FRENTE”.
“— Bom dia! Eu sou o Sargento ... (dizer posto/graduação e o nome), da Polícia Militar”
(utilize o complemento POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, caso esteja em operação
próxima à divisa/fronteira do Estado).
“— Tudo bem? Desligue o veículo e coloque suas mãos sobre o volante.” (Os outros
ocupantes também devem colocar as mãos em local visível) Aguarde a resposta do
abordado, verifique se houve entendimento de sua mensagem e qual o nível de
cooperação demonstrado.
75
Nesse momento da abordagem, a equipe policial-militar estará atenta para os seguintes
aspectos:
● Verificar, rapidamente, se existem outras pessoas e objetos no interior do
veículo;
● Utilizar o tirocínio policial e atualizar a avaliação de riscos para identificar
possíveis práticas delituosas;
● Decidir sobre a necessidade de verbalizar com outras pessoas no interior
do veículo, a fim de certificar-se de que não esteja ocorrendo condução coercitiva
de algumas dessas pessoas por parte do motorista ou dos ocupantes, a exemplo
de sequestro, abuso de inocência nos casos de crianças ou deficientes mentais ou
outras condutas criminosas mais graves.
Caso haja animais no interior do veículo, aproxime-se com cuidado e solicite ao condutor
que o controle.
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Nesse momento, afaste-se, de modo a permitir que o cidadão abra a porta do carro.
Mantenha constante monitoramento dos abordados (principalmente das mãos).
Indique a cada uma das pessoas embarcadas no veículo quando deverão descer e quais
procedimentos deverão seguir, conforme os preceitos da técnica policial-militar. Nos
casos de busca pessoal, o PM Revistador/Vistoriador dialogará com o abordado de forma
pausada.
Blitz Policial
O PM responsável pela resposta imediata nos casos em que a situação se agrave deverá 3.
ser qualquer membro da equipe que estiver em melhor posicionamento tático e em
condição de agir prontamente. É importante, portanto, que o PM Segurança,
considerando sua função específica, procure sempre a melhor posição para prover a
proteção da equipe.
O policial militar deve considerar que poderão existir diversas razões que levarão o
abordado a resistir de maneira passiva ou ativa às ordens dadas, como por exemplo:
● Quando não compreende a ordem emanada pelo policial;
● Quando não acata simplesmente porque quis desafiar a autoridade ou desmerecer
a ação policial, tentando, assim, expô-lo a uma situação humilhante frente ao público,
ou ainda, provocar o uso excessivo de força;
● Quando busca conseguir simpatia de pessoas a sua volta, colocando-as contra a
atuação da polícia, assumindo assim uma posição de vítima;
● Quando tem algo para esconder (armas, drogas, outros) e busca distrair a atenção
do policial;
● Quando quer ganhar tempo para fugir ou enfrentar fisicamente os policiais, isto é,
com resistência ativa.
Nesses casos, o policial militar poderá verificar, por meio de verbalizações, se o abordado
compreende o que está sendo dito.
Caso o abordado demonstre que entendeu as ordens, mas não as acatou, o policial deverá
adverti-lo quanto ao seu comportamento, esclarecendo tratar-se de crime
(desobediência, art. 330 do Código Penal Brasileiro) e que, evoluindo o conjunto de recusa
77
por sua parte, pode redundar em outros crimes, tais como desacato, resistência ou
agressão contra policiais.
Caso o abordado resista, passiva ou ativamente, ao ser submetido à busca, alerte-o sobre
as consequências da desobediência à ordem legal. Persistindo a desobediência, haja com
superioridade numérica, isole-o dos demais, e use o nível de força, conforme o nível da
resistência, para compeli-lo a cumprir a determinação legal.
Se detectar algum objeto ilícito durante a busca pessoal ou constatar indícios de infração
penal, imediatamente, separe o suposto infrator dos demais ocupantes do veículo e inicie
uma busca minuciosa. Confirmada a situação infracional e decidido pela condução, siga
os procedimentos previstos no MTP 02 quanto ao uso de algemas, (se necessário),
verbalização da ação e condução até o interior da viatura policial-militar.
Caso seja necessário empregar controle de contato, essa reação deverá ser do policial
que estiver melhor posicionado e que possua maior domínio das técnicas de defesa
pessoal policial. Assim como na situação de normalidade, somente o PM Segurança
manterá o seu armamento em posição de arma localizada, guarda baixa ou guarda alta,
conforme avaliação de risco. Os demais deverão estar com as mãos livres para emprego
de outros níveis de força e algemação.
Em caso de reação do abordado que coloque em risco a vida dos policiais ou de pessoas
envolvidas na intervenção, a resposta imediata será do PM Segurança, que estará com a
arma em pronta resposta. A primeira reação dos policiais deve ser voltada para a
preservação de suas vidas e dos cidadãos, por isso, deverão procurar abrigo e somente
disparar quando presentes as condições elencadas na Seção 7 sobre uso de armas de
fogo do MTP 01.
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Blitz Policial
3.
anormalidade que acarretarão rapidamente na atualização da avaliação de risco ou até
mesmo na adoção de posturas adequadas ao tipo de pessoa abordada. Assim, seguem
algumas situações que interferem e acabam por dificultar as abordagens na blitz policial.
5.1 EVASÃO
79
5.2 ABORDAGEM A MOTOCICLETAS
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Caso a autoridade se negue a apresentar sua carteira funcional, ou diante situações mais
graves de fundada suspeição, comunique o fato ao coordenador do policiamento,
solicitando ao COPOM ou correspondente a presença de representante do órgão a que
pertence à autoridade.
Blitz Policial
3.
5.4. BLITZ NOTURNA
Assim, a blitz noturna deve ser montada com o uso de dispositivos luminosos e,
preferencialmente, em local com boa iluminação, evitando-se a montagem do dispositivo
nas proximidades de pontes, rios, aglomerados urbanos, dentre outros.
81
5.6 CONDUTOR EMBRIAGADO
6 CONCLUSÃO
82
4 DEFESA
CIVIL
1 INTRODUÇÃO
Originalmente, a Defesa Civil foi criada para atender uma demanda reprimida em
situações de guerra, onde a população civil era jogada a própria sorte: sem casa, sem ter
com o que comer ou beber e, na maioria das vezes, feridas pelos estilhaços das bombas
e desmoronamentos de suas próprias moradias.
Já em tempos de paz, ao invés das bombas temos os desastres, que dependendo da sua
magnitude, podem causar efeitos devastadores na população. A diferença é que, com o
comprometimento do poder público, da população e com ações efetivas de Prevenção,
Mitigação, Preparação, Resposta e Recuperação de áreas atingidas por desastres,
podemos proteger a população dos efeitos dos desastres a tal ponto que nenhuma
pessoa possa vir a perder sua vida, mesmo que os desastres sejam de grandes
proporções.
A citada norma criou nas regiões da Polícia Militar a figura do Coordenador Regional de
Defesa Civil como encargo exercido pelo Comandante da RPM, com vinculação técnica
ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, nos assuntos inerentes à proteção e à defesa
civil. Para auxiliar no desempenho de tão nobre missão, o Coordenador Regional de
Defesa Civil designará um Agente Regional de Defesa Civil, militar da PMMG, para
atuação na atividade de proteção e defesa civil, subordinando-se tecnicamente ao GMG
e, administrativamente, ao Comandante da respectiva RPM.
84
Biênio 2022/2023
2.1 NO MUNDO
2.2 NO BRASIL
Defesa Civil
4.
Com a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, e preocupado com a
segurança global da população, princípio básico no tratamento das ações de Defesa
Civil, o governo cria, em 1942, o Serviço de Defesa Passiva Antiaérea, a obrigatoriedade
do ensino da defesa passiva em todos os estabelecimentos de ensino. Em 1943, a
denominação de Defesa Passiva Antiaérea é alterada para Serviço de Defesa Civil, sob a
supervisão da Diretoria Nacional do Serviço da Defesa Civil, do Ministério da Justiça e
Negócios Interiores e extinto em 1946. Com a incidência de fenômenos cíclicos, como a
seca na região Nordeste, a estiagem no Centro-oeste, Sudeste e Sul e as inundações nas
mais variadas áreas urbanas e rurais do país, foi criado no ano de 1966, no então Estado
da Guanabara, o Grupo de Trabalho com a finalidade de estudar a mobilização dos
diversos órgãos estaduais em casos de catástrofes. Este grupo elaborou o Plano Diretor
de Defesa Civil do Estado da Guanabara.
Em 1967 foi criado o Ministério do Interior com a competência, entre outras, de assistir
as populações atingidas por calamidade pública em todo território nacional. A
organização sistêmica da defesa civil no Brasil deu-se com a criação do Sistema
Nacional de Defesa Civil-SINDEC, em 16 de dezembro de 1988, reorganizado em agosto
de 1993 por intermédio do Decreto nº 5.376, de 17 de fevereiro de 2005.
85
No ano de 2012 foi criada a Lei 12.608 de 10 de abril de 2012, que instituiu a Política
Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, e estabeleceu as competências da União,
Estados e Municípios dentro do Sistema de Defesa Civil.
Criada em 1972, a CEDEC possuia, à época, uma estrutura que não vinha atendendo às
necessidades da Defesa Civil. De acordo com o decreto de criação, a CEDEC era um
órgão colegiado, integrado por representantes de diversos setores da administração
estadual, mas sem vinculação direta a nenhum Órgão, faltando-lhe as bases estrutural e
administrativa sólidas. A fim de corrigir essa falha e dar à CEDEC condições de cumprir
as suas finalidades, foi sancionada pelo então Governador, Dr Aureliano Chaves de
Mendonça, a Lei nº 7157, em 07 de dezembro de 1977, que vinculou a CEDEC ao
Gabinete Militar do Governador e estabeleceu que o Chefe do Gabinete Militar do
Governador (GMG) é o Coordenador Estadual de Defesa Civil.
86
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Defesa Civil
Regional da Polícia Militar. As Redec serão estruturadas com servidores da Polícia Militar 4.
de Minas Gerais – PMMG e deverão ter a composição mínima de um Coordenador
Regional de Defesa Civil e um Agente Regional de Defesa Civil.
87
As Redec serão estruturadas com servidores da Polícia Militar de Minas Gerais – PMMG
e deverão ter a composição mínima de um Coordenador Regional de Defesa Civil e um
Agente Regional de Defesa Civil. Poderá ser instituída, no âmbito das Redec, a função
do Auxiliar Regional de Defesa Civil, que será exercida, preferencialmente, por servidor
cedido pelos municípios da área atendida, em colaboração interfederativa, ou por
particular em colaboração com o poder público.
São algumas atribuições do Agente Regional de Defesa Civil, dentre várias outras
previstas no Decreto 48.095/2020: planejar e executar, no âmbito regional, as ações e a
política nacional de proteção e defesa civil, seguindo as diretrizes do GMG. Gerir os
materiais e os equipamentos colocados à sua disposição para o desempenho de suas
funções. Manter-se informado sobre a temática de proteção e defesa civil, pelos meios
institucionais e não institucionais disponíveis. Comunicar ao GMG a ocorrência de fatos
relacionados à proteção e à defesa civil ocorridos na sua área de responsabilidade.
Replicar os alertas enviados pelo GMG ou por outros órgãos do Sistema Nacional de
Proteção e Defesa Civil aos municípios inseridos na sua área de responsabilidade
territorial. Gerir o funcionamento e o estoque do depósito avançado de defesa civil
instalado na Redec, conforme as diretrizes do GMG.
A Proteção e Defesa Civil está inserido em um sistema que trabalha entre cooperação
do órgão federal, estadual, municipal, sociedade civil organizada e população em geral
com o fim proteger e salvar vidas, bem como mitigar eventuais danos. Deve-se destacar
que entre os órgãos federal, estadual e municipal não há uma hierarquia, mas a
integração em prol do cuidado e amparo a sociedade é fundamental ao exercício da
atividade de defesa civil.
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Em períodos de normalidade, o foco recai sobre a gestão do Risco, tendo como objetivo
principal o desenvolvimento de capacidades necessárias para gerenciar de forma
eficiente e eficaz todos os tipos de emergências e alcançar uma transição ordenada
desde a resposta até uma recuperação sustentável, como podemos verificar na figura
Defesa Civil
abaixo: 4.
89
Figura 04 - Gestão do Desastre.
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Defesa Civil
disso, pois, a gestão dos riscos, para minimizar os impactos dos desastres, depende das 4.
ações a serem desenvolvidas dentro dessa relação. A Figura abaixo representa a relação
entre ameaça, risco e vulnerabilidade.
91
Em termos didáticos e analíticos é comum separar os conceitos de ameaça e de
vulnerabilidade para compor, posteriormente, a dimensão do risco. Contudo, a atuação
em gestão de riscos não dissocia a ameaça da vulnerabilidade; pois para que uma
ameaça seja uma ameaça é necessário que haja uma condição vulnerável, caso contrário
não repercutirá sobre a sociedade, não provocará danos e prejuízos, e, portanto, não se
constituirá em um desastre.
Ponto de Risco: São locais não habitados, mas que coloca em risco a vida das pessoas
que por ali passam (transeuntes). Estes locais não são consideradas áreas de risco,
porém, alteram temporariamente a rotina da população. Ex: pontes, viadutos, túneis e
baixadas de ruas e avenidas.
Desastre Gradual: São eventos adversos que ocorrem de forma lenta e se caracterizam
por evoluírem em etapas de agravamento progressivo.
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Biênio 2022/2023
Desalojados: são as pessoas cujas habitações foram danificadas ou destruídas, mas que
não, necessariamente, precisam de abrigos temporários. Muitas famílias buscam
hospedar-se na casa de amigos ou parentes, reduzindo a demanda por abrigos em
situação de desastre.
Desaparecidos: até provar o contrário, são considerados vivos, porém podem ser
considerados desaparecidos quando estão em situação de risco de morte iminente e em
locais inseguros e perigosos, demandando esforço de busca e salvamento para serem
Defesa Civil
encontrados e resgatados com o máximo de urgência. 4.
Prejuízos: Por prejuízo podemos entender a medida de perda relacionada com o valor
econômico, social e patrimonial de um determinado bem, em circunstâncias de desastre
(Instrução Normativa nº. 36/2020). A classificação de prejuízo pode ser feita entre
prejuízos econômicos públicos e prejuízos econômicos privados.
93
Gestão de risco de desastre: Processo sistemático de uso de políticas administrativas,
organização, habilidades e capacidades operacionais para implantar políticas e
fortalecer as capacidades de enfrentamento, a fim de reduzir o impacto negativo dos
desastres naturais e a possibilidade de um desastre. A gestão do risco de desastre se
faz, na maior parte do tempo, em períodos de normalidade, com medidas de prevenção
e preparação, para que a ocorrência do desastre seja menos impactante e a resposta e
reconstrução sejam mais eficazes.
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Algumas vezes, por necessidade funcional, técnica, gerencial ou política, será necessária
a transferência de comando do incidente. Nesses casos, o Comando será transferido
durante as operações, desde que tal transferência seja feita formalmente, no Posto de
Comando, com a troca de todas as informações necessárias. Para isso, é necessário no
período inicial, seguirmos uma sequência que nos auxiliará a organizar melhor as
atividades. Os passos a seguir compõem um guia de trabalho para o período inicial e
são de responsabilidade do primeiro interventor.
Defesa Civil
identificar o comandante e seu contato, confirmar o evento e se possível já identificar o 4.
Posto de Comando (PC).
Um PC que atenda essas condições é sinal de que a ocorrência tende a ser bem
administrada e gerenciada, o que facilita o atendimento de um incidente e deixa o local
organizado, facilitando a aplicação de muitas características do ICS. Lembrando que o
PC pode ser uma casa, um toldo, ou até mesmo uma viatura, o importante é que todos
saibam onde fica.
95
No PC serão desenvolvidas as estratégias, os objetivos, emissão de tarefas, planos,
procedimentos e protocolos. Os resultados colhidos serão documentados e
mensurados, revistos e, se necessário for, serão corrigidos, todo este cenário tem o
nome de Gestão por Objetivos.
Portanto o Posto de Comando ideal acontece quando os órgãos estão falando a mesma
linguagem, com objetivos bem traçados e cada comandante compreendendo e
determinando as missões para cada fração de tropa, ou seja, cada integrante de
qualquer órgão envolvido sabe o seu papel e qual ação irá desenvolver.
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Biênio 2022/2023
Defesa Civil
O comandante do incidente deve evacuar os feridos e outras pessoas que correm 4.
perigo, mas somente se for possível fazê-lo em segurança. Outro perímetro, externo,
cria uma zona de segurança onde o órgão respondedor pode operar sem a interferência
de pessoas não autorizadas a atuarem na zona de impacto, além de impedir o tráfego
de veículos não autorizados.
ZONA FRIA: abriga as instalações e recursos que darão suporte às atividades, mas
apresenta um pequeno risco relacionado à situação crítica e às operações que serão
desenvolvidas. Por isso, na Área Fria, as exigências de segurança são menores
(adequadas ao risco, mas não negligenciadas), e a circulação de pessoas que não têm
relação com a operação só é restrita nas instalações de apoio (Posto de Comando, Área
de Reunião ou Base de Apoio).
ZONA MORNA: área intermediária entre a Área Quente (de maior risco) e a Área Fria
(totalmente segura). Na Área Morna o acesso e a circulação ainda são restritos, mas as
condições de risco não são tão altas, propiciando uma área para que os profissionais se
equipem, repassem orientações e façam as últimas verificações de segurança antes de
adentrar a Área Quente.
97
ZONA QUENTE: é determinada no local que sofreu mais intensamente os efeitos do
evento que causou o incidente. É nessa área que serão desenvolvidas as operações de
maior risco e complexidade.
98
Biênio 2022/2023
Você sabe o que é um objetivo SMART? Smart significa esperto, inteligente em inglês.
Defesa Civil
tempo para ser concluído. 4.
A utilização correta dos recursos facilita o cumprimento dos objetivos, sendo que sua
solicitação pode ser feita tanto internamente, com os recursos existentes, como
externamente a outros órgãos ou entidades. Alguns exemplos de instituições que
podem ajudar:
99
Figura 11 - Instituições.
100
Biênio 2022/2023
5 CONCLUSÃO
A Defesa Civil é órgão responsável por prevenir e socorrer pessoas das situações de
risco e desastres. O trabalho de prevenção começa com o mapeamento das áreas de
risco, a localização e constatação de situações que possam culminar em desastres ou
acidentes. Diante destas condições, a Defesa Civil realiza ações preventivas para evitar
que o desastre aconteça e, se acontecer, que ele cause o mínimo de danos às pessoas e
ao meio ambiente. Mas quando o desastre acontece sem cuidados prévios, a Defesa
Civil age prontamente socorrendo e minimizando os efeitos causados as pessoas e ao
meio ambiente até a completa estabilização da normalidade.
Sendo assim, foi intenção deste trabalho, demonstrar que é imprescindível que policiais
militares, atuantes no Sistema de Proteção e Defesa Civil em âmbito regional, recebam a
adequada capacitação e treinamento de excelência para que possam desenvolver as
respectivas atribuições legais. O desenvolvimento desta disciplina proporcionou ao
policial militar o conhecimento adequado que o auxiliará em ações e respostas efetivas
no gerenciamento de um incidente crítico.
Defesa Civil
4.
6. REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa
Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o
Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de
informações e monitoramento de desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1o de dezembro de
2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro
de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras providências. Brasília (DF).
Federal Emergency Management Agency - FEMA. Incident Command System - ICS 100.
Disponível em:< [Link] Acesso
em: 05 out. 2021.
101
MINAS GERAIS. Lei 11.102 de 26 de maio de 1993. Dispõe sobre o Gabinete Militar do
Governador do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais, 1993.
102
DEFESA PESSOAL
5 POLICIAL
TÁTICAS E TÉCNICAS DE PROJEÇÃO,
IMOBILIZAÇÃO E CONTENÇÃO
1 APRESENTAÇÃO
Somente o treinamento constante nos leva à perfeição. Portanto, para que qualquer
técnica alcance nível alto de eficiência, é importante realizar repetições, simulando
situações operacionais, buscando sempre aperfeiçoar a execução, para que no momento
em que for necessário colocar em prática, aplicá-la de maneira rápida, instintiva e eficaz.
Deve-se ter em mente que, na maioria das vezes, uma boa verbalização conciliada com
as técnicas de defesa pessoal policial pode evitar, em muitas situações, o uso inadequado
de força ou lançar mão do disparo de arma potencialmente letal.
104
Biênio 2022/2023
2 FUNDAMENTOS
A maioria das técnicas de DPP são oriundas de técnicas de artes marciais, sejam golpes
traumáticos, técnicas de projeção (quedas), torções, imobilizações e contenções. Essas
técnicas permitem ao policial controlar sua força de acordo com a reação do infrator, seja
ele resistente passivo ou ativo. De acordo com a agressividade do abordado, o policial
deve primar pelo nível dos danos corporais provocados pelas técnicas, de acordo com a
necessidade. O mais importante é garantir a sua própria segurança, pois a possibilidade
de provocar lesões no agressor é real. O grande desafio técnico é uma atuação
proporcional, sem excessos, atingindo o resultado esperado, qual seja, a cessação da
investida de um agressor, acatamento das ordens do policial ou mesmo a imobilização e
contenção, terminando com o uso de algemas.
O alvo se resume no local ou região do corpo escolhido para aplicação das técnicas de
DPP. O local do corpo, escolhido como alvo vai determinar se a técnica utilizada poderá
provocar desde uma lesão leve, até mesmo o óbito do abordado. Isso, independente se
a técnica utilizada seja um golpe traumático (socos, chutes e pancadas), projeções,
imobilizações ou contenções. Com objetivo de uma exposição didática sobre este
fundamento, relembramos o mapa corporal demonstrado no conteúdo do biênio
2012/2013:
105
Figura 01 - Pontos vulneráveis do corpo humano
106
Biênio 2022/2023
A tática se define como a estratégia pré-definida, ou seja, o que é preciso fazer, as ações
corretas de cada participante para atingir determinado objetivo. Em nossa disciplina, será
entendida como a organização antecipada de como será feita uma imobilização e
contenção, com funções previamente definidas, de acordo com o número de policiais
participantes na contenção.
Neste momento, deve-se observar como prioridades de segurança para uma abordagem
107
3 MODELOS DE UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS E TÁTICAS NAS IMOBILIZAÇÕES
Para isso, é listado abaixo características no grupo de policiais que podem auxiliar na
definição de funções, no momento do briefing:
1) o policial com maior prática e habilidade em Defesa Pessoal Policial e/ou alguma arte
marcial deverá ser o verbalizador. Este se posicionará à frente do abordado, sempre
verbalizando, observando a técnica da Tática de Aproximação Triangular (TAT). Vai atrair
a atenção do agressor estando sempre preparado para a investida inicial ou se defender
de uma possível investida;
Nesta tática, dois policiais militares e o abordado ficam dispostos de maneira que formem
um triângulo. É considerada a forma mais segura e eficiente de aproximação do policial-
militar. (MTP 02/2020 – PMMG).
2) o policial que atuará pela retaguarda do agressor deverá dominar técnicas de torção/
imobilização de membros inferiores. Ele será fundamental para provocar a projeção do
abordado pela retaguarda, retirando seus apoios no solo;
108
Biênio 2022/2023
3) Se mantém uma torção contínua no braço do abordado, de modo que ele se incline
para frente, no sentido de deitar-se de barriga ao solo.
#DETALHE TÁTICO: Dois policiais podem executar esta técnica ao mesmo tempo, um
em cada braço do abordado, de forma sincronizada.
109
Figura 02 - Técnica de projeção e imobilização
1 2
3 4
110
Biênio 2022/2023
#DETALHE TÁTICO: Dois policiais podem executar esta técnica ao mesmo tempo, um
em cada perna do abordado, de forma sincronizada.
Observados os preceitos acima, agora cabe a execução das técnicas em grupo, repetindo
as imobilizações, alternando a função entre os policiais. A execução deve sempre observar
a supremacia numérica, realizando as táticas variando a quantidade de policiais de dois a
cinco participantes. O encerramento da abordagem no treinamento é o posicionamento
do abordado de barriga para baixo, na posição de algemação (contenção). As técnicas de
torção de articulações, de projeção e controle de membros superiores e inferiores podem
ser feitas com variações, dependendo do nível de habilidade dos policiais.
Concluindo, o objetivo da DPP neste biênio, além de ser mais uma oportunidade de
aprendizado e treinamento, é fomentar o aprimoramento constante através dos conceitos
apresentados, tornando a assimilação das técnicas e táticas mais fácil e acessível.
111
4 O EMPREGO DE BASTÃO TONFA
4.1 Estocadas
As estocadas são os contragolpes básicos com o bastão tonfa, os quais são empregados
como um prolongamento do punho do policial, como se fosse desferir um soco. As
estocadas podem ser de dois tipos: a estocada longa e a estocada curta.
Nos movimentos de estocada o quadril dá a amplitude e potência aos golpes. Por isso o
policial não pode se limitar a esticar o braço, ele necessita girar o quadril e projetar o
corpo. Atingindo ou não o agressor o policial deve recuar rapidamente o bastão à posição
inicial, evitando que seu instrumento seja arrebatado.
4.2 Varreduras
a) horizontais;
b) verticais;
c) diagonais;
d) diagonais em X.
112
Biênio 2022/2023
Uma das funções nas quais se destaca o uso do bastão tonfa é o auxílio nas imobilizações
e conduções. Para o tipo de intervenção que será treinada no biênio 2022-2023 o TPB, a
técnica de condução com forçamento da articulação do ombro será muito utilizada.
Consiste numa chave de ombro, na qual o policial após dominar o braço do infrator, o
conduz ao solo para a imobilização final e algemação. A descrição da técnica
pormenorizada será realizada em aula prática.
5 CONCLUSÃO
113
PRIMEIRO INTERVENTOR EM
6 OCORRÊNCIAS DOS DEMAIS
ESFORÇOS DA MALHA PROTETORA
1 INTRODUÇÃO
116
Biênio 2022/2023
a) Imprevisibilidade relativa;
b) Compressão do tempo;
c) Ameaça a vida.
Primeiro interventor
em Ocorrências
humanos e logísticos, com o intuito de reestabelecer a ordem pública e salvar vidas. Trata-
6.
se do processo eficaz de identificar, obter e aplicar em conformidade com a legislação
vigente, as medidas estratégicas adequadas para a resolução do evento crucial, a fim de
preservar a vida e a integridade física dos envolvidos, a aplicação da lei e o
restabelecimento da ordem pública.
117
Além o Primeiro Interventor, a doutrina vigente traz outros componentes operacionais
importantes, que atuarão diretamente na solução do incidente crítico, quais sejam:
a) Criminoso comum: Planeja suas ações com vistas a obter vantagens ilícitas;
b) Mentalmente perturbado: Não apresenta seu estado normal de psique;
c) Ocasional/eventual: Geralmente ao realizarem um crime são flagrados e tomam
pessoas como reféns;
d) Suicida armado: Apresenta necessidades psicológicas frustradas ou que passa por
sofrimento psicológico;
e) Terrorista: Indivíduos motivados por pensamentos pseudo-religiosos, ideologias
radicais, visão política de intolerância.
118
Biênio 2022/2023
De forma genérica, conforme previsto no MTP 01, de forma geral, o Primeiro Interventor
deve adotar as seguintes ações:
2) Conter a crise, ou seja, impedir que outras pessoas ou áreas sejam envolvidas;
3) Isolar o local;
4) Solicitar apoio via rede rádio, tanto de reforço do policiamento local, quanto da
Primeiro interventor
Unidade Especializada, no caso do Batalhão de Operações Policiais Especiais;
em Ocorrências
6.
5) Iniciar a verbalização e, no caso de ocorrências envolvendo artefatos explosivos,
manter o controle e o isolamento já realizado até a chegada do BOPE ou adotar
as providencias repassadas pelo técnico do Esquadrão Antibombas do BOPE.
119
De forma geral, o primeiro interventor deve ter como principais ações no teatro de
operações:
Alguns pontos importantes devem ser observados pelo primeiro interventor, dentre eles
se destacam:
120
Biênio 2022/2023
Primeiro interventor
- Anotar as frases ditas por ele e as exigências, com os horários.
em Ocorrências
VERBALIZAR - Manter o perpetrador do incidente crítico ocupado; 6.
