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Transformação da OUA para UA: Contexto e Razões

Este documento analisa a transformação da Organização da Unidade Africana (OUA) para a União Africana (UA). A OUA foi criada em 1963 para promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos e combater o colonialismo, mas foi substituída pela UA em 2002 para ter uma estrutura mais adequada aos desafios atuais da África. A UA tem órgãos como a Assembleia, Comissão e Parlamento Pan-Africano para promover a cooperação política e econômica entre os estados membros.

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Selemane Chale
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Transformação da OUA para UA: Contexto e Razões

Este documento analisa a transformação da Organização da Unidade Africana (OUA) para a União Africana (UA). A OUA foi criada em 1963 para promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos e combater o colonialismo, mas foi substituída pela UA em 2002 para ter uma estrutura mais adequada aos desafios atuais da África. A UA tem órgãos como a Assembleia, Comissão e Parlamento Pan-Africano para promover a cooperação política e econômica entre os estados membros.

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Fátima Nabate

A Transformacao da OUA para UA

Licenciatura em ensino de História com habilitações em Documentação

Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022

Fátima Nabate
A Transformacao da OUA para UA

Trabalho de carácter avaliativo, a ser


entregue no Departamento de Letras e
Ciências Sociais, recomendado na cadeira
de História de África IV, Curso de
História 3º ano 1ºSemestre, leccionada
por,

Docente: MA: Mouzinho M. Lopes Manhalo

Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022

Índice
Introdução...................................................................................................................................4

1. Transformação da OUA para UA.................................................................................5

1.1. Objectivos da OUA..................................................................................................5

2. União Africana (UA)....................................................................................................5

2.1. Factores e insucessos da UA....................................................................................6

 Um passado recente......................................................................................................6

 Um presente em construção.........................................................................................7

3. PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA UNIÃO AFRICANA.....................................................8

3.1. Assembleia................................................................................................................8

3.2. Comissão..................................................................................................................8

3.3. Parlamento Pan-Africano.........................................................................................9

3.4. Tribunal de Justiça....................................................................................................9

3.5. Conselho Executivo..................................................................................................9

3.6. Comité de Representantes Permanentes...................................................................9

3.7. Conselho de Paz e Segurança.................................................................................10

3.8. Conselho Económico Social e Cultural..................................................................10

3.9. Comités Técnicos Especializados...........................................................................10

3.10. Instituições Financeiras.......................................................................................10

4. O Papel da Diplomacia da Frelimo............................................................................10

Conclusão..................................................................................................................................13

Referências Bibliográfica..........................................................................................................14

Introdução

O presente trabalho de pesquisa, versa o tema da Transformacao da Organização da Unidade


Africana (OUA) para União Africana, assim OUA foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis
Abeba, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua
Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes, para
enfrentar o colonialismo e o neocolonialismo e apropriação das suas riquezas. A OUA foi
substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002.

Objectivos do trabalho

Objectivo geral

 Analisar a transformação da OUA para UA.

Objectivos Específicos

 Descrever a UA e as conferencias
 Explicar as razões de mudança da OUA para UA.

No que tange a estruturação do trabalho obedece as regra a introdução onde se destaca o tema
e seus respectivos objectivos, o desenvolvimento que começa com o tema do trabalho, de
seguida a identificação dos países que fazem parte desta rica organização, em todos âmbitos, a
conclusão onde feita apreciação do grupo e por ultimo esta a referencia bibliográfica dos
autores citados no texto.

1. Transformação da OUA para UA

Segundo Ki-zerbo, (2002, p. 399), o nascimento da Organização da Unidade Africana (OUA, em


Adis Abeba, de 22 a 26 de Maio de 1963. Encontra-se na capital Etíope, no Africa Hall, trinta e um
chefes de Estado e de Governo africanos. Era a maior reunião deste género verificada até ai na
História contemporânea.

A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis


Abeba, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua
Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes, para
enfrentar o colonialismo e o neocolonialismo e apropriação das suas riquezas. A OUA foi
substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002. (Dopcke, 2002:S/p).

