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RAIZES DA MUSICA
POPULAR BRASILEIRA
(1500-1889)
MARTINS/MEC
DO AUTOR: ARY VASCONCELOS
CORPO 10 - crônicas (Volume 31 da Coleção "Aspectos" (Rio de
Janeiro, Serviço de Documentação do Ministério da Educação
'
e Cultura, 1958) - esgotado.
TRADUÇõES
"Hiroshima" - John Hersey (Rio de Janeiro, Edições "O Cruzeiro",
1948) - esgotado.
RAÍZES DA MÚSICA
"O Pensamento Vivo de Buda" (São Paulo, Livraria Martins Editora,
1952); 2.• Edição (idem, sjd); 3.• Edição (idem, 1961)- esgotado. POPULAR BRASILEIRA
( 1500-1889)
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Vasconcelos, Ary, 1926-
Raízes da música popular brasileira: 1500-1889
[por] Ary Vasconcelos. São Paulo, Martins; Brasí-
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lia, INL, 1977.
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"". LIVRARIA MARTINS EDITORA
SÃO PAULO
17. CDD:780.981
18. :780.420981 em convênio com o
CCF /CBL/SP-77-1068 CDU:78. 067(81)(091)
INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
índice para catálogo sistemático (CDD):
BRASíLIA
1. Brasil : Música popular 780.981 (17.)
780.420981 (18.) 1977
---.....___
ARY VASCONCELOS
SUPERVISÃO EDITORIAL
E CAPA
A HISTóRIA 1
OS PERSONAGENS 25
Fase colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Século XVI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Século XVII . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Século XVIII . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
PrimeU:o Império . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
Regência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
Segundo Império . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
1977 íNDICE ONOMÁSTICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351
40. aniversá.Tio do
0
Custódia e
José Teixeira Beleza de Vasconcelos
Amélia e
Manuel Abollo Martinez
Por mais ansiosamente que buscasse, através de muitos out1'0s cami-
nhos de redenção, o esquecimento e a Ubertação, por maiores que
fossem minha sede e meu desejo de Deus, de compreensão e de paz,
tudo isto o encontrava exclusivamente na m-úsica. Não era preciso que
se tratasse exatamente de Beethoven ou de Bach, não; o simples fato de
que a 11'11ÍtSica existe no mundo e de que um ser humano pode como-
ver-se pela harmonia de seus sons até o mais profundo de seu coração
e sentir-se mergulhado nela, somente estas realidades significaram para
mim sempre uma consolação profunda e uma justificação da existência.
A m-úsica! Concebendo uma melodia, cantando-a mentalmente - só
mentalmente! - embebes nela todo o teu ser, de modo que toma posse
\ de todos os teus movimentos e energias; durante esses momentos em
que vive em ti, apaga todo o aziago, maligno, brutal e triste que possa
haver dentro de ti; faz vibrar o mundo em uníssono, convmte em
leve o pesado e o rígido em alígero. . . Tudo isso consegue-o a simples
melodia de uma canção popular!
HERMANN HESSE, "Gertrudes".
\
A HISTóRIA
/
/
O QUANDO E O COMO
O LEGADO PORTUGU:f:S
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É como um jogo de armar que aos poucos aqui vai sendo A MúSiiCA DOS íNDIOS
montado, à medida que é transportado pelas caravelas lusita-
nas: um?ântico hoje, um verso depois, em seguida uma dança Que música ouviram os portugueses ao desembarcar nes-
ou um instrumento musical. Afinal, um complexo fascinante te admirável Mundo Novo?
de músicas e danças e que virá a constituir-se o próprio ar- Sem dúvida, uma música completamente diferente da
cabouço da futura música popular brasileira. Uma síntese que seus ouvidos estavam acostumados, pois obedecia a leis
perfeita da contribuição lusa nos é dada por Mário de An- particulares, muito diversas.
drade (.,Compêndio de História da Música", 2. a edição /São Jean de Léry, que viveu no Brasil de 1556 a 1558, em
Paulo, 1933) : "Os portugueses fixaram o nosso tonalismo seu livro ·viagem à Terra do Brasil", publica estribilhos de
harmônico; nos deram a quadratura estrófica; provavelmen- música dos tupis. Um deles tem a seguinte letra, segundo re-
te a Síncopa que nos encarregamos de desenvolver ao contato constituição de Plínio Airosa ("Viagem à Terra do Brasil", de
da pererequice rítmica do africano; os instrumentos europeus, Jean de Léry/Tradução de Sérgio Milliet/São Paulo, Livra-
a Guitarra (Violão), a Viola, o cavaquinho, a Flauta, o ria Martins, 1941, p. 136 ( 300): "Canindé júb, canindé jub,
eyra oaê". O modo como está grafada a palavra oaê, no
Oficlide, o Piano, e grupo dos arcos; um dilúvio de textos;
texto original, faz que Airosa apresente, sem segurança, a
formas poético-líricas, que :nem a Moda, o Acalanto, o Fado seguinte tradução: "Canindé amarelo, canindé amarelo, tal
(inicialmente dançado); danças que nem a Roda, infantil; qual o mel". A canção celebra a beleza do canindé, ave ama-
danças íberas, que nem o Fandango; danças-dramáticas que rela mais encontradiça nas grandes árvores das aldeias indíge-
nem os Reisados (Pastoris, Nau Catarineta), que chegam a nas do que nas matas. Conta Léry: ( op. cit., p. 137): "os
ser verdadeiros Autos. Também de Portugal nos veio a origem nossos tupinambás as depenam cuidadosamente três e quatro
primitiva da dança-dramática mais naci<Onal, o Bumba-meu- vezes ao ano e fazem com as penas cocares, braceletes, guar-
Boi". Tão perfeito e completo é esse resumo do criador de nições de clavas e outros enfeites com que adornam o corpo".
"Macunaíma" que Oneyda Alvarenga ("Música Popular Brasi- Léry não explica como os selvagens capturavam essas aves
leira"I Porto Alegre, Editora Globo, 1950), sua discípula, em sem estragá-las, o que é revelado por Belon na "Histoire
muito pouco o enriquecerá: "De fato, não só herdamos for- de la Nature des Oiseaux", citado por Sérgio Milliet ( op.
mas e peculiaridades estruturais da música portuguesa, can- cit., p. 137, nota 302): "Os selvagens do Brasil, muito há-
beis no manejo do arco, têm flechas compridas em cuja ponta
tos tradicionais de Portugal, textos poéticos (principalmente a
colocam um chumaço de algodão. Assim os papagaios atin-
maioria das quadras, forma predominante da lírica brasileira).
gidos caem apenas estonteados, sarando logo depois". Outras
danças, danças-dramáticas integrais ou o núcleo de várias canções, além da anotada por Léry, deviam referir-se a essa
delas, como através de Portugal recebemos da Europa a pró- linda ave amarela, pois diz ele textualmente ( op. cit., p. 136) :
pria base da nossa música: o sistema harmônico-tonal, a me- "Os selvagens, em suas canções, aludem freqüentemente a
lodia quadrada. E também rodos os instrumentos produtores essa ave, dizendo e repetindo muitas vezes: canidé-iune, ca-
de som e não apenas de ruídos ritmados, com os do ame- ;. nidé-iune, heyraueh . .. "
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ríndio e do negro, entre os quais se salientam por mais cons- -,{~
Outra canção dos tupinambás, registrada por Léry, refe-
tantes na nossa música instrumental, acompanhante ou pura, re-se ao camuroponi-uassu, "peixe muito grande". Diz ela ( op.
o violão, a viola, o cavaquinho, o vi<Olino, o violoncelo, a san- l cit~, p. 147): "pira-uassú a uéh, camurupui-uassú", isto é:
fona, a flauta, a darineta, o oficlide, o piano". i "peixe grande, estou com fome!"
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;li 2 - lR·.M.P.B.
Em um terceiro pentagrama, Léry r~gistra a repetição de '
Lery prosseg1.1e: "S e; como di . , . ( dé. ~s~, ,ag~~
. sse, no IDICIO 1
uma "interjeição de encorajamento: he, he, he, he, he, he . .. " zarra, me assustei,.·já: agora me m!lp,Wilia [Link]~q. f3q1' .C?ro
Escreve o viajante francês: ..Antes de se separarem das m-.1.- ouvindo os acordes ,dessa' in1ensa multidão e sobretudo a cÇJ.-
lheres e meninos, os caraíbas proibira:tn-lhes .severamente de dência e o estribilbco_r€lpetiqQ.a c~da,copla: H~,][Link]~. h_f!Y.r4.
sair das casas em que se encontravam; aí também nos encer- heyrayre, heyra, heyre,_ uêh. E aind~ hoje qu~ndo . recordo
raram. Já· havíamos começado a almoçar sem nada perceber essa: cena sinto· palpitar o, coração, e parece-me a esta( ou~
ainda do que pretendiam os selvagens quando principiamos vindo" ( op. cit.:, p .. 194).
a ouvir na casa dos homens, a qual distava talvez trinta passos
daquela em que estávamos, um murmúrio surdo de rezas; Ainda Léry: ··
imediatamente as mulheres, em número de quase duzentas, · "~Para termina~ b~iteram· com o 'pé. direitô nó c;hãÓ · O!im
se puseram todas de pé e muito perto umas das outras. Os mais força e depois de cuspirem· para a frente, unanime~
homens pouco a pouco erguiam a voz e os ouvíamos distinta- mente, pronunciaram duas ou três vezes cOII,l voz rouca:
mente repetir uma interjeição de encorajamento: - He, he, "H e, "ya,
h'h ya,' hya.·
' ·:. , ...•..
. .._, , '··· .
he, he. Mais ainda nos espantamos, porém, quando as mulhe- . "Como eu ainda- não entendia bem a língua dos ?elva-
res, por seu turno, a repetiram com voz trêmula: - He, he, gens pedi ao intérprete que me esclarecesse, .,sqbr((. o seJ:l~
he, he. Assim aconteceu durante um quarto de hora e nós tido das frases pronunciadas. Disse-me ele que haviam :i,n+
não sabíamos o que fazer. Ao mesmo tempo urravam, salta- sistido em la.:rrientar · seus . antepassados n1ortos- • e· .·em ; .ceie~
vam. com violência, agitavam O$ seios e espumefavam pela boca brar-lhes a vaientia; consolavam-se entietanto..ri:a;.eSperança de
até desmaiar como vítimas de ataques epüéticos; por isso ir ter com eles, depois da morte, para·alénn [Link] monta-
não me _era possível deixar de ~editar que se tivessem tor- nhas onde todos junros dançariam ·é ·se regozijariam.· Haviam
nado repentinamente possuídas do Diabo. Também os meni- em seguida ameaçado ·os -goitacases, ·proclamando,-. ·de ae<;>rdo
nos se agitavam e torturavam, no aposento em que se acha- com os caraíbas, que haveriam de -:devorá-los, em~ora ·esses
vam encerrados e, embora já freqüentasse os selvagens há selvagens sejam tão valentes que nunca os tupinarnbâs Qs
mais de seis meses e estivesse até certo ponto acostumado puderann submeter, como já ficou dito. Celebravam ainda em
com se1.1s costumes, confessarei que tive medo; ignorando o suas canÇões o fato das águas terem transbon:la<;lo pqx tal
fim disso .tudo, desejei achar:-me longe dali. Ao éessarem o foima em certa época, que cQbriram toda a terra, ,afogandq
ruído e os . urros confusos dos homens, calaram-se também todos os .homens do m'[Link]; à exce'ção de seus antepassados
as mulheres. e os meninos; mas volf:aram todos a cantar; mas que se salvaram trepando .nas á.rv'ofes;~is,aJt~s .d~.país. Est.e
dêssá feita de um :modo· tão hiD-rooniosô que o medo passôú último ponto, que', muito se aproxim~ ®s Sa:Qt~s _Esqritll!as,
e tive o des~jó de tudo ver de perto" ( op. cit., p. 192-193). · tive a oportunidade• de ouvir inúmeras ve.?:es". : (CYp., çtt_., p.
:No ~esmo capítulo XVI ·do seu livro, quando tJ:-atada 194-195). . . . . . . .. , . ',.
religião dos selvagens, Léry refere-se a um ritual que durou .Gabriel Soares. de; Sousa em ..-Notícia do Brasil'? ...,-: 1. o
cerca de duaS· horas e durante o qual «os . quinhentos ou tomo (São· Paulo, Livrarü( Martiris Editora, s/d) -diz•nos que
seiscentos selvagens não cessaram de dançar e cantar de u:rh os potiguarâs ( :P• 102} "êantam~ bailam ... " é,. que os· caetés
modo tão harmonioso que ninguém diria não conhecerem (p. 117), por sua natureza, são "'( .-·.·.) grandes músioos: e
música" ( op. cit., p. 194). Na verdade, os índios conheciam amigos de bailar"... Duas tribos, como .se sabe,. iilintigas e fe-
música, . só que não, evidentemente, ·. a música européia, a G rocíssimas, a segunda. das· quais· devorou o . prime.i.W _l;:>ispo. do
única_._que Léry-entendia como tal ... Um preconceito, aliás,. Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, e ·mais .. 'Qutras ~e:pto· e
que, -não_ foi ainda . inteiramente . extirpado, -diga-se de pas:- tantas pessoas cuja nau; seguindo da .Bahia pa:rg, l,Jsp()ai. na,u 7
sagenn. · fragara quase à foz do Rio Coruripe. O mesmo a~tor .(op,
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i
i
cit.,' p: 204) fala-nos das habilidades musicais dos tamoios: Cordofones - "instrumentos que soam, fazeudo-se vibrar
''São havidos estes Tamoios por grandes músicos e baila- as cordas neles distendidas, seja friccionando-as, seja pu~an~
dores entre todo o gentio; os quais são grandes componedo-
do-as ou nelas batendo" (Renato Almeida). Nossos índios
l"~S de cantigas de improviso; pelo que são muito estimados
não conheceram· instrumentos cordofones.
do gentio, por onde quer que vão." E refere-se ainda aos tu-
pinambás que levam na mão direita "um maracá, que é um Aerofones - "instrumentos que soam pela intromissão do
cabaço cheio de pedrinhas, com seu cabo, com que vai tan- ar no seu interior, quer por um orifício ou através duma vál-
-gendo e cantando; e fazem estas bizarrices para quando na vula, ou ainda os que, agitados no ar, vibram e produzem
·sua aldeia há grandes vinhos, ou em outra, onde vão folgar; som'' ( Renato Almeida). Para este grupo, nossos indígenas
pelas quais andam cantando e tangendo sós, e depois mis- deram uma importante contribuição, entre trombetas ( mere-
turados com outros" ( op. cit., 2. 0 T, p. 254). Dessa tribo, cendo ser citada especialmente a de Jurupari, enorme, feita
relata-nos ( 0p. cit., p. 259) que "onde este vinho se coze, e com casca de árvore e a com ressoador), buzinas de conchas
está até que se faz azedo; e como o está bem, o bebem com e búzios; o toré, etc. Flautas, os índios conheceram as trans-
grandes cantares, e cantam e bailam toda uma noite às vés- versais e as nasais - estas sopradas pelo nariz - e também
}>eras do vinho, e ao outro dia pela manhã começam a beber, a flauta de Pail, antigo sirinx. Aos que quiserem aprofundar
bailar e cantar; e as moças solteiras da casa andam dando o conhecimento da música indígena, recomenda-se, especial-
o vinho em uns meios cabaços, a que chamam cuias, aos que
mente, a leitura dos cronistas do século XVI: além do citado
andam cantando ( ... ) ".
Léry (1557), Hans Staden (1557), Gândavo (1575), Fernão
Vários eram os instrumentos usados pelos nossos indí-
genas. Adotada a classificação de Mahillon, que divide os Cardim ( 1584) e Gabriel Soares de Sousa ( 1587).
instrumentos em idiofones, memhranojones, co-rdofones e
aerofones.; passemos rapidamente em revista essa parafer-
nália sonora. A CONTRIBUIÇÃO DO NEGRO
Idiofones - os que produzem som quando sacudidos
ou percutidos: chocalhos, matracas, guisos, etc. Neste gru- O negro está no Brasil há muito mais tempo do que ge-
po, devem ser reunidos o maracá, "cabaço cheio de pedri- ralmente se pensa. ·
nhas, com seu cabo" (Gabriel Soares de Sousa, op. cit., 2. 0 T, Em 1538, os e~genhos da capitania de São Vicente, hoje
p. 254) ou "cabaça oca, colocada na extremidade dum pau, São Paulo, recebialn as primeiras levas de escravos africa-
cheia de pedrinhas, caroços ou sementes" (Renato Almeida); nos. E eles são muito mais antigos aind~ em Portugal, que
o: torokaná, · trocano ou trocana - toro de madeira que, per- já recebia peças dessa procedência desde meados do século
cutido, "serve para chamar a gente e dar sinais" ( Stradelli), XV. .
sendo mais um instrumento de comunicação do que propria- .~
mente musical; os bastões de ritmo, feitos de bambu, e que, Convém distinguir, entretanto, dois grandes grupos for-
quando batidos contra o solo, produzem um som surdo que mados pelas tribos africanas chegadas ao Brasil: 1) Sudaneses;
ajuda a marcar o ritmo da dança. procedentes da Zona do Níger, na Africa Ocidental: nagôs ou
iombas; os gêges .(ewes ou daomeanos) -que formaram, 110
Membranofones -·~aqueles que soam pela vibração de
uma membrana neles distendida" (Renato Almeida). Os in-
I Brasil, uma religião negra geral, a gêge-nagô; os minas ( tshis
e gás), os haussás (estes, os principais introdutores, no Brasil,
dígenas possuíam tambores diversos, originalíssimos, entre "" do islamismo), os. tapas, os bomus e os. galinhas ou grónçí:;.
eles o ka, o conju:i, o corugu e o vatapi ou. vapi, o uapi e o i Com. os sudanese~, aqui chegaram dois povos de orige~ b~r7
tainaracá. I bere-etiópica, de influência maometana: os fulás e os m;lndês
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/
ou maridirigas~ · Os neg:t:os uiaomehú1os eram chamadoS ·malês Ú) Puíta (ou Cuíca); 15) Piano de Cuia (Balafon na .Áfri-
ou muçllliDi~ :ria. Bahiá, e seus sacerdotes, no Rio de JanéifO, ca); 16) Pandeiro; 17) Quissange; 18) Roncador; 19) Pere-
denominavam-se aliúáS. o~ negros sudaneses [Link] prin- rénga; 20) Socador; 21) Tambor ou Tambu; 22) Ubatá; 23)
cipalmente na Bahia. 2f Bantos - ·o:riginários do Sul da Vuvu ou Vu; 24) Xequerê ou Xeguedê; 25) Triângulo.
Afriicil, :principalmente~ de Angola, Congo e Moçambique: os
àngolas~ os bongos ou càbindas, os benguelas, os macuas, os
angícós, etc. Os negros bantos localizaram-se principalmente INFLUENCIA DOS JESUlTAS
no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e nos Estados do N or-
deste. ·.
Todo o abismo que parecia separar a música indígena da
Foi decisiva a co~tribriição do negro à música popular portuguesa pôde ser transposto, principalmente, graças
br~sileira em quase quatro séculos de tráfico negreiro. Oneyda aos jesuítas. Em 1549, chegaram os primeiros à Bahia,
.t}[Link] ( op. cit., p. 23, 24) enumera as principais: Fre- tendo à frente o Pe. Manuel da Nóbrega. A carta dos Me-
qüêncià ~e escalas sem sensível oU coi:n o -sétimo grau abai- ninos do Colégio de Jesus, da Bahia, ao Pe. Pedro Domenech,
xado; origerri - ou ap~rüts sistematização - do nosso ritmo (Serafim Leite S. I., "Novas Cartas Jesuíticas"/São Paulo,
sincopadó; tôhica alcançada num movimento de notas re- Companhia Editora Nacional, 1940, p. 148) - talvez saída
·l:J.~_t:idas, partindo da mediante; estrofe poético-musical im- .realmente do punho do Pe. Nóbrega . - prova bem como,
provisada, seguida de :refriio fixo; for:m:a poético-musical cons- suprimindo-se os preconceitos, torna-se relativamente fácil a
tituída por um· verso úniC:o, sêguido de'um refrão curto;:que- comunicação mesmo entre duas línguas musicais tão div~:rsas:
bra da quadratura melódica, através de vários processos; can- .C<Par~e-me [ ... ] que nós tocando e cantando entre eles [os
tos de rituais fetichistas afro-brasileiros que escapam, pela meninos índios] os ganharíamos. Pouca cliferença há dq que
sua estranheza, pelo' uso da ·escala cõm , à .sétima abaixada, eles fazem ao que nós . fazemos ... " . QUe os meninos índios
de escalas pentafônicas e hexacordais, do caráter da música foram "ganhos", hão há dúVida nenhuma. Vamo:s transcrever
popular brasileira; presen~ ·da umbigada . como elemento co- -o seguinte trecho dá ..Narril~va ·Epistolar· de Uina Viagem
reográfico; diversos nomes de danças; grande número de .ins- é M~são Jesuítica pela Bahia,: · Ilhéils, Porto Seguro,·· .Per~
[Link] . de ~percussã~:. cuíca ou puíta, . e ganzá ou canzá, 'nambuco, Espírito Santo;. Rio 'de Janeiro, S. Viícente (S.
váz;i()~. tipos de atabaqu~; dois instrumentos realmente mu- J.>aulo) etc. desde o an:o de 1583 ao de 1500 · indo por visi-
sicai~, a _marim~a, -rr. :qpje~ ~~ (l~Sl],SO ·:-: e p. urucungo .OU ru- ·tadot o Pe. Cristóvão de Gouveia", um dos ..Tratados da
cuug.Q; . a cria~o(). de .,d~ç~-.~aJlláticas cPII}Õ as C~ngadas, Tetra e Gente do Brasil", do Pe. Femão Cardim (São Paulo,
os Congos, os Cucumbis, as Taieiras, os Quícumbres e os ·comptuihi'a. E;dltora · Na~iorial~. 1939), P·. _258: ··[Link]' ~-?
Quil?;[Link]; a existêl!-cia~ ~a voz, cantaP.~ brasileira,_ de um padre à terra começaram os frautistas tQcar suas frautas · cofu
nllslll>:•ca~sado ce:[Link]: pelo mesf!çaniento COrÍl () negrQ. inuita :festa~ o q~e tánibéllJ.:: fizérám: énquarito j~ntamos 'd«:l-
"·' ·.'.LticiáÍio ·cillét e'lir::~[Link] de Folclore'' (Rio·de Ja- baiXo de' uin aiVOI-edo de aioeiras · miii · alfas. Os . ineninos
n.'~rro:';Cailoo Wehrs &·':Cía.; 1934), p; 59, relaciona 25 ins-
índios, escondidos em um fresco bosque, cantavam várias
fu:i~ntó~r-ae pi_~~ncia africana,·· que foÍ'am adatado5 •no '
":;
cantigas devotas enquanto comemqs, ..que causavam devoção,.
Brasil, · algiffis'''â()S·'~quais·~:já :for:a ·de· uso: 1 )' Atabaque; 2) no meio daquelés. matos, ·principalmente tima pastoril feita
Adufe;. 3) Berim~u; 4 J-. Agogó ou Agçigô; ·5) Cârimbô; 6) de novo para o recebimento do padre visitador se~. novo
~ambu;, 7) .. Cucu;tnbi;'c 8 )·: Chocalh~; . 9) · . Ftihgador; :··10} :a
pàsto.r. Chegam()s à:: aldeia tru.-d&. "'antes· dela· um·'bom quar-
Gàrizá·ou. Ca:hZá;'ll):Córigom;:·I2) ..·Mulungu; 13) Marimba; tó de légua, COmeçaram as festas que ()S fudios finham apa-
10 11
relhadas as quais fizeram em uma rua de altíssimos e frescos não será por ficarem incluídas as outras na categoria das
arvoredos, dos quais saíam uns cantando e tangendo a syu ~ecundárias que deixarão de ter -e muita - importância.
modo, outros em ciladas. saíam com grande grita e urros, que Dessas contribuições menores, a mais importante é, cer-
nos atroavam e faziam estremecer. Os cunumis se. meninos,
com muitos molhos de frechas levantadas para cima, faziam tamente, a espanhola.
seu motim de guerra e davam sua grita, e pintados de vá- Deve-se ter presente que o Brasil - como Portugal
rias cores, nusinhos, vinham com as mãos levantadas receber a esteve sob o domínio castelhano durante 60 anos - exata-
bênção do padre, dizendo em português, "louvado seja Jesus mente de 1581 a 1640 - e que a Espanha, desde o século
Cristo". Outros saíram com uma dança d'escudos à portuguesa, XV, recebia também escravos africanos. De qualquer ma-
fazendo muitos trocados e dançando ao som da viola, pan- neira, o Fandango, base do Jota e do Bolero (o espanhol), e
deiro e tamboril e frauta, e juntamente representavam um que terá papel tão destacado na música e na dança gaúchas,
breve diálogo, cantando algumas cantigas pastoris". só nascerá em fins do século XVII. Muito popular foi na
Espanha, do século XVII, o Zarambeque, que passará ao Bra-
Na conversão dos índios, papel importante caberá aos sil, no século XVIII, com o nome de Sarambeque.
autos hieráticos, geralmente escritos pelos padres Manuel da
N6brega, José Anchieta e Alvaro Lobo, e em que as duas ContribuiçãQ.__espanhola importante para a nossa música
línguas, a portuguesa e a dos índios, iam sendo misturadas. foi também a tirana, s6 que vindo, não diretamente, mas atra-
Nesses autos - em que é fartamente explorado o milagre - vés de Portugal. Ela foi dançada em Cuiabá em 1790, após
os jesuítas lançam mão de todos os recursos para produzir uma representação da "Zaíra" de Voltaire e nas festas com
funda impressão, incluindo a música, fazendo intermediá-los que foi ali homenageado o ouvidor Diogo Ordonhes (ver
Renato Almeida, op. cit., p. 80). Então, "dançaram a tirana,
de cantos e toques de instrumentos, como nos Mistérios e
havendo um velho que fez maravilhas nessa dança". A toada
Moralidades da Europa.
mole, de moles requebros, a mole tirana iria seduzir o nosso
:E; bom lembrar, entretanto, que mesmo antes da chegada Castro Alves e é justamente uma tirana que Lucas solta, na
dos jesuítas, tivera início essa aculturação, pois na própria es- "Cachoeira de Paulo Afonso", ··descendo lento pra a servil
quadra que trouxe Pedro Alvares Cabral e Frei Henrique cabana" c·obras Completas de Castro Alves", edição critica
de Coimbra - e passamos agora a palavra a Guilherme de anotada por Mrânio Peixoto, 2. 0 Volume/Rio de Janeiro, Li-
Melo ("A Música no Brasil"/Bahia, Tipografia de S. Joaquim, vraria Francisco Alves, 1921, p. 146-147).
1908, p. 22, 23) - "vieram também, como seus auxiliares, fr.
Em outro verso, canta Castro Alves:
Pedro Neto,-corista de ordens sacras e fr. Maffeo, sacerdote,
organista e músioo, qiw . com esta arte exerceu grande influ-
Amei a linda serrana
ência no espírito dos aborígenes por ocasião da primeira missa
Cantando a mole "tirana"
celebrada no Brasil "havendo experiência certa de que o de-
Pelas noites de luar.
mônio também se afugenta com as suavidades das harmonias".
A influência francesa se faz sentir principalmente nos
cantos das crianças brasileiras, geralmente adaptàndo os tex-
OS AFLUENTES SECUNDARIOS tos das cantigas francesas, não pelo sentido, mas pelo som
das palavras. Assim é que a cantiga de roda ··sur le Pont
. Não se esgotam _nessas as contribuições para a formação d'Avignon" tomou-se, entre n6s, "Na Ponte do Gavião", ··Na
da música populm- hJ:asileira. Serão as principais, é certo, mas Ponte da Vinhaça" e ccSl1IUpango da Vingança" ...
12 13
O LUNDU E A MODINHA á chamarrita, mais targe chamada: chimarrita, que· se irradiou
para a ArgentinàJ onde- se tornou·IDUito populàr.
Entre 1500 e 1780, _aproximadamente, toda essa musica ' Mas o prim~iro nome de alguém que fez, comprovada-
tocada ou cantada no Brasil, importada ou já em franco pro- mente, música popul~rasileira é o~e Domüigus Caldas Bar-
cesso de caldeamento, será anônima ou folclórica. Fala-se que bosa (1740-1800). O Brasil era amda [Link]ônia de Por-
o Pe. José Anchieta, no século XVI, compôs cateretês e que tugal e eie já compunha encantad~~as modillhas e saborosos
Gregório de Matos,. no século XVII, escreveu e cantou lundus. lundus. Lamentavelmente, de. entre dezenas de composições
Infelizmente, nenhuma dessas peças chegou até nós. O mesmo dele, sobraram muitos versos~ llUlS apenas uma peça com-
se pode dizer das Danças dos Ofícios com que as Corpora- pleta, letra e música: ···Ora, A Deus, Senhora Ulina", tal
ções de Ofícios participavam dos festejos públicos na fase como poderá ser constatado no livro ••A Modinha e o Lundu
colonial - fossem- estes relativos a acontecimentos importan- no Século XVIII", de Mozart de Araújo (São Paulo, Ricordi
tes na vida da casa real ou a festas religiosas. Francisco Curt Brasileira, 1963). Por volta de 1770; Caldas Barbosa vai
Lange, que abordou o tema em "As Danças Cofetivas Públicas morar em Portugal, onde se t-Qrnou padre e passou a deliciar a
no Período Colonial Brasileiro e as Danças das Corporações alta-sociedade do Reino com suas canções, menos levadas de
de Ofícios em Minas Gerais", artigo publicado em ...Barroco-r' Deus do· que do Diabo.· E enquanto ele, no além-mar,. diverte
(Belo Horizonte, Imprensa da Universidade Federal de Mi- e se diverte, aqui no Brasil também se vão cantando lundus
nas Gerais, 1969), p. 15 a 62, adverte: ··as poucas descrições e modinhas e dançando-se o lundu de monroy, a cachucha,
feitas ocasionalmente sobre danças -populares coletivas, em a fofa, e outras danças antigas qu~·muito mais tarde, ou seja,
docuJI1entos da época, que se referem a acOntecimentos festi- em 1871, seriam compendiadas na coleção "Prazeres do Baile".
vos, jàmais hão de permitir llma reconstrução dos seus por:..
menores coreográficos, mas apenas, sim, . do seu caráter ge-
ral, o que, por si só, já é importante", Assim, somente a par,. A FOFA.
tir de 1780, é que efetivamente .começam. a ap~ecer as pri-
meiras formas populares- o hrndu e a modinha- e a surgir,
em m~ior escala, nomes de compositores, cantores_ e músicos, Uma danÇ'a ·pc;rt.!Jgu~a do sécul<:>.. XVIII e que esteve
quando - mesmo renunciando à pretensão de.· criar-se uma em voga no ·Brasil-Colônia fQi_ '_a fofa. ·
folhinha, perigo de que já nos alertou Sílvio Romero - nasce . Conta Luís da Cãmar~ Cascudo t":Oicionário do Folclore
a música popular brasileira, isto é, ela se põe a correr em ··Brasileiro"' - 2. a Ediçã<>;· revista e aumentada - Rio de
leito próprio, que não mais o da música folclórica. E é tam- Janeiro; Instituto Nacioria1 do Eivro;· 1962, -p; 316): ··Em
bém quando se vai começar. a dispor da documentação a ela 1761- o Padre Bento Capedà, escrevendo sobre os jesuítas,
relativa. informava que o Padre Manuel FrànOO, do· Colégio de Olinda,
Não passemos, entretanto, ádiante, sem anotàr que, já a da'f.!Ç<LV~ a ·FO F 1\:;" que. ~. ~n.çq, 1JliUitt;' dt3sonesta, com mulhe-
partir de meados do século XVIII, existia a ··música de bar- r.e_s~da11UJ.$". · ·
~
--·:o·- -· ·: --~; __ ',_
beiros",-· verdadeiros ·conjuntos instrumentais, integrados por
negros escravoo; que .·. tinh~m ·aprendido música ·.e o ofício ''de ·A'FOFA·NA .BAHIA~:.-
barbeiro: Dessa ""musica de baihei:tos" é que vai se origniar
todo um movime'llfumusical da :rhaith:::impóitãhcia·é_qué, l;t Seu -TeófilO' d'e'-Afidradê, éfu :áftigÓ publicado n~: revista~ "O
tempÔ; 'eshÍCiatémm·: · ê__ '[Link]:· E:· le~brenH>s- .·. àinda: · que t·o~
açorianos, ao clu'lgái~ 'em 1747; ao Rió Grande dó Sul~ traziam
1 Cruzeiro..:: (Rio de' JaneirQ~ 5 c de --marÇO de l.f)66, ··p. ·,67),
intitulado "O Samba Nasceu da Fofa da Bahia", revelou
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14 15
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i
ii
um folheto muito raro, infelizmente sem data {"mas. deve A CHEGADA DA CORTE PORTUGUESA
ser situado aí ~. volta . de. 1750 ... ••) : "Relação da Fo[,a
Que Veyo Agora da Bahil:!-, e o Fandango de Sevilha I Mas o início do século XIX vem surpreender Portugal
"Applaudido pelo m~lhor som, que há pára divertir melan- em tão maus lençóis quanto os do próprio leito do Pxíndpe
Colias e o cuco no AMOR vindo do Brasil por Folar, para Regente, em má hora casado com D. Carlota Joaquina. Na-
quem o quiser comer. Tudo decifrado, na Academia dos Extro- poleão decreta o bloqueio do continente contra a Inglaterra -
mozes por C. M. M. B., ·catalumna. En la Imprensa de Fran- e é justamente nessa hora que, a esta, vai se aliar D. João.
cisco Guevaiz". Segundo Teófilo de Andrade, .. 0 lugar da
Napoleão não pensa duas vezes: manda ÍI!vadir Portugal. E
edição é, certamente, fictício. Servia para justificar a circula-
a corte lusa não pensa uma só: manda-se para o Brasil. Naus
çãó'.
portuguesas despejam, primeiro na Bahia, depois no Rio de
Diz o folheto, assinado por C. M. M. B.: ..Primeiramente Janeiro, a Família Real e mais quinze mil pessoas, entre
se define a Fofa da Bahia: "Som do Brasil com propriedade fidalgos, funcionários e respectivas famílias. Mais importante
para vodas, e galhofas: He som desatinado, he som de casa
do que elas, pelo menos para a nossa história, é outra coisa
da Fortuna, he som de porhialem, e he som de não sei, que
que trazem os navios: o piano. 1808 será, assim, uma data
diga: E para o dicifrar melhor: he o som do marujo, do ga-
muito importante para a música popular brasileira, menos
lego, do moço de servir, da inquietação da balburdia, dos
barulhos, e das traficancias. pela chegada do futuro D. João VI, do que pela vinda dos
primeiros pianos - instrumento que terá participação fun-
"He a Fofa da Bahia também o melhor som, que ha na
maromba da chulice. Apenas a ouve tocar a Preta, já está damental na divulgação da música popular e que, a partir
no meyo da casa a baillar sem socego. Apenas a ouve o àe 1834, também será fabricado no Brasil. No Rio de Ja-
preto, já está, como doudo a dançar, como huma carapeta, e neiro, a tal ponto se multiplicam, que, já em 1860, Hugo
não socega também, sem sair a terreiro. Ora viva a Fofa Bussmeyer, ao chegar, constatara: "li: raro faltar um piano
da Bahia, que faz desafiar o Preto, e a Preta, para dançar. em casa mais ou menos arranjada. Muitas vezes, ouve-se o
..Apenas também huma mulata da Bahia ouve o seu to- som do piano em casas modestas onde não se podia esperar
que, já não está em si, já toda se inquieta; até que sahe fora esse nível de luxo" ( apud ..Ernesto Nazaré na Música Bra-
de si a baillar as trçpecinhas. Apenas o Casquilho ouve este sileira" de Batista Siqueira/Rio de Janeiro, Gráfica Editora
som, já salta de contente; pois viva" ... Aurora Ltda., 1967).
Mais adiante: -~·A FOFA DA BAHIA faz dezafiar o co-
raÇ.ão, tremer o corpo, arrancar as unhas dos pés a modo
d'osga; que vive. A FOFA DA BAHIA faz cazar muita gente, i.
;j
JOSl!: MAURICIO E MARCOS PORTUGAL
e he toque simpatico com prestimo, para atrahir amisades, e i_
..
>!!!'. 16
I.
17
Dr. José MatllÍcio Nunes ~Çarcia; ·:Beijo ·tl Mão Que Me Con- musical na Rua do Ouvidor, 184,- tran$feri_da, em 1$37,· para
dena,, publicada pelo editor Pierre Laforge em 1837, isto é, a Rua da Cadeia - hoje ·R1,1a da-Assembléia. -:- 89.
sete anos após a. morte de seu· ilustre autor. Também Marcbs
PortUgal, aiém. -d~ ~xtensa produção. erudita, _deixará mo-
dinhas .(árias), algtimas sobre poemas de, Tom_ás Antônio
< •• • ••• ·-~ •• • •• - -
AS DANÇAS EUROP1!:IAS
Gonzaga ..
E são esses editores que co~eçam a lançar, no Brasil,
danças européias, até então desconhecida_s _no país. E os pia-
.. RÊINO DO BRASIL nos de todas as cidades e vilas começam a martelá-las sem
cessar. 1!: como uina febre que a todos contamina. O hmdu
. Em 1815, o Brasil ·deixa oficialmente de ser colônia de de Monroy, a . cachucha, o _miudinho, a fofa, etc., .passam a
Portugal, sendo elevi:tdo a ··Reino. do ~rasil". No ano seguin- ser considerados antiqualhas intoleráveis diante das novidades
te, morre, no [Link].J;:tneko, D. Maria ·I, a·Louca, mãe do musicais, estas o dernier cri.
P:dncipe Regente: D .. J<}~o também e pro,moVidõ, toman- A valsa, nascida na França: em fins do século XVI, de-
do-se .D. João VI. Adorava .o Brasil, queria ficar aqui a vida sembarca nó Brasil lá por 1837. Uma-dança da Boêmia, que
toda, rnas o pé.dgo francês . passa, e Portugal quer o ~oro surgira na Europa em 1830; a polca, e· dançada, pela pri-
João VI lá. Viaja, mas não sem ter antes uma conversa com mei<a vez- no Brasil, no Teatro São Pedro de Alcântara, na
seu filho Pedro - qtw erà,. entre outras coisas, um cantor de noite- de 3 de julho de 1845. E virão ainda o scho-ttisch
modinhas: ••pedro, põe a éoroa na tua cabeça antes que al~ ( 1851), a habanera, a varsoviana, a quadrilha (em cinco se-
guru aventureiro I~mce mão ·dela". . çõe~), a contradança (uma quadrilha menor, em três seções
apenas), a redova, etc. A princíp10, evidentemente, toàos
esses· gêneros musicais europeus serão executados~ no Brasil,
- A. INDEPENDtNClA em sua forma original. Mâs, a partir· de 1850 - ano em que
- - -- .
chega ao Rio de Janeiro uma febre autêntica- a febre ama-
O Brasil está ::ffiaduro. pa:ra
a Independência. As
margens rela - nota-se que essa tnúsicá- alienígena ganha características
particulares, ou seja~ ~omeça a se abrasileirar. _Por outro lado,
do Ipiianga, d. Pedro do grito dá o grito: ..Independência
ou Morte". E é D. Pedro I. Ama sucessivamente D. Leopol- essas ·:danças -européias começavam a se aculturar cdm as
dina, a Marquesa de Santos, D. Amélia, e boa parte da po- danças brasileiras, ·ém fenômeno .que Aloísio de Alencar Pinto
pulação feminina do Rio de Janeiro. Com seu bom sangue chamou adequadamente de climatização tropical . . A .· valsa.
luso ferverido e espoucando, 'como vinho vérde, mís veias, recebendo a influência da modinha, ganhará uma nova forma,
ele mete os pés pelas mãos na política e no amor, e acaba brasileiríssima-. A polca e o lundu darão origem à polca'-lun-
renunciando ao tro_no: a Jay()r do fil49, Q _futUro Pedro II. du, matriz do tango brasileiro. e do maXixe.· Mas ·à modinha
Pa_ra, comemo~ a s1,1a_ a,bqicfiÇão; :e!fl 183,1,: um compositor, e o lundu ainda permanecerão, durante muito tempo, como
discípulo do Pe._ Jo~é Maurício, Fr:ançisco Manuel da Silva, dois gêneros vivos e fecundantes. A primeira, o' frasco deli-
-~
dotado de espi(itj;) U}>ex:a( e.scre_ve- _up:1a.músiç::t ~triótiça que :·i cado onde se consérvará intado o espírito :romântico _dobra-
irá se tornar o Hino N [Link] Brasileiro. · - -~
sileiro; o segundo, o vidro grosseiro onde ficará contida toda
É nessa época .que começam a se estabelecer, no Rio de ~
a sua malícia. E esta será sempre um tempero permanente a
tentar qualquer_C9II!posito:J;, :rpesmo um espírito t:ijo sério como
Janeiro, o-s~ primeiros ; editores de música: -Um dos· primeiros
será Pierre · Laforge::'que; em .·-1834;· · inaugtrra. ·sua ·estamparia 11\ ~
o :ele Francisco Manuel da Silva que, ern 1853, utilizando ver-
18 i 19
f:
r.
Ij
sos de Paula Briro, ~ e pitadas de malícia, fará um lundu em "O Negro Brasileiro", segundo a qUàl "Os nosS()s negros
famoso, o "Lundu da Marrequinha,... faziam em certos dias, <:Orno em São João, ou por ocasião
I de festas nas fazendas, os seus bailes, que chamavam de xolo,
expressão que, por confusão com a pan'}nima portuguesa,
passou a dizer-se xóro, e, chegando à cidade, foi grafada
O CHORO choro, com eh". José Ramos Tinhorão tm "Pequena História
da Música Popular Brasileira - Da Modinha à Canção de
Por volta de 1870 - ano em que tennina a Guerra do Protesto" (Petrópolis, Editora Vozes Ltda., 1974), p. 95, es-
Paraguai - surge, no Rio de Janeiro, o choro, inicialmente posa outra versão: '1!.: de compreender-se que, com o correr
não propriamente um gênero, mas um conjunto instrumental do tempo, a repetição dessas passagens acabasse fixando de-
e logo um feito brasileiro de se tocar a música européia da terminados esquemas modulatórios, os quais, por se verifi-
época: valsas, polcas, schottisches, e, a partir de 1871 - quan- carem sempre nos tons mais graves do violão, acabariam se
do é publicado o primeiro, ..Olhos Matadores", de Henrique estruturando sob o nome genérico de baixaria. Pois seriam
Alves de Mesquita - tangos brasileiros, gênero que encon- esses esquemas modulatórios, partindo do bordão para des-
traria em Ernesto Nazaré, para usar uma expressão de Ba- caírem quase sempre rolando pelos sons graves, em tom
tista Siqueira, "o sistematizador genial". Aos grupos instru- plangente, os responsáveis pela impressão de melancolia que
mentais, geralmente formados de dois violões e um cavaquinho acabaria conferindo o nome de choro a tal maneira de tocar,
- uma evolução da "música de barbeiros" - superpõe-se, e a designação de chorões aos músicos de tais conjuntos, por
agora, geralmente a flauta, formando aquilo que o mesmo extensão". Essa filiação de choro (estilo, gênero) a choro
autor chamaria de "quarteto idear. Do núcleo inicial de mú- (melancolia) - e que, antes de Tinhorão, foi aventada pqr
sicos-compositores chegaram a nós apenas alguns nomes: Lúcio Rangel - não nos parece correta. Quer-nos parecer que
Joaquim Antônio da Silva Cah1do Jr. (flautista), Viriato a palavra choro, nesta acepção, deriva de choromeleiros. cor-
Figueira da Silva (flautista), Virgílio Pinto da Silveira ( can- poração de músicos, e que teve atuação importante no pe-
tor), Luizinho (flautista). Com o decorrer do tempo, essa ríodo colonial brasileiro. Os choromeleiros não executavam
composição de instrumentos passa a variar, mas sempre so- apenas a charamela mas outros instrumentos de sopro. Para o
bre a mesma estrutura básica. O gênero, melhor, o repertório, povo, naturalmente, qualquer conjunto instrumental deveria
vai sendo enriquecido com a colaboração de novos músicos- ser sempre os chororneleiros, expressão que acabou sendo en-
compositores: Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Anacleto curtada para os choros.
de Medeiros, Paulino Sacramento, Albertino Pimentel, Capi-
tão Rangel, Felisberto. Marques, Juca Kalut, Pedro- de Alcân-
tara, Henrique Dourado, Louro, Satiro Bilhar, Irineu de Al- MODINHAS IMPERIAIS
meida, Nelson Alves, Mário Álvares, Pedro Galdino, e, já
neste século, Candinho, Pixinguinha, Luís Americano, Dante Nos salões aristocráticos do Rio de Janeiro, São Paulo,
Santoro, Luperce Miranda, Benedito Lacerda, Avena de e outras cidades brasileiras, nas décadas de sessenta e setenta,
Castro, Jacó do Bandolim, etc. Hoje, é vasta a literatura em pleno Segundo Império, entre as músicas de dança, exe-
do choro, estendendo-se desde um ..Flor Amorosa", de Calado i cutadas pelas orquestras, ouvem-se belas modinhas. Nos do
e "Só Para Moer", de Viriato, a "Noites Cariocas", de Jacó ~ Rio são muito divulgadas as de D. José Amat, ~geralmente·
do Bandolim e "Papo de Anjo", de Avena de Castro. sobre versos de Gonçalves Dias; em São Paulo, de Emílio do
Lago, etc.; na Bahia, de José de Sousa Aragão (geralmente
Quanto à origem da palavra choro, nesta acepção, Luís
da Câmara Cascudo divulga a versão de Jacques Raimundo -
j com versos de Tiro Lívio) e Francisco Magalhães Cardoso.
21
20
j
Quando o personagem-título de "O Primo Basílio" ( 1878) visitava, realiza-se a última grande festa do Impérió: o Baile
de Eça de Queirós deixa a Bahia, fazia furor uma modinha da Ilha Fiscal, realizado nos salões térreos e nas esplanadas
que ele, já em Lisboa, canta para a prima Luísa. "Era a histó!lia em volta do palácio manuelino, ali construído. A ele, com-
d'uma "negrinhã nascida na roça, e que contava, com li- parece o próprio Imperador, com sua família e seus ministros.
rismos d'almanaque, a sua paixão por um feitor branco". "Foi uma festa maravilhosa de fausto, de luzes, de elegância
Sentado ao piano, "depois de ter preludiado uma melodia e que se constituiu, pelas circunstâncias, no denadeiro lam-
muito balançada, dum embalado b·opical", Basílio solta a voz, pejo da monarquia" - conta Rodrigo Otá'io em "Minhas
que ainda há pouco se revelara "cheia, bem timbrada, de Memórias dos Outros" - l. a série (Rio de Janeiro, Livraria
barítono": José Olímpio Editora, 1934, p. 32-33).
Seis dias depois - a 15 de novembro - Deodoro procla-
Sou negrinha, mas meu peito
Sente mais que um peito branco mava a República.
FIM DE FESTA
~,-
23
í: ~:-
llii !
OS PERSONAGENS
Vamos fazer entrar agora as personagens desta História.
E, de certa forma, por ordem de entrada . em cena. Ao con-
trário do que sucedeu no "Panorama da Música Popular Bra-
sileira~, não os separaremos em grupos diversos: compositores,
- letristas, cantores, instrumentistas, etc. Toda a fase musical
aqui abordada - e que se estende, teoricamente, de 1500 a
1889 - possui características especiais e não permitiria uma
divisão tão rígida. Mesmo porque, em geral, não lidamos aqui
com vultos históricos, de fisionomias bem definidas, mas, em
muitos casos, com sombras que, apesar de empregado nosso
melhor esforço, mal conseguimos debuxar. Chegamos à si-
tuação que, nesse trabalho anterior, assim descrevemos: ··~
como reconstituir todo um dinossauro com alguns fragmentos
de maxilar. . . Em nossa proustiana busca do tempo perdi_do,
temos de fazer como está em "Du Côté de Chez Swann": cede
uma xícara de chá, temos de arrancar casas, igrejas, jardins,
ruas, pessoas". Se a imagem tinha alguma validade em re-
lação à época estudada no "Panorama" (isto é, entre 1889 e
1946), aqui ela ainda mais se aproximará da realidade. Em
muitos casos, . temos, diante de nós, apenas um nome, às
vezes nem isso: um fragmento de nome; um apelido, um di-
minutivo. Como, pelo menos, situá-lo no espaço e no tempo?
Não nos restou outro recurso, com os poucos elementos
possíveis, do que fazer corresponder a cada nome - ou frag-
mento de nome, apelido, diminutivo - uma data aproximada,
um local possível de nascimento e morte, naturalmente, nes-
;f: ses casos, colocando sempre um ponto de interrogação. Quer.
~ nos parecer que, neste proceder, não haverá desvantagem
maior e impedirá, ao contrário, que dezenas. de vultos posi-
j tivamente históricos, fiquem flutuando irrealmente no espaço
-~ e no tempo. Mais: exatamente pelo reéurso a esse artifício
27
conseguimos, em muitos casos, se não chegar à verdade, pelo o fato, o melhor caminho para o pesquisador, patece-nos,
menos, a uma maior aproximação dela. Essa "arrumação" t).a será lançar mão de toda a sua inteligência, argúcia, sensibili-
casa, indispensável antes de entrarmos em uma segunda ela- dade, e naturalmente, estudo - a conhecida fórmula "inspi-
pa de pesq~sa, foi empreendida, não sem uma análise mi- ração mais transpiração" - para tentar uma aproximação,
nuciosa e escrupulosa de cada caso. Todo o critério vale. em cada vez maior, da verdade. ··
última análise, pelos frutos produzidos. Essa a lição de mes- Devemos também esclarecer que não existe nenhuma
tres como Artur Ramos, por exemplo, que em "O Negro relação entre a extensão de qualquer biografia com a impor-
Brasileiro"- 2. a Edição, Rio de Janeiro, Companhia Editora tância que emprestamos a qualquer personagem da nossa His-
Nacional, 1940), p. 29, chega a afirmar: "Não devemos nos tória, repetindo a advertência que já fizemos no <'Panorama":
preocupar com o "verdadeiro" de uma hipótese, mas com não há também aqui - como certamente haveria no caso de
a "fecundidade" de seus resultados". E podemos assegurar que um Dicionário ou de uma Enciclopédia - qualquer preo-
o método adotado foi realmente "fecundo" e, utilizando-o, cupação hierárquica, "as biografias mais extensas explican-
pudemos resolver alguns enigmas que, durante muito tempo, do-se pela maior soma de informações conseguidas".
nos atormentaram. Restaram ainda muitos? Paciência. Eles
deverão ser em número ainda menor em uma segunda edição
deste livro, se público e crítica - tão generosos em relação
ao Panorama ·- continuarem prestigiando o pesquisador. Mas
talvez que nesse papel se aproxime mais ao de um Percival
Lowell, por exemplo, fornecendo indicações aos futuros
Clydes Tombaughs para descobrirem Plutão, mais exatamente,
chegarem à verdade, sem mais pontos de interrogação. Neste
caso, teremos de nos contentar em apontar o caminho:
"é por aí, aproximadamente ... '' Reconhecemos que, cm muitos
casos, haverá uma margem de erro possivelmeüte grande nas
datas propostas, mas mesmo que ela ainda se ampliasse de
muito, será sempre preferível - uma vez balisado o terreno
pelas indispensáveis interrogações - à vagueza total, que nos
deixaria sempre envolvidos em trevas impenetráveis. Aliás,
essas interrogações, que fazem "ondular" [Link] biografias,
têm um sentido de apelo ao leitor- "então, quem sabe, você
lc
não· tem nenhum elemento que nos possa ajudar a transformar
este ponto de interrogação num ponto puro e simples?
O mesmo se dá em relação aos "prestimivelmente", "por
volta de ... ", iá por ... ", "deve ter", recursos a que tive-
mos de recorrer para, sem prejuízo da verdade, tornar viáveis
1{~
biografias que, positivamente, não· o eram. Foi realmente la- 1~
mentável que tantos vultos históricos importantes não ·tives-
sem encontrado, a tempo, o seu biógrafo ou, pelo menos, ,.,_..~-
28 2'J
ci'
~
*
MúSICA POPULAR BRASILEIRA
NA FASE COLONIAL
(1500-1808)
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L
SÉCULO XVI
FRANCISCO DE VACAS
(1530? - 1590?)
I
Portugal, D. João III, datada "Desta cidade do Salvador, 12 secreta nem o envergonhara a murmuração do povo manifes-
de julho de 1552": J, ta, preguei Dia dos Santos estranhando as cousas que suce-
"Haverá dois dias que aqui chegou da capitania do Espi- deram nesta cidade desde que Tomé de Souza se foi alegando
rito Santo um Francisco de Vacas muito grande músico e can- os grandes castigos que Deus manda aos p<;>vos pelo pecado
tor que há muitos anos que por sua vontade veio a estas par- do adultério e isto em geral sem ter ninguém em particillar,
tes o qual foi companheiro do padre Penhafiel cantor de do que me tomou o governador tamanho aborrecimento que
Vossa Alteza; este Francisco de Vacas que se me ofereceo que nunca mais me passou pela rua a defender a todos os seus pa-
ensinaria nesta cidade a cantar e seria mestre da capela e se nigoados que não entrassem em minha casa nem me visitassem
faria clérigo se lhe dessem ua prebenda nesta see e por eu e fez com seu filho Alvaro e com Johan Rodriguez Peçanha
Dão ter nenhuma que lhe dar, parece-me que Vossa Alteza que amotinassem os cônegos contra mim como logo fizeram e
lhe devia de dar o arcedeagado e lançar mão deste, tanto por amotinaram a um Francisco Vacas que eu tinha provido de
ser já muito afeiçoado a esta terra como por ser mui destro chantre e um Gomez Ribeiro frade que foi de São Domingos
no canto e ter boa fala e ter grande veia para pôr fazer e pôr que eu quisera prover de deão e assim todos os outros e
em ordem os ofícios divinos e em ter cá este homem e man- querendo eu prender estes dois o governador me foi a mão
dar nos uns órgãos poderão escusar os vinte mil reais do mes- e mandou o carcereiro que não recebesse clérigo na cadeia sem
tre da capela que comigo veio, o qual não está contente da sua licença •.. " ("História da Colonização Portuguesa do
terra nem faz seu ofício com vontade e segundo mostra pa- Brasil", citada por Isa Queirós Santos ( op. cít.)
rece-me que pouco há de el!perar nele e a mim me não pesará
nada que ele vá porque é muito trabalhoso e ronceio em fa-
zer seu cargo ... ,, ("História da Colonização Portuguesa do FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO DE VACAS
Brasil", trecho coligido do Arquivo da Torre do Tombo, e
citado por Isa Queirós Santos em ..Origem e Evolução da Mú- 1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storla Della Musica nel Brasile''
sica em Portugal e Sua Influência no Brasil"). (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 153.
Mas Francisco de Vacas não custou muito a pôr as cha-
madas manguinhas de f()ra. Passemos novamente a palavra a
1 2. ISA QUEIRóS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em
Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1943) - p. 216.
Monso Rui. ..Essa ovelha tresmalhada, desembaraçada do com-
promisso canónico, foi o primeiro boêmio do Brasil, tornando- -- · 3. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado"
(Salvador, Livraria Progresso Editora, 1954) - p. 7.
-se incorrigível comparsa de D. Alvaro da Costa, filho do
2.0 Governador Geral, e enchendo a cidade, como hábil me-
nestrel e perito bandurrista; com o calor da sua voz que
penetrava no próprio sobradinho do bispo, ali na rua da
Ajuda, avivando a cólera do prelado contra o tolerante re-
presentante do rei".
( PADRE JOSe DE ANCHIETA
(1534 - 1597)
A situação agravou-se a tal ponto que D. Pero Sardinha
chegou a mandar prender Frei Francisco de Vacas -assim a
I O Padre José de Anchieta (Joseph d'Anchieta) nasceu
ele se refere Isa Queirós Santos - e um frade, Gomes Ribeiro, em Laguna, Ilhas Canárias, Espanha, em 1534 e faleceu em
fato que só não chegou a ser cOnsumado devido à intervenção
de D. Duarte da Costa. Desse e de outros agravos queixa-se o \ Reritiba, hoje Anchieta, ES, a 9 de junho de 1597.
bispo ao rei de Portugal, em nova carta datada de 11 de abril
de 1554: " ... e que não lhe aproveitava minha admoestação
j_ Foram seus pais Juan de Anchieta e Mência Dias de Cla-
cicko de Llorena. José foi, em 1547, para Coimbra, onde fez
-~
·~ 1
84 ,, 85
l
um curso brilhante, ingressando na Companhia de Jesus em
1551.
