Introdução à Astronomia e Esfera Celeste
Introdução à Astronomia e Esfera Celeste
GEA/UFSC/PLANETÁRIO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO S/N
CEP 88049-000 FLORIANÓPOLIS - SC
FONE (048) 331-9241
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ÍNDICE ANALÍTICO
Capítulo 1 - GENERALIDADES.................................................................................................. 1
6.1. Denominação..................................................................................................................... 1
6.2. Localização no céu ............................................................................................................ 1
6.3. Movimentos ....................................................................................................................... 1
6.4. Variação do brilho e diâmetro aparentes ........................................................................... 1
6.5. Observação dos planetas, da Lua e do Sol ....................................................................... 1
6.5.1 Observação de Mercúrio .............................................................................................. 1
6.5.2 Observação de Vênus .................................................................................................. 1
6.5.3 Observação de Marte ................................................................................................... 1
6.5.4 Observação de Júpiter ................................................................................................. 1
6.5.5 Observação de Saturno ............................................................................................... 1
6.5.6 Observação de Urano, Netuno e Plutão ....................................................................... 1
6.5.7 Observação da Lua ...................................................................................................... 1
6.5.8 Observação do Sol ....................................................................................................... 1
6.5.9 Observação de eclipses ............................................................................................... 1
8.1.5. Meteoróides................................................................................................................. 1
8.1.6. Cometas ...................................................................................................................... 1
BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................... 1
Glossário .................................................................................................................................... 1
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CAPÍTULO 1
Generalidades
Capítulo 1 - GENERALIDADES
1.1. Introdução
A primeira atividade científica de pesquisa que interessou ao homem foi, sem dúvida, a
Astronomia. Através da observação e do estudo dos astros, suas posições relativas e seus
ciclos de aparecimento, os povos antigos determinavam a contagem do tempo, as atividades
agrícolas e sua orientação geográfica. Hoje, em função da vida moderna, quase nos é
imperceptível que a duração do dia, do ano, as estações são todos fenômenos astronômicos e
que a importância deles em nossas vidas é fundamental. Estudar Astronomia é se dedicar a
uma ciência que tem por objetivo observar e compreender o Universo Cósmico, deslumbrando
o estudante com o portentoso e natural espetáculo de qual nosso planeta é membro efetivo.
Pode-se dizer que a Astronomia é a ciência que estuda o Universo. Mais precisamente,
o Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, autoria de Ronaldo R. F. Mourão,
define Astronomia como sendo "a ciência dos astros e mais genericamente de todos os objetos
e fenômenos celestes".
Cada um destes grupos pode agora ser dividido de acordo com as suas atividades
específicas, e então teremos:
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Astrofísica:
Radioastronomia - Ciência que utiliza ondas de rádio emitidas por corpos celestes como
meio para obtenção de dados.
Astronomia de raios gama, raios X e raios infravermelhos - Ramos que se ocupam com
o universo nas radiações mencionadas.
Mecânica Celeste - Estudo dos movimentos dos astros sob ação da gravitação
universal, podendo ser estudada também em Astrometria.
Astrometria:
Astronomia de campo - Ramo da Astrometria que trata da determinação precisa das
coordenadas geográficas de um ponto sobre a superfície da Terra.
Astronáutica:
Astronomia espacial - Ramo que emprega a tecnologia espacial no estudo da
Astronomia.
Calcula-se hoje, a idade do universo como algo em torno de vinte bilhões de anos
([Link]). Nosso planeta, neste mesmo cálculo, não teria mais que 4,5 bilhões de
anos. O homem na Terra não surgiu há mais de uns poucos milhões de anos. O interesse pela
Astronomia aparece gravado no máximo a uns 5.000 anos atrás. Portanto, estamos na
presença de uma das mais antigas ciências desenvolvidas pelo homem, porém sua existência
é insignificante quando comparada com o tamanho e a idade do universo.
Foram os gregos os primeiros a tratar com um certo rigor científico os movimentos dos
astros no céu. Se bem que seus conceitos estivessem na maioria das vezes equivocados,
aperfeiçoaram algumas idéias dos egípcios e babilônios, dando-lhes algum cunho científico.
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Em meados de 600 a.C., Anaximandro propõe ser a Terra um corpo cilíndrico imerso no
ar, tendo a sua volta círculos de fogo. Tubos compridos davam acesso à visão destes anéis de
fogo, propiciando o Sol e a Lua, além das estrelas.
Em 560 a.C., Pitágoras e Filolaus concluíram que a Terra era idêntica aos astros do céu.
Em 406 a.C., Eudóxio, discípulo de Platão, propôs a primeira teoria das esferas homocêntricas.
Para os gregos, a esfera representava a perfeição, a forma da divindade. A idéia do filósofo
teve por isso, imediata e duradoura aceitação. Em 380 a.C., Aristóteles aperfeiçoou o sistema
de Eudóxio, introduzindo um ente físico, o cristal, como responsável pelo arrasto dos astros em
redor da Terra, que deveria ocupar o centro do sistema.
Aos astros que tinham este comportamento singular, Apolônio denominou Planektas,
que significa estrela errante.
Por volta de 276 a.C., Eratóstenes calcula o diâmetro da Terra, utilizando-se das
diferenças de medidas das sombras do meio-dia em duas cidades diferentes: Siena e
Alexandria.
Nesta mesma época, Aristarco de Samos propôs a teoria heliocêntrica, que não vingou
entre seus pares. Além disto, calculou os diâmetros da Lua e do Sol, embora com erro de vinte
vezes para menor.
Nos meados de 100 a.C., Ptolomeu, o egípcio, publica sua famosa obra, "O Almagesto",
na qual aperfeiçoa as idéias Aristotélicas e consolida o Geocentrismo para os próximos 1.500
anos.
Este tempo de atraso mental só foi superado com a publicação, em 1543 (após a sua
morte), da obra de Nicolas Copérnico: "De Revolutionibis Orbium Coelestium".
Nos séculos XVIII, XIX, XX, o progresso se fez sentir em todas as ciências e teve
consequências logicamente benéficas na Astronomia. Inúmeros são os personagens
importantes nestes últimos séculos e citá-los todos consumiria o restante deste trabalho. Assim
sendo, vamos apenas enumerar alguns dos mais famosos e conhecidos homens que tiveram
seus feitos reconhecidos em Astronomia.
Charles Messier, responsável por um grande catálogo de astros, ainda válido até hoje.
Edmund Halley e o estudo dos cometas, Olbers e o tamanho do Universo, Kant e as galáxias
tiveram suma importância no legado desbravador de conhecimento e progresso na forma de
pensar que deixaram. Mais recentemente, podemos citar homens como A. Einstein, Friedmann,
Lemaitre, E. Hubble, G. Gamow, S. Hawking e muitos outros que poderiam ser lembrados.
Vertical do lugar: Ao suspender um prumo (peso) por um fio, tem-se a vertical do lugar.
Horizonte: Diz-se do plano perpendicular à vertical do lugar e que passa pela visada do
observador.
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Plano da órbita da Terra: É o plano que contém a elipse de translação da Terra ao redor
do Sol, no período de um ano.
Eixo da Terra: É a linha imaginária ao redor da qual a Terra executa seu movimento
diário de rotação. Une os pólos da Terra.
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Inclinação do eixo: O eixo da Terra está inclinado de 23° 27' em relação a uma
perpendicular ao plano de sua órbita.
Meridiano: Linha imaginária que une os pólos terrestres ou da esfera celeste. Cada um
deles está, na Terra, espaçado do outro em 15° ou 1 hora.
Movimento aparente dos astros: Como a Terra gira de oeste para leste, o céu
aparentemente gira no sentido oposto. Ao transladar ao redor do Sol, a Terra provoca o
movimento aparente das estrelas.
O mesmo astro, visto por observadores alocados no Pólo Norte (1), no Equador (2) e no
trópico de Capricórnio (3), assume movimento aparente diverso, conforme abaixo.
Elipse: Lugar geométrico dos pontos de um plano no qual a soma das distâncias a dois
pontos fixos (os focos) é constante e tem o valor de duas vezes o semi-eixo maior (2a). Define-
se distância focal da elipse como sendo a distância do centro da elipse até um de seus focos.
Define-se excentricidade da elipse como sendo a relação da distância focal com o semi-eixo
maior. Pode-se entender a excentricidade como a relação 1-b/a, aonde b é o semi-eixo menor.
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Astros fixos: São os astros cuja posição relativa entre si, para um observador terrestre,
não varia com o correr do tempo de um espaço perceptível. São astros fixos, as estrelas,
galáxias, aglomerados etc.
Astros errantes: São aqueles que, ao contrário do anterior, variam sua posição relativa
contra o fundo dos fixos. São errantes os planetas, cometas, asteróides, meteoros e afins.
Estrelas: São astros gasosos que emitem luz e outras energias em quantidades
enormes, produzidas pela fusão nuclear em seu interior.
Planetas: São corpos que orbitam ao redor de uma estrela e que não emitem luz própria.
Planetóides: São pequenos corpos que circundam o Sol entre as órbitas de Marte e
Júpiter, sendo também conhecidos como asteróides.
Cometas: Pequenos corpos sólidos envolvidos por gás, cuja órbita é extremamente
alongada em torno do Sol.
10 = 10 1 1.000.000 = 10 6
100 = 10 2 [Link] = 10 9
1000 = 10 3 [Link].000 = 10 12
Ano luz (al): Sendo a velocidade da luz 300.000 km/s, um ano luz é o espaço percorrido
pela luz durante um ano:
Parsec (pc): Para se definir o parsec, que equivale a 3,26 al, é necessário o conceito de
paralaxe. Paralaxe é o ângulo que se observa uma estrela se deslocar em relação às do fundo,
no intervalo de seis meses. A paralaxe é medida em segundos de arco. Pode-se definir
paralaxe também, como o ângulo que um observador colocado na estrela veria o raio médio da
órbita da Terra, perpendicularmente à sua visada.
CAPÍTULO 2
A Esfera Celeste
Cláudio F. Alves
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2.1. Introdução
Sabemos que esta idéia não é correta, mas para os fins práticos que temos em mente, a
mesma é perfeitamente aceitável.
Assim, a astronomia de posição assume como hipótese que os corpos celestes são
pontos de uma imensa esfera - a esfera celeste - cujo centro coincide com o centro da Terra.
O raio dessa esfera é considerado como sendo muito maior do que o raio da Terra, de
modo que este é desprezível, para todos os fins práticos, perante aquele.
A figura 1 mostra um observador "A" na superfície da Terra. No instante T1, o raio de luz
do astro "E", é visto segundo a direção D1. No instante T2, em função do movimento de
rotação da Terra, é visto na direção D2, mas o astro permaneceu imóvel. Um observador num
ponto "B" no instante T1, vê o astro na direção D3, tal que D3 é diferente de D1 e D2.
Instante da observação.
Dessa forma fica apresentado o ente geométrico onde se situam os objetos de nosso
estudo.
As estrelas nos parecem pontos fixos, na superfície dessa imensa esfera, enquanto o
Sol e os outros astros a ele associados, como os planetas, movimentam-se em relação ao
fundo das estrelas fixas, aparentemente. A causa desse movimento aparente é a rotação da
Terra em torno de seu eixo.
O movimento de rotação da Terra, o qual se faz no sentido de oeste para leste, provoca
um movimento aparente em sentido contrário da esfera celeste, ou seja, vemos os astros
moverem-se de leste para oeste. Esse movimento aparente leva o nome de: "Movimento
Aparente da Esfera Celeste". O eixo de rotação da Terra, se o prolongarmos o suficiente,
recebe o nome de eixo da esfera celeste ou eixo do universo.
Voltando à esfera, temos ainda que todo plano perpendicular ao eixo do universo define
um paralelo celeste, e um plano que contém o eixo do universo determina um meridiano
celeste. Assim temos também o equador celeste e os pólos norte e sul celestes (figura 8).
Para exemplificar, seguiremos a seguinte idéia: se o Sol tivesse o brilho de uma estrela
comum, de primeira grandeza, ele não ofuscaria as estrelas de dia. Nós o veríamos se
deslocando entre as estrelas dia após dia como mostrado na figura 9, levando um ano para
desenhar uma circunferência, a qual leva o nome de eclíptica, como ilustra a figura 10.
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Por esse motivo é que temos as estacões do ano. Esse ângulo entre o eixo de
rotação da Terra e o eixo do plano orbital é chamado de obliquidade da eclíptica, e seu valor é
de aproximadamente 23 27' (ver figura 11).
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As constelações que são cortadas pela eclíptica, ou seja, são atravessadas pelo Sol no
seu movimento anual, são as chamadas constelações zodiacais.
Em um dos pontos em que a reta formada pela intersecção do equador celeste com o
plano da eclíptica "fura" a esfera celeste é o chamado ponto (gama) (figura 10), o qual é o
ponto onde o Sol se encontra na passagem do hemisfério sul celeste para o hemisfério norte
celeste. Este ponto é também chamado ponto vernal ou ponto Áries. Essa passagem ocorre
dia no 21 de março, e por isso chama-se equinócio de março, que corresponde ao equinócio
do outono para o hemisfério sul, e equinócio da primavera para o hemisfério norte.
O ponto diametralmente oposto, na figura 10, é o ponto ',onde o Sol se encontra dia 23
de setembro, quando volta ao hemisfério sul. Este ponto é chamado ponto libra (ou ponto
balança) e nesse dia ocorre o equinócio de setembro, que corresponde ao equinócio da
primavera para o hemisfério sul e o equinócio do outono para o hemisfério norte.
Os pontos L e L' (figura 10) são os maiores afastamentos do Sol em relação ao equador
celeste. São os solstícios de junho e dezembro. O primeiro corresponde ao solstício do inverno
para o hemisfério sul, e solstício de verão para o norte. O segundo corresponde ao solstício de
inverno para o hemisfério norte e solstício de verão para o hemisfério sul.
Embora o ponto não seja visível, é tomado como um ponto pertencente ao meridiano
inicial, uma espécie de meridiano de Greenwich celeste.
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Da figura 12, seja o segmento OE o raio da esfera celeste que liga o centro da Terra ao
astro E. Então as coordenadas equatoriais desse astro são:
Ascensão Reta "": ângulo que o meridiano do ponto vernal faz com o meridiano do
astro " - ": esse ângulo é medido a partir de no sentido contrário ao movimento
aparente, e seu intervalo angular é:
Declinação "": definida pelo raio OE e sua projeção no plano do equador celeste.
Tem sinal negativo (-) no hemisfério sul celeste e sinal positivo (+) no norte celeste. Seu
intervalo angular é:
Mesmo para as estrelas chamadas fixas, essas coordenadas não são constantes,
variando lentamente (pelos padrões de tempo humanos) no decorrer do tempo. As duas
maiores razões dessas variações veremos aqui.
Esse movimento consiste em que o eixo celeste descreve uma superfície cônica com o
vértice no centro da Terra, e com abertura de aproximadamente 23 27'; esse movimento
completa um ciclo em 25.800 anos aproximadamente, o que nos dá um deslocamento anual de
50' 23", conforme ilustrado na figura 14.
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Como estamos no hemisfério sul, vamos exemplificar como é vista a esfera celeste por
um observador colocado nesse hemisfério. A figura 15 mostra um observador em um ponto "O"
da superfície da Terra, de latitude e longitude . A reta que liga "O" ao centro da Terra é a
vertical do lugar. Tem a direção do fio de prumo em "O" e fura a esfera celeste em um ponto
"Z" que leva o nome de zênite. O plano que passa por "O" e que é perpendicular à vertical do
lugar é o plano horizontal ou horizonte do observador.
Tendo em vista que o raio da Terra é desprezível, quando comparado com o raio da
esfera celeste, a reta R, que passa por "O" e é paralela ao eixo do universo, pode ser
considerada também como o eixo do universo. Sua projeção no horizonte marca a linha norte -
sul ou a meridiana do lugar e o ângulo h que ela faz com essa linha é a altura do pólo elevado.
Como R é perpendicular ao equador, e a meridiana, perpendicular a vertical do lugar, temos
que as retas que definem os ângulos h e são perpendiculares entre si, daí ter-se h = , o que
permite dizer que a altura do pólo elevado é igual, em módulo, à latitude do lugar.
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Para o observador em "O" (figura 15) tudo se passa como se seu horizonte fosse um
plano fixo, permanentemente imóvel no espaço, e que a esfera celeste girasse em torno da
reta OP, que o liga ao pólo elevado. A figura 16 mostra o que o observador em "O" vê da esfera
celeste.
Alguns desses astros, os mais próximos do pólo elevado, nunca mergulham abaixo do
horizonte. São os circumpolares. Outros, os mais chegados ao pólo oculto, jamais serão vistos
de "O", pois estarão sempre abaixo de seu horizonte. Os que não são circumpolares nem
invisíveis, como o astro A figurado, têm um segmento da sua trajetória acima do horizonte e o
restante, abaixo. Têm, portanto, um nascer e um ocaso.
39
CAPÍTULO 3
Instrumentos Astronômicos
Antônio C. de Lucena
40
3.1. Introdução
Ao lado dos telescópios acima mencionados, temos ainda outros instrumentos, tais
como o teodolito, o sextante, o círculo meridiano, o instrumento de passagem, a luneta zenital,
o astrolábio etc., sendo que todos estes instrumentos são utilizados, fundamentalmente, na
Astrometria, que é um dos ramos em que se divide a Astronomia.
Figura 2.1. Telescópio óptico com um espelho de 6,00 m de diâmetro, instalado no Monte
Pastujov, no Cáucaso do Norte, na Rússia.
41
3.2. O Olho.
O melhor instrumento para observação astronômica que o ser humano possui (pelo
menos a nível de amador) são os seus próprios olhos.
Assim, para se ter uma boa visão de um céu estrelado, se deve procurar um local escuro
(quanto mais, melhor) e aguardar uns 20 minutos, para que a pupila se dilate bem. Caso for
necessário se utilizar alguma iluminação (para ver um mapa celeste, por exemplo), se deve
utilizar lâmpadas vermelhas (uma lanterna elétrica com um plástico vermelho na frente funciona
muito bem), uma vez que esta cor de luz provoca uma contração mínima da retina. A figura 2
mostra, de forma esquemática, o olho humano.
3.3.1 Objetivas.
As objetivas, no caso dos binóculos e telescópios refratores, que serão vistos nos itens 4
e 5, são as lentes (ou conjunto de lentes) que ficam voltadas para o objeto que se quer ver. Já
para os telescópios refletores, a objetiva é um espelho, onde são captados os raios luminosos
que provêm do objeto que se deseja ver.
Para um determinado telescópio, seja ele refrator ou refletor, tanto o diâmetro quanto a
distância focal da objetiva são valores fixos, determinados pelo projeto e construção do
aparelho.
Nos telescópios refratores, que usam lentes como objetivas, estas quase sempre se
compõem de duas lentes, com a finalidade de se reduzir a aberração cromática.
Figura 3.4. Os dubletos mais comuns, utilizados na confecção de objetivas para telescópios
refratores.
3.3.2 Oculares
A ocular, que é sempre constituída por uma lente (ou conjunto de lentes), como o próprio
nome diz, é o componente do sistema óptico do instrumento que se encontra próximo do olho
do observador.
Existem diversos tipos de oculares, sendo que as mais comuns são a ocular de
Huygens, a de Ramsden e as oculares ditas ortoscópicas de Abbe e a de Plossl. A figura 5
ilustra, de forma esquemática, estes quatro tipos de oculares.
Figura 5. (c) Oculares ortoscópicas. (c1) Ocular de Abbe. (c2) Ocular de Plossl
F
A = ------
f
Por exemplo, para um telescópio com F = 900 mm, com oculares de f = 30 mm, 20 mm,
15 mm, 10 mm e 4 mm, obtemos aumentos de 30x, 45x, 60x, 90x e 225x, respectivamente.
