INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 1
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Iniciamos esta etapa com uma introdução sobre a história da
agricultura. Desde o início, lá nos
primórdios da Pré-História, no Período
Neolítico. Os vários assuntos abordados nesta etapa vão
propiciar que você
tenha um conhecimento abrangente de toda a evolução da agricultura.
No Tópico 1, conheceremos o processo histórico
da agricultura, dando ênfase na história da
agricultura brasileira. No Tópico 2,
a evolução das práticas e técnicas agrícolas e, no Tópico 3, vamos
abordar a
Revolução Verde, apresentando a sua importância para o desenvolvimento da agricultura.
No Tópico 4, não poderia faltar discutir sobre
o desenvolvimento do Agronegócio, desde o
surgimento do termo na década de
1950, nos Estados Unidos. E, por fim, o Tópico 5 aborda o
desenvolvimento
agrícola brasileiro, colocando o país como um dos principais fornecedores de
produtos agrícolas pelo mundo. Vamos começar a nossa viagem pela história. Bons
estudos!
TEMA 1 – PROCESSO HISTÓRICO DA AGRICULTURA
Para você entender todo esse processo histórico
que a agricultura passou, é necessário
voltarmos no tempo e saber que o nosso
sistema solar surgiu há cerca de 4,6 bilhões de anos. E as
primeiras formas de
vida, segundo os arqueólogos e historiadores, datam de 3,5 bilhões de anos,
com
seres muito primitivos (algas, bactérias e microrganismos), que surgiram na
água.
Milhões de anos se passaram, e a evolução nos
trouxe centenas de milhares de formas de vida.
O tempo foi passando e muitas
destas formas de vida foram desaparecendo, de acordo com
Mazoyer (2010). E ele
afirma também que muitas espécies vivas que habitam o nosso planeta ainda
não
foram identificadas, desta maneira, é possível a descoberta de novas espécies
que estão
espalhadas por todos os ecossistemas da Terra.
Mas e a evolução do Homem? Tudo começa há cerca
de 70 milhões, com os primeiros
primatas. Com o passar do tempo, surge os
Hominoides, também primata, mas com uma pequena
evolução, às vezes, andavam
eretos, sobre as patas traseiras.
Há cerca de 3 milhões de anos, surge os
primeiros Hominídeos, com o aparecimento dos
gêneros Australopitecos e Homo.
Os Australopitecos passaram a andar de forma ereta e usar as
mãos para
coletar alimentos. Já a evolução do gênero Homo foi mais consistente e
deu origem a
várias outras espécies de hominídeos.
De acordo com Leakey (1995, p. 12)
a locomoção ereta, que
distinguiu os hominídeos antigos de outros macacos de seu tempo, foi
fundamental para a história humana subsequente. Uma vez que nosso ancestral
distante tornou-se
um macaco bípede, muitas outras inovações evolutivas
tornaram-se possíveis, com o
aparecimento definitivo do Homo.
O Homo habilis viveu entre 2,2 milhões e
780 mil anos atrás, tinha habilidade para fabricar
alguns instrumentos,
facilitando a vida do bando. Seguindo a evolução, surge o Homo erectus,
que
viveu entre 1,8 milhões de anos a
200 mil anos atrás. Suas habilidades permitiram a confecção de
instrumentos de pedra e a utilização das peles de animais. Mas o seu grande
feito foi o
descobrimento do fogo.
O Homo neanderthalensis viveu aproximadamente entre 400 mil a 30 mil anos atrás, possuíam
habilidades mais avançadas, permitindo a criação de ferramentas, armas e
abrigos para acomodar o
bando. Outra característica evolutiva do neanderthalensis foi a necessidade de enterrar os seus
mortos.
O
Homo sapiens surgiu há cerca de 300 mil
anos, conhecido como o homem moderno, migrou
para todas as regiões da Terra, fabricando
vários instrumentos de diversos materiais. Para Leakey
(1995, p. 19), a
evolução do homem passa a ser: “equipada com linguagem,
consciência, imaginação
artística, e inovações tecnológicas jamais vistas antes
em qualquer parte da natureza”.
E, por último, na escala do tempo, temos a
subespécie Homo sapiens sapiens (significa homem
que sabe o que sabe),
que surgiu aproximadamente há 200 mil anos. Essa subdivisão ocorre dentro
da
espécie, é conhecido como o homem contemporâneo, o único que conseguiu
sobreviver a toda
essa evolução.
Créditos: Usagi-P /Shutterstock.
Para você entender como é a classificação
biológica da espécie humana:
Reino – Animalia
Filo – Chordata
Subfilo – Vertebrata
Classe – Mammalia
Ordem – Primata
Subordem – Anthropoidea
Superfamília – Homunoidea
Família – Hominidae
Gênero – Homo
Espécie – Homo sapiens
Subespécie – Homo sapiens sapiens
1.1 REVOLUÇÃO AGRÍCOLA
A partir daí, é que desenvolvem a agricultura e
a domesticação de animais, há cerca de 10 mil
anos. Os historiadores descrevem
esse período como a primeira grande revolução da história do
homem, a revolução
agrícola ou revolução neolítica (Pedro; Cáceres, 1988).
Para Mazoyer (2010, p. 52)
Foi apenas no neolítico
— há menos de 10.000 anos — que ele começou a cultivar as plantas e criar
animais, que ele mesmo domesticou, introduziu e multiplicou, em todos os tipos
de ambiente,
transformando, assim, os ecossistemas naturais originais em ecossistemas
cultivados,
artificializados e explorados por seus cuidados. Desde então a
agricultura humana conquistou o
mundo; tornou-se o principal fator de
transformação da ecosfera, e seus ganhos de produção e de
produtividade,
respectivamente, condicionaram o aumento do número de homens e o
desenvolvimento de categorias sociais que não produziam elas próprias sua
alimentação.
Com a habilidade de cultivar o seu alimento e
criar os animais, foi possível desenvolver a
convivência em sociedade, criando
hábitos e tradições, ou seja, desenvolvendo a sua cultura. Nesta
breve viagem
no tempo, é possível entender como o desenvolvimento da agricultura e da
pecuária foi
importante para a evolução do homem.
Os primeiros hominídeos não nasceram
agricultores e muito menos criadores de animais, e sim
coletores e caçadores de
alimentos. O que podemos entender de
todo esse processo é que, no
Período Neolítico (ou Idade da Pedra Polida), a
sociedade formada começou a semear diversas
plantas que faziam parte de sua alimentação,
além de domesticar e multiplicar os animais para
utilizar os seus produtos (como
exemplo o leite). De acordo com Mazoyer (2010), houve uma
transformação: de uma
sociedade de predadores passaram para uma sociedade de cultivadores.
1.2 EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA
Quando estudamos os períodos da Pré-História,
aprendemos que o período Neolítico foi
marcado pela evolução de instrumentos,
pinturas, esculturas, além do desenvolvimento da
agricultura e da domesticação
de animais. As formas de agricultura e pecuária praticadas nesse
período se
desenvolviam perto das moradias do grupo ou perto dos rios, pois as terras
ficavam
fertilizadas com as vazantes (enchentes). Segundo Mazoyer (2010, p. 45),
a expansão da agricultura
neolítica ocorreu de maneira que:
Os sistemas de criação
por pastoreio estenderam-se às regiões com vegetação herbácea e se
mantiveram
até nossos dias nas estepes e nas savanas de diversas regiões, na Eurásia
Setentrional, na Ásia Central, no Oriente Médio, no Saara, no Sahel, nos Andes etc.
Por um lado, os
sistemas de cultivo de derrubada-queimada conquistaram
progressivamente a maior parte das
zonas de florestas temperadas e tropicais,
onde se perpetuaram durante séculos, senão milênios, e
perduram ainda em certas
florestas da África, da Ásia e da América Latina. Desde essa época
pioneira, na
maior parte das regiões originalmente arborizadas, o aumento da população
conduziu
ao desmatamento e até mesmo, em certos casos, à desertificação. Os
sistemas de cultivo de
derrubada-queimada cederam lugar a numerosos sistemas
agrários pós-florestais, muito
diferenciados conforme o clima, que estão na
origem de séries evolutivas distintas e relativamente
independentes umas das
outras.
Dessa forma, nas
regiões áridas, os sistemas agrários hidráulicos com cultivos de inundação ou
cultivos irrigados constituíram-se desde o fim da época neolítica na
Mesopotâmia, nos vales do
Nilo e do Indo, nos oásis e nos vales do Império
Inca. Nas regiões tropicais úmidas (China, Índia,
Vietnã, Tailândia, Indonésia,
Madagáscar, costa da Guiné na África etc.), sistemas hidráulicos de
outro tipo,
baseados na rizicultura aquática, desenvolveram-se por etapas sucessivas,
reestruturando primeiro os espaços mais regados e drenados (planícies e
interflúvios), em seguida
os espaços acidentados (montante dos vales), ou de
difícil proteção e drenagem (jusante dos vales
e deltas), ou, ainda, espaços
que exigiam irrigação. Ao mesmo tempo, as ferramentas e os
equipamentos foram
aperfeiçoados e o número de colheitas aumentou a cada ano.
As chamadas revoluções agrícolas
surgiram a partir dos sistemas agrícolas implantados em
diversas regiões, por
exemplo, o sistema de cultivo de cereais pluviais com alqueive.
Você sabe o que é alqueive? É uma terra lavrada
que é deixada em repouso, ou seja, sem
semear por certo tempo, desta maneira,
ela aumenta sua produtividade. De acordo com Mazoyer
(2010, p. 46), além do
sistema de alqueive, os agricultores trabalhavam “com pastagem e criação
associadas, nos quais se utilizavam ferramentas manuais, como a pá e a enxada,
e um instrumento
de cultivo de tração leve, o arado escarificador”.
Durante a Idade Média, segundo Mazoyer (2010),
o sistema com alqueive e tração pesada por
animais (arado charrua e carreta)
foram a marca da revolução agrícola desse período, gerando um
aumento
significativo de produção de alimentos para atender a demanda da população. A
consequência desse aumento de produção foi o desmatamento de grande parte das
florestas
europeias.
Ainda segundo Mazoyer (2010, p. 46), “a
primeira revolução agrícola dos tempos modernos
gerou os sistemas de cultivos
baseados na cerealicultura com forrageiras e sem alqueive”.
Com a Era das Grandes Navegações, os europeus
puderam ter acesso a novas plantas que
vinham de outras regiões (como a batata,
o milho, o cacau, entre outras), enriquecendo sua
alimentação.
Os europeus se espalharam pelo mundo com suas
colônias de povoamento em regiões
temperadas e, nas regiões tropicais, com suas
colônias de exploração, implantando um processo de
dominação política,
econômica, cultural e militar. Desta maneira, o sistema agrícola europeu, nas
regiões tropicais, foi marcado com plantações agroexportadoras (cana-de-açúcar,
café, cacau,
algodão etc.).
A evolução agrícola, de acordo com Mazoyer
(2010, p. 46), “produziu os sistemas motorizados,
mecanizados, fertilizados com
auxílio de insumos minerais e especializados da atualidade”.
1.3 PROCESSOS HISTÓRICOS DA AGRICULTURA BRASILEIRA
Com certeza, você já deve ter ouvido que o
Brasil nasceu com vocação agrícola. Será que é
verdade? Antes de entrarmos nesse
questionamento, é importante termos em mente que o Brasil,
antes de ser um país,
era uma região ocupada por diversas nações, chamadas de nações indígenas
(também chamados de nativos, afinal eles já estavam aqui antes da chegada dos
europeus).
Eles viviam espalhados por esse imenso
território, tinham suas culturas, suas línguas, suas
crenças e praticavam o seu
modo de vida. Essas nações tinham maneiras diferentes de viver,
algumas eram
nômades, outras seminômades, mas o importante é saber que eles também
praticavam
a agricultura.
Alves (2001, p. 6) afirma que:
Muitas tribos indígenas
dominavam sistemas sofisticados de produção que incluíam desde
conhecimentos de
calendários agrícolas baseados na astrologia, até sistemas de seleção e
manejo de
solos e diversificação de culturas.
Muitos indígenas praticavam a coivara,
uma espécie de agricultura ecológica, de acordo com
Reifschneider
(2010), derrubavam a mata para abrir uma clareira, roçavam no período da seca,
deixavam secar a vegetação para depois queimar. Dessa queima obtinha as cinzas,
muito rica em
nutrientes. A partir desse processo eles plantavam, por exemplo,
mandioca, inhame, batata doce,
milho, frutas, pimentas, entre outros.
Outra técnica desenvolvida pelos indígenas da
região amazônica é a chamada terra preta dos
índios, deixa o solo
descansar durante certo período para repor a sua matéria orgânica. Em
outras
partes do mundo, essa técnica é conhecida como pousio (o descanso do
solo por um tempo
determinado para recuperar sua fertilidade). É praticada por
pequenos agricultores, principalmente
para os cultivos de hortaliças e legumes.
Em 1500, aporta por essas terras a esquadra
comandada por Pedro Álvarez Cabral. Houve muita
troca de informação entre os
indígenas e os portugueses. Na carta escrita por Pero Vaz de Caminha,
relata o
que eles viram, ou seja, a primeira impressão dessa nova terra, recém-achada.
A princípio não deram muita importância a essas
terras, pois não encontraram metais preciosos
e, se limitaram a exploração do pau-brasil
(Cesalpinia echinata), árvore encontrada em grande
quantidade na costa
brasileira. A retirada dessa madeira era feita pelos indígenas e depois
embarcadas nos navios rumo à Europa. Segundo Reifschneider (2010, p.
28)
Como forma de
pagamento, os índios recebiam diversos objetos ainda não conhecidos na região.
Possivelmente as ferramentas de ferro eram o que mais interessava aos índios,
já que esse metal
era ainda desconhecido no Brasil pré-Cabral.
Créditos: Leo Fernandes/Shutterstock.
Ao chegar à Europa, as toras do pau-brasil eram
transformadas em um corante avermelhado (a
brasilina) e usado nas indústrias
têxteis. Uma curiosidade: a cor vermelha era associada aos reis e à
nobreza
europeia, então, imagina o sucesso que o pau-brasil fez na Europa.
Créditos: visicou/Shutterstock.
Respondendo aquela pergunta inicial: O Brasil nasceu
com vocação agrícola? De acordo com
Reifschneider (2010, p. 13)
A vocação agrícola do
Brasil foi registrada desde o seu descobrimento em 1500. A formação da
agricultura brasileira deveu-se sobretudo à ação dos colonizadores, que
trouxeram espécies
animais e vegetais e que souberam, juntamente com os povos
aqui existentes ou que aqui foram
forçados a trabalhar, desenvolver uma
riquíssima atividade agroprodutiva nesta região tropical.
Com o passar do tempo, os portugueses
implantaram a colonização de exploração e, para isso,
utilizavam a mão de obra
escrava, negros trazidos de regiões do continente africano.
Para evitar que outros povos europeus tomassem
posse dessas terras, Portugal implantou
sistemas, como as Capitanias
Hereditárias e o Governo-Geral, para que a colonização portuguesa
pudesse ser
desenvolvida. Nesse processo, a agricultura se baseava nas monoculturas que
tinham
mercado garantido na Europa, por exemplo, o pau-brasil, a cana-de-açúcar,
o algodão, o tabaco, o
cacau, o café, a borracha. Além das monoculturas, também
eram plantados alimentos de
subsistência e criação de animais para atender as
necessidades da população que vivia aqui.
Com a chegada da família real portuguesa, em
1808, o Brasil passa a ser a sede da coroa
portuguesa, aumentando a necessidade
de mais produção de alimentos.
Em 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal
e, décadas depois (1889), se transforma
em uma república. Independentemente das
mudanças políticas, a vocação agroexportadora
permaneceu cada vez mais forte.
Ao longo dos anos, o Brasil foi se
modernizando, implantando indústrias, comércio e
desenvolvendo tecnologias na
área do agronegócio. Aprimorou ainda mais com o cultivo de soja,
café,
cana-de-açúcar, produção de carne (bovina, suína e de aves), entre muitos outros.
Esses ciclos econômicos no qual o Brasil
passou, desde o período colonial até os dias de hoje,
são marcados por impactos
negativos ao meio ambiente, nas estruturas sociais e no crescimento
desigual
das regiões brasileiras, conforme aponta Reifschneider (2010). Ele
ainda comenta “ao focar
nesses ciclos, comete-se uma injustiça histórica: não
se registra a riqueza e a complexidade da
agricultura que se desenvolvia e
evoluía constante e gradualmente no Brasil, desde antes da
chegada de Cabral” (Reifschneider,
2010, p. 13).
TEMA 2 – EVOLUÇÃO DAS PRÁTICAS E TÉCNICAS AGRÍCOLAS
Nesta etapa, a abordagem é sobre a evolução da
agricultura. Conforme visto no Tópico 1, com a
evolução do homem, foi possível
haver o desenvolvimento da agricultura e da domesticação dos
animais, o que
marcou uma transformação no modo de vida do ser humano.
Isto ocorreu no Período Neolítico, há cerca de
10 mil anos. Pedro e Cáceres (1988) apontam que
a partir das condições
apresentadas naquele período foi possível haver a primeira revolução da
história humana, que ficou conhecida como Revolução Agrícola.
De acordo com Pedro e Cáceres (1988, p. 7), “o
surgimento da agricultura implicou um processo
produtivo novo que permitiu ao
homem reordenar intencionalmente a natureza, colocando-a a seu
serviço”.
O que eles querem dizer com isso? Com a
agricultura e a domesticação dos animais, foi
possível o desenvolvimento da
capacidade produtiva, melhorar e diversificar a dieta alimentar, o
crescimento
demográfico e o surgimento das tribos e depois as primeiras cidades. Lógico que
esses
avanços não ocorrem todos juntos, mas, gradativamente, porque os homens
ainda não dominavam
as técnicas produtivas. Por exemplo, os agricultores e
pastores iam atrás de novas terras, pois eles
não conheciam as técnicas para manter
a terra sempre produzindo. Por outro lado, esse tipo de
migração fez com que houvesse
uma difusão de modo de vida por várias regiões da Terra, de acordo
com Pedro e
Cáceres (1988).
A partir do momento da formação das tribos, vão
surgir algumas características da convivência
dos grupos sociais. As terras
eram coletivas e cada indivíduo era proprietário do seu modo de
produção
(agricultor, pastor). Tudo que era produzido era para o consumo do grupo
e não tinha
finalidade de produzir excedentes. Não existia distinção social.
Segundo Pedro e Cáceres (1988, p. 7), “a única
divisão do trabalho que existia era a divisão
sexual, isto é, as mulheres
dedicavam-se a certas tarefas e os homens a outras”. Esse período foi
chamado
de comunidade gentílica, devido a não ter classes sociais e muito menos
a formação do
Estado.
Pedro e Cáceres (1988, p. 15) afirmam que:
com a Revolução
Agrícola e com o Pastoreio, que houve um grande desenvolvimento das forças
produtivas humanas, que se completou com a utilização dos metais a partir do
período Neolítico.
Foi este desenvolvimento técnico, que exigiu novas relações
sociais entre os homens, o fator
determinante, em última instância, responsável
pela dissolução da comunidade gentílica.
Com essa transição das sociedades, surgem as
primeiras cidades, no período da História
conhecido como Idade Antiga. O
principal processo agrícola desse período foi a Revolução do
Regadio
(modo de produção era desenvolvido em canais de irrigação). Essa forma de
produção
ocorria em regiões com presença de rios, como exemplos, a região da
Mesopotâmia com os rios
Tigre e Eufrates e, no Egito, com o Rio Nilo.
O que é interessante nessa forma de produção,
conforme Pedro e Cáceres (1988, p. 15-16)
apontam:
não existia o
proprietário privado. Qualquer indivíduo só usufruía da terra se fosse membro
da
comunidade. A comunidade era a proprietária coletiva da terra. Os trabalhos
agrícolas e
manufatureiros eram feitos no interior da pequena comunidade. Acima
destas comunidades estava
o déspota (faraó no Egito, imperador na Mesopotâmia)
que era o proprietário nominal das terras. O
camponês tinha que produzir um
excedente econômico para o déspota (Estado), o qual, através da
construção de
aquedutos e de canais de irrigação, permitia o desenvolvimento da agricultura.
O Estado, por ser centralizador, acabava
concentrando os poderes militar, religioso, político e
econômico. Os membros do
Estado pertenciam a uma casta social, ou seja, a camada dominante.
Por exemplo,
o Faraó era o membro mais importante da sociedade egípcia.
Dentro de todas as mudanças que estavam
ocorrendo nesse período, uma se sobressaiu, a
Revolução dos Metais (a fundição
dos metais, como cobre, estanho, bronze e ferro) fez com que a
produtividade
aumentasse, criando a produção de excedentes.
Há cerca de 5 mil anos, surgiu o arado,
uma ferramenta agrícola de grande ajuda para lavrar a
terra. O arado era
atrelado à tração animal, abrindo o sulco na terra para colocar as sementes.
Créditos:
TRUNCUS/Shutterstock.
Nesse período, surgem os Estados escravistas,
como exemplos Grécia e Roma, que utilizavam
os prisioneiros de guerra e os
endividados para trabalhar nos latifúndios para o cultivo dos produtos
agrícolas.
Bakers (2019) afirma que a sociedade rural de
Roma era dominada pelos ricos proprietários de
grandes latifúndios e que
utilizavam mão de obra escrava. E ser grande proprietário de terra era a
distinção entre pertencer à aristocracia e ser uma pessoa comum. Então, quanto
mais terra
possuísse, mais poder e influência ele teria em Roma.
Para Pedro e Cáceres (1988, p. 17), as mudanças
que estavam ocorrendo nos meios de
produção fizeram:
com o crescimento de
todos os ramos da produção, o trabalho artesanal separou-se do trabalho
agrícola; com esta separação entre trabalho agrícola e artesanal e com a
produção de excedentes,
nasceu a produção direta para a troca, com o surgimento
de indivíduos especializados na
articulação entre os produtores: os
comerciantes.
O comércio gerou a necessidade de novos
mercados, surge o período expansionista. Tanto os
gregos como
os romanos foram em busca de novas terras para ampliar seus domínios
econômicos,
políticos, militares e culturais.
Vamos pegar o exemplo da história romana: é
marcada por três momentos políticos:
Monarquia, República e Império. Em
todo esse longo período histórico, Roma passou por diversas
mudanças, como
organização social, cultural, econômica e política, lutas de classes, expansão
territorial, cristianismo e as invasões bárbaras.
Com a decadência de o Império Romano do
Ocidente, no século V, vai dar origem ao momento
histórico chamado de Idade
Média. A Idade Média, de acordo com os historiadores, é dividida em
duas
partes: Alta Idade Média (séculos V ao XI), tendo como modo de produção
o feudalismo, e a
Baixa Idade Média (séculos XI a XV), com o fim do
feudalismo e iniciando o capitalismo. O modo de
produção feudal foi marcado por
grandes propriedades (feudos) e pelas relações servis, entre o
senhor feudal e o
servo.
A principal técnica agrícola criada nesse
período foi a rotação de cultura (divide-se o lote de
terra agricultável
em três partes). Veja o quadro a seguir para entender o seu funcionamento:
Quadro
1 – Rotação de cultura
CAMPO Primeiro ano Segundo ano Terceiro ano
I Plantação de cevada Campo em repouso Plantação de trigo
II Plantação de trigo Plantação de cevada Campo em repouso
II Campo em repouso Plantação de trigo Plantação de cevada
A
rotação de cultura acaba fazendo com que a terra seja trabalhada com culturas
diferentes,
além de que sempre terá uma parte em repouso a cada ano. Isso ajuda
muito na fertilidade do solo,
ao reter nutrientes das culturas plantadas em
cada lote.
No auge do período feudal, surgem no campo
outras técnicas agrícolas, como o arroteamento
das terras (drenagens de pântanos e derrubada de florestas),
uso do moinho de vento e de água,
charrua de rodas (muito parecido com um
arado, porém, abre mais profundamente o sulco da terra)
e a armação rígida na
atrelagem dos cavalos para o uso na tração animal.
No século XI,
renasce o comércio na Europa, nas cidades, desenvolvia a produção artesanal e,
no campo, a produção agrícola. O Renascimento Comercial foi consolidado
com as Cruzadas, um
movimento de caráter religioso, mas também de caráter
político e econômico. Os cruzadistas, ao
expulsarem os árabes do mar Mediterrâneo,
dão início à ascensão das cidades italianas no comércio
mediterrâneo.
Com o comércio
crescendo na Europa, as cidades ressurgem, é o que chamamos de
Renascimento
Urbano. O mundo medieval entra em declínio a partir do século XIV, com as
mudanças econômicas (comércio e as grandes navegações), política (centralização
do poder nas
mãos dos reis), religioso (reformas protestantes e contrarreforma),
cultural (valorização do homem)
e social (mercadores).
As Grandes
Navegações permitiram aos europeus a expansão marítima, comercial e
colonial.
Os europeus estavam em busca de novos mercados, metais preciosos e
especiarias e, com as novas
invenções usadas nas navegações, como a bússola, o
astrolábio e as caravelas, conseguiram
desbravar o Oceano Atlântico.
Com esse
desbravamento marítimo, houve o lado positivo, que foi a troca cultural e de
produtos
agropecuários, mas o lado negativo é que os colonizadores impuseram seu
modo de vida, sua
cultura e sua religião aos povos dominados.
Portugal foi o
pioneiro na expansão marítima, seguidos pelos espanhóis, holandeses, franceses
e ingleses. Nessa busca, depararam com novas terras e implantaram o sistema
colonial (monopólio
das metrópoles sobre as colônias).
A colonização
feita pelos europeus foi de duas maneiras: a colonização de exploração
e a
colonização de povoamento. As colônias de exploração passaram a
produzir conforme as
necessidades da sua metrópole. No caso do Brasil-colônia,
os portugueses introduziram a
escravidão para obter uma produção
agroexportadora. E nas colônias americanas que pertenciam à
Espanha criou-se o
sistema de encomiendas, em que a mão de obra indígena era utilizada para
trabalhar em atividades agrícolas ou na extração de metais preciosos.
Na colonização
inglesa na América ocorreu os dois tipos: nas colônias do Norte, a economia era
baseada em pequenas propriedades com trabalho familiar e para o consumo
interno, pois produziam
os mesmos gêneros agrícolas, já que o clima era
parecido com o europeu. Nas colônias do Sul,
devido ao clima ser diferente, foram
implantadas as grandes propriedades, com trabalho escravo e a
produção
monocultora para atender o mercado externo.
As colônias de
exploração da América e da África foram estruturadas para uma agricultura
voltada para a exportação, para atender a demanda econômica das suas
metrópoles. Vários fatos
históricos aconteceram pelo mundo, por exemplo,
independências das colônias, revoluções, grandes
guerras, entre outros. Com esses
acontecimentos, ocorreram mudanças no setor agrícola, com
desenvolvimento de
técnicas, equipamentos, pesquisas e insumos.
2.1 AGRICULTURA PELO MUNDO
As técnicas agrícolas aplicadas nas diversas
regiões foram adaptadas para as suas
características de solo, relevo e clima. Na
região da Mesoamérica (que compreende as civilizações
maia, inca e asteca), a
técnica mais utilizada, devido às adversidades do relevo, era o terraceamento
(formar terraços ao longo das encostas das montanhas).
Nas áreas pantanosas e nas planícies alagadas,
usavam os campos elevados para cultivar
alimentos. Já os astecas introduziram a
chinampas (lotes flutuantes de terra colocados no topo de
camadas da vegetação
aquática). Na parte Oeste do território inca, por se localizar em área
desértica, a agricultura se desenvolveu graças à irrigação dos rios originários
da Cordilheira dos
Andes, de acordo com Bakers (2019).
Você sabia que o milho e a batata surgiram
nessa região? Foi a partir da domesticação do
teosinte
selvagem (espigas pequenas) que surgiu o milho, uma cultura essencial para
a
sobrevivência desses povos.
A batata era cultivada pela civilização inca,
de fácil plantio devido à sua capacidade de se
adaptar aos diferentes climas e
solo. Na região dos países árabes, a agricultura se desenvolveu
graças ao uso
da irrigação, terraplanagem dos terrenos e com pequenas propriedades que eram
cultivadas pelos seus donos. Existiam grandes propriedades que usavam escravos,
servos ou
homens livres (os rendeiros) que trabalhavam nessas terras, segundo
Pedro e Cáceres (1988).
A agricultura da China se desenvolveu na parte
leste na Grande Planície que é cortada por dois
rios que nascem nas montanhas,
o Rio Huang-Ho (rio amarelo) e o Rio Yang-Tsé-Kiang (rio azul).
O desenvolvimento da agricultura é graças ao Rio
Huang-Ho. Com as chuvas, o rio enche e alaga
boa parte da planície, é o momento
de irrigar as terras e cultivar o arroz, principal cultura.
Outra característica que ajuda a fertilizar as
terras agrícolas da região é a poeira amarelada que
é trazida pelo vento. A Índia
é um país localizado ao sul do continente asiático, entre o Oceano Índico
e a
Cordilheira do Himalaia. Faz parte da península do Decã.
É um imenso território, com diversidades nas
suas condições naturais (planícies e planaltos) e
dois rios importantes para a
economia regional, o Rio Indo e o Rio Ganges (esse considerado um rio
sagrado
para os hindus).
A agricultura indiana, durante muito tempo, foi
a base da economia. Era cultivada por irrigação
através de grandes canais. As
principais culturas: arroz, trigo, algodão, cevada e tâmaras. E a criação
de
animais, como bovinos, carneiros e porcos faziam parte do desenvolvimento
econômico do país.
TEMA 3 – REVOLUÇÕES AGRÍCOLAS
Este tópico
será sobre o movimento agrícola que surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Mas,
para entender sobre esse assunto, é importante saber que esse movimento faz
parte das Revoluções
Agrícolas que surgiram no mundo.
Podemos
entender que Revolução Agrícola trata-se de técnicas e tecnologias para obter
alimentos através de alteração de suas formas de produção, na dinâmica do
processo, ou até
mesmo modificando sua forma genética. Lógico que essas
alterações ocorreram de maneira
gradativa, conforme o desenvolvimento das
técnicas e das tecnologias aplicadas no setor
agropecuário.
A Primeira
Revolução Agrícola, como você já deve ter visto em conteúdos anteriores,
aconteceu
no período Neolítico, quando o homem desenvolveu a agricultura e a
domesticação dos animais, há
cerca de 10 mil anos. Com isso, houve uma
transição do nomadismo para o sedentarismo.
A Segunda
Revolução Agrícola foi um grande salto no desenvolvimento do setor. Ocorreu
na
Europa entre os séculos XVIII e o XIX com o uso de técnicas para aumentar
sua produção,
produtividade e seu rendimento. Algumas técnicas foram utilizadas,
como a rotação de cultura
(técnica desenvolvida desde o período feudal),
variados tipos de sementes, implantação de novos
cultivares, como a batata e o
milho (trazidos do continente americano), o emprego de cavalos em
todo processo
(plantio até a colheita), investimentos em pesquisas nas áreas de solo e de
nutrientes
(fertilizantes), concentração de terras (latifúndios) e o aumento da
atividade pecuária para obtenção
de alimentos, de subprodutos e uso para tração
animal. O advento das máquinas foi o marco para a
Revolução Industrial ocorrida
na Inglaterra no século XVIII.
Créditos: Morphart Creation/Shutterstock.
A
implantação das indústrias no meio urbano atraiu inúmeros trabalhadores do meio
rural, que
estavam perdendo suas terras com a formação das grandes propriedades
(latifúndios), uma das
características da segunda revolução agrícola.
O
desenvolvimento das máquinas acabou beneficiando o meio rural com a introdução
da
mecanização agrícola substituindo a tração animal. Com os tratores e os
implementos (arados,
semeadeiras, pulverizadores e colheitadeiras), fez
aumentar a produção agrícola.
Créditos: Hennadii H/Shutterstock.
A Terceira
Revolução Agrícola ocorreu após a Segunda Guerra Mundial e é marcada
por
mudanças nas atividades agropecuárias para atender as necessidades de
alimentos para a
população mundial. Essas mudanças deram origem ao que chamamos
de Revolução Verde, que
impactou o desenvolvimento da produção
das commodities, além de avanços de pesquisas de
fertilizantes e de agroquímicos
em diversas áreas do setor agropecuário.
De
acordo com Mazoyer (2010, p. 500-501),
Após a Segunda Guerra
Mundial, centros internacionais de pesquisas agrícolas, financiados pelas
grandes fundações privadas americanas (Ford, Rockfeller...) selecionaram
variedades de alto
rendimento de arroz, de trigo, de milho e de soja, muito
exigentes em adubos e em produtos de
tratamento, colocando em prática, em
estação experimental, os métodos de cultivo
correspondentes. Nos anos
1960-1970, as difusões dessas variedades e desses métodos de
cultivo permitiram
aumentar significativamente os rendimentos e a produção de grãos em muitos
países da Ásia, da América Latina e, em menor grau, da África.
Com a
modernização do setor agrícola, devido às pesquisas direcionadas para as áreas
de
agroquímicos e de fertilizantes, ajudaram na produção de alimentos para
atender a explosão
demográfica ocorrida após a Segunda Guerra Mundial.
Toda
essa modernização foi por causa de investimentos de governos, principalmente de
países
desenvolvidos, instituições de pesquisas nas universidades e do setor
privado.
No
Brasil, o grande fato ocorrido nesse período (na década de 1970) foi a criação
da Embrapa
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A Embrapa
começou a desenvolver pesquisas
agropecuárias, visando o aumento de
produtividade, inserção de novas técnicas e tecnologias para a
realidade
brasileira. Isso gera um grande avanço e mudanças de paradigmas produtivos, ou
seja, é
impossível imaginar que a agropecuária, a partir dessas mudanças,
continuasse a ser praticada da
mesma forma.
Como a
Revolução Verde foi um grande marco para a história do setor agrícola, vamos
esmiuçar
mais sobre o assunto ainda nesta etapa: a Quarta Revolução Agrícola, também
conhecida como
Agricultura 4.0. Essa revolução é marcada por desafios
que o setor agropecuário tem que superar
com o uso de modernas tecnologias.
Ao
aplicar essas tecnologias, segundo Lamas (2017), no artigo “Agricultura 4.0: a quarta
revolução tecnológica,
com forte conteúdo digital e conectada”,
deve-se garantir a segurança
alimentar para a população mundial, mas sem deixar
de ser conectar com a conservação ambiental.
E o que deve levar em consideração
é a qualidade do alimento e de como ele é produzido, visando o
aumento da
produção via aumento da produtividade.
Conforme Lamas (2017) aponta ainda no artigo, as
transformações que atualmente o mundo
passa é devido a capacidade das
instituições de pesquisas públicas e privadas de gerarem
conhecimento e,
consequentemente, essas pesquisas são transformadas em tecnologias que serão
incorporadas em sistemas de produção. As tecnologias implantadas
pelas pesquisas para o setor
agropecuário buscam aumentar a produtividade, mas
levando em conta a redução de seus custos e
ofertar um alimento de qualidade.
E,
finalmente, a Quinta Revolução Agrícola, que também pode ser chamada de Revolução
Ambiental, devido ao seu modelo de produção ser pautado na
sustentabilidade.
É um
setor mais colaborativo e transparente, como aponta Palermo
(2018) no artigo “A nova
revolução da agricultura”, para a CNA (Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil). Além de
buscar políticas públicas para atender as
necessidades de tecnologias que transformem o setor
agropecuário.
