0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 24 visualizações43 páginasMatematica
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O texto desta apostila embasa-se em palestras proferidas por Georg Glackler,
membro da Seg&o de Matematica e Astronomia do Goetheanum, Dorach/Suica,
nos anos 1997/88. 7
No ¢ objetivo deste trabalho apresentar um curriculo minucioso e detalhado dos
contetidos do Ensino Fundamental em Matematica. Trata-se da tentativa de trazer
enfoques praticos e direcionamentos especificos ligados a forma de trabalho da
Pedagogia Waldorf. Pode ser entendida como uma forma de ajuda ao jovem
professor ainda necessitado de condugao e de consciéncia das peculiaridades do
trabalho pedagégico Waldort,
Em momento algum este trabalho pode ser considerado mera tradugéo ou
resumo das palestras acima mencionadas. Trabalho realizado com a anuéncia do
Palestrante por Rosemarie Schalldach e Maria Barbara Trommer.
Realizado com 0 apoio da Associagéo Pedagégica Rudolf Steiner
Ne. CHAMADA
?
EMPRESTAVELDurch die Mathematik
wird ein Werkzeug der Seele gereinigt
und wie ein lauterndes Feuer
zu neuer Lebenskraft geweckt,
wahrend andere Beschaftigungen es vernichten
und seiner Sehkraft berauben,
wo es doch weit mehr verdiente,
erhoben zu werden
als tausend leibliche Augen,
denn durch diese alleine
wird die Wahrheit gesehen
Platon
Pela Matematica
6 purificado um instrumento da alma,
como que por fogo depurado
e dotado de nova vida.
Enquanto outras ocupagées a destroem,
roubando-Ihe a forga da visao,
porquanto muito mais mereceria
ser elevado
do que mil olhos fisicos,
pois apenas por meio dele
6 possivel ver a Verdade.
Platdo, filésofo gregoA Matematica Waldorf do 12 ao 62 ano
Texto embasado no Curso de Matematica, proferido por Georg Gléckler, nos
anos de 1997/98. Anotages de Rosemarie Schalldach. Ampliaco e
Complementaco das palestras de Maria Barbara Trommer.
Aspectos Gerais
E importantissima a forma de como a crianga’é introduzida a Matematica.
Qual seria o caminho a escolher para que ela se ligue de forma apropriada aos
numeros?
Como criar um relacionamento consciente com os numeros?
O professor nao pode se apoiar apenas [Link] dos contetidos
programaticos da Matematica, precisa também conhecer o desenvolvimento da
crianga. sabendo que a metodologia e a didatica 6 conseqiéncia do conhecimento
antropolégico do ser humano e de suas necessidades pedagégica para que no
futuro se tome atuante de forma social competente, porém sempre mantendo a sua
individualidade.
Em alguns casos, a forma de como a crianga foi introduzida Matematica, fez
com que ela se bloqueasse e ainda em idade adulta sofresse as consequéncias
deste ensino inicial. As razées deste bloqueio podem ter sido erros metodolégicos
- didéticos ou, em alguns casos, a falta de maturidade necesséria por parte da
crianga para a compreenséo e assimilacdo da matéria.
E da maior importancia o professor tomar conhecimento destes fatos, pois
sempre haveré nas classes criangas apresentando diferentes graus de
dificuldades para se relacionar com os ntimeros. O professor poderé de forma
involuntaria reforgar e potenciar as dificuldades da crianga. Um dos problemas que
dificulta a aprendizagem Matematica da crianga pode ser a sindrome da
Discalculia
Discalculia é chamada a sindrome que se apresenta sob a forma de uma
incapacidade parcial na crianca para compreender a Matematica. Trata-se de um
problema de difuséio mundial e que esta sendo discutido amplamente em todas as
pedagogias
Criangas acometidas de Discalculia precisam receber atendimento especializado
para amadurecer sua oraanizacdo sensoria-perceptiva basica. Do contrario nao
conseguirdo relacionar-se com quantidade, espaco, diregdo, ritmos, etc, que sao
aspectos basicos para.a aprendizagem Matematica. No caso da Discalculia, 2
exercitacdo suplementar da matéria pouco contribui para a melhoria do
desempenho da crianca.‘A capacidade Matematica da crianga se fundamenta na organizacao senséria
basica do ser humano, representada pelo - - :
sentido do tato
do equilibrio :
do movimento proprio
e do vital. <
Para ajudar a crianga superar a Discalculia precisamos desenvolver sua
organizagao senséria-perceptiva e motora através de exercicios de movimento,
ritmo @ espacialidade. Se todos os professores conhecessem este segredo,
certamente nimero maior de criangas se relacionaria com mais prazer e facilidade
com os nuimeros. O aspecto da alegria e do entusiasmo na aprendizagem 6 de
vital importancia na Matematica, pois so a crianga bem disposta fisica e
emocionalmente estard com o sentido vital (percepgdo de bem-estar e satide) em
condigdes de favorecer a participagao das aulas.
Obs.; ler 0 texto anexo sobre Discalculia:
Outro aspecto importante a ser levado em conta 6 a forma de como so
minisiradas as aulas. Devem ser pausadas para néo atropelar a crianca. Aulas
superficiais, que nao levam em conta as necessidades animicas da crianga,
intelectualizam precocemente.
O adulto deve refrear os seus anseios intelectuais e desenvolver a paciéncia
necesséria para que a crianca consiga assimilar a matéria. A repetigao precisa ser
uma retomada diferente, pois é claro que se a crianga ndo compreender pela
primeira vez, este nao é o seu caminho. Evita-se desta forma que a aula se tome
enfadonha para o resto da classe.
Ordem e beleza na apresentacdo da lousa sao fatores importantes. Lousa
ordenada e bela educa a crianca, desenvolvendo nela 0 prazer pelo trabalho
cuidadoso. Como “efeito colateral” teremos.o cultivo da ordenagao da
espacialidade da crianca pelo trabalho no caderno.
Professores lentos e cuidadosos geralmente conseguem bom ritmo de
aprendizagem e rendimento futuro, uma vez que a classe se habituou a trabalhar
seguidamente com boa ordem e dedicacao.
Também os calculos mentais precisam ser bem cuidados. Facilmente o professor
se intelectualiza ao enunciar rapidamente a proposta, ndo dando a crianca o
tempo necessario para 0 seu caminho pessoal.
Ex: (17 ¢ 23) = 20 ¢ 20-3 «3 = 391 ou (20-3) « (20 + 3) = 391
Muita atengao precisa ser dada a verbalizacdo dos calculos orais, pois desde o
42 ano e certamente, j& no 2° ano, praticaremos oralmente as expressées
Matematicas, sem que as criangas tenham conhecimento de qualquer parénteses
ou algo semelhanteA seqiléncia dos célculos é percebida pela intonagao da voz!
Ex.: (7 + 2)¢3= 27. 2 i
Como verbalizar este cdiculo para que a crianga perceba a seqiiéncia das
operacdes? 7
Dizemos: - sete mais dois (bem leve), fazemos pausa significativa e, com voz
mais grave, continuamos ligeiramente mais rapidos, multiplicando com trés, é igual
a quanto?
Depois que a classe trouxe 0 resultado, repetimos a conta com a mesma
intonagao significativa anterior, incluindo o resultado, para que as criangas
interiorizem 0 pracesso ¢ 0 “vejam pela representago interior”.
CAlculos orais exigem forea de vontade, capacidade de memoria e de
representacao interior
Verificou-se que ao fazer célculo mental, o corpo humano necessita de um fluxo
sangiiineo 200% vez maior do que o normal, tamanha é a exigéncia ao fisico da
crianga. Céiculos mentais no deveriam ultrapassar 1 minutos de trabalho.
Resumindo: um dos principios basicos da didatica Matematica consiste em se
trabalhar pausadamente, ordeiramente, transmitindo a matéria em linguagem clara,
permeada de imagens que aos poucos fundamentam os conceitos apresentados.
JA foi visto anteriormente que @ aprendizagem da Matematica se apoia sobre a
organizagao percepto-sensorial-motora desenvolvida pela crianga no 1° seténio.
Percebemos entdo o quanto é importante que a crianga possua corpo sadio e que
se relacione de forma harménica com o mesmo, assim como com o meio-ambiente
fisico-emocional que a circunda
‘As criangas do 12 seténio e as dos primeiros ciclos basicos do ensino
fundamental (antigo primario) aprendem pelo fazer, mas um fazer que precisa
poder abarcar toda a sua corporalidade fisica e em consequéncia, toda a sua
organizacdo senséria-motora
Atualmente hd um grande ndmero de criangas que ndo tiveram a possibilidade de
se estruturar e integrar de forma harmanica. As razées podem ser varias, como
[Link].- qualidade inferior da alimenta¢o, poluigao ambiental, pouca movimentacao,
auséncia de doengas infantis, excesso de substancias quimicas ingeridas sob a
forma de medicamentos (calcio, fluor, antibidticos, vitaminas, tranquilizantes).
Os medicamentos so fatores que favorecem o adensamento e endurecimento do
corpo fisico, fazendo com que o mesmo se torne instrumento inadequado para
captar idéias mais complexas e elevadas. Em determinades casos, esteadensamento se tornou tao intenso a ponto de nao poder acontecer a
decomposigdo fisica do corpo apés a morte, mantendo-se 0 mesmo intacto por 20
a 30 anos!
A aprendizagem da Matematica no 6 uma atividade intelectual e depende da
integragao da crianga com sua corporalidade fisica e com seu meio ambiente
fisico-emocional. Basicamente, as capacidades da crianca para aprender
Matematica se fundamentam sobre 0 seu desenvolvimento harmonioso durante 0
1° seténio.
Introducdo a Matematica
Rara é a crianga que nao conhece os nuimeros antes de entrar para a Escola. Vé
98 adultos lidando com dinheiro (contas a pagar, cheques, cartées de crédito),
medindo, pesando. Seria absurdo comecar as aulas de Matematica, fazendo de
conta que a crianga nada sabe.
E importante criar um chéo comum para professor e aluno, conscientizando e
sistematizando o conhecimento. O ser humano ndo é apenas portador da
capacidade do intelecto e com isto apenas um armazenador de conhecimento. A
crianga de 6 a 8 anos precisa ligar-se de forma mais ampla aos nimeros como
veremos mais adiante. Nao basta apenas ensinar a crianga que 7+5=12. Por um
lado, temos que mostrar a crianga a importancia dos numeros. Para que isto possa
acontecer, pademos envolver a familia, sugerindo que as criangas investiguem em
casa para 0 que servem os nlimeros no cotidiano.
Por outro lado, existe 0 aspecto espiritual dos nlimeros, que de certa forma jd 6
familiar &s criangas ¢ apenas precisa ser lembrado. Segundo Rudolf Steiner, todo
0 émbito da Matematica é de qualidade espiritual, no qual vive a “esséncia
qualitativa dos nimeros’. A crianga se relaciona com este ambito de forma quase
imediata, diferentemente do que faz em relagdo a representagdo grafica dos.
numeros (numerais)
\Vejamos o que Rudolf Steiner fala a respeito da Matematica:
“Algo completamente diferente é ensinar a crianga a calcular. Os senhores
sentirao que ai o mais importante no Sao as formas dos algarismos e sim 0 que
de real vive nessas formas. E essa vida jé tem mais significado para o mundo
espiritual do que o que reside no ler e escrever. E se porventura passamos a
ensinar a crianga certas atividades denominadas artisticas, entramos na esfera
efetivamente possuidora de um significado eterno, que se eleva a atividade do
elemento animico-espiritual do homem. Ensinamos no campo do extremamente
fisico, quando ensinamos a ler e a escrever; jd ensinamos menos fisicamente aoensinar aritmética; e levamos efetivamente o-ensino ao espirito animico ou alma
espiritual ao ensinar musica, desenho ou coisas do género a crianga.”
