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Sexualidade Feminina na Gestalt-Terapia

Este documento resume uma pesquisa qualitativa e fenomenológica sobre a sexualidade feminina pela perspectiva da Gestalt-terapia. Três mulheres que foram clientes de Gestalt-terapeutas participaram de entrevistas semiestruturadas. Cinco categorias principais emergiram dos dados: 1) desenvolvimento da sexualidade, 2) vivência da sexualidade, 3) contato, 4) funções de contato, e 5) terapia, sexualidade e desenvolvimento pessoal. Os resultados sugerem que o autoconhecimento por meio do toque é fundamental para o desen
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Sexualidade Feminina na Gestalt-Terapia

Este documento resume uma pesquisa qualitativa e fenomenológica sobre a sexualidade feminina pela perspectiva da Gestalt-terapia. Três mulheres que foram clientes de Gestalt-terapeutas participaram de entrevistas semiestruturadas. Cinco categorias principais emergiram dos dados: 1) desenvolvimento da sexualidade, 2) vivência da sexualidade, 3) contato, 4) funções de contato, e 5) terapia, sexualidade e desenvolvimento pessoal. Os resultados sugerem que o autoconhecimento por meio do toque é fundamental para o desen
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Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-terapia de Goiânia - ITGT

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu com vistas a Especialização na Abordagem Gestáltica


Chancela da Pontifícia Universidade Católica de Goiás-PUC-GO

A sexualidade feminina pela perspectiva da Gestalt-

terapia: uma pesquisa qualitativa-fenomenológica

CínthiaVieira Möller

Celana Cardoso Andrade

Goiânia-GO
Setembro de 2010
  1

A sexualidade feminina pela perspectiva da Gestalt-terapia: uma pesquisa qualitativa-


fenomenológica 1

Feminine Sexuality from Gestalt-Therapy perspective: a qualitative and phenomenological


research

Cínthia Vieira Möller2


Celana Cardoso Andrade3

Resumo: A sexualidade tem sido tema de recorrentes discussões em diversos meios, incluindo a psicologia.
Compreender como a mulher vivencia esse aspecto de sua vida, e como a psicoterapia na abordagem gestáltica
pode influenciar sua experiência é o que se busca com esta pesquisa. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
qualitativa com uso do método fenomenológico, segundo as formulações de Amedeo Giorgi (1985). Foram feitas
entrevistas semidirigidas com três mulheres, clientes de Gestalt-terapeutas. Cinco categorias foram encontradas:
desenvolvimento da sexualidade, vivência da sexualidade, contato, funções de contato, e terapia, sexualidade e
desenvolvimento pessoal. Conclui-se que o autoconhecimento por meio do toque é fundamental para o
desenvolvimento de sua sexualidade, e que há uma ampla diversidade de vivências sexuais, desde uma
desinibição em relação ao sexo, passando pela influência de fatores externos, até a assexualidade. A maior
exploração das funções de contato na experiência sexual proporciona maior desenvoltura e plenitude sexual. O
processo psicoterapêutico pouco influenciou a sexualidade feminina das colaboradoras, pois ela não esteve
presente em suas psicoterapias, aparentemente por tratar-se de um tema resolvido para as colaboradoras.
Palavras-chave: Sexualidade feminina; Gestalt-terapia; Contato.

Abstract: Sexuality has been a constant discussion topic in different fields, including psychology. This research
aims to understand how women perceive this area in their lives and how Gestalt psychotherapy may influence
their experience. Therefore a qualitative research through phenomenological method was used, according to
Amedeo Giorgi (1985) formulations. Interviews were conducted with three women, Gestalt-therapy clients. Five
categories were found: sexuality development, sexuality experience, contact, contact functions and therapy,
sexuality and personal development. It was concluded that self knowledge acquired by means of touch is
fundamental for sexual development, and there is a wide variety of sexual experience, from an disinhibition to
sex, through external factors influences, up to asexuality. With more exploration on contact functions in the
sexual experience provides more sexual resourcefulness and fullness. The psychotherapeutic process had little
influence in the feminine sexuality of the collaborators, for it was absent in the psychotherapy, apparently
because this topic was resolute for the collaborators.
Key words: Feminine Sexuality; Gestalt Therapy; Contact.

                                                            
1
  Trabalho apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de especialista em Gestalt-terapia, do
Curso de Pós-graduação Lato sensu do Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-terapia de Goiânia
(ITGT).
2
Psicóloga pós-graduanda em Gestalt-terapia, pelo ITGT. Email: cinthiamoller@[Link]
3
Psicóloga clínica, especialista em Gestalt-terapia pelo ITGT, Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia
Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás), Professora-Supervisora do ITGT e da Universidade Federal de
Goiás (UFG). E-mail: celana@[Link]. 
  2

1 Introdução
Questões relativas à sexualidade têm sido alvo de muitos debates e questionamentos
na atualidade (Dall’Agnol, 2003), porém, na abordagem gestáltica, área de atuação da
pesquisadora, é uma questão ainda pouco tratada. Esse é tema amplamente discutido nas
ciências biológicas e sociais, porém, na Gestalt-terapia são escassos os estudos nessa área.
Frente a essa realidade decidiu-se, portanto, realizar esta pesquisa, com clientes de Gestalt-
terapeutas, tratados pelo prisma teórico dessa abordagem, com o intuito de avolumar a
colaboração para a discussão da sexualidade, tema recorrente na prática clínica da
pesquisadora. Para compreensão do assunto, propõe-se a contextualização e melhor definição
da sexualidade, de acordo com diversos autores que se dedicam ao estudo do tema.
A sociedade atual tem o hábito de pensar a sexualidade resumida ao ato sexual e ao
que lhe é próximo. No entanto, essa é uma redução de algo muito maior, pois ela também se
refere a aspectos como erotismo e sensualidade (Pinto, 2002). Segundo o Ministério da Saúde
(2006), a sexualidade é muito mais do que sexo, é um aspecto central da vida das pessoas e
envolve sexo, papéis sexuais, orientação sexual, erotismo, prazer, envolvimento emocional,
amor e reprodução.
Pinto (2002) considera a sexualidade e a identidade sexual as bases mais importantes
da identidade pessoal dos indivíduos. A construção da identificação sexual, conforme
Dall’Agnol (2003), é um processo que se intensifica na adolescência, tornando a tarefa
fundamental dessa fase do desenvolvimento humano. Os fatores históricos, sociais e culturais
influenciam fortemente a construção e a constituição de gênero (Seixas, 1998; Heilborn,
Cabral & Bozon, 2006).
A sexualidade humana, ainda de acordo com Seixas (1998), é composta pelos aspectos
biológico, psicológico e social. A autora apresenta uma visão do homem como um todo, do
qual a sexualidade faz parte. Esse pensamento assemelha-se com a forma de a abordagem
gestáltica perceber o homem, que, segundo Lima (2008), foi influenciada pelo pensamento
holístico que teve como precursor Jan Smuts, o proponente filosófico mais importante da
teoria organísmica (Hall, Lindzey & Campbell, 2000; Yontef, 1998). Holismo, segundo Chaer
(2006) provém do grego holon e significa todo, totalidade. De acordo com Abbagnano (1999)
trata-se de uma doutrina segundo a qual os fenômenos biológicos dependem dos fenômenos
físico-químicos.
Nessa totalidade, apoiadas por um fundo, emergem figuras que compõem a existência
humana. O campo perceptivo ocorre pela eleição de uma necessidade, cuja consequência
  3

natural ó o surgimento de uma figura. Entende-se por figura qualquer processo que se destaca
de um fundo, aquilo que ocupa o centro da consciência (Koffka, 1975). A figura é fechada,
estruturada e não se pode distingui-la sem um fundo. Esse conceito é referido diversas vezes
neste trabalho, visto que a sexualidade, figura da pesquisa, é apoiada em um contexto, um
fundo que é amplo e singular para cada participante, e a abordagem gestáltica se interessa por
ambos e por sua inter-relação (Ginger e Ginger, 1995).
Assim, a sexualidade não pode ser entendida como resultado apenas da realidade
interna do indivíduo, mas em razão do campo ao qual ele pertence. A abordagem gestáltica
percebe o homem como um todo que está inserido em um campo e estuda a relação entre a
pessoa e o seu meio social (Ribeiro, 1985; Ginger e Ginger, 1995). Ela valoriza a pessoa e a
sua relação com ela mesma, com o outro e com o mundo.
A sexualidade não é objeto de estudo específico na abordagem gestáltica, que no
entanto, apresenta uma atitude de acolhimento e respeito à diversidade das necessidades e dos
desejos, opondo-se a normas pré-definidas (Ginger, 2007).
Com o questionamento de como a sexualidade está presente nas mulheres e como se
manifesta na vida e nos consultórios de psicologia, chegou-se ao objetivo desta pesquisa:
compreender como foi desenvolvida a sexualidade das mulheres e como a vivenciam, e,
ainda, como a psicoterapia na abordagem gestáltica pode contribuir para esse aspecto de suas
vidas.
Após essas notas introdutórias acerca do tema desta pesquisa, é importante descrever
como a pesquisa é apresentada. Ela se inicia com a definição do método fenomenológico de
Giorgi (1985), a descrição dos participantes e do procedimento adotado neste estudo. Em
seguida, nos resultados e discussão, são abordados alguns conceitos da abordagem gestáltica
que advêm das bases teóricas – teoria organísmica, teoria de campo e psicologia da Gestalt –
como o contato, funções de contato, figura e fundo, relação pessoa-ambiente, dentre outros,
para uma maior compreensão teórica das categorias apresentadas. Por fim, são feitas algumas
considerações, a fim de refletir o estudo realizado. As entrevistas e suas reduções são
anexadas na íntegra, para posteriores utilizações.

2 Método

2.1 Pesquisa Fenomenológica


Neste estudo, utilizou-se a entrevista semidirigida como instrumento para apreender a
vivência da sexualidade das participantes. Segundo Gomes (1997), a entrevista
  4

semiestruturada serve como veículo de comunicação e forma de fazer conhecida a


experiência. Com ela explora-se o mundo vivido do entrevistado e se procura o sentido
atribuído pelo sujeito a esse mundo. O roteiro de perguntas foi elaborado tendo como tema a
sexualidade, mas deixando espaço para que as entrevistadas tivessem liberdade de expor
pontos não questionados, caso os julgassem importantes.
Para análise das entrevistas realizadas, recorreu-se ao método de pesquisa
fenomenológica elaborado por Amadeo Giorgi (1985), que parte de transcrições de
entrevistas, e apresenta quatro passos. O primeiro consiste na leitura da descrição, a fim de
formular uma idéia do que foi abordado e servir de embasamento para o próximo passo. O
segundo é a releitura da descrição, com o objetivo de discriminar as unidades significativas,
identificadas sempre que o pesquisador nota uma mudança de sentido no discurso do sujeito e
que responda à pergunta proposta. Este passo é realizado sem a alteração da linguagem usada
pelo entrevistado. Após serem delimitadas as unidades de sentido, o pesquisador a elas
retorna e as traduz em uma linguagem psicológica, com ênfase ao fenômeno investigado. Essa
transformação é necessária, pois a descrição do sujeito expressa realidades múltiplas, e o
aspecto que se deseja captar da experiência é o psicológico. Por fim, as unidades de sentido
são sintetizadas e transformadas em categorias, que correspondem ao agrupamento de
unidades de significado (anexos A, B e C), buscando traduzir, de maneira mais ampla, a
essência da fala do entrevistado (Giorgi, 1985; Moreira, 2002; Andrade, 2007; Ferreira, Leão
& Andrade, 2008; Suassuna & Holanda, 2009).

2.2 Colaboradoras
A pesquisa foi realizada com três mulheres que estão em psicoterapia na abordagem
gestáltica. Sua identidade está preservada e são utilizados nomes fictícios no decorrer deste
trabalho. Elas foram convidadas a participar deste estudo por suas respectivas terapeutas, por
meio de um folder-convite (anexo D).
A primeira entrevistada foi Gabriela, de 32 anos, solteira, sem filhos, com formação
superior em pedagogia. Gabriela considera-se disponível para novas experiências sexuais,
gosta de sexo e tem grande interesse por ele e aponta a importância de uma boa relação sexual
em seus relacionamentos amorosos. Percebe que seu interesse por questões relacionadas ao
sexo contribui para a vivência de sua sexualidade.
A segunda foi Renata, de 28 anos, também solteira, sem filhos, e com formação
superior em letras. Renata teve sua primeira experiência sexual com 27 anos, apesar de ter
  5

percebido sua sexualidade desde os 10 anos. Considera que a dificuldade em lidar com sua
obesidade prejudica-a na vivência de sua sexualidade.
A terceira entrevistada foi Débora, de 38 anos, casada há 15 anos, mãe de dois filhos,
com formação superior em fisioterapia. Débora alega não sentir falta de sexo no seu
cotidiano; a preocupação com a família e o longo casamento têm grande influência sobre a
vivência de sua sexualidade.

2.3 Material
As entrevistas foram realizadas em consultório psicológico e utilizados como
instrumentos um roteiro de entrevista semidirigida e gravador digital para gravação das
entrevistas. Posteriormente, foi utilizado um computador para o registro da transcrição das
falas, e aplicação do método fenomenológico de Giorgi (1985).

2.4 Procedimentos
A pesquisadora entregou para Gestalt-terapeutas do Instituto de Treinamento e
Pesquisa em Gestalt-terapia de Goiânia (ITGT), com a prévia autorização de sua diretora
administrativa, um folder-convite com esclarecimentos sobre a pesquisa que pretendia
realizar, a fim de que eles verificassem com suas pacientes aquelas que manifestassem
interesse em participar do estudo. Após a autorização verbal de suas pacientes, as terapeutas
informaram o nome e telefone das possíveis participantes à pesquisadora. Posteriormente,
foram agendadas e realizadas as entrevistas, após o esclarecimento dos objetivos da pesquisa,
informando que as entrevistas seriam gravadas, que a identidade das participantes seria
preservada. Houve ainda leitura e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido
(anexo E).
As entrevistas semiestruturadas foram realizadas individualmente, e tiveram como
perguntas norteadoras: como você iniciou sua vida sexual? Como ela se desenvolveu? Como
ela está atualmente? Você conversa sobre sua sexualidade na sua terapia? Você percebeu
alguma influência da psicoterapia na sua vida sexual? As três primeiras perguntas buscam
investigar como a sexualidade foi desenvolvida e como é vivenciada pelas mulheres, e as duas
últimas, compreender como a Gestalt-terapia pode influenciar essa vivência.
  6

3 Resultados e discussão
Após a aplicação do método de Giorgi (1985), chegou-se a cinco categorias que
evidenciam a essência do que fora percebido nesta pesquisa. Essas categorias são:
desenvolvimento da sexualidade, vivência da sexualidade, contato, funções de contato e
terapia, sexualidade e desenvolvimento pessoal, como se vê a seguir.

3.1 Desenvolvimento da sexualidade


A sexualidade, presente desde o nascimento, tem um tempo e ritmo próprios para ser
vivenciada pela pessoa. Uma das colaboradoras do trabalho destaca que a sexualidade é
intuitiva, mas que não se aprende em determinado momento, que sempre esteve presente em
sua vida:

Uma parte acho que é inconsciente, é mais dedutiva do que consciente, por exemplo,
eu me recordo de criança pequena, que eu mexia em mim, me masturbava eu acho...
(Débora)

A vivência da sexualidade como tal, ocorre na puberdade, que se inicia nas meninas
com o desenvolvimento mamário, aparecimento inicial dos pelos pubianos e da menarca,
seguido por um maior desenvolvimento dos seios e pelos pubianos (Duarte, 2010). Nota-se
que o desenvolvimento físico e a menarca foram enfatizados como marcos por duas
colaboradoras.

