100% acharam este documento útil (1 voto)
712 visualizações400 páginas

Guia de Treinamento Policial 2022/2023

Este documento é um guia de treinamento policial básico para o 11o biênio de 2022/2023 da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Ele contém informações sobre os programas de treinamento de diversas áreas como abordagem a pessoas e veículos, blitz policial, defesa civil e pessoal, legislação, uso de armas de fogo e primeiros socorros. O guia também lista os responsáveis pelos conteúdos e revisores de cada módulo de treinamento.

Enviado por

Elvis Sepol
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
712 visualizações400 páginas

Guia de Treinamento Policial 2022/2023

Este documento é um guia de treinamento policial básico para o 11o biênio de 2022/2023 da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Ele contém informações sobre os programas de treinamento de diversas áreas como abordagem a pessoas e veículos, blitz policial, defesa civil e pessoal, legislação, uso de armas de fogo e primeiros socorros. O guia também lista os responsáveis pelos conteúdos e revisores de cada módulo de treinamento.

Enviado por

Elvis Sepol
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

GUIA

DE TREINAMENTO POLICIAL BÁSICO

11º BIÊNIO
2022/2023

Academia de Polícia Militar


Centro de Treinamento Policial

BELO HORIZONTE – MG
2022
Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Reprodução proibida – Circulação restrita.

COMANDANTE GERAL DA PMMG: Cel PM Rodrigo Sousa Rodrigues


CHEFE DO ESTADO-MAIOR: Cel PM Eduardo Felisberto Alves
CHEFE DO GABINETE MILITAR DO GOVERNADOR: Cel PM Osvaldo de Souza Marques
COMANDANTE DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR: Cel PM Eugenio Pascoal da Cunha Valadares
CHEFE DO CENTRO DE TREINAMENTO POLICIAL: Ten Cel PM Marcos Antônio Araújo Gonçalves

COORDENAÇÃO E REVISÃO
Cel PM QOR Cleyde da Conceição Cruz Fernandes
Cel PM QOR Ederson da Cruz Pereira
Ten Cel PM Marcos A. Araújo Gonçalves
Maj PM Welvisson Gomes Brandão
Cap PM Cristina de Morais Pereira
Cap PM Cláudio José Virgílio

PROJETO GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E CAPA


3º Sgt PM Aníbal Francisco Gonçalves Júnior

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO – CIP

M663p MINAS GERAIS. Polícia Militar. Academia de Polícia Militar. Centro de


Treinamento Policial.
Guia de treinamento policial básico: 11o. biênio 2022/2023. - Belo
Horizonte: Academia do Prado Mineiro, 2022.
396p.

1. Treinamento policial. 2. Treinamento Policial Básico - TPB. 3.


Educação policial. I. Título.

CDU 355.231

Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais –
Centro de Pesquisa e Pós-Graduação. Bibliotecária: Regina Simão Paulino – CRB-6/1154

2022

ADMINISTRAÇÃO
Academia de Polícia Militar / Centro de Treinamento Policial
Rua Diábase, 320, Prado. Belo Horizonte.
Minas Gerais. Brasil – CEP: 30.411-060
Tel: (31) 2123-9430

PUBLICAÇÃO:
Editora Academia do Prado Mineiro / Centro de Pesquisa e Pós-Graduação
Rua Diábase, 320, Prado. Belo Horizonte.
Minas Gerais. Brasil – CEP: 30.411-060 - Tel: (31) 2123-9513
CONTEUDISTAS
1. Abordagem a pessoas Cap PM Rodrigo Albuquerque Biffi
Cap PM Wilson Oliveira dos ReisJúnior
Maj PM Renato Quirino Machado Júnior Cap PM Rogério José Mol Lima
Cap PM Adenilson Brito Ferreira Cap PM Marco Túlio Resende
Cap PM Diego Martins Furtado 1º Ten PM Edgar Franca Rosa Severino
1º Ten PM Edgar Franca Rosa Severino 1º Ten PM Bruno Alves Pardini
1º Ten PM Victor Navarro dos Reis 1º Ten PM Caio Rezende Coelho
1º Ten PM Evandro Flávio Lisboa 1º Ten PM Paulo Silas dos S. Ferreira
2º Ten PM Rander Nevinton da Silva 1º Ten PM Leonardo Augusto F. S. Lemos
2º Sgt PM Wallysson Fernandes Silveira 1º Ten PM Hugo Diniz Magalhães
2º Sgt PM Anderson Soares Marques 1º Ten PM Romeu Junio de Bessa
3º Sgt PM Wadson Rodrigues Pereira 1º Ten PM Fernando de Abreu Lima
3º Sgt PM Davidson Gomes de Paiva 1º Ten PM Leonardo Bruno M. Neves
2º Ten PM Davidson Wallace Silva Leite
2. Abordagem a Veículos
Maj PM Iran Martins de Oliveira
7. Atendimento Pré-Hospitalar
Cap PM Sandro Isidoro de Abreu Cap PM Lilian Freitas A. A. Rodrigues
1º Ten PM David Alexandre Nazareth 1º Ten PM Alexandre Ribas de Carvalho
2º Ten PM Davidson Wallace Silva Leite 1º Ten PM Raquel Batista Dantas
2º Ten PM Juliano Cota Avelar 2º Sgt PM Luiz Andrey Teixeira Duarte
2º Ten PM Jefferson Cosme de Siqueira 2º Sgt PM Wagner Tardim Santos
2º Ten PM Anderson Martins de Souza Cb PM Marcelo H. Teixeira Silva
2º Sgt PM Vinícius Ribas Gonçalves Cb PM Richardson C. Ribeiro Nunes
3º Sgt PM Sérgio Cordeiro Souza Cb PM Cristóvão Roque Lopes
3º Sgt PM Cléber do Carmo Santos Cb PM Osmar Fernandes Afonso

3. Blitz Policial 8. Tecnologia Aplicada a Atividade Policial


Maj PM Paulo Alexandre Cabral Maj PM Antônio Carlos Correa Júnior
Cap PM Luiz Otávio Silvério Maj PM Denilson Antunes Vale
Cap PM Rafael Henrique de S. Pereira Cap PM Felipe Lucindo Tulli
1º Ten PM Edgar Franca Rosa Severino Cap PM Cristian Valverde Rocha
1º Ten PM Luiz Fernando Ferreira 1º Ten PM Emerson Júnior da S. Rezende
1º Ten PM Rômulo Faria 1º Sgt PM Luciano Soares Domingues
1º Ten PM Georgio Magalhães Reis 2º Sgt PM Fabrício Alves Andrade
2º Sgt PM Welber Chaves P. de Sousa 2º Sgt PM Cleiton Augusto Pereira
2º Sgt PM Tiago Tomaz de Almeida 2º Sgt PM Danísio Pereira
3º Sgt PM Antônio Pereira da Silva Neto 3º Sgt PM Wesley Passos Martins
3º Sgt PM Adenir Sávio Vieira de Souza
Cb PM Fábio Costa Barroso
9. Redação do Registro de Defesa Social
4. Defesa Civil Maj PM Jesus Cássio de Abreu Júnior
Maj PM Ricardo L. A. Gontijo Foreaux
Cel PM Gracielle Rodrigues Santos
Maj PM Fernando Alves Lima
Maj PM Eduardo Leal Silva
Cap PM Diego Paulo de O. Romualdo
Cap PM Ricardo Oliveira Macedo
Cap PM José Wilson de Assis
2º Sgt PM Eliel Geraldino da Silva
1º Ten PM Luiz H. de Moraes Firmino
1º Ten PM Everton Geraldo da Silva
5. Defesa Pessoal Policial 1º Ten PM Rafael Jannuzzi Bernardes
Maj PM Daniel Costa Prado 1º Ten PM Stéfani Cristina de Souza
Cap PM Cláudio José Virgílio 2º Ten PM Flávio Valadares Moreira
1º Ten PM Anderson Luiz Santos Gomes 1º Sgt PM Alexandro Higueiras de Souza
1º Ten PM Sandoval Moreira Pacheco 2º Sgt PM Carlos Felipe Mateus Borges
1º Ten PM Renato de Alcino Jales 3º Sgt PM Tiago Souza Rodrigues Silva
1º Ten PM Diego Kukiyama de Almeida
2º Ten PM Gelvânio Leandro Gonçalves 10. Treinamento com Arma de Fogo
2º Sgt PM Gleidson Lideir Pinto
3º Sgt PM Alexander Gomes de Lima Maj PM Yuri Tadeu de Souza Rabelo
3º Sgt PM Clarence Luiz Gonzaga Cap PM Sérgio Leal Dias
Cb PM Marcelo Pontes de S. Maciel Cap PM Rafael Gonzaga Tasca
Cap PM Alan Thiago da Silva
Cap PM Cláudio José Virgílio
6. Primeiro Interventor
Cap PM Fillipe Nata Dutra Caldeira
1º Ten PM Francisco A. Lobo Cordeiro
Maj PM Mauro Lúcio Siqueira Júnior
1º Ten PM Victor Navarro dos Reis
Maj PM Jane de O. Barreto Calixto
1º Ten PM Roberto da Cruz Miranda
Maj PM Gustavo Henrique Pereira Diniz
1º Ten PM Ricardo Antônio Ferreira
2º Sgt PM Vinícius Alves Cintra
2º Sgt PM Rodrigo Macedo REVISORES
3º Sgt PM Widima Rodrigues Pereira
3º Sgt PM Flávio Mota Mesquita 1. Abordagem a pessoas
3º Sgt PM Filipe Silva Rocha Maj PM Leonardo Andrade Lima
3º Sgt PM Lucas Cancela de Oliveira Maj PM Iran Martins de Oliveira
3º Sgt PM Alexander Gomes de Lima Cap PM Paulo Vinicius R. De Matos

2. Abordagem a Veículos
11. Legislação Jurídica Maj PM Guilherme Tiradentes Pimenta
Maj PM Reginaldo de A. Teixeira Leite Cap PM Christian Pecinalli Mardones
Cap PM Thiago Emanuel de F. Cardoso 2º Ten PM Devair Dias Lopes
1º Ten PM Stefani da Silva R. Mota
3. Blitz Policial
1º Ten PM Everton Geraldo da Silva
Cap PM José Rômulo De Assis
1º Ten PM Silas Hermann Christian Bicca 1º Ten PM Carlos A. Pereira Lobato
1º Ten PM Rodrigo R. Ferreira Alves
1º Ten PM Luiz Carlos Gontijo 4. Defesa Civil
1º Ten PM Verônica G. de Macedo Maj PM Carlos Eduardo Gomes
2º Ten PM Jovenniu Leite dos Santos Maj PM Luis Antônio e Silva
Cap PM Junior Silvano Alves
12. Imagem Institucional, Uso das Mídias Sociais e
Representatividade 5. Defesa Pessoal Policial
Cel PM QOR Carlos Alberto Sacramento
Cap PM Cristiano Luiz da Silva Araújo Maj PM Claudio Antônio Jorge
Cap PM Pablo Sérgio de Souza Correa 1º Ten PM José Luiz Gonçalves Machado
1º Ten PM Davidson Rodrigues
1º Ten PM Lucas de Oliveira Vital 6. Primeiro Interventor
Ten Cel PM Alexandre de P. dos Santos
2º Sgt PM Diogo Ambrósio S. Fernandes
Ten Cel PM Juliano Jose Trant de Miranda
2º Sgt PM Lucas Cancela de Oliveira
Maj PM Daniel Lopes Teixeira
3º Sgt PM Amanda Carolina T. de Souza
Cap PM Felipe Bruno Lopes

13. Ética, Doutrina e Atualização: Saúde Integral e 7. Atendimento Pré-Hospitalar


Prevenção ao Estresse Cap PM Emerson sos Santos Costa
2º Ten PM Daniela Rodrigues Guimarães
Ten Cel PM QOS Andrea De Las Casas Moreira 3º Sgt PM Jéssica Isabel F. do C. Oliveira
Maj PM Marcus Luiz Dias Coelho
Cap PM Cristiano Luiz da Silva Araújo
8. Tecnologia Aplicada a Atividade Policial
Cap PM QOS Joice Lima Carvalho de Paula Ten Cel PM Darley Wilson Dias
Cap PM QOS Marcos Flávio Q. Bréscia Cap PM Fabricio Campos Rogerio
1º Sgt PM Webert Meneses Pereira Cap PM Rafael Ferreira Bastos
Serv. Civil Luciana Menezes Santos 2º Sgt PM Andrey Marconi Alves Barbosa

14. Cadeia de Custódia da Prova 9. Redação do Registro de Defesa Social


Maj PM Daniel Henrique de Oliveira
Ten Cel PM Breno de Souza Reis Maj PM Carlos Magno de Sousa Vilaça
Ten Cel PM Miller Franca Michalick 1º Ten PM Luana Cristina Pontes Dornela
Cap PM Thiago Emanuel de F. Cardoso
1º Ten PM Bruno Diniz Campos
10. Treinamento com Arma de Fogo
1º Ten PM Verônica G. de Macedo Cel PM QOR Ildeu Heller Coelho Martins
Ten Cel PM Rodrigo Saldanha
15. Avaliação Física Militar 1º Ten PM Jailson Vieira
Cap PM Philippe F. V. dos Santos
Cap PM Giancarlo da Cunha Garibaldi 11. Legislação Jurídica
Ten Cel PM Neyton Rodrigues
Cap PM Cid Machado dos Santos
Cap PM Edison Ferreira da Silva
1º Ten PM Carlos Alberto de A. Ferreira 2º Sgt PM Alexander Marques Silva
1º Ten PM Júlio Cézar de Oliveira
2º Ten PM Roberto Gonçalves da Silva
12. Imagem Institucional, Uso das Mídias Sociais e
2º Sgt PM Geziel Aguiar Magalhães
3º Sgt PM Carlos Vagner dos Santos Representatividade
Ten Cel PM Warley Eustáquio da S. Almeida
3º Sgt PM Mauro Júlio dos S. Barros
Maj PM Layla B. de A. Dias Oliveira
Cb PM Reinaldo C. dos Santos
13. Ética, Doutrina e Atualização: Saúde Integral e
16. Instrumento de Menor Potencial Ofensivo
Prevenção ao Estresse
(Espargidores e PEIE) Ten Cel PM QOS Sônia Francisca de Souza
Cap PM QOS Patrícia Calado Pena
Cap PM Tomás Hilário Cardoso Ferreira
1º Ten PM QOS Guenael Freire de Souza
Cap PM Sandro Isidoro de Abreu
2º Ten PM Henrique Neves de Oliveira
14. Cadeia de Custódia da Prova
Sub Ten PM Hélio Carlos Alves Santana Ten Cel PM Ricardo Gonçalves P. Leite
2º Sgt PM Jaeder Miranda Moreira Ten Cel PM José Onezio da Costa Junior
3º Sgt PM Cristiano César da Silva
15. Avaliação Física Militar
Ten Cel PM Cássio Antônio dos Santos
COLABORADORES Cap PM Thiago Vitorio de Oliveira

3º Sgt PM Eudes Moreira Sobrinho


Cb PM Jorge Luís Teixeira Chaves
Palavra do Comandante da Academia
de Polícia Militar do Prado Mineiro

Caros Policiais Militares,

Sejam bem-vindos ao Treinamento Policial Básico


do 11º Biênio que irá ocorrer nos anos de 2022 e
2023.

A Academia de Polícia Militar, cumprindo com seu


dever e sua missão, se sente honrada em oferecer
aos nossos abnegados e valorosos militares um
treinamento moderno, que busca atender as
necessidades em atualização e ampliação de
conhecimentos técnicos, éticos e doutrinários
para o desempenho das atividades operacionais.

O conteúdo atual foi elaborado a partir do


engajamento admirável de policiais militares de
diversos postos e graduações, da ativa e
veteranos.

A pesquisa realizada junto a nossa operosa tropa contou com a participação de mais de 7.000
integrantes de toda a Corporação, militares que atuam ou atuaram em diversas especialidades,
Unidades e atividades meio e fim.

Todas as sugestões apontadas na pesquisa foram analisadas e levadas em consideração para que
os assuntos abordados conduzam com segurança, energia e firmeza nossas ações operacionais.

Dentro da temática Técnica Policial-Militar, foram escolhidas as disciplinas: Abordagem a Pessoas,


Abordagem a Veículos, Treinamento com Arma de Fogo e Defesa Pessoal Policial, visando um
comportamento cada vez mais profissional e protocolar do policial militar, baseado em nossos
Manuais Técnico-Profissionais, atualizados no ano de 2020.

Além disso, registramos inovações nas seguintes disciplinas:

Primeiro Interventor – o conteúdo procura preparar o policial militar para o primeiro contato com
ocorrências complexas, ocasião em que as ações iniciais e decisivas nortearão o melhor desfecho,
solução ou encaminhamento da ocorrência.

Tecnologia Aplicada à Atividade Policial-Militar – a disciplina objetiva operacionalização de


ferramentas que facilitem o acesso a sistemas e dados relevantes ou mesmo imprescindíveis para
a agilidade do trabalho policial-militar.

Defesa Civil – o conteúdo se propõe a destacar o importante papel da instituição em ações de


resultados desastrosos ou prejudiciais ao município ou à sua população, e de assistência e

5
atendimento às necessidades das comunidades, decorrentes de situações de emergência ou de
estados de calamidade pública.

A disciplina Prontossocorrismo e Atendimento Pré-Hospitalar objetiva proporcionar


conhecimentos, técnicas e habilidades com vista à preservação da vida do policial militar e das
pessoas que demandam por socorro e assistência à nossa corporação. Para essa disciplina, foi
instituída matriz teórica altamente relevante voltada aos anseios da nossa tropa.

Com as recentes mudanças legislativas, tivemos a preocupação de proporcionar aos treinandos


uma atualização normativa relevante, que destaca a temática dos Crimes Militares por extensão,
da nova Lei de Abuso de Autoridade, da Cadeia de Custódia das Provas e a Lei de Organizações
Criminosas.

A pandemia da Covid-19 impactou nossas vidas e a de nossos familiares, criando situações de


estresse complexas, que antes não existiam, por isso, com ESPECIAL ATENÇÃO DO COMANDO
DA CORPORAÇÃO, construímos e ofertamos a disciplina Qualidade de Vida e Prevenção ao
Estresse, focada principalmente no ambiente de trabalho, cuidando melhor da saúde física e
mental de nossos policiais militares.

A Imagem Institucional é também objeto de atenção do TPB neste biênio, assunto


demasiadamente importante, especialmente no mundo em que é possível interferir na percepção
da realidade, incluindo a segurança subjetiva e sensação de ordem, pelo uso de mídias sociais,
veículos centrais para divulgação de conteúdos diversos.

Entendemos que o policial militar deve receber orientação para o melhor uso de sua imagem,
evitando riscos pessoais desnecessários, compreendendo também a relevância da preservação ou
potencialização da imagem da Corporação em prol da legitimidade das nossas ações e operações.

Esperamos, neste biênio, que o TPB possa ser útil, agregando conhecimentos técnicos
profissionais e despertando valores institucionais como o AUTOAPERFEIÇOAMENTO, ESPÍRITO
DE CORPO, CAMARADAGEM, AUTOCONFIANÇA, COMBATIVIDADE, DISCIPLINA, RUSTICIDADE,
PATRIOTISMO, CIVISMO e muito especialmente FÉ NA MISSÃO.

Tenham um excelente treinamento!

Força e honra!

EUGÊNIO PASCOAL DA CUNHA VALADARES, CEL PM


Comandante

“Corpus quod non volvebatur cranium est reptat.”

6
SUMÁRIO

IDENTIDADE ORGANIZACIONAL .......................................................................................... 15

1 ABORDAGEM A PESSOAS ................................................................................................... 19

1 Introdução...............................................................................................................................................................................................21
2 Conceitos .................................................................................................................................................................................................21
3 Amparo Legal ........................................................................................................................................................................................22
4 Doutrina Institucional .........................................................................................................................................................................23
4.1 Níveis de intervenção ..............................................................................................................................................................23
4.2 Fundamentos da abordagem ...............................................................................................................................................24
4.3 Uso da força.................................................................................................................................................................................24
4.4 Níveis de abordagem a pessoas..........................................................................................................................................25
4.4.1 Abordagens a pessoas aparentemente desarmadas .......................................................................................25
4.4.2 Abordagem a pessoa portando arma branca .....................................................................................................27
4.4.3 Abordagem a pessoa portando arma de fogo ...................................................................................................29
4.5 Tática de aproximação ............................................................................................................................................................29
4.6 Posição de contenção ..............................................................................................................................................................30
5 Abordagem a Domicílios, Bares e Afins ......................................................................................................................................31
5.1 Abordagem a pessoas em residências .............................................................................................................................31
5.2 Abordagem a bares e afins....................................................................................................................................................32
6 Conclusão ................................................................................................................................................................................................33
7 Referências..............................................................................................................................................................................................34

2 ABORDAGEM A VEÍCULOS ................................................................................................. 35

1 Introdução...............................................................................................................................................................................................36
2 Considerações Iniciais ........................................................................................................................................................................36
2.1 Níveis de abordagem a veículos .........................................................................................................................................38
2.2 Conceitos aplicáveis à área de abordagem a veículos ...............................................................................................38
3 Distribuição de Funções e Posicionamento dos Policias .....................................................................................................40
4 Posicionamento das Viaturas ...........................................................................................................................................................42
5 Abordagem a Veículos – Passo a Passo .....................................................................................................................................45
6 Abordagem a Veículos Com Características Especiais..........................................................................................................48
6.1 Abordagem a motocicleta .....................................................................................................................................................48
6.2 Abordagem a ônibus ...............................................................................................................................................................50
6.3 Abordagem a caminhão .........................................................................................................................................................51
7 Limitadores de Fuga ...........................................................................................................................................................................52
8 Dos Locais Para Realização de Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação ................................................................52
9 Montagem do Dispositivo de Bloqueio na Via ........................................................................................................................54
10 Uso do Limitador de Fuga .............................................................................................................................................................56
10.1 Uso do limitador de fuga no cerco ..................................................................................................................................56
10.2 Uso do limitador de fuga no bloqueio...........................................................................................................................57
11 Limitações no Uso dos Limitadores de Fuga .........................................................................................................................59
12 Conclusão .............................................................................................................................................................................................59

3 BLITZ POLICIAL .................................................................................................................... 61

1 Introdução...............................................................................................................................................................................................62
2 Conceito e Classificação ....................................................................................................................................................................62
2.1 Tipos de blitz ...............................................................................................................................................................................62
2.2 Categorias de blitz ....................................................................................................................................................................63
2.3 Preparo mental, avaliação de riscos e pensamento tático na blitz policial .......................................................63

7
3 Planejamento e Desenvolvimento ................................................................................................................................................64
3.1 Efetivo e logística .......................................................................................................................................................................64
3.2 Funções dos policiais militares na blitz ............................................................................................................................65
3.3 Montagem do dispositivo e procedimento operacional ..........................................................................................66
3.3.1 Blitz categoria 1 ...............................................................................................................................................................67
3.3.2 Blitz categoria 2 ...............................................................................................................................................................68
3.3.3 Blitz categoria 3 ...............................................................................................................................................................70
3.4 Comunicações operacionais .................................................................................................................................................71
3.5 Busca ...............................................................................................................................................................................................72
4 Processos de Comunicação .............................................................................................................................................................73
4.1 Sinalização ....................................................................................................................................................................................73
4.2 Verbalização policial e emprego de arma de fogo durante a blitz.......................................................................75
4.2.1 Abordado cooperativo ..................................................................................................................................................75
4.2.2 Abordado resistente passivo ou ativo ....................................................................................................................77
4.2.3 Disparos contra veículos em fuga ............................................................................................................................78
5 Situações Dificultadoras das Abordagens em Blitz ................................................................................................................79
5.1 Evasão ............................................................................................................................................................................................79
5.2 Abordagem a motocicletas ...................................................................................................................................................80
5.3 Abordagem a autoridades .....................................................................................................................................................80
5.4 Blitz noturna ................................................................................................................................................................................81
5.5 Tentativa de corrupção ...........................................................................................................................................................81
5.6 Condutor embriagado .............................................................................................................................................................82
6 Conclusão ................................................................................................................................................................................................82

4 DEFESA CIVIL ....................................................................................................................... 83

[Link]ção ...............................................................................................................................................................................................84
2 Histórico de Proteção e Defesa Civil ............................................................................................................................................85
2.1 No mundo ....................................................................................................................................................................................85
2.2 No Brasil ........................................................................................................................................................................................85
2.3 Em Minas Gerais.........................................................................................................................................................................86
2.4 Coordenadoria Estadual de Defesa Civil ..........................................................................................................................86
2.5 Regionais de Proteção e Defesa Civil – REDEC .............................................................................................................87
3 Conceitos no Âmbito da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil .........................................................................88
4 Ações Adotadas Pelo Primeiro Interventor em Ocorrência de Desastres ....................................................................94
4.1 Informar sua chegada no local da ocorrência ...............................................................................................................95
4.2 Assumir e estabelecer o Posto de Comando .................................................................................................................95
4.3 Avaliar e dimensionar a situação ........................................................................................................................................97
4.4 Estabelecer um perímetro de segurança .........................................................................................................................97
4.5 Estabelecer os objetivos iniciais ..........................................................................................................................................98
4.6 Determinar as estratégias ......................................................................................................................................................99
4.7 Definir os recursos ....................................................................................................................................................................99
4.8 Preparar informações para transferir o comando ..................................................................................................... 100
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 101
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 101

5 DEFESA PESSOAL POLICIAL - TÁTICAS E TÉCNICAS DE PROJEÇÃO, IMOBILIZAÇÃO E


CONTENÇÃO ......................................................................................................................... 103

1 Apresentação ...................................................................................................................................................................................... 104


2 Fundamentos ...................................................................................................................................................................................... 105
2.1 Primeiro fundamento - O Alvo ......................................................................................................................................... 105
2.2 Segundo fundamento – A técnica ................................................................................................................................... 106
2.3 Terceiro fundamento – A tática ........................................................................................................................................ 107
3 Modelos de Utilização de Técnicas e Táticas nas Imobilizações ................................................................................... 108
3.1 Modelos de técnicas para imobilizar .............................................................................................................................. 109
3.2 Introduzindo a tática nas imobilizações ........................................................................................................................ 111
4 O Emprego de Bastão Tonfa ........................................................................................................................................................ 112
4.1 Estocadas ................................................................................................................................................................................... 112
4.2 Varreduras ................................................................................................................................................................................. 112

8
4.3 Imobilização de membros superiores ............................................................................................................................ 113
4.4 Defesas contra golpes traumáticos ................................................................................................................................. 113
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 113

6 PRIMEIRO INTERVENTOR EM OCORRÊNCIAS DOS DEMAIS ESFORÇOS DA MALHA


PROTETORA ......................................................................................................................... 115

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 116
2 Aspectos Gerais da Doutrina de Gerenciamento de Crises e Primeira Intervenção .............................................. 116
2.1 Tentativa de autoextermínio com o indivíduo armado .......................................................................................... 122
2.2 Ocorrências com reféns ....................................................................................................................................................... 124
2.3 Ocorrências envolvendo artefatos explosivos ............................................................................................................ 125
2.4 Infratores armados homiziados em área de mata .................................................................................................... 126
3 Acionamento de Demais Unidades Especializadas ............................................................................................................. 127
3.1 Comando de Aviação do Estado – COMAVE .............................................................................................................. 127
3.2 Batalhão de Polícia de Choque – BPChq....................................................................................................................... 129
3.2.1 Eventos em via pública .............................................................................................................................................. 129
3.2.2 Manifestações com obstrução de vias ................................................................................................................ 130
3.3 Rondas Ostensivas Com Cães – ROCCA ....................................................................................................................... 130
3.3.1 Ação dos cães do faro antidrogas ........................................................................................................................ 130
3.3.2 Ação dos cães de captura ......................................................................................................................................... 131
3.3.3 Cerco da área de mata e/ou edificações ............................................................................................................ 131
3.4 Tático Móvel (TM), Grupo Tático Rodoviário (GTR), Grupo Especial de Policiamento Ambiental
(GEPAM) ............................................................................................................................................................................................. 132
3.5 Rondas Táticas Metropolitanas (ROTAM) e Grupamento Especializado em Recobrimento (GER) ....... 133
4. Conclusão ............................................................................................................................................................................................ 133

7 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (APH) ....................................................................... 135

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 136
2 Aspectos gerais e legais em APH ............................................................................................................................................... 137
2.1 Aspectos legais e noções gerais de APH ...................................................................................................................... 138
2.2 Particularidades e diferenças entre o APH Civil/Convencional e APH Tático ................................................ 143
3 APH Civil/Convencional - abordagens para policiais militares ...................................................................................... 145
3.1 Dimensionamento da cena para atuação do socorrista ......................................................................................... 145
3.2 Algoritmos para avaliação das vítimas de trauma em APH .................................................................................. 146
3.2.1 Intervenções direcionadas pelo Mnemônico x-ABCDE ................................................................................ 147
3.3 Hemorragias e choque nos quadros de trauma ........................................................................................................ 152
4 Atendimento à parada cardiorrespiratória (PCR) e Obstrução de vias aéreas por corpo estranho
(OVACE) .................................................................................................................................................................................................... 153
4.1 Parada Cardiorrespiratória (PCR) ..................................................................................................................................... 153
4.1.1 Abordagem geral à reanimação cardiopulmonar (RCP) no ambiente extra-hospitalar
(PCREH) ....................................................................................................................................................................................... 153
4.1.2 Atendimento sequencial do policial militar à vítima em PCR .................................................................... 156
[Link] Acionamento do serviço de emergência auxiliar e uso do Desfibrilador Externo Automático
(DEA) ..................................................................................................................................................................................... 156
[Link] Manobras de reanimação cardiopulmonar............................................................................................. 159
4.2 Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) ......................................................................................... 161
4.2.1 Abordagem geral da OVACE no APH .................................................................................................................. 161
4.2.2 Atendimento sequencial das vítimas com obstrução de via aérea ......................................................... 162
5. Atendimento pré-hospitalar tático (APH Tático) ................................................................................................................ 163
5.1 Objetivos e princípios do APH Tático ............................................................................................................................ 163
5.2 Atendimento aos feridos no contexto tático .............................................................................................................. 165
6. Acrônimo MARCH do APH Tático ............................................................................................................................................. 166
7. Técnicas de resgate policial em APH Tático ......................................................................................................................... 177
7.1 Resgate sob confronto armado (sob fogo) ................................................................................................................. 177
7.1.1 Neutralizar ameaças .................................................................................................................................................... 178
7.1.2 Resgate do agente ferido ......................................................................................................................................... 178
[Link] Extricação - auxílio remoto (caso possível) ............................................................................................. 178
[Link] Comunicação via rede de rádio ................................................................................................................... 179

9
[Link] Evacuação tática (hora de ouro) .................................................................................................................. 179
[Link] Transporte do militar ferido .......................................................................................................................... 179
[Link].1 Tipos de transporte do militar ferido .............................................................................................. 180
8. Conclusão ............................................................................................................................................................................................ 185

8 TECNOLOGIA APLICADA À ATIVIDADE POLICIAL ......................................................... 187

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 188
2 Estratégia de desenvolvimento de aplicações – primeira entrega e evolução ........................................................ 189
3 Aplicações da PMMG ...................................................................................................................................................................... 189
3.1 Sistema HÉLIOS ....................................................................................................................................................................... 189
3.1.1 Acesso e operação ....................................................................................................................................................... 190
3.1.2 Aplicação operação policial ..................................................................................................................................... 193
3.1.3 Pesquisa de veículos ................................................................................................................................................... 194
3.2 QApp............................................................................................................................................................................................ 198
3.2.1 QApp – Indivíduos ....................................................................................................................................................... 199
3.2.2 QApp – Envolvidos ...................................................................................................................................................... 200
3.2.3 QApp – Condutores .................................................................................................................................................... 201
3.2.4 QApp – Veículos ........................................................................................................................................................... 201
3.2.5 QApp – Gestão .............................................................................................................................................................. 202
3.2.6 QApp – Codificador..................................................................................................................................................... 202
3.2.7 QApp – Sistema de segurança do usuário – Sistema de reconhecimento facial ............................... 203
4 Aplicações externas .......................................................................................................................................................................... 203
4.1 CORTEX ....................................................................................................................................................................................... 203
4.2 Operação do sistema CÓRTEX .......................................................................................................................................... 204
4.2.1 Acesso ............................................................................................................................................................................... 204
4.2.2 Módulo cercamento eletrônico .............................................................................................................................. 204
4.2.3 Consulta veículos ......................................................................................................................................................... 205
4.2.4 Consulta pessoas.......................................................................................................................................................... 206
4.2.5 Consulta embarcações ............................................................................................................................................... 207
4.2.6 Consulta radares ........................................................................................................................................................... 207
4.2.7 Alerta pessoas ............................................................................................................................................................... 208
4.2.8 Alerta veículos ............................................................................................................................................................... 208
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 208
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 209

9 REDAÇÃO DO REGISTRO DE EVENTO DE DEFESA SOCIAL ............................................ 211

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 213
2 Processo de Registro de Evento de Defesa Social .............................................................................................................. 213
2.1 Diretriz Integrada de Ações e Operações (DIAO)...................................................................................................... 213
2.2 Estrutura do Sistema de Classificação e Codificação de Ocorrências ............................................................... 214
2.3 Sistema de Registro de Eventos de Defesa Social .................................................................................................... 215
2.3.1 Boletim de Ocorrência Policial ................................................................................................................................ 215
2.3.2 Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS) e Relatório de Atividades (RAT) ....................................... 217
2.3.3 Campos parametrizados ........................................................................................................................................... 218
[Link] Dificuldades relativas ao preenchimento inadequado de alguns campos específicos do
REDS ...................................................................................................................................................................................... 218
2.4 Atribuição da natureza do REDS ...................................................................................................................................... 222
2.4.1 Atribuição de natureza da Classe 99 - “outras” no REDS ............................................................................ 224
2.5 Histórico do evento ............................................................................................................................................................... 224
2.5.1 Características da Redação Oficial ........................................................................................................................ 225
[Link] Impessoalidade................................................................................................................................................... 225
[Link] Correção ................................................................................................................................................................ 225
[Link] Concisão ................................................................................................................................................................ 225
[Link] Padronização ....................................................................................................................................................... 226
[Link] Clareza .................................................................................................................................................................... 226
[Link] Formalidade ......................................................................................................................................................... 226
3 Erros a serem evitados .................................................................................................................................................................... 227
3.1 Principais naturezas apuradas nas auditorias do C 99.000 ................................................................................... 228

10
3.2 Evento em outro estado ...................................................................................................................................................... 228
3.3 Autor preso ou objeto apreendido após encerramento da ocorrência inicial .............................................. 229
3.4 Registro de embriaguez no trânsito ............................................................................................................................... 229
3.5 Arma de fogo e simulacro .................................................................................................................................................. 230
4 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 230
5. Referências.......................................................................................................................................................................................... 231

10 TREINAMENTO COM ARMA DE FOGO .......................................................................... 233

1 Aspectos gerais de segurança para manuseio das armas de fogo .............................................................................. 235
2 Noções de tiro tático ....................................................................................................................................................................... 236
3 Técnicas e táticas aplicáveis ao tiro policial no TPB............................................................................................................ 237
3.1 Uso de cobertas e abrigos .................................................................................................................................................. 237
3.2 Posições táticas de emprego da arma de fogo e posturas de abordagem ................................................... 239
3.3 Engajamento de diferentes alvos ..................................................................................................................................... 244
3.4 Duplo impacto (“double tap”) e tiro em par (“controlled pair”) .......................................................................... 244
3.5 Saque rápido com disparos em sequência .................................................................................................................. 245
3.6 Recarga rápida entre disparos .......................................................................................................................................... 246
3.7 Tiro com compressão de tempo ...................................................................................................................................... 247
3.8 Verbalização ............................................................................................................................................................................. 248
3.9 Solução de panes entre disparos ..................................................................................................................................... 249
3.9.1 Falha de extração ......................................................................................................................................................... 249
3.9.2 Falha de carregamento .............................................................................................................................................. 250
3.9.3 Falha de ignição ............................................................................................................................................................ 251
3.9.4 Falha de ejeção ............................................................................................................................................................. 251
3.9.5 Falha de trancamento ................................................................................................................................................ 252
3.9.6 Ausência de ciclo causada por estojo preso à câmara ................................................................................. 252
3.10 Fundamentos de tiro aplicados ao tiro tático .......................................................................................................... 253
3.10.1 Postura ........................................................................................................................................................................... 253
[Link] Posição de pé ................................................................................................................................................... 254
[Link] Posições de pé não convencionais para tomada de cobertas e abrigos ................................. 254
3.10.2 Empunhadura com armas de porte ................................................................................................................... 255
3.10.3 Pontaria ou visada ..................................................................................................................................................... 256
[Link] Visada monocular ........................................................................................................................................... 258
[Link] Visada binocular .............................................................................................................................................. 259
3.10.4 Acionamento do gatilho ......................................................................................................................................... 260
3.10.5 Respiração .................................................................................................................................................................... 261
3.11 Protocolo de segurança após o confronto ................................................................................................................ 262
3.11.1 Acompanhamento e verificação do alvo ......................................................................................................... 262
3.11.2 Varredura no ambiente ........................................................................................................................................... 263
3.11.3 Inspeção tática da arma .......................................................................................................................................... 263
4 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 264
5 Referências........................................................................................................................................................................................... 265

11 LEGISLAÇÃO JURÍDICA ................................................................................................... 267

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 268
2 Considerações Sobre a Lei de Tortura – nº 9.455/1997 .................................................................................................... 268
2.1 Introdução à tortura .............................................................................................................................................................. 268
2.2 Crime militar de tortura por extensão ........................................................................................................................... 269
2.3 Tratamento legal da tortura ............................................................................................................................................... 269
2.4 Meios e modos de execução da tortura ....................................................................................................................... 270
2.5 Condutas que são consideradas crime de tortura que possam advir do desvio na atividade
policial ................................................................................................................................................................................................ 271
2.5.1 Tortura-prova (Art. 1º, Inciso I, alínea a) ............................................................................................................. 271
2.5.2 Tortura-castigo (Art. 1º, inciso II) ........................................................................................................................... 271
2.5.3 Figura privilegiada: tortura-omissão (art. 1º, § 2º) ......................................................................................... 272
2.6 Efeito automático da sentença condenatória por tortura ..................................................................................... 272
3 Lei do Crime Organizado (LCO) − Lei n°. 12.850/2013 ..................................................................................................... 272
4 Considerações Sobre a Ampliação do Conceito de Crime Militar Diante da Lei n°. 13.491/17 ....................... 274

11
4.1 Crime propriamente militar ......................................................................................................................................... 274
4.2 Crime impropriamente militar .................................................................................................................................... 275
4.3 Alteração legislativa trazida pela Lei n°. 13.491/17, que alterou o art. 9º do Decreto-Lei n°. 1001, de
21Out69, Código Penal Militar, e ampliou a competência da Justiça Militar. ............................................... 275
5 Lei n°. 13.869, de 05 de Setembro de 2019 – Nova Lei de Abuso de Autoridade ................................................. 277
5.1 Sujeitos ativos dos crimes de abuso de autoridade ................................................................................................. 278
5.2 Alguns crimes na lei de abuso de autoridade mais afetos à atividade policial militar .............................. 278
6 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 280
7 Referências........................................................................................................................................................................................... 281

12 IMAGEM INSTITUCIONAL, REPRESENTATIVIDADE E USO DAS MÍDIAS SOCIAIS .... 283

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 284
2 Imagem Institucional e Representatividade ........................................................................................................................... 285
3 Uso das Redes Sociais Pelo Policial Militar – Mem 10.019.2/19 CG............................................................................. 286
4 Possíveis Penalidades – Mem. 10.275.0/2020 EMPM......................................................................................................... 289
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 293
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 294

13 ÉTICA, DOUTRINA E ATUALIZAÇÃO: SAÚDE INTEGRAL E PREVENÇÃO AO


ESTRESSE ............................................................................................................................... 295

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 297
2 Conceito de Saúde integral .......................................................................................................................................................... 298
3 Estresse.................................................................................................................................................................................................. 300
3.1 Sintomas do estresse ............................................................................................................................................................ 300
3.2 Fases do estresse .................................................................................................................................................................... 301
3.3 Estresse ocupacional ............................................................................................................................................................. 303
4 Estratégias de Enfrentamento ao Estresse .............................................................................................................................. 304
5 Saúde Integral e Prevenção ao Estresse: Pontos de Atenção ......................................................................................... 305
6 Programa de Saúde Ocupacional na Polícia Militar de Minas Gerais (PSOPM) ...................................................... 309
7 A Importância da Conscientização e do Acolhimento nas Situações de Violência Doméstica ........................ 310
8 Saúde Socioassistencial .................................................................................................................................................................. 311
9 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 312
10 Referências ........................................................................................................................................................................................ 313

14 CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA ................................................................................ 315

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 317
2 Conceito de Cadeia de Custódia ................................................................................................................................................ 318
3 Local do Crime ................................................................................................................................................................................... 319
3.1 Classificação do local de crime e conceitos correlatos ........................................................................................... 319
4 Provas e Elementos Informativos ............................................................................................................................................... 321
5 Procedimentos no Local de Crime ............................................................................................................................................. 324
6 Etapas da Cadeia de Custódia ..................................................................................................................................................... 327
6.1 Reconhecimento ..................................................................................................................................................................... 328
6.2 Isolamento ................................................................................................................................................................................. 329
6.3 Fixação ........................................................................................................................................................................................ 330
6.4 Coleta .......................................................................................................................................................................................... 331
6.5 Acondicionamento ................................................................................................................................................................. 332
6.6 Transporte ................................................................................................................................................................................. 334
6.7 Recebimento ............................................................................................................................................................................ 335
6.8 Processamento ........................................................................................................................................................................ 336
6.9 Armazenamento...................................................................................................................................................................... 336
6.10 Descarte ................................................................................................................................................................................... 337
7 Etapas da Cadeia de Custódia da Prova nas Infrações Penais Comuns e nas Infrações Penais Relacionadas
aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo................................................................................................................................... 337
8 Procedimentos Operacionais em Infrações de Menor Potencial Ofensivo ............................................................... 339
9 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 342

12
15 AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR .......................................................................................... 343

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 344
2 Objetivo da Disciplina ..................................................................................................................................................................... 344
3 Força de Resistência Abdominal – Abdominal Tipo Remador ....................................................................................... 345
3.1 Objetivo ...................................................................................................................................................................................... 345
3.2 Procedimentos ......................................................................................................................................................................... 345
3.3 Observação ............................................................................................................................................................................... 346
4 Avaliação de Força de Resistência de Braço na Barra Fixa ............................................................................................... 347
4.1 Flexão estática (isométrica) – feminino ......................................................................................................................... 347
4.1.1 Objetivo............................................................................................................................................................................ 347
4.1.2 Procedimentos .............................................................................................................................................................. 347
4.1.3 Observações ................................................................................................................................................................... 348
4.2 Força de resistência de braço na barra fixa - flexão dinâmica (isotônica) na barra – masculino .......... 349
4.2.1 Objetivo............................................................................................................................................................................ 349
4.2.2 Procedimentos .............................................................................................................................................................. 349
4.2.3 Observações ................................................................................................................................................................... 349
5 Resistência Cardiorrespiratória – Corrida 2400 Metros..................................................................................................... 350
5.1 Objetivo ...................................................................................................................................................................................... 350
5.2 Procedimentos ......................................................................................................................................................................... 351
5.3 Observações ............................................................................................................................................................................. 351
6 Tabelas de Pontuação do Teste de Capacitação Física do Treinamento Policial Básico (TPB) ......................... 352
7 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 355
8 Referências ......................................................................................................................................................................................... 355
Anexo A - Métodos de treino para o Teste de Abdominal ................................................................................................. 356
Anexo b - Métodos de treino para o Teste de Barra ............................................................................................................. 358
Anexo c - Métodos de treino para o Teste de Corrida 2.400m ......................................................................................... 362

16 INSTRUMENTOS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (IMPO) - ESPARGIDORES E


PISTOLAS DE EMISSÃO DE IMPULSOS ELÉTRICOS (PEIE)................................................. 365

1 Introdução............................................................................................................................................................................................ 366
2 Os IMPO e o Modelo do Uso Diferenciado da Força ......................................................................................................... 367
3 Aspectos Legais ................................................................................................................................................................................. 370
3.1 Inobservância das Normas e Preceitos Legais ............................................................................................................ 371
3.2 Registros..................................................................................................................................................................................... 371
4 Habilitação para Emprego dos Espargidores e Pistolas de Emissão de Impulsos Elétricos (PEIE) .................. 372
4.1 Espargidores ............................................................................................................................................................................. 372
4.1.1 Apresentação visual do agente químico ............................................................................................................ 374
4.1.2 Manejo e emprego ...................................................................................................................................................... 374
4.1.3 Descontaminação......................................................................................................................................................... 378
4.1.4 Modelos disponíveis no portfólio de equipamentos fornecidos pela PMMG .................................... 378
[Link] Fornecedora RJC ................................................................................................................................................ 378
[Link] Fornecedora Condor ........................................................................................................................................ 379
4.2 Pistolas de emissão de impulsos elétricos (PEIE)....................................................................................................... 380
4.2.1 Regras de segurança da PEIE .................................................................................................................................. 380
4.2.2 Manejo e Emprego ...................................................................................................................................................... 381
4.2.3 Retirada dos dardos .................................................................................................................................................... 384
4.2.4 Situações de risco inerentes ao uso das PEIE ................................................................................................... 386
4.2.5 Modelos Taser M26 e Spark DSK700 ................................................................................................................... 387
4.2.6 Cartuchos ........................................................................................................................................................................ 393
4.2.7 Auditoria .......................................................................................................................................................................... 395
5 Conclusão ............................................................................................................................................................................................. 395
6 Referências........................................................................................................................................................................................... 396

13
14
IDENTIDADE
ORGANIZACIONAL
Missão
Promover a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública, valorizando as pessoas, contribuindo
para a garantia de um ambiente seguro para se viver, trabalhar e empreender em Minas Gerais.

Visão
Ser uma instituição de Estado reconhecida pela excelência em gestão e inovação, exemplo de
sustentabilidade e efetividade na prestação de serviços de segurança pública.

VALORES
REPRESENTATIVIDADE
Internalização e prática dos valores institucionais pelos servidores, que os tornam em condições de
demonstrar, positivamente, a imagem da PMMG, tanto na condição de policial militar como em
situações da vida cotidiana.

RESPEITO
São deveres em relação a quem serve na PMMG e a quem servimos: o cidadão e a sociedade. A PMMG
se esforça para dar aos seus servidores condições para que expressem o seu potencial de inteligência
e suas capacidades no respeito e garantia dos direitos fundamentais das pessoas.

LEALDADE
Deve expressar, além do comportamento, uma resposta atitudinal constituída por componentes
cognitivos e afetivos, considerados importantes nos relacionamentos da organização policial e entre
os seus integrantes.

DISCIPLINA
Exteriorização da ética profissional dos policiais militares e manifesta-se pelo exato cumprimento de
deveres, integrando o hábito interno que correlaciona o cumprimento das atribuições e regras. Inclui
a disciplina tática no regramento de atitudes e ações.

ÉTICA
Deve permear ações e relações internas e externas do policial militar. A ética é orientada por um
conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si, a autoridade de
guiar as ações em grupo.

JUSTIÇA
Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana e respeita os
direitos humanos. A justiça trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à
comunidade e à sociedade.

HIERARQUIA
Entendida como a ordenação da autoridade em níveis diferentes dentro das estruturas das instituições
militares estaduais. Deve servir como fator facilitador do controle, de forma a permitir a coesão do
funcionamento das atividades da PMMG.

17
1 ABORDAGEM
A PESSOAS
APRESENTAÇÃO

O policial militar durante o turno de serviço estará sujeito a vários tipos de empenho.
Alguns poderão ser previstos, devido a experiência da equipe e a rotina da região, outros
serão anunciados pelo COPOM/SOU, ou ainda, poderá se deparar com a ocorrência.
Independente da maneira em que se apresentar a ocorrência, os policiais militares terão
que agir e buscar uma solução de forma legal e aceitável. Dessa forma, as guarnições
policiais sempre estarão em contato com a sociedade, seja para orientar, encaminhar o
cidadão a outro órgão ou para adotar as medidas que o caso exigir.

Durante o contato com um indivíduo no ambiente, o policial deverá estar atento às


técnicas e táticas relacionadas a abordagem a pessoa. Nesse contexto, deverá ser capaz
de antever os riscos, bem como atuar da forma possível para um desfecho aceitável.

Na busca de uma prestação de serviços com excelência, a PMMG dispõe de técnicas e


táticas para o emprego de seus profissionais no serviço operacional. O treinamento é
fundamental para que os policiais militares tenham conhecimento do que fazer e como
fazer em uma abordagem a pessoas. A correta aplicação dos procedimentos propiciará
segurança, não somente aos militares envolvidos, mas aos terceiros que estejam nas
imediações e as pessoas abordadas.

Do exposto, esta disciplina tem como objetivo geral fazer com que o policial militar realize
intervenções policiais preservando a sua integridade física e de terceiros, aplicando
adequadamente o Modelo Gráfico do uso diferenciado da força.

A disciplina de abordagem a pessoas tem como objetivos específicos, fazer com que o
policial militar: empregue corretamente a doutrina de abordagem a pessoas estando
estas em situação de transeuntes, usuários de bares ou afins e em residências; atue em
cenários diversos realizando abordagens, estando inicialmente embarcados em viaturas
no caso de abordagem a transeunte e desembarcados no caso de abordagem a pessoa
em bar ou em residência; esteja capacitado para solucionar situações que envolvam
abordado cooperativo, resistente passivo ou ativo, estando aparentemente desarmado,
visivelmente portando arma branca ou imprópria ou visivelmente portando arma de fogo;
realize com eficácia, eficiência e efetividade os tipos de busca pessoal.

20
Biênio 2022/2023

1. INTRODUÇÃO

Abordagem a Pessoas
O policial militar durante o turno de serviço estará sujeito a vários tipos de empenho. 1.
Alguns poderão ser previstos, devido a experiência da equipe e a rotina da região, outros
serão anunciados pelo COPOM/SOU, ou ainda, poderá se deparar com a ocorrência.
Independente da maneira em que se apresentar a ocorrência, os policiais militares terão
que agir e buscar uma solução de forma legal e aceitável. Dessa forma, as guarnições
policiais sempre estarão em contato com a sociedade, seja para orientar, encaminhar o
cidadão a outro órgão ou para adotar as medidas que o caso exigir.

Durante o contato com um indivíduo no ambiente, o policial deverá estar atento às


técnicas e táticas relacionadas a abordagem a pessoa. Nesse contexto, deverá ser capaz
de antever os riscos, bem como atuar da forma possível para um desfecho aceitável.

Na busca de uma prestação de serviços com excelência, a PMMG dispõe de técnicas e


táticas para o emprego de seus profissionais no serviço operacional. O treinamento é
fundamental para que os policiais militares tenham conhecimento do que fazer e como
fazer em uma abordagem a pessoas. A correta aplicação dos procedimentos propiciará
segurança, não somente aos militares envolvidos, mas aos terceiros que estejam nas
imediações e as pessoas abordadas.

2. CONCEITOS

O Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02/2020 – CG, na Seção 3, descreve a diferença


entre abordagem policial e abordagem a pessoas.

A abordagem policial é o conjunto ordenado de ações policiais para aproximar-se


de uma ou mais pessoas, veículos ou edificações. Tem por objetivo resolver
demandas do policiamento ostensivo, como orientações, assistências,
identificações, advertências de pessoas, verificações, realização de buscas e
detenções.

Já a abordagem a pessoas se refere apenas às ações policiais para se aproximar de


um ou mais indivíduos. Este conceito possui um sentido amplo, ou seja, abrange a
todos os cidadãos, não se restringindo às pessoas em situação de suspeição.

É importante para o policial militar entender a diferença entre esses conceitos,


principalmente os assuntos relacionados a abordagem a pessoas.

21
Qualquer contato do policial militar com as pessoas, decorrente da atividade
profissional, é considerado abordagem. Exemplos: orientações diversas, coleta
de informações, contatos comunitários, medidas assistenciais, buscas pessoais,
imobilizações físicas, prisão e condução (MTP 3.04.01/2020 – CG).

O policial está inserido em uma sociedade repleta de nuances, podendo atuar em uma
cidade pequena, de médio porte ou em regiões metropolitanas. Há pessoas com
diferentes níveis socioculturais e intelectuais, pessoas que convivem de forma harmônica
umas com as outras e indivíduos em constante conflito com a lei. Portanto, para abordar
pessoas, o policial necessita ter habilidade para lidar com variados perfis de público.

3. AMPARO LEGAL

A atividade policial necessita estar amparada às leis brasileiras. Em uma abordagem a


pessoa, qualquer ação contrária às normas, lesa o direito do cidadão e deslegitima a
imagem da PMMG perante a sociedade.

Insta salientar que para a realização de uma busca pessoal em uma pessoa abordada, faz-
se necessário que o policial tenha a fundada suspeita de que o abordado esteja envolvido
em crimes ou porte algo ilícito. O artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP) prevê
sobre a busca pessoal:

Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou


quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma
proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a
medida for determinada no curso de busca domiciliar.

O Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02/2020 – CG apresenta três tipos de busca


pessoal. Cada tipo de busca possui técnicas específicas com a finalidade de minorar os
riscos na ação policial. A busca ligeira consiste em uma revista rápida nos abordados, é
aquela comumente realizada nas entradas de casas shows, estádios e afins. Já a busca
minuciosa será realizada sempre que o policial militar suspeitar que o abordado porte
objetos ilícitos. Por fim, a busca completa, realizada em local sem expor a imagem do
abordado, será detalhada no corpo do abordado que se despirá e entregará seu vestuário
para a análise pormenorizada do policial militar.

Ressalta-se que o policial militar representa o Estado. Nesse sentido, em uma abordagem
a pessoas age independente de ordem judicial ou aceitação do abordado, desde que
embasado pela legislação.

A ação de abordar uma pessoa é um ato administrativo, discricionário,


autoexecutório e coercitivo. Significa dizer que o policial militar é a
personificação do Estado, o qual lhe oferece poder de escolha, balizado em
aspectos objetivos e subjetivos, pode agir sem necessidade de mandado judicial

22
Biênio 2022/2023

gerando obrigações para a pessoa abordada, independentemente de

Abordagem a Pessoas
consentimento (MTP 3.04.02/2020 – CG).

1.
Já no que tange a abordagem a pessoas em domicílios, o policial militar deve se atentar
aos dispositivos legais específicos. A abordagem poderá ser realizada considerando os
dispositivos do art. 5º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988:

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem


consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

Quanto a determinação judicial, mandado de busca e apreensão, deve ser observado o


disposto no artigo 245 do CPP:

Art. 245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador


consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores
mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-
o, em seguida, a abrir a porta.

4. DOUTRINA INSTITUCIONAL

4.1 NÍVEIS DE INTERVENÇÃO

É importante o policial militar observar que a doutrina PMMG estabelece as condutas de


atuação policial buscando as respostas mais adequadas às intervenções policiais. Nesse
contexto, conhecer os níveis de intervenção, segundo o Manual Técnico-Profissional nº
3.04.01/2020 – CG, Seção 5, é fundamental. Os níveis de intervenção são classificados em
função da respectiva avaliação de risco, que podem ser adotadas como referência para a
atuação policial-militar, são eles:

a) Intervenção nível I: adotada nas situações de caráter preventivo, educativo e


assistencial. A finalidade das ações policiais militares neste nível é promover um
ambiente seguro por meio de patrulhamento ordinário e contatos com a
comunidade, para prevenir, educar e assistir (risco de nível I).

b) Intervenção nível II - adotada nas situações em que haja a necessidade de


verificação preventiva. Neste caso, a avaliação de riscos indica que existe indício
de ameaça à segurança (do policial militar ou de terceiros). Assim, o policial militar
deverá manter-se em condições de respondê-la. (Risco nível II).

c) Intervenção nível III: adotada nas situações em que há certeza do cometimento da


infração, caracterizando ações repressivas. Neste caso, a avaliação de riscos indica
a iminência de algum tipo de agressão (Risco de nível III). Os policiais militares

23
deverão estar prontos para o emprego de força, quando assim a situação exigir,
sempre com segurança, e observando os princípios da legalidade, necessidade e
proporcionalidade. (MTP 3.04.01/2020 – CG).

4.2 FUNDAMENTOS DA ABORDAGEM

Disposto na Seção 5 do Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020 – CG, os


fundamentos da abordagem policial à pessoa em atitude suspeita servem para
potencializar as ações policiais e assegurar que o objetivo proposto seja alcançado. Ao
realizar este tipo de abordagem, o policial militar deverá observar a sigla SSRAU:

a) Segurança: supremacia de força, saber identificar área de segurança e área de risco,


monitorar pontos de foco, controlar pontos quentes e certificar que o ambiente
está seguro;

b) Surpresa: agir de forma a dificultar a percepção do suspeito em relação aos


policiais, reduzir o tempo de reação do suspeito;

c) Rapidez: os policiais devem ser rápidos para surpreender o abordado, mas a


rapidez deve ser resultado do planejamento e não da afobação;

d) Ação vigorosa: ser firme, imperativo, ordens claras e precisas;

e) Unidade de comando: cada policial conhece sua função, a cadeia de comando é


respeitada e as decisões centralizadas.

4.3 USO DA FORÇA

O uso da força pode ser necessário durante uma abordagem a pessoas. Conforme o
Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020 – CG, não se confunde a força com violência,
haja vista que esta última é uma ação arbitrária, ilegal, ilegítima e não profissional. A força
utilizada por um policial é um ato discricionário, legal, legítimo e profissional, desde que
o policial cumpra com os princípios éticos e legais.

Durante uma abordagem a pessoas, muitas variáveis podem levar ao uso da força pela
guarnição policial militar, mesmo que a equipe ou uma vítima não esteja sendo atacada.
O policial aplicará os meios necessários para resolver a situação de acordo com a
gravidade da ameaça, podendo até mesmo realizar disparos com arma de fogo, sempre
observando os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade.

24
Biênio 2022/2023

Modelo do uso diferenciado da força

Abordagem a Pessoas
1.

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

4.4 NÍVEIS DE ABORDAGEM A PESSOAS

O Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02/2020 – CG, Seção 3, classifica a abordagem a


pessoa em três níveis:

a) abordado aparentemente desarmado;


b) abordado visivelmente portando arma branca ou imprópria;
c) abordado visivelmente portando arma de fogo.

As variáveis principais, por conseguinte, estão divididas em tópicos estabelecidos de


acordo com o nível de comportamento do abordado:

a) abordado cooperativo;
b) abordado resistente passivo;
c) abordado resistente ativo.

4.4.1 Abordagens a pessoas aparentemente desarmadas

Como o abordado está aparentemente desarmado, o policial adotará a postura aberta,


porém, deve ter em mente, que mesmo com o abordado colaborando, a mudança de

25
comportamento é possível a qualquer momento e por diversos motivos. Cabe ao policial
militar estar preparado para isso. Ressalta-se que o outro policial estará com a arma
localizada (Posição 1).

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

Caso o abordado demonstre resistência passiva e não esteja aparentemente portando


armas, o policial deverá utilizar a postura de prontidão.

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

26
Biênio 2022/2023

Caso o abordado demonstre resistência ativa e não esteja aparentemente portando

Abordagem a Pessoas
armas, o policial deverá utilizar a postura defensiva.
1.

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

4.4.2 Abordagem a pessoa visivelmente portando arma branca ou imprópria

Arma branca: é aquela criada para causar lesão que não seja arma de fogo ou
explosivo, ex.: espada ou faca de ataque (MTP 3.04.02/2020 – CG).

Arma imprópria: é qualquer instrumento que, embora tenha sido criado com
finalidade diversa, é eficaz à prática delitiva, ex.: faca de cozinha, chave de fenda,
pedaço de madeira, etc (MTP 3.04.02/2020 – CG).

Nesses casos, os militares devem avaliar os riscos mantendo a distância de segurança


(para armas brancas, 6,4 metros) com a arma na posição 2, 3 ou 4.

27
Posição 2 Posição 3 Posição 4

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

A abordagem se iniciará com um policial determinando que o abordado solte a arma.


Com a ordem acatada, determina então que o abordado fique em posição de contenção.
Se o objeto estiver no corpo do abordado, este deverá ficar na posição de contenção 3
ou 4, tendo os pontos quentes monitorados a todo tempo.

Posição de contenção 3 Posição de contenção 4

Fonte: (MTP 3.04.02/2020 – CG).

28
Biênio 2022/2023

4.4.3 Abordagem a pessoa portando arma de fogo

Abordagem a Pessoas
Os policiais devem sempre ter em mente a procura de um abrigo mantendo a arma na 1.
posição 3 ou 4. Iniciam a abordagem com um policial determinando que o abordado
solte a arma. Com a ordem acatada, determina então que o abordado fique em posição
de contenção. Se o objeto estiver no corpo do abordado, este deverá ficar na posição de
contenção 3 ou 4, tendo os pontos quentes monitorados a todo tempo.

4.5 TÁTICA DE APROXIMAÇÃO

É de suma importância na abordagem a pessoas a tática de aproximação triangular (TAT),


pois pode interferir no resultado da abordagem.

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

Nesta tática são dispostos dois policiais militares e o abordado, de maneira que formem
um triângulo. É considerada a forma mais segura e eficiente em uma aproximação. A
distância dos policiais militares em relação ao suspeito será de aproximadamente 3 (três)
metros para proporcionar o mínimo de segurança à guarnição em caso de repentina
agressão.

29
Os conceitos de área de contenção, a área de busca e área de custódia devem ser
observados pelos policiais militares.

Fonte: (MTP 3.04.01/2020 – CG).

Em resumo, ocorrendo abordagem a pessoas em condições de transeuntes, o policial


militar agirá de acordo com a intervenção policial necessária, observando o uso
diferenciado da força que o caso exigir.

4.6 POSIÇÃO DE CONTENÇÃO

É o posicionamento que será determinado pelo PM verbalizador ao abordado com


objetivo de aumentar a segurança dos policiais e a eficiência da revista, variando de
acordo com o nível de risco e o ambiente. Podendo ser:

a) posição contenção 01: abordado em pé, sem apoio;

b) posição de contenção 02: abordado em pé, com apoio;

c) posição de contenção 03: abordado de joelhos;

d) posição de contenção 04: abordado deitado.

30
Biênio 2022/2023

5. ABORDAGEM A DOMICÍLIOS, BARES E AFINS

Abordagem a Pessoas
5.1 ABORDAGEM A PESSOAS EM RESIDÊNCIAS 1.

A abordagem a pessoas em residências, via de regra, conforme expresso no artigo 245


do CPP, será realizada com apresentação do mandado de busca e apreensão. Contudo,
nas situações de flagrante delito, descritas no artigo 302 e no artigo 303 do CPP, os
policiais militares também poderão adentrar na residência.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração


penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade,
pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor
da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos
ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.
Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito
enquanto não cessar a permanência.

No caso de cumprimento de mandado de busca e apreensão a guarnição deverá planejar


a ação, avaliando os riscos, conferindo os antecedentes dos envolvidos, fazer um
diagnóstico da logística e do efetivo necessário.

No local determinado do cumprimento, utilizando dos fundamentos da abordagem, deve


ser feito o cerco no imóvel atentando para as rotas de fuga e, principalmente, para que
nenhum policial fique na linha de tiro um do outro.

Ao acionar os presentes pela porta (campainha, interfone ou outro meio), se houver


cooperação dos abordados, após realizar a apresentação do documento, iniciará a
intervenção. Os policiais reunirão os presentes na edificação em uma área segura,
realizará a busca pessoal, e após, realizará a busca nas dependências do domicílio.
Ressalta-se a necessidade de aplicar as técnicas de varredura durante a progressão no
interior da edificação.

Caso não haja cooperação para abrir a porta, a porta será arrombada e a entrada forçada,
nos termos dos § 2º e § 3º do artigo 245 do CPP:

§ 2o Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.


§ 3o Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas
existentes no interior da casa, para o descobrimento do que se procura.
§ 4o Observar-se-á o disposto nos §§ 2o e 3o, quando ausentes os moradores,
devendo, neste caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se
houver e estiver presente.

Nos demais casos de flagrante delito em que a guarnição se depara com o fato, o policial
militar pode não ter tempo suficiente para um planejamento detalhado, por isso, é
importante que realize o patrulhamento no estado de prontidão adequado, estando

31
preparado para uma resposta rápida, dentro da técnica e tática policial militar, conforme
o nível de intervenção observado.

No deslocamento para uma situação emergencial de flagrante em residência (informe,


DDU, chamada do COPOM), será feita uma avaliação prévia pela guarnição, considerando
o risco em potencial daquela abordagem. Um planejamento mínimo no interior da viatura
em deslocamento poderá aumentar a segurança dos policiais e a efetividade na
intervenção.

Avaliado o risco e sendo possível adentrar no domicílio, a guarnição deverá considerar,


principalmente: possibilidade de infratores armados homiziados; utilização de cobertas e
abrigos; aplicação das técnicas de varredura; avançar para um ambiente, somente quando
o ambiente anterior estiver seguro (sem ameaças); disciplina de luz e som; uso do escudo
balístico quando estiver disponível.

Ressalta-se que toda a intervenção policial em domicílio estará associada a verbalização


policial, pois em muitos dos casos pode haver reação dos abordados por não saberem
que são policiais que estão adentrando a residência. Ainda, será utilizado o nível de força
que a situação exigir, até que seja realizada a busca pessoal nos suspeitos e no domicílio,
sempre amparado na legislação vigente.

5.2 ABORDAGEM A BARES E AFINS

Diferente dos domicílios, por ser um ambiente aberto ao público, nos bares e afins,
quando houver fundada suspeita ou indícios de existência de crime, como porte de armas,
drogas ou qualquer ilícito, independente de mandado, as pessoas poderão ser abordadas
e revistadas. Ressalta-se que no interior do balcão, o local é privado e não aberto ao
público, devendo ser observado os ditames do artigo 150, § 4º e 5º do CP:

§ 4º - A expressão "casa" compreende:


I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou
atividade.

§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa":


I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto
aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

A abordagem nestes ambientes pode ser oriunda de uma operação planejada, como por
exemplo, em um bar de grande incidência de crimes violentos. Nestes casos, durante o
planejamento será verificado o melhor horário para a abordagem, a estratégia, a logística

32
Biênio 2022/2023

e o efetivo. Pode ser considerado o apoio de outros órgãos públicos que poderão agir na

Abordagem a Pessoas
fiscalização administrativa do estabelecimento.
1.
Em situações de fundada suspeita a indivíduo (os) em um bar, observadas durante o
patrulhamento, sem um planejamento mais detalhado, a guarnição deverá fazer uma
leitura de ambiente e uma avaliação de risco, considerando o número de presentes,
efetivo disponível - supremacia de força, dimensões do ambiente, iluminação, volume do
som, número de portas, rotas de fugas, presença de armas impróprias (tacos de sinuca,
cadeiras, garrafas), entre outras peculiaridades do estabelecimento. Feita a avaliação,
deve decidir se realizará a abordagem ou acionará apoio.

Nesse contexto, considerando que na maioria das vezes será realizada abordagem a um
número considerável de pessoas, os policiais militares deverão agir dentro do nível de
intervenção adequado. Deverão empregar as táticas de aproximação em consonância
com as técnicas de varredura, bem como utilizar abrigos e cobertas existentes no
ambiente.

Por fim, cabe considerar que se trata de uma intervenção complexa, e não há uma forma
singular para a sua execução, devido a “n” variáveis. Assim, a guarnição avaliará in loco, a
melhor forma para realizar a busca pessoal nas pessoas, seja transformando o interior do
estabelecimento em uma área de segurança, monitorando os pontos de foco e pontos
quente, ou verbalizando para direcionar os abordados para um local mais seguro onde a
busca pessoal será realizada.

6. CONCLUSÃO

A abordagem a pessoas é a essência do serviço policial, pois são as pessoas, que cometem
os crimes, e a todo momento nossos policiais estão abordando-as por todo o estado, a
qualquer hora do dia ou da noite.

Por causa dessa grande importância que o tema tem, foram passadas exaustivamente as
lições e técnicas mais relevantes para este tema, voltadas sempre para a eficiência das
abordagens, e principalmente a segurança de nossos militares.

Os detalhes das abordagens a pessoas desarmadas, armadas com arma branca e com
arma de fogo foram exaustivamente explicados, por serem as situações mais comuns e
que geram mais riscos aos policiais. Por fim foram ensinadas técnicas de abordagem em
para os locais mais comuns além da via pública, por exemplo os bares, residências e afins.

33
7. REFERÊNCIAS

BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-lei n. 3.689, de 03 de outubro de 1941. Rio de Janeiro 1941.
Disponível em: [Link] Acesso em: 24 set. 2021.

BRASIL. Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil 1988.


Brasília. (DF), 1988.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Manual Técnico-Profissional n° 3.04.01/2020: Intervenção


Policial, Processo de Comunicação e Uso da Força/Comando-Geral. Belo Horizonte: Assessoria Estratégica
de Emprego Operacional (PM3). 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Manual Técnico-Profissional n° 3.04.02/2020: Abordagem


a pessoas/Comando-Geral. Belo Horizonte: Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (PM3). 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretriz de Direitos Humanos Nº 3.01.09/18-CG: Regula a atuação da Polícia
Militar de Minas Gerais segundo a Filosofia de Direitos Humanos. Belo Horizonte: Comando-Geral,
Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (AE/3), 2018.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Plano Estratégico: 2020 – 2023/Comando-Geral. Belo
Horizonte: Assessoria de Desenvolvimento Organizacional, 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Estado-Maior. Memorando Circular Nº 31.687.6/08-EMPM, de 10 de outubro


de 2008. Uso de algemas – recomendações. Ref.: Súmula Vinculante nº 11, do Supremo Tribunal Federal.
Belo Horizonte, 2008

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Diretriz de Direitos Humanos Nº 3.01.09/18-CG: Regula a
atuação da Polícia Militar de Minas Gerais segundo a Filosofia de Direitos Humanos. Belo Horizonte:
Comando-Geral, Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (AE/3), 2018.

MUNIZ, Jacqueline; PROENÇA JR., Domício; DINIZ, Eugênio. Uso da força e ostensividade na ação policial.
Conjuntura Política - Boletim de Análise. Belo Horizonte: Departamento de Ciência Política/UFMG, n. 6, abril
de 1999, pp. 22-26.

NUCCI, Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. [Link]. ver., atual e ampl. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2005.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Princípios Básicos sobre a utilização da Força e de Armas de Fogo
pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (PBUFAF). 8º Congresso das Nações Unidas. Cuba,
1990.

34
2 ABORDAGEM
A VEÍCULOS
1 INTRODUÇÃO

O componente curricular, Abordagem a Veículos, do 11º biênio, 2022/2023, do


Treinamento Policial Básico, tem a finalidade de esmiuçar e aparar algumas arestas e
dúvidas que por ventura tenham ficado durante o estudo dos conceitos, das táticas e
técnicas de abordagem a veículos previstos no Manual Técnico Profissional
03.04.04/2020 – CG (MTP-04).

Assim, o ponto focal da disciplina é demonstrar de uma maneira simples e didática como
se aplicar os ensinamentos massificados no Manual Técnico-Profissional, para que você
consiga internalizar e utilizar no seu dia a dia tudo aquilo que aprendeu, de forma natural
e flúida.

Essa proposta de treinamento visa preparar o policial militar para a tomada de decisão
frente às nuances e imprevisibilidades que podem ocorrer durante a abordagem a
veículo, tornando-o mais preparado para exercer seu trabalho, o que redunda em maior
segurança na atuação policial e, por conseguinte, menor risco, uma vez que não se pode
eliminar e/ou prever todas as variáveis a que o policial fica exposto.

Assim sendo, o objetivo geral do componente curricular é debater os procedimentos


operacionais padronizados pela PMMG, orientando os policiais militares para as
tomadas de decisões sobre as técnicas e táticas mais adequadas na realização de
abordagens a veículos.

2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

É extremamente importante, que você, durante os estudos, tenha absorvido os


conceitos trazidos pelo MTP-04, isso porque no ano de 2020 houve atualização do
respectivo Manual, reforçando e aprimorando alguns conceitos.

Pois bem, a abordagem a veículos tem vários objetivos, basta apenas um deles para que
a intervenção ocorra e, nesse sentido, você deve pensar tática e tecnicamente a
viabilidade de efetuar ou não uma abordagem.

Os policiais militares devem estar em sincronia, e se perguntar sobre a intervenção: “eu


tenho condições de fazer essa abordagem com o mínimo de segurança? ”; “esse
momento e esse lugar é adequado e possibilita abordar com segurança? ”.

Desenvolvendo esse raciocínio, tem-se o início do preparo mental (MTP-01, pág. 15), e
concomitante, o momento em que o militar fará a sua avaliação de riscos e definirá a sua
linha de ação, sendo fator primordial a leitura de ambiente.

36
Biênio 2022/2023

Nesse contexto de análise, a avaliação de riscos (MTP-01, pág. 21) é requisito de


extrema importância, pois aqui você verificará, inclusive, se é viável ou não proceder a
abordagem, com base nas informações de nº de indivíduos no veículo, disponibilidade
de cobertura e outras nuances que dificultam a atuação policial, tendo sempre em mente
os conceitos dos níveis de abordagem a veículo (1, 2 e 3) e aplicando os conhecimentos
necessários a cada tipo de intervenção.

Abordagem a Veículos
Uma conduta imprescindível ao iniciar uma abordagem a veículo é comunicar ao
2.
CICOP/COPOM a localização; nesse ponto, é necessário demonstrar a você a
importância de adotar tal postura. A COMUNICAÇÃO norteia todas as nossas
ações/intervenções policiais, pois é ela que irá manter informados os militares que estão
no turno de serviço, o que em caso de pedido de prioridade/apoio facilitará a chegada
de esforços para fazer frente à demanda. Logo, você deverá primar por uma
comunicação clara, precisa e objetiva.

AO INICIAR UMA ABORDAGEM A VEÍCULO,


COMUNIQUE AO COPOM A SUA LOCALIZAÇÃO.

Superada essa etapa, a abordagem a veículo nada mais é que a APROXIMAÇÃO dos
militares a um veículo, tendo por base vários objetivos possíveis.

O MTP 04 trouxe uma distinção importante para a abordagem, qual seja, a definição
mais explícita do que é a BUSCA, que consiste na verificação interna e externa do
veículo abordado, por meio de revista nos compartimentos suscetíveis a serem
utilizados para esconder objetos ilícitos, necessitando aqui a existência de fundada
suspeita, seja ela objetiva e/ou subjetiva. E o conceito de VISTORIA, que está vinculado às
ações policiais, visa identificar as marcações e características dos veículos e pessoas em
relação aos registros existentes nos diversos sistemas informatizados.

37
2.1 NÍVEIS DE ABORDAGEM A VEÍCULOS

O MTP 04 classifica em 3 níveis de abordagem e faz a correlação com o estado de


prontidão utilizando cores.

Vale ressaltar que, tanto os níveis de abordagem quanto os estados de prontidão não
são estáticos e mudam de acordo com as situações específicas de cada abordagem.
Situação idêntica é percebida no modelo de uso diferenciado da força (MTP 01). Logo,
você deve se adaptar às situações que se apresentam durante a abordagem, colocando-
se no nível adequado da realidade daquele momento.

2.2 CONCEITOS APLICÁVEIS À ÁREA DE ABORDAGEM A VEÍCULOS

Os conceitos aplicáveis às áreas de abordagem, por vezes, causam dúvidas, não no seu
significado em si, mas em sua interpretação. Observe a figura a seguir. O que deve
nortear o seu entendimento é que alguns conceitos não são estáticos e que as
representações mostradas são apenas para facilitar e sedimentar o aprendizado.

Figura 01 - Áreas de abordagem.

Fonte: MTP 3.03.04-2020-CG

38
Biênio 2022/2023

As áreas definidas no Manual Técnico são:

é a área de abrangência da intervenção, em que os policiais militares deverão


manter constante monitoramento com objetivo de conter os abordados e isolar o

Abordagem a Veículos
local contra a intervenção de terceiros. Nesta área se encontram a viatura, os
policiais, o veículo e os abordados.
2.

é o espaço situado dentro da área de risco em que o policial militar estará


vulnerável à agressão física por parte de ocupantes do veículo (agressões com
socos, com chaves de fenda, trancas de carro, golpes com a porta, dentre outros).
Essa área compreende aproximadamente o raio de abertura das portas.

Espaço definido pelo policial para posicionar o abordado em posição de


contenção para realizar um dos tipos de busca pessoal. Pode localizar-se em
qualquer lugar dentro da área de contenção, com a exceção dos locais onde o
policial não consegue manter controle visual do abordado.

Local designado para acautelamento e permanência do abordado durante


checagem de dados do veículo e de seus ocupantes.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

Caminhando em busca dos esclarecimentos no que tange a figura acima, observe que o
MTP 04 trouxe uma atualização em relação à área de busca e custódia. Isso posto, você
deve entender que aquele local disposto na figura é dinâmico e foi colocado ali para
simbolizar a área de busca e custódia. Entretanto, essas áreas podem ser definidas por
você em qualquer lugar dentro da área de contenção, com a exceção dos locais que não
oferecem segurança ao policial militar (parte dianteira do veículo abordado na imagem
em questão).

Por exemplo: ao receber a ordem do PM Verbalizador para sair do veículo e se postar


para receber a busca pessoal, o condutor do veículo abordado se desloca e se posiciona
próximo à área de aproximação e assim permanece em posição de contenção. Nesse

39
caso, esse local passará a ser a área de busca, tendo em vista a postura adotada pelo
abordado.

Noutro giro, a área de custódia é o local designado para permanência e acautelamento


do abordado durante checagem de dados do veículo e de seus ocupantes. Você deve se
atentar para possíveis pontos de escapes que facilitem a fuga de algum abordado
porque, nesse momento, a atenção da equipe em relação aos abordados diminui, face
às checagens que tomam lugar na abordagem.

3 DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES E POSICIONAMENTO DOS POLICIAS

Ao realizar uma abordagem veicular, para obter vantagem tática e para alcançar o
sucesso, é preciso uma ação sincronizada dos policiais que compõem a guarnição.

O mais comum, são as guarnições policiais serem compostas por dois policiais. Logo,
você assumirá uma ou mais funções elencadas, conforme a composição da sua equipe.

 PM Comandante: é o policial militar de maior posto ou graduação ou o mais


antigo, responsável direto pela coordenação e controle da operação.

 PM Verbalizador: é o policial militar responsável pela comunicação com os


ocupantes do veículo abordado;

 PM Vistoriador: é o policial militar que procede à abordagem e mantém


contato visual e verbal com o condutor do veículo e seus passageiros. É
também o responsável pela verificação de documentos e vistoria do veículo;

 PM Revistador: é o responsável pela realização da busca pessoal nos


passageiros e busca no veículo abordado durante a intervenção;

 PM Segurança: é o responsável pela integridade e segurança dos componentes


da equipe.

Fique atento! Entre essas funções, a função de segurança é incompatível com a ação de
revistador e vistoriador.