- Mostrar preocupação com a saúde do perpetrador e com as
pessoas que estão com ele;
- Não oferecer nada e nem despertar exigências por parte do
perpetrador;
- Procurar minimizar gravidades sem rebaixar ou depreciar o motivo
apresentado pelo perpetrador para sua ação.
- Acionar o Controlador do Incidente (CPU ou CPCia);
- Acionar SAMU, BM, Órgãos de Trânsito, conforme tipologias;
ACIONAR
- Repassar quadro de situação;
- Repassar informações sobre tipologias.
121
Conforme análise de situação, a Unidade Especializada deverá ser prontamente acionada
para a intervenção, conforme a tipologia do Incidente Crítico.
Importante o entendimento de que, para uma intervenção em um Incidente Crítico de
qualquer natureza, existem algumas exigências que devem fazer parte da análise no
processo de tomada de decisão sobre as providências a serem adotadas. Tais exigências
são:
1º) Protocolos Operacionais: Para cada tipo de intervenção, seja da ordinária até
ocorrências de alta complexidade, protocolos operacionais devem ser adotados para
a busca do resultado aceitável.
2°) Logística apropriada: Sem a logística necessária para a uma intervenção policial, os
resultados podem ser desastrosos;
Abaixo estarão desdobradas as principais ações que devem ser adotadas pelo primeiro
Interventor para as naturezas descritas, bem como o que se deve evitar fazer:
Manter-se em segurança. Isso implica em não se aproximar do ponto crítico (local onde
está o indivíduo armado), ou do próprio indivíduo armado por não acreditar na
possibilidade que este perpetrador possa tentar contra a vida do agente de segurança. O
policial deve fazer uso de abrigos naturais e artificiais, inclusive com o emprego de
escudos e capacete balístico para sua segurança;
Conter a crise impedindo que ela se agrave ou que envolvo outros agentes e fatores. O
correto cerco ao local, com a presença policial auxilia nesse processo;
Isolar tanto o indivíduo causador da crise por meio de processos de contenção quanto
isolar todo o teatro de operações. É importante afastar curiosos e delimitar perímetros de
segurança. O agente de segurança pode utilizar viaturas, cones, cavaletes, fita zebrada e
a própria presença policial. O isolamento deve ser suficiente para que não haja
interferência externa de terceiros, para que haja o controle midiático e seletivo de
imagens. Contudo, não pode se tornar tão grande que prejudique mais do que necessário
a rotina da região onde está ocorrendo a crise;
122
Biênio 2022/2023
Acionar reforços locais para auxiliar no controle do teatro de operações. O CPU deve ser
o Controlador do Incidente e coordenar o deslocamento de apoio. Não é necessário que
o CPU, no local do Incidente, substitua imediatamente o primeiro interventor que já esteja
verbalizando. Assim, o ideal é que o primeiro policial que se depare com o causador e
inicie o processo de parlamentação se mantenha até a chegada da Unidade especializada;
O policial não deve fazer promessas mentirosas ou mentir deliberadamente, mas deve
Primeiro interventor
em Ocorrências
utilizar técnicas de oratória adequando seu timbre e tom de sua voz a do causador,
mantendo um discurso coeso, sem o emprego de palavras de baixo calão, demonstrando 6.
preocupação e atenção ao potencial suicida.
O policial deve também buscar ouvir o causador, com paciência, pois a escuta ativa é a
principal ferramenta para a solução desses tipos de ocorrências. Importante que se colete
todas as informações sobre ele, anotando por meio de um segundo policial as principais
informações e progressão do comportamento, positivos e negativos, com a descrição dos
horários e os principais fatos falados e levantados por meio de terceiros. O policial
verbalizador deve buscar focar nos pontos que claramente houve uma recepção positiva
pelo causador do evento crítico e tentar dissuadi-lo do pensamento suicida.
123
O BOPE possui equipe diuturna pronta para o apoio em qualquer local de Minas Gerais.
Assim, a brevidade do acionamento é fundamental para a rápida mobilização do apoio.
Por vezes a demora do acionamento prejudica a solução da crise e causa resultados
perniciosos não desejados. O BOPE é uma ferramenta a ser empregada pelo policial que
primeiro se depara com a crise e deve ser prontamente acionado. Assim, o não
acionamento tempestivo somado a ações precipitadas ou isoladas podem comprometer
a segurança da equipe policial, de terceiros, do causador da crise e comprometer toda a
imagem institucional.
É importante buscar informações sobre a condição de saúde das pessoas no ponto crítico
(reféns e causadores do evento crítico);
Não se deve ofertar ou entregar ao causador itens que comprometerão a solução da crise,
como armas, veículos, celulares, ou mesmo coletes balísticos sem uma prévia análise
preferencialmente pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais;
O policial não deve ser possuído por sentimentos pessoais de profundo envolvimento
com a crise, uma vez que uma breve saída do campo racional pode fazer com que ocorra
o desenvolvimento de síndromes como a de “Hollywood”, na qual o policial poderá
precipitar ações ou deixar de adotar por acreditar que pode resolver a ocorrência de
forma isolada;
124
Biênio 2022/2023
Não ofertar ou entregar ao perpetrador itens que comprometerão a solução da crise, sem
a devida orientação da equipe do BOPE;
Primeiro interventor
em Ocorrências
2.3 OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO ARTEFATOS EXPLOSIVOS 6.
125
Acionar o Esquadrão Antibombas do BOPE e, por meio de contato horizontal com técnico
da Unidade, receber as orientações e adotar as providencias repassadas pelo policial do
Esquadrão Antibombas.
Coletar informações sobre a origem por meio de testemunhas ou outra fonte que se
apresente;
Uma vez identificado local de acesso à área de mata, preservar esse ponto;
Acionar o BOPE para que possa apoiar por meio do COMAF (Comando de Operações em
Mananciais e áreas de Florestas) e a equipe de ROCCA para apoio com cães.
126
Biênio 2022/2023
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte o apoio aéreo pode ser solicitado 24 horas
por dia em todos os dias da semana. Nas cidades em que há Base Regional de Aviação
Primeiro interventor
em Ocorrências
do Estado, BRAVE, o acionamento da aeronave é realizado diretamente pelo militar via
rede rádio. Nas cidades que não são sede de BRAVE, o acionamento da aeronave deve 6.
ser solicitado ao COPM.
Ao orientar a aeronave é importante usar analogia das posições do relógio para facilitar
a comunicação.
127
ângulo de 90 graus, represente a posição de 03 horas, a retaguarda da aeronave, em um
ângulo de 180 graus, represente a posição de 06 horas, a esquerda da aeronave, em um
ângulo de 270 graus, represente a posição de 09 horas.
128
Biênio 2022/2023
São exemplos de ocorrências nas quais o apoio aéreo potencializará a atuação dos
policiais:
Os eventos em via pública sem autorização do Poder Público exigem das Unidades com
responsabilidade territorial condutas de prevenção, a saber:
Primeiro interventor
em Ocorrências
Monitorar as redes sociais; 6.
Ocupar os locais do evento antes da aglomeração de pessoas;
Empregar todos os recursos disponíveis da unidade para impedir que o evento se
inicie.
As condutas se executadas com acerto, impedirão, em regra, que o evento ocorra. Caso
mesmo assim venha ocorrer, deverão ser adotadas providencias policiais que
possibilitarão o emprego da tropa de choque, neste caso deverá ser observado:
129
Esgotada a capacidade de reação das forças de segurança com responsabilidade
territorial, acarretando risco à integridade física dos integrantes em face de intervenção
no evento, a UEOp solicitará apoio ao BPChq, ou equivalente, que deslocará no primeiro
momento o Oficial Comandante do Pelotão ou o Oficial Operacional, que no local avaliará
a viabilidade de emprego da tropa de Choque.
Identificar as lideranças;
Classificar os pleitos (reivindicações);
Verbalizar com as lideranças para liberação total, ou parcial da via;
Definir perímetros de atuação e de segurança para a correta alocação dos recursos
disponíveis, bem como os que poderão ser alocados;
Identificar vias de fuga caso seja necessário o uso da força;
Nas situações que envolvem buscas por drogas, armas e munições, o primeiro interventor
deverá realizar as buscas normalmente e zelar pelo controle de ambiente, ou seja,
observar e controlar o trânsito de pessoas, veículos e outros animais na área de atuação.
Caso durante as buscas por parte do primeiro interventor seja localizado algum material
ilícito, este deverá ser retirado da área de busca e armazenado em local diverso da área
vistoriada.
130
Biênio 2022/2023
Por outro lado, se não for localizado nenhum material pelo primeiro interventor e houver
fundada suspeita da possibilidade de presença armas de fogo ou drogas no ambiente, a
ROCCA também poderá ser acionada.
Ao acionar passe um breve histórico dos fatos, sobretudo o local a ser vistoriado
(ambiente interno, externo, tamanho da área, ônibus, carro, moto e etc.). As portas e
janelas de casas e/ou carros devem permanecer fechadas para potencializar o odor no
ambiente. O local de busca deverá ser mantido durante todo o tempo sob vigilância dos
militares de primeiro esforço, além do controle de ambiente.
Será utilizado em ocorrências que envolvam crimes violentos e/ou perigo à integridade
física dos militares, após avaliação da equipe técnica. Ressalta-se que o primeiro
interventor deve realizar a primeira avaliação da conveniência e necessidade do
Primeiro interventor
acionamento dos cães de busca captura. Essa avaliação deve ser feita levando-se em
em Ocorrências
consideração o tipo de infração ou crime cometido, grau de periculosidade do infrator, 6.
grau de perigo aos militares, dentre outros fatores.
A primeira atitude deve ser estabelecer o cerco da área de mata a qual o infrator
adentrou-se. No caso de edificações, deve-se certificar que elas estejam abandonadas ou
livres de pessoas que não sejam o alvo da operação policial.
131
ATENÇÃO!
Não se deve adentrar nas áreas de mata, uma vez que o risco para o policial é
extremamente elevado e também pelo prejuízo causado na aplicação dos cães de
busca e captura que terão diversas trilhas para verificar.
O acionamento deve ser feito o quanto antes com informações sobre características do
infrator e tipo de armamento utilizado. O apoio do COMAVE auxilia na obtenção de
informações do local, como as características do terreno, presença de residências e
pessoas no interior da mata.
A ROCCA iniciará os trabalhos sempre pelo ponto de entrada do infrator na área de mata.
Desta maneira, é essencial que os policiais indiquem com a maior precisão possível tal
ponto.
As viaturas devem permanecer no cerco até o término dos trabalhos da equipe de ROCCA,
diminuindo a possibilidade de fuga do infrator.
Após a localização do infrator pela guarnição de ROCCA, a ele será prestado socorro e
posteriormente apresentação a autoridade de polícia judiciária. Esses procedimentos
ficarão a cargo do primeiro interventor ou de outra guarnição de área, a critério do
coordenador do turno. Deve-se ressaltar no histórico da ocorrência que fora dada a
oportunidade de rendição, e que o cão fora utilizado como IMPO, seguindo o preceituado
no MTP 01 e 11, lembrando-se de preencher corretamente o auto de resistência.
3.4 TÁTICO MÓVEL (TM), GRUPO TÁTICO RODOVIÁRIO (GTR), GRUPO ESPECIAL DE
POLICIAMENTO AMBIENTAL (GEPAM)
Todos estes serviços são do segundo esforço, consistem em guarnição composta por três
policiais militares, devidamente treinados, com logística diferenciada (equipamentos,
armamentos, viaturas de grande porte), com o objetivo de atuarem no recobrimento do
policiamento ordinário, nas suas respectivas áreas.
132
Biênio 2022/2023
O serviço GER, é força de manobra do Comando Regional atuando nas áreas de Batalhões
e Companhias Independentes das Regiões do interior do Estado e Região Metropolitana
de Belo Horizonte (RMBH).
4. CONCLUSÃO
Primeiro interventor
em Ocorrências
Foram estudadas as técnicas para ocorrências envolvendo pessoas com desejo suicida, 6.
estando armadas com armas de fogo, devido ao maior risco que representam.
Os objetivos foram alcançados ao mostrar aos nossos militares que em casos de maior
complexidade ele não deve agir isoladamente, pois a muitos portfólios de apoio para
auxilia-lo nesses casos mais complexos, aumentando as chances de êxito e diminuindo
os riscos da atividade policial.
133
ATENDIMENTO
7 PRÉ-HOSPITALAR
(APH)
1 INTRODUÇÃO
No Brasil, tal serviço foi espelhado no modelo de atendimento Francês contando com a
existência de um médico regulador que avalia todos os pedidos de emergência e define
qual será o melhor atendimento a vítima, bem como no modelo Norte Americano onde
as chamadas eram direcionadas ao profissional da área de saúde e este indicava o melhor
atendimento.
Entretanto, o APH foi idealizado no Brasil apenas no início da década de 90, baseado na
Política Nacional de Atendimento às Urgências, liderada pelo Ministério da Saúde. Neste
mesmo período, os militares do Corpo de Bombeiros (CB) iniciam um treinamento para
atendimento pré-hospitalar móvel, o que conferiu em outra modalidade de APH, o
Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências.
136
Biênio 2022/2023
As ações de salvamento realizadas por Policiais Militares têm grande destaque em âmbito
do APH Móvel ora pelas ações particulares que desempenham, ora na atuação
complementar a dos profissionais oriundos da saúde, como Médicos, Enfermeiros e
Técnicos de Enfermagem, e outros especialistas. Além de garantir a segurança da cena e
dos socorristas envolvidos, policiais auxiliam em diversas ações de socorro imediato como
Suporte Básico de Vida (SBV), conforme demonstra a Portaria 2048/2002.
Na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) as ações de APH estão vinculadas à Central de
Operações Policiais Militares (COPOM), por meio do número telefônico 190, que é um elo
de comunicação importante entre a Corporação e a comunidade. Mediante o
acionamento ao COPOM a ocorrência é processada na central e as orientações de
primeiros socorros e outros procedimentos são reforçadas enquanto a viatura e/ou outras
equipes de apoio (ambulâncias do SAMU e/ou do Corpo de Bombeiros Militar de Minas
Gerais - CBMMG) são deslocadas para o local, caso seja necessário.
1
O Atendimento Pré-hospitalar Fixo é dividido em dois tipos:
I - Unidades de atenção primária à saúde e Programa de Saúde da Família: responsáveis por
acolher os usuários em urgências de baixa gravidade/complexidade. Devem ser desempenhadas por
todos os municípios brasileiros, independentemente de estarem qualificados no Programa de
Atenção Básica (PAB) ou Programa de Atenção Básica Ampliada (PABA).
Pré-Hospitalar
Atendimento
137
2.1 ASPECTOS LEGAIS E NOÇÕES GERAIS DE APH
Policiais Militares são considerados agentes de APH, por terem participação sine qua nom
da Rede de Atendimento às Urgências no Brasil e, portanto, a não realização dos
primeiros socorros constitui-se ato ilícito civil e penal (omissão de socorro) previsto pelos
respectivos códigos brasileiros, conforme demonstrado a seguir:
O parágrafo único do artigo 135 do Código Penal Brasileiro determina ainda aumento da
pena caso a omissão resulte em lesão corporal de natureza grave, que pode ser triplicada
em caso de morte da vítima.
2
Normas jurídicas do Brasil. Maiores detalhes ver referencial na íntegra: BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 07
de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 31 dez. 1940. BRASIL. Lei n.
10.406, 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 11 jan. 2002.
138
Biênio 2022/2023
Fazer ou agir sem cautela, com precipitação ou afoiteza. “Imprudente é aquele que sabe do
grau de risco envolvido na atividade e mesmo assim acredita que é possível a realização sem
prejuízo para ninguém.” A pessoa em suas ações, age realizando uma atitude diversa da
esperada. Isto é, age correndo o risco.
7.
139
- Negligência: deixar de fazer o que é obrigado a fazê-lo
Não tomar as devidas providências ou se omitir. Deixar de fazer o que deveria ser feito por
displicência, ou por preguiça por não querer fazer como deveria fazer. Agir com
irresponsabilidade. Falta de atenção ou cuidados.
Não prestar socorro ou não pedir Não garantir isolamento da cena e retirada de
ajuda necessária. pessoas no local.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens de documento institucional citada diretamente no campo
respectivo. Imagens públicas disponíveis em google imagens, acesso em 2021.
140
Biênio 2022/2023
Não obstante, o policial militar pode vivenciar situações polêmicas no contexto do APH
que requer procedimentos e registro adequado. São exemplos destas circunstâncias:
MORTE NA CENA Portanto, se ao chegar no local não houver evidências claras de morte, 7.
conforme os casos abaixo mencionados, o militar deverá iniciar o
atendimento adequado, com vistas ao restabelecimento e manutenção
das funções vitais da vítima.
141
A rigidez cadavérica inicia-se São evidências que indicam
3 horas após a morte, com vítima morta:
total rigor após 12 horas e
Decapitação: cabeça separada do corpo.
total relaxamento em
aproximadamente 36 horas. Decomposição/putrefação: quando o óbito ocorreu há
mais de 01 (um) dia.
Preservação da
imagem e não
exposição
Preservação da
imagem e não
exposição
Preservação da
imagem e não
exposição
142
Biênio 2022/2023
DOCUMENTAÇÃO DO OCORRIDO
A documentação deve seguir as instruções da instituição. Esse documento serve como registro
legal no caso de processo judicial e deve ser claro, preciso, legível, contendo as seguintes
informações:
Condição da vítima quando encontrada.
Descrição da vítima, da lesão ou da natureza do mal súbito.
Atendimento prestado à vítima.
Nome da instituição e da pessoa que assumiu a vítima.
Quaisquer outros fatos notáveis.
Qualquer possibilidade de exposição às doenças infecciosas.
Qualquer fato incomum relacionado ao caso.
Testemunhas.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens públicas disponíveis em google imagens. Acesso em 21 de
setembro de 2021.
7.
O termo APH, foi inserido no Brasil após a criação do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência 192 (SAMU 192) através do Decreto Federal N° 5.055 de 27 de abril de 20043
que instituiu oficialmente essa modalidade de atendimento às Urgências e Emergências
no território nacional.
3
BRASIL. Decreto Nº 5055 de 27 de abril de 2004. Institui o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência –
SAMU, em Municípios e regiões do território nacional, e dá outras providências. Disponível em:<
[Link] >. Acesso em 27 de
setembro de 2021.
143
Embora não haja consenso na literatura científica para estabelecer o termo APH Civil ou
Convencional como uma nomenclatura de APH, na atualidade tem sido referenciado
para diferenciar os protocolos de atendimento utilizados em situações gerais do cotidiano
e que não se vinculam às ações de salvamento de natureza tática ou em ambientes de
combate e intervenções bélicas.
4
BRASIL. Ministério da Defesa. Aprova a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar Tático do Ministério da
Defesa para regular a atuação das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos envolvidos e as
situações previstas para a atividade. Portaria Normativa MD/GM Nº 16, DE 12 de abril de 2018.
5
A primeira audiência pública sobre o assunto ocorreu em 08 de novembro de 2021. Maiores informações
em:< [Link]
projeto-de-atendimento-pre-hospitalar-tatico>
144
Biênio 2022/2023
Por se tratar de um tema cuja normatização é relativamente recente no Brasil e que exige
reformas nas abordagens de formação dos agentes de segurança pública, e considerando
as questões relativas à atuação profissional de cada membro envolvido (socorristas táticos
e profissionais de saúde), torna-se necessário o desdobramento destas Diretrizes através
de um Time de Trabalho Transdisciplinar na Corporação para avanços e melhorias
contínuas.
Ao identificar qualquer risco potencial, avalie sua capacidade de lidar com o caso,
necessitando chame auxílio adicional técnico: Pré-Hospitalar
Atendimento
145
3.2 ALGORITMOS PARA AVALIAÇÃO DAS VÍTIMAS DE TRAUMA EM APH
Trauma pode ser definido como um evento nocivo aos tecidos e vasos produzido por
ação violenta externa ao organismo e de distintas naturezas (mecânica; química; térmica;
irradiação; elétrica).
A avaliação das vítimas de trauma tem por objetivo verificar os sinais vitais e tratar as
condições que o colocam em risco iminente de morte. Baseia-se nas diretrizes do
Advanced Trauma Life Support/ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma), do
Colégio Americano de Cirurgiões (a partir de 1979); e do Prehospital Trauma Life Support
(PHTLS) - Suporte Pré-Hospitalar de Vida no Trauma -, desenvolvido para o ambiente
extra-hospitalar, na década de 80.
146
Biênio 2022/2023
Pré-Hospitalar
Atendimento
6
Embora o uso do torniquete não seja prerrogativa exclusiva do ambiente tático, é neste cenário que sua
utilidade obteve grande avanço. Por isso e para apoiar a coerência didática deste material, o detalhamento 7.
sobre o uso dos torniquetes será apresentado no capítulo de APH Tático.
7
A compressão local das feridas sangrantes tem sido a manobra mais difundida mundialmente para o
controle da hemorragia, e, na maioria das vezes apresenta desfechos satisfatórios. Entretanto, durante as
guerras do Iraque e Afeganistão o exército americano conseguiu reduzir consideravelmente o número de
mortes evitáveis com a aplicação do torniquetes nos sangramentos maciços de extremidades. Aliado a
isso, o aumento do número de ataques com arma de fogo a alvos civis e ataques com bombas, motivou o
governo dos Estados Unidos lançar uma campanha para “Parar o Sangramento” ( Stop the Bleed), com o
intuito de informar sobre atitudes que poderiam ser benéficas em caso de ataques em massa. O sucesso
do uso de desfibriladores automáticos e ensinamentos de como proceder em paradas cardíacas baseou o
início desta ideia.
147
Figura 03 - Controle de Hemorragias.
Controle de Hemorragias
Justificativa: Por mais rápida que seja a chegada dos profissionais de emergência, os transeuntes
sempre serão os primeiros a chegar. Uma pessoa que está sangrando pode morrer devido à perda
de sangue em torno de 05 (cinco) minutos, sendo imperativo saber como interromper rapidamente
a perda de sangue.
“A única coisa mais trágica do que uma morte, é uma morte que poderia ser evitada!”
3 - Aplique o Torniquete:
No membro afetado cerca de 5 a 7 cm
em posição proximal à lesão ou, de
acordo com o IV Consenso de
Hartford (Alto e apertado).
Não aplicar sobre articulações. Caso a
lesão esteja próxima a uma articulação, posicione
o torniquete acima da articulação. Aperte
o torniquete até que o sangramento pare
completamente.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens disponíveis em google imagens. Maiores informações sobre a
Campanha Stop the Bleed em: < [Link] >. Acesso em outubro de 2021.
148
Biênio 2022/2023
Atenção: A manobra Head Tilt Chin Lift (inclinação da cabeça e elevação do queixo)
Pré-Hospitalar
Atendimento
149
Figura 05 - Pneumotórax e hemotórax
PNEUMOTÓRAX E HEMOTÓRAX
Fonte Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
de 2021
Fonte: Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
de 2021.
150
Biênio 2022/2023
A – Alerta
V – Verbaliza
D – Dormindo
I – Inconsciente
Fonte: Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
Pré-Hospitalar
Atendimento
de 2021.
7.
151
3.3 HEMORRAGIAS E CHOQUE NOS QUADROS DE TRAUMA
Hemorragia pode ser definida como a ruptura dos vasos sanguíneos e consequente
extravasamento de sangue. Perdas sanguíneas não abortadas de forma intempestiva e
adequada progridem para o estado de choque - baixa perfusão (circulação e oxigenação
de órgãos) -, disfunção celular e pode levar a vítima ao óbito em poucos minutos.
A gravidade e perda volêmica pode ser estimada com base na tabela adaptada
do American College of Surgeons Committee on Trauma, (Colégio Americano de
Cirurgiões do Trauma – EUA) variando entre os estágios I a IV. Em geral, pacientes em
estágio I e II apresentam-se ansiosos, agitados e com ligeiro aumento da respiração e
pulso; e não necessitam de reposição de hemoderivados (sangue e plasma), ao contrário
das classes mais graves (III e IV) nas quais a vítima progride para ansiedade extrema,
aumento do pulso e até estado de confusão, torpor que levará ao coma (inconsciência).
Moderadamente
II 750-1500 ml Aumento Aumento
ansioso
>120 30-40
III 1500-2000 ml Ansioso, confuso
batimento/min ventilações/min
>140 >35
IV >2000ml Confuso, letárgico
batimento/min ventilações/min
Fonte: National Association of Emergency Medical Technicians (NAEMT). PHTLS: Atendimento pré-
hospitalar ao traumatizado. 9ª edição. Editora Artmed. 2019.
152
Biênio 2022/2023
Mortes por PCR não relacionadas aos traumas no ambiente extra-hospitalar (PCREH)
impactam significativamente na mortalidade geral em todo o mundo. Aliado a isso, a
baixa proporção de atendimentos realizados por pessoas leigas ou socorristas não
oriundos da saúde e as limitações de acesso ao Desfibrilador Externo Automático (DEA)
comprometem o retorno da circulação espontânea (reversão da PCR) e diminuem as
chances de sobrevivência das vítimas (AHA, 2020; NAEMT 2019).
7.
O atendimento da PCR no APH é estruturado por uma sequência de intervenções
denominada de corrente da sobrevivência. A falha em qualquer elo da cadeia
compromete o resultado do atendimento como um todo.
8
A Diretriz de 2020 atualizada para 2021 ocorreu recentemente em 21 de outubro de 2020. Fonte: American
Heart Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020 da Disponível
em: <[Link] Acesso em 20 de setembro
de 2021.
153
Figura 08 - Etapas gerais da cadeia de sobrevivência para atendimento da PCR no
contexto pré-hospitalar.
Etapas gerais da cadeia de sobrevivência para atendimento
da PCR no contexto pré-hospitalar
Fonte: American Heart Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020. Disponível
em: <[Link] Acesso em 20 de set 2021.
C V R
Fonte: Adaptação dos autores. Sequência de Reanimação Cardiopulmonar recomendado pela American Heart
Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020. Atualização com os cuidados respiratórios na vigência da
COVID-19. Disponível em: <[Link] Acesso em 20 de
setembro de 2021. Imagens disponíveis em google imagens em setembro de 2021.
154
Biênio 2022/2023
Notas importantes:
X
7.
X
Fonte: Elaboração pelos autores. Imagens disponíveis em google imagens: 03 dez. 2021.
155
4.1.2 Atendimento sequencial do policial militar à vítima em PCR
O reconhecimento da PCR por leigos segue a conduta preconizada pela AHA e Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC).
Caso a vítima não responda à estimulação verbal e sensorial e não apresente respiração, o socorrista
considerará quadro potencial de PCR e seguirá os demais passos para o socorro da vítima;
Se a vítima apresentar respiração, as manobras de abertura de vias aéreas deverão ser realizadas.
- Passos críticos:
Nível de responsividade da vítima Avaliação da respiração da vítima
ATENÇÃO:
156
Biênio 2022/2023
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
9
MINAS GERAIS. Lei 15778, de 26/10/2005. Torna obrigatório equipar com aparelho desfibrilador cardíaco
os locais, veículos e estabelecimentos que menciona. Disponível em:<
[Link]
no=2005>. Acesso em 21 de setembro de 2021.
157
2 – Adaptação das Pás adesivas no Tórax do paciente e conexão junto ao DEA
158
Biênio 2022/2023
- Nota de observação:
Pré-Hospitalar
Atendimento
10
A Campanha enfatiza apenas 2 passos: chamar ajuda e compressão torácica efetiva, chamado de "hands
only" – somente mãos (para socorristas leigos não treinados); ou 3 passos: chamar ajuda, compressão
torácica efetiva e ventilação (para socorristas leigos treinados ou profissionais de saúde). Veja maiores
informações e o video da Campanha em: <[Link] >. Acesso
em outubro de 2021.
159
Compressões Torácicas em Adulto
As compressões torácicas devem aprofundar de 5 a 6 centímetros no centro do tórax do
paciente.