Foi cedo. Foi com uns onze ou doze anos. Depois que eu menstruei, acho que é
sempre depois que a gente menstrua, né?... (Gabriela)

E eu tive um desenvolvimento físico muito precoce, eu menstruei aos dez anos, então
minha experiência com a sexualidade feminina, não com sexo mesmo, foi muito
precoce... (Renata)

Bozon e Heilborn (2006) consideram que a menarca é um sinal interpretado como


indicador de disponibilidade para o sexo, assim, uma etapa marcante na entrada da
adolescência. Renata nesse fragmento faz distinção entre o início da sexualidade feminina e o
  7

ato sexual, confirmando a literatura (Bozon e Heilborn, 2006; Taquette e Vilhena, 2008) que
afirma a intensificação do desejo sexual na puberdade. Entretanto, o desejo sexual por si só
não determina o início da atividade sexual genital, visto que o aprendizado da sexualidade não
se restringe à genitalidade ou à primeira relação sexual. Trata-se de um processo de
experimentação pessoal que depende de fatores tanto biológicos quanto culturais.
As rápidas transformações corporais contribuem para o interesse das adolescentes pelo
conhecimento de si mesmo, tanto de sua identidade sexual como de seu corpo. Nesse
processo, ocorre a manipulação das partes do corpo, a descoberta de sensações eróticas, de
zonas erógenas e a experimentação da masturbação (Seixas, 1998). Conforme Ginger (2007),
admite-se atualmente que a masturbação é necessária e natural no desenvolvimento sexual,
pois prepara a função sexual e beneficia especialmente o orgasmo feminino.
Neste estudo pôde-se notar com clareza as afirmações dos autores nos trechos em que
duas colaboradoras descrevem suas descobertas físicas por meio da masturbação, e a
percepção de sensações eróticas despertadas em seus corpos:

Eu acho que aos poucos eu comecei a descobrir comigo mesmo... Comigo, eu me


tocando essas coisas (...). Já me tocava, já me sentia (...). Quando eu via coisas
eróticas eu sentia... (Gabriela)

Era uma coisa que eu desejava muito... Eu comecei a me masturbar muito cedo, eu
sabia o que era masturbação... (Renata)

A passagem à sexualidade com parceiro é a mudança de maior repercussão na


adolescência (Heilborn, 2006a). Após o desenvolvimento sexual inicial, no qual ocorrem as
descobertas do próprio corpo e das sensações prazerosas, aproxima-se o momento do ato
sexual propriamente dito. Para Altmann (2007), a primeira relação sexual ideal deve
acontecer em um relacionamento amoroso, o que pode demonstrar a capacidade do indivíduo
em manter uma ligação afetiva. Assim, a experiência sexual é a consequência da
concretização do vínculo amoroso.
Percebe-se essa importância com uma colaboradora, que mesmo tendo um
desenvolvimento sexual precoce, com um grande conhecimento de seu corpo, e de sua
sexualidade, aguardou estar em um relacionamento estável para ter a sua primeira relação
sexual:
  8

Mas, segurando, segurando [o desejo sexual] (...). Eu tive o meu primeiro namorado.
Aí depois que a gente começou a namorar, foi depois de dois anos, nós dois fomos
descobrindo... Aí aconteceu... (Gabriela)

Ainda confirmando o que afirma Altmann (2007), outra participante deste estudo
assinala que não foi uma boa experiência ter iniciado sua vida sexual com um parceiro com
quem não tinha vínculo afetivo:

A pessoa com quem eu tive a minha primeira relação sexual (...). Não era o meu
namorado, eu conhecia há pouco tempo... A gente manteve o ato sexual, e depois não
continuamos. O relacionamento não se concretizou... (Renata)

As primeiras relações sexuais não foram consideradas como prazerosas por duas
participantes, mas, com a aquisição de maior experiência, o ato para elas tornou-se agradável,
possibilitando satisfação:

Não foi às mil maravilhas na primeira vez, foi com o tempo (...). Hoje depois de vários
relacionamentos, depois de vários namoros, eu acho que eu posso falar que eu me
satisfaço... Eu me satisfazia também... Mas hoje eu me satisfaço mesmo, homem-
mulher... (Gabriela)

... As outras subseqüentes foram melhorando, mas a primeira vez de verdade foi muito
ruim (...). Eu descobri formas de fazer aquela coisa que no começo foi ruim ser
melhor... (Débora)

Heilborn, Cabral e Bozon (2006) mostram dados concordantes com os obtidos nesta
pesquisa. Segundo os autores, o maior tempo transcorrido de vida sexual está relacionado a
um maior repertório sexual, e essa experiência pode ser tanto com o mesmo parceiro, quanto
com vários parceiros.
  9

3.2 Vivência da Sexualidade.


De acordo com Heilborn (2006b), as distintas formas de interpretar as relações sexuais
geram impactos diversos na forma de experienciar a sexualidade, o que é notado na
diversidade de vivências sexuais percebidas nesta pesquisa.
Reis (1992) assinala que existe diferenças entre o discurso acerca da sexualidade e
como ela é vivida pelos indivíduos. Na fala, trata-se de algo natural, normal, voltado para o
prazer, mas ela é vivenciada com preconceitos, que podem provocar insatisfação e
sentimentos de culpa. O relato de uma entrevistada confirma a análise do autor:

Em algumas vivências minhas, quando eu perdi a minha virgindade (...). Eu tive


algumas dificuldades para lidar... O discurso é liberal, eu acho que é liberal, mas na
hora que vai vivenciar a coisa é um pouco diferente... (Renata)

Outros fatores que influenciam a sexualidade e nela interferem são externos, como
dupla jornada, preocupação com o trabalho, vida doméstica e maternidade (França & Baptista,
2007; Seixas, 1998). A sobrecarga que eles geram nas mulheres reflete-se diretamente na
sexualidade, podendo deixar de ser relevante, como relata uma colaboradora:

Eu estava sem trabalho, desesperada para pagar as minhas contas, a escola do meu
filho atrasada, sem dinheiro para comprar comida, sem gasolina para ir e voltar, eu
vou pensar em sexo? Não cabe na minha cabeça... (Débora)

Por estar desempregada, passando por dificuldades financeiras, a colaboradora não


conseguia pensar em sexo. Família, trabalho e preocupações do cotidiano ocupam de tal
forma sua vida que não há espaço para o sexo nesse momento.
A vontade de fazer sexo não surge, em razão de muitas interferências que ela
considera maiores que sexo. Seixas (1998) destaca que o cansaço com a dupla jornada de
trabalho gera preocupações e pode ser, para algumas mulheres, um dos fatores
desmotivadores para o sexo. A esse respeito uma colaboradora declara:

Quando você começa a ter muitas coisas interferindo aquela vontade inicial acaba
deixando de existir, porque a cabeça sempre está preocupada em resolver os
problemas, acho que maiores... (Débora)
  10

Segundo a psicologia da Gestalt, a pessoa saudável elege uma necessidade, que é


denominada figura. Ela é determinada pela tarefa que a natureza do organismo exige naquele
momento (Koffka, 1975). Uma colaboradora afirma ter uma escala de valores que define o
que se destaca como figura e o que permanece ao fundo em sua vivência. A saúde da família,
educação dos filhos e alimentação emergem como a figura, e percebe-se a vivência sexual,
por muitas vezes, não sendo figura:

Acho que eu devo ter uma escala de valores, então primeiro precisa estar todo mundo
bem, a saúde de todo mundo precisa estar boa, todo mundo precisa estar na escola,
com educação, todo mundo precisa ter comido. Tudo isso é mais importante do que o
sexo, ou do que essa parte da sexualidade... Se isso tudo estiver bem, aí eu vou pensar
numa boa numa relação... (Débora)

A construção da escala de valores da colaboradora é definida por suas necessidades


pessoais e sofre também influência social e cultural. Em diversos momentos, o
comportamento de Débora é o esperado das mulheres. De acordo com Seixas (1998), a
mulher recebe uma educação alienante e é preparada para perceber as necessidades dos
outros, deixando a sua própria de lado.
A variedade de vivências da sexualidade encontradas nesta pesquisa trouxe à tona a
abertura em relação ao sexo. Segundo Heilborn (2006b), a revolução sexual que tornou mais
liberais códigos de conduta que antes eram limitados, permitiu, sobretudo às mulheres, uma
maior liberdade para tratar o tema da sexualidade (Heilborn, 2006b). Alguns trechos de uma
entrevista corroboram a análise da autora:

Eu acho que é muito importante também o casal conversar sobre suas vontades, seus
desejos. Eu converso sobre fantasias. (...). Falamos e fazemos as nossas vontades, a
gente se entrega mesmo. Ele também. Acho que é muito bom esse negócio da entrega.
(...). Percebe a forma clara que eu tenho... Que eu não ponho dificuldade no sexo...
(Gabriela)

A colaboradora demonstra facilidade em tratar com seu parceiro de aspectos


relacionados à sexualidade e percebe que a liberdade e a comunicação clara contribuem para a
  11

entrega de ambos. A abertura do casal proporciona também uma sintonia dos dois,
demonstrada pela preocupação recíproca e pela cumplicidade, como relata a entrevistada:

Tanto eu preocupar com ele, como ele preocupar comigo. Tem que ter cumplicidade e
ser recíproco. Os dois exporem a vontade, e não esconder, eu deixo isso claro...
(Gabriela)

Outra vivência da sexualidade encontrada foi a experiência negativa na primeira


relação sexual. Para Altmann (2007), o ideal da primeira relação é muito forte, e não se trata
de valorizar a virgindade por ela mesma, mas de dar especial atenção essa experiência. Assim,
ao perceber que ela não foi como esperava, a colaboradora diz que sentiu-se mal e se
responsabiliza por ter estragado esse momento de sua vida:

Sempre quando eu penso em sexo, quando eu penso na minha primeira vez... Eu


penso: “Nossa! Como eu consegui?... Como eu consegui destruir um momento tão
especial da minha vida”... Eu destruí, eu estraguei esse momento tão especial da
minha vida, e tudo o mais... (Renata)

Ribeiro (2006) pondera que nenhum ser se auto-regula sozinho ou com base nele
mesmo, pois todos os seres se auto-regulam no mundo e com base nele. Assim, um dos
fatores que contribuiu para a primeira relação sexual não ser como a colaboradora esperava
foi não ter um relacionamento longo com o parceiro. Atualmente, ela continua sem um
relacionamento, sem ter resolvido essa questão, e afirma estar se tornando um ser assexuado:

Não namorava, não tinha um relacionamento longo, e... Como isso tem se perpetuado
(...), a tendência agora é eu me “assexuar”. [Risos] No momento eu acho que estou
me tornando um ser “assexuado”. (...). Eu continuo “assexuada”. Eu ainda não
resolvi isso... (Renata)
Mulher e homem vivenciam a sexualidade de forma distinta em virtude de uma
combinação de fenômenos que envolvem cada um dos gêneros, dentre eles, os complexos
processos de socialização (Heilborn, 2006a). Segundo Rocha (2005), as configurações dos
modos de ser homem e ser mulher mudaram muito com o tempo. No entanto, ainda é muito
forte a ligação da sexualidade masculina à imagem de dominação, atividade, e da feminina à
  12

imagem de passividade e sensibilidade (França & Baptista, 2007; Dall’Agnol, 2003; Heilborn,
2006a).
Essa relação entre sexualidade feminina e passividade pode ser observada neste trecho
em que a colaboradora relata permitir que o parceiro tenha a iniciativa sexual, mesmo à sua
revelia, e se coloca como receptora de suas carícias. Ao receber o estímulo, tem seu desejo
despertado e gosta do contato sexual com o parceiro.

Mas às vezes eu aceito que ele comece alguma coisa que eu não estava pensando em
fazer, e aí eu gosto... (Débora)

Culturalmente, a sexualidade feminina vincula amor ao sexo, ao passo que da


masculina, se espera uma vida sexual ativa, mesmo sem a presença do afeto (Dall’Agnol,
2003). Esses padrões de comportamento diferenciados são mantidos e cada um dos gêneros
deve saber o que fazer em relação ao outro (Santos & Silva, 2008). A colaboradora demonstra
em seu relato que essa concepção cultural é presente em sua vivência. Para ela, a mulher fica
disposta a ter relações sexuais se estiver bem, e para o homem, a relação sexual é um meio,
um instrumento para sentir-se bem. Ela alega não conseguir relaxar para ter uma relação
sexual e entende que o comportamento do homem seja o oposto:

A diferença entre homem e mulher é: a mulher se não estiver relaxada, ela não
consegue ter uma boa relação sexual. E o homem se não tiver uma relação sexual não
consegue ficar relaxado. (...). Eu não consigo também me desligar para pensar:
“Hoje eu preciso ter uma relação sexual”... E o homem é assim, na minha opinião...
(Débora)

Envolvendo homens e mulheres, o comportamento sexual não é algo que diga respeito
ao plano individual, mas ao interpessoal (Taquette & Vilhena, 2008). Em um relacionamento
amoroso, o exercício da sexualidade supõe o contato com o outro, não é possível manter o
outro distante. Para duas entrevistadas a sexualidade desempenha papel importante nessas
relações:
  13

Eu acho que em um relacionamento, tem que ser tudo. E em relação ao sexo também
tem que ser assim... Eu não ponho primeiramente o sexo, lógico. Como eu falei, é
fundamental, mas não 100%. Mas é muito importante... (Gabriela)

Eu acho que é uma relação importante para a vivência de casal, acho que é muito
importante... (Débora)

Mesmo sendo percebida como crucial para o relacionamento, a sexualidade é alvo de


dificuldades que acompanham a vida amorosa de casais. Dentre elas, para Ginger e Ginger
(1995), uma das mais comuns e talvez mais negadas, seja a rotina. Ela se instala sem que o
casal a perceba, e dia após dia impede a criatividade e interrompe os canais de comunicação.
Uma colaboradora relata:

É interessante como hoje, eu tenho quinze anos de casada já, eu não sinto falta de um
relacionamento, é interessante... (Débora)

Ela se admira ao notar que após quinze anos de casada, não mais sente falta de sexo,
deixando entrever que talvez tenha sido diferente no início do relacionamento. A mudança em
relação ao sexo reflete-se na vivência dessa colaboradora quando ele passa a ser percebido
como algo necessário à manutenção do casamento, e não como algo desejado. Para ela há
mudança de figura no decorrer dos anos de casamento: no início, era a sexualidade,
atualmente é a manutenção do seu casamento:

Acho que é mais necessária para a manutenção de um casamento, de um


relacionamento de casal... (Débora)

Outro tema que emerge é a presença da mãe, fator importante na sexualidade de uma
das participantes, que apontou a relevância de sua mãe como suporte no momento em que
teve a primeira experiência sexual. Este relato corrobora a afirmação de Gonçalves (2005),
segundo o qual a família ainda ocupa lugar destacado na socialização de jovens, pois
representa apoio quando eles enfrentam situações difíceis.
A colaboradora assim se expressa:
  14

Acho que tinha que acontecer do lado da minha mãe para ela conversar, para ela me
apoiar, se não o mundo tinha caído. Como caiu de certa forma... (Renata)

3.3 Contato
O contato é destacado por Ribeiro (2006) como conceito essencial da Gestalt-terapia.
Para o autor, contato é a emoção experienciada, a energia que impulsiona a mudança e que dá
sentido à realidade (Ribeiro, 2007). É fundamental para o crescimento, e, por meio dele, é
possível mudar a si próprio e a percepção do mundo (Polster & Polster, 2001; Perls,
Hefferline & Goodman, 1997). Perceber-se é, então, entrar em contato consigo mesmo, com
emoções e conceitos pessoais, o que pode acontecer em virtude de experiências vividas, como
relatado por uma das participantes da pesquisa:

O conceito que eu descobri que eu tinha. Não sei se eu descobri, eu percebi. Na


verdade eles estavam ali, e em algum momento a experiência só fez aflorar algumas
dificuldades que estavam ali embolando dentro de mim. (...). Aí tem um fator inerente,
à minha formação, à minha dificuldade em lidar com a minha obesidade, o pré-
conceito que eu tenho e que acaba influenciando. E eu vi que influenciaram também
nessa decisão de fazer, de transar, de fazer sexo... (Renata)

A experiência sexual da colaboradora permitiu que ela entrasse em contato com seu
preconceito, sua dificuldade em lidar com a obesidade, dos quais não estava consciente até
então, mas que permeiam sua vida. O aspecto especial do contato, de acordo com Polster e
Polster (2001), é a possibilidade de estar em contato consigo mesmo e ocorre graças à
capacidade de o indivíduo dividir-se em observador e observado. A participante, ao observar-
se, pôde perceber aspectos de si mesma que não estavam claros até esse momento e descobrir
o que motivou sua atitude, ela declara:

Eu não me acho... Isso é o que me pesa mais... Eu não me acho capaz. É o ponto
chave com a minha sexualidade. Eu descobri que foi isso que me fez precipitar (...). É
a falta de ainda não conseguir me enxergar como eu realmente sou. Eu tenho uma
dificuldade enorme de lidar com a minha obesidade, com meu corpo... (Renata)
  15

Esta experiência permitiu que ela compreendesse sua real dificuldade, e se


encontrasse. Estar presente em si mesmo, olhar para si próprio e se reconhecer é estabelecer
contato (Ribeiro, 2006). A colaboradora demonstra grande dificuldade em manter esse
contato. Tem conhecimento de sua obesidade, porém não consegue lidar com ela de forma a
sentir-se bem. Nota-se que o seu sentimento de incapacidade em relação à sexualidade é
influenciado pela obesidade, o que vai ao encontro do que afirma Heilborn (2006b): a
obtenção de parceiros sofre intervenção direta da atração que o corpo pode exercer sobre
outras pessoas.

3.4 Funções de Contato


As formas de entrar em contato com o outro, com o mundo e consigo mesmo são a
visão, a audição, o olfato, o paladar e o toque. Além desses cinco modos existe também o
falar e o movimentar-se (Polster & Polster, 2001). Nas entrevistas realizadas com as
participantes, fica evidente a presença e a importância de algumas das funções de contato na
descoberta e na vivência de sua sexualidade. A seguir observam-se como as funções
mencionadas pelas entrevistadas contribuem para a sua sexualidade.
Todas as participantes deste estudo fizeram referência ao toque, que Polster e Polster
(2001) consideram a forma mais óbvia de e contato. O toque foi relevante para suas
descobertas sexuais, tanto por meio da masturbação, como do toque mútuo, com o parceiro.
Tocar-se no início do desenvolvimento da sexualidade possibilitou fazer contato com o
próprio corpo, conhecê-lo e descobrir formas de prazer que enriqueceram suas experiências
sexuais.
As colaboradoras relatam suas experiências com o toque:

E eu acho que aos poucos eu comecei a descobrir comigo mesmo... Comigo, eu me


tocando essas coisas (...). Eu sabia onde ele podia me tocar que eu sentia tal prazer,
entendeu? Eu já conhecia foi fácil... (Gabriela)

Acho que eu tinha uns quinze anos, foi a descoberta de o outro mexer em você, do
outro te tocar... (Débora)

Eu comecei a me masturbar muito cedo, eu sabia o que era masturbação e me


masturbava muito cedo... (Renata)
  16

A fala como função de contato pode ser usada com diferentes entonações, e assim
assumir diversos significados, revelando interesse verdadeiro ou apenas o cumprimento de
uma norma social (Polster & Polster, 2001). Essa função fica evidente nos trechos em que
duas participantes mencionam a importância da fala no decorrer da experiência sexual:

Eu percebo porque, tanto ele quanto eu, falamos e fazemos as nossas vontades, a
gente se entrega mesmo... (Gabriela)

A gente fala sobre isso, eu falo: “Gosto assim, não gosto assim. Faz assim, vira aqui”.
Eu consigo falar das coisas que me dão mais prazer, super numa boa... (Débora)

Falar com o parceiro sobre sexo, do que gosta, de suas vontades, no momento do ato
sexual, é importante para as colaboradoras. Por meio da fala, o casal entra em contato com as
preferências um do outro, e, assim, o sexo fica melhor e a entrega é intensa.