É preciso também dizer que as funções guardam uma relação direta com o
posicionamento que os policiais irão ocupar no “teatro de operações”, mas não há essa
associação direta vinculada a postos e graduações, com exceção da função de PM
Comandante que está atrelada a condição do posto/graduação. Então, significa dizer

40
Biênio 2022/2023

que o policial na função de comandante pode também fazer a função de revistador,


vistoriador, verbalizador ou segurança, conforme seu posicionamento dentro do
contexto operacional vivenciado pela equipe.

Observe os esquemas de posicionamento dos policiais:

Abordagem a Veículos
Quadro 01 - Posicionamento dos policiais.
2.
Composição da Esquema de
Observações
guarnição posicionamento

Nessa situação é costumeiro


Guarnição com o motorista ocupar a
2 policiais posição 1 e o comandante a
posição 2.

O policial que ocupar a


posição 3 não deve ficar
estático, com o olhar apenas
para o ambiente voltado a
Guarnição com retaguarda da equipe.
3 policiais
Sua preocupação além de
cobrir a retaguarda é fazer o
apoio a equipe que está na
verbalização.

41
O policial que ocupa a
Posição 4 pode variar entre
a cobertura do policial que
Guarnição com ocupa a Posição 1, 2 ou 3,
4 policiais dependo do momento da
abordagem ou da
necessidade que a situação
impõe.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

4 POSICIONAMENTO DAS VIATURAS

Os posicionamentos das viaturas compõem um dos elementos da tática policial e


permite que você tenha minimamente uma proteção ou uma “coberta” em situações
onde não exista outros abrigos no ambiente. Além de serem mecanismos de proteção
para a população e para os abordados, esses procedimentos facilitam a execução do
processo de verbalização e a visualização do veículo abordado. Independente da tática
de posicionamento da viatura, a distância prevista para a parada do equipamento
policial em relação ao veículo abordado, em regra, variará de 3 a 5 metros.

Estão definidos no Manual Técnico Profissional duas formas de posicionamento das


viaturas que são nomeadas:

a) Tática de Posicionamento Paralelo

Esta tática deve ser empregada em abordagens de nível 1, as quais tem caráter
educativo ou assistencial, ou ainda em operações preventivas com parada de veículos
para fiscalização de documentos e equipamentos obrigatórios.

42
Biênio 2022/2023

Figura 02 - Tática de Posicionamento Paralelo.

Abordagem a Veículos
2.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

b) Tática de Posicionamento Diagonal

Consiste em tática a ser utilizada em abordagens a veículos nível 2 ou 3, criando-se a


área de segurança.

Figura 03 - Tática de posicionamento diagonal.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

43
A regra para o posicionamento na abordagem a veículos nas abordagens níveis 2 e 3
comporta exceção. Então, a recomendação passa ser o emprego da tática de
posicionamento paralelo, se ocorrer situações que impeçam ou prejudiquem o
posicionamento diagonal.

São alguns exemplos de situações que podem gerar essa modificação no padrão de
posicionamento das viaturas a abordagem em vias estreitas ou em locais de grande
fluxo de trânsito/tráfego que seja perigoso para equipe manter o padrão estabelecido.

É preciso que você perceba que o posicionamento diagonal da viatura para situações de
averiguação preventiva e situações repressivas possui vantagens maiores que o
posicionamento paralelo. Entretanto, em última instância, o que você deve ter em
mente é que o posicionamento da viatura, assim como, qualquer outra tática proposta,
só vai funcionar se você se capacitar para executá-la. Você executa o que você treina.

Em breve resumo, o esquema para atuar numa abordagem a veículos pode ser descrito
a partir das competências técnicas e táticas conforme está resumido na fugura abaixo.
Conhecer cada um desses pontos e saber executá-los em cada momento da abordagem
permitirá que você alcance êxito na sua atuação.

Figura 04 - Esquema de desenvolvimento das competências para realizar uma


abordagem a veículos

Fonte: Elaborado pelo autor.

44
Biênio 2022/2023

5 ABORDAGEM A VEÍCULOS – PASSO A PASSO

Quando se observa os processos de abordagem a veículos nas intervenções de nível 2 e


3, o ponto mais significativo, que surgiu na atualização proposta na última versão do
Manual Técnico, se relaciona ao modo como a guarnição PM se comportará após os
abordados terem assumido a posição de contenção determinada pela equipe.

Abordagem a Veículos
2.
Quadro 02 - Resumo das ações na abordagem a veículo, PMMG, 2020.

45
Fonte: Elaborado pelo autor.

A descrição das ações do policial que está ocupando a posição 1 demonstra que ele
avançará dentro da área de risco, fazendo uso da Tática de Aproximação Triangular e
fazendo a varredura visual do interior do veículo até que consiga dizer se no interior do
veículo há riscos. E após isso, o policial se voltará em direção ao abordado para
proceder a busca pessoal. Momento em que o policial que ocupa a posição 2 se
aproxima e faz a segurança da ação policial.

46
Biênio 2022/2023

Figura 05 - Ações dos policiais após suspeito adotar posição de contenção

Abordagem a Veículos
2.

Policial na posição 2 mantém


Policial na posição 1 mantém observação no abordado e
perifericamente observa o veículo.
observação no veículo.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

Figura 06 - Continuidade das ações policiais com suspeito na posição de contenção,


PMMG, 2020.

O policial (P1) avança usando a TATe após


certificar-se da segurança em relação ao interior do
veículo, se voltará na direção do suspeito.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

47
Figura 07 - Esquema de ação para a busca pessoal, PMMG, 2020.

3 - Deslocamentos após checagem


visual do veículo abordado.

2 – TAT e checagem visual após


abordado assumir posição de
contenção.

1 - Posição abrigada (início da


abordagem).

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

Os demais processos na abordagem seguem o protocolo em relação ao abordado,


conforme se descreve no MTP 02 (Abordagem a pessoas).

6 ABORDAGEM A VEÍCULOS COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS

A abordagem a veículos com características especiais destaca-se do conjunto das ações


básicas previstas nas abordagens a carros somente porque esses tipos de veículos
(moto, ônibus e caminhão) requisitam dos policiais atenção específica para que haja
efetivamente segurança no processo da abordagem. Mas, em termos de princípios de
ação, não são tão diferentes os processos. Basicamente, os policiais precisam fazer com
que o (s) abordado (s) desembarquem e se posicionem em posição de contenção a fim
de que se proceda as buscas e vistorias.

6.1 ABORDAGEM A MOTOCICLETA

No caso da abordagem à motocicleta, as ações que promovem um resultado de maior


segurança estão destacadas no quadro a seguir:

48
Biênio 2022/2023

Figura 08 - Resumo das ações em abordagem a motocicleta.

Abordagem a Veículos
2.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

Obs: O procedimento de abordagem a motos apresenta dinâmica semelhante à prevista


para a abordagem a veículos.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado pelo autor)

49
6.2 ABORDAGEM A ÔNIBUS

A abordagem a ônibus é, sem dúvida, uma das ações mais desafiadoras para a
guarnição policial, quando se pensa em abordagem a veículos. As características do
veículo e o número de pessoas no ambiente são fatores dificultadores da ação policial.

Com relação ao efetivo, observa-se:

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado)

E em termos procedimentais, a ação policial variará conforme os aspectos de risco e


características dos veículos previamente observados em cada situação.

Pode ser resumidamente extraído as seguintes condições de ação em relação aos níveis
da abordagem:

Figura 09 - Níveis de abordagem.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado)

50
Biênio 2022/2023

6.3 ABORDAGEM A CAMINHÃO

Assim como nos ônibus, a abordagem a caminhão também apresenta grandes


dificuldades. Os modelos de veículos existentes e também as vias onde trafegam impõe
obstáculos que dificultam a ação operacional.

Abordagem a Veículos
Assim sendo, conforme o Manual Técnico (pág. 67), em qualquer nível de abordagem a
caminhão, é primordial realizar o desembarque dos ocupantes da cabine, em função da
2.
dificuldade de se visualizar o interior e monitorar as ações nesse espaço.

Também se recomenda que a ação de parada ocorra, preferencialmente, a partir do


dispositivo de blitz, nas abordagens de nível 1 e siga as recomendações com uso da
Tática de Posicionamento Diagonal em abordagens nos níveis 2 e 3. Em tese, dessa
forma, você terá melhor controle das condições do ambiente.

Figura 10 - Posicionamento dos policiais durante abordagem a caminhão.

Fonte: MTP 3.03.04/2020 – CG

Figura 11 - Posicionamento dos policiais durante abordagem a caminhão.

Fonte: MTP 3.03.04/2020 - CG

51
7 LIMITADORES DE FUGA

Durante a execução do serviço policial militar, seja nas atividades de prevenção ao crime
ou nas situações de resposta a ilícitos penais, por diversas vezes, o policial militar se
depara com ocorrências nas quais o cidadão infrator empreende fuga, utilizando-se de
veículos automotores, que permitem um deslocamento rápido pelas vias de trânsito.

A evasão de autores de delitos com a utilização de veículos automotores para escapar


da abordagem policial, normalmente expõe a risco a integridade física dos usuários da
via, dos policiais militares empenhados na ocorrência, dos próprios infratores em fuga,
bem como do patrimônio público e privado.

Uma das formas de intervenção, visando minimizar ou cessar tais riscos, é o cerco,
bloqueio e interceptação policial. Tal operação pode ser originária de planejamento
prévio ou pode ser desencadeada de forma adaptada durante o turno de serviço, para
conter um grave problema de perturbação da ordem pública que não havia sido
previsto.

8 DOS LOCAIS PARA REALIZAÇÃO OPERAÇÃO CERCO, BLOQUEIO E


INTERCEPTAÇÃO

Os locais apropriados para a montagem dos dispositivos de cerco e bloqueio devem ser
criteriosamente escolhidos. Os policiais militares envolvidos devem ter pleno
conhecimento desses locais, o que refletirá na agilidade do deslocamento e na
eficiência da operação. Na montagem do dispositivo para a Operação Cerco, Bloqueio e
Interceptação deverão ser observados os seguintes aspectos:

a) favoráveis
 Redutores de velocidade (quebra-molas, lombadas e radares eletrônicos),
principalmente em vias de trânsito rápido;
 Abrigos naturais ou artificiais no ambiente;
 Pontos de comandamento para uma melhor amplitude de visão do local;
 Vias rurais (estradas e rodovias).

b) desfavoráveis
 Abismos, paredes abruptas ou de danos naturais na via (buracos, obras), que
possam prejudicar a segurança de procedimentos;
 Curvas, aclives, declives ou vias com grande circulação de pessoas;
 Vias marginais em relação à via principal, ou de estradas vicinais que possam
favorecer a fuga do veículo.

52
Biênio 2022/2023

Caso seja necessária a montagem do cerco e bloqueio em rodovias estaduais, poderão


ser utilizados os postos do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), que possuem
estrutura e equipamentos indispensáveis à segurança. Em relação às rodovias federais,
os pontos de cerco e bloqueio deverão ser montados por intermédio de contato com a
Polícia Rodoviária Federal (PRF), nas situações em que forem viáveis.

Abordagem a Veículos
Existem 3 tipos mais comuns de dispositivos para a montagem do cerco:
2.
a) “Zigue e zague”: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação à guia do
passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais militares se
posicionarão próximos e após a viatura;

Figura 12 - Cerco com afunilamento em zigue-zague.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

b) Afunilamento paralelo: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação à


guia do passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais
militares posicionarão próximos e após a viatura;

Figura 13 - Cerco com afunilamento paralelo.

Fonte: MTP 3.03.04-2020-CG

53
c) Afunilamento Diagonal: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação à
guia do passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais
militares posicionarão próximos e após a viatura.

Figura 14 - Cerco com afunilamento diagonal.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

9 MONTAGEM DO DISPOSITIVO DE BLOQUEIO NA VIA

A dinâmica do bloqueio policial se dará da seguinte forma:

Assim que a viatura do ponto de cerco receber a informação de que o veículo em fuga
passará pelo local, providenciará o bloqueio imediato da via, num dispositivo que
contará com a montagem de 3 (três) barreiras:

1ª barreira: realizada com uma indicação do bloqueio da pista (cavaletes);

2ª barreira: será realizada com cones distribuídos ao longo da pista;

3ª barreira: concretizada pela disposição das viaturas na via.

Poderão ser colocados limitadores de fuga a


5 (cinco) metros após a segunda barreira.

54
Biênio 2022/2023

Figura 15 - Bloqueio de pista com 2 (duas) viaturas e 4 (quatro) policiais militares

Abordagem a Veículos
2.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

Para maximizar a efetividade de tais operações, a PMMG tem se preocupado com a


aquisição e emprego de equipamentos eficientes e seguros que possam auxiliar na
abordagem policial, proporcionar maior segurança para a interrupção de uma ação de
fuga empreendida por infrator e minimizar riscos para os envolvidos no evento.

Os limitadores de fuga são ferramentas utilizadas com a finalidade de impedir ou


dificultar a fuga de infratores em veículos automotores, seja por meio da dilaceração /
perfuração de pneus, pela imobilização de rodas, ou a imobilização do veículo
automotor.

Conceitualmente, define-se como limitador de fuga o equipamento destinado ao


esvaziamento, dilaceração de pneus ou à interrupção do fluxo de veículos na via, e, no
caso policial, utilizado para auxiliar na redução da velocidade e/ou imobilização de
veículos, cujos condutores estejam no cometimento de delitos (crimes, contravenções
ou infrações administrativas) ou em situação que se faça presumir serem autores de
crimes ou contravenções.

Figura 16 - Exemplos de equipamentos existentes:

55
Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG (adaptado)

O modelo mais comum possui várias denominações, sendo que a mais usual é “cama de
faquir”, conforme se na Imagem 11, podendo ser descrito como “dispositivo móvel
constituído de agulhas de aço distribuídos numa base pantográfica” que tem por
finalidade realizar a perfuração ou dilaceração de pneus de veículos automotores.

O emprego do dispositivo está associado à necessidade de fazer com que veículos em


fuga no trânsito interrompam seu fluxo, por meio da dificuldade gerada para a
manutenção da estabilidade veicular em razão da perfuração dos pneus do veículo, e
com isso, permitir a abordagem dos ocupantes e sua consequente prisão. Na doutrina
policial os empregos desses limitadores de fuga estão alinhados às atividades
repressivas, especialmente durante perseguições policiais.

10 USO DO LIMITADOR DE FUGA

10.1 USO DO LIMITADOR DE FUGA NO CERCO

No cerco, o uso do limitador de fuga ocorrerá quando o policial 1 que estiver


acompanhando o fluxo dos veículos determinar que algum veículo pare e o condutor
iniciar uma evasão. Configurada a ação de desobediência, o policial 2 deverá estender o
limitador de fuga sobre a via a fim de perfurar os pneus do veículo evasor e obstar a sua
fuga.

É importante salientar que, assim que o veículo evasor passar sobre o limitador de fuga,
a ferramenta deve ser recolhida, de maneira a evitar que as viaturas policiais, que
estejam em perseguição, passem sobre o equipamento e sejam danificadas, e com isso,
fiquem impossibilitadas de dar continuidade a ação, caso seja necessário.

56
Biênio 2022/2023

Figura 17 - Posicionamento do limitador de fuga no cerco

Abordagem a Veículos
2.

Fonte: MTP 3.03.04/2020-CG

10.2 USO DO LIMITADOR DE FUGA NO BLOQUEIO

Nas situações de bloqueio policial, o uso do limitador de fuga será integrado ao


dispositivo de bloqueio viário. Assim, a partir do que já existe estabelecido, tem-se que
o limitador de fuga deve ser instalado entre a segunda e a terceira barreira de
contenção, a 5 (cinco) metros de distância da segunda barreira.

Ressalta-se que a distância entre o limitador de fuga e a terceira barreira deve ser
suficiente para que os efeitos de comprometimento da dirigibilidade do veículo em fuga
já se façam sentir, possibilitando a real efetivação da interceptação, motivo pelo qual a
distância dos policiais em relação a segunda barreira deve ser entre 100 (cem) e 200
(duzentos) metros.

Figura 18 - Posicionamento do limitador oficiais no bloqueio

Limitador de fuga

Fonte: MTP 3.03.04-2020-CG (adaptado)

57
 Pontos a serem observados:

As viaturas policiais que estiverem perseguindo o veículo evasor não devem avançar
com a viatura dentro da área estabelecida como ponto de bloqueio se não houver
confirmação de que o equipamento limitador de fuga tenha sido recolhido pela equipe
policial que estiver ocupando o ponto de bloqueio.

Variações na quantidade e nos posicionamentos dos policiais militares são situações


possíveis, assim como, a disponibilidade de equipamentos. Portanto, a regra geral
deverá sempre ser aplicada com critério pelo comandante do local de bloqueio, com
vistas a assegurar a maior segurança possível ao policial da equipe e maximizar a
possibilidade de se alcançar um resultado positivo com a prisão dos infratores e níveis
mínimos de danos ao patrimônio público ou privado.

 Algumas observações gerais para o uso dos limitadores de fuga

a) o policial militar responsável pelo acionamento do limitador de fuga deverá estar em


local seguro;

b) quando da realização de bloqueio total da via com o uso do limitador de fuga


recomenda-se o posicionamento de policiais militares em ponto de comandamento ou
abrigos que permitam uma resposta mais segura;

c) sempre que possível, tão logo o veículo suspeito ou em fuga passe pelo
equipamento, o policial militar deverá fazer seu recolhimento;

d) o policial militar deverá estar em via que seja reta e não seja declive, não se
recomendando ações em curvas, próximos a abismos e locais onde o desvio na direção
do veículo objeto da ação policial possa resultar em maior dano do que o objetivo
proposto.

Assim sendo, durante uma ação de resposta a infratores, é facultado e lícito ao policial
empregar o equipamento para perfurar os pneus de veículos que estejam no
cometimento de delitos se a situação requerer o seu emprego para evitar uma fuga e o
consequente aumento do risco a terceiros, avaliadas as características do ambiente, as
recomendações técnicas do equipamento e as circunstâncias determinantes do seu uso.

58
Biênio 2022/2023

11 LIMITAÇÕES NO USO DOS LIMITADORES DE FUGA

As limitações no uso dos limitadores de fuga dependem do tipo de recurso que está
sendo empregado. Pode-se destacar, de maneira exemplificativa, com base em
observações realizadas em testes e pesquisas:

Abordagem a Veículos
a) no emprego do limitador de fuga, tipo “cama de faquir”, em virtude do pneu do
veículo conter fluídos que blindam sua “banda de rodagem”, o esvaziamento pode não
2.
ocorrer tão rápido quanto se espera;

b) pode ocorrer a não perfuração dos 4 (quatro) pneus se o veículo a ser interceptado
estiver transitando em velocidade acentuada;

c) a eventual falta de agilidade do policial militar na ação de puxar a base pantográfica


que contém os perfuradores no alinhamento correto pode implicar em grandes perdas
na efetividade do uso da ferramenta;

d) a efetividade da ferramenta pode ser prejudicada se o motorista infrator conseguir


realizar ação de desvio do limitador de fuga.

12 CONCLUSÃO

Nesse conteúdo de abordagem a veículos buscou-se de maneira abreviada transitar


entre os principais tópicos apresentados no Manual Técnico Profissional 3.03.04/2020-
CG.

Foram discutidos aspectos técnicos e táticos necessários ao bom desempenho


profissional e que permitam que você haja com segurança durante as diversas
intervenções policiais que envolvem a abordagem a veículos.

Espera-se que esse arcabouço estimule você a buscar o conhecimento contínuo e que a
partir desse material se sinta estimulado a colocar em prática, nos treinamentos e na sua
atividade cotidiana, as orientações apresentadas.

As variáveis que envolvem cada abordagem policial são muitas, por isso, você deve
estar mentalmente preparado e tecnicamente qualificado. Só assim, você será capaz de
atuar assertivamente.

59
3 BLITZ
POLICIAL
1 INTRODUÇÃO

Entre as intervenções policiais cotidianamente desenvolvidas, as operações do tipo blitz


estão entre aquelas frequentemente executadas nas unidades operacionais da Instituição
e que possuem repercussão direta na sensação de segurança do cidadão, com forte
impacto no serviço policial, no trânsito e na mobilidade da cidade.

Devido a sua importância, é preciso ter padronização na sua execução para evitar
desgastes à imagem da Instituição e do próprio policial executante e, sobretudo,
assegurar que haja um correto emprego de técnicas e táticas para evitar que haja riscos
à vida do policial e de outras pessoas que estejam no ambiente. Para elaboração deste
material foi usado como fonte teórica o Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020 – CG
– BLITZ POLICIAL.

2 CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO

A blitz é um tipo de operação policial realizada em vias urbanas ou rurais, com a utilização
de sinalização física, visual e sonora, no intuito de abordar veículos e seus ocupantes,
realizando checagens e vistorias em geral.

Tal operação pode ser executada por uma equipe composta somente por policiais
militares ou por policiais militares em conjunto com os integrantes de diversos órgãos,
tais como órgãos fazendários, sanitários, guardas municipais, agentes ambientais entre
outros.

2.1 TIPOS DE BLITZ

As operações blitz são divididas de acordo com seus objetivos, sendo educativa quando
visa informar, orientar e conscientizar as pessoas sobre temas de interesse público e
preventiva quando visa realizar verificações em locais onde há incidência significativa ou
possibilidade de ocorrerem infrações e delitos.

Frisa-se que os objetivos poderão variar, ainda que temporariamente, em função dos
riscos que se apresentarem no desenvolvimento da operação, podendo implicar até
mudança de categoria, mediante reforço logístico e de efetivo policial.

Atendendo ao princípio da universalidade, na execução de uma operação blitz, de


qualquer tipo, o policial pode se deparar com irregularidades (penais ou administrativas),
ainda que não sejam o escopo primordial da operação, nem a proposta inicial da
atividade, exigirá que a equipe tome as providências que o caso demandar.

62
Biênio 2022/2023

IMPORTANTE: O MTP-3 não trouxe a previsão do tipo de blitz denominada


repressiva, mas o policial militar ao executar uma operação blitz educativa ou
preventiva, ao constatar uma infração administrativa ou crime, deverá adotar as
medidas repressivas que a situação exigir.

2.2 CATEGORIAS DE BLITZ

A operação blitz classifica-se em três categorias que se diferem basicamente quanto à


estrutura de pessoal necessária para a sua execução, vejamos:

Figura 01 - Blitz Policial.

Blitz Policial
3.

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p.13).

2.3 PREPARO MENTAL, AVALIAÇÃO DE RISCOS E PENSAMENTO TÁTICO NA BLITZ


POLICIAL

Nas operações blitz, em regra, os policiais militares integrantes da equipe devem adotar
as seguintes orientações:

a) durante a execução da operação blitz o militar deve sempre priorizar sua


segurança e, antes da abordagem, deve se manter no estado de atenção;

b) no momento da abordagem, o policial militar deve estar no estado de alerta,


considerando as etapas da avaliação de riscos;

c) algumas situações do policiamento podem fazer com que a blitz passe a ter
caráter repressivo. Dessa forma, é necessário considerar a hipótese do uso de força em
níveis mais elevados, permanecendo no estado de prontidão adequado (estado de
alerta - laranja, ou alarme - vermelho), conforme avaliação de riscos;

d) caso ocorra a parada de um veículo com número de ocupantes adultos superior


ao de policiais e ainda estejam presentes outros fatores da análise de risco que
indiquem falta de segurança para a guarnição seguir na intervenção, é recomendável
liberar imediatamente o veículo sem abordá-lo, e recorrer a outros procedimentos

63
técnicos e táticos, como apoio de outras guarnições, cerco e bloqueio, transmissão de
características do veículo e ocupantes ao COPOM entre outras, para que a ação de
resposta seja efetiva.

Em situações de fuga, a operação será mantida no local e um integrante da equipe deverá


repassar as informações ao COPOM ou correspondente, preferencialmente via rede-
rádio, sobre o ocorrido, transmitindo os dados (local, características do veículo/ocupantes
e rota de deslocamento), para fins de rastreamento e abordagem, com maior segurança,
por outras guarnições PM.

Se houver efetivo suficiente em apoio, parte desse efetivo poderá deslocar em


perseguição, caso possua meio para fazê-lo.

3 PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO

A blitz policial deve ser precedida de planejamento elaborado pela Seção de Emprego
Operacional (P-3), por meio de ordens de serviço ou outros instrumentos, nos quais
estejam presentes todos os aspectos que, direta ou indiretamente, venham a contribuir
para o sucesso da operação.

O local e o horário de instalação da blitz policial são aspectos importantes a serem


observados no planejamento da operação.

Em caso de condições climáticas adversas, em especial, no caso de chuva forte, a operação


poderá ser adiada, suspensa ou cancelada, pois nessa situação, o quesito segurança
poderá ser comprometido, pela dificuldade de visibilidade, pela frenagem e pela
possibilidade da ocorrência de acidentes de trânsito. Nesses casos, é recomendável que
o efetivo da operação permaneça em patrulhamento nas imediações do local ou realize
outra missão estabelecida pelo coordenador do policiamento e cumpra parcialmente os
objetivos estabelecidos.

3.1 EFETIVO E LOGÍSTICA

O efetivo da blitz será definido de acordo com o planejamento e os objetivos de cada


operação.

No tocante à logística, quando disponíveis os equipamentos, se dará da seguinte forma:

● Viaturas: de 2 ou 4 rodas na quantidade definida no planejamento ou de acordo com


a disponibilidade da unidade;
● Armas de porte para todos os policiais militares

64
Biênio 2022/2023

● Arma portátil com bandoleira, para o PM Segurança;


● Instrumentos de menor potencial ofensivo;
● Cones de sinalização, mínimo de 7 cones;
● Prancheta, caneta e papel para anotações;
● Planilha para registro da relação de veículos e condutores;
● Bloco de Auto de Infração de Trânsito (AIT) e/ou Auto de Infração e Notificação de
Autuação (AINA);
● Limitadores/bloqueadores de fuga regulamentados pela Instituição;
● Rádios portáteis – HT;
● Coletes balísticos para os policiais;

Blitz Policial
3.
● Coletes reflexivos;
● Etilômetro;
● Apitos de trânsito;
● Cavalete de sinalização;
● Lanternas;
● Luz sinalizadora;
● Kit de biossegurança;
● Lombada móvel;
● Computador portátil.

3.2 FUNÇÕES DOS POLICIAIS MILITARES NA BLITZ

a) PM Comandante: é o policial militar de maior posto/graduação ou o mais antigo,


responsável direto pela coordenação e controle da operação e pela definição das
funções de cada um dos policiais.

b) PM Selecionador: é o responsável pela seleção dos veículos que serão abordados.


Estará com a atenção voltada para o trânsito e sinalizará por gestos e silvos de apito,
a fim de orientar o condutor do veículo a ser abordado a posicionar-se no Box. Pode
ocorrer também, a figura do PM Selecionador Avançado que taticamente
posicionado e utilizando de recursos tecnológicos informa ao PM Selecionador quais
os veículos a serem abordados.

c) PM Vistoriador: é o policial militar que realiza a abordagem e mantém contato


visual e verbal com o condutor e passageiros do veículo; realiza a verificação de
documentos e vistoria do veículo; responsável por sinalizar aos condutores abordados

65
que retornem com seus veículos à via de trânsito; responsável pelo acionamento do
limitador de fuga, caso exista na operação.

d) PM Revistador: responsável pela realização da busca pessoal nos passageiros e


busca no veículo abordado.

e) PM Relator: responsável pelo registro dos boletins de ocorrência. Nos casos de


blitz de categoria 1, o vistoriador, preferencialmente, deverá assumir a função de
relator, pois foi quem detectou a irregularidade durante a abordagem. Em situações
de ocupação máxima dos boxes, o selecionador poderá assumir a função de relator a
fim de otimizar o serviço.

f) PM Segurança: responsável pela integridade e segurança dos componentes da


equipe. Não detém posição fixa no dispositivo, variando de acordo com a quantidade
de policiais envolvidos e o tipo de via em que a operação é realizada. Deverá manter
escuta ininterrupta da rede-rádio e poderá utilizar arma portátil, dotada de bandoleira,
de acordo com a situação.

IMPORTANTE: Um policial militar poderá acumular duas ou mais funções, conforme


a categoria da operação blitz, os objetivos a se atingir, ou devido ao número de
policiais integrantes da equipe.

3.3 MONTAGEM DO DISPOSITIVO E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

O dispositivo de uma blitz policial é montado em via pública e constitui-se no espaço


sinalizado e demarcado pelos meios logísticos (viatura, cones, cavaletes, etc.),
denominado BOX.

O box é o local destinado ao desenvolvimento das ações de abordagem aos veículos


selecionados e aos que necessitarem ficar retidos por algum motivo, (apreensão,
remoção, registro de BO/REDS, etc.).

Nas operações de blitz categoria 1, será instalado 1 box. Nas operações de blitz
categoria 2 e 3, poderão ser instalados 2 ou mais boxes, que permitirão abordagens
simultâneas, analisando as condições de segurança, de acordo com a avaliação de riscos,
o número de policiais disponíveis e os objetivos a serem atingidos.

A distribuição dos materiais e do efetivo na via pública observará como referência o


previsto nos croquis estabelecidos pelo MTP-3 descritos a seguir, contemplando também
os procedimentos a serem adotados por cada policial na operação, de acordo com a sua
função.

66
Biênio 2022/2023

IMPORTANTE: Independentemente da categoria da blitz, a regra básica para


abordagem dos veículos na operação deve ser a de 2 policiais por veículo, no
mínimo.

3.3.1 Blitz Categoria 1

● O PM Selecionador deverá postar-se à retaguarda dos cones 4 e 5;


● O PM Comandante ficará sobre a calçada nas proximidades dos cones 6 e 7;
● O PM Selecionador ao escolher o veículo a ser abordado, irá sinalizar para que todos
os veículos na via diminuam a velocidade. Em seguida deverá ordenar ao veículo

Blitz Policial
3.
selecionado que adentre ao Box;
● O PM Comandante deverá se posicionar na retaguarda do veículo parado no box,
ficando sobre a calçada e atuando como PM Segurança;
● O PM Selecionador deverá deslocar o cone 5 diagonal ao cone 4, fechando a entrada
do Box e passará a atuar como PM Revistador/Vistoriador;
● Encerrada a fiscalização, o PM Revistador/Vistoriador orientará o tráfego para fazer o
veículo retornar ao seu deslocamento com segurança;
● Assim que o veículo sair do Box, o PM Revistador/Vistoriador deverá retornar à sua
posição inicial, para novamente atuar como PM Selecionador.

Figura 02 - Blitz Categoria 1

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 23).

67
● Quando houver 3 policiais militares na blitz, o PM Revistador/Vistoriador será o
responsável por instalar o dispositivo limitador de fuga e operá-lo, conforme avaliação
de riscos, em caso de algum veículo evadir descumprindo a ordem do selecionador para
que o veículo adentre ao Box.

Figura 03 - Blitz categoria 1

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 24).

3.3.2 Blitz Categoria 2

● O PM Selecionador deverá postar-se à retaguarda dos cones 4 e 5;


● O PM Comandante e o PM Vistoriador deverão se posicionar sobre a calçada nas
proximidades dos cones 6 e 7;
● O PM Selecionador ao escolher o veículo a ser abordado, deverá sinalizar para que
todos os veículos na via diminuam a velocidade. Em seguida ordenará ao veículo
selecionado que adentre ao Box;
● O PM Revistador/Vistoriador, que se encontrava sobre a calçada, próximo ao cone 7,
em condições de acionar o perfurador de pneus, deverá deslocar contornando o veículo
pela parte de trás, abordando o condutor e procederá a vistoria;

68
Biênio 2022/2023

● Após a parada, o PM Comandante deverá se deslocar para a retaguarda do veículo,


ficando sobre a calçada e atuando também como PM Segurança;
● O PM Selecionador deverá deslocar o cone 5 diagonal ao cone 4, fechando a entrada
do Box e permanecerá próximo ao cone 5, com a atenção voltada para o trânsito e para
a abordagem;
● Se houver necessidade de busca, será feita pelo PM Revistador, passando a acumular
a função de PM Vistoriador, primeiramente em todos os ocupantes e depois no veículo.
Entretanto, se houver policiais disponíveis na Blitz, poderá ser designado um policial
específico na função de PM Revistador e outro ficará apenas na função de PM Vistoriador;
● Encerrada a fiscalização, o PM Vistoriador orientará o tráfego, fazendo o veículo
retornar seu deslocamento tão logo as condições estejam seguras, olhando para a pista
e sinalizando ao condutor para que siga em frente;

Blitz Policial
3.
● Assim que o veículo sair do Box, o PM Selecionador selecionará outro veículo.

Figura 04 - Blitz categoria 2

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 26).

69
3.3.3 Blitz Categoria 3

● O PM Selecionador deverá postar-se à retaguarda dos cones 4 e 5;


● O PM Comandante, o PM Segurança e os PM Vistoriadores/Revistadores se
posicionarão sobre a calçada;
● O PM Selecionador ao escolher o veículo a ser abordado, deverá sinalizar para que
todos os veículos na via diminuam a velocidade. Em seguida ordenará ao veículo
selecionado que adentre ao Box;
● O PM Revistador/Vistoriador do Box 1 deverá contornar o veículo por trás, abordando
o condutor e procedendo à vistoria;
● O PM Revistador/Vistoriador do Box 2 deverá permanecer na calçada, aguardando o
próximo veículo;
● O PM Segurança permanecerá na calçada (ou em outra posição mais adequada) com
a atenção voltada para os dois Boxes, bem como para todo o perímetro da operação;
● O PM Selecionador deverá sinalizar para um segundo veículo e o orientará para a
entrada no Box 2;
● O PM Revistador/ Vistoriador do Box 2 fará o balizamento para a parada do segundo
veículo, de modo que este pare há aproximadamente 3 passos do primeiro;
● O PM Revistador/Vistoriador do Box 2 contornará o veículo por trás, abordando o
condutor e procederá à vistoria;
● O PM Selecionador deslocará o cone 5 diagonal ao cone 4, fechando a entrada do
Box e permanecerá próximo ao cone 5, com a atenção voltada para o trânsito e para a
abordagem;
● Se houver necessidade de busca, será feita pelo PM Vistoriador, passando a acumular
a função de PM Revistador, primeiramente em todos os ocupantes e depois no veículo.
Se, entretanto, houver policiais disponíveis na Blitz, poderá ser designado um policial
específico na função de PM Revistador e outro ficará apenas na função de PM Vistoriador.
● Encerrada a fiscalização, o PM Vistoriador orientará o condutor que foi abordado,
para fazer com que o seu veículo retorne à faixa de rolamento em segurança. Verificará,
através de contato visual com o PM Selecionador, as condições do fluxo de tráfego e, no
melhor momento, sinalizará para que o condutor siga em frente.
● Assim que o veículo sair do Box, o PM Selecionador selecionará outro veículo.

70
Biênio 2022/2023

Figura 05 - Blitz categoria 3

Blitz Policial
3.

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 27).

IMPORTANTE: Os dispositivos de blitz demonstrados nas figuras acima


representam o padrão para a montagem das operações em suas respectivas
categorias. Todavia, devido às características da via ou circunstâncias do tráfego, ou
ainda a característica das viaturas, a forma de desenvolver o dispositivo, como a
alocação do coneamento e posicionamento da viatura poderá sofrer alterações,
conforme orientações do PM comandante, entretanto, o fundamento da segurança
deve ser preservado e as orientações sobre posicionamento de viaturas constantes
da Instrução n°3.03.22/17 devem ser respeitadas naquilo que couber.

3.4 COMUNICAÇÕES OPERACIONAIS

O PM Comandante comunicará o início e o término da operação, via rede rádio, ao


COPOM ou correspondente e o coordenador do policiamento da área de atuação,
informando o local, efetivo e objetivo da operação.

A equipe deverá manter escuta ininterrupta das comunicações operacionais, de modo a


captar informações importantes para a segurança do pessoal empregado. Essas
informações serão repassadas, de imediato, a todos os militares envolvidos na operação.

Eclodindo alguma situação adversa, como desobediência, resistência, tentativa ou


consumação de fuga, um integrante da equipe cientificará, imediatamente, via rede-rádio,
o COPOM ou correspondente e o coordenador do policiamento, e fornecerá informações

71
para que as medidas de proteção sejam adotadas, como o envio de unidades de apoio
para o local, ou para que sejam implementadas ações de cerco, bloqueio e interceptação.

Para as situações de veículos em fuga, um integrante da equipe comunicará na rede-rádio


as informações, seguindo uma sequência lógica a ser transmitida:

“— COPOM, BLITZ tal, prioridade!”


“— Comunicação de veículo em fuga. Veículo (marca, cor, modelo) evadiu da rua ...,
sentido ...Veículo com 1 (2, 3 ...) ocupante(s)”

Citar as características observadas dos ocupantes.

3.5 BUSCA

A realização da busca pessoal e veicular na operação é uma decisão do policial militar


quando vislumbrar uma fundada suspeita, observando-se a discricionariedade e o pleno
exercício de sua autoridade legal.

Via de regra, veículos não são domicílios, por isso devem ser alvos de buscas toda vez
que houver fundada suspeita.

Durante a busca veicular, o condutor do veículo e passageiros devem aguardar sobre a


calçada próximo à parte traseira do veículo, evitando posicioná-los na pista de rolamento.
O PM Segurança permanecerá atento ao comportamento dos ocupantes do veículo,
enquanto o PM Revistador realiza a busca.

IMPORTANTE: O detalhamento dos procedimentos para busca veicular estão


descritos no MTP 04.

72
Biênio 2022/2023

4 PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO

O processo de comunicação para a blitz policial seguirá os procedimentos no Manual


Técnico Profissional 01.

4.1 SINALIZAÇÃO

Os sinais de orientações são sonoros e gestuais e devem ser executados com firmeza,
correção, determinação e objetividade. Uma correta sinalização evitará que os condutores
tenham uma interpretação equivocada ou duvidosa quanto à obediência às ordens
emitidas durante a fiscalização. Desta forma, o PM Selecionador não pode apresentar
timidez, embaraço ou dúvida na sua atuação.

Blitz Policial
3.
● Os sinais sonoros emitidos por meio de silvos de apito estão descritos no quadro
abaixo, conforme previsto no CTB. Os sinais sonoros devem ser utilizados em conjunto
com os sinais gestuais.

Figura 06 - Sinalização blitz.

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 39).

● Os gestos correspondem a movimentos convencionais de braço, para orientar e


indicar o direito de passagem dos veículos.
As ordens emanadas por meio das sinalizações feitas pelos policiais militares
prevalecem sobre as regras de circulação e sobre as normas definidas por outros sinais
de trânsito.

73
Figura 07 - Sinalização blitz.

Fonte: Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020-CG (2020, p. 40).

Os procedimentos para a parada do veículo no Box e seu retorno à via são os seguintes:
● Escolhido o veículo a ser abordado, o PM Selecionador determina aos veículos
que diminuam a marcha, emitindo 1 silvo longo de apito, bem como gesticulando a
ordem de diminuição de velocidade;

74
Biênio 2022/2023

● Quando o veículo selecionado estiver próximo, o PM Selecionador levanta o


braço e efetua 2 silvos breves a fim de parar o trânsito de veículos. Em seguida, por
meio de gestos e apito, através de 1 silvo breve, determina ao condutor que se
desloque para o Box;
● Após o veículo a ser abordado adentrar o Box, o PM Selecionador deverá
normalizar o tráfego de veículos na via, emitindo um silvo breve e gesticulando para
que os condutores sigam em frente;

Para fazer o veículo retornar à via com segurança, o PM Vistoriador deverá:


● Observar o fluxo de veículos e aguardar o momento mais seguro para a saída do
veículo abordado;

Blitz Policial
3.
● Retirar quaisquer materiais que impeçam ou dificultem a saída do veículo;
● Parar o trânsito na via, através de gesto e 2 silvos breves, caso necessário;
● Emitir 1 silvo breve, olhar para o condutor, apontar para o sentido do fluxo de
trânsito e indicar “SIGA EM FRENTE”.

4.2 VERBALIZAÇÃO POLICIAL E EMPREGO DE ARMA DE FOGO DURANTE A BLITZ

4.2.1 Abordado cooperativo

Sugere-se, como referencial, o seguinte diálogo:

“— Bom dia! Eu sou o Sargento ... (dizer posto/graduação e o nome), da Polícia Militar”
(utilize o complemento POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, caso esteja em operação
próxima à divisa/fronteira do Estado).

“— Tudo bem? Desligue o veículo e coloque suas mãos sobre o volante.” (Os outros
ocupantes também devem colocar as mãos em local visível) Aguarde a resposta do
abordado, verifique se houve entendimento de sua mensagem e qual o nível de
cooperação demonstrado.

No caso do abordado manter-se cooperativo, mantenha-se no estado de alerta (laranja),


advirta os demais integrantes da guarnição e prossiga na abordagem, até que seja
assegurada a minimização do risco de porte de armas ou de possíveis reações do
abordado.

75
Nesse momento da abordagem, a equipe policial-militar estará atenta para os seguintes
aspectos:
● Verificar, rapidamente, se existem outras pessoas e objetos no interior do
veículo;
● Utilizar o tirocínio policial e atualizar a avaliação de riscos para identificar
possíveis práticas delituosas;
● Decidir sobre a necessidade de verbalizar com outras pessoas no interior
do veículo, a fim de certificar-se de que não esteja ocorrendo condução coercitiva
de algumas dessas pessoas por parte do motorista ou dos ocupantes, a exemplo
de sequestro, abuso de inocência nos casos de crianças ou deficientes mentais ou
outras condutas criminosas mais graves.

Após a entrega dos documentos, certifique-se de que o motorista recolocou as mãos


sobre o volante. Caso não o tenha feito, oriente-o novamente. Em seguida, confira os
documentos e solicite informações ao COPOM ou correspondente sobre prontuário e
queixa-furto.

Durante a conferência dos dados, o PM Segurança estará no estado de alerta (laranja) e


manterá vigilância sobre os ocupantes.

Não será necessário realizar busca pessoal e veicular, se:


● As informações repassadas pelo COPOM ou correspondente confirmarem os
dados da documentação;
● Se nada constar em relação ao veículo e seus ocupantes;
● Se a vistoria inicial e avaliação de riscos indicarem que não há indícios de fundada
suspeição. Nesse caso, dirija-se ao motorista, devolva-lhe a documentação e informe-
o sobre o andamento da abordagem.

Caso haja criança(s) no veículo, cumprimente-a(s) com amabilidade e cortesia.

Caso haja animais no interior do veículo, aproxime-se com cuidado e solicite ao condutor
que o controle.

Terminada a abordagem, explique ao cidadão sobre a importância da operação policial


para a garantia da segurança pública.

Na hipótese de se verificar elementos que caracterizem a fundada suspeita, o PM


Revistador/Vistoriador sinalizará para o PM Segurança (gesto com as mãos simbolizando
“suspeito”), que apoiará o desembarque e a busca pessoal e veicular.

76
Biênio 2022/2023

Nesse momento, afaste-se, de modo a permitir que o cidadão abra a porta do carro.
Mantenha constante monitoramento dos abordados (principalmente das mãos).

Indique a cada uma das pessoas embarcadas no veículo quando deverão descer e quais
procedimentos deverão seguir, conforme os preceitos da técnica policial-militar. Nos
casos de busca pessoal, o PM Revistador/Vistoriador dialogará com o abordado de forma
pausada.

Durante a realização da abordagem à pessoa cooperativa, os policiais com armamento


de porte deverão manter suas armas nos coldres, em condições de serem sacadas quando
necessário. Somente o PM Segurança manterá o seu armamento em posição de arma
localizada ou guarda baixa, quando não dispuser de armamento portátil.

Blitz Policial
O PM responsável pela resposta imediata nos casos em que a situação se agrave deverá 3.
ser qualquer membro da equipe que estiver em melhor posicionamento tático e em
condição de agir prontamente. É importante, portanto, que o PM Segurança,
considerando sua função específica, procure sempre a melhor posição para prover a
proteção da equipe.

4.2.2 Abordado resistente passivo ou ativo

O policial militar deve considerar que poderão existir diversas razões que levarão o
abordado a resistir de maneira passiva ou ativa às ordens dadas, como por exemplo:
● Quando não compreende a ordem emanada pelo policial;
● Quando não acata simplesmente porque quis desafiar a autoridade ou desmerecer
a ação policial, tentando, assim, expô-lo a uma situação humilhante frente ao público,
ou ainda, provocar o uso excessivo de força;
● Quando busca conseguir simpatia de pessoas a sua volta, colocando-as contra a
atuação da polícia, assumindo assim uma posição de vítima;
● Quando tem algo para esconder (armas, drogas, outros) e busca distrair a atenção
do policial;
● Quando quer ganhar tempo para fugir ou enfrentar fisicamente os policiais, isto é,
com resistência ativa.

Nesses casos, o policial militar poderá verificar, por meio de verbalizações, se o abordado
compreende o que está sendo dito.

Caso o abordado demonstre que entendeu as ordens, mas não as acatou, o policial deverá
adverti-lo quanto ao seu comportamento, esclarecendo tratar-se de crime
(desobediência, art. 330 do Código Penal Brasileiro) e que, evoluindo o conjunto de recusa

77
por sua parte, pode redundar em outros crimes, tais como desacato, resistência ou
agressão contra policiais.
Caso o abordado resista, passiva ou ativamente, ao ser submetido à busca, alerte-o sobre
as consequências da desobediência à ordem legal. Persistindo a desobediência, haja com
superioridade numérica, isole-o dos demais, e use o nível de força, conforme o nível da
resistência, para compeli-lo a cumprir a determinação legal.

Se detectar algum objeto ilícito durante a busca pessoal ou constatar indícios de infração
penal, imediatamente, separe o suposto infrator dos demais ocupantes do veículo e inicie
uma busca minuciosa. Confirmada a situação infracional e decidido pela condução, siga
os procedimentos previstos no MTP 02 quanto ao uso de algemas, (se necessário),
verbalização da ação e condução até o interior da viatura policial-militar.

Caso seja necessário empregar controle de contato, essa reação deverá ser do policial
que estiver melhor posicionado e que possua maior domínio das técnicas de defesa
pessoal policial. Assim como na situação de normalidade, somente o PM Segurança
manterá o seu armamento em posição de arma localizada, guarda baixa ou guarda alta,
conforme avaliação de risco. Os demais deverão estar com as mãos livres para emprego
de outros níveis de força e algemação.

Em caso de reação do abordado que coloque em risco a vida dos policiais ou de pessoas
envolvidas na intervenção, a resposta imediata será do PM Segurança, que estará com a
arma em pronta resposta. A primeira reação dos policiais deve ser voltada para a
preservação de suas vidas e dos cidadãos, por isso, deverão procurar abrigo e somente
disparar quando presentes as condições elencadas na Seção 7 sobre uso de armas de
fogo do MTP 01.

4.2.3 Disparos contra veículos em fuga

A REGRA É NÃO ATIRAR. Todavia, existem algumas circunstâncias em que a vida do


policial militar ou a de terceiros se encontra em grave e iminente risco, (motorista utiliza
o veículo como “arma”). Nestes casos, os disparos representam a única opção do policial
para detê-lo. Situação em que o policial militar deve considerar as possíveis
consequências de disparar, e sua responsabilidade na proteção da vida de outras pessoas,
levando em conta que:
● Estes disparos têm pouca eficácia e precisão para fazer parar um veículo e os
projéteis podem ricochetear ou atravessar o veículo ou até mesmo se tornar “bala
perdida”;
● Se o condutor for atingido, existe um risco elevado de que ele perca o controle
veicular e cause um acidente grave;

78
Biênio 2022/2023

● Existe a possibilidade de que as vítimas, (reféns), estejam no interior do veículo


perseguido, inclusive dentro do porta malas;
● Os disparos efetuados pelos policiais podem provocar um revide por parte dos
abordados, incrementando ainda mais o risco para outras pessoas, principalmente em
áreas urbanas (balas perdidas). O mais recomendável é distanciar-se do veículo em
fuga e, sem perdê-lo de vista, adotar medidas operacionais para efetuar o cerco e o
bloqueio. Recomenda-se, ainda, solicitar reforço policial para que a intervenção possa
ser realizada com mais segurança.

5 SITUAÇÕES DIFICULTADORAS DAS ABORDAGENS EM BLITZ

No decorrer da Blitz, os policiais militares poderão se deparar com inúmeras situações de

Blitz Policial
3.
anormalidade que acarretarão rapidamente na atualização da avaliação de risco ou até
mesmo na adoção de posturas adequadas ao tipo de pessoa abordada. Assim, seguem
algumas situações que interferem e acabam por dificultar as abordagens na blitz policial.

5.1 EVASÃO

Ao visualizar a operação, o condutor pode evitá-la, simplesmente parando ou


estacionando seu veículo ou fazendo conversão na via antes de chegar no dispositivo
policial. Todavia, se o condutor evitar a operação, realizando manobras bruscas e
perigosas para evadir da blitz, orienta-se que sejam tomadas as seguintes providências e
precauções.

● Peça prioridade de comunicação e transmita as informações, via rede rádio, com


tranquilidade;
● Evite alarmismo que possa confundir e colocar em risco outras guarnições;
● Mantenha a operação no mesmo lugar e NÃO EFETUE DISPAROS de qualquer
natureza;
● Atente para o fato de que a evasão pode estar atrelada a diversos fatores, inclusive
condutores inabilitados ou embriagados;
● Se possível, adote posteriormente os procedimentos de lavratura das infrações de
trânsito cometidas pelo evasor.
● Atente para veículos que passam repetidamente ou que estacionam
voluntariamente nas proximidades da blitz, pois os infratores podem utilizar carros
escolta para protegerem-se da ação policial.

79
5.2 ABORDAGEM A MOTOCICLETAS

Ao proceder a abordagem a motocicletas, o policial deverá se atentar que este tipo de


veículo é largamente utilizado por infratores para a prática de crimes, devido à sua
mobilidade, agilidade e dificuldade de identificação do rosto da pessoa devido ao uso de
capacetes. O policial militar deverá se ater às seguintes orientações:

● O PM Selecionador deverá proceder com cautela e avaliar o risco da abordagem;


● O PM Revistador/Vistoriador deverá realizar a abordagem pelo lado esquerdo dos
ocupantes da motocicleta, enquanto o PM Segurança deverá ficar do lado direito;
● Será ordenado ao condutor que desligue a motocicleta e retire a chave da ignição.
Em caso de suspeição, será determinado que o condutor e passageiro, coloquem as
mãos apoiadas no capacete;
● Para proceder a busca pessoal, o militar deverá dar ordem ao motociclista para
desembarcar do veículo e colocar as mãos apoiadas no capacete. Caso haja um
passageiro, este será o primeiro a desembarcar e ficará de pé ao lado do veículo, com
as mãos apoiadas no capacete;
● Em seguida, o PM Revistador/Vistoriador deverá proceder busca pessoal no(s)
abordado(s), podendo ser na posição de contenção 1 (abordado em pé sem apoio) ou
na posição de contenção 2 (abordado em pé com apoio – viatura ou parede), conforme
MTP 02 e avaliação de riscos feita pelos militares empenhados na operação;
● Após a busca pessoal e não sendo detectada situação ilícita, os procedimentos de
fiscalização de documentos (motocicleta, motociclista e passageiro), bem como a
vistoria da motocicleta (lacre da placa, debaixo do assento, compartimento etc.)
deverão ser realizados.

5.3 ABORDAGEM A AUTORIDADES

Caso o abordado se apresente como autoridade titular de prerrogativas ou imunidades,


deverá proceder da seguinte forma:
● Estabeleça um diálogo inicial respeitoso e amistoso e utilize, de imediato, os
pronomes de tratamento adequados ao cargo ou à função alegados por ele;
● Identifique-se, diga seu nome, posto ou graduação, e explique que se trata de uma
operação policial;
● Diga-lhe que por não conhecê-lo pessoalmente será necessário que apresente a
identidade funcional correspondente.

Constatada formalmente a identificação da autoridade, segundo o grau de imunidades e


prerrogativas, o policial avaliará as circunstâncias, para ver se é o caso de não prosseguir

80
Biênio 2022/2023

na abordagem ou prosseguir e acionar quem de direito e adotar as providências cabíveis,


conforme cada circunstância observada.

Caso a autoridade se negue a apresentar sua carteira funcional, ou diante situações mais
graves de fundada suspeição, comunique o fato ao coordenador do policiamento,
solicitando ao COPOM ou correspondente a presença de representante do órgão a que
pertence à autoridade.

IMPORTANTE: para melhor entendimento sobre os procedimentos policiais em


ocorrências envolvendo autoridades, sugere-se que o policial militar leia o item 5.1
do Manual Técnico Profissional N° 3.04.02/2020 – CG – Abordagem a Pessoas.

Blitz Policial
3.
5.4. BLITZ NOTURNA

O período noturno propicia um ambiente favorável à ocorrência de crimes, visto que a


noite oferece uma sensação de camuflagem para os infratores, os quais acreditam que a
escuridão amplia a possibilidade de êxito de uma fuga diante da ação policial militar.

Assim, a blitz noturna deve ser montada com o uso de dispositivos luminosos e,
preferencialmente, em local com boa iluminação, evitando-se a montagem do dispositivo
nas proximidades de pontes, rios, aglomerados urbanos, dentre outros.

Poderá haver adaptação do posicionamento transversal da viatura policial, adotado na


blitz diurna, com a adoção da posição paralela ao meio-fio da rua, o que propiciará maior
visibilidade ao dispositivo da operação.

A utilização de lanternas e dispositivos de iluminação manuais se tornam imprescindíveis


neste tipo de operação blitz.

5.5 TENTATIVA DE CORRUPÇÃO

Existem situações em que o abordado, para se ver livre de prisão ou sanção


administrativa, oferece alguma vantagem para o policial militar. Essas tentativas podem
ser feitas de inúmeras formas, mas o militar deve agir com profissionalismo.

Caso a conduta do abordado enquadre-se em crime de corrupção, o policial militar deve


fazer valer os valores cultuados pela Polícia Militar, sobretudo o da ética, transparência e
justiça, devendo arrolar testemunhas idôneas e adotar as medidas legais.

81
5.6 CONDUTOR EMBRIAGADO

A abordagem a um condutor com suspeitas de dirigir sob a influência de álcool ou de


outra substância psicoativa deve ser precedida de um criterioso preparo mental do
policial militar, uma vez que o abordado pode apresentar comportamento cooperativo
em relação à intervenção policial ou até mesmo se tornar um abordado resistente passivo
ou ativo. Podendo até utilizar o veículo como uma arma contra os militares.

Assim, é importante que o policial verifique por meio de verbalizações se o abordado


compreende o que está sendo dito e, dependendo da reação do condutor abordado, o
policial deverá adotar as recomendações referentes aos procedimentos adotados em
relação aos abordados cooperativos, resistentes passivos e ativos. Igualmente, o militar
também deverá adotar as medidas cabíveis ao registro da ocorrência e à constatação da
embriaguez do condutor abordado.

IMPORTANTE: para melhor entendimento da constatação do crime e da infração


administrativa da conduta de dirigir sob a influência de álcool ou qualquer
substância psicoativa que determine dependência, sugere-se que o policial militar
leia o item 3.7 do Manual Técnico Profissional N° 3.04.03/2020 – CG – Blitz Policial.

6 CONCLUSÃO

As atualizações trazidas por este documento representam um esforço Institucional no


sentido de ofertar ao policial militar subsídio para agir de maneira assertiva no serviço
operacional, já que seu objetivo é formar o policial militar com ações que encontram
respaldo no ordenamento jurídico e na legislação interna. Neste cenário, foi apresentado
neste trabalho todo regramento trazido pelo Manual Técnico Profissional n° 3.04.03/2020,
bem como, demais legislações aplicáveis.

O trabalho apresentou a definição e classificação da blitz policial, bem como, montagem


do dispositivo, processo de comunicação e apresentação de situações dificultadoras. E,
por fim, há que se ressaltar que vários assuntos tratados aqui serão complementados e
aprofundados nos demais Manuais Técnicos-Profissionais que compõem esse álbum de
Prática Policial Básica.

82
4 DEFESA
CIVIL
1 INTRODUÇÃO

Originalmente, a Defesa Civil foi criada para atender uma demanda reprimida em
situações de guerra, onde a população civil era jogada a própria sorte: sem casa, sem ter
com o que comer ou beber e, na maioria das vezes, feridas pelos estilhaços das bombas
e desmoronamentos de suas próprias moradias.

Já em tempos de paz, ao invés das bombas temos os desastres, que dependendo da sua
magnitude, podem causar efeitos devastadores na população. A diferença é que, com o
comprometimento do poder público, da população e com ações efetivas de Prevenção,
Mitigação, Preparação, Resposta e Recuperação de áreas atingidas por desastres,
podemos proteger a população dos efeitos dos desastres a tal ponto que nenhuma
pessoa possa vir a perder sua vida, mesmo que os desastres sejam de grandes
proporções.

A necessidade de agir com foco na redução do risco de desastres e na gestão do


desastre fez com que o Poder Público elaborasse normas taxativas quanto a política de
enfrentamento a estes eventos e as responsabilidades de cada ente federativo. Em
âmbito nacional, foi publicada a Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012, que instituiu a
Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) e as atribuições dentro do
Sistema Nacional em Proteção e Defesa Civil (SINPDEC).

Na esfera estadual, as Leis nº 7.157/1977 e 11.102/1993 já estabelecia que o Chefe do


Gabinete Militar do Governador seria o Coordenador Estadual de Defesa Civil, bem
como apontava as atribuições da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Em legislação
recente, ao regulamentar a Lei nº 23.304/2019, o Decreto Estadual nº 48.095/2020,
apresentou a estrutura orgânica, a competência e a composição das Unidades Regionais
de Defesa Civil (Redec), destacando que as ações de Defesa Civil em âmbito estadual
são diretamente executadas em nível regional por integrantes da Polícia Militar de
Minas Gerais.

A citada norma criou nas regiões da Polícia Militar a figura do Coordenador Regional de
Defesa Civil como encargo exercido pelo Comandante da RPM, com vinculação técnica
ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, nos assuntos inerentes à proteção e à defesa
civil. Para auxiliar no desempenho de tão nobre missão, o Coordenador Regional de
Defesa Civil designará um Agente Regional de Defesa Civil, militar da PMMG, para
atuação na atividade de proteção e defesa civil, subordinando-se tecnicamente ao GMG
e, administrativamente, ao Comandante da respectiva RPM.

Sendo assim, é imprescindível que policiais militares atuantes no Sistema de Proteção e


Defesa Civil em âmbito regional recebam capacitação e treinamento adequado de
excelência para que possam desenvolver as respectivas atribuições legais.

84
Biênio 2022/2023

A disciplina “Defesa Civil”, no 11o Biênio 2022-2023, proporcionará ao policial militar o


conhecimento adequado que o auxiliará em ações e respostas efetivas no
gerenciamento de um incidente crítico, quando este for a primeira autoridade a chegar
no local de uma ocorrência complexa.

2 HISTÓRICO DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

2.1 NO MUNDO

No mundo, as primeiras ações dirigidas para a defesa da população foram realizadas


nos países envolvidos com a Segunda Guerra Mundial, sendo a Inglaterra o primeiro
país a instituir a “civil defense” (Defesa Civil) visando à segurança de sua população
após os ataques sofridos entre 1940 e 1941, quando foram lançadas toneladas de
milhares de bombas sobre as principais cidades e centros industriais, causando milhares
de perdas de vida na população civil.

2.2 NO BRASIL

Defesa Civil
4.
Com a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, e preocupado com a
segurança global da população, princípio básico no tratamento das ações de Defesa
Civil, o governo cria, em 1942, o Serviço de Defesa Passiva Antiaérea, a obrigatoriedade
do ensino da defesa passiva em todos os estabelecimentos de ensino. Em 1943, a
denominação de Defesa Passiva Antiaérea é alterada para Serviço de Defesa Civil, sob a
supervisão da Diretoria Nacional do Serviço da Defesa Civil, do Ministério da Justiça e
Negócios Interiores e extinto em 1946. Com a incidência de fenômenos cíclicos, como a
seca na região Nordeste, a estiagem no Centro-oeste, Sudeste e Sul e as inundações nas
mais variadas áreas urbanas e rurais do país, foi criado no ano de 1966, no então Estado
da Guanabara, o Grupo de Trabalho com a finalidade de estudar a mobilização dos
diversos órgãos estaduais em casos de catástrofes. Este grupo elaborou o Plano Diretor
de Defesa Civil do Estado da Guanabara.

O Decreto Estadual nº 722, de 18 de novembro de 1966, aprovou este plano e


estabeleceu a criação das primeiras Coordenadorias Regionais de Defesa Civil - REDEC,
sendo constituída no Estado da Guanabara, a primeira Defesa Civil Estadual do Brasil.

Em 1967 foi criado o Ministério do Interior com a competência, entre outras, de assistir
as populações atingidas por calamidade pública em todo território nacional. A
organização sistêmica da defesa civil no Brasil deu-se com a criação do Sistema
Nacional de Defesa Civil-SINDEC, em 16 de dezembro de 1988, reorganizado em agosto
de 1993 por intermédio do Decreto nº 5.376, de 17 de fevereiro de 2005.

85
No ano de 2012 foi criada a Lei 12.608 de 10 de abril de 2012, que instituiu a Política
Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, e estabeleceu as competências da União,
Estados e Municípios dentro do Sistema de Defesa Civil.

2.3 EM MINAS GERAIS

Criada em 1972, a CEDEC possuia, à época, uma estrutura que não vinha atendendo às
necessidades da Defesa Civil. De acordo com o decreto de criação, a CEDEC era um
órgão colegiado, integrado por representantes de diversos setores da administração
estadual, mas sem vinculação direta a nenhum Órgão, faltando-lhe as bases estrutural e
administrativa sólidas. A fim de corrigir essa falha e dar à CEDEC condições de cumprir
as suas finalidades, foi sancionada pelo então Governador, Dr Aureliano Chaves de
Mendonça, a Lei nº 7157, em 07 de dezembro de 1977, que vinculou a CEDEC ao
Gabinete Militar do Governador e estabeleceu que o Chefe do Gabinete Militar do
Governador (GMG) é o Coordenador Estadual de Defesa Civil.

2.4 COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

A direção do Sistema Estadual cabe ao Governador do Estado, por intermédio da


Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), sob a chefia do Chefe do Gabinete
Militar do Governador, escolhido dentre os oficiais da ativa do último posto da PMMG.
A CEDEC dispõe de condições adequadas para ativar de maneira permanente, as
medidas de defesa e articular as ações governamentais e os recursos comunitários.

Segundo o Artigo 55 da Lei 23.304 de 30 de maio de 2019, o Gabinete Militar do


Governador possui a competência de planejar, coordenar e exercutar atividades de
proteção e Defesa civil no âmbito do Estado de Minas Gerais.

A CEDEC encontra-se estruturada em dois eixos de atuação:

Figura 1: Eixos de atuação da Cedec

86
Biênio 2022/2023

2.5 REGIONAIS DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL – REDEC

Segundo o Decreto 48.095/2020 em seu artigo 2º, as Redec são estruturas


desconcentradas, com competência de executar e supervisionar as políticas públicas e
as ações de proteção e defesa civil em âmbito regional, a partir das diretrizes técnicas
emanadas pelo Gabinete Militar do Governador – GMG, órgão central de proteção e
defesa civil do Estado, baseadas nas premissas da proximidade e acessibilidade ao
cidadão.

As Redec possuem como atribuições: fomentar, coordenar, orientar e monitorar a


elaboração do mapeamento de riscos e de planos de contingência de desastres para a
sua região, em consonância com as diretrizes emanadas pelo GMG. Comunicar à
Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e aos órgãos competentes as ocorrências de
desastres ocorridos no território sob sua responsabilidade e apoiar tecnicamente a
criação de instâncias locais de proteção e defesa civil.

As Redec têm sede nas Regiões de Polícia Militar, subordinando-se tecnicamente ao


Coordenador Estadual de Defesa Civil e operacionalmente ao respectivo Comandante

Defesa Civil
Regional da Polícia Militar. As Redec serão estruturadas com servidores da Polícia Militar 4.
de Minas Gerais – PMMG e deverão ter a composição mínima de um Coordenador
Regional de Defesa Civil e um Agente Regional de Defesa Civil.

Figura 2: Unidades Regionais de Defesa Civil

87
As Redec serão estruturadas com servidores da Polícia Militar de Minas Gerais – PMMG
e deverão ter a composição mínima de um Coordenador Regional de Defesa Civil e um
Agente Regional de Defesa Civil. Poderá ser instituída, no âmbito das Redec, a função
do Auxiliar Regional de Defesa Civil, que será exercida, preferencialmente, por servidor
cedido pelos municípios da área atendida, em colaboração interfederativa, ou por
particular em colaboração com o poder público.

São atribuições do Coordenador Regional de Defesa Civil: fomentar a implantação, no


âmbito regional, da política nacional de proteção e defesa civil, em conformidade com
as normas vigentes. Coordenar as ações de proteção e defesa civil no âmbito da Redec.
Encarregar-se da representação do GMG em solenidades e eventos afetos à proteção e
à defesa civil, quando recomendado. Disponibilizar instalação física adequada para o
funcionamento da Redec. Instalar e coordenar o Gabinete de Crise nas respectivas
regiões quando da ocorrência de desastres ou eventos complexos.

São algumas atribuições do Agente Regional de Defesa Civil, dentre várias outras
previstas no Decreto 48.095/2020: planejar e executar, no âmbito regional, as ações e a
política nacional de proteção e defesa civil, seguindo as diretrizes do GMG. Gerir os
materiais e os equipamentos colocados à sua disposição para o desempenho de suas
funções. Manter-se informado sobre a temática de proteção e defesa civil, pelos meios
institucionais e não institucionais disponíveis. Comunicar ao GMG a ocorrência de fatos
relacionados à proteção e à defesa civil ocorridos na sua área de responsabilidade.
Replicar os alertas enviados pelo GMG ou por outros órgãos do Sistema Nacional de
Proteção e Defesa Civil aos municípios inseridos na sua área de responsabilidade
territorial. Gerir o funcionamento e o estoque do depósito avançado de defesa civil
instalado na Redec, conforme as diretrizes do GMG.

3 CONCEITOS NO ÂMBITO DA POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

A Proteção e Defesa Civil está inserido em um sistema que trabalha entre cooperação
do órgão federal, estadual, municipal, sociedade civil organizada e população em geral
com o fim proteger e salvar vidas, bem como mitigar eventuais danos. Deve-se destacar
que entre os órgãos federal, estadual e municipal não há uma hierarquia, mas a
integração em prol do cuidado e amparo a sociedade é fundamental ao exercício da
atividade de defesa civil.

Defesa Civil é um conjunto de ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e


recuperação destinadas a evitar desastres e minimizar seus impactos sobre a população
e a promover o retorno à normalidade social, econômica ou ambiental. (BRASIL, 2020).
Essas ações ocorrem de forma multissetorial e nos três níveis de governo (federal,
estadual e municipal), exigindo uma ampla participação comunitária.

88
Biênio 2022/2023

Quadro 01 - Ações de Defesa Civil.

Em períodos de normalidade, o foco recai sobre a gestão do Risco, tendo como objetivo
principal o desenvolvimento de capacidades necessárias para gerenciar de forma
eficiente e eficaz todos os tipos de emergências e alcançar uma transição ordenada
desde a resposta até uma recuperação sustentável, como podemos verificar na figura

Defesa Civil
abaixo: 4.

Figura 03 - Gestão do Risco.

Já no período de anormalidade, o foco é a gestão do Desastre, adotando ações de


socorro, assistência humanitária, Logística e o Restabelecimento dos serviços essenciais
e Reabilitação.

89
Figura 04 - Gestão do Desastre.

Desastre: Os desastres podem ser entendidos como o resultado de eventos adversos,


naturais, tecnológicos ou de origem antrópica, sobre um cenário vulnerável exposto a
ameaça, causando danos humanos, materiais ou ambientais e consequentes prejuízos
econômicos e sociais. (Brasil, 2016).

Ameaça/Evento Adverso: A ameaça é identificada como um evento físico,


potencialmente prejudicial, fenômeno e/ou atividade humana que pode causar a morte
e/ou lesões, danos materiais, interrupção de atividade social e econômica ou de
gradação ambiental. Isso inclui condições latentes que podem levar a futuras ameaças,
as quais podem ter diferentes origens: Natural (geológico, hidrológica, meteorológico,
biológico); ou Antrópica (degradação ambiental e ameaças tecnológicas). As ameaças
podem ser individuais, combinadas ou sequenciais em sua origem e efeitos. Cada uma
delas se caracteriza por sua localização, magnitude ou intensidade, frequência e
probabilidade. (UFRGS, CEPED, 2015)

Resiliência: Soma das capacidades de um sistema, comunidade ou sociedade de


resistir, enfrentar, absorver, adaptar-se e recuperar-se de eventos adversos de forma
eficaz, com a preservação e restauração de suas estruturas e funções básicas.

Vulnerabilidade: Tradicionalmente, a Proteção e Defesa Civil compreende o conceito


de vulnerabilidade como “exposição socio-econômica ou ambiental de um cenário
sujeito à ameaça do impacto de um evento adverso natural, tecnológico ou de origem
antrópica (Instrução Normativa 36/2020). O grau de vulnerabilidade seria medido,
então, em função da intensidade dos danos e da magnitude da ameaça. Quanto maior é
a intensidade do impacto e/ou a magnitude da ameaça, mais vulnerável está a
população a esse evento.

90
Biênio 2022/2023

Risco: A discussão sobre riscos e, especialmente, sobre riscos de desastres, tem se


tornado cada vez mais constante no nosso contexto social. Trata-se de um dos
principais conceitos em Proteção e Defesa Civil, pois exige uma reflexão sobre as ações
que podem ser empregadas antes da ocorrência do desastre.

Figura 05 - Risco de Desastre.

Denominamos risco de desastre a probabilidade de ocorrência de um evento adverso,


causando danos ou prejuízos. Convencionalmente, o risco é expresso pela fórmula:
Risco = Ameaça x Vulnerabilidade. De modo geral, essa fórmula apresenta o risco de
desastre como uma relação entre ameaças e vulnerabilidades. É preciso ter clareza

Defesa Civil
disso, pois, a gestão dos riscos, para minimizar os impactos dos desastres, depende das 4.
ações a serem desenvolvidas dentro dessa relação. A Figura abaixo representa a relação
entre ameaça, risco e vulnerabilidade.

Figura 06 - Relação entre Ameaça, risco e vulnerabilidade

Quando consideramos que risco é produto da relação entre ameaças e vulnerabilidades,


podemos concluir que, ao intervir sobre um ou outro, estamos reduzindo o risco, certo?
Quais são as possibilidades efetivas de intervirmos nas ameaças? Em muitos casos,
principalmente em desastres de origem natural, que fazem parte da maioria dos
registros de ocorrências em nosso Estado, é difícil minimizar a magnitude das ameaças,
ou seja, diminuir a quantidade de chuvas, reduzir a velocidade dos ventos ou fazer
chover onde há estiagem, dentre outros. Assim, as ações de gestão de riscos,
especialmente em contextos urbanos, devem direcionar os esforços para diminuir as
condições de vulnerabilidade aos desastres.

91
Em termos didáticos e analíticos é comum separar os conceitos de ameaça e de
vulnerabilidade para compor, posteriormente, a dimensão do risco. Contudo, a atuação
em gestão de riscos não dissocia a ameaça da vulnerabilidade; pois para que uma
ameaça seja uma ameaça é necessário que haja uma condição vulnerável, caso contrário
não repercutirá sobre a sociedade, não provocará danos e prejuízos, e, portanto, não se
constituirá em um desastre.

Percepção de risco: Impressão ou juízo intuitivo sobre a natureza ou grandeza de um


risco determinado. A percepção de risco varia conforme aspectos psicológicos, valores
morais, socioculturais, éticos, econômicos, tecnológicos e políticos de um indivíduo ou
grupo social.

Área de Risco: São áreas consideradas impróprias ao assentamento humano, por


estarem sujeitas a riscos naturais ou decorrentes da ação do homem. Por exemplo,
margens de rios sujeitas à inundação, áreas de alta declividade (encostas ou topos de
morros) com risco de desmoronamento ou deslizamento de terra, etc.

Ponto de Risco: São locais não habitados, mas que coloca em risco a vida das pessoas
que por ali passam (transeuntes). Estes locais não são consideradas áreas de risco,
porém, alteram temporariamente a rotina da população. Ex: pontes, viadutos, túneis e
baixadas de ruas e avenidas.

Desastre Súbito: São eventos adversos que ocorrem de forma inesperada e


surpreendente, caracterizados pela velocidade da evolução e pela violência dos eventos
causadores.

Desastre Gradual: São eventos adversos que ocorrem de forma lenta e se caracterizam
por evoluírem em etapas de agravamento progressivo.

Situação de Emergência: Situação anormal, provocada por desastres, causando danos


e prejuízos que impliquem o comprometimento parcial da capacidade de resposta do
poder público do ente federativo atingido.

Estado de calamidade pública: Situação anormal, provocada por desastre, causando


danos e prejuízos que impliquem o comprometimento substancial da capacidade de
resposta do poder público do ente federativo atingido.

Danos: De acordo com a Instrução Normativa nº 36/2020, dano é o resultado das


perdas humanas, materiais ou ambientais infligidas às pessoas, comunidades,
instituições, instalações e aos ecossistemas como consequência de um desastre. A
classificação dos danos deve considerar a identificação de danos humanos, materiais e
ambientais.

92
Biênio 2022/2023

Danos Humanos: Os danos humanos são dimensionados em função do tipo de dano e


o número de pessoas afetadas pelos desastres, cabendo especificar o número de:
mortos, feridos, enfermos, desabrigados, desalojados e desaparecidos. Em longo prazo,
é possível dimensionar, ainda, o número de pessoas incapacitadas temporariamente e
definitivamente. Portanto, podemos considerar que:

Desabrigados: são as pessoas cujas habitações foram destruídas ou danificadas por


desastres, ou estão localizadas em áreas com risco iminente de destruição, e que
necessitam de abrigos temporários para serem alojadas.

Desalojados: são as pessoas cujas habitações foram danificadas ou destruídas, mas que
não, necessariamente, precisam de abrigos temporários. Muitas famílias buscam
hospedar-se na casa de amigos ou parentes, reduzindo a demanda por abrigos em
situação de desastre.

Desaparecidos: até provar o contrário, são considerados vivos, porém podem ser
considerados desaparecidos quando estão em situação de risco de morte iminente e em
locais inseguros e perigosos, demandando esforço de busca e salvamento para serem

Defesa Civil
encontrados e resgatados com o máximo de urgência. 4.

Danos Materiais: Os danos materiais correspondem, predominantemente, aos bens


imóveis e às instalações que foram danificadas ou destruídas em decorrência de um
desastre, como: instalações de saúde, unidades habitacionais, instalações de ensino,
instalações prestadoras de serviços essenciais, entre outras.

Danos Ambientais: Os principais danos ambientais se referem à: poluição ou


contaminação do ar, da água ou do solo, prejudicando a saúde e o abastecimento;
diminuição ou exaurimentos sazonal e temporário da água; e destruição parcial de
Parque e Áreas de Preservação Ambiental e Áreas de Preservação Permanente
Nacionais, Estaduais ou Municipais.

Prejuízos: Por prejuízo podemos entender a medida de perda relacionada com o valor
econômico, social e patrimonial de um determinado bem, em circunstâncias de desastre
(Instrução Normativa nº. 36/2020). A classificação de prejuízo pode ser feita entre
prejuízos econômicos públicos e prejuízos econômicos privados.

Redução do risco de desastre: Consiste no trabalho conceitual e prático que coordena


esforços sistemáticos na redução do grau de exposição às ameaças e vulnerabilidades,
com gestão ambiental adequada, prevenção e melhoramento na preparação para
desastres. Trabalhar para reduzir o risco é mais eficiente que tentar reduzir os desastres,
pois quando se trata de desastres naturais não há como minimizar as ameaças como,
por exemplo, chuvas intensas, ventos fortes e um terremoto.

93
Gestão de risco de desastre: Processo sistemático de uso de políticas administrativas,
organização, habilidades e capacidades operacionais para implantar políticas e
fortalecer as capacidades de enfrentamento, a fim de reduzir o impacto negativo dos
desastres naturais e a possibilidade de um desastre. A gestão do risco de desastre se
faz, na maior parte do tempo, em períodos de normalidade, com medidas de prevenção
e preparação, para que a ocorrência do desastre seja menos impactante e a resposta e
reconstrução sejam mais eficazes.

Sistema de Comando em Operações: “O SCO é uma ferramenta gerencial, de


concepção sistêmica e contingencial, que padroniza as ações de resposta em situações
críticas de qualquer natureza ou tamanho”. (OLIVEIRA, Marcos de, 2009).

4 AÇÕES ADOTADAS PELO PRIMEIRO INTERVENTOR EM OCORRÊNCIA DE


DESASTRES

A gestão de um incidente é iniciada pelas pessoas que chegam primeiro à cena,


conhecidos como “primeiros respondedores”. A capacidade dos primeiros
respondedores de executar corretamente determinadas tarefas pode decidir se o
incidente será resolvido com sucesso ou não.

Figura 07 - Passos do primeiro interventor.

94
Biênio 2022/2023

No período inicial, as atividades do SCO (Sistema de Comando em Operações) são


desenvolvidas mentalmente, sem a necessidade de registros, devendo o comandante
assumir todas as funções do Sistema. Com o cenário das operações organizado, o
Comando começa a reunir informações para formar um quadro mais completo da
situação, tendo a necessidade de registrar as informações.

Algumas vezes, por necessidade funcional, técnica, gerencial ou política, será necessária
a transferência de comando do incidente. Nesses casos, o Comando será transferido
durante as operações, desde que tal transferência seja feita formalmente, no Posto de
Comando, com a troca de todas as informações necessárias. Para isso, é necessário no
período inicial, seguirmos uma sequência que nos auxiliará a organizar melhor as
atividades. Os passos a seguir compõem um guia de trabalho para o período inicial e
são de responsabilidade do primeiro interventor.

4.1 INFORMAR SUA CHEGADA NO LOCAL DA OCORRÊNCIA

O primeiro interventor ao chegar ao local do incidente, deve informar sua chegada,

Defesa Civil
identificar o comandante e seu contato, confirmar o evento e se possível já identificar o 4.
Posto de Comando (PC).

4.2 ASSUMIR E ESTABELECER O POSTO DE COMANDO

Posto de Comando (PC) é o lugar a partir do qual se exercem as funções de comando,


devendo ser instalado em todas as operações, independentemente do tamanho e da
complexidade. Para estabelecer o PC é necessário estar atento a algumas condições
para segurança e eficiência do serviço: Local seguro (fora da zona de risco) e longe do
ruído e da confusão que geralmente acompanha um incidente; Possibilidade de
(mantendo a condição anterior) uma visão integral da cena do incidente; Possibilidades
de expansão, caso o incidente o requeira; Capacidade para prover vigilância (segurança)
e para controlar o acesso quando seja necessário; Informação de sua ativação e
localização assim que for estabelecido; Sinalização, de modo a ser identificado por
todas as pessoas que estejam envolvidas na resposta ao incidente; Disponibilidade de
comunicação.

Um PC que atenda essas condições é sinal de que a ocorrência tende a ser bem
administrada e gerenciada, o que facilita o atendimento de um incidente e deixa o local
organizado, facilitando a aplicação de muitas características do ICS. Lembrando que o
PC pode ser uma casa, um toldo, ou até mesmo uma viatura, o importante é que todos
saibam onde fica.