A pupila de saída é definida como sendo o diâmetro do círculo de luz que emerge pela
ocular. A figura 6 mostra, de forma esquemática, a pupila de saída de um telescópio (ou
binóculo).
45
D
P = -------
A
A = Aumento linear
Assim, por exemplo, para um telescópio com D = 114 mm, F = 900 mm e usando uma
ocular com f = 30 mm, teremos:
F 900
A = ------ = -------- A = 30
f 30
D 114
P = ------- = -------- P = 4 mm
A 30
Da expressão
D
P = -------
A
46
tiramos
D
A = -------
P
114
Amin = ------ o que acarreta Amin = 16
7
Se, como antes, tivéssemos F = 900 mm, isto implicaria que teríamos que ter uma ocular
com f = 56 mm.
Oculares com esta distância focal ainda são usuais; entretanto, para distâncias focais F
maiores, para um mesmo D, isto pode acarretar valores para f muito grandes, que não são
práticos, devido ao dispositivo de focalização do telescópio. Desta forma, na prática não são
construídas oculares com f muito grande, de forma que muitas vezes não se consegue
trabalhar com o aumento mínimo, o que implica em que não se obtém uma pupila de saída de
7 mm, que seria a ideal, mas um valor menor.
Por outro lado, para um determinado diâmetro de objetiva, não se pode obter, na prática,
qualquer aumento. Para objetivas com F pequeno, este aumento máximo se acha limitado, na
prática, pela impossibilidade de se construir oculares com f menores do que 4 ou 3 mm.
Assim, por exemplo, para F = 900 mm, o aumento máximo que obtemos é de:
900
Amax = ------- = 225 vezes
4
Para objetivas maiores, com F grande, o aumento máximo é limitado, na prática, pela
nitidez e luminosidade da imagem, parâmetros estes que dependem do diâmetro D da objetiva,
uma vez que quanto maior D, maior a nitidez e luminosidade da imagem obtida, para um
mesmo F.
Aumento A Características
Mínimo A = 0,143.D
3.3.4 Luminosidade
A luminosidade de um instrumento, quando comparada a do olho humano, pode ser
interpretada como sendo o número de vezes que o instrumento capta mais luz do que o olho.
Como a quantidade de luz que um instrumento capta, da mesma forma que o olho o faz, é
proporcional à superfície de captação, e como as objetivas são circulares, então esta área é
proporcional ao quadrado do diâmetro. Como a pupila do olho também é circular e, nas
condições noturnas tem em média uns 7 mm de diâmetro, então pode-se escrever:
D2 D2
L = ------ L = -------
72 49
(200)2
L = --------- L = 820
49
ou seja, esta objetiva capta aproximadamente 820 vezes mais luz do que o olho
humano.
48
m = 2,1 + [Link]
A figura 3.7 mostra, de forma esquemática, o ângulo, subentendido pelo olho, de dois
objetos próximos entre si.
Na figura 3.7, é o ângulo entre os dois objetos. Se < 1', o observador não distingue
os dois pontos separados. Vê somente um ponto.
120
S = --------
D
Assim, por exemplo, um telescópio cuja objetiva tenha 114 mm de diâmetro, possui um
poder separador de:
120
S = -------- S = 1,05" de arco
114
3.3.7 Campo
O campo de um aparelho é a região do céu que é possível de ser vista com o
instrumento.
2.400
C = ---------
A
A = aumento
2.400
C = --------- C = 60' = 1 grau.
40
Pode-se dar estes dois parâmetros diretamente, como por exemplo D=114 mm e F =
900 mm.
Uma outra forma de dar estes parâmetros é dar a distância focal de forma indireta,
através da chamada razão focal ( f / n ). Nesta forma de especificar a distância focal, o número
n indica a razão entre a distância focal e o diâmetro da objetiva. Assim, por exemplo, um
telescópio que possui D = 10 cm, com f / 9, quer dizer que a distância focal é 90 cm, uma vez
que, neste caso, n = 9.
3.4. O Binóculo
Produz uma imagem direita, isto é, "de cabeça para cima". Os binóculos de brinquedo
também são deste tipo.
Assim, um binóculo 7x50 quer dizer que possui 7 aumentos e o diâmetro da objetiva é
de 50 mm. Algumas vezes estes parâmetros são dados de forma invertida, como por exemplo
50x7. Às vezes aparece um terceiro parâmetro, que é o campo, que é dado, usualmente, em
graus. Assim, podemos ter, por exemplo, um binóculo 7x50, 7,1 graus.
Existem outros tamanhos de binóculos apropriados, como por exemplo, o 8x40 (pupila =
5 mm), o 8x60 (pupila = 7,5 mm), o 14x100 (pupila = 7 mm) etc.
Para finalizar, podemos dizer que um binóculo que possua uma pupila de saída muito
maior do que 7 mm, por exemplo, o 4x40 ou mesmo o 4x50, "desperdiça" luz, isto é, com este
diâmetro de objetiva, com um aumento maior, se poderia ter um binóculo mais efetivo. Por
outro lado, um binóculo que possua uma pupila de saída muito menor do que 7 mm, como por
exemplo, o 20x50, "economiza" luz, de forma que a observação de objetos pouco luminosos
fica prejudicada. Assim, nenhum dos dois é o mais adequado para as observações
astronômicas, principalmente o último.
3.5. Os Telescópios.
Os dois principais tipos de telescópios que existem são o telescópio refrator (lunetas) e o
telescópio refletor (com suas variações).
Esta luneta fornece uma imagem invertida, isto é, "de cabeça para baixo".
O maior refrator do mundo é o de Yerkes, nos EUA. Este telescópio possui uma objetiva
com 102 cm de diâmetro, com uma distância focal de 19,3 metros.
53
Num telescópio refletor a objetiva, em vez de ser uma lente, é um espelho côncavo, com
seção circular ou parabólica (os melhores, mas mais difíceis de fazer e portanto mais caros).
O tipo Cassegrain é mais caro que o tipo Newtoniano, para o mesmo tamanho de
espelho e mesma distância focal.
É a mais complicada. Até bem pouco tempo atrás, era a única utilizada em telescópios
profissionais. A grande vantagem da montagem equatorial é que a mesma permite o
acompanhamento do astro observado através da atuação sobre somente um comando.
Existem diversos sistemas de montagens equatoriais. As figuras 3.15 (a), (b), (c) e (d)
mostram alguns dos tipos mais comuns.
57
Figura 3.15. (a) Montagem alemã (b) Montagem de dois braços em forquilha.
Figura 3.15. (c) Montagem em berço ou em ferradura (d) Montagem em disco polar.
58
CAPÍTULO 4
As Constelações
Edna M. E. da Silva
59
Capítulo 4 - AS CONSTELAÇÕES
4.1. Introdução
Para a ideal contemplação de uma noite estrelada, é necessário que tenhamos um céu
límpido, sem poeiras atmosféricas e uma noite negra. Nessas condições podemos observar,
numa única noite, aproximadamente 2.500 estrelas.
Devido às diferentes distâncias em que as estrelas estão da Terra, a imagem que temos
das constelações é apenas aparente.
As constelações facilitam a localização dos astros, seja na esfera celeste ou numa carta
celeste.
Dentro de uma constelação podemos, ainda, observar que algumas estrelas brilham
mais que outras. Para ressaltar tal fato, classifica-se as estrelas quanto ao brilho. A mais
brilhante recebe a designação alfa (), a segunda mais brilhante beta (), a terceira gama (), e
assim sucessivamente, seguindo a ordem do alfabeto grego.
Verão = Órion
4.2. O zodíaco
O Zodíaco é representado na esfera celeste por uma faixa, limitada por dois paralelos de
declinação celeste, oito graus ao sul e oito graus ao norte da eclíptica.
Chama-se eclíptica à linha imaginária que passa na parte central do Zodíaco. Ao longo
da mesma estão representadas as trajetórias aparentes do Sol, da Lua e dos planetas durante
o ano. Para compreendermos melhor sua localização, basta observarmos o movimento
aparente do Sol durante o dia. O plano da eclíptica está inclinado 23 27' em relação ao plano
do equador celeste. O equador celeste é uma projeção do equador terrestre na esfera celeste.
Plutão é um caso à parte no sistema solar. Devido à sua órbita ser muito inclinada em
relação à eclíptica, sai frequentemente da faixa do Zodíaco.
Na faixa zodiacal estão localizadas 24 constelações, das quais destacam-se 12, que são
cortadas pela eclíptica. As constelações do Zodíaco recebem destaque na esfera celeste por
constituírem um "pano de fundo", sobre o qual estão localizados o Sol, a Lua e todos os
planetas (com exceção de Plutão), durante o ano.
Constelação Português
Pisces Peixes
Áries Carneiro
Taurus Touro
Gemini Gêmeos
Câncer Caranguejo
Leo Leão
Virgo Virgem
61
Constelação Português
Libra Balança
Scorpius Escorpião
Sagittarius Sagitário
Capricornus Capricórnio
Aquarius Aquário
Relação das oitenta e oito constelações existentes segundo a I.A.U. (União Astronômica
Internacional)
Se olharmos para o leste, a partir da Três Marias, veremos a estrela mais brilhante de
todo o céu, Sírius. Pertence à constelação do Cão Maior, sendo sua estrela mais brilhante (alfa
canis majoris). É um sistema duplo de estrelas, com magnitude aparente de -1,4 que está
situado a 8,7 anos luz de distância. Sírius possui um diâmetro equivalente a 1,8 vezes o do Sol.
Abaixo do Cão Maior encontramos Cão Menor, onde se destaca Prócion (alfa canis
minoris). É uma estrela dupla com magnitude aparente de 0,3 e distante 11, 3 anos luz.
No ano de 1054 d.C. surgiu uma estrela supernova entre os chifres do Touro, observada
em pleno dia por astrônomos chineses. Os remanescentes dessa estrela que explodiu se
resumem na nebulosa do Caranguejo, ou M1, visível com o auxílio de telescópios, e em um
pulsar no centro da nebulosa.
Nas noites de outono, a faixa esbranquiçada da Via Láctea atravessa o céu no sentido
noroeste - sudeste. As constelações em destaque são: Gêmeos, Caranguejo (Câncer), Leão,
Virgem, Hidra, Cruzeiro do Sul e Centauro.
Leão é a constelação que anuncia o outono para o hemisfério sul terrestre. No início
dessa estação aparece ao anoitecer, permanecendo no céu a noite inteira.
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A estrela mais brilhante de Leão chama-se Regulus e representa as garras das patas
dianteiras do animal. É uma estrela tripla e se encontra a uma distância de 84 anos luz. Possui
um diâmetro quatro vezes maior que o solar, e sua magnitude aparente é 1,3. A segunda mais
brilhante chama-se Denébola (beta leonis) e está a uma distância de 42 anos luz.
Em Virgem destaca-se a estrela Spica (alfa virginis) que representa uma espiga de trigo
ou milho, seguro pela deusa da fertilidade da terra. Spica se encontra a 220 anos luz de
distância. É uma estrela branca com magnitude 0,9. É uma dupla espectroscópica, possuindo
brilho variável pelo fato de sua companheira a eclipsar. É uma constelação de fácil
identificação, pois possui o formato aparente de um quadrilátero.
Observemos agora Gêmeos, donde se destacam Castor e Pólux que, lado a lado,
representam as cabeças dos gêmeos. Castor (alfa geminorum) é uma estrela dupla
esbranquiçada com magnitude 1,5. Pólux, a segunda em brilho, possui cor alaranjada e dista
35 anos luz, possuindo magnitude 1,2. Em Gêmeos temos um aglomerado estelar aberto de
fácil observação, o M35.
Em sua posição aparente, o Cruzeiro está próximo ao pólo sul celeste. Desta forma, se
tomarmos o alinhamento que vai de Gacrux até Acrux e o prolongarmos quatro vezes e meia
na direção sul (ou seja, na direção de Acrux, no pé da cruz), teremos encontrado o ponto
correspondente ao pólo sul celeste. Projetando esse ponto na superfície terrestre, encontrar-
se-á o ponto cardeal sul.
Numa simples observação a olho nu, verifica-se que a região próxima ao pólo sul celeste
é riquíssima em estrelas. Com auxílio de telescópios, mesmo modestos, observaremos
asterismos bastante interessantes.
Ao norte de Sagitário e além de Ofiúco, temos a Águia. Sua estrela mais brilhante se
chama Altair (alfa aquilae), uma vizinha do sistema solar, pois dista apenas 16 anos luz. Possui
magnitude 0,8 e seu diâmetro é uma vez e meia maior que o Sol.
Para Florianópolis, o "círculo de perpétua aparição" tem como centro o pólo sul celeste,
e o seu raio é igual à latitude do lugar, que é de 27,5 graus sul. Portanto, todas as estrelas com
declinação acima de 63,5 graus sul são visíveis o ano inteiro. As seguintes constelações
situam-se nessa faixa de declinação: Ave do Paraíso (Apus), Camaleão(Chamaleon), Hidra
Macho (Hydrus), Mesa (Mensa) e Oitante (Octans).
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CAPÍTULO 5
Observação das Estrelas
Marcos Boehme
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5.1. Introdução
A Astronomia é uma das ciências mais antigas que existem, pois a observação do céu
foi, com certeza, uma necessidade e um passatempo para o homem pré-histórico. Os antigos
babilônios e egípcios, há muitos milhares de anos atrás, observaram o céu com precisão
suficiente para elaborar calendários bastante acurados. Observações, realizadas por cientistas
como Copérnico, Galileu e outros, possibilitaram os primeiros grandes passos em direção à
ciência moderna. Ainda hoje, a ciência da Astronomia depende da observação.
Em um lugar escuro, sem nuvens, poluição ou luzes artificiais, podemos ver as estrelas
com mais facilidade e em maior número que sob as condições normais das cidades de hoje.
Assim, o primeiro passo para conhecer as estrelas é procurar um lugar mais escuro e isolado,
aonde a influência das luzes da cidade seja menor.
Neste capítulo, trataremos dos nomes, brilho, cores e outros aspectos curiosos que as
estrelas apresentam para um observador iniciante.
5.2. Nomenclatura
O primeiro passo em uma ciência, geralmente, é colocar nomes nas coisas a serem
estudadas, para que estas possam ser identificadas. Desde a antiguidade, cada civilização
(chineses, indianos, gregos, árabes etc.) deu sua contribuição a este aspecto da Astronomia,
mas o conhecimento que predominou para nossa própria civilização é o dos gregos, latinos e
dos árabes, que absorveram muito do conhecimento dos gregos. Assim, a esmagadora maioria
dos atlas celestes modernos mostram as estrelas com nomes gregos, latinos e árabes, com
poucas exceções.
Os critérios que os antigos astrônomos usavam para nomear as estrelas são bastante
diversificados: referências ao brilho, posição, ou a um personagem lendário. Por exemplo, a
estrela mais brilhante do céu é Sírius, originada da palavra grega que significa
"resplandecente", "ardente", o que parece apropriado a uma estrela tão brilhante.
Em uma certa região do céu, há duas estrelas bastante brilhantes separadas por
somente 4 graus de arco (o que equivale a oito luas cheias alinhadas no céu) e de aparência
bem semelhante. Elas impressionam o observador como estrelas gêmeas, e então a
constelação construída em volta delas é a de Gêmeos. Na antiga mitologia grega havia dois
gêmeos famosos, Castor e Pollux. Pareceu natural aos gregos nomear as duas estrelas de
Castor e Pollux, e nós assim as chamamos até hoje.
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Há uma estrela muito próxima do pólo norte celeste, que percorre um círculo tão
pequeno durante a noite que não parece mudar de lugar. É chamada de Estrela Polar, ou mais
comumente, de Polaris, o correspondente latino para polar.
No hemisfério sul, existiu uma constelação chamada Argonavis, ou Argo, nome dado
pelos gregos, e que era o navio que levou Jasão e seus companheiros argonautas para a
conquista do velocino de ouro. O timoneiro do navio chamava-se Kanopos em grego, e
Canopus em latim. Uma estrela muito brilhante da constelação, aonde devia estar o timoneiro,
recebeu o seu nome latino. Posteriormente, a constelação foi dividida, e Canopus é a estrela
mais brilhante de Carina (a quilha do navio).
Uma estrela recebeu o nome derivado não da constelação a que pertence, mas de um
planeta. O planeta Marte, que apresenta uma coloração avermelhada lembrando sangue,
ganhou o seu nome do deus da guerra romano. Os gregos o chamaram pelo nome do seu
deus da guerra, Ares. Uma estrela em Escorpião emite uma cor avermelhada parecida com a
de Marte. Os gregos a chamaram Antares, o rival de Ares.
As estrelas mencionadas até agora estão entre as mais brilhantes. No entanto, algumas
mais pálidas também recebem nomes, quando atraiam atenção por alguma outra razão que
não o brilho. Por exemplo, há um pequeno grupo de estrelas não muito brilhantes na
constelação de Touro. Ninguém repararia nelas se estivessem isoladas, mas estando juntas
elas chamam a atenção. Foram chamadas pelos gregos de Plêiades, que eram as sete filhas
da ninfa Pleione na sua mitologia (a maioria das pessoas só consegue ver seis estrelas, mas a
sétima está lá). Cada uma das sete Plêiades recebeu um nome, e a mais brilhante se chama
Alcione. E há o caso da estrela Próxima, na constelação do Centauro, que é invisível a olho nu.
Quando esta estrela foi descoberta, também se descobriu que esta era a estrela mais próxima
do Sol, daí o seu nome.
No entanto, somente cerca de mil das seis mil estrelas que podem ser vistas no céu a
vista desarmada têm nomes (na maioria árabes), mas mesmo assim é quase impossível
lembrá-los ou saber onde estão no céu. Além disso, as estrelas do céu austral, que não podiam
ser vistas pelos astrônomos antigos e medievais, naturalmente nunca receberam nomes.
Acrux ( Cru) - latim, justaposição da letra “a” com a constelação. Ver Estrela de Magalhães.
Cor Caroli ( CVn) - latim, "coração de Carlos", nome dado por Halley em honra ao rei Carlos II
da Inglaterra, quando foi nomeado Astrônomo Real.
Miaplacidus ( Car) - árabe, mia = água; grego, placidus = calma águas calmas.
Procyon ( CMi) - grego, "antes do cão", nasce antes da estrela do cão, Sírius.
A primeira pessoa a tentar uma utilização de um sistema mais lógico foi um astrônomo
alemão chamado Johann Bayer, que publicou, em 1603, antes da invenção do telescópio, um
livro de mapas estelares, chamado Uranometria, onde introduziu seu sistema.
O que ele fez foi nomear as estrelas brilhantes em cada constelação de acordo com a
ordem de brilho, ou, algumas vezes, pela ordem de sua posição. Com este sistema, invés de
chamar cada estrela pelo nome, listou-as como alfa, beta e assim por diante, de acordo com o
alfabeto grego, em cada constelação.
De acordo com o sistema de Bayer, a estrela mais brilhante de Órion seria Alfa de Órion,
a segunda seria Beta de Órion, e assim por diante. No entanto, Bayer usou a língua latina, e
em latim, quando desejamos indicar posse, não usamos uma preposição e sim uma alteração
no final da palavra - a forma genitiva. Assim, a forma genitiva de Órion é Orionis, e as estrelas
desta constelação se chamariam Alfa Orionis, Beta Orionis, Gama Orionis, etc. Esse sistema é
útil porque nos diz automaticamente aonde está a estrela a qual nos referimos, e também qual
a estrela mais brilhante em cada constelação (embora haja exceções), podendo ainda ser
usado para nomear estrelas pálidas que nunca receberam nomes gregos, romanos ou árabes.
A maior falha do sistema de Bayer é que há somente 24 letras no alfabeto grego, e existem
constelações onde há cerca de 70 estrelas visíveis. Se quisermos enquadrá-las todas no
sistema, teremos de usar combinações de letras, o que tornaria este sistema muito complicado.