Desta maneira, como as novas
tecnologias e as políticas públicas adotadas acabam sendo
essenciais para o
sucesso do setor, gerando mais produtividade, mas com consciência nos
problemas
sociais, como a erradicação da fome e da pobreza, melhoria da saúde por meio de
uma
alimentação de qualidade e o cuidado com o meio ambiente.
Podemos entender que essa
revolução agrícola está direcionada nos modos sustentáveis de
produção, ou
seja, uma produção agropecuária sustentável. Ao longo de toda essa evolução
agropecuária, é possível entender que houve
impactos sobre o meio ambiente.
Lógico
que na Primeira e a Segunda Revoluções Agrícolas os impactos não foram tão
presentes,
mas a partir do momento que a produção agropecuária se tornou mais
consistente na necessidade
de produtividade a qualquer custo, é importante que
novas tomadas de decisões e de tecnologias
sejam voltadas para uma produção
mais limpa, com alimentos mais saudáveis.
3.1 REVOLUÇÃO VERDE
A Terceira Revolução Agrícola, ou Revolução
Verde, é um grande marco na evolução de
máquinas e implementos,
insumos e tecnologias e, devido à importância desse fato, é necessário
detalharmos
mais esse período.
Surgiu após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945),
e esse movimento foi impactado por
várias tecnologias que foram, a princípio,
destinadas ao setor bélico, passaram a ser direcionadas
para a produção de
alimentos, pois havia a necessidade de atender a demanda de comida para a
população mundial. Nesse cenário pós-guerra, muitos produtos encontraram
utilidades na produção
de alimentos. Por exemplo: um tanque de guerra, após a
sua utilização, passa por um processo de
adequação, transformando-se em um
implemento para ser utilizado no cultivo de alimentos, como
um trator. É o
ciclo tecnológico para o benefício da produção de alimentos.
Outros exemplos são os ligados a fertilizantes
e agroquímicos (defensivos agrícolas ou
agrotóxicos). Na fertilização do solo, utiliza-se
a amônia (fertilizantes nitrogenados), mas, durante a
guerra, ela era utilizada
como arma química. Na área de agroquímicos, os inseticidas DDT (Dicloro-
Difenil-Tricloroetano) e o BHC (Hexaclorobenzeno), que durante a guerra foram
usados para matar
piolhos, pulgas e insetos transmissores de doenças, como o
tifo, a malária e, aqui no Brasil, foram
utilizados para combater o bicho
barbeiro causador da Doença de Chagas e, na lavoura de café,
foram utilizados
no combate ao besouro negro.
Atualmente, esses
dois inseticidas são proibidos, pois são extremamente cancerígenos. Desses
inseticidas, ou melhor, da sua tecnologia, desenvolveu-se os inseticidas
organoclorados, como
exemplos, o Aldrin, Mirex, Dieldrin, entre outros.
Outro produto
químico usado durante a guerra, principalmente na do Vietnã, foi o agente
laranja,
um tipo de herbicida. Passou a ser utilizado para controlar plantas
daninhas (invasoras) nas
plantações, como exemplo, o glifosato. É interessante entender
que toda essa tecnologia aplicada
na guerra passou por uma reestruturação na
indústria para que os insumos gerados pudessem ser
utilizados no setor
agropecuário. Assim, nasce o movimento denominado Revolução Verde.
Não foi só o uso
dos insumos de guerra para o setor agropecuário que foi responsável por esse
movimento agrícola, mas todo um contexto de dar uma nova diretriz nas cadeias
produtivas, tanto
que, na década de 1950, os professores da Universidade de
Harvard, Goldberg e Davis, entenderam
que as atividades agrícolas e todas as
atividades nelas ligadas faziam parte de um ambiente só, na
qual eles
denominaram de Agribusiness.
Além da
preocupação no abastecimento de alimentos para a população, fez com houvesse a
necessidade de repensar a maneira de produzir e na distribuição dos alimentos
para atingir um
propósito maior que era a erradicação da fome.
Um personagem
muito importante nesse movimento foi o engenheiro agrônomo norte-
americano
especializado em genética e patologia vegetal Norman Borlaug,
considerado o pai da
Revolução Verde.
Trabalhou na área
de melhoramento de genética no México onde desenvolveu um grupo de
variedades
de trigo, conhecidas como variedades anãs, resistentes a ataques de fungos e,
ao utilizar
grande quantidade de fertilizantes, possibilitava ser mais
produtiva e adaptável a várias regiões
agrícolas. Devido a essa contribuição,
houve um aumento de fornecimento de alimento no mundo,
por isso, recebeu o
Prêmio Nobel da Paz, em 1970. O principal objetivo de Borlaug era diminuir a
fome no mundo e, para isso acontecer, deveria aplicar método
técnico-científicos para a produção de
alimentos.
Nessa linha de
pensamento, visando erradicar ou diminuir a fome, era preciso seguir alguns
fundamentos, por exemplo, o melhoramento genético. Neste conceito, uma
das premissas era o
adensamento de plantas por área, ou seja, ao reduzir o
porte da planta, diminuiria o espaço ocupado
e, desta forma, ampliaria sua
produção.
Outro fundamento
era usar insumos sintéticos para fornecer os nutrientes necessários para
a
planta se desenvolver, ou para controlar pragas, doenças e infestação de
plantas daninhas.
A mecanização
agrícola passa a ajudar nas tarefas, desde o plantio até a colheita.
Tornando
todas as etapas mais eficientes e com custo reduzido na produção. Para
que o modelo produtivo
determinado por Borlaug fosse levado adiante, era
preciso que o Estado fosse o principal
multiplicador de incentivos e de
tecnologias.
Era obrigação do
Estado promover políticas públicas e de pesquisas no setor agropecuário,
incentivar
o extensionismo rural e fomentar o crédito agrícola para que as propriedades
rurais
pudessem produzir e abastecer as necessidades de alimentos.
A ideia de
transformar a propriedade rural em uma indústria de produção de alimento,
usando
insumos, maquinários, capital de giro, com uma gestão e logística para
abastecer o mercado com
alimentos. Esse processo é muito parecido com o que
aconteceu na Primeira Revolução Industrial, lá
na Inglaterra do século XVIII e
depois se espalhou pelo mundo, com as máquinas produzindo em
larga escala de
maneira seriada. A partir da Revolução Verde, a produção de alimento passou a
ser
visto como participante de uma cadeia produtiva.
TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO DO AGRONEGÓCIO
O conceito de
agronegócio vem sendo utilizado há muito tempo, quando os professores da
Universidade de Harvard, Goldberg e Davis, em 1957, introduziram o termo Agribusiness
por entender
que a nova agricultura estava passando por transformações, ou
seja, havia uma integração entre o
setor agrícola aos demais setores que
forneciam insumos, faziam o processamento e a distribuição
da produção. Esse
conceito acaba abrangendo todas as fases de transformação dos produtos
agrícolas até a chegada ao consumidor final.
O termo ganhou
força e espalhou-se pelo mundo. Aqui no Brasil, segundo Araújo (2007, p. 16),
“essa nova visão de ‘agricultura’ levou algum tempo para chegar. Só a partir da
década de 1980
começa haver a difusão do termo, ainda em inglês”. Os movimentos
regionais surgiram em São
Paulo, na USP, com o Programa de Estudos de Negócios
do Sistema Agroindustrial (Pensa) e, no Rio
Grande do Sul, com a Associação
Brasileira de Agribusiness (Abag).
De acordo com
Araújo (2007, p. 17):
O termo agribusiness
atravessou praticamente toda a década de 1980 sem tradução para o
português e foi adotado de forma generalizada,
inclusive por alguns jornais, que
mais tarde
trocaram o nome de cadernos agropecuários para agribusiness. Não eram raras as discussões
sobre a
utilização do termo em inglês ou a tradução literalmente para o português
para
agronegócios, ou ainda os termos complexo agroindustrial, cadeias agroeconômicas e sistema
agroindustrial. Todos com a intenção de um mesmo significado.
Na segunda metade
da década de 1990, o termo agronegócio passou a ser usado pelos jornais,
nos livros e no surgimento de cursos superiores que abordavam esse assunto. De
lá para cá, o termo
faz parte da economia brasileira, sendo o setor que mais
cresce e se diversifica.
4.1 PRODUÇÃO DE ALIMENTO
O interessante é que, a partir do termo agronegócio,
a produção de alimento passou a ser vista
como uma cadeia produtiva que faz
parte do movimento que gera uma separação em três partes
distintas, antes da
porteira (atividades que ocorrem antes da produção de alimentos, fornecendo
insumos, máquinas e implementos e tecnologias), dentro da porteira
(atividades que ocorrem na
propriedade na produção do alimento, seja de origem
vegetal ou animal) e depois da porteira
(atividades que ocorrem depois
que a produção do alimento acontece na propriedade, passando por
processamento
na agroindústria, logística, transporte e comercialização dos produtos, até
chegar ao
consumidor final).
Com essa visão de que o agronegócio está
atrelado a todos os processos que fazem da cadeia
produtiva de alimentos um
grande emaranhado de segmentos, seja desde plantar e colher os
alimentos, criar
os animais para o destino do plantel (carne, leite, ovos e derivados), passando
pelas
relações comerciais (vendas de insumos, máquinas e implementos,
tecnologias e vendas da
produção), assistência técnica, logística (armazenagem,
transporte), desenvolvimento de pesquisas
e tecnologias, crédito agrícola,
entre outros.
Para você ter uma noção da amplitude que dispõe
o agronegócio, veja o que diz Silva (2011, p.
32)
o Agronegócio é uma
rede que envolve desde a produção e comercialização de insumos, passando
pela
própria produção agropecuária, até a transformação, distribuição e
comercialização de
produtos agropecuários. A produção e a comercialização de
insumos envolvem desde a extração
de matéria-prima, beneficiamento até a
distribuição e comercialização dos mesmos para a
produção agropecuária. Por sua
vez, a produção agropecuária envolve o pequeno e o grande
produtor, assistência
técnica, manejo do ambiente, entre outros aspectos diretos e indiretos que se
relacionam à geração de bens e serviços ligados ao ambiente rural. Por fim, a
transformação, a
distribuição e a comercialização de produtos agropecuários,
que envolvem a indústria, os
distribuidores e os consumidores de bens e
serviços ligados ao ambiente rural. Considera-se como
parte da rede o
envolvimento do ambiente institucional, composto pela cultura, tradições,
educação e costumes e, também, pelo ambiente organizacional, composto pela
informação,
associações, pesquisa e desenvolvimento, finanças e firmas.
O que podemos
entender desse trecho retirado de Silva (2011) é que o agronegócio está
inserido em vários segmentos da economia agropecuária, independentemente de seu
tamanho
(grande, média ou pequena propriedade, familiar, quilombola), tipo de
atividade e segmento
tecnológico, mas que está inserido em uma cadeia produtiva,
com tecnologias empregadas, com
comercialização dos produtos ou serviços.
O importante é
participar do mercado agropecuário e turístico rural com uma visão ampla de
que
esse mercado está disponível para todos, é o empreendedorismo rural sendo
aplicado. Mas,
atenção, como é um mercado bem competitivo, é necessário fazer
um planejamento, buscar
conhecimento de mercado (plano de negócio) e estar
sempre “antenado” aos avanços das pesquisas
e das tecnologias para aplicar no
seu negócio, ou seja, sendo encaixado em uma visão de cadeia
produtiva inserido
no agronegócio.
TEMA 5 – SALDO DO DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLA BRASILEIRO
A história da
formação do Brasil passa pelo pré-Cabral, no qual os indígenas tinham o seu
modo
de produção agrícola, como já foi abordado no Tópico 1. E pós-Cabral, um
Brasil voltado para a
produção de monoculturas para exportação para o
enriquecimento da metrópole, no caso Portugal.
Passado o tempo,
Brasil se torna independente, em 1822, formando um Brasil imperial, mas a
economia ainda era voltada para a exportação monocultora de café, o nosso
principal produto.
Lógico que havia uma agricultura de subsistência, porém,
dependíamos de importação de produtos
agrícolas que não eram produzidos aqui,
como exemplo o trigo.
Brasil se torna
uma república em 1889, mas ainda a base econômica era agroexportadora de
café,
não havia um pensamento por parte do governo e dos grandes latifundiários de
diversificação
de culturas, pois para eles economicamente estava confortável,
então, para que mexer?
Mas em 1929, com a
queda da Bolsa de Nova Iorque, tudo mudou. O Brasil se viu em um
problema muito
grave: O que fazer com a produção de café? Para quem vender? Os países que
compravam café do Brasil simplesmente pararam de comprar.
Essa situação
precisava ser resolvida, era necessário haver mudanças no modo de produção
agrícola, era preciso diversificar os cultivos para não ficar dependente
economicamente de outros
países, seja na venda dos nossos produtos agrícolas,
como na dependência das importações.
Infelizmente essa situação perdurou por
muito tempo, essa dependência era evidente.
Nas décadas de
1950 e 1960, a agricultura brasileira era atrasada, tendo um baixo rendimento
de produção por hectare, pois não havia difusão de tecnologias e de informação.
Desta maneira,
extensas áreas de matas naturais eram desmatadas para serem
usadas em lavouras e para
pastagens, causando um desequilíbrio ecológico,
erosão e assoreamento de rios.
Com essa
ineficiência no meio rural e com a industrialização que estava acontecendo nas
cidades, houve o êxodo rural (parte da população rural migra para as cidades em
busca de uma
melhor qualidade de vida) atraída pela ideia de viver melhor.
Poucos estudos
eram feitos sobre os tipos de solos, quais as culturas poderiam ser plantadas
no extenso território brasileiro e, na área da pecuária, também faltavam
estudos. Enfim, para que o
Brasil pudesse crescer no setor agropecuário, era
necessário investir em pesquisas para atender as
nossas demandas.
A década de 1970
marca o crescimento da população, da renda per capita e a intensificação
da
agricultura. Foi nesse contexto que em 7 de dezembro de 1972 o governo
brasileiro sancionou a Lei
n. 5.851, que criou a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária) para dar início às
pesquisas que atendessem as realidades
agrícolas (solo, clima, relevo, culturas etc.) e, com essas
pesquisas,
introduzir as tecnologias voltadas para a realidade do país.
Para dar andamento
ao processo de criação da Embrapa, em 1974, criaram-se os primeiros
centros em
áreas específicas de pesquisas, como o centro nacional de Trigo, em Passo
Fundo/RS, o
de Gado de Corte, em Campo Grande/MS, o de Seringueira, em
Manaus/AM, e o centro de Arroz e
Feijão, em Goiânia/GO. O objetivo desses
centros era de funcionar como ligação das pesquisas e
sua implantação no campo.
Além da criação da
Embrapa, o governo instituiu políticas públicas voltadas para o
desenvolvimento
do setor agropecuário, como investimentos em pesquisas e tecnologias, crédito
rural e o trabalho de extensionismo rural para dar um passo à modernização do
setor. Hoje, a
Embrapa tem 47 Centros de Pesquisas espalhados pelas cinco regiões
brasileiras.
E foi isso que
aconteceu, uma explosão de produtividade na agricultura e também na pecuária, o
Brasil figura entre os países mais importantes no setor do agronegócio.
Toda essa
trajetória é devido a uma série fatores que levaram o Brasil ser um player
de sucesso,
pois apresentam extensas áreas agricultáveis, relevo caracterizado
por médias e pequenas altitudes,
água em quantidade, luminosidade e calor e,
aliado a isso, com as pesquisas desenvolvidas por
centros de pesquisas e
universidades para atender às necessidades do setor, as políticas públicas
de
incentivo ao agricultor e não podemos esquecer-nos do trabalho dos
profissionais das agrárias
(agrônomos, veterinários, zootecnistas, tecnólogos e
técnicos agrícolas), que atuam para dar
suporte aos agricultores.
FINALIZANDO
Chegamos ao fim desta etapa e vários assuntos
foram tratados. Começamos com o surgimento
da agricultura e domesticação de
animais pelo homem no período Neolítico, passamos pelos
avanços até chegar às
mudanças ocorridas para o desenvolvimento do setor agropecuário.
Você pode conhecer as etapas da evolução da
agricultura e os períodos conhecidos como
Revoluções Agrícolas, ou seja, momentos
em que houve um salto no desenvolvimento da
agropecuária no mundo e no Brasil,
com uso de pesquisas, técnicas, tecnologias para implementar o
setor.
Conheceu o surgimento do termo Agribusiness,
lá nos Estados Unidos, e que aqui no Brasil
passou a ser chamado de Agronegócio,
onde foi possível compreender como uma rede de diversas
cadeias produtivas que
fazem o setor agropecuário ter um destaque na economia brasileira. Até a
próxima! Bons Estudos!
REFERÊNCIAS
ALVES, R. N. B. Características
da agricultura indígena e sua influência na produção familiar da
Amazônia!
Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2001. 20p. (Documentos 105)
ARAÚJO, M. J. Fundamentos de agronegócios. Editora Atlas SA,
2007.
BAKERS, M. Agricultura: da Roma Antiga à bolsa da Colômbia.
Cambridge Stanford Books,
2019.
EMBRAPA. Artigo: História da
Embrapa. Disponível em: <[Link]
embrapa/a-embrapa>.
Acesso em: 26 jul. 2022.
LAMAS, F. M. Agricultura 4.0: a quarta revolução tecnológica,
com forte conteúdo digital e
conectada.
Mercado Agrícola, nov. 2017.
Disponível em: <[Link]
agricola/agricultura-4-0-a-quarta-revolucao-tecnologica-com-forte-conteudo-digital-e-conectada>.
Acesso: 26 jul. 2022.
LEAKEY, R. E. A
origem da espécie humana. Tradução de Alexandre Tort. Rio de Janeiro:
Rocco,
1995.
MAZOYER, M. História
das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea.
Tradução de
Cláudia F. Falluh Balduino Ferreira]. – São Paulo: Editora UNESP; Brasília, DF:
NEAD,
2010.
PALERMO, T. A nova revolução na agricultura. Disponível
em:
<[Link] Acesso em: 26 jul.
2022.
PEDRO, A; CACERES, F. História geral. Curitiba: Ed. Moderna,
1988.
REIFSCHNEIDER, F. J. B.
et al. Novos ângulos da história da agricultura no Brasil. Brasília, DF:
Embrapa Informação Tecnológica, 2010.
RUFINO, J. L. S. Origem
e conceito de Agronegócio. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20,
n. 199, p. 17-19, 1999.
SILVA, A. C. P. Exportação
de Bovinos Vivos no Estado do Pará: mapeamento de uma cadeia de
suprimentos
e de seus processos logísticos. Dissertação (mestrado) – Pontifícia
Universidade
Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Engenharia Industrial,
2011.
INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 2
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Os vários assuntos que vamos trabalhar estão
ligados às pesquisas e ao desenvolvimento do
setor agropecuário.
Inicialmente, vamos estudar que a agricultura
hoje segue uma linha de conhecimento científico
e tecnológico para o seu
desenvolvimento. Na sequência, veremos como a pesquisa e o
desenvolvimento da
área rural têm evoluído para atender a demanda do setor, com destaque para o
melhoramento genético, que é uma realidade importante na área da agricultura e
da pecuária.
Vamos estudar, ainda, a propagação vegetativa e
os métodos de ganhos genéticos para uma
melhor produção e produtividade. Por
fim, vamos debater a agricultura 4.0, buscando entender a sua
importância no
meio rural.
Bons estudos!
TEMA 1 – CONHECIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO DA
AGRICULTURA
Créditos:
elenabsl/Shutterstock.
Para iniciar esta etapa, é necessário revisar as
revoluções agrícolas. Já aprendemos, em
conteúdo anterior, que
historicamente podemos definir cinco revoluções. A primeira revolução
agrícola
ocorreu no período neolítico, quando o homem desenvolveu a agricultura e a
domesticação
dos animais. Entre a primeira e segunda revolução, várias técnicas
e tecnologias foram criadas para
o desenvolvimento da agricultura e da pecuária,
a exemplo da revolução do regadio (uso de canais
de irrigação) e do arado, além
do uso de tração animal, rotação de culturas, entre outros avanços.
A segunda revolução ocorreu nos séculos XVIII e
XIX, com o emprego dos mesmos métodos,
mas com importante evoluções na área de
sementes, novos cultivares e investimentos em
pesquisas para a área de solo e
fertilizantes, descobertas que ajudaram a alavancar a produção de
alimentos.
Com a terceira revolução, a chamada Revolução
Verde, de acordo com Ehlers (1994), as
inovações tecnológicas aplicadas nos
setores da genética, da mecanização e do uso de fertilizantes
químicos e
agroquímicos são direcionadas à agricultura.
Esse movimento teve o seu auge nas décadas de
1960 a 1970, quando muitos governos e
instituições de pesquisas se lançaram
nessa empreitada com o objetivo de erradicar a fome no
mundo. Para isso, era
preciso que a agricultura tradicional desse lugar à agricultura moderna.
Porém, esse movimento, com o passar do tempo,
mostrou que o uso de áreas agrícolas com
práticas monocultoras, com excesso de
fertilizantes e agroquímicos, deu mostras de que o meio
ambiente estava
sofrendo importantes consequências, por exemplo (Ehlers, 1994, p. 24): “a
erosão e
a perda da fertilidade dos solos; destruição florestal; a dilapidação
do patrimônio genético e da
biodiversidade; a contaminação dos solos, da água,
dos animais silvestres, do homem, do campo e
dos alimentos”.
A partir daí, a agricultura passa por mudanças.
Nessa linha, surge a quarta revolução, também
conhecida como Agricultura 4.0,
que busca garantir segurança alimentar através de tecnologias
conectadas com a
conservação ambiental, segundo Lamas (2017). Essas transformações
culminaram no
desenvolvimento de tecnologias que foram incorporadas ao modo de produção,
buscando
aumentar a produtividade, porém com redução de custos, alimento de qualidade e
preocupação
com a sustentabilidade.
Por fim, a quinta revolução estava preocupada
com as questões ambientais, e para isso buscava
trabalhar com políticas
públicas e tecnologias capazes de gerar produtividade, sempre com
consciência
social e ambiental.
Apesar de o setor agropecuário buscar a
produtividade com a utilização de técnicas e
tecnologias de ponta, é importante
entender uma coisa: as tomadas de decisões passam a estar
alinhadas com uma produção
mais limpa, preocupada com o meio ambiente, buscando obter
alimentos mais
saudáveis.
1.1
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NA AGRICULTURA
Créditos:
sutadimages/Shutterstock.
A inovação tecnológica na agricultura está
voltada para um ambiente que proporcione múltiplas
informações, sempre incluindo
os conhecimentos práticos dos agricultores, para garantir uma
adaptação adequada
para cada realidade, de acordo com Hall (2007).
A inovação do setor agrícola no desenvolvimento
de um cultivo vai além dos tratos culturais
normais, como plantio, manejo da
cultura e colheita, pois conta ainda com a tecnologia em produção
de sementes,
buscando maior produtividade na lavoura. No setor pecuário, também existem
inovações,
como manejo de criação, manejo genético e tratos veterinários, com a finalidade
de obter
maior ganho de produção.
Para que todo o processo da cadeia produtiva
seja eficiente, é preciso contar com uma gestão
voltada para um planejamento
adequado, em todas as etapas, seja na área agrícola ou na pecuária,
buscando melhorias
na logística para o escoamento da produção, sempre para atender o mercado
interno e o externo.
As novas tendências e inovações tecnológicas garantem
que o desenvolvimento do setor
agropecuário seja dinâmico e eficiente. Por
isso, ao investir em tecnologia, é preciso entender que
todo o setor se
completa quando há um elo entre todas as partes da cadeia produtiva.
1.2 TECNOLOGIAS NO SETOR
Créditos:
MONOPOLY919/Shutterstock.
No campo, a chegada das tecnologias auxilia o
agricultor e/ou o pecuarista, em benefício da
sua produção, para atingir a
produtividade e a rentabilidade. Dessa maneira, as dificuldades na área
rural
podem ser minimizadas a partir de uma análise correta dos levantamentos obtidos
com a
tecnologia.
A tecnologia acaba auxiliando o produtor rural
a ter mais segurança na produção, gerando
resultados satisfatórios e com
retorno financeiro ao final dos processos produtivos, seja da
agricultura ou na
pecuária.
O Brasil é um país que desponta no setor agropecuário,
seja em grandes propriedades de
produção de commodities, seja na agricultura
familiar, que é responsável por boa parte da produção
de alimentos que atende o
mercado interno. Além disso, o país tem valorizado a agricultura orgânica
e os sistemas
agrossilvipastoris.
Para isso, as instituições públicas e privadas
brasileiras, como é o caso da Embrapa, desenvolve
pesquisas para atender a
realidade do país e ajudar o produtor rural – seja o grande produtor ou o
médio
e pequeno produtor (agricultura familiar, quilombola) –, por meio do uso de
tecnologias.
A agricultura e a pecuária usam diferentes
tendências de tecnologias a seu favor, como a
integração do uso de sensores às
máquinas, além de implementos (equipamentos autônomos),
internet das coisas
(IoT), softwares para melhoria da produção, inteligência artificial, robótica e
uso
de drones, que acabam revolucionando o andamento da produção, ajudando a
evitar desperdícios de
insumos e a controlar o consumo da água e do meio
ambiente, sempre de maneira sustentável.
O uso das tecnologias demanda mão de obra
capacitada para entender e operar todos os
processos.
Enfim, o setor agropecuário brasileiro é um player
de sucesso, pois usa as inovações e as
tecnologias a seu favor, buscando
garantir o desenvolvimento dos mercados interno e externo.
TEMA 2 – AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL
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Andrii Yalanskyi/Shutterstock.
Para iniciar este tópico, vamos analisar a
origem da palavra agricultura. O termo é derivado do
latim: ager (campo)
e cultura (cultivo de plantas). Segundo o dicionário Michaelis
(Agricultura, 2022),
significa a “arte de cultivar a terra e de plantas”; e
“conjunto de práticas que visam preparar o solo
para a produção de vegetais e a
criação de animais úteis e necessários ao homem”.
Você deve estar se perguntando por que é
importante conhecer a origem e o significado das
palavras. Acontece que reconhecer
a origem e a etimologia de uma palavra nos ajuda a ter uma
interpretação correta
e um emprego adequado do termo, quando lemos um texto ou aplicamos o
termo em nosso
dia a dia.
Na agricultura, desde o seu surgimento, há
cerca de 10 mil anos, sempre houve um importante
desenvolvimento no meio rural,
através da aplicação de técnicas e de estilos de cultivos, com o uso
de
tecnologias e diferentes inovações.
O desenvolvimento rural é marcado por práticas
agrícolas que foram sendo modificadas ao
longo da história. No início, as mudanças
eram mais lentas; porém, com a evolução das pesquisas e
das tecnologias, o
desenvolvimento rural foi se aprimorando e diversificando.
De acordo com Van Der Ploeg (2011, p. 130):
Os processos de desenvolvimento
rural tanto remodelam as práticas de agricultura como são
resultado de práticas
mutantes nesta área. Uma vez que essas mudanças serão parciais (só
ocorrerão em
uma parte do setor agrícola), desiguais (algumas práticas de desenvolvimento rural
serão mais desenvolvidas do que outras) e diferenciadas (práticas de
desenvolvimento rural estão
longe de ser uniformes; são, ao contrário,
multidirecionais), o desenvolvimento rural certamente
contribuirá para ampliar
a heterogeneidade do setor agrícola, assim como é, em si, um processo
heterogêneo. Ou seja, os estilos de agricultura vigentes serão afetados, tão
logo surjam novos
estilos de agricultura (enquanto outros poderão desaparecer).
Van Der Ploeg (2011, p. 130) descreve o estilo
de agricultura como “um modo específico e
internamente coerente de agricultura.
É uma forma distinta e válida de produção agrícola
compartilhada por um grande
grupo de agricultores”.
Ainda de acordo com Van Der Ploeg (2011, p. 131),
o estilo de agricultura:
consiste em um certo
padrão de vinculação entre terra, trabalho, gado, máquinas, redes,
conhecimento, expectativas e atividades, feito de forma informada e coerente,
orientada a
objetivos. É um modo particular de combinar, utilizar e desenvolver
os recursos agrícolas, tanto
sociais como materiais. Em outras palavras, um
estilo de agricultura é um modo particular de
padronizar (no nível micro) os
mundos social e material, de forma coerente e autossustentável.
Todos os processos de desenvolvimento rural
podem alterar a realidade das propriedades
agrícolas, independentemente de sua
localização.
Enfim, o que marca as mudanças na agricultura
desse século, e que automaticamente implica
um grande desafio no
desenvolvimento rural, é que a exploração das terras agrícolas deve ser
compatível
com a conservação da natureza. Para isso, são necessárias inovações e
tecnologias que
levem em consideração atitudes e regras ambientais – isto é, um
novo paradigma para o
desenvolvimento rural, buscando mais produtividade, com
qualidade atestada dos produtos
agrícolas e um melhor rendimento para o
produtor rural, sem prejudicar o meio ambiente.
2.1 DESENVOLVIMENTO RURAL
BRASILEIRO
Antes de falar sobre o desenvolvimento rural
brasileiro, é preciso entender que, a partir do pós-
guerra, o mundo se tornou
bipolar. De um lado, o bloco capitalista, e do outro o bloco socialista,
dinâmica
que deu início ao período conhecido como Guerra Fria.
Navarro (2001, p. 83) descreve que o mundo,
nessa época, era:
instigado pela
polarização da Guerra Fria e seus opostos modelos de sociedade e,
particularmente,
sob o impacto do notável crescimento econômico da época, que
materializou um padrão
civilizatório dominante, revolucionando o modo de vida e
os comportamentos sociais, a
possibilidade do desenvolvimento alimentou
esperanças e estimulou iniciativas diversas em todas
as sociedades. Seria assim
apenas inevitável que o desenvolvimento rural, como subtema
imediatamente
derivado, fosse igualmente um dos grandes motores das políticas governamentais
e dos interesses sociais
[...]. Na
época, muitas das sociedades atualmente avançadas ainda
mantinham parcelas
significativas de sua população envolvidas em atividades agrícolas e/ou
habitando áreas rurais (embora gradativamente menores); nos demais países, tais
parcelas
alcançavam muitas vezes proporções elevadas. Da mesma forma, era ainda
significativo o peso
econômico da agricultura nas contas nacionais.
As tecnologias utilizadas no período da guerra
foram direcionadas para o uso na agricultura,
como já estudamos, que acarretou uma
nova compreensão de agricultura, no período conhecido
como Revolução Verde.
O padrão da agricultura desse período transformou
as atividades agrícola e pecuárias, que eram
dependentes de tecnologias e
inovações dos grandes centros de pesquisas, em países que
dominavam as áreas de
insumos e maquinários.
É como Navarro (2001, p. 84) descreve: “A noção
de desenvolvimento rural, naqueles anos,
certamente foi moldada pelo ‘espírito
da época’, com o ímpeto modernizante (e seus significados e
trajetórias)
orientando também as ações realizadas em nome do desenvolvimento rural”.
E no Brasil desse período, qual era a direção da
economia? Na Era Vargas (1930-1945), o país
atravessou uma forte recessão, por
conta de acontecimentos nos Estados Unidos, em especial a
Quebra da Bolsa de
Valores de New York (1929). O café, o nosso principal produto de exportação,
perdeu
mercado, o que provocou a falência de vários produtores rurais. Era preciso uma
mudança de
paradigma na área agrícola, buscando diversificar a produção, para
que o país deixasse de ser
dependente de um único produto – isto é, era
importante deixar de ser somente um país
agroexportador, era preciso modernizar,
com a implantação de indústrias pesadas (transformação
da matéria-prima e fabricação de bens). Por exemplo: Companhia Siderúrgica
Nacional (1941),
Fábrica Nacional de Motores (1942) e Companhia do Vale do Rio
Doce (1942).
No governo de
Dutra (1946-1950), o Brasil se alinhou ao bloco capitalista, inclusive tomando
uma série de atitudes, como rompimento com a URSS (União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas),
fechamento do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e
intervenção nos sindicatos de trabalhadores.
No campo econômico, foi criado o
Plano Salte, que determinava que o governo deveria investir em
áreas essenciais
(saúde, alimentação, transporte e energia).
Getúlio Vargas
(1951-1954) ainda voltou ao governo e expandiu o desenvolvimento econômico
na
exploração de recursos (petróleo e energia). Em 1953, surge a Petrobras, com o
slogan “O
petróleo é nosso”. A industrialização continuou a ser implantada e
diversificada com os novos
governos, desde Juscelino Kubitschek até os dias de
hoje.
E a agricultura,
como aconteceu o andamento do seu processo evolutivo desde o pós-guerra?
Com o
fim da guerra, o Brasil continuava a ser um país com uma tendência agrícola
muito forte. O
movimento Revolução Verde chegou aqui, e muitas de suas técnicas
e tecnologias foram
introduzidas no país, como o uso de variedades de sementes,
o uso de fertilizantes químicos e
agroquímicos, maquinários e implementos.
Muitas terras foram desbravadas nas regiões do Centro-
Oeste e Norte, para o
cultivo de grãos e a criação de bovinos de corte.
Para você ter uma
ideia, veja o que Navarro (2001, p. 84) comenta sobre o Brasil no período dos
governos militares:
No Brasil, por
exemplo, já nos anos 70, sob a condução dos governos militares, um conjunto de
programas foi implementado nas regiões mais pobres, o Nordeste em particular,
sob a égide do
desenvolvimento rural (pois em outras regiões o modelo era o da
“modernização agrícola”). Em tal
contexto, a transformação social e econômica –
e a melhoria do bem-estar das populações rurais
mais pobres – foi entendida
como o resultado “natural” do processo de mudança produtiva na
agricultura.
Este último foi meramente identificado como a absorção das novas tecnologias do
padrão tecnológico então difundido, acarretando aumentos da produção e da
produtividade e,
assim, uma suposta e virtuosa associação com aumentos de renda
familiar, portanto,
“desenvolvimento rural”.
O desenvolvimento rural no Brasil, desde a
segunda metade do século XX, está ligado a
programas governamentais, como a criação
de instituições de pesquisas, a exemplo da Embrapa, e a
entrada de empresas
transnacionais nas áreas de insumos e de maquinários e implementos.
Atualmente, notamos iniciativas para uma
valorização mais abrangente do meio rural, com
esforços sociopolíticos,
culturais e ambientais. O setor agrícola está mais pujante, não apenas nas
grandes propriedades produtoras de commodities, mas também com incentivos
econômicos e
extensionistas para a agricultura familiar e quilombolas, com assentamentos
de reforma agrária,
áreas indígenas, agricultura orgânica e sistemas
agrossilvipastoris – enfim, um setor que se
preocupa com a qualidade de vida,
com alimentos de qualidade e com a sustentabilidade.
O novo desafio para o setor agrícola, de acordo
com o MMA – Ministério do Meio Ambiente
(2022), quando falamos em
desenvolvimento rural, é chegar a um consenso entre a produção e a
proteção ao
meio ambiente. Para isso, são necessárias políticas agrícolas e ambientais que
caminhem para um desenvolvimento rural sustentável. Não é uma tarefa fácil, sendo
preciso
estruturar projetos que tenham objetivos claros, capazes de assegurar
crescimento econômico,
sempre reduzindo as desigualdades sociais (fome e
pobreza), e ao mesmo tempo lutando pela
conservação do meio ambiente.
Dessa maneira, o papel do desenvolvimento rural
sustentável é incentivar às comunidades
agrícolas a utilizar, de maneira
adequada, os recursos naturais (solo, água), sempre com base na
sustentabilidade
(Brasil, 2022).