95
No PC serão desenvolvidas as estratégias, os objetivos, emissão de tarefas, planos,
procedimentos e protocolos. Os resultados colhidos serão documentados e
mensurados, revistos e, se necessário for, serão corrigidos, todo este cenário tem o
nome de Gestão por Objetivos.

Tal Gestão se responsabiliza pelo controle em todos os níveis jurisdicionais funcionais


durante o incidente, devendo contemplar check-in, check-out, plano de ação do
incidente, responsabilidade pessoal, extensão por controle, rastreamento de recursos e,
principalmente, unidade de comando.

Em um PC a extensão por controle é um elemento chave para a gestão efetiva e


eficiente da ocorrência, correspondendo ao número de indivíduos ou recursos que um
único líder pode gerenciar diretamente e de forma eficiente durante um incidente,
sendo o ideal a relação de 1:5.

Portanto o Posto de Comando ideal acontece quando os órgãos estão falando a mesma
linguagem, com objetivos bem traçados e cada comandante compreendendo e
determinando as missões para cada fração de tropa, ou seja, cada integrante de
qualquer órgão envolvido sabe o seu papel e qual ação irá desenvolver.

Figura 08 - Exemplos de Postos Móveis de Comando

96
Biênio 2022/2023

4.3 AVALIAR E DIMENSIONAR A SITUAÇÃO

Depois de estabelecido o Posto de Comando, o comandante deve fazer a avaliação


(reconhecimento) da situação considerando nove aspectos essenciais: a. Qual a natureza
do incidente; b. O que ocorreu; c. Quais ameaças estão presentes; d. Qual o tamanho da
área afetada; e. Como poderia evoluir; f. Como seria possível isolar a área; g. Quais
seriam os locais mais adequados para Posto de Comando e Área de Concentração de
Vítimas; h. Quais seriam as rotas de acesso e de saída mais seguras para o fluxo de
pessoal e equipamento; i. Quais são as capacidades atuais e presente em termos de
recursos e organização.

4.4 ESTABELECER UM PERÍMETRO DE SEGURANÇA

O primeiro interventor deve estabelecer inicialmente um perímetro de segurança


interno, que isolará a área onde qualquer um pode ficar vulnerável. Ninguém deve ser
autorizado a entrar no perímetro interno sem a aprovação do comandante do incidente.

Defesa Civil
O comandante do incidente deve evacuar os feridos e outras pessoas que correm 4.
perigo, mas somente se for possível fazê-lo em segurança. Outro perímetro, externo,
cria uma zona de segurança onde o órgão respondedor pode operar sem a interferência
de pessoas não autorizadas a atuarem na zona de impacto, além de impedir o tráfego
de veículos não autorizados.

Para estabelecer o perímetro de segurança, deve-se lançar mão de 3 áreas


distintas, conforme a necessidade. Elas são as já conhecidas: ZONA FRIA, ZONA
MORNA e ZONA QUENTE. É muito importante que o primeiro operador de
emergência no local já estabeleça essas áreas para que o atendimento seja
iniciado de maneira organizada.

ZONA FRIA: abriga as instalações e recursos que darão suporte às atividades, mas
apresenta um pequeno risco relacionado à situação crítica e às operações que serão
desenvolvidas. Por isso, na Área Fria, as exigências de segurança são menores
(adequadas ao risco, mas não negligenciadas), e a circulação de pessoas que não têm
relação com a operação só é restrita nas instalações de apoio (Posto de Comando, Área
de Reunião ou Base de Apoio).

ZONA MORNA: área intermediária entre a Área Quente (de maior risco) e a Área Fria
(totalmente segura). Na Área Morna o acesso e a circulação ainda são restritos, mas as
condições de risco não são tão altas, propiciando uma área para que os profissionais se
equipem, repassem orientações e façam as últimas verificações de segurança antes de
adentrar a Área Quente.

97
ZONA QUENTE: é determinada no local que sofreu mais intensamente os efeitos do
evento que causou o incidente. É nessa área que serão desenvolvidas as operações de
maior risco e complexidade.

Figura 09 - Perímetros de segurança.

Para o estabelecimento de um perímetro de segurança alguns passos devem ser


seguidos: a. Tipo de incidente; b. Tamanho da área afetada; c. Topografia; d. Localização
do incidente em relação à via de acesso e áreas disponíveis ao redor; e. Áreas sujeitas a
desmoronamentos, explosões potenciais, queda de escombros, cabos elétricos, etc.; f.
Condições atmosféricas; g. Possível entrada e saída de veículos; h. Coordenar a função
de isolamento perimetral com o organismo de segurança correspondente; i. Solicitar ao
organismo de segurança correspondente a retirada de todas as pessoas que se
encontrem na zona de impacto, exceto o pessoal de resposta autorizado.

4.5 ESTABELECER OS OBJETIVOS INICIAIS

O comandante do incidente deve expressar claramente o que se necessita atingir. É de


fundamental importância a formação de um Comando Unificado, levando-se em
consideração todas as agências envolvidas na catástrofe, pois nem sempre é possível
fazer tudo com os recursos e o tempo que tem disponível. Por isso deve-se traçar
objetivos de forma inteligente.

98
Biênio 2022/2023

Você sabe o que é um objetivo SMART? Smart significa esperto, inteligente em inglês.

Lembre dessa palavra quando ao definir objetivos para um incidente.

Figura 10 - Mnemônico smart.

ESPECÍFICO onde se quer chegar de forma inequívoca. MENSURÁVEL é aquele que


pode ser aferido de forma objetiva. ALCANÇÁVEL é aquele que você sabe e pode
realizar com o que você tem disponível. RELEVANTE é aquele que traz um benefício
importante para o atendimento da emergência. TEMPORIZÁVEL é aquele que tem um

Defesa Civil
tempo para ser concluído. 4.

4.6 DETERMINAR AS ESTRATÉGIAS

A estratégia é descrição do método de como se realizará o trabalho para atingir os


objetivos. As estratégias são estabelecidas em concordância com os objetivos e devem
ser estabelecidas de maneira que possam ser concretizadas. Antes de escolhê-las é
importante verificar a disponibilidade de recursos que possam ser necessários. Podemos
citar como exemplo um ônibus que caiu de uma ponte. O objetivo inicial seria localizar
os passageiros e realizar a triagem de campo, a estratégia para alcançarmos tal objetivo
seria acessar o local com auxilio de cordas. Realizar varredura no perímetro em duplas.

4.7 DEFINIR OS RECURSOS

A utilização correta dos recursos facilita o cumprimento dos objetivos, sendo que sua
solicitação pode ser feita tanto internamente, com os recursos existentes, como
externamente a outros órgãos ou entidades. Alguns exemplos de instituições que
podem ajudar:

99
Figura 11 - Instituições.

Após estabelecer as necessidades de recurso para responder ao incidente, por meio de


um processo ordenado de solicitação, deve-se, assim que possível, registrá-los,
empregá-los e desmobilizá-los quando não se fizer necessário, no intuito de não
desequilibrar a ocorrência com o superávit desses recursos, liberando-os para outras
necessidades.

A correta utilização dos recursos no incidente é fundamental para o alcance dos


objetivos estabelecidos. Visa garantir a otimização, controle e contabilidade dos
recursos disponibilizados no incidente, favorecendo as ações de rastreamento,
mobilização ou desmobilização. Cada recurso utilizado no incidente,
independentemente da instituição a que pertença, passa a fazer parte do sistema,
ficando sob a responsabilidade do comandante do incidente. Gerenciar recursos com
eficiência e segurança é o fator mais importante em um incidente.

4.8 PREPARAR INFORMAÇÕES PARA TRANSFERIR O COMANDO

O Comando Unificado deve estabelecer claramente a função de comando no início de


um incidente. A jurisdição ou organização com responsabilidade primária pelo incidente
designa o indivíduo na cena responsável por estabelecer comando e protocolo para
transferência de comando.

Importante que exista uma linha ordenada de autoridade para o gerenciamento de


incidentes e que os envolvidos saibam a quem devem se reportar e com quais
informações. Quando o comando é transferido, o processo de transferência inclui um
briefing que captura informações essenciais para a continuação de operações seguras e
efetivas e notificando todos os funcionários envolvidos no incidente. O briefing nada
mais é do que um resumo de todas as informações e instruções relevantes para realizar
uma atividade.

100
Biênio 2022/2023

5 CONCLUSÃO

A Defesa Civil é órgão responsável por prevenir e socorrer pessoas das situações de
risco e desastres. O trabalho de prevenção começa com o mapeamento das áreas de
risco, a localização e constatação de situações que possam culminar em desastres ou
acidentes. Diante destas condições, a Defesa Civil realiza ações preventivas para evitar
que o desastre aconteça e, se acontecer, que ele cause o mínimo de danos às pessoas e
ao meio ambiente. Mas quando o desastre acontece sem cuidados prévios, a Defesa
Civil age prontamente socorrendo e minimizando os efeitos causados as pessoas e ao
meio ambiente até a completa estabilização da normalidade.

Sendo assim, foi intenção deste trabalho, demonstrar que é imprescindível que policiais
militares, atuantes no Sistema de Proteção e Defesa Civil em âmbito regional, recebam a
adequada capacitação e treinamento de excelência para que possam desenvolver as
respectivas atribuições legais. O desenvolvimento desta disciplina proporcionou ao
policial militar o conhecimento adequado que o auxiliará em ações e respostas efetivas
no gerenciamento de um incidente crítico.

Defesa Civil
4.

6. REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa
Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o
Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de
informações e monitoramento de desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1o de dezembro de
2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro
de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras providências. Brasília (DF).

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE PESQUISA E ESTUDOS SOBRE DESASTRES (CEPED 2012).


Capacitação Básica em Defesa Civil. Florianópolis-SC, CAD UFSC, 2012.

Federal Emergency Management Agency - FEMA. Incident Command System - ICS 100.
Disponível em:< [Link] Acesso
em: 05 out. 2021.

MINAS GERAIS . Decreto nº 48.095 de 18 de dezembro de 2020. Regulamenta a estrutura


orgânica, a competência e a composição das Unidades Regionais de Defesa Civil, previstas no §
3º do art. 56 da Lei nº 23.304, de 30 de maio de 2019. Minas Gerais, 2020.

MINAS GERAIS. Lei Estadual 7.157 de 07 de dezembro de 1977. Dispõe sobre a


Coordenadoria Estadual de Defesa Civil - CEDEC, cria o Fundo Especial para Calamidade Pública
- FUNECAP e dá outras providências. Minas Gerais, 1977.

101
MINAS GERAIS. Lei 11.102 de 26 de maio de 1993. Dispõe sobre o Gabinete Militar do
Governador do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais, 1993.

MINAS GERAIS. Lei nº 23.304 de 30 de maio de 2019. Estabelece a estrutura orgânica do


Poder Executivo do Estado e dá outras providências. Minas Gerais, 2019.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL. Instrução Normativa GM/MI nº 36, de 04 de


dezembro de 2020. Estabelece procedimentos e critérios para a decretação de situação de
emergência ou estado de calamidade pública pelos Municípios, Estados e pelo Distrito Federal,
e para o reconhecimento federal das situações de anormalidade decretadas pelos entes
federativos e da outras providências. Brasília, DF, 2020.

OLIVEIRA, Marcos de. Sistema de Comando em Operações – Guia de Campo. Florianópolis:


Ministério da Integração Nacional, Secretaria Nacional de Defesa Civil, Universidade Federal de
Santa Catarina, Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre desastres, 2010.

RACORTI, Valmor S. Proposta estratégica para atualização, difusão e emprego da doutrina


de gerenciamento de incidentes na Polícia Militar do Estado de São Paulo. São Paulo:
Monografia de conclusão do Curso Superior de Polícia – I/19. Centro de Altos Estudos de
Segurança CAES “Cel PM Nelson Freire Terra”. Polícia Militar do Estado de São Paulo, 2019.

SANTOS, C. R. M. Ação de comando em “Ocorrências de Alta Complexidade”: estratégias


institucionais na Polícia Militar de Minas Gerais. Monografia (Especialização em Gestão
Estratégica de Segurança Pública). Belo Horizonte, Centro de Pesquisa e Pós-graduação da
Academia de Polícia Militar de Minas Gerais/Fundação João Pinheiro, 2003.

UFRGS; CEPED/RS. Capacitação em Gestão de Riscos. Porto Alegre, 2015

102
DEFESA PESSOAL
5 POLICIAL
TÁTICAS E TÉCNICAS DE PROJEÇÃO,
IMOBILIZAÇÃO E CONTENÇÃO
1 APRESENTAÇÃO

A Defesa Pessoal Policial (DPP) vem evoluindo de acordo com as necessidades


operacionais nas intervenções policiais, juntamente com a popularidade dos esportes de
luta, aumentando a responsabilidade do policial em estar preparado para atuar em
situações que exijam o uso da força. Nesta seara, é observado no treinamento, seja nos
cursos de formação ou no próprio Treinamento Policial Básico (TPB), o ensino e revisão
de diversas técnicas de projeção, controle no solo e imobilização, sem a devida
organização tática, quando a atuação é feita com supremacia numérica. Logo, o que seria
uma vantagem, se torna um complicador quando vários agentes, ao mesmo tempo,
atuam contra um indivíduo, tendo em vista falta de organização e sincronismo na
aplicação das técnicas. Portanto, o conteúdo deste biênio tem como objetivo didático,
servir como base oferecendo para o policial militar na sua vida operacional cotidiana,
noções básicas de técnicas ou, porque não dizer: táticas nas projeções, controles e
imobilizações. Isso diante de situações onde haja necessidade do uso da força, por meio
de controle de contato e controle físico, estando também preparado para bloqueios de
agressões e, posteriormente sabendo proceder as projeções, imobilizações, algemações
e conduções necessárias até o término da intervenção policial.

O objetivo principal deste conteúdo é oferecer algumas opções técnicas, executáveis em


atuação conjunta, básicas, práticas, efetivas e de fácil assimilação, visando garantir a
integridade física do policial militar. Além de capacitar o policial a aplicar as técnicas em
defesa própria ou de outrem, principalmente em situações em que haja comportamento
resistente por parte do abordado, observando sempre os princípios do uso da força,
legalidade, necessidade e proporcionalidade.

Somente o treinamento constante nos leva à perfeição. Portanto, para que qualquer
técnica alcance nível alto de eficiência, é importante realizar repetições, simulando
situações operacionais, buscando sempre aperfeiçoar a execução, para que no momento
em que for necessário colocar em prática, aplicá-la de maneira rápida, instintiva e eficaz.
Deve-se ter em mente que, na maioria das vezes, uma boa verbalização conciliada com
as técnicas de defesa pessoal policial pode evitar, em muitas situações, o uso inadequado
de força ou lançar mão do disparo de arma potencialmente letal.

104
Biênio 2022/2023

2 FUNDAMENTOS

Os fundamentos deste conteúdo consistem em técnicas básicas de projeção e


imobilização com mãos livres e com uso do bastão tonfa, utilizadas em intervenções
policiais com atuação de mais de um policial ao mesmo tempo na imobilização. E,
principalmente, a consciência técnica de utilizá-las, na proporção da necessidade.

A maioria das técnicas de DPP são oriundas de técnicas de artes marciais, sejam golpes
traumáticos, técnicas de projeção (quedas), torções, imobilizações e contenções. Essas
técnicas permitem ao policial controlar sua força de acordo com a reação do infrator, seja
ele resistente passivo ou ativo. De acordo com a agressividade do abordado, o policial
deve primar pelo nível dos danos corporais provocados pelas técnicas, de acordo com a
necessidade. O mais importante é garantir a sua própria segurança, pois a possibilidade
de provocar lesões no agressor é real. O grande desafio técnico é uma atuação
proporcional, sem excessos, atingindo o resultado esperado, qual seja, a cessação da
investida de um agressor, acatamento das ordens do policial ou mesmo a imobilização e
contenção, terminando com o uso de algemas.

As técnicas são voltadas para controlar as atitudes do agressor impondo-lhe dor,


interrompendo a continuidade de sua ação e/ou quebrando sua resistência, seja ela
passiva ou ativa.

Defesa Pessoal Policial


Portanto, ocorrer uma lesão, a partir do momento do controle de contato, é certeira. Cabe 5.
ao policial ter em mente que a possibilidade de provocar lesões, deve ser proporcional à
necessidade e ao risco, justificando o resultado do uso das técnicas de defesa pessoal
policial. É a avaliação de risco de cada situação que vai equilibrar a balança entre a
segurança e o grau das lesões que podem ser provocadas. Logo, é importante relembrar
alguns fundamentos que norteiam a aplicação destas técnicas.

2.1 Primeiro fundamento - O Alvo

O alvo se resume no local ou região do corpo escolhido para aplicação das técnicas de
DPP. O local do corpo, escolhido como alvo vai determinar se a técnica utilizada poderá
provocar desde uma lesão leve, até mesmo o óbito do abordado. Isso, independente se
a técnica utilizada seja um golpe traumático (socos, chutes e pancadas), projeções,
imobilizações ou contenções. Com objetivo de uma exposição didática sobre este
fundamento, relembramos o mapa corporal demonstrado no conteúdo do biênio
2012/2013:

105
Figura 01 - Pontos vulneráveis do corpo humano

Fonte: Caderno doutrinário 13

Em resumo, as regiões em vermelho, escolhidas como alvo tem maior possibilidade de


lesões graves e alta possibilidade de provocar óbito ao abordado, dependendo da técnica
utilizada. Em contrapartida, as regiões em verde, se escolhidas como alvo, tem pouca
possibilidade de gravidade das lesões e, muito menos chances de causar óbito ao
abordado. Por isso, as regiões em verde, que são os membros inferiores e superiores,
serão nossos alvos principais no treinamento de técnicas e táticas de imobilização em
grupo.

2.2 Segundo fundamento – A técnica

O conhecimento da técnica a ser utilizada é essencial para o êxito em qualquer


intervenção com uso da força. Para isso, retomamos as aulas de Defesa Pessoal Policial
(DPP), desde a época dos cursos de formação até as aulas do Treinamento Policial Básico
(TPB). O aprendizado das técnicas é importante. Mais importante ainda é seu
aprimoramento. Como comentado anteriormente, as técnicas de DPP são, em sua
maioria, emprestadas das diversas modalidades de artes marciais. Como premissa da
prática de lutas, além do aprendizado técnico, existe o aprimoramento. O policial deve
ter esta preocupação, pois veremos adiante que a habilidade na execução será de suma
importância na aplicação das táticas de defesa e imobilização com supremacia numérica.

106
Biênio 2022/2023

Atualmente diversas unidades na PMMG têm iniciativas de treinamento em várias artes


marciais, sem custo ao policial. É uma oportunidade única e constante para o aprendizado
e aprimoramento, tornando o interessado muito mais completo profissionalmente e
capacitado para atuar em situações complexas que demandem o uso da força. No TBP
existe a abordagem, repassando opções técnicas de DPP. Porém, o aprimoramento e a
manutenção do conhecimento é de responsabilidade do policial militar.

2.3 Terceiro fundamento – A tática

A tática se define como a estratégia pré-definida, ou seja, o que é preciso fazer, as ações
corretas de cada participante para atingir determinado objetivo. Em nossa disciplina, será
entendida como a organização antecipada de como será feita uma imobilização e
contenção, com funções previamente definidas, de acordo com o número de policiais
participantes na contenção.

É recomendado que antes da abordagem, logo que houver o reconhecimento da situação


e decidida a necessidade de uso da força, com técnicas de DPP, os policiais devem
rapidamente executar um briefing para definir brevemente como cada um atuará na
imobilização e contenção e como será a atuação num todo.

Neste momento, deve-se observar como prioridades de segurança para uma abordagem

Defesa Pessoal Policial


a um resistente passivo ou ativo devem estar na seguinte ordem: segurança do público,
segurança dos policiais e a segurança do infrator. 5.

Na aproximação, os policiais devem observar o abordado e as imediações, com vistas a


volumes na cintura do mesmo, possíveis comparsas que possam estar dando cobertura,
possibilidade de utilização de objetos no entorno que podem ser utilizados como arma,
o espaço físico de atuação dentre outros fatores na avaliação de riscos.

Por último, recomenda-se posicionar a viatura em local favorável para conduzir o


abordado ao compartimento de presos, evitando a fuga, interferência de terceiros da
população e, principalmente, a tentativa de arrebatamento do preso, situação que tem
acontecido com frequência, principalmente em aglomerados.

107
3 MODELOS DE UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS E TÁTICAS NAS IMOBILIZAÇÕES

Para aprendizagem e treinamento serão apresentados modelos de técnicas básicas de


projeção e imobilização com mãos livres e com uso de bastão tonfa, sempre com
supremacia numérica, contra 1(um) abordado, enfatizando a tática para efetuar a
imobilização e contenção.

Neste conteúdo trataremos como imobilização; a atuação para impedir a movimentação


do abordado para agredir os policiais e a contenção entendida como; o posicionamento
do abordado para algemação.

Para isso, é listado abaixo características no grupo de policiais que podem auxiliar na
definição de funções, no momento do briefing:

1) o policial com maior prática e habilidade em Defesa Pessoal Policial e/ou alguma arte
marcial deverá ser o verbalizador. Este se posicionará à frente do abordado, sempre
verbalizando, observando a técnica da Tática de Aproximação Triangular (TAT). Vai atrair
a atenção do agressor estando sempre preparado para a investida inicial ou se defender
de uma possível investida;

Tática de Aproximação Triangular (TAT) (apresentada no Capítulo 1)

Nesta tática, dois policiais militares e o abordado ficam dispostos de maneira que formem
um triângulo. É considerada a forma mais segura e eficiente de aproximação do policial-
militar. (MTP 02/2020 – PMMG).

2) o policial que atuará pela retaguarda do agressor deverá dominar técnicas de torção/
imobilização de membros inferiores. Ele será fundamental para provocar a projeção do
abordado pela retaguarda, retirando seus apoios no solo;

3) o policial que portar um IMPO poderá auxiliar na imobilização. Se a contenção e


algemação realizadas por um, dois ou mais policiais tiver êxito no solo. Ele será
responsável pela cobertura contra investidas de terceiros nos companheiros que
executam a imobilização e condução do abordado.

108
Biênio 2022/2023

3.1 Modelos de técnicas para imobilizar

No atual biênio, a intenção do TPB na disciplina de DPP é simplificar e facilitar a utilização


do conteúdo no dia a dia operacional, bem como a naturalização do emprego de bastão
Tonfa. Portanto, os modelos de técnicas apresentadas para posterior introdução do
treinamento da tática são amplamente ensinados e treinados tanto nos cursos, como no
próprio treinamento policial básico.

- A técnica de imobilização de membros superiores será a chave de ombro.

Sua sequência de execução é a seguinte:

1) A investida é realizada de frente, com o policial posicionando o braço abaixo das


axilas do abordado, na altura do cotovelo; (FIGURA 02)

2) A pegada do policial é realizada na altura do bíceps, próximo ao cotovelo do


abordado, realizando uma torção em seu ombro. Neste momento, o antebraço do
abordado deverá estar apoiado no braço do policial; (FIGURA 02)

3) Se mantém uma torção contínua no braço do abordado, de modo que ele se incline
para frente, no sentido de deitar-se de barriga ao solo.

Defesa Pessoal Policial


5.

#DETALHE TÁTICO: Dois policiais podem executar esta técnica ao mesmo tempo, um
em cada braço do abordado, de forma sincronizada.

109
Figura 02 - Técnica de projeção e imobilização

1 2

3 4

Imobilização com dois policiais.


Fonte: Minas Gerais, 2011c.

- A técnica de projeção e imobilização com investida nos membros inferiores será o


“DOUBLE LEG” pela retaguarda, seguida de CHAVE DE PERNAS EM “X”.

Sua sequência de execução é a seguinte:

1) A investida é realizada pela retaguarda, com o policial “abraçando” as pernas do


abordado, realizando a pegada pouco acima dos joelhos;
2) As pernas são puxadas para trás, apoiando um dos ombro na altura do quadril do
abordado, provocando um tranco (empurrão) para frente;
3) Neste momento o abordado perde o apoio ao solo, sendo projetado de barriga para
baixo;
4) Com o abordado deitado ao solo, se mantém o controle e contato com os membros
inferiores, dobrando seus dois joelhos e, ao mesmo tempo, cruzando suas pernas;
5) O policial finaliza a imobilização apoiando um dos seus joelhos na canela do
abordado, mantendo as pernas cruzadas, transferindo o peso do corpo para este apoio
sem perder o equilíbrio e o controle.

110
Biênio 2022/2023

#DETALHE TÁTICO: Dois policiais podem executar esta técnica ao mesmo tempo, um
em cada perna do abordado, de forma sincronizada.

3.2 Introduzindo a tática nas imobilizações

Após o aprendizado e/ou treinamento dos modelos de técnicas, entra o conceito de


tática. A ideia é a realização dos modelos de técnicas apresentados de forma organizada
pelos policiais atuantes na abordagem. Logo, para o bom treinamento e êxito na
introdução da tática, após adquirir a habilidade devida à execução dos movimentos, deve-
se observar os seguintes preceitos no treinamento e na utilização real:

● ATENÇÃO – os policiais devem ter total atenção e concentração na abordagem,


mantendo o contato visual tanto no abordado, como nos companheiros participantes
na intervenção contra o agressor;
● SINCRONISMO – as investidas contra o abordado e os movimentos técnicos
devem ocorrer no tempo exato, com agilidade e convicção. A falha neste preceito pode
ocasionar risco ao companheiro que iniciou o contato, pois estará sem auxílio,
momentaneamente, durante a imobilização.
● DECISÃO – a investida deve ser feita por todos os policiais participantes da
imobilização, com rapidez por parte de todos os policiais.

Defesa Pessoal Policial


● VIGOR – a execução do contato com o abordado, a aplicação das técnicas, a
manutenção da imobilização e contenção devem ser feitas de forma vigorosa, 5.
desestimulando a reação e resistência do agressor.
● CONTROLE – mesmo depois de completa a imobilização e contenção, o controle
do abordado deve ser mantido, desmotivando o mesmo a retomar a resistência ou
realizar uma agressão contra um dos policiais.

Observados os preceitos acima, agora cabe a execução das técnicas em grupo, repetindo
as imobilizações, alternando a função entre os policiais. A execução deve sempre observar
a supremacia numérica, realizando as táticas variando a quantidade de policiais de dois a
cinco participantes. O encerramento da abordagem no treinamento é o posicionamento
do abordado de barriga para baixo, na posição de algemação (contenção). As técnicas de
torção de articulações, de projeção e controle de membros superiores e inferiores podem
ser feitas com variações, dependendo do nível de habilidade dos policiais.

Concluindo, o objetivo da DPP neste biênio, além de ser mais uma oportunidade de
aprendizado e treinamento, é fomentar o aprimoramento constante através dos conceitos
apresentados, tornando a assimilação das técnicas e táticas mais fácil e acessível.

111
4 O EMPREGO DE BASTÃO TONFA

No biênio 2022-2023, não se busca treinar em apartado as técnicas de emprego de bastão


Tonfa, antes, busca-se a naturalização do uso do bastão Tonfa como fator de
potencialização das técnicas a mãos livres. Assim, serão utilizadas as técnicas já bastante
difundidas e treinadas pelos policiais militares, quais sejam:

a) estocadas longas e curtas;


b) varridas verticais e horizontais;
c) imobilização de membros superiores;
d) defesas contra golpes traumáticos.

4.1 Estocadas

As estocadas são os contragolpes básicos com o bastão tonfa, os quais são empregados
como um prolongamento do punho do policial, como se fosse desferir um soco. As
estocadas podem ser de dois tipos: a estocada longa e a estocada curta.

Nos movimentos de estocada o quadril dá a amplitude e potência aos golpes. Por isso o
policial não pode se limitar a esticar o braço, ele necessita girar o quadril e projetar o
corpo. Atingindo ou não o agressor o policial deve recuar rapidamente o bastão à posição
inicial, evitando que seu instrumento seja arrebatado.

4.2 Varreduras

As varreduras são destinadas aos contragolpes inicialmente, são muito eficientes e de


fácil execução. Esses golpes devem partir da empunhadura básica, quando o policial
segura o bastão pelo punho. O Bastão deve estar firma na mão do policial no momento
em que o bastão atinge o agressor. As varreduras podem ser

a) horizontais;
b) verticais;
c) diagonais;
d) diagonais em X.

112
Biênio 2022/2023

4.3 Imobilização de membros superiores

Uma das funções nas quais se destaca o uso do bastão tonfa é o auxílio nas imobilizações
e conduções. Para o tipo de intervenção que será treinada no biênio 2022-2023 o TPB, a
técnica de condução com forçamento da articulação do ombro será muito utilizada.
Consiste numa chave de ombro, na qual o policial após dominar o braço do infrator, o
conduz ao solo para a imobilização final e algemação. A descrição da técnica
pormenorizada será realizada em aula prática.

4.4 Defesas contra golpes traumáticos

A defesa contra golpes traumáticos se divide em dois tipos: esquivas e bloqueios. As


técnicas de esquiva têm o objetivo de retirar o policial do vetor de força da agressão, já
as técnicas de bloqueio têm o objetivo de minimizar os impactos da agressão, e, em
contrapartida, facilitar o contragolpe em virtude da curta distância do policial em relação
ao autor. Porém, ainda que minimizados, o policial sofrerá, em alguma medida, o impacto
da agressão desferida. São defesas contra golpes traumáticos utilizando bastão tonfa:

a) bloqueio contra socos;


b) bloqueio contra chutes;

Defesa Pessoal Policial


c) bloqueios laterais;
d) bloqueios contra golpes sobre a cabeça. 5.

5 CONCLUSÃO

No 11º biênio vamos trabalhar Defesa Pessoal Policial presencial, trabalhando as


intervenções com supremacia de força, abordando os vários tipos de resistências. As
técnicas serão executadas a mãos livres e com uso do Instrumento de Menor Potencial
Ofensivo. As técnicas de defesa, quebra de resistência, projeção, imobilização, algemação
e condução, atuando com mais de um policial.

113
PRIMEIRO INTERVENTOR EM
6 OCORRÊNCIAS DOS DEMAIS
ESFORÇOS DA MALHA PROTETORA
1 INTRODUÇÃO

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) encontra-se em constante aprimoramento e


evolução de suas técnicas, manuais e doutrinas. Com o Treinamento Policial Básico (TPB)
não poderia ser diferente. Especificamente no que tange à atuação do policial militar
primeiro interventor, o TPB biênio 2022-2023 reúne informações importantes que
norteiam e promovem embasamento técnico ao policial militar que se depara com
ocorrências típicas dos serviços especializados da PMMG.

Em regra, a figura do primeiro interventor recai sobre o militar responsável pelo


policiamento ostensivo geral (POG), o qual é realizado pelas unidades com
responsabilidade territorial. Para essa atuação os militares necessitam conhecer
protocolos iniciais para atuar em ocorrências de maior complexidade, típicas do
policiamento especializado. Tal conduta é definida pela PMMG como atuação de primeiro
interventor. O policial primeiro interventor é de extrema importância para o êxito da
ocorrência e, por isso, faz-se necessário esse estudo para preparar o militar para que
realize ações técnicas e conscientes, precursoras da atuação das unidades especializadas.
Pretende-se, portanto, responder aos questionamentos “o que/ como/ por que eu devo
fazer?”

2 ASPECTOS GERAIS DA DOUTRINA DE GERENCIAMENTO DE CRISES E PRIMEIRA


INTERVENÇÃO

Conforme descrito na Instrução 3.03.24/2018-CG, que regula a atuação do policial militar


primeiro interventor em ocorrências de incidentes críticos de segurança pública de
natureza policial, uma crise, segundo a Academia Nacional do FBI, é um evento ou
situação crucial que exige uma resposta especial da polícia a fim de assegurar uma
solução aceitável. Conforme descrito ainda na mesma Instrução, a Polícia Militar define
incidentes críticos de segurança pública como: fenômenos sociais complexos de quebra
de normalidade que, por colocarem a vida dos cidadãos em risco, exigem a intervenção
especial de polícia.

São também fenômenos sociais complexos de quebra da normalidade que, por


colocarem a vida dos cidadãos em risco, exigem a intervenção especial da polícia.

Os Incidentes Críticos também são conceituados como fenômenos sociais com


características próprias que se tornam críticos pelo grau de impacto que provocam nas
pessoas. Geralmente são fatos que pela sua gravidade traumatizam extremamente os
envolvidos.

116
Biênio 2022/2023

A Instrução 3.03.28/2020-CG, que regula a atuação do policial militar no gerenciamento


de crises decorrentes de incidentes críticos de natureza policial, complementa os
conceitos acima apresentados trazendo as principais características de uma crise, aqui
tratada de forma mais direcionada como incidente crítico de segurança pública de
natureza policial:

a) Imprevisibilidade relativa;
b) Compressão do tempo;
c) Ameaça a vida.

Além das características apresentadas, a Instrução 3.03.28/2020-CG informa ainda sobre


a necessidade da implementação de algumas condutas e procedimentos específicos para
que o agente ou órgão responsável pela gestão da crise possa melhor desenvolver
estratégias para a busca da solução aceitável do evento crítico:

a) Uma postura não rotineira das instituições, o que obriga a treinamentos


prévios e o desenvolvimento e cumprimento de protocolos específicos;
b) Planejamento analítico especial;
c) Capacidade de implementação, confrontação e neutralização de forças
adversas.

Gerenciamento de crises, conforme se extrai da doutrina vigente, é um conjunto de


procedimentos e ações que devem ser adotados diante de uma situação de crise com o
objetivo de minimizar impactos negativos, por meio da correta gestão de recursos

Primeiro interventor
em Ocorrências
humanos e logísticos, com o intuito de reestabelecer a ordem pública e salvar vidas. Trata-
6.
se do processo eficaz de identificar, obter e aplicar em conformidade com a legislação
vigente, as medidas estratégicas adequadas para a resolução do evento crucial, a fim de
preservar a vida e a integridade física dos envolvidos, a aplicação da lei e o
restabelecimento da ordem pública.

Assim, o primeiro interventor nesse contexto é o profissional de segurança pública que


primeiro se depara com a situação crítica, tendo a responsabilidade de adotar medidas
urgentes e importantes que culminarão na preservação de sua segurança, de terceiros,
bem como na resolução de forma aceitável do Incidente.

117
Além o Primeiro Interventor, a doutrina vigente traz outros componentes operacionais
importantes, que atuarão diretamente na solução do incidente crítico, quais sejam:

Controlador do Incidente: CPU ou correspondente dentro da coordenação e controle


das atividades. São os policiais militares responsáveis pela gestão operacional do
policiamento ostensivo. É o policial responsável por realizar o contato com o primeiro
interventor, coletar informações iniciais, confirmar tipologia do incidente crítico e
repassá-las ao COPOM. É o responsável também pela correta disposição dos recursos
da área no teatro de operações.

Gestor do Incidente: É a autoridade técnica no local. Para incidentes críticos de


natureza policial, via de regra essa função recairá para o oficial do BOPE. Cabe ressaltar
que, conforme a tipologia da crise, principalmente se relacionada a outro portifólio,
caberá a Unidade responsável tecnicamente pela intervenção gerir tecnicamente a
situação crítica no local.

Comandante da Cena de Ação: O Comandante da cena de ação é a autoridade de


linha. Será o policial mais antigo no local. Em termos funcionais, o comandante da cena
de ação deverá ser hierarquicamente superior ao gestor do incidente, devendo exercer
o comando e a coordenação de todo o efetivo envolvido na operação.

Além dos Componentes Operacionais, em um ambiente de crise estão presentes ainda


terceiros não envolvidos, terceiros envolvidos (vítimas/reféns) e os perpetradores, que são
os causadores do incidente crítico. Pode ser visto na Instrução 3.03.24/2018-CG a previsão
de cinco tipos de perpetradores de incidentes críticos, e sua correta identificação facilitará
o processo de resolução da crise:

a) Criminoso comum: Planeja suas ações com vistas a obter vantagens ilícitas;
b) Mentalmente perturbado: Não apresenta seu estado normal de psique;
c) Ocasional/eventual: Geralmente ao realizarem um crime são flagrados e tomam
pessoas como reféns;
d) Suicida armado: Apresenta necessidades psicológicas frustradas ou que passa por
sofrimento psicológico;
e) Terrorista: Indivíduos motivados por pensamentos pseudo-religiosos, ideologias
radicais, visão política de intolerância.

118
Biênio 2022/2023

Tanto na Instrução que trata da atuação do Primeiro Interventor (3.03.24/2018-CG)


quanto no MTP 01 (Manual Técnico Profissional 3.04.01/2020-CG) trazem as ações básicas
que devem ser adotadas pelo Primeiro Interventor que se depara com um incidente crítico
de segurança pública de natureza policial.

Considerando a importância da atuação do primeiro Interventor, serão enfatizadas as


principais ações que devem ser adotadas para os principais grupos de naturezas afetas a
temática:

a) Tentativa de autoextermínio com o perpetrador armado (suicida armado);


b) Ocorrências com reféns;
c) Ocorrências envolvendo artefatos explosivos;
d) Infrator(es) armado(s) homiziado(s) em área de mata.

De forma genérica, conforme previsto no MTP 01, de forma geral, o Primeiro Interventor
deve adotar as seguintes ações:

1) Não adentrar a área de risco e manter-se em segurança;

2) Conter a crise, ou seja, impedir que outras pessoas ou áreas sejam envolvidas;

3) Isolar o local;

4) Solicitar apoio via rede rádio, tanto de reforço do policiamento local, quanto da

Primeiro interventor
Unidade Especializada, no caso do Batalhão de Operações Policiais Especiais;

em Ocorrências
6.
5) Iniciar a verbalização e, no caso de ocorrências envolvendo artefatos explosivos,
manter o controle e o isolamento já realizado até a chegada do BOPE ou adotar
as providencias repassadas pelo técnico do Esquadrão Antibombas do BOPE.

Embora apresente um passo a passo de fácil compreensão, sua execução, considerando


principalmente o nível de estresse e periculosidade de ocorrências com essas
características, exige alto nível de preparo do policial militar, que deve estar em continuo
treinamento e atuando no devido estado de prontidão, buscando sempre fazer uma
correta avaliação dos riscos e pensamento tático adequado para que faça um correto
diagnóstico da situação de forma rápida e correta.

119
De forma geral, o primeiro interventor deve ter como principais ações no teatro de
operações:

a) Identificar o tipo de incidente (se é uma ocorrência com refém ou um suicida


armado por exemplo);

b) Caracterizar o tipo de perpetrador (se mentalmente perturbado ou criminoso


comum por exemplo);

c) Adotar as ações iniciais de isolamento, preservação do local, coleta de dados e


testemunhas).

Alguns pontos importantes devem ser observados pelo primeiro interventor, dentre eles
se destacam:

a) O grau máximo de perigo em um incidente crítico ocorre dos 15 aos 45


primeiros minutos;

b) O primeiro interventor estabelece uma conversação sem, contudo, se preocupar


em atender concessões impostas pelo perpetrador (tomador de reféns, suicida
ou infrator armado barricado);

c) Suas principais preocupações devem ser sua própria segurança, conter o


perpetrador do Incidente Crítico no ponto crítico, isolar o local e buscar reduzir
ao máximo o nível de estresse e tensão.

120
Biênio 2022/2023

Assim, como um passo a passo básico e em constante monitoramento, devem ser


adotadas as ações de: CONTER, ISOLAR, ESTABILIZAR, VERBALIZAR e ACIONAR.

- Evitar que a situação aumente o grau de risco;


- Impedir o aumento da quantidade de reféns;
- Impedir o aumento da área do perpetrador;
CONTER
- Impedir que conquistem posições mais seguras;
- Impedir que tenham acesso a recursos diversas sem a devida
análise técnica.
- Definir os perímetros de segurança e isolamento;
- Interromper o contato do perpetrador com o exterior;
ISOLAR - Manter vias de acesso, locais para ambulância e viaturas;
- Identificar o Ponto Crítico;
- Manter e organizar o isolamento.
- Acalmar o perpetrador e vítimas;
- Diminuição da tensão;
ESTABILIZAR
- Manter o ponto crítico tranquilo;
- Evitar sirenes, aglomerações e barulho.
- Primeiro contato após estar abrigado e me segurança;
- Tranquilizar o perpetrador;
- Colher dados por meio da escuta ativa;
- Não fazer promessas e barganhas;

Primeiro interventor
- Anotar as frases ditas por ele e as exigências, com os horários.

em Ocorrências
VERBALIZAR - Manter o perpetrador do incidente crítico ocupado; 6.
- Mostrar preocupação com a saúde do perpetrador e com as
pessoas que estão com ele;
- Não oferecer nada e nem despertar exigências por parte do
perpetrador;
- Procurar minimizar gravidades sem rebaixar ou depreciar o motivo
apresentado pelo perpetrador para sua ação.
- Acionar o Controlador do Incidente (CPU ou CPCia);
- Acionar SAMU, BM, Órgãos de Trânsito, conforme tipologias;
ACIONAR
- Repassar quadro de situação;
- Repassar informações sobre tipologias.

121
Conforme análise de situação, a Unidade Especializada deverá ser prontamente acionada
para a intervenção, conforme a tipologia do Incidente Crítico.
Importante o entendimento de que, para uma intervenção em um Incidente Crítico de
qualquer natureza, existem algumas exigências que devem fazer parte da análise no
processo de tomada de decisão sobre as providências a serem adotadas. Tais exigências
são:

1º) Protocolos Operacionais: Para cada tipo de intervenção, seja da ordinária até
ocorrências de alta complexidade, protocolos operacionais devem ser adotados para
a busca do resultado aceitável.

2°) Logística apropriada: Sem a logística necessária para a uma intervenção policial, os
resultados podem ser desastrosos;

3º) Capacitação, formação e educação continuada: A formação policial básica, seguida


da especialização e da continuidade dos treinamentos específicos para cada tipo de
intervenção irão assegurar, de forma conjunta com as demais exigências, o êxito na
intervenção policial.

Abaixo estarão desdobradas as principais ações que devem ser adotadas pelo primeiro
Interventor para as naturezas descritas, bem como o que se deve evitar fazer:

2.1 TENTATIVA DE AUTOEXTERMÍNIO COM O INDIVÍDUO ARMADO

Manter-se em segurança. Isso implica em não se aproximar do ponto crítico (local onde
está o indivíduo armado), ou do próprio indivíduo armado por não acreditar na
possibilidade que este perpetrador possa tentar contra a vida do agente de segurança. O
policial deve fazer uso de abrigos naturais e artificiais, inclusive com o emprego de
escudos e capacete balístico para sua segurança;

Conter a crise impedindo que ela se agrave ou que envolvo outros agentes e fatores. O
correto cerco ao local, com a presença policial auxilia nesse processo;

Isolar tanto o indivíduo causador da crise por meio de processos de contenção quanto
isolar todo o teatro de operações. É importante afastar curiosos e delimitar perímetros de
segurança. O agente de segurança pode utilizar viaturas, cones, cavaletes, fita zebrada e
a própria presença policial. O isolamento deve ser suficiente para que não haja
interferência externa de terceiros, para que haja o controle midiático e seletivo de
imagens. Contudo, não pode se tornar tão grande que prejudique mais do que necessário
a rotina da região onde está ocorrendo a crise;

122
Biênio 2022/2023

Acionar reforços locais para auxiliar no controle do teatro de operações. O CPU deve ser
o Controlador do Incidente e coordenar o deslocamento de apoio. Não é necessário que
o CPU, no local do Incidente, substitua imediatamente o primeiro interventor que já esteja
verbalizando. Assim, o ideal é que o primeiro policial que se depare com o causador e
inicie o processo de parlamentação se mantenha até a chegada da Unidade especializada;

Estabilizar o cenário se traduz em adotar ações, tanto de forma direta ao causador do


incidente crítico, que precisa reduzir seu nível de estresse para que sua racionalidade
possa o mais breve possível sobrepor ao seu emocional, quanto em todo o teatro de
operações, para que se reduza a tensão. Gritos incessantes ou tentativa de imposição de
autoridade junto ao causador da crise apenas contribuirão para aumentar a indisposição
deste junto aos policiais no local. Da mesma forma, sirenes ligadas no local, isolamento
incorreto, gritaria, musica local, desorganização policial e aglomeração em “rodas de
conversas”, tudo isso contribui para o aumento da tensão local e devem ser evitados.
Cabe ao CPU ou mais antigo no local essa constante análise e controle e a todos os
policiais no local o entendimento sobre a estabilização da crise. Quem estiver “sem
função” não deve estar no local.

Verbalizar junto ao causador do evento crítico. Buscar estabilizar a situação, praticando a


escuta ativa e apresentando cenários positivos em desconstrução aos problemas
apresentados pelo perpetrador, sem contudo, desmerecer esses problemas.

Não há processo de negociação policial sem a presença das alternativas táticas da


Unidade Especializada – BOPE. Assim, o processo de verbalização deverá buscar
inicialmente acalmar o causador para que suas emoções latentes possam ser suprimidas
pelo seu lado racional.

O policial não deve fazer promessas mentirosas ou mentir deliberadamente, mas deve

Primeiro interventor
em Ocorrências
utilizar técnicas de oratória adequando seu timbre e tom de sua voz a do causador,
mantendo um discurso coeso, sem o emprego de palavras de baixo calão, demonstrando 6.
preocupação e atenção ao potencial suicida.

O policial deve também buscar ouvir o causador, com paciência, pois a escuta ativa é a
principal ferramenta para a solução desses tipos de ocorrências. Importante que se colete
todas as informações sobre ele, anotando por meio de um segundo policial as principais
informações e progressão do comportamento, positivos e negativos, com a descrição dos
horários e os principais fatos falados e levantados por meio de terceiros. O policial
verbalizador deve buscar focar nos pontos que claramente houve uma recepção positiva
pelo causador do evento crítico e tentar dissuadi-lo do pensamento suicida.

Acionar a Unidade Especializada – BOPE, bem como Unidades de Resgate ou pronto


atendimento médico de emergência, além do reforço que se fizer necessário
(policiamento de trânsito, órgão de controle de trânsito municipal, CEMIG, etc.).

123
O BOPE possui equipe diuturna pronta para o apoio em qualquer local de Minas Gerais.
Assim, a brevidade do acionamento é fundamental para a rápida mobilização do apoio.
Por vezes a demora do acionamento prejudica a solução da crise e causa resultados
perniciosos não desejados. O BOPE é uma ferramenta a ser empregada pelo policial que
primeiro se depara com a crise e deve ser prontamente acionado. Assim, o não
acionamento tempestivo somado a ações precipitadas ou isoladas podem comprometer
a segurança da equipe policial, de terceiros, do causador da crise e comprometer toda a
imagem institucional.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Demora no acionamento do BOPE;


2) Não criar o perímetro de isolamento adequado;
3) Substituição desnecessária do militar que inicialmente assumiu a função do
verbalizador por questões de hierarquia;
4) Precipitação de ações de intervenção tática por policiais sem o treinamento e
logística adequada.

2.2 OCORRÊNCIAS COM REFÉNS

As ações a serem adotadas são basicamente as mesmas relacionadas a crises com


indivíduo armado em tentativa de autoextermínio, com os seguintes acréscimos:

É importante buscar informações sobre a condição de saúde das pessoas no ponto crítico
(reféns e causadores do evento crítico);

Não se deve ofertar ou entregar ao causador itens que comprometerão a solução da crise,
como armas, veículos, celulares, ou mesmo coletes balísticos sem uma prévia análise
preferencialmente pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais;

O acionamento da unidade especializada deve ser o mais breve possível;

O policial não deve ser possuído por sentimentos pessoais de profundo envolvimento
com a crise, uma vez que uma breve saída do campo racional pode fazer com que ocorra
o desenvolvimento de síndromes como a de “Hollywood”, na qual o policial poderá
precipitar ações ou deixar de adotar por acreditar que pode resolver a ocorrência de
forma isolada;

124
Biênio 2022/2023

Iniciar a verbalização, buscando manter aberto o canal de comunicação entre o


perpetrador e os militares de forma a minimizar a gravidade do fato e tranquilizar o
perpetrador e refém;

Não ofertar ou entregar ao perpetrador itens que comprometerão a solução da crise, sem
a devida orientação da equipe do BOPE;

Buscar informações sobre a condição de saúde dos envolvidos;

Deve ser dado a devida atenção à mídia. O controle de imagens e informações é de


fundamental importância para a solução aceitável da crise. A imprensa deve ser tratada
como um facilitador no processo e na aceitação pela sociedade da intervenção policial.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Demora no acionamento do BOPE;


2) Não criar o perímetro de isolamento adequado;
3) Substituição desnecessária do militar que inicialmente assumiu a função do
verbalizador por questões de hierarquia;
4) Precipitação de ações de intervenção tática por policiais sem o treinamento e
logística adequada;
5) Deixar de arrecadar e registrar informações sobre o perpetrador, refém e ponto
crítico (exemplos: nomes, armamento, motivação, se fez uso de drogas, se toma
remédio controlado, outros).

Primeiro interventor
em Ocorrências
2.3 OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO ARTEFATOS EXPLOSIVOS 6.

Identificar o ponto crítico: local da explosão ou onde se encontra o artefato explosivo ou


objeto suspeito;

Manter-se afastado do objeto suspeito, artefato explosivo ou explosivo;

Isolar a área e o local de forma a se afastarem as pessoas curiosas e o transito de veículos,


além de preservar o local. Importante o contínuo monitoramento desse isolamento, uma
vez que a curiosidade das pessoas pode fazer com que o isolamento, se mal feito ou
monitorado, seja desrespeitado;

Comunicar o fato ao CPU ou mais antigo do local (CPU, comandante do pelotão,


destacamento ou supervisor);

125
Acionar o Esquadrão Antibombas do BOPE e, por meio de contato horizontal com técnico
da Unidade, receber as orientações e adotar as providencias repassadas pelo policial do
Esquadrão Antibombas.

Coletar informações sobre a origem por meio de testemunhas ou outra fonte que se
apresente;

Manter a vigilância sobre a área isolada.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Não criar perímetro de segurança, aproximando-se ou permitindo que terceiros


se aproximem do artefato sem orientação do BOPE;
2) Manusear o artefato sem o prévio contato com o BOPE;
3) Desconsiderar possíveis armadilhas próximas ao artefato;
4) Deixar de analisar questões atinentes à trânsito de veículos e pessoas, como
forma de causar transtornos além do que o necessário para intervenção com
segurança.

2.4 INFRATOR(ES) ARMADO(S) HOMIZIADO(S) EM ÁREA DE MATA

Caberá ao primeiro interventor identificar a localização e manter o cerco com viaturas de


forma ostensiva;

Manter sua segurança, priorizando pontos mais elevados de comandamento;

Uma vez identificado local de acesso à área de mata, preservar esse ponto;

Acionar o BOPE para que possa apoiar por meio do COMAF (Comando de Operações em
Mananciais e áreas de Florestas) e a equipe de ROCCA para apoio com cães.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Adentrar a região de mata uma vez que podem se colocar em risco e


comprometer a possibilidade de intervenção das Unidades Especializadas;
2) Não dar a devida importância ao cerco e ao posicionamento dos militares em
pontos de comandamento por questões de contenção e segurança;
3) Desmerecer a situação, postergando o acionamento das Unidades
Especializadas e adotando uma postura impulsiva e impaciente.

126
Biênio 2022/2023

Em períodos noturnos é importante manter os dispositivos luminosos (giroflex) das


viaturas no cerco ligados e utilizar técnicas de inquietação para desmotivar o criminoso a
tentar contra as equipes ou a sair da área cercada.

A execução de operação de cerco e bloqueio deve ser priorizada em relação a


qualquer outra medida, sendo imediatamente levada a efeito após a eclosão de crimes
a exemplo de ataques criminosos a agências bancárias, dentre outros, bem como
coordenada por Posto de Controle (fração local), de modo que se permita a intervenção
aproximada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).

Conforme dito, o policial precisa conhecer os documentos e conteúdo doutrinário que


tratam da temática, estudando e se capacitando continuamente, de forma a estar apto a
intervir positivamente em ocorrências críticas que possa vir a se deparar, com segurança
e profissionalismo.

3 ACIONAMENTO DE DEMAIS UNIDADES ESPECIALIZADAS

Considerando a enorme quantidade de situações que o policial militar pode se deparar,


importante esse primeiro interventor ter em mente que para diversas situações
específicas existem diversos instrumentos para maximizar e garantir uma intervenção
exitosa.

3.1 COMANDO DO AVIAÇÃO DE ESTADO – COMAVE

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte o apoio aéreo pode ser solicitado 24 horas
por dia em todos os dias da semana. Nas cidades em que há Base Regional de Aviação

Primeiro interventor
em Ocorrências
do Estado, BRAVE, o acionamento da aeronave é realizado diretamente pelo militar via
rede rádio. Nas cidades que não são sede de BRAVE, o acionamento da aeronave deve 6.
ser solicitado ao COPM.

O papel do primeiro interventor é fundamental em alguns tipos de ocorrências em que


há o apoio da guarnição aérea, nas quais a localização precisa e tipo de ocorrência são
muito importantes para o apoio, contudo, cuidado: Alguns nomes de bairros e
aglomerados podem fornecer informação imprecisa e atrasar o apoio aéreo.

Ao orientar a aeronave é importante usar analogia das posições do relógio para facilitar
a comunicação.

A posição 12 horas é sempre a posição à frente da aeronave. Deve-se utilizar o sistema


de orientação do relógio, onde considera-se que o helicóptero se encontra sobre um
relógio e que a sua frente represente a posição de 12 horas, a direita da aeronave, em um

127
ângulo de 90 graus, represente a posição de 03 horas, a retaguarda da aeronave, em um
ângulo de 180 graus, represente a posição de 06 horas, a esquerda da aeronave, em um
ângulo de 270 graus, represente a posição de 09 horas.

Figura 01 - Orientação espacial da aeronave

Fonte: Caderno Doutrinário 07.

Em ocorrências no período noturno, as viaturas devem manter os dispositivos luminosos


ligados para facilitar a localização dos militares. O feixe de lanternas intermitentes em
direção a aeronave também pode auxiliar à guarnição aérea.

Em operações planejadas e em áreas não urbanas é necessário fornecer a posição através


de coordenadas geográficas. Devem estar em formato de graus, minutos e segundos,
podendo ser obtidas através do rádio HT, aplicativos de celular e em sites da internet.
Em ocorrências com suspeitos evadindo em áreas urbanas é importante manter o cerco
ao local e indicar imóveis que precisam ser priorizados para uma varredura pela guarnição
aérea.

Em ocorrências de varreduras em matas, além do cerco, é importante indicar


características e número de suspeitos e o último local que foram avistados. Quando em
apoio de ROCCA a aeronave manterá um voo mais alto para não interferir nos rastros
deixados.

128
Biênio 2022/2023

São exemplos de ocorrências nas quais o apoio aéreo potencializará a atuação dos
policiais:

 Ações de acompanhamento, interceptação, cerco e bloqueio de veículos,


auxiliando na segurança dos policiais em terra durante a abordagem e impedindo
a fuga dos indivíduos, possibilitando ainda a descrição antecipada das rotas de
fuga;
 Auxílio à captura de cidadãos infratores, homiziados em matas e locais de difícil
acesso;
 Repressão imediata aos crimes cujos os autores empreendem fuga em áreas
urbanas, permitindo uma rápida busca nas imediações do local onde se deu o
evento criminoso, auxiliando as viaturas e o trabalho dos policiais no solo,
orientando sua distribuição no terreno.

3.2 BATALHÃO DE POLÍCIA DE CHOQUE – BPCHQ

As operações de controle de distúrbios incidem nos controles de distúrbios propriamente


ditos, manifestações e movimentos grevistas, desobstrução de vias, repressão à rebelião
e motins em presídios e intervenção em conflitos relativos à posse e ao uso de terras e
imóveis rurais e urbanos.

3.2.1 Eventos em via pública

Os eventos em via pública sem autorização do Poder Público exigem das Unidades com
responsabilidade territorial condutas de prevenção, a saber:

Primeiro interventor
em Ocorrências
 Monitorar as redes sociais; 6.
 Ocupar os locais do evento antes da aglomeração de pessoas;
 Empregar todos os recursos disponíveis da unidade para impedir que o evento se
inicie.

As condutas se executadas com acerto, impedirão, em regra, que o evento ocorra. Caso
mesmo assim venha ocorrer, deverão ser adotadas providencias policiais que
possibilitarão o emprego da tropa de choque, neste caso deverá ser observado:

 Acionamento do Batalhão de Polícia de Trânsito, ou equivalente no município;


 Coleta de informações relativas ao número de participantes, ânimos, presença de
indivíduos armados, rotas de fuga para dispersão no caso da necessidade do uso
da força, entre outras que se fizerem necessária no momento.

129
Esgotada a capacidade de reação das forças de segurança com responsabilidade
territorial, acarretando risco à integridade física dos integrantes em face de intervenção
no evento, a UEOp solicitará apoio ao BPChq, ou equivalente, que deslocará no primeiro
momento o Oficial Comandante do Pelotão ou o Oficial Operacional, que no local avaliará
a viabilidade de emprego da tropa de Choque.

3.2.2 Manifestações com obstrução de vias

O primeiro interventor ao se deparar com a obstrução de vias deverá:

 Identificar as lideranças;
 Classificar os pleitos (reivindicações);
 Verbalizar com as lideranças para liberação total, ou parcial da via;
 Definir perímetros de atuação e de segurança para a correta alocação dos recursos
disponíveis, bem como os que poderão ser alocados;
 Identificar vias de fuga caso seja necessário o uso da força;

Esgotada a capacidade de reação das forças de segurança com responsabilidade


territorial, acarretando risco à integridade física dos integrantes em face de intervenção
no evento, a UEOp solicitará apoio ao BPChq, ou equivalente, que deslocará no primeiro
momento o Oficial Comandante do Pelotão ou o Oficial Operacional, que no local avaliará
a viabilidade de emprego da tropa de Choque.

3.3 RONDAS OSTENSIVAS COM CÃES – ROCCA

O serviço de Rondas Ostensivas com Cães (ROCCA) promove a atuação do binômio


homem-cão em ocorrências de detecção de drogas, armas de fogo, munições, explosivos
e também na busca e captura de criminosos foragidos e homiziados.

3.3.1 Ação dos cães do faro antidrogas

Nas situações que envolvem buscas por drogas, armas e munições, o primeiro interventor
deverá realizar as buscas normalmente e zelar pelo controle de ambiente, ou seja,
observar e controlar o trânsito de pessoas, veículos e outros animais na área de atuação.
Caso durante as buscas por parte do primeiro interventor seja localizado algum material
ilícito, este deverá ser retirado da área de busca e armazenado em local diverso da área
vistoriada.

130
Biênio 2022/2023

Por outro lado, se não for localizado nenhum material pelo primeiro interventor e houver
fundada suspeita da possibilidade de presença armas de fogo ou drogas no ambiente, a
ROCCA também poderá ser acionada.

Ao acionar passe um breve histórico dos fatos, sobretudo o local a ser vistoriado
(ambiente interno, externo, tamanho da área, ônibus, carro, moto e etc.). As portas e
janelas de casas e/ou carros devem permanecer fechadas para potencializar o odor no
ambiente. O local de busca deverá ser mantido durante todo o tempo sob vigilância dos
militares de primeiro esforço, além do controle de ambiente.

O registro da ocorrência ficará a cargo da Unidade com responsabilidade sob a área,


quando aplicável.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Manusear, dentro da área de busca, o entorpecente já localizado;


2) Transitar com o entorpecente na área de busca;
3) Promover a ventilação do ambiente, abrindo portas e janelas que possam dificultar
a potencialização dos odores no ambiente;
4) Desfazer a vigilância sobre o local.

3.3.2 Ação dos cães de captura

Será utilizado em ocorrências que envolvam crimes violentos e/ou perigo à integridade
física dos militares, após avaliação da equipe técnica. Ressalta-se que o primeiro
interventor deve realizar a primeira avaliação da conveniência e necessidade do

Primeiro interventor
acionamento dos cães de busca captura. Essa avaliação deve ser feita levando-se em

em Ocorrências
consideração o tipo de infração ou crime cometido, grau de periculosidade do infrator, 6.
grau de perigo aos militares, dentre outros fatores.

Tratando-se de captura de criminosos, devemos desmistificar a ideia de que o cão não


reage ou investe contra policiais fardados. Para evitar acidentes, a equipe policial
responsável pela primeira intervenção em ocorrências que permite o apoio da ROCCA,
deverá realizar os seguintes procedimentos:

3.3.3 Cerco da área de mata e/ou edificações

A primeira atitude deve ser estabelecer o cerco da área de mata a qual o infrator
adentrou-se. No caso de edificações, deve-se certificar que elas estejam abandonadas ou
livres de pessoas que não sejam o alvo da operação policial.

131
ATENÇÃO!
Não se deve adentrar nas áreas de mata, uma vez que o risco para o policial é
extremamente elevado e também pelo prejuízo causado na aplicação dos cães de
busca e captura que terão diversas trilhas para verificar.

O acionamento deve ser feito o quanto antes com informações sobre características do
infrator e tipo de armamento utilizado. O apoio do COMAVE auxilia na obtenção de
informações do local, como as características do terreno, presença de residências e
pessoas no interior da mata.

A ROCCA iniciará os trabalhos sempre pelo ponto de entrada do infrator na área de mata.
Desta maneira, é essencial que os policiais indiquem com a maior precisão possível tal
ponto.

As viaturas devem permanecer no cerco até o término dos trabalhos da equipe de ROCCA,
diminuindo a possibilidade de fuga do infrator.

Após a localização do infrator pela guarnição de ROCCA, a ele será prestado socorro e
posteriormente apresentação a autoridade de polícia judiciária. Esses procedimentos
ficarão a cargo do primeiro interventor ou de outra guarnição de área, a critério do
coordenador do turno. Deve-se ressaltar no histórico da ocorrência que fora dada a
oportunidade de rendição, e que o cão fora utilizado como IMPO, seguindo o preceituado
no MTP 01 e 11, lembrando-se de preencher corretamente o auto de resistência.

ERROS A SEREM EVITADOS

1) Adentar a área do cerco ou permitir que terceiros o façam;


2) Desfazer o cerco após a chegada da ROCCA;
3) Requisitar o sobrevoo de aeronaves do COMAVE próximo ao solo, gerando a
dispersão das partículas de odor deixadas pelo infrator

3.4 TÁTICO MÓVEL (TM), GRUPO TÁTICO RODOVIÁRIO (GTR), GRUPO ESPECIAL DE
POLICIAMENTO AMBIENTAL (GEPAM)

Todos estes serviços são do segundo esforço, consistem em guarnição composta por três
policiais militares, devidamente treinados, com logística diferenciada (equipamentos,
armamentos, viaturas de grande porte), com o objetivo de atuarem no recobrimento do
policiamento ordinário, nas suas respectivas áreas.

132
Biênio 2022/2023

Especificamente na atuação como primeiro interventor, os efetivos destes serviços


basicamente deverão adotar como ações as já descritas de conter, isolar, estabilizar,
verbalizar e acionar.

3.5 RONDAS TÁTICAS METROPOLITANAS (ROTAM) E GRUPAMENTO ESPECIALIZADO EM


RECOBRIMENTO (GER)

O serviço GER, é força de manobra do Comando Regional atuando nas áreas de Batalhões
e Companhias Independentes das Regiões do interior do Estado e Região Metropolitana
de Belo Horizonte (RMBH).

O Batalhão ROTAM constitui força de manobra do Comando Geral, atuando no


recobrimento das UEOp com responsabilidade territorial em todo o Estado.

Ambos os serviços realizam repressão qualificada através do enfrentamento da


criminalidade organizada e violenta, em zonas quentes de criminalidade. Por atuarem de
iniciativa em eventos típicos pertinentes ao cumprimento de sua missão, NÃO é
necessário protocolo de acionamento, devendo as equipes que compõe as guarnições
destes serviços se atentarem para as ações as já descritas de conter, isolar, estabilizar,
verbalizar e acionar, quando depararem com Incidentes Críticos ou situações que
necessitem de efetivo especializado para a intervenção.

4. CONCLUSÃO

Nesta unidade, estudamos assuntos muito importantes, tendo em vista a grande


complexidade de algumas ocorrências onde o policiamento ordinário precisará do apoio
de outros portfólios para fazer frente a uma criminalidade mais especifica.

Primeiro interventor
em Ocorrências
Foram estudadas as técnicas para ocorrências envolvendo pessoas com desejo suicida, 6.
estando armadas com armas de fogo, devido ao maior risco que representam.

Em seguida, estudamos algumas modalidades mais complexas de ocorrências, como


ocorrências com reféns, com explosivos, com infratores infiltrados em áreas de mata
fechada.

Também foi tratado do acionamento de algumas unidades especializadas, como o


Comave, o BP Choque e a ROCCA, Tático Móvel, Rotam e GER.

Os objetivos foram alcançados ao mostrar aos nossos militares que em casos de maior
complexidade ele não deve agir isoladamente, pois a muitos portfólios de apoio para
auxilia-lo nesses casos mais complexos, aumentando as chances de êxito e diminuindo
os riscos da atividade policial.

133
ATENDIMENTO
7 PRÉ-HOSPITALAR
(APH)
1 INTRODUÇÃO

O APH é definido como qualquer assistência realizada fora do ambiente hospitalar, em


resposta ao pedido de ajuda do indivíduo, tem como objetivo estabilizar a vítima,
prevenindo complicações e evitando o óbito, tendo a rapidez no transporte da vítima
para o ambiente hospitalar como seu pressuposto fundamental, objetivando a
manutenção da vida ou mesmo prevenindo danos maiores à saúde da vítima.

No Brasil, tal serviço foi espelhado no modelo de atendimento Francês contando com a
existência de um médico regulador que avalia todos os pedidos de emergência e define
qual será o melhor atendimento a vítima, bem como no modelo Norte Americano onde
as chamadas eram direcionadas ao profissional da área de saúde e este indicava o melhor
atendimento.

Entretanto, o APH foi idealizado no Brasil apenas no início da década de 90, baseado na
Política Nacional de Atendimento às Urgências, liderada pelo Ministério da Saúde. Neste
mesmo período, os militares do Corpo de Bombeiros (CB) iniciam um treinamento para
atendimento pré-hospitalar móvel, o que conferiu em outra modalidade de APH, o
Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências.

Já em 1996, a associação de cirurgiões militares criou um manual específico para o


atendimento pré-hospitalar tático. O seu nome é TCCC, o Tactical Combat Casualty Care,
e ele vem sendo cada vez mais disseminado mundialmente. As práticas deste manual são
todas atualizadas e estudadas por pessoas do mundo inteiro.

Neste material serão explanadas as diferenças entre o atendimento pré-hospitalar civil e


o atendimento pré-hospitalar tático. Ademais, sera explanado sobre os aspectos legais
do APH, objetivos, princípios, mecanismos de execução, dentre outros.

136
Biênio 2022/2023

2. ASPECTOS GERAIS E LEGAIS EM APH

Atendimento Pré-Hospitalar (APH) é uma modalidade de assistência às vítimas em


situações de urgência e emergência no ambiente extra-hospitalar (fora do hospital). No
Brasil, há leis e normas específicas que definem a abrangência e atuação de diversos
serviços e profissionais que integram a Rede de Atendimento às Urgências (RAU), tanto
no Atendimento Pré-Hospitalar Fixo, quanto no Atendimento Pré-hospitalar Móvel.1

As ações de salvamento realizadas por Policiais Militares têm grande destaque em âmbito
do APH Móvel ora pelas ações particulares que desempenham, ora na atuação
complementar a dos profissionais oriundos da saúde, como Médicos, Enfermeiros e
Técnicos de Enfermagem, e outros especialistas. Além de garantir a segurança da cena e
dos socorristas envolvidos, policiais auxiliam em diversas ações de socorro imediato como
Suporte Básico de Vida (SBV), conforme demonstra a Portaria 2048/2002.

Na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) as ações de APH estão vinculadas à Central de
Operações Policiais Militares (COPOM), por meio do número telefônico 190, que é um elo
de comunicação importante entre a Corporação e a comunidade. Mediante o
acionamento ao COPOM a ocorrência é processada na central e as orientações de
primeiros socorros e outros procedimentos são reforçadas enquanto a viatura e/ou outras
equipes de apoio (ambulâncias do SAMU e/ou do Corpo de Bombeiros Militar de Minas
Gerais - CBMMG) são deslocadas para o local, caso seja necessário.

1
O Atendimento Pré-hospitalar Fixo é dividido em dois tipos:
I - Unidades de atenção primária à saúde e Programa de Saúde da Família: responsáveis por
acolher os usuários em urgências de baixa gravidade/complexidade. Devem ser desempenhadas por
todos os municípios brasileiros, independentemente de estarem qualificados no Programa de
Atenção Básica (PAB) ou Programa de Atenção Básica Ampliada (PABA).
Pré-Hospitalar
Atendimento

II - Unidades Não – Hospitalares de Atendimento às Urgências e Emergências: são as 7.


“conhecidas” UPAS (Unidades de Pronto Atendimento). Devem funcionar nas 24 horas do dia e
estar habilitadas a prestar assistência correspondente ao primeiro nível de assistência da média
complexidade.
Já o Atendimento Pré-hospitalar Móvel tem por objetivo chegar precocemente à vítima, após ocorrência
de agravo à saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que possa levar a
sofrimento, sequelas ou mesmo à morte. Foi estabelecido pela Portaria 1864/GM/2003 que implantou o
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192) nas modalidades Suporte Básico de Vida (SBV)
– que não realizam procedimentos invasivos - e o Suporte Avançado de Vida (SAV) – que aplicam
procedimentos invasivos de suporte ventilatório e circulatório, dentre outros. Também integram os
Serviços Pré-Hospitalares Móveis o Corpo de Bombeiros, os Policiais, outros Agentes de Segurança
Pública, e também empresas particulares. (Grifo nosso). [BRASIL, 2002].

137
2.1 ASPECTOS LEGAIS E NOÇÕES GERAIS DE APH

Policiais Militares são considerados agentes de APH, por terem participação sine qua nom
da Rede de Atendimento às Urgências no Brasil e, portanto, a não realização dos
primeiros socorros constitui-se ato ilícito civil e penal (omissão de socorro) previsto pelos
respectivos códigos brasileiros, conforme demonstrado a seguir:

Quadro 01 - Código Civil, Código Penal.


CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Artigo 159: Dos Atos Ilícitos


“Aquele, que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito,
ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”.

CÓDIGO PENAL BRASILEIRO

- Artigo 135: Crime de Omissão de Socorro


“Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo, sem risco pessoal, a criança
abandonada ou extraviada, pessoa inválida ou ferida, ao desamparado, em grave ou
iminente perigo, ou não pedir, nestes casos, o socorro da autoridade pública. Pena: Detenção
de 01 (um ) a 6 ( seis ) meses ou multa.”
Fonte: Adaptação dos autores. Baseado em Leis Brasileiras. 2

O parágrafo único do artigo 135 do Código Penal Brasileiro determina ainda aumento da
pena caso a omissão resulte em lesão corporal de natureza grave, que pode ser triplicada
em caso de morte da vítima.

Destarte, esquivar-se de ajudar alguém ou fazê-lo incorretamente causando prejuízos à


vítima pode culminar com penalização judicial do socorrista. Obviamente, não se espera
a mesma resposta técnica de um atendimento prestado por um socorrista leigo treinado
quando comparado à realizada por profissionais especialistas da saúde. Ou também, que
profissionais que lidam esporadicamente com este tipo de ocorrência tenham
desenvoltura semelhante ao das equipes especializadas de salvamento e resgate como a
exemplo do Serviço Móvel de Urgência (SAMU).

No entanto, a qualidade do atendimento deverá seguir padrões técnicos e éticos


pautados na formação particular do agente, como também do cumprimento de técnica
básicas, mas de extrema importância previstas em protocolos de urgência e emergência
estabelecidos mundialmente.

2
Normas jurídicas do Brasil. Maiores detalhes ver referencial na íntegra: BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 07
de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 31 dez. 1940. BRASIL. Lei n.
10.406, 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 11 jan. 2002.

138
Biênio 2022/2023

Com relação aos erros/falhas nos atendimentos de urgência e emergência, o policial


militar poderá incorrer em 03 tipos de infrações:

Figura 01 - Violação do dever de cuidado objetivo.

- Imperícia: agir sem a capacitação técnica exigida no procedimento

Inabilidade, inaptidão, falta de qualificação, despreparo. Falta de conhecimento técnico ou


habilidade que deveria ter ao executar uma ação própria de sua categoria profissional.
Pressupõe a qualidade de habilitação legal para a arte ou profissão.

Retirar objetos encravados – privativo do Não aplicar compressões torácicas


profissional médico adequadas durante a reanimação
cardiopulmonar (RCP) no APH e não saber
como procede.

Responsabilidade dos socorristas e


atendentes de emergência.

- Imprudência: agir assumindo o risco de desfechos negativos

Fazer ou agir sem cautela, com precipitação ou afoiteza. “Imprudente é aquele que sabe do
grau de risco envolvido na atividade e mesmo assim acredita que é possível a realização sem
prejuízo para ninguém.” A pessoa em suas ações, age realizando uma atitude diversa da
esperada. Isto é, age correndo o risco.

Não garantir distância segura no Não usar Equipamentos de Proteção


dimensionamento da cena, e sinalização Individual (EPI´s) de forma adequada
(idealmente por cones) aumentando o risco de
acidentes.
Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

Pílula de Segurança n°04:


Dicas para uso de máscara.
Diretoria de Comunicação
Organizacional (DCO). PMMG Documentos
Distância mínima e distância de segurança
na íntegra estão disponíveis no Painel
prévia ao local de acidente
Administrativo (PA) da PMMG.

139
- Negligência: deixar de fazer o que é obrigado a fazê-lo

Não tomar as devidas providências ou se omitir. Deixar de fazer o que deveria ser feito por
displicência, ou por preguiça por não querer fazer como deveria fazer. Agir com
irresponsabilidade. Falta de atenção ou cuidados.

Não prestar socorro ou não pedir Não garantir isolamento da cena e retirada de
ajuda necessária. pessoas no local.

Não acionar autoridades competentes a respeito de


situação relevante e/ou ambiental que culmine em
condições de extremo risco ou catástrofe.

Pontos de reflexão: A quem/quais autoridades


informar? Há risco de incêndio? Como atender caso
seja necessário? Quais os cuidados?

Fonte: Adaptação dos autores. Imagens de documento institucional citada diretamente no campo
respectivo. Imagens públicas disponíveis em google imagens, acesso em 2021.

140
Biênio 2022/2023

Não obstante, o policial militar pode vivenciar situações polêmicas no contexto do APH
que requer procedimentos e registro adequado. São exemplos destas circunstâncias:

Quadro 02 - Procedimentos APH.


SITUAÇÃO ORIENTAÇÃO/HABILIDADE ESPERADA

Qualquer pessoa mentalmente apta é considerada legalmente capaz de


recusar o atendimento de emergência. Atitude a ser tomada: o policial
RECUSA AO militar deverá tentar convencer a pessoa aceitar sua ajuda e conscientizá-
SOCORRO la de quais consequências poderão advir com essa recusa. Em
determinadas circunstâncias, outro membro da equipe poderá ajudar
nesse processo.

Quando isso ocorrer recomendam-se os seguintes procedimentos:


 Proteja-se;

 Procure garantir as condições de segurança local. Se não estiver


seguro, aguarde momentos ideais e apoio.
 Movimente a vítima somente se for necessário. Antes de mover a
vítima, produzir uma foto mental da cena;
 Toque somente no que for necessário para ter acesso à vítima;

 Preserve todos os detalhes encontrados na cena do crime para


CRIME NO LOCAL investigação posterior. Não mexer na mobília do ambiente, a menos
que esteja dificultando seus movimentos para prestar os cuidados
necessários à vítima;
 Preste atenção onde posiciona o seu equipamento. Evidências
podem ser destruídas ou alteradas;
 Mantenha os curiosos afastados do local;

 Após o atendimento, preparar um relatório e fazer um desenho da


cena, mostrando como e onde encontrou a vítima. Isso pode ser útil se
precisar lembrar do incidente tempos depois.

Os únicos profissionais que possuem competência técnica e legal para


atestar a morte de uma pessoa são os Médicos e, recentemente
aprovada por legislação específica, os Enfermeiros que atuam no SAMU.
Pré-Hospitalar
Atendimento

MORTE NA CENA Portanto, se ao chegar no local não houver evidências claras de morte, 7.
conforme os casos abaixo mencionados, o militar deverá iniciar o
atendimento adequado, com vistas ao restabelecimento e manutenção
das funções vitais da vítima.

141
A rigidez cadavérica inicia-se São evidências que indicam
3 horas após a morte, com vítima morta:
total rigor após 12 horas e
Decapitação: cabeça separada do corpo.
total relaxamento em
aproximadamente 36 horas. Decomposição/putrefação: quando o óbito ocorreu há
mais de 01 (um) dia.

Rigidez cadavérica: endurecimento dos músculos que


impossibilita movimentação.

Carbonização: corpo que foi queimado em grande


extensão.

Esmagamento maciço: corpo com sua porção vital


esmagada (cabeça ou tronco).

Figura 02 - Condições Evidentes de Óbito na Cena


CONDIÇÕES EVIDENTES DE ÓBITO NA CENA

Queimadura extensa com carbonização Rigidez cadavérica

Preservação da
imagem e não
exposição

Decomposição/Putrefação Esmagamento maciço

Preservação da
imagem e não
exposição

Preservação da
imagem e não
exposição

142
Biênio 2022/2023

Mecanismo de Lesão que resulte em Trauma incompatível com a vida

DOCUMENTAÇÃO DO OCORRIDO

A documentação deve seguir as instruções da instituição. Esse documento serve como registro
legal no caso de processo judicial e deve ser claro, preciso, legível, contendo as seguintes
informações:
 Condição da vítima quando encontrada.
 Descrição da vítima, da lesão ou da natureza do mal súbito.
 Atendimento prestado à vítima.
 Nome da instituição e da pessoa que assumiu a vítima.
 Quaisquer outros fatos notáveis.
 Qualquer possibilidade de exposição às doenças infecciosas.
 Qualquer fato incomum relacionado ao caso.
 Testemunhas.

Fonte: Adaptação dos autores. Imagens públicas disponíveis em google imagens. Acesso em 21 de
setembro de 2021.

2.2 PARTICULARIDADES E DIFERENÇAS ENTRE O APH CIVIL/CONVENCIONAL E APH


TÁTICO
Pré-Hospitalar
Atendimento

7.
O termo APH, foi inserido no Brasil após a criação do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência 192 (SAMU 192) através do Decreto Federal N° 5.055 de 27 de abril de 20043
que instituiu oficialmente essa modalidade de atendimento às Urgências e Emergências
no território nacional.

3
BRASIL. Decreto Nº 5055 de 27 de abril de 2004. Institui o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência –
SAMU, em Municípios e regiões do território nacional, e dá outras providências. Disponível em:<
[Link] >. Acesso em 27 de
setembro de 2021.

143
Embora não haja consenso na literatura científica para estabelecer o termo APH Civil ou
Convencional como uma nomenclatura de APH, na atualidade tem sido referenciado
para diferenciar os protocolos de atendimento utilizados em situações gerais do cotidiano
e que não se vinculam às ações de salvamento de natureza tática ou em ambientes de
combate e intervenções bélicas.

