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Notas de Aula sobre Cálculo Numérico

1. O documento apresenta notas de aula sobre cálculo numérico. 2. Os tópicos abordados incluem noções básicas sobre erros, zeros reais de funções, resolução de sistemas de equações lineares, interpolação, ajuste de curvas pelo método dos mínimos quadrados e integração numérica. 3. Os métodos numéricos são apresentados com exemplos e exercícios resolvidos.
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Notas de Aula sobre Cálculo Numérico

1. O documento apresenta notas de aula sobre cálculo numérico. 2. Os tópicos abordados incluem noções básicas sobre erros, zeros reais de funções, resolução de sistemas de equações lineares, interpolação, ajuste de curvas pelo método dos mínimos quadrados e integração numérica. 3. Os métodos numéricos são apresentados com exemplos e exercícios resolvidos.
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NOTAS DE AULA

Cálculo Numérico

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

- UTFPR -

Maiko Fernandes Buzzi


Cálculo Numérico – (Maiko) ii

Índice
1 Noções básicas sobre Erros........................................................................... 1-1
1.1 Erros ............................................................................................................. 1-1
1.2 Erros Absolutos e Relativos ............................................................................ 1-1
1.2.1 Erro Absoluto.................................................................................................................. 1-1
1.2.2 Erro Relativo ou Taxa de Erro ......................................................................................... 1-2
1.3 Erros de Arredondamento e Truncamento...................................................... 1-2
1.3.1 Erro de Arredondamento ............................................................................................... 1-2
1.3.2 Erro de Truncamento ..................................................................................................... 1-2
1.4 Aritmética de Ponto Flutuante ....................................................................... 1-2
1.5 Conversão de Bases ....................................................................................... 1-3
1.5.1 Conversão da Base  para a Decimal (10) ................................................................ 1-3
1.5.2 Conversão da Base Decimal para a  (10) ................................................................ 1-4
1.5.3 Exercícios: Conversão de Bases ...................................................................................... 1-6
1.6 Operações de Pontos Flutuantes .................................................................... 1-7
1.6.1 Representações .............................................................................................................. 1-7
1.6.2 Exercícios ........................................................................................................................ 1-7
1.6.3 Exercícios complementares ............................................................................................ 1-8

2 Zeros reais de funções reais........................................................................ 2-11


2.1 Introdução .................................................................................................. 2-11
2.2 Fase I: Isolamento das raízes ........................................................................ 2-11
2.3 Fase II: Refinamento - Critérios de Parada .................................................... 2-15
2.3.1 Método da Bissecção (ou Método da Dicotomia) ........................................................ 2-15
2.3.2 Método do Ponto Fixo (ou Método da Iteração Linear ou Método das Aproximações
sucessivas) 2-18
2.3.3 Método de Newton, Newton-Raphson (ou Método das Tangentes) ........................... 2-26
2.3.4 Método da Secante ...................................................................................................... 2-29
2.3.5 Comparação entre os métodos .................................................................................... 2-32

3 Resolução de sistemas de equações lineares .............................................. 3-34


3.1 Introdução .................................................................................................. 3-34
3.1.1 Forma Algébrica de Sn .................................................................................................. 3-34
3.1.2 Forma Matricial de Sn .................................................................................................. 3-34
3.1.3 Matriz Aumentada ou Matriz Completa do Sistema .................................................... 3-34
3.1.4 Solução do Sistema ...................................................................................................... 3-34
3.1.5 Classificação de um Sistema Linear .............................................................................. 3-34
3.1.6 Classificação quanto ao Determinante de A ................................................................ 3-35
3.2 Métodos diretos .......................................................................................... 3-35
3.2.1 Método de Eliminação de Gauss .................................................................................. 3-35
3.2.2 Estratégia de Pivoteamento Completo ........................................................................ 3-38
3.2.3 Fatoração LU ................................................................................................................ 3-40
3.2.4 Refinamento de Soluções ............................................................................................. 3-46
3.3 Métodos iterativos ...................................................................................... 3-47
3.3.1 Testes de parada .......................................................................................................... 3-47
3.3.2 Método de Gauss-Jacobi .............................................................................................. 3-47
3.3.3 Método de Gauss-Seidel .............................................................................................. 3-50
3.3.4 Comparação entre os métodos .................................................................................... 3-51
3.3.5 Critério de Sassenfeld ................................................................................................... 3-53

4 Interpolação .............................................................................................. 4-55


Cálculo Numérico – (Maiko) iii
4.1 Interpolação polinomial ............................................................................... 4-55
4.1.1 Existência e Unicidade do Polinômio Interpolador Pn(x) .............................................. 4-55
4.1.2 Forma de Lagrange ....................................................................................................... 4-56
4.1.3 Forma de Newton......................................................................................................... 4-58
4.2 Estudo de erro na interpolação .................................................................... 4-59
4.2.1 Estimativa para o Erro .................................................................................................. 4-60
4.3 Interpolação inversa: casos existentes.......................................................... 4-61
4.3.1 Encontrar x tal que Pn (x ) ....................................................................................... 4-61
4.3.2 Interpolação inversa ..................................................................................................... 4-62
4.4 Funções spline em interpolação ................................................................... 4-63
4.4.1 Função Spline ............................................................................................................... 4-64
4.4.2 Spline linear interpolante ............................................................................................. 4-64
4.4.3 Spline cúbica interpolante ............................................................................................ 4-65

5 Ajuste de curvas pelo método dos mínimos quadrados ............................... 5-71


5.1 Introdução .................................................................................................. 5-71
5.2 Caso Discreto............................................................................................... 5-72
5.3 Caso Contínuo ............................................................................................. 5-76
5.4 Família de Funções Não Lineares nos Parâmetros ......................................... 5-79
6 Integração Numérica ................................................................................. 6-81
6.1 Fórmulas de Newton-Cotes .......................................................................... 6-81
6.1.1 Regra dos Trapézios ..................................................................................................... 6-81
6.1.2 Regra dos Trapézios repetida ....................................................................................... 6-83
6.1.3 Regra 1/3 de Simpson .................................................................................................. 6-84
6.1.4 Regra 1/3 de Simpson repetida .................................................................................... 6-87

7 Solução numérica de equações diferenciais ordinárias ................................ 7-90


7.1 Introdução .................................................................................................. 7-90
7.2 Problema de valor inicial (PVI) ..................................................................... 7-91
7.2.1 Solução numérica de um PVI de primeira ordem......................................................... 7-91
7.2.2 Método de Euler........................................................................................................... 7-91
7.2.3 Métodos de Runge-Kutta ............................................................................................. 7-94
7.2.4 Método de Euler Aprimorado (Método de Runge-Kutta de Segunda Ordem) ............ 7-96
7.2.5 Fórmulas de Runge-Kutta de Quarta Ordem................................................................ 7-96

8 Referências Bibliográficas .......................................................................... 8-98


Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-1

1 Noções básicas sobre Erros


Fenômenos da natureza podem ser descritos através do uso de modelos matemáticos.
MODELAGEM RESOLUÇÃO
MODELO
PROBLEMA SOLUÇÃO
MATEMÁTICO
• MODELAGEM: é a fase de obtenção de um modelo matemático que descreve o
comportamento do problema que se quer estudar.
• RESOLUÇÃO: é a fase de obtenção da solução do modelo matemático através da
aplicação de métodos numéricos.

1.1 Erros
Para se obter a solução do problema através do modelo matemático, erros são cometidos
nas fases: MODELAGEM e RESOLUÇÃO.

1. Calcular a área da superfície terrestre usando a formulação 𝐴 = 4𝜋𝑟 2 .


Resolução: Aproximações (ERROS):
MODELAGEM: a Terra é modelada como uma esfera, uma idealização de sua forma
verdadeira. O raio da Terra é obtido por medidas empíricas e cálculos prévios.
RESOLUÇÃO: o valor de  requer o truncamento de um processo infinito; os dados de
entrada e os resultados de operações aritméticas são arredondados pelo computador.
OBS. 1: Características do planeta Terra.
• Características Físicas:
Diâmetro Equatorial: 12756Km;
Diâmetro Polar: 12713Km;
Massa: 5,981024Kg;
Perímetro de Rotação Sideral: 23h 56min 04seg;
Inclinação do Equador Sobre a Órbita: 23o 27’.
• Características Orbitais:
Raio da Órbita, isto é, 1U.A. (unidade astronômica): 149897570Km;
Distância Máxima do Sol: 152100000Km;
Distância Mínima do Sol: 147100000Km;
Período de Revolução Sideral: 365dias 6h 9min 9,5seg;
Velocidade Orbital Média: 29,79Km/seg.

1.2 Erros Absolutos e Relativos


1.2.1 Erro Absoluto
É o módulo da diferença entre um valor exato 𝑥 de um número e seu valor aproximado
𝑥̅ .
𝐸𝐴𝑥 = |𝑥 − 𝑥̅ |,
onde 𝑥 é o valor exato e 𝑥̅ é o valor aproximado.
Geralmente não se conhece o valor exato 𝑥. Assim, o que se faz é obter um limitante
superior (𝑘1 majorante) ou uma estimativa para o módulo do erro absoluto.
|𝐸𝐴𝑥 | ≤ 𝑘1 .

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-2
1.2.2 Erro Relativo ou Taxa de Erro
Erro relativo de 𝑥 é o módulo do quociente entre o erro absoluto 𝐸𝐴𝑥 e o valor exato 𝑥
ou o valor aproximado 𝑥̅ , se 𝑥 ou 𝑥̅ ≠ 0.
𝐸𝐴𝑥 𝑥−𝑥̅ 𝐸𝐴𝑥 𝑥−𝑥̅
𝐸𝑅𝑥 = | |=| | ou 𝐸𝑅𝑥 = | |=| |.
𝑥 𝑥 𝑥̅ 𝑥̅

2. Calcular os erros absoluto e relativo, nos itens a) e b).


a) 𝑥 = 1,5 e 𝑥̅ = 1,49; b) 𝑦 = 5,4 e 𝑦̅ = 5,39.
Resolução:
a) 𝐸𝐴𝑥 = 0,01 = 10−2 b) 𝐸𝐴𝑥 = 0,01 = 10−2
𝐸𝑅𝑥 = 0.00666667 𝐸𝑅𝑥 = 0.00185185

1.3 Erros de Arredondamento e Truncamento


1.3.1 Erro de Arredondamento
Arredondar um número na casa 𝑑𝑖 é desconsiderar as casas 𝑑𝑖+𝑗 (𝑗 = 1, … , ∞) de tal
forma que:
𝑑𝑖 seja a última casa se 𝑑𝑖+1 < 5;
𝑑𝑖 + 1 seja a última casa se 𝑑𝑖+1 ≥ 5.

3. Arredondar 𝜋 na quarta casa decimal, sendo que 𝜋 = 3,1415926535 …


Resolução: 𝑑𝑖 = 5 e 𝑑𝑖+1 = 9 > 5 ⇒ 𝑑𝑖 + 1 = 5 + 1 = 6. Logo: 𝜋 = 3,1416.

1.3.2 Erro de Truncamento


Truncar um número na casa 𝑑𝑖 é desconsiderar as casas 𝑑𝑖+𝑗 (𝑗 = 1, … , ∞).

4. Aproximar  truncando na quarta casa decimal, sendo que 𝜋 = 3,1415926535 …


Resolução: 𝑑𝑖 = 5 ⇒ 𝜋 = 3,1415.

5. Sabendo-se que 𝑒 𝑥 pode ser escrito através da fórmula abaixo, faça a aproximação de
𝑒 2 através de um truncamento após quatro termos da somatória.

𝑥
𝑥𝑖 𝑥 𝑥2 𝑥3
𝑒 = ∑ = 1+ + + +⋯ , −∞ < 𝑥 < ∞
𝑖! 1! 2! 3!
𝑖=0
Resolução:
Truncando-se após quatro termos, tem-se:
3

2
2𝑖 21 22 23 4 8 19
𝑒 =∑ =1+ + + = 1+2+ + =
𝑖! 1! 2! 3! 2 6 3
𝑖=0

1.4 Aritmética de Ponto Flutuante


Um número é representado, internamente, na máquina de calcular ou no computador
através de uma seqüência de impulsos elétricos que indicam dois estados: 0 ou 1, ou seja, os
números são representados na base 2 ou binária.
De maneira geral, um número 𝑥 é representado na base  por:

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-3
𝑑1 𝑑2 𝑑3 𝑑𝑡
𝑥 = ±[ + 2 + 3 + ⋯ + 𝑡 ] ∗ 𝛽 𝑒𝑥𝑝
𝛽 𝛽 𝛽 𝛽
Onde:
• 𝑑𝑖  são números inteiros contidos no intervalo 0 ≤ 𝑑𝑖 < 𝛽; 𝑖 = 1, 2, … , 𝑡;
• 𝑒𝑥𝑝  representa o expoente de  e assume valores entre 𝐼 ≤ 𝑒𝑥𝑝 ≤ 𝑆;
• I, S  limite inferior e limite superior, respectivamente, para a variação do expoente;
𝑑 𝑑 𝑑 𝑑
• [ 𝛽1 + 𝛽22 + 𝛽33 + ⋯ + 𝛽𝑡𝑡]  é chamada de mantissa e é a parte do número que representa
seus dígitos significativos;
• t  número de dígitos do sistema de representação.

6. Considerando no sistema de base 10, =10, represente os seguintes números, em


aritmética de ponto flutuante:
a) 0,34510; b) 31,41510.
3 4 5 
Resolução: a) 0,34510 =  + 2 + 3   100 ;
10 10 10 
3 1 4 1 5 
b) 31,41510=  + 2 + 3 + 4 + 5   102 .
10 10 10 10 10 
OBS. 2: Os números assim representados estão NORMALIZADOS, isto é, a mantissa é
um número entre 0 e 1.

7. Considerando no sistema binário, =2, represente o número 1012 em aritmética de ponto


flutuante.
1 0 1 
Resolução: 1012 = 0,101 23 =  + 2 + 3   23 .
2 2 2 

1.5 Conversão de Bases


1.5.1 Conversão da Base  para a Decimal (10)
Um número na base  pode ser escrito, na base decimal, como:
m
 aii = amm + am−1m−1 ++ a22 + a1 + a0 + a−1−1 + a−2−2 ++ an +1n +1 + ann .
i=n
Onde:
• ai  0 ai ;

• n , m  números inteiros, com n 0 e m 0.


Para a conversão, faz-se a operação entre a mantissa do número normalizado e a base
e xp
 .
Nos exercícios a seguir, faça a conversão da base indicada para a decimal, determinando
o valor da variável x .

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-4
8. 10112 = x10 .
1 0 1 1 
Resolução: 10112 = 0,1011 24 =  + 2 + 3 + 4   24 = 23 +2+1=11
2 2 2 2 
 10112 = 1110  x =11.

9. 11,012 = x10 .
1 1 0 1 1
Resolução: 11,012 = 0,1101 22 =  + 2 + 3 + 4   22 =2+1+ 2 =3,25
2 2 2 2  2
 11,012 = 3,2510  x =3,25.

10. 403,125 = x10 .


4 0 3 1 2
Resolução: 403,125 = 0,40312 53 =  + 2 + 3 + 4 + 5   53
5 5 5 5 5 
1 2
=4 52 +0+3+ + 2 =100+3+0,2+0,08=103,28
5 5
 403,125 = 103,2810  x =103,28.

1.5.2 Conversão da Base Decimal para a  (10)


Aplica-se um processo para a parte inteira e um outro para a parte fracionária.
• a) PARTE INTEIRA ( N ):
• a.1) N 
 N10 = N .

• a.2) N 
N 
r1 q1 
r2 q2


 
qn −1 
rn qn Até que qn 

 N10 =( qn rn rn −1  r3 r2 r1 ) 

11. Converta 5910 para a base 2.


Resolução: N =59 e =2  N 
59 2
1 29 2
1 14 2
0 7 2
1 3 2
1 1  5910 = 1110112

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-5
12. Converta 5910 para a base 3.
Resolução: N =59 e =3 N 
59 3
2 19 3
1 6 3
0 2  5910 = 20123
• b) PARTE FRACIONÁRIA ( F ):
Multiplica-se F por  e toma-se a parte inteira do produto como o primeiro dígito do
número na base . Repete-se o processo com a parte fracionária do produto tomando sua parte
inteira. Continua-se até que a parte fracionária seja igual a zero.
Nos exercícios a seguir, determinar o valor de x :

13. 0,187510 = x2 .
Resolução:
0,1875 0,375 0,75 0,5
2 2 2 2
0,3750 0,750 1,50 1,0
 0,187510 = 0,00112.

14. 0,610 = x2 .
Resolução:
0,6 0,2 0,4 0,8 0,6 
2 2 2 2 2
1,2 0,4 0,8 1,6 1,2 
 0,610 = 0,100110012.

15. 13,2510 = x2 .
Resolução:
• a) 1310 = ? N =13 e =2  N 
13 2
1 6 2
0 3 2
1 1
 1310 = 11012.
• b) 0,2510 = ?
0,25 0,5
2 2
0,50 1,0
 0,2510 = 0,012.
• Logo: 13,2510 = 1310 + 0,2510 = 11012 + 0,012 = 1101,012.

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-6
1.5.3 Exercícios: Conversão de Bases
Transforme para a base que se pede (determine o valor de x ).

16. 100101,10012 = x10 .


Resolução: 100101,10012 = 0,1001011001 26
1 0 0 1 0 1 1 0 0 1 
=  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10   26
2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 
1 1
= 25 + 22 +1+ + 4 =32+4+1+0,5+0,0625=37,5625
2 2
 100101,10012 = 37,562510  x =37,5625.

17. 19,3867187510 = x4 .
Resolução:
• a) 1910 = ? N =19 e =4  N 
19 4
3 4 4
0 1
 1910 = 1034.
• b) 0,3867187510 = ?
0,38671875 0,546875 0,1875 0,75
4 4 4 4
1,54687500 2,187500 0,7500 3,00
 0,3867187510 = 0,12034.
• Logo: 19,3867187510 = 1910 + 0,3867187510 = 1034 + 0,12034 = 103,12034.

18. Transforme a medida 35 h 48 min 18 seg para minutos.


DICA: 35:48,1860 = x10 min .
 35 48 18  18
Resolução: 35:48,1860 = 0,35:48:18 602 =  + 2 + 3   602 = 3560 + 48 +
 60 60 60  60
= 2100 + 48 + 0,3 = 2148,3
 35:48,1860 = 2148,310.
 35 h 48 min 18 seg = 2148,3 min .

19. Transforme 35,805 horas para horas, minutos e segundos.


DICA: 35,80510 = x60 .
Resolução:
• a) 3510 = ? N =35 e =60  N 

 3510 = 3560.

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-7
• b) 0, 80510 = ?
0,805 0,3
60 60
48,300 18,0
 0, 80510 = 0,48:1860.
• Logo: 35,80510 = 3510 + 0, 80510 = 3560 + 0,48:1860 = 35,48:1860.
 35,805 h = 35 h 48 min 18 seg .

1.6 Operações de Pontos Flutuantes


1.6.1 Representações
• Precisão dupla: “dobra” a mantissa (2 t );
• O zero em ponto flutuante é em geral representado com o menor expoente ( exp= I )
possível na máquina;
• Ao converter um número para determinada aritmética de ponto flutuante, emprega-se
sempre o arredondamento;
• Não é possível representar todos os números reais em determinada aritmética de ponto
flutuante (reta furada).
OBS. 3: Um exemplo da reta furada é: Considere a aritmética de pontos flutuantes com
parâmetros =10 e t =3. Tome os números consecutivos 3,57 e 3,58. Existem infinitos números
reais entre 3,57 e 3,58 que não podem ser representados nesta aritmética de pontos flutuantes.
Por exemplo: 3,571 ou 3,57437.

1.6.2 Exercícios
20. Preencher a tabela a seguir, com base nos parâmetros: t =3, =10, I =−5, S =5 e −5 ≤
exp ≤ 5.
Número Truncamento Arredondamento
−6,48 −0,64810 −0,64810
0,0002175 0,217 10−3 0,218 10−3
3498,3 0,349 10 4 0,35 10 4
−0,00000001452 −0,145 10−7 −0,145 10−7  UNDERFLOW
2379441,5 0,237 107 0,238 107  OVERFLOW
OBS. 4: Deve-se converter os valores para a aritmética de ponto flutuante com 3
algarismos significativos.
Nos exercícios seguintes, calcular o valor das expressões utilizando aritmética de ponto
flutuante com 3 algarismos significativos.

21. (4,26 + 9,24) + 5,04


Resolução: 13,5 + 5,04 = 18,5.

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-8
22. 4,26 + (9,24 + 5,04)
Resolução: 4,26 + 14,3 = 18,6.

23. (4210 − 4,99) − 0,02


Resolução: 4210 − 0,02 = 4210.

24. 4210 − (4,99 + 0,02)


Resolução: 4210 − 5,01 = 4200.

2
25. (4,0237 − 6,106)
7
Resolução: 0,286(4,02 − 6,11) = 0,286(−2,09) = −0,598.

2  ( 4,0237 − 6,106 )
26.
7
2  (−2,09 ) − 4,18
Resolução: = = −0,597.
7 7
OBS. 5: Em aritmética de ponto flutuante não valem as propriedades associativas nem
distributivas.

27. Sendo =10, t =4 e exp[−5,5], calcule:


10 10
a) 42450 + 3; b)  3 + 42450.
i =1 i =1
Resolução:
10
• a) 42450 +  3 = 42450 = 0,4245105 ;
i =1

10
• b)  3 + 42450 = 30 + 42450 = 42480 = 0,4248105 .
i =1

1.6.3 Exercícios complementares


Nos exercícios seguintes, converter os números para a base decimal, determinando o
valor da variável x :

28. 11000112 = x10 .


7 1 1 0 0 0 1 1  7
Resolução: 11000112 =0, 1100011 2 =  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7   2
 2 2 2 2 2 2 2 
= 26 + 25 +2+1 = 99
 11000112 = 9910  x =99.

29. 11111112 = x10 .


7 1 1 1 1 1 1 1  7
Resolução: 11111112 =0, 1111111 2 =  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7   2
 2 2 2 2 2 2 2 
6 5 4 3 2
= 2 + 2 + 2 + 2 + 2 +2+1 = 127
 11111112 = 12710  x =127.

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-9
30. 10101012 = x10 .
1 0 1 0 1 0 1 
Resolução: 10101012 =0, 1010101 27 =  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7   27
2 2 2 2 2 2 2 
= 26 + 24 + 22 +1 = 85
 10101012 = 8510  x =85.

31. 101,00112 = x10 .


1 0 1 0 0 1 1 
Resolução: 101,00112 = 0, 1010011 23 =  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7   23
2 2 2 2 2 2 2 
1 1
= 22 +1+ 3 + 4 = 5 + 0,125 + 0,0625 = 5 + 0,1875 = 5,1875
2 2
 101,00112 = 5,187510  x =5,1875.

32. 0,01111112 = x10 .


1 1 1 1 1 1
Resolução: 0,01111112 = 0, 111111 2−1 =  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6   2−1
2 2 2 2 2 2 
1 1 1 1 1 1
= 2+ 3+ 4+ 5+ 6+ 7
2 2 2 2 2 2
= 0,25 + 0,125 + 0,0625 + 0,03125 + 0,015625 + 0,0078125 = 0,4921875
 0,01111112 = 0,492187510  x =0,4921875.

33. 1,0100112 = x10 .


1 0 1 0 0 1 1 
Resolução: 1,0100112 = 0, 10100112=  + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7  2
2 2 2 2 2 2 2 
1 1 1
=1+ 2 + 5 + 6 = 1 + 0,25 + 0,03125 + 0,015625 = 1,296875
2 2 2
 1,0100112 = 1,29687510  x =1,296875.
Nos exercícios seguintes, converter os números para a base binária, determinando o
valor da variável x :

34. 3710 = x2 .
Resolução: N =37 e =2  N 
37 2
1 18 2
0 9 2
1 4 2
0 2 2
0 1  3710 = 1001012

Maiko
Cálculo Numérico Noções básicas sobre Erros 1-10
35. 234510 = x2 .
Resolução: N =2345 e =2  N 
2345 2
1 1172 2
0 586 2
0 293 2
1 146 2
0 73 2
1 36 2
0 18 2
0 9 2
1 4 2
0 2 2
0 1  234510 = 1001001010012

36. Determine x com 36 dígitos: 0,121710 = x2 .


Resolução:
0,1217 0,2434 0,4868 0,9736 0,9472 0,8944 0,7888 0,5776 0,1552
        
0,2434 0,4868 0,9736 1,9472 1,8944 1,7888 1,5776 1,1552 0,3104

0,3104 0,6208 0,2416 0,4832 0,9664 0,9328 0,8656 0,7312 0,4624


        
0,6208 1,2416 0,4832 0,9664 1,9328 1,8656 1,7312 1,4624 0,9248

0,9248 0,8496 0,6992 0,3984 0,7968 0,5936 0,1872 0,3744 0,7488


        
1,8496 1,6992 1,3984 0,7968 1,5936 1,1872 0,3744 0,7488 1,4976

0,4976 0,9952 0,9904 0,9808 0,9616 0,9232 0,8464 0,6928 0,3856


        
0,9952 1,9904 1,9808 1,9616 1,9232 1,8464 1,6928 1,3856 0,7712
 0,121710 = 0,0001111100100111101110110010111111102.