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Além disso, o sistema de Bayer não foi aplicado de maneira muito uniforme. As duas
estrelas mais brilhantes de Gêmeos, Castor e Pollux, possuem brilho muito parecido. Então,
arbitrariamente, Castor foi chamado de Alfa Geminorum, e Pollux, de Beta Geminorum. Depois,
se descobriu que Pollux é ligeiramente mais brilhante, e portanto deveria ser a verdadeira alfa.
A mesma coisa aconteceu em Órion: a beta, Rigel, é mais brilhante que a alfa, Betelgeuse.
Então, em 1609, somente seis anos após Bayer ter estabelecido seu sistema, o cientista
italiano Galileu Galilei apontou o telescópio para os céus. Tornou-se rapidamente óbvio que
existia um número muito maior de estrelas do que as que podiam ser vistas a olho nu, e não
havia como denominá-las.
Em 1712, o astrônomo inglês John Flamsteed resolveu então usar números. Em cada
uma das 54 constelações conhecidas na época que ele podia ver do seu observatório, esperou
que as estrelas componentes atingissem o ponto mais alto no céu (quando este girava) e lhes
deu o número pela ordem que atingiam aquele ponto, ou seja, pela ordem de ascensão reta de
cada estrela. A estrela Alcor, por exemplo, pálida demais para merecer um nome de uma letra
grega, recebeu um nome numérico de Flamsteed. Ela se chama também 80 Ursae Majoris. As
estrelas que possuíam sua letra grega também foram numeradas; assim, Sírius também pode
ser chamada de Alfa Canis Majoris ou 9 Canis Majoris.
Mas a último e mais extenso catálogo de estrelas foi obtido com o uso do Telescópio
Espacial Hubble, chamado de Guide Star Catalogue, GSC, que inclui 18.819.291 objetos, dos
quais 15.169.873 são estrelas e os demais, principalmente galáxias.
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Uma das primeiras diferenças que notamos entre as estrelas é o fato de que algumas
são mais brilhantes do que outras.
Os primeiros astrônomos tiveram que julgar o brilho das estrelas à vista desarmada, e
isto não era fácil. Foi provavelmente o motivo de Bayer ter nomeado as estrelas de Ursa Maior
pela posição que ocupavam no céu (como estas estrelas estavam mais ou menos alinhadas,
ele chamou a primeira de alfa, e assim por diante), sem se importar com o brilho delas; e
também por ele ter errado na nomeação de estrelas das constelações de Gêmeos e Órion:
nestas duas constelações, a estrela mais brilhante é a beta, enquanto a alfa é apenas a
segunda mais brilhante.
Outra característica muito interessante que notamos a respeito das estrelas é que elas
têm cores diferentes. Rapidamente, ao observar o céu, notamos que existem estrelas
vermelhas, amarelas, brancas e azuis. As estrelas têm cores diferentes porque são
incandescentes. Caso esquentássemos uma barra de ferro o suficiente, ela emitiria radiação
em comprimento de onda infravermelho (à temperatura ambiente), depois, quando atingisse
500 graus Celsius, começaria a emitir uma fraca luz vermelha, e conforme esquentasse, a
barra ficaria cor de laranja, amarela, branca e, se não evaporasse, ficaria azul. O mesmo
ocorre com as estrelas: elas são coloridas de acordo com sua temperatura. Estrelas vermelhas,
como Antares e Betelgeuse, são "frias", pois tem míseros 3.000 graus Celsius de temperatura
superficial, enquanto Arcturus e Gama Crucis são alaranjadas, o Sol e Alfa Centauri são
amarelas, Sírius e Vega são brancas. Mas as mais quentes são as estrelas azuladas, como
Alfa Crucis, Spica e Rigel, que possuem temperaturas de 35.000 graus. Em comparação, o Sol
é apenas uma estrela "morna", de modestos 6.000 graus em sua superfície.
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Mizar e Alcor são o melhor exemplo de estrela dupla conhecido pelos antigos, que só
possuíam seus olhos para observar. Olhando para estas duas estrelas desatentamente, se vê
apenas um ponto de luz. Mas alguém, olhando com atenção, descobrirá que são duas. Um
ponto de interesse está na diferença do brilho entre as duas estrelas: a magnitude de Mizar é
2,2; isto a torna cinco vezes mais brilhante do que Alcor, cuja magnitude é 4,0. O brilho de
Mizar tende a ofuscar o de Alcor, tornando-a difícil de ser vista. Na verdade, os antigos usavam
as duas estrelas como um teste de boa visão, pois há necessidade de uma visão aguçada para
vislumbrar a estrela mais obscura no resplendor do brilho da outra.
Quando os astrônomos começaram a usar telescópios, vários pontos de luz que a olho
nu pareciam ser uma estrela solitária, ao telescópio revelaram ser duas, três ou quatro estrelas
muito próximas. O primeiro destes casos foi descoberto em 1650, pelo astrônomo italiano
Giovanni Battista Riccioli. Observando a própria Mizar pelo telescópio, descobriu que esta era
formada por duas estrelas, separadas por apenas 14 segundos de arco, algo completamente
imperceptível a olho nu (a Lua, em comparação, tem em média 1865 segundos de arco de
largura quando cheia). Assim, Mizar não é somente uma estrela dupla visual, graças à próxima
Alcor, mas também uma estrela dupla telescópica, a primeira a ser descoberta.
Há outros casos de estrelas duplas visuais, e é possível citar duas estrelas como duplas
visíveis a olho nu: Teta Tauri e Mu Scorpii. Teta Tauri fica na cabeça do Touro, e Mu Scorpii
ocupa uma posição na cauda do Escorpião. Firmando bem o olhar, vemos Teta Tauri 1 e Teta
Tauri 2, e Mu Scorpii 1 e Mu Scorpii 2, como pequenos pontos brilhantes, muito próximos um
do outro, bastando ter bons olhos e alguma atenção.
Inicialmente, se pensou que tais estrelas eram duplas porque estavam acidentalmente
alinhadas do nosso ponto de vista, podendo na verdade estar bem distantes entre si. Mas a
análise estatística do número de estrelas duplas revelou que haviam alinhamentos demais, e
então levantou-se a hipótese de que haveriam sistemas de estrelas, que dependeriam
gravitacionalmente entre si, o que as tornaria estrelas binárias; ou seja, ao invés de termos
apenas planetas girando em torno de uma estrela, teremos estrelas girando em torno de outras
estrelas. Muitas das estrelas que conhecemos são binárias, como Sírius, Prócion, Antares,
Castor e até o sistema de estrelas mais próximo do Sol, Alfa Centauri.
O sistema Alfa Centauri é muito importante para nós, não só porque tem as três estrelas
mais próximas do Sol, como também duas delas são bastante parecidas com ele. Alfa Centauri
A, a maior, tem 1,08 vezes a massa do Sol, e é uma estrela amarela; B tem 0,87 massas
solares, e é uma estrela laranja; e C tem apenas 0,22 massas solares, o que quer dizer que
esta é uma simples anã vermelha. Há uma boa chance de que as estrelas Alfa Centauri A ou B
possuam planetas estáveis orbitando-as, já que estas distam entre si, em média, 3,5 bilhões de
quilômetros, a mesma distância do Sol a Urano. Caso o homem decida visitar as estrelas,
certamente visitará o sistema Alfa Centauri em primeiro lugar.
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Uma delas era Algol (Beta Persei).Seu brilho varia da magnitude 2,2 até 3,5 e de volta
para 2,2 a cada três dias, ou seja, é capaz de ficar três vezes menos brilhante em intervalos
periódicos (mas que duram apenas duas horas). Os antigos perceberam isto, e Algol
representa o olho da Medusa, um monstro degolado pelo herói Perseu. Seu nome, Algol, vem
do árabe Ras Al Ghoul, e significa "o demônio", pois ninguém conseguia explicar sua
misteriosa variação de brilho.
Hoje sabemos que Algol é uma estrela binária eclipsante, aonde a acompanhante de
Algol, a cada três dias, passa diante da estrela principal e rouba uma parte de seu brilho.
A outra é a estrela Mira (Omicron Ceti), que significa "a maravilhosa". É uma estrela
variável verdadeira, porque as causas da variação de seu brilho são intrínsecos (da própria
estrela), e se devem ao seu atual estágio de evolução estelar. Seu brilho varia da magnitude 10
(invisível para pequenos telescópios) até a magnitude 1,7 (fácil de ver a olho nu) a cada 331
dias. Ou seja, seu brilho varia aproximadamente 2.000 vezes, tornando esta variação mais
impressionante do que a de Algol.
Existem vários tipos e subtipos de estrelas variáveis no céu, dos quais as dos tipos de
Algol e Mira são exemplos de apenas dois deles. O estudo de estrelas variáveis é uma das
pesquisas mais importantes e valorizadas que um astrônomo amador pode fazer, porque não
necessita de instrumentos muito poderosos e exige muito tempo de observação, coisa que os
astrônomos profissionais não têm.
O primeiro astrônomo a descobrir alguma coisa a respeito dos movimentos das estrelas
foi o inglês Edmund Halley. Ele anotou cuidadosamente as posições das estrelas e, em 1718,
anunciou que tinha descoberto que as estrelas Sírius, Prócion e Arcturus tinham alterado suas
posições em referência às suas vizinhas desde que os antigos gregos registraram suas
localizações. Além disso, tinham mudado ligeiramente de posição em relação ao registro feito
150 anos antes.
Isso quer dizer que as estrelas não eram fixas no espaço como pensavam os primeiros
astrônomos. Tinham "movimentos próprios" (o movimento é próprio por pertencer à estrela, e
não ao céu). Sabemos agora que as estrelas são corpos de gás, espalhadas no espaço, cada
uma delas com seu próprio movimento, com velocidade e direção independentes. Portanto,
elas se movem no céu, modificando suas posições relativas umas às outras, inclusive ao nosso
próprio Sol, dependendo da sua proximidade e da direção de seu movimento em relação a nós.
Uma vez que as estrelas estão muito distantes de nós, todas devem mover-se muito
lentamente, e a alteração em sua posição tornar-se-á visível somente após muitos anos.
Contudo, a alteração será notada com mais rapidez no caso das estrelas mais próximas.
Dentro de algumas centenas de milhares de anos, é possível que nenhuma das constelações
atuais seja reconhecível.
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É lógico supor que as estrelas mais brilhantes sejam algumas das mais próximas do Sol,
porque isto colabora justamente para que elas sejam mais brilhantes. Assim, foi medido o
movimento próprio da estrela mais brilhante do céu, Sírius, e se verificou que este era de 1,34
segundos de arco por ano. É tão pequeno que não somos capazes de notá-lo, e significa que
Sírius leva 1.400 anos para se desviar no céu, em relação às outras estrelas, por uma
extensão igual à da lua cheia. É um movimento realmente muito vagaroso, mas entre o tempo
que os antigos gregos registraram a posição da estrela e o de Halley, passaram-se 1.700 anos,
e o desvio foi de cerca de 2.250 segundos de arco, mais que uma lua cheia e visível mesmo à
vista desarmada.
A estrela mais próxima do Sol é Alfa Centauri, e esta, por ser mais próxima, deveria ter
um movimento próprio maior que o de Sírius. E realmente o tem: foi registrado o valor de 3,68
segundos de arco por ano, 1,7 vezes mais do que Sírius, o que é o suficiente para fazer com
que Alfa Centauri percorra no céu uma lua cheia em apenas 500 anos.
No entanto, não existem apenas estrelas brilhantes ou visíveis a olho nu no céu. Pode
existir alguma estrela, de brilho muito fraco, que se mova mais rápido no céu do que Alfa
Centauri. Como existem mais estrelas pequenas que grandes, deve haver uma multidão de
estrelas anãs pelo espaço. Se verificou que 15 estrelas no céu superam o movimento próprio
de Alfa Centauri, das quais 4 estão no limite da visibilidade à vista desarmada. Dessas todas, a
campeã é o segundo sistema estelar mais próximo do Sol. Chama-se Estrela de Barnard, e tem
a magnitude 9,67 (15 vezes mais fraca que a mais fraca estrela visível a olho nu). Como está
próxima, a 5,86 anos-luz, deduz-se que seja uma estrela anã. Seu movimento é de 10,3
segundos de arco por ano, o que fará com que ela, nos próximos 181 anos, atravesse uma
faixa no céu igual a da largura da lua cheia.
Pois bem, o movimento próprio é o que vemos da Terra, ou seja, a velocidade com que
uma estrela muda de posição no céu e por isso, é enganoso. Se uma estrela estiver vindo mais
ou menos na nossa direção, ela terá pouco desse movimento. Quais serão os movimentos
reais das outras estrelas em relação à nossa ?
Outra estrela que se aproxima do Sol, em velocidade real, é a Estrela de Barnard, a 141
quilômetros por segundo. A estrela de Barnard se aproxima a uma velocidade tão grande que,
dentro de 9.800 anos, quando atingir a máxima aproximação do Sol, estará a cerca de 3,92
anos-luz do Sol, sendo a estrela mais próxima do Sol nessa ocasião. No entanto, isto não é
uma novidade para o Sol. Segundo cálculos estatísticos, mais de 23.000 estrelas já passaram
a menos de 3 anos-luz de nossa estrela.
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CAPÍTULO 6
Observação dos Planetas
Marcos Boehme
87
6.1. Denominação
Os povos antigos notaram que as estrelas no céu pareciam girar em torno da Terra,
todas em uma parte do céu que girava, como se fossem presas em uma esfera gigante. Eram
chamadas de estrelas fixas.
Mas existem sete objetos no céu que não se movem com as estrelas. Eles mudam de
posição em relação a elas a cada noite, seguindo seu próprio caminho. Dois deles são o Sol e
a Lua. Os outros cinco são pontos de luz como as estrelas, mas bem mais brilhantes.
Estes objetos são chamados de planetas, para dar a idéia de movimento. Os cinco
planetas semelhantes a estrelas receberam nomes de deuses antigos, segundo um esquema
que pareceu lógico.
O nome de Júpiter foi dado a um planeta exterior à órbita terrestre, o que faz com que
haja ocasiões em que este seja visível a noite inteira, como que reinando sobre nós. Na maior
parte do tempo, Júpiter é o planeta mais brilhante do céu, já que Vênus e Mercúrio, planetas
internos, estão sempre junto do Sol. O planeta restante, mais vagaroso, lembrando a velhice,
foi chamado de Saturno, o velho pai de Júpiter.
Além disso, os antigos sumérios também dividiram um ano em semanas, cada uma com
sete dias, cada dia associado a um planeta. Esse sistema sobrevive até hoje, e em muitas
línguas, os dias da semana são nomeados em honra aos planetas. O primeiro e o segundo dia
foram associados ao Sol e à Lua, e em inglês eles são "Sunday", dia do Sol, e "Monday", dia
da Lua. Assim, o terceiro dia é atribuído a Marte, o quarto a Mercúrio, o quinto a Júpiter, o
sexto a Vênus e finalmente o sétimo a Saturno.
Em português, o uso dos dias da semana em honra a deuses pagãos foi abolido: o
primeiro dia da semana é domingo (o dia do Senhor, Deus, "Dominus"), o restante sendo
numerado, até sábado. Mas na maioria dos demais países, o sistema antigo continua sendo
usado.
céu é ou não um planeta, é de verificar se a luz deste ponto cintila ou não. Os planetas
possuem disco, e seu feixe de luz é mais grosso, e por isso é mais difícil vê-los cintilar. E
finalmente, a maioria dos planetas é bem mais brilhante do que as estrelas mais brilhantes.
6.3. Movimentos
Uma vez que foram notados e seu movimento fora constatado, o interesse pelos
planetas cresceu muito. Um fato que os astrônomos antigos notaram, é que cada planeta se
movia com uma velocidade diferente em relação às estrelas. A explicação encontrada foi que
cada planeta se encontrava a uma distância diferente da Terra, o que está certo. Mas também
se pensava que cada um deles girava em torno da Terra, o que está errado. Atualmente, se
pensa que o Sol é o centro do nosso sistema, o sistema solar, e em torno dele giram, pela
ordem, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, e mais três planetas que não eram
conhecidos pelos antigos, porque não eram visíveis a olho nu: Urano, Netuno e Plutão. Sobrou
a Lua, que gira em torno da Terra.
A Lua se move no céu mais rapidamente do que o Sol. Isso significa que ela troca de
posição em relação a ele: às vezes está bem perto dele, e por outras pode ser vista brilhando
palidamente durante o dia. Por outro lado, algumas vezes está longe e brilha alta no céu após
o pôr do Sol. Sabe-se também que a Lua completa uma volta entre as estrelas em quatro
semanas, ou um mês.
Os planetas internos nunca se afastam muito do Sol: há uma época na qual eles
parecem se afastar um pouco, depois param, e então começam a voltar novamente na direção
do Sol. Isto se deve à geometria das órbitas dos planetas, já que as órbitas dos planetas
internos se localizam dentro da órbita da Terra. Isto quer dizer que, se quisermos ver Mercúrio
ou Vênus, temos que, em certas épocas, acordar cedo, antes do nascer do Sol, ou, em outras,
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esperar que o Sol se ponha, e veremos um planeta interno perto do Sol. Como a órbita de
Mercúrio é menor, ele é o que menos se afasta do Sol, por isso é mais difícil de se ver.
Os planetas externos, na maior parte do tempo, moviam-se de oeste para leste contra o
céu estrelado, assim como o Sol e a Lua. Porém, em cada um deles, havia um tempo em que o
planeta movia-se com mais e mais lentidão, até parar. Então, começava a mover-se para trás,
de leste para oeste, por algum tempo. Depois, parava novamente e recomeçava a se mover
para a frente. Isto ocorre porque a órbita da Terra é interna à desses planetas, e portanto os
ultrapassa periodicamente; assim, o momento em que o planeta exterior para, este é o
momento da ultrapassagem.
O comportamento de Marte é o mais notável dos três planetas externos (Marte, Júpiter e
Saturno) por duas razões. Primeiro, Marte faz uma volta maior que a dos outros durante seu
período retrógrado. Segundo, enquanto Júpiter e Saturno mudam somente um pouco de brilho
no curso de um ano, Marte o faz de modo acentuado. Fica também muito brilhante
Por causa da geometria da órbita de um planeta externo, é possível vê-los, em certas ocasiões,
à meia-noite, por que suas órbitas se localizam fora da órbita da Terra.
A figura 6.1 explica a “inversão” aparente do movimento de Marte (e também dos demais
planetas exteriores). Na verdade, não há inversão alguma no movimento real, só uma ilusão
causada pela composição dos movimentos dos dois planetas e pela diferença entre suas
velocidades.
Assim, ainda na figura 6.1, no ponto número 1, um observador na Terra veria Marte
avançar de oeste para leste, em seu movimento normal; no ponto 2, Marte parece “parar” no
céu; no ponto 3, Marte entra em oposição, parecendo adotar o movimento inverso no céu, de
leste para oeste; no ponto 4, Marte para novamente; e no ponto 5, Marte volta a seu
movimento normal, de oeste para leste.
90
Nesta tabela, verificamos que existem quatro planetas que, pelo menos em uma
ocasião, são mais brilhantes do que a estrela mais brilhante do céu. É por isso que chamavam
tanto a atenção dos antigos. Também verificamos que Vênus, quando visível, é sempre o
planeta mais brilhante do céu; então, quando o Sol se esconde, Vênus é o primeiro ponto que
aparece. É por isso que Vênus é chamado de "estrela vespertina", nas ocasiões em que é
visível de tarde, e de "estrela matutina", quando é visível de madrugada, embora não seja uma
estrela.
Em seguida, viria Marte, como o segundo planeta mais brilhante do céu. Acontece que
Marte só consegue atingir seu máximo brilho em ocasiões chamadas de oposições, quando o
Sol, a Terra e Marte estão alinhados, o que acontece a cada dois anos; e só consegue ser
mais brilhante que Júpiter em oposições favoráveis, o que acontece a cada quinze anos.
