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Introdução à Astronomia e Esfera Celeste

Este documento apresenta um curso introdutório de astronomia com capítulos sobre esfera celeste, instrumentos astronômicos, constelações, observação de estrelas e planetas. O curso aborda conceitos básicos de coordenadas celestes, movimentos dos corpos celestes, tipos de telescópios e observação dos principais objetos do sistema solar.

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Eliseu Xavier
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Introdução à Astronomia e Esfera Celeste

Este documento apresenta um curso introdutório de astronomia com capítulos sobre esfera celeste, instrumentos astronômicos, constelações, observação de estrelas e planetas. O curso aborda conceitos básicos de coordenadas celestes, movimentos dos corpos celestes, tipos de telescópios e observação dos principais objetos do sistema solar.

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GEA - Grupo de Estudos de Astronomia

Curso de Introdução à Astronomia


Observação do Céu e Sistema Solar

Florianópolis, maio de 2003

GEA/UFSC/PLANETÁRIO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO S/N
CEP 88049-000 FLORIANÓPOLIS - SC
FONE (048) 331-9241
2

ÍNDICE ANALÍTICO

Capítulo 1 - GENERALIDADES.................................................................................................. 1

1.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


1.2. Conceito e classificação .................................................................................................... 1
1.3. Resumo histórico ............................................................................................................... 1
1.4. Definições básicas ............................................................................................................. 1

Capítulo 2 - ESFERA CELESTE................................................................................................. 1

2.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


2.2. Movimento aparente diário da esfera celeste. ................................................................... 1
2.3. Planos e Direções Fundamentais da Esfera Celeste. ........................................................ 1
2.4. Movimento Aparente Anual do Sol .................................................................................... 1
2.5. Obliquidade da eclíptica e direção de referência. .............................................................. 1
2.6. Coordenadas equatoriais de um astro. .............................................................................. 1
2.7. Variação das coordenadas equatoriais .............................................................................. 1
2.7.1 - Movimento próprio ..................................................................................................... 1
2.7.2 - Mobilidade do sistema de referência (precessão lunisolar) ....................................... 1
2.8. A Esfera Celeste vista de um ponto da superfície da Terra. .............................................. 1

Capítulo 3 - INSTRUMENTOS ASTRONÔMICOS ..................................................................... 1

3.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


3.2. O Olho. .............................................................................................................................. 1
3.3. Conceitos básicos.............................................................................................................. 1
3.3.1 Objetivas. ..................................................................................................................... 1
3.3.2 Oculares ....................................................................................................................... 1
3.3.3 Aumento e pupila de saída ........................................................................................... 1
3.3.4 Luminosidade ............................................................................................................... 1
3.3.5 Magnitude Limite .......................................................................................................... 1
3.3.6 Poder separador........................................................................................................... 1
3.3.7 Campo .......................................................................................................................... 1
3.4. O Binóculo ......................................................................................................................... 1
3.5. Os Telescópios. ................................................................................................................. 1
3.5.1 Telescópios refratores. ................................................................................................. 1
3.5.2 Telescópios refletores. ................................................................................................. 1
3.6. Montagens para telescópios .............................................................................................. 1
3.6.1 Montagem azimutal. ..................................................................................................... 1
3.6.2 Montagem equatorial.................................................................................................... 1

Capítulo 4 - AS CONSTELAÇÕES ............................................................................................. 1

4.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


4.2. O zodíaco .......................................................................................................................... 1
4.3. As noites de verão ............................................................................................................. 1
4.4. As noites de outono ........................................................................................................... 1
4.5. As noites de inverno .......................................................................................................... 1
4.6. As noites de primavera ...................................................................................................... 1
4.7. Constelações circumpolares .............................................................................................. 1
4.8. Cartas celestes .................................................................................................................. 1
3

4.8.1. Pólo sul celeste ........................................................................................................... 1


4.8.2. Região equatorial ........................................................................................................ 1
4.8.3. Região equatorial ........................................................................................................ 1
4.8.4. Região equatorial ........................................................................................................ 1
4.8.5. Pólo norte celeste........................................................................................................ 1

Capítulo 5 - OBSERVAÇÃO DAS ESTRELAS .......................................................................... 1

5.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


5.2. Nomenclatura .................................................................................................................... 1
4.3. Brilho e cores ..................................................................................................................... 1
4.4. Estrelas duplas e variáveis ................................................................................................ 1
4.4.1 Estrelas duplas ............................................................................................................. 1
4.4.2 Estrelas variáveis ......................................................................................................... 1
4.5. Movimentos próprios ......................................................................................................... 1

Capítulo 6 - OBSERVAÇÃO DOS PLANETAS .......................................................................... 1

6.1. Denominação..................................................................................................................... 1
6.2. Localização no céu ............................................................................................................ 1
6.3. Movimentos ....................................................................................................................... 1
6.4. Variação do brilho e diâmetro aparentes ........................................................................... 1
6.5. Observação dos planetas, da Lua e do Sol ....................................................................... 1
6.5.1 Observação de Mercúrio .............................................................................................. 1
6.5.2 Observação de Vênus .................................................................................................. 1
6.5.3 Observação de Marte ................................................................................................... 1
6.5.4 Observação de Júpiter ................................................................................................. 1
6.5.5 Observação de Saturno ............................................................................................... 1
6.5.6 Observação de Urano, Netuno e Plutão ....................................................................... 1
6.5.7 Observação da Lua ...................................................................................................... 1
6.5.8 Observação do Sol ....................................................................................................... 1
6.5.9 Observação de eclipses ............................................................................................... 1

Capítulo 7 - OBSERVAÇÃO DE OUTROS CORPOS CELESTES ............................................ 1

7.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


7.2. Meteoros ............................................................................................................................ 1
4.3. Cometas ............................................................................................................................ 1
4.3.1. Composição ................................................................................................................ 1
4.3.2. As órbitas dos cometas ............................................................................................... 1
4.3.3. O brilho dos cometas .................................................................................................. 1
7.4. Via Láctea .......................................................................................................................... 1
7.5. Aglomerados globulares .................................................................................................... 1
7.6. Aglomerados abertos ......................................................................................................... 1
7.7. Nebulosas .......................................................................................................................... 1
7.8. Galáxias............................................................................................................................. 1

Capítulo 8 – O SISTEMA SOLAR – Parte 1 ............................................................................... 1

8.1. Estrutura do Sistema Solar ................................................................................................ 1


8.1.1. Introdução ................................................................................................................... 1
8.1.2. O Sol ........................................................................................................................... 1
8.1.3. Os Planetas e seus satélites ....................................................................................... 1
8.1.4. Os Asteróides .............................................................................................................. 1
4

8.1.5. Meteoróides................................................................................................................. 1
8.1.6. Cometas ...................................................................................................................... 1

Capítulo 8 – O SISTEMA SOLAR - Parte 2 ............................................................................... 1

8.2. Dinâmica do Sistema Solar................................................................................................ 1


8.2.1. Introdução ................................................................................................................... 1
8.2.2. Órbitas dos planetas. .................................................................................................. 1
8.1.3. Configurações planetárias relativas ao Sol e à Terra. ................................................. 1
[Link] Planetas inferiores................................................................................................. 1
[Link] Planetas superiores. .............................................................................................. 1
8.2.4. Relações entre os diversos períodos planetários. ....................................................... 1
8.2.5. As leis de Kepler. As leis de Newton. .......................................................................... 1
[Link] As leis de Kepler ................................................................................................... 1
[Link] As leis de Newton.................................................................................................. 1
8.2.6. Elementos orbitais. ...................................................................................................... 1

Capítulo 9 - O SOL ..................................................................................................................... 1

9.1. Introdução .......................................................................................................................... 1


9.2. Principais parâmetros físicos do Sol. ................................................................................. 1
9.3. Estrutura do Sol. ................................................................................................................ 1
9.4. Fonte de energia do Sol. ................................................................................................... 1

Capítulo 10 – SISTEMA TERRA-LUA – Parte 1 ........................................................................ 1

10.1. A Terra ............................................................................................................................. 1


10.1.1. Aspectos morfológicos .............................................................................................. 1
[Link]. Dados numéricos................................................................................................ 1
[Link]. A atmosfera ........................................................................................................ 1
[Link]. Geologia e interior do planeta ............................................................................ 1
10.1.2. Aspectos dinâmicos .................................................................................................. 1
[Link] Os movimentos da Terra ..................................................................................... 1
[Link] As estações do ano ............................................................................................. 1
[Link] Cinturão de Van Allen.......................................................................................... 1

Capítulo 10 - SISTEMA TERRA-LUA – Parte 2 ......................................................................... 1

10.2. A Lua ............................................................................................................................... 1


10.2.1. Introdução ................................................................................................................. 1
10.2.2. Principais características orbitais .............................................................................. 1
10.2.3. Posições relativas Sol-Terra-Lua .............................................................................. 1
[Link] Fases da Lua....................................................................................................... 1
[Link] Eclipses do Sol. ................................................................................................... 1
[Link] Eclipses da Lua. .................................................................................................. 1
10.2.4. Principais características físicas................................................................................ 1
[Link] O interior da Lua. ................................................................................................. 1
[Link] A superfície da Lua.............................................................................................. 1

Capítulo 11 - PLANETAS TERRESTRES .................................................................................. 1

11.1. Introdução ........................................................................................................................ 1


11.2. Mercúrio ........................................................................................................................... 1
11.3. Vênus .............................................................................................................................. 1
5

11.4. Terra ................................................................................................................................ 1


11.4.1 A Lua .......................................................................................................................... 1
11.5. Marte ............................................................................................................................... 1
11.5.1 Os satélites de Marte ................................................................................................. 1

Capítulo 12 - PLANETAS JOVIANOS ........................................................................................ 1

12.1. Introdução ........................................................................................................................ 1


12.2. Júpiter .............................................................................................................................. 1
12.2.1 Sistema de anéis de Júpiter ....................................................................................... 1
12.2.2 Sistema de satélites de Júpiter................................................................................... 1
12.3. Saturno ......................................................................................................................... 1
12.3.1 Sistema de anéis de Saturno ..................................................................................... 1
12.3.2 Sistema de satélites de Saturno ................................................................................. 1
12.4. Urano ............................................................................................................................... 1
10.4.1 Sistema de anéis de Urano ........................................................................................ 1
12.4.2 Sistema de satélites de Urano.................................................................................... 1
12.5. Netuno ............................................................................................................................. 1
12.5.1 Sistema de anéis de Netuno ...................................................................................... 1
12.5.2 Sistema de satélites de Netuno .................................................................................. 1
12.6. Plutão e Caronte .............................................................................................................. 1
12.7. Planeta X ......................................................................................................................... 1

Capítulo 13 - PEQUENOS CORPOS .......................................................................................... 1

13.1. Introdução ........................................................................................................................ 1


13.2. Asteróides ........................................................................................................................ 1
[Link] ........................................................................................................................... 1

Capítulo 14 - FORMAÇÃO E ENDEREÇO DO SISTEMA SOLAR ............................................ 1

14.1. Introdução ........................................................................................................................ 1


14.2. Teoria da formação do sistema solar ............................................................................... 1
14.3. Endereço completo da Terra ........................................................................................... 1

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................... 1

ANEXO - Características físicas e orbitais do sistema solar ................................................. 1

A1. Sol ...................................................................................................................................... 1


A.1.1. Características físicas do Sol ...................................................................................... 1
A.1.2. Características estruturais do Sol ............................................................................... 1
A.2. Mercúrio ............................................................................................................................ 1
A.2.1. Características físicas de Mercúrio ............................................................................. 1
A.2.2. Características estruturais de Mercúrio ...................................................................... 1
A.2.3. Características orbitais de Mercúrio............................................................................ 1
A.3. Vênus ................................................................................................................................ 1
A.3.1. Características físicas de Vênus ................................................................................. 1
A.3.2. Características estruturais de Vênus .......................................................................... 1
A.3.3. Características orbitais de Vênus ............................................................................... 1
A.4. Terra .................................................................................................................................. 1
A.4.1. Características físicas da Terra .................................................................................. 1
A.4.2. Características estruturais da Terra ............................................................................ 1
A.4.3. Características orbitais da Terra ................................................................................. 1
6

A.5. Lua .................................................................................................................................... 1


[Link]ísticas físicas da Lua ...................................................................................... 1
A.5.2. Características estruturais da Lua .............................................................................. 1
A.5.3. Características orbitais da Lua.................................................................................... 1
A.6. Marte ................................................................................................................................. 1
[Link]ísticas físicas de Marte ................................................................................... 1
A.6.2. Características estruturais de Marte ........................................................................... 1
A.6.3. Características orbitais de Marte ................................................................................ 1
A.7. Júpiter ............................................................................................................................... 1
[Link]ísticas físicas de Júpiter ................................................................................. 1
A.7.2. Características estruturais de Júpiter .......................................................................... 1
A.7.2. Características orbitais de Júpiter ............................................................................... 1
A.8. Saturno .............................................................................................................................. 1
[Link]ísticas físicas de Saturno ............................................................................... 1
A.8.2. Características estruturais de Saturno ........................................................................ 1
A.8.3. Características orbitais de Saturno ............................................................................. 1
A.9. Urano ................................................................................................................................ 1
[Link]ísticas físicas de Urano .................................................................................. 1
A.9.2. Características estruturais de Urano........................................................................... 1
A.9.3. Características orbitais de Urano ................................................................................ 1
A.10. Netuno ............................................................................................................................. 1
A.10.1. Características físicas de Netuno ............................................................................. 1
A.10.2. Características estruturais de Netuno ....................................................................... 1
A.10.3. Características orbitais de Netuno ............................................................................ 1
A.11. Plutão .............................................................................................................................. 1
A.11.1. Características físicas de Plutão ............................................................................... 1
A.11.2. Características estruturais de Plutão ........................................................................ 1
A.11.3. Características orbitais de Plutão ............................................................................. 1
A.12. Tabela de satélites planetários ........................................................................................ 1

Glossário .................................................................................................................................... 1
7

CAPÍTULO 1
Generalidades

Adolfo Stotz Neto


8

Capítulo 1 - GENERALIDADES

1.1. Introdução

A primeira atividade científica de pesquisa que interessou ao homem foi, sem dúvida, a
Astronomia. Através da observação e do estudo dos astros, suas posições relativas e seus
ciclos de aparecimento, os povos antigos determinavam a contagem do tempo, as atividades
agrícolas e sua orientação geográfica. Hoje, em função da vida moderna, quase nos é
imperceptível que a duração do dia, do ano, as estações são todos fenômenos astronômicos e
que a importância deles em nossas vidas é fundamental. Estudar Astronomia é se dedicar a
uma ciência que tem por objetivo observar e compreender o Universo Cósmico, deslumbrando
o estudante com o portentoso e natural espetáculo de qual nosso planeta é membro efetivo.

Ao leitor deste trabalho e aluno iniciante em Astronomia, pretende-se passar noções


básicas de como observar e reconhecer os diferentes astros que habitam nosso céu de
Florianópolis. Para isto, o GEA está oferecendo, em conjunto com o Planetário da UFSC, esta
possibilidade de você se iniciar em Astronomia prática e o Sistema Solar.

1.2. Conceito e classificação

Pode-se dizer que a Astronomia é a ciência que estuda o Universo. Mais precisamente,
o Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, autoria de Ronaldo R. F. Mourão,
define Astronomia como sendo "a ciência dos astros e mais genericamente de todos os objetos
e fenômenos celestes".

A classificação e divisão da Astronomia é possível sob diversos enfoques, sendo


portanto passível de variações múltiplas. A que adotamos aqui mostra um aspecto que é,
talvez, o mais comumente utilizado. Outras classificações não são invalidadas pela que aqui
adotamos.

Podemos dividir a Astronomia em três grandes grupos:

 Astrofísica: ramo da Astronomia que trata da constituição, propriedades físicas e


evolução dos objetos celestes e dos diversos meios que os compõem.

 Astrometria: ramo da Astronomia que trata da medida, posição, dimensões e


movimento dos corpos celestes.

 Astronáutica: ciência da navegação no exterior do planeta Terra.

Cada um destes grupos pode agora ser dividido de acordo com as suas atividades
específicas, e então teremos:
9

 Astrofísica:

Astroquímica - Ciência que se ocupa do estudo químico do espaço exterior à Terra.

Astrostática - Estudo dos volumes dos astros e suas distâncias.

Astrogeologia - Ciência da aplicação da Geologia ao estudo dos solos dos astros.

Astrobiologia (exobiologia) - Estudo dos organismos vivos de outros astros. Subdivide-se


em Astrobotânica e Astrozoologia.

Radioastronomia - Ciência que utiliza ondas de rádio emitidas por corpos celestes como
meio para obtenção de dados.

Radarastronomia - Estudos de ondas emitidas da Terra e refletidas pelos astros - alvo.

Astrofísica de altas energias - Ramo da Astrofísica que estuda os raios cósmicos, as


radiogaláxias, os quasares e os pulsares, ou seja, os objetos que envolvem física de altas
energias em sua natureza.

Meteorografia - Ramo da Astrofísica que estuda e se ocupa dos meteoros.

Astronomia estelar - Ramo que se ocupa exclusivamente das estrelas.

Cometografia - Ramo que estuda e se ocupa dos cometas.

Astronomia de raios gama, raios X e raios infravermelhos - Ramos que se ocupam com
o universo nas radiações mencionadas.

Mecânica Celeste - Estudo dos movimentos dos astros sob ação da gravitação
universal, podendo ser estudada também em Astrometria.

Cosmologia - Ciência que estuda a estrutura, evolução e origem do universo como um


todo.

Cosmogonia - Ciência que estuda a formação das galáxias a partir de um meio


primordial. Também significa a ciência que estuda a formação do sistema solar.

 Astrometria:
Astronomia de campo - Ramo da Astrometria que trata da determinação precisa das
coordenadas geográficas de um ponto sobre a superfície da Terra.

Astrofotografia - Estudo da Astronomia através da técnica fotográfica.

Astrofotometria - Estudo da medição luminosa dos astros.

Arqueoastronomia - Estudo dos conhecimentos astronômicos de povos antigos.


10

 Astronáutica:
Astronomia espacial - Ramo que emprega a tecnologia espacial no estudo da
Astronomia.

Astrodinâmica - Ciência que aplica a mecânica celeste na Astronáutica e Geofísica.

Astriônica - Estudo da aplicação da Eletrônica aos vôos espaciais.

Astropsicologia e Astrosociologia - Estuda a influência dos vôos espaciais no astronauta


e na comunidade envolvida.

1.3. Resumo histórico

Calcula-se hoje, a idade do universo como algo em torno de vinte bilhões de anos
([Link]). Nosso planeta, neste mesmo cálculo, não teria mais que 4,5 bilhões de
anos. O homem na Terra não surgiu há mais de uns poucos milhões de anos. O interesse pela
Astronomia aparece gravado no máximo a uns 5.000 anos atrás. Portanto, estamos na
presença de uma das mais antigas ciências desenvolvidas pelo homem, porém sua existência
é insignificante quando comparada com o tamanho e a idade do universo.

Um dos mais antigos documentos que se conhecem é um relógio originário da China,


que utilizava o Sol para o correr das horas.

Figura 1.1. Relógio de sol antigo.

Nestes tempos, as fantasias e os mitos povoavam os céus dos homens, de onde se


originaram os nomes e as crenças fabulosas acerca dos astros e sua influência. No começo, os
povos atribuíam poderes mágicos aos elementos que anunciavam as estações, as colheitas, os
períodos de frio, calor e o rumo das jornadas. Assim é que por muito tempo, e talvez até hoje,
para a maioria dos não esclarecidos, a Astrologia se confunde com ciência.

Foram os gregos os primeiros a tratar com um certo rigor científico os movimentos dos
astros no céu. Se bem que seus conceitos estivessem na maioria das vezes equivocados,
aperfeiçoaram algumas idéias dos egípcios e babilônios, dando-lhes algum cunho científico.
11

Em meados de 600 a.C., Anaximandro propõe ser a Terra um corpo cilíndrico imerso no
ar, tendo a sua volta círculos de fogo. Tubos compridos davam acesso à visão destes anéis de
fogo, propiciando o Sol e a Lua, além das estrelas.

Figura 1.2. O Universo, segundo Anaximandro.

Em 560 a.C., Pitágoras e Filolaus concluíram que a Terra era idêntica aos astros do céu.
Em 406 a.C., Eudóxio, discípulo de Platão, propôs a primeira teoria das esferas homocêntricas.
Para os gregos, a esfera representava a perfeição, a forma da divindade. A idéia do filósofo
teve por isso, imediata e duradoura aceitação. Em 380 a.C., Aristóteles aperfeiçoou o sistema
de Eudóxio, introduzindo um ente físico, o cristal, como responsável pelo arrasto dos astros em
redor da Terra, que deveria ocupar o centro do sistema.

Figura 1.3. O Universo, segundo Eudóxio.


12

Apolônio, discípulo de Aristóteles, notou que algumas estrelas descreviam caminhos


irregulares no céu, seu movimento de vai-e-vem, perturbava o perfeito sistema do mestre. Para
encaixar tais astros no sistema geocêntrico, propôs a teoria dos ciclos e epiciclos, que será
mais tarde aperfeiçoada por Ptolomeu.

Aos astros que tinham este comportamento singular, Apolônio denominou Planektas,
que significa estrela errante.

Figura 1.4. Movimento dos planetas por ciclos e epiciclos.

Por volta de 276 a.C., Eratóstenes calcula o diâmetro da Terra, utilizando-se das
diferenças de medidas das sombras do meio-dia em duas cidades diferentes: Siena e
Alexandria.

Figura 1.5. Cálculo do diâmetro da Terra, por Eratóstenes.


13

Nesta mesma época, Aristarco de Samos propôs a teoria heliocêntrica, que não vingou
entre seus pares. Além disto, calculou os diâmetros da Lua e do Sol, embora com erro de vinte
vezes para menor.

Os cálculos de Aristarco foram melhorados por Hiparco de Nicéia, que catalogou as


estrelas visíveis a olho nu.

Nos meados de 100 a.C., Ptolomeu, o egípcio, publica sua famosa obra, "O Almagesto",
na qual aperfeiçoa as idéias Aristotélicas e consolida o Geocentrismo para os próximos 1.500
anos.

Este tempo de atraso mental só foi superado com a publicação, em 1543 (após a sua
morte), da obra de Nicolas Copérnico: "De Revolutionibis Orbium Coelestium".

A grande virtude da obra de Copérnico reside na recuperação da verdade heliocêntrica,


pois seus cálculos ainda utilizavam os arcaicos ciclos e epiciclos de Apolônio. Somente após
os estudos de Tycho Brahe, que tentava provar o geocentrismo, que Johannes Kepler
conseguiu provar que as órbitas dos astros eram elípticas. Com a invenção do telescópio em
1600, pelo holandês Hans Lippersley, Galileu pôde demonstrar que Copérnico e Kepler tinham
razão.

Figura 1.6. Nicolau Copérnico.

A comprovação final do heliocentrismo se deve ao trabalho de Isaac Newton, que com a


lei da gravitação universal, demonstra a mecânica celeste, não deixando mais dúvidas quanto
ao heliocentrismo.

Após Newton, os progressos em Astronomia foram proporcionais à tecnologia que o


homem conseguiu desenvolver. Assim é que a revolução industrial trouxe consigo o surgimento
das máquinas e da precisão na fabricação das coisas. Os telescópios melhoraram muito e por
volta de 1789, William Herschel construiu na Inglaterra um gigantesco aparelho refletor que
media 12,2 m de tubo com um espelho de diâmetro de 122 cm de abertura. Com este imenso
telescópio, Herschel descobriu o sexto planeta, Urano.
14

Nos séculos XVIII, XIX, XX, o progresso se fez sentir em todas as ciências e teve
consequências logicamente benéficas na Astronomia. Inúmeros são os personagens
importantes nestes últimos séculos e citá-los todos consumiria o restante deste trabalho. Assim
sendo, vamos apenas enumerar alguns dos mais famosos e conhecidos homens que tiveram
seus feitos reconhecidos em Astronomia.

Charles Messier, responsável por um grande catálogo de astros, ainda válido até hoje.
Edmund Halley e o estudo dos cometas, Olbers e o tamanho do Universo, Kant e as galáxias
tiveram suma importância no legado desbravador de conhecimento e progresso na forma de
pensar que deixaram. Mais recentemente, podemos citar homens como A. Einstein, Friedmann,
Lemaitre, E. Hubble, G. Gamow, S. Hawking e muitos outros que poderiam ser lembrados.

1.4. Definições básicas

Vertical do lugar: Ao suspender um prumo (peso) por um fio, tem-se a vertical do lugar.

Horizonte: Diz-se do plano perpendicular à vertical do lugar e que passa pela visada do
observador.
15

Esfera celeste: Prolongamento imaginário da esfera terrestre em todas as direções,


rumo ao espaço.

Plano da órbita da Terra: É o plano que contém a elipse de translação da Terra ao redor
do Sol, no período de um ano.

Eixo da Terra: É a linha imaginária ao redor da qual a Terra executa seu movimento
diário de rotação. Une os pólos da Terra.
16

Inclinação do eixo: O eixo da Terra está inclinado de 23° 27' em relação a uma
perpendicular ao plano de sua órbita.

Zênite: Intersecção superior da vertical do lugar com a esfera celeste.

Nadir: Intersecção inferior da vertical do lugar com a esfera celeste.


17

Meridiano: Linha imaginária que une os pólos terrestres ou da esfera celeste. Cada um
deles está, na Terra, espaçado do outro em 15° ou 1 hora.

Latitude: Distância angular de um ponto ao plano fundamental (equador), num sistema


de coordenadas esféricas, contado a partir deste plano, de 0 a 90° do lado positivo (hemisfério
norte) e de 0 a -90° no lado negativo (hemisfério sul).
18

Longitude: Distância angular da projeção de um ponto sobre o plano fundamental


(meridiano de Greenwich), num sistema de coordenadas esféricas, contado de 0 a 360°.

Movimento aparente dos astros: Como a Terra gira de oeste para leste, o céu
aparentemente gira no sentido oposto. Ao transladar ao redor do Sol, a Terra provoca o
movimento aparente das estrelas.

Movimento aparente de uma estrela conforme a latitude:


19

O mesmo astro, visto por observadores alocados no Pólo Norte (1), no Equador (2) e no
trópico de Capricórnio (3), assume movimento aparente diverso, conforme abaixo.

Órbita elíptica: Figura geométrica que representa o caminho de um corpo celeste ao


gravitar ao redor de outro.

Elipse: Lugar geométrico dos pontos de um plano no qual a soma das distâncias a dois
pontos fixos (os focos) é constante e tem o valor de duas vezes o semi-eixo maior (2a). Define-
se distância focal da elipse como sendo a distância do centro da elipse até um de seus focos.
Define-se excentricidade da elipse como sendo a relação da distância focal com o semi-eixo
maior. Pode-se entender a excentricidade como a relação 1-b/a, aonde b é o semi-eixo menor.
20

Apoastro: Ponte da órbita de um astro gravitando ao redor de outro, para o qual a


distância entre os dois corpos é máxima (aplica-se geralmente para estrelas binárias).
21

Periastro: Ponto da órbita de um astro gravitando ao redor de outro, para o qual a


distância entre os dois corpos é mínima.

Afélio: Apoastro da órbita de um corpo gravitando ao redor do Sol.


22

Periélio: Periastro da órbita de um corpo gravitando ao redor do Sol.

Apogeu: Apoastro da órbita de um satélite natural ou artificial, gravitando ao redor da


Terra.
23

Perigeu: Periastro da órbita de um satélite natural ou artificial, gravitando ao redor da


Terra.

Astros fixos: São os astros cuja posição relativa entre si, para um observador terrestre,
não varia com o correr do tempo de um espaço perceptível. São astros fixos, as estrelas,
galáxias, aglomerados etc.

Astros errantes: São aqueles que, ao contrário do anterior, variam sua posição relativa
contra o fundo dos fixos. São errantes os planetas, cometas, asteróides, meteoros e afins.

Estrelas: São astros gasosos que emitem luz e outras energias em quantidades
enormes, produzidas pela fusão nuclear em seu interior.

Planetas: São corpos que orbitam ao redor de uma estrela e que não emitem luz própria.

Planetóides: São pequenos corpos que circundam o Sol entre as órbitas de Marte e
Júpiter, sendo também conhecidos como asteróides.

Cometas: Pequenos corpos sólidos envolvidos por gás, cuja órbita é extremamente
alongada em torno do Sol.

Unidades de medida: Para se medir as distâncias em Astronomia, o metro e o


quilômetro se mostram pouco eficazes. Seriam necessários números com tal ordem de
grandeza que se tornariam incompreensíveis e sem significado prático. Para minimizar tais
questões foram desenvolvidas unidades cujo uso é próprio em distâncias como as que se
deparam os astrônomos em sua lida.

Potência de dez - os números são escritos em potências de dez conforme o número de


"zeros" que possuam:
24

10 = 10 1 1.000.000 = 10 6

100 = 10 2 [Link] = 10 9

1000 = 10 3 [Link].000 = 10 12

10.000 = 10 4 3.420.000 = 3,42x10 6

100.000 = 10 5 0,0025 = 2,5x10 -3

Unidade Astronômica (A): Equivale à distância média entre o Sol e a Terra,


aproximadamente 150.000.000 km.

Ano luz (al): Sendo a velocidade da luz 300.000 km/s, um ano luz é o espaço percorrido
pela luz durante um ano:

1 ano = 365 dias x 24 horas x 60 min x 60 s = 31.536.000 s

300.000 km/s x 31.536.000 s = [Link].000 km

Simplificando para a notação científica, temos 9,5x1012 km (quase 10 trilhões de


quilômetros). Um ano luz equivale também a 63.333 A (unidades astronômicas).
25

Parsec (pc): Para se definir o parsec, que equivale a 3,26 al, é necessário o conceito de
paralaxe. Paralaxe é o ângulo que se observa uma estrela se deslocar em relação às do fundo,
no intervalo de seis meses. A paralaxe é medida em segundos de arco. Pode-se definir
paralaxe também, como o ângulo que um observador colocado na estrela veria o raio médio da
órbita da Terra, perpendicularmente à sua visada.

Um parsec então, corresponde a uma paralaxe de 1 (um) segundo de arco.


26

CAPÍTULO 2
A Esfera Celeste

Cláudio F. Alves
27

Capítulo 2 - ESFERA CELESTE

2.1. Introdução

Em astronomia de posição, cujo interesse básico é o estudo da posição aparente dos


astros em relação a um observador colocado na superfície da Terra, o ponto de vista adotado é
o geocêntrico. Assim, todos os astros parecem girar em torno da Terra quando observados a
partir desta última, isto é, a Terra, aparentemente, ocupa o centro do universo.

Sabemos que esta idéia não é correta, mas para os fins práticos que temos em mente, a
mesma é perfeitamente aceitável.

Assim, a astronomia de posição assume como hipótese que os corpos celestes são
pontos de uma imensa esfera - a esfera celeste - cujo centro coincide com o centro da Terra.

Figura 1. A Terra e a esfera celeste

O raio dessa esfera é considerado como sendo muito maior do que o raio da Terra, de
modo que este é desprezível, para todos os fins práticos, perante aquele.

Tendo a Terra movimento de rotação, vemos a esfera celeste girar, modificando


continuamente a posição aparente dos astros.
28

A figura 1 mostra um observador "A" na superfície da Terra. No instante T1, o raio de luz
do astro "E", é visto segundo a direção D1. No instante T2, em função do movimento de
rotação da Terra, é visto na direção D2, mas o astro permaneceu imóvel. Um observador num
ponto "B" no instante T1, vê o astro na direção D3, tal que D3 é diferente de D1 e D2.

Vimos então que a direção na qual o astro é visto depende de:

 Posição do astro na esfera celeste.

 Posição do observador na superfície da Terra.

 Instante da observação.

Dessa forma fica apresentado o ente geométrico onde se situam os objetos de nosso
estudo.

2.2. Movimento aparente diário da esfera celeste.

As estrelas nos parecem pontos fixos, na superfície dessa imensa esfera, enquanto o
Sol e os outros astros a ele associados, como os planetas, movimentam-se em relação ao
fundo das estrelas fixas, aparentemente. A causa desse movimento aparente é a rotação da
Terra em torno de seu eixo.

O movimento de rotação da Terra, o qual se faz no sentido de oeste para leste, provoca
um movimento aparente em sentido contrário da esfera celeste, ou seja, vemos os astros
moverem-se de leste para oeste. Esse movimento aparente leva o nome de: "Movimento
Aparente da Esfera Celeste". O eixo de rotação da Terra, se o prolongarmos o suficiente,
recebe o nome de eixo da esfera celeste ou eixo do universo.

Então, um observador na superfície, independente de se encontrar no hemisfério norte


ou sul da Terra, olhando para o norte, verá as estrelas moverem-se em sentido anti-horário, e
se estiver olhando para o sul verá o movimento em sentido contrário, ou seja, horário. As
figuras de 2 a 7 ilustram a idéia exposta.

Figura 2.2. Observador no hemisfério sul, olhando para o norte.


29

Figura 2.3. Observador no hemisfério sul, olhando para o sul.

Figura 2.4. Observador no equador, olhando para o norte.

Figura 2.5. Observador no equador, olhando para o sul.


30

Figura 2.6. Observador no hemisfério norte, olhando para o sul.

Figura 2.7. Observador no hemisfério norte, olhando para o norte.


31

2.3. Planos e Direções Fundamentais da Esfera Celeste.

Voltando à esfera, temos ainda que todo plano perpendicular ao eixo do universo define
um paralelo celeste, e um plano que contém o eixo do universo determina um meridiano
celeste. Assim temos também o equador celeste e os pólos norte e sul celestes (figura 8).

Figura 2.8. A esfera celeste

2.4. Movimento Aparente Anual do Sol

A Terra também possui um movimento de translação ao redor do Sol, que se completa


em um ano. Este movimento se traduz em um movimento aparente do Sol bem como dos
planetas em relação ao fundo das estrelas fixas.

Para exemplificar, seguiremos a seguinte idéia: se o Sol tivesse o brilho de uma estrela
comum, de primeira grandeza, ele não ofuscaria as estrelas de dia. Nós o veríamos se
deslocando entre as estrelas dia após dia como mostrado na figura 9, levando um ano para
desenhar uma circunferência, a qual leva o nome de eclíptica, como ilustra a figura 10.
32

Figura 2.9. O movimento anual do Sol entre as constelações.

Figura 2.10. A esfera celeste e a eclíptica.

2.5. Obliquidade da eclíptica e direção de referência.

O eixo de rotação da Terra não é paralelo ao eixo do movimento de translação, o que


explica a forma senóide da eclíptica projetada sobre um plano (figura 9).

Por esse motivo é que temos as estacões do ano. Esse ângulo entre o eixo de
rotação da Terra e o eixo do plano orbital é chamado de obliquidade da eclíptica, e seu valor é
de aproximadamente 23 27' (ver figura 11).
33

Figura 2.11. Inclinação entre o plano orbital e o do equador.

As constelações que são cortadas pela eclíptica, ou seja, são atravessadas pelo Sol no
seu movimento anual, são as chamadas constelações zodiacais.

Em um dos pontos em que a reta formada pela intersecção do equador celeste com o
plano da eclíptica "fura" a esfera celeste é o chamado ponto  (gama) (figura 10), o qual é o
ponto onde o Sol se encontra na passagem do hemisfério sul celeste para o hemisfério norte
celeste. Este ponto é também chamado ponto vernal ou ponto Áries. Essa passagem ocorre
dia no 21 de março, e por isso chama-se equinócio de março, que corresponde ao equinócio
do outono para o hemisfério sul, e equinócio da primavera para o hemisfério norte.

O ponto diametralmente oposto, na figura 10, é o ponto ',onde o Sol se encontra dia 23
de setembro, quando volta ao hemisfério sul. Este ponto é chamado ponto libra (ou ponto
balança) e nesse dia ocorre o equinócio de setembro, que corresponde ao equinócio da
primavera para o hemisfério sul e o equinócio do outono para o hemisfério norte.

Os pontos L e L' (figura 10) são os maiores afastamentos do Sol em relação ao equador
celeste. São os solstícios de junho e dezembro. O primeiro corresponde ao solstício do inverno
para o hemisfério sul, e solstício de verão para o norte. O segundo corresponde ao solstício de
inverno para o hemisfério norte e solstício de verão para o hemisfério sul.

Embora o ponto  não seja visível, é tomado como um ponto pertencente ao meridiano
inicial, uma espécie de meridiano de Greenwich celeste.
34

2.6. Coordenadas equatoriais de um astro.

Figura 2.12. Coordenadas equatoriais.

Da figura 12, seja o segmento OE o raio da esfera celeste que liga o centro da Terra ao
astro E. Então as coordenadas equatoriais desse astro são:

 Ascensão Reta "": ângulo que o meridiano do ponto vernal faz com o meridiano do
astro " - ": esse ângulo é medido a partir de  no sentido contrário ao movimento
aparente, e seu intervalo angular é:

0 =<  < 360 ou 0h =<  < 24h.

 Declinação "": definida pelo raio OE e sua projeção no plano do equador celeste.
Tem sinal negativo (-) no hemisfério sul celeste e sinal positivo (+) no norte celeste. Seu
intervalo angular é:

-90 =<  =< 90


35

2.7. Variação das coordenadas equatoriais

Mesmo para as estrelas chamadas fixas, essas coordenadas não são constantes,
variando lentamente (pelos padrões de tempo humanos) no decorrer do tempo. As duas
maiores razões dessas variações veremos aqui.

2.7.1 - Movimento próprio


Não é perceptível num pequeno intervalo de tempo. Esse tipo de movimento, visto da
Terra, pode ser decomposto em duas componentes, uma radial (dr) e outra transversal (dt). A
componente dr não altera sua posição, enquanto dt resulta num movimento aparente, conforme
ilustrado na figura 13.

Figura 2.13. Movimento das estrelas em relação à Terra.

2.7.2 - Mobilidade do sistema de referência (precessão lunisolar)

Esse movimento consiste em que o eixo celeste descreve uma superfície cônica com o
vértice no centro da Terra, e com abertura de aproximadamente 23 27'; esse movimento
completa um ciclo em 25.800 anos aproximadamente, o que nos dá um deslocamento anual de
50' 23", conforme ilustrado na figura 14.
36

Figura 2.14. Precessão lunissolar do eixo terrestre.

Existem ainda outros movimentos de menor amplitude como a nutação e a precessão


planetária, que não serão vistos neste capítulo.

2.8. A Esfera Celeste vista de um ponto da superfície da Terra.

Como estamos no hemisfério sul, vamos exemplificar como é vista a esfera celeste por
um observador colocado nesse hemisfério. A figura 15 mostra um observador em um ponto "O"
da superfície da Terra, de latitude  e longitude . A reta que liga "O" ao centro da Terra é a
vertical do lugar. Tem a direção do fio de prumo em "O" e fura a esfera celeste em um ponto
"Z" que leva o nome de zênite. O plano  que passa por "O" e que é perpendicular à vertical do
lugar é o plano horizontal ou horizonte do observador.

Tendo em vista que o raio da Terra é desprezível, quando comparado com o raio da
esfera celeste, a reta R, que passa por "O" e é paralela ao eixo do universo, pode ser
considerada também como o eixo do universo. Sua projeção no horizonte marca a linha norte -
sul ou a meridiana do lugar e o ângulo h que ela faz com essa linha é a altura do pólo elevado.
Como R é perpendicular ao equador, e a meridiana, perpendicular a vertical do lugar, temos
que as retas que definem os ângulos h e  são perpendiculares entre si, daí ter-se h =  , o que
permite dizer que a altura do pólo elevado é igual, em módulo, à latitude do lugar.
37

Figura 2.15. Coordenadas de um observador da esfera celeste.

Para o observador em "O" (figura 15) tudo se passa como se seu horizonte fosse um
plano fixo, permanentemente imóvel no espaço, e que a esfera celeste girasse em torno da
reta OP, que o liga ao pólo elevado. A figura 16 mostra o que o observador em "O" vê da esfera
celeste.

Figura 2.16. A esfera celeste, do ponto de vista de um observador.


38

Quando o Sol, devido a esse movimento da esfera celeste, coloca-se abaixo do


horizonte, vemos todos os astros descrevendo circunferências com centro no eixo do universo
e no sentido de leste para oeste.

Alguns desses astros, os mais próximos do pólo elevado, nunca mergulham abaixo do
horizonte. São os circumpolares. Outros, os mais chegados ao pólo oculto, jamais serão vistos
de "O", pois estarão sempre abaixo de seu horizonte. Os que não são circumpolares nem
invisíveis, como o astro A figurado, têm um segmento da sua trajetória acima do horizonte e o
restante, abaixo. Têm, portanto, um nascer e um ocaso.
39

CAPÍTULO 3
Instrumentos Astronômicos

Antônio C. de Lucena
40

Capítulo 3 - INSTRUMENTOS ASTRONÔMICOS

3.1. Introdução

Existem em Astronomia uma grande variedade de instrumentos, entre os quais figuram


os grandes telescópios ópticos que são, por assim dizer, o "símbolo" da Astronomia. Por
telescópio óptico entende-se aqueles instrumentos que captam a luz visível. Além dos
telescópios ópticos existem também os telescópios de raios gama, os de raios X e os de raios
ultravioleta, todos na faixa das altas frequências (frequências superiores a frequência da luz).
Na faixa das "baixas" frequências (frequências inferiores da luz), temos os telescópios de raios
infravermelhos e os enormes radiotelescópios, estes últimos na frequência das ondas de rádio.

Ao lado dos telescópios acima mencionados, temos ainda outros instrumentos, tais
como o teodolito, o sextante, o círculo meridiano, o instrumento de passagem, a luneta zenital,
o astrolábio etc., sendo que todos estes instrumentos são utilizados, fundamentalmente, na
Astrometria, que é um dos ramos em que se divide a Astronomia.

Aqui trataremos somente, e de forma simplificada, do olho, dos binóculos, dos


telescópios refratores e dos telescópios refletores.

Figura 2.1. Telescópio óptico com um espelho de 6,00 m de diâmetro, instalado no Monte
Pastujov, no Cáucaso do Norte, na Rússia.
41

3.2. O Olho.

O melhor instrumento para observação astronômica que o ser humano possui (pelo
menos a nível de amador) são os seus próprios olhos.

O olho, como se sabe, é semelhante a uma máquina fotográfica. Constitui-se


basicamente de uma câmara escura, equipada com um orifício, o diâmetro do qual é variável (a
pupila). Em frente à pupila, se encontra uma lente, de convexidade variável (o cristalino). No
fundo do olho existe um tecido sensível à luz (a retina) e finalmente o olho é conectado ao
cérebro através do nervo óptico, que é o nervo que leva os estímulos gerados na retina ao
cérebro, onde os mesmos são interpretados.

Durante o dia, ou na presença de forte iluminação, a pupila se contrai, ficando com 1 a 2


mm de diâmetro, deixando assim passar pouca luz. À noite, ou num local pouco iluminado, a
pupila se dilata, chegando a alcançar 6 a 8 mm de diâmetro.

Assim, para se ter uma boa visão de um céu estrelado, se deve procurar um local escuro
(quanto mais, melhor) e aguardar uns 20 minutos, para que a pupila se dilate bem. Caso for
necessário se utilizar alguma iluminação (para ver um mapa celeste, por exemplo), se deve
utilizar lâmpadas vermelhas (uma lanterna elétrica com um plástico vermelho na frente funciona
muito bem), uma vez que esta cor de luz provoca uma contração mínima da retina. A figura 2
mostra, de forma esquemática, o olho humano.

