Capítulo 2
Breve Panorama
da Bioeconomia no Brasil
Danielle Alencar Parente Torres
Adriana Mesquita Corrêa Bueno
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Introdução
Este capítulo tem por objetivo apresentar iniciativas para o desenvolvimento
da bioeconomia no Brasil. Existem várias instituições e atores que estão trabalhando
para a bioeconomia brasileira, mas, dada a impossibilidade de se abarcar todas
elas em uma única publicação, decidiu-se apresentar uma amostra em diferentes
categorias.
Para compreender quais instituições e setores estão envolvidos e quais
políticas podem afetar seu desenvolvimento, inicia-se pela discussão do conceito
de bioeconomia. Ao apresentar o conceito, pretende-se destacar elementos
comuns entre as instituições e suas diferenças. A ideia é entender o que há de
diferente nessa “nova” economia. Em uma economia, há pessoas/atores que
produzem bens e serviços, atividades e setores relacionados, políticas de fomento,
leis que a regulamentam e impactos para a sociedade. No entanto, a pergunta
é a seguinte: por que está havendo essa discussão e mobilização em torno da
bioeconomia em diversos países, incluindo o Brasil?
Com base nisso, para que seja possível reconhecer as oportunidades
de parcerias que poderão impulsionar e acelerar as iniciativas em curso, neste
capítulo pretende-se identificar quais ações já estão sendo realizadas, quais atores
e instituições estão atuando e os locais do Brasil em que essas ações ocorrem.
É possível também identificar lacunas e necessidades de incentivos e fomentos
para evitar que essa “nova” economia aumente ainda mais as desigualdades
dentro do País.
É importante enfatizar que a instituição ou o ator utilizados como exem
plos trabalham com algum tema dentro da bioeconomia e utilizam o termo
bioeconomia. Muitas instituições trabalham e desenvolvem a bioeconomia, no
entanto nem sempre utilizam o termo. As instituições do terceiro setor no Brasil
entram nessa categoria, ou seja, ainda não utilizam o termo e, por isso, houve
dificuldade em apresentá-las neste capítulo.
O capítulo segue com mais sete seções: na segunda seção, é apresentada
uma amostra das experiências do setor privado; na terceira, serão discutidas
brevemente algumas experiências em universidades; já na quarta seção, os setores
da bioeconomia no Brasil serão apresentados; na quinta, políticas relacionadas à
bioeconomia são discutidas; na sexta seção, as legislações são apresentadas; na
sétima seção, destacam-se iniciativas de bioeconomia para a Amazônia. Por fim,
encerra-se o capítulo com algumas considerações finais.
66
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Bioeconomia no Setor Privado Brasileiro
O termo bioeconomia passou a ser utilizado no Brasil somente na década
de 2000, porém, considerando-se a importância da biotecnologia e da energia
renovável para o desenvolvimento do País, pode-se dizer que o Brasil desenvolve
Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na área da bioeconomia desde
a década de 1980. Em 2011, um levantamento do Centro Brasileiro de Análise e
Planejamento (Cebrap), em parceria com a Associação Brasileira de Biotecnologia
(BrBiotec Brasil), apontou a existência de 237 empresas que possuíam a biotecno
logia como atividade principal. No setor agropecuário, o Brasil é um dos líderes em
pesquisas em melhoramento genético e biotecnologia, com o desenvolvimento
de diversas variedades transgênicas. Em 2014, o Brasil ocupava o segundo lugar em
área global da produção agrícola intensiva em biotecnologia, graças às culturas da
soja, do milho e do algodão (James, 2014).
Confederação Nacional da Indústria
A CNI apresentou, em 2013, seu conceito de bioeconomia (Confederação
Nacional da Indústria, 2013, p. 6):
A bioeconomia surge como resultado de uma revolução de inovações
na área das ciências biológicas. Está relacionada à invenção, desen
volvimento e uso de produtos e processos biológicos nas áreas da
biotecnologia industrial, da saúde humana e da produtividade
agrícola e pecuária.
Nesse conceito, além do destaque para os recursos biológicos, são incluídos
os processos e a importância da inovação para o seu desenvolvimento. Em 2013,
a CNI destacou, como pontos estratégicos, os temas associados à biotecnologia
e à biodiversidade. Posteriormente, em sua publicação de 2020, apontou que há
várias definições para o tema; entretanto, o importante é primeiro entender que
há dificuldade de se chegar a um consenso e que as possibilidades em bioeconomia
serão tantas quantos os ecossistemas e modelos socioeconômicos (Pereira, 2020).
A ampliação da definição é um reconhecimento das diversas alternativas, que
deverão ser escolhidas de acordo com as vantagens e os interesses de cada país,
região, localidade.
A CNI está entre as instituições que têm dado destaque à bioeconomia.
Em 2013, lançou a publicação Bioeconomia: uma agenda para o Brasil, que foi
67
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
organizada a partir de três debates, com consultores especializados, representantes
de empresas, membros da academia e funcionários do governo, que discutiram
a bioeconomia e forneceram subsídios para a construção dessa agenda. Essa
composição de participantes já indica a necessidade de integração entre setores
privado, público e acadêmico nas discussões sobre bioeconomia. A CNI utilizou
como base o documento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (Organisation for Economic Cooperation and Development, 2009)
que classifica a bioeconomia em três áreas: biotecnologia industrial, produção
primária e saúde humana. A CNI inicialmente propõe uma agenda transversal
que engloba seis ações que beneficiarão as três áreas. Entre essas ações estão:
a modernização do marco regulatório; o aumento dos investimentos em PD&I; o
adensamento da base científico-tecnológica; a ampliação e a modernização da
infraestrutura laboratorial; o estímulo ao empreendedorismo; e a disseminação
da cultura de inovação (Confederação Nacional da Indústria, 2013). Para a área
de biotecnologia industrial, a CNI considera dois elementos como centrais: a
biodiversidade brasileira e a competitividade na produção de biomassa. A partir
desses elementos, sugere que o foco da agenda em biotecnologia industrial esteja
ligado ao aproveitamento da biomassa por tecnologias e métodos avançados.
Além disso, propõe seis ações, entre as quais estão a formação de grupos de
especialistas para desenvolver pensamento estratégico sobre biologia sintética,
engenharia metabólica e outros temas importantes para o avanço da biotecnologia
industrial, bem como o incentivo ao que chamaram de “zoneamento de aptidão”,
a fim de identificar áreas da bioeconomia para produção e estabelecimento de
nichos (Confederação Nacional da Indústria, 2013).
Para a área de produção primária, a CNI avalia que o desenvolvimento da
bioeconomia fortalece a relação entre o setor primário e a indústria e destaca
ainda a possibilidade de utilização tanto de fontes renováveis para produção de
biocombustíveis quanto de matérias-primas e princípios bioativos em diferentes
setores. O documento também apresenta os seguintes tópicos como aplicações
em áreas de fronteira: biorreatores, biotecnologia florestal, reprodução vegetal
assistida, organismos geneticamente modificados (OGM), reprodução animal
assistida, coleta e conservação de germoplasma, plantas resistentes a estresses
abióticos e bióticos, biotecnologia azul e bioprospecção (Confederação Nacional
da Indústria, 2013).
Posteriormente, em 2014, a CNI lançou, como parte da série Propostas
da Indústria para as Eleições 2014, a publicação Bioeconomia: oportunidades,
obstáculos e agenda. O documento apresenta dois passos fundamentais para
68
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
que o Brasil possa desenvolver sua bioeconomia: a estruturação de um marco
regulatório inovador e adequado para a bioeconomia e o fortalecimento da base
científica e tecnológica. Ainda, aponta nove recomendações para que o País efetive
os passos mencionados: 1) modernizar o marco regulatório para a bioeconomia;
2) aumentar os investimentos em PD&I; 3) adensar a base científico-tecnológica
do Brasil; 4) ampliar e modernizar a infraestrutura laboratorial; 5) estimular o
empreendedorismo no País; 6) disseminar a cultura da inovação; 7) promover
a biotecnologia industrial; 8) promover a bioeconomia para a saúde humana; e
9) estimular a produção primária em biotecnologia (Confederação Nacional da
Indústria, 2014).
Em 2020, a CNI lançou o documento Bioeconomia e a indústria brasileira
(Pereira, 2020), em que aponta a bioeconomia como uma alternativa para tornar
o planeta mais sustentável, beneficiando a sociedade. Para isso, considera
fundamental o uso de tecnologias inovadoras e de recursos biológicos para a
produção de diversos produtos. No documento, são destacados alguns passos
considerados imprescindíveis. O primeiro deles é aproveitar a biodiversidade
brasileira para diversificar a produção, com foco em produtos de maior valor
agregado que possam contribuir para o mercado doméstico e internacional,
aumentando a participação desse tipo de produto nas exportações brasileiras.
O segundo passo é a necessidade de integração entre os diferentes atores que
já estão trabalhando para o desenvolvimento da bioeconomia, a fim de que
possam desenvolver tecnologias que utilizem recursos biológicos. O terceiro
passo é valorar a biodiversidade brasileira, ou seja, quantificar os benefícios para
que seja possível compensar aqueles que conservam. Para utilizar os recursos
da biodiversidade de forma sustentável, são necessários estudos, investimentos,
empreendedores, além de mecanismos de incentivos à inovação e redução de
burocracia.
Em comparação com o primeiro documento publicado (Confederação
Nacional da Indústria, 2013), em Pereira (2020), há uma grande preocupação com
o uso e a valoração da biodiversidade. Evidenciam-se também as oportunidades
que a diversidade de microrganismos no Brasil oferece; a importância da valoração
e seus conceitos associados, como, por exemplo, os serviços ambientais. Além
desses enfoques, Pereira (2020) discute sobre os biocombustíveis e a bioenergia,
as commodities químicas e os químicos de valor agregado, como fármacos e
cosméticos. Com este último documento, a CNI apresenta não somente um
amadurecimento da discussão sobre bioeconomia, com ênfase nas vantagens
comparativas do Brasil, representadas pela biodiversidade disponível, mas também
69
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
um fortalecimento do uso de tecnologias e ciência, além da preocupação com a
valoração, mensuração e formas de comunicar aos potenciais consumidores as
preocupações e as ações em direção à sustentabilidade.
Institutos do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial de Inovação
Os Institutos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de
Inovação foram criados para incrementar a relação entre o setor acadêmico e o
setor produtivo e têm por objetivo fornecer tecnologias, produtos e soluções para
atender a demandas específicas das empresas. O foco é a pesquisa aplicada, e
seus projetos podem começar nos estágios iniciais do processo inovativo, indo
até a etapa final de desenvolvimento. Existem 27 institutos em diferentes estados/
regiões do País, e alguns deles estão mais relacionados à bioeconomia. São
eles: Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos; Instituto Senai de Inovação
em Biomassa; Instituto Senai de Inovação em Química Verde; Instituto Senai de
Inovação em Energias Renováveis; Instituto Senai de Inovação em Biotecnologia;
e Instituto Senai de Inovação em Materiais Avançados e Nanocompósitos. A seguir
apresentam-se dois exemplos de institutos, suas localidades e focos de atuação
(Senai, 2020).
No Rio de Janeiro, está localizado o Instituto Senai de Inovação em Bios
sintéticos, que desenvolve soluções sustentáveis por meio da química e da
biotecnologia industrial a fim de disponibilizar novos produtos e processos.
Além de utilizar recursos não renováveis, também fornece produtos a partir de
renováveis, e suas áreas principais de atuação são as seguintes: Biotecnologia,
Transformações Químicas, Engenharia de Processos e Fibras.
Outro exemplo, localizado no Mato Grosso do Sul, é o Instituto Senai de
Inovação em Biomassa, que tem como objetivo realizar pesquisa aplicada para
desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos inovadores em
transformação de biomassa, a fim de agregar maior valor às commodities, às
matérias-primas e à biomassa residual por meio da introdução de novas tecnologias
em produtos e processos. Possui quatro linhas principais de atuação: Biotecnologia
Industrial e Engenharia de Bioprocessos; Utilização de Resíduos e Engenharia
de Processos; Energia e Sustentabilidade de Biomassa; e Desenvolvimento de
Materiais Orientados a Produto.
70
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Os Institutos Senai de Inovação e o apoio da indústria para sua criação
comprovam a necessidade de interação entre atores dos diversos setores e a
importância dada à ciência para inovação, agregação de valor e desenvolvimento
do setor privado.
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
Além da CNI, a Fiesp, desde 2012, começou a promover discussões e
workshops para debater a bioeconomia. O primeiro que é possível identificar em
sua página da internet teve por título Bioeconomia: o Conhecimento e o Sistema de
Inovação Holandês e ocorreu em 21 de novembro de 2012. O objetivo do evento
foi fomentar a cooperação técnica e científica entre Brasil e Holanda, e apresentar
as experiências dos dois países em bioeconomia.