37. Determine x com 8 dígitos: 2,4710 = x2 .


Resolução:
• a) 210 = ? N =2 e =2  N 
2 2
 210 = 102.
0 1

• b) 0, 4710 = ?
0,47 0,94 0,88 0,76 0,52 0,04 0,08 0,16 0,32
        
0,94 1,88 1,76 1,52 1,04 0,08 0,16 0,32 0,64
 0, 4710 = 0,011110002.
Logo: 2,4710 = 210 + 0, 4710 = 102 + 0,011110002 = 10, 011110002.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-11

2 Zeros reais de funções reais


2.1 Introdução
Dada uma função real f definida e contínua em um intervalo aberto I , chama-se de
zero desta função em I , a todo x  I , tal que f( x ) = 0.
Neste capítulo são apresentados alguns processos iterativos para calcular de forma
aproximada os zeros reais de uma função real f dada. Por um processo iterativo entende-se
um processo que calcula uma seqüência de aproximações x1 , x2 , x3 , da solução desejada. O
cálculo de uma nova aproximação é feito utilizando aproximações anteriores. Dizemos que a
seqüência x1 , x2 , x3 , converge para x , se dado 0,  N ℕ (ℕ números naturais), tal que
qualquer que seja n  N , xn − x . Neste caso tem-se que lim xn = x , o que também poderá
n →
ser indicado por xn → x . Nos processos iterativos que serão apresentados, a determinação dos
zeros de uma função real de variável real será feita em duas etapas:
• Fase I: Isolar cada zero que se deseja determinar da função f em um intervalo [ a , b ],
sendo que cada intervalo deverá conter um e somente um zero da função f .
• Fase II: Cálculo dos zeros aproximados utilizando um método iterativo, com precisão
prefixada ou não.

2.2 Fase I: Isolamento das raízes


Teorema 1 Seja f (x) uma função contínua num intervalo [a, b]. Se 𝑓(𝑎) ∙ 𝑓(𝑏) < 0, então
existe pelo menos um zero de f (x) entre a e b.
y
y = f(x)

a x
b

OBS. 1: Sob as hipóteses do teorema 1, o zero x = será definido e único em [ a , b ] se a


derivada f ' ( x ) existir e preservar o sinal dentro do intervalo ] a , b [, isto é se f ' ( x )0, x ]
a , b [ ou f ' ( x )0, x ] a , b [. Isto significa dizer que a função f ( x ) é estritamente crescente
ou estritamente decrescente, respectivamente, no intervalo ] a , b [.
y
y = f(x)

a x
b

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-12
Na pesquisa dos zeros reais de funções reais é muito útil o uso do Teorema 1 (que
fornece condições de existência de zeros em um intervalo), bem como da OBS 1. (que garante
a unicidade, isto é, garante que no intervalo considerado existe um e somente um zero da função
f ).
Outro recurso bastante empregado é: a partir da equação 𝑓(𝑥) = 0, obter a equação
equivalente g ( x )= h ( x ) e esboçar os gráficos destas funções obtendo os pontos onde as
mesmas se intersectam, pois f ()=0  g ()= h ().

38. Isolar os zeros da função f ( x )= x 3 −9 x +3.


Resolução: Pode-se construir uma tabela de valores para f ( x ) e analisar os sinais:
x −4 −3 −2 −1 0 1 2 3
f (x) − + + + + − − +
Como f (−4)  f (−3)  0 , f (0)  f (1)  0 e f (2)  f (3)  0 , conclui-se, de acordo com o
teorema 1, que existem zeros de f (x) nos intervalos [−4,−3], [0,1] e [2,3]. Como 𝑓(𝑥) =
0 tem exatamente 3 raízes, pode-se afirmar que existe exatamente um zero em cada um
destes intervalos.
y

y = f(x)

1 2 3 x
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4

Pode-se também chegar às mesmas conclusões partindo da equação f ( x )= x 3 −9 x +3=0,


obtendo-se a equação equivalente x 3 =9 x −3. Neste caso, tem-se que g ( x) = x3 e
h( x) = 9x − 3 . Traçando os gráficos de g (x ) e h(x) , verifica-se que as abscissas dos
pontos de intersecção destas curvas estão nos intervalos [−4,−3], [0,1] e [2,3].
y
g( x) h(x)

1 x
-4 -3 -2 -1 2 1 2 3 3 4

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-13
Outra forma de se verificar a unicidade de zeros nestes intervalos, é traçar o gráfico da
função derivada de f (x) , f '( x) = 3x2 − 9 e confirmar que a mesma preserva o sinal em
cada um dos intervalos ]−4,−3[, ]0,1[ e ]2,3[, conforme a 2.2.
y

y = f’(x)

-3 3 x
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4

39. Isolar os zeros da função f ( x) = x ln x − 3,2 .


Resolução: Pode-se construir uma tabela de valores para f (x) e analisar os sinais:
x 1 2 3 4
f (x) − − + +
Como f (2)  f (3)  0 , conclui-se, de acordo com o teorema 1, que existem zeros de f (x)
no intervalo [2,3].
y y = f(x)
0,3
0,2
0,1 3,2 3,4 x
2,6 2,8 3,0
0
-0,1
-0,2
-0,3
-0,4
-0,5
-0,6
-0,7
-0,8
-0,9
-1,0

Pode-se ainda verificar graficamente que a função derivada da função f (x) ,


f '( x) =1 + ln x preserva o sinal no intervalo ]2,3[, neste caso f ' ( x)  0 x  ]2,3[, o que
pela Obs. 1 garante que só existe um zero de f (x) neste intervalo.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-14
y f’ (x )

1 x

40. Isolar os zeros da função f ( x) = 5 log x − 2 + 0,4 x .


Resolução: Pode-se construir uma tabela de valores para f (x) e analisar os sinais:
X 1 2 3
f (x) − + +
Como f (1)  f (2)  0 , conclui-se, de acordo com o teorema 1, que existem zeros de f (x)
no intervalo [1,2].
Pode-se também chegar a esta mesma conclusão partindo da equação
f ( x) = 5 log x − 2 + 0,4 x =0, obtendo-se a equação equivalente 5 log x = 2 − 0,4x . Neste
caso, tem-se que g( x) = 5 log x e h( x) = 2 − 0,4 x . Traçando os gráficos de g (x ) e h(x) ,
verifica-se que a abscissa do único ponto de intersecção destas curvas está no intervalo
[1,2].
y g (x )
2

1
h(x )

1 2 3 x

41. Isolar os zeros da função f ( x) = x − 5e− x .


Resolução: Pode-se construir uma tabela de valores para f (x) e analisar os sinais:
x 0 1 2 3
f (x) − − + +
Como f (1)  f (2)  0 , conclui-se, de acordo com o teorema 1, que existem zeros de f (x)
no intervalo [1,2].
Pode-se também chegar a esta mesma conclusão partindo da equação f ( x) = x − 5e− x
=0, obtendo-se a equação equivalente x = 5e − x . Neste caso, tem-se que g ( x) = x e
h( x) = 5e− x . Traçando os gráficos de g (x ) e h(x) , verifica-se que a abscissa do único
ponto de intersecção destas curvas está no intervalo [1,2].

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-15
y
2
g (x )

h(x )

1  2 3 x

2.3 Fase II: Refinamento - Critérios de Parada


2.3.1 Método da Bissecção (ou Método da Dicotomia)
Este método é normalmente utilizado para diminuir o intervalo que contém o zero da
função, para a aplicação de outro método, pois o esforço computacional cresce demasiadamente
quando se aumenta a precisão exigida.
O processo consiste em dividir o intervalo que contém o zero ao meio e por aplicação
do Teorema 1, aplicado aos subintervalos resultantes, determinar qual deles contém o zero.
 a + b a + b 
a, 2  ,  2 , b
   
O processo é repetido para o novo subintervalo até que se obtenha uma precisão
prefixada. Desta forma, em cada iteração o zero da função é aproximado pelo ponto médio de
cada subintervalo que a contém.
y
f (x )

m3
a m2 m1 b x

Assim, na figura anterior tem-se:
a+b a + m1 m + m1
m1 = , m2 = , m3 = 2 ,
2 2 2
Desta forma, o maior erro que se pode cometer na:
(b − a )
• 1a iteração ( n =1): é
2
(b − a )
• 2a iteração ( n =2): é
22

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-16
(b − a )
• 3a iteração ( n =3): é
23
 
(b − a )
• n a iteração: é
2n
Se o problema exige que o erro cometido seja inferior a um parâmetro , determina-se
(b − a )
a quantidade n de iterações encontrando o maior inteiro que satisfaz a inequação: 
2n
que se resolve da seguinte maneira:
(b − a ) (b − a )
n
  log n
 log   log(b − a) − log 2n  log   log(b − a) − n log 2  log 
2 2
log(b − a ) − log 
n 
log 2

42. Determinar um valor aproximado para 5 , com erro inferior a 10−2 .


Resolução: Determinar 5 é equivalente a obter o zero positivo da função f (x) = x 2 −5.
Sabe-se que o intervalo [2,3] contém este zero e a tolerância neste caso é  = 10 −2 . Assim,
a quantidade mínima de iterações para se obter a resposta com a precisão exigida é:
log(b − a ) − log  log(3 − 2) − log 10−2 log 1 + 2 log 10 0 + 2 1
n  n  n  n 
log 2 log 2 log 2 log 2
 n  6,643856. Como n deve ser intero, tem-se n =7.
n a x b f (a ) f (x) f (b ) ( b − a )/2
1 2,0 2,5 3,0 − + + 0,5
2 2,0 2,25 2,5 − + + 0,25
3 2,0 2,125 2,25 − − + 0,125
4 2,125 2,1875 2,25 − − + 0,0625
5 2,1875 2,21875 2,25 − − + 0,03125
6 2,21875 2,234375 2,25 − − + 0,015625
7 2,234375 2,2421875 2,25 − + + 0,0078125
Portanto 5 2,24218750,0078125

43. Um tanque de comprimento L tem uma secção transversal no formato de um


semicírculo com raio r (veja a figura). Quando cheio de água até uma distância h do
 2 2 h 2 2 
topo, o volume V da água é: V= L  0,5    r − r arcsen  − h ( r − h )  . Supondo
 r 
que L =10 ft , r=1 ft e V=12,4 ft3 , encontre a profundidade da água no tanque com
precisão de 0,01 ft .

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-17

r 
h h

Resolução: Para calcular a profundidade r−h da água, substitui-se os valores de r , L e V


na expressão anterior para obter a equação arcsen(h) + h 1 − h 2 +1,24−0,5=0 cuja raiz
é h . Assim, deve-se calcular o zero da função f (h) = arcsen(h) + h 1 − h 2 +1,24−0,5,
com precisão de = 10 −2 . Para isto, primeiramente isola-se o zero desta função num
intervalo da seguinte forma.
Pode-se construir uma tabela de valores para f (h) e analisar os sinais:
H −1 0 1

Como f (0)  f (1)  0 , conclui-se, de acordo com o teorema 1, que existem zeros de f (h)
no intervalo [0,1].
Para se confirmar a unicidade deste zero neste intervalo, pode-se utilizar a OBS. 1, isto é,
calcula-se a derivada f , (h) de f (h) para verificar que a mesma preserva o sinal no

intervalo ]0,1[. Assim, obtém-se f , (h) =


1
2
h
+ 1 − h 2 + 1 − h2
2
(−1 / 2
)
(−2 h )
1− h
2(1 − h 2 )
,
f ( h) =  0 h ]0,1[ , o que significa que f (h) é estritamente crescente neste
2
1− h
intervalo, o que garante a unicidade do zero de f (h) em ]0,1[.
Agora determina-se o número de iterações necessárias para se obter a precisão exigida:
log(b − a ) − log  log 1 − log 10−2
n n   n 6,643856
log 2 log 2
Logo são necessárias n = 7 iterações.
n a h b f (a) f (h) f (b) (b−a)/2
1 0 0,5 1 − + + 0,5
2 0 0,25 0,5 − + + 0,25
3 0 0,125 0,25 − − + 0,125
4 0,125 0,1875 0,25 − + + 0,0625
5 0,125 0,15625 0,1875 − − + 0,03125
6 0,15625 0,171875 0,1875 − + + 0,015625
7 0,15625 0,1640625 0,171875 − − + 0,0078125
Assim, h =0,16406250,0078125 e a profundidade r − h da água solicitada é
aproximadamente 1−(0,1640625) ft .

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-18

Algoritmo do Método da Bissecção


Seja f (x) uma função contínua em um intervalo [a,b], com f (a) . f (b) <0 e a raiz de
f (x) isolada em [ a , b ].
• Dados de Entrada: Pontos extremos a e b do intervalo; precisão ou tolerância () e o
número máximo de iterações (ITMAX).
• Saída: Solução aproximada x ou mensagem de "solução não encontrada" com a precisão
desejada no número máximo de iterações.
PASSO 1
Faça i =1
FA= f (a)
PASSO 2
Enquanto i  ITMAX execute os passos de 3 a 6
PASSO 3
( a + b)
Faça x = e FX = f (x)
2
PASSO 4
(b − a )
Se FX = 0 ou < , então
2
Saída ( x ) (Procedimento executado com sucesso)
FIM
PASSO 5
Faça i = i +1
PASSO 6
Se FA·FX > 0 então faça a = x e FA = FX
Caso contrário faça b = x
PASSO 7
Saída (Solução não encontrada com a precisão exigida)
FIM

2.3.2 Método do Ponto Fixo (ou Método da Iteração Linear ou Método das
Aproximações sucessivas)
Neste método a seqüência de aproximações do zero  de uma função 𝑓(𝑥) (𝑓(𝛼) = 0)
é obtida através de uma relação de recorrência da forma:
x n +1 = ( x n ) , n = 0, 1, 2, 
O ponto x 0 será considerado uma aproximação inicial do zero  da função f (x) e (x)
é uma função que tem  como ponto fixo, isto é, = () .
A primeira pergunta a ser respondida é: dada uma função f (x) com zero , como
encontrar uma função (x) que tenha  como ponto fixo? Isto pode ser feito através de uma
série de manipulações algébricas sobre a equação f (x) =0, transformando-a em uma equação
equivalente da forma x = (x) . Nestas transformações devem-se tomar os devidos cuidados
para que (x) esteja definida em  e para que  pertença à imagem de  . Como o zero  é
desconhecido, é necessário determinar um intervalo I que contenha  e que esteja contido tanto
no domínio quanto na imagem de  . É necessário que o zero  de f (x) seja único no intervalo
I, caso contrário não será possível discernir qual o zero determinado.
Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-19
y y =x
 (x )

Ponto fixo de  (x )
(Zero de f (x ) )

 x

44. Obter algumas funções de ponto fixo para a função f (x) = x 2 + x − 6 .


Resolução: Efetuando diferentes manipulações algébricas sobre a equação f (x) =0 ou
2
x + x − 6 =0, podem-se obter diferentes funções de ponto fixo, como por exemplo:
a) x 2 + x − 6 =0 x = 6 − x 2 , logo 1 ( x) = 6 − x 2 . Como 1 (−3) =−3 e 1 (2) =2, tem-se
que −3 e 2 são pontos fixos de 1 ( x) .
b) x 2 + x − 6 =0 x =  6 − x , logo se pode ter  2 ( x) = 6 − x e neste caso tem-se que
2 é ponto fixo de  2 ( x) , pois  2 (2) = 2 , ou  2 ( x) = − 6 − x e neste caso tem-se que −3
é ponto fixo de  2 ( x) , pois  2 (−3) = −3 .
6 x 6 6
c) x 2 + x − 6 =0 x  x + x − 6 = 0  x = −  x = − 1 , logo  3 ( x) = − 1 . Como
x x x x
 3 (−3) =−3 e  3 (2) =2, tem-se que −3 e 2 são pontos fixos de  3 ( x) .
6 6
d) x 2 + x − 6 =0 x  x + x − 6 = 0  x( x + 1) − 6 = 0  x = , logo  4 ( x) = .
x +1 x +1
Como  4 (−3) =−3 e  4 (2) =2, tem-se que −3 e 2 são pontos fixos de  4 ( x) .
No próximo passo algumas destas funções serão utilizadas na tentativa de gerar
seqüências aproximadoras dos zeros  de f (x) .

45. Aproximar o maior zero da função f (x) = x 2 + x − 6 , utilizando a função


 2 ( x) = 6 − x , e x 0 =1,5.
Resolução: Neste caso a fórmula de recorrência x n +1 = ( x n ) , n = 0, 1, 2,  será:
x n+1 =  2 ( x n ) = 6 − x n , e pode-se construir a seguinte tabela:
n xn x n+1 =  2 ( x n ) = 6 − x n
0 1,5 2,12132
1 2,12132 1,96944
2 1,96944 2,00763
3 2,00763 1,99809
4 1,99809 2,00048
  
Percebe-se que neste caso a seqüência {x n } converge para a raiz =2 da equação
x 2 + x − 6 = 0.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-20
y y =x

 2 (x )

x0 x 2 x 3 x1 6 x
=2

46. Aproximar o maior zero da função f (x) = x 2 + x − 6 , utilizando a função


1 ( x) = 6 − x 2 , e x 0 =1,5.
Resolução: Neste caso a fórmula de recorrência x n +1 = ( x n ) , n =0, 1, 2,  será:
xn+1 = 1 ( xn ) = 6 − xn2 , e pode-se construir a seguinte tabela:
n xn x n+1 = 1 ( x n ) = 6 − x 2
0 1,5 3,75
1 3,75 −8,0625
2 −8,0625 −59,003906
3 −59,003906 −3475,4609
  
Percebe-se que neste caso a seqüência {x n } não converge para a raiz  = 2 da equação
x 2 + x − 6 = 0.
y
6 y =x

x2
x0 x1 x
=2

1 (x )

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-21
Assim, os dois exercícios anteriores mostram que dependendo da transformação
x = (x) escolhida, a relação de recorrência x n +1 = ( x n ) pode ou não fornecer uma seqüência
{x n } convergente. Desta forma, como determinar a priori, quais transformações fornecerão
seqüências convergentes? As figuras que seguem ilustram alguns casos onde ocorrem
convergência e alguns casos onde não ocorre convergência.

A seqüência x k  converge para o zero  (Convergência do tipo escada).


y y =x
 (x )

 x3 x2 x1 x0 x

A seqüência x k  converge para o zero  (Convergência do tipo caracol).


y y =x
(x )

x1 x3  x4 x2 x0 x

A seqüência x k  não converge para o zero .


y y =x
 (x )

 x0 x1 x2 x3 x

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-22
A seqüência x k  não converge para o zero .

y  (x ) y =x

x3 x1  x0 x2 x
O Teorema que segue estabelece condições suficientes para garantir a convergência do
processo iterativo.
OBS. 2: Como as condições que o teorema que segue são apenas suficientes, dada uma
função  que não satisfaça estas condições, não se pode garantir que a seqüência gerada
x1 , x 2 , x 3 ,  diverge.

Convergência do Método das Aproximações Sucessivas


Teorema 2 Seja  um zero de uma função f, isolada em um intervalo I=[a,b], e seja  uma
função tal que ( ) =  . Se:
i)  e ' são funções contínuas em I;
ii) k = max  (x )  1
'
xI
iii) x 0  I e x n +1 = ( x n )  I , para n = 0, 1, 2, 
Então a seqüência x n  converge para o zero  .
OBS. 3: Para se resolver um problema com o método das aproximações sucessivas,
utiliza-se o teorema anterior da seguinte forma: inicialmente determina-se um intervalo I onde
o zero  de f (x) esteja isolado, e uma função  que tenha  como ponto fixo. Analisando 
e ' , pode-se verificar se as condições i) e ii) do Teorema 2 estão satisfeitas. Estas condições
podem não estar satisfeitas pelo fato do intervalo I ter sido superdimensionado. Neste caso
procura-se por um intervalo I ’ satisfazendo as condições do teorema. Na demonstração do
Teorema 2 , que pode ser vista em HUMES, Ana Flora C., et al. Noções de Cálculo Numérico.
São Paulo: McGraw-Hill, p. 16, 1984, tem-se que as condições i) e ii) garantem que se x n −1 
I então  − x n <  − x n−1 . Entretanto, isto não implica que x n  I . Uma maneira simples
para garantir que x n  I = a, b n  0 é tomar como valor inicial x0 o extremo de I mais
próximo do zero . Na seqüência, será mostrado que neste caso x1 = ( x 0 )  I : Supondo que
a seja o extremo de I mais próximo de , tem-se: x1 −  < x 0 −  = a −   b −  , logo x1
 I . A demonstração é análoga para o caso em que b o extremo de I mais próximo de .
OBS. 4: A condição iii) do Teorema 2 pode ser substituída por: iii’) o zero  é o ponto
médio do intervalo I . Na verdade, se para o intervalo I = a, b , estão satisfeitas as condições
i) e ii) do Teorema 2, e se a estiver mais próximo de  do que de b então, denotando a − 
por r, tem-se que para qualquer x0  a,  + r  a hipótese iii) do teorema é verificada. Mais

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-23
ainda, para todo I = a, b nas condições do teorema 2, existe I ’ I tal que qualquer que seja
x0  I ’ tem-se que x n  I ’, n 1.

OBS. 5: A determinação do extremo de I = a, b mais próximo do zero  pode ser feito
da seguinte maneira: Suponhamos satisfeitas as hipóteses i) e ii) do Teorema 2 . Nestas
( a + b)
condições, seja x̂ = (ponto médio do intervalo I ). Sabe-se que (xˆ ) está mais próximo
2
de  do que x̂ . Se x̂ < (xˆ ) , então  está entre x̂ e b , ou seja, b é o extremo de I mais
próximo de  . Analogamente, se x̂ > (xˆ ) , então a é o extremo de I mais próximo de . Se
x̂ = (xˆ ) , então x̂ é o zero procurado.
a x b
 (x ) x

a x b
 (x ) x

Este é o caso em que b é o extremo mais próximo de .

Sejam dados ( x ),  e k = max  (x ) satisfazendo as hipóteses do teorema


'
OBS. 6:
xI
k
anterior. Se xn =( xn −1 ), então  − xn  x − x . Desta forma, obtém-se um limitante
1 − k n n −1
superior para o erro cometido na n -ésima iteração ( xn ).

47. Verificar as condições i) e ii) do teorema anterior quando do uso da função


 2 ( x) = 6 − x no exercício número 45.
Resolução:
Verificação da condição i):
•  2 ( x) = 6 − x é contínua no conjunto S ={ x /x  6}.
−1
• 2 ' ( x ) = é contínua no conjunto T ={ x /x < 6}.
2 6 − x
Verificação da condição ii):
−1
• 2 '( x) < 1  < 1  x < 5,75
2 6 − x
Logo, é possível obter um intervalo I , tal que =2 I , onde as condições i) e ii) estão
satisfeitas.

48. Verificar as condições i) e ii) do teorema anterior quando do uso da função


1 ( x) = 6 − x 2 .
Resolução:
Verificação da condição i):
• 1 ( x) = 6 − x 2 e 1'( x) = −2 x são contínuas em .
Verificação da condição ii):

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-24
1 1
• 1 ' ( x ) < 1  − 2 x < 1  − < x < .
2 2
Logo, não existe um intervalo I , com =2 I , e tal que 1 ' ( x ) < 1,  x  I .

Algoritmo do Método das aproximações sucessivas


Para encontrar uma solução para p = ( p ) dada uma aproximação inicial p 0 .

• Dados de Entrada: Aproximação inicial p 0 , precisão ou tolerância () e o número


máximo de iterações (ITMAX).
• Saída: Solução aproximada p ou mensagem de “solução não encontrada”.
PASSO 1
Faça i = 1
PASSO 2
Enquanto i  ITMAX, execute os passos 3 – 6
PASSO 3
Faça p = ( p ) (calcular p i )
PASSO 4
Se p − p 0 <  então
Saída ( p ) (procedimento efetuado com sucesso)
FIM
PASSO 5
Faça i = i + 1
PASSO 6
Faça p 0 = p (atualize p 0 )
PASSO 7
Saída (solução não encontrada após ITMAX iterações)
FIM
OBS. 7: Outros critérios de parada podem ser utilizados:
• pn − pn −1  

pn − pn −1
• 
pn

• f ( pn )  

49. Encontrar o zero de f (x) = e x − x 2 + 4 com precisão  = 10 −6 , utilizando o método do


ponto fixo.
Resolução: Pode-se construir uma tabela de valores para f ( x ) e analisar os sinais:
x −3 −2 −1
f (x) − + +
Como f (−3)  f (−2)  0 , conclui-se, de acordo com o Teorema 1, que existem zeros de
f (x) no intervalo [−3,−2].
Fazendo h( x) = e x e g ( x) = x 2 − 4 , pode-se verificar que os gráficos das mesmas se
intersectam em apenas um ponto, o que garante que só existe um zero de f (x) neste
intervalo.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-25
y h(x ) = e x
5 g (x ) = x 2 - 4
4
3
2
1

-3  -2 -1 1 2 3 x
-1
-2
-3

-4

Assim, o zero de f (x) está isolado em [−3,−2].

Procurando uma função de ponto fixo adequada pode-se fazer:


e x − x 2 + 4 =0  x 2 = e x + 4  x = − e x + 4  ( x) = − e x + 4
Verificando as hipóteses i) e ii) do Teorema 2 :
ex
i) ' ( x) = −
2 ex + 4
( x) e  '( x) são contínuas em [−3,−2], o que garante a primeira condição do Teorema 2 .
ii) k = max ' ( x)
x[ −3, −2]

ex
'( x) = −
2. e x + 4
e −3
 ' ( −3) = − = −0,01237
2. e −3 + 4
e −2
 ' ( −2) = − = −0,03328
−2
2. e + 4
Como '( x) é decrescente no intervalo I =[−3,−2], k = 0,03328 < 1, o que garante a
segunda condição do Teorema 2 .
Procura-se agora, o extremo do intervalo I =[−3,−2] mais próximo do zero  de f (x) :
Para isto, segue-se o indicado na observação 5, isto é, calcula-se o ponto médio do intervalo
( −3 + ( −2))
I =[−3,−2]: x̂ = = −2,5 e (xˆ ) = (−2,5) = − e −2,5 + 4 = −2,02042. Como x̂
2
< (xˆ ) , isto é x̂ =−2,5 < (xˆ ) = ( −2,5) = −2,02042, então  está entre x̂ =−2,5 e −2, ou
seja, −2 é o extremo de I mais próximo de . Desta forma, iniciando o processo recursivo
pelo ponto x0 = −2, garante-se que todos os termos da seqüência aproximadora
pertencerão ao intervalo I =[−3,−2].

