Psicologia Comportamental
Aula 10 e 11
Profa. Tuane Lima
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Aula 6 e 7
• Análise de contingência como procedimento ativo (fazer análise
funcional a partir de uma descrição de situação);
• Diferenças das situações em que o comportamento ocorre
por reforçamento positivo ou negativo;
• Rotas de fuga (desligando-se ou desistindo);
• Incompreensões sobre a esquiva;
• Esquiva sem sinais de aviso (paradoxo da esquiva);
Aula 8 e 9
Conteúdo • Diferença entre controle e coerção
• Alternativas à coerção
NP2 • Uso de reforçadores como princípio norteador
• Modelagem e reforçamento diferencial (DRI, DRA e DRO)
• Uso incorreto da privação
• Definição de comportamento verbal
• Episódio verbal
• Operantes verbais
Aula 10 e 11
• Como aprendermos: modelação, modelagem e
comportamento governado por regras
• Comportamento social e definição de cultura
Habilidade: fazer análise funcional e identificar processos comportamentais a partir de situações.
A partir do caso descrito, escolha uma resposta e faça análise funcional. Depois, descreva se o
comportamento é mantido por reforçamento positivo ou negativo e faça uma análise sobre isso.
Lembre-se: não estamos falando sobre intencionalidade, nossa discussão é sobre processos
comportamentais.
Entre Angélica e Luciano, seu marido, as coisas não
vão lá muito bem.
Estímulo
Ao chegar do trabalho à noite, assim que Luciano antecedente Resposta Consequência
começa a se queixar de problemas domésticos, ela (Sd)
vai imediatamente dormir, “acabando” assim, com Reclamações Ir se
as queixas do marido. Ultimamente, Angélica anda do marido deitar queixa do marido
tão cansado das queixas de Luciano que, quando logo que
chega em casa à noite, antes mesmo dele começar a Cansaço chega do
se queixar, ela vai direto para a cama. trabalho
Habilidade: escrever sobre um dos temas estudados a partir de um trecho do livro.
“Outros reforçadores também podem sustentar o desligar como um modo de lidar
com problemas, ainda que a lógica nos diga que a ignorância da realidade não pode
promover a sobrevivência. Podemos ignorar uma situação perigosa porque não
estamos prontos para enfrentá-la, mas alguém mais, considerando aquele mesmo
perigo mais ameaçador, pode lidar com ele diretamente. E assim temos a solução
“deixe o Zé fazer isso” para problemas desagradáveis. Quando ela funciona, torna-se
ainda mais provável que desliguemos as demandas menos agradáveis da vida. Nossa
sorte finalmente acabará, mas, enquanto isso, temos companhia; muitos fogem “vendo
tudo cor-de-rosa” ou “brincando de Poliana”, ainda que estas adaptações devam se
demonstrar finalmente autoderrotadas”.
Qual é o tema abordado no trecho? O trecho está falando sobre qual processo comportamental? Dê um exemplo
de situação de desligamento e como isso se mantêm no repertório comportamental.
BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo:
comportamento, cultura e evolução. 3. ed.
Porto Alegre: ARTMED, 2019.
Capítulo 8
Capítulo 13
Aula de hoje
Comportamento
governado por regras
Como aprendemos?
Comportamento modelado Comportamento
por contingências governado por regras
• Envolve consequências imediatas e é • Facilita o contato com consequências atrasadas
fortalecido gradualmente;
• Em geral, leva a uma mudança imediata da
• Leva tempo à a resposta final só acontece topografia da resposta, o que pode favorecer o
depois de muitos passos pelas contato com algumas contingências
contingências;
• Evoca, em geral, uma topografia específica à há
• O comportamento do indivíduo fica sob menos variação antes da seleção
controle das ocasiões ambientais presentes;
• Facilita a emissão de comportamentos em
• Envolve mais variabilidade contextos que seriam pouco prováveis
comportamental.