A Fiesp possui uma definição de bioeconomia em sua página da internet,
que, apesar de bastante enxuta, ainda assim permite identificar os elementos
prioritários da instituição, na definição: “Bioeconomia é uma economia susten
tável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos
(seres vivos)” (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 2013). O cerne
está na utilização de recursos biológicos e na sustentabilidade. A página
agrega ainda dois elementos importantes. O primeiro deles considera que, a
partir da bioeconomia, é possível solucionar grandes desafios sociais, como as
crises econômicas, as mudanças climáticas, a substituição de recursos fósseis, a
segurança alimentar e a saúde da população. O segundo elemento reconhece que
a bioeconomia depende de pesquisas que transformem o conhecimento e criem
novas tecnologias para a indústria e a sociedade, destacando, especificamente, as
biociências, as tecnologias de informação, a robótica e os novos materiais a partir
de insumos de base biológica.
Em 2014, no seu Workshop de Inovação em Biotecnologia, foi apresentado
e discutido o estudo produzido pela Pugatch Consilium intitulado Construindo a
Bioeconomia, no qual são analisadas as estratégias de biotecnologia em diferentes
países. Ainda em 2014 e 2015, a Fiesp promoveu debates entre Brasil e Holanda
sobre bioeconomia.
Em dezembro de 2016, a Federação organizou um simpósio internacional
sobre bioeconomia em que foram apresentadas experiências internacionais da
Holanda, França, Alemanha e Índia. No simpósio, também houve uma oficina
de trabalho para discussão e definição de ideias para uma “chamada para ação”
na área de bioeconomia. Entre as sugestões/recomendações levantadas nessa
71
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
oficina, destacam-se as seguintes: as prioridades brasileiras deveriam ser as
direcionadoras para essa chamada para ação; a discussão sobre cidades limpas
poderia ser um ponto de partida; a necessidade de fomentar engajamento e
confiança entre os stakeholders para que se inicie um movimento de construção da
bioeconomia; a utilização dos resultados de ações e projetos da bioeconomia que
já estão em andamento como uma semente; a definição de focos e a construção
de uma estratégia de rede; o agronegócio como direcionador; a sensibilização
do público em geral sobre a bioeconomia (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo, 2016).
Por fim, dois pontos principais ficaram como proposições do evento.
O primeiro ponto é uma estratégia de conexão, necessária para temas complexos,
como é o caso da bioeconomia, entre os stakeholders, que são os seguintes:
empresas (grandes empresas, startups e produtores); governo, em diferentes níveis;
organizações de pesquisa; academia; investidores e sociedade (representada
pela mídia, ONGs, associações setoriais). Em segundo lugar, as seguintes ações
foram consideradas importantes: construir uma biblioteca com as iniciativas de
bioeconomia que estão em andamento; incentivar atividades do tipo Hackathon1
para selecionar projetos para prototipagem; buscar financiamento em diferentes
fontes de recursos, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp),
governo e empresas; criar um conselho de bioeconomia2 para organização das
ações elencadas (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 2016).
Em 2017, seguindo a sugestão do evento anterior, a Fiesp promoveu o
Simpósio de Bioeconomia: Clean Cities – Cocriando Ecossistemas Urbanos para
Biocidades 4.0. Nesse evento, foram apresentados os desafios mais relevantes
levantados pelas instituições participantes, as tecnologias disponíveis com potencial
para atender as necessidades e os anseios dos modos de vida das populações;
e casos práticos de sucesso na implementação de soluções em bioeconomia
aplicadas às cidades. Na segunda etapa do evento, realizou-se uma oficina sobre
cocriação de visões de oportunidades emergentes para as Biocidades 4.0.
1
A palavra Hackathon vem da mistura de duas outras palavras, em inglês: hack, que significa programar com
excelência, e marathon, de maratona. Traduzindo o conceito para o português, Hackathon é uma maratona
de programação que movimenta toda a área de tecnologia de uma empresa, podendo durar dias. O evento
tem como foco o desenvolvimento de soluções que possam impactar a organização tanto interna quanto
externamente. Na Embrapa, um exemplo de hackathon é o Ideas for Milk, evento que, em 2020, chegou à sua
quinta edição, disponível em: [Link]
2
No Capítulo 1 desta obra, sobre análise da governança, dos setores e da pesquisa da bioeconomia a partir de
atores internacionais selecionados, a iniciativa de implementar um conselho de bioeconomia foi realizada
por países que se destacam nessa temática, como Alemanha e Malásia.
72
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Ainda em 2017, a Federação promoveu o Simpósio Bioeconomia: Amazônia e
Agricultura Sustentável composto por quatro painéis direcionadores das discussões.
No painel Tecnologias para Produtividade Agrícola Disruptiva, foram discutidas as
potencialidades para expansão da produção de alimentos e energias de forma
sustentável e o estado da arte da pesquisa. No painel Amazônia: Florescendo
seu Maior Potencial para a Humanidade, foram exibidos quatro casos de
desenvolvimento da região a partir da biodiversidade amazônica. No painel Casos
Exemplares: Empreendedorismo Tecnológico para o Agronegócio, foram discutidos
exemplos de tecnologias voltadas para alavancar a produtividade agrícola e a
sistematização de processos em rede para ecossistemas empreendedores. Por
fim, no painel Biomimética: a Ciência que Captura a Genialidade da Vida, foram
apresentados casos da biomimética aplicados a diversos âmbitos, os quais foram
o ponto de partida para a etapa seguinte: uma oficina para criação de soluções
que estimulem ações concretas na direção de futuros desejáveis, que enfrentem
os desafios e capturem as oportunidades.
Nos anos seguintes, a preocupação com a Amazônia se aprofundou e a Fiesp
apresentou para o setor privado um estudo com números da Amazônia, em que se
apontam não somente avanços, mas também desafios para a sustentabilidade do
bioma (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 2019). E, em 2020, recebeu
o atual vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que apresentou o plano
de trabalho do Conselho Nacional da Amazônia, por ele presidido. Posteriormente,
em julho de 2020, a Fiesp recebeu o Instituto Escolhas, que apresentou um estudo
sobre a diversificação da atividade econômica no Amazonas.
Percebe-se que a Fiesp está juntando esforços e parceiros na discussão de
diversos temas afetos à bioeconomia, que vão desde a biotecnologia e passam
por cidades e biomas, com a preocupação de promover a sustentabilidade e o
bem-estar para as populações.
Associação Brasileira de Bioinovação
A Associação Brasileira de Bioinovação (Abbi), criada em 2014, é uma
organização civil sem fins lucrativos que representa empresas e instituições de
diversos setores da economia que empregam ou desenvolvem processos e
produtos que utilizam organismos vivos, modificados ou não, e seus derivados,
em atividades de interesse econômico industrial. Entre as associadas da Abbi,
encontram-se a Basf, a Braskem, a Dupont, a Novozymes e o Senai.
73
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
A instituição, que tem sede em São Paulo, SP, tem por missão promover
um ambiente econômico, social e institucional favorável à inovação e ao
desenvolvimento sustentável do setor de bioinovação no Brasil. De acordo com
a Abbi3, bioinovação é “o ramo da ciência que emprega ou desenvolve processos
e produtos que utilizam organismos vivos, modificados ou não, e seus derivados,
em atividades de interesse econômico”. A Abbi considera que a bioinovação
é a nova fronteira para o desenvolvimento e a reindustrialização do País.
A associação possui dois comitês temáticos (comunicação e assuntos regulatórios)
e cinco grupos de trabalho (biocombustíveis, bioquímicos, proteínas alternativas,
propriedade industrial e Frente Parlamentar da Bioeconomia – FPBioeconomia).
A Abbi vem se consolidando como um dos atores mais importantes no diálogo
interno sobre a sedimentação da bioeconomia no País, principalmente na conexão
entre o Legislativo, por meio da realização de diversos eventos em parceria com
FPBioeconomia, e o setor privado.
Para a Abbi, a bioeconomia inclui toda a cadeia de valor que é orientada
pelo conhecimento científico avançado e pela busca por inovações tecnológicas,
na aplicação de recursos biológicos e renováveis, em processos industriais para
gerar atividade econômica circular e benefício social e ambiental coletivo (Pereira,
2020). Nessa definição, fica claro o papel importante da ciência e do uso de recursos
biológicos e renováveis que geram atividade econômica com benefícios sociais
e ambientais. Ou seja, a atividade econômica sustentável trazendo bem-estar
para a sociedade.
Por fim, merece destaque também o fato de a Abbi ter lançado em 2018
o Prêmio Brasileiro de Bioeconomia, cujos objetivos são valorizar projetos
que estão contribuindo para a bioeconomia brasileira; identificar e apresentar
promotores do desenvolvimento da biotecnologia industrial; e dar apoio a esse
pensamento que está inspirando uma nova revolução industrial. Na primeira
edição, a Embrapa Agroenergia recebeu o prêmio na categoria Ideia, por
apresentar solução inovadora para acelerar a consolidação da bioeconomia
avançada4 brasileira, por meio do projeto Bioprocesso para Produção de Ácido
Xilônico a partir de Hidrolisados de Biomassa Lignocelulósica.
Disponível em: [Link]
3
“A bioeconomia avançada deve ser entendida como uma economia onde os blocos de construção básicos
4
para materiais, produtos químicos e energia são derivados de recursos biológicos renováveis, como
fontes vegetais e animais e microorganismos.” – EuropaBio – Building a Bio-based Economy for Europe in 2020.
Disponível em: [Link]
2018/#:~:text=A%20Sociedade%20Brasileira%20de%20Biotecnologia,consolida%C3%A7%C3%A3o%20
da%20Bioeconomia%20avan%C3%A7ada%20brasileira.
74
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas
Para o Sebrae (Sebrae, 2020a, p. 1):
A bioeconomia consiste em iniciativas sustentáveis baseadas na
utilização de recursos biológicos renováveis que visam inovar pro
cessos e/ou produtos em cadeias produtivas, gerando oportunidades
de mercado para os pequenos negócios.
O conceito enfatiza a utilização de recursos biológicos, mas o segundo
ponto essencial, coincidente com a CNI, é a inovação de processos e produtos que
permita a criação de novos mercados que beneficiem os pequenos produtores
acatando, assim, que eles façam parte dessa “nova” economia.
Nesta subseção, foram selecionadas iniciativas do Sebrae que têm como
finalidade o desenvolvimento da bioeconomia. Primeiramente, para a sua atuação
em inovação e acesso à tecnologia, o Sebrae elabora periodicamente Termos de
Referência (TR) e, em 2017, foi definido que haveria uma atualização do documento,
e a bioeconomia foi uma das diretrizes incluídas nessa atualização. Em 2018,
foi elaborado um TR de bioeconomia que apontou como direcionamento a
priorização dos negócios sustentáveis que criem oportunidades de mercado que
incluam, por exemplo, a valorização da biodiversidade, a produção e as compras
sustentáveis. O TR cita os seguintes exemplos de negócios inovadores: a produção
orgânica e agroecológica; a produção de plástico biodegradável a partir da fécula
da mandioca; a produção de energia e biocombustíveis a partir de biomassa; a
utilização de polímeros de química verde na indústria; a pesquisa e a utilização de
insumos da biodiversidade em produtos de higiene e cosméticos; e os produtos
biofármacos.
O TR também destaca outras práticas em sustentabilidade relevantes para a
bioeconomia, as quais incentivam a produção e o consumo sustentável, tais como:
a busca de certificações voluntárias; o desenvolvimento de sistemas produtivos
integrados e diversificados; a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); o apoio
à obtenção de licenciamento ambiental; a previsão do manejo sustentável na
utilização de recursos naturais, como o extrativismo de produtos madeireiros e
não madeireiros em florestas nativas; o apoio ao reflorestamento para a produção
de energia, carvão vegetal, briquetes, móveis, látex, óleos essenciais e outros de
forma sustentável; o uso eficiente de água e energia elétrica; e a utilização de
embalagens que não prejudiquem o meio ambiente (Sebrae, 2018a).
75
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Além dos negócios sustentáveis e das práticas de sustentabilidade, o
documento do Sebrae apresenta os setores considerados estratégicos para
que o Brasil se torne um país de destaque na bioeconomia mundial. São
eles: bioeconomia e agronegócio; bioeconomia e indústria; e bioeconomia e
valorização da biodiversidade. A partir desses setores, o Sebrae elenca, ainda, sete
áreas específicas: agricultura, alimentos e bebidas; florestas; higiene, cosméticos e
fitoterápicos; indústria têxtil e moda; casa e construção; bioplásticos e embalagens;
e bioenergia (Sebrae, 2018a).
Também em 2018, o Sebrae do Rio de Janeiro lançou o livro Empreende
dorismo em bioeconomia. Nessa publicação, a entidade apresenta 11 casos de
sucesso em diferentes temas/áreas da bioeconomia, tais como: reflorestamento;
carne de jaca; biodetergente para uso em hospitais; e recolhimento de resíduos.
Nos exemplos, apresenta-se a trajetória de cada caso, além dos elementos
importantes para seu sucesso (Sebrae, 2018b).
Em 2019, o Sebrae promoveu, no Acre, o 1° Workshop de Bioeconomia
e Bambu, em que foram apresentadas seis iniciativas que envolviam arranjo
institucional, pesquisa e estimativa de custo para quem deseja investir em um
produto florestal não madeireiro, como o bambu, para produzir, por exemplo,
objetos e joias (Sebrae, 2019a). Em Brasília, DF, a instituição promoveu, em
parceria com a Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) da Embrapa, o workshop
Oportunidades para a Inserção de Produtos da Biodiversidade no Ecossistema de
Inovação, cujo objetivo foi conectar pesquisadores, formuladores de políticas
públicas, organizações agroextrativistas e investidores para identificar novas
oportunidades de negócios (Embrapa, 2019).