1.1. Objectivos da OUA

Os objectivos da OUA, Picasso, (2003) & Ki-zerbo, (2002), expressos na sua Constituição
eram:

 Promover a unidade e solidariedade entre os Estados africanos;


 Coordenar e intensificar a cooperação entre os Estados africanos, no sentido de atingir
uma vida melhor para os povos de África;
 Defender a soberania, integridade territorial e independência dos Estados africanos;
 Erradicar todas as formas de colonialismo da África;
 Promover a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas e a
 Declaração Universal dos Direitos Humanos;
 Coordenar e harmonizar as políticas dos Estados membros nas esferas política,
diplomática, económica, educacional, cultural, da saúde, bem-estar, ciência, técnica e
de defesa.
2. União Africana (UA)

A União Africana (UA), é uma organização pan-africana cuja tarefa é a promoção da paz e
prosperidade num continente unido.

A União Africana sucedeu a organização da Unidade Africana (OUA), fundada em 25 de


Maio de 1963, num contexto de lutas de descolonização. Tornou-se, assim, necessário ter uma
estrutura mais consentânea com a actualidade e capaz de solucionar os problemas do
continente.

2.1. Factores e insucessos da UA


Ki-zerbo, (2002), Quando, em 1963, foi criada a Organização de Unidade Africana (OUA), o
espírito político que presidiu à sua edificação pautava-se pela necessidade de
desenvolvimento de uma instituição que acolhesse os Estados africanos recém-independentes
conferindo-lhes um enquadramento continental. Num contexto internacional marcado pela
Guerra Fria, África procurava, assim, emergir enquanto entidade una e coesa num palco de
competidores fortemente bipolarizados. Todavia, este projecto acabou por ficar aquém das
expectativas, pelo menos no que respeita ao desenvolvimento de competências
supranacionais, tendo a OUA assumido um papel eminentemente simbólico de afirmação dos
Estados pós-coloniais, em detrimento da edificação de um verdadeiro modelo de união
política.

 Um passado recente

Logo no início dos anos sessenta, tornou-se evidente a dificuldade de conciliação de duas
tendências entre os Estados africanos: a promovida pelo denominado Grupo de Monróvia e a
sustentada pelo Grupo de Casablanca.

O Grupo de Monróvia, reunindo os doze Estados africanos francófonos participantes na


Conferência de Monróvia em Brazzaville em Dezembro de 1960, a que se juntaram a Libéria,
Serra Leoa, Nigéria, Togo, Somália, Tunísia, Etiópia e Líbia (reunidos pela primeira vez na
Conferência de Monróvia em Maio de 1961), propalava um modelo de construção da unidade
africana baseado na ideia de convivência de Estados plenamente independentes e soberanos,
enquadrados num fórum africano de debate e concertação de ideias. Resultava desde modelo
uma especial importância atribuída à temática fronteiriça e ao principio da intangibilidade de
fronteiras, tidos como alicerces incontornáveis do processo, à época incompleto, de redefinição
da realidade política em África. Ki-zerbo, (2002, p. 340).

O Grupo de Casablanca, promovido pelo Gana, Guiné Conacri, Mali, Marrocos, Egipto e
Argélia (reunidos pela primeira vez num encontro realizado em Casablanca em Janeiro de
1960 e do qual resultou a Carta de Casablanca) era apologista de um modelo pan-africanista
apontado como maximalista. De acordo com este modelo, o projecto unificador subjacente à
OUA poderia tomar a forma de verdadeira União de Estados com o forjar de uma nova
entidade política supra-Estados. A ideia de possibilidade de advento dos Estados Unidos de
África, radicando numa ideia ancestral de que “a união faz a força”, visava a maximização das
afinidades entre Estados africanos e o usufruto da complementaridade de múltiplas realidades
com um passado, apesar de tudo, comum, a passar pelo domínio colonial e pela natureza
incipiente dos processos de construção e funcionamento dos Estados pós-independências.
A estas diferentes visões quanto à natureza da dinâmica de integração associavam-se ainda
diferentes perspectivas quanto ao ritmo do processo. Gradualistas e Imediatistas opunham
visões diferenciadas quanto ao calendário e agenda dos diferentes modelos preconizados.

