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E - Encol: Senai

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© All Rights Reserved
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co-edição

ago (aro DAL ester] Tecnológica

SENAI
E | encol
e Engenheiro Civil formado pela Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo,
em 1972

e Mestre e doutor em Engenharia Civil pela


Epusp

e Pós-doutorado na Universidade da
Califórnia-Berkeley

e Professor dos cursos de graduação e


pós-graduação da Epusp
e Professor convidado do curso de
pós-graduação da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul e professor de cursos
de especialização no Brasil e Exterior

e Coordena o curso de pós-graduação do


Departamento de Construção Civil da
Epusp
e Preside o Comité Latino-Americano de
Estruturas

e Participa do American Concrete Institute,


da ASTM, da RILEM, da ABNT, do
Ibracon, do COPMAT e outras entidades
de valorização da tecnologia nacional
e Assessora o IPT, Fapesp, UEL e CNPq

e Tem vários artigos publicados em revistas


especializadas nacionais e estrangeiras,
traduziu e publicou dois livros técnicos e
escreveu quatro, também técnicos
Manual de Dosagem
e Controle do Concreto
Paulo Helene / Paulo Terzian

co-edição Projeto de Divulgação Tecnológica

E | JE
encol
Distrito Federal

EI
dada +
e
MANUAL DE DOSAGEM E CONTROLE DO CONCRETO
€ COPYRIGHT EDITORA PINI LTDA.
Todos os direitos de reprodução reservados pela Editora Pini Ltda.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CPI)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Helene, Paulo R.L., 1949-


Manual de dosagem e controle do concreto / Paulo Helene,
Paulo Terzian. -- São Paulo :
Pini; Brasília, DF : SENAI, 1992.

Projeto de divulgação tecnológica Encol, Engenha-


ria, Comércio e Indústria.
Bibliografia.
ISBN 85-7266-007-0 (Pini)

1. Cimento Portland 2. Concreto — Controle de


qualidade — Testes 3. Resistência dos materiais I.
Terzian, Paulo, 1952- II. Título.

92-2718 CDD-620.1350287
Índices para catálogo sistemático:
1. Cimento Portland : Controle e dosagem : Resis-
tência dos materiais 620.1350287
2. Cimento Portland : Dosagem e controle : Resis-
tência dos materiais 620.1350287
3. Concreto de cimento Portland : Controle e dosa-
gem : Resistência dos materiais 620.1350287
4. Concreto de cimento Portland : Dosagem e contro-
le : Resistência dos materiais 620.1350287

Secretaria editorial: Mariza Passos


Produção gráfica: Carlos Mazetti
Revisão: Lúcia Fernandes e Mariza Passos
Editoração eletrônica: Caixa Alta e Baixa — Editora e Artes Gráficas Ltda.
Serviços gráficos e industriais: José P. Silva
Editora Pini Ltda.
Rua Anhaia, 964 - CEP: 01130-900 - São Paulo - SP - Brasil
Fone: (011) 3224-8811 - Fax: (011) 3224-0314
Internet: [Link]
E-mail:livros O [Link]

1 edição, abr/93
Reimpressões: 1.200 exemplares, mai/95
1.000 exemplares, out/98
1.000 exemplares, fev/2001
Prefácio

Qualquer conquista de modernidade econômica terá de passar, necessariamente,


pelo crescimento tecnológico. Nenhum foro de desenvolvimento é mais
apropriado que a união de esforços, conceitos, pesquisas e conhecimentos
práticos e teóricos entre a empresa privada e a universidade.
Nos últimos anos, a integração empresaluniversidade tem resultado benefícios
incontestáveis ao aperfeiçoamento técnico, gerando novas práticas profissionais
que contribuem para a eficiência e a produtividade do mercado industrial.
Como consegiiência, o nível de capacitação dos nossos técnicos tem evoluído
sistematicamente.
O aprimoramento das técnicas em uso, todavia, exige o cumprimento de
estafantes tarefas de identificação de necessidades, ordenação de prioridades,
realização de pesquisas, treinamento, implantação de sistemas, análises de
desempenho, gerenciamento e elaboração de documentos. Daí até a absorção de
conceitos sobre novas tecnologias, decorre tempo e absorvem recursos de toda
sorte.
É óbvio que uma nova descoberta só se conceitua como de utilidade para a
sociedade como um todo a partir do momento em que se transforma em
documento público, procedimento que se denomina “transferência de
tecnologia”.
Todo o ciclo de pesquisas realizadas sobre dosagem e controle de concretos
através do convênio firmado entre a Encol e a USP está contido neste “Manual
de Dosagem e Controle do Concreto”, que transmite ao público técnico o
resultado de um trabalho retratado didaticamente pelos engenheiros Paulo
Helene e Paulo Terzian, há vários anos envolvidos em pesquisas dessa natureza.
Os profissionais especialistas vão encontrar, aqui, tabelas, diagramas e
algoritmos extremamente úteis ao seu labor diário; os professores de Materiais
de Construção terão um pouco de história da tecnologia do concreto no Brasil,
bem como as justificativas teóricas para certas regras consagradas; os
estudantes de Engenharia Civil disporão de um texto que reflete a paixão dos
autores pelo exercício prático de aplicação e os construtores, por fim,
encontrarão um caminho seguro para promover a qualidade do concreto com
benefícios econômicos indiscutíveis.
Felicito os autores pela alta qualidade e inegável responsabilidade contidas
neste trabalho, e aos usuários pela oportunidade que têm de ter em mãos uma
obra de tanta utilidade.
De resto, é gratificante ter tido a iniciativa de apoiar um trabalho dessa natureza.
Este é um dos papéis reservados à empresa — o comprometimento com a modernidade!

Pedro Paulo de Souza


Diretor-Presidente da
Encol S/A Engenharia, Comércio e Indústria
Agradecimentos

Agradecemos a todos que de forma direta e indireta ajudaram para que este
Manual fosse produzido. Em especial à Encol, através dos Diretores e
Engenheiros Pedro Paulo de Souza e Nobol Taya, dos Engenheiros Luiz
Henrique Ceotto e Eurípedes Maximiamo Dias, pelo apoio permanente e
fundamental para o desenvolvimento e realização deste trabalho.
À Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e em especial ao seu
Diretor Prof. Francisco Romeu Landi, eterno orientador e entusiasta das
nossas atividades de pesquisa. Aos colegas do Departamento de Engenharia
de Construção Civil e em especial do Centro de Pesquisas e
Desenvolvimento em Construção Civil, sem os quais seria impossível a
realização dos ensaios, montagem do trabalho e execução de desenhos.
Aos queridos colegas do Laboratório de Concreto do IPT onde iniciamos na
teoria e prática do concreto e aos colegas participantes do projeto ENCOL!
EPUSP.
Considerou-se oportuno incluir neste Manual, em anexo, a relação a nível
nacional dos endereços das regionais da Encol, dos Comitês CB-2 e CB-18
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT; das Faculdades de
Engenharia e dos Professores de Materiais de Construção inscritos no Copmat.
A apresentação destas relações tem por objetivo facilitar a integração entre os
especialistas brasileiros, procurando ampliar e desenvolver a tecnologia do
concreto, como também facilitar a este grupo o acesso de profissionais e
empresas usuárias que, muitas vezes, por falta de informação, não se
beneficiam do conhecimento regional disponível.
Esta relação pode ser ampliada em futura edição, com a inclusão de outros
laboratórios particulares, entidades e profissionais, aos quais antecipadamente
agradecemos o envio dos respectivos dados, correções e sugestões.

Paulo Helene
Paulo Terzian
abril/93
Sumário

Notação e Nomenclatura ui
Introdução 21
Capítulo 1 - Conceitos Básicos 27
1.1 - Qualidade, Controle e Garantia 27
1.2 - Garantia e Controle da Qualidade na Indústria da Construção Civil 30
1.2.1] - Características da indústria da construção civil 30
1.2.2 - As etapas do processo de produção e uso na construção civil 3]
1.2.3 - Os intervenientes no processo 34
1.2.4 - Mecanismos de controle da qualidade 34
1.3 - Garantia da Qualidade das Estruturas de Concreto E
1.4 - A Consideração da Resistência dos Materiais nos Métodos de Introdu-
ção da Segurança no Projeto das Estruturas de Concreto Armado 42
1.5 - Algumas Questões 49
Referências Bibliográficas 51

Capítulo 2 - Evolução dos Métodos de Dosagem 55


2.1 - Histórico Internacional 33
2.2 - A Evolução no Brasil 63
2.3 - A Consideração da Dosagem nas Normas Nacionais 68
2.4 - Objetivo e Metodologia Geral de Dosagem 73
2.5 - Cálculo da Resistência de Dosagem 80
2.5.1 - Fatores intervenientes 80
2.5.2 - Variabilidade típica da resistência dos concretos 86
2.6 - Algumas Questões 93
Referências Bibliográficas 94

Capítulo 3 - Resistência à Compressão do Concreto 101


3.1 - Importância e Significado da Resistência à Compressão do Concreto 101
3.1.1] - Algumas questões 106
3.2 - Definição da Qualidade a ser Atendida 107
3.2.1 - Algumas questões 108
3.3 - Definição dos Métodos de Medição no
3.3.1 - Algumas questões 111
3.4 - Explicitação dos Fatores que Influem na Resistência 112
3.4.1 - Algumas questões 114
3.5 - Evolução da Resistência à Compressão com a Idade 114
3.5.1 - Algumas questões 127
3.6 - Resistência à Compressão em Função da Relação Água/Cimento 128
3.6.1 - Algumas questões 132
3.7 - Quantificação dos Fatores que Influem na Resistência 134
3.7.1 - Algumas questões 145
3.8 - Definição do Lote a Julgar 147
3.8.1 - Algumas questões 151
3.9 - O Procedimento de Retirada dos Exemplares 152
3.9.1 - Algumas questões 153
3.10 - O Tamanho e a Forma de Constituição da Amostra 153
3.10.1 - Algumas questões 155
3.11 - A Fregiiência de Constatação da Qualidade 156
3.11.1 - Algumas questões 157
Referências Bibliográficas 159

Capítulo 4 - Controle de Produção do Concreto 165


4.1 - Introdução 165
4.2 - Carta de Valores Individuais 166
4.3 - Carta do Desvio-Padrão 167
4.4 - Carta do Coeficiente de Variação das Operações de Ensaio e
Controle 170
4.5 - Concreto Produzido em Central 172
4.6 - Algumas Questões 174
Referências Bibliográficas 185

Capítulo 5 - Controle de Aceitação do Concreto 189


5.1 - Introdução 189
5.2 - A Fórmula Matemática que a Partir dos Resultados Obtidos Estima o
Valor Característico 190
5.2.1 - Algumas questões 199
5.3 - Como Alterar o Risco de Rejeição de um Concreto 208
5.4 - A Influência das Operações de Ensaio e Controle 214
5.5 - Algumas Questões Zi
Referências Bibliográficas 221

Capítulo 6 - Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais 235


6.1 - Introdução 225
6.2 - Caracterização dos Materiais 226
6.21 Cimento 226
6.2.2 - Agregados miúdos 226
6.2.3 - Agregados graúdos 229
6.24 - Aditivo 231
6.3 - Estudo Teórico 2a
6.3.1 - Conceitos fundamentais 232
6.3.2 - Informações básicas 234
6.3.3 - Cálculo da resistência de dosagem 23)
6.3.4 - Cálculo da relação água/cimento Ze
6.3.5 - Resumo das características básicas para o estudo de dosagem 242
6.4 - Estudo Experimental 242
6.4.1 - Determinação do teor ideal de argamassa para o traço 1:5,0 242
6.4.2 - Obtenção dos traços auxiliares 260
6.4.3 - Obtenção de traço especial muito rico e muito pobre 262
6.4.4 - Determinação da correlação entre consumo de
cimento e traço 262
6.5 - Traço Definitivo 264
6.5.1 - Diagrama de dosagem 264
6.5.2 - Parâmetros do traço definitivo 266
6.5.3 - Correção do traço 267
6.5.4 - Traço definitivo em massa e o custo para produzir 1 m” de
concreto 268
6.5.5 - Traço em volume para a produção do concreto em betoneira
de até 580 litros 268
6.5.6 - Tabelas complementares 268
6.6 - Recomendações para a Avaliação Técnico-Econômica de Aditivos 274
6.6.1 - Identificação dos materiais 274
6.6.2 - Conceito 274
6.6.3 - Análise experimental — traço da obra 213
6.6.4 - Critério 235
6.7 - Exemplo de Dosagem de Concreto 276
6.7.1 - Exigências do projeto estrutural 270
6.7.2 - Informações da obra 277
6.7.3 - Sequência para a solução do problema 24)
6.7.4 - Solução: RA
a) Definir as características básicas para o estudo de dosagem 271
b) Determinar o teor ideal de argamassa na mistura 280
c) Realizar três misturas experimentais com os traços 1:3,5;
1:5,0 e 1:6,5 280
d) Diagrama de dosagem 285
e) Traço definitivo 285
f) Correção do traço 287
g) Tabelas complementares 288
6.7.5 - Estudo comparativo de dosagem de duas famílias de concreto 294
Referências Bibliográficas 299

Capítulo 7 - Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais 303


7.1 - Conceitos 303
7.2 - Identificação de Lotes 305
7.3 - Identificação das Amostras 306
7.4 - Cálculo da Resistência Característica do Concreto à Compressão 308
7.5 - Avaliação das Operações de Ensaio 309
7.6 - Correção da Resistência de Dosagem 311
7.7 - Recomendação Alternativa à NBR 6118/78 e NBR 12655 para
Controle do Concreto 312
Anexo A - Orientação para a Montagem de Laboratório de Controle de
Concretos Estruturais 317
Anexo B - Lista com Endereços das Regionais da Encol/Construtoras 320
Anexo C - Cobracon - Comitê Brasileiro da Construção Civil - CB 2 323
Anexo D - Comitê Brasileiro do Cimento, Concreto e Agregados - CB 18 324
Anexo E - Faculdades de Engenharia 325
Anexo F - Professores de Materiais de Construção 333
Notação e Nomenclatura

Letras maiúsculas
AF — cimento Portland de alto-forno, também denominado CP III, nas classes 25,
32 e 40, conforme EB 208/91 (NBR 5735)
CP — cimento Portland comum, também denominado CP Ie CPI-S, nas classes 25,
32 e 40, conforme EB 1/91 (NBR 5732). Para fins de dosagem do concreto
com base exclusivamente na resistência à compressão, pode-se considerar
como equivalente ao cimento Portland composto, denominado CP TI-E, CP II-
Z e CP II-F, nas classes 25, 32 e 40, conforme EB 2138/91 (NBR 11578)
— cimento Portland pozolânico, também denominado CP IV, nas classes 25 e 32,
"”y
O
N

conforme EB 758/91 (NBR 5736)


— volume de água necessário à obtenção da consistência desejada para o
>

concreto fresco
— volume de água inicial, empregado na mistura experimental
>>

— amplitude, em MPa: corresponde à diferença entre o maior e o menor resultado


dos ensaios de compressão axial de dois corpos-de-prova irmãos
— erro associado às operações de ensaio, em MPa
> o

— volume absoluto de cimento por unidade de volume de argamassa


A

abs
— volume aparente de cimento
O

— ações de cálculo
— ações características
TH

— volume de água por unidade de volume de concreto ou argamassa


— constante
A

— volume absoluto de agregado miúdo por unidade de volume de argamassa


<

— resistência do concreto à compressão a 28 dias (notação imprecisa empregada nas


ao

normas de cálculo e execução de obras de concreto armado — NB-1 até 1959)


— solicitação resistente característica
ra

— solicitação resistente última


a

— solicitação atuante de cálculo


a

— solicitação atuante característica


tw
=
16 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

b) Letras minúsculas
a/c relação água/cimento, em massa
resistência à compressão do cimento a j dias de idade, obtida em argamassa normal
SR

resistência à compressão do cimento a 28 dias


aa

to
0

resistência média à compressão do cimento


mc PR)

— resistência à compressão média do cimento a 28 dias


resistência à compressão do concreto obtida de um corpo-de-prova
resistência à compressão do concreto a j dias de idade
resistência característica do concreto à compressão especificada no projeto
estrutural
resistência característica do concreto à compressão a j dias de idade
resistência característica estimada do concreto à compressão a j dias de idade
— resistência característica efetiva ou real do concreto à compressão a j dias de
idade
— resistência característica do concreto à compressão a 28 dias de idade
resistência média à compressão do concreto
to

m
— resistência média à compressão do concreto a 28 dias de idade
Pta

cm28
valor de cálculo da resistência dos materiais
ep pads

valor característico da resistência dos materiais


abatimento, em mm, do tronco de cone de Abrams
abatimento, em mm, do tronco de cone de Abrams, referido à mistura inicial
constante
número de exemplares considerados para o cálculo de um determinado
parâmetro estatístico (m <n)
normalmente empregado para designar o número de exemplares de uma
=

amostra
número de: corpos-de-prova, geralmente correspondente a uma mesma
amassada (mesmo exemplar)
desvio-padrão das resistências dos materiais decorrentes de um dado processo
de produção e ensaio
desvio-padrão dos resultados de resistência à compressão do concreto, obtido
a partir dos exemplares de uma amostra
desvio-padrão dos resultados de resistência à compressão dos cimentos
desvio-padrão da resistência à compressão do concreto, adotado para fins de
obtenção da resistência de dosagem
desvio-padrão obtido a partir de resultados de resistência à compressão dos
exemplares de uma amostra, correspondente às operações de ensaio e controle
tempo
coeficiente de variação da resistência à compressão do concreto
coeficiente de variação da resistência à compressão do cimento
coeficiente de variação de um processo de produção e ensaio de concreto
obtido a partir dos resultados de resistência à compressão dos exemplares de
uma amostra
Notação e Nomenclatura - 17

coeficiente de variação de um processo de produção e ensaio de concreto,


referido à resistência à compressão, adotado para fins de dosagem
coeficiente de variação das operações de ensaio e controle obtido a partir dos
resultados de resistência à compressão dos exemplares de uma amostra
grau de hidratação do cimento, em porcentagem, à idade de j dias
grau de hidratação do cimento, em porcentagem, a 28 dias de idade
valores da normal reduzida

Letras gregas
coeficiente de variação da população
coeficiente de minoração da resistência à compressão do concreto
<=
o

coeficiente de segurança interno


coeficiente de segurança (ou de majoração das ações)
="
aqaaade<=<=a=s

coeficiente de minoração da resistência dos materiais


3

massa específica do concreto fresco adensado


coeficiente de segurança externo
média da população
desvio-padrão da população
desvio-padrão da população, referido ao cimento
Q
O

desvio-padrão da população, referido ao concreto


o

c28
tensão média de ruptura do concreto à compressão obtida a 28 dias de idade
(NB-1/1960 da ABNT, notação imprecisa)
desvio-padrão da resistência à compressão do concreto, referido à população
a

c28
a 28 dias de idade
tensão mínima de ruptura do concreto à compressão (NB-1/1960 da ABNT,
Q

notação imprecisa)
, €

EA o
l

DA
|

NERO ZA RA CAEND
Introdução - 21

A resistência à compressão dos concretos tem sido tradicionalmente utilizada como


parâmetro principal de dosagem e controle da qualidade dos concretos destinados
a obras correntes. Isso se deve, por um lado, à relativa simplicidade do procedimen-
to de moldagem dos corpos-de-prova e do ensaio de compressão axial, e, por outro,
ao fato de a resistência à compressão ser um parâmetro sensível às alterações de
composição da mistura permitindo inferir modificações em outras propriedades do
concreto.
No Brasil, os critérios para obtenção da resistência de dosagem e para controle da
resistência característica foram sempre especificados nos textos das normas de
projeto e execução de obras de concreto armado, desde a publicação do primeiro
texto de âmbito nacional, em 1931. Enquanto em outros países — por exemplo nos
Estados Unidos — a dosagem? e o controle? dos concretos têm normas específicas
que tratam do assunto em profundidade, no Brasil — do ponto de vista normativo —
esse tema foi abordado apenas sob alguns aspectos.
A inexistência de um consenso nacional sobre os procedimentos e parâmetros de
dosagem levou vários pesquisadores a propor seus métodos de dosagem — logo
confundidos com uma recomendação da Instituição para a qual trabalhavam, ou pela
qual foram publicados seus trabalhos.
Assim ocorreu com o método de dosagem IPT-Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo, proposto por Ary Frederico Torres em 1927; com o método
INT-Instituto Nacional de Tecnologia (RJ), proposto por Lobo Careiro; com o
método do Iters-Instituto Tecnológico do Estado do Rio Grande do Sul, proposto
por Eládio Petrucci; com o método proposto por Caldas Branco; com o método da
ABCP-Associação Brasileira de Cimento Portland, proposto por Ary Torres e
Carlos Rosman, e outros vários pesquisadores que empregavam adaptações dos
métodos estrangeiros tais como método Vallete, método Bolomey, método de
Fuller, do módulo de finura e outros.
Apesar dos métodos de dosagem diferirem entre si, certas atividades são comuns a
todos, como por exemplo o cálculo da resistência de dosagem, a correlação da
resistência à compressão com a relação água/cimento para determinado tipo e classe
de cimento, a evolução do crescimento da resistência com o tempo, o consumo de
22 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

água por unidade de volume para obtenção da trabalhabilidade requerida, certos


ajustes experimentais em laboratório e as correções em obra. A fragmentação dos
métodos nacionais de dosagem impediu até o presente que os aspectos comuns
pudessem ser aprofundados e uniformizados.
Neste Manual discute-se e são apresentadas alterações ao cálculo da resistência de
dosagem a partir da forma como está especificado na NBR 6118 — Projeto e
Execução de Obras de Concreto Armado (NB-1/78). Propõe-se a eliminação do
coeficiente k de majoração do desvio-padrão de dosagem, substituindo-o pela livre
escolha — a critério do produtor — da probabilidade de aceitação do concreto por ele
produzido. Com base em levantamento nacional efetuado junto à maioria dos
laboratórios dedicados à dosagem e controle dos concretos propõe-se, também, a
alteração dos valores subjetivos de variabilidade da resistência à compressão dos
concretos destinados a obras correntes. As alterações propostas podem ser aparen-
temente contra a segurança, porém retratam a evolução havida nos últimos anos nos
processos de produção dos concretos sendo francamente a favor da economia —
requisito fundamental de uma engenharia moderna e consciente.
A partir de exaustivo levantamento através do qual foi obtida de todas as fábricas
instaladas no território nacional uma amostra de cada tipo e classe dos cimentos por
elas produzidos, apresenta-se e discute-se a conveniência e a representatividade de
curvas médias de referência da resistência de cada tipo e classe de cimento. Essas
curvas são úteis nos estudos de dosagem dos concretos permitindo avaliar, com
maior precisão, a resistência média do concreto que a avaliação obtida através do
emprego de uma única amostra de cimento. Com as curvas médias referenciais de
evolução da resistência com o tempo, é possível avaliar o crescimento relativo da
resistência dos concretos — conhecida a sua relação água/cimento — de grande
utilidade nos processos de desforma precoce, pré-moldados, fabricação de artefatos
e outros.
Do ponto de vista do controle da resistência à compressão do concreto, são
apresentados e discutidos neste Manual os fatores que influenciam a variabilidade
da resistência. Através de dedução teórica tomando-se como referência o modelo de
Abrams, obtém-se uma equação que explicita os fatores intervenientes permitindo
inclusive avaliar a influência relativa de cada um na variabilidade total do concreto.
Esse modelo é comprovado experimentalmente através de análise de resultados de
ensaios mensais extraídos de arquivo do IPT num período de 17 anos. A influência
da variabilidade da resistência do cimento — tema atual e objeto da normalização
brasileira com vistas à viabilização e resgate da imagem da marca ABNT de
conformidade — na variabilidade da resistência de diferentes concretos também fica
estabelecida.
Inicialmente apresentam-se os conceitos básicos de entendimento da questão a
partir de uma visão ampla e sistêmica que tem a qualidade da construção como
núcleo central. A seguir apresenta-se o histórico da evolução dos métodos de
dosagem e dos procedimentos de controle da qualidade do concreto — no exterior e
no Brasil —, conceituando-se as etapas e as atividades a serem percorridas num
Introdução - 23

estudo de dosagem e controle dos concretos. Posteriormente descreve-se as inves-


tigações experimentais efetuadas com as considerações teóricas correspondentes.
Ao final apresentam-se dois roteiros práticos e objetivos para dosagem e controle
da resistência à compressão dos concretos de cimento Portland.
Ressalta-se que a metodologia descrita neste Manual foi desenvolvida a partir de
convênio de pesquisa entre a Encol e a Epusp, dando origem ao Programa de
Qualidade das Estruturas de Concreto Armado da Encol.
Esse Programa, que é mais amplo que os procedimentos mostrados neste' Manual,
contemplou os seguintes aspectos:

1 - Aperfeiçoamento dos critérios e premissas de detalhamento do projeto e


dimensionamento da estrutura principalmente com relação aos aspectos de
durabilidade. Este trabalho contou com a coordenação da Encol e envolveu em
reuniões de discussões técnicas todos os profissionais calculistas parceiros da
empresa.
2 - Aperfeiçoamento do sistema de fôrmas através da contribuição de profissional
parceiro da Encol.

3 -Racionalização do sistema construtivo ocorrida a partir da contribuição da


Epusp e dos profissionais parceiros da Encol.

4 Estabelecimento de critérios e especificações técnicas para compra/recebimen-


to e armazenamento de materiais para a produção de estruturas de concreto
armado.

5 Implantação de laboratórios de campo e laboratórios centrais de Regional da


Encol para autocontrole da qualidade.

6 - Treinamento de técnicos de laboratório.

7 -Treinamento de engenheiros residentes e de engenheiros especialistas em


concreto responsáveis pela qualidade da execução das estruturas de concreto
armado de cada Regional da Encol.

8 - Estabelecimento de critérios para escolha e instalação de equipamentos para


produção de concreto.

9 -Elaboração e treinamento de engenheiros especialistas da Encol para dosagem


e controle da qualidade dos concretos.

10 - Preparação de material audiovisual e vídeos para orientação do projeto,


execução e controle da qualidade de estruturas de concreto armado.

Evidentemente para elaboração desses procedimentos e treinamento de pessoal


algumas pesquisas foram e estão sendo necessárias, tais como: dosagem com
agregados não convencionais como, por exemplo, metassedimento da região de
Manaus e Cuiabá; melhor procedimento de cura; obtenção de concretos de alta
24 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

resistência; dosagem de concretos especiais com aditivos fluidificantes, procedi-


mentos para análise de estrutura acabada; procedimentos de reparos e reforços
estruturais e outras.
Trata-se de um Programa amplo e iterativo no qual certos procedimentos estabele-
cidos “a priori” precisam ser aperfeiçoados em função das necessidades de canteiro.
Felizmente essa interação Epusp/Encol tem acontecido intensamente e no final dos
três primeiros anos de convênio e trabalho comum o Programa já apresentava alguns
dados significativos, a saber:
- volume anual de concreto 89/91: 313.000 m*/ano;
- custo unitário do concreto (previsto): US$ 100 mº; e
- custo anual (dólar oficial): 31.300.000,00.
Com base nesses dados e após um ano de efetiva implantação do Programa, foi
possível obter uma redução no consumo de cimento correspondente a US$ 1.500.000/
ano (redução média de 30 kg de cimento por metro cúbico) e US$ 450.000/ano em
equipamentos e ensaios de laboratório. Esses valores acumulados representaram o
equivalente a 20.000 mº de concreto economizados, comparativamente aos valores
médios que vinham sendo praticados anteriormente na empresa. Deve-se acrescen-
tar a esses resultados uma significativa melhoria da durabilidade (qualidade imedi-
ata e a longo prazo) das estruturas de concreto armado cujo valor econômico
indiscutível não está considerado.
Os procedimentos práticos e as justificativas teóricas a seguir apresentados neste
Manual representam, portanto, uma parcela importante desse Programa que já
passou nos testes de aplicabilidade prática na maior construtora de edificações do
País.

Referências Bibliográficas
(1) ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CONCRETO. Regulamento para as Construções em Concreto
Armado. Cimento Armado, v.13, n.13, p.7-21, jul., 1931.

(2) AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. Standard Practice for Selecting Proportions for Normal,
Heavyweight, and Mass Concrete; ACI 211. In:. ACI Manual of Concrete Practice.
Detroit, 1990. v.1.

(3) . Recommended Practice for Evaluation of Compression Test Results of Field


Concrete; ACI 214. In: |. ACI Manual of Concrete Practice. Detroit, 1990. v.1.
ZA ;
ai pe Ses ESTADO
Conceitos Básicos - 27

1.1 Qualidade, Controle e Garantia


“Qualidade é adequação ao uso” — essa é a definição clássica de qualidade
explicitada por Dr. J. M. Juran'?, renomado pesquisador americano. Duas outras
autoridades no assunto, Dr. W. Edwards Deming? (americano) e Dr. Kaoru
Ishikawa? (japonês) consideram que “qualidade é conformidade aos requisitos” e
“qualidade são as características do produto ou serviço que satisfazem às necessi-
dades do usuário e geram satisfação”.
Esses pesquisadores são considerados os mais importantes formuladores dos con-
ceitos e metodologias de controle e garantia da qualidade dos tempos modernos.
Suas teorias, no entanto, foram desenvolvidas essencialmente para a indústria
mecânica e eletroeletrônica de produtos seriados.
À aceitação e o entendimento do significado de qualidade têm evoluído nos últimos
tempos como se pode ver através da correspondência auto-explicativa apresentada
na Figura 1.1.

Conceito de Qualidade Anos

Um luxo 50 - 60
Uma despesa 60 - 70
Um argumento de venda 70 - 80
Uma fonte de lucro 80 - 90
Uma questão de sobrevivência 90

Figura 1.1 — Evolução do conceito de qualidade

Na indústria da construção civil, “adequação ao uso” pode ser entendida como:


* ter resistência estrutural adequada
* ser funcional
* possuir as condições ideais de habitabilidade
* ter vida útil elevada (ser durável)
28 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

* possuir baixo custo de operação e manutenção


* ter o preço acessível
O processo de produção na construção civil pode ser decomposto em quatro grandes
etapas: a de planejamento; a de projeto; a de fabricação de materiais e componentes
fora do canteiro de obras e a de execução propriamente dita. Após terminada a obra
segue-se a etapa de uso, que contempla as atividades de operação e manutenção.
As quatro primeiras etapas têm duração máxima da ordem de dois anos, enquanto
a etapa final de uso é de longa duração, pelo menos mais de 30 anos.
O nível de satisfação do usuário e de desempenho do edifício depende muito da
qualidade das quatro primeiras etapas, em especial das etapas de planejamento e
projeto. O desempenho apresentado no final da construção só é mantido quando
asseguradas uma operação e manutenção adequadas do edifício durante a fase de uso.
Toda atividade humana na qual, a partir de certas matérias-primas e através de certo
processo, se obtenha um produto final, é suscetível de ser controlada. Dessa forma, cabe
falar de um sistema de garantia da qualidade de todas as etapas da construção, desde
o planejamento, passando pelo projeto, pela fabricação de materiais e componentes,
pela execução e até mesmo pela fase de uso do edifício. Não só os produtos, mas
também os processos e os serviços são passíveis de serem controlados.
Um sistema de garantia da qualidade envolve todas as atividades relacionadas com
a obtenção e uso do produto final devendo contemplar, no mínimo, os aspectos
indicados na Figura 1.2.

Atua Atua
sobre os sobre os
custos prazos

Controle Controle do
financeiro andamento
físico
Garantia
da
qualidade
Controle
da
qualidade

Atua sobre
os aspectos
técnicos

Figura 1.2 — O sistema de garantia da qualidade deve atuar sobre todos os aspectos que
interferem na qualidade final
Conceitos Básicos - 29

Essa visão mais global da qualidade que pode interferir favoravelmente nos custos,
na medida em que conduz ao maior domínio e conhecimento dos produtos, do
processo e dos serviços, é uma visão atual. Cristalizou-se a partir da bem-sucedida
experiência japonesa que preferiu investir para obter retorno a médio e longo prazo
em substituição ao lucro imediato.
Essa visão se presta bem à construção civil, pois o custo total que inclui o custo
inicial e o custo de operação e manutenção pode ser minimizado sempre que a
qualidade predominar.
Na montagem de um sistema de garantia da qualidade, três ações merecem atenção
especial:
a) Definição da qualidade
A qualidade deve ser claramente definida em todos os seus aspectos, utilizando-
se parâmetros técnicos mensuráveis. A qualidade, em engenharia, deve ser
objetiva e não subjetiva. Deve ser dada preferência a parâmetros e características
quantitativas em substituição às características qualitativas. A qualidade deve
estar explicitada em procedimentos de projeto, de qualificação e seleção de
materiais, de execução, de operação e de manutenção.
b) Treinamento e motivação das equipes
Na construção civil essa é uma atividade permanente. Exige a conscientização
de todo o corpo técnico, sua motivação contínua através da divulgação de
resultados positivos e/ou negativos e o treinamento das equipes operacionais. Há
necessidade da criação de novos cargos e qualificação da mão-de-obra.
c) Gestão do sistema
Há necessidade de domínio das técnicas gerenciais adequadas à administração de
um elevado conjunto de atividades. Em síntese, todos são responsáveis pela
qualidade; há necessidade de motivá-los, treiná-los e gerir eficientemente o
sistema, sem o que o resultado final não será totalmente alcançado.
De uma forma simplificada, pode-se dizer:
“Qualidade” é o produto, o processo ou o serviço estar adequado a uma
finalidade. Deve satisfazer ao usuário.
“Controle” é o conjunto de atividades técnicas e planejadas, através das quais
se pode alcançar uma meta e assegurar um nível predeterminado
de qualidade. Controla-se uma qualidade.
“Garantia” é o conjunto de atividades planejadas, que levando em conta os
fatores técnicos e humanos, se implementam através de sistemáti-
cas de treinamento, motivação e controle de todas as etapas do
processo. Assemelha-se ao conceito de controle total da qualidade.
“Padrão ou nível” está associado à definição de uma qualidade. O produto,
processo ou serviço pode atender à mesma função através de
padrões distintos. Como exemplo, um fusca e um Mercedes
atendem à mesma função transporte com padrões ou níveis
30 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

distintos, porém, ambos têm qualidade. Um piso cimentado ou de


granito pode atender à mesma finalidade com padrões distintos,
porém ambos devem ter a mesma qualidade expressa por planeza,
caimento, ausência de fissuras etc.

1.2 Garantia e Controle da Qualidade na Indústria da Construção


Civil
1.2.1 Características da indústria da construção civil

A indústria da construção civil é uma das mais importantes, qualquer que seja o
parâmetro que se utilize: volume de inversão, capital circulante, número de pessoas
empregadas, utilidade dos produtos e outros.
Apesar disso, do ponto de vista da qualidade e com todas as exceções que se façam,
a construção em geral aparece como uma indústria atrasada!”.
Tem-se constatado, por exemplo, que o desempenho das edificações construídas no
Brasil tem deixado a desejar. Observa-se com fregiiência a deterioração precoce das
moradias e das áreas comuns dos conjuntos habitacionais com ônus aos usuários,
construtores e poder público. Em recente estudo da incidência de manifestações
patológicas ocorridas em conjuntos habitacionais construídos no Estado de São
Paulo? foram constatados, em média, mais de quatro problemas por unidade,
principalmente fissuras, umidade ascensional e descolamentos de revestimentos. Da
mesma forma, após exaustivo exame e avaliação de 11 novos sistemas construtivos
destinados à habitação popular, o IPT comprovou que nenhum deles atendia
simultaneamente a todos os requisitos e critérios de desempenho estabelecidos para
unidades habitacionais localizadas na Grande São Paulo”, apesar que, com algumas
modificações de projeto, dez deles poderiam atender ao desempenho mínimo
desejável.
As razões dessas deficiências são várias e parte delas pode seguramente ser
imputada à ausência de um Programa de Garantia e Controle da Qualidade do
processo de produção e uso do edifício, instrumento de há muito conhecido e
utilizado pelas indústrias de outros setores da economia.
A Epusp e o IPT, desde sua fundação há quase 100 anos, vêm contribuindo para a
melhoria da qualidade na construção civil, na medida em que, já naquela época,
permitia o ensaio e a verificação das propriedades dos materiais, qualificando-os.
No entanto, o controle da qualidade na indústria da construção civil não deve ficar
restrito, nem ser confundido apenas com a realização de alguns ensaios em materiais
e componentes. Esse simplismo contrasta fortemente com o conceito atual e mais
elaborado de garantia e controle da qualidade, que engloba todas as atividades e
etapas do processo de produção e uso das edificações e que incorpora técnicas de
estatística conhecidas há muito tempo e empregadas em outras indústrias.
O que acontece com a indústria da construção civil é que ela tem características
próprias que a tornam menos ágil que as demais indústrias, na aquisição e
aproveitamento das técnicas de garantia e controle da qualidade. Podem-se fazer
Conceitos Básicos - 31

as seguintes reflexões de caráter comparativo que ajudam a melhor entender o atraso


da construção civil”:
a) trata-se de uma indústria muito tradicional, tão antiga como o homem, dotada,
portanto, de uma grande inércia;
b) trata-se de uma indústria itinerante, de caráter nômade, na qual a constância de
condições, matérias-primas e processos se dão com mais dificuldades que em
outras indústrias de caráter fixo;
c) trata-se de uma indústria essencialmente de produção de produtos únicos e não
de produtos seriados;
d) trata-se de uma indústria à qual não é aplicável a produção em cadeia (produtos
móveis passando por operários fixos) e sim a produção concentrada
(operários móveis atuando sobre um produto fixo);
e) trata-se de uma indústria que emprega mão-de-obra de caráter temporário com
possibilidades pequenas de promoção dentro da empresa. Isso repercute numa
baixa motivação para o trabalho e, consegiientemente, numa diminuição da
qualidade do produto;
f) apresenta uma grande dispersão e diversidade da produção, caracterizada por
realizar-se em locais distintos — fábricas, escritórios de planejamento e projetos
e canteiros de obras — e por gerar, através de vários processos, diferentes
produtos como materiais, projetos, edifícios, infra-estrutura urbana etc.
Essas características próprias da indústria da construção, aliadas a uma normaliza-
ção e legislação deficientes, à acomodação do setor produtivo e das instituições
públicas e à falta de organização dos usuários que nem sempre conseguem
reivindicar “produtos” de melhor desempenho, vêm retardando a incorporação e
implantação de Programas de Garantia e Controle da Qualidade na maioria das
obras de construção civil do país.
Enquanto por razões óbvias já existe e é aceita uma sistemática complexa de
controle, avaliação, análise e previsão do andamento físico da obra, representada
por cronograma de barras e teorias de caminho crítico (PERT/CPM), há grande
resistência para incorporar uma sistemática — na maioria das vezes até menos
complexa — de controle da qualidade. Também no campo financeiro e de gerenci-
amento das obras aceita-se perfeitamente teorias complexas de controle de fluxo de
caixa, amortizações e manutenção de equipamentos, enquanto parece haver
dificuldades para simples identificações de lotes e amostragens de materiais a serem
controlados.

1.2.2 As etapas do processo de produção e uso na construção civil


O processo de produção na construção pode ser decomposto em quatro etapas de curta
duração relativa: a de planejamento, a de projeto, a de fabricação de materiais e
componentes e a de execução, conforme indicado na Figura 1.37, Após a produção
propriamente dita segue-se uma etapa final de longa duração, denominada uso, onde
estão envolvidas as atividades de operação e manutenção dos produtos gerados.
32 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Usuário

edi: “my
to

os O.6
8 É
ns | as
EIS
O

ú& »|º
Fabricante
Materiais e Componentes

Figura 1.3 — Etapas do processo de produção e uso na construção civil

O nível de desempenho e satisfação proporcionado pela construção aos usuários vai


depender em muito da qualidade obtida nas quatro etapas de produção do empreendi-
mento, assim como dos serviços de operação e manutenção, durante o uso (vide fotos
1.1, 12% 1.3).

Foto 1.1 — Fissura vertical em canto de paredes de alvenaria de blocos por ausência ou
insuficiência de amarração - a origem do problema em geral se encontra na etapa de projeto
(detalhamento inadequado)
ÁSICOS - 33
Conceitos B

zação dos
ci ên ci a de impermeabili ção
po r au sê ncia ou in su
fi
ap a de e x e cução ( execu
de água ra R a et
ensão capilar ral se encont
Foto 1.2 — Asc o b l e m a em 8€
- &or igem do pr
baldrames
inadequada)

igem
de te lh ad os € calhas - a or
através partes da
em pa re de s de fachada aç ão e m a n utenção das
ltração de ág
ua quada oper
Foto 1 3- Infi na et ap a de uso ( inade
Se encontra
do problema
edificação)
34 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

| Bélgica Grá- República | Dinamarca | Romênia


| Etapa o Bretanha | Fed. Alemã o na
Projeto 46 a 49% 49% 37% 36% 37%
Mat./Comp. 15% 11% 14% 25% 22%
Execução 22% 29% 30% 22% 19%
Uso 8 a 9% 10% 11% | 9% 11%
Figura 1.4 — Origem dos problemas patológicos

A título ilustrativo apresenta-se na Figura 1.4 a incidência da origem dos problemas


patológicos observados nas construções civis de alguns países europeus”. Como se
pode verificar, a origem dos problemas está distribuída nas diversas etapas do
processo de produção e uso das edificações. Em cada etapa do processo, o controle
da qualidade deverá ter uma meta específica a fim de obter um resultado final que
satisfaça às exigências do usuário, conforme indicado na Figura 1.59.

á Atender às normas gerais de desempenho, código de


Planejamento ( obras, regulamentos.
Projeto Atender às normas específicas de desempenho, às nor-
Controle mas e documentos prescritos.

da Materiais ( Produzir e receber de acordo com o especificado.

Qualidade Execução ( Atender ao projetado e ao especificado.

Uso Assegurar a adequada utilização e manutenção do pro-


duto.

Figura 1.5 —- Metas do controle da qualidade a serem atingidas em cada etapa do processo

1.2.3 Os intervenientes no processo


Para a implantação de um Programa de Garantia e Controle da Qualidade é
necessário que seja feito um exercício no sentido de identificar todos os intervenientes
no processo de produção e uso da construção, procurando-se avaliar qual a
importância de cada um. Todos influirão na qualidade final e terão maior ou menor
participação na sistemática de controle da qualidade segundo a atividade que esteja
sendo realizada num determinado instante.
A Figura 1.6 relaciona os principais intervenientes e através da sua análise pode-se
observar uma vez mais que o problema da qualidade na construção civil é complexo
e inclui aspectos técnicos, legais, institucionais e políticos.

1.2.4 Mecanismos de controle da qualidade


A organização e a implementação do controle da qualidade na construção civil
devem envolver um mecanismo duplo de ação: o controle de produção e o controle
de recebimento.
Conceitos Básicos - 35

O controle de produção é exercido por quem gera produtos em uma das etapas do
processo: planejamento, projeto, fabricação e execução. Trata-se de um controle
interno, dentro do qual cabe ainda distinguir o chamado autocontrole, que é
exercido automaticamente pelos envolvidos na produção, do controle independente,

Intervenientes Papel no Processo Interferência na Qualidade

Agente Financeiro Fomece recursos financeiros para | Define os níveis de desempenho a


viabilizar o empreendimento atender
Promotor Toma a decisão de construir e faz o | Define os níveis de desempenho
planejamento do empreendimento | desejados
Projetista Projeta, especifica e calcula Define o desempenho potencial e as
qualidades específicas
Fabricante Fabrica materiais, componentes e | Responde pela qualidade dos materi-
equipamentos ais, componentes e equipamentos
Laboratórios de Ensaia materiais, componentes, Comprova a conformidade
Ensaio elementos, sistemas e equipamen- | Avalia o desempenho
tos
Construtor Executa as obras Responde pela qualidade dos serviços
e do produto final]
Empresas de Gerencia partes do empreendimen- Controla a qualidade
Organização e to e projeta e executa planos de
Controle controle
Associações Produz normas preferencialmente | Define a qualidade de forma geral
Normativas por consenso entre consumidores e | Certifica a conformidade
produtores
Proprietário Toma a decisão de construir e Influi na qualidade através da forma
contrata os serviços de contratação
Promove a manutenção do produto Mantém o desempenho ao longo do
final tempo
Universidades e Forma profissionais Desenvolve metodologias de controle
Institutos de Pesquisa Desenvolve novos conhecimentos e fornece assistência tecnológica ao
e novas tecnologias processo de produção
Difunde informações tecnológicas Gera documentação técnica de
referência
Estado Estabelece a legislação pertinente | Define a qualidade de forma geral
Aprova projetos
Pune a falta de qualidade
Associações Ordena o exercício e a responsabi- | Identifica os responsáveis pela
Profissionais lidade dos profissionais qualidade das partes
Usuário Desfruta e opera o produto final Explicita necessidades
Sofre as consegiiências da má
qualidade

Figura 1.6 — Principais intervenientes no processo de produção e uso na construção civil


36 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

ainda que interno, exercido pelo pessoal da mesma empresa, porém, alheio à
produção propriamente dita. Esse controle interno independente é muito comum nas
grandes empresas, tais como siderúrgicas e montadoras de automóveis. Algumas
construtoras já adotam equipes de controle interno da qualidade, independentes
daquelas que estão engajadas na produção propriamente dita.
O controle de recebimento, por outro lado, é exercido por quem fiscaliza e aceita os
produtos e os serviços executados nas várias etapas do processo, ou seja, pelo
promotor, pelo proprietário ou seus prepostos.
Trata-se de exercer um controle no instante da passagem de uma atividade a outra
ou de uma etapa a outra, onde geralmente ocorre a transferência de responsabilida-
de. Pode ser considerado um controle externo à produção. Na Figura 1.7 apresenta-
se um quadro-resumo da dinâmica de organização do controle da qualidade,
podendo-se observar que o controle de produção e o controle de recebimento não
são iguais nem podem ser confundidos, apesar de serem complementares e neces-
sários para o sucesso de um programa de garantia e controle da qualidade”.

Questões Controle de Produção Controle de Recebimento


O que é? Controle dos fatores que intervêm na | | Comprovação da conformi-
qualidade dade
Por que se faz? | Assegurar que se alcance a qualidade | Verificar que se alcançou,
especificada ao mínimo custo possível | como mínimo, a qualidade
especificada
Quem o faz? O produtor O promotor, o proprietário
Como se faz? Inspeção contínua Inspeção intermitente
Quais as variáveis| As que intervêm no processo produtivo | As representativas da
de controle? qualidade especificada
Atua sobre O processo O produto

Figura 1.7— Mecanismos de controle da qualidade

O controle de produção pode ser entendido como a sistemática que auxilia o


“produtor” a conseguir o produto especificado da forma mais racional e econômica
possível. Visa obter informações sobre a constância do processo de produção
(uniformidade) e o nível de qualidade do que está sendo produzido, possibilitando
a correção dos desvios observados. Cada atitude corretiva do processo decorre das
respostas às seguintes perguntas:
Que aspecto do processo de produção mudou?
Quanto mudou?
Quando mudou?
Quanto tempo permanecerá a mudança?
Conceitos Básicos - 37

A sistemática de controle de produção deve indicar a necessidade de introduzir


medidas corretivas antes que o limite especificado seja violado. Por exemplo, se a
especificação admite um máximo de 5% de defeituosos, a função do controle deve
indicar a necessidade de medidas corretivas quando a porcentagem de defeituosos
chegar aos 3% ou 4%.
No controle de recebimento do produto acabado, a finalidade da decisão é julgar a
conformidade ou não de uma certa quantidade do produto aos limites especificados.
É necessário, portanto, estabelecer, para cada decisão, uma quantidade determinada
do produto, denominada lote, dentro do qual far-se-á uma amostragem.
O controle de recebimento pode se basear em um controle por atributos (por
exemplo, controle da etapa de projeto e da etapa de execução) ou em um controle
por variáveis (por exemplo, controle de recebimento de materiais cujas proprieda-
des são medidas numa escala contínua).
Segundo Meseguer””?, a experiência tem demonstrado que existem quatro níveis de
controle da qualidade na construção civil, que vão ocorrendo sucessivamente à
medida que há um progresso na implementação dos Programas de Garantia e
Controle da Qualidade, conforme indicado na Figura 1.8.

Nível Definição Símbolo


l Sistema tradicional de supervisão. Não existe controle
da qualidade no conceito atual
2 Desenvolve-se um controle de recebimento (CR)
3 Desenvolve-se um controle de produção (CP) absolu- CP) (CB
tamente independente do controle de recebimento (CR)
4 Desenvolve-se um controle de produção (CP) combi-
nado com um controle de recebimento (CR)

Figura 1.8 — Níveis de controle da qualidade na construção civil

1.3 Garantia da Qualidade das Estruturas de Concreto


Um sistema de garantia da qualidade deve adotar como referencial de qualidade
uma documentação técnica que estabeleça os procedimentos, especificações e
responsabilidades a serem atendidos pelos vários intervenientes no processo de
produção e uso dos edifícios, tais como: projetistas, construtores, fabricantes de
materiais e componentes, compradores e usuários.
É razoável numa primeira fase abordar os aspectos relativos às etapas de projeto, de
materiais e componentes e de execução, deixando-se para uma segunda etapa as
fases de planejamento e uso, que como visto têm menor influência na incidência de
manifestações patológicas.
O conteúdo dos documentos deve resumir os aspectos essenciais à garantia da
qualidade sem, contudo, almejarem a exaustão do tema. Deve-se admitir que a maioria
38 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

das regras de bem construir são conhecidas e de domínio dos engenheiros que vão
manusear os documentos de controle e garantia. Os documentos devem ser sintéticos
e procurar elucidar os aspectos polêmicos fornecendo claramente os critérios essenciais
para a tomada de decisão. As justificativas e explicações devem ser buscadas em
documentos apropriados, tais como: apostilas, livros-texto, comunicações técnicas de
congressos, artigos de revistas especializadas e outros veículos pertinentes.
Os documentos necessários à implantação de um sistema de garantia da qualidade
dirigido à Qualidade das Estruturas de Concreto Armado-ECA devem contemplar:
ECA 01 - Recomendações para o planejamento
ECA 02 - Recomendações para o projeto
ECA 03 - Qualificação de materiais e componentes
ECA 04 - Recebimento e armazenamento de materiais e componentes
ECA 05 - Procedimentos para execução
ECA 06 - Procedimentos para operação
ECA 07 - Procedimentos para manutenção.

ECA 01 - Recomendações para o planejamento das estruturas de concreto


armado
As recomendações devem incluir orientação para o lançamento da estrutura a partir
de condicionantes de arquitetura, circulação, eventuais ampliações futuras, instala-
ções elétricas, hidráulicas, proteção contra incêndio, preferência por vigas ou laje
cogumelo, rigidez estrutural etc.
Esse documento deve ser utilizado pelo projetista antes do início do projeto
propriamente dito, assim como pelo proprietário/contratante no momento de receber
o anteprojeto.

ECA 02 - Recomendações para execução e recebimento de projetos de estrutu-


ras de concreto armado
As recomendações para projeto devem visar o estabelecimento de uma documenta-
ção básica, abrangendo as condições a serem exigidas dos diferentes componentes
da estrutura, que possa ser utilizada como um referencial técnico tanto pelos
projetistas quanto pelos técnicos representantes do proprietário/contratante respon-
sáveis pelo recebimento e acompanhamento do projeto estrutural.
O conteúdo desses documentos deve estar baseado preponderantemente nas normas
nacionais e estrangeiras cabíveis, concentrando-se nos aspectos descritivos daquilo
que se deseja da estrutura e nos parâmetros de referência para dimensionamento.
A necessidade dessas recomendações justifica-se pelas:
a) deficiências dos cadernos de encargos, especificações técnicas e memoriais
descritivos;
b) inadequação e insuficiência da maioria dos detalhamentos dos projetos executi-
vos elaborados pelos projetistas;
Conceitos Básicos - 39

c) vantagens e benefícios oferecidos pela organização e apresentação racional dos


aspectos relevantes do projeto executivo das estruturas.
Esses documentos devem ser utilizados no mínimo em dois momentos do processo:
1º) Antes de projetar a estrutura. Esses documentos devem ser incorporados às
exigências de contrato de tal forma que o projetista direta ou indiretamente tenha
acesso e conhecimento daquilo que deve projetar e apresentar, ou seja, o que será
exigido e deve constar de seu projeto executivo.
2º) Na avaliação e recebimento do projeto pronto. As equipes técnicas representan-
tes do proprietário encarregadas da avaliação e recebimento dos projetos devem
utilizar esses documentos como roteiro de referência da qualidade daquilo que
está sendo submetido a julgamento.
ECA 03 - Procedimento para qualificação dos materiais destinados a concre-
tos estruturais
Os procedimentos devem visar garantir a qualidade dos produtos empregados em
estruturas de concreto armado através de uma explicitação clara daquilo que se
exige deles.
Considera-se útil estabelecer uma sistemática que possibilite o emprego de produtos
em conformidade com a normalização existente, considerando:
a) Atual inviabilidade econômica e temporal (prazo) de realizar um controle
tecnológico completo e que abranja os diferentes materiais e componentes
empregados na ECA. Esse controle seria exercido a partir do recebimento em
obra, conforme as atuais exigências constantes das especificações brasileiras. No
caso do cimento seria necessário aguardar os resultados pelo menos 30 dias antes
de liberar para uso.
b) A inexistência, até o momento, de um controle da qualidade na indústria de
materiais que possibilite assegurar a conformidade às normas ao final do
processo de produção.
O controle na produção, com a consequente Certificação de Conformidade de
materiais e componentes utilizados na construção civil, contribuiria sobremaneira
para a garantia da qualidade desses produtos. Em não estando implantado no país
tal sistema de certificações, propõe-se um conjunto de recomendações que consti-
tuam os procedimentos para qualificação de materiais e componentes, que visam
assegurar a qualidade dos produtos, e devem ser entendidos como procedimentos
iniciais passíveis de serem modificados no tempo, com a introdução de um sistema
de certificação nacional confiável.
Os procedimentos propostos a seguir levaram em conta que compete aos Fabrican-
tes e Fornecedores a comprovação da conformidade de seu produto às normas.
Os procedimentos constituem-se basicamente no estabelecimento das condições a
serem exigidas do Fabricante para a qualificação do produto: o Fornecedor ou
Fabricante deve apresentar um documento técnico, emitido por Laboratório de Ensaios,
com resultados que comprovem a conformidade de seu produto às normas vigentes.
40 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Para a concessão desse documento seria conveniente fixar, por exemplo, condições de
coleta de amostra, credenciamento de Laboratório e prazo de validade do documento.
Como isso somente poderá ser conseguido a médio ou longo prazo, pode-se admitir,
em caráter preliminar, que o Fabricante ou Fornecedor encaminhe as amostras do
produto a ser ensaiado para qualquer Laboratório de Ensaios. O prazo de validade
do documento técnico deve ser fixado (em geral, adota-se seis meses). Este prazo
poderá variar, em cada caso, dependendo do produto e do seu processo de
fabricação.
ECA 04 - Procedimento para recebimento e armazenamento de materiais des-
tinados a concretos estruturais
Cabe ao proprietário/comprador exigir do Fabricante ou do Fornecedor a compro-
vação da conformidade dos seus produtos às normas, assim como realizar as devidas
inspeções nos lotes desses produtos, quando apresentados para recebimento em
canteiro.
Os procedimentos devem estabelecer as condições a serem exigidas no recebimento
do produto em obra: de posse do documento técnico citado anteriormente
(ECA-03) o produto pode ser adquirido e apresentado para recebimento em
canteiro. Nesse recebimento deverão ser efetuadas inspeções no produto objetivando
identificar se as condições exigidas são atendidas. Em alguns produtos a verificação
objetiva simplesmente identificar a similaridade do produto recebido com o produto
qualificado. A verificação por ocasião do recebimento deve ser expedita e realizada,
na medida do possível, na obra. Quando forem necessários ensaios em Laboratório,
estes deverão ser de curta duração. Nos documentos devem estar indicadas também
as recomendações mínimas necessárias ao correto armazenamento dos materiais de
forma a assegurar sua qualidade.
ECA 05 - Procedimento para execução das estruturas de concreto armado
O conteúdo desses documentos deve se basear preponderantemente nas normas
nacionais e estrangeiras cabíveis e nos manuais de bem construir.
Na maioria dos casos não há necessidade de ensaios, indicando-se operações de
inspeção visual e controle através de equipamentos corriqueiros de obra, tais como:
metro de pedreiro, linha de pedreiro, prumo, régua, calibres, nível de mangueira
plástica e outros.
A necessidade dessa sistemática e documentação justifica-se pelas seguintes consi-
derações:
a) deficiência dos cadernos de encargo, especificações técnicas e memoriais descri-
tivos;
b) inadequação e insuficiência da maioria das normas técnicas nacionais de execu-
ção de serviços;
c) vantagem e benefícios indiscutíveis pela organização, compilação e apresenta-
ção racional dos aspectos relevantes da arte de “bem construir”, normalmente
dispersos em vários textos de demorada consulta.
Conceitos Básicos - 41

Devem ser incluídos no conjunto desses documentos os relativos ao apoio Laboratorial


necessário à dosagem e controle e os relativos à operação e manutenção dos
equipamentos de produção de concreto, todos estes indispensáveis à obtenção da
qualidade final das estruturas de concreto armado.
Na Figura 1.9, apresenta-se uma síntese da segiiência de atividades e corresponden-
tes documentos técnicos de um programa de garantia da qualidade.

ECA-01
Planejamento ; Recomendações

Y ECA - 02
i - contratação de projeto
Projeto —————————y» nussa eae - recebimento
Projeto

Y ECA-03
Qualificação - fornecedores
e - atestado técnico
Compra
- Material y ECA-04
F - lotes e amostras
FoRSEaRánãO - observação visual
Obra - ensaios expeditos
- armazenamento
z ECA -05
Dosagem Laboratório
do ——————— tp de
Concreto Obra

Produção Controle
do ——————— do
Concreto Concreto

Fôrmas

Execução y

Armaduras

Transporte,
Lançamento,
Adensamento
e Cura do
Concreto

Estrututas o
de - aceitação
Concreto

Y ECA-06

Operação

Uso O 7 ECA -07


Manutenção

Figura 1.9 — Segiiência de documentos técnicos de um programa de garantia da qualidade


das Estruturas de Concreto Armado-ECA
42 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

O conjunto de documentos referenciais de qualidade deve prever ainda a existência


dos procedimentos de operação e manutenção das estruturas de concreto armado,
destinados a orientar o usuário e/ou proprietário durante o uso.

1.4 A Consideração da Resistência dos Materiais nos Métodos de


Introdução da Segurança no Projeto das Estruturas de Concreto
Armado
O controle da resistência à compressão do concreto das estruturas é parte integrante
da construção, sendo indispensável a comprovação permanente da resistência que
está sendo obtida. Avaliar se o que está sendo produzido corresponde ao que foi
adotado previamente por ocasião do dimensionamento da estrutura faz parte da
própria concepção do processo construtivo como um todo.
A partir de 1960, com a introdução no texto da NB-1/1960 do conceito de
resistência característica — f, (na época denominada resistência mínima com a
notação de 6) foram incorporadas à construção civil as técnicas da estatística para
controle da qualidade de um produto.
De 1960 a 1978, experiências internacionais e o desenvolvimento da estatística para
a estimativa de um quantil forçaram a atualização do texto anterior da NB-1/1960
dando origem ao texto atual da NBR 6118 (NB-1/1978)4D.
Essas mudanças, indispensáveis e favoráveis, envolveram reformulações de alguns
conceitos anteriores, principalmente os relativos à consideração da resistência dos
materiais nos métodos de introdução da segurança no projeto estrutural.
A evolução do conhecimento das distribuições das resistências mecânicas dos
materiais de construção, em particular o aço € o concreto, forçou a discretização nos
métodos de introdução da segurança no projeto estrutural, separando-as das demais
variáveis inerentes ao projeto, porém ainda desconhecidas.
Esta separação, se por um lado contribui para a melhor adequação dos coeficientes
de “segurança” à realidade, pois estes passam a representar um menor número de
variáveis desconhecidas, por outro, aumenta a importância do controle da variabi-
lidade dessas resistências, conforme se pode observar percorrendo historicamente a
evolução dos métodos de introdução da segurança no projeto estrutural normalizados
no Brasil,
Em 1931, a Associação Brasileira de Concreto-ABC publicou o seu Regulamento!!?
que reuniu as recomendações de cálculo consagradas na época. O critério de
dimensionamento apresentado é denominado método das Tensões Admissíveis
(Figura 1.10) que, conforme demonstrado posteriormente por Zagottis"”, não
permitia uma avaliação real da segurança. Nesse Regulamento, as resistências dos
materiais e as ações eram consideradas a partir de valores médios englobando em
um único coeficiente de segurança (v) denominado interno ou global, todas as
incertezas. Desta forma não distinguia a variabilidade das resistências dos materiais
da variabilidade das ações e da variabilidade das características geométricas dos
componentes estruturais, não incentivando, portanto, uma melhoria da qualidade
dos materiais e da execução.
Conceitos Básicos - 43

Cálculo das Cálculo de


estruturas seções

Cargas médias Solicitação Tensões


de Serviços pl deserviço tp de
Pega (MN, Q) serviço |

C<C,m

Tg
Tensões médias asa
de ruptura dos » G
materiais f V Gaim 0,
Coeficiente de
segurança
interno

Figura 1.10 —- Método das tensões admissíveis. Critério adotado pelo Regulamento para as
Construções em Concreto Armado — ABC (1931)

Não permitia também o aproveitamento do controle eventual que se efetuasse sobre


uma dessas variáveis. Este critério de introdução da segurança no projeto estrutural
perdurou paralelamente ao cálculo em regime de ruptura nas normas brasileiras de
Cálculo e Execução de Obras de Concreto Armado — NB-1 de 1940, 1943, 1950 e 1960.
Do ponto de vista da resistência do concreto, analisada sob os três aspectos
fundamentais!” — a seguir itemizados — pode-se dizer que o Regulamento da ABC
prescrevia no seu capítulo V:
1) Definição da resistência básica (característica) do concreto à compressão a
partir da qual é avaliada a segurança das estruturas:
“À resistência-limite de ruptura após 28 dias R ,,, (...) (a partir da qual se calcula
as tensões admissíveis) (...) é aquela obtida sobre cubos, de acordo com o boletim
nº 1 do Laboratório da Escola Polytéchnica de São Paulo ...”
Como se verifica, não há uma definição explícita, podendo ser entendida como a
resistência média a 28 dias. Até 1960 a resistência média do concreto foi tomada
como resistência básica de referência a partir da qual era avaliada a segurança das
estruturas, com base a tensões admissíveis.
2) Definição da resistência de dosagem, ou seja, resistência média a partir da qual
se faz o proporcionamento do concreto a ser produzido na obra:
Não há indicação clara a esse respeito, podendo-se entender apenas que esta deve
satisfazer à resistência, f. e desejada. Não se permitia considerar concretos dosa-
dos racionalmente com resistência média superior a 26 MPa nem produzir concretos
arbitrariamente com relação água/cimento superior a 0,73.
44 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

3) Controle da resistência característica (básica) do concreto à compressão:


“.. O concreto dosado racionalmente será controlado, nos dias da concretagem na
obra, com a determinação da umidade e da graduação dos agregados, e com a
execução de provas de resistência à compressão ...”
Como se verifica, não há uma indicação explícita de como controlar a resistência
fm; Entende-se que o controle é feito pela média dos resultados de ensaio,
realizando-se pelo menos um ensaio por dia de concretagem. A luz dos critérios
atuais, essa exigência de amostragem diária pode ser enquadrada como rigorosa,
principalmente se considerarmos a limitação dos equipamentos disponíveis na
época, que permitiam uma produção máxima por betoneira da ordem de 18 mº de
concreto por jornada normal de trabalho.
Em 1937, a Associação Brasileira de Cimento Portland-ABCP introduziu numa
normal”, pela primeira vez no mundo, o cálculo no regime de ruptura (Figura 1.11),
posteriormente mantido na primeira NB-1 publicada pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas-ABNT em 1940 e nas seguintes de 43, 50 e 60. Apesar dessa
alternativa mais correta para o dimensionamento da estrutura, esta norma assim
como as Normas Brasileiras NB-1 de 1940, 1943 e 1950 continuaram considerando
um único coeficiente de segurança externo (v) que engloba todas as incertezas
anteriormente citadas e que, portanto, ainda impedia o desenvolvimento e o
interesse de melhoria da qualidade dos materiais, da execução e da utilização. Uma
redução no custo da estrutura estava vinculada à redução do coeficiente (v)
dificilmente observável em um número significativo de estruturas semelhantes.