Ainda em 2019, o Sebrae lançou o Projeto Inova Amazônia cujo objetivo
é selecionar empresas, startups e pessoas físicas com ideias de negócios que
possam contribuir para o desenvolvimento sustentável na região. Os aprovados
no processo passam por um processo de aceleração, de acordo com as suas
necessidades, e têm a ajuda de diversos serviços do Sebrae, como mentorias,
Sebraetec, agentes locais de inovação, branding, etc. (Sebrae, 2019b).
Percebe-se que a bioeconomia está na agenda do Sebrae, seja por meio de
eventos para discussão, documentos elaborados e/ou projetos lançados. Há uma
grande preocupação com oportunidades para o bioma Amazônia; além disso, a
entidade aponta que sua estratégia de atuação será para o desenvolvimento de
bionegócios com destaque para as cadeias produtivas de alimentos e bebidas;
energia; higiene e cosméticos; casa e construção; e moda.
76
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Green Rio
Embora não seja uma empresa ou associação do setor privado, o Green
Rio é um evento sobre bioeconomia que tem se tornado um espaço importante
para apresentações e discussões nos diferentes temas/áreas da bioeconomia,
com diversos atores, inclusive internacionais. Ademais, tem sido um local de
lançamentos e de cooperação entre países. Em 2019, além do lançamento do
Programa Brasil Bioeconomia Sociobiodiversidade do Mapa, foi realizado o
terceiro German-Brazilian Bioeconomy, em que foram apresentados cenários da
bioeconomia do Brasil e da Alemanha e assinados termos de cooperação bilaterais
entre a Embrapa e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pelo lado brasileiro,
e Fachagentur Nachwachsende Rohstoffe e.V. (FNR), Julius Kühn Institut e German
Biomass Research Centre (DBFZ), pelo lado alemão. Em 2019, apenas para se ter
uma ideia dos debates, os painéis foram sobre os seguintes temas: Amazônia
competitiva e sustentável; América Latina – cenários de uma economia verde;
Mercado de cosméticos na economia verde; Bioinsumos e agricultura sustentável;
Investimentos em bioeconomia; Fórum de energia; Potencial de mercado de
plantas medicinais; Saúde, gastronomia e gestão de resíduos; Agricultura no
estado do Rio de Janeiro e rural como protagonista da bioeconomia; Sesc – Prática
de compostagem de resíduos da merenda escolar, Mesa Brasil e seu Trabalho de
redução de desperdício de alimentos com instituições. A pauta ampla de discussões
com atores diversificados aponta algumas oportunidades e prioridades que o
Brasil, como um país continental e com grande biodiversidade, poderá aproveitar.
Em 2020, o evento foi realizado de forma virtual e novamente contou com
lançamentos de fomento à bioeconomia. Entre os lançamentos, Brasil e Alemanha
anunciaram chamada conjunta em pesquisa nas áreas de plantas medicinais e
biotecnologia industrial. Posteriormente, o Mapa anunciou recursos destinados
ao estado do Amazonas para trabalhos com cadeias produtivas da bioeconomia e
recursos para que a Embrapa desenvolva projetos sobre bioeconomia na Amazônia,
com destaque para as cadeias brasileiras de açaí, cupuaçu, mel e baunilha. O MCTI
também anunciou o lançamento do Projeto Cadeias Produtivas da Bioeconomia,
com enfoque em castanhas, cupuaçu e pirarucu, no bioma Amazônia, e licuri no
bioma Caatinga. Nesse momento, há um grande foco no bioma Amazônia, assim
como na biodiversidade, que já tem sido trabalhada ao longo do tempo, e sobre
a qual já existe conhecimento que pode ser aprofundado e/ou já disponibilizado
para produtores (Green Rio, 2020).
77
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Bioeconomia nas Universidades
Nesta seção, apresenta-se uma pequena amostra de como a academia está
trabalhando dentro da bioeconomia. Três instituições foram escolhidas como
exemplo, pois já estão utilizando o termo “bioeconomia” seja em seus programas,
seja em grandes projetos.
Universidade Federal do Rio de Janeiro
A Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui
um Grupo de Estudos em Bioeconomia (GEBio) que se dedica a análises, pesquisas
e produção de relatórios analíticos sobre o desenvolvimento da bioeconomia e da
economia circular e suas perspectivas no Brasil e no mundo. O GEBio apresenta a
seguinte definição de bioeconomia: “utilização de forma inovadora e sustentável
dos recursos biológicos renováveis ou biomassas” (Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2021).
O grupo foi criado em 2009, a partir de pesquisa realizada para a em
presa de química de renováveis Braskem acerca de inovações na utilização
de matérias-primas renováveis. Desde então, a Escola de Química e o GEBio
trabalham com bioprodutos, biocombustíveis, biorrefino e biomassa, temas
diretamente ligados à bioeconomia e à economia circular. Atualmente, o grupo
concentra-se em 12 temas de estudo, entre os quais se destacam os seguintes:
1) empresas estabelecidas em indústrias tradicionais (petróleo e gás, petroquímica
e química, agronegócio, papel e celulose, alimentos, cosméticos): estratégias
comparadas na bioeconomia; 2) matérias-primas renováveis: matéria-prima como
fator estruturante da bioeconomia; 3) produtos da bioeconomia: identificação de
oportunidades e desafios em novos produtos e o desenvolvimento de químicos;
4) ecossistemas de inovação relacionados à bioeconomia: dinâmica e evolução;
e 5) políticas de apoio à bioeconomia: estudo comparativo nos principais países
e regiões; análise dos processos de implementação e comparação com o caso
brasileiro.
Desde 2011, o GEBio já produziu 12 teses e dissertações, 9 artigos em
periódicos e desenvolveu 4 projetos, em parceria com o setor privado, relacionados
à bioeconomia. Em 2016 e 2017, o GEBio realizou, em parceria com a CNI e a
Abbi, três cursos de capacitação sobre bioeconomia e inovação, voltados para
78
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
profissionais de formação superior em áreas variadas com atuação ou interesse
na bioeconomia, tanto do governo, quanto do setor privado e da academia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) possui, desde 2015,
um núcleo que objetiva desenvolver produção do conhecimento e diálogo
em tópicos avançados em bioeconomia e temas ligados à sustentabilidade do
agronegócio: o Núcleo de Estudos em Bioeconomia Aplicada ao Agronegócio
(NEB-Agro), interligado ao Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios
(Cepan).
Desde sua criação, o NEB-Agro já produziu duas teses e três artigos em
periódicos relacionados à bioeconomia. Em 2015, a UFRGS realizou o 3° Simpósio
da Ciência do Agronegócio, cujo tema central foi a bioeconomia. No evento,
foram discutidas novas ideias e iniciativas que contribuam para a inovação e
a sustentabilidade no agronegócio a fim de diminuir os impactos causados
ao meio ambiente e à sociedade. O NEB-Agro é parceiro do Instituto Brasileiro
de Bioeconomia (Inbbio), que atua no Rio Grande do Sul, e tem como objetivo
promover o debate científico interdisciplinar e o desenvolvimento tecnológico
com foco na bioeconomia, a partir da elaboração de projetos e de cursos de
capacitação5.
Agropolo Campinas-Brasil
O Agropolo Campinas-Brasil é outra iniciativa que está sendo desenvol
vida em bioeconomia. Trata-se de uma plataforma de instituições – a Secretaria
de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto
Agronômico de Campinas (IAC), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e
do Instituto Biológico (IB); a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico,
Ciência, Tecnologia e Inovação; a Prefeitura de Campinas; a Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp); o Techno Park Campinas Associtech; e a
Associação Agropolis International – que tem por objetivo desenvolver projetos
de cooperação técnica nas áreas de agricultura, alimentação, biodiversidade,
Em 2019, o Inbbio promoveu seu primeiro curso de capacitação, sobre agricultura de precisão, em Porto
5
Alegre, RS, e Passo Fundo, RS.
79
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
bioenergia, química verde e desenvolvimento sustentável (Agropolo-Campinas,
2017).
O Agropolo criou o Projeto PPPBio-Fapesp: Políticas Públicas para o
Desenvolvimento da Bioeconomia, cujo objetivo é desenvolver um roadmap
da bioeconomia para o Brasil, com foco no estado de São Paulo e na região
de Campinas. A ideia é criar uma base da bioeconomia para o estado paulista
que possa servir de modelo para outras regiões e que ajude a impulsionar o
desenvolvimento econômico no Brasil (Agropolo-Campinas, 2017).
Na visão do projeto, a economia brasileira vai passar por uma transição,
nos próximos 10 a 35 anos, saindo de uma economia baseada em fósseis em
direção à bioeconomia, que se baseia em renováveis. Essa transição será feita
com o desenvolvimento de produtos de base biológica derivados da agricultura
e com alimentos, saúde, bioenergia e química verde que terão que ser eficientes,
efetivos, e conter vantagens do ponto de vista ambiental, social e econômico.
Entre as metas previstas estão as seguintes: aumentar a participação da
bioeconomia de 20% para 30%, em 2025, e para 40%, em 2050; dobrar o número
de empregos, em 2050, utilizando 2015 como base; e diminuir as emissões de
gases de efeito estufa em 40% (utilizando 2005 como base), em 2025 (Agropolo-
Campinas, 2017).
O Agropolo também apresenta alguns pontos estratégicos do setor
agropecuário que são importantes para enfrentar os desafios futuros: alimentos
mais adequados para consumo e processamento; alimentos com maior
densidade nutricional; alimentos funcionais; desenvolvimento de programas
inovadores em biossegurança; integração do conhecimento avançado em
biologia com as áreas de alimento, nutrição e saúde; automação na agricultura,
incluindo instrumentação e processos; avanços na agricultura de precisão,
expansão de certificação e rastreabilidade como forma de agregação de valor
(Agropolo-Campinas, 2017).
Além dessa visão geral e da específica para a agricultura, o projeto já
organizou uma série de oficinas de trabalho, que ocorreram nos anos de 2017,
2018 e 2019, em que foram discutidos vários temas, entre os quais estão os
seguintes: resíduos urbanos e agrícolas; energia, reciclagem de nutrientes e
produção de fertilizantes; combustíveis avançados para aviação e transporte
de carga; ingredientes, alimentos processados, funcionais e saúde; valorização
80
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
da biomassa para produtos químicos; novas tecnologias para agricultura de
precisão; óleos essenciais, plantas aromáticas e medicinais; novas embalagens
para alimentos e bebidas; pecuária de baixo carbono; enzimas e química verde;
uso sustentável da água; tecnologias para processamento de alimentos e
bebidas; nova indústria da bioeconomia – café; nova indústria da bioeconomia –
citros; novas oportunidades em bioeconomia – como começar um negócio
lucrativo baseado em resultados de pesquisas; seminário de startups inovadoras
do agronegócio (Agropolo-Campinas, 2021).
Em seu primeiro relatório, que resultou da oficina de discussão sobre a
visão do projeto, destacou-se a necessidade de elaborar um roadmap, a fim de
obter uma melhor visão da pesquisa necessária ao desenvolvimento da inovação
na bioeconomia. Ao longo do projeto, pretende-se executar as seguintes ações:
abordar assuntos de interesse do setor produtivo da bioeconomia, bem como
acessar novas fontes de financiamento; formar grupos de pesquisas e incentivar
parcerias e joint ventures; encorajar o desenvolvimento de novos produtos e
promover processos inovadores, além de prospectar novos mercados para
companhias localizadas em Campinas; encorajar a criação de startups e spin-offs
e dar projeção ao Agropolo-Campinas (Agropolo-Campinas, 2017).
A partir do exposto, percebe-se que há um interesse em várias áreas/
temas da bioeconomia e que as oficinas juntam atores de diversos setores,
instituições e áreas do conhecimento. Além disso, há uma preocupação em
fomentar parcerias, discutir soluções e criar negócios. Mais uma vez, tem-se a
criação de um ambiente de discussão em torno do tema e procura-se integrar os
diversos atores relevantes. Considerando-se que é uma região que já possui um
ecossistema de inovação, espera-se que o desenvolvimento da bioeconomia seja
facilitado pela proximidade das instituições, parcerias já existentes e facilidade
em mobilizar e aproximar os atores.
Setores da Bioeconomia no Brasil
Dentro desse mapeamento de instituições, áreas de atuação e atores,
é importante também reconhecer os setores e sua participação nessa “nova”
economia. No que se refere à mensuração do impacto econômico6 da bioeco
A quantificação, sobretudo econômica, da bioeconomia ainda é um desafio importante, pois as estatísticas
6
oficiais não diferenciam produtos resultantes de insumos fósseis daqueles oriundos de processos de base
biológica.
81
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
nomia no Brasil, estudo pioneiro publicado pelo BNDES utilizou o modelo
econômico insumo-produto, a partir de base de dados da OCDE, para realizar o
primeiro exercício de quantificação da bioeconomia do Brasil (Silva et al., 2018).