O modelo organizativo e de competências presente na formalização da criação da OUA em


25 de Maio de 1963, decorreu, em certa medida, da primazia de um figurino minimalista.
Porém, pesem embora as décadas passadas, mantém-se vivo o debate em torno do modelo de
funcionamento da organização.

 Um presente em construção

Ainda Ki-zerbo, (2002, p. 340-341), Quase cinquenta anos depois, a realidade africana é, no
entanto, substancialmente diferente. Ao reduzido dinamismo da OUA correspondeu a criação
de diversas organizações regionais e sub-regionais com atribuições predominantemente
económicas, mas cujo espectro de acção foi evoluindo, ao longo dos anos, para se apresentar
hoje como embrião de processos de integração política regional, cuja convivência e
articulação com projecto de integração continental resulta numa incógnita.

Ao que parece, terá vingado, por força das circunstâncias, o sucesso de uma opção
regionalista nas políticas externas dos Estados africanos em face das dificuldades de
harmonização política numa organização envolvendo 53 Estados (35 inicialmente).

A diversidade cultural, histórica, política e económica presente no continente africano


constituiu (e possivelmente constituirá ainda) uma barreira na implementação de projectos
mais ambiciosos de integração.

Em África, a integração continental nos anos sessenta parecia não ser compatível, naquele
momento, com o exercício pleno de uma recém-adquirida soberania num ambiente de
incipiente inserção na economia mundial.

Como seu resultado, verifica-se hoje a existência em África de diversas organizações de


cooperação regional cujo dinamismo acabou por ultrapassar a esfera meramente económica
para enveredar por uma dinâmica de aprofundamento político dos laços regionais. Em
diferentes estádios de integração, estas organizações são actualmente actores incontornáveis na
vida política e económica africana, tendo actuado como catalisadores do relacionamento inter-
Estados e dos processos de desenvolvimento e crescimento económico em algumas regiões,
contribuindo para o relançar da reflexão em torno das possibilidades de união continental.
ibidem.

Foi este intuito que presidiu, em 2002, à evolução da OUA para a União Africana (UA) num
contexto alargado de redefinição do panorama internacional, em resultado do final da guerra
fria e tendo como pano-de-fundo não só os avanços verificados no plano da cooperação
regional a nível económico e político, mas também as dificuldades experimentadas por muitos
Estados na consolidação de sociedades estáveis e democráticas, voltando a relançar-se a ideia
de abordagem colectiva a problemas comuns. A noção de “incrementalíssimo gradual” parece
ser agora dominante, muito embora persistam dúvidas quanto ao formato ulterior do modelo
em construção.

3. PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA UNIÃO AFRICANA


3.1. Assembleia

Reúne chefes de Estado e governo dos Estados membros e é o órgão principal da União
Africana.

 O seu presidente é eleito anualmente entre seus membros. Entre as suas funções
destacam-se: determinar as políticas comuns da União; apreciar candidaturas de novos
membros; aprovar o orçamento da União;
 Orientar a actividade da organização em matéria de Paz e Segurança e nomear o
presidente da Comissão.
3.2. Comissão

Composta por um presidente, um vice-presidente e oito comissários. Estes dez elementos


deverão reflectir uma representação de dois elementos por cada uma das regiões africanas,
sendo que um destes deverá ser uma mulher. O presidente e o vice-presidente são eleitos por
maioria de 2/3 pela Assembleia de chefes de Estado e de governo.

na perspectiva de Ki-zerbo, (2002, p. 342) defende que,

Os comissários encontram-se adstritos a diversas áreas temáticas entre as quais se destaca: Paz
e Segurança, Assuntos Políticos, de Infra-estruturas e Energia, Assuntos Sociais, Recursos
Humanos, Ciência e Tecnologia, Comércio e Indústria, Economia Rural e Agricultura,
Assuntos Económicos.