Percebe-se que, por mais que seja doloroso falar de sua experiência sexual, entrar em
contato com sua ferida por meio da fala, possibilita à colaboradora a contínua construção de
sua sexualidade. Ela pode ressignificar sua experiência pela renovação que figura e fundo
promovem formando e destruindo gestalten (Ribeiro, 2007; Yontef, 1998). O contato, como
enfatiza Polster e Polster (2001), nem sempre leva à felicidade, mas, como percebeu a
colaboradora, ainda assim é fundamental para a formação de uma pessoa:

Falar é reabrir, sempre. Reviver, retomar, e ainda não é fácil falar. Mas é sempre
bom, por mais que doa... Para mim, é engraçado, é bom mexer na ferida, por mais
dolorosa que ela seja. Eu tenho a impressão que ou ela vai cicatrizando aos poucos,
ela vai virando outra pele para sofrer outras alterações... (Renata)

O cheiro, apesar de muito primitivo, é uma das funções mais desprezadas, de acordo
com Polster e Polster (2001). Neste estudo, essa função de contato foi mencionada por apenas
uma das colaboradoras o que corrobora a afirmação do autor. Ficou evidente, pela entonação
de sua voz que considera o cheiro um importante canal de contato com seu parceiro, pois
sente-se estimulada sexualmente pelo cheiro de homem:
  17

Gostar de estar fazendo, de gostar de estar com o homem, de sentir a pegada, o


cheiro, essa coisa masculina mesmo, que dá... (Gabriela)

Uma das formas mais interessantes de contato e interação dá-se pelo olho, que tanto
capta quanto transmite sensações, segundo Lilienthal (2005). Muitas vezes, essa captação tem
função intermediária, usada para dar acesso a outras informações que se deseja alcançar
(Polster & Polster, 2001). Assim o fez uma colaboradora, que, por meio da visão, teve acesso
a cenas de sexo em filmes e pôde ir tomando conhecimento de sua própria sexualidade:

Eu gostava mesmo de ver filmes pornôs, eu via. (...). A forma como a mulher agia,
como o homem penetrava, tudo... (Gabriela)

Outra função de contato presente nos relatos das entrevistadas é o ouvir. Polster e
Polster (2001) afirmam que, de forma plena, o ouvinte se integra ao que está escutando e não
apenas registra as palavras que chegam ao seu ouvido. Ele ouve também o significado que
aquelas palavras têm para ele, e como elas o tocam. A colaboradora envolvia-se de tal forma
com os sons emitidos nos filmes pornôs que se sentia excitada sexualmente, como relata:

Eu tinha assim, um interesse. Acho que é porque eu ouvia, eu via. De vez em quando,
quando aparecia, eu sentia... (Gabriela)

3.5 Terapia, sexualidade e desenvolvimento pessoal


As participantes não mencionaram a presença do tema sexualidade em suas terapias,
nem a sua contribuição direta nessa área de suas vidas, porém deram importância considerável
ao autoconhecimento alcançado com a psicoterapia gestáltica.
Com base na teoria de campo de Lewin (1973), segundo a qual uma mudança ocorrida
em uma região afeta todas as outras, em graus variados (Ribeiro, 1985; 2007; Lewin, 1975),
pode-se inferir e compreender que a terapia teve influência na vivência da sexualidade das
colaboradoras. As participantes, ao conhecerem-se melhor como mulher, conseguiram abrir-
se para o mundo e para as relações sociais. Vivendo de forma mais plena, conhecendo-se e
estabelecendo melhores relações, a sua sexualidade também foi afetada.
  18

A teoria organísmica faz afirmação semelhante ao enunciar que um acontecimento em


uma parte do organismo afeta o todo, pois o organismo comporta-se como um todo integrado,
e não como várias partes diferentes (Hall, Lindzey & Campbell, 2000).
Os depoimentos que se seguem revelam a importância da terapia em suas vidas:

Foi muito bom, porque eu sempre fui muito fechada, muito calada... E a terapia me fez
poder me abrir, poder falar. Porque pra mim... O falar por si só já foi um processo de
autoconhecimento. Então a terapia me ajudou em todos os sentidos, de me descobrir,
saber me articular, saber falar de mim... (Renata)

Ajuda bastante também [a terapia]... Eu estou me conhecendo ainda melhor. Na parte


da sexualidade eu já me conhecia... Eu me conheço melhor e está me ajudando na
forma de eu agir... (Gabriela)

4. Considerações finais
Durante o processo que envolveu a execução desta pesquisa pôde-se perceber quão
delicado é tratar da sexualidade feminina. Os desafios iniciaram-se com a escolha da melhor
forma de reunir mulheres dispostas a participarem de uma pesquisa com esse tema. Apesar
dessa dificuldade, foi interessante observar que as mulheres que se dispuseram a colaborar
tiveram facilidade para abordar o assunto.
Outro obstáculo foi encontrar referências sobre o tema na abordagem gestáltica,
embora haja estudos sobre sexualidade feminina dos prismas biológico, social, de
psicopatologia e de saúde pública, visto que fatores históricos, sociais e culturais exercem
grande influência na construção da sexualidade feminina. Assim, para compreender como a
mulher vivencia sua sexualidade no dia a dia, buscou-se relacionar o que foi encontrado na
pesquisa, o que estudiosos do tema de diversos enfoques teóricos afirmam e alguns princípios
teóricos da Gestalt-terapia. Os resultados encontrados permitem destacar alguns pontos que
ajudam a esboçar os contornos da sexualidade feminina.
Conforme as entrevistadas, o desenvolvimento sexual inicia-se com o toque do próprio
corpo e a masturbação, que são importantes para o autoconhecimento físico e sexual das
mulheres. Posteriormente, elas se abrem ao contato com um parceiro, e o autoconhecimento
que adquiriram anteriormente é fundamental para uma experiência prazerosa com o parceiro
escolhido.
  19

Percebeu-se que são amplas e variadas as vivências da sexualidade, e que as etapas da


vida em que se encontram as mulheres entrevistadas influenciam a sexualidade. Elas, quando
solteiras, buscam na sexualidade a satisfação, uma forma de sentir prazer, e se aproximar do
outro. Após o casamento, delegam ao sexo o papel de mais um dos componentes da união, e
ele se dá mais em razão do casamento que do desejo. A forma como as experiências sexuais
são percebidas pelas mulheres também interfere na direção que estabelecem para a sua
sexualidade. Experiências ruins podem provocar uma reflexão relativa ao modo de relacionar-
se e aquilo que buscam com o sexo, entrevendo até a possibilidade até de assexualizar-se,
como declarou uma colaboradora, enquanto essas questões não se resolverem.
Na pesquisa, fica evidente que quanto mais fazem uso das funções de contato e
atribuem a elas valor, explorando toque, olhar, fala, cheiros, e tudo quanto for possível, mais
as experiências sexuais são ricas. Por terem exercitado as funções de contato as mulheres
sentem-se mais estimuladas, conseguem entregar-se mais ao momento e ao parceiro e pelos
relatos, apresentam maior desenvoltura sexual. Assim, estarem atentas a si mesmas, e
permitirem-se expor e explorar suas vontades possibilitou-lhes uma vivência mais plena da
sexualidade feminina.
Para as entrevistadas a psicoterapia não apareceu como espaço em que emergissem
temas relacionados à sexualidade. As mulheres, que não procuram a psicoterapia por
dificuldades sexuais específicas, dela se utilizam para resolução de conflitos pessoais de
outras naturezas. Dificuldades familiares, profissionais de relacionamento, de busca de
autoconhecimento ocupam o espaço de suas sessões de psicoterapia, de forma que a
sexualidade e temas próximos ainda não foram explorados. Uma possível falha desta pesquisa
foi não ter deixado explícito no folder-convite que as Gestalt-terapeutas deveriam convidar
pacientes que, em seus processos psicoterapêuticos, abordassem o tema da sexualidade.
Talvez fosse interessante retomar o tema desta pesquisa em outro momento, pois a
sexualidade, de alguma forma, tornou-se figura após as entrevistas.
Assim, embora muito se fale que os valores culturais estão mudando, o que
promoveria mais liberdade para as mulheres tratarem o tema, o que pode se perceber é que
ainda há muito caminho pela frente. Esta pesquisa foi um dos passos para a compreensão da
vivência sexual feminina, porém fica claro que o tema não se esgota pela diversidade de
vivências encontradas. Trata-se, portanto, de vasto campo de pesquisa, até mesmo para
Gestalt-terapeutas.
  20

Ao final deste trabalho, notou-se que algumas questões a respeito da sexualidade


feminina ainda podem ser mais exploradas, a fim de ajudar a compreender esse aspecto tão
importante e tantas vezes negligenciado de suas vidas. O embasamento teórico da Gestalt-
terapia oferece subsídios para a compreensão da melhora da sexualidade e mesmo que essa
não seja abordada diretamente na psicoterapia, seria enriquecedor aprofundar a compreensão
do como as mulheres percebem essa ajuda. Compreender como a relação com o próprio corpo
influencia a sexualidade feminina, também seria extremamente interessante em virtude do que
se pôde perceber nos relatos, e, ainda, tendo em vista o muitas vezes inalcançável padrão de
beleza ao qual as mulheres socialmente se submetem.

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  24

Anexos
Anexo A

Entrevista – Gabriela Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4


Pesquisadora: Como é falar desse tema da sexualidade para você?
Entrevistada: Não tem problema nenhum, eu falo abertamente. Gabriela fala abertamente sobre Fala abertamente sobre a Abertura para falar.
Inclusive até os meus amigos falam que eu sou muito pra frente, a sexualidade, sem problemas. sexualidade, o que faz e
eles falam “Nossa, você é muito aberta!”. Eu falo mesmo, não Inclusive os amigos a acham o que fala. Os amigos a
tenho vergonha. Não tenho vergonha de falar, de abrir, do que eu muito para frente. Não tem acham desinibida. Não
falo, do que eu faço. Até em forma de poder estar ajudando, por vergonha de abrir o que faz e o tem problema para falar
exemplo, uma amiga “Ai Gabriela eu não sei to meio assim...” Eu que fala. Não tem problema de sexo.
falo “Porque você não faz dessa forma, homem gosta disso, gosta nenhum em falar de sexo.
daquilo...” Tipo dar dicas, entendeu? E elas vão, inclusive tem duas
que falam assim “Ai, pra quem que eu vou ligar? Ah, vou ligar lá
na Gabriela que ela sabe muito bem sobre isso, sobre aquilo.” Eu
não tenho problema nenhum de falar sobre sexo não.
P: Gabriela eu queria saber de você, pra gente entender como você
chegou à sua sexualidade hoje, como você começou a sua vida
sexual. Começou sua vida sexual cedo, Teve um início precoce Início precoce,
E: Foi, pra falar a verdade, foi cedo. Foi com uns onze ou doze com onze ou doze anos, depois de sua vida sexual, após Menstruação/ Início da
anos. Depois que eu menstruei, acho que é sempre depois que a que menstruou, acha que é a menstruação, que é sexualidade,
gente menstrua, né? Não sei... Eu tinha assim, um interesse. Acho sempre depois que menstrua. quando acha que Masturbação,
que é porque eu ouvia, eu via filmes. De vez em quando, quando Tinha interesse por sempre ouvir acontece. Sentia Receio de namorar.
aparecia, eu sentia. Sentia vontade “Nossa, que sensação é essa?” E e ver filmes, e quando aparecia excitação sexual, e se
eu acho que aos poucos eu comecei a descobrir comigo mesmo. cenas nos filmes sentia vontade. masturbava, porém,
  26

Sério mesmo, de verdade, estou sendo super sincera. Comigo, eu Aos poucos começou a descobrir tinha receio de namorar.
me tocando essas coisas. Foi aos doze, treze anos, mas não com se tocando. Tinha receio de
relação com ninguém, em termos de homem e mulher. Eu tinha namorar, de começar a beijar,
receio de começar a namorar, aquela coisa de começar a beijar, mas sentia que era bom.
aquele fogo, sempre na... Mas eu já tinha o eu sentir “É bom.”

P: Você já conhecia a sensação.


E: Já conhecia! Já me tocava, já me sentia. Quando eu via coisas Já se tocava e se sentia, mas ia se Masturbava-se e tinha Masturbação,
eróticas eu sentia. Mas, segurando, segurando. Aí quando foi aos segurando. Com 21 anos teve o prazer, porém se conteve Contenção do desejo
21 anos, 21, esse tempo todo, eu tive o meu primeiro namorado. Aí primeiro namorado, após dois e com 21 anos teve a sexual,
depois que a gente começou a namorar, foi depois de dois anos, nós anos, foram se descobrindo e primeira relação sexual, Segurança gradativa,
dois fomos descobrindo. Aí aconteceu. Mas na primeira vez não foi aconteceu a primeira vez. Na em um relacionamento Confiança no parceiro,
tão bom. Não é bom não, assim, sabe? Aí depois a gente foi se primeira vez não foi tão bom, de dois anos. No início Conhecimento corporal.
conhecendo mais, foi ficando mais... Eu fui pegando mais mas foram se conhecendo, foi não foi muito bom, mas
confiança, ele mais confiança em mim, porque pra ele não foi a pegando mais confiança em si... gradativamente foi
primeira vez, mas pra mim foi. Mas pra mim eu senti que não tinha Sentia que não tinha perdido a sentindo-se segura, por
rompido, rompido o hímen, perdido a virgindade. Pensei “Não foi virgindade, por não ter sangrado. se conhecer
rompido, eu não sangrei.” Tive sensações ótimas, mas foi Teve sensações ótimas, mas foi sexualmente, e ter
gradativo, foi aos poucos, eu fui descobrindo a mim e ao parceiro. gradativo, foi descobrindo a si liberdade de transmitir
Eu sabia onde ele podia me tocar que eu sentia tal prazer, mesma e ao parceiro. Sabia onde isso ao parceiro. Atitude
entendeu? Eu já conhecia foi fácil. Talvez ele fique um pouco ele podia lhe tocar, e o prazer que causou
constrangido por eu, como eu posso te dizer assim... “Nossa você que sentia, foi fácil. Ele achou estranhamento ao
sabe demais por você ser virgem.” Mas eu vejo... Eu tentei deixar que ela soubesse demais por ser parceiro.
  27

claro pra ele. virgem.

P: Você não tinha tido uma relação sexual com um homem, mas a
sua sexualidade você com você, já era muito conhecida...
E: Já, já. E eu procurava, eu gostava de ler sobre, eu queria saber, Conhecia a sua sexualidade, Conhecia sua Conhecimento de sua
conhecer direitinho. Eu procurava, eu tentava ver realmente coisas. procurava e gostava de ler sobre sexualidade, e se sexualidade,
Eu gostava mesmo de ver filmes pornôs, eu via. Quinze, dezesseis sexo. Gostava de ver filmes informava sobre sexo, Informação (leitura e
anos, aquela fase. De ver mesmo. A forma como a mulher agia, pornôs, como o homem com leituras e filmes filmes),
como o homem penetrava, tudo... penetrava, como a mulher agia. pornôs.
E foi assim...

P: Você sabia tudo...


E: Tudo, tudinho. E foi assim... Mas não foi às mil maravilhas na Sabia de sexo, mas não foi às No início não foi bom, Primeiras relações
primeira vez, foi com o tempo. Mas eu falo que hoje depois de mil maravilhas na primeira vez, mas, hoje, depois de sexuais não foram boas,
vários relacionamentos, depois de vários namoros, eu acho que eu foi com o tempo. Hoje, depois vários relacionamentos Vários Relacionamentos,
posso falar que eu me satisfaço... Eu me satisfazia também... Mas de vários namoros, se satisfaz se satisfaz sexualmente. Maior satisfação atual.
hoje eu me satisfaço mesmo, homem-mulher. homem-mulher.
P: Você percebe uma evolução nisso?
E: Sim, quanto mais o tempo vai passando eu me sinto cada vez Quanto mais o tempo vai Percebe que o sexo fica Sexo cada vez melhor,
melhor. Realmente mais gostoso, mais prazer. Talvez por a gente passando sente-se cada vez cada vez melhor com o Mais experiências,
conhecer pessoas experientes, um exemplo, eu conheci um homem melhor, mais prazer. Talvez por passar do tempo, por ter Decisão de fazer sexo
de 47 anos que falava coisas que eu não sabia. Eu vou pegando, eu conhecer pessoas experientes. mais experiências, independente da opinião
  28