Chegou ao Brasil com a comitiva de Duarte da Co~ta, ~e
gundo Governador Geral, tendo vivido em nosso país de 1553
até sua morte em 1597. SÉCULO XVII
Segundo Couto de Magalhães, citado por Luís da Câmara
Cascudo, Anchieta teria composto versos do ritmo e solfa do
cateretê ou catira, dança que considerara "profundamente ho-
nesta".
Anchieta teria incluído cateretês nas festas de Santa Cruz,
São Gonçalo, Espírito Santo, São João e Nossa Senhora da
Conceição. Essa dança rural foi conhecida e praticada em São PADRE LOURENÇO RIBEIRO
Paulo, Minas Gerais e Estado do Rio de Janeiro. O cateretê (1648 - 1724)
ou catira teria origem indígena, segundo Stradelli; africana,
para Artur Ramos; e portuguesa - na opinião de Ezequiel, O Padre Lourenço Ribeiro, cantor, composiror, letrista,
citado por Teófilo Braga- praticada em Portugal com o no- citarista e executante de viola, rival de Gregório de Matos,
me de ··carretera". A dança é assim descrita por Luís da Câ- nasceu em Cotegipe, termo da cidade de Salvador, Bahia, em
mara Cascudo: "Duas filas, uma de homens e outra de mu- 1648, e faleceu em 1724, presumivelmente na mesma cidade.
lheres, uma diante da outra, evolucionam, ao som de palmas O crítico cearense Araripe Júnior em ··Gregório de Matos"
e de bate-pés, guiadas pelos violeiros que dirigem o bailado". diz . que quem "mais de perto sentiu as suas [de Gregório
Os cateretês do Padre José de Anchieta, se efetivamente de Matos] fell"oadas foi ··o pregador e vigário da fregu,esia
foram compostos, não chegaram até nós. de Passé, Lourenço Ribeiro, "mulato, segundo se rosnàva",
cujo crime fora cantar nas sociedades ao som· da cítara e
ter,. por indiscreção, mofado dos versos do autor do Marini-
cxilas". Lourenço foi chamado ainda, pelo ••Boca do Inferno",
de ··mulato muito ousado" e "cão revestido em pa~e por
culpa da Santa Sé".
~ Afonso Rui em "Boêmios e Seresteiros Baianos do Pas-
sado" a ele assim se refere; "No século 17 tornou-se. famoso
na. arte de compor modinhas o .padre baiano Lourenço Ri-
beir,o, êmulo de Gregório de Matos, e a quem o satírico
:pOeta não perdoava o ser mulato". Sobre essa mesma per-
sonagem, José Alvares do Amaral - citado por Afonso Rui
-,.em "Resumo Cronológico da Província da Bahia", p . ..232,
I tarobém escreve: "O padre Lourenço Ribeiro, além de aplau-
dido orador sacro era excelente cantor de modinhas, que
~provisava ao som da viola, a lira daqueles tempos. Por isso
J era muito festejado quando se fazia ouvir nos · salões da
37
86
4- R.M.P.B.
melhor sociedade da época. Das suas composições poéticas, Júnior, "'ele passou os mais formosos anos de sua vida... Em
a tradição não guardou uma só estrofe". Edigar de Alencar, Portugal, Gregório teria vivido, ao todo, trinta e cinco anos.
em "A Modinha Cearense,, refere-se também a esse trovador
Em 1679, segundo Araripe Júnior, em 1681, segundo
do século XVII, mas levanta uma dúvida: "Mas a cantiga do
Pedro Calmon, estava de volta à Bahia, pois desgostara o
Padre Lourenço já teria a denominação de modinha?..
Príncipe-Regente D. Pedro e caíra em desgraça na Corte.
Com ele vinha seu amigo e discípulo 'J:.:omás Pinto Braridão.
E talvez nessa viagem, lembrou Pedro Calmon, tenha vindo
FONTES PARA O ESTUDO DO PE. LOURENÇO RIBEIRO também o Pe. Antônio Vieira. Teria, assim, - Gregório, ao
chegar definitivamente ao Brasil, 48 anos e não - versão
1. ARARIPE JúNIOR - "Gregório de Matos'~ (Rio de Janeiro.
Livraria Garnier. s/d) - p. 67, 91, 92 e 96. de Araripe Júnior - 56. :E; empossado como: tesoureiro-mar da
2. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado .. Sé da Bahia e vigário geral mas, como s6 Úsava ·batina nas
(Salvador. Livraria Progresso Editora, 1954) - p. 8. cerimônias religiosas e normalmente preferia os trajes secula-
3. EDIGAR DE ALENCAR - "A Modinha Cearense" (Fortaleza, res, começou a se indispor com os cônegos da Sé e com os
Imprensa Universitária do Ceará, 1967) - p. 20.
governadores do arcebispado. Por outro lado, seu gênio ter-
rível, sua linguagem desabrida, suas sátiras cáusticas . com:-
pletam a obra. Está declarada a guerra, iniciada uma luta
sem tréguas que o ocupará pelo resto de sua vida. ''Ora, o
GREGóRIO DE MATOS nosso poeta, valha a verdade, tinha insolência de mais e medo
(1633 - 1696) não tinha nenhum" - afirmou Constâncio Alves. Obrigado
a despir a murça capitular, ele dá o seguinte troco aos cô-
O poeta Gregório de Matos Guerra, filho do fidalgo por- negos da Sé:
tuguês Pedro Gonçalves Matos e de sua mulher Maria Guerra,
nasceu em Salvador, Bahia, a 20 de dezembro de 1633 - A nossa Sé da Bahia
ou, segundo outra versão menos provável, 1623. Com ser um mapa de festas,
l 1; um presepe de bestas,
Era o mais moço de ·três irmãos, o mais velho dos quais lt
Pedro de Matos de Vasconcelos; o segundo, o ilustre pre- Se não for estrebaria:
gador e poeta sacro Eusébio de Matos. V árias bestas cada dia
Vejo que o sino congrega,
Gregório foi batizado a 23 de dezembro de 1633 com o
nome de João, que o bispo D. Pedro da Silva mudou depois
para Gregório, em homenagem a São Gregório Magno. ! Caveira - mula galega
Deão - burrinha ·bastarda
Pereira - mula de albarda
Educado por jesuftas, cedo revelou ~ande talento para
improvisar versos. Enviado para estudar Leis na Universi-
dade de Coimbra, onde se matriculou em 1652/1653, ali foi
bom estudante, revelando-se também um grande poeta satí-
Iico. Um ~temporAneo, o futuro desembargador Dr. Bel-
l Que tudo da Sé .carrega.
~
:l
é, os que se ufanavam de descender de índios, são assim mi-
Fez jus, portanto, à alcunha que ganhou: "Boca do
moseados: Inferno". A frase do Constâncio Alves define bem sua
atividade principal: "riu do estrangeiro e do nacional; do
··Há coisa como ver um Paiaiá reinol, e do brasileiro, nos diversos matizes do seu ôOlorido.
Mui prezado de ser Carannuru, E para que não ficasse ninguém sem sátira, havendo ca-
Descendente do sangue de tatu, çoado de meio mundo, não poupará a outra metade ... "
Cujo torpe idioma é Copebá?" ...
.Ou: Vai envelhecendo e cada vez ama menos o trabalho e
..Um calção de pindoba, a meia zorra, mais as mulheres. Estas são quase incontáveis, a co-
Camisa de urucu, mantéu de arara, meçar pelo grande amor platônico de sua vida: D. Ângela,
Em lugar de cot6, arco e taquara, filha de Vasco de Sousa Paredes, dama que casa com
Penacho de guarás, em vez de gorra" . .. Tomé Pereira de Meneses, em 1687. D. Brites, que também
amou, casa igualmente com outro: "Vós casada, e eu vin-
E da "nobreza branca", cujo ideal era juntar dinheiro gadó'. . . A relação das outras,· de condição inferior, que
aqui para o:>mprar títulos em Portugal, ele assim escarnecia: ele caçava como um sátiro, por Salvador e depois Recife
inteira, não tem fim: as mulatas Bartola, Joana Gafeira e
..Pois sempre ·foi Dom Dinheiro Damásia, a crioula Francisca, a parda Brites, a Babu, a Anica,
Poderoso cavaleiro Luzia de Paranamirim, Teresa, Mariana, Antônia, Brasia,
Que com poderes reais Marta Soat:es, Carira, Luísa Ângela, Custódia, etc.,. etc.
Faz iguais aos desiguais
E conde ao vilão cada lwra. Minal, casa-se com um viúva pobre mas formosa: Maria
Entendeis-me agora?" dos Povos~ de quem terá um filho, Gonçalo de Matos. E
n~ete-se naquela que será uma .de suas últimas enrascadas: o
Não se acovarda Gregóri() .diante dos . poderosos, por filho do governador Câmara Cou~o jura matar o poeta.
mais altos que fossem. Ao governador D. ·Antônio de Sousa Quem o salva é D. João de Lencastre, cunhado do próprio
e Meneses, que tendo substituído, por um de prata, o braço governador, qu~ o ,_manda prender e deportar para Loanda..
que perdera em combate, ganhando a alcunha de "Braço onde já se encontrava; allás~ o seu amigo Tomás Pinto Bran-
de Prata", dirige os seguintes versos: dão, ali enriq~ecid~. Ení . Arigola, · .Gregório não permane-
ceu preso muito tempo: prova;velmente de nOVIembro de
..P.s fábula do !Lir, riso da praça 1694 a agosto de 1695. · Solto, ~mbarcou para [Link],
Té que a bala ·que o braço te levara onde foi recebido, oom generosidade, pelo governador Caetano
Venha segunda vez, levar-te a cara". de Melo de Castro. Entretanto, "lhe proibiu os usos do gênio
naquela Capitania; e que ·cu;i~asse só em cortar os ·bicos à
Outro governador, D. Antônio da Câmara Coutinho, é sua pena, se o quisesse por amigo". Mas Gregório, já velho e
assim retratado pelo poeta: decadente, ainda ·faz -das suas. Conta o licenciado Manoel
•Nariz de embosso
_Com tal sacada
Que ·entra na escada
Dtla8 horas primeiro que seu dono•
j
4
Pereira Rabelo: "Honravam-no aqui todos seriamente: mas ele
arrebatado de um fresco e liberto gênio, fugia dos homens
circunspectos; e se inclinava (como na· Bahia) aos músicos e
solfistas, e folgazões". Fez ainda poesias, amou a Floralva
"uma dama de Pernambuco" e teve uma rixa com "um curioso
40 41
1
i
I
que em Pernambuco lhe consultou o parecer sobre uma I
farsa que compusera ... •• · · w r FONTES PARA O ESTUDO DE GREGORIO DE MATOS
Morreu no Recife, em 1696, obscuramente, "desdenhando
da posteridade como desdenhara dos seus contemporâneos" 1. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro" (Rio de Janei-
ro. B. L. Garnier, Editor. s/d [1901 ?]) - p. 14, 15 e 16.
(Pedro Calmon).
2. JOÃO DO RIO - "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de
Até aqui, o poeta Gregório de Matos. Agora, o compo- Janeiro, H. Garnier - Livreiro-Editor. 1908) - p. 269.
:sitor, o letrista, o músico popular, o fabricante de instru- 3. ARARIPE JúNIOR- "Gregório de Matos" (Rio de Janeiro. Livra-
_mentos ... ria Gamier Irmã.os. s/ d).
Araripe Júnior considera-o "o Homero do lundu". Diz 4. Licenciado MANUEL PEREIRA RABELO - "Vida e Morte do
•que "ele aperfeiçoou-o nos engenhos do Recôncavo, ao som da Doutor Gregório de Matos Guerra (in "Obras de Gregório de
Matos" - I - Sacra. Rio de Janeiro, Oficina Industrial Gráfica,
célebre viola fabricada por suas próprias mãos". João do 1929 - p. 39 a 90).
Rio confirma Gregório como compositor de lundus: "Gregório 5. CONSTANCIO ALVES - "Gregório de Matos" (in "Obras de
de Matos no norte fez o lundu; São Paulo, ao sul, o vira- Gregório de Matos" - IV- Satírica - Volume I. Rio de Janeiro,
dinho. A fusão dos dois é a modinha - é a alma do Brasil". Oficina Industrial Gráfica, 1930 - p. 9 a 40).
José Ramos Tinhorão, redator da publicação "História 6. PEDRO CALMON - "A Vida Espantosa de Gregório de Matos"
(in "Obras de Gregório de Matos" - VI - última. Rio de Janeiro,
da Música Popular Brasileira", Volume 48 - "Donga e os Oficina Industrial Gráfica, 1933 - p. 23 a 58}.
Primitivos", escreve: "Desde os fins do século XVII, o poeta 7. Licenciado MANUEL PEREIRA RABELO - "Vida do Grande
satírico Gregório de Matos Guerra, apelidado Boca do In- Poeta Americano Gregório de Matos Guerra" (in "Obras de Gre-
ferno, conquistava (já velhote) muitas mulatinhas, cantando gório de Matos" -VI -última. Rio de Janeiro. Oficina Industrial
Gráfica, 1933 - p. 59 a 95).
versos frascários ao som de uma viola de arame por ele
mesmo fabricada". a. JOSÉ RAMOS TINHORÃO - "Donga e os Primitivos" - Volu-
me 48 da publicação "História da Música Popular Brasileira" (São
t;: de se supor, assim, que Gregório de Matos tenha Paulo. Editora Abril, 1972).
09mposto (música e letra) lundus, e os tenha cantado, acom-
panhando-se à viola. InfeliZ:mente, nenhum desses lundus
·chegou até os nossos dias.
Em 1972, entretanto - qtiase três séculos depois de sua
[Link] - outro cantor-compositor-violonista, também baiano,
Caetano Veloso, mu5icou as duas primeiras quadras do seu
·famoso soneto "A Cidade da Bahia", criando a composição
"'Triste Bahia", gravada pelo próprio Caetano, nesse ano:
42 43
SÉCULO XVIII
-~
l. MOZART DE ARAúJO - "A Modinha e o Lundu no Século
i~~~ XVIII" (São Paulo, Ricordi Brasileira~ 1963) - p. 31, 32, 33, 46, 56,
76, 77, 124, 125, 126, 127, 128.
45
I
•~~~"-
2. GERARD B~HAGUE - "Biblioteca da Ajuda (Lisbon) Mss
1595/1596: Two Eighteenth-Century Anonymous Collections of gos até a praça em que servia ser ocupada pelos espanhóis,
Modinhas" (in '"Yearbook". Volume 4, New Orleans, Tulane Univer- .em 1762. De volta ao Rio, e como não .gostasse da vida de
1
sity, 1968) - p. 45, 46. soJdado, deu imediatamente baixa~ Durante oito ou dez anos
viveu no Rio de Janeiro até que, provavelmente cansado da
vida que levava, resolveu ir moràr em Portugal, levando "no
hojo da sua viola», segundo Mozart de Araújo, ..a primeira
DOMINGOS CALDAS BARBOSA manifestação da sensibilidade e do sentimento musical do
povo brasileiro - o lundu e a modinha". Em 1775 - ano
(1740 - 1800) provável de sua chegada a Lisboa - é ali publicada uma
·"Coleção de Poesias Feitas na Feliz Inauguração da Estátua
O letrista e compositor Domingos Caldas Barbosa, in- ,d'El-Rei Nosso Senhor D. José 1", onde figuram várias odes
trodutor em Portugal da modinha e do lundu, por volta de .e sonetos de sua autoria. Protegido pelos irmãos do vice-rei
1775, nasceu no Rio de Janeiro, em 1740 (desconhece-se o .do Brasil, José e Luís de Vasconcelos e Sousa - respectiva-
dia e o mês e, para o próprio ano, há outras versões como mente Condes de Pombeiro e de Figueiró - viveu a prin-
a de Luís da Câmara Cascudo que prefere 1738), sendo cípio no Porto e depois em Lisboa; ora na casa de um, ora
filho de pai português e mãe angolense. Januário da Cunha na do outro, pois era como uma pessoa da família. E como
Barbosa escreveu sobre a sua origem: ••Meu tio (assim nos a origem modesta e a cor se lhe constituíssem um obstáculo
informou um parente ainda vivo deste nosso poeta) não era para freqüentar a alta-sociedade portuguesa, com o auxilio
preto nem branco, nem da África nem da América; mas· era de seus protetores lança mão de um grande recurso: recebe
um homem de muitos talentos e de virtudes sociais: expli- ordens menores, sendo nomeado capelão da Casa da Su-
. quemos estes ditos. O pai de Domingos Caldas Barbosa, de- plicação. Não há mais barreiras. E de batina e viola, passa a
pois de muitos anos de residência em Angola, regressava para .ser mesmo um sucesso quando se apresenta cantando lund~s
o Rio de Janeiro, e em sua companhia vinha uma preta grá- .e modinhas, acompanhando-se em seu instrumento. Passou a
vida, que na viagem deu à luz o nosso Caldas. Seu pai, ser disputado pela famílias nobres de Lisboa. Com o nome
apenas desembarcado, o reconheceu e o fez batizar." Varnha- de Lereno Selinuntino ingressou na Arcádia de Roma. E foi
gen não aceita a versão de que Caldas Barbosa teria vin- um dos fundadores e presidente da Academia de Belas Le-
do ao mundo no mar e prefere considerá-lo coiÍlo nascido tras de Lisboa ou Nova Arcádia que tinha suas reuniões no
no Rio de Janeiro. Como se não bastassem todas essas dúvidas, :Palácio de D. José de Vasconcelos e Sousa. Aos 60 anos de
também os biógrafos não nos informam o nome dos pais do idade, a 9 de novembro de 1800, faleceu "de uma rápida en-
poeta. Sabe-se que o pai foi zeloso quanto à sua educação e 'fermidade q~e apenas lhe permitiu prover-se dos sacrameJ!-
logo matriculou-o no Colégio dos Jesuítas. Ali o mulatinho logo tos". Foi velado na capela do Palacete de Bemposta, dos Pom-
revelou talento para a poesia, principalmente a satírica, im- beiro, e enterrado na igreja paroquial de N. S. dos Anjos.
provisando com grande facilidade. Mas alguns versos do rapaz, Segundo Mozart de Araújo, a quem fizemos pessoal-
de crítica aos portugueses, foram ouvidos por gente de influ- ·mente a consulta, todas as poesias de Domingos Caldas Bar-
ência da colônia. Foi apresentada uma queixa a Gomes
Freire de Andrade. Bobadela aceitou as queixas e castigou o
jovem poeta, mandando-o, como soldado, para a Colônia do
Sacramento, hoje parte do Uruguai. Ali permaneceu Domin-
Icl~~ 'bosa, reunidas na "Viola de Lereno", foram por ele musica-·
-das. Entretanto, exceto uma, todas essas músicas se per-
deram .. A única melodia de Domingos Caldas Barbosa que
:se conhece hoje é "Ora, A Deos Senhora Ulina"~ e está
-r
I
46 47
I~
L
6. MOZART DE ARAúJO - "A Modinha e o Lundu no Século
publicada nas páginas 98 e 99 do livro "A Modinha e o XVIII" (São Paulo, Ricordi Brasileira, 1963) - págs. 22, 23, 28, 29,
Lundu no Século XVIII", de Mozart de Araújo. Na mes 1 30, 39, 40, 42, 43, 46, 53, 56, 59, 71, 74 e 77.
ma obra, entretanto, figuram quatro poemas de Domingos
7 _ GERARD BEHAGUE - "Biblioteca da Ajuda (Lisbon) Mss
Caldas Barbosa musicados por Marcos Fortugal: "Raivas 1595/1596: Two Eighteenth-Century Anonymous Collections of
Gostosas", "Se dos Males", "A Doce União do Amor" e "Você Modinhas" (in "Yearbook", Volume 4, New Orleans, Tulane Univer-
Trata Amor em Brinco"' (páginas 101-103; 105-106; 108-110; sity, 1968) - p. 46, 47, 48, 49, 50, 51, 54, 55, 56, 51, 58, 59, 60,
e 112-114, respectivamente). 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 69, 10, 11, 12, 13, 74, 75, 76, 77, 78.
19, 80, 81.
Em ..A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, 8. }OS~ RAMOS TINHORÃO - "Pequena História da Música
H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 272, João do Rio, sem Popular - da Modinha à Canção de Protesto" (Petrópolis, Editora
citar Domingos Caldas Barbosa, diz que "Já se não encon- Vozes Ltda., 1974) - p. 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 25, 26, 36, 41,
tram modinhas com a beleza de forma do "Talvez Não 42, 3, 44, 48, 49, 50. .
Creias" ( ... ) ou com a graça meio infantil do "Tipe-ti". Na
verdade, ele estava se referindo, quanto à última, à "can-
tiga" ..Coração Não Gostes Dela, Que Ela Não Gosta de
Ti" (ver "A Viola de Lereno" - 1. 0 Volume - Rio de Ja- TOMAS ANTONIO GONZAGA
neiro, Instituto Nacional do Livro, 1944), p. 93, 94, e que (1744- 1810)
começa assim:
C oração~ que tens com Lília? O poeta Tomás Antônio Gonzaga, filho de pai brasi-
Desde que seus olhos vi~ leiro e mãe portuguesa, e neto ainda de brasileiro pelo lado
Pulas, e bates no peito~ paterno, nasceu no Porto, Portugal, a 11 de agosto de 1744.
Tape tape~ tipe ti: Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, iniciou
Coração~ não gostes dela sua carreira de magistrado em Portugal. Vindo para o Brasil
Que ela não gosta de ti. como desembargador, foi servir em Vila Rica (hoje Ouro
Preto) onde, apaixonand~se por Maria Joaquina Dorotéia
de Seixas, a célebre Marília, escreveu as poesias editadas
FONTES PARA O ESTUDO DE DOMINGOS CALDAS BARBOSA em 1792,. em Lisboa, sob o título de "Marília de Dirceu",
uma das obras mais reeditadas da língua portuguesa.
t. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro" (Rio de Janei- Já nomeado desembargador da Relação da Bahia, foi
ro, B. L. Garnier, Editor, s/d [1901 ?]) - p. 22 e 23. acusado e preso como figura de destaque da Inconfidência
2. JOÃO DO RIO - "A .Alma Encantadora das Ru~" (Rio de Mineira. Desterrado para Moçambique, viveu muito anos
Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908) - p. 269, 272, 273. nessa, então, colônia portuguesa, aí tendo falecido, segundo
3. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.• o Professor Rodrigues Lapa, "em começos - talvez no mês
Edição (Rio de Janeiro,F. Briguiet & Comp., -1942)- págs. 73 e 315. ,, de fevereiro -de 1810".
4. DOMINGOS CALDAS BARBOSA- "Viola de Lereno• - l." e Tomás Antônio Gonzaga foi um dos poetas cujas poesias
2." Volumes. Prefácio de Francisco de Assis Barbosa (Rio de 1
~ mais foram utilizadas pelos nossos modinheiros. O próprio
·Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1944). . .
5. BATISTA SIQUEIRA - "Modinhas do Passado" (Rio de Janeú;o.
Oficinas Gráficas do Jornal do Brasil, '1.956) - p. 12, 43, 44, 45, 102.
J
-!
Marcos Portugal escreveu doze árias para canto e piano,
todas com versos de Gonzaga, coleção denominada "Marilia
4f)
48
II
de Dirceu". Essas árias, aliás, foram harmonizadas, em 1965,.. No tempo de D. João VI, ocupou posição de· destaque.
pelo compositor Osvaldo Lacerda; na· vida musical da Corte. Foi mestre da Capela Impe-
rial e diretor do Teatro São João.
Deveria regressar com D. João a Lisboa, em ·1821,.
PE. DOMINGOS SIMÕES DA CUNHA mas, tendo sofrido insultos de paralisia em 1811 e 1817.
(1755- 1824)
sua saúde não o permitiu. Esse problema e dificuldades
financeiras amarguraram seus últimos dias. Acolhido pela mar-
quesa de Aguiar, faleceu em casa de sua protetora, a 7 de
O compositor e letrista Pe. Domingos Simõ~s da Cunha
fevereiro de 1830, de um último ataque de paralisia.
·("compositor de apurado gosto, conforme a tradição", escre-
veu Amélia Santiago, em 1920) nasceu em Paracatu; MG, Marcos Portugal deixou óperas, missas, Te-Déuns, vés-
peras, salmos, matinas, responsórios, seqüênciaB, motetes, la-
em 1755. dainhas, etc. Sobre versos de Tomás Antônio Gonzaga -
Mestre de Capela, foi o primeiro a organizar, em Para-
extraídos da segunda parte de sua obra - escreveu doze-
catu, um coro regular de música. árias para canto e piano, coleção intitülada "Marília de Dir-
Compôs cançonetas, cantos populares em que colocava ceu". Transcritas para canto e piano por César das Neves,
ele mesmo letra,. pois era bom poeta e, como tal, consta da elas foram harmonizadas em 1965 pelo compositor paulista
Revista do Arquif)() Público Mineiro. Mas suas composições~ Osvaldo Lacerda.
infelizmente, se perderam. . Maroos Portugal que, em 1792, usando o nome de Mar-
Faleceu a 29 de setembro de 1824, em Paracatu. cos Antônio, publicara, em Lisboa, a modinha "Cuidados.
Tristes Cuidados", musicou ainda (ver "A Modinha e o Lundu
no. Séc:ulo XVIII" de Mozart de Araújo) quatro poemas de
FONTES PARA O ESTUDO DO PE. DOMINGOS SIMOES Domingos Caldas Barbosa: "Raivas Gostosas", "Se dos Ma-
DA CUNHA
I les", ..A Doce União do Amor" e CCVocê Trata Amor em
MARCOS PORTUGAL
(1762 - 1830)
l
1. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahia,. Tipo-
tônio da Fonseca Portugal nasceu em · Lisboa, Portugal, a grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 134.
24 de março de 1762. 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) -:- p. 74, . 75.-
Chego'!J. ao Rio de Janeiro em 1811, acompanhado de 79, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89. 90, 91, 92, 93, 94. 99, f04•.
seu irmão Simão: além de cantores e iristrurrientistas. · 105, 106, 115, 120, 121, 122, 135, 144.
t
t 5T
50 r
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;l
3, MOZART ARAúJO- "A Modinha e o Lundu no Século XVIII" Recebeu licença para pregar, em 1798, e freqüe.:qtou, en-
(São Paulo, Ricordi Brasileira, 1963) ___,_ p. 27, 13, 15, 71, 82, 83, tre 1802 e 1804. os cursos de eloqüência de Manuel Inácio da
84, 91, 92, 93, too, 101, 102, 103, 104, to5, 106, 101, 108, t09,·uo
111, 112, 113, 114, 138, 139, 141, 142, 143. 144, 145, 146, 147.1 Silva Alvarenga. Para prover ao próprio sustento, começou a
148, 149, 150, 151, 152, 153, 154, 155, 156, 157, 158. 159. lecionar música, dando também aulas gratuitas na casa da
Rua das Marrecas - usando uma viola de cordas metálicas
em lugar do cravo - escola que funcionou durante 38 anos.
Entre seus discípulos destacaram-se Francisco Manuel da
PADRE JOSt MAURíCIO Silva, Francisco da Luz, Padre Manoel Alves Carneiro, Fran-
(1767- 1830) cisco da Mota e o modinheiro Cândido Inácio da Silva. Todos
dispensados do serviço militar, usavam, no chapéu, um laço
O Padre José Maurício Nunes Garcia entra para a his- azul-encarnado. E cantavam freqüentemente nas cerimônias
tória .da música popular brasileira com uma modinha céle- religiosas da C3pela Real.
bre: ··Beijo a Mão Que Me Condena", letra de seu filho, ~nomeado a 2 de junho de 1798 pelo bispo D. José Joa-
Dr. José Maurício Nunes Garcia. quim Justiniano para o cargo de mestre da Capela da antiga
Nasceu na então Rua da Vala - hoje Uruguaiana - Catedral e Sé, atual igreja do Rosário, a mesma em que fora
a 22 de setembro de 17frl, sendo filho de Apolinário Nunes batizado. Ganhava 600$000 mensais. ••Foi este o período de
Garcia, natural da Ilha do Governador, e de Vitória Maria maior labor do grande músico. De 1798 a 1808, realizou as
da Cruz, filha ou neta de escrava da Guiné; ambos de cor. suas obras mais notáveis, trabalhando silenciosamente" -
Batizado na antiga Sé e Catedral - hoje igreja do Ro- escreve Renato Almeida na ••História da Música Brasileira",
sário, na Rua Uruguaiana - perdeu o pai aos seis anos. 2. a Edição, p. 319. Em 1808 nasce seu filho, que se tornaria,
Sua mãe e uma tia materna ministraram-lhe os primeiros mais tarde, médico ilustre, catedrático da Faculdade de Me-
estudos. Como preferia ir tocar viola ou cravo em vez de dicina do Rio de Janeiro: o Dr. José Maurício Nunes Gar-
brincar, e cantava sempre com voz muito afinada, foi cO- cia, poeta, pintor, compositor de modinhas, e parceiro de
locado, pela mãe, na escola do pardo Salvador José, na seu pai, como letrista, em ..Beijo a Mão Que Me Condena".
qual se destacou logo como o melhor aluno. Era ainda um Em 1808, chega ao Rio de Janeiro a Família Real. O
rapaz e já tocava diversos· instrumentos em bandas e orques- Príncipe Regente - mais tarde D. João VI - quer logo
tras, cantando .chulas e modinhas nos salões e festinhas· fa- conhecer o Padre José Maurício. E, logo que lhe foi apre-
miliares. Em 1790, perdeu sua tia materna, a quem tanto sentado o sacerdote, ••lhe devotou funda estima e manifestou
deveu. por ele vivo entusiasmo" (Renato Almeida, p. 320). Mas em
Com o mestre régio padre Elias, iniciou os estudos de 1811, desembarca no Rio o compositor lusitano Marcos Portu-
Latim, seguidos de História, Geografia, Francês, Inglês, gal que, sentindo nele um rival de respeito, tanto o ator-
Grego e Hebraico. Com o Dr. Goulão, aprendeu Filosofia. l mentará nesta fase de músico da Corte. Por sua vez, D.
João estava sempre encomendando-lhe músicas novas, obri-
Ou por voc~ção religiosa ou para quebrar a barreira
dos preconceitos da época que anatematizavam sua origem
I gando-o a um labor excessivo. Em 1816, o príncipe confe-
re-lhe uma ração de criado particular, transformada em_ uma
humilde e sua condição de mulato, t:ecebeu, em 1792 - tinha
pensão mensal de 3.2$000. Nesse ano, sob a emoção da morte
25 anos, portanto - as ordens de diácono, para o que con-
tribuiu decisivamente a doação que lhe foi feita pelo abas- ! de sua mãe, ocorrida no mesmo dia do falecimento de D.
tado comerciante -Tomás Gonçalves: a casa de número 14
da Rua das Marrecas. J."'
--'-t---.
Maria I - 20 de março - compõe, por encomenda de D.
João, aquela que seyá considerada sua obra-prima - a Missa
.52 I
f
58
~
Jd=0., 1í - oR.M.P.B.
de Réquiem. A partir de 1817, começa, porém, a revelar evi- 2. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro, (Rio de Janeiro,
dentes sinais de cansaço. E ~ua sitüação agrava-se a partir B. L. Garnier, Editor, s/d (1901?) - p. 93, 94~
de 26 de abril de 1821, quando D ..João VI parte defiuitiva1 3. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (!Jahia, Tipo-
mente para Lisboa. Os últimos anos de vida são melancólicos. grafia de S. Joaquim, 1908) - p. f34.
Fica desmemoriado, nem sequer reconhecendo suas obras. 4. VINCENZO CERNICCHIARO - •storia Della Musica nel' Bra-
sile" (Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 57, 69,
A 18 de abril de 1830 desce do sótão da casa em que morava, 72, 76. 79, 81, 82, 83, 91, 94, 96, 110, 112. 113, 115, 120, 143, 144,
na Rua do Núncio, 18, e arma a cama na alcova. O fi- 165, 166, 170, 171, 337, 338.
lho, Dr. Nunes Garcia, pergunta-lhe por que faz isso. ..Para
5. VISCONDE DE TAUNAY - "Uma Glória Brasileira" - José
dar menos trabalho" - responde. Nesse mesmo dia, cantando Maurício Nunes Garcia (1767-1830)" (São Paulo, Comp. Melhora-
um hino a Nossa Senhora, cerrou, pela última vez, os olhos. mentos, s/d).
Enterrado na hoje demolida igreja de São Pedro, seus 6. ROSSINI TAVARES DE LIMA - "Vida e l!poca de José Maurí-
ossos seriam transferidos, tempos depois, para a igreja do cio" (São Paulo, Livraria Ele, 1941).
Santíssimo Sacramento, na Avenida Passos. Vincenzo Cernic- 7. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.•
chiaro, em 1918, tentou localizá-los ali. Em vão. Edição (Rio de Janeiro. F. Briguiet & Comp., 1942) - p. 64, 66, 131,
303-305, 310. 312-314, 316-328. 330, 337, 339, 365, 371, 379, 413.
A modinha "Beijo a Mão Que Me Condena" só foi edi- 434.
tada em 1837, ou seja, sete anos depois da morte do Padre 8. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)"' - Exposição
José Maurício. comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. 1962) - p. 29 e 100.
Teria composto outras? Como Mussurunga e Damião
9. CLEOFE PERSON DE MATTOS- "Catálogo Temático das Obras.
Barbosa, citados por Cernicchiaro, ele também não desde- do Padre José Maurício Nunes Garcia" (Conselho Federal de Cultura,.
nhou ..le stile ingenuo dell'anima popolare". Referindo-se 1970).
aos dois artistas baianos, o autor de ..Storia Della Musica
nel Brasile" explica que ambos "'al par di José Maurício,
scrissero "modinhas", che furano tipo di bellezza, ai loro DAMIÃO BARBOSA
tempi". Entretanto, somente novas pesquisas poderão deter- (1778 - 1856)
minar, um dia, se, em relação ao Padre José Maurício, te-
remos de ficar no singular ou no plural. O compositor, violinista e regente Damião Barbosa de
Em "A Música no Brasil", Guilherme de Melo mencio- Araújo nasceu na ilha de ltaparica, Bahia, a 27 de setembro
na o Pe. José Maurício entre os compositores que cultivaram, de 1778.
no Rio de Janeiro, a modinha: ..Enfim da modinha que no
f: . um dos compositores de modiuhas relacionados por
Rio de Janeiro alentara a imaginação e o . talento musical
Viucenzo Cernicchiaro na sua "Storia Della Musica nel
dos mestres compositores: José Maurício, Marcos Portu-
Brasile" ( Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli RicciQni, 1926 - p.
gal [ ... J". 55), informação provavelmente colhida em Guilherme Teo-
doro Pereira de Melo ("Música no Brasil, Bahia, Tipografia
de S. Joaquim, 1908, p. 134).1!: ainda Cernicchiaro quem, após
FONTES PARA O ESTUDO DO PADRE JOSI! MAURICIO
se referir a outros compositores e virtuosos baianos, declara:
··simili a questi, alb.i mll5icisti di alto iutelletto musicale, ad
1j ...
1. TROVADOR - Coleção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus, .
etc. -Nova edição, correta- Volume III (Rio de Janeiro, Livraria esempio, Mussurunga e Damião Barboza, non disdegnarono le
Popular de A. A. da Cruz Coutinho - Editor, 1876) - p. 81. stile ingenuo dell' anima popolare, ed, ai par di José Maurício,
54 :":d 55'
]
-·-
scrissero "modinhas", che furono tipo di bellezza, ai ioro presentavam no teatrinho ['~A Casa da Opera"] de Guadalu-
tempi" ( op. cit., p. 57). pe'".
A coleção de modinhas, recitativos, árias, lundus, e/c. Damião Barbosa, além de músicas sacras e militares,
·"Trovador" - Volume V (Rio de Janeiro, Livraria Popular e da ópera bufa "A Intriga Amorosa", escreveu, para salões,
de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876, p. 85) publica a árias, coros, duetos, romances, concertos, etc. Cernicchiaro
"letra de uma modinha de Damião Barbosa: ..Tristes Sau- ( op. cit., p. 151-152) narra que Marcos Portugal tinha má
.dades": vontade manifesta contra o jovem músico, não permitindo
que ele apresentasse seus trabalhos na Capela Imperial. . Sem
«De saudade lastimosa recursos, voltou a Salvador e, de lá, seguiu para a Europa,
Que persegue amantes peitos, completando seus estudos de composição na Academia de San-
Eu sofro nesta alma aflita ta Cecília, em Roma. Mas, de novo na Bahia, soube. que sua
Os cruéis duros efeitos. noiva havia se casado com outro. Alucinado pelo ciúme, Da-
Quem dera me ouvisse mião matou o marido de sua amada e fugiu para o interior,
Alguém de ternura, detendo-se, afinal, em Paracatu, Minas Gerais. Entretanto,
Que meigo escutasse a afirmação de que teria morrido nessa cidade, em 1841, pa-
A minha amargura! rece desprovida de fundamento.
Tristes saudades padecem Segundo Cernicchiaro, Damião Barbosa faleceu em
Peitos a amor sujeitos, Salvador, Bahia, a 20 de abril de 1856.
Conheço por experibu;ia
Os cruéis, duros efeitos.
Quem dera me ouvisse" - etc. ANôNIMO DE "VEM CÃ, BITU!,
Segundo Manuel Querino - citado por Isa Queirós San- (1780? - . 1840?)
tos em "Origem e Evolução da Música em Portugal e Sua In-
fluência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1943, O autor anônimo da cantiga "Vem Cá, Bitul" pode ter
p. 197-198- "A chegada de D. João VI aqui (Bahia) muito nascido no Rio de Janeiro, por volta· de 1780 e falecido na
influiu no ruümo de Damião para que se transportasse ao Rio mesma cidade, lá por 1840.
de Janeiro, seguindo a 8 de junho de 1813, não encontrando "Vem Cá, Bitul" deve datar de 1811, pois esse é o ano
ali naquele tempo Conservatório, nem tão pouco o esperado da catástrofe que, sob a forma de chuvas torrenciais, desa-
cultivo da Arte; relacionou-se com os melhores mestres da \ bou sobre o Rio de Janeiro, tendo ficado conhecida como
época, o célebre padre José Maurício Nunes Garcia e Marcos
Portugal.
"Obteve o lugar de adido à música da Brigada do Prín-
cipe, da qual foi depois chefe e compositor.
I
1
.!
água do monte. Passemos a palavra a Vieira Fazenda:
"Foi de terror e sustos, para os cariocas de 1811, a se-
mana que decorreu de 10 de fevereiro a 17 do mesmo mês.
O povo, ante a perspectiva de um verdadeiro dilúvio, deu
à catástrofe o nome genérico de águr,z do monte. As onze
"Mais tarde foi admitido na capela imperial como vio- '
horas da manhã daquele primefro dia, começou a chover
linista e mestre de uma banda de música de menores. torrencialmente. A borrasca, longe, de amainar, continuou in-
-
"Antes de seguir para o Rio de Janeiro, escreveu arietas, ]
.
cessante duntnte sete • longos ·dias de verdadciro sup~ício
duetos e ooros para as operetas portuguesas que, então, se re- .
~, para os habitantes desta heróica e leal cidade.
56 57
"As ruas, como é fácil de prever, transformaram-se em - Cad~-lo teu camarada?
caudalosos rios. A rua da Vala, hoje Uruguaiana, conser- "Agua do monte o levou . ..
vou-se durante todo esse tempo com cinco palmos d'água. 1 - Não fOi água, não fOi nada,
"O Campo de Santana, hoje Praça da República, apre- Foi cachaça que o matou.
sentava o aspecto de vasta e profunda lagoa, onde nave-
·gavam canoas. O príncipe regente ordenou que se conser- O segundo "Fragmento do Vitu" - "coligido pelo sr. F.
vassem abertas igrejas e capelas. Para ali corriam apavoradas A. de Varnhagen", anota Sílvio Romero - é o seguinte:
as vítimas do cataclismo a buscar nos consolos da Religião
ânimo e fortaleza a tantas aflições. "Vem cá, V it-u! V em cá, Vitu!"
"Ruiu grande número de casas, sepultando sob as ruínas - Não vou lá, não vou lá, não vou lá.
mulheres e crianças e até velhos paralíticos ou entrevados,
"Que é d'ele o teu camarada?
que não puderam fugir a tempo.
- Agua do monte o levou.
"Não fOi água, não fOi nada,
"Isto foi devido ao desabamento de grande porção do FOi cachaça que o matou.
morro do Castelo.
"Entre os prédios alagados salientavam-se os das ruas da Quanto à música de "Vem Cá, Bitu!", ela - registrada
Misericórdia, Ajuda e do beco do Cotovelo". por Santa-Anna Nezy - é a mesma da conhecida cantiga de
Chuvas como aquelas, anteriormente, o Rio - ao que roda "Cai, Cai Balão!". "Tocava-ó' - escreve Vieira Fazenda
registram as crônicas - só conhecera entre os dia 4 e 6 de - "principiante de piano, até com um dedo só. Da marimba
abril de 1756. dos pretos passou aos realejos. Fez parte de uma antiga qua-
drilha ou contradança. Conhece-a o homem dos sete instru-
Mas qual a relação da água do monte com o ·vem Cá,
mentos e o sineiro de S. José. Hoje é o Bitu ouvido até
Bitu"? A explicação está no mesmo Vieira Fazenda:
nos gramofônios e ,grafofônios. 1!: cantilena que caiu no gosto
"Da memória da arraia miúda jamais se apagou a crise de toda a gente. Tenho um vizinho dado à música. E noviço.
de 1811. Ficou perpetuada em uma cantiga muito popular, Durante longas horas de desafinada requinta, solfeja escalas.
conhecida por "Vem Cá Bitu", entoada com algumas varian- Lá de vez em quando se aventura a tocar o Bitu. Não vai mal.
tes na vasta extensão do Brasil". · Sofrem porém os ouvidos do próximo com tais exercícios, que
"Quem não conhece a letra e a música do Bitu?" - per- se tornam afinal verdadeiramente amoladores".
gunta Vieira Fazenda. E presumindo que todos as conheces- Quem se ocupou do ..Vem Cá Bitu"?
sem, não as estampa em suas preciosas ..Antiqualhas e Me- Vieira Fazenda escreve:
mórias do R!o de Janeiro". Para a letra, teremos de recorrer ··no "Vem Cá, Bitu!" ocupou-se o erudito Dr. Francisco
aos "Cantos Populares do Brasil", Volume I, de Sílvio Romero. Augusto Pereira da Costa no seu "Folk-Iore Pernambucano".
Ali se encontram dois fragmentos "de ·Vitu". O primeiro - Coloca, porém, a Agua do monte no ano de 1817.
consignado por Sílvio como do Rio de Janeiro - é o se- "Antes desse exímio cultor das letras pátrias outras su-
guinte: midades têm estudado a origem da referida canção popular:
,áj
- V em cá, Bitu! vem cá, Bitu! ~ bastar citar Melo Morais Filho, Sílvio Romero, Teófilo Braga,
Vem cá ... ":Não vou lá, não;
- -_-·~-
.•
Eduardo Perié, Felix Ferreira, etc."
E quem seria, afinal, esse Bitu?
-- Não vou; lá, não vou lá, nfi() ~
Tenho medo' de apanhar!
lá;
J
. Ain~ com a palavra Vieira Fazenda:
58 59
"Segundo o Dr. Joaquim Manuel de Macedo, o Bitu era "Sei de tudo, porque pessoas contempDI"âneas . ao Bitu,.
um crioulo apaixonado das bebidas alcoólicas e soldado do hoje falecidas, mo contavam. O mais é romance e devaneios
batalhão dos Henriques. Vivia de [Link] indústrias~ l!ma pú-' de quem ouve um conto e acrescenta 1,lill ponto. Até já fize-
blica e outra misteriosa. A pública era muito simples: an- ram o Vitorino contemporâneo do Cara:f!1uru·,.
dava cantando pelas ruas e fazendo dançar um boneco de
molas que levava na mão. Como fosse o Bitu muito engra- Pereira da Costa, no "Folk-lore Pernambucano", publica
çado, chamavam-no para o interior das casas as famílias: daí a variante pernambucana desta cantiga:
nascia a facilidade com que este original exercia a sua se-
gunda indústria, que cons~stia em prestar-se a ser mensa- - V em cá Bítu.
geiro de amor". Qra, aí temos o Bitu onze letras." Vem cá Bítu
Mas é o próprio Vieira Fazenda quem desmente Ma- Vem cá, vem cá;
cedo: "Não vou lá,
"Se após cem anos de sua desgraçada morte ressusci- Não vou lá;
tasse o inofensivo devoto de Baco, ficaria boquiaberto. O - Por que, Bitu?,
emérito romancista da "Moreninha" deu-lhe prendas, que - Por que, Bítu?
nunca teve, e a profissão nunca exercida de Constantino. "Mamãe me dá,
Bem sabido é que, depois da abertura dos portos, os ingleses Mamãe me dá,
inundaram o nosso mercado com muitas fazendas, alfaias, Tenho medo
objetos de luxo e quinquilharias. Calungas de mola só muito I)e apanhá.
mais tarde apareceram no Rio de Janeiro. Ainda que o Bitu - V eni cá, Siriri,
usasse de algum João Paulino de madeira ou de papelão, lá Vem cá, Siriri;
estava a vigilância do Vidigal, que não permitia tais espe- As moças te chamam,
táculos nas ruas públicas. Isso veio depois com o progredir Tu não queres vir.
da civilização. "Eu niio vou lá, não;
"Quem conhece o rigor dos nossos antigos pais de Eu não vou lá, não;
família não concebe como eles permitissem em seus lares a Eu peço uma esmola,
entrada de um bêbedo de profissão para cantar modinhas e Voc~s não me dão.
dizer pilhérias às donas e donzelas.
"O que até hoje se pôde apurar ace1;ca desse valdevinos
é pouco. Pertenceu ao batalhão dos Henriques, foi ordenança FONTES PARA O ESTUDO DO ANONIMO DE
do general Montauri e chama-se Vitorino. Morava no beco "VEM CA, BITU!"
do Cotovelo, no ponto em que existe hoje um jardim per-
1. StLVIO ROMERO - "Cantos Populares do Brasil" - Volume r
tencente ao prédio n. 69 moderno. Ali existiam umas casinhas. (Lisboa, Nova Livraria Internacional-Editora, 1883) - P.· 280-281.
Em uma delas habitava o Bitu. Era inquilino de um major 2. F. J. DE SANTA-ANNA NERY - "Folk-lore Brésilien" (Paris,.
Moreira, que possuía em Irajá a fazenda da Capela, em Perrin et Cie. Libraires-Editeurs, 1889) - p. 83, e Table des Mor-
terras da fazenda do Provedor. ceaux de Musique. ·
"Quando o morro desabou, por força dos p1·imeiros agua- 3. StLVIO ROMERO - "Cantos Populares do Brasil" - Segunda
Edição, melhorada {Rio de Janeiro, Livraria Clássica de Alves &
ceiros, abateu as tais casinhas. Bitu naturalmente cozinhava Comp., 1897) - p. 282.
alguma camueca. Não teve tempo de fugir e morreu sob 4. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro" (Rio de Janei-
os escombros da sua modesta habitação. ro, B. L. Garnier, Editor, s/d [1901 ?]) - p. 85, 86.
60 61
jl
·•-~-·"
'5. PEREIRA DA COSTA - "Folk-lore Pernambucano" (Rio de FRANZ LUDWIG WILHELM VON VARNHAGEN
Janeiro, Livraria J. Leite, 1908) - Tomo LXX da "Revista do Insti-
tuto Histórico Brasileiro - p. 507, 508. · (1782- 1841)
1
-6. VIEIRA FAZENDA ~ "Antiqualhas e Memórias do Rio de Janei-
ro" - Vol. V (Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1943) - p.
175, 176, 177, 178, 179. O compositor e letrista Franz Ludwig Wilhelm von Varn-
7. JOSe CALASANS - "Cachaça, Moça Branca" (Salvador, Livraria
hagen, dito Francisco Luís Guilherme de Varnhagen, e que
Progresso Editora, 1951) - p. 39. Mário de Andrade menciona como Frederico Luís Guilherme
.8. GASTÃO CRULS- "Aparência do Rio de Janeiro,- 2.• Edição de Varnhagen - pai do famoso historiador brasileiro Fran-
- 2. 0 Volume (Rio de Janeiro, Livraria José Olimpio Editora, 1952) cisco Adolfo de Varnhagen -nasceu em Walde, na Alema-
- p. 395. nha, em 1782.
Em seu país, estudou Mineralogia com Wemer e formou-
-se em Engenharia. Era jovem ainda quando, em companhia
do Barão de Eschwege, ambos a convite de D. Rodrigo de
JOÃO PAULO MAZZIOTTI Sousa Coutinho, Ministro das Finanças, foi para Portugal. Aí
(1780? - 1850?) trabalhou sob a direção de José Bonifácio. E lá se casou, com
I
;podia mais prestar serviço. Figura nas folhas de pagamento
da Capela até 1850." - e "lá ficou servindo a pátria portuguesa". Sua obra principal
- além do filho e das modinhas - é um tratado sobre o
Guilherme de Melo em "A Música no Brasil" (Bahia, cultivo dos pinheiros.
Tipografia S. Joaquim, 1908, p. 134) - quando a ele se re- Faleceu em 1841 - A Grande Enciclopédia Delta-La-
,fere como J. Mazziotti - inclui-o entre os compositores que rousse (Rio de Janeiro, Editora Delta S. A., 1970, Volume
cultivaram a modinha no Rio de Janeiro: "Enfim da m<!- 12, p. 6. 934) diz que em 1842 - em Lisboa .
.dinha que no Rio de Janeiro alentara a imaginação e ó ta-
A modinha "O Coração Perdido" tem a seguinte letra:
lento musical dos mestres compositores: José Maurício. Mar-
·COS Portugal [ ... ] J. Mazziotti [. . . etc.]".
-62 a 6.:3
I
•'
~
Il-
MúSICA POPULAR BRASILEIRA
NO PRIMEIRO IMPÉRIO
(1822-1831)
JOAQUIM MANOEL
(1780? - 1840?)
IJ.
-r
a música é a única que para eles tem mais atrativos e à
qual eles se dedicam com mais gosto.
..Temos ouvido com muita admiração a música da capela-
real, de que quase todos os artistas eram brasileiros e de que
sua execução nada deixava a se desejar.
I 65
I
l
"Porém pela execução, nada me causou mais admiração "Em 1828 [segundo Cernicchiaro, essa viagem· teria se
que o talento na guitarra (violão) de um certo mestiço chama- 1 realizado em 1823] empreendeu uma viagem à Europa, afim
do Joaquim Manuel. Sob seus dedos este instrumento tinha de aperfeiço~-se em música na França e na Itália. Freqüen-
um encanto inexprimÍvel que eu nunca tive o prazer de tou o Conservatório de Paris, onde teve como professorc:;s de
ouvir entre os guitarristas europeus. Joaquim Manuel é tam- violino a Bériot e outros.
bém o autor de muitas modinhas, das que Neukomm pu- "Em Bolonha, na Itália, obteve o diploma de maestro, de-
blicou em Paris"". pois de aturados exames de contraponto, regras de harmonia
e algumas composições ["ove probabilmente frequento la ce-
lebre scuola dei padre Mattei" - sugere Cernicchiaro].
"Foi o primeiro brasileiro diplomado em música na Eu-
JOSe PEREIRA REBOUÇAS ropa. Regressando à Bahia em 1833 ["colla conoscenza com-
pleta ..!iell'armonia, dei contrappunto. della fuga", acrescenta
(1789 - 1843) Cernicchiaro], foi nomeado pelo arcebispo D. Romualdo,
mestre de música do Seminário Episcopal; em 1841 foi-lhe
O compositor, violinista e regente José Pereira Rebou- concedido o título de músico honorário da Câmara Imperial,
ças nasceu na cidade de Maragogipe, na Bahia, a 2 de ja- por ter composto e oferecido uma importante peça mttSical
neiro de 1789. para ser executada nas festas da Coroação e Sagração de
Depois de ter terminado o curso primário e os prepa- D. Pedro II. Escreveu diversos trabalhos, sendo considerado
ratórios, estudou música, escolhendo, para seu instrumento,. de alto valor artístico o Magnificat, que compôs para a festa
o violino. de Santa Cecília, em 1834."
Tinha 19 anos - no ano de 1808, portanto - quando José Pereira Rebouças residiu em Bolonha, na casa da
deixou Maragogipe, fixando residência em Salvador. O famosa cantora Bertinota, viúva de um rabequista ilustre:
Príncipe-Regente vinha de criar a Escola de Cirurgia, e J C!Sé Radicati. Comprou, então, um violino que pertencera a este,
nela logo se [Link]. Não pôde terminar o curso ( Vin- um Stradivarius, que trouxe para a Bahia.
cenzo Cernicchiaro afirma, porém, que ..egli era anche Me- Além de grande violinista, Rebouças foi regente da or-
dico distinto") e passou a dedicar-se totalmente à sua pro- questra do Teatro São João.
fissão de músico, chegando a rivalizar com os mais famosos Faleceu em Salvador, Bahia, em janeiro de 1843.
de sua época. Jl; dos compositores de modinhas incluídos por Vincenzo
De 1808 a 1822, foi mestre de música do 2. o Regimento
de Milícias. Com a Independência, retirou-se para a cidade Cernicchiaro na sua "Storia Della Musica nel Brasile", infor-
de Cachoeira onde, ao lado de seus irmãos Antônio e Manoel mação que este provavelmente colheu em Guilherme de Melo.
S6 que Cernicchiaro- ou o revisor- estropia-lhe o nome:
- todos ardentes patriotas - participou ativamente do movi::.
]osé Pereira Rebouça . ..
mento separatista.
Manoef QueriDo em suas "Indicações Biográficas" ( ci- I
tado por Isa Queirós Santos) dá outras informações sobre ele~ FONTES PARA O ESTUDO DE JOSe PEREIRA REBOUÇAS
"Foi administrador de um armazem de gêneros de mu-
nição de boca do exército pacificador, depois passou-se para 1 1. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahia. Tipo-
grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 134.
+~
o exército, incorporando-se ao batalhão dos Periquitos, sob o 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia della Música nel Bra·
comando do major Antônio da Silva Castro, continuando a sile" (Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 55,
servir até depois de 2 de julho de 1823. 137 e 157.
66 67
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~,..,-i,.~-=> ~±.'-~
" " ~-
3. ISA QUEIROS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em Nunes entre os compositores que, no Rio de Jane:U9, culti-
Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1943) - p. 272. varam a modinha: "Enfim da modinha que no Rio de Ja-
neiro alentara a imaginação e o talento musical dos mestres
compositores José Maurício, Marcos Portugal [ .. ], Lino José
Nunes [ ... ]," etc.
LINO JOSI! NUNES
(1790?- 1850?)
JOSI! FRANCISCO DORISON
O compositor, contrabaixista, cantor, possivelmente tam-
bém letrista Lino José Nunes nasceu presumivelmente no Rio (1790?- 1850?)
de Janeiro, por volta de 1790 e deve ter falecido na mesma
cidade, lá por 1850. O pistonista e compositor José Francisco Dorison - pai
Foi discípulo do Padre José Maurício e, como tal, cantou do violoncelista e compositor Desidério Dorison - nasceu na
no coro da Real Capela. Iniciou sua vida profissional como França (Paris?), por volta de 1790.
professor de canto. Em 1921 fez publicar o seguinte anúncio: Pode ter chegado ao Rio de Janeiro lá por 1810. Aqui
"Lino José Nunes propõe-se a ensinar a todas as pessoas de deve se ter casado e, lá por 1820, nascia, certamente também
ambos os sexos, que quiserem aprender a cantar roda a qua- no Rio, seu filho, que se tomaria também músico: Desidério
lidade de música, e demais cançonetas italianas e modinhas Dorison.
portuguesas, tudo com acompanhamento de viola". "E: Aires de Andrade ("Francisco Manuel da Silva e Seu
Em 1824, foi nomeado contrabaixista da orquestra da 1a Tempo"- Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles,
então Capela Imperial, percebendo um salário de 200 mil-réis 1967, p. 162) quem, publicando um anúncio do "Jornal do
por ano. Nesse posto permanecerá como instrumentista de Commercio" de 20 de julho de 1831, fornece-nos algumas das
baixo, até 1831, quando é ali dispensada a orquestra. Inte- raras indicações que possuímos sobre ele: "Dorison, de nação
grou também a orquestra do Teatro São Pedro de Alcântara. francês, que há cinco anos é mestre de música no Exército
Aires de Andrade em ••Francisco Manuel da Silva e Seu Brasileiro, propõe-se ensinar a música e dança, e certifica
Tempo"- Volume II, p. 209, informa qu.e ..dele existem al- que em breve tempo ensinará as pessoas que quiserem apren-
gumas modinhas". Uma delas integra o acervo da Biblio- der; quem quiser utilizar-se do seu préstimo, pode dirigir-se
teca Nacional, constando do catálogo "Música no Rio de à Praça da Constituição n. 59."