TEMA 3 – MELHORAMENTO GENÉTICO
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Neste tópico, vamos estudar o melhoramento
genético, um assunto interessante e controverso,
especialmente quando falamos
de transgenia (organismo
geneticamente modificado). Vamos
entender o processo de selecionar
ou modificar o material genético de plantas ou animais, com o
objetivo de
conseguir as características genéticas ideais desses seres vivos.
Atualmente, a engenharia genética e a
biotecnologia têm ampliado os estudos na área de
melhoramento genético,
utilizando tecnologias avançadas, como o desenvolvimento de cultivares
geneticamente mais eficientes. Mas nem sempre foi assim, pois o melhoramento
genético era feito a
partir do cruzamento de espécies iguais e/ou parecidas, de
modo a garantir um aumento de
produção, seja de uma semente modificada ou de um
rebanho. Para chegar nessa melhoria, era
preciso muito tempo e diferentes pesquisa.
Você sabe o que é DNA? É uma molécula
responsável pela hereditariedade do ser vivo. Significa
ácido desoxirribonucleico.
Veja na figura a seguir uma representação do DNA.
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A partir do avanço do estudo do genoma
(sequência completa de DNA), por parte da engenharia
genética, os pesquisadores
conseguiram interferir nos genes de sementes e espécies de animais. A
meta
desses estudos é a preservação das características consideradas importantes
para os
objetivos especificados (por exemplo: aumentar a produtividade, alto
teor nutricional, cultivares
adaptadas e resistentes a doenças e pragas). Com
isso, é possível produzir e selecionar Organismos
Geneticamente Modificados – OGM
(Jauhar, 2006).
Você já ouviu falar da ovelha Dolly? Em 1996, na
Escócia, pesquisadores conseguiram fazer a
primeira clonagem de um mamífero
(ovelha), a partir de uma célula somática adulta.
Pesquise mais sobre o assunto, veja como a
ciência caminhou para o desenvolvimento de
tecnologia de clones, com os estudos
das células-troncos e da medicina regenerativa.
3.1 LEGADO DE MENDEL PARA O MELHORAMENTO GENÉTICO
Gregor Mendel nasceu em Heinzendorf, na Áustria,
em 22 de julho de 1822. Faleceu em Brünn,
na República Tcheca, em 6 de janeiro
de 1884. Mendel foi biólogo, botânico e monge agostiniano.
Desde jovem,
observava e estudava as plantas, o que determinou a sua vocação científica.
A descoberta das leis da genética, por Mendel,
no século XIX, mudou o rumo da biologia.
Mendel desenvolveu as suas
experiências de hibridação (cruzar espécies diferentes) ao plantar
ervilhas-de-cheiro. Nesse processo, cruzou 22 variedades, observando algumas
características,
como o formato da semente e da vagem, a cor da semente etc.
Com essas informações, ele
formulou as leis de hereditariedade:
Lei de
segregação ou monoibridismo: cruzando ervilhas para observar a cor
predominante
(verde ou amarela), Mendel formulou que existe uma característica
dominante e recessiva nos
híbridos. De acordo com Malajovich (2012, p. 15),
essa lei se refere “à segregação dos fatores
(alelos) de um par (um gene) na
formação de gametas”.
Lei de
segregação independente ou diibridismo: a herança da cor é independente
da herança
da superfície da semente. Ou seja, quando duas ou mais
características em um cruzamento
estão envolvidos, elas podem ser separadas de
forma independente. Como Malajovich (2012,
p. 15) descreve: “segregação dos fatores (alelos) de dois ou mais pares (dois
ou mais genes)
independentes na formação de gametas”. Ou seja, a recombinação
ocorre ao acaso, formando
todas as possíveis recombinações.
A partir dessas leis, o melhoramento genético passou
a ter como objetivo o desenvolvimento de
qualidades, até adicionar
características que possam trazer benefícios para a produção na
agricultura.
3.2 TRANSGÊNICOS
A engenharia genética e a biotecnologia
avançaram nos estudos e nas pesquisas sobre o DNA
(ácido desoxirribonucleico) de
plantas e animais. O intuito dessas pesquisas é melhorar ou criar
características que dificilmente seriam produzidas naturalmente. Dentre as
possibilidades da
manipulação genética aos alimentos agrícolas, temos a resistência
a pragas e doenças e a produção
de cultivares mais ricos em vitaminas, sempre
com o intuito de obter um alimento de melhor
qualidade.
Com essa tecnologia, o termo transgênico
acaba sendo associado aos alimentos, a partir da
agricultura, como a produção
de grãos (soja, milho).
Essa modificação genética feita pelos
pesquisadores pode se dar através de manipulação do
DNA (conjunto de
tecnologias aplicadas no DNA recombinante para mudar a composição genética),
fusão celular (fundir células para
criar um híbrido), entre outras tecnologias.
Com toda essa
pesquisa, surgem os transgênicos (organismos geneticamente modificados) e
as
variedades híbridas (cruzamento entre dois genitores com diferença genética).
Um ponto
importante quanto à produção de transgênicos é o consumo humano. Fica a
pergunta: em que medida a manipulação genética é nociva à saúde humana? É uma
discussão sem
fim; por um lado, a existência de defensores do uso da transgenia,
e por outro lado aqueles que se
preocupam com a questão da saúde da população, que
consome, direta e indiretamente, produtos
produzidos com matérias-primas
transgênicas.
De acordo com De
Mello et al. (2012, p. 2), os transgênicos podem ser:
responsáveis por muitos
pontos positivos. Além de os transgênicos aumentarem a produção,
desempenham um
papel no controle de pragas e doenças, e ainda melhoram a qualidade dos
produtos. Porém, como tudo existe um lado negativo, os transgênicos também
podem ser
prejudiciais à saúde pelo fato de que o lugar em que o gene é
inserido não pode ser controlado
completamente, o que pode causar resultados
inesperados uma vez que os genes de outras partes
do organismo podem ser
afetados. Portanto, para que ocorra a utilização segura dos produtos
transgênicos, seria necessário assegurar o esclarecimento acerca dos benefícios
e dos riscos,
para além de proteger o meio ambiente das consequências negativas
que possam ocorrer no
futuro, garantir ao consumidor o direito das informações
totais antes do consumo desse produto.
Na legislação brasileira, temos o Decreto n. 4.680/2003,
que define aspectos relacionados à
rotulagem dos produtos transgênicos, determinando
que o rótulo do alimento ou do ingrediente
utilizado deve informar a natureza
transgênica, seja por conter ou por ser produzido com OGM.
Você tem o hábito de olhar os rótulos dos
produtos que consome? É importante verificar a
procedência, a validade e os ingredientes
presentes nos produtos. Pelo rótulo, obtemos todas essas
informações.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio), vinculada ao Ministério da Ciência e
Tecnologia, é o órgão que
analisa as plantas transgênicas quanto à biossegurança, com base na Lei
n.
11.105/05.
Ao avaliar o OGM, a CTNBio considera o que pode
acontecer com a saúde humana e dos
animais que consomem um alimento a base de
produto geneticamente modificado, averiguando os
impactos ambientais.
Além disso, a legislação prevê que, para
trabalhar com biotecnologia no Brasil, é necessário
obter um Certificado de
Qualidade em Biossegurança (CQB), emitido pela CTNBio.
A Embrapa (2022) desenvolve, desde 1980,
pesquisas na área de manipulação genética em
plantas, buscando contribuir com
uma agricultura mais produtiva, com espécies tolerantes ou
resistentes a
doenças, de modo a reduzir o uso de agroquímicos.
Apesar de todos os procedimentos para garantir
produtos de qualidades, os consumidores
brasileiros ainda se preocupam com a
segurança dos produtos geneticamente modificados. Assim, é
necessário unir a
biotecnologia e a biossegurança para garantir a segurança alimentar.
TEMA 4 – PROPAGAÇÃO VEGETATIVA
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Vamos abordar neste tópico um assunto que
envolve a morfologia, a fisiologia e a botânica: a
propagação vegetativa,
técnica muito utilizada no meio agrícola. Trata-se de uma técnica antiga, que
utiliza diversas formas de propagar os meios vegetativos.
Para você entender melhor, vamos entender o que
é a propagação vegetativa e para que ela
serve. Podemos definir o conceito como
multiplicação assexuada, que usa partes de plantas, como
células, tecidos,
órgãos ou propágulos (estruturas formadas por células meristemáticas que soltam
de uma planta adulta, originando uma nova planta).
Dessa forma, é possível originar plantas quase
idênticas à planta mãe (origem do material
genético), para garantir ganhos
genéticos, visando obter uma planta com características desejáveis,
como maior
aproveitamento em termos de produção e produtividade (Wendling,
2003).
Existem duas formas de reprodução de plantas:
Sexuada:
maneira comum de reprodução, em que os gametas masculino e feminino se unem
para a fecundação, originando um zigoto. O zigoto se desenvolve e forma uma
nova planta, que
dará continuidade ao ciclo de reprodução.
Assexuada: a
propagação é feita com partes da planta mãe, buscando originar uma planta
quase
idêntica, com características genéticas importantes para o desenvolvimento
vegetativo.
Na propagação vegetativa assexuada, existem duas formas de obter
uma planta: de maneira
espontânea (através das estruturas da planta,
como sementes, tubérculos ou bulbos e
rizomas) e de forma induzida
(técnicas que utilizam meios artificiais para acelerar o
crescimento, formar e
padronizar plantas para a comercialização).
4.1 FORMAS DE PROPAGAÇÃO ASSEXUADA
Existem várias técnicas de propagação
vegetativa por meio da intervenção humana, buscando
produzir plantas com
qualidade e padronização, para atender a comercialização dos produtos.
É preciso levar em consideração que, antes de
realizar as técnicas induzidas, é preciso escolher
uma planta mãe capaz de atender
às necessidades e às características desejadas para a
multiplicação dos clones
– por exemplo, tamanho, produção de frutos e tolerância e/ou resistência a
clima,
pragas e doenças.
Vamos ver agora as principais técnicas de
propagação assexuada induzida.
4.1.1 DIVISÃO DE TOUCEIRAS
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Esse processo também é conhecido como divisão
de rizomas, técnica muito usada para
propagar plantas, seja com fins ornamentais
ou comestíveis. Por exemplos: bromélias, orquídeas,
banana e gengibre. Para
usar essa técnica, é preciso cortar, com cuidado, o rizoma subterrâneo da
planta mãe, de modo a não romper as gemas de brotação e nem o sistema radicular.
Nesse
procedimento, cada pedaço (conhecido como filho) gera uma nova planta.
4.1.2 ESTAQUIA
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O procedimento é feito com o fragmento de uma
planta, que passa a se regenerar quando
colocado em um substrato (meio físico e
nutricional, que pode ser composto de um único material,
ou de materiais
orgânicos que ajudam no desenvolvimento da planta).
As partes das plantas que podem ser utilizadas
para conseguir uma nova planta são: ramos
(ramificações que se encontram no
tronco de árvores e arbustos – exemplos: rosa e gerânio); folhas
(órgão vegetal
responsável pela captação de luz e realizar a fotossíntese – exemplos:
violetas,
suculentas); ou pedaços de folhas (exemplos: espada-de-são-jorge,
begônia).
4.1.3 ENXERTIA
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O processo de enxertia ocorre em vegetais
superiores: duas partes do tecido vegetal entram em
contato, e posteriormente
se unem para originar uma nova planta. Ou seja, cria-se uma
interdependência, pois
uma não vive sem a outra. As duas partes do tecido vegetal são conhecidas
como enxerto
ou garfo e porta-enxerto ou cavalo. Pode haver a
necessidade de uma porção entre o
enxerto e o porta-enxerto, o chamado interenxerto.
Fachinello et al. (2005, p. 60) definem cada
uma dessas partes da seguinte forma:
O enxerto é a parte
representada por um fragmento da planta, contendo uma ou mais gemas,
responsável pela formação da parte aérea da nova planta. O porta-enxerto é a
parte responsável
pela formação do sistema radicular. O interenxerto é usado
quando se deseja evitar problemas de
incompatibilidade entre o enxerto e o
porta-enxerto, para controlar o crescimento da copa ou para
se obter caule
resistente a baixas temperaturas, entre outros objetivos.
Dentro do método de enxertia, existem três
formas de se obter o material de propagação
assexuada. Primeiramente, temos a
enxertia por borbulhia ou por gema, representada na figura a
seguir.
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Esse método de enxertia consiste em colocar uma
gema sobre o porta-enxerto enraizado – isto
é, juntar a casca da planta,
denominada enxerto, que contém a gema em outra planta, que
chamamos de porta-enxerto.
É necessário que essa operação seja rápida, de modo a evitar o
ressecamento das
partes que serão unidas. Para finalizar, colocamos um fitilho biodegradável
para
amarrar o enxerto com o porta-enxerto.
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Depois, temos a
enxertia por encostia ou por aproximação, representada na figura a
seguir.
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A enxertia por encostia ocorre pela união
lateral de duas plantas inteiras com os sistemas
radiculares independentes, para
que o enxerto e o porta-enxerto permaneçam unidos, até que essa
junção esteja completamente
formada. Isso pode ocorrer entre 30 a 60 dias. A partir daí, podemos
fazer a
separação do ramo (cavaleiro) de suas raízes.
De acordo com Fachinello et al. (2005, p. 76),
o método é simples, porém é pouco utilizado,
principalmente em frutíferas. O
autor afirma, ainda: “A enxertia de encostia pode ser feita em
qualquer época
do ano, embora seja mais conveniente fazê-la na época de crescimento
vegetativo, o
que facilitará a cicatrização e a união entre as partes”.
Por fim, temos a enxertia
por garfagem, representada na figura a seguir.
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Nesse método, é retirado um pedaço de um ramo
da planta mãe, chamado de garfo ou enxerto.
Os garfos são
cortados em forma de bisel ou cunha, com duas ou mais gemas, sendo colocados no
porta-enxerto ou cavalo. Para evitar contaminação por patógeno, coloca-se uma fita
ou parafina, que
ajuda no processo de cicatrização. Esse tipo de enxertia garante
a produção e a compatibilidade
genética.
Segundo Fachinello et al. (2005), a enxertia
pode ser feita em julho e agosto, quando ocorre o
repouso vegetativo. Pode
ainda ser feita na fase de crescimento vegetativo em frutíferas, como
videiras
e mangueiras.
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4.1.4 ALPORQUIA
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O método de alporquia segue algumas etapas: o
ramo escolhido precisa estar ligado à planta
mãe, ou seja, encontra-se na parte
aérea, devendo apresentar de 2 a 3 cm de diâmetro. O ramo não
pode ter brotação,
para que seja possível fazer o anelamento, em torno de 3 a 5 cm de largura. Na
próxima
etapa, no anelamento, retiramos o floema (casca) e o cobrimos com substrato umedecido.
É preciso envolver o local com plástico transparente, para evitar a perda de
água. Por fim, retiramos o
ramo, pois já temos uma nova muda com raiz.
Essa muda deve ser colocada em um novo
substrato, sendo mantida em local protegido – ou
seja, meia sombra, pelo fato
de a muda ainda ser jovem e frágil. A época ideal para fazer a alporquia
é na
primavera e no verão, pois nesse período a planta está desenvolvendo a sua parte
vegetativa.
Exemplos de plantas que podem utilizar a alporquia: lichia,
jabuticaba e hibisco.
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4.1.5 MERGULHIA
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O método de mergulhia deve ser feito na
primavera ou no final do verão, quando ocorre o
crescimento das plantas. Consiste
em pegar um ramo flexível e de fácil manejo da planta mãe, sem
separá-lo, para
mergulhar em solo, em vaso ou em canteiros, até atingir o enraizamento,
formando o
seu próprio sistema radicular. Como Fachinello et al. (2005, p. 80) definem:
“a planta a ser propagada
por mergulhia permanece ligada à planta mãe, ocorre
um fluxo contínuo de água e de nutrientes, e
essa nutrição equilibrada da
matriz favorecerá a formação de raízes”.
Por conta da ausência de luz, o enraizamento está
ligado ao acúmulo de auxinas (hormônios
endógenos), devendo ser colocado em
local isento de patógenos.
Para que a planta cresça ereta, é preciso
colocar um tutor no ramo flexível. Esse método é muito
usado em fruticultura,
como macieira, pereira, cajueiro etc.
4.2 CULTURA DE MATERIAL IN VITRO
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Para dar andamento a técnica de cultura in
vitro, é preciso selecionar as características
desejáveis da cultura e
evitar as indesejáveis. É preciso obter um material livre de contaminante, que
seja compatível com as condições de trabalho in vitro, para que o
melhoramento genético (DNA)
consiga ser multiplicado – ou seja, trabalhamos com
a integração entre a cultura de tecidos e a
biotecnologia.
Todos os procedimentos realizados na cultura in
vitro são feitos em ambientes que controlam a
luz, a temperatura, a umidade
e a contaminação.
De acordo com Fachinello et al.
(2005, p. 90), para que os cultivos in vitro aconteçam, é preciso
escolher o explante:
O explante é qualquer
segmento de tecido oriundo de uma planta, para iniciar um cultivo in vitro,
podendo ser uma gema axilar ou segmento nodal, ápice caulinar ou radicular,
sendo que esses
contêm o meristema ou tecidos diferenciados, como as folhas ou
pedaços de uma folha, entrenó,
etc. [...] Na seleção dos explantes, devem ser
considerados aspectos como o nível de diferenciação
do tecido utilizado e a
finalidade da micropropagação.
A micropropagação é uma técnica usada para
multiplicar espécies vegetais. É preciso levar em
conta a utilidade e a finalidade,
como clonar genótipos de plantas com potencial econômico,
proteger espécies
vegetais que estejam no caminho da extinção, ou produzir quantidade de plantas
com pouco material vegetal original e/ou plantas para aumentar o estoque
natural de espécies
vegetais silvestres (Casazza et al., 2002).
Créditos:
Vladimir Mulder/Shutterstock.
As plantas
cultivadas in vitro ajudam a avaliar e a estudar os efeitos causados por
vários
agentes patogênicos, como bactérias, fungos e vírus, que atacam as
espécies vegetais.
Conforme Souza et
al. (2009), para que o processo dê certo, é necessário fazer o
monitoramento de
possíveis contaminações, como bactérias e fungos. É importante ainda verificar
o
desenvolvimento dos explantes, o seu crescimento e enraizamento, monitorando o
estado do
recipiente onde a cultura in vitro se desenvolve.
TEMA 5 – AGRICULTURA 4.0
Créditos:
attraction art/Shutterstock.
O assunto deste tópico é moderno, inovador e
tecnológico. O termo agricultura 4.0 deriva do
conceito indústria 4.0, que
surgiu na Conferência de Hannover, na Alemanha, em 2011. Ele surge da
integração
de diversas tecnologias e inovações na área industrial, como Internet das Coisas,
sensores remotos e Big Data, entre outras tecnologias que foram implantadas
para garantir a
transformação dos processos industriais.
Não foi diferente na agricultura 4.0, que
aproveitou essas inovações e tecnologias para que
fossem aplicadas no meio
agrícola, aprimorando o monitoramento das práticas agropecuárias e
ajudando nas
tomadas de decisão.
O contexto tecnológico da agricultura 4.0
inclui a agricultura de precisão, a automação de
máquinas e implementos
agrícolas, a robótica aplicada nas fazendas digitais (com métodos que
ajudam na
localização de precisão e informação, para gerir o andamento da fazenda e
cultivar os
alimentos de forma sustentável) e nas fazendas inteligentes (o
agricultor integra as atividades rurais
com informações digitais, buscando tomar
decisões de forma mais assertiva).
Com a aplicação dessas tecnologias, o
produtor rural obtém eficiência no andamento das
atividades desenvolvidas na fazenda,
voltadas para a agricultura e/ou para a pecuária. Conforme
definem Massruhá e
Leite (2017), a tecnologia veio para aumentar a produtividade, mas para isso é
preciso contar com maior eficiência no uso de insumos, buscando a melhoria na
qualidade e na
segurança dos trabalhadores, a redução nos custos de mão de obra,
além da diminuição dos
impactos ambientais.
A contribuição da agricultura 4.0 para o meio
ambiente marca uma certa uniformidade no
campo, pois há diminuição no uso de
insumos (fertilizantes e agroquímicos) e de água – ou seja, a
adequação da
tecnologia acaba determinando o uso racional dos insumos e da água, sem
desperdício em áreas específicas.
É preciso que você entenda que a verdadeira
intenção da agricultura 4.0, com essas tecnologias,
é aumentar a produtividade.
Para isso, as ferramentas precisam auxiliar a coleta de dados e
transformar os dados
em informação, sobre o tipo e a qualidade do solo, a necessidade de
adubação, o
clima predominante na área, o nível do uso de água em irrigação, além da presença
de
vetores (pragas e doenças).
Esses dados são coletados por sensores implantados em máquinas e
implementos agrícolas, e
também por um equipamento que está se tornando comum
nas áreas agrícolas: o drone.
Créditos:
Scharfsinn/Shutterstock.
5.1 INOVAÇÕES NA AGRICULTURA
O setor agrícola está evoluindo, as inovações
estão presentes em diversas áreas para que o
cultivo e a criação de animais
estejam adaptados às modernidades da agricultura 4.0.
De acordo com Clercq, Vats e Biel (2018), as
inovações para as próximas décadas serão
revolucionárias. Eles apontam que
algumas tecnologias estão em estágios iniciais, como a
impressão 3D de
alimentos, o cultivo de carne, a modificação genética, a agricultura com o uso
de
água do mar, além do cultivo de alimentos em regiões áridas, o que só é possível
com o uso de
recursos limpos (sol, vento, água do mar).
Créditos:
tilialucida/Shutterstock.
Na produção de alimentos, há uma série de
tendências para que seja possível atender essa
demanda. Para isso, utilizamos
sistemas para o aproveitamento de recursos de energia solar e
eólica, além de técnicas
para a dessalinização de água salobra, para que essa água possa ser
utilizada
na agricultura hidropônica (cultivo de plantas em água com solução nutritiva).
A implantação de agricultura em áreas
desérticas, com adaptação através de melhoramento
genético, para regular o
crescimento e os hormônios em sementes e plantas, aumenta a resistência
desse
material em locais onde dificilmente a agricultura conseguiria se desenvolver.
Outra área em desenvolvimento é o cultivo em
oceanos, nas fazendas marinhas (cultivo e
criação de espécies aquáticas). Esse
modelo de produção passa a ser uma alternativa sustentável,
em oposição à pesca
predatória, que danifica o meio ambiente aquático. Nessa fazenda marinha
(aquicultura),
podem ser cultivados mexilhões, ostras, camarões e peixes, com o cultivo de
algas
(substituição de alguns alimentos, baixo custo de produção e absorção de
gás carbônico da
atmosfera).
Nas cidades, estão sendo implantadas fazendas
verticais, com a utilização de técnicas de
hidroponia (cultivo em água com
solução nutritiva) e aeroponia (cultivo de plantas suspensas no ar e
raízes,
sem contato com o solo ou substrato). A produção é feita na vertical, em
ambiente de pouco
solo, com o uso de pouca água e menos insumos (fertilizantes,
agroquímicos), mas com alta
produtividade.
Créditos:
Yeinism/Shutterstock.
Avançando na questão da sustentabilidade,
muitas embalagens estão sendo produzidas com
durabilidade parecida com o
plástico. A diferença é que elas são biodegradáveis (fácil
decomposição, sem deixar
resíduos tóxicos na natureza), sendo, portanto, as embalagens
sustentáveis.
Dentro da agricultura 4.0, temos várias
ferramentas incorporadas na agricultura de precisão, o
que permite o
monitoramento e o controle do local, para garantir precisão nas operações de cultivo
e
no deslocamento do rebanho. O objetivo é fornecer exatamente o que a cultura
necessita para
produzir e atingir a produtividade, para que o rebanho ganhe peso,
em ambiência adequada para a
produção do seu bem-estar.
Créditos:
MONOPOLY919/Shutterstock.
O drone (veículo aéreo não tripulado) é uma
tecnologia de fácil acesso para os produtores
rurais. Essa ferramenta traz sensores
e câmera com boa resolução de imagem, o que ajuda o
agricultor a acompanhar em
tempo real o desenvolvimento da lavoura ou do rebanho.
Créditos:
Scharfsinn/Shutterstock.
A inovação tecnológica na área alimentícia,
principalmente na questão de proteína animal,
busca alternativas, através de
estudos para a produção de carne em laboratório, com células de
animais ou com
a utilização de algas (proteína) para substituir a carne.
Outra tendência nas cadeias produtivas é o uso
de insumos sustentáveis (adubação orgânica,
compostagem, adubação verde), os
chamados eco-friendly (amigável à natureza), produtos com
baixo teor de
aditivos sintéticos. Utilizando esses insumos, o setor agrícola acaba reduzindo
o
impacto no meio ambiente, com menor risco à saúde humana.
Na era dos aplicativos (apps) a área de
produção de alimentos não poderia ficar de fora. Os
aplicativos surgem para
permitir que o alimento produzido não seja desperdiçado, com base em uma
conexão
entre as pessoas, para que a produção excedente seja compartilhada (Clercq;
Vats; Biel,
2018).
Por fim, destacamos a criação de abelhas robôs.
É isso mesmo que você está lendo! Essa
técnica se baseia em tecnologia para
substituir a biodiversidade. A abelha tem um papel
fundamental na polinização
das plantas e, consequentemente, na produção de alimentos. O número
de abelhas
está caindo, devido a uma série de problemas provocados pelo homem, como
aquecimento
global, uso de agroquímicos e desmatamento. A solução encontrada é a criação de
abelhas robô.
Créditos:
Josh McCann/Shutterstock.
A agricultura 4.0 faz parte da nova revolução
agrícola. A tecnologia e as inovações representam
um modo importante de
aumentar a produtividade, diminuir o uso de insumos e obter dados em
tempo real,
para que seja possível tomar decisões mais assertivas, racionalizando o uso dos
recursos naturais, em busca da sustentabilidade do setor.
Essas novas tecnologias implantadas no setor
agropecuário evidenciam a capacidade de
adaptação do setor para a produção de
alimentos.
O setor também está envolvido com as questões
ambientais ao se posicionar na busca por
soluções para o uso inadequado do
solo, o aquecimento global, o uso excessivo de insumos, a
poluição e o desperdício
no consumo da água, além do desperdício de alimentos.
Segundo Ribeiro, Marinho e Espinosa (2018, p.
6). o Brasil,
“como um dos maiores produtores
agrícolas mundiais, exerce importante papel no
sentido de aderir à agricultura 4.0, investindo em
modernização e tecnologia e,
dessa forma, inserindo cada vez mais práticas sustentáveis ao setor”.
Essa
revolução pode aumentar a produção de alimentos, por conta do uso de novas
tecnologias,
considerando o novo perfil da maioria dos atuais consumidores que
se preocupam com as questões
ambientais.
FINALIZANDO
Chegamos ao fim desta etapa, com diversos assuntos
ligados à tecnologia e inovação na área
agrícola. Estudamos uma série de tecnologias
que foram criadas e implementadas para garantir um
salto no desenvolvimento da
agropecuária, no Brasil e no mundo.
As pesquisas do setor ajudam no desenvolvimento
de uma agricultura moderna, que se
preocupa com a produção de alimento e também
com questões ambientais. A agricultura 4.0 é o
marco dessa evolução, com
tecnologias que ajudam o produtor rural a obter dados sobre a lavoura
e/ou a pecuária,
buscando decisões assertivas quanto ao andamento da produção.
Até a próxima!
REFERÊNCIAS
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portugues/busca/portugues-brasileiro/agricultura>.
Acesso em: 27 jul. 2022.
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CASAZZA, G. et al.
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of Horticultural Science & Biotechnology, v. 77, n. 5, p. 541-545,
2002.
CLERCQ, M.; VATS, A.;
BIEL, A. Agriculture 4.0: the future of farming technology. World
Government
Summit, 2018.
DE MELLO, B. C. et al.
Melhoramento genético vegetal: visão geral das técnicas e implicações.
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MOSTRA ACADÊMICA UNIMEP, 10., 2012, Piracicaba. Anais...
Piracicaba, 2012. Disponível em:
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EHLERS, E. M. O que
se entende por agricultura sustentável? Tese (Mestrado em Ciência
Ambiental) – Programa de Pós-Graduação FEA/USP, São Paulo, 1994.
EMBRAPA – Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária. GMOs: breaking barriers to benefit
Brazilian agriculture. Disponível em:
<[Link]
Acesso: 27
jul. 2022.
FACHINELLO, J. C. et
al. Propagação de plantas frutíferas. Brasília: Embrapa Informação
Tecnológica, 2005.
HALL, A. Challenges to
strengthening agricultural innovation systems: where do we go from
here? Working
Paper Series, Maastricht, 2007.
JAHUAR, P. P. Modern
biotechnology as an integral supplement to conventional plant breeding:
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prospects and challenges. Crop Science, v. 46, p.1841-1859, 2006.
LAMAS, F. M.
Agricultura 4.0: a quarta revolução tecnológica, com forte conteúdo digital e
conectada. Mercado Agrícola, 24 nov. 2017. Disponível em:
<[Link]
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Acesso em: 27 jul. 2022.
MALAJOVICH, M. A. Biotecnologia. Rio
de Janeiro: Edições da Biblioteca Max Feffer, 2012.
MASSRUHÁ, S, S. F. M.;
LEITE, A. A. M. M. Agro 4.0: rumo à agricultura digital. JC na Escola
Ciência, Tecnologia e Sociedade: Mobilizar o Conhecimento para Alimentar o
Brasil, 2017.
NAVARRO, Z.
Desenvolvimento rural no Brasil: os limites do passado e os caminhos do
futuro. Estudos avançados, v. 15, n. 43, p. 83-100, 2001.
RIBEIRO, J. G.;
MARINHO, D. Y.; ESPINOSA, J. W. M. Agricultura 4.0: desafios à produção de
alimentos e inovações tecnológicas. Simpósio de Engenharia de Produção,
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SOUZA, A. da S. et al.
Preservação de germoplasma vegetal, com ênfase na conservação in vitro
de
variedades de mandioca. Embrapa Mandioca e Fruticultura-Circular
Técnica, 2009.
VAN DER PLOEG, J. D.
Trajetórias do desenvolvimento rural: pesquisa comparativa
internacional. Sociologias,
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WENDLING, I. Propagação
vegetativa. In: SEMANA DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRO, 1., 2003,
Colombo. Anais...
Colombo: Embrapa Florestas, 2003.
INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 3
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Esta etapa aborda questões
relacionadas à agroecologia e o papel fundamental das
cooperativas e
associações ligadas ao setor do agrícola.
Os assuntos ligados às questões ambientais
estão voltados para a realidade atual, que busca
uma convivência mais harmônica
entre o homem e a sustentabilidade.
No tópico 1, você vai aprender sobre a
agroecologia que visa um novo contexto na área agrícola,
com uma produção
ecologicamente sustentável. O tópico 2 aborda a inter-relação entre os fatores
agroecológicos e socioeconômicos na agricultura e o tópico 3 a importância das
cadeias produtivas
na fixação do homem no campo.
O tópico 4 continua focado na questão da
sustentabilidade, pois aborda o uso e a conservação
do solo e da água. Por fim,
no tópico 5, um panorama sobre o cooperativismo e o associativismo no
meio
rural.
TEMA 1 – AGROECOLOGIA
Figura 1 – Agroecologia
Crédito: Luisaazara/Shutterstock.
O termo agroecologia pode ser definido por
uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente,
na qual se aplicam técnicas e
práticas ecologicamente sustentáveis.
Vamos situar esse termo dentro da história: ele
surgiu em 1928 em uma publicação feita pelo
agrônomo russo Basil Bensin, mas
ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980 quando foi
alçada como
ciência.
A partir daí, essa nova ciência incorporou dentro
dos seus atributos uma série de ciências
(ecologia, agronomia, antropologia,
sociologia, geografia, zootecnia, biologia, botânica, entre outras)
junto com
os conhecimentos tradicionais dos agricultores, o que fez com que garantisse o
sucesso
da agricultura com base ecológica.
No contexto produtivo, a agroecologia é uma
maneira de contrapor-se aos modelos agrícolas
convencionais, pois configura
como uma agricultura sustentável que caminha para o equilíbrio
ecológico e de produzir
alimentos saudáveis, ou seja, a busca pela segurança alimentar.
Segundo Altieri (1987), a agroecologia pode ser
definida como uma agricultura alternativa, mas
com base científica.
Dessa maneira, como apontam Caporal e
Costabeber (2002), a agroecologia passa a ser uma
ciência, ou seja, um
conhecimento científico com caráter multidisciplinar, pois permite um
aprofundamento de estudos, análises e avaliação dos agroecossistemas.
Para Caporal e Costabeber (2002, p. 14), “os
agroecossistemas são considerados como
unidades fundamentais para o estudo e
planejamento das intervenções humanas em prol do
desenvolvimento rural
sustentável”.
O surgimento da agroecologia, segundo Leff
(2002), ocorreu em função da interação entre
produtores rurais com pesquisadores
e professores em busca de estratégias mais sustentáveis para
produções
agrícolas.
Dessa maneira, a agroecologia apresenta um
intercâmbio de saberes, pelas experiências dos
agricultores e pelas pesquisas e
técnicas dos pesquisadores, o que faz com que os conhecimentos
ecológicos sejam
dinamizados nos agroecossistemas.
Para Leff (2002, p. 39), a agroecologia “incorpora
o funcionamento ecológico necessário para
uma agricultura sustentável, mas ao
mesmo tempo introjeta princípios de equidade na produção, de
maneira que suas
práticas permitam um acesso igualitário aos meios de vida”.
A agroecologia é uma maneira de minimizar o uso
de agroquímicos nas culturas, isto é, é uma
ação de mudar as técnicas convencionais
por técnicas e práticas voltadas para a sustentabilidade
na produção.
Como Leff (2002, p. 39) afirma:
A Agroecologia, como
instrumento do desenvolvimento sustentável, se funda nas experiências
produtivas da agricultura ecológica, para elaborar propostas de ação social
coletiva que enfrentam
a lógica depredadora do modelo produtivo agroindustrial
hegemônico, para substituí-lo por outro,
que orienta para a construção de uma
agricultura socialmente justa, economicamente viável e
ecologicamente
sustentável.
O que podemos entender ao usar o termo agroecologia
é que corresponde aos conhecimentos
com bases científicas para conseguir que
haja uma transição da agricultura convencional para uma
agricultura sustentável
com base ecológica.
De acordo com Caporal e Costabeber (2002, p.
13), a agroecologia está vinculada à:
oferta de produtos "limpos", ecológicos, isentos de
resíduos químicos, em oposição àqueles
característicos da Revolução Verde.
Portanto, a Agroecologia nos traz a ideia e a expectativa de
uma nova
agricultura, capaz de fazer bem aos homens e ao meio ambiente como um todo,
afastando-nos da orientação dominante de uma agricultura intensiva em capital,
energia e recursos
naturais não renováveis, agressiva ao meio ambiente,
excludente do ponto de vista social e
causadora de dependência econômica.
Mas uma coisa é preciso ficar clara: a
agroecologia não pode ser confundida como um modelo
agrícola e sim uma maneira
de retomar as concepções agronômicas que ocorriam antes da
Revolução Verde,
isto é, retomar a forma de agricultura sustentável. Nessa linha de estudos
agronômicos,
é preciso incorporar nas práticas agrícolas várias questões: sociais, políticas,
éticas,
culturais, ambientais e energéticas. Para isso, a agroecologia está
presente na agricultura familiar, na
agricultura orgânica, nos assentamentos,
nas áreas quilombolas e nas áreas indígenas, com o
objetivo de superar todos os
danos causados ao meio ambiente com práticas agrícolas
convencionais, por exemplo:
a monocultura, uso de insumos químicos, transgênicos, entre outros.