pego informações de um de outro, pra ficar melhor. Porque eu Vai pegando informações, de um aprender com as pessoas da mãe,
gosto... Fui me descobrindo sem a loucura de ter o primeiro. Foi e de outro pra ficar melhor, que conhece. Gabriela Muito bom.
gradativamente. Com ele, depois eu passei pra outro, outro namoro. porque gosta. Teve o primeiro decidiu-se e já sabia
E namoros sérios, sério mesmo. Inclusive tinha aquela coisa da namorado, depois foi passando quando seria sua
minha de mãe, aquele tabu, de que “Mulher tinha que casar virgem, para outro, namoros sérios primeira vez,
mulher não pode transar, né, minha filha? Mas o homem ele vai mesmo. A mãe queria proibir, independente da opinião
tentar pegar, vai esquentar, você vai querer né?” Tinha esse negócio mas já tinha em mente a hora da mãe. E foi muito
da mãe querer proibir, mas eu já tinha em mente a hora certa que ia certa que ia ser. Não importava bom.
ser. Não importava se minha mãe ia querer, aceitar, ou não, eu já se a mãe ia aceitar ou não,
sabia. E foi com essa pessoa, e foi muito bom! Nos Gabriela já sabia. E foi muito
relacionamentos foi desenvolvendo, para melhor. bom.
P: Como você percebe que se desenvolve?
E: Eu percebo assim, a forma, talvez, de eu me sobressair, de eu Percebe o desenvolvimento de Percebe o seu Amadurecimento sexual,
me sair bem. Eu e o parceiro também. Eu sentir que eu estou sua sexualidade pela forma de se amadurecimento sexual Melhor desempenho
sentindo prazer e ele também. A forma de eu me sentir segura, sobressair, sente que está pelo seu desempenho sexual com o parceiro,
sentir bem. Porque tem certas pessoas... Que não depende só da sentindo prazer e o parceiro sexual com o parceiro. Abertura do casal para o
gente, depende do outro também da forma como ele te trata, da também. O sexo depende da Para o ela o sexo sexo,
forma como ele conduz. Porque tem que ser o par mesmo, tem que forma como ele a trata, como ele depende também do Reciprocidade,
ser recíproco. Então eu acho que conforme vai passando é um conduz, tem que ser recíproco. parceiro, tem que ser Não deixa a relação
amadurecimento sexual, eu imagino que seja. Dá pra perceber isso, Conforme vai passando vai recíproco, e fica melhor esfriar,
dessa forma. Aí fica melhor. Fica cada vez melhor, e também pela tendo um amadurecimento com a abertura do casal Permite-se realizar suas
forma de eu me abrir, conversar, porque eu acho que é muito sexual. Fica cada vez melhor para o assunto. Não vontades.
importante também o casal conversar sobre suas vontades, seus pela forma de se abrir, acha deixa a relação esfriar
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desejos. Eu converso sobre fantasias “Ah, eu tenho vontade fazer importante o casal conversar de sexualmente e instiga o
isso, tenho vontade de fazer aquilo”. Eu converso com meu suas vontades e desejos. namorado. Não se
namorado “Ai, eu pensei demais nisso!”. Pra instigar, esquentar a Conversa com o namorado para recrimina, se permite
coisa mesmo. Eu acho que não pode deixar a coisa esfriar, tem que esquentar a coisa, pois não pode realizar as suas
dar uma pitadinha, tem que ter alguma coisa pra dar uma deixar esfriar, tem que dar uma vontades.
esquentada. Eu não me recrimino, eu não me barro dessa forma. Eu pitadinha. Não se recrimina, se
to com vontade, eu faço mesmo. está com vontade, faz mesmo.
P: Tem mais alguma coisa que você nota, Gabriela, que contribui
com nesse desenvolvimento da sexualidade. Lá de como era, até Acha que o que contribui com o Percebe que o fato de Gostar de sexo,
como está hoje... Algo que foi ajudando nessa caminhada... desenvolvimento de sua gostar de sexo, de estar Gostar do cheiro do
E: Não. Eu acho que realmente é essa forma mesmo, de gostar de sexualidade é o gostar de estar com o homem, do homem,
estar fazendo, de gostar de estar com o homem, de sentir a pegada, fazendo, gostar de estar com cheiro, contribui para o Desenvolvimento sexual.
o cheiro, essa coisa masculina mesmo, que dá... É isso. Não sei, homem, de sentir a pegada, o seu desenvolvimento
acho que não tem mais nada não, é o meu eu mesmo, de gostar cheiro, a coisa masculina sexual.
talvez... Não sei. mesmo.
P: Você nota se o relacionamento interfere nisso? Por exemplo, por Para Gabriela não tem isso de o Para Gabriela o Relacionamento não
eu estar com essa pessoa é que a coisa acontece assim, ou se não... relacionamento interferir no relacionamento não interfere no sexo,
E: Não. Para falar a verdade eu não tenho isso. Eu posso me sexo. Pode se relacionar por uma interfere no sexo. O Sexo é bom em todas as
relacionar com a pessoa, uma semana, duas semanas, três, e ficar semana, duas, três e ficar com a sexo é bom situações,
com ela... Normal. Nada de só porque eu estou namorando é que pessoa. Não tem nada de estar se independente da Afinidade, gostar, sentir-
está saindo bem. Normalmente em todas as situações sai bem. Mas saindo bem, só porque está situação. Para ter o sexo se bem com a pessoa,
todos os relacionamentos sempre foram duradouros. Por exemplo, namorando, em todas as tem que haver afinidade, Sexo independe do
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se eu saio hoje pra uma boate e eu fico com alguém... Eu não fico. situações sai bem. Quando sai gostar, sentir-se bem tempo de
Eu só beijo. Não vou fazer sexo. Não vou e fico um dia e depois eu para a boate e fica com alguém, com a pessoa, relacionamento,
esqueço. A gente tem que ter uma afinidade, não é qualquer um. só beija, não faz sexo. Não fica independente do tempo Perda do interesse em
Tem que ter afinidade, se eu gostar, me sentir bem do lado daquela num dia e esquece, tem que ter juntos. Não fica em um relacionamentos
pessoa, segura, aí sim acontece... De todas as formas é bom, não afinidade, gostar, sentir-se bem dia e depois esquece. devagar.
importa se é de dois meses, de três meses, de dois anos, como esse do lado da pessoa, aí acontece. Perdeu o interesse em
primeiro namorado, com ele foram seis anos. Mas assim, não sei se Não importa se é dois três meses dois relacionamentos
pela forma dele, que ele era muito devagar... Dois namoros que eu ou dois anos, de todo jeito é que foram devagar.
tive foram devagar, então esses que foram devagar, sem graça, eu bom. Teve dois namoros que
perdi o interesse. foram devagar, daí perdeu o
interesse.
P: Devagar nessa parte da sexualidade?
E: Isso! De tudo, eu junto tudo. Eu acho que em um Devagar em tudo junto. Foi Em relações onde o sexo Desinteresse pela relação
relacionamento, tem que ser tudo. E em relação ao sexo também ficando sem graça daí se fica sem graça, se quando o sexo é sem
tem que ser assim. Então foi ficando sem graça, aí eu já desinteressou. Não coloca o sexo desinteressa. Sexo é graça,
desinteressei. Eu não ponho primeiramente o sexo, lógico. Como primeiramente, ele é fundamental, mas não é Sexo é fundamental, mas
eu falei, é fundamental, mas não 100%. Mas é muito importante. E, fundamental, mas não 100%. Em prioridade absoluta. Há não prioridade,
assim, não tem tanta diferença de um pra outro. Para um, como eu alguns relacionamentos foi mais a diferença de Diferença de intensidade
posso te dizer, para alguns relacionamentos que eu tive foi mais intenso, em outros mais devagar. intensidade do sexo nas do sexo de acordo com a
forte, mais intenso, já para outros não, já é mais devagar. Por isso Vai muito do parceiro. relações, dependendo do relação.
que eu costumo dizer que vai muito também da pessoa, do parceiro. parceiro.
P: E como está hoje a sua vida sexual?
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E: Hoje, plena, boa, muito boa. Estou namorando, e tanto da parte Sua vida sexual está plena, Sua vida sexual está Plenitude sexual,
dele quanto da minha eu acho que a gente se entendeu muito boa. Entende-se plena, e entende-se com Sintonia com o parceiro.
perfeitamente. perfeitamente com o namorado. o parceiro.
P: Olhando para como começou, como a coisa foi caminhando, foi
acontecendo, e olhando para o agora, como você percebe esse
“agora está pleno”?
E: Eu percebo porque, tanto ele quanto eu, falamos e fazemos as Percebe que o sexo está pleno A plenitude do sexo se Plenitude sexual,
nossas vontades, a gente se entrega mesmo. Ele também. Acho que porque ela e o parceiro falam e relaciona com a abertura Abertura para falar e
é muito bom esse negócio da entrega. Porque tem relacionamento, fazem as suas vontades. para falar e fazer fazer sexo,
tem casal que trava em certos aspectos. E querer mesmo descobrir Entregam-se. Acha muito bom a vontades, cumplicidade, Cumplicidade,
os dois juntos, à vontade. “Eu to te dando prazer? Tá bom desse entrega. Os dois querem reciprocidade do casal. reciprocidade,
jeito?” E ele também preocupar comigo. Tanto eu preocupar com descobrir juntos. Preocupam-se Fica claro que não Não coloca dificuldades
ele, como ele preocupar comigo. Tem que ter cumplicidade e ser um com o outro. Tem que ter coloca dificuldades no no sexo,
recíproco. Os dois exporem a vontade, e não esconder, eu deixo cumplicidade, ser recíproco. O sexo. Tem que ter Sintonia total entre o
isso claro... E ele percebe, percebe que eu gosto da forma que ele parceiro percebe de forma clara sintonia total entre o casal.
faz comigo. Percebe a forma clara que eu tenho... Que eu não que Gabriela não coloca casal.
ponho dificuldade no sexo. É muito bom! Igual assim, ele fala dificuldade no sexo. Tem que ter
brincando comigo “Nossa, tem hora que precisa de tratamento, sintonia total.
tratamento! Porque fica o tempo todo ligado.” (Risos) Aí eu penso
que deu certo, porque eu também gosto, tem que ter sintonia,
sintonia total.
P: Na sua terapia você fala dessa parte da sua vida?
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E: Não, até que em relação... Eu acho que por que... Eu entendo Não fala de sexualidade na Percebe sua sexualidade Sexualidade bem
que está bem definida pra mim. Então eu acho que é por isso que eu terapia por entender que está bem definida e por isso definida,
não ponho. Eu ponho na terapia dificuldades que eu tenho em bem definida. Coloca na terapia não a trabalha em Ausência da sexualidade
termo de relacionamento com homens, mas em relacionamento de dificuldades de relacionamento terapia. Tem na terapia,
eu me entregar, o sentimento. Porque o sexo, eu separo. Igual, por com homens, de se entregar, o dificuldades de Sexo separado dos
exemplo, eu gosto do meu namorado, mas eu tenho dificuldade de sentimento. O sexo ela separa. relacionamento com sentimentos.
me relacionar, em termos de me entregar, me apaixonar, mostrar homens. O sexo é
que eu realmente eu gosto daquela pessoa, a gente se entende no separado.
sexo, mas em termos de relacionamento mesmo. Se ele virar e falar
“Eu quero casar.” Casamento pra mim... Eu quero correr fora.
P: Para você falar do que você quer na cama é fácil, é natural, mas
falar da parte do sentimento é mais difícil... Falar do sentimento, lá de É mais fácil falar de Sexo carnal não é
E: Isso. O sentimento, lá dentro, é mais difícil. Então essa parte dentro, é mais difícil para sexo carnal, que não é intimo,
tipo sexo carnal mesmo, não aquela coisa lá dentro né? Porque tem Gabriela. A parte do sexo carnal tão íntimo. Os Ótimo gostar do parceiro
muita mulher que liga amor e sexo, “Nossa só amo aquela pessoa, não é lá de dentro. Para ela tem sentimentos são sexual, mas não
só gosto daquela, só sinto bem com aquela”. E não descobre que mulher que liga amor e sexo, e importantes, gostar do necessário,
pode sentir prazer com outra pessoa, ou talvez não namorando ou não descobre que pode sentir parceiro sexual é ótimo, Sexo independe de
não sendo marido, alguma coisa assim... Igual esse sentimento, prazer com outra pessoa, fora mas não é necessário. O relacionamento e
essas coisas de coração mesmo. Sim, é fundamental, ótimo! Nossa namorado e marido. As coisas sexo caminha compromisso.
você gostar de uma pessoa e estar com ela no sexo, compartilhar do coração são fundamentais, independente do
isso tudo, é tudo de bom, maravilhoso. Mas não é uma coisa que ótimas. Gostar de uma pessoa e relacionamento, do
me (Inaudível). Por isso que estou trabalhando aqui na terapia essa estar com ela no sexo é compromisso.
coisa de sentimento, pra eu abrir mais o meu coração para o amor... maravilhoso, mas não é uma
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Eu posso até usar isso, não sei né? (Risos)... Caminha, coisa necessária. O sexo
independente do relacionamento, de quem seja, caminha. Mesmo caminha independente do
sem eu estar com alguém... Como eu posso dizer... Sem ter um relacionamento, mesmo sem ter
compromisso, casamento... um compromisso.
P: E o fato de você estar trabalhando na terapia essa parte do
relacionamento contribui, você percebe se influencia de alguma Trabalhar a parte do Trabalhar seus Conhecer-se ajuda nas
forma essa parte sexual ou não... relacionamento na terapia ajuda relacionamentos na relações,
E: Não, ajuda bastante também. Eu estou me conhecendo ainda sua sexualidade. Na parte da terapia a ajuda na Terapia ajuda a entregar-
melhor. Na parte da sexualidade eu já me conhecia... Eu me sexualidade já conhecia, está se sexualidade. Conhecer- se nas relações junto
conheço melhor e está me ajudando na forma de eu agir em relação conhecendo ainda melhor, o que se melhor a ajuda na com o sexo.
a... Porque é assim, quando eu começo a me relacionar com uma a ajuda na forma de agir nas forma de agir nas
pessoa, o parceiro fala assim “Não, eu estou vendo que você não relações. A terapia ajuda a relações. A terapia a
está envolvida. Você não gosta de mim. Eu percebo que quando a esclarecer, a unir o útil ao ajuda a se aproximar nos
coisa começa a andar você dá um passo atrás.” Aí eu “Não, eu agradável. Unir-se a uma pessoa, relacionamentos,
estou envolvida”. “Mas eu vejo que você gosta de fazer sexo. Eu gostar dela, se entregar, um entregar-se nos
vejo que você está aqui comigo, você está presente.” “Eu estou parceiro, casar para o resto da sentimentos, juntamente
também”. Mas está me ajudando para esclarecer, eu compreender, vida, junto com o sexo. com o sexo.
eu gostar de uma pessoa e estar junto dela, como se diz, unir o útil
ao agradável. Unir-me a uma pessoa, gostar dela, me entregar a ela,
como homem mesmo, estar junto, um parceiro, casar para o resto
da vida, e junto com a sexualidade, o sexo.
P: Parece que a parte da sua sexualidade você já conhece bem, Tem coisas que a deixam meio Tem experiências que a Experiências que a
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você já explorou muito, e agora você está começando a explorar o dura, com o coração fechado, deixam fechada, afastam nas relações
lado mais humano de relacionamento... como traição. Coisas que desconfiada dos (desconfiança).
E: Que é o mais difícil da terapia. Porque tem certas coisas que aconteceram no passado, não homens.
fazem eu ficar assim meio dura, com o coração fechado. Traição confiar em homem nenhum.
essas coisas, é isso que eu estava trabalhando com a terapeuta.
Coisas assim que aconteceram no passado, eu não confiar em
homem nenhum, isso tudo.
P: E você percebe se essas coisas influenciam na hora do sexo?
E: Não. Não influenciam. De maneira nenhuma. É à parte mesmo, As experiências que lhe deixam Experiências que lhe Experiências que a
por isso que estou te falando que é à parte. Inclusive nesse fechada para as relações não deixam fechada nas afastam nas relações não
relacionamento com o homem de 47 anos eu vivia mais... Eu estava influenciam na hora do sexo. O relações não influenciam influenciam o sexo,
mais com ele em relação ao sexo mesmo. Como eu falei para a sexo é a parte mesmo. Teve um no sexo. Sexo é a parte. Sexo é a parte,
terapeuta, porque ele já foi casado, ele queria casar de novo, mas eu relacionamento em que estava Teve relacionamentos Relacionamentos
não. Parece que eu não me apeguei a ele para ser o meu namorado com a pessoa em relação ao sexo baseados apenas no baseados em sexo.
o meu marido... Era meu ficante... Amante... É amante né? Não mesmo, não se apegou para ser sexo, sem ligação
amante porque ele não tava namorando alguém, tava livre... Mas eu namorado ou marido. Era seu afetiva, para aprender
me sentia bem, ele falava várias coisas, daí eu pensei “Vou ficar ficante, amante. Ficou um tempo mais.
mais um tempo com ele para eu aprender”. E eu aprendi com ele, com ele para aprender, e
foi bom. Mas não querendo me relacionar e namorar. Ele queria me aprendeu, foi bom.
levar pra conhecer a família dele, filhos, esse negócio. Eu falei
“Não!”Ele começou a tocar nesse assunto eu já recolhi.
P: Tem mais alguma coisa, Gabriela, dessa parte da sua Acha importante estar aberta, o Acha importante a Abertura no sexo,
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sexualidade, da sua experiência, do que você já observou em você, homem ver que sente prazer, que abertura e mostrar que Mostrar que sente prazer,
que você acha importante colocar que eu não tenha te perguntado... não é só uma boneca que ele sente prazer. A mulher Mandar/Conduzir na
E: Não. O que eu acho importante é esse negócio mesmo da gente pega e faz o que quer. Para ela a tem que comandar e hora do sexo,
estar aberta, e o homem ver que a gente sente prazer, que não é só mulher tem que comandar, mandar, pois os homens Autoconhecimento,
uma boneca que ele pega e faz o que ele quer. Não, a gente tem que mandar, pois eles gostam. Acha gostam. É importante saber onde sente prazer,
comandar, comandar não, mandar. A gente tem que mandar lá importante a mulher ser aberta, também se conhecer, tocar-se,
também. E eles gostam. Gostam mesmo. Eles não, ele. Vou falar se conhecer, saber onde sente saber onde sente prazer, Mulher sente prazer,
ele porque eu estou namorando, é só ele. (Risos) Se não você vai prazer, se tocar, é fundamental. se tocar. Existe uma Mulher faz sexo.
achar que eu fico com todos... Mas pensando na minha historia eles Para Gabriela tem homem que é forma de conduzir o
gostam, porque eles pensam “Nossa eu estou sendo bom dessa ignorante e interpreta tudo sexo em que a mulher
forma, eu fiz o que ela está pedindo, ela gosta assim”. Então eu errado, aí a mulher pode achar não parece vadia. A
acho que é importante a mulher ser aberta e ela se conhecer. Saber que se soltando ele vai achar que mulher é um ser que
onde ela sente prazer, se tocar, se conhecer, acho que é ela é vadia. Mas tem uma forma sente prazer, faz sexo e é
fundamental... E deixar o outro também... Não sei... Talvez o outro de conduzir, saber levar, e ele bom.
seja fechado, porque tem mulher que se trava devido à forma do não interpretar dessa forma. A
homem ser. Se ela se soltar ele pode achar que ela é vadia e não sei mulher também é um ser que
o que, porque tem homem que é ignorante, que interpreta tudo sente, é igual o homem, sente
errado. Mas tem uma forma sim de você saber conduzir, saber levar prazer, faz sexo, e é bom.
e ele interpretar não dessa forma. Que a mulher ela também é um
ser que sente, que ela é igual o homem também, que sente prazer,
que faz sexo, que é bom.
P: E o que você achou dessa conversa?
E: Muito bacana, muito interessante. Poderia até perguntar mais, Gabriela está namorando e gosta Gabriela faz sexo várias Sexo várias vezes na
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era bom se tivesse perguntas diretas, assim, “Quantas vezes você de fazer sexo três ou quatro vezes na noite e goza na noite,
gosta?”, sabe? vezes na noite. Acha estranho, maioria das vezes. O Goza várias vezes,
P: Você quer falar disso? mas consegue gozar umas duas que mais gosta é de ver O melhor é ver que pode
E: Assim, que eu gosto... Estou namorando... Umas três vezes, três ou três vezes. O que sente que pode proporcionar proporcionar prazer ao
ou quatro. Eu acho bom... Na noite. E para falar a verdade, eu acho melhor é de ver que consegue prazer para o parceiro. outro,
estranho, mas umas duas ou três vezes, eu consigo gozar. Mas o fazer o homem sentir prazer e Gosta de coisas, lugares Lugares diferentes.
que eu sinto melhor é de ver que a gente, que eu mulher consigo gozar também. Nem sempre diferentes.
fazer o homem sentir prazer e gozar também. Mas nem sempre... quando goza quer dizer que
Eles mesmos falam que o bom é demorar, curtir, se sentir bem. sentiu total prazer, às vezes
Nem sempre quando a gente goza quer dizer que sentiu total prazer, quando está segurando também é
às vezes até lá segurando é bom. Então tem várias formas. Eu gosto bom. Gosta de coisas diferentes,
de coisas diferentes, de variar, gosto de lugar diferente se puder. de variar o lugar, se puder fazer
Não é sempre porque tem lugar que não dá, mas se a gente puder coisas diferentes acha bom.
variar, puder fazer coisas diferentes é bom. (Riso) Inclusive eu
estava ali fora, pensando no que eu ia falar para o meu namorado
que eu queria fazer uma coisa diferente. (Risos) Falei “Nossa eu to
com uma idéia aqui...”
P: Interessante que você vai tendo a idéia...
E: Eu tenho a idéia... Eu não sei se isso é prejudicial ou não, se é Gabriela não sabe se é Pensa em sexo durante o Pensa em sexo durante o
ruim, mas durante o dia eu penso. Às vezes eu estou lá e penso nele prejudicial ou não, mas pensa dia e tem vontade de dia,
“Nossa me deu vontade”. Dá vontade, mas não estou junto aí eu me em sexo durante o dia. Sente fazer, mas se segura por Contém a vontade.
seguro. E é isso que eu trabalho na terapia, eu penso demais; Eu vontade, mas como não está estar longe no
penso na forma como eu devo agir, eu penso no sexo, eu penso junto com o namorado se segura. namorado.
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no... Sabe? Eu acho que eu penso demais. É isso.