Segundo a modelagem feita, o valor da bioeconomia brasileira, em 2016, foi de
US$ 285,9 bilhões (ou 13,8% do PIB do País) no Brasil e de US$ 40,2 bilhões para
vendas das atividades econômicas localizadas em outros países, totalizando
US$ 326,1 bilhões (Silva et al., 2018).
A partir desse estudo, pode-se ter uma primeira ideia das atividades e dos
setores da bioeconomia e seus números. Os dados utilizados foram da matriz
insumo-produto do Brasil preparada pela OCDE (2016). A razão dessa escolha
foi o fato de essa base de dados estar atualizada com dados de 2016, enquanto
a matriz de insumo-produto brasileira publicada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) no momento da publicação ainda se referia a
2010. Uma desvantagem da utilização desses dados é que não estão incluídos
os biocombustíveis, que são extremamente relevantes para o Brasil. Apesar
disso, esse é considerado um importante primeiro passo para a mensuração da
bioeconomia brasileira.
A Tabela 1 apresenta as atividades em que 100% de suas vendas foram
consideradas como valor da bioeconomia. Também são apresentadas atividades
cuja participação das vendas da bioeconomia no total de vendas estava acima
de 3%. Esse corte na participação ainda é bem baixo porque a maioria das
atividades apresentou pequena participação. Outra informação interessante –
e que posiciona as atividades – é a participação das vendas da bioeconomia
por atividade em relação ao total das vendas. Na Tabela 1, fica claro que a
agropecuária e a fabricação de produtos alimentícios e bebidas são as grandes
atividades da bioeconomia no Brasil atualmente. A fabricação de produtos
químicos corresponde a apenas 2,1% das vendas da bioeconomia. Ou seja, o
setor primário ainda é o grande responsável pela bioeconomia no País e, dada a
importância desse setor para a economia brasileira e as vantagens comparativas
e competitivas que o Brasil possui no setor, a tendência é que continue sendo
responsável por grande parte do valor da bioeconomia. O fato de a produção de
químicos da bioeconomia apresentar participação de apenas 5,5% nas vendas
totais dessa atividade mostra a grande oportunidade que se tem de ampliação da
bioeconomia nessa indústria. Há uma boa perspectiva para o desenvolvimento
da bioeconomia, mas serão necessárias pesquisas e incentivos.
82
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Tabela 1. Participação das vendas das principais atividades da bioeconomia no Brasil.
Valor da
Valor da Valor da bioeconomia/
bioeconomia/
Atividade bioeconomia Valor da bioeconomia no
Vendas da
(US$ milhões) Brasil (%)
atividade (%)
Agropecuária 171.385 59,9 100,0
Silvicultura e exploração 8.752 3,1 100,0
madeireira
Pesca e aquicultura 4.334 1,5 100,0
Fabricação de produtos 65.242 22,8 26,7
alimentícios, bebidas e
produtos do tabaco
Hotelaria e serviços de 8.312 2,9 8,6
alimentação
Fabricação de produtos 6.027 2,1 5,5
químicos
Fabricação de têxteis, 2.135 0,7 3,4
vestuários e produtos de
couro
Fabricação de papel e 1.398 0,5 4,9
produtos de papel
Fonte: Silva et al. (2018).
Políticas Relacionadas à Bioeconomia
e à Atuação do Legislativo no Tema
Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(Encti 2016-2022) e o Plano de Ação em Ciência,
Tecnologia e Inovação em Bioeconomia do Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI)
Em 2016, o MCTI publicou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação (Encti) 2016–2022, que considerou a bioeconomia como um dos temas
estratégicos para o desenvolvimento da área de Ciência e Tecnologia (C&T)
no País. Em bioeconomia, as estratégias associadas têm como objetivo (Brasil,
2016b, p. 97):
83
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
[...] apoiar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para
agregação de valor aos bens e serviços da sociobiodiversidade
brasileira e promover maior interação entre os setores acadêmico e
produtivo, a fim de elevar a competitividade do país no cenário da
bioeconomia mundial, sempre considerando aspectos referentes à
conservação e preservação da biodiversidade nacional.
O MCTI considera que os biomas brasileiros e os ecossistemas marinhos
contribuem para o suprimento de alimentos, energia, biomateriais e moléculas e
princípios ativos de interesse econômico. Há um grande potencial de agregação
de valor aos recursos naturais e serviços ambientais, com a obtenção de produtos
e processos inovadores, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do
País, sempre com a preocupação de preservação e conservação da biodiversidade
(Brasil, 2016b).
No setor agropecuário, destaca-se o desenvolvimento de soluções para
problemas do setor, aumento de produtividade e de qualidade na produção
agropecuária. Além disso, na Encti argumenta-se que o desenvolvimento de
bioprocessos será importante para a conversão de biomassa em energia e
biocompostos. Por fim, aponta-se que a biotecnologia industrial terá papel
fundamental na utilização de resíduos agroindustriais e urbanos para produção
de energia e para redução de impactos ambientais (Brasil, 2016b).
Na área de química, o ministério pretende incentivar tecnologias que
contribuem para a eliminação da geração de resíduos perigosos, bem como a
redução de reagentes e solventes perigosos ou tóxicos, e a substituição de fósseis
por renováveis. Por fim, entende que o conhecimento para a biodiversidade não
deve ser considerado apenas como capital para geração de renda, mas sim como
fonte de prestação de serviços ambientais, tais como: a proteção dos solos e
bacias hidrográficas, a distribuição de chuva, a dispersão de sementes, o sequestro
de carbono e a manutenção de condições climáticas do planeta. Além disso, o
desenvolvimento de CT&I é importante para o conhecimento, a conservação, a
recuperação e a restauração dos ecossistemas e dos serviços ambientais (Brasil,
2016b).
Após o lançamento da Encti, foram elaborados planos de ações específicos
para cada tema estratégico e, em 2018, o governo federal lançou seu primeiro
documento oficial voltado especificamente para a bioeconomia. Segundo
o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioeconomia, ou Pacti
Bioeconomia, a bioeconomia é um novo paradigma econômico para auxiliar na
solução de parte das crises globais. Portanto, o Brasil deve estar bem preparado
84
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
para promover a inserção estratégica da bioeconomia brasileira no cenário global
e a convergência das agendas nacionais com os ODS. Para tanto, o plano traz
cinco linhas temáticas de atuação: biomassa; processamento e biorrefinarias;
bioprodutos (centrais); observatório brasileiro de bioeconomia; e instância central
coordenadora da bioeconomia (auxiliares).
A Tabela 2 apresenta os objetivos e metas do Pacti Bioeconomia e sua
aderência aos ODS alinhados à missão da Embrapa, a partir das três linhas
temáticas centrais definidas pelo MCTI. É interessante observar que a Empresa
pode contribuir em todas as linhas temáticas, além de fortalecer sua carteira
de projetos com financiamento externo. Existe, porém, potencial ainda mais
relevante nas linhas de biomassa e processamento e biorrefinarias. A Tabela 2
representa, ainda, um exercício, a partir das linhas do MCTI e dos ODS, de efetuar
um alinhamento com alguns portfólios da Embrapa que poderiam estar, em
conjunto com parceiros, se beneficiando de financiamento. Essa é uma sugestão
preliminar para mostrar que há possibilidade de convergência de interesses e de
integração de esforços nas linhas temáticas do Pacti Bioeconomia.
Outra instituição ligada ao MCTI que ajudará no fomento à bioeconomia
é a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii, 2020). Essa
organização social atua em cooperação com instituições de pesquisa científica
e tecnológica, públicas ou privadas, com foco nas demandas do setor privado.
Há um compartilhamento do risco na fase pré-competitiva da inovação com o
objetivo de estimular o setor industrial a inovar, utilizando tecnologias e, assim,
aumentar a força competitiva das empresas tanto no mercado interno como no
externo.
Em 2020, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com a
coordenação de bioeconomia do MCTI, iniciou o projeto Oportunidades e Desafios
da Bioeconomia (ODBio), que tem três objetivos principais. O primeiro é subsidiar
estratégias para implementação de políticas de CT&I para o desenvolvimento
da bioeconomia nacional. Para isso, os coordenadores do projeto sugerem que
projetos estruturantes orientados por missões sejam a base da implementação.
O segundo objetivo é propor um modelo de governança e o terceiro é criar um
observatório em bioeconomia.
Para alcançar seus objetivos, foram definidas seis metas e cinco resultados
esperados: 1) mobilização e engajamento de atores para discussão ampla da
bioeconomia no Brasil; 2) sistematização de dados, informações, oportunidades
e desafios para subsidiar políticas de CTI; 3) conscientização sobre opções de
85
Tabela 2. Objetivos do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioeconomia (Pacti Bioeconomia) alinhados à
missão da Embrapa, a partir das linhas temáticas centrais definidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
Linha Aderência
Objetivo do Pacti Bioeconomia alinhados à missão da Embrapa Portfólio Embrapa
temática aos ODS
Apoiar projetos, programas, consórcios e redes de pesquisa para a obtenção de conhecimentos
científicos e desenvolvimento tecnológico em insumos e serviços estratégicos para a produção
agropecuária, com foco no aumento da produtividade e melhor utilização de recursos
Biotecnologia Avançada
Fomentar e articular políticas e programas de PD&I em sistemas produtivos integrados e sustentá- Aplicada ao Agronegócio;
veis, preferencialmente aqueles que se proponham a utilizar áreas degradadas e em consonância ODS 2 Integração Lavoura-
aos preceitos da abordagem do Nexo Água-Energia-Alimento ODS 6 Pecuária-Floresta;
Biomassa Apoiar projetos, programas, consórcios e redes de pesquisa para a obtenção de conhecimentos ODS 7 Insumos Biológicos;
científicos e desenvolvimento tecnológico em metodologias e ferramentas para o melhoramento ODS 12 Mudanças Climáticas;
genético, tanto clássico quanto por modernas ferramentas biotecnológicas, de variedades produ- ODS 17 Nutrientes para a
toras de biomassa Agricultura; Recursos
Genéticos
Incentivar a prospecção de novas fontes e novos usos às biomassas e aos microrganismos advin-
dos da biodiversidade nacional, por meio de financiamento contínuo para PD&I e pela construção
de ambiente regulatório adequado
86
Promover a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico em insumos, equipamentos e
processos para pré-tratamento e tratamento de biomassas
Implantar e consolidar tecnologias para a gestão ambiental, com foco na descontaminação de Biotecnologia Avançada
solos e águas, no tratamento de águas residuais, na redução nas emissões de gases de efeito estufa ODS 6
Aplicada ao Agronegócio;
Processamen- (GEE) e consequente descarbonização da cadeia produtiva ODS 7
Energia, Química e Tecno-
to e biorrefi- ODS 8
Articular políticas, programas, projetos e ações vinculados às Tecnologias Convergentes (Biotecno- logia da Biomassa;
narias ODS 12
logia, Nanotecnologia, Tecnologias da Informação e Comunicação e Tecnologias Cognitivas) para Mudanças Climáticas;
ODS 17
desenvolvimento e aprimoramento dos processos produtivos na bioeconomia Nanotecnologia
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Estruturar programas e políticas para coordenação, cooperação e interação de infraestruturas de
PD&I voltados à bioeconomia
Estruturar políticas e programas para o desenvolvimento das ciências ômicas, de melhoramento e Biotecnologia Avançada
engenharia de microrganismo, bem como técnicas avançadas de edição gênica ODS 6 Aplicada ao Agronegócio;
ODS 7 Energia, Química e Tecno-
Bioprodutos ODS 8 logia da Biomassa; Fibras e
Articular políticas, programas e projetos de pesquisa e desenvolvimento em biomateriais produzi- ODS 12 Biomassas para Uso Indus-
dos a partir de biomassa, visando à gradativa independência de matérias-primas fósseis ODS 17 trial; Mudanças Climáticas;
Nanotecnologia
Fonte: Brasil (2018).
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
modelos sustentáveis de desenvolvimento econômico, social e ambiental;
4) integração de ações e iniciativas na construção de projetos orientados por
missões e planejamento de longo prazo da bioeconomia nacional; e 5) indicação
de oportunidades de inserção competitiva em mercados bioeconômicos globais
(Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2020a). Este último resultado está
bastante alinhado com o direcionamento da Embrapa que, desde 2015, já havia
incluído a inserção estratégica e competitiva da bioeconomia como um dos eixos
de impacto do seu sexto Plano Diretor da Embrapa (VI PDE) (Embrapa, 2015).
O VII PDE, aprovado em 2020, manteve o alinhamento com o ODBio, pois intro
duziu um objetivo estratégico (OE) específico para a bioeconomia que considera
os mercados bioeconômicos. O OE é definido como: “[des]envolver tecnologias e
conhecimentos que contribuam para a bioeconomia, por meio da utilização de
recursos de base biológica para geração de bioprodutos, bioinsumos e energia
renovável” (Embrapa, 2020). Além do OE, foram incluídas metas para garantir que
os esforços da Empresa sejam direcionados para a bioeconomia.
