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ISSN 1980-3958
Dezembro, 2015 288
O uso do dendrômetro
“Criterion” para
quantificação do
volume por método
não destrutivo
ISSN 1980-3958
Dezembro, 2015
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Florestas
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Documentos 288
O uso do dendrômetro
“Criterion” para quantificação
do volume por método não
destrutivo
Denise Jeton Cardoso
Jorge Ribaski
Embrapa Florestas
Colombo, PR
2015
Embrapa Florestas
Estrada da Ribeira, Km 111, Guaraituba,
83411-000, Colombo, PR - Brasil
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Ivar Wendling, Jorge Ribaski, Luis Claudio Maranhão Froufe,
Maria Izabel Radomski, Susete do Rocio Chiarello Penteado,
Valderes Aparecida de Sousa
Revisão editorial: Patrícia Póvoa de Mattos
Normalização bibliográfica: Franscica Rasche
Editoração eletrônica: Luciane Cristine Jaques
1a edição - versão digital (2015)
Todos os direitos reservados
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parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Florestas
Cardoso, Denise Jeton.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação do volume
por método não destrutivo [recurso eletrônico] / Denise Jeton Cardoso,
Jorge Ribaski. - Dados eletrônicos. - Colombo : Embrapa Florestas, 2015.
(Documentos / Embrapa Florestas, ISSN 1980-3958; 288)
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Título da página da web (acesso em 30 dez. 2015).
1. Dendrometria. 2. Instrumento de medida. 3. Manejo florestal. I.
Ribaski, Jorge. II. Título. III. Série.
CDD 634.9285 (21. ed.)
© Embrapa 2015
Autores
Denise Jeton Cardoso
Engenheira Florestal, doutora em Engenharia
Florestal, pesquisadora da Embrapa Florestas,
Colombo, PR
Jorge Ribaski
Engenheiro Florestal, doutor em Engenharia
Florestal, pesquisador da Embrapa Florestas,
Colombo, PR
Apresentação
Tradicionalmente em inventários florestais, as equações para
estimativa de volume das árvores são ajustadas utilizando-se dados
de árvores que são derrubadas e medidas a diversas alturas do fuste,
para determinação de seu volume (cubagem rigorosa). No entanto
existem situações em que não se pode derrubar as árvores, e neste
caso é necessário o uso de equipamento especial para medição. Um
destes equipamentos é o dendrômetro Criterion RD1000, medidor a
laser, que permite, entre outras funcionalidades, coletar diâmetros de
uma árvore em diferentes alturas do fuste, para possibilitar o cálculo
de seu volume com boa precisão, sem a necessidade de derrubá-la.
O correto uso do dendrômetro Criterion exige um bom conhecimento
de seu funcionamento e para isto, o presente documento pretende
facilitar o trabalho do usuário, apresentando de maneira ilustrada os
passos para medir diâmetros e alturas de árvores em pé. Também
é apresentada uma demonstração prática das medições de duas
árvores de Eucalyptus sp, em plantio puro e em sistema de integração
Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), mostrando a diferença da forma do
fuste de árvores de mesmo DAP (diâmetro a altura do peito) nestas
duas condições.
Este equipamento é ainda pouco utilizado nas empresas e no meio
acadêmico e espera-se, com o maior conhecimento sobre suas
funcionalidades, que possa ser mais utilizado e que possa contribuir
com o avanço de pesquisas e de trabalhos técnicos wque envolvem
medições de árvores.
Boa leitura!
Sergio Gaiad
Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento
Sumário
Introdução................................................................................................ 9
Revisão de literatura.......................................................................... 12
Como usar o dendrômetro para quantificar volume............ 14
Exemplo de tomada de medidas com o dendrômetro........ 21
Considerações finais.......................................................................... 25
Referências............................................................................................. 26
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 9
Introdução
As metodologias e equipamentos utilizados em inventários florestais
avançam na busca por alternativas de medição que não necessitem
da derrubada de árvores para quantificação do volume de madeira,
necessário para o ajuste de equações de volume e de afilamento.
O método tradicional de quantificação de volume em inventários
florestais requer que sejam amostradas algumas árvores
representativas da distribuição diamétrica da população. Cada
árvore amostra é derrubada e mede-se o diâmetro à altura do peito
(DAP), a altura total e o diâmetro em diferentes alturas do fuste, para
quantificar o volume e conhecer sua forma. Para isso se utiliza o
coeficiente de forma, que é a razão entre o volume da árvore (ou de
uma parte da árvore) e o volume de um cilindro padrão com a mesma
altura da árvore e com um diâmetro selecionado para referência (em
geral o DAP).