Assim, durante a maior parte do tempo, Júpiter é o segundo planeta mais brilhante do céu, e
depois de Marte seguiriam Mercúrio e Saturno, que seriam facilmente observáveis a olho nu.
Urano, no entanto, atinge magnitude 5,7, no máximo. Como a estrela mais fraca visível a
olho nu, em perfeitas condições de observação, deve possuir magnitude algo em torno de 6,5,
91
a observação de Urano é muito difícil, embora possível. O mesmo não se pode dizer de Netuno
e Plutão, invisíveis a olho nu.
Para que uma pessoa seja capaz de distinguir um disco de um ponto, admite-se que é
necessário que este tenha pelo menos dois minuto de arco (ou cento e vinte segundos de arco)
de diâmetro aparente. Na tabela abaixo estão apresentados os diâmetros aparentes do Sol, da
Lua e dos planetas do sistema solar, em segundos de arco.
diâmetro diâmetro
máximo mínimo
Verificamos, por esta tabela, que o diâmetro aparente do Sol e da Lua são muito
parecidos, e grandes o suficiente para serem percebidos como grandes discos luminosos. Os
planetas, ao contrário, são muito pequenos, e parecem ser apenas pequenos pontos
luminosos.
Com um telescópio pequeno, é possível distinguir seu disco, e observar suas fases.
Ao telescópio, Vênus exibe um disco maior que o de Mercúrio, e com fases mais
pronunciadas. Porém, não é visível qualquer detalhe em seu disco, completamente branco.
Com um telescópio, vê-se Júpiter como um belo disco branco, com dois cinturões
cinzentos atravessando sua superfície: são os cinturões equatoriais de Júpiter. Também salta
aos olhos a existência dos quatro satélites galileanos, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, por
ordem de distância. Ganimedes é o mais brilhante, e Europa o mais fraco. Os satélites mais
próximos se movimentam com mais rapidez, enquanto os mais distantes parecem se afastar
mais do disco do planeta. É muito interessante observar os fenômenos mútuos destes satélites,
quando um deles passa na frente de outro, ou quando eles passam na frente ou atrás do
planeta. Estes satélites se movem rápido o suficiente para se perceber grandes mudanças de
posição em algumas horas.
Netuno é invisível a olho nu, ainda mais fraco que Urano, e só é possível identificá-lo
com telescópios médios e um mapa estelar preciso. Apresenta magnitude 8,0 em média, e
possui um brilho azulado.
A Lua oferece dois tipos diferentes de relevo: os mares, baixos, lisos e mais escuros; e
as terras altas, escarpadas e mais claras. Os mares são distintos, fáceis de se observar a olho
nu. Com um telescópio pequeno, no entanto, a Lua se revela: se observam crateras, escarpas,
falhas, montanhas e vales. A maior cratera do lado visível é Clavius, que possui várias outras
crateras menores em seu interior. No entanto, as crateras Copérnico e Tycho se mostram mais
bonitas: Copérnico é uma cratera recente e simétrica, com raios de material brilhante em torno,
e com uma montanha em seu centro; se localiza, isolado, entre os mares Imbrium e Nubium.
Tycho, perto de Clavius, ainda mais bem conservado que Copérnico, possui um sistema de
raios brilhantes que atravessam grande parte da Lua, detalhe esse que é mais visível durante a
Lua cheia. No centro do disco da Lua são visíveis três grandes crateras encadeadas:
Ptolomeu, com um fundo liso e escuro, e Alphonsus e Arzachel. No Mare Nubium, é observável
o Muro Reto (ou “Rupes Recta”), uma grande linha escura, de centenas de quilômetros de
extensão, sombra de um desnível de 300 metros de altura existente na Lua. No Mare
Serenitatis é possível observar uma pequena cratera, anormalmente brilhante e isolada: Linné.
Sinus Iridum, ao lado do Mare Imbrium, parece uma grande baía cercada pelos montes Jura.
Também nas proximidades do Mare Imbrium é possível encontrar os montes Pico e Píton,
montanhas isoladas numa vastidão lisa. E há o Vale Alpino, fenda observável perto da cratera
95
Plato, que por sua vez é lisa e circular, com seu fundo escuro. Todas as formações
mencionadas são uma pequena amostra do que pode ser observado na Lua.
Para a observação do Sol, as manchas solares devem ser contadas, e sua organização
em grupos deve ser anotada, para haver o registro da atividade solar. O dado que registra o
nível de atividade solar é o número de Wolf, obtido somando-se o número total de manchas
somando ao número total de grupos de manchas multiplicado por dez.
Glossário:
ADVERTÊNCIA: Para um eclipse lunar, não é necessário utilizar qualquer proteção, já que a
luz da Lua é bastante fraca. No entanto, para um eclipse solar, é necessário proteger a
delicada estrutura do olho da fortíssima luz solar: se não forem tomadas as devidas
providências, poderão ser causados danos irreversíveis, como cegueira parcial ou total.
Portanto, para um eclipse solar, é aconselhável utilizar proteção adequada, como a parte
escura de uma chapa de raio X, ou duas camadas de filmes preto e branco velados e
revelados, ou ainda filtro de soldador número 14.
97
CAPÍTULO 7
Observação de Outros Corpos
Celestes
Alfredo Martins
98
7.1. Introdução
7.2. Meteoros
4.3. Cometas
4.3.1. Composição
Hoje em dia, sabemos que os cometas são, basicamente, aglomerados de fragmentos
rochosos envolvidos em gelo, que se evapora sob o efeito do calor solar.
• O núcleo é o corpo sólido do cometa, que não possui mais que alguns quilômetros de
diâmetro, e possui forma irregular.
• A cauda (às vezes, pode existir mais de uma) é formada pelo material da cabeleira que
é atingido e expulso por partículas emitidas pelo Sol, o “vento solar”.
O núcleo de um cometa é tão pequeno que não pode ser observado da Terra. Vale
lembrar que a solidez do núcleo não é lá muito grande; o cometa Biela, por exemplo, em 1846
teve seu núcleo partido em duas partes, e se transformou em dois cometas diferentes, que
foram vistos pela última vez em 1852, podendo ter se fragmentado completamente.
As caudas podem ser de duas naturezas: a cauda de poeira, feita de grãos mais
pesados, é amarelada e tem forma curva, pois seus grãos são mais difíceis de serem
arrastados pelo vento solar; e a cauda de íons, composta de átomos ionizados, é azulada e
reta, pois é formada de partículas leves, e arrastadas com rapidez pelo vento solar.
100
O cometa de Halley, o mais famoso de todos, apresenta período orbital de 76 anos. Sua
passagem mais próxima do Sol (periélio) ocorre a 0,59 UA (dentro da órbita de Vênus) e a mais
afastada do Sol (afélio) ocorre a 35 UA (além da órbita de Netuno). Sua última passagem de
1986 ofereceu uma visão pobre à vista desarmada porque seu periélio, localização em que a
atividade cometária é mais intensa, ficou do lado do Sol oposto à Terra. De fato, essa foi a
passagem mais fraca do cometa Halley em mais de 2.000 anos.
Lista dos mais brilhantes dos últimos 2.000 anos, segundo Mourão
NOME MAGN.
Brahé (1577 I) -7
Wells (1882 I) -5
Regiomontanus (1472) -4
Hevelius (1665) -4
De La Nux (1758) -3
As causas do grande brilho destes cometas foram: o fato do cometa ser particularmente
grande, portanto com grande quantidade de poeira e gelo reflexivo; grande aproximação do Sol
e/ou da Terra; uma explosão súbita, causada por uma erupção de um depósito de gás ou gelo,
até então encoberto; ou uma combinação destes fatores. Uma ressalva que se tem de fazer é
que alguns destes cometas só atingiram este grande brilho quando se aproximaram muito do
Sol, sendo de observação muito difícil, como o cometa Howard-Koomen-Michels.
O mais famoso dos cometas, o Halley, é o único cometa periódico na lista dos mais brilhantes.
Todos os demais são parabólicos, destinados a nunca retornar, ou a retornar apenas dentro de
milhares ou milhões de anos. Das últimas 29 aparições do Halley, apenas nove delas atingiram
magnitude negativas, como a de 837, de magnitude -3,8 e a de 1910, de magnitude -1,5. A
mais fraca de todas as aparições do Halley, em 2.200 anos, foi em 1986, com magnitude de
+3,3; e para 2061, acredita-se que seu brilho atingirá magnitude +1,2.
É a galáxia espiral onde habita o Sol e seu sistema de planetas. Devido a sua estrutura
em forma de disco e pelo fato de estarmos localizados em um de seus braços, quando
olhamos na direção do centro ou da periferia observamos uma grande quantidade de estrelas,
dando ao céu um aspecto leitoso. Seu centro está voltado na direção da constelação de
Sagitário.
Com o deslocamento da Terra em redor do Sol durante o ano, a posição da Via Láctea
vai sofrendo modificação devido à mudança na configuração do céu.
São acúmulos de milhares de estrelas com distribuição esférica que orbitam em torno do
núcleo da Via Láctea, fora de seu disco. Dois representantes famosos no hemisfério sul são os
aglomerados Ômega do Centauro (NGC 5139) e 47 do Tucano (NGC 104). Ambos
apresentam-se com magnitude visual quatro.
7.7. Nebulosas
O espaço entre as estrelas na Via Láctea é preenchido por gases e poeira. Quando a
densidade destes gases e poeira é grande, formam-se nuvens que sofrem interação com a luz
emitida pelas estrelas. Elas tornam-se luminosas e tornam-se visíveis desde a Terra. Temos
dois tipos principais de nebulosas:
Nebulosa de reflexão - Quando a luz das estrelas próximas sofre reflexão nos gases
tornando-os visíveis. Exemplo: Nebulosa das Plêiades;
Nebulosa de emissão - Quando a luz das estrelas próximas ioniza os gases tornando-
os luminescentes. Exemplo: Nebulosa de Órion;
7.8. Galáxias
Mais difíceis de observar são a galáxia de Andrômeda, também conhecida como M31, e
a galáxia do Triângulo, ou M33. A galáxia de Andrômeda, com magnitude de 4,8, é visível na
constelação de Andrômeda, que encontra-se ao norte, observável no início das noites de
primavera. A galáxia do Triângulo, com magnitude 5,9, é visível na constelação do Triângulo.
104
CAPÍTULO 8
O Sistema Solar
Alfredo Martins
Antônio C. de Lucena
105
CAPÍTULO 8
PARTE 1
Estrutura do Sistema Solar
Alfredo Martins
106
8.1.1. Introdução
O sistema solar é o grupo de corpos celestes compreendendo o Sol e um grande
número de corpos que estão ligados gravitacionalmente à ele e giram em órbitas elípticas ao
seu redor. Inclui nove planetas, mais de cem satélites planetários naturais; numerosos
asteróides, geralmente entre Marte e Júpiter; os cometas, os quais existem em grande número;
e incontáveis meteoróides.
O Sistema Solar pode ser considerado uma esfera de raio tão grande quanto 100.000
UA (Unidades Astronômicas), embora os planetas estendam-se num raio menor de 50 UA.
Com exceção de alguns cometas, todos os corpos do sistema solar orbitam o Sol no
mesmo sentido da Terra ao longo de órbitas que ficam perto do plano da órbita da Terra
(eclíptica) e do equador do Sol. Observando-se o sistema solar no sentido norte - sul, os
planetas orbitam o Sol no sentido anti-horário. Este movimento reflete o postulado da origem
comum do sistema solar por contração e rotação de nuvens de gás interestelar e poeira
cósmica, há cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.
O Sol e seu sistema estão movendo-se em órbita circular em torno do centro da Galáxia,
o qual fica a cerca de 10.000 parsecs (30.000 anos luz) na direção da constelação de Sagitário,
completando uma revolução a cada 220 milhões de anos, a uma velocidade de 250 km/s.
8.1.2. O Sol
O Sol é uma estrela como uma das 100 a 200 bilhões de estrelas da Via Láctea.
Localiza-se no "Esporão do Órion", nas proximidades do braço espiral Sagitário-Carina. É uma
estrela amarela - alaranjada do tipo espectral G2v. Produz energia através de fusão nuclear.
Comparado com outras estrelas, é de tamanho médio. Comparado com a Terra apresenta-se
como uma imensa esfera com volume um milhão de vezes maior. O diâmetro equivale a 109
Terras colocadas lado a lado. O tamanho aparente do Sol visto da Terra é de 1/2 grau de arco,
equivalente ao diâmetro de um lápis observado com o braço esticado.
Planetas Exteriores: àqueles situados além dos anéis de asteróides: Júpiter, Saturno,
Urano, Netuno e Plutão.
Planetas Gelados: àqueles formados por gases congelados, como o metano. Plutão é
o único representante atualmente conhecido.
Terra, 1 - Lua
Saturno, 31 - Atlas, Prometeu, Pandora, Janus, Epimeteus, Mimas, Pã, Réia, Titã,
Hipérion, Jápeto, Febe, Encélado, Tétis, Telesto, Calipso, Dione, Helene, além de outros treze
recentemente descobertos.
Urano, 21 - Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon, Puck, Pórcia, Julieta, Créssida,
Rosalinda, Belinda, Desdêmona, Cordélia, Ofélia, Bianca, Próspero, Setebos, Stephano,
Caliban, Sycorax além de mais um recém descoberto.
Plutão, 1 - Caronte.
108
8.1.4. Os Asteróides
Os Asteróides são pequenos corpos celestes, também chamados Planetas Menores ou
Planetóides, que giram em torno do Sol geralmente com órbita entre Marte e Júpiter. Estão
catalogados mais de 5.000 deles. Alguns agrupados em famílias, tais como a família Apolo,
Amor e Troianos. Um dos mais representativos é Ceres, com 930 km de diâmetro, o qual foi o
primeiro a ser descoberto (em 1801). Embora em número total superior a trinta mil, sua massa
combinada é consideravelmente menor que a massa da Lua. O tempo que tomam para orbitar
o Sol varia de 3,5 a 6 anos.
8.1.5. Meteoróides
Os Meteoróides são fragmentos de matéria maior que uma molécula e menor que um
Asteróide. Ao penetrarem na atmosfera terrestre se aquecem produzindo o fenômeno luminoso
chamado Meteoro (estrela cadente) e ao atingirem a superfície da Terra recebem o nome de
Meteorito.
8.1.6. Cometas
Os Cometas são corpos do Sistema Solar constituídos de pequenas partículas sólidas
(poeira) e gelo (gás congelado). Foram formados na periferia do Sistema Solar e representam
fósseis da nebulosa primordial que deu origem a todos representantes deste sistema. São
portanto remanescentes que sobreviveram ao nascimento do Sistema Solar. Virtualmente
inalterados, os cometas contém importantes informações sobre nossa origem e a de nosso
sistema solar.
109
CAPÍTULO 8
PARTE 2
Dinâmica do Sistema Solar
Antônio C. de Lucena
110
8.2.1. Introdução
Em vista das enormes distâncias existentes entre os corpos que formam o sistema solar,
relativamente ao tamanho destes mesmos corpos, é lícito, ao se estudar os movimentos
orbitais, considerá-los como pontos materiais, isto é, corpos com dimensões próprias
desprezíveis (pontos geométricos), mas portadores de massa.
(km) (km)
Sol 1.392.000 - x-
(cm) (m)
Mercúrio 0,5 58
Na Tabela 8.2, admite-se que o Sol é uma esfera com aproximadamente 1,4 m de
diâmetro; então, as dimensões dos planetas (em centímetros) e as distâncias dos planetas ao
Sol (em metros) são as mostradas.
Os planos das órbitas dos planetas não coincidem com o plano da órbita da Terra. Por
outro lado, se afastam dele por um valor pequeno, tendo cada planeta o seu próprio plano, que
é diferente do plano de todos os demais.
Vistos de perfil os planos das órbitas dos planetas teriam, grosso modo, a configuração
geral mostrada na figura 1.
período
Mercúrio 7,00
Vênus 3,39
Terra 0,00
Marte 1,85
Júpiter 1,31
Saturno 2,49
Netuno 1,77
Os planetas descrevem suas órbitas todos no mesmo sentido de revolução, que coincide
com o sentido de rotação do Sol, o que reforça, como se verá posteriormente, a hipótese de
uma gênese comum.
A figura 8.2 mostra, de forma esquemática, o que se veria numa vista de cima (do pólo
norte da eclíptica).
Os planetas inferiores, Mercúrio e Vênus, nunca se afastam muito do Sol (quando vistos
da Terra). Somente são observados no início da noite ou no início da manhã. Apresentam
fases bem distintas, similares àquelas da Lua.
Os planetas superiores, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão podem ocupar
qualquer posição em relação ao Sol e portanto podem ser vistos a qualquer hora da noite.
Apresentam seus hemisférios quase totalmente iluminados, sendo que este fenômeno é mais
acentuado quanto mais distante da Terra for o planeta. Consequentemente, apesar de ainda se
poder falar na existência de fases, estas são muito pouco pronunciadas, sendo mesmo quase
que imperceptíveis na maior parte das vezes.
Assim, para um planeta inferior, este intervalo de tempo é tomado como sendo aquele
que existe entre duas conjunções inferiores consecutivas. A figura 8.5 mostra de forma
esquemática o exposto.
Já para um planeta superior, tal período é tomado como sendo o intervalo de tempo que
ocorre entre duas oposições sucessivas. A figura 8.6 ilustra, de forma esquemática, o exposto.
1 1 1
----- = ----- - -----
T P S
119
1 1 1
----- = ----- + -----
T P S
Obs.: As duas fórmulas acima podem ser escritas como uma única como segue:
1 1 1
----- = ----- -----
T P S
onde o sinal de (-) vale para planetas inferiores e o sinal de (+) vale para planetas superiores.
1 1 1
---------- = ----- - ----------
365,26 P 583,92
"A órbita de cada planeta é uma elipse, na qual o Sol ocupa um dos
focos."
O raio vetor de um planeta nada mais é do que o segmento de reta que, em qualquer
instante, liga o centro do Sol ao centro do planeta. A figura 8 mostra o entendimento da
segunda lei de Kepler.
121
Com referência à figura 8, as áreas Sol-1-2 e Sol-3-4, são iguais. Portanto, o planeta
percorre o arco de elipse 1-2 no mesmo tempo que leva para percorrer o arco 3-4. Como o
arco 1-2 é maior do que o arco 3-4, então o planeta se move mais rapidamente quando mais
próximo do Sol do que quando mais distante.
Matematicamente temos:
T2 a3
T2 = Ka3
T 12 a13
----- = -----
T 22 a23
Além do esclarecimento (ou definição) de alguns conceitos auxiliares (tais como força,
massa, espaço, tempo, velocidade e aceleração, por exemplo), Newton estabeleceu as três leis
que levam seu nome (também chamadas, por alguns autores, de leis de Newton - Galileu).
Aqui, vamos somente enunciá-las, já que sua aplicação à mecânica do sistema solar é
um assunto mais ou menos complexo, que foge ao escopo deste nosso curso.
123
Entretanto, é importante ressaltar que o movimento dos planetas ao redor do Sol, dos
satélites (incluindo os artificiais) ao redor dos planetas e das naves espaciais de um modo
geral, obedecem a estas leis, uma vez que as três leis de Kepler podem ser deduzidas
matematicamente das leis de Newton, o que faz com que estas sejam mais fundamentais do
que aquelas.
v = constante.
mv = constante
F = ma
d
F = ----- (mv)
dt
Em forma matemática:
F= -F
A última lei obtida por Newton é conhecida como Lei da Gravitação Universal.
É esta lei que, juntamente com as três leis anteriormente citadas, permite determinar
todos os movimentos no sistema solar (e além dele também).
m m
f = G --------------
d
Inclinação i
A inclinação i do plano da órbita sobre a eclíptica pode ter qualquer valor de 0 a 180
graus, inclusive.