O ODBio tem promovido reuniões virtuais e preparado uma série de
documentos que podem ser bastante úteis para as instituições interessadas no
desenvolvimento da bioeconomia e na identificação de possíveis oportunidades
e parcerias. Alguns destaques são as propostas de temas para missões e projetos
estruturantes. São três temas/missões e, para cada um, há uma série de projetos
estruturantes sugeridos: Desenvolvimento & Implantação de Biorrefinarias;
Desenvolvimento de Cadeias Produtivas nos Biomas da Biodiversidade; e
Estabelecimento do Programa Brasileiro de Bioeconomia Circular (Centro de
Gestão e Estudos Estratégicos, 2020b).
O ODBio elaborou uma nota técnica em que incluiu as várias instituições
da rede do MCTI e outras que não são da rede do ministério, mas que poderão
contribuir para o desenvolvimento da bioeconomia. A rede é ampla e diversa e
inclui temas variados da bioeconomia (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos,
2020c). O documento é atual e mapeia as instituições de CT&I da bioeconomia.
Também bastante interessante é a divisão da bioeconomia em quatro
macrodimensões: 1) matéria-prima que inclui quatro tipos: novas biomassas,
biomassas estabelecidas, resíduos urbanos, técnicas de produção; 2) processos
biotecnológicos e não biotecnológicos; 3) bioprodutos e serviços que incluem
energéticos, químicos de base biológica, biomateriais e biofármacos; e
4) modelos de negócio e paisagem sociotécnicos, incluindo empresas e sistemas
de inovação. Essa divisão é útil na definição de metas, objetivos e soluções para
o enfrentamento de desafios e desenvolvimento da bioeconomia. É possível
87
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
vislumbrar uma convergência de várias instituições, inclusive da própria Embrapa,
em torno dessas quatro categorias. Esse alinhamento entre as instituições é
fundamental.
Programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade
e Programa Nacional de Bioinsumos do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
O Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade é um programa do Mapa,
executado pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), que
busca ampliar a participação dos pequenos agricultores, agricultores familiares,
povos, bem como comunidades tradicionais e seus empreendimentos, nos
arranjos produtivos e econômicos que envolvam o conceito da bioeconomia.
No programa, que foi lançado em junho de 2019 pelo Mapa, foram definidos
cinco eixos de atuação: 1) estruturação produtiva das cadeias do extrativismo
(pró-extrativismo); 2) ervas medicinais, aromáticas, condimentares, azeites e
chás especiais do Brasil; 3) roteiros da sociobiodiversidade; 4) potencialidades da
agrobiodiversidade brasileira; e 5) energias renováveis para a agricultura familiar.
Além disso, o programa prevê apoio técnico e financeiro7 de organismos
internacionais, fundos e bancos de desenvolvimentos, outros ministérios, entes
federativos, setor empresarial, etc. Para a execução do programa, serão abertas
chamadas públicas. Pretende-se, também, integrar o programa a outras políticas
públicas já existentes que apoiam a bioeconomia.
O segundo programa do Mapa relacionado à bioeconomia é o Programa
Nacional de Bioinsumos, que foi instituído em maio de 2020. O programa, que tem
como objetivo ampliar e fortalecer o uso de insumos de base biológica, ofertará
tecnologias, produtos, processos, conhecimento e informações sobre uma gama
de bioinsumos aplicados à nutrição do solo; ao controle de pragas, parasitas e
doenças; aos tratos culturais e zootécnicos; e à otimização de produtos e processos
relacionados à pós-colheita e à agroindústria (Brasil, 2020b). O Programa Nacional
de Bioinsumos está alinhado à bioeconomia, pois considera a utilização de
recursos de base biológica, recicláveis e renováveis na produção dos insumos e, ao
De acordo com o manual operacional “Fortalece Sociobio” (Brasil, 2020a), nos projetos é possível incluir
7
gastos com custeio e compra de equipamentos, iniciativas de capacitação e assistência técnica, no entanto
obras de engenharia não estarão contempladas.
88
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
incentivar o uso de bioinsumos, contribuirá para o desenvolvimento sustentável
das cadeias de valor.
Esses dois programas recentes trabalham para o desenvolvimento da
bioeconomia em diferentes caminhos, o que é importante para a inclusão de
atores diversos e de utilização dos diferentes recursos que o País possui. Aproveitar
as vantagens do Brasil, de acordo com as especificidades e necessidades locais, é
fundamental para o desenvolvimento mais completo da bioeconomia.
Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar – Bioeconomia
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
é coordenado pelo BNDES em alinhamento com o Mapa e faz parte do Plano
Safra 2020/2021. Trata-se de uma linha de crédito para a agricultura familiar
para investimento em energia renovável e sustentabilidade ambiental, desti
nada à implantação, utilização ou recuperação de tecnologias de energia
renovável; tecnologias ambientais, como estação de tratamento de água, de
dejetos e efluentes, compostagem e reciclagem; pequenos aproveitamentos
hidroenergéticos; projetos de adequação ambiental e de regularização à legislação
ambiental; silvicultura; e sistemas produtivos de exploração extrativista e de
produtos da sociobiodiversidade ecologicamente sustentável. Há possibilidade
de crédito tanto para custeio quanto para investimento a uma taxa de juros de
2,75% ao ano.
No Plano Safra, há ainda um destaque para o Pronaf-Bioeconomia espe
cífico para o dendê e a seringueira, com ampliação do custeio associado para a
manutenção dessas culturas de 4 para 6 anos, uma demanda da Câmara Temática
do Mapa.
Percebe-se que há um alinhamento do Programa Sociobiodiversidade e
das Câmaras Temáticas do Mapa com o BNDES em torno da bioeconomia. Isso
é um sinal do fortalecimento do tema e de que está havendo coordenação entre
instituições privadas e públicas, caso da Câmara Temática (que inclui participantes
dos setores público e privado), e entre o Mapa e outras instituições públicas.
Por fim, no que diz respeito à discussão sobre políticas, citam-se alguns
planos/políticas/legislações que são importantes para a bioeconomia, visto
que, para cumpri-las, será necessário o desenvolvimento ou a adaptação de
89
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
tecnologias ou até mesmo incentivos para que as tecnologias já existentes sejam
utilizadas, entre as quais se destacam as seguintes: o Plano de Agricultura de Baixo
Carbono e a Política Nacional de Mudanças Climáticas, que serão examinados,
respectivamente nas seções Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às
Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de
Carbono na Agricultura – Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono)
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Política Nacional sobre
Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente deste capítulo.
Política Nacional de Biocombustíveis
(Renovabio) do Ministério de Minas e Energia
A Política Nacional de Biocombustíveis, conhecida como Renovabio, está
diretamente ligada à bioeconomia, já que pretende incentivar a produção de
biocombustíveis, bioproduto importante que poderá contribuir para uma matriz
energética mais limpa. Seu objetivo é aumentar a produção de biocombustíveis no
Brasil com sustentabilidade e contribuir para a redução de gases de efeito estufa
(GEE) no País. Essa política vem para contribuir para os compromissos firmados
pelo Brasil no Acordo de Paris, mais especificamente o compromisso de ampliar
a participação dos biocombustíveis para 18% na matriz energética até 2030; e
há previsão de iniciativas para que as emissões totais de CO2 dos combustíveis
consumidos no Brasil sejam menores.
De acordo com o Ministério de Minas e Energias (MME), a Renovabio foi
construída para incentivar a capacidade de cada combustível a fim de reduzir
emissões, considerando a unidade produtora. Serão utilizados dois instrumentos
principais. O primeiro são as metas nacionais de redução de emissões definidas
por períodos de 10 anos. O estabelecimento de metas é importante para que
o setor privado possa se planejar. As metas nacionais serão desdobradas em
metas individuais anuais e serão compulsórias para todos os distribuidores de
combustíveis, de acordo com a sua participação no mercado de fósseis.
O segundo instrumento é a certificação da produção de biocombustíveis por
firmas privadas que atribuirão notas para as unidades produtoras as quais refletirão
a contribuição de cada agente produtor para a mitigação de GEE, em relação ao
substituto fóssil (a medida será toneladas por CO2). Para o cálculo da intensidade
de carbono de cada biocombustível certificado será utilizada a RenovaCalc,
ferramenta desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente, especificamente para
90
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
essa finalidade, com base na metodologia de avaliação de ciclo de vida (ACV), e
que será disponibilizada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
A parte de certificação ficará sob responsabilidade da ANP. Os dois instru
mentos serão ligados por meio do Crédito de Descarbonização por Biocombus-
tíveis (Cbio). O produtor de biocombustível emite o Cbio a partir da comercia-
lização de sua produção. Os distribuidores de combustíveis cumprirão a meta
ao demonstrar a quantidade necessária de Cbios em sua propriedade. Eles serão
negociados em bolsa, e outros agentes (pessoas físicas e jurídicas) poderão
comprar e vender Cbios na bolsa, como forma de trazer maior liquidez a esse
mercado.
Essa política é bastante interessante, porque envolve um compromisso
internacional. Há uma coordenação entre o ministério, os produtores de biocom
bustível e os distribuidores, podendo ser fundamental também para a pesquisa,
pois há necessidade de diversificação de matérias-primas para a produção de
biocombustíveis com o desenvolvimento e a oferta de biomassas que sejam
alternativas à cana-de-açúcar para o etanol e à soja para o biodiesel. Também
é importante destacar o papel da pesquisa tanto na produção dos atuais
biocombustíveis, quanto também no desenvolvimento da RenovaCalc pela
Embrapa – uma instituição de pesquisa apoiando uma política pública.
Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às
Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma
Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura –
Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono)
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
O Plano ABC (Brasil, 2012) é uma política pública que apresenta o detalha
mento das ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima para o setor
agropecuário e aponta de que forma o Brasil pretende cumprir os compromissos
assumidos de redução de emissão de GEE nesse setor. Seu objetivo geral é
promover a redução das emissões de GEE na agricultura – conforme preconizado na
Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) –, a fim de melhorar a eficiência
no uso de recursos naturais e aumentar a resiliência de sistemas produtivos e
de comunidades rurais, possibilitando a adaptação do setor agropecuário às
mudanças climáticas. Essa política é uma parte importante do compromisso de
91
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
reduzir as emissões de GEE, assumido pelo Brasil na 15ª Conferência das Partes –
COP-158, ocorrida em Copenhague, no ano de 2009.
Em 9 de dezembro de 2010, foi publicado o Decreto n° 7.390 (Brasil, 2010),
que regulamentou os arts. 6°, 11 e 12 da PNMC. Para o setor da agricultura, ficou
estabelecida a constituição do Plano ABC. Nesse decreto, consta que a PNMC será
integrada pelos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento
nos Biomas e pelos Planos Setoriais de Mitigação e de Adaptação às Mudanças
Climáticas, de que tratam, respectivamente, os arts. 6° e 11 da Lei n° 12.187/2009
(Brasil, 2009).
O Plano ABC é composto de ações que contribuirão, de forma direta e indireta,
para a meta de redução do desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado, em
80% e 40%, respectivamente, a qual está prevista no compromisso voluntário do
Brasil da COP-15. Nesse sentido, as políticas públicas9 que abordam essas metas
são o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia
Legal (PPCDAm) e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento
e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), que envolvem diretamente as ações
destinadas à recuperação de pastagens degradadas e à adoção do sistema de
ILPF e sistemas agroflorestais (SAFs), entre outros que possibilitam a diminuição
na pressão por desmatamento de novas áreas.
O Plano ABC está estruturado em sete programas, os quais contribuem para
a consecução dos compromissos assumidos pelo governo brasileiro, conforme
identificação a seguir: 1) recuperação de pastagens degradadas; 2) ILPF e SAFs;
3) sistema plantio direto (SPD); 4) fixação biológica do nitrogênio (FBN); 5) florestas
plantadas; 6) tratamento de dejetos animais; e 7) adaptação às mudanças
climáticas.
Segundo avaliação do Senado Federal sobre a PNMC, deve-se dar maior
escala ao Plano ABC, aumentando o volume de recursos (atualmente, o Plano ABC
tem orçamento equivalente a apenas 1% do orçamento do Plano Safra), facilitando
as condições de acesso ao plano e promovendo mais estudos de monitoramento
e avaliação (Brasil, 2019). No que diz respeito aos resultados, estudos realizados
8
Durante a COP-15, o governo brasileiro divulgou o seu compromisso voluntário de redução entre 36,1% e
38,9% das emissões de GEE projetadas para 2020, estimando o volume de redução em torno de 1 bilhão de
toneladas de CO2 equivalente (t CO2 eq) – são as chamadas Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas
(NAMAs, do inglês Nationally Appropriate Mitigation Actions).
9
Além das já mencionadas, o Plano ABC também possui interface com outras políticas públicas: Programa
Mais Ambiente, Operação Arco Verde, Prevfogo, Programa Terra Legal Amazônia e Programa Territórios da
Cidadania.