Figura 3.2. O olho humano.


42

3.3. Conceitos básicos.

Antes de examinarmos sucintamente os instrumentos astronômicos mais comuns, e que


estão ao alcance do amador, é importante que conheçamos alguns fatos básicos relativos aos
mesmos.

3.3.1 Objetivas.
As objetivas, no caso dos binóculos e telescópios refratores, que serão vistos nos itens 4
e 5, são as lentes (ou conjunto de lentes) que ficam voltadas para o objeto que se quer ver. Já
para os telescópios refletores, a objetiva é um espelho, onde são captados os raios luminosos
que provêm do objeto que se deseja ver.

Os dois principais parâmetros das objetivas são o diâmetro D e a distância focal F. A


figura 3 mostra, de forma esquemática, estes parâmetros.

(a) Objetiva refratora (lente)

(b) Objetiva refletora (espelho)

Figura 3.3. Principais parâmetros das objetivas


43

Para um determinado telescópio, seja ele refrator ou refletor, tanto o diâmetro quanto a
distância focal da objetiva são valores fixos, determinados pelo projeto e construção do
aparelho.

Nos telescópios refratores, que usam lentes como objetivas, estas quase sempre se
compõem de duas lentes, com a finalidade de se reduzir a aberração cromática.

Usando-se duas lentes, e portanto tendo-se quatro superfícies refratoras, possível se


construir um número enorme de objetivas, mas na prática, quase todas as objetivas dos
telescópios refratores (pelo menos a nível de amador), caem em um dos quatro tipos mais
comuns, que são os chamados dubletos de Clairaut, de Littrow, de Fraunhofer e o de Clark.

A figura 4 mostra, de forma esquemática, estes dubletos.

Figura 3.4. Os dubletos mais comuns, utilizados na confecção de objetivas para telescópios
refratores.

3.3.2 Oculares
A ocular, que é sempre constituída por uma lente (ou conjunto de lentes), como o próprio
nome diz, é o componente do sistema óptico do instrumento que se encontra próximo do olho
do observador.

Existem diversos tipos de oculares, sendo que as mais comuns são a ocular de
Huygens, a de Ramsden e as oculares ditas ortoscópicas de Abbe e a de Plossl. A figura 5
ilustra, de forma esquemática, estes quatro tipos de oculares.

Da mesma forma que para as objetivas, as oculares também se caracterizam por


possuírem uma distância focal f, que é fixa para uma determinada ocular.

Figura 5.(a) Ocular de Huygens. (b) Ocular de Ramsden


44

Figura 5. (c) Oculares ortoscópicas. (c1) Ocular de Abbe. (c2) Ocular de Plossl

3.3.3 Aumento e pupila de saída


Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, o aumento não é o parâmetro
mais importante de um telescópio. O aumento não é, inclusive, um parâmetro intrínseco de um
instrumento. Como veremos posteriormente, o parâmetro mais importante de um telescópio é o
diâmetro D da objetiva. Esta é a razão pela qual se procura construir telescópios com objetivas
(espelhos, geralmente) cada vez maiores.

O aumento de um telescópio é obtido pela seguinte relação.

F
A = ------
f

onde: A = Aumento (linear)

F = Distância focal da objetiva (mm)

f = Distância focal da ocular (mm)

Como foi dito anteriormente, a distância focal F da objetiva de um determinado aparelho


é um valor fixo. Assim, para se obter diversos aumentos, se trocam as oculares (que são
facilmente intercambiáveis), cada uma possuindo um determinado valor de distância focal f.

Por exemplo, para um telescópio com F = 900 mm, com oculares de f = 30 mm, 20 mm,
15 mm, 10 mm e 4 mm, obtemos aumentos de 30x, 45x, 60x, 90x e 225x, respectivamente.

A pupila de saída é definida como sendo o diâmetro do círculo de luz que emerge pela
ocular. A figura 6 mostra, de forma esquemática, a pupila de saída de um telescópio (ou
binóculo).
45

Figura 3.6. Pupila de saída.

A pupila de saída de um telescópio ou binóculo é calculada como segue:

D
P = -------
A

onde: P = Pupila de saída (mm)

D = Diâmetro da objetiva (mm)

A = Aumento linear

Assim, por exemplo, para um telescópio com D = 114 mm, F = 900 mm e usando uma
ocular com f = 30 mm, teremos:

F 900
A = ------ = -------- A = 30
f 30

D 114
P = ------- = -------- P = 4 mm
A 30

Conforme visto, a pupila do olho humano, em condições de baixa iluminação, se dilata


até atingir um diâmetro de 6 a 8 mm. Tomando como média 7 mm, vemos que podemos
determinar um aumento mínimo, que aquele no qual a pupila de saída da ocular é igual a 7
mm.

Da expressão

D
P = -------
A
46

tiramos

D
A = -------
P

Assim, para um determinado D, em mm, e para um A máximo, que adotarmos como


sendo 7 mm, obteremos um aumento mínimo Amin.

Para o exemplo anterior, com D = 114 mm, teríamos:

114
Amin = ------ o que acarreta Amin = 16
7

Se, como antes, tivéssemos F = 900 mm, isto implicaria que teríamos que ter uma ocular
com f = 56 mm.

Oculares com esta distância focal ainda são usuais; entretanto, para distâncias focais F
maiores, para um mesmo D, isto pode acarretar valores para f muito grandes, que não são
práticos, devido ao dispositivo de focalização do telescópio. Desta forma, na prática não são
construídas oculares com f muito grande, de forma que muitas vezes não se consegue
trabalhar com o aumento mínimo, o que implica em que não se obtém uma pupila de saída de
7 mm, que seria a ideal, mas um valor menor.

Por outro lado, para um determinado diâmetro de objetiva, não se pode obter, na prática,
qualquer aumento. Para objetivas com F pequeno, este aumento máximo se acha limitado, na
prática, pela impossibilidade de se construir oculares com f menores do que 4 ou 3 mm.

Assim, por exemplo, para F = 900 mm, o aumento máximo que obtemos é de:

900
Amax = ------- = 225 vezes
4

Para objetivas maiores, com F grande, o aumento máximo é limitado, na prática, pela
nitidez e luminosidade da imagem, parâmetros estes que dependem do diâmetro D da objetiva,
uma vez que quanto maior D, maior a nitidez e luminosidade da imagem obtida, para um
mesmo F.

Desta forma é usual se classificar os aumentos dos telescópios em função do diâmetro


das objetivas.

A tabela abaixo sumariza os resultados encontrados em diversas fontes, e serve como


um guia preliminar para o amador encontrar os aumentos mais adequados a serem utilizados
com o seu instrumento. Em todos os casos, D é dado em mm.
47

Aumento A Características

Mínimo A = 0,143.D

Fraco A = 0,200.D a 0,500.D

Médio A = 1,000.D a 1,500.D

Forte A = 1,800.D a 2,000.D

Máximo A = 2,400.D a 2,500.D

3.3.4 Luminosidade
A luminosidade de um instrumento, quando comparada a do olho humano, pode ser
interpretada como sendo o número de vezes que o instrumento capta mais luz do que o olho.
Como a quantidade de luz que um instrumento capta, da mesma forma que o olho o faz, é
proporcional à superfície de captação, e como as objetivas são circulares, então esta área é
proporcional ao quadrado do diâmetro. Como a pupila do olho também é circular e, nas
condições noturnas tem em média uns 7 mm de diâmetro, então pode-se escrever:

D2 D2
L = ------ L = -------
72 49

onde: L = luminosidade (relativa ao olho humano)

D = diâmetro da objetiva (mm)

Assim, por exemplo, para um instrumento com D = 200 mm, temos:

(200)2
L = --------- L = 820
49

ou seja, esta objetiva capta aproximadamente 820 vezes mais luz do que o olho
humano.
48

3.3.5 Magnitude Limite


A magnitude limite é o valor da maior magnitude que é possível ser detectada pelo
telescópio. Como se sabe, quanto maior a magnitude, menor o brilho aparente do astro.

A magnitude limite é dada, teoricamente pela seguinte expressão:

m = 2,1 + [Link]

onde: m = magnitude (aparente) limite

D = Diâmetro da objetiva (mm)

Para o olho humano, aplicando-se a expressão e considerando a pupila como uma


"objetiva" de D = 7 mm, teremos:

m = 2,1 + [Link](7) = 2,1 + 5.0,845 = 6,3

Já para um telescópio com D = 25 cm, o que corresponde a D = 250 mm, teremos:

m = 2,1 + [Link](250) = 2,1 + 5.2,398 = 14,1

3.3.6 Poder separador


O poder separador de um instrumento é o poder que este instrumento tem de separar,
em dois objetos distintos, dois objetos que se apresentam muito próximos. O poder separador
do olho humano é da ordem de 1' de arco, isto é, se dois objetos se encontrarem a uma
distância entre si tal que o ângulo subentendido por eles for inferior a 1' de arco, um observador
não consegue distingui-los como dois objetos separados. Vê somente um objeto.

A figura 3.7 mostra, de forma esquemática, o ângulo, subentendido pelo olho, de dois
objetos próximos entre si.

Figura 3.7. Ângulo subentendido por dois objetos próximos.

Na figura 3.7,  é o ângulo entre os dois objetos. Se  < 1', o observador não distingue
os dois pontos separados. Vê somente um ponto.

O poder separador de um telescópio é dado pela seguinte expressão:


49

120
S = --------
D

onde: S = poder separador (em " de arco)

D = diâmetro da objetiva (mm)

Assim, por exemplo, um telescópio cuja objetiva tenha 114 mm de diâmetro, possui um
poder separador de:

120
S = -------- S = 1,05" de arco
114

3.3.7 Campo
O campo de um aparelho é a região do céu que é possível de ser vista com o
instrumento.

O campo depende principalmente do aumento utilizado, de forma que, quanto maior o


aumento utilizado, menor será o campo visual. Como o campo é circular, é usual expressá-lo
pelo seu diâmetro angular, em unidades de ângulo.

Grosseiramente, pode-se estimar, em uma primeira aproximação, o campo de um


instrumento como sendo dado pela seguinte expressão:

2.400
C = ---------
A

onde: C = campo ( em minutos de arco )

A = aumento

Assim, por exemplo, para A = 40, o campo será:

2.400
C = --------- C = 60' = 1 grau.
40

Conforme pode facilmente se ver, os dois parâmetros mais importantes de um


telescópio, e que apareceram nas expressões anteriores, são o diâmetro D da objetiva, bem
como a distância focal F da mesma.
50

Pode-se dar estes dois parâmetros diretamente, como por exemplo D=114 mm e F =
900 mm.

Uma outra forma de dar estes parâmetros é dar a distância focal de forma indireta,
através da chamada razão focal ( f / n ). Nesta forma de especificar a distância focal, o número
n indica a razão entre a distância focal e o diâmetro da objetiva. Assim, por exemplo, um
telescópio que possui D = 10 cm, com f / 9, quer dizer que a distância focal é 90 cm, uma vez
que, neste caso, n = 9.

3.4. O Binóculo

Os dois tipos de binóculo mais frequentemente encontrados são os de teatro e o


prismático.

O de teatro (que não é o aconselhado para observações astronômicas) se baseia no


princípio da luneta de Galileu.

Produz uma imagem direita, isto é, "de cabeça para cima". Os binóculos de brinquedo
também são deste tipo.

Os do tipo prismático são os aconselhados para serem utilizados em observações


astronômicas, apesar de nem todos serem os mais adequados.

Um binóculo é caracterizado, basicamente, por dois parâmetros: o aumento e o diâmetro


da objetiva. O valor destes parâmetros vem gravado no aparelho. Normalmente, o primeiro
número indica o aumento e o segundo o diâmetro da objetiva em mm.

Assim, um binóculo 7x50 quer dizer que possui 7 aumentos e o diâmetro da objetiva é
de 50 mm. Algumas vezes estes parâmetros são dados de forma invertida, como por exemplo
50x7. Às vezes aparece um terceiro parâmetro, que é o campo, que é dado, usualmente, em
graus. Assim, podemos ter, por exemplo, um binóculo 7x50, 7,1 graus.

Para as finalidades que temos em vista podemos, de um modo simples, dividir os


binóculos em dois grandes grupos: os adequados para observações diurnas e os adequados
para observações noturnas.

De um modo geral, podemos dizer que os binóculos adequados para observação


noturna são aqueles nos quais a pupila de saída se encontra entre 5 mm e 7 mm, sendo que
quanto mais próximo de 7 mm melhor, principalmente para a observação de objetos de fraco
brilho. A pupila de saída de um binóculo é calculada pela mesma expressão utilizada para os
telescópios. No binóculo 7x50, por exemplo, esta pupila de saída é da ordem de 7 mm, o que
torna o 7x50 um binóculo adequado para observações noturnas.

Existem outros tamanhos de binóculos apropriados, como por exemplo, o 8x40 (pupila =
5 mm), o 8x60 (pupila = 7,5 mm), o 14x100 (pupila = 7 mm) etc.

A figura 3.8 mostra um binóculo adequado para observação astronômica.


51

Figura 3.8. Binóculo 7x50, um dos mais utilizados em astronomia.

Para finalizar, podemos dizer que um binóculo que possua uma pupila de saída muito
maior do que 7 mm, por exemplo, o 4x40 ou mesmo o 4x50, "desperdiça" luz, isto é, com este
diâmetro de objetiva, com um aumento maior, se poderia ter um binóculo mais efetivo. Por
outro lado, um binóculo que possua uma pupila de saída muito menor do que 7 mm, como por
exemplo, o 20x50, "economiza" luz, de forma que a observação de objetos pouco luminosos
fica prejudicada. Assim, nenhum dos dois é o mais adequado para as observações
astronômicas, principalmente o último.

3.5. Os Telescópios.

Os dois principais tipos de telescópios que existem são o telescópio refrator (lunetas) e o
telescópio refletor (com suas variações).

3.5.1 Telescópios refratores.


Historicamente, são os mais antigos (a luneta de Galileu era um telescópio refrator).

Consistem basicamente de um tubo, onde numa extremidade se coloca uma lente


convergente ou, o que é mais usual, um conjunto de lentes convergente, a objetiva,
normalmente de grande diâmetro, quando comparada à ocular, e na outra extremidade se
coloca uma outra lente (conjunto de lentes), a ocular.

A figura 3.9 ilustra, de forma esquemática, o princípio da luneta de Galileu, também


conhecida como luneta terrestre. Esta luneta fornece uma imagem direita, isto é, de "cabeça
para cima".
52

Figura 3.9. Luneta de Galileu ou luneta terrestre.

A figura 3.10 mostra, de forma esquemática, a luneta de Kepler, também conhecida


como luneta astronômica ou telescópio antigo.

Esta luneta fornece uma imagem invertida, isto é, "de cabeça para baixo".

Figura 3.10. Luneta de Kepler, ou luneta astronômica ou telescópio antigo.

Os telescópios refratores são, normalmente, bem mais caros do que os refletores,


quando do mesmo porte. Assim, para uso profissional, com raras exceções, hoje em dia se
utilizam quase que somente telescópios refletores.

Um bom refrator normalmente fornece imagens mais nítidas do que um refletor do


mesmo diâmetro. Os grandes problemas do refrator, a aberração cromática e a aberração
esférica são contornados com o uso de objetivas compostas por diversas lentes de vidro
especial, cada uma delas com formas especiais, bem como com o uso de distâncias focais
grandes em relação ao diâmetro da objetiva (f / 10 e maiores, geralmente). Tudo isto encarece
bastante o instrumento.

Um outro problema que acompanha o refrator é o peso da lente objetiva. No caso da


lente ser grande, ela pode se deformar pela ação do próprio peso, já que não é possível se
projetar um sistema de reforço que impeça esta deformação, uma vez que a luz precisa
atravessar a lente. Assim, raramente se encontram refratores com uma objetiva com diâmetro
superior a 20 ou 25 cm.

O maior refrator do mundo é o de Yerkes, nos EUA. Este telescópio possui uma objetiva
com 102 cm de diâmetro, com uma distância focal de 19,3 metros.
53

3.5.2 Telescópios refletores.

Os telescópios refletores são, praticamente, os únicos utilizados hoje em dia no trabalho


profissional. Mesmo no campo amador, os telescópios refletores têm a preferência,
principalmente por causa dos custos, uma vez que são bem mais baratos do que os refratores
comparáveis.

Num telescópio refletor a objetiva, em vez de ser uma lente, é um espelho côncavo, com
seção circular ou parabólica (os melhores, mas mais difíceis de fazer e portanto mais caros).

Existem diversos tipos de telescópios refletores, sendo os mais comuns os do tipo


Newtoniano e os do tipo Cassegrain.

A figura 3.11 mostra, esquematicamente, o princípio de funcionamento de um telescópio


refletor do tipo Newtoniano.

Figura 3.11. Telescópio refletor do tipo Newtoniano.

A luz incidente é refletida pelo espelho principal, geralmente parabólico, e após é


desviada pelo espelho secundário, que é um espelho plano colocado a 45 graus com o eixo
óptico do instrumento. Desta forma, o feixe de luz é levado à ocular, onde então se forma a
imagem. Nos grandes telescópios, devido ao grande diâmetro do espelho principal (o maior do
mundo, na Rússia, tem 6 metros de diâmetro), algumas vezes não se usa o espelho
secundário. Ao invés disso, se coloca no foco do espelho principal uma "gaiola", dentro da qual
permanece o observador, munido de um sistema óptico.

Na figura 3.12 é mostrado, de forma esquemática, o princípio de funcionamento de um


telescópio refletor do tipo Cassegrain.
54

Figura 3.12. Telescópio refletor do tipo Cassegrain.

Neste tipo o espelho principal possui um furo em seu centro.

O espelho plano é substituído por um espelho hiperbólico, que concentra o feixe


principal no seu centro. Desta forma, o feixe de luz sai pelo "fundo" do instrumento, onde é
colocada a ocular.

O tipo Cassegrain é mais caro que o tipo Newtoniano, para o mesmo tamanho de
espelho e mesma distância focal.

A grande vantagem do tipo Cassegrain sobre o Newtoniano é o tamanho; o Cassegrain


é bem mais compacto do que o Newtoniano de mesmo diâmetro e mesma distância focal.

3.6. Montagens para telescópios

Existem, basicamente, dois tipos de montagens para telescópios: a montagem azimutal,


muitas vezes conhecida como montagem altazimutal, e a montagem equatorial.

3.6.1 Montagem azimutal.


É a mais simples. É utilizada em instrumentos pequenos, e devido ao seu baixo custo,
barateia bastante o instrumento. Hoje em dia, com o advento da eletrônica, principalmente dos
computadores digitais, tem sido utilizada também em instrumentos de maior porte (a montagem
do maior telescópio do mundo é azimutal, com controle computadorizado).

A figura 3.13 ilustra o princípio da montagem azimutal.


55

Figura 3.13. Princípio básico da montagem azimutal.

Na montagem azimutal, o acompanhamento do astro observado exige sempre a atuação


em dois comandos independentes entre si, simultaneamente.

3.6.2 Montagem equatorial

É a mais complicada. Até bem pouco tempo atrás, era a única utilizada em telescópios
profissionais. A grande vantagem da montagem equatorial é que a mesma permite o
acompanhamento do astro observado através da atuação sobre somente um comando.

A figura 3.14 ilustra o princípio básico da montagem equatorial.


56

Figura 3.14. Princípio básico da montagem equatorial.

Existem diversos sistemas de montagens equatoriais. As figuras 3.15 (a), (b), (c) e (d)
mostram alguns dos tipos mais comuns.
57

Figura 3.15. (a) Montagem alemã (b) Montagem de dois braços em forquilha.

Figura 3.15. (c) Montagem em berço ou em ferradura (d) Montagem em disco polar.
58

CAPÍTULO 4
As Constelações

Edna M. E. da Silva
59

Capítulo 4 - AS CONSTELAÇÕES

4.1. Introdução

Para a ideal contemplação de uma noite estrelada, é necessário que tenhamos um céu
límpido, sem poeiras atmosféricas e uma noite negra. Nessas condições podemos observar,
numa única noite, aproximadamente 2.500 estrelas.

O céu noturno é muito interessante e misterioso. Provavelmente vem despertando a


imaginação humana desde a pré-história. Os mais antigos registros datam de cerca de 50.000
anos atrás. Foram encontradas gravuras feitas em pedra, representando constelações como as
Plêiades, Ursa Maior e Ursa Menor.

Povos antigos como gregos, árabes e egípcios, em suas observações, percebiam


arranjos estelares em determinadas regiões do céu. Assim imaginavam alinhamentos entre as
estrelas e criavam desenhos representando figuras do cotidiano como animais, objetos e
deuses. Dessa forma surgem as constelações. Cada povo imaginava na esfera celeste suas
constelações, associando-as diretamente a seus afazeres diários. O aparecimento de
determinada constelação indicava a época da colheita de alguma cultura, ou podia indicar a
chegada das chuvas, da estação fria etc. Enfim, as constelações serviam, de certa forma,
como um calendário para esses povos.

Devido às diferentes distâncias em que as estrelas estão da Terra, a imagem que temos
das constelações é apenas aparente.

As constelações facilitam a localização dos astros, seja na esfera celeste ou numa carta
celeste.

Em 1930, astrônomos do mundo inteiro resolveram fixar o número de constelações,


caracterizando precisamente seus contornos. Foram reconhecidas pela IAU (União
Astronômica Internacional) oitenta e oito constelações na esfera celeste. A maioria delas
continua até hoje com os mesmos nomes da antiguidade. As do hemisfério sul receberam
nomes mais recentes, pois só foram reconhecidas pelos povos do norte a partir de 1500, com
as grandes navegações. Trata-se de constelações como a Popa, Vela, Cruzeiro do Sul,
Sextante, Bússola, Carina etc.

Em cada constelação, encontramos diversas estrelas, de modo que, para diferenciá-las,


são-lhes atribuídos nomes próprios ou números. As mais brilhantes recebem nomes próprios e
as demais, números. Na constelação de Touro, temos Aldebarã como a mais brilhante; em Cão
Maior, temos Sírius; e em Escorpião, Antares.

Dentro de uma constelação podemos, ainda, observar que algumas estrelas brilham
mais que outras. Para ressaltar tal fato, classifica-se as estrelas quanto ao brilho. A mais
brilhante recebe a designação alfa (), a segunda mais brilhante beta (), a terceira gama (), e
assim sucessivamente, seguindo a ordem do alfabeto grego.

Quatro constelações, dentre as oitenta e oito existentes, despertam particular interesse,


pois representam as quatro estações do ano. Em cada estação, temos uma dessas em
destaque no céu. São elas:
60

Outono = Leão (Leo)

Inverno = Escorpião (Scorpius)

Primavera = Pégaso (Pegasus)

Verão = Órion

4.2. O zodíaco

A palavra Zodiakos é de origem grega e significa "círculo de animais". O "Zodíaco",


como é chamado atualmente, foi delimitado por volta do ano 450 a.C., por um astrônomo grego
chamado Oenópides.

O Zodíaco é representado na esfera celeste por uma faixa, limitada por dois paralelos de
declinação celeste, oito graus ao sul e oito graus ao norte da eclíptica.

Chama-se eclíptica à linha imaginária que passa na parte central do Zodíaco. Ao longo
da mesma estão representadas as trajetórias aparentes do Sol, da Lua e dos planetas durante
o ano. Para compreendermos melhor sua localização, basta observarmos o movimento
aparente do Sol durante o dia. O plano da eclíptica está inclinado 23 27' em relação ao plano
do equador celeste. O equador celeste é uma projeção do equador terrestre na esfera celeste.

Plutão é um caso à parte no sistema solar. Devido à sua órbita ser muito inclinada em
relação à eclíptica, sai frequentemente da faixa do Zodíaco.

Na faixa zodiacal estão localizadas 24 constelações, das quais destacam-se 12, que são
cortadas pela eclíptica. As constelações do Zodíaco recebem destaque na esfera celeste por
constituírem um "pano de fundo", sobre o qual estão localizados o Sol, a Lua e todos os
planetas (com exceção de Plutão), durante o ano.

Abaixo relacionamos as constelações zodiacais:

Constelação Português

Pisces Peixes

Áries Carneiro

Taurus Touro

Gemini Gêmeos

Câncer Caranguejo

Leo Leão

Virgo Virgem
61

Constelação Português

Libra Balança

Scorpius Escorpião

Sagittarius Sagitário

Capricornus Capricórnio

Aquarius Aquário

Relação das oitenta e oito constelações existentes segundo a I.A.U. (União Astronômica
Internacional)

Constelação Nome em português Abreviação

Andrômeda Andrômeda And.

Antlia Máquina pneumática Ant

Apus Ave do paraíso Aps

Aquarius Aquário Aqr

Aquila Águia Aql

Ara Altar Ara

Aries Carneiro Ari

Auriga Cocheiro Aur

Bootes Boieiro Boo

Caelum Buril Cae

Camelopardus Girafa Cam

Cancer Caranguejo Cnc

Canes Venatici Cães de caça CVn

Canis Major Cão maior CMa

Canis Minor Cão menor CMi

Capricornus Capricórnio Cap

Carina Quilha Car

Cassiopea Cassiopéia Cas


62

Constelação Nome em português Abreviação

Centaurus Centauro Cen

Cepheus Cefeu Cep

Cetus Baleia Cet

Chamaeleon Camaleão Cha

Circinus Compasso Cir

Columba Pomba Col

Coma Berenices Cabeleira de Berenice Com

Corona Australis Coroa austral CrA

Corona Borealis Coroa boreal CrB

Corvus Corvo Crv

Crater Taça Crt

Crux Cruzeiro do sul Cru

Cygnus Cisne Cyg

Delphinus Delfim Del

Doradus Dourado Dor

Draco Dragão Dra

Equuleus Cavalo menor Eql

Eridanus Erídano Eri

Fornax Forno For

Gemini Gêmeos Gem

Grus Grou Gru

Hercules Hércules Her

Horologium Relógio Hor

Hydra Hidra fêmea Hya

Hydrus Hidra macho Hyi

Indus Índio Ind

Lacerta Lagarto Lac


63

Constelação Nome em português Abreviação

Lacerta Lagarto Lac

Leo Leão Leo

Leo Minor Leão menor LMi

Lepus Lebre Lep

Libra Balança Lib

Lupus Lobo Lup

Lynx Lince Lyn

Lyra Lira Lyr

Mensa Mesa Men

Microscopium Mocroscópio Mic

Monoceros Unicórnio Mon

Musca Mosca Mus

Norma Régua ou esquadro Nor

Octans Oitante Oct

Ophiuchus Serpentário Oph

Orion Órion Ori

Pavo Pavão Pav

Pegasus Pégaso Peg

Perseus Perseu Per

Phoenix Fênix Phe

Pictor Cavalete do pintor Pic

Pisces Peixes Psc

Piscis Austrinus Peixe austral PsA

Puppis Popa Pup

Pyxis Bússola Pyx

Reticulum Retículo Ret

Sagitta Flecha Sge


64

Constelação Nome em português Abreviação

Sagittarius Sagitário Sgr

Scorpius Escorpião Sco

Sculptor Escultor Scl

Scutum Escudo Sct

Serpens Serpente Ser

Sextans Sextante Sex

Taurus Touro Tau

Telescopium Telescópio Tel

Triangulum Triângulo Tri

Triangulum Australe Triângulo austral TrA

Tucana Tucano Tuc

Ursa Major Ursa maior UMa

Ursa Minor Ursa menor UMi

Vela Vela Vel

Virgo Virgem Vir

Volans Peixe voador Vol

Vulpecula Raposa Vul

4.3. As noites de verão

Observemos o céu estrelado, ao anoitecer, em início de verão. Órion, o caçador, será a


constelação que mais nos chamará a atenção. Sua forma retangular com as Três Marias no
interior se assemelha a um torso de um caçador, usando um cinturão. Para o hemisfério sul
terrestre, é uma constelação típica de verão. Suas estrelas mais brilhantes são: Betelgeuse
(alfa orionis), a estrela mais brilhante da constelação. É uma gigante vermelha de brilho
variável, com diâmetro de cerca de 300 a 400 vezes ao do nosso Sol. Possui magnitude
aparente de 0,41 e dista 520 anos luz; Rigel (beta orionis), a segunda mais brilhante, forma um
sistema duplo de estrelas, com magnitude aparente de 0,15 e distante 900 anos luz. Fazem
parte ainda de Órion as estrelas: Bellatrix (gama orionis), Saiph (kapa orionis), Mintaka (delta
orionis), Alnilam (epsilon orionis), e Alnitak (zeta orionis). As três últimas são popularmente
conhecidas como "Três Marias".
65

Existe nessa constelação um grande número de nebulosas, das quais destacam-se: a


Grande Nebulosa de Órion, M42, situada na extremidade inferior da espada, e a nebulosa
escura conhecida como "Cabeça de Cavalo", localizada ao sul da estrela zeta.

Se olharmos para o leste, a partir da Três Marias, veremos a estrela mais brilhante de
todo o céu, Sírius. Pertence à constelação do Cão Maior, sendo sua estrela mais brilhante (alfa
canis majoris). É um sistema duplo de estrelas, com magnitude aparente de -1,4 que está
situado a 8,7 anos luz de distância. Sírius possui um diâmetro equivalente a 1,8 vezes o do Sol.

Abaixo do Cão Maior encontramos Cão Menor, onde se destaca Prócion (alfa canis
minoris). É uma estrela dupla com magnitude aparente de 0,3 e distante 11, 3 anos luz.

No alinhamento de Sírius e Prócion, olhando para o sul, encontramos a constelação de


Carina. Sua estrela mais brilhante chama-se Canopus, a segunda mais brilhante do céu, e
possui -0,7 de magnitude aparente. As constelações de Carina (a Quilha), Vela e Puppis (a
Popa) formavam, no passado, uma única constelação, o Navio (Argo Navis).

No alinhamento das Três Marias para noroeste, encontramos a constelação de Touro.


Sua estrela mais brilhante é Aldebaran (alfa tauri), uma gigante vermelha com magnitude
aparente de 0,8 e distante 68 anos luz. Representa um dos olhos do Touro e pertence ao grupo
de estrelas em forma de "V", chamado de Híades.

Um pouco abaixo das Híades, encontramos o aglomerado estelar chamado Plêiades, ou


M45. Este, visto a olho nu, contém sete estrelas de fraco brilho, mas na verdade é formado por
mais de duzentas estrelas.

A constelação do Touro era muito importante para os povos da antiguidade clássica,


pois seu aparecimento no céu representava a chegada das chuvas nos meses de junho e julho.

No ano de 1054 d.C. surgiu uma estrela supernova entre os chifres do Touro, observada
em pleno dia por astrônomos chineses. Os remanescentes dessa estrela que explodiu se
resumem na nebulosa do Caranguejo, ou M1, visível com o auxílio de telescópios, e em um
pulsar no centro da nebulosa.

A oeste de Touro encontra-se a constelação de Áries. Suas estrelas principais são:


Hamal (alfa arietis), a cabeça do carneiro; Sheratan (beta arietis) e Mesartim (gama arietis).

Na porção sul da esfera celeste destacam-se as duas Nuvens de Magalhães. Trata-se


de duas galáxias menores, aprisionadas pela Via Láctea gravitacionalmente e tornadas
satélites, a 200.000 anos luz de distância. Podem ainda ser observadas, nas noites de verão,
as constelações de Capricórnio, Peixe Austral, Pavão, Peixes e Baleia.

4.4. As noites de outono

Nas noites de outono, a faixa esbranquiçada da Via Láctea atravessa o céu no sentido
noroeste - sudeste. As constelações em destaque são: Gêmeos, Caranguejo (Câncer), Leão,
Virgem, Hidra, Cruzeiro do Sul e Centauro.

Leão é a constelação que anuncia o outono para o hemisfério sul terrestre. No início
dessa estação aparece ao anoitecer, permanecendo no céu a noite inteira.
66

Encontramos nessa região um grande número de estrelas duplas e variáveis,


aglomerados, nebulosas e galáxias. Os objetos principais são: M65, M66, M105, M96 e M95.

A estrela mais brilhante de Leão chama-se Regulus e representa as garras das patas
dianteiras do animal. É uma estrela tripla e se encontra a uma distância de 84 anos luz. Possui
um diâmetro quatro vezes maior que o solar, e sua magnitude aparente é 1,3. A segunda mais
brilhante chama-se Denébola (beta leonis) e está a uma distância de 42 anos luz.

Em Virgem destaca-se a estrela Spica (alfa virginis) que representa uma espiga de trigo
ou milho, seguro pela deusa da fertilidade da terra. Spica se encontra a 220 anos luz de
distância. É uma estrela branca com magnitude 0,9. É uma dupla espectroscópica, possuindo
brilho variável pelo fato de sua companheira a eclipsar. É uma constelação de fácil
identificação, pois possui o formato aparente de um quadrilátero.

Observemos agora Gêmeos, donde se destacam Castor e Pólux que, lado a lado,
representam as cabeças dos gêmeos. Castor (alfa geminorum) é uma estrela dupla
esbranquiçada com magnitude 1,5. Pólux, a segunda em brilho, possui cor alaranjada e dista
35 anos luz, possuindo magnitude 1,2. Em Gêmeos temos um aglomerado estelar aberto de
fácil observação, o M35.

Passemos à descrição de Câncer, localizada no alinhamento de Gêmeos para leste.


Suas estrelas são pouco brilhantes, destacando-se Acubens (alfa cancri), com magnitude 4,3.
Nesta constelação, merece destaque a nebulosa do Presépio, que consiste num aglomerado
aberto contendo 75 estrelas, classificado como M44, segundo o catálogo Messier.

Acima de Leão e Câncer temos a constelação de Hidra, a serpente do mar, ocupando


uma extensa faixa da esfera celeste. Sua estrela principal chama-se Alfard e possui magnitude
2. Trata-se de uma gigante vermelha distante 95 anos luz da Terra.

Não poderíamos deixar de citar as presenças marcantes, nas noites outonais, do


Cruzeiro do Sul e do Centauro. O Cruzeiro do Sul é formado por quatro estrelas brilhantes:
Acrux ou Estrela de Magalhães (alfa crucis), Mimosa (beta crucis), Rubídea (gama crucis) e
Pálida (delta crucis). Soma-se ainda uma quinta estrela, Intrometida (epsilon crucis). As
estrelas alfa e gama são duplas e facilmente observáveis com uma pequena luneta. Junto à
estrela kapa crucis, encontramos um belíssimo aglomerado estelar, a Caixa de Jóias.

Em sua posição aparente, o Cruzeiro está próximo ao pólo sul celeste. Desta forma, se
tomarmos o alinhamento que vai de Gacrux até Acrux e o prolongarmos quatro vezes e meia
na direção sul (ou seja, na direção de Acrux, no pé da cruz), teremos encontrado o ponto
correspondente ao pólo sul celeste. Projetando esse ponto na superfície terrestre, encontrar-
se-á o ponto cardeal sul.

Ao lado do Cruzeiro, observa-se a existência de manchas escuras, das quais a mais


conhecida chama-se Nebulosa do Saco de Carvão. São nebulosas escuras que tornam a
negritude muito mais intensa nessa região, que interceptam a luz das estrelas mais distantes.

No alinhamento das estrelas beta e gama do Cruzeiro, encontraremos duas estrelas


solitárias que parecem apontar para o mesmo. São popularmente conhecidas como as
Guardas do Cruzeiro. Trata-se das estrelas Alfa e Beta da constelação do Centauro. Alfa
Centauri, a estrela mais próxima da Terra, é uma dupla e dista 4,3 anos luz. Nessa região
observa-se um grande número de nebulosas galácticas e aglomerados. Merece destaque o
aglomerado globular de Ômega do Centauro, que contém um número incalculável de estrelas,
distando 17.000 anos luz da Terra.
67

Numa simples observação a olho nu, verifica-se que a região próxima ao pólo sul celeste
é riquíssima em estrelas. Com auxílio de telescópios, mesmo modestos, observaremos
asterismos bastante interessantes.

4.5. As noites de inverno

No inverno acontecem as melhores noites para observação do firmamento estrelado. As


noites invernais são, em geral, mais escuras e límpidas. As constelações que merecem
destaque nessa estação são: Lira, Cisne, Águia, Hércules, Ofiúco, Escorpião, Sagitário e
Capricórnio.

A constelação de Escorpião domina as noites de inverno. Sua estrela principal chama-se


Antares (alfa scorpii). É uma estrela do tipo gigante vermelha, que merece destaque por ser
uma das maiores estrelas conhecidas, com seu diâmetro de 350 vezes maior que o do Sol. Se
a colocássemos no lugar do Sol, ocuparia a órbita de Marte. Possui um grande volume, porém
é pouco densa. É um sistema duplo situado a 320 anos luz de distância.

Em Escorpião encontramos belíssimos aglomerados estelares. Próximo à cauda do


animal, temos os M6 e M7, aglomerados abertos, distantes o primeiro a 1.900 e o segundo a
1.200 anos luz da Terra. Próximo a Antares, temos dois aglomerados globulares: o M4, situado
a 6.000 anos luz, e o M80, a 36.000 anos luz de distância.

A leste de Escorpião encontraremos Sagitário. Não possui estrelas de primeira


magnitude, apresentando, porém, inúmeros aglomerados e nebulosas, pois é nessa região da
esfera celeste, a cerca de 32.000 anos luz do Sol, que se situa o centro da nossa Galáxia, a
Via Láctea. Entre os muitos objetos existentes, destacam-se: o M8, ou nebulosa da Lagoa,
visível a olho nu, situado a 2.500 anos luz; M20, conhecida como nebulosa Trífida, situada a
6.500 anos luz e M17, conhecido como nebulosa Ômega. São ainda observáveis os seguintes
objetos: M75, M55, M54, M25, M18, M24, M23, M21, M70, M69 e M28.

Entre Sagitário e Escorpião, observa-se uma sequência de estrelas de quarta


magnitude, formando uma coroa. Trata-se da constelação da Coroa Austral.

A leste de Sagitário, encontramos Capricórnio, figura mitológica metade caprino, metade


peixe. Não possui estrelas de primeira magnitude, mas é de fácil identificação, pois seus
contornos se parecem a uma asa delta.

Ao norte de Escorpião e Sagitário observa-se Ofiúco, constelação cortada pela eclíptica.


Essa constelação representa o deus romano da Medicina, Esculápio. A figura lembra um
homem envolvido por uma serpente na altura da barriga. Nessa constelação encontramos um
número razoável de aglomerados, como M10 e M12, visíveis com telescópios. Sua estrela mais
brilhante é Ras Alhague (alfa ophiuchi), de magnitude 2,1.

Situada ao norte de Ofiúco e também da eclíptica, temos Hércules. Nessa constelação


encontra-se o ápex do sistema solar; Ápex é o ponto imaginário entre as estrelas para o qual
se desloca o Sol e seus planetas em seu movimento dentro da Galáxia, a cerca de 200 km/s.
Encontramos em Hércules um belo aglomerado globular, o M13, situado entre as estrelas eta e
zeta. É constituído por mais de 500 estrelas e sua distância é de, aproximadamente, 22.000
anos luz.
68

No horizonte norte, abaixo de Hércules, encontramos a constelação de Lira. Sua estrela


mais brilhante, Vega (alfa lirae), possui magnitude 0,1 e dista 26 anos luz de nós. Entre suas
estrelas beta e gama situa-se uma nebulosa planetária, a Nebulosa Anular da Lira, ou M57.

Olhando na direção norte, encontraremos, à leste da Lira, a constelação do Cisne, que é


facilmente reconhecível, pois se assemelha a uma cruz. No extremo superior da cruz
encontramos Deneb (alfa cygni), que possui magnitude 1,2; seu diâmetro é 60 vezes maior que
o do Sol, e dista 1.500 anos luz. Um pouco ao norte dessa, aparece o aglomerado M39.

Ao norte de Sagitário e além de Ofiúco, temos a Águia. Sua estrela mais brilhante se
chama Altair (alfa aquilae), uma vizinha do sistema solar, pois dista apenas 16 anos luz. Possui
magnitude 0,8 e seu diâmetro é uma vez e meia maior que o Sol.

4.6. As noites de primavera

A constelação que melhor representa as noites de primavera é Pégaso, que representa


o cavalo alado da mitologia grega. É de fácil identificação, pois suas estrelas principais formam
um grande quadrado próximo ao horizonte norte. Sua estrela mais brilhante é Markab (alfa
pegasi), que possui magnitude 2,5 e dista 110 anos luz. Scheat (beta pegasi), é uma gigante
vermelha 145 vezes maior que o Sol, a 200 anos luz de distância. E Algenib (gama pegasi),
uma variável cefeida a 500 anos luz, completa o grande quadrado, junto com a estrela alfa de
Andrômeda. Destaca nessa constelação o aglomerado globular M15, a 40.000 anos luz de
distância, de magnitude visual 6,4.

Olhando mais ao norte, temos a constelação de Andrômeda. O objeto mais curioso


observável a olho nu é a Nebulosa de Andrômeda, M31. É uma galáxia espiral com dimensões
superiores às da Via Láctea, localizada à distância de 2,2 milhões de anos luz e possuindo
diâmetro de 200.000 anos luz. É de fácil observação no hemisfério norte, mas de observação
prejudicada em nossa latitude, por encontrar-se sempre próxima do horizonte.

No final da primavera, observa-se, a sudeste de Órion, uma extensa constelação no céu,


o Erídano, que representa um rio na mitologia. Sua estrela principal se chama Achernar (alfa
eridani), que representa a foz do rio, possui magnitude 0,5 e dista 120 anos luz. Nos meses de
outubro, novembro e dezembro, encontra-se próxima do zênite.

Na direção norte, temos, a oeste do Erídano, a constelação da Baleia. Sua estrela


principal, Menkar (alfa ceti), é uma gigante vermelha com magnitude 2,5 e distante 150 anos
luz. É nessa constelação que observamos Mira (omicron ceti), a primeira estrela variável
descoberta.

Visualiza-se, ainda na primavera, as constelações: Peixe Austral, cuja estrela principal,


Fomalhaut (alfa piscis austrini), aparece com magnitude 1,2. Ao norte do Peixe Austral,
aparecem Aquário e Peixes, com suas estrelas de fraco brilho.
69

4.7. Constelações circumpolares

Nas zonas circumpolares da esfera celeste, as estrelas permanecem acima do horizonte


o ano inteiro, sem nascerem e nem se ocultarem no horizonte. Por isso, pertencem ao
chamado de "círculo de perpétua aparição". Os pólos celestes são os pontos para os quais
estão apontados as duas pontas do eixo de rotação terrestre na esfera celeste. A posição dos
mesmos é importante, porque as estrelas parecem girar ao seu redor. Suas alturas em relação
ao horizonte serão as latitudes geográficas dos lugares. Assim, um observador, ao se dirigir
para o hemisfério sul da Terra, verá o pólo sul celeste ganhar altura no horizonte sul, e o pólo
norte celeste se esconder no horizonte norte.

Para entendermos melhor, suponhamos que um observador esteja localizado no


equador terrestre. O mesmo verá o pólo sul celeste tocar o horizonte sul e o pólo norte celeste
tocar o horizonte norte, pois estará exatamente na metade da Terra. Portanto, a posição dos
pólos celestes dependerá da localização do observador na superfície terrestre.