Arte de EducarIl- Metadologia © Didatica, pg. 12 - Ed: 1992.
A introdugao a Matematica se dara considerando os sequintes aspectos:
1 .apresentagdo qualitativa dos ntimeros, -
[Link] ritmico dos ntimeros (contagem e tabuada),
[Link] dos ntimeros e os clculos propriamente ditos: a) orais
i b) escritos
1. Apresentacdo qualitativa dos nimeros
que significa dizer: apresentaco qualitativa dos nimeros? A apresentagao
qualitativa do numero é aquela atividade pela qual levamos a crianga a se
conscientizar de como 0 numero se expressa no mundo revelando sua qualidade
intrinseca, sua qualidade espiritual.
Como exemplo, podemos apresentar o numero 3. Em que lugar do mundo
podemos ver o 3 sob a forma representativa da qualidade do 3?
Um adulto conhecedor da Antroposofia, veria o 3 na imagem da Trimembragéo do
Organismo Social (Ambito espiritual, juridico e econémico).
O matematico veria a noo de espaco tridimensional
Obviamente tratam-se de observagées corretas, porém distantes do universo da
crianga de 6 a7 anos.
‘A crianga deve ser levada a fazer uma investigagao pessoal (atividade propria e
ndo sempre a sugestao do professor) e podera chegar a conclusées bem mais
proximas a sua vida.
Dird talvez: - O 3 esta em pai, mae e filho!
O professor deve estimular a procura de mais qualidades do 3.
Onde mais pode existir 0 3?
A crianga poderé encontra-lo em sol, lua e estrelas, no lirio com 3 pétalas. Ha
criangas que descobrem o 3 nas maos representado pelas 3 falanges que compe
cada dedo. Existe também em antebrago, brago e mao!Aos poucos vai se evidenciando para a crianca.o que é a qualidade intrinseca do
numero 3 e o que é uma simples contagem de objetos que podem eventualmente
ser em numero de 3. Exempio de contagem pode ser: 3 aves voando. O numero de
aves que voam é circunstancial, podendo ser 3, mas também podem ser 5 ou 8.
Quando tratamos da qualidade intrinseca do ntimero, precisamos ter 0 seu valor
como qualidade inerente ao fenémeno. Os lirios na qualidade de serem planta
bulbacea monocotiledonia sempre possuem 3 pétalas e:3 sépalas. Os dedos se
apresentam sempre com 3 falanges. O valor 3 se apresenta aqui como qualidade
inerente e no como valor ocasional!
Observacdo: o professor no ensina a crianga as qualidades do 3. Sua fungéo é
a de estimular a descoberta e eleva-la a consciéncia. A maioria da classe nao vai
conseguir grandes descobertas, porém, interiormente estara participando do
trabalho dos colegas.
E fungao do professor ajudar e orientar as criangas para que descubram e
compreendam o mundo!
Por que comecar com 0 3 e nao com 0 1, com o 2, para depois chegar a0 3? Por
que no aproveitar a ordem seqiencial que muitas criangas ja conhecem?
Nao existe nenhum impedimento para fazé-1o deste modo, pois hd muitos
caminhos pelos quais podemos introduzir as criangas as qualidades dos numeros
E aspecto inerente a Pedagogia Waldorf, o professor manter a liberdade para
escolher os caminhos pelos quais vai conduzir as criangas ao contetido
programético proposto. Existe porém uma condigéo basica para o exercicio desta
liberdade: 0 claro conhecimento das leis do desenvolvimento da crianga, as
imposigdes metodoldgicas e didaticas disto decorrentes € o perfeito dominio da
matéria,
Aescolha do 3 se deu pelo fato de este numero ser mais facilmente descoberto
pela crianga. E interessante observar que quando estimuladas, as criangas
respondem com facilidade a esta solicitagéo. Sao portadores inconscientes dos
conceitos dos numeros.
Dando um passo adiante, podemos perguntar:
- Onde aparece 0 2? A crianga percebe de imediato que temos 2 pés, 2 maos, 2
olhos, 2 orelhas! Nao temos 2 narizes, mas temos 2 narinas! E importante que a
crianga se divirta com 0 professor durante a aula!
Quem percebeu 0 1? Esté no sol! O sol é muito importante, sem ele no
veriamos 0 mundo criado por Deus, portanto 0 maior numero é 0 1, representado
pelo sol. A crianga ficara com a sensagdo de que 0 1 é a mais importante unidade
@ por analogia é capaz de transpor esta valorizagdo a Deus. Deus 6 um soe 60
maior de todos. O mundo esta contido em Deus!O coneeito de unidade pode ser aprofundado quando a crianga percebe que cada
ser humano 6 algo particular e indivisivel. Ndo é possivel um ser humano ser igual
a outro! Cada ser humano é um 1!
A posicdo de destaque do 1 em relagdo aos outros nlimeros no é facilmente
compreendida pelos pais. Viverios a forma sintetizadora do pensar e através disto
concluimos que 0 1 6 a menor particula a qual acrescentada 4 outra unidade,
formara um valor crescente. Ex. 2t1=3 34154 etc
Na forma de imagem, podemos descrever a forma de'pensar sintética do seguinte
modo: =~ + 2
Na introdugo quatlitativa dos ntimeros, estamos nos orientando pelo pensar
analitico, através de qual vemos o 1 como uma totalidade e os ntimeros
subsequentes representam membragées do mesmo.
Faz parte da vida dos professores a experiéncia de que muitos adultos no
chegam a compreender esta forma de visualizar 0 1. Com certa frequéncia, apés
introdugo do 1, criangas voltam & Escola comentando com tristeza a tentativa de
pais em convencé-los que 0 1 ¢ a menor unidade de todas! A crianga deveria
poder continuar convencida de que o professor esta certo e no ter que se deparar
com criticas dos pais em relacao & forma de trabalho do mesmo
Por esta razdo, 6 importante que o professor apresente as peculiaridades da
introdugéio da Matematica Waldorf aos pais, antes que seja criada uma sensacao
de inseguranca na crianga, que ainda recebe os contetidos programaticos sem o
menor sentimento de critica. Sente-se totalmente envolvida pela autoridade amada
do professor.
Finalmente, podemos usar mais um exemplo marcante para evidenciar crianca
a import&ncia do 1, fazendo-a perceber que somos 24 alunos na classe, mas
compomos 1 classe. A classe ¢ a totalidade e os 24 alunos so a membracao do
todo.
Continuando a jornada de descoberta dos nuimeros, chegamos ao 4. Existe 0
exemplo de Rudolf Steiner mencionando as 4 pernas do cachorro. Em alguns
casos as criancas j4 conhecem os 4 pontos cardeais, as 4 estagdes do ano ou as 4
pontas de uma cruz.Onde estaré o numero 57 nos 5 dedos da mao, nas sementes, na estrela de 5
pontas, no interior da maga ou nas 5 pétalas da flor do morango, do péssego, etc.
OQ numero 6. onde estar? encontramos o 6 na formacao dos alvéolos repletos
de mel, no formato hexagonal dos cristais de rocha, nas sépalas e pétalas dos
lirios. A procura do 6 pode se transformar em lig&o de casa familiar.
Chegamos 20 ntimero 7. Quem ja viu o arco-iris e contou as cores que nele
britham? Quem sabe quais so as cores do arco-iris? Quantos dias tem a
semana? Quem conhece os andezinhos da Branca de Neve? No Apocalipse 0 7
aparece 55 vezes. Trata-se de um ntimero de grande significado.
Quanto 20 numero 8? A aranha tem 8 pernas! E importantissimo incentivar a
crianga para que observe a natureza. As criangas que jé tocam flauta, sabem da
existéncia da oitava. Quanto mais sobem em diregdo a oitava, mais dificil fica para
tocar!
O ntimero 9 aparece nos contos-de-fadas. Para os matematicos o nuimero 9 é de
dificil acesso. Podemos encontra-lo no jogo de boliche. As imagens podem
perfeitamente serem profanas, nao precisam sempre ser espirituais. Bastam ser
alegres e realmente serem representativas da qualidade do numero.
O numero 10? Temos 10 dedos nas mao e nos pés!
O numero 11 € ainda mais dificil de ser encontrado. Quando os alunos chegam
ao 7°, 8 ano, construirao os corpos platénicos, entre eles 0 cubo. O cubo é
formado de 6 faces. Descobrirdo que existem 11 possibilidades diferentes de
construcao através de sua planta desdobrada.
}
[ etc...
O numero 11 esté relacionado com 0 cubo!
Nem todos os nuimeros precisam ser introduzidos qualitativamente. © 11 foi aqui
mencionado como uma curiosidade possivel de ser introduzida em classe
posterior. No Brasil temos &rvores com flores compostas de 11 pétalas, mas isto
foge do ambito infantil. Poderiamos aceitar o time de futebol como representative
do 11
E importante solicitar e ativar as criangas no trabalho de classe. Temos criangas
com situagdes diferenciadas, algumas so lentas, outras se encontram bem alémdo nivel geral da classe. Precisamos estar atentos a estas diferenciagdes @ cuidar
também dos alunos com mais capacidade. Para estes devemos ter as maos
alguma surpresa matematica de maior exigéncia. Caso estes nao forem
suficientemente estimulados e satisfeitos em suas capacidades, facilmente se
torarao problema em sala de aula. Ser&o os “malandrinhos” causadores de
eternos problemas de disciplina. Rudolf Steiner menciona que criancas nao
suficientemente solicitadas, tem boa chance de se tornarem delinquentes. Isto nao
se refere apenas 4 Matematica. Nos EUA fez-se o-levantamento do perfil de jovens
presos e constatou-se que a maioria possuia Q.I: elevadissimo mas eram de baixa
escolaridade. Como nao foram “bem formados” em sua personalidade, passaram a
usar suas capacidades de forma marginal 4 sociedade. Podemos perceber a
atualidade das observacées de Rudolf Steiner: criancas no suficientemente
solicitadas, usam sua forca de fantasia, ou melhor, sua inteligéncia, para outras
atividades em sala de aula! :
Ontimero 12, como podemos introduzi-lo? Temos como caracteristico as horas
do dia, os meses, Temos os contos de fadas, nos quais o nlimero 12 tem
significado especial
Para que o professor consiga se relacionar de forma tranquiila com este aspecto
numérico € preciso que ele desenvolva e cultive em si uma atitude de respeito e de
admiraco voltada as individualidades representadas pelos nimeros.
Os numeros tém cardter de conceito e cada numero tem sua individualidade. Por
exemplo, 0 numero 17 6 um numero primo, Podemos usé-lo para a construgao de
um poligono de 17 pontas com a ajuda de régua e compasso. © matemético Gauss
descobriu que os numeros, 15, 13 e 12 ndo se oferecem para este tipo de
construgdo. Os nlimeros s40 individualidades reais e nos falam diretamente a
partir do espiritual ie
Obs.: para maiores conhecimentos, aconselhamos 0 livre de Ernst Bindel: "Die
Geistigen Grundlagen der Zahlen’, (As bases espirituais dos numeros),
Boas informag6es encontramos também na literatura rosacruciana e teoséfica.