Dentre as ocorrências cotidianas que exigem abordagem do APH Civil/Convencional


podem-se citar os acidentes de trânsito, traumas, as paradas cardiorrespiratórias (PCR),
quadros de obstrução de vias aéreas por corpos estranhos (OVACE), etc.

Nestes casos, as principais intervenções do socorrista referem-se ao dimensionamento


da cena para manter a segurança, realizar avaliação sistemática e correta da vítima, aplicar
primeiros socorros para garantir a vida e evitar agravamento das lesões até a chegada do
socorro especializado ou, se necessário, realizar o transporte até a Unidade de Saúde
adequada que concluirá o atendimento.

De modo distinto e com finalidades particulares, a atenção pré-hospitalar no ambiente


de combate ou tático (APH Tático), corresponde ao atendimento fora do ambiente
hospitalar, relacionado às operações de alto risco ou em confrontos armados entre as
forças policiais e infratores. Compreende resgate, atendimento primário e imediato,
necessário ainda em ambiente hostil, logo após o ferimento, possibilitando estabilizar a
vítima e deslocar-se do local do fato até o hospital de pronto-socorro. (NAEMT, 2018).

No Brasil, a regulamentação do APH Tático foi recente e se deu inicialmente pelo


Ministério da Defesa, através da Portaria Regulamentadora n-º 16 de 12 de abril de
20184 que designou oficialmente o termo como aquele voltado às ações de cuidados
com os feridos no campo de batalha e ambientes hostis. Definiu também as abordagens
de profissionais específicos (Médicos, Enfermeiros e Socorristas Táticos) por níveis de
complexidade e padronizou procedimentos como a aplicação de torniquete, a garantia
de vias aéreas, dentre outros, a fim de preservar a vida dos feridos até a chegada das
equipes especializadas ou ambientes de cuidados apropriados (hospitais ou centros de
trauma).

Inobstante, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) através da Secretaria


Nacional de Segurança Pública (SENASP), coordena o recente Projeto de
Atendimento Pré-Hospitalar para profissionais de Segurança Pública no Brasil. De
caráter normativo e técnico5, o projeto visa a criação de uma diretriz nacional de cunho

4
BRASIL. Ministério da Defesa. Aprova a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar Tático do Ministério da
Defesa para regular a atuação das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos envolvidos e as
situações previstas para a atividade. Portaria Normativa MD/GM Nº 16, DE 12 de abril de 2018.
5
A primeira audiência pública sobre o assunto ocorreu em 08 de novembro de 2021. Maiores informações
em:< [Link]
projeto-de-atendimento-pre-hospitalar-tatico>

144
Biênio 2022/2023

orientativo para preparar o profissional que atua na linha de frente no combate à


criminalidade, além de capacitações, aquisições de equipamentos e padronização de
produtos visando a redução da mortalidade policial.

Por se tratar de um tema cuja normatização é relativamente recente no Brasil e que exige
reformas nas abordagens de formação dos agentes de segurança pública, e considerando
as questões relativas à atuação profissional de cada membro envolvido (socorristas táticos
e profissionais de saúde), torna-se necessário o desdobramento destas Diretrizes através
de um Time de Trabalho Transdisciplinar na Corporação para avanços e melhorias
contínuas.

3. APH CIVIL/CONVENCIONAL - ABORDAGENS PARA POLICIAIS MILITARES

3.1 DIMENSIONAMENTO DA CENA PARA ATUAÇÃO DO SOCORRISTA

Este quesito refere-se à análise de todas as condições identificadas na cena de


atendimento como checar se o local é seguro, a situação em que a vítima se encontra e
o número de vítimas. Antes de iniciar o atendimento, o socorrista deve checar a segurança
do local e de si mesmo e somente iniciar o socorro se houver condição - considerado o
Princípio de Ouro no APH (“Cena Segura”).

Medidas de segurança da cena:

 Checar a segurança do local e de si mesmo;


 Tornar o local seguro;
 Acionar o auxílio adicional;
 Sinalizar o local;
 Considere sempre os riscos visíveis e ou invisíveis.

Ao identificar qualquer risco potencial, avalie sua capacidade de lidar com o caso,
necessitando chame auxílio adicional técnico: Pré-Hospitalar
Atendimento

Corpo de Bombeiros SAMU (Unidade Básica Policia Rodoviária


Militar e ou Avançada) Federal 7.

193 192 191

Policía Civil Defesa Civil CEMIG


197 199 116

145
3.2 ALGORITMOS PARA AVALIAÇÃO DAS VÍTIMAS DE TRAUMA EM APH

Trauma pode ser definido como um evento nocivo aos tecidos e vasos produzido por
ação violenta externa ao organismo e de distintas naturezas (mecânica; química; térmica;
irradiação; elétrica).

A avaliação das vítimas de trauma tem por objetivo verificar os sinais vitais e tratar as
condições que o colocam em risco iminente de morte. Baseia-se nas diretrizes do
Advanced Trauma Life Support/ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma), do
Colégio Americano de Cirurgiões (a partir de 1979); e do Prehospital Trauma Life Support
(PHTLS) - Suporte Pré-Hospitalar de Vida no Trauma -, desenvolvido para o ambiente
extra-hospitalar, na década de 80.

A 9ª edição do PHTLS (2019) atualizou o mnemônico antigo "ABCDE" para uma


sequência “X-ABCDE” que discrimina intervenções objetivas para cada letra do
mnemônico.

Quadro 03 - Intervenções objetivas


SEQUENCIA X- ABCDE

X HEMORRAGIA EXSANGUINANTE Controle de Hemorragias Graves.

Manter vias aéreas pérvias e a estabilização da


A VIAS AÉREAS (AIRWAY)
coluna cervical.

B RESPIRAÇÃO (BREATHING) Garantir boa respiração e ventilação.

Verificar pulso e controle de hemorragias


C CIRCULAÇÃO (CIRCULATION)
menores.

Avaliação de disfunção neurológica, pupilas,


D NEUROLÓGICO (DISABILITY)
aplicar escala de coma de Glasgow ou AVDI.

Expor a vítima para avaliação, mas controlando


E EXPOSIÇÃO (EXPOSURE)
o ambiente e prevenção da hipotermia.
Fonte: Adaptação dos autores. Baseado na última edição do PHTLS (9ª edição).

146
Biênio 2022/2023

3.2.1 Intervenções direcionadas pelo mnemônico X-ABCDE

"X" - HEMORRAGIA EXSANGUINANTE: Controle inicial de hemorragias externas graves


que levam ao risco de morte (como prioridade absoluta na cena). O objetivo desta
primeira etapa é o controle de hemorragias graves que devem ser contidas antes mesmo
de realizar o manejo das vias aéreas (etapa da letra “A” no algoritmo). O destaque desta
última diretriz é a forte recomendação da compressão direta sobre sangramentos e o uso
do TORNIQUETE6 em traumas graves que geram sangramentos de extremidades.

Em convergência com a Diretriz, a Campanha STOP THE BLEED7 é uma iniciativa do


grupo de trabalho interagências federais nos EUA, coordenado tecnicamente pelo
American College of Surgeons, em parceria com Consenso Hartford (2013) visa
capacitar profissionais da saúde e pessoas leigas para atuar imediatamente em situações
de trauma (emergências cotidianas, desastres naturais ou provocados pelo homem, etc),
que cursam com sangramentos, possibilitando salvar mais vidas.

Pré-Hospitalar
Atendimento

6
Embora o uso do torniquete não seja prerrogativa exclusiva do ambiente tático, é neste cenário que sua
utilidade obteve grande avanço. Por isso e para apoiar a coerência didática deste material, o detalhamento 7.
sobre o uso dos torniquetes será apresentado no capítulo de APH Tático.
7
A compressão local das feridas sangrantes tem sido a manobra mais difundida mundialmente para o
controle da hemorragia, e, na maioria das vezes apresenta desfechos satisfatórios. Entretanto, durante as
guerras do Iraque e Afeganistão o exército americano conseguiu reduzir consideravelmente o número de
mortes evitáveis com a aplicação do torniquetes nos sangramentos maciços de extremidades. Aliado a
isso, o aumento do número de ataques com arma de fogo a alvos civis e ataques com bombas, motivou o
governo dos Estados Unidos lançar uma campanha para “Parar o Sangramento” ( Stop the Bleed), com o
intuito de informar sobre atitudes que poderiam ser benéficas em caso de ataques em massa. O sucesso
do uso de desfibriladores automáticos e ensinamentos de como proceder em paradas cardíacas baseou o
início desta ideia.

147
Figura 03 - Controle de Hemorragias.

Controle de Hemorragias

O objetivo da Campanha STOP THE BLEED


(“Pare o sangramento e salve uma vida”)
é incentivar às pessoas da sociedade em
geral para se capacitarem para atuarem
em uma emergência de sangramento
antes dos profissionais de resposta à
emergência cheguem.

Justificativa: Por mais rápida que seja a chegada dos profissionais de emergência, os transeuntes
sempre serão os primeiros a chegar. Uma pessoa que está sangrando pode morrer devido à perda
de sangue em torno de 05 (cinco) minutos, sendo imperativo saber como interromper rapidamente
a perda de sangue.

“A única coisa mais trágica do que uma morte, é uma morte que poderia ser evitada!”

1- Comprima a lesão do sangramento diretamente


com as mãos:
A maioria das hemorragias externas pode ser controlada
pela aplicação de pressão direta (05 a 10 minutos) na
ferida, o que permite a interrupção do fluxo de sangue e
favorece a formação do coágulo.

2 - Aplique/Preencha a Ferida Sangrante:


Recomenda-se, preferencialmente, utilizar compressa
estéril, pressionando firmemente por 10 a 20 minutos.
Caso não seja disponível utilize um pano limpo e seco. Em
seguida, fixar a compressa com bandagem/faixa.

3 - Aplique o Torniquete:
No membro afetado cerca de 5 a 7 cm
em posição proximal à lesão ou, de
acordo com o IV Consenso de
Hartford (Alto e apertado).
Não aplicar sobre articulações. Caso a
lesão esteja próxima a uma articulação, posicione
o torniquete acima da articulação. Aperte
o torniquete até que o sangramento pare
completamente.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens disponíveis em google imagens. Maiores informações sobre a
Campanha Stop the Bleed em: < [Link] >. Acesso em outubro de 2021.

148
Biênio 2022/2023

“A” – ABERTURA DE VIAS AÉREAS COM CONTROLE/PROTEÇÃO DA COLUNA


CERVICAL: Em vítimas conscientes, a equipe de socorro deve se aproximar da vítima pela
frente (para evitar que mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo causar
lesões medulares). Um membro da equipe deve estabilizar a coluna cervical manualmente
ou com um colar. Em vítimas inconscientes, em que não é possível reposicionar a cabeça,
a estabilização deve ser feita na posição original. Também se realiza a avaliação das vias
aéreas (socorrista deve perguntar algo e avaliar se há roncos, estridores, voz alterada, o
que sugere obstrução de vias aéreas). As manobras mais utilizadas nessa fase são a
elevação do mento (chin lift).

Figura 04 - Manobras de Abertura.


MANOBRAS DE ABERTURA DE VIAS AÉREAS
Vítima inconsciente SEM histórico de Trauma
Head Tilt Chin Lift (inclinação da cabeça e elevação do queixo)

Vítima inconsciente COM histórico de Trauma

Jaw Thrust (elevação da mandíbula) Chin Lift (elevação do queixo)

Atenção: A manobra Head Tilt Chin Lift (inclinação da cabeça e elevação do queixo)
Pré-Hospitalar
Atendimento

deve ser evitada em casos suspeitos de lesão cervical.


7.
Fonte: Adaptação dos autores. Imagens extraídas da plataforma google imagens, setembro de 2021.

“B – RESPIRAÇÃO”: Analisar se a respiração está adequada e a presença de traumas no


tórax. Identifique se há pneumotórax (aberto e/ou fechado). Devem ser avaliadas:
frequência respiratória, inspeção dos movimentos torácicos e a coloração das
extremidades (detecção de privação de oxigênio através da cianose – pele “arroxeada"
nos dedos e região dos lábios).

149
Figura 05 - Pneumotórax e hemotórax
PNEUMOTÓRAX E HEMOTÓRAX

Aprisionamento aéreo com tensão


(pressão) contra os pulmões.

Fonte Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
de 2021

“C” – AVALIAÇÃO DA CIRCULAÇÃO: nesta fase é imprescindível avaliar o status


hemodinâmico da vítima identificando precocemente quadros de PCR ou choque, além
de outras hemorragias. A frequência de pulso e o enchimento capilar podem estar
alterados e, portanto, mudanças na coloração da pele, sudorese e diminuição do estado
de consciência sugerem perfusão comprometida.

Figura 06 - Avaliação da Perfusão.


Avaliação da Perfusão

Normal Retorna-se em até 2


segundos

Lenta Retorno após 2 segundos


(Hemorragia Interna)

Diminuída Retorno após 3 segundos


(Quadro de Choque ou PCR)

Fonte: Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
de 2021.

150
Biênio 2022/2023

“D” – AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA: Realizar análise do nível de consciência, tamanho e


reatividade das pupilas e nível de lesão medular (alterações de força e sensibilidade como
tetraplegia e paraplegia).

O acrônimo AVDI (Alerta, Verbaliza, Dormindo, Inconsciente) é usado na avaliação do


nível de consciência simplificada com o objetivo de descrever rapidamente o estado de
consciência e detectar alterações precoces.

Figura 07 - Avaliação do reflexo pupilar.


Avaliação do reflexo pupilar - pode demonstrar lesões cerebrais

Avaliação do Status Neurológico - Escala de AVDI

A – Alerta
V – Verbaliza
D – Dormindo
I – Inconsciente

Fonte: Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em setembro
Pré-Hospitalar
Atendimento

de 2021.
7.

“E” – EXPOSIÇÃO E PREVENÇÃO DE HIPOTERMIA: Analisar a extensão das lesões e


proceder ao controle do ambiente com prevenção da hipotermia são as medidas mais
importantes nesta fase de avaliação.

151
3.3 HEMORRAGIAS E CHOQUE NOS QUADROS DE TRAUMA

Hemorragia pode ser definida como a ruptura dos vasos sanguíneos e consequente
extravasamento de sangue. Perdas sanguíneas não abortadas de forma intempestiva e
adequada progridem para o estado de choque - baixa perfusão (circulação e oxigenação
de órgãos) -, disfunção celular e pode levar a vítima ao óbito em poucos minutos.

A gravidade e perda volêmica pode ser estimada com base na tabela adaptada
do American College of Surgeons Committee on Trauma, (Colégio Americano de
Cirurgiões do Trauma – EUA) variando entre os estágios I a IV. Em geral, pacientes em
estágio I e II apresentam-se ansiosos, agitados e com ligeiro aumento da respiração e
pulso; e não necessitam de reposição de hemoderivados (sangue e plasma), ao contrário
das classes mais graves (III e IV) nas quais a vítima progride para ansiedade extrema,
aumento do pulso e até estado de confusão, torpor que levará ao coma (inconsciência).

Quadro 04 - Classificação do choque hemorrágico.

Classificação do Choque Hemorrágico – estimativa pela perda de sangue

Perda de Frequência Frequência


Classe Estado mental
sangue Cardíaca respiratória

I 750 ml Alteração mínima Alteração mínima Levemente ansioso

Moderadamente
II 750-1500 ml Aumento Aumento
ansioso

>120 30-40
III 1500-2000 ml Ansioso, confuso
batimento/min ventilações/min

>140 >35
IV >2000ml Confuso, letárgico
batimento/min ventilações/min
Fonte: National Association of Emergency Medical Technicians (NAEMT). PHTLS: Atendimento pré-
hospitalar ao traumatizado. 9ª edição. Editora Artmed. 2019.

As características da hemorragia exsanguinante são:


 Sangramento profuso/difuso;
 Perda/amputação de um membro;
 Sangue abundante acumulado no chão;
 Curativos ou bandagens embebecidos de sangue;
 Sangramento em uma pessoa confusa ou desorientada.

152
Biênio 2022/2023

4. ATENDIMENTO À PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR) E OBSTRUÇÃO DE


VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE)

4.1 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)

A parada cardiorrespiratória (PCR) pode ser definida como a cessação inesperada e


abrupta dos batimentos cardíacos e da respiração que progride para estado de
inconsciência (coma) e pode levar à morte, caso o socorro adequado não seja instituído.

Mortes por PCR não relacionadas aos traumas no ambiente extra-hospitalar (PCREH)
impactam significativamente na mortalidade geral em todo o mundo. Aliado a isso, a
baixa proporção de atendimentos realizados por pessoas leigas ou socorristas não
oriundos da saúde e as limitações de acesso ao Desfibrilador Externo Automático (DEA)
comprometem o retorno da circulação espontânea (reversão da PCR) e diminuem as
chances de sobrevivência das vítimas (AHA, 2020; NAEMT 2019).

Com o objetivo de normatizar as diretrizes de atendimento da PCR, das emergências


cardiovasculares e respiratórias e de outros incidentes; diversas organizações em todo o
mundo publicam protocolos ou recomendações científicas sobre o assunto. Dentre elas,
a American Heart Association (AHA) é uma das pioneiras e suas publicações datam desde
o ano de 2002 com atualizações periódicas baseadas nas melhores evidências científicas
para orientar o atendimento adequado, aumentar sobrevida e reduzir sequelas em vítimas
viáveis. 8

4.1.1 Abordagem Geral à Reanimação Cardiopulmonar (RCP) no ambiente extra-


hospitalar (PCREH)

Recomendações recentes reforçam a necessidade de capacitação em suporte básico de


vida (SBV) à população em geral, em especial socorristas leigos para melhorar a eficácia
da PCREH e reduzir as mortes. As manobras de SBV visam garantir condições mínimas
para manter ou recuperar a oxigenação e a perfusão cerebral da vítima, minimizando o
dano celular e aumentando as chances de sobrevivência.
Pré-Hospitalar
Atendimento

7.
O atendimento da PCR no APH é estruturado por uma sequência de intervenções
denominada de corrente da sobrevivência. A falha em qualquer elo da cadeia
compromete o resultado do atendimento como um todo.

8
A Diretriz de 2020 atualizada para 2021 ocorreu recentemente em 21 de outubro de 2020. Fonte: American
Heart Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020 da Disponível
em: <[Link] Acesso em 20 de setembro
de 2021.

153
Figura 08 - Etapas gerais da cadeia de sobrevivência para atendimento da PCR no
contexto pré-hospitalar.
Etapas gerais da cadeia de sobrevivência para atendimento
da PCR no contexto pré-hospitalar

Fonte: American Heart Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020. Disponível
em: <[Link] Acesso em 20 de set 2021.

A Diretriz de 2020/2021 da AHA ressalta a importância do início imediato das manobras


de compressão torácica para assegurar a circulação sanguínea. O mnemônico sequencial
a ser adotado é o C-A-B.

Figura 09 - Passos da cadeia de sobrevivência para atendimento da PCR no contexto pré-


hospitalar por socorristas leigos.
Passos da cadeia de sobrevivência para atendimento da PCR
no contexto pré hospitalar por socorristas leigos.

C V R

Fonte: Adaptação dos autores. Sequência de Reanimação Cardiopulmonar recomendado pela American Heart
Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE de 2020. Atualização com os cuidados respiratórios na vigência da
COVID-19. Disponível em: <[Link] Acesso em 20 de
setembro de 2021. Imagens disponíveis em google imagens em setembro de 2021.

154
Biênio 2022/2023

Figura 10 - Suporte Básico de Vida na COVID-19 para adultos no contexto da COVID-19.


A ventilação “boca a boca” e o uso de máscara de bolso
(máscara poket) são proscritos
LIGUE PARA O SAMU E COPOM E INFORME A SITUAÇÃO
– PEÇA AJUDA
AO MESMO TEMPO, SOLICITE O DEA PARA QUEM
ESTIVER PRÓXIMO (SE O LOCAL POSSUIR E SE FOR
POSSÍVEL)
SOCORRISTA: USE A MÁSCARA CIRÚRGICA OU DE
TECIDO
VÍTIMA: COLOQUE UMA MÁSCARA SOBRE A VÍTIMA OU
UTILIZE UM PANO LIMPO

RCP DE QUALIDADE: REALIZE AS COMPRESSÕES


TORÁCICAS DE QUALIDADE (100 A 120 COMPRESSÕES
POR MINUTO)

DESFIBRILAÇÃO PRECOCE: ADAPTE DE AS PÁS DO DEA,


LIGUE O APARELHO E SIGA AS ORIENTAÇÕES.
O DEA DEVE SER UTILIZADO O MAIS BREVE POSSÍVEL
SE ESTIVER DISPONÍVEL.

Suporte Básico de Vida na COVID-19 para adultos no contexto da COVID-19.


Fonte: Adaptação dos autores baseado na atualização da AHA para SVB para o contexto da COVID-19, em março de
2020.

Notas importantes:

Figura 11 - Mecanismos de ventilação.


Ventilação com máscara de bolso (Máscara Ventilação “boca a boca” – contraindicada de
Poket) – contraindicada para socorristas acordo com a última Diretriz de Reanimação
treinados no contexto da COVID-19 Cardiopulmonar e Cerebral (RCP)
Pré-Hospitalar
Atendimento

X
7.

X
Fonte: Elaboração pelos autores. Imagens disponíveis em google imagens: 03 dez. 2021.

155
4.1.2 Atendimento sequencial do policial militar à vítima em PCR

O reconhecimento da PCR por leigos segue a conduta preconizada pela AHA e Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC).

Figura 12 - Atendimento sequencial do policial militar à vítima em PCR.


Para tal, o socorrista policial deverá avaliar (preferencialmente de forma simultânea):

 Responsividade da vítima: com estímulos verbais ou toque físico;


 Respiração da vítima: avaliação dos movimentos respiratórios, ruídos e percepção da movimentação
de ar.

 Caso a vítima não responda à estimulação verbal e sensorial e não apresente respiração, o socorrista
considerará quadro potencial de PCR e seguirá os demais passos para o socorro da vítima;
 Se a vítima apresentar respiração, as manobras de abertura de vias aéreas deverão ser realizadas.

- Passos críticos:
Nível de responsividade da vítima Avaliação da respiração da vítima

ATENÇÃO:

A verificação do pulso central (artéria carótida ou


femoral em adultos e crianças / artéria braquial em
lactantes) para diagnóstico de RCP é recomendado
somente para profissionais da saúde ou equipes de
paramédicos capacitados.
A última Diretriz não recomenda que
Esta avaliação não deve ultrapassar 10 segundos.
leigos e socorristas no contexto pré-
hospitalar “percam tempo” na avaliação
do pulso central para diagnóstico da RCP
Fonte: Adaptação dos autores. Algumas imagens de acervo do TPB e outras do Google imagens, 2021.

[Link] Acionamento do serviço de emergência auxiliar e uso do desfibrilador externo


automático (DEA)

O desfibrilador externo automático (DEA) é um dispositivo computadorizado capaz de


examinar o ritmo cardíaco de uma vítima de forma automática, em casos de parada

156
Biênio 2022/2023

cardiorrespiratória que necessite de choque, o equipamento “avisa” ao socorrista


(mensagens sonoras, luzes e mensagens de texto) os passos a tomar. São ritmos de PCR
chocáveis a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular sem pulso (TV). Estes
ritmos correspondem às principais causas de PCR no adulto, frequentemente presentes
no contexto extra-hospitalar (mais de 50% dos casos) e podem ser totalmente revertidos
pela desfibrilação precoce (choque).

Figura 13 - Desfibrilador externo automático (DEA).


 Localizar o DEA ou solicitar que o tragam à cena/ambiente;
 Ligar para o COPOM e solicitar apoio de equipe especializada, descrevendo condições de
atendimento à vítima;
 Caso DEA esteja disponível na cena/ambiente: de forma concomitante à ligação adaptar as pás do
DEA, aguardar avaliação e iniciar manobras de RCP;
 Caso DEA não esteja disponível na cena/ambiente: iniciar imediatamente manobras de RCP.

- Considerações sobre o DEA:


Em Minas Gerais, a presença do DEA é obrigatória em ambulâncias e viaturas de Resgate, nos locais
públicos com circulação diária de pelo menos 1500 pessoas, conforme consta na Lei Estadual
15.778/05-MG, de 27/10/20059.

- Passos críticos: instalação do DEA:

1 – ligar o aparelho (DEA)

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

9
MINAS GERAIS. Lei 15778, de 26/10/2005. Torna obrigatório equipar com aparelho desfibrilador cardíaco
os locais, veículos e estabelecimentos que menciona. Disponível em:<
[Link]
no=2005>. Acesso em 21 de setembro de 2021.

157
2 – Adaptação das Pás adesivas no Tórax do paciente e conexão junto ao DEA

Local de fixação dos Eletrodos no tórax do paciente:


A – Adultos e crianças maiores de 08 anos
B – Crianças (01 a 08 anos):

Demonstração esquemática do modelo de DEA CMOS DREAK (manual do fabricante).

3 - Análise do ritmo cardíaco pelo DEA

 Afastar-se da vítima (20 cm – mínimo).


 Aguardar informações do aparelho.

4.1 Se Choque é indicado – 4.2 Se Choque não é indicado –


acionamento do botão de disparo manobras de RCP

Fonte: Fotos Imagens disponíveis em google imagens. Acesso em 21 de setembro de 2021.

158
Biênio 2022/2023

[Link] Manobras de Reanimação Cardiopulmonar

Compressões torácicas realizadas por socorristas leigos, profissionais de outras áreas e


população em geral devem ocorrer o mais rápido possível em um contexto de PCREH. A
cada minuto de demora da RCP, as chances de sobrevida da vítima reduzem 10%.
Ademais, o baixo risco de lesões ao paciente nos casos em que este não esteja em quadro
real de PCR soma-se aos enormes benefícios da manutenção da circulação e perfusão
cardíaca e cerebral.

Considerando que as compressões torácicas são o ponto mais importante da


ressuscitação cardiopulmonar fora do hospital, a American Heart Association (AHA)
lançou campanha “Hands-Only CPR” (RCP somente com as mãos) 10 em 2012, a fim de
incentivar a capacitação da população em geral e reduzir a mortalidade.

Figura 14 - Hands-Only CPR” (RCP somente com as mãos).


“TODOS PODEM SALVAR VIDAS!”

O foco da campanha é incentivar a detecção


precoce da PCR e iniciar compressões
torácicas de qualidade para aumentar a
sobrevivência.
 Localizar a referência anatômica para aplicar as manobras de compressão torácica (sobre o osso
esterno ao centro do tórax - nível da linha entre os mamilos);
 Colocar uma mão sobre a outra com os dedos entrelaçados. Utilizar apenas a região hipotenar da
mão que está em contato direto com o tórax para apoiar sobre o osso esterno;
 Manter braços estendidos durante a compressão torácica;
 Realize as manobras sob uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e reavalie a vítima
a cada 02 minutos;
 Repita os procedimentos até a chegada de um DEA (caso não tenha sido instalado anteriormente)
ou serviço especializado (SAMU ou Unidade de Resgate), ou se a vítima começar a se movimentar;
 As compressões torácicas não devem ser interrompidas por mais de 10 segundos;
 Para aumentar a eficácia das manobras, recomenda-se alternar os socorristas a cada dois minutos,
quando o atendimento é prestado por no mínimo 02 profissionais.

- Nota de observação:
Pré-Hospitalar
Atendimento

Considerando requisitos de biossegurança no contexto da COVID-19, a precaução PADRÃO / 7.


AEROSSOL é a mais indicada durante a RCP. No contexto Pré-hospitalar coloque uma máscara ou
pano limpo sobre nariz e boca da vítima para minimizar a dissipação de gotículas e aerossóis.

10
A Campanha enfatiza apenas 2 passos: chamar ajuda e compressão torácica efetiva, chamado de "hands
only" – somente mãos (para socorristas leigos não treinados); ou 3 passos: chamar ajuda, compressão
torácica efetiva e ventilação (para socorristas leigos treinados ou profissionais de saúde). Veja maiores
informações e o video da Campanha em: <[Link] >. Acesso
em outubro de 2021.

159
Compressões Torácicas em Adulto
 As compressões torácicas devem aprofundar de 5 a 6 centímetros no centro do tórax do
paciente.

FOCO:
RCP DE QUALIDADE
POSICIONAMENTO CORRETO

COMPRESSÃO = CIRCULAÇÃO
(perfusão cerebral e cardíaca)

Compressões Torácicas em Crianças (01 ano de idade até a puberdade)


 Adotar as compressões sobre a metade inferior do osso esterno;
 Utilizar as duas mãos em crianças maiores ou apenas uma das mãos (em crianças muito pequenas)
para diminuir a pressão sobre o tórax da vítima;
 As compressões devem aprofundar 5 cm em crianças.

- Localização anatômica da compressão - Compressões torácicas com uma mão.


torácica

Compressões Torácicas em Bebês (Lactantes – menores de 01 ano)


 Apoiar o dedo indicador e médio sobre o osso esterno do bebê (centro do tórax, logo abaixo da
linha dos mamilos) ou com os dois polegares.
 As compressões devem aprofundar 4 cm em bebês.

Adultos Crianças Menores de 01 ano/Lactantes

Fonte: Adaptação dos autores. Algumas imagens de acervo do TPB e outras do Google imagens, 2021.

160
Biênio 2022/2023

4.2 OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE)

A obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) é um quadro em que algum
objeto (artefatos, balas, moedas, língua) ou alimento causa obstrução ou dificulta a
passagem do ar para dentro dos pulmões da vítima.

Figura 15 - Referencial anatômico- Via aérea obstruída.


Referencial anatômico – Via aérea obstruída.

 Bloqueio na passagem
de ar pela VAS

Fonte: Adaptação dos autores. Imagens extraídas do google imagens, 2021.

4.2.1 Abordagem Geral da OVACE no APH

Figura 16 - Classificação da OVACE de acordo com o comprometimento da Via Aérea.

Classificação da OVACE de acordo com o comprometimento da Via Aérea.

OVACE
A vítima não
consegue falar nem
A vítima pode tossir ou emitir sons.
falar, tossir ou A respiração torna-se
emitir sons (tosse ruidosa, dificultosa e
forte, “chieira”). PARCIAL TOTAL
a tosse é ineficaz.
Pré-Hospitalar
Atendimento

Insuficiente troca de 7.
Mantém algum nível
ar com dificuldade
de troca de ar.
acentuada.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

161
4.2.2 Atendimento sequencial das vítimas com obstrução de via aérea

Figura 17 - Atendimento sequencial das vítimas com obstrução de via aérea.


- Pergunte sempre: “Você pode falar?”
 Se puder falar, tossir, emitir sons: acalmar a vítima, incentivar a tosse vigorosa.
 Se não puder falar: efetue MANOBRAS DE HEIMLICH11 até desobstrução, ou até o paciente ficar
irresponsivo (avaliar quadro de PCR e abordar conforme protocolo vigente).

- Manobras de Heimilich em adultos conscientes


 O socorrista deve posicionar-se atrás da vítima;
 Apoiar uma das pernas entre as da vítima;
 Posicionar uma das mãos (preferencialmente a dominante)
fechada, com a face do polegar encostada na parede abdominal
próxima ao apêndice xifoide e entre a cicatriz umbilical;
 Com a outra mão espalmada, coloque-a sobre a primeira;
 Comprimir o abdome em movimentos rápidos, direcionado para
dentro e para cima (em “J”);
 Realizar uma sequência de 05 golpes e avaliar se houve extração
do corpo estranho.

- Manobras de Heimilich em criança consciente (acima de 01 ano)

 Realizar mesma abordagem de vítimas adulto.

- Manobras de Heimilich em criança consciente (menor de 01 ano – Lactentes)


 Posicione o bebê de bruços (barriga para baixo), apoiando o tórax no seu antebraço, com a cabeça
mais baixa que o corpo;
 Efetue 05 “golpes” nas costas, entre as escápulas;
 Se não conseguir remover o corpo estranho após esses primeiros 05 (cinco) golpes, deite o bebê de
costas em seu braço (barriga para cima), com a cabeça igualmente a um nível inferior do corpo;
 Efetue 05 compressões no esterno (com 2 dedos logo abaixo da linha intermamilar, tal como manobra
de reanimação);
 Verifique se houve a desobstrução e se é possível realizar a retirada do corpo estranho com os dedos
em pinça sobre visualização direta;
 Caso não tenha ocorrido repita a série até a desobstrução ou até a chegada ao hospital ou da equipe
especializada.

11
Destaques da AHA (publicadas em 21 de outubro de 2020) incluíram a possibilidade de mudanças nas
manobras de desobstrução de Vias Aéras por Corpos Estranhos em adultos. A técnica passaria a adotar
primeiramente 05 (cinco) golpes na região posterior das costas, seguidos de 05 golpes na região epigástrica
e reavaliação contínua da vítima. Reforçou também que o incentivo à tosse é sempre o método de primeira
escolha pelo risco de lesões em órgãos torácicos e abdominais. (AHA, 2020).

162
Biênio 2022/2023

- Manobras de Heimilich em Obesos e Gestantes conscientes

 Posicione-se atrás da vítima;


 Realize 05 compressões no centro do tórax (sobre o esterno - linha intermamilar - e não no abdome);
 Reavalie a vítima a cada sequência até regressão para obstrução parcial e exteriorização do corpo
estranho.

- Vítimas de OVACE inconscientes:


Se irresponsivo e respiração ausente, pedir ajuda – COBOM
/ 192 /193;
Considere PCR ou Parada Respiratória: inicie RCP de
qualidade – ritmo, frequência e profundidade (100 a 120
compressões /min);
Verifique se houve a saída de algum objeto na boca, se for
possível visualizar retire-o (com a ponta do dedo indicador
ou dedo mínimo);
Repita a sequência até a desobstrução ou até a chegada de
assistência especializada
Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

5. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO (APH TÁTICO)

5.1 OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DO APH TÁTICO

O Resgate Tático é utilizado desde a antiguidade em batalhas remotas12. Como exemplo


de suas abordagens pode-se citar os seguintes relatos históricos: no ano de 900 D. C os
anglo saxões utilizavam carruagem para conduzir enfermos; em 1300 D.C ingleses
utilizam carruagens pesadas para socorrer vítimas”.

A necessidade de cuidados imediatos prestados por socorristas no campo de batalha


certamente foi o propulsor evolutivo das ações táticas de salvamento. Nas últimas
décadas, em especial, estas ações vêm sendo aprimoradas, sobretudo pelas experiências
e conhecimentos militares, que contribuem de forma singular.

Atualmente, uma das principais referências técnicas para essa modalidade de atenção às
Pré-Hospitalar

urgências é o protocolo Americano Tactical Combat Casualty Care (TCCC ou TC3)


Atendimento

adotado, inclusive pelas Forças Armadas do Brasil, dadas as ressalvas e adaptações em 7.


procedimentos técnicos, face às diferenças entre a legislação brasileira e a americana.
Destarte, boa parte dos procedimentos, equipamentos e produtos médicos, comumente
utilizados por profissionais de emergência não médicos nos Estados Unidos, possuem
grandes restrições de uso no Brasil.

12
Leia detalhes em: MAIA, Rodrigo. História do APH de Combate no Mundo. Disponível em:
[Link] Acessado em 10 de outubro
de 2021, às 22hs48min.

163
Entretanto, no Brasil, conforme mencionado no capítulo 1.2 do módulo 01
(Particularidades e diferenças entre o APH Civil/Convencional e APH Tático), está em
processo de validação a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar para Profissionais de
Segurança Pública. Com particularidades próprias para o país, o protocolo inspirado no
TC3 e no acrônimo MARCH busca capacitar os agentes de segurança pública quanto à
adoção de procedimentos fundamentais para a contenção de hemorragias e choque nos
ambientes de combate, além de outros conhecimentos, contribuindo para a redução da
vitimização em combate.

Em um ambiente de combate ou em meio às condições hostis, o atendimento às vítimas


feridas tem particularidades que convergem os princípios do PHTLS (convencional) a
outros métodos como o protocolo Tactical Combat Casualty Care (TCCC ou TC313), tendo
em vista as especificidades dos ferimentos de combate.

O TC3, um dos protocolos internacionais mais utilizados, se divide em 3 (três) fases, a


saber:
a) Cuidado sob confronto armado (sob fogo) – “Minuto de Ouro”: que visa
neutralizar ameaças e procurar abrigo;
b) Atendimento em campo tático: que visa atender de imediato o agente ferido;
c) Atendimento em evacuação tática – “Hora de Ouro”: que visa retirar de
maneira segura o policial militar, monitorando e acompanhando sua evolução.

Os operadores socorristas neste tipo de situação devem além de preocupar-se com o(s)
ferido(s), precisam estar em alerta e analisar os fatores táticos envolvidos na cena, como
a segurança da equipe e a retirada rápida do local hostil. Seus armamentos e
equipamentos deverão estar em condições para uma possível nova intervenção tática,
independente do tratamento do agente ferido. Salienta-se que ,não raramente, o
combatente será o primeiro, senão o único, provedor de ações de primeiros socorros
naquele local.

Os objetivos do APH de combate difundidas pelo Tactical Combat Casualty Care


(TCCC ou TC3) são:

1. Salvar vidas que possam ser salvas;


2. Prevenir outras perdas de vidas;
3. Completar a missão de salvamento.

13
Cumpre esclarecer que o TC3 é um dos protocolos internacionais utilizados para capacitação em APH
Tático. Todavia, a Diretriz Nacional de APH Tático publicará em breve seu protocolo nacional, com
particularidades advindas de um processo de validação nacional adaptado às realidades do Brasil.

164
Biênio 2022/2023

5.2 ATENDIMENTO AOS FERIDOS NO CONTEXTO TÁTICO

Nas ocorrências em que o policial militar sofre trauma ou lesão que requeira tratamento
imediato, os primeiros cuidados deverão ser prestados por ele mesmo (autosocorro) e
por outro policial antes de ser resgatado e efetuar a conduta do Memorando 31.164.2/06
– EMPM “Pega e Leva”, a qual discorre:

a) Nos casos de traumas penetrantes (projéteis de arma de fogo ou arma branca), as vítimas deverão ser
socorridas de imediato ao hospital Odilon Behrens ou João XXIII, sendo este último preferencialmente, no
primeiro veículo disponível ou pela própria guarnição empenhada na ocorrência.
b) Nos casos de traumatismos contusos (queda, acidentes, atropelamentos e outros), as vítimas serão
socorridas pelas unidades pré-hospitalares do SAMU ou RESGATE, haja vista o comprovado benefício desse
atendimento no local. [MINAS GERAIS, 2006].

O APH Tático divide a sua área de atuação em três fases, de acordo com o perigo para a
vítima e para a equipe. Tal divisão determina as ações que o socorrista deve tomar em
cada momento, de forma a fornecer o melhor atendimento possível, sem abrir mão da
segurança.

Figura 18 - Fases do APH de Combate/Tático.

Fases do APH de Combate/Tático

FASE SITUAÇÃO TÁTICA

Ameaça imediata e ativa. Possibilidade de deslocamento e auto


Cuidado sob
socorro por parte do militar ferido.
Confronto Armado
Estado de atenção: Estado de Alarme (vermelho), já ocorreu ou
(sob fogo)
está ocorrendo o confronto.

Ameaça contida, mas pode retornar. Em caso do militar


desacordado ou apresentando instabilidade no nível de
consciência, travar a o armamento do militar ferido. Verificação
Atendimento em
de hemorragias exsanguinantes, aplicação do torniquete se
Campo Tático
necessário e extricação do militar ferido. Militar deverá
permanecer no Estado de Alarme pelo fato de ainda não
controlar o ambiente e novos confrontos serem possíveis.
Pré-Hospitalar
Atendimento

7.
Sem ameaça – Evacuação do militar ferido para um ambiente
controlado e com suporte médico avançado (pronto socorro).
Atendimento em Evacuação
Após saírem da zona quente, ambiente hostil, os militares
Tática
deverão retornarem ao Estado de Alerta (Laranja) e quando o
cenário permitir, retornar ao Estado de Atenção (Amarelo).

Fonte: Adaptação dos autores. Tactical Combat Casualty Care for Medical Personnel
August 2018. (Based on TCCC-MP Guidelines 180801).

165
As zonas de atendimento têm correspondência com as técnicas de resgate do policial
ferido e são didaticamente divididas por cores a saber:

ZONA QUENTE OU VERMELHA: Local hostil, onde o Policial Militar não possui domínio
total da situação e não controla as ameaças;

ZONA MORNA OU AMARELA: Local aparentemente (parcialmente) controlado, Policial


Militar coberto e abrigado (com a devida cobertura de outros Militares), presta o
primeiro atendimento ao companheiro vitimado, lembrando que as ameaças podem
surgir novamente, ocorrendo a possibilidade de novos confrontos;

ZONA FRIA OU VERDE: Local totalmente controlado, tem condições de um atendimento


mais completo e especializado, se necessário (Bombeiro Militar / SAMU / Hospital).

6. ACRÔNIMO MARCH DO APH TÁTICO

O mnemônico MARCH é aplicado no TC3 como processo de verificação do ferido e ações


para sua estabilização. É muito similar ao X-ABCDE da avaliação traumatizado, porém não
é igual e não se usa da mesma forma. O MARCH14 é indicado para o APH de
Tático/Combate, ou seja, para áreas de conflito armado.

Quadro 05 - MARCH.

MARCH

Letra Descrição Procedimentos recomendados

Controlar sangramentos com uso de torniquete,


M Maciça hemorragia
agentes hemostáticos e preenchimento de ferida.
Manter a permeabilidade das vias aéreas (manobra
A Aérea
Jaw-Thrust, cânula nasofaríngea, i-gel).
Identificar ferimentos no tórax e tratar o pneumotórax
R Respiração (aberto e fechado) com curativo valvulado ou outras
técnicas.
Verificar nível de consciência, indício do estado de
C Circulação
choque. Conferência de pulso distal e perfusão capilar.
Manter a vítima aquecida, sem contato direto com o
H Hipotermia solo. Pode ser utilizado cobertor, manta aluminizada,
fonte de calor instantânea.
Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

14
Esse acrônimo foi validado em âmbito nacional para o Brasil. Maiores detalhamentos em:
<[Link]
projeto-de-atendimento-pre-hospitalar-tatico/mapeamentos-de-competencias-e-procedimentos-
minimos-especificos-sei_mj-[Link]>. Acesso em 08 nov 2021.

166
Biênio 2022/2023

M Maciça hemorragia (Avaliação do sangramento maciço):


Deve ser identificado o mais rápido possível (após ferimento - concomitante ao
acionamento de ajuda, o militar inicia sua autoavaliação), de forma visual e tátil, em busca
de possíveis pontos de sangramento.

As formas para conter o sangramento são:

a) Pressão Direta:
 Realiza-se uma pressão direta sobre a ferida;
 Auxílio de gaze, se disponível, ou pano limpo;
 Manter pressão até uma solução definitiva.

b) Bandagem Compressiva:
 Feito de forma que uma pressão mecânica seja mantida sobre o ferimento;
 Pode estancar grandes hemorragias;
 Usar gazes preenchendo a ferida;
 Usar um chumaço de gaze por cima para promover a pressão.

c) Curativos hemostáticos:
Os dispositivos hemostáticos foram desenvolvidos inicialmente para os conflitos no
Afeganistão e no Iraque, onde foram usados pelas forças militares dos EUA salvando
várias vidas. Atualmente as gazes impregnadas com agentes hemostáticos são como
equipamento obrigatório pelas Forças Armadas dos EUA e forças de segurança como CIA,
FBI, SWAT, policias locais, atendimento de emergências e hospitais nos EUA e em vários
países.

Dentre os benefícios destacam-se:

 Redução no tempo para controle da hemorragia: quando comparado às ligaduras e


compressão simples com gazes e faixas que podem requerer cerca de 10 minutos para
controle hemostático - pela ação do agente hemostático (coagulante – ação entre 2 a 3
minutos sob compressão direta);
Pré-Hospitalar
Atendimento

 Possibilidade de preencher cavidades: podem ser substitutos de técnica cirúrgica


7.
meticulosa, têm boa aplicação sobre a lesão, sem prender-se a ela, pode ser trocado
fácil (se saturado).

Como exemplo desse tipo de material pode-se citar:


• Combat gauze: recomendada para preenchimento em lesões no pescoço, axila,
virilha, ombro, quadril, glúteo e demais áreas nas quais não é possível aplicar o
torniquete.

167
d) Torniquetes:
Os torniquetes são usados para o controle de hemorragias importantes quando a
compressão direta e compressão elástica não foram eficazes. A finalidade do torniquete
é realizar constrição externa (temporária) do leito vascular lesado através da oclusão
mecânica externa de veias e artérias.
• Aplicar diretamente sobre a pele;
• 4 a 5 “dedos” acima de ferida, para uma aplicação deliberada;
• Nunca sobre uma articulação;
• Em um ferimento por munições de alta velocidade, indica-se o uso do torniquete
emergencial – sendo mais alto e mais apertado;
• Apertar até desaparecer o pulso distal;
• Se for necessário, instalar um segundo torniquete, acima do primeiro – torniquete
duplo;
• Na região dos membros com ossos duplos, pode acontecer de um torniquete, mesmo
apertado, não estancar a hemorragia. Isso acontece porque os ossos “protegem” o
vaso, impedindo a obstrução do mesmo;
Na perna: tíbia e fíbula;
No antebraço: rádio e ulna;
• Porém, ainda assim, indica-se o uso do torniquete “mais apertado”, uma vez que a
diminuição do fluxo sanguineo é real. Não estancando o sangramento, poderá haver
a reversão ou aproximação do torniquete para uma maior efetividade da técnica.

ATENÇÃO:
• Enquanto o socorrista observa os focos de hemorragia, pode realizar a
exposição do corpo da vítima, verificar o estado de consciência e fazer as demais
observações, não necessariamente seguindo um protocolo somente após terminar
outro.
• Mantenha atenção ao pulso distal/perfusão capilar, checando-os sempre que
possível.

Importante: não remover o torniquete.

O torniquete deverá permanecer no local até o atendimento especializado da vítima,


durante este período é essencial observar alguns aspectos:
 Não deverá ser afrouxado;
 Manter o torniquete em amputações ou grandes lacerações, mesmo sem
hemorragias evidentes;
 Em vítimas em choque hipovolêmico manter o torniquete até a reposição de
volume.

168
Biênio 2022/2023

Figura 19 - Intervenções para controle da hemorragia macica em situações de combate


ou táticas.

Intervenções para controle da hemorragia maciça em situações


de combate ou táticas.

CONSENSO DE HARTFORD OUTROS CONSENSOS (AHA)


 Coloque o torniquete a nível proximal da lesão, cerca
 Coloque o torniquete “Alto e Apertado”; de 5,0 cm acima;
 Aperte até a cessação do sangramento;  Mantenha apertado até a cessação do sangramento;
 Pode ser colocado mais de um torniquete, desde que  Pode ser colocado mais de um torniquete, desde que
preservado distância mínima de 5,0 cm; preservado distância mínima de 5,0 cm em sentido
 Reavalie continuamente. medial;
 Reavalie continuamente.

APLICAÇÃO DE CURATIVOS E AGENTES HEMOSTÁTICOS

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

Fonte: Adaptação dos autores. Imagens disponíveis em google imagens. Disciplina de APH para policiais
militares de Minas Gerais. Treinamento Policial Básico. Biênio 2022-2023.

169
De modo geral entre 150 a 200 minutos a equipe de socorro realizará o transporte para
um Centro de Trauma/Emergências de modo a assegurar a sobrevida da vítima. Não há
evidências que determine o tempo máximo de uso do torniquete e danos relacionados
ao seu uso prolongando foram raros.

Torniquetes não podem ser colocados em articulações e sua indicação está associada à
Hemorragia Exsanguinantes (maciça) de extremidades.

O diâmetro ideal em largura de um torniquete deve ser de 7 a 10 cm, com extensão


mínima de 70 cm a 1,0 metro. Os torniquetes de combate ou táticos são os mais seguros,
tendo em vista que já foram testados e são recomendados pelos Comitês e Centros de
Treinamento Especializado em APH Tático. O projeto de APH Tático Nacional prevê Kits
materiais e insumos recomendados e podem ser vislumbrados no Anexo B da Diretriz
(Quadro 6).

A Aérea (Avaliação das Vias aéreas)

Avaliar a possibilidade de obstrução e assegurar a via aérea com posicionamento


corporal;

Utilização da Cânula nosfaríngea para manutenção das vias aéreas.

R Respiração (Avaliação da Respiração)

Abordar problemas que interferem na oxigenação. Em grande parte correspondem ao


pneumotórax (ar no espaço pleural) ou hemotórax (sangue dentro do espaço pleural),
causado geralmente quando existe um trauma de tórax.

ATENÇÃO:
• Enquanto o socorrista observa os focos de hemorragia, pode realizar a
exposição do corpo da vítima, verificar o estado de consciência e fazer as demais
observações, não necessariamente seguindo um protocolo somente após terminar
outro.
• Mantenha atenção ao pulso dista/perfusão capilar, checando-os sempre que
possível.

Tratar ferimentos de torácicos penetrantes, torácicos aspirantes e pneumotórax


hipertensivo:

 Avaliar se o pulmão está expandindo bem e se não existem furos no tórax.


 Avaliar se os dois lados do tórax sobem (expandem) de forma igual.
 Avaliar / observar se existe desconforto para respirar.
 Buscar por orifícios (de entrada e saída) no tórax (frente e trás).

170
Biênio 2022/2023

Quadro 06 - Diretriz Nacional de APH Tático.


Anexo B – Diretriz Nacional de APH Tático: Composição dos kits e
Requisitos técnicos mínimos de equipamentos e insumos.
Natureza
Item Descrição Qde Ilustração Especificação Técnica
de uso
1 Equipagem Bolso APH 1  O bolso poderá ser no sistema destacável e deverá
para Colete ter seu desenvolvimento exclusivo para o transporte
Tático de equi Deverá ser confeccionado em Cordura® 500D
Modular) (ou similar superior);
 O nylon® ou similar deverá ser resinado,
totalmente impermeável e resistente à hidrólise de
forma a oferecer pr A bolsa deverá ter 18 ± 1 cm de
largura, por 11 ± 1 cm de altura, por 7 ± 0,5 cm
espessura;
 Deverá possuir internamente nichos individuais
para a colocação de objetos e tiras elásticas e 02 (dois)
elásticos Deverá possuir fita vermelha para puxar e
abrir o bolso mais rápido;
 Já deve possuir o patch emborrachado com cruz
vermelha e fundo escuro com costura na parte
superior da base. O bolso deve ser fechado através de
zíperes YKK (ou similar) ambidestros com 02 (dois)
cursores com puxadores. O bolso modular deve ser
do tipo M.O.L.L.E. (Modular Lightweight Load-
Carrying Equipment) nas costas da bas de guarnição;
 A bolsa deverá ligar-se ao sistema de fixação
“M.O.L.L.E.”, por intermédio de, no mínimo, 3 (três)
fileiras de velcr A bolsa deverá possuir as mesmas
alças para engate do sistema "M.O.L.L.E" em sua face
anterior;
 O engate do sistema "M.O.L.L.E" com a bolsa deverá
possuir um cadarço fita CTF 25 mm (na cor do tecido)
adici cadarço fita CTF se conectando por intermédio
de um fecho arredondado 114/25 mm;
 O sistema de engate "M.O.L.L.E" deverá ser
composto por duas fitas dobradas em 2/3 do
comprimento de cada intermédio de botões de
pressão PTO1002/6;
 Na extremidade da fita deverá existir uma meia
argola plástica de 25 mm costurada a placa de fixação
com costu O sistema deverá possuir uma placa de
fixação com as faces revestidas Cordura® 500 (ou
similar) com as bordas das faces revestidas com três
fileiras de velcro® macho de 50 mm; O engate do
sistema "M.O.L.L.E" com a bolsa deverá possuir um
cadarço fita CTF 25 mm adicional com tamanho
conectando por intermédio de um fecho
arredondado 114/25 mm preto;
Pré-Hospitalar

 Dois clips para fixar no sistema M.O.L.L.E Costas do


Atendimento

bolso com velcro® macho para grudar na base


modular; Pos confeccionada em cordura® 500D (ou
7.
similar) na parte externa e nylon® 300 (ou similar)
resinado na parte inte Ter velcro® fêmea do lado
interno onde o bolso será acoplado;
 Fecho de abertura rápida para prender o bolso n A
bolsa aberta deverá possuir 3 (três) compartimentos
principais; Compartimentos do bolso e o quarto bolso
com elástico e bolso em tela emborrachada com
fecho para guardar As costuras dos velcros® serão
em X;
 Todas as costuras das bordas da bolsa serão duplas
e paralelas. As demais A cor deverá seguir o padrão
Caqui, Preto ou Verde.

171
2 Equipagem Tesoura ponta 1  Deve possuir capacidade para cortar todos os tipos
romba de tecido, couro, botas e roupas de inverno pesado,
bem com deve possuir lâminas afiadas, temperadas e
rígidas de aço inoxidável com borda serrilhada para
cortar materiais;
 Deve possuir grande anel de polipropileno para
proporcionar o máximo de controle e conforto no
encaixe dos dedos;
 Deve possuir cor do cabo Caqui, Preto ou Verde
escuro;
 Deve possuir cor da lamina da cor do cabo ou preta
; Deve ser totalmente autolavável à 143ºC;
 Dimensões aproximadas: comprimento total 19cm;
largura total 10cm; espessura total 1cm peso: 57g;
 Deve ser igual ou semelhante a NAR TRAUMA
SHEARS.

3 Equipagem Porta 1  Confeccionada em fitas de poliamida 50mm;


torniquete  Elástico ajustável;
 Fechamento por velcro®; Fixação por sistema
MOLLE e sistema de fixação para cinto, permitindo
que o porta torniquete seja utilizado na Dimensões:
18,00cm X 6,5cm X 7,0cm;
 Deve ser igual ou similar ao modelo TQ POUNCH
da marca CONDOR. Cor: Caqui, Preto ou Verde.

4 Equipagem Pincel 1  Ponta cônica;


marcador  com Grip Emborrachado;
permanente  Secagem rápida a base de álcool;
 Tinta de cor preta ou vermelha

5 Equipagem Luva de 1  Utilizado para oferecer uma resistência superior a


procedimento par muitos tipos de produtos químicos;
nitrílica  Fabricada em Nitrílo (borracha sintética), visando à
eliminação de reações alérgicas em usuários com
hipersensi uso; sem pó bioabsorvível;
 Ambidestra;
 Superfície lisa com microtextura na ponta dos
dedos;
 Alto grau de flexibilidade e superior solvente
resistência;
 Cada caixa deve conter, pelo menos, 100 unidades;
 a cor das luvas deve ser da azul;
 Embalagem tipo dispenser box;
 Devem ser entregues na seguinte distribuição de
tamanhos: 15% tamanho "P", 35% tamanho "M", 35%
tamanho G

172
Biênio 2022/2023

6 Controle de Torniquete 1  O torniquete deve fazer cessar 100% a hemorragia


sangramento Tático massiva nas extremidades dos membros;
maciço  Deve possuir um único sistema de fivela simples
para correto tracionamento que permita uma
aplicação extrem Sua aplicação deve ser simplificada
e existir um único protocolo para todas as aplicações;
 Deve possuir fivela para passada simples resistente:
permite que a afixação e remoção do torniquete no
membr tracionamento, resultando em menor perda
sanguínea;
 Deve possuir barra de tracionamento
(preferencialmente metálica); ao ser girada no próprio
eixo, traciona o sist possuir sobressaltos nas
extremidades, a fim de facilitar seu manejo, de
localização fixa, que após aplicação do torniquete;
 Deve possuir entrada chanfrada bilateral para
travamento da barra de tracionamento, deve suportar
o tracionam flexão;
 Deve possuir placa de estabilização com bordas
arredondadas para não pinçar a pele do Operador;
 O Funcionamento deve ser dado pelo
posicionamento justo de fitas formando uma espécie
de tubo, que compo livremente por ele. Esta fita
simples é conectada a barra de tração, que ao ser
girada, traciona o sistema. Esse co exercida pelo
tracionamento; Sem Latex;
 Recomendado pelo CoTCCC – USA ou através de
estudo que comprove características similares;
 Desenhado para ser aplicado em todas as
condições climáticas;
 Dimensões mínimas aberto: 95,25cm; Largura:
3,80cm; Registrado na Anvisa;
 Deve ser igual ou semelhante ao Torniquete CAT
GEN 7 ou SOFT GEN 4;
 Cor: Caqui (ou Tan, ou Coyote); vermelho (e/ou
laranja); preto; ou azul (recomendado para
treinamentos).

7 Controle de Gaze 1  Gaze hidrofílica impregnada com agente


sangramento hemostática hemostático, com tira de duas camadas;
maciço  O material deve ter propriedade hemostática sem
produção de quaisquer reações exotérmicas;
 Deve medir aproximadamente 7,5cm X 370cm ser
macia, branca e não tecido;
 Deve ser dobrado em forma de Z, para facilitar a sua
aplicação;
 Deve conter uma tira detectável por raios-X para
fácil identificação; Deve ser estéril e epirogênico;
 O produto deve ser acondicionado em embalagem
selada a vácuo, de abertura fácil, cor verde ou preto;
Pré-Hospitalar
Atendimento

 O produto deve ser igual ou similar ao QUIKCLOT


COMBAT Z-FOLD. Registrado na Anvisa. 7.
8 Controle de Gaze de 1  Gaze estéril de algodão premium;
sangramento Metro*  Fio sêxtuplo, Largura 11cm x 3,75 m comprimento,
maciço Comprimida em dobras (formato de “S”) para fácil
aplicação;
 Selada a vácuo para ocupar o mínimo de volume;
 Possuir a tecnologia NAR Red-Tip (ponteira
vermelha) com picotes para facilitar a abertura.
 Dimensões: embalagem a vácuo: comprimento 7,5
x largura 5,0 x altura 2,5 cm, da Gaze: aprox.. 11,4 cm
x 3,74 m (4,5” x 4,1”).

173
9 Controle de Bandagem 4” 1  Bandagem de compressão elástica com
sangramento (tipo reservatório com 3 metros de gaze, com uma barra de
maciço israelense ou pressão que tamb separadamente
olaes) (preferencialmente),
 Uma folha plástica oclusiva removível
(preferencialmente);
 Possuir tiras de velcro® que impeçam o
deslocamento acidental durante a aplicação;
 As tiras de velcro® fornecem superfícies de
aderência durante a aplicação e ajudam a manter a
pressão desejada;
 Possui grampo para fixação; Embalada a vácuo;
 Embalagem a vácuo: comprimento 16cm x largura
10cm x altura 3cm Gaze: 10cm de largura x 3m de
comprimento; Registrado na Anvisa.

10 Controle das Cânula 1  Deve ser descartável;


Vias Aéreas e Nasofaríngea  Dispositivo para facilitar a ventilação, mantendo as
Ventilação vias aéreas superiores permeáveis; Indicação:
procedimentos anestésico/cirúrgicos de rotina e/ou
em emergências;
 Apresentação: estéril em embalagem individual
pronta para uso imediato; Validade da esterilização: 5
anos; Acompanha manual de uso em português;
 Acompanha Sache de Gel lubrificante ou ser pré-
lubrificada;
 Tamanho: 28 FR 12,5 cm (padrão americano) ou
Tamanho: nº 8,0 (diâmetro interno de 8 mm) (padrão
nacional);
 Cor contrastante (amarelo brilhante),
preferencialmente, para melhor visualização do
dispositivo durante as manipulação;
 Produzido em material flexível, livre de Látex;
 Ponta distal atraumática, com bisel de bordas
arredondadas;
 Rampa interna para direcionar a passagem de
sonda nasogástrica e/ou aspiração;
 Borda proximal alargada em forma de funil para
melhor posicionamento e fixação, de forma a
restringir o deslocamento; Registrado na Anvisa.

11 Manutenção Selo de Tórax 1  Selo de Tórax Valvulado para a prevenção,


da Valvulado gerenciamento e tratamento de um pneumotórax
Respiração Industrializado aberto e / ou tensi penetrante;
 Conjunto/ kit de dois selos de tórax para feridas
abertas, curativos valvulados em embalagens
impermeáveis (composto de no mínimo um curativo
com válvula unidirecional);
 Deve possuir superfície aderente com adesivo
hidrogel, elasticidade para aderência em qualquer
curvatura do c climáticas extremas;
 O kit deve ser embalado no formato individual, em
embalagem resistente, produto de uso único,
descartável e; Registrado na Anvisa.

12 Prevenção Manta térmica 1  Cobertor Térmico para Resgate aluminizado;


da  Confeccionada em polietileno aluminizado;
Hipotermia  Não deforma;
 Prova d’água; Reflete o calor externo mantendo o
calor interno;
 Com tamanho mínimo de 2,1 m x 1,4m

174
Biênio 2022/2023

13 Prevenção Fonte de Calor 1  Bolsa com ativação de calor instantânea, gerada por
da Instantâneo* reação química;
Hipotermia  Indicada para controle de Hipotermia, alivio de
contusões e entorses e dores musculares em geral;
 Deve ter tamanho reduzido para se transportada no
bolso ou em Kit de APH Tático individual;
 Tempo mínimo de duração 25 Minutos;
 Temperatura do aquecimento, entre 50°C e 60 °C;
 Preferencialmente reutilizável.

14 Circulação e Atadura 1  Bandagem de compressão elástica com tiras de


Choque Elástica 4” velcro® que impedem o deslocamento acidental
(controil durante a aplicação;
wrap)*  As tiras de velcro® fornecem superfícies de
aderência durante a aplicação e ajudam a manter a
pressão desejad Possui grampo para fixação;
 Largura: 4 Polegadas (10cm) e Comprimento: 72"
(180cm). Registrado na Anvisa.

15 Circulação e Compressa de 1  Confeccionada em tecido 100% algodão, 13


Choque gaze comum fias/cm²;
(Pacote)*  Cor branca;
 Isenta de impurezas; Estéril; com 8 camadas, largura
7,5cm e comprimento 7,5cm, 5 dobras.
 registrado na Anvisa.

16 Circulação e Atadura de  Constituída de uma faixa contínua de tecido, 100%


Choque crepom nº 6* algodão, com propriedades elásticas;
 Largura 6cm x comprimento 180cm;
 Gramatura 18g/m2, deformação máxima 50%.
 Normas de especificação ABNT NBR 14056;
 Registrado na Anvisa.

*Itens para composição adicional como material opcional no Kit individual.


**Imagens meramente ilustrativas. Não devem ser consideradas as marcas como referências indicativas.
Nota: Adaptação dos autores com algumas partes do texto em negrito (grifos nossos)
Fonte: Adaptado do ANEXO I-B: NÍVEL BÁSICO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO PARA
PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA COMPOSIÇÃO DOS KITS E REQUISITOS TÉCNICOS MÍNIMOS DE
EQUIPAMENTOS E INSUMOS. Disponível em: <[Link]
realiza-audiencia-publica-para-discussao-do-projeto-de-atendimento-pre-hospitalar-
tatico/equipamentos-e-insumos-sei_mj-[Link]>. Acesso em 08 nov 2021.

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

175
Tratamento do pneumotórax em ambiente hostil ou zona quente:
 Curativos oclusivos e burp de tórax se necessário.
 Se a perfuração tiver apenas entrada, fazer curativo oclusivo de 3 pontas (SELO DE
TÓRAX) – não muito eficiente uma vez que o material utilizado para tal, não
mantém-se colado devido aos fluídos corporais e sangue;
 Se a perfuração tiver entrada e saída, fazer oclusivo de 4 pontas em um orifício e
de 3 pontas no outro, permitindo expulsar os fluídos desnecessários.
 Burp de tórax: Remova o selo de tórax ou curativo oclusivo até que o ferimento
fique exposto. Limpe o ferimento com um pano ou gaze, removendo possíveis
coágulos, em seguida aplique uma pressão firme no lado do pneumotórax.

Figura 20 - Curativo de 3 pontas.

ATENÇÃO:

O CURATIVO SELANTE VALVULADO DE


TRÊS PONTAS (ESTÉRIL). É A PRIMEIRA
OPÇÃO. O CURATIVO IMPROVISADO DE
TRÊS PONTAS É UM RECURSO
UTILIZADO SOMENTE EM SITUAÇÕES
EXTREMAS.

Nota: No Brasil a punção torácica para descompressão do pneumotórax é procedimento


exclusivamente realizado por profissional médico, em conformidade com requisito legal vigente.

CURATIVO VALVULADO DE TRÊS PONTAS – PNEUMOTÓRAX EM APH

Fonte Adaptado do material didático dos autores. Imagens disponíveis em google imagens em
setembro de 2021.

176
Biênio 2022/2023

C Circulação (Avaliação da circulação)

 Verificar nível de consciência, indício do estado de choque.


 Conferência de pulso distal e perfusão capilar.

H Hipotermia (Prevenir hipotermia)

Deve-se evitar ao máximo a perda de calor da vítima e, para isso, o agente que estiver
prestando socorro deverá lançar mão de alguns procedimentos:
 Manter a vítima o mais seca possível;
 Isolá-la do contato com o solo (principalmente se este estiver úmido);
 Levar consigo equipamentos simples (cobertor aluminizado e bolsa de calor
instantâneo) para manter a vítima aquecida;
 Se o ambiente estiver confortável para você significa que estará desconfortável (frio)
para a vítima! - Aqueça-a!

7 TÉCNICAS DE RESGATE POLICIAL EM APH TÁTICO

O Atendimento em Campo Tático é executado em local coberto, improvisado de acordo


com a situação tática, para prover um mínimo de segurança. Nesse local, o ferido e o
socorrista não estão mais sob fogo efetivo, porém a área não é considerada totalmente
segura, podendo tornar-se insegura rapidamente.

O equipamento médico limita-se ao carregado pelo efetivo da missão.

A avaliação do paciente segue o acrônimo MARCH. Antes de se iniciar o atendimento,


todo militar que se encontra desorientado deve ser desarmado, incluindo armas
secundárias e explosivos. Qualquer alteração no nível de consciência pode representar
ameaça ao socorrista e à equipe de socorro. As ações de saúde não devem atrasar a
evacuação.

Os primeiros minutos (atendimento sob fogo) e a primeira hora (atendimento tático de


campo e de evacuação) sao cruciais para a definicao do prognóstico da vítima. O
Pré-Hospitalar
Atendimento

transporte da vítima até um centro de trauma em um tempo máximo de uma hora 7.


interfere significativamente na probabilidade de sobrevivência da vítima.

7.1 RESGATE SOB CONFRONTO ARMADO (SOB FOGO)

Nesta etapa as prioridades são repelir injusta agressão, conter o fogo inimigo e mover a
vítima para abrigo.

177
7.1.1 Neutralizar Ameaças

Sair do X: Refere-se movimentar, não estacionar no local onde o policial militar foi ferido,
pois esse ponto caracteriza um alvo para a ameaça ativa. Pequenos deslocamentos
podem fazer os policiais militares da guarnição deixarem de serem alvos para a ameaça.
 Abrigar-se e buscar os abrigos mais próximos;
 Retornar fogo apropriado (consciente);
 Fazer a cobertura da área quente para evitar possíveis ameaças secundárias.

7.1.2 Resgate do Agente Ferido

Caso não exista um abrigo próximo ao realizar a extricação do ferido. Assim que o
socorrista se aproximar do militar vitimado, realizar a triagem em X, verificando os
possíveis focos de sangramento, expor o corpo da vítima para melhor visualização e
colocá-la em segurança, vestir o colete novamente na vítima, lembrando que a checagem
de sangramento DEVERÁ ser visual e tátil.

Se essa operação demandar muito tempo, ainda no local onde o militar foi vitimado, é
necessário fazer uma checagem em membros superiores e inferiores na busca de
sangramento maciço novamente de tempo em tempo, observando se o método utilizado
para contenção do sangramento permanece eficaz. Conduzindo-o para uma área segura
dando sequência ao tratamento.

A máxima é sempre levar para área de atendimento segura!

[Link] Extricação - Auxílio remoto (caso possível):

A extricação é a fase em que serão adotadas medidas para retirar o policial ferido do
epicentro de risco. Realizar o deslocamento até o ferido com agilidade, mas com
segurança, aproveitando os abrigos e cobertas no ambiente e proporcionando condição
de cobertura pelo restante da equipe.

Caso o militar vitimado esteja consciente, buscar auxiliá-lo em deslocamentos para


abrigos, realizar auto checagem e aplicar o autosocorro caso seja necessário.

Quando o socorrista for prestar socorro ao militar vitimado, deverá travar o armamento
imediatamente e não desarmá-lo, pois mesmo vitimado o militar pode ter condições de
combate, caso ocorra um novo confronto durante as fases da extricação e evacuação, o
militar pode auxiliar a equipe a conter fogo inimigo e controlar o ambiente novamente.

Diferente da situação mencionada acima, se o militar estiver ferido e inconsciente, ou


apresentando variação nos níveis de consciência, o socorrista DEVERÁ desmuniciar o

178
Biênio 2022/2023

armamento imediatamente, evitando que o militar vitimado venha a disparar o


armamento contra a patrulha por acidente ou pelo efeito “flashback”, que ocorre quando
a vítima perde a consciência abruptamente, tendendo a executar a ação que estava em
mente antes do trauma.

[Link] Comunicação via rede de rádio

Quando houver confronto, logo que a situação permitir, o comandante da guarnição ou


patrulha, DEVERÁ PEDIR PRIORIDADE, informado o local onde está e para onde está
deslocando com a patrulha, facilitando dessa maneira a chegada de outras guarnições
para apoiá-lo e suporte de aeronave se possível.

[Link] Evacuação Tática (Hora de Ouro)

Na fase de evacuação, DEVE agilizar ao máximo a retirada do Militar vitimado do


ambiente hostil, transportando-o para uma zona fria, buscando socorro especializado e
unidade médica condizente com o trauma sofrido.

Na evacuação duas questões serão fundamentais: a qualidade do suporte pré-hospitalar


e rapidez na condução para o atendimento médico avançado.

Faça a evacuação para hospital de referência em menos de 01hora ou o mais rápido


possível com segurança.

[Link] Transporte do Militar Ferido

No APH TÁTICO é imprescindível conhecer os métodos de transporte de feridos. Deve-se


tentar minimizar os danos da vítima sendo possível dar uma sobrevida ao militar vitimado.
Atentar para o controle de hemorragias, fazer os curativos necessários e imobilizar
fraturas.

O transporte pode ser feito por arrasto ou transporte suspenso.


Pré-Hospitalar
Atendimento

A técnica do arrasto pode ser muito eficaz em uma extração sob fogo quando a redução 7.
da zona corpórea (silhueta) for fator preponderante para a segurança do socorrista e do
ferido.

Ao optar pelo transporte suspenso saiba que o nível de consciência do policial militar
ferido e até mesmo uma mínima capacidade de auxílio na locomoção, por parte do
policial vitimado, irão influenciar no método a ser implementado.

179
Outro fator a ser considerado em qualquer forma de transporte e que merece um
destaque especial no transporte suspenso é o peso da vítima. Tentar equalizar o peso do
ferido com o policial socorrista pode ser o primeiro passo para o sucesso nesta ação.

[Link].1 Tipos de Transporte do Militar Ferido

Figura 21 - Transporte por dois militares.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

180
Biênio 2022/2023

Figura 22 - Transporte por dois militares modelo Seals.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

181
Figura 23 - Transporte por um militar, utilizando uma maca de transporte tática.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

182
Biênio 2022/2023

Figura 24 - Transporte por um militar, utilizando o mochilamento de mãos livres.

.
Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

Figura 25 - Transporte por um militar, utilizando um cabo solteiro de 12mm com 06


metros.

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

183
Figura 26 - Transporte por dois militares, utilizando o mochilamento “Bombeiro”.

Fonte: Elaborado pelos autores. 2021.

184
Biênio 2022/2023

8. CONCLUSÃO

O atendimento pré-hospitalar (APH) civil e tático na atualidade desenvolvem um papel


de extrema importância na sociedade brasileira, visto que desempenha atividades que
exigem um preparo indiscutível, além da garantir de forma satisfatória a sobrevida da
vítima que necessita de tal atendimento.

Em síntese, este trabalho evidencia a necessidade de atualização constante sobre o tema,


além do preparo técnico para a realização de tais atividades, uma vez que além de garantir
a segurança da cena e dos socorristas envolvidos, é dever do policial militar auxiliar em
diversas ações de socorro imediato como Suporte Básico de Vida (SBV).

Por fim, neste material foram explanada as diferenças entre o atendimento pré-hospitalar
civil e o atendimento pré-hospitalar tático. Além de explanar sobre os aspectos legais do
APH, objetivos, princípios, mecanismos de execução, dentre outros.

Pré-Hospitalar
Atendimento

7.

185
TECNOLOGIA
8 APLICADA
À ATIVIDADE POLICIAL
1. INTRODUÇÃO

A Tecnologia da Informação (TI) é caracterizada como o conjunto das soluções e


atividades (computadores, sistemas informatizados, redes de telecomunicações cabeadas
e sem fio, etc) providas por recursos de computação para produção, armazenamento,
transmissão, acesso, segurança e uso das informações.

Atualmente, as aplicações de Tecnologia da Informação são aspectos constantes do nosso


dia-a-dia. O principal motivo da sua utilização massificada é a capacidade de facilitar e
por vezes automatizar tarefas que, até pouco tempo, demandavam maior atenção, tempo
e esforço dos usuários.

Martins (2018), destaca que a tecnologia da informação, por permear toda a sociedade,
impacta também nas ações de segurança pública, com denotação na atividade da Polícia
Militar de Minas Gerais. O autor enfatiza a importância do uso institucional de tecnologias
que confiram à PMMG um incremento qualitativo e quantitativo em seu desempenho.

Nesse sentido, vislumbra-se a possibilidade do emprego de diversos recursos


tecnológicos para o aprimoramento da atividade policial militar. As aplicações e
equipamentos, quando corretamente empregados, em prol da sociedade, trazem maior
agilidade na prestação dos serviços e melhoram o ambiente de segurança pública no
Estado.

Embora o emprego de soluções de Tecnologia da Informação na Polícia Militar de Minas


Gerais seja amplo, temos o contato constante com essas no uso dos rádios de
comunicação, na redação de eventos de defesa social, no posicionamento geoespacial
dos delitos e viaturas e atualmente nas aplicações desenvolvidas para o aprimorar a
atividade operacional.

O uso de novas tecnologias na atividade fim permite o alcance de melhores resultados


na identificação de cidadãos infratores, no enfrentamento ao crime organizado, incluindo
o tráfico de armas, drogas e pessoas, e visa aumentar a sensação de segurança da
sociedade mineira.

Nos campos de aplicação delineados, tem-se como sistemas e aplicações expoentes, na


PMMG, os Sistemas Hélios e a aplicação QAPP, além da integração das bases de dados
conduzida no âmbito do Sistema de Integração Nacional de Informações sobre Justiça e
Segurança (Infoseg), utilizada no sistema Córtex.

188
Biênio 2022/2023

2. ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO DE APLICAÇÕES – PRIMEIRA ENTREGA E


EVOLUÇÃO

A estratégia de desenvolvimento de aplicações busca, na maior parte das vezes, entregar


um produto inicial aos usuários com o objetivo de propiciar o teste do conceito
delimitado e colher sugestões de melhorias com base na prática. Essa estratégia é
denominada Produto Viável Mínimo.

O objetivo do Produto Viável Mínimo é validar o potencial de uma ideia antes de investir
muito tempo e dinheiro nela. Teoricamente, o Produto Viável Mínimo traz a versão mais
simples de uma aplicação (ou parte dele), que entregue a principal proposta de valor da
ideia.

Atualmente, na PMMG, as principais aplicações de Tecnologia são construídas com esse


conceito, motivo pelo qual torna-se importante apresentá-lo aos usuários. O retorno das
aplicações desenvolvidas no âmbito da Instituição deve ser apresentado aos
desenvolvedores de forma a possibilitar o constante aprimoramento das ferramentas e o
lançamento de versões, cada vez mais adequadas às atividades policiais militares.

Apresentados os conceitos iniciais, pretende-se no presente ciclo do Treinamento Policial


Básico, apresentar as principais aplicações de tecnologia voltadas para o apoio ao
Policiamento Ostensivo Geral. O tema será dividido nas aplicações construídas na PMMG
(Diretoria de Tecnologia e Sistemas) e nas aplicações externas, as quais encontram-se em
processo de consolidação em âmbito nacional.

Salienta-se que as aplicações delimitadas podem sofrer evoluções durante o biênio,


contudo o principal objetivo dessa disciplina é apresentá-las, mesmo que
superficialmente a todos os policiais militares do Estado, e destacar o conceito de cada
aplicação.

3. APLICAÇÕES DA PMMG

3.1 SISTEMA HÉLIOS

O sistema Hélios é caracterizado por Martins (2018) como aplicação institucional que
integra sistemas automáticos de reconhecimento de placas (ALPR1) de fornecedores
diversos a um banco de dados com informações de veículos tais como: marca, modelo,
Tecnologia Aplicada à

cor, caracteres da placa de identificação, restrições legais e administrativas, entre outras.


Atividade Policial

8.

1
Sigla inglesa para Automatic License Plate Recognition.

189
O autor destaca ainda que “o Hélios viabiliza o monitoramento de veículos de interesse,
em termos de segurança pública, mediante a emissão de alertas de detecção e a pesquisa
de veículos que transitaram por rotas ou pontos específicos cobertos pelas câmeras.”

Atualmente, o Hélios conta com câmeras instaladas por diversos parceiros em todo o
Estado, atingindo o pico de aproximadamente um milhão e duzentas mil detecções em
um dia. O principal tipo de câmera que fornece dados para o Helios são os instalados
pelos Órgãos de Fiscalização de Trânsito, para controle de velocidade. Entretanto, todos
os sistemas de que realizem o reconhecimento automático de placas tem potencial para
serem integrados ao sistema e contribuir para o aprimoramento da segurança pública no
local em que se encontram instalados.

3.1.1 Acesso e Operação

O sistema Hélios é acessado pela IntranetPM. Para acesso ao sistema o usuário deve
digitar Hélios na opção de Pesquisa ou ir em Sistema Hélios na barra Geral, conforme
figura abaixo:

Figura 01 - Tela Hélios

Fonte: PMMG – Hélios

O sistema apresenta ao usuário, na tela inicial, 3 abas: Alertas, Pesquisa e Gerenciamento.


O sistema inicia para o usuário na aba Alertas mostrando os veículos furtados / roubados
ou com mandados de apreensão que foram detectados por câmeras nas últimas 24 horas.
Os veículos que aparecem com esse alerta aparecem com o contorno da cor preta, para
que o usuário do sistema possa ter uma melhor identificação visual. Salienta-se que o
sistema apresenta ainda alerta na cor laranja para veículos com impedimento
administrativo.

Os alertas das últimas 24 horas mostram detecções somente das câmeras que são
cadastradas pela seção de planejamento e operações da Unidade do militar, evitando
assim que o militar receba esse alerta de câmeras de fora de sua área de atuação.

190
Biênio 2022/2023

Figura 02 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

Além dos veículos constantes das bases de dados de veículos furtados e roubados
delimitada institucionalmente, o sistema consulta uma lista de interesse com veículos
sinalizados por outros militares. Esses veículos têm seus dados incluídos por militares das
salas de operações das unidades tão logo tenham sido anunciados em rede, para
acompanhamento inicial, até o registro da ocorrência e captação dos dados para o banco
institucional de acompanhamento.