P: Tem mais alguma coisa que você quer contar?
E: O que vale é o que é importante para cada um. Se for importante Para Gabriela o que vale é o que O que vale é o que é Pensar em si e no outro.
para mim isso, ótimo, eu tenho que fazer o que é importante para é importante para cada um, faz o importante para cada
mim. Para mim e para o outro, porque eu não tenho que pensar só que é importante para ela e para um.
em mim, tem que pensar também no parceiro. E, lógico, no que eu o parceiro.
estou sentindo. É isso...
P: E agora, como você está tendo falado disso para mim?
E: Tranquila.
P: Parece que é muito fácil para você falar desse tema, é natural... Não tem problemas em falar de Abertura para falar de Abertura para falar de
E: É. Eu não tenho problema em falar disso, do que eu gosto, do sexo, do que gosta e do que faz. sexo, do que gosta e do sexo.
que eu faço. que faz.
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Anexo B
Entrevista - Renata Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4
Pesquisadora: Como é para você falar de sexualidade?
Entrevistada: Tranquilo. (Risos) Tranquilo... Como pode ser Para Renata é tranquilo falar de Percebe que sua Formação liberal da
tranquilo falar de sexualidade na nossa cultura? Para mim é sexualidade, porque sua formação liberal por mãe,
tranquilo porque a minha formação familiar sempre me deu formação familiar sempre deu parte da mãe lhe ajuda Precocidade (na leitura e
abertura. A minha mãe... Não na figura do meu pai, meu pai teve abertura, na figura de sua mãe e abordar a sexualidade. perguntas para a mãe, no
uma formação patriarcal onde não teve experiências que poderiam não na do pai. Sua mãe é Teve conhecimento do desenvolvimento físico),
dar abertura para ele conversar sobre isso, e ele também não esclarecida e sempre foi muito tema muito cedo, Menstruação,
reproduziu isso com os filhos. A minha mãe não, ela é uma pessoa, aberta. Sua primeira pergunta principalmente por ter Valores pessoais,
que apesar de não ter tido a oportunidade de fazer um curso verbal sobre sexo foi aos dez, tido um Dificuldades
superior, é muito esclarecida nesse ponto. Lá em casa nós somos onze anos, antes acha que ficava desenvolvimento físico (contradição entre
três, eu sou a mais velha, tenho mais uma irmã e um mais novo. E só na cabeça. Lia as revistas da precoce, por ter acesso a discurso e vivência).
ela sempre foi muito aberta, até minha primeira pergunta sobre tia e perguntava algumas coisas leitura de revistas.
sexo eu tinha uns dez, onze anos... Pergunta mesmo, pergunta pra mãe, que lhe explicava. Seu Porém ao perder a
verbal. Porque eu acho que até então eu ficava só na cabeça. Ou desenvolvimento físico foi muito virgindade,
menos, não me recordo agora... Eu lembro que eu ficava lendo, eu precoce, menstruou aos dez recentemente, percebeu
aprendi a ler muito cedo, o gosto pela leitura foi muito cedo, eu anos, então sua experiência com o quanto a formação
lembro que eu pegava as revistas da minha tia “Nova”, “Cláudia”, a sexualidade feminina, não com religiosa e valores a
ia pra aquelas partes de perguntas e respostas, e tinha umas o sexo mesmo, foi muito influenciam, e encontrou
perguntas que eu ia lá e perguntava para ela, e do jeito dela ela ia precoce. Era a única menina de dificuldades em lidar
me explicando. E eu tive um desenvolvimento físico muito dez anos que já tinha peitinho e com a situação.
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precoce, eu menstruei aos dez anos, então minha experiência com a menstruava. Teve dificuldades
sexualidade feminina, não com sexo mesmo, foi muito precoce quando perdeu a virgindade.
porque eu era a única que com dez anos já tinha peitinho e Percebeu que sua formação e
menstruava. Eu era meio que um extraterrestre entre as amigas! seus conceitos religiosos fizeram
Então foi extremamente precoce, acho que por isso falar, abordar a diferença. O discurso era liberal,
sexualidade, não é tão... Dependendo do ambiente em que estou, eu mas na hora de vivenciar foi um
não tenho problema nenhum em falar de sexo. Mas é engraçado pouco diferente.
porque em algumas vivências minhas, quando eu perdi a minha
virgindade, o que não tem muito tempo, eu tive algumas
dificuldades para lidar. E aí é interessante a gente perceber o
quanto toda uma formação profunda de conceitos religiosos, de
valores, nessas horas é que fazem a diferença. O discurso é liberal,
eu acho que é liberal, mas na hora que vai vivenciar a coisa é um
pouco diferente.
P: Aqueles conceitos que estão lá no fundo tem um peso...
E: Isso!
P: E como você iniciou Renata, a sua vida sexual? Quando você
percebe que foi o início dela?
E: (Risos) Assim, como eu vou dizer? Na teoria, digamos assim... Acha que existem dois Seu contato com a Teoria,
Como eu poderia colocar? Eu acho que existem dois momentos. momentos no início da vida sexualidade se deu em Prática,
Para algumas pessoas o momento da prática, ele antecede o sexual. A preparação teórica dois momentos, o Ideal,
momento de conhecimento, do que realmente vem a ser um ato sempre teve, desde muito nova, teórico que foi precoce, Real,
sexual, enfim. Essa preparação, o conhecimento teórico, digamos com a mãe, e as leituras. Mas a e o de vivenciar o ato Influência cultural.
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assim, sobre a relação sexual (Risos), esse eu sempre tive, desde vivência mesmo do ato sexual sexual, que foi recente, e
muito nova, porque minha mãe foi minha professora dessa teve apenas com 27 anos, não foi uma boa
disciplina... (Risos) E as leituras, eu sempre li muito, se eu tinha recentemente. Vivenciou o experiência. Não
dúvida eu ia atrás. Mas a vivência mesmo do ato sexual eu vim ter paradoxo entre o ideal e o real. conseguiu encontrar o
apenas com 28 anos, 28 não, 27, então foi uma experiência recente. Fantasiava o momento como ideal no real. Achou que
E aí é interessante o paradoxo entre o ideal e a realidade (Risos). E lindo e prazeroso, mas não estava pronta e fez,
aí tem toda uma questão do que é ideal, do que é real, como a gente conseguiu encontrar o ideal no mesmo sem ser da forma
às vezes fantasia esse momento. E também os valores que são real. Seu contato com a como idealizava, por
ligados a ele, são tão lindos... Como se vende a idéia do sexo... É sexualidade teve dois momentos, influência cultural. Em
prazeroso e tudo o mais... Eu posso dizer, particularmente, pelas o de conhecer a respeito e o de conseqüência, hoje não
minhas experiências, que eu ainda não consegui encontrar o ideal viver o ato sexual, que não foi lida bem com o tema, e
no real! Então,... Foram dois momentos no meu contato com o uma boa experiência. Achava busca a terapia para
assunto sexualidade, o momento de conhecer a respeito, e viver o que tinha que ser com a pessoa ajudá-la.
ato sexual. E não foi uma boa experiência para mim, talvez porque certa no momento certo, mas na
eu fiquei muito tempo maturando, maturando, maturando, e aí... Eu hora de fazer não fez nem com a
achei que tinha que ser como... Como no discurso de muitas pessoa certa nem no momento
mulheres no Brasil, e aí é interessante talvez, não sei se sua certo, só queria fazer. Achava
pesquisa vai abordar isso, de onde que vem esse discurso de que a que estava pronta, e fez, mas de
mulher talvez tenha que ficar mesmo em casa, de que o sexo... Essa um jeito que não foi bom. A
idéia romântica, né? O sexo tem que ser com a pessoa certa, no implicação disso é que hoje acha
momento certo... E aí na hora de fazer eu não fiz nem com a pessoa que é uma coisa que não vale à
certa, nem na hora certa (Risos), eu só queria fazer, eu estava pena, a não ser que surja a
agoniada porque eu tinha que fazer. Houve uma reversão da minha pessoa certa, ou talvez esteja em
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maturidade sexual, porque eu achava que... Se é que existe esse si o problema. Busca a terapia
termo, maturação... Conhecimento da sexualidade, eu achava que para descobrir isso.
eu estava pronta. Aí eu quis fazer, e fiz, de um jeito que não foi
bom, não foi a pessoa certa. E isso repercutiu em implicações para
mim. Implicações no sentido de que hoje, nesse momento, eu acho
que não vale à pena. A não ser que venha não sei de onde...
Abduzida, de outro mundo a pessoa certa, (Risos) ou talvez seja em
mim, não sei... Com a terapia eu vou descobrir isso...
P: Você achava que, por todo o período em que você foi
amadurecendo a teoria, que estava na hora certa, no momento de
acontecer... E quando aconteceu você percebeu que não
correspondeu... Tinha tantas expectativas, que a Tinha expectativas Expectativas distorcidas.
E: Não correspondeu às expectativas que eu tinha. As minhas vivência não tinha como muito altas.
expectativas eram tantas, que mesmo que fosse bom não alcançaria, corresponder, ainda mais como
ainda mais como aconteceu... aconteceu.

P: E você falou que até hoje não encontrou esse ideal no real...
E: É. Não, porque assim... Eu vou ser mais clara. A pessoa com A pessoa com quem teve sua Suas experiências Relacionamento
quem eu tive a minha primeira relação sexual eu não tinha digamos primeira relação sexual não era sexuais foram com esporádico,
assim, um relacionamento. Não era o meu namorado, eu conhecia seu namorado, se conheciam há pessoas que não tinha Teoria sexual,
há pouco tempo, eu estava saindo com essa pessoa, e a gente pouco tempo, e depois do ato um relacionamento Sexualidade aflorada,
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manteve o ato sexual, e depois não continuamos. O relacionamento não continuaram juntos. Isso foi regular, fato que gerou Dificuldade com seu
não se concretizou... E foi recente, tem um ano, agora em janeiro recente, aconteceu há um ano. tabus. Sempre teve a corpo (obesidade),
fez um ano. Então, depois desse período... Eu cheguei a ter contato Depois disso conheceu outra sexualidade aflorada, se Pré-conceitos (tabus),
com outra pessoa. Conheci outra pessoa, mas que também não pessoa que também não masturbava desde muito Assexuado,
perdurou um relacionamento que concretizasse, então... E aí é perdurou um relacionamento. cedo, tem a ‘teoria’ Masturbação.
complicado porque abordar a sexualidade é uma coisa muito Acha complicado abordar a pronta, mas suas
complexa, não é só falar de sexo. Você vai falar de conceitos, sexualidade por ser um tema dificuldades com sua
percepções que a pessoa tem sobre, e que resultam naquilo ali. E a complexo, que envolve conceitos formação, seu corpo e
questão da sexualidade para mim, quer dizer, os conceitos, são e percepções. A teoria sobre a pré-conceitos,
vagos, quer dizer eu conheço, eu sei o que é sexo, eu sei como sexualidade está pronta, mas a influenciam na hora do
fazer, eu sei as posições... A teoria está prontinha, mas... Aí tem sua formação, sua dificuldade sexo. Tudo isso tem
um fator inerente, a minha formação, a minha dificuldade em lidar em lidar com a obesidade, e os tornado-a um ser
com a minha obesidade, o pré-conceito que eu tenho e que acaba pré-conceitos que tem, ‘assexuado’.
influenciando. E eu vi que influenciaram também nessa decisão de influenciam na decisão de fazer
fazer, de transar, de fazer sexo. E que depois também geraram sexo. A atitude de ter feito com
tabus que eu mesma construí, pela atitude de ter ido e lá e ter feito uma pessoa que não namorava
com uma pessoa que eu não tinha... Não namorava, não tinha um também gerou tabus. No
relacionamento longo, e... Como isso tem se perpetuado, assim... momento está se tornando um
(Risos) A tendência agora é eu me ‘assexuar’. (Risos) No momento ser assexuado. Era algo que até o
eu acho que estou me tornando um ser assexuado. E era uma coisa momento desejava muito fazer.
que eu desejava muito, eu tenho que deixar claro. Até o momento Sempre teve a sexualidade
de fazer eu desejava muito. Além de tudo, além de toda a teoria, eu aflorada, começou a se
sempre tive a sexualidade muito aflorada. Eu comecei a me masturbar muito cedo. A
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masturbar muito cedo, eu sabia o que era masturbação e me vontade de fazer sexo foi maior
masturbava muito cedo, e... Então eu sempre tive, até o momento que o ideal romântico.
de fazer, uma vontade muito grande de fazer, eu queria descobrir.
Acho que a vontade foi até maior do que o ideal romântico.
P: E quando você descobriu, essa vontade de fazer não continuou...
E: Não! Por causa dessa... Não continuou em razão da A vontade de fazer sexo não A percepção de seus Percepção de valores e
experiência... Acho que não da experiência, mas do conceito que eu continuou, pois a experiência a valores e dificuldades dificuldades,
descobri que eu tinha. Não sei se eu descobri, eu percebi. Na fez perceber os seus valores, leva-a a não querer fazer Abstinência sexual.
verdade eles estavam ali, e em algum momento a experiência só fez suas dificuldades, com a sexo.
aflorar algumas dificuldades que estavam ali embolando dentro de experiência sexual
mim, na minha cabecinha, na inconsciência...
P: Com a experiência vieram à tona...
E: Vieram à tona. O fato dessa experiência não ter correspondido As experiências sexuais não Idealizou o sexo de Idealização do sexo,
ao ideal... corresponderam ao seu ideal. forma que não encontrou Percepção das emoções,
P: Essa primeira ou a outra... Houve um conflito de teorias, correspondente na Desejo de relação mais
E: As duas, todas as duas. Não só a primeira como a segunda conhecia o sexo como se fosse realidade. Chocou-se ao profunda.
também. E aí, não corresponderam porque as pessoas, e aí houve um manual, e o choque com a perceber suas emoções,
um conflito de teorias, ou de conceitos, só sei que na minha cabeça Renata emocional, que queria e o desejo por algo mais
a prática, quer dizer a coisa prática mesmo do sexo, de conhecer o algo mais profundo, e não só profundo.
sexo como se fosse um manual, e o choque com a Renata sexo por sexo.
emocional, a Renata que queria uma coisa mais profunda, uma
coisa mais... Que não envolvesse só o sexo por sexo.
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P: Você nota se o fato de esses relacionamentos não terem se