Janeiro Imperial" (Biblioteca Nacional, 1962), p. 75: ..Se os "'Em 1837 tocou em um concerto as Novas Variações,
Meus Suspiros Pudessem". para trompete de Cândido Inácio da Silva" - escreve Aires.
Com Francisco Mota, José Joaquim dos Reis e Alexandre Em ..Modinhas Imperiais" (São Paulo, Casa Chiarato -
Magalar. foi um dos professores do Conservatório de Dança L. G. Miranda Editora, 1930), Mário de Andrade, a ele e a
e Música, no Campo da Aclamação - hoje Campo de Desidério, refere-se da seguinte maneira: "Por outro lado
Sant'Ana - n. 9 (ver ..Música no Rio de Janeiro Imperial principiavam abundando na composição das Modinhas de
( 1822-1870) - Exposição comemorativa do Primeiro Decênio J salão os músicos de fora, professores, virtuoses, comerciantes
da Seção de Música e Arquivo Sonoro" (Rio de Janeiro, Bi- J e biscatistas, principalmente vindos na esteira das compa-
blioteca Nacional, 1962), p. 83. f
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nhias líricas. Oitenta e cinco por cento das vezes eram po-
Guilheme de Melo em "A Música no Brasil" (Bahia. bres de valor, de saber e de orgulho pessoal, e por tudo
Tipografia de S. Joaquim, 1908 ), p. 134, inclui Lino José ice•
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isso se afaziam bem à facilidade modinheira da nossa musi-
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69
J
g 6 - a.M.P.B.
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70 71
Editores, 1942), p. 330, esclarece sobre D. Pedro I: "Tinha
boa voz e· gostava de cantar modinhas". O mesmo autor atri-
I Que Gozei. .. " - esta citada em "Memórias de um 'sargentç
de Milícias" de ManueJ Antônio de Almeida - duas das 16
bw-llie, entre composições de música erudita, "Variações S<l-
editadas por Mário de -Andrade em "Modinhas Iu":tp~rÍ;}i$~'.
bre Uma Ária da Dança Popular, o Miudinho". Infelizmente,
São dele ainda as modinhas ..A Hora Que Te Não _Vejo... "
essa página, se realmente existiu - Renato Almeida nunca
(sobre poesia de Gonçalves de Magalhães), "Minha Marília
precisou a forite dessa informação - perdeu-se, provavelmen-
Não Vive ... ", "'Os Olhos Belos ... ", "De Uma- Pastora .9S
te para sempre. Já Vincenzo Cernicchiaro afirma que D. Pe-
dro I possuía "una voce poco flessibile e penetrante" e "alla
Ollios Belos ... " · (também sobre poesia de Gonçalves de Ma-
galhães; será a mesma "'Olhos Belos ... "?), "Batendo a Lúida
virtuosità istrumentale", "preferiva il canto".
Plumagem ... " e o lundu "Lá na Largo da Sé", sobre poesia
Discípulo do Padre José Maurício e de Marcos Portugal de Araújo Porto Alegre". "Lá no Largo da Sé" é de 1834;
tendo estudado, com eles, teoria, fagote, trombone, clari- "Quando as Glórias Que Gozei" foi editada por Pierre La-
neta, violoncelo, flauta e rabeca - mais tarde o foi também forge em 1837; "A Hora Que Te Não Vejo", também por'P.
de Neukomm, seu mestre de composição, contraponto e har-
Laforge em 1838; e "Minha Marília Não Vive ... ", ainda por
monia. P. Laforge em 1840. · ··
Viveu no Brasil entre 1808 e 1831.
Das várias composições de D. Pedro I - uma ópera em . Cândido Inácio da Silva nasceu no Rio de Janeiro em
português, uma missa, uma sinfonia para grande orquestra, 1800. Foi discípulo do Padre José Maurício, com quem aprén-
um Te-Deum, as citadas Variações Sobre o Miudinho, o Hino deu teoria e canto na escola gratuita deste, que funcionava
da Independência e o Hino da Carta Constitucional - todas, na Rua das Marrecas. E sendo aluno do Padre José Mauríc;io,
exceto as duas últimas, se perderam. como lembra Renato Almeida, estava dispensado do serviço
militar, usava laço azul-encarnado no chapéu e ia càntai com
freqüência nas solenidades da Capela Real, hoje Catedral
FONTE PARA O ESTUDO DE D. PEDRO I Metropolitana. Sílvio Romero inclui-o, aliás, entre os can-
tores que se destacavam no Rio de Janeiro no fim do século
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- XVIII e princípios do XIX e, certamente baseado em Debret,
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 94, 111, especificava tratar-se de tenor. Foi um dos fundadores da
112, 113, 114, 115, 116, 120, 122, 126, 128, 144, 145 e 146. Sociedade de Beneficência Musical. Era provavelmente amigo
2. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.• de Pierre Laforge, "o flautista bem ativo que se estabeleceu
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp. Editores, 1942) -
p. 198, 306, 307, 311, 314, 326, 329-336, 337, 339 e 349. no Rio de Janeiro com loja de músicas e copistaria musical"
3. LUIS HEITOR - '"150 Anos de Música no Brasil" (Rio de Janei- (Mário de Andrade), pois participou de um concerto reali-
ro, Livraria José Olímpio Editora, Volume 87 da Coleção "Documen- zado no Teatro Constitucional de 1832, organizado por La-
tos Brasileiros•, 1956) - p. 28, 44, 45, 49, 50 e 56. forge.
11: ainda Mário de .Ana,!ade. - que, en_t -Música, Doce
Música", o considera, "salvas as proporções", ··o Schubert das
C.ÃNDIDO INÁCIO DA SILVA nossas modinhas de salão" - que escreve sobre Cândido Inácio
(1800 - 1838)
da Silva: "Este músi~, totalmente ignorado por nós, me
parece estar entre as figuras mais dignas de pesquisa da
composição nacional. Porquê, si não teve a . audácia de se
· ' [Link] Inácio da Silva é o autor de duas famosas mo- manifestar em obras musicais vultuosas, que eu saiba, nem
dinhas, '!'Busco a Campina Serena ... " e "Quando as Glórias óperas, nem missas, nem _sinfonias, foi incontestavelmente
7.2
'73
~,
Vivamos sempre
DE UMA PASTORA OS OLHOS BELOS ...
Em doces laços,
Depois me aperta
Modinha Entre seus braços.
(versos de· autor desconhecido)
76 77
L\ NO LARGO DA sr;; Bravo! da especulação ... ( etc.l
Roma, Veneza.
Londres_. Paris.
Tudo se chega
I O já mencionado catálogo da Biblioteca Nacional re- _
vela, na p. 94, que Cândido Inácio da Silva participou, com
Gabriel Fernandes da Trindade, Januário da Silva Arvellos
filho, Miguel Vaccani, Klier e outros, de um espetáculo da
Ao nosso nariz. J"r-- Academia de Música Vocal e Instrumental, em 31 de ou-
78 •!
~ 79
;lf '
-__';:<;;.--
13. ONEYDA ALVARENGA - •Música Popular Brasileira" (Porto
tubro de 1836. em benefício .çla SQciedade Beneficência Mu- Alegre, Editora Globo, 1950) - p. 150.
sical. no Teatro da Praia de D. Manoel. 14. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Guilherme de Melo-'induí Cândido Inácio· da Silva en- Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 30, 36,
tre os que cultivaram a moclinha no- Uio de Janeiro: "En- 54, 68, 86 e 93-94. '
fim da modinha que no Rio d-e Janeiro alentara a imagi- 15. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
nação e o talento musical · dos mestres compositores José Tempo"- Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967)
- p. 227-229.
Maurício. Marcos Portugal. [ ... ], Cândido Inácio da Sil-
va. [ ... [Link].
16. BATISTA SIQUEIRA - Folheto do álbum de LPs intitulado
"Música Imperial" (Rio de Janeiro, Sociedade Cultural c Artís-
tica Uirapuru/Ministério da Educaçã,o e Cultura, 1968).
17. JOS:e RAMOS TINHORÃO - "Pequena História da Música
FONTES PARA O ESTUDO DE CANDIDO INACIO DA SILVA Popular - Da Modinha à Canção de Protesto" (Petrópolis, Edi-
tora Vozes Ltda., 1974) - p. 48.
1. "Trovador"' - Nova Edição, Correta - Volume I (Rio de Janei-
ro, Livraria PopUlar de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876)
- p. 114-115.
2. "Trovador" - Nova -Edição; Correta - Volume II (Rio de J anei-
ro. Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) AIRES
- p. 76-77. (1800? - 1860?)
3. "Trovador"'- Nova Edição, <:;arreta- _Volume III (Rio de Janei-
ro. Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876)
- p. 35-36.
O cantor e compositor - talvez também letrista - Aires
4. "Trovador" - Nova Edição, Correta - Volume V (Rio de nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1800,
Janeiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor. 1876) e pode ter falecido na mesma cidade. lá por 1860.
- p. 121-122. . Nossa fonte de informações sobre ele é Vincenzo Cernic-
5. VINCENZO CERNICCHIARO ~ - "Storia Della Musica nel
Brasile" (Milão. Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. chiaro que em "Storia Della Musica nel Brasile" (Milão,
131. 132. 135, 136.
Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 92, escreve o se-
6. MARIO DE ANDRADE- ··~ !<Modinhas -Imperiais" (São Paulo, guinte: ..Appartenente alia categoria dei huoni artisti era ii
Casa Chiarato - L. G. Miranda, Editora, 1930) - p. 10, 12-13. barítono Ayres, stabilito in Rio, nei 1822. Era eocellente com-
7. MARIO DE ANDRADE .~ "Música. Doce Música" (São Paulo. positore di "modinhas", che cantava com squisito gusto".
1935) ~ p. 165~ - . - .
8. JEAN BAPTISTE DEBRET"- ~- "Vlageíí:i" PitoreSca e Histórica li!O
Brasil" - Tomo-- II (São Paulo~ Livraria Martins Editora, 1940)
p. 108. - -- -- .-· ''-
9. RENATO ALMEIDA : ::....;...:_ "Histór.ià dã Música Brasileira" _:..... 2.•
Edição (Rio de Janell:o, :F. Brig11iet -&- Cia., 1942) - p. 66, 319,
365-366.- - --- - - ' - - - --- ·_
10. MARIO DE ANDRADE -."C~dido Inácio da Silva e o Lundu" \
(in "Revista Brasileira âe' Música"~ Rio de Janeiro, Escola Nacio-
nal de Música•. Volume- X, -1944) - p.- 17-39.
11. GUILHERME Dlf MELÓ---- "Á Música no Brasil" - 2.• Edição
(Rio de Janeiro, hriprensâ Naciomil, 1947)-- p. 129 e 157. ··
l~
f
t2. S1LVIO .ROMERO ~'"História da Literatura Brasileira• ,...... Totilo
li ~ 4:.- EdiÇão {Rio: Cle -'Jànéiro;c'-Li\rraria- 'José' dlúripio- Editora, 1._
1949} - p. 2()(}.. -- -- ·-
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80 ~
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,
1\1úSICA POPULAR BRASILEIRA
NA REGÊNCIA
(1831-1840)
83
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editada em Viena, em 1830, por J. J. Kress, e contém 10 mo-
dinhas e dois Iundus.
João Francisco Leal assina ainda a música do hirlo
··oeus Salve a Pedro!", do acervo de seção de Música e Ax- .,
quivo Sonoro da Biblioteca Nacional (ver catálogo "Música
no Rio de Janeiro Imperial", p. 75). Esse hino, segundo Cer- MúSICA POPULAR BRASILEIRA~
nicchiaro, foi executado no Rio de Janeiro, a 16 de janeiro
de 1835. NO SEGUNDO IMPÉRIO
84 85
.J,J 7- R.M.P.B.
de Santo Antônio dos Pobres, foi sepultado no Cemitério de Francisco da Luz Pinto faleceu no Rio de Janeiro, a
São Francisco de Paula, no Catumbi. 5 de julho de 1865.
i
Guilherme de Melo em ••A Música no Brasil" ( Bahia,
Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 134), relaciona Francisco
FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO MANUEL
DA SILVA da Luz Pinto entre os compositores que cultivaram a modi-
nha no Rio de Janeiro: ··Enfim da modinha que no Rio de
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- Janeiro alentara a imaginação e o talento musical dos mestres
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 91, 94, compositores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... ], Fran-
114, 115, 119, 120, 127, 140, 141, 143-150. 162, 163. 166, 205,
210, 307, 391
cisco da Luz Pinto, [ ... r
etc.
2. ISA QUEIRóS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em
Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1943) - p. 277, 218. FONTES PARA O .ESTUDO DE FRANCISCO DA LUZ PINTO
3. LU1S HEITOR - "150 Anos de Música no Brasil (1800-1950)"
{Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1956) - p. 43-58, 1. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
64, 69, 74, 76, 91, 113, 119, 138, 186. comemorativa do Primeiro Decênio da Seçã.o de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 35.
2. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
Tempo" (Rio de Janeiro, Sala .Cecília Meireles, 1967) - Volume I.
p. 98; Volume II, p. 213. ·
FRANCISCO DA LUZ PINTO
(1795?- 1865)
i
mava ao Ministro, em 1840: ·"O suplicante pede em seu re-
Amor.·.. ", composta "pelo curioso B. B." e editada por Filip- querimento ser admitido nesta Capela Imperial como músico
pone & Cia. De data incerta é sua própria modinha •1á Não
Pode a Natureza Inverter a Tua Sorte", editada ·por· P.
Laforge. · · ·
j
.
'
cantor em o naipe dos tenores, em o qual de necessidade se
deve prover uma vaga. O suplicante é muito perito na Arte
da Música; tem uma excelente vóz deste naipe; e merece na
J
:I:J
86 87
I;
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~3l
verdade ser contemplado pela sua aptidão além disto piirece trumental em benefício da Sociedade Beneficiência 'Musical,
ser muito justo admití-lo por ter já sido músico instrumentista no Teatro da Praia de D. Manoel.
nela; e tendo sido muito digno de louvor pelo seu serviçJ; ·Guilherme de Melo, por equívoco, ou porque tivesse co-
contudo, em 1831, foi despedido da Capela com todCls os nhecimento de mais esse sobrenome (não cremos tra,tar-se
outros instrumentistas por ordem do Governo". Tal como pre- de dois compositores), refere-se a Gabriel Fernandes da Trin-
tendia, Trindade foi readmitido na Capela Imperial, no coro, dade como Gabriel Fernandes da Silva. E o inclui entre os
em 1842. Quatro anos depois, porém, Francisco Manuel da compositores que cultivaram a modinha no Rio de Janeiro:
Silva informava ao inspetor da Capela que o cantor não "Enfim da modinha que no Rio de Janeiro alentara a imagi-
maic; poderia prestar serviços, pois achava-se paralítico. Seu nação e o talento musical dos mestres compositores José
falecimento verificou-se em setembro de 1854. Comentando Maurício, Marcos Portugal, Gabriel Fernandes da Silva ... "
um concerto da Beneficência Musical, Araújo Porto Alegre
faz um grande elogio à voz de Trindade, comparando-a, pela
pureza do timbre, à do famoso Rubini. FONTES PARA O ESTUDO DE GABRIEL FERNANDES DA
TRINDADE
Aires de Andrade situa-o como compositor popular:
"Grande co_!Ilpositor de m~dinhas foi ele. Deixou-as em nú- 1. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahia, Tipo·
mero avultado e das mais inspiradas que possui o repertório grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 133.
brasileiro do gênero". E, através do catálogo editado pela 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
Biblioteca Nacional, ..Música no Rio de Janeiro Imperial sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. l17, 134,
(1822-1870)", ficamos sabendo que ..As conhecidas modinhas 135, 136, 137, 209, 210, 211.
e os lundus de Trindade foram, em grande número, impressos 3. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
por Laforge". A mesma Biblioteca Nacional possui duas des- Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. 1962) - p. 37, 68,
sas modinhas, "Quando Não Posso Avistar-te" e "Adorei 76-77 e 94.
Hum'Alma Impura", editadas por P. Laforge, respectivamente 4. AIRES DE ANDRADE-,- "Francisco Manuel da Silva e Seu Tempo"
e~. 1839 e 1842. A coleção de modinhas, romanças, recita- -Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles~ 1967) - p. 243.
tivos, lundus,. etc., para canto e piano, intitulada ..Flores. do
Brasil", incluía outra: ··um Ai Gerado Pela Paixão". ·
O referido catálogo da Biblioteca Nacional informa tam-
bém o seguinte, à p. 77: ..João Bartholomeu Klier, estabele- MANUEL PIMENTA CHAVES
cido desde 1831 na rua do Hospício com uma das mais an- (1800? - 1860?)
tigas lojas de música do Império, mandou imprimir em 1834
várias modinhas de Gabriel Fernandes da Trindade", (ver O compositor, oboísta e organista Manuel Pimenta Cha-
n. 119) trabalho esse que supomos tenha sido executado na ves nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de
oficina de Pedro Laforge, que nessa época possuía estampa-
rilt. de. música na rua do Ouvidor, 149 .•. " E, na p. 94, co:[Link] ~ 1800, e deve ter falecido na mesma cidade, lá· por 1860., ·
que Gabriel Fernandes da Trindade participou, em 31 de 1 ·i
Em "Francisco Manuel da Silva e Seu Tempo", Aires de
Andrade esclarece~ "'Nomeado 2. 0 oboé da Capela Imperial
outu?ro de 1836, ao lado de Cândido Inácio da Silva, }a- ..,;j
""'··--· '-=-
ém 1822, eom' a obrigação de afinar os pianos dos Paços Im-
periais. Organista, em 1829, da igreja da Ordem Terceira
88 89
de S. Francisco da Penitência. Professor de piano, de 1844 a PADRE TELES
184/'. -
(1800? - 1860?)
Manuel Pimenta Chaves deixou uma modinha, "Queci
Socorre Hum Desgraçado" e a "Marcha de Círculo Olímpico", O Padre Teles foi um famoso compos~tor de modinhas e
__;. esta arranjada para piano e oferecida a S. M. Imperial - lundus da primeira metade do século XIX. Teria nascido na
ambas editadas por Pierre Laforge ('"Música no Rio de Ja- Bahia lá por 1800 e pode ter falecido no Rio de Janeiro, por
neiro Imperial'", p. 75). volta de 1860. São apenas suposições. Mário de Andrade, que
Guilherme de Melo (""A Música no Brasil", Bahia, Tipo- pesquisou tudo sobre Modinha para publicar, em 1930, seu
grafia de S. Joaquim, 1908, p. 134) inclui Manuel Pimenta esplêndido "Modinhas Imperiais", escreve o seguinte do
Chaves (nome estropiado para Pimenta Chave, erro que nem Padre Teles: "Pouco sei sobre quem foi este padre. Melo
a edição do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, nem Morais Filho o enumera numa lista de músicos anteriores à
a jntitulada "2. a Edição" - na realidade, a 3. a - corrigi- fundação da Opera Nacional (1857), e que foi celebrado
ram ... ) entre os compositores que cultivaram a modinha no nos tempos da Colônia prova já vir nomeado no livro de Balbi
Rio de Janeiro: "Enfim da modinha que no Rio de Janeiro que é de 1822.
alentara a imaginação e o talento musical dos mestres com-
positores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... ], Pimenta "Parece mais que o padre Teles era baiano. Pelo menos
Chave [ ... ]", etc. o "'Trovador" (V. 80) registra "Eu não gosto de outro
amor ... " como ""lundu baiano do padre Teles". A não ser que
""lundu baiano", como "toada caipira", "valsa alemã", seja
um modo regional de tratar uma determinada forma. Po-
ANTôNIO JOS:t! GOMES FERREIRA rém nem mesmo os cronistas musicais baianos se utilizaram
da expressão nesse sentido. Em todo caso é de estranhar que
(1800? - 1860?) Manuel Querino se esqueça de nomear o padre Teles nos
livros dele".
O compositor Antônio José Gomes Ferreira nasceu
presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1800, e deve Daí a hip6tese que lançamos de o Padre Teles ter nascido
ter falecido na mesma cidade, lá por 1860. na Bahia - daí, sua fama de baiano. . . - mas ter vindo
para o Rio de Janeiro sem ter ligado o nome aos fastos de
":€ dele a modinha ""A Despedida", "offerecida a huma Sra. sua terra recenseados por Manuel Querino, pois na Corte é
Portugueza", e datada de 1838, peça que integra o acervo da que teria lançado suas modinhas e lundus.
Seção de Música e Arquivo Sonoro da Biblioteca Nacional
(ver catálogo "'Música no Rio de Janeiro Imperial"fRio de Deixemos, porém, esse encapelado mar de incertezas para
Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962, p. 75). singrar águas mais tranqüÜas. f: certo que ele tenha escrito
a modinha ""Eu Tenho no Peito", com texto anônimo (do
Guilherme de Melo em ""A Música no Brasil" (Bahia, próprio sacerdote?), n.a das XV (mais o Lundum para
Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 134) inclui Antônio José piano, XVI) publicadas por Mário de Andrade em "Mo-
Gomes Ferreira entre os compositores que cultivaram a mo- dinhas Imperiais". A letra é a seguinte:
dinha no Rio de Janeiro: ""Enfim da modinha que no Rio
de Janeiro alentara a imaginação e o talento musical dos
mestres compositores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... L Eu tenho no peito um lindo semblante
Antônio José Gomes Ferreira ..... Que me tem cati1>0 de quem sou amante
90 91
Má1io o transcreveu de um exemplar, em água-forte, A Biblioteca Nacional possui um segundo hindu do Pa-
pertencente à coleção de Luciano Gallet. "'11: o n. 19, do dre Teles, de 1840: "Querem Ver Esta Menina ... ", editado
"'Novo Album de Modinhas Brasileiras" de Filippone e Tol- no· Rio de Janeiro por P. Laforge.
naghi" - esclarece. A Biblioteca Nacional possui também um
Guilherme de Melo em "A Música no Brasil" inclui o
exemplar desse "Novo A1bum de Modinhas" e, portanto, dessa
Padre Teles entre os compositores que cultivaram a modinha
"modinha brasileira para canto e piano". ·
no Rio de Janeiro: "'Enfim da modinha que no Rio de Ja-
O ..Lundu baiano pelo padre Teles" - "'Eu Não . Go;.to neiro alentara a imaginação e o talento musical dos mestres
de Outro Amor", que se encontra no Volume V do ..Trova- compositores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... ], Padre Te-
dor", tem a seguinte letra, provavelmente de autoria do pró- les [ ... etc.]".
prio sacerdote:
92 93
Bella" (1840) que integram o acervo da Seção de Música e JOSJ! JOAQUIM GOIANO
Arquivo Sonoro da Biblioteca Nacional (ver catálogo "Mú- (1800? - 1867)
sica no Rio de Janeiro Imperial, 1822-1870", Rio de Janeiro, i
Biblioteca Nacional, p. 75). O compositor e violinista José Joaquim Goiano nasc;:lu
Em "A Música no Brasil" (Bahia, Tipografia de S. Joa- em Minas Gerais, por volta de 1800, e faleceu em 1861, pre-
sumivelmente no Rio de Janeiro.
''<fuim, 1908, p. 134), Guilherme de Melo inclui Quintiliano
da Cunha Freitas entre os compositores que cultivaram a Em 1843 é segundo violinista da orquestra do Teatro
São Pedro de Alcântara. Nesse mesmo ano, é nomeado para
modinha no Rio de Janeiro: "Enfim da modinha que no Rio a Capela Imperial, quando foi reorganizada a orquesh·a, ali
de Janeiro alentara a imaginação e o talento musical dos permanecendo até 1859.
mestres compositores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... ], O Maestro Batista Siqueira refere-se a ele nas páginas
Quintiliano da Cunha Freitas [ . . . etc. f'. 46 e 47 do seu livro "Ernesto Nazaré na Música Brasileira":
"No ano de 1847 mais decisivos se mostraram os nadonais na
divulgação e construção de novas polcas: o compositor brasi-
leiro José Joaquim Goiano (o Goiano ), escreveu uma peça
JOÃO JOSJ! FERREIRA DE FREITAS teatral em um ato que denominou Ária do Pequeno Mestre
(1800? - 1860?) à Polca, que depois de levada com sucesso no teatro Santa
Teresa, foi também aplaudida no São Francisco (Veja-se o
"Jornal do Commercio" de janeiro de 1847). As casas editoras
O compositor e cantor João José Ferreira de Freitas nas- não perderam tempo, e anunciaram imediatamente: ··Ária de
ceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1800, e polca arranjada pelo próprio autor José Joaquim Goiano".
deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1860.
Para destacar o interesse da obra nacional, eis como vem a
Publicou o mais antigo periódico musical brasileiro que publicação aludida: ..Saiu esta linda e engraçada peça que
se conhece: o Philo-Harmônico, lançado em 1842 (tem se foi várias vezes representada no teatro São Francisco. A
notícia, pelos jornais da época, de que, entretanto, em 1834, poesia é do Sr. A. G. Teixeira e Sousa, e tem várias e lindas
foi iniciada a publicação da coleção "Lyra do Apollo Brazi- quadras para todos os amantes da polca".
leiro" e, em 1837, a "Terpsichore Brazileira"). Entre 1850 e 1859 mora na Rua do Núncio, 18, e na
Rua do Hospício (hoje Buenos Aires), 371.
Mestre Freitas, segundo informa a publicação "Música José Joaquim Goiano teve sua polca-mazurca ..Tijuca"
no Rio de Janeiro Imperial", "além de compositor e modi- incluída no álbum ..Rio de Janeiro - Album Pitoresco Mu-
nheiro dava, em 1836, lições de cantoria na rua da Cadeia, sical", publicado, em 1855, pelos Sucessores de P. Laforge
19". (estabelecidos na Rua dos Ourives, 60), e desenhado por Alf.
Martinet. Pôs também em música "Ponto Final", versos de
Paula Brito, que tem como subtitulo "Lundu Brasileiro".
FONTES PARA O ESTUDO DE JOÃO JOS:a! FERREIRA De Goiano é ainda a valsa pulada, escrita para ser can-
DE FREITAS
I tada e dançada no segundo ato da ópera de F. C. da Con-
ceição, "O Casamento e a Mortalha no Céu Se Talha'', peça
1. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Catálogo da
Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música l que foi encenada no Teatro São Francisco, em 1851. Esta
e Arquivo Sonoro (Rio de Janeiro. Biblioteca Nacional. 1962) -
p. 67. L
1
composição foi distribuída gratuitamente aos assinantes do
jornal "Marmota na Corte".
94
l 95
t
I
Entre os anos de 1857 é 1865 - sem ser possível pre- tugal e Sua Influência no Brasil" (Rio dfi? Janeiro, Impiénsa Nacio-
cisar exatamente - Goiano . foi . diretor de coros da Opera nal, 1942) - p. 287, 291, 298, 305, 317 e 319.
Nacional. De 1859 a 1868, foi professor do Imperial Colégio 7. WANDERLEY PINHO - "Salões e Damas do Segundo Reinado"
Pedro II. Residia, então, na Rua São Nicolau, (Mata-Porcos (São Paulo, Livraria Martins-Editora, 1942) - p. 261.
- estrada que se tomou a Rua Frei Caneca). Entre 1860 .e 8. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
1867 - quando morava na Rua dos Ciganos (hoje Rua da comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional•. 1962) - p. 31 e 80.
Constituição), 28 - foi músioo instrumentista da Capela Im- 9. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
perial. Tempo" - Volume II (Rio de Janeiro. Sala Cecília Meireles, 1967)
..,.:.. p. 175. .
Guilherme de Melo inclui José Joaquim Goiano - cujo
nome ele simplifica para J. Goiano - entre os compositores
que cultivru·am a modinha no Rio de Janeiro. "Enfim da mo-
dinha que no Rio de Janeiro alentara a imaginação e o ta- JOÃO DA VEIGA MURICI
lento musical dos mestres compositores José Maurício, Mar- (1806 - 1890)
cos Portugal [ ... ], J. Goiano [ ... ], etc.".
Vincenzo Cernicchiaro dá-nos outras informações sobre O compositor, poeta - e também eminente professor,
José Joaquim Goiano: "Di buona rinomanza musicale fra i suoi escritor etc . ...,. João da Veiga Murici nasceu em Salvador,
contemporanei, fu J. J. Goyano, il quale coprl varie cariche Bahia. em 1806 e faleceu na mesma cidade. a 24 de fevereiro
artistiche come professore di solfeggio e maestro dei cori de 1890.
deli' opera lirica nazionale. Compositore, scrisse, oltre a vari Em "A Bahia de Outrora", no capítulo "João da Veiga
ballabili, pubblicati nell'Album "Rio de Janeiro" (1855), una Murici", com que encerra. o livro. Manuel Querino a ele se
ouverture per orchestra, ed . alcuni pezzi di musica sacra in refere como eco autor da música dos conhecidos cânticos da
stile semplice e senza grande linea, eseguiti nelle funzioni Noite de Reis". E entre os bailes pastoris por ele deixados
religiose, di cui egli era uno dei piu stimabili oganizzatori destaca o da Graça Eficaz._
dei suo tempo. Morl a Rio de Janeiro, verso il 1866". ·
l
Compositor prolífico, escreveu um Te-Deum para a co- composição anónima, e foram consignados por Joaquim Nor-
roação de D. Pedro II, aceito por Aviso da Secretaria do Imr berto no livrinho "Nova Coleção, etc."; não sabemos, portan-
pério na data de 2 de março de 1842, e diversas composições to, se são originários de Pernambuco". E acrescenta: "O que
sacras como credos, novenas, ladainhas, nove Missas festivas não resta dúvida é que tiveram muita voga entre nós c,om a.
para grande orquestra, etc., além de vários hinos marciais. sua competente música, de que ainda perfeitamente nos re-
Deixou ainda Modinhas ao Senhor Menino, hinos, valsas, cordamos, com gratíssimas e saudosas reminiscências".
minuetos e outras músicas de dança. E também autor de um A letra de '"Senhor Pereira de Moraes" encontra-se em
Compêndio de Música, com duas edições, a primeira em 1834, "Cantos Populares do Brasil" de Sílvio Romero:
a segunda em 1846: a famosa Artinha Mussurunga. Em 1849
levou ao Presidente e ao Legislativo da Província um plano
SENHOR PEREIRA DE MORAES
para a fundação de um Conservatório na Bahia, semelhante
ao que vinha de ser criado no Rio de Janeiro, idéia que
infelizmente não foi levada em consideração. Onde vai, senhor Pereira de MoraesP
Vossê vai~ não vem cá mais;
A música popular brasileira, Domingos da Rocha Mus- As mulatinhas ficam dando ais,
surunga legou doze modinhas (opus 42 a 53), o lundu "Onde Falando baixo,
Vai, Sr. Pereira de Moraesr e dois duetos bufos: "A Negra Para meter palavriados . ..
do Munguzá" e "O Corta-Jaca". Qu' é d' êl-o pente
Vincenzo Cemicchiaro que, em "Storia Della Musica nel Para abrir liberdade (em nota, diz Sílvio Romero:
Brasile", refere-se a ele como "un chiaro e coltissimo musi- "Chama-se assim o repartimento do cabelo pe-
cista", acrescenta: "Simili a questi, altri musicisti di alto in- lo meio da cabeça, a estrada real, como d '-
telletto musicale, ad esempio, Mussurunga e Damião Bar- zem").
boza, non disdegnarono lo stile ingenuo dell'anima popolare, Qu' é ã êlo peru azul?
ed, ai par di José Maurício, scrissero "modinhas", che furono Qu' é ã êl-a banha de teyú (Em nota, esclarece
tipo di bellezza, ai loro tempi". E mais adiante: "Soggiunge- Sílvio Romero: "toguixin").
remo che il Mussurunga, come compositore, ebbe dagli sto- Dois amantes vão dizendo
riografi musicali di Bahia giudizi lusinghieri, che lo classifi- "Venda a roupa e fique nú . .. "
cano come artista d'ingegno non comune". Mulatinhas renegadas.
Tão célebre foi o lundu "Onde Vai, Senhor Pereira de Mais as suas camaradas.
Moraes?" que chegou a sofrer um processo de folclorização. Me comeram o dinheiro,
Sílvio Romero em "Cantos Populares do Brasil", Volume I Me deixaram escolambado;
(Lisboa, Nova Livraria Internacional-Editora, 1883), p. 46, diz Afuntaram-se ela todas
que é canto de Sergipe ou do Rio de Janeiro. Pereira da Me fizeram galhofadas . ..
Costa em "Folk-lore Pernambucano" (Rio de Janeiro, Li-
vraria J. Leite, 1908, Tomo LXX da "Revista do Instituto I Ora, meu Deus,
Ora, meu Deus~
Histórico Brasileiro"), p. 431, 432, 434, 435, acrescenta Per- Estas mulatinhas
nambuco como possível local de nascimento desse lundu ... São pecados meus; ..
Em nota à "Canção da Vivandeira", escreveu: "Esta canção,
bem como a d'"Os Mandamentos" e os lundus "Aonde Vai,
\ A letra estampada por Pereira da Costa apresenta sen-
Senhor Pereira de Moraes?", ~o Caranguejo" e a "Mulatinha
do Caroço no Pescoço", todos insedos em seguida, são de
J síveis diferenças, constituindo uma verdadeira "versão per-
nanibucana":
98 I 99<;
•
AONDE VAI. SR. PEEEIRA DE MORAES? - p. 255-257; 2: Edição (Rio de Janeiro, Imprensa Naciortal, 1947)
- p. 242-244.
Aonde vai, senhor Pereira de Moraes
Se ~ vai, não vem cá mais;
' 2 .. ARARIPE JúNIOR - "Gregório de Matos" (Rio de Janeiro,
'-'ivraria Garnier Irmãos, s/d) - p. 171.
3. MANUEL QUERINO - "'A Bahia de Outrora" - 2: Edição
As mulatinhas s6 dando ais, (Bahia, Livraria Econômica, 1922) - p. 297.
Falando baixo pra meter palavriais; 4. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
Metendo o pente para abrir a liberdade; sile" (Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 19iii) - p. 55, 57.
143, 150, 151.
Fazendo figas aos demónios das rivais;
5. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" (Rio de
Saias na goma pra os recheios e fafás Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 66-67, 352, 367.
Se voe~ vai não vem cá mais. 6. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Catálogo da
.Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música
Mulatinhas faladeiras, e Arquivo Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) -
p. 19.
Renegadas do diabo,
Me roubaram meu dinheiro
Me deixaram esmolambado.
Ora meu Deus.
Ora meu Deus; PADRE GUILHERME PINTO DA SILVEIRA SALES
Qu,estas mulatinhas (1808? - 1868?)
São pecados meus.
O sacerdote-compositor e cantor Padre Guilherme Pinto
Araripe Júnior, em "Gregório de Matos", escreve: ""O
da Silveira Sales nasceu na freguesia de Santo Antônio de
Bonfim e o Rio Vermelho são as novas Tessálias onde se en- Além do Carmo, em Salvador, Bahia, por volta de 1808, e
contram os ritos verdadeiros dessas feitiçarias. :);: nesses sítios deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1868.
amenos que se podem ouvir o canto e a dança daquelas mu-
latinhas que são os "pecados" do célebre ..senhor Pereira Com o farmacêutico Possidônio Pinto da Silveira Sales
de Moraes" da trova popular; é nas festas adicionais ao culto e Olegári<? Pinto de Sales constituiu "uma tríade de irmãos
demótico do catolicismo, nos ritos eróticos da Vênus infusa tanto na prole como na arte, que muito contribuíram com
de todas as raças celebrados nas adjacências do Bonfim, que suas composições para o deleite e encanto da sociedade
se pode ver a força do estro que criou todas essas lendas baiana" ( Guilherme de Melo).
crepitantes de amor, onde se observam ainda os novos Pe- O mesmo autor ("A Música no Brasil") conta o seguinte:
reiras de Moraes. "O primeiro [Padre Guilherme] se bem que pródigo e sedento
em suas modulações, impersistente no seu ritmar e desregrado
"Falando baixo em seus traços, tinha lampejas belíssimos de ~nspiração. mu-
Para meter palavriado... sical. Pródigo, impersistente e desregrado talvez o fosse por
vaidade, não só porque possuindo uma certa ilustração quisera
FONTES PARA O
MUSSURUNGA
ESTUDO DE DOMINGOS DA ROCHA ;• sair fora do comum, como também porque sofria a d(!ellça de
compor modinhas dificultosas de acompanhamento, para que-
brar o orgulho dos acompanhadores de violão" .
100 i iOl
J't. l!.·RMPR
Qu'Eu Te Ame", "Ouço Bater Meia-Noite", "O Canto do pressão. E de sua lavra a "Canção do Bardo", de ónde des-
Bardo" e "Não Sei o ·Que Sinto n'Alma", "que ainda hoje fa- tacamos os quartetos seguintes:
zem parte do repertório chamado das -rrwdinhas de apertd'.
E completa a série de informações sobre esse vulto pioneiro Frio manto de estrelas bordado
da música popular baiana dizendo que "tinha uma boa voz Vem a noite arrastando no céu ...
e quando cantava impunha-se à admiração de todos". Cai orvalho das asas da brisa
Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica nel Bra- Que gelada entre flores morreu
sile" refere-se em conjunto aos irmãos Possidônio e Olegário
Pinto da Silveira Sales (omitindo o nome do Padre Guilher- Uns têm pranto chorando nos olhos
me) dizendo que eles ..scrissero anche un buon numero di Dentro d'alma chorado é o meu
"modinhas", non mancanti di sostanziose ispirazioni". A con- E ninguém pode vir enxugá-lo
fusão entre os irmãos Guilherme, Possidônio e Olegário já tem Pois s6 quem sabe dele sou eu . .. "
seu germe, entretanto, no próprio Guilherme de Melo, que,
em "A Música no Brasil", refere-se ao Padre Possidônio Pinto "Ainda escreveu: "Deixa, Mulher, Que Te Ame", tema so-
da Silveira Sales, na página 134, e depois, nas páginas 248- bremodo profano, "Ouço Bater Meia-Noite" e outras, consi-
249, menciona o Padre Guilherme Pinto da Silveira Sales e deradas pelos violonistas como "modinhas de aperto".
o farmacêutico Possidônio Pinto da Silveira Sales. . . A esse
conto de confusão de nomes, Renato Almeida acrescenta não
um mas vários pontos, referindo-se ao Padre Pinto da Silveira FONTES PARA O ESTUDO DO PADRE GUILHERME PINTO
DA SILVEIRA SALES
Sales como Pinto da Silveira Teles, e atribuindo aos irmãos
Possidônio e Olegário Pinto da Silveira Sales modinhas que 1. GUILHERME DE MELO - .. A Música no Brasil" (Bahia, Tipo-
são do Padre Guillierme, como "O Canto do Bardo", "Deixa, grafia S. Joaquim. 1908) - p. 248-249.
Mulher, Qu'Eu Te Ame" e "Não Sei o Que Sinto n'Alma". 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
sile" (Milano. Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 56.
Em "Boêmios e Seresteiros Baianos do Século Passado",
3. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.•
Manso Rui escreveu: "Do segundo ["o cle:ro secular"], dis- Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp. - Editores. 1942) -
tingue-se, impetuoso e inspirado, o padre Sales (Guilherme p. 67.
Pinto da Silveira Sales), da mesma família de Artur de Sales, 4. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros do Passado" (Salvador.
o príncipe dos poetas baianos, que tão bem soube honrar a Livraria Progresso Editora. 1954) - p. 21-22.
tradição do padre Guilherme que, com seus dois irmãos
('•Foram seu irmãos: O farm. Possidônio Silveira Sales, autor
da modinha -reu Olhar Fascinante", e Olegário P. Sales que
escreveu ..Saudade de Maria" e "Canto da Ausência"), tanto DR. JOS2 MAURíCIO NUNES GARCIA
contribuiu para a elevação da trova brasileira. O padre Sales,
que residia· para as bandas da Soledade, por "vaidade de in- .1 (1808 - 1884)
.I
,
teligência", só compunha modinhas de difícil acompanhamen- O filho do Padre José Maurício, de nome exataínente
to, e mais de um dos afamados tocadores de violão de ·sua
época, viu-se arrastado ao pelourinho do descrédito e a ·se
confessar vencido ao acompanhar as modinhas do padre, que
!à ___ _
igual ao do pai, nasceu em 1808. Médico ilustre, professor
catedrático da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro,
cultivou também as artes. Pintor, poeta - é autor da letra de
as cantava corri' brilhantismo, voz magnífica e invulgar .ex.:. "Beijo a Mão Que Me Condena", música de seu pai -com-
102
1ii
10;3
J_
·----~----
pôs também modinhas, reunidas em dois volumes, e lundus. :!! a seguinte a letra do lundu, "Não Te Rias, ó Menina":
Chamavam-se aquelas as Mauricinas, '"coleção de canções e
valsas dedicada à memória do Padre-mestre José Maurício
Nunes Garcia". Inocêncio Francisco da Silva, citado por Re-
nato Almeida, assim se refere a essas composições musicais i
~~
NÃO TE RIAS, O MENINA
do Dr. José Maurício Nunes Garcia: "São 65 peças de música
de sua composição, acompanhadas das respectivas poesias. ..Não te rias, ó menina,
Esta coleção, dedicada ao pai e omada com o retrato deste, Que teu riso é venenoso,
que ele filho desenhara foi publicada pela casa tipográfica O amor dos teus agrados
de Paula Brito. Dela falou, com elogio, o "Guanabara", n. 9 de Me foi sempre suspeitoso.
1851".
Vai-te, ó menina,
"O Trovador", "coleção de modinhas, recitativos, á.I·ias, Não te lamentes,
lundus, etc." em sua "Nova Edição, correta", 1876, Volume Que bem conheço
III, refere-se expressamente, além de dar a letra de "Beijo Como tu mentes.
a Mão Que Me Condena" (p. 81), a uma composição do
Dr. José· Maurício: o lundu "Não Te Rias, ó Menina" ( p. Enquanto por ti chorei
116-117), letra dele mesmo, provavelmente. E o Volume IV, Cruel foste p'ra comigo,
publicado na mesma data, estampa, na página 15, a modinha Cansado d' amor sem fruto
..Marília, Se Me Não Amas", "poesia e música do falecido No silêncio achei abrigo.
padre-mestre José Maurício", engano que deve correr por
conta da igualdade de nomes. Vai-te, 6 menina - etc.
A letra que o Dr. José Maurício fez para a música de
seu pai, Padre José Maurício, "Beijo a Mão Que Me Condena", É amor tão transitório
é a seguinte: Que achei loucura amar,
Pois se hoje amor dá risos,
Amanhã nos .faz chorar.
BEIJO A MÃO QUE ME CONDENA Vai-te, 6 ·menina - etc.
t
Vai-te, 6 menina - etc.
Que eu amo tanto
Sem ser amado 11: das belas rejeitado
Sou infeliz Quem lhes não cativa a alma.
Sou desgraçado...
jc=c Mas eu qu'as belas rejeito
De amante não quero a palma.
104 1] 105
!
Vai-te, ó menina" ~ etc. PAULA BRITO
(1809 - . 1861)
'
A modinha "Marília, Se Me Não Amas... tem a seguinte
letra: O tipógrafo, livreiro, editor, poeta, jornalista e também
letrista de música popular Francisco de Paula Brito ~ autor
MARlLIA. SE ME NÃO AMAS que é da letra do famoso "Lundu da Marrequinha", de Fran-
~~
A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - Volume III - p. 81, 116-117;
e Volume IV, p. 15. l Paula Brito morre a 15 de dezembro de 1861 em· sua
2. RENATO ALMEIDA - '"História da Música Brasileira" (Rio de residência no Campo de Sant'Ana, n~ 25, sendo sepuitado,
Janeiro, F. Briguiet & Comp. - Editores, 1942) - p. 320. no dia seguinte, com um dos maiores cortejos fúnebres já
-.
3. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição vistos até então na Corte ("Mais de duzentos canos" - conta
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo Melo Morais Filho), no carrieiro 429 do .Cemitério de São
Sonoro" (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 29-30,
74, 80, 92 e 100. · Francisco Xavier, no Caju. ·sua missa de s~timo dia realiza-se
~;I
106 ~, 107
j
I
~
na igreja do Santíssimo Sacramento - a mesma em que fora Porém agora
batizado em 1809. Meu coração
Dois anos depois de sua morte, editada pela Tipografia Pôs na oração
Paula Brito (Viúva Paula Brito & Genro), é lançado o livro Ponto final
"Poesias de Francisco de Paula Brito", organizado e prefa-
ciado por Moreira de Azevedo. Esse prefácio é, aliás, a b·ans- O que ela por mim fazia.
crição da "Biografia de Francisco de Paula Brito", publicada Fazia a outros também:
pelo autor no "Correio Mercantil", a 28 de fevereiro e 2 e Não ter amor a ninguém
3 de março de 1862. É seu timbre natural;
Para a música popular brasileira, Paula Brito não contri-
buiu, entretanto, apenas com o ..Lundu da Marrequinha" Por isso agora
(baseado em "O Trovador", de 1876, o Maestro Batista Si- Meu coração
queira, em seu estudo "Músicas Brasileiras do Império", incor- Pôs na oração
porado, como follieto, ao álbum de discos "Música Imperial" Ponto final.
-editado, em 1968, pela Sociedade Cultural e Artística Uira-
Encerremos este capítulo sobre o letrista Paula Brito, com
puru, em convênio com o Ministério da Educação e Cultura os versos do Lundu da Marrequfnha, tal como estão no livro
- prefere o titulo "A Marrequinha"; mas o próprio livro
"Poesias de Francisco de Paula Brito", páginas 67 e 68:
"Poesias de Francisco Paula Brito" (Rio de Taneiro, Tipografia
Paula Brito, 1863), autoriza, na página 67, o título "Lundu
da Marrequinha"). A letra de "'Ponto Final", •1undu brasi- LUNDU DA MARREQUINHA
leiro", música de José Joaquim Goiano, é também de Paula
Brito. Os versos são estes, transcritos da edição original de Os olhos namoradores
1863: Da engraçada iaiásinha
:Lo_go me fazem lembrar
PONTO FINAL Suã [Link] marrequinha
108 109
~
Iaiá, não teime. etc. JOÃO V(TOR RIDAS
(1810? - 1856)
Nas margens da Caqueirada
Não há s6 bagre e tainha: Nascido em Portugal, por volta de 1810, o regente, vio-
Aili foi que ella creou linista e compositor João Vítor Ribas chegou ao Rio de
Sua bella marrequinha. Janeiro em 1841.
Como músico avulso, tocou na Capela Imperial, ali sendo
Iaiá. não teime. etc. efetivado em 1843, quando da reforma levada a efeito por
Francisco Manuel. Ainda nesse ano, exerceu, no Teatro São
Pedro de Alcântara, a função de violino-regente.
Tanto tempo sem beber .. . E foi ele o violino-regente na noite memorável de 17
Tão jururú. . . coitadinha I .. . de janeiro de 1844, quando Augusta Candiani eletrizou o
Quasi que morre de sêde público do Rio de Janeiro, interpretando a "Norma" de Bellini.
Sua bella marrequinha. Descendia de família ilustre de músicos. Seu pai era um
conhecido regente português que atuava no Teatro São João,
I~ não teime, no Porto. E o cantor e compositor Eduardo Medina Ribas -
Solte a marreca. irmão de João Vítor - teve destacada atuação no cenário
Se não eu morro. musical do Rio de Janeiro.
Leva-me a breca. João Vítor escreveu diversas modinhas, quadrilhas, ro-
manças, etc. Foi autor ainda da música do bailado em 5 atos
"A Estrela e o Marinheiro" (1852), da cantata alegórica "II
FONTES PARA O ESTUDO DE PAULA BRITO Nuovo Pigmalione", esta apresentada no Teatro São Pedro de
Alcântara, e da romança-arieta "Guanabara", dedicada a D.
1. MOREIRA DE AZEVEDO - "Biografia de Paula Brito" (in Pedro II ( 1852).
"Correio Mercantil•, 28 de fevereiro e 2 e 3 de março de 1862; Faleceu no Rio de Janeiro a 26 de janeiro de 1856. Um
biografia republicada como prefácio ao livro "Poesias de Fran·
cisco de Paula Brito"" (Rio de Janeiro, Tipografia Paula Brito, jornal publicou, no dia seguinte, esta nota: "Faleceu ontem
1863 - p. VII-XXXVII). o Sr. João Vítor Ribas, hábil músico que regeu por muito
2. PAULA BRITO - "Poesias de Francisco de Paula Brito" (Rio tempo a orquestra do nosso teatro lírico: algumas pessoas
de Janeiro, Tipografia Paula Brito, 1863). viram uma coincidência em ter lugar a sua morte quase à
3. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro• (Rio de Janei- mesma hora em que desabava o teatro São Pedro de Alcân-
ro, B. L. Garnier, Editor, s/d [1901?]) - p. 159. tara, onde por tanto tempo exerceu ele a sua arte". Esse
4. MOREIRA DE AZEVEDO - "Mosaico Brasileiro• (Rio de Janei· desabamento ocorrera quando do terceiro incêndio daquela
Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro-Editor, 1904) - p. 9-20. casa de espetáculos.
I
110 111
I
L.
2. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição Guilherme de Melo inclui Joseph Fachinetti (nome que
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo ele simplifica para J. Fachinetti ... ) entre os compositores
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 11, 52 e 1y.
3. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
que cultivaram a modinha no Rio de Janeiro: ..Enfim da
Tempo" - Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967) ,lpOdinha que no Rio de Janeiro alentara a imaginaçãp e o
- p. 221-222~ talento musical dos ~stres compositores: José Maurício,
Marcos Portugal [ ... ] J. Fachinetti [ ... ] etc.".
JOSEPH FACHINETTI
(1810? - 1870?) JOS~ AMAT
Professor italiano que comp&s muitas e apreciadas mo-
dinhas. Escreve Renato Almeida em sua ••História da Música
Brasileira", p. 354: "Entre os anos de 1838/9, segundo infor~
mações de ·Sllio Boocanera Júnior, contratou o Governo da
I (1810? - 1870?)
'
Dias. Publicou, em 1851, o álbum «Mélodies Brésiliennes",
grafia de Santos & Companhia, 1843). músicas que dedica à Imperatriz e canta em palácio para
.. Como "hipótese de trabalho", vamos considerá-lo nascido
em 1810 na Itália e falecido na Bahia em 1870. J os soberanos brasileiros, em 1852. Em 1856, casa-se com sua
aluna de canto Luísa, brasileira, de família ilustre.
112 113
~~:-"
Em 1862 publicou outro álbum com o título ··Les .Nuits veio ressurgir, muito mais tarde, com Alberto Nepomuceno.
Brésiliennes", ambos recebidos éom muitos elogios. No "Cor- A ópera Nacional estreou a 17 de julho de 1857 com a
reio Mercantil", o crítico E. T. disse da primeira dessas co- zariuela ..A Estréia de Uma Artista", em que a protagonista
leções: "A música que nos faltava era uma música simples, era D. Luísa Amat. Várias óper~s brasileiras foram cantadas,
que por todos fosse entendida, uma música em que o canto a primeira delas "A Noite de S. João", de Elias Álvares Lobo,
falasse ao coração, que vestisse às mais das vezes estas tro- versos de José de Alencar, levada à cena a 14 de dezembro
vas tão sentidas dos nossos poetas favoritos. :€ essa lacuna de 1860. Mas, afinal, surgiram as dificuldades e sobreveio
que o Sr. Amat, com muito louvável intento, tentou preen- o fracasso. Em setembro de 1862, Dom José Amat deixa a
cher~. Dom José Amat musicou, de Gonçalves Dias, "A direção da ópera Nacional. Os novos empresários não pu-
Concha e a Virgem", "A Leviana", '"Como Eu Te Amo", "Mi- deram salvar a situação e Dom José Amat ainda tentou
nha Terra Tem Palmeiras", "O Pedido", "Teus Olhos", "Por reassumir a direção da ópera Nacional e sustentar o empre-
Um Ai", "Meu Anjo, Escuta", "Amar-te Ainda". "Se Te Amo", endimento. A 8 de janeiro de 1864 seguiu para a Europa para
"Canção do Exílio", "Uma Visão" e "Morrer de Amor". Diz
conseguir novos elementos artísticos, mas desta vez não obteve
Renato Almeida que Dom José Amat não procurava "fazer
êxito. Regressou e, em 1869, é diretor do Teatro do Recife,
música brasileira". '"A sua intenção" - acrescenta - "seria a
mais amorosa possível ao musicar os nossos poetas, mas os que pega fogo a 12 de novembro desse ano.
seus romances não eram brasileiros, senão árias italianas em Dom José Amat - de cujos últimos anos de vida nada
voga, com um certo sainete espanhol. No entretanto, essa conseguimos apurar - escreveu música para a poesia de
música modinheira não contrariava, antes se adaptava, aos Marc Constantin, ..Sur I'Onde" (a versão em português de
nossos versos e os popularizava extraordinariamente". Melo D. Vieira é intitulada "Sobre a Voga"); para poemas de A.
Morais Filho, em "Artistas do Meu Tempo", fornece-nos, dele, C. d'Andrada Machado e Silva ("Sonhei" e "A Louca"); de
o seguinte perfil sonoro: "Pianista ágil, tangendo o violão Diogo Vieira de Matos ( ..A Serenata", "Es um Anjo", ..0
com o langor com que só se o tange na nobre Espanha, Vale Saudoso"); de J. d'Aboim ("A Campa"); Carlos Guido
foi às dedilhações daquele e aos arpejos deste, nas belas "se- y Espano ("Amour et Regrets" e "Recuerdos de Espana"); J.
guidilhas" por ele entoadas em nossos fidalgos salões que B. N. d'Azambuja ("Tributo à Pátria"); Victor Hugo ("Je
a modinha readquiriu o fulgor perdido, e que os ritmos es- Pense à Toi"); Sta. J. J. N. da C. Meneses ("Porque Choras",
panhóis, dilatando o gosto, serviram de ouverture a novos "Tristeza"); Lopes Cardoso ('Voz lntima"); Calazans e Zaf-
cometimentos cênicos. O professor de piano e canto, o fo- fira ("Se Para Amar-te"); Metastásio ("Addio"); E. Adet
rasteiro militar, contraindo núpcias em uma família ilustre, ("Une Vision" e "Promesse d'Amour" ("Promessa de Amor");
as suas relações ampliaram-se, acercando-se do mestre dis- A. F. M. Doria ("A Deus e a Ti"); d'Armand le Lagneux ("La
cípulos de distinção e dinheiro. Nos saraus opulentos e nas Langage de Mes F1eurs", "O Que Dizem Minhas Flores" e
festas íntimas, José Amat constituiu-se o centro de um sínodo "O Anjo da Saudade"); Sra. D. Valmore ("Les Cloches du
harmonioso de poetas e músicos, vitoriados pela élite flu- Soir"); Alvares de Azevedo ("Por Que Mentias?"); F. Ribeiro
minense, de homens d'Estado, banqueiros, literatos, altos fun- ("Flores d'Alma"); E. Zalinar e Zaffira ("A Bênção"); H. C.
cionários públicos, etc." - Muzio ( ..Foi Assim o Seu Amor", lundu); Castilho ("Un Ange
Sonhando com um teatro de ópera nacional, D. José Amat
tomou realidade esse sonho: a 25 de março de 1857 funda-
va-se a Imperial Academia de Música e ópera Nacional,
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i
Envole"); L. d'Alencar e Zaffira ("A Separação"); 000 ("Ah!
