0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações5 páginas

Introdução A Agricultura de Precisão

Enviado por

daniel
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações5 páginas

Introdução A Agricultura de Precisão

Enviado por

daniel
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Agricultura de

Informativo Técnico 03-2019

INTRODUÇÃO A AGRICULTURA DE PRECISÃO

Introdução Desse modo, consideramos que a gestão da


heterogeneidade existente nas lavouras deve ser realizada
As áreas agrícolas não são uniformes, tanto em termo
constantemente por meio das quatro etapas ilustradas na
dos fatores de produção (fertilidade, topografia, clima) como
figura abaixo:
da própria produtividade obtida. Assim, cada porção da
lavoura necessita de um manejo específico para otimizar a
rentabilidade do agricultor e evitar impactos ambientais. A
essa forma de se fazer agricultura, levando em conta as
heterogeneidades das lavouras, se dá o nome de Agricultura
de Precisão (AP).

De acordo com a Comissão Brasileira de Agricultura


de Precisão do Ministério da Agricultura (CBAP/MAPA),
“Agricultura de Precisão é um sistema de gerenciamento
agrícola baseado na variação espacial e temporal da unidade
produtiva e visa ao aumento de retorno econômico, a
sustentabilidade e a minimização do efeito ao ambiente”.

No sistema de agricultura convencional as


heterogeneidades presentes ao longo da lavoura não são Figura 2- Ciclo da Agricultura de Precisão (AP).

consideradas nas decisões de manejo, o que acarreta em Acreditamos que a implementação da AP deve ter
manejo inadequado, geralmente aplicando insumos em início na investigação da variabilidade, tanto da
doses maiores ou menores do que as necessárias, o que produtividade quanto dos fatores de produção. Neste
pode acarretar maior gasto, menor aproveitamento destes e sentido, a estratégia principal é identificar primeiramente a
danos ao ambiente. Assim, a AP visa tratar cada pequena variabilidade na produção, ou mesmo no desenvolvimento
porção da lavoura de forma específica, considerando a da cultura por meio de técnicas de sensoriamento, para
variabilidade dos fatores de produção presente ao longo das então investigar os causadores dessa variabilidade. No
áreas (Figura 1). entanto, muitos usuários iniciam o processo investigando a
fertilidade do solo, com o objetivo de propor correções de
solo e adubações em doses variadas; almejando, assim, o
adequado equilíbrio nutricional da cultura.

Tais questões serão discutidas com maior


profundidade em outras edições deste informativo técnico.
Porém, é necessário destacar que a investigação da
Figura 1 - Agricultura Convencional (A) x Agricultura de Precisão (B): variabilidade não se limita à análise química da fertilidade do
análise da necessidade de calagem.
solo por meio de amostragem; pode-se também usar outras