Voltemos a nossa atengao a um exemplo dado por Rudolf Steiner que nos mostra
claramente como um nuimero pode expressar a relacdo de um ritmo césmico com 0
biorritmo humano. ‘
Observemgs o ntimero 25.920. No decorrer do ano o sol percorre uma trajetoria
aparente que se relaciona com a Terra e [Link] Constelagdes do Zodiaco. A cada
4 semanas encontra-se a frente de outra constelagao. A constelagao na qual se
encontra no inicio da primavera no Hemisfério Norte (H.N.) ou no inicio do outono,
tratando-se do Hemisfério Sul (H.S.), representa 0 ponto de inicio de sua trajetéria
Trata-se do equinécio, data em que a duracao do dia e-da noite se igualam (21/3).
O sol leva 12 meses para voitar ao ponto de partida, passando por cada uma dasconstelagées zodiacais (eliptica). Ha porém uma situacdo curiosa. O sol nao chega
exatamente ao mesmo Ponto da Primavera do ano anterior. Faz com que haja uma
gradativa mudanga deste ponto pelo zodiaco.
‘Atuaimente o Ponto da Primavera (H.N.) encontra-se em Peixes, na cultura grega
estava em Aries, no periodo egipcio em Touro e na cultura persa em Gémeos. E
interessante observar que a caracteristica espiritual das constelacdes se reflete
em aspectos metolégicos-culturais de cada época: Na cultura persa encontramos 0
dualismo religioso implantado por Zaratustra (a luta entre o Bem e 0 Mal), no Egito
podemos observar a veneracao &s vacas e touros sagrados e na Grécia a epopéla
dos argonautas & procura do Velocino de ouro (pele de cameiro. A proxima
constelacao @ ser atingida sera a de Aquario.
O tempo que o Ponto da Primavera leva para se deslocar de uma constelacao &
outra é de 2.160 anos, representando 0 espago de uma época cultural. O sol leva
25.950 anos para percorrer as 12 constelagdes zodiacais. Portanto, 25.950 : 12 =
2.160 anos para cada época cultural
Como isto se relaciona com 0 homem?
Respiramos em média 18/min. Transpondo este valor para a hora (60') e em
seguida para as 24 horas, chegamos a0 surpreendente resultado de 18 x 60 x 24
25,920 respiradas ao dia. A duragdo de vida de um ser humano pode ser
considerada pela média de 72 anos
72 x 360 dias = 25.920 dias de vidal
Encontramos, através do ntimero 25.920, uma correspondéncia entre o macro € 0
microcosmos,
A matematica pode transformar-se em um instrumento de acesso objetivo para 0
Ambito espiritual. O poeta alemao Novalis expressa esta verdade dizendo que “a
Matematica pura é reliaiéo”. Os nimeros, quando abordados de forma adequada,
no nos reprimem em relagdo ao espiritual.
Obs.: em anexo Trecho da Arte de Educar II - Metodologia e Didética pg. 29-31
Edicdo 1992
Observacdo metodoléaica: ao conscientizarmos as criangas quanto ao aspecto
qualitative do numero, estamos ao mesmo tempo introduzindo o aspecto
quantitativo do mesmo.
Quando introduzimos 0 5, conscientizamos as criancas da qualidade do 5, que se
expressa através de certas flores dicotiledéneas, mas ao mesmo tempo
introduzimes a quantidade pertinente ao 5 e que se expressa pelo valor de 5
pétalas, dedos ou pedras.‘Aintrodugdo do valor numérico nao ¢ feita aditivamente (sintética) apresentando-
se1+1+1+1+1, mas apresentada por autoridade como uma confiquracdo
eee ee =
E da maior importancia que a crianca receba no inicio da aprendizagem da
matematica a configuracdo 'do todo” de uma quantidade e nao como é usual, de
forma aditiva sintetizada. Ex:
4e1=5 ou 54+1=6 > forma sintética
Ww © ty > forma configuradora do 5. Isto 6 0 5.
Acrianga de 6 a 9 anos necesita e deseja a autoridade carinhosa do professor,
para mais tarde saber ser livre, auténoma e criativa. Quanto mais 0 professor
souber ser aquela personalidade que conduz a crianca para dentro da vida e 0
fizer com conhecimento da matéria e compreenso da linguagem da crianca, mais
naturaimente a crianga Ihe concedera o direito de ser autoridade. Quanto mais o
professor for inseguro na sua constituigao interior, quanto mais estiver convicto de
i que é a crianga que deve ser criativa, que é ela que deve procurar o seu caminho,
quanto mais ele se sentir apenas como “facilitador do orocesso de aprendizagem’,
tanto mais a crianga se sentiré insegura, critica e infeliz!
Accrianga de 6 a 9 ndo quer explicagdo ou liberdade ilimitada. Deseja a condugao
do professor. E formada pela atuagdo do mesmo. E a fase formativa de ensino, Por
volta dos 12 anos, a crianga deseja ser conduzida a formas mais independentes de
trabalho e a contetides intelectuais que precisa compreender. Dé-se 0 inicio da
forma exolicativa de ensino. Entre as duas fases acima mencionadas, temos uma
fase intermediaria dos 10 aos 11 anos. Esta fase 6 a fase descritiva ou narrativa
de ensino.
Evolugao da forma de dar aula:
anos escolares/idade forma de aula
1? ano (7 anos)
2° ano (8 anos) aulas formativas como fazer?
3% ano (9 anos)
4 ano (10 anos) ‘aulas formativas e aulas 0 que fazer?
5? ano-(11 anos) descritivasinarrativas
6° ano (12 anos)
: 7° ano (13 anos) aulas explicativas~ por que fazer?
[8 ano (14 anos)ensino formativo ensino narrative __ensino explicativo
Muitos pais se queixam do comportamento irreverente, irrequieto-e critico de
seus filhos, nao relacionando esta postura com o fato de os mesmos estarem
sendo solicitados de forma inadequada, conduzidos para que se relacionem com o
mundo através de uma independéncia precoce, mais apropriada & adolescéncia.
Para tudo recebem explicagées racionais e abstratas, sdo chamados a opinar,
resolver e decidir sobre a sua propria vida, como se fossem adultos! O adulto
quando faz a crianga assumir a sua propria vida desta forma, indiretamente diz a
crianga que ela esta sd; ndo tem pai nem mée. Esta postura de omissao se
compara & do professor quando este se promove a “facilitador do processo de
aprendizagem’!
Dar explicagées a criangas abaixo de 12 anos é atuacdo inutil. 1
A. Ensino formativo: ensinamos como fazer. Mesmo 20 introduzirmos as
tabuadas, nao damos explicagdes. Praticamos as tabuadas com movimentos
(pulos, palmas ritmicas, jogando bola ou pulando corda). Como a crianca desta
idade tem étima meméria ritmica, logo decora a sequéncia dos multipios e em
seguida a tabuada propriamente dita.
Se as forcas da memoria nao forem usadas de forma adequada, em breve se
esyairao!
Pelo uso prético da adicéio e da multiplicacdo a crianca compreender 0
significado e a utilidade das tabuadas.
B. Ensino descritivo ou narrativo: o que fazer? a anos
al >
10 idade
0 professor descreve.a atividade que o aluno dave realizar, sem se preocupar
com @ compreensao do processo matematico. Ex1: 3 : Z =24 Como chegamos
a0 resultado na divisdo desta fragdo? 5 8 36
Nao hd forma plausivel de explicagao para o aluno desta idade. Descrevemos 0
que & preciso fazer: invertemos a fragdo que representa 0 dividendo. Podemos
ainda, nesta idade, usar uma imagem (simplesmente virar de ponta-cabega uma
crianca da sala enquanto mencionamos o qué fazer na divisdo de fragdes)
Ex.2: 2:1 a questo é saber quantas vezes cabe a fragéo % no inteiro 2.
4 portanto:2: 1 =8> 2X4 =8
4 feaO professor descreve o que é preciso fazer para chegar ao resultado! A crianca
nao sabe 0 "porqué”, mas sabe realizar o pracesso!
Ex.: 1 +2 > para resolver esta adig&o de fragdo precisamos encontrar o m.m.c.
2 3 de2e3
As criangas jd aprenderam ritmicamente as tabuadas e sabem que 2.6 3 se
encontram no miiltipio 6. i hie
6=2x3 © 6=3x2 14-2
2-
4 3-6
entéo: (4x3 + 5 342-5 8
3x2 GauHgaHtE 40
12
Perguntas a fazer aos alunos:
1. Qual é 0 primeiro muitipio em comum nas duas tabuadas? >
2. Quantas vezes preciso do 2 para chegar ao 6?
3. Quantas vezes preciso do 3 para chegar ao 6?
Em seguida, 0 professor descreve 0 processo que deve ser feito para 0 célculo
de ampliagao da fracao.
Ex« 12 = mmec.=10
2 5
1-2 6-1
: 2 4 & 2- 4 f@-2
entéo: Gx§ + Ax2 = 542 = 3- 6 /15
Bx2 2x5 10 10 10 4 - 8/ 2
zi 5 — @/ 25
Quanto mais tentarmos expiicar a matematica, mais dificil os alunos acharéo a
matéria! Explicacdes somente cabem depois dos 12 anos.
Fundamentacdo fisica da capacidade de aprendizagem da crianca.
Acrrianga, quando nasce, temo seu corpo fisico em rudimentos. E no decorrer do
seu desenvolvimento que amadurece estruturas e harmoniza fungdes organicas
neuro-sensoriais
O cérebro esta constituido, porém as conexdes e sinapses nervosas estao se
formando até por volta do 4° ano de vida. A boa formacdo e a correta interligacdo
Cas ramificages nervosas dependem das percepgdes sensoriais das criancas.
Ambientes caimos, harmoniosos, tanto na ordenagao, como na configuracao fisica~~
SBISLIOTECA
a
Zi
a84o pan
dos objetos (cores, formatos, estampas), assim como a atuacao dos adultos
(emocional, intelectual), propiciam a boa formagao e’o bom funcionamento
cerebral. Pela percepcao de atividades significativas, isto 6, que fazem sentido, a
crianga ordena o seu sistema nervoso. Em ambientes confusos, nos quais as
criancas nao tém possibilidade de criar ou visualizarrelagdes entre as diversas
atividades, elas se tornam inseguras, nervosas,exigente’® critica. Somatizam,
isto é: transpdem para o corpo fisico as percepgdes e vivéncias emocionais e em
decorréncia disto ordenam suas conexdes nervosas de forma confusa.
$6 por volta dos 12 anos, a crianga amadureceu suficientemente para ter A sua
disposigdo estruturas fisico-animicas para poder pensar, isto 6: para objetivar
suficientemente a questo em estudo, recriando-a interiormente pela
representagdo e compreender relacdes ou leis a ela vinculadas.
Do ponto de vista fisiologico, 0 pré-adolescente agora constitue uma camada de
gordura suficientemente grossa envolvendo as filamentos ou dutos nervosos,
indicando assim a sua prontiddo para o penser, que daqui para diante se
apresenta como capacidade crescente e que seré cultivada durante 0 3° seténio.