Para Florianópolis, o "círculo de perpétua aparição" tem como centro o pólo sul celeste,
e o seu raio é igual à latitude do lugar, que é de 27,5 graus sul. Portanto, todas as estrelas com
declinação acima de 63,5 graus sul são visíveis o ano inteiro. As seguintes constelações
situam-se nessa faixa de declinação: Ave do Paraíso (Apus), Camaleão(Chamaleon), Hidra
Macho (Hydrus), Mesa (Mensa) e Oitante (Octans).
70

4.8. Cartas celestes

4.8.1. Pólo sul celeste


71

4.8.2. Região equatorial


72

4.8.3. Região equatorial


73

4.8.4. Região equatorial


74

4.8.5. Pólo norte celeste

Observação: além da latitude 63°


norte, as estrelas não são visíveis
em Florianópolis.
75

CAPÍTULO 5
Observação das Estrelas

Marcos Boehme
76

Capítulo 5 - OBSERVAÇÃO DAS ESTRELAS

5.1. Introdução

A Astronomia é uma das ciências mais antigas que existem, pois a observação do céu
foi, com certeza, uma necessidade e um passatempo para o homem pré-histórico. Os antigos
babilônios e egípcios, há muitos milhares de anos atrás, observaram o céu com precisão
suficiente para elaborar calendários bastante acurados. Observações, realizadas por cientistas
como Copérnico, Galileu e outros, possibilitaram os primeiros grandes passos em direção à
ciência moderna. Ainda hoje, a ciência da Astronomia depende da observação.

No entanto, os tempos modernos trouxeram também a iluminação artificial noturna,


atrapalhando as observações que uma pessoa comum poderia fazer. Como consequência, a
ignorância das pessoas sobre o conhecimento dos corpos celestes aumentou, e hoje quase
ninguém é capaz de identificar uma constelação, estrela ou planeta no céu.

Em um lugar escuro, sem nuvens, poluição ou luzes artificiais, podemos ver as estrelas
com mais facilidade e em maior número que sob as condições normais das cidades de hoje.
Assim, o primeiro passo para conhecer as estrelas é procurar um lugar mais escuro e isolado,
aonde a influência das luzes da cidade seja menor.

Neste capítulo, trataremos dos nomes, brilho, cores e outros aspectos curiosos que as
estrelas apresentam para um observador iniciante.

5.2. Nomenclatura

O primeiro passo em uma ciência, geralmente, é colocar nomes nas coisas a serem
estudadas, para que estas possam ser identificadas. Desde a antiguidade, cada civilização
(chineses, indianos, gregos, árabes etc.) deu sua contribuição a este aspecto da Astronomia,
mas o conhecimento que predominou para nossa própria civilização é o dos gregos, latinos e
dos árabes, que absorveram muito do conhecimento dos gregos. Assim, a esmagadora maioria
dos atlas celestes modernos mostram as estrelas com nomes gregos, latinos e árabes, com
poucas exceções.

Os critérios que os antigos astrônomos usavam para nomear as estrelas são bastante
diversificados: referências ao brilho, posição, ou a um personagem lendário. Por exemplo, a
estrela mais brilhante do céu é Sírius, originada da palavra grega que significa
"resplandecente", "ardente", o que parece apropriado a uma estrela tão brilhante.

Em uma certa região do céu, há duas estrelas bastante brilhantes separadas por
somente 4 graus de arco (o que equivale a oito luas cheias alinhadas no céu) e de aparência
bem semelhante. Elas impressionam o observador como estrelas gêmeas, e então a
constelação construída em volta delas é a de Gêmeos. Na antiga mitologia grega havia dois
gêmeos famosos, Castor e Pollux. Pareceu natural aos gregos nomear as duas estrelas de
Castor e Pollux, e nós assim as chamamos até hoje.
77

Há uma estrela muito próxima do pólo norte celeste, que percorre um círculo tão
pequeno durante a noite que não parece mudar de lugar. É chamada de Estrela Polar, ou mais
comumente, de Polaris, o correspondente latino para polar.

No hemisfério sul, existiu uma constelação chamada Argonavis, ou Argo, nome dado
pelos gregos, e que era o navio que levou Jasão e seus companheiros argonautas para a
conquista do velocino de ouro. O timoneiro do navio chamava-se Kanopos em grego, e
Canopus em latim. Uma estrela muito brilhante da constelação, aonde devia estar o timoneiro,
recebeu o seu nome latino. Posteriormente, a constelação foi dividida, e Canopus é a estrela
mais brilhante de Carina (a quilha do navio).

Uma estrela recebeu o nome derivado não da constelação a que pertence, mas de um
planeta. O planeta Marte, que apresenta uma coloração avermelhada lembrando sangue,
ganhou o seu nome do deus da guerra romano. Os gregos o chamaram pelo nome do seu
deus da guerra, Ares. Uma estrela em Escorpião emite uma cor avermelhada parecida com a
de Marte. Os gregos a chamaram Antares, o rival de Ares.

Uma constelação, com significado especial para o Brasil, é a de Crux, ou Cruzeiro do


Sul. Foi primeiro mencionada por Mestre João, da comitiva de Pedro Álvares Cabral, em abril
de 1500. Graças a esta constelação, o Brasil foi anteriormente chamada de Terra de Santa
Cruz e Terra de Vera Cruz. Seu formato de Cruz é dado pelas estrelas alfa, beta, gama e delta
crucis, às quais se junta a épsilon. Cada uma delas possui um nome familiar. Alfa crucis
também é chamada de Estrela de Magalhães, em homenagem ao navegador que realizou a
primeira circunavegação do mundo. Beta crucis é chamada de Mimosa. Gama crucis, por ser
avermelhada, é chamada de Rubídea. Delta crucis é chamada de Pálida, por ser a mais fraca
do desenho da Cruz. E épsilon, por não fazer parte da cruz, é chamada de Intrometida

As estrelas mencionadas até agora estão entre as mais brilhantes. No entanto, algumas
mais pálidas também recebem nomes, quando atraiam atenção por alguma outra razão que
não o brilho. Por exemplo, há um pequeno grupo de estrelas não muito brilhantes na
constelação de Touro. Ninguém repararia nelas se estivessem isoladas, mas estando juntas
elas chamam a atenção. Foram chamadas pelos gregos de Plêiades, que eram as sete filhas
da ninfa Pleione na sua mitologia (a maioria das pessoas só consegue ver seis estrelas, mas a
sétima está lá). Cada uma das sete Plêiades recebeu um nome, e a mais brilhante se chama
Alcione. E há o caso da estrela Próxima, na constelação do Centauro, que é invisível a olho nu.
Quando esta estrela foi descoberta, também se descobriu que esta era a estrela mais próxima
do Sol, daí o seu nome.

No entanto, somente cerca de mil das seis mil estrelas que podem ser vistas no céu a
vista desarmada têm nomes (na maioria árabes), mas mesmo assim é quase impossível
lembrá-los ou saber onde estão no céu. Além disso, as estrelas do céu austral, que não podiam
ser vistas pelos astrônomos antigos e medievais, naturalmente nunca receberam nomes.

A seguir, estão relacionados os nomes de algumas estrelas famosas, seguida da


nomenclatura de Bayer (explicada mais adiante), da origem de seu nome e do seu significado:

Achernar ( Eri) - árabe, o final do rio.

Acrux ( Cru) - latim, justaposição da letra “a” com a constelação. Ver Estrela de Magalhães.

Agena ( Cen) - grego, o joelho.


78

Alcor (80 UMa) - persa, a pálida.

Aldebaran ( Tau) - árabe, aquele que segue as Plêiades.

Algol ( Per) - árabe, o demônio ou vampiro.

Alnilam ( Ori) - árabe, arranjo de pérolas.

Alnitak ( Ori) - árabe, o colar (ver Mintaka).

Alphard ( Hya) - árabe, a solitária.

Altair ( Aql) - árabe, a águia.

Antares ( Sco) - grego, o rival de Ares (planeta Marte).

Arcturus ( Boo) - grego, o guarda da Ursa Maior.

Becrux ( Cru) - latim, justaposição da letra b com a constelação.

Bellatrix ( Ori) - latim, a guerreira.

Betelgeuse ( Ori) - árabe, ombro do gigante.

Canopus ( Car) - grego, nome do timoneiro do navio Argo, dos Argonautas.

Capella ( Aur) - latim, a pequena cabra.

Castor ( Gem) - irmão gêmeo de Pollux.

Cor Caroli ( CVn) - latim, "coração de Carlos", nome dado por Halley em honra ao rei Carlos II
da Inglaterra, quando foi nomeado Astrônomo Real.

Deneb ( Cyg) - árabe, a cauda.

Denébola ( Leo) - árabe, a pequena cauda.

Dubhe ( UMa) - árabe, o urso.

Estrela de Magalhães ( Cru) - português, referência em homenagem ao navegador que


realizou a primeira circunavegação do mundo.

Fomalhaut ( PsA) - árabe, a boca do peixe.

Intrometida ( Cru) - português.

Miaplacidus ( Car) - árabe, mia = água; grego, placidus = calma  águas calmas.

Mimosa ( Cru) - português, delicada.

Mintaka ( Ori) - árabe, o colar (mesma origem de Alnitak).

Mira ( Cet) - latim, a maravilhosa.

Mizar ( UMa) - árabe, o véu.


79

Pálida ( Cru) - português.

Polaris ( UMi) - latim, estrela do pólo.

Pollux ( Gem) - irmão gêmeo de Castor.

Procyon ( CMi) - grego, "antes do cão", nasce antes da estrela do cão, Sírius.

Rasalgethi ( Her) - árabe, a cabeça daquele que está ajoelhado.

Rastaban ( Dra) - árabe, a cabeça da cobra.

Regulus ( Leo) - latim, o príncipe.

Rigel ( Ori) - árabe, o pé.

Rubídea ( Cru) - português, avermelhada.

Saiph ( Ori) - árabe, a espada.

Sírius ( CMa) - grego, brilhante ou ardente.

Spica ( Vir) - latim, espiga de milho.

Thuban ( Dra) - árabe, a cobra.

Unukalhai ( Ser) - árabe, o pescoço da cobra.

Vega ( Lyr) - árabe, a queda.

Zubenelgenubi ( Lib) - árabe, a garra do sul.

A primeira pessoa a tentar uma utilização de um sistema mais lógico foi um astrônomo
alemão chamado Johann Bayer, que publicou, em 1603, antes da invenção do telescópio, um
livro de mapas estelares, chamado Uranometria, onde introduziu seu sistema.

O que ele fez foi nomear as estrelas brilhantes em cada constelação de acordo com a
ordem de brilho, ou, algumas vezes, pela ordem de sua posição. Com este sistema, invés de
chamar cada estrela pelo nome, listou-as como alfa, beta e assim por diante, de acordo com o
alfabeto grego, em cada constelação.

De acordo com o sistema de Bayer, a estrela mais brilhante de Órion seria Alfa de Órion,
a segunda seria Beta de Órion, e assim por diante. No entanto, Bayer usou a língua latina, e
em latim, quando desejamos indicar posse, não usamos uma preposição e sim uma alteração
no final da palavra - a forma genitiva. Assim, a forma genitiva de Órion é Orionis, e as estrelas
desta constelação se chamariam Alfa Orionis, Beta Orionis, Gama Orionis, etc. Esse sistema é
útil porque nos diz automaticamente aonde está a estrela a qual nos referimos, e também qual
a estrela mais brilhante em cada constelação (embora haja exceções), podendo ainda ser
usado para nomear estrelas pálidas que nunca receberam nomes gregos, romanos ou árabes.
A maior falha do sistema de Bayer é que há somente 24 letras no alfabeto grego, e existem
constelações onde há cerca de 70 estrelas visíveis. Se quisermos enquadrá-las todas no
sistema, teremos de usar combinações de letras, o que tornaria este sistema muito complicado.
80

Além disso, o sistema de Bayer não foi aplicado de maneira muito uniforme. As duas
estrelas mais brilhantes de Gêmeos, Castor e Pollux, possuem brilho muito parecido. Então,
arbitrariamente, Castor foi chamado de Alfa Geminorum, e Pollux, de Beta Geminorum. Depois,
se descobriu que Pollux é ligeiramente mais brilhante, e portanto deveria ser a verdadeira alfa.
A mesma coisa aconteceu em Órion: a beta, Rigel, é mais brilhante que a alfa, Betelgeuse.

Então, em 1609, somente seis anos após Bayer ter estabelecido seu sistema, o cientista
italiano Galileu Galilei apontou o telescópio para os céus. Tornou-se rapidamente óbvio que
existia um número muito maior de estrelas do que as que podiam ser vistas a olho nu, e não
havia como denominá-las.

Em 1712, o astrônomo inglês John Flamsteed resolveu então usar números. Em cada
uma das 54 constelações conhecidas na época que ele podia ver do seu observatório, esperou
que as estrelas componentes atingissem o ponto mais alto no céu (quando este girava) e lhes
deu o número pela ordem que atingiam aquele ponto, ou seja, pela ordem de ascensão reta de
cada estrela. A estrela Alcor, por exemplo, pálida demais para merecer um nome de uma letra
grega, recebeu um nome numérico de Flamsteed. Ela se chama também 80 Ursae Majoris. As
estrelas que possuíam sua letra grega também foram numeradas; assim, Sírius também pode
ser chamada de Alfa Canis Majoris ou 9 Canis Majoris.

Naturalmente, à medida que os telescópios foram se aperfeiçoando, as estrelas se


tornaram visíveis aos milhares em cada constelação. As muito pálidas ficaram conhecidas
através de complicados sistemas que indicam onde podem ser encontradas em determinados
catálogos estelares ou por símbolos que indicam sua declinação exata. Assim, a estrela Vega
pode ser conhecida também por:

Alfa Lyrae (segundo Bayer)

3 Lyrae (segundo Flamsteed)

BD +38º 3238 (Bonner Durchmusterung, por Argelander)

GC 25466 (General Catalogue, por Boss)

HD 172167 (Catálogo de Henry Draper)

SAO 67174 (Catálogo do Observatório Astrofísico Smithsoniano)

ADS 11510 (Catálogo de Aitken), além de várias outras listas.

Mas a último e mais extenso catálogo de estrelas foi obtido com o uso do Telescópio
Espacial Hubble, chamado de Guide Star Catalogue, GSC, que inclui 18.819.291 objetos, dos
quais 15.169.873 são estrelas e os demais, principalmente galáxias.
81

4.3. Brilho e cores

Uma das primeiras diferenças que notamos entre as estrelas é o fato de que algumas
são mais brilhantes do que outras.

Os primeiros astrônomos tiveram que julgar o brilho das estrelas à vista desarmada, e
isto não era fácil. Foi provavelmente o motivo de Bayer ter nomeado as estrelas de Ursa Maior
pela posição que ocupavam no céu (como estas estrelas estavam mais ou menos alinhadas,
ele chamou a primeira de alfa, e assim por diante), sem se importar com o brilho delas; e
também por ele ter errado na nomeação de estrelas das constelações de Gêmeos e Órion:
nestas duas constelações, a estrela mais brilhante é a beta, enquanto a alfa é apenas a
segunda mais brilhante.

Mas no século XIX, os astrônomos, utilizando os instrumentos apropriados, foram


ficando capazes de estimar o brilho das estrelas com mais precisão. Verificaram que o brilho de
uma estrela de primeira magnitude é aproximadamente igual a 100 vezes o brilho médio das
estrelas de sexta magnitude.

Em 1850, um astrônomo inglês, Norman Pogson, sugeriu que as magnitudes estelares


poderiam ser determinadas com maior precisão, matematicamente. Se existem cinco intervalos
entre as seis magnitudes, e se a diferença de brilho é de 100 vezes, basta tirar a raiz quinta de
100 (que é igual a 2,512) para conseguir o intervalo de brilho entre as magnitudes. Isso quer
dizer que uma estrelas de magnitude 1 é 2,512 vezes mais brilhante que outra de magnitude 2,
e assim por diante. Podemos até calcular frações de magnitude, estabelecendo o brilho das
estrelas com maior precisão. Abaixo, está uma tabela das vinte e duas estrelas antigamente
classificadas como sendo de primeira grandeza, segundo Hiparco, em ordem de brilho:

Estrela Nome de Bayer Magnitude

Sírius (Alfa Canis Majoris) -1,42

Canopus (Alfa Carinae) -0,72

Rigil Kent (Alfa Centauri) -0,27

Arcturus (Alfa Bootis) -0,06

Vega (Alfa Lyrae) 0,04

Capella (Alfa Aurigae) 0,05

Rigel (Alfa Orionis) 0,14

Prócion (Alfa Canis Minoris) 0,38

Achernar (Alfa Eridani) 0,51

Agena (Beta Centauri) 0,63

Altair (Alfa Aquilae) 0,77


82

Betelgeuse (Alfa Orionis) 0,80

Aldebaran (Alfa Tauri) 0,86

Acrux (Alfa Crucis) 0,90

Spica (Alfa Virginis) 0,91

Antares (Alfa Scorpii) 0,92

Pollux (Beta Geminorum) 1,16

Fomalhaut (Alfa Piscis Austrini) 1,19

Deneb (Alfa Cygni) 1,26

Becrux (Beta Crucis) 1,28

Regulus (Alfa Leonis) 1,36

Castor (Alfa Geminorum) 1,58

Tabela 4.1. Lista das estrelas de primeira grandeza, por Hiparco.

Assim, verificamos que as estrelas mais brilhantes forçaram os astrônomos a entrarem


pelos números negativos. As estrelas de magnitude menor que 1 são acima da média, e as de
valor maior são abaixo da média e mais fracas. Deve ser lembrado que a escala de magnitudes
é logarítmica, o que quer dizer que Sírius é duas vezes mais brilhante que Canopus e três
vezes mais brilhante do que Alfa Centauri. Outro exemplo: Rigel tem magnitude 0,14 e
Betelgeuse 0,80. Portanto, a diferença de magnitudes é de 0,66. Para calcular o quanto Rigel é
mais brilhante que Betelgeuse, temos que elevar 2,512 à potência de 0,66. O resultado é que
Rigel é 1,84 vezes mais brilhante que Betelgeuse.

Outra característica muito interessante que notamos a respeito das estrelas é que elas
têm cores diferentes. Rapidamente, ao observar o céu, notamos que existem estrelas
vermelhas, amarelas, brancas e azuis. As estrelas têm cores diferentes porque são
incandescentes. Caso esquentássemos uma barra de ferro o suficiente, ela emitiria radiação
em comprimento de onda infravermelho (à temperatura ambiente), depois, quando atingisse
500 graus Celsius, começaria a emitir uma fraca luz vermelha, e conforme esquentasse, a
barra ficaria cor de laranja, amarela, branca e, se não evaporasse, ficaria azul. O mesmo
ocorre com as estrelas: elas são coloridas de acordo com sua temperatura. Estrelas vermelhas,
como Antares e Betelgeuse, são "frias", pois tem míseros 3.000 graus Celsius de temperatura
superficial, enquanto Arcturus e Gama Crucis são alaranjadas, o Sol e Alfa Centauri são
amarelas, Sírius e Vega são brancas. Mas as mais quentes são as estrelas azuladas, como
Alfa Crucis, Spica e Rigel, que possuem temperaturas de 35.000 graus. Em comparação, o Sol
é apenas uma estrela "morna", de modestos 6.000 graus em sua superfície.
83

4.4. Estrelas duplas e variáveis

4.4.1 Estrelas duplas


Qualquer um, observando as estrelas a olho nu, as vê como centelhas individuais de luz,
espalhadas desigualmente pelo céu. Algumas parecem estar localizadas bem próximas umas
das outras, e quando isso acontece elas em geral atraem a atenção. As Plêiades são um
exemplo. Outro caso é o de Mizar e Alcor.

Mizar e Alcor são o melhor exemplo de estrela dupla conhecido pelos antigos, que só
possuíam seus olhos para observar. Olhando para estas duas estrelas desatentamente, se vê
apenas um ponto de luz. Mas alguém, olhando com atenção, descobrirá que são duas. Um
ponto de interesse está na diferença do brilho entre as duas estrelas: a magnitude de Mizar é
2,2; isto a torna cinco vezes mais brilhante do que Alcor, cuja magnitude é 4,0. O brilho de
Mizar tende a ofuscar o de Alcor, tornando-a difícil de ser vista. Na verdade, os antigos usavam
as duas estrelas como um teste de boa visão, pois há necessidade de uma visão aguçada para
vislumbrar a estrela mais obscura no resplendor do brilho da outra.

Quando os astrônomos começaram a usar telescópios, vários pontos de luz que a olho
nu pareciam ser uma estrela solitária, ao telescópio revelaram ser duas, três ou quatro estrelas
muito próximas. O primeiro destes casos foi descoberto em 1650, pelo astrônomo italiano
Giovanni Battista Riccioli. Observando a própria Mizar pelo telescópio, descobriu que esta era
formada por duas estrelas, separadas por apenas 14 segundos de arco, algo completamente
imperceptível a olho nu (a Lua, em comparação, tem em média 1865 segundos de arco de
largura quando cheia). Assim, Mizar não é somente uma estrela dupla visual, graças à próxima
Alcor, mas também uma estrela dupla telescópica, a primeira a ser descoberta.

Há outros casos de estrelas duplas visuais, e é possível citar duas estrelas como duplas
visíveis a olho nu: Teta Tauri e Mu Scorpii. Teta Tauri fica na cabeça do Touro, e Mu Scorpii
ocupa uma posição na cauda do Escorpião. Firmando bem o olhar, vemos Teta Tauri 1 e Teta
Tauri 2, e Mu Scorpii 1 e Mu Scorpii 2, como pequenos pontos brilhantes, muito próximos um
do outro, bastando ter bons olhos e alguma atenção.

Inicialmente, se pensou que tais estrelas eram duplas porque estavam acidentalmente
alinhadas do nosso ponto de vista, podendo na verdade estar bem distantes entre si. Mas a
análise estatística do número de estrelas duplas revelou que haviam alinhamentos demais, e
então levantou-se a hipótese de que haveriam sistemas de estrelas, que dependeriam
gravitacionalmente entre si, o que as tornaria estrelas binárias; ou seja, ao invés de termos
apenas planetas girando em torno de uma estrela, teremos estrelas girando em torno de outras
estrelas. Muitas das estrelas que conhecemos são binárias, como Sírius, Prócion, Antares,
Castor e até o sistema de estrelas mais próximo do Sol, Alfa Centauri.

O sistema Alfa Centauri é muito importante para nós, não só porque tem as três estrelas
mais próximas do Sol, como também duas delas são bastante parecidas com ele. Alfa Centauri
A, a maior, tem 1,08 vezes a massa do Sol, e é uma estrela amarela; B tem 0,87 massas
solares, e é uma estrela laranja; e C tem apenas 0,22 massas solares, o que quer dizer que
esta é uma simples anã vermelha. Há uma boa chance de que as estrelas Alfa Centauri A ou B
possuam planetas estáveis orbitando-as, já que estas distam entre si, em média, 3,5 bilhões de
quilômetros, a mesma distância do Sol a Urano. Caso o homem decida visitar as estrelas,
certamente visitará o sistema Alfa Centauri em primeiro lugar.
84

4.4.2 Estrelas variáveis


As estrelas variáveis são aquelas que experimentam variações em seu brilho em
intervalos de tempo relativamente curtos. Duas estrelas desse tipo eram conhecidas pelos
antigos.

Uma delas era Algol (Beta Persei).Seu brilho varia da magnitude 2,2 até 3,5 e de volta
para 2,2 a cada três dias, ou seja, é capaz de ficar três vezes menos brilhante em intervalos
periódicos (mas que duram apenas duas horas). Os antigos perceberam isto, e Algol
representa o olho da Medusa, um monstro degolado pelo herói Perseu. Seu nome, Algol, vem
do árabe Ras Al Ghoul, e significa "o demônio", pois ninguém conseguia explicar sua
misteriosa variação de brilho.

Hoje sabemos que Algol é uma estrela binária eclipsante, aonde a acompanhante de
Algol, a cada três dias, passa diante da estrela principal e rouba uma parte de seu brilho.

A outra é a estrela Mira (Omicron Ceti), que significa "a maravilhosa". É uma estrela
variável verdadeira, porque as causas da variação de seu brilho são intrínsecos (da própria
estrela), e se devem ao seu atual estágio de evolução estelar. Seu brilho varia da magnitude 10
(invisível para pequenos telescópios) até a magnitude 1,7 (fácil de ver a olho nu) a cada 331
dias. Ou seja, seu brilho varia aproximadamente 2.000 vezes, tornando esta variação mais
impressionante do que a de Algol.

Existem vários tipos e subtipos de estrelas variáveis no céu, dos quais as dos tipos de
Algol e Mira são exemplos de apenas dois deles. O estudo de estrelas variáveis é uma das
pesquisas mais importantes e valorizadas que um astrônomo amador pode fazer, porque não
necessita de instrumentos muito poderosos e exige muito tempo de observação, coisa que os
astrônomos profissionais não têm.

4.5. Movimentos próprios

O primeiro astrônomo a descobrir alguma coisa a respeito dos movimentos das estrelas
foi o inglês Edmund Halley. Ele anotou cuidadosamente as posições das estrelas e, em 1718,
anunciou que tinha descoberto que as estrelas Sírius, Prócion e Arcturus tinham alterado suas
posições em referência às suas vizinhas desde que os antigos gregos registraram suas
localizações. Além disso, tinham mudado ligeiramente de posição em relação ao registro feito
150 anos antes.

Isso quer dizer que as estrelas não eram fixas no espaço como pensavam os primeiros
astrônomos. Tinham "movimentos próprios" (o movimento é próprio por pertencer à estrela, e
não ao céu). Sabemos agora que as estrelas são corpos de gás, espalhadas no espaço, cada
uma delas com seu próprio movimento, com velocidade e direção independentes. Portanto,
elas se movem no céu, modificando suas posições relativas umas às outras, inclusive ao nosso
próprio Sol, dependendo da sua proximidade e da direção de seu movimento em relação a nós.
Uma vez que as estrelas estão muito distantes de nós, todas devem mover-se muito
lentamente, e a alteração em sua posição tornar-se-á visível somente após muitos anos.
Contudo, a alteração será notada com mais rapidez no caso das estrelas mais próximas.
Dentro de algumas centenas de milhares de anos, é possível que nenhuma das constelações
atuais seja reconhecível.
85

É lógico supor que as estrelas mais brilhantes sejam algumas das mais próximas do Sol,
porque isto colabora justamente para que elas sejam mais brilhantes. Assim, foi medido o
movimento próprio da estrela mais brilhante do céu, Sírius, e se verificou que este era de 1,34
segundos de arco por ano. É tão pequeno que não somos capazes de notá-lo, e significa que
Sírius leva 1.400 anos para se desviar no céu, em relação às outras estrelas, por uma
extensão igual à da lua cheia. É um movimento realmente muito vagaroso, mas entre o tempo
que os antigos gregos registraram a posição da estrela e o de Halley, passaram-se 1.700 anos,
e o desvio foi de cerca de 2.250 segundos de arco, mais que uma lua cheia e visível mesmo à
vista desarmada.

A estrela mais próxima do Sol é Alfa Centauri, e esta, por ser mais próxima, deveria ter
um movimento próprio maior que o de Sírius. E realmente o tem: foi registrado o valor de 3,68
segundos de arco por ano, 1,7 vezes mais do que Sírius, o que é o suficiente para fazer com
que Alfa Centauri percorra no céu uma lua cheia em apenas 500 anos.

No entanto, não existem apenas estrelas brilhantes ou visíveis a olho nu no céu. Pode
existir alguma estrela, de brilho muito fraco, que se mova mais rápido no céu do que Alfa
Centauri. Como existem mais estrelas pequenas que grandes, deve haver uma multidão de
estrelas anãs pelo espaço. Se verificou que 15 estrelas no céu superam o movimento próprio
de Alfa Centauri, das quais 4 estão no limite da visibilidade à vista desarmada. Dessas todas, a
campeã é o segundo sistema estelar mais próximo do Sol. Chama-se Estrela de Barnard, e tem
a magnitude 9,67 (15 vezes mais fraca que a mais fraca estrela visível a olho nu). Como está
próxima, a 5,86 anos-luz, deduz-se que seja uma estrela anã. Seu movimento é de 10,3
segundos de arco por ano, o que fará com que ela, nos próximos 181 anos, atravesse uma
faixa no céu igual a da largura da lua cheia.

Pois bem, o movimento próprio é o que vemos da Terra, ou seja, a velocidade com que
uma estrela muda de posição no céu e por isso, é enganoso. Se uma estrela estiver vindo mais
ou menos na nossa direção, ela terá pouco desse movimento. Quais serão os movimentos
reais das outras estrelas em relação à nossa ?

No espaço em três dimensões, podemos identificar dois tipos de movimento em relação


ao Sol: a velocidade radial (que diz se a estrela se afasta ou se aproxima) e a velocidade
transversa (perpendicular à radial, que podemos perceber, quando a estrelas se movem para o
norte, sul, leste ou oeste). A resultante dessas duas velocidades é a velocidade real.

Foram medidas as velocidades radial e transversal de muitas estrelas. Alfa Centauri se


desloca, em relação ao nosso Sol, à velocidade de 100 quilômetros por segundo. Se
reduzíssemos a escala do Sol a 1 centímetro, Alfa Centauri seria outra bolinha igual, à
distância de 300 quilômetros de nós e se movendo a uma velocidade de 2 centímetros diários.

Outra estrela que se aproxima do Sol, em velocidade real, é a Estrela de Barnard, a 141
quilômetros por segundo. A estrela de Barnard se aproxima a uma velocidade tão grande que,
dentro de 9.800 anos, quando atingir a máxima aproximação do Sol, estará a cerca de 3,92
anos-luz do Sol, sendo a estrela mais próxima do Sol nessa ocasião. No entanto, isto não é
uma novidade para o Sol. Segundo cálculos estatísticos, mais de 23.000 estrelas já passaram
a menos de 3 anos-luz de nossa estrela.
86

CAPÍTULO 6
Observação dos Planetas

Marcos Boehme
87

Capítulo 6 - OBSERVAÇÃO DOS PLANETAS

6.1. Denominação

Os povos antigos notaram que as estrelas no céu pareciam girar em torno da Terra,
todas em uma parte do céu que girava, como se fossem presas em uma esfera gigante. Eram
chamadas de estrelas fixas.

Mas existem sete objetos no céu que não se movem com as estrelas. Eles mudam de
posição em relação a elas a cada noite, seguindo seu próprio caminho. Dois deles são o Sol e
a Lua. Os outros cinco são pontos de luz como as estrelas, mas bem mais brilhantes.

Estes objetos são chamados de planetas, para dar a idéia de movimento. Os cinco
planetas semelhantes a estrelas receberam nomes de deuses antigos, segundo um esquema
que pareceu lógico.

Um dos cinco era distintamente avermelhado. O vermelho lembra sangue, ferimentos e


guerra, por isso foi nomeado de Marte, o deus da guerra romano. Os outros planetas também
possuem nomes romanos. Mercúrio é o mais rápido dos planetas, por possuir uma órbita
interna à da Terra. Assim, foi chamado de Mercúrio, o deus da velocidade e dos ladrões. O
planeta mais brilhante e mais vistoso foi chamado de Vênus, a deusa do amor e da beleza.

O nome de Júpiter foi dado a um planeta exterior à órbita terrestre, o que faz com que
haja ocasiões em que este seja visível a noite inteira, como que reinando sobre nós. Na maior
parte do tempo, Júpiter é o planeta mais brilhante do céu, já que Vênus e Mercúrio, planetas
internos, estão sempre junto do Sol. O planeta restante, mais vagaroso, lembrando a velhice,
foi chamado de Saturno, o velho pai de Júpiter.

Além disso, os antigos sumérios também dividiram um ano em semanas, cada uma com
sete dias, cada dia associado a um planeta. Esse sistema sobrevive até hoje, e em muitas
línguas, os dias da semana são nomeados em honra aos planetas. O primeiro e o segundo dia
foram associados ao Sol e à Lua, e em inglês eles são "Sunday", dia do Sol, e "Monday", dia
da Lua. Assim, o terceiro dia é atribuído a Marte, o quarto a Mercúrio, o quinto a Júpiter, o
sexto a Vênus e finalmente o sétimo a Saturno.

Em português, o uso dos dias da semana em honra a deuses pagãos foi abolido: o
primeiro dia da semana é domingo (o dia do Senhor, Deus, "Dominus"), o restante sendo
numerado, até sábado. Mas na maioria dos demais países, o sistema antigo continua sendo
usado.

6.2. Localização no céu

Os planetas se originaram da mesma nuvem de poeira que gerou o Sol, e as leis da


física nos ensinam que a tendência para uma nuvem em rotação é tomar a forma de disco.
Chamamos a projeção da órbita da Terra de eclíptica, e todos os outros planetas orbitam em
um plano parecido. Assim, caso alguém deseje localizar um planeta, deve verificar qual o
trajeto que o Sol percorreu durante o dia (que é parecido com a eclíptica, mas não igual), e
procurar os planetas nessa linha. Uma dica para quem deseje verificar se um certo ponto no
88

céu é ou não um planeta, é de verificar se a luz deste ponto cintila ou não. Os planetas
possuem disco, e seu feixe de luz é mais grosso, e por isso é mais difícil vê-los cintilar. E
finalmente, a maioria dos planetas é bem mais brilhante do que as estrelas mais brilhantes.

Para identificá-los: Marte é avermelhado, Saturno e Mercúrio são amarelados e Vênus e


Júpiter são esbranquiçados. Mercúrio e Vênus possuem um comportamento diferente dos
outros planetas, e por isso são visíveis apenas pouco antes do amanhecer ou um pouco depois
do anoitecer, estando sempre próximos do Sol. Então, tendem a ser ofuscados quando
amanhece e a seguirem o Sol quando este se põe quando anoitece. Os demais planetas
podem ser vistos, dependendo da época, em qualquer ponto da eclíptica, próximo ou distante
do Sol, já que a eclíptica é um círculo que dá a volta em todo o céu.

6.3. Movimentos

Uma vez que foram notados e seu movimento fora constatado, o interesse pelos
planetas cresceu muito. Um fato que os astrônomos antigos notaram, é que cada planeta se
movia com uma velocidade diferente em relação às estrelas. A explicação encontrada foi que
cada planeta se encontrava a uma distância diferente da Terra, o que está certo. Mas também
se pensava que cada um deles girava em torno da Terra, o que está errado. Atualmente, se
pensa que o Sol é o centro do nosso sistema, o sistema solar, e em torno dele giram, pela
ordem, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, e mais três planetas que não eram
conhecidos pelos antigos, porque não eram visíveis a olho nu: Urano, Netuno e Plutão. Sobrou
a Lua, que gira em torno da Terra.

O Sol e a Lua tinham os movimentos mais simples. Os planetas nascem no leste e se


põem no oeste, por causa do giro diário da Terra, mas se movem no meio das estrelas em
sentido contrário. Daí, logo após o pôr do Sol ou pouco antes dele raiar, podia-se ver o padrão
das estrelas próximas a ele. Do modo que o padrão se modificava, ficou claro que o Sol se
movia sobre ele, dia após dia. Então, descobriu-se que o Sol completa uma volta entre as
constelações em um ano, ou 52 semanas. As constelações que o Sol ocupa durante o ano são
chamadas de constelações zodiacais, tradicionalmente em número de doze. Mas, segundo as
constelações definidas pela União Astronômica Internacional, o Sol também invade espaço
reservado a uma décima terceira constelação, Ophiuchus, também conhecido como
Serpentário, o caçador da Serpente.

A Lua se move no céu mais rapidamente do que o Sol. Isso significa que ela troca de
posição em relação a ele: às vezes está bem perto dele, e por outras pode ser vista brilhando
palidamente durante o dia. Por outro lado, algumas vezes está longe e brilha alta no céu após
o pôr do Sol. Sabe-se também que a Lua completa uma volta entre as estrelas em quatro
semanas, ou um mês.

Os demais planetas apresentavam movimentos mais complicados. Podemos dividir os


planetas, conforme seu comportamento, em dois grupos: os planetas internos, mais próximos
do Sol do que a Terra, que são Mercúrio e Vênus, e os planetas externos, mais distantes, que
são Marte, Júpiter e Saturno.

Os planetas internos nunca se afastam muito do Sol: há uma época na qual eles
parecem se afastar um pouco, depois param, e então começam a voltar novamente na direção
do Sol. Isto se deve à geometria das órbitas dos planetas, já que as órbitas dos planetas
internos se localizam dentro da órbita da Terra. Isto quer dizer que, se quisermos ver Mercúrio
ou Vênus, temos que, em certas épocas, acordar cedo, antes do nascer do Sol, ou, em outras,
89

esperar que o Sol se ponha, e veremos um planeta interno perto do Sol. Como a órbita de
Mercúrio é menor, ele é o que menos se afasta do Sol, por isso é mais difícil de se ver.

Os planetas externos, na maior parte do tempo, moviam-se de oeste para leste contra o
céu estrelado, assim como o Sol e a Lua. Porém, em cada um deles, havia um tempo em que o
planeta movia-se com mais e mais lentidão, até parar. Então, começava a mover-se para trás,
de leste para oeste, por algum tempo. Depois, parava novamente e recomeçava a se mover
para a frente. Isto ocorre porque a órbita da Terra é interna à desses planetas, e portanto os
ultrapassa periodicamente; assim, o momento em que o planeta exterior para, este é o
momento da ultrapassagem.

O comportamento de Marte é o mais notável dos três planetas externos (Marte, Júpiter e
Saturno) por duas razões. Primeiro, Marte faz uma volta maior que a dos outros durante seu
período retrógrado. Segundo, enquanto Júpiter e Saturno mudam somente um pouco de brilho
no curso de um ano, Marte o faz de modo acentuado. Fica também muito brilhante

Por causa da geometria da órbita de um planeta externo, é possível vê-los, em certas ocasiões,
à meia-noite, por que suas órbitas se localizam fora da órbita da Terra.

Figura 6.1. Trajetos real e aparente de Marte.

A figura 6.1 explica a “inversão” aparente do movimento de Marte (e também dos demais
planetas exteriores). Na verdade, não há inversão alguma no movimento real, só uma ilusão
causada pela composição dos movimentos dos dois planetas e pela diferença entre suas
velocidades.

Assim, ainda na figura 6.1, no ponto número 1, um observador na Terra veria Marte
avançar de oeste para leste, em seu movimento normal; no ponto 2, Marte parece “parar” no
céu; no ponto 3, Marte entra em oposição, parecendo adotar o movimento inverso no céu, de
leste para oeste; no ponto 4, Marte para novamente; e no ponto 5, Marte volta a seu
movimento normal, de oeste para leste.
90

6.4. Variação do brilho e diâmetro aparentes

As distâncias dos planetas em relação à Terra variam bastante no decorrer do tempo, o


que implica em mudanças bastante grandes em seu brilho, dependendo de suas posições em
suas órbitas. Na tabela a seguir, comparamos o brilho dos planetas conhecidos com o Sol, a
Lua, e Sírius, a estrela mais brilhante do céu à noite.

brilho brilho brilho relativo em


mínimo relação ao máximo
máximo
(Sírius = 1)

Sol -26,7 x [Link]

Lua cheia -12,5 x 27.500

Vênus - 4,4 - 3,6 16,0

Marte - 2,8 +1,8 3,6

Júpiter - 2,5 - 1,7 2,7

Mercúrio - 1,7 - 0,2 1,3

Sírius - 1,4 x 1,0

Saturno - 0,3 1,3 0,36

Urano 5,7 6,0 0,0015

Netuno 7,6 7,9 0,000 25

Plutão 14,5 15 0,000 000 4

Nesta tabela, verificamos que existem quatro planetas que, pelo menos em uma
ocasião, são mais brilhantes do que a estrela mais brilhante do céu. É por isso que chamavam
tanto a atenção dos antigos. Também verificamos que Vênus, quando visível, é sempre o
planeta mais brilhante do céu; então, quando o Sol se esconde, Vênus é o primeiro ponto que
aparece. É por isso que Vênus é chamado de "estrela vespertina", nas ocasiões em que é
visível de tarde, e de "estrela matutina", quando é visível de madrugada, embora não seja uma
estrela.

Em seguida, viria Marte, como o segundo planeta mais brilhante do céu. Acontece que
Marte só consegue atingir seu máximo brilho em ocasiões chamadas de oposições, quando o
Sol, a Terra e Marte estão alinhados, o que acontece a cada dois anos; e só consegue ser
mais brilhante que Júpiter em oposições favoráveis, o que acontece a cada quinze anos.
Assim, durante a maior parte do tempo, Júpiter é o segundo planeta mais brilhante do céu, e
depois de Marte seguiriam Mercúrio e Saturno, que seriam facilmente observáveis a olho nu.

Urano, no entanto, atinge magnitude 5,7, no máximo. Como a estrela mais fraca visível a
olho nu, em perfeitas condições de observação, deve possuir magnitude algo em torno de 6,5,
91

a observação de Urano é muito difícil, embora possível. O mesmo não se pode dizer de Netuno
e Plutão, invisíveis a olho nu.

Para a observação telescópica dos planetas, torna-se importante verificar os diâmetros


aparentes, que é o ângulo que os planetas fazem com nosso olho (as coisas parecem maiores
quando estão mais próximas por que o ângulo que fazem com nossos olhos cresce). A Lua e o
Sol têm mais ou menos o mesmo diâmetro aparente (de 31 a 32 minutos de arco) quando
vistos da Terra, e variam pouco. No entanto, essa variação para os planetas é maior.

Para que uma pessoa seja capaz de distinguir um disco de um ponto, admite-se que é
necessário que este tenha pelo menos dois minuto de arco (ou cento e vinte segundos de arco)
de diâmetro aparente. Na tabela abaixo estão apresentados os diâmetros aparentes do Sol, da
Lua e dos planetas do sistema solar, em segundos de arco.

diâmetro diâmetro
máximo mínimo

Sol 1.953 1.888

Lua cheia 1.974 1.768

Mercúrio 12,9 4,6

Vênus 64,5 9,8

Marte 25,1 3,5

Júpiter 49,6 30,6

Saturno 20,6 14,9

Urano 4,2 3,4

Netuno 2,9 2,0

Plutão 0,1 0,06

Verificamos, por esta tabela, que o diâmetro aparente do Sol e da Lua são muito
parecidos, e grandes o suficiente para serem percebidos como grandes discos luminosos. Os
planetas, ao contrário, são muito pequenos, e parecem ser apenas pequenos pontos
luminosos.

Com o auxílio de um pequeno telescópio, é possível ver as fases de Mercúrio e Vênus,


manchas e calotas polares em Marte, os cinturões e satélites de Júpiter e os anéis de Saturno.
Os demais planetas não permitem a visualização de detalhes.
92

6.5. Observação dos planetas, da Lua e do Sol

6.5.1 Observação de Mercúrio


A observação deste planeta se faz em virtude de sua vizinhança do Sol, muito perto do
horizonte, uma ou duas horas antes do nascer do Sol, ou depois do por do Sol, dependendo da
posição de Mercúrio em sua órbita. É, entretanto, de observação muito difícil, por que: nunca
se afasta muito do horizonte, seu brilho não é muito superior ao das estrelas, e muda de
posição rapidamente, em poucas semanas. Assim, Mercúrio só pode ser observado de
madrugada ou ao entardecer, nas ocasiões em que estiver em uma de suas máximas
elongações.

Com um telescópio pequeno, é possível distinguir seu disco, e observar suas fases.

6.5.2 Observação de Vênus


O trajeto de Vênus no céu é semelhante ao de Mercúrio, com a diferença que é muito
mais amplo e lento. Vênus se eleva muito em relação ao horizonte (cerca de 45 graus), e é
muito mais brilhante que qualquer outra estrela ou planeta, e evolui por vários meses em suas
elongações. Vênus tem brilho suficiente para ser visto até durante o meio-dia, desde que se
saiba aonde procurar. Entretanto, é mais fácil observá-lo durante as horas que antecedem o
nascer do Sol, ou após o por do Sol.