A base de dados gerada pelo conjunto de árvores medidas é utilizada
para o ajuste de equações de volume, que tem como variáveis
independentes o DAP e a altura total, e para o ajuste de equações
de afilamento. Neste caso, a variável dependente é o diâmetro a
uma determinada altura e as variáveis independentes são diferentes
potências desta altura em que o diâmetro foi medido na forma
relativa à altura total. A integral da equação de afilamento fornece o
volume para diferentes tipos de uso (laminação, serraria, celulose,
energia), conforme o diâmetro mínimo preestabelecido. Dessa forma,
pode-se estimar o volume de madeira em diferentes talhões de
plantações florestais.
Este procedimento é relativamente simples e normalmente utilizado
em empresas florestais. No entanto, quando não se pode cortar as
árvores, como em florestas nativas ou em sistemas agrossilvipastoris,
em situações que possam comprometer a qualidade do sistema como
um todo, deve-se lançar mão de outros procedimentos, como buscar
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
10 do volume por método não destrutivo
equações na literatura, fazer estimativas por imagens ou utilizar um
equipamento que permita medição da árvore sem derrubá-la.
Entre os inúmeros equipamentos utilizados para medir árvores em pé
está o dendrômetro “Criterion RD 1000”, medidor a laser, que permite
coletar diâmetros de uma árvore em diferentes alturas do fuste,
para possibilitar o cálculo de seu volume com boa precisão, sem a
necessidade de derrubá-la.
Seu antecessor, o “Criterion RD400” foi lançado em 1992 após alguns
anos de testes. A empresa que o produziu foi a primeira a reunir em
um único equipamento, portátil e leve, as funções coletor de dados
eletrônico, sensor para medir inclinação e para medição de distância
com a tecnologia laser (CLARKE, 2012).
A versão RD 1000 possui as seguintes funcionalidades:
1. Determina o diâmetro de uma árvore a
partir de uma altura informada.
2. Possibilita a determinação da altura na qual
um diâmetro específico ocorre.
3. Controla a distância limite para árvores questionáveis,
fronteiriças e determina se elas estão dentro ou fora de
uma unidade amostral circular de inventário florestal.
4. Mede a inclinação do terreno a partir de
uma porcentagem de inclinação.
Uma das características originais desse equipamento é uma fileira de
diodos emissores de luz (LEDs) no espaço de visão, que pode ser vista
tanto como “uma barra contínua / sólida” ou como “uma barra aberta
/ de espaço vazio”, definida por segmentos vermelhos iluminados em
cada extremidade. A barra de escala de “espaço vazio” (Figura 1a)
parece trabalhar melhor na modalidade do diâmetro, porém pode-
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 11
se alterar a iluminação da escala de medida do LED para “espaço do
sólido” (Figura 1b).
Fotos: Luciane Cristine Jaques
a b
Figura 1. Barra de escala no visor do dendrômetro “espaço vazio” (a) e “espaço do sólido” (b).
Outra característica é a leitura direta da inclinação do terreno, das
alturas e dos diâmetros das árvores exibida à direita no visor óptico,
atualizada continuamente quando os controles são ajustados.
O equipamento possibilita a medição de diâmetro na amplitude de
5 a 254 cm, do fator de área basal de 0,2 a 29,1 [Link]-1 e da inclinação
de aproximadamente 90º. A precisão para medições de diâmetro é
de ± 6 mm para 24 m de distância e para medições de inclinação
é de ± 0,1º.
O presente trabalho visa mostrar o funcionamento do Criterion RD
1000 especificamente para medir diâmetros e alturas de árvores em
pé, sendo apresentada a sequência de procedimentos para utilizá-lo.
Também é apresentada uma demonstração prática das medições,
considerando dados de duas árvores de Eucalyptus sp., em plantio
puro e em sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF).