concretizado, não terem tido continuidade, isso influenciou nessa
sua ‘assexualidade’? Os relacionamentos não terem se O não aprofundamento Relações superficiais,
E: Com certeza (Risos). Influenciou, e o que é pior no meu caso, concretizado contribuiu para a das relações contribuiu Assexualidade,
não sei se corrobora de alguma forma para a sua pesquisa, mas o sua ‘assexualidade’. O que é para a ‘assexualidade’. Responsabilidade pela
que é mais difícil é saber que a forma como aconteceu foi uma pior, mais difícil de saber, é que Percebe a sua escolha,
decisão minha, foi eu que conduzi. A precipitação, a ansiedade, a forma como aconteceu foi uma responsabilidade na Segurança, apoio da
foram frutos de, a forma como a experiência aconteceu foi porque decisão, uma precipitação, sua. forma como as coisas mãe,
eu precipitei. Claro que para homem é tudo mais fácil. Eu acho que Para Renata se a relação for aconteceram. Escolheu Momento especial
homem (Risos) se abanar... A maioria é assim, não importa, eles mantida em um nível menos um lugar onde se sentia estragado.
pegam a oportunidade mesmo. Então é assim se você tentar manter sexual e o parceiro tiver interesse segura e tinha apoio da
a relação num nível menos sexual, e deixar aquilo desenvolver, pode ser que gere alguma coisa, mãe para ter a primeira
pode ser que gere alguma coisa, se o parceiro tiver realmente esse mas quando se mostrou muito experiência sexual.
interesse em ter um relacionamento. Aí quando a mulher, no caso afoita, com muita vontade, Sente que estragou algo
eu (Risos), me mostrei tão afoita para fazer a coisa, com muita atrapalhou. Mora sozinha em especial de sua vida.
vontade... Até minha mãe fala, porque hoje eu falo com muita Goiânia há dez anos, e foi para a
naturalidade, mas até um tempo eu começava a falar e já abria no cidade dos pais para acontecer
choro... De falar na minha mãe eu já fico lacrimejando, porque ela sua primeira relação. Acha que
ficou comigo quatro meses e ontem ela foi embora, eu não sou tinha que acontecer lá, por estar
daqui eu sou do Pará. Eu não sou daqui eu moro aqui em Goiânia do lado da mãe, e poder contar
há dez anos. E o engraçado é que nesses dez anos, morando aqui com seu apoio, se não, o seu
em Goiânia sozinha, na vida, eu fui lá pra cidade dos meus pais mundo tinha caído. Sempre que
para acontecer lá. Num recesso de final de ano. É muito engraçado. pensa em sexo e se lembra da
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Mas eu acho que tudo coopera para o bem mesmo, porque eu acho sua primeira relação pensa em
que tinha que acontecer do lado da minha mãe para ela conversar, como conseguiu estragar um
para ela me apoiar, se não o mundo tinha caído. Como caiu de certa momento tão especial de sua
forma. E eu tenho a sensação de que, eu tento não pensar nisso, vida, apesar de ter consciência
mas sempre quando eu penso em sexo, quando eu penso na minha que foi uma escolha sua.
primeira vez, quando eu lembro, eu penso ‘Nossa! Como eu
consegui?’. Esse é o pensamento que vem na minha cabeça mesmo.
Como eu consegui destruir um momento tão especial da minha
vida. (Risos) Engraçado né? E eu continuo pensando assim, apesar
de ter a consciência de que fui eu que escolhi, fui eu que fiz,
ninguém me forçou, a pessoa não me forçou, acho até que eu é que
forcei a pessoa (Risos). Mas inconsciente ou conscientemente eu
consigo admitir para mim mesma que eu, não sei porque, ficou essa
idéia de que eu destruí, eu estraguei esse momento tão especial da
minha vida, e tudo o mais.
P: E como que está hoje?
E: Eu continuo assexuada. Eu ainda não resolvi isso. Quando eu Não resolveu suas dificuldades e Continua ‘assexuada’ Continua assexuada,
busquei a terapia Gestalt, foi para tentar... Eu já tenho continua assexuada. Tem a por não ter resolvido Busca
acompanhamento, já participei, já tenho acompanhamento sensação de que é uma chavinha, suas dificuldades. autoconhecimento,
psicoterapêutico há um bom tempo. Nos intervalos entre um e um cofrezinho dentro de si Percebe que tem um Descoberta dos seus
outro já tem cinco anos que eu tenho acompanhamento, Gestalt é a mesma. Sabe que precisa se cofre dentro de si, e que sentimentos,
primeira vez. A primeira vez que eu fiz era comportamental, da conhecer, descobrir seus precisa se conhecer e Idealização do amor,
segunda vez que eu tive acompanhamento foi psicanálise, e agora sentimentos. Está na terapia para descobrir os seus romance e sexo,
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com a terapeuta pela primeira vez eu estou fazendo tentar entender porque decidiu sentimentos, e vê na Perda do romantismo,
acompanhamento comportamental na linha da Gestalt. E eu gostei, fazer, depois se arrependeu e não terapia a possibilidade Não se vê em situações
achei interessante, eu li um pouco a respeito das ações que a linha achou porque voltar a fazer. É de se conhecer melhor, e de romance e sexo.
trabalha. Mas eu busquei a terapia, desde a primeira vez, porque eu romântica, sempre gostou de entender a forma como
tenho a sensação de que eu sou uma chavinha, um cofrezinho filmes e livros românticos, e agiu. Idealizava o amor,
dentro de mim mesma. Eu tenho um cofre dentro de mim, e eu sei sempre teve sonhos românticos, romance e sexo, mas
que eu preciso me auto-conhecer, descobrir sentimentos. Hoje idealizou. Sempre ficaram no deixou o seu
mesmo eu estava discutindo isso com uma amiga minha, que está ideal as coisas do amor, do romantismo, e não se vê
levando a filha dela para a terapia, eu falei para ela ‘Olha, não é a romance e do sexo. Depois do em situações de romance
solução para os problemas, não vai te dar respostas, vai te mostrar primeiro ato sexual esses sonhos e sexo.
caminhos, e é você que vai decidir se vai tomá-los ou não.’ Então sumiram de sua cabeça, quando
eu estou na terapia justamente para tentar entender porque eu decidi vê uma cena de romance pensa
fazer e depois me arrependi, e depois não achei porque fazer. que não é para ela, e quando vê
Porque nesse momento eu me acho nesse... Eu acho engraçado por algo de sexo pensa que não irá
eu sou romântica, sempre assisti filmes românticos, sempre li livros acontecer com ela.
românticos, e aí ficava imaginado, suspirando, pensando, e sempre
tive muito romance também no sonho, no imaterial, sempre sonhei,
sempre idealizei. E depois da experiência, depois do primeiro ato
sexual eu não, engraçado, sumiu da minha cabeça. Eu antes, na
minha adolescência eu lia Sabrina, eu ficava imaginando, enfim... E
depois teve o desenvolvimento a adolescência, juventude , e
sempre ficou um tanto no ideal, a coisa do amor, do romance e do
sexo também, porque o sexo complementa essa idéia. E depois do
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ato sexual eu vejo aquela cena de romance e penso ‘Não é para


mim!’, eu vejo alguma coisa de sexo e penso ‘Não vai acontecer
comigo!’...
P: Tem alguma emoção quando você fala isso?
E: Tem. Não tem como não ter, porque eu construí meus conceitos Emociona-se ao falar que não irá Perceber que o amor não Tristeza com a falta do
na linha de que ia acontecer. E aí eu brinco com a minha mãe e falo acontecer com ela, pois construiu é para ela a entristece. amor,
assim para ela ‘Mãe não existe essa coisa de amor e não sei o que. seus conceitos na linha de que ia Racionaliza o amor, Racionalização do amor.
(Risos) Estatisticamente não tem condições de acontecer para todo acontecer. Brinca com a mãe argumentando que não
mundo, alguém vai ter que ficar de fora dessa brincadeira de amor, dizendo que não existe essa coisa existe e é um artifício
de ter esse parceiro regular, essa pessoa, enfim, com todos os de amor, estatisticamente a para o comércio.
problemas...’ Eu brinco com ela e falo isso, e o mais triste é que eu brincadeira do amor não é para
tenho a cada dia acreditado mais nisso. Que não é para todo mundo, todo mundo, não é uma verdade.
que não é verdade, que isso é balela para a mídia vender produto, É balela da mídia para vender
vender apartamento, agência de viagens, livros, enfim... É triste, eu produtos. O mais triste é ter
sei que é triste, tem sido triste para mim. A emoção é de tristeza, de chegado a ponto de dizer isso.
ter chegado nesse ponto de falar... E a terapia, eu procurei a terapia Procurou a terapia para resolver
por essa questão e por uma série de outras questões que eu acho essa questão e outras que levam
que conduzem também a isso. Não é só o fato de ter perdido a a ela também.
minha virgindade, com a pessoa que não era aquela que eu achava
que seria... (Risos)
P: E eu fico imaginando que era um sonho muito grande, uma
coisa muito linda...
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E: Muito grande. E não era só um sonho, era assim... Engraçado Era um sonho muito grande que Sofre por perceber que Sofrimento,
como a gente cria as idéias, a situação, você chega a acreditar que tinha. E sofre de saber que não não aconteceu como Expectativas criadas.
aquilo, mesmo não acontecendo da forma como queria, ainda sofre aconteceu como queria por ter poderia devido às
sabendo que na realidade aquilo não aconteceu porque você criou criado expectativa, sonho, ilusão. expectativas criadas.
uma expectativa, um sonho, uma ilusão... E mesmo sabendo que a Mesmo sabendo que não ia dar
coisa não ia dar certo. Fica sofrendo, mesmo sabendo que a coisa certo, sofre.
não ia dar certo.
P: Você tem muita consciência de que foi você quem quis, que foi
uma escolha sua...
E: A terapeuta briga comigo, fala que eu tenho muita ‘consciência’, Sua terapeuta briga com ela por Vive um paradoxo ao Paradoxo entre aparentar
meu problema é ter muita ‘consciência’. Eu penso demais, analiso ‘ter consciência demais’. Vive demonstrar muita segurança, mas sentir-se
demais. Eu penso muito. E eu falo que eu vivo um paradoxo porque um paradoxo porque quem a vê segurança para quem a insegura
ao mesmo tempo em que quem me vê externamente acha que eu externamente pensa que é um vê, mas na verdade Dificuldade com a
sou um poço de segurança, a forma como eu falo, como eu articulo. poço de segurança, pela forma sentir-se insegura. Não sexualidade.
E eu sou um poço de insegurança. Vocês que são da área da que fala, articula, porém é um tem sido fácil lidar com
psicologia às vezes entendem melhor porque isso acontece... poço de insegurança. Pensa que sua sexualidade.
Engraçado que a pessoa com quem eu tive a minha primeira a pessoa com quem teve sua
experiência, ele achava, eu acho que ele nem acreditou que eu era primeira relação nem acreditou
virgem. (Risos) Porque a experiência que eu demonstrei foi tanta... que era virgem, pela experiência
Realmente, minha mãe falou ‘Minha filha desse jeito quem é que ia que demonstrou. Não tem sido
acreditar que você era virgem, né?’ Então assim, não é fácil. Não fácil lidar com sua sexualidade, e
tem sido fácil lidar com a sexualidade. Quando eu fui para a terapia sabe que na terapia chegaria a
eu sabia que seria abordado esse assunto, não sabia se eu estaria hora de abordar esse tema.
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pronta, não sabia se ia chegar a esse nível de questionamento, mas


sabia que se chegasse aí pelo menos... (Risos)
P: Você trabalha na sua terapia essa parte da sexualidade?
E: Trabalho. Ainda não deu tempo né? (Risos) Porque é só uma Trabalha a sexualidade na Ainda não trabalhou a Sexualidade ainda não
vez por semana, e é muita coisa para abordar, mas esse é um dos terapia, porém ainda não teve sexualidade na terapia, surgiu nessa terapia.
pontos também da terapia. tempo de abordar esse tema por não ter dado tempo.
depois que retornou à terapia.
P: Você nota se essa forma que você tem trabalhado na terapia, que
ainda não deu pra abordar muito profundamente, se tem
contribuído de alguma forma, se tem te ajudado?
E: Tem. A terapia para mim desde sempre, desde quando foi... Eu Percebe que a terapia a ajuda em A terapia a ajuda em sua Ajuda da terapia da
sei que eu tive a minha primeira experiência com a psicologia aos sua sexualidade. Sempre foi sexualidade à medida sexualidade,
dez, doze anos, uma fase meio problemática, e aí pai acha que muito fechada, calada, retida em que a ajuda a se Autoconhecimento,
psicólogo resolve. Essa primeira experiência não foi muito boa, e seus pensamentos, embora não conhecer, se abrir, e Abertura de si para o
eu fiquei muito tempo. Quando eu voltei a fazer tratamento eu já que a vê não pense isso, e a falar de si. mundo.
estava com vinte anos, eu já morava aqui em Goiânia, e aí fui que terapia a fez se abrir, poder falar.
eu procurei. Não foi ninguém que me encaminhou, eu tive a Para ela o falar por si só, já é um
necessidade e falei agora eu vou, mesmo não tendo um bom processo de autoconhecimento.
histórico, uma boa relação com a primeira pessoa. Eu experimentei A terapia a ajudou a se descobrir
mesmo assim. E foi muito bom, porque eu sempre fui muito saber se articular, e a falar de si,
fechada, muito calada, quem vê não pensa, retida nos meus que é uma dificuldade que tem.
pensamentos, e a terapia me fez poder me abrir, poder falar. Porque
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pra mim, no caso, o falar por si só já foi um processo de


autoconhecimento. Então a terapia me ajudou em todos os sentidos,
de me descobrir, saber me articular, saber falar de mim, que é uma
grande dificuldade que eu tenho. Às vezes eu começo a falar de
mim e quando eu vejo já estou chorando.
P: Como aconteceu aqui...
E: É, aconteceu aqui. Agora eu choro menos, mas eu já chorei até Agora chora menos ao falar de Busca a terapia para Terapia para ajudar a
em apresentação da faculdade. Tinha uma apresentação e a gente si, antes chorava até nas conseguir viver e lidar viver e lidar com seus
tinha que fazer o rio da vida, e era pra falar do caminho da vida. E apresentações da faculdade. A com seus sentimentos. A sentimentos,
eu fiz a apresentação do início ao fim chorando (Risos), imagina a terapia a trouxe uma nova versão terapia trouxe uma nova Nova versão de si com a
situação. Mas eu já estava na terapia, por isso que eu consegui de si, uma versão que não versão de si, ajudou-a a terapia,
fazer, se não eu não tinha nem aberto a minha boca, tinha começa a conhecia por não saber lidar com construir seu amor Construção de seu amor
chorar e falado que eu não dava conta. Então abordar essas as dificuldades e com os próprio. próprio.
questões, eu tenho a concepção de que a terapia, cada um tem uma sentimentos. É um processo de
experiência particular, ela trata da experiência particular. Para mim construção, que ainda não
ela trouxe uma nova versão de mim, uma versão que eu não acabou. Busca a terapia pra
conhecia porque não sabia lidar com algumas dificuldades, com os conseguir viver e lidar com os
sentimentos que existiam... É um processo de construção, o meu sentimentos e emoções,
ainda não acabou, ainda está... Eu acho incrível, eu até brinco com entender, descobrir, conviver se
as pessoas que todo mundo tinha que fazer. Eu acho incrível as adaptar. A terapia ajudou-a a
pessoas que, às vezes eu até me recrimino, penso que tem tanta construir seu amor próprio, e não
gente que não precisa que não faz e está vivendo, que consegue mais agradar o outro para poder
seguir a vida, e eu vou buscar a terapia para conseguir viver e lidar se agradar.
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com os sentimentos e emoções, entender, descobrir, conviver, me