Para o usuário fazer esse cadastro basta clicar no ícone do veículo roubado.

Figura 03 - Tela Hélios

Fonte: PMMG – Hélios

Ao cadastrar os veículos roubados o usuário terá que definir a placa, modelo e a cor do
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

veículo. O veículo quando inserido nessa lista aparecerá para todos os usuários do sistema
Hélios. 8.

191
Figura 04 - Tela Hélios

Fonte: PMMG – Hélios

Essa opção, embora seja apresentada no presente treinamento, será descontinuada nas
próximas atualizações do sistema, tendo em vista a previsão de integração com o sistema
CAD.

Além dos veículos roubados e furtados, o usuário pode criar uma lista de veículos que
quer monitorar. Para isso, basta clicar em incluir na opção monitoramentos. Esses veículos
podem ser compartilhados com qualquer militar da instituição.

Figura 05 - Tela Hélios

Fonte: PMMG – Hélios

Para incluir um compartilhamento, basta o militar clicar na opção compartilhar, conforme


apresentado na figura abaixo.

Figura 06 - Tela Hélios

Fonte: PMMG – Hélios

192
Biênio 2022/2023

Após clicar nessa opção o militar deverá inserir o número de polícia do usuário que quer
compartilhar o veículo que será monitorado.

Tal funcionalidade é muito útil para ser compartilhada entre militares da mesma seção ou
do mesmo turno de serviço.

3.1.2 Aplicação Operação Policial

Ainda na aba de Alertas o usuário pode criar uma operação policial.

Essa ação é conduzida para avaliar a situação dos veículos que passam por um conjunto
de câmeras. Ao clicar na opção operação, o policial selecionará a câmera ou conjunto de
câmeras utilizadas na operação. O ideal para esse caso é que o militar esteja próximo do
local, para realizar as devidas abordagens policiais.

Figura 07 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

A câmera quando selecionada irá mudar de cor. Caso o militar queira selecionar uma
quantidade maior de câmeras existe essa possibilidade. Uma outra possibilidade existente
é o desenho de um polígono pelo militar.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

193
Figura 08 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

O militar poderá selecionar as opções de alertas para a operação entre: licenciamento


atrasado, mandado de busca e apreensão e monitoramentos pessoais campos que
podem ser escolhidos na totalidade, ou não pelo usuário. O campo de veículos roubados
é um campo obrigatório.

Figura 09 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

3.1.3 Pesquisa de veículos

O campo Pesquisa permite ao usuário realizar pesquisa de veículos que passaram pelos
pontos de monitoramento integrados ao sistema Hélios.

A consulta ocorre por qualquer placa, podendo ser conduzida mesmo que o usuário
possua apenas parte dos caracteres da placa. O usuário deverá inserir todos os caracteres
conhecidos e para os caracteres desconhecidos deve colocar o ponto de interrogação.

194
Biênio 2022/2023

O intervalo de tempo a ser avaliado também é definido pelo usuário. Destaca-se que
quanto maior o intervalo, maior será o tempo para resposta da pesquisa.

Figura 10 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

No caso abaixo pode se observar a pesquisa de uma placa a qual não se sabe os
caracteres numéricos.

Figura 11 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

O Sistema Hélios permite ainda pesquisar veículos pelo modelo do automóvel, traz-se
como exemplo a pesquisa do trânsito de um veículo Gol pelos pontos de monitoramento
cadastrados para o usuário, dentro do período por ele indicado.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

195
Figura 12 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

A pesquisa também pode ser realizada pela cor do veículo.

Figura 13 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

Caso o usuário queira selecionar uma câmera específica para ele fazer uma pesquisa,
basta clicar no campo Selecionar câmeras. Após clicar nesse campo o mapa com a posição
das câmeras será aberto, para que ele possa selecioná-las.

196
Biênio 2022/2023

Figura 14 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

Se o usuário clicar em qualquer dos veículos que passaram pelas câmeras do sistema
Hélios aparecerá a câmera e a posição dela no mapa, junto com as informações do veículo
constantes em bancos de dados da Justiça Federal.

Figura 15 - Tela Hélios

Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

Fonte: PMMG – Hélios

197
Nessa mesma tela é possível verificar os veículos que passaram pela câmera em horário
semelhante e se há alguma ocorrência policial para o veículo.

Figura 16 - Tela Hélios

Fonte: PMMG - Hélios

3.2 QAPP

O aplicativo QApp é uma ferramenta criada e mantida pela própria PMMG através do
CTS/DTS, através da seção de desenvolvimento de sistemas e permite que o próprio
militar consiga realizar consultas sem necessidade de ligar no 190 ou fazer uma solicitação
ao rádio operador via rede de rádio.

Figura 17 - Tela QAPP

O aplicativo iniciou-se em 2017 com algumas funções


básicas e, atualmente, destacam-se como principais
funcionalidades para a atividade fim os cards de
indivíduos, envolvidos, condutores, veículos e o
codificador.

O aplicativo também possui cards específicos para


auxiliar nas funções de coordenação e controle como
a gestão e o SIGOP. O card gestão é habilitado e
acessível apenas para militares com funções
estratégicas, sendo atualizado com dados do CAD em
tempo real, possuindo consulta a dados de viatura e
efetivo lançado. O card SIGOP abre o Sistema de
Gestão Operacional da IntranetPM.
Fonte: PMMG - QAPP

Atualmente, as informações constantes no aplicativo são as mesmas retornadas em


consultas no sistema REDS e Intranet. Tem-se como pretensão futura a integração com o
Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões CBNMP 3.0.

198
Biênio 2022/2023

De forma resumida, apresenta-se abaixo as principais aplicações abarcadas no QAPP.

3.2.1 QApp – indivíduos

Figura 18 - Tela QApp

A consulta de indivíduos nos traz informações gerais


relativas aos cidadãos consultados como: dados pessoais;
naturalidade; nacionalidade; registro de desaparecimento;
e verifica a existência de mandados de prisão em aberto
originados em Minas Gerais. A consulta apresenta
inicialmente todos os resultados com nomes semelhantes
ao do cidadão consultado.

A pesquisa de indivíduos consulta a base do ISP através


de um serviço que usa o usuário e senha do REDS,
portanto, todas as consultas realizadas são auditáveis.

Cabe ressaltar que, durante a pesquisa, se o nome do


indivíduo procurado aparecer na cor preta, tem-se a
indicação de mandado de prisão em aberto para o
cidadão consultado, cabendo ao Policial Militar validar
essa informação e adotar as ações subsequentes.

Fonte: PMMG - QAPP

Para realizar a consulta o usuário poderá optar entre indicar o nome e o nome da mãe
(caso existam homônimos), ou o documento de identidade a ser pesquisado.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

199
3.2.2 QApp – envolvidos

Figura 19 - Tela QApp

A pesquisa de envolvidos de outra sorte, verifica


se o indivíduo consultado figurou como envolvido
em REDS e/ou possui cadastro no INFOPEN e, em
caso positivo, retorna ao militar as informações
relativas a cada um dos eventos. A ferramenta usa
um serviço que compila as ocorrências registradas
para aquele envolvido, facilitando a visualização
de vínculos criminais e outras informações úteis.

Essa ferramenta facilita sobremaneira as


diligências na atividade-fim, uma vez que é
possível visualizar dados, outros envolvidos e
históricos de ocorrências em que o pesquisado
figure.

Destaca-se que quando o aplicativo retorna a


pesquisa com o nome do envolvido na cor laranja
indica que este indivíduo figura como autor em
alguma ocorrência ou possui registro no
INFOPEN.

Esse card do QAPP também possui a ferramenta Fonte: PMMG - QAPP


de pesquisa avançada, onde pode-se utilizar
informações como alcunha, INFOPEN e CPF para
facilitar a busca.

O card possibilita a inserção de fotografias do indivíduo para posterior validação pela


equipe da P2.

A função ainda utiliza da base de dados do sistema REDS para exibir em um mapa a
localização de todas as ocorrências em que o indivíduo pesquisado teve envolvimento.

200
Biênio 2022/2023

3.2.3 QApp – condutores

Figura 20 - Tela QApp

Essa funcionalidade permite consultar informações


gerais dos condutores de veículos automotores
cadastrados no país, por meio de consulta através do
número da CNH ou CPF do indivíduo.

Fonte: PMMG - QAPP

3.2.4 QApp – veículos


Figura 21 - Tela QApp

A aplicação Veículos realiza a consulta de dados


gerais de veículos e avalia a existência de sinalização
de roubo e furto

A consulta por veículos pode ocorrer por placa,


chassi ou RENAVAM.

Destaque na cor preta indica a existência de


impedimentos relacionados a roubo/furto do
veículo.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

Fonte: PMMG - QAPP

201
3.2.5 QApp – gestão

Figura 22 - Tela QApp

A aplicação Gestão foi criada para facilitar as atividades


de coordenação e controle e é habilitada para militares
que possuem funções relativas a essa missão.

Esta funcionalidade permite que os gestores verifiquem


os status de todas as chamadas em aberto de uma
unidade ou fração PM, bem como o detalhamento dos
policiais e recursos escalados através do CAD.

O card de gestão discrimina as frações até o nível de


grupamento PM, e permite que se visualize o número
de militares lançados em serviços no CAD, para sua
Unidade, divididos por postos e graduações.

Fonte: PMMG - QAPP Por fim, o card permite que o gestor tenha acesso ao
detalhamento de todos os dados de chamadas geradas
no CAD e o empenho dos recursos que estão no turno
operacional.

Fonte: PMMG - QAPP

3.2.6 QApp - codificador

O Codificador do QApp tem como principal objetivo facilitar a atuação do policial militar
perante a constatação de infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro. A aplicação
reúne em um só lugar diversas informações pertinentes ao serviço operacional e à
atuação do policial militar no momento de uma abordagem relacionada ao trânsito.

Assim, basta o usuário realizar a busca por palavras chave e, em seguida, tocar nos
resultados trazidos pelo sistema, que o aplicativo retornará a tipificação resumida, a
pontuação, a gravidade da infração e diversas informações de cunho operacional como
procedimentos a serem seguidos no ato e após a abordagem.

202
Biênio 2022/2023

3.2.7 QApp - Sistema de segurança do usuário - desbloqueio por reconhecimento facial

O reconhecimento facial recentemente inserido no QApp visa trazer mais segurança aos
usuários do aplicativo ao realizar o desbloqueio utilizando-se do reconhecimento facial,
sempre que o sistema fica ocioso por algum tempo. Por padrão, a funcionalidade não
vem habilitada, e deve ser cadastrada e autorizada pelo usuário, caso deseje utilizá-la.

O procedimento para cadastramento e permissão da funcionalidade requer que o


dispositivo (tablet ou smartphone) autorize o aplicativo a utilizar a câmera do seu celular.
Em seguida, o usuário deverá capturar oito fotos de seu rosto (selfies) no ato do
cadastramento da função.

Assim, toda vez que o sistema se tornar ocioso, o aplicativo solicitará o reconhecimento
facial do usuário, antes de possibilitar as consultas. A funcionalidade poderá ser
desativada a qualquer momento pelo usuário.

4. APLICAÇÕES EXTERNAS

4.1 CÓRTEX

Córtex é um sistema de informações, desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança


Pública, que tem como objetivo a integração de bases de dados e sistemas produtores
de eventos em tempo real. Sua principal proposta é produzir conhecimento para a área
de inteligência, investigação policial e gerar indicativos de abordagem.

O sistema Córtex é composto basicamente por dois módulos: Gestão de Operações, para
a atuação integrada entre os órgãos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública
(Susp) e o Cercamento Eletrônico.

No presente biênio, serão apresentadas as funcionalidades do módulo Cercamento


Eletrônico.

O Córtex foi desenvolvido pela Secretaria de Operações Integradas (SEOPI) do Ministério


da Justiça e Segurança Pública. O projeto realiza o cruzamento de dados disponíveis nos
sistemas integrados dos Órgãos de Segurança Pública com a leitura de placas conduzidas
por diversos sistemas de monitoramento. Entre os sistemas de monitoramento destaca-
se o Sistema Alerta Brasil, da Polícia Rodoviária Federal.
Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

Os desenvolvedores do sistema Córtex atuam ainda na integração de outros sistemas de 8.


dados e monitoramento por meio de acordo de cooperação com os Estados. A ideia é
promover cada vez mais a integração entre os órgãos de segurança a fim de conferir
maior assertividade no combate à criminalidade e na segurança viária em todo o País.

203
O módulo Cercamento, opera com mais de quatro mil pontos de capturas de imagens,
totalizando cerca de 6 mil equipamentos distribuídos, de Norte a Sul do Brasil, em locais
estratégicos, levando-se em consideração as estatísticas de criminalidade, a violência no
trânsito e os estudos acerca das “rotas do crime”.

O sistema já registrou a passagem de mais de um trilhão de veículos. Por dia, cerca de


doze mil veículos são monitorados com uso dos equipamentos. Com a agregação de
novos equipamentos, em especial com a integração dos equipamentos dos Estados, as
ações ampliam a quantidade de pontos para monitoramento dos “alvos” e os resultados
operacionais passam a somar números, a cada ano, mais expressivos.

4.2 OPERAÇÃO DO SISTEMA CÓRTEX

As informações apresentadas para operação do Sistema Córtex foram extraídas do


Tutorial do Sistema desenvolvido pela SEIOP. A Secretária de Gestão e Ensino em
Segurança Pública (SEGEN) promove curso EAD com maior gama de informações sobre
o sistema.

4.2.1 Acesso

Para acessar o sistema, é necessário um login com usuário e senha que é enviado para o
e-mail informado no momento do cadastro.

O acesso ao sistema ocorre por meio do endereço [Link]

O login é o número de CPF e a senha inicial é enviada ao e-mail informado no cadastro,


devendo o usuário fazer a troca no primeiro acesso.

4.2.2 Módulo Cercamento Eletrônico

O módulo Cercamento Eletrônico conduz a integração de sistemas de informações que


auxiliam na atuação preventiva e repressiva dos órgãos de segurança pública. Possui
aplicações que possibilitam a consulta a veículos, pessoas, radares integrados,
embarcações, além da emissão de alertas.

204
Biênio 2022/2023

Figura 23 - Tela do Cortex

Fonte: PMMG – Cortex

4.2.3 Consulta Veículos

Aplicação destinada a consulta da situação do veículo, restrições e seu histórico de


deslocamento.

Realiza a integração das seguintes bases de dados: EMPLACAMENTO (Placa, Chassi, Nº


do Motor, CPF ou CNPJ do proprietário e Renavam); BIN ROUBO/FURTO (Base nacional
de roubo e furto de veículos alimentadas pelos Departamentos Estaduais de Trânsito
(Detrans)); ALERTAS (enviados por meio do aplicativo Sinesp Cidadão, sistemas
municipais, CAD Sinesp, Córtex e sistemas estaduais das Polícias Militares).

Figura 24 - Tela do Cortex

Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

Fonte: PMMG – Cortex

205
As consultas podem ser conduzidas com a indicação de um entre os seguintes dados:
Placa; Chassi; Renavam; Número do Motor; CPF do Proprietário; CNPJ do Proprietário.

Com base nos registros conduzidos em pontos de monitoramento, o módulo permite


traçar possíveis rotas de deslocamento, além de avaliar a existência de batedores, com
base na análise de filas de veículos.

A fila de veículos permite verificar quem passou antes e quem passou depois do veículo-
alvo em um ponto de monitoramento. O acesso à essa funcionalidade ocorre por meio
do componente Detalhar Passagens Neste Local.

4.2.4 Consulta Pessoas

Aplicação destinada a consulta de pessoas cadastrados nos vários bancos de dados


disponíveis.

A aplicação permite conduzir consultas mesmo que não haja a totalidade dos dados
consultados.

Atualmente, encontram-se integrados à aplicação, os seguintes bancos de dados:


RECEITA FEDERAL; BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão); VÍNCULOS COM
CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) - DENATRAN (Propriedade de Veículos) -
SISGEMB (Sistema de Gerenciamento de Embarcações); ARRAIS AMADOR (Marinha).

Figura 25 - Tela do Cortex

Fonte: PMMG - Cortex

206
Biênio 2022/2023

4.2.5 Consulta Embarcações

Aplicação destinada a consulta de embarcações com base no SISGEMB (Sistema de


Gerenciamento de Embarcações).

Permite a consulta pelo número de inscrição ou por nome fantasia. Ao realizar a consulta
pelo nome fantasia, é exibido uma lista de cadastros para este nome. Ao clicar no número
de registro, será realizada uma nova consulta detalhada, com o nome do proprietário e
outras informações relativas à embarcação.

4.2.6 Consulta Radares

Aplicação destinada a consulta de informações de radares, com detalhamento da


passagem de veículos em determinado intervalo de tempo.

Permite identificar os aparelhos instalados em um raio delimitado em mapa, integrados


ao Córtex. Ao clicar na identificação do equipamento é possível avaliar os veículos que
passaram por aquele ponto, no intervalo de tempo definido pelo usuário.

Figura 26 - Tela do Cortex

Fonte: PMMG – Cortex


Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

207
4.2.7 Alertas Pessoas

O módulo de Alerta Pessoas emite informações geoposicionadas do acesso de pessoas


com mandados de prisão, a sistemas informatizados monitorados.

De forma geral, ao realizar uma consulta a um sistema monitorado, realiza-se a avaliação


quanto a existência de mandado de prisão emitido para a pessoa que acessou o sistema.
Caso exista restrição judicial contra a pessoa, a aplicação emite um alerta no sistema
Córtex para avaliação das autoridades policiais.

4.2.8 Alertas Veículos

O módulo de Alerta Veículos emite informações da passagem de veículos com


impedimento ou monitorados em radares integrados ao Sistema Córtex.

Além das situações usuais de alerta (furto e roubo), o sistema realiza o cruzamento de
dados para promover os seguintes tipos de alerta: sequestro, desaparecimento, ação
criminosa e proprietário do veículo com mandado de prisão em aberto os alertas de ação
criminosa são cadastrados pelos centros de operações.

5. CONCLUSÃO

A vida moderna traz uma série de facilidades para a população, principalmente com as
tecnologias da Computação. A internet impulsionou o desenvolvimento humano mas
também fez crescer a criminalidade cibernética.

A PMMG observando esse cenário de criminalidade também se preparou com a inserção


de várias tecnologias da informação para o serviço policial. Sistemas como o Hélios que
monitoram veículos e o QAPP que fornece uma ampla base de dados de pesquisa para
os militares em serviço, trazem uma grande efetividade para a atividade policial.

É muito importante que o policial conheça e saiba usar essas ferramentas, trazendo mais
dinamismo e eficiência para as suas ações, bem como alcançando melhores resultado na
busca por um ambiente seguro em Minas Gerais.

208
Biênio 2022/2023

6. REFERÊNCIAS

Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos. Tecnologias da PRF,


SEOPI e SENASP são integradas para operacionalizar o maior sistema de monitoramento
viário do país. São Paulo: ABTLP, 2019. Disponível em:
[Link]
operacionalizar-o-maior-sistema-de-monitoramento-viario-do-pais/. Acesso em: 10 out. 2021.

CORRALES, Beatriz Rossi; COTE, Larissa Costa; FERREIRA, Carolina Cutrupi; TEIXEIRA, Mariana
Toledo. A Tecnologia a serviço da segurança pública: caso PMSC mobile. Direito e Tecnologia.
Revista Direito GV. São Paulo, v. 16, n. 1, mar. 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 out. 2021.

COSTA, Simone Teles da Silva, LIMA, Gabriel Domingues de; OLIVEIRA, Natan Flores de. Gestão
da segurança pública no Brasil: a utilização da tecnologia a favor da sociedade. Revista Gestão
Tecnologia e Ciências (GETEC), [s.l.], v. 10, n. 25, p. 101-118, 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 9 out. 21.

MARTINS, Rodrigo Parreira. Viabilidade e proposta de expansão do uso do sistema Hélios,


pela Polícia Militar de Minas Gerais, em todo o Estado. 2018. 140 f. Monografia (Curso de
Especialização em Segurança Pública) – Academia de Polícia Militar, Centro de Pesquisa e Pós-
Graduação de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.

MIRANDA, Zil. Política de ciência, tecnologia e inovação para segurança pública. Revista
Brasileira de Segurança Pública, São Paulo, v. 6, p. 434-453, 2012.

Secretaria de Operações Integradas (SEOPI) - TUTORIAL BÁSICO - Módulo Cercamento


Eletrônico. 2021.

Tecnologia Aplicada à
Atividade Policial

8.

209
REDAÇÃO DO
9 REGISTRO DE EVENTO DE
DEFESA SOCIAL (REDS)
APRESENTAÇÃO

As ações e intervenções policiais na vida privada dos cidadãos, que ocorrem diariamente
durante o turno de serviço, trazem à tona o interesse do Estado em manter a ordem
pública. O ato de realizar um policiamento preventivo pode se transformar em uma
intervenção que resulte na restrição momentânea do direito de ir e vir de um cidadão,
bem como em uma busca pessoal ou na sua prisão.

De toda atividade policial militar decorre um registro de evento de defesa social (REDS),
que em 2020 perfizeram um total de 4.344.857, decorrendo mais de 301.441 prisões e
apreensões. Desse quantitativo, 1.572.682 são boletins de ocorrência policial e, além
disso, foram registrados 2.212.529 Relatórios de Atividade (RAT) e 559.646 Boletins de
Ocorrência Simplificados (BOS).

Cada um desses registros traz o resumo de uma ação ou operação que foi realizada ou
até a notícia de um crime que foi praticado. VOCÊ, POLICIAL MILITAR, é peça
fundamental, pois foi o primeiro agente público que esteve no local, viu, ouviu, constatou,
adotou providências policiais e arrecadou provas que subsidiarão a persecução criminal
aos demais órgãos do Estado.

Assim, nesse biênio do TPB será abordado esse conteúdo, tão presente no cotidiano
policial militar, com o objetivo de aprimorar seu conhecimento. Isto lhe permitirá o
correto preenchimento do REDS, a atribuição adequada da natureza do registro, as
informações lançadas nos campos parametrizados, bem como a elaboração de um
“histórico” coerente, técnico e bem redigido.

212
Biênio 2022/2023

1 INTRODUÇÃO

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
A Constituição Federal representa o conjunto de regras fundamentais do Estado Brasileiro 9.
e rege o ordenamento jurídico do país, além de asseverar que toda a ação do Estado deve
se fundamentar nos princípios que regem a Administração Pública1. Portanto, é
inequívoca a necessidade de que se estabeleça uma situação prévia de interesse público
para que as ações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio dos seus agentes,
execute sua missão constitucional: a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública
(art. 144, § 5º, da CF/88).

Além disso, o policial militar deve observar também, para a produção de um boletim de
ocorrência efetivo, as características da Redação Oficial. Os textos policiais devem se
pautar na concisão, padronização, correção, formalidade, clareza e impessoalidade para
serem satisfatórios, e com os boletins de ocorrência não é diferente. Mais adiante, esses
conceitos serão melhor trabalhados.

Em Minas Gerais, foi instituído a partir de 2004 o Sistema Integrado de Defesa Social
(SIDS)2 e, a partir de 2005, iniciaram-se os registros de ocorrências por meio do Sistema
de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), que permite o registro de todas as
intervenções policiais no território mineiro, de forma integrada e padronizada.

Por essa razão e por tamanha responsabilidade profissional do policial militar, exige-se
que os princípios da administração pública e as características da redação oficial sejam
respeitados, através do efetivo registro documental das ações e operações policiais
militares.

2 PROCESSO DE REGISTRO DE EVENTO DE DEFESA SOCIAL

2.1 DIRETRIZ INTEGRADA DE AÇÕES E OPERAÇÕES (DIAO)

No início da década de 1990, a Polícia Militar de Minas Gerais aperfeiçoou um sistema de


classificação de ocorrências, instituindo a Diretriz Auxiliar de Operações de 1990.
Posteriormente, foi substituída pela Diretriz Auxiliar de Operações nº 01 (DIAO nº 01/94),
as quais serviram de guia para a conduta operacional de diversos policiais militares,
possibilitando um atendimento profissional e padronizado em todo o estado.

Logo após a criação do SIDS, em 2005, representantes das Forças de Segurança de Minas
Gerais reuniram-se com a missão de elaborar a Diretriz Integrada de Ações e Operações

1
Nos termos do artigo 37 da CF: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”
2
Decreto nº 43.778/2004 de 12/04/2004

213
(DIAO) com o objetivo de padronizar, de forma integrada, os procedimentos operacionais
das Polícias Estaduais, Corpo de Bombeiros Militar, Departamento Penitenciário e Sistema
Socioeducativo.

Assim, a DIAO vem contribuindo para o aumento da capacidade de resposta, visto que
propõe o ordenamento de estratégias prévias que envolvam as instituições mencionadas
e harmoniza o emprego dos recursos disponíveis. É uma importante fonte de consulta
para esclarecer ao policial militar os procedimentos policiais, mais especificamente na
atribuição da natureza do evento.

2.2 ESTRUTURA DO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO E CODIFICAÇÃO DE OCORRÊNCIAS

O Sistema de Classificação e Codificação de Ocorrências foi concebido por meio da


Instrução Conjunta nº 01/2003, no âmbito do SIDS, com o objetivo de padronizar, em
todo o Estado, o registro e o armazenamento de informações gerenciais, garantindo
maior eficiência às ações desenvolvidas pelas instituições policiais. A Figura 1 apresenta
o Sistema, que é dividido em Categorias, Grupos, Classes e Subclasses.

Figura 01 – Estrutura do sistema de classificação de ocorrências policiais

Fonte: Instrução Conjunta nº 01/2003.

214
Biênio 2022/2023

Os códigos alfanuméricos, como o exemplo apresentado: B 01.121 – Homicídio, são as

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
naturezas que devem ser atribuídas a cada evento registrado no Sistema REDS.
9.

2.3 SISTEMA DE REGISTRO DE EVENTOS DE DEFESA SOCIAL

O Sistema REDS é um módulo informatizado que permite a gestão das informações de


Defesa Social relacionadas às ocorrências policiais e de bombeiros, à investigação policial,
ao processo judicial e à execução penal, respeitadas as atribuições legais dos órgãos, a
fim de constituir uma base única formada pela totalidade dos Eventos de Defesa Social
do estado de Minas Gerais.

Na tela inicial do Sistema REDS são apresentados os formulários disponíveis para registro,
sendo:
a) Tipos de relatórios:
- Boletim de Ocorrência Policial;
- Boletim de Ocorrência de Acidente de Trânsito;
- Boletim de Ocorrência Ambiental;
- Registro de Desaparecimento e Localização de Pessoas.

b) Relatórios Administrativos:
- Ficha de Acidentes com Viaturas;
- Relatório de Atividade;
- Boletim de Ocorrência Simplificado.

Destaca-se que é inerente ao exercício funcional do policial militar o preenchimento do


REDS. Para tanto, todo policial militar deverá manter em condições de uso sua senha
pessoal de acesso ao Sistema REDS.

Para o presente biênio do TPB, a ênfase será no Boletim de Ocorrência Policial (BO),
Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS) e Relatório de Atividade (RAT), por serem os
formulários mais utilizados no cotidiano do policial militar.

2.3.1 Boletim de Ocorrência Policial

O Boletim de Ocorrência Policial é o instrumento por meio do qual o policial militar,


investido de autoridade e competência legal, registra de maneira detalhada os
acontecimentos e circunstâncias relacionadas às ocorrências típicas de polícia. Ou seja,
todo fato que, de qualquer forma, afete ou possa afetar a ordem pública e que exija a
intervenção do Estado por meio de ações e/ou operações.

215
O BO é conceituado como “o registro ordenado e minucioso dos fatos ou atividades
relacionadas com a ocorrência que exigirem a intervenção policial” (MINAS GERAIS, 2003,
p.10). Ainda, segundo essas orientações, o Boletim de Ocorrência é “um precioso
instrumento de resguardo da legalidade em que se estribou a ação e/ou operação”
(MINAS GERAIS, 2003, p.12).

O BO se estrutura nas seguintes partes: a) parte geral, b) parte destinada a


materiais/armas e veículos, c) campos destinados ao histórico e controle interno, d) folha
complementar (acidentes de trânsito) e e) folha complementar (meio ambiente), de
acordo com o esquema apresentado na Figura 2.

Figura 02 – Estrutura do Boletim de Ocorrência

Fonte: Sistema REDS

Frise-se que o REDS tomou a cautela de colocar opções apartadas para o Boletim de
Ocorrência de Acidente de Trânsito e o Boletim de Ocorrência Ambiental, face às
peculiaridades que tais registros exigem, havendo campos parametrizados específicos.
Como, por exemplo, a possibilidade de upload de fotografias.

216
Biênio 2022/2023

2.3.2 Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS) e Relatório de Atividades (RAT)

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
Inicialmente, no presente tópico, serão apresentados os conceitos de BOS e RAT. 9.
Conforme descrito na própria DIAO, o BOS tem a finalidade de agilizar a prestação de
serviços à comunidade e viabilizar a atuação da polícia ostensiva. Seu objetivo principal é
o acionamento formal e oficial dos Órgãos do Sistema de Defesa Social, cientificando-os
dos anseios da população e que sua omissão pode acarretar responsabilidades.

O RAT, por sua vez, consiste na fonte de dados para a mensuração das operações
realizadas pela Polícia Militar, a partir dos registros das atividades (MINAS GERAIS, 2016).

A importância do preenchimento correto do RAT e BOS fundamenta-se em proporcionar


respaldos ao policial militar em situações que sua atuação no serviço seja questionada ou
fiscalizada, tanto por meio de apurações administrativas, quanto judiciais, bem como
permitir confiabilidade dos dados para as necessárias análises estatísticas de Defesa
Social.

Além disso, permitirá a PMMG ter um documento nato digital autêntico e acessível ao
longo do tempo, por meio de uma base sólida de dados que possibilitará os serviços de
análise de informações de segurança pública, de inteligência e na recuperação facilitada
de dados.

A principal diferença entre o RAT e o BOS é que o primeiro se refere a produtividade,


principalmente em relação à operação realizada. Já o BOS refere-se a comunicação e trato
com outros órgãos, para os casos que não exista formulário próprio. Por esta razão, neste
último busca-se qualificar os tipos de envolvimentos referentes à autoria ou
acontecimentos de importância para a Segurança Pública.

Figura 03 – Diferença Estrutural (RAT) e (BOS)

Fonte: Sistema REDS

217
2.3.3 Campos Parametrizados

O termo parametrizado se refere ao estabelecimento de padrões ou modelos de


preenchimento e inserção de dados. Dessa ideia tem-se que a estrutura dos diversos tipos
de registros possíveis no sistema REDS contam com padrões pré-definidos de
preenchimento os quais o usuário tem a possibilidade de escolher para adequação ao
fato concreto alvo do evento.

Esse mecanismo de parametrização dos campos tem como objetivos principais: dinamizar
a extração de dados, padronizar os registros e facilitar a utilização do sistema pelo
profissional de segurança pública.

Os campos parametrizados constituem palavras-chave para as consultas ao banco de


dados do REDS. Portanto, os campos não preenchidos ou preenchidos com informações
incorretas prejudicam o trabalho de coleta e análise das informações referentes à
segurança pública de Minas Gerais.

Podemos dizer, portanto, que organizar dados de forma estratégica dependem da


eficiência na correta alimentação dos campos parametrizados, evitando deixar esses
campos vazios quando existe a informação ou a inserindo em locais inadequados como
por exemplo o histórico, evitando prejuízos na qualidade da informação.

No processo de elaboração do REDS, é de suma importância que o relator da ocorrência


preencha todos os campos parametrizados do registro, independente de tratar-se de
preenchimento obrigatório, pois o banco de dados do REDS é uma das principais fontes
para geração/extração de estatística e análise criminal.

O policial militar que preenche devidamente os campos parametrizados do REDS


possibilita a estruturação de uma base de dados que permite a pesquisa em seus diversos
universos de informações (tais como os universos de dados pessoais/características físicas
dos envolvidos e de materiais apreendidos, dentre outros), possibilitando fazer diversas
análises e gerar conhecimento.

Nesse contexto, iremos exemplificar algumas dificuldades que os analistas criminais têm
no tocante à análise de dados extraídos do REDS.

[Link] Dificuldades relativas ao preenchimento inadequado de alguns campos


específicos do REDS

Ao avaliar os registros policiais, percebesse que várias informações que deveriam constar
nos campos específicos do REDS são inseridas com o termo “ignorado” ou como “outros”.
Ao se fazer a extração estatística, a baixa qualidade do dado fragiliza toda uma cadeia de

218
Biênio 2022/2023

informações que acompanha e avalia ameaças reais ou potenciais na esfera da Segurança

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
Pública.
9.
Gráfico 01 – Motivação declarada nos registros de homicídios tentados e consumados
em Minas Gerais no período de 01Jan20 a 14Set21

Fonte: Armazém de dados do REDS/SIDS

Gráfico 02 - Meio utilizado declarado nos registros de homicídios tentados e


consumados em Minas Gerais no período de 01Jan20 a 14Set21

Fonte: Armazém de dados do REDS/SIDS

Além dos exemplos apresentados nos gráficos acima, são identificadas falhas no
preenchimento de campos importantes no REDS ou simplesmente a falta de inserção das
informações, conforme figura a seguir.

219
Figura 04 - Destaque de campos específicos do REDS que são declarados com o termo
“ignorado” ou não são preenchidos

Fonte: REDS

O campo “Modo da ação criminosa” também tem sido identificado como um parâmetro
que não está sendo preenchido corretamente, como pode ser visualizado abaixo.

Figura 05 - Campo Modo da Ação Criminosa do REDS não declarado

Fonte: REDS

Entretanto, é sabido que o policial no momento do registro nem sempre terá os dados
necessários para alimentar os devidos campos no REDS, entretanto, é comumente
percebida a informação inserida no histórico do próprio REDS, ao invés de ser inserida no
devido campo parametrizado. No exemplo a seguir, com base nas informações
apresentadas no histórico do REDS, entende-se que o campo específico “causa
presumida” deveria ter sido relacionada a drogas.

220
Biênio 2022/2023

Figura 06 - Campo Causa Presumida do REDS

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
9.

Fonte: REDS

Ainda, com base no exemplo anterior referente a “causa presumida”, algumas vezes, esse
parâmetro é preenchido com a descrição de uma causa conflitante com a descrita no
histórico do REDS (Ex. no campo parametrizado consta “ação de gangues/facções
criminosas” e no histórico consta a motivação como “vingança”).

Neste sentido, verifica-se que os erros mais comuns da alimentação indevida de dados,
são:
 Motivação e causa presumida incoerente com a descrição do fato;
 Local do fato não informado (via vicinal, estrada, rodovia, via urbana, etc.);
 Ausência de dados das características físicas dos envolvidos (cútis, sexo, deficiência
física, cicatriz, tatuagem, cor dos olhos e cabelo, altura e peso estimado, dentre outros);
 Qualificação no campo natureza do envolvido incompatível com a natureza do fato
(Ex: vítima de homicídio consumado qualificada como vítima de homicídio tentado);

221
Ressalta-se a importância do preenchimento dos parâmetros referentes às características
físicas e dados pessoais dos envolvidos na ocorrência policial, que inclui:
- a identificação da ocorrência na qual o envolvido está identificado;
- a identificação do envolvido na ocorrência;
- os principais objetos de análise do envolvido;
- o quantitativo de envolvidos;
- as subclasses de dimensões de análise do envolvido.

Nos campos referentes aos envolvidos, destaca-se atenção quanto ao preenchimento dos
campos de materiais diversos que foram arrecadados ou não recuperados na ocorrência,
com informações ainda das pessoas envolvidas e associadas ao material. Quanto aos
parâmetros relativos aos materiais identificados no REDS, constam:
- tipo de material;
- número de série/identificação;
- marca, modelo e cor;
- a quantidade e o volume;
- a situação do material arrecadado ou não recuperado;
- relação entre o material e algum envolvido na ocorrência.

Assim, o policial militar relator da ocorrência deve ter em mente que a informação é um
recurso primordial para a tomada de decisão, e é com ela que se pode chegar o mais
próximo possível da realidade, traçar seu perfil, detectar problemas, calcular riscos,
otimizar processos e auxiliar equipes e gestores, em seus diversos níveis, nas tomadas de
decisões. Porém, a qualidade da informação tem que ser assegurada no início do
processo, na coleta primária de dados através do devido preenchimento dos campos
parametrizados do REDS, já que a sua inobservância prejudica toda a rede de informação
e produção de conhecimentos voltados para os ativos da Segurança Pública.

2.4 ATRIBUIÇÃO DA NATUREZA DO REDS

O sistema de classificação e codificação de ocorrências policiais, previsto na DIAO e


apresentado no item 2.2, permite identificar a categoria do evento, o bem jurídico
tutelado, o ordenamento jurídico que regula a conduta criminosa e a identificação do
artigo que tipifica o ato como uma infração penal.

A partir da notícia do evento na central de operações da PMMG, passando pela análise


dos policiais militares no local de atuação até o encerramento do registro, ocorre um
processo de avaliação complexo, que se inicia com a coleta das informações envolvendo

222
Biênio 2022/2023

as partes, a identificação do embasamento legal e a harmonização desses elementos, que

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
balizarão a classificação/codificação da ocorrência. Nesse sentido, o Policial Militar, de
posse dessas informações, encerrará o registro através da harmonização dos fatos 9.
narrados no histórico e a correta codificação/classificação do evento.

No REDS, o campo para o preenchimento da natureza permite que o policial militar tenha
acesso imediato a DIAO, que possibilita a visualização da descrição e dos procedimentos
operacionais decorrentes da natureza selecionada.

Figura 07 – Campo para preenchimento de natureza

Fonte: Sistema REDS

Após clicar no ícone DIAO, as informações são apresentadas por meio de uma nova janela
no navegador, como se vê no exemplo a seguir.

Figura 08 – Janela sobre qualificação do crime

Fonte: Sistema REDS

223
Para a correta atribuição de natureza deve-se lembrar que os registros de REDS não
poderão estar desassociados aos elementos constitutivos do crime e para as naturezas
administrativas da descrição prevista na DIAO, a fim de que os procedimentos policiais e
correta codificação estejam em consonância com as naturezas disponíveis na DIAO. Em
síntese, a DIAO apresenta os seguintes critérios para codificação dos REDS:

a) coerência da natureza atribuída com o fato descrito no histórico do REDS;


b) na ocorrência da prática de mais de uma infração penal, o Boletim de Ocorrência
receberá a codificação alusiva a mais grave;
c) somente será admitida a codificação "Outras", quando inexistir codificação específica;
d) não se admitirá a duplicidade de classificação ou de registro para a mesma ocorrência
ou atividade. O empenho das viaturas, lançadas em apoio, constará no histórico do BO
ou do REFAP, registrado pela viatura responsável pelo atendimento.

2.4.1 Atribuição de Natureza da Classe 99 - “OUTRAS” no REDS

Em caso de dúvida na atribuição da natureza ao evento, o Policial Militar deverá recorrer


primeiramente à DIAO para auxílio e localização de natureza que se amolde ao registro.
Persistindo a necessidade de esclarecimento, deverá buscar orientação junto ao
COPOM/SOU, CPU ou Chefe Direto (Cmt de Pel ou Cia PM) para adoção correta quanto
aos procedimentos policiais e a atribuição da natureza ao REDS.

Portanto, a atribuição de natureza da Classe 99 - “OUTRAS” no REDS, constitui exceção


à regra, podendo ser atribuída somente quando inexistir codificação específica
definida na DIAO.

2.5 HISTÓRICO DO EVENTO

O histórico do REDS é um campo importantíssimo do documento. Mais do que apenas


transmitir dados como os demais, nele são narrados os acontecimentos. Logo, o nexo
causal dos crimes, a descrição das condutas, a definição de autorias, e diversas outras
questões relevantes só são possíveis com um histórico bem escrito.

Como todos os demais documentos oficiais, a observância das características da Redação


Oficial é vital para a produção de um REDS com um nível de qualidade que atenda os
anseios da população (MINAS GERAIS, 2019a).

224
Biênio 2022/2023

2.5.1 Características da Redação Oficial

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
[Link] Impessoalidade 9.

Impessoal é o texto do histórico do REDS em que não são percebidas impressões


particulares do redator. Quem redige o REDS deve se ater a descrever os fatos que
presenciou e as versões de cada um dos envolvidos. Não cabe a ele fazer suposições.

Erros comuns:
ERRADO: “a vítima alegou ter sofrido um suposto estupro”.
CERTO: “a vítima relatou ter sido estuprada”.

ERRADO: “o autor, que é velho conhecido da guarnição e de alta periculosidade, alegou


que…”.
CERTO: “o autor, que já foi preso por essa guarnição nos REDS n. XXXX e YYYYY, alegou
que…”

ERRADO: “a guarnição, agindo com profissionalismo e eficiência, prendeu o autor…”


CERTO: “a guarnição prendeu o autor...”

[Link] Correção

Histórico correto é aquele que segue as normas da Língua Portuguesa Padrão, ou seja,
não possui erros gramaticais ou ortográficos. Em caso de dúvidas sobre a grafia de
palavras ou sobre concordâncias, hoje a internet permite ao PM uma busca rápida pelo
telefone sobre essas regras. Além disso, é sempre importante que todos os demais
membros da guarnição revisem o texto do redator, para que erros não passem
despercebidos. O uso do “mesmo” como pronome tem sido um erro muito comum nos
boletins de ocorrência atuais.

Erros comuns:
ERRADO: “A vítima pediu ajuda aos militares e a mesma relatou ter sido roubada
quando...”.
CERTO: “A vítima pediu ajuda aos militares e ela relatou ter sido roubada quando...”.

[Link] Concisão

Texto de histórico conciso é aquele que possui todas as informações importantes sem
usar palavras desnecessárias. Logo a utilização de expressões vazias deve ser evitada,
assim como os clichês.

225
Erros comuns:
ERRADO: “O autor foi encaminhado a esta delegacia para que sejam tomadas as medidas
cabíveis”.
CERTO: “O autor foi encaminhado a esta delegacia”.

ERRADO: “Senhor delegado, venho por meio deste REDS para esclarecer que esta
guarnição policial se deparou com os autores cometendo o crime de tráfico de drogas...”
CERTO: “Esta guarnição policial se deparou com os autores cometendo o crime de tráfico
de drogas...”

[Link] Padronização

Um texto de histórico padronizado é aquele que é escrito em seu campo próprio, e com
a linguagem usual desse gênero textual. Espera-se do histórico um texto narrativo de um
fato delituoso, com momentos descritivos quando se fizer necessário. Qualquer texto com
características diferentes destas não é recomendado.

[Link] Clareza

O texto claro de histórico é aquele que permite o imediato entendimento do leitor. Um


documento oficial não pode gerar dúvidas, por isso devem ser evitadas as ambiguidades.
Além disso, o redator deve sempre, ao narrar um fato, observar a cronologia dos
acontecimentos e transcrevê-los na ordem em que ocorreram. Além disso, períodos
muito longos atrapalham a compreensão do leitor. Portanto, frases curtas são
aconselháveis.

Erros comuns:
ERRADO: “A vítima e a testemunha se desentenderam e ela acertou a outra com uma
facada”.
CERTO: “A vítima e a testemunha se desentenderam e aquela acertou esta com uma
facada”.

[Link] Formalidade

Um texto de histórico formal observa a polidez, civilidade e etiqueta social na sua


comunicação. A seleção adequada de palavras difere um texto informal de um formal. A
escolha das palavras é importante. Não é necessário um texto rebuscado, mas as palavras
utilizadas devem ser técnicas e politicamente corretas. Gírias e expressões “das ruas”
devem ser evitadas, a não ser que a transcrição exata da fala do indivíduo seja importante
para a apuração do crime.

226
Biênio 2022/2023

Erros comuns:

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
ERRADO: “O autor é morador de rua e não tem residência própria.”
CERTO: “O autor está em situação de rua e não tem residência própria”. 9.

3 ERROS A SEREM EVITADOS

O Centro Integrado de Informação de Defesa Social (CINDS/DOP), responsável pela


Estatística, Análise e Qualidade das Informações Criminais da Polícia Militar de Minas
Gerais, realiza auditoria dos Registros de Defesa Social, confeccionados no Sistema REDS,
em especial nos Boletins de Ocorrências registrados por recursos humanos da Instituição.

Nestas auditorias, são observados alguns equívocos como problemas de atribuição da


natureza, preenchimento do campo materiais e armas apreendidas, bem como seleção
adequada dos campos parametrizados, são os óbices mais comuns encontrados. Em um
breve estudo foi realizado análise nos registros de boletins de ocorrências policiais 3,
realizados pelos policiais militares, no mês de setembro de 2021, quando foram
cadastrados 238.761 envolvidos, em 130.330 registros realizados em toda Minas Gerais,
pela PMMG, dos quais verifica-se na tabela a seguir a ausência de preenchimento de
campos parametrizados.

Tabela 01 - Quantidade de envolvidos relacionados em Boletim de Ocorrência, em


Minas Gerais, pela Polícia Militar, por tipo de campo parametrizado, no mês de
setembro do ano de 2021

Fonte: CINDS/DOP/PMMG – Armazém de Dados SIDS / “Universo Envolvidos” - Data da consulta:


08/11/2021.

Assim, neste capítulo, vamos ater-se aos principais equívocos detectados em análises de
ocorrências realizadas pelo CINDS/DOP.

3
Armazém SIDS ([Link] acesso em 16/09/2021.

227
3.1 PRINCIPAIS NATUREZAS APURADAS NAS AUDITORIAS DO C 99.000

Durante a auditoria de um BO, é realizada uma análise qualitativa (leitura de todo o REDS,
principalmente do histórico), de forma a verificar se a natureza apontada pelo redator
está coerente com o seu conteúdo.

Quando é detectado algum problema, os analistas sugerem a natureza mais adequada


aquela ocorrência. Assim, dos C 99.000 apurados pelo CINDS, seguem as sugestões de
natureza que mais aparecem nas análises: C 01.171 – ESTELIONATO; U 33.001 -
ATENDIMENTO DE DENÚNCIA DE INFRAÇÕES CONTRA O PATRIMÔNIO PARTICULAR4; K
35.500 - INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO; C 01.181 - ALTERAÇÃO DE LIMITES;
B 01.151 - CRIME CONTRA A CORRESPONDÊNCIA / COMUNICAÇÃO; E 08.031 -
OMISSÃO DE CAUTELA NA GUARDA OU CONDUÇÃO DE ANIMAIS; G 01.311 -
ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR, INCLUSIVE
CLONAGEM DE VEÍCULOS.

3.2 EVENTO EM OUTRO ESTADO

Os eventos ocorridos fora do estado de Minas Gerais devem ser mantidos com a natureza
mais adequada, sem a preocupação de ser contabilizada, erroneamente, para a Unidade
de registro.

Exemplo: uma vítima, de férias no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, tem seu celular
roubado. Quando retorna para Belo Horizonte aciona a PMMG para realizar o registro.
No caso, a natureza principal deve se amoldar ao fato narrado, C 01.157 (ROUBO) e o
“Endereço do Fato” deve ser preenchido com o local descrito pela vítima e lançado,
conforme imagem abaixo5:

4
Natureza aconselhável para o registro de DANO CULPOSO (ação atípica). Exemplo: A tinta utilizada para
pintar um portão, por meio de máquina spray, atinge (danifica) veículo de terceiro que estava parado
próximo ao local, sendo verificado conduta culposa do agente.

5
Imagem extraída do Sistema Integrado de Defesa Social - SIDS-ADM - Módulo de Treinamento
([Link] acesso em 16/09/2021.

228
Biênio 2022/2023

Figura 09 – Campo parametrizado de endereço

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
9.

Fonte: Sistema REDS

3.3 AUTOR PRESO OU OBJETO APREENDIDO APÓS ENCERRAMENTO DA OCORRÊNCIA


INICIAL

A prisão/apreensão de autores de crimes (com ou sem recuperação/localização do bem


ou valor), posterior ao registro da ocorrência devem ser codificadas com a natureza A
05.000 – “Averigua pessoa/veículo em atitude suspeita”, evitando duplicar o registro do
evento. Além disso, a recuperação/localização do bem ou valor (sem prisão/apreensão
de autores), posterior ao registro da ocorrência deve atribuída a natureza A 11.000 -
“Bem/valor encontrado/localizado”.

3.4 REGISTRO DE EMBRIAGUEZ NO TRÂNSITO

Na sequência serão apresentadas algumas orientações no registro de ocorrências de


embriaguez na condução de veículo automotor:

 preencher o campo “INFRAÇÃO DE TRÂNSITO” da aba “VEÍCULOS ENVOLVIDOS”


com as codificações inseridas nos Autos de Infração de Trânsito lavrados;
 toda medida administrativa ou criminal de embriaguez decorrente de recusa deve
ser subsidiada com o preenchimento do Teste de Capacidade Psicomotora presente no
REDS;

229
 o teste de Capacidade Psicomotora no REDS só é liberado pelo sistema quando o
campo “TIPO DE ENVOLVIMENTO” é preenchido com a opção “CONDUTOR VEÍCULO E
VÍTIMA” ou “CONDUTOR DE VEÍCULO”6;
 - para toda ocorrência de embriaguez, mesmo que não haja material recolhido, deve
ser confeccionado o registro de REDS com lançamento dos dados da infração no campo
próprio.

3.5 ARMA DE FOGO E SIMULACRO

Armas de fogo devem ser cadastradas individualmente na aba própria do REDS, mesmo
que tenham armas idênticas. Além disso, para fins do Indicador de Apreensão de Arma
de Fogo (IAF) somente são contabilizadas as armas de fogo cujo campo “SITUAÇÃO” na
aba “ARMAS DE FOGO” tenha sido preenchido com as opções “APREENDIDO (0100)” e
“RECUPERADO (0700)”.

E, no caso do IAF, para contabilização dos simulacros apreendidos carece que seja
decorrente da natureza C 01.157 - Roubo, inserida como natureza principal ou secundária,
bem como lançados no campo “MATERIAL” da aba “MATERIAIS E ARMAS BRANCAS” com
a especificação “SIMULACRO DE ARMA DE FOGO (USO RESTRITO) (2020)”.

4 CONCLUSÃO

Diante de tudo que foi exposto, percebe-se a importância do correto preenchimento e


redação do Registro de Evento de Defesa Social.

Afinal, o registro bem feito respaldará VOCÊ - POLICIAL MILITAR - nas situações que sua
atuação for questionada ou fiscalizada e auxiliará a PMMG no planejamento de ações e
operações policiais, com dados estatísticos confiáveis e completos, permitindo, assim,
prestar um serviço de qualidade à sociedade.

6
O preenchimento desse campo com a opção “AUTOR” numa alusão aos tipos penais do CTB inviabiliza o
preenchimento obrigatório do Teste de Capacidade Psicomotora. Portanto, nos casos de recusa, o campo
Tipo de Envolvimento deve sempre ser preenchido com a opção “CONDUTOR VEÍCULO E VÍTIMA” ou
“CONDUTOR DE VEÍCULO”.

230
Biênio 2022/2023

5 REFERÊNCIAS

Redação do Registro de
Evento de Defesa Social
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Decreto-lei nr
9.
2848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal [Link]ível em :
<[Link] lei/[Link]>. Acesso em: 03 abr
2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-geral. Diretriz Auxiliar das Operações (DIAO):
conceituação, classificação e codificação de ocorrências na PMMG. [Link]. com alterações do
BGPM 241/94-CG. Belo Horizonte: PMMG, 1997.

MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Defesa Social. Instrução Conjunta Nr. 01/2003 -
(Contém orientações para o preenchimento do Boletim de Ocorrência). Belo Horizonte:
Imprensa Oficial 2003.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Boletim Técnico Nº 02/2016-DAOp/CINDS. Padroniza o


correto preenchimento do REDS, RAT e BOS no âmbito da Polícia MIlitar de Minas Gerais. Belo
Horizonte: 22 jan. 2016

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Elaboração e Gestão de Documentos Institucionais


da PMMG. Separata do BGPM 89/2019-CG. Belo Horizonte: PMMG, 2019a.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Ofício Circular nº 03/2019- CINDS/DAOp. Comissão de avaliação
da qualidade dos registros de ocorrências policiais. Belo Horizonte: 12 jul. 2019b.

MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Defesa Social. Diretriz Integrada de Ações e Operações
(DIAO). Belo Horizonte: 2021.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Das relações possíveis entre tipos na composição de gêneros. Anais
[do]. 4º Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais. Uberlândia, 2007.

231
10 TREINAMENTO
COM ARMA DE FOGO
APRESENTAÇÃO

A atuação do policial militar em uma intervenção policial pode se apresentar de várias


maneiras, podendo partir da simples presença policial e chegar ao extremo da utilização
potencialmente letal de sua arma de fogo. Por isso, um treinamento de tiro eficaz deve
exaurir a aplicação de fundamentos de tiro no estande e ser capaz de trazer para o
ambiente de treinamento situações passíveis de serem encontradas em situações de
confrontos armados reais.

Pesquisa realizada em 2018 demonstra que o treinamento de tiro desenvolvido dentro


do Treinamento Policial Básico (TPB) passou por aprimoramentos ao longo dos anos,
chegando a um nível maior de conformidade com a realidade dos confrontos armados
no ano de 2017. Essa conformidade se deu com a inserção, biênio a biênio, de situações
que possam ser encontradas em confrontos armados, tais como o uso de abrigos,
verbalização, recargas e solução de panes. (DIAS, 2018)

Nesse sentido, para que o policial militar possa ser vitorioso em um confronto armado,
ele deve ter aprimorado domínio técnico e elevado preparo psicológico e, para isso, a
Instituição deve lhe proporcionar treinamento constante e adequado à realidade, capaz
de propiciar a aquisição de competências para reagir às mais inesperadas situações que
envolvam agressões com o uso de arma de fogo. Esse treinamento denomina-se “Tiro
Policial’’.

O treinamento de tiro policial deve ir além dos conceitos básicos, pois estes precisam ser
acompanhados da aplicação prática de técnicas de manejo e controle da arma (saque,
recargas e solução de panes, dentre outras).

As técnicas de tiro policial devem ser, também, integradas à aplicação da técnica policial
e de ações táticas individuais ou em grupo em ambientes de confronto, o que inclui, por
exemplo, o processo de decisão entre atirar ou não, a verbalização ou o aproveitamento
de estruturas disponíveis no terreno como abrigos ou cobertas para o ganho de
vantagem tática. Tais características se aproximam do conceito de “Tiro Tático”.

Assim, o policial militar deve dominar a técnica, agir taticamente e, ainda, ter a consciência
de que sua arma de fogo é um instrumento de preservação da vida e seu disparo só será
justificável quando estiver em jogo esse bem juridicamente tutelado.

Decidindo por atirar, o policial militar deve entender que não há padrão que defina ou
limite a quantidade de disparos necessários a cessar uma ação agressora contra a vida,
mas certo é que ele deve ser efetivo em seus disparos, neutralizando seu oponente com
o menor número de disparos possível e de maneira a evitar que seus disparos atinjam
alvos indesejados.

234
Biênio 2022/2023

Portanto, dominar e aplicar, com efetividade, os fundamentos e as técnicas de tiro policial


e ter a habilidade de integrá-lo à técnica e à tática policiais pode fazer a diferença entre
o sucesso e o fracasso em uma situação de confronto armado real, interferindo
diretamente na preservação da vida.

1 ASPECTOS GERAIS DE SEGURANÇA PARA MANUSEIO DAS ARMAS DE FOGO

com Arma de Fogo


Treinamento
10.
Lidar com as armas de fogo é lidar com a vida, por isso seu manuseio deve observar
cuidados especiais relacionados à segurança.

Assim, antes de tratar do conteúdo previsto para o treinamento de tiro policial, é


importante destacar alguns aspectos gerais de segurança para o uso das armas de fogo,
as quais estão resumidas no Quadro 01:

Quadro 01 - dez aspectos importantes de segurança para uso das armas de fogo

1) Mantenha, sempre, o dedo fora do gatilho e fora do guarda-mato, estendido e


apoiado na armação, a não ser que o disparo seja necessário;

2) Preocupe-se, sempre, com o direcionamento do cano de sua arma, evitando que


seja apontada para algo que você não queira ou não possa atingir: pessoas, animais,
objetos, ou coisas;

3) Em serviço, utilize armas de fogo e munições pertencentes à carga da PMMG,


disponíveis nas respectivas reservas de material bélico, e definidas no Manual de
Armamento Convencional da PMMG;

4) Não altere as condições originais de armas e não utilize munições recarregadas em


serviço ou em defesa própria;

5) As armas de fogo e munições utilizadas não devem causar danos ou lesões


desnecessárias;

6) Utilize somente armas de fogo para as quais tenha sido treinado e habilitado e leia
cuidadosamente todas as instruções e recomendações de segurança de cada arma ou
munição a ser utilizada;

7) Considere e manuseie, a todo momento, qualquer arma de fogo, como se estivesse


carregada;

8) Ao receber uma arma de fogo, tenha como rotina verificar se ela está em perfeitas
condições de funcionamento;

235
9) Direcione o cano da arma de fogo para a “caixa com areia”, ou outra direção segura,
durante o manejo;

10) Armas de fogo devem ser guardadas descarregadas e em locais seguros, onde não
é permitido o acesso de pessoas sem autorização.
Fonte: Adaptado do MTCAF (MINAS GERAIS, 2020)

2 NOÇÕES DE TIRO TÁTICO

Para compreender o conceito do tiro tático, é necessário entender os conceitos de técnica


e tática policiais.

O Manual Técnico-Profissional 3.04.02/2020 define como Técnica Policial “o conjunto dos


métodos e procedimentos utilizados na execução da atividade policial” enquanto que a
Tática Policial está ligada à ideia de se aplicar técnicas e explorar o ambiente para se
alcançar objetivos.

Tática Policial: é a forma de se aplicar com eficácia os recursos técnicos que se


dispõe, ou de se explorar as condições favoráveis para se atingir os objetivos
desejados.
(MINAS GERAIS, 2020)

Assim, além do conhecimento de técnicas específicas para que atinja seus objetivos
principais, o treinamento de tiro policial precisa estar integrado à técnica policial
propriamente dita e, ainda, à tática policial para que seja eficaz.

No mesmo contexto, o Manual do Treinamento com Arma de Fogo (MTCAF) da PMMG,


qualifica como “intermediário” o treinamento de tiro policial que traga aproximação com
a realidade vivida pelo policial no serviço operacional, com inserção de tática e de técnica
policial.

Essa ideia de Tiro Policial em seu nível intermediário, integrado à técnica e à tática
policiais, se aproxima do conceito de tiro tático.

Tiro tático é a integração da tática com técnicas comprovadas de tiro defensivo.


(Trad. de MIDDLEBROOKS, 2021)

Por isso, nesta seção serão tratadas as técnicas de tiro policial com pistolas
semiautomáticas, fundamentadas em noções de tiro tático como maneira de incrementar
o tiro policial no presente no Treinamento Policial Básico.

236
Biênio 2022/2023

3 TÉCNICAS E TÁTICAS APLICÁVEIS AO TIRO POLICIAL NO TPB

Considerando que o tiro policial no TPB tem características básicas, observa-se que,
mesmo implementando algumas ações direcionadas à sua integração com técnicas e
táticas policiais, muitas dessas não terão meios de serem treinadas, como por exemplo, o
tiro noturno ou sob intempéries.

com Arma de Fogo


Treinamento
Assim, importa destacar algumas técnicas e táticas que são possíveis de aplicação no TPB,
10.
diante das limitações existentes, mas que sejam capazes de direcionar o treinamento no
sentido de se aproximar do tiro tático e da realidade dos confrontos.

As técnicas e táticas que serão abordadas nesta seção estão descritas no QUADRO 02:

Quadro 02 - técnicas e táticas policiais aplicáveis ao tiro policial no TPB


Uso de cobertas e abrigos
Posições táticas de uso da arma de fogo e posturas de abordagem
Engajamento de diferentes alvos
Técnica de tiro com duplo impacto “double tap”
Saque rápido com disparos em sequência
Recarga rápida entre disparos
Tiro com compressão de tempo
Verbalização
Solução de panes entre disparos
Fundamentos de tiro aplicados ao tiro tático
Protocolo de segurança após o confronto
Fonte: Elaborado pelo autor

3.1 Uso de cobertas e abrigos

Na iminência de um confronto armado, a primeira ação a ser adotada pelo policial é a


procura por cobertas e abrigos. Essa tática consiste em aproveitar estruturas no ambiente
para se proteger ou se ocultar de possíveis agressões e é primordial para que o policial
militar seja vitorioso.

O Manual Técnico Profissional MTP 02 define as cobertas como sendo estruturas


quaisquer usadas para ocultação, mas que não têm a capacidade de deter projéteis
disparados contra o militar. Enquanto os abrigos são anteparos capazes de proteger o
policial militar contra disparos de arma de fogo e arremesso de objetos. (MINAS GERAIS,
2020).

237
Figura 01 - Tomada de cobertas e abrigos para o uso de armas de fogo

Fonte: Adaptado do MTP 02 (MINAS GERAIS, 2020).

Para ter vantagem tática, além das técnicas gerais aplicadas ao tiro policial e ao manuseio
das armas de fogo, o policial militar deverá se deslocar e agir aproveitando as cobertas e
abrigos disponíveis no ambiente. A correta tomada de abrigos e cobertas pode diminuir
consideravelmente os riscos à integridade física e à vida do policial militar.

Assim, sempre que possível, o policial militar fará sua abordagem a partir de uma posição
abrigada ou, ao menos, a partir de cobertas e, somente em último caso, em que não
houver estruturas disponíveis, abordará de posição descoberta ou desabrigada.

Para o treinamento de tiro policial no TPB, são utilizadas estruturas metálicas que simulam
barricadas, as quais representam cobertas e abrigos e devem ser tomadas de maneira
técnica, mantendo-se os pés dentro dos limites da base da barricada, com exposição
mínima do corpo no momento dos disparos.

238
Biênio 2022/2023

Figura 02 - tomada das barricadas simuladoras de cobertas e abrigos

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Centro de Treinamento Policial (CTP)

3.2 Posições táticas de emprego da arma de fogo e posturas de abordagem

Segundo o Manual de Treinamento com Arma de Fogo (MINAS GERAIS, 2011), as


posições táticas de emprego da arma de fogo podem ser divididas em dois grupos:

a) Posições básicas: se tratam das posições de arma localizada e pronta resposta,


comumente utilizadas para o patrulhamento e para a prática de tiro;
b) Posições de retenção: correspondem às posições de guarda baixa e guarda alta, que
permitem monitorar as ações do abordado, os pontos de foco e os pontos quentes, sem
necessariamente apontar a arma diretamente para a pessoa prematuramente e permite
também o uso rápido da arma, caso necessário.

É importante que o policial militar saiba empregar as quatro posições táticas de emprego
da arma de fogo estabelecidas pela PMMG para agir de maneira técnica e adequada a
cada situação.

a) Posição 1 – arma localizada: com a arma ainda no coldre, leva a mão até o punho ou
cabo, como se estivesse pronto para sacá-la, desabotoando o coldre ou acionando a tecla
de liberação da arma no coldre (FIG. 03).

239
Figura 03 - Policial militar de pé adotando a posição 1 (arma localizada)

Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS, 2020. Centro de Treinamento Policial, 2022.

A posição 1 é indicada para intervenções de nível I ou II, isto é, aquelas de caráter


preventivo, educativo e assistencial ou em abordagens de averiguação preventiva em que
não se visualiza, inicialmente, uma possível agressão com arma de fogo por parte do
abordado. Ela é indicada também em situações de deslocamentos longos.

Para que se tenha vantagem tática, a Posição 1 pode ser integrada à postura de prontidão
(FIG. 04) prevista no Manual técnico profissional para a abordagem à pessoa:

Figura 04 - Policial militar com arma localizada (Posição 1) e em postura de prontidão

Fonte: Centro de Treinamento Policial.

240
Biênio 2022/2023

A adoção da Postura Aberta é indicada às situações de abordado cooperativo, enquanto


a Postura de Prontidão (FIG 04) é mais adequada às situações de abordado em resistência
passiva.

Na posição 1, com postura aberta ou de prontidão, a arma permanece


devidamente travada.

com Arma de Fogo


Treinamento
É importante destacar que, mesmo em situações de averiguação preventiva, o policial
10.
deve adotar, no mínimo, na posição 1 para que possa ter melhores condições de um
saque rápido caso a situação evolua para outra de maior risco.

b) Posição 2 - arma em guarda baixa: com a arma, já empunhada, fora do coldre,


destravada, posicionada na altura do abdome e num ângulo de 45°, cano voltado para o
solo e dedo fora do gatilho. (FIG. 05).

Figura 05 - Policial militar de pé com arma na posição 2

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2022.

A posição 2 é indicada para intervenções de nível II, isto é, em que haja necessidade de
verificação preventiva com indício de ameaça ao policial militar ou a terceiros.

Esta é uma das posições de retenção, que permite monitorar as ações do abordado, os
pontos de foco e os pontos quentes, sem necessariamente apontar a arma diretamente
para a pessoa prematuramente, mas permite também o uso rápido da arma, caso
necessário.

Na posição 2, a arma permanece devidamente empunhada e destravada.

241
c) Posição 3 – arma em guarda alta: com a arma, já empunhada, fora do coldre,
destravada, posicionada entre o peito e o queixo, com o cano dirigido para o alvo de
forma que seja possível manter contato visual total com o alvo. Nesta posição é possível
verbalizar, monitorar pontos quentes e iniciar os disparos de defesa caso seja necessário.

Figura 06 - Policial militar de pé com arma na posição 3

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2022.

A posição 3 é indicada para intervenções de nível II ou III, isto é, em que haja necessidade
de verificação preventiva com indício de ameaça ao policial militar ou a terceiros ou
quando já existe a ameaça ou a certeza do delito.

Esta é outra posição de retenção, que permite monitorar as ações do abordado, os pontos
de foco e os pontos quentes, além de permitir disparos direcionados ao alvo, caso
necessário.

Na posição 3, é importante que a arma esteja devidamente empunhada,


destravada, mantendo-se o dedo fora do gatilho mas em condições de disparar.

242
Biênio 2022/2023

c) Posição 4 – arma em pronta resposta: com a arma destravada, apontada diretamente


para o abordado, posicionada na linha dos olhos do policial. O policial está na iminência
de se defender da agressão. Nesta posição, a arma ocupa o espaço parcial da visão
periférica e proporciona um alinhamento de visada com o alvo (FIG. 07).

Figura 07 - Policial militar de pé com arma na posição 4 e em pronta resposta

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Adaptado do Guia do TPB 10º Biênio (MINAS GERAIS, 2020).

A posição 4 é indicada para intervenções de nível III, quando há a certeza do cometimento


do delito e a ameaça é real ou iminente, portanto se serve principalmente às ações
repressivas.

O dedo se mantém fora de contato com a tecla do gatilho, mas o policial militar deve
estar pronto e treinado para usar efetivamente sua arma de fogo, efetuando disparos
caso necessário.

Na posição 4 (pronta resposta), a arma deve estar destravada.

243
3.3 Engajamento de diferentes alvos

É comum existir confrontos armados contra mais de um agressor, por isso, o policial
militar deve estar treinado a engajar mais de um alvo durante sua série de disparos.

A técnica indicada para o momento dos disparos é manter a visada binocular (vide item
visada) com a imagem desfocada da arma direcionada para o alvo já engajado e, assim
que se encerrar os disparos no primeiro alvo, apenas tirar o dedo do gatilho, direcionar a
imagem desfocada da arma para centro de massa do próximo alvo, iniciando
imediatamente a nova série de disparos.

Na mudança de alvos, lembre-se de Identificar, Certificar, Decidir e Agir

3.4 Duplo impacto (“double tap”) e tiro em par (“controlled pair”)

A técnica de duplo impacto ou “double tap” consiste em fazer dois disparos consecutivos,
mediante o acionamento do gatilho duas vezes seguidas, no menor tempo possível,
aproveitando um único momento de visada e de aplicação dos demais fundamentos, o
que se aproxima da ideia de haver dois impactos quase simultâneos no alvo. (Trad. de
ROSS, 2021)

Todavia, a prática demonstra que o duplo impacto pode ser mais indicado ao tiro com
armas de calibres de menor potência, pois, em armas mais potentes, a técnica exige muito
mais treinamento e, ainda assim, pode trazer prejuízo à precisão do segundo impacto,
devido ao recuo mais acentuado e esse tiro poderia atingir alvos indesejados.

Assim, para uso das armas de calibres maiores, como o .40 S&W, por exemplo, torna-se
mais pertinente o emprego da técnica de tiro em par ou “controlled pair”, a qual consiste
em se fazer dois disparos consecutivos, mas empregando-se devidamente os
fundamentos de tiro para cada um deles, de maneira que, após o primeiro disparo, o
atirador seja capaz de realizar um segundo disparo no primeiro momento de recuperação
da visada após o natural recuo da arma. (Trad. de ROSS, 2021)

244
Biênio 2022/2023

Figura 08 - Engajamento de visada e alvo para a técnica de tiro em par (“controlled pair”)

Aplicação da visada Recuo e elevação Recuperação da visada

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: The Side Arms, 2021

Assim, para o treinamento de tiro policial no TPB, a técnica indicada é a de tiro em par ou
“controlled pair”, pois permite fazer tiros rápidos mas com maior controle de precisão do
segundo disparo, evitando, assim, que os disparos feitos pelo policial militar atinjam alvos
indesejados e lhe tragam perdas de vidas ou responsabilizações desnecessárias.

3.5 Saque rápido com disparos em sequência

Uma boa técnica de saque de arma é tão importante quanto a precisão dos disparos.
Como regra, o policial militar deve evitar a necessidade do saque de última hora,
antecipando-se às ações de um eventual oponente. A melhor escolha é sacar a arma no
caminho para o local onde um confronto seja iminente, deixando a arma em condições
de uso, previamente empunhada e já destravada.

Todavia, o policial militar deve estar preparado para se defender de uma agressão por
arma de fogo que por acaso lhe sobrevenha de surpresa, situação em que pode surgir a
necessidade de uma reação rápida partindo da posição 1 (arma localizada), o que exigirá,
portanto, um saque técnico, rápido e eficiente.

Para tanto, as ações para o desenvolvimento da técnica de saque rápido devem ser
executadas o mais rápido possível e em concomitância com as ações de destravar,
empunhar e engajar o alvo. Para um saque rápido e eficiente, orienta-se seguir os atos
demonstrados na FIG 09.

245
Figura 09 - Sequência para o saque rápido e ações concomitantes.

Ação 1 Ação 2 Ação 3 Ação 4

Destravar coldre e Trazer a arma na


Elevar a arma,
empunhar a arma frente do peito com “Estocar” arma à
retirando-a do coldre
ainda no coldre (Arma cano voltado para o frente
energicamente
localizada) alvo

Ação concomitante: Ação concomitante: Ação concomitante: Ação concomitante:


Localizar a trava (sem Destravar a arma Aplicar fundamento Aplicar a visada e
destravar a arma) enquanto eleva da empunhadura demais fundamentos
Fonte: Centro de Treinamento Policial

O policial militar deverá estar condicionado a não olhar para a arma ou para o coldre
quando for sacar ou coldrear a arma, procurando manter sua atenção voltada para uma
possível ameaça. Também não deve auxiliar o saque ou coldreamento com a mão fraca
(abrir o coldre com a mão fraca), para que não aponte a arma para sua mão.

O acionamento do gatilho para o disparo se iniciará assim que a arma for


“estocada” na direção do alvo.

3.6 Recarga rápida entre disparos

No contexto do treinamento de tiro policial no TPB, a recarga trata-se do ato de


realimentar e recarregar a arma quando a quantidade de munição se reduz
perigosamente (recarga tática) ou se esgota totalmente (recarga rápida) no seu
carregador (MINAS GERAIS, 2011)

Para este biênio, será exigido o domínio da técnica de recarga rápida entre os disparos, a
qual, para ser eficiente, deve ser realizada por meio das ações demonstradas a seguir (FIG.
10).

246
Biênio 2022/2023

Após constatação do carregador vazio, serão adotadas as seguintes ações:

a) Liberação do carregador vazio por gravidade a partir do acionamento do seu retém,


preferencialmente ao mesmo tempo que se localiza o novo carregador no porta-
carregador;
c) Retirada do novo carregador do porta-carregador e inserção na arma (alimentação);

com Arma de Fogo


Treinamento
d) Certificação de carregador encaixado, como leve tapa por baixo na sequência da 10.
inserção;
e) Carregamento da arma acionando-se o retém do ferrolho ou o próprio ferrolho;

Figura 10 - Sequência de uma recarga rápida com pistola semi-automática

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Durante a recarga rápida, é importante manter o dedo fora do gatilho e as atenções


voltadas para a direção da ameaça ou de possível perigo.

DICAS IMPORTANTES PARA UMA BOA RECARGA RÁPIDA:

- Deixe o carregador no porta-carregador sempre na mesma posição e “decore”


a maneira de retirá-lo para inserção na arma;
- Traga a arma para próximo do corpo, à altura do rosto, possibilitando
visualizar suas ações sem perder o foco na ameaça.

3.7 Tiro com compressão de tempo

Pesquisa feita na Região Metropolitana de Belo Horizonte no ano de 2018 demonstrou


que 85% dos confrontos armados entre policiais militares e infratores não ultrapassaram
10 segundos de duração, sendo que, mais da metade deles se deram em um tempo de
até 3 segundos (DIAS, 2018).

Assim, torna-se importante o treinamento de tiro de maneira a ganhar vantagem tática


em relação ao tempo de reação e ao tempo investido nos disparos propriamente ditos.

247
A técnica para o tiro com tempo reduzido perpassa por dois pontos principais:

a) Adotar o mais rápido possível as ações táticas e as técnicas complementares ao tiro, o


que significa, por exemplo: tomar o abrigo ou a coberta rapidamente, sacar o mais rápido
possível e, da mesma maneira, fazer uma recarga realmente rápida;
b) Aplicar o mais rápido possível os fundamentos básicos, isto é, garantir rapidamente o
ajuste da postura, uma boa empunhadura, o engajamento do alvo e a respectiva visada,
deixando “sobrar” tempo para o acionamento do gatilho.

Se posicione rápido, saque rapidamente sua arma, empunhe e faça a visada o


quanto antes, para que “sobre” tempo para um bom acionamento de gatilho.

Observa-se que, em que pese ser necessário o acionamento do gatilho de uma maneira
mais ligeira, a técnica de seu acionamento não deve mudar (vide acionamento do gatilho
na subseção fundamentos de tiro).

3.8 Verbalização

Na técnica policial militar, o conceito de verbalização diz respeito ao uso da fala e de


comandos verbais. A verbalização, por si só, já constitui um dos níveis de uso da força
preconizados pela instituição, mas deve estar presente em todos os demais níveis,
incluindo o uso de força potencialmente letal por meio de disparos de arma de fogo.
(MINAS GERAIS, 2020)

Uma boa verbalização além de auxiliar no processo de uso de força, pode até mesmo
evitar a necessidade de atirar, preservando vidas. Para tanto, toda verbalização deve ter
duas características fundamentais: clareza e precisão.

Desta maneira, nas situações em que for legal, necessário e proporcional o uso de força
potencialmente letal por meio de disparo de arma de fogo, sempre que for possível,
quando tal atitude não trazer mais riscos e dependendo do nível da ameaça apresentada,
o policial militar deve verbalizar antes de atirar.

Para uma verbalização adequada, a primeira informação a se proferir é aquela que


responde à indagação que inconscientemente pode sobrevir ao abordado: “Quem está
me dando ordens?” Na sequência, direciona-se à ação que deve ser tomada por ele: “O
que quer que eu faça?”

Assim, a verbalização indicada a tais situações devem ser semelhantes a: “POLÍCIA! SOLTE
A ARMA!” ou “POLÍCIA! MÃOS NA CABEÇA!” ou “POLÍCIA! DEITE-SE NO CHÃO!”.

248
Biênio 2022/2023

Assim, para o treinamento de tiro policial no presente biênio do TPB, a verbalização


padrão será:

POLÍCIA! SOLTE A ARMA!!

3.9 Solução de panes entre disparos

com Arma de Fogo


Treinamento
10.
Uma pane é a interrupção acidental de funcionamento da arma que pode ser causada
por diversos fatores, sendo os mais comuns: sujeira, falta de lubrificação, munição
defeituosa ou danificação de estruturas ou peças móveis. (MINAS GERAIS, 2020)

Pesquisas mostram que a ocorrência de panes em confrontos armados em Minas Gerais


é pouco frequente, porém, se vier a acontecer, a capacidade do policial militar de
solucionar a pane pode fazer a diferença entre ser ou não vitorioso. (DIAS, 2018)

Portanto, o policial militar deve atuar preventivamente nas causas mais comuns das
panes, mantendo sua arma bem manutenida, limpa e lubrificada e, além disso, escolher
as munições que vai utilizar.

Uma boa inspeção de munições reduzirá exponencialmente a ocorrência de panes. Para


inspecionar a munição, deve-se procurar pelos defeitos mais comuns, quais sejam:
a) estojo - amassado, rachado, com mossas ou com a virola deformada;
b) projétil - ensacado (afundado no estojo), solto ou deformado;
c) munição completa - com características diferentes das previstas.

Ao se deparar com uma pane na arma, o policial militar deve estar condicionado a tomar
as providências imediatas, que são:

ABRIGAR, IDENTIFICAR, SOLUCIONAR!

Em seguida, serão mencionadas as panes mais comuns e as sugestões de técnicas para


solucioná-las:

3.9.1 Falha de extração

Ocorre quando há falha na extração do estojo vazio e tentativa de novo carregamento. É


diagnosticada pela arma aberta, apresentando um cartucho após o outro, em fila (FIG.
11).

249
Figura 11 - Falha de extração (“duplo carregamento”)

Fonte: MINAS GERAIS, 2020

SOLUÇÃO SUGERIDA: Abrir a arma retendo o ferrolho à retaguarda, retirar o


carregador, fechar a arma, reinserir o carregador e fazer novo manejo do
ferrolho.

3.9.2 Falha de carregamento

Ocorre quando não há carregamento (inserção na câmara de combustão) do cartucho


intacto, portanto a câmara está vazia. É diagnosticada pela batida “em seco” do cão, não
havendo disparo e pela percepção do carregador mal inserido, conforme demonstrado
na FIG. 12.

FIGURA 12 - Falha de carregamento (“Pane seca”)

Fonte: MINAS GERAIS, 2020.

SOLUÇÃO SUGERIDA: Dar um tapa por baixo do carregador, conferindo seu


encaixe, e fazer novo manejo de ferrolho.

250
Biênio 2022/2023

3.9.3 Falha de ignição

Ocorre quando a espoleta é percutida mas não detonada, não havendo a ignição e,
consequentemente, o disparo. É diagnosticada pela batida do cão “em seco”, sem disparo.

Figura 13 - Falha de ignição ou detonação (“Nega”)

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

SOLUÇÃO SUGERIDA: fazer novo manejo de ferrolho.

3.9.4 Falha de ejeção

Ocorre quando o estojo extraído não tem a ejeção completada e fica engastado entre a
abertura do ferrolho e o cano. É diagnosticada ao se visualizar o estojo preso na porção
superior da janela de ejeção (chaminé) ou na sua porção lateral (charuto), conforme
demonstrado na FIG 14.