Ou seja, a
agroecologia é uma maneira de introduzir o desenvolvimento rural sustentável.
1.1 PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS
Figura 2 – Práticas agroecológicas
Crédito: Luisaazara/Shutterstock.
A agroecologia está relacionada a conceitos
ligados à sustentabilidade e à justiça social.
Quando utilizamos o termo sustentabilidade,
nele estão englobados vários aspectos que
cumprem um direcionamento para
atender às questões sociais, econômicas, políticas, culturais,
éticas e
ambientais.
Para isso, a pesquisa na área de agroecologia
tem por objetivo aprimorar o equilíbrio do
agroecossistema. Como Caporal e
Costabeber (2002) afirmam, é a necessidade de ampliar os
conhecimentos, as análises
e interpretar as relações que existem entre o ser humano, o solo e água
utilizadas, as produções agrícolas e os animais; acontecendo um equilíbrio
sustentável.
Desse modo, as práticas agroecológicas visa unir
a teoria com as práticas utilizadas nos
agroecossistemas a fim de preservar a
biodiversidade, utilizar os insumos locais e, a longo prazo,
intensificar a
produtividade.
Para Leff (2002, p. 41), “As práticas
agroecológicas recuperam também o sentido do valor de
uso (ecológico) da terra
e seus recursos”.
As práticas são experimentadas por
agricultores, na maioria pertencentes à agricultura familiar,
o que gera sua
autossuficiência para o desenvolvimento da sua propriedade rural, pois passa a
integrar vários sistemas produtivos.
O manejo ecológico é prioridade nesse tipo de
agricultura. Para isso, é necessário, por exemplo,
conservar o solo,
diversificar os cultivos, usar sementes nativas, preservar água e utilizar os
defensivos orgânicos e os biofertilizantes.
É por isso que as práticas agroecológicas
mostram que a natureza não pode ser usada de forma
indiscriminada e sim de
maneira consciente, buscando a interação entre os elementos da natureza
(solo,
água, animais, plantas etc.) e o ser humano. E o mais importante é que o homem
faz parte da
natureza e depende dela para sobreviver, então é preciso
respeitá-la.
Assim, as práticas agroecológicas resultam de
uma visão sistêmica, por isso é preciso entender
a relação entre todos os
elementos da natureza e de como eles se comportam na produção agrícola
sustentável. Por exemplo, em um local onde será plantada uma cultura é
necessário observar o solo,
o clima, as plantas espontâneas (presentes no
local), insetos, a água, enfim, observar todos os
elementos para entender como
estão interagindo e sua interligação. É uma relação de simbiose
(reciprocidade
entre organismos que dependem um do outro para sobreviver).
O ambiente agroecológico é marcado pela
cooperação entre as comunidades rurais de
pequenos agricultores (agricultura
familiar, quilombolas, assentamentos etc.). Dessa maneira, ocorre
uma
associação na produção e na comercialização dos produtos, mas o mais importante
são os
movimentos sociais que envolvem todos os trabalhadores. Por meio das
políticas públicas (crédito
rural, assistência técnica e o extensionismo,
assentamentos de reforma agrária etc.) é possível
viabilizar a economia da
agricultura familiar agroecológica.
Figura 3 – Agricultura familiar
Crédito: Alf Ribeiro/Shutterstock.
Em nome da preservação da biodiversidade a
agroecologia passa a ser a maneira de conservar
e valorizar o meio ambiente.
TEMA 2 – FATORES AGROECOLÓGICOS E SOCIOECONÔMICOS E SUAS
INTER-RELAÇÕES NA
AGRICULTURA
Figura 4 – Agroecologia
Crédito: VectorMine/Shutterstock.
Vamos pensar esta etapa com a perspectiva de
que as produções agrícolas são voltadas para a
segurança alimentar e para o
desenvolvimento socioeconômico. Mas para que isso continue e
atenda às
necessidades da população mundial e das gerações futuras, é preciso um controle
nas
questões ambientais.
Desse modo, os impactos ambientais devem ser controlados
para evitar perda nutricional do
solo, erosão, poluição das águas, uso
excessivo de insumos químicos, entre outros. Assim, as
atividades agrícolas devem
seguir uma tendência voltada para a sustentabilidade.
Nesse contexto, surge a agroecologia
como uma alternativa aos agricultores que desejam uma
produção de alimentos mais
saudáveis e que atendam às necessidades dos consumidores que
optaram por
produtos livres de agroquímicos.
Nesta etapa, vamos discutir sobre a
agroecologia como uma ciência que estuda maneiras de
desenvolver uma
agricultura voltada para práticas agrícolas amigas do meio ambiente.
De acordo com Caporal e Costabeber
(2002, p. 16),
Agroecologia não pode
ser confundida com um estilo de agricultura. Também não pode ser
confundida
simplesmente com um conjunto de práticas agrícolas ambientalmente amigáveis.
Ainda que ofereça princípios para estabelecimento de estilos de agricultura de
base ecológica, não
se pode confundir Agroecologia com as várias denominações
estabelecidas para identificar
algumas correntes da agricultura
"ecológica". Portanto, não se pode confundir Agroecologia com
"agricultura sem veneno" ou "agricultura orgânica", por
exemplo, até porque estas nem sempre
tratam de enfrentar-se em relação aos
problemas presentes em todas as dimensões da
sustentabilidade.
Para isso, quando se trata da agroecologia diversos
fatores, como o ambiental, social,
econômico e cultural, são aplicados para que
a ação humana junto com a relação socioeconômica
seja voltada para que ocorra
um desenvolvimento de base sustentável.
Dentro deste contexto, Queiroz Neto (2011, p.
30) afirma que: “agroecologia pode apontar
caminhos tanto metodológicos, quanto
na práxis (uma dimensão política de prática) de ação-
reflexão acerca do
espaço rural, do ambiente e da atividade agrícola em especial”.
Leff (2002, p. 37) argumenta que “os saberes
agroecológicos são uma constelação de
conhecimentos, técnicas, saberes e
práticas dispersas que respondem às condições ecológicas,
econômicas, técnicas
e culturais de cada geografia e de cada população”.
A agroecologia está voltada para que haja uma
inter-relação entre a agricultura e o processo das
relações ecológicas
aplicadas no setor rural e também no setor urbano. A agroecologia como uma
ciência tem como propósito esclarecer a dinâmica aplicada nos setores sociais,
econômicos,
culturais e ambientais.
2.1
DIREITOS HUMANOS E MEIO AMBIENTE
Figura 5 – Direitos humanos e meio ambiente
Crédito: Jacob_09/Shutterstock.
O termo agroecologia já foi usado como
uma maneira de demarcar um zoneamento
agroecológico, ou seja, região
onde há um conhecimento técnico-científico de sua capacidade e
vulnerabilidade
ambiental, e tendo como meta o uso agrícola, além de levar em conta as
características socioeconômicas e culturais desse zoneamento.
De acordo com Gliessman (2001), o termo agroecologia
passou a ser aplicada a partir de 1980,
com conceitos ligados à ecologia e também
como agroecossistemas sustentáveis.
Com essa visão mais voltada para as questões ambientais
e de sustentabilidade, a produção
com base agroecológica oferece subsídios para
que os direitos humanos estejam presentes no meio
ambiente.
Dessa forma, em relação às práticas
agroecológicas (cultivo de alimentos livres de
agroquímicos, agricultura
familiar, sem exploração de mão de obra, cuidado com meio ambiente,
entre
outras), observa-se que a agroecologia tem um papel predominante nas questões
dos direitos
humanos, porque prioriza a segurança alimentar e nutricional, sustentabilidade,
direito a terra
(reforma agrária), moradia, trabalho etc.
Você sabe o que são os direitos humanos?
Em 10 de dezembro de 1948, em Paris, França,
surgiu a Declaração Universal dos Direitos
Humanos (DUDH). É um documento que
estabelece a proteção aos direitos humanos (direito à vida,
à liberdade, à
educação, à moradia e ao trabalho) para todas as pessoas.
Saiba mais
Vale a pena se
inteirar sobre esse assunto. Pesquise.
Para saber mais
sobre direitos humanos, acesse o site da ONU (Organização das Nações
Unidas).
ONU – Organização
das Nações Unidas. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 2 jun. 2022.
Os Direitos Humanos aplicados às práticas
agroecológicas geram respeito às pessoas
envolvidas e ao meio ambiente. Para
dar andamento a essa maneira de desenvolver o meio agrícola
sustentável, é
preciso haver políticas públicas voltadas para atender à demanda do setor que
trabalha com técnicas e pesquisas agroecológicas para garantir a segurança
alimentar e nutricional.
As políticas públicas devem respeitar a
diversidade socioeconômica, cultural e a preservação do
meio ambiente.
Portanto, a ideia de equilíbrio do uso dos
recursos naturais com base na viabilidade
socioeconômica, deve levar em conta a
complexa inter-relação entre o ser humano e o meio
ambiente, seja na área rural
e/ou urbana.
2.2 AGROECOSSISTEMAS
Figura 6 – Agroecossistemas
Crédito: Hxdbzxy/Shutterstock.
O termo agroecossistema é usado quando o
ser humano modifica o ecossistema original, isto é,
para produzir recursos
(alimentos e bens) para poder sobreviver. Essa interferência no ecossistema
faz
com que o homem (agricultor) passe a ter o controle dessa área, implantando
atividades para
seu benefício.
Portanto, o agroecossistema é um sistema de
produção na qual o agricultor explora a área com
atividades agropecuárias ou
agrossilvipastoris.
De acordo com Aquino e Assis (2012), dentro do
agroecossistema temos dois tipos com
características diferentes:
2.2.1 AGROECOSSISTEMA MODERNO
O agroecossistema moderno utiliza o ambiente de
maneira exploratória, ou seja, adapta o
agroecossistema para exploração
econômica. Usam insumos químicos, técnicas e tecnologias,
sementes modificadas,
maquinários pesados; a maioria prioriza a monocultura de commodity,
procuram adaptar as condições locais para atender a atividade agrícola e/ou
pecuária. Essa
interferência acaba impactando o meio ambiente, reduzindo a
biodiversidade dentro e fora da
propriedade.
2.2.2 AGROECOSSISTEMA TRADICIONAL
O agroecossistema
tradicional tem como característica a não dependência de insumos
comerciais
(químicos), preferindo utilizar recursos encontrados na região, assim se
adaptam às
condições locais. É lógico que a capacidade produtiva é menor que o
do agroecossistema moderno,
mas esse sistema prioriza o atendimento da demanda
da comunidade, o ecossistema original quase
não sofre alteração, é pouco
impactado, tanto dentro quanto fora da propriedade.
TEMA 3 – FIXAÇÃO DO HOMEM NO CAMPO
Figura 7 – Fixação do homem no campo
Crédito: Leo de la Garza/Shutterstock.
Para adentrar nesse assunto, fixação do
homem no campo, precisamos entender que a realidade
rural brasileira passou
por uma série de mudanças ao longo da nossa história.
O período colonial marcou um Brasil voltado
para o meio rural, tendo como principal vertente
econômica a venda de produtos
agrícolas para o mercado externo, por exemplo, as monoculturas de
cana-de-açúcar, algodão e café.
Durante o período imperial, a partir da metade
do século XIX, começa a implantação de uma
industrialização para fabricar
produtos para competir com os produtos importados, principalmente
provenientes da
Inglaterra.
Esse movimento industrial é consequente da
política alfandegária (Tarifa Alves Branco –
aumentar os impostos de produtos
industriais vindos de fora), proibição do tráfico negreiro e da
vinda de
imigrantes europeus para trabalhar nas cidades.
Apesar do incentivo à industrialização, o
governo não conseguia alavancar a economia, que
continuava com a base econômica
o cultivo de café. Somente no final do período imperial é que a
indústria teve
um crescimento, com fábricas voltadas para a produção de alimentos e de tecidos.
No período inicial da república, a economia
continuava sendo rural, produzindo café, o principal
produto de exportação, mas
também cultivava cana-de-açúcar, algodão, cacau e borracha.
São Paulo, nessa época, era o maior produtor de
café e com isso concentrava a riqueza, atraindo
várias pessoas, tanto os brasileiros
quanto os imigrantes europeus. E a cidade de São Paulo, devido
à riqueza dos
barões do café, cresceu e o investiu nas indústrias.
A indústria brasileira ganha mais relevância
com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) devido
à dificuldade de importação.
Dessa maneira, com uma série de fatos
históricos (Grande Depressão de 1929, Era Vargas,
Segunda Guerra Mundial,
Governo de Juscelino Kubitschek, Era Militar, etc.) a industrialização foi
crescendo e atraindo mais pessoas para trabalhar nas cidades, ocorrendo o êxodo
rural (abandono
dos trabalhadores rurais migrando para as cidades) em busca de
melhores condições de vida. Mas o
que aconteceu? As cidades não estavam
preparadas para receber essas pessoas (sem
planejamento urbano) gerando
pobreza, desemprego e/ou subemprego, favelização, violência etc.,
além de falta
de alimentos devido à migração rural.
Outra consequência foi o surgimento dos
boias-frias, trabalhadores rurais que moram na
periferia das cidades em baixas
condições de vida e que são contratados por dia para trabalhar nas
propriedades
rurais.
Figura 8 – Boia-fria
Crédito: Think4photop/Shutterstock.
Devido ao fato de as cidades não contarem com
planejamento urbano, isso acarretou em
diversos problemas sociais e econômicos
e fez com que muitos migrantes fizessem o caminho
inverso, ou seja, voltar para
o meio rural.
Houve a necessidade de incentivar esse retorno
para o meio rural, algo que não tem sido fácil e
que tem provocado conflitos
terras, como invasões, reforma agrária, assentamentos, entre outros.
O importante nesse movimento contrário (volta
ao campo) é ocupar esses espaços com
dignidade, eficiência e sustentabilidade.
Para a fixação do homem no campo, é necessária
uma ampliação na visão de como é a vida
atual no meio rural, pelo menos para
uma grande parte das propriedades rurais espalhadas pelas
regiões brasileiras.
Uma nova visão do meio rural e dos seus
integrantes passa a ser vista como um
empreendedorismo, independentemente do
tamanho da propriedade rural.
As tecnologias e as inovações empregadas nas
áreas rurais estão despontando para o setor ser
lucrativo e sustentável.
3.1 TIPOS DE AGRICULTURA
3.1.1 AGRICULTURA FAMILIAR
Responsável pela produção da maioria dos
alimentos ofertados nas cidades e é responsável
pela maior empregabilidade do
setor agrícola. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, é a base
econômica de 90%
dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes.
Nesse sistema agrícola existem políticas
públicas utilizadas para oferecer assistência técnica e
aporte financeiro para
os agricultores familiares. Por exemplo: o programa do governo federal
PRONAF
(Programa Nacional de Agricultura Familiar) financia projetos para gerar
renda aos
agricultores familiares e aos assentados da reforma agrária. E a Lei
da Agricultura Familiar (n.
11.326/2006), que define os requisitos
necessários para enquadrar as atividades em agricultura
familiar.
3.1.2 ASSENTAMENTOS DE REFORMA AGRÁRIA:
São áreas que buscam uma melhoria social e
econômica para as pessoas que fazem parte do
movimento. Não buscam somente
obter terra para trabalhar nela mas também uma vida digna.
3.1.3 QUILOMBOS
Trata-se de áreas pequenas onde a comunidade é descendente
dos antigos escravos. É
reconhecido pela Constituição brasileira para
desenvolver a sustentabilidade local em que a
comunidade produz alimentos com
técnicas agrícolas tradicionais para o seu sustento e vender o
excedente no
mercado interno.
3.1.4 AGRICULTURA ORGÂNICA
É uma tendência de mercado visando um
consumidor interessado em consumir produtos sem
insumos químicos, ou seja, uso
de insumos naturais. Esse tipo de agricultura tem direcionamento
para a
conservação do meio ambiente e produzir alimentos com segurança alimentar e
nutricional.
As tecnologias utilizadas são voltadas para que o solo, a água, a
topografia, o clima e a
biodiversidade sigam para um controle ambiental
satisfatório e equilibrado.
3.1.5 AGRICULTURA MODERNA
Utilizando o que existe de mais moderno na área
para obter uma alta produtividade e a
rentabilidade, para isso conta com
tecnologias e pesquisas científicas desenvolvidas para o setor
agrícola, e
consequentemente o agricultor passa a inserir no dia a dia da sua propriedade
rural, além
de empregar mão de obra qualificada.
3.1.6 AGRICULTURA INTENSIVA
Pode ser confundida como agricultura moderna,
pois também tem objetivo de produzir grandes
quantidades de alimentos e com
rentabilidade. Muitas áreas de agricultura intensiva são voltadas
para a
produção de commodities.
Dentro da porteira utiliza maquinários e
implementos de última geração, insumos químicos e
muitas tecnologias, por
exemplo, uso de drones, internet das coisas (IoT), transgênicos, entre
outras.
Mas é preciso ter cuidado em relação a esse
tipo de agricultura para que não haja um
esgotamento do solo, contaminação das
águas e do lençol freático, desmatamento das áreas
florestais e prejuízo à
biodiversidade.
3.1.7 AGRICULTURA EXTENSIVA
Nesse tipo de agricultura, devido ao baixo
investimento em tecnologia e inovação, há uma
menor produtividade, pois os
agricultores utilizam técnicas tradicionais e com mão de obra
desqualificada.
Esse tipo de agricultura ainda é muito usado pelos pequenos proprietários rurais,
e a
produção obtida é para subsistência e para atender o mercado local.
3.1.8 AGRICULTURA PATRONAL
Pode ser chamada também de agricultura
empresarial, pois ela visa uma produção para atender
o mercado interno e
externo, por exemplo, o cultivo da soja. Para atingir esses mercados, é preciso
ser realizada em médias e/ou grandes propriedades rurais, com grandes
investimentos, com uso de
tecnologias e inovações, maquinários e implementos e
uso de grande quantidade de insumos, dessa
maneira garantindo a produtividade e
a rentabilidade da produção.
3.2 REFORMA AGRÁRIA
Figura 9 – MST e Reforma Agrária
Crédito: Alf Ribeiro/Shutterstock.
Reforma Agrária, MST
(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Com certeza você já
ouviu esses
termos e sabe o quanto eles são importantes dentro do contexto do setor
agrícola.
A Reforma Agrária pode ser considerada
como uma reorganização fundiária conduzida pelo
Poder Público através do Estatuto
da Terra (Lei n. 4.504/1964), criado durante o governo de João
Goulart. É
uma maneira de distribuir terras para trabalhadores rurais que se enquadram em
indivíduos que não possuem terras para o seu sustento.
Tendo em vista medidas realizadas pelo governo,
o qual faz alterações no regime de posse e no
uso de terras, visa atender às
questões sociais, econômicas e ambientais.
De acordo com o Incra (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária, 2020), no artigo
“Reforma Agrária”, a democratização
da estrutura fundiária auxilia o trabalhador rural que foi
contemplado com
pedaço de terra a obter renda com a produção de alimentos, promover a sua
cidadania e a justiça social.
Portanto, a reforma agrária, além de propiciar
acesso à terra e melhores condições de vida aos
trabalhadores rurais pobres,
também auxilia no desenvolvimento do país com o fortalecimento
econômico dos
assentamentos, gerando riqueza para o meio rural e para o meio urbano.
De acordo com Gasques e Conceição (1998, p. 12),
a reforma agrária pode ser vista:
Tanto no lado social,
aliviando a pobreza, criando emprego e renda, como no lado econômico,
melhorando a distribuição da terra, gerando um mercado interno e fortes
ligações entre o rural e o
urbano, a reforma agrária é muito mais do que uma
política de acesso a terra. Quando vista em sua
totalidade, afeta o conjunto de
condições sociais, econômicas, ambientais e políticas com
demandas diferentes.
Já o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra) é um movimento que busca uma
estruturação fundiária para atender à
demanda dos inúmeros trabalhadores rurais sem terra.
Oficialmente esse movimento surgiu em 1984 no
Paraná dentro do Encontro Nacional de
Trabalhadores Sem Terra. Vale lembrar que,
nessa época, o Brasil vivia um processo de
redemocratização, ou seja, uma abertura
política em curso com finalização do período militar (1964
a 1985), no qual foi
possível o surgimento de movimentos sociais.
Esta luta por terra, aqui no Brasil, não é uma
novidade, pois desde o início do século XX houve
manifestações populares para
combater a desigualdade na estruturação fundiária que era voltada
para os
grandes latifúndios, deixando os pequenos agricultores a própria sorte, ou
seja, sem ter o
respaldo político, econômico e social por parte do governo.
Dessas antigas reivindicações originou-se o
MST, um movimento mais organizado, que tem com
o lema central “terra para
quem nela trabalha”.
Portanto, o MST tem com ideal lutar pela
Reforma Agrária, e, consequentemente lutar por terras
para os agricultores
rurais sem terra e buscar melhorias nas questões sociais do país.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
se organiza por meio de marchas e da
montagem de acampamentos nas ocupações de
propriedades rurais onde há uma situação irregular,
ou seja, que não cumpre a
função social da terra, por exemplo, usar de maneira sustentável os
recursos
naturais, trabalhar a terra de forma racional e adequada, sem exploração de mão
de obra,
entre outros.
Ao formar o acampamento, as famílias começam a
cultivar alimentos, implantando uma
cooperativa de agricultores familiares. Isso
propicia certa pressão aos governantes para que haja a
desapropriação dessa
propriedade rural. É lógico que é um processo longo, que necessita de buscar
todas as informações sobre a propriedade até enquadrá-la como irregular. Daí em
diante, o governo
(INCRA é o órgão responsável para realizar todo esse
processo) desapropria e concede aos
trabalhadores rurais o direito sobre a
terra, dando-lhe o nome de assentamento.
Figura 10 – Assentamento
Crédito: Joa Souza/Shutterstock.
A função do Incra vai além dos assentamentos,
pois reconhece e assegura políticas de reforma
agrária para as áreas
quilombolas.
TEMA 4 – USO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA
Figura 10 – Uso e conservação do solo e da água
Crédito: Vinicius Abe/Shutterstock.
Nesta etapa, vamos abordar um tópico extremante
relevante: trata-se de dois elementos
fundamentais para o desenvolvimento da
produção agrícola, o solo e a água.
Esses recursos naturais devem ser usados de
maneira sustentável para evitar a degradação do
solo e a poluição das águas.
Para isso, são necessárias atividades de conservação para evitar o
processo de
degradação do meio ambiente.
Esses processos de conservação são baseados em
sistemas de produção capazes de promover
a produção agrícola, mas com
sustentabilidade socioeconômica e ambiental que atenda às
necessidades das
gerações presentes e das futuras, de acordo com Andrade, Freitas e Landers
(2010).
A preocupação em conservar o solo e a água,
aqui no Brasil, começou com a utilização do uso
de curva de nível, de terraceamento,
de canais de escoamento, plantio em nível, entre outras práticas
mecânicas.
Mas na década de 1970 os estudos avançaram para
que o solo fosse manejado de forma
correta, evitando que as chuvas causassem
efeitos de degradação, como a erosão e a voçoroca.
Figura 11 – Erosão
Crédito: Alsamua/Shutterstock.
Com a questão da água, a conservação foi
voltada para evitar que as atividades agropecuárias
contaminassem os mananciais
a ponto de que a qualidade da água fosse comprometida.
Para que haja o uso e o manejo do solo nas
áreas da bacia hidrográfica, é preciso um
planejamento conservacionista,
evitando o desmatamento das matas ciliares (formação florestal
que acompanha os
leitos de rios, lagos, córregos, nascentes que evitam o assoreamento dessa
área,
além de abrigar um ecossistema diversificado).
Figura 12 – Planejamento conservacionista, evitando o desmatamento das matas ciliares
Crédito: Kleyton Kamogawa/Shutterstock.
Entende-se que esses recursos naturais (solo e
água) precisam ser estruturados e manejados
com práticas conservacionistas, por
exemplo, a prática agroecológica que garante a produção de
alimentos saudáveis
e ao mesmo tempo busca a preservação ambiental.
Segundo Andrade, Freitas e Landers (2010, p.
26)
A evolução da
conservação do solo e da água por meio do manejo ocorreu de forma a viabilizar
a
agricultura brasileira, dando sustentabilidade aos sistemas de produção agrossilvipastoris.
Mas,
somente a partir do início deste século, técnicos e agricultores se deram
conta de que, além de
minimizar o impacto ambiental da agricultura, mitigando
as perdas de solo, água, nutrientes e
matéria orgânica, estariam também
contribuindo para o sequestro de carbono e reduzindo a
emissão de Gases de
Efeito Estufa (GEEs).
Temos que pensar de forma global devido às
alterações climáticas que ocorrem em função das
diversas ações promovidas pelo
homem ou até mesmo de forma natural. Precisamos encontrar
alternativas
sustentáveis para que a demanda de recursos naturais não se esgote.
A população mundial necessita de alimentos e de
água para a sua sobrevivência, então todas as
nações do mundo precisam entrar
em um consenso para que os impactos ambientais sejam
mitigados.
4.1 SUSTENTABILIDADE DO SOLO E DA ÁGUA
Para que haja sustentabilidade dos recursos
naturais (solo e água) para o setor agropecuário, é
preciso que sejam feitos
planejamentos de todas as atividades que serão utilizadas de acordo com a
tendência da região. Dessa maneira, evita-se a degradação do solo e a
contaminação das águas.
Diversas regiões brasileiras sofrem com áreas
erosivas, isto é, antes de serem assim, eram
áreas agrícolas produtivas, que
foram degradadas, com perda de solo agricultável, sementes,
insumos que são
levados para os corpos hídricos (nascentes, lagos, rios, córregos, etc.)
causando
assoreamento e contaminação das águas. Segundo Andrade, Freitas
e Landers (2010, p. 27), o
resultado desse processo é a “perda de
produção e o empobrecimento dos agricultores; o
assoreamento e a contaminação
dos corpos hídricos e o desmatamento para abertura de novas
áreas de produção,
causando perda da biodiversidade nos diferentes biomas brasileiros”.
Portanto, para que haja o manejo do solo e da
água em áreas agrícolas, devem ser levados em
consideração todos os pontos
vulneráveis e suas aptidões para evitar a degradação. Para isso, é
preciso
fazer o uso, a conservação e a recuperação de forma adequada desses ambientes
agrícolas.
Desse modo, o ideal é planejar todas as ações
de uso do solo e da água visando um bom
aproveitamento desses recursos.
A sustentabilidade do solo e da água leva a um
desenvolvimento de sistemas sustentáveis,
como as práticas agroecológicas. Como
apontam Andrade, Freitas e Landers (2010, p. 27-28),
é necessário a
aplicação de técnicas conservacionistas adaptadas aos diferentes ambientes e
sistemas de produção agropecuária, protegendo o solo e garantindo sua
funcionalidade, como a
troca de ar e calor, o armazenamento e a ciclagem de
nutrientes, a decomposição da matéria
orgânica, a regulação do fluxo de água, o
movimento de materiais solúveis, servindo de filtro ou de
tampão para elementos
e compostos tóxicos. Os sistemas conservacionistas associam a redução
drástica
do revolvimento do solo à rotação de diferentes usos e culturas; à manutenção
permanente da cobertura do solo; ao manejo integrado de pragas, doenças e de
plantas daninhas;
à seleção de espécies vegetais e ao desenvolvimento de
variedades e cultivares mais produtivas e
adaptadas; aos sistemas de adubação
mais racionais; e a muitas outras tecnologias adaptadas
aos diferentes sistemas
de produção. Por serem desenvolvidos para as condições de solo e clima
existentes em cada região, os sistemas conservacionistas vêm se tornando mais
frequentes na
paisagem, recuperando áreas degradadas e dando renda aos
agricultores.
Essa prática agroecológica facilita que o solo
seja constantemente fertilizado devido à
incorporação de matéria orgânica,
garantindo as atividades biológicas no solo e o crescimento de
plantas saudáveis.
Segundo Andrade, Freitas e Landers (2010, p. 28), o
manejo do solo procura
“priorizar o uso de recursos naturais renováveis,
localmente disponíveis, diminuir a dependência do
produtor por insumos externos
e poupar recursos naturais não renováveis”.
A legislação ambiental referente aos recursos
hídricos estabelece regras sobre o descarte de
efluentes, seja industrial ou
agrícola, determinando um maior controle para evitar a degradação
desse
recurso.
Dentro das práticas agrícolas, infelizmente é
uma atividade com alto poder de contaminar os
recursos hídricos, então é
necessário um controle ambiental para que esse recurso não seja
degradado,
visto que é um recurso finito.
Merten e Minella (2002, p. 35) afirmam que:
A degradação dos
mananciais, proveniente do deflúvio superficial agrícola, ocorre,
principalmente,
devido ao aumento da atividade primária das plantas e algas em
decorrência do aporte de
nitrogênio e fósforo proveniente das lavouras e da
produção animal em regime confinado. O
crescimento excessivo de algas e plantas
reduz a disponibilidade de oxigênio dissolvido nas águas,
afetando adversamente
o ecossistema aquático e causando, algumas vezes, mortalidade de
peixes. Além
dos impactos causados aos ecossistemas aquáticos, o aumento dos níveis de
nutrientes na água pode comprometer sua utilização para abastecimento
doméstico, devido a
alterações no sabor e odor da água ou à presença de toxinas
liberadas pela floração de alguns
tipos de algas. Além das implicações causadas
pelos nutrientes aos recursos hídricos, é
necessário considerar, também, a
contribuição dos agroquímicos e dos metais pesados.
Portanto, o uso e o manejo do solo em áreas de
corpos hídricos precisam ser monitorados e
controlados para evitar que a
qualidade da água seja comprometida.
4.2 SISTEMAS DE MANEJO DE SOLO
Para o manejo de solo em áreas agrícolas
existem sistemas que contribuem para o seu uso e
sua conservação evitando a sua
degradação.
Vamos ver alguns desses sistemas.
4.2.1 SISTEMA DE PLANTIO DIRETO (SPD)
Esse sistema é aplicado no Brasil desde a
década de 1970, utilizando técnicas como: mínimo de
revolvimento do solo, cobrir
com palhada o solo e a rotação de cultura, e para isso alia-se o manejo
integrado de pragas, doenças e de plantas invasoras.
Ao manejar o solo desta maneira consegue-se
manter as características físicas, químicas e
biológicas, garantindo a sua
sustentabilidade e aumentando a sua produtividade.
Os benefícios de se implantar o sistema de
plantio direto são vários, por exemplo: solo mais
fértil, diminuição do
processo erosivo e compactação do solo, aumenta a conservação do solo e da
água,
ajuda na infiltração da água, utilizado em qualquer tamanho de propriedade, solo
rico em
matéria orgânica, entre outros.
Esse tipo de manejo atende o aumento da
produtividade das plantas cultivadas junto com a
sustentabilidade ambiental.
4.2.2 SISTEMA AGROFLORESTAL (SAFS)
Sistema que se assemelha com a natureza, ou
seja, o solo coberto de vegetação, plantas de
diferentes tamanhos e finalidades
e a biodiversidade; há uma interação entre solo, vegetação e
animais que vivem
nessa área.
O objetivo da implantação da SAF é a manutenção
do ambiente ecológico, na qual existe a inter-
relação entre plantas anuais e
perenes, árvores frutíferas, criação de animais de diferentes portes e
os
agricultores que vivem na propriedade.
A SAF é uma maneira de agrupar as produções
agrícolas e/ou criação concomitantemente com
vegetações que integram a
floresta, desde plantas rasteiras, arbustos e até árvores.
Desta maneira, o sistema agroflorestal acaba
conciliando a recuperação e a preservação
ambiental com a produção de alimentos,
trazendo vantagens econômicas e sustentáveis.
Para que a implantação de uma SAF dê certo, é
importante usar as boas práticas agrícolas:
conservação do solo e da água, uso
correto dos insumos, manuseio adequado na colheita, pós-
colheita e
armazenamento, bem-estar animal, cuidado com a higiene do local, cuidar da saúde
e
higiene dos trabalhadores, entre outras. Com essas medidas tomadas, é
possível diminuir a
degradação ambiental.
4.2.3 INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA (ILPF)
Também pode ser chamado de sistema agrossilvipastoril.
Esse sistema pode até ser
considerado inovador, mas não é, pois historicamente
os romanos já utilizavam essa integração
lavoura-pastagem. Na Europa, durante a
Idade Média já se fazia uma integração de culturas anuais
com culturais
perenes, frutíferas e árvores para extração de madeira. Aqui no Brasil, com a
vinda dos
imigrantes europeus, trouxeram essa prática de associar
lavoura-pecuária (Balbino et al. 2012).
A integração serve para diversificar, dentro de
um ecossistema as atividades agrícola-pecuária-
florestal, como uma maneira estratégica
de produção sustentável.
Desse modo, quando se fala em sistema
agrossilvipastoril, logo se imagina uma prática
conservacionista (manejo do
solo e da água) na qual se alinha a preservação ambiental com a
produção de
alimentos voltados para segurança alimentar e nutricional.
Conforme Balbino et al. (2012, p. 4) determinam:
Os sistemas de ILPF
devem ser adequadamente planejados, levando-se em conta os diferentes
aspectos
socioeconômicos e ambientais das unidades de produção. Eles podem ser adotados
por
qualquer produtor rural (pecuarista e/ou agricultor), independente do
tamanho do estabelecimento
agropecuário. Evidentemente, a forma e a intensidade
da adoção do conjunto de tecnologias que
compõem a ILPF dependerão, entre
outros fatores, dos objetivos e da infraestrutura disponível de
cada produtor.
Para que o sistema
agrossilvipastoril traga resultado e benefícios, é preciso fazer um
planejamento, só assim o sistema trará rentabilidade para o agricultor, pois ao
fazer essa integração,
aumenta a sua produtividade devido à exploração de mais
de um produto (Silva; Lana, 2020).
TEMA 5 – COOPERATIVISMO E ASSOCIATIVISMO
Figura 13 – Cooperativismo e associativismo
Crédito: Party People Studio/Shuttewrstock.
A vocação para o setor
agrário é histórica no Brasil. Podemos buscá-la em muitos momentos,
períodos em
que as atividades que envolviam a agropecuária se destacavam e levaram o país
adiante.
A projeção dessa vocação
agrária nos mostra um futuro promissor marcado cada vez mais pela
força do
setor agrícola.
Dentro dessa temática podemos
relacionar os termos cooperativismo e associativismo com uma
forte ligação que essas organizações possuem com o meio agrário brasileiro,
tendo um resultado
positivo, ano após ano.
A
expressão gente que coopera cresce é conhecida no meio e demonstra a
realidade das
atividades que as envolvem. A cooperação foi um dos principais
fatores para o desenvolvimento
econômico e social do meio rural, em muitas
regiões brasileiras, até mesmo do meio urbano que se
relaciona com o setor.
A relação entre o
cooperativismo, o associativismo e o setor agrário no Brasil é intensa e tem se
tornado essencial nesse mercado.
Para a Ionics (A importância..., 2020), essa relação foi
responsável por quase 50% do PIB
agrícola:
O cooperativismo ganhou
tanta força que hoje, é responsável por quase 50% do PIB agrícola. São
mais de
1.600 cooperativas em funcionamento no país, tendo destaque o setor
agropecuário, com
cerca de 1.597 instituições e mais de 180,1 mil produtores
cooperados. Segundo dados do Censo
Agropecuário do IBGE, 48% de tudo que é
produzido no campo brasileiro, de alguma forma, passa
por alguma destas
cooperativas (IONICS, 2020).
Para que
toda essa relação possa ser compreendida, é importante definirmos esses atores,
cada qual com suas características e posicionamentos dentro do mercado
agrícola.