Perdona"); 000 ("Possa Amor"); e 000 ( ..Já Brilha a Aurora");
todas estas, mais as citadas "Amar-te Ainda", "Se Te Amo",
tendo D. José como gerente e administrador econômico. Já
o preocupava a idéia do canto em português, ide~J que s6 J.
j,
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"Como Eu Te Amo", "Morrer de Amor", "A Concha e a Vir-
gem" e "Por um Ai", de Gonçalves Dias, formando a coleção
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114
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"Les Nuits Brésiliennes", editada em 1862, por Leduc Fils Teve peças publicadas [Link] jornal "Marmota", entre 1849
& Cie, Paris). . e 1861, segundo informa o catálogo "Música no Rio de Ja-
Musicou ainda outros poemas de autores não identifi~a neiro Imperial {1822-1870)" (Rio de Janeiro, Biblioteca Na-
dos: "Mirralina'"', "Silfo ou Anjo?", "A Rosa Murcha" e "Deus cional, 1962), p. 80.
e Ela". Segundo Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica
nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926),
p. 133, "egli era considerato uno dei migliori flautisti dell'epo-
ca."
FONTES PARA O ESTUDO DE JOSl! AMAT
L. F. MILLIET
ANTôNIO XAVIER DA. CRUZ LIMA
(1810? - 1870?)
,, (1810? - 1870?)
-;:
~ O compositor, clarinetista e guitarrista L. F. Milliet nas-
O compositor e flautista Antônio Xavier da Cmz Lima ~
ceu presumivelmente na França, lá por 1810, e talvez tenha
nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1820,
e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1870.
J
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falecido no Rio de Janeiro, por volta de 1870.
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J
• 9 - R.M.P.B.
Escreveu uma coleção de _quatro quadrilhas, três de con-
tradanças e uma de valsas, arranjadas para piano pelo Profes- PADRE SANT'ANA
sor Carlos Neytz, dedicadas à Família Imperial e intitulada (1810? - 1870?)
"A Coroação de S. M. L D. Pedro II". As peças intitulam-se
..D. Pedro II", "D. Januária", ..D. Francisca" e "Maria Amelia". O sacerdote-compositor Padre Sant'Ana nasceu presu-
L. F. Milliet foi diretor de orquestras de baile e profes- mivelmente em Salvador, Bahia, por volta de 1810, e deve
sor de guitarra e clarineta. VilllCenzo Cemicchiaro recorda ter falecido na mesma cidade, lá por 1870.
..anche il nome dei professore M. L. F. Milliet, che apre un Guilherme Teodoro Pereira de Melo em ..A Música no
corso di musica in Via Ouvidor, 137, nel cui prospetto s'in- Brasil" (Bahia, Tipografia de S. Joaquim, 1908), p. 134, in-
quadra questo originale avviso: .. Música -Ensino Simultâneo clui-o entre os mestres compositores da Bahia; e Vincenzo
pelo Método "Meloplato''. Cemicchiaro em ..Storia Della Musica nel Brasile" ( Milano,
O soprano Carlota Milliet teria, com ele, alguma relação Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 56. também a ele
de parentesco? Sua filha, talvez? Não nos sobra o tempo se refere como um "Tra i tanti scrittori di "modinhas" che
para emprender essa pesquisa. ci vengono dalrepoca dei primo e secondo Impero, i quali
marcarono repoca piu fulgida dellirismo intimo, fuso nell'ani-
ma musicale brasiliana".
FONTES PARA O ESTUDO DE L. F. MILLIET
119
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•
Olhar Fascinante", cuja contextura, segundo Guilherme de Iurão constância
Melo, ..prima pela singeleza, regularidade e naturalidade ifas Até morrer
frases". :E: o mesmo autor quem aprofunda essa análise: ..Com Mas enganar
relação ao seu ritmar, se bem que seja de um traçado exces- He seu prazer.
sivamente trivial, salienta-se, entretanto, em vista dele não Quando dependem
São huns cordeiros
saber música, sua harmonia, pelas cadências interrompidas
Logo se tornão
tão naturalmente empregadas nos três períodos que consti-
Lobos matreiros.
tuem a referida composição...
Os homens, etc.
Quando de noite
O sol raiar
Então firmeza
ANóNIMA DE "ASTUCIOSOS OS HOMENS SÃO" Lhes hão de achar.
]á nem ao menos
(1810? - 1870?) Vergonha te em;
Quando isto ouvem
A autora anônima de "Astuciosos os Homens São" - a Riem-se bem.
julgar pela letra, é mais lógico admitir que tivesse sido escrita Os homens, etc.
por mulher - pode ter nascido em Salvador, Bahia, pru· volta
de 1810, e talvez falecido na mesma cidade, lá por 1870.
A modinha, segundo Wanderley Pinho em ..Salões e. Da-
mas do Segundo Reinado" (São Paulo, Livraria Martins Edi- D. AUGUSTO BALTASAR DA SILVEIRA
tora, 1942), publicada em encarte junto à p. 29, foi "cantada (1810? -- 1870?)
na Bahia entre 1843 e 1857" e tendo sido extraída do livro de
James Wethrell "Stray Notes From Bahú(, como declara o O sacerdote, compositor e cantor D. Augusto Baltasar
mencionado autor. A letra, amarga e deliciosamente anti-mas- da Silveira nasceu na Freguesia de Santo Antônio de Além
culina, é a seguinte: do Carmo,_em Salvador, Bahia, por volta de 1810, e deve
ter falecido na mesma cidade, lá por 1870.
Está relacionado entre os compositores de modinhas da
ASTUCIOSOS OS HOMENS SÃO Bahia, por Vincenzo Cernicchiaro, na sua "Storia Della Mu-
sica nel Brasile", informação que ele provavelmente colheu
Astuciosos em Guilherme Teodoro Pereira de Melo ("A Música do
Os homens são Brasil.,).
Enganadores D. Augusto Baltasar da Silveira era membro da família
Por condição. a que também pertenciam os compositores, todos irmãos,
120
Os homens querem
Sempre enganar,
Nós nos devemos
Acautelar. ~',<!
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Padre Guilherme Pinto da Silveira Sales, Possidônio Pinto da
Silveira Sales e Olegário Pinto de Sales.
No livro citado, p. 250, Guilherme de Melo fornece-nos
outras informações sobre D. Augusto: "Como trovador, D.
121
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Augusto distinguiu-se pelo caráter elevado e sério de sua OLEGÁRIO PINTO DE SALES
modinha - "Lamentos" - que é o verdadeiro tipo da since-
ridade, da nobreza e do sentimento religioso de que tbda (1811? - 1871?)
sua família é portadora. Sóbrio e comedido em suas mo-
dulações, seguro e inabalável nos seus traços, suave e me- O compositor e pianista Olegário Pinto de Sales .....: irmão
lodioso nas suas frases, D. Augusto entoa o seu hino de do Padre Guilherme Pinto da Silveira Sales e do farmacêutico
amor de um modo um tanto singular. Recolhido no sacrário Possidónio Pinto da Silveira Sales, ambos também composito-
de sua paixão, oculto nas expressões de seu sentimento e res - nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia, por volta
sem declarar um só vez o nome daquela cujo sonho era o de 1811, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1871.
bastante para constituir uma das suas maiores venturas, ele Guilherme de Melo ("A Música no Brasil", Bahia, Tipo-
canta o seu amor e a sua paixão, não mais com aquelas grafia S. Joaquim, 1908, p. 250) informa que dele "possuímos
tintas fortes e austeras do sentimento profano e trobado- dois exemplares de modinhas: "O Canto da Ausência", compos-
resco, mas, sim, com toda a docilidade e candura de que as- to por ocasião da guerra do Paraguai e "Saudades de Maria",
pira o ideal santo e nobilíssimo d'A família" .. . que são também duas composições singelas porém bastante
Cernicchiaro escreve: "Di buon pregio sono pure le "mo- sentimentais". Vincenzo Cernicchiaro ( "Storia Della Musica
dinhas" di D. Augusto Balthazar da Silveira, cosparse di sen- nel Brasile", Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p.
timento e di grazia. La sua "Modinha": "Lamento", e citata 56) estropia o nome das duas composições de Olegário, es-
come una delle piu candide ispirazioni dei genere. Egli stesso crevendo "Canto da Consciência" e "Suadades de Maria" ...
soleva cantaria, accompagnandosi con la chitarra, con un sen- Ainda Cernicchiaro ( op. cit., p. 387), estropiando também seu
timento tutto speciale". nome para Alegário Salles, inclui-o entre os pianistas baianos
Afonso Rui em ..Boêmios e Seresteiros Baianos do Pas- da segunda metade do século passado.
sado" completa toda essas informações: "A fidalguia provin-
ciana trouxe a sua contribuição emparelhada com a do clero
secular. Da primeira, destacou-se D. Augusto Baltasar da Sil-
veira, provindo de uma estirpe de cidadãos prestantes à gran-
deza da pátria, de quem se conhece a modinha Lamentos, RAFAEL COELHO MACHADO
apontada como obra-prima. "Como trovador", afirma um co- (1814 - 1887)
mentarista (Sílio Boccanera Júnior - "O Teatro na Bahia",
pág. 158): "D. Augusto distinguiu-se pelo caráter elevado e O compositor de modinhas e canções diversas Rafael
sério de sua modinha "Lamentos" que é o verdadeiro tipo Coelho Machado nasceu em 1814, na Ilha da Madeira, tendo
da nobreza e de sentimento religioso" ... chegado ao Rio de Janeiro em 1835. 1!: autor do "Dicioná-
rio Musical", cuja primeira edição data de 1842, e do "Breve
FONTES PARA O ESTUDO DE D. AUGUSTO BALTASAR DA Tratado d'Harmonia", com primeira edição lançada em 1849.
SILVEIRA
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de Gonçalves de Magalhães- são as canções "O Amor Per- 129, 155; Volume III, 37-38, 47, 82, 92-93, 112-113; Volume IV, p.
17-19, 27-29; Volume V, p. 7-8, 68-70. ·
feito", "A Flor Saudade", "O Canto do Sabiá", "O Dia Nup-
cial" (cântico do esposo); a barcarola "A Borda do Mar"; 'Js 3. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahia, Tipo-
grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 134.
mmanças "A Tristeza", "Os Olhos de Urânia", "Os Olhos Cho-
4. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Br~'":.
rosos", "Queixas", "Cantemos um Sim"; as modinhas "A Au- sile'" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 1'41.
sência" e "Ninguém"; o rondó "O Sonho"; a polca "Amor 5. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.•
Eterno"; e a xácara "O Que 1t Amor". Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 66.
6. VASCO MARIZ - "A Canção Brasileira" (Rio de Janeiro. Ser-
Rafael Coelho Machado assina ainda o recitativo "Olhar viço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, 1959)
de Virgem" (sobre poesia de Eduardo Vilas-Boas), as modi- - p. 13.
nhas "Retem nos Lábios Ingratos" (sobre poesia de Pereira 1. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Catálogo da
de Sousa), "Um Mistério" (sobre poesia de Albano Cordeiro) Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música
e "Como a Rosa Amor Dura um Dia" (sobre poesia de autor e Arquivo Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) -
p. 8, 32, 62-63, 72-74, 78 e 80.
descOnhecido) e o lundu "Conselho às Moças" (sobre poesia de 8. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
Joaquim Manuel de Macedo), este de grande popularidade. Tempo" - Volume II (Rio de Janeiro. Sala Cecília Meireles. 1967)
De 1855 é sua composição "último Gemido", sobre poesia - p. 188-189
de Albano Cordeiro, incluída no "AIbum de Arroia" ( Frion &
Rafael).
JOSJ! DE SOUSA ARAGÃO
Foi também proprietário de uma loja de música e de
pianos na Rua dos Ourives, 43, onde sucedeu, em 1848, a (1819- 1904)
Francisco Schmidt. Esteve associado com Frion na Rua dos
Ourives, 61, de 1854 a 1855, mas, em 1856, voltou a abrir O compositor de modinhas, violinista e regente José
uma loja sozinho na Rua da Quitanda, 43. Ali ficou até de Sousa Aragão nasceu em Cachoeira, na Bahia, a 7 de de-
1869, quando o estabelecimento foi adquirido por Narciso zembro de 1819, e faleceu na mesma cidade, a 13 de setembro
José Pinto Braga. de 1904.
Rafael Coelho Machado faleceu no Rio de Janeiro a 15 Tão importante é José de Sousa Aragão - o Cazuzinha
de agosto de 1887. no panorama da modinha brasileira que, ainda em 1909,
escrevia sobre ele, em ..A Música no Brasil", Guilherme de
Em "A Música no Brasil", Guilherme de Melo inclui Ra-
Melo: "Quanto orgulho não deve possuir hoje a heróica ci-
fael Coelho Machado entre os compositores que cultivaram
dade de Cachoeira, um dos focos mais brilhante&. dos trova-
a modinha no Rio de Janeiro: "Enfim da modinha que no
dores baianos, em contar no número dos seus filhos José de
Rio de Janeiro alentara a imaginação e o talento musical dos
Sousa Aragão, o célebre Cazuzinha, o mais popular compo-
mestres compositores: José Maurício, Marcos Portugal [ ... ]
sitor de modinhas brasileiras".
Rafael Coelho Machado [ ... ] etc.".
Aragão iniciou seus estudos de música com José Pereira
de Castro, aperfeiçoando-se depois com o Padre José Pinto
FONTES PARA O ESTUDO DE RAFAEL COELHO MACHADO de Oliveira. Regeu a_ orquestra de Nossa Senhora da Ajuda,
tendo sido o primeiro mestre da filarmônica organizada em
1. JOAQUIM DE VASCONCELOS -· "Os Músicos Portugueses"
(Porto, Imprensa Portuguesa, 1870) - p. 219: 220. sua cidade a 20 de setembro de 1857. Tirou o primeiro lugar
2. TROVADOR- "Coleção de Modinhas. Recitativos. Árias. Lundus. em um grande concerto realizado em Salvador, onde se reu-
etc.• - Nova edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria Popular de niram grandes artistas da época, sob a batuta do Maestro
A. A. da Cruz Coutinho, 1876) - Volume I, p. 25-26, 122, 128, Bacdgaluppi.
124 125
José de Sousa Aragão, além de violinista, foi professor ..Esquece, por uma vez
de piano. Deixou mais de cem modinhas, podendo citar-se, Quem te deu o coraçiio,
entre elas: -"A Nebulosa" (recitativo sobre poesia de seJ Se não te move meu pranto,
conterrâneo Tito Lívio e gravado sob o nome de ..Assim" Dai-me a morte com teu não.
por Mário Pinheiro, por volta de 1909, Odeon 40.614), "Mi-
nha Lira~, "Os Sonhos", ..Se Márcia Visse os Encantos", "Tar- Que importa, tirana,
de e Bem Tarde", ..Quero Partir", "O Segredo da Vaga", Que eu viva sofrendo,
"Enlevos d'Alma", "A Mulher Cheia de Encantos", "As Baia- Se, por teu desprezo,
nas" (esta também com letra de Tito Lívio), "O Gigante de Eu vivo morrendo?
Pedra". Outras modinhas de Cazuzinha, estas incluídas na
coleção "Flores do Brasil", editadas pelo Imperial Estabele- ALLEGBO
cimento Buschmann & Guimarães: "Caso de Amor Tão Fin-
gido", "Flor Valenciana", "O Que Eu Vi" e "S6 Minha Mãe Eu sofro tanto,
Quero Amar". Porém calado,
Vincenzo Cernicchiario escreveu sobre ele em "Storia Embora eu ame
Della Musica nel Brasile": "il cui talento per il violino non Sem ser amado.
gl'impedi di scrivere bellissime e sentimentali "modinhas", il
cui numero si vuole che attinga il centinaio" (p. 56). E na "Palmas e bravos cobriam as últimas notas do cantor.
página seguinte (57), referindo-se a Cazuzinha, diz "che Ato contínuo, outro cantor em cena ou elegante senhorinha
ebbe i natali nella città di Cachoeira, e gran fama di compo- exibia-se, com o acompanhamento do piano:
sitore di "modinhas" amorose ed espressive". Cita, então, vá-
rias modinhas desse autor e comenta que ..sono infatti delle "AmO-te porque és bela:
canzoni che, modelli di espressione popolare, non escono per Amo-te porque furei,
un lungo período dai cerchio dei sentimento musicale locale". Inda mesmo na aus~ncia
O mesmo autor (p. 343) escreve ainda o seguinte sobre Ca- C onsMncia eterna terei.
zuzinha: "J. S. Aragão, non inferiore ad alcun altro compo-
sitore di musica da danza ci lascio anche belle modinhas: si ALLEGRO
cita, come una fra le piu leggiadre, quella che porta il titolo:
"O que eu vi", edita dallo stabilimento musicale di Rocha e Não me importa o teu desprezo,
Correa, Piazza della Constituição, 11". Não me importa o teu rigor;
Em "A Bahia de Outrora" ( ..A Lavagem do Bonfim"), Só me importa o que juraste,
Manuel Querino conta: ··Terminada a lavagem da igreja e a Só me importa o teu amor.
condução da lenha para as fogueiras na véspera da festivida-
de, o povo tomava destinos diversos, encaminhando-se uns Tu és um anfo,
para Itapagipe e seus arredores. outros porém conservavam-se Sempre adorado,
no Bonfim. Em qualquer tempo,
-Nos salões aristocráticos a orquestra executava trechos Serwpre lembrado."
escolhidos; nos intervalos, porém, apreciavam-se as belas mo-
dinhas de Chico Magalhães, de Tito Lívio e de Aragão, da
Cachoeira. como fossem: J Iniciada, em fins de 1864, a Guerra do Paraguai, o go-
verno imperial fez um apelo aos brasileii"os ..para que apa-
126 r
!
127
I.
gassem com o sangue a nódoa da injúria que conspurcara que justificavam o enlevo"'. Presumimos que «O Sonho" seja
a Bandeira Nacional" (Decreto 3. 371, de 7 de janeiro de a citada "Os Sonhos" e, "A Vaga", a já referida "O Segredo
1865). A 17 de março de 1865, a Bahia embarcava seuJ da Vaga". Acreditamos serem todas músicas de Sousa Aragão,
primeiro batalhão de Voluntários da Pátria, sob o comando mas quais dessas modinhas terão letra de Tito Lívio? .AJ:agão
do Tenente-Coronel José da Rocha Gaivão, que fora cha- deixou também sete Missas Festivas, dois Credos, vários Hi-
mado, pelo General Labatut, de "cadete bravo". Para con- nos. árias, aberturas e marchas fúnebres. Escreveu ainda
solar os pais, noivas, parentes e amigos dos Voluntários, dobrados, valsas, polcas e quadrilhas.
José de Sousa Aragão, tal como Tito Lívio, compôs diversas
Foi certamente a interpretação infeliz de uma frase de
modinhas. Escreve Manuel Querino: "José de Sousa Aragão
Guilherme de Melo, feita por Vincenzo Cemicchiaro, a causa
e Tito Lívio, de Cachoeira, com suas endechas levavam de um erro em que têm incorrido rodos os autores que vêm
doce lenitivo à saudade dos que ficavam". A modinha de tratando do assunto. Guilherme escrevera em "A Música no
Cazuzinha, "Gigante de Pedrá', é, então, muito cantada. E Brasil" ( Bahia, Tipografia de S. Joaquim, 1908} : "Quanto
dela foi feita também uma paródia que foi oferecida aos orgulho não deve possuir hoje a heróica cidade de Cachoeira,
"Zuavos Baianos": um dos fooos mais brilhantes dos trovadores baianos, em contar
no número de seus filhos José de Sousa Aragão, o célebre Ca-
Lá -naquele viT.íüJ Paraguai zuzinha, o mais popular compositor de modinhas brasileiras".
A Lopez eu irei esmagar: Pois Cernicchiaro, ou por não dominar bem o português, ou
Mas, se acaso não for venturoso por ler apressadamente a linha 14 da página 246 desse livro,
Quero só minhas mágoas chorar "filhos José de Sousa Aragão, o célebre Cazuzinha, o", es-
creve em ''Storia Della Musica nel Brasile" ( Milano, Stab. Tip.
De Henrique Dias neto esforçado
Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 57, fazendo uma versão de-
Vou a teu brado, pátria gentil;
sastrada: "Fra gli altri compositori bahiani, che si distinsero
Mais que o da França ligeiro e bravo,
anche come eccellenti suonatori di chitarra, furono il noto
Sefa o Zuavo cá do Brasil.
Cazuzinha, figlio di José de Souza Aragão ... " Esse erro cor-
Ao raiar esse dia de glória reria, um por um, todos os livros que mencionaram esse com-
Que Humaitá ante nós se prostrar. positor. Mário de Andrade, em "Modinhas Imperiais" (São
Esse dia de tantas venturas Paulo, Casa Chiarato- L. G. Miranda Editora, 1930, p. 10).
Lenitivo ao meu pranto há de dar. chegou a pressentir o engano, mas não levou adiante a sua
dúvida: "Cernicchiaro atribui a peça não a José de Sousa
Deixarei essa vida tristonha, Aragão, modinheiro célebre, mas ao filho dele e também
Vou aos brios da pátria vingar; baiano Casuzinha. A não ser que ambos sejam igualmente J.
Defendendo a nação Brasileira
Hei de minha existência findar.
I
I
eira ... " A pressa com que Marisa Lira ( ..Brasil Sonoro", Rio "A quase todas essas figuras maiores de seresteirós-com-
de Janeiro, Editora S. A. "A Noite", sjd) copiou Cernicchiaro positores que esperdiçavam prodigamente a mocidade e ar-
para elaborar o Capítulo III, de seu livro, intitulado "A Mo-' ruinavam a saúde, a parca inoxorável tocou com a moléstia do
dinha" ('·Em sua maioria -os compositores e cantadores de peito, ceifando-lhes as vidas".
modinhas eram destros violonistas", escreve ela, partindo evi-
dentemente do "che si distinsero anche come eccellenti suo-
natori di chitarra"; Marisa transmitirá também o erro de CeT- FONTES PARA O ESTUDO DE JOS:e DE SOUSA ARAGÃO
nicchiaro de chamar Manuel Tomé (de Bittencourt Sá) de
Maciel Tomé; e vai se referir aos Irmãos Possidônio, quando 1. TROVADOR - Coleçã,o de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus,
a frase de Cernicchiaro prossegue: «i fratelli Possidonio e etc. - Nova edição correta - Volume I (Rio de Janeiro, Livraria
Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - p. 91-92.
Olegario Pinto da Vilveira - evidente erro tipográfico, Vil- 2. GUILHERME TEODORO PEREIRA DE MELO - "A Música
veira por Silveira - Sales ... "; etc.) essa pressa, dizíamos, no Brasil" (Bahia, Tipografia de São Joaquim, 1908) - p. 245-246.
vai salvá-la do equívoco. Mas se ela escapou do venial. não 3. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
se livrou do p~ado mortal da omissão de um compositor tão sile" (Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 56, 57
importante para a história da modinha como o foi Aragão. e 343.
Essa autêntica corrente da infelicidade não vai se deter. en- 4. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" (Bahia, Livraria
Econômica, 1922) - p. 120-121, 156, 212 e 239.
tretanto. E Renato Almeida ("História da Música Brasileira»,
5. MARIO DE ANDRADE - "Modinhas Imperiais" (São Paulo, Casa
Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942, p. 67) Chiarato - L. G. Miranda Editora, 1930) - p. 10.
escreverá sobre Aragão, o Cazuzinha: ..A maior parte dos
6. FLAUSINO RODRIGUES VALE- "Elementos de Folk-lore Musi-
cantadores de modinhas baianos era composta de hábeis to- cal Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936)
cadores de violão,como foi o notável Cazuzinha, filho de p. 130.
José de Souza Aragão, natural de Cachoeira ... " Quando se 7. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" (Rio de
conseguirá dar um basta a este erro? Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 67.
Afonso Rui em "Boêmios e Seresteiros Baianos do Pas- 8. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado"
sado" presta informações valiosas sobre Cazuzinha: «Merece, (Salvador. Livraria Progresso Editora. 1954) - p. 14 e 22-23.
entretanto, destacado lugar a memória de um boêmio desco-
nhecido pela humildade de origem e natural esquivança, mas
de elevado renome musical na roda dos cantores populares,
aplaudido por suas inspiradas composições e pelo êxito das JOSJ! SOARES BARBOSA
serenatas em que tomava parte, cantando ou tocando: era
(1820? - 1876)
Cazuzinha (José de Sousa Aragão). Cachoeirano de nasci-
mento, foi, com razão, considerado o mais fértil dos trova-
dores baianos, já estando identificadas e recolhidas mais de O pistonista e compositor José Soares Barbosa nasceu no
cem composições suas, dentre as quais merece destaque, pela Rio de Janeiro, por volta de 1820 e faleceu na mesma cidade,
em 1876.
sua popularidade, o "Gigante de Pedra", hinário emotivo ao
Corcovado...Enlevos d~Alma" e o ..Segredo da Vaga", onde o Figura, ao lado de Adriano Pereira de Azevedo, Zacarias,
cantor assegura: I o inglês H. Richardso~ João Bispo da Igreja, Norberto de
Carvalho, Antônio Carlos Martins, Raimundo Figueiredo
"que a vaga também tem ciúme· Branco e José Augusto da Fonseca, entre os grandes pistonistas
..............................
quando beija o areal da praia" J do Segundo Império. Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della
131
130
Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riceioni, AUGUSTE BAGUET
1926), p. 523, menciona-o: "Nome distinto ebbe· come suo-
(1820? - 1877?)
natore di detto strumento José Soares, nato in Rio de JaneW,
ove morl verso il 1876". Foi Soares Barbosa o mestre de
De Auguste Baguet - compositor, contrabaixista, arran-
outro grande pistonista e também compositor: o célebre Luís jador e regente -informa o catálogo "Música no Rio de' Ja-
de Sousa. neiro Imperial (1822-1870)" (Rio de Janeiro, Biblioteca Na-
Como compositor, José Soares Barbosa fez muito sucesso cional, 1962), p. 27: "diretor de orquestra de baile, autor e
em 1872, no Rio de Janeiro e em Paris, com sua polca "Que arranjador de muita música popular, teve também uma im-
É da Chave?'". Pode-se conferir em Cemicchiaro, p. 523: prensa de música".
"Compositore di ballabili, scrisse la celebre polka: ..Que é E autor da quadrilha "Risette", "quadrille pour piano
da chave", cantata e ballata con straordinario successo popo- sur des motifs chantés par Melle. Risette" e "executé a L'Al-
lare in Rio ed a Parigi ( 1872)". Este sucesso na Cidade cazar Lyrique".
Luz é confirmado por Flausino Rodrigues Vale ("'Elementos
de Folk-lore Musical Brasileiro", São Paulo, Companhia Edi- Nascido na França, lá por ~820, cheg~u ao Rio de Ja-
tora Nacional, 1936), p. 142: ··um meu amigo contou-me que neiro por volta de 1843, pois é a partir desta data que seu
certa vez, nos Campos Elíseos, em Paris, foi surpreendido nome começa a figurar nas folhas de pagamento da Capela.
com uma banda tocando esta polca, o que o comoveu até Informa Aires de Andrade ("Francisco Manuel da Silva e
Seu Tempo" - Volume II/Rio de Janeiro, Sala Cecília Mei-
as lágrimas, pela saudade da pátria que despertou".
reles, 1967, p. 142): "Suas atividades, p~rém, se processam
Ainda em Cernicchiaro, p. 344, encontraremos novas in- mais nos salões de baile. Baguet era muito cotado como dire-
formações sobre José Soares Barbosa: "J. Soares Barboza, tor de orquestra para dança. Escreveu muita música para esse
compositore, il cui nome diviene popolare in grazia alia sua fim, via de regra calcada em motivos de peças em voga.
celebre polka "Que é da chave?", pubblicata nell'anno 1881. Teve durante certo tempo uma editora musical. Em 1868 era
Buon successo ottenne anche un suo lwndú "O Sr. Padre Vi- regente da orquestra da companhia dramática nacional, no
gario", dedicato alie società carnevalesche". Nesse trecho, cor- S. Pedro de Alcântara. De 1851 a 1856, exercia na Sociedade
rija-se, entretanto, a data, que deve ser 1872, como já o dis- de Música o cargo de fiscal. Até 1877 seu nome figura no
sera o próprio autor. E, portanto, corrija-se também Flau- Almanaque Laemmert, como diretor de orquestra".
sina Rodrigues Vale que, copiando Cerniochiaro, escrevera:
"J. Soares Barbosa, que se tomou popular com a polkinha
"Que é de a chave?", publicada em 1881" ... Outra refe-
rência ao sucesso dessa polca pode ser encontrada em Batista J. RUFINO DE VASCONCELOS
Siqueira ("Três Vultos H1st6ricos da Música Brasileira':jRio (1820? - 1880?)
de Janeiro, Editora D. Araújo, 1969/p. 122):
"José Soares Barbosa tornou-se conhecido, no Rio de O compositor J. Rufino de Vasconcelos nasceu presumi-
Janeiro, pela sua polca "Que é da chave?" -a· qual teve velmente no Rio de Janeiro, por volta de 1820, e pode ter
falecido na mesma cidade, lá por 1880.
várias edições e se propagou por todo o Brasil.
Guilherme de Melo inclui-o entre os compositores que
"O estranho título cau:mu muita .impressão na corte, e I cultivaram a modinha no Rio de Janeiro: "Enfim da modiilha
outro músico respondeu com· a polca "Não sei da chave"'. ~-- que no Rio de Janeiro alentara a imaginação e o talento
132
183
10 - 'R.M.P.B.
musical dos mestres compositores: José Maurício, Marcos ziose": "Jardim Botânico", "Mãe d'Agua", "Paquetá";· "A Pe-
Portugal [ ... ] , J. Rufino de Vasconcellos [ ... ], etc.". nha" e "A Cascata da Tijuca". 11: também de Fábregas a mo-
dinha "ó Virgem", letra de Ernesto Ferreira França Filho. Em-
bora o livro "Canções Populares do Brasil" refira-se apenas
a Fál:n1,egas, deve ser dele a música de "O Gondoleiio do
A. F. CASTRO LEAL Amor", nele publicada, sobre versos de Castro Alves. Por
(1820? - 1880?) volta de 1960, a cantora Stellinha Egg gravou "O Gondoleiro
do Amor" (LP Odeon MOFB 3. 195, face A, faixa 5) mas,
tanto no selo, como na contracapa do disco, o nome do com-
De A. F. Castro Leal sabemos apenas que escreveu a
positor foi estropiado para Sabregas . ..
letra para o lundu "Estamos no Século das Luzes", publicado
em 1857. Apenas como hipótese de trabalho, vamos admitir Foi professor de canto e piano até 1877.
que tenha nascido no Rio de Janeiro em 1820, e falecido na Deve ter falecido no Rio de Janeiro, por volta de 1880.
mesma cidade em 1880.
"Estamos no Século das Luzes" foi incluído no álbum
"Música Imperial", que constou de três LPs, lançados, em 1968, FONTES PARA O ESTUDO DE SALVADOR FABREGAS
pela Sociedade Cultural e Artística Uirapuru, em conv_ênio
com o Ministério da Educaçfw e Cultura. Mas sendo apre- 1. JúLIA BRITO MENDES - "Canções Populares do Brasil" (Rio
sentado em versão puramente instrumental, fiiCamos privados de Janeiro, Editor J. Ribeiro dos Santos/Livraria Cruz Coutinho,
1911) - p. 143, 144, 145.
de conhecer dos méritos desse poeta imperial.
2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 342.
3. FLAUSINO RODRIGUES VALE - "Elementos de Folk-lore Musi-
cal Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional - Volume
57 da coleção "Brasiliana", 1936) - p. 138.
SALVADOR FÁBREGAS
4. ISA QUEIRóS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em
(1820? - 1880?) Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1942) - p. 286, 289, 301 e 307.
O cantor, compositor e pianista Salvador Fábregas nas- 5. "Rio de Janeiro - Álbum Pitoresco Musical" - Publicado pelos
sucessores de P. Laforge (Rio de Janeiro, reimpressão fac-símile da
ceu presumivelmente no Rio de Janeiro, lá por 1820, e deve Livraria Kosmos, s/d (1955?)
ter falecido na mesma cidade, por volta de 1880. 6. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu
'f: o autor da valsa "Jardim Botânico", incluída no álbum Tempo" - Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967)
"Rio de Janeirõ - Album Pitoresco-Musical", publicado pe- - p. 164.
los Sucessores de P. Laforge (estabelecidos na Rua dos Ou- t
rives, 60) e desenhado por Alf. Martinet. A valsa é dedicada
à Sra. Teresa dos Santos Barreto d' Albuquerque. Ik· AURELIANO QUINTINO DOS SANTOS
· Em 1848 foi nomeado para a Capela Imperial, da qual
foi cantor entre 1849 e 1853. Residia na Rua do Lavradio,
34.
I
.,.,
(1820? - 1880?)
184 185
l
•
É dele o schottisch "São Cristóvão", dedicada a esse bair- FONTES PARA O ESTUDO DE MARIA GUILHERMINA DE
ro do Rio de Janeiro, onde se situa a Quinta da Boa Vista. A NORONHA E CASTRO
composição está incluída no livro --ruo de Janeiro - AlbumW
Pitoresco-Musicar', publicado pelos Sucessores de P. Laforge 1. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Catálogo
da Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seçã,o de
(estabelecidos na Rua do Ouvidor, 60) e com desenhos de Música e Arquivo Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional,
Alf. Martinet. 1962) - p. 16, 212 e 272.
Vincenzo Ceri:ticchiaro informa-nos que Aureliano Quin-
tino dos Santos é ainda o autor de uma quadrilha que obteve
bastante sucesso: "O Acaso". Em suas próprias palavras:
"Aureliano Quintino dos Santos pubblicava, con grande sue- BACURI
cesso, la sua applaudita quadriglia --o Acaso". Flausino Ro-
drigues V ale, sempre baseado em Cernicchiaro, escreve: (1820? - 1880?)
"Aureliano Quintino dos Santos popularizou-se com a qua-
drilha ··o Acaso". Do flautista e compositor Bacuri nada sabemos além do
que Alexandre Gonçalves Pinto conta em seu livro "O Cho-
ro". Ele deve ter nascido no Rio de Janeiro, por volta de
FONTES PARA O ESTUDO DE AURELIANO QUlNTINO
1820, e falecido na mesma cidade, lá por 1880.
DOS SANTOS Escreve Gonçalves Pinto à p. 23:
'7ambém flauta respeitado da antiguidade, grande com-
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- positor de Choros. Era Bacuri, guarda-fiscal da Prefeitura,
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 343.
2. FLAUSINO RODRIGUES V ALE - "Elementos de Folk-lore Musi-
que já dorme o sono derradeiro há mais de cinqüenta anos,
cal Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional - Volume tendo as suas ricas produções caído no esquecimento no correr
57 da coleção "Brasiliana", 1936) - p. Í39. de tantos anos. Ele privou com os antigos chorões do seu
3. ·ruo de Janeiro - Album Pitoresco Musical" - Publicado pelos tempo, que tanros prodígios conquistaram."
sucessores de P. Laforge (Rio de Janeiro, reimpressão fac-símile da
Livraria Kosmos, s/d (1955?)
ADOLFO MAERSCH
MARIA GUILHERMINA DE NORONHA E CASTRO (l820? - 1880?)
(1820? - 1880?)
O compositor Adolfo Maersch nasceu presumivelmente na
N~da sabemos da oompositora Mruia Guilhermina de Alemanha, por volta de 1820, e faleceu possivelmente no
Noronha e Castro, além do fato de ser autora da polca "Pas- Rio de Janeiro, lá por 1880.
·,
Maersch era doutor em música pela Academia Real e
sagem de Humaitá", ··oferecida ao bravo oficial da Armada
brasileira Artur Silveira da Mota" e editada por Filippone e
Tornaghi em 1868.
i,.
I
Filarmônica de Berlim. Dizia-se discípulo de Liszt.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1849. Em 1851 deu um
Apenas a título de hipótese de trabalho, yamos conside- J concerto público nesta cidade.
rá-la nascida no Rio de Janeiro em 1820 e falecida na mesma ;~ Foi um nome muito respeitado nos círculos musicais do
jl Império, tendo se dedicado principalmente ao magistério.
cidade em 1880_ __;;:r
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136 J
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Escreveu a ópera ''Marília de Itamaracá" ou ''A Donzela ~ o autor da quadrilha "Petrópolis", incluída no livro
da Mangueira'', libreto do Dr. Luís Vicente De-Simoni, edi:- "Rio de Janeiro - Album Pitoresco Musical", editado pelos
tada em 1854 para ser representada no Teatro Provisório d~ Sucessores de P. Laforge (estabelecidos na Rua dos Ourives,
Rio de Janeiro. Para Aires de Andrade, essa ópera foi ··a 60) e com dese:Qhos de Alf. Martinet. Deste álbum, o único
primeira manifestação do nacionalismo introduzindo-se no exemplar completo conhecido da edição original - e que foi
teatro lírico". reproduzido pela Kosmos com menos duas páginas - per-
Além de compor modinhas, romanças, etc., musicou a tence ao musicólogo Mozart de Araújo.
"Canção do Exílio", de Gonçalves Dia.§, de que existe edição
de 1851. Em 1857, terminou "Flores Guanabarenses", seis va-
riações e fantasias fáceis e brilhantes para piano sobre temas
das modinhas brasileiras "Alta Noite, Tudo Dorme", "Novos
Ares, Novos Climas", "Meu Coração Vivia", "Minha Marília L. ALBITAS
Não Vive", "Adorei Uma Alma Impura" e "Erva M·imosa do (1820? - 1880?)
Campo". A coleção foi publicada por Salmon & Cia., estabe-
lecidos na Rua da Assembléia, 86, exceto os últimos números,
editados por Salmon, mas já como Sucessor de Laforge, na O compositor L. Albitas nasceu presumivelmente no Rio
Rua dos Ourives 60". de Janeiro, por volta de 1820, e pode ter falecido na mesma
cidade, lá por 1880.
1!: autor também de uma "Fantasia Sobre o Hino Nacio-
nal Brasileiro", dedicada ao Maestro Francisco Manuel da A única coisa de concreto que se sabe, realmente, sobre
Silva e editada pela Casa Rafael. esse compositor (que poderia ser também compositora ... ) é
que escreveu uma valsa para piano intitulada "L"f:tincelle"
("A Faísca"), dedicada a um certo Dr. ·Carlos Luís de Sau-
les e editada por P. Laforge. Pois é exatamente isso que
FONTES PARA O ESTUDO DE ADOLFO MAERSCH
vamos encontrar em "Storia Della Musica nel Brasile" (Milão,
Stab. '[Link]. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 343 - obra de
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- ..incalculável utilidade" e ''tão malsinada por aqueles mes-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 390.
mos que a ela são obrigados a recorrer maior número de
2. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
vezes" (Luís Heitor Correia de Azevedo/"Relação das óperas
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 33, 47 e 79. de Autores Brasileiros"fRio de Janeiro, Serviço Gráfico do
Ministério da Educaçã? e Saúde", 1938 p. 102): "L'Albitas,
compone un valzer ..l"f:tincelle" per pianoforte, dedicato al
dottor Carlos Luiz de Saules", edito dalla casa P. Laforge".
A. CAMPOS Em "Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro" (São
Paulo, Companhia Editora NacionaljVolume 57 da coleção
(1820? - 1880?)
"Brasiliana", 1936), Flausino Rodrigues Vale, que promete na
p. 138 «repetir aqui o que anotou Cernicchiaro", após men-
O compositor A. Campos nasceu presumivelmente no cionar vários outros citados pelo musicólogo italiano, e tal
Rio de Janeiro, por volta de 1820, e deve ter falecido na como já o fizera com a Mme. A. de Matos, não faz qualquer
mesma cidade, lá por 1880. menção deste compositor.
188 139
2. FLAUSINO RODRIGUES VALE- •Elementos de Folk-lóre Musi-
cal Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936) -
GERALDO ANTÔNIO HORTA p. 139.
(1820? - 1880?) 3. "Rio de Janeiro - Album Pitoresco Musical", publicado pelos suces-
sores de P. Laforge (Rua dos Ourives, 60, Rio de Janeiro) e· dese-
nhado por Alf. Martinet (Rio de Janeiro, reimpressão fac-símile da
O compositor e pianista Geraldo Antônio Horta nasceu Livraria Kosmos, s/d).
presumivelmente no Rio de Janeiro, lá por 1820 e deve ter
4. MARIA LUlSA DE QUE IR OS AMANCIO DOS SANTOS (ISA
falecido na mesma cidade, por volta de 1880. QUEIROS SANTOS) - "Origem e Evolução da Música em Por-
tugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa Nacio-
:1!: autor da "redowa" "Boa Viagem", dedicada à celebre nal, 1942) - p. 297.
praia de Niterói, e que faz parte do álbum "Rio de Janeiro
- Album Pitoresco-Musical", publicado pelos Sucessores de
P. Laforge (estabelecidos na Rua dos Ourives, 60) e com
desenhos de Alf. Martinet. Teve valsas suas publicadas no
jornal ..Marmota", editado por Paula Brito. FRANCISCO J. LOPES
(1820? - 1880?)
Lecionou piano no Conservatório de Música em 1854,
1858, 1860, 1862 e 1864, quando residiu na Rua São Cristóvão,
21, Rua dos Ourives, 61 e 35 (_~brado), Rua do Fogo (hoje O compositor Fxancisco J. Lopes nasceu presumivelmen-
Ruas dos Andradas ), 18 e Rua São Carlos, 24. te no Rio de Janeiro, por volta de 1820, e deve ter falecido
na mesma cidade, lá por 1880.
Deve ser a esse compositor que Vincenzo Cernicchiaro
se refere, erradamente, como J. A. Horta, quando soma, às Publicou valsas na ""Marmota na Corte" (1849'-1852),
informações acima, as seguintes: "J. A. Horta, compositore "Marmota Fluminense" ( 1853-1857) e "Marmota" ( 1858-
di graziose danze; compose, nel 1853, uma quadriglia "ó Oli- 1861), tal como consta da publicação "Música no Rio de Ja.:.
veira", la qual ottenne successo". Flausino Rodrigues Vale, neiro Imperial (1822-1870)" (Rio de Janeiro, Biblioteca Na-
baseando-se nesse autor, escreveu: ..J. A. Horta em 1853 com- cional, 1962), p. 80.
pôs a quac:4ilha '"ó Oliveira", de grande sucesso entre suas
várias obras"'.
Sobre suas qualidades de pianista, encontramos ainda em
Cernicchiaro o seguinte depoimento: "'Pianista di quest'epoca, A. X. CRUZ LIMA
alquanto rinomato per la sua virtuosità, fu Geraldo Antonio (1820?- 1880?)
Horta. Nel 1854, si faceva applaudire in un concerto, dato
dai distinto flautista Malvasi, il 27 agosto, nel quale Horla
O compositor A. X. Cruz Lima nasceu presumivelmente
eseguiva uno studio della mano sinistra assai difficile"'.
no Rio de Janeiro, por volta de 1820. e deve ter falecido na
mesma cidade, lá por 1880.
FONTES PARA O ESTUDO DE GERALDO ANTONIO HORTA Teve peças publicadas pelo jornal "Marmota", entre 1849
e 1861, segundo informa o catálogo "Música no Rio de Ja-
I. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- neiro Imperial (1822-1870)" (Rio de Janeiro, Biblioteca Na-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 342 e 392. cional, 1962, p. 80).
140 141
[Link] FRANCISCO NEGRÃO Qualquer caminho que eu trilhe.
Caml'nho é só de amargura;
(1820? - 1880?)
Em vez do sol e das flores,
Frio, 'spinhos, noite escura.
O compositor, pianista e possivelmente também cantor,
Dalmácio Francisco Negrão nasceu presumivelmente em Sal-
vador, Bahia, por volta de 1820, e deve ter falecido na mesma
cidade, lá por 1880.
JOÃO ALVES DE MELO
Guilherme de Melo ("A Música no Brasil", Bahia, Tipo-
grafia de S. Joaquim, 1908, p. 250) inclui-o entre os trova- (1820? - 1880?)
dores "também dignos de todos os elogios" e Vincenzo Cer-
nicchiaro ( ·~storia Della Musica nel Brasile", Milão, Stab. O compositor e possivelmente também cantor João Al-
Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57) menciona-o entre ves de Melo nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia,
"altri degni emuli dei precedenti compositori e virtuosi, a cui por volta de 1820, e deve ter falecido na mesma cidade, lá
si devono belle concezioni dell'arte vocale popolare bahiana"; por 1880.
e ( op. oit., p. 387), inclui-o entre os pianistas da Bahia. Frei Guilherme de Melo em "A Música no Brasil" (Bahia,
Pedro Sinzig, O. F. M., em "O Brasil Cantando" (Petr6polis, Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 251) coloca João Alves
Editora "Vozes", 1938), p. 65, estampa a música de uma mo- de Melo entre os trovadores "também dignos de todos os
dinha de Dalmácio Francisco Negrão, com os respectivos elogios" e Vincenzo Cernicchiaro ("Storia Della Musica nel
versos de Frftncisoo G. de Amorim: "Vem, 6 Terno Senti- Brasile", Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p.
mento". Frei Sinzig esclarece a procedência (Barra do Rio 57), que a ele se refere como "J. Alves de Melo", inclui-o
Grande, hoje município da Barra, Bahia) e afirma q~e "O entre "altri degni emuli dei precedenti compositori e vir-
manuscrito acha-se na Biblioteca da Escola Nacional de Mú- tuosi, a cui se devono belle concezioni deli' arte vocale po-
sica. Rio". polare bahiana".
142
I 143
l
Libraires-l!;diteurs, 1889), p. 83, escreve: "M. I. da Cunha Depois de redigidas estas linhas, tivemos curiosidade
m' a communiqué deux modinhas et quatre airs populaires, de consultar a primeira edição dos "Cantos Populares do
que je reproduis ici. La premiere modinha, celle du Balaio w Brasil", em dois volumes (Lisboa, Nova Livraria Internacio-
(morceau n. 5), dit ainsi:: nal-Editora, 1883). E ali, no Volume I, p. 122-123, encontra-
mos "Balaio". Curioso: embora a segunda edição é que seja
Panier~ mon bon, panier, a "melhorada", nesta vamos encontí:ar um dado precioso, su-
· Panier du pitingâo. primido na posterior. Após o título, lá está, entre parêntesis:
Qui n'a pas de panier (Rio Grande do Sul; coligido por Koseritz)". Assim, uma
Met sa couture par te1·re. pesquisa nos escritos de Carl von Koseritz, não estritamente
Como Santa-Anna Nery comete o erro incrível de u·a- nas "Imagens do Brasil" - tarefa que, infelizmente, não po-
duzir todos os versos populares para o francês e dispensar-se demos empreender agora - poderá trazer novos dados sobre
esta velha modinha.
de fornecer a versão original, estaríamos agora em bem
E já que consultamos a 1. a edição, por que não com-
difícil situação para reconstituir a letra ·de "O Balaio'. se não
pulsar também a da série "Document9s Brasileiros", princi-
dispuséssemos dos "Canros Populares do Brasil", 2. a. edição
palmente quando ela é comentada pelo mestre Luís da Câ-
melhorada. de Silvio Romero (Rio de Janeiro, Livraria Clás-
mara Cascudo? 1:!; o que passamos a fazer. E ali, no Tomo
sica de Alves & Comp., 1897). E lá, na p. 237, encontramos:
II (Rio de Janeiro, Livraria José Olímpia Editora, 1954),
p. 457, deparamos com "Balaio", sem a referência a Koseritz e
com a seguinte "Nota de L. da C. C.": ..Dança sapateada
BALAIO
muito popular no Rio Grande do Sul, acompanhada de canto.
J. Cezimbra Jacques, ASSUNTOS DO RIO GRANDE DO
(Rio Grande do Sul)
SUL, p. 140, registra um velho recitativo gaúcho que men-
Balaio. meu bem, balaio, ciona:
Balaio do coração; E no fandango, de facão e esporas,
Moça que não tem baflaio Danço a tirana folgazão balaio
Bota a costura no chão. Ainda mesmo que me dêem topadas
Saio rodando mas qual! não caio".
Balaio, meu bem, balaio,
Balaio do presidente:
Por causa deste balaio
-]á mataram tanta gente! . .. JOÃO BRÁS NEPOMUCENO
(1820? - 1880?)
Balaio, meu bem, balaio,
Balaio de tapeti; O composiror, e possivelmente também cantor, João Brás
Por causa deste.. balaio N epomuceno nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia,
Me de{!!'adaram daqui. por volta de 1820, e deve ter falecido na mesma cidade~ lá
Na "Table des Morceaux de Musique", no final do livro. por 1880.
Santa~Anna Nery estampa o tema musical de "Panier, Mon Em "A Música no Brasil" (Bahia, Tipografia de S. Joa-
Bon Panier" {"O Balaio"), ..noté par M. B. Itibéré" quim, 1908, p. 250-251), Guilherme de Melo menciona~ en-
" ................................................................................ .
tre os trovadores "também. dignos de todos os elogios" e que
145
144
Ii
"muito concorreram para o desenvolvimento da modinha: na clarineta e piano João Henrique Klier, nem ainda com o pia-
Bahia". E Vincenzo Cemicchiaro em "Storia Della Musica nista e professor de piano José Alberto Klier, todos possi-
velmente, entretanto, da mesma família.
nel Brasile" ( Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926~
p. 57) inclui Nepomuceno entre "altri degni emuli dei prece- De acordo ainda com Cernicchiaro, "si fa conoscere. nel
denti compositori e virtuosi, a cui si devono belle concezioni 1852, come compositore di musica leggera, pubblicando le
deli' arte vocale popolare bahiana'". seguenti composizioni per pianoforte: "Leonidia" quadriglia;
"Regret", valzer e la schotisch "Sylphide". Flausino Rodrigues
Vale, que se limita a copiar Cernicchiaro em parte de seu
livro "Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro", teria de
incidir forçosamente na confusão daquele autor: "Jorg~ Hen-
EVARISTO FERREIRA DE ARAúJO JÚNIOR rique Klier, o mais distinto tocador de clarineta do século
(1820? - 1880?) passado, entre nós, fez-se conhecer em 1852 como compositor
de música leve, publicando as seguintes composições para
O compositor Evaristo Ferreira de Araújo Júnior - pos- piano: "Leonídia", quadrilha; "Regret", valsa; "Syphide".
sivelmente também cantor - filho de Evaristo Ferreira de schottisch".
Araújo, nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia, por volta Aires de Andrade dedica duas linhas de "Francisco Ma-
de 1820, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1880. nuel da Silva e Seu Tempo" a Jorge Henrique Klier: ..0 Al-
Guilherme de Melo em "A Música no Brasil" (Bahia, manaque Laemmert menciona o seu nome sem indicação
Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 250-251) incluiu-o entre de suas atividades profissionais".
os trovadores "também dignos de todos os elogios" e que
"muito concorreram para o desenvolvimento da modinha na
Bahia". E Vincenzo Cemicchiaro na sua "Storia Della Musica FONTES PARA O ESTUDO DE JORGE HENRIQUE KLIER
nel Brasile" ( Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, 1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
p. 57) refere-se a Evaristo situand()-() entre "altri degn~ sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 342.
emuli dei precedenti compositori e virtuosi, a cui si devono 2. FLAUSINO RODRIGUES V ALE - "Elementos de Folk-lore
belle concezioni dell'arte vocale popolare bahiana". Musical Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora NacionaVVolu-
me 57 da coleção "Brasiliana", 1936) - p. 139.
3. AIRES DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu Tempo"
- 2.• Volume (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967 - p. 183.
l
Não deve ser confundido com o clarinetista e editor João
mesma cidade, lá por 1880.
Bartolomeu Klier - confusão em que incidiu Vincenzo Cemic-
Vincenzo Cernicchiaro informa-nos sobre ele: "J. J. Cam-
chiaro quando a ele se refere na "Storia Della Musica nel
pos, musico di buon v:alore deU'epoca ( 1853), era conside-
Brasile" como "il piu distinto suonatore di clarino della prima
rato trai migliori compositori di ballabili; ne lascià un gran
metà dei secolo scorso" - nem com o professor de flauta.
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147
146
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numero inediti e stampatf'. Baseado nesse trecho, Flausino
Rodrigues Vale escreveu: "J. J. Campos (1853), músico de
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ANTôNIO ROCHA
(1820? - 1880?)
MESTIÇO ANSELMO
(1820? - 1880?)
O CEGO CANTADOR
(J. B. DEBRET)
Uso da buzina por índio da Amazônia
GREGORIO DE MATOS
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LAURINDO RABELO
XISTO BAHIA
FRANCISCO MANUEL DA SILVA
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-VIRIATO FIGUEIRA DA SILVA DUQUE ESTRADA MEYER
f: citado por Vincenzo Cernicchiaro ( ..Storia Della Mu-
sica nel Brasilé', Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni,
I 1926, p. 58) entre os que ..furono poeti,. cantori e musici, e
fecero, ai I oro giorni, le delizie dei salotti di Rio de Janeiro,
di Bahia e di S. Paulo". Com base em Cernicchiaro, Flausina
Rodrigues Vale ("Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro".
São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936, p. 133) es-
creve: "Outros que desfrutaram nomeada: Antônio Rocha,
i Anselmo [ ... ] etc....
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HELEODORO
(1820? - 1880?)
DOMINGOS MARCONDES
(1820? - 1880?)
149
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neiro, por volta de 18.20. e deve ter falecido na me:;ma ci- :I A letra de "Quando Te Vi" é a seguinte:
dade, lá por 1880.
A única referência que encontramos sobre ela foi na
"Storia Della Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit.
' !
i
Quando te vi tão formosa
Não sabes o que eu sentir
Não sabes, não, que o respeito
Fratelli Riccioni, 1926), p. 342, pela qual ficamos informados Sufocou meu 17101'no peito
de que compôs uma nova valsa, considerada belíssima, e puÁ Por til por til
blicada no "Album da Jovem Brasileira", "di cui era editore
Laforge, con residenza in Via Assemblea, 89". Teus olhos cheios de fogo
Provavelmente é a ela que se refere Ceí:nicchiaro ( op. Me cravaste - eu vacilei·
cit., p- 399) quando escreve: "Un nome molto conosciuto fra i Est'alma em que chamas arde.
pianisti dell'epoca era quello della Signora Mattos, che fuma-
Por que foi então cobarde?
Não sei. . . não sei.
estra di certa rinomanza per lunghi anni. in Rio de Janeiro".
Mas tu leste no meu peito,
Conhece9te o afeto meu.
Porém vendo-me indeciso,
FRANCISCO DE SÁ NORONHA Nem tu soltaste um sorriso.
Nem eu, nem eu.
(1820 - 1881)
MWJ vi-te um dia curoada
O compositor e violinista Francisco de Sá Noronha nas- Ao peso de intensa dor.
ceu em Portugal em 1820 e faleceu a 26 de janeiro de 1881, Choravas, chorei, porém
no Rio d~ Janeiro. Chegou ao Brasil em 183R. Bendito pranto de amor.
Foi um dos músicos que participou, em 1853, do primeiro
concerto da pianista Condessa Rozwadowska. Deíe, é também o coro de "O Baiano na Corte", para
canto e piano. E as modinhas ..Anjo do Céu, Tu Me Matas",
Compôs muitos lundus, modinhas, quadrilhas, polcas, "De Livre Que Sempre Fui", "Espectro Horríver, "Meu
etc. Teve grande participação na vida musical do Rio de Ja- Credo", "Os Olhos Dela", "Saudade", "Suspiro de Amor", "Um
neiro no Segundo Império, apresentando-se em concertos e Sonho", "A Vida e a Morte" e "Virgem Santa"; o recitativo
benefícios. "A Judia"; o lundu "Lundu das Moças- Santo Antônio, Meu
Santinho", todos da coleção "Flores do Brasil". bem como o
São de Sá Noronha as modinhas ..0 Meu Fiel Juramen- já citado lundu "Um Jogo"; e ainda a peça "Priere à Dieu",
to", ··A Ti", "Desejo" e o lundu ··um Jogo" (todos sobre publicada, entre 1843 e 1845, pelo jornal "Minerva Brasilien-
poesias de autor - ou autores - desconhecidos), e as mo- ,
se .
dinhas "A Noiva do Sepulcro" (sobre poesia de J. Norberto
[Link] para a opereta nacional com "A Princesa dos
de Sousa e Silva) e "Quando Te Vi", esta sobre poema de Cajueiros" e "Os Noivos". sobre libreto de Artur Azevedo.
autor desconhecido, composições todas incluídas na coleção Ambas obtiveram grande sucesso no teatro Phoenix Dramá-
"Trovàdor... tica em 1881 e 1882.