Entendida como mais um passo no erguer do Governo da União, na 12.ª Cimeira da União
Africana, que decorreu em Addis Abeba em Janeiro de 2009, fi cou decidida a transformação
da Comissão em Autoridade Africana cujo debate sobre o seu formato e modo de
operacionalização ficou agendado para a 13.ª Cimeira, em Julho de 2009. Esta Cimeira
atribuiu à Comissão a missão de preparação da implementação desta mudança. Com um
mandato que se espera mais alargado daquele que actualmente serve de base ao
funcionamento da Comissão, espera-se que este novo órgão venha a dispor de um presidente,
um vice-presidente e vários secretários.

3.3. Parlamento Pan-Africano

Órgão consultivo com início de actividade em Março de 2004, na Etiópia, como um dos
órgãos mais emblemáticos da UA, o PAP (Pan African Parliament) possui a sua sede na
África do Sul. Reúne duas vezes por ano e constitui um fórum de debate e aprofundamento de
reflexões sobre os mais diversos temas a envolver a actividade da UA. Termina em 2009 o
primeiro período de actividade, que corresponde também à sua fase de implementação (2004-
2009), é debatida a sua continuação em actividade enquanto verdadeiro órgão legislativo.

Cada Estado membro da UA que tenha ratificado o Tratado Constitutivo do PAP ( neste
momento 48 dos 53 Estados que integram a UA) encontra-se representado por cinco
elementos, eleitos para o efeito a nível das estruturas parlamentares nacionais. O PAP possui
um presidente que é assessorado por quatro vice-presidentes em representação de cada uma
das cinco regiões consideradas na UA, estes compõem o Bureau do PAP.

3.4. Tribunal de Justiça

Composto por 11 juízes. Actualmente integram o colectivo de juízes: Hamdi Fanoush da


Líbia, Kelello Mafoso-Gunni do Lesoto, El Hadji Guisse do Senegal, Fatsah Ouguergouz da
Argélia (com mandatos de quatro anos iniciados em Janeiro de 2006), Modibo Guindo do
Mali, Jean Mutsinzi do Ruanda, Gerard Niyungeko do Burundi (com mandatos de seis anos
iniciados em Janeiro de 2006), Sophia Akuffo do Gana, Githu Muigai do Quénia, Joseph
Mulenga do Uganda e Bernard Ngoepe da África do Sul (com mandatos de seis anos iniciados
em Julho de 2008).

3.5. Conselho Executivo

Composto pelos ministros dos Negócios Estrangeiros (ou outros indicados) de cada Estado-
membro. Reúne duas vezes por ano para dar cumprimento às suas atribuições.

3.6. Comité de Representantes Permanentes

Composto por representantes de cada Estado-membro. Encarregue da preparação do trabalho


do Conselho Executivo, actuando na sua dependência.
3.7. Conselho de Paz e Segurança

Órgão político de tomada de decisão em matérias relacionadas com a Prevenção, Gestão e


Resolução de conflitos, tendo por objectivo fulcral a resposta atempada e efi caz a situações
de conflito e crise em África. As actividades deste Conselho são apoiadas pela Comissão, por
um Painel de Sábios, por um Sistema Continental de Alerta Precoce, por uma Força Africana
em Alerta e por um Fundo Especial.

3.8. Conselho Económico Social e Cultural

Que congrega associações, grupos culturais e sociais, representações profi ssionais,


organizações comunitárias entre outros núcleos de associativismo em África. Encontra-se
organizado em: Assembleia Geral, Standing Committee, Comités Sectoriais , Comité de
Credenciais e um Secretariado.

3.9. Comités Técnicos Especializados

Destacam-se 14 comités temáticos: Economia Rural e Assuntos Agrícolas; Assuntos


Monetários, Financeiros e Planeamento Económico e Integração; Comércio, Indústria e
Minerais; Transportes, Infraestruturas Transcontinentais e Intraregionais, Energia e Turismo;
Género e Capacitação das Mulheres; Justiça e Assuntos Legais; Desenvolvimento Social,
Trabalho e Emprego; Serviço Público, Governo Local, Desenvolvimento Urbano e
Descentralização; Saúde População e Controlo da Toxicodependência; Migração, Refugiados
e Deslocados Internos; Juventude, Cultura e Desporto; Educação, Ciência e Tecnologia;
Comunicações; Defesa e Segurança.