5.1 ASSOCIATIVISMO
O
termo associativismo, que vem do latim associare, significa unir
colaboradores para
proporcionar um crescimento mútuo entre os associados.
O associativismo
é uma organização de associados com a finalidade de obter benefícios
mútuos por
meio de ações coletivas e para defender os interesses comuns. Dessa maneira,
“revela a
crença de que juntos é possível encontrar soluções melhores para os
desafios e conflitos que a vida
em sociedade apresenta” (Salomon, 2009, citado
por CNI, 2013, p. 9).
A legislação
não prevê a quantidade de pessoas para a criação de uma associação; o
importante é que o patrimônio da associação seja formado pela contribuição dos
associados, por
doações, fundos e reservas. Outro item que merece destaque é
que os associados podem opinar nas
resoluções da associação.
Damásio
(2004, p. 8) destaca o conceito burocrático do associativismo como “relacionado
à
utilização de métodos e técnicas específicas de trabalho capazes de estimular
a confiança, exercitar
a ajuda mútua entre os participantes, estimular a
parceria, fortalecer o capital humano, melhorar a
qualidade de vida”.
O associativismo é uma alternativa para a
viabilização das atividades econômicas,
possibilitando aos associados uma
participação no mercado com melhores condições de
concorrência.
Em sentido amplo, o
associativismo reporta-se à livre organização de pessoas, sem fins lucrativos,
com o intuito de buscar o preenchimento de necessidades coletivas ou o
cumprimento de
objetivos comuns, por meio da cooperação. Um significado mais
específico do termo
associativismo refere-se à prática social da criação de
associações, como entidades jurídicas,
formais ou informais, reunindo pessoas
físicas ou organizações para a representação e a defesa
de interesses dos
associados (Salomon, 2009, citado por CNI, 2013).
Segundo
Cardoso (2014), o associativismo não tem como objetivo principal a atividade
econômica, mas os interesses dos associados na solução dos problemas que o
grupo enfrenta.
O
associativismo mostra na sua essência uma cooperação ligada aos interesses
coletivos, na
maneira de realizar os objetivos comuns e de aprendizagem, de
atitudes adequadas na construção
de uma sociedade sustentável, onde nenhum
associado precisa renunciar à sua individualidade e
autonomia.
5.2 COOPERATIVISMO
O
cooperativismo é formado por um grupo de pessoas que se unem para alcançar os
objetivos
comuns, por meio de uma administração em que todos os cooperados
contribuem igualmente, tendo
os mesmos direitos e deveres e assumem os ônus e
bônus do negócio.
Como
aponta Cardoso (2014) no site do Sebrae, o cooperativismo apresenta
características,
como a mobilização dos cooperados em torno da organização da
cooperativa; o modelo de governo
na qual se estabelece os dirigentes a partir
de uma eleição; realização de assembleias para
aprovação do andamento de
resoluções importantes para o andamento da cooperativa.
A
cooperativa é um grupo sem fins lucrativos, mas que possibilita o
desenvolvimento das
atividades produtivas, como armazenar, comercializar e dar
assistência técnica aos seus
cooperados.
Segundo
a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (2008), a
cooperativa
pode ser formada por no mínimo 20 pessoas e seu patrimônio possui
capital social formado por
quotas-partes ou doações, empréstimos e processos de
capitalização. Na cooperativa, após a
assembleia geral, as sobras podem ser
divididas, mas seguindo a parcela de negócios de cada
cooperado. Por fim, caso
a cooperativa seja extinta, é necessária uma assembleia geral ou um
processo
judicial.
O
cooperativismo não se resume apenas em um modelo de negócios e sim uma
filosofia de vida
para uma transformação mais justa e de oportunidades para
todos os cooperados.
Sales (2010, p. 24) afirma que:
O cooperativismo é uma
forma de somar capacidade dentro de um mundo de concorrência. É uma
forma de
preservar a força econômica e de vida dos indivíduos de um mesmo padrão e tipo,
com
objetivos comuns e com as mesmas dificuldades. A cooperativa quase sempre
surge em
momentos de dificuldades e da consciência de fragilidade do homem
dentro do mundo em que
atua.
O
importante é entender que a proposta de cooperação de pessoas que se juntam
para produzir
mais do que eram capazes de produzir sozinhas segue uma lógica de
que quando todos constroem,
todos ganham. É a força do cooperativismo.
No
cooperativismo, o que dá sustentação aos cooperados é a lógica financeira ou
econômica.
Cardoso (2014, p. 11) destaca que o objetivo é garantir inserção dos
“produtos e serviços de seus
cooperados no mercado, em condições mais
vantajosas do que eles teriam isoladamente. Desse
modo, a cooperativa pode ser
entendida como uma ‘empresa’ que presta serviços aos seus
cooperados”.
FINALIZANDO
Nesta etapa, foram abordados assuntos ligados à
questão de sustentabilidade e a fixação do
homem no campo.
Mostramos que os assuntos tratados são
interligados, pois, ao falar sobre as práticas
agroecológicas, estamos
apontando meios para o uso e a conservação do solo e da água.
A
fixação do homem no campo gerou mudanças na maneira de se trabalhar a terra,
visando os
benefícios socioeconômicos e ambientais.
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Animal, v. 30, n. 3, p. 71-84,
2020.
INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 4
Prof.ª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Nesta abordagem, você vai aprender
vários aspectos do setor agrário brasileiro, por meio de
noções preliminares
das práticas agropecuárias, em uma interação capaz de mostrar que o meio
rural
está conectado com o meio ambiente. Existem diversas informações técnicas para
se trabalhar
o meio agrário visando à produtividade, ao bem-estar e à
sustentabilidade.
No Tópico 1, vamos abordar as noções
preliminares do setor agrário com o viés sustentável. No
Tópico 2, destacaremos
a importância da sustentabilidade na agricultura, apontando assuntos que
mostram
a diversificação do setor. Os Tópicos 3 e 4 estão interligados, pois são
voltados para a
agricultura brasileira, com as principais regiões produtoras e
as principais culturas produzidas. E,
finalmente, o Tópico 5 expõe as boas práticas
agrícolas (BPAs) desenvolvidas para que o setor
esteja em conformidade com os
aspectos ambientais.
Bons estudos!
TEMA 1 – NOÇÕES PRELIMINARES DO SETOR AGRÁRIO BRASILEIRO
Crédito: Metamorworks/Shutterstock.
Neste conteúdo, vamos desmitificar vários pontos sobre o meio rural. Muitas pessoas são
levadas a
pensar que o setor é o grande causador do desmatamento e/ou responsável pelo
uso
indiscriminado de agroquímicos na produção de alimentos. Outro
desconhecimento é sobre o termo
agronegócio, que acaba atribuído somente
ao universo das grandes propriedades rurais, o que não é
uma verdade, já que o
agronegócio é tudo que envolve o andamento econômico do setor agrário.
Atualmente, a maioria do setor é visto como tecnológico, responsável e sustentável. Lógico que
existem
ainda algumas propriedades rurais que utilizam pouca ou quase nada de
tecnologia, mas
que constituem uma minoria. Mas o importante é saber que o
setor agropecuário tem um papel
social, econômico e ambiental fundamental na
economia brasileira.
1.1 AGRICULTURA TECNOLÓGICA
Crédito:Panchenko Vladimir/Shutterstock.
Para produzir alimentos, o
setor agrário utiliza técnicas e tecnologias que fazem com que os
produtores
rurais obtenham maior produtividade e, consequentemente, mais renda. Dessa
maneira,
podemos entender que as práticas agropecuárias estão utilizando
tecnologias e inovações para
atuarem em várias frentes de uma agricultura
tecnológica, ou seja, uma agricultura que utiliza
diversas tecnologias (drones,
softwares, aplicativos, nanotecnologia, melhoramento genético, entre
outras), é colaborativa (funciona por meio de cooperativas e associações) e
circular (com práticas de
reúso de rejeitos). Essas inovações estão presentes
na maioria das propriedades agropecuárias e
nas agroindústrias.
1.2 COMO INCREMENTAR O SETOR AGRÁRIO
O setor agrário, nos últimos anos, passou por
várias mudanças na maneira de se pensar o meio
rural, principalmente para os
agricultores familiares, que, hoje, necessitam de um olhar extensionista
para que possam se fixar no campo, principalmente aderindo a BPAs (como
exemplo, de manejar e
conservar o solo e a água) e produzindo, assim, alimentos
e gerando emprego e rentabilidade.
Vamos ver alguns desses incrementos que faz com
que a agricultura tecnológica comprove o
seu papel na luta pela
sustentabilidade:
Regeneração e/ou preservação das matas ciliares: são coberturas vegetais
presentes em
áreas próximas de cursos d’água, que margeiam rios, lagos,
córregos, igarapés etc. É
extremamente importante preservar essas áreas, tanto
que existe o Código Florestal, elaborado
e vigente para proteger esse
ecossistema (Brasil, 2012). A partir do momento que há uma
regeneração
e/ou preservação das matas ciliares, é possível se alcançar o restabelecimento
da
fauna e da flora e a proteção da biodiversidade.
Atenção ao bem-estar animal: deve-se
conduzir uma ambiência e tratamentos adequados aos
animais, isto é, usar
práticas que respeitem a vida e a função dos animais, ainda que para
proveito
humano, ao se observar que os animais, quando vivem em sua zona de conforto,
independentes da finalidade de criação, eles são capazes de produzir mais e
melhor.
Precisamos entender que cada espécie de animal tem o seu próprio
metabolismo e suas
necessidades. Por exemplo, a criação de suínos é diferente
da criação de aves, pois o seu
manejo é diferente. Desse modo, as cadeias
produtivas de origem animal necessitam de
planejamento, infraestrutura que
garantam conforto aos animais e utilizem boas práticas de
manejo (instalações
adequadas, nutrição de qualidade, higiene e sanidade e capacitação dos
funcionários). Atualmente, sabe-se que os animais são seres sencientes (que sentem
emoções). Com isso, é necessário que, nos criadouros, os animais sejam tratados
de maneira
humanitária. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)
definiu cinco princípios de
liberdade para o bem-estar animal, como: eles devem
viver livres de fome, sede e má-nutrição;
de dor e doenças; para expressar o
comportamento natural da espécie; de medo e de estresse;
e de desconforto
(CFMV, 2018). Portanto, usar esse modo de criação que visa ao bem-estar do
animal é a melhor maneira de aumentar a produção, com sustentabilidade.
Bioeconomia: com o atual avanço
tecnológico, surge o modelo de produção conhecido como
economia do século
XXI, que é baseado no uso de recursos biológicos. A bioeconomia cria
oportunidade de se utilizar elementos vivos para o desenvolvimento de produtos
que geram
energia. Por exemplo: biomassa (matéria orgânica de origem animal ou
de vegetal),
biocombustível (combustível de origem biológica, como o etanol),
bioplástico (plástico
biodegradável feito de fonte renovável, como milho),
biodiesel (combustível renovável realizado
por um processo químico chamado de transesterificação),
entre outros. Para o
desenvolvimento da bioeconomia, é necessário diversificar
a multifuncionalidade da
agricultura, ou seja, ela ser produtora de alimento,
de fibras e de energia. Esse tipo de
fornecimento de energia tem como objetivo
mostrar que a agricultura energética oferece
soluções renováveis, recicláveis e
ecológicas, que se destinam à resolução de vários
problemas sociais, como a
contenção das mudanças climáticas, a diminuição do emprego de
recursos fósseis
poluentes e a preservação da saúde e do bem-estar do ser humano.
Controle biológico: em 1919, o pesquisador Harry
S. Smith fez primeira menção a esse termo
para se referir ao controle de pragas
agrícolas e de insetos transmissores de doenças,
utilizando-se contra elas os
seus inimigos naturais. Com o passar do tempo, o termo controle
biológico passou
a ser utilizado para se determinar a maneira de controle alternativo com
organismos vivos, sem o uso de insumos químicos. O mecanismo desse controle
biológico
envolve que o inseto (praga) seja controlado por outro inseto
(predador). Assim, o ambiente
fica naturalmente equilibrado. Esse controle tem
como meta não deixar os alimentos com
resíduos e torná-los inofensivos ao meio
ambiente e à população. Segundo Berti Filho e
Macedo (2011), o controle
biológico segue uma dinâmica de introduzir, conservar e multiplicar,
por meio de
três tipos de controle: controle biológico natural (pela conservação dos
inimigos
naturais da praga, por intermédio da manipulação do ambiente), controle
biológico clássico
(introdução de inimigos naturais da praga, oriundos de
regiões distantes, no meio) e controle
biológico aplicado (multiplicação,
em laboratório, de massas de parasitoides ou predadores,
para uma redução
rápida da praga, visando ao equilíbrio de sua população). Berti Filho e
Macedo
(2011, p. 39) afirmam que: “Qualquer que seja o tipo de Controle
Biológico, ações
deverão ser conduzidas para aumentar, proteger e manter as
populações ou os efeitos
benéficos dos inimigos naturais na área a ser
implantado”.
Alimentação: a preocupação com a demanda
de alimentos segue a aplicação de
conhecimentos científicos para que possa
ofertar mais alimentos, mas com o menor impacto
ambiental. A preocupação vai
além da produção de alimentos em si: é preciso que haja um
consumo sustentável,
ou seja, o aproveitamento dos alimentos para se evitar o desperdício e
reduzir
as suas perdas. Isso é primordial visto que muitas pessoas ainda passam fome
(insegurança alimentar e nutricional). Além disso, a busca por novas fontes de
alimentos, que
possam ser alternativas para combater a fome, seja por meio de
ingredientes artificiais,
criados em laboratório, seja por meio de consumo de
alimentos não convencionais (algas e
insetos) ou mesmo pela via da
diversificação de alimentos pouco utilizados, para melhorar os
hábitos
alimentares das pessoas.
Saneamento rural: infelizmente, esse é um problema crônico no Brasil, seja na área urbana,
seja
na área rural. Apesar das grandes mudanças ocorridas no meio rural, com a
implantação
de tecnologias e inovações, ainda é comum encontrarmos problemas
relacionados ao acesso
a saneamento básico. É necessário haver políticas
públicas e educacionais voltadas para
atender à demanda das comunidades
isoladas e das áreas agrícolas na questão da saúde e do
bem-estar das pessoas
que vivem nessas regiões. Todas as ações de saneamento aplicadas
no meio rural
visam contribuir com a prevenção de doenças que são causadas pela falta de
água
tratada, rede de esgoto e destinação adequada do lixo. Segundo dados coletados
na
Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e
Estatística (IBGE, 2020), 75% das residências rurais não possuem
tratamento e nem destinação
correta do esgoto e 65% delas utilizam águas
captadas de poços ou de nascentes que muitas
vezes são contaminadas. Outro
ponto a ser ressaltado é a questão do manejo e destino correto
dos resíduos
(lixo), para evitar poluição e contaminação do solo e da água. Portanto, a
adoção
de medidas sanitárias corretas, no meio rural, além de prevenir doenças
e melhorar a qualidade
de vida da população rural, atua na conservação do meio
ambiente.
TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL
Crédito: Irina Strelnikova/Shutterstock.
Vamos começar esta abordagem entendendo que os
recursos naturais são finitos e que
precisamos que o desenvolvimento seja capaz
de atender às necessidades da nossa geração, mas
sem comprometer as
necessidades das gerações futuras. Dessa maneira, o desenvolvimento rural
sustentável tem como ponto de partida uma nova maneira de interpretar as
questões
socioeconômicas e ambientais. De acordo com Schmitt (1995), é preciso que
esse desenvolvimento
sustentável seja direcionado para as relações entre a
natureza e os seres humanos, que é o que
determina que o desenvolvimento rural
seja justo socialmente, economicamente viável, sustentável
em face do meio
ambiente e culturalmente aceito (Almeida, 1995).
2.1 AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
Crédito: Freebird7977/Shutterstock.
Relembramos, agora, um assunto já tratado anteriormente
– a Revolução Verde – para mostrar
a importância de se praticar uma
agricultura sustentável. O movimento surgiu na década de 1960
com o objetivo de
aumentar a produtividade agrícola mediante a utilização de maquinários e
implementos, de insumos químicos, de cultivares melhoradas geneticamente e de
irrigação. Isso se
devia a uma série de fatos, como cita Almeida (1997, p. 44):
“crise no mercado de grãos alimentícios,
aumento do crescimento demográfico e a previsão,
a curto prazo, de uma ‘catástrofe alimentar’ que
poderia originar convulsões em
certas regiões do mundo”. Ainda é possível salientar a desigualdade
social e
econômica então vigente, além da acentuação de problemas ambientais. As
questões
ambientais passaram a ser monitoradas por pesquisadores preocupados com
o elevado uso de
recursos naturais e energéticos – na década de 1980, a questão
ecológica passou a ser estudada
com o fim de conter o avanço desenfreado do consumo
dos recursos naturais não renováveis.
Por outro lado, a agricultura sustentável é justamente
uma maneira de empregar tecnologias e
inovações sem destruir o meio ambiente,
com uma produção agrícola realizada de maneira em que
ocorra o mínimo de
impacto ambiental e o menor uso de insumos químicos, mediante BPAs como
rotação
de culturas, integração agrossilvipastoril, novas fontes energéticas e sem
também, que, com
isso, os agricultores deixem de atender às suas necessidades
socioeconômicas.
No âmbito da sustentabilidade rural, temos algumas
formas de agricultura socialmente
importantes, tais como:
Agricultura colaborativa: é uma maneira de os produtores rurais estarem
abertos a participar
de um mundo onde a colaboração entre as partes seja
benéfica para todos. Um exemplo desse
movimento é o cooperativismo, em que
diversos agricultores se reúnem com os mesmos
objetivos, visando a alcançarem o
seu fortalecimento econômico. Além disso, outras práticas
podem ser aplicadas
entre os agricultores, por exemplo, o compartilhamento de máquinas e
equipamentos, de dados e informações e a otimização de recursos, a fim de se diminuírem
os
riscos inerentes à produção agropecuária.
Agricultura circular: é outra forma colaborativa,
pois o resíduo de uma prática agropecuária
pode servir de insumo para outra
atividade, por exemplo a cama de frango, que serve de
fertilizante
natural para diversas culturas. Esse modelo de colaboração na produção marca a
dinâmica própria a uma agricultura moderna.
Agricultura familiar e quilombola:
podemos ampliar a concepção de agricultura com base no
seu uso. A agricultura
familiar deve ser entendida como o trabalho rural feito por núcleos
familiares
e com práticas agrícolas mais sustentáveis, geralmente uma agricultura
orgânica.
Em ambientes de comunidades quilombolas, são aplicadas práticas de
uma agricultura
familiar, em que se segue um modo de cultivar conforme as
características ancestrais dos
membros dos quilombos. Ou seja, como a maioria
dos territórios quilombolas são áreas
conservadas, há um controle maior sobre a
exploração dos recursos, realizada de forma
sustentável.
Agricultura orgânica: visa produzir alimentos com
tecnologias adequadas para garantir a
segurança alimentar e nutricional dos
seres humanos. Segundo a Associação de Agricultura
Orgânica (AAO) os
agricultores, ao produzirem alimentos sem a utilização de agroquímicos,
asseguram aos consumidores o acesso a um alimento saudável, saboroso e com
durabilidade,
além de preservarem a qualidade da água e do solo na área
cultivada (Agricultura, [S.d.]). Esse
tipo de cultivo ajuda na restauração da
biodiversidade, evita os impactos ambientais e viabiliza
o sustento do agricultor
familiar.
Agricultura com atividade secundária:
muitos agricultores acabam ampliando o seu modo de
exploração da propriedade mediante
a implantação de atividades que complementem o seu
sustento, geralmente
atividades produzidas de maneira paralela ou mesmo complementar à
principal.
Por exemplo, a criação de abelhas em meio a áreas de preservação da
propriedade,
além de ajudar na polinização, gera o mel e os seus subprodutos.
Mas, atenção: para se criar
abelhas com ferrão é preciso fazer um planejamento
e um monitoramento das colmeias, a fim
de evitar acidentes com as pessoas que
convivem numa mesma propriedade.
2.2 FAZENDA VERTICAL URBANA
Crédito: Aisyaqilumaranas/Shutterstock.
A implantação de fazendas no meio urbano ocasiona
inúmeros benefícios, a começar pela
diminuição de gastos, principalmente com o
transporte, pois os produtos podem ser
comercializados na própria cidade. Os
produtos são mais frescos e orgânicos, e o acesso a elas é
mais fácil para o
consumidor, que além do mais vai consumir um alimento mais saudável, isso sem
falar da geração de empregos para os moradores da cidade.
O conceito de fazenda vertical urbana surgiu no
final da década de 1990, nos Estados Unidos,
com o trabalho do professor
Dickson Despommier, da Universidade de Colúmbia, mas o termo só se
popularizou
em 2011. O ambiente dessa fazenda é marcado por uma produção higienizada e
livre de
ataques de pragas e doenças, já que bem controlado, para evitar
contaminações. O cultivo é
realizado em um sistema limpo e que se adapta a
condições climáticas adversas, pois todo feito em
ambiente fechado, evitando o
uso excessivo de recursos naturais. Além disso, esse tipo de cultivo
adota
tecnologias de ponta e economiza espaço, podendo assim obter uma produtividade
maior do
que em uma produção convencional.
2.3 HORTA URBANA E PERIURBANA
Crédito: YuRi Photolife/Shutterstock.
Devido às muitas mudanças ocorridas no modo de
vida das pessoas, principalmente as que
vivem em ambiente urbano, que buscam
uma alimentação mais saudável, o cultivo de hortas dentro
das cidades está se
tornando uma realidade. Esse tipo de cultivo busca ainda a produção de
alimentos sem a aplicação de insumos químicos (fertilizantes e agroquímicos),
ou seja, produtos
orgânicos. A sua proposta é produzir frutos e hortaliças em
espaços privados ou públicos
encontrados nos centros urbanos e nas periferias.
A forma de produção de hortas dentro das
cidades pode ser conceituada como agricultura
urbana e periurbana (AUP),
o que inclui o modo de produção e coleta, além de alimentos
processados, tanto
de origem animal como vegetal, para consumo próprio e para comercialização. É
interessante
esse assunto; mas, se voltarmos à história de início das cidades, era natural
as casas
terem nos quintais uma horta, um pomar e até mesmo galinheiros para
seus produtos ajudarem no
consumo da família. Mas o tempo passou, os terrenos
das casas foram diminuindo para dar espaço
a novas construções e, com isso, foi
se perdendo esse tipo de prática de cultivo, nas cidades.
Porém, houve, a partir da década de 1980, uma
retomada desse modo de cultivar alimentos em
áreas disponíveis nos centros
urbanos de países subdesenvolvidos das regiões da América Latina,
África e Ásia,
para combater a fome e a crise econômica da população local. Aqui no Brasil não
foi
diferente: houve incentivos, por parte dos governos, para se voltar a
produzir alimentos nas hortas
urbanas e, assim, se promover o desenvolvimento
sustentável da população e do ambiente urbano.
Castelo Branco e Alcântara
(2011, p. 421) afirmam que “o apoio a hortas urbanas e periurbanas no
Brasil passou a fazer parte da política nacional de redução da pobreza e
garantia de segurança
alimentar”.
Portanto, como uma produção alternativa, o cultivo
de hortaliças e frutos em áreas urbanas
ociosas forma uma cadeia de produção e
de acesso a alimentos saudáveis, ajuda na geração de
renda das pessoas que
cultivam e comercializam esses produtos, preserva o meio ambiente, além
de
tornar a paisagem urbana mais agradável.
TEMA 3 – A AGRICULTURA, POR REGIÕES, NO BRASIL
Crédito: Jair Ferreira Belafacce/Shutterstock.
O Brasil é considerado um dos grandes
produtores agrícolas no mundo, protagonista na
exportação de commodities
(exemplos: soja, café, carne, entre outras). Mas, nem sempre foi assim:
no seu
passado agrícola, o país era marcado por ser importador de alimentos. O nosso setor
agrícola se modernizou utilizando tecnologias e inovações, tanto que,
atualmente, a nossa produção
por hectare aumentou e isso ajuda inclusive na
preservação dos recursos naturais.
Apesar dessa modernização, alguns problemas
ainda existem e precisam ser resolvidos. Por
exemplo: concentração de terras,
solos degradados, uso inadequado de insumos químicos, manejo
incorreto da água,
entre outros. Dessa maneira, entender a trajetória histórica da agricultura
brasileira é necessário para se identificar os problemas e como resolvê-los e,
a partir daí, visualizar
as oportunidades para desenvolver o setor e buscar
ações para se chegar a uma sustentabilidade.
Vale lembrar que a história agrícola brasileira
foi marcada por uma produção monocultora,
desde o início de nossa colonização.
A economia era voltada para a exportação de produtos que
atendiam às
necessidades do mercado externo, por exemplo, a cana-de-açúcar. Desse modo,
durante muitos anos o setor agrário do país foi marcado pela presença de
grandes propriedades nas
mãos dos poucos que detinham o poder político e
econômico do país.
Atualmente, o setor agrícola ainda tem presença
marcante de grandes empresários rurais, que
investem numa agropecuária de ponta
utilizando tecnologias e inovações para obter uma
produtividade para atender,
na maioria das vezes, ao mercado externo. Mas há a presença dos
agricultores
familiares, responsáveis pela maioria da produção de alimentos para atender ao nosso
mercado interno.
3.1 MODERNIZAÇÃO AGRÍCOLA
A modernização da agricultura brasileira
ocorreu com os avanços tecnológicos e inovadores
desenvolvidos após muitas
pesquisas, realizadas por empresas públicas e/ou privadas e instituições
de
ensino. É possível considerar que essa modernização implantada no meio rural só
teria sucesso
com a atuação dos produtores rurais, que acreditaram que essas
tecnologias e inovações gerariam
resultados positivos, ou seja, aumento da
produtividade. Essa veia empreendedora e até mesmo
corajosa da maioria dos
produtores rurais fez com que crescesse o setor agrícola brasileiro, com
uma
série de investimentos para se aprimorar a produção agrícola.
Outro ponto importante a ser comentado é a
questão das migrações ocorridas a partir da
década de 1980, quando diversos produtores
rurais das Regiões Sul e Sudeste se aventuraram em
busca de oportunidades e de
novas terras, em outras regiões brasileiras, para aplicar todos os
conhecimentos tecnológicos adquiridos nas produções agrícolas de seus locais de
origem. Essa
migração, por exemplo, transformou a Região Centro-Oeste em um
celeiro de produção de grãos e de
pecuária (bovino de corte). Essa expansão
territorial se fez à base do emprego da ciência e na
tecnologia no setor
agropecuário.
Em contrapartida, há que se falar que a agricultura
familiar como forma de produção agrícola
está presente em todas as regiões
brasileiras, pois é formada por pequenas propriedades familiares
que produzem
para atender a sua comunidade. Para se atender a essa demanda de agricultura
familiar, é preciso desenvolver tecnologias que se apliquem a cada realidade.
Ou seja, visar
tecnologias que busquem o mercado diversificado e segmentado das
regiões geográficas
brasileiras. Cada região tem sua tradição e sua cultura
alimentar, então é preciso investir em
pesquisas que apontem para resolver os questionamentos
próprios de cada localidade.
Empresas como a Empresa Brasileira de Pesquisas
Agropecuárias (Embrapa) direcionam suas
pesquisas para a agricultura
sustentável (agricultura orgânica, agroecologia, agrossilvipastoril), para
que
as propriedades familiares, quilombolas e assentamentos possam se tornar
viáveis social e
economicamente.
Segundo Alves, Contini e Hainzelin (2005, p. 46):
As inovações que
permitirão a pequenas propriedades se tornarem viáveis não poderão ser
construídas senão pelos produtores, com o auxílio de pesquisadores que tenham
uma visão
sistêmica da diversidade e da especificidade de situações. Isso supõe
uma visão cultural mais
abrangente por parte dos pesquisadores, uma abertura
para as ciências sociais (melhor
compreensão da gestão de conhecimentos e das
inovações por parte dos produtores, o jogo de
atores na competição/cooperação,
o impacto das políticas públicas, e outros) e o emprego de
novos métodos de trabalho,
como a pesquisa participativa.
Desse modo, abre espaço para que os
agricultores familiares tenham acesso a financiamentos
por programas
governamentais, além de profissionalizar a sua produção através de selos de
qualidade (por exemplo: orgânico) que faz a diferenciação dos seus produtos.
Crédito: Alf Ribeiro/Shutterstock.
3.2 REGIÕES AGRÍCOLAS BRASILEIRAS
O meio rural brasileiro tem passado por
transformações desde a década de 1970. Essas
transformações apontam para a
abordagem de questões sociais, econômicas e culturais, além de
para a ampliação
de apoio por parte do governo, das instituições de ensino e de empresas de
pesquisas públicas e/ou privadas. Com isso, a nossa produção agrícola teve
aumento de
produtividade, para torná-la capaz de atender ao mercado interno e ao
externo. Devido a essas
transformações, o Brasil passou a ser uma potência
mundial quando se fala em agropecuária.
O Brasil é um país continental (8,516 milhões
de km²), dividido em 5 regiões geográficas (Norte,
Nordeste, Centro-Oeste,
Sudeste e Sul), com características agrícolas específicas.
Crédito: Julinzy/Shutterstock.
Segundo Nitahara (2019), referentemente ao
Censo Agropecuário de 2017 realizado pelo IBGE:
“Com território de 851,487
milhões de hectares (ha), o Brasil tem um total de 5.073.324
estabelecimentos
agropecuários, que ocupam uma área total de 351,289 milhões de ha, ou seja,
cerca de 41% da área total do país”.
Com esses dados podemos entender que o
desenvolvimento da agricultura brasileira fez com
que as regiões agrícolas
passassem por modernização, formando complexos agrícolas, em alguns
estados,
que se destacam na nossa produção agropecuária.
A seguir vamos conhecer a aptidão agropecuária
de cada região geográfica brasileira:
Região Centro-Oeste: formada pelos Estados do Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás e
pelo Distrito Federal, é uma região essencialmente
agrícola, voltada para a produção de grãos,
sendo a soja o principal produto ali
cultivado, para atender ao mercado externo e interno. Há
também o cultivo de
milho, arroz e algodão e, na área pecuária, a criação de bovino de corte. A
região é formada por solos de elevada acidez (cerrado), o que permitiu o
cultivo de várias
culturas. Utiliza-se, na região, a mecanização nos tratos
culturais, novas cultivares
desenvolvidas pelas empresas de pesquisa e práticas
agrícolas voltadas para aumentar a
produtividade.
Região Nordeste: formada por nove estados:
Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte,
Paraíba, Pernambuco, Alagoas,
Sergipe e Bahia, subdivide-se, de acordo com as suas
características físicas,
sociais e econômicas, em quatro sub-regiões (Meio-Norte, Zona da
Mata, Agreste
e Sertão). Nessa região, a agricultura familiar é mais presente, principalmente
nas áreas semiáridas, já na Zona da Mata, por ser uma área mais úmida, o
cultivo é baseado
em produção agrícola para exportação de frutas como uva,
manga, melão. Em áreas mais
pobres da Região Nordeste, a agricultura de
subsistência se faz presente para atender às
necessidades da população local. Outros
dois cultivares que representam um poder
econômico para a região são a
cana-de-açúcar e a soja.
Região Norte: formada pelos Estados do
Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e
Tocantins, tem uma área interna
em especial, considerada como a sua grande fronteira
agrícola: Maranhão,
Tocantins, Piauí e Bahia – o Matopiba, com bioma de cerrado e cuja
topografia
plana e terras com preço mais acessível fizeram com que muitos produtores
rurais
de outras regiões lá imigrassem. Tal área faz uso de sistemas intensivos
voltados para uma
produção monocultora (de soja, milho e algodão) e com
aplicação de tecnologias específicas
às condições físicas da região.
Região Sul: os Estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul fazem parte dessa
região que tem a aptidão
agrícola como a sua marca, assim como o emprego de tecnologia e
inovação para a
produção local atender aos mercados externo e interno. O cultivo mais
significativo ali é o da soja, mas a região também cultiva milho, algodão,
cana-de-açúcar, arroz
e trigo. Na pecuária, a região também merece destaque ao
possuir um plantel diversificado, por
exemplo: bovino de corte e leite, suínos,
avicultura e ovinocultura. Outra característica da
região, de acordo com o
Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2020), é de ser a região que tem o
maior
número de produtores rurais associados ao cooperativismo agropecuário.
Região Sudeste: composta pelos Estados de
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito
Santo, é a região com o
maior poder econômico no país e cuja agropecuária tem destaque ao
utilizar
tecnologia de precisão, maquinários, implementos e muitas pesquisas
desenvolvidas
para o setor. Com isso, ela consegue obter altos índices de
produtividade. Destaque também
vai para a presença de inúmeras agroindústrias,
responsáveis pelo desenvolvimento
econômico do setor de agronegócio, e por uma grande
geração de empregos. Devido ao solo
de qualidade da região, o setor agrícola
cultiva vários produtos, como: cana-de-açúcar, café,
milho, fruticultura, entre
outros. E, na pecuária, lá se desenvolve a criação de bovinos, suínos e
equinos.
TEMA 4 – PRINCIPAIS CULTURAS NA AGRICULTURA BRASILEIRA
Crédito: Tatevosian Yana/Shutterstock.
Nesta abordagem, vamos mostrar os principais produtos
agropecuários do agronegócio
brasileiro. Essa potencialidade agrícola é devida
a uma série de fatores físicos (clima, solo,
topografia, água), permitindo que
o setor tenha um aumento de produção. Além disso, o setor conta
com o apoio da
ciência, por meio das pesquisas e das tecnologias desenvolvidas para apoiar sua
produtividade. Porém, para que a produção agrícola atinja uma produtividade
significativa é
necessário aplicar práticas agrícolas (insumos, maquinários,
cultivares, correção do solo, manejo da
água, entre outras) condizentes com um
bom desempenho e um viés de sustentabilidade. Esse
cenário conjunto faz com que
haja crescimento econômico, em virtude do atendimento dos
mercados interno e externo.
Todo esse processo no qual o setor agrícola ganhou projeção está
ligado à
modernização da agricultura.
De acordo com Alves, Contini e Gasques (2008, p. 70), nessa
modernização da agricultura
destacaram-se as políticas agrícolas voltadas para
o “[...] crédito subsidiado, principalmente para a
compra
de insumos modernos e financiamento de capital; a extensão rural; e a pesquisa
agropecuária”. A eficiência da produção agrícola ganhou
notoriedade com a expansão das fronteiras
agrícolas, em que se aumentaram as
áreas de cultivo e, consequentemente, a produtividade.
Como Contini et al. (2010, p. 62) afirmam, as políticas
governamentais ajudaram a melhorar a
eficiência agrícola, devido à “[...] abundante disponibilidade de fatores de produção, como terras
baratas e mecanizáveis, maior disponibilidade de insumos modernos e gente
empreendedora,
principalmente muitos pequenos produtores”. Apesar da modernidade e da expansão agrícola, ainda
existem áreas
em que os sistemas tradicionais (extensivos) de agricultura persistem, com
baixa
produtividade.
4.1 PANORAMA AGROPECUÁRIO BRASILEIRO
Crédito: Erich Sacco/Shutterstock.
Podemos visualizar que o setor agropecuário se adaptou às
características tropicais do Brasil.
Essa mudança vem ocorrendo nos últimos 40
anos, com a implantação de tecnologias, pesquisas,
BPAs e políticas públicas. Aliada
a isso, é preciso consciência ecológica por parte da maioria dos
produtores
rurais, que precisam tratar o meio ambiente com responsabilidade, para que as
gerações
futuras possam usufruir dos recursos naturais.