adaptar. Mas depois eu penso assim também, não posso fazer nada
pelos outros. Uma coisa também que eu aprendi com a terapia,
porque eu vivia muito focada no outro, até porque, eu só me
satisfazia pelo outro. Eu achava que eu tinha que agradar o outro
para poder me agradar, e nisso a terapia me ajudou a construir o
meu amor próprio.
P: Com relação à sexualidade, que você fala que ficou ‘assexuada’
depois da primeira relação...
E: (Interrompe com risos) É extremo! E é engraçado, o ato sexual O termo ‘assexuada’ é extremo. Usa o termo assexuada, Assexuada, termo
foi de uns tempos para cá, porque eu vi que eu estava me fechando De uns tempos pra cá percebe que é extremo, para se extremo,
eu tenho me fechado cada vez mais... Eu penso assim, vou que tem se fechado cada vez definir. O ponto chave Não sentir-se capaz,
construir uma linha de pensamento ‘Eu queria transar, fui lá e mais. O que pesa mais é não se de sua sexualidade é não Não se enxerga como é,
transei, não tinha a experiência, queria transar, fui lá e transei, achar capaz, é o ponto chave de sentir-se capaz, não Dificuldade com sua
ponto. A transa não correspondeu às minhas expectativas ideais do sua sexualidade. Descobriu que conseguir se enxergar obesidade e seu corpo,
que era o sexo, ponto. Então vou buscar outras alternativas a isso, foi isso que fez se precipitar e ter como é, a dificuldade Transar para ser aceita e
já que aquela não me satisfez, ponto.’ Eu parei no segundo, porque a experiência que teve. É a falta em lidar com sua conquistar,
no último ponto aqui eu me fechei totalmente, eu não busquei de não conseguir se enxergar obesidade e seu corpo. Dificuldade em aceitar o
outras alternativas. Eu não me acho... Isso é o que me pesa mais... como é. Tem uma dificuldade Foi isso que a fez que fez por se considerar
Eu não me acho capaz. É o ponto chave com a minha sexualidade. enorme em lidar com a sua precipitar-se. É difícil esclarecida.
Eu descobri que foi isso que me fez precipitar. ‘Precipitar como obesidade, com seu corpo. reconhecer que transou
gente, eu ia fazer 28 anos!’ Mas assim, precipitar a ter a Achava que tinha que transar para ser aceita,
experiência que eu tive. É a falta de ainda não conseguir me para ser aceita, por mais difícil conquistar a pessoa, por
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enxergar como eu realmente sou. Eu tenho uma dificuldade enorme que seja dizer isso. Achou que considerar-se uma
de lidar com a minha obesidade, com meu corpo. E por incrível que tinha que transar para conquistar pessoa vivida,
pareça, eu consegui admitir isso depois de uma conversa com o a pessoa. É difícil dizer isso, por esclarecida.
segundo parceiro que eu tive, eu achei que eu tinha que transar para ser uma pessoa vivida. Isso é o
ser aceita. Por mais difícil que seja dizer isso, mas foi. Eu achei que mais estranho, mais difícil.
eu tinha que transar para poder conquistar essa pessoa. É difícil
para eu dizer, porque eu sou uma pessoa vivida, eu converso com
pessoas, eu dou opiniões, engraçado que eu vivia dando conselhos
para uma série de amigas minhas, adolescentes, obvio, né? ‘Não,
você não tem que transar por isso ou por aquilo...’ E aí,
inconscientemente eu fiz isso. É o mais estranho para mim, o mais
difícil.
P: A terapia está te ajudando nisso? Ir percebendo essas coisas, ir
lidando com essa situação... A terapia ajuda a lidar com sua A terapia a ajuda com a Ajuda da terapia com a
E: Está. Mas é muito difícil. Eu interrompi o processo sexualidade, mas é muito difícil. sexualidade. Teve a sexualidade,
psicoterapêutico em 2008. Eu parei de ter atendimentos coma Parou o processo primeira experiência Primeira relação sexual
minha psicóloga, que já era a terapeuta, porque não deu tempo e foi psicoterapêutico por um tempo, e sexual no intervalo da em período sem terapia.
acontecendo uma série de coisas que eu tive que interromper. Aí eu nesse período passou pelo terapia.
passei pelo processo da primeira vez (Risos). processo da primeira vez.
P: Quando aconteceu essa primeira experiência você não estava... Quando aconteceu a primeira
E: Eu não estava. E aquilo foi me agonizando, foi me matando por vez não estava em terapia, e foi Não estava em terapia Primeira relação sexual
dentro, os meus sentimentos, dificuldades, tristeza, por tudo o que se agonizando, se matando por quando teve sua em período sem terapia,
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eu já disse aqui. E aí eu mesma procurei, na época eu liguei para a dentro com os sentimentos, primeira relação sexual, Tristeza e agonia com o
terapeuta, e ela estava ganhando nenê, eu falei ‘Eu não estou dando dificuldades, tristeza. Procurou a e sentiu-se muito triste e que aconteceu,
conta mais de agüentar isso comigo, guardar isso para mim.’ Nem terapia, pois não estava mais agoniada com o que Retorno à terapia para
com a minha mãe eu conseguia conversar, a gente é muito amiga, conseguindo agüentar, guardar aconteceu. Procurou ter apoio no momento de
muito próxima, a gente conversa de tudo, e nem com a minha mãe mais isso dentro de si. Nem com novamente a terapia, dificuldade,
eu conseguia realmente enfrentar meus sentimentos. Eu liguei para a mãe conseguia conversar, e pois não estava mais Ajuda da terapia.
a terapeuta, ela estava ganhando nenê, não ia dar, aí eu procurei enfrentar realmente seus conseguindo lidar com
uma outra psicóloga que o meu plano atendia. E eu acho que a sentimentos. Tinha tanta isso. Quando começava
minha necessidade era tanta de falar, que eu começava a falar e necessidade de falar que a falar chorava
chorava compulsivamente com a situação, que me serviu. Eu não começava a falar e chorava compulsivamente, falar
achei que foi uma boa experiência com essa profissional, mas eu compulsivamente, tanto que a a ajuda. A terapia a
estava tão sedenta de ter que falar daquilo que ela me ajudou, terapia serviu, mesmo não tendo ajuda.
mesmo eu não achando que ela foi eficiente no tratamento... Só o uma boa experiência com essa
fato de poder falar já ajudou, e claro a interação também, a profissional. Estava sedenta de
metodologia dela, apesar de não ter gostado ela me ajudou sim, a ter que falar daquilo. A terapia a
terapia me ajudou. A terapia me ajuda. Só a terapia me ajuda ajuda, conversar com outra
(Risos). Conversar com outra pessoa não ajuda, tem quer ser numa pessoa não ajuda, só a terapia.
sala, com o sofá, e ficar conversando...
P: E como é para você ter falado disso para mim? Ter se aberto,
falado de uma experiência tão preciosa, tão guardadinha, tão Seria mais fácil dizer que foi Falar é reviver, reabrir o Dificuldade em falar,
trancadinha... fácil se abrir e falar desse assunto, o que não é pois falar é reviver
E: Assim... Eu ia dizer a... A palavra fácil, era mais fácil de se assunto. Falar é reabrir, reviver, fácil. Percebe que é bom reabrir,
dizer. ‘Ah, foi fácil falar, já estou melhor!’ Falar é reabrir, sempre. retomar, e ainda não é fácil falar. mexer na ferida, pois Mexer na ferida
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Reviver, retomar, e ainda não é fácil falar. Mas é sempre bom, por Mas mesmo que doa acha bom. assim ela tem condições possibilita que cicatrize,
mais que doa... Para mim, é engraçado, é bom mexer na ferida, por Para Renata é bom mexer na de cicatrizar. Foi bom É bom falar.
mais dolorosa que ela seja. Eu tenho a impressão que ou ela vai ferida por mais que doa, tem a falar.
cicatrizando aos poucos ou ela vai virando outra pele para sofrer impressão que ela vai
outras alterações. Mas foi bom participar da pesquisa. Engraçado cicatrizando aos poucos, vai
que eu não abordei esse assunto com a terapeuta, a gente voltou virando outra pele para sofrer
tem pouco mais de um mês, então desde que eu retornei com ela a outras alterações. Ainda não
gente ainda não teve abertura para chegar nesse ponto. Tem abordou esse assunto com a
algumas coisas mais presentes na minha terapia, mas mais uma vez terapeuta, pois retornaram há
foi bom falar. pouco tempo. Mas foi bom falar.
P: Quem sabe foi um início...
E: É, foi sim... Ela é que fala ‘Calma! Calma que a gente chega lá!’ Foi o início para abordar sua Iniciou a abordagem da Presença da sexualidade
A terapia se tivesse duas horas eu ainda tinha coisa para falar... sexualidade na terapia. sexualidade na terapia. na terapia.
(Risos). Acho que peguei isso da análise, que ela não falava nada,
daí eu tinha que falar. É novo para mim isso da Gestalt da
interação.
P: Renata me ajudou muito. Foi muito bom te ouvir, muito bom te
conhecer, ter podido ajudar a abrir um pouquinho, cutucar um
pouquinho na ferida. Você fez quase tudo sozinha, né? (Risos) Mas
é assim que terapia funciona, você já aprendeu isso também.
E: Já. Eu fico é com medo de ter aprendido isso muito, e daqui a
pouco não surtir mais efeito. (Risos)
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P: Surte... (Risos)
E: Foi muito bom...
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Anexo C
Entrevista - Débora Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4
Pesquisadora: Débora ontem eu te falei mais ou menos o nosso
tema... Como é para você falar sobre sexualidade?
Entrevistada: Tranquilo, eu não tenho problema com isso não. Débora fala com tranquilidade Débora fala Abertura para falar de
P: Eu começo perguntando como é para você falar disso, porque sobre sexualidade. Por mais que tranquilamente sobre sexualidade.
geralmente é um assunto delicado... as coisas estejam expostas, acha sexualidade e percebe
E: Eu acho que é delicado, porque por mais que, realmente como que as pessoas se reservam no que é um tema exposto
está escrito no seu TCLE (Termo de Consentimento Livre e tema. Reservam-se para falar, no qual as pessoas se
Esclarecido), por mais que as coisas estejam expostas, eu acho que mas não para agir, em sua reservam para falar, mas
as pessoas nesse tema ainda se reservam. Interessante, se reservam opinião. não para agir.
para falar sobre isso, não para agir sobre isso, em minha opinião.
P: O que você percebe é isso?
E: É isso. Muitas pessoas que saem com roupa toda sensual e saem Segundo ela muitas pessoas Percebe o Percepção do
pra balada, e da balada vão pro motel, não tem coragem de falar saem pra balada e de lá para o comportamento sexual comportamento sexual
sobre isso, embora tenham coragem de agir dessa maneira. motel, mas não tem coragem de das pessoas. das pessoas.
falar sobre isso.
P: Você falou que para você é tranquilo falar disso... E para gente
começar eu queria saber de você como se iniciou a sua vida sexual, Débora quer saber se deve falar Tem duvida se o início Intuição da sexualidade,
como você percebe que foi o início... Como que foi? do inicio de suas relações da vida sexual foi com a Masturbação,
E: O início, você quer saber da minha vida... Das minhas relações sexuais ou de suas descobertas relação sexual ou com Experiência de toque
sexuais, ou início das minhas descobertas sexuais (Risos)... sexuais. Acha que uma parte da as descobertas sexuais. com o outro.
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P: Qual dessas duas partes você considera que foi o início? sexualidade é mais dedutiva que Percebe uma parte da
E: Uma parte acho que é inconsciente, é mais dedutiva do que consciente. Recorda-se de sexualidade como
consciente, por exemplo, eu me recordo de criança pequena, que eu masturbar-se aos cinco anos, dedutiva. Masturbava-se
mexia em mim, me masturbava eu acho, porque é uma masturbação deve ter sido o início, mas não aos cinco anos. Aos
nessa época. Eu era pequena, devia ter uns cinco anos, eu me consciente. Já de relação sexual, quinze teve experiências
recordo que a gente se mudou para uma casa e minha mãe ficava que veio com o outro, acha que de toque com o outro.
gritando ‘Vem logo menina!’, e eu falava ‘Já to indo mãe. ’, eu tinha uns quinze anos, foi a
estava mexendo em mim. Eu acho que deve ter sido nessa época o descoberta de o outro mexer
início, mas não consciente. Acho que primitivo mesmo, de forma só nela, tocar nela.
instintiva, não sei, acho que primitivo mesmo... Agora de relação
sexual, que veio o outro, aí eu acho que foi... Nossa nem me lembro
mais!... Acho que eu tinha uns quinze anos, foi a descoberta de o
outro mexer em você, do outro te tocar... Porque até então era uma
coisa muito minha comigo mesma, acho que foi isso, na
adolescência mesmo.
P: Como que foi esse início Débora?
E: Como assim? Como eu sentia, ou como os fatos mesmo? A primeira vez que se lembra do Aos quinze anos foi o Oportunidade de
P: Os fatos... Como você se sentia com esses fatos... toque, de intimidade foi com início de sua intimidade intimidades,
E: Ai, olha só... A primeira vez que eu me recordo mesmo de toque, quinze anos. Ia dormir na casa sexual com um parceiro. Prazer físico,
de mais intimidade, eu tinha uns quinze anos. Eu namorava o primo da tia de uma amiga, que era a Tinha oportunidade de Recio/emoção de o ato
de uma amiga, e como era o primo da amiga, eu tinha a vantagem casa do namorado, então era ter intimidades com o ser descoberto,
de ir dormir na tia da amiga. ‘Mãe, vai todo mundo dormir na casa mais fácil ter intimidades. namorado na casa dele. Sem ideal de príncipe
da tia da Karla!’ Então a gente ia dormir na casa dessa amiga, e lá Ficavam embaixo do cobertor, e Sentia o prazer físico, e encantado,
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morava o meu namorado, então era mais fácil de ter intimidade. então mão ia, mão vinha. Ao gostava da emoção do Sexualidade assumida.
Todo final de semana a gente ia para lá, eu morava em São Paulo, mesmo tempo que sentia o risco de ser descoberta.
então a gente morava em um bairro de São Paulo, e ele morava em prazer da parte física, achava Coisas que hoje
outro, que não era perto. A gente ia passar o final de semana lá, aí a legal a adrenalina da tia chegar à acontecem mais cedo, as
gente ia ao shopping, ao cinema, ou via filme na casa. E foram as sala. Bem coisa de adolescente! pessoas tem medo de
oportunidades que a gente tinha... A gente ficava debaixo do Segundo Débora hoje isso falar, mas não de fazer.
cobertor (Risos), aí mão vai, mão vem... Acho que foi... Era acontece aos dez anos, pois as Sua primeira relação
interessante. Ao mesmo tempo em que era bom, prazeroso, a parte coisas mudaram, as pessoas tem sexual foi aos dezesseis
física, era legal aquele negócio da tia chegar à sala, aquela medo de falar, mas não de fazer. anos, e contou para a
adrenalina, era legal (Risos). Bem coisa de adolescente! Que hoje Sua primeira relação sexual foi mãe. Entendia que não
começa com dez. As coisas mudaram, as pessoas tem medo de falar, aos dezesseis anos, quando existia o ideal de
mas não tem medo de fazer. É engraçado isso! Eu não, a primeira entrou na faculdade. Contou para príncipe encantado, e
vez que eu tive uma relação sexual mesmo foi com dezesseis para a mãe, pois não tinha medo de que estava a fim de
dezessete, foi quando eu entrei na faculdade, porque eu entrei falar com ela. Achava que não fazer. Não via sentido
precoce na faculdade. E eu contei para minha mãe, eu não tinha tinha mais esse negócio de em fingir que não
medo de falar com ela. Falei ‘Mãe, olha, eu conheci um rapaz, ele é pessoa certa, que isso é coisa acontecia nada entre ela
assim, e tal... A gente está namorando, e o namoro é mais diferente, príncipe encantado que se fica e o namorado.
eu acho que vai acontecer, vai acabar acontecendo uma relação criando. Achava que estava a fim
mesmo... ’ Ela falou ‘Bom, você tem certeza que é a pessoa de fazer. Quando viajaram falou
mesmo?’ ‘Ah mãe, acho que não tem mais esse negócio de a pessoa para a mãe que não iria ficar no
certa. Acho que isso é coisa que a gente fica criando, de príncipe quarto com ela e ele no outro,
encantado. Acho que eu estou a fim de fazer. ’ Então aí... No ano pois não tinha sentido estar num
seguinte a gente viajou, eu e minha mãe, esse namorado foi junto, lugar lindo e fingir que não
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eu falei ‘Olha mãe, eu não vou ficar no quarto com você e ele no acontecia nada.
outro, não tem sentido, não tem lógica. Eu aqui nesse lugar
maravilhoso vou ficar fingindo que não acontece nada... ’ Eu judiei
tanto da minha mãe (Risos). Pensa na cabeça dela... Coitada...
P: Para você como era falar essas coisas para ela, agir dessa forma?
E: Era, é super natural. Minha mãe, eu tenho uma relação muito boa Para Débora era super natural Falava com a mãe sobre Diálogo aberto,
com ela, sempre tive, de falar sobre todas as coisas. Por exemplo falar com a mãe sobre sexualidade, por terem Naturalidade para falar
‘Mãe, eu vou fumar maconha. ’ ‘Como assim... ’ ‘Eu vou fumar, sexualidade, por ter uma relação um diálogo aberto. de sexualidade com a
quero saber como é. Todo mundo fuma aqui, tem um cigarrinho que muito boa com ela, e falar sobre mãe.
eu arrumei aqui, vou aproveitar que todo mundo saiu, vou me fechar todas as coisas.
no meu quarto e fumar maconha!’ (Risos) Ela quase morreu no
telefone. Mas então ela tinha uma sensação, eu acho, de que eu
sempre contava tudo. E eu não tinha problema com isso, porque ela
nunca agiu de uma forma que fosse me punir, ou algo assim. Acho
que foi super tranquilo.
P: E como foram para você as suas sensações, percepções, nessa A sua primeira relação foi ruim, A primeira relação não Expectativas com a
primeira relação... não foi como esperava. Quando correspondeu às primeira vez,
E: Foi ruim. Não foi como eu esperava. Porque até então, eu acho acabou aquela adrenalina, aquela expectativas. Sem a Não correspondência
que aquela adrenalina, aquela coisa de adolescente, quando ela coisa de adolescente, quando não adrenalina da novidade, das expectativas,
acabou e você não precisava mais sentir aquilo, então faltou precisava mais sentir aquilo foi sem graça. Depois Sem adrenalina o sexo
emoção, foi sem graça. Foi totalmente sem graça. Foi ruim, eu não faltou emoção, foi sem graça. As foi melhorando, mas fica sem graça.
senti... Em momento nenhum eu senti um prazer gigante. As outras subseqüentes foram melhorando, inicialmente achava as
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subseqüentes foram melhorando, mas a primeira vez de verdade foi mas a primeira foi muito ruim, brincadeiras melhores.
muito ruim. Aquelas brincadeiras eram muito mais legais (Risos). achava as brincadeiras muito As expectativas em
Muito melhores. Não foi bom não, não gostei. Ou talvez por causa mais legais. Também pode ser torno da primeira vez
das coisas que todo mundo fala de ‘Ah!’. Sabe aquele negócio, por causa das expectativas podem ter atrapalhado.
aquela expectativa que é criada em torno de uma coisa que você vai criadas em torno da primeira
fazer pela primeira vez? Eu falei ‘Nossa! É isso?’ Não teve graça, vez.
nem foi bom.
P: Você percebe, desde esse início, das brincadeiras você com você
mesma, depois você com o outro, as descobertas, depois o ato em si, Percebe que sua sexualidade foi Sua sexualidade se Casamento longo,
que começou meio sem graça, até hoje... Você percebe se essa se desenvolvendo. Hoje tem desenvolveu, descobriu Correria do dia-a-dia,
sexualidade foi se desenvolvendo? Como você vê isso? quinze anos de casada e já não formas de sentir prazer. Não sente falta de sexo,
E: Foi com certeza. É interessante como hoje, eu tenho quinze anos sente falta de relacionamento, Porém, hoje, após anos Conhecimento do corpo
de casada já, eu não sinto falta de um relacionamento, é pela correria do dia-a-dia. de casada, não sente por si e pelo parceiro,
interessante... Acho que pela correria do dia-a-dia, tudo isso. Eu Descobriu formas de fazer falta de sexo, pela Emoção diferenciada da
descobri, claro que eu descobri, formas de fazer aquela coisa que no aquela coisa que no começo foi correria do dia-a-dia. adolescência,
começo foi ruim ser melhor. Hoje eu me conheço, meu esposo me ruim ser melhor. Hoje se Ela e o parceiro Sexo necessário à
conhece, a gente fala sobre isso, eu falo ‘Gosto assim, não gosto conhece, seu esposo a conhece, conhecem seu corpo, manutenção do
assim. Faz assim, vira aqui. ’ Eu consigo falar das coisas que me conversam sobre isso. A emoção mas a emoção não casamento,
dão mais prazer, super numa boa. Acho que foi mesmo de adolescente não existe mais. existe mais. Percebe o Sem desejo não tem
desenvolvendo. Só que, é aquela coisa que eu falei, a emoção, Acha a sexualidade mais sexo como necessário à relação sexual.
aquela emoção de adolescente é óbvio que não existe mais. Hoje em necessária para a manutenção de manutenção do
dia é aquela coisa mais... Eu não sei explicar... Acho que mais um casamento. Tem dia que não casamento. Quando não
necessária para a manutenção de um casamento, de um está a fim e não consegue fazer. está com desejo, não
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relacionamento de casal. Tem dia que eu não estou a fim e eu não Fica pensando em quem se consegue manter
consigo falar ‘Ah, vai lá! Vamos fazer mesmo sem vontade. ’ Eu submete a ter relacionamentos relações sexuais.
não consigo. Então aí, nessas horas, eu passo de ruim e falo ‘Não sem estar sentindo o desejo, e
vou fazer uma coisa que eu não estou a fim. ’ Porque se eu não faz isso para agradar a outra
estou com vontade, não adianta. Porque também eu fico pensando, pessoa, e acaba se deixando de
tem muita gente que se submete a ter relacionamentos sem estar lado. Afirma que não consegue
sentindo o desejo de ter relacionamento, faz isso para agradar a fazer isso.
outra pessoa e acaba, não se ferindo, mas acaba se... Deixando de
lado para viver o relacionamento que o outro estava interessado em
viver. Eu não consigo fazer isso.
P: Com você é diferente... Se não estiver a fim não adianta. Quando não tem desejo Sem desejo não tem
E: Eu não consigo, se eu não estiver a fim não adianta. Mas às Às vezes não está muito não consegue manter relação sexual,
vezes eu não estou muito interessada, (Risos) mas aí com o passar interessada, mas com o passar do relações sexuais. Às Desinteresse por sexo,
do tempo, eu decido que eu vou... Se começar e eu ver que eu tempo decide que vai, se vezes está Estimulação sexual pelo
realmente estou a fim. Mas às vezes não é tanto, eu falo ‘Ai, ai.’ começar e ver que realmente está desinteressada de sexo, marido,
Mas depois eu acho bom, mesmo que eu não estivesse a fim de a fim. Às vezes aceita que o mas permite que o Prazer.
começar, eu não iria procurar ele (Risos). Mas às vezes eu aceito marido comece algo que não marido a estimule, e
que ele comece alguma coisa que eu não estava pensando em fazer, estava pensando, e aí gosta. sente prazer.
e aí eu gosto.
P: Às vezes ele começa, e aí você se interessa e a coisa acontece
muito gostosa, muito boa. E às vezes você percebe que realmente Quando não está a fim, Não tem vontade de ter Perda do interesse
não está a fim, e aí não tem nem um começo... geralmente é porque aconteceu relações sexuais quando sexual,
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E: Isso. Geralmente quando eu não estou a fim é que alguma coisa alguma coisa no dia que a deixou o marido lhe fala algo Contrariedade com o
aconteceu no dia que me deixou sem vontade. Por exemplo, ele me sem vontade. Como o marido ter que não queria ouvir marido durante o dia.
disse alguma coisa que eu não queria ouvir. Então, assim, lhe falado algo que não queria durante o dia.
geralmente é isso. ouvir.
P: Coisas da relação, Débora, ou coisas de fora?
E: Coisas da relação, de fora, que interferem que me deixam meio Não fica a fim de sexo por Problemas da relação e Problemas da relação e
magoada, aí eu não quero não. Aí pode vir, me chamar, me cutucar, problemas da relação com o de fora interferem no fora,
até se atrever ‘Eu não quero nada de você’, (Risos). E eu não aceito marido e de fora da relação seu interesse sexual. Perda do interesse
começar se eu não estiver a fim. Eu viro do lado e falo ‘Não quero também. Não aceita que ele Rejeita estimulação pelo sexual,
nada!’ Viro do outro lado, emburro (Risos). comece algo se não estiver a fim. marido se não estiver a Rejeição da estimulação
fim. do marido.
P: E, Débora, a forma como você vivencia a sexualidade hoje,
como você me descreveria ela? Percebe a sexualidade como um A sexualidade é um ato Importante para o casal.
E: Bom, eu acho que é... Um ato íntimo, então tipo assim, hoje eu ato íntimo, para descarregar as íntimo, para se
vivencio ela como um momento de intimidade, de descarregar as coisas, por ser um momento em descarregar, pois é o
coisas, porque é um momento em que você acaba não pensando em que acaba não pensado em nada, momento de apenas
nada, você só sente. Um momento de sentir, de por os sentimentos. só sente. É importante para a sentir, e não pensar. É
Eu acho que é uma relação importante para a vivência de casal, vivência do casal. importante para o casal.
acho que é muito importante...
P: Para o seu relacionamento é importante? Não tem certeza se sexo é Não sabe se o sexo é Não sabe se sexo é
E: Acho que sim, não tenho certeza. Por exemplo... Engraçado importante para seu importante em seu importante para seu
isso... Porque a mulher ela não sente uma falta física como o relacionamento. Para Débora a casamento. A mulher casamento,
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homem sente... mulher não sente falta física não sente a mesma falta Necessidade da mulher é
como o homem. física de sexo que o diferente da do homem.
homem.
P: Você não sente a falta física?
E: Não, não sinto. Não sinto constantemente. Tem momentos que Não sente constantemente a falta Não sente falta física do Sexo não é necessário,
sim. Mas eu acho que é uma coisa assim, que eu passo muito bem física do sexo, passa muito bem sexo, não lhe é Correria da vida,
sem isso. Não tem uma necessidade absurda. Tem gente que fala sem. Passa até um mês sem, necessário, acha que é Sexo não é ruim.
‘Nossa não consigo ficar uma semana sem ter relação’. Eu falo tranquilo, não é necessário. Mas pela correria, pois acha
‘Sério mesmo? Eu passo um mês tranquilo.’ Realmente sem isso, acha que é devido à correria da bom.
não me é necessário. Mas eu acho que é mesmo pela correria da vida, porque não acha ruim.
vida... Porque eu não acho ruim, entendeu?
P: Não é uma coisa que é desagradável, mas no dia-a-dia às vezes
você se envolve com outras coisas e não tem aquela vontade
inicial... Se a coisa acontece é bom.
E: Isso... Exatamente.
P: Na sua terapia, você trabalha isso? Não fala do tema na terapia. Não trabalha a Ausência do tema da
E: Não. Nunca falei sobre isso. sexualidade na terapia. sexualidade na terapia.
P: O que você percebe, tem algum motivo especial pra nunca ter
falado disso? Acha que não fala de Tem questões mais Prioridade: trabalho e
E: Acho que porque as questões que me afligem, que me sexualidade na terapia porque as importantes para tratar filhos.
complicam o andamento normal da minha vida, são tão importantes questões que a afligem são tão em terapia do que sexo,
para eu abordar, que essa é uma questão realmente que eu não... importantes que realmente não como filhos e trabalho.
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Acho que como eu não tenho nenhum problema com ela, (Risos) sobra espaço para sexualidade.
talvez por isso eu não falo sobre isso. Eu falo muito mais sobre Fala mais de filhos, trabalho, do
filhos, sobre trabalho, sobre outras coisas, do que sobre isso. que sobre sexo.
P: E esses outros temas que você trabalha em terapia, filhos,
trabalho, família, você percebe se eles tem relação com a sua Acha que os temas que trabalha Questões como filhos, Interferência indireta do
vivência da sexualidade?... Se eles interferem de alguma forma... em terapia tem influência trabalho e família, trabalho, filhos e família
E: Eu acho que sim. Porque, não diretamente, mas indiretamente indireta na sua sexualidade. interferem indiretamente na sexualidade,
sim, porque quando você começa a ter muitas coisas interferindo Quando tem muitas coisas na sexualidade. Pois Ausência da vontade
aquela vontade inicial acaba deixando de existir, porque a cabeça interferindo a vontade inicial de quando tem problemas inicial de fazer sexo
sempre está preocupada em resolver os problemas, acho que fazer sexo deixa de existir. Para não tem a vontade quando com problemas.
maiores. Então assim, é difícil para a mulher pensar em alguns Débora é difícil para a mulher inicial de fazer sexo.
temas direcionados à sexualidade quando o filho está com problema pensar em sexualidade quando o
na escola. filho está com problema na
escola.
P: Para você é difícil?
E: Para mim é. É impossível. Eu não consigo. Para mim facilmente É impossível, não consegue Não consegue pensar Problemas se tornam
todas as outras coisas passam na frente em questão de prioridade. pensar em sexo quando o filho em sexo quando tem prioridade,
Não porque eu não goste, mas porque não que seja necessário, ou está mal na escola, facilmente problemas, não porque Sexo não é necessário.
porque os outros problemas são tão importantes que ocupam minha outras coisas passam na frente não goste, mas porque
cabeça totalmente, não sei, nunca pensei nisso, nem falei sobre isso. em questão de prioridade. Não não é necessário. Os
porque não goste, mas porque problemas se tornam
não é necessário. Outros prioridade facilmente,
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problemas são tão importantes