FOCO:
RCP DE QUALIDADE
POSICIONAMENTO CORRETO
COMPRESSÃO = CIRCULAÇÃO
(perfusão cerebral e cardíaca)
Fonte: Adaptação dos autores. Algumas imagens de acervo do TPB e outras do Google imagens, 2021.
160
Biênio 2022/2023
A obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) é um quadro em que algum
objeto (artefatos, balas, moedas, língua) ou alimento causa obstrução ou dificulta a
passagem do ar para dentro dos pulmões da vítima.
Bloqueio na passagem
de ar pela VAS
OVACE
A vítima não
consegue falar nem
A vítima pode tossir ou emitir sons.
falar, tossir ou A respiração torna-se
emitir sons (tosse ruidosa, dificultosa e
forte, “chieira”). PARCIAL TOTAL
a tosse é ineficaz.
Pré-Hospitalar
Atendimento
Insuficiente troca de 7.
Mantém algum nível
ar com dificuldade
de troca de ar.
acentuada.
161
4.2.2 Atendimento sequencial das vítimas com obstrução de via aérea
11
Destaques da AHA (publicadas em 21 de outubro de 2020) incluíram a possibilidade de mudanças nas
manobras de desobstrução de Vias Aéras por Corpos Estranhos em adultos. A técnica passaria a adotar
primeiramente 05 (cinco) golpes na região posterior das costas, seguidos de 05 golpes na região epigástrica
e reavaliação contínua da vítima. Reforçou também que o incentivo à tosse é sempre o método de primeira
escolha pelo risco de lesões em órgãos torácicos e abdominais. (AHA, 2020).
162
Biênio 2022/2023
Atualmente, uma das principais referências técnicas para essa modalidade de atenção às
Pré-Hospitalar
12
Leia detalhes em: MAIA, Rodrigo. História do APH de Combate no Mundo. Disponível em:
[Link] Acessado em 10 de outubro
de 2021, às 22hs48min.
163
Entretanto, no Brasil, conforme mencionado no capítulo 1.2 do módulo 01
(Particularidades e diferenças entre o APH Civil/Convencional e APH Tático), está em
processo de validação a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar para Profissionais de
Segurança Pública. Com particularidades próprias para o país, o protocolo inspirado no
TC3 e no acrônimo MARCH busca capacitar os agentes de segurança pública quanto à
adoção de procedimentos fundamentais para a contenção de hemorragias e choque nos
ambientes de combate, além de outros conhecimentos, contribuindo para a redução da
vitimização em combate.
Os operadores socorristas neste tipo de situação devem além de preocupar-se com o(s)
ferido(s), precisam estar em alerta e analisar os fatores táticos envolvidos na cena, como
a segurança da equipe e a retirada rápida do local hostil. Seus armamentos e
equipamentos deverão estar em condições para uma possível nova intervenção tática,
independente do tratamento do agente ferido. Salienta-se que ,não raramente, o
combatente será o primeiro, senão o único, provedor de ações de primeiros socorros
naquele local.
13
Cumpre esclarecer que o TC3 é um dos protocolos internacionais utilizados para capacitação em APH
Tático. Todavia, a Diretriz Nacional de APH Tático publicará em breve seu protocolo nacional, com
particularidades advindas de um processo de validação nacional adaptado às realidades do Brasil.
164
Biênio 2022/2023
Nas ocorrências em que o policial militar sofre trauma ou lesão que requeira tratamento
imediato, os primeiros cuidados deverão ser prestados por ele mesmo (autosocorro) e
por outro policial antes de ser resgatado e efetuar a conduta do Memorando 31.164.2/06
– EMPM “Pega e Leva”, a qual discorre:
a) Nos casos de traumas penetrantes (projéteis de arma de fogo ou arma branca), as vítimas deverão ser
socorridas de imediato ao hospital Odilon Behrens ou João XXIII, sendo este último preferencialmente, no
primeiro veículo disponível ou pela própria guarnição empenhada na ocorrência.
b) Nos casos de traumatismos contusos (queda, acidentes, atropelamentos e outros), as vítimas serão
socorridas pelas unidades pré-hospitalares do SAMU ou RESGATE, haja vista o comprovado benefício desse
atendimento no local. [MINAS GERAIS, 2006].
O APH Tático divide a sua área de atuação em três fases, de acordo com o perigo para a
vítima e para a equipe. Tal divisão determina as ações que o socorrista deve tomar em
cada momento, de forma a fornecer o melhor atendimento possível, sem abrir mão da
segurança.
7.
Sem ameaça – Evacuação do militar ferido para um ambiente
controlado e com suporte médico avançado (pronto socorro).
Atendimento em Evacuação
Após saírem da zona quente, ambiente hostil, os militares
Tática
deverão retornarem ao Estado de Alerta (Laranja) e quando o
cenário permitir, retornar ao Estado de Atenção (Amarelo).
Fonte: Adaptação dos autores. Tactical Combat Casualty Care for Medical Personnel
August 2018. (Based on TCCC-MP Guidelines 180801).
165
As zonas de atendimento têm correspondência com as técnicas de resgate do policial
ferido e são didaticamente divididas por cores a saber:
ZONA QUENTE OU VERMELHA: Local hostil, onde o Policial Militar não possui domínio
total da situação e não controla as ameaças;
Quadro 05 - MARCH.
MARCH
14
Esse acrônimo foi validado em âmbito nacional para o Brasil. Maiores detalhamentos em:
<[Link]
projeto-de-atendimento-pre-hospitalar-tatico/mapeamentos-de-competencias-e-procedimentos-
minimos-especificos-sei_mj-[Link]>. Acesso em 08 nov 2021.
166
Biênio 2022/2023
a) Pressão Direta:
Realiza-se uma pressão direta sobre a ferida;
Auxílio de gaze, se disponível, ou pano limpo;
Manter pressão até uma solução definitiva.
b) Bandagem Compressiva:
Feito de forma que uma pressão mecânica seja mantida sobre o ferimento;
Pode estancar grandes hemorragias;
Usar gazes preenchendo a ferida;
Usar um chumaço de gaze por cima para promover a pressão.
c) Curativos hemostáticos:
Os dispositivos hemostáticos foram desenvolvidos inicialmente para os conflitos no
Afeganistão e no Iraque, onde foram usados pelas forças militares dos EUA salvando
várias vidas. Atualmente as gazes impregnadas com agentes hemostáticos são como
equipamento obrigatório pelas Forças Armadas dos EUA e forças de segurança como CIA,
FBI, SWAT, policias locais, atendimento de emergências e hospitais nos EUA e em vários
países.
167
d) Torniquetes:
Os torniquetes são usados para o controle de hemorragias importantes quando a
compressão direta e compressão elástica não foram eficazes. A finalidade do torniquete
é realizar constrição externa (temporária) do leito vascular lesado através da oclusão
mecânica externa de veias e artérias.
• Aplicar diretamente sobre a pele;
• 4 a 5 “dedos” acima de ferida, para uma aplicação deliberada;
• Nunca sobre uma articulação;
• Em um ferimento por munições de alta velocidade, indica-se o uso do torniquete
emergencial – sendo mais alto e mais apertado;
• Apertar até desaparecer o pulso distal;
• Se for necessário, instalar um segundo torniquete, acima do primeiro – torniquete
duplo;
• Na região dos membros com ossos duplos, pode acontecer de um torniquete, mesmo
apertado, não estancar a hemorragia. Isso acontece porque os ossos “protegem” o
vaso, impedindo a obstrução do mesmo;
Na perna: tíbia e fíbula;
No antebraço: rádio e ulna;
• Porém, ainda assim, indica-se o uso do torniquete “mais apertado”, uma vez que a
diminuição do fluxo sanguineo é real. Não estancando o sangramento, poderá haver
a reversão ou aproximação do torniquete para uma maior efetividade da técnica.
ATENÇÃO:
• Enquanto o socorrista observa os focos de hemorragia, pode realizar a
exposição do corpo da vítima, verificar o estado de consciência e fazer as demais
observações, não necessariamente seguindo um protocolo somente após terminar
outro.
• Mantenha atenção ao pulso distal/perfusão capilar, checando-os sempre que
possível.
168
Biênio 2022/2023
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens disponíveis em google imagens. Disciplina de APH para policiais
militares de Minas Gerais. Treinamento Policial Básico. Biênio 2022-2023.
169
De modo geral entre 150 a 200 minutos a equipe de socorro realizará o transporte para
um Centro de Trauma/Emergências de modo a assegurar a sobrevida da vítima. Não há
evidências que determine o tempo máximo de uso do torniquete e danos relacionados
ao seu uso prolongando foram raros.
Torniquetes não podem ser colocados em articulações e sua indicação está associada à
Hemorragia Exsanguinantes (maciça) de extremidades.
ATENÇÃO:
• Enquanto o socorrista observa os focos de hemorragia, pode realizar a
exposição do corpo da vítima, verificar o estado de consciência e fazer as demais
observações, não necessariamente seguindo um protocolo somente após terminar
outro.
• Mantenha atenção ao pulso dista/perfusão capilar, checando-os sempre que
possível.
170
Biênio 2022/2023
171
2 Equipagem Tesoura ponta 1 Deve possuir capacidade para cortar todos os tipos
romba de tecido, couro, botas e roupas de inverno pesado,
bem com deve possuir lâminas afiadas, temperadas e
rígidas de aço inoxidável com borda serrilhada para
cortar materiais;
Deve possuir grande anel de polipropileno para
proporcionar o máximo de controle e conforto no
encaixe dos dedos;
Deve possuir cor do cabo Caqui, Preto ou Verde
escuro;
Deve possuir cor da lamina da cor do cabo ou preta
; Deve ser totalmente autolavável à 143ºC;
Dimensões aproximadas: comprimento total 19cm;
largura total 10cm; espessura total 1cm peso: 57g;
Deve ser igual ou semelhante a NAR TRAUMA
SHEARS.
172
Biênio 2022/2023
173
9 Controle de Bandagem 4” 1 Bandagem de compressão elástica com
sangramento (tipo reservatório com 3 metros de gaze, com uma barra de
maciço israelense ou pressão que tamb separadamente
olaes) (preferencialmente),
Uma folha plástica oclusiva removível
(preferencialmente);
Possuir tiras de velcro® que impeçam o
deslocamento acidental durante a aplicação;
As tiras de velcro® fornecem superfícies de
aderência durante a aplicação e ajudam a manter a
pressão desejada;
Possui grampo para fixação; Embalada a vácuo;
Embalagem a vácuo: comprimento 16cm x largura
10cm x altura 3cm Gaze: 10cm de largura x 3m de
comprimento; Registrado na Anvisa.
174
Biênio 2022/2023
13 Prevenção Fonte de Calor 1 Bolsa com ativação de calor instantânea, gerada por
da Instantâneo* reação química;
Hipotermia Indicada para controle de Hipotermia, alivio de
contusões e entorses e dores musculares em geral;
Deve ter tamanho reduzido para se transportada no
bolso ou em Kit de APH Tático individual;
Tempo mínimo de duração 25 Minutos;
Temperatura do aquecimento, entre 50°C e 60 °C;
Preferencialmente reutilizável.
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
175
Tratamento do pneumotórax em ambiente hostil ou zona quente:
Curativos oclusivos e burp de tórax se necessário.
Se a perfuração tiver apenas entrada, fazer curativo oclusivo de 3 pontas (SELO DE
TÓRAX) – não muito eficiente uma vez que o material utilizado para tal, não
mantém-se colado devido aos fluídos corporais e sangue;
Se a perfuração tiver entrada e saída, fazer oclusivo de 4 pontas em um orifício e
de 3 pontas no outro, permitindo expulsar os fluídos desnecessários.
Burp de tórax: Remova o selo de tórax ou curativo oclusivo até que o ferimento
fique exposto. Limpe o ferimento com um pano ou gaze, removendo possíveis
coágulos, em seguida aplique uma pressão firme no lado do pneumotórax.
ATENÇÃO:
Fonte Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em
setembro de 2021.
176
Biênio 2022/2023
Deve-se evitar ao máximo a perda de calor da vítima e, para isso, o agente que estiver
prestando socorro deverá lançar mão de alguns procedimentos:
Manter a vítima o mais seca possível;
Isolá-la do contato com o solo (principalmente se este estiver úmido);
Levar consigo equipamentos simples (cobertor aluminizado e bolsa de calor
instantâneo) para manter a vítima aquecida;
Se o ambiente estiver confortável para você significa que estará desconfortável (frio)
para a vítima! - Aqueça-a!
Nesta etapa as prioridades são repelir injusta agressão, conter o fogo inimigo e mover a
vítima para abrigo.
177
7.1.1 Neutralizar Ameaças
Sair do X: Refere-se movimentar, não estacionar no local onde o policial militar foi ferido,
pois esse ponto caracteriza um alvo para a ameaça ativa. Pequenos deslocamentos
podem fazer os policiais militares da guarnição deixarem de serem alvos para a ameaça.
Abrigar-se e buscar os abrigos mais próximos;
Retornar fogo apropriado (consciente);
Fazer a cobertura da área quente para evitar possíveis ameaças secundárias.
Caso não exista um abrigo próximo ao realizar a extricação do ferido. Assim que o
socorrista se aproximar do militar vitimado, realizar a triagem em X, verificando os
possíveis focos de sangramento, expor o corpo da vítima para melhor visualização e
colocá-la em segurança, vestir o colete novamente na vítima, lembrando que a checagem
de sangramento DEVERÁ ser visual e tátil.
Se essa operação demandar muito tempo, ainda no local onde o militar foi vitimado, é
necessário fazer uma checagem em membros superiores e inferiores na busca de
sangramento maciço novamente de tempo em tempo, observando se o método utilizado
para contenção do sangramento permanece eficaz. Conduzindo-o para uma área segura
dando sequência ao tratamento.
A extricação é a fase em que serão adotadas medidas para retirar o policial ferido do
epicentro de risco. Realizar o deslocamento até o ferido com agilidade, mas com
segurança, aproveitando os abrigos e cobertas no ambiente e proporcionando condição
de cobertura pelo restante da equipe.
Quando o socorrista for prestar socorro ao militar vitimado, deverá travar o armamento
imediatamente e não desarmá-lo, pois mesmo vitimado o militar pode ter condições de
combate, caso ocorra um novo confronto durante as fases da extricação e evacuação, o
militar pode auxiliar a equipe a conter fogo inimigo e controlar o ambiente novamente.
178
Biênio 2022/2023
A técnica do arrasto pode ser muito eficaz em uma extração sob fogo quando a redução 7.
da zona corpórea (silhueta) for fator preponderante para a segurança do socorrista e do
ferido.
Ao optar pelo transporte suspenso saiba que o nível de consciência do policial militar
ferido e até mesmo uma mínima capacidade de auxílio na locomoção, por parte do
policial vitimado, irão influenciar no método a ser implementado.
179
Outro fator a ser considerado em qualquer forma de transporte e que merece um
destaque especial no transporte suspenso é o peso da vítima. Tentar equalizar o peso do
ferido com o policial socorrista pode ser o primeiro passo para o sucesso nesta ação.
180
Biênio 2022/2023
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
181
Figura 23 - Transporte por um militar, utilizando uma maca de transporte tática.
182
Biênio 2022/2023
.
Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
183
Figura 26 - Transporte por dois militares, utilizando o mochilamento “Bombeiro”.
184
Biênio 2022/2023
8. CONCLUSÃO
Por fim, neste material foram explanada as diferenças entre o atendimento pré-hospitalar
civil e o atendimento pré-hospitalar tático. Além de explanar sobre os aspectos legais do
APH, objetivos, princípios, mecanismos de execução, dentre outros.
Pré-Hospitalar
Atendimento
7.
185
TECNOLOGIA
8 APLICADA
À ATIVIDADE POLICIAL
1. INTRODUÇÃO
Martins (2018), destaca que a tecnologia da informação, por permear toda a sociedade,
impacta também nas ações de segurança pública, com denotação na atividade da Polícia
Militar de Minas Gerais. O autor enfatiza a importância do uso institucional de tecnologias
que confiram à PMMG um incremento qualitativo e quantitativo em seu desempenho.
188
Biênio 2022/2023
O objetivo do Produto Viável Mínimo é validar o potencial de uma ideia antes de investir
muito tempo e dinheiro nela. Teoricamente, o Produto Viável Mínimo traz a versão mais
simples de uma aplicação (ou parte dele), que entregue a principal proposta de valor da
ideia.
3. APLICAÇÕES DA PMMG
O sistema Hélios é caracterizado por Martins (2018) como aplicação institucional que
integra sistemas automáticos de reconhecimento de placas (ALPR1) de fornecedores
diversos a um banco de dados com informações de veículos tais como: marca, modelo,
Tecnologia Aplicada à
8.
1
Sigla inglesa para Automatic License Plate Recognition.
189
O autor destaca ainda que “o Hélios viabiliza o monitoramento de veículos de interesse,
em termos de segurança pública, mediante a emissão de alertas de detecção e a pesquisa
de veículos que transitaram por rotas ou pontos específicos cobertos pelas câmeras.”
Atualmente, o Hélios conta com câmeras instaladas por diversos parceiros em todo o
Estado, atingindo o pico de aproximadamente um milhão e duzentas mil detecções em
um dia. O principal tipo de câmera que fornece dados para o Helios são os instalados
pelos Órgãos de Fiscalização de Trânsito, para controle de velocidade. Entretanto, todos
os sistemas de que realizem o reconhecimento automático de placas tem potencial para
serem integrados ao sistema e contribuir para o aprimoramento da segurança pública no
local em que se encontram instalados.
O sistema Hélios é acessado pela IntranetPM. Para acesso ao sistema o usuário deve
digitar Hélios na opção de Pesquisa ou ir em Sistema Hélios na barra Geral, conforme
figura abaixo:
Os alertas das últimas 24 horas mostram detecções somente das câmeras que são
cadastradas pela seção de planejamento e operações da Unidade do militar, evitando
assim que o militar receba esse alerta de câmeras de fora de sua área de atuação.
190
Biênio 2022/2023
Além dos veículos constantes das bases de dados de veículos furtados e roubados
delimitada institucionalmente, o sistema consulta uma lista de interesse com veículos
sinalizados por outros militares. Esses veículos têm seus dados incluídos por militares das
salas de operações das unidades tão logo tenham sido anunciados em rede, para
acompanhamento inicial, até o registro da ocorrência e captação dos dados para o banco
institucional de acompanhamento.
Para o usuário fazer esse cadastro basta clicar no ícone do veículo roubado.
Ao cadastrar os veículos roubados o usuário terá que definir a placa, modelo e a cor do
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
veículo. O veículo quando inserido nessa lista aparecerá para todos os usuários do sistema
Hélios. 8.
191
Figura 04 - Tela Hélios
Essa opção, embora seja apresentada no presente treinamento, será descontinuada nas
próximas atualizações do sistema, tendo em vista a previsão de integração com o sistema
CAD.
Além dos veículos roubados e furtados, o usuário pode criar uma lista de veículos que
quer monitorar. Para isso, basta clicar em incluir na opção monitoramentos. Esses veículos
podem ser compartilhados com qualquer militar da instituição.
192
Biênio 2022/2023
Após clicar nessa opção o militar deverá inserir o número de polícia do usuário que quer
compartilhar o veículo que será monitorado.
Tal funcionalidade é muito útil para ser compartilhada entre militares da mesma seção ou
do mesmo turno de serviço.
Essa ação é conduzida para avaliar a situação dos veículos que passam por um conjunto
de câmeras. Ao clicar na opção operação, o policial selecionará a câmera ou conjunto de
câmeras utilizadas na operação. O ideal para esse caso é que o militar esteja próximo do
local, para realizar as devidas abordagens policiais.
A câmera quando selecionada irá mudar de cor. Caso o militar queira selecionar uma
quantidade maior de câmeras existe essa possibilidade. Uma outra possibilidade existente
é o desenho de um polígono pelo militar.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
193
Figura 08 - Tela Hélios
O campo Pesquisa permite ao usuário realizar pesquisa de veículos que passaram pelos
pontos de monitoramento integrados ao sistema Hélios.
A consulta ocorre por qualquer placa, podendo ser conduzida mesmo que o usuário
possua apenas parte dos caracteres da placa. O usuário deverá inserir todos os caracteres
conhecidos e para os caracteres desconhecidos deve colocar o ponto de interrogação.
194
Biênio 2022/2023
O intervalo de tempo a ser avaliado também é definido pelo usuário. Destaca-se que
quanto maior o intervalo, maior será o tempo para resposta da pesquisa.
No caso abaixo pode se observar a pesquisa de uma placa a qual não se sabe os
caracteres numéricos.
O Sistema Hélios permite ainda pesquisar veículos pelo modelo do automóvel, traz-se
como exemplo a pesquisa do trânsito de um veículo Gol pelos pontos de monitoramento
cadastrados para o usuário, dentro do período por ele indicado.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
195
Figura 12 - Tela Hélios
Caso o usuário queira selecionar uma câmera específica para ele fazer uma pesquisa,
basta clicar no campo Selecionar câmeras. Após clicar nesse campo o mapa com a posição
das câmeras será aberto, para que ele possa selecioná-las.
196
Biênio 2022/2023
Se o usuário clicar em qualquer dos veículos que passaram pelas câmeras do sistema
Hélios aparecerá a câmera e a posição dela no mapa, junto com as informações do veículo
constantes em bancos de dados da Justiça Federal.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
197
Nessa mesma tela é possível verificar os veículos que passaram pela câmera em horário
semelhante e se há alguma ocorrência policial para o veículo.
3.2 QAPP
O aplicativo QApp é uma ferramenta criada e mantida pela própria PMMG através do
CTS/DTS, através da seção de desenvolvimento de sistemas e permite que o próprio
militar consiga realizar consultas sem necessidade de ligar no 190 ou fazer uma solicitação
ao rádio operador via rede de rádio.
198
Biênio 2022/2023
Para realizar a consulta o usuário poderá optar entre indicar o nome e o nome da mãe
(caso existam homônimos), ou o documento de identidade a ser pesquisado.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
199
3.2.2 QApp – envolvidos
A função ainda utiliza da base de dados do sistema REDS para exibir em um mapa a
localização de todas as ocorrências em que o indivíduo pesquisado teve envolvimento.
200
Biênio 2022/2023
8.
201
3.2.5 QApp – gestão
Fonte: PMMG - QAPP Por fim, o card permite que o gestor tenha acesso ao
detalhamento de todos os dados de chamadas geradas
no CAD e o empenho dos recursos que estão no turno
operacional.
O Codificador do QApp tem como principal objetivo facilitar a atuação do policial militar
perante a constatação de infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro. A aplicação
reúne em um só lugar diversas informações pertinentes ao serviço operacional e à
atuação do policial militar no momento de uma abordagem relacionada ao trânsito.
Assim, basta o usuário realizar a busca por palavras chave e, em seguida, tocar nos
resultados trazidos pelo sistema, que o aplicativo retornará a tipificação resumida, a
pontuação, a gravidade da infração e diversas informações de cunho operacional como
procedimentos a serem seguidos no ato e após a abordagem.
202
Biênio 2022/2023
O reconhecimento facial recentemente inserido no QApp visa trazer mais segurança aos
usuários do aplicativo ao realizar o desbloqueio utilizando-se do reconhecimento facial,
sempre que o sistema fica ocioso por algum tempo. Por padrão, a funcionalidade não
vem habilitada, e deve ser cadastrada e autorizada pelo usuário, caso deseje utilizá-la.
Assim, toda vez que o sistema se tornar ocioso, o aplicativo solicitará o reconhecimento
facial do usuário, antes de possibilitar as consultas. A funcionalidade poderá ser
desativada a qualquer momento pelo usuário.
4. APLICAÇÕES EXTERNAS
4.1 CÓRTEX
O sistema Córtex é composto basicamente por dois módulos: Gestão de Operações, para
a atuação integrada entre os órgãos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública
(Susp) e o Cercamento Eletrônico.
203
O módulo Cercamento, opera com mais de quatro mil pontos de capturas de imagens,
totalizando cerca de 6 mil equipamentos distribuídos, de Norte a Sul do Brasil, em locais
estratégicos, levando-se em consideração as estatísticas de criminalidade, a violência no
trânsito e os estudos acerca das “rotas do crime”.
4.2.1 Acesso
Para acessar o sistema, é necessário um login com usuário e senha que é enviado para o
e-mail informado no momento do cadastro.
204
Biênio 2022/2023
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
205
As consultas podem ser conduzidas com a indicação de um entre os seguintes dados:
Placa; Chassi; Renavam; Número do Motor; CPF do Proprietário; CNPJ do Proprietário.
A fila de veículos permite verificar quem passou antes e quem passou depois do veículo-
alvo em um ponto de monitoramento. O acesso à essa funcionalidade ocorre por meio
do componente Detalhar Passagens Neste Local.
A aplicação permite conduzir consultas mesmo que não haja a totalidade dos dados
consultados.
206
Biênio 2022/2023
Permite a consulta pelo número de inscrição ou por nome fantasia. Ao realizar a consulta
pelo nome fantasia, é exibido uma lista de cadastros para este nome. Ao clicar no número
de registro, será realizada uma nova consulta detalhada, com o nome do proprietário e
outras informações relativas à embarcação.
8.
207
4.2.7 Alertas Pessoas
Além das situações usuais de alerta (furto e roubo), o sistema realiza o cruzamento de
dados para promover os seguintes tipos de alerta: sequestro, desaparecimento, ação
criminosa e proprietário do veículo com mandado de prisão em aberto os alertas de ação
criminosa são cadastrados pelos centros de operações.
5. CONCLUSÃO
A vida moderna traz uma série de facilidades para a população, principalmente com as
tecnologias da Computação. A internet impulsionou o desenvolvimento humano mas
também fez crescer a criminalidade cibernética.
É muito importante que o policial conheça e saiba usar essas ferramentas, trazendo mais
dinamismo e eficiência para as suas ações, bem como alcançando melhores resultado na
busca por um ambiente seguro em Minas Gerais.
208
Biênio 2022/2023
6. REFERÊNCIAS
CORRALES, Beatriz Rossi; COTE, Larissa Costa; FERREIRA, Carolina Cutrupi; TEIXEIRA, Mariana
Toledo. A Tecnologia a serviço da segurança pública: caso PMSC mobile. Direito e Tecnologia.
Revista Direito GV. São Paulo, v. 16, n. 1, mar. 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 out. 2021.
COSTA, Simone Teles da Silva, LIMA, Gabriel Domingues de; OLIVEIRA, Natan Flores de. Gestão
da segurança pública no Brasil: a utilização da tecnologia a favor da sociedade. Revista Gestão
Tecnologia e Ciências (GETEC), [s.l.], v. 10, n. 25, p. 101-118, 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 9 out. 21.
MIRANDA, Zil. Política de ciência, tecnologia e inovação para segurança pública. Revista
Brasileira de Segurança Pública, São Paulo, v. 6, p. 434-453, 2012.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial
8.
209
REDAÇÃO DO
9 REGISTRO DE EVENTO DE
DEFESA SOCIAL (REDS)
APRESENTAÇÃO
As ações e intervenções policiais na vida privada dos cidadãos, que ocorrem diariamente
durante o turno de serviço, trazem à tona o interesse do Estado em manter a ordem
pública. O ato de realizar um policiamento preventivo pode se transformar em uma
intervenção que resulte na restrição momentânea do direito de ir e vir de um cidadão,
bem como em uma busca pessoal ou na sua prisão.
De toda atividade policial militar decorre um registro de evento de defesa social (REDS),
que em 2020 perfizeram um total de 4.344.857, decorrendo mais de 301.441 prisões e
apreensões. Desse quantitativo, 1.572.682 são boletins de ocorrência policial e, além
disso, foram registrados 2.212.529 Relatórios de Atividade (RAT) e 559.646 Boletins de
Ocorrência Simplificados (BOS).
Cada um desses registros traz o resumo de uma ação ou operação que foi realizada ou
até a notícia de um crime que foi praticado. VOCÊ, POLICIAL MILITAR, é peça
fundamental, pois foi o primeiro agente público que esteve no local, viu, ouviu, constatou,
adotou providências policiais e arrecadou provas que subsidiarão a persecução criminal
aos demais órgãos do Estado.