Figura 14 - Falha de ejeção (“Charuto ou chaminé)

Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS, 2020.

SOLUÇÃO SUGERIDA: girar a janela de ejeção para baixo (direção do chão) e


fazer o manejo do ferrolho nessa posição.

251
3.9.5 Falha de trancamento

Ocorre quando o carregamento não se completa, isto é, a arma não fecha devidamente,
não havendo, portanto, o trancamento. É diagnosticada pelo gatilho que fica inoperante
e pela semiabertura do ferrolho que permite ficar visível parte do cartucho na janela de
ejeção.

Figura 15 - Falha de trancamento (“Semicarregamento”)

Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS (2020).

SOLUÇÃO SUGERIDA: fazer novo manejo de ferrolho.

3.9.6 Ausência de ciclo causada por estojo preso à câmara

Ocorre quando não há o ciclo natural da arma após o disparo (recuo do ferrolho) causada
pela insuficiência de força expansiva dos gases para extrair a munição, pois ela fica presa
à câmara devido à dilatação excessiva ou à presença de deformidades. É diagnosticada
pela arma fechada, com o gatilho inoperante e, mesmo usando muita força, o ferrolho
não recua.

252
Biênio 2022/2023

Figura 16 - Ausência de ciclo causada por estojo preso à câmara (“Inchamento de


munição”)

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

SOLUÇÃO SUGERIDA: retirar o carregador da arma. Segurar por cima do


ferrolho com a mão fraca, desferir golpes rápidos, enérgicos e repetidos no
punho da arma com a mão forte (como se fosse empunhá-la mas sem fechar os
dedos) e abrir a arma.

3.10 Fundamentos de tiro aplicados ao tiro tático

Como exposto anteriormente, ao se trazer noções de tiro tático para o treinamento de


tiro policial, o fato de se integrar a técnica e a tática policial, interfere na maneira de se
aplicar os fundamentos de tiro. Assim, neste item, serão expostas as maneiras mais
indicadas de se empregar cada um dos fundamentos.

3.10.1 Postura

Como regra fundamental, visando à melhor precisão nos disparos, o operador de uma
arma de fogo deve adotar uma postura que exija o mínimo possível de esforço dos grupos
musculares envolvidos nos gestos do tiro. Desta forma, as essências desse fundamento
devem ser estabilidade e conforto muscular.

Todavia, a obtenção do máximo dessas condições só será plenamente possível em


situações de treinamentos feitos no estande de tiro, onde não há riscos ou estresse
inerentes a um confronto real.

Sendo necessário integrar ao tiro policial as ações voltadas para as técnicas e táticas
policiais e, considerando ainda a presença de fatores tais como o risco letal, o tipo de
terreno, a existência ou não de obstáculos e abrigos e o controle do ambiente, dentre
outras, a aplicação do fundamento postura poderá sofrer variações.

253
Para o TPB do 11º biênio, será explorada apenas a postura de tiro de pé, por esta ser a
mais comumente utilizada pelos policiais militares em situação de confronto armado
(DIAS, 2018).

[Link] Posição de pé

A postura ou posição de pé buscará ter, na medida do possível e dependendo da ação


tática adotada (abrigo em anteparo baixo, por exemplo), as seguintes características:

a) pés paralelos, afastados lateralmente, aproximadamente na largura dos ombros; com


as pontas voltadas para frente; um dos pés poderá estar em posição um pouco mais
avançada, mas nunca em uma linha atrás do outro pé;
b) joelhos ligeiramente flexionados (postura de espera/antecipação à ação ou reação);
c) torso totalmente voltado para frente (o que evita exposição das partes não cobertas
pelo colete à prova de balas, na proximidade dos ombros e abaixo das axilas), com
pequena inclinação da parte superior (minimiza a ação do recuo sobre o corpo durante
os disparos).
d) Os braços deverão apresentar ligeira flexão de cotovelos e estes deverão tender a
estarem projetados para baixo, na direção do solo.

Figura 17 - Posição de pé para o tiro policial com arma de porte

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2022.

[Link] Posições de pé não convencionais para tomada de cobertas e abrigos

Aproveitando-se taticamente a disponibilidade de anteparos no terreno para tomada de


cobertas e abrigos, horizontais ou verticais, poderá haver a necessidade de flexibilização
da posição de pé para posições mais flexíveis que são denominadas pelo MTCAF como

254
Biênio 2022/2023

“posições não convencionais de tiro” (MINAS GERAIS, 2011), conforme se vê na FIG. 18.

Figura 18 - Posições não convencionais de tiro na posição de pé


Flexão do torso Redução de silhueta Flexão do torso para
para disparo à direita para disparo de uso da barricada
do abrigo abrigo horizontal padrão

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Nessas situações, os pés do policial militar devem estar dentro da área abrigada ou
coberta e ele deverá expor o mínimo possível qualquer porção corporal.

3.10.2 Empunhadura com armas de porte

Em uma sequência de tiro mais rápida, a técnica da empunhadura ganha importância


destacada, pois, nesse caso, uma empunhadura tecnicamente correta e firme auxiliará
para melhor agrupamento dos impactos.

A posição das mãos na empunhadura da arma deve obedecer ao representado na FIG.


19, a seguir, sem forçar os polegares contra a arma.

A mão de apoio segura o punho da arma e os três dedos da mão forte (que empunha a
arma), abaixo do guarda-mato, utilizando a região hipotenar em oposição de esforços
aos quatro dedos restantes.

255
Figura 19 - Empunhadura com pistola semiautomática

Fonte: Centro de Treinamento Policial

No momento do acionamento do gatilho, menor força deve ser empregada na mão que
empunha a arma (“mão forte”), pois esta deve servir, basicamente, para acionar o gatilho.
A maior parte da força deve ser concentrada na mão de apoio (“Mão fraca”). Além disso,
para melhor concentração dos disparos em séries de tiro mais rápidas, é importante
manter o dedo polegar de ambas as mãos voltado para a direção do alvo.

MANTENHA OS DEDOS POLEGARES APONTADOS PARA A DIREÇÃO DO ALVO E


CONCENTRE MAIOR FORÇA NA MÃO DE APOIO (“MÃO FRACA”).

3.10.3 Pontaria ou visada

A pontaria ou visada é o ato de alinhar visualmente os elementos de pontaria, quais sejam,


a alça de mira, a massa de mira e o alvo (MINAS GERAIS, 2011) e sua correta aplicação
contribuirá para um tiro de qualidade.

A grande dificuldade em se aplicar a visada está relacionada a uma questão física e


inerente à natureza, pois o olho humano não é capaz de focar, em profundidade, mais de

256
Biênio 2022/2023

um ponto. Isto é, um ser humano normal não conseguiria enxergar, nitidamente e ao


mesmo tempo, os três elementos da pontaria (alça, massa e alvo).

Assim, para se aplicar corretamente a técnica, torna-se necessário priorizar o foco visual
em um desses três elementos e considerar os outros dois de maneira deficitária. Essa
escolha vai depender do tipo de tiro que se pretende fazer.

com Arma de Fogo


Treinamento
Outra questão paira sobre o melhor tipo de pontaria a ser utilizada: monocular (apenas
10.
um olho aberto) ou binocular (os dois olhos abertos).

Figura 20 - visada monocular e visada binocular

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2022.

Alguns especialistas citam como mais efetiva a pontaria binocular, com foco visual no
alvo. Outros indicam a visada monocular, com foco na massa de mira. Todavia, a celeuma
se extingue quando se compreende que o tipo de pontaria a ser utilizado dependerá do
tipo de tiro a ser feito.

Tiros mais rápidos e a curtas distâncias (abaixo de 7 metros), em alvos múltiplos,


integrados a elementos de técnica policial e a ações direcionadas à tática policial, tendem
a se adequar melhor à visada binocular.

Enquanto que, para tiros em distâncias maiores, sem a compressão de tempo e pouco
integrado a elementos de técnica e tática, a visada monocular pode trazer resultados
melhores, em termos de precisão.

De qualquer maneira, ambas as formas só serão efetivas se treinadas à exaustão, pois, se


o policial militar não tiver sido condicionado de forma realista, as chances de errar os
disparos serão iguais, seja utilizando a pontaria binocular, seja a monocular.

257
Para o TPB do presente biênio, serão ensinadas as duas maneiras técnicas de se fazer a
pontaria ou visada e o policial militar poderá escolher qual lhe será mais útil, sugerindo-
se que seja feita a visada binocular, devido ao tipo de tiro a ser treinado (noções de tiro
tático).

[Link] Visada Monocular

Como exposto, a visada monocular é mais indicada ao tiro de precisão, pois permite
relacionar melhor as prioridades focais entre os elementos de pontaria (alça de mira,
massa de mira e alvo).

Nesse caso, a prioridade de foco deve estar na massa de mira, o que redundará em
desfoque da alça de mira e do alvo e estes serão enxergados com nitidez deficiente, mas
é possível manter o alinhamento das extremidades superiores da alça e da massa de mira
em coincidência ao ponto mais central do alvo (que fica com aspecto embaçado). Além
disso, cuidado especial deve ser dado no sentido de manter a massa de mira devidamente
enquadrada dentro do entalhe, tanto horizontal, como verticalmente.

Figura 21 - Visada com aparelho de mira do tipo entalhe e secção retangular e visada
com o uso dos pontos de inserção (“inserts”)

Fonte: MINAS GERAIS, 2011.

Outra maneira de fazer uma boa visada monocular é utilizando os pontos de inserção
(“inserts”), nas armas que disponham desse dispositivo.

Nesse caso, o “insert”, incrustado na massa de mira, deverá ser o mais nítido e coincidirá
com o centro do alvo.

Os outros dois “inserts” dispostos na alça de mira ficarão com nitidez um pouco
prejudicada mas será possível alinhá-los com a massa de mira.

Naturalmente o alvo ficará embaçado, pois a atenção focal estará mais concentrada no
alinhamento dos “inserts” e estes devem estar o mais alinhados possível, tanto horizontal
como verticalmente.

258
Biênio 2022/2023

[Link] Visada binocular

Para fazer uma visada binocular, a relação de prioridade entre os focos de alça, massa de
mira e alvo se modificam. Isto porque a prioridade do foco do policial militar passa a estar
no alvo, permanecendo os elementos alça de mira e massa de mira com nitidez reduzida.

A visada binocular poderá ser empregada tanto com armas que dispõem do aparelho de

com Arma de Fogo


Treinamento
pontaria com pontos de inserção (“inserts”) quanto as que possuem alça e massa de mira
10.
do tipo entalhe e secção retangular.

Figura 22 - Representação do aparelho de pontaria desfocado sobre o alvo nítido

Fonte: MINAS GERAIS, 2015

Independentemente do tipo de aparelho de pontaria, em ambos os casos, o foco do


atirador permanece no alvo e o aparelho de pontaria naturalmente passa a ter nitidez
reduzida, todavia ainda é possível sua percepção, mesmo com pouca nitidez, e o
alinhamento dos pontos de inserção (“inserts”) ou das cristas da alça e da massa de mira,
conforme pode ser representado na FIG 22.

Destaca-se ainda, que, ao focar o alvo para empregar a visada binocular, o policial militar
terá a impressão de visualizar duas imagens transparentes do aparelho de pontaria (ou
da arma propriamente dita) por cima da imagem do alvo.

A técnica está exatamente nesse ponto: treinar para entender qual das imagens
desfocadas correspondem à posição real da arma (ou do aparelho de pontaria) em
relação ao alvo e, assim, utilizá-la como referência para o direcionamento dos disparos.

259
Figura 23 - Imagem desfocada e “sombra” da arma sobre o alvo nítido na visada
binocular

Fonte: MINAS GERAIS, 2015

Assim, como maneira de buscar maior dinamicidade do tiro policial, para o treinamento
previsto neste atual biênio do TPB, sugere-se o uso da visada binocular.

Nesse caso, a imagem desfocada da arma (ou do aparelho de pontaria) ficará direcionada
para o centro de massa da porção visível de cada quadrante considerado.

3.10.4 Acionamento do gatilho

Ao acionar o gatilho para disparos rápidos sequenciais, o policial militar deverá treinar
para que não dê arrancos no gatilho. O aumento da pressão no gatilho é semelhante ao
feito durante o tiro de precisão. A diferença é que este é realizado de maneira mais rápida,
agregando-se os detalhes técnicos de empunhadura para minimizar possíveis
movimentações das mãos.

A posição de contato do dedo com a tecla do gatilho também é algo que pode interferir
em tiros rápidos, todavia ela é individual e deve ser treinada por meio do treinamento de
disparo em seco integrando o acionamento do gatilho e a visada (vide visada).

Ao fazer o disparo em seco, o policial deve observar qual está sendo a resposta de
movimento da massa de mira no momento da “percussão em seco” e ir ajustando a
empunhadura e a posição do dedo até que a massa passe a se manter no centro nos
momentos de tais percussões.

260
Biênio 2022/2023

FIGURA 24 - Principais tendências de resultados relacionadas à posição do dedo na tecla


do gatilho

com Arma de Fogo


Treinamento
10.

Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS (2015)

De qualquer maneira, o mais importante não é a posição do dedo ou do sentido de


movimento da tecla do gatilho mas, sim, COMO ACIONAR O GATILHO e a condição
mental que se coloca no momento do disparo, que perpassa pelos seguintes comandos
cognitivos:

1 - Iniciou o acionamento, seja sempre CONTÍNUO E GRADUAL!


2 - Deixe que o tiro aconteça, naturalmente, sem comandá-lo!

3.10.5 Respiração

Diferentemente do tiro de precisão, a respiração durante um confronto com armas de


fogo não permite apneia. Os fatores de estresse que envolvem esse tipo de ação
(surpresa, susto, medo, esforço físico, dentre outros) exige oxigenação constante do
corpo e do cérebro, para que as reações e reflexos do policial militar não sejam
prejudicados pelos efeitos decorrentes da baixa pressão desse gás contra a elevação da
pressão do CO2.

Para o tiro policial, o policial militar buscará respirar normalmente, conforme a situação
em que se encontra assim o exigir.

261
3.11 Protocolo de segurança após o confronto

Imediatamente após uma intervenção policial com emprego efetivo de arma de fogo
(disparos), se fazem necessárias algumas ações por parte do policial militar, a fim de que
seja certificada a neutralização dos riscos no ambiente de confronto.

No intuito de conscientizar o policial militar a respeito da importância desta certificação,


o presente biênio tem por objetivo introduzir um protocolo de segurança que se baseia
na seguinte sequência de ações após o confronto armado (série de tiros):
1. Acompanhamento e verificação do alvo;
2. Varredura no ambiente;
3. Inspeção tática da arma.

Quadro 03 - sequência do protocolo de segurança após a série de tiros

Fonte: Centro de Treinamento Policial (CTP)

3.11.1 Acompanhamento e verificação do alvo

O acompanhamento visual e a verificação do alvo são feitos imediatamente após o


infrator resistente ser atingido pelos disparos feitos pelo policial e tem por finalidade
possibilitar uma certificação de que o agressor fora realmente neutralizado e, portanto,
não oferece mais resistência ou outros riscos para os policiais ou para quaisquer pessoas
presentes naquele ambiente.

262
Biênio 2022/2023

Após atingido o infrator resistente pelos disparos de arma de fogo, o acompanhamento


e a verificação devem ser realizados de forma consciente e efetiva. O policial deve buscar
por eventuais sinais de possíveis novas agressões por parte do infrator, tais como gestos
repentinos, sua capacidade para novos disparos, um possível saque de uma segunda
arma de fogo, movimentos corporais em direção às armas caídas ao solo, dentre outros
que possam ser interpretados como ameaça.

com Arma de Fogo


Treinamento
10.
3.11.2 Varredura no ambiente

A varredura do ambiente é feita imediatamente após o acompanhamento e a verificação


do alvo e tem por finalidade a verificação da inexistência de outras ameaças armadas no
perímetro próximo ao policial.

Assim, o policial trará a arma para uma posição de retenção, mantendo a empunhadura
dupla, e, nessa condição, girará a cabeça para os dois lados, buscando possíveis outros
infratores ou novas ameaças no perímetro imediato. O policial deve ser capaz de verificar
os 360 graus à sua volta e permanecer em condições de resposta caso visualize eventual
nova ameaça.

3.11.3 Inspeção tática da arma

A inspeção tática da arma busca verificar se esta permanece em condições de efetivo


emprego, ou seja, se não houve nenhuma pane de tiro ou mesmo se não é o caso de uma
recarga rápida (arma aberta e carregador vazio) ou de uma recarga tática (arma carregada
e carregador com algumas munições).

Essa inspeção não se confunde com aquela realizada pelo professor de tiro logo após o
encerramento de uma série de disparos, cuja intenção é deixar a arma vazia e
descarregada, em condições de segurança no ambiente de estande. A inspeção tática,
por outro lado, é destinada à verificação da capacidade da arma para a realização de
novos disparos, caso sejam identificadas novas ameaças.

PROTOCOLO DE SEGURANÇA APÓS O CONFRONTO:

Alvo -> Ambiente -> Arma

263
4 CONCLUSÃO

O treinamento de tiro policial, portanto, deve ir além da aplicação dos fundamentos e


técnicas básicas.

Para que o policial militar tenha sucesso e saia vitorioso em um confronto armado ele
deve desenvolver competências relacionadas à cognição, às suas habilidades e à sua
atitude, buscando conhecer técnicas de recargas, saque rápido e solução de panes.

Torna-se importante também alinhar as técnicas de tiro à técnica policial propriamente


dita, tais como a verbalização e demais técnicas de abordagem policial e, ainda, buscar
alcançar vantagem tática, por meio das ações de tática policial, tais como o
aproveitamento do ambiente para a tomada de abrigos e cobertas.

Assim, o treinamento de tiro policial no TPB do 11º Biênio traz noções do tiro tático, como
maneira de aprimorar as competências necessárias ao policial militar na missão de
preservar vidas e cumprir a lei.

264
Biênio 2022/2023

REFERÊNCIAS

DIAS, Sérgio Leal. O treinamento básico de tiro policial e o confronto armado: análise de
conformidade na região metropolitana de Belo Horizonte em 2017 Monografia (Curso de
Especialização em Segurança Pública) – Academia de Polícia Militar, Polícia Militar de Minas
Gerais, Belo Horizonte, 2018.

com Arma de Fogo


Treinamento
MIDDLEBROOKS, D.R. What is Tactical Shooting? Tactical Shooting Academy (TSA). Disponível
10.
em: [Link] Acesso em 21 Set. 2021.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Guia de Treinamento: Biênio 2020/2021. Belo Horizonte:
Academia de Polícia Militar, 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Guia de Treinamento: Biênio 2015/2016. Belo Horizonte:
Academia de Polícia Militar, 2015.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Treinamento com Arma de Fogo (MTCAF). Belo
Horizonte: Academia de Polícia Militar, 2011d.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Manual Técnico-Profissional Nº


3.04.02/2020: Abordagem a pessoas/Comando- Geral. Belo Horizonte: Assessoria Estratégica
de Operações (PM 3). 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Manual Técnico-Profissional Nº


3.04.01/2020: Intervenção policial, processo de comunicação e uso da forçA/Comando- Geral.
Belo Horizonte: Assessoria Estratégica de Operações (PM 3). 2020.

ROSS, Jared. Double Taps vs. Controlled Pairs. Breach Rang Clear. Disponível em:

[Link] Acesso em 24 Set. 21.

THE SIDE ARMS. How to shoot a Double Tap. Disponível em:


[Link]
dex=1. Acesso em 24 Set. 21.

265
LEGISLAÇÃO
11
JURÍDICA
1 INTRODUÇÃO

Nessa parte dos estudos, iremos tratar das principais leis extravagantes que afetam o
serviço policial militar, seja por suas penas mais gravosas, seja pela frequência de casos
em que tem aparecido em nossa instituição.

É extremamente necessário que o policial militar conheça essas legislações e se mantenha


atualizado, para pautar sua conduta operacional sempre dentro da legalidade.

Dessa forma iremos tratar aqui da Lei 9.455/97, Lei de Tortura e suas várias modalidades
de crime de tortura; da Lei 12.850/13, Lei do Crime Organizado; da mudança legislativa
através da Lei 13.491/17 que ampliou o conceito de crimes militares, e da Lei 13.869/19,
a nova lei de abuso de autoridade que revogou a antiga lei 4.898/65.

Esperamos que após os estudos dessas normas, os militares estejam mais conscientes de
suas ações quando em serviço ou de folga, buscando sempre agir dentro dos limites da
lei.

2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI DE TORTURA – Nº 9455/1997

2.1 INTRODUÇÃO À TORTURA

Tortura, por definição médico-legal, é um meio cruel de prática criminosa, entendido


como ato que causa padecimento desnecessário à vítima, por livre deliberação do
torturador. Mais do que ferir ou matar a vítima, busca o agente impor-lhe sofrimento
mediante sua ação lesiva.

O exercício do monopólio da força pelo Estado requer moderação e deve ser empregado
estritamente dentro dos critérios legais. Desse modo, é inadmissível que o policial militar,
como agente estatal, pratique qualquer ato que possa configurar ilícito, ainda que o
pratique “de boa-fé” (os fins não justificam os meios). De fato, o agente da lei que
emprega a tortura como meio de investigação, ou como forma de castigo, raciocina, em
linhas gerais, da seguinte maneira: “o mal que eu faço é o bem, porque o mal que eu
combato é o mal absoluto”.

A falsidade desse raciocínio é que o “mal do infrator” justifica a ação praticada pelo
policial. Na verdade, uma infâmia não justifica outra. Ao se submeter os meios meramente
ao critério da eficiência no combate ao “mal absoluto”, passa a se entender que qualquer
meio é apropriado. Admite-se, com essa negação do ético, que não é possível permanecer
pessoalmente limpo no reino da sujeira. Copia-se o mal daquele que se propõe combater.
Não é sustentável tal paradoxo sem o padecimento de um dano moral e, em tais
situações, o policial militar será equiparado ao próprio criminoso.

268
Biênio 2022/2023

2.2 CRIME MILITAR DE TORTURA POR EXTENSÃO

A Lei N°. 13.491/2017, que alterou a redação do art. 9º, do Código Penal Militar (CPM) e
instituiu os crimes militares por extensão, incluiu no rol dos crimes dessa natureza os
previstos exclusivamente na legislação penal comum, isto é, no Código Penal (CP) e na
legislação extravagante, quando praticado pelo militar numa das hipóteses do Art. 9°,
inciso II, do CPM.

Via de regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes da Lei de Tortura é
da Justiça Comum. No entanto, quando o crime é praticado por policial militar, desde que
preenchidas uma das circunstâncias do dispositivo acima referenciado, será da Justiça
Militar Estadual.

Legislação Jurídica
Neste sentido, com base na alteração legislativa promovida pela Lei n°. 13.491/2017, 11.
comete o crime militar de tortura-prova, por exemplo, o policial militar que constranger
um indivíduo autor de crime, mediante o emprego de violência e ameaça, com o fim de
obter informação, declaração ou confissão.

Cita-se, também, como exemplo, a ação do policial militar que ao presenciar a prática do
crime de tortura perpetrada por policiais militares, diante do dever jurídico de agir,
abstém-se de evitar a prática do crime ou, não sendo possível, deixa de adotar medidas
necessárias a fim de evitá-lo (ou de levar ao conhecimento de seus superiores, quando
lhe faltar competência administrativa).

Dessa forma, pelo critério objetivo da lei, o crime de tortura praticado por policial militar
em serviço, ou em razão da função, insere-se à atual definição de crime militar, cuja
apuração dos fatos deve ser realizada pela Polícia Judiciária Militar e o processo e
julgamento realizado perante a Justiça Militar Estadual.

2.3 TRATAMENTO LEGAL DA TORTURA

A Constituição da República Federativa Brasileira de 1988 (CRFB/1988) estabelece, em seu


artigo primeiro, que a dignidade da pessoa humana constitui um dos fundamentos da
República e, em seu artigo 5º, incisos III e XLIII, que ninguém será submetido à tortura,
nem a tratamento desumano ou degradante, devendo a conduta da tortura ser
considerada um crime inafiançável e insuscetível de anistia ou graça.

A Lei N°. 9.455/1997 inaugurou a tipificação específica da tortura no Brasil, embora no


Código Penal Brasileiro a tortura já estivesse prevista como circunstância agravante
genérica (art. 61, II, “d”, do CPB) e como qualificadora do crime de homicídio doloso (art.
121, § 2º, III, do CPB). A citada Lei especial não exige a condição de autoridade do autor,
ou seja, qualquer pessoa pode figurar-se como torturadora, por não haver exigência na

269
norma para que se tenha condição especial do agente, de modo que não se necessita,
para a configuração do delito, que a tortura seja praticada exclusivamente por agentes
do Estado.

Os tipos penais incriminadores da tortura visam à tutela do bem jurídico considerado


inderrogável e avesso à possibilidade de relativização: a dignidade da pessoa humana. A
Lei nacional permite, no caso de guerra declarada, a aplicação da pena capital, mas não
admite a aplicação de penas cruéis (Art. 5°, XLVII, “a” e “e”, da CRFB/1988). Em outras
linhas, a vida pode ser relativizada e até subtraída em ocasiões específicas, todavia, a
dignidade humana não comporta exceções em nenhuma medida e em nenhuma
hipótese.

Equiparado aos crimes hediondos, a tortura sofre as restrições da Lei n°. 8.072/90,
considerando-se inafiançável e proibida a concessão de liberdade provisória, exceto
quanto à possibilidade do condenado, ainda que iniciado o cumprimento da pena em
regime fechado, poder progredir de regime, conforme previsto Art. 1º, § 7º, da Lei n°.
9.455/1997. Todavia, o Art. 2º, §1º, da lei dos crimes hediondos foi declarado
inconstitucional pelo STF, por ferir os princípios da proporcionalidade e individualização
da pena, sob o argumento de que o regime de cumprimento deverá respeitar o Código
Penal, sendo definido a partir da pena aplicada ao condenado.

Cabe salientar que a tortura imprópria (tortura por omissão) não é equiparada ao crime
hediondo, o que caracteriza exceção às demais espécies de tortura (em que pese o
mesmo rigor de tratamento e consequências ao policial militar e demais agentes públicos,
quanto a possibilidade de perda da função pública).

2.4 MEIOS E MODOS DE EXECUÇÃO DA TORTURA

A ONU assentou uma primeira definição mais sistemática da tortura, conceituando-a


como1:

“Todo o acto pelo qual um funcionário público, ou outrem por ele instigado, inflija
intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos graves, físicos ou mentais,
com o fim de obter dela ou de terceiro uma informação ou uma confissão, de a
punir por um ato que tenha cometido ou se suspeite que cometeu, ou de intimidar
essa ou outras pessoas”.

1
Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis,
Desumanos ou Degradantes - Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de
1975. Disponível em [Link] Acesso em 17 set 21.

270
Biênio 2022/2023

A natureza cruel da tortura não resulta do meio e sim do modo como é empregado: por
exemplo, o uso de uma faca para causar ferimento não configurará necessariamente
tortura, mas poderá ser se a mesma faca for utilizada para mutilar deliberadamente a
vítima. Do mesmo modo, o simples arremesso de uma pedra não induz, necessariamente,
à caracterização da tortura, não valendo afirmar quanto ao apedrejamento da vítima.

2.5 CONDUTAS QUE SÃO CONSIDERADAS CRIME DE TORTURA QUE POSSAM ADVIR DO
DESVIO NA ATIVIDADE POLICIAL

A Lei N°. 9.455/1997, em seu Art. 1.º (caput e §§ 1.º e 2.º), descreve as seis condutas típicas
do crime, quais sejam: tortura-prova (Art. 1º, I, “a”), tortura como crime meio (Art. 1º, I,

Legislação Jurídica
“b”), tortura-discriminatória (Art. 1º, I, “c”), tortura-castigo (Art. 1º, II), tortura-própria (Art.
1º, § 1º) e a tortura por omissão (Art. 1º, § 2º). 11.

O delito configura-se independentemente do alcance do fim objetivado pelo agente com


sua conduta (descritos nas alíneas “a”, “b” e “c”), sendo admissível a tentativa quando,
iniciada a execução, não chega o agente, por circunstâncias alheias à sua vontade, a
produzir o padecimento na vítima.

Destarte, por se tratar de um delito material, para a consumação do crime, exige-se a


constatação de imposição à vítima de um sofrimento físico ou mental.

2.5.1 Tortura-prova (Art. 1º, Inciso I, alínea a)

O elemento de distinção desta figura reside na especial finalidade do agente que é a


intenção de obter; informação, definida doutrinariamente como a prestação de
esclarecimentos ou fornecimento de quaisquer dados, mesmo circunstanciais, sobre
evento certo, repassados de maneira informal; declaração, que possa se constituir em
manifestação verbal, geralmente formalizada, acerca de determinado fato, com
imputação de autoria a outrem; ou confissão, a qual possa se concluir como admissão
de autoria de fato determinado da vítima ou de terceira pessoa.

2.5.2 Tortura-castigo (Art. 1º, inciso II)

Nesta figura, pune-se a conduta de submeter a vítima, com emprego de violência ou


grave ameaça a intenso sofrimento físico ou mental (grave padecimento corporal ou
psíquico-psicológico decorrente da natureza, extensão, repetição ou persistência do
suplício imposto) a castigo pessoal. A doutrina critica o emprego do adjetivo “intenso”
anteposto ao “sofrimento físico ou mental”, vez que o padecimento é de difícil
mensuração objetiva.

271
2.5.3 Figura privilegiada: tortura-omissão (art. 1º, § 2º)

A figura privilegiada prevista visa incriminar aquele que, podendo e devendo, se abstém
de evitar a prática da tortura ou, não sendo possível evitá-la, deixa de adotar as medidas
cabíveis (diretamente ou, carecendo de atribuição legal, mediante provocação da
autoridade competente para fazê-lo).

Destaca-se que esse crime, segundo entendimento dominante, não constitui um típico
“crime de tortura”, de modo que não está sujeito a todos os rigores conferidos aos demais
crimes hediondos e equiparados. Contudo, em que pese a lei fazer ressalva quanto ao
regime inicial de cumprimento da pena, tem-se que, conforme o disposto no Art. 1º, § 5º
da lei de tortura, a condenação do policial militar por essa figura delitiva, acarretará a
perda da função pública e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena
aplicada.

2.6 EFEITO AUTOMÁTICO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA POR TORTURA

A condenação acarretará a perda do cargo (criado por lei que lhe empresta atribuições,
denominação e remuneração específicas); função (exercício de atribuição em favor da
Administração Pública, todavia sem cargo correspondente); ou emprego público
(instituído por lei na estrutura oficial do Estado, com denominação e atribuições próprias,
todavia submisso ao regime celetista) além da interdição para seu exercício pelo dobro
do prazo da pena aplicada.

3 LEI DO CRIME ORGANIZADO (LCO) − LEI N°. 12.850/2013

A Lei N°. 12.850/2013 define que “considera-se organização criminosa a associação de


quatro, ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente,
vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional”
(art. 1.º, § 1.º).

No cotidiano policial, é possível que se verifique a existência de variadas formas de


manifestações da criminalidade organizada, cada qual com características bem peculiares,
amoldadas às suas próprias necessidades e facilidades, que se encontram em seu
respectivo campo de atuação.

Algumas circunstâncias, que podem ser identificadas pela Polícia Militar durante a
intervenção policial, constituem fortes indícios de crime organizado, e não podem ser
desprezados, ou não relatados no Registro de Eventos de Defesa Social – REDS.

272
Biênio 2022/2023

Como exemplo, pode-se destacar a presença de itens do planejamento “empresarial”,


como controle do custo das atividades necessárias, recrutamento controlado de pessoal,
modalidade do pagamento, controle do fluxo de caixa, de pessoal e de ‘mercadorias’ ou
‘serviços’, planejamento de itinerários, divisão de tarefas e territórios, contatos com
autoridades etc. É fundamental que, quando identificados tais indícios, o policial militar
insira no REDS todas as informações de organização e, principalmente, a divisão de
tarefas.

As atividades da organização criminosa devem ser marcadas pela divisão de tarefas,


característica fundamental da teoria do domínio funcional do fato. Por meio desta,
basta que haja “a reunião dos autores, cada um com o domínio das funções que lhes
foram previamente atribuídas para a prática do delito”, sendo desnecessário que todos

Legislação Jurídica
venham a executar propriamente os delitos para os quais a organização criminosa foi
formada. 11.

Um exemplo é aquele indivíduo que faz o levantamento de informações de uma cidade


para a atuação de uma quadrilha de explosão de caixas eletrônicos. Mesmo não
participando diretamente da ação, tal agente integra a organização criminosa.
Ademais, no Art. 2.º, caput, da Lei N°. 12.850/2013, verificam-se as tipificações das
ações que caracterizam o crime e cominam a pena:

Art. 2º “Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta


pessoa, organização criminosa:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas
correspondentes às demais infrações penais praticadas”.

Quanto ao sujeito ativo, não há de se exigir nenhuma qualidade ou condição especial do


agente (crime comum). Trata-se de crime plurissubjetivo (de concurso necessário), por
somente se afeiçoar com o número mínimo de quatro pessoas associados. É considerado
um crime de conduta paralela, haja vista que os integrantes da organização se auxiliam
mutuamente com o mesmo objetivo.

Torna-se importante ressaltar que, para a consumação do crime de organização


criminosa, pouco importa se as infrações penais para as quais foi constituída a
organização venham ou não a ser praticadas. Ou seja, pelo delito de organização
criminosa o agente é punido independentemente dos crimes cometidos pelos associados
e em concurso real com estes.

Alguns detalhes da intervenção policial, em caso de indícios de organização criminosa,


devem ser observados pelo policial militar e relatados no REDS, pois podem constituir
causas de aumento de pena, nos termos delineados a seguir:

273
Art. 2°. Omissis.
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):
I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa
dessa condição para a prática de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte,
ao exterior;
IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações
criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.

Durante a intervenção policial militar, principalmente nas ocorrências de tráfico ilícito de


drogas, poderão aflorar elementos e indícios de transnacionalidade do delito. Desta
forma, é imprescindível o acionamento da Agência de Inteligência da Unidade para
ampliação das informações acerca da organização criminosa.

4 CONSIDERAÇÕES SOBRE A AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE CRIME MILITAR DIANTE


DA LEI N°. 13.491/2017.

CRIME MILITAR

Crime militar, conforme estabelecido pela CRFB/1988, é aquele definido por lei, nos
termos dos artigos 5º, LXI, 124 e Art. 125, § 4º. Assim, impera o critério ex vi legis ou lex
scripta, reforçando o conceito de que o crime militar é o que está na lei - por força de lei.

Nesse sentido, ASSIS (2018) argumenta que a classificação do crime em militar se faz pelo
critério ratione legis, ou seja, em razão da lei. Portanto o crime militar é aquele que o
Código Penal Militar (CPM) diz que é, diante das circunstâncias enumeradas em seu Art.
9º.
Importante, após consolidado esse conceito, que o policial militar consiga diferenciar as
classificações de crimes militares, em especial, àquela que foi trazida após a alteração do
Código Penal Militar pela Lei n°. 13.491/2017.

4.1 CRIME PROPRIAMENTE MILITAR

Conforme se abstrai do Art. 9º, inciso I, do CPM, o crime propriamente militar é aquele
que só está previsto no CPM e que só pode ser praticado por militar, exceção feita ao
crime de insubmissão, que apesar de só estar previsto no CPM (Art. 183), só pode ser
cometido por civil (ASSIS, 2018).

274
Biênio 2022/2023

São exemplos de crimes propriamente militares: desrespeito a superior, recusa de


obediência, publicação ou crítica indevida, deserção, abandono de posto, dormir em
serviço, pederastia, entre outros.

4.2 CRIME IMPROPRIAMENTE MILITAR

Consideram-se crimes impropriamente militares aqueles que estão definidos de forma


idêntica tanto no Código Penal Militar, quanto no Código Penal Comum e, que, por um
artifício legal, tornam-se militares por se enquadrarem em uma das várias hipóteses do
Art. 9º, inciso II, do CPM (ASSIS, 2018).

Legislação Jurídica
4.3 ALTERAÇÃO LEGISLATIVA TRAZIDA PELA LEI N°. 13.491/17, QUE ALTEROU O ART. 9º 11.
DO DECRETO-LEI N°. 1001, DE 21OUT69, CÓDIGO PENAL MILITAR, E AMPLIOU A
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR.

Em 16 de outubro de 2017 foi publicada a lei N°. 13.491/17, que alterou o Código Penal
Militar, mais especificamente o Art. 9º, de modo a ampliar o conceito de crime militar e,
consequentemente, a competência da Justiça Militar (federal ou estadual).

A propósito dessa ampliação do conceito de crime militar, a principal alteração trazida


pela Lei N°. 13.491/17, com reflexos nas Instituições Militares Estaduais (IME), encontra-
se na redação do Art. 9º, inciso II, do CPM:

QUADRO COMPARATIVO DA REDAÇÃO DO ART. 9º, INCISO II, DO CPM

Redação original Redação vigente

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em Art. 9º Consideram-se crimes militares, em


tempo de paz: tempo de paz:
II - os crimes previstos neste Código, embora II - os crimes previstos neste Código e os
também o sejam com igual definição na lei previstos na legislação penal, quando
penal comum, quando praticados: praticados:

Conforme considerações de NEVES (2018), “com a edição da Lei n°. 13.491, de 13Out2017,
os crimes previstos no Código Penal Comum e na legislação penal em geral podem ser
considerados militares desde que praticados nas hipóteses do inciso II do art. 9º do CPM,”
naquilo que os doutrinadores denominam crimes militares por extensão, acidentais ou
extravagantes.

275
Antes da referida lei, determinada conduta só poderia ser tratada como crime militar se
assim estivesse necessariamente prevista no rol de crimes da parte especial do CPM,
mesmo que tratado de igual forma no Código Penal Comum. Com a nova redação legal,
a conduta praticada pelo policial militar (autor de crime), para ser tratada como crime
militar, pode estar prevista tanto na parte especial do CPM, quanto em qualquer
legislação penal comum.

Portanto, com a atual redação do Art. 9º, inciso II, do CPM (e a título de exemplo) é
possível que o policial militar (autor) cometa um crime militar com base na conduta típica
prevista exclusivamente na Lei n°. 9.455/1997 (Lei de Tortura), na Lei N°. 13.869/2019
(nova Lei e Abuso de Autoridade), Lei n°. 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), Lei
N°. 9.503/1995 (Código de Trânsito Brasileiro), Lei n°. 14.133/2021 (nova Lei de Licitação
e Contratos Administrativos) entre outras, desde que o fato se amolde também em uma
das hipóteses previstas no Art. 9º, inciso II, alíneas “a” a “e” do CPM.

Quando avaliadas as hipóteses previstas no Art. 9º do CPM, em especial diante das


alterações promovidas pela Lei n°. 13.491/2017, o policial militar em serviço, ou atuando
em razão da função, poderá praticar uma conduta considerada típica no âmbito penal
castrense, cabendo então a apuração dos fatos pela Polícia Judiciária Militar (em regra o
Comandante da área onde o crime militar foi praticado), com o processo e julgamento
de competência da Justiça Militar Estadual.

Diante desse cenário, quando ocorre o desvio de conduta do policial militar, que resulte
na imputação de um ilícito penal militar, caberá à Polícia Judiciária Militar sua apuração e
à Justiça Militar Estadual a continuidade do devido processo legal.
Para reforçar o entendimento sobre as ampliações trazidas pela Lei n°. 13.491/2017, no
rol dos crimes militares, seguem abaixo alguns exemplos comparativos quanto às
possíveis situações que não resultariam em crime militar. Contudo, desde a referida
alteração, passaram a ser considerados crimes militares por extensão, acidentais ou
extravagantes:

QUADRO COMPARATIVO
Antes da lei N.° 13.491/2017 Depois da lei N.º 13.491/2017
O(a) policial militar de serviço, que praticar atos que
O(a) policial militar de serviço, que se amoldam a referida lei de tortura contra um civil,
praticasse atos previstos na lei N°. durante uma abordagem policial, responderá por
9455/97 (Lei de tortura) contra um crime militar e o processo será agora julgado pela
civil, durante uma abordagem Justiça Militar Estadual, uma vez que o fato está
policial, responderia por crime previsto na legislação penal (Lei N°. 9455/97) e,
comum e o processo seria julgado diante da alteração trazida pela lei N°. 13.491/2017,
pela Justiça Comum Estadual. a conduta passou a amoldar-se no Art. 9º, inciso II,
alínea c, do CPM.

276
Biênio 2022/2023

Nota-se, portanto, que houve uma ampliação dos crimes de natureza militar, uma vez
que, em tese, qualquer crime existente no ordenamento jurídico brasileiro poderá se
tornar crime militar, caso praticado em serviço, ou no exercício funcional militar.

5 LEI N°. 13.869, DE 05 DE SETEMBRO DE 2019 – NOVA LEI DE ABUSO DE


AUTORIDADE

A Nova Lei de Abuso de Autoridade revogou expressamente a Lei 4.898, de 09 de


dezembro de 1965 e alguns dispositivos do Código Penal Brasileiro. Nesses termos,
condutas antes não previstas como crime ganharam tipificação e as penas de alguns
crimes já existentes foram significativamente aumentadas.

Legislação Jurídica
Os delitos insculpidos na nova lei exigem dolo específico, de modo que a melhor doutrina 11.
aponta, inclusive, que o dolo deve ser direto (vontade consciente de produzir o resultado),
e, portanto, inadmitido o dolo eventual (aquele que há assunção de risco na produção do
resultado).

Assim, pratica o crime de abuso de autoridade o agente que realizar as condutas previstas
na lei, com a finalidade de: I) prejudicar outrem; II) beneficiar a si mesmo; IV) beneficiar a
terceiro; V) por mero capricho, ou VI) por satisfação pessoal.
Nesses termos, conforme o entendimento de Rogério Greco, torna-se possível concluir
que:

Talvez com o fim de estancar algumas das pertinentes críticas, logo no seu artigo
inaugural, a lei 13.869/19 anuncia que a existência do crime depende de o agente
comportar-se abusivamente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou
beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação
pessoal. Eis o elemento subjetivo presente nos vários tipos incriminadores,
restringindo o alcance da norma de tal forma que, ao nosso ver, o dolo eventual
fica descartado (CUNHA; GRECO, 2019, p. 13).

Ainda sobre os elementos subjetivos do tipo, em razão do princípio da excepcionalidade


do crime culposo, prevista no Art. 33, parágrafo único, do Código Penal Militar, c/c Art.
18 do Código Penal Comum, inadmissível, portanto, as condutas previstas na lei de abuso
de autoridade por imprudência, negligência ou imperícia.

277
5.1 SUJEITOS ATIVOS DOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE

O Artigo 2º, inciso I, da nova lei, ao definir a sujeição ativa de seus delitos, aponta serem
eles próprios de agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e de Território, compreendendo os servidores públicos e militares (ou pessoas
a eles equiparadas).

O primeiro artigo trouxe as expressões “no exercício de suas funções ou a pretexto de


exercê-las”, ou seja, mesmo que o policial esteja fora de serviço (em gozo de férias, folga,
licença, dentre outras) estará incurso em crime de abuso de autoridade, caso invoque o
cargo ou função, com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si
mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal.

A atenção deverá ainda ser maior, diante do disposto no Art. 15, do Estatuto dos Militares
do Estado de Minas Gerais - EMEMG - (Lei N°. 5.301/1969), por determinar que “a
qualquer hora do dia ou da noite, na sede da Unidade ou onde o serviço o exigir, o
policial-militar deve estar pronto para cumprir a missão que lhe for confiada pelos seus
superiores hierárquicos ou impostos pelas leis e regulamentos.”

5.2 ALGUNS CRIMES NA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE MAIS AFETOS À ATIVIDADE


POLICIAL MILITAR

Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou


redução de sua capacidade de resistência, a:
I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública;
II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei;
III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena
cominada à violência.

O tipo penal tutela os direitos do indivíduo no tocante a sua imagem, honra, dignidade e
ao devido processo legal. Trata-se de um crime que, por trazer a expressão “preso ou
detento”, traduz maior possibilidade de cometimento por integrantes de forças policiais.

Embora o sujeito passivo imediato seja a própria Administração da Justiça ou


Administração Pública, a depender do agente, o sujeito passivo mediato é o preso ou
detento que vier a sofrer a violação (NEVES, 2021, p. 139).

278
Biênio 2022/2023

Na mesma toada, torna-se oportuno asseverar que:

(...) a exibição à curiosidade pública importa na exposição do preso (de seu corpo
ou parte dele) à população, como forma de saciar a bisbilhotice do grupo. Em
outras palavras, exibe-se o preso como se fosse um troféu nas mãos do sistema de
persecução (NEVES, 2021, p. 140).

Além da exibição à curiosidade pública, o tipo penal foi mais além, pois trouxe, no inciso
II, do mesmo dispositivo, a submissão a situação vexatória ou a constrangimento não
autorizado em lei, como por exemplo, obrigar o preso a exibir-se para a imprensa.

Noutro giro, o preso tem direito à identificação dos executores de sua prisão ou de seu

Legislação Jurídica
interrogatório policial, nos termos do Art. 5º, LXIV da CRFB /1988. Nesse sentido, o ato 11.
de deixar de identificar-se (conduta omissiva) ou identificar-se falsamente (conduta
comissiva) à pessoa presa (ou detida), em conjunto com uma das finalidades previstas no
Art. 1º, § 1º, da nova Lei de Abuso de Autoridade, constitui crime.

Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião


de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por
interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de
identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função.

A identificação não se estende a um conjunto de dados pormenorizados, bastando,


portanto, o nome e a função que exerce.

Outra inovação jurídica, no que diz respeito ao aspecto penal, é a tipificação de conduta
relacionada ao cerceamento do direito do preso (e do advogado) à entrevista pessoal e
reservada:

Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com
seu advogado:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil - Lei N°. 8.906/1994 - em seu Art. 7º, III,
assegura ao advogado o direito de comunicar-se com seus clientes, pessoal e
reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou
recolhidos em estabelecimentos civis ou militares.

279
Assim, o policial militar não pode obstar o acesso do advogado ao detido, inclusive
durante a lavratura do REDS, sob pena de incorrer em abuso de autoridade, se houver,
portanto, uma das finalidades já especificadas.

Por fim, os tipos penais estudados (artigos 13, 16 e 20 da Lei 13.869/2019) não possuíam
definição na antiga lei 4.898/1965, logo, comportam status de novatio legis incriminadora.

6 CONCLUSÃO

Nessa etapa do Treinamento Policial Básico, foram abordadas algumas leis extravagantes
que entendemos serem as mais importantes para os nossos militares, seja pelas
mudanças recentes, seja pelo impacto que suas duras penas trazem a quem comete os
crimes nela previstos.

Na lei de Tortura, lei 9.455/97, foi explicado o conceito principal de tortura, bem como foi
demonstrado as suas modalidades, especialmente a tortura prova, a tortura castigo e a
tortura omissão. Além disso, foi explicado que com a nova mudança nos crimes militares,
a tortura também pode ser considerada crime militar por extensão.

Foi estudada também a lei 12850/13, que trata das organizações criminosas e sua
composição e principais características foram mostradas, tendo em vista a importância
que tem na atualidade e a necessidade de o policial militar saber reconhecer esse tipo de
organização, para uma boa confecção do boletim de ocorrência.

Sobre a lei 13491/17 uma ênfase maior foi dada, pois ela amplia o conceito de crime
militar, abarcando agora os crimes previstos em qualquer outra norma, trazendo impacto
direto para os policiais, que também são militares.

Por fim, foi estudada a lei 13869, nova lei de abuso de autoridade, que revogou a
conhecida e antiga lei 4898, trazendo tipos penais novos e aumentando as penas de
alguns já existentes. Uma especial atenção foi dada a esta parte, tendo em vista de ser a
legislação que mais afeta os policiais em serviço.

280
Biênio 2022/2023

7 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Lucas Laire Faria. Crime Organizado: aspectos dogmáticos e criminológicos -- Belo
Horizonte: Editora D’Plácido, 2017.

ASSIS, Jorge Cesar de. Comentários ao Código Penal Militar: comentários, doutrina,
jurisprudência dos tribunais militares e tribunais superiores. 10ª ed. Curitiba: Juruá, 2018.

BALDAN, Édson Luís. Tortura. Enciclopédia Jurídica da PUCSP. Tomo Direito Penal, Edição 1,
Agosto de 2020. Disponível em: [Link]
1/tortura. Acesso em 17 set 21.

BRASIL. Lei nº 9.455, de 07 de abril de 1997. Define os crimes de tortura e dá outras

Legislação Jurídica
providências. Disponível em [Link] Acesso em 17
set 21. 11.

CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, volume 4: legislação penal especial; 3 ed. – São Paulo:
Saraiva, 2019.

CUNHA, Rogério Sanches; GRECO, Rogério. Abuso de Autoridade. Salvador: Juspodivm, 2019.

GRECO, Rogério / FREITAS, Paulo. Organização Criminosa: Comentários à Lei 12.850/2013. 2 ed.,
ver., atual. – Impetus, 2020.

MASSON, Cleber / MARÇAL, Vinícius. Crime organizado– 4. ed., rev., atual. e ampl. – Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

NEVES, Cícero Robson Coimbra. Crimes Militares Extravagantes. Salvador: Juspodivm, 2021.

NEVES, Cícero Robson Coimbra / Streifinger , Marcello. Manual de Direito Penal Militar - Volume
Único / - São Paulo: Editora JusPodivm, 2021.

NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de direito processual penal militar, 3ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018.

ONU. Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou
Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes - Aprovada pela Assembleia Geral das Nações
Unidas em 9 de Dezembro de 1975 (Resolução 3452 (XXX). Disponível em
[Link] Acesso em 17 set 21.

ROTH, João Ronaldo. Os delitos militares por extensão e a nova competência da justiça militar.
20 de janeiro de 2018. Disponível em [Link]
post/2018/01/20/os-delitos-militares-por-extens%C3%A3o-e-a-nova-compet%C3%AAncia-da-
justi%C3%A7a-militar-lei-1349117 . Acessado em 17/09/2021.

281
IMAGEM INSTITUCIONAL,
12 REPRESENTATIVIDADE E
USO DAS MÍDIAS SOCIAIS
1 INTRODUÇÃO

A era mobile (palavra norte americana que significa uma nova forma de acesso à rede
mundial de computadores através da tecnologia de dispositivos móveis como
smartphones) se consagrou no mundo atual. A troca de informações em tempo real é
uma realidade nas relações humanas. Processos comunicacionais foram provocados a
atualizarem suas linguagens, seus instrumentos e suas formas de transmissão de
informações. As redes sociais consagraram-se, neste cenário, como um revolucionário
instrumento da comunicabilidade social.

Uma pesquisa realizada pelos institutos Hootsuite e We Are Social (2020), que promovem
estudos especializados em multimídia no mundo digital, apontou que, no Brasil, há 205,8
milhões de telefones mobile. Relataram, ainda, que o país possui 140 milhões de perfis
em redes sociais ativos, o que representa 66% da população. A mesma pesquisa divulgou
que as principais redes sociais utilizadas pelos brasileiros são Youtube, Facebook,
Whatsapp e Instagram.

As redes sociais possuem a capacidade de difusão de conteúdos de forma instantânea e


com alto potencial de viralização (circulação rápida e capaz de alcançar um grande
número de pessoas). Essas características devem ser objeto de atenção por parte de
qualquer usuário, mas principalmente do policial militar. Pois, se por um lado, isso é
vantajoso por proporcionar estreitamento de relações interpessoais, por outro, torna-se,
também, um risco.

O risco advém da inobservância por parte do policial militar da harmonização entre o seu
interesse em utilizar as redes sociais e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos
quais está submetido e deve obediência.

O objetivo deste tópico no Treinamento Policial Básico neste biênio é provocar a


construção de um entendimento claro e maduro em relação ao uso sadio das redes
sociais pelo policial militar, a fim de que se sensibilize e perceba a importância de utilizar
tais instrumentos com responsabilidade e compromisso com a representatividade e com
a imagem da Instituição.

284
Biênio 2022/2023

2 IMAGEM INSTITUCIONAL E REPRESENTATIVIDADE

A imagem da Polícia Militar de Minas Gerais advém de seus integrantes. Todo policial
militar é responsável pela imagem que a Instituição possui. Em primeira análise, por
meio da qualidade do atendimento policial, do desempenho operacional e interações
sociais que realizam quando estão de serviço. A segunda perspectiva resulta de um dos
valores organizacionais – a representatividade – por meio do qual, reforça-se que todo
policial militar, de serviço ou não, carrega consigo a marca PMMG.

Segundo nossa Identidade Organizacional, na qual estão previstos os valores cultuados


pela Polícia Militar, representatividade é a “internalização e prática dos valores
institucionais pelos servidores, que os tornam em condições de demonstrar,
positivamente, a imagem da PMMG, tanto na condição de policial militar como em
situações da vida cotidiana.” (MINAS GERAIS, 2020, p. 21).

Isso quer dizer que a partir do momento em que passamos a fazer parte de nossa
Instituição, precisamos sempre lembrar que em qualquer situação de nossas vidas,

Imagem Institucional
representaremos a PMMG. Cuidar da imagem da Polícia Militar é cuidar diretamente de
nossa legitimidade. Uma instituição com sua imagem desgastada e negativa perde força 12.
quanto à sua legitimidade social.

E por que devemos preocupar com a legitimidade? A proteção dos direitos e


prerrogativas, que compõem o patrimônio jurídico dos policiais militares, depende
diretamente da legitimidade, que se revela no reconhecimento da sociedade de que se
tratam de profissionais merecedores de tais institutos diferenciados. Toda vez que um
policial se envolve em um desvio de conduta, a imagem e a legitimidade da PMMG são
consequentemente atingidas.

Nesse contexto, o processo de proteção da imagem Institucional perpassa pelo princípio


da abnegação. Trata-se de um atributo da área afetiva cujo exercício pelo integrante da
PMMG é entendido como o sacrifício das próprias vontades em nome da preservação da
imagem institucional, o que ganha especial relevo na sociedade contemporânea, em
razão do ambiente virtual e das redes sociais (CORREA, 2020).

As redes sociais possuem a capacidade de difusão de conteúdos de forma instantânea e


com alto potencial de viralização (circulação rápida e capaz de alcançar um grande
número de pessoas). Essas características devem ser objeto de atenção por parte de
qualquer usuário, mas principalmente do policial militar. Pois, se por um lado, isso é
vantajoso por proporcionar estreitamento de relações interpessoais, por outro, torna-se,
também, um risco, tanto para a imagem Institucional, quanto para o próprio militar.

O risco advém da inobservância por parte do policial militar da harmonização entre o seu
interesse em utilizar a rede social e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos

285
quais está submetido e deve obediência. Esse risco é mitigado e até desaparecido,
quando todos os integrantes da PMMG entendem que, inclusive fora de serviço, devem
observar os valores éticos que lhes diferenciam de todas as outras categorias
profissionais.

Embora a autonomia privada seja a regra no Estado Democrático de Direito, aos


integrantes da PMMG, a liberdade de agir, inclusive nos horários de folga, é limitada pelos
princípios da ética militar, o que se fundamenta, ainda, pelo interesse público na
preservação de uma imagem íntegra da Instituição, como bem disciplina o Código de
Ética e Disciplina dos Militares:

Art. 9º – A honra, o sentimento do dever militar e a correção de atitudes impõem


conduta moral e profissional irrepreensíveis a todo integrante das IMEs, o qual
deve observar os seguintes princípios de ética militar:[...]
XIII – preservar e praticar, mesmo fora do serviço ou quando já na reserva
remunerada, os preceitos da ética militar; (MINAS GERAIS, 2002).

Mas fique tranquilo! Se você é um policial militar disciplinado e que cumpre os seus
deveres previstos no Código de Ética, não há que se preocupar. É possível que você
continue interagindo normalmente em suas redes sociais sem nenhum problema, desde
que você não poste ou compartilhe conteúdos que estejam em desconformidade com as
normas em vigor. Para te ajudar a entender melhor o que pode e o que não pode,
explicamos tudo no próximo capítulo de nosso conteúdo.

3. USO DAS REDES SOCIAIS PELO POLICIAL MILITAR– Memorando 10.019.2/19 CG

Já falamos sobre a responsabilidade do policial militar em manter ilibada a imagem da


Instituição perante o público, estando no desempenho de sua missão, ou não. Agora
vamos entender as posturas que devem ser adotadas pelos integrantes da PMMG para
que o uso das redes sociais seja saudável e sem implicações disciplinares e penais.

Certamente, algum conteúdo, que afete negativamente a imagem da PMMG, postado nas
redes sociais por algum policial militar já chegou até o seu conhecimento. Normalmente
esses vídeos e fotos atingem um grande número de pessoas, internamente e junto à
sociedade.

Por essa razão, o uso das redes sociais por militares fardados tem sido objeto constante
de orientações por parte do Comando da PM. Isto porque o uso negativo dessas mídias
em circunstâncias que afetam a honra e a imagem pessoal desses militares,
comprometem, também, a imagem da PMMG.

286
Biênio 2022/2023

O policial militar fardado, mesmo que fora de serviço, deve estar consciente de que a sua
conduta pessoal reflete decisivamente na imagem institucional da PMMG e na forma
como a sociedade enxerga a corporação.

A postagem de fotos ou de vídeos pelo policial militar, nas redes sociais, fardado ou com
qualquer outra característica que seja associada à PMMG em situações que remetem aos
valores não aceitos socialmente, à exaltação de condutas ilegais, à sensualidade corporal,
bem como a discussões e fatos internos e institucionais, constitui conduta que, além de
ser contrária à ética profissional, deve ser combatida por todo integrante da Polícia
Militar.

A CRFB/1988 veda o anonimato e consagra a proteção da honra e da imagem das


pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação (art. 5º, inciso X), relativizando o direito à liberdade de expressão. Em
decorrência disso, o exercício do direito à liberdade de expressão não pode ser absoluto
e, por isso, não pode vir desacompanhado do dever de respeitar o direito das demais
pessoas (inclusive as jurídicas), incluindo o direito à imagem, à honra, à intimidade, à

Imagem Institucional
privacidade e à própria liberdade de expressão.
12.

Neste sentido o Memorando 10.019.2/2019 – CG estabelece:

3.1 Os integrantes da PMMG, estando em serviço ou fora dele, quando da


divulgação de conteúdo nas redes sociais, devem se abster de publicar mensagens,
imagens ou vídeos que, além da sua própria imagem pessoal, veiculem a imagem
institucional por meio da marca, cores heráldicas, símbolos, fardamento, distintivos,
insígnias, viaturas, armamento, equipamentos ou qualquer outro simbolismo ou fato
que faça alusão à corporação em circunstâncias relacionadas a:

3.1 Situações que violem a moral e os bons costumes, os valores cultuados pela
Instituição, bem como as que possuam conteúdo que de alguma forma exponha
negativamente a imagem da PMMG;

3.2 Conteúdos que possam ser percebidos como discriminatórios em relação à raça,
orientação sexual, religião e a outros valores ou direitos protegidos e que possam
comprometer os ideais defendidos pelas instituições democráticas, bem como
aqueles que representam vulgaridades, obscenidades, ideologias contrárias aos
direitos humanos, incitação à violência e à criminalidade;

3.3 Situações que comprometam a ética profissional, a honra pessoal, o decoro da


classe, a hierarquia, a disciplina, a autoridade militar e a representatividade
institucional, o pundonor militar ou que contenham crítica pública de ato de
superior ou de assunto atinente à Administração Militar;

287
3.4 Conteúdo associado a propagandas e a publicidades com fins lucrativos,
ideológicos ou políticos;

3.5 Uso do fardamento em desacordo com o que preconiza o Regulamento de


Uniformes e Insígnias da Polícia Militar (RUIPM);

3.6 Divulgação de imagens ou vídeos na companhia de indivíduo que possua


registro policial, na condição de autor/réu (Boletim de Ocorrência, Procedimento de
investigação, Processo) associados à prática de infrações penais, mesmo que o
policial militar esteja à paisana.

Nos casos em que forem identificadas postagens nas redes sociais por parte de policiais
militares que estejam em desacordo com tais orientações, expondo negativamente a
imagem da PMMG, o respectivo conteúdo deverá ser ajustado ou removido, sem prejuízo
da eventual responsabilização cível, criminal e disciplinar do autor, conforme o caso e,
observado o devido processo legal.

Importante! O memorando supracitado deixa claro que você poderá postar fotos fardado
normalmente, desde que não se enquadre nas situações acima relacionadas. Ou seja, são
permitidos conteúdos fardados ou com alguma indicação da Instituição, como por
exemplo: durante o policiamento, em uma solenidade recebendo uma condecoração, em
sua rotina pessoal, etc. Caso tenha alguma dúvida se sua postagem se enquadra ou não
nas proibições, compartilhe com seu chefe direto a decisão e lembre-se que sua dúvida
já pode ser um indicativo de que talvez não seja conveniente postar.

Outro lembrete! Todas as situações servem para quando o próprio policial militar posta
na rede social, mas também para quando ele permite ou aceita que terceiros postem
conteúdos relacionados a sua pessoa em circunstâncias citadas no Memorando
10.019.2/19-CG.

288
Biênio 2022/2023

4. POSSÍVEIS PENALIDADES – Memorando 10.275.0/2020 EMPM

Como foi visto, o Memorando Circular n. 10.019.2/2019-CG delineou regras quanto à


associação irregular da imagem pessoal do policial militar à da PMMG, no que se refere
aos conteúdos postados em mídias sociais diversas. O diploma impôs a abstenção de
publicações de conteúdos os quais, além da imagem individual, veiculassem a marca, as
cores heráldicas, os símbolos, o fardamento e qualquer outro simbolismo ou fato alusivo
à Corporação em situações específicas que afetem negativamente a imagem da PMMG.
A partir da determinação clara e objetiva operada por aquele documento e considerando
o diagnóstico de um quadro de reiteração de condutas nocivas à disciplina e afrontosas
àquele conteúdo, foi editado o Memorando Circular n. 10.275.0/2020-EMPM, documento
que também elenca possíveis capitulações de transgressões disciplinares a que se
encontrará sujeito o policial militar.

A PMMG se valeu dos Memorandos Circulares, com a finalidade de difundir a adequação


comportamental aos seus integrantes, visando a coibir manifestações de pensamento
com conteúdo antissocial, político, religioso, com caráter oposto à promoção dos direitos

Imagem Institucional
humanos, afrontoso à hierarquia, à disciplina e à honra das pessoas e das instituições e
afins. Foi buscada a dissuasão de condutas nocivas à imagem organizacional junto à 12.
sociedade, como publicações nas mais variadas redes sociais, em que a expressão
individual fosse indevidamente atrelada à organizacional, deturpando a imagem de um
bicentenário órgão de persecução penal perante os destinatários do serviço e ao próprio
público interno. Assim, os aludidos diplomas normativos viabilizaram que fosse incutido
no seio da tropa a vedação a comportamentos inadequados no manuseio das
plataformas digitais, bem como as consequências jurídicas advindas de suas condutas.

Oliveira (2015) define a disciplina como a exteriorização da ética militar, cujas balizas
estão elencadas no CEDM. O autor pontua que ela se manifesta pelo cumprimento de
deveres capitulados nas legislações aplicáveis às instituições militares estatuais, conforme
posto, graduação, cargo e função exercidos pelo militar. Sobre a sujeição a esse
arcabouço jurídico, o Estatuto dos Militares referenda que, independente de horário e
lugar, o militar deve estar pronto para cumprir a missão que lhe for confiada pelos seus
superiores hierárquicos ou impostos pelas leis e regulamentos (MINAS GERAIS, 1969). Isto
é, mesmo estando de folga, em trajes civis e em ambiente privado, há uma
expectativa de comportamento ético em relação ao policial militar.

Essas variadas demandas alusivas a tais questões digitais, certamente têm lastro com o
processo de expansão das mídias sociais e complexidade das relações sociais nesses
ambientes. Os usuários, com certa frequência, têm realizado o uso equivocado dessas
ferramentas, interpretando que as interações no ambiente digital não são alcançáveis
pelo ordenamento legal. Trata-se de interpretação errônea, sobretudo em se tratando de
você policial militar, agente encarregado da aplicação da lei e operador do direito.

289
O militar é um cidadão dotado de direitos e é salvaguardado por garantias
constitucionais. Com efeito, até certo ponto ele é livre para manifestar seu pensamento
individual. No entanto, a proteção da Constituição não pode ser invocada como um véu
pelo qual o indivíduo se valha para indevidamente utilizar a imagem da PMMG, com o
intuito de promover ou divulgar ideias que não coincidam com a perspectiva institucional
e o interesse público, vez que a farda, a logomarca, os símbolos militares e seu posto ou
graduação são bens os quais não integram o seu patrimônio jurídico disponível.

Vale ressaltar que, assim como os direitos decorrentes da liberdade, a disciplina militar é
um princípio de índole constitucional. Logo, diante do princípio da unidade da
Constituição e da ausência de hierarquia entre normas constitucionais, há necessidade de
se ponderar os princípios colidentes, sendo natural a limitação da liberdade pela disciplina
no meio militar.

No que concerne à indevida exposição da imagem institucional da PMMG em redes


sociais, “tem-se verificado a persistência de condutas que lhes são contrárias e que
repercutem negativamente contra a imagem da Instituição e de seus integrantes” (MINAS
GERAIS, 2020). Nesse sentido, quando o policial militar publica em sua rede social
privada, que seja dotada de elementos simbólicos com referência à imagem da
Corporação, ainda que de folga e fazendo uso de seu celular particular, de um
conteúdo inadequado, essa postura poderá se amoldar a tipos administrativo-
disciplinares e penais militares e, como tal, passiva de responsabilizações.

Nesse contexto, vale citar a conclusão de Corrêa (2020), ao tratar do exercício da


abnegação pelo policial militar: [...] mesmo nas relações privadas e virtuais, o
integrante da PMMG encontra barreiras que lhe impõem minuciosa avaliação antes
de manifestar o pensamento, de publicar fotos, vídeos e de decidir o modo de se
comportar, no sentido amplo. Em última instância, os princípios da ética militar
impõem, até mesmo, renunciar a própria vontade e a tendências humanas naturais
para a preservação da imagem da instituição (CORRÊA, 2020, p.15).

No que diz respeito à seara administrativa, o art. 9º do CEDM trata que a honra, o
sentimento do dever militar e a correção de atitudes impõem conduta moral e profissional
irrepreensíveis a todo policial militar, o qual deve observar os princípios da ética militar.
O próprio Memorando Circular n. 10.275.0/2020-EMPM indica que o referido artigo pode
agasalhar transgressões disciplinares praticadas no contexto das redes sociais,
destacando os seguintes incisos e alínea:

II – observar os princípios da Administração Pública, no exercício das atribuições


que lhe couberem em decorrência do cargo;
IV – cumprir e fazer cumprir as leis, códigos, resoluções, instruções e ordens das
autoridades competentes;
VIII – ser discreto e cortês em suas atitudes, maneiras e linguagem e observar as
normas da boa educação;
XII – garantir assistência moral e material à família ou contribuir para ela;

290
Biênio 2022/2023

XVI – abster-se, mesmo na reserva remunerada, do uso das designações


hierárquicas:
(...)
e) em circunstâncias prejudiciais à imagem das IMEs. (MINAS GERAIS, 2021)

Para fins de responsabilização com esse fundamento, é imprescindível a conjugação com


o art. 15, III, do CEDM, que alude ao cometimento de infração disciplinar leve consistente
na falta de correção de atitudes, por se tratar esta última de norma em branco e, como
tal, demandante de referência a outra. Nos termos da Instrução Conjunta de
Corregedorias n. 01/2014, para configuração da transgressão em análise nas situações da
vida particular, a conduta do militar deve refletir negativamente para a PMMG, o que será
avaliado por meio de um ponderado senso de razoabilidade.

Ainda no contexto administrativo disciplinar, o Memorando Circular n. 10.275.0/2020-


EMPM referenda que a prática de condutas irregulares em mídias sociais pode se
amoldar à transgressão disciplinar capitulada no art. 13, XVI, do CEDM - retardar ou
deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício – (MINAS GERAIS, 2021). Isso, pela

Imagem Institucional
expectativa de cumprimento de um ato de ofício, qual seja, abster-se de realizar
publicações congêneres, a qual é indevidamente rompida, quando do eventual 12.
descumprimento.

Sobre o nível de atingimento da imagem institucional, caso seja causado grave


escândalo que comprometa a honra pessoal e o decoro da classe, a conduta poderá
se amoldar ao tipo capitulado no art. 13, III, do CEDM - faltar, publicamente, com o
decoro pessoal, dando causa a grave escândalo que comprometa a honra pessoal e
o decoro da classe – (MINAS GERAIS, 2021) e, de acordo com o caso concreto, ser
combinada com o art. 64, inciso II, parágrafo único, e inciso III do mesmo diploma,
submetendo-se o militar a Processo Administrativo Disciplinar.

Art. 64 – Será submetido a Processo Administrativo disciplinar o militar, com no


mínimo três anos de efetivo serviço, que:
(...)
II – praticar ato que afete a honra pessoal ou o decoro da classe,
independentemente do conceito em que estiver classificado.
Paragrafo único – Para fins do disposto no inciso II do caput, consideram-se atos
que afetam a honra pessoal ou o decoro da classe:
III – faltar publicamente, fardado, de folga ou em serviço, com o decoro pessoal,
dando causa a grave escândalo que comprometa a honra pessoal e o decoro da
classe. (MINAS GERAIS, 2021)

ATENÇÃO!
A esse respeito, Oliveira (2015, p. 402) esclarece que o termo folga “não deve ser
interpretado de forma literal, mas como sendo toda aquela situação em que o militar
não está de serviço”.

291
O referido Memorando Circular traz que, na hipótese de contumacidade, a
responsabilização incidirá de forma isolada a cada publicação indevida em rede
social, sem a incidência dos institutos da conexão e da simultaneidade, já que serão
considerados os diferentes momentos e sem relação de dependência.

Ademais, é possível que a conduta do militar possa trazer outras implicações


administrativas. É o caso da possibilidade de movimentação por conveniência da
disciplina a que alude os arts. 168, II e 175, II, ambos do EMEMG. Essa medida poderá
ser adotada com vistas à eficaz preservação da disciplina militar.

Lado outro, é possível que a conduta do militar possa infringir bens tutelados pelo Direito
Penal Militar, ensejando a responsabilização nessa esfera, caso incida algum dos critérios
de aplicação da lei penal castrense, estatuído no art. 9º do CPM. Nesse sentido, sem
prejuízo da infinidade de situações possíveis, é possível a capitulação do comportamento
do policial militar em tipos como a Difamação (art. 215), a Calúnia (art. 214) e a Publicação
ou Crítica Indevida (art. 166). Lima (2020) assevera que a prisão cautelar tem o objetivo
de assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal. A prisão preventiva é
uma espécie desse gênero e pode ser motivada pelo perigo advindo da liberdade de
locomoção do agente.

Com base nesse recorte de realidade e partindo da hipótese de geração de perigo do


estado de liberdade do agente, decorrente de uma reiteração e/ou gravidade da conduta,
é possível, inclusive, que a circunstância concreta demonstre a admissibilidade, a
necessidade e atualidade da imposição judicial de uma medida cautelar restritiva da
liberdade do policial militar, ensejando a decretação de sua prisão preventiva, por força,
da manutenção da hierarquia e da disciplina.

Por fim, para além das supramencionadas conjecturas de responsabilização, há ainda a


hipótese de reparação civil, por exemplo, na hipótese de que, à determinada autoridade
seja imputado, em caráter irregular, um fato certo.

Nesse sentido, vê-se que o direito não assiste ao policial militar associar a imagem da
PMMG aos seus perfis e publicações nas diferentes plataformas digitais em
desconformidade ao que prevê o Memorando 10.019.2/19 CG. Ao utilizar de elementos
simbólicos que façam referência à imagem institucional em suas postagens de um
desabafo, ainda que se trate de mera expressão de uma desconformidade, poderá se
subsumir a ilícitos e ensejar responsabilizações nas diferentes esferas do direito.

É possível que uma simples crítica a um ato de Comando, possa ensejar seu
enquadramento administrativo e até decretação de sua prisão cautelar, conforme o caso
concreto, sem que se invoque de liberdade de pensamento ou outra garantia
constitucional. Logo, como as relações sociais, mesmo que no ambiente digital, o militar
usuário das mídias sociais deve balizar sua conduta pela ética em qualquer segmento.

292
Biênio 2022/2023

5. CONCLUSÃO

Todo policial militar é responsável pela imagem que a Instituição possui. Desta forma, é
dever do policial militar a harmonização entre as suas interações pessoais, como o seu
interesse em utilizar as redes sociais, e os preceitos éticos e normativos da Instituição aos
quais está submetido e deve obediência. Reforça-se que, todo policial militar, de serviço
ou não, carrega consigo a marca PMMG.

Como forma de orientar o policial militar, este trabalho apresentou os limites a serem
respeitados pelo policial militar tanto no uso das suas redes sociais quando nas demais
atitudes em seus relacionamentos interpessoais, trazendo as penalidades cabíveis ao
desrespeito a esses limites.

Por fim, conclui-se que, cuidar de nossa Instituição é dever de todos. Mas, primeiramente,
devemos cuidar uns dos outros. Somos feitos de homens e mulheres que se dedicam à
missão mais nobre de nossa sociedade. Por isso, todo esse cuidado em disciplinar a
exposição nas redes sociais, é um cuidado com cada um de nós. Quando a imagem da

Imagem Institucional
PMMG é atingida por um vídeo pejorativo de algum policial militar, certamente ele será
o mais prejudicado. O prestígio que tanto merecemos vem de uma construção diária. Que 12.
tenhamos sabedoria para compreender e aplicar esses conhecimentos. Só assim você
estará protegido dos riscos que o uso inconsequente e irresponsável das redes sociais
possui.

293
6. REFERÊNCIAS

CORRÊA, Pablo S. de Souza. O exercício da abnegação pelo policial militar de Minas Gerais
para a preservação do patrimônio jurídico da instituição. O Alferes, Belo Horizonte, 77 (30):
46-68, jul./dez/ 2020.

HOOTSUITE & WE ARE SOCIAL. 2020. Digital 2020 Global Digital Overview. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 jun. 2020.

LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 8. ed. Rev., ampl. e
atual. Salvador: JusPodivm, 2020. 1.952p.

MINAS GERAIS. Lei n. 14.310, de 14 de junho de 2002. Dispõe sobre o Código de Ética e
Disciplina dos Militares de Minas Gerais. Disponível em:
[Link]
omp=&ano=2002. Acesso em: 20 set. 2021.

MINAS GERAIS. Lei n. 5.301, de 16 de outubro de 1969. Contém o Estatuto dos Militares de
Minas Gerais. Disponível em: [Link]
gerais-contem-o-estatuto-do-pessoal-da-policia-militar-do-estado-de-minas-gerais. Acesso
em: 20 set. 2021.

MINAS GERAIS (Estado). Memorando Circular nº 10.019.2, de 30 de janeiro de 2019, do


Comando-Geral da Polícia Militar de Minas Gerais. Divulgação de mídias sociais por policiais
militares. Belo Horizonte: CG, 2019. 03p.

MINAS GERAIS (Estado). Memorando Circular nº 10.275.0, de 10 de setembro de 2020, do


Estado-Maior da Polícia Militar de Minas Gerais. Exposição da imagem institucional da
PMMG em redes sociais. Belo Horizonte: EMPM, 2020. 03p.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando Geral. Plano Estratégico: 2020-2023. Belo Horizonte:
Assessoria de Desenvolvimento Organizacional, 2020.

OLIVEIRA, Maurício José de. Comentários ao Código de Ética e Disciplina dos Militares de
Minas Gerais - CEDM: Lei n. 14.310, de 19 de junho de 2002. Belo Horizonte: Diplomata
Livros Jurídicos e Literários, 2015. 360p.

294
ÉTICA, DOUTRINA E
13 ATUALIZAÇÃO:
SAÚDE INTEGRAL E PREVENÇÃO AO ESTRESSE
APRESENTAÇÃO

A disciplina “Ética, doutrina e atualização” no 11° Biênio 2022-2023, no contexto atual


da Disciplina “Saúde Integral e prevenção ao Estresse”, convoca o policial militar a se
perceber como um organismo sistêmico em que o cuidado com a saúde física e mental
é fundamental para a preservação do bem-estar ocupacional na atividade de segurança
pública. Dentro da premissa do Plano Estratégico 2020-2023, está contemplado no Item
“5.1- Atenção à Saúde e ao bem-estar do policial militar, tendo como indicador o
acompanhamento dos militares através do Programa de Saúde Ocupacional
Psicológico”. As ações institucionais, como o PSOPM, têm por objetivo promover a saúde
dos policiais por meio do controle de riscos relacionados à execução de suas atividades
através da realização de avaliação da saúde periódica nas áreas médica, psicológica e
odontológica. A promoção e preservação da saúde, assim como a redução do estresse
ou outros agravos, são desafios colocados a todos os componentes da corporação,
exigindo reflexão no contexto educacional e profissional.

O militar, ao percorrer o conteúdo da disciplina, irá se familiarizar com a rede de


cuidados e assistência ofertadas, bem como as ferramentas institucionais e profissionais
para a manutenção da saúde física, mental e social. Além disso, este módulo, inserido
no Treinamento Policial Básico da PMMG como educação continuada tem a intenção de
oferecer as informações básicas referentes aos cuidados em saúde a todos os
integrantes da polícia militar de Minas Gerais, contribuindo para o emprego de
conhecimentos científicos também no ambiente social de cada aluno. Pretende-se com
esta reflexão promover a conscientização e o conhecimento das estruturas e ferramentas
disponíveis, para que os militares busquem apoio e possam incentivar essa iniciativa nos
demais, como forma de prevenção da saúde em sua integralidade.

296
Biênio 2022/2023

1 INTRODUÇÃO

As instituições militares brasileiras buscam acompanhar os processos de mudança e


transformações da sociedade. A Polícia Militar de Minas Gerais, sensível a esse cenário
mutável, visa através da educação continuada, formar profissionais capazes de lidar com
as diferentes formas de violência e criminalidade, mantendo preservadas a integridade
física, mental e social dos integrantes da corporação.

Em referência às mudanças contextuais, ressalta-se a pandemia do Covid-19 e as


significativas transformações provocadas no cotidiano das pessoas, como o isolamento
social, o receio de contaminação, a redução da renda familiar, morte de pessoas
próximas, sobrecarga nos serviços de saúde e restrição do lazer, acarretando intenso
impacto na saúde física, mental e financeira da população. No caso do policial militar,
devido ao caráter essencial de sua atividade, todo esse cenário de mudanças foi
potencializado pela atividade diuturna voltada para garantir o respeito as regras
sanitárias, além do cumprimento das funções rotineiras de preservação da ordem
pública.