Coeficientes
de segurança Cálculo das
estruturas
externos v.,

Cargas médias | Cargas de |


de serviços > cálculo ) Esforços
(experimentais EV E solicitantes |
ou convencionais) do e

Comprovação a
nível de esforços
em cada seção
Sup
Tensões médias Esforços
de rupturaAi dos Lá resistentes
materiais A

Cálculo de
seções

Figura 1.11 — Método de cálculo no regime de ruptura. Critério adotado pela Norma para
Execução e Cálculo de Concreto Armado - ABCP (1937), mantidos nas NB-1 de 1940 e 1950

Do ponto de vista da resistência do concreto, não houve evolução significativa em


relação às recomendações do Regulamento da ABC, mantendo-se a definição da
Conceitos Básicos - 45

resistência básica confundida com a própria resistência média de dosagem do


concreto, sem levar em conta a variabilidade do processo de produção do concreto.
À seguinte modificação significativa ocorreu somente em 1960 com a publicação
da NB-1/1960.
O conceito da estatística e da teoria das probabilidades parcialmente introduzido
nesta norma representou uma enorme atualização para a época, conforme se mostra
na Figura 1.12. Segundo Lobo Carneiro”, os quatro únicos países do mundo, que
no mesmo período adotaram tais conceitos, eram a União Soviética, a Alemanha
Ocidental, a Inglaterra e os Estados Unidos que, desde 1957, através do “ American
Concrete Institute-ACI" “?, já recomendava tal procedimento. Nos anos que ante-
cederam a aprovação da revisão desta norma houve intensas discussões técnicas, no
Brasil e no exterior, a respeito dos parâmetros característicos dos materiais de
construção, conforme apresentado no capítulo 2 deste Manual.
q
Coeficiente de se- —
gurança externo Mecânica das
estruturas

Cargas plausíveis , Cargas de Y Esforços


de serviço normal “| cálculo solicitantes
(experimentais ou =. F
convencionais)

Comprovação a
nível de esforços
em cada seção
Ê
Tensões de escoamento
dos materiais metálicos |

»| Esforços
resistentes
5%
Ga
Tensão mínima de
ruptura do concreto

Cálculo de
seções

Figura 1.12 — Método parcialmente probabilista dos estados-limites. Critério adotado pela
NB-I - Cálculo e Execução de Obras de Concreto Armado (1960)

Com relação à resistência do concreto, houve uma grande evolução, conforme se


deprende do próprio texto da NB-1/1960, capítulo VI:
1) Definição da resistência característica (básica) do concreto a partir da qual é
avaliada a segurança das estruturas:
46 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

“.. À tensão G,, na qual se baseia o cálculo das peças em função da carga de ruptura
(estádio III) ou a fixação das tensões admissíveis, será igual à tensão mínima de
ruptura do concreto à compressão, com 28 dias de idade, determinada em corpos-
de-prova cilíndricos normais.
Considera-se, para os fins desta Norma, como tensão mínima de ruptura do concreto
à compressão, a definida pelas fórmulas seguintes:
- quando houver sido determinado o coeficiente de variação da resistência do
concreto, com pelo menos 32 corpos-de-prova da obra considerada ou de outra obra
do mesmo construtor e de igual padrão de qualidade: 0, =(1-1,64.V). O. c28º mas
não maior que 0,8 . O .,;
- quando não for conhecido o coeficiente de variação:
se houver controle rigoroso: 0,=3/4.06,,
se houver controle razoável: 0, =2/3.0.,s
se houver controle regular: 0,=3/5.0,,(...)
Conclui-se, portanto, que a resistência característica (básica) f.,.,; foi definida
implicitamente como sendo o quantil de 5% de uma distribuição normal. Isto
representa uma grande evolução em relação aos critérios anteriores, pois a resistên-
cia considerada no dimensionamento da estrutura constitui um valor que independe
da variabilidade do processo de produção do concreto. Em outras palavras, significa
dizer que o construtor é incentivado a melhorar o processo de produção e assim
diminuir o custo do metro cúbico de concreto produzido, abaixando a resistência
média de dosagem, através de uma melhoria no processo de produção e controle. Se
ele conseguir reduzir o coeficiente de variação do processo de produção, poderá
imediatamente usufruir dos benefícios decorrentes da redução proporcional de
consumo de cimento no traço do concreto.
2) Definição da resistência de dosagem, ou seja, resistência média a partir da qual
se faz o proporcionamento do concreto a ser produzido em obra:
A dosagem passou a ser feita em função da resistência média f. , de forma a atender
à resistência básica (característica) de projeto f ,.;
3) O controle da resistência característica (básica) do concreto:
“. O controle de resistência do concreto à compressão, obrigatório para os concretos
dosados racionalmente, deve ser feito de acordo com os Métodos MB-2 e MB-3. A
idade normal para ruptura é a de 28 dias (....). Deve-se fazer um ensaio para cada
30 mê de concreto lançado ou sempre que houver modificações nos materiais ou no
traço (....). Cada ensaio deve constar da ruptura de, pelo menos, dois corpos-de-
prova (....)”
Como se depreende do texto, não há uma indicação clara de como controlar a
resistência característica fog - Por exemplo, no caso de uma obra com volume total
de concreto de 600 mº, dispor-se-á apenas de 20 ensaios. Como saber se f.., foi ou
não atendido?
Conceitos Básicos - 47

O processo de produção do concreto não pode ser considerado estacionário por um


longo período de tempo devido à variação inevitável das características dos
materiais que entram na mistura. Logo, não é aconselhável utilizar resultados de
corpos-de-prova que representem volumes elevados de concreto. Recordando que
o texto da NB-1/1960 recomenda moldar corpos-de-prova para cada 30 m*, 32
resultados podem corresponder até a 1.000 m”, ou seja, cerca de 6.000 sacos de
cimento, 1.000 mº de areia, 900 mº de agregados graúdos e dez andares de um
edifício de 500 m? de área em planta, Está claro que não se pode esperar uniformi-
dade desses materiais, pois, sendo de partidas e fornecimentos diversos, acarretam
modificações na centragem da média do concreto produzido nesse período.
Mais interessante, e por vezes indispensável, é saber se um dado volume de concreto,
por exemplo, o correspondente a apenas um andar de um edifício (volume aproxima-
damente de 100 mº) atende ou não à resistência mínima de projeto f.,.. Como proceder
nesse caso que só se dispõe de apenas três resultados? Seria necessário ensaiar 32
corpos-de-prova, ou seja, um ensaio para cada 3 mº de concreto lançado?
Essas questões infelizmente acabaram tendo de ser respondidas através da utiliza-
ção de recomendações estrangeiras sendo o texto do “American Concrete Institute
- Recommended Practice for Evaluation of Strength Test Results of Concrete-ACI
214”, o mais empregado no meio técnico brasileiro. Além desse, no caso de ensaios
de concreto pré-misturado foram empregadas também as recomendações da “British
Ready Mixed Concrete Association - BRMCA — Code for Ready Mixed Concrete”.
Esses dois textos tinham e têm o inconveniente de estar desvinculados dos critérios
nacionais de introdução da segurança no projeto das estruturas, o que acarreta
diferentes e divergentes interpretações.
Em 1978, a Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABNT publica a NB1-
Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado, resultado de seis anos de
reuniões da Comissão de Estudos, instalada em 1972. O texto é posteriormente
registrado no Inmetro sob o número NBR 6118,
Coeficientes
Análise estatística de Análise determinista
| ponderação
! I

Cálculo
”, das
? f ! estruturas
fl s%

e Fg ss
Ações ! 1 de Y E oy
epa opaiinção
Ações características To
Fx Fou Fe

Comprovação a nível
de esforços em
A cada seção S,<R,
ae s ' I
ta A
nesmontia Resistência Resistências Solicitação
característica ] I de cálculo resistente
BR fi fi msthi
| dm
1 1
Cálculo
Ra das
seções

Figura 1.13 — Esquema simplificado da segiiência a seguir no dimensionamento de estrutu-


ras pelo método semiprobabilista (NBR 6118-1978)
48 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

O método de introdução da segurança no projeto estrutural aí proposto, baseado em


ampla investigação internacional promovida pelo “Comitê, Euro-International du
Béton-CEB”U%, considera as resistências e as ações como variáveis aleatórias,
conforme mostrado esquematicamente na Figura 1.13.
Admite uma distribuição estatística dessas variáveis e fixa um só valor chamado
valor característico.
Para considerar as outras variáveis cujas distribuições são ainda desconhecidas ou
não quantificáveis, são introduzidos coeficientes de ponderação parciais. Esses
coeficientes de ponderação são denominados Y quando relativos à qualidade dos
materiais e da execução da construção e Y. quando relativos às ações e ao processo
de cálculo.
Finalmente, com relação à resistência à compressão do concreto, pode-se dizer que
houve neste período uma mudança notável.
A definição atual da resistência básica ou característica do concreto, f..., a partir da
qualé avaliada a segurança das estruturas, é bastante clara e precisa, correspondendo
ao quantil de 5% de uma distribuição normal de frequências. Isso vale inclusive para
o aço das armaduras.
A definição atual da resistência de dosagem passou a ser determinada por uma regra
de decisão, em que se adota um valor para o desvio-padrão de dosagem, s .
Com relação ao controle da resistência básica ou característica, f,., Os conceitos
foram bem definidos, passando-se a empregar funções de aceitação que fornecem
diretamente o valor do quantil desejado, mesmo no caso de pequenas amostras,o
que tem extremo interesse prático.
Resumindo as considerações expressas nesta seção pode-se dizer que:
a) houve evolução significativa nos critérios de dimensionamento passando-se do
método determinista das tensões admissíveis (1931 a 1960) para o método
semiprobabilista dos estados-limite (a partir de 1978);
b) ainda não é perfeita a avaliação da segurança real da estrutura, com limitações
de ordem teórica e experimental que impedem a evolução do atual método semi-
probabilista de introdução da segurança no projeto das estruturas de concreto
armado a métodos probabilistas mais exatos;
c) a resistência básica tomada como referência para o dimensionamento da estru-
tura evoluiu do valor médio para um valor característico, com alta probabilidade
de ser superado, melhorando sobremaneira a avaliação da segurança com
repercussão imediata na economia;
d) os critérios para fixação da resistência média inicial de dosagem tornaram-se
claros e precisos;
e) os critérios recomendados para o controle da resistência característica foram bem
explicitados e utilizam recursos atuais da estatística permitindo responder
rapidamente sobre a situação da estrutura ou trechos dela.
Conceitos Básicos - 49

A evolução do conhecimento das distribuições das resistências mecânicas dos


materiais de construção forçou a sua discretização nos métodos de introdução da
segurança no projeto estrutural.
Esta separação, se por um lado contribuiu para a melhor adequação dos coeficientes
de segurança à realidade, pois estes passam a representar um menor número de
variáveis desconhecidas, por outro, aumentou a importância do controle da variabi-
lidade dessas resistências, conforme foi possível observar nas considerações ante-
riores.

1.5 Algumas Questões


Pi: Antes de 1960, qual a resistência à compressão exigida nos métodos de
introdução da segurança no projeto estrutural?
RI: Resistência média à compressão, em geral obtida aos 28 dias de idade. Por
exemplo, no projeto estrutural poderia estar indicado f = 20 MPa (notação atual
da NBR 6118).
Qual a resistência média de dosagem que o laboratório deveria adotar como
referência?
R2: Poderia ser adotado o próprio valor de 20 MPa ou um valor um pouco superior
para garantia contra a variabilidade do processo.
P3: Qual o desvio-padrão e o coeficiente de variação máximos permitidos na
produção de concreto?
R3: Quaisquer. Não havia nenhuma exigência. O coeficiente de segurança global
(v ou v.) já considerava os casos mais desfavoráveis.
P4: Quais as desvantagens disso?
R4: Várias, com duas principais. À primeira relativa ao aspecto econômico pois, em
geral, as obras estariam superdimensionadas. A segunda e mais importante refere-
se à falta de estímulo para a melhoria da uniformidade da produção do concreto.
Não havia benefício nem incentivo algum para quem produzisse melhor. A
terceira se refere à própria segurança que não podia ser avaliada, as demais devido
a aspectos formais, conceituais etc.
PS: O que ocorreu em 19602
RS: Foi publicada a primeira NB-1 que separa a variabilidade das resistências
mecânicas dos materiais das demais variabilidades inerentes ao projeto das
estruturas de concreto armado.
P6: Quais as vantagens?
R6: Várias. A principal, sem dúvida, foi incentivar e beneficiar aqueles que conse-
guissem melhorar a uniformidade e a qualidade da produção de concreto. Na
medida em que o desvio-padrão e/ou o coeficiente de variação fossem menores,
a resistência média poderia baixar aproximando-se do valor característico deno-
minado na época (0,).
50 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Além dessa, era um aperfeiçoamento dos aspectos formais e conceituais e


permitia uma melhor estimativa da segurança da estrutura.
P7: Poderia exemplificar numericamente?
RY7: Por exemplo, admitindo uma resistência característica de f,, = 18 MPa a 28 dias
de idade, teríamos (NB-1/1960):
no caso de produção rigorosa: f.,=
c28
24 MPa
no caso de produção razoável: f.,,= 27 MPa
no caso de produção regular: f.,.=
c28
30 MPa
Talvez ter uma produção rigorosa exigisse investimentos iniciais maiores em
equipamentos. Porém isso poderia ser compensado com a economia no traço
médio de concreto, que no caso extremo (30 MPa para 24 MPa) seria de cerca de
36 kg de cimento por metro cúbico de concreto (rigorosa/regular).
À introdução de um valor característico foi, inclusive, o que viabilizou a
existência de empresas de fornecimento de concreto pré-misturado, atualmente
denominadas empresas de serviços de concretagem.
P8: O que a NBR 6118 mudou?
R8: Em relação ao concreto houve as seguintes mudanças básicas:
a) denominar f, ao antigo 6, mantendo o mesmo conceito, ou seja, f, = O,
b) explicitar o critério de resistência de dosagem;
c) tomar como referência o desvio-padrão e não o coeficiente de variação;
d) explicitar o critério de aceitação e rejeição;
e) empregar estimadores mais adequados.
P9: Quais as vantagens disso?
RO: Adequabilidade de nossa notação à notação internacional. Benefício nas relações
entre produtores e consumidores que agora dispõem de regras práticas, claras,
justas e objetivas.
P10: Então a NBR 6118 é perfeita nesse campo?
R10: Não, ainda pode ser melhorada ou calibrada (ainda bem!). Aponta-se algumas
sugestões neste Manual. Muitas outras modificações devem haver e certamente
serão incorporadas no porvir.
P11: Que negócio é esse de Mega-Pascal?
R11: Em 3 de maio de 197812, 0 Brasil, através do decreto presidencial 81.621, adotou
o sistema internacional SI de unidades. Na área as principais unidades são:
- resistência/pressão/tensão:
(1 kgf/em?) = 0,0981 MPa = 0,1 MPa = N/mm?= MN/m?
- momentos: kNm
- massas volumétricas: kg/m”
- pesos volumétricos: kN/mº
- cargas e forças: kN ou kN/m ou kN/m?
Conceitos Básicos - 51

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52 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

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Dissertação (Mestrado) — Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do
Rio Grande do Sul.
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Evolução dos Métodos de Dosagem - 55

2.1 Histórico Internacional


A heterogeneidade dos materiais que compõem os concretos e a complexidade do seu
comportamento, tanto no estado fresco quanto no endurecido, representam sempre um
desafio aos técnicos responsáveis pela fabricação e emprego dos concretos.
Desde os primeiros usos ficou claro que o proporcionamento dos materiais não podia
ser arbitrário e que era necessário obter um conglomerado compacto e sólido.
Inicialmente os conglomerados eram usados sem muita responsabilidade estrutural —
as solicitações atuantes eram muito baixas — e, consequentemente, as regras de
proporcionamento eram inteiramente empíricas e provinham do conhecimento tradi-
cional do proporcionamento de argamassas. Estavam limitadas à obtenção de conglo-
merados nos quais os ligantes eram cales aéreas e cales combinadas com pozolanas,
denominadas cales hidráulicas. Nestes casos, resultavam proporções praticamente
fixas e independentes da natureza dos materiais constituintes. Esses critérios — alguns
eventualmente ainda adotados nos tempos atuais — asseguram uma certa compacidade
com excesso nítido de aglomerante, o que conduz a misturas não econômicas.
Segundo Coutinho”, até o início do século XIX pouco se sabia acerca das qualidades
a serem exigidas dos materiais constituintes dos concretos e argamassas. A postura com
relação ao proporcionamento dos materiais e sua influência no comportamento dos
conglomerados foi alterando-se a partir dessa época em função da descoberta do
cimento Portland e sua fabricação em escala comercial.
Em 1818, Maurice de Saint-Léger sob a orientação de Louis Vicat — um dos pesquisa-
dores franceses pioneiros no estudo de ligantes e conglomerados hidráulicos —
patenteia o processo de fabricação de cales hidráulicas artificiais obtidas a partir da
calcinação de calcário e argilas a temperaturas da ordem de 1.000 “C. A partir de 1826
inicia a fabricação regular de cal hidráulica artificial numa instalação industrial situada
em Moulineaux, perto de Paris 209,
No mesmo período, Joseph Aspdin patenteiana Inglaterra, em 15 de dezembro de 1824,
um processo de fabricação de cales hidráulicas artificiais que difere do processo de
Maurice de Saint-Léger quanto à temperatura de calcinação, neste caso bastante mais
alta”, Dessa forma, consegue obter um produto final de maior valor hidráulico e de
56 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

resistência mecânica elevada. Esse aumento da temperatura de calcinação compensava


a elevação do custo de fabricação na medida em que o produto resultante apresentava
características significativamente superiores às cales hidráulicas, viabilizando sua
fabricação e emprego em larga escala.
O ligante assim obtido passou a denominar-se cimento Portland, uma vez que, após sua
mistura com água e correspondente endurecimento, resultava numa massa pétrea
semelhante em cor, solidez e durabilidade ao então bem conhecido calcário da ilha
inglesa de Portland.
Em 1828, na França, Louis J. Vicat publica informações que o colocam como o
precursor dos conhecimentos atuais sobre a importância da quantidade de água de
amassamento e da granulometria da areia na resistência das argamassas. Constata
experimentalmente que uma determinada relação cal hidráulica/areia conduz à máxima
resistência das argamassas e faz considerações sobre os inconvenientes do excesso e da
insuficiência de areia, ressaltando a importância da finura relativa da areia e da cal,
chegando a formular, inclusive, as vantagens da mistura de areias grossas com areias
finas. Dessa forma estabelece as regras clássicas da composição granulométrica que só
muito mais tarde foram quantificadas”.
Vicat registra ainda a influência da compacidade sobre a resistência e os inconvenientes
do excesso de água e da consistência muito fluida — usual naquela época — antecipando
o definitivo predomínio da relação água/aglomerante sobre as propriedades dos
conglomerados, comprovado anos mais tarde por Ferét e Abrams.
Na mesma época, Rondelet, em 1830, afirma que a natureza da areia não tem
importância fundamental na resistência da argamassa porque apenas a sua finura
intervem de forma significante na qualidade final”. Preconiza a utilização de areia tão
grossa quanto possível, compatível com as espessuras dos revestimentos e das juntas
de assentamento dos componentes de alvenaria. Esse conceito vigora até hoje apesar
de estar atualmente comprovada a sua inconsistência tecnológica, ou seja, é possível
obter concretos equivalentes técnica e economicamente , tanto com o uso de areias finas
quanto com o emprego de areias grossas.
Da fabricação de cimento Portland em fornos verticais intermitentes a indústria passou
a empregar em 1884 fornos contínuos e, a partir de 1885, empregou o forno horizontal
rotativo, descoberto por Frederick Ramsome, de elevada produção contínua, utilizado
até nossos dias”.
Data da mesma época o início do conhecimento científico e tecnológico sobre os
compostos do cimento Portland. Henry Le Chãtelier, em 1887, determina quais
são os compostos presentes nos cimentos Portland e indica como se dão as reações
principais através de observações efetuadas por ele em microscópio ótico, semelhante
às técnicas empregadas em mineralogia e petrografia. Desse trabalho fundamental de
Le Chãtelier deriva o conhecimento atual sobre a química do cimento. Somente 42 anos
após, em 1929, R. H. Bogue propõe as fórmulas clássicas para se obter — em primeira
aproximação — a composição química potencial dos cimentos Portland a partir dos
resultados de análise química convencional (método gravimétrico), universalmente
aceitas até hoje”,
Evolução dos Métodos de Dosagem - 57

À partir desse maior conhecimento dos cimentos Portland e do seu crescente consumo
nas obras civis, há um correspondente incremento no estudo e conhecimento dos
conglomerados e da influência da natureza e proporção dos seus materiais constituin-
tes.
Préaudeau, em 1881, apresenta formalmente um método de dosagem das argamassas
e concretos. Propõe que seja determinado o volume de vazios da areia e que o volume
da pasta aglomerante seja 5% superior ao volume de vazios encontrado no agregado
miúdo. A seguir, deve-se determinar o volume de vazios da pedra, a partir do qual se
calcula o volume da argamassa como sendo 10% superior ao volume de vazios do
agregado graúdo, antecipando o método da granulometria descontínua, enunciado em
1927 por Leclerc du Sablon.

Em 1888, Paul Alexandre ao estudar a influência da dosagem de água na resistência à


compressão das argamassas considera-a dividida em duas partes. À primeira destinada
a formar pasta com o cimento e a segunda a molhar a areia, estabelecendo então o
conceito de água de molhagem. Segundo Coutinho!?, Paul chegou a fornecer nesse
trabalho coeficientes para o cálculo da água de molhagem em função das dimensões das
partículas de areia.

Considera-se, no entanto, que o primeiro estudo” de proporcionamento racional dos


materiais”? tenha sido feito por René Ferét — Chefe do Laboratório de “Ponts et
Chausseés”, da França. Em 1892 René descobre a lei fundamental que relaciona a
resistência da argamassa com sua compacidade. Estudando misturas com mesmo
cimento, mesma areia, mesma idade e condições de cura verificou, experimentalmente,
que a resistência à compressão de argamassas inicialmente plásticas é função somente
da relação do volume absoluto de água mais o volume de vazios da argamassa com o
cimento. Mais tarde, em 1896, aperfeiçoou esse modelo matemático que correlaciona
a resistência à compressão com o volume de água e de vazios, propondo a seguinte
expressão:

ft=k |——]
Cos
(equaçãoo 2.1)
M
onde: L = resistência à compressão das argamassas a j dias de idade
k, = constante que depende da natureza dos materiais, da idade e das
condições de cura
C. abs = volume absoluto de cimento por unidade de volume de argamassa
M = volume absoluto do agregado miúdo por unidade de volume de argamassa
Cronologicamente o próximo passo significativo foi dado pelo americano William B.
Fuller, em 1901, por ocasião da construção de vários reservatórios de água no Estado
de New Jersey”, A partir das curvas granulométricas do agregado total verificou,
experimentalmente, quais conduziam a concretos de máxima resistência à compressão
e compacidade, propondo uma equação que melhor representava o fenômeno. Poste-
riormente junto com Sanford E. Thompson, em 1907, estabeleceu uma série de regras
para proporcionamento dos materiais, podendo-se citar como mais importantes”:
58 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a) com determinado consumo de cimento, para certa areia e agregado graúdo, o


concreto mais resistente e compacto é obtido quando o volume da argamassa preenche
somente os vazios do agregado graúdo;
b) certas distribuições granulométricas dos agregados, para mesmos consumos de
cimento, conduzem a concretos mais resistentes, ou seja, agregados graduados são
preferíveis a não graduados.
Fuller e Thompson podem ser considerados os pioneiros na defesa da importância da
consideração da composição granulométrica dos agregados na dosagem dos concretos,
seguidos, posteriormente, por Bolomey.
Uma das maiores contribuições para o estudo da dosagem dos concretos foi a
publicação, em 1918, por Duff A. Abrams", do estudo de inúmeros traços e análise
de mais de 50.000 corpos-de-prova enunciando a seguinte lei: “Dentro do campo dos
concretos plásticos, a resistência aos esforços mecânicos, bem como as demais
propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água/
cimento”.
Abrams chegou às mesmas conclusões que Ferét havia chegado há 22 anos, desprezan-
do, porém, o volume de vazios e considerando apenas a relação entre o volume de água
e o volume aparente de cimento — para o qual adota a massa unitária fixa de 1.500 kg/mº.
Dessa forma propõe o seguinte modelo matemático para expressar a dependência entre
as variáveis em questão:
k
og k Cp
E (E) (equação 2.2)
3

onde: f, = resistência à compressão a ) dias de idade


k ek, são constantes que dependem da natureza dos materiais, da idade e das
condições de cura
H = volume de água por unidade de concreto
C | = volume aparente do cimento por unidade de concreto

(*) Considerando: a = massa de água =H. 1.000, uma vez que a 22 “C pode-se considerar a massa
específica da água igual a 1.000 kg/mº; c = massa de cimento = Eu - 1.500, uma vez que Abrams adotava
a massa unitária do cimento como sendo 1.500 kg/mº;
pode-se transformar a (eq. 2.2) em:
kA
(equação 2.3)
C
3 ks

na qual f, e k, têm o mesmo significado expresso em (eg. 2.2) e k,= k,'9N9 = k 1º = cte que também
depende da natureza dos materiais, da idade e das condições de cura dos concretos. A (eg. 2.3) tem sido
a mais empregada pelos tecnologistas de concreto por ser mais prática, uma vez que a maioria dos estudos
de dosagem em laboratório são efetuados a peso (massa).
Evolução dos Métodos de Dosagem - 59

Esse modelo matemático mostrou-se perfeitamente válido sem necessidade de ajustes


sempre que:
a) aquantidade de pasta de cimento é suficiente para preencher os vazios dos agregados;
b) os agregados são de elevada resistência à compressão (> 60 MPa);
c) o concreto fresco esteja perfeitamente adensado (< 1,5% de ar aprisionado).

Abrams introduz também o termo “Módulo de Finura” que propôs para representar, por
meio de um único índice, a distribuição granulométrica dos agregados. O módulo de
finura é obtido a partir da análise granulométrica dos agregados com base numa série de
nove peneiras começando com a de abertura de malha 0,15 mm, sendo que a abertura das
demais deve crescerna razão dois: $0,30;% 0,60; % 1,2;H2,4:;H4,8;H9,5;H19eH38 mm.
O módulo de finura é a soma das porcentagens retidas acumuladas em cada peneira,
dividido por cem (100). O índice assim obtido mostrou-se tão útil que foi adotado
mundialmente nas normas de agregados para concreto, inclusive na brasileira 12-02,
A contribuição de Abrams foi ainda mais longe. Introduziu a noção de trabalhabilidade
do concreto e propôs a medida da sua consistência a partir do abatimento de um
cilindro de 15 cm de diâmetro e 30 em de altura moldado com o concreto recém-
misturado. Mais tarde, em 1922, modificou o molde para um tronco de cone de altura
30 cm e bases 10 em e 20 cm, que entrou na utilização corrente da produção mundial
de concreto, transformando-se no único método normalizado no Brasil para medida
da consistência do concreto fresco até 1986, quando foi introduzido também o método
da mesa de espalhamento, atualmente em vigor, porém ainda muito pouco conhecido
e utilizado 44,
Segundo Draffin”, dois pesquisadores da Universidade de Illinois, A. N. Talbot e F.
E. Richart, questionaram por volta de 1923 a validade da abrangência do modelo de
Abrams que afirmava ser a resistência do concreto determinada somente pela relação
entre o volume de cimento e de água. Talbot e Richart, da mesma forma que René Ferét,
defendiam que a magnitude do total de vazios no concreto — os espaços ocupados pela
água e pelo ar — é que determinava a resistência final. Desenvolvendo essas idéias,
atestavam que dentro de certos limites a resistência de um concreto era a mesma de sua
argamassa, pois o agregado graúdo atuava somente como inerte de enchimento. Com
o advento das técnicas de incorporação de ar e com o uso de concretos de consistência
seca — de difícil adensamento — comprovou-se que a teoria universal de Abrams
realmente tem suas limitações requerendo pequenos ajustes quando não se trata de
concretos plásticos nem de baixos teores de ar aprisionado.
Em 1931, Inge Lyse''> publicou sua contribuição ao estudo da dosagem dos concretos,
demonstrando que dentro de certos limites é possível considerar a massa de água por
unidade de volume de concreto como a principal determinante da consistência do
concreto fresco, qualquer que seja a proporção dos demais materiais da mistura. Essa
verdade se verifica sempre que sejam mantidos materiais de mesma natureza, com
grãos de mesma forma, textura e dimensão característica. Inge Lyse sugeriu ainda
empregar na Lei de Abrams a relação água/cimento em massa e não em volume como
originalmente proposto por Abrams.
60 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Em 1937, Caquot'º estabelece a lei de variação do índice de vazios de uma composição


granulométrica com o inverso da raiz quinta da máxima dimensão do inerte e enuncia
o princípio do efeito parede. Um pouco antes, em 1925, Bolomey havia introduzido a
consideração da trabalhabilidade às propostas de curvas granulométricas ideais,
elaboradas por Fuller e Thompson.
Incorporando as contribuições de Caquot e Bolomey, Faury''?, em 1941, propôs um
método de dosagem baseado numa curva granulométrica que considerava — além da
compacidade do concreto e da área específica total dos grãos da mistura — a
trabalhabilidade e o efeito parede. De fato a melhor granulometria e consegientemente
a melhor dosagem será aquela que leve em conta também a trabalhabilidade do
concreto, ou seja: a dimensão das fôrmas, os meios de transporte, as taxas e a
distribuição das armaduras, as formas de lançamento de concreto e os equipamentos
disponíveis.
Apoiado nos mesmos princípios, Joisel“”, em 1952, levou ao limite as possibilidades
oferecidas pelas curvas de referência de granulometria contínua iniciadas por Fuller,
propondo um complexo método que leva em conta praticamente tudo: a trabalhabilidade,
o efeito parede, o consumo de cimento, o consumo de água, a compacidade do concreto
e a área específica total da mistura.
Contrariando essa tendência à granulometria contínua, Leclerc du Sablon"? publica em
1927 os seguintes princípios:
a) quanto mais uniforme forem as dimensões dos grãos, maior é a compacidade
atingível no concreto obtido da mistura desse agregado com a argamassa;
b) o máximo de compacidade é atingido quando o volume da argamassa for 35%
superior ao volume de vazios do agregado graúdo;
c) deve existir a relação 2,5 entre a mínima dimensão do agregado graúdo e a máxima
dimensão do agregado miúdo.
Com base nesses princípios, Vallete 2», em 1948, propõe o seguinte modelo válido para
a situação de granulometria descontínua: o agregado primário de dimensão D,,
composto apenas por grãos dessa dimensão, deve ser misturado com o agregado
secundário, uniforme também e de dimensão D,, de forma que D, se ajuste dentro dos
vazios deixados por D , sem que a distância entre os grãos do primário seja aumentada,
ou seja, sem expansão do volume de vazios de D,. O agregado terciário deverá ser
uniforme e de dimensão D, tal que se ajuste dentro dos vazios da mistura de D e D,,
sem alterar a distância entre os grãos, e assim sucessivamente até o cimento.
Apesar de lógica e de impor-se à razão como uma verdade intuitiva, esses métodos,
baseados na granulometria descontínua, não se generalizaram devido à dificuldade de
obter, prática e economicamente, agregados com grãos uniformes que obedeçam a uma
dada relação geométrica, variável de uma a outra situação.
Em 1944 é publicado nos EUA o primeiro documento normativo consensual sobre a
dosagem dos concretos, pois até então só se dispunha de propostas individuais de
pesquisadores mais ou menos felizes nas suas observações experimentais e tentativas
teóricas de generalização. Trata-se do texto elaborado pelo “Committee 613” instalado
Evolução dos Métodos de Dosagem - 61

em 1936 sob a coordenação de Robert F. Blanks do “Bureau of Reclamation-USA”,


publicado pelo “American Concrete Institute-ACI”CD, após oito anos de intensas
discussões.

O texto do ACI-613-44, na realidade, nunca obteve a aprovação unânime de todos os


membros do Comitê que continuaram reunindo-se periodicamente com o objetivo de
rever e atualizar o texto inicial.

À primeira revisão ocorreu em 1954 sob a coordenação de Walter H. Price. Nessa


revisão, foram incluídos os aspectos relativos ao ar incorporado e os conceitos de
estimativa do agregado graúdo a partir do seu volume aparente compactado seco, por
unidade de volume de concreto, para diferentes módulos de finura da areia. A partir
desse índice indicado no texto do ACI-613-54 como b/b, é possível estimar a proporção
de agregado graúdo e reduzir o número de betonadas experimentais em laboratório, por
ocasião do estudo de dosagem. A recomendação americana para dosagem é alterada em
1970 de ACI-613 para ACI-211.1, mantendo, contudo, os conceitos expressos nos
textos anteriores 2D, O texto mais atualizado do ACI-211.1 data de 1990 22. O método
de dosagem recomendado pelo ACI teve grande aceitação entre os tecnologistas
nacionais, sendo largamente empregado no Brasil, conforme se descreve em 2.2.
Em maio de 1954, em Londres, a “Cement and Concrete Association-C&CA”
promove o “Symposium on Mix Design and Quality Control of Concrete”, resgatando
a importância dos ingleses na contribuição ao desenvolvimento da dosagem do
concreto. De fato, até então, a contribuição inglesa tinha sido modesta. Os primeiros
textos significativos sobre dosagem apareceram no final da década de 40, conforme
relata McIntoshº” em sua comunicação técnica sobre os princípios básicos da dosagem
dos concretos apresentada no referido Simpósio.
Esse evento alcança absoluto sucesso e pode ser considerado como uma das maiores
contribuições dos tempos recentes ao desenvolvimento da tecnologia do concreto,
principalmente com relação aos parâmetros de dosagem e controle da qualidade. O
trabalho de Sparkes“, que apresenta uma revisão do estado de conhecimento da época
sobre controle da qualidade do concreto, recupera contribuições fundamentais de
Stanton Walker?” e Morgan”? sobre os critérios de dosagem do concreto com base na
resistência à compressão especificada no projeto estrutural.
Thomas? em seu trabalho sobre o controle da qualidade do concreto e sua conse-
quência no projeto estrutural ressalta que a dosagem do concreto, tomando por
referência dados estatísticos, abre perspectiva para o maior conhecimento da probabi-
lidade de colapso das estruturas.
Nessa oportunidade, Himsworthº?” apresenta uma série de aplicações de modelos
estatísticos adequados para a representação dos fenômenos relacionados com a
qualidade do concreto. Mostra as influências da variabilidade deste sobre a escolha da
resistência de dosagem e defende a adoção do desvio-padrão como parâmetro de
Julgamento do rigor da produção de concreto, uma vez que acredita ser este e não o
coeficiente de variação — defendido pela maioria dos pesquisadores da época, inclusive
Stanton Walker — o parâmetro constante numa produção de concreto.
62 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Ainda em 1954, Collinsº” apresenta, nesse Simpósio sobre dosagem e controle da


qualidade do concreto, uma interessante discussão acerca das formas de especificar o
concreto. Propõe critérios de julgamento dorigor da produção de concreto com base nos
recursos e equipamentos disponíveis em obra e indica as resistências de dosagem
adequadas a cada situação. Classificação equivalente foi adotada no texto da NBR
61188, cerca de 20 anos mais tarde.
Os ingleses tiveram, nesse evento, o mérito de vislumbrar a estreita relação que há entre
os parâmetros de dosagem e os de controle da qualidade do concreto. Essa interação
ficou patente nos trabalhos apresentados posteriormente conforme demonstrado por
Arredondo y Verduº? ao reunir, em 1965, numa única publicação, 20 métodos de
dosagem.
Em 1958, na Alemanha, Kurt Walz publica as recomendações para dosagem e
fabricação de concretos com propriedades específicas"?. Introduz uma proposta para
curvas de referência da correlação da resistência à compressão dos concretos com a
resistência dos cimentos, que será adotada, posteriormente, por volta de 1970, nas
normas alemãs “DIN 1045 — Dimensionamento e Execução das Construções de
Concreto e Concreto Armado” e“DIN 1164- Cimentos”, sendo conhecidas atualmente
como curvas de Walzº?,
Data da mesma época os estudos de Murdock“? sobre a trabalhabilidade dos concretos
através dos quais conseguiu propor critérios para obtenção de índices numéricos que
representem bem a influência da granulometria dos agregados, da forma das partículas
e da natureza dos grãos, na consistência dos concretos frescos.
O modelo matemático inicialmente proposto é simplificado nos anos seguintes e passa
a ser conhecido mundialmente como Lei de Murdock, podendo ser assim enunciada:
“A consistência do concreto fresco é diretamente proporcional à relação água/cimento
sempre que esta superar a quantidade mínima de água para obter uma pasta plástica —
da ordem de 0,23 a 0,28 —e inversamente proporcional ao produto do teor de agregados
em volume pelo índice de superfície e pelo índice de angulosidade. O índice de
superfície depende da granulometria dos agregados miúdos e graúdos e o de angulosidade
depende da natureza e forma dos grãos”€9,
Paralelamente ao modelo teórico desenvolvido por Murdock, e que permite não só
estimar a consistência como avaliar a influência das diferentes variáveis em jogo,
Popovicsº? propôs um modelo simples de previsão da quantidade de água necessária
à obtenção de uma certa consistência, com base em verificações experimentais, a saber:

h1o,
A=A (—) ” (equação 2.4)
i

onde: A = volume de água necessário à obtenção da consistência desejada


A. = volume de água inicial, empregado na mistura experimental
h = consistência desejada medida através do abatimento do tronco de cone,
NBR 72239, em mm
abatimento inicial obtido na mistura experimental, em mm
IH
5
Evolução dos Métodos de Dosagem - 63

Popovics estudou ainda, experimentalmente, o fenômeno da segregação do agregado


graúdo e da exsudação da água de amassamento, construindo uma das listas mais
completas de variáveis a serem consideradas nesses casos para obtenção de um
proporcionamento adequado dos materiais constituintes do concreto.
Em 1948, os franceses Robert LºHermite e Tournonº? apresentam seus estudos sobre
a vibração e reologia do concreto fresco, levados a cabo no “Centre d”Études et de
Recherches de 1'Industrie des Liants Hydrauliques — CERILH”, dando início a uma
nova forma de enfocar os estudos de dosagem dos concretos.
Suas propostas são aceitas e desenvolvidas a partir do final da década de 60 por
Tattersall“? em Londres e Bombled“», na França, representando uma nova linha de
pensamento para o entendimento dos problemas encontrados para o tratamento teórico
das dosagens dos concretos. Enquanto até então se buscava superar as dificuldades
inerentes ao próprio preparo do concreto, L'Hermite propôs o conhecimento do
concreto fresco a partir da caracterização de suas constantes reológicas, correlacionando-
as às propriedades do concreto endurecido.
Analisando o concreto fresco sob o enfoque das teorias de mecânica dos solos, esses
pesquisadores serviram-se de ensaios triaxiais para medida das tensões-limite de
cisalhamento dos conglomerados e caracterização de sua consistência e coesão.
Segundo Tattersall, é possível caracterizar o concreto fresco apenas com duas variá-
veis, uma vez que o modelo de Bingham para fluidos plásticos representa em boa
aproximação o comportamento das pastas, argamassas e concretos frescos.
Admite-se que a teoria atual mais abrangente das técnicas de dosagem é a proposta por
Powers em 19682. A partir de estudos no concreto fresco e no concreto endurecido,
é possível, com base nos modelos de Powers, representar o comportamento resistente
integral do concreto, tendo em conta as envoltórias de Coulomb e Mohr.
Sobre a contribuição de Powers, o professor Hernani Savio Sobral assim se expres-
sou“”: “A análise proposta por Powers, que se baseou na mais seleta literatura técnica
sobre o assunto, permite uma generalização das técnicas de dosagem, possibilitando
uma visão bem mais ampla das propriedades do concreto do que aquela oferecida pelos
limitados métodos rotineiramente usados”.

2.2 A Evolução no Brasil


O início da tecnologia no Brasil está relacionado com a instalação — pela Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo — do Gabinete de Resistências dos Materiais,
em 1899. Em 1926, passou a denominar-se Laboratório de Ensaios de Materiais e, a
partir de 1934, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, tendo
comemorado, em 1989, 90 anos de tecnologia.
Segundo Vasconcelos “>, já em 1905 era publicado, pelo Grêmio Politécnico, o Manual
de Resistência dos Materiais resultante das atividades laboratoriais empreendidas pelos
engs. Willhem Fischer e Hyppolyto Gustavo Pujol, no então Gabinete de Resistência
dos Materiais, no qual constavam resultados de ensaios em cimentos e cales, além de
metais e madeiras.
64 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

A partir da década de 20 há um grande desenvolvimento da engenharia nacional e as


obras de concreto armado passam a assumir cada vez maior importância. Inicia-se a
produção brasileira de cimentos Portland induzindo o maior estudo dos conglomera-
dos. No exterior são difundidos os trabalhos de René Ferét, Otto Graf “? e Abrams sobre
a dosagem dos concretos. O eng. Ary Frederico Torres, então diretor do Laboratório de
Ensaios de Materiais, publica em 1927 o Boletim Epusp número 1 intitulado “Dosagem
dos Concretos”“?, que constitui uma obra histórica de confirmação dos modelos
propostos por Ferét e Abrams para explicitar a correlação entre as resistências à
compressão do concreto endurecido e a compacidade deste quando fresco. O método
de dosagem proposto por Ary Torres baseava-se nas recomendações de Abrams, dando
importância para o “Módulo de Finura” do agregado total. O Boletim número 1 teve sua
segunda edição revista e publicada em 1932 e a terceira, e última, editada em setembro
de 1936, já pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Cabe
registrar também que Ary Torres introduziu no Brasil a prática de medir a resistência
à compressão em corpos-de-prova cilíndricos — igual à prática americana — em
substituição aos corpos-de-prova cúbicos até então empregados.
Em dezembro de 1931, o eng. Rômulo de Lemos Romano, colaborador de Ary Torres,
publica o Boletim número 5 do Laboratório de Ensaios de Materiais da Epusp, no qual
apresenta um balanço da situação dos cimentos existentes no mercado e propõe os
termos de uma especificação racional. Em 1933, junto com Ary Torres, propõe, no
Boletim número 11, um método para o ensaio mecânico dos cimentos, que dará origem
mais tarde, em 1940, com a fundação da Associação Brasileira de Normas Técnicas-
ABNT, ao método brasileiro de ensaio de cimento-MB-1.
Nessa época, no Rio de Janeiro, a Estação Experimental de Combustíveis e Minérios,
do então Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, é transformada, em 24 de
maio de 1933, no Instituto Nacional de Tecnologia-INT. Paulo Sá, na qualidade de
chefe da Divisão de Indústria da Construção do INT, publica em 1936 o trabalho
pioneiro sobre os parâmetros característicos dos materiais de construção”. Tomando
por referência o relatório do “Committee on Manual on Presentation of Data” editado
em 1933 pela “American Society for Testing and Materials-ASTM”, Sá mostrou a
necessidade, as implicações e as vantagens de uma análise estatística dos resultados de
ensaio na avaliação dos parâmetros característicos das madeiras, abordando inclusive
o problema da segurança estrutural. Na mesma linha de raciocínio, o engenheiro
Alberto Pastor de Oliveira”, também do Instituto Nacional de Tecnologia-INT,
publica em 1939 a primeira aplicação dos conceitos estatísticos no controle da
resistência à compressão do concreto, analisando 600 corpos-de-prova de uma mesma
obra.
Naépoca fazia parte da equipe do INT o eng. Fernando Luís Lobo Carneiro que no início
de sua carreira estagiou em São Paulo no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, tendo se
entusiasmado com as questões relativas à dosagem dos concretos. Segundo Vasconce-
los!*”, ao retornar ao Rio de Janeiro, Lobo Carneiro tentou aplicar o método de dosagem
de Ary Torres, encontrando sérias dificuldades com os materiais disponíveis, pois só
dispunha de areias muito finas e britas, enquanto em São Paulo, naquela época,
empregava-se areias grossas e pedregulhos.
Evolução dos Métodos de Dosagem - 65

O método do módulo de finura proposto naquela ocasião pelo IPT não indicava como
corrigir os problemas decorrentes da granulometria da areia. Foi necessário enveredar
pelos métodos das curvas granulométricas propostas por Otto Grafe Bolomey. Através
de transformações admensionais nessas curvas, Lobo Carneiro conseguiu transformá-
las em apenas uma, independente da dimensão máxima característica do agregado.
Publica então, em 1937, o seu método de dosagem dos concretos plásticos"”, ampliado
em 1943 para concretos de consistência seca.
Nesse período de euforia das propostas de dosagem com base a curvas granulométricas
de referência, é interessante registrar a contribuição do engenheiro Jayme Ferreira da
Silva Jr. da Seção de Aglomerantes e Concretos do IPT que apresenta, em 1944, um
processo gráfico de simples emprego para mistura de n agregados“, Durante muitos
anos esse processo foi largamente empregado, caindo em desuso somente na última
década, devido à existência dos equipamentos eletrônicos de cálculo que podem efetuar
uma mistura de dois, três, quatro ou mais agregados em segundos.
No ano de 1944, por ocasião do Simpósio de Estruturas realizado no Rio de Janeiro,
promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia, Lobo Carneiro“? propõe a adoção
de resistências de dosagem com base a valores mínimos representados pelo quantil de
2,5%. Essas idéias são avançadíssimas para a época, uma vez que, internacionalmente,
apenas poucos meses antes, haviam sido publicados os trabalhos clássicos de Morgan?”
e Stanton Walker”, Esses pesquisadores propunham, no entanto, a adoção de uma
resistência mínima que fosse ultrapassada em 99% das vezes, ou seja, correspondente
ao quantil de 1%. O tempo demonstrou que Lobo Careiro estava mais próximo do
consenso pois, atualmente, adota-se, a nível mundial, a resistência mínima (caracterís-
tica) como aquela correspondente ao quantil de 5%. Oito anos mais tarde, em 1952, por
ocasião das terceiras Jornadas de Engenharia Estrutural, o engenheiro Eládio Petrucci,
do então Instituto Tecnológico do Estado do Rio Grande do Sul-lters, apresenta um
trabalho na mesma linha de pensamento intitulado “Sugestões para fixação das tensões
de ruptura do concreto na dosagem racional”6?,
Ruy Aguiar da Silva Lemeº”, em 1953, e Francisco de Assis Basílio”, em 1954,
reforçam uma vez mais a importância da consideração da variabilidade da resistência
do concreto nos critérios de dosagem. Eram partidários, no entanto, da adoção do
coeficiente de variação como parâmetro de referência do rigor da produção de concreto.
Suas idéias prevaleceram na elaboração do texto da NB-1/60 — Cálculo e Execução de
Obras de Concreto Armado (ABNT). Na época já não havia consenso entre os
pesquisadores! sobre que parâmetro adotar— coeficiente da variação ou desvio-padrão
— verificando-se mais tarde que a escolha do mais adequado parece depender
do nível
de resistência à compressão do concreto.
No campo das aplicações práticas destacam-se as cartilhas e calculadores de traços de
concreto elaborados por Abílio de Azevedo Caldas Branco. Segundo Vasconcelos“,
esse engenheiro foi quem mais contribuiu, no Brasil, para levar os métodos de dosagem
ao alcance dos mestres-de-obra e até aos engenheiros pouco dedicados ao estudo
teórico. A contribuição inestimável de Ary Torres e Lobo Carneiro não chegava às
(*) Himsworth, vide ref. bibliográfica?”, e Sparkes, vide ref. bibliográfica?”, eram partidários da adoção
do desvio-padrão, contrariando a maioria dos pesquisadores da época.
66 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

obras na velocidade e receptividade das publicações simples de Caldas Branco. O


método de dosagem por ele adotado e tabelado se baseava nos materiais disponíveis no
Rio de Janeiro, mas como simplificava e desmistificava o problema das misturas
chegou a ser usado em todo o país nas décadas de 30, 40 e 50. Evidentemente tratava-
se da primeira aproximação do traço ótimo, em geral, com excesso de ligante e de
argamassa. Dessa forma, ficava caracterizada a necessidade de um acompanhamento,
controle e ajuste posterior dos traços iniciais, principalmente em obras de vulto ou com
materiais de características distintas daquelas por ele estudadas. Em junho de 1942,
Caldas Branco estabelece a primeira empresa privada nacional dedicada ao controle
tecnológico do concreto.
Em 1951,o prof. e eng. Eládio Petrucci, da Seção de Aglomerantes e Concretos do Iters,
apresenta o método de dosagem por ele desenvolvido”, Esse método diferia dos
anteriores de Ary Torres e Lobo Carneiro, por ser mais simples desviando-se do
enquadramento da granulometria dos agregados a curvas ou faixas preestabelecidas e
por abandonar a composição total com módulo de finura compreendido entre limites
estreitos e ótimos. Petrucci enfatizava no seu método a composição que conduzia à
máxima trabalhabilidade dos concretos, observada com base a experimentos em
laboratório e obra. As experiências de Petrucci demonstraram que o concreto mais
compacto, após o lançamento nos moldes é, necessariamente, o mais trabalhável quanto
fresco. Petrucci considerava que nos casos usuais era preferível priorizar a maior
trabalhabilidade — dentro de certos limites racionais — a uma maior compacidade, uma
vez que essa compacidade poderia acabar não sendo obtida em obra, devido à
dificuldade de manuseio do concreto fresco.
Eládio Petrucci deixa o Iters e no final da década de 60 transfere-se para São Paulo, onde
instala uma empresa privada de controle tecnológico. Exerce forte influência no meio
técnico paulistano e assume a disciplina de Materiais de Construção do Curso de
Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A partir da
publicação da primeira versão de seu livro “Concreto de Cimento Portland” pela ABCP,
em 1963, consolida a tecnologia do concreto no Brasil sendo, a partir de então,
respeitado e conhecido em todo o Brasil e América Latina. Seu método de dosagem é
adotado pelo IPT que passa a difundi-lo nacionalmente e a empregá-lo nos estudos
correntes de dosagem””.
Em 1956 é publicado, pela Associação Brasileira de Cimento Portland-ABCP, o
método para dosagem racional do concreto elaborado por Ary Torres e Carlos Eduardo
Rosmanº? do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo-IPT. Nessa
proposta são incorporados os conhecimentos da estatística para a adoção da resistência
média de dosagem, ao mesmo tempo que, praticamente, abandona o critério do módulo
de finura para a escolha da proporção dos agregados, incorporando algumas das idéias
de Eládio Petrucci. '
No mesmo ano, em Salvador, na Bahia, o prof. Sobral realiza pesquisas visando à
comparação entre as propriedades da argamassa e as do concreto que a contém. Com
os resultados obtidos publica sua tese denominada “Contribuição ao Estudo das
Argamassas do Concreto”, com a qual obteve a cátedra da disciplina de Materiais de
Construção da Escola Politécnica da Bahia.
Evolução dos Métodos de Dosagem - 67

Passados nove anos — desde 1956 — de total ausência de publicações técnicas sobre
dosagem, por ocasião da reunião do Grupo Latino-Americano da “Reunión Internacionale
de Laboratoires d'Essais et de Recherches sur les Matériaux et les Constructions”-
GLA-RILEM, ocorrida em Santiago do Chile em novembro de 1965, o prof. Francisco
de Assis Basílio*? da ABCP apresenta um resumo das práticas correntes de dosagem
do concreto no Brasil, destacando as adotadas e difundidas pelo INT, IPT, Iters e pela
ABCP, sendo que esta última, na época, confundia-se com a do próprio IPT. Ressaltava
que os métodos se destinavam à dosagem dos concretos para obras correntes de
engenharia, uma vez que os concretos pesados, concretos leves, concretos massa e
concretos de consistência seca requeriam métodos específicos, ou, no mínimo, uma
adaptação dos citados.
Gilberto Molinari, do IPT, desmonstrando apurada visão tecnológica, funda junto com
Basílio, Petrucci, Bauer, Kuperman, Priszkulnik e outros, em 1971/72, o Instituto
Brasileiro do Concreto-Ibracon que passa a representar a partir de então o mais
expressivo canal de divulgação dos trabalhos sobre argamassa, concreto, concreto
armado e concreto protendido. O Ibracon promoveu, nos últimos 18 anos, 31 reuniões
técnicas, das quais se pode destacar como de interesse deste tema:
a) em setembro de 1973: Colóquio sobre Controle de Qualidade do Concreto Estrutu-
ral no qual são apresentadas sete comunicações;
b) em julho de 1974: Colóquio Paraguayo-Brasileiro sobre Tecnologia do Concreto
Massa no qual são apresentadas 20 comunicações;
c) em maio de 1977: Colóquio sobre Dosagem do Concreto no qual são apresentadas
dez comunicações;
d) em novembro de 1979: Seminário sobre Controle da Resistência do Concreto no
qual são apresentadas nove comunicações;
e) em junho/julho de 1983: Seminário sobre Controle da Resistência do Concreto no
qual são apresentadas 20 comunicações;
f) em julho de 1986: Seminário sobre Sugestões para Revisão da NBR 6118 no qual
são apresentadas seis comunicações.
De todas as contribuições — sempre oportunas e de elevadonível —, vale ressaltar, dentro
da finalidade desta revisão histórica, as comunicações de Hernani Sobral sobre a
generalização das técnicas de dosagem efetuada a partir do método de Powers e a de
Wander Miranda de Camargo, também dentro da mesma linha de pensamento de
obtenção de um modelo único que possa ser aplicado para representar indistintamente
o comportamento do concreto fresco e endurecido em qualquer situação. A contribui-
ção de Simão Priszkulnik“ também deve ser ressaltada por representar o primeiro
trabalho nacional sobre as propriedades reológicas das pastas, argamassas e concretos.
Cabe ainda registrar o grande desenvolvimento havido a partir de 1965 com o início da
construção das grandes barragens brasileiras, no domínio da tecnologia do concreto
massa. O eng. Walton Pacelli de Andrade'“», junto com outros pesquisadores do
Laboratório de Furnas, em Itumbiara, podem ser considerados os pioneiros no Brasil
68 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

ao apresentarem, em julho de 1981, um método de dosagem para concreto massa,


empregado com sucesso a partir das condições e dos materiais nacionais.
Nesta revisão histórica da evolução dos métodos de dosagem no Brasil é necessário
ressaltar ainda a valiosa contribuição de Péricles Brasiliense Fusco, presidente
da Comissão de Estudos de Revisão da NB-1/60 — atualmente continua presidindo a
Comissão de Estudos da ABNT para revisão da NBR 6118 (NB-1/78) numa atividade
de calibragem da norma — e autor dos livros “Fundamentos Estatísticos da Segurança
das Estruturas” e “Fundamentos do Projeto Estrutural”, que revolucionaram e atuali-
zaram o ensino, os conceitos, as práticas e os conhecimentos dos engenheiros civis
nacionais, no campo da tecnologia do concreto armado e seus materiais.
No seminário sobre o Controle da Resistência do Concreto, promovido pelo Ibracon,
em novembro de 1979, o prof. Fusco apresenta uma questão chave dos estudos de
dosagem e controle do concreto“. Deduz teoricamente a influência da variabilidade
da resistência do cimento na variabilidade da resistência do concreto, especulando
sobre suas consegiências práticas. Sendo a relação água/cimento a principal variável
de influência na resistência do concreto, demonstra que é preciso conhecer a variabi-
lidade da resistência do cimento, preocupação, aliás, presente nas propostas nacionais
de métodos de dosagem, porém nunca desenvolvidas em profundidade. A precisão de
suas idéias extravasa o campo dos concretos correntes e interfere nos aspectos de
dosagem e resistência do concreto massa, na sistemática do controle de aceitação de
barras de aço para concreto armado e inúmeras outras na área de segurança das
estruturas.
Deve-se finalmente registrar a publicação em 1984, pela ABCP, do estudo técnico de
autoria de Publio Penna Firme Rodrigues”, denominado Parâmetros de Dosagem do
Concreto, que na verdade representa uma versão atualizada, moderna, simples e
objetiva do método de dosagem americano, descrito no ACI 211.1. O eng. Publio teve
a felicidade de incorporar várias correlações aperfeiçoadas no período de 1956 —
quando foi publicado o método da ABCP de autoria de Ary Torres e Carlos Eduardo
Rosman — até recentemente simplificando e objetivando bastante os métodos até então
publicados no país para a dosagem dos concretos das obras correntes.
Para sintetizar cronologicamente a evolução nacional e internacional dos métodos de
dosagem, apresenta-se na Figura 2.1 um resumo do exposto em 2.1 e 2.2.

2.3 A Consideração da Dosagem nas Normas Nacionais


É interessante verificar como evoluiu a consideração da dosagem dos concretos nos
textos das normas de projeto e execução de obras de concreto armado no Brasil. Essa
evolução é mais lenta que aquela observada no âmbito dos trabalhos técnicos indivi-
duais, uma vez que é necessário obter o consenso de vários técnicos, antes da
incorporação definitiva das novas descobertas ao texto de norma.
No Brasil, em nenhum momento de sua história parece ter havido movimentação ou
interesse do meio técnico para a elaboração de uma norma específica sobre dosagem
dos concretos, como o ocorrido nos EUA que, através do “American Concrete
Evolução dos Métodos de Dosagem - 69

Período Pesquisador Contribuição


Saint-Léger, 1818 * processo de fabricação de cales hidráulicas artificiais
Até 1891 Joseph Aspdin, 1824 * processo de fabricação de cimento Portland
Louis Vicat, 1828 * importância da granulometria da areia; inconvenientes do excesso
“Princípios da tecno- de água; o
logia de cimentos, ar- Rondelet, 1830 « finura da areia é fundamental .
gamassas e concretos” | Préadeau, 1881 . fundamento da granulometria descontínua
Le Chãtelier, 1887 * identifica os compostos principais do cimento
| Paul Alexandre, 1888 * introduz o conceito de água de molhagem dos agregados
| René Ferét, 1892 | < lei fundamental de correlação entre resistência e compacidade
| Fuller, 1901 * curva de referência (parábola) para granulometria ideal
| Duff Abrams, 1918 | + lei universalmente aceita de correlação entre resistência e relação
1892 |] água/cimento; módulo de finura; cone de abatimento para medida de
a consistência
1951 Bolomey, 1925 s melhora a curva de referência de Fuller
Ary Torres, 1927 * confirma modelos de Ferét e Abrams e propõe método do módulo de
“Fundamentos dos finura nO Brasil . ,
métodos clássicos de Du Sablon, 1927 * princípios da granulometria descontínua =
dosagem” Inge Lyse, 1931 * demonstra a importância da água por unidade de volume na defini-
| ção da consistência do concreto
Lobo Cameiro, 1937 « métodos de dosagem do INT com base nas curvas de Bolomey
Blanks, 1944 * texto consensual do ACI (na época 613, atual 211)
Vallete, 1949 * método de dosagem com base a granulometria descontínua e água
de molhagem
Petrucci, 1951 * método de dosagem do Iters - criação própria
Paulo Sá, 1936 « aplicação da estatística às características das madeiras
Oliveira, 1939 * aplicação da estatística ao controle da resistência do concreto
Walker, 1944 * aplicação dos conceitos da probabilidade à dosagem do concreto
1936 CER)
á Morgan, 1944 * dosagem do concreto com base a resistências mínimas (1%)
Lobo Carneiro, 1944 * dosagem do concreto com base a resistências mínimas (2,5%)
1978 5 na
Leme, 1953 * conceito modemo de coeficiente de segurança
C&CA, 1954 * simpósio sobre dosagens e controle da qualidade do concreto
“Consideração
dos pa- | Basílio, 1954 | * influência do coeficiente de variação na dosagem
râmetros estatísticos” | ABNT, NB-1 1960 * adota exclusivamente o coeficiente de variação como parâmetro
característico da produção de concreto
CEB, CIB, FIP, Rilem, 1972 “privilegia o desvio-padrão como parâmetro característico da produ-
ção de concreto
ABNT, NBR- 6118 1978 * adota exclusivamente o desvio-padrão como parâmetro caracterís-
tico da produção de concreto
L'Hermite, 1950 * introduz o modelo reológico para representar o comportamento do
concreto fresco
1950 Tatersall, 19572 | * aprofunda os estudos de reologia
Bombled, 1968 * aprofunda os estudos de reologia do concreto fresco correlacionan-
à do-o ao concreto endurecido
1978 Powers, 1968 * propõe um modelo abrangente de dosagem
Sobral, 1977 analisa o modelo de Powers, no Brasil
“Teorias Camargo, 1977 * propõe uma representação do comportamento resistente integral do
abrangentes” concreto
Priszkulnik, 1977 * analisa os modelos reológicos
Tattersall, 1978 * publica um resumo das teorias sobre reologia e trabalhabilidade dos
concretos frescos
Kurt Walz, 1958 « introduz a curva de referência da resistência do cimento com a
relação água/cimento. que é posteriormente adotada em vários
países
1958 Murdock, 1960 * apresenta uma fórmula simplificada de representação dos fatores
a que influem na trabalhabilidade
1990 Popovics, 1968 | * apresenta critérios simples e práticos utilizáveis para os ajustes
experimentais do traço teórico
“Aperfeiçoamento e | Fusco, 1979 * ressalta a importância da variabilidade da resistência do cimento
simplificações dos pa- sobre a resistência do concreto
râmetros de dosagem” | Rodrigues, 1990 | * apresenta a versão nacional do método de dosagem do ACI
incluindo parâmetros obtidos de correlações atualizadas

Figura 2.1 - Síntese cronológica da evolução dos métodos de dosagem no exterior e no Brasil
70 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Institute”, constituiu em 1936 o Comitê 613 (posteriormente alterado para 211), com
o encargo de elaborar um primeiro texto consensual sobre dosagem. Os ingleses
também publicam, em 1947, um primeiro texto de caráter consensual e normativo,
específico sobre dosagem“?, seguidos por outros países.
O assunto dosagem, no Brasil, foi então sempre referido nas normas de projeto e
execução de obras de concreto, limitando-se à especificação do cálculo da resistência
média de dosagem a partir da qual se faz o proporcionamento do concreto a ser
produzido em obra. Apesar de a resistência de dosagem ser apenas uma das atividades
de estudo de dosagem, ela tem importância econômica e técnica destacada. Sua
importância técnica está diretamente relacionada com os métodos de introdução da
segurança no projeto estrutural, enquanto o custo do concreto é, essencialmente, função
do consumo de cimento por metro cúbico que depende da resistência média desejada.
Pode-se considerar que o primeiro texto consensual nacional sobre projeto e execução
de obras de concreto foi o “Regulamento para as Construções em Concreto Armado”,
publicado em 3 de julho de 1931 pela “Associação Brasileira de Concreto-ABC” 9,
Nesse regulamento, na seção V, a dosagem do concreto é assim tratada:
“35 — Dosagem arbitrária
1 -Paraos efeitos deste Regulamento, entender-se-á por dosagem arbitrária a que for
feita sem levar em conta a porcentagem de água e a graduação dos aggregados.
2 - Em qualquer concreto dosado arbitrariamente é obrigatório um teor mínimo de
300 kg de cimento por metro cúbico de concreto.
3 - Em geral, os concretos à dosagem arbitrária compor-se-ão de: 500 litros de
aggregado miúdo; 800 litros de aggregado graúdo, e 300, 350 ou 400 kg de cimento
para um metro cúbico de concreto.
16 -... A quantidade de água não poderá ultrapassar:
220 litros para o concreto de 300 kg de cimento por metro cúbico
250 litros para o concreto de 350 kg de cimento por metro cúbico
280 litros para o concreto de 400 kg de cimento por metro cúbico.
36 — Dosagem racional
1 - Entender-se-á por concreto dosado racionalmente um concreto cuja composição
tenha sido determinada de acordo com o disposto no boletim nº 1 do Laboratório da
Escola Polytéchnica de São Paulo; isto é, de accordo com os processos modernos que
baseia a resistência do concreto no factor água/cimento e na granulometria do
aggregado”.
O Regulamento em questão indicava, ainda, no artigo 38, que a resistência média de
dosagem deveria ser (4) quatro vezes superior à tensão-limite admissível adotada
para o dimensionamento de pilares com cargas axiais ou (3) três vezes aquela
adotada para as demais situações. Referia-se a resistências médias obtidas de corpos-
de-prova cúbicos, permitindo a redução desses coeficientes para 3,6 e 2,7, respectiva-
mente, no caso de resistência obtida a partir de corpos-de-prova cilíndricos.
Evolução dos Métodos de Dosagem - 71

O método de introdução da segurança no projeto da estrutura adotado por esse


Regulamento era o das tensões admissíveis, não permitindo considerar concretos com
resistências médias de dosagem acima de 26 MPa. Não levava em conta, também, as
conseguências da variabilidade da resistência do concreto na adoção da tensão-limite
admissível de compressão do concreto, retratando o nível de conhecimento da época.
Seis anos após a veiculação da primeira recomendação de âmbito nacional pela ABC,
a Associação Brasileira de Cimento Portland-ABCP, fundada em 1936, publica aquele
que pode ser considerado o segundo texto de âmbito nacional, denominado “Normas
para Execução e Cálculo de Concreto Armado”, Esse texto foi elaborado pelos
engenheiros Ary Frederico Torres, Clodomir Ferr Valle, José Augusto Junqueira e
Telemaco van Langendonck, após consultarem diversos técnicos e entidades nacio-
nais, tomando por referência as normas americanas e alemãs vigentes na época.
No que diz respeito à dosagem do concreto, permitia a dosagem empírica e recomenda-
va a dosagem racional nos mesmos moldes do Regulamento da ABC/31. No capítulo
VII, artigo 93, a norma da ABCP/1937 indicava que a resistência média de dosagem
deveria ser 3,5 vezes superior à tensão admissível à compressão adotada para o
dimensionamento de peças em compressão axial ou flexão composta (referida ao centro
de gravidade) ou pelo menos 2,5 vezes para flexão simples ou composta (referida à
borda da seção). Mantinha a não consideração de variabilidade da resistência do
concreto na adoção da tensão admissível e não permitia considerar concretos com
resistências médias à compressão acima de 26 MPa.
Passados apenas três anos da edição da norma da ABCP, é fundada em 1940, no Rio
de Janeiro, a Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABNT que, após pequenas
revisões efetuadas no texto da norma da ABCP/1937 publica, em 28 de setembro de
1940, a primeira norma de caráter efetivamente nacional, reconhecida pelo decreto-lei
nº2.773 de 11/11/1940 assinado pelo então presidente da República Getúlio Vargas.
À dosagem de concretos é então tratada no capítulo VI, artigos 86 e 87, nos mesmos
moldes do texto danorma ABCP/1937, permitindo a dosagem empírica e recomendan-
do a dosagem racional. Indicava ainda o artigo 91 que a resistência média de dosagem
deveria ser 3,0 vezes superior à tensão admissível à compressão adotada para o
dimensionamento das peças em compressão axial ou flexão composta e 2,5 vezes para
os demais casos. Mantinha a não consideração da variabilidade da resistência do
concreto na adoção da tensão admissível e não permitia considerar concretos com
resistências médias à compressão acima de 21 MPa para compressão axial e flexão
composta e 27 MPa para as demais solicitações.
Emnove anos de normalização ocorria umaredução do coeficiente de segurança interno
global de 25% (passou de quatro em 1931 para três em 1940), sem que tenha havido um
correspondente aumento das tensões admissíveis limites que se manteve em torno de 6
MPa, permitindo-se tão-somente a economia no traço de concreto, uma vez que passa-
vam a ser aceitos os concretos com resistência média à compressão mais baixa.
As revisões seguintes da NB-1, efetuadas pela ABNT em 1943 e 1950, mantêm as
recomendações do texto de 1940, alterando apenas alguns aspectos relativos ao cálculo
da estrutura.
72 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

A próxima modificação significativa ocorre somente em 1960. Neste período, a nível


nacional e internacional, vários trabalhos são publicados 2%» (25). (26). (27), (28), (48). (49), (54). (665)
ressaltando a necessidade da consideração da variabilidade da resistência no cálculo da
resistência de dosagem. A interação dosagem-controle do concreto transparece no
Simpósio promovido pela “Cement and Concrete Association-C&CA”, em Londres,
em 195403,
Esses novos conhecimentos foram incorporados ao texto da NB-1/1950, dando origem
ao texto da NB-1/1960º?. A dosagem dos concretos passou a ser assim indicada no
capítulo VI, artigo 90:
“A dosagem racional pode ser feita por qualquer método baseado na relação entre a
quantidade de água e o peso de cimento (relação água/cimento), desde que devidamente
justificado e submetido à fiscalização e desde que satisfaça às seguintes condições:
a) a fixação da relação água/cimento decorrerá da tensão o,,, calculada de acordo com
as fórmulas do artigo 89, em função da tensão mínima de ruptura 6...”
Como se verifica, a dosagem passou a ser feita em função da resistência média f, de
forma a atender à resistência característica do concreto à compressão f ., especificada
no projeto estrutural e definida no artigo 89 da NB-1/1960.
A resistência média inicial de dosagem fica definida no texto a partir de duas formas.
Uma primeira subjetiva que depende exclusivamente do padrão de qualidade a ser
implantado na futura obra. Uma segunda, com base no coeficiente de variação da
produção e ensaio do concreto, que depende do conhecimento prévio de pelo menos 32
exemplares da mesma obra — no caso de ajustagem da dosagem —, ou de outra obra do
mesmo construtor onde o grau de controle da execução do concreto tenha sido o mesmo
que se pretende implantar na obra a iniciar.
Infelizmente, as duas formas recomendadas podem ser consideradas deficientes à luz
dos conhecimentos atuais. Foi, no entanto, a última palavra em termos do estado de
conhecimento nos fins da década de 50,
O texto da NB-1/1960 vigorou por 18 anos. O prazo foi excessivo se considerado o
período ideal recomendado por entidades internacionais e pela própria ABNT, de
revisão entre dois e cinco anos após a publicação da norma. O novo texto, publicado em
1978, apresentou modificações sensíveis em relação ao anterior, indicando em 8.3 do
capítulo VII:

“ 8.3.1 Dosagem experimental


A dosagem experimental terá por fim estabelecer o traço do concreto para que este tenha
a resistência e a trabalhabilidade previstas, expressa esta última pela consistência.

[Link] Método
A dosagem experimental poderá ser feita por qualquer método baseado na correlação
entre os característicos de resistência e durabilidade do concreto e a relação água/
cimento, levando-se em conta a trabalhabilidade desejada e satisfazendo-se às seguin-
tes condições:
Evolução dos Métodos de Dosagem - 73

a) a fixação da relação água/cimento decorrerá:


- da resistência de dosagem f .,, ou na idade prevista no plano da obra para que a
resistência seja atingida, de acordo com o item [Link];
- das peculiaridades da obra relativas à sua durabilidade (tais como impermeabilidade
e resistência ao desgaste, à ação de líquidos e gases agressivos, a altas temperaturas
e a variações bruscas de temperatura e umidade) e relativas à prevenção contra
retração exagerada;
b) a trabalhabilidade será compatível com os característicos dos materiais componen-
tes, com o equipamento a ser empregado na mistura, transporte, lançamento e
adensamento, bem como com as eventuais dificuldades de execução das peças.

[Link] Resistência de dosagem


Quando for conhecido o desvio-padrão s da resistência, determinado em ensaios com
corpos-de-prova da obra considerada ou de outra obra cujo concreto tenha sido
executado com o mesmo equipamento e iguais organização e controle de qualidade, a
resistência de dosagem será calculada pela fórmula:
f.=[,+1,655,
cj c

sendo o desvio-padrão de dosagem s determinado pela expressão:


S4=K,.-8,
onde k tem o valor seguinte, de acordo com o número n de ensaios:
1 = 20 25 30 50 200
k= 1,35 1,30 1;25 1,20 1,10
Não se tomará para s valor inferior a 2 MPa.
Se não for conhecido o desvio-padrão s,, o construtor indicará, para efeito da dosagem
inicial, o modo como pretende conduzir a construção, de acordo com o qual será fixado
o desvio-padrão s pelo critério abaixo (em todos os casos será feito o controle da
resistência, durante o decorrer da obra, conforme o item 8.4.4):
a) quando houver assistência de profissional legalmente habilitado, especializado em
tecnologia do concreto, todos os materiais forem medidos em peso e houver medidor de
água, corrigindo-se as quantidades de agregado miúdo e de água em função de determi-
nações frequentes e precisas do teor de umidade dos agregados, e houver garantia de
manutenção, no decorrer da obra, dahomogeneidade dos materiais a serem empregados:
s,=4 MPa
b) quando houver assistência de profissional legalmente habilitado, especializado em
tecnologia de concreto, o cimento for medido em peso e os agregados em volume, e
houver medidor de água, com correção do volume do agregado miúdo e da quantidade
de água em função de determinações frequentes e precisas do teor de umidade dos
agregados:
S4= 5,5 MPa
74 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

c) quando o cimento for medido em peso e os agregados em volume e houver medidor


de água, corrigindo-se a quantidade de água em função da umidade dos agregados
simplesmente estimada:
s,= 7,0 MPa

8.3.2 Dosagem não experimental


A dosagem não experimental, feita no canteiro da obra, por processo rudimentar,
somente será permitida para obras de pequeno vulto, respeitadas as seguintes condições
e dispensado o controle da resistência:
a) a quantidade mínima de cimento por metro cúbico de concreto será de 300 kg;
b)a proporção de agregado miúdo no volume total do agregado será fixada de maneira
a obter-se um concreto de trabalhabilidade adequada ao seu emprego, devendo estar
entre 30% e 50%;
c) a quantidade de água será a mínima compatível com a trabalhabilidade necessária”.
Verifica-se, dessa forma, que a definição da resistência de dosagem passou a ser
determinada por uma regra de decisão, em que se adota um valor para o desvio-padrão
de dosagem s,. Isso melhora o critério anterior da NB-1/1960 que se fundamentava
exclusivamente no coeficiente de variação, principalmente para resistências à com-
pressão iguais ou superiores a 20 MPa.
Com essas informações pode-se efetuar o seguinte resumo de evolução dos critérios de
cálculo da resistência de dosagem:
- 1931- ABC resistência média = (3 a 4) vezes a tensão admissível
1937 - ABCP resistência média = (2,5 a 3,5) vezes a tensão admissível
1940 - ABNT resistência média = (2,5 a 3,0) vezes a tensão admissível
1943 - ABNT resistência média = (2,5 a 3,5) vezes a tensão admissível
1950 - ABNT resistência média = (2,5 a 3,5) vezes a tensão admissível
1960 - ABNT resistência média = resistência característica/ (1 - 1,64. v,)

* 1978 - Inmetro resistência média = resistência característica + 1,65 .5,


Apesar da evolução ocorrida pode-se questionar ainda no texto atual da NBR 6118:
1) E razoável majorar a resistência de dosagem de k, para aumentar a probabilidade de
aceitação do concreto, com prejuízos econômicos?
2) Será que os valores indicados para o desvio-padrão inicial e subjetivo de dosagem
não poderiam ser alterados para menos, retratando a evolução havida nos processos de
produção do concreto nos últimos anos?
3) Por que não adotar a relação água/cimento com base a curvas médias de correlação
entre a resistência do cimento e a relação água/cimento para cada tipo e classe de
cimento nacional?
Evolução dos Métodos de Dosagem - 75

Essas questões estão desenvolvidas nos capítulos seguintes deste Manual, constituindo
uma contribuição à fixação de parâmetros para dosagem e controle dos concretos de
cimento Portland.