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
12 do volume por método não destrutivo
Revisão de literatura
Segundo pesquisa histórica apresentada por Brickell (1976) o
“Zeiss Teletop” foi o primeiro dendrômetro óptico, com telêmetro
de comprimento de base variável. Segundo esse autor, algumas
variações de modelo surgiram, até que em 1947, Hummel e Laurie
da British Forestry Comission avaliaram a possibilidade de usar um
telêmetro óptico para medir diâmetros. A empresa Barr and Stroud
Ltd, de Glasgow, Escócia, desenvolveu um dendrômetro baseado
em um telêmetro usado originalmente para artilharia. A partir daí
surgiram os modelos F.P.7, F.P.9, F.P.12 e o último o F.P.15. No entanto,
as modificações sucessivas que levaram a esta série de modelos não
contemplaram mudanças básicas de projeto, por isso as versões mais
novas não foram mais acuradas que as anteriores.
Apesar desta pouca evolução da tecnologia do equipamento, Bell e
Groman (1971) validaram o uso do Barr & Stroud F.P.12, com medições
de árvores Pseudotsuga menziesii. Concluíram que as medições
de diâmetro e comprimento nas porções mais altas dos fustes
determinados por este equipamento eram muito acuradas.
Williams et al. (1999) avaliaram o Barr & Stroud F.P.15 em comparação
com o dendrômetro Criterion 400. O primeiro superestimou diâmetros
em cerca de 0,3 cm, enquanto as medidas obtidas com o segundo
equipamento não foram tendenciosas. Observaram que, à medida
que a distância até a base da árvore aumentou, a variabilidade de
medições de diâmetro aumentou para ambos os equipamentos.
Gonçalves et al. (2009) utilizaram o modelo de dendrômetro LEDHA
GEO, desenvolvido para pesquisa florestal para medir diâmetro,
altura e azimute. Os resultados indicaram que na medição da altura a
aplicabilidade ficou restrita a 51,2% das árvores levantadas. Quanto
ao diâmetro, foi possível medir 97% das árvores. O dendrômetro
apresentou boa complementaridade com os métodos comparados nas
medições de altura e diâmetro, combinando precisão e versatilidade.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 13
Muller et al. (2014) utilizaram o pentaprisma de Wheeler e um
hipsômetro Suunto para cubagens de árvores de eucalipto e acácia
em pé, em sistema silvipastoril, para ajustar equações de volume e
afilamento. Brianezi et al. (2013) usaram o mesmo pentaprisma para
árvores urbanas. Avery e Burkhart (1983) comentaram que em testes
com este equipamento, diâmetros medidos até 15,2 m de altura
apresentaram acuracidade de 0,5 a 1,27 cm.
Nicoletti et al. (2015), avaliando exatidão de dois dendrômetros ópticos,
Criterion 400 e RC3H, na cubagem de 175 árvores em pé da espécie
Eucalyptus grandis, constataram que o Criterion foi o que resultou nas
melhores estimativas. Para o diâmetro e volume por árvore, o Criterion
demonstrou erros subestimados médios de aproximadamente 1 cm e
10%, respectivamente, enquanto o RC3H resultou em erros superiores
a 5 cm e 30%, em média, para as mesmas variáveis.
Freitas e Wichert (1998) concluíram que a utilização do Criterion RD
400 deveria ser restrita à medição de altura, pois para a medição de
diâmetro obtiveram resultados significativamente diferentes dos
obtidos com outros equipamentos. Em contrapartida, Castro et al.
(2008) concluíram que isto deve ter ocorrido devido à dificuldade de
leitura do reticulado que o aparelho dispõe para medir o diâmetro,
nos locais com pouca incidência de luz. Em termos médios, os autores
consideraram que o erro de medição do diâmetro não apresentou
tendência de sub ou superestimativa.
A aplicação do Criterion RD 1000 foi abordada na literatura para
diferentes objetivos. Huerta e Wal (2012) o empregaram para medir
a altura total das árvores. Yoon et al. (2013) coletaram dados que
possibilitaram o ajuste de equação alométrica para estimar o volume
de árvores da arborização urbana na Coreia do Sul. Suzuki et al.
(2013) utilizaram este equipamento como um relascópio eletrônico,
para aplicar o método de Bitterlich no estabelecimento de unidades
amostrais em florestas. Rutten et al. (2015) mediram o DAP das
maiores árvores das parcelas.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
14 do volume por método não destrutivo
A avaliação dos resultados obtidos do Criterion RD 1000 foi
apresentada por Rodriguez et al. (2014) com a medição de 38 árvores e
a validação com outras 38. A metodologia de medição foi considerada
válida, não tendenciosa e precisa, para uma distância de medição
semelhante à altura da árvore; também foi considerada aplicável
para estimativa de volume individual e para o desenvolvimento de
equações de afilamento.