Com essa visão, o setor vem transformando a economia brasileira,
ao conquistar novos
mercados internacionais para a venda da produção
agropecuária. E é fato que continua abrindo
portas para o desenvolvimento do
Brasil. Como aponta a CNA, sobre os dados do setor:
O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico
brasileiro.
Em 2020, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a
R$ 1,98 trilhão ou 27% do
PIB brasileiro. Dentre os segmentos, a maior parcela
é do ramo agrícola, que corresponde a 70%
desse valor (R$ 1,38 trilhão), a
pecuária corresponde a 30%, ou R$ 602,3 bilhões. (Panorama, 2021)
Ainda sobre a produção agropecuária, a CNA aponta que o setor atingiu em 2020 o patamar de
R$
1,1 trilhão, sendo R$ 712,4 bilhões do setor agrícola e R$ 391,3 bilhões do
setor pecuário
(Panorama, 2021). Os dados atuais do agronegócio brasileiro mostram
que o produto interno bruto
(PIB) do setor cresceu 8,36% em 2021. Porém, se ressalta que:
[...] no último
trimestre de 2021, especificamente, o PIB do agronegócio brasileiro chegou a
cair,
2,03%, influenciado sobretudo por uma piora nos preços reais do setor.
Diante do bom
desempenho do PIB agregado do agronegócio em 2021, o setor
alcançou participação de 27,4% no
PIB brasileiro, a maior desde 2004 (quando
foi de 27,53%). (PIB-Agro/Cepea, 2022)
Em 2021, os segmentos primários e de insumos
apresentaram aumentos significativos, de
17,52% e 52,63%, respectivamente; e também
cresceu o PIB dos segmentos da agroindústria (1,63%)
e dos agrosserviços
(2,56%) (PIB, 2022). Além disso, “Dentre os ramos, enquanto o PIB do agrícola
avançou 15,88% de 2020 para 2021, o PIB do pecuário recuou 8,95%”
(PIB-Agro/Cepea, 2022).
4.2 PRINCIPAIS PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
O Brasil é, sem
dúvida, um dos principais produtores agropecuários do mundo. O setor conta
com
um desempenho econômico muito forte, tanto interna como externamente. Toda essa
demanda
do setor agrário é devido a um direcionamento de pesquisas e
tecnologias que são implantadas para
que aumente a produtividade dos produtos
agropecuários.
Dentre os inúmeros
produtos cultivados e criados no Brasil, existem alguns que se sobressaem,
pois
são os que mais representam a forte economia do setor. Vamos ver alguns
exemplos:
Soja: é uma planta originária do continente asiático (de China e Japão). Seu nome
científico é
Glycine max, que pertence à família Fabaceae. A palavra soja
vem do japonês shoyu. Muito
utilizada na alimentação humana e na de animais (ração), a soja trata-se de um
grão rico em
proteínas, sais minerais e vitaminas. Segundo a Embrapa, com os
levantamentos de dados
obtidos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
em maio de 2021, o Brasil é o
maior produtor mundial do grão, com uma produção
de 135.409 toneladas, atingindo uma
produtividade de 3.517 kg/ha (Trajetória,
[S.d.]). A área plantada é de 38.502 milhões de
hectares. Os estados que
despontam como mais efetivos na produção do grão são, nesta
ordem: Mato Grosso,
Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
Cana-de-açúcar: com nome científico de Saccharum officinarum
L, originária da ilha de Nova
Guiné, no meio do Oceano Pacífico, e pertencente
à família Poaceae, aqui no Brasil a cana-de-
açúcar começou a ser plantada no
século XVI, quando os portugueses implantaram na colônia
o seu cultivo para abastecer
de açúcar o mercado europeu. O tempo passou, o Brasil se tornou
independente de
Portugal, mas o cultivo de cana-de-açúcar permaneceu, pois se tornou uns
dos
cultivos de maior sucesso para a produção de açúcar e de etanol. Segundo dados
levantados pelo IBGE em 2020, a quantidade produzida de cana-de-açúcar é de
757.116.855
toneladas (Produção, [202-]). E o seu maior produtor é o Estado de
São Paulo.
Café: a planta é originária do continente africano (na
região da Etiópia) e se espalhou pelo
mundo. O seu nome científico é Coffea sp,
pertencente à família Rubiaceae. Os árabes foram
os primeiros a cultivarem o
café, por isso o nome científico Coffea arabica para denominar a
mais
importante espécie de café. Aqui no Brasil, foi no início do século XVIII que
foram
plantados os primeiros pés de café. E, daí em diante, a cafeicultura se
tornou uma atividade de
grande importância do agronegócio brasileiro. O cultivo
do café gera renda e muitos empregos
pelo país, seja na lavoura, seja na
agroindústria, seja no comércio. De acordo com Ferreira e
Santos (2021), a
produção de café ocupa uma área de 1,82 milhão de hectares. Os estados que
são
os seus maiores produtores são, pela ordem: Minas Gerais, Espírito Santo, São
Paulo,
Bahia, Rondônia e Paraná.
Milho: de nome científico Zea mays e pertencente
à família Poaceae, provavelmente o milho
teve sua origem no México e depois foi
se espalhando pela América Central e pela América do
Sul. Quanto à origem da
palavra, o termo milho vem do latim milium, uma referência ao
número
mil, relacionado, no caso, à quantidade de grãos presentes nas
espigas. O milho, junto com o
trigo, o arroz e a soja, são os cereais mais
cultivados pelo mundo. É um produto presente na
alimentação humana e dos
animais (ração) e na produção de combustível (etanol), sendo uma
excelente
fonte econômica para os países produtores. Os três países que mais produzem
milho, cerca de 60% do milho produzido no mundo, são os Estados Unidos, a China
e o Brasil,
respectivamente. E, no Brasil, os principais estados produtores, nesta
ordem, são: Mato Grosso,
Paraná e Mato Grosso do Sul.
Algodão: a origem dessa planta remonta a antes de
Cristo, quando vestígios de seu cultivo
foram encontrados em diferentes
regiões. Existem em torno de 40 espécies de algodão que
fazem parte do gênero Gossypium
L, pertencente à família Malvaceae. Sua cultura é rentável e
versátil, pois
utiliza as suas fibras e sementes para diversos fins, por exemplo, na indústria
têxtil, na ração animal, na fabricação de óleo, entre outros. No Brasil, a
exploração da cultura do
algodão começou no Nordeste, na segunda metade do
século XVIII até a década de 1980.
Depois disso, houve uma queda na produção de
algodão devido ao ataque do inseto bicudo-do-
algodoeiro, uma praga que se disseminou
nas plantações, causando prejuízo aos
cotonicultores. A partir daí, além da
redução da área plantada de algodão, ocorreu a abertura
comercial do setor ao
exterior, fazendo com que os produtores e as indústrias têxteis ficassem
à
mercê do algodão importado. A Embrapa, no início da década de 1990, desenvolveu
cultivares de algodão voltadas para o seu cultivo no cerrado. Com isso, os
principais estados
produtores de algodão no Brasil são Mato Grosso, Bahia,
Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do
Sul, respectivamente.
Arroz: é um dos alimentos mais presentes na alimentação
humana, principalmente no Brasil,
com o famoso arroz e feijão do dia a dia. Segundo
os relatos históricos, o arroz tem sua origem
em duas regiões, no Sudeste
Asiático e na África Ocidental, e desde 3000 a.C. já era cultivado.
O arroz é
um cereal pertencente à família Poaceae, e o seu gênero Oryza abrange sete
espécies, sendo a mais comum Oryza sativa (conhecida como arroz-asiático).
Juntos, milho,
trigo e arroz são os produtos mais cultivados no mundo. Desde o
período colonial, o arroz
assumiu um papel social, econômico e político muito
importante, pois era considerado um
alimento de subsistência. Houve necessidade
de se cultivar o arroz em diversas regiões
brasileiras, para atender à demanda
dos consumidores.
O arroz irrigado concentra 77% da área e 90% da produção de arroz no
Brasil – as áreas de
sequeiro seguem em retração e representam 23% da área e
10% da produção. Ainda que apresente
redução na área total nos últimos anos,
observa-se um constante aumento de produtividade do
segmento, graças às
melhorias no pacote tecnológico do produtor, que inclui uma maior eficiência
no
uso da água. A cultura também é responsável por 25% da área irrigada no País.
(Mapeamento,
2020)
Os maiores produtores brasileiros de arroz são os Estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina
e Tocantins, nessa ordem.
Feijão: sua origem é incerta – alguns estudos apontam que surgiu na Mesoamérica e
outros
que surgiu no Peru. Mas, uma coisa é certa: o feijoeiro se expandiu pela
América e depois
chegou ao resto do mundo. Faz parte da família Fabaceae,
gênero Phaseolus, no qual existem
inúmeras espécies – a mais comum é o
feijão-comum (Phaseolus vulgaris). O feijoeiro é uma
leguminosa
com um grande potencial nutricional, o qual fornece proteínas, carboidratos,
ferro,
vitaminas do complexo B e fibras. O cultivo do feijão tem uma
importância cultural no nosso
país, afinal ele faz parte da alimentação diária
dos brasileiros. Além disso, é um dos alicerces
do agronegócio. Os principais
estados produtores de feijão são Paraná, Minas Gerais e Bahia,
que detêm quase
50% da produção brasileira.
Mandioca: é nativa da América do Sul. O termo mandioca
tem origem na língua tupi, mas ela
também é conhecida como aipim, macaxeira
e maniva. Trata-se de um tubérculo pertencente à
família Euphorbiaceae, tendo
o nome científico Manihot esculenta Crantz. Há duas espécies: a
mandioca-doce,
usada na alimentação humana e animal; e a mandioca-brava, usada
na
fabricação de fécula e de farinha. O que as torna diferentes é a quantidade
de ácido cianídrico.
Para você entender melhor, na mandioca existe a linamarina
e a lotaustralina (glicosídeos
cianogênicos), que são capazes de
produzir ácido cianídrico (HCN) quando ocorre uma reação
de hidrólise. Quando a
mandioca apresenta teor de HCN acima de 100 miligramas/quilo, ela é a
mandioca-brava.
Vale lembrar que o HCN é prejudicial à saúde, podendo causar danos como:
dores
de cabeça, tonturas, falta de ar e até afetar o sistema nervoso central. No
Brasil, antes
mesmo da chegada dos portugueses, os indígenas já utilizavam na
sua alimentação a
mandioca. E, com a colonização, esse produto começou a fazer
parte também da alimentação
dos colonos. A mandioca é uma planta rica em amido
e que gera inúmeros derivados, por
exemplo: amido de mandioca, polvilho azedo,
fécula, farinha de mandioca, sagu, tapioca,
maniçoba, entre outros. O Brasil é
um grande produtor de mandioca, e o seu cultivo ocorre em
todas as regiões brasileiras.
As regiões que lideram a sua produção é a Região Norte, com
36,1% da safra, seguida
da Região Nordeste, com 25,1%, e da Região Sul, com 22,1%, enquanto
as Regiões
Sudeste e Centro-Oeste apresentam produções de 10,9% e 5,8%, respectivamente
(Mandioca,
[201-]).
Trigo: a sua origem, segundo os pesquisadores, está nas
gramíneas silvestres encontradas
próximas dos Rios Tigre e do Eufrates, na
antiga região da Mesopotâmia (Ásia), isso
aproximadamente em 10 mil a 15 mil
anos a.C. É atribuída aos egípcios, por volta de 4 mil a.C.,
a descoberta do
processo de fermentação do trigo, no que deu início à fabricação de pães para
alimentação e também ao seu uso em rituais religiosos. Os pesquisadores apontam
também
que os sumérios desenvolveram a escrita como uma forma de registrar e
controlar a produção
de alimentos, entre eles o trigo. O trigo se espalhou por
várias partes do mundo e se tornou um
produto essencial na alimentação. Ao possibilitar
a fabricação do pão, este também se tornou
um símbolo religioso – por exemplo,
na eucaristia da religião católica e na celebração da
Páscoa dos judeus, com o
pão ázimo (sem fermento). No Brasil, o trigo vem com os
colonizadores
portugueses, isso lá no século XV. Mas o clima quente não ajudou a desenvolver
o cultivo desse cereal. Passado muito tempo, mais precisamente no século XX,
estados do sul
do Brasil (Rio Grande do Sul e Paraná) começaram a cultivar o
trigo, devido a seu clima ser
mais frio e ao desenvolvimento de pesquisas com
sementes, para gerar maior produtividade. O
trigo é um cereal da família
Poaceae, tendo o nome científico Triticum. Os grãos do trigo são
compostos de amido, celulose, glúten e fibras e são usados na alimentação
humana.
Laranja: pertence à família Rutaceae, gênero Citrus.
A palavra laranja, segundo a etimologia, é
originária do sânscrito (naranga).
A origem da fruta caminha junto com a história da
humanidade, e a maior parte de
Citrus surgiu em regiões do continente asiático. A laranja é um
fruto
híbrido, gerado pelo cruzamento da cimboa com a tangerina. Citrus se
espalhou pelo
mundo e, com isso, sofreu mutações, dando origem a novas
variedades (em cultivo por
sementes). Aqui no Brasil, a laranja chegou pelas
mãos dos portugueses, durante a
colonização. Passados os anos, o seu cultivo
tomou impulso e se tornou importante para a
economia agrícola. Atualmente, a
laranja está presente em todas as regiões brasileiras, mas
sem dúvida nenhuma o
Estado de São Paulo é o principal produtor e exportador de suco de
laranja. O
interessante também é associar a produção da fruta, no caso o cultivo de Citrus,
aos
pequenos produtores (agricultores familiares), que conseguem uma boa rentabilidade
com o
seu plantio. A laranja é rica em vitamina C, mas também fazem parte de
sua composição
cálcio, potássio, sódio e fósforo.
Cacau: com nome científico Theobroma cacao L.,
pertence à família Malvaceae. É nativo da
área de floresta tropical úmida da
América Central e do Sul. O termo cacau é uma derivação do
idioma falado
pela civilização maia. Para os povos mesoamericanos, o cacaueiro tinha uma
origem divina, produzindo um alimento dos deuses. No Brasil, o cultivo do
cacaueiro se dá em
alguns estados da Região Norte e da Região Nordeste. O cacau
é um alimento rico em
flavonoides (compostos bioativos) e que apresentam
funções anti-inflamatória, antioxidante,
preventiva de doenças
cardiovasculares, entre outras. O principal alimento obtido do cacau é o
chocolate, feito da amêndoa torrada do cacau.
Tabaco: a folha do tabaco tem sua origem na região da
Cordilheira dos Andes e, com as
migrações dos povos nativos, o tabaco foi se
espalhando por todo o continente americano.
Para esses povos, o tabaco tinha
diversas funções: religiosa, medicinal e até mesmo de lazer.
Eles mascavam,
bebiam, comiam, fumavam, ou seja, utilizavam o tabaco de diversas maneiras.
Foram
os colonizadores espanhóis que levaram o tabaco para a Europa, isso no século
XVI. O
seu nome científico é Nicotiana tabacum, pertencente à família
Solanaceae. No Brasil, a Região
Sul é que concentra a sua maior produção, sendo
o Estado do Rio Grande do Sul o local onde
ocorre a maior concentração de
propriedades produtoras de tabaco.
Bovino: a domesticação do gado bovino se deu em torno
de 10 mil a.C., na região denominada
Mesopotâmia, no Crescente Fértil, com
a espécie extinta Bos primigenius (auroque). O seu
nome científico é Bos
taurus, pertencente à família Bovidae. Há duas subespécies: Bos taurus
taurus (gado bovino europeu) e Bos taurus indicus (gado bovino
zebuíno). O gado bovino é
utilizado para a produção de carne e/ou de leite. Faz
parte da base econômica de muitos
países, inclusive do Brasil. Como não é uma
espécie nativa do continente americano, os
bovinos chegaram aqui com as Grandes
Navegações. No Brasil, os primeiros exemplares
chegaram junto com expedição
chefiada por Martim Afonso de Sousa, donatário da Capitania
de São Vicente, no
século XVI. A sua criação, a princípio, tinha a função de fornecer carne e
leite e também a força motriz empregada nos engenhos. Com o passar do tempo, a
criação do
gado bovino foi sendo levada para o interior da colônia e assim foram
surgindo novos
povoados. Atualmente, o Brasil configura um dos países com o
maior número de cabeças de
gado bovino do mundo. Segundo dados coletados pelo
IBGE (Rebanho, [202-]), o rebanho
bovino tem em torno de 218,2 milhões de
cabeças e o seu maior criador é o Estado do Mato
Grosso. No estudo realizado
pela Embrapa (2021), sobre as exportações de carne bovina, o
Brasil, em 2020, “[...]
foi o maior exportador mundial, com 2,2 milhões de toneladas e 14,4% do
mercado
internacional”. Sobre a produção de leite, em 2020 ela chegou a 35,4 bilhões de
litros.
O Estado de Minas Gerais é o seu principal produtor (9,7 bilhões de
litros), seguido pelo Estado
do Paraná (4,6 bilhões de litros) (Leite, 2021).
Suíno: o nome científico do porco doméstico é Sus
scrofa domesticus, pertencente à família
Suidae. Pelos achados arqueológicos,
a domesticação do porco se deu em torno de 9 mil a.C.,
na região em que
atualmente se localizam a Grécia e a Turquia. Os exemplares do porco
doméstico
chegaram ao Brasil com a expedição de Martim Afonso de Sousa, no século XVI.
Segundo
comunicado técnico elaborado pela CNA:
A produção de suínos está amplamente distribuída no Brasil, aproximadamente 97% de todos
os
municípios alojam matrizes para a produção de leitões. Estima-se que 95%
desses animais sejam
de produção comercial, tecnificada, e o restante,
produções domésticas para subsistência. 50,1%
do rebanho suíno está localizado
na região sul do país, local de concentração de grande parte das
integradoras
no Brasil, sistema responsável por 90% da produção de suínos do país.
(Suinocultura,
2021, p. 7)
Nos dados levantados pela Embrapa (Suinocultura, 2021), a suinocultura no Brasil
alcançou o 3º
lugar em produção no mundo, com 41 milhões de cabeças (4,4%). A
China lidera a produção com
41,1%, seguida pelos Estados Unidos (8,4%).
Avicultura de corte e postura: a domesticação
de galinhas aconteceu no Período Neolítico,
quando os humanos começaram a desenvolver
a agricultura e a criar alguns animais. A
humanidade começa a se fixar assim em
regiões, formando povoados e, posteriormente, as
primeiras cidades. A criação
de galinhas se espalha por várias regiões do mundo e elas
passam a ser
fornecedoras de alimentos (carnes e ovos). O nome científico da galinha é Gallus
gallus domesticus e ela pertence à família Phasianidae. Aqui no Brasil, as
primeiras galinhas
domésticas chegaram com os primeiros europeus, em 1500, na
esquadra comandada por
Pedro Álvares Cabral.
Frango de corte: é importante fonte de alimento, que atende aos mercados interno e
externo. O
estudo realizado pela Embrapa (2021) aponta que: “O Brasil possui o quarto maior bando de
galináceos do mundo, com
5,6% do total em 2020, ou 1,5 bilhão de cabeças”. Os outros países
que lideram
esse ranking são a China (19,2%), a Indonésia (14,7%) e os Estados
Unidos (7,5%).
Outro levantamento importante
é que:
Apesar de os Estados Unidos terem o terceiro maior bando de galináceos, quando se
considera a
produção de frangos de corte, em 2020 eles lideraram com 16,7%,
seguidos pelo Brasil com 11,8%
(14 milhões de toneladas) e China, com 11,7% do
total mundial. (Embrapa, 2021)
Os grandes criadores nacionais se concentram nas Regiões Sul e Sudeste, com o
Paraná
liderando o ranking com 26,7% da criação, seguido por São Paulo (13,6%),
Rio Grande do Sul (11,1%),
Santa Catarina (9,2%) e Minas Gerais (8,1%), segundo
dados do IBGE apontados no levantamento
feito pelo Canal Rural (Brasil, 2021).
Ave de postura: devido ao cenário econômico dos últimos tempos,
o consumo de ovos
aumentou, melhorando o mercado interno. Segundo o que aponta
a CNA (Avicultura, 2021) no
seu Comunicado Técnico, a produção de ovos foi
recorde, com 4,76 bilhões de dúzias, em
2020. As aves poedeiras estão espalhadas por todas as regiões brasileiras, mas
o Estado de
São Paulo lidera o ranking de maior produtor com 25,6% da
produção de ovos, seguido de
Paraná (9,4%) e Minas Gerais (8,5%).
TEMA 5 – BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS (BPAS)
Crédito: Virrage Images/Shutterstock.
Vamos tratar neste tópico das BPAs. Esse
assunto é extremamente importante, dada a
preocupação atual com o meio
ambiente. Ultimamente, a questão ambiental tem sido muito
discutida em seus vários
aspectos, como qualidade da água, desmatamento, uso indiscriminado de
insumos
químicos, aumento de áreas erodidas, poluição do ar, entre outros.
No setor agrícola, a preocupação é maior, pois
o seu papel principal é o fornecimento de
alimentos e outros bens necessários
para o bem-estar da população mundial. E, justo para atender à
demanda de
alimentos para a população mundial, houve a necessidade de se produzir de forma
maciça alimentos (de origem animal e/ou vegetal) utilizando muitos insumos
químicos e
aumentando áreas de cultivo e de criação de animais. Portanto, o
meio ambiente acabou sendo
usado de forma incorreta, contaminando os solos, as
águas e o ar.
Por isso, novas pesquisas e tecnologias
desenvolvidas por centros de pesquisas, sejam
públicos, sejam privados, buscam
minimizar os danos causados ao meio ambiente. Por meio das
BPAs, é possível
orientar e direcionar os proprietários e os trabalhadores rurais para que sejam
tomadas medidas que visem racionalizar de maneira efetiva o uso correto de
fertilizantes e
agroquímicos, por exemplo, na quantidade exata a ser aplicada,
ou seja, seguindo as recomendações
dos rótulos, com emprego dos equipamentos de
proteção individual (EPIs) necessários e dos
profissionais qualificados na
área. Desse modo, busca-se proteger os cursos d’água e a água
subterrânea, o
solo, além do trabalhador que está aplicando o produto.
Dessa forma, as BPAs nada mais são do que uma
maneira de aplicar as tecnologias, as práticas,
as normas e as recomendações
técnicas antes, durante e depois da porteira, ou seja,
desde a
produção de insumos, passando pelo uso desses insumos na lavoura ou na
criação e até chegar aos
produtos na mesa do consumidor. Portanto, as BPAs têm
como objetivo garantir a segurança
alimentar, com alimentos de boa qualidade e alto
valor nutricional. A promoção dessas práticas visa
garantir o uso sustentável
dos recursos naturais, sem afetar a biodiversidade e a qualidade de vida
da
população.
5.1 EXEMPLOS DE BPAS
Crédito: Admir Sinanovic/Shutterstock.
Vamos ver alguns exemplos de BPAs para melhorar
e/ou aperfeiçoar o processo agrícola, tendo
como princípio a proteção ambiental
e do ser humano.
Irrigação: para que haja um excelente rendimento na produção agrícola, a água utilizada para a
irrigação deve ser limpa, de qualidade e livre de contaminantes. Quanto
à qualidade da água,
devem-se levar em consideração os aspectos químicos
(salinidade, sodicidade e toxicidade). A
presença desses aspectos químicos na
água causa danos às plantas e ao solo. Em elevado
nível de salinidade, a
planta tem dificuldade de absorver a água, o que prejudica o seu
desenvolvimento. A alta sodicidade prejudica as propriedades físico-químicas
do solo,
causando compactação e dificultando a infiltração da água. Em muita toxicidade,
os íons
(exemplos: cálcio, magnésio) presentes na água acabam sendo absorvidos
pelas raízes,
prejudicando o desenvolvimento das plantas. O sistema de irrigação
empregado na lavoura
precisa contar com sistemas de filtros, e utilizar água de
qualidade evita entupimentos nos
bicos e nas mangueiras.
Plantio direto: é muito utilizado para o
manejo do solo. Essa prática segue algumas
orientações, como: manter durante
todo o ano a cobertura do solo, revolver o solo só na linha
de plantio e fazer
a rotação de cultura. Usando-se essa prática no solo, ocorre o aumento de
matéria orgânica, o que, por conseguinte, melhora as propriedades físicas,
químicas e
biológicas do solo. E quais os benefícios do plantio direto? São
inúmeros, como:
a. controle da erosão, sem perda da camada superficial do solo;
b. redução de uso de máquinas e implementos agrícolas no solo;
c. diminuição do uso de irrigação na lavoura;
d. aplicação de fertilizantes, com melhor resultado e sem desperdício;
e. controle biológico de pragas e doenças;
f. aumento da produtividade.
Manejo integrado de pragas e doenças: nada mais é do que se fazer um controle dos agentes
que causam
danos aos produtos. Não é necessária a sua eliminação, mas sim a redução dessa
população de insetos, ácaros, bactérias, fungos, nematoides, entre outros
agentes, por meio da
ação de seus inimigos naturais, que se encontram na
lavoura, na busca de um equilíbrio
natural. Esse manejo segue alguns métodos
baseados em que a mortalidade dessas pragas e
doenças aconteça de forma
natural, para o que é necessário um monitoramento constante
para avaliar a
infestação e se ela está controlada. Os métodos alternativos usados no manejo
integrado são:
a. aumento da resistência das plantas por intermédio de adubação, ou
seja, em que uma planta
bem nutrida resistirá melhor às pragas e às doenças;
b. emprego de sementes resistentes;
c. rotação de culturas;
d. limpeza do local do cultivo – de acordo com a Embrapa (2006, p.
11), “Nas ruas, entre as
fileiras ou entre as covas das plantas, o mato deve
ser roçado e os restos secos deixados para
manter a umidade e evitar que a
chuva carregue o solo”;
e. utilização de barreiras físicas, por exemplo, de telado;
f. controle da umidade do local;
g. proteção dos inimigos naturais das pragas e das doenças, como:
pássaros, aranhas, sapos,
joaninhas, lagartos, entre outros;
h. biocontrole – técnica natural, que utiliza os inimigos naturais no
controle das pragas e de
insetos causadores de doenças e é inofensiva ao meio
ambiente e à saúde das pessoas.
Cultivo protegido: esse tipo de
técnica possibilita que haja um controle maior das condições
climáticas, de uso
de água, de insumos, ou seja, com a obtenção de um cultivo ideal para o
desenvolvimento e a manutenção da qualidade das plantas. O cultivo protegido
faz com que as
plantas sejam padronizadas, melhorando a sua qualidade
nutricional e, consequentemente, o
produto cultivado agrega valor. Por ser um
cultivo que produz alimentos com a utilização de
poucos insumos durante todo
esse processo, isso diminui os custos de produção e, o melhor,
fornece um
alimento de qualidade, para uma maior segurança alimentar e nutricional.
Colheita: todos os vegetais colhidos, sejam
frutas, sejam hortaliças, devem seguir um padrão, e
a colheita deve ser feita
nos horários mais frescos e os produtos, colocados em caixas ou
passarem por
equipamentos limpos e desinfetados, ou seja, para livrá-los de toda sujidade.
Além disso, deve-se fazer uma triagem dos produtos que não atendam às devidas
especificidades.
Ao se transportar os alimentos, por eles serem perecíveis, é importante que
isso
seja feito o mais rápido possível e para o local onde serão armazenados e/ou
processados, que deve ser arejado e limpo.
Pós-colheita: é um procedimento essencial,
pois os alimentos (hortaliças e/ou frutas)
precisam ser lavados, secados e
passarem por uma classificação e descarte dos que não
seguem o padrão predeterminado.
A próxima etapa é acondicionar os produtos, seja em
caixas, seja em embalagens
próprias, com o objetivo de que o produto dure mais e chegue ao
consumidor com
toda a segurança alimentar e nutricional devida.
5.2 CERTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS
Crédito: Photo_Pix/Shutterstock.
Pode-se comprovar a adoção das BPAs por
meio do rastreamento do produto, ou seja, ao longo
de toda a cadeia produtiva
do alimento. Esse rastreamento informa ao consumidor a origem do
produto e
quais os manejos utilizados durante todos os seus processos produtivos. Essa é
uma
garantia que o produtor oferece ao consumidor: de que, desde o cultivo até
a colheita, o produto
seguiu todas as recomendações necessárias para o seu
desenvolvimento. Por exemplo, quando um
produto é orgânico, é preciso que as
informações a respeito do seu processo produtivo demonstrem
o respeito a todas
as normas e preceitos de se produzir um alimento orgânico. Já em um produto
convencional, ao se utilizar um agroquímico, é preciso ele ter sido recomendado
por um engenheiro
agrônomo, por meio de um receituário agronômico, e que siga
corretamente o período de carência
que é estipulado em cada agroquímico.
A certificação dos produtos passa a ser uma estratégia que o
produtor rural busca para que seu
produto seja diferenciado e assim lhe gere um
melhor retorno financeiro. Para conseguir essa
certificação, é necessário que o
alimento esteja vinculado a uma produção que busque qualidade e
segurança
alimentar. Aliado a isso, o produtor rural tem que aplicar técnicas para
proteger os
recursos naturais (solo, água), o bem-estar animal (ambiência,
cuidados veterinários e nutrição
adequadas ao animal) e os trabalhadores da
propriedade devem lograr um bem-estar
socioeconômico.
O produtor, ao empregar as BPAs, tem como objetivo gerar uma
produção integrada (PI) e, com
isso, conseguir o selo Brasil Certificado:
Agricultura de Qualidade. Para conseguir esse selo, o
produtor precisa
conhecer as normas técnicas específicas (NTE) ao produto com que ele busca a
certificação. Nessas normas são estabelecidas as práticas adotadas durante todo
o processo
produtivo (do cultivo até a colheita e/ou da criação ao produto
final), as formas de uso correto dos
recursos naturais (solo, água), de análise
dos resíduos deixados pelo cultivo, de rastreabilidade do
produto, além de
informações do profissional responsável por todo o processo. O selo é fornecido
pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade
e Tecnologia (Inmetro), mas vale lembrar
que, para
consegui-lo, o produtor e seu produto passam por auditoria e/ou
avaliação de conformidade
realizada por certificadoras reconhecidas pelo
Inmetro.
FINALIZANDO
Os interessantes assuntos abordados neste
conteúdo permitiram que você ganhasse uma
noção de que o setor agrário não é o
vilão que muitas pessoas pensam. O setor, ao mesmo tempo
que está investindo em
tecnologia, está preocupado com o meio ambiente, aplicando técnicas para
manter
a sustentabilidade. Os assuntos foram, assim, interligados para se mostrar como
se dá um
desenvolvimento rural sustentável e moderno, por exemplo no caso da
fazenda vertical.
Foi apresentado, também, nesta abordagem, um
panorama da agricultura brasileira, como ela
está distribuída pelas regiões geográficas
do país e os seus principais produtos agropecuários. Por
fim, houve o
conhecimento das BPAs que levam o produtor rural à busca pela certificação de
seus
produtos.
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Orgânica, [S.d.]. Disponível em:
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Porto Alegre: PPGS/UFRGS, março 1995. Material datilografado.
SUINOCULTURA. Comunicado Técnico [da] CNA, n. 30, p.
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TRAJETÓRIA da
agricultura brasileira. Embrapa, [S.d.]. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 17 ago. 2022.
INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 5
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Nesta etapa os assuntos abordados serão sobre a
formação e atuação profissional.
Com certeza são assuntos do seu interesse, pois
te darão uma visão ampla do campo
profissional da área das Ciências Agrárias.
Vamos abordar a formação e atuação
profissional, sempre com um viés extensionista, ou seja,
um olhar social para o
meio agropecuário. Veremos, após, o mercado profissional, como a área está
em
destaque, principalmente pelo setor do agronegócio, um grande setor para a
economia brasileira.
Na sequência, você verá como as funções da
profissão ajudam no desenvolvimento do setor
agrário. No tópico seguinte,
abordamos a visão para o meio acadêmico, se você tem essa aptidão de
ingressar
como um multiplicador de conhecimento ou para desenvolver pesquisas para
alavancar o
setor.
E, por último, você vai ter um panorama do
empreendedorismo na área das ciências agrárias.
Bons estudos!
TEMA 1 – FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL
Créditos: Zoteva/Shutterstock.
Nesta etapa você vai aprender sobre a formação
e atuação profissional na área das Ciências
Agrárias.
Mas antes vamos entender que durante toda a
formação acadêmica existe uma relação de
aprendizado (teoria) e a prática. Ou
seja, é uma troca de conhecimento para formar um profissional
de qualidade.
Deste modo, compreender que a formação não é
estanque, tem que sempre aprimorar os
conhecimentos. Como Paulo Freire (2001,
p. 245) aponta que a “Formação é uma experiência
permanente, que não para
nunca”.
A partir daí, perceber que a formação
profissional tem como parâmetro o entendimento que a
área de trabalho conta com
capacidades e competências voltadas para o campo de atuação, além
de ter uma
percepção crítica da profissão.
Portanto, a profissão envolve elementos,
conforme Cavallet (1999, p. 3) aponta: “conceito,
ideal,
objetivos sociais, formação acadêmica, conteúdos específicos, regulamentação
profissional,
autonomia, entidades representativas, código de ética e
reconhecimento social”.
Todo esse
conhecimento adquirido pelo profissional das Ciências Agrárias deve estar
ligado às
questões social, econômica, ambiental, cultural e política. Desta
forma, o perfil profissional deve
estar ligado às ações que promovam o
desenvolvimento do setor, ou seja, ser um agente envolvido
nessas questões.
Outro ponto a
destacar nessa área de atuação profissional é a inter-relação com outras
profissões, por exemplo, com a medicina veterinária, a zootecnia, engenharia
ambiental, entre outras.
1.1 FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Créditos: Rumka_Vodki/Shutterstock.
A formação
profissional vai além da formação técnica/acadêmica. É necessário ter uma
formação humanista, pois deve atender as demandas dos processos sociais,
econômicos e
ambientais. Ou seja, observar e conhecer a realidade do ambiente
inserido.
No caso das
Ciências Agrárias a sua formação constrói conhecimento por técnicas,
tecnologias
e inovações para aplicar no desenvolvimento rural, mas sem esquecer
o foco principal, que é o bem-
estar do ser humano.
Contextualizando
esta formação podemos entender que abrange diversos setores, por exemplo,
socioeconômico, político, cultural e ambiental. Desta forma, a formação do
profissional de Ciências
Agrárias tem um posicionamento que o enquadra nas
relações das Ciências Sociais e Humanas. É
aquele olhar extensionista
que o profissional precisa ter.
Possibilitar que a
formação forneça conhecimentos sobre várias práticas agrícolas voltadas
para a
realidade das propriedades rurais, desde pequeno até o grande proprietário
rural.
Para isso,
entender que as práticas agrícolas estão organizadas conforme as demandas
sociais,
ou seja, existem diversas maneiras de praticar agricultura e a
pecuária.
Este praticar
a agropecuária deve seguir as características que diferenciam as questões
socioeconômicas, culturais e ambientais das propriedades rurais e dos
agricultores.
Outra questão
apresentada é que a produção agropecuária é baseada em conhecimentos
técnicos,
tecnológicos e científicos. Desta maneira, é um sistema complexo e que
apresenta muitas
inter-relações de conhecimentos para chegar a um consenso que
visa à produtividade.
1.2 ATUAÇÃO PROFISSIONAL
Créditos: Zoteva/ Shutterstock.
Os futuros profissionais das Ciências Agrárias
precisam ter a consciência de que vão estar
inseridos num espaço onde é
necessário ser crítico e ao mesmo tempo criativo e ativo em suas
resoluções.