2.4 Objetivo e Metodologia Geral de Dosagem


Às principais propriedades do concreto endurecido são normalmente expressas pelo
projetista das estruturas enquanto que as propriedades do concreto fresco são determi-
nadas pelas técnicas de execução — transporte, lançamento e adensamento do concreto
—, assim como pelas próprias características geométricas da estrutura a ser concretada.
Cabe ao tecnologista de concreto conciliar essas exigências satisfazendo a ambos
através de um concreto o mais econômico possível. Apesar de óbvia, esta última
condição é fregientemente esquecida, encontrando-se engenheiros que se orgulham de
produzirem ou empregarem em suas obras concretos com características — e custo —
muito acima das mínimas exigidas.
A compatibilidade entre as características ótimas do concreto fresco para uma dada
situação e aquelas exigidas após seu endurecimento não é facilmente obtida. A Figura
2.29 enfatiza a necessidade de um compromisso entre o ótimo e o possível, uma vez
que parâmetros importantes de dosagem evoluem em sentidos opostos, segundo se
pretenda satisfazer as exigências para concreto fresco ou para concreto endurecido.
A dosagem do concreto pode então ser entendida como sendo o proporcionamento
adequado dos materiais constituintes — cimento, agregado miúdo, agregado graúdo,

Parâmetros de Concreto fresco Concreto Para


dosagem do o | endurecido
| redução
concreto Para uma boa Para uma boa do custo
o trabalhabilidade resistência
Granulometria do de preferência de preferência grossa
agregado miúdo fina grossa
Relação Ro graúdo/
mito a diminuir aaumentar ,
a maior possível
SIV

Consumo de água | a aumentar até um a diminuir acertonbai


certo ponto
Granulometria total preferível preferível “a disponível
contínua descontínua
Dimensão máxima de preferência de preferência a maior possível
característica do média pequena
agregado
Geometria do grão de preferência de preferência esférica
de agregado graúdo | esférica (pedregulho) irregular (brita) (pedregulho)

Figura 2.2 — Sentido da evolução de diversos parâmetros da dosagem em função da tra-


balhabilidade, da resistência mecânica e do custo
76 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

água e eventualmente aditivos — com vistas ao atendimento das seguintes cinco


condições principais:
I- Exigências de projeto: o projeto estrutural especifica as características mínimas de
resistência, impermeabilidade, resistividade elétrica, deformabilidade, acabamento e
outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma determinada
idade. Em geral para obras correntes, a resistência à compressão é propriedade principal
e está especificada como resistência característica do concreto à compressão. O projeto
estrutural não especifica, porém explicita claramente as dimensões das seções críticas
onde há traspasse de armaduras, o espaçamento entre armaduras, assim como o
cobrimento mínimo de proteção a estas. Esses são requisitos a serem levados em conta
principalmente na escolha da dimensão dos agregados e da trabalhabilidade da mistura
fresca. No projeto estrutural deveriam estar também explícitos os períodos previstos
para eventuais manutenções; essas informações são básicas para as tomadas de decisão
quanto às exigências de durabilidade.
H- Condições de exposição e operação: o proporcionamento dos materiais deve levar
em conta as características de agressividade da atmosfera, do solo e dos eventuais
produtos em contato com a estrutura. E sabido que em atmosferas marinhas e industriais
osriscos de corrosão das armaduras por ação despassivante de cloretos são muitas vezes
maiores que em atmosferas rurais. Da mesma forma as condições de operação dos
elementos estruturais — pressão de água, velocidade da água, abrasão, insolação seguida
de resfriamento brusco, condensação, nível de tensões etc. — interferem nas exigências
de durabilidade a serem cobradas do concreto endurecido. O parâmetro principal a ser
considerado nestes casos é a relação água/cimento, sendo que alguns autores se referem,
também, ao consumo mínimo de cimento, por entenderem que a pasta deve envolver
todos os grãos do agregado.
NI — Tipo de agregado disponível economicamente: à primeira vista não há por que
relacionar agregados, uma vez que estes deveriam fazer parte, em princípio, das
variáveis e não estar entre os requisitos a serem atendidos. Ocorre que nem sempre
é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura
e que também não apresentem reatividade com os compostos hidratados da pasta de
cimento. Há regiões, como por exemplo Rio de Janeiro e Salvador, onde a areia
disponível economicamente tem granulometria muito fina. Há outras regiões em que
os agregados são reativos com os cimentos havendo risco de apresentarem reações
expansivas anos após o término das obras. As características de forma e textura dos
agregados influirão na quantidade mínima de água para obtenção da trabalhabilidade
desejada e sua eventual reatividade deverá ser combatida com o emprego de cimentos
pozolânicos ou de baixo teor de álcalis.
IV — Técnicas de execução: estão relacionadas principalmente com as operações de
transporte, lançamento e adensamento do concreto, disponíveis e planejadas para
emprego em obra. Concretos a serem transportados, por exemplo, por tubulações
(bombeamento) devem possuir maior teor de argamassa que concretos transportados
por caçambas para uma mesma finalidade última. As técnicas de execução interferem
diretamente na definição da trabalhabilidade da mistura — coesão, consistência,
plasticidade, bombeabilidade etc. — e indiretamente na escolha da dimensão máxima
característica do agregado graúdo.
Evolução dos Métodos de Dosagem - 77

V — Custo: admite-se que um concreto é econômico quando consegue atender às


exigências anteriores com o mínimo consumo de cimento, uma vez que, em geral, o
cimento tem custo várias vezes superior ao dos agregados e água. A busca do consumo
mínimo de cimento pode não ser — em alguns casos — o único fator de barateamento do
custo do concreto como no emprego de aditivos — por exemplo —, pois alguns têm preço
equivalente ao do cimento, por unidade de volume de concreto. Em geral, é sempre
preferível e mais econômico empregar agregados graúdos de maior dimensão possí-
vell). Isso também pode não ser mais econômico em locais onde haja dificuldades de
obtenção de agregados graúdos — como, por exemplo, grande parte da Amazônia.
Nestes casos pode ser conveniente aumentar a proporção de areia e cimento a fim de
obter assim o concreto mais econômico!”?.
Portanto, ao se efetuar uma dosagem, as propriedades dos concretos em ambas as
condições — fresco ou endurecido — devem ser consideradas igualmente. As propri-
edades funcionais do concreto endurecido, tais como resistência, durabilidade e
aparência, só podem ser asseguradas se a trabalhabilidade do concreto fresco for
compatível com as condições de trabalho.
De acordo com o exposto, pode-se afirmar que a dosagem é um processo bastante
abrangente, exigindo amplo conhecimento das propriedades dos concretos tanto no
estado endurecido quanto no estado fresco. Os métodos de dosagem, sem exceção,
permitem obter teórica e analiticamente um primeiro traço, mais provável. Essa
primeira proporção dos materiais deverá, contudo, sempre ser conferida e geralmente
ajustada através de amassadas experimentais em laboratório para obtenção do traço
desdobrado indicado para início da produção. A experiência tem demonstrado ainda a
conveniência de ajustes iniciais em obra em função dos diferentes volumes e equipa-
mentos de cada amassada. Esses ajustes devem se manter após o inicial, periodicamen-
te, em função dos resultados de controle de produção, na medida em que estes forem
sendo obtidos e processados.
A necessidade de ajustes experimentais, preferencialmente efetuados por técnicos
experientes, decorre da impossibilidade de reproduzir, através de modelos matemáti-
cos, todas as características dos materiais a serem proporcionados. Esse fato permite
que alguns autores compartilhem da opinião do renomado prof. Kumar Mehta, da
Universidade de Bekerley'”? que considera os métodos de dosagem “... mais uma arte
que propriamente uma ciência. O exercício dessa arte, no entanto, é altamente
recompensador porque os efeitos da dosagem no custo e nas propriedades do concreto
são claramente sentidos”.
Com o objetivo de explicitar melhor a segiiência geral de atividades necessárias a um
estudo de dosagem, apresenta-se na Figura 2.3 um quadro esquemático que sintetiza os
passos ou etapas a serem percorridas, enumerando-se sete principais a seguir discuti-
das:
1º) Condições que um estudo de dosagem deve atender: compõem-se das cinco condi-
ções anteriormente enumeradas.

(*) Essa regra de ouro vale para os concretos correntes com f, <30 MPa. Acima desse nível de resistência,
o emprego de agregados graúdos de menor dimensão pode ser imprescindível e interessante.
78 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

2º) Elementos de referência inicial: compreendem os 11 aspectos (Figura 2.3).


3º Decisões tomadas segundo critérios próprios de cada país ou região que incluem:
* escolha do tipo de cimento;
* cálculo da resistência de dosagem;
* escolha da dimensão máxima do agregado graúdo;
* escolha da trabalhabilidade.
A escolha do tipo de cimento será função das condições de exposição e operação, das
exigências de projeto, da natureza dos agregados e, principalmente, da disponibilidade
de cimento adequado na região. Há regiões no Brasil, como por exemplo o Rio Grande
do Sul, onde o cimento disponível econômicae comercialmente é o pozolânico de cinza
volante. O cálculo da resistência de dosagem, no Brasil e para obras correntes, deve ser
efetuado com base nas recomendações do capítulo 8, seção 8.3 da NBR 6118 — Projeto
e Execução de Obras de Concreto Armado — Procedimento (1978). A escolha da
dimensão máxima característica do agregado graúdo é feita com base nas recomen-
dações dos itens [Link] e [Link] da NBR 6118, no eventual diâmetro de tubulação
quando se tratar de concreto bombeado, e em função das disponibilidades comerciais
de dimensão dos agregados. A trabalhabilidade, geralmente expressa pela consistência
medida pelo ensaio de abatimento do tronco de cone, NBR 7223, será obtida de tabelas
que levam em conta o tipo de elemento estrutural que será concretado e os equipamen-
tos disponíveis para transporte, lançamento e adensamento do concreto fresco. A
Tabela A [Link] do método do “American Concrete Institute”, ACI 211.1, tem sido
indistintamente usada em várias regiões do país.
4º) Parâmetros de referência singulares de cada país ou região que compreendem:
* estimativa da relação água/cimento mais provável;
* estimativa do consumo de água por metro cúbico de concreto mais provável.
À estimativa da relação águalcimento deve ser feita com base a curvas de correlação
das resistências dos concretos com as resistências médias dos tipos nacionais de
cimento normalizados. Essas correlações não existiam no país, apesar de aparecerem
nos primeiros métodos de dosagem de Ary Torres publicado pelo IPT em 1927 e do INT
publicado em 1937. Rodrigues”, em 1984, propõe curvas de correlação obtidas a partir
de um conceito diverso do entendimento adotado neste Manual. Retornar-se-á com
maior profundidade neste tema no capítulo 3. A estimativa de consumo de água por
metro cúbico de concreto mais provável para se obter a consistência desejada levando
em conta a forma, a textura e a granulometria dos agregados disponíveis é obtida de
tabelas próprias de cada região como apresentada no estudo técnico nº 67 da ABCP já
citado.
5º Cálculo analítico comum a todos os métodos que inclui:
* cálculo do consumo de cimento por metro cúbico de concreto mais provável;
* cálculo do consumo ou teor de agregados secos totais por metro cúbico de concreto
mais provável,
Passos

1º an EXIGÊNCIAS DE PROJETO CUSTO TÉCNICAS DE EXECUÇÃO | | AGREGADOS! | 1º


To 4" 4 ———— 4 t y k y y % E
po | |Locais Regionais Vida Resistência à Outras Dimensão das seções e es- Aspectos Trans- Lança- | |Adensa-| | Formae 2º
7 útil compressão propriedades paçamento das armaduras regionais porte mento mento textura
+—— le Le Lé le ] L nld j y E E
Y Y e E o Y

: Resistência de Dimensão máxima to


32 Tipo de cimento dosagem carac. agregado graúdo Trabalhabilidade ge

=. y y eso a
4º Relação água / cimento, mais provável io colo da Eta 4º

5º | Consumo de cimento e de agregados totais por rr” de concreto mais provável | 5º


ap y — — —

Desdobramento do traço ou proporção relativa de cada agregado através de:


METODOS TEÓRICOS MÉTODOS EXPERIMENTAIS

dosagem do concreto para obras correntes


* Módulo de finura (Abrams, Ary Torres) * Máxima trabalhabilidade (Petrucci, IPT)
8º * Granulometrias ideais contínuas (Fuller, Bolomey, Thompson Faury, INT) * Outros 8º

* Granulometrias ideais descontinuas (Du Sablon, Vallette)

* Volume de agregado graúdo compactado seco por m de concreto (ACI, ABCP)

* Outros

EE y a leo rgndhs
| Ajustes experimentais em laboratório |
!
| Traço básico para início da produção |
y
7 | Ajuste inicial do traço básico em obra | 7
y
| Controle de produção |
y
| Traço periodicamente ajustado em obra |

Figura 2.3 — Quadro esquemático das atividades a serem consideradas num estudo de
Evolução dos Métodos de Dosagem - 79
80 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Esses cálculos são efetuados a partir do conhecimento da relação água/cimento e da


estimativa de água por metro cúbico de concreto. Admitindo concreto bem adensado,
com teor de ar aprisionado inferior a 1,5% e conhecendo-se a massa específica dos
materiais é possível estimar analiticamente a massa de cimento e de agregados totais
por unidade de volume de concreto. A incerteza aumenta quando as massas específicas
dos agregados miúdo e graúdo são muito diferentes, o que em geral para obras correntes
não ocorre.
6º) Metodologia própria de cada país, instituição ou pesquisador: o desdobramento
teórico ou experimental da proporção cimento/agregado total encontrada anteriormen-
te pode ser efetuado de inúmeras maneiras, pelos mais diferentes métodos de dosagem
dos quais cita-se os principais em 2.1 e 2.2. O objetivo maior é obter a proporção ótima
entre os agregados miúdos e os diferentes agregados graúdos disponíveis, compondo-
os de forma a conseguir a máxima compacidade, o menor volume de vazios e o menor
custo, assegurando a melhor trabalhabilidade possível à mistura fresca.
7º) Ajustes experimentais comuns a todos os métodos: são experiências efetuadas em
laboratório com o objetivo de confirmar e eventualmente ajustar o traço obtido
teoricamente. Na existência de curvas fidedignas de correlação entre resistência à
compressão e relação água/cimento é necessário efetuar traços auxiliares, mais ricos €
mais pobres que aqueles “potencialmente” adequados, a fim de obter a correlação
específica para os materiais em questão. Evidentemente, este procedimento tem seus
inconvenientes que serão objeto de maior discussão nos capítulos 3 e 4. O ajuste do
traço não se limita, contudo, só ao Laboratório. Deve ser efetuado também em obra no
início da produção, para levar em conta as características de operação dos materiais —
estocagem, umidade, volume — e dos equipamentos. É recomendável ainda o ajuste
periódico em função dos resultados de controle de produção, na medida em que estes
forem sendo obtidos.

2.5 Cálculo da Resistência de Dosagem


2.5.1 Fatores intervenientes

Todo produtor, ao oferecer uma certa quantidade de concreto, corre o risco de vê-la
rejeitada, mesmo que esta esteja absolutamente de acordo com o especificado. Esse
risco será tanto menor quanto mais acima da resistência exigida esteja a média ou o
valor característico de sua produção.
A cada lote ou partida homogênea de concreto produzido e submetido ao controle de
aceitação, corresponderá uma amostra com n exemplares. Como o tamanho n da
amostra em geral não atinge o tamanho n— cs da população correspondente, a média,
Emi? eo desvio-padrão, s , dos resultados serão sempre uma estimativa, mais ou menos
precisa, da média, |, e do desvio-padrão, o, da população.
Os limites de confiança dos parâmetros populacionais u e 6, a partir do cálculo
dos parâmetros amostrais Ei e s, para um intervalo p% de confiança, podem ser
dados por:
Evolução dos Métodos de Dosagem - 81

a) Limites de confiança para o intervalo de variação do desvio-padrão populacional;


al) Grandes amostras (n 235):

s.- J H (p%)Stbd 407


<g<s + E (p%)E seDESee
ê v2(n-1) : (men
a.2) Pequenas amostras:

Ea

Ed
2
dás. c
EA
x2.

Nestas expressões, u (p%) é o valor crítico da variável normal reduzida para um


determinado intervalo p% de confiança e Ea e x”, correspondem ao limite de
confiança superior da distribuição de qui-quadrado para o intervalo p% de confiança
desejado.
b) Limite de confiança para o intervalo de variação da média populacional;

b.l) Grandes amostras (n > 35):

my” EM ES SUS E + (%) Yn'


S

b.2) Pequenas amostras:


S s.
Lo 4 (9) E =] <u<fo +t(pã) TE

onde t corresponde à variável da distribuição de Student.


Para efeitos de fixação da resistência média de dosagem, Emi, a» OU seja, a resistência
média com a qual se pretende assegurar o Lei especificado no projeto estrutural, a NBR
6118 recomenda que seja empregado o limite superior do desvio-padrão populacional
com os seguintes graus de confiança”.
1) Para grandes amostras: p% = 95%
2) Para pequenas amostras: p% = 90%
Esse valor, denominado desvio-padrão de dosagem s 4 É então utilizado no cálculo da
resistência média de dosagem:
fas
emj
ii 1,65: 8,

Na NBR 6118/78, por simplificação o limite superior:


c
o<s+u (p%) —— gr andes amostras ou
veda
- 1)
82 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

- S. pequenas amostras

é apresentado como: 6 <k .s (paras =s)

onde k assume os seguintes valores (NBR 6118/78, seção 8.3);


n 20 25 30 50 200
k. 1,35 1,30 las L20 110
Na Tabela 2.1 apresenta-se os valores efetivos limites do intervalo de confiança do
desvio-padrão.
A determinação experimental do desvio-padrão para efeitos de formulação, ou refor-
mulação de dosagens, poderá ser conduzida sobre resultados de ensaios obtidos na
obra, com a produção em andamento, ou em obra equivalente. Por obra equivalente
entender-se-á aquela que emprega a mesma matéria-prima, disponha do mesmo
equipamento e adote a mesma organização e controle da qualidade.

Tabela 2.1 — Valores-limite de confiança do desvio-padrão

Pequenas amostras (p=90%) Grandes amostras (p=95%)


Número (n) Limite Limite | Número (n) de Limites inferior
de exemplares inferior (-k) superior (+k,) exemplares e superior (tk)

4 0,52 2,92 30 1,26


5 0,65 2,37 31 1,25
6 0,67 2.09 32 1,25
F 0,69 1,91 33 1,25
8 0,71 1,80 34 1,24
9 0,72 1,71 35 1,24
10 0,73 1.64 36 1,23
1 0,74 1,59 37 1,23
12 0,75 1,55 38 1,23
13 0,76 Ls2 39 1,23
14 0,76 1,49 40 1,22
15 0,77 1,46 45 121
16 0,78 1,44 so 1,20
17 0,78 1,42 55 1,19
18 0,79 1,40 60 1,18
19 0,79 1,38 65 417
20 0,79 1,37 70 1,17
21 0,80 1,35 75 1,16
22 0,80 1,35 80 1.16
23 0,81 1,34 90 L15
24 0,81 1.34 100 1,14
25 | 0,81 1,32 150 Lil
26 | 0,81 1,31 200 110
27 0,82 1,30 s0o 1,06
28 0,82 1,29 1000 1,04
29 0,82 1,29 2000 1,03
30 0,83 1,28 Z 1,00
31 0,83 1,27
32 0,83 1527
33 0,83 1,26
34 0,83 1,26
35 0,84 1,25
Evolução dos Métodos de Dosagem - 83

No entanto, a consideração muito importante para a adequação, do procedimento a ser


conduzido na determinação experimental do desvio-padrão de dosagem, s,, é que, por
regra de decisão, a NBR 6118 somente aceita como avaliação justa do mesmo o valor-
limite extremo superior do intervalo de confiança do desvio-padrão populacional, Esse
valor pode ser obtido a partir da amostra ensaiada, e tem uma probabilidade respecti-
vamente de 2,5% e 5% em ser desmentido, segundo se trate de uma grande (n > 35) ou
pequena amostra.
Com esta regra, a NBR 6118 está declarando a impossibilidade de ser aceito o desvio-
padrão da amostra, s,, como estimativa suficientemente precisa do desvio-padrão do
universo 6, mesmo para amostras tão grandes quanto a de 200 exemplares.
Provavelmente, assim procedendo estará a Norma, enquanto julga ainda oportuno,
tentando o aproveitamento do controle da variabilidade para assegurar uma resistência
» com maiores probabilidades de aceitação. O valor de s, obtido sobre uma primeira
amostra, ratificará a dosagem formulada, ou a retificará, ainda oportunamente, para
novas partidas de produção!».
Ocorre que a variação sobre pequenas amostras poderá conduzir a valores exagerados
de s,, devido à imprecisão na estimativa da variabilidade da produção e ensaio. Serão
necessárias grandes amostras para uma determinação razoável de um valor-limite
extremo superior que compatibilize com a hipótese formulada na dosagem inicial.
As necessidades de formação de amostras razoavelmente grandes e de obtenção de
resultados retificadores ainda oportunos são, praticamente, contraditórias.
Para resolver a primeira necessidade, na tentativa de ampliar a amostra, pode-se
aproveitar os resultados de todos os ensaios efetuados em uma obra.
A reformulação do traço com vistas à economia de material — tradicional recompensa
pelo controle da qualidade efetivo em todas as frentes — somente estará ao alcance do
produtor quando sucessivas amostras confirmarem constância do desvio-padrão,
Juntamente com resultados satisfatórios de £,. .
O aproveitamento somatório de resultados de várias pequenas amostras subseqiientes,
desde que pertençam todas a uma mesma produção”, é outro recurso para a obtenção
de um valor razoável de s . Nestes casos, devem seus resultados parciais somarem-se
ponderadamente, conforme a expressão seguinte:

2
LO D+, Drs =) + + a tm = 1)
c
O DA, A) e dE ame te =)
onde:
s, = desvio-padrão do processo de produção e ensaio do concreto;
s, = desvio-padrão do processo de produção e ensaio do concreto obtido para a amostra i;
n, = número de exemplares da amostra i.

(*) Principalmente no caso de concreto dosado em central (usinas).


84 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Segundo McIntosh?? o desvio-padrão de um processo de produção é particular de cada


processo, podendo ser obtido com confiança em grandes produções de concreto, do tipo
centrais estacionárias de produção.
A resistência média inicial de dosagem que em última instância é o parâmetro que
define o proporcionamento, isto é, o traço dos materiais constituintes de uma mistura,
pode ser dada por:

emj,d
= fockj + 1638

onde s = desvio-padrão avaliado através de amostras representativas.


Nessas circunstâncias, o produtor estaria, pelo menos teoricamente, fornecendo um
concreto estritamente conforme o especificado no projeto estrutural. No entanto,
poderia ver rejeitado seu concreto uma em cada duas vezes que o apresentar ao controle
de aceitação conforme recomendado pela NBR 6118.
Para reduzir esse risco, a NBR 6118 recomenda que s, seja calculado como sendo
s= k .s onde k > 1,0
Admitindo que o risco previsto na NBR 6118 de 50% seja muito elevado, qual seria
então a resistência média a ser produzida de tal forma que fosse aumentada essa
probabilidade de aceitação? Por exemplo, passar dos 50% atuais para 80%?
A “Comisión Permanente del Hormigón” “», com vistas a esse problema, construiu as
curvas de eficiência do estimador da NBR 6118, conforme apresentado e discutido em
5.3 deste Manual. Com base a essas curvas é possível calcular exatamente a resistência
de dosagem que conduzirá a uma probabilidade desejada e preestabelecida de aceitação
do concreto a ser submetido ao controle. Essa parece ser, no entendimento dos autores,
a situação preferível em substituição ao k imposto no texto atual da NBR 6118.
Além desta forma mais exata, descrita anteriormente, a NBR 6118 admite um critério
subjetivo de avaliação da variabilidade da resistência à compressão do concreto, com
base em desvios-padrão previamente adotados. O texto da NB-1/1960 recomendava
um critério semelhante, porém com base a coeficientes de variação.
Essa é uma das maiores alterações havidas no critério recomendado para a obtenção da
resistência de dosagem, pois o texto atual da NBR 6118 adota o desvio-padrão do
processo de produção e ensaio”? do concreto como característico de uma produção, em
substituição ao coeficiente de variação — parâmetro adotado no texto da NB-1/60.
Essas alterações foram justificadas com base a estudos internacionais nos quais ficou
demonstrada a tendência de constância do desvio-padrão para concretos com resistên-
cia à compressão superior a 20 MPa.
(*) O desvio-padrão (s.) obtido através dos resultados dos exemplares de uma amostra representa a
interação vetorial do desvio-padrão devido à produção com o desvio-padrão devido à dispersão das
operações de ensaio —, daí empregar-se a denominação desvio-padrão da produção e ensaio do concreto.
Não deve ser confundido nem com o desvio-padrão real ou efetivo (s” .), nem com o desvio-padrão das
operações de ensaio (s ). Essas três grandezas estão assim interligadas:
sS=s c c, ef
+sº E
Evolução dos Métodos de Dosagem - 85

Esta parece ser a justificativa para a alteração havida em relação ao texto da NB-1/1960
no texto atual da NBR 6118, no que concerne a critérios subjetivos de padrão da
qualidade de uma execução, conforme se mostra na Tabela 2.2.

Tabela 2.2 — Critérios subjetivos de padrão de qualidade da execução


Valores! Desvio- Resistência
”ecomen Padrão de Coeficiente de
dad os qualidade variação inicial padrão média inicial de
Torto da execução de dosagem v, inicial de dosagem Di x
dosagem s, (MPa)

- Rigoroso 15% - Liga 8 E


20% a Em d = 3/2 Lai
sn a Razoável

Regular 25% E : Lgg = 343 Ly

Assistência
tecnológica e
proporcionamento á 40MPa | fga= tg t+66
em peso
Assistência
NBR 6118 tecnológica e
(1978) agregados - 5,5 MPa | fiat]
dosados em
volume
Proporcionamento E
em volume - | TOMPa | Loja ty + 116

Através de análise dos critérios recomendados pelos textos da NB-1/60 e NBR 6118,
verifica-se que aqueles recomendados pela NB-1/60 eram mais prudentes para concre-
tos de alta resistência, fornecendo resistência média inicial de dosagem mais elevada.
Como consegiiência, os traços recomendados, apesar de se colocarem a favor da
segurança, estavam contra a economia. O mesmo se pode dizer com relação aos
critérios sugeridos pela NBR 6118 em relação aos concretos de resistência normal. Ao
fornecerem resistências médias iniciais mais elevadas estão induzindo à produção de
concretos mais ricos, mais caros, ainda que tal procedimento esteja a favor da
segurança”,
Considerando que a NB-1/60 foi aplicada com sucesso durante pelo menos 18 anos,
admite-se que o critério do coeficiente de variação — a favor da economia para concretos
de resistência normal — deveria ser mantido até um determinado limite, a partir do qual
seria adotado o critério do desvio-padrão que aparentemente parece ser mais correto
para altas resistências.

(O) f,=16MPa > NB-1 => 24,0 MPa


> NBR 6118 = 25,1] MPa

f,=30MPa > NB-I = 45,0 MPa


= NBR 6118 = 39,1 MPa
86 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Com base nessas idéias, Helene” apresentou a proposta mostrada na Tabela 2.3, de
conciliação dos dois critérios adotados.

Tabela 2.3 — Proposta de critérios subjetivos para o estabelecimento da resistência média


inicial de dosagem

Resistência média inicial de dosagem f. |.

P adrão Para f,, Paraf,.


de qualidade menor ou igual Eid maior que (MBa)
da execução a (MPa) (MPa)
(MPa)

Rigoroso 19,8 48 ty 19,8 ft 6,6

Razoável 18,2 321, | 18,2 Lat 9]

Regular 17,4 Bt 17,4 ELOS

Deve-se reconhecer que essa proposta ainda não satisfaz, devendo ser atualizada com
base no reconhecimento da influência da relação água/cimento e da variabilidade da
resistência do cimento na variabilidade do concreto (demonstrado no capítulo 3).
À insatisfação com os critérios propostos nos textos da NB-1/60, da NBR 6118 e da
própria proposta (Tabela 2.3), não se restringe somente ao parâmetro adotado — se
desvio-padrão ou coeficiente de variação —, mas também aos valores indicados para
esses parâmetros. Para satisfazer essa inquietação, foi planejado um levantamento
nacional de resultados de ensaio de controle do concreto para melhor avaliar os valores
típicos a serem adotados.

2.5.2 Variabilidade típica da resistência dos concretos


O objetivo principal desse levantamento nacional foi conseguir os valores que têm sido
praticados e obtidos de parâmetros relacionados com o controle da resistência à
compressão, sua variabilidade e a variabilidade das operações de ensaio.
Para tal foi preparada uma ficha-consulta. Essa ficha possui cinco campos, a saber:
1) Tipo de obra à qual o concreto se destina, subdividida em seis tipos.
2) Forma de produção do concreto, subdividida em oito formas.
3) Tipos de funcionamento estrutural das obras, subdivididos em quatro tipos.
4) Parâmetros do processo de produção e controle do concreto.
5) Parâmetros das operações de ensaio.

(*) Apesar de representar uma evolução em relação ao proposto no texto atual da NBR 6118.
Evolução dos Métodos de Dosagem - 87

Acompanhando a ficha, seguiu uma carta explicativa das intenções, ressaltando que
cada ficha deveria ser preenchida preferencialmente para amostras com número de
exemplares igual ou superior a seis que é o mínimo tamanho de amostra recomendado
pela NBR 6118.
Em seguida, foi necessário identificar os laboratórios de ensaios de materiais e
componentes instalados no país. Coincidentemente na época, 1982/1983, o IPT/DEd
foi solicitado a preparar esse cadastramento dentro da problemática relacionada à
implantação de um Programa de Controle da Qualidade, voltado principalmente às
habitações de interesse social”, Helene coordenou essa atividade no IPT e consegiien-
temente teve oportunidade de identificar aqueles laboratórios que se destinavam ao
controle de concreto. Vale ressaltar que nessa relação foi incluída a grande maioria dos
laboratórios de ensaios privados e ligados a entidades públicas do Brasil, em funciona-
mento na época.
Recebeu-se resposta de sete Estados, a saber: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná,
Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Pará, num total de 423 fichas aproveitáveis.
As respostas nas quais o desvio-padrão ou o coeficiente de variação das operações de
ensaio superou o desvio-padrão ou o coeficiente de variação da produção e ensaio do
concreto foram desconsideradas para fins de análise dos resultados.
Com as informações e resultados obtidos, foram calculados os seguintes parâmetros de
interesse:
1) Resistência média à compressão:
mínima: fo = 13,8 MPa
máxima: f» = 48,6 MPa
média: fio = 27,4MPa
2) Desvio-padrão da produção e ensaio dos concretos:
mínimo: ss, = 0,5 MPa
máximo: s, = 7,2 MPa
médio: s. - = 29MPa
3) Coeficiente de variação da produção e ensaio dos concretos:
mínimo: v. = 2540
máximo: v. = 22%
médio: v. = 11%
4) Desvio-padrão das operações de ensaio:
mínimo: s, = 0,2 MPa
máximo: s, = 3,5 MPa
médio: s, = 1,1 MPa
88 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

5) Coeficiente de variação das operações de ensaio:


mínimo: v. = 0,6%
máximo: v. = 9,6%
médio: v. = 4,0%
Como se verifica, o campo das resistências médias à compressão dos concretos de obras
correntes foi razoavelmente varrido, uma vez que as resistências características dos
concretos à compressão variaram de 6 MPa a 40 MPa, cobrindo o campo dos concretos
de lastro até concretos de alta resistência adequados para desforma precoce.
Com base nesses dados, foram construídas as distribuições de densidade de probabi-
lidade (histogramas) dos desvios-padrão, s, e s,, e dos respectivos coeficientes de
variação, ajustando-se a todos uma distribuição normal, conforme apresentado nas
Figuras 2.4, 2.5, 2.6 € 2.7.
Tradicionalmente"?, adota-se a média mais ou menos um desvio-padrão como os
limites de definição do rigor da produção e ensaio de concreto. Observando-se as
Figuras 2.4, 2.5, 2.6 e 2.7, obtemos:
1) Obras com elevado rigor de produção e ensaio:
s. < 1,8MPa ss, <0,6MPa
v.<S TH v. < 2%
2) Obras com baixo rigor de produção e ensaio:
s, < 40MPa s <1,8MPa
v. < 15% v. < 6%
Consegiientemente, por esses resultados, com base na própria distribuição normal, os
critérios subjetivos de padrão de qualidade da execução — item [Link] da NBR 6118
— deveriam ser alterados para:
a) Quando houver assistência tecnológica à obra e proporcionamento em peso (50%
das situações atenderam a esta condição):
s,= 3,0 MPa (em substituição aos atuais 4,0 MPa).
b) Quando houver assistência tecnológica à obra e proporcionamento em volume
(68,8% das situações atenderam a esta condição):
s,= 4,0 MPa (em substituição aos atuais 5,5 MPa).
c) Quando não houver assistência tecnológica à obra e o proporcionamento for
efetuado a volume (99,0% das situações atenderam a esta condição):
S,= 5,9 MPa (em substituição aos atuais 7,0 MPa).
Procurou-se finalmente encontrar uma correspondência entre o desvio-padrão e a
resistência média à compressão dos concretos. A intenção foi comparar com o
trabalho clássico da Riisch?, no qual esse pesquisador e outros97269 admitem a
Densidade À
de
Probabilidade

emp
0,050

ção e ensaio s dos concretos, S


==="

c
«— Excelente
E rigor des Elevado a baixo rigor de execução -»le- Ba ixo rigo r de exec ução e ensaio
execução e ensaio e ensaio
0,040

desvio-padrão —»<«- desvio-padrão —

+
0,030

Eos.
| ENQUETE NACIONAL |
0,020

4.
0,010

0,000 +
0,0 0,5 0,9 1,4 1,8 23 27 3,2 3,6 4,1

Figura 2.4 — Histograma e correspondente distribuição normal do desvio-padrão de produ-


Evolução dos Métodos de Dosagem - 89
Densidade À
de
Probabilidade) Excelente rigor de =asiiga Elevado a baixo rigor de execução —»- Baixo rigor de execução
execução e ensaio 1 | e ensaio
1]

+
io-padrão

0,100

+
0,080

prod ução e ensaio dos concretos, V c


o
90 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

[ ENQUETE NACIONAL
fa

0,060
mm

0,040

0,020 +

0,000 + f
0,0 23 3,6 4,9 6,2 7,4 8,7 10,0 11,3 12.6 13,9 15,2 16,5 17,7 19,0 20,3 216 €

Figura 2.5 — Histograma e correspondente distribuição normal do coeficiente de variação de


Densidade À
de
Probabilidade :
I
I
'

Elevado a baixo rigor das Baixo rigor das operações


«Excelente rigor das operações de ensaio
0.100 | Operações de de ensaio
E ensaio

E pes
«- desvio-padrão -»<«- desvio-padrão

0,080

operaçõe s de ensaio dos concretos, $ e


| ENQUETE NACIONAL
0,060

disco
0,040

-meponnnao dique

0,020»

0,000 4 É E
0,0 : à , ; É 3,1 3,3 36 8
(MPa)
Evolução dos Métodos de Dosagem - 91

Figura 2.6 — Histograma e correspondente distrib uição normal do desvio-pad rão das
Figura2.7
Densidade À
de
1 I
Probabilidade
1 I
1 I
1 I
I I
l Elevado a baixo rigor das op erações Baixo rigor das operações
«Excelente rigor das
0,250 |— operações de ensaio PM de ensaio ' de ensaio

[==
desv io padrã O

0,200 +

operações d e ensato dos concretos, V e


92 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

| ENQUETE NACIONAL |
0,150

0,100
=-dJ==>0>>d4==
== .ju uu

0,050

.
0,000 +
0,0 0,6 1,2 1,8 24 3,0 3,6 4,2 4,8 54 6,0 6,6 ma 7,8 8,4 9,0 9,6

—- Histograma e correspondente distrib uiçã o normal do coefi ECLe nte d; evaria ção das
Evolução dos Métodos de Dosagem - 93

constância do desvio-padrão para valores de resistência à compressão acima de


20 MPa.
Como pode ser verificado na Figura 2.8, não se observou, neste caso, a constância do
desvio-padrão, podendo-se, no entanto, admitir uma redução do crescimento inicial
conforme uma curva hipotética apresentada apenas para indicar a tendência do
fenômeno.

— 6 =
É |

g É se E
q

a r e
snu
> de Ls

8 E
2 Lo

o
[

0
10 20 30 40 50

Resistência Média à Compressão (MPa)

Figura 2.8 — Desvio-padrão da execução e ensaio do concreto, s , em função da resistência


média do concreto, f. .,, - enquete nacional

Na realidade, não há por que esperar uma correspondência forte entre resistência
média e desvio-padrão, pois este depende da relação água/cimento, da variabilidade
da relação água/cimento, da variabilidade da resistência do cimento e da varia-
bilidade das operações de ensaio conforme demonstrado no capítulo 3.
Considerando que várias especificações tomam por referência a observação clássica de
Riisch e Rackwitz, inclusive a NBR 6118, para o estabelecimento do critério de cálculo
da resistência média de dosagem, é necessário uma revisão desses textos à luz dosnovos
conhecimentos.

2.6 Algumas Questões


Pl: Parece então que a resistência média inicial de dosagem é um jogo, ou seja,
nunca se sabe se vai dar certo?
R1: E isso mesmo, num estudo convencional de dosagem em laboratório não se
consegue prever todas as variáveis e interferências que podem ocorrer em obra.
P2: Então não há obrigatoriedade de seguir a NBR 6118?
R2: Não, mas ali está indicado um critério favorável à segurança da estrutura e que
como ponto de partida indica um valor pouco acima do valor mínimo estritamente
exigido.
94 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

P3: Como se sabe se está ou não acima do mínimo exigido?


R3: Através do controle e análise dos resultados obtidos diretamente da obra. Como se
sabe, a aceitação e rejeição são efetuadas só em relação ao Lar
P4: Então, no caso de concreto dosado em central (usina de concreto), deve-se exigir
só f.,p consistência e dimensão máxima característica do agregado graúdo?
R4: Exatamente. Sendo o produtor uma empresa especializada, deve ficar a critério dele
a escolha da resistência média de dosagem. Ele deve assumir um maior ou menor
risco de rejeição desse concreto em obra.
P5: Como se pode avaliar o rigor ou padrão da produção de concreto?
R5: Segundo a Figura 2.9, os desvios-padrão e os coeficientes de variação aí citados
serão calculados a partir de amostras representativas da produção de concreto em
obra, portanto, “a posteriori”.

o NBR 6118 NB-1 (1960) ACI 214/86


Padrão de ú 5 $ v. s -
qualidade - e - 5 — E
desvio- coeficiente desvio- | coeficiente | desvio- coeficiente
padrão de variação padrão | de variação | padrão de variação
Produção |excelente | < 4,0 MPa — — <15% |<2,8 MPa =
Rigorosa o A
muito boa > 4,0 MPa — = 215% 2 2,8 MPa —

< 5,5 MPa = — <20% |<3,5 MPa —

Produção >5,5 MPa — - 220% |>3,5 MPa -


Razoável) boa | «7%yMPa - - <25% <4,2 MPa E
Prod dv 2 4,2 MPa -
ã
rodução| razoável >
>7,0 MPa — — >
225% < 4.9 MPa o

Regular | deficiente >7,0 MPa — — >25% | >4,9 MPa =

Figura 2.9 — Padrão da qualidade da produção “a posteriori”

Os critérios apresentados na Figura 2.9 não estão explícitos nos textos das normas
citadas e correspondem a uma interpretação dos autores.

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Evolução dos Métodos de Dosagem - 95

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(73) ESPANHA. Ministério de Obras Públicas. Comisión Permanente del Hormigón. Resistência
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(74) HELENE, P. R. L. Dosagem do concreto: proposta para calibragem da seção 8.3 da NBR 6118. In:
SEMINÁRIO SOBRE SUGESTÕES PARA REVISÃO DA NBR 6118, São Paulo, 1986. Anais.
São Paulo, IBRACON, 1986.
(75) BANCO NACIONAL DA HABITAÇÃO; IPT. Capacitação laboratorial para ensaios em
materiais e componentes de construção civil: cadastramento nacional, São Paulo, IPT/Ded,
1983.
(76) ESTADOS UNIDOS. Department of the Interior. Bureau of Reclamation. Concrete manual. 8. ed.
Washington, 1975, p. 179.
(77) RUSCH,H.; SELL, R.; RACKWITZ, R. Análisis estadisticos de la resistência del hormigón. Berlim,
Ernst & Son, 1969. (Deutscher Ausschuss fur Stahlbeton, 206) apud RUSCH, H. Hormigón
armado y hormigón pretensado. Barcelona Continental, 1975.
(78) BASÍLIO, F. A. Controle de qualidade do concreto em obras correntes. In: COLÓQUIO SOBRE
CONTROLE DA QUALIDADE DO CONCRETO ESTRUTURAL, São Paulo, 1973. Anais.
São Paulo, IBRACON, 1973.

(79) AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. Controle estatístico do concreto; ACI 214. Trad.
Eduardo Santos Basílio. São Paulo, ABCP, 1978,

(80) RACKWITZ,R. Statistical controlin concretestructures. Lisboa, LNEC, 1973. (CEB International
Course on Structural Concrete.)
Resistência à Compressão do Concreto - 101

3.1 Importância e Significado da Resistência à Compressão do Concreto


Inúmeras pesquisas têm comprovado experimentalmente que a variabilidade das
propriedades mecânicas dos materiais de construção obedecem a processos aleatórios.
Da mesma forma, as dimensões geométricas dos componentes estruturais e as ações
sobre elas estão também, na maioria dos casos, sujeitas a variações aleatórias.
Como consegiiência, sendo estes os elementos nos quais se baseiam o projeto
eo dimensionamento da estrutura, é natural que se aceite sem discussão que os métodos
de introdução da segurança no projeto estrutural devam estar fundamentados
em conceitos da teoria das probabilidades, abandonando gradativamente os métodos
deterministas tradicionais.
O calculista que consiga moldar com precisão a distribuição de probabilidades
das solicitações sobre uma estrutura e a distribuição de probabilidades da capacidade
resistente dessa estrutura pode, em princípio, determinar sua probabilidade de ruína
e consequentemente sua segurança.
Todo projeto estrutural deve ter por objetivo conseguir uma estrutura de mínimo
custo que atenda com segurança às solicitações de uso. Para tal, é necessário conhecer
o comportamento de estruturas semelhantes já construídas ou a distribuição
de todas as variáveis que entram no dimensionamento dessa estrutura.
Inicialmente o projeto estrutural se fundamentou em métodos denominados deter-
ministas tendo evoluído atualmente para os métodos semiprobabilistas — um primeiro
passo antes de atingir os métodos probabilistas puros, mais exatos.
Nos métodos deterministas consideram-se fixos e não aleatórios os diferentes valores
numéricos que servem de base para o cálculo tais como: resistência dos materiais,
valores das cargas, características geométricas etc., enquanto que nos
métodos probabilistas admite-se que esses valores têm uma determinada proba-
bilidade de serem ou não atingidos, ou seja, são considerados como grandezas alea-
tórias, correspondendo portanto muito mais à realidade.
Existe, evidentemente, seja qual for o método de cálculo adotado, uma estreita relação
entre a resistência mecânica dos materiais de construção e a segurança da estrutura.
102 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Essa interação foi se afinando à medida que evoluíram os métodos de introdução da


segurança no projeto estrutural, conforme apresentado no capítulo I, seção 1.4 deste
Manual.
Como se sabe a resistência de um concreto não tem um único valor. Ela deve ser descrita
como uma população comn — cs valores. A experiência tem demonstrado que quando
o concreto é fabricado sob condições usuais e constantes, a distribuição desta população
pode ser considerada normal (ou distribuição de Gauss) e ser descrita por dois
parâmetros: a média () e o desvio-padrão (0).
A maioria das Normas atuais — não é o que acontecia antigamente — inclusive a
NBR 6118/78, simplifica a distribuição de resistências reduzindo-a a um só valor,
denominado resistência característica Lair Essa resistência característica tanto é
definida para o projeto estrutural quanto para fins de produção do concreto. No entan-
to, está subentendido que se trata de um valor pertencente a uma população normal.
Toda estrutura de concreto armado, depois de acabada, possui uma série de caracterís-
ticas próprias que a diferencia daquela que foi especificada no projeto estrutural. O aço
e O concreto não possuem exatamente a resistência característica especificada, as
armaduras não estão perfeitamente nas posições desenhadas, as fôrmas não têm as
dimensões com as quais foi efetuado o dimensionamento do componente estrutural,
os pilares não guardam o prumo absoluto etc.
Há a necessidade de assegurar que durante a execução da estrutura sejam empregados
os materiais, as disposições e os métodos construtivos recomendados no projeto
estrutural.
As informações sobre a qual se fundamentam as diversas decisões que devem ser toma-
das durante o processo de conversão de um projeto em uma obra acabada devem ser
fornecidas por um conjunto de regras e técnicas de controle, claras, simples e precisas.
Tais técnicas e regras devem considerar o risco inerente a cada tomada de decisão, com o
objetivo que a avaliação da segurança global, inicialmente feita pelo projetista,
ainda que apenas implicitamente, não seja comprometida até a realização final da
obra.
O objetivo do controle de um produto será, então, garantir um nível de qualidade
preestabelecido no projeto. Não deverá alterar (elevar ou abaixar) esse nível
de qualidade, mas tão-somente manter um padrão de qualidade que foi anteriormente
estabelecido no projeto.
Em outras palavras, controle da qualidade de um produto deve ser entendido como
uma técnica que, geralmente apoiada em recursos matemáticos da estatística, tenha
por objetivo fornecer as informações essenciais para a manutenção do produto
numa qualidade especificada, ao mínimo custo possível. Se aplicado à aceitação
de um produto, terá por objetivo simplesmente fornecer a informação da conformi-
dade ou não do produto a uma determinada qualidade. Consegqiientemente pode-se
manter, aceitar ou rejeitar qualquer qualidade — baixa, normal ou alta — sem
que necessariamente o controle da qualidade acarrete somente produtos
de alta qualidade. É simplesmente uma técnica que ajuda a manter, aceitar ou rejeitar
uma qualidade preestabelecida.
Resistência à Compressão do Concreto - 103

Do ponto de vista do controle da qualidade, portanto, qualquer que seja o produto


controlado, a metodologia de controle deve conter respostas aos seguintes itens O:
13 Definição da qualidade a ser atendida.
2) Definição dos métodos de ensaio.
3º) Explicitação dos fatores que influem na qualidade.
4º) Quantificação desses fatores.
5º) Definição do lote a analisar (controle de produção) ou a julgar (controle de
aceitação).
6º) O procedimento de retirada de exemplares.
7º) A forma de constituição da amostra.
8) A fregqiiência de constatação da qualidade.
99 A fórmula matemática que a partir dos resultados obtidos nos ensaios estime a
qualidade especificada.
10º) O critério de aceitação ou rejeição (só para controle de aceitação).
A resistência à compressão é a propriedade do concreto geralmente adotada por ocasião
do dimensionamento da estrutura. Portanto, está diretamente ligada com a segurança
estrutural. A obra deve ser construída com um concreto de resistência à compressão
igual ou superior âquele valor adotado no projeto.
Por outro lado não há dúvida que a propriedade do concreto que melhor o qualifica é a
resistência à compressão. Desde que na sua dosagem e preparação tenham sido levados
em conta também os aspectos de trabalhabilidade e durabilidade, optando-se por deter-
minada curva granulométrica, tipo e classe de cimento e relação água/cimento e,
consequentemente, resultando uma certa resistência à compressão. Qualquer modifica-
ção na uniformidade, natureza e proporcionamento dos materiais poderá ser indicada
por uma variação na resistência. A resistência à compressão é uma propriedade muito
sensível, capaz de indicar com presteza as variações da “qualidade” de um concreto.
À etapa de execução propriamente dita da obra estará sujeita a variações aleatórias de
tal modo que não é possível prever com certeza qual será o resultado final. O grau de
concordância das características finais, com aquelas que foram anteriormente
especificadas no projeto, pode medir a “qualidade” ou rigor da execução. Esse rigor
será tanto mais alto quanto maior a conformidade do executado ao que foi projetado.
O controle da Resistência à Compressão do Concreto situa-se dentro dessa necessidade
de comprovação daquilo que está sendo executado frente ao que foi adotado no projeto
da estrutura. Apesar de poder ser considerado um dos mais importantes acompanha-
mentos a serem feitos durante a execução da estrutura, não deve ser confundido com
o controle tecnológico das estruturas de concreto.
Como se verificana Figura 3.1, não está implícito que ao fazer o controle da Resistência
à Compressão do Concreto resultará uma estrutura de alto rigor ou qualidade, atenden-
104 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

do integralmente ao projeto. O concreto estatístico da Resistência à Compressão do


Concreto que utiliza as técnicas de controle da qualidade de um produto é um dos
recursos — sem dúvida o mais importante — porém apenas um recurso do controle
tecnológico das estruturas.
Vários são os fatores que intervêm na Resistência à Compressão do Concreto da
estrutura; desde a heterogeneidade dos materiais até o transporte, lançamento,

Estrutura de Concreto

|
Planejamento
I
Projeto
I
Materiais Execução
I I
Utilização

Los
Controle Tecnológico
das Estruturas de Concreto

Controle dos Materiais


+
Controle dos Serviços

pb Aço Fôrma 4
EAAOAE |

Aditivo Armadura e

Agregados Concreto e

transporte —
Água
lançamento =
adensamento —
1 Cimento
cura

Argamassa

Concreto

— — trabalhabilidade berelardis Fisiiei Ent

— resistência —— ontrole da Resistência


à Compressão
L durabilidade

Figura 3.1 — Diagrama de blocos que esquematicamente situa o controle da Resistência à


Compressão do Concreto dentro da problemática mais ampla de controle tecnológico das
estruturas de concreto
Resistência à Compressão do Concreto - 105

adensamento e cura do concreto na obra. No entanto a Resistência à Compressão do


Concreto se restringe à resistência potencial do concreto, medida na saída da betoneira,
conforme indicado na Figura 3.2.

Cimento Agregados | Água Aditivo

, | !
Dosagem
/ mão-de-obra ]
| equipamentos /

Betoneira

Operações Operações
[de execução da; | deensaioe |
estrutura dio.

Resistência real ou efetiva Resistência potencial


do concreto na obra de controle do concreto

Figura 3.2 — Significado da resistência à compressão do concreto obtida através do controle


do concreto

O valor da resistência potencial do concreto obtido através das operações de ensaio e


controle é o valor de referência para o dimensionamento da estrutura e consegiiente-
mente para a fixação da sua segurança.
Tem de ser um valor único e perfeitamente definido a fim de permitir a correta
comunicação entre as etapas de projeto e execução da obra. Essa necessidade invalida
a prática — felizmente cada vez menos usual — de procurar manter o corpo-de-prova em
condições iguais à do concreto da estrutura. Essa igualdade nunca poderia ser alcançada
(diferenças de geometria, de acabamento superficial, de adensamento) ao mesmo
tempo que o resultado obtido deixaria de ser único, impossibilitando ser tomado como
referência.
A correspondência entre a resistência potencial do concreto à compressão, obtida
através das operações de ensaio e controle e a resistência real ou efetiva do concreto na
estrutura devem ser asseguradas através do controle tecnológico dos serviços envolvi-
dos e é independente dos ensaios.
Os desconhecimentos relativos às variáveis que intervêm nessa correspondência são
englobados pelo coeficiente de minoração da resistência do concreto, Y., desde que a
106 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

execução obedeça às técnicas atuais de bem construir, expressas nos manuais e


recomendações específicas e até mesmo na própria NBR 6118.
O valor usual de y. é 1,4 sendo permitido reduzi-lo para 1,3 no caso de execução
rigorosa. O uso de Y, equivale dizer que a Resistência à Compressão do Concreto da
estrutura será sempre inferior, na mesma idade e condições, que a resistência à
compressão obtida dos corpos-de-prova de controle. Na maioria dos casos, isso é
verdade, principalmente quando se trata de componentes estruturais esbeltos e molda-
dos com concretos secos ou plásticos. Em alguns casos de componentes de grande
volume moldados com concreto fluido do tipo auto-adensável, pode ocorrer que a
resistência real do concreto na obra iguale ou supere a potencial obtida dos corpos-de-
prova de controle. É o caso por exemplo de paredes tipo diafragma e de paredes
contínuas e monolíticas de edifícios com estrutura concretada no local, com concretos
fluidos e de baixo consumo.
Essas considerações reforçam a tese que rejeitar um concreto cuja resistência à
compressão no ensaio de controle não atendeu ao especificado, nem sempre significa
rejeitar automaticamente o concreto da estrutura, e vice-versa.

3.1.1 Algumas questões


P1: Um intenso controle da qualidade da Resistência à Compressão do Concreto
não melhora a qualidade do concreto da estrutura?
RI: As técnicas de controle da qualidade do concreto se limitam à informação sobre a
uniformidade ou não do processo de produção. Para que se logre uma melhoria da
qualidade do concreto é necessário que seja acompanhada de uma intervenção no
processo. Essa intervenção geralmente não é feita pelo órgão controlador (fiscali-
zação) mas pelo próprio produtor. Portanto a resposta é: depende...
Por outro lado, a qualidade do concreto da estrutura depende só em parte da
qualidade potencial do concreto na boca da betoneira, que é o valor tomado como
referência pelo controle. Portanto não vai resolver o problema de ninhos de
concretagem, segregação, fissuras etc.
P2: O controle da qualidade do concreto não serve para melhorar a qualidade da
obra?
R2: Não, a qualidade da obra depende do controle tecnológico dos materiais e dos
serviços. Depende de um programa ou sistema de garantia da qualidade.
P3: O controle da qualidade do concreto ou o controle estatístico da Resistência
à Compressão do Concreto pelo menos aumenta ou melhora a qualidade do
concreto?
R3: Também não. O que é qualidade do concreto? Se for resistência à compressão
seguramente não vai aumentar, nem diminuir, nem melhorar. O controle procurará
manter uma resistência mais uniformemente possível.
P4: Então só serve para isso?
R4: Também não é assim. Serve principalmente para fornecer dados sobre a uniformi-
dade da produção de concreto e fornecer parâmetros para melhorar a homogeneidade
Resistência à Compressão do Concreto - 107

dessa produção. No caso de aceitação é o único e mais forte elemento para julgar
sobre a adequabilidade ou não de um certo lote de concreto produzido e aplicado
na obra. Além de conduzir à maior informação sobre a segurança estrutural.
P5: Lembra de mais alguma coisa?
R5: Serve também para corrigir a dosagem inicial e ajustar o traço periodicamente, com
segurança. Serve para atender às exigências da fiscalização. Sempre contribui para
a economia da obra.

3.2 Definição da Qualidade a ser Atendida


O objetivo maior do controle da resistência à compressão do concreto é a obtenção de
um valor potencial, único e característico da resistência à compressão de um certo
volume de concreto, a fim de comparar esse valor com aquele que foi especificado no
projeto estrutural e, consequentemente, tomado como referência para o dimensiona-
mento da estrutura.
Os valores de ensaio que se obtêm dos diferentes corpos-de-prova são mais ou menos
dispersos, variáveis de uma obra a outra conforme o rigor de produção do concreto. Por
exemplo, conhecidos n resultados obtidos de p corpos-de-prova de um mesmo
concreto, como determinar um valor que seja representativo da série e consegiiente-
mente do próprio concreto?
Verifica-se que só a média dos resultados não seria suficiente para definir e qualificar
uma produção de concreto. E necessário considerar a dispersão dos resultados medida
através do desvio-padrão ou do coeficiente de variação do processo de produção e
ensaio.
Para eliminar o inconveniente de ter de trabalhar com dois ou mais parâmetros, foi
adotado o conceito de resistência característica do concreto à compressão que é uma
medida estatística que engloba a média e a dispersão dos resultados permitindo definir
e qualificar um concreto através de apenas um único valor característico.
As técnicas atuais de controle estão desenvolvidas para a obtenção desse valor
característico que é também o valor de referência do projeto estrutural.
Segundo Riischº?, a distribuição normal ou de Gauss é um modelo matemático que pode
representar de maneira satisfatória a distribuição das resistências à compressão —
fenômeno físico real — sempre que o coeficiente de variação observado seja menor ou
igual a 30%. Torrent” considera que para coeficientes de variação superiores a 25%,
a distribuição que melhor se ajuste aos resultados é a distribuição log-normal, aceitando
a distribuição normal para processos com variabilidade inferior a 25%. Nos casos
normais de produção de concreto, o coeficiente de variação raramente supera 25%, de
tal forma que se pode sempre empregar o modelo normal de distribuições.
À curva densidade de probabilidade das resistências é então admitida como normal e o
valor característico é calculado em função da dispersão dos resultados, originados pelo
processo de produção e ensaio. O valor de resistência à compressão que apresenta uma
probabilidade de 5% de não ser alcançado é denominado resistência característica do
concreto à compressão e é indicado com a notação f.., conforme mostrado na Figura 3.3.
108 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

As definições apresentadas a seguir são úteis à compressão do significado de resistência


característica do concreto:

Curva de Gauss z
- (MPa)
ou densidade de probabilidade
Densidade de fre quência

ex em Resistência à compressão (MPa)

Figura 3.3 —- Representação da distribuição da resistência à compressão do concreto

f ck Resistência característica do concreto à compressão é o valor de referência que


adota o projetista como base de cálculo. Está associada a um nível de confiança
de 95%. Chama-se também resistência característica especificada ou de
projeto. A esse valor é aplicado o coeficiente de minoração para a obtenção da
resistência de cálculo f., do concreto à compressão.

ckef
Resistência característica real ou efetiva do concreto à compressão, correspon-
dente ao concreto de uma região homogênea da estrutura, é o valor que tem uma
probabilidade de 0,95 de ser igualado à resistência de um corpo-de-prova
cilíndrico tomado aleatoriamente dentro da região. Essa resistência caracterís-
tica real é um valor impossível de ser conhecido, pois seria necessário ensaiar
todo o concreto da região considerada.

ckest
Resistência característica estimada do concreto à compressão, corresponden-
te ao concreto de um lote que se supõe homogêneo, é o valor obtido ao ensaiar
alguns corpos-de-prova cilíndricos e aplicar aos resultados obtidos uma
fórmula matemática — o estimador. Resulta uma estimativa, feita a partir de
uma amostragem, e não uma certeza absoluta do valor da resistência
característica real do concreto do lote em exame.
Na Figura 3.4 apresenta-se alguns termos e notações normalmente utilizados no
controle do concreto.
3.2.1 Algumas questões
P1: O que é um lote?
R1: E uma certa quantidade (volume) de concreto que se analisa de uma só vez. Deve
ser homogêneo e corresponder a uma única população, ou seja, mesmos traço,
cimento, agregados, equipamentos, relação água/cimento etc.
Resistência à Compressão do Concreto - 109

Termo ou Notação Significado

resistência média do concreto à compressão obtida aj dias de idade,


cm em MPa;

desvio-padrão do processo de produção e ensaio do concreto obtido


de uma ou mais amostras, a j dias de idade, em MPa;

coeficiente de variação ia processo de produção e ensaio do


concreto obtido de uma ou mais amostras, a j dias de idade, em %;

resistência à compressão individual de cada um dos n exemplares de


ci uma amostra, a j dias de idade, em MPa;

quantidade de concreto que tendo sido amassado em condições


Lote sensivelmente iguais (mesma população) é submetido a julgamento
de uma só vez, podendo ser aceito ou rejeitado;

corresponde a cada amassada, qualquer que seja o volume da


Unidade de produto betoneira;

conjunto de exemplares que se admite como representativos de um


Amostra lote;

corresponde ao número de exemplares que constituem uma amos-


Tamanho da amostra tra;

corresponde ao » valor da resistência à compressão f, que representa


uma unidade de produio: Gamasgatia,. É o valor mais alto de dois ou
mais corpos-de-prova “irmãos” retirados da mesma amassada.
Exemplar Portanto, de uma betoneira pode-se moldar p corpos-de-prova,
porém o concreto dessa betoneira (unidade de produto) será repre-
sentado apenas po um valor, numa certa idade.

Figura 3.4 — Significado de alguns termos e nana empregados atualmente no controle de


concreto

P2: Por que tem de ser tudo igual?


R2: Porque quando se utiliza fórmulas da estatística para estimar um valor característico
do lote, este deve ser homogêneo, ou seja, uma inferência estatística só responde
bem quando a “população” considerada é homogênea. Não confundir homogênea
com absolutamente igual ou uniforme.
P3: E se não for homogênea, o que acontece?
R3: De tudo. Pode-se estimar um valor acima do verdadeiro como em geral acontece,
ou um valor bem abaixo do verdadeiro.

P4: Como se representa um lote, por exemplo de 80 mº de concreto?


R4: Cada lote, pela NBR 6118, é representado por pelo menos uma amostra.
110 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Essa amostra deve ter no mínimo seis exemplares, ou seja, um volume de apenas
0,070 mº. Somente com esse volume pode-se estimar a resistência dos 80 mº que
foram para a obra.

P5: O que é exemplar?


R5: É uma parte individualizada do lote que se toma para compor uma amostra
representativa do mesmo. Deve corresponder a uma unidade uniforme de concreto,
ou seja, auma betonada, a um caminhão-betoneira etc. Em geral é composto de dois
corpos-de-prova para ruptura em uma mesma idade.

P6: O que é corpo-de-prova?


R6: No Brasil, é um cilindro 150 4 x 300 mº moldado e curado com parte do concreto
de uma unidade uniforme da produção. Tem um volume de cerca de 6 litros de
concreto, ou seja, 0,006 mº. Na Europa em geral é um cubo de 100, 150 ou 200 mm
de aresta. A ruptura de corpos-de-prova de formato cilíndrico e cúbico apresenta
resultados diferentes, podendo-se adotar uma curva de correlação, aplicável a
certos casos.

3.3 Definição dos Métodos de Medição


Para o controle da resistência à compressão dos concretos são aplicáveis, atualmente,
na moldagem e cura a NBR 5738 (MB-2) — Moldagem e Cura de Corpos-de-Prova de
Concreto Cilíndricos ou Prismáticos'” e na ruptura a NBR 5739 (MB-3) — Ensaio de
Compressão de Corpos-de-Prova Cilindricos de Concreto”, ambas publicadas pelo
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial-Inmetro e
disponíveis na Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABNT.
Os procedimentos descritos nesses métodos, aliados às recomendações gerais sugeridas
no texto da NBR 6118, formam parte das operações de ensaio e de controle que têm por
objetivo medir a resistência potencial do concreto que está sendo produzido ou
entregue na obra,
Essas recomendações e procedimentos procuram oferecer as melhores condições, para
que o concreto dos corpos-de-prova desenvolvam sua máxima resistência potencial.
Conforme se verificará a seguir, somente poucas operações de ensaio — a velocidade
mais rápida de carregamento e a elevação da temperatura.— podem aumentar essa
resistência potencial.
Desde que seja admitido que os corpos-de-prova referentes a um mesmo exemplar
sempre são curados juntos, nas mesmas condições, não há possibilidade de se obter
resultado mais elevado que o fornecido por um ensaio correto. Portanto, ao se analisar
os resultados de dois corpos-de-prova de uma mesma amassada, que teoricamente deve
possuir uma só resistência, devemos desprezar aquele que possui resistência mais
baixa, pois certamente uma das operações de ensaio foi a causadora dessa diminuição.
Resistência à Compressão do Concreto - 111

O valor mais alto foi menos afetado negativamente pelas operações de ensaio e
representa melhor a resistência potencial do concreto, que é o que interessa medir. Ou
seja, ele é mais alto não porque as operações de ensaio tenham elevado o seu valor real,
mas sim porque é a máxima resistência à compressão que esse concreto pode apresentar
à idade do ensaio”.
Essa parece ser a razão da recomendação da NBR 6118 que no item [Link] indica:
“Cada exemplar será constituído de dois corpos-de-prova da mesma amassada e
moldado no mesmo ato, tomando-se como resistência do exemplar o maior dos dois
valores obtidos no ensaio”.
As operações de ensaio e controle têm grande influência nos resultados obtidos,
principalmente quando se trata de concretos uniformes e de alta resistência à compres-
são. Qualquer falha nos procedimentos de amostragem, moldagem e ensaio dos
exemplares pode alterar significativamente a estimativa da resistência à compressão do
concreto.
Esta é certamente a razão por que a NBR 6118 no mesmo item ressalta que:
“Excepcionalmente, excluído o caso do índice reduzido de amostragem, quando a
moldagem, a cura inicial e o transporte dos corpos-de-prova forem realizados por
pessoal especializado, de laboratório, cada exemplar poderá ser constituído por um
único corpo-de-prova”.

3.3.1 Algumas questões

P1:Quer dizer que uma equipe ineficiente de técnicos para moldagem, cura,
transporte, remate e ruptura pode prejudicar a imagem do rigor de uma
produção de concreto?
Ri:Claro, porque os resultados obtidos não dependem só da qualidade real da produção,
mas também dessas operações de ensaio e controle.
P2: Então não convém ora mandar o mestre moldar os corpos-de-prova, ora pedir
ao apontador, ora encarregar um estagiário disso e às vezes o engenheiro
mesmo moldar?
R2: Não convém, mesmo. A moldagem junto com a cura inadequada são os dois fatores
que mais prejudicam os resultados, aumentam a dispersão e reduzem as probabi-
lidades de aceitação de um lote de concreto.
P3: Como se sabe quando as operações de ensaio estão prejudicando a “imagem”
da uniformidade da produção de concreto?
R3: O Comitê ACI-214 fornece um critério simples e prático que se apresenta em 5.3
deste Manual. Trata-se de calcular o desvio-padrão e o coeficiente de variação das
operações de ensaio e controle. É uma maneira de aferir a qualidade dos serviços
dos Laboratórios de Controle.
112 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

3.4 Explicitação dos Fatores que Influem na Resistência


Vários são os fatores que intervêm na resistência à compressão do concreto da estrutura;
desde a heterogeneidade dos materiais, representada pelos agregados, o cimento, a água
e eventualmente os aditivos, até o seu transporte, lançamento, adensamento e cura. No
entanto o controle da qualidade da resistência do concreto se restringe à resistência
potencial do concreto, medida na saída da betoneira ou caminhão-betoneira, conforme
apresentado esquematicamente na Figura 3.2.
Com relação à explicitação dos fatores que intervêm na resistência potencial do
concreto Mercerº listou 60 causas de variação dos resultados de resistência à compres-
são do concreto. Sparkes!”?, mais simplista, reuniu essas 60 causas em apenas oito, por
ele consideradas mais importantes. Basílio!” apresenta e comenta uma série de
pesquisas internacionais a esse respeito, analisando a variabilidade do cimento e
ressaltando a importância do controle tecnológico dos agregados miúdos, principal-
mente sua granulometria.
Fica claro que os fatores que influem na resistência à compressão do concreto são:
variabilidade do cimento, dos agregados, da água, dos aditivos e da proporção relativa
desses materiais; qualidade e operação dos equipamentos de dosagem e mistura;
eficiência das operações de ensaio e controle.
Os primeiros modelos matemáticos propostos para explicar o desenvolvimento da
resistência à compressão a partir dos materiais constituintes do concreto foram
apresentados por Ferét é Abrams conforme exposto” em 2.1 deste Manual. Tratam-se
de modelos obtidos a partir de ensaios experimentais constituindo-se em correlações
empíricas. Essas correlações têm sido confirmadas sistematicamente por vários pesqui-
sadores, sendo universalmente aceitas como viáveis e bem representativas do fenôme-
no físico, apesar de não levarem em conta todos os aspectos da questão.
Sendo o concreto obtido da mistura de cimento, agregados miúdos e graúdos, água e
eventualmente aditivos, é razoável considerar o comportamento do concreto como
dependente dessa composição e das características e naturezas de todos os seus
materiais constituintes, apesar do predomínio evidente de alguns fatores.
O modelo teórico mais atualizado e que tem sido adotado para melhor representar a
resistência do concreto foi desenvolvido por Powers!!" e tem por referência a porosidade
capilar da pasta de cimento endurecida.
Powers deduziu teoricamente que a resistência à compressão — à paridade de outras
condições — depende somente da relação gel/espaço da pasta"?.
Collepardit”, utilizando o modelo apresentado por Powers e efetuando algumas
simplificações, propôs que a resistência à compressão seja avaliada a partir da seguinte
fórmula;
E 0.679. à | sad
CS 035.0 +al ea: à
(*) (eg. 2.1) e (eg. 2.2), capítulo 2; 2.1, deste Manual.
Resistência à Compressão do Concreto - 113

onde: f. = resistência à compressão, em MPa


o =grau de hidratação do cimento (varia de O para concreto recém-misturado a 1 para
condições ideais de cura após tempo infinito)
k, = constante que depende dos materiais (em geral em torno de 100)
k, = constante que depende dos materiais (em geral pode ser assumida como 3)
a/c= relação água/cimento em massa (caso houver vazios devido ao ar aprisionado,
estes devem ser somados em volume ao volume de água)
Trata-se de uma equação teórica, cuja aplicação é mais didáticano sentido de contribuir
para o entendimento da estrutura interna do concreto do que propriamente para obter-
se dela parâmetros práticos de aplicação direta.
Analisando-a, pode-se observar que para alterar a resistência à compressão deve-se
atuar sobre o grau de hidratação ou sobre a relação água/cimento.
A alteração do grau de hidratação é conseguida através de;
e mudanças do tipo de cimento (composição química ou características físicas);
e alteração nas condições de cura (idade, umidade e temperatura);
e emprego de aditivos aceleradores ou retardadores.
A alteração da relação água/cimento pode ser alcançada através de:
e mudança do tipo de cimento (finura ou composição química);
e mudança dos agregados (textura, dimensão, granulometria, absorção d'água);
e emprego de aditivos redutores de água ou superplastificantes.
À resistência à compressão dos concretos, tanto para fins de dosagem quanto para
controle da qualidade, é obtida através de ensaios normalizados nos quais as condições
de cura são perfeitamente definidas e constantes.
Desconsiderando as situações nas quais haja interesse no emprego de aditivos, o grau
de hidratação passa então a ser função exclusiva do tipo de cimento e da idade escolhida
para o ensaio de compressão axial.
Dessa forma é possível avaliar a evolução no tempo, da resistência à compressão para
cada tipo de cimento nacionalU”,
Ao utilizar outros agregados ou empregar aditivos redutores de água ou
superplastificantes, obtêm-se alterações imediatas no comportamento e características
do concreto fresco, mantido o mesmo traço. Essa alteração poderá permitir ou obrigar
— no caso de determinada obra — uma modificação da relação água/cimento para
adequar a trabalhabilidade do concreto fresco às condições de transporte, lançamento
e adensamento desse concreto nas fôrmas. Num estudo laboratorial, no entanto, se
mantida a relação água/cimento, a resistência à compressão passa a ser dependente
exclusivamente do tipo de cimento considerado e da idade escolhida para o ensaio de
compressão axial. Passa a ser conveniente conhecer também a correlação entre a
114 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

resistência à compressão dos diversos tipos de cimentos nacionais e a relação água/


cimento, a diferentes idades!”