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-26

Logo, utilizando ( x) = − e x + 4 a partir de x0 = −2, gera-se uma seqüência convergente


para o zero  de f (x) .
n xn x n +1 x n+1 − x n
0 −2 −2,0335524 0,0335524 > 10-6
1 −2,0335524 −2,0324541 0,0010983 > 10-6
2 −2,0324541 −2,0324895 0,0000354 > 10-6
3 −2,0324895 −2,0324884 0,0000011 > 10-6
4 −2,0324884 −2,0324884 0 < 10-6
Portanto, x = −2,0324884.

2.3.3 Método de Newton, Newton-Raphson (ou Método das Tangentes)


Este método é uma particularidade do método das aproximações sucessivas. A idéia é
construir uma função (x) para a qual exista um intervalo contendo o zero  , onde |𝜙′(𝑥)| <
1. Esta construção é feita impondo ' () = 0 . Como ' ( x) deve ser uma função contínua, existe
sempre uma vizinhança I de  onde max ' ( x) <1.
x I
Obtenção da função (x) : A forma mais geral de x = (x) equivalente a f (x) =0 é dada
por:
x = x + A( x) f ( x) = (x)
onde A(x) é uma função contínua tal que A()  0 . Escolhe-se A(x) de forma que ' () = 0
. Derivando-se a equação anterior, obtém-se ' ( x) =1+ A( x) f ' ( x) + A' ( x) f ( x) . Calculando esta
derivada no ponto  , obtém-se: ' () =1+ A() f ' () . Supondo que 𝑓′(𝛼) ≠ 0, para que
1
' () = 0 , deve-se ter A() = − . Assim, uma escolha satisfatória para A(x) será
f ' ( )
portanto:
1
A(x) = − , uma vez que x   .
f ' ( x)
Substituindo A(x) na equação inicial, tem-se:
f ( x)
(x) = x −
f '( x)
Assim, o processo iterativo de Newton é definido por:
f ( xn )
x n +1 = x n − , n = 0, 1, 2, 
f ' ( xn )

OBS. 8: A (x) é válida mesmo que f ' () = 0, uma vez que xn   .

Interpretação Geométrica do Método de Newton


O valor x n +1 é obtido traçando-se a tangente ao gráfico da função f (x) no ponto
( xn , f ( xn )) . A intersecção da reta tangente com o eixo das abscissas fornece a nova
aproximação x n +1 . Esta interpretação justifica o nome de método das tangentes.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-27
y
f (xn)


xn+1 xn
 x2 x1 x0 x
f (x )

f ( xn ) f ( xn )
tg = f ' ( xn ) =  xn+1 = xn −
xn − xn+1 f ' ( xn )

Convergência do Método de Newton


Teorema 3 Seja f : a, b →  , duas vezes diferenciável, com f " (x ) contínua. Suponha
que:
i) f (a )  f (b )  0
ii) f '( x)  0, x [a, b]
iii) f ''( x) não troca de sinal em a, b
Então, a seqüência gerada pelas iterações do método de Newton-Raphson utilizando a
f (x ) f (xn )
função (x ) = x − que equivale a xn+1 = xn − converge para o único zero  de f
f ' (x ) f ' (xn )
, isolado em a, b , se x0  a , b for escolhido convenientemente.

OBS. 9: Para se escolher o ponto inicial x0 , pode-se, por exemplo, fazer x0 = a se


(a ) a, b ou x0 = b caso contrário.

Algoritmo do Método de Newton


Para encontrar uma solução para f (x) =0, dada a derivada de f (x) e uma aproximação
inicial p 0 .

• Dados de Entrada: Aproximação inicial p 0 , precisão ou tolerância () e o número


máximo de iterações (ITMAX).
• Saída: Solução aproximada p ou mensagem de “solução não encontrada”.
PASSO 1
Faça i =1
PASSO 2:
Enquanto i  ITMAX, execute os passos 3 – 6
PASSO 3
Faça p = p 0 − f ( p 0 ) / f ' ( p 0 ) (calcular p i )
PASSO 4
Se p − p 0 <  então
Saída (p) (procedimento efetuado com sucesso)
FIM
PASSO 5
Faça i = i + 1

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-28
PASSO 6
Faça p 0 =p (atualize p 0 )
Passo 7:
Saída (solução não encontrada após ITMAX iterações)
FIM
OBS. 10: Outros critérios de parada podem ser utilizados:
• p n − p n−1  

p n − p n −1
• 
pn

• f ( pn+1 )  

OBS. 11: O Método de Newton irá falhar se para algum n, f ' ( pn−1 ) = 0.

50. Encontrar a solução para a equação x = cos x com precisão  = 10 −6 .


Resolução: x = cos x  cos x − x = 0  f ( x) = cos x − x
Pode-se construir uma tabela de valores para f ( x ) e analisar os sinais:

x 0
2
f (x) + −

Como f (0)  f ( )  0 , conclui-se, de acordo com o Teorema 1, que existem zeros de f (x)
2

no intervalo [0, ].
2
Fazendo g (x) = x e h(x) = cos x , pode-se verificar que os gráficos das mesmas se
intersectam em apenas um ponto, o que garante que só existe um zero de f (x) neste
intervalo. Esta informação também pode ser verificada observando que a função f ' ( x)

=−sen x – 1, preserva o sinal x ]0, [, isto é, tem-se que neste caso f ' ( x )0, x ]0,
2
 
[ (e também em [0, ] ). Isto significa dizer que a função f ( x ) é estritamente
2 2

decrescente no intervalo ]0, [.
2
y g (x )= x

1
3 h (x )= cos x
 2
  2 x
2

-1
 
Como f ''( x) = − cos x , também preserva o sinal em [0, ], ( f '' ( x )0, x ]0, [, tem-
2 2
se que as condições i), ii) e iii) do teorema 3 são satisfeitas.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-29
cos(xn ) − xn
Assim, a fórmula recursiva de Newton para este caso fica: xn +1 = xn − para
− sen( xn ) − 1
n  0 . Agora deve-se escolher x0 convenientemente: Pode-se verificar que o ponto médio

x̂ = ou x̂ =0,785398163398 e ( x̂ ) =0,739536133515. Pela observação 5 concluímos
4
que x0 =0, pois ( x̂ ) < x̂ .
n xn xn +1 xn +1 − xn
0 0 1 1 > 10-6
1 1 0,750363868 0,249636132 > 10-6
2 0,750363868 0,7391128909 0,011250978 > 10-6
3 0,7391128909 0,7390851333 0,000027757 > 10-6
4 0,7390851333 0, 7390851332 0,0000000001 <10-6
Portanto, x = 0,739085133.

2.3.4 Método da Secante


Uma grande desvantagem do método de Newton é a necessidade de se obter a derivada
𝑓′(𝑥) e calcular o seu valor numérico a cada iteração. Para contornar este problema podemos
substituir o cálculo da primeira derivada 𝑓 ′ (𝑥) pelo quociente das diferenças, usando assim,
um modelo linear baseado nos dois valores calculados mais recentemente:
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )
𝑓 ′ (𝑥) =
𝑥𝑛 − 𝑥𝑛−1
onde 𝑥𝑛 e 𝑥𝑛−1 são duas aproximações para a raiz.
Substituindo o valor aproximado da derivada acima na fórmula e Newton, obtém-se:
𝑓(𝑥𝑛 )
𝑥𝑛+1 = 𝑥𝑛 − ′
𝑓 (𝑥)
𝑥𝑛 − 𝑥𝑛−1
𝑥𝑛+1 = 𝑥𝑛 − 𝑓(𝑥𝑛 )
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )

Assim, o processo iterativo do Método da Secante é definido por:

𝑓(𝑥𝑛 ) ∙ (𝑥𝑛 − 𝑥𝑛−1 ) 𝑥𝑛−1 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑥𝑛 𝑓(𝑥𝑛−1 )


𝑥𝑛+1 = 𝑥𝑛 − ou 𝑥𝑛+1 = ,
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 ) 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )
com 𝑛 = 0, 1, 2, …

Interpretação Geométrica do Método da Secante


Os valores 𝑥0 e 𝑥1 são aproximações iniciais que determinam a reta pelos pontos
(𝑥0 , 𝑓(𝑥0 )) e (𝑥1 , 𝑓(𝑥1 )). A intersecção da reta secante com o eixo das abscissas fornece a nova
aproximação 𝑥2 .
Então, de dois valores 𝑥𝑛−1 e 𝑥𝑛 é determinada a reta pelos pontos (𝑥𝑛−1 , 𝑓(𝑥𝑛−1 )) e
(𝑥𝑛 , 𝑓(𝑥𝑛 )). A intersecção desta reta com o eixo das abscissas fornece a aproximação 𝑥𝑛+1.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-30
y
f (x )

f ( x0 )
f ( x3 )

x1 x2 x4
 x3 x0 x
f (x4)
f (x 2)
L a ur o
Cesa r
Ga lvã o f (x 1)
Para o desenho acima, tome 𝑥𝑛 = 𝑥1 . Desta forma, 𝑥𝑛−1 = 𝑥0 e 𝑥𝑛+1 = 𝑥2 . Assim, os
dois triângulos abaixo são semelhantes e foram tirados da figura acima.
L a ur o
Cesa r
Ga lvã o
f (x n -1)
f (x n)

x n +1 xn x n+1 x n-1
Então, por semelhança de triângulos, temos:
𝑓(𝑥𝑛−1 ) 𝑥𝑛−1 − 𝑥𝑛+1
=
𝑓(𝑥𝑛 ) 𝑥𝑛 − 𝑥𝑛+1
Isolando 𝑥𝑘+1 , temos:
𝑓(𝑥𝑛−1 ) ∙ (𝑥𝑛 − 𝑥𝑛+1 ) = 𝑓(𝑥𝑛 ) ∙ (𝑥𝑛−1 − 𝑥𝑛+1 )
𝑓(𝑥𝑛−1 )𝑥𝑛 − 𝑓(𝑥𝑛−1 )𝑥𝑛+1 = 𝑓(𝑥𝑛 )𝑥𝑛−1 − 𝑓(𝑥𝑛 )𝑥𝑛+1
𝑥𝑛+1 ∙ (𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )) = 𝑥𝑛−1 ∙ 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑥𝑛 ∙ 𝑓(𝑥𝑛−1 )
𝑥𝑛−1 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑥𝑛 𝑓(𝑥𝑛−1 )
𝑥𝑛+1 =
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )

Convergência do Método da Secante


Como o método da secante é uma aproximação para o método de Newton, as condições
de convergência são próximas.
OBS. 12: O método da secante pode divergir se 𝑓(𝑥𝑘 ) ≅ 𝑓(𝑥𝑘−1 ).

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-31
Algoritmo do Método da Secante
Para encontrar uma solução para f (x) =0, dadas duas aproximações inicial 𝑝0 e 𝑝1.
• Dados de Entrada: Aproximações inicial 𝑝0 e 𝑝1, precisão ou tolerância () e o número
máximo de iterações (ITMAX).
• Saída: Solução aproximada 𝑝 ou mensagem de “solução não encontrada”.
PASSO 1
Faça i =1
PASSO 2:
Enquanto i  ITMAX, execute os passos 3 – 6
PASSO 3
𝑝 𝑓(𝑝 )−𝑝1 𝑓(𝑝0 )
Faça 𝑝 = 0𝑓(𝑝1)−𝑓(𝑝 )
(calcular 𝑝𝑖 )
1 0
PASSO 4
Se |𝑝 − 𝑝1 | <  então
Saída (p) (procedimento efetuado com sucesso)
FIM
PASSO 5
Faça i = i + 1
PASSO 6
Faça 𝑝0 = 𝑝1 e 𝑝1 = 𝑝 (atualize 𝑝0 e 𝑝1)
Passo 7:
Saída (solução não encontrada após ITMAX iterações)
FIM
OBS. 13: Outros critérios de parada podem ser utilizados:
• p n − p n−1  

p n − p n −1
• 
pn

• f ( pn+1 )  

51. Considerando o mesmo exercício anterior, encontrar a solução para a equação x = cos x
com precisão  = 10 −6 , usando o método da secante. Considere 𝑥0 = 0 e 𝑥1 = 1, como
aproximações iniciais.
Resolução: 𝑓 (𝑥) = cos(𝑥) − 𝑥 = 0
Assim, a fórmula recursiva do método da secante para este caso fica:
𝑥𝑛−1 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑥𝑛 𝑓(𝑥𝑛−1 )
𝑥𝑛+1 =
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )
n x(n-1) x(n) x(n+1) |x(n+1) - x(n)|
0 0 1 0,685073357 0,314926643
1 1 0,685073357 0,736298998 0,05122564
2 0,685073357 0,736298998 0,739119362 0,002820364
3 0,736298998 0,739119362 0,739085112 3,42498E-05
4 0,739119362 0,739085112 0,739085133 2,11E-08
Portanto, x = 0,739085133.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-32
2.3.5 Comparação entre os métodos
Nos exercícios seguintes, considerando cada método especificado, determine uma
aproximação para o zero da função.

52. Pelo método da Bissecção, determine uma aproximação para x (1,2) da função
𝑓(𝑥) = 𝑒 −𝑥 − cos 𝑥 com aproximação 1 = 10−4 tal que ( b − a )/2 1 .
2

Resolução:
n a x b f (a ) f (x) f (b ) ( b − a )/2
1 1 1,5 2 - + + 0,5
2 1 1,25 1,5 - - + 0,25
3 1,25 1,375 1,5 - - + 0,125
4 1,375 1,4375 1,5 - - + 0,0625
5 1,4375 1,46875 1,5 - + + 0,03125
6 1,4375 1,453125 1,46875 - + + 0,015625
7 1,4375 1,4453125 1,453125 - - + 0,0078125
8 1,4453125 1,44921875 1,453125 - + + 0,00390625
9 1,4453125 1,447265625 1,44921875 - - + 0,001953125
10 1,447265625 1,448242188 1,44921875 - + + 0,000976563
11 1,447265625 1,447753906 1,448242188 - + + 0,000488281
12 1,447265625 1,447509766 1,447753906 - + + 0,000244141
13 1,447265625 1,447387695 1,447509766 - - + 0,00012207
14 1,447387695 1,44744873 1,447509766 - + + 6,10352E-05
Logo, x =1,44744873

53. Pelo método do Ponto Fixo ou Aproximações Sucessivas, determine uma aproximação
2
para 𝑥̅ (1,2) da função 𝑓(𝑥) = 𝑒 −𝑥 − cos 𝑥 com aproximação 𝜀1 = 𝜀1 = 10−4 tal que
|𝑓(𝑥𝑛 )| < 𝜀1 ou |𝑥𝑛+1 − 𝑥𝑛 | < 𝜀2 . Utilize 𝑥0 =1,5.
Resolução:
2
f ( x )= e − x − cos x
2
f ( x )=0  e − x − cos x + x − x =0
2
1( x )=− cos x + e − x + x  1 ' ( x )1 em (1,2)
2
2( x )= cos x − e − x + x   2 ' ( x )1 em (1,2)
2
 𝜙(𝑥) = cos 𝑥 − 𝑒 −𝑥 + 𝑥  𝑥𝑛+1 = 𝜙(𝑥𝑛 )

n xn x n +1 | x n +1 − x n | | f ( x n +1 )| Parada
0 1,5 1,465337977 0,034662023 0,01154599
1 1,465337977 1,453791987 0,01154599 0,004075472
2 1,453791987 1,449716515 0,004075472 0,001466938
3 1,449716515 1,448249577 0,001466938 0,000531683
4 1,448249577 1,447717894 0,000531683 0,000193187
5 1,447717894 1,447524708 0,000193187 7,02578E-05 |𝑓(𝑥𝑛 )| < 𝜀1

Logo, x =1,447524708.

Maiko
Cálculo Numérico Zeros reais de funções reais 2-33

54. Pelo método de Newton-Raphson, determine uma aproximação para 𝑥̅ (1,2) da função
𝑓(𝑥) = 𝑒 −𝑥 − cos 𝑥 com aproximação 1 =  2 = 10−4 tal que | f ( x n +1 )| 1 ou
2

|𝑥𝑛+1 − 𝑥𝑛 | < 𝜀2 . Utilize 𝑥0 =1,5.


Resolução:
2 2
f ( x )= e − x − cos x  f ' ( x )=−2 x e − x + senx
2
f ( x) e − x − cos x
( x )= x −  ( x )= x − 2
 x n +1 =( x n )
f '( x) − 2 xe− x + senx
n xn x n +1 | x n +1 − x n | | f ( x n +1 )| Parada
0 1,5 1,4491235 0,0508765 0,001088623
1 1,4491235 1,447416347 0,001707153 1,32044E-06 |𝑓(𝑥𝑛+1 )| < 𝜀1
Logo, x =1,447416347.

55. Pelo método da secante, determine uma aproximação para 𝑥̅ (1,2) da função
𝑓(𝑥) = 𝑒 −𝑥 − cos 𝑥 com aproximação 1 =  2 = 10−4 tal que | f ( x n +1 )| 1 ou
2

|𝑥𝑛+1 − 𝑥𝑛 | < 𝜀2 . Utilize 𝑥0 = 1,5 e 𝑥1 = 1,2, como aproximações iniciais.


Resolução:
𝑥𝑛−1 𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑥𝑛 𝑓(𝑥𝑛−1 )
𝑥𝑛+1 =
𝑓(𝑥𝑛 ) − 𝑓(𝑥𝑛−1 )
n x(n-1) x(n) x(n+1) |x(n+1) - x(n)|
0 1,5 1,2 1,435046063 0,235046063
1 1,2 1,435046063 1,450627163 0,0155811
2 1,435046063 1,450627163 1,447385539 0,003241624
3 1,450627163 1,447385539 1,447414206 2,86668E-05
Logo, x =1,447414206.

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-34

3 Resolução de sistemas de equações lineares


3.1 Introdução
Vários problemas, como cálculo de estruturas de redes elétricas e solução de equações
diferenciais, recorrem a resolução numérica de um sistema linear S n de n equações com n
incógnitas.

3.1.1 Forma Algébrica de Sn


 a11x1 + a12 x2 +  + a1n xn = b1
a x + a22 x2 +  + a2 n xn = b2

S n =  21 1
    

an1 x1 + a n 2 x2 +  + ann xn = bn
ou
n
S n =  aij x j = bi , i =1, 2, , n .
j =1

3.1.2 Forma Matricial de Sn


A  x =b
 a11 a12  a1n   x1   b1 
a     
 21 a22  a2 n    x2  = b2  .
      
     
 an1 an 2  ann   xn  bn 
Onde:
• A  matriz dos coeficientes;
• x  vetor das incógnitas (ou vetor solução);
• b  vetor dos termos independentes.

3.1.3 Matriz Aumentada ou Matriz Completa do Sistema


 a11 a12  a1n b1 
a b2 
21 a22  a2 n
B =[ A  b ]=  .
    
 
 an1 an 2  ann bn 

3.1.4 Solução do Sistema


x =( x1 , x2 , , xn ) T .

3.1.5 Classificação de um Sistema Linear


• COMPATÍVEL: apresenta soluções;
• INCOMPATÍVEL: caso contrário.

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-35
3.1.6 Classificação quanto ao Determinante de A
• det A 0 (SPD)  sistema linear possível e determinado (SOLUÇÃO ÚNICA);
• det A =0 (SPI) ou (SI): a matriz A é SINGULAR.
(SPI)  Sistema possível e indeterminado,
(SI)  Sistema impossível.
OBS. 1: Se bi =0, i =1, 2, , n , isto é, se b =0, o sistema é dito HOMOGÊNEO. Todo
sistema homogêneo é compatível, pois admite sempre a solução x =0. A solução é chamada
TRIVIAL.

3.2 Métodos diretos


São métodos que determinam a solução de um sistema linear com um número finito de
operações.
Definição: Dois sistemas lineares são equivalentes quando possuem a mesma solução.

3.2.1 Método de Eliminação de Gauss


Com ( n −1) passos, o sistema linear A  x = b é transformado num sistema triangular
superior equivalente. Tome det A 0 como hipótese.
A  x = b  U  x = c , o que se resolve por substituição.
[ A  b ]  [U  c ]
 a11 a12  a1n b1  u11 u12  u1n c1 
a   
 21 a22  a2 n b2    0 u22  u2 n c2  .
         
   
 an1 an 2  ann bn   0 0  unn cn 

2 x1 + 3x2 − x3 = 5

56. Resolver o sistema S3 , com S3 = 4 x1 + 4 x2 − 3x3 = 3 .
2 x − 3x + x3 = −1
 1 2

2 x1 + 3x2 − x3 = 5

Resolução: S3 = 4 x1 + 4 x2 − 3x3 = 3  [ A  b ]  [U  c ]
2 x − 3x2 + x3 = −1
 1
2 3 −1 5
[ A  b ] = 4 4 −3 3  (Matriz aumentada).
2 − 3 1 − 1
Seja B0 =[ A  b ] e Bk =[ U  c ] após k conjuntos de operações elementares aplicadas sobre
B0 .

• Etapa 1: em B0 , tome L(0 ) (0 )


i , com i =1,2,3, como as linhas de B0 e a11 como pivô e

calculam-se os multiplicadores mi(0 )


1 ( i =2,3).
(0) (0)
(0 ) a21 4 (0 ) a31 2
m21 =− ( 0 ) = − = −2; m31 =− ( 0 ) = − = −1.
a11 2 a11 2
Operações elementares nas linhas L(i 0+1) ( i =1,2,3).

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-36

L1(1)  L1(0 ) ; L(12)  m21


(0 )
 L1(0 ) + L(0
2 ;
)

L(13)  m31
(0 )
 L1(0 ) + L(0
3 .
)

Sendo L(1i ) ( i =1,2,3) as linhas da matriz B1 .


(0 )
 Anulam-se todos os valores abaixo do pivô a11 .
2 3 − 1 5 
B1 = 0 − 2 − 1 − 7  .
 
0 − 6 2 − 6

• Etapa 2: Repete-se o processo para o próximo pivô, situado na diagonal da matriz B1 .


Em B1 , tome L(1i ) , com i =2,3 e a22
(1)
como pivô.
(1)
(1) a32 −6
m32 =− (1) = − = −3.
a22 −2
L1(2)  L1(1) ; L(2 ) (1)
2  L2 ; L(2 ) (1) (1) (1)
3  m32  L2 + L3 .
2 3 − 1 5 
B2 = 0 − 2 − 1 − 7   B2 =[ U  c ].
 
0 0 5 15 
Segue que:
1 
Resolvendo U  x = c por substituição retroativa, tem-se: x = 1 2 3 = 2 que é,
T

3
também, solução para o sistema A  x = b .
• Método compacto para a TRIANGULAÇÃO U  x = c :
Linha Multiplicador m Matriz Aumentada Transformação
(1) B0  2 3 -1 5
(0 )
(2) m21 = -( 4 )/( 2 )= -2 4 4 -3 3
(0 )
(3) m31 = -( 2 )/( 2 )= -1 2 -3 1 -1
(2) B1  0 -2 -1 -7 -2 L1(0) + L(0
2
)

(1)
(3) m32 = -( -6 )/( -2 )= -3 0 -6 2 -6 -1 L1(0) + L(0
3
)

(3) B2  0 0 5 15 -3 L(12) + L(1


3
)

As linhas contendo os pivôs formam o sistema U  x = c .

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-37
57. Resolver o sistema S4 com arredondamento em duas casas decimais, na matriz
aumentada.
 8,7 x1 + 3,0 x 2 + 9,3x3 + 11,0 x 4 = 16,4
24,5 x − 8,8 x 2 + 11,5 x3 − 45,1x 4 = − 49,7
 1
S4  A  x = b  
52,3x1 − 84,0 x 2 − 23,5 x3 + 11,4 x 4 = − 80,8

 21,0 x1 − 81,0 x 2 − 13,2 x3 + 21,5 x 4 = − 106,3
Resolução:
Linha Multiplicador m Matriz Aumentada
(1) B0  8,70 3,00 9,30 11,00 16,40
(0 )
(2) m21 = -( 24,50 )/( 8,70 ) 24,50 -8,80 11,50 -45,10 -49,70
(0 )
(3) m31 = -( 52,30 )/( 8,70 ) 52,30 -84,00 -23,50 11,40 -80,80
(0 )
(4) m41 = -( 21,00 )/( 8,70 ) 21,00 -81,00 -13,20 21,50 -106,30
(2) B1  0,00 -17,25 -14,69 -76,08 -95,88
(1)
(3) m32 = -( -102,03 )/( -17,25 ) 0,00 -102,03 -79,41 -54,73 -179,39
(1)
(4) m42 = -( -88,24 )/( -17,25 ) 0,00 -88,24 -35,65 -5,05 -145,89
(3) B2  0,00 0,00 7,48 395,27 387,72
(2 )
(4) m43 = -( 39,49 )/( 7,48 ) 0,00 0,00 39,49 384,13 344,57

(4) B3  0,00 0,00 0,00 -1702,66 -1702,36


Então A  x = b  U  x = c  [ A  b ]  [ U  c ].
8,7 x1 + 3,0 x2 + 9,3x3 + 11,0 x4 = 16,4
 0 − 17,25 x2 − 14,69 x3 − 76,08 x4 = − 95,88

U x =c  
 0 0 + 7,48x3 + 395,27 x4 = 387,72

 0 0 0 − 1702,66 x4 = − 1702,36
Logo: x = 1,01 2,01 − 1,01 1,00 .
T

Cálculo do Resíduo
Uma medida para avaliar a precisão dos cálculos é o resíduo, que é dado por:
r = b − Ax .