E importante o professor e os pais terem consciéncia que pré-puberdade e
puberdade nao preparam o aluno apenas para a sua capacidade sexual plena. E o
periodo no qual a base fisica do pensar auténomo amadurece e também floresce a
sua vida emocional (dos sentimentos) individualizada, capacitando-o a receber os
grandes ideais e a desenvolver o amor. O aluno precisa receber alimento para
estas forgas crescente. A matemdtica bem conduzida é uma forte ferramenta de
ajuda pedagégica para esta idade.
2. Apresentacdo ritmica dos numeros:
Voltemos ao 1° ano e a apresentacdo dos ntimeros. Até o presente momento,
vimos apenas 0 aspecto qualitativo do numero e a sua confiquracdo quantitative,
isto é: a “Gestalt” quantitativa. Ex/ @ @ \—---> quantidade 5
eoe
Isto nos leva a percepgao dos numeros do ponto de vista de seu aspecto
individual. Criamos consciéncia de quem s&o e que espago ocupam. Estévamos
nos ocupando do numero no seu aspecto cardinal.
Os ntimeros nao sao apenas quantidade e espaco. Expressam-se também
através de uma configuracdo ritmica-temporal. O ntimero se expressa através do
tempo cronolégico e do ritmo proprio.
Quando nos referimos ao aspecto de tempo cronolégico percebemos que ha uma
relacao entre os ntimeros, cria-se uma ordem sequencial de 1°, 2°, 3°, 4° etc.
Temas entao a contagem, Aqui a relagao nao é por quantidade, mas por
ordenacao. por seqiéncia que acontece no tempo cronolégico, Quandosimpiesmente contamos 1, 2, 3, 4... j& estamos situando nimeros em uma relagao
@ ndo apenas quando dizemos 1°, 2°, 3°, 4°. Por outré lado, podemos perceber que
isoladamente cada numero tem uma configuragao ritmica individual.
Ex: 2-|V —- |V — \v — V__curto, fraco
fede led hy 2 — longo, forte
32|V V - _
lo2afr2alr23
Quanto ao aspecto ritmico, os nuimeros podem se relacionar, criando entéo um
ritmo superior que incorpora os ritmos de 2 ou mais numeros.
Ex,
Sgr eae ear teae teams eraser ort HEE
ritmo individual do 2 i
eee erate ere
Ex Qvivwovv tv
| |-—|—-|-—-—- —-> miultiplos de 3
4234 5 6 7 8 9 10 11 12
ritmo individual do 3
NN NNN
Ex v-—v ve-V-Ve- Vv -
|-—-|——|——|——-|—|--> miittipios de 2. 3
12345 6 7 8 9 10 11 12
lal
VV =~ V V= Vv Ve Vv Ov
PSS ES ee eeeC oe eer ee eeLecem EEC eet
2 4 6 8 10 12
3 6 9 12
ritmo superior do 2.e 3 (comum aos dois).
‘Com surpresa, podemos constatar que o ritmo superior, em comum aos dois
ntimeros 2 @ 3 corresponde ao denominador comum a ambos!
Isto se expressa através do caiculo em fragées da seguinte forma’
444 = (Sxt)H(2x4 0.6 €0 miltipio em comum para os ntimeros 2 ¢ 3
23 6
No caso dos miitiplos de 2, 0 6 aparece apés 3 vezes da sequiéncia de
No caso dos multiplos de 3, 0 6 aparece apés 2 vezes da seqiiéncia de | WV-— |
W--/=2x3=6 | |‘Ao fazermos uma simplificagdo estamos na-verdade reduzinds o ritmo mais
amplo para a mesma forma, mais adensada. Ex.: 4/6= 2/3
Be ee Hee Peer eee eee ete te
Acusticamente isto resulta no mesmo ritmo, mas uma-vez mais lento 4/6, da outra
vez mais rapido: 2/3. Temos a vivéncia de simplificacdo e ampliac&o de fragdes!
Através deste trabalho, podemos mostrar aos-alunos que fragdes nao sao algo
estatico, mas se trata de relagdes que se expressam pelos nimeros!
Como trabaihar o ritmo individual eo ritmo superior dos numeros?
As criangas do 1? ano foram familiarizadas ao desenho de formas em época de 3
a 4 semanas e em sequida introduzidas as letras em época da mesma duracdo. A
introdugao da matematica em muitos casos 6 a 3* época do ano.
Juntamente com a introdugao do aspecto qualitative dos ntimeros, inicia-se a
contagem dos mesmos. Este trabalho de contagem ainda néo se relaciona
diretamente com os célculos matematicos, mas com o aspecto ritmico dos
numeros. Trata-se da “Gestalt” ou “confiquracdo'ritmica numérica”. O trabalho é
comecado de forma bastante linear, fazendo com que as criangas andem, saltem,
batam paimas, etc..., sempre contando claramente de frente para tras e de tras
para a frente, Nao € facil bater palmas, andar e falar ao mesmo tempo. Bater
palmas, semvacelerar é trabalhoso e precisa ser muito exercitado.
E importante ter 0 cuidado em defimitar bem 0 espago da contagem - por ex.: de
1-10; de 10 - 20; pois as criangas se perdem no espago e ndo tem a consciéncia
para saber 0 que esto fazendo. Sao levadas pela contagem!
Quando as criangas adquiriram seguranga na contagem, conhecem os vizinhos
de ambos os lados de cada ntimero até 20 e souberem contar em voz alta,
batendo paimas, podemos introduzir nova dificuldade. A um sinal do professor as
criancas emudecem, mas continuam contando interiormente sempre batendo
palmas, até que a um nove sinal voltam a contar em voz alta, exatamente onde
chegaram na contagem interior. Isto exige concentragao e ritmo. Quando a maioria
da classe acompanha este trabalho, podemos comegar a ritmizar a contagem!ex2 VVVVVVVVVV VV VV VV OV VOY OV OV Ver
123456789 10 11 12 13 14-15 16 17 18 19 20 21 22
palmas e fala _ > - sépalmas palmas e fala
Podemos comegar ritmizando a seqiiéncia de miiltiplos de 2
| _ Ei
Voltamos 0 caminho e repetimos a seqiiéncia até que-as criangas estejam seguras.
Podemos mudar os gestos e em vez de palavras podemos tocar nos ombros
(ambos ao mesmo tempo) e depois bater palmas ou entao andar a seqliéncia
(passo fraco, passo forte). Até sentados podemos produzir 0 ritmo, batendo pés e
mos alternadamente!
Ex.
v/v -|v -|v —|v
12/3 4|5 6/7 8|9 10
Aos poucos vamos falando a sequéncia omitindo cada vez mais os ntimeros &
intermediarios, s6 andando os passos dos multiplos ao mesmo tempo batendo
paimas e falando o multiple correspondente. Precisamos levar as criancas a falar
interiormente os numeros intermediarios para que se manifeste realmente 0 ritmo
do2
vV-—|V-
10]... 12] ete.
O mesmo exercicio podemos fazer com o 3.
vv—|vv —|vv—|vV v —-|V v —lV Vv
lard ete.
45 617 8 9/10 11 12|/13 14 15/16 17 18
Precisamos também prestar ateng&o para manter a cada batida dos multiplos 0
espaco ritmico do 3. Cada batida subentende: | V Vo -—
HELO GES
Uma vez amadurecidos ambos os ritmos, podemos uni-los e ouvir 0 ritmo
superior em comum aos 2 nimeros. As criangas perceber&o que quando ha a
Datida conjunta, ha o encontro de multiplos em comum. Mais tarde, ficaréo
sabendo que a primeira batida conjunta representa 0 minimo multiplo comum
im.m.c.) de ambos.
QO irabaiho com o aspecto ritmico dos numeros estende-se por 3 anosNo 1°. ano. damos mais atencdo a contagem andada, batida, saltada e a
conauista da sequranca no conhecimento dos vizinhos imediatos e mais distantes
Também é importante a aquisi¢o da manutengdo da pulsag&o sempre igual e
saber dosar e acompanhar a intensidade da batida: Inicia-se a ritmizagao dos
numeros individuais (2 € 3), chegando-se & memorizacao dos multiplos de 2 € 3
No 2° ano, ampliamos 0 estudo ritmico dos outros mimeros, cheaando-se as
tabuadas até o 12!
Paralelamente ao estudo ritmico oral dos numeros, podemos fazer a
apresentacao desenhada da configuragao de cada um. Ex.:
As estrelas ou flores oriundas da configuracao ritmica de cada numero encantam
as criangas, assim como acontece quando descobrem o ritmo individual e o ritmo
superior dos mesmos. Devemos, mesmo assim, ser econdmicos com 0 trabalho
desenhado e nao permitir que seja 0 mais importante! Devemos enfocar os ritmos
andados e batidos e a franca memorizagao dos miltiplos e tabuadas. No 2® ano,
podemos compor ritmos superiores simples com a ajuda de instrumentos de metal
@ percussdo (triéngulo, tambor, cascas de céco). Ao mesmo tempo, podemos fazer
com que as criangas percebam quantas vezes deram passos bateram 0
instrumento até chegar ao ntimero em comum. Com este trabalho estamos
introduzindo todos os aspectos do minimo multiplo comum (m.m.c.)
No 3? ano, continuamos com o estudo e a memorizacdo das tabuadas (12 a 20) e
compomes ritmos superiores mais complexos.
Ex: 08 alunos ficam em fila e conta-se 2 3 4 5
lentamente até 60. Cada vez que um - - - |
numero mencionado pertence aumadas _ : -
tabuadas, o aluno correspondente da - - - 12
um passo para a frente e bate seu - i 15 passos
instrumento. Ao chegar ao 60, todos dao - 20 passos (batidas)
um passo e batem seu instrumento! E 0 30 passos (batidas)
m.m.c.. Durante 0 processo todos ouvem passos (batidas)
© “ritmo superior’ do conjunto. (batidas)
Obs.: em anexo: Baravélle - Tabuadas.
© aspecto ritmico-temporal representa o aspecto ordinal dos nuimeros.3. Caracterizagdo dos numeros e os calculos
‘As criangas, quando entram para a Escola, jé sabem contar: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 15,
43, 17... trata-se de um simples exercicio verbal, no atribuindo valores reais aos
niimeros. Nem sempre saber que 0 12 é maior do que 0 7. Gradativamente
precisam relacionar os numerais as grandezas e a ordem posicional
Para calcular, a crianga precisa ter adquirido a capacidade de lembrar-se de
quantidades (valores, grandezas) ¢ representé-las interiormente na forma de uma
totalidade e nao acitivamente. Enquanto fazemos a contagem dos nimeros, a0
mesmo tempo precisamos desenvolver na crianga a consciéncia da confiauracdo
numérica de cada numeral. Como realizar este trabalho?
Inicialmente usamos os dedos da mao e gradativamente passamos a pequenos
objetos como pedras, conchas, sementes, lépis, etc.. Levantamos as m&os com os
dedos esticados representando a quantidade em questo, as abaixamos e
perguntamos as criangas quanto foi. Repetimos a mesma quantidade em posicdes
variadas para ndo fixar a crianga em uma unica situagdo.
Ex.: 0 5 pode ser:
ty eel He.
"ve perceber a “Totalidade” do 5, apesar do mesmo estar composto
em varias parcelas. O mesmo trabalho de percepcao da “Gestalt” ou
confiquracdo numérica precisa ser feita ativando-se os varios aspectos sensérios &
no apenas 0 aspecto visual. Atuamos sobre a meméria tatil, visual, degustativa e
auditiva.