15.2 153
FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO DE SA NORONHA DESID.I!RIO DORISON
(1820? - 1884)
1. TROVADOR - Coleção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundut
etc. - Nova edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria Popular de
A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - Volume IV, p. 13·14, 38, Filho do pianista francês José Francisco Dorison (Paris?,
44, 48-49, 92; Volume V. p. 24-25. 1790?- Rio de Janeiro, 1850?). o violoncelista e compositor
2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- Desidério Dorison nasceu presumivelmente nesta última ci-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 140, dade, por volta de 1820, onde faleceu em 1884.
300, 390. Em "Francisco Manuel da Silva e Seu Tempo" - Vo-
3. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição lume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967), p.
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro. Biblioteca Nacional, 1962) - p. 20, 35 e 80.
162, Aires de Andade oferece-nos algumas informações so-
bre Desidério: "Admitido em 1843 na Capela Imperial como
2. <~ violoncelo, por indicação de Francisco Manuel da Silva,
quando este ali reorganizou a orquestra. Tesoureiro da So-
ciedade Beneficência Musical em 1862. Exerceu atividade -
BOAVENTURA FERNANDES DO COUTO até 1884". Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica
(1820? - 1884 ?) nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926).
p. 138, confunde Desidério Dorison com seu pai José Fran-
Estamos, por assim dizer, sem pai e sem mãe para falar cisco Dorison: "Desidério Dorison, stimato musico francese
de Boaventura Fernandes do Couto. Digamos que tenha nas- r ...
ed abili suonatore di cornetta a pistone [ ...
Desidério Dorison compôs, em 1851, o lundu "Gentes,
cido no Rio de Janeiro, lá por 1820, e falecido também nessa
Você Já Viu, Já"?, letra do ..curioso B. B." estampada no
cidade, por volta de 1884. Uma maneira de situá-lo, de certo
Volume IV do "Trovador", nova edição, correta (Rio de
modo, no tempo e no espaço ... Janeiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Edi-
De concreto mesmo sobre ele parecia só existir uma coisa tor, 1876), p. 80, 81. Uma nota anexa explica: ..Lundu
em dezembro de 1857 surgiu um lundu de sua autoria, brasileiro, composto pelo curioso B. B.. e posto em música
intitulado "Estamos no Século das Luzes", letra de A. F. pelo professor Dorison".
Castro Leal. O Maestro Batista Siqueira, no álbum que orga- Em abril de 1859, quando morava para os lados de Ben-
nizou para a Sociedade Cultural e Artística Uirapuru. em fica, perdeu sua primeira mulher.] D. Josefina Maria Chaves
1968, incluiu essa peça ligeira e comenta, no folheto incluso: Dorison. Mas voltou a se casar, pois, a 28 de dezembro de
"Esta obra serve para esclarecer as novidades da época: mo- 1884. ao falecer no Rio de Janeiro, deixava viúva D. Carlota
dificação do sistema de ensino, aparecimento da Estrada de Dorison e uma filha casada, esta, mais provavelmente, fruto
Ferro, calçamento das ruas, limpeza urbana, aparecimento de seu primeiro matrimónio.
da Rua do Cano, Empresas, balões aerostatos. diversões pú-
blicas tais como teatros, prados, regatas, bailes, etc."
Em "Francisco Manuel da Silva e Seu Tempo", Volume ANTONIO LUíS DE MOURA
II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967) p. 159, Aires (1820? - 1889)
de Andrade informa ainda que era clarinetista e oboísta e
que está na relação dos músicos contratados para a Capela O compositor e clarinetista Antônio Luís de Moura
Imperial, de 1856 a 1860. Exerceu atividades até 1884 nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1820.
154 155
Em 1848, promoveu um concerto no Cassino da Floresta. metteva in luce 14 bellisssimi pezzi per canto con aócompag-
Noticiando o acontecimento, um jornal disse que ele tocou namento di pianoforte".
«três instrumentos com sua habitual perícia". 1
. F1ausino Rodrigues Vale em "Elementos de Folk-Ior<'
De 1850 a 1856, exerceu o cargo de 1. 0 Secretário da Musical Brasileiro" escreve o seguinte sobre este músico:
Sociedade de Música. Em 1853. foi nomeado 1. 0 clarinete do "Antônio Luís de Moura, afamado clarinetista, figura como
Teatro Lírico Fluminense. autor de uma quadrilha intitulada: "O incêndio do Teatro dt:
Associou-se, em 1854, a Henrique Alves de Mesquita, São Pedro Alcântara, assim descrita: "O Espetáculo", "O In-
com o qual funda o Liceu Musical e Copistaria, na Praça da cêndio», "Lamentações", "Projeto de Reedificação' e "Inau-
Constituição - hoje Praça Tiradentes - 79. guração". A razão de certas quadrilhas terem cinco nomes ~
porque as nossas quadrilhas compõem-se de cinco partes. on
A 15 de fevereiro de 1855, foi nomeado professor do sejam, cinco peças em que ca~a uma é uma quadrilha; para
Conservatório de Música. Segundo o texto da nomeação, "para tocar, pode-se executar cada uma isoladamente; mas par~
a cadeira de clarinete e qualquer outro instrumento que dançar, dá-se o nome de quadrilha ao conjunto d~s cinco. O
esteja ao seu alcance. mesmo sr. Antônio Luís de Moura, em 1857, além das mú-
Foi nomeado, em 1862, secretário do Conservatório, na sicas de dança, deu à luz quatorze belíssimas peças para
vaga resultante do falecimento de Dionísio Vega. Em 1865. canto e piano".
foi nomeado Vice-Presidente da Sociedade de Música, lugar
que vai ocupar até 1867.
Cavaleiro da Ordem da Rosa. Antônio Luís de Moura FONTES PARA O ESTUDO DE ANTóNIO LUIS DE MOURA
teve um aluno célebre: Francisco Braga. Ao escrever sobre
este, Vincenzo Cernicchiaro conta: "Nell'anno 1885, divenne
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Música nel Bra-
allievo dell'Imperiale Conservatorio di Musica, nella classe sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 332,
dei professore di clarinetto A. L. de Moura ... • 342, 394 e 517.
A 18 de junho de 1889, morre no Rio de Janeiro. 2. FLAUSINO RODRIGUES VALE- "Elementos de Folk-lore Musi·
cal Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936) -
Como compositor popular, deixou a canção eco Artista.., p. 138 e 139.
a romança "A Vida" e o lundu "O Padecente", .todos sobre 3. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" (Rio de
poesias de A. J. de Sousa. :E: também o autor de uma qua- Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 344 e 439.
drilha chamada "O Incêndio do Teatro São Pedro Alcântara", 4. LUIS HEITOR- "150 Anos de Música no Brasil" (Rio de Janeiro,
em cinco partes: "'O Espetáculô', "O Incêndio", •<Lamenta- Livraria José Olímpio Editora, 1956) - p. 55 e 178.
ções", "Projeto de Reedificação" e "Inauguração". Em 1857,
publicou 14 peças para canto e piano. A todas essas páginas.
acrescente-se ainda a romança "O Sofrimento".
Cernicchiaro dedicou as seguintes linhas a este músioo DEMJ!TRIO RIVERO
insigne: "Antônio Luiz de Moura, ii noto clarinettista, figura
come autore d'una quadriglia intitolata "O incendio do theatro (1820? - 1889)
S. Pedro de Alcantara", cosi descrita. "O espectaculo", "O in-
cendio", ''Lamentações", "'Projecto de riedificação" "Inaugura- O compositor e violinista Demétrio Rivero nasceu na Ar-
~o". Nel 1857, oltre ai ballabili pubblicati anteriormente. gentina, lá por 1820.
156 157
Em 1844 já participava da orquestra da Capela Imperial. TITO LíVIO
Em 1848 foi convidado por João Caetano para ser o violino-
0820?- 1890?)
regente da orquestra que tocava nas representações draml
ticas do Teatro São ]anuário.
Da vida do compositor e poeta baiano Tito Lívio, pouco
Foi nomeado, em 1855, para ser professor de violino no mais sabemos além de ter nascido em Cachoeira, tal .como
Conservatório de Música. Ainda nesse ano toma-se o violi- seu contemporâneo, José de Sousa Aragão, o célebre ''Cazu-
no-regente do Ginásio Dramático. zinha".
Entre 1857 e 1858, como professor de rabeca do Conser- Apenas para localizá-lo um pouco no tempo, vamos con-
vatório de Música, dá aulas nas terças e sexta-feiras, das 8 h siderá-lo nascido em 1820, e falecido na mesma cidade, em
às 10 h da manhã, na Rua da Constituição. Em 1859 é de~ig 1890.
nado secretário do Conservatório, na vaga aberta pelo fale- A letra do recitativo ..A Nebulosa", música de José de
cimento de Francisco da Mota. Em 1862 passa a lecionar às Sousa Aragão, é de Tito Lívio. e está estampada no "Tro-
terças-feiras e sábados, às 8 h da manhã, na Rua do Hos- vador", edição de 1876:
pício - hoje Rua Buenos Aires - 235 e, em 1864, na Rua ]á lestes a Nebulosa
do Conde - hoje Visconde do Rio Branco - 17. Em 1869 Do fluminense cantOT?
passa a dar aulas na Rua da Boa Viagem, Niterói, e na Rua Não vistes a peregrina
do Teatro, 17. Que matou ao trovadorPI
De 1871 a 1874 lecionou na Rua da Boa Viagem e na
Rua do Ouvidor, 101. Em 1883, suas aulas eram dadas na Assim. mulher. tu me matas
Rua da Boa Viagem e na Rua do Ouvidor, 93. Com teus desprezos sem fim;
Não tenhas tal isenção,
Foi condecorado, no grau de Cavaleiro. com a Ordem Meu anjo, tem d6 de mim.
da Rosa. 1t autor de várias modinhas e outras composições
de música popular, como a quadrilha ..Botafogo'", incluída A flor de minha esperança
no livro "Rio de Janeiro - Album Pitoresco Musical", pu- Assim tu queres murchar?
blicado pelos Sucessores de P. Laforge (estabelecidos na Rua Não te comove meu pranto.
dos Ourives, 60), com desenhos de Alf. Martinet. Teve pe- Inda queres me matar?
ças suas publicadas no jornal ..Marmota", entre 1849 e 1861.
Queres que faça em pedaços
Faleceu em 1889, deixando, entre seus :muitos alunos, o A minha lira querida,
famoso autor de "Storia Della Musica nel Brasile", Vincenzo Que te diga eterno. adeus.
Cernicchiaro. Ao depois termine a vida?
~~~~-::
crepita o amor fatal do Trovador pela Peregrina. Sob o nome JANUARIO DA SILVA ARVELLOS, filho'
"'Assim" e designada ..modinha", ..A Nebulosa" foi gravada por (1820? - 1890?)
Mário Pinheiro, na Casa Edison, por volta de 1909 ( Odedn
40.614). Um dos mais famosos compositores de música popular
Quando começou, em fins de 1864, a Guerra do Paraguai, do Segundo Império, o pianista e organista }anuário da· Silva
a Bahia logo atendeu ao apelo do Imperador, enviando, para Arvellos (o nome, de origem espanhola, deve ser pronunciado
a frente de combate, a 17 de março de 1865, seu primeiro Arvêlhos), assina diversas modinhas, lundus, polcas, canções,
etc. E filho de outro Januário da Silva Arvellos, o qual, "já
batalhão de Voluntários da Pátria, sob o comando do Te-
no tempo de D. João VI era respeitado como compositor"
nente-Coronel José da Rocha Gaivão, a quem Labatut cha-
(Aires de Andrade - ••Francisco Manuel da Silva e Seu
mara de "'cadete bravo". Foi, então, que tanto Tito Lívio,
Tempo", Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967, p. 139).
como José de Sousa Aragão - o Cazuzinha - começaram a
escrever modinhas consolando os que ficavam. Conta Ma- Dele são, por exemplo, o recitativo ••A Jovem Morena"
nuel Querino em "A Bahia de Outrora", no capítulo "A Bahia (sobre poesia de Getúlio de Mendonça), as canções "A Vi-
e a Campanha do Paraguai": "José de Sousa Aragão e Tito vandeira" (sobre poesia de autor desconhecido) e "O Filho
Lívio, de Cachoeira, com suas endechas~ levavam doce leni- Pródigo" (sobre poesia de Melo Morais Filho), dos lundus
tivo à saudade dos que ficavam". No mesmo livro. no capítulo "A Lavadeira" (sobre poesia de M. M. - Melo Morais?),
"Jantares", Querino, após falar em Francisco Magalhães "Dizem Que Sou Borboleta", "A Feijoada", "Os Fandangos
Cardoso, e referir-se às suas apresentações "nas arrojadas das Baianas", este "para a noite de Santa Ana" (todos sobre
festas da Boa Viagem, Bonfim, Barra e muitas outras", acres- poesia de a~tor desconhecido. talvez o próprio J anuário da
centa: "A este seguiram Tito Lívio, no verso, e Aragão, na Silva Arvellos) e "As Notas do Tesouro" (ou "Trocos Miú-
música, com "'O Sonho", "A Caridade", "'A Vaga", "O Gigante dos"/sobre poesia de J. M. C. Tupinambá); das modinhas
de Pedra", e uma infinidade de modinhas, que justificavam o "Uma Chaga Me Abriste no Peito", "Eu Vi um Sabiá Can-
enlevo ... " Dessas modinhas, presumiv~lmente "O Sonho" é tando", "Donzela, por Piedade, Não Perturbes" (todas sobre
a mesma "Os Sonhos", e "A Vaga", "O Segreçlo da Vaga", poesia de autor desconhecido; a última gravada, em 1963,
ambas de José de Sousa Aragão. Mas, entre todas as citadas no LP, da Festa, "Do Tempo do Império", LDR 5.024, por
por Manuel Querino, quais serão sobre versos de Tito Lívio? Priscila Rocha Pereira e Collegium Musicum da Rádio
Uma certamente o é, pois escreve esse autor: "Nesse tempo MEC), "Lágrimas do Voluntário" (sobre poesia de V. J.
estava em moda, entre outras cantigas, As Baianas. Era em Bonsucesso Júnior) e "A Estátua da Dor" (sobre poesia de
menor, muito lírica, composta por Tito Lívio e musicada por J. M. C. Tupinambá).
Cazuzinha Aragão, da Cachoeira. Tinha ela tudo - a graça,
o sentimento, a inspiração. Era cantada em todas as casas e O catálogo !:!a Exposição "Música no Rio de Janeiro Im-
batida em todos os pianos. Todo moleque assobiava-a e toda perial (1822-1870)", realizada em' junho de -1962, fornece ain-
mocinha trinava-a à costura". da, de J anuário da Silva Arvellos, filho, os seguintes dados bio-
·gráficos: ••Arvellos, que em 1838 foi nomeado primeiro pro-
FONTES PARA O ESTUDO DE TITO LIVIO
fessor de música do Colégio Pedro II e no ano seguinte
mestre de música do Corpo Municipal Permanente, instituído
1. TROVADOR - Coleção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus, pelo Duque de Caxias, então Comandante daquele Cmpo,
etc. - Nova edição, correta - Volume I (Rio de Janeiro, Livraria mantinha ainda, na mesma época, ~a Escola de Música
Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - p. 91-92. vocal e instrumental na rua dos Barbonos, 16. Vinte anos
2. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" (Bahia, livraria
Econ~nüca. 1922) - p. 120-121. 156. 212 e 239.
depois vamos encontrá-lo ainda em franca atividade anun-
160 161
I
I
ciando cursos noturnos de piano e canto para comerciantes cando-os em cima da mesa. convidou-me para conversar um
ccpor um novo sistema prático adotado em Paris" e dizen- pouco. Admirei-me dessa recepção, que pôde ser explicaia
do-se, o que é bem curioso, ccfilho do 1. o compositor brazli- depoi_s; tinha ele me encontrado numa casa de músicas, onde
leiro que foi mestre do Sr. D. Pedro r. Em 1859 publicou eu costumava ir muito. Chamou-me a atenção aquela cara
um ..Novo Methodo Repentino dos Primeiros Elementos Mu- sempre risonha que já me havia sido apresentada, não ima-
sicais", obra essa que não conhecemos. Em 1861 abriu loja ginando porém de começo fosse esse o tal artista mágico que
de música à rua da Carioca, 122, mas dois anos depois preparava pianistas em dois meses. Depois de uma pequena
voltava para seu antigo endereço, na rua da Assembléia, 125 conversa fui diretamente ao objetivo da minha visita, que-
B e onde ainda funcionava em 1870, imprimindo, principal- rendo saber como era possível ele preparar, em tão pouco
mente, música popular brasileira". Em 1862 publicou uma tempo, os artistas. Pensei erradamente, que ele começasse com
série de modinhas, polcas, quadrilhas, etc .. sob o título «Con- esquivas; respondeu-me porém, tomando seu vinho com toda
selheiro das Damas". Uma segunda série foi lançada em 1869. a calma: - Sr. colega: "Mundo, mundo, quem não sabe na-
De 1887 a 1889, fui organista da igreja de Nossa Se- dar vai ao fundo". Explicou-me então, que cobrando preços
nhora Mãe dos Homens, templo situado na Rua da Alfân- mínimos sempre encontrava pais que lhe confiassem seus
dega, acima da Rua da Quitanda. filhos para receber aulas de piano e que, apesar de estarem
Januário da Silva Arvellos. filho. tinha um irmão também convencidos da impossibilidade de prepará-los em dois meses.
músico: Antônio Januário Arvellos. deixavam que os filhos continuassem desde que, ensinasse
O compositor, pianista e organista alemão Hugo com atenção e pontualidade. Outros ao contrário. bastante
Bussmeyer, que esteve no Rio de Janeiro em 1861, deixou um imbecis (em acreditar no impossível e, não conseguindo a
documento precioso, divulgado pelo Maestro Batista Siqueira realização dos artistas formados), depois do tempo marcado,
em seu livro "Ernesto Nazaré na Música Brasileira", onde há ficavam furiosos; respondia então secamente não ter culpa
um trecho que se ocupa de J anuário da Silva Arvellos. filho. acreditarem em milagres ou então, que o aluno era inqualificá-
E o seguinte, com supressão dos parágrafos: «Aparecia diaria- vel e assim, não aprendera com seu excelente sistema. Como
mente um anúncio no Jornal do Comércio e outras folhas. recebia o pagamento adiantado, sempre arranjava resultado,
indicando que um professor de piano aqui estabelecido, prP- numa cidade grande como o Rio. Confesso que não achei a
parava alunos em dois meses, segundo um novo método por idéia mal pensada, pois s6 trabalhava para se manter. E
ele inventado. fazendo dos ditos alunos p~rfeitos pianistas, e quanto às novas músicas, explicou-se posteriormente: estava o
que além disso, recebia em quantidade, músicas européias que dito professor, numa casa de negócios, quando abriram uns
eram vendidas em casa do dito professor. Lendo diariamente caixotes, nos quais, para encher os vazios, puseram uma por-
esse anúncio, resolvi procurar esse colega, Arvellos, para des- ção de papéis, inclusive uma quantidade de músicas velhas
cobrir o seu importante e rico método de ensino e ver as com capas vistosas; então o dito musicista pediu as músicas
músicas novas da Europa, que também me interessavam. En- para os armários_ vazios de sua pequena loja assim come-
trando numa porta baixa, num quarto pequeno, vejo um çara; anunciando depois. como se fossem obras completas,
mulato sentado em cima duma mesa balançando as pernas, tornava-se imprevistamente conhecido. Em todo o caso o vinho
fumando um charuto e vigiando os exercícios dum aluno que que me ofereceu foi bom ... Convenci-me que as especula-
estava ao piano. Avistando-me na porta, deu um pulo d.a ções dele não eram contraproducentes. Despedi-me então,
mesa para cumpriinentar-me, disse meu nome com alegria, do meu colega escuro, crente de que havia de encontrar ainda
dizendo sentir-se honrado com a minha visita. Tendo quase maiores extravagâncias".
terminado a aula, dispensou o aluno. Convidou-me para sen- Além das já dtadas, Arvellos deixou ainda as seguintes
tar; foi buscar uma garrafa de vinho e dois copos, e colo- modinhas: "Bela Ninfa de Minha Alma", "Naquela Deserta
162 163
~0::-_o;, __ -
Praia", "Nessas Praias de Límpidas Areias" e "Quando Seu J. S. Arvellos, um dos mais habeis professores de piano e
Bem Vai-se Embora". canto (filho de um dos mais celebres compositores de mu-
O referido catálogo da Biblioteca Nacional informa ainJa, sica,· mestre de sua majestade o Sr. D. Pedro I) que com-
na p. 94, que J anuário da Süva Arvellos, filho, tomou parte, promette-se a fazer toccar ou cantar em breve tempo,
ao lado de Gabriel Fernandes da Trindade, Cândido Inácio dando mesmo as lições gratis se não comprir o que promete,
da Silva, Klier e outros, em um espetáculo da Academia de pois já tem dado grandes provas de seu merecimento ( Dal
Música Vocal e Instrumental, em benefício da Sociedade Jornal do Commercio, gennaio 1858)".
Beneficência Musical, realizado no Teatro da Praia de D. Nasceu provavelmente no Rio de Janeiro, por volta de
Manoel, a 31 de outubro de 1836. 1820, cidade em que deve ter falecido, lá por 1890.
Em ..Storia Della Musica nel Brasüe" (Milano, Stab. Tip.
Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 58), Vincenzo Cernicchiaro FONTES PARA O ESTUDO DE JANUARIO DA SILVA
escreve sobre Januário da Silva Arvellos, filho: ..Ne meno ARVELLOS, FILHO
belle sono quelle lasciaste dai profesore di musica J. J. Arvellos,
scrite su poesia dei dottor Laurindo José da Sih a Rabello - 1. TROVADOR - Coleção de Modinhas, Recitativos, A rias, Lundus,
"Desalento" e "Donzella, por piedade não pelturhes", com ac- etc. - Nova edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria Popular de
compagnamento di pianoforte". Nesse trecho de Cerníc- A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - Volume I, p. 124-125;
Volume III, p. 59-60, 64-66, 84-85, 107-108; Volume IV, p. 45;
chiaro há dois erros, entretanto, que devem ser assinala- Volume V, p. 35-39. 116-118. 128-129. 130, 139-141.
dos:: a atribuição a Laurindo Rabelo da autoria dos versos 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
de "Donzela, por Piedade, Não Perturbes", e que nenhuma sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 58, 136
pesquisa, até agora empreendida, autoriza; e - mais grave e 394.
ainda - a grafia J. J. Arvellos em lugar de J. S. Arvellos. 3. FRANCISCO CURT LANGE - "Vida y Muerte de Louis Moreau
Gottschalk en Rio de Janeiro (1869)" (Mendoza. Universidad Nacio-
Este último equívoco teve reação em cadeia em muitos tra- nal de Cuyo, 1951) - p. 33.
balhos posteriores, como os de Flausino Rodrigues Vale 4. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Catálogo da
("Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro", São Paulo, Com- Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música
panhia Editora Nacional, 1936, p. 131) e Renato Almeida e Arquivo Sonoro (Rio de Janeiro. Biblioteca Nacional, 1962) -
p. 13, 21, 69 e 94.
( ..História da Música Brasileira", Rio de Janeiro, F. Briguiet
5. BATISTA SIOUEIRA - "Ernesto Nazaré na Música Brasileira"
& Comp-Editores, 1942, p. 68), que também grafam, desas- (Rio de Janeiro, Gráfica Editora Aurora. Ltda .. 1967) - p. 48,
tradamente, J. J. Arvellos ... 66-67.
:f: ainda Cernicchiaro ( op. cit.~ p. 394) que conta o se-
guinte sobre Arvellos: "Un breve cenno merita il professore
di pianoforte, figlio ad un noto professore di musica ai tempi GONÇALVES DIAS
dei primo Impero, J. S. Arvellos, il quale, sotto il manto della (1823 - 1864)
modestia, esercito con grande amore la sua arte" La storia O poeta Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Ma-
reca di lui che egli aprl in Rio de Janeiro nel 1858, un ranhão, a 10 de agosto de 1823, e faleceu a 3 de novembro
corso notturno di pianoforte per gl'impiegati dei commercio, de 1864, em naufrágio ocorrido nas costas do Maranhão, pró-
a cui dedicava il suo metodo d'insegnamento nei seguenti ximo a S. Luís, quando, gravemente doente. retornava da
termini: Europa ao Brasil.
"Curso de piano a 1/000 a lição. Dá-se piano gratis Como quase todos os poetas românticos. teve muitas de
aquelles que não tiverem. Continua a dar lições, lecionando .i suas poesias musicadas e tornadas modinhas. Só D. José
164 165
1
166 167
Janeiro - Album Pitoresco Musicar', publicado pelos Suces- Pobre e mulato, encontrou sérias dificuldades Iiá vida. ,e,
sores de P. Laforge (estabelecidos na Rua dos Ourives, 60 1· por seu corpo magro e desaprumado, recebeu o apelido de
"Poeta Lagartixa...
com desenhos de Alf. Martinet.
Do casamento de Eduardo Medina Ribas com uma se- Laurindo não somente teve poesias musicadas por , com-
nhora brasileira nasceu, em 1884, em Nápoles, Glauco Ve- positores da época, como Januário da Silva Arvellos ("O De-
lasquez, oi:>mpositor que, segundo Renato Almeida ··embora salento"), Henrique Alves de Mesquita (a romança "More-
tivesse tido uma consagração rara no nosso meio, não per- ninha", publicada em 1867, três anos após a morte do poe-
durou e é hoje uma lembrança apenas... ta), e João L. de Almeida Cunha - este também tocador
Faleceu provavelmente no Rio de Janeiro, por volta de de violão, apelidado "Cunha dos Passarinhos" ("A Despedi-
1890. da", "Que Queres Mais?'', etc.), como ele mesmo fez música
para suas próprias letras; tal é o caso de "Se Eu Fora
Poeta", publicada em 1867, três anos após a morte de Rabelo.
FONTES PARA O ESTUDO DE EDUARDO MEDINA RIDAS Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica nel Brasi-
le" ( Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 58)
1. MELO MORAIS FILHO - •• Artistas do Meu Tempo" (Rio de refere-se a Laurindo Rabelo compositor: ··n riferito poeta
Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1904).
soleva rivestire di suoi versi anche con le ispirazioni musi-
2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- cali; ed e nota la sua bella "modinha": "Se eu fora poeta",
sile" (Milão. Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 174,
176, 177, 208. 209, 211. per canto e pianoforte ( 1867) ".
3. "Rio de Janeiro - Album Pitoresco Musical" - Publicado pelos Renato Almeida em "História da Música Brasileira", 2. a
Sucessores de P. Laforge (Rua dos Ourives, 60, Rio de Janeiro) e Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942,
desenhado por Alf. Martinet (Rio de Taneiro, reimpressão fac-
-símile da Livraria Kosmos, s/d.) p. 73 ), inclui Laurindo entre os melhores cultores do lundu,
4, MARIA LUfSA DE QUEIROS AMANCIO DOS SANTOS (ISA
mas nesse caso não deveria ter omitido o nome de João L.
QUEIROS SANTOS) - "Origem e EVQlução da Música em Por- de Almeida Cunha, autor das músicas e parceiro de Laurindo.
tugal· e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro Imprensa Nacio- Melo Morais Filho, citado por esse autor, referind()'-se "aos
, ~al, 1942) - p. 297..
mais famosos pelas intenções fesceninas", fala~nos dos "lun-
5. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.• dus em voz baixa, só para homens" e. mais exato, cita ·"os
-Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp. - Editores, 1942) -
p. 361-362 e 406. de Laurindo Rabelo,. musicados por João Cunha". E ainda
6. AIRES .DE ANDRADE - "Francisco Manuel da Silva e Seu Renato Almeida quem nos conta de um armarinho da Rua
·Tempo" - Volume II (Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, 1967) do Regente· - em cujo balcão, . Francisco Manuel ·da Silva
._,. p. 38, 41, 92, 94, 97-100. 103-104 e 220-221. escreveria os primeiros compassos do futuro Hino Nacional
- onde se reuniam Francisco Manuel, Laurindo Rabelo e o
estudante-cantor da Capela Imperial, o futuro Cônego· Za-
_LAURINDO RABELO carias da Cunha Freitas.
(1826 - 1864) . Quem nos fala de Laurindo Rabelo cantor é Joãç. do
I
Rio em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de Janeiro,
O poeta e cantor Laurindo José da Silva Rabelo nasceu II· Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 271: «. . . a musa foi a
ri()'·Rio de Jan~iro, a 3 de jUnho de 182~ e faleceu na mesma senhora capaz de entrar num salão e se conservar nuÍI{ a;rÜ-:
éidade, a 28 de novembro de 1864. - biente respeitável. A sua paixão porém levou-a a acompanhar
168 169
I
Laurindo Rabelo a maus lugares, o Laurindo cigano dos re- 1 JOAQUIM SILVERIO DE BITTENCOURT E, SÁ
pentes, cantador emérito, de quem se tem dito tanto mal. (1829 - 1899)
tanto bem e tanta mentira". '
O compositor, clarinetista, organista, pianista e exeputan-
te de violeta Joaquim Silvério de Bittencourt e Sá, irmão do
compositor Manuel Tomé de Bittencourt Sá, nasceu em Sal-
MANOEL TOMI! DE BITTENCOURT SÁ vador, Bahia, a 30 de dezembro de 1829.
(1826 - 1886) Está incluindo na relação dos mestres-compositores da
modinha na Bahia por Guilherme Teodoro Pereira de Melo
O compositor, executante de flautim, regente, cantor e ("A Música no Brasil", Bahia, Tipografia de S. Joaquim,
pianista Manoel Tomé de Bittencourt Sá nasceu em Salvador, 1908, p. 134), sendo citado também entre os scrittori di "mo-
Bahia, a 21 de dezembro de 1826. dinhas'' por Vincenzo Cemicchiaro C'Storia Della Musica
nel Brasile", Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926,
Foi ele quem fez a música para os versos do poeta Il-
p. 55-56).
defonso Lopes da Cunha intitulados "O Canto do Veterano",
escritos quando do início da Guerra do Paraguai, em fins de Teria sido o primeiro a compor, na Bahia, marchas fú-
1864. "Os velhos esqueciam-se da idade; os moços não se nebres. Escreveu também música sacra, peças religiosas e
lembravam do futuro. Até os sexagenários marchavam para missas.
a luta, quando deveram aguardar a morte, no seio tranqüilo Segundo Manuel Querino, citado por Isa Queirós Santos
do lar; e os que, por. enfermos, não os podiam acompanhar, ("Origem e Evolução da Música em Portugal e Sua Influ-
lastimavam-se" - escreve Manuel Querino em "A Bahia de ência no Brasil", Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1943,
Outrora" - 2.a Edição ( Bahia, Livraria Econômica, 1922), p. p. 202), sua obra-prima é uma "Novena a N. Sra. da Pie-
158. dade". Esse conceito é, aliás, generalizado (ver Vincenzo
Manoel Tomé de Bittencourt Sá é irmão de outro com- Cernicchiaro, "Storia Della Musica nel Brasile", p. 155).
positor baiano: Joaquim Silvério de Bittencourt e Sá. Gui- :1!: ainda Cernicchiaro quem informa que ele deixou "moi-
lherme de Melo ("A Música no Brasil", Bahia, Tipografia de te "modinhas" e õalli pastorali".
S. Joaquim, 1908, p. 134) inclui Manoel Tomé entre os mes-
Faleceu a 15 de abril de 1899, presumivelmente em Sal-
tres compositores da modinha na Bahia e Vincen:ro Cernic-
chiaro o menciona também entre os scrittori di "modinhas" vador, Bahia.
("Storia Della Musica nel Brasile", (Milano, Stab. Tip. Edit.
Fratelli Riccioni, 1926, p. 56). Cernicchiaro estropia seu no-
me, chamando-o MacieZ Tomé, na p. 56, mas vai escrevê-lo MATHEUS ANDRI! REICHERT
certo na p. 155, onde fornece rápida nota biográfica deste (1830 - 1880)
autor.
Cultivou o canto e foi um verdadeiro virtuose no flautim. Filho de um músico ambulante, o flautista e compositor
Escreveu também Missas (uma dedicada a Santa Cecília), Te Matheus André Reichert nasceu em Maestricht, na Bélgica,
Deum, uma série de Marchas Fúnebres, etc. Lecion9u piano em 1830.
em colégios e em residências particulares. Foi mestre de
Foi discípulo de Demeur Jules. Mandado contratar por
banda e regente de orquestra.
Faleceu em Salvador, a 30 de setembro de 1886. D. Pedro II, em Paris, chegou ao Rio de Janeiro a 8 de
170 171
junho de 1859, na galera fra?cesa "Ville Riche", juntamente 2. ISA QUEIROS SANTOS - "Origem e Evolução da· Música ·em
com os violinistas holandeses André e Luiz Gravestein, o Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1943) - p. 273.
trompista italiano Cavalli e o clarinetista italiano Cavallinj.
3. BATISTA SI QUEIRA - "Ernesto Nazaré na Música Brasileira"
Já tendo sido aplaudido pelas platéias cultas da Europa, (Rio de Janeiro. Gráfica Editora Aurora Ltda., 1967) - P.• 49.
Reichert exibiu-se no Rio, em vários concertos, como pri-
meiro flautista da orquestra do Teatro Provisório. Apresen-
tou-se depois, com muito sucesso, em recitais, nas capitais de
São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Pará. JOÃO LUÍS DE ALMEIDA CUNHA
No Rio de Janeiro, tornou-se amigo d_e Joaquim Antônio
da Silva Calado, Jr., o grande flautista brasileiro da época. (1830?- 1890?)
E essa amizade entre os dois extraordinários músicos se deu
a ambos muitas alegrias também lhes foi uma fonte do tor- O compositor e violonista João Luís de Almeida Cunha
mentos. Batista Siqueira em "Ernesto Nazaré na Música Bra- nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1830,
sileira" resume, em poucas linhas, a pretensa rivalidade en- e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1890.
tre Calado e Reichert: "'Esse extraordinário artista foi vítima Formou uma dupla famosa com o poeta Laurindo Ra-
aqui das mais solertes intrigas entre fanáticos apologistas de
belo.
Joaquim Antônio da Silva Calado (filho) que superiormente
ficava eqüidistante da perfídia dos exploradores das di- São dele as modinhas A Despedida, Que Queres Mais?,
versões e da ingenuidade do público". Dá-me um Beijo, FOi em Manhã de Estio (todas sobre po-
Reichert que fez, no Brasil, vários discípulos. entre eles esias de Laurindo Rabelo); Eu Feliz Não Posso Ser (sobre
Manoel Marcelino Vale e Duque Estrada Meyer, escreveu poesia de autor desconhecido); Escuta (sobre poesia de J. J.
diversas obras. Isa Queirós Santos menciona "Rondó Carac- Álvares de Azevedo - que não deve ser confundido com o
terístico", ..Ilusão", "Sensitiva", ..Carnaval de Veneza". "Sou- célebre poeta romântico Álvares de Azevedo); e o lundu
venir do Pará", "Souvenir da Bahia", "Rêverie", ••pJaisenterie O Banqueiro (sobre poesia de autor desconhecido) .
Musicar', etc.· A essas composições, deve ser acrescentada a
Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica nel Bra-
polca ··Faceira", "la celebre polka", como a denomina Vin-
cenzo Cernicchiaro, que -integra a coleção ••F1ores do Baile". sile" ( Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926, p.
Segundo ainda Batista Siqueira - ..era tocada por todas as 58) dedica, inicialmente, estas linhas a João L. de Almeida
bandas de música do Rio de Janeiro". Cunha - também conhecido, em sua época, como o Cunha
dos Passarinhos: ..João L. A. Cunha ci si presenta anche
Reichert terminou seus dias em completa indigência. E
a 15 de março de 1880 - oito dias antes de Calado - aco- come un compositore di ··modinhas" ( 1867). Conviene ri-
metido de congestão cerebral, faleceu, sendo enterrado em cordare, tra le piil belle sue composizioni, quella intitoTata
uma cova rasa no Cemitério de São João Batista. ··Escuta", poesia dei dottor J. J. Álvares de Azevedo".
Falando de lundus, Monso Rui em "Boêmios e Seres-
teiros Baianos do_. Passado" ( Salvador, Livraria [Link]
FONTES PARA-O ESTUDO DE MATHEUS ANDM REICHERT Editora, 1954, p. 35, escreve: ..No mundo artístico e bo~mio,
tomaram-se notáveis nesse gênero, Xisto Bahia e Laurindo
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "La Storia Della Musica nel
Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 219, Rabelo, conhecido como "poeta lagartixa". Laurinda escre-
222. 228, 229. vendo versos para o compositor João Cunha, formara C'Om
172 173
este notável dupla, que encontrou como antagonista o ator ANONIMO DE "MEU ANJO, ESCUTA" (OU "LAUSINA"
baiano que se notabilizara cvmo compositor das multidões, OU "'ELVIRA, ESCUTA")
eletrizando as elites como o povo com os seus famosos can-'
(1830? - 1890?)
tares.
"Era fatal o entrechoque dos dois grandes talentos bo- O autor anônimo de "Meu Anjo, Escuta" ou "Lausü1a"
êmios; criou-se partido. O público sentenciava. E enquanto (que, em versão provavemente de Minas Gerais, tomou-se
Laurindo escrevia versos maliciosos e satíricos, Xisto fazia-os conhecida como "Elvira, Escuta") nasceu presumivelmente
jocosos e irônicos, ilustrados com vinhetas musicais que che- no Rio de Janeiro, por volta de 1830, e pode ter falecido na
garam até nós. mesma cidade, lá por 1890.
"'Foi vencido o poeta carioca ... " Segundo o maestro Batista Siqueira, em "Modinhas do
Passado" (Rio de Janeiro, 1956), p. 143 e 144, esta modinha
As músicas já citadas, devem ser acrescentadas diversas está publicada em "Nova Coleção de Modinhas" (Rio de Ja-
outras mencionadas por Vincenzo Cernicchiaro ( op. cit., p. neiro, H. Garnier, 1878), com o nome de "Lausina". Poderia
343), com o cuidado de considerar um único os compositores ter sido, pois, composta em 1870, ou, pelo menos, nessa dé-
]. L. A. Cunha e Almeida Cunha, na realidade o mesmo, cada. O mesmo autor fornece-nos a letra da "versão popular
equívoco cometido por esse autor ao dedicar dois novos pa- coligida da tradição oral no E. do Rio", diferente de "Meu
rágrafos, separados, nessa página: Anjo, Escuta":
"J. L. A. Cunha non scrisse ballabili, mas lascio diverse
modinhas molte garbate. Le piu forbite a noi paiono quelle
MEU ANJO, ESCUTA
alie quali diede titolo: "Os teus Olhos", "Já não vive a minha
dor", "Dá-me um Beijo", "Que queres mais". "O Descrido". I
"A Despedida".
"Di Almeida Cunha fu Iodato il gusto e la grazia d'una Meu anjo escuta.
modinha "Eu Sinto Angustia", la romanza "O Cego", pubbli- Os meus gemidos.
cata nel 1862. e varie musiche per danza".
Que aos teus ouvidos.
Querem chegar.
Esse erro - e também o de dizer ora que não escreveu,
Estribilho
ora que escreveu música de dança - teria de ser natural-
mente repetido por Flausino Rodrigues Vale em ..Elementos Assim traidora.
de Folk-lore Musical Brasileiro" (São Paulo, Companhia Tem dó de mim.
Editora Nacional, 1936, p. 140): Tem d6 desfalma
Que te sabe amar.
"J. L. A. Cunha não escreveu para bailes. mas teve no-
me com as modinhas: "Já Não Vive a Minha Dor", "Os Olhos", II
"Dá-me um Beijõ, "Que Queres Mais?", "O Descrido", "A
Despedidã. Se tu me amasses
"Almeida Cunha escreveu várias músicas de dança, a Como eu te amo
Tu te inflamavas
modinha "Eu Sinto Angústia", e o romance "O Cego".
Como eu me inflamo.
174 175
!
Estribilho Teu coração
Assim traidora 1!:. um rochedo
Tem dó de mim, Este rochedo
Tem dó desfalma 1!:. o meu penar
Que te sabe amar. Não sejas traidora
Tem d6 de mim
III Tem d6 dest' alma
Que te sabe amar
Por entre o bosque
Vivo eu penando, Se tu me amas
A lei do fado Como eu te amo
Abandonado. Eu te prometo
Estribilho Não te desprezar
Não sejas traidora
Assim traidora,
Tem dó de mim
Tem dó de mimj
Tem d6 dest' alma
Tem dó dest' alma
Que te sabe amar
Que te sabe amar.
176 177
I
pertencerá a uma paródia, o que é mais provável?): "Há o Ai, quantas vezes, a meus pés curvado,'
amor [ ... ] ainda mais desconsolado: "Perdão Emília, mas Davas-me provas de teu puro amor!
chorar não posso». A letra completa, com indicação da melo-' Quando eu julgava que tu fossf!s anjo,
dia, pode ser encontrada em "Canções Populares do Brasil" Não via fundo nesse olhar traidor.
de Júlia de Brito Mendes (Rio de Janeiro, Editor J. Ribeiro
dos Santos, 1911), p. 68, 69, 70: Mas eis que um corpo, resvalando à terra.
Tombou de chofre sobre a pedra fria,
PERDÃO, EMlLIA E quando a aurora despontou, na lousa
Um IJorpo inerte a dormitar se via.
Já tudo dorme, vem a noite em meio.
A turva lua vem surgindo além,
Tudo é siMncio, s6 se v~ na campa CLÁUDIO JEREMIAS DA SILVA JACQUES
Piar o mocho no cruel desdém.
(1830? - 1890?)
Depois um vulto de roupagem preta,
O oompositor e provavelmente também letrista Cláudio
No cemitério com vagar entrou, Jeremias da Silva Jacques nasceu presumivelmente no Rio
]unto ao sepulcro se curvando a medo, de Janeiro, por volta de 1830, e deve ter falecido na mesma
Com tristes frases nesta voz falou: cidade, lá por 1890.
Escreveu várias modinhas, entre elas ..Quando Seu Bem
- Perdão. Emília, se roubei-te a vida, Vai-se Embora" e "Tu ~s a Estrela" (1860), tal como se
Se fui impuro, fui cruel, ousado! poderá oonstatar em Vincenzo Cernicchiaro ( "Storia Della
Perdão, Emília, se manchei teus lábios, Musica nel Brasile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Ric-
Perdão,. Emília, para um desgraçado. cioni, 1926, p. 57): ..Claudio Geremias da Silva Jacques, che
scrisse fra le altre, due graziose "modinhas": ..Quando seu bem
- Monstro tirano, pra que vens agora vai-se embora", e "Tu és a Estrella" {1860)".
Lembrar-me as mágoas que por ti passei,
Lá nesse mundo em que vivi chorando,
Desde esse instante em que te vi e amei?!
LÚCIO DE LAURA
Chegou a hora de tomar vingança, (1830? - 1890?)
Mas tu, ingrato, não terás perdão!
Deus não perdoa as tuas culpas todas . .. O compositor Lúcio de Laura nasceu presumivelmente
Castigo justo tu terás então. no Rio de Janeiro, por volta de 1830, e pode ter falecido na
mesma cidade, lá por 1890.
Perdi as flores da capela virge~ :E: Vincenzo Cemicchiaro quem nos informa sobre ele
Cedi ao crime, que perdão não tinha; i em "Storia Della Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit.
Mas tu manchaste. a minha vida honesta,
Depois zombaste da fraqueza minha! l
t
Fratelli Riccioni, 1926), p. 343: "Lucio de Laura, uno dei
buoni ed apprezzati compositori dei genere, pubb1icava
178
i 179
I
nell'anno 1857, il suo bellissimo valzer "A Promessa esqueci- São de Albemaz as modinhas "Se Eu Morresse· Amanhã"
da". suonato da tutti i pianisti della capitale". Essa infurii}a- e "Despedida de um Voluntáriô', editadas, em 1866, pela Casa
ção é repetida por Flausino Rodrigues Vale em "Elemen(os V. Sydow. A informação está em Vincenzo Cernicchiaro
de Folk-lore Musical Brasileiro" (São Paulo, Companhia ( "Storia Della Musica nel Brasile", Milano, Stab. Tip. Edit.
Editora Nacional. 1936), p. 140: "Em 1857. a linda valsa ..A · Fratelli Riccioni, 1926, p. 57): "J. A. A. Albernaz, pubblica,
Promessa Esquecida" invadiu toda a Capital da República. nel 1866 due graziose "modinhas": "Se eu moresse amanhã", e
e é de autoria do fértil compositor: Lúcio de Laura, especia- la "Despedida de um voluntario". edite dalla casa V. Sudow".
lista no gênero".
11: ainda Cernicchiaro ( op. cit., p. 394) quem nos presta
ainda algumas informações sobre este artista: "Lucio de Lauro
(sic), fu professore di pianoforte stimabile, in Rio de Janeiro. PAULO JOSe DE SOUSA
discreto compositore. Pubblioo nel 1858 un'apprezzata fan- (1830? - 1890?)
tasia su motivi dell'opera "I Puritani".
\o compositor Paulo José de Sousa nasceu presumível-
mente no Rio de Janeiro, I~ por 1830 e deve ter falecido na
ANTÓNIO DE SOUSA PROENÇA mesma cidade, por volta de 1890.
Foi professor de música de 1862 a 1883 e organista do
(1830? - 1890?) convento da Ordem 3. a do Senhor do Bom Jesus.
Deixou algumas modinhas, entre elas "O Anjo da Har-
O compositor Antônio de Sousa Proença nasceu presumi-
monia", sobre versos de Gonçalves Dias, editada por Nar-
velmente no Rio de Janeiro, por volta de 1830, e pode ter
ciso, no Rio de Janeiro, e que está incluída no Album do
falecido na mesma cidade, lá por 1890.
Canto Nacional. ·
11: em Vincenzo Cemicchiaro ("Storia Della Musica nel
Bra'Sile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 343)
que vamos conseguir a única informação concreta que, cre-
mos, existe sobre ele: "Antonio de Souza Proença, senza un FONTES PARA O ESTUDO DE PAULO JOSl! DE SOUSA
gran nome di compositore di danze, ottiene un successo con
Ia sua polka "Pelo Sexo". Essa informação seria repetida por t. •Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposiçã,o
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Flausina Rodrigues Vale ("Elementos de Folk-lore Musical Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 37.
Brasileiro"/São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936/p. 2. AIRES DE ANDRADE - .. Francisco Manuel da Silva e Seu
140): "Teve grande repercussão a polka: "Pelo Sexo". de Tempo" - Volume H (Rio de Janeiro. Sala Cecília Meireles. 1967)
- p. 238.
Antonio Souza Proença".
S. C. LOBO
J. A. A. ALBERNAZ
(1830? - 1890?) i (1830?- 1890?)
180 181
I
I 14 - •R.M.P.B.
Guilherme de Melo eni "A Música no Brasil" (Bahia, E autor das modinhas "O Canto do Cisne" (sobre poesia
Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 134) inclui-o entre os com- de Laurinda Rabelo, escrita· por ele dias antes de seu fale-
positores que cultivaram a modinha no Rio de Janeirb: cimento, em 1864), "Que Noites Qu'Eu Passo Aqui no Ro-
"Enfim da modinha que no Rio de Janeiro alentara a ima- chedo" (sobre poesia de Vilela Tavares) e do recitativo
ginação e o talento musical dos mestres compositores José "Amor do Céu" (sobre poesia de Nuno Alvaro).
Maurício, Marcos Portugal [ ... ] S. C. Lobo [ ... ] etc.". A modinha '"Que Noites Qu'Eu Passo Aqui no Rochedo..
Embora suspeitemos que este S. C. Lobo seja, na ver- é uma das relacionadas por Mário de Andrade em ..Modinhas
dade, E. A. Lobo, isto é, Elias Álvares Lobo (1834-1901) Imperiais", que a apresenta sob o título de "Que Noites Eu
- e a omissão do nome deste, na relação, é mais um argu- Passo ... " e com o seguinte comentário: "Outro modinheiro
mento a favor dessa tese - consideraremos S. C. Lobo co- que não sei quem é. Peça já bem moderna, traz o n. 118 na
mo nome 'de outro compositor até que novas pesquisas coleção de Romances, Modinhas e Lundus, dos editores
melhor esclareçam o assunto. Renato Almeida em "História Artur Napolião e Cia, donde a transcrevo. O que distingue
da Música Brasileira" (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp. especialmente esta Modinha das anteriores, é o caráter já
- Editores, 1942, p. 66), repetindo a relação de Guilherme bastante popularesco. A cadência estrófica do canto, que
de Melo, fala em S. C. Lobo. aparecera mas ainda burguesamente enfeitada na peça do
Sousa Barros, aqui já traz a simplicidade com que se eterni-
zaria num infinito número de Modinhas populares. Aliás,
toda a melodia é bem pura e rescende ao jeito popular. O
FRANCISCO M. SOUSA MOREIRA
próprio acompanhamento acusa influência popularizante dos
(1830? - 1890?) instrumentos de cordas dedilhadas, violão, guitarra, viola por-
tuguesa. O texto é dum. dr. Vilela Tavares. O que mais se
Francisco M. Sousa Moreira entra para a história da pode recomendar é que seja largamente cortado na execução,
música popular brasileira por ter escrito a polca "Morte de pra evitar monotonia e desgosto. Coisa, aliás, pratiçável com
Lopez. Vitória de Aquidaban". Ela deve datar de 1870, pois mais discreção, em outras peças também. Se nesta Modinha,
roi justamente nesse ano em que o ditador paraguaio Fran- pela maior rapidez de andamento, quatro estrofes podem
cisco Solano Lopez, surpreendido por um destacamento de ! ser cantadas sem fadiga, outras há em que duas estrofes bas-
tropas .brasileiras - com Assunção já ocupada pelos exérci- tarão. Seria também recomendável que não se abusasse dos
tos aliados - foi morto, ao tentar cruzar o rio Aquidabã. andamentos lentos. Nesta .Modinha, por exemplo, um mo-
Francisco M. Sousa Moreira deve ter nascido no Rio vimento metioriômico · de 168 oU. 176 para .a semínima. im-
de Janeiro por volta de 1830, e falecido na mesma cidade, primirá ao Allegro um caráter apaixonado bem sensível. Será
lá por 1890. talvez menos popular, mas fica mais discreto, mais expressivo
i ;.~.
e artístico."
Esta a letra de "Que NoiteS Qu'Eu Passo Aqui no Ro-
A. J. S. MONTEIRO chedo", tal como está publicada no ..Trovador", Volume I
(1830? - 1890?) ( 1876), mas com as correções de Mário de Andrade..
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Passadas venturas me v~m à lembrança. Tais são minhas noites, que noites de horror,
Que doce ·painel! . .. Tal é minha sorte;
Contemplo depois da sorte a mudança São noites eternas de máguas e dor.
Pra mini tão cruel. São noites de morte.
JJ
Onde quer que vás, ingrata, volta de ·1830, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por
A tua sombra hei-de ser; 1880.
Hei de morrer por amar-te . Em "A Música no Brasil" (Bahia, Tipografia de S. Joa-
Hei de amar-te até morrer/ quim, 1908, p. 251), Guilherme de Melo inclui Santini entre
os trovadores "também dignos de todos os elogios" e Vincenzo
No céu hei de amar-te, enquanto Cernicchiaro ("Storia Della Musica nel Brasile", Milano,
Lá o espírito viver, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57), que estropia
Na terra. onde a vida acaba seu nome, italianizando-o inteiramente (''Francesco Santi-
Hei de amar-te até morrer-! ni" ... ) menciona-o entre "altri degni emuli dei precedenti
compositori e virtuosi, a cui si devono belle concezioni del-
Mário de Andrade que não sabia que "Hei de Amar-te l'arte vocale popolare bahiana", acrescentando o pormenor
Até Morrer"' era de Francisco José tv1artins, assim ~e expressa de que ele era também "conosciuto anche come buon in-
sobre a modinha XV de sua coletânea: "Também outro do- segnante di pianoforte". O mesmo autor ( op. cit., p. 387),
cumento já de muito e delicioso caráter popularesco. Peça no capítulo "Del Pianoforte e dei Pianisti ... '' agora refe-
anônima, que se tornou muito celebrada em todo o Brasil, rindo-se a ele como F. Santini, informa ainda que, procedente
a tradição a considera como baiana de origem. Foi publicada da Bahia, Francisco Santini chegou ao Rio de Janeiro em
pelos editores N~ciso e Artur Napoleão, donde a reproduzo. 1883, onde morreu poucos anos depois: "ln Bahia [ ... ] F.
Mas é mais antiga que eles como se verá da Bibliografia". Santini, che poscia passava a Rio de Janeiro, nel 1883, ove
Francisco José Martins foi instrumentista da Capela Im- mori pochi anni dopo".
perial, ali tocando, em 1847, como músico avulso, sendo con-
tratado no ano seguinte. em caráter permanente, e nela per-
manecendo até 1864.
AMJ!RICA FLORIPES DE CASTRO GUIMARÃES
:f: autor ainda da [Link] "Vem, 6 Parca, por Pieda-
de", editada em 1856 por T. B. Diniz, Praça da Constituição, (1830? - 1890?)
11, Rio de Janeiro.
A compositora e letrista América Floript:s de Castro Gui-
FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO JOS~ MARTINS marães nasceu presumiyelmente em Salvaqor, Bahia, por volta
de 1830, e deve ter falecido na mesma cidade. lá por 1890.
t. '"Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição O autor deste livro possui dela o manuscrito original,
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro. Biblioteca Nacional, 1962) - p. 33.
inédito, da modinha "Bela Eulina, Que Tens Que Andas Tris-
2. MARIO DE ANDRADE - •Modinhas Imperiais" - 2.• Edição
te?", por ela. certamente. datado: "Bahia, 6 de junho de 1864".
CSão Paulo. Livraria Martins Editora, 1964) - p. 15. 45-46.
A. T. P. REIS
,,,,~
FRANCISCO SANTINI (1830? - 1890?)
;..-.
(1830? - 1890?)
l O compositor A. T. P. Reis nasceu presumivelmente em
O compositor, e possivelmente também cantor Francisco
Santini nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia, por ,J Salvador. Bahia, lá por 1830. e deve ter falecido na mesma
cidade, por volta de 1890.
186 187
-~·j
O autor deste Jivro possui o manuscrito original, inédito. italianizou o nome para Enrico Albertazzi, inclui-o entre os
de sua valsa "Lembrança", com a data "1859". pianistas baianos da segunda metade do século passado.
O !COmpositor e provavelmente também letrista João de O pianista e compositor Genaro Arnaud, nasceu presu-
Sousa Martins nasceu presumivelrnente no Rio de Janeiro, mivelmente em Nápoles, por volta de 1830, e pode ter fa-
por volta de 1830. e deve ter falecido na mesma cidade. lá lecido no Rio de Janeiro, lá por 1890.
por 1890. Irmão do pianista e professor Achille Arnaud, famoso no
Foi em Vincenzo Cernicchiaro - que, aliás, estropia seu Rio de Janeiro a partir de 1853, chegou a esta cidade em
nome para João e Souza Martins, erro repetido por Flausina 1857, após haver, segundo Vincenzo Cernicchiaro em "Storia
Rodrigues Vale e Renato Almeida - que encontramos a Della Música nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli
mais antiga referência a este compositor do Rio de Janeiro. Riccioni, 1926), p. 392, "fatto dei buoni studi musicali sotto
Escreve o autor de ..Storia Della Musica nel Brasile" (Mi- la direzione di abili maestri dei Conservatorio di S. Pietro
lano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57): "In Rio a Majella, in Napoli". No Rio de Janeiro, distinguiu-se como
professor de piano. Deixou muitas composições para canto e
de Janeiro, pari fama ebbere come compositori e cantanti di
piano, segundo o mesmo Cerniochiaro, "'giudicati, pero, di
"modinhas": João e Souza Martins. autore della "modinha"
poca importanza musicale". Mas, entre suas outras composi-
"Lilia, Eu Parto'". ções, informa o mesmo autor, ..e da ricordare la leggiadra
canzonetta, dedicata alia signorina Celestina Carelli ( 1881) ".
HENRIQUE ALBERTAZZI
(1830? · - 1890?) FRUTUOSO
(1830? - 1900?)
O compositor, pianista, e possivelmente também
cantor e letrista Henrique Albertazzi nasceu presumivelrnen- O executante de harmônio Frutuoso nasceu presumível-
te em ~alvador, Bahia, por volta de 1830. e deve ter falecido mente no Rio de Janeiro, lá por 1830, e deve ter falecido na
na mesma cidade, lá por 1890. mesma cidade, por volta de 1900.