Oliveira (2013) avaliou o Criterion e outros equipamentos para
medição de diâmetro e quantificação de volume e concluiu que não
houve diferença significativa nas estimativas produzidas a 95% de
probabilidade.
Como usar o dendrômetro para
quantificar volume
A medição de diâmetros e alturas de uma árvore requer que o
dendrômetro Criterion esteja posicionado a uma distância igual ou
superior à projeção da altura da árvore, em local onde seja possível
visualizar todo ou quase todo o fuste (Figura 2a), no caso em que
a copa seja muito densa, ou que existam outras árvores muito
próximas. Deve-se cuidar para que a posição não seja contra o sol, o
que inviabiliza tomar as medidas próximas ao topo da árvore.
O uso de um monopé (Figura 2b) para apoio do equipamento facilita
a realização das medições, pois embora o equipamento seja leve, seu
uso sem o apoio por períodos prolongados, diminui a produtividade.
A sequência de instruções a seguir é apresentada em LTI Criterion
(2006) e deve ser adotada para medir altura e diâmetro de uma árvore
em algum(ns) ponto(s) ao longo do fuste.
1. Pressione a tecla MODE até que o LCD externo exiba o
indicador da modalidade DIÂMETRO (DIAMETER), a medida
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 15
de HD (piscando), o indicador apropriado das unidades (“F”
ou “M”), e o indicador da função EDIT. Este é o alerta para
inserir a distância horizontal até a árvore a ser medida.
Fotos: Luciane Cristine Jaques
a b
Figura 2. Posicionamento para tomada de medidas de uma árvore (a) e dendrômetro
Criterion apoiado em um monopé (b).
2. Insira a distância horizontal.
Valores válidos: 1,65 a 999,90 pés ou 0,51 a 304,76 m.
a) Para enquadrar automaticamente: aponte e mire o
indicador da escala do laser LTI para transferir o valor
medido de HD no display numérico. O display avançará
automaticamente para a próxima etapa (opção a ser
adotada quando se dispõe do Trupulse acoplado).
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
16 do volume por método não destrutivo
b) Para inserir manualmente: meça a distância usando
uma trena (Figura 3), pressione a tecla EDIT e use as
teclas das setas para editar o valor.
c) Pressione a tecla UP ou DOWN para aumentar /
diminuir o valor.
d) Pressione a tecla FWD ou BACK para mover para o
próximo dígito / para o dígito anterior.
e) Pressione a tecla ENTER para aceitar o valor de HD
(Figura 4).
3. O LCD externo exibe o indicador do modo DIAMETER, o
indicador de medida pronta do ângulo (piscando), o indicador das
unidades DEG (grau), e a mensagem “bASE” serão o alerta para
tomar a medida da base do ângulo até a árvore (Figura 5). Esta
mensagem aparece também na área numérica do LED no espaço.
Foto: Denise Jeton Cardoso
Figura 3. Medição da distância do equipamento até a árvore com trena.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 17
Fotos: Luciane Cristine Jaques
Figura 4. Entrada da distância entre Figura 5. Mensagem “bASE”, com o
o equipamento e a árvore, neste alerta para tomar a medida da base
caso 32,40 m. do ângulo até a árvore.
4. Olhe pelo visor do equipamento, pressione e prenda
a tecla TRIGGER para ativar a iluminação da escala
da barra de medida do LED no espaço.
5. Aponte para a base da árvore alvo. Quando o ponto baixo
desejado do alvo do ângulo for identificado, libere a tecla
TRIGGER para travar a medida da inclinação (Figura 6).
Foto: Luciane Cristine Jaques
Figura 6. Medida da inclinação
do terreno tomada na base da
árvore, neste caso 4,4o.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
18 do volume por método não destrutivo
A inclinação aparece no LED in-scope e no LCD externo, e é
atualizada continuamente ao mesmo tempo em que se prende a
tecla TRIGGER.
Acima da tecla TRIGGER, o LED no espaço mostrará piscando a
leitura da inclinação encerrada.