Ex.2: batidas ritmicas W — W (audigao)
(a crianga nao vé as batidas)
Ex.s: degustag&o de varios sabores azedo, doce, amargo, salgado (paladar)
quantas vezes 0 doce? etc.
Ex..: sentir batidas leves na mao, (tato)
nas costas
Pegar objetos escondidos em cesta/ quantos sdo iguais,
sacola quantos so diferentes, etc..
Perceber quantidades na boca
Estes exercicios fazem com que a crianga se torne capaz de reconhecer de “uma
‘80 vez" a quantidade apresentada, passando ento a calcular sem usar os dedos
ou necessitar de um Abaco ou qualquer outro substitutivo. A crianga precisa tornar-
se apta a reconhecer quando ha mais ou menos dedos ou batidas e perceberquando nao houve mudangas no nuimero de dedos, apenas uma mudanga de
posicdo ou de espacamento ou de batidas ritmicas diferentes.
Ex. ~ ou [VWW—VW [ | W-—
Mine {ete
Exércitando estas capacidades estamos nos aproximando dos calculos, pois ao
caracterizar os nuimeros spresertande multiplas possibilidades de disposigao ¢
de ritmo de cada um, estamos femblando os mesmos e formando parcelas dentro
de uma totalidade (método analitico).
Wy gy Se M we
C7) UF A VY
THT
NS
44242 2+ 142
Até 0 presente momento a crianga se conscientizou dos aspectos qualitatives do
numero 5, das configuracdes ritmicas do mesmo @ como préximo passo precisa
criar as suas possibilidades caracteristicas.
A pergunta que leva & caracterizagao do numero poderia ser formulada da
seguinte forma:
‘como pode ser 0 5? ou
ede quantas formas distintas diferentes podemos apresentar 0 5?
. ce
2 2
wy &
a 1 2
Caan) eae
3 7 it
wo ey
1 1
peed ate ed geet EeEEAIe ate.—
Partimos da “totalidade” e chegamos as partes ou parcelas ¢ com isto iniciamos
08 caloulos propriamente ditos.
g214+2+2 Estudamos todas as
§224142 possibilidades que
5234141 - existem no 5.¢ que s80
5=3+2 caracteristica para o
5atti+t1+1+1 mesmo.
Realizamos estes trabalhos para o maior numero possivel de numerais. Aos
poucos vamos fazer 9 mesmo com pedras e sementes, Mostramos aos alunos a
totalidade do 12 e a fMemBratos em parcelas sem explicar para as criangas como
conseguimos 0 12. Precisamos vivenciar a autoridade do professor que sabe que o
montinho apresentado contém 12 pedras. O professor separa dois montinhos de
pedra: 7e5
12=745
BUY
Em seguida, pademos pedir as criangas que peguem um monte de pedrinhas
separem 12. E evidente que contaro, mas em breve estardo fazendo pequenas
parcelas (das quais jé conhecem a configuragdo ou estéo em vias de conhecé-las)
e fardo propostas 20 professor de como poderd ser constituido 0 12.
Ex: 12-943 obs.: as parcelas maiores
12=11+1 devem ser escritas antes
12=10+2 das menores.
12=8+4
12=6+6
A forma analitica de trabalho incentiva a maleabilidade do pensar da crianca ao
contrario da forma sintética que possibilita apenas uma resposta. Ex.: 7 + 5 =?
Ao calcular, lidamos com grandezas que visualizamos em sua totalidade e 20
Herbré-las estamos criando os fatos basicos matematicos,
ewer
Ex.
+3
=3+4
+5
+8.
sas
A crianga, para verdadeiramente caicular, precisa ter seguranga quanto aos fatos
basicos matematicos e gradativamente ir se desprendendo do uso dos dedos,pedras ou materiais outros de apoio. Os fatos basicos mateméaticos precisam ser
memorizados como fazemos com as tabuadas. =~
A Pedagogia Waldorf nao aconsetha 0 uso'do material dourado Montessoriano
(pérolas douradas, abaco). z
4, Introdugao dos numerais
Cada numero tem seu simbolo. Precisamos ajudar.a crianga a relacionar a
representago gréfica (numeral) a0 valor e qualidade do nimero. Muitos-
professores introduzem os numerais da mesma forma como as letras (grafema &
fonema) :
Quando a crianga chega a primeira época de matematica, aprendeu a se
relacionar com simbolos graficos durante as é[Link] Formas e de Alfabetizacéo
De forma adequada ligou-se a simbolos abstratos através de imagens que
permearam e envolveram sua personalidade infantil atingindo os Ambitos
psiquicos do pensar, sentir e querer agir. Esta forma de trabalhar “alimenta’ e
“estrutura” a alma infantil, tornando-se importante fator de preservacdo da crianca
perante 08 atrativos das drogas e outros substitutivos que procurara mais tarde
para preencher lacunas em sua alma. Paralelamente, a crianga vivencia
importante fator cultural inserindo-se no seu tempo, pelo fato de estar aprendendo
a escrever e a ler.
‘A mesma ligagdo completa precisa acontecer em relagao a “escrita matemética®
‘Aponte construida para que a crianca possa incorporar os numerais em sua vida
psiquica é feita pelo conjunto de todas as atividades mencionadas até o presente
momento.
Temos a conversa inicial direcionada para a importancia dos numeros, a
conscientizagao de como a qualidade espiritual dos mesmos se manifesta no
mundo fisico, sua expresso ritmica e finalmente seu valor quantitative
caracteristico.
‘Quando chegamos a “escrever” o ntimero, ele nao precisa de “outras” estérias
explicativas da sua real identidade. A propria atividade matematica é explicativa do
numero e de sua grafia.
Nao se trata de erro metodolégico-didatico, usar algumas imagens ao introduzir
os nuimeros, porém as mesmas devem ser sObrias e reais @ nfo “oubar’ muito
tempo da atividade matematica propriamente dita.
Resumindo: tanto a atividade imaginativa da introducdo das letras quanto o
caminho para chegar aos numeros, preenchem a alma da crianga de tesouros
ideals e a ligam de modo correto & vida, Fazem com que edifique estruturasi
animicas possibilitando uma vida interior mais rica’ menos propensa a se
entregar aos “ismos” e as drogas.
Nos anos basicos do ensino fundamental as criangas lidani mais com os célculos
orais, mesmo assim precisam relacionar-se com os numerais, Como fazer isto? De
inicio, podemos fazer com que a crianga relacione os nimeros com a quantidade
de dedos apresentados:
Wh Wen yy Vil VIL VII Neve X
i 8 9 10°
Com esta representacdo reatamos a forma de como os romanos iniciaram a
escrita matemética. Precisamos explicar aos pais que esta forma é a forma arcaica
romana, Como representava os dedos estendidos, temos no 4, os 4 dedos eno 5 a
simplificagdo da mao que mais tarde se transformou em V. A mesma situacdo
encontramos no 10, que representa as duas mos cruzadas. O 9 repete a situacao
do 4; temos 5 dedos e mais 4 dedos. A forma “mais modema’ da representacdo
dos numerais romanos é muito complexa para a crianga.
Usamos a numeragao romana como uma ponte que traz a crianga da vivencia
corporal conereta das quantidades para a abstracéo dos numerai:
Nao podemos permanecer muito tempo nesta fase, pois a crianca rapidamente ira
se confrontar com o valor posicional de cada numero e sentiré necessidade de um
sistema mais amplo. O sistema decimal 6 posicional.
Ex: 371 = (3+ 100) + (7+ 10) +4
300 + 70 +1
3 © 10%) + (7 + 10") + (1.* 10°)
Os nimeros romanos nao permitem a realizagao de todas as 4 operagées. Como
resolver uma situagdo com a que segue?
Xl* XX =
Lvl: Xil=
O sistema decimal 6 0 chamado indo-arabico que com uma selegao de 10
numerais consegue compor todo 0 universo numérico através de convencées
Posicionais bastante dificeis de serem compreendidas pela crianca. E dificil
compreender que 0 12 é diferente do 21. Em ambos os casos estamos usando os
mesmos numerais, mas em posicdes diferentes. Para que adquira consciénciadeste fato e consiga dar o correto significado & posicao do numeral, necessario
aiudé-la a criar uma relago comonumerat10. :
E importante 0 professor saber que ainda nao é chegado o momento da
valorizacao do sistema decimal que sera tratado em profundidade maior durante o
2° ano. Introduziremos ent&o conscientemente a unidade, dezena, centena.
A crianga precisara adquirir uma nogo do valor posicional dos numerais, mas
ainda néo deve se “fechar" nas dezenas e senti-las como uma barreira, uma
passagem. A maior parte de seus cdlculos so orais e acontecem em ambito
bastante restrito, portanto a dificuldade maior da compreensao do sistema
posicional pode ser deixada para o préximo ano,
Em relagdo ao "10" a maior dificuldade encontrada 6 a de ser um numeral
composto de 2 digitos e pela primeira vez estar apresentando 0 zero (0). Como
estamos na fase do “ensino formativo’, precisamos encontrar uma imagem a qual a
crianga possa se ligar sem precisar receber explicacées abstratas ou ter que
assimilar uma situacdo matematica “nua e crua’.
Podemos criar um conto de um andozinho ou de um camponés (e como sempre,
todos os professores so livres para encontrar seu caminho). Ex.: um andiozinho
esta juntando pedras preciosas. Tem 9 pedras em uma cesta.
Encontra mais uma pedra e como
a cesta estd muito cheia, coloca tudo em 1 saco /*
que amarra e guarda em uma “
prateleira. Para nao ficar confuso, marca em uma jabuleta toda vez Gue consegue
encher 0 saco. Tem eno o seguinte:
quando enche 0 segundo saco tem:
= 20 pedras
com 3 sacos tem:
= 30 pedras
Desta forma o andozinho sempre sabe quantas pedras tem. Gradativamente
vamos ampliando este conceito para incorporar as unidades que permaneceram
na cesta. A
tfeee\TEY = 1041 = 11-5 temos 1 saco de dez pedras e mais uma pedra =
onze pedras, etc.+2= 12 temos 1 saco de dez pedras e mais duas pedras
' = doze pedras, ete~
= 20 + 2= 22 etc.
Resumindo: a escrita numérica é de grande importancia para a compreenso
matematica futura da crianga, pois ndo abarca apenas a representagao simbolica
de uma grandeza isolada, mas também esta levando em conta o valor posicional
do numeral e assim iniciando a gradativa compreenséo de unidade, dezena e
centena do proximo ano
Observacdo: a execugdo da escrita numérica é téo importante quanto a das
letras. O professor precisa cuidar para que as criangas copiem com exatido ¢
beleza e observem as diregdes da escrital
& doy
[ie se oS
Aescrita atua sobre o corpo etérico no qual se forma o carater futuro da crianga.
A
Ex.
Momento de reflexdo:
Todo 0 processo de introdugdo & Matematica precisa ser acompanhado
cuidadosamente para que haja a percep¢ao precoce das dificuldades da crianga
Quando a crianga continuar presa aos dedos no final'do ano, ao lidar com
quantidades menores e realiza a contagem no lugar de calculo (lidar com os fatos
basicos mateméticos), precisamos verificar se ela apresenta imaturidade em algum
aspecto da meméria e da representagao (lembra de formas ritmicas? sabe
recontar? consegue repetir e executar uma sequéncia de ordens tais como: 2
pulos a direita, 1 pulo para a frente e 3 passos para tras?).