Ao refletir sobre a sua atuação profissional é
necessário tomar decisões que visem buscar e
transformar o meio rural em áreas
onde a sustentabilidade é o caminho a ser seguido.
Quando pensamos que o profissional precisa ser
crítico é na questão de ser questionador e que
está sempre em busca de
aprimoramento dos seus conhecimentos adquiridos ao longo do seu
processo de
formação acadêmica.
Agindo dessa maneira, a sua atuação
profissional será benéfica no seu campo de trabalho, pois
sempre irá procurar
soluções que atendam as necessidades propostas.
Este profissional passa a ter a consciência de
que possui a capacidade de adentrar no meio
rural usando os conhecimentos
adquiridos, e que pode ser um multiplicador desses conhecimentos.
Ao trabalhar no meio rural, este profissional
deve ter uma visão ampla da realidade que está
inserido e determinar qual o
caminho a seguir, ou seja, o mercado de trabalho.
1.3 OLHAR EXTENSIONISTA
Dentro das Ciências Agrárias existe um ramo que
fornece ao profissional um olhar
extensionista, isto é, voltado para o aspecto
social e humano da profissão.
A Extensão Rural tem como foco auxiliar os
produtores rurais em todas as práticas
agropecuárias (gestão, cultivo e/ou
criação, beneficiamento e comercialização), mas também em
outras atividades que
demandam auxílio ao produtor, como exemplos promover capacitação, ajudar
no
acesso ao crédito rural e garantir a assistência técnica.
Portanto, podemos entender que o profissional
extensionista é um agente transformador, pois o
objetivo dele é passar os conhecimentos
aplicados no dia a dia do produtor.
O gerente estadual de extensão rural e
pesqueira da Epagri, Darlan Rodrigo Marchesi, aponta, no
artigo: Extensionista rural, agente de transformação no campo e
nas comunidades pesqueiras (2020),
que o papel
do profissional extensionista passou por mudanças:
Hoje nossa atuação vai além de difundir técnicas. Ela é mais abrangente,
construtiva e integrada.
Nosso trabalho deve ser para a busca permanente da
melhoria da qualidade de vida das pessoas e
do desenvolvimento pleno dos
agricultores bem como toda a sociedade, visto que os avanços que
implicam a
produção de alimentos também têm impacto nos consumidores, que estão
principalmente no meio urbano. (Marchesi, 2020)
Outro ponto a
salientar é a questão da assistência técnica, muitas vezes é confundida como
uma extensão rural e até empregada como se fosse uma coisa só. Mas vamos
entender que a
extensão rural tem o caráter educador e está ligada ao trabalho
em órgãos públicos que auxiliam os
produtores rurais de baixa renda em todo o
processo produtivo.
Este profissional
é muito requisitado para trabalhar com agricultura familiar, assentamentos,
comunidades quilombolas e ribeirinhas.
O profissional que
presta assistência técnica é aquele requisitado pelo produtor rural para
resolver os problemas que ocorrem na sua propriedade, ou seja, é aquele que com
seus
conhecimentos auxilia o produtor.
O artigo Conhecimento
e assistência técnica, do CNA/Senar, escrito por José Zeferino Pedrozo,
afirma que:
A assistência técnica é o conjunto de atividades que permitem a
comunicação, capacitação e a
prestação de serviços aos produtores rurais, tendo
em vista a difusão de tecnologias, gestão,
administração e planejamento das
atividades rurais preservando e recuperando os recursos
naturais disponíveis.
Seus objetivos são desenvolver o produtor rural, contribuir na solução de
problemas, aumentar a produtividade, reduzir custos, melhorar condições de
produção, preservar
recursos, gerar maior lucratividade, repassar novas
tecnologias, procedimentos de boas práticas
etc.
Por fim, podemos
entender que a missão do profissional extensionista é promover o
desenvolvimento das cadeias produtivas do setor rural. Junto a ele o profissional
que presta
assistência técnica é essencial para que no desenvolvimento no meio
rural ocorra processos com o
uso correto do meio ambiente, que seja socialmente
justo e que atenda as necessidades
econômicas do produtor rural.
TEMA 2 – MERCADO PROFISSIONAL
Créditos: Attasit saentep/Shutterstock.
O Brasil é um país com vocação agrícola, isso
com certeza você já ouviu falar. Realmente faz
parte da realidade da economia
brasileira, pois o PIB brasileiro tem como grande gerador da riqueza
o setor do
agronegócio.
De acordo com os dados levantados pelo Cepea (Centro
de Estudos Avançados em Economia
Aplicada), da ESALQ/USP em parceria com a CNA
(Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil), o PIB (Produto Interno
Bruto) do agronegócio:
cresceu 8,36% em 2021.
Ressalta-se que, no último trimestre de 2021, especificamente, o PIB do
agronegócio brasileiro chegou a cair, 2,03%, influenciado, sobretudo por uma
piora nos preços reais
do setor. Diante do bom desempenho do PIB agregado do
agronegócio em 2021, o setor alcançou
participação de 27,4% no PIB brasileiro,
a maior desde 2004 (quando foi de 27,53%). (Cepea; CNA,
2022)
Os pesquisadores do Cepea (2022) afirmam que o
setor ainda se destaca em alguns
segmentos, como:
segmentos primários e
de insumos se destacaram em 2021, com aumentos de 17,52% e 52,63%,
respectivamente. O PIB também cresceu para os outros dois segmentos, 1,63% para
a
agroindústria e 2,56% para os agrosserviços. Dentre os ramos, enquanto o PIB
do agrícola avançou
15,88% de 2020 para 2021, o PIB do pecuário recuou 8,95%.
O setor nas últimas décadas está ganhando
destaque e está aquecendo o mercado de trabalho.
As profissões ligadas às Ciências Agrárias
estão direcionando aos profissionais interessados
em ingressar nas áreas
diversas oportunidades de desenvolvimento na carreira.
Como é um setor que tem investido em tecnologia
e inovações faz com que muito profissionais
estejam alocados em diversos ramos
do setor rural. Ou seja, não necessariamente todo profissional
precise atuar no
campo, mas pode estar trabalhando em diferentes setores, seja no meio urbano,
no
acadêmico, nas pesquisas, em órgãos públicos e do terceiro setor, em representação
comercial
(vendas), entre outros.
2.1 MULHERES NAS CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Créditos: Avigator Fortuner/Shuterstock.
O mercado de trabalho ligado à área das
Ciências Agrárias durante muito tempo foi considerado
profissão tipicamente
masculina, isto é, a mão de obra era composta por maioria de homens.
Mas isso tem mudado nos últimos anos, as
mulheres têm conquistado o seu espaço em
diversas áreas e não poderia ser
diferente nesse setor.
Apesar do aumento da participação feminina na
área, elas ainda sofrem com a discriminação,
pois associam o trabalho no campo
com um trabalho braçal e que a mulher não consegue exercer.
É preciso saber que a profissional das Ciências
Agrárias tem capacidade, formação e
competência para atuar em qualquer área do
meio rural, basta ela se impor e vencer as barreiras do
preconceito.
Muitas mulheres ingressam nas Ciências Agrárias
pela sua paixão pelos trabalhos realizados no
meio rural, ou por histórico familiar (parentes formados na área
ou que possuem propriedades
rurais), ou até inspiradas em mulheres formadas e
reconhecidas no meio, como as engenheiras
agrônomas Ana Primavesi e a Victoria
Rossetti.
Atualmente, as mulheres estão ocupando cargos
de liderança em diversas frentes de trabalho.
Por exemplo: em órgãos públicos
e/ou privados, na academia, em centros de pesquisas, no campo
etc.
É preciso encontrar o equilíbrio entre a vida
profissional e a familiar, não é uma tarefa fácil, e
para a mulher ainda é um
pouco mais complicado, pois necessita conciliar a responsabilidade do
trabalho
com a vida familiar.
Uma informação para aumentar o seu
conhecimento: você sabia que o símbolo da Agronomia é
a Deusa Ceres?
Créditos: delcarmat/Shutterstock.
A Deusa Ceres faz parte da mitologia romana e é
a representante do poder da agricultura e da
fertilidade. Ela equivale à Deusa
Deméter da mitologia grega.
Segundo a mitologia, ela foi responsável por
ensinar agricultura à humanidade.
TEMA 3 – FUNÇÕES PROFISSIONAIS NO MEIO RURAL E URBANO
Créditos: Pressmaster/Shutterstock.
Nesta etapa vamos apontar que o profissional
das Ciências Agrárias está inserido no meio rural,
mas também no meio urbano.
Isto é possível porque vivemos em um país que é
um grande produtor e exportador de alimentos
e matérias-primas.
Portanto, os profissionais têm uma importância
no desenvolvimento de todas as cadeias
produtivas, que se encontram antes,
dentro e depois da porteira. E aqueles que têm funções
exercidas
nas cidades, mas que fazem parte dessa engrenagem do desenvolvimento econômico
do
setor agrário.
Outro ponto a ser entendido é que é uma área
que está em constante evolução com pesquisas e
desenvolvimento de tecnologias e
inovações para serem aplicados no setor.
Todas essas tecnologias e inovações estão sendo
criadas para que o setor seja competitivo,
mas adotando práticas agrícolas
sustentáveis, com o objetivo de preservar o meio ambiente e,
consequentemente,
promover o bem-estar da humanidade.
Com essa pujança econômica o setor agrário está
repleto de oportunidades e gerando
empregos, tanto no campo como nas cidades.
Então esse profissional pode ampliar seu ‘leque’ de
atuação.
3.1 FUNÇÕES NO MEIO RURAL
Créditos: Budimir Jevtic/Shutterstock.
No meio rural os profissionais das Ciências
Agrárias atuam em diversas frentes.
A extensão rural é uma das principais atuações
de quem busca trabalhar nas Ciências Agrárias,
pois é uma maneira de interagir
com o proprietário rural, principalmente os pequenos proprietários,
agricultores familiares, assentamentos, comunidades quilombolas e ribeirinhas.
Este extensionista precisa atuar como um
multiplicador de informação, produzindo mudanças
nas atitudes, nos conhecimentos
e aplicando práticas agrícolas condizentes com a realidade do
local.
Outro trabalho importante é o de assistência
técnica, ou seja, ir às propriedades para que com
seus conhecimentos possa
auxiliar os produtores rurais. Este trabalho visa ajudá-los a resolver os
problemas ocorridos na plantação e/ou criação.
Existem profissionais que trabalham em
propriedades atuando no planejamento e gestão de
todas as operações
agropecuárias, desde o que acontece antes da porteira, como exemplo, adquirir
os insumos necessários para o desenvolvimento da cultura/criação. Colocar em
prática esse
planejamento dentro da porteira visando uma produtividade que
atenda a demanda da propriedade.
E, por fim, o depois da porteira, é partir
para a comercialização do produto.
Alguns profissionais trabalham em cooperativas,
seja na área de gestão ou prestando
assistência técnica para os cooperados.
Vale lembrar que a cooperativa oferece inúmeras vantagens
para os cooperados,
por exemplo: escoamento da produção, ter acesso ao profissional que presta
assistência técnica, acesso aos insumos adquiridos em conjunto pela
cooperativa, entre outros.
Outro ramo de atuação é a revenda de produtos
agropecuários, este profissional se encaixa no
antes da porteira, isto é,
oferecendo aos proprietários os insumos necessários para o
desenvolvimento da
produção agropecuária.
Um espaço relativamente novo para atuação
profissional é o turismo rural. Esta relação do meio
rural com o meio ambiente
traz uma ideia de valorizar os recursos encontrados no local, ou seja,
aplicar
as diversas funções que a propriedade proporciona para que desenvolva novas
atividades e
serviços no meio rural (hotel-fazenda, ecoturismo, pesque-pague,
entre outros).
Portanto, os profissionais que atuam nas
Ciências Agrárias no meio rural têm um papel
importante nos elos das cadeias
produtivas, no bem-estar do ser humano e na busca da
sustentabilidade
ambiental.
3.2 FUNÇÕES NO MEIO URBANO
Créditos: Manop Boonpeng/ Shutterstock.
As Ciências Agrárias também estão presentes no
meio urbano. São inúmeros trabalhos
realizados por este profissional que
resolveu desenvolver a sua profissão nas cidades, seja pequena,
média ou grande
cidade.
Para você ter uma ideia, aqueles que trabalham
com compra e venda de commodities agrícolas
está alocado nos grandes
centros, como exemplo, em São Paulo.
Outra área que está presente nas cidades é a de
tecnologia, por exemplo, o desenvolvimento de
softwares para gestão ou para a
agricultura de precisão. Então o profissional que gosta da área
tecnológica tem
um campo de atuação diversificado, pois busca inovar a demanda do setor
agropecuário.
A área de pesquisa também é atuante nas
cidades, tendo os centros de pesquisas, como
exemplo a Embrapa, que está
espalhada por todo o território nacional trabalhando em várias frentes
de
pesquisas para atender as necessidades do meio agropecuário.
As universidades públicas e/ou privadas também
são locais onde os profissionais das Ciências
Agrárias podem atuar, seja na
área de pesquisa ou no meio acadêmico, ministrando aulas ou
orientando alunos
que estão ingressando na profissão.
Outras áreas de destaque para o profissional
que quer atuar no meio urbano é cuidar das áreas
paisagísticas de áreas
públicas ou particulares. E trabalhar no meio público, como profissional que
atua nas Secretarias Municipais que estão vinculadas à área das ciências
agrárias.
E, por fim, os trabalhos nas agroindústrias
(local onde ocorre a transformação da matéria-prima
oriunda do meio rural), é
uma área promissora para esse profissional que quer trabalhar e entender
todo o
processo, desde a chegada da matéria-prima até o produto chegar à mesa do
consumidor.
Portanto, é uma área promissora e que tem
estimulado a visão empreendedora de muitos
profissionais para fazer parte do agronegócio,
e que oferece soluções para as necessidades do
campo.
TEMA 4 – O MEIO ACADÊMICO
Créditos: Matej Kastelic/Shutterstock.
O tópico a ser abordado nesta etapa é sobre o
meio acadêmico da área do setor agrário.
Como é um setor diversificado, o futuro
profissional precisa obter uma infinidade de
conhecimentos. E esse conhecimento
ele aprende nas diversas disciplinas ministradas por
professores que são
especializados nos assuntos.
Desta maneira, todo o conhecimento adquirido
tem um caráter inter e/ou multidisciplinar, pois
abrange diversas técnicas,
tecnologias e inovações científicas. Ao mesmo tempo devem apontar os
problemas
e os desafios do setor para que cheguem a uma solução por meio das articulações
dos
conhecimentos adquiridos durante as aulas.
Importante salientar é que o sistema de
educação superior tem o desafio de impulsionar
estratégias para promoção da
construção dos conhecimentos por meio das metodologias
existentes. Conforme
Fucks et al. (2015, p. 1) apontam:
é preciso que sejam elaboradas propostas de projetos
interdisciplinares para efetivarem-se ações
práticas, demonstrando a
possibilidade de concretização dessas experiências em diferentes
instâncias da
universidade, que possam avançar no sentido da integração entre o ensino e a
extensão e favorecer o diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento.
Desse modo, essa integração entre o que é
ensinado pelos docentes e o que os discentes
aprendem é um grande desafio, pois
o objetivo do meio acadêmico é a formação de profissionais
que estejam
engajados em todas as questões sociais, econômicas, culturais e ambientais.
4.1 HISTÓRIA DO ENSINO SUPERIOR AGRÍCOLA NO BRASIL
Créditos: Marzolino/Shutterstock.
Apesar de o Brasil, desde a sua colonização,
ser tratado como um país com vocação para a
agricultura, nunca houve interesse
em se instalar o ensino superior que fosse direcionado para este
setor. Tanto a
elite agrária como a população não estavam interessados, pois a agricultura era
baseada nos grandes latifúndios que produziam a monocultura exportadora e
utilizavam a mão de
obra escrava. Desta forma, para a sociedade da época, uma
escola superior agrícola não teria
serventia, não estavam preocupados com o
manejo e conservação do solo e da água devido à
grande quantidade de terras
férteis.
Enfim, nesta época tudo que se referia ao setor
agrícola era tratado com descaso, para eles não
havia necessidade de
profissionalizar o setor, mesmo sendo a base da economia do país.
Com a vinda da família real portuguesa para o
Brasil, de novo há a tentativa de se criar uma
escola superior de agricultura.
Dom João, o Príncipe Regente, com seus ideais
iluministas (movimento intelectual que surgiu na
Europa no século XVIII que
defendia a predominância da razão sobre a fé), tenta introduzir o estudo
agrícola
aqui no Brasil, mas não conseguiu devido ao desinteresse da elite agrícola.
No Brasil, já independente de Portugal, durante
o Segundo Reinado, em 1859, surge a proposta
para fundar a Escola Superior
Agrícola da Bahia para formar profissionais ligados ao meio rural,
como
agrônomos e veterinários, mas não foi adiante.
Somente em 1877 é que surge o curso de
Agronomia da Imperial Escola Agrícola da Bahia.
Capdeville (1991, p. 231) aponta a trajetória
das primeiras escolas superiores agrícolas no
Brasil:
A escola da
Bahia levou 17 anos para passar de ideal a realidade e, quando o fez, não foi sem
tropeços. A primeira turma de formados, em 1880, foi de dez alunos, mas nos cinco
anos seguintes
a média de formados foi de 4,5 por ano. Ao apagar das luzes do
século XIX, a matrícula caiu
praticamente para zero e, no início do século XX
(1902), a escola foi fechada.
A situação
da segunda escola superior agrícola, a de Pelotas, no Rio Grande do Sul, não foi
mais
animadora. Nos seus primeiros 20 anos de funcionamento, a média de
formados foi de apenas um
por ano. [...]
[...] Em
São Paulo, quando houve problemas com a lavoura cafeeira, tais como escassez de
mão-
de-obra, insuficiência de crédito e problemas fitossanitários, não se pensou
em abrir uma escola
para formar profissionais habilitados, mas preferiu-se abrir
uma Estação Agronômica para
melhoramento de sementes, introdução de novas
máquinas e combate às pragas. Sem a menor
cerimônia, o ministro da Agricultura
paralisou, em 1885, as obras da escola de Pelotas e transferiu
os recursos para
a construção da Estação Agronômica de Campinas [...]. Em Piracicaba,
alguns
anos mais tarde, Luiz de Queiroz viu-se obrigado a empreender sozinho a construção
da escola que
recebeu seu nome, porque não encontrou uma pessoa sequer que estivesse
disposta a colaborar
em seu projeto. Quando entregou a obra, inacabada, em
doação, ao Estado, gravou-a com uma
cláusula de reversão da propriedade ao
doador ou a seus herdeiros, caso o Estado não colocasse a
escola em funcionamento
dentro de dez anos. Por pouco, o prazo não venceu e a escola não voltou
aos
herdeiros de Luiz de Queiroz.
O que
é interessante dessa história é que apesar do Brasil desde o início ser um país
com
vocação agrícola, a formação profissional para área das Ciências Agrárias
demorou a engrenar.
Atualmente temos muitas universidades públicas
e/ou privadas que oferecem graduações nas
diversas áreas que abrange o setor
agropecuário.
Por fim, o que nos permite dimensionar sobre
esse assunto são as novas perspectivas
direcionadas para o meio rural, é um
novo olhar, pois o país precisa de profissionais capacitados
para atender a
demanda que o setor necessita.
Toda essa transformação que o meio rural tem
passado acontece por meio da modernização
oferecida às práticas agrícolas e,
também, com a visão de um relacionamento sustentável com o uso
dos recursos
naturais.
4.2 SER PROFESSOR
Créditos: ESB Professional/Shutterstock.
Você já pensou em ser professor? Será que você
tem aptidão?
Faça esses questionamentos! Pense a respeito!
Para ser professor é preciso ter competências
que o leve a ser um multiplicador de
conhecimento.
Mas o que são as competências atribuídas a um
professor?
Na verdade, as competências são um conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes que
qualquer profissional precisa ter
para desenvolver a sua profissão. Ser professor é ter em mente que
para
ministrar as aulas é necessário o aprimoramento dos seus conhecimentos, saber
transmitir
esses conhecimentos, habilidades no uso de tecnologias, trabalhar
com a interdisciplinaridade,
aplicar as metodologias mais eficazes para o entendimento
do conteúdo e contribuir com o
pensamento crítico do discente.
Para trabalhar em ambiente acadêmico o
profissional professor precisa ampliar sua graduação,
tendo um caminho a seguir
na especialização: a pós-graduação, mestrado e doutorado. São etapas
de
aprimoramento que o professor segue durante toda sua vida acadêmica.
Outra linha que alguns professores seguem no
meio acadêmico é a pesquisa. Essa atividade
tem uma função importante entre o que
é ensinado pelo docente e o que é aprendido pelo discente,
ou seja, é colocar
na prática todos os ensinamentos.
A prática da pesquisa em universidades públicas
e/ou privadas ligadas a Ciências Agrárias
produz conhecimento, desenvolve
tecnologia e inovações para serem aplicadas no meio rural e no
meio urbano.
TEMA 5 – EMPREENDER
Créditos: M_Agency/Shutterstock.
O que você espera de sua carreira profissional?
Sim, a pergunta é um exercício de imaginação,
mas sem divagações ou fantasias,
é uma proposta de reflexão baseada em fatores que vamos ver
mais adiante e que
o levarão a pensar consistentemente em seu futuro profissional.
Vamos começar a pensar em como planejar uma
carreira profissional e, para isso, pense em
traçar caminhos que relacionem um
sonho profissional, condições de mercado e até as
competências pessoais
e profissionais.
Entrar no mercado de trabalho “formal” pode ser
o objetivo profissional de muitas pessoas,
objetivo mais do que justificável,
afinal o sonho da “carteira assinada” é associado ao sonho do
diploma
universitário.
E o que é preciso para isso? O que é preciso
fazer ou ter para conquistar a tão sonhada vaga de
emprego?
Mas aí convido você mais uma vez a refletir e
analisar a seguinte questão: qual o diferencial
competitivo que você tem para
conseguir se destacar em um mercado de trabalho tão concorrido?
Não existem milagres, muito menos receitas
prontas para o sucesso, existe sim muito estudo,
atitudes e, principalmente,
planejamento! Planejanento minuscioso e técnico e com objetivos claros.
O que realmente eu desejo profissionalmente? Como atingir estes objetivos
dentro de um
planejamento racional e executável?
Todas estas
perguntas (muitas) nos levam a uma estratégia de planejamento, com um olhar
muito atento a detalhes e que se traduzem em uma expressão: atitude empreendedora!
Guardem esta
expressão, vamos falar bastante dela mais adiante.
Onde queremos
chegar com esta expressão?
Que empreender
é muito mais do que criar um negócio, por exemplo (que vamos abordar mais a
frente),
é empreender na sua própria carreira. Para Bernardi (2003, p. 13), o
empreendedor pode ser
definido da seguinte forma:
Aquela
pessoa que consegue reunir um perfil típico de personalidade capaz de ser
criativo,
persistente, otimista, flexível e resistente a frustrações, agressivo
e com energia para realizar, hábil
para equilibrar seu “sonho” com realizações,
que tenha senso de oportunidade, dominância,
autoconfiança, habilidade de
relacionar-se, que seja propenso ao risco e principalmente, que seja
criativo.
Agora entramos definitivamente em nosso assunto
principal, ser empreendedor!
Se empreender é o tema, é preciso entender o que é
empreendedorismo.
Para Wildauer (2010), empreendedorismo é a capacidade que
uma pessoa possui de formular
uma ideia sobre um determinado produto ou serviço
em um mercado, seja essa ideia nova ou não, e
o empreendedor precisa ter a
capacidade de transformar uma ideia em atitudes concretas que a
realizem, que a
façam funcionar e, consequentemente, o levem adiante. Mas é importante
ressaltar
que empreender não é entrar em uma aventura, mas sim ter a habilidade
de planejar e desenvolver
uma atividade, uma profissão ou mesmo um negócio.
5.1 SER EMPREENDEDOR
Agora a pergunta é outra. Você já pensou em empreender? Você
já pensou em ser um
empreendedor?
Como dissemos no início desta etapa, as opções profissionais,
normalmente se iniciam pelo
trabalho formal, aquele da “carteira assinada”.
A opção para o empreendedorismo é algo que muita gente nunca
pensou, seja porque acha não
ter aptidão para a atividade empreendedora, seja
porque acha muito arriscado, além de outro motivo
como falta de recursos para
investir.
Mas pensar em empreender pode ser sim uma ótima opção, desde
que a atividade seja baseada
em muito planejamento e profissionalismo.
Podemos iniciar este planejamento pelo perfil que o
profissional e futuro empreendedor deverá
ter, quais seriam as competências e
habilidades necessárias para ter sucesso na atividade
empreendedora.
Vamos conhecer este perfil empreendedor, segundo Filion e
Dolabela (2000):
Conceito de si: como nos enxergamos e como descrevemos
nosso sonho.
Energia: o quanto nos dedicamos para tornarmos nosso
sonho em realidade, seja na
quantidade, seja na qualidade.
Liderança: conjunto de atitudes e comportamentos que
faz com que outros acompanhem a
nossa visão, criando, dessa forma, parcerias de
negócios.
Compreensão do setor: sabermos interpretar e
compreender o mercado, lidando com seus
ativos, com as pessoas envolvidas, com
as necessidades e dificuldades encontradas; termos
condições de apresentar
vantagens e evitar desvantagens.
Relações: reflexo do nosso capital de relacionamento,
ou seja, como nos relacionamos com os
amigos, colegas e parentes; em outras
palavras, trata-se de nossa network.
Espaço de si: o que é necessário para que nos
conheçamos, para sermos e crescermos no
decorrer do tempo.
Uma pesquisa realizada pela McBer e pelo Management Systems
International “resultou em
uma cartilha onde são apresentadas dez
características do empreendedor e os trinta
comportamentos empreendedores que
cada característica contempla”. O Sebrae distribui esta
cartilha para todo o
Brasil (Wildauer, 2010).
Busca de oportunidades e iniciativa
Faz
as coisas antes de solicitado/antes de ser forçado pelas circunstâncias;
Age
para expandir as atividades a novas áreas, produtos ou serviços;
Aproveita oportunidades fora do comum para começar um projeto
novo, bem como para obter
recursos, equipamentos e apoio interno.
Persistência
Age
diante de um obstáculo significativo;
Age
repetidamente ou muda para uma estratégia alternativa a fim de enfrentar um
desafio ou
superar um obstáculo;
Assume responsabilidade pessoal pelo desempenho no atingimento de
metas.
Comprometimento
Faz
sacrifícios ou despende um esforço extraordinário para concluir uma tarefa;
Se
junta a demais colaboradores ou se coloca no lugar deles, se necessário, para
terminar um
trabalho;
Esmera-se em manter os clientes satisfeitos e coloca em primeiro
lugar a boa vontade a longo
prazo, acima dos ganhos a curto prazo.
Exigência de qualidade e eficiência
Encontra
maneiras de fazer as coisas de forma mais rápida, mais adequada e mais barata;
Age
de maneira a fazer coisas que satisfazem ou excedem padrões de excelência;
Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho
seja terminado a tempo ou
que atenda a padrões de qualidade previamente
combinados.
Correr riscos calculados
Avalia
alternativas e calcula riscos deliberadamente;
Age
para reduzir riscos ou controlar resultados;
Coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados.
Agora temos o campo do planejamento:
Estabelecimento de metas
Estabelece
metas e objetivos que são desafiadores e que têm significado pessoal;
Tem
visão a longo prazo;
Estabelece objetivos de curto prazo mensuráveis.
Busca de informações
Dedica-se
pessoalmente a obter informações de clientes, fornecedores e concorrentes;
Investiga
pessoalmente como fabricar um produto ou fornecer um serviço;
Consulta especialista para obter assessoria técnica ou comercial.
Planejamento e monitoramento sistemáticos
Planeja
dividindo tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos;
Revisa
os planos feitos, baseando-se em informações sobre o desempenho real em novas
circunstâncias;
Mantém registros numéricos e os utiliza para tomar decisões.
Persuasão e rede de contatos
Utiliza
estratégias para influenciar ou persuadir os outros;
Utiliza
pessoas-chave como agentes para atingir seus objetivos;
Age para desenvolver e manter relações profissionais.
Independência e autoconfiança
Busca
autonomia em relação às normas e controles de outros;
Mantém
seu ponto de vista mesmo diante da oposição ou de resultados desanimadores;
Expressa confiança na sua própria capacidade de complementar uma
tarefa difícil ou de
enfrentar um desafio.
Um detalhe muito importante em relação ao estabelecimento de
perfis profissionais e suas
respectivas competências. O fato de você achar que
inicialmente não se encaixa em um
determinado perfil ou competências não
significa que você não poderá desenvolver tal atividade,
pense diferente, que
você poderá aprender e desenvolver estas competências, planejando com
eficiência sua careira profissional.
Para esclarecermos ainda mais o termo e a figura do empreendedor
vale a pena conhecer o que
o autor e consultor Paulo Sertek diz em seu livro Empreendedorismo.
Ele aborda a importância do
empreendedor para o crescimento da economia de um país.
O empreendedor é uma figura
extremamente importante para o desenvolvimento de uma nação,
pois sabemos que a
maior parte dos empregos gerados provém das micro e pequenas empresas.
As
dificuldades para se iniciar um negócio são grandes, no entanto, ter conhecimento
sobre o seu
negócio e saber como minimizá-las, tal como abordamos neste livro,
é o fator-chave para o
sucesso. (Sertek, 2011, p. 225)
É imprescindível o autoconhecimento, a verdadeira noção
de quais são suas habilidades, suas
competências e suas limitações para que o
planejamento profissional possa ser bem desenvolvido.
E este planejamento deve
conter também todos os seus objetivos e seu progresso.
Para entendermos melhor o que são competências,
Maximiano (2004) define como
conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias
para uma pessoa desempenhar atividades.
Podemos dizer então que competências são as habilidades
que você tem ou que adquire para
poder estudar, trabalhar, praticar esportes,
enfim, como diz a definição, para desempenhar
atividades.
É possível dizermos que existem competências específicas
para determinadas atividades, como
o empreendedorismo, por exemplo, e a relação
está justamente nas chamadas competências
gerenciais. Estas competências podem
ser divididas em quatro categorias, segundo Maximiano
(2004):
Competências intelectuais: usadas pelos
administradores para planejar ações, realizar análises,
elaborar conceitos,
definir estratégias, ou seja, diz respeito a todas as formas de raciocínio.
Competências interpessoais: usadas pelo líder no seu
relacionamento com subordinados,
superiores, colegas, clientes, enfim, com
todas as pessoas que fazem parte da sua rotina. Existem
algumas competências
interpessoais que são bastante relevantes para os administradores, como a
capacidade de aceitar as diferenças, entender que as pessoas podem ser
diferentes, por isso,
possuem qualidades e defeitos que as fazem únicas.
Competências técnicas: conhecimentos específicos sobre
a função que o administrador ocupa.
Por exemplo: se ele ocupa o cargo de direção
de uma escola, terá de possuir competências
relacionadas ao desempenho de sua
função.
Em qualquer situação, a competência técnica estará
relacionada com a experiência prática
adquirida.
Competências intrapessoais: podem ser definidas como a
capacidade de autoanálise, ou seja,
de refletir sobre si.
São aspectos
referentes a essas competências: autocontrole, autoconhecimento,
automotivação,
capacidade de organização pessoal e administração do próprio tempo.
O
autoconhecimento permite que o indivíduo conheça suas potencialidades e que
possa
identificar seus talentos, podendo, assim, direcionar sua carreira com
mais sucesso.
O mercado de
trabalho busca cada vez mais por profissionais com competências específicas
para as funções e esta é uma análise que você deve fazer tanto na posição de um
profissional que
trabalhará para uma empresa como na posição de empreendedor,
um líder de equipes.
FINALIZANDO
Nesta etapa os assuntos abordados foram ligados
à formação e atuação profissional das
Ciências Agrárias.
Os assuntos são interligados, pois o mercado de
trabalho no setor é diversificado e o
profissional pode atuar tanto no meio rural
como no meio urbano.
Foi apresentada uma breve história do ensino
superior agrícola aqui no Brasil e a importância do
meio acadêmico na formação
dos profissionais, mas também como ser professor de universidades
formadoras de
novos profissionais.
E, por fim, um assunto que deve ser levado a
sério por muitos profissionais da área é ser um
empreendedor, quais os caminhos
a serem seguidos.
Até
a próxima! Bons estudos!
REFERÊNCIAS
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2010.
INTRODUÇÃO À
AGRICULTURA
AULA 6
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini
CONVERSA INICIAL
Nesta abordagem, vamos apresentar assuntos estratégicos para
que você possa compreender
o vasto conhecimento que as Ciências Agrárias podem
te fornecer. Os tópicos abordados serão um
fechamento para o nosso estudo.
No Tópico 1, vamos falar sobre a realidade rural brasileira,
na qual temos um setor com muitas
inovações, mas também algumas realidades de
cultivo e criação de maneira tradicional. No Tópico 2,
veremos um panorama
sobre o agronegócio, mostrando a sua importância para a economia
brasileira.
No Tópico 3, o assunto abordado segue dentro do tema
agronegócio, mas voltado para as
cadeias produtivas do setor. No Tópico 4,
dentre os assuntos abordados, vamos falar sobre um
assunto muito controverso,
mas importante a ser discutido: o uso de defensivos agrícolas.
Por último, o Tópico 5 fala sobre os cinturões verdes e a
sua importância para a produção de
alimentos para atender à demanda das cidades
e dos consumidores.
Bons estudos!
TEMA 1 – REALIDADE RURAL BRASILEIRA
Créditos: William Edge/Shutterstock.
A realidade atual do meio rural brasileiro vem com olhar
mais moderno e como alternativa para
alguns problemas que acometem o país, por
exemplo, o desemprego. O meio rural passou a ser
alternativa viável para esse
problema, pois apresenta crescente empregabilidade no setor, gerando
melhor
qualidade de vida.
O panorama rural atual mostra a diversificação em várias
frentes de trabalho, como o modo
tradicional de se trabalhar na terra,
cultivando e/ou criando animais, ou voltado para o turismo rural e
até mesmo o
trabalho na agroindústria, por exemplo.
O desenvolvimento rural brasileiro, por ser moderno,
apresenta predominância de debates entre
a comunidade acadêmica e científica,
entre os integrantes dos movimentos sociais ligados à terra,
entre os
governantes e suas políticas públicas e entre os produtores rurais para que o
setor cresça e
se desenvolva, mas que atenda às necessidades de uma
agropecuária diversificada e voltada para a
sustentabilidade.
1.1 BRASIL RURAL
Quando pensamos em ruralidade, automaticamente associamos a
um ambiente precário e com
certas carências. Mas, atualmente, o meio rural está
passando por transformação, visto que boa
parte dos produtores rurais tem
acesso à tecnologia e às inovações presentes no desenvolvimento
rural, com uma
visão sustentável.
No Brasil, existem diferentes ambientes rurais. As dimensões
continentais do país fazem com
que haja diversidade sociocultural, econômica e
ambiental. Dessa maneira, as regiões apresentam
características específicas
para que o meio rural desenvolva condições acessíveis para o
desenvolvimento
econômico dos produtores rurais.
Como Soares (2021, p. 80) aponta sobre a ruralidade do
Brasil,
Os territórios rurais brasileiros são complexos
espaciais concebidos, muitas vezes, como áreas
ligadas ao atraso e à falta de
desenvolvimento socioeconômico, devido ao intenso processo de
urbanização. São
territórios representados por diferentes modos de vida, desde o campesino ao
novo rural, destacando-se nesse sentido, as necessidades socioeconômicas que divergem
de
acordo com o tipo de espaço ocupado pelos indivíduos.