Ao telescópio, Vênus exibe um disco maior que o de Mercúrio, e com fases mais
pronunciadas. Porém, não é visível qualquer detalhe em seu disco, completamente branco.

6.5.3 Observação de Marte


Ao contrário dos planetas interiores Mercúrio e Vênus, Marte pode ser visto a qualquer
hora da noite, inclusive à meia-noite. No entanto, durante a maior parte do tempo Marte se
mostra como um ponto de brilho equivalente a uma estrela de segunda classe, embora com um
interessante brilho avermelhado. A situação mais favorável para a observação de Marte é
aquela na qual ele está alinhado com o Sol e a Terra, durante uma oposição, fato que ocorre a
cada dois anos e um mês. Nesta ocasião, Marte vai ganhado brilho conforme se aproxima da
Terra, até que seu brilho supera o de todos os planetas e estrelas, exceto Vênus. No entanto,
devido às características das órbitas da Terra e Marte, certas oposições são mais favoráveis
que outras, e as mais favoráveis ocorrem a cada 15 ou 17 anos. numa oposição, o planeta
surge no horizonte quando o Sol se põe, percorre todo o céu durante a noite, até que
desaparece no horizonte oposto quando o Sol nasce, sendo visível a noite inteira.

Com um telescópio, observa-se Marte como um disco bastante alaranjado. É possível


distinguir as calotas polares de Marte, e algumas regiões claras e escuras da superfícies desse
planeta. A maior dessas regiões é Syrtis Major, uma região escura destacada já observada no
século XVII.
93

6.5.4 Observação de Júpiter


Júpiter, graças à sua maior distância do Sol, varia pouco em brilho. Assim, pode ser
observado durante a maior parte do tempo no céu, sempre mais brilhante que qualquer estrela,
geralmente mais brilhante que Marte, e visível durante a noite, quando Vênus não é visível.
Assim, Júpiter mereceu receber o nome do líder dos deuses, pois domina o céu por mais
tempo que qualquer outro planeta.

Com um telescópio, vê-se Júpiter como um belo disco branco, com dois cinturões
cinzentos atravessando sua superfície: são os cinturões equatoriais de Júpiter. Também salta
aos olhos a existência dos quatro satélites galileanos, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, por
ordem de distância. Ganimedes é o mais brilhante, e Europa o mais fraco. Os satélites mais
próximos se movimentam com mais rapidez, enquanto os mais distantes parecem se afastar
mais do disco do planeta. É muito interessante observar os fenômenos mútuos destes satélites,
quando um deles passa na frente de outro, ou quando eles passam na frente ou atrás do
planeta. Estes satélites se movem rápido o suficiente para se perceber grandes mudanças de
posição em algumas horas.

Com um telescópio de médias dimensões, é possível destacar mais cinturões do disco


de Júpiter, além da Grande Mancha Vermelha, que muda de posição conforme o planeta gira.

6.5.5 Observação de Saturno


Saturno possui um brilho constante, equivalente ao de uma estrela de primeira classe,
de coloração amarelada, e se desloca lentamente entre as estrelas, permanecendo cerca de
dois anos em cada constelação.

Ao telescópio, observa-se o seu disco, sem detalhes perceptíveis, mas revela-se o


belíssimo sistema de anéis que Saturno possui. Com cerca de 80 aumentos, é possível
distinguir claramente os anéis do disco de Saturno, e com telescópios de tamanho médio, se
distingue a divisão entre os anéis principais: a divisão de Cassini. No entanto, a cada 15 anos,
os anéis se alinham com a Terra, se tornando invisíveis por vários meses.

Com telescópios pequenos, é possível ainda se observar o satélite mais brilhante de


Saturno, Titã.

6.5.6 Observação de Urano, Netuno e Plutão


Urano é visível a olho nu, embora tenha brilho bastante fraco, no limite da visibilidade.
Mesmo com um telescópio, é difícil de distinguí-lo de uma estrela, sendo necessário notar as
posições das estrelas próximas, para se distinguir Urano das demais, pois apresenta
magnitude média de 5,7. Apresenta um fraco brilho esverdeado.

Netuno é invisível a olho nu, ainda mais fraco que Urano, e só é possível identificá-lo
com telescópios médios e um mapa estelar preciso. Apresenta magnitude 8,0 em média, e
possui um brilho azulado.

Plutão só é visível com grandes telescópios, e identificá-lo entre milhares de outras


estrelas é uma tarefa difícil, mesmo para astrônomos experimentados, pois este planeta
possui, em média, magnitude 14.
94

6.5.7 Observação da Lua


A Lua é o mais próximo dos corpos celestes, e oferece uma enorme quantidade de
atrativos para o observador, mesmo com um pequeno telescópio. A observação lunar é
acessível a todos os instrumentos, pois mesmo com um binóculo é possível observar suas
maiores crateras.

Figura 6.2. Desenho simplificado da Lua.

A Lua oferece dois tipos diferentes de relevo: os mares, baixos, lisos e mais escuros; e
as terras altas, escarpadas e mais claras. Os mares são distintos, fáceis de se observar a olho
nu. Com um telescópio pequeno, no entanto, a Lua se revela: se observam crateras, escarpas,
falhas, montanhas e vales. A maior cratera do lado visível é Clavius, que possui várias outras
crateras menores em seu interior. No entanto, as crateras Copérnico e Tycho se mostram mais
bonitas: Copérnico é uma cratera recente e simétrica, com raios de material brilhante em torno,
e com uma montanha em seu centro; se localiza, isolado, entre os mares Imbrium e Nubium.
Tycho, perto de Clavius, ainda mais bem conservado que Copérnico, possui um sistema de
raios brilhantes que atravessam grande parte da Lua, detalhe esse que é mais visível durante a
Lua cheia. No centro do disco da Lua são visíveis três grandes crateras encadeadas:
Ptolomeu, com um fundo liso e escuro, e Alphonsus e Arzachel. No Mare Nubium, é observável
o Muro Reto (ou “Rupes Recta”), uma grande linha escura, de centenas de quilômetros de
extensão, sombra de um desnível de 300 metros de altura existente na Lua. No Mare
Serenitatis é possível observar uma pequena cratera, anormalmente brilhante e isolada: Linné.
Sinus Iridum, ao lado do Mare Imbrium, parece uma grande baía cercada pelos montes Jura.
Também nas proximidades do Mare Imbrium é possível encontrar os montes Pico e Píton,
montanhas isoladas numa vastidão lisa. E há o Vale Alpino, fenda observável perto da cratera
95

Plato, que por sua vez é lisa e circular, com seu fundo escuro. Todas as formações
mencionadas são uma pequena amostra do que pode ser observado na Lua.

6.5.8 Observação do Sol


O Sol apresenta, em certas ocasiões, manchas em sua superfície. Parecem ser
perturbações magnéticas, originadas pela rotação do Sol e deformação de seu campo
magnético, fenômeno que ocorre, periodicamente, a cada 11 anos.

Para a observação do Sol, as manchas solares devem ser contadas, e sua organização
em grupos deve ser anotada, para haver o registro da atividade solar. O dado que registra o
nível de atividade solar é o número de Wolf, obtido somando-se o número total de manchas
somando ao número total de grupos de manchas multiplicado por dez.

As manchas solares, geralmente, só podem ser observada por telescópio. No entanto,


devido à grande intensidade dos raios do Sol, sua observação pode sujeitar o observador à
danos oculares permanentes, a cegueira temporária, parcial ou total, ou permanente. Assim, é
muito aconselhável proceder à observação indireta, ou seja, fazer com que o telescópio projete
a imagem do Sol em uma prancha lisa. Observando suas manchas periodicamente, é possível
observar seu deslocamento, causado pela rotação solar, e a evolução do ciclo de atividade
solar, com o aumento e diminuição paulatino de seu número. O último máximo de atividade
solar foi observado em 1991.

6.5.9 Observação de eclipses


Existem dois tipos principais de eclipses: o eclipse do Sol, quando a Lua passa em
frente ao Sol, bloqueando sua luz; e o eclipse da Lua, quando a Lua passa pela sombra que a
Terra faz no espaço. Os eclipses solares podem ser totais, anulares, totais - anulares e
parciais, e os lunares podem ser totais, parciais, penumbrais e penumbrais parciais (estes dois
últimos são muito difíceis de perceber). O mecanismo dos eclipses é explicado em outro
capítulo dessa apostila.

Na lista de eclipses para Florianópolis, a seguir, o tipo de eclipse é o observado nessa


cidade, e não da região de totalidade, e os eclipses lunares penumbrais foram omitidos, por
serem de difícil observação. A duração total de um eclipse, desde o primeiro até o último
contato, é algo que dura várias horas.

Lista de eclipses para Florianópolis, de 1991 até 2001.

dia tipo meio magn

11/07/1991 solar parcial 17h56min 0,58

21/12/1991 lunar parcial 07h35min 0,09

15/06/1992 lunar parcial 01h57min 0,69

30/06/1992 solar parcial 07h51min 0,93

09/12/1992 lunar total 20h44min 1,28


96

29/11/1993 lunar total 03h27min 1,09

25/05/1994 lunar parcial 00h31min 0,25

03/11/1994 solar total 10h00min 0,98

29/04/1995 solar parcial 15h35min 0,30

04/04/1996 lunar total 21h11min 1,38

26/09/1996 lunar total 23h56min 1,24

24/03/1997 lunar parcial 01h41min 0,92

21/01/2000 lunar total 01h46min 1,33

09/01/2001 lunar total 17h23min 1,19

21/06/2001 solar parcial 07h30min 0,79

Glossário:

dia - dia em que ocorrerá o eclipse.

tipo - tipo do eclipse.

meio - horário em que o eclipse atingirá o seu máximo, em hora de Brasília.

magn - magnitude do eclipse. É o percentual do diâmetro do corpo a ser ocultado que


será realmente ocultado. Nos eclipses totais, tem valor sempre maior que um.

Nesta lista, só estão apresentados os eclipses visíveis em Florianópolis. Além disso, os


dados aqui apresentados (no caso dos eclipses solares) só valem para lugares muito próximos
de Florianópolis. No caso de uma cidade mais distante, os valores verdadeiros podem estar
completamente diferentes.

ADVERTÊNCIA: Para um eclipse lunar, não é necessário utilizar qualquer proteção, já que a
luz da Lua é bastante fraca. No entanto, para um eclipse solar, é necessário proteger a
delicada estrutura do olho da fortíssima luz solar: se não forem tomadas as devidas
providências, poderão ser causados danos irreversíveis, como cegueira parcial ou total.
Portanto, para um eclipse solar, é aconselhável utilizar proteção adequada, como a parte
escura de uma chapa de raio X, ou duas camadas de filmes preto e branco velados e
revelados, ou ainda filtro de soldador número 14.
97

CAPÍTULO 7
Observação de Outros Corpos
Celestes

Alfredo Martins
98

Capítulo 7 - OBSERVAÇÃO DE OUTROS CORPOS


CELESTES

7.1. Introdução

Observando-se o céu noturno, nota-se com clareza as estrelas agrupadas em


constelações, alguns planetas e o satélite natural da Terra, a Lua. Um exame mais cuidadoso,
com mais tempo e regularidade, possibilitará a identificação de outros corpos celestes
igualmente importantes para compreensão do universo que nos cerca.

7.2. Meteoros

Várias vezes durante o ano, a Terra atravessa nuvens de pequenos fragmentos


interplanetários. Como resultado da fricção com a atmosfera terrestre, estes fragmentos se
aquecem e riscam o céu, deixando uma cauda de partículas incandescentes. Os fragmentos
são chamados meteoróides e sua interação com moléculas da atmosfera é chamada meteoro
(também conhecido como estrela cadente). Uma cuidadosa revisão das órbitas dos meteoros
revela uma associação direta com cometas, que ao se aproximarem do Sol, liberam fragmentos
do seu núcleo, deixando um rastro atrás de si. Quando a Terra passa através deste rastro,
numerosos meteoros são observados - é a chuva de meteoros. Estas chuvas parecem
originar-se de um ponto no céu que é chamado radiante. São identificadas pelo nome da
estrela mais próxima. Exemplo: chuva de meteoros Alfa Escórpidas.

Nome Visibilidade Máximo taxa horária

Quadrantídeos 01-04 janeiro 03 jan 40

Eta Aquarídeos 21 abr-12mai 04 mai 20

Arietídeos 29 mai-19jun 07 jun 60

Perseídeos 01-07 junho 09 jun 40

Taurídeos 20 jun-04 jul 28 jun 31

Aquarídeos 21 jul-15 ago 29 jul 20

Perseidas 25 jul-21ago 11-12 ago 50

Beta Taurídeos 23 jun-0 5jul 28-30 jun 20-30

Aquarídeos 21jul-15ago 29 jul 20

Orionídeos 16out-30nov 21-22 out 25


99

Leonídeos 12-21 nov 15-17 nov var.

Geminídeos 02-19 dez 13-14 dez 50 a 90

4.3. Cometas

De vez em quando, aparece um objeto de aspecto difuso no céu, como um pedaço de


névoa brilhante, geralmente com uma longa faixa curva de luz enevoada. Parecia uma estrela
com penugem e uma cabeleira brilhante. Os gregos antigos deram-lhe o nome de “aster
kometes”, ou seja, estrela cabeluda. Atualmente, chamamos estes objetos de cometas.

4.3.1. Composição
Hoje em dia, sabemos que os cometas são, basicamente, aglomerados de fragmentos
rochosos envolvidos em gelo, que se evapora sob o efeito do calor solar.

Um cometa compõe-se de três partes principais: um núcleo, uma cabeleira e uma


cauda.

• O núcleo é o corpo sólido do cometa, que não possui mais que alguns quilômetros de
diâmetro, e possui forma irregular.

• A cabeleira é o material do núcleo que foi aquecido e evaporou, formando uma


atmosfera gasosa envolvendo o núcleo por milhares de quilômetros ou mais.

• A cauda (às vezes, pode existir mais de uma) é formada pelo material da cabeleira que
é atingido e expulso por partículas emitidas pelo Sol, o “vento solar”.

O núcleo de um cometa é tão pequeno que não pode ser observado da Terra. Vale
lembrar que a solidez do núcleo não é lá muito grande; o cometa Biela, por exemplo, em 1846
teve seu núcleo partido em duas partes, e se transformou em dois cometas diferentes, que
foram vistos pela última vez em 1852, podendo ter se fragmentado completamente.

Forma-se uma nebulosidade em torno do núcleo, a cabeleira ou coma, quando o cometa


se aproxima do Sol a uma distância menor do que de 2,5 UA (Unidades Astronômicas). Isto é
conseqüência da sublimação do gelo em sua superfície. Quanto mais aproxima-se do Sol,
maior a influência da radiação solar que arrasta os componentes ejetados do núcleo, formando
uma extensa cauda sempre em oposição ao Sol.

As caudas podem ser de duas naturezas: a cauda de poeira, feita de grãos mais
pesados, é amarelada e tem forma curva, pois seus grãos são mais difíceis de serem
arrastados pelo vento solar; e a cauda de íons, composta de átomos ionizados, é azulada e
reta, pois é formada de partículas leves, e arrastadas com rapidez pelo vento solar.
100

A cauda pode atingir vários milhões de quilômetros de comprimento, sempre apontando


na direção oposta à do Sol, não importando a direção do movimento do núcleo do cometa. Um
dos exemplos mais interessantes foi o cometa Donati, que apareceu em 1.858, foi visível por
oito meses e se tornou o cometa mais brilhante do século XIX. Ele mostrou duas caudas
gigantescas, com cerca de 85.000.000 de km de comprimento, e possui um período de mais de
2.000 anos. Outro cometa brilhante, o cometa de Cheseaux, de 1744, apareceu revelando seis
caudas em leque, aproximadamente iguais

4.3.2. As órbitas dos cometas


Como os cometas vêm de uma nuvem exterior, é comum que suas órbitas sejam muito
diferentes das dos planetas. A órbita de um cometa pode ser elíptica, ou “fechada”, significado
que o cometa é periódico, como o Halley; ou pode ser parabólica, ou “aberta”, significando que
o cometa, após realizada uma passagem, nunca mais voltará. Assim, os cometas de órbita
parabólica costumam ser os de aparência mais brilhante, pois guardam todo o seu estoque de
gelo, ainda intocado pelo calor do Sol, para uma única passagem. Os cometas de órbita
elíptica, a cada passagem pelas proximidades do Sol, perdem parte de sua camada de gelo e
se desgastam cada vez mais, até que, depois de dezenas ou centenas de passagens, perdem
todo o seu gelo e se tornam escuros.

O cometa de Halley, o mais famoso de todos, apresenta período orbital de 76 anos. Sua
passagem mais próxima do Sol (periélio) ocorre a 0,59 UA (dentro da órbita de Vênus) e a mais
afastada do Sol (afélio) ocorre a 35 UA (além da órbita de Netuno). Sua última passagem de
1986 ofereceu uma visão pobre à vista desarmada porque seu periélio, localização em que a
atividade cometária é mais intensa, ficou do lado do Sol oposto à Terra. De fato, essa foi a
passagem mais fraca do cometa Halley em mais de 2.000 anos.

4.3.3. O brilho dos cometas


A cada década, aproximadamente, é possível observar um cometa com magnitude
semelhante a +1, mas a data de sua chegada é imprevisível, pois os cometas mais brilhantes
são os de órbita parabólica . De 1976 até 1996, o intervalo de tempo que separa a chegada do
cometa West do cometa Hyakutake, não se observa um cometa brilhante nos céus.

Os astrônomos registraram muitos cometas, desde a antiguidade, e abaixo é mostrada


uma lista dos cometas mais brilhantes.

Lista dos mais brilhantes dos últimos 2.000 anos, segundo Mourão

NOME MAGN.

Cruls ou Grande Cometa de Setembro (1882 II) -15 / -20

Ikeya-Seki (1965 VIII) -10

Brahé (1577 I) -7

Klinkenberg ou Cheseaux (1744) -7


101

Grande Cometa de Março (1843 I) -7

Skjellerup-Marastany (1927 IX) -6

Wells (1882 I) -5

Regiomontanus (1472) -4

Hevelius (1665) -4

Grande Cometa de Janeiro (1910 I) -4

Halley (837) -3,5

Howard-Koomen-Michels (1979 XI) -3,5

De La Nux (1758) -3

Cometa do Eclipse (1948 XI) -3

Kohoutek (1973 XIII) -3

West (1976 VI) -3

Seki-Lines (1962 III) -2,5

Solwind 2 (1981 I) -2,5

Viscara ou Grande Cometa de Abril (1901 I) -1,5

Donati (1858 VI) -1

As causas do grande brilho destes cometas foram: o fato do cometa ser particularmente
grande, portanto com grande quantidade de poeira e gelo reflexivo; grande aproximação do Sol
e/ou da Terra; uma explosão súbita, causada por uma erupção de um depósito de gás ou gelo,
até então encoberto; ou uma combinação destes fatores. Uma ressalva que se tem de fazer é
que alguns destes cometas só atingiram este grande brilho quando se aproximaram muito do
Sol, sendo de observação muito difícil, como o cometa Howard-Koomen-Michels.

O mais famoso dos cometas, o Halley, é o único cometa periódico na lista dos mais brilhantes.
Todos os demais são parabólicos, destinados a nunca retornar, ou a retornar apenas dentro de
milhares ou milhões de anos. Das últimas 29 aparições do Halley, apenas nove delas atingiram
magnitude negativas, como a de 837, de magnitude -3,8 e a de 1910, de magnitude -1,5. A
mais fraca de todas as aparições do Halley, em 2.200 anos, foi em 1986, com magnitude de
+3,3; e para 2061, acredita-se que seu brilho atingirá magnitude +1,2.

Os últimos cometas observados a olho nu foram o Halley, em 1985, o Austin, em 1990, e


o Hyakutake, em 1996, além do cometa Hale-Bopp, em 1997.
102

7.4. Via Láctea

É a galáxia espiral onde habita o Sol e seu sistema de planetas. Devido a sua estrutura
em forma de disco e pelo fato de estarmos localizados em um de seus braços, quando
olhamos na direção do centro ou da periferia observamos uma grande quantidade de estrelas,
dando ao céu um aspecto leitoso. Seu centro está voltado na direção da constelação de
Sagitário.

Com o deslocamento da Terra em redor do Sol durante o ano, a posição da Via Láctea
vai sofrendo modificação devido à mudança na configuração do céu.

Da Terra, vemos a Via Láctea atravessando as constelações de Cruzeiro do Sul,


Sagitário ...

7.5. Aglomerados globulares

São acúmulos de milhares de estrelas com distribuição esférica que orbitam em torno do
núcleo da Via Láctea, fora de seu disco. Dois representantes famosos no hemisfério sul são os
aglomerados Ômega do Centauro (NGC 5139) e 47 do Tucano (NGC 104). Ambos
apresentam-se com magnitude visual quatro.

7.6. Aglomerados abertos

São acúmulos irregulares de estrelas localizados no disco da Via Láctea. Orbitam o


núcleo no plano da Galáxia. Seu representante mais famoso é o aglomerado das Plêiades
(Messier 45) localizado na constelação de Touro. Destacam-se ainda as Híades (no Touro),
Presépio (no Câncer), e a Caixa de Jóias (no Cruzeiro do Sul).

7.7. Nebulosas

O espaço entre as estrelas na Via Láctea é preenchido por gases e poeira. Quando a
densidade destes gases e poeira é grande, formam-se nuvens que sofrem interação com a luz
emitida pelas estrelas. Elas tornam-se luminosas e tornam-se visíveis desde a Terra. Temos
dois tipos principais de nebulosas:

 Nebulosa de reflexão - Quando a luz das estrelas próximas sofre reflexão nos gases
tornando-os visíveis. Exemplo: Nebulosa das Plêiades;

 Nebulosa de emissão - Quando a luz das estrelas próximas ioniza os gases tornando-
os luminescentes. Exemplo: Nebulosa de Órion;

 Nebulosa obscura - Quando não há estrelas próximas, a nebulosa não brilha e


aparece como uma massa escura que absorve a luz dos objetos mais distantes. Exemplo:
Nebulosa do Saco do Carvão, no Cruzeiro do Sul.
103

7.8. Galáxias

Nossa galáxia, a Via Láctea, está acompanhada de algumas dezenas de outras


companheiras formando o chamado Grupo Local. Destas, quatro são visíveis à vista
desarmada. Duas delas, em ocasiões apropriadas, são facilmente observáveis. São a Grande
e a Pequena Nuvem de Magalhães, localizadas nas redondezas do Pólo Sul Celeste.

Mais difíceis de observar são a galáxia de Andrômeda, também conhecida como M31, e
a galáxia do Triângulo, ou M33. A galáxia de Andrômeda, com magnitude de 4,8, é visível na
constelação de Andrômeda, que encontra-se ao norte, observável no início das noites de
primavera. A galáxia do Triângulo, com magnitude 5,9, é visível na constelação do Triângulo.
104

CAPÍTULO 8
O Sistema Solar

Alfredo Martins
Antônio C. de Lucena
105

CAPÍTULO 8
PARTE 1
Estrutura do Sistema Solar

Alfredo Martins
106

Capítulo 8 – O SISTEMA SOLAR – Parte 1

8.1. Estrutura do Sistema Solar

8.1.1. Introdução
O sistema solar é o grupo de corpos celestes compreendendo o Sol e um grande
número de corpos que estão ligados gravitacionalmente à ele e giram em órbitas elípticas ao
seu redor. Inclui nove planetas, mais de cem satélites planetários naturais; numerosos
asteróides, geralmente entre Marte e Júpiter; os cometas, os quais existem em grande número;
e incontáveis meteoróides.

O Sistema Solar pode ser considerado uma esfera de raio tão grande quanto 100.000
UA (Unidades Astronômicas), embora os planetas estendam-se num raio menor de 50 UA.

Com exceção de alguns cometas, todos os corpos do sistema solar orbitam o Sol no
mesmo sentido da Terra ao longo de órbitas que ficam perto do plano da órbita da Terra
(eclíptica) e do equador do Sol. Observando-se o sistema solar no sentido norte - sul, os
planetas orbitam o Sol no sentido anti-horário. Este movimento reflete o postulado da origem
comum do sistema solar por contração e rotação de nuvens de gás interestelar e poeira
cósmica, há cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.

O Sol e seu sistema estão movendo-se em órbita circular em torno do centro da Galáxia,
o qual fica a cerca de 10.000 parsecs (30.000 anos luz) na direção da constelação de Sagitário,
completando uma revolução a cada 220 milhões de anos, a uma velocidade de 250 km/s.

8.1.2. O Sol
O Sol é uma estrela como uma das 100 a 200 bilhões de estrelas da Via Láctea.
Localiza-se no "Esporão do Órion", nas proximidades do braço espiral Sagitário-Carina. É uma
estrela amarela - alaranjada do tipo espectral G2v. Produz energia através de fusão nuclear.
Comparado com outras estrelas, é de tamanho médio. Comparado com a Terra apresenta-se
como uma imensa esfera com volume um milhão de vezes maior. O diâmetro equivale a 109
Terras colocadas lado a lado. O tamanho aparente do Sol visto da Terra é de 1/2 grau de arco,
equivalente ao diâmetro de um lápis observado com o braço esticado.

8.1.3. Os Planetas e seus satélites


Os planetas são corpos celestes compactos de composição variada, sem luz própria,
que giram em torno do Sol em órbitas elípticas. Podem ser classificados segundo vários
critérios:

a) Em relação à órbita da Terra

 Planetas Inferiores: Apresentam órbitas aquém da órbita da Terra: Mercúrio e Vênus.


107

 Planetas Superiores: Apresentam órbitas além da órbita da Terra: Marte, Júpiter,


Saturno, Urano, Netuno e Plutão.

b) Em relação aos anéis de Asteróides

 Planetas Interiores: àqueles situados aquém dos anéis de Asteróides: Mercúrio,


Vênus, Terra e Marte.

 Planetas Exteriores: àqueles situados além dos anéis de asteróides: Júpiter, Saturno,
Urano, Netuno e Plutão.

c) Em relação à constituição física

 Planetas Terrestres ou Telúricos: àqueles semelhantes à Terra, ou seja, massa


pequena e densidade grande. Todos têm núcleo rico em ferro e crosta rochosa: Mercúrio,
Vênus, Terra e Marte.

 Planetas Jovianos ou Gigantes Gasosos: àqueles semelhantes à Júpiter, ou seja,


massa grande e densidade pequena. Todos são essencialmente constituídos por gases sendo
sua superfície aparente formada por suas atmosferas: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

 Planetas Gelados: àqueles formados por gases congelados, como o metano. Plutão é
o único representante atualmente conhecido.

Os satélites são corpos celestes que giram em torno de um planeta em conseqüência da


gravitação. Estão assim relacionados com seus planetas:

 Terra, 1 - Lua

 Marte, 2 - Fobos, Deimos

 Júpiter, 60 - Métis, Adrastéia, Amaltéia, Tebe, Io, Europa, Ganimedes, Calisto,


Themisto, Leda, Himália, Lisitéia, Elara, Harpalyke, Ananke, Praxidike, Iocaste, Carme,
Erinome, Taygete, Chaldene, Isonoe, Pasífae, Callirrhoe, Sinope, Kalyke, Megaclite e mais
trinta e três recém descobertos.

 Saturno, 31 - Atlas, Prometeu, Pandora, Janus, Epimeteus, Mimas, Pã, Réia, Titã,
Hipérion, Jápeto, Febe, Encélado, Tétis, Telesto, Calipso, Dione, Helene, além de outros treze
recentemente descobertos.

 Urano, 21 - Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon, Puck, Pórcia, Julieta, Créssida,
Rosalinda, Belinda, Desdêmona, Cordélia, Ofélia, Bianca, Próspero, Setebos, Stephano,
Caliban, Sycorax além de mais um recém descoberto.

 Netuno, 11 - Tritão, Nereida, Náiade, Thalassa, Galatéia, Despina, Larissa, Proteu e


mais três descobertos recentemente.

 Plutão, 1 - Caronte.
108

8.1.4. Os Asteróides
Os Asteróides são pequenos corpos celestes, também chamados Planetas Menores ou
Planetóides, que giram em torno do Sol geralmente com órbita entre Marte e Júpiter. Estão
catalogados mais de 5.000 deles. Alguns agrupados em famílias, tais como a família Apolo,
Amor e Troianos. Um dos mais representativos é Ceres, com 930 km de diâmetro, o qual foi o
primeiro a ser descoberto (em 1801). Embora em número total superior a trinta mil, sua massa
combinada é consideravelmente menor que a massa da Lua. O tempo que tomam para orbitar
o Sol varia de 3,5 a 6 anos.

8.1.5. Meteoróides
Os Meteoróides são fragmentos de matéria maior que uma molécula e menor que um
Asteróide. Ao penetrarem na atmosfera terrestre se aquecem produzindo o fenômeno luminoso
chamado Meteoro (estrela cadente) e ao atingirem a superfície da Terra recebem o nome de
Meteorito.

8.1.6. Cometas
Os Cometas são corpos do Sistema Solar constituídos de pequenas partículas sólidas
(poeira) e gelo (gás congelado). Foram formados na periferia do Sistema Solar e representam
fósseis da nebulosa primordial que deu origem a todos representantes deste sistema. São
portanto remanescentes que sobreviveram ao nascimento do Sistema Solar. Virtualmente
inalterados, os cometas contém importantes informações sobre nossa origem e a de nosso
sistema solar.
109

CAPÍTULO 8
PARTE 2
Dinâmica do Sistema Solar

Antônio C. de Lucena
110

Capítulo 8 – O SISTEMA SOLAR - Parte 2

8.2. Dinâmica do Sistema Solar

8.2.1. Introdução
Em vista das enormes distâncias existentes entre os corpos que formam o sistema solar,
relativamente ao tamanho destes mesmos corpos, é lícito, ao se estudar os movimentos
orbitais, considerá-los como pontos materiais, isto é, corpos com dimensões próprias
desprezíveis (pontos geométricos), mas portadores de massa.

Para enfatizar as relações entre as dimensões dos corpos do sistema solar e as


distâncias entre eles, a tabela 2 a seguir mostra tal fato, numa escala mais perceptível à nossa
mente. A tabela 8.1 mostra os tamanhos e distâncias reais.

corpo diâmetro distância ao Sol

(km) (km)

Sol 1.392.000 - x-

Mercúrio 4.880 57.900.000

Vênus 12.100 108.200.000

Terra 12.755 149.600.000

Marte 6.788 228.000.000

Júpiter 137.400 778.300.000

Saturno 115.000 [Link]

Urano 50.100 [Link]

Netuno 49.400 [Link]

Plutão 2.300 [Link]

Tabela 8.1. Tamanhos e distâncias dos planetas do sistema solar.


111

corpo "diâmetro" "distância ao


Sol"

(cm) (m)

Sol 140,0 -x-

Mercúrio 0,5 58

Vênus 1,2 108

Terra 1,3 150

Marte 0,7 230

Júpiter 14,0 780

Saturno 12,0 1.430

Urano 5,0 2.870

Netuno 5,0 4.500

Plutão 0,2 5.900

Tabela 8.2. Dimensões de um modelo reduzido do sistema solar.

Na Tabela 8.2, admite-se que o Sol é uma esfera com aproximadamente 1,4 m de
diâmetro; então, as dimensões dos planetas (em centímetros) e as distâncias dos planetas ao
Sol (em metros) são as mostradas.

8.2.2. Órbitas dos planetas.


As órbitas de todos os planetas são, para todos os fins práticos, elipses perfeitas, com o
Sol ocupando um dos focos. Estas elipses, entretanto, pouco se afastam da forma de uma
circunferência.

Os planetas descrevem estas elipses, cada um levando um determinado tempo,


chamado período, para dar uma volta completa em torno do Sol. Este tempo é tanto maior
quanto mais afastado do Sol se encontra o planeta. A tabela 3 mostra os períodos dos
planetas.

O plano da órbita da Terra, chamado de plano da eclíptica, é a referência para todas as


outras órbitas.
112

Os planos das órbitas dos planetas não coincidem com o plano da órbita da Terra. Por
outro lado, se afastam dele por um valor pequeno, tendo cada planeta o seu próprio plano, que
é diferente do plano de todos os demais.

Vistos de perfil os planos das órbitas dos planetas teriam, grosso modo, a configuração
geral mostrada na figura 1.

Figura 8.1. Inclinação do plano da órbita de um planeta sobre o plano da eclíptica.

“i” representa o ângulo de inclinação do plano da órbita do planeta sobre o plano da


eclíptica.

período

planeta anos dias


terrestres terrestres

Mercúrio 0,241 88,97

Vênus 0,615 224,70

Terra 1,000 365,26

Marte 1,881 686,98

Júpiter 11,860 4.332,90

Saturno 29,460 10.764,20

Urano 84,010 30.694,90

Netuno 164,740 60.190,00

Plutão 248,540 90.465,00

Tabela 8.3. Períodos de rotação e revolução dos planetas.


113

planeta i (graus) Observações

Mercúrio 7,00

Vênus 3,39

Terra 0,00

Marte 1,85

Júpiter 1,31

Saturno 2,49

Urano 0,77 menor

Netuno 1,77

Plutão 17,15 maior

Tabela 8.4. Inclinação das órbitas dos planetas.

Os planetas descrevem suas órbitas todos no mesmo sentido de revolução, que coincide
com o sentido de rotação do Sol, o que reforça, como se verá posteriormente, a hipótese de
uma gênese comum.

A figura 8.2 mostra, de forma esquemática, o que se veria numa vista de cima (do pólo
norte da eclíptica).

Figura 8.2. Órbitas dos planetas.


114

8.1.3. Configurações planetárias relativas ao Sol e à Terra.


Como os planetas não emitem luz, apenas refletindo a luz que recebem do Sol, eles
podem ser vistos de várias maneiras diferentes nos céus da Terra, dependendo de suas
posições relativas ao Sol e à própria Terra.

O comportamento dos planetas é radicalmente diferente conforme se trate de um


planeta inferior ou de um planeta superior.

[Link] Planetas inferiores.

Os planetas inferiores, Mercúrio e Vênus, nunca se afastam muito do Sol (quando vistos
da Terra). Somente são observados no início da noite ou no início da manhã. Apresentam
fases bem distintas, similares àquelas da Lua.

A figura 8.3 mostra, de forma esquemática, as posições relativas da Terra e de um


planeta inferior.

[Link] Planetas superiores.

Os planetas superiores, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão podem ocupar
qualquer posição em relação ao Sol e portanto podem ser vistos a qualquer hora da noite.
Apresentam seus hemisférios quase totalmente iluminados, sendo que este fenômeno é mais
acentuado quanto mais distante da Terra for o planeta. Consequentemente, apesar de ainda se
poder falar na existência de fases, estas são muito pouco pronunciadas, sendo mesmo quase
que imperceptíveis na maior parte das vezes.

A figura 8.4 mostra, de forma esquemática, as posições relativas da Terra e de um


planeta superior.
115

Figura 8.3. Posições relativas da Terra e de um planeta inferior.


116

Figura 8.4. Posições relativas da Terra e de um planeta superior.


117

8.2.4. Relações entre os diversos períodos planetários.


O período referido no item 2, mostrado na tabela 3, é definido como sendo o tempo que
um planeta leva para dar uma volta em torno do Sol, conhecido como período sideral. O
referencial adotado é o das estrelas.

Existe um outro período, em relação à Terra, chamado de período sinódico. O período


sinódico pode ser definido como sendo o intervalo de tempo que decorre entre duas posições
relativas Sol - Terra - planeta iguais e consecutivas.

Assim, para um planeta inferior, este intervalo de tempo é tomado como sendo aquele
que existe entre duas conjunções inferiores consecutivas. A figura 8.5 mostra de forma
esquemática o exposto.

Figura 8.5. Período sinódico para um planeta inferior

Com referência à figura 8.5, em 1 o planeta se encontra em conjunção inferior. No


intervalo de tempo que o planeta leva para dar uma volta completa ao Sol, a Terra se deslocou
até o ponto 2. Daí para que o planeta volte a uma nova conjunção inferior ele tem que
percorrer, sobre a sua órbita, o arco 2-3, enquanto a Terra percorre, sobre a sua órbita, o arco
2-3.
118

Já para um planeta superior, tal período é tomado como sendo o intervalo de tempo que
ocorre entre duas oposições sucessivas. A figura 8.6 ilustra, de forma esquemática, o exposto.

Figura 8.6. Período sinódico para um planeta superior.

A explicação da figura 8.6 é semelhante à da figura 8.5.

As expressões que relacionam os períodos sinódicos e siderais de um planeta com o


período sideral da Terra são as seguintes:

a) Para planetas inferiores

1 1 1
----- = ----- - -----
T P S
119

b) Para planetas superiores.

1 1 1
----- = ----- + -----
T P S

onde: T = Período sideral da Terra (365,26 dias)

P = Período sideral do planeta

S = Período sinódico do planeta

Obs.: As duas fórmulas acima podem ser escritas como uma única como segue:

1 1 1
----- = -----  -----
T P S

onde o sinal de (-) vale para planetas inferiores e o sinal de (+) vale para planetas superiores.

Exemplo: Para o planeta Vênus se observa que S = 583,92 dias. Daí

1 1 1
---------- = ----- - ----------
365,26 P 583,92

e consequentemente P=224,7 dias.

8.2.5. As leis de Kepler. As leis de Newton.

[Link] As leis de Kepler

Os planetas movem-se ao redor do Sol de acordo com 3 leis, descobertas


empiricamente, no início do século XVII pelo astrônomo (e astrólogo) alemão Kepler. Estas leis
são as seguintes:
120

I - Lei das órbitas (ou Lei das elipses).

"A órbita de cada planeta é uma elipse, na qual o Sol ocupa um dos
focos."

A figura 8.7 mostra isso.

Figura 8.7. Primeira lei de Kepler.

II - Lei das áreas

"O raio vetor de um planeta varre áreas iguais em tempos iguais."

Neste ponto cabe esclarecer o que se entende por raio vetor.

O raio vetor de um planeta nada mais é do que o segmento de reta que, em qualquer
instante, liga o centro do Sol ao centro do planeta. A figura 8 mostra o entendimento da
segunda lei de Kepler.
121

Figura 8.8. A segunda lei de Kepler

Com referência à figura 8, as áreas Sol-1-2 e Sol-3-4, são iguais. Portanto, o planeta
percorre o arco de elipse 1-2 no mesmo tempo que leva para percorrer o arco 3-4. Como o
arco 1-2 é maior do que o arco 3-4, então o planeta se move mais rapidamente quando mais
próximo do Sol do que quando mais distante.

III - Lei dos períodos (ou Lei harmônica).

"Os quadrados dos períodos siderais dos planetas são proporcionais


ao cubo dos semi-eixos maiores (raio médio) de suas respectivas
órbitas."

Matematicamente temos:

T2  a3

A figura 9 mostra o entendimento de a.


122

Figura 8.9. A terceira lei de Kepler

Para todos os planetas do sistema solar, a constante de proporcionalidade é a mesma,


de modo que se pode escrever:

T2 = Ka3

Assim, para dois planetas quaisquer, temos:

T 12 a13
----- = -----
T 22 a23

[Link] As leis de Newton.

Baseando-se nos trabalhos de Galileu e de Kepler, Newton criou um esquema unificado


de mecânica e de gravitação.

Além do esclarecimento (ou definição) de alguns conceitos auxiliares (tais como força,
massa, espaço, tempo, velocidade e aceleração, por exemplo), Newton estabeleceu as três leis
que levam seu nome (também chamadas, por alguns autores, de leis de Newton - Galileu).

Aqui, vamos somente enunciá-las, já que sua aplicação à mecânica do sistema solar é
um assunto mais ou menos complexo, que foge ao escopo deste nosso curso.
123

Entretanto, é importante ressaltar que o movimento dos planetas ao redor do Sol, dos
satélites (incluindo os artificiais) ao redor dos planetas e das naves espaciais de um modo
geral, obedecem a estas leis, uma vez que as três leis de Kepler podem ser deduzidas
matematicamente das leis de Newton, o que faz com que estas sejam mais fundamentais do
que aquelas.

I - Primeira lei de Newton (A lei da inércia)

"A velocidade de uma partícula permanece constante (em


magnitude e direção), a não ser que seja diferente de zero a soma
das forças que atua sobre ela."

Matematicamente esta lei pode ser escrita:

v = constante.

Uma outra forma, mais fundamental ainda é

mv = constante

Aqui p = mv é o chamado momento da partícula (também chamado de quantidade de


movimento da partícula).

II - Segunda lei de Newton (A lei do movimento)

"A direção e o sentido da aceleração que um conjunto de forças


imprime a uma partícula, sobre a qual elas estejam agindo
simultaneamente, são os mesmos que os da soma das forças
consideradas, e o módulo de tal aceleração proporcional ao dessa
soma."

Matematicamente esta lei pode ser escrita:


124

F = ma

Uma outra forma, mais fundamental ainda:

d
F = ----- (mv)
dt

III - Terceira lei de Newton (Lei da ação e reação).

"Sempre que uma partícula A estiver exercendo uma força sobre


uma outra partícula B, esta outra estará, reciprocamente, exercendo
também uma força sobre a partícula A, e tais forças serão sempre
colineares, de módulos iguais e sentidos opostos."

Em forma matemática:

F= -F

A última lei obtida por Newton é conhecida como Lei da Gravitação Universal.

É esta lei que, juntamente com as três leis anteriormente citadas, permite determinar
todos os movimentos no sistema solar (e além dele também).

Pode-se estabelecer esta lei como segue:

"No universo, duas partículas quaisquer se atraem, sendo o módulo


da força de atração que uma exerce sobre a outra diretamente
proporcional ao produto de suas massas e inversamente
proporcional ao quadrado da distância entre elas."

Em forma matemática temos:


125

m m
f = G --------------
d

Na figura 10 mostra-se isto:

Figura 8.10. Lei da gravitação universal

8.2.6. Elementos orbitais.


Para se caracterizar perfeitamente a órbita de um planeta (ou cometa ou asteróide,
enfim, de qualquer corpo que gire em torno do Sol), são necessários seis elementos
fundamentais e um acessório, que veremos a seguir. Para uma maior clareza, segue-se uma
revisão de alguns conceitos e da nomenclatura utilizada.

A figura 8.11 mostra a órbita de um planeta em torno do Sol, onde se encontram


indicados os seus pontos principais.

Figura 8.11. Órbita de um planeta.


126

A figura 8.12 mostra, de forma esquemática, a posição do plano da órbita de um planeta


em relação ao plano da eclíptica, onde estão indicados os elementos da órbita.

Figura 8.12. Elementos orbitais

Os elementos, mostrados na figura 8.12 são:

 Inclinação i

A inclinação i do plano da órbita sobre a eclíptica pode ter qualquer valor de 0 a 180
graus, inclusive.

0 <= i <= 180

Se 0 <= i <= 90, se diz que o planeta executa movimento direto. Se 90 < i <= 180, se diz
que o planeta executa movimento retrógrado.
127

 Longitude (heliocêntrica) do nodo ascendente 

É o ângulo entre a direção do ponto vernal (ou ponto Áries) e a direção do nodo
ascendente.

0 <=  <= 360

Este ângulo é contado sobre o plano da eclíptica, no sentido direto (sentido do


movimento de revolução da Terra).

A longitude do nodo ascendente e a inclinação da órbita i determinam a posição do


plano da órbita do planeta com relação à eclíptica.