Observando a sua boa capacidade em usar os érgos de sentido bésicos (tato,
movimento préprio, do equilibric) e ela ainda no demonstrar sinais de
preocupagdo com a matéria, podemos deduzir que a crianca nao tem problemas,
mas precisamos investigar a nossa forma de dar aula:
* trabalhamos suficientemente a matemética pela atividade corporal/
* fomos suficientemente claros, imaginativos, pausados?i
* acrianga teve as oportunidades necessérias para a fixagdo da matéria em sala
de aula? a
© o professor manteve ritmo, ordem, siléncio, planejamente em aula?
como é a sua relacdo com o aluno e com os pais do aluno? ~~
© momento de reflexo em relacao ao aluno problema ou na eminéncia de se
tornar problema, deve anteceder qualquer conversa com pais e colegas. Muito se
resolve neste momento. eee
Muitos professores, ao perceber que alguma crianga da classe est4
apresentando defasagem em relacao ao resto da classe, entram em panico &
procuram suprir o que falta através de mais ligo de casa. S40 os famosos “para
casa’ ou “deveres" a
Nas séries iniciais (1° e 2° ano), nao so os deveres de casa que propiciam a
compreensao ¢ fixagao da matéria. S4o apenas uma complementacdo do proceso
(reviver em casa, com prazer, 0 que foi feito em classe através de um desenho;
desenvolver mais habilidade no tragado de uma forma, letra ou ntimero -
desenhado).
Os “deveres” devem ser cuidadosamente pensados e dosados para que néo
sejam os pais que os faga,. A crianga do 1° ano deve ser capaz de fazé-los com
prazer, por amor ao professor. Objetivam acostumar-se ao “hordrio de estudo”, a
conquista gradativa de sua independéncia e responsabilidade, aspectos
importantes para o seu futuro escolar.
Por outro lado, professor deve “saber receber’ os deveres de casa. Deve ser
imediatamente, no dia seguinte, logo no inicio da aula, pois a crianga em “inicio de
carreira’ ainda sente o dever de casa como um presente para 0 professor e mal
aguenta aguardar 0 momento de prazeirosa surpresa da “visita” do professor 20
seu caderno!
Quando alguma crianga nao faz as suas ligdes, alguma coisa nao esta bem
precisa ser investigada a situacdo. O melhor ponto de partida é sempre uma
autoavaliagao do professor!
No caso de uma crianga realmente apresentar dificuldades que ndo conseguiram
ser superadas por uma ajuda pessoal do professor de classe, ent&o torna-se
importante levé-la ao "conselho pedaaégico dos professores” para que o
Colegiado de Professores possa visualizé-la em sua “globalidade” e colaborar na
elaboragao de sua imagem.
Uma vez que a crianga exista como imagem essencial dentro do Colegiado dos
Professores, fica mais facil a elaboragdo do plano de ajuda:
* sero problemas originarios da sua organizacdo senséria-perceptiva-motora?terd problemas emocionais vindos de casa?
terd problemas decorrentes de sua propria configuragao animica-corpérea?
esta assustada com a matéria, com o professor, com o social da classe?
a que ponto seu sentido vital (percepgao de satide ¢ bent estar fisico e psiquico)
esta acometido?
Resumindo: 6 da maior importancia socorrer uma crianga antes que os
problemas se alastrem, somatizem, criem problemas psicolégicos
secundarios e dificultem sua aprendizagem!
Obs.: vide em anexo - folheto da Discalculia.
5, Algumas nogées sobre as 4 operagées e
a importancia dos Temperamentos para a aprendizagem da Matematica
Néo é objetivo deste trabalho trazer roteiro completo de como introduzir as 4
operacées e de como lidar com Temperamentos em Matematica. Trata-se apenas
de chamar atengdo da importancia dos 4 Temperamentos e de como os mesmos
podem transformar-se em ferramenta de trabalho para o professor ao direcionar a
matéria, interessando e ativando o aluno através do seu modo peculiar de se ligar
aos numeros. Quando 0 aluno é atingido no seu temperamento peculiar, aprende,
mas ao mesmo tempo, burila e harmoniza a sua forma de ser. Mesmo que 0
professor no saiba claramente qual é o temperamento dominante de cada um de
seus alunos, aos poucos perceberé a que tipo de célculos ou situagdes-problema
darao preferéncia
Para compreendermos melhor como lidar com os temperamentos, precisamos
saber mais em relacdo a alguns aspectos dos calculos.
Seré usado como exemplo a adigao.
Em trecho anterior, foram dadas indicagdes de como chegar @ adicéo: parte-se
da caracterizagao dos ntimeros (membragao) e introduz-se o trabalho com objetos,
desvinculando-se gradativamente os dedos.
Por autoridade, o professor anuncia que determinado monte de pedrinhas
representa 0 12. Nao explica nada. Separa agora a “totalidade” em 2 montinhos e
diz que o primeiro tem 7 pedras e 0 outro 5. As criangas fazem 0 mesmo em suas
mesas € comunicam as suas descobertas:
12= 7+5
B+4
6+6 No caso, analisamos o ntimero 12 ¢ este
9+3 revelou o que Ihe é caracteristico; podemos.
tea dizer: assim 6 o numero 12.
10+ 2ete.Nao podemos nos ater apenas a uma forma-de trabalhar um numero. A forma
analitica pode se tomar uma unilateralidade do pefisar, Precisamos ent&o _
recompor 0 numero usando as parcelas descobertas pelos alunos. A este -
proceso de recomposigao denominados de sintese de um ntimero-Portanto
trabalhamos de forma analitica-sintética em matematica, assim como fazemos na
alfabetizacdo. :
Quando analisamos um niimero, mostramos as suas miltiplas possibilidades e ao
sintetiz4-lo a partir de determinadas parcelas, dalimtamo-ho,
Para que possamos sintetizar um niimero precisamos analizéo primeiramente,
isto nos traz a possibilidade de afirmar que.4 + 3 = 7, porque j4 conhecemos as.
quantidades mombradas de 4 ¢ 7
Fazendo a constante caracterizagéo numérica analisando ¢ sintetizando nimeros
até 20 ou mais, as criangas estardo lidando constantemente com os fatos basicos
matematicos ¢ se desprendendo do uso dos dedos ou materiais concretos.
Uma vez que o aluno se familiarizou com 0 processo da andlise, introduzimos a
sintese e praticamos ambas simultaneamente.
Como primeira atividade fazemos com que o aluno apresente a sua descoberta:
Ex:
Em seguida, fazemos a pergunta sintética a outra crianga:
Ex.: quanto é5+4=?
‘Ao professor logo fica evidente que as duas formas de calcular a adic&o atingem
criangas diferentes, pois so usadas forgas diversas da alma. Mais adiante
veremos que além de preferéncias por determinadas operagées, as criangas ainda
se diferenciam pelo seu interesse pelo forma analitica ou sintética de realizar um
calculo
Resumindo: para que a crianga aprenda a calcular realmente, precisamos
realizar em classe ambos processos, 0 analitico e o sintético, elevando ambos &
consciéncia apés a “descoberta’ realizada com ajuda dos dedos e das pedras.
Inicia-se 0 processo no concreto como andlise, apés a resolugo solicitar alunos
a recompor o numero sinteticamente ¢ em seguida fazer a classe ou alguns alunos
repetir os processos verbalmente, sem 0 uso de material. Ativa-se assim a
capacidade de representaco interior e a forga da memséria.Observacdo: apesar de a maicria dos [Link] 1 ano serem orais, registra-se
parte no caderno. Surgem entao as primeiras sentencas matematicas. O professor
precisa ter consciéncia de que se tratam de [Link] de uma atividade
matematica
Ex: 4435
we
Temos 2 montinhos desiguais de um lado ¢ uin-monte grande do outro lado,
separados por um sinal do qual o professor afirmou ser um sinal de igualdade. Ao
representar a sentenca matematica acima com a ajuda de um desenho, teremos 0
seguinte:
e ©.
parcelas (membragées) = totalidade do 7
Usando uma formulagao de Algebra, podemos ter viséo mais clara da situago
pouco explicita que a sentenga matematica pode apresentar a crianga.
© que esta representado aqui?
Ex.: (atb)’ = a? + 2ab + b® Podemos perceber que nesta sentenca
(atb)e(atb) = a?+2ab+b* —_ matematica temos 1 processo diferente
multiplicagao ¢> adigéo de cada lado do sinal de igualdade.
Fica a questo: por que a igualdade?
‘Substituindo as letras por numeros, temos:
ae2 (2+3)o(2+3) = (2)? + 2(203) + (3)*
b=3 4+6+6+9 = 44 20/203) +9
441249 441249
25 Stas
A sentenga matematica é a forma de representar dois caminhos para se chegar
ao mesmo resultado. So 2 processos diferentes que levam ao mesmo resultado,
E por esta raz&o que se explica o sinal de igualdade entre as duas expressées. E
importante que o professor tenha em mente que a crianga de forma alguma vé de
imediato 4 + 3 = 7 como uma igualdade. Para que chegue a isto, precisamos
percorrer todos os passos mencionados mais acima quando descrevemos a
aprendizagem da adigéo (analitica e sintética).
Uma vez que iniciamos os calculos, podemos perceber que os mesmos
representam atividades tais como: adicionar, somar, juntar ou verificar diferencas,
comparar, constatar perdas e encontrar restos.
‘As operacées acima mencionadas podem tornar-se mais densas ¢ compactas
chegando de um lado & multiplicagao, que nada mais ¢ do que a soma simplificada
de parcelas iguais e por outro lado divisdio que concentra a subtracdo.8 Ex. adic&o > muttiplicaco- > i
et 5464+54+5=20 4x6=20 - 0 2 EB
ie subtracto = dvs ae :
? 20 15 10 5 e
5S 8 5 8S 2:5=4
Ase tOre to -
Quando temos uma sentenga matemética representando a adic¢do, podemos
verbalizé-la de formas variadas, levando as criangas a realizar varios célculos
orais.
Ex..:a+b=S — soma
| Ex: a+?=S — diferenga / comparacdo .
NS-a=?
Ex: ?7+b=S resto ‘so as inversées
NS-b=?
No 12caso, temos uma adicao. Ex. tenho a, e a isto foi acrescentado b, com
quanto fiquei? a+b =S
No 2® caso, estamos procurando a diferenga ou a comparacdo de dois valores.
Ex.a+b=S—$-a=b. Quala diferenca entre S ¢ a?
No 3° caso, estamos querendo saber quanto perdemos de um determinado valor.
Ex.a+?=S > $-a=?. Sai de casa com $ pedrinhas e quando cheguei sé tinha
b. Quantas devo procurar no caminho?
Obs.: todas as operagdes permitem inversées semelhantes as mencionadas
acima e o professor logo perceberd que cada uma destas atividades matematicas
“interessa’ determinadas criangas.
* Qual a crianca que sempre vé as diferencas? E aquela que apresenta
predominantemente tracos melancélicos! Os melancélicos se realizam dentro
de situagdes problematicas.
* Ao ser proposta uma adigao, geralmente so os fleumaticos que se
manifestam. Gostam-de enfileirar parcelas, mas tem dificuldades em perceber
quando chegaram a solugo, pois no caso teriam que efetuar uma soma e
compara-la com o resultado existente para finalizar corretamente. Acham isto
cansativo! a
A proposta para um menino fleumatico seria-o seguinte calculo: 17 =5 +3 +4 + ?.Para encontrar a ultima parcela teria que fazer: 5 +3 + 4= 12 => 17-12=5.