1
Introdução à agricultura de Precisão Pusch, M. et al
propriedades do solo, relevo, cultura, clima, etc., medido de A aquisição das coordenadas de um ponto pode ser
forma direta ou por métodos de sensoriamento. obtida por meio de qualquer receptor móvel que tenha
acesso ao Sistema Global de Navegação por satélite (GNSS).
Premissas da AP
Este sistema atualmente é composto por quatro sistemas:
Independente de por onde o agricultor inicie a gestão Americano (GPS), Russo (GLONASS) e os sistemas da união
espacializada de sua lavoura, existem basicamente três europeia (GALILEO) e da China (COMPASS) que estão em
estratégias que ele pode seguir, de forma concomitante ou fase de implementação.
não:
Amostragem
Otimização do uso de insumo
Para definir estratégias de amostragem, é necessário
O reconhecimento da variabilidade dos talhões, por saber que tipo de informações se pretende obter de uma
meio da coleta de informações da lavoura, permite adotar área, por exemplo: atributos físicos, químicos ou biológicos
medidas que aumentem a eficiência do uso de insumos de do solo. Além disso, é preciso saber quais os recursos que o
acordo com as características particulares de cada local da produtor tem disponível para este fim. Depois de definir
área. Isso potencializa o aproveitamento dos fatores de quais atributos serão analisados, é preciso determinar quais
produção, de modo que não ocorra sub ou superestimativa formas de amostragem serão empregadas na área, qual
na quantidade de insumos necessários. Devemos nos atentar equipamento será usado nas coletas, qual a melhor época
ao fato de que a aplicação localizada nem sempre acarreta para tal, a forma como serão coletadas as subamostras,
em redução de custos, uma vez que a necessidade local de quantas amostras por hectares serão necessárias, etc. Sobre
insumos pode ser maior do que vem sendo rotineiramente amostragem, um ponto é certo: quanto maior o número de
diagnosticado pela “agricultura convencional”. amostras em uma área, maior é sua representatividade e,
por consequência, melhor será a detecção da variabilidade
Aumento de produtividade do cultivo
existente ao longo da lavoura.
Com gestão espacializada das lavouras e com
A amostragem pode ser em grade por ponto ou
aplicações de insumos e intervenções otimizadas, acredita-
células, ou de forma direcionada quando se tem o
se que muitas das vezes seja possível aumentar a
conhecimento prévio da área por meio dos mapas de
produtividade dos cultivos, visto que os fatores limitantes à
produtividade ou de sensoriamento, o que pode promover
produtividade vão sendo corrigidos espacialmente ao longo
um melhor entendimento sobre as causas da variabilidade.
do tempo. Além disso, o acompanhamento em tempo real
Lançaremos um Informativo Técnico exclusivo sobre esta
da lavoura permite tomadas de decisões rápidas e assertivas,
questão.
elevando o potencial produtivo.
Mapeamento da Produtividade
Melhora na qualidade do produto colhido
Os mapas de produtividade, embora não sejam muito
Com o uso otimizado de insumos de forma localizada
utilizados, tanto pela falta de conhecimento sobre a
e estratégias de gestão mais assertivas e rápidas, é esperado
importância da informação que geram, quanto pela falta de
que se obtenha cada vez mais produtos com qualidade
orientação técnica, são a informação mais completa das
superior. As diversas tecnologias disponíveis permitem, por
lavouras. Este dado é o que efetivamente materializa a
exemplo, reduzir a competição entre plantas, monitorar o
resposta da cultura a todo o manejo adotado ao longo da
desenvolvimento da lavoura, identificando os focos de
safra. A informação mais valiosa dele é a identificação de
infestação de pragas e doenças, bem como o
manchas de produção, principalmente as de produtividade
desenvolvimento vegetativo para obtenção de um produto
baixa. Esta informação deve guiar o técnico responsável aos
com maior qualidade.
locais que demandam investigação dos fatores de produção
causadores de tal limitação de produção, o que permite a
correta tomada de decisão.
Tecnologias envolvidas

Sistema Global de Navegação por Satélite

2
Introdução à agricultura de Precisão Pusch, M. et al
Sensoriamento

A utilização de sensores tem sido uma interessante


alternativa no desenvolvimento da AP. Por meio de
diferentes técnicas é possível obter uma maior quantidade
de informação sobre uma área em relação aos métodos
tradicionais, geralmente baseados em amostragem.
Informações de um alvo podem ser obtidas por meio de
sensores com diferentes princípios de funcionamento. Com
a popularização do termo Agricultura Digital, cada vez mais
as empresas, tanto grandes quanto pequenas, estão focando Figura 3- A) sensor de refletância de dossel (Crop Circle); B) sensor de
medição de clorofila (Clorofilômetro); C) Sensor de condutividade
em desenvolvimento de sensores e inteligência artificial para
elétrica do solo (Veris); D) Sensor de condutividade elétrica do solo
monitorar as lavouras e tomar decisões automáticas. Porém, (EM38).

apesar de todo este desenvolvimento, são poucas as


No sensoriamento remoto, em geral, os sensores
técnicas de sensoriamento que tem como foco a
captam o comportamento espectral dos alvos, o que
investigação espacializada da lavoura. Nesse sentido,
permite tirar inferências sobre eles. Esses sensores podem
merecem destaque as técnicas de sensoriamento remoto e
ser instalados em satélites, aeronaves e em veículos aéreos
proximal.
não tripulados (drones), apresentando prós e contras para
Sensores proximais correspondem a sensores cada objetivo (Figura 4). Porém, uma grande vantagem
desenvolvidos para obtenção de dados por meio de contato desse tipo de sensoriamento como um todo é a coleta de
direto com o alvo ou muito próximo (Figura 3). Eles são dados sem a necessidade de adentrar a lavoura, o que
utilizados no campo, conduzidos de forma manual ou também permite a cobertura de grandes áreas de forma
embarcados em máquinas agrícolas, o que possibilita simples e rápida.
medições em tempo real. Os mais utilizados atualmente são
destinados a coleta de dados de solo e do dossel das
plantas.