Uma Fábula
B. F. Skinner. (1988). A Fable. The Analysis of Verbal Behavior, 6, 1-2.
(Tradução de Maria Luisa Guedes)
Recentemente descobriu-se que Daniel Defoe não contou toda a história sobre Robinson
Crusoé, provavelmente porque pensou que não acreditariam nele. O fato é que, através da
operação de um tipo de máquina do tempo wellsiana, Crusoé acordou numa manhã e encontrou
um jipe moderno em sua ilha. Estava em muito bom estado e tinha um inesgotável tanque de
gasolina. Naturalmente ele investigou muito cuidadosamente, puxando e empurrando alavancas,
girando e pressionando botões. Quando ele ligou a ignição o motor começou a funcionar e ele
apressadamente desligou. Ele ligou e desligou várias vezes. Uma vez, quando ele ligou, o jipe
estava engrenado e pulou para frente. Assustado, ele rapidamente desligou. Em outro dia o jipe
não pulou. Finalmente, o jipe modelou e manteve tudo o que Crusoé precisava fazer (não
“saber”) (not “to know!”) para dirigi-lo habilidosamente por todas as partes desmatadas da ilha.
Ele “sabia como dirigir um jipe” (knew how to drive) simplesmente no sentido de que ele fazia as
coisas certas no momento certo.
Modelagem
Quando Sexta-Feira chegou à ilha, Crusoé o ensinou a dirigir. Uma vez que Sexta-Feira não
falava inglês, Crusoé podia apenas apontar as partes do jipe e mostrar o comportamento para
Sexta-Feira imitá-lo. Ele ligou e desligou a ignição e Sexta-Feira fez o mesmo e ouviu o motor
começar e parar. Ele ligou, apertou o pedal da embreagem e pôs o jipe em marcha; Sexta-Feira
eventualmente fez o mesmo e sentiu o jipe mover-se. Finalmente Sexta-Feira também dirigiu
habilidosamente. Crusoé não “comunicou informação” ou “partilhou conhecimento”; ele
simplesmente mostrou comportamentos que, quando imitados por Sexta-Feira, foram reforçados
pela ação do jipe. Sexta-Feira então também “sabia como dirigir” (knew how to drive), mas,
novamente, simplesmente no sentido de fazer todas as coisas certas.
.
Modelação
Quando o navio de salvamento chegou, aconteceu de Crusoé estar do outro lado da ilha e
não o ver, mas o capitão encontrou Sexta-Feira, viu o jipe e ficou curioso a seu respeito. Sexta-
Feira começou a mostrar-lhe como dirigir. Como não falava inglês, ele podia ensinar o capitão
somente como Crusoé lhe havia ensinado, apontando e mostrando. Crusoé logo chegou e assumiu
a tarefa. Ele apontou as partes do jipe, como fizera com Sexta-Feira, mas ele também podia
chamá-las pelos nomes mais próximos em inglês e usar palavras como girar, ligar, empurrar e
puxar. Ele podia dizer ao capitão o que acontecia quando as coisas eram feitas. “Quando você
gira este botão na base direção algo na carroça faz um barulho, mas não o gire a menos que o
bastão com a bola em cima esteja reto.” Em outras palavras, ele podia descrever as contingências
de reforçamento mantidas pelo jipe e, respondendo a estas descrições e instruções, o capitão ficou
sob controle do jipe mais rapidamente do que Sexta-Feira ficara. Enquanto para Sexta-Feira
Crusoé mostrou como dirigir, para o capitão ele podia dizer. Finalmente o capitão dirigiu não por
responder às instruções, mas porque o jipe modelou e manteve seu comportamento. O capitão
então “sabia como dirigir” (knew how to drive), mas novamente simplesmente no sentido de fazer
as coisas certas no momento certo. Nada passou de Crusoé para o capitão na forma de
conhecimento ou informação.
Crusoé também falava para si mesmo quando estava primeiro explorando o jipe. Ele podia
dizer, corno disse para o capitão: “quando você gira este botão na base da direção, algo na
carroça faz barulho.” Ele não estava dizendo a si mesmo para fazer algo que já não tivesse feito
(não “conhecido!”); ele estava estimulando seu próprio comportamento mais do que gerando seu
comportamento. Suas respostas às suas próprias descrições das contingências se fundiram com
respostas modeladas pelas contingências e a combinação mais rapidamente atingiu uma força útil.