Diante dessas questões foi constatado, através de pesquisa realizada pelo CTP, que o
tema dessa disciplina possui relevância fundamental para o equilíbrio e o bom
desempenho do policial militar. No universo dos pesquisados foi verificado que 77,1%
dos policiais militares consideraram importante que a instituição possua ações
específicas para aumentar a qualidade da saúde integral de seus servidores. Nesse

Ética, Doutrina e
Atualização
sentido, a corporação, além de instruções e treinamentos periódicos para melhorar as 13.
condições gerais de saúde do policial militar, tem investido cada vez mais em sua
estrutura física de saúde e de assistência social. Atualmente, a PMMG aumentou o
número de Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), no intuito de capilarizar a
oferta de serviços no território, além de contar com dispositivos de referência em saúde,
como o Centro Odontológico (Codont), a Clínica de Psiquiatria (CLIPS), a Junta Central
de Saúde (JCS), o Hospital da Polícia Militar (HPM) e o Centro de Proteção Social do
Policial Militar (CPS-PM). Da mesma forma, registra-se o esforço constante para
ampliação da rede credenciada em todo o estado de Minas Gerais como suporte de
saúde ao policial da ativa e à sua família, assim como a veteranos e pensionistas.

Concomitante a ampliação dos serviços de saúde e assistência social a corporação


instituiu ações como o Programa de Saúde Ocupacional Psicológico (PSOPM-
Psicológico) para o acompanhamento próximo a tropa, a fim de detectar de maneira
precoce os possíveis agravos a saúde mental dos militares. Este serviço é oferecido
através de convocação devido ao reconhecimento da importância do atendimento
psicossocial ao militar que se encontra sujeito a todas as adversidades no seu cotidiano.
Após a inclusão da avaliação psicológica periódica, a corporação consegue ampliar os
cuidados em saúde de seu policial militar, incrementando uma visão integral de seu
bem-estar. Assim sendo, é importante que todos os integrantes da instituição estejam

297
atentos e sensíveis quanto a importância de, ao se detectar sinais iniciais de qualquer
alteração de ordem psicossocial, abordar e orientar o policial militar a acessar os serviços
de assistência psicossocial disponíveis.

Pensar então a saúde integral do profissional de segurança pública exige reunir


diferentes atores: gestores, líderes, superiores, pares, subordinados, profissionais de
saúde numa visão sistêmica, como integrantes e envolvidos para a manutenção do
equilíbrio entre a saúde física, mental e social do policial militar.

2 CONCEITO DE SAÚDE INTEGRAL

Saúde é um conceito amplo que envolve muito mais do que estar bem fisicamente. A
pandemia da Covid-19 mostrou a todos como nosso organismo funciona de forma
sistêmica e a importância de se pensar os cuidados em saúde em uma perspectiva
ampliada, considerando-se os aspectos físicos, emocionais, sociais e, até mesmo,
financeiros.
Para esclarecer um pouco mais esse tema, iniciaremos discutindo o conceito de saúde
da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 1948:

“A saúde é um completo bem-estar físico,


mental e social e não somente a ausência
de enfermidades”

Este conceito é válido até hoje e significa que, mesmo tendo os marcadores biológicos
considerados dentro das medidas adequadas para a saúde, isto não confere
necessariamente bem-estar para uma pessoa, pois ela pode estar insatisfeita com sua
vida, ou seja, doente em outros eixos. Há valores e sentimentos expressos no campo do
SUBJETIVO da saúde e da doença.

Assim, saúde relaciona-se também à forma como uma pessoa reage às exigências,
desafios e mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções. Está
relacionada com o equilíbrio emocional entre os recursos internos e as exigências
ou vivências externas. É a capacidade de administrar a nossa vida, nossas emoções e
sentimentos, buscando viver de forma plena. Esses pontos são contemplados também
nos fundamentos do conceito de Qualidade de Vida, relacionado à percepção de que
uma vida com qualidade depende da harmonia entre saúde física, mental, espiritual e o
equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

298
Biênio 2022/2023

A atividade policial militar, em decorrência de suas peculiaridades, é compreendida como

Ética, Doutrina e
uma das atividades mais vulneráveis ao estresse ocupacional e, consequentemente, aos

Atualização
13.
agravos à saúde. A imprevisibilidade das ocorrências, o desgaste físico decorrente das
ações de prevenção e repressão ao crime, a demanda por concentração, as escalas de
trabalho, o atendimento ao público em contexto de mazelas sociais são alguns dos
agentes estressores presentes na atividade laborativa, capazes de desequilibrar o
funcionamento do organismo, principalmente, quando não há estratégias
suficientemente estruturadas para resistir à pressão. Somam-se, muitas vezes, às
questões profissionais, conflitos em outras áreas da vida do militar: família,
relacionamentos sociais, dívidas, excesso de atividades, vida amorosa, etc., contribuindo,
desse modo, ao desenvolvimento do processo de estresse e seus desdobramentos.

Assim, torna-se extremamente necessário refletir sobre a Saúde Integral do profissional


de segurança pública e os riscos oriundos do estresse, entendendo os efeitos individuais,
familiares e organizacionais de uma condição de saúde inadequada. A seguir,
buscaremos explicitar o conceito de estresse, descrevendo causas, sintomas, fases do
processo, articulando, posteriormente, possíveis estratégias de cuidados, a partir da
perspectiva de diferentes atores: gestores, líderes, pares, subordinados e profissionais de
saúde, para que, em uma visão sistêmica, possamos encontrar caminhos para a
manutenção do equilíbrio entre a saúde física e mental do policial militar.

299
3 ESTRESSE

CONCEITO: Na linguagem cotidiana, o termo estresse abarca uma série de situações e


sensações vivenciadas negativamente pelos indivíduos, contemplando questões
profissionais, financeiras, familiares, conjugais, problematizando o dia a dia. Entre os
profissionais de saúde, o conceito mais utilizado foi formulado por Seyle (1936) apud
OLIVEIRA E BARDAGI (2010), descrevendo estresse como:

“Uma reação do organismo com componentes psicológicos, físicos, mentais e


hormonais, que ocorre quando surge a necessidade de uma adaptação grande a
um evento ou situação importante”.

Na literatura científica, estes eventos ou situações capazes de provocar tais reações que
interrompem o equilíbrio interno são denominadas de agentes estressores, podendo
ser externos – condições de trabalho, conflitos sociais, dívidas, congestionamento no
trânsito– como internos – valores pessoais e características da personalidade. Mesmo
situações consideradas positivas – planejamento de viagem, novo relacionamento
amoroso, promoção na carreira – ao desencadearem demandas por reações adaptativas
do organismo, podem ser definidas como agentes estressores. Neste sentido, alguns
autores utilizam o termo “eustresse” para definir o que consideram como estresse
positivo (quando o organismo reage motivado por situações de mudança e desafio).

Quais são os principais agentes estressores presentes em seu cotidiano?

3.1 SINTOMAS DO ESTRESSE

As reações ao estresse podem manifestar-se fisicamente e psicologicamente. Entre as


manifestações físicas mais comuns podemos citar: aumento da sudorese, hiperacidez
estomacal, tensão e dores musculares, taquicardia, hipertensão arterial, bruxismo,
náuseas, cefaleia. No nível psicológico e comportamental, incluímos: ansiedade, baixa
autoestima, dificuldade de concentração, hipersensibilidade, prejuízos da memória e
irritabilidade.

300
Biênio 2022/2023

3.2 FASES DO ESTRESSE

Compreendendo o estresse como um processo desencadeado por uma ameaça do


ambiente e que pode ter como desfecho, devido a dificuldades dos processos
adaptativos, diferentes problemas de saúde, alguns autores descreveram as
características de suas etapas.

Em síntese, o estresse pode ser analisado em 04 (quatro) momentos:

1) Fase de Alerta: ocorre quando o sujeito entra em contato com agentes estressores.
Ao ser exposto a uma situação potencialmente ameaçadora, produtora de tensão, o
organismo se prepara para a ação, desencadeando alterações bioquímicas. Ou seja,
entram em jogo as reações de “luta e fuga”, muitas vezes necessárias para motivar a ação
correta na luta pela “sobrevivência”. Por isto, para alguns autores, tais reações
psicofisiológicas são denominadas de “estresse positivo”. Algumas das possíveis
alterações: taquicardia, tensão muscular, sudorese. Mantendo-se a presença do fator
estressor, as reações evoluem para o estágio 2 – Resistência;

2) Fase de Resistência: neste momento, o indivíduo direciona sua energia para


estratégias adaptativas, visando o reequilíbrio. Sendo bem-sucedido, as reações
bioquímicas iniciais desaparecem, causando a impressão de reestabelecimento. Do

Ética, Doutrina e
Atualização
contrário, falhando as adaptações ao contexto estressor, há o agravamento do quadro. 13.

3) Fase de quase-exaustão: fragilizado, o organismo já não consegue barrar o agente


estressor. Algumas doenças já podem manifestar-se nesta etapa, entre elas: herpes
simples, psoríase, alterações da pressão arterial.

4) Fase de Exaustão: última etapa do processo de estresse, nesta fase há um


esgotamento psicológico e físico, criando condições para o aparecimento em maior
frequência de alterações psíquicas – depressão, ansiedade aguda, vontade de “fugir de
tudo”, dificuldade na tomada de decisões – e físicas – hipertensão, úlcera gástrica,
problemas dermatológicos, diabetes, dentre outros. Ressalta-se que a condição de
estresse potencializa o surgimento de patologias geneticamente programadas devido à
fragilização do organismo e de seus mecanismos de defesa associada ao estado de
exaustão.

301
Dentro do processo de estresse, a partir do desaparecimento do estímulo ameaçador, o
organismo deve voltar ao estado de equilíbrio. Permanecendo a ameaça e a repetição
frequente de agentes estressores, o indivíduo pode estabelecer um estado de estresse
crônico, em que, a partir de processos adaptativos constantes, o organismo é submetido
ao seu limite pelo dispêndio intenso de energia, tornando-se vulnerável a doenças.

Fazendo um paralelo com a atividade operacional, quando você, policial militar, atua
continuamente nos níveis avançados de prontidão (cor laranja e cor vermelha), há
uma intensificação do desgaste físico e mental podendo desencadear reações adversas
e, até mesmo, síndrome do esgotamento (estresse crônico). O agente de segurança
pública com alto nível de estresse pode ter reações exageradas e inadequadas mesmo
em ocorrências com baixa complexidade (nível de força incompatível com a análise de
risco).

Neste sentido, é importante buscar, sempre que possível, regredir ao


estado de relaxamento fora do horário de trabalho. Atividades físicas,
práticas de lazer e repouso, desenvolvimento de algum Hobby ou
atividade que de fato lhe faça se sentir bem, contribuem para a quebra da
evolução das fases do estresse.

302
Biênio 2022/2023

3.3 ESTRESSE OCUPACIONAL

Algumas atividades profissionais comportam agentes estressores diversos relacionados


à organização e condições de trabalho, relações interpessoais, controle e grau de
reconhecimento. Segundo Limongi-França (2002) apud OLIVEIRA E BARDAGI (2010), o
estresse no trabalho se refere a uma situação na qual a pessoa vê seu local de trabalho
como ameaçador à sua necessidade de crescimento pessoal e profissional ou à sua
saúde física e psíquica, prejudicando, assim, sua relação com o trabalho, à medida que
este se torne excessivo para a pessoa ou esta não possua estratégias adequadas para
lidar com os agentes estressores.

Para Lipp e Malagris (2001) apud OLIVEIRA E BARDAGI (2010), “o estresse ocupacional
pode gerar impacto para o próprio trabalho do indivíduo e para todas as outras áreas
da sua vida, na medida em que há uma inter-relação entre todas elas”.
Neste sentido, você, policial militar, avalia o seu nível de estresse e como o mesmo
interfere na realização de sua atividade? Da mesma forma, observa os comportamentos
de seu colega de guarnição e sua condição para o exercício das atividades laborais?

Muitas vezes, antes de iniciar o turno de trabalho, avaliamos a condição das viaturas,
do fardamento e do armamento dos componentes da guarnição.

Mas será que prestamos atenção na condição de saúde dos nossos colegas?

Ética, Doutrina e
Atualização
Eles estão em condições físicas e psicológicas para o pleno exercício profissional? 13.
Tenho a sensação de poder contar com meu colega no enfrentamento e resolução
das ocorrências?

Ao mesmo tempo, é importante ressaltar que há atitudes e comportamentos preventivos


que são de nossa responsabilidade e estão na nossa esfera de poder mantê-los ou
modificá-los. Nessa perspectiva encorajamos você a pensar quais são essas
possibilidades.

O que você pode fazer para conseguir encontrar no seu trabalho


a devida significância, satisfação e valor?

Tome consciência daquilo que está ao seu alcance e aja no sentido de contribuir para
um ambiente sadio, pois é nele que você trabalha!

303
4 ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO AO ESTRESSE

No primeiro caso, o indivíduo busca intervir diretamente na causa do estresse,


estabelecendo aproximação com o agente estressor através de planejamentos voltados
para a solução de problema. As respostas focadas nas emoções buscam regular as
reações emocionais desencadeadas pelo agente estressor, sendo muitas vezes
alternativas paliativas, como por exemplo, a negação e a esquiva. Tais estratégias,
dependendo dos contextos e dos sujeitos envolvidos, podem ser utilizadas
simultaneamente. Por exemplo: incomodado com o desempenho de um colega em uma
ocorrência, os pares podem buscar conversar com ele, entendendo seus argumentos e
auxiliá-lo na aprendizagem de novos comportamentos e atitudes. Outra abordagem
poderia ser no sentido de criar justificativas para a situação, como: “fulano é assim
mesmo” ou mesmo negar ou diminuir a dimensão do problema.

O suporte social, a religiosidade e o lazer/distração também são importantes


Estratégias de Enfrentamento ao Estresse. Outros estudos indicam que alimentação
adequada, exercícios físicos regulares, técnicas de relaxamento, sono e repouso
apropriados, abrangendo o social, o afetivo e a saúde física são fundamentais (Costa et
al., 2007; Limongi-França, 2002 apud OLIVEIRA E BARDAGI, 2010).

Uma das ações que pode auxiliar na manutenção da saúde mental e no controle do
estresse diz respeito à manutenção de relações saudáveis com a família, amigos, colegas
de trabalho e comunidade em geral. Como seres sociais, temos necessidades de apoio,
reconhecimento e estima dos outros, e as redes de apoio são fundamentais para
manter as outras dimensões de saúde equilibradas.

Neste sentido, podemos pensar que a prevenção e o manejo do estresse também


dependem de nossas ações e hábitos cotidianos, minimizando, ou mesmo eliminando
os efeitos dos agentes estressores. Mudanças ambientais e comportamentos individuais
saudáveis complementam-se na busca de uma boa Qualidade de Vida.

1) Quais estratégias de enfrentamento são possíveis de serem utilizadas para lidar


com o estresse de seu trabalho? Como individualmente você busca reequilibrar seu
organismo?

2) Coletivamente é possível estabelecer respostas de enfrentamento às situações


vividas no trabalho? Como sua equipe ou sua guarnição lida com as situações
vivenciadas durante o turno de trabalho? Há algum momento para descompressão?

304
Biênio 2022/2023

5 SAÚDE INTEGRAL E PREVENÇÃO AO ESTRESSE: PONTOS DE ATENÇÃO

a) Qualidade do sono: O sono exerce várias funções importantes para a manutenção


da saúde, como restauração da energia corporal, consolidação da memória, remoção de
resíduos indesejados do cérebro, regulação imunológica, etc. Para exercer tais funções,
o sono necessita ter duração, qualidade e circunstâncias apropriadas. Cada indivíduo
tem o seu tempo de sono ideal, sendo um mito a afirmativa que todos devem dormir
oito horas por noite.

Transtornos do sono são comuns e podem causar sonolência excessiva ou fadiga


durante o dia, alterações do humor, irritabilidade e dificuldade de memória, atenção e
concentração. Consequências cardiovasculares a longo prazo também podem ocorrer
no contexto de privação crônica de sono e/ou dos seus transtornos.

ATENÇÃO:
Sintomas como dificuldade para iniciar ou manter o sono, sono agitado ou não
restaurador, roncos com pausas da respiração ou movimentos anormais
durante o sono são sinais de alerta para a procura de avaliação médica.

Ética, Doutrina e
Atualização
Dicas para melhora da Qualidade do Sono: 13.

 Procure deitar e levantar em horários regulares todas as noites;


 Vá para a cama somente quando estiver sonolento;
 Evite usar a cama para leitura, ver televisão ou alimentar-se;
 Estabeleça um ritual de relaxamento antes de deitar-se, como por exemplo, tomar
um banho quente ou diminuir a luminosidade do ambiente;
 Evite uso de álcool e/ou cafeína no período de pelo menos 6 horas antes de seu
horário de dormir;
 Não faça refeições pesadas próximas ao horário de dormir;
 Evite cochilos durante o dia e procure se ocupar, mantendo uma rotina ativa;
 Faça atividades físicas regularmente, mas evite exercícios intensos ao final do dia.
Nesse horário, prefira os exercícios mais leves, como alongamento ou caminhadas.

305
b) Saúde Bucal: A ausência de uma condição oral saudável frequentemente se manifesta
como dor e sofrimento físico e emocional, dificuldades para se alimentar com
subsequente prejuízo nutricional, chegando mesmo a trazer prejuízos de ordem social.
É importante adotar hábitos saudáveis que ajudam a prevenir uma grande parte das
doenças da cavidade oral.

Essas dicas simples te ajudarão a manter a sua saúde e o seu sorriso:


 Ter o hábito de higienizar os dentes usando escova, pasta de dente e fio dental
após as refeições é fundamental. No caso de não estar portando sua escova de dente
durante o turno de serviço, faça uma boa higienização com gargarejo após se
alimentar. Nessas situações, evite consumir alimentos ricos em carboidrato, que
aderem nos dentes, refrigerantes e doces. Dê preferência a uma fruta, uma salada,
sucos naturais, sem adição de açúcar e principalmente água;
 Beber água regularmente é um hábito simples que pode ajudar a prevenir a cárie,
as doenças da gengiva e o mal hálito, entre outros benefícios.
 Fumar é um dos grandes responsáveis pelo mal hálito. O hábito de fumar também
pode causar diversas doenças na boca, inclusive o câncer bucal. Portanto, evite o
tabagismo;
 Tenha o hábito de sempre se auto examinar, procurando feridas na língua,
bochechas e gengivas que não doem ou que não cicatrizam. Encontrando feridas com
essas características, procure com urgência o seu dentista.
 Cuidar e tentar preservar os dentes sempre que possível é a melhor opção. Nenhum
material (resina, cerâmica, implante...) substitui, com vantagem, o dente natural quando
esse pode ser mantido.
 Consulte o dentista regularmente. A prevenção sempre é mais simples, mais rápida
e mais barata do que um tratamento restaurador, além do que algumas doenças orais
se desenvolvem de forma silenciosa e só um cirurgião-dentista pode diagnosticar;
 Sempre que precisar de apoio e orientação, procure o dentista do seu NAIS/SAS,
que é a sua referência na atenção primária. Caso necessário, o profissional de saúde
fará o encaminhamento para o tratamento especializado no Centro Odontológico
(Codont) ou na rede credenciada.

Você sabe o que é bruxismo? Bruxismo é um distúrbio de sono que tem afetado
uma grande parte da população em geral. Suas causas são multifatoriais, mas o
estresse aparece como uma das principais. Se você percebe que range ou aperta os
dentes à noite, tem quebrado ou quebrou algum dente sem saber como, acorda com
dor na face, dor de cabeça e/ou dor no ouvido sem causa aparente, sente dificuldade
para mastigar principalmente pela manhã, você pode estar tendo esse problema.
Consulte o seu dentista para que ele possa te orientar e indicar o tratamento, caso
seja necessário.

306
Biênio 2022/2023

c) Atividade Física: talvez a recomendação que mais recebemos durante nossas vidas é
a importância de incluir a atividade física no nosso dia a dia. Manter-se ativo é uma
recomendação frequente, independente da especialidade médica. Você não precisa de
grandes estruturas e equipamentos de ginástica, o importante é movimentar-se! A
prática de atividades físicas tem um impacto positivo em todo o sistema corporal.

Praticar exercícios pode ajudar a melhorar a saúde e, consequentemente, a qualidade de


vida. As atividades físicas ajudam a liberar na corrente sanguínea as substâncias
Dopamina e Serotonina que trabalham em conjunto e auxiliam o organismo a gerar
sensação de bem-estar, satisfação e prazer, além de estar diretamente relacionada à
redução de doenças crônicas. Existe uma variedade imensa de opções, tais como nadar,
caminhar, correr, andar de bicicleta, lutar, dançar, jogar futebol, tênis, peteca. Uma boa
forma de começar é encontrar uma atividade que seja prazerosa e que se encaixe na sua
rotina.

Como incluir a atividade física no seu dia a dia?

Lembre-se: a prática de exercícios físicos ajuda a preparar o organismo


para o combate ao estresse!

 Escolha uma atividade prazerosa, em que você terá uma maior adesão. Dê
preferência às atividades associadas aos seus hobbies ou que te permitam passar mais

Ética, Doutrina e
Atualização
tempo com pessoas que você gosta e sua família. 13.

 Organize este tempo para você, planeje no seu cotidiano os melhores horários e
aproveite seu tempo ocioso para incluir a atividade física nesse momento.
 Estabeleça metas alcançáveis, comece com o que é possível. Tenha foco, disciplina
e objetivos bem definidos. Pequenas mudanças têm grandes impactos.
 O descanso de qualidade é tão importante quando a atividade física. Durma bem.

ATENÇÃO!

Exercitar-se sem a frequência adequada, sem observar progressão de carga e sem dar
tempo do seu corpo se adaptar ao estímulo AUMENTA CONSIDERAVELMENTE o risco
para lesão.

Atenção: antes de iniciar qualquer atividade física certifique-se que não possui
nenhuma restrição. Caso esteja apresentando alguma dor ou tenha dúvidas se pode
ou não fazer uma atividade física, procure o seu NAIS.

307
d) Planejamento Financeiro: É um plano para criar um cenário favorável para se chegar
a um objetivo: adquirir um bem, realizar um sonho, se livrar de dívidas ou sair do
“vermelho”. A saúde financeira é um conceito muitas vezes utilizado para avaliar a
realidade das finanças de uma pessoa, analisando a renda total na relação com os gastos
fixos e despesas esporádicas. Ela busca verificar comportamentos e hábitos que afetam
a relação que o indivíduo desenvolve com o dinheiro. Quando essa relação se torna
pouco saudável, os impactos negativos podem ser significativos afetando outras áreas
da saúde.

O conhecimento de boas práticas de gestão financeira permite que o policial militar


obtenha o controle de seus gastos baseados nos seus rendimentos. O endividamento
pode ser um dos responsáveis por conflitos familiares, insônia, transtornos de humor,
acarretando prejuízos para a saúde física e mental. Muitas vezes, ao analisarmos
problemas de saúde das pessoas, encontramos dificuldades financeiras na origem ou
desenvolvimento dos processos de adoecimento, justamente pela influência do
problema desequilíbrio emocional.

Entre as recomendações para um bom planejamento financeiro, temos:


 Liste todas as receitas do mês, incluindo, se for o caso, a receita familiar;
 Liste tudo o que tem a pagar no mês;
 Apure o resultado final;
 Caso o resultado seja negativo, faça um planejamento das despesas e veja o que
poderá ser cortado ou substituído, observando sempre o controle das pequenas
despesas diárias;
 Veja bem o que cabe em seu orçamento e, se possível, faça uso de uma planilha
de controle.

IMPORTANTE!

Muitas vezes não basta conseguir dinheiro para quitar dívidas, mas sim trabalhar
para resolver a raiz dos problemas, mudando padrões de consumo e de
relacionamento com o dinheiro, de forma a manter a saúde financeira. Em
referência aos empréstimos bancários, você deve avaliar a real necessidade de
contrair a dívida, considerando os longos prazos para a quitação, os juros
excessivos e o comprometimento na sua renda.

308
Biênio 2022/2023

6 PROGRAMA DE SAÚDE OCUPACIONAL NA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS


(PSOPM)

O Ministério do Trabalho, por meio da Portaria 24, de 29/12/1994 e por intermédio da


NR-7 (norma regulamentadora n°7) estabelece a obrigatoriedade por parte de todos os
empregadores e instituições a implementação do Programa de Controle Médico de
Saúde Ocupacional, com o objetivo de promover e preservar a saúde do conjunto dos
trabalhadores.

A instituição, através da Resolução de Saúde N°4449/ 2016 estabeleceu critérios para o


Programa de Saúde Ocupacional do Policial Militar de Minas Gerais. Através dessa
ferramenta institucional, o profissional do quadro de saúde realizará o acompanhamento
do policial nas áreas médica, odontológica e psicológica, buscando uma visão
prospectiva da saúde física e mental do policial, bem como a identificação precoce dos
possíveis agravos à saúde em decorrência da atividade laborativa, e a adoção de medidas
técnicas e administrativas.
O acompanhamento periódico da tropa através do PSOPM, num intervalo de 01 ou 02
anos para a convocação, contribui para que o profissional de saúde acompanhe o militar
desde o seu ingresso na instituição até a sua ida para a reserva. Assim, policial, entenda
a convocação para a consulta como um cuidado que a instituição tem com você. Neste
sentido, também estabeleça o compromisso de seguir as orientações,
responsabilizando-se por sua saúde. Importante ressaltar que o profissional de saúde,
está habilitado para detectar as doenças ocupacionais, ou seja, relacionadas à sua

Ética, Doutrina e
Atualização
atividade policial. 13.

PENSE:

 Quais recursos você utiliza para verificar a condição de sua saúde e seu nível
de estresse? Com qual periodicidade você estabelece estas verificações? Você é
capaz de identificar quando está estressado?

 Você já procurou ajuda de algum profissional de saúde devido aos impactos


do estresse em sua vida? Se não, o que o impede de procurar auxílio
especializado?

309
7 A IMPORTÂNCIA DA CONSCIENTIZAÇÃO E DO ACOLHIMENTO NAS SITUAÇÕES
DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A violência doméstica e familiar pode levar ao desenvolvimento de quadros depressivos,


tanto por vítimas como autores, além dos próprios filhos do casal. A mulher vítima pode
experimentar inúmeros sentimentos negativos e destrutivos, sendo o pior deles a
impotência e/ou o sentimento de que não é possível a resolução do problema. Com
relação ao autor este, também, pode alimentar sentimentos negativos, sendo o mais
destrutivo deles o de posse, com consequentes prejuízos emocionais e até mesmo
profissionais para todos os envolvidos.

Como forma de conscientizar e acolher o seu público interno a PMMG propôs diretrizes
que focam na promoção da saúde, com o objetivo de impulsionar, fomentar e fortalecer
a capacidade individual e coletiva para aumentar e salvaguardar a saúde e o bem-estar
dos militares, sejam estes autores ou vítimas de violência doméstica.
Para tanto, um fluxo de atendimento a vítimas e autores de violência doméstica foi
desenvolvido para o acolhimento, o diagnóstico e o tratamento dos casos envolvendo
policiais militares. Salienta-se que os profissionais de saúde da Instituição estão
capacitados e preparados para o acolhimento e encaminhamentos necessários para o
tratamento dos casos de forma prioritária. (MINAS GERAIS, 2020).

Na esfera social a PMMG, através do Centro de Proteção do Policial Militar - CPSPM,


subordinado a DEEAS desenvolve serviços de atendimentos as vítimas e autores de
violência doméstica e seus familiares, procedendo os encaminhamentos necessários,
além de fomentar a realização de parcerias com a rede de atendimento interno e externo
como forma de potencializar a assistência social, na capital e interior do Estado. (MINAS
GERAIS, 2014)

Para além destes atendimentos como porta de entrada, as Patrulhas de Prevenção à


Violência Doméstica (PPVD) prestam serviço de proteção às vítimas, e também podem
oferecer informações e orientações sobre encaminhamentos e procedimentos diversos,
inclusive para autores.

O acompanhamento dos profissionais de saúde auxilia na prevenção e evita o


agravamento nos casos de violência doméstica. Assim, a conscientização da tropa é de
suma importância no sentido de que a busca por ajuda e apoio dos colegas são
essenciais ao atendimento tanto de vítimas como de autores.

IMPORTANTE

Ao primeiro sinal de instabilidade, seja ela qual for, que venha a prejudicar a
relação familiar, procure os profissionais de saúde de sua unidade.

310
Biênio 2022/2023

8 SAÚDE SOCIOASSISTENCIAL

A Constituição Federal de 1988 inaugurou a Proteção Social como um direito. A proteção


significa um cuidado; de modo especial às pessoas consideradas mais vulneráveis dentro
de um grupo seja pelo ciclo de vida, seja pelos infortúnios acometidos a algum membro
durante a sua vida. De acordo com Sposati (2009) a palavra proteção vem do latim
protectione e supõe a tomada de defesa de algo impedindo a sua destruição e sua
alteração.

A Assistência Social da PMMG, tendo como direcionamento a Constituição Federal de


1988 e a Lei Orgânica de Assistência Social de 1993-LOAS, deve atuar na prevenção de
situações de riscos sociais ou mesmo minimizar situações de vulnerabilidade
(fragilidade) social que possam vir a acometer esse público. Desta forma, o profissional
que atua na Assistência Social deve acolher, atender e orientar o militar e seus
dependentes legais em diversas situações de vulnerabilidades sociais que podem surgir
no decurso de sua vida, conforme o artigo 2° da resolução 4307/14, para prevenir ou
amenizar situações de estresse.

O atendimento socioassistencial na PMMG pode ser direcionado aos militares e/ou


dependentes legais nas seguintes situações: vítima ou autor de violência doméstica;
militares e/ou dependentes legais incluídos no Programa PRO-APOIO; coordenação e
assessoria ao Programa de Preparação para a Reserva – PPR; situações de conflitos
familiares; dependentes de álcool e outras drogas; disseminação de informações por

Ética, Doutrina e
Atualização
meio de palestras aos militares nos cursos de ingresso e formação da PMMG; vítimas de 13.
intempéries naturais e sinistros; veteranos em situações de violações de direito;
vulnerabilidade econômica; de adoecimento mental; alunos do Colégio Tiradentes que
vivenciam algum tipo de vulnerabilidade social; dentre outros.

Caso o militar resida no interior do estado e esteja vivenciando alguma situação de


vulnerabilidade social, ele deve acionar o Comandante da sua Unidade para que este
comunique ao CPSPM para que este possa realizar o devido atendimento ao militar e/ou
ao seu dependente legal.

311
9 CONCLUSÃO

Os efeitos do estresse ligados diretamente à saúde e à Qualidade de Vida foram os


principais objetos de interesse deste trabalho. Sua elaboração buscou oferecer algumas
informações que podem ser úteis e algumas estratégias de cuidado que podem ser
adotadas como prevenção ao estresse na busca por qualidade e integralidade na saúde.

Caso sinta necessidade, não hesite em buscar apoio tanto nas suas redes de
relacionamento pessoal e familiar, bem como os profissionais de saúde. Psicólogos,
psiquiatras, assistentes sociais, médicos, dentistas, dentre outros, são importantes
aliados. Na instituição, contamos com uma rede de atenção à saúde preparada e
qualificada para assisti-lo, tanto na rede orgânica – HPM, CODONT, CLIPS, NAIS, SAS –
quanto na rede credenciada.

LEMBRE-SE:

O preconceito e a resistência em buscar assistência não resolverão seus problemas,


mas poderão agravá-los. Quanto mais tempo passa, mais complexo e de difícil
manejo pode se tornar o problema que você ou seu familiar está enfrentando.

O tempo bem gasto é aquele que você utiliza cuidando dos fatores que trazem
saúde e qualidade de vida. Cuidar da sua saúde é cuidar de você, de sua família e
do seu trabalho!

312
Biênio 2022/2023

10 REFERÊNCIAS

ANDRADE ER, Souza ER, Minayo MCS. Intervenção visando a autoestima e qualidade de vida
dos policiais civis do Rio de Janeiro. Ciência Saúde Coletiva 2009; 14:275-85.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR:


orientações para prática em serviço / Secretaria de Políticas de Saúde. Brasília: Ministério da
Saúde, 2001.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Brasília: Câmara dos


Deputados, 112p.

BRASIL. Lei Orgânica de Assistência Social- LOAS, 1993. Brasília: Casa Civil: Subchefia para
assuntos jurídicos. Disponível em:<
[Link] Acesso em: 24set2021.

Brasília: Secretaria Nacional de Segurança Pública, 2014, Matriz curricular nacional para
ações formativas dos profissionais da área de segurança pública/ Secretaria Nacional de
Segurança Pública, coordenação:
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Instrução Nº 3.03.15/2020-CG. Regula a atuação policial
militar na prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres no
Estado de Minas Gerais. Comando Geral. Belo Horizonte, 2020.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Resolução nº4307/2014. Aprova as Diretrizes de Assistência


Social no âmbito da Polícia Militar de Minas Gerais e dá outras providências. Belo Horizonte:

Ética, Doutrina e
Atualização
Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social, 2014. 13.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretrizes de Assistência Social no âmbito da Polícia Militar
de Minas Gerais. Resolução nº 4307/2014. – Belo Horizonte: Diretoria de Educação Escolar e
Assistência Social, 2014. 61 p.

MINAS GERAIS. Polícia Militar de Minas Gerais. Comando-Geral PMMG. Plano Estratégico
2020-2023. - 2. ed. - Belo Horizonte: PMMG - Comando-Geral, 2021.

MOREIRA, Cícero Nunes. A PASSAR DE LARGO: vitimização repetida e violência conjugal.


2006. 55 f. Monografia. Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

MURTA, Sheila Giardini; TRÓCCOLI, Bartholomeu Torres. Avaliação de intervenção em


estresse ocupacional. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 20, n. 1, p. 39-47, abr. 2004.
DisponívelEm:
<[Link]
nrm=iso>

MURTA, Sheila Giardini; TRÓCCOLI, Bartholomeu Tôrres. Stress ocupacional em bombeiros:


efeitos de intervenção baseada em avaliação de necessidades. Estudos de Psicologia
(Campinas), Campinas, v. 24, n. 1, p. 41-51, mar. 2007. Disponível em:
<[Link]

313
166X2007000100005&lng=en&nrm=iso> Acesso em: 27 out. 2017. doi:
[Link]

OLIVEIRA, Paloma Lago Marques de; BARDAGI, Marúcia Patta. Estresse e comprometimento
com a carreira em policiais militares. Bol. psicol, São Paulo, v. 59, n. 131, p. 153-
166, dez. [Link]ível em
<[Link]
=pt&nrm=iso>

REZENDE, FAEZA. Jornal da Manhã, Online. Organização Mundial da Saúde admite estresse
como pandemia. Uberaba, 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21set2021.

SEIDL, E. M. F., Tróccoli, B. T., & da Costa Zannon, C. M. L. (2001). Análise Fatorial de Uma
Medida de Estratégias de Enfrentamento [Factorial Analysis of a Coping Measure]. Psicologia:
Teoria e Pesquisa, 17(3), 225–234. [Link]
SILVA, E.A., & Martinez, A.S. (2005). Diferença em nível de stress em duas amostras: capital e
interior do estado de São Paulo. Estudos De Psicologia (campinas), 22, 53-61.

SPOSATI, Adaílza. Modelo brasileiro de proteção social não contributiva: concepções


fundantes. In: Concepção e Gestão da Proteção Social não contributiva no Brasil. Brasília:
MDS/UNESCO, 2009.

UIPES/ORLA. Sub-região Brasil. Conceitos-chave. Promoção da Saúde. p. 1 - 6.


2003. Disponível em: <[Link]
[Link]/f0e8995f-8709-406d-
8089173b9a5c043d#:~:text=A%20Promo%C3%A7%C3%A3o%20da%20Sa%C3%BAde%2C%20
segundo,reorienta%C3%A7%C3%A3o%20de%20servi%C3%A7os%20de%20sa%C3%BAde>
Acesso em:27set2021.

VIANA, Ana Luiza D’Avila; LEVCOVITZ, Eduardo. Proteção Social: introduzindo o Debate. In:
VIANA, Ana Luiza D’Avila et al. (orgs). Proteção Social Dilemas e desafios. São Paulo: Hucitec,
2005.

314
14 CADEIA DE
CUSTÓDIA DA PROVA
APRESENTAÇÃO

A função da aplicação da lei é uma atividade prevista no ordenamento jurídico vigente


no país, tendo os poderes constituídos a responsabilidade pela sua manutenção e correta
aplicação. Dessa forma, o desempenho eficaz dos encarregados de aplicação da lei
depende da qualidade e da capacidade de desempenho de cada um de seus agentes.

De acordo com o Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei, os seus


agentes devem não só conhecer os poderes e a autoridade que lhes foram concebidos
por lei, mas também devem compreender seus efeitos potencialmente prejudiciais.

A Polícia Militar incumbe, nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil


(CRFB/88), a preservação da ordem pública, como pressuposto para garantir os direitos
fundamentais e o livre exercício da cidadania, valorizando ainda a segurança cidadã.

Dentro da evolução da legislação processual penal brasileira, no ano de 2018, houve


alterações significantes em relação à temática do exame de corpo de delito, da cadeia de
custódia e das perícias em geral, ocasião em que foi publicada a Lei Federal nº 13.721, de
2 de outubro de 2018. As modificações afetaram não somente aquelas atividades que
orbitam o tema infrações penais de menor potencial ofensivo, que ensejam a lavratura de
TCO, mas também na atuação policial-militar em todas as infrações penais que deixam
vestígios.

Com o advento da Lei nº 13.964 (pacote anticrime), de 24 de dezembro de 2019, e a


consequente introdução no Código de Processo Penal (CPP) dos artigos 158-A até 158-
F, houve a primeira definição legal da cadeia de custódia das provas no processo penal.

Por sua vez, em seu cotidiano operacional, o policial militar atende e registra inúmeros
eventos de defesa social, aplicando a vasta doutrina castrense e as mais variadas
legislações vigentes para garantir a aplicação do direito pátrio.

Nesse sentido, a ação dos policiais militares, encarregados da aplicação da lei, deve
desenvolver-se dentro dos estritos limites legais, os quais estão associados as
necessidades e aspirações da população e que asseguram a legitimidade das ações
policiais, propiciando assim, o respeito mútuo e a devida credibilidade.

Considerando as inovações trazidas na legislação brasileira, neste biênio, a Polícia Militar


promoverá o treinamento dos seus recursos humanos, com vistas a proporcionar os
conhecimentos necessários para garantir a aplicabilidade do instituto da cadeia de
custódia da prova, como instrumento de garantia de preservação e rastreabilidade da
prova/vestígio relacionados a locais de infrações penais.

Sucesso em seus estudos!

316
Biênio 2022/2023

1 INTRODUÇÃO

Em outubro do ano de 2017, foi instituída uma Comissão de Juristas com a atribuição de
elaborar uma proposta legislativa de combate à criminalidade organizada, especialmente
relacionada ao combate ao tráfico de drogas e armas.

A mencionada comissão colocou como seu objetivo a promoção do aperfeiçoamento da


legislação penal e processual penal brasileira, que foi materializada no Projeto de Lei nº
10.372/2018, também conhecido como “Pacote Anticrime”, promulgado através Lei nº
13.964/2019, em 24 de dezembro de 2019.

Entre as várias modificações propostas, destacaram-se as mudanças realizadas no


Capítulo II do Código de Processo Penal (CPP), que trouxe maior rigor para a disciplina
do exame do corpo de delito e perícias em geral, criando no direito brasileiro o instituto
da Cadeia de Custódia.

Conforme foi destacado nas discussões do PL nº 10.372/2018:

A disciplina da cadeia de custódia para maior eficiência da perícia criminal e,


consequente, combate a criminalidade também é essencial. A cadeia de custódia
é fundamental para garantir a idoneidade e a rastreabilidade dos vestígios, com
vistas a preservar a confiabilidade e a transparência da produção da prova pericial
até a conclusão do processo judicial. A garantia da cadeia de custódia confere aos
vestígios certificação de origem e destinação e, consequentemente, atribui à prova
pericial, resultante de sua análise, credibilidade e robustez suficientes para
propiciar sua admissão e permanência no elenco probatório. (...)

Assim, verifica-se a preocupação do legislador em conferir confiabilidade e transparência


para os procedimentos que envolvem a coleta de vestígios e a produção de provas, de

Cadeia de Custódia
maneira a assegurar a melhor eficiência à persecução penal.

da Prova
14.
Com a aprovação da Lei nº 13.964/2019, que alterou o Código de Processo Penal,
compete à Polícia Militar de Minas Gerais realizar a adequação/aprimoramento de seus
procedimentos de atuação, por meio do presente Treinamento Policial Básico.

Tendo sido realizada a introdução ao tema, estudaremos nas próximas seções, a partir do
conceito da cadeia de custódia, institutos que influenciam diretamente na persecução
penal do estado, tal como, o local de crime e sua classificação, provas e elementos
informativos, procedimentos em local de crime, etapas da cadeia de custódia e, por fim,
os procedimentos operacionais em infrações de menor potencial ofensivo.

317
2 CONCEITO DE CADEIA DE CUSTÓDIA

O Código de Processo Penal, em seu art. 158, estabelece que quando a infração penal
deixar vestígios, será indispensável a realização do exame de corpo de delito, direto ou
indireto. Sobre o exame de corpo de delito, Guilherme de Souza Nucci 1 assevera o
seguinte:
É a verificação da prova da existência do crime, feita por peritos, diretamente, ou
por intermédio de outras evidências, quando os vestígios, ainda que materiais,
desapareceram. O corpo de delito é a materialidade do crime, isto é, a prova da
sua existência. (NUCCI, 2016)

Nesse sentido, quando for praticado um crime em que as circunstâncias deixaram


vestígios, como, por exemplo, um homicídio ou o tráfico de drogas, torna-se necessário
a realização do exame de corpo de delito, que nada mais é que a averiguação do local
em que o fato ocorreu, em busca de provas da existência do crime e da sua autoria.

Os vestígios são conceituados pela legislação processual penal (CPP), particularmente em


seu art. 158, §3º, como “todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou
recolhido, que se relaciona à infração penal”.

Ao promulgar o chamado “Pacote Anticrime” e criar as regras atinentes à cadeia de


custódia, o legislador se preocupou em buscar formas de preservar a idoneidade dos
vestígios produzidos por uma infração penal.

Nesse contexto, o Código de Processo Penal estabeleceu em seu art. 158-A o seguinte
conceito:
Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados
para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais
ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu
reconhecimento até o descarte. (BRASIL, 1941)

Nesse viés, é importante destacar que todo agente público que identificar/reconhecer um
elemento como de potencial interesse para a produção de prova pericial fica responsável
por sua preservação, conforme sedimentado no art. 158-A, §2º do CPP.

A disposição legal afeta diretamente a atividade exercida pelo policial militar, que na
grande maioria dos registros de eventos de defesa social, constitui o primeiro agente
público do Estado a comparecer ao local onde ocorreu uma infração penal.

1
Nucci, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. 15. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de
Janeiro: Forense,2016

318
Biênio 2022/2023

Dessa forma, a cadeia de custódia se inicia por meio da preservação do local de crime ou
com os procedimentos policiais/periciais realizados nesse ambiente, nos quais seja
detectada a existência de vestígio, cujo instituto possui várias etapas que se desdobram
até a fase final através do descarte do vestígio.

Diante da importância dos novos procedimentos legais para manter e documentar a


história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, é
imprescindível que o policial militar tenha conhecimento de todas as etapas que
compõem a cadeia de custódia, de maneira a entender o seu funcionamento e a
importância de todos os atos executórios que buscam garantir a sua incolumidade.

3 LOCAL DO CRIME

É o espaço onde tenha ocorrido um ato que, presumidamente, configure uma infração
penal e que exija as providências legais por parte da polícia. Compreende, além do ponto
onde foi constatado o fato, todos os lugares em que, aparentemente, os atos materiais,
preliminares ou posteriores à consumação do delito, tenham sido praticados.

O local de crime é fundamental para a investigação criminal. Ele fornece elementos


relevantes para concretizar a materialidade do delito e chegar à autoria.

3.1 CLASSIFICAÇÃO DO LOCAL DE CRIME E CONCEITOS CORRELATOS

A Criminalística apresenta uma classificação própria do local de crime. Para a atividade


policial-militar destacam-se as seguintes:

Cadeia de Custódia
a) Consoante à natureza:

da Prova
14.
Trata-se de sua classificação em relação ao delito analisado, podendo ser de homicídio,
infanticídio, suicídio, atropelamento, incêndio, afogamento, furto, roubo, arrombamento,
dentre outros.

b) Consoante ao lugar do fato:


 local interno: área compreendida por ambiente fechado, que preserva os vestígios
da ação dos fenômenos da natureza. Ex.: Interior de residências, interior de
veículos, galpões, dentre outros;
 local externo: área não restrita, que não preserva os vestígios da ação dos
fenômenos da natureza. Trata-se de áreas abertas, como ruas, rodovias, praças,
estradas, matagal, beira de rios, dentre outros;
 local imediato: é a área exata onde ocorreu o fato ou o crime;

319
 local mediato: são as adjacências; os pontos e áreas de acesso ao local do crime.
Ex.: corredores, ambientes ao redor de cômodos, jardins, estradas, trilhas, dentre
outros;
 locais relacionados: são as áreas que podem apresentar conexão com o fato
criminoso e, por isso, oferecer pontos comuns de contato (vestígios) a serem
observados.

Figura 01 - Isolamento de local de crime.

Fonte: Elaborado pela Comissão.

c) Consoante ao exame
 local idôneo: é aquele que não foi violado, que não sofreu nenhuma alteração
desde a ocorrência do fato.

O art. 169 do CPP discorre sobre as providências policiais a serem tomadas,


imediatamente, no local de crime. De sua interpretação, vale lembrar que o primeiro
policial que chegar ao local terá a responsabilidade inadiável de preservá-lo, devendo
recorrer, inclusive, a todos os meios necessários para que o estado das coisas não seja
alterado até que a perícia técnica assuma seu trabalho na ocorrência.

Art. 169 – Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das
coisas até a chegada dos Peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias,
desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo Único: Os Peritos registrarão no Laudo, as alterações do estado das
coisas e discutirão no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica
dos fatos. (BRASIL, 1941)

320
Biênio 2022/2023

 local inidôneo: é aquele que foi violado, que sofreu alguma alteração após a
ocorrência dos fatos delituosos.

Figura 02 - Classificação do local do crime.

Classificação do local de crime

Imediato
Suicídio
Externo Mediato
Homicídio Outros Idôneo Inidôneo

Quanto
Quanto a ao Quanto
Natureza Exame Interno ao lugar Relacionados
do fato

4. PROVAS E ELEMENTOS INFORMATIVOS

De acordo com os ensinamentos de Renato Brasileiro de Lima, em seu Manual de


Processo Penal2

A palavra prova só pode ser usada para se referir aos elementos de convicção
produzidos, em regra, no curso do processo judicial, e, por conseguinte, com a
necessária participação dialética das partes, sob o manto do contraditório (ainda
que diferido) e da ampla defesa.
(...)

Cadeia de Custódia
Por outro lado, elementos de informação são aqueles colhidos na fase

da Prova
investigatória, sem a necessária participação dialética das partes. 14.
(...)
Não obstante, tais elementos informativos são de vital importância para a
persecução penal, pois podem subsidiar a decretação de medidas cautelares pelo
magistrado, bem como auxiliar na formação da opinio delicti do órgão da
acusação. (LIMA, 2016, p.1824)

Em outras palavras, a prova é aquela produzida com a garantia do contraditório e da


ampla defesa, enquanto os elementos informativos são aqueles coletados durante a fase
de investigação, sem a necessidade de garantia do contraditório e ampla defesa.

2
Lima, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único – 4. ed. rev., ampl. e atual. –
Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. 1.824 p.

321
Sendo assim, é importante observar que a atuação do policial militar é imprescindível
para garantir a integridade das provas e elementos informativos decorrentes do
cometimento de uma infração penal.

O conceito de prova, de acordo com o Manual Técnico Profissional nº 02 da PMMG,


consiste em “Tudo que demonstra a veracidade de uma proposição ou a realidade de um
fato. Na criminalística, existem as provas objetivas e as subjetivas”.

a) Prova objetiva: tem por base os vestígios encontrados nos locais de crime, que são
interpretados pelos peritos, por meio dos exames. Exemplo: laudo pericial.

b) Prova subjetiva: são as informações colhidas da vítima, das testemunhas ou de


qualquer pessoa relacionada com o fato. Exemplo: boletim de ocorrência (BO/REDS),
expedido pela Polícia Militar.

ATENÇÃO! Provas e/ou elementos informativos obtidos por meios


ilegítimos ou ilícitos podem prejudicar todo o conjunto probatório
necessário à persecução penal, invalidando-o. Por isso, reforça-se a
necessidade de observância dos parâmetros legais na atividade policial.

O Boletim de Ocorrência (BO/REDS) é um documento que necessariamente será lavrado


nas intervenções policiais, descrevendo os fatos ocorridos no local do delito e
materializando a presença policial. O boletim de ocorrência formaliza a comunicação ao
poder público de que determinada situação requer providências, quer seja pela
superveniência de ações criminosas ou de outros fatos que ofereçam riscos à sociedade.

Por esse registro, a equipe de Polícia Judiciária extrairá as primeiras informações do fato
criminoso, formando as primeiras imagens e abstraindo as primeiras ideias que
subsidiarão uma linha de ação. É de suma importância que os primeiros policiais militares
que chegarem ao local do crime descrevam o cenário (vítima, instrumentos, vestígios,
testemunhas), da forma mais autêntica e detalhada possível, para que esses elementos
não se percam com tempo.

ATENÇÃO! A coleta dos vestígios deverá ser realizada


PREFERENCIALMENTE por perito oficial, que dará o encaminhamento
necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a
realização de exames complementares.

322
Biênio 2022/2023

Diante das elementares previstas no art. 158-C do CPP, vide destaque acima, quando for
praticado um crime em que as circunstâncias deixaram vestígios, o Policial Militar deverá
acionar a perícia técnica para comparecer ao local do evento e coletar as provas.

IMPORTANTE! NÃO sendo possível o comparecimento da perícia técnica no


local do crime, o Policial Militar deverá consignar no histórico do REDS/BO
essa informação e adotar todas as providências legais para assegurar o
cumprimento de todas as etapas da cadeia de custódia.

Para uma melhor compreensão de alguns termos técnicos, é de suma importância


distinguir os seguintes elementos:

a) vestígio: todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido,


que se relaciona à infração penal;
b) evidência: é o vestígio que, após analisado pela perícia técnica e científica, possui
relação com o crime;
c) indício: é todo vestígio cuja relação com a vítima ou com o suspeito, com a
testemunha ou com o fato, foi estabelecida. É o vestígio classificado e interpretado, que
passa a significar uma prova judiciária.

Para melhor exemplificar, são considerados vestígios importantes para a elucidação do


crime: manchas diversas (sangue, saliva, sêmen, vômito), substâncias orgânicas, cabelos,
impressões digitais, marcas de calçados ou pés, documentos (manuscritos,
datilografados, desenhados), resíduo de explosivo, explosivos, armas, munições, fibras,

Cadeia de Custódia
tecidos, objetos de vidro, líquidos, metais, marcas de tintas, plásticos, gesso, escombros,

da Prova
concreto, argamassa, cordas, linhas, cordões, pneus e suas marcas, ferramentas e suas 14.
marcas, material tóxico, veículos, fios, cabos, madeira, dentre outros.

ATENÇÃO! Havendo no local do crime, vestígios que por suas


características químicas/biológicas, exijam a necessidade de coleta por
meios técnicos/científicos e NÃO sendo possível o comparecimento da
perícia técnica no local do evento, o Policial Militar deverá consignar no
histórico do REDS/BO essa informação e descrever todos os
detalhes/características relacionadas ao vestígio, procedendo, sempre
que possível, o registro fotográfico/vídeo, que será anexado ao REDS/BO.

323
5 PROCEDIMENTOS NO LOCAL DE CRIME

Antes de adotar os procedimentos no local de crime, o policial militar deverá saber a


diferença entre isolamento e proteção:

O isolamento constitui a delimitação da área física, interna e externa do local de crime,


por meio de recursos visíveis, tais como cordas, fitas zebradas e outros, cuja finalidade é
proibir a entrada de pessoas não credenciadas no local de crime

Art. 158-C, §2º: É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de
quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito
responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. (BRASIL,
1941)

Por sua vez, a proteção consiste em impedir que se altere o estado das coisas, visando à
inalterabilidade das provas.

A conscientização dos policiais militares e da sociedade é fundamental para a


conservação do local de crime. Qualquer alteração nesse ambiente prejudicará os
trabalhos periciais, a investigação policial e, consequentemente, a elucidação do fato.

O policial militar, ao comparecer no local de crime, assume a responsabilidade pela sua


preservação, devendo dispensar total atenção a tudo que estiver presente no perímetro
mediato, imediato e relacionado a infração penal, sem fazer qualquer juízo de valor.

A preservação do local do crime deverá ser realizada por meio do isolamento e proteção,
de forma efetiva, para que as pessoas não tenham acesso a ele, evitando-se que
vestígios/provas sejam modificados ou destruídos, antes de seu reconhecimento. Em
princípio, tudo que estiver no local é importante.

O procedimento inicial dos policiais militares englobará o socorro à vítima e a segurança


dos envolvidos. Também deve se atentar ao fato de que pessoas envolvidas com a
infração penal poderão estar nas imediações, sendo imprescindível a coleta de
informações para favorecer o processo de identificação da autoria/testemunhas.

O policial militar, que normalmente é o primeiro interventor a comparecer ao local do


crime, deverá providenciar para que não se altere o estado e conservação das coisas3,
isolando o local, até a chegada dos peritos criminais.

O local a ser isolado deverá abranger todos os vestígios visualizados/reconhecidos numa


primeira observação, além de áreas adjacentes que possam ter relação com o crime.

3
Conforme disposto no art. 6º do Código de Processo Penal.

324
Biênio 2022/2023

Ao ilustrar os procedimentos policiais nos locais de crime, o Manual Técnico-Profissional


nº 3.04.02/2020 trouxe como exemplo os procedimentos a serem adotados diante das
cenas de uma ocorrência de homicídio em via pública, conforme se ilustra a seguir.

Ao comparecer ao local de crime, o policial deverá:


 saber que o público normalmente desconhece a importância da preservação dos
vestígios no local de crime, e poderá tê-lo alterado;
 adentrar em linha reta, ou pelo menor trajeto possível, enquanto os demais policiais
militares cuidarão da segurança.
 quando se tratar de área de risco, poderá e será necessária a entrada de mais de um
policial ao mesmo tempo;
 verificar os sinais vitais da vítima, priorizando o socorro da vítima;
 em caso de óbito, evitar mexer na vítima (tocar, remover, mudar sua posição original,
revirar bolsos, tentar identificá-la). A identificação é responsabilidade da perícia
criminal, salvo se houver a efetiva necessidade da guarnição de preservar
materialmente a vítima ou seus documentos em caso de mudança de tempo (chuva,
enchente), com possibilidade de lavagem de manchas e arrasto do corpo, ocorrência
de incêndio, ou outras ações que possam fugir do controle dos policiais;
 realizar constantemente a observação e o controle visual, para verificar se há
segurança na atuação policial;
 quando necessário, retornar lentamente, pelo mesmo trajeto feito na entrada,
observando outros detalhes dentro daquela área;
 prender o criminoso. Caso não seja possível, coletar informações sobre o autor e
divulgá-las para os demais policiais militares de serviço;

Cadeia de Custódia
 observar todas as imediações para definir os limites de isolamento, podendo
abranger trechos de ruas, ou quarteirões (quadras) e estabelecimentos comerciais que

da Prova
14.
tenham relação direta com o crime;

Figura 03 - Delimitação dos perímetros do local.

Fonte: MTP nº 02.

325
 isolar a área, onde se deu os acontecimentos, usando fitas zebradas. Na ausência
desse material, poderão ser utilizados materiais alternativos, como arames, cavaletes,
cones, cordas, cabos de aço ou outros meios disponíveis, sendo que ninguém poderá
se deslocar dentro da área isolada, antes do trabalho periciais;
 afastar as pessoas, sinalizar, desviar e controlar o trânsito de veículos e de pedestres;
 fazer anotações e croquis para facilitar a redação do texto do Boletim de Ocorrência
(BO/REDS), assim como tirar fotografias e vídeos do local do crime para anexar ao
registro do evento;
 arrolar testemunhas do delito;
 preservar armas ou outros instrumentos vinculados ao crime;
 impedir que a posição dos objetos ou de coisas sejam modificadas. Tratando-se de
locais fechados, manter portas, janelas, mobiliários, eletrodomésticos, utensílios, tais
como foram encontrados. Deve-se evitar, por exemplo, abrir ou fechar, ligar ou desligar
quaisquer objetos; usar aparelhos de telefonia (fixa ou móvel), sanitários ou lavatórios,
e demais recursos disponíveis no local), salvo o estritamente necessário para conter
riscos;
 posicionar-se fora do perímetro imediato;
 prosseguir com a vigilância, preservando os vestígios até a chegada dos peritos
criminais;
 transmitir as informações já obtidas à equipe de Polícia Judiciária ou a quem for
pertinente, procurando interagir com os diversos órgãos que compõem o Sistema de
Defesa Social;
 em caso de suspeita de alteração do local de crime, identificar o(s) possível(eis)
causador(es), registrar tal situação no BO/REDS e avisar aos peritos que comparecerem
ao local;
 acompanhar os trabalhos dos peritos, anotando e conferindo o material apreendido,
visando constar todos os dados no Boletim de Ocorrência (BO/REDS);
 avisar ao responsável pelo exame pericial sobre possíveis vestígios deixados por
terceiros que adentraram ao local de crime (por necessidade ou equivocadamente),
para que os peritos não percam tempo analisando vestígios ilusórios.
 proibir que repórteres e fotógrafos acessem o local de crime, antes da realização
dos trabalhos periciais, explicando-lhes a necessidade de manter os vestígios
preservados e que será garantida a liberdade de imprensa após resguardada a
prioridade do serviço pericial;
 prestar informações à imprensa de forma objetiva sobre os fatos;

326
Biênio 2022/2023

Figura 04 - Relacionamento com a imprensa.

Fonte: MTP nº 02.

 caso a perícia não seja realizada, proceder à apreensão dos materiais encontrados,
na presença de testemunhas, relacionando-os no BO/REDS, para encaminhamento
ao delegado de polícia;
 liberar o local após encerrados todos os trabalhos periciais, e na ausência da
perícia, somente após o recolhimento dos objetos;
 dar atenção especial aos familiares em casos de vítimas fatais, que poderão reagir
de forma agressiva ou tentar invadir o local de crime. Esta consideração decorre
do estado emocional provocado pela perda de uma pessoa querida. Os policiais
militares deverão assisti-los de forma profissional, entendendo o momento que
estão passando.

6 ETAPAS DA CADEIA DE CUSTÓDIA

O conceito legal de Cadeia de Custódia a define como o “conjunto de todos os

Cadeia de Custódia
procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do

da Prova
14.
vestígio”.

Dessa forma, os novos dispositivos inseridos no código de processual penal elencaram


10 (dez) etapas a serem seguidas, a fim de concretizar a estrutura da prova, conforme
definido no art. 158-B:

Tabela 01 - Etapas da estrutura da prova.


1. Reconhecimento 2. Isolamento 3. Fixação
4. Coleta 5. Acondicionamento 6. Transporte
7. Recebimento 8. Processamento 9. Armazenamento
10. Descarte
Fonte: Adaptado de Código de Processo Penal

327
Portanto, a cadeia de custódia pode ser entendida como o processo dinâmico e
interinstitucional, que vai desde a primeira etapa, o reconhecimento, que pode se dar por
qualquer agente público, como um perito ou por um policial, por exemplo, até o descarte,
ou seja, quando houver uma decisão de uma autoridade judiciária reconhecendo que
aquele vestígio não mais interessa ao processo e pode, portanto, ser eliminado.

Em virtude da sua importância para a persecução penal, aliado às atividades


desenvolvidas pela Polícia Militar, é de fundamental importância que as etapas da cadeia
de custódia definidas no art. 158-B, sejam abordadas, individualmente e minuciosamente,
para garantir a idoneidade e a rastreabilidade dos vestígios, com vistas a preservar a
confiabilidade e a transparência da produção da prova até a conclusão do processo
judicial.

6.1 RECONHECIMENTO

A etapa do reconhecimento consiste no ato de distinguir um elemento (vestígio) como


de potencial interesse para a produção da prova pericial.

A legislação definiu o reconhecimento como a primeira etapa da cadeia de custódia da


prova, que tem o seu início quando o policial militar, ao chegar no local de
crime/contravenção penal, reconhece/identifica, em um elemento qualquer (vestígio), a
possibilidade de que ele venha a ser útil para a produção da prova e a persecução
criminal.

O policial militar que, no exercício da função e estando no local de crime/contravenção


penal, identifica qualquer prova fica responsável pela sua preservação e assume a
responsabilidade inicial pela preservação do vestígio, conforme preconiza o art. 158-A,
§2º do CPP.

Figura 05 - Reconhecimento de prova/vestígio

328
Biênio 2022/2023

O policial militar, utilizando os seus conhecimentos e habilidades profissionais, deverá


identificar/reconhecer todos os vestígios/provas que estão relacionados às circunstâncias
elementares do registro de evento de defesa social, evitando, nesse primeiro momento,
tocá-los, bem como, não promovendo a alteração do local do crime.

6.2 ISOLAMENTO

O isolamento consiste no ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar
e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime. É
importante ressaltar que os atos do policial militar nessa etapa são muito importantes
para a garantia da manutenção da integridade do conjunto probatório.

A etapa do isolamento do local do crime, introduzida pelo Pacote Anticrime, já se


encontrava previsto no CPP, conforme se observa:

Art. 6º - Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade


policial deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e
conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais. (BRASIL, 1941)

O policial militar, no local de crime/contravenção penal, após reconhecer/identificar


qualquer vestígio que tenha relação com o evento de defesa social deverá isolar o
local de crime e, em seguida, acionar a perícia técnica, em estrita observância ao
contido no art. 158-C do CPP:

Art. 158-C - A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por

Cadeia de Custódia
perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia,

da Prova
mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. (BRASIL, 14.
1941).

O isolamento do local de crime nos registros de eventos de defesa social atendidos pela
PMMG caberá ao policial militar, sendo que a coleta dos vestígios, após o seu
reconhecimento, será realizada, preferencialmente, pelo perito criminal. Em situações em
que a perícia técnica científica não comparecer ao local do crime, o policial militar deverá
relatar a informação no histórico do BO/REDS, adotando as demais medidas previstas na
Diretriz Integrada de Ações e Operações (DIAO).

329
Figura 06 - Isolamento de local de crime

O policial militar deverá observar todas as imediações do local do crime para definir os
limites de isolamento. Para tanto, utilizará, preferencialmente, de fitas zebradas para
delimitar o espaço. Na ausência desse material, poderão ser utilizados arames, cavaletes,
cones, cordas, cabos de aço ou outros meios disponíveis.

ATENÇÃO! É PROIBIDA a entrada em locais isolados bem como a


remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por
parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a
sua realização.

6.3 FIXAÇÃO

A fixação é a descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou


no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por
fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial
produzido pelo perito responsável pelo atendimento.

Inicialmente, comparecendo o perito criminal no local do crime, essa etapa caberá a ele,
que descreverá em seu laudo as circunstâncias dos vestígios identificados/reconhecidos.
O policial militar lavrará o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas na DIAO e
constará no histórico o comparecimento da perícia técnica no local do crime.

Nessa etapa, não tendo comparecido a perícia técnica no local de crime, o policial militar
terá a oportunidade de tirar fotografias e gravar vídeos, que serão anexados ao REDS/BO,
além de descrever as circunstâncias dos vestígios identificados/reconhecidos no histórico
do registro em conformidade com a DIAO.

330
Biênio 2022/2023

6.4 COLETA

A coleta consiste no ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial,
respeitando suas características e natureza.
Nessa etapa, o policial militar não deverá se esquecer que “a coleta dos vestígios deverá
ser realizada preferencialmente por perito oficial”, conforme previsto no art. 158-C do
CPP.

Ressalta-se mais uma vez que, inicialmente, comparecendo o perito criminal no local do
crime, essa etapa caberá a ele, que descreverá em seu laudo as características e a natureza
do vestígio. O policial militar lavrará o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas na
DIAO e constará no histórico o comparecimento da perícia técnica no local do crime, além
de anotar e conferir o material apreendido pelo perito.

Em situação em que a perícia técnica não comparecer ao local do crime, o policial militar
adotará as providências previstas na DIAO, além daquelas contidas no art. 6º, Incisos II e
III do CPP:

Art. 6º - Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade


policial deverá:
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos
peritos criminais;
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias. (BRASIL, 1941)

Figura 07 - Coleta de prova/vestígio

Cadeia de Custódia
da Prova
14.

O manuseio adequado dos vestígios é muito importante, pois a falta de uso de


equipamentos de proteção individual (como luvas) pode comprometer a integridade do
material, prejudicando, por exemplo, a coleta de impressões digitais.

IMPORTANTE! As provas/vestígios coletados/apreendidos no local de


crime deverão ser descritos em campo apropriado do REDS/BO, conforme
previsto na DIAO/Coletânea de Apoio ao Preenchimento do REDS.

331
6.5 ACONDICIONAMENTO

Acondicionamento é o procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é


embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas
e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou
a coleta e o acondicionamento.

Tendo sido realizada a coleta da prova/vestígio pelo policial militar, é necessário que o
material seja acondicionado em uma embalagem capaz de garantir a sua integridade.

Essa etapa da cadeia de custódia da prova é de suma importância para a preservação das
características do material. Para tanto, o policial militar deverá atentar para os seguintes
detalhes:
a) O recipiente/invólucro que irá acondicionar o vestígio/prova deve ser determinado
pela natureza do material.
b) Todos os vestígios/provas devem ser selados com lacres, com numeração
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio
durante o transporte.
c) O recipiente/invólucro deve preservar as características do vestígio/prova, de sorte
que impeça qualquer contaminação e vazamento.
d) O recipiente/invólucro deve possuir grau de resistência e espaço adequado para
registro de informações sobre seu conteúdo.

Por fim, o policial militar deverá preencher o formulário da cadeia de custódia da prova,
demonstrado a seguir, consignando as seguintes informações:

a) número do REDS e da respectiva Unidade;


b) especificação do material;
c) quantidade arrecadada;
d) identificação da numeração do invólucro/recipiente e do respectivo lacre;
e) local exato e data/hora da coleta;
f) Unidade, o nome e o n.º de polícia do policial militar responsável pela coleta.

332
Biênio 2022/2023

Figura 08 - Acondicionamento da prova/vestígio

Cadeia de Custódia
da Prova
14.

IMPORTANTE! As informações relativas à prova/vestígio deverão ser


preenchidas de forma correspondente, tanto no campo apropriado do
invólucro/recipiente, quanto no REDS/BO.

333
6.6 TRANSPORTE

Transporte é o ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as


condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a
garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de sua
posse.

O policial militar, após coletar a prova/vestígio e acondiciona-la em invólucro/recipiente


adequado, procederá o seu transporte para o local de destino estabelecido no REDS/BO,
atentando para os cuidados necessários à preservação das suas características/natureza.

ATENÇÃO! As provas/vestígios coletados/apreendidos pela Polícia Militar,


decorrentes de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e que não
foram arrecadados pela Perícia Técnica serão transportados para as Central
de REDS-TC (CREDS-TC), existentes nas Unidades da PMMG, em
conformidade com a legislação castrense que rege o tema.
Por sua vez, as provas/vestígios coletados/apreendidos pela Polícia Militar,
que não são decorrentes de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO)
serão transportados para o local de destino estabelecido no registro do
REDS/BO.

O policial militar, antes de transportar as provas/vestígios, deverá certificar se o


objeto/material apreendido/coletado está acondicionado em recipiente/invólucro
adequado as suas características físicas/químicas/biológicas, sendo que em casos
necessários deverá recorrer ao Coordenador de Policiamento da Unidade (CPU) para o
devido aporte logístico.

Os materiais/objetos apreendidos/coletados, decorrente de infração penal, que por sua


dimensão/estrutura/peso dispensam o transporte em embalagens específicas (Ex: caça-
níquel/aparelhos de som automotivo), deverão ser transportados através dos meios
adequados para a preservação das suas características e sem importar prejuízo a eventual
análise pericial posterior.

334
Biênio 2022/2023

Figura 09 - Transporte do vestígio/prova.

ATENÇÃO! O policial militar responsável pela coleta e acondicionamento


do material apreendido SERÁ O RESPONSÁVEL PELO TRANSPORTE, com as
cautelas legais, para a CREDS-TC/Delegacia de Polícia e, somente em caráter
excepcional, devidamente motivado, poderá ocorrer a transferência da posse
do material antes do seu recebimento pela CREDS-TC/Delegacia de Polícia. Essa
situação deverá ser consignada no REDS/BO.

Os objetos/materiais apreendidos/coletados, provenientes de Termo Circunstanciado de


Ocorrência (TCO) e armazenados nas Unidades da PMMG poderão ser transportados para
outros órgãos a fim de serem submetidos a exames periciais, entretanto, o policial militar
que exerce a função na CREDS-TC, além do rígido controle, deverá proceder o devido
controle das pessoas que tiverem acesso ao material armazenado, as quais deverão ser
identificadas, com registro da data, a hora do acesso e a sua destinação, para garantir a
rastreabilidade da prova/vestígio.

Cadeia de Custódia
da Prova
O policial militar poderá proceder ao registro da tramitação do vestígio/prova através dos 14.
próprios formulários do REDS/BO, contudo, é imprescindível proceder a devida
associação ao REDS/BO registrado inicialmente.

6.7 RECEBIMENTO

Recebimento é o ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser


documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de procedimento e
unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de quem transportou o
vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo,
assinatura e identificação de quem o recebeu.

335
O recebimento da prova/vestígio se dará no local estabelecido no REDS/BO, em
conformidade com as diretrizes estabelecidas na DIAO.

ATENÇÃO! Nas infrações penais comuns essa etapa será realizada pela Delegacia
de Polícia Civil/Federal, com os devidos registros no REDS/BO e definidos pela DIAO.
Nas infrações de menor potencial ofensivo (TCO), registradas pela PMMG, essa
fase será realizada pela Central de Registro de Eventos de Defesa Social - Termo
Circunstanciado (CREDS-TC), previstos nas Unidades da PMMG e regido por
legislação específica.

6.8 PROCESSAMENTO

O processamento consiste no exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo


com a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim
de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido por
perito.

IMPORTANTE! Essa etapa será exercida pela perícia técnica científica, a qual
aplicará a metodologia/técnica adequada para análise do vestígio, de acordo com
as prescrições legais.

Em situações em que os objetos/materiais apreendidos/coletados, provenientes de


Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e receberem o processamento nas Unidades
da PMMG, pela perícia técnica científica, o policial militar que exerce a função na CREDS-
TC deverá proceder o devido controle das pessoas que tiverem acesso ao material
armazenado, as quais deverão ser identificadas, com registro da data, a hora do acesso e
a sua destinação, para garantir a rastreabilidade da prova/vestígio.

6.9 ARMAZENAMENTO

Armazenamento é o procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do


material a ser processado, guardado para realização de contra perícia, descartado ou
transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente.

ATENÇÃO! Nas infrações penais comuns essa etapa será realizada pelo Instituto de
Criminalística, cuja destinação caberá à Polícia Civil/Federal, nos termos do CPP.
Nas infrações de menor potencial ofensivo (TCO), registradas pela PMMG, essa
fase será realizada pela Central de Registro de Eventos de Defesa Social - Termo
Circunstanciado (CREDS-TC), previstos nas Unidades da PMMG e regido por legislação
específica.

336
Biênio 2022/2023

6.10 DESCARTE

Descarte é o procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação


vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial.

IMPORTANTE! Independentemente do local onde estiver armazenado o


vestígio/prova, seja no Instituto de Criminalística ou na CREDS-TC, o descarte do
vestígio SOMENTE ocorrerá mediante autorização judicial.

O descarte do vestígio/prova armazenado nas UEOp/PMMG, decorrente de registro de


TCO e com a autorização formal da Autoridade Judiciária, deverá ser registrado pelo
policial militar designado para a adoção das medidas legais, o qual utilizará do REDS/BO,
vinculado/associado ao registro inicial, para descrever os procedimentos adotados para
a destruição do objeto/material, além de indicar o local, dia, horário, 02 (duas)
testemunhas.

Para a transparência e lisura dos atos praticados para o descarte da prova/vestígio,


proveniente de autorização judicial, os procedimentos policiais deverão ser registrados
por meio de fotografia/vídeo, o qual será anexado ao REDS/BO relativo ao evento de
defesa social.

7. ETAPAS DA CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA NAS INFRAÇÕES PENAIS COMUNS


E NAS INFRAÇÕES PENAIS RELACIONADAS AOS CRIMES DE MENOR POTENCIAL
OFENSIVO

De acordo com a legislação penal vigente, a depender da infração penal praticada, a

Cadeia de Custódia
PMMG atua em praticamente todas as etapas da cadeia de custódia da prova. Por isso, a

da Prova
14.
observância de suas regras é de suma importância para garantir a integridade do
conjunto probatório.

Vale ressaltar que, no calor dos fatos, ainda que sejam claros e inequívocos os motivos
que embasaram uma prisão em flagrante, o autor do crime poderá não ser condenado
caso haja dúvidas em relação à sua autoria, cujas imprecisões podem ser provocadas
justamente pela contaminação dos vestígios decorrente do descumprimento das regras
da cadeia de custódia.

Diante da atuação em eventos de defesa social, o policial militar deverá cumprir,


rigorosamente, cada etapa da cadeia de custódia da prova, demonstrada nos esquemas
a seguir:

337
Esquema 1: Atuação da PMMG nas etapas da cadeia de custódia da prova em INFRAÇÕES
PENAIS COMUNS

Reconhecimento
Isolamento Comparecendo a perícia técnica científica no local
do crime, as etapas da fixação, coleta,
Fixação
acondicionamento e transporte da prova ficará a
Coleta cargo do órgão específico, cabendo ao policial militar
Acondicionamento lavrar o BO/REDS de acordo com as diretrizes contidas
Transporte na DIAO e constar no histórico o comparecimento da
perícia técnica no local do crime, além de anotar e
conferir o material apreendido pelo perito.

Não comparecendo a Perícia Técnica,


o Policial Militar deverá cumprir as Recebimento
etapas do Reconhecimento até o Processamento
transporte, encaminhando as Armazenamento
provas/vestígios para a Delegacia de
Descarte
Polícia.

Esquema 2: Atuação da PMMG nas etapas da cadeia de custódia da prova em INFRAÇÕES PENAIS
DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO

Reconhecimento
Nos eventos de defesa social relacionados as
Isolamento
infrações penais de menor potencial ofensivo,
Fixação
Coleta registrados pela PMMG, todas as etapas, à
Acondicionamento exceção do “Processamento”, serão
Transporte realizadas pelos integrantes da Instituição,
Recebimento conforme preconizado na legislação específica
Processamento que rege o tema.
Armazenamento
Descarte

IMPORTANTE: A etapa do
processamento será de
responsabilidade da perícia técnica
científica, nos termos do CPP.

338
Biênio 2022/2023

8 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS EM INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL


OFENSIVO

As infrações penais de menor potencial ofensivo estão relacionadas aos crimes e


contravenções penais a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada
ou não com multa.

Nesses casos, como já sabido, o policial militar irá realizar o atendimento e lavrar o Termo
Circunstanciado de Ocorrência, em obediência à legislação em vigor, situação em que
adotará as providências legais e cabíveis para o cumprimento das etapas da cadeia de
custódia da prova demonstradas no Esquema 2 do presente manual.

Por outro lado, nos crimes comuns, em que a pena cominada supera 2 anos, a providência
a ser adotada consiste no registro, prisão e condução do autor do fato à presença de
delegado, em conformidade com as diretrizes estabelecidas na DIAO e demonstrada no
Esquema 1 deste manual.

Nesse sentido, o procedimento a ser adotado pelo policial militar responsável pelo
atendimento da ocorrência e registro do REDS será o seguinte:

a) Comparecer ao local da ocorrência policial e adotar as seguintes providências


preliminares, em conformidade com a Diretriz Integrada de Ações e Operações (DIAO) e
etapas pertinentes da cadeia de custódia:

I. prestar socorro, se necessário;

II. identificar a infração penal como sendo de menor potencial ofensivo, cientificando,

Cadeia de Custódia
preliminarmente, o CPU/CPCia, onde houver, e COPOM/SOU/SOF ou

da Prova
correspondente; 14.

III. entrevistar as partes envolvidas (vítima, autor e testemunhas);

IV. verificar se há algum material de potencial interesse para apuração do fato (vestígio)
e suas circunstâncias no local da ocorrência e, em caso afirmativo, providenciar o
seu isolamento e acionar a perícia técnica científica;

V. a coleta dos materiais deverá ser realizada, preferencialmente, por perito oficial, que
dará o encaminhamento necessário;

339
VI. não sendo o caso de realização de perícia no local do crime ou não comparecendo
o perito, coletar, acondicionar e transportar, até o local de armazenamento da
Unidade de Execução Operacional (UEOp)/Fração PM, eventual material que tenha
relação com o fato ou que deverá ser submetido a futura análise pericial,
respeitando suas características e natureza, atentando para os procedimentos:

 fotografar e/ou filmar o material reconhecido como vestígio, no local onde foi
encontrado, para fins de anexar ao REDS, em observância à etapa da “fixação”,
presente na Cadeia de Custódia;

 para manusear e coletar os vestígios, sempre que possível, o policial militar deverá
utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), a exemplo de luvas de proteção,
visando preservar o vestígio no objeto e possibilitar a análise futura da perícia
técnica;

 a coleta dos vestígios deverá ser realizada por policial militar integrante da equipe
responsável pelo registro da ocorrência;

 acondicionar o vestígio coletado em invólucro/recipiente individualizado, de


acordo com o tipo de material, o qual, além de ser apropriado à sua
natureza/especificidade, deverá ser selado com lacre numerado, de modo a
garantir a inviolabilidade e idoneidade durante o transporte, bem como estar
devidamente identificado e preenchido os dados constantes no invólucro;

 preencher o formulário próprio da cadeia de custódia, consignando, no mínimo,


as seguintes informações:
 número do REDS e da Unidade responsável pela coleta e registro;
 especificação do material;
 quantidade arrecadada;
 identificação da numeração do invólucro/recipiente e do respectivo lacre;
 local exato e data/hora da coleta;
 unidade, o nome e o número de polícia do militar coletor e transportador até a
CREDS-TC;
 nome, número de polícia do militar recebedor na CREDS-TC e o protocolo de
recebimento;
 assinaturas e rubricas.

340
Biênio 2022/2023

VII. esclarecer à vítima, nos casos de infrações penais de ação penal pública
condicionada à representação ou de ação penal privada, do prazo e da necessidade
de representar ou pedir providência em desfavor do autor e colher sua manifestação
em formulário próprio do REDS, histórico ou campo próprio do REDS, atentando
ainda para os procedimentos elencados;

VIII. colher, em formulário próprio do REDS, histórico ou campo próprio do REDS, o


compromisso do autor em comparecer em juízo na data e hora predeterminadas ou
conforme agendamento posterior;

IX. havendo manifestação da vítima em representar (nos crimes de ação pública


condicionada) e se comprometendo, formalmente, o autor em comparecer ao
JECrim, liberar as partes envolvidas na ocorrência (vítima, autor e testemunhas);

X. havendo negativa do autor em comparecer ao JECrim, e a manifestação da vítima


em representar nos crimes de ação pública condicionada, dar voz de prisão em
flagrante ao autor, conduzindo os envolvidos na ocorrência e vestígios
coletados/apreendidos para o local previamente definido pela Unidade/Fração,
onde serão adotados os procedimentos para a lavratura do REDS e, posteriormente,
para a Delegacia de Polícia Civil, para o encerramento do REDS.