Em termos de investigação de solo, marcadamente o


sensoriamento da condutividade elétrica aparente do solo
(CEa) merece destaque pela sua facilidade de uso e
qualidade da informação fornecida sobre variabilidade do
solo como um todo.

Com relação a medição de propriedades do dossel das


plantas, os sensores de reflectância, também conhecidos Figura 4- Diferentes plataformas para os sensores remotos: A) Satélites;
como sensor de verde ou de clorofila, são os de maior B) Aviões ; C) Drones; D) Sensor proximal embarcado em Trator.

destaque, pois permitem inferências sobre variabilidade do


Manejo localizado
acúmulo de biomassa da parte aérea da cultura e,
consequente, possibilita investigações direcionadas ou Aplicação à taxa variável de fertilizantes
mesmo a aplicação de insumos, como o nitrogênio. Também Visa aplicar de forma correta e eficiente os fertilizantes
podem ser usados para identificar a presença ou ausência de ao longo de uma área, garantindo que cada porção do solo
plantas, o que permite, por exemplo, guiar a aplicação de receba a dose necessária de fertilizantes para o correto
herbicidas ou investigação sobre falhas da cultura. Outros desenvolvimento das plantas, buscando otimizar os custos
Informativos Técnicos serão dedicados à essas tecnologias. com insumos.

Amostragens georreferenciadas de solo têm sido


bastante empregadas para obter o conhecimento da
variabilidade do solo dentro da propriedade, o que é
essencial para uma aplicação correta e adequada. No

3
Introdução à agricultura de Precisão Pusch, M. et al
entanto, a dependência espacial entre as amostras coletadas uniforme, ou seja, os fatores limitantes a produtividade são
devem ser levadas em consideração para o adequado os mesmos ao longo de cada UGD. Esta delimitação mais
mapeamento das propriedades do solo. Se tal exigência não refinada da área é tida por muitos pesquisadores e usuários
é atentada, a qualidade dos mapas de recomendação pode como o clímax da AP, uma vez que sintetiza grande
ser duramente impactada. A partir desses mapas é possível quantidade de dados obtidos ao longo de safras
realizar aplicação localizada de fertilizantes. consecutivas e resulta em manejo específico. Isso faz com
que investigações espacializadas, principalmente por meio
Aplicação à taxa variável de defensivos agrícolas
de amostragem, sejam cada vez menos demandadas, o que
O tratamento localizado com defensivos é, talvez, a otimiza os custos e a gestão da lavoura.
maior possibilidade de redução de uso de insumos na AP,
Porém, para a correta definição das UGDs, é
uma vez que tem o objetivo de realizar a aplicação apenas
indispensável a obtenção de mapas de produtividade ou de
onde a praga (inseto, doença ou planta daninha) esteja
dados que mensurem indiretamente a variabilidade dos
presente.
cultivos, como obtidos com sensoriamento proximal ou
No mercado existem diversas técnicas de se variar a remoto, por várias safras, para garantir a tomada de decisão
vazão da calda para aplicação em taxas variadas, sendo a com base em dados estáveis ao longo do tempo.
mais promissora delas a variação de vazão individualizada Adicionalmente, também é preciso coletar dados de fatores
bico a bico, com ajuste por válvula solenoide ou PWM. de produção, como propriedades do solo e relevo, de forma
Entretanto, para que isso seja possível, o maquinário precisa a explicar a variação na produtividade e direcionar
estar equipado com sensores e sistema de tomada de intervenções específicas. Para tal, dados topográficos e de
decisão em tempo real, o que ainda é um desafio a ser sensores, como o de CEa, têm se destacado.
vencido. Ainda, outra opção é carregar no controlador de
Apesar de ser um conceito antigo e desejado por
taxa variável um mapa de recomendação elaborado em
muitos, a definição das UGDs ainda é complexa. Envolve
escritório, por meio de dados coletados previamente, o que
muito conhecimento técnico para seleção das informações
é dificultado pelo comportamento dinâmico das infestações.
importantes de serem levadas em conta, assim como as
melhores formas de análise dos dados para chegar na
Plantio e semeadura em população variável quantidade e tamanho adequado de UGDs dentro de uma
mesma lavoura.
Para viabilizar o plantio em taxa variável é necessário
obter conhecimento da variabilidade da área via Sistemas de direcionamento de máquinas: um caso
identificação de regiões com diferentes disponibilidades de
à parte
recursos para desenvolvimento da cultura, como textura do
solo ou qualquer outro fator limitante a produtividade. Com Através da utilização de receptores GNSS com
isso, de maneira geral, onde os recursos são escassos, a diferentes formas de correção de sinal é possível atingir
população de plantas almejada é menor, de forma a garantir precisões de posicionamento superiores a 5 cm. Isso
adequadas condições de crescimento às plantas. Por outro permite que as máquinas agrícolas sejam direcionadas
lado, regiões onde os fatores de produção são abundantes o automaticamente, através de um caminhamento pré-
solo pode comportar maior quantidade de plantas, estabelecido. A esta tecnologia se dá o nome de Piloto
aumentando a produtividade final. Porém, tais Automático, sendo talvez a “tecnologia de AP” mais
recomendações ainda não são padronizadas e há
utilizada atualmente.
necessidade de ajuste fino realizado pelo próprio usuário,
com investigação in loco (experimentação na fazenda) Porém, entendemos que esse tipo de tecnologia não
é, em essência, agricultura de precisão, pois nada tem a ver
Unidade de Gestão Diferenciadas
com o gerenciamento da variabilidade dos cultivos; é
As unidades de gestão diferenciadas (UGDs), mais simplesmente um sistema de direcionamento (automação)
conhecidas como zonas de manejo, são sub-regiões de máquinas agrícolas. No entanto, dentro das empresas, o
definidas dentro de uma mesma área. Em essência, cada setor que lida com GNSS e tecnologia embarcada ficou
sub-região (ou UGD) deve apresentar as mesmas convencionalmente conhecido como setor/departamento
características, de forma a permitir um único manejo de AP, sendo que muitas empresas estão buscando estar