92
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
pelo Mapa indicam que, entre 2010 e 2018, o Brasil logrou êxito nas seguintes
ações: 1) recuperar 10,45 milhões de hectares de pastagens degradadas – com
base nos dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de
Efeito Estufa (SEEG) de 2018 –, o que correspondeu a 70% de alcance da meta
inicialmente proposta pelo Plano ABC10; 2) converter 5,83 milhões de hectares em
área de ILPF, o que corresponde a 146% da meta original11; 3) plantar 9,97 milhões
de hectares sob SPD, o que corresponde a 125% de alcance da meta12; 4) plantar
9,97 milhões de hectares utilizando FBN, o que corresponde a 181% de alcance
da meta13; 5) estimular o plantio de 1,10 milhão de hectares de florestas para fins
comerciais, correspondendo a 37% de alcance da meta14; e, finalmente, 6) tratar
1,70 milhão de metros cúbicos de dejetos de suinocultura com financiamento dos
recursos do Plano ABC, o que corresponde a 39% de alcance da meta de volume
de tratamento15. Em termos financeiros, essa política pública, por meio do Plano
ABC, disponibilizou R$ 19,1 bilhões em crédito rural e recursos do Tesouro Nacional
para equalização (Lima et al., 2020).
Ao incentivar práticas e sistemas que preservam os recursos naturais, o
Plano ABC está em completa sintonia com a bioeconomia sustentável, ou seja,
está produzindo com menos impacto ambiental. Por exemplo, a utilização
de FBN diminui a utilização de insumos de base fóssil; no sistema ILPF, há uma
diversificação de produção em uma mesma área, trazendo benefícios ao solo,
aumento de produtividade e aumento de renda para o produtor. A utilização de
dejetos, por sua vez, contribui para uma bioeconomia circular, ou seja, diminuição
de poluição e utilização de resíduos. Essa intensificação produtiva traz benefícios
para os recursos naturais; nesse caso, algumas tecnologias/práticas beneficiam
especificamente o solo, mas a utilização de dejetos também pode evitar poluição
de águas. Esse é um caminho da bioeconomia: uma produção agrícola cada vez
mais sustentável e circular.
10
Contribuindo para a mitigação de 39,61 milhões de Mg CO2 eq e para um alcance de 43% da meta estabelecida
para recuperação de pastagens degradadas (RPD), quando utilizados coeficientes definidos no Plano ABC.
11
Representa a mitigação de 22,11 milhões de Mg CO2 eq e o alcance de 111% da meta quando utilizados
coeficientes definidos no Plano ABC.
12
Em mitigação, contribui com 18,25 milhões de Mg CO2 eq e representa um alcance de 101% da meta quando
utilizados coeficientes definidos no Plano ABC.
13
Contribuindo para a mitigação de 18,25 milhões de Mg CO2 eq e para um alcance de 182% da meta quando
utilizados coeficientes definidos no Plano ABC,
14
Representa a mitigação de 2,01 milhões de Mg CO2 eq quando utilizados coeficientes definidos no Plano
ABC – 20% da meta de mitigação proposta.
15
Em mitigação, esse volume representa 2,67 milhões de Mg CO2 eq e um alcance de 39% da meta estabelecida
para tratamento de dejetos animais (TDA).
93
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Política Nacional sobre Mudança do
Clima do Ministério do Meio Ambiente
A origem da PNMC reside na atuação negociadora internacional brasileira
no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
(UNFCCC). Em 2009, durante a COP-15, realizada em Copenhagen, o Brasil
anunciou formalmente seu compromisso voluntário de redução das emissões
de GEE entre 36,1% e 38,9% até 2020. Esse compromisso representou um
marco, dado que, até aquele momento, apenas os países desenvolvidos haviam
divulgado suas metas de mitigação – em larga medida, devido à obrigatoriedade
para os países desenvolvidos que eram partes no Protocolo de Quioto, adotado
em 1997 e em vigor desde 2005.
A PNMC, instituída pela Lei n° 12.187/2009 (Brasil, 2009), foi a responsável
por internalizar esse compromisso16 no âmbito doméstico (por meio de seu art.
12), por estabelecer princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos da política
de clima em suas duas vertentes (mitigação e adaptação) e por determinar a
elaboração de planos setoriais de mitigação e adaptação à mudança do clima
em diversos setores. Inicialmente, a coordenação da PNMC seria do Comitê
Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), sob a responsabilidade da Casa
Civil da Presidência da República; porém, na prática, o MMA foi o órgão federal
responsável pela implementação da PNMC. O Decreto n° 7.390/2010 (Brasil,
2010) regulamentou a PNMC e estabeleceu o Plano Nacional sobre Mudança do
Clima, que inclui planos setoriais de mitigação e adaptação à mudança do clima
nos setores de desmatamento da Amazônia Legal; desmatamento e queimadas
no Cerrado; energia; agricultura (Plano ABC); siderurgia; transportes; mineração;
indústria; e saúde.
Em 2019, a PNMC passou por avaliação por parte da Comissão de Meio
Ambiente do Senado Federal (CMA). A despeito de considerá-la uma política
inovadora e voltada para o desenvolvimento (e não pura e simplesmente uma
política ambiental), a avaliação da CMA entendeu que a PNMC não atingiu
todos os objetivos inicialmente propostos, já que as emissões de GEE vêm
aumentando gradativamente desde 2016 e, em maior proporção a partir de
16
Meta de limite máximo das emissões de GEE para o ano 2020: emissões totais entre 2,068 GtCO2e e 1,977
GtCO2e, o que equivale à redução entre 36,1% e 38,9% nas emissões projetadas para o ano 2020 (3,236 Gt
CO2e).
94
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
2019, e o componente de adaptação da PNMC, orientado pelo Plano Nacional
de Adaptação (PNA), foi implementado sem a devida prioridade por parte do
governo federal (Brasil, 2019).
Considerando-se o contexto atual de recuperação econômica verde pós-
-pandemia do novo coronavírus e da consolidação da bioeconomia no cenário
global, concorda-se com a recomendação da CMA de que políticas como a PNMC
não sejam voltadas apenas para o cumprimento de compromissos assumidos
internacionalmente, mas que possibilitem a transição para uma economia
menos intensiva em carbono, menos dependente de combustíveis fósseis e
que contribuam para construção de uma base para a concepção de um modelo
de desenvolvimento que seja econômica, social e ambientalmente sustentável
(Brasil, 2019, p. 9).
Frente Parlamentar de Bioeconomia
Em junho de 2019, foi lançada a Frente Parlamentar Mista pela Inovação da
Bioeconomia (FPBioeconomia), então presidida17 pelo Deputado Federal Paulo
Ganime (Novo-RJ) e tendo a Abbi como Secretaria-Executiva. Com o objetivo
de fomentar discussões legislativas sobre agroeconomia, agenda ambiental,
indústria e inovação, a partir de uma visão integrada e sistêmica de políticas
públicas, a FPBioeconomia trabalha com oito pautas iniciais, entre as quais se
destacam: estabelecimento de estratégia nacional para bioeconomia avançada;
criação de um comitê interministerial e multistakeholder para a bioeconomia
avançada, semelhante ao Conselho de Bioeconomia da Alemanha18; maior
eficiência e segurança jurídica do sistema brasileiro de propriedade industrial; e
incentivo à economia circular e à remediação ambiental.
Desde sua criação, a FPBioeconomia realizou três cafés da manhã temáticos
sobre a Política Nacional de Biocombustíveis (conhecida como Renovabio)
e sobre Amazônia e inovação e atração de investimentos; e três seminários
virtuais sobre Amazônia e inovação, bioquímicos e biomateriais e bioinsumos.
Além disso, a Frente Parlamentar, em parceria com a Abbi, ofertou um curso de
capacitação em bioeconomia avançada.
17
Em junho de 2020, o deputado federal Alexis Fonteyne (Novo-SP) foi nomeado presidente da FPBioeconomia.
18
Para mais detalhes sobre a atuação do Conselho de Bioeconomia da Alemanha, ver o Capítulo 1 desta
obra – Governança, Setores e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em Bioeconomia a partir do
Mapeamento de Atores Internacionais.
95
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Um dos principais temas relacionados à agropecuária que têm sido
alavancados pela FPBioeconomia é o de bioinsumos. Em julho de 2020, a
Frente Parlamentar coordenou a realização de um seminário virtual intitulado
Bioinsumos: Competitividade, Inovação e Sustentabilidade na Agricultura Brasileira.
O debate contou com a participação de diversos representantes do Mapa e da
Embrapa, em que foi destacado o Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado
pelo Mapa. Outro ponto de destaque do evento que também faz parte da pauta
de atuação da FPBioeconomia foi a discussão sobre a necessidade de melhorias
no ambiente regulatório brasileiro e de garantias de proteção intelectual que
favoreçam atividades inovadoras em bioeconomia.
Infraestrutura dos Parques Tecnológicos
Outra possível fonte de contribuição para o desenvolvimento da bioeco
nomia são os parques tecnológicos já existentes no Brasil. De acordo com
estudo encomendado pelo MCTI, os parques tecnológicos têm por objetivo
promover uma infraestrutura técnica, logística e administrativa para ajudar
empresas a desenvolver seus produtos, aumentar a competitividade e favorecer
a transferência tecnológica e a criação de um ambiente propício à inovação
(Estudos..., 2014). Além da definição apresentada, a Lei n° 13.243/2016 (Brasil,
2016a) define parque tecnológico como um
[...] complexo planejado de desenvolvimento empresarial e tec
nológico, promotor da cultura de inovação, da competitividade
industrial, da capacitação empresarial e da promoção de sinergias em
atividades de pesquisa científica, de desenvolvimento tecnológico e
de inovação, entre empresas e uma ou mais instituições de Ciência e
Tecnologia, com ou sem vínculo entre si.
Seja qual for o conceito adotado, destaca-se que os objetivos dos
parques tecnológicos são bastante convergentes com a bioeconomia já que se
incentiva uma interação entre academia, empresas e governo para se alcançar
a inovação. Portanto, a possibilidade de aproveitar estruturas já desenvolvidas
para incorporar o conceito da bioeconomia pode ser uma boa estratégia de
disseminação e de ação.
Interessante ainda apresentar algumas das informações sobre o estudo
mencionado, pois indicam a localização e as áreas de atuação dos parques
tecnológicos, sendo possível indicar aqueles que tenham maior afinidade com
96
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
o tema da bioeconomia. Em 2013, foram mapeados 94 parques tecnológicos no
Brasil, dos quais 38 estavam em fase de projeto; 28 em fase de implementação; e
28 em execução. Com relação à distribuição geográfica, 39 estão localizados na
região Sudeste, 35 na região Sul, 8 na região Centro-Oeste, 7 na região Nordeste
e 5 na região Norte (Estudos..., 2014).
Para a identificação das áreas de atuação foram aplicados questionários aos
gestores dos 94 parques tecnológicos mapeados. Apenas 44 gestores retornaram.
Embora não representem o total, esse grupo já nos fornece uma indicação das
áreas prioritárias de atuação. As respostas indicam que a maioria dos parques, no
grupo que retornou à pesquisa, fomenta as áreas de tecnologia de informação
(36), energia (27), biotecnologia (26), saúde (20), petróleo e gás natural (19) e
telecomunicações (16). Sem apresentar números, destacam ainda as áreas mineral,
espacial, aeronáutico, agronegócio e meio ambiente, que são citadas por diversos
parques (Estudos..., 2014). Pode-se perceber que há realmente uma possibilidade
de convergência com os objetivos dos parques tecnológicos com a bioeconomia
já que os temas biotecnologia, energia, saúde, agronegócio e meio ambiente são
comuns. Há necessidade de investigar e detalhar melhor os parques e suas áreas
para que se tenha ideia de como realizar essa integração.
Na região Norte, há infraestrutura que poderia ser utilizada no desenvol
vimento da bioeconomia, como, por exemplo, o Centro de Biotecnologia
da Amazônia (CBA), sediado em Manaus, AM, e criado em 2002 no âmbito
do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da
Biodiversidade (Probem), inscrito no primeiro Plano Plurianual (PPA) do governo
federal. O CBA possui um complexo de 30 unidades, incluindo laboratórios, que
desenvolvem novas tecnologias aplicáveis à industrialização de produtos da
biodiversidade amazônica.
O sucesso dos parques tecnológicos implantados em outros países
(Estados Unidos, Inglaterra, França, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan,
China, Índia, Finlândia, Irlanda, Espanha) e nos estados sulistas do País, estimulou
a implantação do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, em Belém, PA (PCT
Guamá), em 2009. O objetivo seria reunir a capacidade científica e tecnológica
das universidades com as indústrias e instituições do governo, viabilizando novas
alternativas produtivas.
O PCT Guamá, parque tecnológico que foi financiando com recursos do estado
do Pará e do BNDES, possui diversas parcerias, entre as quais estão as seguintes:
Embrapa, Sebrae, Finep, Eletrobras, Eletronorte e Agência Brasileira de Promoção
97
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). O objetivo do PCT Guamá é estimular
a pesquisa aplicada, o empreendedorismo inovador, a prestação de serviços e a
transferência de tecnologia para o desenvolvimento de produtos e serviços com
maior valor agregado e competitivos. As áreas estratégicas de atuação do PCT
Guamá são as seguintes: biotecnologia; tecnologia da informação e comunicação
(TIC); energia; tecnologia ambiental e tecnologia mineral (Pará, 2020).