3.4.1 Algumas questões

Pi: Quer dizer que não se pode aceitar a obra mesmo que os resultados de controle
do concreto estejam bons?
Ri:Claro. Se ela estiver fora do prumo, fora de alinhamento, com bicheiras e ninhos de
concretagem, fissurada etc., é melhor não aceitar.

P2: Mas todas as obras estão assim, como é que se vai encarar uma rejeição?
R2: Tudo tem limite. Usar exclusivamente o “bom senso”. Uma ou outra bicheira
sempre tem e algumas estão previstas no coeficiente de minoração Y,. Cada caso é
um caso. A própria NBR 6118 fixa as tolerâncias admissíveis para prumo,
geometria etc.
P3: Quando os resultados obtidos do controle estão bons, bem acima do exigido,
pode-se relaxar no transporte, na cura, deixar umas bicheiras etc.?
R3: Não. São coisas independentes. As duas devem ser bem feitas. Não deve exagerar
em nenhuma delas com a intenção de afrouxar na outra. Não são resultados que se
somam aritmeticamente.

3.5 Evolução da Resistência à Compressão com a Idade


Conforme apresentado anteriormente em 3.4, através da equação de Powers (eg. 3.1),
pode-se observar que, fixada uma relação água/cimento, a resistência à compressão é
função exclusiva do grau de hidratação do cimento, sempre que se tratar de concretos
correntes amassados com agregados convencionais de resistência superior a 60 MPa.
Pode-se substituir o grau de hidratação pela idade da argamassa ou concreto na data do
ensaio de compressão axial, uma vez que todas as demais variáveis — temperatura,
umidade ambiente e agregados — sejam mantidas constantes.
Adotando-se a resistência média à compressão obtida a 28 dias de idade como
referencial, ou seja, para cada tipo de cimento nacional e cada relação água/cimento,
pode ser calculada a evolução relativa da resistência à compressão em qualquer idade
comparativamente à resistência média obtida aos 28 dias naquelas condições, segundo
a fórmula clássica!';

Int
fl mos =kAk, (eg. 3 -2)

onde: a” = resistência à compressão do cimento à idade dej dias para uma dada relação
água/cimento, em MPa;

cem28
= resistência à compressão média do cimento a 28 dias de idade para a mesma
relação água/cimento, em MPa;
Resistência à Compressão do Concreto - 115

fr [

Tipo
classe e Relação
5 Constante Coeficiente Costienio
correlação mi
: água/cimento (K,) angular Té
do cimento (kg/kg) (k,) (6)

0,38 0,13033 -0,69493 0,82


0,48 0,14922 -0,79468 0,84
CP32 0,58 0,18184 -0,96478 0,87
0,68 0,21484 -1,13496 0,88
0,78 0,22789 -1,21041 0,86

0,38 0,20412 -1,08634 0,93


0,48 0,21748 -1,15167 0,94
AR Se 0,58 0,26482 -1,40393 0,96
0,68 0,28780 -1,51867 0,95
0,78 0,31806 -1,68654 0,97

0,38 0,14613 -0,77296 0,91


POZ 32 0,48 0,15534 - 0,82527 0,92
0,58 0,19033 -1,01348 0,94
0,68 0,22531 -1,18970 0,96
0,78 0,25768 -1,36582 0,95

0,38 0,14613 -0,76630 0,86


CR25 0,48 0,16137 -0,85350 0,86
0,58 0,19312 -1,02446 0,88
0,68 0,22531 -1,19101 0,89
0,78 0,24304 -1,28360 0,89

AF9S 0,38 0,22272 -1,18247 1,00


0,48 0,24055 -1,26773 1,00
0,58 0,27646 -1,46849 1,00
0,68 0,28103 -1,48258 1,00
0,78 0,29667 -1,57272 0,99

POZ 25 0,38 0,17609 -0,93040 0,96


0,48 0,24551 -1,19590 0,98
0,58 0,27416 -1,44523 0,97
0,68 0.29885 -1,58385 0,98
o 0,78 0,31387 -1,65896 0,98
log (E (fas) = K, + Kg = 1/€ (eg. 3.3)
Figura 3.5 — Constantes, coeficientes angulares e coeficientes de correlação da (eg. 3.3)
116 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

kek, constantes que dependem dos materiais;


t = idade, em dias.
Para permitir a regressão linear a (eg. 3.2) foi transformada em:
log (EL emos) = Ko + Kg LN (eg. 3.3)
onde k, e k, são constantes que também dependem dos materiais utilizados no
amassamento da argamassa ou do concreto.
Na Figura 3.5 são apresentados os valores obtidos dos cálculos de regressão pelo
método dos mínimos quadrados efetuados a partir dos resultados obtidos de estudo
experimental realizado com seis tipos de cimento, a partir de amostras de todas as
fábricas nacionais”, Ensaios efetuados em argamassa de areia normal brasileira.
Como é possível observar na Figura 3.6, escolhida para exemplificar as 30 curvas
obtidas do referido estudo experimental!?, o intervalo de confiança e a reta média
praticamente se confundem. Esse fato mostra a validade do modelo proposto e a
representatividade da curva média encontrada como característica da evolução da
resistência com a idade, para cada tipo e classe de cimento com determinada relação
água/cimento.
Tango!” demonstrou — a partir da extensa análise de mais de 1.200 resultados de
ensaios efetuados no IPT — que a previsão da resistência à compressão a 28 dias de
idade, a partir de resultados a dois, três ou sete dias apresenta menor dispersão quando
são usados os coeficientes médios da curva de Abrahms obtidos dos resultados do ano
anterior em lugar daqueles conhecidos do mês anterior. Essa constatação vem reforçar
os resultados obtidos no trabalho citado!”, ou seja, é conveniente empregar os valores

0,2
CP 32 |
E a/c= 0,58

LD
0

“8 |
ê
= «fm A
q

o 7 A
e
-0,4 A
fa i o 1,52

f ces 9,29! [w t

-0,6

l T
3 7 28 91 e

Idade (dias) *1

Figura 3.6 — Relação média entre resistência à compressão em qualquer idade e resistência
à compressão aos 28 dias, para a relação aic = 0,58. Cimento CP 32
Resistência à Compressão do Conc
reto - | 17

0,2

0,0

=2 MJ
q
8 a 0,38
e 0,48
8 04) os
Del 0,68
. 0,78

-0,6 o | —
|
Í

TT
| |
T 4 T
3 7 I
28 91 Res a
Ve!
Idade (dias)

a/c Eu cos

0,38 1,35 /4,95


1 b/
f
1

— ec
0,48 1,41/6,23 “Yt

0,58 1,52/9,22 TT
0,68 lidar
1,64/13,6 ,
0,78 1,69/16,2 IV
Figura 3.7 - Relação entre a res
istência à compressão em qualqu
28 dias em função da idade e da er idade e a resistência aos
relação águalcimento. Cimento
CP 32
118 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

0,2
AF 32

0,0
f cc / f coas( log)

| 0,48
0,58
-0,6 0,68 M

0,78
í I To T

& 7 28 91 sr
t
Idade (dias)

a/ 6 Luci] ecos

1h
0,38 1,60 /12,2 f
1//4 1
0,48 1,65 / 14,2 '

0,58 1,84 / 25,3


tv

0,68 1,94 / 33,0


tv
1/VT
0,78 2,08 / 48,6 t

Figura 3.8- Relação entre a resistência à compressão em qualquer idade e a resistência aos
28 dias em função da idade e da relação água/cimento. Cimento AF 32
Resistência à Compressão do Concreto - 119

0,2
POZ 32

0,0
fccj/ f coze( 109)

0,38
0,48
-0,4 0,58

0,78

T r

3 7 28 91 Es
t
Idade (dias)

a/c er "Tocos
Vive]
0,38 1,40/ 5,93

tiva]
0,48 1,43 / 6,69
Tie*
0,58 1,55/10,3

tive]
0,68 1,68/ 15,5

tiv4
0,78 1,81/23,2

Figura 3.9 — Relação entre a resistência à compressão em qualquer idade e a resistência aos
28 dias em função da idade e da relação água/cimento. Cimento POZ 32
120 -Manual de Dosagem e Controle do Concreto

0,2
CP 25

0,0

o
º -0,2 ZA
8 2-2

S 7 0,38
e 0,48
t-
8 04R 0,58

0,68 ZM
5 0,78
-0,6

I I I

3 Z 28 91 MH
(4!
Idade (dias)

a/c Ea] ec 28
TA/ 1
0,38 1,40 / 5,84 '

0,48 1,45 / 7,14


tv
1/V 1
0,58 1,56/10,6 É
ff
0,68 1,68/15,5 t
iv
0,78 1,75 / 19,2 t

Figura 3.10 - Relação entre a resistência à compressão em qualquer idade e a resistência aos
28 dias em função da idade e da relação água/cimento. Cimento CP 25
Resistência à Compressão do Concreto - 121

0,2
AF 35

0,0

Ê= 0a
q
8 j

8 0,4

-0,6 —

Z 28 91

ate
Idade (dias)

a/c ccij / a 28

fla 1
0,38 1,67 /15,2 :
1/4]
0,48 1,74 /18,5

0,58 1,89 / 29,4


VT?

0,68 1,91/30,4
Ve

0,78 1,98/37,4
ra

Figura 3.11 - Relação entre a resistência à compressão em qualquer idade e a resistência aos
28 dias em função da idade e da relação água/cimento. Cimento AF 25
122 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

0,2

0,0:

2=. BR
q
8 a

8e 04 0,38

1 0,48
0,58
0,6 0,68
0:78
I Í 1

3 28 91

áte
Idade (dias)

aro ccj ec 28
1/V 1
0,38 1,50 /8,52 t

0,48 1,76/19,8 TV
1/V/, 1
0,58 1,88/27,9 !

0,68 1,99/38,4
1
TT
0,78 2,06 / 45,6 !

Figura 3.12 —- Relação entre a resistência à compressão em qualquer idade e a resistência aos
28 dias em função da idade e da relação água/cimento. Cimento POZ 25
Resistência à Compressão do Concreto - 123

A taxa de crescimento da resistência à compressão é menor quando a relação água/


cimento é baixa comparativamente à taxa de crescimento para relação água/cimento
alta, conforme se visualiza nos resultados da Figura 3.13.
Através da observação da Figura 3.13 nota-se que a evolução da resistência à
compressão é bastante similar segundo o tipo de cimento considerado, independente-
mente da classe. Pode-se notar que a evolução de 28 dias a 91 dias é sistematicamente
maior — da ordem de 5% — para os cimentos de mesmo tipo e classe inferior,
comparativamente à classe superior de mesmo tipo (25 comparativamente ao 32).
Observa-se também que os cimentos Portland com adições ativas — escória e pozolana
— apresentam crescimento significativamente superior— da ordem de 8% — a 91 dias de
idade, comparativamente ao cimento Portland comum. Essas constatações se devem às
reações pozolânicas que são mais lentas e só ocorrem em presença de água, demons-
trando uma vez mais a importância e a vantagem da cura prolongada nos casos de
emprego de cimentos com adições ativas.
A dispersão das taxas de crescimento da resistência foi sempre superior na idade de
três dias, comparativamente às idades superiores principalmente 28 e 91 dias.
Essa constatação pode ser explicada pelo fato da resistência à compressão a baixa
idade depender da hidratação de compostos distintos daqueles que mais influenciam
as resistências finais. A baixa idade estão mais hidratados!? o aluminato tricálcico
(C3A) e-o ferro-aluminato tetracálcico (C4AF), enquanto a idades superiores
prevalece a influência da hidratação dos silicatos bicálcico (C2S) e tricálcico
(C3S) conforme é mostrado na Figura 3.14. A variabilidade das porcentagens de C3A
e C4AF nos diferentes cimentos considerados pode ser responsável pela maior
variabilidade dos resultados a baixa idade.
A dependência da evolução relativa da resistência à compressão com a relação água/
cimento pode ser explicada através do emprego do modelo de Powers. Tomando-se
como referência as Figuras 3.7 a 3.12, pode-se definir a tangente das retas médias como
uma função da relação água/cimento, do grau de hidratação e da idade, conforme
demonstrado a seguir:
* considerando que (vide eg. 3.1):

i 0,679. 1k
=k eg. 3.4
e 51 03175. o, + a/c e, E]

0,679 . à, k,
fins k, - (eg. 3.1)
037. O + a/c

onde:

ec)
resistência à compressão numa idade qualquer, em MPa;
fo = Tesistência à compressão a 28 dias de idade, em MPa;
124 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tipo e Relação a/c Coeficientes médios de crescimento da


classe do (kg/kg) resistência El Eicos)
Eipseno 3 dias 7 dias 28 dias 91 dias
0,38 0,54 0,74 1,00 1,14
0,48 0,49 0,71 1,00 1,16
CP32 0,58 0,42 0,66 1,00 1,20
0,68 0,36 0,61 1,00 125
0,78 0,34 0,50 1,00 1,26

0,38 0,38 0,62 1,00 1,23


0,48 0,36 0,61 1,00 1,25
AF 32 0,58 0,28 0,54 1,00 1,31
0,68 0,26 0,52 1,00 1,34
0,78 0,22 0,48 1,00 1,38

0,38 0,50 0,71 1,00 1,16


0,48 0,48 0,70 1,00 1,17
POZ 32 0,58 0,40 0,64 1,00 1,21
0,68 0,35 0,60 1,00 1,26
0,78 0,29 0,55 1,00 1,30

0,38 0,51 0,72 1,00 1,16


0,48 0,47 0,69 1,00 1,18
CP 25 0,58 0,40 0,64 1,00 1,22
0,68 0,35 0,60 1,00 1,26
0,78 0,32 0,57 1,00 1,28

0,38 0,35 0,60 1,00 1,26


0,48 0,32 0,58 1,00 1,28
AF 25 0,58 0,27 0,53 1,00 1,33
0,68 0,27 0,53 1,00 1,34
0,78 0,24 0,50 1,00 1,35

0,38 0,44 0,67 1,00 1,20


0,48 0,31 0,57 1,00 1,29
POZ:25 0,58 0,28 0,53 1,00 1,33
0,68 0,24 0,50 1,00 1,36
0,78 0,23 0,49 1,00 1,38

Figura 3.13 - Coeficientes médios de crescimento da resistência a compressão com a idade,


referida a 28 dias
Resistência à Compressão do Concreto - 125

1,0
= AR

C4AF jr

CaA

|
Fração Hidratada

À
Ep)

Y
;

0,2

LT
1 10 100 180
Tempo (log) - dias
Figura 3.14 — Velocidade de hidratação de compostos do cimento “”

k ek, = constantes que dependem dos materiais empregados na mistura;


a = grau de hidratação do cimento alcançado a j dias de idade, em %;
Os = grau de hidratação do cimento alcançado a 28 dias de idade, em %;
a/c = relação (volume de água + volume de ar) . massa específica da água/
cimento em kg/kg;
J = idade em dias contada a partir da mistura da água ao cimento e tomando-
se por referência a Figura 3.15, temos:

tga= log (Ecos cos) - log Lcd Ecos)


-1N28'- (-1N5)

ias | o, 03175.0,+a/o ] k,

Oy 0,3175. 0, +a/e
ei LAG - 1ND8
ga= o k, - [log (0,/0,) + log (0,3175 . 0,+ a/c) - log (0,3175. o, + a/c)]
1Nj - 1N28'"
126 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

0/c=0,38
log (f cc i' LS)

0/c=0,78

A 1 a
FI V2g' vt
Inverso da raiz quadrada da idade em dias,
com sinal negativo
igura 3.15 — Representação esquemática da evolução da resistência à compressão com a
Jade

“tas f (o; J; a/c)


“. derivando parcialmente em relação à a/c, temos:
diga -K,. 0,4343.[0+(0,3175.0,,+ a/e)! - (0,3175.0,
+ a/0)!]
d a/c 1Nj- 1/28
diga 0,138 .k.. (0, -0)
, EA (eq. 3.6)
dale (IN) -1N28) (03175. 0,+ a/c) (0,3175 o, + a/c)

“. quando j < 28 dias > O < O,

logo, ,,-0,>0 e (1Nj- 1N28)>0 e

dtga =
consequentemente
Cc
“. quando j> 28 dias > à,,< a,

logo, & -0,<0e


(1Nj - 1N28)<0 e

consequentemente
A dtga >
d a/c
Resistência à Compressão do Concreto - 127

Sendo a derivada parcial de tg a com respeito à variável relação água/cimento, sempre


positiva (>0), pode-se concluir que a função tg a é sempre crescente com respeito à
relação a/c. Desta forma tg a > tg a,, pois (a/c), > (a/c), e como consegiiência fica
justificado teoricamente a partir do modelo de Powers a constatação experimental
observada, na qual sistematicamente a, > a, sempre que (a/c), > (a/c),.
Nestes termos, é razoável esperar que os concretos de resistência média mais baixa, de
relação água/cimento mais alta, apresentem um crescimento relativo maior da resistên-
cia com a idade que o crescimento esperado de concretos de relação a/c mais baixas.
Para fins de aplicação à normalização, esse aspecto é fundamental e deve ser levado em
conta nos textos correspondentes como por exemplo no texto da NBR 7680 — Concreto
Endurecido — Extração, Preparo, Ensaio e Análise de Testemunhos de Estruturas de
Concreto — Procedimento, publicado em 1984 pela ABNT e no capítulo 16 da NBR
6118 — Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado — Procedimento, publicado
em 1978.

3.5.1 Algumas questões

P1: Qual o coeficiente médio de crescimento da resistência à compressão obtida


a 63 dias de idade comparativamente à resistência média a 28 dias?

R1: Depende do tipo de cimento (natureza das adições) e di relação água/cimento. Para
concretos normais, de relação água/cimento em torno de 0,58 tem-se:
CP32 Lda 115
AF32 Lt 122
POZ32 fdfog= 15
CP25 LL dlfa= LI6
AF2S Lad =1,24
cc63" cc28

POZ2S falta 124


P2: Erazoável admitir que o concreto lançado na estrutura (pilares, vigas e lajes)
também apresente o mesmo crescimento relativo de resistência?
R2: Depende. O crescimento da resistência depende das condições ideais da cura e
evidentemente o concreto da obra nem sempre as tem. Em regiões quentes
(9 de 20ºC a 30 ºC) e úmidas (UR > 90%) em ausência de ventos é perfeitamente
razoável admitir um crescimento equivalente. Nas outras regiões há de se
considerar a superfície exposta do componente estrutural em relação ao seu
volume. Geralmente as condições ideais de cura e consequente crescimento da
resistência se manifestam em pilares e vigas de grandes dimensões. Em lajes mal
curadas, o crescimento da resistência é menor.
128 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

P3: O que deve ocorrer com concretos de alta resistência à compressão


(f. > 50MPa)?
R3: Como regra geral os concretos de elevada resistência à compressão apresentam
crescimento relativo menor. Os concretos de relações água/cimento abaixo de
0,35 e com aditivos superplastificantes apresentam elevadas resistências a baixas
idades, porém o crescimento relativo após 28 dias é significativamente menor se
comparado aos concretos de relação água/cimento superiores a 0,48, mantido um
mesmo tipo e natureza das adições.

3.6 Resistência à Compressão em Função da Relação Água/Cimento


Através da equação de Powers“! (eg. 3.1), pode-se observar que fixado um certo grau
de hidratação, a resistência à compressão passa a ser função exclusiva da relação água/
cimento, sempre que se tratar de concretos correntes amassados com agregados
convencionais e de boa resistência.
O grau de hidratação pode ser substituído pela idade da argamassa na data do ensaio de
compressão axial, uma vez que todas as demais variáveis — temperatura, umidade
ambiente e agregados — sejam mantidas constantes. Nessas condições o modelo de
Powers pode ser substituído pelo modelo de Abrams“? para representar a correlação
entre a resistência média à compressão e a relação água/cimento da mistura, numa
determinada idade.
Para permitir a regressão linear, a equação de Abrams foi transformada em
logf.=k, +k,- a/c (eg. 3.7)
onde k, ek,, são constantes que dependem dos materiais utilizados no amassamento
da argamassa ou do concreto,
Como se pode observar na Figura 3.16, escolhida para exemplificar as 24 correlações
obtidas a partir dos resultados de estudo experimental realizado em seis tipos de
1,8 T

'iCP 32
r=0,
Resistência à Compressão
log (MPa)
p
o

0 T t T
0,3 0,5 0,7 0,9
Relação Água / Cimento (kg / kg)

Figura 3.16 — Resistência média à compressão em função da relação água/cimento para a


idade de sete dias. Cimento CP 32
Resistência à Compressão do Concreto - 129

cimento com amostras de todas as fábricas nacionais!!”, o intervalo de confiança e a reta


média praticamente se confundem. Admite-se a representatividade do valor médio
encontrado como característico da resistência média em função da relação água/
cimento, para cada idade, tipo e classe de cimento considerado.

Os resultados médios obtidos para cada tipo e classe de cimento foram reunidos em um
único gráfico demonstrando a coerência da influência da idade conforme se pode
observar nas Figuras 3.17 a 3.22 apresentadas a seguir. Os valores médios de
resistência à compressão estão indicados na Figura 3.23.
Às curvas médias obtidas podem ser utilizadas como referencial básico nos estudos de
dosagem dos concretos amassados com os cimentos estudados.
Por independerem dos agregados e traços utilizados nos concretos, podem ser adotadas
para fins de normalização — à semelhança do já efetuado por outros países!!” — tendo
validade nacional.
Neste caso, também foi constatada maior variabilidade dos resultados obtidos à baixa
idade comparativamente àqueles obtidos às idades de 28 e 91 dias. Esse fato pode ser
explicado pela distinta velocidade de hidratação dos compostos de cimento e sua
consequente influência diferencial na resistência à compressão das argamassas e
concretos, conforme já comentado em 3.5 deste Manual.

60 CP 32

IM.
Resistência à Compressão

ii
log (MPa)

[e

20 aço | ig a aa
ja
D--— = 28d
aa

[= 3 d
9 t
0,3 0,5 0,7 0,9

Relação Água / Cimento (kg / kg)

794 f 92,8
cc3 = ie cc28 = Dê
25,9 7,9

La - 86,8 f ec = 97,5
afc aic
14,9 5,9

Figura 3.17 - Resistência média à compressão em função da relação água!cimento e da idade


para os cimentos CP 32
130 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

|
gi AF 32
o
o
g pic
o aa
2

õE o 1 a
as a [a
oe
E SÍ od
«qu
B 2 q ss [a
gyE TS ia
o a
Ted

| 3d
0
0,3 0,5 0,7 0,9

Relação Água / Cimento (kg / kg)


Í 87,7 f 121,2
Pd = ane Ras se ale
44,6 10,2

e a 95,0 OT = 125,5
a!c a!c
19,5 6,5

Figura3.18 - Resistência média à compressão em função da relação água/lcimento e da idade


para os cimentos AF 32

60 POZ 32

8 Na
5 q
2
o

E a

ota
E1 ans

ss
E

a
[ça],

E [+ 28d
| | [a
ta7d) 3d

ê 0,3 0,5 0,7 0,9


Relação Água / Cimento (kg / kg)

f 107,4 f 99,7
Ce, = DG cc28 = aTé
49,7 11,4

E 2 STA Tecgá . 03,4


a/c aíc
22,6 6,6
Figura3.19 - Resistência média à compressão em função da relação água/cimento e da idade
para os cimentos POZ 32
Resistência à Compressão do Concreto - 131

60
Resistência à Compressão

So
+
log (MPa)

0,3 0,5 0, 0,9


Relação Água / Cimento (kg / kg)
Í 62,8 f 70,0
cc28 = ai é
4 =— ale
25,7 72
f 64,6 f 76,4
cc91 = =76
e io
13,2 5,2

Figura 3.20 — Resistência média à compressão em função da relação água/cimento e da idade


para os cimentos CP 25

60 AF 25

1
o
df
9
o
fc a

ÕSE an Na Rd
=
q > Da
50
Ta
E
1]
8º 2» a, [ga [ssa
[im ico [a * 28d
o a q E 7d

0 3d
0,3 0,5 0,7 0,9

Relação Água / Cimento (kg / kg)

f cc3 =
46,2 TE
f cc2B =
87,2 a
28,0 10,1

Í 80,2 Í 101,1
667 = Bié cc91 = alo
28,0 7,8

Figura 3.21 — Resistência média à compressão em função da relação água/cimento e da idade


para os cimentos AF 25
132 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

60 | POZ 25

o
us
Ú
o
o
a
Eq 4 siga
oso ra
OS tua o


«mu
a
ae
Eça É nado
s 20

E e sema 91d

Dm aa 28 d

6 I 3d
0,3 0,5 0,7 0,9

Relação Água / Cimento (kg / kg)

f 47,8 Í 85,8
SS é ak = aic
46,6 17,2

fee = 50,3 cc9 = 99,5


a/c a/c
22,1 10,9
Figura 3.22 — Resistência média à compressão em função da relação água/cimento e da idade
para os cimentos POZ 25

3.6.1 Algumas questões

P1: As curvas médias obtidas podem ser utilizadas automaticamente no estudo de


dosagem dos concretos?
R1: Não. Devem ser utilizadas como um referencial. Foram obtidas a partir do estudo
de argamassas nas quais foi empregado como agregado a areia normal brasileira.
Em geral os concretos que utilizam agregados graúdos apresentam resistências
ligeiramente inferiores devido aosmecanismos de microfissuração e descontinuidade
da pasta na interface agregado graúdo/pasta. Por exemplo, quando os agregados
graúdos são do tipo seixo rolado ou pedregulho a aderência da interface (zona de
transição) graúdo/pasta passa a ser determinante sempre que a resistência à
compressão supere 35 MPa.
P2: A relação água/cimento é medida por ocasião da mistura dos materiais consti-
tuintes do concreto, na betoneira. É razoável admitir que a relação água/
cimento do concreto na estrutura seja a mesma?
R2: Na maioria das vezes sim. Pode haver evaporação da água de amassamento do
concreto durante o seu transporte até o local de lançamento e adensamento.
Evidentemente não terá sido um transporte adequado; esse fato algumas vezes
ocorre quando o transporte do concreto é feito por correia transportadora e até
mesmo quando o percurso do caminhão-betoneira é longo e em clima quente e seco.
Há casos mais raros de perda da água de amassamento durante o bombeamento
Resistência à Compressão do Concreto - 133

Tipo e Resistência média à compressão em MPa


dasssdo Relação a/c para idade de
cimento (eg/kg) 3 dias 7 dias 28dias | dias
0,38 23,1 31,1 422 49,8
0,48 16,7 23,8 343 41,8
ES 0,58 12,0 18,1 27,9 35,0
0,68 8,7 13,8 529 29,3
0,78 6,3 10,6 18,4 24,6
0,38 20,7 30,7 502 61,5
aeee 0,48 14,2 22,8 39,8 50,9
0,58 9,7 17,0 31,6 422
0,68 6,6 12,6 25,1 35,0
0,78 45 94 19,9 29,0
0,38 24,3 29,8 39,5 50,5
POZ 32 0,48 16,5 21,8 31,0 418
0,58 IL 16,0 24,3 34,6
0,68 7,5 11,7 19,1 28,7
0,78 541 8,6 14,9 23,7
0,38 18,3 24,2 33,0 40,9
Ge 2a 0,48 13,2 18,7 27,1 34,7
0,58 9,6 14,5 22,3 29,5
0,68 69 [12 18,3 25,0
0,78 50 8,6 15,0 21,2
AF 95 0,38 13,0 22,6 36,2 - 463
0,48 9,3 16,2 28,7 379
0,58 6,7 1,6 22,8 30,7
0,68 48 8,3 18,1 25,0
0,78 34 60 14,4 20,4
0,38 IL] 15,5 29,1 40,1
POZ 25 0,48 7,6 11,4 21,9 31,6
0,58 5,1 84 16,5 24,9
0,68 3,5 61 124 19,6
0,78 24 45 9,3 154
Figura 3.23 - Resistência média à compressão típica de cada tipo e classe de cimento Portland
para diferentes relações águalcimento
134 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

vertical em edifícios de grande altura (a partir do 20º andar). Em todas essas


situações a resistência pode ser maior que a esperada desde que não tenha sido
adicionado mais água após a mistura inicial.
P3:Como a água de amassamento pode evaporar durante o transporte há sério
risco de redução da trabalhabilidade. Como resolver essa questão? Não é
possível acrescentar mais água no concreto?
R3: A boa regra recomenda que nunca seja acrescentado mais água no concreto além
daquela colocada na hora da mistura. Há muita dificuldade em saber quanto de água
evaporou e consegiientemente quanta água pode ser acrescentada. A questão deve
serresolvida de forma mais simples através do seguinte conceito: a trabalhabilidade
e consequentemente a consistência do concreto fresco não é um parâmetro definido
na boca da betoneira; ele deve ser definido em função das necessidades de
transporte, lançamento, espalhamento e adensamento do concreto. Portanto, se para
espalhar o concreto na laje do 25º pavimento é necessário um concreto (lá na laje)
com consistência medida pelo abatimento do tronco de cone de 80 mm e há perdas
no caminho, o concreto pode e deve ser dosado com consistência de 90 mm, 100 mm
ou 110 mm na boca da betoneira.
P4: Há outras situações nas quais a relação água/cimento do concreto da estrutura
seja diferente daquela medida na boca da betoneira?
R4: Sim, várias. Em concretos auto-adensáveis para paredes diafragmas, para tubulões,
para estacas com concretagem submersa, para paredes monolíticas de casas térreas
(fôrma tipo Precise) etc. Em todos esses casos a relação água/cimento do concreto
na estrutura é inferior âquela da mistura. Sob certos cuidados de execução a relação
água/cimento efetiva de concretos projetados também pode ser inferior à da mistura
(vale para via seca e úmida).

3.7 Quantificação dos Fatores que Influem na Resistência


A uniformidade do concreto decorre da uniformidade apresentada pelos agregados, o
cimento e os aditivos usados, uma vez que cada um tem sua contribuição na resistência
final obtida. Além disso a mistura do concreto é derivada de um processo mecânico de
dosagem dos materiais, passível de apresentar dispersão em torno de um valor médio.
A própria betoneira utilizada e o tempo em que a mistura permanece em movimento no
seu interior têm influência preponderante no resultado obtido. Há atualmente betoneiras
de sistema contracorrente de alta rotação que conseguem alterar a reatividade dos grãos
de cimento e aumentar em mais de 10% a resistência média à compressão de um dado
concreto, mantidos os mesmos materiais e traço.
Por outro lado, dispersões na coleta de exemplares, moldagem, cura, capeamento e
ruptura dos corpos-de-prova podem introduzir variações na resistência que não
correspondem a variações no concreto da estrutura.
As operações de controle devem ser rigorosamente constantes, a fim de não prejudicar
a avaliação da variabilidade real do processo de produção do concreto, objetivo
primordial do controle.
Resistência à Compressão do Concreto - 135

Na Figura 3.24 apresenta-se a lista dos principais fatores responsáveis pela variabili-
dade da resistência à compressão indicando-se quantitativamente a máxima variação
que cada um poderá causar na resistência de controle de concreto!”. Está subentendido
aí que se trata de variabilidades normais geralmente encontradas em materiais de
mesmo tipo e procedência. A troca de tipos de classe de cimento ou erros grosseiros na
proporção dos materiais, ou na mistura, ou nas operações de ensaio não estão
computados.

Causas de variação Efeito máximo no resultado

A - Materiais
. variabilidade da resistência do cimento + 12%
. variabilidade da quantidade total de água +15%
. variabilidade dos agregados (principalmente miú- + 8%
dos)

B - Mão-de-Obra
. variabilidade do tempo e procedimento de mistura - 30%

C - Equipamento
. ausência de aferição de balanças - 15%
. mistura inicial, sobre e subcarregamento, correias - 10%
etc.

D - Procedimento de ensaio 10%


- Coleta imprecisa . 50%
. adensamento inadequado +10%
. cura (efeito considerado a 28 dias ou mais) “30% para na dai
. remate inadequado dos topos - 50% para convexidade
. ruptura (velocidade de carregamento) +5%

Figura 3.24 — Principais fatores que influenciam o resultado da resistência à compressão


potencial do concreto medida no ensaio de controle

Apesar de ser bastante improvável que esses efeitos coincidam e possam ser somados,
resulta que a variação da resistência do concreto, com o tempo, é dependente da
variação de cada um destes fatores com o tempo.
Para efeito de controle é difícil considerar individualmente a influência de cada fator
na resistência final do concreto. No entanto, há estudos mostrando que a influência
conjunta desses fatores determina o processo de variação da resistência do concreto.
Nessas pesquisas constatou-se que, durante a produção do concreto, há a constante
mudança da média, mantendo-se a resistência como variável gaussiana e estacionária
somente durante um certo período!!?, Está claro, no entanto, que essa mudança no
tempo é resultante da mudança da partida de cimento, da evaporação maior ou menor

(*) Como exemplo: uma diminuição de 0,2 do módulo de finura do agregado miúdo implica um aumento
aproximado de 3%, da massa de agregado graúdo e uma diminuição equivalente, da massa de agregado
miúdo, para manter aproximadamente constantes as principais características do concreto.
136 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

da água de amassamento, da variação das características dos agregados (impurezas,


granulometria, umidade) e outras mais. Sempre que essas variáveis efetivamente se
modifiquem, há a necessidade de separar-se os resultados para efeito de controle,
conforme veremos a seguir nos critérios de separação de lotes.
Em vista dessas considerações tem-se como resultado a mudança da média no
transcorrer do tempo, com a manutenção da dispersão. Esquematicamente esse
fenômeno é mostrado na Figura 3.25.

Variabilidade Real do Processo


fo; À de Produção e Ensaio

a | O ga x
o io ae sa

A
| fogest? A

| “=
fckost3

z fogest12a
Il Variabilidade
! aparente do
I processo de
I produção e
I ensaio

> Tempo
J

Figura 3.25 — Mudança de centragem da média do processo de produção e ensaio do concreto


em função do tempo, como decorrência da variação de alguns fatores que influem na
resistência à compressão do concreto"?

Estes são alguns dos fatores que irão influir na definição do critério de separação de
lotes, Além disso, esta constatação é um dos motivos que invalida o controle da
qualidade do concreto através de um número elevado de corpos-de-prova. Sempre que
a este número elevado de exemplares de uma amostra corresponda um grande volume
de concreto, corre-se o risco de medir a variabilidade aparente do processo e não a sua
variabilidade real, que é o que efetivamente interessa.
Conforme se verifica através da análise da relação da Figura 3.24, dada uma certa
condição — equipamento de mistura, mão-de-obra e operações de ensaio — a variabilida-
de da resistência à compressão do concreto passa a ser função da variabilidade
originada na heterogeneidade dos materiais que constituem a mistura.
A alteração das características dos agregados, desde que provenientes da mesma jazida
de rocha sã e mantida a mesma natureza mineralógica do material, não conduz de “per
si” aalterações na resistência do concreto. Modificações de granulometria e quantidade
de agregados no traço podem agir indiretamente.
As alterações da granulometria e da quantidade de agregados de uma a outra amassada
de um mesmo traço de concreto determinam alterações significativas na consistência
do concreto fresco e, consequentemente, na quantidade de água requerida para a
Resistência à Compressão do Concreto - 137

obtenção da trabalhabilidade desejada. Desta forma, indiretamente, os agregados


podem interferir na resistência à compressão através da alteração da relação água/
cimento, por exigências de trabalhabilidade do concreto fresco.
Com essas considerações — válidas na grande maioria das vezes — pode-se estudar a
variabilidade da resistência do concreto em função da variabilidade da resistên-
cia do cimento, da variabilidade da relação água/cimento e da variabilidade das
operações de ensaio.
Paraumaapreciação analítica da importância desses fatores na variabilidade daresistên-
cia do concreto, Fusco?º sugere tomar o modelo de Abrams, (eg. 2.3), expresso por:

k
cj
ke z

onde: E = resistência à compressão do concreto a j dias de idade, em MPa;

k ek, são constantes que dependem dos materiais empregados na mistura;


a/c = relação água/cimento em massa, em (kg/kg).
Lembrando que a resistência à compressão do cimento a 28 dias de idade pode ser
considerada como uma variável aleatória contínua e independente, sendo então
expressa por:

cc28 “ cem28
TZ.0. ce

dependente da composição química do cimento e independente da relação água/


cimento, pois esta é fixa e igual a 0,48 (f.. — resistência do cimento).

Fazendo-se f. », = k, e considerando que k é dependente da resistência à compressão


do cimento, podemos exprimir k, I como função de f ce28
. a saber:

e
f cc28
k=k,. , e,
3

vê a a 4 -afe
consequentemente: t, = Los Ep AR
k,
onde Ae é o erro devido às operações de ensaio.

Fazendo as seguintes transformações:


t, =X fog uk/k=ak=b;alc=we Ae=Ax,
138 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

obtém-se:

x=a.z.b”+Ax,ouseja,
x=f (z, w, Ax)

Admitindo-se que, x, z e w Sejam variáveis aleatórias independentes de parâmetros:

x =Í (1,0)

Z E f, (LL, 6,)

w =[,(U, O)
Ax =[ (Uy= 0,0,)

A média de x, 1, é através de desenvolvimento por série de Taylor, aproximadamente


igual a:

u = )+OS. a
E qr a GA”
2]

A variância de x, 6,2 é igual a:

g?= [E o?+ (2%. 6,2+ Ep 6,,no ponto (Wu, |, H,)


z w Ax

d, dº.
como: —=a.b* — =0
d d/
d, d,
— =-a.z.bº.lInb —=[Link]?b.b“

d d?
a Ft] A =Ô
d. dj

no ponto (LL, |L,, ,.) tem-se:


Resistência à Compressão do Concreto - 139

H=a.4,.b!w+0,5[0.07+a.u .I?[Link].0,?+0.4,2]
H=[Link]+0,[Link]?b
DE im - a
o/=([Link].o)+([Link]. Inb.o P+o,
pode-se então expressar a resistência média do concreto como:

Hcj =kkKO un cc28


+[Link]. Ku cc28
o?a/c Ink, (eg. 3.8)

e a variabilidade da resistência à compressão do concreto pode ser expressa através do


desvio-padrão, como:
9,=V e, CP = cim
O + OP
- cim
Ink, 0,40? |
(09.39)
onde: Hu, | = resistência média do concreto à compressão a j dias de idade, em MPa;
cj
6. = desvio-padrão da resistência média do concreto à compressão, em
MPa;
aa = resistência média à compressão do cimento para relação água/cimento
fixa e igual a 0,48, a 28 dias de idade, em MPa;
a = desvio-padrão da resistência à compressão do cimento, em MPa;
Cu = desvio-padrão da relação água/cimento em massa empregada num
determinado traço do concreto, em kg/kg;
o = desvio-padrão das operações de ensaio, relativo à resistência à com-
pressão do concreto, em MPa;
constantes da equação de Abrams características da família de concre-
za
—s
are
q")

Il
e

H
=”
4

tos em estudo, dependentes dos materiais empregados no concreto;


k = constante cujo valor numérico pode ser assumido como igual a resistên-
cia média do cimento a 28 dias de idade e com relação a/c = 0,48
empregado no amassamento do concreto;
(a/c), = relação água/cimento do concreto em kg/kg.
Através da (eg. 3.9) pode-se verificar que a variabilidade dos resultados de resis-
tência à compressão para uma dada família de concretos depende: da variabilidade
das operações de ensaio; da variabilidade da relação água/cimento; da variabilidade da
resistência do cimento; da relação água/cimento média empregada no concreto e do
valor da resistência média do cimento.
Com o objetivo de quantificar a influência de cada um dos fatores descritos na
variabilidade total do concreto, pode-se, a título de especulação, adotar para 28 dias:

k, =10;k,=k,=100;k, = tm Mycos
s,= 0,= 1,0 MPa;s «= OE 0,05, obtendo-se:
s.= 0,=V 10%em (10º. v2 + 133)+1' (eg. 3.10)
a partir da qual pode-se calcular os desvios-padrão apresentados na Figura 3.26.
140 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Relação água/ Coeficiente de variação da resistência


cimento à compressão do cimento (v )
(kg/kg)
Et 5% 10% 15%

0,40 5,10 6,16 7,60


0,60 3,30 3,96 4,86
0,80 2,23 2,62 3,16
Figura 3.26 — Desvio-padrão do concreto calculado a partir da equação 3.10, em MPa

Observando a Figura 3.26 pode-se afirmar que:


1) O desvio-padrão da resistência à compressão dos concretos diminui com o aumento
da relação água/cimento, mantida uma mesma variabilidade da resistência à
compressão do cimento;
2) Odesvio-padrão da resistência à compressão dos concretos cresce com o aumento da
variabilidade da resistência à compressão do cimento;
3) A relação água/cimento influencia proporcionalmente mais a variabilidade da
resistência à compressão do concreto que a própria variabilidade da resistência à
compressão do cimento empregado no amassamento do concreto.
Admitindo a possibilidade de ser adotada a estacionareidade do processo de produção
de cimento, com relação ao desvio-padrão de sua resistência por largos períodos de
tempo — comprovada nos estudos de Esper?» e Helene'?, foi planejada uma avaliação
experimental da influência da resistência à compressão do cimento na resistência à
compressão de determinados concretos”.
Para tal foram selecionados dados de arquivo do Laboratório de Concreto do IPT
correspondentes ao período de maio de 1964 a abril de 1981, referentes a ensaios
realizados para uma certa fábrica de cimento. Os objetivos, na época, eram o controle
de uniformidade do cimento e a construção de diagramas de dosagem de concretos
padronizados, amassados com as respectivas e correspondentes amostras mensais do
cimento em questão”, Cada amostra, composta de seis sacos de cimento coletados ao
acaso no depósito da fábrica, era homogeneizada no Laboratório de Concreto do IPT
sendo uma parte destinada a ensaios de caracterização do cimento e outra ao amassamento
de concretos padronizados. Com a parcela destinada ao ensaio de caracterização do
cimento, era determinada a resistência à compressão em argamassa normal, aos três,
sete, 28 e 91 dias, segundo o método NBR 7215 (MB-1 da ABNT). Até abril de 1978,
arelação água/cimento da argamassa normal era variável segundo a quantidade de água
requerida para a obtenção da consistência normal na mesa de fluidez de (165 + 5)mm.

(*) TANGO, Carlos E. S. também utilizou estes dados do arquivo do IPT, para a elaboração de sua
dissertação de mestrado, na qual estudou a previsão da resistência dos cimentos e concretos à idade de 28
dias a partir de resultados a baixa idade. Vide ref. nº 16.
Resistência à Compressão do Concreto - 141

A partir de maio (inclusive) de 1978 a relação água/cimento passou a ser constante e


igual a 0,48. Outros ensaios físicos e químicos de caracterização dos cimentos também
eram efetuados, porém não foram objeto do estudo referido”,
A outra parcela da amostra de cimento destinava-se à denominada “Dosagem
do Mês”, caracterizada pela confecção de concretos. (Ver características na Figura
321.)

Características Unidade Mistura


das misturas A B C D

Traço em massa seca cimento/agre- | kg/kg 1:5,0 1:6,0 1:7,0 1:8,0


gados
Módulo de finura do agregado total 5,74 533 3:35 ly

Módulo de finura do agregado graúdo 7,05

Consistência medida pelo abatimen- mm 50 + 10


to do tronco de cone NBR 7223

pedregulho lavado de granulometria


Agregado graúdo preparada pelo IPT, proveniente dorio
Tietê

Agregado-miúdo areia lavada de peanenaa prepa-


rada pelo IPT, proveniente do rio Tietê

kg/kg variável segundo o traço e a consistên-


Relação água/cimento em massa
cia

Figura 3.27 — Características dos concretos das “dosagens do mês”

Com os concretos descritos na Figura 3.27 foram moldados três corpos-de-prova por
condição, destinados ao ensaio de resistência à compressão axial às idades de dois, três,
sete e 28 dias. Os corpos-de-prova foram moldados e curados segundo os procedimen-
tos do método NBR 5738 (MB-2 da ABNT) e rompidos segundo o método NBR 5739
(MB-3 da ABNT). As misturas foram preparadas em betoneira de eixo inclinado de
capacidade nominal de 100 dm”, no interior do Laboratório sem controle de temperatura
e umidade do ambiente. Foram desprezados os resultados de resistência à compressão
obtidos a dois dias de idade por não haver correspondente ensaio de resistência do
cimento a dois dias de idade.
Com um total de 3.060 resultados de resistência à compressão e 1.020 resultados das
correspondentes relações água/cimento, procedeu-se ao cálculo dos parâmetros esta-
tísticos do experimento encontrando-se os valores indicados na Figura 3.281%,
Cimentos Cimentos Concreto de traço

“mês”
diretamente do corrigidos
Parâmetros estatísticos ensaio 1:5 1:6 1:7 1 8
para
a/c a/c = 0,48 a/c a/c a/c a/c
“Ce) cj cj ci cj

3d 10,0 pj Re 11,7 DEI 4,3 2,4


Valor mínimo à 0,365 0,444 0,528 97 0,642 4,9
7d 0,442 18,2 19.2 16,2 133
idade de 28 d 26,6 26,4 22,0 18,0 12,9
3d 26,8 26,9 29,2 22,1 14,4 95
Valor máximo à 32,8 0,505 26,2 0,694 20,1 0,850 13,3
7d 33,6 32,6
idade de 28d 45,2 44,8 39,8 33,5 29,1 20,0
3d 17,8 17,9 19,0 13,9 9,3 er
Valor médio à 7d 25,1 0,42 20,0 0,62 14,4 0,76 9,3
0,481 25,6 25,5
idade de 26,7 20,2 14,5
28 d 35,1 35,4 53 a
142 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Desvio-padrão 3d 2,16 2,50 3,09 2,56 1,93 1,47


dos resultados à 7d 0,01 2,97 2,80 0,03 3,13 2,15 0,03 2,14 1,68
idade de 28d 3525 4,20 4,67 3,83 3,01 2,35
Coeficiente de 3d 16 14 16 18 21 26
variação, em %, à 7d 12 1 12 14 15 18
idade de 28d 12 14 14 15 16
Desvio-padrão adotado”
das operações de ensaio a 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35
28 dias de idade, em MPa
Coeficiente de variação
das operações de ensaio a 1,0 1,0 1,0 1,3 17 AS
28 dias de idade, em %

(*) Adotado a partir do estudo de cimentos nacionais, 3.5 e 3.6. Valores de E, e La em MPa.

Figura 3.28 — Parâmetros estatísticos dos resultados di e ensaio em cim entos e concretos do
Resistência à Compressão do Concreto - 143

À partir dos resultados de ensaios, procedeu-se à obtenção da correlação empírica entre


a resistência à compressão dos concretos e a correspondente resistência à compressão
do cimento.
Para alcançar tal objetivo foi necessário, inicialmente, tornar linear (eq. 3.8) a fim de
transformá-la numa reta dependente das variáveis resistência do cimento e relação
águalcimento do concreto. Isso é possível através de logaritmo, obtendo-se:
log a =k,. log(fog)-k ale +k, (eq. 3.11)
onde: ha = resistência à compressão do concreto a j dias de idade, em MPa
Lua = resistência à compressão do cimento a 28 dias de idade, em MPa, para
relação a/c fixa e igual a 0,48
a/c = relação água/cimento do concreto, em kg/kg
k,, k, e k, são constantes que dependem dos materiais

42

40 Traço 1:5

2 po
o
5 Dai

sDe ap > |
«a
25 mm |
ú
E am | 28 dias

24 , |
25 35 45

Resistência do Cimento (MPa)

log [Link] = 0,45 . 109 [Link]” 0,96 . a/c + 1,23

Matriz de Correlação
log f 28 1

are - 0,56 1 r=0,74

log ficas 0,60 - 0,25 1 Fo = 22,02

Figura 3.29 - Curva de correlação entre a resistência do concreto e a resistência do cimento


para a/c fixa e igual a 0,42, com comprovação da validade estatística
144 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Nas Figuras 3.29 a 3.32 estão indicadas as curvas e os resultados obtidos por correlação
linear múltipla pelo método dos mínimos quadrados, para a idade de 28 dias. Não foram
calculadas as correlações para as demais idades pois, normalmente, os concretos e
sempre os cimentos são especificados pela resistência a 28 dias, sendo, portanto, a idade
de maior uso e interesse prático.
Pode-se óbservar pela coerência dos resultados apresentados nas Figuras 3.29 a 3.32
que o modelo (eg. 3.11) adotado é bem representativo do fenômeno. Do ponto de vista
estatístico, através da análise das matrizes de regressão, verifica-se que os coeficientes
de correlação de f. ., e a/c comf ,, são sempre superiores aos coeficientes de correlação
de f..»; com a/c, ou seja, a variável f., não explica, ou melhor, explica mal a variável
a/c, o que valida a hipótese inicial de independência das mesmas.
Aplicando-se também o teste de validade da regressão, baseado na distribuição do F de
Snedcor, obtém-se F = 6,10 para p = 0,5%. Conforme se observa nos resultados obtidos
para cada correlação, apresentados nas Figuras 3.29 a 3.32, F., foi sempre bastante
superior a F. Em outras palavras, a probabilidade do modelo (eg. 3.11) estar errado na
representação de fenômeno é inferior a 0,5%.
32
Traço 1:6
30 po
Resistência do Concreto

28 Pad mm
(MPa)

mm É
.
24 A”
28 dias
22

20
25 35 45

Resistência do Cimento (MPa)

log [Link] = 0,46 . 109 f,cog” 1,08. a/c + 1,26

Matriz de Correlação
log fog 1

a/c - 0,52 1 r=0,7

log [Link] 0,55 - 0,14 1 Fo = 18,76

Figura 3.30 - Curva de correlação entre a resistência do concreto e a do cimento para a/c fixa
e igual a 0,51, com comprovação da validade estatística
Resistência à Compressão do Concreto - 145

A partir das curvas de correlação obtidas empiricamente e apresentadas nas


Figuras 3.29 a 3.32, foi construída a Figura 3.33, na qual estão apresentadas as curvas
de correlação entre a resistência do concreto e a resistência correspondente do cimento.
Tomou-se como valores fixos a idade de 28 dias e a relação água/cimento média
correspondente a cada um dos quatro traços de concreto.
A análise da Figura 3.33 e das equações de correlação aí apresentadas comprova
experimentalmente as deduções teóricas mostradas neste item.
26
Traço 1:7

24
Resistência do Concreto

22
mm qa
(MPa)

20

= PA 28 dias

16
35 45
no
qo

Resistência do Cimento (MPa)

log [Link] = 0,49 . 109 [Link] 1,11. a/c + 1,24

Matriz de Correlação
log f c28 k

a/c - 0,53 1 r=0,73

log [Link] 058 | -0,18 1 Fo= 20,67

Figura 3.31 -Curva de correlação entre a resistência do concreto e a do cimento para a/c fixa
e igual a 0,62, com comprovação da validade estatística

3.7.1 Algumas questões


Pl: Afinal, o que influi mais na variabilidade da resistência à compressão do
concreto?
R1: Considerando que não haja erros grosseiros nem de má-fé é seguramente a relação
água/cimento.
146 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

P2: Qual a variabilidade da relação água/cimento?


R2: Depende da precisão das balanças quando a dosagem é a peso. Depende da
frequência e correção da tomada do teor de umidade da areia. Depende da precisão
de enchimento e razamento das caixas; quando a dosagem é a volume. Depende
dos operadores. E razoável admitir coeficiente de variação de 5% a 10%. Se faz
necessário um estudo sobre o tema.
P3: Quando a resistência à compressão do cimento influi mais?
R3: Quanto maior a resistência à compressão dos concretos, ou seja, para relações
a/c inferiores a 0,35, característica de concretos de alta resistência, a resistência do
concreto é fortemente influenciada pela variabilidade da resistência do cimento.
P4: O que mais se deve controlar nos agregados miúdos?
R4: A granulometria. Aliás, a uniformidade da granulometria, ou seja, o módulo de
finura não deve variar mais do que 0,2 de uma para outra partida.
PS: E nos agregados graúdos?
R5: O pó-de-pedra, a poeira, o pó da cidade e da obra. Quando chove a água lava uma
parte do material e concentra os finos em outra parte. Isso pode ser motivo indireto
de grandes dispersões da resistência à compressão do concreto.

18

Traço 1:8

&o 16 a PE
S
c
3
Õ
oq
q
sm E 14
=
E |
o |
a |
õ 28 dias
Ro 12

to 25
| 35 45

Resistência do Cimento (MPa)

log fcog = 0,53. 109 [Link]” 1,08. a/c + 1,16

Matriz de Correlação
log Tas
1

ale 0,65 1 r=0,81

log [Link] 0,66 0,30 1 Fo = 36,19

Figura 3.32 —- Curva de correlação entre a resistência do concreto e a do cimento para a/c fixa
e igual a 0,76, com comprovação da validade estatística
Resistência à Compre
ssão do Concreto
P6:Eo cimento? - 147

es
L
o
S
Õ
Too
sE
7
ê

45

Resistência do Cimento
(MPa)

Traço 1:5;
og =6,76. fceag 0,45
(a/c) m =0,42
Traço 1:6k
fog =5,14. fccag 0,46
(a/c) m =0,51
Traço 1:7g
fog = 3,54. fcoza 0,49 (a/c) m: =0,62
Traço 1:8
og
c2B *=2,15.1,.,053
Sid. cc28 (a/c), =0,76
e)
Figura 3.33 — Curv
as de correlação en
um valor médio tre a resistência do
concreto para a/c fi
xa em torno de
148 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

. . Tipo de estrutura
Forma de identificar =
um lote Edifícios, pontes, Grandes volumes
pavimentos, muros etc.

Por volume 100 mº 500 m”

Por superfície 500 m? —


em planta

Por tempo de duas semanas uma semana


concretagem

Por andar quando um -


for o caso

Figura 3.34 — Extensão máxima de lotes a serem analisados - NBR 6118

suficientes, devendo-se considerar, principalmente, também a uniformidade dos fato-


res que influem na resistência à compressão do concreto.
A identificação de lotes homogêneos não estava prevista no texto da NB-1/60º) nem
do AC12140, Apesar de lógica e conceitualmente necessária, somente o texto atual da
NBR 6118 alerta para este fato.
Os critérios de controle eram estabelecidos para uma produção contínua sem observar
a mudança de centragem da média nem os benefícios oriundos da possibilidade de se
analisar um único trecho da estrutura e não obrigatoriamente esta como um todo.
À resistência do concreto é variável com os materiais, o equipamento e o método de
ensaio. Esta variação é traduzida no tempo com a mudança da média e manutenção da
dispersão, avaliada através do desvio-padrão.
No entanto, este concreto é aplicado na obra em lugares determinados da estrutura,
havendo maior interesse em julgar as peças individualmente que a estrutura conjunta-
mente. |
É importante lembrar ainda sob este aspecto que, com vista ao julgamento que se fará
a “posteriori” da estrutura, o conhecimento da contribuição da resistência do con-
creto em certas peças será de vital importância e que os processos de aplicação do
concreto, geometria da peça, densidade de armadura etc. poderão representar uma
variabilidade até mais importante na resistência final do componente estrutural que
uma variação na resistência do concreto propriamente dita.
Em todos os casos, é sempre preferível condenar uma viga ou um andar que todo um
edifício, desde que se saiba que somente aquele concreto não atendeu ao especificado.
E notadamente sabido que a redução da resistência do concreto reduz a capacidade
portante das peças. Porém, a repercussão de uma baixa de resistência do concreto tem
influências diferentes segundo seja o tipo de esforço solicitante a que a peça está sujeita.
Resistência à Compressão do Concreto - 149

É evidente que o julgamento de uma peça que tem a resistência de seu concreto
minorado depende de se conhecer a amplitude do esforço aplicado.
Refletindo sobre esse aspecto, Carmona?” e outros pesquisadores?” calcularam a
influência que pode ter uma eventual queda da resistência do concreto na alteração dos
diferentes tipos de esforço a que podem estar submetidos os componentes estruturais,
conforme indicado a seguir.

Resistência- à | Compressão Tração


compressão | simples Cisalha- | Aderência Flexão Deformações
concreto| concreto | mento
est! fa |P=1%p= 3%) cimples | armado

0 0 0 0 l 0 O O 0

0,25 0,45 | 0,64 | 0,25 l 0,50 0,40 0,81 0,50

0,50 0,63 | 0,76 | 0,50 ] 0,71 0,63 0,94 q7]

0,75 0,81 | 0,88 | 0,75 l 0,87 0,83 0,99 0,87

Figura 3.35 —- Repercussão da variação da resistência à compressão do concreto nos


diferentes tipos de esforços a que podem estar submetidos os componentes estruturais

Os valores da figura acima foram calculados para secções com baixa taxa de armadura,
da ordem de 1%.
Pelas conclusões de Calavera”, as secções a flexão com altas taxas de armadura são
mais dependentes da variação da resistência do concreto do que as de baixas taxas.
Neste caso é evidente que o ganho de resistência é medido tomando-se como base o
momento de esgotamento da secção.
Do exposto pode-se tirar as seguintes conclusões:
1º) Existe uma variabilidade importante no desempenho das peças em função do tipo
de esforço que se analisa e, portanto, é missão do técnico orientar de forma que a
definição dos lotes seja a mais discriminada possível, permitindo a “posteriori”
fazer uma análise mais profunda com dados e informações do concreto das
eventuais regiões em julgamento.
2º) As peças sujeitas a esforços de compressão simples são bastante sensíveis às
variações da resistência do concreto como era de se esperar.
3º) Apesar da crença generalizada de que para os descimbramentos prematuros as
deformações são exageradas, os valores mostram isto não ser totalmente verdade,
150 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

pois ao se ter por exemplo uma resistência no concreto de 0,5 f,, a peça já ganhou
70% de sua resistência à deformação. Considera-se aqui a flecha imediata, pois a
deformação lenta é muito sensível em relação ao instante de aplicação da carga e ao
tipo de carga aplicado.
4º A verificação da resistência à compressão do concreto tem forte influência nas peças
submetidas a elevados esforços de cisalhamento como podem ser as vigas de
transição.
Para efeito de inferência estatística, onde a partir de uma amostra se julga um lote, é
imprescindível que esse lote tenha as mesmas características, ou seja, mesmo traço,
materiais de mesma partida, mesmo equipamento de mistura e mesma técnica de
ensaio.
Se por exemplo o concreto está sendo produzido em duas centrais, os corpos-de-prova
retirados de cada central têm necessariamente de ser analisados separadamente,
constituindo-se pelo menos dois lotes independentes. Na obra podem ser colocados
juntos na mesma peça estrutural, no entanto, para fins de análise estatística, devem
ser separados, para que não se cometa o engano de avaliar a variabilidade aparente
do processo, quando se deseja saber a variabilidade real do processo de produção e
ensaio.
A limitação do volume de concreto em 100 mº não assegura por si só a constância
dos materiais e do processo de produção e ensaio do concreto ao mesmo tempo que
distorce essa recomendação principal deslocando a atenção para o volume e não para
a uniformidade dos materiais e da produção que é o que se deseja. Por outro lado,
também há inúmeros casos nos quais o volume adequado para um lote pode ser de
120 a 150 mº e nesses casos é desnecessário e antieconômico separar esse volume
em dois lotes.
Outro exemplo típico é o de fundações isoladas onde cada base pode ser constituída de
apenas 20 mº a 30 mº. Como, nesses casos, compatibilizar a vantagem de julgar uma
peça isoladamente, com a desvantagem econômica que acarreta considerar cada
volume desses um lote separado e ter de representá-lo por pelo menos uma amostra de
seis exemplares?
Finalmente deve-se considerar a prática usual de concretar inicialmente os pilares e
posteriormente as vigas e lajes, na maioria dos edifícios. Essa prática é condicionada
pelo assentamento plástico do concreto que poderia ocasionar o aparecimento de
fissuras horizontais no topo dos pilares que induz a separar o lote de pilares do lote de
vigas e lajes.
Várias vezes é mais conveniente julgar a conformidade do concreto lançado nos pilares
de um edifício independentemente do concreto lançado nas vigas e lajes. Da mesma
forma, em canteiros de pré-moldados, pode ser mais interessante e objetivo julgar
apenas o concreto de um componente estrutural — de cada viga protendida, por exem-
plo — do que esperar juntar um certo volume mínimo de concreto.
Na definição da extensão do lote a ser analisado devem ser levados em conta dois
aspectos básicos.
Resistência à Compressão do Concreto - 151

O primeiro relacionado à natureza do concreto — como foi produzido, homogeneidade


e proporcionamento dos materiais — que assegure um lote ou população de mesmas
características, pressuposto essencial para efeito de inferência estatística.
O outro relacionado à posição que esse concreto ocupa na estrutura, pois há interesse
em julgar o mais rápido e individualmente possível a conformidade ou não do concreto
aplicado nos diferentes componentes estruturais submetidos a distintos esforços.
Recomenda-se que para a definição do lote se procure analisar estruturalmente a obra
individualizando inicialmente os lotes em função das características básicas de solici-
tação ou tipo de peça.
Como, por exemplo, os pilares constituam um lote separado de vigas e lajes.
Em uma estrutura especial composta de um anel tracionado para apoio de uma abóbada,
apoiado em pilares, deveriam ser constituídos no mínimo três lotes distintos. Da mesma
forma quando se trata de importantes vigas de transição submetidas a esforços de
cisalhamento.

3.8.1 Algumas questões

P1: Quando se tem na obra duas carretas de cimento, ou seja, cerca de 600 sacos,
e depois de 15 dias recebe-se mais duas, de que tamanho deve ser o lote?
RI: É só o cimento que vai variar? — Sim. E os agregados, e o traço, e a relação água/
cimento, e a betoneira etc.?, pode-se admitir como homogêneos e constantes? —
Sim. Então qual é o consumo de cimento por metro cúbico de concreto? 400 kg/m”.
Alto, não? — E. Não dá fissura? — Não porque a cura é muito bem feita. Bem, nesse
caso vejamos: 600 sacos: 8 sacos/m'*=75m? .'. cada lote deveter 75 mºno máximo.
P2: Mas a NBR 6118 não recomenda 100 mº?
R2: Recomenda no máximo.
P3: Mas assim vai ficar mais caro o controle, não é?
R3: É.
P4: E o que se ganha com isso?
R4: Poderá produzir um concreto mais econômico, pois ao misturar os resultados de
exemplares de populações distintas, e analisar tudo junto, vai certamente encontrar
uma dispersão maior e falsa. Isso obriga a produzir um concreto de resistência
média mais alta, traço mais rico, para compensar essa falsa dispersão. E aí fica mais
caro.
P5: Então quanto menor o lote melhor?
R5: Olha o “bom senso”! Em princípio sim. Se considerar cada betoneira um lote e
amostrar todos os lotes, ter-se-á uma visão perfeita da produção, mas isso pode ser
economicamente inviável em função do custo dos ensaios.
152 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

3.9 O Procedimento de Retirada dos Exemplares


Walker?” já em 1944 chamava a atenção para o fato de que a dispersão dos resultados
tem origem em duas causas bem distintas:
1º) avariabilidade inerente à produção do concreto, devida às variações dos materiais,
equipamento, mão-de-obra etc., e
2º) a variabilidade extrínsica, originada pelas operações de ensaio e controle.
Daí se conclui que uma avaliação estatística dos resultados não pode ser melhor do que
a amostragem na qual se baseia. Por outro lado, para assegurar uma boa amostragem,
é necessário fazer cumprir rigidamente os métodos de ensaio normalizados, tanto em
relação aos ensaios propriamente ditos quanto principalmente em relação à retirada ou
coleta de exemplares.
Sempre que se trate de concreto produzido em obras ou centrais fixas, adota-se o
método NBR 5750 — Amostragem de Concreto Fresco Produzido por Betoneiras
Estacionárias/ ABNT! Inmetro. Em linhas gerais o texto recomenda que se tome, para
a moldagem dos corpos-de-prova que formarão um exemplar, o concreto correspon-
dente ao terço médio do volume total, da betoneira. Numa betoneira de eixo inclinado
com 300 dm” de capacidade útil, os 100 dm? iniciais — geralmente com maior proporção
de agregados graúdos — e os 100 dm finais — geralmente com maior proporção de
argamassa — não devem ser tomados para fins de moldagem dos corpos-de-prova. Parte
dos 100 dmº centrais — geralmente mais homogêneos — é que serão aproveitados nos
ensaios e controle.
Para concreto fornecido por usina, o procedimento de amostragem deve seguir o
exposto na NBR 7212 - Execução de Concreto Dosado em Central. O texto recomenda
que se despreze — para fins de ensaio — o volume de concreto correspondente aos 15%
iniciais e finais do volume total do caminhão-betoneira. Dos 70% intermediários deve-
se retirar porções em quantidade igual ou superior ao volume total entregue em metro
cúbico. Por exemplo, ao se receber um caminhão-betoneira com capacidade útil de
5 m?, o primeiro e o último 0,5 mº devem ser enviados diretamente à obra. Dos 4 mº
restantes retira-se cinco porções de concreto uniformemente espaçadas. Esse concreto
retirado é então homogeneizado e utilizado para a moldagem dos corpos-de-prova de
controle. Esse critério é um pouco exagerado. A tendência atual é retirar de uma só vez
e do volume intermediário (+ 70%) a porção necessária para moldagem dos corpos-
de-prova.
A menor quantidade de produto é uma amassada, ou seja, a menor quantidade de
concreto produzido sob as mesmas condições.
Quando se aumenta o número de corpos-de-prova retirados de uma amassada, também
se aumenta a informação sobre esta amassada; mas não se incrementa o conhecimento
das demais amassadas. Portanto, quando o que se deseja é conhecer ou avaliar o
processo de produção do concreto, deve-se reduzir o número de corpos-de-prova
retirados de cada amassada, em favor do aumento do número de amassadas represen-
tadas.
Resistência à Compressão do Concreto - 153

Desde que os corpos-de-prova que representam uma amassada tenham sido moldados
com o concreto retirado e homogeneizado segundo os métodos descritos e que além
disso o procedimento de ensaio tenha sido o mesmo, os resultados deverão ser iguais.
Nem sempre o são e a diferença observada é então imputada às diferenças decorrentes
das operações de ensaios e controle.
3.9.1 Algumas questões

P1: O que acontece ao se moldar os corpos-de-prova com o primeiro concreto que


sai da betoneira?
R1: Em geral é um concreto com mais agregado graúdo e menor teor de argamassa. É
possível que vá dar resultado mais baixo, pois, assim como o concreto do final da
betoneira, não tem exatamente o traço da dosagem. No mínimo vai aumentar a
dispersão dos resultados e prejudicar a avaliação da qualidade do concreto.
P2: Mas para aceitar um concreto entregue por caminhão-betoneira não se
precisa fazer o teste de consistência logo no começo? Então já se aproveita e
molda?
R2: O teste da consistência pelo abatimento do tronco de cone NBR 7223 deve ser feito
duas vezes. Uma no começo para ver se está dentro da faixa de tolerância estipulada
e outra com o concreto do “meio” do caminhão quando então é anotado e se moldam
os corpos-de-prova também.
P3: Faixa de tolerância do abatimento, o que é isso?
R3: A precisão da resposta do ensaio de abatimento do tronco de cone do concreto
depende da consistência do concreto podendo-se adotar as tolerâncias indicadas
abaixo.