Se 0 <= i <= 90, se diz que o planeta executa movimento direto. Se 90 < i <= 180, se diz
que o planeta executa movimento retrógrado.
127
É o ângulo entre a direção do ponto vernal (ou ponto Áries) e a direção do nodo
ascendente.
Argumento do periélio
É a distância angular entre a linha dos nodos, contada desde o nodo ascendente, até a
linha que une o centro do Sol ao periélio do planeta. Se conta sobre o plano da órbita do
planeta, no sentido do movimento deste.
Semi-eixo maior a.
Excentricidade da órbita e.
c
e = ------
a
Período P
O período P é definido como sendo o intervalo de tempo que o planeta leva para dar
uma volta completa em torno do Sol.
Com estes elementos é possível calcular a posição do planeta, em relação ao Sol, para
uma época qualquer e, através de uma transformação adequada de coordenadas, localiza-lo
no céu, como visto da Terra.
129
CAPÍTULO 9
O Sol
Antônio C. de Lucena
130
Capítulo 9 - O SOL
9.1. Introdução
O Sol, basicamente, é uma enorme esfera de gás, no centro da qual existem enormes
pressões e temperaturas e onde, através de reações termonucleares, são liberadas enormes
quantidades de energia, uma pequena parte da qual chega até a Terra principalmente na forma
de luz e calor, permitindo assim a vida sobre nosso planeta.
O Sol é o rei do sistema solar, uma vez que concentra mais de 99% da massa do
sistema.
Abaixo relacionamos alguns dos principais parâmetros físicos do Sol e, onde cabe, os
comparamos com os da nossa Terra.
= Sol
= Terra
Diâmetro
Volume
Massa
= 1,41 g/cm3
( = 5,5 g/cm3)
Luminosidade
L = 3,86x1026 W
Temperatura na superfície
Temperatura no núcleo.
Tn = 16.000.000 K
As partes do Sol que nos são acessíveis à observação direta são as camadas externas,
mais especificamente a fotosfera que forma a superfície visível do Sol.
132
Núcleo.
O núcleo, que se estende do centro do Sol até uma distância de 0,25 R, é o local onde
ocorrem as reações termonucleares que mantém o Sol aceso. A temperatura nesta região é de
16x106 K, com uma massa específica de 160 g/cm 3. A pressão chega a 2,2x1016 atmosferas.
E = m.c2
133
Zona de radiação.
Nesta zona, que se estende desde 0,25 R até aproximadamente 0,86 R, o transporte
de energia é feito basicamente por radiação, isto é, os fótons de radiação são absorvidos e em
seguida reemitidos pela matéria, assim passando de átomo para átomo. A temperatura típica
desta região é da ordem de 8.000.000 K e a massa específica é da ordem de 20 g/cm 3.
Zona de convecção.
Nesta zona, que se estende de 0,86 R até praticamente 1,00 R, o transporte de
energia é feito basicamente por convecção, isto é, o gás aquecido sobe até a superfície onde
irradia sua energia para o espaço, se resfria e torna a descer para as regiões mais internas,
onde é novamente aquecido e o ciclo se repete. A temperatura nesta região é tipicamente da
ordem de 500.000 K, com uma densidade da ordem de 10 g/cm 3.
Fotosfera.
Esta região, que forma a superfície visível do Sol, possui uma espessura de uns 300 km
e portanto é desprezível frente ao raio do Sol. É nesta região que ocorrem as manchas solares,
que são regiões de gás mais frias do que as regiões vizinhas (a temperatura de uma mancha
solar é, tipicamente, da ordem de uns 4.000 K).
Cromosfera.
Esta região possui uma espessura de uns 12.000 km e se situa acima da fotosfera. As
formações mais notáveis desta região são as chamadas espículas, que são jatos de gás
incandescente, de 500 a 1500 km de espessura e tipicamente de uns 10.000 km de altura.
Coroa.
Esta região, que se inicia logo acima do fim da cromosfera e que se dilui no espaço
interplanetário (portanto não possui um limite bem definido), é constituída em sua maior parte
de plasma (gás altamente ionizado), como de resto o é a maior parte da matéria solar. A
temperatura (deduzida da energia dos elétrons livres aí existentes) atinge a 1.000.000 K, e a
massa específica é da ordem de 10-14 g/cm3.
134
As formações mais notáveis na coroa são os chamados “loops” coronais, que são
enormes arcos que se formam na coroa.
Como visto antes, a energia liberada pelo Sol provém de reações termonucleares
(semelhantes as que ocorrem na explosão de uma bomba de hidrogênio) que ocorrem no seu
núcleo.
Na figura 9.2-(a), dois prótons (núcleos de hidrogênio, H), vão de encontro um do outro e
se unem. Entretanto, dois prótons unidos possuem uma energia maior do que a necessária
para ficarem unidos. Para que possam permanecer neste estado, eles devem se desfazer
deste excesso de energia. Assim, eles emitem um pósitron (elétron positivo) e um neutrino;
estas duas partículas carregam consigo o excesso de energia. Isto é mostrado na figura 9.2-
(b), onde um dos prótons se transformou num nêutron, havendo a expulsão de um pósitron (e+)
e de um neutrino (). O que se tem agora é um núcleo de deutério (hidrogênio pesado, D),
composto de um próton e de um nêutron.
135
Na figura 9.2-(c), o núcleo de deutério assim formado encontra um outro próton, que a
ele se junta, dando como resultado um núcleo de hélio-3 (He3), um isótopo leve do hélio,
conforme mostrado na figura 9.2-(d). Novamente é liberada energia, desta vez na forma de
radiação (fótons de raios gama, ).
CAPÍTULO 10
O Sistema Terra - Lua
CAPÍTULO 10
PARTE 1
A Terra
10.1. A Terra
[Link]. A atmosfera
A Terra está envolta por uma camada gasosa, cujas características são únicas no
sistema solar. Sua composição pode ser resumida, como segue:
A maior parte desta massa gasosa (75 %) se encontra em uma camada que, partindo do
nível do mar, alcança 10 km de altura. É a zona chamada de troposfera. Nesta região, a
temperatura, que a nível do mar é em média de 20ºC, cai a cada quilômetro que sobe, em
média um grau centígrado. A troposfera é aquecida pela radiação infravermelha emitida pela
superfície da Terra, como reflexo da energia que alcança o planeta, advinda do Sol. Por existir
na troposfera grande quantidade de vapor de água em suspensão, a temperatura tem o
comportamento acima descrito, uma vez que o vapor de água é um péssimo condutor de
radiações infravermelhas, sendo a região próxima da superfície a que tem as mais altas
graduações.
O limite desta região fica próximo dos 500 km, aonde inicia a exosfera, cujo final é de
difícil precisão, porém não se acredita que supere muito os 1.000 km de altura. Toda esta
região é influenciada pelo Sol e seus ciclos, variando suas condições de acordo com o
comportamento de nossa estrela. O gráfico abaixo resume o comportamento da atmosfera no
que tange à temperatura, pressão e densidade de cada camada.
141
Todo o nosso conhecimento acerca do interior do planeta vem da análise dos abalos
sísmicos, dos vulcões e terremotos. Sempre que um dos fenômenos mencionados acontece, é
possível medir e acompanhar as ondas de choque que se formam no interior da Terra. Quando
da ocorrência de um terremoto, quatro tipos de ondas se propagam até a superfície: ondas P,
142
Podemos dizer, também, que a crosta continental é separada em duas, igualmente por
uma falha, a descontinuidade de Conrad. Tal separação divide a crosta continental em superior
e inferior. Na inferior, as rochas são ricas em silício e outros elementos.
143
Desta forma, é válido afirmar que os continentes se afastam entre si, tendo havido uma
ocasião em que se encontravam unidos quase todos.
Heráclito, filósofo grego que viveu há 22 séculos atrás, vaticinou: "Nada é eterno, exceto
a mudança". Pois é exatamente isto que acontece com os planetas e seus movimentos. A
Terra não é diferente no aspecto de variações em suas andanças. O que nos parece bem
ordenado e eternamente igual, como o durar do ano, o dia, a posição dos astros, são na
verdade fenômenos transitórios e variáveis. É claro que, para o tempo de duração de nossas
vidas, tais variações são imperceptíveis, mas ao longo dos séculos, as variações e os números
se acumulam, fazendo com que a Terra altere suas posições e relações.
Rotação: movimento que a Terra executa em torno de seu próprio eixo, inclinado em
relação à sua órbita de 23 27', no período de 23 h 56 min 4 seg numa velocidade de 1.674
km/h (na linha do equador). Este movimento é responsável pelo dia e noite, conforme a face se
apresente voltada para o Sol, ou para o lado oposto.
A translação dura 365 dias e 6 horas e a Terra orbita ao redor do Sol a uma velocidade
de 107.000 km/h (ou 30 km/s). O caminho total do planeta em um ano soma 9,5x10 8 km
(quase um bilhão de quilômetros).
1 - b / a = 0,017
c = 950 milhões km
d = 149,6 milhões km
V1 - vel. da Terra ao
A inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita não varia durante o ano.
Por este simples fato, ocorrem as estações do ano. É que as quantidades de energia solar que
chegam aos dois hemisférios do planeta, o norte e o sul, são de intensidade e incidência
diferentes de acordo com a posição do globo terrestre em sua órbita. Em dois pontos
diametralmente opostos, teremos a máxima incidência de raios solares para um hemisfério e a
mínima para o outro. estamos na presença do verão para o primeiro e inverno para o outro. Em
outros dois pontos da órbita, também ortogonalmente dispostos em relação aos anteriores,
teremos uma distribuição eqüitativa dos raios solares, estando a Terra em primavera e outono
para os diferentes hemisférios. Os dias do ano em que ocorrem os pontos máximos das
situações de incidência chamam-se Solstícios, e os máximos intermediários são os Equinócios.
O campo magnético da Terra exerce uma forte influência sobre as partículas carregadas
eletricamente que circundam o nosso planeta. Essas partículas podem surgir de duas fontes
distintas: os raios cósmicos, que se movem desde os confins da Galáxia e são constituídos por
partículas pesadas; e o próprio Sol, através do vento solar.
CAPÍTULO 10
PARTE 2
A Lua
Antônio C. de Lucena
152
10.2. A Lua
10.2.1. Introdução
A Lua é o satélite natural da Terra. Devido ao enorme tamanho do satélite (Lua) perante
o seu primário (Terra), alguns astrônomos preferem considerar o sistema Terra-Lua como um
planeta duplo ao invés de um planeta e seu satélite. Na realidade, com exceção do sistema
Plutão-Caronte, a Lua é o maior satélite de um planeta em relação ao próprio planeta. A massa
da Lua é da ordem de 1/81 da massa da Terra e o seu diâmetro é aproximadamente 1/4 do
diâmetro terrestre.
A tabela 10.1 lista, a título de comparação, os sete maiores satélites do sistema solar,
com relação à massa, em tamanho absoluto.
Io 3.632 89 Júpiter
Devido à grande massa da Lua em relação a da Terra, a Lua não gira exatamente em
torno da Terra. Na realidade, ambos os corpos giram em torno de um ponto comum (o centro
de massa do sistema). Tal ponto se situa na linha reta que une o centro da Terra ao centro da
Lua e devido a maior massa da Terra este ponto se encontra a 4.670 km do centro da Terra, ou
seja, "enterrado" a uns 1.700 km de profundidade, em média.
Na tabela 10.2 estão listados os quatro maiores satélites do sistema solar, em tamanho
relativo ao seu primário.
153
Tabela 10.2. Os quatro maiores satélites do sistema solar, em tamanho relativo ao seu
primário.
A órbita não perturbada da Lua em torno da Terra é uma elipse, na qual a Terra ocupa
um dos focos. A figura 10.20 mostra, de forma esquemática, a órbita da Lua em torno da Terra,
destacando alguns parâmetros importantes.
Figura 10.20. Órbita (com excentricidade muito exagerada) da Lua em torno da Terra, como
vista pelo pólo norte da eclíptica.
O plano da órbita da Lua não coincide com o plano da eclíptica que, como sabemos, é o
plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Esta é a razão pela qual não se tem um eclipse solar
e um eclipse lunar todos os meses. A inclinação média do plano da órbita da Lua sobre o plano
da eclíptica é da ordem de 5 graus e 9 minutos de arco. A figura 10.21 mostra, em perspectiva,
o exposto, enquanto que a figura 10.22 mostra o mesmo, porém de perfil.
155
A Lua, da mesma forma que a Terra, também gira sobre um eixo imaginário que passa
pelo seu centro. Este eixo forma com o plano da eclíptica um ângulo de 1 grau e 32 minutos e
com o plano da órbita da Lua um ângulo de 6 graus e 41 minutos. A figura 10.23 mostra o
exposto.
Figura 10.23. Vista de perfil dos planos da eclíptica e da órbita da Lua. Indicada a inclinação do
eixo de rotação da Lua.
O tempo que a Lua leva para executar uma rotação completa sobre o seu eixo é igual ao
tempo que ela leva para dar uma volta completa em torno da Terra. Devido a isto e aos
sentidos dos movimentos de rotação da Lua em torno do seu eixo e de revolução em torno da
Terra, a Lua nos apresenta sempre a mesma face. A dita face oculta da Lua nunca nos é
visível da Terra. Todo o conhecimento adquirido da face oculta da Lua se origina através dos
vôos de naves espaciais, tripuladas ou não.
O tempo que a Lua leva para executar uma volta completa em torno do seu eixo, com
relação às estrelas distantes e que é igual ao tempo que ela leva para dar uma volta completa
em torno da Terra, também em relação às estrelas distantes, é da ordem de 27,32 dias e é
chamado mês sideral (ou período sideral). Assim, a cada 27,32 dias a Lua volta,
aproximadamente, a ocupar no céu, em relação às estrelas distantes, a mesma posição.
158
Entretanto, decorrido este intervalo de tempo, a Lua não apresenta a mesma fase que
tinha no início do período, isto é, supondo que no início do período tínhamos Lua nova, após
decorridos 27,32 dias a Lua não será nova mas estará em quarto minguante. Isto se deve ao
fato de que a Terra também se desloca em torno do Sol. Assim, para que a Lua volte a ter a
mesma fase, decorre um intervalo de tempo um pouco maior, de 29,53 dias e este período é
chamado de mês sinódico (ou período sinódico).
A figura 10.26 mostra, de forma esquemática, o mecanismo envolvido nos meses sideral
e sinódico.
159
Figura 10.27. Regressão dos nodos. O intervalo de tempo que os nodos levam para dar uma
volta completa é de 18,61 anos.
A figura 10.28 mostra, de forma esquemática, a rotação da linha das ápsides (linha que
une o apogeu ao perigeu). A órbita da Lua foi representada por uma elipse de excentricidade
muito maior do que a real, para melhorar a clareza. O observador se encontra do lado do pólo
norte da Lua, observando perpendicularmente ao plano da órbita da Lua.
161
Figura 10.28. Rotação da linha das ápsides. O intervalo de tempo que a linha das apsides leva
para dar uma volta completa é de 8,85 anos.
A figura 10.29 mostra, de forma esquemática, a órbita da Lua em torno da Terra, como
vista acima do plano da eclíptica (pelo pólo norte da eclíptica). Na figura estão indicadas as
diversas fases da Lua. A figura 10.30 mostra a aparência da Lua para um observador terrestre,
tanto no hemisfério norte quanto no hemisfério sul.
Figura 10.30. Aparência da Lua, como vista pelos observadores dos hemisférios norte e sul.
164
Os eclipses do Sol ocorrem quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra, isto é,
quando o Sol, a Lua e a Terra estão em linha reta (ou quase).
Da figura é evidente que um eclipse do Sol só pode ocorrer durante a Lua Nova (ou
Novilúnio).
Também da figura é fácil se observar que a Lua projeta sobre a superfície da Terra, dois
cones: o cone de sombra e o cone de penumbra.
Para os observadores que se encontram dentro do cone de sombra o eclipse é total, isto
é, o disco da Lua encobre completamente o disco do Sol. Já para os observadores que se
encontram dentro do cone de penumbra, mas fora do cone de sombra, o eclipse é parcial, isto
é, o disco da Lua encobre somente parte do disco do Sol. Finalmente, para os observadores
que se encontram fora dos cones de sombra e penumbra não ocorre eclipse nenhum.
Um eclipse do Sol só pode ocorrer quando a Lua estiver num dos seus nodos (o
ascendente ou o descendente), ou muito próximo deles e simultaneamente o Sol, a Lua e a
Terra estiverem em alinhamento (ou quase), ou seja, a linha dos nodos estiver apontando para
o Sol e a Lua estiver passando pelo nodo voltado para o Sol.
Para melhor esclarecer a idéia, a figura 10.32 mostra uma situação em que a Lua passa "entre"
o Sol e a Terra e não ocorre um eclipse do Sol.
165
Figura 10.32. Exemplo de situação em que não há eclipse do Sol, apesar de se ter Lua Nova.
A figura 10.33 mostra, de uma forma mais geral, as condições necessárias para que
ocorra um eclipse do Sol.
Devido às dimensões do Sol e da Lua, bem como da distância entre eles, o cone de
sombra da Lua tem um comprimento aproximado de 374.000 km. A figura 10.34 mostra o
exposto.
Por outro lado, se essa distância for maior do que 374.000 km, então não haverá
nenhum ponto da superfície da Terra em que o eclipse seja total. Temos então o que se chama
de eclipse anular, isto é, o disco da Lua não consegue obscurecer completamente o disco do
Sol restando, ao redor do disco da Lua, um fino anel luminoso, pertencente ao disco solar. A
167
figura 10.36 ilustra esta condição, enquanto que a figura 10.37 mostra a aparência dos discos
lunar e solar, como vistos por um observador terrestre localizado na reta Sol-Lua-Terra.
É importante se ressaltar que se entende que há um eclipse do Sol sempre que o cone
de sombra e/ou o cone de penumbra da Lua atingem algum ponto da superfície terrestre.
168
De forma similar ao que ocorre por ocasião de um eclipse solar, um eclipse da Lua
somente ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estiverem em linha reta (ou quase). Também
neste caso a Lua precisa estar num dos seus nodos (ou muito próximo dele) e a linha dos
nodos precisa estar apontando na direção do Sol (ou quase).
Da figura, é evidente que um eclipse lunar somente pode ocorrer durante o plenilúnio
(Lua cheia).
Da mesma forma que para a Lua, a Terra também projeta, no espaço, dois cones; o
cone de sombra e o cone de penumbra. Devido às maiores dimensões da Terra e da distância
Terra-Sol, o cone de sombra da Terra é maior do que o da Lua, atingindo um comprimento da
ordem de 1.380.000 km, conforme mostrado na figura 10.39.
Devido aos tamanhos relativos da Lua e dos cones de sombra e penumbra da Terra
podemos ter três tipos de eclipses lunares; o eclipse total, o eclipse parcial e os chamados
eclipses penumbrais.
No eclipse total a Lua mergulha totalmente no cone de sombra da Terra, como mostrado
na figura 10.40.
A explicação para o fato de não termos, a cada Lua cheia, um eclipse da Lua é a mesma
que para o fato de não termos a cada Lua nova um eclipse do Sol, ou seja, isto ocorre pelo fato
de que a Lua não revoluciona em torno da Terra no mesmo plano em que esta revoluciona em
torno do Sol, como já visto.
A partir da massa e do raio da Lua pode-se determinar a sua massa específica média, e
esta resulta ser da ordem de 3.370 kg/m 3 (3,37 g/cm3). As missões lunares que recolheram
amostras das rochas da superfície lunar mostraram serem estas de composição basáltica,
muito semelhante as rochas basálticas terrestres, com uma massa específica média da ordem
de 3.000 kg/m3. Desta forma, a massa específica da Lua não pode aumentar muito
drasticamente em direção ao seu centro, como acontece com a Terra.