que ocupam sua cabeça
totalmente.
P: Agora que você vai falando, vai fazendo sentido isso?
E: Faz, faz sentido. Eu... Estava conversando sobre isso na minha Débora sempre se deixa de lado Débora se deixa de lado Deixa-se de lado,
terapia, eu sou muito preocupada com as coisas que as outras para ver o que o outro precisa e pelo outro e com isso Negligencia sua
pessoas vão fazer, com os valores que as outras pessoas vão me dar, as coisas externas tiram o seu negligencia a sua sexualidade,
com as necessidades das outras pessoas. Sempre me deixo de lado desejo sexual. A sexualidade fica sexualidade. Não se Não se desliga para o
para ver o que o outro precisa. Acaba que as coisas externas totalmente de lado, não consegue desliga para pensar em sexo, como o homem.
realmente me tiram o desejo sexual. se desligar para pensar em ter sexo, como imagina que
P: A sexualidade fica um pouco de lado para atender às outras uma relação sexual. Em sua o homem faz.
demandas... opinião homem é assim.
E: Totalmente de lado. Raramente, assim, eu acho que... Eu não
consigo também me desligar para pensar ‘Hoje eu preciso ter uma
relação sexual. Eu preciso aflorar a sexualidade hoje para ficar
bem.’ E o homem é assim, na minha opinião.
P: Na sua relação você percebe isso?
E: Não, não só na minha relação com meu esposo. Eu percebo isso Percebe em sua relação com o Em seu convívio Diferença entre
com meus pacientes, com meus amigos. Eu percebo o seguinte, que esposo, com os pacientes e com percebe que o homem sexualidade do homem e
a diferença entre homem e mulher é: a mulher se não estiver os amigos, que o homem se precisa de sexo para da mulher.
relaxada, ela não consegue ter uma boa relação sexual. E o homem desliga para pensar em sexo. ficar relaxado, e a
se não tiver uma relação sexual não consegue ficar relaxado. (Risos) Para ela a mulher se não estiver mulher precisa estar
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Eu acho que é isso, o que faz ele relaxar é o que a gente não relaxada, não consegue ter uma relaxada para pensar em
consegue fazer se não estiver relaxada. Acho que é isso. boa relação sexual. E o homem sexo.
se não tiver uma relação sexual
não consegue ficar relaxado.
P: Para mim o importante é que na relação tudo esteja mais ou
menos tranquilo para que a sexualidade tenha espaço de vir à tona.
Se as outras coisas estiverem tumultuadas, ela fica ali...
E: De lado...
P: Guardadinha, espera um pouquinho, daqui a pouco você vem...
E: Fica. Exatamente. Exatamente.
P: E como é para você me contar isso, falar desse assunto...
E: (Risos) Não tem problemas em falar de Fala abertamente de Abertura para falar de
P: Como você está agora? sexualidade. Não tem tabus ou sexualidade, apesar de sexualidade,
E: Sem problemas, eu falo muito bem sobre isso, até com as medos em falar disso. ser um tema que não faz Sexo não cabe em sua
pessoas, assim. Sem problemas. Nunca tive tabus ou medo de falar Sexualidade é uma coisa que as parte do rol de assuntos. cabeça quando tem
disso. É que é engraçado porque são coisas que a gente não pessoas não falam normalmente, Não cabe em sua cabeça problemas,
consegue falar, não fala normalmente, não faz parte do nosso rol não faz parte do rol de assuntos. pensar em sexo quando Sexo não pode ser a
de... Nem de amigas assim, eu tenho uma amiga que ela fala assim Uma amiga não aceitou como está cheia de problemas, única coisa que mantém
‘Nossa vai fazer uma semana já que eu não tenho nenhuma relação natural o que para ela era fato que uma amiga a relação.
com meu marido, ele vai acabar arrumando outra. ’ Eu falo ‘Sério? normal, não conseguia pensar estranhou. Pensa que se
Será que isso é motivo? Se for, o meu já deve ter outra (Risos). Esse em sexo quando estava sem o sexo é a única coisa
mês eu não fiz nada, nenhuma vez com ele.’ Ela ficou desesperada trabalho, desesperada para pagar que segura a relação,
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‘Como assim? O mês inteiro?’ ‘O mês inteiro!’ ‘Você está louca?!’ as contas, escola do filho essa relação não serve
Então assim, ela não aceitou isso como natural, e para mim é atrasada, sem dinheiro para para ela. Prefere ficar
normal. Porque eu não tive nenhum... Eu estava sem trabalho, comida, sem gasolina para ir e sozinha.
desesperada para pagar as minhas contas, a escola do meu filho voltar. Sexo não cabia em sua
atrasada, sem dinheiro para comprar comida, sem gasolina para ir e cabeça. Percebeu que mesmo
voltar, eu vou pensar em sexo? Não cabe na minha cabeça. Para ela que a amiga não esteja a fim vai
é um absurdo. Então assim, o que eu pude perceber é que mesmo fazer para o marido não arrumar
que ela não estiver a fim ela vai fazer, porque se não o marido vai outra. Pensa que se a única coisa
arrumar outra pessoa. Eu penso o seguinte, se a única coisa que que segura a relação é isso, então
segura o relacionamento é isso, então eu não quero também não, também não quer.
pode ir procurar outra pessoa que eu estou bem sozinha. Eu penso
assim.
P: E eu acho interessante você falar essa questão de valores, que às
vezes é difícil para a pessoa falar disso pelos valores que tem. Você Acha que tem uma escala de Em sua escala de Escala de valores,
percebe a influência dos seus valores nessa forma de você lidar com valores, primeiro todo mundo valores a saúde, a Prioridade: Saúde,
a sexualidade? tem que estar bem, com a saúde educação, a educação e alimentação,
E: Com certeza. Eu tenho escalas. Acho que eu devo ter uma escala boa, todo mundo precisa estar na alimentação, vem antes Sexo não é prioridade,
de valores, então primeiro precisa estar todo mundo bem, a saúde de escola, com educação, todo do sexo. Se tiver tudo Tem que estar tudo bem
todo mundo precisa estar boa, todo mundo precisa estar na escola, mundo precisa ter comido. Tudo bem, pensa em sexo. para pensar em sexo.
com educação, todo mundo precisa ter comido. Tudo isso é mais isso é mais importante que sexo.
importante do que o sexo, ou do que essa parte da sexualidade. Eu Se tudo isso estiver bem, aí
acho que se isso tudo estiver bem, aí eu vou pensar numa boa numa pensa em sexo, se não, não
relação. Se tudo isso estiver ruim, aí não, não consigo. consegue.
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P: Eu achei interessante, você falou ‘Não cabe. ’ Quando não está


tudo bem, não cabe isso... Quando não está tudo bem, sexo Quando não está tudo Quando não está tudo
E: Não é a hora. (Risos) Não cabe, a palavra é essa mesma, não não cabe, essa é a palavra, não bem, não há espaço para bem, sexo não cabe, não
encaixa. (Risos) encaixa. o sexo. encaixa.

Anexo D
FOLDER CONVITE

PREZADOS (AS) CLIENTES

Eu, Cínthia Vieira Möller, realizarei uma pesquisa para o curso de Pós-
graduação Lato Sensu chancelado pela na Universidade Católica de Goiás,
cujo tema é A vivência da sexualidade nas mulheres: um estudo
fenomenológico na Gestalt-terapia4. Para tanto precisarei de pessoas que
estejam disponíveis a participar do estudo.
Tal estudo objetiva, primordialmente, compreender a experiência da
sexualidade na mulher e como o processo psicoterapêutico pode interferir
nessa vivência.
Caso tenha interesse em contribuir com a pesquisa, favor entrar em
contato comigo pelo telefone 9130-0123, ou deixar seu nome e telefone com a
Waléria (Recepcionista do ITGT – Instituto de Treinamento e Pesquisa em
Gestalt-terapia de Goiânia) para que eu possa entrar em contato, e agendar um
horário para a primeira entrevista. Esse encontro inicial terá o objetivo de
explicar como o projeto será desenvolvido e, assim, você poderá decidir
quanto à sua participação o estudo.
A entrevista será realizada no ITGT – Instituto de Treinamento e
Pesquisa em Gestalt-terapia de Goiânia (Rua 1.128, nº165, Setor Marista).
Atenciosamente,
Cínthia Vieira Möller
CRP.:09/5025

                                                            
4
 Título provisório da pesquisa, na ocasião das entrevistas. 

 

Anexo E
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa.
Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do
estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é
minha, pesquisadora responsável. Em caso de recusa você não será penalizado de forma
alguma.

Informações sobre a pesquisa:


Título do Projeto: A vivência da sexualidade nas mulheres: um estudo fenomenológico na
Gestalt-terapia5.
Pesquisadora Responsável: Cínthia Vieira Möller

Apesar da constante presença da temática da sexualidade em meios de comunicação


atualmente, o espaço para a discussão sistemática da sexualidade feminina não está garantido.
Aspecto de grande relevância na vida das mulheres, principalmente após o advento da pílula
anticoncepcional que garantiu às mulheres uma suposta liberdade sexual, ainda é objeto de
grandes preconceitos, e tabus, tanto pessoais como culturais.
O objetivo deste estudo é investigar a vivência da sexualidade por mulheres entre 20 e
40 anos que se encontram em processo psicoterapêutico na abordagem gestáltica. Essa
pesquisa justifica-se pela necessidade de aprofundamento do conhecimento acerca das
influências sofridas pelas mulheres na construção de sua sexualidade e de como a psicoterapia
pode interferir na forma como esta é vivenciada.
O momento empírico será efetivado por meio de entrevistas, que serão realizadas em
consultório de psicologia, por possuir um ambiente adequado para recebê-lo. Os horários serão
marcados previamente. As entrevistas findarão assim que forem geradas as informações
consideradas necessárias, ou quando você solicitar, por qualquer motivo. Você tem a liberdade
em recusar-se a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa sem
penalidade alguma e sem prejuízo ao seu cuidado.

                                                            
5
 Título provisório da pesquisa na ocasião das entrevistas. 

 

Será utilizado gravador nas entrevistas, garantindo assim um melhor registro dos
dados. Todas as fitas serão transcritas na íntegra, e, posteriormente, alguns trechos comporão o
Trabalho de Conclusão da Pós Graduação em Gestalt-terapia. Todo o material gerado, fitas e
transcrições, serão guardados em local seguro por um período de cinco anos e, posteriormente,
incinerado. Garante-se o mais absoluto sigilo no que diz respeito à preservação de sua
identidade em qualquer publicação que diga respeito a essa pesquisa.
Você, apesar de não correr o risco de desconforto nas entrevistas ou qualquer risco
moral, terá o direito de conversar sobre tal fato, caso necessário. Você tem a garantia de
receber quaisquer esclarecimentos antes e durante o curso da pesquisa.

Nome da pesquisadora: Cínthia Vieira Möller


Assinatura da pesquisadora: ___________________________
Data: __________________
Eu, ______________________________________________________________________,
RG nº _____________________________, CPF nº _____________________________,
abaixo assinado, concordo em participar do estudo – A vivência da sexualidade nas mulheres:
um estudo fenomenológico na Gestalt-terapia – como colaborador. Fui devidamente informado
e esclarecido pela pesquisadora Cínthia Vieira Möller sobre a pesquisa, os procedimentos nela
envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação.
Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem e que isto
leve à qualquer penalidade ou interrupção de meu acompanhamento/assistência/tratamento.
Local e data:
_______________________________________________________________
Nome do sujeito:
____________________________________________________________
Assinatura do sujeito:
________________________________________________________

Presenciamos a solicitação de consentimento, esclarecimentos sobre a pesquisa e aceite do


sujeito em participar.
Testemunhas (não ligadas à equipe de pesquisadores):
Nome: _______________________________Assinatura: _______________________
Nome: ______________________________ Assinatura: _______________________
Observações complementares: __________________________

 

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