 Argumento do periélio 

É a distância angular entre a linha dos nodos, contada desde o nodo ascendente, até a
linha que une o centro do Sol ao periélio do planeta. Se conta sobre o plano da órbita do
planeta, no sentido do movimento deste.

0 <=  <= 360

O argumento do periélio localiza a posição da órbita sobre o plano da órbita.

 Semi-eixo maior a.

O semi-eixo maior a é definido como sendo a semi-soma da distância Sol-periélio com a


distancia Sol-afélio.

 Excentricidade da órbita e.

A excentricidade da órbita é definida como

c
e = ------
a

sendo c a distância do foco ao centro da elipse.

O valor de c é sempre menor do que 1.

O semi-eixo maior a e a excentricidade c determinam o tamanho e a forma da órbita.


128

 Período P

O período P é definido como sendo o intervalo de tempo que o planeta leva para dar
uma volta completa em torno do Sol.

Existe ainda um sétimo elemento que é usualmente indicado. É a data de passagem


pelo periélio T. Este parâmetro permite localizar o planeta em sua órbita, para uma data
qualquer.

Com estes elementos é possível calcular a posição do planeta, em relação ao Sol, para
uma época qualquer e, através de uma transformação adequada de coordenadas, localiza-lo
no céu, como visto da Terra.
129

CAPÍTULO 9
O Sol

Antônio C. de Lucena
130

Capítulo 9 - O SOL

9.1. Introdução

Nosso Sol é a mais próxima estrela da Terra.

O Sol, basicamente, é uma enorme esfera de gás, no centro da qual existem enormes
pressões e temperaturas e onde, através de reações termonucleares, são liberadas enormes
quantidades de energia, uma pequena parte da qual chega até a Terra principalmente na forma
de luz e calor, permitindo assim a vida sobre nosso planeta.

O Sol é o rei do sistema solar, uma vez que concentra mais de 99% da massa do
sistema.

Os principais componentes do Sol são o hidrogênio e o hélio, havendo ainda pequena


quantidade dos outros elementos.

O Sol, da mesma forma que os planetas, também possui um movimento de rotação em


torno de seu próprio eixo. Entretanto, o Sol não gira como um corpo sólido. Suas diversas
regiões têm velocidades de rotação diferentes, sendo que a maior velocidade é atingida na
região do equador solar e a menor nos pólos. O período sideral de rotação do equador é da
ordem de 25 dias terrestres, enquanto que o dos pólos é aproximadamente de 31 dias.

9.2. Principais parâmetros físicos do Sol.

Abaixo relacionamos alguns dos principais parâmetros físicos do Sol e, onde cabe, os
comparamos com os da nossa Terra.

 = Sol

 = Terra

 Diâmetro

D = 1.392.000 km (= 109 D)

 Volume

V = 1,41x1018 km3 (= 1.295.000 V)


131

 Massa

M = 1,99x1030 kg (= 330.000 M)

 Massa específica média

 = 1,41 g/cm3 
( = 5,5 g/cm3)

 Aceleração da gravidade na superfície

g = 274 m/s2 (g = 9,81 m/s2)

 Luminosidade

L = 3,86x1026 W

 Temperatura na superfície

Ts = 5.800 Kelvin (K)

 Temperatura no núcleo.

Tn = 16.000.000 K

 Massa específica no núcleo.

n = 160 g/cm3 


( pb = 11 g/cm3)

9.3. Estrutura do Sol.

O estudo da estrutura interna do Sol é feito, atualmente, praticamente com o uso de


modelos, sujeitos às leis físicas conhecidas e simulados em computadores. Os resultados das
simulações são comparados com os dados observados para se testar a validade dos modelos.
Esta abordagem do problema é válida para o estudo da estrutura interna de todas as estrelas.

As partes do Sol que nos são acessíveis à observação direta são as camadas externas,
mais especificamente a fotosfera que forma a superfície visível do Sol.
132

A estrutura interna do Sol é mostrada, esquematicamente,na figura 9.1.

Figura 9.1. Estrutura interna do Sol. (Não em escala)

A fotosfera, cromosfera e a coroa solar formam o que se chama de atmosfera solar.

 Núcleo.

O núcleo, que se estende do centro do Sol até uma distância de 0,25 R, é o local onde
ocorrem as reações termonucleares que mantém o Sol aceso. A temperatura nesta região é de
16x106 K, com uma massa específica de 160 g/cm 3. A pressão chega a 2,2x1016 atmosferas.

Nesta região, a matéria é transformada em energia de acordo com a famosa equação

E = m.c2
133

O "consumo" de massa é da ordem de 4.000.000 de toneladas de matéria por segundo.

 Zona de radiação.

Nesta zona, que se estende desde 0,25 R até aproximadamente 0,86 R, o transporte
de energia é feito basicamente por radiação, isto é, os fótons de radiação são absorvidos e em
seguida reemitidos pela matéria, assim passando de átomo para átomo. A temperatura típica
desta região é da ordem de 8.000.000 K e a massa específica é da ordem de 20 g/cm 3.

 Zona de convecção.

Nesta zona, que se estende de 0,86 R até praticamente 1,00 R, o transporte de
energia é feito basicamente por convecção, isto é, o gás aquecido sobe até a superfície onde
irradia sua energia para o espaço, se resfria e torna a descer para as regiões mais internas,
onde é novamente aquecido e o ciclo se repete. A temperatura nesta região é tipicamente da
ordem de 500.000 K, com uma densidade da ordem de 10 g/cm 3.

 Fotosfera.

Esta região, que forma a superfície visível do Sol, possui uma espessura de uns 300 km
e portanto é desprezível frente ao raio do Sol. É nesta região que ocorrem as manchas solares,
que são regiões de gás mais frias do que as regiões vizinhas (a temperatura de uma mancha
solar é, tipicamente, da ordem de uns 4.000 K).

A temperatura da fotosfera é da ordem de uns 5.800 K e a massa específica é da ordem


de 0,00.000.04 g/cm3.

 Cromosfera.

Esta região possui uma espessura de uns 12.000 km e se situa acima da fotosfera. As
formações mais notáveis desta região são as chamadas espículas, que são jatos de gás
incandescente, de 500 a 1500 km de espessura e tipicamente de uns 10.000 km de altura.

A velocidade do gás é da ordem de 20 a 25 km/s e o tempo de vida de uma espícula é


da ordem de 15 minutos ou menos. A temperatura típica desta região é de uns 6.000 K, com
uma massa específica da ordem de 0,000.000.08 g/cm3.

 Coroa.

Esta região, que se inicia logo acima do fim da cromosfera e que se dilui no espaço
interplanetário (portanto não possui um limite bem definido), é constituída em sua maior parte
de plasma (gás altamente ionizado), como de resto o é a maior parte da matéria solar. A
temperatura (deduzida da energia dos elétrons livres aí existentes) atinge a 1.000.000 K, e a
massa específica é da ordem de 10-14 g/cm3.
134

As formações mais notáveis na coroa são os chamados “loops” coronais, que são
enormes arcos que se formam na coroa.

9.4. Fonte de energia do Sol.

Como visto antes, a energia liberada pelo Sol provém de reações termonucleares
(semelhantes as que ocorrem na explosão de uma bomba de hidrogênio) que ocorrem no seu
núcleo.

A principal fonte de energia é a chamada reação próton - próton.

A figura 2 ilustra de forma esquemática este processo.

Figura. 9.2. Reação Próton - Próton.

Na figura 9.2-(a), dois prótons (núcleos de hidrogênio, H), vão de encontro um do outro e
se unem. Entretanto, dois prótons unidos possuem uma energia maior do que a necessária
para ficarem unidos. Para que possam permanecer neste estado, eles devem se desfazer
deste excesso de energia. Assim, eles emitem um pósitron (elétron positivo) e um neutrino;
estas duas partículas carregam consigo o excesso de energia. Isto é mostrado na figura 9.2-
(b), onde um dos prótons se transformou num nêutron, havendo a expulsão de um pósitron (e+)
e de um neutrino (). O que se tem agora é um núcleo de deutério (hidrogênio pesado, D),
composto de um próton e de um nêutron.
135

Na figura 9.2-(c), o núcleo de deutério assim formado encontra um outro próton, que a
ele se junta, dando como resultado um núcleo de hélio-3 (He3), um isótopo leve do hélio,
conforme mostrado na figura 9.2-(d). Novamente é liberada energia, desta vez na forma de
radiação (fótons de raios gama, ).

Na figura 9.2-(e), um núcleo de hélio-3 encontra um outro núcleo de hélio-3, formado de


forma similar, a ele se unindo e dando como resultado um núcleo de hélio-4 e mais dois
prótons, na figura 9.2-(f).

O resultado final da reação é a fusão de 4 núcleos de hidrogênio para formar um núcleo


de hélio, com liberação de energia no processo.
136

CAPÍTULO 10
O Sistema Terra - Lua

Adolfo Stotz Neto


Antônio C. de Lucena
137

CAPÍTULO 10
PARTE 1
A Terra

Adolfo Stotz Neto


138

Capítulo 10 – SISTEMA TERRA-LUA – Parte 1

10.1. A Terra

10.1.1. Aspectos morfológicos


[Link]. Dados numéricos

Terceiro planeta do sistema solar em ordem de afastamento do Sol, do qual dista em


média 149.600.00 km. Apresenta a forma de um geóide, cujos diâmetros principais são:

Figura 10.1. Dimensões da Terra.

Diâmetro polar = 12.713,8 km

Diâmetro equatorial = 12.756,8 km

O movimento de rotação que executa em torno de seu próprio eixo se efetua em 23 h 56


min 4 seg, enquanto a translação ao redor do Sol se realiza em 365,2422 dias. A massa
estimada do planeta é de aproximadamente 5,977x10 21 toneladas, enquanto seu volume
ocupa um total de 1,083x1015 km3. A densidade média do planeta atinge então algo em torno
de 5,52 g/cm3. A aceleração da gravidade, na superfície do geóide, atinge 9,8 m/s 2 e a
velocidade necessária para um foguete "escapar" da atração da Terra é de 11,2 km/s.
139

[Link]. A atmosfera

A Terra está envolta por uma camada gasosa, cujas características são únicas no
sistema solar. Sua composição pode ser resumida, como segue:

Nitrogênio (N2) 78,08 %

Oxigênio (O2) 20,95 %

Argônio (Ar) 0,93 %

Gás carbônico (CO2) 0,03 %

Neônio (Ne) 0,0018 %

Hélio (He) 0,0005 %

Criptônio (Kr) 0,0001 %

Xenônio (Xe) 0,0001 %

A maior parte desta massa gasosa (75 %) se encontra em uma camada que, partindo do
nível do mar, alcança 10 km de altura. É a zona chamada de troposfera. Nesta região, a
temperatura, que a nível do mar é em média de 20ºC, cai a cada quilômetro que sobe, em
média um grau centígrado. A troposfera é aquecida pela radiação infravermelha emitida pela
superfície da Terra, como reflexo da energia que alcança o planeta, advinda do Sol. Por existir
na troposfera grande quantidade de vapor de água em suspensão, a temperatura tem o
comportamento acima descrito, uma vez que o vapor de água é um péssimo condutor de
radiações infravermelhas, sendo a região próxima da superfície a que tem as mais altas
graduações.

A transição da troposfera para a próxima zona se dá quando a temperatura atinge -55ºC.


Isto acontece nas regiões polares em uma altura aproximada de 9 km e no equador aos 17 km.

Figura 10.2. A radiação solar na atmosfera terrestre.


140

A região limítrofe da troposfera recebe o nome de tropopausa, que é a zona de


separação para a próxima camada, a estratosfera.

Na estratosfera , a quantidade de vapor de água é insignificante, e por esta razão a


temperatura tem comportamento inverso ao da camada anterior e volta a se aquecer na
presença das radiações infravermelhas vindas da superfície. Quando atinge 50 km de altura, o
ambiente volta mesmo a se aquecer, chegando a atingir valores ligeiramente superiores a 0ºC.
Isto se deve em parte à rarefação do ar nestas altitudes, o que permite à luz solar desencadear
reações químicas que provocam o aparecimento do ozônio. este gás absorve as radiações
ultravioletas do Sol em sua quase totalidade, transformando-se quimicamente em oxigênio
diatômico com liberação de calor. A ozonosfera varia de 20 até 60 km.

Figura 10.3. Estrutura da atmosfera terrestre.

Acima da estratosfera, se encontra a mesosfera, separada da anterior por uma zona de


transição chamada estratopausa. A mesosfera atinge aproximadamente 80 km e a temperatura
nesta região torna a cair até -80ºC. Acima da mesosfera temos a ionosfera. Nesta região o ar é
extremamente rarefeito e contém apenas traços dos elementos que compõem a atmosfera ao
nível do mar. Acima dos 100 km, os átomos e moléculas são ionizados pela radiação
ultravioleta do Sol e se tornam uma mistura de partículas carregadas em forma de um plasma.
As ondas de rádio são refletidas pelas partículas assim carregadas, nesta região da atmosfera.

Aproximadamente acima dos 100 km tem início a termosfera, região em que a


temperatura sobe até 1.000ºC. Esta incrível elevação de temperatura é devida ainda à radiação
ultravioleta.

O limite desta região fica próximo dos 500 km, aonde inicia a exosfera, cujo final é de
difícil precisão, porém não se acredita que supere muito os 1.000 km de altura. Toda esta
região é influenciada pelo Sol e seus ciclos, variando suas condições de acordo com o
comportamento de nossa estrela. O gráfico abaixo resume o comportamento da atmosfera no
que tange à temperatura, pressão e densidade de cada camada.
141

Figura 10.4. Condições existentes nas camadas da atmosfera terrestre.

[Link]. Geologia e interior do planeta

Habitamos a superfície da Terra em uma região que compõe o que chamamos de


biosfera, ou seja, a região da vida. Estamos sobre uma fina crosta que nos separa do interior
do geóide aonde forças colossais são responsáveis pelos abalos sísmicos e vulcanismo que
conhecemos. pouco conseguimos penetrar em nossa fina crosta exterior e ter contato com o
núcleo do planeta ainda é um desafio inatingido. O máximo que as escavações conseguiram
até agora foi perfurar algo como 10 km em um projeto que se desenvolve na Alemanha.

Todo o nosso conhecimento acerca do interior do planeta vem da análise dos abalos
sísmicos, dos vulcões e terremotos. Sempre que um dos fenômenos mencionados acontece, é
possível medir e acompanhar as ondas de choque que se formam no interior da Terra. Quando
da ocorrência de um terremoto, quatro tipos de ondas se propagam até a superfície: ondas P,
142

ondas S, ondas cisalhantes e ondas concêntricas. Se o interior da Terra fosse sólido e


uniforme, as ondas sísmicas se propagariam em linha reta, porém tal não acontece quando os
sismógrafos analisam o fenômeno; a explicação está na descontinuidade do núcleo. Em
princípio, um corte no planeta mostra a configuração conforme esquema abaixo:

Figura 10.5. Estrutura interna da Terra.

 Crosta: a crosta é a parte mais delgada do planeta e compõe a superfície da Terra.


Pode ser subdividida em duas, a crosta continental e a oceânica. A parte continental é a mais
espessa, chegando a profundidades que atingem 65 ou 70 km, enquanto que a crosta oceânica
não ultrapassa os 6 km de espessura. A parte continental é constituída em sua maior parte de
rochas basálticas pobres em silício, enquanto o crosta oceânica se apresenta como rica em
rochas que contém grandes quantidades de silício, alumínio, ferro e magnésio. A densidade da
crosta é algo em torno de 2,8 g/cm [Link] a crosta e a camada seguinte, o manto, existe uma
descontinuidade, ou falha, no que tange à densidade e a composição: é a descontinuidade de
Mohorovicic.

Podemos dizer, também, que a crosta continental é separada em duas, igualmente por
uma falha, a descontinuidade de Conrad. Tal separação divide a crosta continental em superior
e inferior. Na inferior, as rochas são ricas em silício e outros elementos.
143

Figura 10.6. A crosta terrestre.

 Manto: esta região representa 80 % do volume do planeta e se estende até 2.900 km


de profundidade. Pode ser dividido em manto superior, que atinge 1.000 km, e manto inferior,
que vai até os 2.900 km mencionados. No manto superior, a formação é de silicatos compactos
como a olivina e no inferior, temos a presença de sulfetos e óxidos. As densidades nos dois
mantos são da ordem de 3,3 g/cm 3 no superior e 5,7 g/cm3 no inferior. O manto é uma forma
pastosa, quase líquida, do material ali existente. É a própria lava que conhecemos dos vulcões.

Figura 10.7. O manto terrestre.

 Núcleo externo: o núcleo externo encontra-se entre 2.900 km e 5.000 km de


profundidade. É constituído por uma massa liqüefeita de ferro e níquel, por isto também é
chamado de nife. A densidade atinge valores que chegam à casa dos 9,7 g/cm 3, dando
144

portanto um salto abrupto a partir do final e da transição do manto, camada imediatamente


anterior.

 Núcleo interno: é a camada mais profunda e que habita o centro do planeta. É


constituída igualmente de ferro e níquel, porém em estado sólido, com uma densidade que
atinge 15 g/cm3. A pressão ali reinante é de aproximadamente 3,6x106 atmosferas e a
temperatura atinge os 4.000C.

Os valores da densidade, temperatura e pressão variam de acordo com a profundidade


e a camada analisada, como abaixo:

Figura 10.8. Condições existentes no núcleo da Terra.

 A deriva continental e as placas tectônicas: a região constituída pela crosta e o manto


superior é chamada de litosfera. Pois esta região se desloca sobre o manto inferior, tal qual
"nadasse" sobre o mesmo. O fato é que a litosfera se subdivide em placas, as quais se movem
sobre o material plástico e quente. Este material está em constante movimento de convecção,
provocando o deslizamento das placas.
145

Estas placas separam-se e se afastam em função do material ejetado pelas cadeias


dorsais oceânicas, que as empurram para dar lugar ao material novo emergente.

Simultaneamente, ocorre o afundamento de uma placa sob a que está sendo


empurrada, provocando fissuras e o surgimento de cadeias de vulcões, como mostra o
esquema abaixo que retrata o fenômeno no Atlântico, América do Sul e Pacífico.

Figura 10.9. Deriva continental.

Desta forma, é válido afirmar que os continentes se afastam entre si, tendo havido uma
ocasião em que se encontravam unidos quase todos.

Figura 10.10. Pangea, a união de todos os continentes.


146

10.1.2. Aspectos dinâmicos


[Link] Os movimentos da Terra

Heráclito, filósofo grego que viveu há 22 séculos atrás, vaticinou: "Nada é eterno, exceto
a mudança". Pois é exatamente isto que acontece com os planetas e seus movimentos. A
Terra não é diferente no aspecto de variações em suas andanças. O que nos parece bem
ordenado e eternamente igual, como o durar do ano, o dia, a posição dos astros, são na
verdade fenômenos transitórios e variáveis. É claro que, para o tempo de duração de nossas
vidas, tais variações são imperceptíveis, mas ao longo dos séculos, as variações e os números
se acumulam, fazendo com que a Terra altere suas posições e relações.

Além dos conhecidos movimentos de rotação e translação, o planeta apresenta outros


tipos de movimentos que são responsáveis por alterações significativas ao longo do tempo.
Assim é que trataremos aqui também de dois destes importantes movimentos que a Terra
executa, a nutação e a libração.

 Rotação: movimento que a Terra executa em torno de seu próprio eixo, inclinado em
relação à sua órbita de 23 27', no período de 23 h 56 min 4 seg numa velocidade de 1.674
km/h (na linha do equador). Este movimento é responsável pelo dia e noite, conforme a face se
apresente voltada para o Sol, ou para o lado oposto.

Figura 10.11. Rotação da Terra.

 Translação: é o movimento que a Terra executa em torno do Sol. Tem a forma de


uma elipse, aonde o Sol ocupa um dos focos. Esta elipse, desenhada pela revolução da Terra,
tem uma excentricidade de 0,017, o que a torna muito parecida com uma circunferência. Note-
se que a excentricidade de uma elipse é definida como 1 - ( b / a ), sendo "a" e "b" os semi-
eixos da figura. Em um círculo, "a" e "b" são iguais e valem o raio da circunferência, e a
excentricidade vale zero.

A translação da Terra em redor do Sol, propicia o que chamamos de ano, que é


responsável também pelas várias estações.
147

A translação dura 365 dias e 6 horas e a Terra orbita ao redor do Sol a uma velocidade
de 107.000 km/h (ou 30 km/s). O caminho total do planeta em um ano soma 9,5x10 8 km
(quase um bilhão de quilômetros).

Figura 10.12. Os elementos da elipse.

V = 107.000 km/h, 30 km/s

1 - b / a = 0,017

c = 950 milhões km

d = 149,6 milhões km

Figura 10.13. A translação da Terra.

 Precessão: consiste na mudança de direção do eixo de rotação da Terra, no sentido


retrógrado, provocando um adiantamento dos equinócios. explica-se pelo fato de o planeta ter
o comportamento de um pião quando gira no espaço. Leva aproximadamente 25.000 anos
para que se complete uma precessão e a cada meio movimento o eixo se altera modificando
as estações do ano.
148

Figura 10.14. A precessão da Terra.

 Nutação: movimento conjugado ao anterior e responsável pelo traçado de uma elipse


na esfera celeste pelo eixo da Terra. cada elipse demora 18 anos para ser traçada.

 Movimentos combinados e velocidades: a totalidade dos movimentos e velocidades


deve ainda incluir ainda o giro do Sol e seus comandados fazem em torno da Galáxia.
podemos somar a isto tudo, o próprio deslocar da Via Láctea no Cosmos e teremos então algo
parecido com o esquema abaixo.

V1 - vel. da Terra ao

redor do Sol = 30 km/s

V2 - vel. do Sol na Via

Láctea = 250 km/s

V3 - vel. da Via Láctea

no espaço = 600 km/s

Figura 10.15. Combinação dos movimentos da Terra.


149

[Link] As estações do ano

A inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita não varia durante o ano.
Por este simples fato, ocorrem as estações do ano. É que as quantidades de energia solar que
chegam aos dois hemisférios do planeta, o norte e o sul, são de intensidade e incidência
diferentes de acordo com a posição do globo terrestre em sua órbita. Em dois pontos
diametralmente opostos, teremos a máxima incidência de raios solares para um hemisfério e a
mínima para o outro. estamos na presença do verão para o primeiro e inverno para o outro. Em
outros dois pontos da órbita, também ortogonalmente dispostos em relação aos anteriores,
teremos uma distribuição eqüitativa dos raios solares, estando a Terra em primavera e outono
para os diferentes hemisférios. Os dias do ano em que ocorrem os pontos máximos das
situações de incidência chamam-se Solstícios, e os máximos intermediários são os Equinócios.

Figura 10.16. Incidência de raios solares em diferentes hemisférios.

Figura 10.17. A inclinação do eixo da Terra e as estações.


150

[Link] Cinturão de Van Allen

O campo magnético da Terra exerce uma forte influência sobre as partículas carregadas
eletricamente que circundam o nosso planeta. Essas partículas podem surgir de duas fontes
distintas: os raios cósmicos, que se movem desde os confins da Galáxia e são constituídos por
partículas pesadas; e o próprio Sol, através do vento solar.

Capturadas pelo campo magnético da Terra, essas partículas acabam formando


extensas nuvens ao redor do planeta, acompanhando as linhas do campo magnético. Em 1958
descobriram-se duas regiões de alta concentração dessas partículas, uma entre 2.500 e 5.000
km de altitude e outra entre 10.000 e 50.000 km, com um máximo de intensidade aos 19.000
km de altitude. Essas regiões foram batizadas de cinturões de Van Allen. Este escudo de
partículas protege a Terra das emanações de radiação e raios-X oriundas das tempestades
solares, forçando o vento solar a desviar-se do campo magnético da Terra. Nas regiões polares
da Terra, o cinturão de Van Allen é mais rarefeito e de menor altitude, provocando com isto um
efeito atmosférico muito conhecido do choque de partículas rasantes nos pólos: a Aurora
boreal.

Figura 10.18. Os cinturões magnéticos da Terra.


151

CAPÍTULO 10
PARTE 2
A Lua

Antônio C. de Lucena
152

Capítulo 10 - SISTEMA TERRA-LUA – Parte 2

10.2. A Lua

10.2.1. Introdução
A Lua é o satélite natural da Terra. Devido ao enorme tamanho do satélite (Lua) perante
o seu primário (Terra), alguns astrônomos preferem considerar o sistema Terra-Lua como um
planeta duplo ao invés de um planeta e seu satélite. Na realidade, com exceção do sistema
Plutão-Caronte, a Lua é o maior satélite de um planeta em relação ao próprio planeta. A massa
da Lua é da ordem de 1/81 da massa da Terra e o seu diâmetro é aproximadamente 1/4 do
diâmetro terrestre.

A tabela 10.1 lista, a título de comparação, os sete maiores satélites do sistema solar,
com relação à massa, em tamanho absoluto.

satélite diâmetro massa planeta


(km) (1021 kg)

Ganimedes 5.268 149 Júpiter

Titã 5.150 137 Saturno

Calisto 4.806 106 Júpiter

Io 3.632 89 Júpiter

Lua 3.476 73 Terra

Europa 3.126 49 Júpiter

Tritão 2.720 21 Netuno

Tabela 10.1. Os sete maiores satélites do sistema solar.

Devido à grande massa da Lua em relação a da Terra, a Lua não gira exatamente em
torno da Terra. Na realidade, ambos os corpos giram em torno de um ponto comum (o centro
de massa do sistema). Tal ponto se situa na linha reta que une o centro da Terra ao centro da
Lua e devido a maior massa da Terra este ponto se encontra a 4.670 km do centro da Terra, ou
seja, "enterrado" a uns 1.700 km de profundidade, em média.

Na tabela 10.2 estão listados os quatro maiores satélites do sistema solar, em tamanho
relativo ao seu primário.
153

Raio do Raio do raio do primário


satélite primário
satélite primário ------------
(km) (km)
raio do satélite

Caronte 600 Plutão 1.142 1,90

Lua 1.738 Terra 6.378 3,67

Tritão 1.360 Netuno 25.269 18,58

Titã 2.575 Saturno 60.268 23,41

Tabela 10.2. Os quatro maiores satélites do sistema solar, em tamanho relativo ao seu
primário.

Como a distância entre a Terra e a Lua varia de um mínimo de 364.300 km (quando a


Lua está no perigeu) a um máximo de 406.600 km (quando a Lua está no apogeu), a distância
do centro da Terra ao centro de massa do sistema varia correspondentemente de 4.420 km
(Lua no perigeu) a 4.940 km (Lua no apogeu). A figura 10.19 mostra de forma esquemática o
exposto.

Figura 10.19. Posição do centro de massa do sistema Terra-Lua


154

10.2.2. Principais características orbitais


O movimento real da Lua ao redor da Terra, descrevendo a sua órbita, é extremamente
complicado e se constitui num dos problemas mais difíceis da Mecânica Celeste. A razão
fundamental de tal dificuldade se prende ao fato de que o movimento da Lua é muito
perturbado pela ação do Sol (a Lua é o satélite natural mais próximo do Sol), bem como pelo
fato de que, como a Lua está muito próxima da Terra, nos é possível observar as pequenas
aberrações no movimento, aberrações estas que não nos são perceptíveis nos corpos mais
distantes.

A órbita não perturbada da Lua em torno da Terra é uma elipse, na qual a Terra ocupa
um dos focos. A figura 10.20 mostra, de forma esquemática, a órbita da Lua em torno da Terra,
destacando alguns parâmetros importantes.

Figura 10.20. Órbita (com excentricidade muito exagerada) da Lua em torno da Terra, como
vista pelo pólo norte da eclíptica.

A distância média da Lua (que é igual ao semi-eixo maior da elipse) é da ordem de


384.300 km. A distância no perigeu é da ordem de 364.300 km enquanto que a do apogeu é de
406.600 km.

O plano da órbita da Lua não coincide com o plano da eclíptica que, como sabemos, é o
plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Esta é a razão pela qual não se tem um eclipse solar
e um eclipse lunar todos os meses. A inclinação média do plano da órbita da Lua sobre o plano
da eclíptica é da ordem de 5 graus e 9 minutos de arco. A figura 10.21 mostra, em perspectiva,
o exposto, enquanto que a figura 10.22 mostra o mesmo, porém de perfil.
155

Figura 10.21. Plano da órbita da Lua e plano da eclíptica.

Figura 10.22. Plano da órbita da Lua e plano da eclíptica.


156

A Lua, da mesma forma que a Terra, também gira sobre um eixo imaginário que passa
pelo seu centro. Este eixo forma com o plano da eclíptica um ângulo de 1 grau e 32 minutos e
com o plano da órbita da Lua um ângulo de 6 graus e 41 minutos. A figura 10.23 mostra o
exposto.

Figura 10.23. Vista de perfil dos planos da eclíptica e da órbita da Lua. Indicada a inclinação do
eixo de rotação da Lua.

O tempo que a Lua leva para executar uma rotação completa sobre o seu eixo é igual ao
tempo que ela leva para dar uma volta completa em torno da Terra. Devido a isto e aos
sentidos dos movimentos de rotação da Lua em torno do seu eixo e de revolução em torno da
Terra, a Lua nos apresenta sempre a mesma face. A dita face oculta da Lua nunca nos é
visível da Terra. Todo o conhecimento adquirido da face oculta da Lua se origina através dos
vôos de naves espaciais, tripuladas ou não.

Para melhor entendermos o fenômeno, a figura 10.24 mostra as posições sucessivas de


um corpo em rotação em relação a uma referência.
157

Figura 10.24. Posições sucessivas de um corpo em rotação, em relação a uma referência.


Observar a posição da marca em relação à referência.

A figura 10.25 mostra as posições sucessivas de um corpo animado de movimento de


rotação e simultaneamente de movimento de revolução (translação) em torno de um outro, com
as velocidades de rotação e revolução com sentidos e valores tais a se obter a chamada
rotação síncrona. Neste caso, como o próprio nome sugere, o tempo que o corpo leva para dar
uma volta sobre si mesmo é igual ao tempo que ele leva para dar uma volta completa sobre o
outro.

O tempo que a Lua leva para executar uma volta completa em torno do seu eixo, com
relação às estrelas distantes e que é igual ao tempo que ela leva para dar uma volta completa
em torno da Terra, também em relação às estrelas distantes, é da ordem de 27,32 dias e é
chamado mês sideral (ou período sideral). Assim, a cada 27,32 dias a Lua volta,
aproximadamente, a ocupar no céu, em relação às estrelas distantes, a mesma posição.
158

Figura 10.25. Posições sucessivas de um corpo animado de movimento de rotação e revolução


simultâneos e de tal modo que o período de rotação é igual ao período de revolução. Observar
a posição da marca em relação à referência e comparar com a figura 6. Observar que a marca
aponta sempre para o corpo central.

Entretanto, decorrido este intervalo de tempo, a Lua não apresenta a mesma fase que
tinha no início do período, isto é, supondo que no início do período tínhamos Lua nova, após
decorridos 27,32 dias a Lua não será nova mas estará em quarto minguante. Isto se deve ao
fato de que a Terra também se desloca em torno do Sol. Assim, para que a Lua volte a ter a
mesma fase, decorre um intervalo de tempo um pouco maior, de 29,53 dias e este período é
chamado de mês sinódico (ou período sinódico).

A figura 10.26 mostra, de forma esquemática, o mecanismo envolvido nos meses sideral
e sinódico.
159

Figura 10.26. Mecanismo dos meses sideral e sinódico.

A órbita da Lua apresenta ainda mais duas particularidades importantes: a regressão


dos nodos e a rotação da linha das ápsides.

A figura 10.27 mostra, de forma esquemática, a regressão dos nodos. Na figura, o


observador se encontra no lado do pólo norte da eclíptica e se admite que o plano da figura é o
plano da eclíptica. A linha cheia representa a secção da órbita "acima" e a linha tracejada a
secção da órbita "abaixo" do plano da eclíptica.
160

Figura 10.27. Regressão dos nodos. O intervalo de tempo que os nodos levam para dar uma
volta completa é de 18,61 anos.

A figura 10.28 mostra, de forma esquemática, a rotação da linha das ápsides (linha que
une o apogeu ao perigeu). A órbita da Lua foi representada por uma elipse de excentricidade
muito maior do que a real, para melhorar a clareza. O observador se encontra do lado do pólo
norte da Lua, observando perpendicularmente ao plano da órbita da Lua.
161

Figura 10.28. Rotação da linha das ápsides. O intervalo de tempo que a linha das apsides leva
para dar uma volta completa é de 8,85 anos.

10.2.3. Posições relativas Sol-Terra-Lua


Devido ao fato da Lua girar em torno da Terra e desta girar em torno do Sol, as posições
relativas Sol-Terra-Lua variam a cada instante. Por causa desta mudança de posição relativa é
que ocorrem as fases da Lua, quando vistas da Terra (bem como as fases da Terra, quando
vista da Lua), bem como os eclipses lunares e solares.
162

[Link] Fases da Lua

A figura 10.29 mostra, de forma esquemática, a órbita da Lua em torno da Terra, como
vista acima do plano da eclíptica (pelo pólo norte da eclíptica). Na figura estão indicadas as
diversas fases da Lua. A figura 10.30 mostra a aparência da Lua para um observador terrestre,
tanto no hemisfério norte quanto no hemisfério sul.

Figura 10.29. Fases da Lua.


163

Figura 10.30. Aparência da Lua, como vista pelos observadores dos hemisférios norte e sul.
164

[Link] Eclipses do Sol.

Os eclipses do Sol ocorrem quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra, isto é,
quando o Sol, a Lua e a Terra estão em linha reta (ou quase).

A figura 10.31, fora de escala, mostra a idéia básica.

Figura 10.31. Mecanismo básico de um eclipse do Sol.

Da figura é evidente que um eclipse do Sol só pode ocorrer durante a Lua Nova (ou
Novilúnio).

Também da figura é fácil se observar que a Lua projeta sobre a superfície da Terra, dois
cones: o cone de sombra e o cone de penumbra.

Para os observadores que se encontram dentro do cone de sombra o eclipse é total, isto
é, o disco da Lua encobre completamente o disco do Sol. Já para os observadores que se
encontram dentro do cone de penumbra, mas fora do cone de sombra, o eclipse é parcial, isto
é, o disco da Lua encobre somente parte do disco do Sol. Finalmente, para os observadores
que se encontram fora dos cones de sombra e penumbra não ocorre eclipse nenhum.

Um eclipse do Sol só pode ocorrer quando a Lua estiver num dos seus nodos (o
ascendente ou o descendente), ou muito próximo deles e simultaneamente o Sol, a Lua e a
Terra estiverem em alinhamento (ou quase), ou seja, a linha dos nodos estiver apontando para
o Sol e a Lua estiver passando pelo nodo voltado para o Sol.

Para melhor esclarecer a idéia, a figura 10.32 mostra uma situação em que a Lua passa "entre"
o Sol e a Terra e não ocorre um eclipse do Sol.
165

Figura 10.32. Exemplo de situação em que não há eclipse do Sol, apesar de se ter Lua Nova.

A figura 10.33 mostra, de uma forma mais geral, as condições necessárias para que
ocorra um eclipse do Sol.

Figura 10.33. Condições para se ter um eclipse do Sol.


166

Devido às dimensões do Sol e da Lua, bem como da distância entre eles, o cone de
sombra da Lua tem um comprimento aproximado de 374.000 km. A figura 10.34 mostra o
exposto.

Figura 10.34. Cone de sombra da Lua.

Como a distância da Terra a Lua varia de 364.300 km a 406.600 km, então, se ao


ocorrer um eclipse do Sol, a distância da Terra a Lua for menor do que 374.000 km, haverá
pontos na superfície da Terra em que o eclipse será total. A figura 10.35 ilustra o exposto.

Figura 10.35. Eclipse total do Sol.

Por outro lado, se essa distância for maior do que 374.000 km, então não haverá
nenhum ponto da superfície da Terra em que o eclipse seja total. Temos então o que se chama
de eclipse anular, isto é, o disco da Lua não consegue obscurecer completamente o disco do
Sol restando, ao redor do disco da Lua, um fino anel luminoso, pertencente ao disco solar. A
167

figura 10.36 ilustra esta condição, enquanto que a figura 10.37 mostra a aparência dos discos
lunar e solar, como vistos por um observador terrestre localizado na reta Sol-Lua-Terra.

Figura 10.36. Condições para a ocorrência de um eclipse anular do Sol.

Figura 10.37. Aparência de um eclipse anular do Sol.

Devido às características dos movimentos da Lua em torno da Terra e da Terra em torno


do Sol, todos os anos ocorrem, sem falta, dois eclipses do Sol. Em casos especiais, dentro de
um mesmo ano podem haver até quatro eclipses do Sol e, em casos especialíssimos, cinco.

É importante se ressaltar que se entende que há um eclipse do Sol sempre que o cone
de sombra e/ou o cone de penumbra da Lua atingem algum ponto da superfície terrestre.
168

[Link] Eclipses da Lua.

De forma similar ao que ocorre por ocasião de um eclipse solar, um eclipse da Lua
somente ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estiverem em linha reta (ou quase). Também
neste caso a Lua precisa estar num dos seus nodos (ou muito próximo dele) e a linha dos
nodos precisa estar apontando na direção do Sol (ou quase).

A figura 10.38 apresenta, de forma esquemática, o mecanismo básico do fenômeno.

Figura 10.38. Mecanismo básico de um eclipse lunar.

Da figura, é evidente que um eclipse lunar somente pode ocorrer durante o plenilúnio
(Lua cheia).

Comparando-se a figura 10.38 com a figura 10.31, verifica-se facilmente que o


mecanismo básico dos eclipses lunares é o mesmo que o dos eclipses solares.

Da mesma forma que para a Lua, a Terra também projeta, no espaço, dois cones; o
cone de sombra e o cone de penumbra. Devido às maiores dimensões da Terra e da distância
Terra-Sol, o cone de sombra da Terra é maior do que o da Lua, atingindo um comprimento da
ordem de 1.380.000 km, conforme mostrado na figura 10.39.

Figura 10.39. Cone de sombra da Terra.


169

Na distância em que se encontra a Lua, o cone de sombra da Terra tem a forma de um


disco com um diâmetro da ordem de 9.200 km, que é maior do que o diâmetro da Lua, que é
da ordem de 3.476 km. Desta forma, a sombra da Terra pode cobrir completamente a Lua, o
que não acontece por ocasião dos eclipses solares, onde a sombra da Lua pode cobrir no
máximo um disco de uns 270 km de diâmetro na superfície da Terra.

Devido aos tamanhos relativos da Lua e dos cones de sombra e penumbra da Terra
podemos ter três tipos de eclipses lunares; o eclipse total, o eclipse parcial e os chamados
eclipses penumbrais.

No eclipse total a Lua mergulha totalmente no cone de sombra da Terra, como mostrado
na figura 10.40.

Figura 10.40. Eclipse total da Lua.

No eclipse parcial a Lua mergulha parcialmente no cone de sombra da Terra, ficando o


restante do disco lunar imerso no cone de penumbra, com mostrado na figura 10.41.

Figura 10.41. Eclipse parcial da Lua.


170

Já nos eclipses penumbrais a Lua mergulha, no todo ou em parte, no cone de penumbra


da Terra ocorrendo então os chamados eclipses penumbrais totais ou parciais,
respectivamente, como mostrado nas figuras 10.42 (a) e (b).

Figura 10.42. Eclipses penumbrais da Lua.

A explicação para o fato de não termos, a cada Lua cheia, um eclipse da Lua é a mesma
que para o fato de não termos a cada Lua nova um eclipse do Sol, ou seja, isto ocorre pelo fato
de que a Lua não revoluciona em torno da Terra no mesmo plano em que esta revoluciona em
torno do Sol, como já visto.

Devido às características do movimento da Lua em torno da Terra e desta em torno do


Sol, pode acontecer que num determinado ano não ocorra nenhum eclipse da Lua, podendo
acontecer no máximo dois e em casos especialíssimos três. Assim, os eclipses da Lua são
mais raros do que os do Sol.

10.2.4. Principais características físicas.


A Terra e a Lua, apesar de apresentarem uma gênese comum, como é mais aceito
atualmente, e de apresentarem consequentemente certas semelhanças, também apresentam
algumas diferenças marcantes. Neste item apresentaremos alguns aspectos físicos da Lua que
poderão ser facilmente comparados com os da Terra, vistos no capítulo anterior.
171

[Link] O interior da Lua.

A partir da massa e do raio da Lua pode-se determinar a sua massa específica média, e
esta resulta ser da ordem de 3.370 kg/m 3 (3,37 g/cm3). As missões lunares que recolheram
amostras das rochas da superfície lunar mostraram serem estas de composição basáltica,
muito semelhante as rochas basálticas terrestres, com uma massa específica média da ordem
de 3.000 kg/m3. Desta forma, a massa específica da Lua não pode aumentar muito
drasticamente em direção ao seu centro, como acontece com a Terra.

Apesar de a Lua ser um corpo sismicamente sereno, uma vez que os "lunamotos"
dificilmente atingem o nível 2 na escala de Richter (na Terra chegam a 8), em decorrência de
estudos sísmicos feitos na Lua por estações sismológicas lá deixadas foi possível se elaborar
um modelo para a estrutura da Lua, que é o mostrado na figura 10.43.

O núcleo sólido é composto de rochas (não é metálico como o da Terra), de massa


específica não muito superior a 3.500 kg/m 3.

O manto é composto de rochas parcialmente fundidas, de massa específica da ordem


de 3.500 kg/m3, e a crosta é composta de rochas predominantemente basálticas, similares às
rochas da crosta terrestre.

Figura 10.43. Modelo da estrutura da Lua.


172

[Link] A superfície da Lua.

Os acidentes mais notáveis da face da Lua são sem dúvida as crateras, a grande
maioria das quais são o resultado de impactos meteoríticos ocorridos, em sua grande parte,
nos primórdios da história da Lua, se bem que em alguns casos existam crateras de origem
vulcânica. A figura 10.44 mostra a face visível da Lua em seu quarto minguante.

Na figura 10.44 pode-se observar regiões mais escuras (os "mare"), pouco craterizadas,
bem como regiões mais claras, mais intensamente craterizadas.

Figura 10.44. Face visível da Lua.


173

A figura 10.45 mostra a face oculta da Lua, onde se pode notar a intensa craterização,
bem maior do que a da face visível. Pode-se notar também que as regiões escuras são
pequenas se comparadas aquelas da face visível.

Figura 10.45. A face oculta da Lua.

As maiores concentrações de crateras se encontram nas chamadas Terras Altas


(Highlands), que se apresentam ao telescópio com uma cor mais clara. As Terras Altas
apresentam uma elevação média de 3 km em relação às chamadas Terras Baixas (Lowlands),
também conhecidas como "mares" (maria em latim; o plural é mare).

A figura 10.46 mostra uma das mais famosas crateras da Lua, a cratera de Copérnico,
facilmente visível com um pequeno telescópio, enquanto que a figura 10.47 mostra o paredão
norte da mesma cratera, em maior ampliação.
174

Figura 10.46. A cratera de Copérnico.

Figura 10.47. Paredão norte da cratera de Copérnico.

Os mares lunares, que evidentemente não contém o menor vestígio de água, são
regiões relativamente planas, que se apresentam ao telescópio com uma cor mais escura e
com pouca craterização. A figura 10.48 mostra a aparência típica de um mar lunar, na qual se
pode notar a forma aproximadamente circular e a pouca craterização, quando comparada às
regiões vizinhas.
175

Figura 10.48. Aparência típica de um mar lunar.