58. Com base no exercício anterior, calcular o resíduo r do sistema A  x = b .


Resolução: r = b − Ax .

 16,4   8,7 3,0 9,3 11,0   1,01 


 − 49,7  24,5 − 8,8 11,5 − 45,1  2,01 
r = −  .
 − 80,8  52,3 − 84,0 − 23,5 11,4  − 1,01
     
− 106,3  21,0 − 81,0 − 13,2 21,5   1,00 

r = − 0,024 − 0,042 0,082 0,468T .

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-38
Algoritmo de Eliminação de Gauss
Seja o sistema A  x = b , com Ann , xn1 e bn1 .
Sempre supor que akk 0 na etapa k .
TRIANGULARIZAÇÃO: A  x = b  U  x = c .
Para k =1, 2, , ( n −1)
Para i =( k +1), , n
a
m = ik
akk
aik =0
Para j =( k +1), , n
aij = aij − m  akj
bi = bi − m  bk
FIM
FIM
FIM
RESOLUÇÃO DO SISTEMA U  x = c .
b
xn = n
ann
Para k =( n −1), , 2, 1
s =0
Para j =( k +1), , n
s = s + akj  x j
FIM
bk − s
xk =
akk
FIM

3.2.2 Estratégia de Pivoteamento Completo


No momento de se calcular o multiplicador mik , se o pivô estiver próximo de zero, o
método pode ampliar os erros de arredondamento. Para se contornar estes problemas, escolhe-
se como pivô MAX aij , com i , j =1, 2, , n .
Dado A  x = b , tome B =[ A  b ].
 a11 a12  a1q  a1n b1 
a  a2 n b2 
 21 a22  a2 q
     
B= .
a p1 a p 2  a pq  a pn b p 
     
 
 an1 an 2  anq  ann bn 
Seja a pq = MAX aij , ( i , j =1, 2, , n ) o pivô da linha p . Então, calcula-se o
(0)
aiq
(0 )
multiplicador miq =− , em cada linha, i  p com i =1, 2, , n . Assim, anulam-se os
a (pq
0)

elementos aij da coluna q através da operação:

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-39

L(1i )  miq
(0 )
 L(0p ) + L(0
i .
)

Eliminando-se a linha pivotal p , repete-se o processo até que se obtenha L(k


i
)
com k
conjuntos de operações elementares aplicadas sobre B , onde k =1, 2, , ( n −1).

59. Resolva S4 com arredondamento em duas casas decimais, utilizando eliminação de


Gauss com pivoteamento completo.
 8,7 x1 + 3,0 x 2 + 9,3x3 + 11,0 x 4 = 16,4
24,5 x − 8,8 x 2 + 11,5 x3 − 45,1x 4 = − 49,7
 1
S4  A  x = b   .
52,3x1 − 84,0 x 2 − 23,5 x3 + 11,4 x 4 = − 80,8

 21,0 x1 − 81,0 x 2 − 13,2 x3 + 21,5 x 4 = − 106,3
Resolução:
Linha Multiplicador m Matriz Aumentada
(0 )
(1) m12 = -( 3,00 )/( -84,00 ) 8,70 3,00 9,30 11,00 16,40
(0 )
(2) m22 = -( -8,80 )/( -84,00 ) 24,50 -8,80 11,50 -45,10 -49,70
(3) B0  52,30 -84,00 -23,50 11,40 -80,80
(0 )
(4) m42 = -( -81,00 )/( -84,00 ) 21,00 -81,00 -13,20 21,50 -106,30
(1)
(1) m14 = -( 11,41 )/( -46,29 ) 10,57 0,00 8,46 11,41 13,51
(2) B1  19,02 0,00 13,96 -46,29 -41,24
(1)
(4) m44 = -( 10,51 )/( -46,29 ) -29,43 0,00 9,46 10,51 -28,39
(2 )
(1) m11 = -( 15,26 )/( -25,11 ) 15,26 0,00 11,90 0,00 3,34
(4) B2  -25,11 0,00 12,63 0,00 -37,75
(1) B3  0,00 0,00 19,58 0,00 -19,60
Então A  x = b  U  x = c  [ A  b ]  [ U  c ].
B0  52,3x1 − 84,0 x2 − 23,5 x3 + 11,4 x4 = − 80,8

B  19,02 x1 + 0 + 13,96 x3 − 46,29 x4 = − 41,24
U x =c  1 
B2 − 25,11x1 + 0 + 12,63x3 + 0 = − 37,75
B3  0 + 0 + 19,58 x3 + 0 = − 19,60
Com o cálculo retroativo de B3 para B0 , obtém-se: x = 1,00 2,00 − 1,00 1,00 .
T

Considerando-se precisão em duas casas decimais, o processo levou ao x exato, em


conseqüência o resíduo é nulo.
r = b − Ax  r = 0,00 0,00 0,00 0,00T .

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-40
3.2.3 Fatoração LU
“Toda matriz não singular admite uma decomposição em duas matrizes triangulares,
uma superior e outra inferior”. Quem garante esse resultado é o teorema abaixo.

Teorema de Gauss
Seja A uma matriz quadrada de ordem n tal que det A ≠ 0. Sejam U uma matriz triangular
superior,
𝑢𝑖𝑗 , se 𝑖 ≤ 𝑗
𝑈={
0, se 𝑖 > 𝑗
e L uma matriz triangular inferior com diagonal unitária,
0, se 𝑖 < 𝑗
𝐿 = { 1, 𝑠𝑒 𝑖 = 𝑗
𝑙𝑖𝑗 , se 𝑖 > 𝑗
Então existe e é única a decomposição A = LU, onde U é a matriz resultante do processo
de eliminação gaussiana e 𝑙𝑖𝑗 = 𝑚𝑖𝑗 , (multiplicadores de linhas, sem troca de sinal).
2 1 1 1 0 0 2 1 1
Apresentamos como exemplo: 𝐴 = (4 4 3) = (2 1 0) (0 2 1 )
6 7 4 ⏟3 2 1 ⏟0 0 −1
L U
A base do método de Decomposição LU, também conhecido como método Fatoração,
consiste na resolução de sistemas triangulares.
Seja o sistema linear Ax = b
Supor que seja possível fatorar a matriz A dos coeficientes: A = LU
Nestas condições, o sistema Ax = b pode ser reescrito na forma LUx = b, o que permite
o desmembramento em dois sistemas triangulares:
Ly = b e Ux = y
Resolvendo o primeiro sistema, calculamos y que, usado no segundo sistema, fornecerá
o vetor procurado x.
Dessa maneira, conhecidas L e U, o sistema será resolvido com 2n2 operações (dois
2𝑛3
sistemas triangulares), o que representa um ganho substancial comparado com as operações
3
do método da eliminação de Gauss.

Cálculo dos Fatores L e U:


Os fatores L e U podem ser obtidos através de fórmulas para os elementos 𝑙𝑖𝑗 e 𝑢𝑖𝑗 , ou
então, podem ser construídos usando a ideia básica do método da Eliminação de Gauss.
Veremos a seguir, através de um exemplo, como obter L e U através do processo de
Gauss.

60. Decompor a matriz A, usando a Decomposição LU.


1 2 −1
A = (2 3 −2)
1 −2 1
Calculando o 𝑚𝑖𝑗 e 𝑢𝑖𝑗 , usando o processo de Gauss (𝑚𝑖𝑗 sem troca de sinal), temos:
Resolução:
Para a Coluna 1 da matriz A(0):
1 2 −1
(0)
A=A = (2 3 −2)
1 −2 1
(0)
Pivô = 𝑎11 = 1

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-41
(0) (0)
(0) 𝑎21 2 (0) 𝑎31 1
Multiplicadores: 𝑚21 = (0) = =2 𝑚31 = (0) = =1
𝑎11 1 𝑎11 1
Então:
(1) (0) (1) (0) (0) (0)
𝐿1 ← 𝐿1 ; 𝐿2 ← −𝑚21 ∗ 𝐿1 + 𝐿2
(1) (0) (0) (0)
𝐿3 ← −𝑚31 ∗ 𝐿1 + 𝐿3
1 2 −1
A(1) = (0 −1 0 )
0 −4 2
Para a Coluna 2 da matriz A(1):
Pivô = 𝑎22 = −1
(1)
(1) 𝑎32 −4
Multiplicadores: 𝑚32 = (1) = −1 = 4
𝑎22
Então:
(2) (1) (2) (1)
𝐿1 ← 𝐿1 ; 𝐿2 ← 𝐿2
(2) (1) (1) (1)
𝐿3 ← −𝑚32 ∗ 𝐿2 + 𝐿3
1 2 −1
A(2) = (0 −1 0 )
0 0 2
Os fatores L e U são:
1 0 0 1 0 0 1 2 −1
𝑚
𝐿 = ( 21 1 0 ) = (2 1 0) e 𝑈 = (0 −1 0 )
𝑚31 𝑚32 1 1 4 1 0 0 2
Logo:
1 0 0 1 2 −1 1 2 −1
A = 𝐿 ∗ 𝑈 = (2 1 0) ∗ (0 −1 0 ) = (2 3 −2)
1 4 1 0 0 2 1 −2 1
Vamos aproveitar o Exercício acima para resolver um sistema de equações lineares
através da Decomposição LU.

61. Resolva o sistema linear a seguir usando a Decomposição LU (Fatoração).


𝑥1 + 2𝑥2 − 𝑥3 = 2
{2𝑥1 + 3𝑥2 − 2𝑥3 = 3
𝑥1 − 2𝑥2 + 𝑥3 = 0
Resolução:
1 2 −1 1 0 0 1 2 −1
Já temos que: A = (2 3 −2) = (2 1 0) ∗ (0 −1 0 ) = 𝐿𝑈
1 −2 1 1 4 1 0 0 2
Para resolvermos o sistema Ax = b, onde b = (2 3 0)𝑡 , resolvemos primeiramente Ly=b.
1 0 0 𝑦1 2 𝑦1 = 2
𝑦
(2 1 0) ∗ ( 2 ) = (3) , ou seja, { 2𝑦1 + 𝑦2 = 3
1 4 1 𝑦3 0 𝑦1 + 4𝑦2 + 𝑦3 = 0
𝑦1 2
Então (𝑦2 ) = (−1).
𝑦3 2
A seguir calculamos x através da equação Ux = y.
1 2 −1 𝑥1 2 𝑥1 + 2𝑥2 − 𝑥3 = 2
(0 −1 0 ) ∗ (𝑥2 ) = (−1), ou seja, { −𝑥2 = −1
0 0 2 𝑥3 2 2𝑥3 = 2
𝑥1 1
Logo, 𝑥 = (𝑥2 ) = (1).
𝑥3 1

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-42
62. Resolva o sistema linear a seguir usando a fatoração LU:
3𝑥1 + 2𝑥2 + 4𝑥3 = −1
{ 𝑥1 + 𝑥2 + 2𝑥3 = 10
4𝑥1 + 3𝑥2 + 2𝑥3 = 5
Resolução:
3 2 4 −1
A = (1 1 2) e 𝑏 = ( 10 )
4 3 2 5
Usando o processo de Gauss para triangular A, tem-se:
1ª coluna
Multiplicadores:
(0) (0)
(0) 𝑎21 1 (0) 𝑎31 4
𝑚21 = (0) = 3 e 𝑚31 = (0) =3
𝑎11 𝑎11
Aplicando os multiplicadores, obtém-se a matriz A(1):
3 2 4 𝐿1 → 𝐿1
(1) 0 1/3 2/3
𝐴 =( ) 𝐿2 → −𝑚21 ∗ 𝐿1 + 𝐿2
0 1/3 −10/3 𝐿3 → −𝑚31 ∗ 𝐿1 + 𝐿3
2ª coluna
Multiplicador:
(1)
(1) 𝑎32
𝑚32 = (1) =1
𝑎22
Aplicando o multiplicado, obtém-se a matriz A(2):
3 2 4 𝐿1 → 𝐿1
(2)
A = (0 1/3 2/3) 𝐿2 → 𝐿2
0 0 −4 𝐿3 → −𝑚32 ∗ 𝐿2 + 𝐿3
Os fatores L e U são:
1 0 0 3 2 4
𝐿 = (1/3 1 0) e 𝑈 = (0 1/3 2/3)
4/3 1 1 0 0 −4
Resolvendo o sistema L(Ux)=b, tem-se:
𝑦1 = −1
𝑦1
𝐿𝑦 = 𝑏 → { 3 + 𝑦2 = 10
4𝑦1
+ 𝑦2 + 𝑦3 = 5
3
−1
𝑦 = (31/3)
−4
3𝑥1 + 2𝑥2 + 4𝑥3 = −1
𝑥2 2𝑥 31
𝑈𝑥 = 𝑦 → { + 33 = 3
3
−4𝑥3 = −4
−21
𝑥 = ( 29 )
1
63. Resolva o sistema linear a seguir usando a fatoração LU:
3𝑥 − 0,1𝑦 − 0,2𝑧 = −1,2
{ 0,1𝑥 + 7𝑦 − 0,3𝑧 = 7,8
0,3𝑥 − 0,2𝑦 + 10𝑧 = 3,5
Resolução:
3 −0,1 −0,2 −1,2
A = (0,1 7 −0,3) e 𝑏 = ( 7,8 )
0,3 −0,2 10 3,5

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-43
Usando o processo de Gauss para triangular A, tem-se:
1ª coluna
Multiplicadores:
(0) (0)
𝑎21 𝑎31
𝑚21 = (0) = 0,0333 e 𝑚31 = (0) = 0,1
𝑎11 𝑎11
Aplicando os multiplicadores, obtém-se a matriz A(1):
3 −0,1 −0,2 𝐿1 → 𝐿1
(1)
A = (0 7,0033 −0,2933) 𝐿2 → −𝑚21 ∗ 𝐿1 + 𝐿2
0 −0,19 10,02 𝐿3 → −𝑚31 ∗ 𝐿1 + 𝐿3
2ª coluna
Multiplicador:
(1)
𝑎32
𝑚32 = (1) = −0,0271
𝑎22
Aplicando o multiplicado, obtém-se a matriz A(2):
3 −0,1 −0,2 𝐿1 → 𝐿1
(2)
A = (0 7,0033 −0,2933) 𝐿2 → 𝐿2
0 0 10,0120 𝐿3 → −𝑚32 ∗ 𝐿2 + 𝐿3

Os fatores L e U são:
1 0 0 3 −0,1 −0,2
𝐿 = (0,0333 1 0) e 𝑈 = (0 7,0033 −0,2933)
0,1 −0,0271 1 0 0 10,0120
Resolvendo o sistema L(Ux)=b, tem-se:
𝑦1 = −1,2
𝐿𝑦 = 𝑏 → {0,0333𝑦1 + 𝑦2 = 7,8
0,1𝑦1 − 0,0271𝑦2 + 𝑦3 = 3,5

−1,2
𝑦 = ( 7,84 )
3,8327
3𝑥1 − 0,1𝑥2 − 0,2𝑥3 = −1,2
𝑈𝑥 = 𝑦 → {7,0033𝑥2 − 0,2933𝑥3 = 7,84
10,0120𝑥3 = 3,8327
−0,3366
𝑥 = ( 1,1355 )
0,3828

64. Considere a matriz.


1 1 1
A = (2 1 −1)
3 2 5
a) Calcule a fatoração LU de A.
b) Usando a fatoração LU, calcule o determinante de A.
Resolução:
a) Usando o processo de Gauss para triangular A, tem-se:
1ª coluna
Multiplicadores:
(0) (0)
𝑎21 𝑎31
𝑚21 = (0) = 2 e 𝑚31 = (0) =3
𝑎11 𝑎11
Aplicando os multiplicadores, obtém-se a matriz A(1):

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-44
1 1 1 𝐿1 → 𝐿1
(1)
A = (0 −1 −3) 𝐿2 → −𝑚21 ∗ 𝐿1 + 𝐿2
0 −1 2 𝐿3 → −𝑚31 ∗ 𝐿1 + 𝐿3
2ª coluna
Multiplicador:
(1)
𝑎32
𝑚32 = (1) =1
𝑎22
Aplicando o multiplicado, obtém-se a matriz A(2):
1 1 1 𝐿1 → 𝐿1
(2)
A = (0 −1 −3) 𝐿2 → 𝐿2
0 0 5 𝐿3 → −𝑚32 ∗ 𝐿2 + 𝐿3

Os fatores L e U são:
1 0 0 1 1 1
𝐿 = (2 1 0 ) e 𝑈 = (0 −1 −3)
3 1 1 0 0 5

b) Sabe-se que A = LU então:


det(A) = det(𝐿𝑈)
det(A) = det(𝐿) ∗ det(𝑈)
det(A) = (1 ∙ 1 ∙ 1) ∗ (1 ∙ (−1) ∙ 5)
det(𝐴) = −5

65. Aplicando-se o método da decomposição LU a matriz:


? ? 3 ?
A=( 4 −1 10 8)
? −3 12 11
0 −2 −5 10
Obtiveram-se as matrizes:
? 0 ? ? ? −1 ? 5
𝐿 = (2 ? ? ? ) e 𝑈 = ( ? 1 ? −2 )
3 0 ? 0 ? 0 3 −4
0 ? 1 ? 0 ? 0 10
Preencha os espaços pontilhados com valores adequados.
Resolução:
Iniciamos completando a matriz L com os elementos da diagonal principal, que são igual
a 1, e com os elementos acima da diagonal principal, que são nulos.
1 0 0 0
𝐿 = (2 1 0 0)
3 0 1 0
0 ? 1 1
Também podemos completar alguns elementos da matriz U, abaixo da diagonal principal,
que são nulos.
? −1 ? 5
𝑈=( 0 1 ? −2 )
0 0 3 −4
0 0 0 10
(0)
𝑎21
Com o multiplicador 𝑚21 = (0) , podemos calcular os elementos 𝑎11 :
𝑎11
(0)
𝑎21
𝑚21 = (0)
𝑎11

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-45
4
2= (0)
𝑎11
(0)
𝑎11 = 2
Comparando a primeira linha das matrizes A e U, completamos a primeira linha dessas
matrizes:
2 −1 3 5
A=( 4 −1 10 8)
? −3 12 11
0 −2 −5 10
2 −1 3 5
𝑈 = (0 1 ? −2)
0 0 3 −4
0 0 0 10
(0)
𝑎31
Com o multiplicador 𝑚31 = (0) , podemos calcular os elementos 𝑎31 :
𝑎11
(0)
𝑎31
𝑚31 = (0)
𝑎11
(0)
𝑎31
3=
2
(0)
𝑎31 = 6
Assim, temos:
2 −1 3 5
A=( 4 −1 10 8)
6 −3 12 11
0 −2 −5 10
(1)
Com os dados obtidos da matriz A podemos calcular o elemento 𝑎23 :
(1) (0) (0)
𝑎23 = 𝑎23 − 𝑚21 ∗ 𝑎13
(1)
𝑎23 = 10 − 2 ∗ 3
(1)
𝑎23 = 4
Assim, temos:
2 −1 3 5
𝑈 = (0 1 4 −2)
0 0 3 −4
0 0 0 10
Usando o processo de Gauss para triangular A, tem-se:
2 −1 3 5
A(1) = (0 1 4 −2 )
0 0 3 −4
0 −2 −5 10
Com os dados dessa matriz podemos calcular o multiplicador 𝑚42 :
(1)
𝑎42
𝑚42 = (1) = −2
𝑎22
Assim, temos:
1 0 0 0
𝐿 = (2 1 0 0)
3 0 1 0
0 −2 1 1

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-46
3.2.4 Refinamento de Soluções
Seja x (0) a solução aproximada para A  x = b . Obtém-se a solução melhorada x (1)
aplicando-se a correção (0 ) em x (0) .
x (1) = x (0) + (0 )
Se A  x (1) = b , então
A ( x (0) + (0 ) )= b
A  x (0) + A  (0 ) = b
 A  (0 ) = b − A  x (0)
 A  (0 ) = r (0) . Assim, (0 ) vem de [ A  r (0) ].
Obtido o (0 ) , calcula-se x (1) = x (0) + (0 ) .
Repete-se o processo para se obter x (2) , x (3) , , x (k ) , até que se tenha a precisão
desejada. Logo, obtém-se o refinamento de forma iterativa pela seguinte equação:
x (i ) = x (i −1) + ( i −1) , com i =1, 2,  k .

66. Considerando a resposta x do exercício 2, faça o refinamento de x até que se obtenha


o resíduo r (k ) =0, considerando precisão dupla ( 10−4 =0,0001), quatro casas decimais.
 8,7 x1 + 3,0 x 2 + 9,3x3 + 11,0 x 4 = 16,4
24,5 x − 8,8 x 2 + 11,5 x3 − 45,1x 4 = − 49,7
 1
Ax = 
b
52,3x1 − 84,0 x 2 − 23,5 x3 + 11,4 x 4 = − 80,8

 21,0 x1 − 81,0 x 2 − 13,2 x3 + 21,5 x 4 = − 106,3
x (0) = 1,01 2,01 − 1,01 1,00
T

r (0) = b − A  x (0)  r (0) = − 0,024 − 0,042 0,082 0,468T


REFINAMENTO:
( k −1)
x (k ) = x ( k −1) + ( k −1) A  ( k −1) = r  [ A  r ( k −1) ]  ( k −1)
Resolução:
• k =1 [ A  r (0) ]  (0 )  x (1) = x (0) + (0)
Linha Multiplicador m Matriz Aumentada
(1) B0  8,7000 3,0000 9,3000 11,0000 -0,0240
(0 )
(2) m21 = -( 24,5000 )/( 8,7000 ) 24,5000 -8,8000 11,5000 -45,1000 -0,0420
(0 )
(3) m31 = -( 52,3000 )/( 8,7000 ) 52,3000 -84,0000 -23,5000 11,4000 0,0820
(0 )
(4) m41 = -( 21,0000 )/( 8,7000 ) 21,0000 -81,0000 -13,2000 21,5000 0,4680
(2) B1  0,0000 -17,2483 -14,6897 -76,0770 0,0256
(1)
(3) m32 = -( -102,0345 )/( -17,2483 ) 0,0000 -102,0345 -79,4069 -54,7264 0,2263
(1)
(4) m42 = -( -88,2414 )/( -17,2483 ) 0,0000 -88,2414 -35,6483 -5,0517 0,5259
(3) B2  0,0000 0,0000 7,4919 395,3167 0,0749
(2 )
(4) m43 = -( 39,5034 )/( 7,4919 ) 0,0000 0,0000 39,5034 384,1543 0,3949

(4) B3  0,0000 0,0000 0,0000 -1700,2774 0,0000


Considerando 4 casas decimais:

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-47
8,71 + 3,0 2 + 9,3 3 + 11,0 4 = − 0,0240
 0 − 17,2483 2 − 14,6897 3 − 76,0770 4 = 0,0256
(0 ) 
[A r ] 
 0 0 + 7,4919 3 + 395,3167 4 = 0,0749

 0 0 0 − 1700,2774 4 = 0,0000
Então:
(0 ) = − 0,0100 − 0,0100 0,0100 0,0000
T
[ A  r (0) ]  (0 ) 
x (0) = 1,01 2,01 − 1,01 1,00
T
Como:
x (1) = 1,0000 2,0000 − 1,0000 1,0000
T
x (1) = x (0) + (0 ) 
r (1) = b − A  x (1)  r (1) = 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000T .

• Logo, após 1 refinamento, foi obtido r (1) =0 considerando 4 dígitos significativos. Logo, o
processo iterativo x (k ) = x ( k −1) + ( k −1) com k =1 levou a x = 1 2 − 1 1 .
T

3.3 Métodos iterativos


A solução x de um sistema de equações lineares A x = b pode ser obtido resolvendo,
de forma iterativa, o sistema equivalente da forma x = F  x + d , onde F é uma matriz n n ,
x e d vetores n  1 . Isto pode ser feito tomando ( x) = F  x + d , x ( k +1) = ( x ( k ) ) = F  x ( k ) + d
, onde k =0, 1, , M , e M é o número máximo de iterações e x (0) é o vetor inicial.

3.3.1 Testes de parada


O processo iterativo x ( k +1) gera aproximações até que:
( k +1)
• máx xi − xi( k )   , sendo  a tolerância; ou
1in

• k > M , sendo M o número máximo de iterações.

3.3.2 Método de Gauss-Jacobi


Adaptação de A x = b para x = F  x + d :
 a11x1 + a12 x2 +  + a1n xn = b1
a x + a22 x2 +  + a2 n xn = b2

A x = b   21 1
    

an1 x1 + an 2 x2 +  + ann xn = bn
 b1 − ( a12 x2 + a13 x3 + a14 x4 +  + a1n xn )
 x1 =
a11

 x b2 − ( a21x1 + a23 x3 + a24 x4 +  + a2 n xn )
=
x = Fx+d  2 a22
 
 bn − ( an1 x1 + an 2 x2 + an3 x3 +  + an( n−1) x( n−1) )
 xn =
 ann

OBS. 2: Para o sistema x = F  x + d , é necessário que aii  0, i . Caso isto não ocorra,
o sistema A x =𝑏 deve ser reagrupado.