Guilherme de Melo ( ••A Música no Brasil", Bahia, Tipo- Amigo de Catulo da Paixão Cearense. Galdino Barreto,
grafia de S. Joaquim, 1908, p. 251) incluiu-o entre os trova- Luís de Sousa, e outros chorões do fim do século passado,
dores "também dign9s de todos os elogios", "'os quais muito costumava reuni-los em sua casa da Rua do Núncio para ses-
concorrera.m para o desenvolvimento da modinha na Bahia". sões de música.
Vincenzo Cernicchiaro ("Storia Della Musica nel Brasile", Sobre ele conta Alexandre Gonçalves Pinto em ..0 Cho-
Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni; 1926, p. 387), que ·~~.;,_-_:;:.;_.· ro" (p. 34): ·
188 189
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"O Fructuoso era um senhor de idade, que em 1888, re- compunham peças por encomenda, organizavam orquestras
sidia na rua do Núncio, em uma casa pouco confortável. para bailes, etc.
porém, bem mobiliada. Era ele um solteirão. W
·Entre suas primeiras composições estão a modinha "O
Na casa do sr. Fructuoso, em que se reuniam naquele Retrato", a romança "Ilusão" (1855), a polca "Corrupio"
tempo diversos musicistas, em companhia do mesmo, que era (1855), a valsa para piano "S~udades de Mme. Charton",
um exímio tocador de harmônio, instrumento este que fazia tocada no Teatro Lírico, em março de 1856, no benefício de
parte do mobiliário acima referido. Foi aí que o Catulo, Mme. Charton (1856), e a polca-lundu "Os Beijos de Frade"
imenso poeta, em companhia de Galdino Barreto e Luís de ( 1856), esta com letra de E. D. Vilas Boas. Escreveu ainda,
Sousa, fez a canção do Mricano, que tantas glórias tem al- nessa época, um "Te Deum" e a "Missa da Festa de Santa
cançado. Com meu violão, ou cavaquinho o acompanhei por Cecília".
diversas vezes, fazendo o contentamento e alegria em diversos Em janeiro de 1857, Mesquita dava por terminada sua
lares". primeira obra para teatro, a ópera em três atos, ..0 Noivado
de Paquetá". Nesse mesmo ano, seguiu, no vapor "Petrópo-
lis", para a Europa, afim de estudar no Conservatório de
Paris. Matriculou-se na classe de Harmonia do professor
HENRIQUE ALVES DE MESQUITA
François Bazin, sendo seus trabalhos altamente elogiados.
(1830 - 1906) Compôs, nessa época, a abertura "L'l!:toile du Brésil" ( 1865),
a quadrilha "Noites Brasileiras" -ambas tendo obtido grande
O compositor, regente, trompetista e organista Henrique popularidade - e a romança "Confissão e Desengano" (letra
Alves de Mesquita - o criador do tango brasileiro, gênero que de sua autoria), etc. Uma aventura amorosa, em Paris, jamais
Ernesto Nazaré levaria à culminância - filho de José Alves esclarecida, teve para ele, porém, graves conseqüências: foi
de Mesquita Bastos e D. Ana Rosa de S. Francisco, nasceu preso, expulso do Conservatório de Música da capital francesa
em uma casa modesta na desaparecida Ladeira do Castelo, e perdeu, definitivamente, as boas graças de D. Pedro II.
no Rio de Janeiro, a 15 de março de 1830 ( Cernicchiaro Em julho de 1866, Mesquita regressou ao Brasil. Pouco
dá erradamente, como data de nascimento, 1848 ... ) depois da sua chegada, lançou duas composições populares:
Iniciou seu aprendizado de música com o violoncelista as polcas "Minha Estrela" e ..Laura". Em 1867, publicou a
Desidério Dorison. Em 1844, a polca fazia sua entrada no romança "Moreninha", letra de Laurindo Rabelo. De 1868
Rio de Janeiro, interessando bastante ao jovem estudante, - editado, porém, somente em 1871 - é "Olhos Matadores"
que iria compor, mais tarde, algumas peças do gênero. Em - o primeiro tango brasileiro de que há notícia. Em 1870,
1847, tomou parte em um recital, executando, com seu mestre, subiu à cena sua peça ..Nono Mandamento", na qual incluía,
uma fantasia para pistom. Em janeiro· de 1848, matriculou-se no segundo ato, um lundu brasileiro. Desse mesmo ano, é a
no Liceu Musical, ingressando no curso de Giannini, que mi- primeira representação, no Teatro Lírico Fluminense. de sua
nistrava suas aulas na Rua do Conde, 13. Com Giannini, trans- ópera cômica "La Nuit au Chateau".
feriu-se para o Conservatóri~ de Música, instalado a 13 de Em 1871, dois teatros, simultaneamente - o Lírico Flu-
a~sto de 1848.
minense e o Phoenix Dramática - montam "O Trunfo às
Associou-se ao
estabelecimento do
suas atividades em
Praça Tiradentes -
clarinetista Antônio Luís de Moura no
Liceu Musical e Copistaria, que iniciou
1853, na Praça da. Constituição - hoje
79: ensinavam música, afinavam pianos,
I
L
Avessas", ..música tutta colorita d'ispirazioni e di semplicità
gradevole ... " (escreveria, sobre ela, Cernicchiaro), peça
na qual incluía algumas quadrilhas e que terminava com a
dança do Fado. No ano seguinte, foi representada, no Phoe-
nix. com muito sucesso, a mágica em três atos, "Ali Babá",
190
T 191
~-
.j
libreto de Eduardo Garrido, na qual se encontrava um tango todas essas músicas, o seu famoso "Batuque", hoje integrando
brasileiro, o segundo que se compôs, e também denominado também a literatura do choro.
"Ali Babá". Ainda de 1872, é a peça "A Pera de Sataná!". Historicamente, em relação à música popular brasileira,
Em 1873, apresentou, ao público do Rio de Janeiro, "A Coroa a posição de Henrique Alves de Mesquita foi bem situada
de Carlos Magnõ, "Vampiro" e "O Vagabundo". Em 1875, -pelo seu biógrafo, o maestro Batista Siqueira: ··o Mâestro
escreveu a quadrilha '"Camaval do Rio de Janeiro". Em 1876, Mesquita, [é o] verdadeiro criador do tango brasileiro, de
a Empresa do Teatro Phoenix Dramática excursionou a São que Nazaré foi o sistematizador .genial".
Paulo, e Mesquita, diretor da orquestra, para lá se deslocou Guilherme de Melo inclui Henrique Alves de Mesquita
também, com seus músicos, entre eles o famoso flautista Vi- entre os compositores que cultivaram a modinha no Rio de
riato Figueira da Silva. Janeiro: "Enfim da modinha que no Rio de Janeiro alentara
De volta ao Rio de Janeiro, no início de 1877, Mesquita a imaginação e o talento musical dos mestres compositores:
adoeceu gravemente. Em maio, é levada à cena, com enorme José Maurício, Marcos Portugal [ ... ] [Link] de Mesquita
êxito, sua nova mágica, "Loteria do Diabo". Meses depois, [ ... ] etc.".
Mesquita retornou às suas atividades no Phoenix Dramática,
mas teve uma recaída e, ainda no início de 1879, encon-
trava-se longe do restabelecimento. Em 1885, é apresentada, DISCOGRAFIA DE HENRIQUE ALVES DE MESQUITA
no Phoenix Dramática, sua nova mágica, "Gata Borralheira".
1. BATUQUE - Tango característico
Em 1890, Mesquita foi nomeado professor do Conserva-
I - Banda do Corpo de Bombeiros - 1912? - Victor 99.716
tório de Música, sendo jubilado em fevereiro de 1904. Com-
prou, então, a casa n. 30, na Rua Padre Miguelinho (antiga II - Orquestra regida pelo Maestro Milton Calasans - 1968
- Uirapuru LPU - 1.008-B, 4
Rua da Floresta), que ainda existe. No dia 12 ( Cernicchiaro
erra também ao dizer quç foi no dia 13 ... ) de julho de III - Deo Rian (bandolim) e conjunto "l!poca de Ouro" - 1974
- Continental SLP 10.147-A
1906, Mesquita faleceu, deixando viúva D. Maria Teresa de
Mesqwta. Foi sepultado no Ce\I)itério de São Francisco Xa- 2. OS BEIJOS DE FRADE -'- Lundu - Orquestra regida pelo
Maestro Milton Calasans - 1968 - Uirapuru LPU 1.008-B, 3
vier, no Caju. D. Maria Teresa continuaria mürando, entre-
tanto, naquela casa de Catumbi, até o ano de 1912. 3. ALI BABA - Tango brasileiro - Orquestra regida pelo Maestro
Henrique Morelenbaum- 1968- Uirapuru LPU 1.010-B, 3
Além das peças citadas, Mesquita deixou as seguintes: 4. POLCA DE 1867 - Orquestra regida pelo Maestro Henrique
'"Agua de Vintém", '"Aurora", ••A Baiana", "Brasiliense", "Ca- Morelenbaum - 1968 - Uirapuru LPU 1.010-B, 4
mões". ··carlos Gomes", ··Duque d'Alba", ··Iaiá", "A Minha
Virgínia" ( 1868 ), "Surpresa" ( 1861) e "Tamberlick". E de-
vem ser ainda mencionados seu tango "Remissão dos Peca- "~ FONTES PARA O ESTUDO DE HENRIQUE ALVES DE
'~- MESQUITA
dos" e seu lundus "Nono Mandamento" e "Trunfa Gigante".
~
Cerniochiaro refere-se especialmente a duas quadrilhas de 1. MELO MORAIS FILHO- "Artistas do Meu Tempo" (Rio de Janei-
Mesquita: "Noites Brasileiras" ("Soirées Brésiliennes") e ro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1904) - p. 79. ·
c"Raios de Sol": "Anche ii noto musicista Henrique Alves de 2. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil, (Bahia. Tipo-
Mesquita, ii felice autore delle celebri quadriglie ..Soirées grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 134.
brésiliennes" e "Raios de Sol", due gioielli nel genere per 3 . ORESTES BARBOSA -
I'origimilità e buon gusto, nonche le piu emergenti fra la • "Samba, . ("Sua. História, Seus Poetas,
-Seus Músicos e Seus Cantores,) - (Rio de Janeiro, Livraria Edu-
-numerosa- sua produzione di musica da bailo". E, acima- de
'
cadora, 1933) - p. 62.
192 193
I
•
1
4. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- Passou vários anos de sua infância no Rio dê Janeiro,
sile, (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 161, tendo se bacharelado, com 16 anos, no Colégio Pedro II.
201, 211, 216, 219, 235, 309, 310, 311 e 343. J
Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, onde se
5. LU1S HEITOR - "150 Anos de Música no Brasil (1800.1950)•
CRio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1956) - P- 55. 69, tornou um dos estudantes mais famosos de seu tempo.
70, 114 e 140~ Faleceu no Rio de Janeiro, a 25 de abril de 1852, com
6. •Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870), - Exposição vinte e um anos incompletos, tendo exclamado, antes de
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 33, 34 e 99. morrer: "Que fatalidade, meu pai!"
7 _ BATISTA SI QUEIRA - "Três Vultos Históricos da Música Brasi- Era muito culto e inteligente. Publicou em vida apenas
leira, (Rio de Janeiro, Editora D. Araújo, 1970) - p. 4, 5, 11, 12, algumas poesias e o discurso comemorativo do aniversário
15, 19-21, 25-27, 29, 31, 33, 35-37, 39, 55, 57-8i, 85-90, 97, 111-113.
120.123. 199, 202, 203, 207-209. 215, 217-224, 241-245. dos cursos jurídicos, em 1849. Um ano depois de sua morte,
surgiu, com muito sucesso, a "Lira dos Vinte Anos". Em 1942,
foram publicadas, em dois volumes, as "Obras Completas de
Alvares de Azevedo", que incluíam "Noite na Taverna" e
JOÃO PEREIRA DA SILVA "Macário", páginas das mais famosas do poeta.
(1830? - 1910) João do Rio, em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de
Janeiro, H. Gamier, Livreiro-Editor, 1908 ), p. 270, 271, inclui
O compositor, saxofonista, flautista e regente de banda Alvares de Azevedo entre os poetas que "continuaram a dar o
João Pereira da Silva nasceu no Rio de Janeiro, por volta seu prestígio às sibaríticas melodias que punham Lord Beck-
de 1830- ford em delírio, em deleite, e nós vemos toda a escola ro-
Compôs, em 1860, uma romança para canto, "O Cego", mântica tomar inconscientemente na maioria dos seus versos
música que obteve algum sucesso. a feição melódica, o metro modinheiro . .. " Aliás, João do Rio
dizia que Alvares de Azevedo era "o único genial do bando
"Eccellente suonatore di sassofone e flauto", informa-nos romântico".
.V~cenzo Cernicchiaro ("Storia Della Music11 nel Brasile"/Mi-
lão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926/p. 309). que No capítulo "Modinhas" de seu livro "História da Mú-
acrescenta que ele deixou muitas peças para banda, jamajs sica Brasileira" (Rio de Janeiro~ F. Briguiet & Comp.-Edi-
-publicadas, "ma spesso eseguite dalla banda della marina, tores, 1942), p. 65, Renato Almeida, ao se referir a "1eves
di cui ii Pereira da Silva fu maestro durante cinquant'anni". produções de nossos melhores líricos, postas em solfa por
II
Faleceu em 1910, presumivelmente no Rio de Janeiro. músicos de talento", cita os "Anjos do Mar". de Alvares de
Azevedo.
Em "Storia Della Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip.
Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 58, Vincenzo Cernicchiaro
ALVARES DE AZEVEDO refere-se à modinha "Escuta", música de João Lu~ de ,Al-
(1831- 1852) ,. meida Cunha, "poesia dei dottor J. J. Alvares de Azevedo".
't
~
Esse "dottor" não deve ser confundido com o célebre poeta,
que não tem as mesri:las iniciais e. ao que nos conste, não
O poeta Manuel Antônio Alvares de Azevedo nasceu em
1_ escreveu nenhuma poesia com esse título.
São Paulo, a 12 de setembro de 1831.
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195
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HENRIQUE EULÁLIO GURJÃO
AS DOCES CRENÇAS DO PRIMEIRO'
(1834 - 1885) AMOR
'
O compositor e regente Henrique · Eulálio Gurjão, filho Foi pela sesta, eu cismava à sombra
do major Henrique Pedro Gurjão e de D. Ana Dorotéia de Da laranjeira rebérotando em flor
Andrade Gurjão, nasceu em Belém, Pará, a 15 de no- Veio a saudade despertar minh'alma,
vembro de 1834 {Vincenzo Cernicchiaro dá como data do Lembrando as crenças do primeiro amor.
nascimento, 15 de novembro de 1883).
Após, de leve. veio um sono doce,
Iniciou seus estudos de música em sua cidade natal e, Como um suspiro do primet"ro amor!
como em pouco tempo realizasse progressos extraordinários, Embalde as peço, à tardinha, às aves,
a 14 de maio de 1852 seguia para Roma, visando a aperfei- E à laranjeira rebentando em flor,
çoar-se. Na Cidade Eterna, estudou com Giovanni Paccini,
depois transferindo-sê para Gênova. matriculando-se no Ins- Passando a brisa sacudiu os ramos.
tituto Santa Cecília. Da laranjeira rebentando em flor.
Depois de oito anos na Italia, retornou ao Brasil, desem- E as lindas flores alastraram a relva.
barcando no Rio de Janeiro, quando teve oportunidade de Como a um leito do primeiro amor.
abraçar seu irmão, o Tenente-Coronel Hilário Maximiano Era num bosque, pensativa dama,
Antunes Gurjão, que então comandava a Fortaleza de Santa Trajando as vestes do primeiro amor:
Cruz. Ainda no Rio, fez amizade com Carlos Gomes. Solici- Eu a vi sentada, sobre um tronco verde.
tam-lhe que entregue à Companhia da úpera Nacional sua Toda em renovo rebentando em flor.
ópera "Idália", que compusera em seus últimos anos de
permanência na Itália, mas recusa, sob a alegação de que a Fala-me, ó fada, neste bosque ameno,
queria estrear no Natal. Compõe, entretanto, no Rio. sobre Há tanta relva rebentando em flor/
versos de Bruno Seabra, uma romança que chega a fazer As açucenas namorando as brisas,
grande sucesso na cidade: ··As Doces Crenças do Primeiro Abrem seus seios ao primeiro amor.
Amor", e que se tornou também conhecida sob o título
Meu sol de noivo vi tombar no ocaso
de "A Laranjeira". Em "A Bahia de Outrora.., Manuel Que- E com ele as crenças do primeiro amor;
rino mostra como ela também foi cantada na Bahia: Embalde as peço, à tardinha, às aves,
"Depois de pequena pausa, ainda ecoando aos ouvi- E à laranjeira que rebenta em flor.
dos das pessoas presentes os rumores longínquos de agra-
Dai-me um abrigo, nos teus brancos sei'os
dabilíssima batalha de sons, eis que se aproxima do piano Verás minh'alma rebentar em flor/
uma senhora já entrada en1 anos, de aspecto grave, ainda Dá que em teu colo, reclinando a fronte.
emocionada pela alegria, e pede que lhe acompanhem uma
modinha.
"E, com firmeza na voz, deliciosamente cantou a jóia
l
r:
~
Eu sinta a febre do primeiro amor.
Ergueu seus olhos, acenou-me rindo,
Que olhar aquele, que sorrir de flor;
literária que se segue do mavioso vate Bruno Seabra. mú- l Corro a beijá-lo, despertei, sonhava/
sica do maestro Gurjão: J
--;;;-- As doces crenças do primeiro amor."
~
196
~ 197
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-l ,fi-'RMPR
Retornando ao Pará, chega a Belém a 14 de novembro ;
GUSTAVO HELMOLD
de 1861. Com Adolfo José Kaulfus, Teodoro Orestes, [Link]- ~
(1834- 1888)
cisco Libânio Colás, Joaquim Pinto da França e sua [Link] .~
1. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" - 2.• Edição i Sonoro (Rio 'de Jàneiro. Biblioteca Nacional. 1962) - p. 31
,.i
:J
(Bahia, Livraria Econômica, 1922) - p. 230-231.
2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
sile• (Milãp, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni~ 1926) - p. 156. ELIAS ALVARES LOBO
301. 302, 303, 388.
3. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" - 2.~ Edição (1834 - 1901)
(Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1947) - p. 324-329. .:t
4. VICENTE SALES - "Músicà e Músicos do Pará" (Belém, Pará,
Conselho Estadual de Cultura. 1970) - p. 153~157. 1
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Ai;
O áutor ·d~ primeira ópera brasileira, em português, sobre
assunto nacional. "A Noite de São João", em dois atos, li-
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breto de José de Alencar, estreada no Rio de Janeiro a 14 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
de dezembro de 1860 - nasceu em Itu, província de São .sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 72, 201.
209, 211, 216, 217, 303, 304, 305, 306, 307.
Paulo, a 9 de agosto de 1834. Foi compositor protegido fdo
Padre Diogo Feii6. 3. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" (Rio de
Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 76, 361, ~69-370.
-f'
,._
Além de compositor dramático (escreveu também a ópe- 4. LUiS HEITOR - "150 Anos de Música no Brasil (1800-1950),.
ra "A Louca", em quatro atos, Hbreto do Dr. Antônio Aquiles (Rio de Janeiro, Livraria José Olímpia Editora. 1956) - p. 67.
Varejão, que não chegou a ser levada à cena, sendo apenas 138, 201, 293 e 390.
lida, ao piano, a 26 de agosto de 1862. no Clube Fluminense) 5 ... Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
e de música religio!ia (com destaque para a "Missa de São comemorativa do \'rimeiro Decênio da Seção de Música e Arquiw
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. 1962) - p. 32 e SL
Pedro de Alcântara", escrita em 1858 e oferecida a D. Pech·o
II), escreveu música popular, inclusive o ..deliciosó' lundu (o
adjetivo é de Renato Almeida), "Chá Preto, Sinhá?", as ro-
manças "Já Não Vive Dela" (sobre poesia de F. d'A. Pe-
reira Castro), "Amor de Mãe" (sobre poesia de autor desco- PEÇANHA PóVOA
nhecido), "Bem-te-vi" e "A Despedida" (sobre poesia de Bit- (1835? - 1895?)
tencourt Sampaio) e "Eu Vi o Anjo da Morte" (sobre poesia
de A. J. de Araújo) e a modinha "Nerina, Maga Estrela"
(letra de P. A. da Costa Machado), esta editada por volta O poeta José Joaquim Peçanha Póvoa nasceu em São
João da Barra, Província do Rio de Janeiro, a 15 de abril de
de 1867.
1837.
Em 1870, Elias Alvares Lobo deixou Itu e passou a re-
Em 1859, já se encontrava em São Paulo, onde fez al-
sidir em Campinas, onde compôs Missas, Te-Deum e outras
guns exames preparat6rios, ~ngressando. depois na Faculdade
composições que permanecem inéditas.
de Direito dessa cidade (1860-1864). Seu colega Antônio
Segundo Vincenzo Cernicchiaro - que demonstra sua Man~el dos Reis, citado por Carlos Penteado de Rezende
afirmativa publicando, em ••storia Della Musica nel Bra- em ..Tradições Musicais qa Fa~uldade de Direito de São
sile", três cartas de Lobo a José Amat, a propósito da repre- Paulo" (São Paulo, Edição Saraiva, 1954, p. 203-204), disse
sentação de "A Louca" - Elias Alvares Lobo era "de uma gue .ele era "Talento audaz,, estilo .precipitado, rude no trato,
vaidade imoderada e de uma certa avidez comercial". crente a tocar o fanatism~". "EscrevEm muito, debateu idéias,
Faleceu em São Paulo, a 15 de dezembro de 1901, cidade lutou pelo melhoramento do teatro, provocou polêmicas e,
para onde se transferira definitivamente em 1890, quando foi ao fim de tudo, deixou em _São Paulo um nome respeitado.
nomeado professor de Música da Escola Normal. Morou numa república de campistas, ··na tradicional Chácara
t
r dos Ingleses, no bairro da Glória, beni no meio da planura
r..
~ alegre e defrontando o antigo cenútério", na casa famosa
r que _abrigara Alvares de Azevedo e que, no seu tempo,_ era
FONTES PARA O ESTUDO DE ELIAS ALVARES LOBO uma "abadia, onde tudo concorria para a meditação, estudo e
'
boas lições de virtude"- conta Carlos Penteado de Rezende.
1. O TROVADOR - "Coleção de Modinhas, Recitativos, Árias, 'i' Em 1870, por empenho do Couto de Magalhães, publicou seu
Lundus, etc." - Nova edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria livro ··Anos Acadênúcos". Escreveu sobre os fastos estudantis,
Popular de A. A. da Cruz Coutinho, 1876) - Vol. I - p. 29-30,
101-102, 111, 123 e 171-172. abrindo caminho para Almeida Nogueira, Spencer Vampré
200 201
i
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mado por todos, ··era a alegria da casa, o iniciador qe diver-
e outros. Depois de formado, Peça,nha Póvoa publicou·. em timentos úteis, dos saraus literários e musicais".
Lisboa ··os Heróis da Arte: Pedro Américo .e Carlos Comes".
Em julho de 1859, conheceu, em São Paulo, Carlos Go-
Vincenzo Cenrlcchiaro em "Storia Della Musica ·nel Bla- mes que, a convite de colegas de Bittencourt, na Faculdade,
sile" ( Milano, Stab. Tip. Edit~ Fratelli Riccioni, 1926, ·p. 58) principalmente Francisco Azarias de Queirós Botelho (todos
inclui Póvoa entre os "poeti, cantori e musici" que fizeram surpreendidos pelo seu talento musical, após ouvi-lo em
"ai loro giorni, le delizie dei salotti di Rio de Janeiro, di Campinas), viera exibir-se no Teatrinho do Pátio, da Aca-
Bahia e di S. Paolo". E Flausino Rodrigues Vale em "Ele- demia. Esse recital realizou-se, com êxito integral, a 22 de
mentos de Folk-lore Musical Brasileiro" (São Paulo, Compa- julho, e tornaram-se, Bittencourt Sampaio e Carlos Gomes.
nhia Editora Nacional, 1936, p. 133 ), seguindo Cernic- muito amigos. Gomes passou a freqüentar o grupo da "r~pú
chiaro, cita-o também entre "outros que desfrutaram de no- blica" onde morava Bittencourt e onde se realizavam grandes
meada: ••Antônio Rocha, Anselmo, Heleodoro [ ... ] Peçanha prosas. Estas tinham agora o pia~~armácio local acionado
Póvoa [ ... ] etc.". por Carlos Gom~s, fazendo uma espécie de fundo musical.
Faleceu presumivelmente na capital paulista, lá por 1895. Conta agora Carlos Penteado de Rezende: "Foi de uma
dessas prosas reconfortantes que se originou a lembrança do
H i no Acadêmico. Bittencourt Sampai(), de boa disposição
para tudo, metido na sua famosa casaca azul de botões ama-
BITTENCOUIÚ' SAMP.i\.10 ··· relos, escreveu-lhe a letra e Carlos Gomes, ao piano, experi-
mentando harmonias, compôs a música, que mais tarde Luís
(1836 - 1895) Guimarães Júnior chamaria de "A Marselhesa dá Mocidade".
O letrista, violonista e cantor Francisco Leite de Bitten-
court Sampaio nasceu em Laranjeiras, então provínCia ·de
Sergipe, no ano de 1836. · · · HINO .ACADEMICO
Por volta de 1855 - teria seus H} anos. - já se. achava,
Sois da Pátria a esperança fagueira
entretanto, em São Paulo, onde . se matriculou nà Faculdade
de Direito. Em ·1859, deveria es~ar, então, no ,quinto ano Branca nuvem de um 11ÓSeo p<wvir;
- morava na "república" do baiano Cazuza (José. Gon- Do futuro levais a bandeira,
·çalves. da Silva), ila Rua São José, onde existia um· velho Hasteada na frente a sorrir.
piano-armário. Seu "portrait" nessa época está ma~fica
mente traçado por Penteado de Rezende:. "possuía· unia fi- Mocidade, eia avante, eia avante!
gura romântica, com os seus louros e [Link] cabelos Que o Brasil sobre v6s ergue a fé;
caídos sobre a nuca e com as suas maneiras de rapaz afe- Esse imenso colosso gigante
hioso, alegre, cheio de candura nas brincalhotices. Poeta, en- Trabalhai por erguê-lo de pé!
vergava sempre uma casaca azul de botões amarelos e era
assim que passeava pelos arrabaldes, solitário, compondo O Brasil quer a luz da ve-rdade,
mentalmente seus versos. Conhecia música e tocava com pra- E uma coroa de louros também,
zer violão, além de cantar lundus da Bahia. Gostava de fazer Só as leis que nos dêem liberdade,
experiências de Física, nas "repúblicas" ou casas de família, Ao gigante das selvas convém.
pondo 'em prática vários processos de magia branca. Esti-
203
202
-~,
Vossa estrela reluz radiante~ Mocidade, eia avante, eía avante/
Oh/ erguei-a vós todos~ com fé~ Que o [Link] sobre vós ergue a fé.
Esse imenso colosso gigante Esse imenso colosso gigante
Trabalhai por erguê-lo de pé! Trabalhai por erguê-lo de pé!
Nossos pais nos legaram guerretros, A produção poética de Bittencourt Sampaio seria reuni-
Honra e glória, virtude e saber; da mais tarde nos livros ..Poesia{'" ( 1859), "Flores Silvestres"
Nós, os filhos de pais brasileiros, ( 1860) e "A Nau da Liberdade" ( 1891). Traduziria, tam-
Pela Pátria devemos morrer. bém, Longfellow, Victor Hugo e Lamartine.
204 205
~Lc.
Outras poesias de Bittencourt SampaiQ foram também BEM-TE-VI
musicadas. Em "Trovador", Volume I {1876). encontraremos
a letra de sua romança "A Despedida... que tem música qe Debaixo deste arvoredo
Elias Alvares Lobo e em que se despede da Paulicéia e da Para te olhar .me escondi;
"terna Angelina" - quem sabe? - sua namorada de então. Tu passavas em segredo,
Cantei baixinho com medo:
Bem-te-vi!
A DESPEDIDA
Quis dizer-te atrás correndo:
Adeus, terra dos amores, - Morro de amores por til
Paulicéia, adeus, adeus; Mas não sei porque tremendo
Da saudade acerbas dores Fiquei parado dizendo
Nãa findarão dias meus. Bem-te-vil
206 207
fé: "Há uma letra do Hino, de um daqueles estudantes. Bit- Foram seus pais Manuel José Gomes (este, neto' de Don
tencourt Sampaio, que formava a roda onde Carlos Gomes Antonio Gomez, de casa nobre de Pamplona, Espanha, e
ingressou com seu talento. Não se tem notícia de qualqu«:h- -que, fazendo-se bandeirante, desbravara o interior de São
outro dado biográfico desse rapaz" ... Paulo, encontrando, não ouro, mas outra coisa que, para ele,
foi mais preciosa: uma belíssima índia, filha de um caCique
guarani, que lhe deu muitos filhos) e D. Fabiana Maria
FONTES PARA O ESTUDO DE BITTENCOURT SAMPAIO Jaguari Cardoso. Era esse o terceiro e penúltimo· casamento
de Manuel José, mais conhecido em sua cidade por ..Ma-
1. "Trovador" - .. Collecçap de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus, neco Músico", professor, compositor e mestre da Banda de
etc." - Volume I - "Nova edição, correcta" (Rio de Janeiro, Campinas.
Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - p. 171,
Mas D. Fabiana morreu tragicamente, muito moça ainda.
172, 193, 194.
2. "A Cantora Brasileira" - "Nova collecção de Hymnos, Canções e "Maneco Músico" casou, pela quarta vez, com D. Francisca
Lundus tanto amorosos como sentimentaes" (Rio de Janeiro, B. L. Leite que iria tornar-se uma boa madrasta, aliás, para Antônio
Garnier, Livreiro-Editor, 1878) - p. 95. Carlos. As quatro esposas do pai dariam, a Carlos Gomes,
3. MELO MORAIS FILHO - "Artistas do Meu Tempo" (Rio de Janei- nada menos do que 25 irmãos. Um deles, José Pedro de
ro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1904) - p. 86. Sant'Ana Gomes - o mano Juca, violinista, regente e tam-
4. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- bém compositor - tornar-se-ia o seu maior amigo.
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 118.
5. 1TALA GOMES VAZ DE CARVALHO - "A Vida de Carlos Em casa, Antônio Carlos tinha um apelido afetuoso:
Gomes" (Rio de Janeiro, Editora "A Noite". 1935) - p. 36, 37, "Nhô Tonico". Mas o pai era severo e trazia toda a família
38, 39, 40, 41. 45, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64. sob um jugo rígido: Carlos, além de. estudar, com ele, mú-
6. CARLOS PENTEADO DE REZENDE - "Tradições Musicais da sica, era obrigado a passar, pelo menos uma hora por semana,
Faculdade de Direito de São Paulo" (São Paulo. Edição Saraiva. em uma alfaiataria da c:idade, aprendendo esse ofício. Na
1954) - p. 92, 93, 96, 97, 99, 100. banda de Maneco Músico tocou vários instrumentos, princi-
7. EURICO NOGUEIRA FRANÇA - "Música do Brasil" ("Fatos,
Figuras e Obras") (Rio de Taneiro, Instituto Nacional do Livro, palmente ferrinhos e o flautim, depois dedicou-se ao violino,
1957) - p. 52. especializando-se no piano, sem chegar a ser, neste, propria-
8. V ASCO MARIZ - "A Canção Brasileira" (Rio de Janeiro, Ser- mente, um virtuose. Nessa época, tinha bela voz de soprano,
viço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, 1959) mais tarde metamorfoseada em voz de tenor. Entre os 15 e
- p. 25, 41. os 19 anos era muito requestado para serões familiares em
9. "Grande Enciclopédia Delta Larousse" (Rio de Janeiro. Editora
Delta S. A .• 1970) -Volume 11 - p. 6.070.
Campinas e arredores. De volta ao lar, estudava partituras
de óperas e, vindo a inspiração, escrevia peças ligeiras como
quadrilhas, valsas, modinhas e peças de fundo religioso.
Aos 21 anos, publica a valsa "A Rainha das Flores", a
romança sentimental "Bela Ninfa da Minh'Alma" e a "dança
CARLOS GOMES de negros" "A Caiumba". E, se não datam de 1857, são pos-
(1836- 1896) sivelmente dessa época suas outras modinhas: "Minha Irmã",
208 209
ii
Dois estudantes de Direito da Faculdade de São Paulo
- Francisco Azarias de Queirós Botelho e o sergipano Fran- mário, cujo teclado era sémpre percorrido pelos dedos do
cisco Leite de Bittenc<>urt Sampaio - altos, louros e d~ jovem compositor. De uma dessas reuniões nasceu a idéia do
olhos azuis - costumavam, nos feriados, fazer pequenas via- "Hino Acadêmico". Bittencourt Sampaio fez a letra e Carlos
gens a lugares próximos a São Paulo. Ambos moravam em Gomes musicou essa "A Marselhesa da Mocidade", como a
..repúblicas" da Rua São José: um, na de João Pinto Moreira, chamaria, mais tarde, o poeta Luís Guimarães Júnior. ,
..o estudante de maior reputação jurídica da Faculdade", e
situada na parte alta da rua; outro, na que ficava no final Sois da Pátria a esperança fagueira
da rua, junto da Loja Maçônica América: a de José Gon- Branca nuvem de um r6seo porvir;
Do futuro levais a bandeira,
çalves da Silva, por alcunha, "Cazuza". Nesta última, havia
um piano de que tornaremos a falar. Na Semana Santa de
Hasteada na frente a sorrir.
1859 - mês de abril - a convite de colegas que ali residiam, (Etc.)
Francisco Azarias, Antônio Dias Novais e João Gabriel de
Morais Navarro- todos quintanistas - seguiram para Cam- O "Hino Acadêmico" seria, pouco depois, editado no
pinas, onde se encontraram com João de Ataliba Nogueira, for- Rio de Janeiro pela Casa Artur Napoleão.
mado em 1858. E ali, resolveram comparecer ao Teatro São Nesses dias "acadêmicos", Carlos Gomes compôs várias
Carlos para assistir a um concerto de q_ue participariam Car- outras deliciosas páginas populares, entre elas a modinha,
los Gomes, seu irmão José Pedro ( J uca) e o clarinetista letra também de Bittencourt Sampaio e que se tornaria mais
Henrique Luís Lev, quando foi executado, do primeiro, a conhecida pelo seu primeiro verso, ..Tão Longe de Mim Dis-
romança "Alta Noite", para clarineta. Os estudantes ficaram tante".
logo entusiasmados com o talento dos irmãos Gomes e, após
o concerto, foram cumprimentá-los. Ficou logo estabelecida Tão longe, de mim distante,
uma grande camaradagem entre todos. E, antes de se sepa- Onde irá, onde irá teu .pensamento?
rarem, Azarias, possuidor de grande intuição musical, insistiu (Etc.)
com Carlos para que fosse dar um concerto em São Paulo,
no teatrinho da Faculdade. Foi assim que, semanas depois,
Carlos Penteado de Rezende assim descreve a melodia:
o mesmo grupo de músicos viajava a cavalo para a capital "Longa, lenta e saudosa, dá ares de ter sido composta para
paulista. Tomando conhecimento da chegada dos Gomes e ser cantada em serenata. O seu andamento, com efeito, ajus-
do companheiro de ambos, os acadêmicos logo foram convi- ta-se perfeitamente bem à cadência repousada e, por assim
dá-los para que viessem se hospedar numa das "repúblicas" dizer, quase etérea dos passos de um serenateiro de alma so-
da Rua São José. E eles acabaram indo para a do Cazuza,
onde havia o já mencionado piano. A 22 de julho, realiza-
va-se, oom grande sucesso, o recital do Teatro do Pátio do
I
~
nhadora". E é o mesmo autor que acrescenta: ..Aliás, é de
supor que Carlos Gomes haja participado de serenatas com
os amigos estudantes, com Azarias Botelho, por exemplo, que
~
Colégio. "Dias depois"- conta Carlos Penteado de Rezende as apreciava. Tinha boa voz, espírito gentil e, ao que consta,
- "novo concerto no mesmo local, com apresentação de um
trio inédito de Carlos Gomes e a repetição das cenas de i
{
o descante de ··Quem Sabe" fora inspirado por uma Sinhá
campineirà". "Quem Sabe?" é dedicada ao compositor Emílio
entusiasmo". E adiante: --o mais aclamado de todos, em am- !r Eutiquiano Correia do Lago mas, na realidade - embora
secretamente - a uma irmã ou prima dele ( ltala Gomes
bas as vezes, foi o moço Carlos Gomes". E· das reuniões na
"repúblicã de Cazuza participava agora o velho piano~ar- j Vaz de Carvalho afirma ser filha, o que, no entanto, é im-
possível: Carlos Gomes era cerca de dois anos mais ve-
t;
t
210
211
I
I
lho do que Emílio do Lago) e ··a mais formosa e inte- ossos". Os acadêmicos saudaram a sua romântica res()lução · e
ligente", de nome Ambrosina. A Ambrosina - provavelmente Antônio Carlos foi, em lombo de burro, para Santos e, no
o p:rimeiro amor de Carlos . Gomes - é . também dedicada! vapor. "Piratininga", para o Rio de Janeiro. Mal chegado à
talvez, a modinha "Conselhos", esta com letra do próprio Corte, escreveu ao pai, pedindo perdão; dias depois .recebia
Carlos Gomes: uma carta dele, não só concedendo-o, mas também dedican-
do-lhe uma pequena mesada. Ingressaq. então, radiante, no
Conservatório de Música, freqüentando as aulas de composi-
CONSELHOS ção do professor italiano Gioachino Giannini. Com 20 meses
de estudos, durante os quais compôs ainda duas cantatas,
Menina, venha cá, veja o que faz apresentou, a 4 de setellljbro de 1861, sua p1irneira ópera:
Se por seu gosto o casamento quer . .. "A Noite do Castelo", libreto de José Fernandes dos Reis,
A vontade ao marido há de fazer baseado em célebre poema do poeta português Antônio Fe-
Que este dever o casamento traz liciano de Castilho. Foi um triunfo memorável para o com-
positor de 25 anos, e obtido na presença de seu próprio pai,
vindo especialmente de Campinas, e do Imperador, que o ova-
Se o homem velho for . ..
cionou de pé e lhe concedeu o há,bito de Cavaleiro da Ordem
Ou se ainda rapaz da Rosa. ''Joana de Flandres" foi a segunda ópera de Carlos
Tome, tome a lição que ele quiser-lhe dar.
Gomes, tendo sido cantada em 1863. Nela há, escreve Luís
Se funções e contradanças não quiser
Heitor, "reflexos da musicalidade brasileira, · esparsa na es-
Também não queira que é melhor pra não brigar
pantosa floração de modinhas da época ... " D. Pedro II, ma-
ravilhado, promove Gado~ . Gomes a Oficial da Ordem .da
Menina, venha cá, veja o que faz Rosa e decide-se· a custear seus estudos na Europa. E a 8
Procure de agradar sem contrariar de dezembro de 1863, parte pelo navio inglês "Paraná", turno
Pronta sempre a obedecer a Lisboa, de onde seguirá, por terra, para a Itália, com es-
Tenha dele cuidados com amor cala de um mês em Paris. Em Milão, torna-se allino em har-
Enquanto ao resto deixe lá correr monia e contraponto do mestre Lauro Rossi, recebendo; erií
· 1866, o título de "Maestro Compositore". Escreve, então, ·a
Se ainda muito moço e arrebatado for música para a revista "Se sa Minga" ("Não se· Sabe"), libreto
Nada, nada de ciúmes, que seria pior! em dialeto milanês, e da qual se tornam logo muito populares
O menina venha cá, veja o que faz o "Coro dos Mascarados" e a canção "Fucile ad Ago" ( ~Es
A [Link] s6 faz o homem em bom e mau pingarda de Agulha"). Em 1867, é publicada a polca "Piccola",
Que assim como dá PãO, pode dar Pau dedicada a Teodoro Langgaard. E tomava, um dia, café na
Praça do Duomo de Milão, quando ouviu um garoto vende-
Quando Carlos Gomes retornou a Campinas, uma idéia dor ambulante apregoar: ··n Gtiarany'', ··n Guarany'', storia
fermentava em seu espírito: deixar a sua cidade e ir estudar interessante di selvaggi dei Brazile". Carlos compra logo
música na Corte.. E como o pai se opusesse, intransigentemen-
te, a esses projetos, resolve fugir de casa. Um dia, a pretexto
I
~
aquela medonha tradução do romance de José de Alencar e
mete mãos à obra. Durante dois anos trabalha com o libre-
de que ia tocar em São Paulo - e realmente o faria a 20 de -~- tista Antonio Scalvino, o mesmo de "Sa sa Minga". E produz,
junho de 1859 - deixa a casa patema, dizendo ao irmão
Juca: "só voltarei coroado de glória, ou só voltarão os meus
I
·~
no intervalo, uma segunda revista, ··Nella Luna", que obtem
um sucesso ainda maior do que a ànteríor, com as canções "La
21.'3
212
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Moda", "La Boletta" e o coro dos "Bambini Lattanti" sendo 17 de junho, recebe também grandes homenagens. V ai ainda
cantados por toda a parte. a São Paulo, regressando à Itália ém novembro.
A 19 de março de 1870, estréia, no Scala, "II Guarany'", Em 1882 vem a Pernambuco e passa um mês na Bahia,
obtendo um êxito fulminante. Verdi, presente ao espetáculo, onde é representado o "Salvator Rosa". Em 1886, já ,traba-
teria mesmo afirmado: "Questo giovane comincia da dove fi- lhando em "Lo Schiavô', vem novamente ao Brasil, deten-
nisco io". Em junho desse ano, o compositor regressa ao do-se em Belém do Pará, cidade à qual retoma no ano se-
Brasil e a 2 de dezembro - dia de aniversário do Imperador guinte. Em 1888 agrava-se sua situação financeira e entrega
- "II Guarany'• sobe, pela primeira vez, à cena no País, no aos credores sua viven~a em Maggianico, a Villa Brasília,
palco do Teatro Lírico Fluminense, sendo delirantemente onde criara um verdadeiro Brasil em miniatura, e em que
aplaudido. 56 no ano seguinte, entretanto, para as represen- estava sempre desfraldada a bandeira nacional.
tações que em 1871 ocorrerão quando da Exposição Industrial Em janeiro de 1889, morre D. Adelina, da qual, aliás,
de Milão é que Carlos Gomes escreverá a sua famosa "Pro- por desavenças domésticas, já se encontrava separado. Nesse
tofonia", pela qual substituirá o antigo e singelo "Prelúdio". ano volta, ainda uma vez, ao Rio de Janeiro, onde, a 27 de
Em dezembro de 1871, o compositor casa-se com Adelina setembro, é estreado, no Teatro Lírico, "Lo Schiavo", parti-
Peri descendente de antiga família de titulares de Bolo~na. tura que, afirma Luís Heitor, é "sem dúvida a mais formosa
e pianista laureada pelos Conservat6rios de Roma e Milão. que o gênio de Carlos Gomes produziu". O libretista Rodolfo
Em 1872 escreve aquela que seria, para ele, sua melhor Paravicini deturpou o texto original do Visconde de Taunay,
6pera e nara Mário de Andrade, "uma das obras-primas rla deslocando a ação do século XVIII para o XVI, a fim de
música dramática no século XIX italiano", mas partitura que que o escravo, em vez de negro, fosse índio, pois, para um
s6 com dificuldade encontraria seu caminho para o êxito po- diretor italiano da época, um negro cantando ópera era coisa
pular, exigindo, afinal, uma revisão por parte do autor:. a simplesmente inconcebível. A hist6ria ficou tão desfigurada
que Taunay proibiu que seu nome fosse p!J'blicado como co-
"Fosca·. -autor do libreto. "Mas a música, quando é tão linda como a
A reconciliação completa com o triunfo veio em .}874 do "Escravo", basta por si para dar vida eterna a um poema
Quando, ·a 24 de março, estréia no Teatro Cario Felice, _de musical" - escreve ltala Gomes Vaz de Carvalho, filha do
~nova, a 6pera "Saivator Rosa". Tomou-se esta a mais
compositor. Na noite da estréia, D. Pedro II eleva Carlos Go-
popular ópera de Carlos Gomes na Itália, sendo que a ária mes ao grau de Grande Dignatário da Ordem da Rosa e faz-lhe
..Mia Piccirella" caiu, por assim dizer, no goto geral. a promessa formai de que será nomeado diretor do Conser-
A 27 de março de 1879 estréia, no Scala, nova 6pera de vat6rio de Música do Rio de Janeiro. A ópera foi um sucesso
Carlos Gomes: "Maria Tudor". Como acontecera com a memorável, tomando-se célebres o prelúdio do 4.0 ato, inti-
"'Foscá, cuja estréia fora tumultuada por interesses extra-mu- tulado "A Alvorada", e a romança ··Quando Nascesti Tu", do
sicais, esta também teve sua [Link] marcada pelo fiasco. São ~
;:
2. 0 ato. "O Escravo" é representado ainda em São Paulo e, a
dias dolorosos que vive o grande compositor, atormentado seguir, em Campinas. E é justamente na sua cidade-natal, na
ainda pela morte recente de seu filho mais velho, Mário, " i{
~
casa de seu irmão Juca (seu pai falecera em 1868) que re-
com quatro anos de idade. Mas o convite do governo da cebe uma notícia para ele terrível: a proclamação da Repú-
Bahia, para que visite oficialmente a cidade, reanima-o. Em-
barca em março de 1880 e passa três meses em Salvador, onde í-r blica, ou seja, o banimento de seu amigo e protetor D. Pedro
II. "Inexoravelmente englobado nas antipatias e hostilidades
é recebido festivamente, lá escrevendo, por sugestão de -Artur
Napoleão, o "Hino a Camões", comemorativo do tricentenário
.~
-!:
em que mergulhou a mem6ria da família Imperial" (!tala
Gomes Vaz Ferreira), Carlos Gomes retornou a Milão em
da morte do vate. No Rio de Janeiro, onde chega a ! janeiro de 1890. Nesse ano, Leopoldo Miguez é nomeado di-
214 21.5
I
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.,
retor do Instituto Nacional de Música. Em outubro, Cados FONTES PARA O ESTUDO DE CARLOS GOMES.,
Gomes recebe a encomenda de nova ópera e em três meses ri
está pronta ''Côndor", libreto de Mario Canti, e cuja estréia' 1 . MELO MORAIS FILHO - "Artistas do Meu Tempo" <Rio de
Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1904) - p. 19, 81-116.
auspiciosa se verifica a 21 de fevereiro de 1891 no Scala.
2. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahü~. Tipo-
Termina também o poema vocal-sinfónico "Colombo", sobre grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 354-366.
poesia de Albino Faiança, escrito para a comemoração 3. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel
do 4. Q Centenário do Descobrimento da América, e apresen- Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p, 98,
tado a 12 de outubro de 1892 no Teatro Lírico, lamentavel- 118, 129, 201, 209, 210, 211, 212, 213, 214, 215, 216. 217, 219,
mente, conta Luís Heitor - "num ambiente de indiferentis- 225, 232, 233, 237, 241, 244, 245, 251, 253, 256, 251, 258, 260,
261. 273, 276, 277, 278, 303, 304, 306, 321. 347-384, 397. 398, 467.
mo, resvalando para manifestações irreverentes de chacota". 511 e 551.
Nomeado membro da comissão brasileira na Exposição de 4 . .fTALA GOMES VAZ DE CARVALHO - "Vida de Carlos
Chicago, Carlos Gomes visita, em 1893, os Estados Unidos Gomes" (Rio de Janeiro, Editora "A Noite", 1935).
onde faz realizar, com grande sucesso, em Chicago, a 7 de se- 5. MARIO DE ANDRADE - "Compêndio de História da Música"
tembro, um grande concerto vocal e instrumental, com mú- -- 3.a Edição (São Paulo, L. G. Miranda-Editor, 1936) - p. 123,
138, 154, 158-163.
sicas de sua autoria. Retoma a Milão nesse mesmo ano. Em
6. HERMES VIEIRA - "O Romance de Carlos Gomes" (Prefácio
1894, já com a saúde muitQ abalada, recebe novo golpe: seu de Menotti Dei Picchia)- (São Paulo, L. G. Miranda-Editor, 1936).
füho Carlos André adoece de tuberculose. Em 1895, volta 7. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" (Rio de
a Belém, contratado pela Associação Lírica do Pará, e é Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p. 64, 66, 340, 360,
363, 364. 365, 370, 371-388, 393, 394, 395, 412, 413. 414, 423,
quando seus amigus paraenses decidem minorar seus pade- 428, 429.
cimentos. Convidam-no, então, para dirigir um Conservatório 8. MARIO DE ANDRADE - "Pequena História da Música" (São
de Música que pretendem fundar. O maestro aceita, volta a Paulo, Livraria Martins, 1942) - p. 138-143, 274.
Milão para deixar seu:s negócios em ordem, vê pela última 9. ISA QUEIRóS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em
vez. o filho. Toma, então, um trem para Lisboa, onde se sub- Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Janeiro, Imprensa
Nacional, 1943) - 217-225.
mete a uma operação de que nenhuma melhora resulta. Em 10. "The Intemational Cyclopedia of Music and Musicians" - 4th
uma carta a Manuel José de Sousa Guimarães, citada por Edition (New York, Dodd, Mead & Company, 1946) - p. 684.
Luís Heitor, e datada de 12 do julho de 1895, ele escrevera: 11. VASCO MARIZ - "Dicionário Bio-Bibliográfico Musical" (Rio
"A inflamação da garganta tem sempre aumentado (nota que de Janeiro, Livraria Kosmos Editora, 1948) - p. 97-101.
12. CARLOS PENTEADO DE REZENDE - "Tradições Musicais da
há mais de um ano não fumo absolutamente! Já me esqueci Faculdade de Direito de São Paulo" (São Paulo, Ediçãp Saraiva,
completamente do charuto ... ) Creio que bem pouco poderei 1954) - p. 30. 45, 88, 92-100, 104, 105, 113, 117. 122. 123. 190,
l 201, 211, 259, 260, 261, 262, 264, 265, 210.
durar à vista de uma espécie de erupção cancerosa .que
L... ] me apareceu no centro da língua". Toma então, um 13. LU1S HEITOR - "150 Anos de Música no Brasil (1800-1950)"
i-- (Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1956) - p. 52,
navio para Belém, com escala em Funchal, na Ilha da Ma-
deira. A 14 de maio de 1896 chega ao seu destino. Não
pode assumir seu posto no Conservatório. E a 16 de setem-
ii 68, 69, 73-89, 96, 98, 100, 104, 122, 138. 156, 163. 170, 111, 212,
216. 229, 235, 293, 300, 301, B-387. 388. 389, 390, 391.
14. EURICO NOGUEIRA FRANÇA - "Música do Brasil - Fatos,
Figuras e Obras" (Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro,
bro, às 22 h, sem o carinho derradeiro dos filhos Carlos 1957) - p. 51-71.
André (que meses depois, aliás, também faleceu) e ltala, i~. 15. VASCO MARIZ - "A Canção Brasileira" (Rio de Janeiro, Ser-
de Juca, o irmão querido, dos amigos, mmTia em Belém. Um vico de Documentacão do Ministério da Educação e Cultura, 1959)
navio, batizado com o nome de "Carlos Gomes", vai buscar
seus despojos. E seu corpo repousa hoje em sua terra natal,
Campinas.
"
+
+
1
_: p. 25, 34, 40, 41, 67. 86, 161, 177.
16. "Música no Rio dt: Janeiro Imperial. (1822-1870)" - Exposição
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. 1962) - p. 30.
216 217
lf
~.
I!
SANT'ANA TORRES t sitor ( "Modinhas Imperiais, 2. a Edição, São Paulo~ , Livraria
(1837 - 1902)
I Martins, 1964, p. 15) : "Provavelmente esteve na Europa
quando moço. Casou com dona Rafaela de Sousa Amaral,
O compositor e oficlidista Miguel dos Anjos de Sant'Ana
Torres nasceu em Salvador, Bahia, a 16 de dezembro de 1837. l
t
!
também professora de piano, de quem teve um filho, ainda
vivo. Dona Rafaela de Sousa Amaral, diz a tradição que des-
~endia de Marcos Portugal, o que me parece improvável pois
Iniciou seus estudos de música aos 16 anos em sua cidade i não se sabe que o grande músico português tenha deixado
i
natal. com o próprio pai. Mudou-se, depois, para o Pará, onde i descendência. Morto Emüio do Lago, ela uniu-se em se-
estudou harmonia e contraponto com o maestro Henrique gundas núpcias com José Bonifácio, o MoçQ, aliás com gran-
Eulália Gurjão. Retomou, mais tarde, à Bahia. de oposição dos orgulhossíssimos Andradas que viam na pro-
Oficlidista maravilhoso e compositor prolífico, deixou, fessora de piano uma rebaixante mésalliance.. O que não im-
além de música sacra, 300 marchas militares para banda, 100 pediu que mais tarde Antônio Carlos Ribeiro de Andrada
polcas, 50 quadrilhas, três temas com variações para oficlide, Machado e Silva, o "maestrinho" como o chamávamos no
20 árias para canto, etc. Conservatório de São Paulo, fosse também um humilde mestre
de solfa e dos meus mais lembrados professores, grande eru-
Segundo Vincenzo Cernicchiaro em "Storia Della Musica
dição".
nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fra~elli Riccioni, 1926), "último Adeus do Amor" é designado como Opus 1. O
p. 156, 157, ··n pregiato artista che nellà vecchiaia deplorava Opus 4 é uma peça descritiva para piano, "Canto da Coruja",
la decadenza deU' arte nella città che gli fu culla, vedendola in que correu o Brasil na época. O Opus 9 é um "Hino Pa-
balia di spiriti ciarlataneschi, possedeva delle qualità artis- triótico", de 1868, para celebrar a vitória de Huma:itá, peça
tiche degne d'alto encomio". ~ ainda esse autor que afirma que Mário de Andrade considerou "medíocre". Deixou ainda
sobre Sant'Ana Torres: "Era celebre per agilità, correzione e "Primeiro Amor"; "Reminiscências", mazurca, também muito
virile energia nel maneggio dell'Oficleide, che suonava difatti divulgada; "A Sereia"; "Cabrião", polca; "Marcha Militar";
mera vigliosamente'". "Rosa Mística"; a "Canção do Boêmio", recitativo também
Faleceu a 16 de julho de 1902, presumivelmente em famoso; e "A Seráfica". A "Canção do Boêmio", sobre versos de
Salvador, Bahia. Castro Alves - Opus 8 - deve datar de 1867. Uma carica-
tUra antiga mostra que era alto, magro e muito moreno. Foi
a Emílio do Lago que Carlos Gomes dedicou sua modinha
"Quem Sabe?".
EMfLIO DO LAGO
;i
Emílio do Lago faleceu na capital paulista, a 7 de janeiro
(1838? - 1871) de 1871.
218 219
3. RENA'fO ALMEIDA - "História da Música Brasileira, ...,... 2.• que ele embora não tocasse nenhum instrumento, "não ouvia
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - pela primeira vez uma opereta, ou mesmo uma ópera, que
p. 419. . j
logo depois não assobiasse - e era exfmio no assobio! - os
4. CARLOS PENTEADO DE REZENDE - "Tradições Musicais da
Faculdade de Direito de São Paulo" --(São Paulo, Edição Saraiva, trechos P-!"incipais".
1954) - p. 121-128, 132, 158, 186-188, 190-191, 196, 227-228, 236, Vincenzo Cernicchiaro ( ••storia Della Musica nel Brásile",
241-243 e 265_ Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 58) inclui
5. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição França Júnior entre os ··poeti, cantori e musici" que fizeram
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo ··ai loro giorni, le delizie dei salotti di Rio de Janeiro, di Bahia
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. 1962) - p. 31.
e di S. Paolo". E Flausino Rodrigues Vale c·Elementos de
Folk-lore Musical Brasileiró', São Paulo, Companhia Editora
Nacional, 1936, p. 133), baseado em Cernicchiaro, menciona-o
também entre ··outros que desfrutaram nomeada: Antônio
FRANÇA JúNIOR Rocha, Anselmo, Heleodoro, França Júnior [ ... ]", etc.
(1838- 1890) Uma poesia de França Júnior foi musicada, tornando-se
famosa a canção: "Nestas Praias de Límpi(Jas Areias". Ela foi
O poeta - e assobiador. . . - Joaquim José da França incluída por D. Júlia de Brito Mendes nas "Canções Popu-
Júnior nasceu no Rio de Janeiro, a 18 de março de 1838. lares ~o Brasil" (Rio de Janeiro, J. Ribeiro dos Santos Edi-
tor, 1911, p. 239-240).