Esses diversos “Brasis”
apresentam diferentes formas de propriedades rurais e de várias
maneiras de se
produzir/criar os alimentos ou matérias-primas.
Verificamos que os espaços rurais estão agrupados e
organizados dentro dos limites
municipais, segundo Soares (2021).
Outro fato interessante, quando nos referimos aos espaços
rurais, é um local onde a densidade
demográfica é menor, mas eles estão
espalhados por áreas territoriais bem extensas. Como Veiga
(2004, p. 12)
afirma, “o Brasil é bem mais rural do que oficialmente se calcula, pois a essa
dimensão
pertencem 80% dos municípios e 30% da população”.
O rural passa a ser visto sob nova ótica, ou seja, não é
mais um espaço somente de produção
agropecuária. É muito mais que isso, é uma
atividade econômica que visa os interesses sociais e
ambientais do meio rural.
A nova realidade rural acontece devido ao uso de tecnologias
desenvolvidas para o setor, de
atividades voltadas para a agroindústria e para
o setor terciário (comércio e serviços) e a questão
imobiliária, através da
valorização ou mesmo a especulação das áreas rurais. Como Veiga (2004, p.
2)
aponta para uma nova maneira de enxergar os espaços rurais, ou seja, denominar
como nova
economia rural.
Portanto, essa modificação no espaço rural ocorreu através
da adaptação para atender às
necessidades do agronegócio.
TEMA 2 – PANORAMA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO
Créditos: Fotokostic/Shutterstock.
Neste conteúdo, vamos abordar o termo agronegócio. Como
já explicado anteriormente, o termo
agribusiness foi criado em 1957,
pelos professores John Davis e Ray Goldberg, da Universidade de
Harvard, nos
Estados Unidos. Esse conceito atendia à nova realidade do setor agropecuário,
pois
muitas propriedades rurais passaram a utilizar os avanços tecnológicos
para aumentar a produção
de alimentos e dos subprodutos.
A partir daí, o setor passou a utilizar máquinas e
implementos, insumos, infraestruturas
(estradas, portos, armazéns etc.),
serviços e comércio para atender à demanda das cidades e das
agroindústrias. Desta
maneira, todos os elos dos segmentos do setor visavam o processo produtivo
e
comercial.
No Brasil, o termo começou a ser mencionado na década de
1980, em São Paulo e no Rio
Grande do Sul. Porém, passou a ter mais ênfase na
segunda metade da década de 1990, com os
cursos de extensão na área do
agronegócio.
Portanto, o termo agronegócio, aqui no Brasil, passa
a representar a modernidade no meio
agropecuário e com a finalidade de aumentar
a produtividade do setor. Como Melo (2008, p. 85)
afirma, o agronegócio tem “a
finalidade política e ideológica de melhorar a imagem da grande
propriedade no
imaginário social, sempre associada à improdutividade, à violência e entrave ao
desenvolvimento econômico do país”.
2.1 AGRONEGÓCIO
Ao definir o termo agronegócio, podemos entender que ele
abrange todas as atividades
produtivas reunidas ao meio rural. Essas atividades
são divididas em antes, dentro e depois da
porteira.
O antes da porteira equivale a todas as atividades
econômicas que fornecem produtos e
serviços para o desenvolvimento da produção
agropecuária. Por exemplo: insumos agrícolas
(fertilizantes, agroquímicos,
sementes etc.), bancos (créditos), máquinas e implementos, produtos
veterinários, entre outros.
No dentro da porteira, o produtor rural é responsável
pela produção agropecuária, tomando as
decisões de melhor aporte dos recursos e
dos insumos que serão utilizados na produção, ou seja,
uma autossuficiência em
todos os aspectos que ocorrem dentro da propriedade.
Por fim, o depois da porteira é o setor responsável
por todas as atividades realizadas na
agroindústria (onde ocorre o
processamento dos produtos de origem vegetal ou animal que seguem
as normas de
qualidade), e nos serviços (beneficiamento, logística, transporte e
comercialização dos
produtos in natura ou industrializados) até o
consumidor final.
O setor atualmente evoluiu para uma visão empresarial de
produção, seja na agricultura familiar
como nas médias e nas grandes
propriedades rurais. Essa visão atende ao mercado de alimentos e
à
agroindústria, com o objetivo de aumentar a produtividade e a rentabilidade.
As transformações ocorridas no agronegócio passaram a ser
desenvolvidas com novas
técnicas de produção, tecnologias de ponta,
biotecnologias, pesquisas agropecuárias, maquinários e
equipamentos,
infraestruturas, logísticas, profissionais capacitados, enfim, vários processos
para
aumentar e qualificar a produção.
Desta maneira, o setor se tornou mais complexo e abrangente,
pois necessita ser gerenciado
com profissionalismo, ou seja, ter em mente a
visão de um empresário, de um empreendedor para
determinar as metas de produção
(conquistar o mercado interno ou externo) e obter lucro.
Para esse gerenciamento ter sucesso, é preciso ficar atento
a alguns detalhes que fazem o setor
ser diferente dos demais setores
econômicos. Por exemplo, a produção pode ser atacada por pragas
ou por doenças
que causam a diminuição ou até a perda da produção, elevando os custos e
diminuindo os lucros, ou até prejuízo.
Apesar dos problemas que o setor possa apresentar, é
importante investir em conhecimentos,
tecnologias, pesquisas etc. para aumentar
o desempenho.
O setor do agronegócio brasileiro tem se mostrado
competitivo e eficiente, tanto que o
desempenho econômico nessa área tem gerado
produtividade, empregos e rentabilidade.
Por outro lado, o setor apresenta alguns problemas de ordem
tributária, de políticas públicas, de
logística e transporte para o deslocamento
da produção, entre outros. Isso encarece o produto final,
e quem sofre com isso
é o consumidor.
Outro desafio é garantir que os produtos agropecuários sigam
as normas sanitárias nacionais
e/ou internacionais para que obtenham as
certificações necessárias para a comercialização, de
modo a atender ao mercado
interno e externo (exportação).
2.2 CONCEITOS LIGADOS AO AGRONEGÓCIO
Na dinâmica do agronegócio, existem alguns termos que são
essenciais para a compreensão do
andamento do setor.
Vamos ver:
Commodity: o termo é usado para sinalizar que os
produtos atendem características que
seguem padrões predeterminados, que podem
ser armazenados e transportados para vários
lugares. Outra característica é que
o produto não tem diferenciação de quem produziu ou sua
origem. Como são
produtos consumidos em todo o mundo, isso faz com que os preços sejam
regulados
pelo mercado internacional (bolsa de valores), ou seja, seguem a lei da
oferta e da
procura. Exemplos das principais commodities: soja,
milho, café, açúcar e etanol, trigo,
celulose, algodão, suco de laranja, carne
bovina etc.
Cadeia produtiva: o conceito é complexo e ao mesmo tempo
diversificado. Esta cadeia está
ligada à sequência de processos em que a
matéria-prima passa até chegar ao consumidor
final, ou seja, o enfoque da
cadeia produtiva é processual, com uso de tecnologias e com fluxo
restritivo de
uma unidade produtiva (por exemplo: cadeia produtiva de café) até o seu destino
final. Para o funcionamento da cadeia, é necessário haver uma rede de
colaboração visando
um relacionamento com todos os envolvidos na produção.
Cadeia de suprimento: este conceito pode se referir a uma
parte de uma cadeia produtiva ou
até de várias cadeias produtivas. Ela envolve
todas as atividades estratégicas (planejamento,
movimentação e armazenamento)
dos produtos, isto é, desde insumo até a finalização dos
produtos que vão chegar
à mesa do consumidor.
Sistema Agroindustrial: o conceito determina a
estruturação vertical na produção, pois engloba
o produto que é produzido nas
propriedades rurais até que ele chegue à mesa do consumidor,
como afirma
Goldberg (1968). Desta maneira, o sistema agroindustrial possui uma
inter-
relação das várias operações (produção, armazenamento, processamento,
distribuição) que
envolvem as cadeias produtivas do agronegócio, e além de
considerar que todos os envolvidos
(antes, dentro e depois da porteira)
se relacionam e que o produto tem caráter mais genérico
(por exemplo: Sistema
Agroindustrial da Soja e Cadeia Produtiva do Óleo de Soja).
Agroindústria: engloba todos os entes que atuam na
transformação das matérias-primas
(alimentos, insumos etc.). São atividades
exercidas por diversas empresas de porte variado,
desde a agroindústria
familiar até os grandes conglomerados nacionais ou internacionais.
Player:
termo que mostra quais os principais concorrentes na produção de commodity no
mercado internacional. Um exemplo, os principais players no mercado
mundial de soja são
Brasil e Estados Unidos. Segundo o portal da Embrapa
Soja, o levantamento da CONAB
(05/2021) mostra que o Brasil é o maior
produtor mundial de soja, com uma produção de
135,409 milhões de toneladas em
área plantada de 38,502 milhões de hectares (ha), ficando
com uma produtividade
de 3.517 kg/ha. Já os Estados Unidos, segundo a USDA (08/06/2021),
atingiu a
produção de 112,549 milhões de toneladas em área plantada de 33,313 milhões de
hectares (ha), com uma produtividade de 3.379 kg/ha. Desse modo, o país se
tornou o segundo
maior produtor mundial de soja.
TEMA 3 – CADEIAS PRODUTIVAS NO AGRONEGÓCIO
Créditos: Davizro Photography/Shutterstock.
Esta abordagem vai tratar de maneira mais aprofundada um dos
conceitos do agronegócio: a
cadeia produtiva.
A definição de cadeia produtiva pode ser atribuída como
todos os processos que ocorrem em
todas as fases do desenvolvimento da produção
agrícola ou pecuária. Portanto, ela envolve as
etapas de antes, dentro
e depois da porteira, pois elas têm operações que se inter-relacionam
com a
finalidade principal que é a comercialização.
Outros pontos que fazem com que a cadeia produtiva alcance
um patamar de destaque são a
questão da globalização e das tecnologias e
inovações que cercam o setor.
Desta maneira, é possível entender que a cadeia produtiva
envolve negócios e cooperação entre
todos os elos do segmento, desde
identificar as necessidades e/ou as perspectivas de um
segmento, ou até mesmo
detectar as fragilidades que ocorrem em outro.
3.1 OTIMIZAR A CADEIA PRODUTIVA
Para uma cadeia produtiva funcionar de forma organizada e
interligada, ela precisa que todas as
etapas estejam sincronizadas para
garantir que o produto chegue à mesa do consumidor com
qualidade. Mas se por um
acaso ocorrerem erros nessa sincronia, com certeza vai gerar uma
sucessão de
falhas que podem afetar todo o processo de integração da cadeia produtiva.
Portanto, otimizar a cadeia produtiva permite que todo o
processo de produção aconteça de
forma síncrona, gerando diminuição nos custos
operacionais e aumentando a competitividade do
setor. Quando se trata da
finalização do produto, outro benefício que desponta é a diminuição do
desperdício e consequentemente a redução de perdas e prejuízos no processo da
cadeia produtiva.
3.2 ETAPAS DA CADEIA PRODUTIVA
No agronegócio brasileiro, as empresas que atuam no setor
agropecuário seguem, na maioria
das vezes, cinco etapas dentro da sua cadeia
produtiva. Cada uma dessas etapas acaba se
beneficiando de todas as informações
e do andamento envolvidos no processo. Por exemplo, uma
cadeia produtiva que
está envolvida de maneira correta em todas as etapas acaba identificando os
problemas que podem ocorrer durante o trajeto de produção, facilitando os
acertos e evitando os
prejuízos.
A cadeia produtiva do agronegócio segue cinco etapas. Vamos
ver cada uma delas.
1. Insumos: são empresas
que fornecem uma infinidade de produtos que ajudam na produção,
como exemplos:
sementes, máquinas e implementos, fertilizantes, agroquímicos, ração para
os
animais, tecnologias etc. Enfim, faz parte da primeira etapa da cadeia, aquela
que está no
antes da porteira, e sem ela, a próxima etapa não acontece,
ou seja, a produção.
2. Produção: essa etapa
é a que ocorre dentro da porteira. Os produtores rurais, ao adquirirem
os
insumos, podem dar andamento ao processo de produção, seja de origem animal
ou vegetal. A
partir daqui, todas as etapas são as que ocorrem depois da
porteira.
3. Processamento: é onde
entram as agroindústrias que vão tratar os produtos vindos das
propriedades
rurais. As agroindústrias podem fazer o tratamento do produto (limpar, secar,
armazenar, padronizar e empacotar o produto, por exemplo, o arroz). Mas também
tem a
agroindústria, que transforma o produto, como depois do abate do frango,
em que se faz o
empacotamento dessa carne, por exemplo.
4. Distribuição: essa
etapa é a passagem do que acontece com a matéria-prima que vem da
etapa de
processamento até chegar à mesa do consumidor. Esse setor é marcado pelos
distribuidores, os chamados varejistas, atacadistas, atacarejos,
enfim, todos os locais onde
abastecem os pontos de vendas (supermercados,
mercearias, lojas de conveniências etc.) e o
mercado externo. O importante é
que os produtos fiquem pouco tempo nessa etapa da cadeia
produtiva, pois precisamos
lembrar que a maioria são produtos perecíveis e que o seu
consumo é quase
imediato.
5. Consumidor final: chegamos ao final da cadeia produtiva, é quando
os produtos produzidos no
dentro da porteira chegam à mesa do consumidor final.
Este consumidor pode ser estar tanto
no mercado doméstico como no mercado
internacional.
3.3 CLUSTER E ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS
Estes dois termos são aplicados em vários contextos, mas
aqui vamos tratar deles dentro do
setor do agronegócio.
Cluster:
é um termo em inglês que significa ‘aglomerar’. Então, o sistema de cluster
pode ser
entendido como a aglomeração ou união de vários atores que participam
de um mesmo setor
em determinada região. Desta maneira, essa união acaba
gerando capacidade de inovar e
aprimorar conhecimento para assim obter
vantagens competitivas.
Dentro do setor do agronegócio, o cluster acaba sendo um
sistema que se torna vantajoso, para
as pequenas e médias empresas que
participam da mesma cadeia produtiva, pois as dificuldades
enfrentadas por
eles, principalmente pelo ponto de vista econômico, podem ser minimizadas ou
até
mesmo sanadas a partir dessa união.
Segundo Santos (2003, p. 29) a definição de cluster
pode ser entendida como:
Cluster é a reunião de pequenas empresas de um mesmo
setor em uma região. Sua principal
característica é a maior ênfase na
competitividade, embora haja cooperação entre os
empreendimentos no que se
refere a ações que ofereçam vantagem para todos (a participação em
feiras e em
consórcios, por exemplo).
Portanto, o sistema de cluster
acaba associando a economia com a localidade onde a cadeia
produtiva atua, para
assim ter a produção ligada à competitividade.
Arranjo
Produtivo Local (APL): é o termo mais utilizado no Brasil. Tem os mesmos
objetivos do
cluster. O conceito do APL, conforme o Ministério da Economia
(2017),
são aglomerações de empresas e empreendimentos,
localizados em um mesmo território, que
apresentam especialização produtiva,
algum tipo de governança e mantêm vínculos de articulação,
interação,
cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais, tais como:
governo,
associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.
Desta forma, o conceito de
APL abrange aglomerados produtivos em que os atores de um
mesmo segmento
comercial possam minimizar os custos de produção através da cooperação entre
todos os envolvidos. Ou seja, todos os esforços são voltados à realidade do
local e ao bem-estar de
todos os atores envolvidos no arranjo produtivo.
TEMA 4 – INSUMOS AGRÍCOLAS
Créditos: Canetti/Shutterstock.
Para o desenvolvimento
da produção agrícola, é indispensável o uso de insumos agrícolas.
Estes insumos
são necessários para a produção de produtos agropecuários ou para os serviços
desenvolvidos para o setor, isto é, utilizados tanto na produção como na
matéria-prima.
Exemplos de
insumos: defensivos agrícolas (químico e orgânico), fertilizantes (químico ou
orgânico), máquinas e implementos etc.
4.1 DEFENSIVOS AGRÍCOLAS
Defensivo
agrícola, agroquímico,
agrotóxico são termos que designam a mesma coisa. O
objetivo do
uso desse insumo é prevenir, controlar e eliminar organismos considerados
pragas
(insetos, fungos, plantas invasoras etc.) que competem com o
desenvolvimento da cultura principal.
Para seu
conhecimento: você sabia que o termo agrotóxico foi denominado no
livro do professor
Adilson D. Paschoal, em 1977, aqui no Brasil? De lá para cá,
o termo passou a ser utilizado pela
maioria das pessoas quando quer designar
esse tipo de insumo. O termo tem origem grega e
significa ágros
(campo) e toxicon (veneno).
Desse modo, os
defensivos agrícolas químicos sempre tiveram uma relação conturbada com o
seu
uso, devido ao alto grau de toxicidade (a substância química tem capacidade de
provocar efeitos
nocivos a um organismo vivo) e com a possibilidade de as pragas
adquirirem resistência à sua
letalidade. Portanto, podemos entender que é um
assunto polêmico e complexo, mas que precisa ser
tratado com responsabilidade,
ética e compromisso socioambiental.
De acordo com a
finalidade e sua aplicação, os defensivos agrícolas podem ser denominados
como inseticidas,
nematicidas, fungicidas, acaricidas e herbicidas.
A Croplife Brasil criou um infográfico que mostra os
defensivos agrícolas e os relacionam com
as pragas que eles combatem. Veja
abaixo:
Fonte: Mais Soja, 2020.
Segundo Silva
(2012, p. 6) os principais defensivos agrícolas são descritos como:
Os principais tipos de defensivos são:
Herbicidas – produtos destinados a eliminar ou
impedir o crescimento de ervas daninhas.
Podem ser classificados de acordo com:
sua atividade (de contato ou sistêmicos), uso
(aplicados no solo,
pré-emergentes ou pós-emergentes) e modo de ação sobre o
mecanismo bioquímico
da planta. Podem ser também segmentados em: herbicidas não
seletivos (que
destroem todas as plantas) e seletivos (aqueles que atacam unicamente a
praga,
preservando a lavoura).
Inseticidas – são produtos à base de substâncias
químicas ou agentes biológicos
destinados a eliminar insetos. Há três grandes
famílias de compostos químicos: os
organossintéticos, os inorgânicos e os
botânicos ou bioinseticidas.
Fungicidas – são agentes físicos, químicos ou
biológicos destinados a combater os fungos.
Também podem eliminar plantas
parasíticas e outros organismos semelhantes.
Acaricidas – produtos químicos destinados a
controlar ou eliminar ácaros, especialmente
em frutas cítricas, como a laranja.
Agentes biológicos de controle – organismos vivos
que atuam por meio de uma ação
biológica como a de parasitismo ou de competição
com a praga.
Defensivos à base de semioquímicos – armadilhas
semelhantes aos feromônios naturais,
que emanam pequenas doses de gases capazes
de atrair e capturar insetos. São
específicos para cada espécie de praga e agem
em concentrações reduzidas e de baixo
impacto ambiental.
Produtos domissanitários – destinam-se às regiões
urbanas, com suas principais
categorias de produtos divididas em: inseticidas
domésticos, moluscicidas, rodenticidas e
repelentes de insetos.
Com essas informações, é possível saber que a composição dos
defensivos agrícolas está
relacionada ao seu princípio ativo, isto é, eles são
responsáveis pela ação que esses princípios terão
sobre a praga que está
acometendo a lavoura.
Já os defensivos agrícolas de origem biológica ou biodefensivos
são produzidos a partir de um
ativo biológico, ou seja, um ativo de origem
natural.
O objetivo desses biodefensivos é lidar com os agentes
(doenças ou pragas) que estejam
prejudicando a principal cultura — porém, o
mais importante, sem destruir o meio ambiente.
Muitas empresas realizam pesquisas com esses princípios
ativos biológicos para
desenvolverem formulações biológicas que serão
comercializadas, mas é preciso informar a
praticabilidade dessa tecnologia.
Então, ao optar pelo uso dessas formulações biológicas, é
preciso fazer questionamentos sobre:
onde será aplicado? Qual a cultura? Quais
as pragas ou doenças serão combatidas? A partir daí, a
escolha será feita de
forma assertiva por parte do produtor rural.
Desta maneira, os produtores rurais que optarem por
trabalhar com os defensivos biológicos
estão cientes de quem vão utilizar um
produto livre de ações químicas em suas formulações,
produzindo uma agricultura
orgânica que vai atender a uma demanda de mercado em alta, pois
muitos
consumidores estão preferindo consumir produtos agrícolas orgânicos.
Como aponta Halfeld-Vieira (2016, p. 51), a prática de uso
de biodefensivo tem aumentado no
Brasil:
A utilização de Agentes de Controle Biológico (ACB)
para a proteção de plantas contra pragas e
doenças tem aumentado
significativamente nos últimos anos no Brasil. Tal fato pode ser creditado
a
alguns fatores, dentre eles a pressão da sociedade em busca de alimentos mais
saudáveis e com
menor volume de resíduos nocivos ao ser humano. Por outro lado,
a crescente preocupação com a
preservação ambiental e a consequente necessidade
de diminuição do uso de agroquímicos
convencionais também se mostra relevante.
Neste contexto, a eficiência no controle de tais pragas
e doenças pelos ACBs
produzidos em escala comercial e a demanda por produtos orgânicos, com
certificação de origem comprovada, também contribuiu para uma maior procura
pelo controle
biológico bem como facilitou a sua divulgação.
A Croplife Brasil também criou
um infográfico para mostrar a classificação dos produtos de
origem biológicos.
Veja abaixo:
Fonte: elaborado com base em Mais Soja, 2020.
É importante salientar que, mesmo sendo um produto biológico
(biodefensivo), a
comercialização segue as mesmas regras de um produto químico
(agroquímico), isto é, a
obrigatoriedade do receituário agronômico (documento
prescrito por um profissional habilitado), em
que constam todas as informações
e recomendações técnicas de como utilizar o produto. Esta
determinação consta
na Lei n. 7.802/1989, regulamentada pelo Decreto n. 4.074/2002.
4.2 DESTINAÇÃO CORRETA DE EMBALAGENS DE DEFENSIVOS
Após a utilização dos defensivos, é necessário dar a
destinação final correta para as
embalagens vazias, para evitar qualquer risco
de contaminação do meio ambiente e para a saúde
das pessoas.
A preocupação com a destinação correta destas embalagens é
tão grande que o governo
elaborou uma lei e decretos (Federal) para
regulamentar este processo de descarte (Lei Federal n.
9.974 de 06/06/00 e
Decreto n. 3.550 de 27/07/00).
Segundo o manual elaborado pela Associação Nacional dos
Distribuidores de Defensivos
Agrícolas e Veterinários (ANDAV) (2000, p. 3),
Os usuários deverão:
a. Preparar as embalagens vazias para devolvê-las nas
unidades de recebimento;
Embalagens rígidas laváveis: efetuar a lavagem das
embalagens (Tríplice Lavagem
ou Lavagem sob Pressão);
Embalagens rígidas não laváveis: mantê-las intactas,
adequadamente tampadas e
sem vazamento;
Embalagens flexíveis contaminadas: acondicioná-las
em sacos plásticos
padronizados.
b. Armazenar, temporariamente, as embalagens vazias na
propriedade;
c. Transportar e devolver as embalagens vazias, com suas
respectivas tampas, para a unidade
de recebimento mais próxima (procurar
orientação junto aos revendedores sobre os locais
para devolução das
embalagens), no prazo de até um ano, contado da data de sua compra;
d. Manter em seu poder os comprovantes de entrega das
embalagens e a nota fiscal de
compra do produto.
Os revendedores deverão:
a. Disponibilizar e gerenciar unidades de recebimento
(postos) para a devolução de
embalagens vazias pelos usuários/agricultores;
b. No ato da venda do produto, informar aos
usuários/agricultores sobre os procedimentos de
lavagem, acondicionamento,
armazenamento, transporte e devolução das embalagens
vazias;
c. Informar o endereço da unidade de recebimento de
embalagens vazias mais próxima para o
usuário, fazendo constar esta informação
na Nota Fiscal de venda do produto;
d. Fazer constar dos receituários que emitirem, as
informações sobre destino final das
embalagens;
e. Implementar, em colaboração com o Poder Público,
programas educativos e mecanismos
de controle e estímulo à LAVAGEM (Tríplice ou
sob Pressão) e à devolução das embalagens
vazias por parte dos usuários.
Os fabricantes deverão:
a. Providenciar o recolhimento, a reciclagem ou a
destruição das embalagens vazias
devolvidas às unidades de recebimento em, no
máximo, um ano, a contar da data de
devolução pelos usuários/agricultores;
b. Informar os Canais de Distribuição sobre os locais
onde se encontram instaladas as
Centrais de Recebimento de embalagens para as
operações de prensagem e redução de
volume;
c. Implementar, em colaboração com o Poder Público,
programas educativos e mecanismos
de controle e estímulo à lavagem (Tríplice e
sob Pressão) e à devolução das embalagens
vazias por parte dos usuários;
d. Implementar, em colaboração com o Poder Público,
medidas transitórias para orientação
dos usuários quanto ao atendimento das
exigências previstas no Decreto n. 3550, enquanto
se realizam as adequações dos
estabelecimentos comerciais e dos rótulos e bulas;
e. Alterar os modelos de rótulos e bulas para que
constem informações sobre os
procedimentos de lavagem, armazenamento,
transporte, devolução e destinação final das
embalagens vazias.
A tríplice lavagem é um
método de lavagem das embalagens de defensivos químicos que prevê
a
higienização dessas embalagens, eliminando os restos de resíduos de produtos
tóxicos que ainda
podem estar presentes nas paredes das embalagens (Chiquetti,
2005). O infográfico abaixo mostra a
metodologia da tríplice lavagem.
Fonte: LARR, 2014
4.3 BIOFERTILIZANTES
Dentro de todo o
processo das práticas agrícolas, a adubação é uma das mais caras, ou seja, é
responsável por boa parte dos custos de toda a produção agrícola. Então, o uso
do biofertilizante
acaba sendo uma maneira de complementar a adubação de
fertilizantes sólidos, já que pode ser
produzido com materiais encontrados na propriedade
ou no comércio local e sua preparação
acontece de maneira rápida. Além de
reduzir os custos, proporciona a sustentabilidade da cultura,
melhora a qualidade
do solo e consequentemente auxilia na produtividade.
É um adubo
orgânico líquido que fornece nutrientes essenciais para as plantas, melhora a
qualidade do solo e auxilia no controle de doenças. Pode ser aplicado de duas
maneiras:
pulverizando as folhas ou aplicando junto à água de irrigação. Desta
maneira, proporciona uma
resposta mais rápida para o crescimento das plantas,
já que é absorvido mais rápido do que o adubo
sólido. Para isso, deve ser
diluído entre 2 a 10% em cada aplicação, como aponta a Embrapa (2021).
O
biofertilizante, de acordo com a Embrapa (2021), é obtido pela fermentação
anaeróbica (sem
presença de ar) de restos das culturas ou de dejetos de
animais. Além disso, pode atuar como um
corretivo do pH do solo, pois possui um
pH básico (em torno de 7,5).
Outro importante
benefício da utilização do biofertilizante é o aumento de microrganismos, que
favorecem a saúde e a vida do solo.
A Embrapa (2021)
determina que “ a pulverização do biofertilizante
deve ser feita sempre depois
de regas ou chuvas, ou nas horas mais frescas do
dia. A frequência e época de adubação obedecem
ao calendário de cada
espécie”.
O uso de biofertilizante tem
oferecido bons resultados para a produção de hortaliças e de
cereais. Mas
importante saber que, aqui no Brasil, é proibida a aplicação do biofertilizante
de origem
de dejeto de animais em hortaliças que são consumidas cruas.
4.4 ADUBAÇÃO VERDE
Esse tipo de adubação utiliza espécies de plantas das
famílias (leguminosas, gramíneas,
crucíferas e cereais) que ajudam o solo a
melhorar as suas condições físicas, químicas e biológicas,
ou seja, torna o
solo mais fértil.
Essa técnica acaba promovendo a reciclagem de nutrientes do
solo. Desse modo, é possível
regenerar e/ou promover a melhoria em solos
pobres, ou até conservar os solos que são altamente
produtivos.
Esta prática agrícola se dá devido à relação dessas plantas
com as bactérias (rizóbio) que
aparecem em suas raízes, isto é, ocorre uma
simbiose. Elas são capazes de remover o nitrogênio
presente no ar e fixar no
solo, assim ficando fértil.
O exemplo apresentado pela Embrapa Agrobiologia (2011)
quanto à adubação verde com o uso
de espécies de plantas leguminosas:
Há espécies como leguminosas, que se associam a
bactérias fixadoras de nitrogênio do ar,
transferindo-o para as plantas. Estas
espécies também estimulam a população de fungos
micorrízicos, microrganismos
que aumentam a absorção de água e nutrientes pelas raízes. Os
benefícios
trazidos pela associação entre leguminosas e bactérias fixadoras de nitrogênio
podem
ser obtidos através de práticas como a inoculação de sementes no momento
do plantio.
Como as raízes dessas plantas são profundas, elas acabam
sendo associadas como um arado
biológico, pois ao ocorrer a decomposição
das suas raízes, criam espaços que propiciam o
surgimento de microrganismos que
ajudam em descompactar o solo.
Para a fertilidade do solo, o nitrogênio tem como função
auxiliar no crescimento das plantas,
desenvolvendo as suas células e os seus
tecidos. Desta forma, a adubação verde, através da fixação
do nitrogênio no
solo, garante que a principal cultura comercial terá um crescimento acelerado.
Com essa prática, ocorre a diminuição de perda de água no
solo, recuperando as áreas
degradadas.
Associar a adubação verde com o sistema de plantio direto
possibilita a formação de palhada,
ajudando na proteção do solo e dificultando
o aparecimento de plantas invasoras no local do plantio.
A Embrapa Agrobiologia (2011) aponta as maneiras de se
utilizar a adubação verde:
Em pré-cultivo ou rotação de culturas: quando são
utilizadas antes ou depois de uma cultura
para melhorar o solo para a cultura
que será plantada em seguida.
Em consórcio: pode ocorrer o plantio conjunto da
cultura e do adubo verde e em seguida o
corte e deposição do material sobre o
solo para fornecer nutrientes ainda para esta cultura,
ou então o plantio na
parte final do ciclo da cultura, sendo que o adubo verde se desenvolve
na parte
final e após o ciclo de cultura, beneficiando a cultura seguinte.
Cultivo em faixas: quando se cultivam faixas de
leguminosas perenes ou semiperenes
separando talhões de culturas e as
leguminosas são podadas periodicamente para adubar
as culturas.
Por fim, a prática de
adubação verde determina que espécies de plantas atuem como
ferramentas que
ajudam a melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo. Esse
tipo de técnica, devido à sua praticidade, acaba atraindo mais produtores
rurais que buscam retorno
financeiro aliado às questões ambientais.
TEMA 5 – CINTURÕES VERDES
Créditos: BearFotos/Shutterstock.
O cinturão verde pode ser denominado como uma área
com vegetação que fica próximo das
áreas urbanas, nas zonas periféricas.
Nas áreas ao redor das áreas urbanas ou de áreas industriais,
é costume implantar os cinturões
verdes (áreas verdes que podem ser destinadas
para produção de hortaliças, fruticultura, parques,
reservas ambientais,
chácaras etc.).
Estes locais se comportam como uma barreira para interceptar
o ar poluído vindo das áreas
urbanas, pois as plantas podem remover os
poluentes atmosféricos, ajudando na melhoria da
qualidade do ar.
5.1 UTILIZAÇÃO DOS CINTURÕES VERDES
Os cinturões verdes implantados no entorno dos centros
urbanos ajudam a melhorar a
qualidade de vida dos seus habitantes. Nessas áreas
urbanas, o desmatamento está sempre
ocorrendo devido às constantes construções
civis (edifícios, centros comerciais, condomínios etc.).
Portanto, os cinturões verdes acabam servindo para inúmeras
possibilidades. Veja alguns
exemplos:
Amenização climática: essas áreas verdes ajudam na
qualidade do ar, além de manter o
microclima, evitando a elevação das
temperaturas, ou seja, amenizando a questão do conforto
térmico das áreas
urbanas.
Produção de alimentos: função extremamente importante,
produzir alimentos (hortaliças e
frutas). Devido à sua localização, os alimentos
chegam mais frescos e mais baratos nas
cidades próximas. Além disso, o uso de
menos transporte causa menos poluição do ar.
Área de lazer: são locais para que a população possa
manter contato com o meio natural
(parques, horto florestal, jardins etc.).
Esta área se transforma em um espaço humanizado,
locais onde possa relaxar e
ter contato com a biodiversidade, ou seja, gerando um ambiente
propício para o
desenvolvimento da saúde física e mental.
Área de preservação ambiental: área de valor inestimável
para o bem-estar do ser humano.
Este local é um ecossistema que precisa ser
preservado para que haja a manutenção da
biodiversidade.
Sequestro do CO2: é o papel importante das
vegetações encontradas nos cinturões verdes que
se tornam uma barreira física
para evitar o avanço de poluentes vindo das cidades.
Área de educação ambiental: esses ambientes são
importantes corredores ecológicos, onde a
biodiversidade pode servir para o
desenvolvimento de estudos e pesquisas na área ambiental.
Turismo
sustentável: ambiente com potencial para atender à necessidade dos
habitantes das
áreas urbanas poderem se conectar com a natureza, ou seja,
desenvolver atividades
ecológicas, práticas esportivas junto à natureza,
comercialização de produtos produzidos na
região. Esse tipo de turismo acaba
gerando renda para vários setores das comunidades
integrantes desse ambiente.
5.2 CINTURÕES VERDES AGROECOLÓGICOS (CVA)
O cinturão verde agroecológico tem como ponto de equilíbrio
assegurar a conservação da
biodiversidade com a produção de alimentos e que
atendam ao bem-estar da população que vive no
entorno.
Como utilizam as práticas agroecológicas, esses alimentos
produzidos nesses cinturões verdes
são voltados para a produção de alimentos
orgânicos (verduras, legumes e frutas) que vão abastecer
os locais de
comercialização desses produtos (mercados, feiras de produtores, quitandas,
sacolões
etc.), onde o consumidor adquire um alimento mais fresco, de
qualidade, mais barato e livre da
presença de agroquímicos.
Com o manejo correto aplicado nesses ambientes, os
produtores, além de obterem a
produtividade dos seus produtos, também são
responsáveis por ajudar a preservar o meio ambiente
e, com isso, impulsionar um
mercado onde há uma valorização social, econômica e ambiental.
Por fim, os cinturões verdes agroecológicos atendem às
necessidades dos centros urbanos em
oferecer um alimento mais saudável, livres
de insumos agrícolas químicos, além de contribuir para a
preservação e
conservação do solo e da água.
FINALIZANDO
Chegamos ao fim do nosso estudo. O que foi tratado serve
para um vasto conhecimento de
assuntos ligados e interligados à formação e
atuação do profissional das Ciências Agrárias.
Abordamos assuntos como a ruralidade no Brasil, o panorama
do agronegócio, as cadeias
produtivas, o uso dos insumos agrícolas e, por fim,
os cinturões verdes. Estes temas tratam a nos
levam a práticas atuais,
indispensáveis aos profissionais das Ciências Agrárias.
Utilize e amplie esses conhecimentos adquiridos ao longo dos
conteúdos.
Seja muito feliz! Bons estudos!
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