Assim, nesse biênio do TPB será abordado esse conteúdo, tão presente no cotidiano
policial militar, com o objetivo de aprimorar seu conhecimento. Isto lhe permitirá o
correto preenchimento do REDS, a atribuição adequada da natureza do registro, as
informações lançadas nos campos parametrizados, bem como a elaboração de um
“histórico” coerente, técnico e bem redigido.
212
Biênio 2022/2023
1 INTRODUÇÃO
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
A Constituição Federal representa o conjunto de regras fundamentais do Estado Brasileiro 9.
e rege o ordenamento jurídico do país, além de asseverar que toda a ação do Estado deve
se fundamentar nos princípios que regem a Administração Pública1. Portanto, é
inequívoca a necessidade de que se estabeleça uma situação prévia de interesse público
para que as ações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio dos seus agentes,
execute sua missão constitucional: a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública
(art. 144, § 5º, da CF/88).
Além disso, o policial militar deve observar também, para a produção de um boletim de
ocorrência efetivo, as características da Redação Oficial. Os textos policiais devem se
pautar na concisão, padronização, correção, formalidade, clareza e impessoalidade para
serem satisfatórios, e com os boletins de ocorrência não é diferente. Mais adiante, esses
conceitos serão melhor trabalhados.
Em Minas Gerais, foi instituído a partir de 2004 o Sistema Integrado de Defesa Social
(SIDS)2 e, a partir de 2005, iniciaram-se os registros de ocorrências por meio do Sistema
de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), que permite o registro de todas as
intervenções policiais no território mineiro, de forma integrada e padronizada.
Por essa razão e por tamanha responsabilidade profissional do policial militar, exige-se
que os princípios da administração pública e as características da redação oficial sejam
respeitados, através do efetivo registro documental das ações e operações policiais
militares.
Logo após a criação do SIDS, em 2005, representantes das Forças de Segurança de Minas
Gerais reuniram-se com a missão de elaborar a Diretriz Integrada de Ações e Operações
1
Nos termos do artigo 37 da CF: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”
2
Decreto nº 43.778/2004 de 12/04/2004
213
(DIAO) com o objetivo de padronizar, de forma integrada, os procedimentos operacionais
das Polícias Estaduais, Corpo de Bombeiros Militar, Departamento Penitenciário e Sistema
Socioeducativo.
Assim, a DIAO vem contribuindo para o aumento da capacidade de resposta, visto que
propõe o ordenamento de estratégias prévias que envolvam as instituições mencionadas
e harmoniza o emprego dos recursos disponíveis. É uma importante fonte de consulta
para esclarecer ao policial militar os procedimentos policiais, mais especificamente na
atribuição da natureza do evento.
214
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
naturezas que devem ser atribuídas a cada evento registrado no Sistema REDS.
9.
Na tela inicial do Sistema REDS são apresentados os formulários disponíveis para registro,
sendo:
a) Tipos de relatórios:
- Boletim de Ocorrência Policial;
- Boletim de Ocorrência de Acidente de Trânsito;
- Boletim de Ocorrência Ambiental;
- Registro de Desaparecimento e Localização de Pessoas.
b) Relatórios Administrativos:
- Ficha de Acidentes com Viaturas;
- Relatório de Atividade;
- Boletim de Ocorrência Simplificado.
Para o presente biênio do TPB, a ênfase será no Boletim de Ocorrência Policial (BO),
Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS) e Relatório de Atividade (RAT), por serem os
formulários mais utilizados no cotidiano do policial militar.
215
O BO é conceituado como “o registro ordenado e minucioso dos fatos ou atividades
relacionadas com a ocorrência que exigirem a intervenção policial” (MINAS GERAIS, 2003,
p.10). Ainda, segundo essas orientações, o Boletim de Ocorrência é “um precioso
instrumento de resguardo da legalidade em que se estribou a ação e/ou operação”
(MINAS GERAIS, 2003, p.12).
Frise-se que o REDS tomou a cautela de colocar opções apartadas para o Boletim de
Ocorrência de Acidente de Trânsito e o Boletim de Ocorrência Ambiental, face às
peculiaridades que tais registros exigem, havendo campos parametrizados específicos.
Como, por exemplo, a possibilidade de upload de fotografias.
216
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
Inicialmente, no presente tópico, serão apresentados os conceitos de BOS e RAT. 9.
Conforme descrito na própria DIAO, o BOS tem a finalidade de agilizar a prestação de
serviços à comunidade e viabilizar a atuação da polícia ostensiva. Seu objetivo principal é
o acionamento formal e oficial dos Órgãos do Sistema de Defesa Social, cientificando-os
dos anseios da população e que sua omissão pode acarretar responsabilidades.
O RAT, por sua vez, consiste na fonte de dados para a mensuração das operações
realizadas pela Polícia Militar, a partir dos registros das atividades (MINAS GERAIS, 2016).
Além disso, permitirá a PMMG ter um documento nato digital autêntico e acessível ao
longo do tempo, por meio de uma base sólida de dados que possibilitará os serviços de
análise de informações de segurança pública, de inteligência e na recuperação facilitada
de dados.
217
2.3.3 Campos Parametrizados
Esse mecanismo de parametrização dos campos tem como objetivos principais: dinamizar
a extração de dados, padronizar os registros e facilitar a utilização do sistema pelo
profissional de segurança pública.
Nesse contexto, iremos exemplificar algumas dificuldades que os analistas criminais têm
no tocante à análise de dados extraídos do REDS.
Ao avaliar os registros policiais, percebesse que várias informações que deveriam constar
nos campos específicos do REDS são inseridas com o termo “ignorado” ou como “outros”.
Ao se fazer a extração estatística, a baixa qualidade do dado fragiliza toda uma cadeia de
218
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
Pública.
9.
Gráfico 01 – Motivação declarada nos registros de homicídios tentados e consumados
em Minas Gerais no período de 01Jan20 a 14Set21
Além dos exemplos apresentados nos gráficos acima, são identificadas falhas no
preenchimento de campos importantes no REDS ou simplesmente a falta de inserção das
informações, conforme figura a seguir.
219
Figura 04 - Destaque de campos específicos do REDS que são declarados com o termo
“ignorado” ou não são preenchidos
Fonte: REDS
O campo “Modo da ação criminosa” também tem sido identificado como um parâmetro
que não está sendo preenchido corretamente, como pode ser visualizado abaixo.
Fonte: REDS
Entretanto, é sabido que o policial no momento do registro nem sempre terá os dados
necessários para alimentar os devidos campos no REDS, entretanto, é comumente
percebida a informação inserida no histórico do próprio REDS, ao invés de ser inserida no
devido campo parametrizado. No exemplo a seguir, com base nas informações
apresentadas no histórico do REDS, entende-se que o campo específico “causa
presumida” deveria ter sido relacionada a drogas.
220
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
9.
Fonte: REDS
Ainda, com base no exemplo anterior referente a “causa presumida”, algumas vezes, esse
parâmetro é preenchido com a descrição de uma causa conflitante com a descrita no
histórico do REDS (Ex. no campo parametrizado consta “ação de gangues/facções
criminosas” e no histórico consta a motivação como “vingança”).
Neste sentido, verifica-se que os erros mais comuns da alimentação indevida de dados,
são:
Motivação e causa presumida incoerente com a descrição do fato;
Local do fato não informado (via vicinal, estrada, rodovia, via urbana, etc.);
Ausência de dados das características físicas dos envolvidos (cútis, sexo, deficiência
física, cicatriz, tatuagem, cor dos olhos e cabelo, altura e peso estimado, dentre outros);
Qualificação no campo natureza do envolvido incompatível com a natureza do fato
(Ex: vítima de homicídio consumado qualificada como vítima de homicídio tentado);
221
Ressalta-se a importância do preenchimento dos parâmetros referentes às características
físicas e dados pessoais dos envolvidos na ocorrência policial, que inclui:
- a identificação da ocorrência na qual o envolvido está identificado;
- a identificação do envolvido na ocorrência;
- os principais objetos de análise do envolvido;
- o quantitativo de envolvidos;
- as subclasses de dimensões de análise do envolvido.
Nos campos referentes aos envolvidos, destaca-se atenção quanto ao preenchimento dos
campos de materiais diversos que foram arrecadados ou não recuperados na ocorrência,
com informações ainda das pessoas envolvidas e associadas ao material. Quanto aos
parâmetros relativos aos materiais identificados no REDS, constam:
- tipo de material;
- número de série/identificação;
- marca, modelo e cor;
- a quantidade e o volume;
- a situação do material arrecadado ou não recuperado;
- relação entre o material e algum envolvido na ocorrência.
Assim, o policial militar relator da ocorrência deve ter em mente que a informação é um
recurso primordial para a tomada de decisão, e é com ela que se pode chegar o mais
próximo possível da realidade, traçar seu perfil, detectar problemas, calcular riscos,
otimizar processos e auxiliar equipes e gestores, em seus diversos níveis, nas tomadas de
decisões. Porém, a qualidade da informação tem que ser assegurada no início do
processo, na coleta primária de dados através do devido preenchimento dos campos
parametrizados do REDS, já que a sua inobservância prejudica toda a rede de informação
e produção de conhecimentos voltados para os ativos da Segurança Pública.
222
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
balizarão a classificação/codificação da ocorrência. Nesse sentido, o Policial Militar, de
posse dessas informações, encerrará o registro através da harmonização dos fatos 9.
narrados no histórico e a correta codificação/classificação do evento.
No REDS, o campo para o preenchimento da natureza permite que o policial militar tenha
acesso imediato a DIAO, que possibilita a visualização da descrição e dos procedimentos
operacionais decorrentes da natureza selecionada.
Após clicar no ícone DIAO, as informações são apresentadas por meio de uma nova janela
no navegador, como se vê no exemplo a seguir.
223
Para a correta atribuição de natureza deve-se lembrar que os registros de REDS não
poderão estar desassociados aos elementos constitutivos do crime e para as naturezas
administrativas da descrição prevista na DIAO, a fim de que os procedimentos policiais e
correta codificação estejam em consonância com as naturezas disponíveis na DIAO. Em
síntese, a DIAO apresenta os seguintes critérios para codificação dos REDS:
224
Biênio 2022/2023
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
[Link] Impessoalidade 9.
Erros comuns:
ERRADO: “a vítima alegou ter sofrido um suposto estupro”.
CERTO: “a vítima relatou ter sido estuprada”.
[Link] Correção
Histórico correto é aquele que segue as normas da Língua Portuguesa Padrão, ou seja,
não possui erros gramaticais ou ortográficos. Em caso de dúvidas sobre a grafia de
palavras ou sobre concordâncias, hoje a internet permite ao PM uma busca rápida pelo
telefone sobre essas regras. Além disso, é sempre importante que todos os demais
membros da guarnição revisem o texto do redator, para que erros não passem
despercebidos. O uso do “mesmo” como pronome tem sido um erro muito comum nos
boletins de ocorrência atuais.
Erros comuns:
ERRADO: “A vítima pediu ajuda aos militares e a mesma relatou ter sido roubada
quando...”.
CERTO: “A vítima pediu ajuda aos militares e ela relatou ter sido roubada quando...”.
[Link] Concisão
Texto de histórico conciso é aquele que possui todas as informações importantes sem
usar palavras desnecessárias. Logo a utilização de expressões vazias deve ser evitada,
assim como os clichês.
225
Erros comuns:
ERRADO: “O autor foi encaminhado a esta delegacia para que sejam tomadas as medidas
cabíveis”.
CERTO: “O autor foi encaminhado a esta delegacia”.
ERRADO: “Senhor delegado, venho por meio deste REDS para esclarecer que esta
guarnição policial se deparou com os autores cometendo o crime de tráfico de drogas...”
CERTO: “Esta guarnição policial se deparou com os autores cometendo o crime de tráfico
de drogas...”
[Link] Padronização
Um texto de histórico padronizado é aquele que é escrito em seu campo próprio, e com
a linguagem usual desse gênero textual. Espera-se do histórico um texto narrativo de um
fato delituoso, com momentos descritivos quando se fizer necessário. Qualquer texto com
características diferentes destas não é recomendado.
[Link] Clareza
Erros comuns:
ERRADO: “A vítima e a testemunha se desentenderam e ela acertou a outra com uma
facada”.
CERTO: “A vítima e a testemunha se desentenderam e aquela acertou esta com uma
facada”.
[Link] Formalidade
226
Biênio 2022/2023
Erros comuns:
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
ERRADO: “O autor é morador de rua e não tem residência própria.”
CERTO: “O autor está em situação de rua e não tem residência própria”. 9.
Assim, neste capítulo, vamos ater-se aos principais equívocos detectados em análises de
ocorrências realizadas pelo CINDS/DOP.
3
Armazém SIDS ([Link] acesso em 16/09/2021.
227
3.1 PRINCIPAIS NATUREZAS APURADAS NAS AUDITORIAS DO C 99.000
Durante a auditoria de um BO, é realizada uma análise qualitativa (leitura de todo o REDS,
principalmente do histórico), de forma a verificar se a natureza apontada pelo redator
está coerente com o seu conteúdo.
Os eventos ocorridos fora do estado de Minas Gerais devem ser mantidos com a natureza
mais adequada, sem a preocupação de ser contabilizada, erroneamente, para a Unidade
de registro.
Exemplo: uma vítima, de férias no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, tem seu celular
roubado. Quando retorna para Belo Horizonte aciona a PMMG para realizar o registro.
No caso, a natureza principal deve se amoldar ao fato narrado, C 01.157 (ROUBO) e o
“Endereço do Fato” deve ser preenchido com o local descrito pela vítima e lançado,
conforme imagem abaixo5:
4
Natureza aconselhável para o registro de DANO CULPOSO (ação atípica). Exemplo: A tinta utilizada para
pintar um portão, por meio de máquina spray, atinge (danifica) veículo de terceiro que estava parado
próximo ao local, sendo verificado conduta culposa do agente.
5
Imagem extraída do Sistema Integrado de Defesa Social - SIDS-ADM - Módulo de Treinamento
([Link] acesso em 16/09/2021.
228
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Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
9.
229
o teste de Capacidade Psicomotora no REDS só é liberado pelo sistema quando o
campo “TIPO DE ENVOLVIMENTO” é preenchido com a opção “CONDUTOR VEÍCULO E
VÍTIMA” ou “CONDUTOR DE VEÍCULO”6;
- para toda ocorrência de embriaguez, mesmo que não haja material recolhido, deve
ser confeccionado o registro de REDS com lançamento dos dados da infração no campo
próprio.
Armas de fogo devem ser cadastradas individualmente na aba própria do REDS, mesmo
que tenham armas idênticas. Além disso, para fins do Indicador de Apreensão de Arma
de Fogo (IAF) somente são contabilizadas as armas de fogo cujo campo “SITUAÇÃO” na
aba “ARMAS DE FOGO” tenha sido preenchido com as opções “APREENDIDO (0100)” e
“RECUPERADO (0700)”.
E, no caso do IAF, para contabilização dos simulacros apreendidos carece que seja
decorrente da natureza C 01.157 - Roubo, inserida como natureza principal ou secundária,
bem como lançados no campo “MATERIAL” da aba “MATERIAIS E ARMAS BRANCAS” com
a especificação “SIMULACRO DE ARMA DE FOGO (USO RESTRITO) (2020)”.
4 CONCLUSÃO
Afinal, o registro bem feito respaldará VOCÊ - POLICIAL MILITAR - nas situações que sua
atuação for questionada ou fiscalizada e auxiliará a PMMG no planejamento de ações e
operações policiais, com dados estatísticos confiáveis e completos, permitindo, assim,
prestar um serviço de qualidade à sociedade.
6
O preenchimento desse campo com a opção “AUTOR” numa alusão aos tipos penais do CTB inviabiliza o
preenchimento obrigatório do Teste de Capacidade Psicomotora. Portanto, nos casos de recusa, o campo
Tipo de Envolvimento deve sempre ser preenchido com a opção “CONDUTOR VEÍCULO E VÍTIMA” ou
“CONDUTOR DE VEÍCULO”.
230
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5 REFERÊNCIAS
Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Decreto-lei nr
9.
2848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal [Link]ível em :
<[Link] lei/[Link]>. Acesso em: 03 abr
2020.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-geral. Diretriz Auxiliar das Operações (DIAO):
conceituação, classificação e codificação de ocorrências na PMMG. [Link]. com alterações do
BGPM 241/94-CG. Belo Horizonte: PMMG, 1997.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Defesa Social. Instrução Conjunta Nr. 01/2003 -
(Contém orientações para o preenchimento do Boletim de Ocorrência). Belo Horizonte:
Imprensa Oficial 2003.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Ofício Circular nº 03/2019- CINDS/DAOp. Comissão de avaliação
da qualidade dos registros de ocorrências policiais. Belo Horizonte: 12 jul. 2019b.
MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Defesa Social. Diretriz Integrada de Ações e Operações
(DIAO). Belo Horizonte: 2021.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Das relações possíveis entre tipos na composição de gêneros. Anais
[do]. 4º Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais. Uberlândia, 2007.
231
10 TREINAMENTO
COM ARMA DE FOGO
APRESENTAÇÃO
Nesse sentido, para que o policial militar possa ser vitorioso em um confronto armado,
ele deve ter aprimorado domínio técnico e elevado preparo psicológico e, para isso, a
Instituição deve lhe proporcionar treinamento constante e adequado à realidade, capaz
de propiciar a aquisição de competências para reagir às mais inesperadas situações que
envolvam agressões com o uso de arma de fogo. Esse treinamento denomina-se “Tiro
Policial’’.
O treinamento de tiro policial deve ir além dos conceitos básicos, pois estes precisam ser
acompanhados da aplicação prática de técnicas de manejo e controle da arma (saque,
recargas e solução de panes, dentre outras).
As técnicas de tiro policial devem ser, também, integradas à aplicação da técnica policial
e de ações táticas individuais ou em grupo em ambientes de confronto, o que inclui, por
exemplo, o processo de decisão entre atirar ou não, a verbalização ou o aproveitamento
de estruturas disponíveis no terreno como abrigos ou cobertas para o ganho de
vantagem tática. Tais características se aproximam do conceito de “Tiro Tático”.
Assim, o policial militar deve dominar a técnica, agir taticamente e, ainda, ter a consciência
de que sua arma de fogo é um instrumento de preservação da vida e seu disparo só será
justificável quando estiver em jogo esse bem juridicamente tutelado.
Decidindo por atirar, o policial militar deve entender que não há padrão que defina ou
limite a quantidade de disparos necessários a cessar uma ação agressora contra a vida,
mas certo é que ele deve ser efetivo em seus disparos, neutralizando seu oponente com
o menor número de disparos possível e de maneira a evitar que seus disparos atinjam
alvos indesejados.
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Biênio 2022/2023
Quadro 01 - dez aspectos importantes de segurança para uso das armas de fogo
6) Utilize somente armas de fogo para as quais tenha sido treinado e habilitado e leia
cuidadosamente todas as instruções e recomendações de segurança de cada arma ou
munição a ser utilizada;
8) Ao receber uma arma de fogo, tenha como rotina verificar se ela está em perfeitas
condições de funcionamento;
235
9) Direcione o cano da arma de fogo para a “caixa com areia”, ou outra direção segura,
durante o manejo;
10) Armas de fogo devem ser guardadas descarregadas e em locais seguros, onde não
é permitido o acesso de pessoas sem autorização.
Fonte: Adaptado do MTCAF (MINAS GERAIS, 2020)
Assim, além do conhecimento de técnicas específicas para que atinja seus objetivos
principais, o treinamento de tiro policial precisa estar integrado à técnica policial
propriamente dita e, ainda, à tática policial para que seja eficaz.
Essa ideia de Tiro Policial em seu nível intermediário, integrado à técnica e à tática
policiais, se aproxima do conceito de tiro tático.
Por isso, nesta seção serão tratadas as técnicas de tiro policial com pistolas
semiautomáticas, fundamentadas em noções de tiro tático como maneira de incrementar
o tiro policial no presente no Treinamento Policial Básico.
236
Biênio 2022/2023
Considerando que o tiro policial no TPB tem características básicas, observa-se que,
mesmo implementando algumas ações direcionadas à sua integração com técnicas e
táticas policiais, muitas dessas não terão meios de serem treinadas, como por exemplo, o
tiro noturno ou sob intempéries.
As técnicas e táticas que serão abordadas nesta seção estão descritas no QUADRO 02:
237
Figura 01 - Tomada de cobertas e abrigos para o uso de armas de fogo
Para ter vantagem tática, além das técnicas gerais aplicadas ao tiro policial e ao manuseio
das armas de fogo, o policial militar deverá se deslocar e agir aproveitando as cobertas e
abrigos disponíveis no ambiente. A correta tomada de abrigos e cobertas pode diminuir
consideravelmente os riscos à integridade física e à vida do policial militar.
Assim, sempre que possível, o policial militar fará sua abordagem a partir de uma posição
abrigada ou, ao menos, a partir de cobertas e, somente em último caso, em que não
houver estruturas disponíveis, abordará de posição descoberta ou desabrigada.
Para o treinamento de tiro policial no TPB, são utilizadas estruturas metálicas que simulam
barricadas, as quais representam cobertas e abrigos e devem ser tomadas de maneira
técnica, mantendo-se os pés dentro dos limites da base da barricada, com exposição
mínima do corpo no momento dos disparos.
238
Biênio 2022/2023
É importante que o policial militar saiba empregar as quatro posições táticas de emprego
da arma de fogo estabelecidas pela PMMG para agir de maneira técnica e adequada a
cada situação.
a) Posição 1 – arma localizada: com a arma ainda no coldre, leva a mão até o punho ou
cabo, como se estivesse pronto para sacá-la, desabotoando o coldre ou acionando a tecla
de liberação da arma no coldre (FIG. 03).
239
Figura 03 - Policial militar de pé adotando a posição 1 (arma localizada)
Para que se tenha vantagem tática, a Posição 1 pode ser integrada à postura de prontidão
(FIG. 04) prevista no Manual técnico profissional para a abordagem à pessoa:
240
Biênio 2022/2023
A posição 2 é indicada para intervenções de nível II, isto é, em que haja necessidade de
verificação preventiva com indício de ameaça ao policial militar ou a terceiros.
Esta é uma das posições de retenção, que permite monitorar as ações do abordado, os
pontos de foco e os pontos quentes, sem necessariamente apontar a arma diretamente
para a pessoa prematuramente, mas permite também o uso rápido da arma, caso
necessário.
241
c) Posição 3 – arma em guarda alta: com a arma, já empunhada, fora do coldre,
destravada, posicionada entre o peito e o queixo, com o cano dirigido para o alvo de
forma que seja possível manter contato visual total com o alvo. Nesta posição é possível
verbalizar, monitorar pontos quentes e iniciar os disparos de defesa caso seja necessário.
A posição 3 é indicada para intervenções de nível II ou III, isto é, em que haja necessidade
de verificação preventiva com indício de ameaça ao policial militar ou a terceiros ou
quando já existe a ameaça ou a certeza do delito.
Esta é outra posição de retenção, que permite monitorar as ações do abordado, os pontos
de foco e os pontos quentes, além de permitir disparos direcionados ao alvo, caso
necessário.
242
Biênio 2022/2023
O dedo se mantém fora de contato com a tecla do gatilho, mas o policial militar deve
estar pronto e treinado para usar efetivamente sua arma de fogo, efetuando disparos
caso necessário.
243
3.3 Engajamento de diferentes alvos
É comum existir confrontos armados contra mais de um agressor, por isso, o policial
militar deve estar treinado a engajar mais de um alvo durante sua série de disparos.
A técnica indicada para o momento dos disparos é manter a visada binocular (vide item
visada) com a imagem desfocada da arma direcionada para o alvo já engajado e, assim
que se encerrar os disparos no primeiro alvo, apenas tirar o dedo do gatilho, direcionar a
imagem desfocada da arma para centro de massa do próximo alvo, iniciando
imediatamente a nova série de disparos.
A técnica de duplo impacto ou “double tap” consiste em fazer dois disparos consecutivos,
mediante o acionamento do gatilho duas vezes seguidas, no menor tempo possível,
aproveitando um único momento de visada e de aplicação dos demais fundamentos, o
que se aproxima da ideia de haver dois impactos quase simultâneos no alvo. (Trad. de
ROSS, 2021)
Todavia, a prática demonstra que o duplo impacto pode ser mais indicado ao tiro com
armas de calibres de menor potência, pois, em armas mais potentes, a técnica exige muito
mais treinamento e, ainda assim, pode trazer prejuízo à precisão do segundo impacto,
devido ao recuo mais acentuado e esse tiro poderia atingir alvos indesejados.
Assim, para uso das armas de calibres maiores, como o .40 S&W, por exemplo, torna-se
mais pertinente o emprego da técnica de tiro em par ou “controlled pair”, a qual consiste
em se fazer dois disparos consecutivos, mas empregando-se devidamente os
fundamentos de tiro para cada um deles, de maneira que, após o primeiro disparo, o
atirador seja capaz de realizar um segundo disparo no primeiro momento de recuperação
da visada após o natural recuo da arma. (Trad. de ROSS, 2021)
244
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Figura 08 - Engajamento de visada e alvo para a técnica de tiro em par (“controlled pair”)
Assim, para o treinamento de tiro policial no TPB, a técnica indicada é a de tiro em par ou
“controlled pair”, pois permite fazer tiros rápidos mas com maior controle de precisão do
segundo disparo, evitando, assim, que os disparos feitos pelo policial militar atinjam alvos
indesejados e lhe tragam perdas de vidas ou responsabilizações desnecessárias.
Uma boa técnica de saque de arma é tão importante quanto a precisão dos disparos.
Como regra, o policial militar deve evitar a necessidade do saque de última hora,
antecipando-se às ações de um eventual oponente. A melhor escolha é sacar a arma no
caminho para o local onde um confronto seja iminente, deixando a arma em condições
de uso, previamente empunhada e já destravada.
Todavia, o policial militar deve estar preparado para se defender de uma agressão por
arma de fogo que por acaso lhe sobrevenha de surpresa, situação em que pode surgir a
necessidade de uma reação rápida partindo da posição 1 (arma localizada), o que exigirá,
portanto, um saque técnico, rápido e eficiente.
Para tanto, as ações para o desenvolvimento da técnica de saque rápido devem ser
executadas o mais rápido possível e em concomitância com as ações de destravar,
empunhar e engajar o alvo. Para um saque rápido e eficiente, orienta-se seguir os atos
demonstrados na FIG 09.
245
Figura 09 - Sequência para o saque rápido e ações concomitantes.
O policial militar deverá estar condicionado a não olhar para a arma ou para o coldre
quando for sacar ou coldrear a arma, procurando manter sua atenção voltada para uma
possível ameaça. Também não deve auxiliar o saque ou coldreamento com a mão fraca
(abrir o coldre com a mão fraca), para que não aponte a arma para sua mão.
Para este biênio, será exigido o domínio da técnica de recarga rápida entre os disparos, a
qual, para ser eficiente, deve ser realizada por meio das ações demonstradas a seguir (FIG.
10).
246
Biênio 2022/2023
247
A técnica para o tiro com tempo reduzido perpassa por dois pontos principais:
Observa-se que, em que pese ser necessário o acionamento do gatilho de uma maneira
mais ligeira, a técnica de seu acionamento não deve mudar (vide acionamento do gatilho
na subseção fundamentos de tiro).
3.8 Verbalização
Uma boa verbalização além de auxiliar no processo de uso de força, pode até mesmo
evitar a necessidade de atirar, preservando vidas. Para tanto, toda verbalização deve ter
duas características fundamentais: clareza e precisão.
Desta maneira, nas situações em que for legal, necessário e proporcional o uso de força
potencialmente letal por meio de disparo de arma de fogo, sempre que for possível,
quando tal atitude não trazer mais riscos e dependendo do nível da ameaça apresentada,
o policial militar deve verbalizar antes de atirar.
Assim, a verbalização indicada a tais situações devem ser semelhantes a: “POLÍCIA! SOLTE
A ARMA!” ou “POLÍCIA! MÃOS NA CABEÇA!” ou “POLÍCIA! DEITE-SE NO CHÃO!”.
248
Biênio 2022/2023
Portanto, o policial militar deve atuar preventivamente nas causas mais comuns das
panes, mantendo sua arma bem manutenida, limpa e lubrificada e, além disso, escolher
as munições que vai utilizar.