6. Pressione e prenda a tecla TRIGGER outra vez e faça
uma varredura da árvore a partir da base. A leitura no topo
da árvore corresponde à altura total (Figura 7). Libere a
tecla TRIGGER em alguma parte da altura da árvore para
travar a medida da inclinação, por exemplo, 1,3 m.
a) Enquanto estiver medindo o fuste da árvore, a altura
da mesma é atualizada automaticamente.
b) Quando você liberar a tecla TRIGGER, o diâmetro da
árvore aparecerá no LED in-scope e no LCD externo
(Figura 8). Este valor é baseado na largura da iluminação
da escala de medida do LED no espaço.
c) Neste momento você deve usar as teclas SCALE
ADJUST (+) e (-) para alinhar as bordas da escala
da barra com as bordas da árvore alvo, mudando
simultaneamente o valor indicado do diâmetro.
d) Repita as operações (b) e (c) até que a medição de
diâmetros ao longo do fuste esteja concluída.
Para aferir a medição do diâmetro é recomendável medi-lo também
com trena e comparar os dois valores. A fita métrica, trena ou fita
colorida deve ficar presa à árvore à altura de 1,30 m para conferir a
medida de altura gerada pelo dendrômetro.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 19
Foto: Luciane Cristine Jaques
Figura 7. Medida de altura da árvore, no caso 21,0 m.
Fotos: Luciane Cristine Jaques
Figura 8. Tomada de medida do DAP.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
20 do volume por método não destrutivo
O fabricante oferece a opção de transferir os dados em série para um
coletor de dados externo, pressionando a tecla DOWN. No entanto,
por ser necessário um cabo específico a ser adquirido separadamente,
que também depende de importação, este procedimento não vem
sendo adotado pelos usuários brasileiros. É preferível que um
segundo usuário anote em um tablet os dados ditados pelo operador
do equipamento, no momento da medição.
Para aumentar a precisão das medições de diâmetro, em qualquer
situação, é recomendável acoplar a lente de aumento (Figura 9) e ligar
a constante de ampliação, que é armazenada na memória do RD 1000.
Foto: Denise Jeton Cardoso
Figura 9. Lente de aumento que acompanha o equipamento.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 21
Exemplo de tomada de medidas
com o dendrômetro
Como demonstração do uso do dendrômetro Criterion RD 1000, foram
medidas duas árvores de Eucalyptus grandis, sendo realizada também
a cubagem pelo método destrutivo, em que se derruba a árvore e se
medem os diâmetros às alturas 0,0; 0,3; 0,7; 1,30; 2 m e em seguida
a cada metro. O volume foi calculado pelo método de Smalian,
conforme descrito por Machado e Figueiredo Filho (2003).
A coleta de dados foi realizada na região de Londrina, PR, na Fazenda
Maravilha (coordenadas 22K 501441,13 m E e 7403033,24 m S), onde
existe um plantio em sistema silvipastoril, em espaçamento médio de
30 m entre linhas e 2,5 m entre árvores (Figura 10a) e um plantio puro
de espaçamento 3,0 x 3,0 m (Figura 10b), ambos com 4 anos de idade,
um ao lado do outro.
As árvores foram selecionadas de maneira a representar o DAP
médio do talhão a que pertencem, tendo no plantio puro 15,8 cm e
no sistema iLPF 23,5 cm, conforme inventário realizado aos quatro
anos de idade. Ressalta-se a diferença de 7,7 cm no DAP médio
destas áreas contíguas, atribuída ao espaçamento de plantio.
Antes da derrubada da árvore para a cubagem tradicional, os
diâmetros foram medidos com o dendrômetro a 0,0; 0,70; 1,30;
2 m e depois, a cada metro, de tal maneira que até 10 m de altura
foram tomadas 13 medidas. Os diâmetros a alturas superiores a
10 m não foram medidos com o dendrômetro, pois a visualização
foi inviabilizada devido à posição do sol no horário das medições,
que ocorreram próximo ao meio dia.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
22 do volume por método não destrutivo
Fotos: Denise Jeton Cardoso
b
Figura 10. Vista parcial do sistema de integração (a) e do plantio puro
de Eucalyptus grandis (b).
Ao manusear o equipamento, percebeu-se a dificuldade em utilizá-lo
no plantio puro, que embora bem iluminado e com árvores de copas
pouco desenvolvidas, gerou confusão na identificação do fuste a ser
medido. No sistema iLPF, a visualização do fuste foi relativamente
fácil, sempre buscando que o equipamento ficasse a favor do sol ou
em posição lateral a este.