Apesar de a Lua ser um corpo sismicamente sereno, uma vez que os "lunamotos"
dificilmente atingem o nível 2 na escala de Richter (na Terra chegam a 8), em decorrência de
estudos sísmicos feitos na Lua por estações sismológicas lá deixadas foi possível se elaborar
um modelo para a estrutura da Lua, que é o mostrado na figura 10.43.
Os acidentes mais notáveis da face da Lua são sem dúvida as crateras, a grande
maioria das quais são o resultado de impactos meteoríticos ocorridos, em sua grande parte,
nos primórdios da história da Lua, se bem que em alguns casos existam crateras de origem
vulcânica. A figura 10.44 mostra a face visível da Lua em seu quarto minguante.
Na figura 10.44 pode-se observar regiões mais escuras (os "mare"), pouco craterizadas,
bem como regiões mais claras, mais intensamente craterizadas.
A figura 10.45 mostra a face oculta da Lua, onde se pode notar a intensa craterização,
bem maior do que a da face visível. Pode-se notar também que as regiões escuras são
pequenas se comparadas aquelas da face visível.
A figura 10.46 mostra uma das mais famosas crateras da Lua, a cratera de Copérnico,
facilmente visível com um pequeno telescópio, enquanto que a figura 10.47 mostra o paredão
norte da mesma cratera, em maior ampliação.
174
Os mares lunares, que evidentemente não contém o menor vestígio de água, são
regiões relativamente planas, que se apresentam ao telescópio com uma cor mais escura e
com pouca craterização. A figura 10.48 mostra a aparência típica de um mar lunar, na qual se
pode notar a forma aproximadamente circular e a pouca craterização, quando comparada às
regiões vizinhas.
175
Dos 36 "mare" conhecidos, somente 4 se encontram na face oculta. Vários mares têm a
forma aproximadamente circular (que é típica) com diâmetros variando de 300 km a 1.000 km.
Acredita-se que, no passado, impactos meteoríticos relativamente grandes fenderam a crosta
da Lua e que lava do interior da mesma subiu à superfície preenchendo a cratera resultante do
impacto, originando desta forma os mares.
A tabela 10.3 lista os grandes mares lunares, que compreende 1 "oceano" e 22 "mares",
enquanto que a tabela 10.4 lista os pequenos mares lunares, que compreende 5 "lagos", 4
"pântanos" e 4 "baías".
176
Maria Mares
Maria Mares
(Lacus, Palus, Sinus) (Lagos, Pântanos, Baías)
Além das crateras e mares, que são os acidentes mais notáveis da superfície da Lua,
pode-se notar, principalmente nas terras altas, outros acidentes, tais como cordilheiras e
canyons. As montanhas mais altas da Lua chegam a se elevar a mais de 9.000 m acima das
regiões adjacentes.
178
CAPÍTULO 11
Planetas Terrestres
Marcos Boehme
179
11.1. Introdução
Na tabela 11.1, vemos que os quatro primeiros planetas são pequenos e feitos de
material mais denso, ao passo que os quatro seguintes são grandes, e compostos de material
mais volátil. O último, Plutão, é estranho aos dois grupos; talvez seja o único representante de
um grupo à parte.
A classificação mais aceita sobre os corpos que compõem o sistema solar é: estrelas,
das quais temos uma representante, o Sol; planetas, dos quais dispomos de nove, que por sua
vez podem ser subclassificados em terrestres ou rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte),
jovianos ou gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e plutonianos ou gelados (Plutão); e os
pequenos corpos: asteróides, que são corpos com órbita independente em torno do Sol,
originados no cinturão entre Marte e Júpiter; satélites, que orbitam os planetas, e dos quais
conhecemos 63; e cometas, que são feitos de gelo e se concentram nas fronteiras do sistema
solar, formando uma imensa nuvem, que deve contar com trilhões desses corpos.
180
O motivo pelo qual são constituídos dessa maneira é a sua proximidade com o Sol.
Quando o sistema solar se formou, a maior parte da matéria que o formava era de gás
181
hidrogênio e hélio. A um certo tempo, a nuvem que se tornará o nosso sistema entrou em
colapso, e o seu centro se transformou em uma estrela. O que aconteceu em seguida é que o
Sol simplesmente soprou os gases leves para a parte externa do sistema solar, e o que sobrou
foram apenas uns restos de rochas e metais, que formam agora os planetas terrestres, sobre
os quais entraremos em detalhes a seguir.
11.2. Mercúrio
Mercúrio é o menor dos planetas terrestres e o mais próximo do Sol, o que o torna um
planeta bastante quente. A temperatura máxima de Mercúrio, que é atingida quando este
planeta atinge seu ponto mais próximo do Sol, é de 430 graus Celsius. No entanto, este não é
o planeta mais quente do sistema solar. Este planeta não tem atmosfera, não havendo, assim,
nenhum gás que possa armazenar e conservar o calor durante a noite mercuriana, tanto por
causa do calor do Sol, que acelera as moléculas e átomos leves, como por causa da baixa
gravidade do planeta. Como consequência, a temperatura desce a -180 graus, pouco antes do
nascer do Sol. Este planeta tem então o recorde de amplitude térmica do sistema solar: em um
ponto no equador, a temperatura pode variar 600 graus em um dia mercuriano de 60 dias
terrestres.
Até março de 1974, quase nada se conhecia sobre esse planeta, quando a sonda
Mariner 10 sobrevoou Mercúrio pela primeira vez. Suas fotografias revelaram um planeta
repleto de crateras, e desde então ele foi considerado como sendo similar à Lua.
Pelo lado de fora, ele é muito parecido com a Lua, ou seja, crivado de crateras de
impacto. Possui crateras enormes, chamadas de bacias. A maior delas é a bacia Caloris, com
1.300 quilômetros de diâmetro. É o acidente mais impressionante de Mercúrio: as proporções
gigantescas de Caloris são a marca do impacto de um asteróide excepcional, da ordem de 30
quilômetros, talvez. O estrago que esse asteróide causou foi tão grande que criou cadeias de
montanhas concêntricas, formando anéis em torno de Caloris. Do outro lado de Mercúrio, as
ondas de choque se propagaram a ponto de criar fraturas, resultado da concentração das
ondas sísmicas do impacto. Suas maiores crateras são chamadas de Rodin, Goethe, Tolstoi e
Beethoven, cada uma com centenas de quilômetros de diâmetro. Suas demais formações são
as planícies, como Borealis Planitia e Subkou Planitia, e escarpas, como Santa Maria Rupes e
Discovery Rupes.
Mercúrio é bastante denso, com uma densidade de 5,4 gramas por centímetro cúbico.
Isto quer dizer que possui um núcleo muito denso e grande, provavelmente feito de ferro e
níquel. Sua composição explicaria a existência de fendas em sua superfície: nos estágios
iniciais de formação desse planeta, ele era incandescente, e, à medida que foi perdendo calor
para o espaço, o metal encolheu e a crosta desabou, provocando fendas profundas e
enrugamentos.
No mais, sua superfície é coberta de poeira escura, e não possui sinais de água em
movimento. Mas foram descobertas, em 1991, regiões que têm grande capacidade de reflexão,
que parecem ser calotas polares, escondidas em crateras nos pólos de Mercúrio.
11.3. Vênus
Vênus é o planeta mais quente do sistema solar. Possui uma atmosfera incrivelmente
espessa, com nuvens muito brancas, feita de gás carbônico a 97%, e que geraram efeito estufa
descontrolado. Assim, este planeta tem uma temperatura superficial de 460 graus Celsius, que
é mais ou menos uniforme em todos os pontos do planeta, graças ao efeito estufa. Contém
certa quantidade de enxofre, o que pode causar chuvas ácidas, de ácido sulfúrico. Essa
atmosfera exerce no solo uma pressão 92 vezes maior do que na Terra, o que quer dizer que
uma pessoa, exposta à atmosfera de Vênus, sem blindagens, seria esmagada.
Vênus é considerado um planeta gêmeo da terra, pois fatores importantes, tais como
tamanho, gravidade, densidade são muito parecidos com os da Terra. No entanto, também
existem grandes diferenças entre estes dois planetas: Vênus não possui mares, e possui uma
crosta relativamente estática, que evolui como uma única placa tectônica. E ainda mais
importante: Vênus rotaciona em torno de si mesmo no sentido inverso ao do resto dos
planetas, e seu dia (de 243 dias) é maior do que seu ano (de 225 dias). Este é um fato que
ainda não possui explicação razoável, mas provavelmente está relacionado com fatos
ocorridos durante a origem deste planeta.
Graças à sondas com radar, foi possível compor mapas precisos de sua superfície,
porque a densa atmosfera não permite sua observação direta. Foi descoberto que planícies
cobrem 70% da superfície de Vênus, enquanto depressões ocupam 20% e planaltos e
montanhas ocupam 10% da superfície total deste planeta. Conhecem-se três maciços
principais, batizados de Afrodite, Ishtar e Beta.
183
A Terra de Ishtar é um grande platô, situado perto do pólo norte de Vênus, e em sua
parte ocidental encontra-se a cadeia Maxwell de montanhas, o ponto culminante de Vênus,
com 11 mil metros acima do nível médio venusiano. Outro platô, ainda mais extenso, a Terra
de Afrodite, possui 9.600 quilômetros de largura, se localiza perto do equador, e possui alguns
picos com 8 quilômetros de largura. A partir de sua extremidade oriental, estende-se um grupo
de grandes canyons (chamados de "chasmas") por cerca de 5.000 quilômetros. Alguns deles
fendem a crosta a uma profundidade de 2,9 quilômetros abaixo do nível médio do planeta,
como é o caso do mais profundo, Artemis Chasma.
11.4. Terra
A Terra é o planeta que se encontra à distância certa ao Sol para ter uma enorme
quantidade de água em estado líquido, na forma de rios, lagos e mares. Sua temperatura e
pressão propicia a existência do ponto triplo da água, ou seja, a água pode ser encontrada nos
três estados, com pequenas variações no ambiente.
Embora a molécula da água seja leve, a Terra possui gravidade maior e é fria o
suficiente para que a água não escape do planeta. É justamente a água que possibilitou o
aparecimento da vida na Terra. É a água, junto com o vento, a responsável pela erosão,
causadora do desgaste e destruição da maioria das crateras da Terra. As crateras são a marca
registrada em todos os outros planetas terrestres, inclusive a Lua. Atualmente, todas as 200
crateras ainda perceptíveis de nosso planeta sofrem pesadamente com a erosão, e apenas as
mais jovens, como a cratera meteorítica do Arizona, de 50.000 anos de idade e 1,2 km de
largura, estão bem definidas. A maior delas, como a de Chicxulub, no México, que possui mais
de 200 km de largura, só foi descoberta recentemente (em 1991), graças a medições
gravimétricas do solo da região, já que ela está completamente soterrada. Acredita-se que foi o
impacto causador dessa cratera o responsável pelo desaparecimento dos dinossauros, já que
seu tamanho é grande o suficiente e sua idade é a correta (65 milhões de anos).
11.4.1 A Lua
A Lua é conhecida pelos seres humanos desde a pré-história, e sempre teve um papel
importante em mitos, além de ser o corpo celeste mais próximo da Terra. No entanto, a Lua é
única por vários outros aspectos. Por exemplo, sua origem é difícil de explicar, pois é grande
demais em relação à Terra.
• Fissão, aonde a rápida rotação da Terra teria ejetado uma grande quantidade de
material, formando a Lua;
• Colisão, aonde um grande objeto do tamanho de Marte teria colidido com a Terra, e o
material expulso, formado a Lua.
A Lua é coberta de crateras, e não tem nem atmosfera, nem água. Possui também
regiões cobertas de lava (solidificada) chamadas de mares. Esses mares são visíveis da Terra
a olho nu, facilmente, como zonas escuras. As zonas claras são regiões de montanhas e
crateras.
11.5. Marte
Marte é um planeta bem menor que a Terra (tem cerca de metade do seu diâmetro),
mas, às vezes, é considerado mais parecido com a Terra do que Vênus. Em muitos aspectos,
isso é verdade: o dia marciano possui 24,5 horas; sua inclinação axial é quase a mesma, o que
quer dizer que Marte possui estações e zonas de temperatura similares às da Terra; e possui
também calotas polares. A sua calota polar norte possui 850 quilômetros de diâmetro, e a
calota do pólo sul, 400 quilômetros.
No entanto, existem aspectos de Marte que o tornam bastante diferente da Terra. Sua
atmosfera é feita de 95% de dióxido de carbono, e a pressão do ar na superfície é 200 vezes
menor que na Terra. Uma pessoa em Marte explodiria, por causa da baixa pressão. Marte
também não possui água em sua superfície: ela está congelada debaixo da superfície, em
forma de permafrost (um termo que se refere ao solo da Sibéria, uma mistura permanente de
gelo e terra). Se colocássemos água líquida em sua superfície, ou ela ferveria e se
transformaria em gás, devido à baixa pressão, ou ela congelaria, já que a temperatura média
em Marte é de -27 graus Celsius. Mesmo sendo bastante fraca, a atmosfera de Marte é capaz
186
de sustentar nuvens, até mesmo ciclones. Na verdade, já foi observada uma gigantesca
tempestade de poeira, que se expandiu até obscurecer praticamente todo o planeta. Outra
curiosidade interessante é que Marte é coberto de poeira de óxido de ferro (ferrugem), que é
responsável por sua famosa cor de tonalidade avermelhada.
Também foram observados canais em Marte, cavados por água em estado líquido.
Parece que, quando Marte era mais jovem, possuía uma atmosfera maior, que era capaz de
manter uma temperatura e pressão maiores, suficientes para manter lagos e rios. Com o
tempo, Marte, por sua baixa gravidade, não foi capaz de segurar essa atmosfera, que foi
perdida gradativamente para o espaço. Como consequência, a água em estado líquido sumiu,
mas ainda existem os canais para registrar o passado de Marte.
Uma outra formação impressionante é um canyon, escavado por água, que nasce no
Tharsis e se estende por 4.000 quilômetros. É o Vallis Marineris, mais comprido, largo e
profundo do que qualquer um encontrado na Terra. Sua largura máxima é de 350 quilômetros,
com uma profundidade de 6 quilômetros.
A superfície de Fobos é marcada por crateras. A maior delas, Stickney (em homenagem
à esposa de Hall), possui 10 km de largura. Graças ao seu pequeno tamanho e gravidade,
Fobos possui um formato irregular: é um elipsóide triaxial, de 20 por 23 por 28 km. Fobos
também exibe uma série de fendas em sua superfície, causada possivelmente pela influência
gravitacional de Marte, na forma de efeitos de maré.
Deimos, ainda menor de Fobos, é outro corpo irregular, com dimensões de 10x12x16
km. No entanto, este difere de Fobos em aspectos importantes: não possui grandes crateras e
nem fendas em sua superfície. Além disso, ambos os satélites parecem estar cobertos por uma
fina camada de poeira, interceptada enquanto caía em Marte.
187
Os satélites marcianos devem ser asteróides capturados, pois é improvável que Fobos e
Deimos tenham se formado na mesma época que Marte. Além disso, o grande cinturão de
asteróides se situa logo depois da órbita marciana.
188
CAPÍTULO 12
Planetas Jovianos
Marcos Boehme
189
12.1. Introdução
A hipótese que explica melhor a diferença de forma e constituição dos planetas do nosso
sistema nos diz que os planetas jovianos são constituídos dessa maneira por causa de sua
distância do Sol. Quando o Sol acendeu, expulsou os gases e materiais voláteis para o exterior
do sistema, material este que foi capturado pelos planetas mais frios. Por causa disto, Júpiter é
o maior planeta do sistema solar: ele se localiza na fronteira do sistema solar aonde alguns
gases voláteis se congelam, e capturou mais matéria. Na região mais externa do sistema solar,
o calor do Sol não foi capaz de expulsar os gases leves, e estes planetas acumularam a
matéria expulsa do interior do sistema solar. Outra característica interessante dos planetas
gasosos é o fato de eles não possuírem crosta, ou seja, não possuem uma camada exterior
sólida, apenas atmosfera, hidrosfera e núcleo gigantes.
12.2. Júpiter
Júpiter é o maior planeta do sistema solar, maior do que todos os outros planetas,
asteróides, cometas e satélites reunidos, pois possui 318 vezes a massa da Terra, e seu
diâmetro é de 143.000 km. Também possui o campo magnético mais poderoso do sistema
solar, depois do Sol. Essa massa toda faz com que as camadas interiores sejam pressionadas
com muita força, o que faz com que, a uma certa altura, os elétrons sejam espremidos dos
átomos de hidrogênio. O resultado é uma camada de hidrogênio com propriedades metálicas, o
"hidrogênio metálico", jamais reproduzido na Terra, pois exige pressão de três milhões de
atmosferas. Possivelmente, essa camada é a responsável pelo campo magnético de Júpiter,
associado à sua rápida rotação, de apenas 9 horas e 50 minutos.
Tudo o que vemos de Júpiter é sua superfície gasosa, extremamente espessa. Ela não é
um simples envoltório de gases, como na Terra, mas uma verdadeira camada do planeta,
altamente complexa. O que quer dizer que é impossível pousar em Júpiter: se alguma nave
atravessar a camada de nuvens, irá penetrar por milhares de quilômetros até ser esmagada
pela alta pressão, ainda nas suas camadas superiores.
No entanto, existem compostos de outras substâncias em Júpiter, que fazem com que
este planeta apresente manchas e cinturões coloridos para um observador. Há quantidades
bastante razoáveis de metano, amônia, etano e acetileno, por exemplo. Para complicar mais
ainda, os planetas gasosos não rotacionam como um corpo sólido, mas sim de maneira
diferencial, ou seja, certas regiões giram mais rápido do que outras, fazendo com que certos
compostos se concentrem em certas latitudes e se espalhem, formando os cinturões. Isto torna
a mecânica atmosférica de Júpiter ainda mais complexa.
Foi observada, há trezentos anos atrás, uma irregularidade no cinturão equatorial sul,
uma imensa mancha vermelha na superfície de Júpiter, que existe até hoje, enquanto outras
manchas, de colorações branca, preta ou vermelha têm um tempo de vida bem menor, da
ordem de meses ou anos. Atualmente, sabe-se que a Grande Mancha Vermelha é uma região
191
de alta pressão, que rotaciona contra o sentido horário, sugando material de níveis inferiores
por dentro e expelindo por cima e por fora. Os detalhes exatos deste fluxo de material ainda
são desconhecidos. No entanto, se sabe que sua cor é devida aos gases de amônia e metano,
que refletem a cor vermelha e absorvem as outras. Esta mancha é extraordinária, não só pelo
seu tamanho (três vezes mais extensa que a Terra, com 43.000 km de comprimento por 13.000
de largura), mas também por ser a única mancha de longa duração
Outro fenômeno percebido em Júpiter é o fato dele emitir mais calor do que recebe do
Sol. Será que esta energia extra significa que há fusão nuclear no seu interior, e em breve ele
se transformará em uma estrela? Na verdade, não. A Terra e outros planetas também fazem
isto, devido ao calor residual que os planetas retêm desde a formação do sistema solar. Para
que Júpiter se transformasse em uma estrela, transformando o nosso sistema em um sistema
binário, seria necessário que Júpiter tivesse uma massa cerca de cinquenta vezes maior, para
gerar fusão nuclear em seu centro.
O grupo mais interno é composto dos satélites Amaltéia, o maior, descoberto em 1892, e
dos satélites Métis, Adastréia e Tebe, descobertos em 1980 pelas sondas Voyager. São todos
satélites pequenos e irregulares, pois sua baixa massa e gravidade não são capazes de tornar
seus corpos muito esféricos. Os mais próximos, Métis (com cerca de 40 km de diâmetro) e
Adrastéia (dimensões de 26 por 20 por 16 km), estão próximos dos pequenos anéis de Júpiter,
interferindo na órbita de suas partículas. São, portanto, duas "luas pastoras" dos anéis.