Foi bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo,
tendo pertencido à turma de 1858-1862. Exerceu o cargo de
promotor público e curador-geral da 2. a V ara de úrfãos no NESTAS PRAIAS DE LíMPIDAS AREIAS
Rio de Janeiro_ Em 1873 esteve na Austria, representando o
Brasil na exposição de Viena. Ao lado de Martins Pena e Nestas praias de límpidas areias
Artur Azevedo foi um pioneiro do teab·o em nosso País. Deixou Prateadas à noite pela lua,
diversas peças: "A República Modelo" (1861), ··Meia Hora de Passo as horas cismando nos amores
Cinismo" (1861), "Tipos da Atualidade" (1862), etc. · Que perdido bebi na imagem tua.
_ Jornalista, especializou-se nos folhetins, gênero em que
obteve o maior renome, e seu livro ··Folhetins" (Rio de Janeiro, Quando o sol pelos montes declinando,
1876) é um clássico no gênero. V ai no mar sepultar os seus ardores,
Uma lágrima me rola pelas faces
_ Cultivou também a_ pintura e foi grande apreciador de
Recordando sozinho esses amores.
música. Aliás, várias de suas peças foram musicadas: "O
Trunfo às Avessas", opereta, partitura de Henrique Alves de O campinas, ó praias sedutoras,
Mesquita; "De Petrópolis a Paris", com canções, coros e dan- O montanhas, 6 vales de saudade,
ças compostos pelo maestro Carlos Cavallier; e ··como Se Meus segredos guardai em vosso seio
Faz um Deputado" (título que a censura· da época fez subs- Desse tempo de tanta felicidade.
tituir por "Como Se Fazia um Deputado"), música também
de Cavallier. · O recintos, que não passem destes mares,
Artur Azevedo - citado por Carlos Penteado de Rezende Quantos votos a ela eu dediquei!
("Tradições Musicais da Faculdade de Direito de São Paulo" Guardem praias, montanhas e campinas"
/São Paulo,- Edição Saraiva, 1954, p. 137-138) - lembrava Quantos ais e suspiros lhe enviei.
220 221
~--
França Júnior faleceu em Caldas, Minas Gerais, a 27 de Em "Storia Della Musica nel Brasile". Vincenzo rCemic-
novembro de 1890. chiaro escreveu o seguinte sobre ele: ··M. Joaquim Maria,
um talento straordinario musicale e abilissimo violinista e
violoncellista, nonche suonatore straordinario di chitarra, la
cui vena melodica fu lodata dai piu illustri nomi nell'arte; au-
CASIMIRO DE ABREU mento non poco il numero delle leggiadre "modinhas"'
deli' epoca".
(1839 - 1860)
Baseado nesse texto de Cernicchiaro, Flausina Rodrigues
O poeta Casimiro José Marques de Abreu nasceu em Vale ("Elementos de Folk-Iore Musical Brasileiro", São Paulo,
Barra de São João, E_stado do Rio, a 4 de janeiro de 1839 e Companhia Editora Nacional, 1936, p. 132) diz-nos que ··M.
faleceu, na mesma cidade, a 18 de outubro de 1860. Joaquim Maria foi um cintilante talento de artista, extraor-
Como todo poeta romântico que se preza, Casimiro teve dinário músico, insigne violinista e violoncelista, tocava, ain-
seus poemas fartamente musicados e tornados modinhas que da, violão como ninguém, e legou-nos lindas modinhas".
foram muito cantadas nos salões do Segundo Império. Um documento - algumas anotações no livro n. 2, de
Hugo Bussmeyer ( 1842-1912) musicou um deles, "Anjo!", Registro do Conservatório de Música, de 1867 - descoberto
do ..Livro Negro", como se poderá constatar compulsando o pelo Maestro Batista Siqueira (ver "Três Vultos Históricos
··Trovador", Volume I, Nova edição, correta (Rio de Janeiro, da Música Brasileira"/Rio de Janeiro, Editora D. Araújo, 1969,
Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876), p. p. 121 e 122), projeta alguma luz sobre a vida, que per-
54. Só que, ou Busmmeyer aproveitou apenas duas das cinco manece, entretanto, um mistério, deste músico, um dos "mais
estrofes do poema - a terceira e a quinta - ou o organizador ilustres de seu tempo, na capital do Império" (ainda Batista
da coleção estropiou o poema, como já o fizera com os pró- Siqueira): "Manuel Joaquim Maria, filho de Joaquim Maria
prios versos aproveitados ("Eu duvidava sorrir", por exemplo, Costa Ferreira, natural do Rio de Janeiro, com 21 anos de
em lugar de "Eu duvidava. . . sorriste"). idade matriculou-se, em 1861, na classe de violoncelo, ficando
Em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. dois anos fora da casa. Regressou em 1864 e permaneceu
Garnier, Livreiro-Editor, 1908), capítulo ··Musa das Ruas", nos estudos até 1868".
João do Rio cita Casimiro de Abreu entre os poetas "que Mas desde 1867, o mestiço Manuel Joaquim Maria havia
continuaram a dar o seu prestígio às sibaríticas melodias que conquistado a notoriedade com uma polca que marcou épo-
punham Lord Beckford em delírio, em deleite, e nós vemos ca: "Careca Não Vai à Missa", em resposta a outra também
toda a escola romântica tomar inconscientemente na maioria famosa e intitulada ··capenga Não Forma". Essa informação
dos seus versos a feição melódica, o metro modinheiro'". quem a fomece é Vincenzo Cernicchiaro em '"Storia Della
Musica nel Brasile", p. 344: ":€ da ricordare Manuel Joaquim
Maria, che compone la celebre polka "Careca não vai à Mis-
sa", in risposta alia polka non meno celebre "Capenga não
MANUEL JOAQUIM MARIA forma"; entrambe ottenero um successo popolare ( 1867)".
(1840 - 1874) Flausina Rodrigues Vale em "Elementos de Folk-lore Mu-
sical Brasileiro", p. 143, repetiria esses dados: ··Manoel Joa-
i
O compositor, violonista, violinista, violoncelista e re- quim Maria . compoz a celebre polka: ··careca não vae á
gente - talvez .também letrista - nasceu no Rio de Janeiro,
em 1840, e faleceu na mesma cidade, em 1874. I i
missa", em resposta á não menos celebre: "Capenga não
forma", obtendo ambas grande successo popular ( 1867)".
222
I 223
•
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i
I
-•j
una esecuzione straordinaria, molto brillante e di virile ener- Marília, teus olhos tão tristes
gia. La sua morte fu un vero darmo per r arte, poiche, oltre J Se volvem magoados pra mim;
che violinista, era spontaneo e inspirato compositore di mJ- I Diviso o pesar derra11Uldo
Na face de neve e carmim.
sica religiosa; e dei suo merito femmo cenno parlando dei
compositori di musica sacra"'. I
' Desejo saber o que oprime
Tua alma tão virgem, tão pura;
Marília, tu sofres, mas eu
FONTES PARA O ESTUDO DE MANUEL JOAQUIM MARIA Também sofro horrível tortura.
1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
sileD (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 58, 73, Aflige minh'alma sensível,
91, 161, 344, 471. Marília, teu longo cismar;
2. FLAUSINO RODRIGUES VALE - '"Elementos de Folk-Iore O pranto rebenta em teus olhos,
Musical Brasileiro" {São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936) Eu quero contigo chorar.
- p. 132.
3. FRANÇA JúNIOR - "Política e Costumes" (Rio de Janeiro, Edi-
tora Civilização Brasileira S. A., 1957) - p. 119.
' -- E esta a de "Quem Es Tu?":
Quem és tu que vens à noite
4. BATISTA SIQUEIRA - "Três Vultos Históricos da Música Brasi-
Jeira" (Rio de Janeiro. Editora D. Araújo, 1969) - p. 121, 122. Tristezinho aqui cismar?
Fugindo de tantas galas
Que o mundo pode ofertar/
I
Ou dos meus sonhos ardentes
sitores de modinhas do Segundo Reinado. São dele, por exem- Es o ser encantador
plo, "Marília, Teus Olhos Tão Tristes"' (sobre poesia de J. Que vens dourar meu futuro
Veríssimo da Silva), "Quem l'.:s Tu" (sobre poesia de Melo " Aos beijos do teu amor?
Morais Filho), "Ah, Tu Dormes o Sono da Morte", "Marília,
Te Vejo Tão Triste" e .,No Meu Rosto Ninguém Vê", todas
:i Não! P.s órfã! No silêncio
f
publicadas em 1860. Em Cernicchiaro podemos ver que é ~ [Link] aqui te abrigar;
dele também a polca "Polidora", "o maior sucesso do ano
1860". Esta a letra de "Marília. Teus Olhos Tão Tristes": J Quando nos finda a ventura
E nosso alívio chorar!
2.26
"
ii!,
~ 227
"'
JI
P.s a crença! És a saudade, Estudou violino com Aragão em sua cidade natal' é, ainda
A muda expressão da. dor/ muito jovem e já destacado violinista, tranlsferiu-se para
Linda pér'la descravada Salvador. Nesta cidade tornou-se muito amigo do violinista
Do trono azul do Senhor/ e compositor Adelelmo do Nascimento, que o levou para ,uma
turnê artística pelas províncias do Norte.
Santa Rosa foi professor de solfej<~ do Imperial Conserva- Sales Machado destacou-se como compositor de música
tório de Música do Rio de Janeiro. Foi também "un coito sacra, devendo dele mencionar-se especialmente seis Missas
maestro di pianof<~rte". E escreve ainda Cernicchiaro: "No- festivas. Mas compôs também danças diversas.
nostante le sue continue occupazioni svolte nell'insegnamen-
to della sua arte, egli trova il tempo di comporre un buon Faleceu em Salvador, Bahia, a 5 de abril de 1883
numero di lavori gentili, oggi quasi tutti [Link] e per-
duti". Para comemorar o término da Guerra do Paraguai,
Santa Rosa compôs, em 1870, uma pomposa página sinfô- FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO OLAVO DE SALES
MACHADO
nica intitulada "Vitória! Vitória!", executada nesse mesmo
ano, s?b a regência do autor, por uma orquestra de 300 fi- 1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
guras, em um palanque armado no Campo de SanfAna. sile" {Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 156.
229
228
I
.J 17- !R.M.P.B.
sibilidade e o fogo de sua inspiração como também a riqueza cate vere bellezze, di conformità collo stile in cui emergeva-
de suas frases melódicas, que tão admiravelmente se subme- no~~.
j-.
. Seus negros olhos, divinais espelhos,
sue ispirate "modinhas", massime quella: "Do que me serve Disseram tanto que eu não sei dizerr.
esta vida". Fatte di sentimento appassionato, cortomate di .
tristezza sentimentale, erano anche le altre sue "modinhas": :€ só como hipótese de trabalho que vamos considerá-lo
~ste-me o riso dos Anjos". "Vai, o Sensível [Link] de lá
onde está Arminia" [sicJ, "Foi por causa dos ciumes", giudi- I
.
~-
nascido em Salvador. na Bahia, em 1840. e. falecido em 1890,
na mesma Cidade.
230 c.~f.
~ 281
i•
FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO MAGALHÃES Então se, na terra, lembrar-me algum dia,
CARDOSO Daquela em que eu via risonho porvir/. __
Se ainda, coitada, tiver-me na mente
1. GUILHERME TEODORO PEREIRA DE MELO - "A Música Talvez, ah, bem crente que eu deva existir.
no ·Brasil" (Bahia, Tipografia de S. Joaquim, 1908) - p. 134,
246-247.
Que os mares procure, e aí suas queixas,
2. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" (Bahia. Livraria
Econômica, 1922) - p. 120-121, 170, 211-212. Em ternas endechas, confira a soidão;
3. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra- E as ondas gementes dir-lhe-ão em segredo:
sile., (Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 56. Meu triste degredo, meus males de então
4. FLAUSINO RODRIGUES V ALE - "Elementos de Folk-lore
Musical Brasileiro-, (São Paulo, Companhia Editora Nacional. 1936, Manuel Querino, que transcreve os versos em ••A Bahia
Volume 57 da coleção "Brasiliana") - p. 129.
de Outrora", coloca a seguinte nota: "Como se vê, estas es-
5. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2!
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - trofes não primam pela correção sintática, nem .pela irrepre-
p. 66-67 e 73. ensível beleza do metro: O autor conhecia, apenas, as pri-
6. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Século Pas- meiras letras e viveu numa época em que a língua vernácula
sado" (Salvador. Livraria Progresso Editora. 1954) - p. 18-19. era estudada através do latim; e os colégios particulares não
tinham ainda a cadeira de gramática filosófica. A música,
porém, do Proscrito encobria perfeitamente os defeitos da
letra. José Bruno escreveu para o povo." No mesmo livro, à
JOSÉ BRUNO CORREIA p. 212, Querino refere-se a esse compositor como ··o ma-
vioso e infeliz José Bruno". Em ••A Música no Brasil" (Bahia,
(1840? - 1890?)
Tipografia de S. Joaquim, 1908), p. 134, Guilherme de Melo
inclui José Bruno Correia entre os mestres ()()mpositores que
Compositor e letrista baiano, nascido presumivelmente
escreveram modinhas na Bahia, e ··que tiveram por chefes
em Salvador, por volta de 1840 e falecido talvez na mesma
Domingos da Rocha Mussurunga, Damião Barbosa, José Pe-
cidade, lá por 1890.
reira Rebouças".
Quando a Bahia, a 17 de março d~ 1865, mandou seu . Em "Storia Della Musica nel Brasile" (Milano, Stab. Tip.
primeiro batalhão de Voluntários da Pátria para a frente do Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57), Vincenzo Cernicchiaro
Paraguai, José Bruno Correia tornou-se muito conhecido pela dedica-lhe cinco linhas: ••Ad uno spirito di poeta illustre e can~
sua composição "O Proscrito": tore distinto di canzoni nazionali, José Bruno CoiTeia, (Zé
Bruno), si devono pure belle e leggiadre pagine di ··modi-
~~
Tão longe da pátria, proscrito, exilado. nhas" le quali attinsero fama popolares; degne di menzione
Viver desgraçado, prefiro morrer/ .gl~· sóno le seguenti: "A Vingança dos Anjos", ··Nada pussuo
Mandou-me a desdita, tal é minha sorte, ~·
·~·
"~
[sic] neste Mundo', e ··uma vida sempre triste".
Só tenho por norte, penúria e sofrer.
i
Onàe encontramos curiosas revelações sobre este modi-
nheiro foi em ••Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado", de
Assim aviltado, assim constrangido, Monso Rui: "No desregraménto de tanta mocidade e desper-
,
Votado ao olvido, vou mares transpor! dício de vida, surge o boêmio mais triste, que a época re-
1--~--
Talvez que lá mesmo, do abismo no seio gistrou: José Bruno Correia, vencido por uma melancolia sem
Se vá meu receio, se extinga essa dor. .
remédio que lhe embotara a inspiração, emprestando às suas
.
232 . 2 .'38
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composiçoes o poder miraculoso de, numa serenata em que
ele cantasse ou fossem cantadas as suas trovas, desfazer todas
I
l
..Tendo por intérprete, na linguagem material de, seus so-
frimentos, o distinto poeta e músico Anacleto }:lufino de
as indecisões ou quebrar a mais feroz indiferença. Diziam-nb
vítima de uma doentia paixão por certa dama de situação I Carvalho, o nosso trovador s6 afinara sua harpa em maior
uma única vez, isto mesmo para entoar o canto d"'A Vin-
social superior à sua, e a quem não revelara nunca o grande
amor que, lentamente, o ia matando. De fato, há nas mo- I! gança", contra a perjura Armínia, por ter sido a traidora da
paixão que afligia seu amigo, poeta e companheiro.
dinhas de Bruno Correia a dolorosa confirmação de existir "Contam-se entre suas composições: "O Canto da Gruta",
em sua alma um sentimento sem esperanças, claramente ex- "O Meu Penar", "Lares Que Outrora Habitei", "Uma Vida
presso na sua modinha "Meu Penar", cuja primeira estrofe Sempre Triste", "A Vingança", "Os Dois Anjos", "A Espe-
é a seguinte: rança", "Nada Possuo Neste Mundo"', "Adeus e Gratidão à
Bahia" de Francisco Moniz Barreto, e muitas outras que dei-
Aqui, no imo altar xaram de ser publicadas e que vão sendo cantadas no con-
do coração, palpita a dor fessionário do amor corno verdadeiros tipos de declarações
De um santo amor amorosas'"'.
Que eu guardo em vão
Mas que a ninguém
direi famais FONTES PARA O ESTUDO DE JOSe BRUNO CORREIA
Embora em ais
O meu coração . .. 1. GUILHERME DE MELO - "A Música no Brasil" (Bahla, Tipo-
grafia de S. Joaquim, 1908) - p. 134, 247-248.
A sua bagagem musical é toda um misto de dor e en- 2. MANUEL QUERINO - ·• A Bahia de Outrora" - 2." Edição,
aumentada (Bahia, Livraria Económica, 1922) - p. 156.
cantadora ternura, sendo suas "Uma Vida Sempre Triste"
3. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
e "Nada Possuo Neste Mundo"'. sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni. 1926) - p. 57.
Guilherme de Melo dedica a José Bruno as seguintes li- 4. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado~
nhas: "José Bruno Correia, verdadeiro antípoda de Chico {Salvador. Livraria Progresso Editora. 1954) - p. 19-20.
Cardoso, enquanto_ este procurava na tonalidade de modo
maior a expressão dos seus sentimentos trobadorescos, aquele
se internando meSIIlO no mais profundo dos sentimentos ele-
gíacos, s6 achava na escala do modo menor as tintas de suas ILDEFONSO LOPES DA CUNHA
melodias e de suas nênias trobadorescas. (1840? - 1890?)
"Triste, melancólico, dorido, parece que José Bruno toda
vez que tinha de compor ia se inspirar junto a um cipreste O poeta Ildefonso Lopes da Cunha nasceq presumível-
cuja sombra funérea servia de manto ao jazigo em que se mente em Salvador, Bahia, por volta de 1840 e deve ter fa-
sepultara o invólucro material daquela que lhe roubara toda lecido na mesma cidade, lá por 1890.
a alegria de sua existência. Sua poesia "O Canto do Veterano" foi musicada, na
"Aí tendes todo o valor, toda importância e toda a cele- Bahia, pelo compositor Manoel Tomé de Bittencourt Sá,
bridade de José Bruno, que nunca soubera ocultar um s6 mo- quando do início da Guerra do Paraguai, em fins de 1864.
mento na linguagem dos sons modelados a dor intensa e as Desse canto, Manuel Querino, em "A Bahia de Outrora,,
saudades que lhe sangrara o coração. transcreve as seguintes estrofes:
234 235
Com setenta anos de idade
último autor. A colaboração de Anacleto Rufino de Carvalho
Que posso agora fazer? em todas essas composições (e, além delas, em ''A Vingança"
Desejos de um pobre velho, :j
e "Nada Possuo Neste Mundo", não mencionadas por Cemic-
1 á não sou pra combater~ chiaro) deve ter sido apenàs a de letrista. as músicas sendo
realmente de José Bruno Correia, "seu amigo, poeta e· com-
Se no Salto e Paissandu
panheiro", segundo Guilherme de Melo. O autor de "A Mú-
I á caiu o po-vo ousado~ sica no Brasil", no trecho em que fala de José Bruno Correia
Deixando após sua queda
é claro: "Tendo por intérprete, na linguagem material de
O meu país celebrado;
seus ·sofrimentos, o distinto poeta e músico Anacleto Rufino
de Carvalho, o nosso trovador só afinara sua harpa em maior
Cairá pra glória nossa, uma única vez, isto mesmo para entoar o canto d"'A Vin-
A gente t?il de Lopez; gança", contra a perjura Armínia, por ter sido a traidora da
Esse sicário que ostenta, paixão que afligia seu amigo, poeta e companheiro". E re-
Sobre os ro-ubos, altivez. ferindo-se a José Bruno Correia e não a Anacleto Rufino de
Carvalho, como interpreta Cernicchiaro, é que afirma: "Con-
tam-se entre suas composições "O Canto da Gruta", "O Meu
FONTES PARA O ESTUDO DE ILDEFONSO LOPES DA CUNHA Penar", "Lares Que Outrora Habitei", "Uma Vida Sempre
Triste", "A Vingança", "Os Dois Anjos", "A Esperança",
1. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" - 2.• Edição "Nada Possuo Neste Mundo" ... "
(Bahia, Livraria Econômica. 1922) - p. 158.
I
valsa; "Picante~, polca; "Princesa dos Cajueiros", barcarola;
Eu sentia-me atado ao teu prestígio
"Princesa dos Cajueiros", polca; "Princesa dos Cajueiros",
Por grilhões poderosos e fatais;
quadrilha; "Quer Dançar?", quadlilha; "Reine Indigo", polc~;
Não me vias sequer, te amava ainda. . . , .
"Reine Indigó', quadrilha; "Repórter", polca; "Tentação", pol-
ca; ··Testamento Azul", valsa; "Tetéia", polca; ··une Nuit au
Motejavas de mim, te amava mais. . . fbts
Chateau", fantasia sobre temas da ópera cômica do mesmo
nome, de Henrique Alves de Mesquita; "Vida", polca; e "Vi- Tu me vias sorrir; os prantos ãalma
da", quadrilha. Só confia-se a Deus e à solidão ...
F. L. da Silveira faleceu no Rio de Janeiro em 1890 Tu me vias passar calmo e tranqüUo,
Tinha a morte a gela1·-me o coração.
o::l~
Amo-te sempre. . . Oh! que martírio infindo! Paulo para fazer os prep~atórios para a Faculdade de Di-
Tem a força da morte esta paixão . .. reito. Matriculou-se no primeiro ano em 1862. Reprovado
238
-1 289
repetiu o ano em 1863. O segundo ano ele o freqüenrou em
mara em seu espetáculo em julho de 1868, realizado no
1864 e. . . também em 1865. Minai, terminou o curso, sem
Teatro São José de São Paulo; e ainda a modinha ..Tenho
novos problemas, formando-se na turma de 1868. Essa de- Fé num Rosto Triste", poesia de Luís Palmeirim, impressa
mora de oito anos para se formar está explicada em Almeida por Narciso e Artur Napoleão, que foi mais tarde editada e
Nogueira: '"Insigne músico e compositor. Autor de encanta- espalhada pelo Brasil. ·
doras serenatas. Incomparável no violão. A sua escola fez
época na Paulicéia; ele constituíra-se o centro de uma roda Infelizmente, nada se conseguiu apurar da vida de Ve-
artística de acadêmicos, à qual, pela atração do seu talento, nancinho Costa após a sua formatura. A última notícia que
se agregavam outros músicos e Dilettanti não acadêmicos". sobre ele existe está no "Diário de São Paulo" de 20 de
A fama que desfrutou Venancinho Costa em seu tempo é agosto de 1870, apontando-o, nesse ano, como juiz municipal
confirmada por Vincenzo Cernicchíaro. "Note-se" - escreve e de órfãos em Franca. Apenas como hipótese de trabalho.
vamos considerá-lo falecido em Franca, em 1900.
Carlos Penteado de Rezende em ··Tradições Musicais da Fa-
c1.1ldade de Direito de São Paulo" (São Paulo, Edição Sa- Está citado por Vincenzo Cemicchiaro ( "Storia Deiia
raiva, 1954, p. 211-213) "que ele estudou em São Paulo num Musica nel Brasile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni,
dos períodos áureos da Academia, quando sobejavam estu- 1926, p. 58) entre os que ••furono poeti, cantori e musici e
dantões, poetas e oradores de valor". fecero, ai loro giorni, le delizie dei salotti di Rio de Janeiro,
di Bahia e di S. Paolo". Com base em Cemicchiaro, Flausino
Colega de turma e amigo íntimo de Fagundes Varela, Rodrigues Vale ('•Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro",
com ele participou, certamente, de "serenatas e noitadas boê- São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936, p. 133) es-
mias". De V areia, V enancinho musicou várias poesias, tor- creve: ··outros que desfrutaram nomeada: ··Antônio Rocha,
nando-as o recitativo '"Não Creio!", a barcarola "Um Idílio Anselmo [ ... ] Venancio Costa [ ... ] etc.". O mesmo Cer-
no Mar", editados respectivamente em 1867 e 1868 nicchiaro, ( op. oit., p. 118) referindo-se agora a este compo-
(ver '"Musica no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - sitor como Costa Júnior, escreve o seguinte: "Costa Júnior, il
Exposição comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de felice compositore di musica popolare, ci dà un Inno patriot-
Música e Arquivo Sonoro/Rio de Janeiro, Biblioteca Nacio- tico, informa di marcia".
nal, 1962, p. 28); a canção ··A Flor de Maracujá", anunciada
e vendida pela loja de Henrique Luís Levi; e a serenata
••Noite Saudosa", cantada pela menina Hortênsia, em 1866,
no Teatro São José de São Paulo. FRANCELINO DOMINGOS DE MOURA PESSOA
São ainda de Venancinho Costa a modinha "Desejo",
editada na coleção ..Flores do Brasif' ( Buschmann & Gui-
marães); e várias outras composições anunciadas pelo ..Correio
Paulistano" e que foram apresentadas no teatro: ••Amiza,de",
I
~
~
(1840? - 1900?)
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quadrilha, "Despedida", modinha para piano e canto, letrá 1840, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1900, ·
de José Ricardo de Ulhoa Cintra (bacharel pela Faculdade de
Segundo Flausino Rodrigues Vale ("Elementos de Folk-
Direito de S. Paulo, turma de 1863), ·Josefina", valsa, «Amor ~
Paterno", romance, "Nuvem Branca", serenata (letra do es- •• -lore Musical Brasileiro", São Paulo, Companhia Editora Na-
tudante Brasílio Machado, e cantada pela a triZ· Eugênia cn.~ _j __
--~
cional, 1936, p. 141) é "autor de uma infinidade de música
para baile, celebrizou-se com a polca "Faceira". Essa infor-
240 i
! 241
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mação, entretanto. ele a colhera na "Storia Della Musica nel No peito sinto uma dor,
Que me leva à sepultura;
Brasile" de Vincenzo Cernicchia'ro (Milão, Stab. Tip. Edit. J Por me terem desprezado.
Fratelli Riccioni, 1926), p. 343: "Francelina Domingos lie
Moura Pessoa diede alia stampa moltissima musica da bailo: Atirado à desventura.
tra essa e da rilevare la polka brillante: "A Faceira".
I
I
Ff:LIX DE MELO
(1840? - 1900?)
l COMENDADOR CARLOS MONTEIRO E SOUSA
(1840?-1900?)
~
miV!elmente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pOde indo aos Estados Unidos, aí travou relações com Edison.
ter falecido na mesma cidade, lá por 1900. visitando em seguida os principais estabelecimentos não só de
f: dele - música e letra - a modinha "Ainda Ela?.., cuja telefones como também de iluminação elétrica. Por essa oca-
letra - publicada no "Trovador" - ••Nova Edição, correta" J sião foi nomeado membro do Instituto Americano de Enge-
- Volume m (Rio de Janeiro, Livraria Popular de A. A.
da Cruz Coutinho, 1876, p. 55 e 56) começa assim:
.J nheiros Eletricistas. De volta, levou ao Pará uma planta de ilu-
minação elétrica, hoje adotado naquele ponto. Em 1888 passou
242
1i. 243
~
1
~·
a Empresa de que era concessionário e veio ao Rio, seguindo comendador Monteiro uma audiência em seu palácio, ·~manhã,
daqui para a Europa. Lá fez estudos sobre telefones e ilp- às 7 horas da noite, para seus augustos filhos assistirem às
minação elétrica alcançando, pelas relações que tem com Edi- experiências do fonógrafõ. Dessa nova àudiência, o "Jomal
son, ser seu 1.·epresentante no Brasil. De passagem por Lon- do Commercio" de 13 de novembro de 1889 dá-nos também
dres teve o ensejo de ver o que há de modema sobre eletri- um relato: "Ontem às 7 horas da noite houve, no Palácio
cidade sendo, pelo ilustre eletricista inglês Price, posto como Isabel, experiências fonográficas a que assistiram Suas Altezas
membro da "Instituição dos Engenheiros Eletricistas". Na a Princesa Imperial, o Sr. Conde d'Eu, e seus augustos filhos,
Exposição de Paris, incumbido pelo Sr. Edison, fez interes- os Príncipes do Grão Pará e D. Augusto, acompanhados de
santes demonstrações com o fonógrafo, merecendo subidos seus professores, o Barão de Ramiz Gaivão e o tenente-co-
encômios de toda a imprensa. Agora, acaba de regressar, tra- ronel Dr. Manuel Peixoto Cursino do Amarante. Antes que
zendo o aparelho que tanto entusiasmo causou em Paris começassem as experiências, o Sr. Comendador Carlos Mon-
como em toda a parte". A entrevista pedida foi concedida teiro, a pedido do tenente-coronel Amarante, explicou aos
para as 6 horas da tarde do mesmo dia 9 e dela nos dá mi- jovens príncipes a parte técnica do fonógrafo. Foram repro-
nucioso relato o "Jornal do Commercio" de 10 de novembro duzidos, em seguida, pelo aparelho, diversos fonogramas de
de 1889: ..Concedida ela [a audiência] para as 6 horas da canto e de instrumentos de música, e o de S. M. o Imperador,
tarde a essa hora estava armado o aparelho em um das salas a que nos referimos ao dar notícias das experiências feitas no
do dito paço onde se achava o Imperador, acompanhado da paço da cidade e no qual também falaram SS. AA. a Princesa
Imperatriz, da Princesa Isabel, de seu augusto consorte e Imperial, o sr. Conde d'Eu e o Príncipe D. Pedro Augusto.
do Príncipe D. Pedro Augusto. Havendo dito S. M. o Impe- O Príncipe do Grão Pará e D. Augusto declararam que haviam
rador que desejava verificar com um fonograma do Sr. Vis- reconhecido perfeitamente as quatro vozes. Em seguida, o
,.
conde de Cavalcante se há semelhança entre a voz de quem f Príncipe do Grão Pará falou e o Príncipe D. Augusto solfejou,
i
fala e a que é reproduzida pelo aparelho, foi satisfeito o '~ sendo logo depois reproduzido este fonograma com toda a ni-
seu desejo, ouvindo-se em seguida outro fonograma do sr. tidez". O jomalista Brício de Abreu, no "Suplementu do Dis-
Conde de Villeneuve. Declarou Sua Majestade que em ambos t co" do "Diário da Noite", publicado a 13 de abril de 1959,
era perfeita a semelhança e que lhe seria agradável ouvir o
Dr. Charcot. Repetiu então o aparelho um fonograma do
Sr. Santa-Anna Nery apresentando o ilustre médico e seguido
Ii acrescenta um pormenor pitoresco da audiência do paço, que
não está narrado nas citadas edições do ..Jornal do Commer-
cio": "No entantu, o sr. Conde d'Eu declarou achar a invenção
de outros do dito doutor, de sua esposa e dos senhores Lour-
delet, Barão de Marajó, senador Pereira da Silva, marechal
Âncora e outras pessoas". E adiante: ..Sua Majestade, que
I muito boa mas tinha certeza de que o público não a ado-
taria pois acreditaria que fosse artes do diabo ou almas do
outro mundo...
havia acompanhado com o maior interesse todas estas expe-
ri~ncias, declarou, findas elas, que também queria falar; e, I Vimos, assim, que os primeiros a ter sua voz reprodu-
zida no Brasil foram o Visconde de Cavalcante. o Conde
~
logo que foi convenientemente preparado um cilindro. disse de Villeneuve, o Sr. Santa-Anua Nery, o Dr. Charcot, Sra.
que estava muito satisfeito com o que acabava de presenciar. Charcot, o Barão de Marajó, senador Pereira da Silva, Mare-
Falaram no mesmo fonograma S. A. Imperial, S. A. o sr. Conde chal Âncora, D. Pedro II, a Princesa Isabel. o Conde d'Eu
d'Eu e o Príncipe D. Pedro Augusto. Instantes depois o fonó- .; e o Príncipe D. Pedro Augusto. Dias após a Proclamação da
República, Carlos Monteiro e Sousa expôs o fonógrafo na: Rua
grafo repetiu com a maior clareza todas as palavras· que
acabavam de ser ditas. S. A., a sra; Conde d'Eu, marcou ao 1
l
do Ouvidor, 133, reproduzindo discursos de diversos líderes
244
I 245
I
I IR - R M 'P n
republicanos como José do Patrocínio, Jaime Pombo, Lauro ]cÍI
Quando a lua no céu -vai percorrendo
Sodré e Brício Filho,. o deste último publicado no mesmo nú~ Prateando o cetim azul do espaço
mero da "Revista Ilustrada", e gravado às 15 h 30 min do dia
21 de novembro de 1889. ._,-_:1~ Quando o pranto do órfão dolorido
O Senhor o recebe em seu regaço;
Por hipótese, consideraremos que o Comendador Monteiro ,,
I
cha Mussurunga, Damião Barbosa, José Pereira Rebouças".
Não cremos, porém, que se trate de dois compositores dife- O pianista e compositor Félix F. de Oliveira nasceu pre-
rentes. sumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode
ter falecido na mesma cidade, lá por 1900.
I·"'
Outra poesia de Me!o Morais Filho foi também musi-
cada por Eugênio Cunha: "Luz e Mistério". O fato poderá ser Em 1881, compôs a valsa "Cuidadosa". Ou. como se pOde
constatado consultando-se o Volume V do "Trovador", Nova ler em Vincenzo Cernicchiaro ("Storia Della Musica nel Bra-
edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria Popular de A. A. sile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926/p. 344):
da Cruz Coutinho-Editor, 1876), p. 5-6. E estes são os pri~ "Felix F. de Oliveira, noto pianista da bailo, compone, nel
meiros versos: l
=;i,;;.
1881. un bellissimo valzer "Cuidadosa". Flausino Rodrigues
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246
" ~47
••
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_:-;:'
O compositor J. F. das Chagas nasceu presumivelmente O compositor Francisco Antônio de Carvalho nasceu pre-
no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e deve ter falecido na sumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode
~esma cidade, lá por 1900. ter falecido na mesma cidade, lá por 1900. '
Encontraremos no "Trovador", Volume I (Rio de Ja- Sobre poesia de Joaquim Manoel de Macedo, compôs o
neiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho -Editor, lundu "Eu Quero Me Casar", tal como se pode ver·no "Trova-
1876), p. 43-44, uma modinha dele, sobre poesia de J. J. dor", Volume III, Nova Edição, correta, (Rio de Janeiro, Li-
Bernardo: "Dá-me um Sorriso" (à p. 26-27 existe um reci- vraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho, 1876), p. 60-61:
tativo, versos de Rodrigues Proença, com o mesmo título).
Eu já não sou criança,
A letra de J. J. Bernardo é a seguinte: Já tenho bem juízo,
Já sei que me é preciso
Para viver, amar: · ;·,:;·
•
f_
oores". "Eram das mais movimentadas, especialmente na fre- Está citado, ao lado de Chico Dedo de Ouro, por Ma-
guesia da Sé e parte da de S. Pedro, para onde convergiam nuel Querino em "A Bahia de Outrora" (2.a Edição, Bahia,
notívagos, vindos de outros pontos, atraídos pelos afamadbs Livraria Económica, 1922, p. 176), no capítulo "O M<X'<ltó":
mocotós da meia-noite. Jornaleiros de todas as profissões, "'E que diz do acompanhamento do Elói Beiçola ou do Chico
cantores de modinhas, tocadores de violão, caixeiros e outros Dedo de Ouro? Ahl esses são mestres no violão".
amantes de diversões, depois de abluções gerais nas fontes
- Nova, do Gravatá, do Gabriel, de Santo Antônio e Co-
queiros da Piedade - começavam de afluir aos p<:~ntos co-
nhecidos, como fossem o célebre Hotel Baiano, botequins e
casas de pasto, do Coelho Branco, à Piedade, do Candinho CHICO DEDO DE OURO
Corcunda, do Maglioli, do Bioo Doce, do João Gualberto, (1840? - 1900?)
do Melânio, do Claudiano, e de sinhá Aquilina. Quem estava
habituado à tranqüilidade e ao silêncio dos arrabaldes mais O violonista Chico Dedo de Ouro nasceu presumivelmen-
afastados, e que de repente se achasse entre o Terreiro de te em Salvador, p<:~r volta de 1840, e deve ter falecido na
Jesus, praça Castro Alves e largo da Piedade, havia de es- mesma cidade, lá por 1900.
tranhar tão desusada movimentação, a horas mortas da noite,
~mo se se tratasse de uma grande festa popular". E alguns É citado, ao lado de Elói Beiçola, por Manuel Querin(l
parágrafos adiante: ..Das dez horas em diante começava a em "A Bahia de Outrora" (2.a Edição, Bahia, Livraria Eoo-
folia. As modinhas "Gigante de Pedra", "Virgem Santa", "Be- nômica, 1922, p. 176), capítulo "O Mocotó": "E que diz do
las Baianas", "Tão Longe de Mim Distante", "Vai Cruel em acompanhamento do Elói Beiçola ou do Chico Dedo de
Braços Doutro", "'Rosto d'Anjo", "Prazeres Que Eu Não So- i Ouro? Ahl esses são mestres no violão".
nhavã, "Resposta ao Trovador", etc., eram ouvidas entre os
aplausos mais calorosos". E é agora que entra em cena o
Totônio das Candeias. Conta Manuel Querino: "Seguiam-se
os comentários. "E verdade, isto é que é voz!". "Qual, caía-lhe
J t
CAMILO PEITO DE BRONZE
o queixo se ouvisse o Totônio das Candeias ou o Camilo Peito
de Bronze, do Pau Miúdo. Aquela voz parece melado de pin- (1840? - 1900?)
gos d'ovos a escorrer".
A julgar, portanto, p<:~r Manuel Querino, Totônio das O cantor Camilo, apelidado Camilo Peito de Bronze.
Candeias deve ter sido um dos grandes cantores de modinhas nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia, lá por 1840, e
da Bahia, no Segundo Império.
'
,q
deve ter falecido na mesma cidade, por volta de 1900.
Manuel Querino em "A Bahia de Outrora" (2. a Edição,
ij
>'
~:
Bahia, Livraria Económica, 1922) fala dele de tal maneira
que presumimos ter sido um dos maiores cantores de modinhas
ELOI BEIÇOLA ' na Bahia do Segundo Império, tal como Totônio das Can-
1900.-
(1840? - 1900?)
~1
I
_j,t
Candeias ou o Camilo Peito de Bronze, do Pau Miúdo. MANDACARU
Aquela voz parece melado de pingos d'ovos a escorrer". (1840? - 1900?)
252 253
I
MANUEL RICARDO como sua mulher, um "dos melhores tocadores de Violão do
(1840? - 1900?) seu tempo".
LUÍS ALVIM
(1840? - 1900?)
JOÃO DE DEUS
O violonista Luís Alvim nasceu presumivelmente em
~,
(1840? - 1900?)
Salvador, Bahia, lá por 1840, e deve ter falecido na mesma
cidade, po:t volta de 1900.
Segundo Manuel Querino ("A Bahia de Outrora", 2. 8 . ,,
.t O violonista João de Deus nasceu presumive!mente em
Salvador, Bahia, por volta de 1840, e deve ter falecido na
Edição, Bahia, Livraria Económica, 1922, p. 170), foi, tal =.:~-~~----- mesma cidade, lá por 1900.
254 255
Em "A Bahia de- Outrora" (2.a Edição, Bahia, Livraria Vincenzo Cernicchiaro ("Storia Della Musica n~l Brasi-
Económica, 1922, p. 170), Manuel QueriDo inclui João de le", Milano, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57)
Deus entre os "melhores tocadores de violão do tempo". * inclui Custódio de Santo Amaro entre ..altri degni emuli dei
precedenti compositori e virtuosi, -a cui si devono belle. con-
cezioni dell'arte vocale popolare bahiana".
DAMIÃO LISBOA
(1840? - 1900?)
ANTôNIO CAVAQUINHO
O violonista e cantor Damião Lisboa nasceu presumível- (1840? - 1900?)
mente em Salvador, Bahia, lá por 1840, e deve ter falecido
na mesma cidade, por volta de 19()0. O violonista Antônio Cavaquinho nasceu presumivelmen-
te em Salvador, Bahia, lá por 1840 e deve ter falecido na
Manuel Queriilo em "A Bahia de Outrora" ( 2. a Edição,
mesma cidade, por volta de 1900.
Bahia, Livraria Económica, 1922, p. 170-171) inclui Damião
Lisboa na relação dos ..melhores tocadores de violão do tem- Em "A Bahia de Outrora" ( 2. a Edição, Bahia, Livraria
po". E ele ainda quem nos informa que Damião tinha uma Económica, 1922, p. 171), Manuel Querino o situa como um
"voz pastosa, cheia e bom estilo, no cantar". dos "melhores tocadores de violão do tempo". E provavel-
mente- a julgar pelo seu nome- tocava também cavaqui-
nho. Querino informa ainda que ele era ..porteiro da repartição
de obras públicas, a única nomeação feita no governo".
~'•
Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 250-251) ele foi um dos
trovadores "dignos de rodos os elogios", "os quais muito con- Guilherme de Melo, em ..A Música Iio Brasil" ( Bahia,
~
correram para o desenvolvimento da modinha na Bahia; uns Tipografia de S. Joaquim, 1908, p. 251), já incluíra Quinquim
como compositores,- outros· ·corilo cantores e outros ainda
como tocadores de violão". Jl Bahia entre os trovadores "também dignos de todos os elo-
gios" e Vincenzo Cemicchiaro em "Storia Della Musica ne1
256 i 2.57
f
';:
;l
I
_,
'
VELHO GREY
(1840? - 1900?)
I Quem sabe se ainda te lembras de mim
Que trago indelével, na mente gravada.
A tua imagem de tanto fulgor,
Teus olhos brilhantes, a face rosada.
O violinista que ficou na história da música popular
brasileira conhecido como o Velho Grey nasceu presumível-
mente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e deve ter fa..,
f
~'j;
No brilho dos raios do astro da noite.
No lindo horizonte em noite estrelada:
J,
r--
A luz que cintiUJ não. é comparada
lecido na mesma cidade, lá por 1900.
Aquela que brilha em teu casto semblante.
258
11 259
f
i
JOSJ! RUFINO D'OLIVEIRA COSTA
Mas,. ahl que bom penso, é triste pensar/
Não sei o motivo porque a natureza, (1840? - 1900?)
A tantos encantos, enlevos, beleza,
Um coração firme deixou de ceder-te. O compositor José Rufino d'Oliveira Costa nasceu pre-
sumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode
. Vincenzo Cemicchiaro em "Storia Della Musica nel Bra- ter falecido na mesma cidade, lá por 1900. ·
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 343, Assina três composições, todas com letras pl1hlicadas no
escreve: "João Baptista Cimbres, compositore della stessa ''Trovador", Nova edição correta (1876) = as modinhas "Se
epoca, ci dü~ il valzer "Mineira", la polka .'Bahiana", e ci las- Eu Fora da Noite o Astro Fonnosô', no Volume I, p. 53 (a
cio la graziosa modinha ··siciliana", pubblicata nel'anno 1863". poesia é ••do sr. F. M. A.") e "Quando em Meu Peito
Certamente baseado nesse texto de Cemicchiaro, é que Flau- Rebentar-se a Fibra", no Volume III, p. 101-102 (sobre _po-
sino Rodrigues Vale afirma em ••Elementos de Folk-lore Mu- esia de Alvares de Azevedo); e a canção "A Despedida do
sical Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional. Voluntário"; no Volume IV, p. 104-105 (poesia de autor
1936), p. 140: "De João Baptista Cimbres, destacam-se: a desconhecido).
valsa •'Mineira", a modinha: "Siciliana" e a polca: ··Bahiana".
S. LUÍS DE CASTRO
JÚLIO BEMOL (1840-? - · 1900?)
(1840? - 1900?)
O compositor, pianista e póssivelrnente também cantor
O flautista e oficlidista Júlio Bemol nasceu presumível- ~
e letrista S. Luís de Castro nasceu ·presumivelmente no Rio
de Janeiro, por volta de 1840, e deve ter falecido na mesma
mente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e deve ter fa- ~ cidade, lá por 1900. ·· · · ·· ·-
lecido na mesma cidade, lá por 1900. i
Alexandre Gonçalves Pinto deixou, desta maneira, em I Vincenzo Cernicchiaro {"Storia Della Musica nel Bra-
sile", Milano, Stab.- Tip. Fratelli Riccioni; 19.26, p. 57-58)
"O Choro", consignada a passagem de Júlio pela música do
Rio de Janeiro (p. 103-104): menciona Luís de Castro entre os artistas que, "ln Rio de
J
! Janeiro, pari fama ebbero come compositorL e cantanti di
"Conheci-'() e muito privei com este chorão. O seu pri- "modinhas". E fomece-nos as seguintes indicações sobre ele:
meiro instrumento foi oficlide que tocou admiravelmente, "Anche il professore di musica e [Link] Luiz de Castro
acompanhando· os grandes flautas daquelas épocas. Mais tarde scrisse "modinhas" assai gradite;. e da ricordarsi quella pub-
passou aprender flauta que aprendeu com facilidade, pois era blicata nel 1866 --: "Visão de Amor" - che ottenne un lieto
muito inteligente. successo, di cui çj pfuce~ trascriv~re j __ pri.~i versi:
.J1_·
"Bemol foi contemporâneo de Calado, com quem muito
tocou. .. Era noite. d' estio tão bella, .·
"Também tocou com Rangel, Luizinho, Viriato, que «Vinha a lua sorgindo formosa,
«Ref~~indo um perfil de- donzeUa-
eram naqueles tempos Batutas. Aqui deixo seu nome para
glória dos chorões de agora."
1_._ "Que ·de-llmDr~s ,se 1'ia ditosa",. . , ·.. -
260
1 261
f
i 19 - R.M.P.B.
i
A coleção "Flores do Brasil", editada por Buschmann & Ii ANóNIMO DE "A CASINHA PEQUENINA!'
Guimarães, inclui diversas composições de Luís de Castro, I
entre elas a .romança "Saudades" e os recitativos "Minh'Alfna ' (1840? - 1900?)
:E: Triste", ··o Noivado do Sepulcro", "Olho Vivó', "Perdão",
"Rosa dos Anjos", e ..Amor e Medo", este último, provavel- O autor anônimo de «A Casinha Pequenina" - u~ clás-
mente, sobre Ós versos famosos de Casimiro de Abreu. sico da canção popular brasileira - nasceu presumivelmente
A essas composições deve ser acrescentada a romança no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido
··sonho de Ventura" ("Pensamento Fugitivo"), tal como pode na mesma cidade, lá por 1890.
ser visto em "Trovador" - «Collecção de Modinhas, Recitati- A referência mais antiga que encontramos sobre essa
vos, Arias, Lundús, etc." - Nova edição, correcta - Volume modinha está em «Cantos Populares do Brasil" de D. Júlia
V (Rio de Janeiro~· Livraria Popular de A. A. da Cruz Cou- Brito Mendes (Rio de Janeiro, Editor J. Ribeiro dos Santos,
tinho-Editor, 1876), p. 26-27. Ali se encontram os versos e 1911), p. 82-83, onde está estampado o tema musica] e a
uma explicação: "Melodia do snr. S. Luiz Castro, e palavras letra.
do snr. S. L. de O. C."
A CASINHA PEQUENINA
SONHO DE VENTURA
Não te lembras da casinha.
Pequenina,
(Pensamento fugitivo)
Onde o nosso amor nasceu!
"Eu a vi como sempre tão bella, Tinha um coqueiro do lado.
Reclinada a sorrir-se p'ra mim,. 1 Que coitado,
A feliz e ditosa donzella
Me dizia palavras sem fim.
l De saudade já morreu.
i
[·
262
I 263
•
1
Não te lembras das juras, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 344: · "F. Ray-
E perjuras, mundo Correa compone una polka "Não me Delente", giu-
Que fizestes com fervor:
dicata bellissima". o nome está evidentemente estropiado.
Daquele beijo demorado
Mas, então, qual será o verdadeiro nome dessa polca:. "Não
Prolongado Me Deleite"? . . ·
Que selou o nosso amor!
Foi provavelmente essa dificuldade que fez Flausino Ro-
drigues Vale contornar o problema em "Elementos de
Folk-Iore Musicai Brasileiro" (São Paulo, Companhia Edi-
i--i
L. A. DIAS tora Nacional, 1936), p. 143, limitando-se a traduzir destà
(1840? - 1900?) maneira Cernicchiaro: "F. Raymundo Correia também se evi-
denciou como compositor de músicas dançantes". . . . ·
O compositor L. A. Dias - autor da polca-lundu "O Ca-
reca Tem Chinó"- nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro,
por volta de 1840, e deve ter falecido na mesma cidade, lá
por 1900.
Segundo Vincenzo Cernicchiaro C'Storia Della Musica GUEDES DA SILVA
nel Brasile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926),
p. 344: "L. A. Dias compone la polka lundú, col titolo "O (1840? - · 1900?)
Careca tem chinó'" in risposta alia surriferita polka "Careca
não vai à Missa". Foi baseado em Cernicchiaro que Flausino r O compositor Guedes da Silva nasceu presumivelmen ~e
Rodrigues Vale em "Elementos de Folk-lore Musical Brasi-'
leiro" (São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1936), p.
143, pode escrever: "L. A. Dias, também em resposta a uma
l no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido. na
mesma cidade, lá por 1900.
: · · Obteve, em 1867, grande sucesso com a polca "Barrigudo
delas, fez a polka-lundu: "O careca tem chinó".
Não Dança", êxito que repetiu com a quadrilha "Roca:hibóle'".
A polca-Iundu "O Careca Tem Chinó" deve datar de
O.u .como se encontra em Vincenzo Cé.rnicchiaro ( ''Storia Dei.:.
1867.
I~ Musica nel Brasile"/Milão, Stab. Tip. Edit. Fratell'i ~ic:
cioni, 1926/p. 344): "Guedes da Silva compone nell stess'anno
~
anche :una polka .ool ti,tolo analogo ai pre~denti "B:arr~g11-<ilo
F. RAIMUNDO CORREIA
não dansa", nonche Ia quadriglia "Rocambole", che ehbe ·pari
(1840? - 1900?) successo". Ou ainda, como repetiu Flausino Rodrigues Vale
("Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro"/São Paulo,
O compositor F. Raimundo Correia nasceu presumível- .r Companhia Editora Nacional, 1936/p. 144): "Guedes da Silva
I
mente no Rio de Janeiro, lá por 1840, e pode ter falecido
compoz na mesma EpOca uma polka de grande divulgação:
na mesma cidade, lá por 1900.
Nossa fonte de informações sobre ele é Vincenzo Cer- -
. "Barrigudo não dansa", e é o autor da conhecidissima qua-
Qrilha: "Rocamhole" que correu todos os quadrantes
. .
. de~te
-
nicchiaro e seu livro "Storia Della Musica riél Brasile" (Milão, immenso Brasil".
264 l
_;1 265
I
j
Q
~
ALEXANDRINA MACIEL DE OLIVEIRA Destacou-se como autor de uma linda polca carnavalel!ca,
intitulada "A Bisnaga". Essa informação n6s a colhemos em
(1840? - 1900?)
Vincenzo Cernicchiaro e sua "Storia Della Musica nel Bra-
A pianista e compositora Alexandrina Maciel de Oliveira sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 344:
nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta: de "Ayres Borges si fa conoscere. nell'anno anzi detto, [1881],
1840, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1900. come autore di una bellissima polka carnevalesca: "A Bis-
' E autora da polca "Não Creio", como se pode verificar naga".
na "Storia Della Musica nel Brasile" de Vincenzo Cerni<:-
chiaro (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p.
344: "Alexandrina Maciel de Oliveira, pianista e autrice della
polka "Não creio,.,_ Flausino Rodrigues Vale ("Elementos de FRANCISCO DE SALES COUTO
Folk-lore Musical Brasileiro"/São Paulo, Companhia Editora
Nacional, 1936), p. 143, limita-se a traduzir Cerillcchiaro: (1840? - 1900?)
..Alexandrina Maciel de Oliveira, pianista, autora da polka:
.. Não Creio". O compositor Francisco de Sales Couto nasceu presumi-
velmente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter
falecido na mesma cidade, lá por 1900.
JOSf: LEITE
São dele as modinhas "Nasce Risonha a Aurora" e ~se
(1840? - 1900?)
a Esperança Já Não Tenho", ambas sobre versos de M. Pi-
O compositor José Leite nasceu presumivelmente no Rio nheiro de Ulhoa Cintra. As letras de ambas podem ser en-
contradas em "Trovador", Nova Edição, correta - Volume
de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido na mesma
cidade, lá por 1900. I (Rio de Janeiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Cou-
José Leite é o autor da música das modinhas ..Se Es Aujo tinho-Editor, 1876), p. 117.
[Link] e na Beleza.,. (sobre poesia de autor desconhecido)
e "Ao Derradeiro Cantar do Cisne" (sobre poesia de M. M.).
A letra da primeira pode ser encontrada no "Trovador", Nova
Edição. correta - Volume I (Rio de Janeiro, Livraria Po- R. E. GRAÇA BASTOS
pUlar de A. A. da Cruz Coutinho, 1876), p~ 95; e a do
segundo no "Trovador"- Nova Edição, correta- Volume V (1840? - 1900?)
(Rio de Janeiro, LiVraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho,.
1~76); p. ·31. O compositor R. E. Graça Bastos nasceu presumivelmen-
te no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido
AIRES BORGES na mesma cidade, lá por 1900.
(1840? - 1900?) R. E. Graça Bastos é o autor do recitativo "Ontem no
Baile", sobre ..poesia do dr. J. Tito Nabuco d'Araújo" (ver
· O compositor Aires Borges nasceu presumivelmente no "Trovador" - Volume II - Nova Edição, correta - Rio de
Rio' de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido na Janeiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho, 1876),
mesma cidade, lá por 1900. .i?· 153-154.
266 267
·:'!
J. A. BARROS Estribilho .
(1840? - 1900?) Ai, que não posso
Nos braços teus
O compositor e letrista J. A. Barros nasceu presumível- Nesta hora extrema
mente no Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter fa- Dizer-te - adeus/
lecido na ·mesma cidade, lá por 1900.
:1!: dele a letra da modinha de Emílio E. C. do Lago.
"último Adeus do Amor", a XIII das "Modinhas Imperiais"", FRANCISCO LIBÃNIO COLAS
estampadas por Mário de Andrade em seu famoso livro. Mas (1840? - 1900?)
o próprio J. A. Barros musicou esses mesmos versos intitu-
lados, originalmente, não "último Adeus do Amor" mas "De O compositor Francisco Libânio Colás nasceu presumi-
Ti Bem Longe" ('·Trovador", Nova Edição, correta/Volume velmente no Recife, Pernambuco, por volta de 1840, e pode
II/Rio de Janeiro, Livraria Popular de A. A. da Cruz Cou- ter falecido na mesma cidade, lá por 1900, isto é, ..ai primi
tinho-Editor, 1876/p. 6. albori dei secolo in corso", conforme escreve Vincenzo Cer-
nicchiaro.
:1!: ainda Cemicchiaro que, após recensear outros nomes
DE TI BEM LONGE de ··compositori di musica sacra e strumentale". entre os
pemambucanos, afirma que ele morreu iasciando rinomanza
( "úitimo Adeus do Amor") di valoroso e feoondo compositoré'. E acrescenta: "Di fatti.
il Colás diede all'arte pregiati lavori, fra i quali nomineremo
- De ti bem longe, la grande Messa a 4 voei ed orchestra, intitolata ••Dogma da
Meu doce- encanto, Conceição", lavoro, secando si narra, tutto cosparso di soave
Sinto minh,alma e dolce melodia, dalla forma amplia, chiarezza di stile e
Envolta em pranto. ricchezza di modulazione. Si vuole anche ch'egli fosse un ma-
estro di vasta coltura musicale, conoscitore dell'arcano mecca-
Meu Deus, que dores, nismo della scienza dei contrappunto, e della fuga: doti ri-
Que febre ardente velate con Uii certo vantaggio nell'accennato lavoro. Oltre ai
Me abrasa o peito, suoi pregiati lavori sacri il Colás lascio molti componimenti
Me faz demente/ teatrali e strumentali, spesso eseguiti nella sua città natale".