Crusoé também podia falar sobre o jipe quando estava longe dele. Deitado na cama à noite ele
podia dizer: “a carroça se moveu somente quando alguma coisa na parte da frente estava fazendo
barulho”, e também: “só fez barulho quando eu girei o botão”. Estas duas respostas juntas devem
tê-lo auxiliado a movimentar o jipe mais suavemente na próxima vez que o fez. Deitado na cama,
Crusoé podia também ver o jipe como ele o via quando estava nele, embora de forma muito
menos clara. O que ele estava fazendo não é tão fácil de dizer, em parte porque os analistas do
comportamento não têm prestado muita atenção ao ver na ausência da coisa. Em algumas
discussões exaustivas em epistemologia, Pere Juliá e eu achamos útil tratar o sentir ou o perceber
simplesmente como uma parte inicial do responder, “como o responder até o início da ação”. Ver
um objeto quando ele não está presente é fazer novamente o que foi feito quando ele estava
presente. Isto pode ser feito quando nenhuma ação se segue e sem fazer ou usar cópias do que é
visto. Crusoé podia também sentir ele próprio girando botões e ouvindo barulhos até o início da
ação. O comportamento verbal encoberto tem sobre o comportamento não verbal encoberto a
vantagem de poder ser executado mais completamente. Falar para si mesmo é um tipo de ação.
Se Crusoé tivesse escrito urna descrição de contingências teria sido ainda mais útil. Escrever
auxilia o comportamento verbal, assim como fazer um esboço auxilia a visualizar.
Crusoé podia também ter dado a si próprio o tipo de ajuda que deu para Sexta-Feira. Há
contingências que fortalecem um tipo de auto-imitação. Se quando movemos alguma coisa em
nossa escrivaninha, alguma coisa a alguma distância se movimenta, é provável repetirmos o
movimento e esperarmos pelo efeito, como se nos perguntássemos: “eu fiz isto?” Se nada
acontecer, vemos que a conseqüência foi acidental. Se a mesma coisa acontecer, confirmamos
nosso movimento do objeto distante como um operante no sentido literal de tornar firme ou
fortalecer. Comportamentos similares são algumas vezes vistos em outros primatas. Um
movimento é feito, uma conseqüência não usual se segue e o movimento é imediatamente
repetido. As contingências de sobrevivência responsáveis pela evolução de tal auto-imitação,
entretanto, são muito diferentes das contingências operantes. A
superioridade das descrições autocompostas de contingências sobre a auto-imitação é
presumivelmente uma das razões pelas quais as línguas evoluíram e pelas quais são transmitidas
de geração a geração como ambientes sociais ou culturas.
Comportamento governado por regras
§ Regras (faladas ou escritas) são estímulos
discriminativos verbais;
§ Geradas pelo comportamento verbal de um falante e
quem segue a regra é um ouvinte (que reforça o
comportamento do falante de formular a regra);
§ Envolve a descrição de contingências (de forma
Comportamento explícita ou implícita);
governado por § Ensina-se as crianças a obedecerem regras (a serem
regras obedientes) e adquirir essa habilidade generalizada
faz parte do crescimento em uma cultura;
§ Muitas vezes a regra não é claramente descrita, o que
pode causar a sensação incorreta de algo “mental”,
mas podemos ajudar as pessoas a descrevê-las;
Evolução
Cultural
O que é cultura?
A cultura de um grupo consiste em comportamento
operante compartilhado pelos membros do grupo,
adquirido como resultado de pertencer ao grupo e
transmitido de um membro do grupo a outro”.
Baum, 2019, p. 265
Requisitos para sociedade:
• Cooperação – comportamento altruísta que beneficia o outro
• Transmissão – capacidade dos membros de um grupo de aprender uns com os outros
§ Atividades de membros do grupo passadas adiante por
imitação e educação;
§ Podem ser verbais ou não verbais;
§ Fornecem regras (estímulos discriminativos indutores
Práticas de comportamentos que são socialmente reforçados);
culturais § Mudanças culturais explicadas pela variação (que são
ocasionalmente benéficos e se mantém como prática
cultural);
§ Transmissão cultural de práticas passa entre gerações;
Formulário de
autoavaliação
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