Amaltéia, descoberto no final do século XIX, foi o último satélite descoberto por
observação visual direta (os demais foram descobertas comparando fotografias ou com
sondas). Sua cor é avermelhada, provavelmente devido a enxofre expelido pelos vulcões do
satélite Io, e sua forma é muito alongada (262x146x134 km), deformação causada pelo forte
puxão gravitacional de Júpiter. O quarto satélite interno é Tebe, com cerca de 100 km de
diâmetro e pouco se conhece sobre ele.
O próximo grupo, o dos satélites galileanos, é constituído por quatro satélites grandes e
bem conhecidos, descobertos por Galileu Galilei em sete de janeiro de 1610. Por ordem de
afastamento, são Io, Europa, Ganimedes e Calisto, que são nomes de personagens
mitológicos que atraíram as paixões amorosas de Júpiter; Io, Europa e Calisto eram belas
ninfas e Ganimedes um belo rapaz.
Io possui 3.632 km de diâmetro, ligeiramente maior que a nossa Lua. Este satélite é
fortemente influenciado gravitacionalmente por Júpiter, de um lado, e pelos demais satélites
galileanos, de outro; por isso, sua superfície sofre grande tensão, e a fricção resultante produz
calor suficiente para que seu núcleo seja liquefeito. Consequentemente, esse calor é liberado
na crosta através de vulcanismo. Uma das primeiras fotografias deste satélite mostra uma
nuvem de material em forma de guarda-chuva com 280 km de altura, ejetada por um dos
grandes vulcões ioanos; suas explosões são tão violentas que um mapa de Io estaria
irreconhecível em poucas décadas. Io apresenta uma coloração vermelho-alaranjada, devido
ao enxofre expulso do interior que recobre a maior parte de sua superfície. Os maiores vulcões
de Io são Pele (com 1.200 km de largura), Loki e Prometeus.
A lua seguinte, Europa, é a menor das luas galileanas, e é também a única menor que a
nossa Lua, possuindo 3.126 km de diâmetro. Estranhamente, este satélite praticamente não
possui crateras ou relevo vertical, possuindo uma superfície bastante lisa, com linhas escuras
se entrecruzando e formando um padrão bastante complicado. Suas formações predominantes
no relevo são as "linea" (uma linha escura ou brilhante, fina ou curva), "flexus" (marcas
alongadas e curvas) e "macula" (uma mancha escura, às vezes irregular). Acredita-se que
Europa apresente este relevo devido a uma crosta de gelo, bastante fraturada, com as fraturas
sendo preenchida por gelo "sujo", misturado com material escuro.
Dos oito satélites restantes, todos são bastante pequenos, descobertos através de
fotografias. Os quatro primeiros possuem órbitas que os deixam de 11,1 a 11,7 milhões de km
de Júpiter, cerca de 30 graus de inclinação ao equador de seu planeta, todos orbitando no
mesmo sentido da rotação de Júpiter. Na ordem, eles são Leda, com 10 km, Himalia (o maior),
com 170 km, Lisitéia, com 24 e Elara, com 80.
12.3. Saturno
Assim como Júpiter, Saturno possui uma rotação rápida (de 10 horas e 40 minutos) e
diferencial, o que causa a formação de faixas e manchas em sua atmosfera. Sua taxa de
achatamento é ainda maior, de 11%, por causa de sua densidade muito baixa (o que quer dizer
que seu núcleo, feito de rochas e metais, é pequeno). No entanto, como está mais distante do
Sol, é menos colorido e turbulento, pois é em parte a energia do Sol que provoca a circulação
atmosférica. Também apresenta cinturões, mas estes têm uma coloração pouco distinta e
fraca, tendendo para o amarelado. Os dois cinturões mais evidentes são os equatoriais norte e
sul, e os cinturões temperados norte e sul são mais discretos. A aparência quase uniforme de
Saturno é devida à uma camada de névoa sobre o topo das nuvens subjacentes. Podem ser
observadas grandes manchas temporárias em Saturno, mas elas são raras em comparação, e
a imagem mental que se costuma fazer desse planeta é de uma grande bola alaranjada.
terço do equador de Saturno (ou seja, cerca de 200.000 quilômetros de comprimento). Depois
de algum tempo, começou a encolher e atualmente não é mais visível.
A explicação para a origem dos anéis, e para todos os sistemas de anéis em geral, é
que um objeto (como um satélite, cometa ou asteróide) se aproximou o suficiente para sofrer
um processo de disrupção, ou seja, foi despedaçado pela força gravitacional de Saturno.
Considerando a grande extensão e massa dos anéis de Saturno, o objeto que os originou deve
ter sido bastante grande. Logo após o despedaçamento, os fragmentos do corpo original
devem ter circundado Saturno em vários planos, até que, pouco a pouco, o efeito de maré do
planeta forçou os fragmentos a orbitar Saturno no seu plano do equador, formando uma
estrutura fina, de apenas cerca de 150 metros de grossura.
195
O sistema saturniano é dominado por um grande satélite, Titã, quatro médios, Réia,
Iápeto, Dione e Tétis, e mais treze pequenos: Encélado, Mimas, Hipérion, Febe, Janus,
Prometeu, Epimeteu, Pandora, Atlas, Helene, Telesto, Calipso e Pã. Existem ainda indícios de
mais cinco satélites de Saturno, que estão à espera de confirmação.
Quanto aos aspectos físicos destes satélites, os quatro primeiros, Pã, de 20 km, Atlas,
de 35 km, Prometeu, de 120 km e Pandora, de 100 km de diâmetro, que foram descobertos
196
pela Voyager, são típicos satélites pequenos, próximos o suficiente para interferir
gravitacionalmente com os anéis A e F.
A seguir, encontramos Janus, de 190 km, e Epimeteus, de 110 km, que também são
satélites pequenos, mas, estranhamente, compartilham de órbitas quase iguais. Na verdade,
Epimeteus orbita Saturno a 50 km de distância a mais que Janus. A cada quatro anos, eles se
aproximam, e Janus ultrapassa Epimeteus, sem colidir. Aparentemente, a fraca gravidade de
Epimeteus acelera Janus o suficiente para que Janus desvie o suficiente para evitar a colisão,
através de um curioso mecanismo de troca de órbitas, ou estes dois corpos já teriam
desaparecido.
Depois, há Encélado, com 500 km. Não apresenta grandes formações, mas é repleto de
pequenas crateras de 10 a 30 km de largura. Por causa deste detalhe, é possível que haja um
mecanismo de renovação da superfície, que apague as formações antigas e alise o terreno.
Esta teoria é reforçada pela existência de planícies, aonde o terreno é relativamente liso e
novo, e pela existência de falhas alongadas, por onde poderia sair o material novo, como
Harran Sulci e Samarkand Sulci.
A seguir, temos Dione, com 1.120 km. O brilho desse satélite não é uniforme, pois
possui um lado duas vezes mais brilhante que outro. Sua maior formação é Amata, que possui
240 km de largura, de natureza incerta, que é o centro de um sistema de raios brilhantes e
extensos, provavelmente resultantes de material expulso de seu interior, como Carthage Linea,
Padua Linea e Palatina Linea. Dione também possui um satélite coorbital, Helene, de 35 km.
Réia, com 1.530 km, é o segundo maior membro do sistema saturniano. A exemplo de
outros satélites, Réia é densamente craterado; no entanto, não possui grande quantidade de
grandes crateras, das quais só se observa Izanagi, e algumas falhas de terreno.
Além de Titã, encontramos Hipérion, bastante irregular, com diâmetro variando de 360 a
240 km. Foi proposto que sua forma irregular é resultado de uma colisão, razoavelmente
recente.
Iápeto, o último dos satélites médios, possui 1.440 km, e uma grande variação de brilho,
conforme o lado observado. Seu lado claro é cerca de dez vezes mais brilhante que seu lado
negro, possivelmente coberto de material expulso de outro satélite através de impacto, ou
vulcanismo, mas há muita controvérsia sobre o assunto. Nada foi observado do lado escuro,
enquanto que do lado claro foram registradas algumas crateras, como Othon e Ogier, além da
planície de Roncevaux Terra.
O limite exterior do sistema de Saturno é Febe, com 200 km de diâmetro. Esse satélite,
por ser distante, é também pouco conhecido, mas, pela sua órbita irregular, deve ser um
asteróide capturado.
12.4. Urano
Wilhelm Herschel, nascido na Alemanha, mas que se tornou súdito inglês, era um gênio
autodidata da astronomia, e construiu os melhores telescópios existentes na época. Então, em
13 de março de 1781, Herschel observou um objeto em forma de disco (e não em forma de
ponto, como uma estrela). Inicialmente, ele pensou que se tratava de um cometa, mas não
havia nebulosidade alguma que o caracterizasse, e a imagem apresentava uma borda nítida.
Uma vez feitas as observações necessárias para o cálculo da órbita, ficou claro que esta era
quase circular e se localizava além de Saturno. Isto obrigou Herschel a aceitar que havia
descoberto, por acaso, um novo planeta, pela primeira vez na história.
Herschel escolheu, para o novo planeta, o nome de Georgium Sidus, ou seja, estrela de
Jorge, o rei inglês da época, do qual Herschel era súdito. No entanto, astrônomos de outros
países não viam por que um planeta deveria receber seu nome de um monarca inglês. Alguns
astrônomos ingleses sugeriram o nome do próprio Herschel, mas isto também não mereceu
aprovação dos outros. Foi decidido que o nome do novo planeta deveria seguir a tradição da
mitologia grega, sendo escolhido o nome de Urano, que era o pai de Saturno. Verificou-se que
Urano é visível a olho nu, embora não muito facilmente, e sua posição foi registrada pelo
menos 19 vezes, por vários astrônomos, mas nunca ninguém notou que ele mudava de
posição de noite para noite, pensando que se tratava de uma simples estrela. E assim, a glória
da descoberta cabe exclusivamente à Herschel.
Urano também é um planeta gasoso, mas não mostra sinais de cinturões de gás. Sua
atmosfera é pouco ativa, bem mais "sossegado", por assim dizer, do que Júpiter e Saturno,
talvez por causa de seu afastamento do Sol e temperatura menor, conjugado com o fato de
que não possui uma fonte intensa de calor interno. Tudo o que foi detectado, no que diz
respeito à circulação atmosférica, é uma nuvem branca, razoavelmente extensa, perto de seu
equador. Sua coloração é verde-azulada, devida à proporção de metano em sua atmosfera.
Um mistério que cerca Urano é a grande inclinação de seu eixo de rotação, de 98 graus,
o que faz com que esse planeta pareça "rolar" em sua órbita; pode ser chamado de o "planeta
198
deitado". Este fenômeno ainda não possui uma explicação razoável, e a única teoria que os
astrônomos podem formular é a de uma colisão na etapa de formação desse planeta, que
tenha desviado o eixo de rotação de Urano. É possível que Urano, e seu irmão quase gêmeo,
Netuno, tenham se formado do ajuntamento de corpos gelados, e a colisão de um deles com
Urano, ainda em formação, tenha desviado seu eixo.
Um detalhe que diferencia Urano de Netuno, seu irmão quase gêmeo, é o fato de Urano
possuir maiores dimensões, mas uma massa menor. Assim, Urano é maior do que Netuno,
mas possui menos massa, graças à sua densidade menor.
6 41,8 2
5 42,2 3
4 42,6 4
Alfa 44,7 10
Beta 45,7 8
Eta 47,2 6
Gama 47,6 2
Delta 48,3 6
Epsilon 51,2 50
Os dois primeiros a serem descobertos são maiores e mais distantes de Urano. Wilhelm
Herschel, depois de descobrir Urano, manteve-o sobre observação, e em 1787 descobriu dois
satélites: Oberon, o mais externo, e Titânia, mais próximo a Urano, o maior satélite deste
planeta. Eles foram os primeiros mundos do sistema solar que não tiveram nomes retirados da
mitologia grega ou romana. Titânia e Oberon eram a rainha e o rei dos contos de fadas de
Shakespeare, na sua peça Sonho de Uma Noite de Verão.
Em 1851, o astrônomo inglês William Lassell descobriu outros dois satélites, mais
próximos de Urano que os de Herschel. Foram chamados de Ariel e Umbriel. Ariel continuou o
toque de Shakespeare, pois representa o espírito do ar em A Tempestade. Umbriel é um
espírito triste e lamurioso, do poema O Roubo da Madeixa de Cabelo, de Alexander Pope. E
em 1948, Gerard Peter Kuiper detectou um quinto satélite, ainda mais próximo de Urano que
os outros e o chamou de Miranda, a heroína de A Tempestade.
Os dez satélites seguintes, com órbita inferior à de Miranda, são bem pequenos, e a
União Astronômica resolveu seguir a tradição Shakespeareana e os nomeou de acordo com
personagens de suas obras. Por ordem de aproximação a Urano, são: Puck, Belinda,
Rosalinda, Pórtia, Julieta, Desdêmona, Créssida, Bianca, Ofélia e finalmente Cordélia, o mais
próximo de todos do centro de Urano.
Dos grandes, o maior é Titânia, com 1.580 km de diâmetro, que apresenta muitas
crateras, um grande vale, Messina Chasmata, de 1.500 km de comprimento, e uma grande
cratera, Gertrude.
Oberon, ligeiramente menor, possui 1.524 km, além de possuir uma montanha de 6 km
de altura e várias crateras grandes, como Hamlet, Otelo e Falstaff, mas parece ser menos
geologicamente ativo que Titânia, pois seus terrenos apresentam menor número de vales e
falhas.
Umbriel, com 1.172 km, é o satélite de Urano que apresenta a superfície mais escura,
refletindo apenas seis por cento da luz que recebe do Sol. Possui uma cratera de 110 km,
Skynd, e uma formação brilhante, perto de seu limbo, com 140 km, chamada de Wunda, mas
de natureza ainda incerta.
Ariel, de 1.158 km, possui numerosos vales cortando sua superfície, como Korrican
Chasma e Kewpie Chasma, além de várias escarpas, elevações e falhas, indicando certa
atividade geológica no passado; também possui várias crateras, as maiores sendo dotadas de
sistemas de raios. Miranda, com apenas 484 km, é surpreendente e enigmático; é como se
fosse constituído de retalhos de terrenos diferentes. Miranda apresenta um certo terreno que
parece antigo e cheio de crateras, vizinho de um terreno sem crateras mas muito enrugado,
que abruptamente se transforma em um terreno oval com vales curvilíneos. Sua formação mais
interessante é Inverness Corona, de forma retangular, com uma grande marca branca em
ângulo reto. A teoria mais aceita para explicar estas formações é uma colisão com um bólido,
que fragmentou Miranda em vários pedaços, os quais depois se aproximaram lentamente e se
uniram, reconstituindo o satélite.
200
Dos demais satélites, descobertos em 1986, os maiores são Puck, de 160 km, Portia, de
110 km, e Julieta, de 80 km.
12.5. Netuno
Quando a sonda Voyager 2 passou por Netuno, os astrônomos tiveram uma grande
surpresa: se esperava um planeta ainda menos ativo, atmosfericamente, que Urano.
Surpreendentemente, Netuno era um planeta com grande atividade atmosférica, com grande
variedade de nuvens. Uma delas foi chamada de Grande Mancha Escura, pois, relativamente
ao tamanho de Netuno, é do mesmo tamanho, localização e comportamento no que se refere à
Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Parece ser provável que o mesmo mecanismo de
dinâmica atmosférica que criou uma mancha, criou a outra também.
Também foram detectadas nuvens brancas, do tipo cirrus, e outra mancha escura, com
um ponto branco no centro, perto de um dos pólos. Esta grande atividade é devida à energia
fornecida pelo interior de Netuno: este é um planeta mais denso, que provavelmente atraiu
material com mais força para si do que Urano, obtendo mais energia cinética e calor, o que, por
sua vez, cria uma atmosfera mais turbulenta.
O anel R1, o mais visível, apresenta anéis incompletos, em forma de arco, ou seja, seu
material parece se acumular em certas regiões do anel.
202
Galle - R3 41,9 15
Leverrier - R2 53,2 30
Adams - R1 62,93 50
Em 1989, a sonda Voyager 2 descobriu mais seis satélites de Netuno, que receberam
nomes de divindades marítimas auxiliares de Netuno: Náiade, Talassa, Despina, Galatéia,
Larissa e Proteus, em ordem de distância crescente. Todos são de pequenas dimensões, se
destacando Proteus, com 420 km, que supera Nereida (340 km) em tamanho.
Pickering, tendo feito sua previsão, não se esforçou muito para constatá-la, mas Lowell
chamou a si a tarefa com ardor. Trabalhou no observatório que havia construído no ar claro do
deserto de Flagstaff, Arizona. Seu método era fotografar uma parte do céu na região em que
ele pensava estar o planeta e novamente fotografar a mesma região, três dias depois. Em três
dias, mesmo o movimento lento de um planeta trans-netuniano (ou seja, além de Netuno)
produziria um desvio visível na posição.
Após obter pares de fotos de cada região, Lowell podia comparar as muitas estrelas de uma
com as muitas de outra, uma por uma, numa verificação lenta e cansativa. Por onze anos, ele
fez e refez o seu trabalho, estudando pontos diminutos em chapas fotográficas e comparando-
204
os. Por várias vezes, encontrou desvios nos pontos, mas em todas eram tão grandes que
representavam asteróides. Até que Lowell morreu, em 1916.
Lowell foi sucedido por Milton Humason, que também não teve êxito. O próximo
seguidor de Lowell foi Clyde William Tombaugh, que iniciou suas pesquisas no Observatório
Lowell em 1929. Tombaugh teve a sorte de poder contar com telescópios melhores, e com um
aparelho chamado cintilador, que projetava alternadamente fotos tiradas em diferentes dias,
facilitando a descoberta de pontos que mudassem de posição. Finalmente, em 18 de fevereiro
de 1930, Tombaugh reconheceu um pequeno desvio de posição, e ao comparar fotos
anteriores da mesma região do céu, pôde calcular a órbita desse ponto. Foi confirmado que se
tratava de um novo planeta, anunciado no dia 13 de março de 1930, o 75 o aniversário do
nascimento de Percival Lowell.
O planeta foi batizado de Plutão, versão romana do deus grego Hades, que governava o
inferno subterrâneo (que na mitologia era escuro e gelado), o que combina com um planeta
como Plutão, tão distante do Sol. Além disso, as suas duas primeiras letras são iguais às
iniciais de Percival Lowell.
Plutão é o planeta mais longínquo conhecido, pois sua distância média do Sol é em um
terço maior do que a de Netuno, e sua órbita demora 247,7 anos terrestres para ser
completada. Sua órbita é a mais inclinada também: 17 graus em relação à orbita da Terra, e
sua excentricidade o leva, por vinte anos, para mais perto do Sol do que Netuno, como no
período entre 1979 e 1999. Entretanto, isto não significa que esses planetas possam chocar-
se: eles nunca se aproximam mais do que 2,5 bilhões de quilômetros.
A princípio, pensou-se que Plutão deveria ter o tamanho da Terra, mas em 1950 sua
estimativa foi baixada pela metade, ou seja, 6.000 km de diâmetro. Novas observações fizeram
crer que Plutão fosse menor ainda, de dimensões inferiores a 3.000 km, menor até mesmo que
a nossa Lua.
Se verificou também que sua rotação é bastante lenta: 6,4 dias. Este fato só é
justificável caso Plutão tenha passado parte da sua história próximo a um corpo que lhe
roubasse energia de rotação. Surgiu então a teoria que ele fosse um satélite desgarrado de
Netuno: um corpo qualquer teria interferido no sistema de Netuno, invertido a revolução de
Tritão, alongado a órbita de Nereida e expulsado Plutão para uma órbita independente.
Essa descoberta prova que Plutão é um planeta legítimo, ou não poderia possuir um
satélite. Caronte é grande em relação a Plutão pois possui dez por cento de sua massa, o que
faz com que o centro de gravidade do sistema Plutão-Caronte não se localize em Plutão, mas
em um ponto do espaço entre os dois corpos, fazendo deste sistema um planeta duplo, e ao
mesmo tempo explicando a perda de energia de rotação de Plutão.