Ao se deparar com uma pane na arma, o policial militar deve estar condicionado a tomar
as providências imediatas, que são:
249
Figura 11 - Falha de extração (“duplo carregamento”)
250
Biênio 2022/2023
Ocorre quando a espoleta é percutida mas não detonada, não havendo a ignição e,
consequentemente, o disparo. É diagnosticada pela batida do cão “em seco”, sem disparo.
Ocorre quando o estojo extraído não tem a ejeção completada e fica engastado entre a
abertura do ferrolho e o cano. É diagnosticada ao se visualizar o estojo preso na porção
superior da janela de ejeção (chaminé) ou na sua porção lateral (charuto), conforme
demonstrado na FIG 14.
251
3.9.5 Falha de trancamento
Ocorre quando o carregamento não se completa, isto é, a arma não fecha devidamente,
não havendo, portanto, o trancamento. É diagnosticada pelo gatilho que fica inoperante
e pela semiabertura do ferrolho que permite ficar visível parte do cartucho na janela de
ejeção.
Ocorre quando não há o ciclo natural da arma após o disparo (recuo do ferrolho) causada
pela insuficiência de força expansiva dos gases para extrair a munição, pois ela fica presa
à câmara devido à dilatação excessiva ou à presença de deformidades. É diagnosticada
pela arma fechada, com o gatilho inoperante e, mesmo usando muita força, o ferrolho
não recua.
252
Biênio 2022/2023
3.10.1 Postura
Como regra fundamental, visando à melhor precisão nos disparos, o operador de uma
arma de fogo deve adotar uma postura que exija o mínimo possível de esforço dos grupos
musculares envolvidos nos gestos do tiro. Desta forma, as essências desse fundamento
devem ser estabilidade e conforto muscular.
Sendo necessário integrar ao tiro policial as ações voltadas para as técnicas e táticas
policiais e, considerando ainda a presença de fatores tais como o risco letal, o tipo de
terreno, a existência ou não de obstáculos e abrigos e o controle do ambiente, dentre
outras, a aplicação do fundamento postura poderá sofrer variações.
253
Para o TPB do 11º biênio, será explorada apenas a postura de tiro de pé, por esta ser a
mais comumente utilizada pelos policiais militares em situação de confronto armado
(DIAS, 2018).
[Link] Posição de pé
254
Biênio 2022/2023
“posições não convencionais de tiro” (MINAS GERAIS, 2011), conforme se vê na FIG. 18.
Nessas situações, os pés do policial militar devem estar dentro da área abrigada ou
coberta e ele deverá expor o mínimo possível qualquer porção corporal.
A mão de apoio segura o punho da arma e os três dedos da mão forte (que empunha a
arma), abaixo do guarda-mato, utilizando a região hipotenar em oposição de esforços
aos quatro dedos restantes.
255
Figura 19 - Empunhadura com pistola semiautomática
No momento do acionamento do gatilho, menor força deve ser empregada na mão que
empunha a arma (“mão forte”), pois esta deve servir, basicamente, para acionar o gatilho.
A maior parte da força deve ser concentrada na mão de apoio (“Mão fraca”). Além disso,
para melhor concentração dos disparos em séries de tiro mais rápidas, é importante
manter o dedo polegar de ambas as mãos voltado para a direção do alvo.
256
Biênio 2022/2023
Assim, para se aplicar corretamente a técnica, torna-se necessário priorizar o foco visual
em um desses três elementos e considerar os outros dois de maneira deficitária. Essa
escolha vai depender do tipo de tiro que se pretende fazer.
Alguns especialistas citam como mais efetiva a pontaria binocular, com foco visual no
alvo. Outros indicam a visada monocular, com foco na massa de mira. Todavia, a celeuma
se extingue quando se compreende que o tipo de pontaria a ser utilizado dependerá do
tipo de tiro a ser feito.
Enquanto que, para tiros em distâncias maiores, sem a compressão de tempo e pouco
integrado a elementos de técnica e tática, a visada monocular pode trazer resultados
melhores, em termos de precisão.
257
Para o TPB do presente biênio, serão ensinadas as duas maneiras técnicas de se fazer a
pontaria ou visada e o policial militar poderá escolher qual lhe será mais útil, sugerindo-
se que seja feita a visada binocular, devido ao tipo de tiro a ser treinado (noções de tiro
tático).
Como exposto, a visada monocular é mais indicada ao tiro de precisão, pois permite
relacionar melhor as prioridades focais entre os elementos de pontaria (alça de mira,
massa de mira e alvo).
Nesse caso, a prioridade de foco deve estar na massa de mira, o que redundará em
desfoque da alça de mira e do alvo e estes serão enxergados com nitidez deficiente, mas
é possível manter o alinhamento das extremidades superiores da alça e da massa de mira
em coincidência ao ponto mais central do alvo (que fica com aspecto embaçado). Além
disso, cuidado especial deve ser dado no sentido de manter a massa de mira devidamente
enquadrada dentro do entalhe, tanto horizontal, como verticalmente.
Figura 21 - Visada com aparelho de mira do tipo entalhe e secção retangular e visada
com o uso dos pontos de inserção (“inserts”)
Outra maneira de fazer uma boa visada monocular é utilizando os pontos de inserção
(“inserts”), nas armas que disponham desse dispositivo.
Nesse caso, o “insert”, incrustado na massa de mira, deverá ser o mais nítido e coincidirá
com o centro do alvo.
Os outros dois “inserts” dispostos na alça de mira ficarão com nitidez um pouco
prejudicada mas será possível alinhá-los com a massa de mira.
Naturalmente o alvo ficará embaçado, pois a atenção focal estará mais concentrada no
alinhamento dos “inserts” e estes devem estar o mais alinhados possível, tanto horizontal
como verticalmente.
258
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Para fazer uma visada binocular, a relação de prioridade entre os focos de alça, massa de
mira e alvo se modificam. Isto porque a prioridade do foco do policial militar passa a estar
no alvo, permanecendo os elementos alça de mira e massa de mira com nitidez reduzida.
A visada binocular poderá ser empregada tanto com armas que dispõem do aparelho de
Destaca-se ainda, que, ao focar o alvo para empregar a visada binocular, o policial militar
terá a impressão de visualizar duas imagens transparentes do aparelho de pontaria (ou
da arma propriamente dita) por cima da imagem do alvo.
A técnica está exatamente nesse ponto: treinar para entender qual das imagens
desfocadas correspondem à posição real da arma (ou do aparelho de pontaria) em
relação ao alvo e, assim, utilizá-la como referência para o direcionamento dos disparos.
259
Figura 23 - Imagem desfocada e “sombra” da arma sobre o alvo nítido na visada
binocular
Assim, como maneira de buscar maior dinamicidade do tiro policial, para o treinamento
previsto neste atual biênio do TPB, sugere-se o uso da visada binocular.
Nesse caso, a imagem desfocada da arma (ou do aparelho de pontaria) ficará direcionada
para o centro de massa da porção visível de cada quadrante considerado.
Ao acionar o gatilho para disparos rápidos sequenciais, o policial militar deverá treinar
para que não dê arrancos no gatilho. O aumento da pressão no gatilho é semelhante ao
feito durante o tiro de precisão. A diferença é que este é realizado de maneira mais rápida,
agregando-se os detalhes técnicos de empunhadura para minimizar possíveis
movimentações das mãos.
A posição de contato do dedo com a tecla do gatilho também é algo que pode interferir
em tiros rápidos, todavia ela é individual e deve ser treinada por meio do treinamento de
disparo em seco integrando o acionamento do gatilho e a visada (vide visada).
Ao fazer o disparo em seco, o policial deve observar qual está sendo a resposta de
movimento da massa de mira no momento da “percussão em seco” e ir ajustando a
empunhadura e a posição do dedo até que a massa passe a se manter no centro nos
momentos de tais percussões.
260
Biênio 2022/2023
3.10.5 Respiração
Para o tiro policial, o policial militar buscará respirar normalmente, conforme a situação
em que se encontra assim o exigir.
261
3.11 Protocolo de segurança após o confronto
Imediatamente após uma intervenção policial com emprego efetivo de arma de fogo
(disparos), se fazem necessárias algumas ações por parte do policial militar, a fim de que
seja certificada a neutralização dos riscos no ambiente de confronto.
262
Biênio 2022/2023
Assim, o policial trará a arma para uma posição de retenção, mantendo a empunhadura
dupla, e, nessa condição, girará a cabeça para os dois lados, buscando possíveis outros
infratores ou novas ameaças no perímetro imediato. O policial deve ser capaz de verificar
os 360 graus à sua volta e permanecer em condições de resposta caso visualize eventual
nova ameaça.
Essa inspeção não se confunde com aquela realizada pelo professor de tiro logo após o
encerramento de uma série de disparos, cuja intenção é deixar a arma vazia e
descarregada, em condições de segurança no ambiente de estande. A inspeção tática,
por outro lado, é destinada à verificação da capacidade da arma para a realização de
novos disparos, caso sejam identificadas novas ameaças.
263
4 CONCLUSÃO
Para que o policial militar tenha sucesso e saia vitorioso em um confronto armado ele
deve desenvolver competências relacionadas à cognição, às suas habilidades e à sua
atitude, buscando conhecer técnicas de recargas, saque rápido e solução de panes.
Assim, o treinamento de tiro policial no TPB do 11º Biênio traz noções do tiro tático, como
maneira de aprimorar as competências necessárias ao policial militar na missão de
preservar vidas e cumprir a lei.
264
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REFERÊNCIAS
DIAS, Sérgio Leal. O treinamento básico de tiro policial e o confronto armado: análise de
conformidade na região metropolitana de Belo Horizonte em 2017 Monografia (Curso de
Especialização em Segurança Pública) – Academia de Polícia Militar, Polícia Militar de Minas
Gerais, Belo Horizonte, 2018.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Guia de Treinamento: Biênio 2020/2021. Belo Horizonte:
Academia de Polícia Militar, 2020.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Guia de Treinamento: Biênio 2015/2016. Belo Horizonte:
Academia de Polícia Militar, 2015.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Treinamento com Arma de Fogo (MTCAF). Belo
Horizonte: Academia de Polícia Militar, 2011d.
ROSS, Jared. Double Taps vs. Controlled Pairs. Breach Rang Clear. Disponível em:
265
LEGISLAÇÃO
11
JURÍDICA
1 INTRODUÇÃO
Nessa parte dos estudos, iremos tratar das principais leis extravagantes que afetam o
serviço policial militar, seja por suas penas mais gravosas, seja pela frequência de casos
em que tem aparecido em nossa instituição.
Dessa forma iremos tratar aqui da Lei 9.455/97, Lei de Tortura e suas várias modalidades
de crime de tortura; da Lei 12.850/13, Lei do Crime Organizado; da mudança legislativa
através da Lei 13.491/17 que ampliou o conceito de crimes militares, e da Lei 13.869/19,
a nova lei de abuso de autoridade que revogou a antiga lei 4.898/65.
Esperamos que após os estudos dessas normas, os militares estejam mais conscientes de
suas ações quando em serviço ou de folga, buscando sempre agir dentro dos limites da
lei.
O exercício do monopólio da força pelo Estado requer moderação e deve ser empregado
estritamente dentro dos critérios legais. Desse modo, é inadmissível que o policial militar,
como agente estatal, pratique qualquer ato que possa configurar ilícito, ainda que o
pratique “de boa-fé” (os fins não justificam os meios). De fato, o agente da lei que
emprega a tortura como meio de investigação, ou como forma de castigo, raciocina, em
linhas gerais, da seguinte maneira: “o mal que eu faço é o bem, porque o mal que eu
combato é o mal absoluto”.
A falsidade desse raciocínio é que o “mal do infrator” justifica a ação praticada pelo
policial. Na verdade, uma infâmia não justifica outra. Ao se submeter os meios meramente
ao critério da eficiência no combate ao “mal absoluto”, passa a se entender que qualquer
meio é apropriado. Admite-se, com essa negação do ético, que não é possível permanecer
pessoalmente limpo no reino da sujeira. Copia-se o mal daquele que se propõe combater.
Não é sustentável tal paradoxo sem o padecimento de um dano moral e, em tais
situações, o policial militar será equiparado ao próprio criminoso.
268
Biênio 2022/2023
A Lei N°. 13.491/2017, que alterou a redação do art. 9º, do Código Penal Militar (CPM) e
instituiu os crimes militares por extensão, incluiu no rol dos crimes dessa natureza os
previstos exclusivamente na legislação penal comum, isto é, no Código Penal (CP) e na
legislação extravagante, quando praticado pelo militar numa das hipóteses do Art. 9°,
inciso II, do CPM.
Via de regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes da Lei de Tortura é
da Justiça Comum. No entanto, quando o crime é praticado por policial militar, desde que
preenchidas uma das circunstâncias do dispositivo acima referenciado, será da Justiça
Militar Estadual.
Legislação Jurídica
Neste sentido, com base na alteração legislativa promovida pela Lei n°. 13.491/2017, 11.
comete o crime militar de tortura-prova, por exemplo, o policial militar que constranger
um indivíduo autor de crime, mediante o emprego de violência e ameaça, com o fim de
obter informação, declaração ou confissão.
Cita-se, também, como exemplo, a ação do policial militar que ao presenciar a prática do
crime de tortura perpetrada por policiais militares, diante do dever jurídico de agir,
abstém-se de evitar a prática do crime ou, não sendo possível, deixa de adotar medidas
necessárias a fim de evitá-lo (ou de levar ao conhecimento de seus superiores, quando
lhe faltar competência administrativa).
Dessa forma, pelo critério objetivo da lei, o crime de tortura praticado por policial militar
em serviço, ou em razão da função, insere-se à atual definição de crime militar, cuja
apuração dos fatos deve ser realizada pela Polícia Judiciária Militar e o processo e
julgamento realizado perante a Justiça Militar Estadual.
269
norma para que se tenha condição especial do agente, de modo que não se necessita,
para a configuração do delito, que a tortura seja praticada exclusivamente por agentes
do Estado.
Equiparado aos crimes hediondos, a tortura sofre as restrições da Lei n°. 8.072/90,
considerando-se inafiançável e proibida a concessão de liberdade provisória, exceto
quanto à possibilidade do condenado, ainda que iniciado o cumprimento da pena em
regime fechado, poder progredir de regime, conforme previsto Art. 1º, § 7º, da Lei n°.
9.455/1997. Todavia, o Art. 2º, §1º, da lei dos crimes hediondos foi declarado
inconstitucional pelo STF, por ferir os princípios da proporcionalidade e individualização
da pena, sob o argumento de que o regime de cumprimento deverá respeitar o Código
Penal, sendo definido a partir da pena aplicada ao condenado.
Cabe salientar que a tortura imprópria (tortura por omissão) não é equiparada ao crime
hediondo, o que caracteriza exceção às demais espécies de tortura (em que pese o
mesmo rigor de tratamento e consequências ao policial militar e demais agentes públicos,
quanto a possibilidade de perda da função pública).
“Todo o acto pelo qual um funcionário público, ou outrem por ele instigado, inflija
intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos graves, físicos ou mentais,
com o fim de obter dela ou de terceiro uma informação ou uma confissão, de a
punir por um ato que tenha cometido ou se suspeite que cometeu, ou de intimidar
essa ou outras pessoas”.
1
Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis,
Desumanos ou Degradantes - Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de
1975. Disponível em [Link] Acesso em 17 set 21.
270
Biênio 2022/2023
A natureza cruel da tortura não resulta do meio e sim do modo como é empregado: por
exemplo, o uso de uma faca para causar ferimento não configurará necessariamente
tortura, mas poderá ser se a mesma faca for utilizada para mutilar deliberadamente a
vítima. Do mesmo modo, o simples arremesso de uma pedra não induz, necessariamente,
à caracterização da tortura, não valendo afirmar quanto ao apedrejamento da vítima.
2.5 CONDUTAS QUE SÃO CONSIDERADAS CRIME DE TORTURA QUE POSSAM ADVIR DO
DESVIO NA ATIVIDADE POLICIAL
A Lei N°. 9.455/1997, em seu Art. 1.º (caput e §§ 1.º e 2.º), descreve as seis condutas típicas
do crime, quais sejam: tortura-prova (Art. 1º, I, “a”), tortura como crime meio (Art. 1º, I,
Legislação Jurídica
“b”), tortura-discriminatória (Art. 1º, I, “c”), tortura-castigo (Art. 1º, II), tortura-própria (Art.
1º, § 1º) e a tortura por omissão (Art. 1º, § 2º). 11.
271
2.5.3 Figura privilegiada: tortura-omissão (art. 1º, § 2º)
A figura privilegiada prevista visa incriminar aquele que, podendo e devendo, se abstém
de evitar a prática da tortura ou, não sendo possível evitá-la, deixa de adotar as medidas
cabíveis (diretamente ou, carecendo de atribuição legal, mediante provocação da
autoridade competente para fazê-lo).
Destaca-se que esse crime, segundo entendimento dominante, não constitui um típico
“crime de tortura”, de modo que não está sujeito a todos os rigores conferidos aos demais
crimes hediondos e equiparados. Contudo, em que pese a lei fazer ressalva quanto ao
regime inicial de cumprimento da pena, tem-se que, conforme o disposto no Art. 1º, § 5º
da lei de tortura, a condenação do policial militar por essa figura delitiva, acarretará a
perda da função pública e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena
aplicada.
A condenação acarretará a perda do cargo (criado por lei que lhe empresta atribuições,
denominação e remuneração específicas); função (exercício de atribuição em favor da
Administração Pública, todavia sem cargo correspondente); ou emprego público
(instituído por lei na estrutura oficial do Estado, com denominação e atribuições próprias,
todavia submisso ao regime celetista) além da interdição para seu exercício pelo dobro
do prazo da pena aplicada.
Algumas circunstâncias, que podem ser identificadas pela Polícia Militar durante a
intervenção policial, constituem fortes indícios de crime organizado, e não podem ser
desprezados, ou não relatados no Registro de Eventos de Defesa Social – REDS.
272
Biênio 2022/2023
Legislação Jurídica
venham a executar propriamente os delitos para os quais a organização criminosa foi
formada. 11.
273
Art. 2°. Omissis.
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):
I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa
dessa condição para a prática de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte,
ao exterior;
IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações
criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.
CRIME MILITAR
Crime militar, conforme estabelecido pela CRFB/1988, é aquele definido por lei, nos
termos dos artigos 5º, LXI, 124 e Art. 125, § 4º. Assim, impera o critério ex vi legis ou lex
scripta, reforçando o conceito de que o crime militar é o que está na lei - por força de lei.
Nesse sentido, ASSIS (2018) argumenta que a classificação do crime em militar se faz pelo
critério ratione legis, ou seja, em razão da lei. Portanto o crime militar é aquele que o
Código Penal Militar (CPM) diz que é, diante das circunstâncias enumeradas em seu Art.
9º.
Importante, após consolidado esse conceito, que o policial militar consiga diferenciar as
classificações de crimes militares, em especial, àquela que foi trazida após a alteração do
Código Penal Militar pela Lei n°. 13.491/2017.
Conforme se abstrai do Art. 9º, inciso I, do CPM, o crime propriamente militar é aquele
que só está previsto no CPM e que só pode ser praticado por militar, exceção feita ao
crime de insubmissão, que apesar de só estar previsto no CPM (Art. 183), só pode ser
cometido por civil (ASSIS, 2018).
274
Biênio 2022/2023
Legislação Jurídica
4.3 ALTERAÇÃO LEGISLATIVA TRAZIDA PELA LEI N°. 13.491/17, QUE ALTEROU O ART. 9º 11.
DO DECRETO-LEI N°. 1001, DE 21OUT69, CÓDIGO PENAL MILITAR, E AMPLIOU A
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR.
Em 16 de outubro de 2017 foi publicada a lei N°. 13.491/17, que alterou o Código Penal
Militar, mais especificamente o Art. 9º, de modo a ampliar o conceito de crime militar e,
consequentemente, a competência da Justiça Militar (federal ou estadual).
Conforme considerações de NEVES (2018), “com a edição da Lei n°. 13.491, de 13Out2017,
os crimes previstos no Código Penal Comum e na legislação penal em geral podem ser
considerados militares desde que praticados nas hipóteses do inciso II do art. 9º do CPM,”
naquilo que os doutrinadores denominam crimes militares por extensão, acidentais ou
extravagantes.
275
Antes da referida lei, determinada conduta só poderia ser tratada como crime militar se
assim estivesse necessariamente prevista no rol de crimes da parte especial do CPM,
mesmo que tratado de igual forma no Código Penal Comum. Com a nova redação legal,
a conduta praticada pelo policial militar (autor de crime), para ser tratada como crime
militar, pode estar prevista tanto na parte especial do CPM, quanto em qualquer
legislação penal comum.
Portanto, com a atual redação do Art. 9º, inciso II, do CPM (e a título de exemplo) é
possível que o policial militar (autor) cometa um crime militar com base na conduta típica
prevista exclusivamente na Lei n°. 9.455/1997 (Lei de Tortura), na Lei N°. 13.869/2019
(nova Lei e Abuso de Autoridade), Lei n°. 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), Lei
N°. 9.503/1995 (Código de Trânsito Brasileiro), Lei n°. 14.133/2021 (nova Lei de Licitação
e Contratos Administrativos) entre outras, desde que o fato se amolde também em uma
das hipóteses previstas no Art. 9º, inciso II, alíneas “a” a “e” do CPM.
Diante desse cenário, quando ocorre o desvio de conduta do policial militar, que resulte
na imputação de um ilícito penal militar, caberá à Polícia Judiciária Militar sua apuração e
à Justiça Militar Estadual a continuidade do devido processo legal.
Para reforçar o entendimento sobre as ampliações trazidas pela Lei n°. 13.491/2017, no
rol dos crimes militares, seguem abaixo alguns exemplos comparativos quanto às
possíveis situações que não resultariam em crime militar. Contudo, desde a referida
alteração, passaram a ser considerados crimes militares por extensão, acidentais ou
extravagantes:
QUADRO COMPARATIVO
Antes da lei N.° 13.491/2017 Depois da lei N.º 13.491/2017
O(a) policial militar de serviço, que praticar atos que
O(a) policial militar de serviço, que se amoldam a referida lei de tortura contra um civil,
praticasse atos previstos na lei N°. durante uma abordagem policial, responderá por
9455/97 (Lei de tortura) contra um crime militar e o processo será agora julgado pela
civil, durante uma abordagem Justiça Militar Estadual, uma vez que o fato está
policial, responderia por crime previsto na legislação penal (Lei N°. 9455/97) e,
comum e o processo seria julgado diante da alteração trazida pela lei N°. 13.491/2017,
pela Justiça Comum Estadual. a conduta passou a amoldar-se no Art. 9º, inciso II,
alínea c, do CPM.
276
Biênio 2022/2023
Nota-se, portanto, que houve uma ampliação dos crimes de natureza militar, uma vez
que, em tese, qualquer crime existente no ordenamento jurídico brasileiro poderá se
tornar crime militar, caso praticado em serviço, ou no exercício funcional militar.
Legislação Jurídica
Os delitos insculpidos na nova lei exigem dolo específico, de modo que a melhor doutrina 11.
aponta, inclusive, que o dolo deve ser direto (vontade consciente de produzir o resultado),
e, portanto, inadmitido o dolo eventual (aquele que há assunção de risco na produção do
resultado).
Assim, pratica o crime de abuso de autoridade o agente que realizar as condutas previstas
na lei, com a finalidade de: I) prejudicar outrem; II) beneficiar a si mesmo; IV) beneficiar a
terceiro; V) por mero capricho, ou VI) por satisfação pessoal.
Nesses termos, conforme o entendimento de Rogério Greco, torna-se possível concluir
que:
Talvez com o fim de estancar algumas das pertinentes críticas, logo no seu artigo
inaugural, a lei 13.869/19 anuncia que a existência do crime depende de o agente
comportar-se abusivamente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou
beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação
pessoal. Eis o elemento subjetivo presente nos vários tipos incriminadores,
restringindo o alcance da norma de tal forma que, ao nosso ver, o dolo eventual
fica descartado (CUNHA; GRECO, 2019, p. 13).
277
5.1 SUJEITOS ATIVOS DOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE
O Artigo 2º, inciso I, da nova lei, ao definir a sujeição ativa de seus delitos, aponta serem
eles próprios de agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e de Território, compreendendo os servidores públicos e militares (ou pessoas
a eles equiparadas).
A atenção deverá ainda ser maior, diante do disposto no Art. 15, do Estatuto dos Militares
do Estado de Minas Gerais - EMEMG - (Lei N°. 5.301/1969), por determinar que “a
qualquer hora do dia ou da noite, na sede da Unidade ou onde o serviço o exigir, o
policial-militar deve estar pronto para cumprir a missão que lhe for confiada pelos seus
superiores hierárquicos ou impostos pelas leis e regulamentos.”
O tipo penal tutela os direitos do indivíduo no tocante a sua imagem, honra, dignidade e
ao devido processo legal. Trata-se de um crime que, por trazer a expressão “preso ou
detento”, traduz maior possibilidade de cometimento por integrantes de forças policiais.
278
Biênio 2022/2023
(...) a exibição à curiosidade pública importa na exposição do preso (de seu corpo
ou parte dele) à população, como forma de saciar a bisbilhotice do grupo. Em
outras palavras, exibe-se o preso como se fosse um troféu nas mãos do sistema de
persecução (NEVES, 2021, p. 140).
Além da exibição à curiosidade pública, o tipo penal foi mais além, pois trouxe, no inciso
II, do mesmo dispositivo, a submissão a situação vexatória ou a constrangimento não
autorizado em lei, como por exemplo, obrigar o preso a exibir-se para a imprensa.
Noutro giro, o preso tem direito à identificação dos executores de sua prisão ou de seu
Legislação Jurídica
interrogatório policial, nos termos do Art. 5º, LXIV da CRFB /1988. Nesse sentido, o ato 11.
de deixar de identificar-se (conduta omissiva) ou identificar-se falsamente (conduta
comissiva) à pessoa presa (ou detida), em conjunto com uma das finalidades previstas no
Art. 1º, § 1º, da nova Lei de Abuso de Autoridade, constitui crime.
Outra inovação jurídica, no que diz respeito ao aspecto penal, é a tipificação de conduta
relacionada ao cerceamento do direito do preso (e do advogado) à entrevista pessoal e
reservada:
Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com
seu advogado:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil - Lei N°. 8.906/1994 - em seu Art. 7º, III,
assegura ao advogado o direito de comunicar-se com seus clientes, pessoal e
reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou
recolhidos em estabelecimentos civis ou militares.
279
Assim, o policial militar não pode obstar o acesso do advogado ao detido, inclusive
durante a lavratura do REDS, sob pena de incorrer em abuso de autoridade, se houver,
portanto, uma das finalidades já especificadas.
Por fim, os tipos penais estudados (artigos 13, 16 e 20 da Lei 13.869/2019) não possuíam
definição na antiga lei 4.898/1965, logo, comportam status de novatio legis incriminadora.
6 CONCLUSÃO
Nessa etapa do Treinamento Policial Básico, foram abordadas algumas leis extravagantes
que entendemos serem as mais importantes para os nossos militares, seja pelas
mudanças recentes, seja pelo impacto que suas duras penas trazem a quem comete os
crimes nela previstos.
Na lei de Tortura, lei 9.455/97, foi explicado o conceito principal de tortura, bem como foi
demonstrado as suas modalidades, especialmente a tortura prova, a tortura castigo e a
tortura omissão. Além disso, foi explicado que com a nova mudança nos crimes militares,
a tortura também pode ser considerada crime militar por extensão.
Foi estudada também a lei 12850/13, que trata das organizações criminosas e sua
composição e principais características foram mostradas, tendo em vista a importância
que tem na atualidade e a necessidade de o policial militar saber reconhecer esse tipo de
organização, para uma boa confecção do boletim de ocorrência.
Sobre a lei 13491/17 uma ênfase maior foi dada, pois ela amplia o conceito de crime
militar, abarcando agora os crimes previstos em qualquer outra norma, trazendo impacto
direto para os policiais, que também são militares.