Consistência Abatimento (mm) Tolerâncias (mm)

seca 0a 20 +

medianamente plástica 30 a 50 +10

plástica 60 a 90 + 10

fluida 100 a 150 + 20

líquida > 160 +30

Figura 3.36 — Tolerâncias admitidas para consistência do concreto através do abatimento do


tronco de cone — NBR 7223

3.10 O Tamanho e a Forma de Constituição da Amostra


Segundo a NBR 6118 a cada lote de concreto deverá corresponder uma amostra com
nexemplares, função do índice de amostragem requerido para o caso. Estes exemplares
devem ser retirados aleatoriamente do lote em exame, de modo a representá-lo
154 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

corretamente. Cada exemplar será constituído de dois corpos-de-prova da mesma


amassada e moldados no mesmo ato, observando-se os cuidados anteriormente citados
em 3.9.
Na amostragem do concreto é importante que as betonadas a fornecer exemplares sejam
escolhidas inteiramente ao acaso, de modo que todas elas tenham igual possibilidade
de serem selecionadas.
Desta forma encontra-se que o concreto de algumas das betonadas têm resistências bem
abaixo da média, enquanto outros estão bem acima, exatamente como previsto na lei
normal de distribuição de Gauss. Em princípio não se deve excluir nenhuma betonada
como possível fornecedora de exemplares, a não ser que também seja rejeitada para a
estrutura.
Da mesma forma não se deve desprezar nenhum dos resultados obtidos por mais baixo
ou altos que sejam, a não ser que haja sinais evidentes de alteração intencional ou
acidental ocorrida durante as operações de ensaio e controle e que, portanto, não pode
ser imputada à qualidade potencial do concreto.
Segundo a seção [Link] da NBR 6118 o número mínimo de exemplares da amostra
que representa um determinado lote dever ser seis. Também é exigido que seja retirado
pelo menos um exemplar de todos e cada um dos caminhões-betoneira quando se trata
de concreto dosado em central fora da obra.
A partir desses resultados estima-se a resistência característica do concreto à compres-
são.
Em casos excepcionais, aceita-se amostras com número de exemplares menor que seis,
recomendando para estes casos um critério especial de estimativa da resistência à
compressão que em geral penaliza o produtor (a economia), sendo a favor da segurança.
O entendimento dessa questão implica inicialmente a aceitação que a menor “unidade
de produto” que está sendo produzida é o volume contido em uma betoneira, qualquer
que seja sua capacidade. Portanto, o concreto de uma betoneira pode ser considerado
uniforme e tem a resistência do exemplar que o representa. Raciocinando dessa forma,
o tamanho da amostra que representará esse lote reduzido de concreto deve ser definido
por dois fatores, a saber:
a) Número mínimo de exemplares para permitir uma estimativa confiável da resistência
do lote (inferência estatística).

b) Número máximo de betonadas ou amassadas empregadas na concretagem da peça


em questão, já que não tem sentido retirar mais de um exemplar por betoneira.
Por exemplo, no caso da concretagem dos pilares de um edifício que requer um total
de 18mº, ouna concretagem de vigas pré-moldadas sendo cada uma de 18 m? ou no caso
de concretagens de fundações isoladas (ex: bases de torres) com 18 mº cada, ter-se-á:

- quando o concreto for produzido por central e entregue em caminhões-betoneira de


6 mº cada, a amostra deverá ter apenas três exemplares, um representando cada
caminhão, que nesse caso é a menor unidade de produto.
Resistência à Compressão do Concreto - 155

- quando o concreto for produzido por betoneiras estacionárias na própria obra, com
capacidade nominal de 300 dm”, os mesmos 18 mº de concreto serão produzidos por
aproximadamente 108 betonadas independentes, representando 108 unidades de pro-
duto e, portanto, prevalecerá o critério de compor a amostra pelo número mínimo de
exemplares que proporcionem uma estimativa confiável. No texto atual da NBR 6118
esse número deve ser seis.

3.10.1 Algumas questões

Pi: A NBR 6118 define a resistência característica como aquela correspondente


ao quantil de 5%. Sempre que se fala em resistência característica, o quantil
adotado é 5%?
R1: Não. Pode em princípio ser qualquer valor. No caso de pavimentos de concreto em
geral adota-se o quantil de 20%. Em edificações é tradicional adotar 5%. Nos EUA
é comum adotar 9%.
P2: O f,, (notação da NBR 6118) é igual ao 6, (notação da NB-1/1960)?
R2: Sim, por definição. O que muda é como eles são considerados no cálculo estrutural
(resistência de projeto ou de dimensionamento).
P3: É obrigatório usar o método NBR 5738 para moldagem e NBR 5739 para
ruptura e controle do concreto?
R3: Não necessariamente. Deve ser de preferência, mas às vezes isso é impossível (por
ex.: concreto projetado), ou inviável e desaconselhável (por ex.: concreto só com
pedrisco ou areia grossa tipo graute).
P4: Não era melhor deixar os corpos-de-prova nas mesmas condições da estrutura?
Por exemplo ao sol, à chuva etc.?
R4: Nem pensar. Começa que o corpo-de-prova não é a estrutura, nem parte dela. Não
tem a mesma forma, volume, nada igual. Depois eles devem apenas ser uma
referência. As diferenças ficam por conta do coeficiente de minoração, y,. Somente
em alguns casos especiais — como por exemplo pré-moldados submetidos a cura
acelerada — pode-se empregar esse critério. Mesmo assim os corpos-de-prova
deixados nas mesmas condições de cura do componente estrutural servem tão-
somente para orientação à desforma da peça e não para aceitação do concreto.
PS: De que ordem de grandeza é a variabilidade dos cimentos nacionais?
R5: Conforme publicado pela A Construção São Paulo? o desvio-padrão chega a ser
da ordem de 5,0 MPa com coeficiente de variação de 12% para cimentos da
categoria 32, Em outras palavras equivale dizer que há o interesse em separar os
lotes de concreto em função das partidas de cimento a fim de não se incluir aí a
variabilidade deste.
P6: Como e quando se identifica um lote de concreto homogêneo?
R6: Para ser homogêneo todos os materiais que entram na sua dosagem devem ser os
156 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

mesmos. Da mesma forma os equipamentos de mistura. — Quando? Sempre antes


de iniciar o controle, nunca depois.
P7: Sea NBR 6118 permite que cada lote tenha até 100 mí, por que deve-se separar
em dois, quando se muda só a consistência, porém mantém-se o mesmo f,?
R7: Ora, se parte dos 100 mí é de consistência seca significa que terá um traço diferente
do outro concreto com consistência fluida ou plástica. Nessas condições não são a
mesma população e portanto nunca devem ser analisados juntos.

3.11 A Frequência de Constatação da Qualidade


O controle sistemático” do concreto pela NBR 6118, capítulo 15, referente a um lote
homogêneo de material, admite três índices de amostragem que definem em última
instância a frequência de constatação da qualidade, a saber:
reduzido: amostra com seis ou mais exemplares;
normal: amostra com 12 ou mais exemplares;
rigoroso: amostra com 18 ou mais exemplares.
Inicia-se geralmente o controle retirando amostras com pelo menos 12 exemplares que
correspondem ao índice normal de amostragem. O índice será mantido ou alterado no
prosseguimento da produção de acordo com as indicações da Figura 3.37.
Este critério, quando se trata de ensaios efetuados a baixa idade, é bastante interessante,
pois na medida em que o concreto produzido tenha resistência acima da especificada,
é permitida a redução do rigor do controle, com natural benefício econômico. Por outro
lado, à proporção que a resistência característica estimada se aproxima do mínimo
especificado no projeto, o controle é intensificado com o objetivo de melhor identificar

Indice de amostragem empregado no lote em exame


Valor estimado da Reduzido Normal Rigoroso
resistência característica (6 <n < 12) (12 <n < 18) (n > 18)
Indice a adotar no lote seguinte
E >11f manter o passar para O passar para
ckjest 10 ta reduzido reduzido o normal
&— e
passar para O manter o passar para
Llfo>f.o Dt. normal normal o normal
ckj ckjest ck; Se és

passar para 0 passar para O manter o


normal rigoroso rigoroso
e La —a =

Figura 3.37 - Índices de amostragem para controle sistemático do concreto — NBR 6118

(*) O controle sistemático segundo a NBR 61 18 se aplica ao caso geral das estruturas de concreto, sendo
sempre recomendável. É obrigatório quando f., > 16 MPa ou 6 < 1,4.
Resistência à Compressão do Concreto - 157

as causas de variação e estimar a resistência característica do concreto de forma mais


precisa. Em geral, narealidade, resulta mais prático manter um só índice de amostragem,
porexemplo o normale, ao invés de reduzir ou aumentar a freqiiência de controle, deve-
se alterar o traço de concreto para mais rico ou mais pobre. Normalmente este teve
como referência de dosagem inicial valores aproximados, que necessitam ser corrigi-
dos e atualizados durante a produção, adequando-se à qualidade dos materiais,
equipamentos e mão-de-obra locais.
No caso de controle assistemático a amostra deverá ser composta de pelo menos seis
exemplares, sendo no mínimo um por semana e um para cada 30 mº de concreto. Só é
permitido pela NBR 6118 quando ff , < 16 MPaey, 2 1,4. O concreto de toda a estrutura
pode ser analisado globalmente. Isso na realidade é, em geral, uma desvantagem,
pois pode acontecer de ter de rejeitar todo o concreto, quando apenas uma parte não
atende.
Em casos especiais de pequenos volumes de até 6 m?, fabricados em condições homogê-
neas, a amostra poderá compor-se de menos de seis exemplares, no mínimo um”.
Sempre que se tratar de concreto entregue por caminhão-betoneira, qualquer que seja
o volume, deve ser retirado pelo menos um exemplar para a idade especificada no
projeto (segundo a NBR 6118/78).

3.11.1 Algumas questões

P1: Para um lote de 100 mº de concreto, a cada quantos metros cúbicos deve-se
moldar dois corpos-de-prova ou um exemplar?
R1: Depende do índice de amostragem:
- reduzido: no máximo a cada 16,7m” (100:6)
- normal: nomáximo acada 8,3m” (100:12)
- rigoroso: no máximo acada 5,6mº (100:18)
P2: Ao utilizar um volume de concreto de 7,5 mº entregue por um caminhão-
betoneira hoje, e mais 85 mº entregue por 12 caminhões no mês que vem, como
deve-se proceder?
R2: Identificar no mínimo dois lotes. Um com 7,5 mº e outro com 85 m”. Como todo
o concreto do primeiro lote pertence a uma única betoneira (amassada) basta
moldar um exemplar (2 cp).
P3: Qual o mais vantajoso, utilizar o controle sistemático ou o assistemático
quando a opção é permitida?
R3: Sempre o sistemático. O controle assistemático está previsto para situações
particulares e especiais, que como tal devem ser evitadas.

(*) Apesar desta alternativa que autoriza a constituição de uma amostra com menos de seis exemplares estar
dentro do item referente ao controle assistemático da NBR 6118, ela é válida para as duas situações, tanto
controle sistemático quanto controle assistemático, qualquer que seja o Lar
158 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Além disso o estimador” recomendado nesse caso (controle assistemático)


pressupõe uma produção com coeficiente de variação de 20%, o que prejudica a
maioria das estimativas.
P4: Qual plano de controle a ser implantado na concretagem do 4º pavimento de
um edifício de escritório, com 98 mí, onde no projeto estrutural está especi-
ficado f,,, = 20 MPa ey, = 1,4?
R4: 1º passo: tipo de controle; é obrigatório o controle sistemático, pois La > 16 MPa.
2º passo: definição dos lotes a serem controlados; como neste caso trata-se de um
andar que não supera 500 m?, nem 100 m, basta considerar apenas um lote, desde
que sejam os mesmos agregados, o mesmo cimento, a mesma betoneira etc.
3º passo: um lote deve ser representado por pelo menos uma amostra.
4º passo; número de exemplares da amostra; o ideal é sempre utilizar 12 e desde
que não se faça nenhuma referência a isso, e que no lote anterior a resistência
estimada não tenha superado 1,1 ” nem estado abaixo de Lu será utilizado o
índice de amostragem normal, ou seja, 12 exemplares.
. 98m':12=8,2mº
“. Retirar um exemplar a cada 8,2 mº de concreto no máximo, aleatoriamente.
5º passo: betoneira estacionária em obra; se o concreto é de 300 kg de cimento/m?
e cada betonada leva um saco, temos:
- para produzir um metro cúbico devo misturar seis betonadas
- *. 82 mº x 6 = 49 betonadas
ou seja, de cada 49 betonadas, escolhe-se uma delas e molda-se dois corpos-de-
prova no caso geral, ou um corpo-de-prova no caso de Laboratório eficiente.
6º passo: caminhão-betoneira? Como faz? neste caso obrigatoriamente deve ser
moldado um exemplar de cada caminhão, qualquer que seja o volume do caminhão
(4,6 ou 8 mº).
“. 98 m?: 6 m? / caminhão = 17 caminhões
ou seja, será uma amostra composta por 177 exemplares e não 12 como na outra
situação.
P5: Então o controle de aceitação da resistência à compressão de concretos
fornecidos por caminhão-betoneira é mais caro?
R5: Sem dúvida, neste caso. No entanto tem a vantagem de estimar melhor a resistência
característica, pois a amostra se compõe de mais exemplares e, consequentemente,
diminui o risco de uma estimativa falsa.
P6: A quem interessa aumentar o tamanho da amostra?
R6: A todos. Principalmente ao produtor do concreto, pois quanto maior o número de

(*) Estimador é a denominação usualmente empregada para o conjunto de fórmulas matemáticas utilizado
para estimar o valor característico da resistência à compressão.
Resistência à Compressão do Concreto - 159

exemplares melhor a estimativa da resistência característica e maior as probabili-


dades de aceitação do concreto que está sendo produzido. A fiscalização e ao
proprietário, pois diminui o risco de aceitação de um produto deficiente.
P7: Por que retirar um exemplar de cada caminhão-betoneira?
R7: Essa exigência da NBR 6118 se explica pelo fato de que entre dois caminhões
entregues na obra, a central dosadora certamente produziu outros concretos
destinados a outras obras e, consegientemente, o risco de alteração do traço é
maior do que numa produção onde apenas um traço está sendo produzido. Se
essa central dosadora estiver no próprio canteiro da obra ou quando estiver
produzindo continuamente um único traço para uma determinada obra, essa
exigência pode ser abandonada utilizando-se as recomendações do caso geral de
betoneira estacionária.

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Resistência à Compressão do Concreto - 161

(27) WALKER, S. Application of theory of probability to design of concrete for strength specifications.
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(28) HELENE, P. R. L. Estrutura interna do concreto. In: CURSO de patologia das construções de
concreto. São Paulo, FDTE/Epusp/IPT, 1980.
Controle de Produção do Concreto - 165

4.1 Introdução
A metodologia apresentada neste capítulo destina-se preponderantemente a quem
produz concreto apesar que as informações podem ser utilizadas por aqueles que
fiscalizam a produção.
O controle de produção compreende o conjunto de métodos, que ajudam o fabrican-
te do concreto a cumprir o especificado da forma mais econômica. Sendo o produtor
o responsável pela qualidade da produção, deve também ter a responsabilidade de
controlar esta da forma que lhe parecer mais indicada.
Será irrealista e inoperante um controle de produção efetuado somente sobre as
características finais do concreto, sem que de antemão tenha sido efetuado um
controle da qualidade e uniformidade da matéria-prima utilizada. Em outras pala-
vras, durante o controle de produção interessa controlar os fatores que influem na
resistência à compressão.
À primeira condição para se alcançar e manter uma dada resistência à compressão
do concreto é assegurar a qualidade e a uniformidade do cimento, da água e dos
agregados disponíveis. Em seguida é necessário verificar o proporcionamento
correto destes materiais por ocasião do amassamento, assim como a observância da
ordem de lançamento dos materiais na betoneira e o tempo de mistura. Enfim, para
que se obtenha um concreto com características homogêneas é necessário assegurar
a uniformidade dos materiais, a regularidade do proporcionamento, a qualidade da
mão-de-obra e a eficiência dos equipamentos.
Outro recurso que a equipe encarregada do controle de produção pode e deve utilizar
é a verificação da uniformidade das características do concreto fresco. Normalmen-
te a trabalhabilidade expressa pela consistência, a massa específica do concreto
fresco, o teor de ar aprisionado e a relação água/materiais secos dão boa informação
sobre a manutenção das características finais do concreto endurecido.
Além destas verificações, efetuadas no concreto ainda fresco, é sempre interessante
proceder ao controle da resistência à compressão. Em última instância, todo
concreto acabará sendo julgado através de sua qualidade final, que em geral é a sua
resistência à compressão em uma idade prescrita. Daí o interesse em seu controle
166 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

que, se não retifica, pelo menos ratifica a produção em termos de qualidade e


fornece valiosas informações sobre esta.
Apesar de estar implícito e de ser indispensável o controle dos fatores que intervêm
na resistência à compressão, vamos nos referir ao controle único da resistência à
compressão a uma certa idade, mostrando como esse controle também pode servir
para corrigir o processo e baratear a produção sem queda do nível de qualidade.
Uma das formas de se efetuar o controle de produção do concreto é através do
controle da resistência à compressão.
O sistema de controle de produção mais divulgado e aceito no Brasil é através das
cartas de controle recomendadas pelo American Concrete Institute — ACI 214 —
Recommended Practice for Evaluation of Compression Test Results of Field
Concrete, texto que inclusive serviu de inspiração, na época, para a redação da
NB-I (1960), sendo largamente empregado até hoje. Propor-se-á algumas modifica-
ções nesse sistema de controle com vistas à adaptação ao texto da NBR 6118 e às
técnicas atuais de controle de qualidade.
Os gráficos ou cartas de controle da qualidade têm sido usados por muitos anos
pelas indústrias manufatureiras como elemento auxiliar de controle de uniformidade
e da eficiência da produção. Os métodos de representação de tais gráficos encon-
tram-se reunidos no ASTM Manual on Quality Control of Materials” publicado
desde 1951.
Através deles, com base na configuração que foi observada em resultados anteri-
ores e nos limites estabelecidos em função desses resultados, são estimadas as
tendências dos novos resultados e, consequentemente, o andamento do processo. Os
pontos que caem fora dos limites estabelecidos são indicativos de que houve
alteração na produção.

4.2 Carta de Valores Individuais


O gráfico ou carta de valores individuais, mostrado na Figura 4.1, onde se indicam
todos os resultados obtidos de cada exemplar, é o sistema de controle de produção
mais comum e mais utilizado.
Tendo em vista as particularidades do processo de produção do concreto, no qual
pode haver uma mudança de centragem para cada nova partida de materiais
entregues na obra, esta carta facilita a visualização do andamento dos resultados,
mesmo com amostras pequenas utilizadas para representar cada lote produzido,
Como elementos auxiliares nesses gráficos podemos marcar:
1) O valor da resistência característica especificada no projeto estrutural, f aii?
2) O valor da resistência média de dosagem f, |, adotada pelo Laboratório, que
serviu de base para o estabelecimento do traço a ser produzido em obra,
Com esses valores marcados pode-se observar os seguintes aspectos:
a) A probabilidade que seis resultados consecutivos fiquem situados de um mesmo
lado (acima ou abaixo) em relação ao valor médio —, tanto em relação à média
Controle de Produção do Concreto - 167

fe (MPa)

25 Resistência Média
obtida (fem )
Resistência Média
obtida (Lemj )

20 femjd peste Média


dosagem

15 fem Resistência Caracte-


rística de projeto

10

1/2/3/4/5/]6/7/8/9 nji2/13 7/18/19/20/211 29/30/31 33 Exemplares


Amostra 1 Amostra 2 Amostra3
Lote 1 Lole 2 Lote3

Figura4.1 - Carta de controle da qualidade da produção do concreto com base em resultados


individuais (f, A )

esperada pela dosagem quanto em relação à média dos p, exemplares anteriores


é de apenas 1,56%. Se isso ocorrer haverá grande probabilidade de mudança de
centragem do processo de produção.
b) Quando em um conjunto de seis resultados consecutivos, dois exemplares
estiverem abaixo da resistência característica f e? (probabilidade de apenas 3%)
pode-se considerar que houve mudança nos parâmetros do processo de produção.
c) Quando dois resultados consecutivos estiverem abaixo de Lg» haverá uma
probabilidade de 99,75% de que o concreto produzido seja deficiente, isto é, que
houve mudança significativa no processo de produção. Segundo as recomenda-
ções do ACI 214, já citado, isso já seria motivo suficiente para se rejeitar o lote,
caso se tratasse de controle de aceitação. Os textos do ACI 214 infelizmente não
distinguem claramente o controle de produção do controle de aceitação gerando
frequentemente dúvidas nos usuários.

4.3 Carta do Desvio-Padrão


Acompanhar a evolução do desvio-padrão é, na opinião dos autores deste Manual,
o aspecto mais importante do controle da qualidade do processo de produção do
concreto. Além de ser um parâmetro característico e inerente a um certo processo
de produção”, o custo do metro cúbico de concreto depende diretamente dele. O
desvio-padrão deve ser o parâmetro sempre que fm) SUperar 20 MPa.

(*) Antigamente pensava-se, e o texto da NB-1 (1960) assim o recomendava, que o coeficiente de variação
(6) fosse o parâmetro característico de um processo de produção. Levantamentos experimentais efetuados
a nível mundial provaram que isso não é bem verdade. Para resistências médias acima de 20 MPa (= 200
kfg/cm?) o desvio-padrão pode ser adotado como parâmetro mais característico do processo.
168 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Atualmente, segundo a NBR 6118 a resistência média de dosagem e portanto o traço


do concreto é escolhido a partir de:

Cai = E + 1,65 .5, (seção [Link] da NBR 6118)

Como, ;é um valor fixo e especificado por projeto, a resistência média de dosagem,


f ie só depende do desvio-padrão de dosagem s, .Trata-se, portanto, de construir
um gráfico ou carta onde se assinale os resultados do desvio-padrão obtidos de cada
lote através dos exemplares da amostra que o representa.
É conveniente marcar nesta carta o valor admitido por ocasião da dosagem em
laboratório (s,) de forma a permitir a comparação com os resultados que forem
sendo obtidos. Pode-se indicar também o intervalo de confiança correspondente a
uma probabilidade de 90% de ocorrência, Desta forma é possível comprovar se cada
valor obtido corresponde ao esperado ou está indicando mudança significativa dos
parâmetros primordiais do processo de produção do concreto, conforme se apresen-
ta na Figura 4.2.
So

Limite Superior
(90% )

S, Desvio-padrão
admitido na
dosagem

Limite Inferior
(90% )

Amostras compostas
1/2/13]4/5/16|7]8]9/10/11/12/13/14/1516/17/18/19/20/21 24/25 |26/27 29/30/31/32/33 de n exemplares

Figura 4.2 — Carta de controle da qualidade da produção de concreto com base no desvio-
padrão do processo de produção e ensaio (s,)

Como se verifica é um recurso que só tem aplicação prática em controle de concreto


onde se disponha de vários lotes e, consequentemente, de várias amostras. Pode-se
adotar amostras com reduzido número de exemplares, a partir de seis, que fornece-
rão a estimativa do desvio-padrão s do processo de produção, apesar que a
viabilidade dessa estimativa aumenta com o número de exemplares de uma mesma
amostra, de preferência com n 2 30.
O limite superior e inferior, que poderíamos chamar de barreira de advertência,
correspondentes a 90% de probabilidade de ocorrência, fornecerão uma indicação
Controle de Produção do Concreto - 169

visual e rápida da eventual alteração substancial do desvio-padrão de dosagem s,


admitido por ocasião da escolha do traço.
Esses limites podem ser estabelecidos em função de se tratar de grandes amostras,
onde o número n de exemplares seja igual ou superior a 35, ou pequenas amostras.

s
No caso de grandes amostras calcula-se por: s + 1,65 :
V2(n-1)
No caso de pequenas amostras calcula-se por:
n-1 g
Limite Superior = Ra “

n-1 .s
Limite Inferior = XxX? j

onde X? (qui-quadrado) é obtido de tabelas em função do número n de exemplare


da amostra tendo-se para:
n=6 Es 6 e Ud
n=12 Kas = 4,57 E q 199
n=18 X,os = 8,67 Xos= 27,6
n=24 = 18,1 a =35;2
n=30 Kas = 17,7 Xos= 42,6

A Figura 4.3 mostra alguns limites clássicos como exemplo.

Amostras com Limite inferior Limite superior

6 exemplares 0,67 .5s, 209.5,


12 exemplares 0,73 8, Los . 6,
18 exemplares 0,78 8; 1,40 .5s,
35 exemplares 0,80 .s, 1,20 .5,
100 exemplares 0,88 .5, LIZ. 8,
200 exemplares US im, 1,08 .5,
1.000 exemplares 0,96 .s, 104.5,
10.000 exemplares 0,99 ..s, 1,01 8,

Figura 4.3- Intervalo de confiança correspondente a uma probabilidade de 90% de ocorrên-


cia, em função do tamanho da amostra
170 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Desta forma, enquanto os valores de desvio-padrão que estão sendo obtidos


diretamente da produção (s) permanecem dentro dos intervalos anteriores —, para
qualquer tamanho de amostra — o processo não apresenta sinais de alteração e,
portanto, não necessita de correções.
Tomando como exemplo um processo de produção para o qual se adote s, = 4 MPa
(— 40 kgf/cm?), obtém-se os limites indicados na Figura 4.4.

Amostras com Limite inferior Limite superior


6 exemplares 2.7 MPa 8,4 MPa
12 exemplares 3,0 MPa 6,2 MPa
18 exemplares 3,1 MPa 5,6 MPa
35 exemplares 3,2 MPa 4,8 MPa
100 | exemplares 3,5 MPa 4,5 MPa
200 exemplares 3,7 MPa 4,3 MPa
1.000 exemplares 3,8 MPa 4,2 MPa
10.000 exemplares 4,0 MPa 4,0 MPa

Figura 4.4 — Intervalo de confiança correspondente a uma probabilidade de 90% de


ocorrência, em função do tamanho da amostra, para um desvio-padrão, s = 4 MPa, adotado
na dosagem

Do ponto de vista tecnológico, um desvio-padrão de 8,4 MPa não é equivalente a


um desvio-padrão de 2,7 MPa, havendo grande diferença entre o rigor desses dois
processos de produção. Esse fato nos leva a evitar amostras com poucos exemplares
para o cálculo do desvio-padrão do processo de produção.
Por outro lado, amostras grandes, com elevado número de exemplares, podem ser
inviáveis do ponto de vista da economia. O ideal é aproveitar os resultados obtidos
de várias amostras consecutivas através dos critérios indicados em 2.5.1 deste
Manual.
Caso seja observado que o desvio-padrão (s ) obtido a partir das amostras mantenha-
se sistematicamente abaixo do admitido na dosagem, (s,), deve-se proceder a uma
retificação da dosagem no sentido de reverter em economia para a obra o fato de ter
conseguido uma menor dispersão efetiva do processo de produção.

4.4 Carta do Coeficiente de Variação das Operações de Ensaio e


Controle
O desvio-padrão das operações de ensaio e controle, s,, pode afetar negativamente
os resultados, provocando a elevação da resistência média de dosagem, ae ax É
onerando consegiientemente o custo do metro cúbico de concreto produzido.
Controle de Produção do Concreto - 171

Uma boa maneira de controlar a eficiência dessas operações é acompanhar grafica-


mente a evolução do coeficiente de variação dentro do ensaio, E
Adotando valores já consagrados, para que as operações de ensaio e controle sejam
consideradas eficientes, devem apresentar variabilidade menor ou igual a 5%, ou
seja, v, < 5%. Isso pode ser observado através da Figura 4.5 onde se indicam os
coeficientes de variação v., correspondentes a amostras compostas de pelo menos
dez exemplares. E conveniente indicar também os limites correspondentes a 3%,
4%, 5% e 6% conforme recomendado pelo ACI 214.
Apesar da prática usual de efetuar este cálculo continuamente, misturando os
resultados de diferentes lotes, não se recomenda esse procedimento, pois ao analisar
exemplares pertencentes a lotes com médias distintas cabe a seguinte questão: que
média deverá ser adotada no cálculo de v.,?
Deve-se ter em conta que para a construção desta carta de controle é sempre
necessário que cada exemplar seja constituído de pelo menos dois corpos-de-prova.
Além destas três cartas ou gráficos básicos pode-se empregar outros, tais como os
sugeridos no ACI 214, o gráfico ou carta das médias móveis, o gráfico ou carta das
máximas amplitudes observadas entre corpos-de-prova irmãos (representativos do
mesmo exemplar) e outros.
No entanto, esses gráficos não oferecem informações suficientemente rápidas e não
acrescentam nada além do que pode oferecer os três já apresentados”.
Por outro lado, como foi visto anteriormente na maioria dos processos de controle
da qualidade, um controle eficiente da produção exige uma rápida retro-alimenta-
ção das medidas das variáveis que estão sendo controladas, estabelecendo correla-
ções com os requisitos exigidos. Dentro desse ponto de vista, a resistência à
compressão à idade de 28 dias não é uma variável interessante para o controle .de
produção do concreto. Quando se está de posse dos resultados — principalmente
durante a produção de grandes volumes contínuos de concreto — na maioria das ve-
zes é tarde para intervir no processo, objetivo primordial do controle da produção.
Esse tipo de controle pode-se tornar interessante na medida em que se utilize
resistências à compressão obtidas a baixas idades, em princípio antes dos três dias.
Com resultados a 28 dias de idade, o controle proposto contribui muito pouco para
a correção imediata das falhas de produção, não permitindo retificações rápidas do
processo, servindo, na maioria das vezes, tão-somente como histórico do processo
de produção.
S é

(*) O coeficiente de variação das operações de ensaio e controle é calculado por v =——- 100 conforme
explicado em 5.3 deste Manual. em

(**) Está subentendido nesta afirmativa que se trata do controle de produção de concretos especificados
em função de uma resistência característica. Quando se desejar controlar a média, pode ser mais
interessante empregar o processo de médias móveis. A escolha dos métodos mais adequados será sempre
função do processo de produção do concreto, do processo de produção da estrutura e função do parâmetro
que se deseja controlar, não existindo uma regra universal que seja a melhor para todas as situações.
172 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Vo (6)

Deficiente
6%

5%

Bom
4%
Muito Bom
3%

Excelente

Amostras compostas
1/2 13 ]4 ]5 ]6 /7 |8 |9/10/11/12/13/14] 15] 16] 17/18]19 21/22 24/25/26 |27 |28 |29/30/31 33/34 de pelo menos
exemplares 10 cada)
(2 C.P;

Figura 4.5 — Carta de controle da qualidade da produção de concreto com base no coeficiente
de variação devido às operações de ensaio e controle (v,)

Quando se dispuser de ensaios a baixa idade, cujos resultados estejam correlacionados


com ensaios à idade especificada no projeto da estrutura, ou mesmo se dispuser de
ensaios acelerados” confiáveis, o acompanhamento da produção através da constru-
ção de cartas semelhantes às citadas é de extrema valia.
Para essa situação é salutar estabelecer diferentes fregiiências de constatação da
qualidade, ou seja, adotar diferentes índices de amostragem. Quando o processo
estiver mantendo-se sob controle, dentro das faixas esperadas, o índice de amostragem
pode ser menos intenso. À medida que alguns resultados ultrapassem os limites de
advertência, a amostragem é intensificada com o objetivo de melhor identificar as
causas de variação.

4.5 Concreto Produzido em Central


Os concretos produzidos em central através das empresas de serviços de concretagem
têm uma característica e um problema específico que se diferenciam dos demais
casos.
À característica é que — em princípio — cada dosagem (pesagem) é diferente da que
a antecedeu e diferente da que a seguirá. Isso significa que ora produz um concreto
de La 15 MPa, ora de 27 MPa, ora de 9 MPa, ora com brita 1 e 2, ora só com
pedrisco, ora com abatimento de 100 mm, ora com 50 mm, ora com cimento de alto-
forno, ora com cimento Portland comum etc.

(0 CB-18 - Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados da ABNT acaba de elaborar e aprovar
o Método de Ensaio Acelerado da Resistência à Compressão do Concreto. Os trabalhos foram desenvol-
vidos pela Comissão de Estudos CE 18:4.9, cujos membros admitem a possibilidade de ser obtida uma
correlação forte com os resultados de idade-padrão tipo 28 dias.
Controle de Produção do Concreto - 173

O problema passa então a ser como estabelecer um procedimento simples de


avaliação da variabilidade do processo, uma vez que separar cada família e avaliar
o desvio-padrão de cada uma é uma operação dispendiosa, demorada e às vezes
inútil, pois há necessidade de conhecer o andamento do processo a curto prazo.
Essa necessidade de encontrar uma maneira rápida de avaliar a homogeneidade do
processo levou a comissão de redação da NBR 7212% a adotar procedimentos
isti
distintos ueles
daquels indicados nosnos casos g gerais anteriormente
indicados terio te citados.
citad
A NBR 7212 recomenda que a avaliação do desvio-padrão seja efetuada com um
mínimo de 16 exemplares quando s < 4 MPa, 25 exemplares quando s esteja entre
4 e 5 MPa e pelo menos 32 exemplares quando s, > 5 MPa.
Os exemplares podem ser retirados de qualquer família de concreto e pelo menos
um a cada 50 m” de concreto produzido.
Para uma central com produção mensal de 1.000 mº isso equivale à moldagem de
dois exemplares por dia, ou seja, quatro corpos-de-prova/dia, dois em cada período.
A média e o desvio-padrão devem ser calculados com o resultados f.., obtidos de
uma família de concretos com uma resistência de dosagem previamente escolhida
fm» em? que passará a se denominar concreto de referência, f....
Essa resistência f,| deve ser a de um concreto frequentemente produzido e com
La 22 MPA.
A amostra poderá ser constituída de resultados de ensaio de concretos com
resistência de dosagem diferentes de f.., desde que efetuadas as seguintes corre-
ções:
a) Quando as resistências de dosagem desses outros concretos La forem iguais ou
superiores a 22 MPa, sendo f”. os valores da resistência dos exemplares desses
concretos, devem ser considerados os seguintes valores para cálculo do desvio-
padrão e da média:
ci E dm * Ea o Len)

b) Quando as resistências de dosagem f|. desses outros concretos forem menores


que 22 MPa, sendo f”. os valores de resistência dos exemplares desses concretos,
devem ser considerados os seguintes valores para o cálculo do desvio-padrão e da
média:
22
Eac emr + Ea - O)
emj

O desvio-padrão será calculado então por:


Im

o a O
ecmr

n-1
174 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

lmss
lf.
ci
sendo [= ——— (de preferência > 22 MPa)
n
onde n = número de exemplares.
A eficiência e o rigor da produção são avaliados conforme os quatro níveis
indicados a seguir (NBR 7212):
nível 1 — Produção excelente : s <3 MPa
nível 2 — Produção boa :3<s <4 MPa
nível 3 — Produção razoável : 4<s,<5 MPa
nível 4 — Produção inaceitável : s >5 MPa

4.6 Algumas Questões

P1: Qual a melhor ordem de colocação dos materiais na betoneira?


RI: A resposta deve levar em conta os aspectos técnicos e práticos. Também deve
diferenciar betoneiras que recebem os materiais aos poucos e diretamente daquelas
que recebem tudo de uma vez proveniente de uma fase intermediária onde
os materiais foram colocados numa balança ou caçamba de carregamento. No
primeiro caso é aconselhável começar pelo lançamento da água ou parte
desta que terá a função de “limpar” a betoneira da amassada anterior; a seguir
deposita-se o agregado graúdo, e sempre com a betoneira em funcionamento
lança-se o cimento ou parte deste (desta forma haverá a lavagem da superfície
do agregado graúdo e a melhor aderência da pasta de cimento à sua superfície);
finalmente lança-se a areia e o eventual restante dos materiais (água e cimento).
Se houver aditivo é melhor diluí-lo previamente na água de amassamento.
No caso de caçambas ou balanças intermediárias depende muito do caso. A água,
por exemplo, sempre é lançada na própria betoneira. Geralmente é aconselhável
depositar o cimento (pó fino e seco) entre camadas de agregados (em geral úmidos).
Desta forma, evita-se poeira elevada e a própria perda dos finos do cimento.
P2: Vamos agora considerar uma obra hipotética onde a produção de concreto
está vinculada às condições a seguir descritas.
Sabe-se que:
a) Materiais:

- agregado miúdo é recebido contínua e regularmente de jazida uniforme.


Pode-se admitir que suas características se mantenham constantes e ao
mesmo tempo que atendam às especificações correspondentes;
- agregado graúdo é composto da mistura em peso de 40% de brita 1 e 60%
de brita 2. E proveniente de jazida de granito são e uniforme, podendo-se
Controle de Produção do Concreto - 175

admitir que suas características se mantenham constantes e dentro das


especificações correspondentes;
água de amassamento atende às especificações e, sendo do abastecimento
público, admite-se que se mantenha uniforme e constante;
aditivos não serão empregados;
cimento AF-32 é proveniente de uma mesma fábrica. É entregue em sacos
fechados de 50 kg. Cada fornecimento se compõe de duas carretas com 300
sacos cada uma, correspondendo a uma mesma partida de cimento produ-
zida na fábrica. Cada entrega é defasada de 25 dias uma da outra. Atende
às especificações correspondentes.

b) Mão-de-obra:

se compõe de turma acostumada às regras de bem construir e pode ser


admitida como praticamente constante durante o período de concretagem
da estrutura.

c) Equipamento:
uma betoneira de eixo inclinado com capacidade nominal de 300 dm, em
bom estado de conservação;

proporcionamento dos materiais em massa (peso).

Operações de ensaio:
contará com assistência esporádica de tecnologia de concreto;
equipe de controle em obra variável, revezando-se com outras equipes;
equipamentos de ensaio aferidos e equipe de laboratório permanente e
eficiente.
Exigências de projeto:
am > 18,0 MPa com j = 28 dias;
Y. = 1,4 (coeficiente de minoração da resistência do concreto).
Característica da execução da estrutura:
volume total a ser lançado = 400 m;
concretagens em lances de aproximadamente 80 mº cada, defasados de 25
dias;
o período máximo de concretagem tolerado é de cinco dias consecutivos,
para atender ao cronograma geral de execução.
Pede-se
Efetuar o controle da qualidade da produção do concreto, mostrando sua
eventual vantagem econômica.
176 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

R2: Solução:
1) O estudo de dosagem experimental em Laboratório forneceu:
C= l - 100
k, —k,. Jog fas 0,82 — 0,36 . log És
onde C = consumo em quilos de cimento por metro cúbico de concreto
adensado;
Edil = resistência média à compressão a 28 dias de idade em MPa.
2) Correlação experimental obtida: 4 =0,8 .[Link] 0Uf = [Link]
3) Resistência média à compressão inicial de dosagem: NBR 6118, adotando
s, = 4 MPa (= 40 kgf/cm?):

E Eros SF 1,65 . S; = 18,0 + 1,65 É 4,0 mi 24,6 MPa.


Emilia

4) Traço inicial com consumo médio de cimento por metro cúbico de concreto de:
C= 100 = 334 kg/m?
0,80 — 0,36 . log 24,6
5) Lotes de concreto praticamente homogêneo:
Conforme informações anteriores, pode-se admitir que cada concretagem
de aproximadamente 80 mº será constituída por materiais, mão-de-obra e
equipamentos iguais. Adotar-se-á, então, como um lote de concreto homo-
gêneo, o volume de 80 mº correspondente a uma concretagem (no máximo
cinco dias).

6) Índice de amostragem e forma de constituição da amostra:


Como se trata do início dos serviços onde não se sabe bem o que poderá
acontecer, é conveniente dispor de número suficiente de exemplares (>10)
para estimativa também do coeficiente de variação devido às operações de
ensaio e controle, além dos parâmetros do próprio processo de produção do
concreto. Vamos adotar 12 exemplares compostos de dois corpos-de-prova
cada um, sendo que serão moldados ao todo 48 corpos-de-prova, 24 para
romper aos 14 dias de idade, controle de produção, e 24 para romper aos 28
dias de idade que serão utilizados para o controle de aceitação.
Como o volume a ser concretado é de 80 mº em cinco dias, será misturado
16 mº em média diariamente. Lembrando que cada betonada se compõe de
um saco de cimento (- 50 kg) serão necessários 107 betonadas por dia.
Para alcançar o total de 12 exemplares, a cada 45 betonadas, de uma delas
deverá ser moldado dois corpos-de-prova irmãos que representarão um
exemplar a 14 dias de idade. Preferivelmente de outra, dentro do mesmo
número de 45 betonadas deverá ser moldado outros dois corpos-de-prova
para ruptura a 28 dias.
7) Resultados obtidos a 14 dias de idade para o primeiro lote:
Controle de Produção do Concreto - 177

Tabela 4.1 — Resultados a Iá dias

1º lote = 80 mº
Resistência à compressão axial (MPa)
Exemplar corpos-de-prova

ci P, P,
l 18,8 19,8
2 22,9 217
3 23,0 22,8
4 15,9 14,3
9 19,0 [72
6 21,5 18,9
7 15,0 14,0
8 16,8 14,6
9 22:9 20,5
10 17,0 15,0
1 227 20,1
12 18,1 16,3
Amostra I (14 dias)

8) Análise do 1º lote: (comprovação dos valores previamente admitidos


f em28,d = 24,6 MPa, s, = 4,0 MPa e v < 5%)
- média (calculada a partir da média de cada par de corpos-de-prova)

12 (* 2)

RES 4 2 1
emlg4, est
= = 18,7 MPa
12

- desvio-padrão do processo de produção e ensaio: (calculado a partir da


média de cada par de corpos-de-prova)

12 Pt, 2
i E 1 Lo ; o Ê ) | = y
3,0 a
MP
1
178 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

- desvio-padrão das operações de ensaio:

12
21 pan]
ge É tel = 1,6 MPa
13,54

- coeficiente de variação das operações de ensaio:

v=— e
* 100=9%
cml4, est

- coeficiente de variação do processo de produção e ensaio (total):

q =— e
+ Tits 6%
cml4, est

Como se verifica, o coeficiente de variação das operações de ensaio e controle,


V.. é muito elevado, revelando que se trata de operações de ensaio, deficientes.
Se houver uma correção destas operações, tornando-as mais uniformes, será
possível baixar também o coeficiente de variação total, v.. Isto é comum
acontecer no início de um processo de produção de concreto.
Por outro lado, o desvio-padrão do processo de produção e ensaio, s,, mostrou
ser menor que o inicialmente admitido; s, = 3,0 MPa< s, = 4,0 MPa, o que pode
propiciar a mudança da resistência média inicial de dosagem (f ,, = 24,6 MPa)
para um valor mais baixo. Esta mudança só será segura no momento em que as
operações de ensaio possam ser consideradas eficientes, ou seja, v, < 5%.
Portanto, o primeiro passo deve ser corrigir as operações de ensaio, melhorando
os procedimentos. Em relação à resistência média de dosagem, f mid Podemos
observar que a produção obedeceu, pois a resistência média máxima obtida
através da consideração dos resultados mais altos de cada par de corpos-de-
prova, representantes de cada exemplar, forneceu o valor f. «q = 24,5 MPa
(obtida empregando-se a correlação f. = 1,25 . £. q), bastante próximo ao
esperado [ m28,d
ga = 24,6 MPa.
Finalmente, pode-se avaliar o desvio-padrão efetivo do processo de produção
em:
SE V s2—-s? = 2,5 MPa
9) Resultados obtidos a 14 dias de idade para o segundo lote (concretado 25 dias
após o anterior), conforme Tabela 4.2.
10) Análise do 2º lote: (verificação da eventual redução de v que parece exagerado
e nova estimativa de s,)
- média: (calculada a partir da média de cada par de corpos-de-prova)
f eml4, est
= 19,5 MPa
Controle de Produção do Concreto - 179

Tabela 4.2 — Resultados a 28 dias

| 2º lote = 80 mº
Resistência à compressão axial (MPa)
Exemplar corpos-de-prova

fa P, P,

1 18,9 18,9
2 21,1 18,9
3 18,9 17,9
4 17,7 16,1
5 dd 22.9
6 15,6 16,0
7 23,1 23,1
8 225 DIA
9 16,2 16,2
10 21.5 19,5
1: 20,3 22
12 18,5 16,5
Amostra II (14 dias)

desvio-padrão do processo de produção e ensaio: (calculado a partir da


média de cada par de corpos-de-prova)
s, = 2,6 MPa
- desvio-padrão das operações de ensaio:
s, = 1,0 MPa
- coeficiente de variação das operações de ensaio:
v. = 5%
- coeficiente de variação do processo de produção e ensaio (total):
v.= 13%

Como se nota, foi possível reduzir o coeficiente de variação das operações


de ensaio, v,, para níveis aceitáveis. Apenas esse fato já foi suficiente para
melhorar a dispersão dos resultados, baixando o desvio-padrão do processo
de produção e ensaio para s, = 2,6 MPa em relação aos 3,0 MPa anteriores.
A resistência média máxima manteve-se em f cm28,est = 25,0 MPa, muito
próximo à resistência média inicial de dosagem f = 24,6 MPa.

O desvio-padrão real do processo de produção baixou paras, = 2,4 MPa.

11) Resultados obtidos a 14 dias de idade para o 3º lote (concretado 25 dias após
o anterior), conforme Tabela 4.3.
180 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 4.3 — Resultados a 14 dias

3º lote = 80 mº

Resistência à compressão axial (MPa)

Exemplar corpos-de-prova

ci P, P,

1 20,0 18,2
2 16,5 16,5
3 19,9 224
4 21,0 20,2
5 15,2 16,0
6 17,6 16,4
7 22,6 22,6
8 19,0 18,0
9 14,5 15,5
10 17,0 19,0
11 19,0 20,2
12 2 DO:
Amostra HI (14 dias)

12) Análise do 3º lote: (confirmação da estabilidade do processo f, m28º Se e Vo)

média;
f emldest”= 18,7 MPa
desvio-padrão do processo de produção e ensaio:
s, = 2,4 MPa
desvio-padrão das operações de ensaio:
s, = 0,8 MPa
coeficiente de variação das operações de ensaio:
v, = 4%
coeficiente de variação do processo de produção e ensaio (total):
v.= 13%
desvio-padrão real do processo de produção:
s c'real = 2,3 MPa
À resistência média máxima manteve-se em f [Link] = 24,1 MPa, praticamen-
te igual a resistência média inicial de dosagem faq = 24,6 MPa. Portanto,
Controle de Produção do Concreto - 181

após ter constatado uma aparente estabilização do processo e não tendo mo-
tivos para supor que isso deva se alterar, é possível fazer uma primeira
correção da resistência média inicial de dosagem, em função dos parâmetros
reais ou efetivos” observados e não mais com base a critérios subjetivos:
Portanto, o novo desvio-padrão de dosagem a ser adotado poderá ser:
o [Bal DE ne D+ sadia - D ] = 2,4 MPa
SN (n, -D+M-D+(m- 1)
para v, < 5% vem s, < 0,8 MPa e:

Ss. = N Sra + sS4º = 2,5 MPa (obtido de 72 corpos-de-prova)

Então, segundo a NBR 6118, temos a nova resistência média de dosagem:


f. m28,d =f..+1,65.k..s.,
ck28 n en
sendo k n fornecido de acordo com o número de
ensaios conforme indicado a seguir:
n 20 25 30 50 > 200
k, 1,35 1,30 1,25 1,20 1,10
e a = 180 + 1,65. 1,199 , 2,5 = 23,0 MPa (obtido para 72 ensaios
conhecidos)
o que fornece o seguinte novo consumo médio de cimento por metro cúbico de
concreto: C = 324 kg/m.
13) Resultados obtidos a 14 dias de idade para o 4º lote (concretado 25 dias após
o anterior) conforme Tabela 4.4.
14) Análise do 4º lote: (observação do comportamento do processo com o
novo traço)
média da amostra: da l4,es
«= 17,9 MPa
- desvio-padrão do processo de produção e ensaio: s = 2,4 MPa
- desvio-padrão das operações de ensaio e controle: s = 0,6 MPa
- coeficiente de variação das operações de ensaio: v, = 3%
- coeficiente de variação do processo de produção e ensaio (total): v. = 13%
- desvio-padrão real do processo de produção: s. esreal = 2,3 MPa

(*) O mais correto seria denominar parâmetros estimados que sem dúvida se aproximam mais dos reais
do que os parâmetros subjetivos inicialmente adotados. Não foi empregada esta nomenclatura para evitar
confusões com os valores estimados pelo controle de aceitação ao mesmo tempo que reforça o objetivo
didático deste exemplo.
(**) Valor interpolado para n = 72.
182 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 4.4 — Resultados a 14 dias

4º lote = 80 mí
Resistência à compressão axial (MPa)

Exemplar corpos-de-prova

F P, P,
1 20,6 19,6
2 19,0 18,2
3 14,6 15,0
4 17,1 18,3
5 19,1 20,1
6 16,5 15,9
7 20,9 21,1
8 14,1 14,5
9 16,7 17,4
10 15,7 16,1
11 21,4 21,6
12 18,7 17,5
Amostra IV (14 dias)

- resistência média obtida pela consideração do valor mais alto de cada par de
corpos-de-prova de um mesmo exemplar, empregando-se a correlação
Lena
em
E DA 5 Landcml4* É “cm28,est = 22,8 MPa.
Como se observa, tendo assegurado operações de ensaio e controle dentro do
padrão bom, foi possível baixar a média e manter a uniformidade do
processo.
Nessa etapa o processo de controle poderia manter-se, não fosse a observação de
que a estrutura só iria ser posta em carga após 91 dias do término da última
concretagem.
Procedeu-se então à correlação experimental f |, para f,o tendo-se encontrado
Laio
em
E La à Loo
cm28
E Tao,em91 E Lido Dean
em 14

Isto permitiu uma nova correção da resistência média de dosagem para:


f cm91,d = E[wo ck91 + 1,65.k
É
.s, = 18,0 + 1,65. 1,170, 2,5 = 22,8 MPa (obtidos para
96 ensaios conhecidos)
portanto f I4,
q = 15,9 MPa, o que fornece o novo traço de concreto com consumo

(*) Valor interpolado para n = 96.


Controle de Produção do Concreto - 183

médio de cimento por metro cúbico de: C = 300 kg/m” (vide passos primeiro a
quinto).
15) Resultados obtidos a 14 dias de idade para o 5º lote: (concretado 25 dias após
o anterior) conforme Tabela 4.5.
16) Análise do 5º lote: (observação do comportamento do processo com o novo
traço):

Tabela 4.5 — Resultados a 14 dias

5º lote = 80 mº
Exemplar corpos-de-prova
E (MPa)
l p, = 16,2
2 p, = 18,9
3 p, = 17,0
4 p, = 15,0
o p, = 19,0
6 p, = 18,2
7 p, = 13,0
8 p= 13,4
9 p, = 18,0
10 p, = 13,1
1 p, = 14,0
12 p,= 15,8
Amostra V (14 dias)

- média da amostra: Ni lá,


a S 16,0 MPa

- desvio-padrão do processo de produção e ensaio: s = 2,3 MPa.


Como se verifica, o processo de produção e ensaio encontra-se dentro do previsto,
ou seja, s, < 2,5 MPa e fa 2 15,9 MPa, com traço de consumo
C = 300 kg/m.
17) Tratamento gráfico dos resultados:
184 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a) Carta dos valores individuais (carta 4.1):

fcj (MPa)

20 ++ AAA ATA À INE NR — | —>-— fem 14,d


à (Resistência média
Ê I
H I
h I | inicial de dosagem)
1 I 1
1 '

1)2/a] ls]ez|s|9hohafi2f2[a]dl sjefz [a [oro ffsafi) 2] a] EEOOERICIACECaOEE: 2]3/ 45Jef?


[8] 9hoh+/12
Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4 Amostra 5
1º Lote = 80nf” 2º Lote = 80mf 3º Lote = 80mt 4º Lote = Bm” 5º Lote = 80nf

b) Carta do desvio-padrão (carta 4.2):


Sc (MPa)
I I I 1 s
I 1 I 1
4 I I I I É
ã ! ! ! (Desvio-padrão
e À : É admitido na
2 1 ! 1 1 dosagem)
I I I t
1 I I I 1

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4 Amostra 5


4º Lote = 80n" 2º Lote = Bon? 3º Lote = BON? 4º Lote = 80? 5º Lote = 80nt

c) Carta do coeficiente de variação das operações de ensaio e controle (carta 4.3):

Vo (%)
10

Deficiente
É Razoável
4 Bom
3 Muito Bom
ê Excelente
Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4 Amostra 5
1º Lote = 80n? 2º Lote = 3º Lote = 80nf 4º Lote = 80rf 5º Lote = 80nf

Conclusão:
O controle de produção efetuado desta maneira permitiu que se alcançasse neste
exemplo as seguintes vantagens:
a) Redução do consumo de cimento por metro cúbico de concreto de 334 kg/m”
inicialmente para 300 kg/m? no final. Pode-se imaginar o que significaria uma
redução de 34 kg de cimento por metro cúbico de concreto numa grande obra
onde os volumes totais de concreto sejam da ordem de 5.000 mº.
b) Redução dos gastos com controle, passando da moldagem e ruptura inicial de
24 corpos-de-prova por lote, para apenas 12, graças ao aumento da eficiência
das operações de ensaio e controle.
Controle de Produção do Concreto - 185

Referências Bibliográficas
(1) AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM manual on quality control
of materials. Philadelphia, 1951. (STP 15C.)
(2) BENJAMIN, J. R.; CORNELL, €. A. Probability, statistics and decisions for civil engineers.
New York, McGraw Hill, 1970.

(3) LAMBOTTE, H.; MOTTEU, H. Controle de la qualité du béton sur chantier et en usine. Paris,
CSTC, 1979. (Note d"Inf. Tech. 126.)

(4) ISAIA, G.€. Controle de qualidade das estruturas de concreto armado. Santa Maria, UFSM,
1988.

(5) ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Execução de concreto dosado em


central; NBR 7212. Rio de Janeiro, 1984.

(6) AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. Recommended practice for evaluation of compression


test results of field concrete; ACI 214. Chicago, 1957.
Controle de Aceitação do Concreto - 189

5.1 Introdução

O controle de recepção do produto concreto, que envolve um juízo de aceitação ou


rejeição, difere do controle de produção em dois aspectos fundamentais. Primeiro,
porque a finalidade da decisão é julgar simplesmente a conformidade ou não de certa
porção do concreto com relação ao que foi especificado. Não se trata, portanto, da
análise da estabilidade do processo de produção, ou seja, não há o objetivo de
analisar as variações que intervêm no processo de produção do concreto para se
alcançar aquela qualidade.
O segundo aspecto porque não envolve, em princípio, fatores econômicos da
produção. Só importa aceitar um concreto com a resistência característica atendida,
seja qual for a dispersão e a média de produção daquele concreto.
Daí o interesse em se limitar uma certa quantidade de concreto (lote) dentro da qual
se fará uma amostragem aleatória. Para completar o círculo de interesses é neces-
sário que sejam definidos também os elementos da estrutura que foram confeccio-
nados com aquele lote de concreto, de modo que, na época em que se dispuser dos
resultados, seja possível decidir sobre sua adequação.
O critério atual da NBR 6118/1978 recomenda que se aceite o concreto lançado
sempre que tenham sido satisfeitas as condições de projeto e execução da Norma,
e somente quando resultar:

ckjest ” ckj

Essa condição é justa, porém severa, pois quando se emprega um estimador


centrado”, este leva à rejeição de 50% dos concretos estritamente conformes,
penalizando em 50% das vezes o produtor.

(*) Como é o adotado pela NBR 6118/78, em [Link].


190 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Portanto, essa é a justificativa apresentada nas recomendações espanholas!” quando


aceitam concretos cuja resistência característica estimada resultou até 90% da
especificada, ou seja, f, 42 0,9 £,» O que pode corresponder a uma probabilidade
de aceitação de 96%, para amostras com 12 exemplares.
Desta forma um concreto estritamente conforme, com resistência característica real,
ou efetiva, f.. .» igualà resistência característica de projeto f,, seria aceito 48 vezes
em cada 50 que fosse Julgado, quando se utilizar uma amostra com 12 exemplares
e o coeficiente de variação do processo de produção e controle se mantiver em
v = 15%.
Em compensação os consumidores, no caso os projetistas, ou os proprietários teriam
50% de chance de aceitar concretos com resistência característica real f,. .. igual a
0,9 da especificada no projeto estrutural, ou seja, Lg =0,0 Di , O que eventualmente
poderia comprometer a segurança.
Como se vê é necessário estabelecer uma solução de compromisso entre os
interesses econômicos (classe dos produtores de concreto ou empresas de serviços
de concretagem) e os Interesses técnicos relacionados à segurança da estrutura
(classe dos projetistas, proprietários e construtores).

5.2 A Fórmula Matemática que a Partir dos Resultados Obtidos


Estima o Valor Característico

Sempre que o controle seja feito através de uma propriedade mensurável, como é
o caso da resistência à compressão onde se pode obter qualquer valor dentro de uma
escala contínua, o controle denomina-se controle por variáveis.
Ao se adotar uma fórmula matemática que a partir de alguns resultados obtidos
de uma amostra de tamanho finito, estime o valor característico real ou efetivo
do lote todo, corre-se sempre o risco inevitável de cometer um engano.
Sempre haverá a possibilidade de aceitar um mau concreto ou rejeitar um concreto
bom.
Essa fórmula matemática, doravante denominada estimador, poderá ser definida de
inúmeras maneiras, cada qual mais adequada a uma situação.
A comissão de redação da NBR 6118/78 recomenda dois tipos de controle de
aceitação: um determinado sistemático e outro, assistemático.
Segundo a seção 15.1.1 da NBR 6118/78 tem-se: “o controle sistemático é sempre
recomendável e será obrigatório quando for adotado Ls > 16 MPa (-160 kgf/cm?)
ou y. < 1,4. A totalidade do concreto da estrutura será dividida em lotes, para efeito
de controle e aceitação”.
O estimador recomendado pela norma para essa situação é:
denominando-se f eba gotf. os resultados ordenados da resistência à compres-
são axial dos n exemplares de uma amostra representativa de um lote, a resistência
característica estimadaà compressão do concreto deve atender simultaneamente a:
Controle de Aceitação do Concreto - 191

o maior entre:

Do jo É ls Foo EE, dt)


go Tem Tio
fesckjest Ed + no E
LOS “É, (5) (eg. 5.1)
z

ckjest — Vs * La (eg. 5.2)

menor que:

a+ Lo a
Eagot < 0,85 - n (eq. 5.3)

onde 1y, assume os valores indicados na Figura 5.1

n <6 7 8 10 12 14 16 > 18

W, 0,89 0,91 0,93 0,96 0,98 1,00 1,02 1,04

Figura 5.1 — Valores de y, em função do tamanho da amostra


Nota: é permitida a interpolação linear.

Neste caso a sequência de exame dos resultados é a indicada na Figura 5.2.

foi incoerentes foj coerentes fej — incoerentes

» fãs:
f ] er
ta e (2.4)
(en tin
'
ckjest =2 EP cj (8)

(D a
N

tags distorcida isgast distorcida

para menos para mais

fokpest>% - fg se eme E em mo > fokjest< 0,85 . fomi


a) (UI)

Resistência característica
Á

estimada fagasi

Figura 5.2 — Recomendação para a estimativa da resistência característica do concreto à


compressão segundo a NBR 6118/78
192 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Segundo a seção 15.1.2 da NBR 6118/78 temos: “o controle assistemático só será


permitido quando f, < 16 MPa (-160 kg/cm?) e y, > 1,4. O concreto de toda a
estrutura será considerado globalmente”.
O estimador recomendado para esse caso é:
fra ZW Ly (eg. 5.2)

Ma
f.
EA «E, (eg. 5.3)

tua
ck,est
n

onde W, assume os valores já indicados na Figura 5.1.


Tanto no estimador referente ao controle sistemático constituído pelo conjunto das
equações 5.1, 5.2 e 5.3 quanto no estimador recomendado para controle assistemático
constituído apenas pelas fórmulas 5.2 e 5.3, prevalece sempre, em caso de divergên-
cia, o valor obtido pela fórmula 5.3, a favor da segurança.
A fórmula 5.1 corresponde à de um estimador praticamente centrado? na resistên-
cia característica real, e quando se tratar de lotes homogêneos sempre fornecerá
resultados coerentes.
No entanto, sempre que o concreto não tenha sido produzido em condições
estacionárias ou que a população não seja normal devido a falhas de amostragem,
a fórmula 5.1 pode fornecer resultados distorcidos. Para evitar distorção para menos
deve-se empregar também a fórmula 5.2 que foi obtida com a propriedade de que
a sua distribuição tenha a mediana coincidente com a resistência característica real
do concreto.
Sempre que houver risco de distorção para mais deve prevalecer o estimador 5.3.
Uma das maneiras de se comparar diferentes estimadores é em função de suas
curvas de eficiência, também chamadas curvas características de operação. Quanto
maior a eficiência de um estimador, maior a sua capacidade de discriminação entre
um concreto bom que pode ser aceito e um concreto de baixa qualidade que deve
ser rejeitado.
Como se depreende das Figuras 5.3 e 5.4, um estimador terá uma distribuição
em torno ao valor real, representada por uma função de densidade de
probabilidade do estimador utilizado. Um estimador perfeito seria aquele capaz
de identificar com absoluta certeza os lotes de concreto que possuem 5% ou
mesmo de resistências reais abaixo da especificada, separando-os dos lotes nos
quais a porcentagem de resistências reais inferiores ao valor especificado é
maior que 5%. Desta forma, a probabilidade de aceitação dos primeiros seria
de 100%, e dos segundos, nula, o que levaria à sua rejeição incontestável.
Nesta situação ideal, impossível de ser alcançada na prática, pois sempre se dispõe
de amostras de tamanho limitado, o risco do produtor (ver rejeitado um bom
concreto) e o risco do consumidor (aceitar um concreto mau) seriam totalmente
eliminados”.
Controle de Aceitação do Concreto - 193

Os estimadores podem ser ou não centrados em relação à resistência característica


real, ou efetiva, Tas «, conforme se vê na Figura 5.4.
Sempre que se melhore um pouco o concreto, ou seja, f cá, rear >st tg» à probabilidade
que esse concreto seja aceito, ou seja, fa > Lao aumenta muito rapidamente
conforme mostra a Figura 5.5.

A
100 Estimador Perfeito

90 ——
Estimador Qualquer
3 80 e"

q US
g
“=Ou 60 ee
peso rodutor

o
ou BO pr tea ii e So fa O ES je nf e Se mm cf e pm ti e o

js Estimador Centrado
Bs 0+
o
B wo
O
E Risco do
o 20 —- Consumidor
a
10 —

+ + t + t | t + + +—»
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

% Real de concreto de um lote com resistência abaixo da especificada


Figura 5.3 — Esquema geral de curvas características de operação de um estimador

Distribuição das resistências


reais do concreto (impossível
Estimador de ser conhecida)
Centrado
Estimador Estimador
Qualquer Qualquer

vao
a |
so |
S5
7 o
|
c O |
o O |
D'e |
|
|
u fo
>

fox real (impossível de ser conhecida)

Figura 5.4 — Posição relativa da média do estimador em relação ao valor real Lo real Es ckj, ef )
do lote
194 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Densidade de
Probabilidade

| | Estimador centrado

Concreto igual
Probabilidade 50% ao especificado
Resistências reais

fexreal fo

Densidade de
Probabilidade

| Estimador centrado

Concreto superior
Probabilidade alta ao especificado

Resistências reais

T
few; foxjreal to

Densidade de
Probabilidade

| | Estimador centrado

Concreto inferior
| | Probabilidade baixa ao especificado
Resistências reais

J RA!
fexireal fox fo;

Figura 5.5 — Posição relativa entre a resistência característica real su Sw) ea


resistência característica estimada, f 4, em CM relação à resistência característica especificada
ou de projeto, f ”

As decisões que derivam do emprego de diferentes estimadores podem ter na prática


efeitos similares sobre a segurança e a economia da obra.
Em vista disso não é possível apresentar um estimador como o mais recomendado.
Cada país adota o estimador que considera mais apropriado para as suas condições
durante certo período de sua história.
Considerando esse fato a comissão mista CEB/CIB/FIP/RILEMS houve por bem
apresentar fronteiras para a curva de eficiência dos estimadores conforme mostrado
na Figura 5.6, onde foi utilizado papel de probabilidade binormal, de tal forma que
as curvas resultam retas.
Como se verifica na Figura 5.6, considerações de segurança estrutural levaram a
sugerir a definição de uma fronteira superior na região de qualidade inaceitável onde
Controle de Aceitação do Concreto - 195

99,5
99,0

95

gem 90 Podem comprometer


=º a segurança
o
nr BO
o
a 70
ÉQU 80
9 50
o 40
e) 30
o
= 20
B
B 10 Podem comprometer
q a economia
aO 5
E
o.

10 Estimador

0,5

0,1
0,1 1 40

Porcentagem real de concreto de um lote qualquer com


resistência abaixo da especificada ( % )

Figura 5.6 — Proposta de fronteiras para a curva de eficiência do estimador

a porcentagem real de concreto de um lote qualquer, com resistência abaixo da


especificada, ultrapassa em muito os 5%. Com isto fica limitado superiormente o
risco do consumidor, evitando que este tenha a probabilidade de aceitar um concreto
de qualidade muito baixa.
Por outro lado, considerações de economia levaram à fixação de uma fronteira
inferior na região de qualidade aceitável, onde a porcentagem real de concreto do
lote com resistência abaixo da especificada não alcança os 5%. Com isso fica
limitado inferiormente o risco do produtor, evitando que este tenha a probabilidade
de ver rejeitado um concreto de qualidade muito alta.
A eficiência do estimador depende dos seguintes fatores:
1º) Número n de exemplares que compõem a amostra: quanto maior o tamanho da
amostra maior a eficiência do estimador em distinguir entre concretos estritamente
conformes (Figura 5.7).
2º) Variabilidade do processo de produção e ensaio do concreto: quanto maiores a
dispersão e a variabilidade do processo tanto menor a eficiência do estimador,
conforme se mostra na Figura 5.8.
Foi, provavelmente, considerando esses fatores que influenciam a eficiência de um
estimador, as características de produção de concreto onde a média não permanece
estacionária, a simplicidade de cálculo, o benefício econômico de uma avaliação a
196 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

99,5
99,0

95

90 Podem comprometer
a segurança
Probabilidade de aceitação ( % )

so
70
s0
50
40
30

20

10 Podem comprometer
a economia

1,0
0,5

01
0,

Porcentagem real de concreto de um lote qualquer com


resistência abaixo da especificada ( % )

Figura 5.7 — Alteração da eficiência de um dado estimador em função do número de


exemplares da amostra, mantido um mesmo processo de produção e controle (desvio-padrão
e coeficiente de variação constantes)

partir de amostras com número reduzido de exemplares e o risco de uma estimativa


falsa, que a comissão de redação da NBR 6118/78 estabeleceu três critérios simples,
que devem ser atendidos simultaneamente, aumentando a confiança no resultado
estimado (ver Figura 5.2).
O inconveniente que apresenta o critério expresso na eg. 5.2 é a necessidade de que
seja conhecido o coeficiente de variação, v., do processo de produção e ensaio do
concreto para a correta fixação do coeficiente Wy,, conforme Figura 5.9 9,
A comissão de redação da NBR 6118/78 houve por bem adotar os coeficientes
correspondentes à coluna de v, = 20%.
Quando não se conhece o valor da variabilidade v. da produção de concreto —
situação, aliás, muito fregiente — é comum adotar os seguintes valores:
. = 10% a 20% para concretos produzidos em obra por processos volumétricos; e,
v.= 8% a 15% no caso de concretos produzidos por processos gravimétricos.
Portanto, ao prevalecer o critério da NBR 6118 em concretos de pequena variabi-
lidade, ou seja, em concretos de alta resistência e baixo desvio-padrão, no momento
em que se aplicar o estimador da eg. 5.2 com os coeficientes Wy, recomendados pela
NBR 6118 pode-se prejudicar a estimativa da resistência característica real desse
concreto, como vemos a seguir:
Controle de Aceitação do Concreto - 197

99,9

99,5
99,0

95

Podem comprometer
a segurança
Probabilidade de aceitação ( % )

70

40
30

20

10 Podem comprometer
a economia

1,0
0,5

0,1
0, 5 10 20 50

Porcentagem real de concreto de um lote qualquer com


resistência abaixo da especificada ( % )

Figura 5.8 — Alteração da eficiência de um dado estimador em função do coeficiente de


variação do lote produzido, mantido um mesmo número n de exemplares da amostra

Número de exemplares Coeficiente de variação v.

(n) da amostra 10% | 15% 20% | 25%

6 0,953 | 0,924 | 0,890 | 0,850

7 0,962 | 0,938 | 0,910 | 0,877

8 0,970 | 0,951 | 0,928 | 0,900

10 0,983 | 0,972 | 0,958 | 0,942

12 0,993 | 0,989 | 0,984 | 0,976

14 1,002 | 1,004 | 1,005 | 1,008

16 1,009 | 1,016 | 1,024 | 1,035

18 1,016 | 1,027 | 1,041 | 1,059

Figura 5.9 — Valores de y, em função do coeficiente de variação do processo de produção e


ensaio, v,
198 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a = 37 MPa para v. = 10%en = 6 exemplares:


pela NBR 6118/78: utom = 0,89.37 = 33 MPa (Figura 5.1)
corretamente: £ , = 0,95.37 = 35 MPa (Figura 5.9)
No entanto, apesar da aparente contradição, este estimador (eg. 5.2) só prevalecerá
ao indicado em eg. 5.1 quando os resultados considerados contiverem informações
falsas, o que provavelmente acarretará uma variabilidade aparente superior a v, =
20%, sendo melhor, portanto, a estimativa feita a partir da eg. 5.2.
Por outro lado, os estimadores das eg. 5.1 e 5.2 abandonam os valores mais altos dos
exemplares da amostra e, portanto, eliminam eventuais erros para mais cometidos
durante as operações de ensaio e controle.
Finalmente, considerando que a variabilidade da produção de concreto está normal-
mente acima de 10%, a imposição da eg. 5.3 procura evitar que se aceite a partir do
estimador da eg. 5.1 concretos com coeficientes de variação v. < 9%. Esta limitação
já existia na NB-1 de 1960, porém com o valor v. < 12%. Atualmente, com a
melhoria dos equipamentos, materiais e mão-de-obra, esse valor passou a ser
excessivamente alto, freando inclusive o incentivo para a melhoria da uniformidade
da produção. Parece lógico que tal limitação deve-se alterar com o tempo refletindo
a qualidade de produção alcançada em cada época.
À imposição de f aja SM, 85 1. mj é ainda hoje exagerada, apesar de ter representado
evolução em relação a anterior de 1960, na medida em que pune os concretos de
elevada resistência média à compressão. A experiência tem demonstrado que
justamente esses concretos são os produzidos com maior rigor, com menor disper-
são. Por exemplo, não se admite pela NB-1/60, nem tampouco pela NBR 6118/78
que seja possível produzir concretos para f, := 37,6 MPa, com resistência média à
compressão de f., = 42,7 MPa e desvio- o de s = 3,3 MPa, mesmo estando
comprovado experimentalmente? ser isto possível.