Dos 36 "mare" conhecidos, somente 4 se encontram na face oculta. Vários mares têm a
forma aproximadamente circular (que é típica) com diâmetros variando de 300 km a 1.000 km.
Acredita-se que, no passado, impactos meteoríticos relativamente grandes fenderam a crosta
da Lua e que lava do interior da mesma subiu à superfície preenchendo a cratera resultante do
impacto, originando desta forma os mares.

A tabela 10.3 lista os grandes mares lunares, que compreende 1 "oceano" e 22 "mares",
enquanto que a tabela 10.4 lista os pequenos mares lunares, que compreende 5 "lagos", 4
"pântanos" e 4 "baías".
176

Maria Mares

Oceanus Procellarum Oceano das Tormentas

Mare Aestatis Mar do Verão

Mare Anguis Mar das Serpentes

Mare Australe Mar do Sul

Mare Cognitum Mar do Conhecimento

Mare Crisium Mar das Crises

Mare Fecunditatis Mar da Fecundidade

Mare Frigoris Mar do Frio

Mare Humboldtianum Mar de Humboldt

Mare Humorum Mar da Umidade

Mare Imbrium Mar das Chuvas

Mare Ingenii Mar do Engenho

Mare Marginis Mar Marginal

Mare Moscoviensae Mar de Moscou

Mare Nectaris Mar do Néctar

Mare Nubium Mar das Nuvens

Mare Orientale Mar Oriental

Mare Serenitatis Mar da Serenidade

Mare Smythii Mar de Smyth

Mare Spumans Mar Espumante

Mare Tranquilitatis Mar da Tranquilidade

Mare Undarum Mar das Ondas

Mare Vaporum Mar dos Vapores

Tabela 10.3. Lista dos grandes mares lunares.


177

Maria Mares
(Lacus, Palus, Sinus) (Lagos, Pântanos, Baías)

Lacus Mortis Lago da Morte

Lacus Somniorum Lago dos Sonhos

Lacus Veris Lago da Primavera

Lacus Autumni Lago do Outono

Lacus Aestatis Lago do Verão

Palus Somni Pântano do Sono

Palus Nebularum Pântano das Doenças

Palus Putredinis Pântano da Podridão

Palus Epidemiarum Pântano das Epidemias

Sinus Aestuum Baía Fervente

Sinus Iridum Baía do Arco-Íris

Sinus Medii Baía Central

Sinus Roris Baía do Orvalho

Tabela 10.4. Lista dos pequenos mares lunares.

Além das crateras e mares, que são os acidentes mais notáveis da superfície da Lua,
pode-se notar, principalmente nas terras altas, outros acidentes, tais como cordilheiras e
canyons. As montanhas mais altas da Lua chegam a se elevar a mais de 9.000 m acima das
regiões adjacentes.
178

CAPÍTULO 11
Planetas Terrestres

Marcos Boehme
179

Capítulo 11 - PLANETAS TERRESTRES

11.1. Introdução

Desde que as dimensões e composição exatas dos planetas se tornaram conhecidas,


graças às sondas espaciais, ficou evidente que eles podem ser divididos em classes muito
diferentes entre si, como podemos ver pela tabela comparativa, abaixo:

nome distância ao diâmetro densidade composição


Sol (UA) (g/cm3)
(km)

Mercúrio 0,4 4.900 5,4 metais, rochas

Vênus 0,7 12.100 5,2 metais, rochas

Terra 1,0 12.700 5,5 metais, rochas

Marte 1,5 6.800 3,9 metais, rochas

Júpiter 5,2 143.900 1,3 gás (H2, He)

Saturno 9,5 120.500 0,7 gás (H2, He)

Urano 19,2 51.100 1,3 gás (H2, He)

Netuno 30,1 50.500 1,6 gás (H2, He)

Plutão 39,5 2.300 2,1 gelo (N2, CH4)

Tabela 11.1. Características dos planetas.

Na tabela 11.1, vemos que os quatro primeiros planetas são pequenos e feitos de
material mais denso, ao passo que os quatro seguintes são grandes, e compostos de material
mais volátil. O último, Plutão, é estranho aos dois grupos; talvez seja o único representante de
um grupo à parte.

A classificação mais aceita sobre os corpos que compõem o sistema solar é: estrelas,
das quais temos uma representante, o Sol; planetas, dos quais dispomos de nove, que por sua
vez podem ser subclassificados em terrestres ou rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte),
jovianos ou gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e plutonianos ou gelados (Plutão); e os
pequenos corpos: asteróides, que são corpos com órbita independente em torno do Sol,
originados no cinturão entre Marte e Júpiter; satélites, que orbitam os planetas, e dos quais
conhecemos 63; e cometas, que são feitos de gelo e se concentram nas fronteiras do sistema
solar, formando uma imensa nuvem, que deve contar com trilhões desses corpos.
180

Figura 11.1. Dimensões relativas entre os planetas e o Sol.

Aqui, trataremos de planetas terrestres. A família do planetas terrestres é composta por


quatro planetas desse tipo, com características comuns: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Estes
planetas são densos (sua densidade varia de 3,9 gramas por centímetro cúbico, no caso de
Marte, a 5,5 no caso da Terra).

Figura 11.2. Estrutura interna da Terra, típica dos planetas rochosos.

A sua composição é preponderantemente de rochas e metais, possuem crosta sólida e


contém pouquíssima matéria em estado gasoso; suas atmosferas são muito finas e
praticamente sem importância em relação ao resto do planeta

O motivo pelo qual são constituídos dessa maneira é a sua proximidade com o Sol.
Quando o sistema solar se formou, a maior parte da matéria que o formava era de gás
181

hidrogênio e hélio. A um certo tempo, a nuvem que se tornará o nosso sistema entrou em
colapso, e o seu centro se transformou em uma estrela. O que aconteceu em seguida é que o
Sol simplesmente soprou os gases leves para a parte externa do sistema solar, e o que sobrou
foram apenas uns restos de rochas e metais, que formam agora os planetas terrestres, sobre
os quais entraremos em detalhes a seguir.

Figura 11.3. Órbitas dos planetas do sistema solar.

11.2. Mercúrio

Mercúrio é o menor dos planetas terrestres e o mais próximo do Sol, o que o torna um
planeta bastante quente. A temperatura máxima de Mercúrio, que é atingida quando este
planeta atinge seu ponto mais próximo do Sol, é de 430 graus Celsius. No entanto, este não é
o planeta mais quente do sistema solar. Este planeta não tem atmosfera, não havendo, assim,
nenhum gás que possa armazenar e conservar o calor durante a noite mercuriana, tanto por
causa do calor do Sol, que acelera as moléculas e átomos leves, como por causa da baixa
gravidade do planeta. Como consequência, a temperatura desce a -180 graus, pouco antes do
nascer do Sol. Este planeta tem então o recorde de amplitude térmica do sistema solar: em um
ponto no equador, a temperatura pode variar 600 graus em um dia mercuriano de 60 dias
terrestres.

A órbita de Mercúrio é bastante excêntrica, pois no periélio sua órbita chega a 46


milhões de quilômetros do Sol, contra 70 milhões no afélio, fato este que causa um efeito
pronunciado sobre suas temperaturas de superfície. Mercúrio possui um ano de 89 dias
terrestres e um período de rotação de 59 dias, o que quer dizer que, quando gira duas vezes
em torno do Sol, deu três voltas em torno de si mesmo. Assim, Mercúrio, no periélio, chega a
dois terços da distância que o separa do Sol no afélio, e possui um dia que é de dois terços a
duração de seu ano. Esta coincidência é consequência da influência gravitacional do Sol, pela
ação do efeito de maré. O Sol, gigantesco, impõe marés sólidas a esse planeta, travando a sua
rotação pelo atrito gerado entre as camadas de Mercúrio. Um fenômeno parecido ocorre entre
a Lua e a Terra.
182

Até março de 1974, quase nada se conhecia sobre esse planeta, quando a sonda
Mariner 10 sobrevoou Mercúrio pela primeira vez. Suas fotografias revelaram um planeta
repleto de crateras, e desde então ele foi considerado como sendo similar à Lua.

Pelo lado de fora, ele é muito parecido com a Lua, ou seja, crivado de crateras de
impacto. Possui crateras enormes, chamadas de bacias. A maior delas é a bacia Caloris, com
1.300 quilômetros de diâmetro. É o acidente mais impressionante de Mercúrio: as proporções
gigantescas de Caloris são a marca do impacto de um asteróide excepcional, da ordem de 30
quilômetros, talvez. O estrago que esse asteróide causou foi tão grande que criou cadeias de
montanhas concêntricas, formando anéis em torno de Caloris. Do outro lado de Mercúrio, as
ondas de choque se propagaram a ponto de criar fraturas, resultado da concentração das
ondas sísmicas do impacto. Suas maiores crateras são chamadas de Rodin, Goethe, Tolstoi e
Beethoven, cada uma com centenas de quilômetros de diâmetro. Suas demais formações são
as planícies, como Borealis Planitia e Subkou Planitia, e escarpas, como Santa Maria Rupes e
Discovery Rupes.

Mercúrio é bastante denso, com uma densidade de 5,4 gramas por centímetro cúbico.
Isto quer dizer que possui um núcleo muito denso e grande, provavelmente feito de ferro e
níquel. Sua composição explicaria a existência de fendas em sua superfície: nos estágios
iniciais de formação desse planeta, ele era incandescente, e, à medida que foi perdendo calor
para o espaço, o metal encolheu e a crosta desabou, provocando fendas profundas e
enrugamentos.

No mais, sua superfície é coberta de poeira escura, e não possui sinais de água em
movimento. Mas foram descobertas, em 1991, regiões que têm grande capacidade de reflexão,
que parecem ser calotas polares, escondidas em crateras nos pólos de Mercúrio.

11.3. Vênus

Vênus é o planeta mais quente do sistema solar. Possui uma atmosfera incrivelmente
espessa, com nuvens muito brancas, feita de gás carbônico a 97%, e que geraram efeito estufa
descontrolado. Assim, este planeta tem uma temperatura superficial de 460 graus Celsius, que
é mais ou menos uniforme em todos os pontos do planeta, graças ao efeito estufa. Contém
certa quantidade de enxofre, o que pode causar chuvas ácidas, de ácido sulfúrico. Essa
atmosfera exerce no solo uma pressão 92 vezes maior do que na Terra, o que quer dizer que
uma pessoa, exposta à atmosfera de Vênus, sem blindagens, seria esmagada.

Vênus é considerado um planeta gêmeo da terra, pois fatores importantes, tais como
tamanho, gravidade, densidade são muito parecidos com os da Terra. No entanto, também
existem grandes diferenças entre estes dois planetas: Vênus não possui mares, e possui uma
crosta relativamente estática, que evolui como uma única placa tectônica. E ainda mais
importante: Vênus rotaciona em torno de si mesmo no sentido inverso ao do resto dos
planetas, e seu dia (de 243 dias) é maior do que seu ano (de 225 dias). Este é um fato que
ainda não possui explicação razoável, mas provavelmente está relacionado com fatos
ocorridos durante a origem deste planeta.

Graças à sondas com radar, foi possível compor mapas precisos de sua superfície,
porque a densa atmosfera não permite sua observação direta. Foi descoberto que planícies
cobrem 70% da superfície de Vênus, enquanto depressões ocupam 20% e planaltos e
montanhas ocupam 10% da superfície total deste planeta. Conhecem-se três maciços
principais, batizados de Afrodite, Ishtar e Beta.
183

A Terra de Ishtar é um grande platô, situado perto do pólo norte de Vênus, e em sua
parte ocidental encontra-se a cadeia Maxwell de montanhas, o ponto culminante de Vênus,
com 11 mil metros acima do nível médio venusiano. Outro platô, ainda mais extenso, a Terra
de Afrodite, possui 9.600 quilômetros de largura, se localiza perto do equador, e possui alguns
picos com 8 quilômetros de largura. A partir de sua extremidade oriental, estende-se um grupo
de grandes canyons (chamados de "chasmas") por cerca de 5.000 quilômetros. Alguns deles
fendem a crosta a uma profundidade de 2,9 quilômetros abaixo do nível médio do planeta,
como é o caso do mais profundo, Artemis Chasma.

Recentemente, a missão Magalhães realizou um mapeamento mais completo da


superfície de Vênus, revelando que a crosta deste planeta é basicamente de origem vulcânica.
Montanhas, como Ozza Mons e Theia Mons mostram indícios de atividade recente, por
exemplo. A sonda Magalhães revelou uma grande variedade de tipos de relevo existente em
Vênus, como a maior cratera desse planeta, Mead, diâmetro de 275 km, ou estranhos domos
em forma de panqueca com um buraco central em Alfa Regio (que são vulcões, cuja lava fina
sai por este orifício), ou Eistla Regio, um terreno elevado repleto de fraturas, chamado de
Tesserae, ou ainda o canal Hildr, de 7.000 km de extensão. Os resultados dessa missão ainda
estão sendo estudados, e mais novidades sobre Vênus devem surgir no futuro.

11.4. Terra

A Terra é o planeta que se encontra à distância certa ao Sol para ter uma enorme
quantidade de água em estado líquido, na forma de rios, lagos e mares. Sua temperatura e
pressão propicia a existência do ponto triplo da água, ou seja, a água pode ser encontrada nos
três estados, com pequenas variações no ambiente.

Figura 11.4. O ponto triplo da água.


184

Embora a molécula da água seja leve, a Terra possui gravidade maior e é fria o
suficiente para que a água não escape do planeta. É justamente a água que possibilitou o
aparecimento da vida na Terra. É a água, junto com o vento, a responsável pela erosão,
causadora do desgaste e destruição da maioria das crateras da Terra. As crateras são a marca
registrada em todos os outros planetas terrestres, inclusive a Lua. Atualmente, todas as 200
crateras ainda perceptíveis de nosso planeta sofrem pesadamente com a erosão, e apenas as
mais jovens, como a cratera meteorítica do Arizona, de 50.000 anos de idade e 1,2 km de
largura, estão bem definidas. A maior delas, como a de Chicxulub, no México, que possui mais
de 200 km de largura, só foi descoberta recentemente (em 1991), graças a medições
gravimétricas do solo da região, já que ela está completamente soterrada. Acredita-se que foi o
impacto causador dessa cratera o responsável pelo desaparecimento dos dinossauros, já que
seu tamanho é grande o suficiente e sua idade é a correta (65 milhões de anos).

Outro fenômeno interessante neste planeta é a deriva continental. A crosta da Terra é


fina, e seu interior é suficientemente aquecido para que existam placas tectônicas, que se
chocam entre si, provocando cadeias montanhosas de enrugamento, como o Himalaia e os
Alpes, fenômeno que não se repete em nenhum outro planeta. Há centenas de milhões de
anos atrás, todos os continentes estavam reunidos num só, chamado Pangea, e
consequentemente, o único oceano existente se chamava Panthalassa. Esse fenômeno se
repete periodicamente, e no futuro os continentes deverão reunir-se novamente, num
fenômeno cíclico. No futuro mais imediato, no entanto (ou seja, dezenas de milhões de anos), a
Califórnia deverá separar-se do continente americano, o Mediterrâneo e o Mar Vermelho
encolherão, a Austrália se aproximará da Ásia, e a África se separará da sua região oriental,
que vai desde a Etiópia até o Moçambique.

O globo terrestre apresenta ainda uma anti-simetria em relação ao equador: os


continentes ocupam no hemisfério norte uma área duas vezes maior que no sul; inversamente,
o pólo norte repousa no oceano, enquanto o pólo sul se localiza num continente. Esta pode ser
uma explicação para o fato das tempestades no hemisfério norte serem mais violentas: os
oceanos são um agente que ameniza o clima, pois a água dos oceanos absorve as variações
de calor com mais rapidez que a terra dos continentes.

A essas particularidades de ordem física, acrescente-se ainda mais uma característica


importante: a Terra é o único astro conhecido aonde a vida se desenvolveu. Esta é organizada
predominantemente a partir de átomos leves e relativamente abundantes, principalmente o
carbono. Podemos dizer que a vida na Terra é baseada em cadeias moleculares de carbono,
que utilizam a água como solvente. Também sabe-se que a vida influenciou a própria Terra,
pois de outro modo não haveria tanto oxigênio (21% da atmosfera) e tão pouco gás carbônico
(0,03%), ao contrário de Vênus e Marte, que possuem mais de 90% da atmosfera composta de
gás carbônico e quase nada de oxigênio.

11.4.1 A Lua
A Lua é conhecida pelos seres humanos desde a pré-história, e sempre teve um papel
importante em mitos, além de ser o corpo celeste mais próximo da Terra. No entanto, a Lua é
única por vários outros aspectos. Por exemplo, sua origem é difícil de explicar, pois é grande
demais em relação à Terra.

Tradicionalmente, eram consideradas três hipóteses para a formação da Lua:


185

• Fissão, aonde a rápida rotação da Terra teria ejetado uma grande quantidade de
material, formando a Lua;

• Precipitação, aonde material já em órbita da Terra teria se reunido e criado a Lua; e

• Captura, aonde a Lua teria se formado independentemente e depois capturada pela


gravidade da Terra.

No entanto, o projeto Apollo trouxe novas evidências quanto à origem da Lua, e


atualmente, as três teorias anteriores foram descartadas em favor de uma nova:

• Colisão, aonde um grande objeto do tamanho de Marte teria colidido com a Terra, e o
material expulso, formado a Lua.

A Lua é coberta de crateras, e não tem nem atmosfera, nem água. Possui também
regiões cobertas de lava (solidificada) chamadas de mares. Esses mares são visíveis da Terra
a olho nu, facilmente, como zonas escuras. As zonas claras são regiões de montanhas e
crateras.

A Lua possui cadeias de montanhas, vales e, mais importante, crateras imponentes. A


maior cratera do lado visível é Clavius, que tem 275 quilômetros de diâmetro. Mas as mais
belas são as crateras Tycho, com 84 quilômetros, e Copernicus, com 97 quilômetros. Estas
duas crateras são jovens, e ainda apresentam marcas do impacto que as formou: grandes
raios, feitos de material ejetado por ocasião do choque. Mas, do lado invisível da Lua, há uma
bacia de impacto (similar à bacia Caloris, de Mercúrio), chamada de Mare Orientale. Ele
apresenta quatro anéis concêntricos, com diâmetros de 320, 460, 650 e 850 quilômetros, e é a
formação mais impressionante da Lua.

11.5. Marte

Marte é um planeta bem menor que a Terra (tem cerca de metade do seu diâmetro),
mas, às vezes, é considerado mais parecido com a Terra do que Vênus. Em muitos aspectos,
isso é verdade: o dia marciano possui 24,5 horas; sua inclinação axial é quase a mesma, o que
quer dizer que Marte possui estações e zonas de temperatura similares às da Terra; e possui
também calotas polares. A sua calota polar norte possui 850 quilômetros de diâmetro, e a
calota do pólo sul, 400 quilômetros.

No entanto, existem aspectos de Marte que o tornam bastante diferente da Terra. Sua
atmosfera é feita de 95% de dióxido de carbono, e a pressão do ar na superfície é 200 vezes
menor que na Terra. Uma pessoa em Marte explodiria, por causa da baixa pressão. Marte
também não possui água em sua superfície: ela está congelada debaixo da superfície, em
forma de permafrost (um termo que se refere ao solo da Sibéria, uma mistura permanente de
gelo e terra). Se colocássemos água líquida em sua superfície, ou ela ferveria e se
transformaria em gás, devido à baixa pressão, ou ela congelaria, já que a temperatura média
em Marte é de -27 graus Celsius. Mesmo sendo bastante fraca, a atmosfera de Marte é capaz
186

de sustentar nuvens, até mesmo ciclones. Na verdade, já foi observada uma gigantesca
tempestade de poeira, que se expandiu até obscurecer praticamente todo o planeta. Outra
curiosidade interessante é que Marte é coberto de poeira de óxido de ferro (ferrugem), que é
responsável por sua famosa cor de tonalidade avermelhada.

Marte é também um planeta com grande variedade de terrenos. Possui terrenos de


crateras, regiões vulcânicas, campos de dunas, planícies geladas. Uma formação notável é um
gigantesco calombo em sua superfície, comparável a um continente: é a projeção vulcânica de
Tharsis, um escudo geológico formado há duzentos milhões de anos atrás. É no Tharsis que
estão os maiores vulcões de Marte: Arsia Mons, Ascreaus Mons, Pavonis Mons (que é o ponto
culminante de Marte, com 27 quilômetros acima do nível médio), e finamente Olympus Mons,
que é o vulcão mais impressionante, pois possui 550 quilômetros de diâmetro (isso faz com
que ele tenha uma área equivalente ao estado de São Paulo, ou o dobro da de Portugal, por
exemplo) e 23 quilômetros de altura, a contar de sua base. É o maior vulcão de Marte e de
todo o sistema solar, e só está mais abaixo de Pavonis porque este se localiza em cima de um
ponto mais elevado do maior continente marciano, o Tharsis.

Também foram observados canais em Marte, cavados por água em estado líquido.
Parece que, quando Marte era mais jovem, possuía uma atmosfera maior, que era capaz de
manter uma temperatura e pressão maiores, suficientes para manter lagos e rios. Com o
tempo, Marte, por sua baixa gravidade, não foi capaz de segurar essa atmosfera, que foi
perdida gradativamente para o espaço. Como consequência, a água em estado líquido sumiu,
mas ainda existem os canais para registrar o passado de Marte.

Uma outra formação impressionante é um canyon, escavado por água, que nasce no
Tharsis e se estende por 4.000 quilômetros. É o Vallis Marineris, mais comprido, largo e
profundo do que qualquer um encontrado na Terra. Sua largura máxima é de 350 quilômetros,
com uma profundidade de 6 quilômetros.

11.5.1 Os satélites de Marte


Marte possui dois satélites, ambos descobertos pelo astrônomo norte-americano Asaph
Hall, em 1.877. Ele chamou-os de Fobos (medo) e Deimos (terror), duas entidades mitológicas
que conduziam a carruagem de Marte, o deus da guerra. Estes satélites são bastante
pequenos, e orbitam Marte a uma distância bastante pequena. Fobos, o satélite mais interno,
orbita Marte a apenas 9.300 km de seu centro, mais próximo de seu planeta do que qualquer
outro satélite, enquanto Deimos orbita a 23.000 km.

A superfície de Fobos é marcada por crateras. A maior delas, Stickney (em homenagem
à esposa de Hall), possui 10 km de largura. Graças ao seu pequeno tamanho e gravidade,
Fobos possui um formato irregular: é um elipsóide triaxial, de 20 por 23 por 28 km. Fobos
também exibe uma série de fendas em sua superfície, causada possivelmente pela influência
gravitacional de Marte, na forma de efeitos de maré.

Deimos, ainda menor de Fobos, é outro corpo irregular, com dimensões de 10x12x16
km. No entanto, este difere de Fobos em aspectos importantes: não possui grandes crateras e
nem fendas em sua superfície. Além disso, ambos os satélites parecem estar cobertos por uma
fina camada de poeira, interceptada enquanto caía em Marte.
187

Figura 11.1. Satélites de Marte

Os satélites marcianos devem ser asteróides capturados, pois é improvável que Fobos e
Deimos tenham se formado na mesma época que Marte. Além disso, o grande cinturão de
asteróides se situa logo depois da órbita marciana.
188

CAPÍTULO 12
Planetas Jovianos

Marcos Boehme
189

Capítulo 12 - PLANETAS JOVIANOS

12.1. Introdução

Existem quatro planetas grandes e compostos principalmente de gás (hidrogênio e


hélio), características que os colocam na mesma família. Estes planetas são os gigantescos
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, também chamados de jovianos. Embora Plutão não seja um
planeta gasoso como os jovianos, mas um planeta gelado, ele foi incluído neste capítulo.

A hipótese que explica melhor a diferença de forma e constituição dos planetas do nosso
sistema nos diz que os planetas jovianos são constituídos dessa maneira por causa de sua
distância do Sol. Quando o Sol acendeu, expulsou os gases e materiais voláteis para o exterior
do sistema, material este que foi capturado pelos planetas mais frios. Por causa disto, Júpiter é
o maior planeta do sistema solar: ele se localiza na fronteira do sistema solar aonde alguns
gases voláteis se congelam, e capturou mais matéria. Na região mais externa do sistema solar,
o calor do Sol não foi capaz de expulsar os gases leves, e estes planetas acumularam a
matéria expulsa do interior do sistema solar. Outra característica interessante dos planetas
gasosos é o fato de eles não possuírem crosta, ou seja, não possuem uma camada exterior
sólida, apenas atmosfera, hidrosfera e núcleo gigantes.

Figura 12.1. Estrutura interna de Júpiter, típica dos planetas gasosos.


190

12.2. Júpiter

Júpiter é o maior planeta do sistema solar, maior do que todos os outros planetas,
asteróides, cometas e satélites reunidos, pois possui 318 vezes a massa da Terra, e seu
diâmetro é de 143.000 km. Também possui o campo magnético mais poderoso do sistema
solar, depois do Sol. Essa massa toda faz com que as camadas interiores sejam pressionadas
com muita força, o que faz com que, a uma certa altura, os elétrons sejam espremidos dos
átomos de hidrogênio. O resultado é uma camada de hidrogênio com propriedades metálicas, o
"hidrogênio metálico", jamais reproduzido na Terra, pois exige pressão de três milhões de
atmosferas. Possivelmente, essa camada é a responsável pelo campo magnético de Júpiter,
associado à sua rápida rotação, de apenas 9 horas e 50 minutos.

Tudo o que vemos de Júpiter é sua superfície gasosa, extremamente espessa. Ela não é
um simples envoltório de gases, como na Terra, mas uma verdadeira camada do planeta,
altamente complexa. O que quer dizer que é impossível pousar em Júpiter: se alguma nave
atravessar a camada de nuvens, irá penetrar por milhares de quilômetros até ser esmagada
pela alta pressão, ainda nas suas camadas superiores.

Portanto, podemos considerar Júpiter como um planeta gasoso, composto em 95% de


gás hidrogênio e 4% de hélio (portanto, é deformável por sua própria rotação), e que gira muito
rapidamente, a cada 9 horas e 51 minutos. O resultado é que Júpiter tem uma forma achatada,
facilmente visível ao telescópio. Seu achatamento é de 6%, ou seja, seu eixo equatorial é 6%
mais comprido do que o eixo polar.

Em Júpiter, podemos ver as nuvens da atmosfera se organizando em faixas claras e


escuras. As claras são chamadas de "zonas" e as escuras de "cinturões". Os mais largos são
as brilhantes zonas equatoriais norte e sul, que juntos ocupam um oitavo da superfície de
Júpiter, divididos por uma estreita faixa escura, o cinturão equatorial. Mas a marca mais
proeminente de Júpiter é o cinturão equatorial norte, marcadamente escuro e destacado do
disco do planeta, e além disso é extremamente ativa, frequentemente apresentando manchas
ou projeções escuras para as zonas claras vizinhas. Seu irmão do hemisfério oposto, o
cinturão equatorial sul, é turbulento e variável, além de possuir a famosa Grande Mancha
Vermelha. Também são dignos de nota as zonas tropicais sul (que é fortemente perturbado, e
às vezes deformado, pela Grande Mancha Vermelha) e norte e os cinturões temperados sul e
norte.

Os cinturões e zonas não formam faixas perfeitamente uniformes em torno do planeta, e


variam de largura de um lugar para outro. Além disso, podem aparecer manchas, claras ou
escuras, ao longo dos cinturões, persistindo por períodos maiores ou menores, formando um
panorama em contínua mutação.

No entanto, existem compostos de outras substâncias em Júpiter, que fazem com que
este planeta apresente manchas e cinturões coloridos para um observador. Há quantidades
bastante razoáveis de metano, amônia, etano e acetileno, por exemplo. Para complicar mais
ainda, os planetas gasosos não rotacionam como um corpo sólido, mas sim de maneira
diferencial, ou seja, certas regiões giram mais rápido do que outras, fazendo com que certos
compostos se concentrem em certas latitudes e se espalhem, formando os cinturões. Isto torna
a mecânica atmosférica de Júpiter ainda mais complexa.

Foi observada, há trezentos anos atrás, uma irregularidade no cinturão equatorial sul,
uma imensa mancha vermelha na superfície de Júpiter, que existe até hoje, enquanto outras
manchas, de colorações branca, preta ou vermelha têm um tempo de vida bem menor, da
ordem de meses ou anos. Atualmente, sabe-se que a Grande Mancha Vermelha é uma região
191

de alta pressão, que rotaciona contra o sentido horário, sugando material de níveis inferiores
por dentro e expelindo por cima e por fora. Os detalhes exatos deste fluxo de material ainda
são desconhecidos. No entanto, se sabe que sua cor é devida aos gases de amônia e metano,
que refletem a cor vermelha e absorvem as outras. Esta mancha é extraordinária, não só pelo
seu tamanho (três vezes mais extensa que a Terra, com 43.000 km de comprimento por 13.000
de largura), mas também por ser a única mancha de longa duração

Outro fenômeno percebido em Júpiter é o fato dele emitir mais calor do que recebe do
Sol. Será que esta energia extra significa que há fusão nuclear no seu interior, e em breve ele
se transformará em uma estrela? Na verdade, não. A Terra e outros planetas também fazem
isto, devido ao calor residual que os planetas retêm desde a formação do sistema solar. Para
que Júpiter se transformasse em uma estrela, transformando o nosso sistema em um sistema
binário, seria necessário que Júpiter tivesse uma massa cerca de cinquenta vezes maior, para
gerar fusão nuclear em seu centro.

12.2.1 Sistema de anéis de Júpiter


Outro resultado inesperado da missão Voyager foi a descoberta de anéis de partículas
em torno de Júpiter, similar aos existentes em Saturno e Urano. É um sistema de anéis
bastante modesto, visto que só possui três componentes e é feito de poeira microscópica, ao
invés de grãos e blocos de gelo como os de Saturno. O anel principal reúne a maior quantidade
de material e é o mais visível, enquanto que os demais são mais opacos e têm seu material
bastante espalhado.

nome distância largura

(103 km) (103 km)

Halo 100,0 - 122,8 22,8

Principal 122,8 - 129,2 6,4

Gossamer 129,2 - 214,2 85,0

Tabela 12.1. Os anéis de Júpiter.

12.2.2 Sistema de satélites de Júpiter


Júpiter tem dezesseis satélites, que podem ser divididos em quatro grupos: o dos quatro
mais próximos, liderados por Amaltéia, todos pequenos; o dos quatro satélites descobertos por
Galileu, todos de grandes dimensões, dos quais três são maiores que a Lua; e mais dois
grupos de quatro satélites cada. Acredita-se que estes dois últimos grupos se formaram de
asteróides que se despedaçaram, pois os satélites de seus grupos são muito próximos entre si
e possuem órbitas parecidas.
192

O grupo mais interno é composto dos satélites Amaltéia, o maior, descoberto em 1892, e
dos satélites Métis, Adastréia e Tebe, descobertos em 1980 pelas sondas Voyager. São todos
satélites pequenos e irregulares, pois sua baixa massa e gravidade não são capazes de tornar
seus corpos muito esféricos. Os mais próximos, Métis (com cerca de 40 km de diâmetro) e
Adrastéia (dimensões de 26 por 20 por 16 km), estão próximos dos pequenos anéis de Júpiter,
interferindo na órbita de suas partículas. São, portanto, duas "luas pastoras" dos anéis.

Amaltéia, descoberto no final do século XIX, foi o último satélite descoberto por
observação visual direta (os demais foram descobertas comparando fotografias ou com
sondas). Sua cor é avermelhada, provavelmente devido a enxofre expelido pelos vulcões do
satélite Io, e sua forma é muito alongada (262x146x134 km), deformação causada pelo forte
puxão gravitacional de Júpiter. O quarto satélite interno é Tebe, com cerca de 100 km de
diâmetro e pouco se conhece sobre ele.

O próximo grupo, o dos satélites galileanos, é constituído por quatro satélites grandes e
bem conhecidos, descobertos por Galileu Galilei em sete de janeiro de 1610. Por ordem de
afastamento, são Io, Europa, Ganimedes e Calisto, que são nomes de personagens
mitológicos que atraíram as paixões amorosas de Júpiter; Io, Europa e Calisto eram belas
ninfas e Ganimedes um belo rapaz.

Io possui 3.632 km de diâmetro, ligeiramente maior que a nossa Lua. Este satélite é
fortemente influenciado gravitacionalmente por Júpiter, de um lado, e pelos demais satélites
galileanos, de outro; por isso, sua superfície sofre grande tensão, e a fricção resultante produz
calor suficiente para que seu núcleo seja liquefeito. Consequentemente, esse calor é liberado
na crosta através de vulcanismo. Uma das primeiras fotografias deste satélite mostra uma
nuvem de material em forma de guarda-chuva com 280 km de altura, ejetada por um dos
grandes vulcões ioanos; suas explosões são tão violentas que um mapa de Io estaria
irreconhecível em poucas décadas. Io apresenta uma coloração vermelho-alaranjada, devido
ao enxofre expulso do interior que recobre a maior parte de sua superfície. Os maiores vulcões
de Io são Pele (com 1.200 km de largura), Loki e Prometeus.

A lua seguinte, Europa, é a menor das luas galileanas, e é também a única menor que a
nossa Lua, possuindo 3.126 km de diâmetro. Estranhamente, este satélite praticamente não
possui crateras ou relevo vertical, possuindo uma superfície bastante lisa, com linhas escuras
se entrecruzando e formando um padrão bastante complicado. Suas formações predominantes
no relevo são as "linea" (uma linha escura ou brilhante, fina ou curva), "flexus" (marcas
alongadas e curvas) e "macula" (uma mancha escura, às vezes irregular). Acredita-se que
Europa apresente este relevo devido a uma crosta de gelo, bastante fraturada, com as fraturas
sendo preenchida por gelo "sujo", misturado com material escuro.

O terceiro satélite galileano é Ganimedes, o maior dos satélites de Júpiter e do sistema


solar, é maior até do que Plutão e Mercúrio, com 5.268 km de diâmetro. A primeira impressão
que se tem de sua superfície é a sua semelhança com a Lua, pela grande quantidade de
crateras de vários tipos. No entanto, sua superfície é composta, em grande parte, de gelo,
possuindo menos crateras que a Lua e com um terreno menos marcado e mais homogêneo.
Em geral, existem dois tipos de relevo em Ganimedes: o terreno densamente craterado, mais
antigo e escuro, porém formando regiões isoladas entre si (ilhas de crateras); e o terreno mais
recente e claro, formado por faixas de cavidades longas e paralelas, como se extensas regiões
de Ganimedes tivessem sido aradas. Para descrever estas regiões, foi criado o termo "sulcus";
além da Terra, Ganimedes é o único mundo do sistema solar que apresenta falhamento
tectônico lateral. A maior das regiões escuras deste satélite é Galileo Regio, que exibe muitas
crateras e cobre cerca de um sexto de toda a sua superfície (com um diâmetro médio de 3.200
km), enquanto que o maior "sulcus" é Tiamat Sulcus, que mede 2.000 km de comprimento por
150 de largura.
193

O último dos galileanos é Calisto, cuja superfície é bastante escura e composto em


maior parte de gelo. Calisto possui 4.806 km de diâmetro, quase do tamanho de Mercúrio. Seu
relevo parece ser bastante simples: gelo solidificado, totalmente coberto de crateras antigas.
Na verdade, Calisto parece ser o corpo celeste mais pesadamente bombardeado que se
conhece, com pouquíssimas alterações geológicas que apagassem as crateras. Entretanto,
existem conjuntos de vários anéis concêntricos, dos quais o mais impressionante é Valhalla.
Valhalla é uma vasta estrutura, com uma mancha circular e brilhante no centro com 600 km de
diâmetro, cercada por dezenas de anéis, dos quais o mais exterior possui 3.000 km de
diâmetro. Esta foi a primeira bacia de impacto encontrada no sistema jupiteriano, sendo
comparada a Mare Orientale na Lua, Bacia Caloris em Mercúrio e Hellas em Marte. O corpo
que caiu em Calisto para produzir esta formação esteve próximo de penetrar a crosta do
satélite (se é que não o fez), causando derretimento do gelo circundante e ondas de choque,
com um recongelamento relativamente rápido, conservando os anéis como resultado das
ondas de choque. Existem outras formações semelhantes, como Asgard, com metade de seu
tamanho, mas nada que rivalize com Valhalla.

Dos oito satélites restantes, todos são bastante pequenos, descobertos através de
fotografias. Os quatro primeiros possuem órbitas que os deixam de 11,1 a 11,7 milhões de km
de Júpiter, cerca de 30 graus de inclinação ao equador de seu planeta, todos orbitando no
mesmo sentido da rotação de Júpiter. Na ordem, eles são Leda, com 10 km, Himalia (o maior),
com 170 km, Lisitéia, com 24 e Elara, com 80.

Os quatro exteriores possuem órbitas que os deixam de 20,7 a 23,7 milhões de km de


Júpiter, cerca de 150 graus de inclinação ao equador jupiteriano e todos orbitando no sentido
contrário ao da rotação de Júpiter. Por ordem de distância, eles são Ananke, com 20 km,
Carme, com 30 km, Pasífae, com 36 km e Sínope, com 28 km de diâmetro.

Estas duas famílias de satélites possuem características orbitais bastante semelhantes


entre si, e a grande distância em relação à Júpiter torna difícil afirmar que os seus oito satélites
exteriores se formaram ali mesmo. Atualmente, se crê que estes sejam corpos capturados,
cada família originária de um corpo anterior que se partiu em quatro pedaços, antes ou depois
de sua captura por Júpiter. É possível que, num futuro distante, o Sol os arranque do controle
jupiteriano, dando-lhes um novo destino, ainda desconhecido.

12.3. Saturno
Assim como Júpiter, Saturno possui uma rotação rápida (de 10 horas e 40 minutos) e
diferencial, o que causa a formação de faixas e manchas em sua atmosfera. Sua taxa de
achatamento é ainda maior, de 11%, por causa de sua densidade muito baixa (o que quer dizer
que seu núcleo, feito de rochas e metais, é pequeno). No entanto, como está mais distante do
Sol, é menos colorido e turbulento, pois é em parte a energia do Sol que provoca a circulação
atmosférica. Também apresenta cinturões, mas estes têm uma coloração pouco distinta e
fraca, tendendo para o amarelado. Os dois cinturões mais evidentes são os equatoriais norte e
sul, e os cinturões temperados norte e sul são mais discretos. A aparência quase uniforme de
Saturno é devida à uma camada de névoa sobre o topo das nuvens subjacentes. Podem ser
observadas grandes manchas temporárias em Saturno, mas elas são raras em comparação, e
a imagem mental que se costuma fazer desse planeta é de uma grande bola alaranjada.

Recentemente, entre 1990 e 1991, foi observada a existência de um fenômeno


interessante: o surgimento de uma imensa mancha branca, que se expandiu até cobrir um
194

terço do equador de Saturno (ou seja, cerca de 200.000 quilômetros de comprimento). Depois
de algum tempo, começou a encolher e atualmente não é mais visível.

12.3.1 Sistema de anéis de Saturno


De todos os planetas, Saturno é o mais parecido com Júpiter, por causa da composição,
tamanho e vários outros fatores. No entanto, existe algo que torna Saturno diferente: são os
espetaculares anéis de Saturno, os quais fazem que este planeta seja apelidado de "jóia do
sistema solar". Vistos num bom telescópio, é possível perceber os anéis A e B e o vazio entre
eles, a divisão de Cassini. Os anéis se situam no plano equatorial do planeta, e são feitos de
inúmeros blocos e pedaços de gelo, cada um deles se comportando como um mini-satélite
diferente.

Posteriormente, foram sendo descobertos mais anéis menores, e as sondas espaciais


revelaram que o comportamento dos anéis é bastante complexo, com cada um dos anéis
grandes divididos em uma enorme quantidade de sub-anéis internos. O mais largo e brilhante é
o anel B, que possui uma largura de mais de 25.000 km, logo seguido pelo anel A, mais
distante do planeta, com quase 15.000 km de largura. O anel C é mais fraco que os dois
anteriores, mas também é bastante largo, e é mais próximo de Saturno que o anel B. Além
desses anéis principais, existem os anéis pequenos: o anel D, composto de partículas que
orbitam pouco acima da atmosfera de Saturno, muito pouco espesso e fraco; além dos anéis
principais, o anel F, que é fino e sofre a interferência de satélites próximos, como Prometeu e
Pandora; depois, o anel G, mais tênue que F, se situa entre a distância que separa o satélite
Mimas dos satélites Janus e Epimeteus; e finalmente, há o anel E, que é o mais largo dos
anéis, mas não é brilhante o suficiente para ser visto da Terra, é composto de poeira, e envolve
a órbita do satélite Enceladus.

A explicação para a origem dos anéis, e para todos os sistemas de anéis em geral, é
que um objeto (como um satélite, cometa ou asteróide) se aproximou o suficiente para sofrer
um processo de disrupção, ou seja, foi despedaçado pela força gravitacional de Saturno.
Considerando a grande extensão e massa dos anéis de Saturno, o objeto que os originou deve
ter sido bastante grande. Logo após o despedaçamento, os fragmentos do corpo original
devem ter circundado Saturno em vários planos, até que, pouco a pouco, o efeito de maré do
planeta forçou os fragmentos a orbitar Saturno no seu plano do equador, formando uma
estrutura fina, de apenas cerca de 150 metros de grossura.
195

nome distância largura


(103 km) (km)

Anel D 66,97 - 74,5 7.500

Divisão Guerin 74,5 50

Anel C 74,51 - 91,9 17.500

Divisão Maxwell 87,48 270

Anel B 91,9 - 117,52 25.500

Div. Huygens 117,7 430

Divisão Cassini 119,76 4.450

Anel A 122,17 - 136,81 14.600

Divisão Encke 133,57 328

Divisão Keeler 136,53 31

Anel F 140,21 400

Anel G 165,8 - 173,8 8.000

Anel E 180 - 480 300.000

Tabela 12.2. Os anéis de Saturno.

12.3.2 Sistema de satélites de Saturno


Depois dos satélites galileanos, foi descoberto um satélite em Saturno, pelo astrônomo
holandês Christian Huygens. Era um satélite bastante grande, e como o deus Kronos (ou
Saturno, pai de Zeus/Júpiter) pertencia ao grupo de deuses chamado de titãs, o novo satélite
foi chamado de Titã. Na medida em que se aperfeiçoaram os telescópios, corpos menores e
mais obscuros puderam ser vistos orbitando Saturno. Entre 1670 e 1680, o italiano Giovanni
Cassini descobriu mais quatro satélites, Tétis, Dione, Réia e Iápeto, titãs irmãos de Kronos.

O sistema saturniano é dominado por um grande satélite, Titã, quatro médios, Réia,
Iápeto, Dione e Tétis, e mais treze pequenos: Encélado, Mimas, Hipérion, Febe, Janus,
Prometeu, Epimeteu, Pandora, Atlas, Helene, Telesto, Calipso e Pã. Existem ainda indícios de
mais cinco satélites de Saturno, que estão à espera de confirmação.

Quanto aos aspectos físicos destes satélites, os quatro primeiros, Pã, de 20 km, Atlas,
de 35 km, Prometeu, de 120 km e Pandora, de 100 km de diâmetro, que foram descobertos
196

pela Voyager, são típicos satélites pequenos, próximos o suficiente para interferir
gravitacionalmente com os anéis A e F.