Assim, a fórmula recursiva x = F  x + d é dada na forma matricial por:

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-48
 a12 a13 a1n   b1 
 0 − −  −  a 
a11 a11 a11
 x1   a a a
  x1   11 
b
 x  − 21 0 − 23  − 2n   x   2 
 2   a22 a22 a22   2   a 22 
 x3  =  a31 a a   x  +  b 
  − − 32 0  − 3n   3   3 
    a33 a33 a33      a33 
 xn        x    
 a an 2 an3   n   bn 
− n1 − −  0   
 ann ann ann   a nn 
ou ainda x ( k +1) = F  x (k ) + d o que é equivalente a:
 ( k +1) b1 − (a12 x2( k ) + a13 x3( k ) + a14 x4( k ) +  + a1n xn( k ) )
x
 1 =
 a11
 ( k +1) b2 − (a 21 x1 + a23 x3 + a 24 x4( k ) +  + a 2 n xn( k ) )
(k ) (k )
 x2 =
 a 22
  

 x ( k +1) = bn − (a n1 x1 + an 2 x2 + an 3 x3 +  + a n ( n−1) x( n−1) )
(k ) (k ) (k ) (k )

 n a nn

67. Resolva o sistema a seguir, utilizando o método de Gauss-Jacobi, com x ( 0) = 0 n1 e


 = 10−2 =0,01.
10 x1 + 2 x2 + x3 = 7

A x = b   x1 + 5 x2 + x3 = −8  x = F  x + d
 2 x + 3x + 10 x3 = 6
 1 2
Resolução:

 2 1  7 
 0 − −   10 
10 10
 1 1   8
F = − 0 −  e d = − 
 5 5  5
− 2 − 3 0   6 
 10 10   10 

Neste caso a fórmula de recorrência fica:

 ( k +1) 7 − ( 2 x2( k ) + x3( k ) )


 x1 =
 10
 ( k +1) − 8 − ( x1( k ) + x3( k ) )
x ( k +1) = F  x (k ) + d   x2 =
 5
 ( k +1) 6 − ( 2 x1 + 3 x2( k ) )
(k )

 x3 =
 10

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-49

k x1(k ) x2(k ) x3(k ) max xi( k ) − xi( k −1)


1i3
0 0 0 0 -
1 0,7 -1,6 0,6 1,6
2 0,96 -1,86 0,94 0,34
3 0,978 -1,98 0,966 0,12
4 0,9994 -1,9888 0,9984 0,0324
5 0,99792 -1,99956 0,99676 0,01076
6 1,000236 -1,998936 1,000284 0,003524
Com x (0) = 0 0 0 e =0,01, o processo convergiu com 6 iterações para:
T

x = 1,000236 − 1,998936 1,000284 .


T

Critério das linhas


Uma condição suficiente (mas não necessária) para garantir a convergência do método
de Gauss-Jacobi aplicado ao sistema A x = b , com aii  0, i , é
n
 aij  aii , i = 1, 2, 3,  , n .
j =1
j i
Neste caso, a matriz dos coeficientes das incógnitas A é dita estritamente diagonal
dominante.

68. Verificar se o critério das linhas é satisfeito no sistema de equações A x = b , que


10 x1 + 2 x2 + x3 = 7

segue: A x = b   x1 + 5 x2 + x3 = − 8
 2 x + 3x + 10 x = 6
 1 2 3

10 2 1 
Resolução: 
A= 1 5 1

 
 2 3 10

 a12 + a13  a11



  a21 + a23  a22
 a + a32  a33
 31

2 + 1  10

 1 + 1  5
2 + 3  10

Logo, a matriz dos coeficientes A é estritamente diagonal dominante, o que garante a


convergência do método de Gauss-Jacobi aplicado a este sistema com esta ordem de
equações e incógnitas.

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-50

69. Verificar se o critério das linhas é satisfeito no sistema de equações A x = b , que


 x1 + 3x2 + x3 = − 2

segue: A x = b  5 x1 + 2 x2 + 2 x3 = 3
 6 x2 + 8 x3 = − 6

1 3 1
Resolução: A = 5 2 2
0 6 8
 a12 + a13  a11 3 + 1  1
 
  a21 + a23  a22   5 + 2  2
 a 0 + 6  8
 31 + a32  a33 
Logo a matriz dos coeficientes A não é estritamente diagonal dominante. Isto significa
que não é garantida a convergência do método de Gauss-Jacobi aplicado a este sistema
com esta ordem de equações e incógnitas.
Mas permutando adequadamente as equações do sistema, obtém-se o sistema equivalente:
5 x1 + 2 x2 + 2 x3 = 3

 x1 + 3x2 + x3 = − 2
 6 x2 + 8 x3 = − 6

5 2 2 
onde A = 1 3 1
0 6 8
 a12 + a13  a11 2 + 2  5
 
  a21 + a23  a22   1 + 1  3
 a 0 + 6  8
 31 + a32  a33 
Logo, esta nova matriz dos coeficientes A é estritamente diagonal dominante, o que
garante a convergência do método de Gauss-Jacobi aplicado a este sistema com esta nova
ordem de equações e incógnitas.

3.3.3 Método de Gauss-Seidel


É semelhante ao método de Gauss-Jacobi, com a diferença de utilizar xi( k +1) , 1  i < p ,
para o cálculo de x (pk +1) . Desta forma, as equações recursivas ficam:
 ( k +1) b1 − ( a12 x2( k ) + a13 x3( k ) + a14 x4( k ) +  + a1n xn( k ) )
 x1 =
 a11
 ( k +1) b2 − ( a21x1 ( k +1)
+ a23 x3 + a24 x4( k ) +  + a2 n xn( k ) )
(k )
 x2 =
 a22
( k +1) ( k +1)
 ( k +1) b3 − ( a31x1 + a32 x2 + a34 x4( k ) +  + a3n xn( k ) )
 x3 =
 a33
  
 ( k +1)
bn − ( an1 x1 + an 2 x2 ( k +1)
+ an3 x3( k +1) +  + an( n−1) x((nk−+11)) )
 xn( k +1) =
 ann

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-51

70. Resolva o sistema a seguir, utilizando o método de Gauss-Seidel, com x ( 0) = 0 n1 e


 = 10−2 =0,01.
10 x1 + 2 x2 + x3 = 7

A x = b   x1 + 5 x2 + x3 = − 8
 2 x + 3x + 10 x = 6
 1 2 3
Resolução:
Neste caso a fórmula de recorrência fica:
 ( k +1) 7 − ( 2 x2( k ) + x3( k ) )
 x1 =
 10
( k +1)
 ( k +1) − 8 − ( x1 + x3( k ) )
 x2 =
 5
( k +1)
 ( k +1) 6 − ( 2 x1 + 3x2( k +1) )
 x3 =
 10

k x1(k ) x2(k ) x3(k ) max xi( k ) − xi( k −1)


1i3
0 0 0 0 -
1 0,7 -1,74 0,982 1,74
2 0,9498 -1,98636 1,005948 0,2498
3 0,9966772 -2,00052504 1,000822072 0,0468772
4 1,000022801 -2,000168975 1,000046132 0,003345601
Com x (0) = 0 0 0 e =0,01, o processo convergiu com 4 iterações para:
T

x = 1,000023 − 2,000169 1,000046 .


T

3.3.4 Comparação entre os métodos

71. Resolva o sistema A x = b , utilizando o método de Gauss-Jacobi, com x ( 0) = 0 n1 e


=0,05.
5 x1 + x2 + x3 = 5

A x = b  3x1 + 4 x2 + x3 = 6
3x + 3x + 6 x = 0
 1 2 3
Resolução:
 1 1 5
 0 − 5 − 5 5
 3 1  6
F = − 0 −  e d =  Neste caso a fórmula de recorrência fica:
 4 4 4
− 3 − 3 0  0
 6 6 
  6 

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-52
 ( k +1) 5 − ( x2( k ) + x3( k ) )
 x1 =
 5
( k +1)  ( k +1) 6 − (3 x1( k ) + x3( k ) )
x (k )
= F  x + d   x2 =
 4
 ( k +1) − (3 x1( k ) + 3 x2( k ) )
 x3 =
 6

k x1(k ) x2(k ) x3(k ) max xi( k ) − xi( k −1)


1i3
0 0 0 0 -
1 1 1,5 0 1,5
2 0,7 0,75 -1,25 1,25
3 1,1 1,2875 -0,725 0,5375
4 0,8875 0,85625 -1,19375 0,46875
5 1,0675 1,1328125 -0,871875 0,321875
6 0,9478125 0,91734375 -1,10015625 0,22828125
7 1,0365625 1,064179688 -0,932578125 0,167578125
8 0,973679688 0,955722656 -1,050371094 0,117792969
9 1,018929688 1,032333008 -0,964701172 0,085669922
10 0,986473633 0,976978027 -1,025631348 0,060930176
11 1,009730664 1,016552612 -0,98172583 0,043905518
Com x (0) = 0 0 0 e =0,05, o processo convergiu com 11 iterações para:
T

x = 1,0009731 1,016553 − 0,981726 .


T

72. Resolva o sistema A x = b , utilizando o método de Gauss-Seidel, com x ( 0) = 0 n1 e


=0,05.
5 x1 + x2 + x3 = 5

A x = b  3x1 + 4 x2 + x3 = 6
3x + 3x + 6 x = 0
 1 2 3
Resolução:
Neste caso a fórmula de recorrência fica:
 ( k +1) 5 − ( x2( k ) + x3( k ) )
 x1 =
 5
( k +1)
 ( k +1) 6 − (3 x1 + x3( k ) )
 x2 =
 4
( k +1)
 ( k +1) − (3 x1 + 3 x2( k +1) )
 x3 =
 6

k x1(k ) x2(k ) x3(k ) max xi( k ) − xi( k −1)


1i3
0 0 0 0 -
1 1 0,75 -0,875 1
2 1,025 0,95 -0,9875 0,2
3 1,0075 0,99125 -0,999375 0,04125
Com x (0) = 0 0 0 e =0,05, o processo convergiu com 3 iterações para:
T

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-53

x = 1,007500 0,991250 − 0,999375 .


T

3.3.5 Critério de Sassenfeld


Uma condição suficiente para garantir a convergência do método de Gauss-Seidel
aplicado ao sistema A x = b , com aii  0, i , é M 1, sendo M = max i , onde:
1in
n
1
1 =   a1 j
a11 j =2

1  i−1 n 
i =   aij   j +  aij  , i = 2, 3,  , n .
aii  j =1 j =i +1 
OBS. 3: Se o critério das linhas é satisfeito, então o critério de Sassenfeld também será
satisfeito.

73. Verificar se o critério de Sassenfeld é satisfeito no sistema de equações A x = b , que


 x1 + 0,5 x2 − 0,1x3 + 0,1x4 = 0,2
 0,2 x + x2 − 0,2 x3 − 0,1x4 = − 2,6
 1
segue: A x = b  
− 0,1x1 − 0,7 x2 + x3 + 0,2 x4 = 1,0

 0,1x1 + 0,3 x2 + 0,2 x3 + x4 = − 2,5

 1 0,5 − 0,1 0,1 


 0,2 1 − 0,2 − 0,1
Resolução: A= 
− 0,1 − 0,7 1 0,2 
 
 0,1 0,3 0,2 1 
1
1 =  [ a12 + a13 + a14 ] = 1· [ 0,5+0,1+0,1 ] = 0,7
a11
1
2 =  [ a 21  1 + a 23 + a 24 ] = 1· [ 0,2·0,7+0,2+0,1 ] = 0,44
a 22
1
3 =  [ a31  1 + a32   2 + a34 ] =1· [ 0,1·0,7+0,7·0,44+0,2 ] = 0,578
a33
1
4 =  [ a41  1 + a42   2 + a43  3 ] =1·[0,1·0,7+0,3·0,44+0,2·0,578] = 0,3176
a44
Então, M = max i = max { 0,7 ; 0,44 ; 0,578 ; 0,3176 } = 0,7  1. Logo o critério de
1i 4
Sassenfeld está satisfeito, o que garante a convergência do método de Gauss-Seidel
aplicado a este sistema.

Maiko
Cálculo Numérico Resolução de sistemas de equações lineares 3-54

74. Verificar se o critério de Sassenfeld é satisfeito no sistema de equações A x = b , que


2 x1 + x2 + 3x3 = 9

segue: A x = b   − x 2 + x3 = 1
x + 3 x3 = 3
 1
Resolução: Com esta disposição de linhas e colunas, tem-se que:
1 1
1 =  [ a12 + a13 ] = ·[1+3] = 2 > 1, logo o critério de Sassenfeld não é satisfeito.
a11 2
Permutando as equações 1 e 3 tem-se o sistema de equações equivalente:
 x1 + 3 x3 = 3

 − x2 + x3 = 1 , e para esta disposição verifica-se que:
2 x + x + 3 x = 9
 1 2 3

1 1
1 =  [ a12 + a13 ] = ·[0+3] = 3 > 1, logo o critério de Sassenfeld novamente não
a11 1
é satisfeito.
Permutando agora as colunas 1 e 3 tem-se o sistema de equações equivalente:
3x3 + x1 = 3

 x3 − x 2 = 1 , e para esta disposição verifica-se que:
3x + x + 2 x = 9
 3 2 1

1 1 1
1 =  [ a12 + a13 ] = ·[0+1] =
a11 3 3
1 1 1 1
2 =  [ a 21  1 + a 23 ] = · [ 1· +0 ] =
a 22 −1 3 3
1 1 1 1 2
3 =  [ a31  1 + a32   2 ] = · [ 3· +1· ] =
a33 2 3 3 3
1 2 2
Então, M = max i = max { , }=  1. Logo o critério de Sassenfeld está satisfeito,
1i 3 3 3 3
o que garante a convergência do método de Gauss-Seidel aplicado a este sistema com esta
nova ordem de equações e incógnitas.

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-55

4 Interpolação
4.1 Interpolação polinomial
Uma função f ( x ) pode ser conhecida por um conjunto finito e discreto de n +1 pontos.
y ( x4 , y4 ) f (x )
( x0 , y0 )
( x1 , y1 )
(x3 , y3 ) ( x5 , y5 )
( x2 , y2 )
P(x )

x0 x1 x2 x3 x4 x5 x
xi yi
x0 y0
x1 y1
x2 y2
x3 y3
x4 y4
x5 y5
Para se INTERPOLAR os n +1 pontos obtidos da tabela, é utilizado um polinômio Pn (
x ) de tal forma que: Pn ( x i )= f ( x i ) para i =0, 1, , n .

4.1.1 Existência e Unicidade do Polinômio Interpolador Pn(x)


Teorema 1 Existe um único polinômio Pn ( x ), de grau  n , tal que: Pn ( xi )= f ( xi ), com
𝑖 = 0,1, … , 𝑛, desde que xi  x j , i  j .
n
Tome Pn ( x i )=  a k xik = f ( x i ) para i =0,1,, n . Desenvolvendo o sistema
k =0
n
f ( xi )=  a k xik ( i =0,1,, n ), obtém-se:
k =0
a0 + a1x0 + a2 x02 +  + an x0n = f ( x0 ) (i = 0 )

a0 + a1x1 + a2 x12 +  + an x1n = f ( x1 ) (i = 1)

    
a + a1xn + a2 xn2 +  + an xnn = f ( xn ) (i = n )
 0
Daí, retira-se a matriz dos coeficientes A para se calcular as incógnitas a0 , a1 ,, an .
1 x0 x02  x0n 
 
1 x1 x12  x1n 
A= .
   
 
1 xn xn2  xnn 

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-56
A é uma matriz de VANDERMONDE e, sendo xi com i =0,1,, n , pontos distintos,
o det A 0. Assim o sistema admite solução única.
OBS. 1:
det A =( xn − xn −1 )( xn − xn − 2 )( xn − x0 )( xn −1 − xn − 2 )( xn −1 − xn − 3 )( xn −1 − x0
)

( x3 − x2 )( x3 − x1 )( x3 − x0 )( x2 − x1 )( x2 − x0 )( x1 − x0 )  det A =  (xi − x j ).
i j

ENTÃO: O polinômio Pn ( x ) existe e é único.

4.1.2 Forma de Lagrange


Seja f uma função tabelada em ( n +1) pontos distintos x0 , x1 ,, xn e seja Li ( x )
polinômios de Lagrange de grau n , onde Li é dado por:
n (x − x j ) 1 , se i = k
Li ( x )=  de tal forma que Li ( xk )= 
j = 0 ( xi − x j ) 0 , se i  k
j i

75. Determine Li ( xk ) para i =0,1,2, k =0,1,2 e n =2.


Resolução:
( x − x1 )( x − x2 )
i =0  L0 ( x )=
( x0 − x1 )( x0 − x2 )
k =0  L0 ( x0 )=1
k =1  L0 ( x1 )=0
k =2  L0 ( x2 )=0
( x − x0 )( x − x2 )
i =1  L1 ( x )=
( x1 − x0 )( x1 − x2 )
k =0  L1 ( x0 )=0
k =1  L1 ( x1 )=1
k =2  L1 ( x2 )=0
( x − x0 )( x − x1 )
• i =2  L2 ( x )=
( x2 − x0 )( x2 − x1 )
k =0  L2 ( x0 )=0
k =1  L2 ( x1 )=0
k =2  L2 ( x2 )=1
Para x = xk , com k =0,1,2,, n , temos:
n
Pn ( xk )=  yi Li ( xk )
i =0
 i  k  yi Li ( xk ) =0

=0
 i = k  yi Li ( xi ) = yi

=1

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-57
A forma de Lagrange para o polinômio interpolador é:
n n n (x − x j )
Pn ( x )=  yi Li ( x ) ou Pn ( x )=  yi  (x
i =0 i =0 j =0 i − xj)
j i

76. Interpolar o ponto x =1,5 na tabela abaixo, empregando o polinômio interpolador de


Lagrange.
i 0 1 2 3
xi −1 0 1 2
yi 1 3 1 1
Resolução: n =3 é o grau máximo de P3 ( x ).
3
P3 ( x )=  yi Li ( x )  P3 ( x )=1 L0 ( x )+3 L1 ( x )+1 L2 ( x )+1 L3 ( x )
i =0
3 (x − x j )
Li ( x )= 
j = 0 ( xi − xj)
j i

( x − x1 )( x − x2 )( x − x3 ) ( x − 0)( x − 1)( x − 2) x 3 − 3x 2 + 2 x
L0 ( x )= = =
( x0 − x1 )( x0 − x2 )( x0 − x3 ) ( −1 − 0)( −1 − 1)( −1 − 2) −6
( x − x0 )( x − x2 )( x − x3 ) ( x + 1)( x − 1)( x − 2) x3 − 2 x 2 − x + 2
L1 ( x )= = =
( x1 − x0 )( x1 − x2 )( x1 − x3 ) (0 + 1)(0 − 1)(0 − 2) 2
( x − x0 )( x − x1 )( x − x3 ) ( x + 1)( x − 0)( x − 2) x3 − x 2 − 2 x
L2 ( x )= = =
( x2 − x0 )( x2 − x1 )( x2 − x3 ) (1 + 1)(1 − 0)(1 − 2) −2
( x − x0 )( x − x1 )( x − x2 ) ( x + 1)( x − 0)( x − 1) x3 − x
L3 ( x )= = =
( x3 − x0 )( x3 − x1 )( x3 − x2 ) ( 2 + 1)( 2 − 0)( 2 − 1) 6
Logo:
x 3 − 3x 2 + 2 x x3 − 2 x 2 − x + 2 x3 − x 2 − 2 x x3 − x
P3 ( x )= +3 + +
−6 2 −2 6
3 2
 P3 ( x )= x −2 x − x +3
P3 (1,5)= P3 ( 32 )= ( 32 )3 −2 ( 32 ) 2 − 32 +3
27 9 3
P3 (1,5)= − 2 − +3
8 4 2
3
P3 (1,5)=  P3 (1,5)=0,375
8
y
3

P3(x )
2

3
8

-1 0 1 3
2 2 x

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-58
Forma de Newton
A forma de Newton para o polinômio Pn ( x ) que interpola f ( x )
em x0 , x1 ,, xn , (𝑛 + 1) pontos distintos é a seguinte:

Pn ( x )= f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1 ]+( x − x0 )( x − x1 ) f [ x0 , x1 , x2 ]+


+( x − x0 )( x − x1 )( x − xn −1 ) f [ x0 , x1 ,, xn ].
Onde
ORDEM
f [ x0 ]= f ( x0 )= y0 0
f [ x1 ] − f [ x0 ] f ( x1 ) − f ( x0 ) y1 − y0
f [ x0 , x1 ]= = = 1
x1 − x0 x1 − x0 x1 − x0
f [ x1 , x2 ] − f [ x0 , x1 ]
f [ x0 , x1 , x2 ]= 2
x2 − x0
f [ x1 , x2 , x3 ] − f [ x0 , x1 , x2 ]
f [ x0 , x1 , x2 , x3 ]= 3
x3 − x0
 
f [ x1 , x2 ,, xn ] − f [ x0 , x1 ,, xn −1 ]
f [ x0 , x1 ,, xn ]= n
xn − x0

f [ x0 , x1 ,, xn ] é a DIFERENÇA DIVIDIDA de ordem n da função f ( x ) sobre os


n +1 pontos x0 , x1 ,, xn .

Tabela Prática (DIFERENÇAS DIVIDIDAS)


x ordem 0 ordem 1 ordem 2 ordem 3  ordem n
x0 𝑓[𝑥0 ]
𝑓[𝑥0 , 𝑥1 ]
x1 𝑓[𝑥1 ] 𝑓[𝑥0 , 𝑥1 , 𝑥2 ]
𝑓[𝑥1 , 𝑥2 ] 𝑓[𝑥0 , 𝑥1 , 𝑥2 , 𝑥3 ]
x2 𝑓[𝑥2 ] 𝑓[𝑥1 , 𝑥2 , 𝑥3 ] 
𝑓[𝑥2 , 𝑥3 ] 𝑓[𝑥1 , 𝑥2 , 𝑥3 , 𝑥4 ]
x3 𝑓[𝑥3 ] 𝑓[𝑥2 , 𝑥3 , 𝑥4 ] 
𝑓[𝑥3 , 𝑥4 ]  𝑓[𝑥0 , ⋯ , 𝑥𝑛 ]
x4 𝑓[𝑥4 ]  
 𝑓[𝑥𝑛−3 , 𝑥𝑛−2 , 𝑥𝑛−1 , 𝑥𝑛 ]
  𝑓[𝑥𝑛−2 , 𝑥𝑛−1 , 𝑥𝑛 ]
𝑓[𝑥𝑛−1 , 𝑥𝑛 ]
xn 𝑓[𝑥𝑛 ]

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-59
77. Interpolar o ponto x =1,5 na tabela abaixo, empregando a forma de Newton.
i 0 1 2 3
xi −1 0 1 2
yi 1 3 1 1
Resolução: n =3 é o grau máximo de P3 ( x ). Tabela de diferenças divididas:
x ordem 0 ordem 1 ordem 2 ordem 3

−1 1
3 −1
=2
0 − ( −1)
−2−2
0 3 =−2
1 − ( −1)
1− 3 1 − ( −2)
=−2 =1
1− 0 2 − ( −1)
0 − ( −2 )
1 1 =1
2−0
1−1
=0
2 −1
2 1

P3 ( x )= f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1 ]+( x − x0 )( x − x1 ) f [ x0 , x1 , x2 ]+


+( x − x0 )( x − x1 )( x − x2 ) f [ x0 , x1 , x2 , x3 ]
P3 ( x )=1+( x +1)2+( x +1)( x )(−2)+( x +1)( x )( x −1)(1)
P3 ( x )=1+2 x +2−2 x 2 −2 x + x 3 − x
P3 ( x )= x 3 −2 x 2 − x +3

4.2 Estudo de erro na interpolação


Sejam x0  x1  x2  x n , ( n +1) pontos. Seja f ( x ) com derivadas até ordem ( n +1)
para x pertencente ao intervalo [ x0 , x n ].
Seja Pn ( x ) o polinômio interpolador de f ( x ) nos pontos x0 , x1 , x2 ,, x n .
Então, em qualquer ponto x pertencente ao intervalo [ x0 , x n ], o erro é dado por:
E n ( x )= f ( x )− Pn ( x )

f ( n+1) ( x )
E n ( x )=( x − x0 )( x − x1 )( x − x n )
( n + 1)!
onde  x ( x0 , x n ).
Esta fórmula tem uso limitado, pois são raras as situações em que f ( n+1) ( x ) é conhecida
e o ponto  x nunca é conhecido.

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-60
4.2.1 Estimativa para o Erro
Utilizando a equação anterior, sendo f ( n+1) ( x ) contínua em I =[ x0 , x n ], pode-se
escrever:
| E n ( x )|=| f ( x )− Pn ( x )|
n
M n+1 ( n+1)
| E n ( x )|  ( x − xi )  , onde M n+1 = max f ( x) .
i =0 ( n + 1)! xI

Ao se construir a tabela de diferenças divididas até ordem n +1, pode-se usar o maior
M n+1
valor em módulo desta ordem como aproximação para no intervalo I =[ x0 , x n ].
( n + 1)!
n
Então: | E n ( x )|  ( x − xi )  max ( Dd )
i =0
sendo Dd os valores da tabela de diferenças divididas de ordem ( n +1).

78. Seja f ( x ) dada em forma de tabela de valores, como segue:


x 0,2 0,34 0,4 0,52 0,6 0,72
f (x) 0,16 0,22 0,27 0,29 0,32 0,37
• a) Obter f (0,47) usando um polinômio de grau 2;
• b) Dar uma estimativa para o erro.
Resolução: Tabela de diferenças divididas:
x ordem 0 ordem 1 ordem 2 ordem 3
0,2 0,16
0,4286
0,34 0,22 2,0235
0,8333 −17,8963
0,4 0,27 −3,7033
0,1667 18,2492
0,52 0,29 1,0415
0,375 −2,6031
0,6 0,32 0,2085
0,4167
0,72 0,37
Deve-se escolher 3 pontos próximos de 0,47 para a obtenção de P2 ( x ).
P2 ( x )= f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1 ]+( x − x0 )( x − x1) f [ x0 , x1, x2 ]
P2 ( x )=0,27+( x −0,4)0,1667+( x −0,4)( x −0,52)1,0415
P2 ( x )=1,0415 x 2 −0,79148 x +0,419952

• a) P2 (0,47)=0,278 f (0,47)

• b) | E n (0,47)||(0,47−0,4)(0,47−0,52)(0,47−0,6)||18,2492|
| E n (0,47)|8,303 10−3 .