Para conseguir este calculo precisa estar acordado ¢ alerta!
Como trabalhar de forma adequada para que um fleumdtico aprenda? E 0 unico
temperamento que precisa ser acordado subitamente, talvez com um pequeno
baque surdo na mesa ou qualquer outra atividade surpreendente. O fleumatico
precisa aprender através de atividade com interrupgdes subitas que o acordem de
seu gostoso sono!
Ex.: a proposta é descobrir quantos passos falfam para completar 0 8. O
professor propée 3 passos e mais 2. Quantos faltam para 0 87 8=3+2+2
Convida-se a crianga em questo, juntamente com seu melhor amigo para resolver
€ proposta. Os olhos da crianga so vendados e o amigo a conduz. E feita a
proposta e as duas criancas andam: 8 = 3 passos + 2 passos + ?. Contam em
Conjunto até 5 e quando completa a ultima parcela + 3 passos o professor bate
na mesa e diz: + 3. O baque surdo acorda a crianga fleumatica e ela se.
conscientiza do que fez e gravard a atividade na meméria. Com os olhos
desvendados observa o professor completando 0 célculo na lousa. 8= 3+.2+3
5
Como age um co!
ico na adic4o? Propées contas muito dificeis as quais deseja
resolver de imediato e em uma tacada sé. Ex: 3+5+31+1
2
A crianga sanguinea exige muita variedade nas suas atividades e bom humor do
professor! Geralmente prefere a multiplicagao! O professor precisa ser versatil em
seu trabalho e procurar uma compreenso maior dos temperamentos para poder
atingir de forma individual os seus alunos.
Qbs.: mais sobre os Temperamentos e Matematica na brochura: "Introducgéo &
matematica do 1° ano” de Ernst Schuberth.
No intuito de ajudar o professor Waldorf, iniciando a carreira, faremos algumas
sugestdes quanto & forma adequada de como atingir os varios temperamentos
pelo trabalho com as 4 operagées.
Para que 0 trabalho seja produtivo, a classe précisa saber contar um pouco, ter
conhecimento de alguns nlimeros e ter sido introduzida as 4 operagdes. A
introdugdo é feita para cada operacao individualmente. Inicia-se na 2* semana,
durante a 1* época de Matematica, praticando a caracterizacdo de um numero,
que ja é a forma analitica da adicéo. Gradativamente sao acrescentadas as outras
operagées. Uma vez que as criangas comegaram a entender as propostas,
fazemos todas as 4 operagées simultaneamente.Um pouco de teoria para'as 4 operacées:
Quando realizamos uma operaco matematica, precisamos ter na consciéncia
que esta sempre representa uma atividade concreta que se expressa pelos
processos e relagdes de seus componentes (parcelas, fatores, resultados). Todas
as operagées apresentam aspecto passivo, e outro ativo cujas relagdes se refletem
No resultado. Podemos usar as seguintes siglas: -
P= passivo, a = ativo, r= resultado.
Adic&o: temos a parcela passiva (p), a parcela ativa (a) ea soma (1). p +a
-
Subtracéo: 0 minuendo passivo (p), 0 subtraendo ativo (a) ¢ 0 resto/diferenga (r)
Multiplicac&o: o multiplicador ativo (a), 0 multiplicando passive (p) ¢ 0 total (r)
Divisio: 0 dividend (9,0 divisor ativo (a) ¢ 0 quociente passivo &
Estes aspectos sao importantes pois ao verbalizar corretamente uma operacéo,
fazemos com que o temperamento correspondente se sinta atingido. Quando
escrevemos as operagées na lousa, elas se tornam neutras e abstratas.
Precisamos cuidar para que as criangas ougam a formulagao, tentem resolver a
Proposta e depois acompanhem o registro na lousa
1 Adico analitica: atrai principaimente os fleumaticos. Parte-se da soma para
encontrar as parcelas. 27 = 7 + ?.
Ex.: a crianga tem 27 pedrinhas e as reparte em diversas parcelas e as soma para
2?
conferir. Temos: r= p + a. Pergunta: como podemos parcelar a soma r?
[Link] sintética: as criangas coléricas s40 chamadas a reconstruir a soma.
Fazem os montinhos (parcelas) p é a ...... n.a e verifica se o resultado 6 27.
Realizam a adic4o inversa: p + a=r. Pergunta Quantoép+a.....n=?
[Link] procurando a diferenca/comparacdo. Esta forma de subtracao atrai
os melancdlicos. Procura-se 0 subtraendo. A crianga recebe um montinho de
pedras e precisa conté-las. Pergunta: ex.: 8 pedras. Ndo queremos 8 pedras,
precisamos de apenas 3. Quantas precisamos guardar? Podemos também sugerir
que uma parte das pedras se perderam e sobraram 3. Quantas precisamos
procurar?
i
2
pta=r=>c-p=a
[Link]éo ativa: o professor se dirige aos sangiineos para fazer a conta
inversa: procurar 0 minuendo, ‘Pergunta: temos 8 pedras e tiramos 5, com quantas ficamos? p + a
[Link]éo: atrai principalmente os sanauineos; procura-se 0 multiplicador -
apesar de ser uma operacdo multiplicativa, a crianga faz uma divisdo as realizar 0
raciocinio. Perqunta: temos 56 pedrinhas. Quantas vezes 0 8 cabe no 56?
2
axp=r > ripsa => 56:87
proposta escrita raciocinio da
na lousa crianga
[Link] ativa: a operagdo inversa deve ser proposta aos melancélicos
Procura-se 0 multiplicando. Pergunta: quantas vezes 0 7 se encontra no 56?
axpae > rasp
proposta escrita raciocinio da
na lousa crianga
7 Diviséo é a operacdo mais apreciada pelos coléricos. Devem descobrir 0
dividendo da operacdo.
Pergunta: temos 8 pedras. Qual é o ntimeros que tem 0 8 sete vezes?
rasp = axper
8 Divisdo ative: relaciona-se com 0 fleumatico, que realiza a operag&o inversa do
caso anterior. A crianga faz uma diviséo simples
Pergunta: temos 56 pedras. Quando as dividimos em 7 partes iguais, quantas
pedras tem em casa montinho?
rs 2
axper = rasp
Na diviséo ativa procura-se 0 quociente
RESUMO
OPERACAO OPERACAO INVERSA
adigao analltica: fleumaticos adigao sintética: coléricos (temperamen-
procura-se as parcelas to inverso); procura-se a soma
2? ?
r=p+a p+a
decom pos r
como podemos fmembear a soma? quanto ép +a?subtracdo: melancélicos
procura-se a diferenca/comparacao —
? ?
subtraendo: p+ a= => (-p=a
1. temos rpedras. Ficamos com p.
Quantas perdemos (a)?
2. quanto precisamos tirar de ¢ para que
fiquemos com p?
3. temos 8 pedras - queremos ficar com
3. Quantas vamos guardar?
subtragdo ativa: sanguineos
procura-se o minuendo.
2 ?
pea=C > f-a=p-
1. subtraindo a de ¢, ficamos com “p’
2. tirando 5 pedras de 8, com quantas
ficamos?
multiplicagao (raz&o): sanauineos
procura-se 0 multiplicador
multiplicador
ot multiplicando
axper > pea
apresentagao ragiocinio
escrita da crianga
1, temos r, quantas vezes cabe p em r?
2. temos 56 pedrinhas. Quantos
montinhos de 8 pedrinhas podemos
fazer?
multiplicagao ativa: melan
procura-se o multiplicando
? ?
axpar > _£a=P
Spresentagaio raciocinio
escrita da crianga
1. como fica quando usamos p no lugar
de'a"?
2. temos 56 pedrinhas. Quantos
montinhos de 7 pedrinhas podemos
fazer?
divisdo: coléricos
procura-se o dividendo
? >
rasp = axper
4 apresentagdo | raciocinio
escrita da crianca
1. em que ntimero (r) encontramos “p’
“a” vezes?
2. em que ntimero encontramos 0 8 sete
vezes?
divisdo ativa: medigao/fleumaticos
procura-se o quociente
?
wasp
repartindo r em a partes, podemos saber
quanto de “r’ ganham “a’ partes
temos 56 pedrinhas. Se repartimos com
7 criangas, quantas pedras ganharé
cada uma?
6. Algumas nogées relativas aos Temperamentos
Rudolf Steiner valorizou imensamente o
uso dos temperamentos como
ferramenta pedagégica. Uma das tarefas formativas principais do ciclo basico
consiste na harmonizacao do temperamento, evitando-se a cristalizagao dentro de
aspectos extremos. Entendemos por temperamento o “colorido basico” da ~
personalidade, de como ela se apresenta
comportamental, :
dentro da sua configuragdo fisica
Na Grécia Antiga, distinguia-se 4 agrupamentos humanos que por Hipécrates
foram diferenciados pelos Temperamentos:
coléricos (cholé) - suco biliar fluido e leve
melancélicos (melas) - suco biliar grosso e preto
RM
\fleumaticos (phlegma) - liquido linfético grosso
sangilineos (sanguineo) - sangue fluido e leve
Na psicologia moderna, o estudo dos temperamentos é visto comé algo
ultrapassado, porém na psicologia pratica 6 bastante valorizado
Rudolf Steiner explica os 4 temperamentos como sendo decorrentes das varias ‘
Possibilidades de relacionamento existente entre a corporalidade fisica (corpo
fisico @ vital), a alma (corpo astral) [Link] (espirito).
O iemperamento individual se forma pela interpenetragao de duas correntes
dentro das quais se realiza o desenvolvimento humano. Uma das correntes se
forma em decorréncia daquilo que 0 ser humano aporta como resultado de suas
vidas anteriores (pré-existéncia), a outra daquilo que Ihe é oferecido pelas
possibilidades hereditarias oferecidas pelos pais.
Uma corrente “tinge” a outra, assim como 0 azul e a cor amarela se mesclam,
Produzindo 0 verde. O fisico-corpéreo e 0 animico-espiritual se interpenetram, um
vive dentro do outro.
Jn Sleiner: 0 mistéi
os temperamantos
A base da constituicao humana que se manifesta, no mundo fisico é composta de
plexos que envolvem o cere humano. Temos:
a corporalidade fisica ([Link])
© plexo das forcas vitais ([Link]érico)
© plexo do corpo dos sentimentos ([Link])
@ finalmente aquilo que se manifesta como sendo 0 Eu humano (Eu)
f
i
f
A predominancia de um aspecto sobre os outros 6 que determinaré 0 colorido do
temperamento da crianga. Quando falamos da predominancia de um membro
sobre os outros, com isto no estamos querendo dizer que -ele seja o unico
aluante. Geralmente o temperamento se origina da interatuag&o de 3 aspectos,
havendo entéo como que uma mescia, sendo um deles mais evidente. Sempre
falta um temperament. Reramente se apresentam puros.
Quando ha a predominancia habitual da forga do Eu no atuar de uma crianca,
podemos chegar & constatacdo de que se trata de alguém de temperamento
colérico
A grande agilidade na capacidade de criar representagdes e volubilidade
emocional caracterizam a crianca sangilinea, que possui forte componente astral
O predominio de processos metabélicos originarios de um corpo vital ([Link]érico)
forte, podem levar a crianga a ser fleumatic:A crianca melancélica vivencia de forma mais intensa 0 peso e as limitagdes do
seu corpo fisico
O temperamento peculiar de cada crianga “pertence” sua personalidadé e deve
ser sentido como algo positive dentro do conjunto social da classe e jamais ser
reprimido, pois é a “ferramenta de seu desenvolvimento e de inserco na vida’. E
preciso estar atento aos temperamentos extremos e cuidar para que estes nao
extrapolem determinado |imites e se transformem em doenga.