A criação, em 2009, do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sus
tentável, sediado em Belém, PA, tem por objetivo encontrar alternativas para os
recursos da biodiversidade amazônica. Entre diversos temas, pode-se destacar
aqui o de genômica ambiental, que visa utilizar uma abordagem molecular em
seus estudos sobre biodiversidade, ou seja, busca identificar plantas e animais
com o uso massivo de tecnologia de código de barras de DNA e com estudos
de natureza genômica. Além disso, a instituição estuda os mecanismos evolutivos
e a diversidade genética das espécies. Outro tema bastante relevante para
a bioeconomia desenvolvido pelo instituto é o de biodiversidade e serviços
ecossistêmicos. Os profissionais da instituição utilizam caracterização morfológica
e molecular da biodiversidade, modelagem de nicho ecológico para avaliar
a situação da conservação das espécies ameaçadas e subsidiar processos de
licenciamento ambiental. Além disso, possuem projetos para avaliação dos impac
tos da mineração e do planejamento de ações de mitigação de áreas degradadas.
Também trabalham com o mapeamento dos diversos serviços ecossistêmicos e
sua valoração econômica.
Os exemplos citados mostram que existe infraestrutura que pode ser
utilizada, adaptada, compartilhada, tornando-se um possível instrumento de
integração entre os pesquisadores de diferentes instituições de pesquisa e entre
pesquisadores e setor privado. Mais uma vez, para que isso ocorra, são necessários
alguns objetivos comuns, possibilidade de sinergia e de benefícios.
Legislação de CT&I com
Interface na Bioeconomia
O objetivo desta subseção é apresentar de forma sucinta a legislação que
está de alguma maneira relacionada à bioeconomia, além de apontar alguns
destaques e desafios que precisam ser enfrentados.
98
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
A primeira lei a ser apresentada é a Lei de Cultivares (Brasil, 1997), que é
bastante relevante, pois envolve as matérias-primas da bioeconomia. Em seguida,
apresentar-se-á a Lei de Inovação, de 2004 (Brasil, 2004a), que dispõe sobre os
incentivos para a inovação, outro elemento fundamental para o desenvolvimento
da bioeconomia. Em 2016, essa lei foi modificada pelo Marco Legal de CT&I (Brasil,
2016a). Alguns itens de destaque do novo Marco Legal são os seguintes:
1) Dispensa a obrigatoriedade de licitação para compra ou contratação de
produtos para fins de pesquisa e desenvolvimento.
2) Torna as regras simplificadas e reduz impostos para importação de
material de pesquisa.
3) Permite que professores das universidades públicas em regime de
dedicação exclusiva exerçam atividade de pesquisa também no setor
privado, com remuneração.
4) Permite que universidades e institutos de pesquisa compartilhem o uso
de seus laboratórios e equipes com empresas, para fins de pesquisa
(desde que isso não interfira ou entre em conflito com as atividades de
pesquisa e ensino da própria instituição).
Na legislação, há também preocupação com a biossegurança, conforme
listado na Tabela 3. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é
uma instância colegiada multidisciplinar, integrante do MCTI, com a finalidade
de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao governo federal na
formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança
relativa aos OGMs, bem como no estabelecimento de normas técnicas de
segurança e pareceres técnicos conclusivos referentes à proteção da saúde
humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que
envolvam a construção, a experimentação, o cultivo, a manipulação, o transporte,
a comercialização, o consumo, o armazenamento, a liberação e o descarte de
OGMs e derivados. Instituição também fundamental, considerando que os novos
produtos da bioeconomia deverão seguir as regulamentações dessa instituição.
Outro ponto fundamental para a bioeconomia, sobretudo a brasileira,
são as inovações que têm utilizado, ou utilizarão, novos recursos genéticos
provenientes da biodiversidade. Entre os setores considerados importantes, que
têm se beneficiado desse uso, estão o alimentício, o químico, o farmacêutico, o
têxtil e o de cosméticos.
O desafio posto está na forma pela qual serão criadas condições para o
desenvolvimento desses novos produtos. Países como o Brasil, que possuem
99
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Tabela 3. Leis e decretos voltados para CT&I relacionados à bioeconomia.
Lei/Decreto Tema Objetivo
Lei no 9.456/1997 Institui a Lei de Proteção de Cultivares e dá outras
Lei de Cultivares
(Brasil, 1997) providências
Estabelece medidas de incentivo à inovação e à
pesquisa científica e tecnológica no ambiente pro-
Lei no 10.973/2004 dutivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao
Lei da Inovação
(Brasil, 2004a) alcance da autonomia tecnológica e ao desenvol-
vimento do sistema produtivo nacional e regional
do País
Estabelece normas de segurança e mecanismos
de fiscalização de atividades que envolvam or-
ganismos geneticamente modificados (OGMs) e
Lei no 11.105/2005 seus derivados, cria o Conselho Nacional de Bios-
Biossegurança
(Brasil, 2005a) segurança (CNBS), reestrutura a Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio), dispõe sobre
a Política Nacional de Biossegurança (PNB), entre
outros
Concede incentivos fiscais às empresas que reali-
Lei no 11.196/2005
Lei do Bem zam pesquisa e desenvolvimento de inovação tec-
(Brasil, 2005b)
nológica
Dá apoio técnico ao governo federal e presta as-
sessoria na implementação da Política Nacional
Criação da Comissão de Biossegurança em relação aos organismos ge-
Lei n°11.105/2005 Técnica Nacional de neticamente modificados (OGMs). Auxilia no esta-
(Brasil, 2005a) Biossegurança (CTN- belecimento de normas técnicas de segurança e
Bio) pareceres técnicos referentes à proteção da saúde
humana, dos organismos vivos e do meio ambien-
te
Incentiva o desenvolvimento de produtos e pro-
Decreto Política de Desenvol-
cessos inovadores nos processos industriais brasi-
n° 6.041/2007 vimento da Biotecno-
leiros, contribuindo assim para o desenvolvimento
(Brasil, 2007a) logia
do País
Dispõe sobre a criação do Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade – Instituto Chi-
co Mendes; altera as Leis n° 7.735, de 22 de feve-
reiro de 1989, n° 11.284, de 2 de março de 2006,
Criação do Institu-
n° 9.985, de 18 de julho de 2000, n° 10.410, de 11 de
Lei n° 11.516/2007 to Chico Mendes de
janeiro de 2002, n° 11.156, de 29 de julho de 2005,
(Brasil, 2007b) Conservação da Bio-
n° 11.357, de 19 de outubro de 2006, e n° 7.957, de
diversidade
20 de dezembro de 1989; revoga dispositivos da
Lei n° 8.028, de 12 de abril de 1990, e da Medida
Provisória n° 2.216-37, de 31 de agosto de 2001; e
dá outras providências
Continua...
100
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
Tabela 3. Continuação.
Lei/Decreto Tema Objetivo
Estabelece o modelo de gestão do Fundo-admi-
nistração feita por um Conselho Diretor vinculado
ao MCTI. Os recursos do Fundo Nacional de Desen-
volvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) são
Regulamentação do obtidos por meio da Contribuição de Intervenção
Lei n° 11.540/2007
Fundo Nacional de no Domínio Econômico (Cide), de parcela da recei-
(Brasil, 2007c) e De-
Desenvolvimento ta das empresas beneficiárias de incentivos fiscais,
creto n° 6.938/2009
Científico e Tecnoló- de doações e operações de empréstimos, e devem
(Brasil, 2009)
gico (FNDCT) ser utilizados para apoiar atividades de inovação e
pesquisa em empresas e Instituições Científicas e
Tecnológicas (ICTs) nas modalidades de financia-
mento reembolsável, não reembolsável e investi-
mento
Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, so-
bre a proteção e o acesso ao conhecimento tradi-
Lei n° 13.123/2015 Lei de Acesso ao Pa- cional associado e sobre a repartição de benefícios
(Brasil, 2015c) trimônio Genético para conservação e uso sustentável da biodiversi-
dade; revoga a Medida Provisória n° 2.186-16, de
23 de agosto de 2001; e dá outras providências
Dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento cien-
Marco Legal de Ciên-
Lei n° 13.243/2016 tífico, à pesquisa, à capacitação científica e tecno-
cia, Tecnologia e Ino-
(Brasil, 2016a) lógica e à inovação e altera a Lei n° 10.973, de 2 de
vação
dezembro de 2004
Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, so-
Decreto n° 8.772, Regulamenta a Lei bre a proteção e o acesso ao conhecimento tradi-
de 11 de maio de n° 13.123, de 20 de cional associado e sobre a repartição de benefícios
2016 (Brasil, 2016c) maio de 2015 para conservação e uso sustentável da biodiversi-
dade
grande diversidade biológica, têm focado na exploração sustentável desses
recursos. Dentro das condições para o desenvolvimento estão as legislações
que precisam ser cumpridas. No caso dos recursos genéticos, o novo marco
regulatório aprovado no Brasil em 2015 (Lei n° 13.123/2015) e regulamentado em
2016 (Decreto n° 8.772/2016c) (Brasil, 2016c) determina que esses recursos fazem
parte do patrimônio territorial.
Essa legislação vem dentro de um contexto maior, que é o da Convenção
sobre a Diversidade Biológica (CDB), que foi estabelecida na Conferência das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992, no Rio de
Janeiro, RJ, também conhecida como Rio 92, e entrou em vigor em 1993, sendo
101
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
o principal tratado da ONU para biodiversidade. Os três principais objetivos
são os seguintes: a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável da
biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios provenientes da
utilização dos recursos genéticos.
No caso do Brasil, o novo marco regulatório definiu diferentes caminhos,
mas todos são baseados em contribuição por parte dos usuários. A contribuição
é destinada diretamente às comunidades a cujo conhecimento tradicional se
teve acesso ou ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios.
As situações típicas que variam de acordo com o tipo de acesso são
as seguintes: 1) acesso ao patrimônio genético; 2) acesso ao conhecimento
tradicional associado de origem não identificável; e 3) conhecimento tradicional
associado de origem identificável.
O acesso ao patrimônio genético pode ser feito de duas formas. A primeira
é mediante uma modalidade monetária e, nesse caso, é feito um depósito de 1%
da receita líquida diretamente ao Fundo Nacional de Benefícios. Na segunda
forma, o acesso pode ser feito por um projeto monetário, mediante acordo de
repartição de benefícios com a União para definir o Projeto de Repartição de
Benefícios. Nesse caso, paga-se de 0,75% a 1% de acordo com o projeto definido.
No caso do acesso ao conhecimento tradicional associado de origem não
identificável, a repartição de benefícios é feita integralmente ao Fundo Nacional
de Repartição de Benefícios, e o valor também é de 1% da renda líquida.
Por fim, no caso de acesso ao conhecimento tradicional associado de
origem identificável, o usuário deverá negociar o valor com o provedor do
conhecimento tradicional. Além do valor negociado, será pago 0,5% da receita
líquida ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios, que repartirá esse
montante com os demais beneficiários.
A lei brasileira é executada por um único órgão – o Conselho de Gestão
do Patrimônio Genético (CGen) –, o que se considera uma vantagem, já que
vários países possuem mais de dois órgãos públicos responsáveis por subtemas
relacionados ao acesso à repartição de benefícios. O CGen é a instância
responsável pela gestão do patrimônio genético, do conhecimento tradicional
associado e da repartição de benefícios. O CGen é integrado por 20 conselheiros,
dos quais 11 são representantes de órgãos da administração pública federal e
9 representantes da sociedade civil, conforme disposto no art. 7° do Decreto
n° 8.772, de 2016 (Brasil, 2016c).
102
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
A CNI (2017), preocupada com o ambiente de negócios, considerou três
fatores como sendo críticos para o desenvolvimento da bioeconomia: regula
tórios, econômicos e sistêmicos.
Entre os fatores regulatórios estão, primeiramente, a necessidade de que
os termos utilizados nas normas estejam padronizados e entendidos pelos
órgãos que estão à frente da regulamentação; em segundo lugar, que as normas
sejam interpretadas de maneira uniforme; e em terceiro, que haja clareza na
comunicação das normas de forma ampla para facilitar o entendimento dos
usuários. Ainda nesse tema, há necessidade de segurança jurídica, ou seja, para
que haja investimento, os investidores precisam ter as regras mais bem definidas,
isso não significa uma série de regras, mas sim orientações técnicas, pareceres
e instruções que permitam que a regra seja mais facilmente aplicada pelos
interessados. Essenciais também são os elementos de fiscalização e, para isso, há
necessidade de capacitação tanto dos órgãos fiscalizadores quanto dos usuários.
Entre os fatores econômicos, há a necessidade de financiamento, por meio
de crédito, que precisa ser alocado nas diferentes etapas das cadeias produtivas.
É também importante que sejam desenvolvidos modelos de negócios baseados
na agregação de valor do uso da biodiversidade, além de ser essencial considerar
a valoração das matérias-primas que são utilizadas para a produção desses
novos produtos. Para isso, são necessárias metodologias, dados, estudos e
recursos humanos preparados para a valoração de bens e serviços relacionados
à biodiversidade brasileira. Outro destaque são os preços relativos dos recursos
advindos da biodiversidade brasileira e a necessidade de valorização desses
produtos diante do mercado consumidor.