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-61
79. Prove a igualdade seguinte.
x − x1 x − x0
P1 ( x )= f ( x0 ) + f ( x1 ) = f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1]
x0 − x1 x1 − x0
Resolução:
x ordem 0 ordem 1
x0 f [ x0 ]= y0

y1 − y0
f [ x0 , x1 ]=
x1 − x0

x1 f [ x1 ]= y1  P1 ( x )= f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1 ]
P1 ( x )= f [ x0 ]+( x − x0 ) f [ x0 , x1 ]
y1 − y0
 P1 ( x )= y0 +( x − x0 )
x1 − x0
x − x0 x − x0
 P1 ( x )= y0 + y1  − y0 
x1 − x0 x1 − x0
x − x0 x − x0
 P1 ( x )= y0 − y0  + y1 
x1 − x0 x1 − x0
 x − x0 
 P1 ( x )= y0   1 −  + y1  x − x0
 x1 − x0  x1 − x0
 x − x − x + x0 
 P1 ( x )= y0   1 0  + y1  x − x0
 x1 − x0  x1 − x0
x −x x − x0
 P1 ( x )= y0  1 + y1 
x1 − x0 x1 − x0

x − x1 x − x0
 P1 ( x )= f ( x0 ) + f ( x1 )
x0 − x1 x1 − x0

4.3 Interpolação inversa: casos existentes


O problema da interpolação inversa consiste em: dado y ( f ( x0 ), f ( xn )), obter x ,
tal que f ( x )= y .
São duas, as formas de se obter x . A primeira é encontrar x tal que Pn ( x )= y ; A
segunda é fazer a própria interpolação inversa, utilizando para isso, os valores de y .

4.3.1 Encontrar x tal que Pn (x )


Obter Pn ( x ) que interpola f ( x ) em x0 , x1 , x2 ,, x n e em seguida encontrar x , tal
que f ( x )= y .
OBS. 2: x obtido desta forma não permite se estimar o erro.

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-62
80. Encontre x tal que f ( x )=2 pela tabela abaixo:
x 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
f (x) 1,65 1,82 2,01 2,23 2,46 2,72
Resolução:
Fazendo interpolação linear por x0 =0,6 e x1 =0,7:
x − x1 x − x0
P1 ( x )= f ( x0 ) + f ( x1 )
x0 − x1 x1 − x0
x − 0,7 x − 0,6
P1 ( x )=1,82 +2,01
− 0,1 0,1
P1 ( x )=−18,2 x +12,74+20,1 x −12,06  P1 ( x )=1,9 x +0,68.
2 − 0,68
P1 ( x )=2  1,9 x +0,68=2  x =
1,9
x =0,6947368.

4.3.2 Interpolação inversa


Se f ( x ) for inversível num intervalo contendo y , então x = f −1 ( y )= g ( y ).
Condição para a inversão de f ( x ): f é contínua e monótona crescente (decrescente)
num intervalo [ a , b ].
Dado f ( x ) contínua em ( x0 , x n ), então f ( x ) será admitida monótona crescente se
f ( x0 )  f ( x1 )    f ( x n ) e monótona decrescente se f ( x0 )  f ( x1 )    f ( x n ).
Respeitadas as condições dadas acima, será obtido o polinômio Pn ( y ) que interpola g
( y )= f −1 ( y ) sobre [ y0 , yn ].

81. Considere a tabela a seguir:


x 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
x
y =e 1 1,1052 1,2214 1,3499 1,4918 1,6487
Obter x , tal que e x =1,3165, usando um processo de interpolação quadrática. Usar a
forma de Newton para obter P2 ( y ). Construir a tabela de diferenças divididas.
Resolução:
y ordem 0 ordem 1 ordem 2 ordem 3
1 0
0,9506
1,1052 0,1 −0,4065
0,8606 0,1994
1,2214 0,2 −0,3367
0,7782 0,1679
1,3499 0,3 −0,2718
0,7047 0,1081
1,4918 0,4 −0,2256
0,6373
1,6487 0,5

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-63
P2 ( y )= g [ y0 ]+( y − y0 ) g [ y0 , y1 ]+( y − y0 )( y − y1 ) g [ y0 , y1 , y2 ]
P2 ( y )=0,2+( y −1,2214)0,7782+( y −1,2214)( y −1,3499)(−0,2718)
P2 (1,3165)=0,27487.
Assim, e0, 27487 1,3165 Na calculadora = 1,316359.
Erro cometido:
M3
| E2 ( y )|  |( y − y0 )( y − y1 )( y − y2 )|
3!
M3
| E2 (1,3165)|  |(1,3165−1,2214)(1,3165−1,3499)(1,3165−1,4918)|
3!
M3
| E2 (1,3165)|  5,5681 10−4   M 3 = max g ''' ( y ) , y [ y0 , y2 ].
3!
M3
• 1o Caso: pode ser aproximado por 0,1994 (tabela de diferenças divididas de ordem 3).
3!
| E2 (1,3165)|  5,5681 10−4 0,1994  | E2 ( y )|  1,11028 10−4 .

• 2o Caso: f ( x )= e x  g ( y )= f −1 ( y )= ln y
1 1 2
 g ' ( y )=  g" ( y )=− 2  g"' ( y )= 3
y y y
2 M 1,0976
Logo: M 3 = 3
 M 3 =1,0976, então 3 = =0,18293.
(1,2214) 3! 3!
| E2 (1,3165)|  5,5681 10−4 0,18293  | E2 ( y )|  1,0186 10−4 (limite superior).

4.4 Funções spline em interpolação


1 2i
Considere f ( x )= tabelada no intervalo [−1,1] nos pontos x i =−1+ , com
1 + 25x2 n
i =0,1,, n .
No gráfico abaixo, pode ser observada a função f ( x ) e o polinômio P10 ( x ) que
interpola o conjunto discreto de pontos para n =10.
x −1,0 −0,8 −0,6 −0,4 −0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
𝑓(𝑥) 0,038 0,059 0,1 0,2 0,5 1,0 0,5 0,2 0,1 0,059 0,038
3
y
2

1
2

P10(x )
f (x )

-1 - 12 0 1 1 x
2

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-64
Em certos casos, a aproximação por Pn ( x ) pode ser desastrosa. Uma alternativa é
interpolar f ( x ) em grupos de poucos pontos, obtendo-se polinômios de graus menores, e
impor condições para que a função de aproximação seja contínua e tenha derivadas contínuas
até uma certa ordem.

4.4.1 Função Spline


Considere a função f ( x ) tabelada nos pontos x0  x1  x2  x n .
Uma função S p ( x ) é denominada SPLINE DE GRAU p com nós nos pontos xi , com
i =0,1,, n , se satisfaz as 3 seguintes condições:
1) Em cada subintervalo [ xi , xi +1 ], com i =0,1,,( n −1), S p ( x ) é um polinômio de grau p
representado por si ( x ).

2) S p ( x ) é contínua e tem derivada contínua até ordem ( p −1) em [ a , b ].

3) S p ( xi )= f ( xi ), com i =0,1,, n .
Nestes termos, S p ( x ) é denominada SPLINE INTERPOLANTE.

4.4.2 Spline linear interpolante


É representada por S1 ( x ) .
S1 ( x ) pode ser escrita em cada subintervalo [ xi −1 , xi ], com i =1,2,, n como:

xi − x x − xi −1
si ( x )= f ( xi −1 ) + f ( xi ) , x [ xi −1 , xi ] (01)
xi − xi −1 xi − xi −1
S1 ( x ) definida dessa forma satisfaz as condições 1) , 2) e 3) .

82. Achar a função spline linear que interpola a função f ( x ) tabelada a seguir.
x0 x1 x2 x3
x 1 2 5 7
y= f (x ) 1 2 3 2,5
y
3 s3(x ) f (x )
2,5
s2(x )
2
s1(x )
1

0 1 2 3 4 5 6 7 x
Resolução: Pela definição, pode-se definir 3 splines lineares para os 4 pontos: s1 ( x ),
s2 ( x ) e s3 ( x ).

x1 − x x − x0
• s1 ( x )= y0 + y1
x1 − x0 x1 − x0
2− x x −1
s1 ( x )=1 +2 =2− x +2 x −2= x  s1 ( x )= x , x [1,2].
2 −1 2 −1

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-65
x2 − x x − x1
• s2 ( x )= y1 + y2
x2 − x1 x2 − x1
5− x x−2 2 1 1
s2 ( x )=2 +3 = (5− x )+ x −2= ( x +4)  s2 ( x )= ( x +4) , x [2,5].
5−2 5−2 3 3 3
x3 − x x − x2
• s3 ( x )= y2 + y3
x3 − x2 x3 − x2
7−x x−5
s3 ( x )=3 +2,5  s3 ( x )= 12 (−0,5 x +8,5) , x [5,7].
7−5 7−5
Então, no intervalo [ a , b ]=[1,7], a spline linear S1 ( x ) é dada por:
 s1( x ) , se x  [1,2];  1
 s1( x ) = x, s2 ( x ) = ( x + 4)
  3
S1 ( x )= s2 ( x ) , se x  [2,5]; tal que 
 s ( x ) , se x  [5,7]. e s ( x ) = 1 ( −0,5 x + 8,5).
 3 

3
2

4.4.3 Spline cúbica interpolante


É representada por S3 ( x ) .
A spline linear tem derivada primeira descontínua nos nós. A spline quadrática S2 ( x )
tem derivadas contínuas até ordem 1, portanto, pode ter picos ou troca abrupta de curvatura nos
nós.
A spline cúbica S3 ( x ) é mais utilizada por ter derivadas primeira e segunda contínuas,
que faz S3 ( x ) ser mais suave nos nós.

Definição: Suponha f ( x ) dada por xi , com i =0,1,, n .


Tome S3 ( x ) como spline cúbica de f ( x ) nos nós xi , caso existam n polinômios de
grau 3 definidos em cada subintervalo k por sk ( x ), com k =1,2,, n . Então a spline cúbica
S3 ( x ) deve satisfazer as 5 igualdades seguintes:

1) S3 ( x )= sk ( x ) para x [ xk −1 , xk ], k =1,2,, n .

2) S3 ( xi )= f ( xi ), com i =0,1,, n .

3) sk ( xk )= sk +1 ( xk ), k =1,2,,( n −1).

4) sk, ( xk )= sk, +1 ( xk ), k =1,2,,( n −1).

5) sk, , ( xk )= sk, ,+1 ( xk ), k =1,2,,( n −1).


Em cada intervalo [ xk −1 , xk ], sk ( x ) será dada por:

sk ( x )= ak ( x − xk )3+ bk ( x − xk )2+ ck ( x − xk )+ d k , com k =1,2,, n (02)


São 4 coeficientes para cada k à serem determinados.
Tome a notação hk = xk − xk −1 , para x = xk −1 .
Condição 1) : é satisfeita pela definição de sk ( x ).
Para a condição 2) , tem-se as equações:
d k = f ( xk )= sk ( xk ), k =1,2,, n (03)

s1 ( x0 )= f ( x0 )  − a1 h13 + b1 h12 − c1 h1 + d 1 = f ( x0 ), k =1 (04)

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-66
Condição 3) para k =1,2,,( n −1).
sk +1 ( xk )= f ( xk )

− ak +1 h 3k +1 + bk +1 h k2 +1 − ck +1 hk +1 + d k +1 = f ( xk ) (05)
Para as condições 4) e 5) , tome as derivadas:
sk, ( x )=3 a k ( x − xk )2+2 bk ( x − xk )+ c k (06)

sk, , ( x )=6 a k ( x − xk )+2 bk (07)


Para x = xk  sk, , ( xk )=2 bk . Assim, o coeficiente bk é dado por:

sk,, ( xk )
bk = (08)
2
Para x = xk −1  sk, , ( xk −1 )=−6 a k hk +2 bk .
2bk − sk,, ( xk −1 ) sk,, ( xk ) − sk,, ( xk −1 )
ak = = .
6h k 6h k
Impondo a condição 5) , sk, , ( xk −1 )= sk,,−1 ( xk −1 ), obtém-se:

sk,, ( xk ) − sk,,−1( xk −1 )
ak = , com s0, , ( x0 ) arbitrária (09)
6hk
Na obtenção de c k , utilizam-se as equações (04) e (05):
− f ( xk −1 ) − ak h3k + bk hk2 + d k
ck = , d k = f ( xk )
hk
f ( xk ) − f ( xk −1 )
ck = −( a k hk2 − bk hk ), substituindo a k e bk obtém-se:
hk
f ( xk ) − f ( xk −1 )  sk,, ( xk ) − sk,,−1( xk −1 ) s ,, ( x ) 
ck = −  hk − k k hk 
hk  6 2 
Daí, c k pode ser dado por:
,, ,,
f ( xk ) − f ( xk −1 ) 2sk ( xk )  h k + sk −1( xk −1 )  h k
ck = + (10)
hk 6
Na obtenção dos coeficientes, tome yk = f ( xk ) e g k = sk, , ( xk ).

g k − g k −1
ak = (11)
6h k

gk
bk = (12)
2
yk − yk −1 2hk g k + g k −1hk
ck = + (13)
hk 6

d k = yk (14)
Impondo a última condição 4) , sk, ( xk )= sk, +1 ( xk ), com k =1,2,,( n −1), conclui-se
que:

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-67

Para x = xk  sk, ( xk )= c k , então:


c k =3 a k +1 (xk − xk +1 ) +2 bk +1 (xk − xk +1 ) + c k +1
2

c k =3 a k +1 h k2 +1 −2 bk +1 hk +1 + c k +1
 c k +1 = c k −3 a k +1 h k2 +1 +2 bk +1 hk +1 .
Fazendo-se algumas substituições, através das equações (11), (12) e (13):
yk +1 − yk 2hk +1g k +1 + g k hk +1 yk − yk −1 2hk g k + g k −1hk g − gk g k +1hk +1
+ = + −3 k +1 hk +1 +2
hk +1 6 hk 6 6 2
Daí, chega-se a equação (15):

 y − yk yk − yk −1 
hk gk −1 +2( hk + hk +1 ) g k + hk +1gk +1 =6  k +1 −  , com k =1,2,,( n −1) (15)
 hk +1 h 
 k 
A equação (15) é um sistema de equações lineares A g = b , onde k =1,2,,( n −1).
A ordem do sistema é: A( n−1)( n+1) , g(n+1)1 e b(n−1)1 .
Pela variação de k , o sistema A g = b é indeterminado. Para se resolver o sistema, de
forma única, é necessário impor mais duas condições, apresentadas nas três alternativas a
seguir.
• (1a) Spline Natural  nos extremos, S3 ( x0 ) é aproximadamente linear.
S3" ( x0 )= g 0 =0
S3" ( xn )= g n =0

• (2a) Nos extremos, S3 ( x ) é aproximadamente parábola.


g 0 = g1
g n = g n −1

• (3a) Nos extremos, é dada uma inclinação I 0 e I n para S3 ( x ).


S3' ( x0 )= I 0  s 1, ( x0 )= I 0  3 a1 h12 −2 b1 h1 + c1 = I 0
S3' ( xn )= I n  s ,n ( xn )= I n  cn = In .
Nas alternativas (1a) e (2a), são eliminadas duas variáveis, g 0 e g n . Assim A g = b é
SPD, sendo que, o sistema é dado na ordem: A( n−1)( n−1) , g(n −1)1 e b(n−1)1 .
Na alternativa (3a), são acrescentadas duas equações. Assim A g = b é SPD, sendo que,
o sistema é dado na ordem: A( n+1)( n+1) , g(n+1)1 e b(n+1)1 .

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-68
83. Encontrar uma aproximação para f (0,25) por spline cúbica natural, interpolando a
tabela:
x0 x1 x2 x3 x4
x 0 0,5 1,0 1,5 2,0
=
y f (x
3 1,8616 −0,5571 −4,1987 −9,0536
)
Resolução: n =4, logo, procura-se s1 ( x ), s 2 ( x ), s 3 ( x ) e s 4 ( x ).
Spline Natural  k =1,2,,( n −1)  k =1,2,3  Utilizando a (15), segue que:
 y − yk yk − yk −1 
 hk gk −1 +2( hk + hk +1 ) g k + hk +1gk +1 =6  k +1 − 
 hk +1 h 
 k 
hk = xk − xk −1  hk =0,5 k .  hk = h =0,5 .
6
Equação (15)  h g k −1 +4 h g k + h g k +1 = ( yk +1 − 2 yk + yk −1 ) , com k =1,2,3.
h
Desenvolvendo o sistema A g = b :
 6
hg0 + 4hg1 + hg2 = h ( y2 − 2 y1 + y0 )
 6
 hg1 + 4hg2 + hg3 = ( y3 − 2 y2 + y1 )
 h
hg + 4hg + hg = 6 ( y − 2 y + y )
 2 3 4
h
4 3 2

g 0 = g4 =0 (Spline Natural).
Então,
4h h 0   g1   y2 − 2 y1 + y0 
    6  
A g = b  h 4h h  g 2 =
    h  y3 − 2 y2 + y1  .
 0 h 4h  g3   y4 − 2 y3 + y2 
Substituindo os valores:
 2 0,5 0   g1  − 15,3636 − 6,6541
0,5 2 0,5   g  = − 14,6748  =  − 4,111  .
g
   2    
 0 0,5 2   g3  − 14,5598  − 6,252 
Forma geral de s i ( x )  s i ( x )= ai ( x − xi )3+ bi ( x − xi )2+ ci ( x − xi )+ d i , com i =1,2,3,4.
f (0,25)  s1 (0,25)
g1 − g 0 − 6,6541
a1 = =  a1 =−2,218
6h 3
g
b1 = 1 =−3,327  b1 =−3,327
2
y − y0 2hg1 + g 0 h
c1 = 1 + =−3,3858  c1 =−3,3858
h 6
d 1 = y1 =1,8616  d 1 =1,8616
Logo, s1 (0,25)=−2,218(−0,25)3−3,327(−0,25)2−3,3858(−0,25)+1,8616
 s1 (0,25)=2,5348  f (0,25) .

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-69
Considerando os próximos 5 exercícios, encontrar uma aproximação para f ( x ) por
spline cúbica natural, interpolando a tabela:
x0 x1 x2 x3 x4
x 0 0,5 1,0 1,5 2,0
y= f (x
3 1,8616 −0,5571 −4,1987 −9,0536
)
n =4, logo, procura-se s1 ( x ), s 2 ( x ), s 3 ( x ) e s 4 ( x ).
Do exercício anterior, a forma geral de s i ( x ) é dada por:
s i ( x )= ai ( x − xi )3+ bi ( x − xi )2+ ci ( x − xi )+ d i , com i =1,2,3,4.

84. f (0,8).
Resolução:
f (0,8)  s 2 (0,8)
g 2 − g1
a2 = =0,8477  a 2 =0,8477
6h
g
b2 = 2 =−2,0555  b2 =−2,0555
2
y2 − y1 2hg2 + g1h
c2 = + =−6,0771  c 2 =−6,0771
h 6
d 2 = y2 =−0,5571  d 2 =−0,5571
Logo, s 2 (0,8)=0,8477(−0,2)3−2,0555(−0,2)2−6,0771(−0,2)−0,5571
 s 2 (0,8)=0,5693  f (0,8) .

85. f (1,1).
Resolução:
f (1,1)  s 3 (1,1)
g3 − g 2
a3 = =−0,7137  a3 =−0,7137
6h
g
b3 = 3 =−3,1260  b3 =−3,1260
2
y3 − y2 2hg3 + g 2 h
c3 = + =−8,6678  c 3 =−8,6678
h 6
d 3 = y3 =−4,1987  d 3 =−4,1987
Logo, s 3 (1,1)=−0,7137(−0,4) −3,1260(−0,4)2−8,6678(−0,4)−4,1987
3

 s 3 (1,1)=−1,1861  f (1,1) .

Maiko
Cálculo Numérico Interpolação 4-70
86. f (1,2).
Resolução:
f (1,2)  s 3 (1,2)
g3 − g 2
a3 = =−0,7137  a3 =−0,7137
6h
g
b3 = 3 =−3,1260  b3 =−3,1260
2
y − y2 2hg3 + g 2 h
c3 = 3 + =−8,6678  c 3 =−8,6678
h 6
d 3 = y3 =−4,1987  d 3 =−4,1987
Logo, s 3 (1,2)=−0,7137(−0,3) −3,1260(−0,3)2−8,6678(−0,3)−4,1987
3

 s 3 (1,2)=−1,8604  f (1,2) .

87. f (1,3).
Resolução:
f (1,3)  s 3 (1,3)
g3 − g 2
a3 = =−0,7137  a3 =−0,7137
6h
g
b3 = 3 =−3,1260  b3 =−3,1260
2
y − y2 2hg3 + g 2 h
c3 = 3 + =−8,6678  c 3 =−8,6678
h 6
d 3 = y3 =−4,1987  d 3 =−4,1987
Logo, s 3 (1,3)=−0,7137(−0,2) −3,1260(−0,2)2−8,6678(−0,2)−4,1987
3

 s 3 (1,3)=−2,5845  f (1,3) .

88. f (1,7).
Resolução:
f (1,7)  s 4 (1,7)
g 4 − g3
a4 = =2,0840  a 4 =2,0840
6h
g
b4 = 4 =0  b4 =0
2
y − y3 2hg4 + g3h
c4 = 4 + =−10,2308  c 4 =−10,2308
h 6
d 4 = y4 =−9,0536  d 4 =−9,0536
Logo, s 4 (1,7)=2,0840(−0,3) +0(−0,3) −10,2308(−0,3)−9,0536
3 2

 s 4 (1,7)=−6,0406  f (1,7) .

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-71

5 Ajuste de curvas pelo método dos mínimos


quadrados
5.1 Introdução
Uma forma de se trabalhar com uma função definida por uma tabela de valores é a
interpolação. Contudo, a interpolação pode não ser aconselhável quando:
• É preciso obter um valor aproximado da função em algum ponto fora do intervalo de
tabelamento (extrapolação).
• Os valores tabelados são resultado de experimentos físicos, pois estes valores poderão
conter erros inerentes que, em geral, não são previsíveis.
Surge então a necessidade de se ajustar a estas funções tabeladas uma função que seja
uma “boa aproximação” para as mesmas e que nos permita “extrapolar” com certa margem de
segurança.
Assim, o objetivo deste processo é aproximar uma função f por outra função g ,
escolhida de uma família de funções em duas situações distintas:
• Domínio discreto: quando a função f é dada por uma tabela de valores.
y

• Domínio contínuo: quando a função f é dada por sua forma analítica.


y
y = f(x)

a x
b

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-72

5.2 Caso Discreto


O problema do ajuste de curvas no caso em que se tem uma tabela de pontos:
x1 x2 x3  xm
f ( x1 ) f ( x2 ) f ( x3 )  f ( xm )
com x1 , x 2 , x3 ,  , x m [ a , b ], consiste em: “escolhidas” n funções contínuas g1 ( x ),
g 2 ( x ), g 3 ( x ),  , g n ( x ), contínuas em [ a , b ], obter n constantes 1 ,  2 ,  3 ,  ,  n tais
que a função g ( x )= 1 g1 ( x )+  2 g 2 ( x )+  3 g 3 ( x )+  +  n g n ( x ) se aproxime ao
máximo de f ( x ).
Este modelo matemático é linear pois os coeficientes que devem ser determinados
1 ,  2 ,  3 ,  ,  n aparecem linearmente, embora as funções g1 ( x ), g 2 ( x ), g 3 ( x ),  ,
g n ( x ) possam ser não lineares.
Surge então a primeira pergunta: Como escolher as funções contínuas g1 ( x ), g 2 ( x ),
g 3 ( x ),  , g n ( x ) ?
Esta escolha pode ser feita observando o gráfico dos pontos tabelados (diagrama de
dispersão) ou baseando-se em fundamentos teóricos do experimento que forneceu a tabela.
Seja d k = f ( xk )− g ( xk ) o desvio em xk .
O método dos mínimos quadrados consiste em escolher os coeficientes 1 ,  2 ,  3 , 
,  n de tal forma que a soma dos quadrados dos desvios seja mínima, isto é:
m m
 dk2 = [ f ( xk ) − g ( xk )]2 deve ser mínimo.
k =1 k =1
Assim, os coeficientes 1 ,  2 ,  3 ,  ,  n que fazem com que g ( x ) se aproxime ao
máximo de f ( x ), são os que minimizam a função:
m
F ( 1 ,  2 ,  3 ,,  n )= [ f ( xk ) − g ( xk )]2 =
k =1
m
[ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  3 g 3 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]2 .
k =1
g
y

f ( xk)
dk

g( xk ) x
xk
Para isto é necessário que:
F
(1 ,  2 ,  3 ,,  n ) =0, j =1, 2, 3, , n , isto é:
 j
F
(1 ,  2 ,  3 ,,  n ) =
 j

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-73
m
2·  [ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]  [− g j ( xk )] =0, j =1, 2, 3, , n
k =1
ou
m
[ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]  [ g j ( xk )] =0,
k =1
j =1, 2, 3, , n
Assim, tem-se o seguinte sistema de n equações lineares com n incógnitas 1 ,  2 ,
3 ,  ,n :

m
 [ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]  [ g1 ( xk )] = 0
 k =1
m
 [ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]  [ g 2 ( xk )] = 0
 k =1
 

 m
 [ f ( xk ) − 1 g1 ( xk ) −  2 g 2 ( xk ) −  −  n g n ( xk )]  [ g n ( xk )] = 0
 k =1
Que é equivalente a:

 m  m  m
  1 k g ( x )  g ( x
1 k  )   1 +  +  1 k g ( x )  g ( x
n k  )   n =  g1 ( xk )  f ( xk )
 k =1   k =1  k =1
 m
  g ( x )  g ( x )   +  +  g ( x )  g ( x )   = g ( x )  f ( x )
m m
  2 k 1 k  1  2 k n k  n  2 k k
 k =1   k =1  k =1

 
 m  m  m
 g n ( xk )  g1 ( xk )  1 +  +  g n ( xk )  g n ( xk )   n =  g n ( xk )  f ( xk )
 k =1   k =1  k =1
As equações deste sistema linear são chamadas de equações normais.
Este sistema pode ser escrito na forma matricial A   = b :
 a111 + a12 2 +  + a1n  n = b1
a  + a  +  + a2 n  n = b2
 21 1 22 2

    

an11 + an 2  2 +  + ann n = bn
m m
onde A = ( aij ) tal que aij =  g i ( xk )  g j ( xk ) =  g j ( xk )  g i ( xk ) = a ji , ou seja, A é
k =1 k =1
uma matriz simétrica;
m
 = [1 ,  2 ,,  n ]T e b = [b1 , b2 ,, bn ]T é tal que bi =  g i ( xk )  f ( xk ) .
k =1
m
Lembrando que, dados os vetores x e y   m o número real  x, y =  xk  y k é
k =1
chamado de produto escalar de x por y , e usando esta notação no sistema normal A   = b ,
tem-se: aij =  g i , g j  e bi =  gi , f  onde:
g l é o vetor [ g l ( x1 ) g l ( x2 ) g l ( x3 )  g l ( xm )]T e

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-74
f é o vetor [ f ( x1 ) f ( x2 ) f ( x3 )  f ( xm )]T .
Desta forma o sistema na forma matricial fica:
  g1 , g1   g1 , g 2    g1 , g n    1    g1 , f  
 g , g   g , g    g , g      
 g , f 
 2 1 2 2 2 n   2
 = 2
          
     
 g n , g1   g n , g 2    g n , g n    n   g n , f  
Demonstra-se que, se as funções g1 ( x ), g 2 ( x ), g 3 ( x ),  , g n ( x ) forem tais que os
vetores g1 , g 2 , g 3 ,, g n , sejam linearmente independentes (LI), então det A  0 e o sistema de
equações é possível e determinado (SPD). Demonstra-se ainda que a solução única deste
sistema, 1 ,  2 ,  3 ,  ,  n é o ponto em que a função F ( 1 ,  2 ,  3 ,,  n ) atinge seu valor
mínimo.
OBS. 3: Se os vetores g1 , g 2 , g 3 ,, g n , forem ortogonais entre si, isto é, se  g i , g j  = 0
se i  j e  g i , g j   0 se i = j , a matriz dos coeficientes A será uma matriz diagonal, o que
facilita a resolução do sistema A   = b .