Desvio-padrão do Resistência média máxima à compressão do concreto


processo de produção e | a partir da qual não se admite que seja possível produzir
ensaio do concreto (s ) concretos com tal desvio-padrão (omi)

(MPa) NB-1 (1960) (MPa) NBR 6118 (1978) (MPa)

2,0 16,7 22,0


3,0 25.0 2)
4,0 33,3 44,4
55 45,8 61,1
TO 58,3 77,8

Figura 5.10 — Valores-limite de resistência média à compressão do concreto, em função do


desvio-padrão do processo de produção e ensaio — restrições de normas
Controle de Aceitação do Concreto - 199

A Figura 5.10 indica os valores-limite de resistência média máxima à compressão


tolerados pela NB-1/60 e NBR 6118/78 em função do desvio-padrão do processo de
produção e ensaio.
Essa restrição entra em conflito com o próprio texto da NBR 6118/78, 8.1.202,
referente ao cálculo da resistência média inicial de dosagem. Por exemplo,
supondo uma obra com fa = 45 MPae desvio-padrão mínimo tolerado de 2,0 MPa,
vem:
Eomiaemj,d = fgc t 165.8, =45 + 1,65. 2,0 = 48,3 MPa
no entanto para atender ao estimador da eq. 5.3 (NBR 6118/78), vem:
La 45
fia 2 —>— = ————— = 52,9 MPa
0,85 0,85
De forma indireta o texto da NBR 6118/78, tal qual a NB-1/60º, ainda recomenda
que se diminua o rigor de produção dos concretos de alta resistência, aumentando
intencionalmente sua dispersão. Esta colocação é frontalmente contra a economia,
o que sugere a supressão desse estimador (eg. 5.3) nos textos vindouros.
No caso do controle sistemático, obrigatório para f,,, > 16,0 MPa ou y < 1,4
e fornecimento de concreto dosado em central, situação muito comum das
obras, principalmente nos grandes centros urbanos, a amostragem deve ser realizada
de acordo com a NBR 6118/78 sobre todos caminhões-betoneira que chegam
na obra.
Essa amostragem intensa e rigorosa, pois molda de todas as unidades de produto,
pode estar correta do ponto de vista da segurança da estrutura, porém sob o ponto
de vista estatístico não é correta a avaliação da resistência característica estimada
utilizando o estimador da NBR 6118/78 visto tratar-se de uma amostragem 100%.
Nesse caso o valor da resistência estimada do lote deve ser a menor resistência
obtida dentre os exemplares que compõem a amostra, sempre que o número de
exemplares desta for menor que 20 (a maioria dos casos). Quando o tamanho da
amostra superar 20 exemplares o valor de f, deve ser correspondente ao quantil
de 5%, tomando-se o primeiro valor abaixo daquele analiticamente calculado”,

5.2.1 Algumas questões

P1: Quem produz concreto uniforme deve sempre utilizar o estimador de


controle sistemático da NBR 6118/78?
RJ: Claro. Esse estimador aceita produções de concreto com coeficientes de variação
de até 9%, o que indica padrão rigoroso de produção.
P2: E se usar o estimador do controle assistemático?
R2: Será prejudicado porque esse estimador, aliás, os valores de Wy, ali apresentados
correspondem a uma produção com coeficiente de variação de 20%. Ora, se
efetivamente a produção tem coeficiente de variação menor que esse, será
prejudicada, pois o estimador vai considerar como v, = 20%.
200- Manual de Dosagem e Controle do Concreto

P3: Quanto maior o número de exemplares de uma amostra maior a probabilidade


de aceitação do concreto?
R3: Sem dúvida, só que fica mais caro o controle. No entanto, para quem fornece
concreto pré-misturado é sempre preferível amostras grandes. Quanto maior,
melhor, desde que mantido um mesmo volume-limite do lote.

P4: Afinal, qual é a diferença entre controle sistemático e assistemático?


R4: No controle sistemático a obra é separada em lotes e para cada lote vai-se
efetuando a aceitação do concreto. Considerando um lote de 100 mº, os corpos-
de-prova serão moldados a cada 17 mº, no caso de amostras com seis exemplares
ou a cada 5,5 mº no caso de amostras de 18 exemplares. Tem a vantagem de
se poder saber exatamente que volume de concreto atendeu ou não, permitindo
analisar um só trecho definido da obra. Tem o inconveniente de, para lotes
muito pequenos (< 20 m?), tornarem-se antieconômicos além de conceitual-
mente ineficazes quando a produção se der em caminhões-betoneira de por
exemplo 7 mº.
No controle assistemático a obra pode ser analisada globalmente, ou seja, basta
moldar um exemplar para cada 30 m* ou um por semana de concretagem e analisar
tudo no fim, ouno meio, ou quando quiser. Tem a vantagem de permitir estimativas
de lotes representados por menos de seis exemplares, até por apenas um exemplar.
Tem o inconveniente de requerer o conhecimento do coeficiente de variação da
produção, ou, na falta deste conhecimento, adotar os y, da Figura 5.1 que admitem
vo = 20%.

P5: Quando Lay > 16 MPa ou Y, =1,4 não se pode usar o controle assistemático?

RS: Não é essa a interpretação correta da norma. Não se deve retirar apenas um
exemplar para cada 30 mº, porém nada impede que se utilize apenas as fórmulas
5.2 e 5.3, ou seja, o estimador do controle assistemático.
Ora, nem sempre se consegue um lote representado por pelo menos seis exempla-
res. Isso pode ocorrer devido à mudança de cimento, de traço, pequeno volume a
ser concretado de cada vez, betoneiras de grande capacidade etc. Nesses casos
deve-se recorrer ao estimador do controle assistemático mantendo, no entanto, o
índice de amostragem ou o rigor da amostragem que é recomendada para o controle
sistemático,
P6: Conhecendo-se os resultados do controle estatístico do concreto do 8º pavimento
de um edifício residencial (vide Figura 5.11), onde f,,, = 20 MPa ey, = 13,
pergunta-se: qual o plano a ser adotado para o 9º andar se a área total do
andar tipo é 420 m” e o volume de concreto 93 m'?
R6: 1º passo: como La > 16 MPa e y, < 1,4 adotar o controle sistemático.
2º passo: como a área < 500 mº, é um andar, volume < 100 mº e foi produzido em
apenas uma semana, posso considerar um lote que será representado por uma
amostra.
Controle de Aceitação do Concreto - 201

Resistência à compressão axial


Exemplar (MPa)
corpos-de-prova
P, P,

1 23,0 21,0
2 25,3 23,9
3 21,5 22,2
4 23,4 24,4
5 22,0 23,1
6 229 2211
7 24,9 25,1
8 23,9 DZ
9 20,8 21,9
10 23,8 23,8
1 24,2 22,7
12 23,0 24,5

Figura 5.11 — Resultados do controle do concreto do 8º pavimento de um edifício residencial

3º passo: cálculo do f. k,est do 8º andar:

21,9<22,2<22,9<230<23,1<23,3<23,8<24,2<244<24,5<25,)1<25,3

(ordem crescente dos resultados correspondentes ao maior valor de cada exemplar)


f,422,219+222+229+230+231 23,3 21,9MPa
12/22 -1
fes 2 Vo - Ly = 0,98 .21,9=21,5 MPa
fuso <0,85. 21,0+22,2+22,0+23,0+23,1+23,3+23,8+24,2+24,4424,5425,1425,3..
12
=20,1 MPa
' [=
** Cekjest
20,1 MPa

ou seja, aceita-se o lote de concreto, pois Ei É fa

4º passo: entrando na Tabela 5 da seção 15.1.1.4da NBR 6118/78 ou na Figura 3.37


deste Manual, vem a informação de que se deve continuar com o índice de
amostragem normal, ou seja, amostras com pelo menos 12 exemplares.
P7: Na concretagem do tabuleiro de uma ponte, duas empresas de serviços de
concretagem fornecem concreto pré-misturado. O volume total concretado é
de 100 mº e cada caminhão entrega 5 m'. Pergunta-se, se o concreto entregue
e aplicado no tabuleiro atende à resistência característica especificada no
projeto, que é de aj = 16,0 MPa? (resultados na Figura 5.12).
202 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Empresa A Empresa B

Resistência "a compres- Resistência "a compres-


são axial (MPa) são axial (MPa)
Exemplar Exemplar
corpo-de-prova corpo-de-prova
P, E, P, P,

l 19,5 19,2 ] 19,0 20,9

2 17,6 16,9 2 24,9 28,3

3 17,7 17,6 3 22,2: 20,3

4 19,9 18,5 4 21,2 26,5

5 15,1 15,0 5 22,5 26,9

6 17d 17,0 6 20,0 19,0

7 19,1 Doo 7 22,1 22,3

8 21,1 17,8 8 20,1 23,9

9 16,9 16,5 9 23,9 26,1

10 20,0 18,4 10 21,5 20,0

Figura 5.12 - Resultados obtidos do controle do concreto de tabuleiro de ponte

R7: 1º passo: vamos adotar o controle sistemático, pois apesar de ser possível empregar
o estimador do controle assistemático é sempre mais interessante utilizar o
estimador do controle sistemático.
2º passo: cálculo do La «q do concreto fornecido pelas empresas A e BO:
15,1] <16,9<17,6<17,7<17,7<19,5<199<20,0<200<20,9<21,<...
fo ckj,est Ed 15,1+16,9+17,6+17,7+17,7+19,5+19,9+20,0+20,0 . 20,9 = 15,6 MPa
20/22 -—1
Eca Vo Eye 105. 15,1 = 15,9 MPa
10

Evo <0,85-Ello 18,1 MPa


+ AB Lago = 15,9 MPa (não atende ao aa de projeto)

(*) Apesar que não se pode misturar resultados de exemplares originados de populações distintas (empresa
A e empresa B, que certamente usam areia, brita, cimento, e traço diferentes), vamos fazê-lo a título de
exemplo negativo, ou seja, por absurdo provar que não se deve mesmo cometer esse engano.
Controle de Aceitação do Concreto - 203

3º passo: cálculo do f,,., do concreto fornecido pela empresa A:


15,1 S16,9 £ 17,6£ 177 € 17,7 195 81996...
É ckj,est Edo SA + 169 + 168 17A 11, «16,0 MPa
10/2-1
asa 2 Wo Ly = 0,96. 15,1 = 14,5 MPa
10
XE,
£...<0,85 —Ell& = 16,0 MPa
la 20
A f..
“ekjest
+ 16,0 MPa (atende ao fu; de projeto)

4º passo: cálculo do Lies dO concreto fornecido pela empresa B:


200<200< 2582220223 82308..
fuja 22.200 +20,9+21,5+22.2 22,3 19,9 MPa
10/21
ckjest —2 Ve a la di 0,96 e 20,0 = 19,2 MPa
10

fue S 0,85 Ela =0,85.23,8=20,2 MPa

EB Eee = 19,9 MPa (atende ao Ls de projeto)

Portanto, a resposta correta é: tanto a empresa A quanto a B entregou o concreto


com a resistência característica à compressão dentro do exigido. Se não analisás-
semos separadamente, concluiríamos que ambas não atenderam!!! A empresa A
poderia ficar na dúvida, mas a B certamente não iria concordar com esse falso
veredicto.
Mas, afinal, os concretos não foram colocados juntos no tabuleiro? A
qualidade do concreto do tabuleiro (obra) não deveria ser avaliada a partir da
mistura dos resultados?
R8: Nunca. Os concretos foram colocados juntos mas não previamente misturados
antes de lançar. Portanto, o tabuleiro tem regiões com concretos provenientes da
empresa À e regiões com concretos da empresa B. A resistência do tabuleiro será
a resistência do mais baixo dos concretos e nunca da mistura dos resultados, pois
esta também não ocorreu fisicamente.
Aliás, este é apenas um exemplo didático. Na prática não é aconselhável lançar os
dois concretos num mesmo trecho da estrutura. É sempre aconselhável separar
nitidamente os locais, pois se houver problema com um deles não há a necessidade
de destruir ou reforçar o outro.
204 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

P9: Na questão P7, qual a empresa que fornece o concreto mais uniforme?
R9: Basta calcular o desvio-padrão s do processo de produção e ensaio de cada empresa:
1º passo: Empresa A:

n pl+p2 10 pl+p2
aja = ã (2)
n
il (2)
A gmpa
10 ,
/ 1 |
J af - (Leo
S. = A, | =1 emj,est 2 1 = 1 8 MP

N 10 -1 rn
2º passo: Empresa B:

( PSPÉ,
emjest = =l - ê Ei = 22,6 MPa

r
|

N | 5º ne pl + p2 Ê

so Ni Be
= 1 10-1ssa 2,8 MP:
E
3º passo: erroneamente misturando A e B (só para exemplificar):

ter |
nie = El a SE age 20,4 MPa

| 20 |
VE (eo (PR |)
en Apt çT I = 3,2 MPa
Portanto, a empresa A fornece um concreto mais uniforme, com menores
variações de consistência (abatimento) e de resistência à compressão. Essa
afirmação se baseia na evidência dos resultados de desvio-padrão s.. Cabe, no
entanto, comentar que a diferença é pequena e que as duas empresas se colocam
dentro da faixa de produções rigorosas.
P10: Por que misturando os resultados de um concreto com resistência média de
22,6 MPa com outro de média 18,2 MPa resulta um Lai «y Menor do que
analisando cada f,,.., em separado?
R1Q: Analiticamente fica demonstrado na resposta à questão P9 (3º passo) pois o
desvio-padrão (dispersão) aparente passa a ser muito maior, conforme visto a
seguir na Figura 5.13.
Controle de Aceitação do Concreto - 205
Densidade de
probabilidade

| a + + Ea
ad
15,9 16,0 18,2 19,9 20,4 22,6
foji (MPa)

Figura 5.13 — Representação gráfica das populações

Pil: Considere uma grande obra de conjunto habitacional onde os edifícios


construídos, pelo processo forma tipo túnel, têm executado um pavimento de
430 m?e 150 mº de concreto a cada 15 dias. O controle de aceitação é feito com
ruptura dos corpos-de-prova a 14 dias. Sendo f, = 18,0 MPa ey = 1,4, como
deve ser o plano de controle? Admitir que o concreto é produzido em central
dosadora em massa, na própria obra, que o cimento é o mesmo, assim como
os agregados. Durante a produção desse concreto não é produzido nenhum
outro, ou seja, a central trabalha exclusivamente para produzir esse traço.
O concreto é misturado e transportado por caminhões-betoneira, sendo
lançado por bombas.
Ril: Esse é um caso típico de produção de grandes volumes. Portanto, pode-se
considerar apenas um lote e representá-lo por apenas uma amostra. O número de
exemplares dessa amostra, ou seja, o tamanho da amostra, vai depender dos
resultados anteriores conforme Tabela 5 da seção [Link] da NBR 6118 (NB-1/
78) ou Figura 3.8.1 deste Manual. Não havendo resultados anteriores ou tratando-
se do início de um controle, é recomendável adotar 12 exemplares.
Nesse caso teremos: 150 mº: 12 = 12,5 mº
“. a cada 12,5 mí retirar um exemplar (ou dois corpos-de-prova).
Se cada caminhão-betoneira fornece 6 mº, vamos retirar um exemplar de cada
dois caminhões, ou seja, um sim, um não, alternadamente.
Neste caso teremos ao final 25 caminhões, sendo que de apenas 12 deles serão
moldados os exemplares para controle.
Pi2: No caso da concretagem do terceiro pavimento ter apresentado resultados
de resistência característica estimada à compressão, 20% superior à exigida
no projeto, o que deveria ser especificado como índice de amostragem na
concretagem do lote seguinte?
R12: Consultando a Tabela 5 da seção [Link] da NBR 6118 (NB1-1/78) ou Figura
3.8.1 deste Manual, verifica-se que se pode constituir uma amostra de apenas seis
exemplares. Escolher apenas seis caminhões (um de cada quatro) entre os 25.
P13:; Será essa a medida mais correta?

RIS3: Em geral o custo do controle, em especial da ruptura de corpos-de-prova, é


206- Manual de Dosagem e Controle do Concreto

muito baixo em relação ao custo da obra. Portanto, o mais correto seria, na


opinião dos autores, manter o índice de amostragem em 12 exemplares e
modificar o traço que está com excesso de cimento, barateando o custo do
metro cúbico que é muito mais vantajoso do que o barateamento conseguido
pela redução do número de corpos-de-prova.

Exemplar | Resistência "a compressão


axial (MPa)
a corpo-de-prova

F, P,

l 20,4 19,7
2 23,5 22,0
3 21,5 21,4
4 21,4 20,8
5 23,3 23,1
6 17,9 17,9
7 21,0 19,3
8 22.9 24,1
9 27,9 28,1
10 a 28,2
1 28,7 28,1
12 29:1 29,1

Figura 5.14 — Resultados do controle de concreto de um reservatório

Piá: A Figura 5.14 apresenta os resultados de ensaios obtidos de corpos-de-prova


de controle, 150 2 x 300 mm, moldados segundo a NBR 5738 (MB-2) e
rompidos segundo a NBR 5739 (MB-3), do concreto empregado em um
reservatório d'água de 10 mil mº. Os resultados representam 180 mº
concretados em apenas duas semanas. Como a resistência característica
especificada no projeto é La = 18,0 MPa e y. = 1,3, não atendida pelos
resultados obtidos, o engenheiro do Laboratório de ensaios procurou saber
a causa, encontrando que parte do concreto foi confeccionada com cimento
CP-32 e a parte final com cimento CP-40, único disponível no momento para
terminar o lance, sem junta de concretagem. Como devem ser analisados os
resultados, neste caso?
RI4: 1º passo: confirmação que os resultados não atendem:
17,9<20,4<21,0<21,4<21,5<23,3<23,5 <...

fu 22 179+204+210+214+215 23,3 = 17,6 MPa


2-1
Controle de Aceitação do Concreto - 207

Eusea 2 Wo - E = 0,98 . 17,9 = 17,5 MPa


12
»
Ee < 0,85 —— E. = 20,4 MPa
12
Lagpá = 17,6 MPa (não atende ao Las de projeto)

2º passo: sabendo de antemão que houve mudança de cimento e que isso


certamente acarretou a mudança da centragem do processo de produção, pode-
se lançar mão da carta de valores individuais (Figura 5.15) que graficamente
indica o ponto a partir do qual, provavelmente, já se tratava de concreto de
resistência mais elevada.

Lote 1 Lote 2

30
E
o º é
é
Ro 25
E Q
o o ?
é
20 9

15 e

1 2 3/4 6 6 7 BB 9/40/11 12/13

Ordem cronológica dos exemplares

Figura 5.15 — Carta de valores individuais

Observando o gráfico ou carta, nota-se que os últimos quatro resultados estão


bem acima dos anteriores indicando que provavelmente representam exempla-
res de concreto moldado com cimento CP-40. Essa separação está baseada no
“bom senso” e no conhecimento real de que houve “mistura” de diferentes
concretos. Não há “mecanismos” ou “ferramentas” matemáticas absolutas para
distinguir isso (ainda bem, porque assim abre mais espaço para a atuação do
engenheiro) (vide 4.2).
3º passo: confirmação de que o primeiro lote atendeu:
VMISMASAOSZMASAISDBISASISA

Ea SD o 17,9 +20,4+21,0 21,4 = 18,1 MPa


82-1
fue 2 We - E = 0,93. 17,9 = 16,6 MPa
e
208 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

8
L
Elf.
Luckj,est < 0,85 -——
8
= 18,4 MPa

Lages = 18,1 MPa (atende ao Le de projeto)

4º passo: confirmação que o segundo lote atendeu: Neste caso não se dispõe
de amostra com seis exemplares e, portanto, não se pode utilizar o estimador
indicado para controle sistemático. Fazer uso do estimador indicado para
controle assistemático. Cabe ressaltar que apesar da NBR 6118 (NB-1/1978)
não recomendar o emprego desse estimador para concretos com fa > 16 MPa,
esse recurso é perfeitamente válido. Segundo a opinião dos autores o texto da
NBR 6118 (NB-1/1978) tem de ser melhorado e adaptado para essas situações.

28,1 <287<29,1<293
fes 2 Wo - £y = 0,89. 28,1 = 25,0 MPa
c

4
É
If
fuckj,est < 0,85 ———
4
= 24,5 MPa

Egiest = 24,5 MPa (atende ao f,, de projeto)

5.3 Como Alterar o Risco de Rejeição de um Concreto


A reformulação do traço com vistas à economia de material, tradicional recompensa
pelo controle de qualidade efetivo em todas as frentes, somente estará ao alcance do
produtor quando sucessivas amostras confirmarem constâncias do desvio-padrão,
juntamente com resultados satisfatórios def, ”.
Supondo-se então uma situação onde se conheça o desvio-padrão de um proces-
so de produção. Esse parâmetro segundo McIntosh
“2 é particular de cada processo,
podendo ser obtido com confiança em grandes produções de concreto, do tipo
centrais estacionárias de produção.
A resistência média de dosagem, que em última instância é o parâmetro que define
o proporcionamento, isto é, o traço dos materiais constituintes de uma mistura, pode
ser dada por:
Cut + idos,
cmg

onde s, = s, = desvio-padrão avaliado através de amostras representativas.


Nessas circunstâncias o produtor estaria, pelo menos teoricamente, fornecendo um
concreto estritamente conforme com o especificado no projeto estrutural. No
entanto, poderia ver rejeitado seu concreto uma em cada duas vezes das que fosse
Controle de Aceitação do Concreto - 209

apresentado ao controle de aceitação conforme recomendado pela NBR 6118 visto


em 3.2
Admitindo que esse risco seja muito elevado, qual seria, então, a resistência média
a ser produzida de tal forma que fosse aumentada essa probabilidade de aceitação?
Por exemplo, passar dos 50% atuais para 80%.
A Comisión Permanente del Hormigónº, com vistas a esse problema, construiu as
curvas de eficiência do estimador da eg. 5.1, a saber:

La + Lap as + E aiii
E sies =2. n2-1 o e (n/2)

conforme visto nas Figuras 5.16, 5.17 e 5.18.


Nessas figuras estão indicados no eixo das abcissas a relação entre a resistência real,
ou efetiva f.,. «q» de uma população homogênea com diferentes coeficientes de
variação, 0, e a resistência característica, f.... especificada no projeto estrutural. No
eixo das ordenadas, usando papel de probabilidade, está indicada a probabilidade de
aceitação de um lote com aquela resistência característica real, f exiseal” POI exemplo,
tomando-se a Figura 5.17 e considerando um certo lote de concreto com f cel igual
a 17,6 MPa (-176 kgf/em?). Se no projeto estrutural estivesse especificado f, = 16
MPa (-160 kgf/cm?) e o coeficiente de variação O = &p dessa produção fosse igual
a 15%, ao se retirar dessa população uma amostra composta de 12 exemplares
aleatórios, haveria 80% de probabilidade de aceitação desse lote, ou seja, quatro de
cada cinco vezes o concreto seria aceito.
Portanto, quando o texto da NBR 6118/78 recomenda que se majore com k o
desvio-padrão obtido dos resultados disponíveis da mesma obra ou obra semelhante,
para fins do cálculo do desvio-padrão de dosagem (s,), ela está nada mais, nada
menos, que elevando propositalmente a resistência média de dosagem Limi a» € com
isto aumentando a probabilidade de aceitação do concreto assim produzido.
Quando um produtor de concreto desejar que seu produto seja aceito, por exemplo,
80% das vezes que seja submetido a um controle de aceitação, ele deverá utilizar-
se das Figuras 5.16, 5.17 e 5.18, conforme o exemplo a seguir.
Sabe-se que:
- La 2 18,0 MPa (-180 kgf/em?)
= Lt = 1,4

- O concreto será julgado por lotes de 100 mº com amostras de seis, 12 ou 18


exemplares
- O coeficiente de variação v. para concretos desse nível de resistência e com os
processos e controles disponíveis é 10%.
Deseja-se saber:
Qual a resistência média inicial de dosagem f, mia Para que haja 80% de probabili-
dade de aceitação do concreto, conforme apresentado na Figura 5.19.
210 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

99,9

99,8
99,7
99,6
99,5

99

98

97

95

90

80
Probabilidade de Aceitação (%)

Probabilidade de Rejeição (%)


70

60

50

40

30

20

10
Ora
MP

0,5
0,4
0,3
0,2
f [Link]
0,1
í Ckj

Figura 5.16 — Curva de eficiência do estimador (eg. 5.1) para amostra com n = 6 exemplares
Controle de Aceitação do Concreto - 211

99,9 0,1

99,8 0,2
99,7 0,3
0,4
99,5 0,5

98

om
97
96

“re
95

90 10

80
Probabilidade de Aceitação (%)

Probabilidade de Rejeição (%)


70

60 40

50 50

40 60

70

20

90

95
96
97

98

99

99,5
99,6
99,7
99,8
Í real
ck,
fo

Figura 5.17 - Curva de eficiência do estimador (eq. 5.1) para amostra com n = 12 exemplares
212 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

99,9

99.8

DN
99,7

watw
99,6
99,5

99

98
97
96

90

80
Probabilidade de Aceitação (%)

Probabilidade de Rejeição (%)


70

50

40

30

20

10
papa
md
VORA

Jow
900
Pr

v
o

f ckj real

0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 ê Tê 1,3 1,4 fog

Figura 5.18 —-Curva de eficiência do estimador (eq. 5.1) para amostra com n = 18 exemplares
Controle de Aceitação do Concreto - 213

Distribuição do
estimador


——

fokj fekj,real femi,d femjd


Resistência média para aumentar
a probabilidade de aceitação

Resistência média para produção estritamente


conforme

Figura 5.19 — Representação esquemática de como aumentar a probabilidade de aceitação


do concreto

Solução:
a) Entrando nas Figuras 5.16, 5.17 e 5.18, com 80% de probabilidade de aceitação,
para controle efetuado com:
amostra composta com 6 exemplares vem: irei rs = 1,09
amostra composta com 12 exemplares vem: Log ata = 1,06
amostra composta com 18 exemplares vem: Cmmdttas = LM

b) Deve-se produzir concretos com resistência característica real de:


* se a amostra tiver seis exemplares:
Lire = 19,6 MPa (-196 kgf/em?)
* se a amostra tiver 12 exemplares:
Lsqrear = 19,1 MPA (191 kgf/em?)
* se a amostra tiver 18 exemplares:
f ckj,real = 18,7 MPa (-187 kgf/em?)

c) Resistência média com a qual se deve produzir o concreto em obra:


* para controle de aceitação com amostra de seis exemplares:
1 emj,d ST ekjreal
[( — 1,65. v,)) = 23,5 MPa (-235 kgf/em?)
* para controle de aceitação com amostra de 12 exemplares:
E emj,d Et ckj,real
/ (1 — 1,65 . v) = 22,99 MPa (-229 kgf/em?)
e para controle de aceitação com amostra de 18 exemplares:
Danates
emj,d
É ckj,real /G — 1,65. v) = 22,4 MPa (-224 kgf/em?)
214 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Considerando o fato já consagrado e usual de que a cada redução de 1,0 MPa


(-10 kgf/cm?) na resistência média corresponde uma redução de 6 kg de cimento por
metro cúbico de concreto, tem-se neste exemplo uma redução desta ordem, pelo
simples fato de aumentar o número de exemplares da amostra que servirá para julgar
a qualidade do concreto de cada lote.
Essa é apenas uma pequena prova de que em muitos casos o aumento da fregiiência
das operações de controle pode, desde que inteligentemente aproveitado, contribuir
para a redução dos custos totais.
Cabe ressaltar que o aumento da probabilidade de aceitação poderia ser conseguido
também através da recomendação da NBR 6118/78 com o emprego do coeficiente
k , conforme discutido em 2.5 deste Manual e que neste caso forneceria:
Lia emj,d ty
c
t b65. ks
o que nas condições usuais de obra onde s é avaliado a partir de n igual a 30 a 40
resultados, resultaria: f = 22,7 MPa o que representa um concreto com probabi-
lidade de aceitação de cerca de 86% para controle com amostras de 18 exemplares
e de 70% para amostras de seis exemplares.
O principal inconveniente do critério recomendado na NBR 6118/78 é que não se
sabe em quanto está sendo aumentada a probabilidade de aceitação. Só se sabe que
está sendo superior a 50%. A única forma de saber a probabilidade de aceitação é
fazer todo o raciocínio expresso anteriormente.

5.4 A Influência das Operações de Ensaio e Controle


O American Concrete Institute, através do ACI-2140%, recomenda um critério de
avaliação da uniformidade e eficiência das operações de ensaio e controle.
Trata-se de calcular o coeficiente de variação dessas operações, comparando-o com
os padrões de controle sugeridos na Figura 5.20.

Padrão de controle
Excelente | Muito bom | Bom | Razoável |Deficiente

Tipo de serviço

30% | 40%| 5,0%


Controle em canteiro <3,0% a a a >6.0%
de obras 4,0% 50% | 6,0%

2,0% 3,0% 4,0%


Misturas experimentais
<2,0% a a a >5,0%
em Laboratório
3,0% 4,0% 5,0%

Figura 5.20 — Coeficiente de variação das operações de ensaio e controle (v, )


Controle de Aceitação do Concreto - 215

É aconselhável sempre empregar a metodologia citada no ACI-214 do controle da


qualidade das obras e mantê-la até para que seja assegurada a uniformidade do
processo de produção e de controle do concreto. A partir daí sua aplicação deverá
ser periódica para fins de aferição da qualidade das operações de ensaio e controle,
ou quando houver qualquer fato que justifique essa avaliação, como por exemplo
uma mudança qualquer nas etapas de ensaio, tais como: mudança de pessoal, de tipo
de capeamento, de cura, de prensa etc.
Para a determinação da variabilidade de ensaio e controle, emprega-se o estudo da
distribuição por amostragem da amplitude de amostras conhecidas, recomendado no
texto do ACI-214, conforme descrito a seguir “9,
Procedimento para avaliação da eficiência das operações de ensaio e controle:
1% Cálculo do desvio-padrão das operações de ensaio e controle:

z
g=EÃ Mp
nd,
onde: s = desvio-padrão das operações de ensaio em MPa;
= número de exemplares considerados compostos de p corpos-de-prova cada (x,
ua. Modê
A = diferença entre o maior e o menor resultado de corpo-de-prova que representa
um mesmo exemplar (|x . —X mn!) €
d, = coeficiente que depende do número p de corpos-de-prova representativos de um
mesmo exemplar, conforme mostra a Figura 5.21.
2º) Cálculo do coeficiente de variação ou variabilidade das operações de ensaio e
controle:

Número p de
d
corpos-de-prova z

2 1,128
3 1,693
+ 2,059
5 2,326
6 2,534
7 2,704
8 2,847
9 2,970
10 3,078

Figura 5.21- Coeficientes para cálculo do desvio-padrão dentro do ensaio “*?


216 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

ade
mj

onde: v, = coeficiente de variação devido às operações de ensaio e controle (%) e,


dei = média de todos os resultados utilizados, a j dias de idade, em MPa.
Os resultados obtidos são sempre influenciados pela eficiência das operações de
ensaio e controle”. Caso estas não tenham sido rigorosamente observadas, a
variabilidade total do processo de produção e ensaio pode ser significativamente
alterada. Esse efeito pode ser facilmente notado desde que se admita que as fontes
de variação são provenientes de fenômenos independentes. Pode-se, então, calcular
a variância total como soma das variâncias parciais, ou seja:
SE = Serei + Sé
onde: s? = variância total decorrente do processo de produção e ensaio do
concreto;
Zreal
Screal = variância
variânci real ld decorrente d do processo d de produção
dução d do concreto; e
sz = variância decorrente dos procedimentos de ensaio.
Para se quantificar a influência das operações de ensaio da variabilidade total do
processo pode-se considerar o seguinte exemplo:
Em quanto será alterada a estimativa da resistência característica de um lote de
concreto com f = 25,0 MPa (250 kgf/em?) e s = 4,0 MPa (-40 kgf/cm”) ao se
passar de um coeficiente de variação devido às operações de ensaio e controle (v.)
de 8% — operações ineficientes de controle — para 3% — operações eficientes e
facilmente alcançadas por Laboratório idôneo?
Solução:
a) estimativa da resistência característica do concreto à compressão
(estimador clássico)”:
f ck28,estl = fios”
cm28
165.5, = 25,0- 1,65.4,0 = 18,4 MPa (-184 kgf/em?)
b) estimativa do desvio-padrão inicial das operações de ensaio:
si=V..f
el el cm28
= 8%. 25,0 = 2,0 MPa (-20 kgf/em?
c) estimativa do desvio-padrão real de produção do concreto:
Sscyreal 4.4 s2— s? =3,4 MPa (- 3,4 kgf/cem?)
d) estimativa do novo desvio-padrão, corrigido, das operações de ensaio:
So e2 = Vo e2 - * Log
“em
= 3% . 25,0 = 0,75 MPa (-7,5 kgf/em?)

(*) Neste exemplo admite-se que a amostra do lote considerado é suficientemente acurada para permitir
considerar o desvio-padrão da amostra s como sendo o do lote (6) e a média Li da amostra como sendo
a média do universo EL.
Controle de Aceitação do Concreto - 217

e) estimativa do desvio-padrão de produção e ensaio do concreto:


s=VS ereal
a +S =3,5 MPa
f) estimativa da resistência característica do concreto à compressão
f ck28,est2 = Laos
— 1,65. s, = 19,2 MPa (-192 kgf/cm?)
Portanto, a estimativa da resistência característica à compressão do concreto desse
lote poderia melhorar de 18,4 MPa para 19,2 MPa pelo simples fato de melhorar as
operações de ensaio e controle.
Como se observa, todo produtor deve cuidar ou exigir mão-de-obra qualificada e
equipamentos de ensaio adequados e periodicamente aferidos, sob pena de prejudi-
car indiretamente a avaliação da qualidade de seu próprio concreto. Na Figura 5.22
apresenta-se a influência de alguns valores típicos da variabilidade de operação de
ensaio e controle, na estimativa da resistência característica do concreto à
compressão.

Coeficiente de variação | Característica do


Coeficiente de variação | Coeficiente de variação total do processo de | concreto à com-
real do processo de - | dos procedimentos de E . - à
Ra do concreto cemalo e controle prole secando prrsemo (estimadlor
v(%) v 4%) concreto v (%) clássico) fa
rent! Resistência

9% muito bom 3,0 9,5 0,84. Lui


usual em usinas ,
gravimétricas razoável 5,5 10,5 0,83. Li

deficiente 7,0 11,4 0,81. La

muito bom 3,0 12,4 0,80. Ly


12%
usual em canteiro de razoável 5,5 13;2 0,78. Lai

A pro 7,0 13,9 Ls


u muito bom 3,0 16,3 0,73. La
16%
usual em canteiro de razoável 5,5 16,9 (7d Di
obras mal administradas .
deficiente TO 17,5 0,71 .T emj

Figura 5.22 — Influência das operações de ensaio na estimativa da resistência característica

5.5 Algumas Questões

P1: Como se pode minimizar o efeito negativo de operações de ensaio ineficientes?


218 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Ri: A NBR 6118/78 recomenda que se adote só o valor mais alto dos pares de corpos-
de-prova que constituem um mesmo exemplar. Essa é uma forma indireta. Outra
seria calcular para cada caso e descontar do total.
P2: Por que é mais interessante adotar o mais alto valor dos corpos-de-prova de
uma mesma unidade de produto (amassada) para representar o valor do
exemplar?
R2: Não é bem assim. Os aspectos físicos e os estatísticos devem ser considerados. Do
ponto de vista físico é correto adotar o valor mais alto, pois o objetivo do controle
é obter a resistência potencial máxima do concreto na boca da betoneira. Conforme
visto anteriormente em 3.4 e 3.7 e nas Figuras 3.1, 3.2 e 3.24 deste Manual,
a maioria dos erros de ensaio e controle reduzem a resistência do concreto. Em
outras palavras, pode-se dizer que salvo raríssimas exceções, talvez como único
exemplo a velocidade diferente de carregamento entre corpos-de-prova irmãos, na
hora do ensaio de compressão axial, não há como aumentar a resistência potencial
do concreto. Assim sendo é razoável que entre dois, três ou mais corpos-de-
prova irmãos adote-se como resistência do concreto o valor mais alto. Por
absurdo poder-se-ia raciocinar que se entre dois corpos-de-prova irmãos um tem
resultado de 1 MPa e outro de 31 MPa a resistência potencial não poderia nunca
ser 16 MPa, pois como explicar que um resultado desse concreto alcançou
31 MPa?
Apesar que fisicamente está justificado, do ponto de vista estatístico ao retirar
somente um corpo-de-prova para representar o valor de um exemplar, estaremos
aumentando intencionalmente a estimativa da variabilidade aparente do processo
e, consequentemente, diminuindo a confiança na estimativa da resistência
característica.
Fusco!'” apresenta interessantes considerações sobre isso, mostrando a importân-
cia do controle da variabilidade das operações de ensaio e sua influência na
variabilidade aparente total ao se considerar somente um corpo-de-prova ou a
média de dois, como o valor do exemplar, chegando à seguinte fórmula geral para
o cálculo da variabilidade aparente dos resultados:
v?
2 me NJ2 e
Vo = Vo É
Pp
onde:v. = coeficiente de variação ou variabilidade (aparente total) do proces-
so de produção e ensaio avaliado a partir dos resultados de ensaio;
(%)
Vea = coeficiente de variação ou variabilidade real devida somente ao
processo de produção do concreto; (%)
v. = coeficiente de variação ou variabilidade das operações de ensaio e
controle; (%)
p = número de corpos-de-prova de uma mesma amassada, correspon-
dentes, portanto, a um exemplar.
Controle de Aceitação do Concreto - 219

Com base nessa dedução pode-se verificar que para eficientes operações
de controle onde o coeficiente de variação (v.) das operações de ensaio seja
da ordem de 3%, a estimativa da variabilidade aparente total (v.) aumenta
somente de 9,2% para 9,5% ao passar da consideração da média de dois corpos-
de-prova para apenas um qualquer quando a variabilidade real do concreto
(Voe a) é apenas 9%, valor usual observado em centrais gravimétricas estacioná-
rias.
No entanto, mantido o coeficiente de variação real do concreto (v...) em 9%,
e considerando-se a variabilidade dentro do ensaio (v.) em 7%, a estimativa
da variabilidade aparente total (v.) melhora de 11,4% para 10,3% ao se analisar a
média de dois corpos-de-prova ao invés de somente um qualquer.
Considerando que a estimativa da resistência característica La, «q pode ser feita
através da seguinte equação:
EaeaE EA
ckj,est
1,65. v)
obter-se-ia, no caso de v, = 4,5% e V. «a = 9%, ao considerar apenas um dos
resultados, um f E aproximadamente igual a 0,99 do É wieq Obtido a partir da
consideração do valor médio de dois corpos-de-prova. Por exemplo, pode-se
encontrar um La = 18,0 MPa (-180 kgf/cm?) quando se considera
a média de dois
corpos-de- prova e umf,. = 17,8 MPa(-178 kgf/em?) no caso de examinar apenas
um qualquer dos resultados de corpos-de-prova irmãos.
Portanto, o problema pode ser analisado sob três aspectos:
) Do ponto de vista físico, o valor mais elevado de dois corpos-de-prova irmãos é o
que mais se aproxima da resistência potencial perseguida pelo controle. Isso
ratifica o fato de se retirar dois corpos-de-prova e adotar só o resultado mais
alto.
2 ) Do ponto de vista estatístico, é sempre preferível considerar a média dos resultados
obtidos de corpos-de-prova irmãos, representativos de uma unidade homogênea de
concreto, como sendo o valor do exemplar. No entanto, a estatística deve sempre
se submeter ao fenômeno físico e não o inverso. Assim, entre amostras com número
n iguais de exemplares, são preferíveis as que se obtenha a partir de resultados mais
altos de corpos-de-prova irmãos do que amostras compostas por um único
corpo-de-prova retirado ao acaso de cada unidade de produto.
3 ) Combinando interesses econômicos com estatísticos é sempre preferível se dispor
de amostras com 2 n exemplares individuais de um lote do que amostras constitu-
ídas de n exemplares compostos de dois corpos-de-prova cada. Exemplificando,
tem-se que um lote de 100 mº de concreto estará melhor representado por uma
amostra constituída de 24 corpos-de-prova individuais retirados aleatoriamente de
24 amassadas, do que por uma amostra composta dos mesmos 24 corpos-de-prova,
retirados dois a dois de apenas 12 amassadas. Da mesma forma é preferível uma
amostra constituída de 12 exemplares obtidos a partir do resultado mais alto de cada
par dos 24 corpos-de-prova, do que uma amostra constituída por apenas 12 corpos-
de-prova individuais.
220 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Isso tudo mostra a importância da eficiência das operações de ensaio e controle,


principalmente quando se trata de concretos de boa qualidade e de alta resistência
à compressão, onde o coeficiente de variação real v. . for mantido próximo dos
10%.
Esta é certamente a razão por que a NBR 6118/78 ressalta que somente poderá ser
moldado um corpo-de-prova quando as operações de ensaio e controle estiverem
sob a responsabilidade de Laboratório idôneo que comprove regularmente sua
eficiência.
P3: São eficientes as operações de ensaio e controle efetuadas pelo Laboratório
da questão P6 em 5.2.1?
R3: 1º passo: cálculo da resistência média à compressão da amostra, obtida de
corpos-de-prova:
n

omj =
E= A
( +p).
E
) = 23,1 MPa
24
2º passo: cálculo do desvio-padrão das operações de ensaio e controle:
n

Ss. —
à (lp
=]
ed ti
+p.,
Roda
+2,) |). = 0,9 MPa
n. 1,128
3º passo: cálculo do coeficiente de variação das operações de ensaio e controle:

v.=—.100=4,0% (muito bom)


emj

P4: São eficientes as operações de ensaio e controle, ou seja, a equipe de


amostragem, moldagem, cura, capeamento e ruptura dos corpos-de-prova é
eficiente, tanto da empresa A quanto da empresa B da questão P7 em 5.2.1?
R4: Basta calcular o coeficiente de variação v, das operações de ensaio e controle.
Admite-se tratar de duas equipes diferentes, uma para cada empresa de serviço de
concretagem. Caso fosse uma só equipe, os resultados deveriam dar iguais ou
muito próximos.
1º passo: cálculo do desvio-padrão s das operações de ensaio e controle:
n
= É lpospeli 1 2 = 11,7
E = 1,0 MPa (A)
fi; 1,128 10. 1,128

E ad
I= Bud |) 25,6Ê =2,3 MPa (B)
E n. 1,128 IO . 1,128
Controle de Aceitação do Concreto - 221

2º passo: cálculo do coeficiente de variação v, das operações de ensaio e controle:


8 1,0
v=——E-—— .100=———— .100=5,7% (A)
: Emile 18,2

S 2a
= 00 —— -100=10% (8)
emj,est ?

Como se verifica, nenhuma das equipes é eficiente, sendo menos ruim a equipe da
empresa A.

Referências Bibliográficas

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Madrid, 1988.

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Dissertação (Mestrado) — Escola Politécnica, Universidade de São Paulo,

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1986. Anais. São Paulo, IBRACON, 1986.

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(12) MCINTOSH, J. D. Concrete and statistics. London, Cr Books, 1963.


222 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

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1986. v. 1.
(14) MALHOTRA, V. M. Recommended practice for evaluation of strength test results of concrete. In:
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(15) GITAHY,H. S. Controle estatístico da qualidade do concreto. São Paulo, IPT, 1960. (Boletim 49.)

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Course on Structural Concrete.)

(17) BASILIO, F. A. Controle de qualidade do concreto em obras correntes. In: COLÓQUIO SOBRE
CONTROLE DA QUALIDADE DO CONCRETO ESTRUTURAL, São Paulo, 1973. Anais.
São Paulo, IBRACON, 1973.
(18) FUSCO, P. B. Estruturas de concreto: fundamentos estatísticos da segurança das estruturas. São
Paulo, McGraw-Hill/EDUSP, 1976.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 225

6.1 Introdução

Em todas as pesquisas de métodos de dosagem nacionais e internacionais depara-


se com uma quantidade muito grande de procedimentos e conceitos que fazem
imaginar que encontrar traço de concreto é uma atividade muito teórica, compli-
cada e maçante.
Por outro lado, a idéia generalizada de que todo mestre ou pedreiro experiente sabe
fazer concreto não motiva o engenheiro mais jovem a um estudo mais aprofundado
no assunto e, quando muito, recorre às famosas tabelas de traços de concreto, sem
levar em conta a grande diversidade de materiais existentes em nosso país. Para
citar um exemplo, em recente estudo de dosagem realizado para uma grande
construtora, obteve-se uma redução de 40 kg de cimento por metro cúbico de
concreto, em relação ao traço em uso, considerado ainda um aumento de La =15
MPa para 18 MPa. Esta economia foi possível somente com um trabalho racional
de dosagem de concreto.
Estes fatos têm reflexos inclusive no sistema de ensino da engenharia em nosso
país. Aliado às facilidades oferecidas na venda do produto pelas Usinas de
Concreto, observa-se que alunos e professores não se têm motivado a um estudo
detalhado sobre o assunto.
Dentro deste panorama, procura-se apresentar um roteiro que desmistifique o
assunto de dosagem do concreto, dando uma abordagem bastante simplificada e
ressaltando os aspectos mais importantes do conjunto dos métodos consultados,
acrescentando uma grande parte de experiência prática.
Não é objetivo escrever um tratado sobre o assunto, mas tão-somente ensinar uma
metodologia clara e precisa sobre a dosagem do concreto, com a grande vantagem
de obter de modo rápido e racional o traço que seja o mais econômico possível e
que atenda às características de resistência e durabilidade estabelecidas para cada
obra ou elemento estrutural.
A rapidez proporcionada por esta metodologia na modificação de traços de
concreto é fundamental no sistema de Controle da Qualidade, principalmente
226 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

quando existem alterações significativas no cimento, agregados ou no desvio-


padrão de produção.
Deseja-se que este texto seja um grande elemento de apoio e consulta dos
engenheiros de obras, estudantes e professores da cadeira de materiais de constru-
ção.

6.2 Caracterização dos Materiais


O objetivo é conhecer as características dos materiais, que têm grande influência
no processo de dosagem do concreto. Outros parâmetros dos materiais, ligados à
tecnologia do concreto mas de abordagem diferente, tal como durabilidade, não são
comentados neste capítulo, mas devem ser analisados minuciosamente pelo profis-
sional responsável.

6.2.1 Cimento

a) Finura
É um fator que governa a velocidade da reação de hidratação. O aumento da finura
melhora a resistência, particularmente a das primeiras idades, diminui a exsudação
e outros tipos de segregação, aumenta a impermeabilidade, a trabalhabilidade e a
coesão dos concretos. Em contrapartida, ocorre liberação de maior quantidade de
calor e uma retração maior, sendo os concretos mais sensíveis ao fissuramento. E
avaliada pela NBR 5732.
b) Perda ao Fogo e Resíduo Insolúvel
Fornece indicações sobre até que ponto ocorreu a carbonatação e hidratação devido
à exposição do cimento ao ar, ou seja, o envelhecimento do cimento. Permite
também detectar a adição de substâncias estranhas, inertes, que sejam insolúveis
no ácido clorídrico. Avaliada pela NBR 5743.
c) Resistência à Compressão (3, 7, 28 e 91 dias)
Através desta verificação é possível conhecer previamente o comportamento
mecânico do cimento. Verificada pela NBR 5739.

6.2.2 Agregados miúdos

As características de maior influência destes materiais na dosagem do concreto


são:
a) Granulometria

A composição granulométrica, isto é, a proporção relativa expressa em forma de


porcentagem (%) em que se encontram os grãos de um certo agregado, tem
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 227

importante influência sobre a qualidade dos concretos, agindo na compacidade e


resistência. Verificada pela NBR 7217.
b) Módulo de Finura
Está relacionado com a área superficial do agregado e consequentemente altera a
água de molhagem para uma certa consistência. Deve ser mantido constante dentro
de certos limites para evitar a alteração do traço. Verificado pela NBR 7217.
c) Massa Unitária
É a relação entre a massa total de um certo volume de agregados e esse volume,
considerando-se os vazios existentes entre os grãos do agregado. E por meio da
massa unitária que são feitas as transformações dos traços em massa para volume
e vice-versa. Verificada pela NBR 7251.
d) Massa Específica
É a relação entre a massa e o volume de cheios, isto é, o volume dos grãos dos
agregados. Verificada pela NBR 9776.

Foto 6.1 — Visualização do inchamento da areia. Todas as três amostras possuem a mesma
massa de areia no estado seco. O acréscimo de 3% e 6% de água modificou significativamente
o volume aparente úmido
228 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

e) Inchamento
É o aumento de volume de uma determinada massa de agregados, causado pela
absorção de água. É de fundamental importância na dosagem dos materiais em
volume, pois dependendo da umidade obtém-se diferentes massas de agregados
para um mesmo volume de dosagem, sendo necessária a correção do traço (Foto
6.1). Verificado pela NBR 6467.
f) Coeficiente de Inchamento e Umidade Crítica
O coeficiente de inchamento serve para medir o inchamento sofrido por uma massa
de agregados. É dado pela relação entre o volume final úmido e o volume inicial
seco. A umidade crítica é aquela a partir da qual o coeficiente de inchamento é
considerado constante. Verificado pela NBR 6467.
g) Apreciação Petrográfica
É indispensável conhecer-se a natureza dos agregados que servem para a execução
do concreto, pois embora considerados como inertes, possuem características
físicas (modificações de volume por variação de umidade, por exemplo) e químicas
(reação com os álcalis do cimento, por exemplo) que podem intervir no compor-
tamento do concreto.
h) Curvas Normalizadas
Definidas pelos limites granulométricos da Tabela 6.1, da NBR 7211.

Tabela 6.1 — Agregados miúdos (NBR 7211)

Porcentagens acumuladas em massa


Peneiras Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4
(mm) (muito fina) (fina) (média) (grossa)
6,3 0a 3 0a 7 0a 7 0a7
4,8 O a 5% 0 a 10 0 all 0a 12
2,4 0 a 5% O a 15% O a 25% 5 a 40
1,2 O a 104% O a 25% 10 a 454 30 a 70
0,6 O a 20 21 a 40 41 a 65 66 a 85
0,3 50 a 854% 60% a 88% TOM) a 928 80% a 95
0,15 85% a 100 908 a 100 90% a 100 90% a 100

Obs.: (A) Pode haver uma tolerância de até no máximo cinco unidades de por cento
em um só dos limites marcados com a letra À ou distribuídos em vários
deles.

(B) Para agregado miúdo resultante de britamento, este limite poderá ser 80.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 229

1) Classificação de Areias pelo Módulo de Finura


O módulo de finura do agregado miúdo; cuja granulometria cumpre qualquer uma
das zonas indicadas na Tabela 6.1, da NBR 7211, não deve variar mais de 0,2 para
um material da mesma origem.
6.2.3 Agregados graúdos
As características de maior influência destes materiais na dosagem do concreto
são:
a) Granulometria
A composição granulométrica, isto é, a proporção relativa expressa em forma de
porcentagem (%) em que se encontram os grãos de um certo agregado, tem
importante influência sobre a qualidade dos concretos, agindo na compacidade e
resistência. Verificada pela NBR 7217.
b) Dimensão Máxima Característica
Quanto maior, mais econômico o concreto. Está relacionada à trabalhabilidade do
concreto fresco, portanto, depende das fôrmas, do espaçamento entre as armaduras
e do processo de transporte do concreto. Verificada pela NBR 7217.
c) Massa Específica
É a relação entre a massa e o volume absoluto não permeável, isto é, o volume dos
grãos dos agregados. Verificada pela NBR 9937.
d) Apreciação Petrográfica
É indispensável conhecer-se a natureza dos agregados que servem para a execução
do concreto, pois embora considerados como inertes, possuem características
físicas (modificações de volume por variação de umidade, por exemplo) e químicas
(reação com os álcalis do cimento, por exemplo) que podem intervir no compor-
tamento do concreto.
e) Mistura de Agregados Graúdos
A composição ou mistura de agregados graúdos, com a finalidade de diminuir o
custo do concreto, pode ser obtida de modo prático e simples, sem a necessidade
de complicados cálculos ou difíceis traçados de curvas granulométricas.
Para a determinação adequada da mistura entre duas faixas granulométricas de
pedras britadas, pode-se utilizar o método da NBR 7810 - Agregado em Estado
Compactado Seco - Determinação da Massa Unitária.
A determinação da massa unitária deve ser feita individualmente em cada mistura
de agregados, contendo diferentes teores de cada fração (Fotos 6.2. e 6.3).
Como orientação apresenta-se a Tabela 6.2, que exemplifica o procedimento
adotado, utilizando-se uma composição entre pedra britada nº 1 e 2.
A Tabela 6.2 apresenta na primeira coluna a variação adotada (%) na mistura dos
dois agregados. A segunda e terceira colunas apresentam as quantidades de
agregados necessárias para-obter a proporção correspondente e ser suficiente para
230 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Foto 6.2 — Determinação da mistura ideal de agregados graúdos. A foto apresenta todo o
material necessário para o ensaio: lona impermeável; pá; recipiente para determinação da
massa unitária compactada; haste metálica; régua metálica e balança

Foto 6.3 — Detalhe do acerto do topo do recipiente contendo mistura de agregados graúdos.
As misturas são compactadas em três camadas, com 25 golpes em cada uma
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 231

encher o recipiente metálico. A coluna de acréscimo de pedra britada nº 1 é


z

correspondente à massa desse agregado, necessária para passar de uma composição


(%) para a seguinte, aproveitando sempre a mistura realizada anteriormente. As
colunas de massa total do recipiente e massa unitária foram preenchidas a título de
exemplo de um ensaio realizado, mostrando a sequência adotada. A escolha da
composição considerada “ideal” baseia-se no maior valor obtido para a massa
unitária no estado compactado, calculada conforme indicado no rodapé da
Tabela 6.2.

Tabela 6.2 — Exemplo da determinação da composição “ideal” entre pedra britada nº 1 e


nº 2, através da massa unitária no estado compactado seco
Composição | Quantidade | Quantidade| Acréscimo de pedra| Massa total do| Massa unitária
entre os depedra | depedra | britada nº 1 para recipiente no estado
agregados nº 2/1 | britada nº 2 | britada nº 1] obter a composição | (agregado + | compactado (1)
(9%) (kg) (kg) desejada (kg) tara) (kg) (kg/dm”)
100/0 30 -
90/10 30 3,33 +3,33 24,50 1,63
80/20 30 7,50 +4,17 24,80 1,65
70/30 30 12,86 +5,36 25,40 1,690
60/40 30 20,00 +7,14 25,50 1,69
50/50 30 30,00 +10,00
40/60 30 45,00 +15,00
Obs.:
massa total do recipiente - tara
D massa unitária no estado compactado = (kg/dm?)
volume do recipiente
sendo:
- massa total do recipiente = massa do agregado graúdo + tara
- tara = massa do recipiente metálico
- volume do recipiente entre 15 e 20 dm? (de forma cilíndrica)

2) (*) Composição “ideal” entre os agregados.

Quando o agregado graúdo for considerado de forma lamelar, a composição


“ideal” deve ser confirmada em estudo prático de dosagem, pois o material pode
induzir a uma necessidade alta de teor de argamassa no concreto, tornando-o
antieconômico.

6.2.4 Aditivo

As características destes materiais, que devem ser analisadas na dosagem do


concreto, são:
232 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a) Massa Específica
Deve ser verificada, pois um aditivo com massa específica diferente da especificada
pode levar a erros na dosagem.
b) Aspecto
Pode ser um indicativo do estado da qualidade de um aditivo. Deve ser verificada
a conformidade em aspecto e cor do aditivo a ser utilizado com o tomado como
referência.
c) Desempenho
Está tratado em 6.6 deste Manual — Recomendações para Avaliação Técnico-
Econômica de Aditivos.

6.3 Estudo Teórico

6.3.1 Conceitos fundamentais


a) A relação água/cimento é o parâmetro mais importante do concreto estrutural.
b) Definida uma relação água/cimento e definidos certos materiais, a resistência €
a durabilidade do concreto passam a ser únicas.
c) O concreto é mais econômico (barato) quanto maior a dimensão máxima
característica do agregado graúdo e menor o abatimento do tronco de cone (consis-
tência mais seca).

d) Correções assumidas como “leis de comportamento”:

dl) f, = + “Lei de Abrams”

d.2) m = k, + k . a/c “Lei de Lyse”


d.3) C = 1.000/(k + k . m) “Lei de Molinari”
d4 qu =(1+ a/(1 + m) “Teor de Argamassa Seca”
d5) m=a+p

onde:
ai = resistência à compressão axial, à idade j, em MPa;
a/c = relação água/cimento em massa, em kg/kg;
a = relação agregado miúdo seco/cimento em massa, em kg/kg:
= relação agregados secos/cimento em massa, em kg/kg;
a = teor de argamassa seca; deve ser constante para uma determinada
situação, em kg/kg:
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 233

p = relação agregados graúdos secos/cimento em massa, em kg/kg;


k,, k,, Kas k,, k, e k, constantes que dependem exclusivamente dos materiais
(cimento, agregados miúdos, agregados graúdos e aditivos).
e) Diagrama de Dosagem (modelo de comportamento) — (vide Figura 6.1).

G (kg/m?) ale (kg/x9)

abatimento 150 mm

abatimento 80 mm

abatimento 40 mm

(kg) Y
Figura 6.1 — Diagrama de dosagem — modelo de comportamento

f) Leis complementares:
EI
psEs ssa “consumo de cimento/m*”
l+a+p+a/c

(1.000 - ar)
O Cs p “consumo de cimento/m*”
l+a+f+ af
de a
3) CO. qe “consumo de água/m””
onde:
C = consumo de cimento por metro cúbico de concreto adensado em kg/m;
Y = massa específica do concreto, medida no canteiro em kg/m;
Y. = massa específica do cimento em kg/dm;
Y, = massa específica do agregado miúdo em kg/dmº;
Y, = massa específica do agregado graúdo em kg/dm;
ar = teor de ar incorporado e/ou aprisionado por metro cúbico, em dmº/m'.
234 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

g) Custo do concreto/mº (materiais):


Custom"= C.S+C.a.L+C.p.$+C.
ae. s água

onde:$ = custo do kg de cimento


$. = custo do kg de agregado miúdo
8, = custo do kg de agregado graúdo
$. = custo do litro de água potável

6.3.2 Informações básicas

Todo o estudo de dosagem parte do pressuposto que o concreto deve ter capacidade
de ser lançado e adensado adequadamente no interior do elemento estrutural.
Para atingir este objetivo, é necessário realizar um levantamento prévio da situação
em que o concreto será submetido.
A lista mínima de assuntos é a que se apresenta a seguir, sendo que em 6.3.5 a
Tabela 6.5 resume as informações básicas aqui definidas.
Às informações apresentadas nesta seção têm caráter orientativo e podem ser
modificadas em função da necessidade e experiência de cada profissional.
a) Resistência característica do concreto à compressão (f.):
— consultar projeto;
— sempre que não houver referência de data adotar idade j de 28 dias.
b) Determinação do espaçamento entre barras de aço:
— consultar projeto para definir:
* regiões críticas (menores espaçamentos);
* regiões predominantes.
c) Escolha da dimensão máxima característica do agregado graúdo:
D. máx
< 1/3 da espessura da laje;
máx S 1/4 da distância entre faces das fôrmas;
D... < 0,8 do espaçamento entre armaduras horizontais;
D.« < 1,2 do espaçamento entre armaduras verticais;
máx E 1/4 do diâmetro da tubulação de bombeamento de concreto.
(adotar o menor dos valores)
d) Definição dos elementos estruturais a serem concretados com este traço: laje,
pilar, viga etc.
e) Escolha da consistência do concreto (medida através do ensaio de abatimento
do tronco de cone) em função do tipo do elemento estrutural (vide Tabela 6.3).
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 235

Tabela 6.3 —- Escolha da consistência do concreto em função do tipo do elemento estrutural,


para adensamento mecânico

Abatimento (mm)
Elemento estrutural
Pouco armada Muito armada

Laje <60+10 <70+10


Viga e parede armada <60+10 <80+10
Pilar do edifício <60+ 10 <80+10
Paredes de fundação, <60+10 <70+10
sapatas, tubulões

Obs.: quando o concreto for bombeado a consistência deve estar entre 70 e 100 mm, no máximo.
Quando a altura para bombeamento for acima de 30 m, considerar o limite para a
consistência na saída da tubulação.

f) Definição da relação água/cimento (a/c) para atender às condições de durabi-


lidade:
— ale < 0,65 para peças protegidas e sem risco de condensação de umidade;
— a/e < 0,55 para peças expostas a intempéries, em atmosfera urbana ou rural;
— a/c < 0,48 para peças expostas a intempéries, em atmosfera industrial ou
marinha,
g) Uso de aditivo quando se necessitar de condições especiais:
— plastificantes (redução no consumo de cimento);
— retardadores (quando o transporte e o lançamento forem prolongados e/ou
temperatura ambiente elevada).
h) Estimativa de perda de argamassa do concreto no sistema de transporte e
lançamento do concreto:
— material aderido às fôrmas, armaduras, “bicas” etc.;
— em geral variando de 2 a 4%.

6.3.3 Cálculo da resistência de dosagem


a) Correlação com a resistência de projeto
Para a determinação da resistência de dosagem, adota-se a equação constante na
NBR 6118, ou seja:
Lacdj E Lutr
ckj
LOS d

onde: f., = f., = resistência à compressão de dosagem, a j dias de idade (em geral
28 dias), em MPa;
236 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Ee desvio-padrão de dosagem, referido à idade j (em geral 28 dias), em MPa.

b) Escolha do desvio-padrão — Critério 1


O desvio-padrão de dosagem “s ” pode ser adotado “subjetivamente” quando não
se conhecem pelo menos 30 resultados da obra em questão, como sendo:

Sy = 3 MPa, sempre que a produção for em massa, com controle rigoroso da


umidade dos agregados e com equipe bem treinada.

Sy = 4 MPa, sempre que a produção for a volume, com controle rigoroso da


umidade dos agregados e com equipe bem treinada.

Syj 5,5 MPa, sempre que a produção for a volume, e com equipe nova em fase
de adaptação.

Obs.: Os valores de “s ” são diferentes dos constantes na NBR 6118 e devem ser
considerados como uma sugestão, baseada em experiência prática e pesquisa dos
autores.
c) Com o objetivo de facilitar o cálculo da resistência de dosagem, ao adotar-se o
desvio-padrão baseado no critério 1 e associando-o às resistências características
padronizadas do concreto, obtém-se os valores apresentados na Tabela 6.4.

Tabela 6.4 — Resistências de dosagem

Resistência Resistência de dosagem (f 48) MPa


característica

E (MPa). sy =3 MPa sy =4 MPa sy = 555 MPa

9 14 15,5 18
10º 15 16,5 19
12 17 18,5 21
150 20 21,5 24
18 23 24,5 27
200 25 26,5 29
21 26 27,5 30
24 29 30,5 33
250 30 31,5 34
27 32 33,5 36
apo 35 36,5 39
(*) Segundo a NBR-8953 publicada em junho/92.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 237

d) Critério 2
O desvio-padrão “s ” deve ser adotado diretamente dos resultados da obra em
questão, sempre que se dispuser de mais de 30 exemplares através da fórmula:

O eu
sa -(n-1D+sá . RA 1) cos E o blg dO
Sy =
Em, — 1) 4 (Medo) E cus im — 1)

Onde:

Sy = desvio-padrão obtido de amostras com n, > 6 exemplares;

n. = número de exemplares de cada amostra em questão;

Ln, 2 que 30 exemplares.

6.3.4 Cálculo da relação água/cimento (a/c)


Uma fase bastante importante no processo de dosagem do concreto é a de
determinar a correlação existente entre resistência à compressão axial e relação
água/cimento. A definição do traço inicial do concreto fica bastante prejudicada,
sendo necessário esperar a ruptura dos corpos-de-prova à idade de 28 dias (ou
mais), para obter esta correlação.
Para a solução deste problema, sugerimos as correlações obtidas por Helene*”, em
estudo desenvolvido a nível nacional, para os vários tipos de cimento existentes.
As correlações são mostradas em forma gráfica nas Figuras 6.2, 6.3 e 64,
apresentando as curvas médias obtidas para as idades de três, sete, 28, 63 e 91 dias.
A utilização de escala logarítmica no eixo das ordenadas transforma as curvas em
retas, o que facilita o seu traçado.
238 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a/c
q
Foo)
O.
Õ
pe
E
D
E
6)

0,70
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
0,35
(MPa)

0
10
60

20
50

5
30
40

Figura 6.2 — Curvas médias de correlação entre resistência à compressão axial e relação
água/cimento para Cimento Portland comum CP 32
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 239

aic
Pop)QN
LL
«<L
a
E
D
E
O

0,70
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
0,35
(MPa)

0
50

20
40

30

10
60
c

Figura 6.3 — Curvas médias de correlação entre resistência à compressão axial e relação
água/cimento para Cimento Portland de alto-forno AF 32
240 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

a/c
qO
N
O

e
oG

E
Õ

0,70
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
0,35
(MPa)

0
5
60

10
50

20
40

30
T

Figura 6.4 - Curvas médias de correlação entre resistência à compressão axiale relação água!
cimento para Cimento Portland pozolânico POZ 32
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 241

Correlações (valores médios):


a) Cimento Portland comum: CP 32

79,4
- 03 dias: fa= 59 = a/c = 0,71 log
f d3

86,8
- 07 dias: fo= om = a/c = 0,85 log
f d7

92,8
- 28 dias: fg = e = a/c = 1,11 log
Ê d28

95,4
- 63 dias: f,a= — E a/c = 1,20 log
f d63

Ea
- 91 dias: fo, = = = a/c = 1,30 log
f d91

b) Cimento Portland de alto-forno: AF 32

87,7
- 03 dias: f, = o a/c = 0,61 log
”? f d3

- 07 dias: f, =“oa 95,0


a/c = 0,78 log
”? f d7

121,2.
- 28 dias: fog = 5 a/c = 0,99 log
De f d28

123,6
- 63 dias: fg = o a/c = 1,09 log
e f d63

125,5
-91 dias: fo =
no a/c = 1,23 log
a f d91
c) Cimento Portland pozolânico: POZ 32
107,4
- 03 dias: f, = EE” - a/c = 0,59 log
f d3

97,4
- 07 dias: É = = A —s a/c = (0,74 log
f d7

99,7
- 28 dias: É = e —s a/c = 0,95 log
f d28
242 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

- 63 dias: Lea
OIT
— “873 — ac
.
= 1,06
101,7
log =

- 91 dias: fo, -— 5 a/c = 1,22 ing


d91

d) Cimento Portland comum: CP 40


- aumentar em 20% os resultados de f ã do CP 32.

e) Cimento Portland de alta resistência inicial: ARI


- aumentar em 25% os resultados de f 4 do CP-32 até sete dias e em 20% até 91
dias.

6.3.5 Resumo das características básicas para o estudo de dosagem


A Tabela 6.5 resume as informações básicas necessárias a um estudo de dosagem:
Lembra-se que o estudo de dosagem deve ser definido em função dos parâmetros
adotados. Qualquer modificação implica a necessidade de outro estudo.

6.4 Estudo Experimental


A fase experimental parte do princípio que são necessários três pontos para poder
montar o diagrama de dosagem, conforme apresentado esquematicamente em 6.3
deste Manual, que correlaciona a resistência à compressão, relação água/cimento,
traço e consumo de cimento.
O início do estudo experimental parte da avaliação preliminar, com mistura em
betoneira do traço 1:5,0 (cimento: agregados secos totais, em massa). Baseado nas
informações obtidas desta mistura, confeccionam-se mais duas, com os traços
definidos em 1:3,5 (traço chamado de rico) e em 1:6,5 (traço chamado de pobre).