XI. registrar o REDS, constando no histórico sobre o comparecimento ou não da perícia


técnica, a infração penal, as declarações da vítima, do autor, das testemunhas fato,
bem como descrever em campo próprio do REDS os vestígios
coletados/apreendidos alusivos ao evento;

XII. antes de finalizar o REDS, dar ciência dos fatos e providências adotadas ao
CPU/CPCia, onde houver, e COPOM/SOU/SOF ou correspondente;

Cadeia de Custódia
da Prova
XIII. preencher o formulário próprio da cadeia de custódia, definido em norma específica 14.
da Instituição; ( não seria interessante inserir esse formulário

XIV. ao final dos registros de REDS, em que as partes foram liberadas no local, entregar
a ocorrência e seus anexos impressos, enquanto não houver recurso de transmissão
eletrônica direto ao JECrim, além do material coletado, na CREDS-TC da
UEOp/Fração PM.

b) O policial militar poderá realizar o registro do REDS no local do fato, havendo meios
disponíveis para tal procedimento.

341
9. CONCLUSÃO

A cadeia de custódia é um conjunto de procedimentos utilizados para manter e


documentar a história cronológica do vestígio, com o intuito de rastrear sua posse e seu
manuseio a partir do reconhecimento (fase inicial) até o descarte (fase final), garantindo-
se sua autenticidade, ou seja, que a prova apresentada em juízo é exatamente a mesma
que a coletada inicialmente.

O procedimento agora estabelecido em lei permitirá ao juiz, quando sustentada eventual


violação da cadeia de custódia, sopesar a confiabilidade do resultado da prova, e efetuar
a verificação da autenticidade segundo seu livre convencimento motivado (art. 155, CPP),
tratando-se de uma questão de valoração probatória.

Foi intenção deste trabalho, demonstrar que o policial militar tem papel fundamental no
processo de cadeia de custódia da prova, uma vez que caberá a ele ações iniciais de
guarda e preservação do local do crime, provas, elementos informativos, entre outros.
Desta forma, se fez necessária a realização de adequação/aprimoramento de seus
procedimentos de atuação, por meio do presente Treinamento Policial Básico.

342
AVALIAÇÃO
15
FÍSICA MILITAR
1 INTRODUÇÃO

O serviço policial militar exige boa aptidão física, uma vez que, pela peculiaridade da
atividade, o policial caminha, corre, permanece em pé por horas, além de carregar
equipamento pesado distribuído pelo corpo nos coletes e cintos de guarnições,
obrigando-o a utilizar força física exaustivamente. Dentre as atividades desenvolvidas
pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), com o escopo de fomentar a prática regular
de atividade física, há a Avaliação Física Militar (AFM) no Treinamento Policial Básico (TPB),
oportunidade na qual o militar é avaliado quanto à manutenção de sua forma física. Esta
atividade, embora de cunho avaliativo, é importante para a melhoria da sua saúde em
geral, pois a prática sistemática de atividade física traz diversos benefícios para a saúde,
evitando doenças hipocinéticas e alterações metabólicas que podem interferir no seu
bem-estar (MATOS e LIBERALI, 2013).

É de interesse da nossa instituição que você, policial militar, tenha boa saúde e higidez
física, mas antes de tudo, é de interesse de seus familiares que você goze de boa saúde!
A manutenção do bom condicionamento físico deve ser vista como algo natural e
inerente ao militar. Neste sentido, deve-se
resguardar a cada dia a sua saúde e o bem-estar
para que estes desenvolvam satisfatoriamente
sua função de proteção à sociedade.

2 OBJETIVO DA DISCIPLINA

Apurar o condicionamento físico dos policiais militares do Estado de Minas Gerais


obtendo diagnóstico que subsidie ações de continuidade do treinamento físico por parte
do policial militar e da Unidade à qual este pertence.

Para o TPB, a Avaliação Física Militar (AFM) é composta de Controle Fisiológico (CF) e
Testes de Capacitação Física (TCF). O CF é de responsabilidade da Unidade a qual pertence
o militar e será realizado dentro do Programa de Saúde Ocupacional do Policial Militar
(PSOPM). Já os TCF são as avaliações realizadas nas modalidades flexão abdominal tipo
remador, flexão estática e dinâmica na barra fixa e corrida de 2.400m, que buscam
aferir, respectivamente a força de resistência abdominal, força de resistência dos
membros superiores e resistência cardiorrespiratória.

344
Biênio 2022/2023

3. FORÇA DE RESISTÊNCIA ABDOMINAL – ABDOMINAL TIPO REMADOR

Os músculos abdominais representam grande importância na estabilização da zona


lombar e no controle do posicionamento do tronco no espaço e estão ligados também à
rotação e flexão do tronco. O fortalecimento desse grupo muscular melhora o equilíbrio
postural, a sustentação visceral, a eficiência respiratória, a eficiência no processo
digestivo, a prevenção contra traumatismos (baço e fígado), a proteção e prevenção ao
aparecimento de hérnias e a melhoria estética, (GERALDES, 1993).

3.1 OBJETIVO

 Mensurar, indiretamente, a resistência dos músculos do abdômen;

 O avaliado deverá realizar o máximo de repetições no tempo de 60 (sessenta)


segundos, na flexão abdominal.

3.2 PROCEDIMENTOS

3.2.1 Inicialmente o avaliado coloca-se deitado em decúbito dorsal com os membros


inferiores estendidos paralelamente e os membros superiores estendidos, também,
paralelamente; porém, acima da cabeça, com o dorso das mãos tocando o solo;

3.2.2 Ao comando do aplicador, o avaliado inicia a modalidade, flexionando


simultaneamente o quadril e os joelhos, com as plantas dos pés apoiadas no solo,
adotando a posição sentada, mantendo os braços estendidos paralelos ao solo, de modo
que os cotovelos se alinhem com os joelhos, retornando à posição inicial quando os
membros superiores estendidos, ou não, deverão encostar-se ao solo acima da cabeça,
momento em que será contabilizada uma execução;
3.2.3 O afastamento entre os membros inferiores não deve exceder à largura dos quadris
do avaliado e o afastamento dos membros superiores não deve exceder à largura dos
seus ombros;
Física Militar
Avaliação

3.2.4 Ao comando de "Prepara... Vai!", aciona-se o cronômetro e o avaliado inicia os 15.


movimentos;

3.2.5 Ao comando de “Pare!”, é finalizada a execução dos movimentos e o cronômetro


é travado.

3.2.6 Poderá ser utilizado sinal sonoro por apito no início e fim da contagem, à critério do
avaliador, desde que os avaliados sejam previamente orientados;

345
3.2.7 O repouso entre os movimentos é permitido na posição inicial, entretanto, o objetivo
é realizar o maior número possível de execuções em sessenta segundos;

3.2.8 Somente serão considerados, para contagem, os movimentos executados completos


e corretamente; não será computada a repetição quando o avaliado utilizar qualquer
forma de auxílio durante o movimento, como abraçar ou apoiar-se nos joelhos e/ou nas
pernas ou, ainda, apoiar os cotovelos no solo;

3.2.9 Os pés deverão tocar o solo durante a execução do movimento tanto na flexão,
quanto na extensão de tronco/quadril;

3.2.10 Deverá ocorrer, simultaneamente, a flexão e extensão do quadril, tronco e joelhos


do avaliado;

3.2.11 Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade.

3.3 OBSERVAÇÃO

Deverá ser utilizado local plano e um material acolchoado para execução do exercício,
sempre que possível. Será permitida apenas uma tentativa.

Figura 01 - Avaliação da força de resistência abdominal (ambos os sexos).

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

346
Biênio 2022/2023

4 AVALIAÇÃO DE FORÇA DE RESISTÊNCIA DE BRAÇO NA BARRA FIXA

Em cumprimento das diversas atividades típicas policiais, o militar executa inúmeras


tarefas motoras com diferentes níveis de intensidade, incluindo corridas, saltos, tiros,
sustentação de armas pesadas por períodos prolongados, transposição de muros. Devido
a tais competências, torna-se imprescindível o desenvolvimento de força e resistência
muscular dos membros superiores deste público. Para isso, a flexão de braço na barra fixa
será representada como prova de força do policial militar.

4.1 FLEXÃO ESTÁTICA (ISOMÉTRICA) - FEMININO

4.1.1 Objetivo

 Mensurar, indiretamente, a força de resistência dos membros superiores.

4.1.2 Procedimentos

[Link] As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto
(posição pronada) e distantes a uma largura correspondente à dos ombros da avaliada;

[Link] A avaliada poderá ser auxiliada por um apoio (banco, cadeira, dentre outros) para
se posicionar na barra, até que seu queixo ultrapasse o nível da barra, para o início da
modalidade;

[Link] Após a avaliada estar em posição para iniciar a modalidade, será retirado o apoio,
momento em que será acionado o cronômetro, iniciando-se a avaliação;

[Link] A avaliada deverá utilizar força máxima, objetivando manter-se, pela força dos
membros superiores, suspensa durante o maior tempo possível, com o queixo acima do
nível da barra, sem tocá-la;

[Link] O cronômetro será travado quando a avaliada sair da posição do queixo acima do
Física Militar
Avaliação

nível da barra ou encostá-lo na barra ou, ainda, encostar os pés nos postes de 15.
sustentação;

[Link] As pernas da avaliada deverão permanecer na posição flexionada e cruzadas


durante toda a execução da modalidade;

[Link] Não será permitido o uso de acessórios pela avaliada para realizar a modalidade;

347
[Link] Será pontuado o tempo em que a avaliada conseguir manter-se com o queixo
acima do nível da barra, desde que também cumpra os demais procedimentos acima
descritos;

Figura 02 - Avaliação da força de resistência na barra fixa-Feminino

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

4.1.3 Observações

 Não permitir que a avaliada encoste o queixo na barra;


 Não permitir movimentos de quadris ou pernas e extensão da coluna cervical como
formas de auxiliar na execução da modalidade;
 Será permitida apenas uma tentativa.

348
Biênio 2022/2023

4.2 FORÇA DE RESISTÊNCIA DE BRAÇO NA BARRA FIXA - FLEXÃO DINÂMICA


(ISOTÔNICA) NA BARRA – MASCULINO

4.2.1 Objetivo

 Mensurar de forma indireta a força de resistência dos membros superiores.

4.2.2 Procedimentos

[Link] A barra deve ser instalada a uma altura tal que o avaliado, mantendo-se pendurado
com os cotovelos em extensão, não tenha contato dos pés com o solo;

[Link] As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto
(posição pronada) e distantes a uma largura correspondente à dos ombros do avaliado;

[Link] Os membros superiores devem estar completamente estendidos;

[Link] Após assumir a posição, o avaliado tentará elevar o corpo até que o queixo
ultrapasse o nível da barra, após o que retornará à posição inicial;

[Link] O movimento é repetido tantas vezes quanto possível, sem limite de tempo;

[Link] As pernas do avaliado deverão permanecer na posição estendidas e paralelas


durante toda a execução dos movimentos;

[Link] Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;

[Link] Será contado o número de movimentos completados, desde que cumpra os


demais procedimentos acima descritos.

4.2.3 Observações
Física Militar
Avaliação

 Verificar se os cotovelos estão em extensão total para o início de flexão; 15.

 Será permitido o repouso entre um movimento e outro, com os braços totalmente


estendidos, contudo, o avaliado não poderá apoiar os pés;
 Conferir se o queixo do avaliado ultrapassa o nível da barra durante o movimento
de flexão dos cotovelos (subida);
 Não permitir movimentos de quadris ou pernas e extensão da coluna cervical como
formas de auxiliar na execução da modalidade;
 Não permitir que o avaliado encoste o queixo na barra;

349
 Os movimentos não executados completamente ou de forma incorreta, não serão
considerados, para efeito de contagem;
 Não será permitido nenhum tipo de apoio ou contato com os pés, após iniciada a
modalidade;
 Será admitida apenas uma tentativa.

Figura 03 - Avaliação flexão dinâmica (isotônica) na barra – Masculino

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

5. RESISTÊNCIA CARDIORRESPIRATÓRIA – CORRIDA 2400 METROS

O VO2máx é o volume máximo de oxigênio que o corpo consegue “pegar” do ar que está
dentro dos pulmões, levar até os tecidos através do sistema cardiovascular e usar na
produção de energia, numa unidade de tempo. Em outras palavras, quanto melhor o seu
VO2max, mais resistência ao esforço você terá. Exercícios como correr e atividades
relacionadas com a profissão militar como abordagem, incursão, perseguição e defesa
pessoal demonstram a importância da resistência cardiorrespiratória para melhor
desempenho da profissão.

5.1 OBJETIVO

 Mensurar, indiretamente, a capacidade aeróbica por intermédio da corrida de


2400m.

350
Biênio 2022/2023

5.2 PROCEDIMENTOS

5.2.1 Corrida de 2.400m (dois mil e quatrocentos) metros, prova que deverá ser cumprida
no menor tempo possível;

5.2.2 A modalidade será realizada em pista fechada ou em local aberto adequado,


devidamente aferida a distância;

5.2.3 O avaliado deverá trajar vestuário adequado para a modalidade e apresentar-se


conforme normas, não sendo permitido correr descalço.

5.2.4 Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;

5.2.5 Não será permitido ao avaliado parar ou abandonar o trajeto e/ou local de execução
da modalidade, sendo eliminado (a) caso o faça;

5.2.6 Será permitida apenas uma tentativa.

5.3 Observações

 Cada avaliado receberá um número e cada vez que passar pela sua banca
examinadora deve expressá-lo em voz alta;
 O relógio pode ser utilizado pelo avaliado, porém a marcação oficial é a da
comissão.

Figura 04 - Avaliação Resistência cardiorrespiratória – Corrida 2400M.

Física Militar
Avaliação

15.

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

Todas as orientações e critérios para a realização da Avaliação Física Militar no


TPB e demais cursos da PMMG se encontram melhor detalhados na Resolução
nº 4.643, de 28 de dezembro de 2017.

351
6. TABELAS DE PONTUAÇÃO DO TESTE DE CAPACITAÇÃO FÍSICA DO TREINAMENTO
POLICIAL BÁSICO (TPB)

Tabela 01 - CORRIDA DE 2.400M (MASCULINO)


IDADE / TEMPO
NOTA ATÉ 25 26/30 31/35 36/40 41/45 46/50 > 51
ANOS ANOS ANOS ANOS ANOS ANOS ANOS
10,0 10:30 10:50 11:10 11:30 12:50 13:50 14:50
9,0 10:50 11:10 11:30 11:50 13:10 14:10 15:10
8,0 11:10 11:30 11:50 12:10 13:30 14:30 15:30
7,0 11:30 11:50 12:10 12:30 13:50 14:50 15:50
6,0 11:50 12:10 12:30 13:20 14:50 16:00 16:20
5,0 12:10 12:30 12:50 13:50 15:00 16:10 16:30
4,0 12:30 12:50 13:10 14:00 15:20 16:30 16:50
3,0 12:50 13:10 13:30 14:10 15:30 16:50 17:10
2,0 13:10 13:30 13:50 14:20 15:50 17:10 17:20
1,0 13:30 13:50 14:10 14:30 16:00 17:30 17:40

Tabela 02 - CORRIDA DE 2.400M (FEMININO)


IDADE / TEMPO
NOTA ATÉ 25 26/30 31/35 36/40 41/45
>46 ANOS
ANOS ANOS ANOS ANOS ANOS
10,0 12:50 13:10 13:30 14:00 14:50 15:50
9,0 13:10 14:30 14:50 15:10 16:10 16:20
8,0 13:50 15:00 15:10 16:30 16:50 17:10
7,0 14:50 15:30 15:50 17:00 17:30 18:50
6,0 15:40 16:00 17:20 17:50 18:20 19:20
5,0 15:50 16:10 17:30 18:10 18:40 19:40
4,0 16:10 16:30 17:40 18:20 19:10 20:00
3,0 16:30 16:50 18:00 18:40 19:20 20:20
2,0 16:50 17:10 18:10 19:00 19:30 20:50
1,0 17:00 17:30 18:20 19:10 19:50 21:00

352
Biênio 2022/2023

Tabela 03 - FLEXÃO NA BARRA (MASCULINO)


IDADE / TEMPO
NOTA 31/35 36/40 > 41
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS
ANOS ANOS ANOS
10,0 11 10 7 6 5
9,0 10 8-9 6 5 4
8,0 8-9 6-7 5 4 3
7,0 6-7 5 4 3 2
6,0 5 4 3 2 1
5,0 4 3 2 1 xx
4,0 3 2 1 xx xx
3,0 2 1 xx xx xx
2,0 1 xx xx xx xx
1,0 xx xx xx xx xx
O avaliado que não executar nenhuma repetição terá nota zero na modalidade.
A pontuação é válida a partir da 1ª barra.

Tabela 04 - FLEXÃO NA BARRA (FEMININO)


IDADE / TEMPO
NOTA 31/35 36/40 > 41
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS
ANOS ANOS ANOS
10,0 21”00 19”00 16”00 13”00 09”00
9,0 19”00 16”00 13”00 10”00 08”00
8,0 16”00 13”00 10”00 08”00 07”00
7,0 13”00 10”00 08”00 07”00 06”00
6,0 09”00 08”00 07”00 06”00 05”00
5,0 08”00 07”00 06”00 05”00 04”00
Física Militar
Avaliação

4,0 07”00 06”00 05”00 04”00 03”00 15.


3,0 06”00 05”00 04”00 03”00 02”00
2,0 05”00 04”00 03”00 02”00 01”00
1,0 04”00 03”00 02”00 01”00 00”80

353
Tabela 05 - FLEXÃO ABDOMINAL (MASCULINO)
IDADE / TEMPO
NOTA 31/35 36/40
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS > 41 ANOS
ANOS ANOS
10,0 51-55 46-50 41-45 36-40 34-35
9,0 46-50 41-45 36-40 34-35 32-33
8,0 41-45 36-40 34-35 32-33 30-31
7,0 36-40 34-35 32-33 30-31 28-29
6,0 34-35 32-33 30-31 28-29 26-27
5,0 32-33 30-31 28-29 26-27 24-25
4,0 30-31 28-29 26-27 24-25 22-23
3,0 28-29 26-27 24-25 22-23 20-21
2,0 26-27 24-25 22-23 20-21 18-19
1,0 25 22-23 20-21 18-19 16-17

Tabela 06 - FLEXÃO ABDOMINAL (FEMININO)


IDADE / TEMPO
31/35 36/40
NOTA ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS > 41 ANOS
ANOS ANOS
10,0 46-50 41-45 36-40 34-35 32-33
9,0 41-45 36-40 34-35 32-33 30-31
8,0 36-40 34-35 32-33 30-31 28-29
7,0 34-35 32-33 30-31 28-29 26-27
6,0 32-33 30-31 28-29 26-27 24-25
5,0 30-31 28-29 26-27 24-25 22-23
4,0 28-29 26-27 24-25 22-23 20-21
3,0 26-27 24-25 22-23 20-21 18-19
2,0 24-25 22-23 20-21 18-19 16-17
1,0 22-23 20-21 18-19 16-17 14-15

354
Biênio 2022/2023

7 CONCLUSÃO

O serviço policial militar é classificado como um dos ofícios mais estressantes e


desgastantes para o profissional que o exerce. Essa profissão trata diariamente com
fatores de riscos que envolvem capacidades físicas e psicológicas, exigindo assim um
preparo tanto do corpo quanto da mente, para o cumprimento da missão da preservação
da ordem pública.

É nesta perspectiva que a atividade física, vem para promover uma melhor qualidade de
vida aos integrantes da corporação. Afinal, para suportar uma jornada exaustiva de
trabalho armado e equipado, ou seja, carregando cerca de 20 quilos a mais do seu peso
normal, o policial militar necessita estar com seu preparo físico apurado, caso contrário
isso pode lhe custar a vida.

8 REFERÊNCIAS
CARVALHO, A. C. A.; LACERDA, F. B.; DE MACÊDO, M. P. Treinamento De Estabilização Central
em Atletas de Triathlon: Um Estudo Clínico. Fisioterapia & Saúde Funcional, v. 3, n. 2, p. 24-
30, 2014.

DELAVIER, Frédéric; GUNDILL, Michael. Treinamento do core abordagem anatômica. 1 ed.


Barueri,SP : Manole, 2013.

GERALDES, A. A. R. Ginástica Localizada. Teoria e Prática. RJ, 2ª edição. Editora Sprint, 1993.

LIBERALI, R; MATOS, C B. Desempenho de Policiais Militares da Região Metropolitana de


Belo Horizonte no Teste de Aptidão Física do Treinamento Policial Básico durante o biênio
2010/2011. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v. 7, n 38, p 139-
146. 2013.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. Instrução de Educação Militar nº 004/2019, de 02 de


setembro de 2019 – Regula os procedimentos para a realização de Treinamento
Complementar na PMMG. Belo Horizonte: 2019.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. Resolução 4.643, de 28 de dezembro de 2017 - Dispõe sobre
orientações e critérios para a realização da Avaliação Física Militar na disciplina de
Educação Física nos cursos e no Treinamento Policial Básico da Polícia Militar de Minas
Física Militar
Avaliação

Gerais e dá outras providências. Belo Horizonte, 2017. 15.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. Resolução 4.739/2018, de 26 de outubro de 2018 – Aprova as


Diretrizes de Educação da Polícia Militar de Minas Gerais e dá outras providências. Belo
Horizonte: 2018.

PLATZER, Werner. Anatomia. 9. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

PULEO, Joe. Anatomia da corrida. São Paulo. Manole, 2011.

355
ANEXO “A”

MÉTODOS DE TREINO PARA O TESTE DE ABDOMINAL

A musculatura abdominal é de grande importância para o trabalho harmonioso de todo


o corpo, além de servir como proteção para coluna vertebral, em paralelo aos músculos
lombares, fornecendo importante suporte para coluna (PLATZER, 2008). Uma musculatura
abdominal enfraquecida e protusa coloca os discos intervertebrais em situação instável,
aumentando os riscos de degeneração lombar, e hérnias discais (DELAVIER; GUNDILL,
2013).

A habilidade de estabilizar o centro corporal e a capacidade de absorver cargas repetitivas


que convergem para o tronco, representam um papel crucial na performance do atleta,
esportista, e praticante de atividade física, na capacidade de minimizar lesões. O
treinamento do abdômen possui aplicação focada em músculos centrais do corpo
humano, ou seja, no centro de massa, resultando em uma musculatura mais forte e capaz
de desenvolver as atividades cotidianas. (CARVALHO et all, 2014).

O teste de “Abdominal Estilo Remador” visa aferir a resistência de força da musculatura


abdominal do policial militar. São exemplos de treinamento para um bom desempenho
no teste, e, principalmente, uma evolução na força dos músculos do abdômen:

1. FORTALECIMENTO DO CORE

O core é o pilar do nosso corpo e seu fortalecimento é importante para realização de


atividades do dia a dia. Existem diversas maneiras de realizar o treinamento do core.

Figura 01 – Formas de treinamento do core.

356
Biênio 2022/2023

A palavra core é utilizada de muitas maneiras no mundo fitness. Alguns acham que
o core é simplesmente a região abdominal, quando, na verdade, os abdominais
constituem apenas uma fração dos músculos do core.
A palavra core se origina do inglês e significa centro, núcleo. Em anatomia, é utilizada
para se referir aos músculos profundos das regiões abdominal, lombar e pélvica, que têm
Física Militar
Avaliação

como finalidade manter a estabilidade dessas regiões. 15.

Portanto, a musculatura do core é a responsável pela sustentação e estabilização de


praticamente todos os movimentos de nosso corpo e, quando a fortalecemos, evitamos
lesões e aumentamos nossa força e a potência muscular.

357
ANEXO “B”

MÉTODOS DE TREINO PARA O TESTE DE BARRA

O teste tem por objetivo avaliar a força/resistência dos músculos dos membros superiores
e da cintura escapular com o corpo em suspensão em uma barra fixa por meio do
movimento de flexão e extensão dos cotovelos. Os principais músculos (músculos
primários) envolvidos no movimento são: latíssimo do dorso, redondo maior e
romboides. A musculatura secundária utilizada no exercício envolve bíceps braquial e
peitoral maior.

Figura 01 - Barra fixa dinâmica.

Método 1: Uso de meios facilitadores na barra

A) Elástico

O uso de elásticos ou power bands é um dos melhores recursos para um desenvolvimento


de força na barra fixa. Deve ser observada a grossura ou grau de tensão do elástico, pois
quanto mais resistente for o equipamento, maior sua capacidade de auxílio na dinâmica
do exercício. Uma boa dica é começar pelos elásticos de maior resistência, e,
consequentemente, maior força auxiliar, para depois progredir para elásticos menos
resistentes (ou menos espessos), que fornecerão menor grau de ajuda.

358
Biênio 2022/2023

Figura 02 - Barra com auxílio de elástico.

O elástico também pode ser utilizado como meio auxiliar de treinamento da barra fixa
feminina. Basta a militar ajustar o elástico para que auxilie na contração isométrica,
funcionando como um leve.

B) Aparelho graviton

O graviton é um aparelho comum em academias e espaços fitness. Seu uso é interessante


na fase inicial do treinamento para barra fixa e sua possibilidade de mudança de peso
facilita na evolução do treinamento. Um bom exemplo de treinamento é reduzir a carga
de contrapeso (dificultando o exercício) a cada 5 seções de treino. Para cada seção de
treino, um exercício sugerido é a realização de 4 a 5 séries de 08 a 12 repetições, com
descanso médio de 1 minuto entre as séries.

Figura 03 - Aparelho Graviton.

Física Militar
Avaliação

15.

359
C) Leve

O leve ou roubada consiste em um auxílio de outra pessoa exercendo força sobre as


costas, no quadril ou nas pernas do militar no sentido contrário à gravidade. É um método
que não envolve custos ou recursos adicionais, mas exige, além da presença de outra
pessoa, que esta pessoa saiba dosar o nível de força exercida. O interessante é o auxiliar
iniciar com certo nível de força e ir reduzindo gradativamente o “leve” com o passar do
tempo e das sessões de treino, de modo a estimular o desenvolvimento de força do
treinando.

D) Inversão da pegada

A simples inversão da pegada no treino de barra fixa auxilia na execução do exercício,


tornando-se uma boa opção de treinamento com facilitação do exercício. Graças à uma
maior ativação do bíceps braquial, músculo com grande capacidade de torque, a flexão
de cotovelos se dá com maior eficiência comparada à pegada pronada.

Figura 04 - Barra fixa pegada supinada.

E) Treino resistido com aparelho (musculação)

Vários músculos são envolvidos no exercício de flexão na barra (dinâmica ou isométrica)


direta ou indiretamente. Um desenvolvimento geral da musculatura corporal, aliado a
uma redução no percentual de gordura, certamente proporcionará resultados melhores
nos treinos. Deste modo, todos os exercícios capazes de gerar melhorias na resistência
de força de membros superiores, cintura escapular e core trarão benefícios visíveis no
desenvolvimento do exercício, seja com utilização de aparelhagem própria ou por uso do
peso corporal (exercícios funcionais). Contudo, os aparelhos mais específicos que

360
Biênio 2022/2023

trabalham diretamente os grupos musculares primários envolvidos na flexão na barra fixa


são os de pulley costas e suas variações, além do já citado graviton.

Figura 05 - Pulley

Uma boa sugestão de treino para fortalecimento das costas, ombros e membros
superiores é iniciar uma sessão de treino pelos exercícios mais específicos que envolvam
músculos maiores como o pulley costas e passar para músculos menores e menos
específicos como deltóides até chegar nos exercícios de bíceps. Ex: Pulley Costas (ou
mesmo o graviton), Remada Baixa, Desenvolvimento de Ombro, Elevação Lateral,
Encolhimento, Rosca Scoth e Rosca alternada realizados na sequência são exercícios com
relativa simplicidade a serem realizados em um salão de musculação.

Não se pode desconsiderar o princípio do treinamento desportivo relativo à


especificidade do treinamento. De acordo com esse princípio, nenhum exercício, por
mais que possa auxiliar no desenvolvimento geral da aptidão física, é tão indicado para
uma melhoria na sua execução do que a prática do próprio exercício. Com isso, sugere-
Física Militar
Avaliação

se sempre o treino de barra fixa (masculino ou feminino) em sua essência, sem a utilização 15.
de nenhum recurso, com periodicidade, ainda que os demais treinos se mantenham em
evolução.

361
ANEXO “C”

MÉTODOS DE TREINO PARA O TESTE DE CORRIDA 2.400m

O teste de 2400m de Cooper (1968) objetiva verificar de maneira indireta o nível de


condicionamento aeróbio do indivíduo. A capacidade aeróbia é a capacidade de o
organismo captar, transportar e utilizar o oxigênio. O oxigênio consumido no
metabolismo da célula aumenta proporcionalmente com a intensidade do esforço físico
até o limite conhecido por consumo máximo de oxigênio, ou VO2 máx. Quanto maiores
os valores atribuídos ao VO2 máx de um indivíduo, maior é a resistência aeróbia, e
consequentemente, melhor o resultado nos testes. A notícia boa é que podemos
melhorar o nível de VO2 máx com treinamento regular.

Todo início de treinamento deve ser focado em trabalhos de baixa intensidade e


periodicidade adequada. Com o passar do tempo, a rotina de treino deve evoluir para
que o militar não se sinta desanimado e para que as adaptações ao treino continuem
ocorrendo. Nesse sentido, orienta-se iniciar os treinos de corrida com o Treinamento
base. Com duração sugerida de 04 semanas e ritmo leve com volume mais alto de treino.

Após esse período, uma vez por semana é introduzido ao treinamento base o
Treinamento limiar, que melhora o desempenho do corredor favorecendo o
desenvolvimento do sistema cardiotorácico, aumentando a adaptação do aparelho
locomotor por meio de contrações musculares mais rápidas e potencializando a resposta
neurológica do corpo a estímulos (corrida em ritmos mais rápidos). Sugere-se corridas a
70% do VO2Máx ou 70 a 75% da Frequência Cardíaca Máxima.

A fórmula básica (generalizada) para se chegar a uma frequência cardíaca máxima


aproximada é de 220 menos a idade. Nesta fase do treinamento, é importante mesclar
trabalhos de força (ao menos dois por semana) com a corrida. Os trabalhos de força
podem ser realizados em uma academia de musculação ou em qualquer outro ambiente
utilizando os trabalhos funcionais para fortalecimento de membros inferiores
(diretamente envolvidos na corrida), core e até mesmo os membros superiores.

O terceiro elemento a ser inserido no programa de treino é o Treinamento VO2máx,


caracterizado por um curto período de treinamento de alta intensidade focado no
VO2máx. Nesse treinamento, a frequência cardíaca aproxima-se da máxima, contudo, o
volume da atividade deve ser menor. Sugere-se que estes treinos sejam precedidos e
sucedidos de treinos leves ou descanso.

Um bom exemplo de trabalho com foco no VO2máx é o treino intervalado. Nesta


atividade, o militar corre vários tiros separados por períodos de descanso ativo ou passivo
que podem variar. Uma boa média é estabelecer o período de descanso igual ao tempo
de atividade. (ex: várias séries compostas de 2 minutos de corrida intensa seguidos de 2

362
Biênio 2022/2023

minutos de descanso). A seguir temos um modelo de programa de treino para o teste de


corrida de 2400m:

Tabela 01 - Programa de treino para o teste de corrida de 2400m.


SEMANA ATIVIDADE ESTÍMULO FREQÊNCIA
Leve, mas com alternância
de volume (inserir corrida 3 a 5 treinos
1a4 Preparação aeróbica geral
longa de baixa intensidade por semana
na semana)
Como o anterior, porém
Aeróbico leve com treino
com a inserção de um treino 3 a 5 treinos
5a8 no limiar aeróbio (cerca
no limiar aeróbio por por semana
de 70% da FCmáx).
semana.
Como o anterior, porém
Aeróbico leve mesclado
com a inserção de um treino 3 a 5 treinos
9 a 12 com corrida no limiar e
focado no VO2máx por por semana
corridas no VO2máx.
semana.

O tempo de treinamento depende muito da condição em que o militar se encontra no


início do programa preparatório. Para militares mais treinados, os períodos dedicados a
cada atividade podem ser reduzidos até pela metade, enquanto para os militares pouco
treinados ou em fase de recuperação de lesão ou afastamento por saúde, pode ser
ampliado para mais semanas.

Física Militar
Avaliação

15.

363
INSTRUMENTOS DE MENOR
16 POTENCIAL OFENSIVO (IMPO)
ESPARGIDORES E PEIE
APRESENTAÇÃO

A disciplina Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (Espargidores e PEIE), no 11º


Biênio 2022/2023 do Treinamento Policial Básico (TPB), com ênfase nos equipamentos
“Espargidores” e “Pistolas de Emissão de Impulso Elétrico”. Tem como objetivo
desenvolver as competências, habilidades e atitudes necessárias para o emprego desses
instrumentos, alinhados à missão, visão e os valores institucionais.

1 INTRODUÇÃO

Em busca do treinamento e da capacitação contínua dos policiais militares para utilização


de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO), a Polícia Militar de Minas Gerais
(PMMG) inseriu no Biênio 2022/2023 do Treinamento Policial Básico (TPB) a disciplina
IMPO com ênfase nos equipamentos “Espargidores” e “Pistolas de Emissão de Impulso
Elétrico”. O objetivo é desenvolver as competências, habilidades e atitudes necessárias
para o emprego desses instrumentos, alinhados à missão, visão e os valores institucionais.

O treinamento busca alertar os policiais sobre a necessidade do preparo técnico e da


postura ética e profissional quando da utilização dos instrumentos de menor potencial
ofensivo em uma intervenção policial.

Ressalta-se que os policiais da PMMG já passaram por treinamentos para operar tais
equipamentos em biênios anteriores do Treinamento Policial Básico. Da mesma forma, a
matéria de IMPO se faz presente na grade curricular dos diversos cursos de formação,
capacitação e especialização na Instituição. Não obstante à existência de tais
treinamentos, a Instituição busca, por meio da capacitação continuada, massificar o
conhecimento e preparar o policial para portar-se de forma alinhada aos princípios
norteadores da corporação, em especial na proteção e promoção dos direitos e garantias
fundamentais.

Não é tarefa fácil imaginar todas as situações em que um policial militar poderá empregar
um IMPO em uma intervenção policial. Por isso, o treinamento e a capacitação que
privilegiem o aprimoramento do uso das técnicas e táticas policiais adequadas em
situações reais, em decorrência da avaliação do policial militar, é a via preferencial para
condicioná-lo a uma análise rápida e efetiva sobre quando e como utilizar os
instrumentos de menor potencial ofensivo.

366
Biênio 2022/2023

2 OS IMPO E O MODELO DO USO DIFERENCIADO DA FORÇA

Conforme assevera a Constituição da República Federativa do Brasil, o Estado detém o


monopólio do uso da força, que é exercido por intermédio dos seus órgãos de segurança
(BRASIL, 1988).

A força no âmbito policial é definida como sendo o meio pelo qual a Polícia controla uma
situação que ameaça a ordem pública, o cumprimento da lei, a integridade ou a vida das
pessoas. Sua utilização deve ser norteada pelo cumprimento da lei, pela preservação da
vida e da integridade física das pessoas, além da observância dos princípios relacionados
à legalidade, necessidade e proporcionalidade (MINAS GERAIS, 2020).

a) Legalidade - Constitui-se na utilização de força para a consecução de um objetivo


legal e nos estritos limites do ordenamento jurídico.

b) Necessidade - O uso da força será empregado quando, devido às circunstâncias


apresentadas no cenário de atuação, for impossível de se evitar. Guarda relação com a
ação que se espera e o meio disponível.

c) Proporcionalidade - O nível de força utilizado pelo policial militar deve ser compatível,
adequado e aceitável, ao mesmo tempo, com a gravidade da ameaça, representada pela
ação do infrator e com o objetivo legal pretendido.

O MTP 3.04.01/2020 – CG define de forma clara e objetiva a diferença entre “Uso da Força
e Violência”;

A força aplicada por um policial militar é um ato discricionário, legal, legítimo e


profissional. Pode e deve ser usada no cotidiano operacional, sem receio das
consequências advindas de seu emprego, desde que o policial militar cumpra com
os princípios éticos e legais que regem sua profissão.
Deve ficar claro para o policial militar que o uso da força não se confunde com
violência, haja vista que esta última é uma ação arbitrária, ilegal, ilegítima e não
profissional (MINAS GERAIS, 2020, p. 54).

Ademais, o uso da força pelo policial militar se trata de um processo dinâmico, no qual o
nível de força pode aumentar ou diminuir, a depender das circunstâncias de uma
determinada intervenção policial. Este dinamismo é denominado “Uso Diferenciado da
Força” (MINAS GERAIS, 2020)
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

Partindo-se do pressuposto da existência de níveis diferenciados de força, com


escalonamento das possibilidades de ação policial militar frente a uma potencial ameaça 16.
a ser controlada, destaca-se que tais níveis perpassam desde a simples presença policial,
até o emprego dos Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo e, em casos extremos,
levam ao uso letal da força.

367
A figura a seguir representa visualmente a proposta do uso diferenciado de força adotado
pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), na qual, do lado esquerdo, tem-se a
percepção do policial militar em relação à atitude do abordado e, do lado direito,
encontram-se os possíveis níveis diferenciados de resposta.

Figura 01 - Modelo do Uso Diferenciado da Força.

Fonte: (MINAS GERAIS, 2020).

Conforme se observa no modelo apresentado, o uso dos Instrumentos de Menor


Potencial Ofensivo se apresenta como alternativa anterior ao uso da força potencialmente
letal.

Para aplicação do Uso Diferenciado da Força, o policial militar deverá observar os níveis
de força em cada situação, sendo divididos em:

a) Nível primário (Presença Policial e Verbalização);


b) Nível secundário (Técnicas de menor potencial ofensivo);
c) Nível terciário (Força potencialmente letal).

368
Biênio 2022/2023

O controle com instrumentos de menor potencial ofensivo é enquadrado no Nível


Secundário, no qual podem ser utilizados diversos instrumentos, conforme prevê o
Manual Técnico-Profissional 3.04.01/2020:

Neste nível, o policial militar recorrerá aos instrumentos disponíveis, tais como:
bastão tonfa, gás/agentes químicos, algemas, elastômeros (munições de impacto
controlado), armas de impulso elétrico, emprego de cães, entre outros, com o fim
de anular ou controlar o nível de resistência (MINAS GERAIS, 2020, p.60).

A terminologia “Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo – IMPO”, utilizada pela PMMG


se justifica pelo fato de, apesar de serem projetados para não causar letalidade, quando
não utilizados de acordo com as recomendações ou diante de infortúnios e circunstâncias
específicas, podem causar lesões graves ou até a morte.

O Manual Técnico-Profissional nº 3.04.012/2013 (Caderno Doutrinário 12), na Seção 1,


conceitua IMPO da seguinte forma:

(...) alternativas anteriores ao uso de força potencialmente letal. Trata-se do


conjunto de armas, munições e equipamentos desenvolvidos com a finalidade de
preservar vidas e minimizar danos à integridade física das pessoas envolvidas
(MINAS GERAIS, 2013, p.22).

Diante das diversas possibilidades que se apresentam ao Policial Militar no cotidiano da


atividade operacional, o treinamento e as ações educacionais para uso do IMPO têm
como objetivo principal desenvolver as competências, habilidades e atitudes necessárias
ao desempenho efetivo da missão policial militar, especificamente quanto ao domínio
das características, manuseio e técnicas de utilização de tais equipamentos.

Embora não seja possível listar as intervenções em que os IMPO possam ser empregados,
o Manual técnico-Profissional nº 3.04.012/2013 descreve situações em que o uso dos
equipamentos pode ser uma importante opção para preservação da vida e minimização
dos danos à integridade física das pessoas:

(...)
 dispersar multidões em manifestações públicas ilegais e legais;
 controlar, dominar e conter infratores ou suspeitos que invistam contra o militar
Instrumentos de Menor

na tentativa de agredi-lo;
Potencial Ofensivo

 em operações de restabelecimento da ordem durante rebeliões em 16.


estabelecimentos prisionais;

369
 para isolar áreas que devam ser retomadas ou ocupadas por forças policiais, em
razão da vulnerabilidade do ponto, por questões estratégicas, ou em cumprimento
às determinações judiciais;
 outras circunstâncias em que, após avaliação e classificação dos riscos para o caso
concreto, seja considerada, pelo comandante da ação ou operação policial, a melhor
opção de emprego, analisada a segurança dos policiais e demais pessoas envolvidas
(MINAS GERAIS, 2013, p. 24).

Conforme observado no modelo do Uso Diferenciado da Força, recomenda-se o uso dos


IMPO em situações em que o abordado se encontre na condição de “Resistente Passivo”
e “Resistente Ativo” (agressão não letal), sendo fundamental para aplicação do nível
adequado da força que o policial classifique e avalie os riscos, destacando-se, para tanto,
a relevância da formação e do treinamento de cada policial militar.

3 ASPECTOS LEGAIS

Além das normas que tratam sobre a regulamentação do uso da força por parte das
instituições de segurança, existem legislações e dispositivos específicos que normatizam
o emprego dos instrumentos de menor potencial ofensivo.

Dentre tais normas, destaca-se a Lei nº 13.060, de 24 de agosto de 2014, que disciplina o
uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública
em todo o território nacional (BRASIL, 2014).

A referida norma preconiza que os órgãos de segurança pública do país deverão priorizar
a utilização dos instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que o seu uso não
coloque em risco a integridade física ou psíquica dos policiais (BRASIL, 2014).

De igual modo, a Portaria Interministerial nº 4226/2010, que estabelece diretrizes sobre


o uso da força pelos agentes de segurança pública, estabelece em seu Anexo I itens que
devem ser levados em consideração quando da utilização dos IMPO por parte dos
policiais militares (BRASIL, 2010).

Segundo a referida Portaria, todo agente de segurança pública, quando em


desenvolvimento de atividade operacional que possa ocasionar situações de uso da força,
deverá portar no mínimo dois instrumentos de menor potencial ofensivo. Da mesma
forma, a Portaria prevê que nenhum agente deverá portar armas de fogo ou instrumentos
de menor potencial ofensivo que não esteja devidamente habilitado (BRASIL, 2010).

Ainda no que diz respeito ao uso de IMPO, a Portaria Ministerial que trata do assunto
prevê que os agentes de segurança deverão preencher um relatório individual do uso da

370
Biênio 2022/2023

força sempre que fizerem uso de instrumentos de menor potencial ofensivo que ocasione
algum tipo de lesão ou morte.

A utilização destes equipamentos sem o devido amparo legal, repercute de forma


negativa, desconstruindo todo um esforço institucional quando da aquisição destes
equipamentos e disponibilização para a atividade operacional.

As diretrizes para utilização dos IMPO por parte da Polícia Militar de Minas Gerais se
encontram, principalmente, no Manual Técnico nº 3.04.012/2013.

3.1 INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS E PRECEITOS LEGAIS

A utilização dos IMPO em desacordo com as legislações mencionadas, somada a


inobservância dos princípios do uso da força, poderá acarretar responsabilidades
criminais ao policial militar, destacando-se as seguintes condutas penais tipificadas:

a) Lesão Corporal;
b) Homicídio;
c) Tortura;
d) Abuso de Autoridade.

3.2 REGISTROS

Sempre que houver a necessidade de utilização dos IMPO na atividade operacional, os


policiais deverão atentar para o preenchimento dos seguintes documentos:

I - Registro de Evento de Defesa Social (REDS)- é o registro formal da ação policial e


embasa futuras ações processuais. No histórico do REDS deverá ser relatado
detalhadamente todos os fatos observados na ocorrência, desde a origem, até a
condução para registro, bem como as circunstâncias que levaram à utilização do IMPO.

II - Auto de resistência - documento integrado ao REDS. Decorre de previsão do Código


de Processo Penal e é necessário sempre que houver uso de força por parte do policial
militar no controle/contenção de algum indivíduo.
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

III - Relatório Individual de Uso da Força - Previsto pela Instrução Conjunta de


Corregedoria 02 PM/BM, o referido relatório tem como objetivo principal o 16.
acompanhamento das intervenções com uso da força, inclusive IMPO, por parte dos
policiais militares, no âmbito das Unidades de Execução Operacional.

371
4. HABILITAÇÃO PARA EMPREGO DOS ESPARGIDORES E PISTOLAS DE EMISSÃO DE
IMPULSOS ELÉTRICOS (PEIE)

A Portaria Interministerial nº 4.226 de 31 de dezembro de 2010 (BRASIL, 2010) e a Lei


13.060 de 22 de dezembro de 2014 (BRASIL, 2014), determinam que os Órgãos
Integrantes do Sistema de Defesa Social, descritos no artigo 144 da Constituição, deverão
incluir nos currículos dos cursos de formação e capacitação, conteúdos que habilite os
agentes de segurança ao uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo.

Conforme explanado na introdução desta disciplina, embora a PMMG tenha inserido a


matéria IMPO em seus diversos cursos de formação e capacitação, existe uma
preocupação em manter o treinamento continuado, com objetivo principal de massificar
tais conhecimentos e alinhar as ações dos policiais militares aos princípios norteadores
da Corporação.

No Biênio 2022/2023, a PMMG dará ênfase na habilitação dos policiais quanto ao


emprego dos “Espargidores” e “PEIE”.

4.1 ESPARGIDORES

O MTP 3.04.12/2013, traz o seguinte conceito referente à espargidores:

O espargidor é um recurso de autodefesa cujo emprego se destina ao controle de


pequenos distúrbios, saturação de ambientes ou submissão de indivíduos que
resistam à intervenção policial, obedecendo-se o que preceitua o uso diferenciado
de força, em resposta às reações manifestadas contra os militares (MINAS GERAIS,
2013, p.119).

Os espargidores adquiridos pela PMMG para emprego na atividade operacional, em sua


maioria, possuem como agente químico a Oleoresina Capsaicina (Oleoresin Capsicum),
ou agente pimenta, que usa como indicativo a sigla OC.

A capsaicina é um produto natural extraído de pimentas. É um agente natural, irritante,


que causa grande desconforto devido à dificuldade de respiração, impossibilidade de
abertura dos olhos e sensação de forte ardência nas áreas afetadas.

Também podem ser encontrados na PMMG espargidores com agente Clorobenzilideno


Malononitrila, reconhecido como Ortoclorobenzalmalononitrila (CS). O CS é um produto
químico sintético, classificado como um agente irritante, lacrimejante e esternulatório
(que causa espirros).

372
Biênio 2022/2023

O quadro a seguir demonstra um comparativo entre espargidores com agente químico


OC e CS.

Tabela 01 - Efeitos pós exposição aos agentes químicos OC e CS.

EFEITOS PÓS EXPOSIÇÃO OC CS


Efeitos em animais.  X
Lacrimejamento, sensação de queima e fechamento involuntário dos
 
olhos
Salivação.  
Efeitos físicos e psicológicos.  
Duração dos efeitos após a exposição (tempo em minutos). 40 10
Nariz e vias aéreas com irritação, sensação de queima e corrimento nasal.  
Desorientação.  
Tontura. 
Sensação de sufocamento ou queima; tosse; dificuldade de respirar.  
Sistema digestivo / gastro: terrível mal-estar passageiro; náuseas; vômitos;
 
especialmente em altas concentrações ou exposições prolongadas.
Sistema Nervoso Central: dor de cabeça; tontura; inabilidade para reagir
 
em uma ação eficiente.
Ardência após a exposição.  
Fonte: Elaborado pelo autor.

Não é recomendada a utilização dos agentes químicos CS e OC no mesmo


ambiente, uma vez que tal mistura pode causar consequências desconhecidas.

Para emprego dos diversos modelos de IMPO, é importante que o policial saiba identificar
os três níveis de contaminação, uma vez que cada nível afetará o indivíduo de maneira
diferente.

Níveis de contaminação:
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

Nível 1 – contato físico direto com o agente químico;


16.
Nível 2 – contato indireto (pessoa ou material contaminado);
Nível 3 – contaminação de área ou ambiente.

373
Em ocorrências com emprego de agentes químicos, os policiais poderão entrar
em contato Nível 1 (contato físico diretamente com o agente químico). Sendo
assim, é de suma importância que conheçam os efeitos dos agentes, e possam
manter o controle em situações de contaminação, não comprometendo a
segurança do grupo e demais pessoas envolvidas .

4.1.1 Apresentação visual do agente químico

Os espargidores contém agentes químicos nas seguintes formas físicas:

a) Líquida pressurizada – apresentam-se na forma líquida transparente e quando


acionados produzem a dispersão cônica. Dessa maneira, podem ser empregados de
forma individual ou coletiva, sendo os jatos direcionados a altura do peito ou face do
indivíduo. Quando direcionados para o peito produzirão seus efeitos na pele, passando a
evaporar lentamente e produzindo os demais efeitos.

b) Espuma – apresenta-se na forma de espuma e após o acionamento não apresenta a


dispersão cônica. Seu uso é individual e direcionado, ou seja, é utilizado para
incapacitação individual de uma possível ameaça. Nesse caso, não há contaminação do
ambiente ou demais pessoas presentes no local.

c) gel – possui a aparência de gel viscoso e transparente, e apresenta a mesma


característica de dispersão dos espargidores de espuma, ou seja, é direcionado apenas
ao alvo desejado.

4.1.2 Manejo e emprego

Os espargidores caracterizam-se por seu fácil manejo. O funcionamento é semelhante


aos inseticidas e desodorantes aerosol.

Para o manejo e emprego correto dos espargidores, o policial deverá observar os


seguintes aspectos:
 Observar a distância do operador e do dispensador (local nos espargidores por
onde o agente químico é projetado/expelido) em relação à pessoa ou grupo a ser
atingido;
 Nunca empregar na direção que verifique a presença de recém-nascidos;
 Nunca empregar na direção de pessoas visivelmente debilitadas;
 Nunca empregar na direção de crianças;

374
Biênio 2022/2023

 Observar direção do vento;


 Acionar o espargidor sempre na posição vertical;
 Nas formas gel e espuma, o jato deverá ser direcionado à altura da face da pessoa
a ser atingida;
 Na forma líquida pressurizada deverá ser direcionado para o peito ou face da
pessoa a ser atingida;
 Pressionar a válvula atuadora pelo tempo de 0,5 a 1 segundo.

IMPORTANTE: a distância do dispensador do espargidores, em relação à


pessoa ou grupo a ser atingido pelos jatos com o agente químico, está entre
os principais aspectos a serem observados no momento do emprego deste
IMPO.

A utilização sem observação das distâncias mínimas de emprego para cada tipo
de espargidor poderá causar lesões graves as pessoas, dentre elas:
- Descolamento de retina;
- Cegueira;
- Queimaduras na pele.

As distâncias de emprego dos espargidores irão variar conforme modelo e tamanho do


equipamento.

De acordo com o seu tamanho, os espargidores são classificados como “Mini” ou “Max”,
nomenclaturas comumente utilizadas na instituição pelos militares com formação em
cursos de CHOQUE. Para tal classificação, deve ser observado o peso líquido do agente
químico, descrito pelo fornecedor no corpo do espargidor, conforme a seguinte regra:

 MINI - Espargidores com peso líquido até 240 gramas;


 MAX - Espargidores com peso líquido acima de 240 gramas.
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

375
O quadro abaixo descreve as distâncias mínimas que deverão ser observadas entre o
dispensador dos espargidores e as pessoas ou objetos que serão atingidos:

Tabela 02 - Distâncias para o emprego dos espargidores


DISTÂNCIA ALCANCE
TAMANHO FORMA
MÍNIMA MÁXIMO
MINI ESPUMA/GEL 1 METRO 2 METROS

MAX ESPUMA/GEL 2 METROS 5 METROS

MINI LIQUIDA PRESSURIZADA 1 METRO 2 METROS

MAX LÍQUIDA PRESSURIZADA 2 METROS 5 METROS


Fonte: Elaborado pelo autor.
Notas: Conteúdo adaptado dos manuais de produtos fabricados pela Condor e RJC.

Figura 02 - Emprego do agente químico na forma líquida-pressurizada direcionado à face


do indivíduo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

376
Biênio 2022/2023

Figura 03 - Emprego do agente na forma líquida-pressurizada direcionado ao peito do


indivíduo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 04 - Emprego do agente na forma espuma direcionado ao rosto do individuo

Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

Fonte: Elaborado pelo autor.


Nota: O emprego do agente químico na forma espuma e na forma gel é idêntico.

377
4.1.3 Descontaminação

Para descontaminação tanto do agente OC quanto do CS, são recomendados os


seguintes procedimentos:

 Remover a pessoa da área contaminada;


 Estimular a pessoa a remover as lentes de contato. Se necessário, solicitar ajuda
médica para remoção das lentes;
 Não deixar que a pessoa contaminada esfregue os olhos;
 Submeter a pessoa à ventilação prolongada;
 Lavar as partes afetadas com água em abundância e sabão neutro ou solução de
bicabornato de sódio a 10%;
 Trocar as roupas da pessoa contaminada.

Os efeitos do OC duram cerca de 40 minutos e os do CS cerca de 10 minutos. Persistindo


os sintomas, recomenda-se o encaminhamento a um médico.

4.1.4 Modelos disponíveis no portfólio de equipamentos fornecidos pela PMMG

Os espargidores disponíveis para uso na Instituição são das marcas RJC e CONDOR. A
aquisição é realizada exclusivamente por licitação. No processo licitatório são realizados
rigorosos testes com a finalidade de assegurar a aquisição de produtos de qualidade.

IMPORTANTE: somente é autorizado ao policial militar o uso de espargidores


da carga da PMMG sendo vedado o uso de material de origem diversa.

A seguir serão apresentados os espargidores adquiridos e utilizados pela PMMG:

[Link] Fornecedora RJC

A Fornecedora RJC apresentou nos diversos editais publicados pela PMMG os modelos
[Link]/OC com suas 04 variações, disponibilizados apenas na forma líquida pressurizada.
A RJC até o biênio 2022/2023 não participou de licitações com espargidores na forma
espuma ou gel:

378
Biênio 2022/2023

Figura 05 - Espargidor [Link] da fabricante RJC

Fonte: RJC, 2021.

[Link] Fornecedora CONDOR

A Fornecedora CONDOR, nos diversos editais publicados pela PMMG, apresentou os


modelos GL 108 nas formas espuma, gel e líquida pressurizada:

Figura 06 - Variações do Espargidor GL108 OC CONDOR.

Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

Fonte: CONDOR, 2021.

379
4.2 PISTOLAS DE EMISSÃO DE IMPULSOS ELÉTRICOS (PEIE)

As Pistolas de Emissão de Impulsos Elétricos (PEIE) são armas de incapacitação


neuromuscular que se enquadram no gênero Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo
(IMPO).

Funcionam pela emissão de impulsos elétricos em forma de ondas, que atuam sobre o
sistema neuromuscular, com o mesmo formato das ondas cerebrais. Essa intervenção
provoca imediata paralisação e queda da pessoa atingida pelos dardos energizados,
incapacitando-a momentaneamente, enquanto estiver sob a ação do dispositivo elétrico.

No decorrer do 8º Biênio (2016-2017) do Treinamento Policial Básico da PMMG, foi


realizado um nivelamento/credenciamento massivo de toda tropa para emprego das PEIE
disponíveis no portfólio da instituição. No referido Biênio todo o efetivo matriculado no
TPB recebeu instrução voltada ao credenciado para utilizar o referido IMPO.

Sob a ótica do treinamento continuado, os policiais militares matriculados no presente


biênio receberão um nivelamento voltado aos novos modelos de PEIE adquiridas pela
instituição, bem como àqueles já existentes, além de um reforço nos ensinamentos dos
aspectos legais e procedimentais referentes ao referido IMPO.

No que tange ao uso diferenciado da força, da mesma forma que os demais IMPO, o
operador da PEIE deverá observar o nível de força a ser empregada, levando-se em
consideração a agressão imposta pelo agressor.

Nesse sentido, o conhecimento dos aspectos legais e normativos para emprego das PEIE
permitirá ao policial militar visualizar o amparo legal para utilização do equipamento, bem
como as consequências jurídicas de uma possível utilização indevida.

4.2.1 Regras de segurança da PEIE

Para utilização do armamento, tanto em treinamentos quanto no serviço operacional, é


necessário que o operador observe as seguintes regras de segurança:
 As armas de emissão de impulso elétrico carregadas com cartucho não devem ser
apontadas para pessoa alguma, a não ser que você deseje atingi-la com um disparo;
 Quando do manuseio, deve se manter o dedo fora do gatilho da PEIE;
 A mira Laser não deve ser apontada para os olhos das pessoas;
 Tenha sempre em mente que a PEIE é uma arma e que o cartucho é uma munição.

380
Biênio 2022/2023

4.2.2 Manejo e Emprego

A PEIE deve ser empregada nas mesmas situações em que se enquadram os demais IMPO
previsto no modelo de Uso Diferenciado da Força (MTP 01). Sua utilização se resume ao
objetivo de incapacitar momentaneamente o agressor, criando uma janela de
oportunidade para uma imobilização definitiva.
A PEIE não tem como objetivo causar dor ao indivíduo, sendo a incapacitação
neuromuscular o resultado pretendido, com a consequente anulação do controle
muscular voluntário. Tal incapacitação é determinada por estímulos elétricos de curta
duração e baixa energia (alta voltagem e baixa amperagem) que atuam no sistema
neuromuscular.

Para a utilização/emprego de PEIE na atividade operacional, o MTP 3.04.12/2013 – CG


(Caderno Doutrinário-12) preconiza as seguintes condutas que devem ser rigorosamente
seguidas pelo policial militar operador;

Quadro 01 - Emprego da PEIE na atividade operacional.

- Deve-se observar a presença das peças periféricas, leds indicativos de energia e


mira.
- É necessário que se verifique a correta colocação das pilhas/bateria em seu
compartimento.
- Colocar as pilhas/bateria corretamente na arma (a arma deverá estar sem o
PRÉ-TURNO

cartucho), ligá-la e segurá-la de modo a poder visualizar os dois eletrodos;


- Acionar o gatilho e observar a centelha gerada, bem como um barulho forte e sem
intermitência lenta.
- Caso isso não seja notado, trocar as baterias ou recarregá-las e refazer todo o
procedimento.
- Todo o acionamento deverá ser registrado em livro de controle de entrada e saída
da arma, o qual deverá estar nas intendências ou locais correspondentes.

A arma deverá ser conduzida no coldre apropriado, no lado contrário à arma de


DURANTE
O TURNO

fogo.
Por se tratar de um equipamento eletroeletrônico, deve-se evitar que seja molhado,
que sofra quedas ou receba algum impacto.

A arma deverá ser limpa com pano úmido em uma mistura de água e detergente
neutro, se necessário. Não deve ser exposta a solventes ou produtos de limpeza de
APÓS O
TURNO

Instrumentos de Menor

armas; deve-se retirar o cartucho e acondicioná-la em sua maleta específica. Deverá


Potencial Ofensivo

ser guardada longe de outros equipamentos eletrônicos (ligados) e em temperatura


ambiente. 16.

Fonte: Elaborado pelo autor.

381
Para efetuar o teste de centelha o operador deve adotar os seguintes procedimentos:
1. Pegue a arma na intendência;
2. Verifique se a arma está sem cartucho e travada (segura);
3. Coloque ou verifique se as pilhas/bateria estão inseridas na arma;
4. Conduza a arma até a altura dos olhos, a uma distância segura, e destrave a arma;
5. Acione o gatilho e retire o dedo do gatilho;
a. Observe a intensidade e frequência produzida pela centelha;
b. Espere o ciclo completo findar;
c. Trave a arma;
d. A arma estará em condições para uso se durante o teste apresentar intensidade
forte e frequência alta. Caso esteja em condições, insira o cartucho;
6. Se após o teste a PEIE não apresentar intensidade forte e frequência alta, verifique
a condição da pilha/bateria (se está colocada corretamente) e faça novo teste;
7. Se persistir sem funcionar troque as pilhas/bateria ou recarregue.

Figura 07 - Teste de centelha

Fonte: Elaborado pelo autor.

382
Biênio 2022/2023

A empresa CONDOR, fornecedora dos diversos modelos SPARK, recomenda que as partes
do corpo como cabeça, pescoço, virilha, seios, garganta e coluna cervical, sejam evitadas,
sugerindo os seguintes pontos de aplicação:

 Áreas de nervos ou de músculos;


 Os ossos e a gordura agem como isoladores e devem ser evitados;
 Se possível, atire nas costas do indivíduo;
 Nas costas as roupas estão sempre mais próximas ao corpo;
 Os grupos musculares nas costas são maiores e oferecerão menor resistência ao
ciclo de descarga;

Figura 08 - Sistema de pontaria direcionado às costas do alvo

Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

Fonte: Elaborado pelo autor.

383
Observação: para efetividade do disparo e incapacitação da pessoa atingida, os
dardos devem penetrar na pele do indivíduo ou chegar a uma distância inferior a
2,5 cm do corpo. O policial responsável pela algemação poderá tocar o indivíduo,
porém não poderá tocar entre os dardos ou em um dos dardos durante o período
de funcionamento destas armas, pois poderá ser atingido pelos impulsos elétricos.

4.2.3 Retirada dos Dardos

Os dardos não podem ser retirados pelos policiais militares que realizaram a intervenção.
Diante dessa situação há a necessidade de encaminhamento para atendimento médico
para a retirada dos dardos, após cortar os fios, conforme preconiza o art. 6º da Lei
13.060/14.

Art. 6º - Sempre que do uso da força praticada pelos agentes de segurança pública
decorrer ferimentos em pessoas, deverá ser assegurada a imediata prestação de
assistência e socorro médico aos feridos, bem como a comunicação do ocorrido à
família ou à pessoa por eles indicada (BRASIL,2014).

Figura 09 - Formação do arco voltaico.

Fonte: TASER Inc. Disponível em [Link].

384
Biênio 2022/2023

O policial na função de apoio é primordial. Ele é o responsável por imobilizar e


algemar o resistente ativo, além de auxiliar o operador em toda a sua atuação. Sem
a figura do apoiador, a ação do operador de PEIE fica prejudicada.

O OPERADOR somente interrompe a emissão dos impulsos elétricos, após a


imobilização e algemação feitas pelo APOIADOR.

A PEIE deverá ser utilizada como arma de contato nas situações em que apenas um dardo
penetrar na pele do indivíduo. Nesse caso, é necessário que se faça o contato da arma
com o corpo do suspeito para que se forme o arco voltaico e a consequente incapacitação
neuromuscular.

Também deverá ser utilizada como arma de contato quando a distância entre o policial e
o agressor for insuficiente para o uso dos dardos.

Os ciclos de emissão de impulsos elétricos tanto da Taser quanto da Spark são de 5


segundos, contudo, possuem diferenças significativas, conforme apresentadas no quadro
a seguir.

Após o uso da PEIE, recomenda-se o encaminhamento do atingido à presença de um


médico, a fim de que seja procedida a retirada dos dardos.

Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

385
4.2.4 Situações de risco inerentes ao uso das PEIE

Existem algumas situações em que não é recomendado o uso da PEIE em razão de


possíveis riscos decorrentes da utilização, conforme adiante se vê:

Tabela 03 - Risco ao uso da PEIE.

SITUAÇÕES DE RISCO MOTIVAÇÃO

Suspeitos em locais altos Risco de queda

Olhos, garganta e testículos Risco de lesão permanente

Inflamáveis ou explosivos Risco de chamas ou explosão

Operando veículos ou máquinas Perda do controle da máquina

Suspeito na água Risco de afogamento

Visivelmente grávida Risco de queda e contrações

Visivelmente frágeis Risco de lesão em função da queda


Fonte: Elaborado pelo autor

Marca-passos e desfibriladores cardíacos implantados dispõem de dispositivo de


segurança que suportam descargas elétricas mais fortes que os pulsos de energia
emitidos pelas PEIE. Portanto, não há restrição para o uso da PEIE nos indivíduos com
mecanismos cardíacos implantados, entretanto, após serem submetidos a uma descarga,
recomenda-se uma assistência médica imediata.

Desde 2013 os espargidores utilizados pela PMMG não possuem em sua


composição gases inflamáveis. Portanto, é possível o uso da PEIE juntamente
com os espargidores, desde que sejam referentes a lotes posteriores ao ano de
2013, ou seja, que não possuam gases inflamáveis em sua composição.

386
Biênio 2022/2023

4.2.5 Modelos TASER M26 e SPARK DSK700

Os primeiros modelos adquiridos pela PMMG foram os modelos TASER M26 e SPARK
DSK700, os quais apresentam diferenças a serem destacadas.

Figura 10 - Modelos TASER M26 e SPARK DSK 700

Fonte: Imagens fornecidas pelos fabricantes.

Tabela 04 - Comparativo dos Ciclos de Emissão de Impulsos Elétricos

AÇÃO TASER SPARK

Acionar o gatilho e soltar Emite o ciclo padrão de Emite o ciclo padrão de


em seguida. 5 segundos. 5 segundos.

Emite os impulsos
Acionar o gatilho e Emite ciclo padrão de 5
elétricos até que o
permanecer pressionando. segundos.
gatilho seja liberado.

Acionar o gatilho,
Emite os impulsos Emite os impulsos
liberando antes de 5
elétricos até que a arma elétricos até que a arma
segundos e, em seguida,
seja travada (desligada). seja travada (desligada).
travar (desligar) a arma.

Acionar o gatilho e
permanecer pressionando Emite os impulsos
Instrumentos de Menor

Emite ciclo padrão de 5


Potencial Ofensivo

além dos 5 segundos e, elétricos até que o


segundos.
em seguida, travar gatilho seja liberado. 16.
(desligar) a arma.
Fonte: Elaborado pelo autor.

387
a) Travas de segurança (chave liga-desliga)

As travas de segurança são mecanismos que ligam e desligam as PEIE deixando-as em


condições ou não de serem acionadas. As armas Taser M26, destravam/ligam com o
acionamento da trava para cima, enquanto que as SPARK DSK700 destravam/ligam com
o acionamento da trava para baixo.

Figura 11 - Sistema de travamento TASER e SPARK.

Fonte: Imagens fornecidas pelos fabricantes.

b) Mecanismos de pontaria e iluminação

As PEIE TASER e SPARK possuem apontador a laser que permitem o enquadramento


correto do alvo. A SPARK, além da mira a laser possui uma lanterna para auxiliar na
pontaria.

Figura 12 - Mecanismo de pontaria e iluminação TASER e SPARK

Fonte: Imagens fornecidas pelos fabricantes.

388
Biênio 2022/2023

c) Mostradores

Figura 13 - Mostradores TASER e SPARK.

Fonte: Imagens fornecidas pelos fabricantes.

d) Particularidades da SPARK DSK700

Figura 14 - Particularidades SPARK DSK 700

Fonte: Centro de Instrução do Uso progressivo e proporcional da força - CONDOR

e) Alimentação
Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

Ambos os dispositivos são alimentados por pilhas/baterias recarregáveis. A TASER M26


funciona com 8 (oito) pilhas recarregáveis do modelo “AA”, sendo recomendado o uso 16.
da marca “Energizer”, de 1,5v. A SPARK DSK700 é alimentada por 4 (quatro) baterias
recarregáveis do tipo CR-123, “li-ion”, de3.7v.

389
Figura 15 - Alimentação TASER E SPARK

Fonte: Imagens fornecidas pelos fabricantes

f) SPARK Z 2.0
O modelo mais recente de PEIE adquirido pela PMMG corresponde à SPARK Z - 2.0.

As principais diferenças para o modelo DSK 700 são as seguintes:


 Dados de utilização do armamento não se apagam nunca;
 Autonomia de 70 disparo de 5 segundos;
 Presença de trilho Picatinny para acoplar lanternas e câmeras;
 Sistema flex light indica que a arma está em condições;
 Data Kit com sistema Wifi;
 Robustez mecânica da arma melhorada.
 Neutralizador eletrônico que permite desabilitar a arma com acionamento de um
controle pode ser conduzido pelo operador. As Z 2.0 são dotadas do sistema
neutralizador, contudo o controle é adquirido à parte.

Figura 16 - Particularidades SPARK Z2.0.

Fonte: CONDOR, 2020.

390
Biênio 2022/2023

O Visor apresenta as seguintes informações:


-Nível de bateria da SPARK (S);
-Nível de bateria do Neutralizador Eletrônico (N);
-Data;
-Hora;
-Qte. De disparos efetuados (até1000)–(acima da data);
•O visor é ligado ao mesmo tempo que o dispositivo é ativado;

O neutralizador eletrônico permite desabilitar a arma com acionamento de um controle.


As Z 2.0 são dotadas do sistema neutralizador, contudo, o controle é adquirido à parte.
Evolução da chave neutralizadora da DSK700.

Figura 17 - Visor SPARK Z2.0.

Fonte: CONDOR, 2020.


Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo

16.

391
Bateria de Lítio Blindada com as seguintes características:

 RECARREGÁVEL–primeira recarga: 12horas. Demais: 5h;


 +50 disparos de 5 segundos por carga;
 Aproximadamente 5.000 disparos (estimativa de 100 recargas).

Figura 18 – Baterias SPARK Z2.0

Fonte: CONDOR, 2020.

Transferência segura e automática (5 a 10 m)


 RÁPIDO (+100 SPARKS em poucos minutos);
 Transferência encriptada das SPARKs para um pen-drive conectado ao DATAKIT;
 Não necessita instalar software ou usar o computador para coletar os dados das
SPARKs;

Figura 19 – Data kit wi-fi SPARK Z2.0

Fonte: CONDOR, 2020.

392
Biênio 2022/2023

4.2.6 Cartuchos

Os cartuchos utilizados pelas PEIE possuem características diferentes, a depender da


fabricante.

Com relação à Taser, existem tipos de cartuchos, que se diferenciam em razão da distância
e das cores constante em cada um deles. O cartucho amarelo corresponde à distância de
4,5 m; o cartucho cinza corresponde a 6,4m; o cartucho verde corresponde a 7,6 m e o
cartucho laranja corresponde a 10,6 m. O cartucho azul é utilizado para treinamento e
possui a distância de 6,4 m.

Todos os cartuchos da Taser podem ser encaixados na arma de ambos os lados, exceto o
cartucho laranja, que deve sempre ser encaixado com a seta indicativa voltada para cima.

Figura 20 - Cartuchos TASER.

Seta indicativa

Fonte: MINAS GERAIS, 2013, p. 172,173.

Já os modelos fabricados pela Spark apresentam 3 tipos de cartuchos, que também se


diferenciam pela distância e cor. O cartucho de 6m apresenta colocação laranja; o
cartucho de 8m apresenta coloração preta; e o cartucho de treinamento, que
Instrumentos de Menor

anteriormente eram da cor verde, a partir de 2016 foram modificados para a cor azul, com
Potencial Ofensivo

distância correspondente a 4,5m.


16.

393
Figura 21 - Cartuchos Spark

Fonte: CONDOR, 2020.

Os cartuchos Spark podem ser encaixados em qualquer das duas posições.

Os cartuchos de treinamento eram manufaturados na cor Verde e estão sendo


modificados a partir de janeiro de 2016 para a cor Azul. De acordo com informações
repassadas pelo fabricante, os cartuchos de treinamento ainda serão fornecidos na cor
verde até a finalização do estoque.

Figura 22 - Manuseio dos Cartuchos PEIE

Fonte: Elaborado pelo autor.

394
Biênio 2022/2023

4.2.7 Auditoria

É realizada com base nos registros de acionamento do gatilho gravados na memória da


arma. Permite a identificação do dia, mês e ano, hora, minuto e segundo, em que a arma
foi utilizada. Na TASER são registrados até os últimos 585 acionamentos e, na SPARK, até
os últimos 1000 acionamentos. Diante disso, quando da realização do teste de centelha,
há necessidade de que o operador registre o disparo em livro próprio.

Figura 23 - Portas de acesso para auditoria - TASER e SPARK

Fonte: Imagens disponibilizadas pelos fabricantes.

Para identificação dos disparos realizados com a TASER, após acionamento do gatilho,
são arremessados, junto com os dardos, confetes, que possuem a identificação dos
cartuchos pela numeração de série. Nas PEIE fabricadas pela CONDOR a identificação dos
cartuchos é realizada através do chip de rastreabilidade.

5. CONCLUSÃO

Tomar a decisão de atirar, nas hipóteses em que sua vida está em risco é tarefa instintiva
afeta ao humano, trata-se de reflexo de sobrevivência. Entretanto, o ato de atirar diante
de outras circunstâncias, que possam vir a colocar em risco a vida ou integridade física
do policial ou de terceiros, requer uma ponderação e reflexão maiores e, muitas vezes, o
Instrumentos de Menor

agente não dispõe do tempo necessário para essas meditações. Ele tem que decidir - atira
Potencial Ofensivo

ou não atira – em fração de segundos e sua decisão fará toda a diferença.


16.

Entende-se que esse ato tem de ser refletido, pensado, imaginado e convicto e para que
tal condição ocorra, se faz mister que o agente esteja empoderado pelo conhecimento

395
de tal forma que, mesmo dispondo, às vezes, de frações de segundo para tomar a decisão,
já estejam imbricadas em seu íntimo as consequências da conduta.

Nesse cenário, foi intenção deste trabalho desenvolver no policial militar, as


competências, habilidades e atitudes necessárias para o emprego dos instrumentos de
menor potencial ofensivo, alinhados à missão, visão e os valores institucionais. O
treinamento foi um alerta aos policiais sobre a necessidade do preparo técnico e da
postura ética e profissional quando da utilização daqueles instrumentos.

6. REFERÊNCIAS

BRASIL. Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.


BRASIL. Congresso Nacional. Lei nº 13.060, de 22 de dezembro de [Link] o uso dos
instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em todo o
território nacional. Brasília, 2014.
BRASIL. Ministério da Justiça. Portaria Interministerial 4226 de 31 de dezembro de 2010.
Estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de segurança Pública. Brasília, 2010.
CONDOR. Catálogo de fichas técnicas. Rio de Janeiro, 2021.
CONDOR - Curso de Capacitação de Instrutores/ Multiplicadores -SPARKZ2.0 Dispositivo Elétrico
Incapacitante, 10 de Junho de 2020
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020: Intervenção
Policial, Processo de Comunicação e Uso da Força. Belo Horizonte, 2020.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual Técnico-Profissional nº 3.04.012/2013: Instrumentos de
Menor Potencial Ofensivo – IMPO. Belo Horizonte, 2013.
RJC Defesa Aeroespacial. Catálogo Espargidor [Link]. Lorena, 2021. Disponível em
[Link] Acesso em 20 dez. 2021.
TASER [Link] TASER M26. Operanting Manual. TaserInternationalIncorporation.
Disponível em [Link]. Acesso em 20 dez. 2021.

396

Common questions

Com tecnologia de IA

O policial militar desempenha um papel crucial no reconhecimento e preservação de vestígios, atuando como a primeira barreira na cadeia de custódia. Ao identificar vestígios relevantes, ele assegura a preservação e previne alterações até a chegada da perícia técnica. Isso garante a integridade da prova e a eficácia da persecução penal .

O APH Tático é realizado em contextos de alto risco ou confrontos, focando na estabilização rápida e evacuação segura da vítima. Diverge do APH civil, que ocorre em situações do cotidiano, como acidentes. No APH Tático, o foco é estabilizar feridos em ambientes hostis, enquanto no civil a prioridade é a manutenção da vida até a chegada de atendimento especializado .

Durante uma blitz policial, a comunicação operacional é mantida por meio de redes de rádio entre o PM Comandante, o COPOM e o coordenador do policiamento da área. A equipe deve escutar continuamente para receber informações cruciais, como desobediência ou tentativas de fuga, garantindo que medidas de proteção sejam adotadas rapidamente. Essa comunicação é vital para a segurança dos policiais e para a coordenação eficaz da operação .

Durante uma abordagem veicular, cada policial possui funções específicas para garantir a segurança e eficiência da operação. O PM Comandante coordena a operação, o PM Verbalizador comunica-se com os ocupantes do veículo, o PM Vistoriador inspeciona documentos e vistoria o veículo, o PM Revistador realiza buscas pessoais, e o PM Segurança garante a proteção da equipe . As funções de segurança são incompatíveis com outras ações, como revistar ou vistoriar .

A busca veicular é realizada quando há suspeita justificada e visa encontrar elementos ilícitos. O condutor e passageiros devem aguardar sobre a calçada, enquanto o PM Revistador executa a busca, e o PM Segurança monitora o comportamento dos ocupantes. Este procedimento aumenta a segurança dos policiais e minimiza o risco de fuga ou reação adversa .

Para prevenir hipotermia no APH tático, é importante manter a vítima seca e isolada do solo frio, utilizar cobertores aluminizados e bolsas de calor, e assegurar que o ambiente esteja adequadamente aquecido para a vítima, pois o conforto do socorrista pode não refletir a necessidade da vítima .

A ética e o bem-estar psicológico são integrados através de disciplinas específicas e programas como o PSOPM, que monitoram a saúde física, mental e social dos policiais. Esses elementos são fundamentais para lidar com o estresse e violência, promovendo a resiliência e eficácia no serviço .

A Polícia Militar de Minas Gerais aborda o APH Tático como essencial para operações de alto risco, estabelecendo diretrizes para ações imediatas de socorro em ambientes hostis. Treinamento específico em avaliação, estabilização emergencial, e evacuação rápida são enfatizados para aumentar a sobrevivência e minimizar danos .

As dez etapas da cadeia de custódia são: reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento, e descarte. Elas são fundamentais para documentar e preservar vestígios, garantindo a integridade e rastreabilidade das evidências, vital para a confiança no processo judicial .

As técnicas de tiro tático são essenciais para preparar o policial para confrontos armados, desenvolvendo habilidades práticas como manejo de armas, recargas e soluções rápidas de panes. O treinamento integra técnicas de tiro a ações táticas e de decisão, como uso de abrigos, visando aumentar a eficácia e proteção durante intervenções .

GUIA 
DE TREINAMENTO POLICIAL BÁSICO 
 
 
11º BIÊNIO 
2022/2023 
 
 
 
 
Academia de Políci
Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). 
Reprodução proibida – Circulação restrita. 
 
COMANDANTE
CONTEUDISTAS 
 
1. Abordagem a pessoas 
 
Maj PM Renato Quirino Machado Júnior 
Cap PM Adenilson Brito Ferr
2º Sgt PM Vinícius Alves Cintra 
2º Sgt PM Rodrigo Macedo 
3º Sgt PM Widima Rodrigues Pereira 
3º Sgt PM Flávio Mota Mesq
5 
 
Palavra do Comandante da Academia 
     de Polícia Militar do Prado Mineiro 
 
 
Caros Policiais Militares,  
 
Sejam
6 
atendimento às necessidades das comunidades, decorrentes de situações de emergência ou de 
estados de calamidade pública
7 
 
SUMÁRIO 
 
 
IDENTIDADE ORGANIZACIONAL ...............................................................................
8 
3 Planejamento e Desenvolvimento .......................................................................................

Você também pode gostar