Na comparação com os dados obtidos por medição rigorosa após a
derrubada das árvores, as medições de DAP e altura realizadas com
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 23
dendrômetro e com trena indicaram diferença de 0,2 e 0,1 cm para
o DAP e 0,9 e 0,0 m para a altura, respectivamente para a árvore do
sistema iLPF e para a do plantio puro (Tabela 1).
Tabela 1. Resultados das variáveis dendrométricas para as duas árvores
avaliadas, sendo a árvore 1 do sistema iLPF e a 2 do plantio puro. A diferença
percentual foi calculada em relação às medições após a derrubada.
Diferença
Variável Árvore Equipamento Medidas Diferença (%)
(absoluta)
Criterion 24,0 0,2 0,8
fita métrica (circunferência) 23,7 -0,1 -0,4
1
suta 24,3 0,5 2,1
fita métrica (diâmetro) após a
23,8
derrubada
DAP (cm)
Criterion 15,1 0,1 0,7
fita métrica (circunferência) 15,0 0,0 -
2
suta 14,7 -0,3 -2,0
fita métrica (diâmetro) após a
15,0
derrubada
Criterion 22,6 -0,9 -3,8
1
Trena (após a derrubada) 23,5
Altura (m)
Criterion 21,5 0,0
2
Trena (após a derrubada) 21,5
Criterion 0,3231 0,0106 3,2
1 Trena e fita métrica (após a
Volume 0,3337
até 10 m derrubada)
de altura Criterion 0,1655 -0,0301 -22,2
3
(m )
2 Trena e fita métrica (após a
0,1354
derrubada)
As maiores diferenças ocorreram para os diâmetros medidos a partir
de 6 m de altura (Figura 11). Este resultado pode ser considerado erro
de medição, que com treinamento e prática, pode ser melhorado
consideravelmente. Isto foi confirmado por um estudo realizado
por Williams et al. (1999) sobre os efeitos de treinamento e uso
de dendrômetros ópticos, que indicou que o erro de medição e a
variabilidade diminuiram à medida que o operador se tornou mais
familiarizado com o equipamento Criterion.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
24 do volume por método não destrutivo
(a)
(b)
Figura 11. Perfil das árvores avaliadas: árvore do sistema iLPF (a) e do plantio puro (b).
As diferenças verificadas nas medições de diâmetro e altura
refletiram no resultado do volume por árvore até 10 m de altura,
representando superestimativa de 22,2% para a árvore do plantio puro
e subestimativa de 3,2% para a árvore do sistema iLPF, quando
medidas com o dendrômetro.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
do volume por método não destrutivo 25
Embora não tenha sido o objetivo do trabalho aferir a precisão dos
resultados obtidos com o dendrômetro, pois isto já foi realizado
por outros autores e também porque seria necessária a derrubada
de pelo menos 20 árvores de cada área, os resultados gerados
com a medição das duas árvores estão de acordo com o esperado.
Oliveira (2013) obteve erro médio de 2,5% no volume por árvore, ao
medir 30 árvores de Cryptomeria japonica, enquanto Nicoletti et al.
(2015) obtiveram um erro médio de 10%, ao medir 175 árvores de
Eucalyptus grandis.
Considerações finais
O dendrômetro Criterion tem potencial de aplicação especialmente em
plantios onde não se pretende a colheita de árvores em curto prazo,
ou ainda em situações onde não é possível realizar a cubagem pelo
método tradicional. No entanto, a operação com o instrumento requer
bastante atenção, acuidade visual e treino.
As medições não são realizadas necessariamente nas alturas
previamente estabelecidas, pois a ocorrência de galhos das copas ou
de árvores muito próximas da árvore-alvo pode dificultar a medição
em um ponto preciso. Recomenda-se que sejam tomadas pelo menos
dez medidas ao longo do fuste.
Em inventários florestais, em geral, assume-se que o erro amostral
deve ser de no máximo 10%, o que pode ser atendido com o uso
do Criterion que pode apresentar estimativas de diâmetro ao longo
do fuste e do volume do fuste com erro abaixo de 10%, desde que o
usuário seja treinado e que o posicionamento para visualização da
árvore seja adequado.
O uso do dendrômetro “Criterion” para quantificação
26 do volume por método não destrutivo
Referências
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331 p.
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Viçosa - MG. Revista Árvore, Viçosa, MG, v. 37, n. 6, p. 1073-1081, 2013.
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