89. (Regressão Linear) Ajustar os dados da tabela abaixo através de uma reta.
i 1 2 3 4 5
xi 1,3 3,4 5,1 6,8 8,0
f ( xi ) 2,0 5,2 3,8 6,1 5,8
Resolução: Fazendo g ( x) = 1  g1 ( x) +  2  g 2 ( x) e considerando

g1 (x ) = 1 e g 2 (x ) = x , tem-se: g ( x) = 1 +  2  x .

Assim, a reta que melhor se ajusta aos valores da tabela terá coeficientes 1 e  2 , que são
solução do seguinte sistema na forma matricial:
  g1 , g1   g1 , g 2    1    g1 , f  
 g , g   g , g      =  
 2 1 2 2   2  g 2 , f  
g1 = [1 1 1 1 1]T
g 2 = [1,3 3,4 5,1 6,8 8,0]T
f = [2,0 5,2 3,8 6,1 5,8]T
 g1 , g1  = (1)(1)+(1)(1)+(1)(1)+(1)(1)+(1)(1) = 5
 g1 , g 2  = (1)(1,3)+(1)(3,4)+(1)(5,1)+(1)(6,8)+(1)(8,0) = 24,6
 g 2 , g1  = (1,3)(1)+(3,4)(1)+(5,1)(1)+(6,8)(1)+(8,0)(1) = 24,6
 g 2 , g 2  = (1,3)(1,3)+(3,4)(3,4)+(5,1)(5,1)+(6,8)(6,8)+(8,0)(8,0) = 149,50
 g1 , f  = (1)(2,0)+(1)(5,2)+(1)(3,8)+(1)(6,1)+(1)(5,8) = 22,9
 g 2 , f  = (1,3)(2,0)+(3,4)(5,2)+(5,1)(3,8)+(6,8)(6,1)+(8,0)(5,8) = 127,54
Assim,
 5 24 ,6   1   22 ,9 
24 ,6 149 ,50     = 127 ,54   1 = 2,01 e  2 = 0,522
   2  
Logo a equação da reta procurada é:
g ( x ) = 1 +  2  x  g (x) = 2,01+0,522 x

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-75
90. Ajustar os dados da tabela através da parábola g1 ( x) = x 2 :
i 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
xi −1 −0,75 −0,6 −0,5 −0,3 0 0,2 0,4 0,5 0,7 1
f ( xi ) 2,05 1,153 0,45 0,4 0,5 0 0,2 0,6 0,512 1,2 2,05
y
2

-1 1 x
Resolução: Fazendo g ( x ) = 1  g1 ( x ) e considerando g1 (x ) = x 2 , obtém-se g ( x) = 1  x 2 .
Assim, para se obter a parábola que melhor se ajusta aos pontos da tabela, será necessário
encontrar 1 do sistema:
 g1 , g1    1  =  f , g1  
g1 = [(−1) 2 (−0,75) 2 (−0,6) 2  (0,7) 2 (1) 2 ]T
f = [2,05 1,153 0,45  1,2 2,05]T
 g1 , g1  = (−1) 2 (−1) 2 +(−0,75) 2 (−0,75) 2 +(−0,6) 2 (−0,6) 2 +  + (0,7) 2 (0,7) 2 +
(1) 2 (1) 2 = 2,8464
 g1 , f  = (−1) 2 (2,05)+(−0,75) 2 (1,153)+(−0,6) 2 (0,45)+ + (0,7) 2 (1,2) +
(1) 2 (2,05) = 5,8756.
5,8756
Assim, 1 = = 2,0642
2,8464
Logo a equação da parábola procurada é: g ( x) = 1  x2  g( x) = 2,0642  x2

91. Ajustar os dados da tabela abaixo por um polinômio do segundo grau


g ( x) = 1 + 2  x + 3  x 2 .
i 1 2 3 4
xi −2 −1 1 2
f ( xi ) 1 −3 1 9

Resolução: Neste caso tem-se que: g1 (x ) = 1, g 2 ( x ) = x e g 3 ( x) = x 2

  g1 , g1   g1 , g 2   g1 , g 3     1    g1 , f  
 g , g   g , g   g , g      =  g , f  
 2 1 2 2 2 3   2  2 
 g 3 , g1   g 3 , g 2   g 3 , g 3    3   g 3 , f  

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-76
g1 = [1 1 1 1]T
g 2 = [− 2 − 1 1 2]T
g 3 = [( −2) 2 ( −1) 2 (1) 2 ( 2) 2 ]T
f = [1 − 3 1 9]T
 g1 , g1  = (1)(1)+(1)(1)+(1)(1)+(1)(1) = 4
 g1 , g 2  = (1)(−2)+(1)(−1)+(1)(1)+(1)(2) = 0
 g 2 , g1  = (−2)(1)+(−1)(1)+(1)(1)+(2)(1) = 0
 g1 , g 3  = (1) (−2) 2 +(1) (−1) 2 +(1) (1)2 +(1) ( 2) 2 = 10
 g 3 , g1  = (−2) 2 (1)+ (−1) 2 (1)+ (1)2 (1)+ ( 2) 2 (1) = 10
 g 2 , g 2  = (−2)( −2)+(−1)(−1)+(1)(1)+(2)(2) = 10
 g 2 , g 3  = (−2) (−2) 2 +(−1) (−1) 2 +(1) (1)2 +(2) ( 2) 2 = 0
 g 3 , g 2  = (−2) 2 (−2)+ (−1) 2 (−1)+ (1)2 (1)+ ( 2) 2 (2) = 0
 g 3 , g 3  = (−2) 2 (−2) 2 + (−1) 2 (−1) 2 + (1)2 (1)2 + ( 2) 2 ( 2) 2 = 34
 g1 , f  = (1)(1)+(1)(−3)+(1)(1)+(1)(9) = 8
 g 2 , f  = (−2)(1)+(−1)(−3)+(1)(1)+(2)(9) = 20
 g3 , f  = (−2) 2 (1)+ (−1) 2 (−3)+ (1)2 (1)+ ( 2) 2 (9)= 38 Assim,
 4 0 10   1   8 
 0 10 0     = 20   = −3,  = 2 e  = 2. Logo a equação da
   2   1 2 3
10 0 34  3  38
parábola procurada é: g ( x) = 1 +  2  x +  3  x 2  g(x) = − 3 + 2  x + 2  x 2

5.3 Caso Contínuo


No caso contínuo, o problema de ajuste de curvas consiste em: dada uma função
f (x) , contínua em [ a , b ] e escolhidas as funções 𝑔1 (𝑥), 𝑔2 (𝑥), 𝑔3 (𝑥), ..., 𝑔𝑛 (𝑥), todas
contínuas em [ a , b ], determinar constantes 1 ,  2 ,  3 ,,  n de modo que a função
𝑔𝑛 (𝑥) = 𝛼1 𝑔1 (𝑥) + 𝛼2 𝑔2 (𝑥) + 𝛼3 𝑔3 (𝑥) + ⋯ + 𝛼𝑛 𝑔𝑛 (𝑥), se aproxime ao máximo de f ( x )
no intervalo [ a , b ].
Seguindo o critério dos mínimos quadrados para o conceito de proximidade entre
f ( x ) e g ( x ), os coeficientes 1 ,  2 ,  3 ,,  n a serem obtidos são tais que
b
a [ f ( x) − g( x)] dx seja o menor possível.
2

Para achar  tal que g ( x ) f ( x ), tome:


b
a [ f ( x) − g( x)] dx = F ()= F ( 1 ,  2 ,  3 ,,  n ).
2

Encontram-se os pontos críticos de F ():


F
()=0, j =1,2,, n .
 j
b b
Mas, F ()=  [ f ( x) − g ( x)]2dx =  [ f ( x)2 − 2 f ( x) g ( x) + g ( x)2 ]dx
a a
b b b
 F ()=  f ( x)2dx −2  f ( x) g ( x)dx +  g ( x)2dx .
a a a

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-77
F
Ao desenvolver ()=0, j =1,2,, n , obtém-se:
 j
  b 2   b g ( x ) g ( x )dx  b
  a g1 ( x )dx 1 +  +
 a 1 n  n
= a f ( x) g1( x)dx
 b
  g 2 ( x ) g1( x )dx 1 +  +   g 2 ( x ) g n ( x )dx  n
b b

 a   a 
= a f ( x) g 2 ( x)dx .
    
 b   g 2 ( x )dx 
b b
 a g n ( x ) g1( x )dx 1 +  +
 a n  n
= a f ( x) gn ( x)dx
  
Este é um sistema linear A = b de ordem n .
b
A =( aij ) tal que aij = a gi ( x) g j ( x)dx = a ji  aij = a ji .
A é SIMÉTRICA. =( 1 ,  2 ,  3 ,,  n ) e b =( b1 , b2 , b3 ,, bn ), tal que
b
bi =  f ( x) gi ( x)dx .
a
Usando a definição de produto escalar de duas funções p ( x ) e q ( x ) no intervalo
b
[ a , b ] por  p, q =  p( x)  q( x)dx , o sistema A = b fica:
a

A =( aij )= gi , g j e b =( bi )= f , gi .

92. Aproximar a função f ( x )=4 x 3 por um polinômio do primeiro grau, uma reta, no
intervalo [0,1].
Resolução:
g ( x )= 1 g1 ( x )+  2 g 2 ( x )= 1 +  2 x , isto é, g1 ( x )=1 e g 2 ( x )= x .
 a11 a12   1   b1    g1 , g1  g1 , g 2    1    f , g1 
A = b     =     = 
a21 a22   2  b2   g 2 , g1  g 2 , g 2    2   f , g 2  
1 1 1
0 g1 ( x)dx = 0 dx = x 0 =1
2
a11 =  g1 , g1  =
1
1 x2 1 1
a12 =  g1 , g 2  =  g 2 , g1  = a21 =  g1( x ) g 2 ( x )dx =  xdx = =
0 0 2 2
0
1
1 1 x3 1
a22 =  g 2 , g 2  = 0 g22 ( x)dx =  x 2dx =
0 3
=
3
0
1 1 1
0 f ( x)g1( x)dx = 0 4 x dx = x
3 4
b1 =  f , g1  = =1
0
1
1 1 4x 5 41
0 f ( x) g 2 ( x)dx =  4 x xdx =  4 x dx =
3 4
b2 =  f , g 2  = =
0 0 5 5
0

1 1  1  1  4 18
A = b   1 2
1
   =  4   1 =− e  2 = .
 2 3  2   5  5 5
Logo:

18 4
g ( x )= x −  f ( x )=4 x 3 em [0,1].
5 5

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-78
93. Aproximar a função f ( x )= e x no intervalo [0,1] por uma reta.
Resolução:
g ( x )= 1 g1 ( x )+  2 g 2 ( x )= 1 +  2 x ,
isto é, g1 ( x )=1 e g2 ( x )= x .

 a11 a12   1   b1    g1 , g1  g1 , g 2    1    f , g1 


A = b     =     = 
a21 a22   2  b2   g 2 , g1  g 2 , g 2    2   f , g 2  

0 1 1dx = x0 =1
1 1
a11 =  g1 , g1  = 1,1 =
1
1  x2  1
a12 =  g1 , g 2  = 1, x =  1  xdx =   =
0
 2 0 2
1
a21 =  g 2 , g1  =  g1 , g 2  =
2
1
1 2  x3  1
a22 =  g 2 , g 2  =  x, x =  0
x dx = 
3
 =
0 3

b1 =  f , g1  = e x ,1 =
1 x
0 e dx =  1
ex 0 = e −1
1 x
b2 =  f , g 2  = e x , x = 0 e  xdx

Usando o método de integração por partes em b2 :  u  dv = u  v −  v  du

 x  e x dx =?

Fazendo u = x → du = dx e dv = e x dx → v = e x , obtém-se:

 x  e x dx = x  e x −  e x  dx = x  e x − e x = ( x − 1)e x + C

0 x  e dx = ( x − 1)  e 
1 x x 1
Logo, 0 = 0−(−1  e0 ) =1.
Assim:
1 1  1  e − 1
A = b   1 2
1
 =   1 =4 e −10 e  2 =18−6 e .
 2 3  2   1 
Logo:
x
g ( x )=(18−6 e ) x +4 e −10  f ( x )= e em [0,1].

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-79

5.4 Família de Funções Não Lineares nos Parâmetros


Em alguns casos, a família de funções escolhidas pode ser não linear nos parâmetros,
m
isto é, g ( x ) não é da forma   k  g k (x) . Nestes casos é preciso efetuar uma “linearização”,
k =1
através de transformações convenientes.
Exemplos:
• 1o) f ( x ) 1  e  2 x = g ( x )
ln f ( x ) ln 1  e  2 x = ln 1 +  2  x = G ( x ).
Fazendo ln 1 = a1 e  2 = a2 , tem-se: G ( x )= a1 + a2  x ,
Desta forma G ( x ) ln f ( x ), sendo que G ( x ) é linear nos parâmetros a1 e a 2 .
1
• 2o) f ( x ) =g(x)
1 +  2  x
1
 1 +  2  x = G ( x ).
f (x )
Fazendo 1 = a1 e  2 = a2 , tem-se: G ( x )= a1 + a2  x ,
1
Desta forma G ( x ) , sendo que G ( x ) é linear nos parâmetros a1 e a 2 .
f (x )

• 3o) f ( x ) 1 + 2  x = g ( x )
f 2 ( x ) 1 +  2  x = G ( x ).
Fazendo 1 = a1 e  2 = a2 , tem-se: G ( x )= a1 + a2  x ,
Desta forma G ( x ) f 2 ( x ), sendo que G ( x ) é linear nos parâmetros a1 e a 2 .

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 5-80

94. Ajustar os dados da tabela que segue por uma função da forma g ( x )= 1  e  2 x .

x 0 1 2
f (x) 1 0,5 0,7
Resolução: Desta forma, “linearizando” a função g ( x )= 1  e  2 x , como no primeiro
exemplo anterior, tem-se:
ln f ( x ) ln 1  e  2 x = ln 1 +  2  x = G ( x ).
Fazendo ln 1 = a1 e  2 = a2 , tem-se: G ( x )= a1 + a2  x .
Desta forma G ( x ) ln f ( x ), sendo que G ( x ) é linear nos parâmetros a1 e a 2 .
Fazendo agora g1 ( x ) =1 e g 2 ( x ) = x :
  g1 , g1   g1 , g 2    a1    ln f , g1 
 g , g   g , g     a  =  
 2 1 2 2   2   ln f , g 2  

g1 = 1 1 1
T

g2 = 0 1 2
T

ln f = [ln1 ln 0,5 ln 0,7]T


 g1, g1 =(1)(1)+(1)(1)+(1)(1) = 3
 g1 , g 2  =(1)(0)+(1)(1)+(1)(2) = 3
 g 2 , g1 =  g1 , g 2  = 3
 g 2 , g 2  =(0)(0)+(1)(1)+(2)(2) = 5
ln f , g1 =( ln 1)(1)+( ln 0,5)(1)+( ln 0,7)(1) = −1,050
ln f , g2  =( ln 1)(0)+( ln 0,5)(1)+( ln 0,7)(2) = −1,406
3 3  a1  − 1,050
3 5   a  = − 1,406  a1 = −0,172 e a 2 = −0,178.
   2  
Assim,  2 = a2 = −0,178 e 1 = ea1 = e−0,172 = 0,842.
2x
Desta forma, tem-se que: g ( x )= 1  e
 g ( x )=0,842 e−0,178x  f ( x ).
Os parâmetros assim obtidos não são ótimos dentro do critério dos mínimos quadrados,
isto porque estamos ajustando o problema linearizado por mínimos quadrados e não o problema
original. Portanto, os parâmetros a1 e a 2 do exemplo, são os que ajustam a função G ( x ) à
função ln f ( x ), no sentido dos mínimos quadrados. Não se pode afirmar que os parâmetros
2x
1 e  2 (obtidos de a1 e a 2 ) são os que ajustam g ( x )= 1  e à f ( x ), dentro do critério
dos mínimos quadrados.

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-81

6 Integração Numérica
Se uma função f ( x ) é contínua em um intervalo [ a , b ] e sua primitiva F ( x ) é
conhecida, então

b
a f ( x)dx = F ( b )− F ( a ) (01)

onde F ' ( x )= f ( x ).
Por outro lado, nem sempre se tem F ( x ) e em alguns casos, a função a ser integrada é
dada por meio de tabela de pontos. Neste caso, torna-se necessária a utilização de métodos
numéricos.
A idéia básica da integração numérica é a substituição da função f ( x ) por um
polinômio que a aproxime no intervalo [ a , b ]. Assim o problema fica resolvido pela integração
de polinômios, o que é trivial de se fazer.

6.1 Fórmulas de Newton-Cotes


Neste caso, o polinômio que interpola f ( x ) o faz em pontos igualmente espaçados de
[𝑎, 𝑏].
n
b
Fórmulas fechadas: x 0 = a , x n = b e a f ( x )dx =  Ai f ( x i ) , sendo Ai coeficientes
i =0
determinados de acordo com o grau do polinômio aproximador.

6.1.1 Regra dos Trapézios


f (x )
y p 1(x )
f ( x 1)

f ( x 0)

0 a= x0 b= x1 x
h = b - a , h = x 1- x 0
A integral de f ( x ) no intervalo [ a , b ] é aproximada pela área de um trapézio.

b h
a f ( x)dx 
2
[ f ( x 0 )+ f ( x1 )] = IT (02)

A aproximação de f ( x ) pela fórmula de Lagrange é p1 ( x )= y 0 L 0 ( x )+ y1 L1 ( x )


x − x1 x − x0
com L 0 ( x )= e L1 ( x )= , logo:
x 0 − x1 x1 − x 0

x − x1 x − x0
p1 ( x )= f ( x 0 )+ f ( x1 ) (03)
−h h

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-82
Estimativa para o Erro
f ( n +1) ( x )
f ( x )= p1 ( x )+ E ( x ) E n ( x )=( x − x 0 )( x − x n )
(n + 1)!
f " ( x )
E ( x )=( x − x 0 )( x − x1 ) ,  x ( x 0 , x1 )
2
f " ( x )
f ( x )= p1 ( x )+( x − x 0 )( x − x1 ) .
2
Integrando f ( x ):
x1 x1 x1 f " ( x ) x = a
x f ( x ) dx =  p1 ( x ) dx +  ( x − x 0 )( x − x1 ) dx , com  0
2  x1 = b
0 x0 x0

b
IT = a p1 ( x ) dx
b f " ( x )
ET =  ( x − a )( x − b ) dx
a 2
1 " b
ET = f ( c )  ( x − a )( x − b ) dx
2 a

1 " ( b − a )3
ET =− f ( c )
2 6

h3 "
ET =− f ( c ) com c ( a , b ) (04)
12
ou

h3
| ET | max | f " ( x )| (05)
12 [ a ,b ]
x

OBS. 4:
b
b  x 3 ax 2 bx 2  ( a − b) 3 ( b − a )3
a
2
( x − a x − b x + a b ) dx =  − − + abx = =− .
3 2 2 a 6 6

9
95. Calcular 1 6x − 5 dx , usando a regra dos trapézios.

Resolução:

a =1, b =9 e f ( x )= 6 x − 5

h = b − a  h =9−1  h =8.

b h
a f ( x)dx  2
[ f ( a )+ f ( b )] = IT
f ( a )= f (1)=1
f ( b )= f (9)=7
9 8
1 6x − 5 dx 
2
[1+7]  IT =32.
O erro cometido será, no máximo:
Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-83

h3
| ET | max | f " ( x )|
12 x[ a ,b ]
f " ( x )= − 9(6 x − 5)−3 / 2
83
| ET | max | − 9(6 x − 5)−3 / 2 |
12 [1,9]
x
x =1  | ET | 384
x =9  | ET | 1,119
Logo, | ET | 384.

6.1.2 Regra dos Trapézios repetida


y

f (x )

0 a= x0 x1 x2 x3 x n -1 b= xn x
h = x1 − x 0 = x 2 − x1 = x 3 − x 2 =  = x n − x n −1
b−a
h= , com n sendo o número de subdivisões do intervalo [ a , b ].
n
b
a f ( x)dx  A1 + A2 + A3 ++ An tal que Ai =área do trapézio i , com i =1,2,, n .
h
Ai = [ f ( x i −1 )+ f ( x i )]
2

n −1
b h
a f ( x )dx  [ f ( x 0 )+ f ( x n )+2  f ( x i ) ] (06)
2 i =1

Estimativa para o Erro

(b − a ) 3
| E TR | max | f " ( x )| (07)
12n 2 x[ a ,b ]
Prove (07), tal que ETR = n ET .

9
96. Calcular 1 6x − 5 dx empregando o método dos trapézios com 8 repetições.
Determine uma aproximação para o erro cometido.
Resolução:
7
9 9 h
1 f ( x)dx = 1 6x − 5 dx  2 [ f ( x0 )+ f ( x8 )+2 
i =1
f ( xi ) ]

b − a 9 −1
h= =  h =1
n 8

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-84
x x 0 =1 x1 =2 x 2 =3 x 3 =4 x 4 =5 x 5 =6 x 6 =7 x 7 =8 x8 =9
f (x) 1 2,65 3,61 4,36 5 5,57 6,08 6,56 7
9 1
1 6x − 5 dx  [1+7+2(2,65+3,61+4,36+5+5,57+6,08+6,56)] = 37,83.
2
9
1 6x − 5 dx  37,83.
Erro cometido será, no máximo:
(b − a ) 3 " 83
| E TR | 2
max | f ( x )| =  max |−9(6 x −5)−3/2| = 6.
2 x[1,9 ]
12n x[ a , b ] 12  8
f
Neste caso em particular, ( x ) pode ser integrada de forma exata:
49
9 49 du u 3 / 2 49  7 1 343 − 1
1 6x − 5 dx = 1 u
6
=
9
=
9
− =
9 9
= 38.
1

1
97. Seja I =  e x dx . Calcule uma aproximação para I usando 10 subintervalos e a regra
0
dos trapézios repetida. Estimar o erro cometido.
Resolução:
b−a 1 i
h= =  h =0,1  xi = , com i =0,1,,10.
n 10 10
9
1 1 x 0,1
0 f ( x)dx = 0 e dx  2 [ f ( x0 )+ f ( x10 )+2 i =1
f ( xi ) ]

1 x 0,1 0 1
0 e dx  2 [ e + e +2( e + e + e + e + e + e + e + e + e )] = 1,7197.
0,1 0, 2 0,3 0, 4 0,5 0, 6 0, 7 0,8 0,9

1 x
0 e dx  1,7197.
Erro cometido será, no máximo:
(b − a ) 3 (1 − 0) 3
| E TR | max | f "
( x )| =  max | e x |  0,00227.
12n 2 x[ a ,b ] 12  10 2 x[ 0,1]

1
98. Seja I =  e x dx . Qual o número mínimo de subdivisões, para a regra dos trapézios
0
repetida aplicada em I , de modo que o erro seja inferior a 10−3?
(b − a ) 3
Resolução: | E TR | 2
max | f " ( x )|  max | e x |= e .
12n x[ a ,b ] x[ 0 ,1]

1 e
 e 10−3  n2   n 15,05
12  n 2
12  10−3
n =16.

