Incêndio florestal
o É a propagação do fogo, em áreas florestais e de savana (cerrados e caatingas),
normalmente ocorre com frequência e intensidade nos períodos de estiagem e
está intrinsecamente relacionada com a redução da umidade ambiental.
Os incêndios podem iniciar-se de forma espontânea ou ser consequência de ações
e/ou omissões humanas, mas mesmo nesse último caso, os fatores climatológicos e
ambientais são decisivos para incrementá-los, facilitando sua propagação e
dificultando seu controle.
Os incêndios florestais podem ser causados por:
– Causas naturais, como raios, reações fermentativas exotérmicas, concentração de
raios solares por pedaços de quartzo ou cacos de vidros em forma de lente e outras
causas;
– Imprudência e descuido de caçadores, mateiros ou pescadores, através da
propagação de pequenas fogueiras, feitas em acampamentos;
– Fagulhas provenientes de locomotivas ou de outras maquinas automotoras,
consumidoras de carvão ou lenha;
– Perda de controle de queimadas, realizadas para “limpeza” de compôs;
– incendiários e/ou piromaníacos.
Danos
Os incêndios florestais causam danos materiais, ambientais e humanos.
Os danos materiais são:
– Destruição das árvores em fase de crescimento ou em fase de utilização comercial,
reduzindo a produção de madeira, celulose, essências florestais e outros insumos;
– Redução da fertilidade do solo, como consequência da destruição da matéria
orgânica reciclável obrigando a um maior consumo de fertilizantes;
– Redução da resistência das árvores ao ataque de pragas, obrigando a um maior
consumo de praguicidas.
Os danos ambientais são:
– Redução da biodiversidade;
– Alterações drásticas dos biótopos, reduzindo as possibilidades de desenvolvimento
equilibrado da fauna silvestre;
– Facilitação dos processos erosivos;
– Redução da proteção dos olhos d’água e nascentes.
Os danos humanos são:
– Perdas humanas e traumatismos provocados pelo fogo ou por contusões;
– Desabrigados e desalojados;
– Redução das oportunidades de trabalho relacionada com o manejo florestal.
o Por conta do aquecimento global, o numero de queimadas vem aumentando
por todo mundo
Cientistas estão alertando que os incêndios florestais em todo o mundo este ano
são "os maiores em escala e emissões estimadas" por quase duas décadas (2020)
Dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e do Sistema Copernicus, da
União Europeia, revelam que os incêndios em Nova Gales do Sul (Austrália), no
Ártico Siberiano, na costa oeste dos Estados Unidos e no Pantanal brasileiro foram
os maiores de todos os tempos, com base nos 18 anos de dados sobre incêndios
florestais globais compilados pelas organizações.
Bacia Amazônica e Pantanal
Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia é um reservatório de carbono vital que
diminui o ritmo do aquecimento global. É também o lar de cerca de 3 milhões de
espécies de plantas e animais e 1 milhão de indígenas. Especialistas dizem que a região
voltou aos níveis de desmatamento observados pela última vez há uma década.
"Você pode não ver incêndios como os da Califórnia, porque os da Amazônia
continuam muito baixos, mas causam mais danos", diz Paulo Moutinho, cientista
sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
"As árvores podem morrer lentamente em poucos anos".
"Um hectare de floresta na Amazônia tem 300 espécies de plantas e árvores, a
Califórnia, em comparação, tem apenas 25."
Dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que o número de
incêndios na Amazônia aumentou 28% entre julho de 2019 e julho de 2020.
Ao contrário das condições de seca na costa oeste dos Estados Unidos, os incêndios
florestais no Brasil são causados principalmente pelo desmatamento, que alguns
ambientalistas dizem ser motivados pelas políticas governamentais pró-agricultura e
mineração.
Mas não são apenas as florestas tropicais da América do Sul que estão queimando. Ao
sul da Amazônia, no Pantanal, os incêndios também estão intensos.
O bioma se estende por Brasil, Paraguai e Bolívia e é uma das áreas de maior
biodiversidade do mundo.
Savana e pradarias da África
Imagens de satélite também mostram incêndios florestais densos na África tropical,
através da savana e pradarias onde, a cada ano, ocorre a maioria dos incêndios
florestais do mundo.
Mesmo que esses incêndios pareçam ser bastante densos, os cientistas dizem que isso
não significa necessariamente que terão um impacto ambiental mais severo.
"A maioria desses incêndios na África é um processo natural que vem acontecendo há
milhares de anos", diz Niels Andela, professor da Escola de Ciências da Terra e do
Oceano na Universidade de Cardiff.
"É assim que a vegetação se regenera na região."
Esses incêndios florestais africanos também são vistos como menos prejudiciais
porque as savanas e pradarias regeneradas absorvem parte do carbono que é emitido
durante a queimada.
Florestas tropicais da Indonésia
Embora a temporada de incêndios florestais na Indonésia tenha começado há alguns
meses, as províncias de Kalimantan Central e Sumatra ainda continuam sofrendo com
os incêndios florestais.
O Greenpeace disse que 64 mil hectares de floresta já haviam sido queimados até o
fim de julho, embora esse número seja menor do que o do ano anterior.
A terceira maior província do país, Kalimantan Central, declarou Estado de emergência
em julho, depois de registrar mais de 700 incêndios.
Os ambientalistas dizem que o impacto econômico da covid-19 levou a reduções
orçamentárias significativas, impactando o patrulhamento das florestas e a prevenção
de incêndios.
Turfeiras árticas
Quando os incêndios na Califórnia começaram a aumentar no mês passado, o Círculo
Polar Ártico já havia experimentado tragédia semelhante. As chamas queimaram a
vegetação nativa, a tundra, e cobriram de fumaça as cidades siberianas.
Esses incêndios no Ártico emitiram um recorde de 244 megatoneladas de dióxido de
carbono — 35% a mais do que todo o ano passado, de acordo com o Serviço de
Monitoramento da Atmosfera Copernicus. Especialistas dizem que a razão para o
aumento significativo nas emissões pode ser a queima das turfeiras — onde os solos
são ricos em carbono. Segundo eles, um inverno e uma primavera mais quentes foram
parcialmente responsáveis pelos incêndios.