Cada Comité funciona como órgão de preparação dos programas e projectos da União e,
numa fase posterior, como órgão de acompanhamento e implementação dos mesmos.

3.10. Instituições Financeiras

Banco Central Africano, Banco Africano de Investimento e Fundo Monetário Africano.

4. O Papel da Diplomacia da Frelimo

Descrito o quadro prevaleceste em África e o papel da OUA nessa conjuntura neste tópico
procura responder algumas questões sobre Moçambique cultivou a sua personalidade
moçambicana e consolidou a sua soberania até que hoje figura na lista de países
frequentemente solicitados pelas comunidades internacional para partilhar a sua modesta
percepção e visão sobre o seu modelo de resolução de conflitos.

Todo o processo de luta armada de libertação em África foi acompanhado por um conjunto de
acções diplomáticas que visavam desmascarar os actos de brutalidade levados acabo pelo
sistema colonial no continente e angariar apoio multifacetado dos vários segmentos incluindo
o da comunidade internacional.

A multiplicação das lutas nacionalista no mundo; o início dos processos de descolonização em


algumas partes do mundo e da África; a existência de fortes movimentos de opinião pulicas
anticolonialista nos países ocidentais; surgimento do bloco socialista; o triunfo da revolução
socialista na china e mais tarde em cuba e as condições desumanas de exploração a que os
povos africanos estavam sujeitos, constituíram ingredientes necessários para a
consciencialização do homem africano sore a imperatividade de desmantelar o sistema colonial
no continente. Picasso, (2003, p. 104).

Para a FRELIMO, a diplomacia foi posta em acção como um instrumento indispensável na


cristalização da consciência moçambicana, África e Internacional no processo de procura de
solução pacíficas sobre o problema africano. Isto significou que a diplomacia deveria
inscrever-se no plano de acções pacíficas a desencadear tanto no seio dos próprios africanos
como no nível internacional. Kwame Nkrumah disse no seu discurso em 1961, que,

A séculos, os europeus dominaram o continente africano. Roubaram do continente as vastas


riquezas e infringiram um inimaginável sofrimento as populações africanas. Esta claro que
nos africanos devemos encontrar solução para os nossos problemas. E isto só é possível com
a unidade africana. Divididos estamos fracos. Unidos, a África poderá tornar-se numa das
maiores forcas do mundo. (Ibid., p.105).

Salientar que os 300 delegados a conferência de todos os povos africanos, realizados em


Accra, Gana, de 5 a 13 de Dezembro de 1958, adoptaram, por unanimidade, uma importante
resolução sobre ‟ imperialismo e colonialismo ˮ quanto as acções brutais do imperialismo e
colonialismo no continente contribuíram para a formação de frentes unidas contra os
colonizadores e superaram todas as diferenças que existiam entre os africanos até a data tendo
ainda constituído um dos instrumentos de pressão diplomática da África a comunidade
internacional, sobre tudo no que tange a valorização dos direitos humanos no mundo, a luz da
carta das nações unidas. Na esteira destas e de outras acções, a assembleia geral das nações
unidas adoptou, em 1960, uma declaração que garante independência a países e povos
colonizadoras.
Picasso, (2003, p. 105) salienta que,

Em Moçambique, a previa unificação dos três movimentos em Dar-es-Salam, a 25 de Junho de


1962 levou a formação da FRELIMO, frente da libertação de Moçambique e revelou o carácter
particular da Moçambicanidade, o trabalho diplomático desencadeou por vários dirigentes
deste movimentos em vários países, sobretudo no ocidente incluído juntos das nações unidas,
pelo Eduardo Chivando Mondlane, permitiu que, cedo, a FRELIMO fosse reconhecida pelas
nações unidas e OUA, como a única organização que lutava pela independência de
Moçambique, tendo, por isso, sido membro observador da OUA, com este estatuto a
FRELIMO granjeou uma reputação invejável e recebeu da OUA, através do seu comité de
libertação e de varias outras organizações, países e pessoas singulares apoios incalculável.