6.1.3 Regra 1/3 de Simpson


É obtida aproximando-se a função f ( x ) da equação (01) por um polinômio
interpolador de 2o grau, p2 ( x ), que é dado pela fórmula de Lagrange:
p2 ( x )= L0 ( x ) f ( x0 )+ L1 ( x ) f ( x1 )+ L2 ( x ) f ( x2 )

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-85
2 (x − x j )
tal que Li ( x )=  , com i =0,1,2.
j = 0 ( xi − xj)
j i

y
f (x )
f ( x 0) p2(x )
f ( x 2)
f ( x 1)

0 a= x0 m= x 1 b= x2 x
h h
x0 = a , x1 = m e x2 = b
a+b
m = x1 =
2
b−a
h=
2
x0 − x1 =− h , x0 − x2 =−2 h ,
x1 − x0 = h , x1 − x2 =− h ,
x2 − x0 =2 h , x2 − x1 = h .
( x − x1 )( x − x 2 ) ( x − x 0 )( x − x 2 ) ( x − x 0 )( x − x1 )
p 2 ( x )= f ( x 0 )+ f ( x1 )+ f ( x2 )
( − h )( −2h ) ( h)( −h) ( 2h )( h )
b x2 x2
a f ( x)dx = x 0
f ( x )dx   p2 ( x )dx
x0

f ( x0 ) x2 f ( x1 ) x2 f ( x2 )
=
2h2
x ( x − x1 )( x − x2 )dx −
0 h2
x ( x − x0 )( x − x2 )dx +
0 2h2
x2
x 0
( x − x0 )( x − x1 )dx

h
= [ f ( x 0 )+4 f ( x1 )+ f ( x2 )]. Logo:
3

b x2 h
a f ( x )dx =  f ( x )dx  [ f ( x 0 )+4 f ( x1 )+ f ( x2 )]
x0 3
(08)

Estimativa para o Erro


x2 x2 x2
x 0
f ( x )dx =  p2 ( x )dx +  R 2 ( x )dx
x0 x0

b b f ''' (  x )
ES =  R2 ( x)dx =  ( x − x0 )( x − x1 )( x − x2 ) dx (09)
a a 3!

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-86
Mudança de Variável
x − x0 x0 − x 0
z=  x = hz + x 0 x = x0 = a  z =  z =0
h h
x2 − x 0 2h
x = x2 = b  z = =  z =2
h h
dx
dz =  dx = h dz
h
h  f ''' ( z ) 2
ES =
6 0 hz ( hz − h )( hz −2 h ) dz
h 4  f ''' ( z ) 2 h 4 ''' 2
0 0 ( z
3
ES = z ( z −1)( z −2) dz = f ( z ) − 3z 2 + 2 z ) dz
6 6
2
h 4 '''  z4 3 2 h 4 '''
ES = f ( z )   − z + z  = f ( z ) 0 = 0.
6 4 0 6

=0
Logo, ES =0. Isso quer dizer que ES não depende de R2 (resíduo de 2o grau).
Então:
b b f 4 ( x )
ES =  R3 ( x)dx =  ( x − x0 )( x − x1 )( x − x2 )( x − x3 ) dx
a a 4!
h5  f 4 ( z ) 2 h5 4 2 4
 f ( z )  ( z − 6 z + 11z − 6 z )dz
3 2
ES = z ( z −1)( z −2)( z −3) dz =
24 0 24 0

4
=−
15
h5 4
ES = − f () com ( a  b ).
90

h5
ES =  max | f 4 (x) | (10)
90 x[ a ,b ]
b−a ( b − a )5
Considerando h =  h5 = , tem-se:
2 32

( b − a )5
ES   max | f 4 (x) | (11)
2880 x[ a ,b ]

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-87
6.1.4 Regra 1/3 de Simpson repetida

f (x )

0 a= x0 x1 x2 x3 x4 x5 x6 xm -2 xm -1 b = x m x
h
b−a
Na figura, tome h =  h = xi − xi −1 ( i =1,2, m ), para m =2 n  m é par.
2n
Aplica-se a regra de Simpson repetidas vezes no intervalo [ a , b ]=[ x0 , xm ].
x0 , x1 ,, xm são pontos igualmente espaçados.
Então:
n
h
a f ( x)dx = x0 f ( x)dx  
b xm
[ y 2i − 2 +4 y 2i −1 + y 2i ]
i =1 3
h h h
 [ y 0 +4 y1 + y2 ]+ [ y2 +4 y 3 + y4 ]++ [ ym − 2 +4 y m −1 + ym ]
3 3 3
b h
a f ( x)dx  3 [ y 0 + ym +2( y2 + y4 ++ ym − 2 )+4( y1 + y3 ++ y m−1 )]
−1 m m
b h  2 2 
a f ( x )dx   y 0 + ym +2  y2i +4  y2i −1  (12)
3  i =1 i =1 

Estimativa para o erro: ESR


ESR = n ES

h5
ESR  n   max | f 4 (x) | (13)
90 x[ a ,b ]
b−a ( b − a )5
Considerando h =  h5 = , tem-se:
2n 32n5

( b − a )5
ESR   max | 4 |
4 x[ a , b ] f (x )
(14)
2880 n

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-88
1
99. Seja I =  e x dx . Calcule uma aproximação para I usando a regra 1/3 de Simpson com
m 0
=10. Estime o erro cometido.
Resolução:
Sendo m =10, h =1/10  h =0,1.
1 x 0,1 0,0
0 e dx  3 ( e +4 e +2 e +4 e +2 e ++2 e +4 e + e )
0,1 0, 2 0,3 0, 4 0,8 0,9 1, 0

1 x
0 e dx 1,71828278.
Estimativa do erro:
(1 − 0)5
ESR   max | e x |
4 x[ 0 ,1]
2880  5
e
ESR  4
 ESR 1,5101610−6 .
2880 5
Observe que ESR 0,00000151 e ETR 0,00227.

1
100. Seja I =  e x dx . Para que valor de m teríamos erro inferior a 10−3?
0

Resolução:
( b − a )5 m
ESR   max | f 4 (x) | Obs: m =2 n  n =
2880 n 4 x[ a ,b ] 2
(1 − 0)5 e
 e 10−3  n4 
2880 n 4
2880  10−3
n4 0,943848  n 0,9856563.
m =2 n 1,9713
m =2  Para um erro inferior a 10−3 seriam necessários 2 subintervalos.
Obs: na regra dos trapézios com repetição são necessários 16 intervalos.

10
101. Seja I =  log xdx . Aproxime I com a regra dos trapézios com 8 repetições. Estime o
6
erro cometido.
Resolução:
b − a 10 − 6
h= =  h =0,5.
n 8
i 0 1 2 3 4 5 6 7 8
xi 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 10,0

f ( xi ) 0,7781513 0,8129134 0,8450980 0,8750613 0,9030900 0,9294189 0,9542425 0,9777236 1,0

d log x 1 d 2 log x 1  ln10 −1


Obs: = =− =
dx x ln 10 dx 2 x 2  ln 2 10 x 2  ln 10
d 2 log x log e
 2
=− 2 .
dx x
10 0,5
6 log xdx 
2
[0,77815125+1,0+2(0,81291336++0,97772361)]=3,59331166.

Maiko
Cálculo Numérico Integração Numérica 6-89
10
6 log xdx 3,59331166.
Estimativa do erro:
(10 − 6)3 d 2 log x 43 log e
ETR  2
 max 2
 ETR  2
 2
12  8 x[ 6 ,10] dx 12  8 6
 ETR 0,0010053113.

10
102. Seja I =  log xdx . Aproxime I com a regra de Simpson com 8 subintervalos. Estime
6
o erro cometido.
Resolução:
b − a 10 − 6
h= =  h =0,5. m =8 e n =4.
m 8
i 0 1 2 3 4 5 6 7 8
xi 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 10,0

f ( xi ) 0,7781513 0,8129134 0,8450980 0,8750613 0,9030900 0,9294189 0,9542425 0,9777236 1,0

d log x 1 d 2 log x −1
Obs: = 2
= 2
dx x ln 10 dx x  ln 10
2
d log x log e
 2
=− 2 .
dx x
3
d log x 2 log e
 = .
dx 3 x3
d 4 log x − 6 log e
 = .
dx 4 x4
10 0,5
6 log xdx 
3
[0,77815125+1,0+2(0,84509804+0,90308999+0,95424251)

+4(0,81291336+0,87506126+0,92941893+0,97772361)]=3,5939135.
10
6 log xdx 3,5939135.
Estimativa do erro:
(10 − 6)5 4 45 6 log e
E SR   max | f (x) |  E SR 
4 x[ 6 ,10] 4
 4
2880  n 2880  4 6
 E SR 0,0000027925.

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-90

7 Solução numérica de equações diferenciais


ordinárias
7.1 Introdução
Se uma equação diferencial tem apenas uma variável independente, então ela é uma
equação diferencial ordinária.
• EXEMPLOS:
dy
= x + y ; y , = x 2 + y 2 ; y ,, +(1− y 2 ) y , + y =0.
dx
Se uma equação diferencial envolve mais que uma variável independente, então ela é
equação diferencial parcial.
• EXEMPLO:
 2 u  2u
+ =0, com u  u ( x , y ).
x 2 y 2
A ordem de uma equação diferencial é a mais alta ordem de derivação que aparece na
equação.
Se, dada uma equação diferencial de ordem n , a função, assim como suas derivadas até
ordem n −1, são especificadas em um mesmo ponto, então temos um problema de valor inicial
(PVI).
Se, em problemas envolvendo equações diferenciais ordinárias de ordem n , n 2, as n
condições fornecidas não são dadas todas num mesmo ponto, então temos um problema de
valor de contorno (PVC).

dy
103. Resolver a seguinte EDO: =− xy .
dx
Resolução:
dy
=− xy
dx
1 1
 dy =− x dx 
y  y dy =  (− x) dx
2 2
x2 − x +c −x
 ln y =− + c  y = e 2  y = e 2  ec
2
2
− x2
 y =k e , para k . Que representa uma família de curvas em 2.

104. Para a mesma EDO anterior, y , =− xy , resolva considerando uma condição inicial
y ( x0 )= y0 , com x0 =0 e y0 =1.
 dy
 dx = − xy 2
 − x2 −0
Resolução: (PVI)   y =k e  1= k e 2
 y(0) = 1 
condição 
 

  inicial 
2
− x2
 k =1  y = e .

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-91

7.2 Problema de valor inicial (PVI)


Uma equação diferencial de ordem n se apresenta da seguinte forma:

y (n ) = f ( x , y , y , , y ,, , y(3) , y (4 ) ,, y( n −1) ) (01)


onde
(l )dl y
y = l , l =1,2,, n , x [ a , b ] e y :[ a , b ]→.
dx
Associadas a Eq 01, podem existir condições cujo número coincide com a ordem da
EDO. Se tais condições se referem a um único valor x , tem-se um PROBLEMA DE VALOR
INICIAL – PVI. Caso contrário, tem-se um problema de valores de contorno.

7.2.1 Solução numérica de um PVI de primeira ordem


b−a
Toma-se m subintervalos de [ a , b ], ( m 1) e faz-se x j = x0 + j h onde h = ,
m
j =0,1,2,, m , x j [ a , b ].
I h ={ x0 , x1 ,, xm } é denominado REDE ou MALHA de [ a , b ]. A solução numérica
ym ( x ) é a função linear por partes.

y (xm )

Solução
Exata ym

y (x3)
y (x2) Solução
y (x1) y3 Numérica
y (x0)
y (x0) = y0 y2
y0 y1

x0 x1 x2 x3 xm-1 xm
• NOTAÇÃO: y ( x j ) y j significa que y j é aproximação para y ( x j ), x j  I h .

• NO GRÁFICO: y ( x j )  valor exato;

• y j  valor aproximado; j =1,2,, m .

7.2.2 Método de Euler


Seja o PVI de primeira ordem definido por:

 ,
 y = f ( x, y )
 (02)

 y( x0 ) = y0 = , sendo  um número dado.

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-92
Para se aproximar y j para as soluções exatas y ( x j ), com j =1,2,, m , procura-se
inicialmente y1 .
T
y1
e1
y (x1) y (x )

y (x0) = y0

x0 x1
Traça-se a tangente T à curva y ( x ) no ponto ( x0 , y ( x0 )), cuja equação é:

y ( x )= y ( x0 )+( x − x0 ) y , ( x0 ) (03)
Fazendo x = x1 e lembrando que y ( x0 )= y0 , x1 − x0 = h , y , ( x0 )= f ( x0 , y ( x0 )) e
y1  y ( x1 ), tem-se:

y1 = y0 + h  f ( x0 , y ( x0 )) (04)

Erro cometido
e1 = y1 − y ( x1 ).

Aproximação e erro de yj de forma geral

 y j +1 = y j + h  f ( x j , y j )
 , com j =0,1,2,, m −1 (05)
e j +1 = y j +1 − y( x j +1 )
O método de Euler consiste em calcular RECURSIVAMENTE a seqüência { y j }
através das fórmulas:

( A) y0 = y( a ) = 
 , com j =0,1,2,, m −1 (06)
( B ) y j +1 = y j + h  f ( x j , y j )

 y, = x − y + 2
105. Achar aproximações para a solução do PVI  na malha de [0,1] com
 y ( 0) = 2
h =0,1.
Resolução:
1− 0
x0 =0, y0 =2, a =0, b =1, m = → m =10.
0,1
Usar a Eq 06 para j =0,1,2,,9.
• j =0:
y1 = y0 + h  f ( x0 , y0 )= y0 + h ( x0 − y0 +2)
y1 =2+0,1 f (0,2)

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-93
y1 =2+0,1 (0−2+2)  y1 =2
x1 = x0 + h
x1 =0+0,1  x1 =0,1

• j =1:
y2 = y1 + h  f ( x1 , y1 )= y1 + h ( x1 − y1 +2)
y2 =2+0,1 (0,1−2+2)  y2 =2,01
x2 = x1 + h
x2 =0,1+0,1  x2 =0,2

• TABELA:
j xj yj y ( xj ) y j − y ( x j )= e j
0 0 2 2 0
1 0,1 2 2,004837 -0,004837
2 0,2 2,01 2,018731 -0,008731
3 0,3 2,029 2,040818 -0,011818
4 0,4 2,0561 2,07032 -0,01422
5 0,5 2,09049 2,106531 -0,016041
6 0,6 2,131441 2,148812 -0,017371
7 0,7 2,1782969 2,196585 -0,0182881
8 0,8 2,23046721 2,249329 -0,01886179
9 0,9 2,287420489 2,30657 -0,019149511
10 1 2,34867844 2,367879 -0,01920056
Na pratica, não se dispõe da solução exata y ( x j ) do PVI. Daí a necessidade de se
determinar uma expressão matemática para o erro. Usa-se a fórmula de Taylor para desenvolver
y ( x ), solução teórica do PVI, em torno de x0 :

x − x0 , ( x − x0 )2 ,, ( x − x0 )3 ,,,
y ( x )= y ( x0 )+ x
y ( 0 )+ x
y ( 0 )+ y ( x0 )+ (07)
1! 2! 3!
Fazendo x = x1 e lembrando que y ( x0 )= y0 , x1 − x0 = h , y , ( x0 )= f ( x0 , y ( x0 )) e
y1 = y ( x1 ), toma-se os dois primeiros termos da equação (07):
y1 = y0 + h  f ( x0 , y0 ). Generalizando-se, tem-se equação (05).

Erro local de truncamento - ELT


O erro no método de Euler quando se calcula y1 é obtido a partir do resto da fórmula de
( x − x0 )2 ,, h 2 ,,
Taylor, que é: y (), x0  x1 , ou e1 = y (), para h = x1 − x0 .
2! 2!
Numa etapa j dos cálculos, tem-se:

h 2 ,,
ej = y (), x j −1  x j , (08)
2!
que é o ERRO LOCAL DE TRUNCAMENTO – ELT.
Na prática, procura-se estabelecer COTAS ou ESTIMATIVAS para que se possa
conduzir o cálculo do erro com segurança.

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-94
Toma-se k = y ,, (), constante e h suficientemente pequeno para ser tomado como
parâmetro do ELT. Diz-se que ELT é da ordem de h2 e se escreve ( h2 ).

7.2.3 Métodos de Runge-Kutta

Métodos de passo simples


Um método para resolver o PVI é de passo simples se a aproximação y j +1 depende
apenas do resultado y j da etapa anterior.
Forma geral para métodos de passo simples:

y j +1 = y j + h ( x j , y j ; h ), para j =0,1,2,, m −1. (09)


Onde  é a função incremento e h o comprimento do passo.
OBS. 1: Para o método de Euler, a função incremento é ( x j , y j ; h )= f ( x j , y j ). Um
caso especial de Runge-Kutta.

Métodos com Derivadas


O método de Euler possui ordem um pois, foi obtido da fórmula de Taylor com
desenvolvimento até o termo em h .
Ao fazer o mesmo desenvolvimento até o termo em h2 , obtém-se o método de passo
simples e ordem dois.

h 2 ,,
y j +1 = y j + h y , ( x j )+ y ( x j ), para j =0,1,2,, m −1. (10)
2!

ELT – Erro local de truncamento

h3 ,,,
e j +1 = y (), x j  x j +1 . (11)
3!
OBS. 2: Em (10), y , ( x j )= f ( x j , y j ).
y ,, ( x j )=? Regra da cadeia de f em relação a x j :
f f
( x j , y j ) = ( x j , y j ) x ( x j , y j ) + f ( x j , y j ) y ( x j , y j )
x x
 x y
 x

= y ,, ( x j ) =1 = f (x j ,y j )

f f
y ,, ( x j )= ( x j , y j )+ ( x j , y j ) f ( x j , y j )
x y

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-95
 y, = x − y + 2
106. Achar aproximações para a solução do PVI  na malha [0,1] com h =0,1
 y ( 0) = 2
usando o método da equação (10).
Resolução:
1− 0
x0 =0, y0 =2, a =0, b =1, m = → m =10.
0,1
Usar equação (10) para j =0,1,,9.
• j =0:
h 2 ,,
y1 = y0 + h y , ( x0 )+ y ( x0 ) y , ( x0 )= f ( x0 , y0 )
2!
y , ( x0 )= x0 − y0 +2.
f f
y ,, ( x0 )= ( x0 , y0 )+ ( x0 , y0 ) f ( x0 , y0 )
x y
y ,, ( x0 )= y0 − x0 −1.
h2
y1 = y0 + h ( x0 − y0 +2)+ ( y0 − x0 −1)
2
( 0,1) 2
y1 =2+0,1(0−2+2)+ (2−0−1)
2
y1 =2,005 x1 = x0 + h → x1 =0+0,1 → x1 =0,1.

• j =1:
h 2 ,,
y2 = y1 + h y , ( x1 )+ y ( x1 )
2!
h2
y2 = y1 + h ( x1 − y1 +2)+ ( y1 − x1 −1)
2
( 0,1) 2
y2 =2,005+0,1(0,1−2,005+2)+ (2,005−0,1−1)
2
y2 =2,019025 x2 = x0 +2 h → x2 =0+20,1 → x2 =0,2.

• TABELA:
j xj yj y ( xj ) y j − y ( x j )= e j
0 0 2 2 0
1 0,1 2,005 2,004837 0,000163
2 0,2 2,019025 2,018731 0,000294
3 0,3 2,041217625 2,040818 0,000399625
4 0,4 2,070801951 2,07032 0,000481951
5 0,5 2,107075765 2,106531 0,000544765
6 0,6 2,149403568 2,148812 0,000591568
7 0,7 2,197210229 2,196585 0,000625229
8 0,8 2,249975257 2,249329 0,000646257
9 0,9 2,307227608 2,30657 0,000657608
10 1 2,368540985 2,367879 0,000661985

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-96
7.2.4 Método de Euler Aprimorado (Método de Runge-Kutta de Segunda
Ordem)
Retomando a equação (09): y j +1 = y j + h ( x j , y j ; h ), para j =0,1,2,, m −1.
1
Fazendo-se ( x j , y j ; h )= ( k1 + k2 ) e substituindo na equação, tem-se:
2

h
y j +1 = y j +
( k1 + k2 ), para j =0,1,2,, m −1 (12)
2
onde k1 = f ( x j , y j ) e k2 = f ( x j + h , y j + h k1 ).

 dy
 = − xy
107. Achar aproximações para a solução do PVI  dx na malha [0,1] com h =0,5

 y(0) = 1
usando o método de Euler Aprimorado.
Resolução:
2
j xj yj k1 k2 y ( x j )= e− x / 2 | y j − y ( x j )|
0 0 1 0 -0,5 1 0
1 0,5 0,875 -0,4375 -0,65625 0,882496903 0,007496903
2 1 0,6015625 0,60653066 0,00496816

7.2.5 Fórmulas de Runge-Kutta de Quarta Ordem


Estas fórmulas são normalmente as mais utilizadas.

h
y j +1 = y j + ( k1 +2 k2 +2 k3 + k4 ), para j =0,1,2,, m −1 (13)
6
onde k1 = f ( x j , y j ),
h h
k2 = f ( x j + , y j + k1 ),
2 2
h h
k3 = f ( x j + , y j + k2 ) e
2 2
k4 = f ( x j + h , y j + h k3 ).

Erro local de truncamento: ETL

h5 (5)
ej = y (), x j −1  x j (14)
5!

Maiko
Cálculo Numérico Solução numérica de equações diferenciais ordinárias 7-97

 dy
 = − xy
108. Calcular a solução do PVI  dx com h =0,1, no interior do intervalo [0,1], pelo

 y(0) = 1
método de Runge-Kutta de quarta ordem.
h
Resolução: y j +1 = y j + ( k1 +2 k2 +2 k3 + k4 ), para j =0,1,2,,9.
6
k1 =− x j y j
k2 =−( x j +0,05)( y j +0,05 k1 )
k3 =−( x j +0,05)( y j +0,05 k2 )
k4 =−( x j +0,1)( y j +0,1 k3 )
j xj yj k1 k2 k3 k4
0 0 1 0 -0,05 -0,049875 -0,09950125
1 0,1 0,995012479 -0,099501248 -0,148505613 -0,14813808 -0,196039734
2 0,2 0,980198673 -0,196039735 -0,242599172 -0,242017179 -0,286799087
3 0,3 0,955997481 -0,286799244 -0,329580132 -0,328831466 -0,369245734
4 0,4 0,923116345 -0,369246538 -0,407094308 -0,406242733 -0,441246036
5 0,5 0,882496901 -0,44124845 -0,473238963 -0,472359224 -0,501156587
6 0,6 0,83527021 -0,501162126 -0,526637868 -0,525809906 -0,547882454
7 0,7 0,782704542 -0,547893179 -0,566482412 -0,565785316 -0,580900808
8 0,8 0,726149051 -0,580919241 -0,592537626 -0,592043844 -0,6002502
9 0,9 0,666976845 -0,60027916 -0,605114742 -0,604885052 -0,606488339
10 1 0,606530726

 y, = x − y + 2
109. Achar aproximação para a solução do PVI  na malha [0,1] com h =0,1
 y ( 0) = 2
usando o método de Runge-Kutta de segunda ordem (Euler aprimorado).
1− 0
Resolução: x0 =0, y0 =2, a =0, b =1, m = → m =10
0,1
0,1
y j +1 = y j + ( k1 + k2 ), para j =0,1,2,,9 k1 = x j − y j +2 e k2 = x j +0,1− y j −0,1 k1 +2
2
j xj yj k1 k2
0 0 2 0 0,1
1 0,1 2,005 0,095 0,1855
2 0,2 2,019025 0,180975 0,2628775
3 0,3 2,041217625 0,258782375 0,332904138
4 0,4 2,070801951 0,329198049 0,396278244
5 0,5 2,107075765 0,392924235 0,453631811
6 0,6 2,149403568 0,450596432 0,505536789
7 0,7 2,197210229 0,502789771 0,552510794
8 0,8 2,249975257 0,550024743 0,595022269
9 0,9 2,307227608 0,592772392 0,633495153
10 1 2,368540985

Maiko
Cálculo Numérico Referências Bibliográficas 8-98

8 Referências Bibliográficas
1 ALBRECHT, P. Análise numérica: um curso moderno. Rio de Janeiro: LTC - Livros
Técnicos e Científicos: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – USP, 1973.
2 JACQUES, I.; JUDD, C. Numerical analysis. London: Chapman and Hall, 1987.
3 SANTOS, V. R. B. Curso de cálculo numérico. São Paulo: USP, 1982.
4 BARROSO, L. C. Cálculo numérico (com aplicações). São Paulo: Harbra Editora
Ltda., 1987.
5 BURDEN, R. L.; FAIRES, D. Análise Numérica. São Paulo: Thomson/Pioneira, 2008.
6 MIRSHAWKA, V. Cálculo numérico. São Paulo: Nobel, 1981.
7 RUGGIERO, M. A. G. e LOPES, V. L. R. Cálculo numérico: aspéctos teóricos e
computacionais. São Paulo: Makron Books, 1997.
8 SPERANDIO, D.; MENDES, J. T.; SILVA, L. H. M. e. Cálculo numérico:
características matemáticas e computacionais dos dos métodos numéricos. São Paulo:
Prentice Hall, 2003.

Maiko

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