Por fim, foi estudada a lei 13869, nova lei de abuso de autoridade, que revogou a
conhecida e antiga lei 4898, trazendo tipos penais novos e aumentando as penas de
alguns já existentes. Uma especial atenção foi dada a esta parte, tendo em vista de ser a
legislação que mais afeta os policiais em serviço.
280
Biênio 2022/2023
7 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Lucas Laire Faria. Crime Organizado: aspectos dogmáticos e criminológicos -- Belo
Horizonte: Editora D’Plácido, 2017.
ASSIS, Jorge Cesar de. Comentários ao Código Penal Militar: comentários, doutrina,
jurisprudência dos tribunais militares e tribunais superiores. 10ª ed. Curitiba: Juruá, 2018.
BALDAN, Édson Luís. Tortura. Enciclopédia Jurídica da PUCSP. Tomo Direito Penal, Edição 1,
Agosto de 2020. Disponível em: [Link]
1/tortura. Acesso em 17 set 21.
Legislação Jurídica
providências. Disponível em [Link] Acesso em 17
set 21. 11.
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, volume 4: legislação penal especial; 3 ed. – São Paulo:
Saraiva, 2019.
CUNHA, Rogério Sanches; GRECO, Rogério. Abuso de Autoridade. Salvador: Juspodivm, 2019.
GRECO, Rogério / FREITAS, Paulo. Organização Criminosa: Comentários à Lei 12.850/2013. 2 ed.,
ver., atual. – Impetus, 2020.
MASSON, Cleber / MARÇAL, Vinícius. Crime organizado– 4. ed., rev., atual. e ampl. – Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
NEVES, Cícero Robson Coimbra. Crimes Militares Extravagantes. Salvador: Juspodivm, 2021.
NEVES, Cícero Robson Coimbra / Streifinger , Marcello. Manual de Direito Penal Militar - Volume
Único / - São Paulo: Editora JusPodivm, 2021.
NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de direito processual penal militar, 3ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018.
ONU. Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou
Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes - Aprovada pela Assembleia Geral das Nações
Unidas em 9 de Dezembro de 1975 (Resolução 3452 (XXX). Disponível em
[Link] Acesso em 17 set 21.
ROTH, João Ronaldo. Os delitos militares por extensão e a nova competência da justiça militar.
20 de janeiro de 2018. Disponível em [Link]
post/2018/01/20/os-delitos-militares-por-extens%C3%A3o-e-a-nova-compet%C3%AAncia-da-
justi%C3%A7a-militar-lei-1349117 . Acessado em 17/09/2021.
281
IMAGEM INSTITUCIONAL,
12 REPRESENTATIVIDADE E
USO DAS MÍDIAS SOCIAIS
1 INTRODUÇÃO
A era mobile (palavra norte americana que significa uma nova forma de acesso à rede
mundial de computadores através da tecnologia de dispositivos móveis como
smartphones) se consagrou no mundo atual. A troca de informações em tempo real é
uma realidade nas relações humanas. Processos comunicacionais foram provocados a
atualizarem suas linguagens, seus instrumentos e suas formas de transmissão de
informações. As redes sociais consagraram-se, neste cenário, como um revolucionário
instrumento da comunicabilidade social.
Uma pesquisa realizada pelos institutos Hootsuite e We Are Social (2020), que promovem
estudos especializados em multimídia no mundo digital, apontou que, no Brasil, há 205,8
milhões de telefones mobile. Relataram, ainda, que o país possui 140 milhões de perfis
em redes sociais ativos, o que representa 66% da população. A mesma pesquisa divulgou
que as principais redes sociais utilizadas pelos brasileiros são Youtube, Facebook,
Whatsapp e Instagram.
O risco advém da inobservância por parte do policial militar da harmonização entre o seu
interesse em utilizar as redes sociais e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos
quais está submetido e deve obediência.
284
Biênio 2022/2023
A imagem da Polícia Militar de Minas Gerais advém de seus integrantes. Todo policial
militar é responsável pela imagem que a Instituição possui. Em primeira análise, por
meio da qualidade do atendimento policial, do desempenho operacional e interações
sociais que realizam quando estão de serviço. A segunda perspectiva resulta de um dos
valores organizacionais – a representatividade – por meio do qual, reforça-se que todo
policial militar, de serviço ou não, carrega consigo a marca PMMG.
Isso quer dizer que a partir do momento em que passamos a fazer parte de nossa
Instituição, precisamos sempre lembrar que em qualquer situação de nossas vidas,
Imagem Institucional
representaremos a PMMG. Cuidar da imagem da Polícia Militar é cuidar diretamente de
nossa legitimidade. Uma instituição com sua imagem desgastada e negativa perde força 12.
quanto à sua legitimidade social.
O risco advém da inobservância por parte do policial militar da harmonização entre o seu
interesse em utilizar a rede social e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos
285
quais está submetido e deve obediência. Esse risco é mitigado e até desaparecido,
quando todos os integrantes da PMMG entendem que, inclusive fora de serviço, devem
observar os valores éticos que lhes diferenciam de todas as outras categorias
profissionais.
Mas fique tranquilo! Se você é um policial militar disciplinado e que cumpre os seus
deveres previstos no Código de Ética, não há que se preocupar. É possível que você
continue interagindo normalmente em suas redes sociais sem nenhum problema, desde
que você não poste ou compartilhe conteúdos que estejam em desconformidade com as
normas em vigor. Para te ajudar a entender melhor o que pode e o que não pode,
explicamos tudo no próximo capítulo de nosso conteúdo.
Certamente, algum conteúdo, que afete negativamente a imagem da PMMG, postado nas
redes sociais por algum policial militar já chegou até o seu conhecimento. Normalmente
esses vídeos e fotos atingem um grande número de pessoas, internamente e junto à
sociedade.
Por essa razão, o uso das redes sociais por militares fardados tem sido objeto constante
de orientações por parte do Comando da PM. Isto porque o uso negativo dessas mídias
em circunstâncias que afetam a honra e a imagem pessoal desses militares,
comprometem, também, a imagem da PMMG.
286
Biênio 2022/2023
O policial militar fardado, mesmo que fora de serviço, deve estar consciente de que a sua
conduta pessoal reflete decisivamente na imagem institucional da PMMG e na forma
como a sociedade enxerga a corporação.
A postagem de fotos ou de vídeos pelo policial militar, nas redes sociais, fardado ou com
qualquer outra característica que seja associada à PMMG em situações que remetem aos
valores não aceitos socialmente, à exaltação de condutas ilegais, à sensualidade corporal,
bem como a discussões e fatos internos e institucionais, constitui conduta que, além de
ser contrária à ética profissional, deve ser combatida por todo integrante da Polícia
Militar.
Imagem Institucional
privacidade e à própria liberdade de expressão.
12.
3.1 Situações que violem a moral e os bons costumes, os valores cultuados pela
Instituição, bem como as que possuam conteúdo que de alguma forma exponha
negativamente a imagem da PMMG;
3.2 Conteúdos que possam ser percebidos como discriminatórios em relação à raça,
orientação sexual, religião e a outros valores ou direitos protegidos e que possam
comprometer os ideais defendidos pelas instituições democráticas, bem como
aqueles que representam vulgaridades, obscenidades, ideologias contrárias aos
direitos humanos, incitação à violência e à criminalidade;
287
3.4 Conteúdo associado a propagandas e a publicidades com fins lucrativos,
ideológicos ou políticos;
Nos casos em que forem identificadas postagens nas redes sociais por parte de policiais
militares que estejam em desacordo com tais orientações, expondo negativamente a
imagem da PMMG, o respectivo conteúdo deverá ser ajustado ou removido, sem prejuízo
da eventual responsabilização cível, criminal e disciplinar do autor, conforme o caso e,
observado o devido processo legal.
Importante! O memorando supracitado deixa claro que você poderá postar fotos fardado
normalmente, desde que não se enquadre nas situações acima relacionadas. Ou seja, são
permitidos conteúdos fardados ou com alguma indicação da Instituição, como por
exemplo: durante o policiamento, em uma solenidade recebendo uma condecoração, em
sua rotina pessoal, etc. Caso tenha alguma dúvida se sua postagem se enquadra ou não
nas proibições, compartilhe com seu chefe direto a decisão e lembre-se que sua dúvida
já pode ser um indicativo de que talvez não seja conveniente postar.
Outro lembrete! Todas as situações servem para quando o próprio policial militar posta
na rede social, mas também para quando ele permite ou aceita que terceiros postem
conteúdos relacionados a sua pessoa em circunstâncias citadas no Memorando
10.019.2/19-CG.
288
Biênio 2022/2023
Imagem Institucional
humanos, afrontoso à hierarquia, à disciplina e à honra das pessoas e das instituições e
afins. Foi buscada a dissuasão de condutas nocivas à imagem organizacional junto à 12.
sociedade, como publicações nas mais variadas redes sociais, em que a expressão
individual fosse indevidamente atrelada à organizacional, deturpando a imagem de um
bicentenário órgão de persecução penal perante os destinatários do serviço e ao próprio
público interno. Assim, os aludidos diplomas normativos viabilizaram que fosse incutido
no seio da tropa a vedação a comportamentos inadequados no manuseio das
plataformas digitais, bem como as consequências jurídicas advindas de suas condutas.
Oliveira (2015) define a disciplina como a exteriorização da ética militar, cujas balizas
estão elencadas no CEDM. O autor pontua que ela se manifesta pelo cumprimento de
deveres capitulados nas legislações aplicáveis às instituições militares estatuais, conforme
posto, graduação, cargo e função exercidos pelo militar. Sobre a sujeição a esse
arcabouço jurídico, o Estatuto dos Militares referenda que, independente de horário e
lugar, o militar deve estar pronto para cumprir a missão que lhe for confiada pelos seus
superiores hierárquicos ou impostos pelas leis e regulamentos (MINAS GERAIS, 1969). Isto
é, mesmo estando de folga, em trajes civis e em ambiente privado, há uma
expectativa de comportamento ético em relação ao policial militar.
Essas variadas demandas alusivas a tais questões digitais, certamente têm lastro com o
processo de expansão das mídias sociais e complexidade das relações sociais nesses
ambientes. Os usuários, com certa frequência, têm realizado o uso equivocado dessas
ferramentas, interpretando que as interações no ambiente digital não são alcançáveis
pelo ordenamento legal. Trata-se de interpretação errônea, sobretudo em se tratando de
você policial militar, agente encarregado da aplicação da lei e operador do direito.
289
O militar é um cidadão dotado de direitos e é salvaguardado por garantias
constitucionais. Com efeito, até certo ponto ele é livre para manifestar seu pensamento
individual. No entanto, a proteção da Constituição não pode ser invocada como um véu
pelo qual o indivíduo se valha para indevidamente utilizar a imagem da PMMG, com o
intuito de promover ou divulgar ideias que não coincidam com a perspectiva institucional
e o interesse público, vez que a farda, a logomarca, os símbolos militares e seu posto ou
graduação são bens os quais não integram o seu patrimônio jurídico disponível.
Vale ressaltar que, assim como os direitos decorrentes da liberdade, a disciplina militar é
um princípio de índole constitucional. Logo, diante do princípio da unidade da
Constituição e da ausência de hierarquia entre normas constitucionais, há necessidade de
se ponderar os princípios colidentes, sendo natural a limitação da liberdade pela disciplina
no meio militar.
No que diz respeito à seara administrativa, o art. 9º do CEDM trata que a honra, o
sentimento do dever militar e a correção de atitudes impõem conduta moral e profissional
irrepreensíveis a todo policial militar, o qual deve observar os princípios da ética militar.
O próprio Memorando Circular n. 10.275.0/2020-EMPM indica que o referido artigo pode
agasalhar transgressões disciplinares praticadas no contexto das redes sociais,
destacando os seguintes incisos e alínea:
290
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Imagem Institucional
expectativa de cumprimento de um ato de ofício, qual seja, abster-se de realizar
publicações congêneres, a qual é indevidamente rompida, quando do eventual 12.
descumprimento.
ATENÇÃO!
A esse respeito, Oliveira (2015, p. 402) esclarece que o termo folga “não deve ser
interpretado de forma literal, mas como sendo toda aquela situação em que o militar
não está de serviço”.
291
O referido Memorando Circular traz que, na hipótese de contumacidade, a
responsabilização incidirá de forma isolada a cada publicação indevida em rede
social, sem a incidência dos institutos da conexão e da simultaneidade, já que serão
considerados os diferentes momentos e sem relação de dependência.
Lado outro, é possível que a conduta do militar possa infringir bens tutelados pelo Direito
Penal Militar, ensejando a responsabilização nessa esfera, caso incida algum dos critérios
de aplicação da lei penal castrense, estatuído no art. 9º do CPM. Nesse sentido, sem
prejuízo da infinidade de situações possíveis, é possível a capitulação do comportamento
do policial militar em tipos como a Difamação (art. 215), a Calúnia (art. 214) e a Publicação
ou Crítica Indevida (art. 166). Lima (2020) assevera que a prisão cautelar tem o objetivo
de assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal. A prisão preventiva é
uma espécie desse gênero e pode ser motivada pelo perigo advindo da liberdade de
locomoção do agente.
Nesse sentido, vê-se que o direito não assiste ao policial militar associar a imagem da
PMMG aos seus perfis e publicações nas diferentes plataformas digitais em
desconformidade ao que prevê o Memorando 10.019.2/19 CG. Ao utilizar de elementos
simbólicos que façam referência à imagem institucional em suas postagens de um
desabafo, ainda que se trate de mera expressão de uma desconformidade, poderá se
subsumir a ilícitos e ensejar responsabilizações nas diferentes esferas do direito.
É possível que uma simples crítica a um ato de Comando, possa ensejar seu
enquadramento administrativo e até decretação de sua prisão cautelar, conforme o caso
concreto, sem que se invoque de liberdade de pensamento ou outra garantia
constitucional. Logo, como as relações sociais, mesmo que no ambiente digital, o militar
usuário das mídias sociais deve balizar sua conduta pela ética em qualquer segmento.
292
Biênio 2022/2023
5. CONCLUSÃO
Todo policial militar é responsável pela imagem que a Instituição possui. Desta forma, é
dever do policial militar a harmonização entre as suas interações pessoais, como o seu
interesse em utilizar as redes sociais, e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos
quais está submetido e deve obediência. Reforça-se que, todo policial militar, de serviço
ou não, carrega consigo a marca PMMG.
Como forma de orientar o policial militar, este trabalho apresentou os limites a serem
respeitados pelo policial militar tanto no uso das suas redes sociais quando nas demais
atitudes em seus relacionamentos interpessoais, trazendo as penalidades cabíveis ao
desrespeito a esses limites.
Por fim, conclui-se que, cuidar de nossa Instituição é dever de todos. Mas, primeiramente,
devemos cuidar uns dos outros. Somos feitos de homens e mulheres que se dedicam à
missão mais nobre de nossa sociedade. Por isso, todo esse cuidado em disciplinar a
exposição nas redes sociais, é um cuidado com cada um de nós. Quando a imagem da
Imagem Institucional
PMMG é atingida por um vídeo pejorativo de algum policial militar, certamente ele será
o mais prejudicado. O prestígio que tanto merecemos vem de uma construção diária. Que 12.
tenhamos sabedoria para compreender e aplicar esses conhecimentos. Só assim você
estará protegido dos riscos que o uso inconsequente e irresponsável das redes sociais
possui.
293
6. REFERÊNCIAS
CORRÊA, Pablo S. de Souza. O exercício da abnegação pelo policial militar de Minas Gerais
para a preservação do patrimônio jurídico da instituição. O Alferes, Belo Horizonte, 77 (30):
46-68, jul./dez/ 2020.
HOOTSUITE & WE ARE SOCIAL. 2020. Digital 2020 Global Digital Overview. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 jun. 2020.
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 8. ed. Rev., ampl. e
atual. Salvador: JusPodivm, 2020. 1.952p.
MINAS GERAIS. Lei n. 14.310, de 14 de junho de 2002. Dispõe sobre o Código de Ética e
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[Link]
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MINAS GERAIS. Lei n. 5.301, de 16 de outubro de 1969. Contém o Estatuto dos Militares de
Minas Gerais. Disponível em: [Link]
gerais-contem-o-estatuto-do-pessoal-da-policia-militar-do-estado-de-minas-gerais. Acesso
em: 20 set. 2021.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando Geral. Plano Estratégico: 2020-2023. Belo Horizonte:
Assessoria de Desenvolvimento Organizacional, 2020.
OLIVEIRA, Maurício José de. Comentários ao Código de Ética e Disciplina dos Militares de
Minas Gerais - CEDM: Lei n. 14.310, de 19 de junho de 2002. Belo Horizonte: Diplomata
Livros Jurídicos e Literários, 2015. 360p.
294
ÉTICA, DOUTRINA E
13 ATUALIZAÇÃO:
SAÚDE INTEGRAL E PREVENÇÃO AO ESTRESSE
APRESENTAÇÃO
296
Biênio 2022/2023
1 INTRODUÇÃO
Diante dessas questões foi constatado, através de pesquisa realizada pelo CTP, que o
tema dessa disciplina possui relevância fundamental para o equilíbrio e o bom
desempenho do policial militar. No universo dos pesquisados foi verificado que 77,1%
dos policiais militares consideraram importante que a instituição possua ações
específicas para aumentar a qualidade da saúde integral de seus servidores. Nesse
Ética, Doutrina e
Atualização
sentido, a corporação, além de instruções e treinamentos periódicos para melhorar as 13.
condições gerais de saúde do policial militar, tem investido cada vez mais em sua
estrutura física de saúde e de assistência social. Atualmente, a PMMG aumentou o
número de Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), no intuito de capilarizar a
oferta de serviços no território, além de contar com dispositivos de referência em saúde,
como o Centro Odontológico (Codont), a Clínica de Psiquiatria (CLIPS), a Junta Central
de Saúde (JCS), o Hospital da Polícia Militar (HPM) e o Centro de Proteção Social do
Policial Militar (CPS-PM). Da mesma forma, registra-se o esforço constante para
ampliação da rede credenciada em todo o estado de Minas Gerais como suporte de
saúde ao policial da ativa e à sua família, assim como a veteranos e pensionistas.
297
atentos e sensíveis quanto a importância de, ao se detectar sinais iniciais de qualquer
alteração de ordem psicossocial, abordar e orientar o policial militar a acessar os serviços
de assistência psicossocial disponíveis.
Saúde é um conceito amplo que envolve muito mais do que estar bem fisicamente. A
pandemia da Covid-19 mostrou a todos como nosso organismo funciona de forma
sistêmica e a importância de se pensar os cuidados em saúde em uma perspectiva
ampliada, considerando-se os aspectos físicos, emocionais, sociais e, até mesmo,
financeiros.
Para esclarecer um pouco mais esse tema, iniciaremos discutindo o conceito de saúde
da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 1948:
Este conceito é válido até hoje e significa que, mesmo tendo os marcadores biológicos
considerados dentro das medidas adequadas para a saúde, isto não confere
necessariamente bem-estar para uma pessoa, pois ela pode estar insatisfeita com sua
vida, ou seja, doente em outros eixos. Há valores e sentimentos expressos no campo do
SUBJETIVO da saúde e da doença.
Assim, saúde relaciona-se também à forma como uma pessoa reage às exigências,
desafios e mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções. Está
relacionada com o equilíbrio emocional entre os recursos internos e as exigências
ou vivências externas. É a capacidade de administrar a nossa vida, nossas emoções e
sentimentos, buscando viver de forma plena. Esses pontos são contemplados também
nos fundamentos do conceito de Qualidade de Vida, relacionado à percepção de que
uma vida com qualidade depende da harmonia entre saúde física, mental, espiritual e o
equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
298
Biênio 2022/2023
Ética, Doutrina e
uma das atividades mais vulneráveis ao estresse ocupacional e, consequentemente, aos
Atualização
13.
agravos à saúde. A imprevisibilidade das ocorrências, o desgaste físico decorrente das
ações de prevenção e repressão ao crime, a demanda por concentração, as escalas de
trabalho, o atendimento ao público em contexto de mazelas sociais são alguns dos
agentes estressores presentes na atividade laborativa, capazes de desequilibrar o
funcionamento do organismo, principalmente, quando não há estratégias
suficientemente estruturadas para resistir à pressão. Somam-se, muitas vezes, às
questões profissionais, conflitos em outras áreas da vida do militar: família,
relacionamentos sociais, dívidas, excesso de atividades, vida amorosa, etc., contribuindo,
desse modo, ao desenvolvimento do processo de estresse e seus desdobramentos.
299
3 ESTRESSE
Na literatura científica, estes eventos ou situações capazes de provocar tais reações que
interrompem o equilíbrio interno são denominadas de agentes estressores, podendo
ser externos – condições de trabalho, conflitos sociais, dívidas, congestionamento no
trânsito– como internos – valores pessoais e características da personalidade. Mesmo
situações consideradas positivas – planejamento de viagem, novo relacionamento
amoroso, promoção na carreira – ao desencadearem demandas por reações adaptativas
do organismo, podem ser definidas como agentes estressores. Neste sentido, alguns
autores utilizam o termo “eustresse” para definir o que consideram como estresse
positivo (quando o organismo reage motivado por situações de mudança e desafio).
300
Biênio 2022/2023
1) Fase de Alerta: ocorre quando o sujeito entra em contato com agentes estressores.
Ao ser exposto a uma situação potencialmente ameaçadora, produtora de tensão, o
organismo se prepara para a ação, desencadeando alterações bioquímicas. Ou seja,
entram em jogo as reações de “luta e fuga”, muitas vezes necessárias para motivar a ação
correta na luta pela “sobrevivência”. Por isto, para alguns autores, tais reações
psicofisiológicas são denominadas de “estresse positivo”. Algumas das possíveis
alterações: taquicardia, tensão muscular, sudorese. Mantendo-se a presença do fator
estressor, as reações evoluem para o estágio 2 – Resistência;
Ética, Doutrina e
Atualização
contrário, falhando as adaptações ao contexto estressor, há o agravamento do quadro. 13.
301
Dentro do processo de estresse, a partir do desaparecimento do estímulo ameaçador, o
organismo deve voltar ao estado de equilíbrio. Permanecendo a ameaça e a repetição
frequente de agentes estressores, o indivíduo pode estabelecer um estado de estresse
crônico, em que, a partir de processos adaptativos constantes, o organismo é submetido
ao seu limite pelo dispêndio intenso de energia, tornando-se vulnerável a doenças.
Fazendo um paralelo com a atividade operacional, quando você, policial militar, atua
continuamente nos níveis avançados de prontidão (cor laranja e cor vermelha), há
uma intensificação do desgaste físico e mental podendo desencadear reações adversas
e, até mesmo, síndrome do esgotamento (estresse crônico). O agente de segurança
pública com alto nível de estresse pode ter reações exageradas e inadequadas mesmo
em ocorrências com baixa complexidade (nível de força incompatível com a análise de
risco).
302
Biênio 2022/2023
Para Lipp e Malagris (2001) apud OLIVEIRA E BARDAGI (2010), “o estresse ocupacional
pode gerar impacto para o próprio trabalho do indivíduo e para todas as outras áreas
da sua vida, na medida em que há uma inter-relação entre todas elas”.
Neste sentido, você, policial militar, avalia o seu nível de estresse e como o mesmo
interfere na realização de sua atividade? Da mesma forma, observa os comportamentos
de seu colega de guarnição e sua condição para o exercício das atividades laborais?
Muitas vezes, antes de iniciar o turno de trabalho, avaliamos a condição das viaturas,
do fardamento e do armamento dos componentes da guarnição.
Mas será que prestamos atenção na condição de saúde dos nossos colegas?
Ética, Doutrina e
Atualização
Eles estão em condições físicas e psicológicas para o pleno exercício profissional? 13.
Tenho a sensação de poder contar com meu colega no enfrentamento e resolução
das ocorrências?
Tome consciência daquilo que está ao seu alcance e aja no sentido de contribuir para
um ambiente sadio, pois é nele que você trabalha!
303
4 ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO AO ESTRESSE
Uma das ações que pode auxiliar na manutenção da saúde mental e no controle do
estresse diz respeito à manutenção de relações saudáveis com a família, amigos, colegas
de trabalho e comunidade em geral. Como seres sociais, temos necessidades de apoio,
reconhecimento e estima dos outros, e as redes de apoio são fundamentais para
manter as outras dimensões de saúde equilibradas.
304
Biênio 2022/2023
ATENÇÃO:
Sintomas como dificuldade para iniciar ou manter o sono, sono agitado ou não
restaurador, roncos com pausas da respiração ou movimentos anormais
durante o sono são sinais de alerta para a procura de avaliação médica.
Ética, Doutrina e
Atualização
Dicas para melhora da Qualidade do Sono: 13.
305
b) Saúde Bucal: A ausência de uma condição oral saudável frequentemente se manifesta
como dor e sofrimento físico e emocional, dificuldades para se alimentar com
subsequente prejuízo nutricional, chegando mesmo a trazer prejuízos de ordem social.
É importante adotar hábitos saudáveis que ajudam a prevenir uma grande parte das
doenças da cavidade oral.
Você sabe o que é bruxismo? Bruxismo é um distúrbio de sono que tem afetado
uma grande parte da população em geral. Suas causas são multifatoriais, mas o
estresse aparece como uma das principais. Se você percebe que range ou aperta os
dentes à noite, tem quebrado ou quebrou algum dente sem saber como, acorda com
dor na face, dor de cabeça e/ou dor no ouvido sem causa aparente, sente dificuldade
para mastigar principalmente pela manhã, você pode estar tendo esse problema.
Consulte o seu dentista para que ele possa te orientar e indicar o tratamento, caso
seja necessário.
306
Biênio 2022/2023
c) Atividade Física: talvez a recomendação que mais recebemos durante nossas vidas é
a importância de incluir a atividade física no nosso dia a dia. Manter-se ativo é uma
recomendação frequente, independente da especialidade médica. Você não precisa de
grandes estruturas e equipamentos de ginástica, o importante é movimentar-se! A
prática de atividades físicas tem um impacto positivo em todo o sistema corporal.
Escolha uma atividade prazerosa, em que você terá uma maior adesão. Dê
preferência às atividades associadas aos seus hobbies ou que te permitam passar mais
Ética, Doutrina e
Atualização
tempo com pessoas que você gosta e sua família. 13.
Organize este tempo para você, planeje no seu cotidiano os melhores horários e
aproveite seu tempo ocioso para incluir a atividade física nesse momento.
Estabeleça metas alcançáveis, comece com o que é possível. Tenha foco, disciplina
e objetivos bem definidos. Pequenas mudanças têm grandes impactos.
O descanso de qualidade é tão importante quando a atividade física. Durma bem.
ATENÇÃO!
Exercitar-se sem a frequência adequada, sem observar progressão de carga e sem dar
tempo do seu corpo se adaptar ao estímulo AUMENTA CONSIDERAVELMENTE o risco
para lesão.
Atenção: antes de iniciar qualquer atividade física certifique-se que não possui
nenhuma restrição. Caso esteja apresentando alguma dor ou tenha dúvidas se pode
ou não fazer uma atividade física, procure o seu NAIS.
307
d) Planejamento Financeiro: É um plano para criar um cenário favorável para se chegar
a um objetivo: adquirir um bem, realizar um sonho, se livrar de dívidas ou sair do
“vermelho”. A saúde financeira é um conceito muitas vezes utilizado para avaliar a
realidade das finanças de uma pessoa, analisando a renda total na relação com os gastos
fixos e despesas esporádicas. Ela busca verificar comportamentos e hábitos que afetam
a relação que o indivíduo desenvolve com o dinheiro. Quando essa relação se torna
pouco saudável, os impactos negativos podem ser significativos afetando outras áreas
da saúde.
IMPORTANTE!
Muitas vezes não basta conseguir dinheiro para quitar dívidas, mas sim trabalhar
para resolver a raiz dos problemas, mudando padrões de consumo e de
relacionamento com o dinheiro, de forma a manter a saúde financeira. Em
referência aos empréstimos bancários, você deve avaliar a real necessidade de
contrair a dívida, considerando os longos prazos para a quitação, os juros
excessivos e o comprometimento na sua renda.
308
Biênio 2022/2023
Ética, Doutrina e
Atualização
atividade policial. 13.