A seguir, encontramos Janus, de 190 km, e Epimeteus, de 110 km, que também são
satélites pequenos, mas, estranhamente, compartilham de órbitas quase iguais. Na verdade,
Epimeteus orbita Saturno a 50 km de distância a mais que Janus. A cada quatro anos, eles se
aproximam, e Janus ultrapassa Epimeteus, sem colidir. Aparentemente, a fraca gravidade de
Epimeteus acelera Janus o suficiente para que Janus desvie o suficiente para evitar a colisão,
através de um curioso mecanismo de troca de órbitas, ou estes dois corpos já teriam
desaparecido.

Mimas, o satélite seguinte, já foi observado da Terra, se transformando em um satélite


"clássico". Possui 400 km de diâmetro, e sua formação mais interessante é a grande cratera
Herschel, de 130 km de largura, que apresenta paredes de 5 km de altura e um pico central de
6 km de altura, tão grande que deve representar o máximo que este satélite poderia suportar
sem ser destruído, pois representa um terço do diâmetro do satélite. Sua superfície é
extremamente povoada por crateras menores, e apresenta fendas, como Camelot Chasma e
Avalon Chasma.

Depois, há Encélado, com 500 km. Não apresenta grandes formações, mas é repleto de
pequenas crateras de 10 a 30 km de largura. Por causa deste detalhe, é possível que haja um
mecanismo de renovação da superfície, que apague as formações antigas e alise o terreno.
Esta teoria é reforçada pela existência de planícies, aonde o terreno é relativamente liso e
novo, e pela existência de falhas alongadas, por onde poderia sair o material novo, como
Harran Sulci e Samarkand Sulci.

Tétis, o satélite seguinte, possui 1.050 km de diâmetro, sendo portanto de tamanho


médio. Apresenta a grande cratera de Odysseus, de 400 km de largura, porém bastante
achatada, além de Penélope, Telêmaco, Ajax e Circe. Possui também uma grande fenda,
Ithaca Chasma, que passa desde o pólo norte até as vizinhanças do sul e não possui nada de
semelhante em outros corpos do sistema solar. Na órbita de Tétis, também residem os satélites
coorbitais de Telesto, de 30 km e Calipso, de 25 km, que ocupam os pontos gravitacionais de
Lagrange, 60 graus adiante (Telesto) e 60 graus atrás (Calipso).

A seguir, temos Dione, com 1.120 km. O brilho desse satélite não é uniforme, pois
possui um lado duas vezes mais brilhante que outro. Sua maior formação é Amata, que possui
240 km de largura, de natureza incerta, que é o centro de um sistema de raios brilhantes e
extensos, provavelmente resultantes de material expulso de seu interior, como Carthage Linea,
Padua Linea e Palatina Linea. Dione também possui um satélite coorbital, Helene, de 35 km.

Réia, com 1.530 km, é o segundo maior membro do sistema saturniano. A exemplo de
outros satélites, Réia é densamente craterado; no entanto, não possui grande quantidade de
grandes crateras, das quais só se observa Izanagi, e algumas falhas de terreno.

Só então chegamos a Titã, o maior satélite de Saturno, e o segundo maior do sistema


solar, graças a seus 5.150 km de diâmetro, composto metade por gelos diversos e metade por
rochas. Sua gravidade é suficientemente forte para ter mantido uma atmosfera, o único satélite
do sistema solar a possuí-la. Essa atmosfera é 94% de nitrogênio, 6% de hélio e traços de
metano, etano, propano, acetileno e outros compostos, e sua pressão ao nível do chão é 1,6
vezes superior à da Terra, e 200 km de espessura. Titã não apresenta superfície visível, e tudo
o que se pode ver é a sua grossa atmosfera, de cor alaranjada. A temperatura em Titã é
próxima ao ponto triplo do metano, o que sugere que este composto possa ser encontrado nas
formas sólida, líquida e gasosa, formando oceanos. Medições de radar a partir da Terra
197

sugerem que este satélite apresente continentes de tamanho significativo, tornando-o um


satélite altamente complexo e interessante.

Além de Titã, encontramos Hipérion, bastante irregular, com diâmetro variando de 360 a
240 km. Foi proposto que sua forma irregular é resultado de uma colisão, razoavelmente
recente.

Iápeto, o último dos satélites médios, possui 1.440 km, e uma grande variação de brilho,
conforme o lado observado. Seu lado claro é cerca de dez vezes mais brilhante que seu lado
negro, possivelmente coberto de material expulso de outro satélite através de impacto, ou
vulcanismo, mas há muita controvérsia sobre o assunto. Nada foi observado do lado escuro,
enquanto que do lado claro foram registradas algumas crateras, como Othon e Ogier, além da
planície de Roncevaux Terra.

O limite exterior do sistema de Saturno é Febe, com 200 km de diâmetro. Esse satélite,
por ser distante, é também pouco conhecido, mas, pela sua órbita irregular, deve ser um
asteróide capturado.

12.4. Urano

Wilhelm Herschel, nascido na Alemanha, mas que se tornou súdito inglês, era um gênio
autodidata da astronomia, e construiu os melhores telescópios existentes na época. Então, em
13 de março de 1781, Herschel observou um objeto em forma de disco (e não em forma de
ponto, como uma estrela). Inicialmente, ele pensou que se tratava de um cometa, mas não
havia nebulosidade alguma que o caracterizasse, e a imagem apresentava uma borda nítida.
Uma vez feitas as observações necessárias para o cálculo da órbita, ficou claro que esta era
quase circular e se localizava além de Saturno. Isto obrigou Herschel a aceitar que havia
descoberto, por acaso, um novo planeta, pela primeira vez na história.

Herschel escolheu, para o novo planeta, o nome de Georgium Sidus, ou seja, estrela de
Jorge, o rei inglês da época, do qual Herschel era súdito. No entanto, astrônomos de outros
países não viam por que um planeta deveria receber seu nome de um monarca inglês. Alguns
astrônomos ingleses sugeriram o nome do próprio Herschel, mas isto também não mereceu
aprovação dos outros. Foi decidido que o nome do novo planeta deveria seguir a tradição da
mitologia grega, sendo escolhido o nome de Urano, que era o pai de Saturno. Verificou-se que
Urano é visível a olho nu, embora não muito facilmente, e sua posição foi registrada pelo
menos 19 vezes, por vários astrônomos, mas nunca ninguém notou que ele mudava de
posição de noite para noite, pensando que se tratava de uma simples estrela. E assim, a glória
da descoberta cabe exclusivamente à Herschel.

Urano também é um planeta gasoso, mas não mostra sinais de cinturões de gás. Sua
atmosfera é pouco ativa, bem mais "sossegado", por assim dizer, do que Júpiter e Saturno,
talvez por causa de seu afastamento do Sol e temperatura menor, conjugado com o fato de
que não possui uma fonte intensa de calor interno. Tudo o que foi detectado, no que diz
respeito à circulação atmosférica, é uma nuvem branca, razoavelmente extensa, perto de seu
equador. Sua coloração é verde-azulada, devida à proporção de metano em sua atmosfera.

Um mistério que cerca Urano é a grande inclinação de seu eixo de rotação, de 98 graus,
o que faz com que esse planeta pareça "rolar" em sua órbita; pode ser chamado de o "planeta
198

deitado". Este fenômeno ainda não possui uma explicação razoável, e a única teoria que os
astrônomos podem formular é a de uma colisão na etapa de formação desse planeta, que
tenha desviado o eixo de rotação de Urano. É possível que Urano, e seu irmão quase gêmeo,
Netuno, tenham se formado do ajuntamento de corpos gelados, e a colisão de um deles com
Urano, ainda em formação, tenha desviado seu eixo.

Um detalhe que diferencia Urano de Netuno, seu irmão quase gêmeo, é o fato de Urano
possuir maiores dimensões, mas uma massa menor. Assim, Urano é maior do que Netuno,
mas possui menos massa, graças à sua densidade menor.

10.4.1 Sistema de anéis de Urano


Em 1977, Urano passou em frente da estrela SAO 158.687, e foram observadas certas
oscilações regulares no brilho desta estrela, tanto antes quanto depois da ocultação. A única
maneira de explicar o que havia acontecido seria supor a existência de anéis envolvendo
Urano. A passagem da sonda Voyager 2 confirmou a existência de 11 anéis em torno deste
planeta. Em comparação com os anéis de Saturno, os de Urano são mais estreitos, seu
material é mais espalhado e são feitos de material bastante escuro. É também possível que
estes anéis tenham sido formados recentemente, devido à grande quantidade de poeira
microscópica, que já deveria ter sido "varrida", devido aos efeitos gravitacionais combinados de
Urano e seus satélites mais próximos. De todos os anéis, o mais notável é o épsilon, mais
brilhante e denso.

nome distância largura

(103 km) (km)

1986 UR2 39,0 2.500

6 41,8 2

5 42,2 3

4 42,6 4

Alfa 44,7 10

Beta 45,7 8

Eta 47,2 6

Gama 47,6 2

Delta 48,3 6

1986 UR1 50,0 1

Epsilon 51,2 50

Tabela 12.3. Os anéis de Urano.


199

12.4.2 Sistema de satélites de Urano


O sistema uraniano é composto por quinze satélites, dos quais dez descobertos em
1986 pela sonda Voyager 2.

Os dois primeiros a serem descobertos são maiores e mais distantes de Urano. Wilhelm
Herschel, depois de descobrir Urano, manteve-o sobre observação, e em 1787 descobriu dois
satélites: Oberon, o mais externo, e Titânia, mais próximo a Urano, o maior satélite deste
planeta. Eles foram os primeiros mundos do sistema solar que não tiveram nomes retirados da
mitologia grega ou romana. Titânia e Oberon eram a rainha e o rei dos contos de fadas de
Shakespeare, na sua peça Sonho de Uma Noite de Verão.

Em 1851, o astrônomo inglês William Lassell descobriu outros dois satélites, mais
próximos de Urano que os de Herschel. Foram chamados de Ariel e Umbriel. Ariel continuou o
toque de Shakespeare, pois representa o espírito do ar em A Tempestade. Umbriel é um
espírito triste e lamurioso, do poema O Roubo da Madeixa de Cabelo, de Alexander Pope. E
em 1948, Gerard Peter Kuiper detectou um quinto satélite, ainda mais próximo de Urano que
os outros e o chamou de Miranda, a heroína de A Tempestade.

Os dez satélites seguintes, com órbita inferior à de Miranda, são bem pequenos, e a
União Astronômica resolveu seguir a tradição Shakespeareana e os nomeou de acordo com
personagens de suas obras. Por ordem de aproximação a Urano, são: Puck, Belinda,
Rosalinda, Pórtia, Julieta, Desdêmona, Créssida, Bianca, Ofélia e finalmente Cordélia, o mais
próximo de todos do centro de Urano.

Fisicamente, os satélites de Urano podem ser classificados em grandes (os cinco


primeiros) e pequenos (os outros dez). São descritos a seguir:

Dos grandes, o maior é Titânia, com 1.580 km de diâmetro, que apresenta muitas
crateras, um grande vale, Messina Chasmata, de 1.500 km de comprimento, e uma grande
cratera, Gertrude.

Oberon, ligeiramente menor, possui 1.524 km, além de possuir uma montanha de 6 km
de altura e várias crateras grandes, como Hamlet, Otelo e Falstaff, mas parece ser menos
geologicamente ativo que Titânia, pois seus terrenos apresentam menor número de vales e
falhas.

Umbriel, com 1.172 km, é o satélite de Urano que apresenta a superfície mais escura,
refletindo apenas seis por cento da luz que recebe do Sol. Possui uma cratera de 110 km,
Skynd, e uma formação brilhante, perto de seu limbo, com 140 km, chamada de Wunda, mas
de natureza ainda incerta.

Ariel, de 1.158 km, possui numerosos vales cortando sua superfície, como Korrican
Chasma e Kewpie Chasma, além de várias escarpas, elevações e falhas, indicando certa
atividade geológica no passado; também possui várias crateras, as maiores sendo dotadas de
sistemas de raios. Miranda, com apenas 484 km, é surpreendente e enigmático; é como se
fosse constituído de retalhos de terrenos diferentes. Miranda apresenta um certo terreno que
parece antigo e cheio de crateras, vizinho de um terreno sem crateras mas muito enrugado,
que abruptamente se transforma em um terreno oval com vales curvilíneos. Sua formação mais
interessante é Inverness Corona, de forma retangular, com uma grande marca branca em
ângulo reto. A teoria mais aceita para explicar estas formações é uma colisão com um bólido,
que fragmentou Miranda em vários pedaços, os quais depois se aproximaram lentamente e se
uniram, reconstituindo o satélite.
200

Dos demais satélites, descobertos em 1986, os maiores são Puck, de 160 km, Portia, de
110 km, e Julieta, de 80 km.

Em 1997, foram descobertos mais dois pequenos satélites, batizados provisoriamente


de S/ 1997 U1 e S/ 1997 U2. Estes satélites estão bem afastados do planeta, e provavelmente
foram capturados.

Figura 12.2. Anéis e satélites internos de Urano.

12.5. Netuno

Ao seguirem a órbita de Urano, os astrônomos perceberam certa irregularidade em seu


movimento. Pensaram que isto seria devido à existência de outro planeta, localizado mais
além. Desta forma, foram realizados cálculos matemáticos, simultaneamente, por dois
cientistas: o inglês John Couch Adams e o francês Urbain Jean Joseph Leverrier, de maneira
independente. Adams enviou seus resultados para os astrônomos James Challis e George Airy
em 1845, mas, infelizmente, os astrônomos ingleses estavam ocupados demais para atendê-lo,
ou não o levaram a sério, e trabalharam com grande lentidão. Enquanto isso, Leverrier também
enviou seus cálculos para Airy, mas como não obteve resposta, também os remeteu para o
201

Observatório de Berlim, aonde o astrônomo Johann Gottfried Galle confirmou a existência de


Netuno, em 23 de setembro de 1846. Quando a notícia foi dada, Challis conferiu suas
anotações e descobriu que tinha observado Netuno em quatro ocasiões diferentes, mas nunca
havia comparado as posições, e portanto não sabia o que tinha visto. Atualmente, Leverrier e
Adams compartilham o crédito da descoberta (com um pouco de vantagem para Leverrier, que
foi mais persistente) junto com Galle, o primeiro a identificar o planeta.

Analisando registros de outros astrônomos, descobriu-se que, a oito de maio de 1794,


Joseph Jerome de Lalande registrou Netuno como uma estrela, e descobriu, dois dias depois,
abismado, que cometeu um erro na posição (na verdade, era Netuno que se moveu). Lalande
então registrou a nova posição e esqueceu o assunto.

Pensou-se em batizar o novo planeta de Leverrier, mas os astrônomos não-franceses


não acharam uma boa idéia. O próprio Leverrier, notando que o planeta parecia mais azulado
que Urano, batizou-o de Netuno, deus romano dos mares.

Quando a sonda Voyager 2 passou por Netuno, os astrônomos tiveram uma grande
surpresa: se esperava um planeta ainda menos ativo, atmosfericamente, que Urano.
Surpreendentemente, Netuno era um planeta com grande atividade atmosférica, com grande
variedade de nuvens. Uma delas foi chamada de Grande Mancha Escura, pois, relativamente
ao tamanho de Netuno, é do mesmo tamanho, localização e comportamento no que se refere à
Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Parece ser provável que o mesmo mecanismo de
dinâmica atmosférica que criou uma mancha, criou a outra também.

Também foram detectadas nuvens brancas, do tipo cirrus, e outra mancha escura, com
um ponto branco no centro, perto de um dos pólos. Esta grande atividade é devida à energia
fornecida pelo interior de Netuno: este é um planeta mais denso, que provavelmente atraiu
material com mais força para si do que Urano, obtendo mais energia cinética e calor, o que, por
sua vez, cria uma atmosfera mais turbulenta.

12.5.1 Sistema de anéis de Netuno


Também neste planeta gasoso foram encontrados sistemas de anéis. Netuno possui
cinco anéis: os três primeiros a serem descobertos são finos e mais compactos, compostos em
grande parte de poeira; os outros dois são extensos mas difusos, e seus limites se confundem
com os dos outros anéis.

O anel R1, o mais visível, apresenta anéis incompletos, em forma de arco, ou seja, seu
material parece se acumular em certas regiões do anel.
202

nome distância largura


(103 km) (km)

Galle - R3 41,9 15

Leverrier - R2 53,2 30

1989 N4R 53,2 1.000

1989 N5R 56,0 4.000

Adams - R1 62,93 50

Tabela 12.4. Os anéis de Netuno.

12.5.2 Sistema de satélites de Netuno


Três semanas após a descoberta de Netuno, em 10 de outubro de 1846, foi descoberto
um satélite seu pelo astrônomo inglês William Lassell. O satélite foi chamado de Tritão, nome
do filho de Poseidon (Netuno) na mitologia grega, e possui 2.720 km de diâmetro, tornando-se
o menor dos sete grandes satélites do sistema solar. Um século depois, em 1949, Gerard
Kuiper descobriu o segundo satélite de Netuno, chamado de Nereida, um das ninfas femininas
que serviam a Poseidon (Netuno) na mitologia grega.

Em 1989, a sonda Voyager 2 descobriu mais seis satélites de Netuno, que receberam
nomes de divindades marítimas auxiliares de Netuno: Náiade, Talassa, Despina, Galatéia,
Larissa e Proteus, em ordem de distância crescente. Todos são de pequenas dimensões, se
destacando Proteus, com 420 km, que supera Nereida (340 km) em tamanho.

Tritão é um satélite muito interessante, pois é do tamanho aproximado de Plutão, e da


mesma cor rósea daquele: talvez seja seu irmão gêmeo. É coberto de gelo de nitrogênio e
metano, resultando em neve cor-de-rosa. Também foram detectados lagos e gêiseres gelados,
que expulsam material escuro a dezenas de quilômetros, tornando Tritão estranhamente ativo,
e bastante peculiar.
203

Figura 12.3. Anéis e satélites internos de Netuno.

12.6. Plutão e Caronte

Acompanhando a órbita de Netuno por algumas décadas, os astrônomos julgaram


encontrar anomalias no seu movimento, provavelmente causadas por um outro planeta,
localizado mais além. Os dois estudos mais cuidadosos foram os de dois astrônomos
americanos, Percival Lowell e William Henry Pickering. Em seus cálculos, Lowell deparou com
um planeta além de Netuno que parecia ter uma órbita um tanto inclinada e elíptica. Estimou
que sua distância ao Sol variava de 5,1 bilhões de quilômetros no periélio a 7,7 bilhões no
afélio. Por outro lado, Pickering calculou a existência do planeta com uma órbita menos
inclinada e elíptica, embora mais distante do Sol do que a suposição de Lowell.

Pickering, tendo feito sua previsão, não se esforçou muito para constatá-la, mas Lowell
chamou a si a tarefa com ardor. Trabalhou no observatório que havia construído no ar claro do
deserto de Flagstaff, Arizona. Seu método era fotografar uma parte do céu na região em que
ele pensava estar o planeta e novamente fotografar a mesma região, três dias depois. Em três
dias, mesmo o movimento lento de um planeta trans-netuniano (ou seja, além de Netuno)
produziria um desvio visível na posição.

Após obter pares de fotos de cada região, Lowell podia comparar as muitas estrelas de uma
com as muitas de outra, uma por uma, numa verificação lenta e cansativa. Por onze anos, ele
fez e refez o seu trabalho, estudando pontos diminutos em chapas fotográficas e comparando-
204

os. Por várias vezes, encontrou desvios nos pontos, mas em todas eram tão grandes que
representavam asteróides. Até que Lowell morreu, em 1916.

Lowell foi sucedido por Milton Humason, que também não teve êxito. O próximo
seguidor de Lowell foi Clyde William Tombaugh, que iniciou suas pesquisas no Observatório
Lowell em 1929. Tombaugh teve a sorte de poder contar com telescópios melhores, e com um
aparelho chamado cintilador, que projetava alternadamente fotos tiradas em diferentes dias,
facilitando a descoberta de pontos que mudassem de posição. Finalmente, em 18 de fevereiro
de 1930, Tombaugh reconheceu um pequeno desvio de posição, e ao comparar fotos
anteriores da mesma região do céu, pôde calcular a órbita desse ponto. Foi confirmado que se
tratava de um novo planeta, anunciado no dia 13 de março de 1930, o 75 o aniversário do
nascimento de Percival Lowell.

O planeta foi batizado de Plutão, versão romana do deus grego Hades, que governava o
inferno subterrâneo (que na mitologia era escuro e gelado), o que combina com um planeta
como Plutão, tão distante do Sol. Além disso, as suas duas primeiras letras são iguais às
iniciais de Percival Lowell.

Verificou-se que a órbita de Plutão é muito irregular, substancialmente diferente dos


cálculos iniciais de Lowell e Pickering, e parece que a sua descoberta foi mais questão de
coincidência e pesquisa sistemática do que da precisão de cálculos.

Plutão é o planeta mais longínquo conhecido, pois sua distância média do Sol é em um
terço maior do que a de Netuno, e sua órbita demora 247,7 anos terrestres para ser
completada. Sua órbita é a mais inclinada também: 17 graus em relação à orbita da Terra, e
sua excentricidade o leva, por vinte anos, para mais perto do Sol do que Netuno, como no
período entre 1979 e 1999. Entretanto, isto não significa que esses planetas possam chocar-
se: eles nunca se aproximam mais do que 2,5 bilhões de quilômetros.

A princípio, pensou-se que Plutão deveria ter o tamanho da Terra, mas em 1950 sua
estimativa foi baixada pela metade, ou seja, 6.000 km de diâmetro. Novas observações fizeram
crer que Plutão fosse menor ainda, de dimensões inferiores a 3.000 km, menor até mesmo que
a nossa Lua.

Se verificou também que sua rotação é bastante lenta: 6,4 dias. Este fato só é
justificável caso Plutão tenha passado parte da sua história próximo a um corpo que lhe
roubasse energia de rotação. Surgiu então a teoria que ele fosse um satélite desgarrado de
Netuno: um corpo qualquer teria interferido no sistema de Netuno, invertido a revolução de
Tritão, alongado a órbita de Nereida e expulsado Plutão para uma órbita independente.

No entanto, em 1978, foi descoberto um satélite de Plutão, chamado de Caronte, que,


segundo a mitologia, era o barqueiro do inferno, que levava as almas ao Hades através do rio
Estige.

Essa descoberta prova que Plutão é um planeta legítimo, ou não poderia possuir um
satélite. Caronte é grande em relação a Plutão pois possui dez por cento de sua massa, o que
faz com que o centro de gravidade do sistema Plutão-Caronte não se localize em Plutão, mas
em um ponto do espaço entre os dois corpos, fazendo deste sistema um planeta duplo, e ao
mesmo tempo explicando a perda de energia de rotação de Plutão.

Observações mais recentes, inclusive pelo Telescópio Espacial Hubble, nos dizem que
sua estimativa atual de diâmetro é de 2.800 km, com 1.200 km para Caronte; os dois corpos
são separados por apenas 20.000 km, o que justifica a demora na descoberta de Caronte. A
massa total do sistema Plutão-Caronte é cerca de 400 vezes menor que a da Terra. Sua
205

superfície é coberta de gelo de metano (CH4) e nitrogênio (N2), fazendo sua coloração tender
para o cor-de-rosa. Plutão, o último planeta do sistema solar, e o único a não ser visitado por
uma sonda e fotografado de perto, ainda esconde muitos enigmas, que não deverão ser
revelados tão cedo.

12.7. Planeta X

Agora, se sabe que as perturbações para as órbitas de Urano e Netuno não foram
fornecidas por Plutão, devido à sua pequena massa. Levantaram-se dúvidas em torno de um
presumível décimo planeta, a ser descoberto no futuro. Várias tentativas foram feitas para
fornecer a posição do hipotético planeta X, como a de J. D. Anderson, do Laboratório de
Propulsão a Jato, que sugere que esse planeta tenha a órbita fortemente excêntrica e
inclinada, com um período de 700 a 1.000 anos.

No entanto, ao observar as órbitas de Urano e Netuno por mais tempo, a maioria das
perturbações pode ser explicada, e o resto pode ser deixado por conta dos erros de imprecisão
de posição e cálculo dos astrônomos anteriores. Atualmente, não há evidências ou indícios de
que possa existir mais um planeta no sistema solar.

Assim, os astrônomos preferem procurar planetas em outros sistemas solares. Nos


últimos anos, várias oscilações foram observadas em pulsares e também em estrelas
semelhantes ao Sol, que foram atribuídas à existência de planetas gigantes nas suas
redondezas.
206

CAPÍTULO 13
Os Pequenos Corpos

Alfredo Martins
207

Capítulo 13 - PEQUENOS CORPOS

13.1. Introdução

Até um século atrás, o sistema solar era visto como um lugar ordenado, com umas
poucas classes de habitantes bem definidos. Haviam planetas, satélites, asteróides e cometas.
Os satélites, observados no sentido norte-sul, giravam em torno dos planetas do mesmo modo
que os planetas giram em torno do Sol, isto é, no sentido contrário ao dos ponteiros. Os
asteróides estavam confinados entre Marte e Júpiter, apresentando-se como corpos rochosos.
Os cometas eram distintos, apresentando cabeleira e caudas enormes.

Posteriormente, com o aumento das descobertas de outros corpos do sistema solar,


verificou-se que ele era muito diferente do que havia se pensado. Tritão, satélite de Netuno,
orbita no sentido retrógrado, ou seja, no sentido dos ponteiros dos relógios. Fobos e Deimos,
satélites de Marte, apresentam-se como objetos tipo asteróide. Apolo, asteróide descoberto em
1932, foi encontrado em órbita interna a da Terra. Cometas perdiam suas caudas e tornavam-
se indistiguíveis dos asteróides como também asteróides apresentavam-se com estrutura
cometária. É o caso de Chiron, descoberto em 1977 e classificado como asteróide.
Inesperadamente, em 1988 este "asteróide" exibiu-se com cabeleira, uma característica
exclusiva dos cometas.

Para esclarecer estes fatos, devemos compreender como o sistema solar se formou.
Quando a nuvem de gás (H, He, O, N, CH4, NH3 etc.) e poeira (Fe, Si, Ca, Al, Mg, S, Na etc.)
condensou-se gradativamente, deu origem a uma estrela central, o Sol. Em torno da estrela
também houveram condensações de matéria formando pequenos corpos cujos diâmetros
variavam de centenas de quilômetros para um quilômetro ou menos. Estes corpos foram
chamados coletivamente de Planetesimais. Dependendo da distância deles até a estrela
central, houveram condensações de diferentes tipos de matéria. Quando mais perto do Sol,
devido as altas temperaturas, mais rochosos (Fe, Si, Ni...) eram os planetesimais. Quando mais
afastados do Sol devido a baixa temperatura, mais gasosos (H, He, NH 3, CH4, H2O...) eles
eram. Com o passar do tempo, os planetesimais foram se agregando e formando os planetas e
satélites e demais corpos do sistema solar.

É fácil observar que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são planetas rochosos ao contrário de
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno que são predominantemente gasosos. Em relação aos outros
corpos, especialmente asteróides e cometas, intimamente relacionados com os planetesimais,
igualmente observa-se uma diferenciação baseada no tipo de condensação que sofreram.
Àqueles formados próximo do Sol são predominantemente não-voláteis (rochosos) enquanto
os mais afastados são predominantemente voláteis (carbonáceos).
208

13.2. Asteróides

Os asteróides e seus precursores foram planetesimais que formaram-se em toda parte


do sistema solar durante a acreação planetária (aglomeração de matéria). Houve acumulação
lenta com choques e disruptura seguida de nova coalescência. Este processo de disruptura
colisional continua até hoje em diminuta taxa. A grande acumulação destes corpos entre Marte
e Júpiter deve-se ao fato da influência gravitacional de Júpiter e outros planetas terem
impedido acumulação de planetesimais e conseqüente formação de um outro planeta. Nós
ainda hoje observamos falhas neste chamado Cinturão de Asteróides devido às interações
gravitacionais dos asteróides com Júpiter. São as chamadas Falhas de Kirkwood.

A forma dos asteróides é grosseiramente redonda para alongada. O maior deles, Ceres,
tem um diâmetro de 930 km. A distribuição no cinturão apresenta uma distinção entre a Parte
Interna e a Parte Externa. Esta transição situa-se a distância de 2,5 unidades astronômicas do
Sol e separa os asteróides metálicos (internamente) dos carbonáceos (externamente).

A classificação dos Asteróides deriva da análise de sua coloração e conseqüente


composição mineralógica. Há dois tipos principais:

 Asteróides tipo S (Stony) - são claros; formados de elementos não voláteis tipo Ferro,
Níquel, Silício, Magnésio, Alumínio (compostos tipo piroxene, olivina); localizados na parte
interna do cinturão (próximos à Marte).

 Asteróides tipo C (Carbonaceous) - são escuros; enriquecidos ou depletados de


matérias oriundas do processo de evolução planetária; apresentam núcleo metálico e crosta de
matéria mineralogicamente rica em carbono e água (condritos carbonaceos). Representam 3/4
da população; localizados na parte externa do cinturão (próximos à Júpiter).

Asteróides ocorrem também em agrupamentos particulares, formando as chamadas


Famílias que levam o nome de seu mais representativo componente. Exemplificamos com as
Famílias Apolo, Flora, Amor, Hilda e os Troianos.

Atualmente mais de 4.000 dos incontáveis asteróides estão numerados e denominados.


O estudo destes astros permanece ativo e confirmações e novas descobertas são esperadas.
Sua relação com a Terra e seus habitantes é antiga. Há 65 milhões de anos atrás, um deles
possivelmente visitou nosso planeta. O resultado, entre outros, teria sido a extinção dos
dinossauros.

[Link]

A origem dos Cometas esta reportada na história da formação do sistema solar. Como já
antecipado, uma nuvem interestelar de gás e poeira sofreu contração gravitacional formando
um disco achatado e rotante chamado de Nebulosa solar. No centro formou-se o Sol. Na
periferia o material coalesceu em pequenas rochas e gelo que acumularam-se formando os
Planetesimais. Estes também aglomeraram-se formando os Planetas. O Sol aqueceu a região
interna do sistema evaporando os gases dos Planetesimais mais próximos, deixando rochas
densas que formaram Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Na região exterior, o calor era
insuficiente para volatilizar os gases (H, He, N2, CH4, NH3 etc.). Nessa região formaram-se os
209

Gigantes Gasosos - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Ocorre que nem todos Planetesimais
foram devorados na formação destes planetas gigantes. Alguns foram ejetados para fora do
sistema e outros permaneceram retidos nas suas fronteiras. Eventualmente, por influências
gravitacionais, estes pequenos corpos ricos em material volátil orbitam próximo do Sol
exibindo-se na forma de Cometas.

As principais partes de um cometa são o Núcleo, a Coma ou Cabeleira e a Cauda.

 Núcleo - é o corpo central e a fonte de todo fenômeno cometário. Apresenta diâmetro


típico de 1 km. É bastante escuro devido sua constituição rica em carbono. Sua crosta‚ formada
de poeira (matéria sólida fragmentada) e gelo (qualquer substância gasosa ou líquida
congelada - H2, H2O, CO2, CO, N2, H2CO etc.). Sua forma é irregular.

 Coma - é o envoltório de gás e poeira que desprende-se do núcleo quando ele


aproxima-se a uma distância de 3 UA do Sol. Isto acontece devido ao aquecimento
proporcionado pelos raios solares. Os gases e água congelada sofrem sublimação e são
ejetados do núcleo a uma velocidade de 1 km/s estendendo-se à distância de 100.000 para 1
milhão de km. Moléculas, átomos e íons formam a coma. Quando o núcleo aproxima-se do Sol,
partículas sólidas (Na, Fe, K, Ca, Mn, Ni, Cu, Si, Al etc.) são ejetadas junto os jatos de gás. Ao
afastar-se do sol, a temperatura decai e a atividade cometária cessa.

A coma do cometa Halley em sua recente passagem era constituída de 80% de H 2O,
10% de CO, 3,5% de CO2 e formaldeido (H2CO)n além de traços de numerosas outras
substâncias.

 Cauda - é a projeção de componentes da coma no sentido oposto ao Sol, carregada


pelo vento solar. Usualmente observa-se dois tipos de cauda. Uma amarelada formada por
poeira e outra azulada formada por substâncias ionizadas (H +,CO+, CO2+ etc.). Sua extensão
pode alcançar 10 milhões de quilômetros.

Atualmente dispõe-se de informações detalhadas sobre órbitas de 750 cometas. Destes,


150 têm período menor do que 200 anos apresentando na grande maioria órbitas diretas
(mesmo sentido dos planetas) e com inclinação para a eclíptica de 30 graus ou menos.

Em 1950, o astrônomo holandês Jan Oort estudando cuidadosamente as órbitas dos


cometas concluiu que eles residem numa região esférica em torno do Sol cujo raio é de 20.000
para 100.000 UA - é a chamada Nuvem de Oort. Estima-se que ela contenha 1 trilhão de
cometas com uma massa total de 25 vezes a da terra. Perturbações gravitacionais ou ondas de
choque devido explosões estelares poderiam modificar suas órbitas projetando-os para dentro
do sistema solar. Alguns ficariam retidos e apareceriam periodicamente.

Consideração importante deve-se fazer sobre a contribuição dos cometas na formação


da atmosfera terrestre. Em época primordial, atraídos gravitacionalmente para nosso planeta,
eles podem ter sido uma fonte de moléculas orgânicas necessárias para o desenvolvimento da
vida na Terra.
210

CAPÍTULO 14
Formação e Localização do Sistema
Solar

Adolfo Stotz Neto


211

Capítulo 14 - FORMAÇÃO E ENDEREÇO DO SISTEMA


SOLAR

14.1. Introdução

Anteriormente ao século XVII, as teorias cosmológicas e de formação do sistema solar


eram restritas, fantasiosas e calcadas apenas nos ideais e interesses da época. A experiência
e o rigor científico como palavra final eram então incipientes, quiçá inexistentes. Durante o
obscuro período da idade média e até a renascença, a cultura ocidental se viu tolhida de novas
idéias e qualquer visão menos Aristotélica era lançada, junto com seu autor, à fogueira. O
mundo de Ptolomeu era então imutável e eterno, obedecendo aos desígnios de uma verdade
bíblica inconteste, cega e inibidora. O geocentrismo se bastava e o sistema solar não passava
de pano de fundo para o cenário de um criador. Porém os espíritos inquietos dos estudiosos
acabaram por vencer a viseira eclesiástica, e pouco a pouco o mundo pode respirar os ares de
uma verdade mais arejada e segura, aonde a comprovação do fato se tornou mais importante
que a elocubração mental interesseira dos mandatários. Em 1644, então, surge a primeira
teoria de formação do sistema solar, autoria do matemático René Descartes. A hipótese falava
em uma nuvem inicial que seria a responsável pela origem do Sol e seus planetas. As idéias de
Descartes só foram retomadas no século seguinte, quando o filósofo alemão Immanuel Kant
reafirma a hipótese da nebulosa primordial e vai além, afirmando que o Sol e seu séquito de
planetas pertenciam a um "universo-ilha" vagando juntamente com outros pares no cosmos
infindo. Estava lançada aí, também, a idéia da Galáxia.

As idéias e teorias de Kant receberam tratamento matemático do astrônomo francês


Pierre Simon de Laplace, já no início do século XIX.

Durante muito tempo a hipótese da nebulosa formadora teve uma rival na possibilidade
defendida pelos dualistas, cuja versão do surgimento do sistema solar foi idealizada por
George Buffon. Segundo esta hipótese, o sistema surgiu de uma colisão entre algum astro e o
Sol, com desprendimento de matéria responsável pelo surgimento dos planetas. Esta teoria foi
definitivamente afastada em 1945, quando o progresso alcançado pelas ciências pôde
corroborar a hipótese de Laplace como a mais aceitável. O caso defendido pelos dualistas
exige uma coincidência de um choque de um corpo massivo contra o Sol de tal ordem que a
possibilidade de sua ocorrência não supera uma em alguns bilhões. A ciência não trava
relacionamento sério com coincidências desta ordem, mas sim com modelos repetitivos e
reproduzíveis, o que torna a hipótese de Buffon uma simples piada astronômica.

14.2. Teoria da formação do sistema solar

Seguindo a correta idéia de Kant, Thomas Wright publicou em "Uma Teoria Original do
Universo", por volta de 1750, que o Sol pertencia a um aglomerado imenso de estrelas, em
forma de um disco achatado, no qual elas girariam em torno do centro. Com grande acerto,
surgia a primeira idéia concreta sobre a forma e o comportamento das estrelas em uma galáxia
como a nossa. Afirmava ainda, com toda a razão, que o Sol era uma entre milhares, inúmeras
outras estrelas nesta "ilha cósmica". Hoje sabemos que cem bilhões de sóis habitam nossa
212

galáxia, chamada pelos gregos como Via Láctea pelo seu aspecto difuso e comprido no céu,
marca do leite derramado pela deusa Juno no caminho que percorria para amamentar seus
filhos.

Há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, na periferia da Via Láctea, uma nuvem de gás e
poeira inicia um processo de condensação.

Figura 14.1. Nebulosa protosolar em rotação.

Sob efeito da atração gravitacional das partículas que se agregam na nuvem, tem início
a contração e o giro desta massa periférica. Com o aumento gradativo da concentração e com
o incremento da velocidade de giro, a nuvem pouco a pouco toma a forma de um disco
achatado, cujo centro abriga a maior quantidade de massa. A temperatura aumenta
consideravelmente com os choques, cada vez mais frequentes, das moléculas envolvidas no
processo.

No centro massivo e quente do disco, forma-se finalmente um proto-sol que


desencadeia reações nucleares de fusão atômica em função da elevada temperatura e pressão
ali reinantes. Ao seu redor, as poeiras e gases residuais, menos densos e quentes, vão se
aglomerando em corpos diversos, formando assim o restante do sistema.

Figura 14.2. Formação dos planetas.

É portanto simultaneamente que se forma o sistema solar, ou seja, tudo teve início num
mesmo processo formador.

Os planetas mais próximos do Sol se formaram a partir da concentração dos elementos


mais pesados como o carbono, oxigênio, ferro, silício etc., ao passo que mais distante da
fornalha nuclear, se aglomeraram os elementos leves como o metano, amônia e outros. Nas
distâncias mais longínquas, estes elementos mais leves formaram os planetas gigantescos e
213

gasosos do sistema solar. Tais planetas capturaram ainda seus próprios satélites, sólidos, em
função de suas enormes forças gravitacionais.

14.3. Endereço completo da Terra

Nosso planeta é o terceiro a partir de uma estrela em torno da qual giram os corpos de
um sistema específico. Este sistema, o Sistema Solar, habita um dos ramos de uma galáxia,
que em síntese é um sistema isolado no espaço, contendo 100 bilhões de estrelas, além de
poeira e gás.

Figura 14.3. Endereço da Terra no sistema solar.

O braço da galáxia que abriga o Sol se encontra a uma distância de 26.000 anos luz do
centro da mesma. A Via Láctea, nossa galáxia, é do tipo espiral e contém quatro braços
principais e outro tanto de formações secundárias. O Sol se encontra no braço secundário
Órion, entre os massivos braços de Perseu e Sagitário-Carena.

O Sol em seu giro ao redor do centro galáctico, viaja em uma velocidade de 250 km/s e
sendo o diâmetro da Via Láctea algo em torno de 100.000 anos luz, nossa estrela leva
225.000.000 anos para completar uma volta. Desta forma, desde que surgiu, o Sol não deu
mais que vinte voltas em torno do centro galático.

Nossa galáxia não está só em seu caminho pelo cosmos. Junto a ela se encontram duas
galáxias satélites de menor porte, que são as nuvens de Magalhães. A menor delas contém
aproximadamente 2x109 estrelas e dista 200.000 anos luz da Via Láctea. A maior, com cinco
bilhões de estrelas, está mais próxima, a 160.000 anos luz de distância.

Algumas outras galáxias estão relativamente próximas ao sistema da Via Láctea e seus
dois satélites, e são o que se chama de agrupamento local. Tal grupo contém cerca de vinte
galáxias ao todo, espalhadas em um raio de 2,5x106 anos luz. O grupo local, por sua vez, se
encontra inserido em um sistema maior, que denominamos de superaglomerado local. O
214

superaglomerado alcança um raio da ordem de 50x10 6 anos luz. Além desta distância os
objetos são considerados pertencentes a outros agrupamentos.

Figura 14.4. O sistema solar no braço de Órion.

Figura 14.5. O sistema solar e o braço Órion na Galáxia.


215

Figura 14.6. Posição do sistema solar em um corte no disco da Galáxia.

1 - Via Láctea 10 - NGC 185


2 - Grande Nuvem de Magalhães 11 - NGC 147
3 - Pequena Nuvem de Magalhães 12 - NGC 6822
4 - Escultor 13 - M 33
5 - Dragão 14 - IC 1613
6 - Ursa Menor 15 - M 32
7 - Fornax 16 - M 31
8 - Leo I 17 - NGC 205
9 - Leo II

Figura 7. A Via Láctea e as galáxias do Grupo Local.


216

Bibliografia
217

BIBLIOGRAFIA

CAPÍTULO 1 - Generalidades

BOCZKO, Roberto. Conceitos de Astronomia. São Paulo, Edgar Blucher, 1984. 429 p.

DIVERSOS. Astronomia: Curso Prático ao alcance de todos. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1985.
548 p.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de


Janeiro, [Link], 1987. 914 p.

RIDPATH, Ian. O Mundo Maravilhoso dos Astros. Rio de Janeiro, Livro Técnico, 1978. 96 p.

RONAN, Colin A. História Ilustrada da Ciência. Rio de Janeiro, Zahar, 1987.

CAPÍTULO 2 - A Esfera Celeste

BOCZKO, Roberto. Conceitos de Astronomia. São Paulo, Edgar Blucher, 1984. 429 p.

MÉDICI, Roberto N. Astronomia de Posição. Rio de Janeiro, Forense, 1989. 187 p.

CAPÍTULO 3 - Instrumentos Astronômicos

BAKULIN, P.I, KONONOVICH, E.V., MOROZ, V.F. Curso de Astronomia General, Moscou,
MIR, 1987. 568 p.

NICOLINI, Jean. Manual do Astrônomo Amador. Campinas, Papirus, 1985. 224 p.

DIVERSOS. Astronomia: Curso Prático ao alcance de todos. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1985.
548 p.

CAPÍTULO 4 - As Constelações

MOURÃO, Ronaldo R. F. Uranografia. Rio de Janeiro, F. Alves, 1989. 344p.


218

CAPÍTULO 5 - Observação das Estrelas

ALLEN, Richard H. Star Names: Their Lore and Meaning. New York, Dover, 1963. 563 p.

ASIMOV, Isaac. Alfa Centauri. Rio de Janeiro, Alves, 1983. 132p.

MOORE, Patrick. Guia de las Estrellas y los Planetas. Barcelona, Folio, 1982. 144 p.

OTTEWELL, Guy. The Astronomical Companion. Greenville, Astronomical Workshop, 1979. 73


p.

CAPÍTULO 6 - Observação dos Planetas

KITT, Michael. The Moon: an Observing Guide for Backyard Telescopes. Waukesha, Kalmbach,
1992. 80 p.

MOORE, Patrick. Guia de las Estrellas y los Planetas. Barcelona,Folio, 1982. 144 p.

NICOLINI, Jean. Manual do Astrônomo Amador. Campinas, Papirus, 1985. 224 p.