Os fatores sistêmicos necessários são principalmente o desenvolvimento
de um ecossistema de inovação, ou seja, a junção de um conjunto de fatores
que estimulam a interação e a cooperação. Esse sistema na verdade estaria
englobando também os fatores mencionados anteriormente. Dentro desse siste
ma, estariam incluídas as competências científicas e tecnológicas necessárias ao
desenvolvimento da bioeconomia, e um aspecto fundamental é o desenvolvi
mento e a disponibilização de bases de dados sobre a biodiversidade brasileira
e o conhecimento tradicional. Seria bastante importante uma coordenação dos
esforços para o desenvolvimento desse ecossistema de inovação. Pode-se pensar
em uma coordenação mais ampla, com ambições de Estado e metas que possam
guiar as demais instituições. Importante também são os esforços necessários e já
existentes no âmbito local, ou seja, uma combinação de uma estratégia nacional
e estratégias regionais/estaduais/locais, de acordo com os interesses dos atores
e instituições.
103
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Iniciativas em Bioeconomia na Amazônia
As preocupações com incêndios e com o desmatamento da Amazônia
têm mobilizado governo, setor privado, academia e organismos internacionais
em busca de soluções. A preocupação de se manter a floresta em pé, com
alternativas de produção sustentável que gerem renda para as populações da
região amazônica, está entre os grandes desafios do nosso País. A seguir, serão
apresentadas algumas mobilizações em curso que consideram a bioeconomia
como uma oportunidade para a região Norte, mais especificamente para o bioma
Amazônia.
O primeiro exemplo é do Instituto Escolhas, associação civil sem fins
lucrativos criada para contribuir de forma qualificada – utilizando medidas
de impacto econômico, social e ambiental para avaliar as decisões públicas e
privadas – para o desenvolvimento sustentável. Para isso, elabora estudos com
argumentos que subsidiem a tomada de decisão e a construção de soluções
para viabilizar o desenvolvimento sustentável. Em um desses estudos, intitulado
Uma nova economia para o Amazonas: Zona Franca de Manaus e bioeconomia
(Instituto Escolhas, 2019), é apresentado um modelo para o desenvolvimento
sustentável do Amazonas, que preserve a floresta e que aproveite o parque
industrial da Zona Franca de Manaus. Para se chegar a esse modelo, inicialmente
foi feito um diagnóstico das fraquezas, um levantamento do que seria necessário
para estimular a região e os fatores críticos de sucesso e condicionantes para
impulsionar a bioeconomia no Amazonas. Esse trabalho foi realizado a partir
de dados e entrevistas, reuniões com acadêmicos, autoridades e diversos atores
conhecedores da região e do estado.
O modelo de desenvolvimento sustentável sugerido possui quatro diretrizes
necessárias: desenvolvimento científico e tecnológico, com foco em inovação; uso
do potencial da biodiversidade de modo sustentável; descentralização econômica
e geração de ganhos sociais e ambientais; dinamização do Polo Industrial
de Manaus (PIM) e de seu modelo atual. Além das diretrizes, quatro eixos de
oportunidades foram definidos: bioeconomia, polo de economia de transformação
digital, ecoturismo e piscicultura. O estudo acima citado destacou que, dentro da
bioeconomia, existem oportunidades de curto prazo nos setores de alimentos,
bebidas e cosméticos. Em um prazo mais longo, será possível a expansão de setores,
como o têxtil, de energia e de farmacêuticos. Para que o modelo se concretize,
será necessário um aporte de R$ 7,15 bilhões para investimentos em estruturas
104
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
físicas, e espera-se que esse aporte venha dos setores públicos e privados. Há
um detalhamento maior dos investimentos e fatores críticos e condicionantes e,
caso seja possível trabalhar nesses quatros eixos, há uma expectativa de aumento
de empregos diretos e indiretos e, consequentemente, aumento de renda,
preservação da floresta e contribuição para o desenvolvimento sustentável da
região/estado (Instituto Escolhas, 2019).
Outra iniciativa é o Projeto Amazônia 4.0, que é uma terceira via, ou seja, uma
alternativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Os idealizadores
desse projeto apresentam a primeira via, que é a de preservação total, e a segunda
via, que é a de um desenvolvimento que se diz sustentável, mas na prática isso
não tem ocorrido. As duas vias não conseguiram nem preservar o que precisa ser
preservado, nem desenvolver de forma sustentável. A solução apresentada é que
seja aproveitado o valor de uma “floresta produtiva permanente”, mas que sejam
utilizadas novas tecnologias físicas, digitais e biológicas para criar um modelo
de desenvolvimento que seja inclusivo. Nobre e Nobre (2019) acreditam que é
possível desenvolver a bioeconomia, mas há grandes desafios a serem superados.
O uso dessas novas tecnologias poderá ajudar na transformação dos
recursos naturais em produtos de maior valor agregado. Nobre e Nobre (2019)
sugerem tecnologias que permitam que os produtos da floresta sejam processados
de maneira que suas características sejam preservadas, mas, ao mesmo tempo,
que seu volume seja reduzido, permitindo mais facilmente seu transporte. Há
necessidade de maior conexão na própria região, permitindo que os produtores
possam se unir para aumento de escala, possibilitando maiores ganhos. Também
há necessidade de treinamento para que as populações sejam capazes de utilizar
tecnologias, por exemplo, por meio de capacitações e assistência técnica. Para
isso, viabilizar a conexão dentro da região é fundamental. Outra sugestão é a
criação de laboratórios criativos que possam ser montados com uma infraestrutura
menos pesada, os quais funcionariam como laboratórios de campo, onde, além de
pesquisadores já experientes trabalhando, a população local pudesse ser treinada
e as pesquisas pudessem ser realizadas por meio da integração de conhecimentos
tradicionais, científicos e tecnológicos (Nobre; Nobre, 2019).
Aliado ao Projeto Amazônia 4.0 está a parceria da Rainforest Social Business
School com a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e a Secretaria de Estado
de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Os atores
pretendem utilizar os conhecimentos, as tecnologias, as práticas já existentes
para a região e organizar capacitações na região amazônica. A UEA possui grande
105
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
capilaridade, com vários campi. Além disso, houve um aumento no número
de profissionais mestres e doutores que já moram na região, o que ajudará
na disseminação de conhecimento. Em conjunto com o Projeto Amazônia 4.0,
pretende-se instalar laboratórios criativos que possam facilitar tanto a capacitação
quanto a execução de pesquisas com moradores locais (Nobre; Nobre, 2019).
O governo federal também tem se preocupado com a Amazônia e rees
tabeleceu, em fevereiro de 2020, o Conselho Nacional da Amazônia Legal,
presidido pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que tem por objetivo coordenar
e integrar as políticas públicas relacionadas à Amazônia Legal. Há grandes
expectativas em relação ao desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia. De
acordo com Mourão (2020), a união entre universidade, governo e setor privado
poderá impulsionar a bioeconomia. Para isso é considerado essencial promover e
organizar a instalação de infraestrutura para que a ciência possa ser utilizada em
prol do desenvolvimento da bioeconomia na região.
Considerações Finais
Há uma grande convergência em relação aos quatro elementos
importantes identificados nos diferentes conceitos de bioeconomia adotados
por instituições e atores brasileiros. O primeiro elemento é a utilização susten
tável de recursos biológicos na produção de novos produtos, processos e
serviços. O segundo elemento é o conhecimento, com um grande destaque para
a ciência, no entanto é reconhecida também a importância e a possibilidade de
combinação entre conhecimento tradicional e ciência para a solução de desafios
e o desenvolvimento de novos produtos. O terceiro é o desenvolvimento de
atividades econômicas focadas na substituição de insumos fósseis, com ênfase
no reúso e no reaproveitamento de resíduos (economia circular), a fim de otimizar
a transição para um mundo mais eficiente, circular e sustentável. Finalmente,
o quarto elemento traduz-se na preocupação em beneficiar a sociedade não
apenas no curto prazo, mas também no longo prazo.
O setor privado se destacou ao iniciar as discussões sobre bioeconomia,
notadamente a Fiesp e a CNI em 2012 e 2013, respectivamente. A primeira
publicação da CNI foi lançada em 2013. No setor público, o MCTI foi o pioneiro
nas discussões e, em 2016, por meio da Encti, incorporou a bioeconomia na sua
estratégia. Posteriormente, o Mapa também passou a dar destaque ao tema, mais
106
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
especificamente por meio do Programa Brasil Bioeconomia Sociobiodiversidade
e do Programa Nacional de Bioinsumos. A Embrapa, como instituição vinculada
ao Mapa, tem participado de diversos projetos e iniciativas sobre bioeconomia,
tais como: oficinas de discussão sobre bioeconomia, no âmbito do Projeto Brasil
2035, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); três
oficinas, realizadas em 2018, no âmbito do Projeto Especial Focus, para discutir
os caminhos da bioeconomia; e o seminário Bioeconomia: o Papel dos Recursos
Genéticos e da Biotecnologia para a Promoção da Bioeconomia, realizado em 2019
na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Além disso, nas duas últimas
edições do seu PDE, nas quais a bioeconomia está presente, há atualmente um
objetivo estratégico e três metas a serem alcançadas relacionadas ao tema.
Destaque também para o MME com a política Renovabio, que possui foco na
bioenergia, mas também promove a pesquisa de novos tipos de biomassa que,
no futuro, poderão também ser utilizadas para outros bioprodutos. Governos
estaduais também estão se mobilizando em torno da bioeconomia, ou seja, há
um incremento de estudos, eventos, discussões, iniciativas sobre o tema.
Como a utilização de recursos biológicos é essencial para a bioeconomia,
podem-se organizar as oportunidades de acordo com os recursos disponíveis
nas localidades/territórios/regiões, pensando nas instituições públicas, privadas,
universidades e instituições de pesquisas locais que poderão integrar-se e
coordenar os esforços (Figura 1). Existe a possibilidade de desenvolvimento de
clusters da bioeconomia. No Brasil, há o exemplo do cluster em torno do setor
sucroalcooleiro, o que possibilitou o grande avanço na produção de etanol e do
próprio conceito de biorrefinarias e economia circular. As empresas conseguem,
a partir da cana-de-açúcar, gerar diversos produtos, além do biocombustível.
Existem algumas regiões brasileiras que já possuem um ecossistema de
inovação e que poderão se beneficiar mais rapidamente da bioeconomia. Mas
há também esforços governamentais, não governamentais (sociedade civil)
e do setor privado voltados para o desenvolvimento regional a partir desse
novo paradigma. Algumas instituições citadas aqui como exemplos de uso da
bioeconomia (Mapa, MCTI, estado do Amazonas e Instituto Escolhas) estão
estimulando seu desenvolvimento em populações locais (na região Norte), utili
zando produtos já conhecidos, mediante agregação de valor, uso de tecnologia
e também capacitação de seus habitantes.
Percebe-se que tanto o setor público quanto o privado começam a se
organizar a fim de priorizar algumas regiões/biomas, como a Amazônia, e
107
BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
Figura 1. Setores, recursos e atores da bioeconomia.
alguns produtos, como o açaí e a castanha, focando na utilização sustentável da
biodiversidade. Ao mesmo tempo, o setor privado, por meio de suas associações
e confederações, também está se organizando em torno de temas e agendas
para o desenvolvimento da bioeconomia.
Para que os clusters se desenvolvam e seja possível uma integração e
coordenação local no País, é importante que os atores se mobilizem em torno de
objetivos comuns. As secretarias estaduais de agricultura e de ciência e tecnologia
podem servir como catalisadoras dessa organização regional. As instituições de
CT&I e as universidades também podem contribuir com esse papel agregador.
Existe um mapeamento de capacidades em bioeconomia, elaborado pelo
MCTI, além de políticas de fomento já lançadas pelo MCTI, pelo Mapa e até por
instituições de fomento, como a Finep e o BNDES. O setor privado também tem
interesse em parcerias, e os documentos e eventos patrocinados pela Fiesp,
pelo CNI e pelo Sebrae, bem como suas participações em eventos e discussões,
108
Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
comprovam essa intenção. É preciso chegar a uma convergência em torno de
uma agenda, para que haja integração e seja possível definir objetivos e metas
prioritárias.
A discussão sobre a bioeconomia no Brasil amadureceu, esforços estão
em andamento e percebe-se a necessidade de maior integração e coordenação.
É importante que as instituições que já trabalham com bioeconomia se organizem
internamente, definindo suas prioridades, capacidades e desafios, para que,
no momento de definição de uma agenda para o País, seja possível aproveitar
ao máximo todo o seu potencial, acelerando assim os benefícios. Conforme
discussões nas oficinas do Simpósio Internacional de Bioeconomia, organizado
em 2016 pela Fiesp e pela Fapesp, o agronegócio pode ser entendido como um
direcionador da bioeconomia no Brasil. Nesse contexto, abre-se uma importante
oportunidade para que o Mapa e a Embrapa organizem-se e liderem as discussões
sobre o tema no País, a partir do desenvolvimento de políticas e tecnologias
voltadas para biomassa, bioinsumos, biologia sintética e suas aplicações no setor
agropecuário.
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BIOECONOMIA • Oportunidades para o Setor Agropecuário
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Capítulo 2 • Breve Panorama da Bioeconomia no Brasil
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