4
Introdução à agricultura de Precisão Pusch, M. et al
alinhadas com o “boom” do momento, convertendo o nome Porque adotar a gestão localizada das
desses setores para Agricultura Digital.
lavouras
Independente de todas essas questões, entendemos
O mundo tem uma grande demanda por alimentos,
que o Piloto Automático é uma tecnologia vantajosa, que
os agricultores buscam alcançar um sistema que seja
permite otimizar as operações agrícolas, principalmente em
produtivo com o menor custo. Logo, a gestão agrícola sob
situações de operação com baixa visibilidade, como a
os preceitos da AP garante: aumentos de produtividade e
noturna. Isso melhora o rendimento operacional das
de qualidade dos produtos colhidos, uso racional de
máquinas e reduz o dano as plantas e ao solo pelo
insumos agrícolas e minimização dos impactos ambientais;
deslocamento do maquinário fora da região indicada. É uma
consequente, garante maior rentabilidade da atividade
ferramenta capaz de auxiliar no plantio, nos tratos culturais,
agrícola e com maior sustentabilidade. É uma tendência e
na colheita, ou seja, em todas as operações agrícolas.
acreditamos que em pouco tempo não haverá mais
agricultura convencional, agricultura de precisão, agricultura
digital, entre outros termos. Será apenas a forma adequada
e sustentável de se praticar a exploração agrícola.

Autores: Conheça o GiTAP:

Maiara Pusch, Doutoranda em Engenharia Agrícola.

Thiago Pontes Machado, Graduando em Engenharia


[Link]/gitap
Agrícola.

Lucas Rios do Amaral, Engenheiro Agrônomo,


[Link]/[Link]/
professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da [Link]/in/gitap-feagri-5a9567165/
UNICAMP.
[Link]/channel/UCE3fpO8q9eGN6x9DdcffMdg

Como citar este documento:


Pusch, M.; Machado, T.P.; Amaral, L.R. Introdução a Agricultura de Precisão, 03/2019. Disponível em:<[Link]/gitap>.
Acesso em: DD Mês. AAAA.

Referências:
MOLIN, J.P.; AMARAL, L.R.; COLAÇO, A.F. Agricultura de Precisão. 1 ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2015.

Você também pode gostar