PENSE:
Quais recursos você utiliza para verificar a condição de sua saúde e seu nível
de estresse? Com qual periodicidade você estabelece estas verificações? Você é
capaz de identificar quando está estressado?
309
7 A IMPORTÂNCIA DA CONSCIENTIZAÇÃO E DO ACOLHIMENTO NAS SITUAÇÕES
DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Como forma de conscientizar e acolher o seu público interno a PMMG propôs diretrizes
que focam na promoção da saúde, com o objetivo de impulsionar, fomentar e fortalecer
a capacidade individual e coletiva para aumentar e salvaguardar a saúde e o bem-estar
dos militares, sejam estes autores ou vítimas de violência doméstica.
Para tanto, um fluxo de atendimento a vítimas e autores de violência doméstica foi
desenvolvido para o acolhimento, o diagnóstico e o tratamento dos casos envolvendo
policiais militares. Salienta-se que os profissionais de saúde da Instituição estão
capacitados e preparados para o acolhimento e encaminhamentos necessários para o
tratamento dos casos de forma prioritária. (MINAS GERAIS, 2020).
IMPORTANTE
Ao primeiro sinal de instabilidade, seja ela qual for, que venha a prejudicar a
relação familiar, procure os profissionais de saúde de sua unidade.
310
Biênio 2022/2023
8 SAÚDE SOCIOASSISTENCIAL
Ética, Doutrina e
Atualização
meio de palestras aos militares nos cursos de ingresso e formação da PMMG; vítimas de 13.
intempéries naturais e sinistros; veteranos em situações de violações de direito;
vulnerabilidade econômica; de adoecimento mental; alunos do Colégio Tiradentes que
vivenciam algum tipo de vulnerabilidade social; dentre outros.
311
9 CONCLUSÃO
Caso sinta necessidade, não hesite em buscar apoio tanto nas suas redes de
relacionamento pessoal e familiar, bem como os profissionais de saúde. Psicólogos,
psiquiatras, assistentes sociais, médicos, dentistas, dentre outros, são importantes
aliados. Na instituição, contamos com uma rede de atenção à saúde preparada e
qualificada para assisti-lo, tanto na rede orgânica – HPM, CODONT, CLIPS, NAIS, SAS –
quanto na rede credenciada.
LEMBRE-SE:
O tempo bem gasto é aquele que você utiliza cuidando dos fatores que trazem
saúde e qualidade de vida. Cuidar da sua saúde é cuidar de você, de sua família e
do seu trabalho!
312
Biênio 2022/2023
10 REFERÊNCIAS
ANDRADE ER, Souza ER, Minayo MCS. Intervenção visando a autoestima e qualidade de vida
dos policiais civis do Rio de Janeiro. Ciência Saúde Coletiva 2009; 14:275-85.
BRASIL. Lei Orgânica de Assistência Social- LOAS, 1993. Brasília: Casa Civil: Subchefia para
assuntos jurídicos. Disponível em:<
[Link] Acesso em: 24set2021.
Brasília: Secretaria Nacional de Segurança Pública, 2014, Matriz curricular nacional para
ações formativas dos profissionais da área de segurança pública/ Secretaria Nacional de
Segurança Pública, coordenação:
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Instrução Nº 3.03.15/2020-CG. Regula a atuação policial
militar na prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres no
Estado de Minas Gerais. Comando Geral. Belo Horizonte, 2020.
Ética, Doutrina e
Atualização
Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social, 2014. 13.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretrizes de Assistência Social no âmbito da Polícia Militar
de Minas Gerais. Resolução nº 4307/2014. – Belo Horizonte: Diretoria de Educação Escolar e
Assistência Social, 2014. 61 p.
MINAS GERAIS. Polícia Militar de Minas Gerais. Comando-Geral PMMG. Plano Estratégico
2020-2023. - 2. ed. - Belo Horizonte: PMMG - Comando-Geral, 2021.
313
166X2007000100005&lng=en&nrm=iso> Acesso em: 27 out. 2017. doi:
[Link]
OLIVEIRA, Paloma Lago Marques de; BARDAGI, Marúcia Patta. Estresse e comprometimento
com a carreira em policiais militares. Bol. psicol, São Paulo, v. 59, n. 131, p. 153-
166, dez. [Link]ível em
<[Link]
=pt&nrm=iso>
REZENDE, FAEZA. Jornal da Manhã, Online. Organização Mundial da Saúde admite estresse
como pandemia. Uberaba, 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21set2021.
SEIDL, E. M. F., Tróccoli, B. T., & da Costa Zannon, C. M. L. (2001). Análise Fatorial de Uma
Medida de Estratégias de Enfrentamento [Factorial Analysis of a Coping Measure]. Psicologia:
Teoria e Pesquisa, 17(3), 225–234. [Link]
SILVA, E.A., & Martinez, A.S. (2005). Diferença em nível de stress em duas amostras: capital e
interior do estado de São Paulo. Estudos De Psicologia (campinas), 22, 53-61.
VIANA, Ana Luiza D’Avila; LEVCOVITZ, Eduardo. Proteção Social: introduzindo o Debate. In:
VIANA, Ana Luiza D’Avila et al. (orgs). Proteção Social Dilemas e desafios. São Paulo: Hucitec,
2005.
314
14 CADEIA DE
CUSTÓDIA DA PROVA
APRESENTAÇÃO
Por sua vez, em seu cotidiano operacional, o policial militar atende e registra inúmeros
eventos de defesa social, aplicando a vasta doutrina castrense e as mais variadas
legislações vigentes para garantir a aplicação do direito pátrio.
Nesse sentido, a ação dos policiais militares, encarregados da aplicação da lei, deve
desenvolver-se dentro dos estritos limites legais, os quais estão associados as
necessidades e aspirações da população e que asseguram a legitimidade das ações
policiais, propiciando assim, o respeito mútuo e a devida credibilidade.
316
Biênio 2022/2023
1 INTRODUÇÃO
Em outubro do ano de 2017, foi instituída uma Comissão de Juristas com a atribuição de
elaborar uma proposta legislativa de combate à criminalidade organizada, especialmente
relacionada ao combate ao tráfico de drogas e armas.
Cadeia de Custódia
maneira a assegurar a melhor eficiência à persecução penal.
da Prova
14.
Com a aprovação da Lei nº 13.964/2019, que alterou o Código de Processo Penal,
compete à Polícia Militar de Minas Gerais realizar a adequação/aprimoramento de seus
procedimentos de atuação, por meio do presente Treinamento Policial Básico.
Tendo sido realizada a introdução ao tema, estudaremos nas próximas seções, a partir do
conceito da cadeia de custódia, institutos que influenciam diretamente na persecução
penal do estado, tal como, o local de crime e sua classificação, provas e elementos
informativos, procedimentos em local de crime, etapas da cadeia de custódia e, por fim,
os procedimentos operacionais em infrações de menor potencial ofensivo.
317
2 CONCEITO DE CADEIA DE CUSTÓDIA
O Código de Processo Penal, em seu art. 158, estabelece que quando a infração penal
deixar vestígios, será indispensável a realização do exame de corpo de delito, direto ou
indireto. Sobre o exame de corpo de delito, Guilherme de Souza Nucci 1 assevera o
seguinte:
É a verificação da prova da existência do crime, feita por peritos, diretamente, ou
por intermédio de outras evidências, quando os vestígios, ainda que materiais,
desapareceram. O corpo de delito é a materialidade do crime, isto é, a prova da
sua existência. (NUCCI, 2016)
Nesse contexto, o Código de Processo Penal estabeleceu em seu art. 158-A o seguinte
conceito:
Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados
para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais
ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu
reconhecimento até o descarte. (BRASIL, 1941)
Nesse viés, é importante destacar que todo agente público que identificar/reconhecer um
elemento como de potencial interesse para a produção de prova pericial fica responsável
por sua preservação, conforme sedimentado no art. 158-A, §2º do CPP.
A disposição legal afeta diretamente a atividade exercida pelo policial militar, que na
grande maioria dos registros de eventos de defesa social, constitui o primeiro agente
público do Estado a comparecer ao local onde ocorreu uma infração penal.
1
Nucci, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. 15. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de
Janeiro: Forense,2016
318
Biênio 2022/2023
Dessa forma, a cadeia de custódia se inicia por meio da preservação do local de crime ou
com os procedimentos policiais/periciais realizados nesse ambiente, nos quais seja
detectada a existência de vestígio, cujo instituto possui várias etapas que se desdobram
até a fase final através do descarte do vestígio.
3 LOCAL DO CRIME
É o espaço onde tenha ocorrido um ato que, presumidamente, configure uma infração
penal e que exija as providências legais por parte da polícia. Compreende, além do ponto
onde foi constatado o fato, todos os lugares em que, aparentemente, os atos materiais,
preliminares ou posteriores à consumação do delito, tenham sido praticados.
Cadeia de Custódia
a) Consoante à natureza:
da Prova
14.
Trata-se de sua classificação em relação ao delito analisado, podendo ser de homicídio,
infanticídio, suicídio, atropelamento, incêndio, afogamento, furto, roubo, arrombamento,
dentre outros.
319
local mediato: são as adjacências; os pontos e áreas de acesso ao local do crime.
Ex.: corredores, ambientes ao redor de cômodos, jardins, estradas, trilhas, dentre
outros;
locais relacionados: são as áreas que podem apresentar conexão com o fato
criminoso e, por isso, oferecer pontos comuns de contato (vestígios) a serem
observados.
c) Consoante ao exame
local idôneo: é aquele que não foi violado, que não sofreu nenhuma alteração
desde a ocorrência do fato.
Art. 169 – Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das
coisas até a chegada dos Peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias,
desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo Único: Os Peritos registrarão no Laudo, as alterações do estado das
coisas e discutirão no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica
dos fatos. (BRASIL, 1941)
320
Biênio 2022/2023
local inidôneo: é aquele que foi violado, que sofreu alguma alteração após a
ocorrência dos fatos delituosos.
Imediato
Suicídio
Externo Mediato
Homicídio Outros Idôneo Inidôneo
Quanto
Quanto a ao Quanto
Natureza Exame Interno ao lugar Relacionados
do fato
A palavra prova só pode ser usada para se referir aos elementos de convicção
produzidos, em regra, no curso do processo judicial, e, por conseguinte, com a
necessária participação dialética das partes, sob o manto do contraditório (ainda
que diferido) e da ampla defesa.
(...)
Cadeia de Custódia
Por outro lado, elementos de informação são aqueles colhidos na fase
da Prova
investigatória, sem a necessária participação dialética das partes. 14.
(...)
Não obstante, tais elementos informativos são de vital importância para a
persecução penal, pois podem subsidiar a decretação de medidas cautelares pelo
magistrado, bem como auxiliar na formação da opinio delicti do órgão da
acusação. (LIMA, 2016, p.1824)
2
Lima, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único – 4. ed. rev., ampl. e atual. –
Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. 1.824 p.
321
Sendo assim, é importante observar que a atuação do policial militar é imprescindível
para garantir a integridade das provas e elementos informativos decorrentes do
cometimento de uma infração penal.
a) Prova objetiva: tem por base os vestígios encontrados nos locais de crime, que são
interpretados pelos peritos, por meio dos exames. Exemplo: laudo pericial.
Por esse registro, a equipe de Polícia Judiciária extrairá as primeiras informações do fato
criminoso, formando as primeiras imagens e abstraindo as primeiras ideias que
subsidiarão uma linha de ação. É de suma importância que os primeiros policiais militares
que chegarem ao local do crime descrevam o cenário (vítima, instrumentos, vestígios,
testemunhas), da forma mais autêntica e detalhada possível, para que esses elementos
não se percam com tempo.
322
Biênio 2022/2023
Diante das elementares previstas no art. 158-C do CPP, vide destaque acima, quando for
praticado um crime em que as circunstâncias deixaram vestígios, o Policial Militar deverá
acionar a perícia técnica para comparecer ao local do evento e coletar as provas.
Cadeia de Custódia
tecidos, objetos de vidro, líquidos, metais, marcas de tintas, plásticos, gesso, escombros,
da Prova
concreto, argamassa, cordas, linhas, cordões, pneus e suas marcas, ferramentas e suas 14.
marcas, material tóxico, veículos, fios, cabos, madeira, dentre outros.
323
5 PROCEDIMENTOS NO LOCAL DE CRIME
Art. 158-C, §2º: É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de
quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito
responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. (BRASIL,
1941)
Por sua vez, a proteção consiste em impedir que se altere o estado das coisas, visando à
inalterabilidade das provas.
A preservação do local do crime deverá ser realizada por meio do isolamento e proteção,
de forma efetiva, para que as pessoas não tenham acesso a ele, evitando-se que
vestígios/provas sejam modificados ou destruídos, antes de seu reconhecimento. Em
princípio, tudo que estiver no local é importante.
3
Conforme disposto no art. 6º do Código de Processo Penal.
324
Biênio 2022/2023
Cadeia de Custódia
observar todas as imediações para definir os limites de isolamento, podendo
abranger trechos de ruas, ou quarteirões (quadras) e estabelecimentos comerciais que
da Prova
14.
tenham relação direta com o crime;
325
isolar a área, onde se deu os acontecimentos, usando fitas zebradas. Na ausência
desse material, poderão ser utilizados materiais alternativos, como arames, cavaletes,
cones, cordas, cabos de aço ou outros meios disponíveis, sendo que ninguém poderá
se deslocar dentro da área isolada, antes do trabalho periciais;
afastar as pessoas, sinalizar, desviar e controlar o trânsito de veículos e de pedestres;
fazer anotações e croquis para facilitar a redação do texto do Boletim de Ocorrência
(BO/REDS), assim como tirar fotografias e vídeos do local do crime para anexar ao
registro do evento;
arrolar testemunhas do delito;
preservar armas ou outros instrumentos vinculados ao crime;
impedir que a posição dos objetos ou de coisas sejam modificadas. Tratando-se de
locais fechados, manter portas, janelas, mobiliários, eletrodomésticos, utensílios, tais
como foram encontrados. Deve-se evitar, por exemplo, abrir ou fechar, ligar ou desligar
quaisquer objetos; usar aparelhos de telefonia (fixa ou móvel), sanitários ou lavatórios,
e demais recursos disponíveis no local), salvo o estritamente necessário para conter
riscos;
posicionar-se fora do perímetro imediato;
prosseguir com a vigilância, preservando os vestígios até a chegada dos peritos
criminais;
transmitir as informações já obtidas à equipe de Polícia Judiciária ou a quem for
pertinente, procurando interagir com os diversos órgãos que compõem o Sistema de
Defesa Social;
em caso de suspeita de alteração do local de crime, identificar o(s) possível(eis)
causador(es), registrar tal situação no BO/REDS e avisar aos peritos que comparecerem
ao local;
acompanhar os trabalhos dos peritos, anotando e conferindo o material apreendido,
visando constar todos os dados no Boletim de Ocorrência (BO/REDS);
avisar ao responsável pelo exame pericial sobre possíveis vestígios deixados por
terceiros que adentraram ao local de crime (por necessidade ou equivocadamente),
para que os peritos não percam tempo analisando vestígios ilusórios.
proibir que repórteres e fotógrafos acessem o local de crime, antes da realização
dos trabalhos periciais, explicando-lhes a necessidade de manter os vestígios
preservados e que será garantida a liberdade de imprensa após resguardada a
prioridade do serviço pericial;
prestar informações à imprensa de forma objetiva sobre os fatos;
326
Biênio 2022/2023
caso a perícia não seja realizada, proceder à apreensão dos materiais encontrados,
na presença de testemunhas, relacionando-os no BO/REDS, para encaminhamento
ao delegado de polícia;
liberar o local após encerrados todos os trabalhos periciais, e na ausência da
perícia, somente após o recolhimento dos objetos;
dar atenção especial aos familiares em casos de vítimas fatais, que poderão reagir
de forma agressiva ou tentar invadir o local de crime. Esta consideração decorre
do estado emocional provocado pela perda de uma pessoa querida. Os policiais
militares deverão assisti-los de forma profissional, entendendo o momento que
estão passando.
Cadeia de Custódia
procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do
da Prova
14.
vestígio”.
327
Portanto, a cadeia de custódia pode ser entendida como o processo dinâmico e
interinstitucional, que vai desde a primeira etapa, o reconhecimento, que pode se dar por
qualquer agente público, como um perito ou por um policial, por exemplo, até o descarte,
ou seja, quando houver uma decisão de uma autoridade judiciária reconhecendo que
aquele vestígio não mais interessa ao processo e pode, portanto, ser eliminado.
6.1 RECONHECIMENTO
328
Biênio 2022/2023
6.2 ISOLAMENTO
O isolamento consiste no ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar
e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime. É
importante ressaltar que os atos do policial militar nessa etapa são muito importantes
para a garantia da manutenção da integridade do conjunto probatório.
Art. 158-C - A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por
Cadeia de Custódia
perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia,
da Prova
mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. (BRASIL, 14.
1941).
O isolamento do local de crime nos registros de eventos de defesa social atendidos pela
PMMG caberá ao policial militar, sendo que a coleta dos vestígios, após o seu
reconhecimento, será realizada, preferencialmente, pelo perito criminal. Em situações em
que a perícia técnica científica não comparecer ao local do crime, o policial militar deverá
relatar a informação no histórico do BO/REDS, adotando as demais medidas previstas na
Diretriz Integrada de Ações e Operações (DIAO).
329
Figura 06 - Isolamento de local de crime
O policial militar deverá observar todas as imediações do local do crime para definir os
limites de isolamento. Para tanto, utilizará, preferencialmente, de fitas zebradas para
delimitar o espaço. Na ausência desse material, poderão ser utilizados arames, cavaletes,
cones, cordas, cabos de aço ou outros meios disponíveis.
6.3 FIXAÇÃO
Inicialmente, comparecendo o perito criminal no local do crime, essa etapa caberá a ele,
que descreverá em seu laudo as circunstâncias dos vestígios identificados/reconhecidos.
O policial militar lavrará o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas na DIAO e
constará no histórico o comparecimento da perícia técnica no local do crime.
Nessa etapa, não tendo comparecido a perícia técnica no local de crime, o policial militar
terá a oportunidade de tirar fotografias e gravar vídeos, que serão anexados ao REDS/BO,
além de descrever as circunstâncias dos vestígios identificados/reconhecidos no histórico
do registro em conformidade com a DIAO.
330
Biênio 2022/2023
6.4 COLETA
A coleta consiste no ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial,
respeitando suas características e natureza.
Nessa etapa, o policial militar não deverá se esquecer que “a coleta dos vestígios deverá
ser realizada preferencialmente por perito oficial”, conforme previsto no art. 158-C do
CPP.
Ressalta-se mais uma vez que, inicialmente, comparecendo o perito criminal no local do
crime, essa etapa caberá a ele, que descreverá em seu laudo as características e a natureza
do vestígio. O policial militar lavrará o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas na
DIAO e constará no histórico o comparecimento da perícia técnica no local do crime, além
de anotar e conferir o material apreendido pelo perito.
Em situação em que a perícia técnica não comparecer ao local do crime, o policial militar
adotará as providências previstas na DIAO, além daquelas contidas no art. 6º, Incisos II e
III do CPP:
Cadeia de Custódia
da Prova
14.
331
6.5 ACONDICIONAMENTO
Tendo sido realizada a coleta da prova/vestígio pelo policial militar, é necessário que o
material seja acondicionado em uma embalagem capaz de garantir a sua integridade.
Essa etapa da cadeia de custódia da prova é de suma importância para a preservação das
características do material. Para tanto, o policial militar deverá atentar para os seguintes
detalhes:
a) O recipiente/invólucro que irá acondicionar o vestígio/prova deve ser determinado
pela natureza do material.
b) Todos os vestígios/provas devem ser selados com lacres, com numeração
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio
durante o transporte.
c) O recipiente/invólucro deve preservar as características do vestígio/prova, de sorte
que impeça qualquer contaminação e vazamento.
d) O recipiente/invólucro deve possuir grau de resistência e espaço adequado para
registro de informações sobre seu conteúdo.
Por fim, o policial militar deverá preencher o formulário da cadeia de custódia da prova,
demonstrado a seguir, consignando as seguintes informações:
332
Biênio 2022/2023
Cadeia de Custódia
da Prova
14.
333
6.6 TRANSPORTE
334
Biênio 2022/2023
Cadeia de Custódia
da Prova
O policial militar poderá proceder ao registro da tramitação do vestígio/prova através dos 14.
próprios formulários do REDS/BO, contudo, é imprescindível proceder a devida
associação ao REDS/BO registrado inicialmente.
6.7 RECEBIMENTO
335
O recebimento da prova/vestígio se dará no local estabelecido no REDS/BO, em
conformidade com as diretrizes estabelecidas na DIAO.
ATENÇÃO! Nas infrações penais comuns essa etapa será realizada pela Delegacia
de Polícia Civil/Federal, com os devidos registros no REDS/BO e definidos pela DIAO.
Nas infrações de menor potencial ofensivo (TCO), registradas pela PMMG, essa
fase será realizada pela Central de Registro de Eventos de Defesa Social - Termo
Circunstanciado (CREDS-TC), previstos nas Unidades da PMMG e regido por
legislação específica.
6.8 PROCESSAMENTO
IMPORTANTE! Essa etapa será exercida pela perícia técnica científica, a qual
aplicará a metodologia/técnica adequada para análise do vestígio, de acordo com
as prescrições legais.
6.9 ARMAZENAMENTO
ATENÇÃO! Nas infrações penais comuns essa etapa será realizada pelo Instituto de
Criminalística, cuja destinação caberá à Polícia Civil/Federal, nos termos do CPP.
Nas infrações de menor potencial ofensivo (TCO), registradas pela PMMG, essa
fase será realizada pela Central de Registro de Eventos de Defesa Social - Termo
Circunstanciado (CREDS-TC), previstos nas Unidades da PMMG e regido por legislação
específica.
336
Biênio 2022/2023
6.10 DESCARTE
Cadeia de Custódia
PMMG atua em praticamente todas as etapas da cadeia de custódia da prova. Por isso, a
da Prova
14.
observância de suas regras é de suma importância para garantir a integridade do
conjunto probatório.
Vale ressaltar que, no calor dos fatos, ainda que sejam claros e inequívocos os motivos
que embasaram uma prisão em flagrante, o autor do crime poderá não ser condenado
caso haja dúvidas em relação à sua autoria, cujas imprecisões podem ser provocadas
justamente pela contaminação dos vestígios decorrente do descumprimento das regras
da cadeia de custódia.
337
Esquema 1: Atuação da PMMG nas etapas da cadeia de custódia da prova em INFRAÇÕES
PENAIS COMUNS
Reconhecimento
Isolamento Comparecendo a perícia técnica científica no local
do crime, as etapas da fixação, coleta,
Fixação
acondicionamento e transporte da prova ficará a
Coleta cargo do órgão específico, cabendo ao policial militar
Acondicionamento lavrar o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas
Transporte na DIAO e constar no histórico o comparecimento da
perícia técnica no local do crime, além de anotar e
conferir o material apreendido pelo perito.
Esquema 2: Atuação da PMMG nas etapas da cadeia de custódia da prova em INFRAÇÕES PENAIS
DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO
Reconhecimento
Nos eventos de defesa social relacionados as
Isolamento
infrações penais de menor potencial ofensivo,
Fixação
Coleta registrados pela PMMG, todas as etapas, à
Acondicionamento exceção do “Processamento”, serão
Transporte realizadas pelos integrantes da Instituição,
Recebimento conforme preconizado na legislação específica
Processamento que rege o tema.
Armazenamento
Descarte
IMPORTANTE: A etapa do
processamento será de
responsabilidade da perícia técnica
científica, nos termos do CPP.
338
Biênio 2022/2023
Nesses casos, como já sabido, o policial militar irá realizar o atendimento e lavrar o Termo
Circunstanciado de Ocorrência, em obediência à legislação em vigor, situação em que
adotará as providências legais e cabíveis para o cumprimento das etapas da cadeia de
custódia da prova demonstradas no Esquema 2 do presente manual.
Por outro lado, nos crimes comuns, em que a pena cominada supera 2 anos, a providência
a ser adotada consiste no registro, prisão e condução do autor do fato à presença de
delegado, em conformidade com as diretrizes estabelecidas na DIAO e demonstrada no
Esquema 1 deste manual.
Nesse sentido, o procedimento a ser adotado pelo policial militar responsável pelo
atendimento da ocorrência e registro do REDS será o seguinte:
II. identificar a infração penal como sendo de menor potencial ofensivo, cientificando,
Cadeia de Custódia
preliminarmente, o CPU/CPCia, onde houver, e COPOM/SOU/SOF ou
da Prova
correspondente; 14.
IV. verificar se há algum material de potencial interesse para apuração do fato (vestígio)
e suas circunstâncias no local da ocorrência e, em caso afirmativo, providenciar o
seu isolamento e acionar a perícia técnica científica;
V. a coleta dos materiais deverá ser realizada, preferencialmente, por perito oficial, que
dará o encaminhamento necessário;
339
VI. não sendo o caso de realização de perícia no local do crime ou não comparecendo
o perito, coletar, acondicionar e transportar, até o local de armazenamento da
Unidade de Execução Operacional (UEOp)/Fração PM, eventual material que tenha
relação com o fato ou que deverá ser submetido a futura análise pericial,
respeitando suas características e natureza, atentando para os procedimentos:
fotografar e/ou filmar o material reconhecido como vestígio, no local onde foi
encontrado, para fins de anexar ao REDS, em observância à etapa da “fixação”,
presente na Cadeia de Custódia;
para manusear e coletar os vestígios, sempre que possível, o policial militar deverá
utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), a exemplo de luvas de proteção,
visando preservar o vestígio no objeto e possibilitar a análise futura da perícia
técnica;
a coleta dos vestígios deverá ser realizada por policial militar integrante da equipe
responsável pelo registro da ocorrência;
340
Biênio 2022/2023
VII. esclarecer à vítima, nos casos de infrações penais de ação penal pública
condicionada à representação ou de ação penal privada, do prazo e da necessidade
de representar ou pedir providência em desfavor do autor e colher sua manifestação
em formulário próprio do REDS, histórico ou campo próprio do REDS, atentando
ainda para os procedimentos elencados;
XII. antes de finalizar o REDS, dar ciência dos fatos e providências adotadas ao
CPU/CPCia, onde houver, e COPOM/SOU/SOF ou correspondente;
Cadeia de Custódia
da Prova
XIII. preencher o formulário próprio da cadeia de custódia, definido em norma específica 14.
da Instituição; ( não seria interessante inserir esse formulário
XIV. ao final dos registros de REDS, em que as partes foram liberadas no local, entregar
a ocorrência e seus anexos impressos, enquanto não houver recurso de transmissão
eletrônica direto ao JECrim, além do material coletado, na CREDS-TC da
UEOp/Fração PM.
b) O policial militar poderá realizar o registro do REDS no local do fato, havendo meios
disponíveis para tal procedimento.
341
9. CONCLUSÃO
Foi intenção deste trabalho, demonstrar que o policial militar tem papel fundamental no
processo de cadeia de custódia da prova, uma vez que caberá a ele ações iniciais de
guarda e preservação do local do crime, provas, elementos informativos, entre outros.
Desta forma, se fez necessária a realização de adequação/aprimoramento de seus
procedimentos de atuação, por meio do presente Treinamento Policial Básico.
342
AVALIAÇÃO
15
FÍSICA MILITAR
1 INTRODUÇÃO
O serviço policial militar exige boa aptidão física, uma vez que, pela peculiaridade da
atividade, o policial caminha, corre, permanece em pé por horas, além de carregar
equipamento pesado distribuído pelo corpo nos coletes e cintos de guarnições,
obrigando-o a utilizar força física exaustivamente. Dentre as atividades desenvolvidas
pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), com o escopo de fomentar a prática regular
de atividade física, há a Avaliação Física Militar (AFM) no Treinamento Policial Básico (TPB),
oportunidade na qual o militar é avaliado quanto à manutenção de sua forma física. Esta
atividade, embora de cunho avaliativo, é importante para a melhoria da sua saúde em
geral, pois a prática sistemática de atividade física traz diversos benefícios para a saúde,
evitando doenças hipocinéticas e alterações metabólicas que podem interferir no seu
bem-estar (MATOS e LIBERALI, 2013).