No coléquio seminaristico de 21/8/19 R. Steiner caracteriza os temperaments
enfocando dois aspectos para que melhor pudéssemos reconhecé-los. Refere-se
aos niveis de:
a) excitabilidade dos érgaos de sentido
b) a forga de vontade inerente a alma
Podemos entender o termo “forca de vontade” como sendo sindnimo de
persisténcia, empenho, direcionamento. A descri¢ao dada a estes dois aspectos
por Rudolf Steiner é bastante lapidar:
“Os senhores poder diferenciar os homens segundo seu gesto animico, de
como se relacionam de forma mais ou menos intensa com um objeto ou situaco,
isto 6: se so capazes de vivenciar fortemente algo exterior & sua pessoa (mundo
exterior) ou se de forma intensa vivenciam seus estados interiores (alma). Também
precisamos diferenciar a forma de como se ligam a petcepedo. De um lado ha 0
temperamento que com forca se mantém ligado &s percepcdes e muda pouco, por
outro lado temos aquele que muda muito (excitabilidade dos érgaos de sentido)
Da forma de como se apresentam estes critérios na alma humana é que resultam
os diferentes temperamentos.” =
‘Obs.: traducdo livre de trecho do 7° coléquio seminaristico de R Steiner com os
professores da 1° Escola de Stuttgart 21/8/1919.
- melancélico
” __ pouca excitabilidade
Pouca orga
“
cleric
fleumatica-
poucaforca muita forca e
pouca excitabiicade excitablidade
i a ee a
pouca forca
og anguineo
E
‘Accrianca sanguinea
Geralmente se apresenta alegre e vivaz. E de facil trato e confiante. Entusiasma-
se por tudo que é novo, podendo ser facilmente motivada para o trabalho, Por
outro lado, seu interesse nao se prende de forma duradoura a objetos e situacdes.
Movimenta-se de uma impress&o 4 outra de forma bastante aleatéria. Sua
configuragao fisica é delicada: Movimenta os membros com graga e seu andar &
leve e saltitante. O olhar 6 alegre, mas pouco se fixa sobre os abjetos. O olhar de
uma crianga de sanguinismo extremo pode apresentar-se irrequieto e os olhos
esbugalhados. O perigo deste temperamento consiste na possibilidade de grande
instabilidade animica (emocional). A crianga se toma superficial, falante, agitada.
Quando fala, facilmente grita e com certa frequéncia mostra estar “fora de si’.
‘Comum as criancas sanatlineas é a forte excitabilidade causada pelas impresses
sensérias que atuam sobre 4 sua vida animica (sentimentos e representagées).
Como no possui forgas vitais suficientemente fortes para criar lastro fisico,
somatiza seus problemas animicos. Sofre de falta de apetite, dores estomacais,
insonia, Precisa de ambiente harmonioso para que possa se desenvolver bem!
Accrianca melancélica
Pouco do “ser” da crianga melancélica se revela para o meio social. Sua
configuragao corpérea se apresenta magra e delicada, seus movimentos sao
contidos, o andar comedido e um tanto inseguro. Nem sempre se relaciona de
forma prazerosa com 0 mundo, pelo contrario, parece tristanha e nao apreciadora
de ambientes barulhentos. Quando fala o faz baixinho e de forma um tanto
monétona. Reramente se mostra espontanea e tende a remoer etemamente os
mesmos sentimentos. Quanto 4 sua participagao das aulas pode enganar os
professores. Como ¢ crianga quieta e gosta de ostentar um ar de indiferenga, sO a
um olhar atento é perceptivel quanto esta ocupada consigo mesma ou atenta as
aulas. Precisam aprender a direcionar o seu interesse para o mundo exterior
através da contemplago profunda de algum assunto que deveria ser apresentado
sob miltiplos aspectos. isto faz com que seja levada a refletir, comparar ¢ julaar.
Necessita de muita atengdo carinhosa e o reconhecimento de seu bom trabalho,
que sempre ¢ feito com senso de responsabilidade e empenho. A crianca
metancélica sente as barreiras que Ihe so impostas pela sua disposi¢do fisica,
para realizar as suas intengdes animicas de leveza e mobilidade. Existe uma certa
desarmonia entre o Ambito animico-espirtual e a corporalidade fisica da crianga,
impedindo que a mesma se sinta bem aconchegada em seu corpo. Podemos
explicitar isto, dizendo que o seu sentido vital nao Ihe passa a sensagdo de bem
estar fisico e animico suficiente, em decorréncia da desarmonia existente entre
corpo € aspecto animico-espiritual. O perigo para a crianga melancélica consiste
no gradual desenvolvimento de isolamento dentro do contexto social ¢
consequente sentimento de solidao que disto advém! No momento em que o
professor conseguir mudar o direcionamento das forcas animicas da crianca de si
LE LE A LIT
aoemesma para o mundo exterior, fara com que séu sentimento de auto-piedade se
metamorfoseie em um sentimento de compaixao pelos outros.
Accrianca fleumética ae
\tradia tranquilidade, calma. Sente-se pouco impelida a mostrar seus sentimentos
ou a reagir de forma espontanea a estimulos exteriores. Prefere esperar 0
desenrolar dos acontecimentos! Entre as varias atividades apresentadas em sala
de aula dé preferéncia a tudo que é feito em grupo. Apoia-se no trabalho conjunto
da classe. Todo assunto novo como que se deposita no “mais profundo do seu ser”
© com dificuldade e lentidao é resgatado pela meméria. Todas as tarefas a ela
atribuidas sao realizadas com empenho e persisténcia. Quando motivada a
Participar das atividades da classe, mostra possuir belo sentido de humor ¢
profundidade de sentimento. Faz parte do polo calmo e confidvel da classe, sobre
© qual o professor pode se apoiar para o bom andamento dos trabalhos. Sua
configuracao fisica ¢ rechonchuda, os movimentos pausados e quando anda, mais
parece estar passeando. A expressao fisionémica se apresenta sonhadora e fixa
quando se volta para 0 seu interior. Sua vida animica esta fortemente ligada as
funges metabdlicas, em especial as atividades glandulares do organismo. O
perigo do temperamento fleumtico reside na possibilidade de um
ensimesmamento exagerado ou de uma entrega inconsciente a tudo que acontece
ao seu redor. Em casos extremos, podemos observar uma crianca apatica, quase
cataténica, que poderd se manifestar com sintomas de debilidade mental. E
Necessario que esta crianga seja constantemente levada a reagir a estimulos
sensério-perceptivos para que “acorde”. Um dos exemplos pode ser 0 de ter que
reagir a “ruidos subitos”, para estar consciente ao seu meio-ambiente por alguns
minutos e se ligar 4 matéria em estudo!
Acrianca colérica
Apresenta 0 mais elevado nivel de forga animica interior e de excitabilidade
sensoria. De forma intensa “ataca” suas tarefas, manifestando desejo de rapida
conclusdo. Quando tolhida em seus impulsos reage de forma explosiva
Facilmente torna-se 0 foco central de conflitos que irrompem por ninharias. Nao
domina seus fogosos sentimentos e de forma desenfreada “vive” a sua egoidade.
Seu olhar vivo, acordado ¢ tenso, volta-se para o exterior na expectativa das
novidades do dia. Quando nao impée sua vontade, mostra-se birrenta e raivosa
Sua configuracao fisica é compacta, o andar firme e decidido. A crianca colérica ¢
ativa, tem iniciativa e consegue impulsionar toda uma classe. Em propostas
conjuntas 6 lider, organiza e distribui tarefas. Quanto a persisténcia no trabalho, a
crianga colérica apresenta dificuldades. Nao gosta de exercicios nos quais precisa
desenvolver paciéncia e cuidados. Quando nao tem sucesso imediato, prefere
desistir a retomar a tarefa. Crianca fortemente colérica corre 0 risco de sofrer com
baixa estima e se auto ferir quando confrontada com situagao de insucesso. O
Perigo do temperamento colérico extremo reside no fato de a crianga poder chegar
a um frenesi raivoso doentio.Devido & importancia do temperamento na vida da crianga e da necessidade do
mesmo ser levado em conta e harmonizado, vamos esquematiza-lo do ponto de
vista de seus aspectos positivos e negativos. Estes aspectos poderao se
potencializar chegando a ser extremados em excelentes ou doentios.
temperamento qualidades
positivas potenciadas
* forga de vontade +
© persisténcia * visdo ampla das situa-
| © capacidade de organi- | gdes
zago © andlise do essencial
colérico
negativas -
‘* emocionalmente insté- |e frenesi raivoso
vel ‘* maniaco-depressivo
* raivoso
* egoista
positivas potenciadas
© amavel ++
* socialmente agradavel |* fidelidade
© confidvel
fleumatico
negativas
* embutido em sua vida |e debilidade mental
metabdlica
* entregue ao mundo
sensério-perceptivo
positivas potenciadas
© dipiomata ++
* comunicativo * criador de relagdes
sanatiineo
negativas -
* disperso © esquizofrenia
« irrequieto
positivas potenciadas
‘compaixéo ++
consciéneia profunda do
melancético essencial
negativas --
| tristeza depressao
‘A matematica e o desenho de formas so ferramentas de alto valor pedagogico
para a harmonizacdo dos temperamentos.No caso da matematica, podemos visualizar-uin caminho de duas vias. Usamos
os aspectos caracteristicos de cada temperamento para motivar e atingir a crianga,
Por outro lado, temos a acdo benéfica do trabalho matematico no sentido de uma
maior harmonizagao de sua personalidade. ce
Finalizando 0 assunto dos temperamentos, sera importante mencionar o conselho
de Rudolf Steiner, no qual recomendo que para a economia do trabalho do
professor de classe seria de bom alvitre agrupar as-criancas segundo 0s
temperamentos para que se lapidem mutuamente. "Como ilustracao resumiremos
um trecho de Rudolf Steiner: -
98 coléricos se curam ao interagirem em seu grupo, 0 melancélico se ativa
quando sentado entre melancdlicos... Os grupos nao atuam apenas intemamente
de forma benéfica, mas também pela interatuacdo de grupo para grupo, quando o
professor no seu preparo de aula lever em conta conscientemente as
caracteristicas dos diversos alunos que se oferecem na classe em decorréncia dos
temperamentos...”
Nao foi aprofundado 0 assunto do papel do professor quanto a sua personalidade
postura frente aos diversos temperamentos existentes na classe, assim como
muitos outros aspectos especificos.
O professor interessado em obter mais informagdes quanto a forma de como
trabalhar as 4 operagées levando em conta os temperamentos, poderé encontra-
las na brochura: Introducdo & matematica do 1° ano, embasado em Emst
Schuberth
Obs.: quanto aos trechos relativos aos temperamentos, s&o em decorréncia do
estudo do livro de Margareth Junemann e Kranich e outros: “Formenzeichnen, Die
Entwicklung des Formensinns in der Erziehung” pg. 91-105. O texto em portugués
é uma versdo livre de partes do capitulo em questéo.
JETER,
* gieoTECA