Observações mais recentes, inclusive pelo Telescópio Espacial Hubble, nos dizem que
sua estimativa atual de diâmetro é de 2.800 km, com 1.200 km para Caronte; os dois corpos
são separados por apenas 20.000 km, o que justifica a demora na descoberta de Caronte. A
massa total do sistema Plutão-Caronte é cerca de 400 vezes menor que a da Terra. Sua
205
superfície é coberta de gelo de metano (CH4) e nitrogênio (N2), fazendo sua coloração tender
para o cor-de-rosa. Plutão, o último planeta do sistema solar, e o único a não ser visitado por
uma sonda e fotografado de perto, ainda esconde muitos enigmas, que não deverão ser
revelados tão cedo.
12.7. Planeta X
Agora, se sabe que as perturbações para as órbitas de Urano e Netuno não foram
fornecidas por Plutão, devido à sua pequena massa. Levantaram-se dúvidas em torno de um
presumível décimo planeta, a ser descoberto no futuro. Várias tentativas foram feitas para
fornecer a posição do hipotético planeta X, como a de J. D. Anderson, do Laboratório de
Propulsão a Jato, que sugere que esse planeta tenha a órbita fortemente excêntrica e
inclinada, com um período de 700 a 1.000 anos.
No entanto, ao observar as órbitas de Urano e Netuno por mais tempo, a maioria das
perturbações pode ser explicada, e o resto pode ser deixado por conta dos erros de imprecisão
de posição e cálculo dos astrônomos anteriores. Atualmente, não há evidências ou indícios de
que possa existir mais um planeta no sistema solar.
CAPÍTULO 13
Os Pequenos Corpos
Alfredo Martins
207
13.1. Introdução
Até um século atrás, o sistema solar era visto como um lugar ordenado, com umas
poucas classes de habitantes bem definidos. Haviam planetas, satélites, asteróides e cometas.
Os satélites, observados no sentido norte-sul, giravam em torno dos planetas do mesmo modo
que os planetas giram em torno do Sol, isto é, no sentido contrário ao dos ponteiros. Os
asteróides estavam confinados entre Marte e Júpiter, apresentando-se como corpos rochosos.
Os cometas eram distintos, apresentando cabeleira e caudas enormes.
Para esclarecer estes fatos, devemos compreender como o sistema solar se formou.
Quando a nuvem de gás (H, He, O, N, CH4, NH3 etc.) e poeira (Fe, Si, Ca, Al, Mg, S, Na etc.)
condensou-se gradativamente, deu origem a uma estrela central, o Sol. Em torno da estrela
também houveram condensações de matéria formando pequenos corpos cujos diâmetros
variavam de centenas de quilômetros para um quilômetro ou menos. Estes corpos foram
chamados coletivamente de Planetesimais. Dependendo da distância deles até a estrela
central, houveram condensações de diferentes tipos de matéria. Quando mais perto do Sol,
devido as altas temperaturas, mais rochosos (Fe, Si, Ni...) eram os planetesimais. Quando mais
afastados do Sol devido a baixa temperatura, mais gasosos (H, He, NH 3, CH4, H2O...) eles
eram. Com o passar do tempo, os planetesimais foram se agregando e formando os planetas e
satélites e demais corpos do sistema solar.
É fácil observar que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são planetas rochosos ao contrário de
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno que são predominantemente gasosos. Em relação aos outros
corpos, especialmente asteróides e cometas, intimamente relacionados com os planetesimais,
igualmente observa-se uma diferenciação baseada no tipo de condensação que sofreram.
Àqueles formados próximo do Sol são predominantemente não-voláteis (rochosos) enquanto
os mais afastados são predominantemente voláteis (carbonáceos).
208
13.2. Asteróides
A forma dos asteróides é grosseiramente redonda para alongada. O maior deles, Ceres,
tem um diâmetro de 930 km. A distribuição no cinturão apresenta uma distinção entre a Parte
Interna e a Parte Externa. Esta transição situa-se a distância de 2,5 unidades astronômicas do
Sol e separa os asteróides metálicos (internamente) dos carbonáceos (externamente).
Asteróides tipo S (Stony) - são claros; formados de elementos não voláteis tipo Ferro,
Níquel, Silício, Magnésio, Alumínio (compostos tipo piroxene, olivina); localizados na parte
interna do cinturão (próximos à Marte).
[Link]
A origem dos Cometas esta reportada na história da formação do sistema solar. Como já
antecipado, uma nuvem interestelar de gás e poeira sofreu contração gravitacional formando
um disco achatado e rotante chamado de Nebulosa solar. No centro formou-se o Sol. Na
periferia o material coalesceu em pequenas rochas e gelo que acumularam-se formando os
Planetesimais. Estes também aglomeraram-se formando os Planetas. O Sol aqueceu a região
interna do sistema evaporando os gases dos Planetesimais mais próximos, deixando rochas
densas que formaram Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Na região exterior, o calor era
insuficiente para volatilizar os gases (H, He, N2, CH4, NH3 etc.). Nessa região formaram-se os
209
Gigantes Gasosos - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Ocorre que nem todos Planetesimais
foram devorados na formação destes planetas gigantes. Alguns foram ejetados para fora do
sistema e outros permaneceram retidos nas suas fronteiras. Eventualmente, por influências
gravitacionais, estes pequenos corpos ricos em material volátil orbitam próximo do Sol
exibindo-se na forma de Cometas.
A coma do cometa Halley em sua recente passagem era constituída de 80% de H 2O,
10% de CO, 3,5% de CO2 e formaldeido (H2CO)n além de traços de numerosas outras
substâncias.
CAPÍTULO 14
Formação e Localização do Sistema
Solar
14.1. Introdução
Durante muito tempo a hipótese da nebulosa formadora teve uma rival na possibilidade
defendida pelos dualistas, cuja versão do surgimento do sistema solar foi idealizada por
George Buffon. Segundo esta hipótese, o sistema surgiu de uma colisão entre algum astro e o
Sol, com desprendimento de matéria responsável pelo surgimento dos planetas. Esta teoria foi
definitivamente afastada em 1945, quando o progresso alcançado pelas ciências pôde
corroborar a hipótese de Laplace como a mais aceitável. O caso defendido pelos dualistas
exige uma coincidência de um choque de um corpo massivo contra o Sol de tal ordem que a
possibilidade de sua ocorrência não supera uma em alguns bilhões. A ciência não trava
relacionamento sério com coincidências desta ordem, mas sim com modelos repetitivos e
reproduzíveis, o que torna a hipótese de Buffon uma simples piada astronômica.
Seguindo a correta idéia de Kant, Thomas Wright publicou em "Uma Teoria Original do
Universo", por volta de 1750, que o Sol pertencia a um aglomerado imenso de estrelas, em
forma de um disco achatado, no qual elas girariam em torno do centro. Com grande acerto,
surgia a primeira idéia concreta sobre a forma e o comportamento das estrelas em uma galáxia
como a nossa. Afirmava ainda, com toda a razão, que o Sol era uma entre milhares, inúmeras
outras estrelas nesta "ilha cósmica". Hoje sabemos que cem bilhões de sóis habitam nossa
212
galáxia, chamada pelos gregos como Via Láctea pelo seu aspecto difuso e comprido no céu,
marca do leite derramado pela deusa Juno no caminho que percorria para amamentar seus
filhos.
Há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, na periferia da Via Láctea, uma nuvem de gás e
poeira inicia um processo de condensação.
Sob efeito da atração gravitacional das partículas que se agregam na nuvem, tem início
a contração e o giro desta massa periférica. Com o aumento gradativo da concentração e com
o incremento da velocidade de giro, a nuvem pouco a pouco toma a forma de um disco
achatado, cujo centro abriga a maior quantidade de massa. A temperatura aumenta
consideravelmente com os choques, cada vez mais frequentes, das moléculas envolvidas no
processo.
É portanto simultaneamente que se forma o sistema solar, ou seja, tudo teve início num
mesmo processo formador.
gasosos do sistema solar. Tais planetas capturaram ainda seus próprios satélites, sólidos, em
função de suas enormes forças gravitacionais.
Nosso planeta é o terceiro a partir de uma estrela em torno da qual giram os corpos de
um sistema específico. Este sistema, o Sistema Solar, habita um dos ramos de uma galáxia,
que em síntese é um sistema isolado no espaço, contendo 100 bilhões de estrelas, além de
poeira e gás.
O braço da galáxia que abriga o Sol se encontra a uma distância de 26.000 anos luz do
centro da mesma. A Via Láctea, nossa galáxia, é do tipo espiral e contém quatro braços
principais e outro tanto de formações secundárias. O Sol se encontra no braço secundário
Órion, entre os massivos braços de Perseu e Sagitário-Carena.
O Sol em seu giro ao redor do centro galáctico, viaja em uma velocidade de 250 km/s e
sendo o diâmetro da Via Láctea algo em torno de 100.000 anos luz, nossa estrela leva
225.000.000 anos para completar uma volta. Desta forma, desde que surgiu, o Sol não deu
mais que vinte voltas em torno do centro galático.
Nossa galáxia não está só em seu caminho pelo cosmos. Junto a ela se encontram duas
galáxias satélites de menor porte, que são as nuvens de Magalhães. A menor delas contém
aproximadamente 2x109 estrelas e dista 200.000 anos luz da Via Láctea. A maior, com cinco
bilhões de estrelas, está mais próxima, a 160.000 anos luz de distância.
Algumas outras galáxias estão relativamente próximas ao sistema da Via Láctea e seus
dois satélites, e são o que se chama de agrupamento local. Tal grupo contém cerca de vinte
galáxias ao todo, espalhadas em um raio de 2,5x106 anos luz. O grupo local, por sua vez, se
encontra inserido em um sistema maior, que denominamos de superaglomerado local. O
214
superaglomerado alcança um raio da ordem de 50x10 6 anos luz. Além desta distância os
objetos são considerados pertencentes a outros agrupamentos.
Bibliografia
217
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Parte I - A Terra
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A1. Sol
A.2. Mercúrio
A.3. Vênus
A.4. Terra
A.5. Lua
A.6. Marte
A.7. Júpiter
A.8. Saturno
A.9. Urano
A.10. Netuno
A.11. Plutão
Glossário:
Nome - Nome oficial do satélite, aprovado pela IAU (União Astonômica Internacional)
Num - Número do satélite
Diam - diâmetro médio do satélite em quilômetros. Alguns satélites possuem forma irregular,
sendo apresentados seus diâmetros máximo e mínimo.
Dist - distância entre os centros do satélite e de seu planeta, em milhares de quilômetros.
Rev - revolução sideral, tempo no qual o satélite realiza uma volta em torno de seu planeta, em
relação às estrelas, em dias.
Dens - densidade média do satélite, em gramas por centímetro cúbico.
Mass - massa aproximada, em quilogramas.
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7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003 J10
2 24249,6
767,00 ? ?
S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
2 24249,6
2 24249,6 7
67,00 ? ?
24249,6 767,
00 ? ? S/
2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
767,00 ? ?
? ? S/200
327
3
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
? S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
328
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
3 24514,1
3 24514,1 7
81,60 ? ?
24514,1 781,
60 ? ? S/
2003
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
781,60 ? ?
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
? S/2003
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
329
S/2003
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
4 24557,3
4 24557,3 7
81,60 ? ?
24557,3 781,
60 ? ? S/
2003 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
781,60 ? ?
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
? S/2003
J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
330
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
2 25000,0
2 25000,0 8
07,80 ? ?
25000,0 807,
80 ? ? S/
2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
807,80 ? ?
? ? S/200
3
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
? S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?
2 28570,4
331
2 28570,4 9
82,50 ? ?
28570,4 982,
50 ? ?
982,50 ? ?
? ?
nome num d
iam dist rev
dens mass
Saturno
Saturno
Pa
n XVIII 20
Pan
XVIII 20 1
33,6 0,58 1,
0 4,2
E15 Atlas
Pan
Pan X
VIII 20 133,
6 0,58 1,0
Pan XVI
II 20 133,6
Pan XVIII
20 133,6 0
,58 1,0 4,2
E15 Atlas
Pan XVIII
Pan XVIII 2
0 133,6 0,5
8 1,0 4,2
E15 Atlas
XVIII 20 133
,6 0,58 1,0
20 133,6 0,
58 1,0 4,2
E15 Atlas
133,6 0,58
0,58 1,0 4,2
E15 Atlas
1,0 4,2
E15 Atlas
332
4,2
E15 Atlas
Atlas XV 3
7x27 137,6
Atlas XV 37
x27 137,6 0,
61 0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XV 37x27 1
37,6 0,61 0,
7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
37x27 137,6
0,61 0,7 1,
8
E16 Promet
eu XVI 148x
333
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
137,6 0,61
0,61 0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
334
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Prometeu X
VI 148x68 1
39,3 0,61 1,
0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Prometeu XV
I 148x68 13
9,3 0,61 1,0
5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
335
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XVI 148x68
148x68 139,
3 0,61 1,0
139,3 0,61
0,61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
336
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Pandora X
VII 110x62
Pandora XVII
110x62 141
,7 0,63 1,0
XVII 110x62
141,7 0,63
1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
110x62 141,
7 0,63 1,0
141,7 0,63
0,63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
337
I 390 185,
5 0,94 1,2
3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Janus X 1
94x154 151,
4 0,69 1,2
Janus X 194
x154 151,4
X 194x154
194x154 151
,4 0,69 1,2
151,4 0,69
0,69 1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Epimeteu X
I 138x110 1
51,5 0,69 1,
0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
338
5 0,94 1,2
Epimeteu XI
138x110 15
1,5 0,69 1,0
8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XI 138x110
138x110 151
,5 0,69 1,0
151,5 0,69
0,69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Mimas I 3
90 185,5 0,
94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Mimas I 390
185,5 0,94
1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
I 390 185,5
0,94 1,2 3,
9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
339
7 1,89 1,3
390 185,5 0
,94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
185,5 0,94
0,94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Encélado II
500 238,0
Encélado II
II 500 238,0
1,37 1,3 7,
8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
500 238,0 1
,37 1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
238,0 1,37
1,37 1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
340
7 1,89 1,3
1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Tétis III 10
46 294,7 1,
89 1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Tétis III 104
6 294,7 1,8
9 1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
III 1046 294
,7 1,89 1,3
1046 294,7
294,7 1,89
1,89 1,3 7,7
9
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
341
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Telesto XIII
34x26 294,
7 1,89 1,0
Telesto XIII
XIII 34x26 2
94,7 1,89 1,
0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
342
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
34x26 294,7
1,89 1,0 1,
3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
294,7 1,89
1,89 1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Calipso XIV
34x22 294,
343
7 1,89 1,0
Calipso XIV
XIV 34x22 2
94,7 1,89 1,
0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
34x22 294,7
1,89 1,0 8,
6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
294,7 1,89
1,89 1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Dione IV 1
120 377,4 2
,74 1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Dione IV 11
20 377,4 2,
74 1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
IV 1120 377
344
,4 2,74 1,4
1120 377,4
377,4 2,74
2,74 1,4 1,0
5
E21 Helene
XII 36x28
1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,05
E21 Helene
XII 36x28
Helene XII
36x28 377,
4 2,74 1,0
Helene XII 3
6x28 377,4
XII 36x28 3
77,4 2,74 1,
0 1,8
E16 Réia
36x28 377,4
2,74 1,0 1,
8
E16 Réia
377,4 2,74
2,74 1,0 1,8
E16 Réia
1,0 1,8
E16 Réia
1,8
E16 Réia
Réia V 15
28 527,0 4,
52 1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Réia V 1528
527,0 4,52
1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
345
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
V 1528 527,
0 4,52 1,3
1528 527,0
527,0 4,52
4,52 1,3 2,2
4
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Titã VI 51
50 1221,8 1
5,95 1,88 1,
35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
346
VIII 1436
Titã VI 5150
1221,8 15,
95 1,88 1,3
5
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
VI 5150 122
1,8 15,95 1,
88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
5150 1221,8
15,95 1,88
1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1221,8 15,95
1,88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
15,95 1,88
1,88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Hipérion VII
347
360x236 14
81,1 21,28
Hipérion VII
VII 360x236
1481,1 21,
28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
360x236 148
1,1 21,28 2,
7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1481,1 21,28
2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
21,28 2,7 3,
3
E19 Jápeto
VIII 1436
2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Jápeto VIII
1436 3561,
3 79,33 1,2
1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
Jápeto VIII
VIII 1436 35
61,3 79,33
1436 3561,3
348
79,33 1,2
3561,3 79,33
1,2 1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
79,33 1,2 1,
86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
1,2 1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
349
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
350
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
17 11370,0
449,00 ? ?
S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
17 11370,0
11370,0 449,
00 ? ? S/
2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
449,00 ? ?
? ? S/200
0
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
351
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
? S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
14 11370,0
453,00 ? ?
Febe IX
14 11370,0
11370,0 453,
00 ? ? Fe
352
be IX 220
453,00 ? ?
? ? Febe
? Febe IX
220 12952,
0 550,34 1,
1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
Febe IX 2
20 12952,0
Febe IX 220
12952,0 55
0,34 1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
IX 220 1295
2,0 550,34
220 12952,0
550,34 1,1
6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
12952,0 550,
34 1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
550,34 1,1
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
353
00
S8 8 1556
0,0 723,00
6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
25 15110,0
690,00 ? ?
S/2000
S8 8 1556
0,0 723,00
25 15110,0
15110,0 690,
00 ? ? S/
2000
S8 8 1556
0,0 723,00
690,00 ? ?
? ? S/200
0
S8 8 1556
0,0 723,00
? S/2000
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S8 8 1556
0,0 723,00
8 15560,0
8 15560,0 7
23,00 ? ?
354
15560,0 723,
00 ? ? S/
2000
S11 30 16
310,0 778,00
? ? S/20
00
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
723,00 ? ?
? ? S/200
0
S11 30 16
310,0 778,00
? ? S/20
00
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
? S/2000
S11 30 16
310,0 778,00
? ? S/20
00
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
355
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
S/2000
S11 30 16
310,0 778,00
? ? S/20
00
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
S/2000
S11 30 16
310,0 778,00
? ? S/20
00
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
30 16310,0
778,00 ? ?
S/2000
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
356
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
00,0 891,00
? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
30 16310,0
16310,0 778,
00 ? ? S/
2000
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
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1,8
Bianca VIII 42 59,2 0,43 1,6
Créssida IX 62 61,8 0,46 1,3
Desdêmona X 54 62,7 0,47 1,7
Julieta XI 84 64,3 0,49 1,5
Pórtia XII 108 66,1 0,51 1,6
Rosalinda XIII 54 69,9 0,56 1,7
Belinda XIV 66 75,3 0,62 1,6
Puck XV 170x160 85,9 0,76 1,8
Miranda V 484 129,4 1,41 1,4
Ariel I 1158 191,0 2,52 1,66
Umbriel II 1172 266,3 4,14 1,51
Titânia III 1580 435,9 8,71 1,68
Oberon IV 1524 583,5 13,46 1,58
Caliban XVI 60x80 7200,0 580,00 ?
Stephano XX 30 7900,0 675,00 ?
S/2001 U1 10 8571,0 758,10 ?
Sicorax XVII 120x160 12300,0 1290,00 ?
Prospero XVIII 30x40 16300,0 2000,00 ?
Setebos XIX 20 17300,0 2200,00 ?
Netuno
Náiade III 50 48,2 0,29 1,8
Thalassa IV 90 50,1 0,31 1,1
Despina V 140 52,5 0,33 1,8
Galatéia VI 160 61,9 0,43 2,1
Larissa VII 210x190 73,6 0,56 1,3
Proteus VIII 435x400 117,6 1,12 1,3
Tritão I 2720 355,3 5,88 2,03
366
Glossário