6.4.1 Determinação do teor ideal de argamassa para o traço 1:5,0


Esta é uma das fases mais importantes do estudo de dosagem, pois é a que
determina a adequabilidade do concreto quando lançado na fôrma.
A falta de argamassa na mistura acarreta porosidade no concreto ou falhas de
concretagem. O excesso proporciona um concreto de melhor aparência mas
aumenta o custo por metro cúbico como, também, o risco de fissuração por origem
térmica e por retração de secagem.
Portanto, o objetivo é determinar o teor ideal de argamassa na mistura do concreto
(mínimo possível). Para tal, através de variações no teor de argamassa da mistura,
com o traço estabelecido em 1:5,0, determina-se a proporção adequada por
tentativas e observações práticas.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 243

Tabela 6.5 — Resumo das características básicas para o estudo de dosagem

Itens Definições

1 - Número da dosagem

2 - f.. (projeto) - MPa

3 - Elementos estruturais em que o concreto será


aplicado

4 - Espaçamento entre as barras crítico

demo ft) predominante

5 - Dimensão máxima característica do


agregado graúdo adotado (mm)

6 - Abatimento adotado (mm)

7 - Cimento; marca, tipo e classe

8 - Relação água/cimento (em função da durabilidade


da estrutura)

9 - Desvio-padrão da dosagem (MPa)

10 - Resistência de dosagem (MPa)

11 - Relação água/cimento (em função da resistência


de dosagem)

12 - Aditivos; marca, tipo e proporção

13 - Idade de ruptura dos corpos-de-prova (dias)

14 - Estimativa de perda de argamassa no sistema de


transporte e lançamento do concreto (%)

15 - Traço (1l:m) para a primeira mistura experimental


(kg/kg) E

Obra: Data:
244 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

A Tabela 6.6 apresenta as quantidades de materiais necessárias para mistura na


betoneira, correspondentes a cada teor de argamassa adotado (indicado na primeira
coluna da Tabela).
Para os profissionais com maior experiência na prática de dosagem, não há a
necessidade de seguir passo a passo os teores de argamassa indicados. Pode-se
acumular dois ou três teores de argamassa, mas tomando o cuidado de realizar a
soma da coluna dos “acréscimos” de modo correto.
Sequência de atividades:
1) Imprimar a betoneira com uma porção de concreto (> 6 kg) com o traço 1:2:3,
a/c = 0,65 (Foto 6.4). Deixar o material excedente cair livremente, quando a
betoneira estiver com a abertura (boca) para baixo e em movimento (Foto 6.5).
2) Após pesar e lançar os primeiros materiais na betoneira (Fotos 6.6 a 6.11), deve-
se misturá-los durante 5 minutos, com uma parada intermediária para limpeza das
pás das betoneiras (Foto 6.12). Ao final, verificar se é possível efetuar o abatimento
do tronco de cone, ou seja, se há coesão e plasticidade adequada (Foto 6.13).
3) Para a introdução dos materiais de modo individual dentro da betoneira, deve-
se obedecer a seguinte ordem: água (80%): agregado graúdo (100%); agregado
miúdo (100%); cimento (100%); restante da água e aditivo (se houver).
4) Após este procedimento, são realizados os acréscimos sucessivos de argamassa
na mistura, através do lançamento de cimento e areia (Fotos 6.16 e 6.17),
constantes das colunas de “acréscimo” da Tabela 6.6. A quantidade de agregado
graúdo na mistura não é alterada.
5) Para a definição do teor ideal de argamassa deve se realizar o procedimento
baseado em observações práticas e descrito a seguir, para cada teor de argamassa:
a) com a betoneira desligada, retirar todo material aderido nas pás e superfície
interna;
b) com uma colher de pedreiro, trazer todo o material para região inferior da cuba
da betoneira, introduzindo os agregados soltos no interior da mistura;
c) passar a colher de pedreiro (Foto 6.22) sobre a superfície do concreto fresco,
introduzir dentro da massa e levantar no sentido vertical (Foto 6.24). Verificar se
a superfície exposta está com vazios, indicando falta de argamassa;
d) introduzir novamente a colher de pedreiro no concreto e retirar uma parte do
mesmo, levantando-o até a região superior da cuba da betoneira. Com o material
nesta posição, verificar se há desprendimento de agregado graúdo da massa, o que
indica falta de argamassa na mistura. Após esta observação, soltar a porção de
concreto que está sobre a colher e verificar se a mesma cai de modo compacto e
homogêneo; o que indica teor de argamassa adequado;
e) para as misturas que apresentarem adequabilidade no procedimento descrito no
item anterior, sem vazios na superfície (Fotos 6.24 e 6.25) e sem desprendimento
de agregados (Foto 6.26) e queda do concreto de modo homogêneo e compacto,
Qt: de Areia QE de Cimento q: de Água ã
(kg) (kg) (kg) Relação Quantidade de Agregado
Teor
ae Traço Unitário ale Graúdo na Mistura
Massa | Acréscimo] Massa | Acréscimo) Massa | Acréscimo
massa
(%) (l:a:p) na na na Final
Total Mistura | Total Mistura | Total Mistura Total: 30 kg
35 | 1:1,10:3,90 8,46 4 7,69 Massa
Individual (kg) Yo
37 1:1,22:3,78 ge RaqrE
Pedra B. nº O
39 1:1,34:3,66 ioga Boop
Pedra B. nº 1
41 1:1,46:3,54 12:86 [E 8,47 [on |
Pedra B. nº 2
1:1,58:3,42 19,86 | apo | BT | ass |
45 1:1,70:3,30 15,45 9.09 [|

47 1:1,82::3,18 ZAP BÃO [ ama |


49 1:1,94:3,06 NON | aci | 980 [*=""==" Abatimento

51 1:2,06:2,94 21,02 10,20" [prsS==" 1

53 1 :2,18::2,82 23,19 10,64 [7770055


55 1:2,30:2,70 25,55 tight [PE
57 1:2,42:2,58 28,14 [7002004 11,63 [7200009

59 1:2,54:2,46 30,98 ERRO | ams 1


61 1:2,66:2,34 34,10 TED [ana ]

63 1 :2,78:2/22 37,57 13,51. [o


65 1:2,90:2,10 41,48 14,29
Tabela 6.6 — Determi naçã o do teor ideal de argamassa para traço 1,0 .. 5,0

Características do Concreto Consumo por nº


de Concreto
Teor de argamassa adotado (%)
1. Cimento: kg
Massa específica do concreto fresco (kg / né)
Teor de ar incorporado e/ou aprisionado (L / m?)
2. Água:

q|o|=
Abatimento obtido ( mm )
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 245
246 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

deve-se determinar o abatimento do tronco de cone (Foto 6.20). Caso o mesmo não
atinja a faixa estabelecida, deve-se acrescentar a quantidade de água suficiente;
f) após o ensaio de abatimento, estando ainda o concreto com o formato de tronco
de cone, deve-se bater suavemente na lateral inferior do mesmo, com auxílio da haste
de socamento, com o objetivo de verificar sua queda. Se a mesma se realizar de modo
homogêrieo, sem desprendimento de porções, indica que o concreto está com teor de
argamassa considerado bom (Foto 6.21);
£) na mesma amostra em que foi feito o ensaio de abatimento, deve ser observado
se a superfície lateral do concreto está compacta, sem apresentar vazios, indicando
também bom teor de argamassa (Foto 6.20);
h) outra observação a ser realizada é se ao redor da base de concreto com formato
de tronco de cone aparece uma camada de água oriunda da mistura. Esta ocorrência
evidencia que há tendência de exsudação de água nesta mistura por falta de finos, que
pode ser corrigida com mudança na granulometria da areia ou aumentando o teor de
argamassa;
i) o teor final depende ainda de um fator externo que é a possibilidade de perda de
argamassa no processo de transporte e lançamento (principalmente a quantidade
retida na fôrma e armadura, e quando se utiliza de bica de madeira). Este valor em
processos usuais pode ser estimado em 2% a 4% de perdas.
6) O teor final de argamassa no concreto é o definido nos itens anteriores, acrescido
da estimativa de perdas (Foto 6.23).
7) Realizar uma nova mistura com o traço 1:5,0, com o teor de argamassa definitivo
e determinar todas as características do concreto fresco, indicando na Tabela 6.6:
- relação água/cimento, necessária para obter a consistência desejada;
- consumo de cimento por metro cúbico de concreto;
- consumo de água por metro cúbico de concreto;
- massa específica do concreto fresco (Fotos 6.27 e 6.28);
- abatimento do tronco de cone.
8) Moldar sete corpos-de-prova cilíndricos (Foto 6.29) para ruptura às idades de:
três dias (1 cp), sete dias (1 cp), 28 dias (2 cp), 63 dias (2 cp) e 91 dias (1 cp).
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 247

Foto 6.4 — Porção de concreto utilizada para imprimar a superfície interna da betoneira,
quando do primeiro uso. Geralmente utiliza-se o traço 1:2:3, correspondente a uma massa
total > 6 kg

Foto 6.5 — Retirada do concreto utilizado para imprimar a betoneira. A betoneira em


movimento deve ter sua abertura voltada para baixo, a fim de permitir a saída do excesso de
concreto
ncreto
sa ge m € Co ntrole do Co
de Do
248 - Manual

Este
ra mi st u ra de concreto.
primei
ss a de c im en to utilizada na s
ma
erminação da pesar outros ma
tervar
Foto 6.6- Det i li za do pa ra
o deve ser ut
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utilizada
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ti da de in ic ial de água (g es po nd e à diferença entr
quan reto corr
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Foto 6. 7- Dete ág ua U ti li
dosagem. A cipiente
no estudo de restou n o re
iale a q ue
quanitidade inic
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 249

Foto 6.8 - Pesagem dos agregados graúdos e miúdos, em um único recipiente, para a primeira
mistura de concreto do estudo de dosagem

Foto 6.9 — Lançamento dos agregados no interior da betoneira


250 - Manual de Dosagem e Controle do Conc
reto

Foto 6.10 - Após a hom ogeneização inici


al na betoneira dos agregados graúdo, miúd
porção de água, lança -se todo o cimento o e uma
previsto para a mistura do concreto

Foto 6.11 — Lançamento de pequenas quan


tidades de água » Com o uso de proveta
a fim de obter a consistência graduada,
estabelecida para o concreto
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 251

Foto 6.12 — Detalhe da retirada do concreto aderido na superfície interna da betoneira. Este
procedimento só pode ser realizado com a betoneira desligada

Foto 6.13 — Aspecto da aparência do concreto da mistura inicial. A superfície apresenta-se


bastante áspera pela falta de argamassa. Esta avaliação deve ser realizada com auxílio
de uma colher de pedreiro
252 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Foto6.14-Determinação da consistência da mistura inicial, através do ensaio de abatimento


do tronco de cone. A superfície porosa do concreto mostra a grande falta de argamassa na
mistura

Foto 6.15 — Aspecto do concreto da Foto 6.14, após pequenas batidas laterais com a haste
metálica. O concreto apresenta-se com baixa coesão, devido a grande falta de argamassa
s Estruturais - 253
ir o Prá tic o par a à Dosagem dos Concreto
Rote

ionados ao
s” * de ar ga ma ssa que serão adic as
inação do s “acrésci mo
do s, a fim de evitar troc
Foto 6.16 — Determ * devem ser claram ent e id en ti fi ca
s 08 “acréscimos”
concreto. Todo
involuntárias

o do teor de
e ar ei a, co rr es po ndente ao acréscim
ento de cimento
Foto 6.17 — Lançam
a
argamassa da mistur
254 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Foto 6.18 —- Determinação da consistência do concreto após o aumento do teor de argamassa


da mistura. Observa-se que a superfície do concreto se apresenta com uma estrutura mais
compacta do que a da Foto 6.14

Foto 6.19 — Aspecto do concreto da Foto 6.18, após as batidas laterais com haste metálica.
Observa-se que o concreto ainda não apresenta a coesão ideal, pois os agregados graúdos
desprendem-se da massa, indicando falta de argamassa
- 255
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais

de argamassa na mistura. Observa-se


Foto 6.20 — Aspecto do concreto, após novo acréscimo
aspecto indica um concreto com teor
a superfície compacta, praticamen te sem vazios. Este
ideal de argamassa

pequenas batidas laterais com haste


Foto 6.21 — Aspecto do concreto da Foto 6.20, após
desprendimento de agregados graúdos.
metálica. Observa-se que o concreto está coeso, sem
de argamassa na mistura
Este fato indica que o concreto está com o teor ideal
ncreto
- Ma nu al de Dosa gem € Controle do Co
256

ssa, após
co nc re to co m o teor ideal de argama m
6. 22 — As pe ct o da superfície do
se rv a- se qu e à su pe rfície é compacta, se
Fo to eiro. Ob
lio da colher de pedr
nivelamento com auxí
nta áspera
vazios e não se aprese

teor
l (c om o teo r ide al de argamassa mais o
fi na
concreto considerado lançamento). Obse
rva-se o pequeno
Foto 6.23 - Aspecto do tr an sp or te e ão e
após sua movimentaç
de
rdas no processo ,
correspondente à pe su pe rf íc ie da co lh er
a que ficou retido na
excesso de argamass
na massa
pequena introdução
Roteiro Prático para a Do
sagem dos Concretos Est
ruturais - 257

Foto 6.24 — Introdução da


colh erna massa de concre
e vazios. Esta é uma ava to como objetivo de ver
ificar sua coesão
liação prática que indica
a qualidade do concreto

Foto 6.25 — Aspecto da superfície


superfície vertical comp do concreto ap Ós a ret
acta, sem apresentar irada da colher. Obse
vazios, indi rva-se a
concreto é adequado cando que 0 teor de arga
massa do
€ Controle do Concreto
258 - Manual de Dosagem

e que 0
por ção do con cre to, com auxílio de colher. Observa-s
Foto 6.26 — Retirada de uma e fato indica que
coe so, sem des pre ndi men to de a gregado graúdo. Est
concreto se apresenta
adequado de argamassa
o concreto apresenta teor

concreto no estado
ens aio de det erm ina ção da massa espec ífica do
Foto 6.27 — Aspect o do com vibrador de
hid o com dua s ca ma da s de concreto, adensadas
fresco. O recipiente é preenc and o -se o cuidado de não “perder”
muita pasta nem
de diâ met ro, tom
imersão de 25 mm
argamassa do traço
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 259

Foto 6.28 — Aspecto da etapa complementar do ensaio de massa específica do concreto no


estado fresco, que é a determinação da massa contida em um determinado volume. Observa-
se que a superfície do concreto está perfeitamente regularizada e a lateral do recipiente bem
limpa

Foto 6.29 - Aspecto da moldagem de um corpo-de-prova cilíndrico de 6150 x 300 mm, como
uso de vibradorde imersão de 25 mm de diâmetro. A fôrma é preenchida em uma única camada
de concreto
260 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

6.4.2 Obtenção dos traços auxiliares


A nova etapa do estudo de dosagem é produzir mais dois traços auxiliares, para
possibilitar a montagem do diagrama de dosagem, conforme apresentado em 6.3
deste Manual, Figura 6.1.
Os dois traços escolhidos apresentam uma variação de uma unidade e meia no teor
de agregado total, para mais e para menos, em relação ao traço 1:5,0, denominado
normal.
Prestar atenção ao fato de que os dois novos traços devem manter fixo o teor de
argamassa (0) e o abatimento do tronco de cone, determinados para o traço 1:5,0.
a) obtenção do traço mais rico (em teor de cimento)
Traço adotado: 1:3,5 (l:m)

a+p =3,5

1 + E a = “0+3,5)-1
————— =qQ —»
l+a+p. p= 35-a

onde o é o teor de argamassa seca do traço 1:5,0, já conhecido e a e p as


quantidades de areia e pedra do traço rico.
b) obtenção do traço mais pobre (em cimento)
Traço adotado: 1:6,5 (1:m)

a + p= 6,5 e

l+ a a=ao(l+65)-1
PP a=q —* Pp
l+a+p, p,=6,5-a,

onde o é o teor de argamassa seca do traço 1:5,0, já conhecido e a ep as


quantidades de areia e pedra do traço pobre.
Com o objetivo de facilitar o desenvolvimento do estudo de dosagem, apresenta-
se na Tabela 6.7 todos os traços já calculados correspondentes aos traços normal,
rico e pobre, para todos os teores de argamassa constantes da Tabela 6.6.
A única complementação que deve ser feita, quando necessária, será desmembrar a
parcela de agregado graúdo nas parcelas correspondentes a pedra britada nº 0, 1, 2...
etc.

c) misturas experimentais
Obtido os traços individuais, rico e pobre, devem ser realizadas as misturas
experimentais efetuando-se as seguintes determinações:
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 261

Tabela 6.7 — Traços experimentais

Traço 1:3,5 Traço 1:5,0 Traço 1:6,5


Teor
de Traço unitário Traço unitário Traço unitário
argamassa individual rico individual normal individual pobre
(%) lia :p, l:a :p, la :p,

35 1:0,58:2,92 1:1,10:3,90 1:1,63:4,87

37 1:0,67:2,83 1:1,22:03,78 1:1,78:4,72

39 1:0,76:2,74 1:1,34:3,66 1:1,93,4,57

41 1:0,85:2,65 1:1,46:3,54 1:2,08:4,42

43 1:0,94:2,56 1:1,58:3,42 1:2,23:4,27

45 1:1,03:2,47' 1:1,70:3,30 1:2,38:4,12

47 1:1,1222,38 1:1,82:3,18 1:2.533,97

49 E1,;21:2,209 1:1,94:3,06 1:2,68:3,82

sd 1:1,30:2,20 1:2,06:2,94 1:2,83:3,67

53 11,892 1:2,18:2,82 1:2,98:3,52

55 1:1,48:2,02 1:2,30:2,70 13 13:337

57 1:1,57:1,93 1:2,42:2,58 1:3,28:3,;22

59 1:1,66:1,84 1:2,54:2,46 1:3,43:3,07

61 1:1,7521575 1:2,66:2,34 1:3,58:2,92

63 1:1,84:1,66 1:2,78:2,22. 1:3,732,77

65 1:1,93:1,57 1:2,90:2,10 1:3,88:2,62

Obs.: Desmembrar a parcela de pedra Traços experimentais definitivos


britada, nas frações p,, P,, P,, conforme
adotado anteriormente. 1:3,3 J:

1:5,0 ló

1:6,5 E:
262 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

- relação água/cimento, necessária para obter a consistência desejada (abatimento);


- consumo de cimento por metro cúbico de concreto;
- massa específica do concreto fresco;
- abatimento do tronco de cone.

d) moldar sete corpos-de-prova cilíndricos para ruptura às idades de três dias


(1 cp), sete dias (1 cp), 28 dias (2 cp), 63 dias (2 cp) e 91 dias (1 cp)

e) preencher a Tabela 6.8

6.4.3 Obtenção de traço especial muito rico e muito pobre


|) Quando ocorrer da relação água/cimento necessária obtida a partir das curvas
teóricas, cair fora do intervalo estudado e coberto pelos traços rico e pobre, há
necessidade de construir um traço muito pobre ou muito rico que inclua essa
relação a/c.
2) Todo traço que se afaste mais de 1,5 ponto do traço 1:5,0, ou seja, menor que
1:3,5 ou maior que 1:6,5, é considerado muito rico ou muito pobre.

3) Nesse caso deve-se proceder a novo estudo de teor ideal de argamassa,


podendo-se, por simplificação, adotar um acréscimo de dois pontos porcentuais
para cada 0,5 de acréscimo de traço, além de 1:6,5.

4) Quando o traço é mais rico que 1:3,5, deve reduzir de dois pontos porcentuais
no teor de argamassa para cada 0,5 ponto de decréscimo de traço, abaixo de 1:3,5.

6.4.4 Determinação da correlação entre consumo de cimento e traço


Com os dados obtidos na parte experimental, podemos determinar a correlação
baseada na “Lei de Molinari”.
1) Traços experimentais e consumos de cimento obtidos:

Y
à 3 = Ba ae). —s (=
r
l+a+p, + (a/c),

Y
b. 1:50 — 1:a:p; (a/c) =— C=
1+ã + p+ tale)

Y
c. 1:65 — Jiasp; (a/c) > C= Ê
RCE R P 1+a+p, + (a/c),
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 263

Tabela 6.8 — Misturas experimentais

Interessado: Certificado nº:

Referências:

Temperatura da sala: Umidade da sala: Yo


Número T- T- T- T-
Traço em em
massa
tra: py: po
Teor de argamassa %

Agregado Graúdo kg
Agregado Graúdo kg
Agregado Miúdo kg
Cimento kg

Água kg
Aditivo
Concreto + Tara kg

Tara (kg) / Volume(dm?)


Massa específica kg/m
Consumo por [Cimento kg
m? de concreto| Água L
Relação a/c

Abatimento do tronco

de cone (NBR 7223) (mm)

Nº dos corpos-de-prova
Data de moldagem
Teor de arincorporado %
Ind. | Méd.| Ind. | Méd. | Ind. | Méd.| Ind. | Méd.
Resistência a dias

à compressão 7 dias
axial à idade 28 dias

(MPa) 63 dias
91 dias

Data do registro: Operador:


264 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

2) Correlações:
1.000
Baseada na equação de “Molinari”, C=-————— —s para o mesmo abatimento,
temos: k+k.m

1.000
aC=>-———
k +k.3,5

1.000
bC=—————
k+k,. 5,0

e. = AO
k+k,. 65
1.000

pelo método dos mínimos quadrados obtém-se:


k=Q-k,.5,0

IR l
onde: Q = 000 ! + Í +
3 C. ko C,

100 l l
k = 0,3 Cc ” Cc.

6.5 Traço Definitivo


6.5.1 Diagrama de dosagem
Com os dados obtidos no estudo experimental e resumidos na Tabela 6.8, deve-se
construir as correlações entre traço de concreto e relação água/cimento, m = f
(a/c); consumo de cimento e traço, €C = f (m), utilizando-se da Figura 6.5.
A construção destas correlações dá origem ao chamado Diagrama de Dosagem, que
é válido somente para o mesmo tipo e classe de cimento.
O Diagrama de Dosagem da Figura 6.5 difere do apresentado na Figura 6.1, em 6.3
deste Manual. A diferença introduzida refere-se unicamente na separação do
quadrante superior, à direita, em função da mudança para a escala logarítmica do
eixo das ordenadas, o que facilita o traçado das curvas (tornam-se retas) e melhora
sua precisão.
As Figuras 6.2, 6.3 e 6.4 apresentam desenhadas as curvas de correlação entre
relação a/c e resistência à compressão axial, para os Cimentos Portland comun CP-
32, alto-forno AF-32 e pozolânico POZ-32. Estas curvas de referência permitem a
obtenção do traço inicial, logo após o término do estudo experimental, sem a
necessidade de aguardar a ruptura dos corpos-de-prova à idade de 28 dias (ou
mais). As equações das correlações são apresentadas em 6.3.4.
Rateiro Prático nara a Dosagem dos Concretos Estruturais - 265

|- Correlação entre resistência à compressão axial (f.) e relação água/cimento


íc
(MPa)

60

50

40

30

20

10

0,35 0,40 0,45 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 Relação a/c

Il - Correlações entre a relação água/cimento; traço unitário e consumo de cimento

Consumo de cimento (kg/m?) Relação a/c


500 450 400 350 300 250 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70

Traço Unitário (1:m)

Figura 6.5 — Diagrama de dosagem


266 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

6.5.2 Parâmetros do traço definitivo


Esta pode ser considerada como a etapa final do estudo de dosagem, onde é obtido
o traço do concreto que corresponde às premissas adotadas em 6.3 deste Manual
e resumidas na Tabela 6.5.
Como já: foi dito, pode-se obter logo após o estudo experimental um traço, que
permite iniciar a produção do concreto com bastante segurança, no sentido de
atender os parâmetros desejados.
Para efeito deste programa de trabalho, vamos denominar o traço inicial de traço
definitivo.
Portanto, a Tabela 6.9 apresenta os parâmetros do traço definitivo com as indica-
ções necessárias para a obtenção dos dados que a compõe.

Tabela 6.9 — Parâmetros do traço definitivo

| - Resistência característica do projeto


fu (MPa) (tabela 6.5)

2 - Resistência de dosagem
fi (MPa) (tabela 6.4)

3 - Relação água/cimento
obtida da equação de correlação com a resistência de
dosagem (f ap) É 6.3.4) ou do diagrama de dosagem (6.5.1)

4 - Relação água/cimento
obtida em função dos parâmetros de durabilidade (6.3.2 )

5 - Relação água/cimento adotada


escolher a menor das duas anteriores

6 - Traço unitário (l:m)


obtido do diagrama de dosagem (6.5.1)

7 - Teor de argamassa seca


adotado no estudo experimental (tabela 6.6)
a=(I+ai(l+m)

8 - Traço unitário individual definitivo (1:a:p,:p,)


utilizar equações do item 6.4.2
a=atl+m-l
p=a-m

9 - Consumo de cimento (kg/m?)


obtido da equação de correlação com o traço definitivo
(644) ou diagrama de dosagem (6.5.1)

10 - Abatimento do tronco de cone (mm)


Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 267

6.5.3 Correção do traço


Deve ser observado que, após a ruptura dos corpos-de-prova nas idades estabelecidas
(Figura 6.5), os resultados devem ser confrontados com os das curvas de referência
(Figuras 6.2, 6.3 e 6.4). A necessidade de correção ou não do traço vai depender dos
valores obtidos e do sistema de produção do concreto (avaliar a resistência e o
desvio-padrão), ficando a decisão ao profissional responsável. Recomenda-se obser-
var que a resistência efetiva do concreto (Figura 6.5 superior) esteja próxima do valor
de referência ( Figuras 6.2, 6.3 e 6.4 ) num intervalo máximo de +s a (desvio-padrão
adotado na dosagem).
Para auxiliar esta decisão apresenta-se a seguir um roteiro orientativo, considerando-
se que não existem modificações nos agregados:

Condições Justificativa Providências

L- Ley E ta 1- O cimento apresenta resul- 1 - Verificar se o traço está correto;


e tados inferiores ao da mé- 2. Seo traço está correto, modifi-
s.<s, dia esperada; cai com aumento do consumo;
2- O traço de concreto pode 3 . Mudar de fabricante de cimento
estar errado. (quando for possível).
E = E tou E f , 1- A produção de concreto não 1 - Mudar o traço com aumento do
ckes c É é
e está conforme o planejado. consumo;
AS E 2 - Melhorar a produção de concre-
ds to.

3-Loa> f, 1-0 cimento está na média 1 - Manter o traço;


e esperada; 2 - Manter o fornecedor do cimen-
8, ES, 2 - A produção de concreto está to;
conforme esperado. 3 - Manter o sistema de produção.
4 fa > ft, 1-O cimento apresenta-se 1 - Melhorar a produção de concre-
GR com resultados acima da to;
Ss >sS média; 2 - Manter o fornecedor do cimen-
q E 2- O traço de concreto pode to:
estar errado;
o . 3 - Verificar se o traço está errado.
3- A produção do concreto não s
está conforme planejado.

5-L4>115f, 1-O cimento apresenta-se 1 - Verificar se o traço está errado;


E com resultados acima da 2 - Se o traço está correto, modifi-
s <s, média; car com diminuição do consu-
2- O traço de concreto pode mo;
estar errado, 3 - Mantero fornecedor de cimento.
Obs: Di. E resistência característica do concreto estimada;
2) 8, = desvio-padrão, oriundo dos resultados da produção de concreto;
3/8, = desvio-padrão de dosagem, adotado conforme os critérios de 6.3.3
deste Manual.
268 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

6.5.4 Traço definitivo em massa e o custo para produzir 1 mº de concreto


A Tabela 6.10 apresenta o traço definitivo em massa, necessário para a produção
de 1 mº de concreto. Esta tabela também resume as quantidades necessárias de
areia e água, devido às variações do teor de umidade da areia na obra, com o
objetivo de manter constante a relação água/cimento.
O limite superior estabelecido para o teor de umidade da areia é de 7%. Acima
deste valor, considera-se impróprio o uso da areia, pois existe muita água livre e
em movimentação no sentido do topo para a base da pilha, acarretando forte
gradiente de umidade e consegiientemente dificuldades na determinação correta do
seu teor.
A Tabela 6.11 apresenta a segiiência necessária para obter-se o custo correspon-
dente, para a produção de 1 mº de concreto.

6.5.5 Traço em volume para a produção do concreto em betoneira de até 580 litros
A Tabela 6.12 apresenta a segiiência necessária para obter-se o traço em volume
para a produção de concreto em betoneiras de até 580 litros.
Para uso adequado dessa tabela, deve-se partir do princípio de utilização de
números inteiros de sacos de cimento e nunca fracionados, ou seja, o cimento
sempre deve ser medido em massa.
A tabela mostra, no item 6.12.1, a correção da quantidade de água em função da
variação do teor de umidade da areia na obra, limitado em 7% como máximo
admitido.

Como orientação, as caixas de medidas dos materiais quando cheias devem


corresponder a uma massa máxima de 50 kg para cada operário, quando o sistema
adotado for de padiola e transporte manual.

6.5.6 Tabelas complementares


Com o objetivo de facilitar e padronizar as informações necessárias para o
fornecimento do traço de concreto para a Usina ou para a obra, sugere-se os
modelos constantes da Tabela 6.13 — Pesagem dos materiais e Tabela 6.14 — Traço
do concreto em volume.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 269

Tabela 6.10 — Traço definitivo, em massa, para produzir 1 mº de concreto

Resistência de projeto (f..) MPa

Proporção entre agregados graúdos


(pedra britada 1/2) %

Traço unitário total (1:m) | é

Traço unitário individual (l:a:p,:p,) | k 3

Relação água/cimento kg/kg

Teor de argamassa seca %


Cimento kg

Areia seca kg
Traço em massa
para produzir Pedra britada 1 kg
1,0 mº de concreto .
Pedra britada 2 kg

Água (AT) kg
Aditivo kg

Teor de umidade Quantidade Quantidade de


na areia (%) de areia (Ph) kg água (AL) litros

2
Correções nas
quantidades de Areia
ja | E/O

e da Água, em função
JOS

da variação do teor
de umidade da areia

Obs.: 1) Ph=Ps (190+h)


100
2) AL=AT-
(Ph - Ps)
onde:
Ph = massa de areia úmida;
Ps = massa de areia seca;
AT = massa de água total, considerando a umidade da areia igual a zero;
AL = água lançada na betoneira;
h =teor de umidade da areia.
270 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 6.11 — Custo para produzir Im” de concreto (materiais)

Traço | Massa unitária | Traço | Custo unitário | Custo para


Materiai em (kg/m?) e em | dos materiais |a produção
atertalS | massa | coeficiente médio | volume por | por | de Im
(kg) | de inchamento | (m”) | kg m' |de concreto

Cimento — — as

Areia O

Pedra britada 1 dj
ad
Pedra britada 2 —

Água =
eek

Aditivo ça

Custo total =

Obs.: (*) valor obtido através da equação V = e Cl:

. A A Pp

(**) valor obtido através da equação Y, =


Pp

(*=*) valor obtido através da equação v,, = = ;


ad

onde: V. = volume da areia com a umidade crítica;


P = massa da areia no estado seco;
ô, = massa unitária da areia no estado seco;
C.I. = coeficiente médio de inchamento da areia;
V, = volume do agregado graúdo;
E = massa do agregado graúdo;
Õ, = massa unitária do agregado graúdo;
Va = volume do aditivo;
P, = massa do aditivo;
ô. = massa unitária do aditivo.
E
so
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 271

Tabela 6.12 — Traço em volume para a produção do concreto em betoneira de até 580 litros

Traço em: Caixas para medidas dos materiais


Material | Massa Massa |Volume| Quantidade | Dimensões (cm)
seca (kg)| unitária | (litros)
(kg/dmº) e
coeficiente
médio de
inchamento

Cimento

Areia

Pedra
britada 1
Pedra
britada 2

Água (AT)

Aditivo

6.12.1 — Tabela para correção da quantidade de água

Umidade da areia (%) 2 3 4 a 6 7


Água a ser lançada(AL)
na betoneira (litros)

6.12.2 - Características do concreto

Traço unitário individual (l:a:p :p,) E


Relação água/cimento
Abatimento do tronco de cone = mm
Consumo de cimento para 1 mº de concreto kg

Obs.: AL=AT=(R E)
onde: 100
AL = água lançada na betoneira;
AT = água total, considerando a umidade da areia igual a zero;
Ps = massa de areia seca;
h = teor de umidade da areia.
Obra: Local: Usina:
fk = MPa
Traço nº: Procedência dos Materiais
fazB = MPa

Unitário em massa. materiais secos 1: Massa específica “kg/m | + Cimento Classe, Tipo, Marca
1,00: Abatimento — mm * Areia Porto, Município
Argamassa Yo Teor: % * Pedra Britada
Aditivo 3 Pedreira, Município
Relação água/cimento: Massa específica — — g/dm * Aditivo Tipo, Marca, Fabricante

Volume de Concreto
0,5 m? 1,0m? 30mP 40m
Areia Água Areia Água Areia Água Água Areia

Umidade
272 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

da

Areia
(%)

-/N/O<[|10]
Tabela 6.13 — Pesagem dos mat: eriais — traço em massa

<<] Mm
Pesagem dos
materiais Indiv. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum. Acum. Indiv.

Brita nº
Brita nº
Brita nº
Areia úmida

Cimento

Aditivo
Interessado Obra

Técnico Município Data

Traço nº
fok = MPa fdoB = MPa

Referência Olginal
[] Sim [|] Não Em caso negativo informar o motivo da alteração e qual a tabela que contém o traço original:

Traço em Massa unitária Caixa


Material dos agregados Procedência ou marca dos materiais Nº Int.
Massa
Mat, Seco Volume kg / dnê Qtde. Dimensões (cm)

Cimento Road kg saco


Classe
Areia kg do

kg ai

Pedra Britada nº 1 kg dm
Tabela 6.14 — Traço do concreto em volume

Pedra Britada nº 2 kg dê
3
kg dm

Água dr dei
Aditivo kg ame

Umidade crítica da areia : % Pedra Britada nº 1 Ya Características Físicas


Traço unitário 1,00: alo: Pedra Britada nº 2 Fo do Concreto Fresco

1,00:
Massa
Argamassa : % Dimensão máxima característica da mistura mm específica kg /mÊ

M.F. do agregado miúdo: M.F. dos agregados graúdos:


+H

Tabela para correção da quantidade de água Abatimento mm

Umidade da areia (%) 0,0 1,0 2.0 3,0 4,0 5,0 6,0 70
Consumo de
Água a ser lançada cimento kg im
(litros)
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 273
274 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

6.6 Recomendações para a Avaliação Técnico-Econômica de Aditivos


6.6.1 Identificação dos materiais
- Cimento Portland que está em uso na obra
- Agregado miúdo que está em uso na obra
- Agregado graúdo que está em uso na obra
- Aditivo redutor de água (plastificante)
- Aditivo redutor de água (plastificante) — retardador

6.6.2 Conceito

Os aditivos redutores de água devem economizar cimento, mantendo uma mesma


consistência, relação água/cimento e resistência à compressão.
O diagrama de dosagem deve apresentar a conformação indicada na Figura 6.6.

f é

(MPa) t

91 dias

63 dias

28 dias

7 dias

3 dias
—+»

C (kg/mê) a/c (kg/kg)

abatimento
y (mm)

abatimento
y (mm)

(ko) y
Figura 6.6 — Diagrama de dosagem de concretos com e sem aditivo
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 275

6.6.3 Análise experimental - traço da obra


a) Imprimar a betoneira com o traço da obra.
b) Pesar e misturar os materiais, sem aditivo, determinando massa específica, teor
de ar, abatimento do concreto fresco, relação a/c e consumo de cimento.
c) Pesar e misturar novas porções de materiais com o traço da obra, adicionando
à água de amassamento o aditivo. Se realmente se tratar de aditivo redutor de água
(plastificante) o abatimento deverá ser maior que o anterior.
d) Mantendo a betoneira coberta com saco úmido de aniagem, adicionar areia e
pedra e manter o cimento e a água (mesma relação a/c). Adicionar areia e pedra
mantendo o mesmo teor de argamassa seca, ou seja:
traço sem aditivo: l:a:p = a/c
traço com aditivo: harp. a/c
amde: l+a o l+a,
l+a+p | a, +p;
a>a

Rd
Aumentar na proporção de 5% a mais de areia, de cada vez (tentativa) até que a
consistência seja a mesma do traço sem aditivos.
“a =1,05.a

p=P[.1L+105.a
l+a

e) Medir as seguintes características:


- massa específica
- teor de ar
- abatimento
- relação a/c
- consumo
f) Moldar dois corpos-de-prova para sete dias, dois para 28 dias e dois para 63
dias.

6.6.4 Critério
a) O critério deve ser comparativo entre os diversos aditivos que estão sendo
estudados. Evidentemente sempre: custo do concreto com aditivo/custo do concre-
to sem aditivo.
276 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

b) O teor de ar do concreto com aditivo deve ser menor ou igual a 1,25 o teor de
ar do concreto sem aditivo e a resistência à compressão deve ser a mesma (admite-
se variação de + 6%).
c) Em alguns casos excepcionais nos quais se deseja concretos com propriedades
especiais e de baixo consumo poder-se-á admitir o custo do concreto com aditivo
levemente superior ao sem aditivo.

6.7 Exemplo de Dosagem de Concreto


Para exemplificar a aplicação dos conceitos anteriormente apresentados, vamos
escolher uma estrutura de concreto que tem as seguintes características:

6.7.1 Exigências do projeto estrutural

a) Resistência característica do concreto: f, 2 21 MPa.


b) A estrutura é composta de peças protegidas e sem risco de condensação de
umidade ([Link]).
c) A Figura 6.7 apresenta as dimensões e armaduras das peças estruturais.

100 Dimensões
| | das
Peças (mm)

250
Pilar

150

Laje | 80

Viga
400

—te
++
40 s'escala

150

Figura 6.7 — Dimensões e armaduras das peças estruturais


Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 277

6.7.2 Informações da obra

a) O cimento utilizado é o CP-32.

b) O adensamento do concreto é mecânico, com o uso de vibrador de imersão.

c) O lançamento do concreto é do tipo convencional (sem bomba).

d) A produção de concreto é a volume, com controle rigoroso da umidade dos


agregados e equipe de produção bem treinada.

6.7.3 Seqiiência para a solução do problema


Para determinar o traço de concreto adequado à execução desta estrutura, deve-se:
a) Definir as características básicas para o estudo de dosagem (Tabela 6.5).

b) Determinar o teor ideal de argamassa na mistura, utilizando-se o traço 1:5,0


(6.4.1).
c) Realizar três misturas experimentais com os traços 1:3,5, 1:5,0 e 1:6,5, com
moldagem de corpos-de-prova (6.4.2).
d) Com os dados obtidos no item c, montar o diagrama de dosagem, definindo as
correlações entre resistência à compressão axial (E) e relação água/cimento (a/c);
traço de concreto (l:m) e relação água/cimento; consumo de cimento (C) e traço
de concreto (6.5.1).

e) Através do diagrama de dosagem, escolher o traço definitivo que melhor atende


às exigências do projeto e da obra (6.5.2).
f) Com o traço unitário definitivo calcular o traço em massa para a produção de
| mº de concreto e o custo correspondente (6.5.4). Se necessário, calcular o traço
em volume (6.5.5).

6.7.4 Solução
a) Definir as características básicas para o estudo de dosagem
Para o preenchimento da Tabela 6.5, deve-se seguir a segiiência de itens nela
definida:
Item 1 — Número da dosagem:
e deve-se anotar o número da dosagem ora em desenvolvimento;

Item 2 — f.. (projeto):


e deve-se anotar o valor da resistência característica do concreto, fornecido pelo
calculista, que no exemplo é de 21 MPa;
278 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Item 3 — Elementos estruturais em que o concreto será aplicado:


e neste exemplo adota-se a aplicação do concreto nas três peças estruturais
apresentadas: pilares, vigas e lajes;
Item 4 — Espaçamento entre barras de aço:
e deve-se anotar o menor espaçamento existente nas peças, no local designado na
Tabela 6.5 como crítico, que no exemplo corresponde a 22 mm. No local
denominado predominante anotar o valor de 2 40 mm (vide Figura 6.7). Em
determinados projetos, a existência de pequenos trechos considerados como críti-
cos pode indicar como uma solução mais econômica a definição de um traço de
concreto específico para esta região e outro para o restante da estrutura, conside-
rando-se que concretos com agregados de menores dimensões consomem mais
cimento por metro cúbico e, portanto, são mais caros;

Item 5 — Dimensão máxima característica do agregado graúdo:


e para a definição da dimensão máxima característica do agregado graúdo, deve-
se adotaro menor valor entre ([Link]):

< 1/3. da espessura da laje = DasRa =27 mm

< 1/4. distância entre as faces das fôrmas > DaÍ = = 37,5mm

< 0,8 . espaçamento entre as armaduras > D,$0,8.40 =32 mm


no sentido horizontal

< 1,2 . espaçamento entre as armaduras —> Dar <1,2.22 = 264mm


no sentido vertical

Portanto, o valor adotado é o de 26,4 mm e o agregado graúdo que atende a esta


condição é a pedra britada nº 2, que tem a dimensão máxima característica de
D = 25 mm;

Item 6 — Abatimento do tronco de cone:

e a partir da Tabela 6.3 em 6.3.2 pode-se escolher o valor do abatimento em


função dos elementos estruturais e taxa de armadura. Para o exemplo, que adota
como elementos estruturais os pilares, vigas e lajes e considerando a quantidade de
aço como pouco armada, pode-se adotar o valor para abatimento de 60 + 10 mm;

Item 7 — Cimento:

e neste item deve-se anotar a marca, tipo e classe do cimento, que vai ser
efetivamente utilizado na obra. As modificações do tipo e classe do cimento
implicam alterações do traço do concreto;
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 279

Item 8 — Relação água/cimento (em função da durabilidade da estrutura):


e a partir de [Link] e das informações de projeto é possível escolher o valor da
relação água/cimento em função do parâmetro de durabilidade. Outros valores
podem ser adotados em função da estrutura a ser executada. No exemplo, adotou-
se a relação água/cimento < 0,65 (vide 6.7.1);

Item 9 — Desvio-padrão de dosagem:


e a partir de [Link] das informações da obra em 6.7.2 pode-se adotar o
valor de s,= 4 MPa;
Item 10 — Resistência de dosagem:
e em 6.3.3.d, a partir da resistência característica do concreto (f.,) e do desvio-
padrão adotado, determina-se o valor para a resistência de dosagem (f)). No
exemplo, para f, 2 21 MPa es, = 4 MPa, obtém-se o valor de f, = 27,5 MPa, que
foi aproximado para f, = 28 MPa para facilitar o andamento do exemplo;
Item 11 — Relação água/cimento (em função da resistência de dosagem):
e a partir das equações de correlação apresentadas em 6.3.4.a, para o cimento CP-
32 e da resistência de dosagem estabelecida no item 10 (f = 28 MPa), obtém-se o
valor da relação água/cimento, para a idade de 28 dias. No exemplo, o valor obtido
da relação água/cimento é igual a 0,58, ou seja:

92,8
a/c=1,[Link]—— = 0,58
28
Este valor aproximado pode ser obtido também graficamente a partir da Figura 6.2.;
Item 12 — Aditivo:
e deve-se incluir neste item o nome do fabricante, tipo, marca e proporção do
aditivo a ser efetivamente utilizado. A modificação do aditivo implica possível
alteração do traço de concreto. No exemplo não se usa aditivo;
Item 13 — Idade de ruptura dos corpos-de-prova:
e neste item deve ser anotada a idade efetiva do controle da resistência do
concreto, que tradicionalmente se refere a 28 dias. No caso de peças pré-fabricadas
protendidas e outras, as idades podem ser modificadas. No exemplo adotou-se a
idade de 28 dias;

Item 14 — Estimativa de perda de argamassa no sistema de transporte e lançamento


do concreto:
e esta estimativa é subjetiva e depende da experiência do engenheiro responsável
para avaliar a perda de argamassa do concreto. Os valores apresentados em 6.3.2.h,
de 2% a 4%, podem ser modificados em função das características de cada obra.
No exemplo, adotou-se o valor de 2% de perda de argamassa;
280 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Item 15 — Traço para a primeira mistura experimental:


e através das definições das características básicas para o estudo de dosagem,
pode-se partir para a primeira parte experimental que é a determinação do teor ideal
de argamassa do concreto, utilizando-se de traço igual a 1:5,0.

b) Determinar o teor ideal de argamassa na mistura, utilizando-se concreto com o


traço igual a 1:5,0
Para iniciar esta primeira etapa experimental é necessário definir as proporções
entre os agregados graúdos a serem utilizados na mistura. A partir da metodologia
apresentada em 6.2.3.e e Tabela 6.2, pode-se chegar a um valor considerado
adequado para diferentes tipos de agregados.
No exemplo, adotou-se as proporções de 30% e 70% para as pedras britadas
n* Le 2
A partir desta definição, com auxílio da Tabela 6.6 e seguindo a segiiência de
atividades constantes em 6.4.1, determina-se na primeira mistura experimental o
teor ideal de argamassa.
Deve-se lembrar que o teor de argamassa definitivo é o que leva em consideração
o acréscimo em função das perdas no sistema de transporte e lançamento do
concreto. No exemplo, o valor considerado ideal foi de 49% de argamassa, mas o
valor definitivo adotado foi de 51%.
Como orientação para a escolha do teor inicial de argamassa da Tabela 6.6, pode-
se dizer que as areias finas proporcionam teores de argamassa menores e as areias
grossas apresentam teores maiores.
Em determinados casos é viável a utilização de misturas de areias (fina + grossa),
com o objetivo de corrigir distorções nos traços e diminuir o custo do concreto,
desde que a aplicação na obra também confirme esta viabilidade. A Tabela 6.6.A
resume os valores encontrados no exemplo.

c) Realizar três misturas experimentais com os traços 1:3,5; 1:5,0 e 1:6,5


Com o valor obtido do teor ideal de argamassa para o traço 1:5,0 pode-se, a partir
da Tabela 6.7, definir todos os três traços unitários individuais (rico, normal e
pobre).
Nos traços obtidos deve-se fazer o desmembramento da fração agregado graúdo,
na proporção adotada na Tabela 6.6.4.
No exemplo, para o teor de argamassa igual a 51% e a proporção entre as pedras
britadas nº1 e 2 de 30 e 70%, obteve-se os seguintes traços unitários individuais:
e traçorico (1:3,5) =1,0:1,30:0,66:1,54
e traço normal (1:5,0)= 1,0 : 2,06 : 0,88 : 2,06
e traço pobre (1:6,5) = 1,0:2,83:1,10:2,57
(cimento: areia: pedra britada 1: pedra britada 2)
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 281

Tabela 6.5.4 — Resumo das características básicas para o estudo de dosagem - Exemplo

Itens Definições

1 - Número da dosagem 01

2-f., (projeto) - MPa 21

3 - Elementos estruturais em que o concreto será


Vigas; pilares e laje
aplicado

4 - Espaçamento entre as barras crítico 22 »


de aço (mm) predominante 240

5 - Dimensão máxima característica do agregado


graúdo adotado (mm)

6 - Abatimento adotado (mm)

7 - Cimento; marca, tipo e classe Votoran, CP - 32

8 - Relação água/cimento (em função da durabilidade 0,65


da estrutura)

9 - Desvio-padrão da dosagem (MPa) 4,0

10 - Resistência de dosagem (MPa) (27,5) 28,0

11 - Relação água/cimento (em função da resistência


0,58
de dosagem)

12 - Aditivos; marca, tipo e proporção =

13 - Idade de ruptura dos corpos-de-prova (dias) 28

14 - Estimativa de perda de argamassa no sistema de 20


transporte e lançamento do concreto (%) Ê

15 - Traço (1: m) para a primeira mistura experimental 1:50


(kg/kg)

Obra: Edifício Princesa Data: 17/04/90


q! de Areia Q!- de Cimento qe de Água E
Teor (kg) (kg) (kg) Relação Quantidade de Agregado

Arga- Traço Unitário aic Graúdo na Mistura


massa Massa Acréscimo Massa Acréscimo Massa Acréscimo
(1:a:p) na na na Final
(%)
Total Mistura Total Mistura Total Mistura
Total: 30 kg
35 1:1,10 :3,90 8,46 4 7,69 4 3,9 Massa
1 pa 0,25 cf
scr 2] e— uu Individual (kg) %
37 1:1,22:3,78 9,681 7,944
Da 0,26 Pedra B. nº O - -
39 1:1,34:3,66 10,99% 8,20*|
0,27 Pedra B. nº 1 9,0 30
Tabela 6.6.4 — Determi naçã

41 1:1,46:3,54 12,36 | 8,47


0,30 Pedra B. nº 2 21,0 70
43 1:1,58:3,42 13,86 | 8,77
0,32
45 + 1,70 :3:30 15,45 [ 9,09
0,34
47 1AB2:ss | 17 F 9,43
0,37
49 1:1,94:3,06 19,02 1 9,80 Abatimento
0,40
282 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

51 1:2,06:2,94 21,02 F 10,20 - em) SÊ 7 0,47


0,44
53 1 12/16::2,82 23,19 T 10,64
0,47
55 1:2,30::2,70 29,08 | 11,11
0,52
57 1:2,42:2,58 28,14 F 11,63
0,57
59 1:2,54:2,46 30,98 |” 12,20
0,62
61 1:2,66:2,34 3410 12,82
0,69


63 12,78: 2.22 37,57 [| 13,51
0,78
65 1:2,90:2,10 41,43 14,29

Características do Concreto Consumo por nº


de Concreto


Teor de argamassa adotado (%) Di
Massa específica do concreto fresco (kg / mê ) 2.375 1. Cimento: 367 kg
2. Água: 172 L
o do teor ideal de argamassa para o traço 1,0 “ e 5,0 — Exemplo

Teor de ar incorporado e/ou aprisionado (L/m Ss 20 (2%)

Q|
o |
Abatimento obtido ( mm ) 65
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 283

Com estes valores pode-se preencher a Tabela 6.8.A e dar continuidade ao estudo
de dosagem, realizando as três misturas experimentais.
As quantidades indicadas na Tabela 6.8.4, para agregados graúdo e miúdo e
cimento correspondentes a cada mistura, devem ser lançadas integralmente na
betoneira, ficando somente a parte referente a água, que deve ser determinada em
função de pequenos acréscimos sucessivos, até atingir a faixa definida para o
abatimento do tronco de cone.

Nas misturas experimentais são importantes as determinações de:


e massa específica do concreto no estado fresco;
e consumo de cimento por metro cúbico de concreto;
e consumo de água por metro cúbico de concreto;
e relação água/cimento;
e abatimento do tronco de cone:
e teor de ar incorporado (importante para concretos com aditivos).

Os valores obtidos devem ser anotados na Tabela 6.8.4.


Para definição da quantidade de cimento necessária para cada mistura, parte-se da
seguinte equação:

C - — massa de concreto total


l +m

onde:

e C = quantidade de cimento necessária para cada mistura;

e massa de concreto total = quantidade necessária para moldar todos os corpos-


de-prova e realizar todos os ensaios previstos (por exemplo: massa específica);
e massa de concreto necessária para preencher um corpo-de-prova = 13 kg;
e massa de concreto para realizar o ensaio de massa específica = volume do
recipiente x 2,4 kg/dm;
e traço unitário da mistura a ser realizada = 1 + m.

No exemplo, tem-se:
- massa de concreto para moldar seis corpos-de-prova = 6 x 13 = 78 kg
- massa de concreto para o ensaio de massa específica = 8 (volume do
recipiente, litros) x 2,4 = 19,2 kg
- massa de concreto total = 78 + 19,2 = 97,2 kg — 100 kg
284 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 6.8.4 — Misturas experimentais — Exemplo


Interessada: Encol Certificado nº 18

Referências: Edifício Princesa

Temperatura da sala: 25 ºC Umidade da sala: 80%


Número T=1 T-2 T-3
Traço em massa lim 1:35 1:50 1:6,5
lia:p;:Pp, 1:1,30:0,66:1,54 | 1:2,06:0,88:2,06 | 1:2,83:1,10:2,57
Teor de argamassa % 51 51 e]

Agregado graúdo 1 kg 15,18 14,96 15,40

Agregado graúdo 2 kg 35,42 35,02 35,98

Agregado miúdo kg 29,90 35,02 39,62

Cimento kg 23,00 17,00 14,00

Água kg 8,05 8,00 8,20

Aditivo a = -

Concreto + tara kg 23,20 23,00 22,90

Tara (kg) / volume (dm?) 4,0/8,0 4,0/8,0 4,0/8,0

Massa específica kg/m” 2.400 2.375 2.363

Consumo por mº Cimento kg 495 367 292


de concreto Água ! 173 172 172
Relação água/cimento 0,35 0,47 0,59

Abatimento do tronco de cone 70 70 70


(NBR 7223) mm

Número dos corpos-de-prova 1la7 8al4 15221

Data de moldagem 17/04/90 17/04/90 17/04/90


Teor de ar incorporado % 2.0 20 2,0

Ind. Méd. Ind. Méd. Ind. Méd.


3 dias 25 17 10
Resistência à compressão 7 dias 33 23 17
axial à idade (MPa) 28 dias 43/44 43 33/34 33 26/27 26
63 dias 48/49 48 37/38 a” 30/31 30
91 dias 51 42 31
Data do registro: 08/04/90 Operador: Reginaldo
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 285

portanto, para:

100
- traço rico (1:3,5) > C= E 222kg > 23kg

- traçoç normal (1:5,0)


> >» C=—
dO
[+50 O ciggkgir > 17k E
100
- traço pobre (1:6,5) > C=
“IES =133kg > 14kg

d) Diagrama de dosagem

Com os dados obtidos na Tabela 6.8.A, a etapa seguinte é montar o diagrama de


dosagem, conforme 6.5.1.
No exemplo, o diagrama de dosagem é apresentado na Figura 6.5.4, para o
cimento CP-32.
e) Traço definitivo
O traço definitivo é o que atende aos parâmetros definidos anteriormente na Tabela
6.5.A. No exemplo:
É 2 28 MPa
relação a/c < 0,58
Do diagrama de dosagem (Figura 6.5.A), obtém-se:
Traço unitário: 1:6,35
Consumo de cimento = 295 kg/m”
O consumo de cimento também pode ser obtido de forma analítica, através da
“equação de Molinari” (6.3.1. e 6.4.4), utilizando os valores da Tabela 6.8.A:

1.000
C=——— ——, onde:
E +k.m

E = JE ( Lo 1 Ja e 1.1 ) = 0,466
0,3 E E 0,3 * 292 495
k=Q-k,.5,0
sendo:

“1.000 [1 1 1) 1.000[ 1 1 1.
q MO ( GE “E )-*5 (os *-367 +87 ) = 2.123
e.

k, = 2,723 - 0,466 . 5,0 = 0,393


286 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

| - Correlação entre resistência à compressão axial (f.) e relação água/cimento

28 Dias

com os dados
experimentais -- === <= =» 0,35 0,40 0,45 0,50 O, ) ' 0,60 0,65 0,70
0,56 0,58
Curva de referência

Il - Correlações entre a relação água/cimento; traço unitário e consumo de cimento


Consumo de cimento (kg/m?) Relação aic
295 0,58
500 450 400 350 300 250 0,35 0,40 0,45 0,50 O 0,65 0,

Traço Unitário (1:m)

Figura 6.5.A — Diagrama de dosagem para o Cimento Portland comum CP-32 — Exemplo
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 287

Portanto, para o exemplo, m = 6,35, temos:

Ei= À = 298 kg/m?


0,393 + 0,466. 6,35
O consumo de cimento obtido de forma analítica difere do de forma gráfica em
3 ke/m'.
Esta diferença é considerada aceitável, pois corresponde a 1% da massa total de
cimento. Essa porcentagem é também o limite máximo recomendado de perdas
de cimento numa central em obra.
Para o cálculo do traço unitário individual utilizam-se as equações apresentadas
em 6.4.2, onde:
e teor de argamassa adotado > a = 0,51
a=a(l+m)-1=0,51(1+6,35)-1=2,75
p=m-a=6,35-2,75
= 3,60
sendo a pedra britada nº 1 correspondente a 30% de (p) e a pedra britada nº 2 a
70%, temos:
pedra britada nº 1 = 3,60 x 0,30 = 1,08
pedra britada nº 2 = 3,60 x 0,70 = 2,52
Portanto, o traço unitário individual é: 1,0:2,75:1,08:2,52
Com este resultado completa-se a Tabela 6.9.A — Parâmetros do traço definitivo.
f) Correção do traço
Os resultados obtidos de resistência à compressão, constantes da Tabela 6.8.4,
devem ser confrontados com os das curvas de referência, para avaliar o traço de
concreto fornecido para a obra.

No exemplo, os resultados de ruptura a 28 dias de idade foram lançados no


diagrama de dosagem da Figura 6.5.A, de onde obteve-se os seguintes resultados:

e para a resistência à compressão axial de 28 MPa, obteve-se a relação água/


cimento = 0,56

e para esta relação a/c, obteve-se:


traço unitário = 1:6,10
consumo de cimento = 305 kg/m”
Neste caso, observa-se que o traço obtido com os resultados de 28 dias de idade
dos corpos-de-prova do estudo de dosagem difere do estabelecido para a obra.
Portanto, o procedimento lógico seria a modificação do traço. Esta modificação
deve ser baseada também nos resultados iniciais do processo de produção e, como
orientação para uma avaliação mais precisa, sugerimos as recomendações constan-
tes em 6.5.3.
288 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 6.9.A — Parâmetros do traço definitivo — Exemplo

1 - Resistência característica do projeto 1


fu (MPa) (6.7.1) 2)

2 - Resistência de dosagem 28.0


flMPa) ( 6.7.2) R

3 - Relação água/cimento
obtida da equação de correlação com a resistência de dosagem (,dad 0,58
ou do diagrama de dosagem (Fig. 6.5.4)

4 - Relação água/cimento 0.65


obtida em função dos parâmetros de durabilidade (6.3.2 f) A

5 - Relação água/cimento adotada 0.58


escolher a menor, das duas anteriores Ê

6 - Traço unitário (1:m) 1:635


obtido do diagrama de dosagem ( Fig. 6.5.4) ea

7 - Teor de argamassa seca


adotado no estudo experimental (Tabela 6.6.4) 51
a=(I+ra)/(1+m) kg/Kg

8 - Traço unitário individual definitivo (1: a: p, : p;) 1,0:2,75:1,08:2,52

9 - Consumo de cimento (kg/m?)


obtido da equação de correlação com o traço definitivo ou do 298
diagrama de dosagem (Fig. 6.5.4)

10 - Abatimento do tronco de cone (mm) 60 + 10

g) Tabelas complementares

A seguir apresentam-se as tabelas que completam o exemplo proposto inicialmen-


te, as quais correspondem a 6.5.4, 6.5.5 e 6.5.6.

Às tabelas são:

Tabela 6.10.A — Traço definitivo, em massa, para produzir 1 m? de concreto.

Tabela 6.11.A — Custo para produzir 1 mº de concreto.

Tabela 6.12.A — Traço em volume para a produção do concreto em betoneira de


até 580 litros.

Tabela 6.13.A — Pesagem dos materiais — traço em massa.

Tabela 6.14.A — Traço do concreto em volume (opcional).


Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 289

Tabela 6.10.A — Traço definitivo, em massa, para produzir 1 mº de concreto - Exemplo

Resistência de projeto (f.,) 21 MPa


ER ão entre agregados graúdos
(pedra britada 1/35 30 / 70 %
Traço unitário total (l:m) 1:6,35
Traço unitário individual (l:a:p :p,) 1:2,15:1,08:2,52
Relação água/cimento 0,58 kg
Teor de argamassa seca 51 %
Cimento 298 kg
Areia seca 819 kg
Traço em massa Pedra britada 1 322 kg
para produzir
1 mº de concreto Pedra britada 2 Tal kg

Água (AT) 173 kg


Aditivo —— kg
Teor de umidade Quantidade Quantidade
na areia (%) de areia (Ph) kg l|de água (AL) litros

Correções nas 2 sos 157


quantidades de Areia 3 844 148
: unção
da ABA, E 4 852 140
da variação do teor 5 860 132
de
umidade da areia E 868 er
q 876 116

100 + h
Obs.: 1) Ph = Ps 13)
100
2) AL=AT-(Ph-Ps)

onde:
Ph = massa de areia úmida;
Ps | = massa de areia seca;
AT = massa de água total, considerando a umidade da areia igual a zero;
AL = água lançada na betoneira;
h = teor de umidade da areia.
290 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Tabela 6.11.A — Custo para produzir Im” de concreto - Exemplo

Traço | Massa unitária | Traço |Custo unitário |Custo para a


em (kg/m?) e em |dos materiais | produção de
massa | coeficiente médio | volume por | por Lmí de
Materiais (kg) de inchamento (m?) kg mê concreto

Cimento 298 = — —

Areia 819 | A [07390] —


Pedra britada 1| 322 0, = 1.540 10,209) —
Pedra britada 2| 751 9, = 1.490 10,504] —
Água 173 — — — — -.

Aditivo ss sa e o ps

Custo total = Cr$ US$

P,
Obs.: (*) valor obtido através da equação V = 5 . CJ:

. P
(**) valor obtido através da equação V | = —s— :
Pp

(***) valor obtido através da equação V = —..,


ô ad

onde: volume da areia com a umidade crítica;


= massa da areia no estado seco;
= massa unitária da areia no estado seco;
< 0,8

coeficiente médio de inchamento da areia;


=
Il

= volume do agregado graúdo;


Pp, = massa do agregado graúdo;
ô, = massa unitária do agregado graúdo;
V ad
= volume do aditivo;
Pa = massa do aditivo;
ô. ad = massa unitária do aditivo.
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 291

Tabela 6.12.A — Traço em volume para a produção do concreto em betoneira de até 580
litros - Exemplo

Traço em: Caixas p/ medidas dos materiais

Material | Massa Massa Volume | Quantidade Dimensões


seca (kg)| unitária | (litros) (cm)
(kg/dm?) e
coeficiente
médio de
inchamento
Cimento 100 — — — -
, ô = 1,44
Areia DT Ci = 1.30) 248 4 35x45x39,4

FEIA
britada 1
108 | 8=1,54|
P
70 1 35x45x44,4:
Pedra 9
britada Ba ô p = 1,49 169 3 35x45x35,8

Água (AT) 58 ju — a =

Aditivo aa — — — —

6.12.A4-1 — Tabela para correção da quantidade de água

Umidade da areia (%) 2 3 4 5 6 7


Água a ser lançada (AL)
na betoneira (litros)
52,5 49,8 47,0 44,2 41,5 | 38,7

6.12.4-2 - Características do concreto

Traço unitário individual (J:a:p,:p,) 1:2,15:1,08:2,52


Relação água/cimento 0,58
Abatimento do tronco de cone 60 + 10 mm
Consumo de cimento para 1 m” de concreto 298 kg

Obs.: AL = AT — (P. «ch


100
onde: AL = água lançada na betoneira;
AT = água total, considerando a umidade da areia igual a zero;
P. = massa de areia seca;
h = teor de umidade da areia.
Município: São Paulo
Obra: Edifício Princesa Local: Avenida Paulista, 100 Usina: Goodmix Bairro: Jd. Paulista
Traço nº: fek = 21 MPa
01 Procedência dos Materiais
fa2g = 28 MPa

Unitário em massa. materiais secos 1:6,35 . Massa específica 2.362 kg/m Cimento
CP-32 Votoran
Classe, Tipo, Marca

1,00: 2,75 : 1,08: 2,52: Abatimento 60 + 10 mm Areia Cardoso / Jacareí


Porto, Município
Argamassa 51 % Teor: Yo Pedra Br itada Hajubá / São Paulo
Aditivo ( Pedreira, Município
0,58 3
Relação água/cimento: Massa específica — — g/dm Aditivo Tipo, Marca, Fabricante

Volume de Concreto
0,5 mº 1,0 nº 2,0 mº 30m 4,0 m 5,0 m?
Areia Água Areia Água Areia Água Areia Água Areia Água Areia Água Areia Água

Umidade 417 78 835 157 1.670 314 2.505 471 3.340 628 4.175 785
Tabela 6.13.A — Pesagem dos mat

da “422 74 844 148 1.688 296 2.532 444 3.376 592 4.220 740
426 70 852 140 1.704 280 2.556 420 3.408 560 4.260 700
eras
e

Areia

=
-

430 66 860 132 1.720 264 2.580 396 3.440 528 4.300 660
434 62 868 124 1.736 248 2.604 372 3.472 496 4.340 620
292 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

(%)

=/Nj/O|<+/19]
O|m-
438 58 876 116 1.752 232 2.628 348 3.504 464 4.380 580

Pesagom dos
materiais Indiív. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum. Indiv. Acum.

Brita nº 1 161 161 322 322 644 644 966 966 1.288 1.288 1.610 1 .610
Britan? 2. 375 536 751 1.073 1.502 2.146 2.253 3.219 3.440 4.292 3.755 5 365
traço em massa - Exemplo

Brita nº
Areia úmida 430 966 860 1.933 1.720 3.866 2.580 5.799 3.440 7.732 4.300 9 .665
Cimento 149 298 596 894 1.192 1.490
Aditivo

(*) teor de umidade da areia a ser utilizada no concreto.


Interessado Encol Obra Edifício Princesa

Município Data
Técnico Reginaldo São Paulo
17/04/90
Traço nº
fok = 28 MPa fgze= 28 MPa PS
Referência .
Original [x] Sim [] Não Em caso negativo informar o motivo da alteração e qual a tabela que contém o traço original:

Traço em Massa unitária Caixa


Material dos agregados Procedência ou Marca dos Materiais Nº Int.
Massa Volume Qtde. Dimensões (cm)
Mat. Seco kg / dn?
Cimento 3 2 saco
Votoran 20.304
Classe 100 kg
Areia 275 248 dm 1,44/C,1, = 1,3 35x45x39,4 Porto Cardoso / Jacarei 20.305
kg
kg dor
Pedra Britada nº 1 108 70 om 1,54 35x45x44,4 Itajubá / São Paulo 20.306
kg
Pedra Britada nº 2 252 169 dim 1,49 35x45x35,8 Itajubá / São Paulo 20.307
kg
kg dm
3
Água 58 dm dm
Aditivo Yo dh
Tabela 6.14.A — Traço do concreto em volume - Exemplo

Umidade crítica da areia : 3,2 Ya Pedra Britada nº 1 30 % Características Físicas


Pedra Britada nº 2 70 % do Concreto Fresco
Traço unitário 1,00 : 6.35 aic: 0,58

1,00: 2,75: 1,08 :2,52 Massa

Dimensão máxima característica da mistura 25 mm específica 2.362 kg / mê


Argamassa : 51 Yo
M.F. do agregado miúdo : 2,21 M.F. dos agregados graúdos : 6,3/7,5
Abatimento 60 + 10 mm
Tabela para correção da quantidade de água
Umidade da areia (%) 0,0 1,0 2,0 3,0 5,0 6,0 7,0
Consumo de
Água a ser lançada - 52,5 49,8 44,2 41,5 38,7 cimento
298 kg/m
(litros)
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 293
294 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

6.7.5 Estudo comparativo de dosagem de duas famílias de concreto


Com o objetivo principal de mostrar a forte dependência da resistência à compres-
são do concreto com a relação água/cimento, foram preparadas duas famílias de
concreto com características bastante diversas, conforme resumido na Figura 6.8.

Materiais e características Família A Família B

Cimento Portland CPR3Z

Areia grossa lavada procedente


Agregado miúdo de Jacareí, quartzosa

Agregado graúdo Brita de granito, 50% | Pedregulho graduado


britanº 1e 50%nº2 | preparado pela EPUSP
com D., =25 mm

Consistência do concreto fresco (60 + 5) mm


NBR 7223

Massa seca de (areia + pedra) em relação


à massa de cimento — três traços (kg/kg) 2,54; 4,51 e 6,08 4,13; 6,69 e 9,26

Relação água/cimento (kg/kg) 0,40 a 0,80 0,40 a 0,82

Consumo de cimento (kg/m) 291 à 594 213 4437

Figura 6.8 — Características das duas famílias de concreto estudadas experimentalmente

Além da resistência à compressão, foram efetuadas outras determinações com o


objetivo de verificar o comportamento de outras propriedades dos concretos, frente
às alterações efetuadas entre as duas famílias.
Os seis concretos estudados — três de cada família — foram preparados em
Laboratório. Além da determinação da consistência e da massa específica
do concreto fresco, foram moldados corpos-de-prova para uma série de ensaios em
concreto endurecido, a saber:
a) resistência à compressão axial a 28 e 91 dias de idade (NBR 5738 e 5739);

b) absorção de água por capilaridade aos sete, 28 e 91 dias de idade (NBR 7564);
c) volume de vazios permeáveis aos sete, 28 e 91 dias de idade (ASTM C 642);

d) absorção de água após imersão aos sete, 28 e 91 dias de idade (ASTM C 642);
e) absorção de água após fervura aos sete, 28 e 91 dias de idade (ASTM C 642);
f) penetração de água sob pressão aos sete, 28 e 91 dias de idade (NBR 7564).
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 295

Até a data da ruptura à compressão axial os corpos-de-prova foram mantidos em


câmara úmida com umidade relativa acima de 98% e temperatura de (23 + 2) C.
Os corpos-de-prova destinados aos demais ensaios foram conservados nas condi-
ções exigidas nos respectivos métodos.
Para os ensaios de resistência à compressão foram moldados dois corpos-de-prova
para cada situação (24 cp), tomando-se o valor médio do par como resultado do
exemplar considerado.
Para os demais ensaios, considerou-se adequado moldar três corpos-de-prova para
cada situação (162 cp), tomando-se o valor médio dos três como resultado do
exemplar considerado.
Os resultados obtidos estão apresentados na Figura 6.9.
Utilizando o diagrama de dosagem, procedeu-se às correlações entre resistência à
compressão, relação água/cimento, traço em massa seca e consumo de cimento por
metro cúbico de concreto, obtendo-se, em todos os casos, coeficientes de correla-
ção linear — método dos mínimos quadrados — superiores a 0,995.
Observando-se as Figuras 6.10 e 6.11, nas quais são apresentados os diagramas
respectivos das duas famílias de concreto estudadas, pode-se concluir que:
a) Para mesma relação água/cimento, a resistência à compressão manteve-se
praticamente igual, com diferenças relativas que não superaram 3%, na maioria das
situações”. Observa-se, no entanto, que quando a resistência à compressão supera
os 32 MPa, os fenômenos de aderência da pasta à superfície do agregado graúdo
passam a interferir significativamente e a resistência à compressão dos concretos
com pedregulho (seixo) passa a não acompanhar o crescimento da resistência dos
concretos com brita.
b) Para mesma consistência do concreto fresco, medida pelo ensaio de abatimento
do tronco de cone, os concretos com brita requereram mais água e, consegiiente-
mente, para mesma relação água/cimento, mais pasta. Esse fato implicou traços
mais ricos para a mesma relação água/cimento. Segundo Murdock? e outros
autores”, a consistência do concreto fresco é muito influenciada pelo índice de
angulosidade dos agregados, o que se confirmou neste caso.
c) Mantida uma mesma relação água/cimento ou resistência à compressão, o
consumo de cimento por metro cúbico de concreto diferiu em mais de 100 kg/m
(dois sacos) para concretos de resistência média da ordem de 27 MPa. Evidente-
mente esse fato acarreta consegiiências importantes no custo do metro cúbico e
demonstra, uma vez mais, a importância de um estudo adequado da composição
granulométrica e textura dos agregados a serem empregados nos concretos estru-
turais.