PASACHOFF, Jay M. & MENZEL, Donald H. Stars and Planets. New York, Houghton Mifflin,
1992. 502 p.

CAPÍTULO 7 - Observação de Outros Corpos Celestes

BAKER, David. The Country Life Guide to Astronomy. Middlesex, Hamlyn, 1984. 288 p.

MOORE, Patrick. Guia de las Estrellas y los Planetas. Barcelona, Folio, 1982. 144 p.

MOORE, Patrick. The New Atlas to the Universe.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de


Janeiro, [Link], 1987. 914 p.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Atlas Celeste. Petrópolis, Vozes, 1981. 175p.

CAPÍTULO 8 - O Sistema Solar

Parte I - Estrutura

COTARDIERE, Philippe. Larousse Astronomy. London, 1987, Hamlyn. 326 p.

Dictionary of Astronomy. London, Pan, 1981.


219

MOURÃO, Ronaldo R. F. Anuário de Astronomia. Rio de Janeiro, F. Alves, 1991. 207 p.

Parte II - Dinâmica

BAKULIN, P.I, KONONOVICH, E.V., MOROZ, V.F. Curso de Astronomia General. Moscou,
MIR, 1987. 568 p.

ZEILIK, M. & SMITH, E. P. Introductory Astronomy and Astrophysics. New York, Saunders,
1987. 503 p.

CAPÍTULO 9 - O Sol

BAKULIN, P.I, KONONOVICH, E.V., MOROZ, V.F. Curso de Astronomia General. Moscou,
MIR, 1987. 568 p.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de


Janeiro, [Link], 1987. 914 p.

MOURÃO, Ronaldo R.F. Da Terra às Galáxias: Uma Introdução à Astrofísica. Petrópolis,


Vozes, 1982. 360 p.

ZEILIK, M. & SMITH, E. P. Introductory Astronomy and Astrophysics. New York, Saunders,
1987. 503 p.

CAPÍTULO 10 - Sistema Terra-Lua

Parte I - A Terra

DIVERSOS. Astronomia: Curso Prático ao alcance de todos. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1985.
548 p.

EVANS, I. O. O Planeta Terra. Melhoramentos.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de


Janeiro, [Link], 1987. 914 p.

RIDPATH, Ian. O Mundo Maravilhoso dos Astros. Rio de Janeiro, Livro Técnico, 1978. 96 p.

SAGAN, Carl & LEONARD, Jonathan N. Os Planetas. Rio de Janeiro, José Olímpio, 1970. 208
p.

ZHARKOV, V. N. Estructura Interior de la Tierra y de los Planetas. Moscou, MIR, 1985. 479 p.
220

Parte II - A Lua

BAKULIN, P.I, KONONOVICH, E.V., MOROZ, V.F. Curso de Astronomia General. Moscou,
MIR, 1987. 568 p.

CADOGAN, Peter. Lua, Nosso Planeta Irmão. Rio de Janeiro, F. Alves, 1985. 528 p.

ZEILIK, M. & SMITH, E. P. Introductory Astronomy and Astrophysics. New York, Saunders,
1987. 503 p.

CAPÍTULO 11 - Os Planetas Terrestres

ASIMOV, Isaac. Marte. Rio de Janeiro, F. Alves, 1982. 154 p.

CAYEUX, Andre de & BRUNIER, Serge. Os Planetas. Rio de Janeiro, F. Alves, 1985. 191 p.

CADOGAN, Peter. Lua, Nosso Planeta Irmão. Rio de Janeiro, F. Alves, 1985. 528 p.

MOORE, Patrick & HUNT, Garry. The Atlas of the Solar System. New York, Crescent, 1990.
463 p.

MOURÃO, Ronaldo R. F. Marte, da Imaginação à Realidade. Rio de Janeiro, F. Alves, 1988.


155 p.

CAPÍTULO 12 - Os Planetas Jovianos

ASIMOV, Isaac. Júpiter. Rio de Janeiro, F. Alves, 1976. 204 p.

---. Saturno. Rio de Janeiro, F. Alves, 1983. 119 p.

CAYEUX, Andre de, & BRUNIER, Serge. Os Planetas. Rio de Janeiro, F. Alves, 1985. 191 p.

MOORE, Patrick & HUNT, Garry. The Atlas of the Solar System. New York, Crescent, 1990.
463 p.

CAPÍTULO 13 - Os Pequenos Corpos

AUDOUZE, Jean & ISRAEL, Guy. The Cambridge Atlas of Astronomy. Cambridge, 1988.

BEATTY, J. K. & CHAIKIN, A. The New Solar System. New York, Sky Publishing, 1990. 326 p.
221

CAPÍTULO 14 - Formação e Localização do Sistema Solar

DIVERSOS. Astronomia: Curso Prático ao alcance de todos. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1985.
548 p.

RIDPATH, Ian. O Mundo Maravilhoso dos Astros. Rio de Janeiro, Livro Técnico, 1978. 96 p.

SAGAN, Carl & LEONARD, Jonathan N. Os Planetas. Rio de Janeiro, José Olímpio, 1970. 208
p.

SILK, Joseph. O Big Bang. Brasília, Un. Brasília, 1984. 379 p.


222

ANEXO - Características físicas e orbitais do sistema solar


223

A1. Sol

A.1.1. Características físicas do Sol


diâmetro equatorial 1.392.530 quilômetros = 109,16 terra
achatamento 0,000017 (23 quilômetros)
volume 1,414x1018 km3 = 1.305.000 terra
massa 1,9891x1030 quilogramas = 332.950 terra
densidade 1,407 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 273,8 metros por segundo2 = 27,9 terra
velocidade de escape 617,3 quilômetros por segundo
período de rotação sideral 26,8 dias
inclinação axial 7,25 graus
temperatura superficial 6.030 graus Celsius (5.755 Kelvin)
magnitude aparente -26,88
magnitude absoluta +4,72
emitância energética 6,29x104 KW/m2
luminosidade total 3,86x1023 KW
tipo espectral G2v

A.1.2. Características estruturais do Sol


região espessura principais componentes
da camada
Corona 500% H (75%), He (24%) muito ionizados
Cromosfera 2% H (75%), He (24%) pouco ionizados
Fotosfera 0,2% H (74%), He (25%) pouco ionizados
Zona convectiva 18,8% H (75%), He (24%) pouco ionizados
Zona irradiativa 58% H (75%), He (24%) muito ionizados
Núcleo 23% H (64%), He (35%) totalmente ionizados
224

A.2. Mercúrio

A.2.1. Características físicas de Mercúrio

diâmetro equatorial 4.878 quilômetros = 0,382 terra


achatamento não há
volume 6,077x1010 km cúbicos = 0,056 terra
massa 3,3022x1023 quilogramas = 0,0553 terra
densidade 5,443 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 3,704 metros/segundo2 = 0,378 terra
velocidade de escape 4,25 quilômetros por segundo
período de rotação sideral 58 dias, 15 horas e 30 min = 58,65 dias
inclinação axial 0 graus
albedo 0,055
temperatura superficial -180 a 430 graus Celsius (93 a 703 Kelvin)
magnitude visual (quadratura) máxima: 0,0

A.2.2. Características estruturais de Mercúrio


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 0% traços de He, Na, O
Crosta 2% silicatos rochosos e metais
Manto 24% silicatos e óxidos metálicos
Núcleo 74% ferro e níquel

A.2.3. Características orbitais de Mercúrio


distância máxima ao Sol 69,817x106 quilômetros = 0,4667 UA
distância média ao Sol 57,909x106 quilômetros = 0,3871 UA
distância mínima ao Sol 46,001x106 quilômetros = 0,3075 UA
excentricidade 0,2056
inclinação orbital 7,004 graus
revolução sideral 87,969 dias = 0,241 anos
velocidade orbital média 47,87 quilômetros por segundo
período sinódico 115,88 dias
225

A.3. Vênus

A.3.1. Características físicas de Vênus

diâmetro equatorial 12.104 quilômetros = 0,949 terra


achatamento não há
volume 9,2851x1011 km cúbicos = 0,857 terra
massa 4,8689x1024 quilogramas = 0,815 terra
densidade 5,244 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 8,869 metros/segundo2 = 0,905 terra
velocidade de escape 10,36 quilômetros por segundo
periodo de rotação sideral 243 dias, 0 horas e 30 minutos
inclinação axial 177,3 graus
albedo 0,76
temperatura superficial 446 a 482 graus Celsius (719 a 755 Kelvin)
pressão superficial 95.200 milibares
magnitude visual (quadratura) -4,4

A.3.2. Características estruturais de Vênus


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 3% CO2(97%), N2(2%), Ar,
H2SO4, H2O
Crosta 0,5% silicatos rochosos e metais
Manto 52,5% silicatos e óxidos metálicos
Núcleo interno 30% ferro e níquel líquidos
Núcleo externo 17% ferro e níquel sólidos

A.3.3. Características orbitais de Vênus

distância máxima ao Sol 108,943x106 quilômetros = 0,7282 UA


distância média ao Sol 108,209x106 quilômetros = 0,7233 UA
distância mínima ao Sol 107,475x106 quilômetros = 0,7184 UA
excentricidade 0,0068
inclinação orbital 3,394 graus
revolução sideral 224,701 dias = 0,615 anos
velocidade orbital média 35,02 quilômetros por segundo
período sinódico 583,94 dias
226

A.4. Terra

A.4.1. Características físicas da Terra


diâmetro equatorial 12.756,28 quilômetros
diâmetro polar 12.713,51 quilômetros
achatamento 0,003353
volume 1,08331012 quilômetros cúbicos
massa 5,974x1024 quilogramas
densidade 5,517 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 9,798 metros por segundo2
velocidade de escape 11,18 quilômetros por segundo
período de rotação sideral 23 horas, 56 minutos e 4,1 segundos
inclinação axial 23,44 graus
albedo 0,39
temperatura superficial -88 a 58 graus Celsius (185 a 331 Kelvin)
pressão superficial 1.013 milibares
número de satélites 1

A.4.2. Características estruturais da Terra


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 2,5% N2(76%), O2(21%), Ar(1%),
CO2, H2O
Crosta 0,5% silicatos rochosos e metais
Manto 44,5% silicatos e óxidos metálicos
Núcleo externo 35% ferro e níquel líquidos
Núcleo interno 20% ferro e níquel sólidos

A.4.3. Características orbitais da Terra


distância máxima ao Sol 152,099x106 quilômetros = 1,0167 UA
distância média ao Sol 149,598x106 quilômetros = 1,0000 UA
distância mínima ao Sol 147,097x106 quilômetros = 0,9833 UA
excentricidade 0,01672
inclinação orbital 0 graus
revolução sideral 365,356 dias
velocidade orbital média 29,78 quilômetros por segundo
período sinódico não se aplica
227

A.5. Lua

[Link]ísticas físicas da Lua


diâmetro equatorial 3.476 quilômetros = 0,272 terra
volume 2,1939x1010 km cúbicos = 0,020 terra
massa 7,3483x1022 quilogramas = 0,012 terra
densidade 3,34 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 1,623 metros por segundo2 = 0,16 terra
velocidade de escape 2,37 quilômetros por segundo
inclinação axial 1,53 graus
albedo 0,07
temperatura superficial -130a 110 graus Celsius (143a 383 Kelvin)
magnitude visual (oposição) -12,7

A.5.2. Características estruturais da Lua


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 0% traços de Ar, Ne, H, He
Crosta 6% silicatos rochosos
Manto 72% silicatos e óxidos metálicos
Núcleo 22% ferro e níquel

A.5.3. Características orbitais da Lua


distância máxima à Terra 405,495x103 quilômetros
distância média à Terra 384,392x103 quilômetros
distância mínima à Terra 363,289x103 quilômetros
excentricidade 0,0549
inclinação orbital 5,145 graus
revolução sideral 27,332 dias
velocidade orbital média 1,02 quilômetros por segundo
período sinódico 29,53 dias
228

A.6. Marte

[Link]ísticas físicas de Marte


diâmetro equatorial 6.794 quilômetros = 0,533 terra
diâmetro polar 6.759 quilômetros
achatamento 0,0052
volume 1,6336x1011 km cúbicos = 0,1508 terra
massa 6,387x1023 quilogramas = 0,1069 terra
densidade 3,933 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 3,693 metros por segundo2 = 0,377 terra
velocidade de escape 5,01 quilômetros por segundo
período de rotação sideral 24 horas, 37 minutos e 22,6 segundos
inclinação axial 23,98 graus
albedo 0,154
temperatura superficial -126 a 27 graus Celsius (143 a 300 Kelvin)
pressão superficial 5,4 milibares
magnitude visual (oposição) -2,8
número de satélites 2

A.6.2. Características estruturais de Marte


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 2% CO2(95%),N2(3%), Ar(2%),
O2, H2O
Crosta 1,5% silicatos rochosos e metais
Manto 60% silicatos e óxidos metálicos
Núcleo 38,5% ferro e níquel

A.6.3. Características orbitais de Marte


distância máxima ao Sol 249,228x106 quilômetros = 1,6660 UA
distância média ao Sol 227,941x106 quilômetros = 1,5237 UA
distância mínima ao Sol 206,654x106 quilômetros = 1,3814 UA
excentricidade 0,0934
inclinação orbital 1,85 graus
revolução sideral 668,6 dias = 1,83 anos
velocidade orbital média 24,13 quilômetros por segundo
período sinódico 779,88 dias
229

A.7. Júpiter

[Link]ísticas físicas de Júpiter


diâmetro equatorial 143.884 quilômetros = 11,28 terra
diâmetro polar 134.200 quilômetros
achatamento 0,072
volume 1,433x1015 km cúbicos = 1.323 terra
massa 1,899x1027 quilogramas = 317,9 terra
densidade 1,326 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 24,48 metros por segundo2 = 2,50 terra
velocidade de escape 60,22 quilômetros por segundo
periodo de rotação sideral 9 horas, 50 min e 30 segundos = 0,41 dias
inclinação axial 3,12 graus
albedo 0,73
temperatura superficial -140 graus Celsius (133 Kelvin)
magnitude visual (oposição) -2,5
número de satélites 16

A.7.2. Características estruturais de Júpiter


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 12% nuvens de amônia,água, H
molecular, He
Manto 68% H metálico líquido e He
Núcleo 20% metais, silicatos e gelos

A.7.2. Características orbitais de Júpiter


distância máxima ao Sol 816,052x106 quilômetros = 5,4550 UA
distância média ao Sol 778,328x106 quilômetros = 5,2028 UA
distância mínima ao Sol 740,604x106 quilômetros = 4,9506 UA
excentricidade 0,0484
inclinação orbital 1,395 graus
revolução sideral 4.332,6 dias = 11,86 anos
velocidade orbital média 13,06 quilômetros por segundo
período sinódico 398,88 dias
230

A.8. Saturno

[Link]ísticas físicas de Saturno


diâmetro equatorial 120.536 quilômetros = 9,45 terra
diâmetro polar *108.728 quilômetros
achatamento 0,117
volume 8,215x1014 km cúbicos = 759,2 terra
massa 5,6846x1026 quilogramas = 95,14 terra
densidade 0,6873 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 10,44 metros por segundo2 = 1,07 terra
velocidade de escape 35,47 quilômetros por segundo
periodo de rotação sideral 10 horas e 14 minutos = 0,43 dias
inclinação axial 26,73 graus
albedo 0,45
temperatura superficial -160 graus Celsius (113 Kelvin)
magnitude visual (oposição) -0,4
número de satélites 18

A.8.2. Características estruturais de Saturno


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 50% nuvens de amônia e água, H
molecular, He
Manto 28% H metálico líquido e He
Núcleo 22% metais, silicatos e gelos

A.8.3. Características orbitais de Saturno


distância máxima ao Sol 1,5063x109 quilômetros = 10,0693 UA
distância média ao Sol *1,4294x109 quilômetros = 9,5388 UA
distância mínima ao Sol 1,3476x109 quilômetros = 9,0084 UA
excentricidade 0,0556
inclinação orbital 2,450 graus
revolução sideral 10.759,2 dias = 29,45 anos
velocidade orbital média 9,64 quilômetros por segundo
período sinódico 378,08 dias
231

A.9. Urano

[Link]ísticas físicas de Urano


descobrimento 13/03/1781, por William Herschel
diâmetro equatorial 51.118 quilômetros = 4,01 terra
diâmetro polar 49.946 quilômetros
achatamento 0,0235
volume 6,45x1013 km cúbicos = 64,56 terra
massa 8,6832x1025 quilogramas = 13,7 terra
densidade 1,2707 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 8,34 metros por segundo2 = 0,85 terra
velocidade de escape 20,65 quilômetros por segundo
periodo de rotação sideral 16 horas e 42 minutos = 0,70 dias
inclinação axial 97,86 graus
albedo 0,93
temperatura superficial -180 graus Celsius (93 Kelvin)
magnitude visual (oposição) 5,6
número de satélites 17

A.9.2. Características estruturais de Urano


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 30% nuvens de metano,
H molecular, He, CH4
Manto 42% gelos de NH4, H2O e CH4
Núcleo 28% metais, silicatos e gelos

A.9.3. Características orbitais de Urano


distância máxima ao Sol 3,005x109 quilômetros = 20,088 UA
distância média ao Sol 2,87099x109 quilômetros = 19,182 UA
distância mínima ao Sol 2,733x109 quilômetros = 18,275 UA
excentricidade 0,0472
inclinação à eclíptica 0,773 graus
revolução sideral 30.684,8 dias = 83,99 anos
velocidade orbital média 6,80 quilômetros por segundo
período sinódico 369,65 dias
232

A.10. Netuno

A.10.1. Características físicas de Netuno


descobrimento 23/09/1843 por Leverrier e Adams
diâmetro equatorial *49.532 quilômetros = 3,96 terra
diâmetro polar 49.600 quilômetros
achatamento 0,0189
volume 6,633x1013 km cúbicos = 61,2 terra
massa 1,0247x1026 quilogramas = 18,21 terra
densidade 1,640 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 11,37 metros por segundo2 = 1,16 terra
velocidade de escape 23,97 quilômetros por segundo
periodo de rotação sideral 16 horas e 7 minutos = 0,67 dias
inclinação axial 29,56 graus
albedo 0,53
temperatura superficial -200 graus Celsius (73 Kelvin)
magnitude visual (oposição) 7,9
número de satélites 8

A.10.2. Características estruturais de Netuno


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 30% nuvens de metano,
H molecular, He, CH4
Manto 40% oceano iônico de prótons
hidratados, CH4, HO
Núcleo 30% metais, silicatos e gelos

A.10.3. Características orbitais de Netuno


distância máxima ao Sol 4,535x109 quilômetros = 30,316 UA
distância média ao Sol *4,504x109 quilômetros = 30,058 UA
distância mínima ao Sol 4,458x109 quilômetros = 29,800 UA
excentricidade 0,00859
inclinação à eclíptica 1,774 graus
revolução sideral 60.190,5 dias = 164,74 anos
velocidade orbital média 5,43 quilômetros por segundo
período sinódico 367,48 dias
233

A.11. Plutão

A.11.1. Características físicas de Plutão


descobrimento em 18/2/1930, por Clyde Tombaugh
diâmetro médio 2.274 quilômetros = 0,18 terra
volume 6,24 x 109 km3 = 0,006 terra
massa 1,27 x 1022 quilogramas = 0,002 terra
densidade 2,0 gramas por centímetro cúbico
gravidade superficial 0,65 metros por segundo2 = 0,067 terra
velocidade de escape 1,23 quilômetros por segundo
período de rotação sideral 6 dias, 9 horas e 18 minutos
inclinação axial 118 graus
albedo 0,54
temperatura superficial -215 graus Celsius (58 Kelvin)
constituição atmosférica CH4, Ar, N2,CO, O2
magnitude visual (oposição) 14,5
número de satélites 1

A.11.2. Características estruturais de Plutão


região espessura principais componentes
da camada
Atmosfera 0% CH4, Ar, N2, CO
Crosta 1% gelo de CH4
Manto 20% gelo de H2O
Núcleo 79% gelos e silicatos rochosos

A.11.3. Características orbitais de Plutão


distância máxima ao Sol 7,422x109 quilômetros = 49,61 UA
distância média ao Sol *5,91352x109 quilômetros = 39,68 UA
distância mínima ao Sol 4,441x109 quilômetros = 29,75 UA
excentricidade 0,2502
inclinação orbital 17,17 graus
revolução sideral 90.465 dias = 247,6 anos
velocidade orbital média 4,73 quilômetros por segundo
período sinódico 366,73 dias
234

A.12. Tabela de satélites planetários

Glossário:

Nome - Nome oficial do satélite, aprovado pela IAU (União Astonômica Internacional)
Num - Número do satélite
Diam - diâmetro médio do satélite em quilômetros. Alguns satélites possuem forma irregular,
sendo apresentados seus diâmetros máximo e mínimo.
Dist - distância entre os centros do satélite e de seu planeta, em milhares de quilômetros.
Rev - revolução sideral, tempo no qual o satélite realiza uma volta em torno de seu planeta, em
relação às estrelas, em dias.
Dens - densidade média do satélite, em gramas por centímetro cúbico.
Mass - massa aproximada, em quilogramas.

nome num diam dist rev dens mass


Terra
Lua I 3476 384,4 27,33 3,34 7,35 E22
Marte
Fobos I 27x19 9,47 0,32 1,7 9,6 E15
Deimos II 15x11 23,38 1,26 2,1 2,0 E15
Júpiter
Métis XVI 44 127,6 0,29 3,0 1,0 E17
Adrastéia XV 26x16 128,4 0,30 4,5 2,0 E17
Amaltéia V 270x150 180,9 0,50 3,5 1,2 E19
Tebe XIV 110x90 222,4 0,68 1,4 7,5 E17
Io I 3632 421,8 1,77 3,53 8,92 E22
Europa II 3126 671,1 3,55 3,03 4,87 E22
Ganimedes III 5268 1070,5 7,15 1,93 1,49 E23
Calisto IV 4806 1882,9 16,69 1,79 1,07 E23
Themisto XVIII 9 7507,0 130,00 ? ?
Leda XIII 15 11070,0 238,50 3,0 6,4 E15
Himália VI 180 11370,0 247,90 3,0 1,0 E19
Elara VII 75 11670,0 259,80 3,0 7,0 E17
Lisitéia X 35 11820,0 260,20 3,0 7,3 E16
S/2000 J11 4 12420,0 284,30 ? ?
S/2003 J20 3 17100,0 456,50 ? ?
S/2003 J3 2 18339,9 504,00 ? ?
S/2003 J12 1 19002,5 533,30 ? ?
S/2001 J10 2 19302,0 550,70 ? ?
Harpalyke XXII 4 20350,0 595,40 ? ?
235

nome num diam dist rev dens mass


S/2003 J18 2 20700,0 606,30 ? ?
S/2001 J9 2 20721,0 622,60 ? ?
S/2001 J7 3 20799,0 620,60 ? ?
Ananke XII 30 20940,0 620,90 2,8 4,0 E16
S/2001 J2 4 20940,0 627,30 ? ?
S/2003 J6 4 20979,1 617,30 ? ?
S/2003 J16 2 21000,0 595,40 ? ?
Praxidike XXVII 6 21240,0 657,40 ? ?
Iocaste XXIV 5 21840,0 657,00 ? ?
S/2003 J15 2 22000,0 668,40 ? ?
S/2003 J17 2 22000,0 690,30 ? ?
Carme XI 40 22140,0 672,00 3,0 1,0 E17
Erinome XXV 3 22140,0 672,00 ? ?
S/2003 J11 2 22395,4 683,00 ? ?
Taygete XX 5 22440,0 686,70 ? ?
S/2003 J9 1 22441,7 683,00 ? ?
Chaldene XX
I 5 22640,0
741,50 ? ?
S/2003
J19 2 228
00,0 701,30
? ? S/20
01
J4 3 2286
5,0 717,30
? ? Isonoe
XXVI 4 22
890,0 712,20
? ? S/20
02
J1 3 2293
1,0 723,90
? ? S/200
1
J1 4 2303
9,0 762,70
? ? S/200
1
J6 2 2309
6,0 719,50
? ? S/200
1
J8 2 2321
7,0 729,50
? ? S/200
1
J11 3 232
31,0 730,20
? ? S/20
03
J4 2 2325
236

7,9 723,20
? ? Pasífa
e VIII 50 2
3340,0 730,5
0 2,9 1,9
E17 S/2001
J5 2 2348
7,0 748,30
? ? Callirr
hoe XVII 10
23490,0 73
7,80 ? ?
Sínope IX 3
5 23640,0 7
45,10 3,3 8,
0
E16 S/2003
J7 4 2380
7,6 748,80
? ? Kalyke
XXIII 6 23
940,0 759,70
? ? S/20
03 J13
2 24000,0
737,80 ? ?
S/2003
J5 4 2408
4,2 759,70
? ? Megac
lite XIX 6 2
4240,0 770,7
0 ? ? S/2
003 J10
2 24249,6
767,00 ? ?
S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?

XXI 5 22640
237

,0 741,50 ?
? S/2003
J19 2 228
00,0 701,30
? ? S/20
01
J4 3 2286
5,0 717,30
? ? Isonoe
XXVI 4 22
890,0 712,20
? ? S/20
02
J1 3 2293
1,0 723,90
? ? S/200
1
J1 4 2303
9,0 762,70
? ? S/200
1
J6 2 2309
6,0 719,50
? ? S/200
1
J8 2 2321
7,0 729,50
? ? S/200
1
J11 3 232
31,0 730,20
? ? S/20
03
J4 2 2325
7,9 723,20
? ? Pasífa
e VIII 50 2
3340,0 730,5
0 2,9 1,9
E17 S/2001
J5 2 2348
7,0 748,30
? ? Callirr
hoe XVII 10
23490,0 73
7,80 ? ?
Sínope IX 3
5 23640,0 7
45,10 3,3 8,
0
E16 S/2003
J7 4 2380
7,6 748,80
238

? ? Kalyke
XXIII 6 23
940,0 759,70
? ? S/20
03 J13
2 24000,0
737,80 ? ?
S/2003
J5 4 2408
4,2 759,70
? ? Megac
lite XIX 6 2
4240,0 770,7
0 ? ? S/2
003 J10
2 24249,6
767,00 ? ?
S/2003
J8 3 2451
4,1 781,60
? ? S/200
3
J1 4 2455
7,3 781,60
? ? S/200
3 J14
2 25000,0
807,80 ? ?
S/2003
J2 2 2857
0,4 982,50
? ?

5 22640,0 7
41,50 ? ?
22640,0 741,
50 ? ? S/
2003
J19 2 228
00,0 701,30
? ? S/20
01
J4 3 2286
5,0 717,30
? ? Isonoe
XXVI 4 22
890,0 712,20
? ? S/20
02
J1 3 2293
1,0 723,90
? ? S/200
1
239

J1 4 2303
9,0 762,70
? ? S/200
1
J6 2 2309
6,0 719,50
? ? S/200
1
J8 2 2321
7,0 729,50
? ? S/200
1
J11 3 232
31,0 730,20
? ? S/20
03
J4 2 2325
7,9 723,20
? ? Pasífa
e VIII 50 2
3340,0 730,5
0 2,9 1,9
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00 ? ? S/
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2 25000,0 8
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25000,0 807,
80 ? ? S/
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0,4 982,50
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807,80 ? ?
? ? S/200
3
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? ?

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331

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82,50 ? ?
28570,4 982,
50 ? ?

982,50 ? ?
? ?

nome num d
iam dist rev
dens mass

Saturno

Saturno
Pa
n XVIII 20
Pan
XVIII 20 1
33,6 0,58 1,
0 4,2
E15 Atlas
Pan
Pan X
VIII 20 133,
6 0,58 1,0
Pan XVI
II 20 133,6
Pan XVIII
20 133,6 0
,58 1,0 4,2
E15 Atlas
Pan XVIII
Pan XVIII 2
0 133,6 0,5
8 1,0 4,2
E15 Atlas
XVIII 20 133
,6 0,58 1,0
20 133,6 0,
58 1,0 4,2
E15 Atlas
133,6 0,58
0,58 1,0 4,2
E15 Atlas
1,0 4,2
E15 Atlas
332

4,2
E15 Atlas
Atlas XV 3
7x27 137,6
Atlas XV 37
x27 137,6 0,
61 0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XV 37x27 1
37,6 0,61 0,
7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
37x27 137,6
0,61 0,7 1,
8
E16 Promet
eu XVI 148x
333

68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
137,6 0,61
0,61 0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
0,7 1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
334

10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,8
E16 Promet
eu XVI 148x
68 139,3 0,
61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Prometeu X
VI 148x68 1
39,3 0,61 1,
0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Prometeu XV
I 148x68 13
9,3 0,61 1,0
5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
335

X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XVI 148x68
148x68 139,
3 0,61 1,0
139,3 0,61
0,61 1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
5,3
E17 Pandor
a XVII 110x
62 141,7 0,
63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
336

151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Pandora X
VII 110x62
Pandora XVII
110x62 141
,7 0,63 1,0
XVII 110x62
141,7 0,63
1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
110x62 141,
7 0,63 1,0
141,7 0,63
0,63 1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
337

I 390 185,
5 0,94 1,2
3,1
E17 Janus
X 194x154
151,4 0,69
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Janus X 1
94x154 151,
4 0,69 1,2
Janus X 194
x154 151,4
X 194x154
194x154 151
,4 0,69 1,2
151,4 0,69
0,69 1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,2 1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,1
E18 Epimet
eu XI 138x1
10 151,5 0,
69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Epimeteu X
I 138x110 1
51,5 0,69 1,
0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
338

5 0,94 1,2
Epimeteu XI
138x110 15
1,5 0,69 1,0
8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
XI 138x110
138x110 151
,5 0,69 1,0
151,5 0,69
0,69 1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
1,0 8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
8,7
E17 Mimas
I 390 185,
5 0,94 1,2
Mimas I 3
90 185,5 0,
94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Mimas I 390
185,5 0,94
1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
I 390 185,5
0,94 1,2 3,
9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
339

7 1,89 1,3
390 185,5 0
,94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
185,5 0,94
0,94 1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
1,2 3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
3,9
E19 Encéla
do II 500 2
38,0 1,37 1,
3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Encélado II
500 238,0
Encélado II
II 500 238,0
1,37 1,3 7,
8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
500 238,0 1
,37 1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
238,0 1,37
1,37 1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
340

7 1,89 1,3
1,3 7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
7,8
E19 Tétis I
II 1046 294,
7 1,89 1,3
Tétis III 10
46 294,7 1,
89 1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Tétis III 104
6 294,7 1,8
9 1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
III 1046 294
,7 1,89 1,3
1046 294,7
294,7 1,89
1,89 1,3 7,7
9
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
341

E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,3 7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
7,79
E20 Telest
o XIII 34x26
294,7 1,89
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Telesto XIII
34x26 294,
7 1,89 1,0
Telesto XIII
XIII 34x26 2
94,7 1,89 1,
0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
342

77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
34x26 294,7
1,89 1,0 1,
3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
294,7 1,89
1,89 1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,0 1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,3
E16 Calips
o XIV 34x22
294,7 1,89
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Calipso XIV
34x22 294,
343

7 1,89 1,0
Calipso XIV
XIV 34x22 2
94,7 1,89 1,
0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
34x22 294,7
1,89 1,0 8,
6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
294,7 1,89
1,89 1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,0 8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
8,6
E15 Dione
IV 1120 3
77,4 2,74 1,
4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Dione IV 1
120 377,4 2
,74 1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
Dione IV 11
20 377,4 2,
74 1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
IV 1120 377
344

,4 2,74 1,4
1120 377,4
377,4 2,74
2,74 1,4 1,0
5
E21 Helene
XII 36x28
1,4 1,05
E21 Helene
XII 36x28
1,05
E21 Helene
XII 36x28
Helene XII
36x28 377,
4 2,74 1,0
Helene XII 3
6x28 377,4
XII 36x28 3
77,4 2,74 1,
0 1,8
E16 Réia
36x28 377,4
2,74 1,0 1,
8
E16 Réia
377,4 2,74
2,74 1,0 1,8
E16 Réia
1,0 1,8
E16 Réia
1,8
E16 Réia
Réia V 15
28 527,0 4,
52 1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Réia V 1528
527,0 4,52
1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
345

E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
V 1528 527,
0 4,52 1,3
1528 527,0
527,0 4,52
4,52 1,3 2,2
4
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1,3 2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
2,24
E21 Titã V
I 5150 1221
,8 15,95 1,8
8 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Titã VI 51
50 1221,8 1
5,95 1,88 1,
35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
346

VIII 1436
Titã VI 5150
1221,8 15,
95 1,88 1,3
5
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
VI 5150 122
1,8 15,95 1,
88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
5150 1221,8
15,95 1,88
1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1221,8 15,95
1,88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
15,95 1,88
1,88 1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1,35
E23 Hipério
n VII 360x2
36 1481,1 2
1,28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Hipérion VII
347

360x236 14
81,1 21,28
Hipérion VII
VII 360x236
1481,1 21,
28 2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
360x236 148
1,1 21,28 2,
7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
1481,1 21,28
2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
21,28 2,7 3,
3
E19 Jápeto
VIII 1436
2,7 3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
3,3
E19 Jápeto
VIII 1436
Jápeto VIII
1436 3561,
3 79,33 1,2
1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
Jápeto VIII
VIII 1436 35
61,3 79,33
1436 3561,3
348

79,33 1,2
3561,3 79,33
1,2 1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
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? ? S/20
00
S8 8 1556
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86
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S5 17 113
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? ? S/20
00
S6 14 113
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? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
1,2 1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
349

E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
1,86
E21 S/2000
S5 17 113
70,0 449,00
? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S5 17 113
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? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S5 17 113
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? ? S/20
00
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
350

952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
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? ? S/20
00
S8 8 1556
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449,00 ? ?
S/2000
S6 14 113
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? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
17 11370,0
11370,0 449,
00 ? ? S/
2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
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? ? S/20
00
S8 8 1556
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449,00 ? ?
? ? S/200
0
S6 14 113
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? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
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E18 S/2000
S2 25 151
351

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? ? S/20
00
S8 8 1556
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? S/2000
S6 14 113
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? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
S/2000
S6 14 113
70,0 453,00
? ? Febe
IX 220 12
952,0 550,34
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
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453,00 ? ?
Febe IX
14 11370,0
11370,0 453,
00 ? ? Fe
352

be IX 220
453,00 ? ?
? ? Febe
? Febe IX
220 12952,
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1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
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? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
Febe IX 2
20 12952,0
Febe IX 220
12952,0 55
0,34 1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
IX 220 1295
2,0 550,34
220 12952,0
550,34 1,1
6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
12952,0 550,
34 1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
0,0 723,00
550,34 1,1
1,1 6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
353

00
S8 8 1556
0,0 723,00
6,1
E18 S/2000
S2 25 151
10,0 690,00
? ? S/20
00
S8 8 1556
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S/2000
S2 25 151
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? ? S/20
00
S8 8 1556
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S/2000
S2 25 151
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S8 8 1556
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S/2000
S8 8 1556
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25 15110,0
15110,0 690,
00 ? ? S/
2000
S8 8 1556
0,0 723,00
690,00 ? ?
? ? S/200
0
S8 8 1556
0,0 723,00
? S/2000
S8 8 1556
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S/2000
S8 8 1556
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S/2000
S8 8 1556
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8 15560,0 7
23,00 ? ?
354

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00 ? ? S/
2000
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? ? S/20
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? ? S/20
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? ? S/20
00
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? ? S/20
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? ? S/200
0
S11 30 16
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S3 45 178
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00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S3 45 178
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? ? S/20
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355

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00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S/2000
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00
S3 45 178
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? ? S/20
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S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S/2000
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? ? S/20
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S10 10 17
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? ? S/20
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? ? S/20
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S1 8 1871
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778,00 ? ?
S/2000
S3 45 178
00,0 884,00
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356

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2000
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? ? S/20
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S10 10 17
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? ? S/20
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S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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? ? S/200
0
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S4 16 178
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S1 8 1871
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S3 45 178
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? ? S/20
00
S10 10 17
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? ? S/20
357

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? ? S/20
03
S1 8 1871
9,0 956,20
S/2000
S3 45 178
00,0 884,00
? ? S/20
00
S10 10 17
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? ? S/20
00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
9,0 956,20
S/2000
S3 45 178
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? ? S/20
00
S10 10 17
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? ? S/20
00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S/2000
S10 10 17
800,0 884,00
? ? S/20
00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
9,0 956,20
45 17800,0
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358

2000
S10 10 17
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? ? S/20
00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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? ? S/200
0
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S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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? S/2000
S10 10 17
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S4 16 178
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S1 8 1871
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00
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S10 10 17
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359

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03
S1 8 1871
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S/2000
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
9,0 956,20
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2000
S4 16 178
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S1 8 1871
9,0 956,20
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? ? S/200
0
S4 16 178
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S1 8 1871
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S1 8 1871
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S/2000
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? ? S/20
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S1 8 1871
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S/2000
S4 16 178
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? ? S/20
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S1 8 1871
9,0 956,20
360

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891,00 ? ?
S/2003
S1 8 1871
9,0 956,20
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2003
S1 8 1871
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891,00 ? ?
? ? S/200
3
S1 8 1871
9,0 956,20
? S/2003
S1 8 1871
9,0 956,20
S/2003
S1 8 1871
9,0 956,20
S/2003
S1 8 1871
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8 18719,0 9
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956,20 ? ?
? ? S/200
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S9 7 1885
0,0 964,00
? S/2000
S9 7 1885
0,0 964,00
S/2000
S9 7 1885
0,0 964,00
S/2000
S9 7 1885
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18850,0 964,
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2000
361

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? ?
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? ? S/200
0
S12 7 197
40,0 1034,00
? ? S/20
00
S7 7 2005
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? ? S/20
00
S1 20 228
90,0 1289,00
? ?
? S/2000
S12 7 197
40,0 1034,00
? ? S/20
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S7 7 2005
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S1 20 228
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? ?
S/2000
S12 7 197
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? ?
S/2000
S12 7 197
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362

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S7 7 2005
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S/2000
S7 7 2005
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S1 20 228
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? ?
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S7 7 2005
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S/2000
S7 7 2005
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? ?
S/2000
S7 7 2005
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S1 20 228
363

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? ?
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7 20050,0 1
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S/2000
S1 20 228
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? ?
? ? S/200
0
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364

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Urano
C
ordélia VI 2
6 49,8 0,33
1,3 2,3
E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
Cor
délia VI 26
Cordé
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Cordélia
VI 26 49,8
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E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
Cordélia
Cordélia VI
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E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
Cordélia VI
VI 26 49,8
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E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
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365

E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
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E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
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E15 Ofélia
VII 30 53,
8 0,37 1,8
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E15 Ofélia
VII 30 53,
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Ofélia VII
Ofélia VII 30
53,8 0,37
VII 30 53,8
0,37 1,8
30 53,8 0,3
7 1,8
53,8 0,37 1,
8
0,37 1,8
1,8
Bianca VIII 42 59,2 0,43 1,6
Créssida IX 62 61,8 0,46 1,3
Desdêmona X 54 62,7 0,47 1,7
Julieta XI 84 64,3 0,49 1,5
Pórtia XII 108 66,1 0,51 1,6
Rosalinda XIII 54 69,9 0,56 1,7
Belinda XIV 66 75,3 0,62 1,6
Puck XV 170x160 85,9 0,76 1,8
Miranda V 484 129,4 1,41 1,4
Ariel I 1158 191,0 2,52 1,66
Umbriel II 1172 266,3 4,14 1,51
Titânia III 1580 435,9 8,71 1,68
Oberon IV 1524 583,5 13,46 1,58
Caliban XVI 60x80 7200,0 580,00 ?
Stephano XX 30 7900,0 675,00 ?
S/2001 U1 10 8571,0 758,10 ?
Sicorax XVII 120x160 12300,0 1290,00 ?
Prospero XVIII 30x40 16300,0 2000,00 ?
Setebos XIX 20 17300,0 2200,00 ?
Netuno
Náiade III 50 48,2 0,29 1,8
Thalassa IV 90 50,1 0,31 1,1
Despina V 140 52,5 0,33 1,8
Galatéia VI 160 61,9 0,43 2,1
Larissa VII 210x190 73,6 0,56 1,3
Proteus VIII 435x400 117,6 1,12 1,3
Tritão I 2720 355,3 5,88 2,03
366

Nereida II 340 5561,9 359,88 2,1


S/2002 N2 20 20200,0 2525,40 ?
S/2002 N3 20 21390,0 2751,80 ?
S/2002 N1 20 21990,0 2868,40 ?
Plutão
Caronte I 1192 19,6 6,39 2,0
367

Glossário

Achatamento - Taxa de achatamento, obtida pela diferença entre os diâmetros equatorial e


polar, dividida pelo diâmetro polar.
Albedo - É a proporção de luz recebida que um corpo reflete. Este valor, multiplicado por cem,
mostra a percentagem de luz refletida.
Densidade - Densidade média ou massa específica média de um corpo, em gramas por
centímetro cúbico.
Distância ao Sol - Distâncias mínima, média e máxima entre os centros do planeta e do Sol,
em quilômetros ou UA.
Excentricidade orbital - Valor que mede o achatamento de uma órbita. Quanto mais próximo
de zero, mais a órbita se parecerá com um círculo.
Inclinação axial - Ângulo formado pelo eixo de rotação de um corpo e uma linha perpendicular
ao seu plano de revolução.
Inclinação orbital - Inclinação existente entre o plano orbital de um corpo e a eclíptica (plano
da órbita terrestre).
Magnitude visual - Brilho aparente, ou seja, o brilho que um corpo parece ter quando visto da
Terra. A escala de magnitudes é logarítmica, onde cada unidade de magnitude a menos
indica que o brilho do objeto é 2,5 vezes maior.
Período de rotação sideral - Tempo no qual um corpo realiza uma volta em torno de si
mesmo, em relação às estrelas.
Período sinódico - Intervalo de tempo entre dois alinhamentos sucessivos entre dois corpos e
um terceiro, o qual orbitam.
Revolução sideral - Tempo no qual um corpo realiza uma volta em torno de outro em relação
às estrelas.
UA - Iniciais de Unidade Astronômica, ou seja, a distância média que separa a Terra do Sol.
Equivalente a 149,59787 milhões de quilômetros.
Velocidade de escape - velocidade necessária para que um corpo escape completamente da
atração gravitacional de outro.
Velocidade orbital - é a velocidade com a qual um corpo percorre sua órbita em torno de
outro.
Volume - Volume aproximado do corpo, em quilômetros cúbicos.

GEA - Grupo de Estudos de Astronomia 
Curso de Introdução à Astronomia 
Observação do Céu e Sistema Solar 
 
 
 
Florianópoli
2 
ÍNDICE ANALÍTICO 
 
Capítulo 1 - GENERALIDADES..........................................................................
3 
4.8.1. Pólo sul celeste ................................................................................................
4 
8.1.5. Meteoróides......................................................................................................
5 
11.4. Terra ............................................................................................................
6 
A.5. Lua ...............................................................................................................
 
7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 1 
Generalidades 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adolfo Stotz Neto
8 
CCaappííttuulloo  11  --  G
GEENNEERRAALLIIDDAADDEESS  
11..11..  IInnttrroodduuççããoo  
 
A primeira atividade científi
9 
 
 Astrofísica:  
 
 
Astroquímica - Ciência que se ocupa do estudo químico do espaço exterior à Terra. 
 
Astrostática
10 
 
 Astronáutica: 
 
Astronomia espacial - Ramo que emprega a tecnologia espacial no estudo da 
Astronomia. 
 
Astrodinâ

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