Importa ainda salientar que, a diplomacia da FRELIMO/Frelimo foi sendo privilegiada no


sentido de que estes atribuíam este instrumento o papel de busca de solução por via pacifica
seja qual fosse a natureza do problema, este aspecto e importante tendo em conta que
FRELIMO colocou nesse processo, o dialogo permanecente como forca catalisadora um
elemento indissociável e com efeitos multiplicadores importantes no processo de articulação
entre as forcas internas e externa a luz da construção da identidade moçambicana.

Este paradigma moçambicana foi assumindo um carácter exclusiva fazendo com que ao longo
do curso da história recente, o país alcançasse importantes vitórias. A união dos três
movimentos foi alcançada em Dar-Es-Salaam em 25 de Junho de 1962, os acordos de Lusaka
de 7 de Setembro de 1974 e, muito recentemente, de Roma de 4de Outubro de 1992 e a forma
expilar como o país tem vindo a gerir o processo de paz e reconciliação nacional, como
paradigmas de desenvolvimento, podemos concluir que a diplomacia moçambicana e na
verdade, o produto do carácter cultural da Moçambicanidade, responsável pelo crescente
aumento do prestígio e legitimidade do pais para níveis mais distintos jamais visto.

O carácter solitário e a linha política que norteava os princípios mais importantes da


FRELIMO e do povo moçambicano, Samora Moisés Machel integrou-os seguinte plano;

A luta do povo do Zimbabwe pela liberdade, tornou-se desde cedo para povo moçambicanos, a
sua própria luta. Em 1972, ainda durante a guerra popular de libertação nacional, entregamos
aos combatentes do Zimbabwe as nossas armas, as nossas munições. Nesse período treinamos
nas nossas bases mito combatentes, recebemos nas nossas zonas liberdades populações
Zimbabwe que fugiam a repressão. PICASSO, (2003, p. 106).
Conclusão
Em gesto de conclusão, A União Africana (UA), sucedeu a organização da Unidade Africana
(OUA), fundada em 25 de Maio de 1963, num contexto de lutas de descolonização. Tornou-
se, assim, necessário ter uma estrutura mais consentânea com a actualidade e capaz de
solucionar os problemas do continente.

Como refere Ki-zerbo, (2002), Quando, em 1963, foi criada a Organização de Unidade
Africana (OUA), o espírito político que presidiu à sua edificação pautava-se pela necessidade
de desenvolvimento de uma instituição que acolhesse os Estados africanos recém-
independentes conferindo-lhes um enquadramento continental. Num contexto internacional
marcado pela Guerra Fria, África procurava, assim, emergir enquanto entidade una e coesa
num palco de competidores fortemente bipolarizados. Todavia, este projecto acabou por ficar
aquém das expectativas, pelo menos no que respeita ao desenvolvimento de competências
supranacionais, tendo a OUA assumido um papel eminentemente simbólico de afirmação dos
Estados pós-coloniais, em detrimento da edificação de um verdadeiro modelo de união
política.

importa referir que, Logo no início dos anos sessenta, tornou-se evidente a dificuldade de
conciliação de duas tendências entre os Estados africanos: a promovida pelo denominado
Grupo de Monróvia e a sustentada pelo Grupo de Casablanca.
Referências Bibliográfica
Dopcke, Wolfgang. (2002). A Organização da Unidade Africana: novas encenações do

continentalismo africano. RERIDIANO 47 N.

Ki-zerbo, Joseph. (2002). História da Africa Negra II. 3a edição. Publicações Europa-
América, LDA.

Picasso, Tome J.L. (2003). Da Organização da Unidade Africana (OUA) à União Africana

(UA):Percurso, Lições e Desafios. Maputo:CIUA.

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