É de interesse da nossa instituição que você, policial militar, tenha boa saúde e higidez
física, mas antes de tudo, é de interesse de seus familiares que você goze de boa saúde!
A manutenção do bom condicionamento físico deve ser vista como algo natural e
inerente ao militar. Neste sentido, deve-se
resguardar a cada dia a sua saúde e o bem-estar
para que estes desenvolvam satisfatoriamente
sua função de proteção à sociedade.
2 OBJETIVO DA DISCIPLINA
Para o TPB, a Avaliação Física Militar (AFM) é composta de Controle Fisiológico (CF) e
Testes de Capacitação Física (TCF). O CF é de responsabilidade da Unidade a qual pertence
o militar e será realizado dentro do Programa de Saúde Ocupacional do Policial Militar
(PSOPM). Já os TCF são as avaliações realizadas nas modalidades flexão abdominal tipo
remador, flexão estática e dinâmica na barra fixa e corrida de 2.400m, que buscam
aferir, respectivamente a força de resistência abdominal, força de resistência dos
membros superiores e resistência cardiorrespiratória.
344
Biênio 2022/2023
3.1 OBJETIVO
3.2 PROCEDIMENTOS
3.2.6 Poderá ser utilizado sinal sonoro por apito no início e fim da contagem, à critério do
avaliador, desde que os avaliados sejam previamente orientados;
345
3.2.7 O repouso entre os movimentos é permitido na posição inicial, entretanto, o objetivo
é realizar o maior número possível de execuções em sessenta segundos;
3.2.9 Os pés deverão tocar o solo durante a execução do movimento tanto na flexão,
quanto na extensão de tronco/quadril;
3.2.11 Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade.
3.3 OBSERVAÇÃO
Deverá ser utilizado local plano e um material acolchoado para execução do exercício,
sempre que possível. Será permitida apenas uma tentativa.
346
Biênio 2022/2023
4.1.1 Objetivo
4.1.2 Procedimentos
[Link] As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto
(posição pronada) e distantes a uma largura correspondente à dos ombros da avaliada;
[Link] A avaliada poderá ser auxiliada por um apoio (banco, cadeira, dentre outros) para
se posicionar na barra, até que seu queixo ultrapasse o nível da barra, para o início da
modalidade;
[Link] Após a avaliada estar em posição para iniciar a modalidade, será retirado o apoio,
momento em que será acionado o cronômetro, iniciando-se a avaliação;
[Link] A avaliada deverá utilizar força máxima, objetivando manter-se, pela força dos
membros superiores, suspensa durante o maior tempo possível, com o queixo acima do
nível da barra, sem tocá-la;
[Link] O cronômetro será travado quando a avaliada sair da posição do queixo acima do
Física Militar
Avaliação
nível da barra ou encostá-lo na barra ou, ainda, encostar os pés nos postes de 15.
sustentação;
[Link] Não será permitido o uso de acessórios pela avaliada para realizar a modalidade;
347
[Link] Será pontuado o tempo em que a avaliada conseguir manter-se com o queixo
acima do nível da barra, desde que também cumpra os demais procedimentos acima
descritos;
4.1.3 Observações
348
Biênio 2022/2023
4.2.1 Objetivo
4.2.2 Procedimentos
[Link] A barra deve ser instalada a uma altura tal que o avaliado, mantendo-se pendurado
com os cotovelos em extensão, não tenha contato dos pés com o solo;
[Link] As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto
(posição pronada) e distantes a uma largura correspondente à dos ombros do avaliado;
[Link] Após assumir a posição, o avaliado tentará elevar o corpo até que o queixo
ultrapasse o nível da barra, após o que retornará à posição inicial;
[Link] O movimento é repetido tantas vezes quanto possível, sem limite de tempo;
[Link] Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;
4.2.3 Observações
Física Militar
Avaliação
349
Os movimentos não executados completamente ou de forma incorreta, não serão
considerados, para efeito de contagem;
Não será permitido nenhum tipo de apoio ou contato com os pés, após iniciada a
modalidade;
Será admitida apenas uma tentativa.
O VO2máx é o volume máximo de oxigênio que o corpo consegue “pegar” do ar que está
dentro dos pulmões, levar até os tecidos através do sistema cardiovascular e usar na
produção de energia, numa unidade de tempo. Em outras palavras, quanto melhor o seu
VO2max, mais resistência ao esforço você terá. Exercícios como correr e atividades
relacionadas com a profissão militar como abordagem, incursão, perseguição e defesa
pessoal demonstram a importância da resistência cardiorrespiratória para melhor
desempenho da profissão.
5.1 OBJETIVO
350
Biênio 2022/2023
5.2 PROCEDIMENTOS
5.2.1 Corrida de 2.400m (dois mil e quatrocentos) metros, prova que deverá ser cumprida
no menor tempo possível;
5.2.4 Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;
5.2.5 Não será permitido ao avaliado parar ou abandonar o trajeto e/ou local de execução
da modalidade, sendo eliminado (a) caso o faça;
5.3 Observações
Cada avaliado receberá um número e cada vez que passar pela sua banca
examinadora deve expressá-lo em voz alta;
O relógio pode ser utilizado pelo avaliado, porém a marcação oficial é a da
comissão.
Física Militar
Avaliação
15.
351
6. TABELAS DE PONTUAÇÃO DO TESTE DE CAPACITAÇÃO FÍSICA DO TREINAMENTO
POLICIAL BÁSICO (TPB)
352
Biênio 2022/2023
353
Tabela 05 - FLEXÃO ABDOMINAL (MASCULINO)
IDADE / TEMPO
NOTA 31/35 36/40
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS > 41 ANOS
ANOS ANOS
10,0 51-55 46-50 41-45 36-40 34-35
9,0 46-50 41-45 36-40 34-35 32-33
8,0 41-45 36-40 34-35 32-33 30-31
7,0 36-40 34-35 32-33 30-31 28-29
6,0 34-35 32-33 30-31 28-29 26-27
5,0 32-33 30-31 28-29 26-27 24-25
4,0 30-31 28-29 26-27 24-25 22-23
3,0 28-29 26-27 24-25 22-23 20-21
2,0 26-27 24-25 22-23 20-21 18-19
1,0 25 22-23 20-21 18-19 16-17
354
Biênio 2022/2023
7 CONCLUSÃO
É nesta perspectiva que a atividade física, vem para promover uma melhor qualidade de
vida aos integrantes da corporação. Afinal, para suportar uma jornada exaustiva de
trabalho armado e equipado, ou seja, carregando cerca de 20 quilos a mais do seu peso
normal, o policial militar necessita estar com seu preparo físico apurado, caso contrário
isso pode lhe custar a vida.
8 REFERÊNCIAS
CARVALHO, A. C. A.; LACERDA, F. B.; DE MACÊDO, M. P. Treinamento De Estabilização Central
em Atletas de Triathlon: Um Estudo Clínico. Fisioterapia & Saúde Funcional, v. 3, n. 2, p. 24-
30, 2014.
GERALDES, A. A. R. Ginástica Localizada. Teoria e Prática. RJ, 2ª edição. Editora Sprint, 1993.
MINAS GERAIS, Polícia Militar. Resolução 4.643, de 28 de dezembro de 2017 - Dispõe sobre
orientações e critérios para a realização da Avaliação Física Militar na disciplina de
Educação Física nos cursos e no Treinamento Policial Básico da Polícia Militar de Minas
Física Militar
Avaliação
355
ANEXO “A”
1. FORTALECIMENTO DO CORE
356
Biênio 2022/2023
A palavra core é utilizada de muitas maneiras no mundo fitness. Alguns acham que
o core é simplesmente a região abdominal, quando, na verdade, os abdominais
constituem apenas uma fração dos músculos do core.
A palavra core se origina do inglês e significa centro, núcleo. Em anatomia, é utilizada
para se referir aos músculos profundos das regiões abdominal, lombar e pélvica, que têm
Física Militar
Avaliação
357
ANEXO “B”
O teste tem por objetivo avaliar a força/resistência dos músculos dos membros superiores
e da cintura escapular com o corpo em suspensão em uma barra fixa por meio do
movimento de flexão e extensão dos cotovelos. Os principais músculos (músculos
primários) envolvidos no movimento são: latíssimo do dorso, redondo maior e
romboides. A musculatura secundária utilizada no exercício envolve bíceps braquial e
peitoral maior.
A) Elástico
358
Biênio 2022/2023
O elástico também pode ser utilizado como meio auxiliar de treinamento da barra fixa
feminina. Basta a militar ajustar o elástico para que auxilie na contração isométrica,
funcionando como um leve.
B) Aparelho graviton
Física Militar
Avaliação
15.
359
C) Leve
D) Inversão da pegada
360
Biênio 2022/2023
Figura 05 - Pulley
Uma boa sugestão de treino para fortalecimento das costas, ombros e membros
superiores é iniciar uma sessão de treino pelos exercícios mais específicos que envolvam
músculos maiores como o pulley costas e passar para músculos menores e menos
específicos como deltóides até chegar nos exercícios de bíceps. Ex: Pulley Costas (ou
mesmo o graviton), Remada Baixa, Desenvolvimento de Ombro, Elevação Lateral,
Encolhimento, Rosca Scoth e Rosca alternada realizados na sequência são exercícios com
relativa simplicidade a serem realizados em um salão de musculação.
se sempre o treino de barra fixa (masculino ou feminino) em sua essência, sem a utilização 15.
de nenhum recurso, com periodicidade, ainda que os demais treinos se mantenham em
evolução.
361
ANEXO “C”
Após esse período, uma vez por semana é introduzido ao treinamento base o
Treinamento limiar, que melhora o desempenho do corredor favorecendo o
desenvolvimento do sistema cardiotorácico, aumentando a adaptação do aparelho
locomotor por meio de contrações musculares mais rápidas e potencializando a resposta
neurológica do corpo a estímulos (corrida em ritmos mais rápidos). Sugere-se corridas a
70% do VO2Máx ou 70 a 75% da Frequência Cardíaca Máxima.
362
Biênio 2022/2023
Física Militar
Avaliação
15.
363
INSTRUMENTOS DE MENOR
16 POTENCIAL OFENSIVO (IMPO)
ESPARGIDORES E PEIE
APRESENTAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
Ressalta-se que os policiais da PMMG já passaram por treinamentos para operar tais
equipamentos em biênios anteriores do Treinamento Policial Básico. Da mesma forma, a
matéria de IMPO se faz presente na grade curricular dos diversos cursos de formação,
capacitação e especialização na Instituição. Não obstante à existência de tais
treinamentos, a Instituição busca, por meio da capacitação continuada, massificar o
conhecimento e preparar o policial para portar-se de forma alinhada aos princípios
norteadores da corporação, em especial na proteção e promoção dos direitos e garantias
fundamentais.
Não é tarefa fácil imaginar todas as situações em que um policial militar poderá empregar
um IMPO em uma intervenção policial. Por isso, o treinamento e a capacitação que
privilegiem o aprimoramento do uso das técnicas e táticas policiais adequadas em
situações reais, em decorrência da avaliação do policial militar, é a via preferencial para
condicioná-lo a uma análise rápida e efetiva sobre quando e como utilizar os
instrumentos de menor potencial ofensivo.
366
Biênio 2022/2023
A força no âmbito policial é definida como sendo o meio pelo qual a Polícia controla uma
situação que ameaça a ordem pública, o cumprimento da lei, a integridade ou a vida das
pessoas. Sua utilização deve ser norteada pelo cumprimento da lei, pela preservação da
vida e da integridade física das pessoas, além da observância dos princípios relacionados
à legalidade, necessidade e proporcionalidade (MINAS GERAIS, 2020).
c) Proporcionalidade - O nível de força utilizado pelo policial militar deve ser compatível,
adequado e aceitável, ao mesmo tempo, com a gravidade da ameaça, representada pela
ação do infrator e com o objetivo legal pretendido.
O MTP 3.04.01/2020 – CG define de forma clara e objetiva a diferença entre “Uso da Força
e Violência”;
Ademais, o uso da força pelo policial militar se trata de um processo dinâmico, no qual o
nível de força pode aumentar ou diminuir, a depender das circunstâncias de uma
determinada intervenção policial. Este dinamismo é denominado “Uso Diferenciado da
Força” (MINAS GERAIS, 2020)
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
367
A figura a seguir representa visualmente a proposta do uso diferenciado de força adotado
pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), na qual, do lado esquerdo, tem-se a
percepção do policial militar em relação à atitude do abordado e, do lado direito,
encontram-se os possíveis níveis diferenciados de resposta.
Para aplicação do Uso Diferenciado da Força, o policial militar deverá observar os níveis
de força em cada situação, sendo divididos em:
368
Biênio 2022/2023
Neste nível, o policial militar recorrerá aos instrumentos disponíveis, tais como:
bastão tonfa, gás/agentes químicos, algemas, elastômeros (munições de impacto
controlado), armas de impulso elétrico, emprego de cães, entre outros, com o fim
de anular ou controlar o nível de resistência (MINAS GERAIS, 2020, p.60).
Embora não seja possível listar as intervenções em que os IMPO possam ser empregados,
o Manual técnico-Profissional nº 3.04.012/2013 descreve situações em que o uso dos
equipamentos pode ser uma importante opção para preservação da vida e minimização
dos danos à integridade física das pessoas:
(...)
dispersar multidões em manifestações públicas ilegais e legais;
controlar, dominar e conter infratores ou suspeitos que invistam contra o militar
Instrumentos de Menor
na tentativa de agredi-lo;
Potencial Ofensivo
369
para isolar áreas que devam ser retomadas ou ocupadas por forças policiais, em
razão da vulnerabilidade do ponto, por questões estratégicas, ou em cumprimento
às determinações judiciais;
outras circunstâncias em que, após avaliação e classificação dos riscos para o caso
concreto, seja considerada, pelo comandante da ação ou operação policial, a melhor
opção de emprego, analisada a segurança dos policiais e demais pessoas envolvidas
(MINAS GERAIS, 2013, p. 24).
3 ASPECTOS LEGAIS
Além das normas que tratam sobre a regulamentação do uso da força por parte das
instituições de segurança, existem legislações e dispositivos específicos que normatizam
o emprego dos instrumentos de menor potencial ofensivo.
Dentre tais normas, destaca-se a Lei nº 13.060, de 24 de agosto de 2014, que disciplina o
uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública
em todo o território nacional (BRASIL, 2014).
A referida norma preconiza que os órgãos de segurança pública do país deverão priorizar
a utilização dos instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que o seu uso não
coloque em risco a integridade física ou psíquica dos policiais (BRASIL, 2014).
Ainda no que diz respeito ao uso de IMPO, a Portaria Ministerial que trata do assunto
prevê que os agentes de segurança deverão preencher um relatório individual do uso da
370
Biênio 2022/2023
força sempre que fizerem uso de instrumentos de menor potencial ofensivo que ocasione
algum tipo de lesão ou morte.
As diretrizes para utilização dos IMPO por parte da Polícia Militar de Minas Gerais se
encontram, principalmente, no Manual Técnico nº 3.04.012/2013.
a) Lesão Corporal;
b) Homicídio;
c) Tortura;
d) Abuso de Autoridade.
3.2 REGISTROS
371
4. HABILITAÇÃO PARA EMPREGO DOS ESPARGIDORES E PISTOLAS DE EMISSÃO DE
IMPULSOS ELÉTRICOS (PEIE)
4.1 ESPARGIDORES
372
Biênio 2022/2023
Para emprego dos diversos modelos de IMPO, é importante que o policial saiba identificar
os três níveis de contaminação, uma vez que cada nível afetará o indivíduo de maneira
diferente.
Níveis de contaminação:
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
373
Em ocorrências com emprego de agentes químicos, os policiais poderão entrar
em contato Nível 1 (contato físico diretamente com o agente químico). Sendo
assim, é de suma importância que conheçam os efeitos dos agentes, e possam
manter o controle em situações de contaminação, não comprometendo a
segurança do grupo e demais pessoas envolvidas .
374
Biênio 2022/2023
A utilização sem observação das distâncias mínimas de emprego para cada tipo
de espargidor poderá causar lesões graves as pessoas, dentre elas:
- Descolamento de retina;
- Cegueira;
- Queimaduras na pele.
De acordo com o seu tamanho, os espargidores são classificados como “Mini” ou “Max”,
nomenclaturas comumente utilizadas na instituição pelos militares com formação em
cursos de CHOQUE. Para tal classificação, deve ser observado o peso líquido do agente
químico, descrito pelo fornecedor no corpo do espargidor, conforme a seguinte regra:
16.
375
O quadro abaixo descreve as distâncias mínimas que deverão ser observadas entre o
dispensador dos espargidores e as pessoas ou objetos que serão atingidos:
376
Biênio 2022/2023
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
16.
377
4.1.3 Descontaminação
Os espargidores disponíveis para uso na Instituição são das marcas RJC e CONDOR. A
aquisição é realizada exclusivamente por licitação. No processo licitatório são realizados
rigorosos testes com a finalidade de assegurar a aquisição de produtos de qualidade.
A Fornecedora RJC apresentou nos diversos editais publicados pela PMMG os modelos
[Link]/OC com suas 04 variações, disponibilizados apenas na forma líquida pressurizada.
A RJC até o biênio 2022/2023 não participou de licitações com espargidores na forma
espuma ou gel:
378
Biênio 2022/2023
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
16.
379
4.2 PISTOLAS DE EMISSÃO DE IMPULSOS ELÉTRICOS (PEIE)
Funcionam pela emissão de impulsos elétricos em forma de ondas, que atuam sobre o
sistema neuromuscular, com o mesmo formato das ondas cerebrais. Essa intervenção
provoca imediata paralisação e queda da pessoa atingida pelos dardos energizados,
incapacitando-a momentaneamente, enquanto estiver sob a ação do dispositivo elétrico.
No que tange ao uso diferenciado da força, da mesma forma que os demais IMPO, o
operador da PEIE deverá observar o nível de força a ser empregada, levando-se em
consideração a agressão imposta pelo agressor.
Nesse sentido, o conhecimento dos aspectos legais e normativos para emprego das PEIE
permitirá ao policial militar visualizar o amparo legal para utilização do equipamento, bem
como as consequências jurídicas de uma possível utilização indevida.
380
Biênio 2022/2023
A PEIE deve ser empregada nas mesmas situações em que se enquadram os demais IMPO
previsto no modelo de Uso Diferenciado da Força (MTP 01). Sua utilização se resume ao
objetivo de incapacitar momentaneamente o agressor, criando uma janela de
oportunidade para uma imobilização definitiva.
A PEIE não tem como objetivo causar dor ao indivíduo, sendo a incapacitação
neuromuscular o resultado pretendido, com a consequente anulação do controle
muscular voluntário. Tal incapacitação é determinada por estímulos elétricos de curta
duração e baixa energia (alta voltagem e baixa amperagem) que atuam no sistema
neuromuscular.
fogo.
Por se tratar de um equipamento eletroeletrônico, deve-se evitar que seja molhado,
que sofra quedas ou receba algum impacto.
A arma deverá ser limpa com pano úmido em uma mistura de água e detergente
neutro, se necessário. Não deve ser exposta a solventes ou produtos de limpeza de
APÓS O
TURNO
Instrumentos de Menor
381
Para efetuar o teste de centelha o operador deve adotar os seguintes procedimentos:
1. Pegue a arma na intendência;
2. Verifique se a arma está sem cartucho e travada (segura);
3. Coloque ou verifique se as pilhas/bateria estão inseridas na arma;
4. Conduza a arma até a altura dos olhos, a uma distância segura, e destrave a arma;
5. Acione o gatilho e retire o dedo do gatilho;
a. Observe a intensidade e frequência produzida pela centelha;
b. Espere o ciclo completo findar;
c. Trave a arma;
d. A arma estará em condições para uso se durante o teste apresentar intensidade
forte e frequência alta. Caso esteja em condições, insira o cartucho;
6. Se após o teste a PEIE não apresentar intensidade forte e frequência alta, verifique
a condição da pilha/bateria (se está colocada corretamente) e faça novo teste;
7. Se persistir sem funcionar troque as pilhas/bateria ou recarregue.
382
Biênio 2022/2023
A empresa CONDOR, fornecedora dos diversos modelos SPARK, recomenda que as partes
do corpo como cabeça, pescoço, virilha, seios, garganta e coluna cervical, sejam evitadas,
sugerindo os seguintes pontos de aplicação:
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
16.
383
Observação: para efetividade do disparo e incapacitação da pessoa atingida, os
dardos devem penetrar na pele do indivíduo ou chegar a uma distância inferior a
2,5 cm do corpo. O policial responsável pela algemação poderá tocar o indivíduo,
porém não poderá tocar entre os dardos ou em um dos dardos durante o período
de funcionamento destas armas, pois poderá ser atingido pelos impulsos elétricos.
Os dardos não podem ser retirados pelos policiais militares que realizaram a intervenção.
Diante dessa situação há a necessidade de encaminhamento para atendimento médico
para a retirada dos dardos, após cortar os fios, conforme preconiza o art. 6º da Lei
13.060/14.
Art. 6º - Sempre que do uso da força praticada pelos agentes de segurança pública
decorrer ferimentos em pessoas, deverá ser assegurada a imediata prestação de
assistência e socorro médico aos feridos, bem como a comunicação do ocorrido à
família ou à pessoa por eles indicada (BRASIL,2014).
384
Biênio 2022/2023
A PEIE deverá ser utilizada como arma de contato nas situações em que apenas um dardo
penetrar na pele do indivíduo. Nesse caso, é necessário que se faça o contato da arma
com o corpo do suspeito para que se forme o arco voltaico e a consequente incapacitação
neuromuscular.
Também deverá ser utilizada como arma de contato quando a distância entre o policial e
o agressor for insuficiente para o uso dos dardos.
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
16.
385
4.2.4 Situações de risco inerentes ao uso das PEIE
386
Biênio 2022/2023
Os primeiros modelos adquiridos pela PMMG foram os modelos TASER M26 e SPARK
DSK700, os quais apresentam diferenças a serem destacadas.
Emite os impulsos
Acionar o gatilho e Emite ciclo padrão de 5
elétricos até que o
permanecer pressionando. segundos.
gatilho seja liberado.
Acionar o gatilho,
Emite os impulsos Emite os impulsos
liberando antes de 5
elétricos até que a arma elétricos até que a arma
segundos e, em seguida,
seja travada (desligada). seja travada (desligada).
travar (desligar) a arma.
Acionar o gatilho e
permanecer pressionando Emite os impulsos
Instrumentos de Menor
387
a) Travas de segurança (chave liga-desliga)
388
Biênio 2022/2023
c) Mostradores
e) Alimentação
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo
389
Figura 15 - Alimentação TASER E SPARK
f) SPARK Z 2.0
O modelo mais recente de PEIE adquirido pela PMMG corresponde à SPARK Z - 2.0.
390
Biênio 2022/2023
16.
391
Bateria de Lítio Blindada com as seguintes características:
392
Biênio 2022/2023
4.2.6 Cartuchos
Com relação à Taser, existem tipos de cartuchos, que se diferenciam em razão da distância
e das cores constante em cada um deles. O cartucho amarelo corresponde à distância de
4,5 m; o cartucho cinza corresponde a 6,4m; o cartucho verde corresponde a 7,6 m e o
cartucho laranja corresponde a 10,6 m. O cartucho azul é utilizado para treinamento e
possui a distância de 6,4 m.
Todos os cartuchos da Taser podem ser encaixados na arma de ambos os lados, exceto o
cartucho laranja, que deve sempre ser encaixado com a seta indicativa voltada para cima.
Seta indicativa
anteriormente eram da cor verde, a partir de 2016 foram modificados para a cor azul, com
Potencial Ofensivo
393
Figura 21 - Cartuchos Spark
394
Biênio 2022/2023
4.2.7 Auditoria
Para identificação dos disparos realizados com a TASER, após acionamento do gatilho,
são arremessados, junto com os dardos, confetes, que possuem a identificação dos
cartuchos pela numeração de série. Nas PEIE fabricadas pela CONDOR a identificação dos
cartuchos é realizada através do chip de rastreabilidade.
5. CONCLUSÃO
Tomar a decisão de atirar, nas hipóteses em que sua vida está em risco é tarefa instintiva
afeta ao humano, trata-se de reflexo de sobrevivência. Entretanto, o ato de atirar diante
de outras circunstâncias, que possam vir a colocar em risco a vida ou integridade física
do policial ou de terceiros, requer uma ponderação e reflexão maiores e, muitas vezes, o
Instrumentos de Menor
agente não dispõe do tempo necessário para essas meditações. Ele tem que decidir - atira
Potencial Ofensivo
Entende-se que esse ato tem de ser refletido, pensado, imaginado e convicto e para que
tal condição ocorra, se faz mister que o agente esteja empoderado pelo conhecimento
395
de tal forma que, mesmo dispondo, às vezes, de frações de segundo para tomar a decisão,
já estejam imbricadas em seu íntimo as consequências da conduta.
6. REFERÊNCIAS
396
O policial militar desempenha um papel crucial no reconhecimento e preservação de vestígios, atuando como a primeira barreira na cadeia de custódia. Ao identificar vestígios relevantes, ele assegura a preservação e previne alterações até a chegada da perícia técnica. Isso garante a integridade da prova e a eficácia da persecução penal .
O APH Tático é realizado em contextos de alto risco ou confrontos, focando na estabilização rápida e evacuação segura da vítima. Diverge do APH civil, que ocorre em situações do cotidiano, como acidentes. No APH Tático, o foco é estabilizar feridos em ambientes hostis, enquanto no civil a prioridade é a manutenção da vida até a chegada de atendimento especializado .
Durante uma blitz policial, a comunicação operacional é mantida por meio de redes de rádio entre o PM Comandante, o COPOM e o coordenador do policiamento da área. A equipe deve escutar continuamente para receber informações cruciais, como desobediência ou tentativas de fuga, garantindo que medidas de proteção sejam adotadas rapidamente. Essa comunicação é vital para a segurança dos policiais e para a coordenação eficaz da operação .
Durante uma abordagem veicular, cada policial possui funções específicas para garantir a segurança e eficiência da operação. O PM Comandante coordena a operação, o PM Verbalizador comunica-se com os ocupantes do veículo, o PM Vistoriador inspeciona documentos e vistoria o veículo, o PM Revistador realiza buscas pessoais, e o PM Segurança garante a proteção da equipe . As funções de segurança são incompatíveis com outras ações, como revistar ou vistoriar .
A busca veicular é realizada quando há suspeita justificada e visa encontrar elementos ilícitos. O condutor e passageiros devem aguardar sobre a calçada, enquanto o PM Revistador executa a busca, e o PM Segurança monitora o comportamento dos ocupantes. Este procedimento aumenta a segurança dos policiais e minimiza o risco de fuga ou reação adversa .
Para prevenir hipotermia no APH tático, é importante manter a vítima seca e isolada do solo frio, utilizar cobertores aluminizados e bolsas de calor, e assegurar que o ambiente esteja adequadamente aquecido para a vítima, pois o conforto do socorrista pode não refletir a necessidade da vítima .
A ética e o bem-estar psicológico são integrados através de disciplinas específicas e programas como o PSOPM, que monitoram a saúde física, mental e social dos policiais. Esses elementos são fundamentais para lidar com o estresse e violência, promovendo a resiliência e eficácia no serviço .
A Polícia Militar de Minas Gerais aborda o APH Tático como essencial para operações de alto risco, estabelecendo diretrizes para ações imediatas de socorro em ambientes hostis. Treinamento específico em avaliação, estabilização emergencial, e evacuação rápida são enfatizados para aumentar a sobrevivência e minimizar danos .
As dez etapas da cadeia de custódia são: reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento, e descarte. Elas são fundamentais para documentar e preservar vestígios, garantindo a integridade e rastreabilidade das evidências, vital para a confiança no processo judicial .
As técnicas de tiro tático são essenciais para preparar o policial para confrontos armados, desenvolvendo habilidades práticas como manejo de armas, recargas e soluções rápidas de panes. O treinamento integra técnicas de tiro a ações táticas e de decisão, como uso de abrigos, visando aumentar a eficácia e proteção durante intervenções .