(*) Em condições excelentes de laboratório o coeficiente de variação das operações de ensaio pode ser
de até 3% o que é suficiente para considerarmos a diferença observada, de 3%, desprezível.
296 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Nº Características Traço em massa seca (kg/kg)


linha e Método de cimento/agregados
proprGdAdes se Unidade |Concreto com brita Concreto com
ensaio pedregulho

1:2,54] 1:4,51/ 1:6,08] 1:4,13/1:6,69] 1:9,26


cálculo
à | fdição dust analifico ke/kg | 0,401 | 0,590] 0,798 | 0,400 | 0,602] 0,819

eáléulo kgm: | 594 | 395 | 291 | 437 | 288 | 213


2 Consumo de cimento (C) analítico

3 | Resistência à 28 dias, £,, | NBR 5738 MPa | 370 | 232| 14,0 | 37,1| 238 | 136
4 | Compressão axial 91 dias, £,, NBR 5739 MPa | 47,8 | 283] 17,7 | 442 | 277 | 16,7

5 | Consistência NBR 7223 mm | 60+5 | 60+5 | 60£5 | 60£5 | 6045 | 6045

6 | Absorção de água 7 dias | NBR 7564 mm 69 98 | 300 | 51 79 | 120


7 | por capilaridade 28 dias | NBR 7564 mm 55 70 | 120] 43 | 61 84
8 91 dias | NBR 7564 mm | 27 | 573] 80 | 27 | 38 | 45
9 Volume de vazios 7 dias | ASTM C 642 Ho 17,6 | 17,8 | 184 | 11,3 | 13,0 | 14,4
10 | permeáveis 28 dias | ASTM C642 | % 13,1 | 148| 160 | 10,6 | 128| 138
H 9 dias | ASTM C642 | % 99 | 10,2] 145] 77 | 98 | 130
12 | Absorção de água 7 dias | ASTM C 642 % 7,8 79 | 81 44 | 5,6 6,0
13 | por imersão 28 dias | ASTM C 642 % 56 | 65 | 72,1 41 | 50 | 5,8
14 9idias | ASTMC642 | q s4 | 64/70 | 32/4257
15 | Absorção de água Tdias | ASTM C 642 % 80 | 82 | 86 | 45 | 58 | 65
16 | após fervura 28 dias | ASTM C 642 % 59 | 68/74 | 44 | 56 | 62
17 Ptdias ASTMC62 | w |s58]67/173|33/43|59
18 | Massa específica ASTM C 642 | kg/m? |2.350| 2.330] 2.320 | 2.430 | 2.390| 2.350

19 | Penetração de água Tdias | NBR 7564 (%) da | 50 100 | 100 30 81 100


20 | sob pressão 28 dias | NBR 7564 tura 30 | 272 1100] 16 | 50 | 100
; tot
21 Pldias| NBR7564 | gocp | 10 | 63 | 100] 8 | 32 | 100

Figura 6.9 — Resultados obtidos de ensaios em concreto


Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 297

fo 4
(MPa)
(em log)
98,6
fcog = Sa (MPa)
11,6

127,9
6 (MPa)

35
28
91 dias

28 dias
e 444 0,52 A
C (kg/m?) t a/c (kg/kg)

m=9,1.0/c- 1,0 (kg)


1000
G= (Kg/mB)
(0,4 + 0,5.m)

(kg) +

Figura 6.10 — Diagrama de dosagem para o concreto amassado com brita e cimento CP 32
298 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

fi; 4
(MPa)
(em log)

; 3
C (kgimB) '
I
I
I

Cc = — 1000 (gn?) N-----=P DÊ camaasc m= 12,2.0/0-


0,7 (kg)
(0,34 + 0,47.m)

Figura 6.11 — Diagrama de dosagem para o concreto amassado com seixo e cimento CP 32
Roteiro Prático para a Dosagem dos Concretos Estruturais - 299

Analisando-se os demais resultados apresentados na Figura 6.9 pode-se verificar


que os fenômenos de absorção de água por imersão e volume de vazios são também
fortemente influenciados pela relação água/cimento.
Os valores obtidos, no entanto, demonstram também que outros aspectos devem ser
considerados, como, por exemplo, a aderência pasta-agregado graúdo, uma vez que
é nessa interface o local de maior movimentação da água livre nos concretos”,
Essas constatações comprovam uma vez mais a complexidade dos fenômenos
relacionados com a durabilidade dos concretos, o que não é objetivo deste exemplo
prático.
Finalmente, pode-se afirmar que do ponto de vista da dosagem e controle dos
concretos correntes — nos quais prevalece a preocupação com a resistência à
compressão — a relação água/cimento tem predomínio e influência significativa
sobre o concreto. Bucher e Rodrigues” têm verificado sistematicamente que a
relação água/cimento explica, em média, 95% das variações da resistência à
compressão dos concretos, observado em todos os trabalhos experimentais realiza-
dos pela ABCP.
Essas constatações demonstram a utilidade das curvas médias obtidas experimen-
talmente e propostas em 3.5 e 3.6 deste Manual e a necessidade e vantagem de um
estudo experimental de dosagem em substituição ao uso automático de tabelas ou
ábacos de traços de dosagem.

Referências Bibliográficas
(1) HELENE, P. R. L. Contribuição ao estabelecimento de parâmetros para dosagem e controle dos
concretos de cimento Portland. São Paulo, 1987. Tese (Doutorado) — Escola Politécnica
Universidade de São Paulo.
(2) MURDOCK, L. J. BROOK; K. M. Concrete materials and practice. 5. ed. London, E. Arnold,
1979.
(3) POPOVICS, S. Calculation of water requirement for mortar and concrete: a state-of-art report.
Matériaux et Constructions, v. 77, n. 13, p. 343-52, sept./oct., 1980.
(4) DURIEZ, M.; ARRAMBIDE, J. Nouveau traité de matériaux de construction. 2. ed. Paris, Dunod,
1961, v.2, p. 203.

(5) BUCHER, H. R. E.; RODRIGUES, P. P. F. Correlações entre as resistências mecânicas do concreto.


In: SEMINÁRIO SOBRE CONTROLE DA RESISTÊNCIA DO CONCRETO, São Paulo, 1983.
Anais. São Paulo, IBRACON, 1983.

(6) TANGO, €. E. S.; HELENE, P.R.L. A influência dos agregados no custo do metro cúbico de concreto.
In: COLÓQUIO SOBRE AGREGADOS PARA CONCRETO, São Paulo, 1979. Anais. São
Paulo, IBRACON, 1979.
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Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais - 303

7.1 Conceitos
1 Objetivo
Estas recomendações referem-se aos procedimentos adequados para o controle de
aceitação ou de recebimento do concreto em obra tanto seja este produzido no
próprio canteiro quanto em central dosadora.
Estes procedimentos são recomendados para controle do concreto qualquer que
seja o volume, a resistência característica e os coeficientes de minoração da
resistência adotados no projeto.
Estas recomendações diferem da NBR 6118/78 em alguns aspectos e represen-
tam, na opinião dos autores, uma evolução e aperfeiçoamento do texto da norma.
As justificativas técnicas e práticas para as alterações propostas estão apresenta-
das nos capítulos 1, 2, 3, 4 e 5 deste Manual e em comunicações técnicas
apresentadas e discutidas em seminários e simpósios, citados na bibliografia
deste Manual.
Apresenta-se também o critério de avaliação das operações de ensaio e de
correção da resistência de dosagem,
2 Normas e Documentos Complementares
NBR 5738 — Moldagem e cura de corpos-de-prova de concreto cilíndricos ou
prismáticos. Método de ensaio.
NBR 5739 — Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos de concreto.
Método de ensaio.
NBR 5750 —- Amostragem de concreto fresco produzido por betoneiras estacio-
nárias. Método de ensaio.
NBR 7223 — Determinação da consistência do concreto pelo abatimento do
tronco de cone. Método de ensaio.
NBR 7212 — Execução de concreto dosado em central. Procedimento.
NBR 6118 — Projeto e execução de obras de concreto armado. Procedimento.
NBR 8953 — Concreto para fins estruturais. Classificação por grupos de resis-
tência. Classificação.
304 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

NBR 12654 — Controle tecnológico de materiais componentes do concreto.


Procedimento.
NBR 12655 — Preparo, controle e recebimento de concreto: Procedimento.

3 Amenor quantidade de produto, no caso de concreto, é uma amassada, qualquer-que


seja o volume da betoneira.

Cada unidade de produto pode ser representada apenas por um exemplar, ou seja,
existe um resultado de resistência à compressão que se admite como sendo de
todo o volume de uma só vez. Desprezam-se, portanto, as diferenças existentes
entre o concreto do início, do meio e do fim de uma descarga de uma mesma
betoneira. Evidentemente, a porção de concreto que deve ser colhida para
moldagem dos corpos-de-prova deve ser tomada do concreto do centro da
descarga (desprezando o volume correspondente aos 15% iniciais e finais).

4 O lote de concreto é composto por unidades de produto e não por volumes de


concreto. Por exemplo, 48 mº de concreto podem ser compostos por:
a) nove caminhões-betoneira de 5 mº e um de 3 m?, ou seja, dez unidades de
produto;
b) quatro caminhões-betoneira de 12 mº cada, ou seja, quatro unidades de
produto;
c) 320 betoneiras de 300 L (volume nominal) cada, ou seja, 320 unidades de
produto;
d) 160 betoneiras de 580 L (volume nominal) cada, ou seja, 160 unidades de
produto.

5. O lote de concreto deve ser identificado por um concreto produzido sob as mesmas
condições, ou seja, mesmo traço, mesmos materiais, mesmos operadores, mesmos
equipamentos. Jamais deve-se analisar um lote que seja composto de mesmo concreto,
porém, parte com aditivo e parte sem aditivo ou um mesmo traço, sendo parte com
CP-32 e parte com AF-32. Se na obra existem duas centrais, os concretos produzidos
em cada uma devem ser analisados, necessariamente, em separado.

6 Todo lote de concreto deve estar identificado na estrutura por vigas, lajes, pilares,
andares, blocos ou qualquer outra região ou parte definida da estrutura.

7 Oconcreto tem participação diferente na capacidade resistente final, segundo o tipo


de esforço principal a que os componentes estruturais estão submetidos. Em peças
fortemente comprimidas ou cisalhadas sua importância é maior. Em peças fletidas ou
torcidas é menor.

8 Quanto maior o tamanho (número de exemplares) de cada amostra, maior a


confiabilidade no resultado e menor o risco de rejeição do concreto. Aumentar o índice
de amostragem, ou seja, tomar o maior número possível de unidades de produto
significa aumentar a confiança no cálculo da resistência característica do concreto à
compressão.
Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais - 305

9 Quanto mais próxima for a média da resistência à compressão do concreto do valor


característico, mais econômico será o concreto. Quanto mais uniforme o concreto e
quanto maior o rigor da produção, menor será a variabilidade e, consegiientemente, a
média poderá se aproximar mais do valor característico.

7.2 Identificação de Lotes


1 - Entende-se por lote o volume de concreto que será submetido a julgamento
de uma só vez.
2 - Deve ser formado pelo volume de concreto no qual as características dos
materiais (cimento, agregados, água e aditivos) mantiveram-se uniformes e de
mesma natureza.

3 - Deve ser formado pelo volume de concreto produzido com um mesmo traço
e numa mesma Central.
4 - Salvo orientação específica, deve representar:
a) Os pilares e paredes de um andar de um edifício desde que concretados em
menos de três semanas consecutivas.
b) As vigas e lajes de um andar de um mesmo edifício, desde que concretadas
em menos de três semanas consecutivas.
c) As peças singulares (reservatórios, vigas de transição, blocos de fundação e
tubulações de grandes dimensões etc.), desde que concretadas em menos de três
semanas consecutivas.
d) Em obras de conjuntos habitacionais horizontais, o lote deve ter volume
máximo da ordem de 100 mº para concretos produzidos em menos de três
semanas consecutivas.
5 - Exemplos:
Definição do lote a ser controlado em uma obra em que é empregado um volume
de concreto da ordem de 150 mº por semana (execução de um andar com 430 m”
de um edifício residencial), produzido em duas Centrais, com f,= 18,0 MPa e
t = 14
a) Os corpos-de-prova retirados de cada Central têm, necessariamente, de ser
analisados separadamente, constituindo-se pelo menos dois lotes independentes.
Há interesse, no entanto, que os pilares constituam um lote separado das vigas e
lajes, devendo-se subdividir os lotes de cada Central em dois, num total de quatro
lotes.
b) Caso o volume total de concreto fosse oriundo de uma mesma Central e os
materiais mantivessem a homogeneidade, bastariam apenas dois lotes, objetivando
individualizá-los em função das características básicas de solicitação (pilares x
lajes e vigas).
c) Caso o volume total de concreto fosse oriundo de uma mesma Central, os
306 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

materiais mantivessem a homogeneidade e se destinassem somente à aplicação


em lajes e vigas, um lote apenas seria necessário para julgar a conformidade do
concreto.

7.3 Identificação das Amostras


1 - A cada lote de concreto deve corresponder uma amostra com “n” exempla-
res, retirados de maneira que a amostra seja representativa do lote todo.
2 - Cada exemplar deve ser constituído de sete corpos-de-prova da mesma
amassada, moldados no mesmo ato, tomando-se como resistência do exemplar o
maior dos dois valores obtidos na idade de 28 dias ou 63 dias.
3 - Um corpo-de-prova pode ser ensaiado na desforma, outro a sete dias para
simples acompanhamento. Pelo menos dois devem ser reservados para ruptura a
28 dias e a 63 dias. Um pode ser guardado para 91 dias.
4 - O número “n” mínimo de exemplares de cada amostra é seis. No caso de
lotes com número de exemplares (unidades de produto) menor que seis, a
amostragem deve ser total, ou seja, igual ao número de amassadas.
5 - Junto com a tomada de concreto para moldagem de corpos-de-prova deve ser
colhido concreto para medida do abatimento do tronco de cone.
6 - Procedimento para amostrar betoneiras estacionárias:
a) O volume de amostra deve ser pelo menos 1,25 a 1,5 vez o volume de
concreto necessário à:
- moldagem dos corpos-de-prova para o ensaio de resistência à compressão
(6 dmº por corpo-de-prova);
- ensaio de consistência pelo abatimento do tronco de cone (10 dm” por ensaio);
- outros ensaios com o concreto fresco, que se fizerem necessários.
b) A amostra coletada enquanto o concreto está sendo descarregado da betoneira
deve ser tomada de modo que represente o concreto correspondente ao terço
médio do total do descarregamento.
As porções coletadas da amostra (geralmente em carrinho) após a descarga da
betoneira devem ser tomadas imediatamente, em três pontos diferentes da massa
do concreto, sendo evitados os bordos, onde geralmente ocorre segregação.
c) Caso seja necessária a coleta de uma amostra representativa de várias descar-
gas do concreto da betoneira, o intervalo de tempo decorrido entre a coleta da
porção inicial e da final deverá ser o menor possível, porém nunca maior do que
15 minutos.
d) O ensaio de consistência pelo abatimento do tronco de cone deve ser iniciado
até 5 minutos após a coleta da amostra.
e) A moldagem dos corpos-de-prova para o ensaio de compressão deve ser
iniciada até 15 minutos após a coleta da amostra.
Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais - 307

7 - Procedimento para amostrar caminhões-betoneira:


a) O volume da amostra deve ser de pelo menos 1,25 a 1,5 vez o volume de
concreto necessário à:
- moldagem dos corpos-de-prova para o ensaio de resistência à compressão;
- ensaio de consistência pelo abatimento do tronco de cone;
- outros ensaios com o concreto fresco, que se fizerem necessários.
b) Os exemplares devem ser retirados após a descarga de 0,15 e antes que tenha
sido descarregado 0,85 do volume transportado, depois de feitas todas as corre-
ções e ajustes e executado o ensaio de abatimento pelo tronco de cone.
c) Deve ser anotado o abatimento do concreto, o horário em que foram tomadas
as amostras, O início e o término da descarga, o local de aplicação, eventual
adição suplementar de água etc., bem como qualquer fato anormal, como, por
exemplo, aquecimento do concreto.
d) O ensaio de consistência pelo abatimento do tronco de cone deve ser iniciado
até 5 minutos após a coleta da amostra.
e) A moldagem dos corpos-de-prova para o ensaio de compressão deve ser
iniciada até 15 minutos após a coleta da amostra.
8 - Exemplos:
Concretagem do 4º pavimento de um edifício. Conhecidos:
f. = 20 MPa
Y = 1,4
volume de concreto = 96 m”
a) Quando o concreto for misturado em obra:
96 mº* x 7 betonadas/mº = 672 betonadas (unidades de produto)
- moldar sete corpos-de-prova de uma betonada a cada 112 (672 : 6 = 112)
betonadas, no mínimo. Preferencialmente distinguir pilares de lajes.
b) Quando o concreto for amassado por caminhões-betoneira de 12 mº cada:
96 m* : 12 = oito caminhões (unidades de produto), sendo três destinados a
pilares e cinco a vigas e lajes
- moldar sete corpos-de-prova de cada um dos três caminhões para pilares, ou
seja, 21 corpos-de-prova
- moldar sete corpos-de-prova de pelo menos dois caminhões para lajes e vigas,
ou seja, 14 corpos-de-prova
- dois lotes:
e um para pilares do andar
e um para lajes e vigas do andar
308 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

7.4 Cálculo da Resistência Característica do Concreto à Compressão


1 - Sempre que n 2 6:
E atfot.+fo-n =
ckest 2 n/2 E | e (n/2)

Àe 2 We e Ly
onde:
n = número de exemplares da amostra. Quando for ímpar deve-se arredondar
n/2 para o primeiro inteiro superior.

[. cl EI, c2
É a ES c(n/2)
<.. <f en
são as resistências ordenadas dos exemplares da
amostra.

W, = coeficiente variável segundo


n =6 7 8 10 12 14 l6> 18
Ww = 0,89 091 0,93 0,96 0,98 1,00 1,02 1,04
2 - No caso de n qualquer e igual ao total do lote sempre que o índice de
amostragem for total (100%):
paran<s30 f.i.=Tf
ck,est cl
paran>30 fast
k,est c2
paran>60 f..=f
[Link] c3

com n21
3 - Aceitação automática:
sempre que f ca 2 fx
Caso a resistência característica estimada (1, ..) for inferior à resistência carac-
terística de projeto, (f,), recomenda-se a determinação da resistência efetiva do
concreto na estrutura através de extração de testemunhos e ensaios não destrutivos
(esclerometria e ultra-som).
4 - Exemplo:
Conhecendo-se os resultados de controle (Tabela 7.1), calcular o f, . Volume
total de concreto 108 mº produzidos por 360 betonadas de capacidade nominal de
580 1 cada.

219) <22<09<008B] <A HA<MADIEAI

r 2. 21,9 + 22,2 + 22,9 + 23,0


— 23,1 = 21,9 MPa
aan
4
É ck,est = 0,945. 21,9 = 20,7 MPa

neste caso, f ck,est = 21,9 MPa


Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais - 309

Tabela 7.1 — Resultados de controle

Exemplar Corpo-de-prova
63 dias

23,0
! 21,0
25,3
2 23,9
21,5
4 22,2
23,4
A 24,4
22,0
Ê 23,1
22,9
Ê 22,1
24,9
1 25,1
23,3
8 22,2
20,8
2 21,9

7.5 Avaliação das Operações de Ensaio


1 - As operações de ensaio podem aumentar a variabilidade do concreto e obrigar
à elevação da resistência média de dosagem com consegiiente aumento do custo
do concreto.
2 - O desvio-padrão do processo de produção e ensaio, mais conhecido por
desvio-padrão do concreto s,, é resultado de:

Soe = St
cf
8)
onde:
5. = desvio-padrão do processo de produção e ensaio do concreto em
MPa (geralmente adota-se s, = 8.)
a = desvio-padrão efetivo ou real do processo de produção do concreto
em MPa
S, = desvio-padrão das operações de ensaio em MPa
sendo v, = sf. definido como coeficiente de variação das operações de ensaio,
em porcentagem
310 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Operação Coeficiente de variação das operações de ensaio, v,


anemia Excelentes Eficientes Razoáveis Deficientes

Ns <3% [324% | 425% >5%


Misturas
experimentais <2% 2a 3% 3 a 4% >4%
em laboratório

Figura 7.1 — Critérios para avaliação da eficiência das operações de ensaio

3 - O coeficiente de variação de ensaio v. deve estar dentro dos limites indicados


na Figura 7.1, que definem a eficiência das operações de ensaio.
4 - Cálculo de s, e v.

Sai Sp Po)
o 1=1 o 1=1
“LDA LIRA
onde:

A | = diferença entre o maior e o menor resultado obtido dos corpos-de-prova


que representam um mesmo exemplar.
n = número de exemplares considerados
«m = média dos 2 n corpos-de-prova (n > 9)
P, p,= resultados de cada corpo-de-prova de um mesmo exemplar
5 - Exemplos:
Calcular a eficiência das operações de ensaios dos resultados apresentados no
exemplo 4 em 7.4.

Tabela 7.2 - Cálculo das amplitudes

Exemplar A (MPa)
1 2:0
1,4
0,7
Bit

1,0
Eh
0,8
0,2
MD] cj

1,1
1;1
Roteiro Básico vara Controle dos Concretos Estruturais - 311

a) Cálculo da diferença (amplitude) entre corpos-de-prova de mesmo exemplar


(irmãos) (Tabela 7.2):

es 20+1,4+0,7+1,0+1,1+0,8+0,2+1,1+1,
” 1,128.9
s. = 0,93 MPa

= s,. 100 0,93.100 -40%


f cm 22,94

* operações de ensaio são eficientes, segundo a Figura 7.2.

7.6 Correção da Resistência de Dosagem


1 - Resistência de dosagem
ff, + 165,

d" um si(n-D+si(n,-1D+..+
'
Ro2 =)
- (m-D+(n,-D+ o +(0,-1)
onde:
Ss, = desvio-padrão de dosagem do processo de produção e ensaio do concreto, em
MPa
S., = desvio-padrão de dosagem do processo de produção e ensaio do concreto, de
cada amostra representativa de cada lote, em MPa
n, = número de exemplares de cada amostra
3- Avaliar s, sistematicamente, sempre com 2n, > 30, desprezando os resultados de
amostras de lotes com mais de 120 dias ou sempre que Xn, > 80
4 - O desvio-padrão de dosagem deve estar dentro dos limites da Figura 7.2, que
classificam o rigor da produção:

Desvio-padrão de s, em MPa
Controle
Excelente Exemplar Razoável Deficiente
Controle
de campo E ço 2594 3,9 3,5 24,5 >4,5

Misturas
experimentais em a 15 Lã a Z0 DA) DS > 25
laboratório

Figura 7.2 — Avaliação do rigor de produção de concreto


312 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

7.7 Recomendação Alternativa à NBR 6118/78 e NBR 12655 para


Controle do Concreto”
1 - Controle da resistência do concreto

As recomendações a seguir referem-se ao mecanismo e procedimentos adequados


para controle de aceitação ou de recebimento do concreto em obra, tanto seja este
procedimento no próprio canteiro ou em central dosadora.
Estes procedimentos são recomendados para controle do concreto qualquer que
seja o volume, a resistência característica e os coeficientes de minoração adotados
em projeto.
Estas recomendações valem para resistência à compressão e tração do concreto.
2 - Lotes
Entende-se por lote o volume de concreto que será submetido a julgamento de
uma só vez.
O lote deve ser formado pelo volume de concreto no qual as características dos
materiais — cimento, agregados, água e aditivos — mantiveram-se uniformes e de
mesma natureza.

Deve ser formado, também, pelo volume de concreto produzido com um mesmo
traço.

Quanto a posição que o concreto ocupa na estrutura, recomenda-se pelo menos


três possibilidades de formação de lotes:
1º) O concreto para os pilares deve constituir um lote.
2º) O concreto para vigas e lajes deve constituir outro lote.
3º) O concreto para peças singulares deve constituir outro lote (vigas de transi-
ção, reservatórios de água etc.).

No projeto devem estar indicados os lotes e o índice de amostragem recomendá-


vel para o controle da estrutura em questão.
3 - Amostragem
A cada lote de concreto deve corresponder uma amostra com n exemplares,
retirados de maneira que a amostra seja representativa do lote todo.
Cada exemplar deve ser constituído de dois corpos-de-prova da mesma amassada
e moldados no mesmo ato, tomando-se como resistência do exemplar o maior dos
dois valores obtidos no ensaio.
A menor unidade de produto é uma amassada, qualquer que seja o seu volume.

(*) As justificativas teóricas e práticas para alteração dos critérios recomendados na NBR 6118/78 estão
nos capítulos 1, 2, 3, 4e 5 deste Manual.
Roteiro Básico para Controle dos Concretos Estruturais - 313

Admite-se os seguintes índices de amostragem:


e reduzido: amostra composta por seis ou mais exemplares;
e normal: amostra composta por 12 ou mais exemplares;
e rigoroso: amostra composta por 18 ou mais exemplares;
e total (100%): amostra composta por n exemplares, sendo n o número total de
amassadas do concreto do lote em exame. No caso de caminhão-betoneira
corresponde a retirar um exemplar de cada caminhão.
A retirada dos corpos-de-prova deve atender aos procedimentos expressos na
NBR 5750 e na NBR 7212.
A escolha do índice de amostragem a ser adotado deve ser função da importância
do componente estrutural que será executado com o volume de concreto (lote) em
exame.
4 - Valor estimado da resistência característica à compressão
a) No caso de índice de amostragem reduzido, normal ou rigoroso:

o Ru
ck,est - ' n/2 e 1 c(n/2)

ro = Vs E dm

onde:

n = número de exemplares da amostra. Quando esse número for ímpar, deve-


se arredondar n/2 para o primeiro inteiro superior.

1,S1,S a É La são as resistências dos exemplares da amostra


W, = coeficiente variável com n segundo os valores
n 6 7 8 10 12 14 16 > 18
ww. 0,89 0,91 0,93 0,96 0,98 1,00 1,02 1,04
b) No caso de índice de amostragem total (100%):
pi E SO La ckest = Ea
p/n > 30 f,.y corresponde ao quantil de 5%
qualquer que seja n 2 1 (número total de amassadas do concreto do lote).
Anexo A

Orientação para a Montagem de Laboratório


de Controle de Concretos Estruturais

1 Objetivo
Este documento pretende estabelecer os equipamentos mínimos necessários à monta-
gem de um laboratório de campo para a execução de ensaios expeditos do concreto e
seus materiais constituintes.

2 Equipamentos Necessários
Estão relacionados, a seguir, os equipamentos necessários para um laboratório de
ensaios do concreto e seus materiais constituintes.

2.1 Equipamento de Laboratório

- conjunto para “slump” (forma troncônica de diâmetro de 10 a 20 cm e altura de 30 cm,


gola, haste e bandeja) (NBR 7223)
- régua bizelada para rasamento de corpos-de-prova
- pá concha
- enxada
- colher de pedreiro
- martelo |
- balança de 1 kg com escala lem 1lou2em2g
- série normal de peneiras
- fogareiro a gás
- frigideira
- conjunto para “speed moisture test” (teor de umidade)
- kit de densímetros para a avaliação dos aditivos, com faixa de variação de 0,95 a 1,20
318 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

- contador de tempo tipo “timer”


- vasilha para determinação do teor de material pulverulento com capacidade para 1 kg
(NBR 7219)
- vibrador de emersão com diâmetro de agulha 25 mm

2.2 Material Complementar


- escova com cerdas de náilon para limpeza de peneiras de malha fina
- recipientes de papelão com tampa para acondicionar a amostra penhor de areia e brita,
com capacidade para 5 e 10 kg
- recipientes com tampa de pressão para acondicionar a amostra penhor de cimento,
com capacidade para 5 kg
- vidros de 250 ml, com tampa para acondicionar a amostra penhor de aditivo
- pincel de náilon “2 25 a 30 mm e cabo de madeira de 25 cm

2.3 Equipamentos Adicionais para Dosagem e Controle do Concreto Endurecido


(Laboratório Central)
- balança de plataforma com capacidade de 100 kg
- 60 fôrmas para corpos-de-prova cilíndricos (NBR 5738)
- betoneira com capacidade entre 50 e 100 litros
- prensa com capacidade igual ou superior a 100
- material para capeamento de corpos-de-prova
- tubo amostrador para cimento a granel (NBR 5741)
- tubo amostrador para cimentos em sacos
- recipientes metálicos paralelepipédicos para determinação da massa unitária de
agregados com volume de 15, 20 e 60 litros

2.4 Material de Consumo


- saco plástico de 20 e 40 litros
- fita crepe
- cal hidratada

2.5 Sugestão para as Instalações de um Laboratório de Campo


A seguir é apresentado um “layout” das instalações mínimas necessárias para um
Laboratório de Campo.
Anexo A - 319

Balança
|

de
3,30

Plataforma

ai

Reservatório
D> h=1,00m de Área para betoneira
Z 6m 2
de taboratório
e Fibrocimemto
jus ui
| h=0,45
| A

3,30 Planta Baixa


esc. 1:5

pia

mei

-
——— Reservatório
> 500 litros
a
>

Corte AA
esc. 1:5

D Tomada 0,85m
Altura da bancada:
de cimento alisado
(D Ponto de luz Bancada com tampo
0,70 X 220m
Área mínima de bancada:
Interruptor ado
s O piso deverá ser ciment
atório (para cura
Arandela
No tanque e no reserv
deverá ser previsto
(caso não exista jane
la) dos corpos-de-prova)
com G 50 mm
ralo para escoamento
Torneiras À 3/4º
Anexo B

Lista com Endereços das Regionais da Encol/Construtoras

Regional São Paulo


Rua Carlos Weber, 184 - Leopoldina
São Paulo/SP
Fone: (011) 831-4111

Regional Rio de Janeiro


Rua do Bispo, 150 - Rio Comprido
Rio de Janeiro/RJ
Fone: (021) 264-6722

Regional Brasília
Saan Qd. 05 Lote 64
Brasília/DF
Fone: (061) 234-9995

Regional Goiânia
Saída para Nerópolis - Rod. GO-080, km 02
Goiânia/GO
Fone: (062) 205-6100

Regional Fortaleza
Av. Estados Unidos, 211 - Meirelles
Fortaleza/CE
Fone: (085) 244-0488

Regional Paraná
Rua Comendador Araújo, 672 - Batel
Curitiba/PR
Fone: (041) 225-3822
Anexo B - 321

Regional Belo Horizonte


Av. do Contorno, 8.000 - Ed. Wall Street - 19º andar - Santo Agostinho
Belo Horizonte/MG
Fone: (031) 330-5599

Regional Belém
Av. Governador José Malcher, 802 - Nazaré
Belém/PA
Fone: (091) 241-3311

Regional Porto Alegre


Av. Plínio Brasil Milano, 1.155 - 3º andar - Higienópolis
Porto Alegre/RS
Fone: (051) 337-2244

Regional Vitória
Estrada para Carapebus, 934 - São Diogo II - Carapina - Serra
Vitória/ES
Fone: (027) 328-0123

Regional São José dos Campos


Rua Teotompo de Vasconcelos, 57 - Vila Ady' Anna
São José dos Campos/SP
Fone: (0123) 41-2400

Regional Mato Grosso


Av. Rubens de Mendonça, 990 - Ed. Empire Center - Bosque da Saúde
Cuiabá/MT
Fone: (065) 624-3569

Regional Campo Grande


Rua 15 de Novembro, 1.373 - Centro
Campo Grande/MS
Fone: (067) 384-2422

Regional Manaus
Rua Ministro João Gonçalves de Souza, 143 - Distrito Industrial
Manaus/AM
Fone: (092) 622-3911

Regional Campinas
Rua Coronel Silva Teles, 903 - Cambuí
Campinas/SP
Fone: (0192) 54-7007
322 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Regional Uberlândia
Rua Olegário Maciel, 885 - Centro
Uberlândia/MG
Fone: (034) 236-4173

Regional Salvador
Av. Santos Dumont, s/n - Estrada do Coco - km O - Lauro de Freitas
Salvador/BA
Fone: (071) 377-1005

Regional Londrina
Rua Piauí, 967 - Centro
Londrina/PR
Fone: (0432) 24-7070

Regional Pernambuco
Rua Dr. João Asfora, 26 - Boa Vista
Recife/PE
Fone: (081) 421-1877

Regional Juiz de Fora


Av. Barão do Rio Branco, 3.290 - Centro
Juiz de Fora/MG
Fone: (032) 215-5685

Regional Ribeirão Preto


Av. 9 de Julho, 444 - Centro
Ribeirão Preto/SP
Fone: (016) 636-3090
Anexo €C

Cobracon-Comitê Brasileiro da Construção Civil - CB 2

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas


São Paulo: Rua Marquês de Itu, 88 - 8º andar - 01223 - São Paulo-SP
Rio de Janeiro: Praça Mauá, 7 - sala 1.101 - 20081 - Rio de Janeiro-RJ
Secretária: Alzeni Souza dos Santos

Diretoria Executiva e Técnica

Eng. Roberto de Souza - Presidente


Eng. Paulo Helene - Diretor de Planejamento e Controle
Eng. Cesar Augusto de Paula Pinto - Diretor de Relações Externas e Informática
Arg. Carlos Alberto Tauil - Diretor de Divulgação Técnica
Arg. Ricardo Toledo Silva - Diretor de Relações Internacionais
Arg. Ricardo Guerra Flores - Diretor do Subcomitê de Aeroportos - SCB 2:01
Eng. Alex Kenya Abiko - Diretor do Subcomitê de Edificações - SCB 2:02
Eng. Augusto Carlos Vasconcelos - Diretor do Subcomitê de Estruturas - SCB 2:03
Eng. Carlos de Souza Pinto - Diretor do Subcomitê de Geotécnica - SCB 2:04
Eng. Pedro Boscov - Diretor do Subcomitê de Normalização Básica - SCB 2:06
Eng. Gerardus Zaeyen - Diretor do Subcomitê de Portos - SCB 2:07
Eng. Paulo Teixeira Sayão - Diretor do Subcomitê de Rodovias e Obras de Arte - SCB 2:08
Eng. Atílio Mariano de Araújo Pereira - Diretor do Subcomitê de Saneamento Básico
- SCB 2:09
Arg. Geraldo Serra - Diretor do Subcomitê de Urbanização - SCB 2:10
Eng. José Carlos de Arruda Sampaio - Diretor do Subcomitê de Segurança no Trabalho
- SCB 2:11
Anexo D

Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados - CB 18

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas


São Paulo: Av. Torres de Oliveira, 76. SP 05347-902. Fax: 011-268-5984
Eng. Mário William Esper - Presidente
Eng. Fernando Jardim Mentone - Vice-Presidente
Eng. Mônica Sibylle Korff Muller - Diretora Secretária
Eng. Ronaldo Tartuce - Assessor para assuntos de concreto
Prof. João Gaspar Djanikian - Assessor para assuntos de qualidade
Prof. Denise Coitinho dal Molin - Diretora do núcleo regional sul
Eng. José Tomaz França Fontoura — Diretor do núcleo regional centro-oeste
Eng. Walton Pacelli de Andrade - Diretor SCB 18:01 - Cimentos e Adições
Geólogo Cláudio Sbrighi Neto - Diretor SCB 18:02 Agregados
Eng. Francisco Gladston Hollanda - Diretor SCB 18:03 Concreto
Eng. Vera Lúcia A. Sardinha - Diretor SCB 18:04 Pastas e Argamassas
Eng. Vera Lúcia A. Sardinha - Diretor SCB 18:05 Aditivos, Adesivos, Águas e
Elastômeros
Eng. Jairo Abud - Diretor SCB 18:06 Concreto Dosado em Central
Ines Laranjeira da Silva Battagin - Secretária Executiva
Suely - Secretária
Anexo E

Faculdades de Engenharia

1 - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo


Av. Prof. Almeida Prado, s/n, trav. 2 - Butantã
05508 - São Paulo-SP

2 - Escola de Engenharia da Universidade Católica de Petrópolis


Av. Barão do Amazonas, 124 - Centro - CP 944
25600 - Petrópolis-RJ
3 - Escola Politécnica da UFRGS
Av. Oswaldo Aranha, 99 - Centro
90000 - Porto Alegre-RS
4 - Escola Politécnica da PUC/RS
Av. Ipiranga, 6.681 - Partenon - CP 1429
90000 - Porto Alegre-RS
5 - Centro Tecnológico da Unisinos
Praça Tiradentes, 35 - Centro - CP 275
93000 - São Leopoldo-RS

6 - Universidade do Rio Grande


Rua Eng. Alfredo Huck, 475 - Campus Universitário
96200 - Rio Grande-RS

7 - Centro Tecnológico da UFPI


Campus Universitário - Ininga
64000 - Teresina-PI

8 - Centro de Ciências e Tecnologia da Unicap


Rua Príncipe, 528 - Campus Universitário - B. Vista
50000 - Recife-PE

9 - Instituto Militar de Engenharia-IME


Praça General Tibúrcio, s/n - Praia Vermelha
20000 - Rio de Janeiro-RJ
326 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

10 - Escola de Engenharia de Piracicaba


Av. Mons. Martinho Salgot, 560 - Vila Rezende
13400 - Piracicaba-SP
11 - Faculdade de Engenharia de São José dos Campos
Praça Cândido Dias Castejon, 75 - Centro
12200 - São José dos Campos-SP
12 - Universidade de Taubaté - Diretoria Acadêmica de Engº Civil
Av. XV de Novembro, 996 - Centro
12100 - Taubaté-SP
13 - Instituto Tecnológico da Aeronáutica-ITA
Centro Técnico Aeroespacial
12200 - São José dos Campos-SP
14 - Faculdade de Engenharia da UFJF
Cidade Universitária - Bairro dos Martelos
35100 - Juiz de Fora-MG
15 - Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da UFMT
Cidade Universitária - Coxipó da Ponte
78000 - Cuiabá-MT
16 - Centro Tecnológico da UFMS
Cidade Universitária
79100 - Campo Grande-MS
17 - Escola de Minas da Ufop
Praça Tiradentes, 20
35400 - Ouro-Preto-MG
18 - Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UCMG
Av. Dom José Gaspar, 500, Coração Euc. - CP 2686
30000 - Belo Horizonte-MG
19 - Fac. de Engenharia da Fundação Mineira de Educação e Cultura
Rua Domingos Diniz Moreira, 120
32000 - Contagem-MG
20 - Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da UFV
Campus Universitário
36570 - Viçosa-MG

21 - Faculdade de Engenharia Civil de Itajubá


Rua José Joaquim, 36 - Bairro Varginha - CP 17
37500 - Itajubá-MG
22 - Faculdade de Engenharia Civil de Alfenas
Rua Presidente Arthur Bernardes, 717
37130 - Alfenas-MG
Anexo E - 327

23 - Faculdade de Engenharia Civil de Passos


Av. Juca Stockler, 1.130 - Bairro Belo Horizonte
37900 - Passos-MG
24 - Escola de Engenharia do Triângulo Mineiro
Av. Nenê Sabino, s/n - Cidade Universitária
38100 - Uberaba-MG
25 - Faculdade Federal de Engenharia da Universidade de Uberlândia
Av. Universitária, s/n - Santa Mônica
38400 - Uberlândia-MG
26 - Instituto de Tecnologia de Governador Valadares - MIT
Rua Moreira Sales, 850 - V. Bretas - CP 295
35100 - Gov. Valadares-MG
27 - Escola Politécnica de Pernambuco
Praça do Internacional, 455 - Madalena
50000 - Recife-PE
28 - Centro de Tecnologia da UFPE
Cidade Universitária - Engenho do Meio
50000 - Recife-PE
29 - Escola de Engenharia de Volta Redonda
Fazenda Três Poços, s/n - Estrada Pinheiral
27180 - Volta Redonda-RJ
30 - Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie
Rua Itambé, 45
01239 - São Paulo-SP
31 - Faculdade de Engenharia da FAAP
Rua Alagoas, 903
01242 - São Paulo-SP
32 - Faculdade de Engenharia de São Paulo
Rua Arabé, 71
04042 - São Paulo-SP
33 - Instituto de Ensino de Engenharia Paulista da Sociedade Unificada Paulista
de Ensino Renovado Objetivo
Rua Luiz Góes, 2.211
04043 - São Paulo-SP
34 - Faculdade de Engenharia Civil - Santa Cecília
Rua Oswaldo Cruz, 266 - CP 1213
11100 - São Paulo-SP
35 - Faculdade de Engenharia de Sorocaba
Rua Arthur Gomes, 51
18100 — Sorocaba — SP
328 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

36 - Escola de Engenharia de Lins


Av. Nicolau Zarvos, 1.925 - Centro - CP 103
16400 - Lins-SP
37 - Faculdade de Engenharia de Bauru
Rua Campos Sales, 9-43 - Vila Falcão
17100 - Bauru-SP
38 - Centro de Tecnologia da UFAL
Cidade Universitária - Tabuleiro dos Martins
57000 - Maceió-AL
39 - Faculdade de Tecnologia da Universidade do Amazonas
Estrada do Contorno - Campus Universitário
69000 - Manaus-AM
40 - Centro de Tecnologia da UFC
Campus do Pici
60000 - Fortaleza-CE
41 - Escola de Engenharia da UCSAL
Av. Joana Angélica, 39 - Nazaré
40000 - Salvador-BA
42 - Escola Politécnica da UFBA
Rua Aristides Novis, 2 - Federação
40000 - Salvador-BA
43 - Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da UFSE
Rua Vila Cristina, 1.051 - Centro
49000 - Aracaju-SE
44 - Centro de Ciências e Tecnologia da UFSCAR
Via Washington Luiz, km 234 - CP 676
13560 - São Carlos-SP
45 - Faculdade de Engenharia Civil de Araraquara
Av. Brasil, 782 - Centro
14800 - Araraquara-SP
46 - Escola de Engenharia do Maranhão da FESM
Campus Universitário - Bacanga
65000 - São Luís-MA
47 - Instituto Politécnico de Ribeirão Preto
Rua Pe. Euclides, 995 - Campos Elíseos - CP 757
14100 - Ribeirão Preto — SP

48 - Escola de Engenharia Mauá


Estrada das Lágrimas, 2.035
09500 - São Caetano do Sul-SP
Anexo E - 329

49 - Faculdade de Engenharia da Universidade de Mogi das Cruzes


Av. Dr. Cândido Xavier A. Souza, 200 - CP 411
08700 - Mogi das Cruzes-SP
50 - Escola de Engenharia da UFRJ
Centro de Tecnologia, B. A. Ilha Universitária
20000 - Rio de Janeiro-RJ
51 - Faculdade de Engenharia de Blumenau-Furb
Rua Antônio da Veiga, 140 - CP 7-E
89100 - Blumenau-SC
52 - Centro de Tecnologia da UFPB
Cidade Universitária - CP 350
58000 - João Pessoa-PB
53 - Setor de Tecnologia da UFPR
Centro Politécnico - Jardim das Américas
80000 - Curitiba-PR
54 - Setor de Ciências Exatas e Naturais da Univ. Estadual Ponta Grossa
Praça Santos Andrade, s/n - Centro
84100 - Ponta Grossa-PR
55 - Centro de Ciências Exatas da UCPR
Rua Imaculada Conceição, 1.155 - CP 2293
80000 - Curitiba-PR
56 - Centro de Ciências Rurais e Tecnologia da Univ. Estadual Londrina
Campus Universitário - Perobal
86100 - Londrina-PR
57 - Centro de Tecnologia da Universidade Estadual de Maringá
Av. Colombo, 3.690 - Campus Universitário
87100 - Maringá-PR
58 - Centro de Tecnologia da UFPA
Campus Universitário - Guamá
66000 - Balém-PA
59 - Centro de Ciências e Tecnologia da UFPB
Av. Aprígio Veloso, 822 - Bodocongó
58100 - Campina Grande-PB

60 - Centro de Tecnologia da UFRN


Campus Universitário
59000 - Natal-RN
61 - Faculdade Integrada Santo Ângelo-Fisa
Campus da Fundames, s/n - CP 203
98800 - Santo Angelo-RS
330 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

62 - Faculdade de Engenharia de São José do Rio Preto


Av. Bady Bassit, 3.777 - Centro
15100 - São José do Rio Preto-SP
63 - Escola de Engenharia de São Carlos
Av, Dr. Carlos Botelho, 1.465
13560 - São Carlos-SP
64 - Faculdade de Engenharia de Barretos
Via Conselheiro Antônio Prado, s/n - Aeroporto
14780 - Barretos-SP
65 - Escola de Engenharia Veiga de Almeida
Rua Ibituruna, 108 - Tijuca
20000 - Rio de Janeiro-RJ
66 - Centro de Ciências Tecnológicas da Unifor
Av. Washington Soares, 1.321 - Agua Fria - CP 1258
60000 - Fortaleza-CE
67 - Centro Tecnológico da Ufes
Campus Universitário - Goiabeiras
29000 - Vitória-ES
68 - Escola de Engenharia da UFGO
Praça Universitária, s/n
74000 - Goiânia-GO
69 - Centro Técnico da UCG
Praça Universitária, 1.440 - CP 86
74000 - Goiânia-GO
70 - Centro de Tecnologia da UFSM
Cidade Universitária - Camobi
97100 - Santa Mônica-RS
71 - Faculdade de Engenharia de Limeira - Unicamp
Av. Cônego Manoel Alves, 129
13480 - Limeira-SP

72 - Faculdade de Engenharia Industrial e Civil de Itatiba


Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45 - Centro
13250 - Itatiba-SP

73 - Faculdade de Ciências Tecnológicas da PUCC


Praça Imaculada, 105 - Swift
13100 - Campinas-SP

74 - Escola de Engenharia da UFF


Rua Passos da Pátria, 156 - São Domingos
24000 - Niterói-RJ
Anexo E - 331

75 - Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UCPEL


Rua Félix da Cunha, 412 - Centro - CP 402
96100 - Pelotas-RS
76 - Centro Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Santa Úrsula
Rua Fernando Ferrari, 75 - Botafogo
20000 - Rio de Janeiro-RJ
77 - Escola de Engenharia do Rio de Janeiro da Universidade Gama Filho
Rua Manoel Vitorino, 379 - Piedade
20000 - Rio de Janeiro-RJ
78 - Faculdade de Engenharia Civil de Nova Iguaçu
Rua Anita, 152
26000 - Nova Iguaçu-RJ
79 - Centro Técnico Científico da PUC/RJ
Rua Marquês de São Vicente, 225 - Gávea
20000 - Rio de Janeiro-RJ
80 - Faculdade de Engenharia Civil de Barra do Piraí
Rod. Benjamin Ielpo, km 11 - CP 228
27100 - Barra do Piraí-RJ
81 - Centro Tecnológico da UFSC
Campus Universitário - Trindade, CP 476
88000 - Florianópolis-SC
82 - Faculdade de Engenharia Souza Marques
Av. Emani Cardoso, 335 - Cascadura
20000 - Rio de Janeiro-RJ
83 - Escola de Engenharia da UFMG
Rua Espírito Santo, 35 - Centro
30000 - Rio de Janeiro-RJ

84 - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - Unesp


Av, Ariberto Pereira da Cunha, 333
12500 - Guaratinguetá-SP
85 - Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira - Unesp
Av. Brasil Centro, 56
15378 - Ilha Solteira-SP
86 - Faculdade de Engenharia Joinville - Fesc
Caixa Postal D - 001
89200 - Joinville/SC
87 - Faculdade de Engenharia General Roberto Lisboa
Av. Ministro Edgard Romeiro, 807 - Vaz Lobo
20000 - Rio de Janeiro-RJ
332 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

88 - Faculdade de Tecnologia UNB


Campus Universitário - Asa Norte
70910 - Brasília-DF
89 - Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Espírito Santo, 35, Centro
30000 - Belo Horizonte-MG
90 - Faculdade de Engenharia da Fundação Mineira de Educação e Cultura
Rua Cobre, 200
30000 - Belo Horizonte-MG
91 - Universidade de Guarulhos
Praça Thereza Cristina, 01 - Centro
07020 - Guarulhos-SP
Anexo F

Professores de Materiais de Construção

Alfenas/MG
Eng. Eduardo de Aquino Gambale
Eng. Normando Trindade de Moraes
Eng. Paulo Afonso da Mata Machado
Eng. Sander David Cardoso

Aracaju/SE
Tec. Aloísio Rodrigo Teti Filho
Eng. Angela Tereza Costa Sales
Tec. Antonio da Graça Silva Eliodorio
Tec. Antonio Roosevelt Luz Dantas
Eng. Carlos Henrique de Carvalho
Tec, Emmanuel da Silva Nascimento
Eng. José Jackson do Amor Divino
Eng. José Moura Santos
Tec. Moacir Vianna dos Santos
Tec. Ronaldo Luz Dantas

Araras/SP
Eng. Luiz Alfredo Cotini Grande

Barra do Piraí/RJ
Eng. João Paulo de Freitas Oliveira
334 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Barretos/SP

Eng. Henrique Emesto de Oliveira Bianco


Eng. José Carlos Clausen

Bauru/SP

Eng. Adilson Renofio


Geol. Nariaqui Cavaguti
Eng. Norival Agnelli

Belém/PA

Eng. Aldo Henrique Risuenho Garcia


Arg. Alegria Benzecry Anijar
Prof. Delisle Lopes da Silva
Eng. João Batista Vieira Silva
Eng. José Zacarias Rodrigues da Silva Jr.
Prof. Luiz Alberto Penna de Carvalho
Arg. Sergio Augusto Pereira da Rocha
Prof. Sergio Fiuza de Mello Mendes

Belo Horizonte/MG

Eng. Ana Augusta Passos Resende


Eng. Dalmo Lucio Mendes de Figueiredo
Eng. Delson José de Carvalho
Eng. Enio Piroli
Eng. Esdras Poty de Franca
Eng. Joaquim Roque Teixeira
Eng. José Henrique Lessa Couto
Arq. Leticia Maria de Souza Lima Alvare
Eng. Mario Omar Soares
Eng. Mauricio Cardoso Lemos
Tec. Percilia Melgaco de Morais
Anexo F - 335

Eng. Rafael Berti Cavalieri


Eng. Renato Castelo Lopes
Eng. Rubens José Pedrosa Reis
Eng. Ruth Silveira Borges
Eng. Santelmo Xavier Filho

Blumenau/SC

Eng. Neri José Marchezan

Brasília/DF
Prof. Antonio Nepomuceno
Eng. Antonio Moreira Campolina
Eng. Elton Bauer
Dr”, Moema Ribas Silva

Cambé/PR

Eng. Ederaldo Furlaneto Junior

Campina Grande/PB

Eng. Ailton Alves Diniz


Eng. Carlos Roberto Vasconcelos Costa
Eng. Edna Celie da Cunha Machado
Eng. Ricardo Correia Lima

Campinas/SP

Eng. Fernando Henrique Sabbatini


Eng. Sergio Flavio Padilha

Campo Grande/MS
Arq. Antonio Luiz Guerra Gastaldini
336 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Est. Carlos Sebastião da Costa


Eng. Dary Werneck da Costa
Eng. Helio Baez Martins
Eng. Odilar Costa Rondon

Campos/RJ
Tec. André Luiz Pereira Laurindo
Tec. Fabiano de Almeida Cunha e O. Torre
Tec. Izabel Cristina da Silva Pereira
Tec. Jorge Reis Gomes de Souza
Tec. José Henrique Barreto Ressiguier
Eng. Luiz Fernando de A. Vianna
Eng. Mara Lucia Gonçalves Fernandes
Tec. Maria Bernadete Souza Silva
Eng. Mario Tito Varella Mayerhofer
Eng. Ottavio Costa Fernandes
Arq. Paulo Sergio Venancio Vianna

Coronel Fabriciano/MG

Eng. Orlando Rogério Rodriguez Marenco

Cruzeiro/SP
Eng. Maria Cecilia Novaes Firmo

Cuiabá/MT
Eng. João Batista Barbosa da Fonseca
Eng. João Timotheo da Costa
Eng. José M. Henriques de Jesus
Eng. Marcio de Lara Pinto
Eng. Miguel Slhessarenko
Eng. Walter Cavalheiros Teixeira
Anexo F - 337

Curitiba/PR
Prof. Aristides Athayde Cordeiro
Eng. Cesar Augusto Romano
Prof. Cesar Luiz Kloss
Eng. Edgard Fernando A. Acha
Eng. Gilberto Walter Gogola
Eng. Homero Luiz Reboli
Tec. Jan Kloczko
Tec. Jorge Frederico Kluppel
Tec. Luiz Carlos Wicnewski
Tec. Luiz Renato Xavier de Miranda
Eng. Marcia Keiko Ono Adriazola
Eng. Meuris Damaceno Cassou
Eng. Nelson Guimarães
Eng. Renor Valério da Silva
Eng. Sueli do Rocio Zanotto Borges dos R.
Eng. Tadeo Jaworski

Espírito Santo/ES
Eng. Nelson Rossi

Florianópolis/SC
Eng. Albeni Sponholz
Eng. Arnildo Barossi
Eng. Carlos Alberto Szucs
Eng. Ivo Cesar Martorano
Eng. Ivo José Padaratz
Eng. Jairo Ambrosini
Eng. João Batista Barretta Neto
Eng. José Bessa
Eng. Luiz Roberto Prudêncio Júnior
Eng. Maurli Vitorino
338 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Eng. Sérgio Veríssimo Ribeiro


Eng. Uacai Vaz Lorenzetti

Fortaleza/CE

Eng. Afrodizio Durval Gondim Pamplona


Eng. Aldo de Almeida Oliveira
Eng. Carlito José Gondim Pamplona
Tec. Francisco Dracon Guerra Catunda
Eng. Francisco Helder Caldas Albuquerque
Tec. José Edilson Pinto
Eng. Otavio Costa Filho
Prof. Roberto Duarte Vidal Silva

Goiânia/GO

Eng. Antonio Paulo Mendes


Tec. José Alves de Freitas
Eng. José Dafico Alves
Eng. Manuel Alves

Ilha Solteira/SP

Eng. Danilo Aguilar Filho


Eng. Gilberto de Ranieri Cavan
Eng. Marco Antonio de Moraes Alcantara

Itajubá/MG
Eng. Cidelia Maria Barbosa Lima
Prof. Rogerio Salles Goz

Itatiba/SP

Eng. José Luiz Oriani


Anexo F - 339

João Pessoa/PB

Eng. Ana Cristina Taigy


Eng. Antonio Nedeu Cavalcanti
Eng. Francisco Alves Chaves
Eng. Lino Borges de Vasconcelos
Eng. Marilo Costa
Eng. Normando Perazzo Barbosa

Joinville/SC
Eng. Anselmo Fabio de Moraes

Juiz de Fora/MG
Eng. José Geraldo Damianci Junior

Limeira/SP
Eng. Gladis Camarini
Eng. Victor Antonio Ducatti

Lins/SP

Eng. Edson Neme Fernandes Ruiz


Eng. João Carlos de Campos
Eng. Luiz Carlos Lima

Londrina/PR

Eng. Berenice Martins Toralles Carbonari


Eng. Eliane Simões Martins
Eng. Elias Plácido Vieira Cesar
Eng. Miriam Jeronimo Barbosa
Eng. Vilson Rodrigues da Silva

Maceió/AL

Eng. Alberto José Mendonça Cavalcante


340 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Eng. Ana Lúcia Costa Silva Lanverly


Eng. Jalbas Tavares Lira
Eng. Pedro Roberto M. Barbosa
Eng. Rusilane de Mendonça Andrade

Mariana/MG
Eng. Afonso Pereira

Maringá/PR
Eng. Ademir Scobin Gricoli
Eng. Daniel das Neves Martins
Eng. Nanci Bettinardi Couto

Mogi das Cruzes/SP


Eng. Carlos Roberto Godoi Cintra

Natal/RN

Eng. Ivana Sueli Soares dos Santos


Eng. José Bartolomeu dos Santos
Eng. Josué Martins da Silva
Eng. Luciano Alves de Sena

Niterói/RJ
Prof. Francisco José Varejão Marinho

Ouro Preto/SP

Eng. Álvaro Guimarães Bressan


Eng. Espedito Felipe Teixeira de Carvalho
Eng. Marcos Vieira
Anexo F - 341

Passos/MG
Eng. Sérgio Toitiu
Eng. Sidney Ramos Borges

Paulista/PE
Prof. Arnaldo Cardim de Carvalho Filho

Pelotas/RS
Eng. Everardo da Luz Antunes
Eng. Frederico Carlos Lang Neto
Tec. Lorgio Gonzales de Oliveira
Eng. Sergio Barum Cassal

Petrópolis/RJ
Eng. Adjamar Sartori Filho
Eng. José Edison de Paiva Bedran
Eng. Tarcel Henry P. Heizer

Ponta Grossa/PR
Eng. Edilson Sebastião Roth Batista
Eng. Ubiratan Elias Bernardo Martins
Eng. Valfrido Antonio Martins
Eng. Vicente Coney Campiteli

Porto Alegre/RS
Eng. Adamastor A. Uriartt
Eng. Adão Mautone
Arg. Arnaldo Knijnik
Eng. Claudio Rodolfo Sampaio Petrucci
Eng. Dirceu Duarte Calegari
Arg. Enoi José Vercoza
Eng. Fernando Antonio Piazza Recena
Eng. Ismael da Silva Bicca
342 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Eng. Jane Zoppas Ferreira


Eng. Moisés Schlafman
Eng. Paulo Rogerio Ribas Della Mea
Eng. Plinio Cabral de Mello
Eng. Ricardo Ferrari Ambros
Eng. Roberto Meimes
Eng. Ruy Pinheiro Lopes
Eng. Sergio Luiz de Macedo Ussan
Eng. Virgínia Costa Kieling

Recife/PE

Eng. Alfredo Pereira Correa


Eng. Beda Barkokebas Júnior
Eng. Bernardo Silva Monteiro
Eng. Gleidson Vasconcelos de Carvalho
Eng. Joaquim Correia Xavier de Andrade F.
Eng. José Maria Cabral de Vasconcelos
Eng. José Orlando Vieira Filho
Quim. Manoel Caetano Eustachio da Silva
Prof. Roberto Alvares de Andrade
Eng. Sergio Tavares
Eng. Tibério Wanderley Correia Andrade

Resende/RJ

Eng. Eitel Cesar Fernandes


Eng. Wagner Marzullo de Oliveira

Ribeirão Preto/SP

Eng. Carlos Augusto Querido

Rio Branco/AC

Eng. Atabyro Bayma Azevedo


Anexo F - 343

Rio Claro/SP

Prof. Valdir de Oliveira Júnior

Rio Grande/RS

Eng. Carlos Henrique Silva de Mello


Eng. Carlos José Borges da Fonseca
Eng. Ronaldo Ortiz Cunha

Rio de Janeiro/RJ

Eng. Abraham Zakon


Eng. Alcina Koenow Pinheiro
Arq. Américo Rodrigues Campello
Eng. Ana Maria Chiaradia Coelho
Tec. Ana Pires dos Santos
Eng. Antonio Joaquim P. de C. A. Neto
Eng. Antonio Jorge Delle Vianna
Labor. Antonio Raimundo Rodrigues Vaz
Arg. Aron Frydland
Eng. Bruno de Bonis
Eng. Carlos Augusto de Alcantara Gomes
Prof. Carlos Eugênio da Mota Albuquerque
Eng. Carlos Fernando de Avila Goulart
Eng. Carlos Henrique Paiva Siqueira
Eng. Cristina B. Junger
Eng. Dorinha Souza de Carvalho
Eng. Edmundo Henrique Ventura Rodrigues
Eng. Edson Monteiro
Eng. José Henrique Koenow Pinheiro
Eng. José Roberto Nunes
Eng. Julio Ferrarini Maione
Eng. Khosrow Ghavami
344 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Eng. Luiz Antonio Barbosa Correa


Eng. Luiz Fernando Machado Porto
Eng. Gilberto Luiz Rabelo
Eng. Gilberto Mascarenhas Barbosa do Val
Eng. Hermano Cesar Medaber Jambo
Eng. Homero Roberto Passos W. de Carvalho
Eng. Hostilio Xavier Ratton Filho
Eng. Humberto Félix Borges
Eng. Jacob Zimerfeld
Eng. João Carlos Cordeiro da Graça
Arg. Maria Amália Amarante de A. Magalhães
Eng. Marryton Augusto Severo
Prof. Mauricio Nemer Chicralla
Arg. Mauro Ribeiro Viegas
Eng. Meyer Chess Diamante
Eng. Moacyr Carvalho Filho
Arq. Nelson Machado
Eng. Norma Dora Mandarino
Eng. Pedro Paulo Voto Akil
Eng. Plauto Marcio Kleinsorgen da Paz
Eng. Protasio Ferreira e Castro
Arq. Rachel Markenzon Esquenazi
Eng. Rogerio Gomes Cortes
Eng. Samuel Hugo de Resende
Eng. Sandra Penha Alves de Souza
Arg. Walmir José Vieira
Arg. Walmor José Prudêncio
Eng. Walter Pereira Barcellos
Eng. Wanderley Guimarães Correa
Arq. Virginia Ferreira de Vasconcelos
Anexo F - 345

Salvador/BA
Eng. José Rogerio da Costa Vargens
Eng. Maria Cristina Freire Matos
Eng. Minos Trocoli de Azevedo
Eng. Ney Luna Cunha
Eng. Silvia Beatriz Beger Uchoa
Eng. Vitória Chicourel Norris
Eng. Wilson Dantas Maciel

Santa Maria/RS
Eng. Geraldo Cechela Isaia
Eng. José Antonio do Nascimento Pinto
Eng. José Basílio da Rocha Netto
Eng. Odilon Pancaro Cavalheiro

Santo André/SP
Eng. Emir Cesar Maida
Eng. José Ribeiro Macedo
Eng. Nelson Curotto Filho

Santo Ângelo/RS
Eng. José Mario Doleys Soares
Eng. Mauro Cesar Marchetti

Santos/SP
Eng. José dos Ramos de Almeida Batista
Prof. Zildete Teixeira Ferraz do Prado

São Bernardo do Campo/SP


Eng. Cleusa Maria Rossetto
346 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

São Carlos/SP

Eng. Antonio Luiz Guerra Gestaldini


Eng. Celso Aparecido Martins
Eng. Flávio Augusto Picchi
Eng. Laercio Ferreira e Silva
Eng. Lafael Petroni
Eng. Marcos Vinicius Costa Agnesini
Eng. Osny Pellegrino Ferreira

São José dos Campos/SP


Eng. Gilberto Freire Rosa
Eng. José Abílio da Silva
Eng. Reginaldo Durval Rocha

São José do Rio Preto/SP

Eng. Artur Gonçalves

São Paulo/SP

Eng. Adolfo Recusani Filho


Prof. Alberto de Campos Borges
Prof. Alex Kenya Abiko
Eng. Amantino Ramos de Freitas
Eng. Antonio Carlos Dantas Cabral
Eng. Antonio Castanheira Neto
Eng. Antonio Domingues de Figueiredo
Eng. Carlos Eduardo de Siqueira Tango
Eng. Celso Couto Júnior
Eng. Ercio Thomaz
Prof. Giovanni Palermo
Eng. Hernani Savio Sobral Junior
Eng. Isaac Chazan
Anexo F - 347

Eng. João Gaspar Djanikian


Tec. Jorge Elias Dib
Prof. José Lincoln de Magalhães
Eng. Luiz Alfredo Falcão Bauer
Eng. Luiz Antonio Pereira de Oliveira
Eng. Mara Fátima do Prado
Quim. Maria Alba Cincotto
Eng. Maria Aparecida de Azevedo Noronha
Eng. Mario William Esper
Eng. Edio Giovannetti
Eng. Eduardo Antonio Serrano
Eng. Eduardo Ioshimoto
Eng. Einih Leiderman
Prof. Dr. Francisco de Assis Souza Dantas
Eng. Francisco Romeu Landi
Eng. Franco Luciano Polloni
Eng. George Inoue
Eng. Gerd Gerson
Eng. Gilberto Antônio Giuzio
Eng. Paulo Roberto do Lago Helene
Eng. Ragueb Chauki Banduk
Tec. Raul Rodrigues Pan
Tec. Rozzane Nalli Scaramucci
Eng. Selmo Chapira Kuperman
Arg. Sheila Walbe Ornestein
Eng. Silvia Maria de Souza Selmo
Eng. Simão Priszkulnik
Eng. Suzana Marracchini Giampietri
Eng. Tomio Kitice
Eng. Ubiraci Espinelli Lemes de Souza
Eng. Vahan Agopyan
Eng. Vladimir Antonio Paulon
Eng. Yasuko Tezuka
348 - Manual de Dosagem e Controle do Concreto

Sorocaba/SP
Eng. Carlos Azevedo Marcassa
Eng. Eraldo Couto Campelo

Taubaté/SP
Eng. Milton de Freitas Chagas

Teresina/PI
Eng. Antonio Ferreira Soares Neto
Tec. Francisco Alves de Oliveira
Tec. Francisco de Assis Fortes
Tec. Raimundo Nonato da Cunha Sobrinho
Eng. Solange Ribeiro de Souza Almeida

Tombos/MG
Eng. José Wallace Lopes Martins de Oliveira

Tremembé/SP
Eng. Marcio Joaquim Estefano de Oliveira

Uberaba/MG
Eng. Lazaro Elveci de Oliveira

Uberlândia/MG
Eng. Antonino Martins da Silva Junior
Eng. Antonio Eduardo Polisseni
Eng. Claudio Cardoso
Eng. Everson José Beicher
Eng. João Fernando Dias
Eng. Marilda Barra de Oliveira
Eng. Robinson Ney de Vasconcelos
Anexo F - 349

Viçosa/MG
Eng. Carlos Eduardo Rangel Paes
Eng. Henrique Paiva Del Giudice
Eng. José Dário Singulano
Eng. Lauro Gontijo Couto

Vila Velha/ES
Eng. Romulo Costa Filho

Vitória/ES
Eng. Elvio Antonio Sartório
Eng. Fernando Avancini Tristão
Eng. Fernando Lordello dos Santos Souza
Eng. Francisco Luiz Feu Rosa Pavan
Eng. George de Barcellos Sá Antunes
Tec. Ivan Gasparini
Eng. João Luiz Calmon Nogueira da Gama
Eng. Jolindo Martins Filho -
Eng. Marcel Olivier Ferreira de Oliveira
Eng. Maristela Gomes da Silva
Eng. Newton Fernando Araujo Brant
Eng. Paula Baião Machado de Vasconcelos
Eng. Ronaldo Feu Rosa Pacheco
Eng. Sebastião Magalhães Cameiro

Volta Redonda/RJ
Eng. Apolonio Tannus Filgueiras Ribeiro
Eng. Joaquim Luiz Vilela Freitas
Eng. Luiz Paulo da Costa
e Engenheiro Civil, formado-em 1975 pela
Faculdade de Engenharia de Barretos (SP)
e Pesquisador do IPT-Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo, no
período de 1976 a 1989

e Membro da Diretoria Executiva do


Ibracon-Instituto Brasileiro do Concreto,
no período de 1988 e 1989
e Professor de Materiais de Construção na
Faculdade de Engenharia de Lins, em 1988

e Professor de cursos de Produção e


Aplicação do Concreto em conjunto com
a ABCP-Associação Brasileira de Cimento
Portland

e Participante de várias Comissões Técnicas


de Normalização da ABNT/CB-18
e Realizou vários cursos de pós-graduação
e de atualização na Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo
e Autor do trabalho: "Exigências Básicas
na Produção e Aplicação do Concreto em
Estruturas”, publicado pela ABCP, 1990
e Participante da equipe que desenvolveu
o “Programa de Qualidade da Execução
das Estruturas de Concreto da Construtora
Encol”, no período de 1988 a 1992, com
atuação nas áreas de Dosagem, Produção
e Aplicação do Concreto e Concreto
Auto-Adensável

e Consultor na Área de Tecnologia dos


Materiais e Execução de Estruturas de
Concreto
Nesta obra são apresentados inicialmente os conceitos básicos
de controle e dosagem dos concretos de cimento Portland.
Em seguida é feita uma detalhada revisão histórica da
evolução da consideração da dosagem dos concretos nas
normas nacionais e estrangeiras.

No capítulo referente à resistência de dosagem e controle,


são apresentados resultados surpreendentes da influência da
variação da resistência do cimento na variabilidade da
resistência dos concretos.

Finalmente, o método de dosagem e o sistema de controle


da qualidade apresentados em detalhes neste trabalho têm
sido empregados em inúmeras obras nacionais,
proporcionando às empresas que os adotaram significativas
economias e melhoria da qualidade das estruturas de
concreto.

06.183/MDC 9"788572"66007 5

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