Segundo Cernicchiaro; escreveu qúatro. operetas: ••Meus
Adeus, _meu anjo,
Olhos! Meu Nariz! Minha Boca!", "Véspera de Reis", ··sete
·Morro te liiTlUlndo,
No pensamento
Passos" e «viveiro de Frei Anselmo".
S6 te abraçando.
268 269
,1!1
A. SOARES DE MEDEIROS ainda, entre muitos outros, escritores de fama: João Elias da
(1840? - 1900?) Cunha, em Rio Claro; Luiz Pedrosa ... "
LUIS PEDROSA
(1840? - 1900?) ALICE DE CASTRO
(1840? - 1900?)
O compositor Luís Pedrosa nasceu presumivelmente no
Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido na A pianista e compositora Alice de Castro nasceu presu-
mesma cidade, lá por 1900. mivelmente no Rio de Janeiro, lá por 1840, e pode. ter fa-
Compôs polcas, quadrilhas, tal como pode ser constatado lecido na mesma cidade, por volta-4é 1000.
na "Storia della Musica nel Brasile" de Vincenzo Cernicchiaro Compôs uma havaneira que obteve algum sucesso: "Jó-Jó
(Milão, Stah. Tip. Edit. FrateJli Riccioni, 1926), p. 344: "Luiz Carlinhos". Pois, informa Vincenzo Cernicchiaro em ..Storia
Pedrosa, professore di musica, allievo dei conservatorio, scrisse Della Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli
Riccioni, 1926), p. 344: "Alice. de Castro, pianista e autrice
- zers...
e puhh1icõ moltissimi lavori Ieggeri: Polke, quadriglie e vai-
\I dei" "Habaneira Jó-Jó Carlinho", chele valse un felice esito".
Flausino Rodrigues Vale em "Elementos de Folk-lore Musical
Flausina Rodrigues Vale cita-o em "Elementos de Folk- l Brasileiro" (São Pa~tlo, Companhia Editora Nacional, 1936/
~~L.
-lore Musical Brasileiro" (São Paulo, Companhia Editora Na- Volume 57 da coleção "Brasiliana"), p. 144, limitou-se a di-
cional, 1936/Volume 57 da "Brasiliana"), p. 144: "Foram, zer! "Alice dé Castro, autora ·da habanera: "Jó-Jó Carlinhos".
270
I,, ,_
271
SOUSA FONTES "Catitinha", "Irmã da Zizinha", "Não Sei da Chave" e "A
Ocarinista".
(1840? _. 1900?) José Pereira da Silveira faleceu no Rio de Janeiro, a 27
de janeiro de 1889.
O compositor Sousa Fontes nasceu presumivelmente no
Rio de Janeiro, por volta de 1840, e pode ter falecido na
mesma cidade, lá por 1900. FAGUNDES V AIJELA
Provavelmente médico ou advogado, publicou diversas
(1841- 1875)
músicas - romanças, etc. - sob o pseudônimo de Fausto
Zosne. Estudou teoria e harmonia com o maestro Miguel Car-
O poeta Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Rio
doso. Todas essas fuformações são fornecidas por Vincenzo
Claro, Estado do Rio de Janeiro, a 17 de agosto de 1841, e
Cernicchiaro em "Storia Della Musica Nel Brasile" (Milão.
faleceu em Niterói, Estado do Rio, a 18 de fevereiro de 1875.
Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926), p. 345: "II Dr. Souza
Teve poesias suas musicadas· pelo seu amigo e colega
Fontes, sotto il ps~udonimo di Fausto Zosne, pubblicõ di-
de turma, na Faculdade de Direito de São Paulo, Venan-
verse composizioni. Studiõ musica e armonia col maestro Mi-
cinho Costa: a canção "A Flor de Maracujá" e a serenata
guel Cardoso. Aveva un bel talento musicale. Oltre alie bel-
"Noite Saudosa". A primeira, segundo Carlos Pertteado . de
lissime danze per pianoforte, lascio romanze per canto, scritte
Rezende ("Tradições Musicais da Faculdade de Direito de
cou. squisito gusto". Flausina_ Rodrigues Vale em "Elementos
São Paulo", São Paulo, Edição Saraiva, 1954, p. 212), "anun-
de Folk-lore MusicaJHrasileiro" (São Paulo, Companhia Edi-
ciada e vendida pela loja de Henrique Luís Levi" e a se-
tora Nacional, 1936/Volume 57 da Coleção "Brasiliana"), p.
gunda "cantada no Teatro São José em 1866 pela menina
144, deturpa o nome deste autor ao incluí-lo ..entre muítos
Hortênsia".
outros, escritores de fama". Limita-se a citar "o Dr. Sousa
Vincenzo Cernicchiaro. em "Storia · Della Musica nel
Pontes, sob o pseudónimo: Fausto Zosne".
Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p.
58) que estropia seu nome (Fugundes Varella), cita-o entre
JOSe PEREIRA DA SILVEIRA I os que ccfurono poeti, cantori e musici, e fecero, ai loro giorni,
le delizie dei salotti di Rio de Janeiro; di Bahia e di S.
Paolo". Apoiando-se em Cernicebiaro, Flausino Rodrigues Va-
(1841- 1889)
le ("Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro", São Paulo,
Companhia Editora Nacional, 1936_, P· 133) escreve: ccOU:tros
O compositor e. flautista José Pereira da Silveira nasceu I
que desfrutaram de nomeada: ccAntôilio Rocha. Anselmo, He-
no Rio de Janeiro, ein 184L ).I·I
"1- leodoro [ ... ] Fagundes Varela [. ~.] etc.".
Não [Link] ter su<iesso COIIiO concertista. Em 1883 foi
nomeado arc:j_tiivis!a .ua- .Academia Imperial de Belas Artes,
emprego que- exereeu ·até sua morte. ~>t
. Escreveu diversas composiçÕes~ entr~ _elas um tem-a e va- X~ST9~B..W~
riações, "Fleur de" Núit'', publicado em i874 ·em Mogúncia·; ~-· r·; .·
,,wJ (1841 -· 1894)
e uma Missa e Te Dewm para a festa da Nossa Senhora da
Penha, executado,· naquele templo, dois meses antes de seu
autor morrer. São dele ainda o "lundu "O -Imposto· do .Vin- O compositor, letrista, cantor e violonista Xisto Bahia
tém", a valsa "SOnho de Amor", e as polcas "Carrapetinha", L"= de Paula; filho do major Franciscci .de Paula . . ::.. veterano das
272 273
campanhas da Independência 'e Cisplatina .:_ e de D. Teresa naquela época, dirétor do Teatro São João. Era, então, um be:..
de Jesus Maria do Sacramento Bahia, nasceu na Freguesia do lo ator e cantor: suas criações cômicas são muito aplaudidas e
Além do Carmo, Salvador, Bahia, a 5 de setembro de 1841. o mesmo sucesso ocorre quando ele canta chulas e lundus.
Ao pai, já então desligado do Exército, coubera, como nos entremeses, acompanhando-se ao violão. ·
recompensa de seus serviços, a administração da fortaleza de Contratado pelo empresário Couto Rocha, em 1864 ex-
Santo Antônio de Além do Carmo. Nela, o major instalara cursionará ao Norte, onde permanecerá durante dez anos. Do
a família: a mulher c os quatro filhos do casal, Soter, Fran- elenco da companhia fazia parte o famoso ator português
cisco Bento, Horácio e Eulália. Soter ficara noiva do ator Furtado Coelho. O temperamento boêmio de Xisto, aliado ao
Antônio da Süva Araújo e, em breve, casava-se. Mas seu próprio talento, começam, entretanto, a prejudicá-lo. As
lugar na casa não ficou vazio: para ocupá-lo. nascia, na data vezes entra em cena sem ter lido, sequer, o papel. A crítica
já mencionada, Xisto. já o ataca. Em 1866, no Ceará, é vaiado. Esse insucesso, se
Em Santo Antônio, Xisto foi crescendo e ali, no teatri- não o comprometerá definitivamente junto ao público, en-
nho da Rua de São José de Cima, revelou-se, como amador, vergonha-o profundamente. No Maranhão, renova-se, porém,
bom artista e excelente tocador de violão. Seus primeiros inteiramente, recebendo conselhos do grande crítico Joaquim
estudos foram feitos na escola pública daquela freguesia. A Serra, e tendo como diretor Joaquim Augusto. Volta a ser o
idéia era a de que, obtida a instrução suficiente, ele ingres- ator brilhante de seus melhores tempos. Deixa o Maranhão
sasse, como seus irmãos, no comércio da cidade. Mas Xisto ia em triunfo, retoma ao Ceará e ali, com atuações excepcio-
trilhando seus próprios caminhos. Aos 17 anos, cantava as nais, passa a ser delirantemente aplaudido.
primeiras mod:inhas e lundus, algumas dessas composições de Em 1873, regressa à Bahia, dono de s6lida reputação
sua pr6pria autoria. como ator. Entra na Companhia de Mágicas de Lopes Car-
Já Xisto Bahia era um nome conhecido dos freqüenta- doso. E montada a comédia de propaganda abolicionista e
dores do teatrinho da Rua de São José de Cima., para o qual de fundo republicano "Duas Páginas de um Livro", que
redigia e representava diversas comédias, quando, um dia obtem enorme êxito.
de 1858, ele recebeu um rude golpe: o pai faleceu. A si- Só lhe falta, agora, conquistar a Corte. E, em 1875, chega
tuação financeira da família., · que já não era boa, agra- ao Rio de Janeiro, onde estréia, pouco depois, no Teatro Gi-
vou-se, então, consideravelmente. Tentou arranjar um lugar násio, na Companhia Vicente Pinto de Oliveira, ao lado de
no comércio, mas nada conseguiu. Decidiu dedicar-se pro-
fissionalmente ao teatro: tinha já uma bela voz de barítono
e bastante conhecida· em Salvador, pois Xisto fazia, freqüen-
temente, serenatas. Em 1859, en~a•. como corista, para a Com-
panhia Lúica Clemente Mugnai,- que tinha no tenor Gio-
I I
Clélia Araújo, baiana e professora pública. Monso Rui, em
"Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado", recorda: "Abrem-
-se-lhe os galarins d~ fama; as qualidades de Xisto Bahia
davam-lhe margem a não recusar jamais um papel, sempre
desempenhado com inteligência e personalidade. Nunca, en-
vanni Bichi e no soprano Luigia Donatti suas principais fi- tretanto, foi excedido na comédia brasileira, fixando, por
guras. Começa a atuar no Teatro São João, que deixa, pouco muitos anos, pelo seu trabalho criador, o teatro nacional.
depois, para ingressar na companhia dramática de seu cunha- '' Foi maior que Vasques, maior que Colás".
do, Antônio Araújo. 1!: com este- pai dos professores Torqua-
to e Antônio Bahia - que ·visita as principais cidades de sua
província. Em 1861 - aos 20 anos de idade, portanto - reapa-
;í't_i\
ª.·_,·.
. E o mesmo autor que nos fala da rivalidade entre Xisto
Bahia e Laurindo Rabelo - este em dupla com o compositor
João L. de Almeida Cunha- como autores de lundus, que o
rece na capital baiana, incorporado ao. elenco da companhia
~â~='~
público exigia nos teatros. "Era fatal o entrechoque dos .dois
organizadà pelo [Link]..·Gonstantino .de Amaral Tavares, grandes talentos bôêmios; · criou-se partido. O público sen-
:04 275
tenciava. E enquanto Laurinda escrevia versos maliciosos e todo o encantamento e entusiasmo. Seu estado de. ,espírito,
satíricos. Xisto fazia-<>s jocosos e irónicos, ilustrados com vi- nessa época, bem o refiete a carta que escreve em resposta
nhetas musicais que chegaram até nós. Foi vencido o poettt à de um amigo, Antônio Espiuca, que deixara o teatro pelo
carioca, e desse embate surgiu, verdadeiramente corrosivo curso doutoral e a,gora o consultava sobre as possibilidades
para o teatro, o uso e abuso dos gestos e frases dúbias de de sua volta:
novos lundus e cançonetas que descambou para a licencio- "Ao ler a tua carta ·fiquei absorto. :Não pela surpresa da
sidade". Mas se Xisto cantava lundus maliciosos em teatros. missiva, mas pelo fato da inesperada resolução. Realmente,
nos salões elegantes de Botafogo ele interpretava composi- tua consulta coloca-me num apertadíssimo embaraço.
ções aristocráticas, escritas especialmente pelo V is conde de Há certas coisas que quando se indaga da opinião pró
Porto Alegre. ou contra dos amigos, a resolução já está tomada de há muito
Em 1878, Xisto excursiona ao Norte com os atores Jaão e qualquer conselho é banal. Portanto, se eu tivesse de acon-
Colás, Joaquim Infante da Câmara, Joana Januária e Josefina selhar um criançola fútil, sem outra noção de prática social
Azevedo. :E; inaugurado, com a peça "As Duas úrfãs", o além das leviandades tributárias aos dezoito anos, não he-
Teatro da Paz, de Belém do Pará. Mas o grande sucesso da sitaria na resposta, incisiva e rude, até em mandá-lo bu-
temporada será "Uma No i te de Reis na Bahia". peça de giar. . . se viesse me perguntar se era bom entrar para o
Artur Azevedo. música de Libânio Colás. Xisto tem atuação teatro. Mas a ti?
deslumbrante, vivendo o papel de Bermudes. A companhia Isso toma-se gravemente sério.
leva, depois, a peça para o Maranhão. onde a vai assistir o Raciocinemos.
próprio Artur Azevedo. E é Artur que confessa que, ao vê-la,
Sabes o que é, ou por outra, o que está sendo atualmente
sentiu que havia sido um mero colaborador de Xisto. Na sua
o teatro nesse país, compreendidos os quatro pontos car-
opinião, ele armara um simples esqueleto, e Bahia comple-
deais? O teatro, isto é, a arte, é uma traficância, um negócio
ta~a, _reescrevendo tudo. Quis dar-lhe mesmo a co-autoria.
de balcão, uma feira de novidades, em que a Imprensa faz
mas Xisto recusou-se terminantemente a aceitar essa honra.
de a'T'lequim à porta da barraca, anunciando e pufiando as
O. gran~e ator retorna ao J,üo de Janeiro. Ingressa no grupo
sumidades conforme as gorgetas dos contratadores.
de Furtado Coelho, mas logo vai encabeçar o elenco do em-
pr:e~ário Jacinto Heller. O Imperador D. Pedro II vai vê-lo Essas novidades. ambicionadas a todo o momento, são
~o espetá_culo com que é comemorada a Batalha do Riachue1o, estrangeiras.
em 1880, .e. depois escreve, a esse respeito, à Condessa de Tu és estrangeiro? Não.
Barrai: "Gost~i de um cômico chamado Xisto Bahia, - creio O gosto pelo belo, quer deste ou daquele gênero teatral,
qu,e é 'baiano., - numa espécie de imitação "Les Jurons de lírico, dramático ou cômico, resume-se, pode-se dizer, numa
Câchaç"~ Lembra-se do Coquelinet e da Favart? Intitula-se
~qs ·p~rigqs .do Coronel". Declamou com muito talento a des- I depravação. O dramático é o avesso da verdade, é o afetado
pulha de uma escola inventada em Lisboa, creio eu; o cômico
crição ..da Batall)a de Riachuelo" (Carta do Imperador à esse ... aí peco eu pelo desejo de satisfazer, como os mes-
Condessa de Barral ....;. Inédito do Museu Imperial, de Petró- tres de cá, ao gosto do público e por isso chegamos a
4'
po~). . nos tornar canalhas. Quanto ao lírico. . . a música é como
açúcar, não amarga.
Apesar de aplaudido no Rio de Janeiro, e~ São Paulo e
em Minas Gerais, Xisto começa a cansar-se e a desiludir-se y Este é o teatro, esta é a nossa vida.
i
.COín o teatro: embora tivesse conquistado a fama. seu lar Tu me dirás: e tu homem, por aí permaneces?
continuava pobre. Em 1887 parecia ter perdido, pelo teatro, j Não argumentes comigo.
-i --
Zl6 ii 277
i
J
.4!L 20 - IR.M.P.B.
Tu saíste quando se manifestavam os primeiros sin- do Rio de Janeiro, Francisco Portela, um lugar de/ amanu-
tomas de decomposição geral que lavrava no teatro desse ense na penitenciária de Niter6i e afasta-se do teatro.
espantalho chamado Império do Brasil. Saíste, por cQtl- Mas, em 1892, Portela é deposto e Xisto, demitido. Tem
seqüência, na melhor das ocasiões. Eu, porém, fiquei e fui de voltar à cena. Reaparece com o mesmo sucesso na Com-
preso do contágio. Fiquei e hoje, para mim o hábito cons- panhia Garrido, no Teatro Apolo. Contracena com Vasques
tituiu-se lei, que jamais poderei derrogar, senão quiser ar- e as atrizes baianas Isabel Porto e Clélia Araújo.
riscar-me a sucumbir na luta. No Rio de Janeiro, os teatros quase s6 apresentam, então,
Devia ficar, para poder comer, e dar de comer aos artistas estrangeiros. Em 1893, no "Album", semanário teatral,
meus; agitar-se nesta existência dolorosa, para não fenecer Artur Azevedo publica um grande retrato de Xisto e escreve:
à míngua de trabalho. "Hoje, que os fluminenses s6 têm palmas, bravos e acla-
Foi-me então necessário agitar os guisos de palhaço, mações para a divina Sarah, para Tetrazzini, para Rosa Da-
afivelar o cinto de lantejoulas e dar o grande salto mortal masceno, para Amélia Vieira, para o Brazão e os irmãos
da opereta. Rosas; hoje que se acham nesta capital tantos artistas es-
trangeiros de primeira ordem, sente-se o "Ãlbum" feliz por ter
E que é, afinal, a opereta?
ocasião de publicar o retrato do mais brasileiro de todos
Um engodo, o mistifório ao sabor do público, que os atores...
adora de preferência tudo quanto corrompe e decai. Um Todos os cariocas ainda se lembravam da atuação de
gênero de arte fácü e sem regras, onde a careta é uma Xisto Bahia como São Bernardo em "O Filho do Averno",
criação e os esgares trejeitosos e descompassados uma es- mágica de Eduardo Garrido, e com que ~le obtivera imenso
pecialidade de mérito que toca às raias do gênio!" sucesso. Foi esse seu último trabalho.
Contratado ainda em 1893 pelo empresário português
"Tu nunca depravaste a arte, tu, nunca deste cambalho- ! Sousa Bastos para uma temporada no Teatro das Novidades,
tas, tu nunca concorreste para a desmoralização dos teus
colegas; ao contrário, foste vítima, como eu. dos gaviões~ das l em Lisboa, tem sua viagem frustrada pela revolução da
armada. E também, diante da crise, os teatros do Rio de Ja-
i
rapinas daqui. neiro fecham suas portas.
Queres voltar? Qu~res comer novo pão, ainda mais Com o corpo enfraquecido, vítima de pertinaz moléstia,
amargo e duro do que o que já comeste? Sentes-te com âni- Xisto, a conselho médico, parte, em fins de 1893, para a es-
mo? Ahl Não venhas, eu to peço". tância hidra-mineral de Caxambu, sul de Minas Gerais, ten-
............................................................ tando recuperar a saúde perdida. Mas, embora recebesse,
ali, a melhor assistência do clínico baiano Paulo Fonseca, re-
"Como o teu amigo velho e prático nestas coisas tea- si sidente nessa estância, seus padecimentos se agravaram e veio
trais, faço a mais descarnada e franca oposição ao teu re- a falecer a 30 de outubro de 1894. Deixava viúva - a atriz
gresso. Se me venceres na luta ficarei satisfeito por teres portuguesa Maria Vitorina de Lacerda Bahia, Maria Bahia,
acertado; se fores derrotado, lamentar-me-ei por não me teres
ouvido". {Anuário da Casa dos Artistas, 1942, p. 108/"Boê- J
,
, no teatro, falecida a 28 de março de 1941, com 77 anos de
idade. E quatro filhos: Augusto, Maria, Teresa e Manuela.
I
mios e Seresteiros Baianos do Passado", Afonso Rui, p. 45-48). Aos 15 anos de sua morte - ou seja, em 1909 - a Bahia
Em 1888 a Empresa Dias Braga entrega~lhe a direção do
Teatro Lucinda. Aí, Xisto monta cerca de cinco revistas e ·~ presta-lhe uma homenagem. Nessa ocasião, Torquato Bahia,
sobrinho de Xisto, escreve uma comovida página evocativa,
mágicas. Por essa época, tem uma idéia fixa: mudar de pro- que termina com a frase: ..Ficava para a posteridade a glo-
fissão. Afinal, em 1891, consegue, do presidente do Estado ,Jt rificação do seu nome".
278 279
Xisto Bahia legou à música popular brasileira · belas simpaticamente ai suo sentimento musicale spontaneo; e me-
composições, algumas hoje verdadeiros clássicos: os lundus glio di ogni altro conosceva la virtU di muover gli effettí per
"'Iaiá, Você Quer Morrer?",. "Isto lt Bom" e o "'Lundu tio deliziare un intero uditorio. Di buon pregio popolare sono
Pescador" (este com letra de Artur Azevedo); a canção "'A anche i suoi "Lundús", detti e cantati con pari grazia e pie-
Mulata" (letra de Melo Morais Filho, publicada no livro cante spirito, da non temere confronto". ··
"'Mitos e Poemas", editado em 1884); a cançoneta "A Preta
Mina"; "Tirana" (sobre versos de Castro Alves); "Quis De- Em "O Choro", Alexandre Gonçalves Pinto conta o se-
balde Varrer-te da Memória" ( letrà de Plínio de Lima); "O guinte sobre Xisto Bahia (p. 166-167):
1-.1ulato"; "Sempre Ela"; "Perdoa 7 rne ou Sê Clemente"; "As "Ator brasileiro, príncipe do Teatro Nacional. Quem não
Duas Flores"; ~Minha Dor"; e "Que Valem Flores". conheceu Xisto Bahia?
E possível que algumas dessas composições revelem "O Conegundes da "Véspera de Reis". Artista que tanto
deficiências de um cornposiror que não conhecia urna nota prestigiou as nossas peças nacionais e tornando-se senhor de
de música, mas Xisto, ao cantá-la, usando seu talento e força todas as platéias, tal era os seus dotes científicos [sic]
interpretativa, arn;batava todas as platéias. Monso Rui, em que possuía na arte de representar revistas, dramas, e comé-
"'Boêrnios e Seresteiros Baianos do Passado", publica o estri- dias, finalmente, em tudo que era genuinamente nosso.
bilho de "A Preta Mina", que ele narra ter ouvido cantada
num circo de cavalinhos, em Salvador, por Eduardo das N e- "'Ninguém corno Xisto · Bahia naquele tempo fazia um
ves: matuto rústico, ingênuo corno ele. Tocava bem violão, espe-
Laranfa, banana cialista nos lundus e modinhas baianas. Também sabia reci-
Maçã, cambucá tar com graça os seus monólogos. M~to querido das platéias
Eu tenho de graça do Rio e de Niterói, enfim, do Norte ao Sul do Brasil. Foi
Que a preta me dá um grande chorão, senhor do braço do violão. Foi um pro-
E nas noites de frio feta, senhor da magia das músicas brasileiras, que anunciou
Que ela mais gosta a prosperidade do violão. Se ele hoje ainda existisse estaria
Estende-me por cima I
1
regozijado com o progresso desse instrumento maravilhoso
que se chama violão, que era o séu devotado instrumento. Para
Seu pano da Costa
r finalizar, vos direi, leitor, .que não sei quando teremos aqui
~
Vincenzo Cernicchia:ro, depois de citar vários rnodinhei- neste planeta um outro Xisto Bahia, que venceu igualmente
ros, detem-se em "il famoso Xisto Bahia, uno spirito di ar- na vanguarda de todos os atares do seu tempo como sejam i
moniosa grazia, inimitabile per Ia. rnaniera penetrante con
cui soleva cantare Ie proprie e le altrui "modinhas". Rela-
I Afonso de Oliveira, Vasques, Matos, Guilherme de Aguiar.
Colás, Pinto Velho, Dias Braga, Brandão Velho, e muitos
ciona, então, precariamente, algumas de suas composições: outros que faziam parte da rua turma, com quem Xisto ·Bahia
"'Fra le tante applaudite sue canzoni, ottennero bella rino- sempre se rivalizou em um nível de admiração."
manza e l'onore della popolarità: "Quiz de Balde,, la piu '
'·
•f.·
... ·'
280
r·,,f ;,_-=~-
Livraria Garnier Irmãos, s/d) - p. 147, 148.
.,
281
"~
3. MANUEL QUERINO - "A Bahia de Outrora" - 2! Edicão Excursionou também pelo Chile, Peru, etc. Esteve ainda
(Bahia. Livraria Econômica, 1922) - p. 212. • em Nova York e Paris, em 1867, cidades em que se exibiu
4. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel .lra- com muito êxito. Retomou aos Estados Unidos, fixando resi-
sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 56.
dência em Nova York, e tomando-se professor do Conserva-
5. ORESTES BARBOSA - "Samba" (Rio de Janeiro, Livraria Edu-
cadora. 1933) - p. 61-66. tório de Música local. ·
6. ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - "O Choro" (Rio de Mas, em 1876 ( Cemiochiaro refere-se estranhamente a
Janeiro, Tip. Glória, 1936) - p. 166-167. um concerto realizado, em 1874, no Imperial Conservatório
7. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2." de Música), retomou ao Rio de Janeiro, apresentando-se em
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942)
p. 66-67, 73, 410 e 442. recitais diante de D. Pedro II e de grande público. De-
8. AFONSO RUI - "Boêmios e Seresteiros Baianos do Passado" dicou-se, então, ao ensino. O Imperador insistiu em convite
(Salvador, Livraria Progresso Editora. 1954) - p. 16, 17, 18, 27, feito anteriormente e Bussmeyer foi nomeado Mestre da
29-53. Capela Imperial, cargo que exerceria até a Proclamação da
9. JOS:a RAMOS TINHORAO - "Pequena História da Música República. A 24 de novembro de 1879, no Cassino Flumi-
Popular - Da Modinha à Canção de Protesto" (Petrópolis, Edi-
tora Vozes Ltda., 1974) - p. 20, 21, 22, 23, 24, 36. nense, prestigiado pela presença do Imperador D. Pedro II,
10. JOSf: RAMOS TINHORÃO - "Música Popular - Os Sons Que
apresentou uma ópera sacra, "'São Pedro". A 18 de abril de
Vêm da Rua" (São Paulo, Edições Tinhorã.o, 1976) - p. 12. 1885. recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, pelos
serviços relevantes que prestara à Instrução Pública.
Faleceu a 1. 0 de fevereiro de 1912 ( Cernicchiaro erra
novamente ao referir-se à data de 30 de abril de 1911, como
HUGO BUSSMEYER a da sua morte ... ), no Rio de Janeiro, deixando, entre di-
(1842 - 1912) versas peças eruditas, a modinha "Anjo", sobre poesia de
Casimiro de Abreu.
O compositor, pianista e organista Hugo Bussmeyer, fi-
lho de um cantor da ópera da Corte, Maurício Bussmeyer,
nasceu em Brunswick, na Alemanha. a 26 de fevereiro de FONTES PARA O ESTUDO DE HUGO BUSSMEYER
1842.
1. TROVADOR - "Coleção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus
Depois de estudar com Litolff e Nethfessel e aperfei- etc." - Nova Edição, correta (Rio de Janeiro, Livraria Popular
çoar-se com von Bulow, veio para a América do Sul em 1860, ae A. A. da Cruz Coutinho-Editor, 1876) - Volume I, p. 54.
apresentando-se, como pianista, no Rio de Janeiro, onde che- 2. VINCENZO CERNICCHIARO - •storia Deiia Musica nel Bra-
gou, segundo Batista Siqueira, ..aproximadamente em setembro sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 398.
de 1860" (Vincenzo Cernicchiaro escrevera "giunto [ ... ] ·~ 3. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2."
nel1862". Desse mesmo ano, data, aliás, um curioso documento
divulgado pelo Maestro Batista Siqueira em "Emesto Nazaré
5
'I
~
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp. - Editores, 1942) -
p. 391.
na Música Brasileirã, e assim datado: "Mangaratiba, 27 de 4. ISA QUEIRúS SANTOS - "Origem e Evolução da Música em
Portugal e Sua Influência no Brasil" (Rio de Taneiro, Imprensa
junho de 186r. A 11 de novembro de 1862, apresentava-se Nacional, 1943) - p. 205-206.
no Ateneu Dramático, na presença de SS. MM., executando 5. BATISTA 'SIQUEIRA - "Ernesto Nazaré na Música Brasileira"
"Profeta", "A Noite do Castelo.., "Sonâmbula" e o ..Hino (Rio de Janeiro, Gráfica Editora Aurora Ltda., 1967) - p. 48, 64,
Nacional Brasileiro... 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 13, 14, 75.
282
1t!'..;:.,.
-.::..., 283
]
·~
MANDUCA. DE CATUMBI tocava com sentimento e possuía uma grande execuÇão. Apai-
(1842? - 1920?) xonado dos lundus, cantava-os com muito espírito, sendo,
• por essas virtudes, a flor dos baües de lampião de querosene
daquela afamada Metrópole dos dançadores e do "pessoal
O violonista que passou à história da música popular
brasileira sob o nome de Manduca de Catumbi nasceu pre- da lira". Morreu em um festival de núpcias, com perto de
oitenta anos, quando o seu violão exalava os últimos suspiros
sumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1842, e deve
ter falecido na mesma cidade, lá por 1920. de uma valsa langorosa".
Padrinho de batismo do violonista e compositor Heitor
Catumbi, Manduca de Catumbi teve seu perfil traçado por
Alexandre Gonçalves Pinto em seu livro "O· Choro" ( p. 53-
-54): MELO MORAIS FILHO
"Manduca de Catumbi era um chorão célebre de glo- (1843 - 1919)
riosa tradição, tipo idoso, de cor parda, de alta estatura e
usava a cabeleira partida ao meio e a tradicional sobrecasaca; O poeta Alexandre José de Melo Morais Filho - que
trabalhava numa litografia na rua da Assembléia, trazia nos foi também médico, historiador e ensaísta - nasceu na Bahia,
I
dedos uns anéis de latão com pedras de vidro, e quando a 23 de fevereiro de 1843.
dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a 'i
Fez seus estudos de Medicina na Europa, voltando de-
atenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focali- pois ao Rio de Janeiro, onde exerceu a clínica médica du-
zadas pelo reflexo da luz do lampião. Manduca de Catumbi, rante muito tempo.
era um chorão solista e bOin acompanhador que pouco se
utilizava dos bordões, porém, fazia proezas nas-- cordas de Publicou três livros de poesia: Cantos do Equador ( 1880),
tripas, sendo por esta razão respeitado e admirado por outros Saudação aos Mortos (1880) e Mitos e Poemas (1884). Dei-
chorões, embora não tendo elegância, pois tocava com a xou também livros de estudos de etnografia, folclore e música
cabeça caída sobre o instrumento,, sabia tirar partido nos popular: Os Ciganos do Brasil (1886), Cantares Brasileiros
choros que executava. ainda possuía uma outra especialida- (1900), Tradições Populares do Brasil (1901), Serenatas e
de: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos Sa-raus, em três volumes (1901-1902), Histórias e Costumes
que lhe eram solicitados, era calmo, concentrado, modesto, (1904), Artistas do Meu Tempo (1904)_e Fatos e Memórias
e de · expressões delicadas e muito considerado pelo modo, (1904).
porque se sabia conduzir entre outros chorões, de seu tempo; Alguns de seus versos foram musicados e se tomaram
eis porque digo que Manduca do Catumbi, fez a sua época clássicos da cançã;o :brasileira. ~ o caso de A Mulata, publi-
no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje cado no livro Mitos e Poemas~ editado em 1884, e que co-
se ac.:ham. Aqui, nestas linhas, fica descrito o perfil pouco mais nheceu a celebridade quando foi musicado por Xisto Bahia.
-ou menos de um chorão da velha guarda." · E é também o caso de O Bem-te-vi~ musicado por Miguel
Catulo da Paixão Cearense, em uma das Natas ao "Can- Emídio Pestana, e que se tomou também conhecido pelo
to da Saudade"", de seu livro ··Mata Iluminada" (Rio de Ja'" seu primeiro verso: A Sombra de Enorme e Frondosa Man-
neiro, Livraria Castilho, 1924), p. 237, soma novos dados à bio- gueira.
grafia de Manduca de Catumbi: ..Era um pardavasco, morador # No capítulo intitulado Musa das Ruas, de seu livro
em Catumbi, mas conhecidíssirilo em toda zona .da Cidade A Alma Encantadora-das Ruas (Rio de Janeiro, H. Garnier,
·Nova. Conquanto a sua ..maneira" fosse de estilo antigo, Livreiro-Editor, 1908), p. 270, João do Rio coloca Melo
284 285
..• ,._,;_
Morais Filho entre os poetas que ..continuaram a dar o seu triunfos, e voltou ao Rio de Janeiro, de passagem, em 1862.
prestígio às sibaríticas melodias que punham Lord Beckford Regressou, ainda uma vez, ao Brasil, em 1866, fixando-se de-
em delírio, em deleite, e nós vemos toda a escola romântida finitivamente no Rio de Janeiro.
tomar inconscientemente na maioria dos seus versos a feição Imensa foi a atuação de Artur Napoleão em nosso meio
melódica, o metro modinheiro . .. " E conta ( op. cit., p. 271) : artístico, inclusive como professor de piano. Essa aÇão é
..A modinha dera na gandaia, a modinha era vagabunda, a assim resumida por Renato Almeida: ..Fez parte de associa-
modinha descera à ralé, integralmente anônima, desprezada. ções musicais [ ... ].promoveu concertos, incentivou iniciativ~s
Melo Morais empresta a sua companhia de homem sério a e, sobretudo, foi o grande intérprete que tivemos em todo
tamanha bambochata, precipita-se nas vielas e bodegas para esse tempo, o que muito representou para a nossa cultura
apanhar a história dos mais célebres e mais notáveis poetas, musical".
que ninguém conhece ... ., Como compositor de música erudita, sua página mais co-
Melo Morais Filho faleceu no Rio de Janeiro, em 1919. nhecida é o Romance em Mi Bemol, para piano, transcrito
para violino, e ainda para canto com o título Adieu, ]e Pars.
Escreveu 80 exercícios para serem tocados com os de Czerny,
a dois pianos, uma Tarantela, fantasias e valsas para piano.
ARTUR NAPOLEÃO Dele é também a peça Remorso Vivo, representada em 1866.
(1843 - 1925) A maioria de suas obras foi impresa por Narciso, a quem
viria a se associar, fundando o Imperial Estabelecimento de
O pianista e compositor Artur dos Santos Napoleão Piano e Músicas de Narciso e Artur Napoleão, situado na
nasceu na cidade do Porto, Portugal. Mas ..podemos consi- Rua dos Ourives, 60 e 62.
derá-lo brasileiro, a título legítimo, pois entre nós viveu por Para a música popular brasileira, Artur Napoleão co-
mais de meio século, exercendo aqui a sua atividade artística laborou com a polca-concerto Chu'Va de Rosas e as polcas
e radicando-se inteiramente no Brasil" (Renato Almeida). Teus Olhos e Recordações de Petrópolis. Publicou algumas
Nasceu a 6 de março de 1843. de suas composições usando o pseudónimo de F. Fumagali.
Foram seus pais o milanês Alessandro Napoleone e a Artur dos Santos Napoleão faleceu no Rio de Janeiro, a
portuguesa Joaquina dos Santos, e teve dois irmãos também 12 de maio de 1925.
conhecidos pianistas: Alfredo e Aníbal. Menino-prodígio, deu
seu primeiro concerto de piano aos sete anos de idade, no
Porto, ou seja, em 1850. Depois disso, deu concertos e reci- FONTES PARA O ESTUDO DE ARTUR NAPOLEÃO
tais em toda a Europa, recebendo grandes homenagens em
várias cortes, e chegando a ser beijado pela Rainha Vitória, 1. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Musica nel Bra-
da Inglaterra. Liszt, Rossini, Berlioz, Wieniawski e Vieux- sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 150, 219,
temps elogiaram-no muito. Com os dois últimos, chegou a 229, 397, 404, 405, 406 e 407.
fazer uma excursão artística. Hoje, Artur Napoleão é consi- 2. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2.a
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores, 1942) - p.
derado um dos maiores pianistas do seu tempo.
-~\.
390-393, 415-416, 429, 433, 437. 492.
Foi em 1857 - com 14 anos, portanto, - que visitou,
·1'::,~
3. V ASCO MARIZ - "Dicionário Bio-Bibliográfico Musical" (Rio de
Janeiro, Livraria Kosmos Editora, 1948) - p. 163.
pela primeira vez, o Brasil. Apresentou-se em um recital no
4. "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)" - Exposição
__,L~o
Teatro Provisório, a 25 de agosto desse ano, quando conseguiu comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo
um grande sucesso. Retomou à Europa, onde obteve novos cT~
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 35.
286 287
~'
MIGUEL EMíDIO PESTANA Mas, a aceitar-se ainda o retrato machadiano, Pestana, no
(1845? - 1885?) fundo, gostava era de música dos ··compositores clássicos",
:._ cujos retratos colocara na parede de sua casa: "Cimarosa,
f
O compositor e pianista Miguel Emídio Pestana nasceu Mozart, Beethoven, Gluck, Bach, Schumann, e ainda uns
três ... " Desprezava lamentavelmente a "musa de olhos· ma-
presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1845, e pode
rotos e gestos arredondados, fácil, graciosa, "saltadeira de
ter falecido na mesma cidade, lá por 1885.
riacho", como diz a cantiga cearense", e ··tinha as polcas por
~ autor das modinhas "O Bem-te-vi", sobre versos de aventuras de petimetres" ...
Melo Morais Filho (música que Catulo da Paixão Cearense
A grande pilhéria de sua vida não será a que diz ao
usou para cantar também seus versos intitulados "O Portão")
editor, ante& de morrer, mas a que tenha conquistado a imor-
e "A Casa Branca da Serra", esta com versos imortais de talidade, não pelos bons ofícios da musa de olhar sério. tal
Guimarães Passos, publicados no livro ••Horas Mortas" ( 1901).
como a de Cimarosa, Mozart, etc., mas justamente graças à "de
Baseado em sua vida, Machado de Assis escreveu um de olhos marotos" ...
seus melhores contos, ··um Homem Célebre", publicado em
··várias Histórias" (Rio de Janeiro, Laemmert & C., Editores,
1896). FONTES PARA O ESTUDO DE MIGUEL EMfDIO PESTANA
Em ••Ernesto Nazaré na Música Brasileira" (Rio de Ja-
1. ORESTES BARBOSA - "Samba - Sua Hi$1ória, Seus Poetas,
neiro, Gráf. Edit. Aurora, 19õ7), p. 53, Batista Siqueira confir- Seus Músicos e Seus Cantores" (Rio de Janeiro, Livr. Educadora,
ma essa origem do conto de Machado: ·~ é curioso notar que 1933) - p. 70 e 119.
o célebre autor de "Dom Casmurro" fez uma Crônica inteira 2. PEDRO LUlS MASI - "Antologia da Serenata" (Rio de Janeiro,
sobre a personalidade imortal de Emídio Pestana, célebre Organização Simões Editora, 1957) - p. 70, 119.
autor de ··o Bem-te-vi" e de inúmeras polcas regionais ... " 3. BATISTA SIQUEIRA - "Ernesto Nazaré na Música Brasileira"
(Rio de Janeiro, Gráfica Editora Aurora Ltda., 1967) - p. 53-54.
~ceitando-se o personagem de Machado como corres-
pondendo exatamente ao seu modelo real, o ··portrait" de l
~
Miguel Emídio Pestana seria este: ··metido numa sobre-
casaca cor de rapé, cabelo negro, longo e cacheado, olhos r
cuídosos, queixo rapado ... ", moraria perto da Rua do Ater- ZUZU CAVAQUINHO
rado, próximo da Rua Formosa. Em 1871, teria composto f (1845? - 1905?)
sua primeira polca, "Pingos de Sor' e, como o editor quisesse J
trocar o título ou por ••A Lei de 28 de Setembro" ou "Can- ~ O executante de cavaquinho Zuzu Cavaquinho poderia
. dongas Não Fazem Festa", preferiu manter a composição ter nascido no Rio de Janeiro, lá por 1845 e falecido na
.inédita. Mas publicaria as polcas seguintes com títulos "des- mesma cidade, por volta de 1905.
tinados à popularidade, - ou por alusão a algum sucesso Nada sabemos porém, sobre ele, além do que pode ser
do dia, -ou pela graça das palavras", rendendo-se à filosofia
comercial e à inventiva do editor: ··senhora Dona, Guarde .~ encontrado em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de
Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 271 e 272, de
~ 2'
o Seu Balaio", "Não Bula Comigo, Nhonhô", etc. E teria João do Rio, em que se transcreve Melo Morais Filho: "No
se casado "com uma viúva de vinte e sete anos, boa cantora
e típica", que, tempos depois, deixa-o, por sua vez, viúvo. 1""
·'1:
Olimpo das serenatas do tempo, percebemos neste momento
desfilar espectralmente, orvalhados dos relentos daquelas
288
j 'i 289
~
~
a•
~L
noites, vultos de transcendente nomeada, excelentes rapazes MANEZINHO DA CADEIA NOVA
que passaram neste mundo par~ deixar lampejos fugazes e
(1845? - 1905?)
duradouras recordações. E foram eles pelo crisma populAr
conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do Saco, Manezinho
Possivelmente cantor e/ou violonista, Manezinho da Ca-
da Cadeia Nova ou Manezinho da Guitarra ... '' E adiante,
deia Nova - também conhecido como Manezinho da Guitar-
já com a palavra o próprio João do Rio: "A modinha tinha
por cultores o Manezinho do Saco e o Zuzu Cavaquinho. ra - nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta
Pobre modinha!" Por que "pobre modinha"? - perguntamos de 1845, e deve ter falecido nessa mesma cidade, lá por 1905.
nós, hoje. Quem sabe lá se Zuzu Cavaquinho, apesar do nome O pouco que sabemos sobre ele - e que é pouco mais do
porque passou à posteridade, não foi, realmente, um grande que nada - é o que se encontra em "A Alma Encantadora das
modinheiro? Ruas" (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908),
p. 271, de João do Rio, em que este transcreve Melo Morais
Filho: "No Olimpo das serenatas do tempo, percebemos neste
momento desfilar espectralmente, orvalhados dos relentos da-
LULU DO SACO quelas noites, vultos de transcendente nomeada, excelentes
(1845?- 1905?) rapazes que passaram neste mundo para deixar lampejos fu-
gazes e duradouras recordações. E foram eles pelo crisma
O presumivelmente cantor e violonista chamado Lulu popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do Saco,
do Saco (Luís ... ?) pode ter nascido no Rio de }a1;1eiro, por Manezinho da Cadeia Nova ou Manezinho da Guitarra [ ... ]".
volta de 1845,- e talvez falecido na mesma cidade, lá por
1905.
O pouco que sabemos sobre ele é o que se encontra
em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. Z~ MENINO
Garnier, Livreiro-Editor, 1908) p. 271 e 272, e que não passa (1845? - 1905?)
de transcrição do livro "Cantares Brasileiros", de Melo Morais
Filho: "No Olimpo das serenatas do tempo, percebemos neste Possivelmente cantor e/ou violonista, Zé Menino - Jo-
momento desfilar espectralmente, orvalhados dos relentos da- sé ... ?- nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta
quelas noites, vultos de transcendente nomeada, excelentes de 1845, e deve ter falecido nessa mesina cidade, lá por 1905.
rapazes que passaram neste mundo para deixar lampejos O quase nada que sabemos sobre ele encontra-se em "A Almà
fugazes e duradouras recordações. E foram eles pelo crisma Encantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-
popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do Saco, -Editor, 1908), p~ 271, de João do Rio, em que este transcreve
Manezinho da Cadeia Nova ou Manezinho da Guitarra ... " Melo Morais Filho: "No Olimpo das serenatas do tempo, per-
E mais adiante, já fazendo uso da palavra João do Rio: ••A cebemos neste momento desfilar espectralmente, orvalhados
modinha tinha por cultores o Manezinho do Saco e o Zuzu ~-:;~
dos relentos daquelas noites, vultos de transcendente . no-
Cavaquinho. Pobre inodinha!" Pobre João do Rio: enganou- --~~
).'.".'\. meada, excelentes rapazes que passaram neste mundo para
-se. E de dois modinheiros, Lulu do Saco e Manezinho da deixar lampejos fugazes e duradouras recordações. E foram
Cadeia Nova (também [Link] Manezinho da Guitarra)
c"*
eles pelo crisma popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho,
fez um só ... j="- Lulu do Saco, [ ... ]".
290 TI 291
·~
VIEIRA BARBEIRO
Ao que tudo indica, trata-se do mesmo lnacinhó Flauta
(1845? - 1905?) ao qual se refere em "O Choro" (Rio de Janeiro, Tip. Glória,
1936), p. 90, Alexandre Gonçalves Pinto:
Possivelmente cantor e/ou violonista, Vieira Barbeiro - "Foi profissional no choro. Não podia ver defunto. que
barbeiro de profissão?; e, como tal, integrando um conjunto não chorasse. Era muito querido de seus companheiros mu-
dos chamados "música de barbeiro"? - nasceu presumível- sicistas, que não o deixavam parar.
mente no Rio de Janeiro, por volta de 1845, e faleceu talvez
na mesma cidade, lá por 1905. Em bailes que tocasse ficava logo íntimo, pois era um
folgazão de marca maior. Tocava belos e temos choros, que
Sabemos sobre ele apenas o que está em "A Alma En- faziam os encantos dos salões.
cantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-
-Editor, 1908), p. 271, de João do Rio, em que este trans- Era muito brincalhão, e fazia muitos trocadilhos engra-
creve Melo Morais Filho: "No Olimpo das serenatas do tem- çados, fazendo assim, risos.
po, percebemos neste momento desfilar espectralmente, oi·va- Foi companheiro dos bons, amigos dos que com ele
lhados dos relentos daquelas noites, vultos de transcendente privavam. Gostava muito dos pagodes que houvesse grude,
nomeada, excelentes rapazes que passaram neste mundo para como ele chamava a farta mesa.
deixar lampejos fugazes e duradouras recordações. E foram Morreu já há anos deixando grandes saudades, que ainda
eles pelo crisma popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, hoje perduram nos que o conheciam."
Lulu do Saco [ ... ], Vieira Barbeiro, [ ... ]".
Portanto, até que novas pesquisas destruam esta "hipó-
tese de trabalho", consideraremos Inácio Ferreira e Inacinho
' Flauta como a mesma pessoa e o teremos como flautistas.
INÁCIO FERREIRA r
(1845? - 1905?)
Inácio Ferreira pode ter nascido no Rio de Janeiro, por I CLEMENTINO LISBOA
volta de 1845 e talvez falecido na mesma cidade, lá por 1905.
João do Rio em "A Alma Encantadora das Ruas" (Rio
de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 271, quan-
I (1845? - 1905?)
,J
..J 21 - R.M.P.B.
gazes e duradouras recordações. E foram eles pelo cdsma ele escreveu Alexandre Gonçalves Pinto em "O Choto" (Rio
popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do Saco de Janeiro, Tip. Glória, . 1936), p. 21:
[ ... ], o Clementina Lisboa, [ ... ]". Claro: no caso de Clk-
"Musicista, autor de inúmeras composições, como sejam:
mentino Lisboa, como no de Inácio Ferreira, o nome não
"Geralda" [quadrilha], ..Alice", "Futuro Risonho", "Te~ura",
resulta de nenhum "crisma popular", mas deve ser exata- "Não Machuca a Gente", "Amélia", "Vivi", "Olhos de Can-
mente o recebido no registro ... dinha", "Saudades de 1. 0 de agosto de 1888", ''Você Me Pro-
meteu", "Emília" e "Simpatia"; não estando aqui descritas
nem a terça parte das suas . músicas. Rangei foi um dos
príncipes dos Chorões da Velha Guarda"~ As canções citadas
DOMINGOS DOS REIS por Gonçalves Pinto deve ser acrescentada a polca "Cari::t-
(1845? - 1905?) ponesá'.
Em "A Alma Encantadora das Ruas'' (Rio de Janeiro, H.
Presumivelmente cantor e/ou violonista, Domingos dos Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 272, 273, João do Rio,
Reis pode ter nascido no Rio de Janeiro, lá por 1845, e citando Melo Morais Filho, ·é a ele certamente que se refere
talvez tenha falecido na mesma cidade, por volta de 1905. quando escreve: "No Olimpo das serenatas do tempo, perce-
Sobre ele, encontramos uma única referência: a de Melo bemos neste momento desfilar espectralmente, orvalhados dos
Morais Filho, transcrito por João do Rio em "A Alma En- relentos daquelas noites, vultos de transcendente nomeada,
cantadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro- excelentes rapazes que passaram neste mundo para deixar
-Editor, 1905), p. 271, 272: "No Olimpo das serenatas do lampejos fugazes e duradouras recordações. E foram eles
tempo, percebemos neste momento desfilar espectralmente pelo crisma popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu
orvalhados dos relentos daquelas noites, vultos de transcen- do Saco [ ... ], o Rangel [ ... ], que lá desceram para os
dente nomeada, excelentes rapazes que passaram neste mun- túmulos, que ora volteio, agitando os ciprestes que os res-
do para deixar lampejas fugazes e duradouras recordações. guardam sob o céu sem eco das necrópoles."
E foram eles pelo crisma popular conhecidos por Zuzu Ca-
vaquinho, Lulu do Saco [ ... ]. o Saturnino, o Luizinho,
Domingos dos Reis, que lá desceram para os túmulos, que
ora volteio, agitando os ciprestes que os resguardam sob o SATURNINO
céu sem eco das necrópoles". (1845? - 1905?)
294
4. ' "Quem· nãó conheceri, no,s subúrbios, o distinto amigo· e
bom companheiro que foi Saturnino. Era exímio tocador de
295
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flauta, executava a mesma, de admirar. Nos subúrbios, bailes elide, bombardão, instrumentos estes que naquela -época fa-
que houvesse, Saturnino estava sempre firme como sentinela ziam pulsar os corações dos chorões, quando eram manejados
avançada, sempre pronto para o combate. Nos pagodes onJe pelos batutas da velha guarda, como sejam Silveira, Viriato,
tocava fazia graça, pois era um pândego de força. Ele tocava Luizinho, etc."
todas as composições dos grandes flautas, já aqui descrito atrás :1!: certamente a ele que se refere Melo Morais ·Filho,
de um papo de peru recheado. Era um gato do mato para citado por João do Rio em "A Alma Encantadora das Ruas"
gostar de galinhas, em porquinho nem se fala. Ia longe. Era I (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908), p. 271,
bom e sublime músico como já disse e companheiro dedi- 272: "No Olimpo das serenatas do tempo, percebemos neste
cado gostava muito, de um enterro de ossos, nos pagodes momento desfilar !espectralmente, orvalhados dos relentos
onde tinha intimidade empenhava-se e fiscalizava a cabeça daquelas noites, vultos de transcendente nomeada, excelen-
do leitão, dizendo que era para a feijoada completa do dia tes rapazes que passaram neste mundo para deixar Iam-
seguinte." pejos fugazes e duradouras recordações. E foram eles pelo
João do Rio, citando Melo Morais F. 0 , em "A Alma Encan- crisma popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do
tadora das Ruas" (Rio de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, Saco [ ... ], o Rangel, o Saturnino, o Luizinho [ ... ], que
1908), p. 272, 273, refere-se a Saturnino, no capítulo "A Musa lá desceram para os túmulos, que ora volteio, agitando os
das Ruas": "No Olimpo das serenatas do tempo, percebemos ciprestes que os resguardam sob o céu sem eco das necró-
neste momento desfilar espectralmente, orvalhados dos re- poles".
lentos daquelas noites, vultos de transcendente nomeada, ex-
celentes rapazes que passaram neste mundo para deixar Iam-
pejos fugazes e duradouras recordações. E foram eles pelo
crisma popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do GONÇALVES CRESPO
Saco [ ... ], o Rangel, o Saturnino [ ... ], que lá desceram (1846 - 1883)
para os túmulos, que ora volteio, agitando os ciprestes que
os resguardam sob o céu sem eco das necrópoles". O poeta e compositor bissexto luso-brasileiro Antônio
Cândido Gonçalves Crespo nasceu no Rio de Janeiro, a 11
de março de 1846.
Muito ~do radicou-se em Portugal, tendo e~dado
LUIZINHO Direito em Coimbra. Naturalizado português, foi deputado
(1845? - 1905?) às cortes portuguesas de 1879 a 1881. Casou-se com a es-
critora Maria Amália Vaz Carvalho.
O flautista Luizinho nasceu presumivelmente no Rio de Publicou os livros "Miniaturas" ( 1870), "Noturnos"
Janeiro, por volta de 1845, e deve ter falecido na mesma ci- ( 1882) e "Contos Para os Nossos Filhos" ( 1882), este em
dade, lá por 1905. colaboração com a mulher.
~~
De sua vida nada se conhece. Sabe-se que foi da roda :1!: considerado o iniciador do parnasianismo em Portugal.
de Virgílio da Silveira, Viriato Figueira da Silva e Joaquim ..
Antônio da Silva Calado, filho. Em "O Choro" (Rio de J a- De Gonçalves Crespo, é a canção '"A Mulata" (também
neiro, Tip. Glória, 1936, p. 12), Alexandre Gonçalves Pinto conhecida como "A Mucama"), um clássico da música po-
.
pular brasileira. Não deverá ser confundida, entretanto, com
escreve: ""Os acompanhamentos eram violão, cavaquinho, ofi- -:,c:--
296 ]' 297
1t
'
iiJl
"A Mulata", música de Xisto Bahia, versos de Melo Morais ALEXANDRE TROVADOR
Filho ("Eu sou mulata vaidosa,/Linda, faceira, mimosa ... "). (1846? - 1886)
Esta a letra de "A Mulata", de Gonçalves Crespo: J
O cantor e violonista Alexandre Trovador nasceu presu-
Mostraram-me um dia, na roça, dançando, mivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1846, e fâleceu
Mestiça formosa de olhar azougado, nessa mesma cidade, em abril de 1886.
Cdum lenço de cores nos seios cruzado, Sobre ele escreveu, em "O Choro", Alexandre Gonçalves
Nos lobos da orelha pingentes de prata.
Pinto {p. 176-177):
Que viva, a mulata!
Por ela, o feitor "Foi um grande cantor. Imitava todas as vozes dos can-
Diziam que andava perdido de amor. tores líricos daquele tempo. Acompanhava-se ao v!olão nas
óperas e modinhas que cantava. Morreu em 1886. Esse preto,
que foi uma celebridade, morreu na Santa Casa e foi jogado
De em torno dez léguas da vasta fazenda, numa vala comum! ...
Ao vê-la corriam gentis amadores.
E aos ditos galantes de finos amores, Na "História das Ruas do Rio de Janeiro" (Rio de Ja-
Abrindo seus lábios de viva escarlata, neiro, Editora Souza, 1954), à p. 123, Brasil Gerson acrescenta
Sorri a mulata, novos info~es sobre essa figura do .2. 9 Império: "Além de
Por quem o feitor seus boêmios ilustres tinha o largo [do Rocio, hoje Praça Ti-
Nutria quimeras e sonhos de amor. radentes] seus próprios tipos populares, que nele fizeram
ponto por decênios, como [ ... ] o mulato Alexandre Trovador,
cabeleireiro que foi discípulo do Reis que aprendeu com os
Um pobre mascate, que em noites de lua franceses Roux e Desmarais, da rua do Ouvidor, e que
Cantava modinhas, lundus magoados, exercia o seu ofício cantando modinhas e árias nos salões e
Amando a faceira dos olhos rasgados nos camarins ... "
Ousou confessar-lho, com voz timorata . ..
Amaste-o, mulata, .
E o triste fet'tor I Catulo da Paixão Cearense em um caderno de lembran-
ças iniciado em 1912 e publicadQ por Carlos M~ul em seu
livro "Catulo", .2. a Edição (Rio de Janeiro, Livraria São José,
Chorava na sombra perdido de amor.
· 1971, p. 40), anotou o seguinte sobre Alexandre Trovador:
Um dia encontraram. na escura senzala, I
. )
"Era um preto magrinho, de uns 40 anos, quando o vi, há
quase meio século, num baile ·em casa do falecido leiloeiro
O catre da bela mucama vazio, Sousa Siqueira. Sabia música e cantava modinhas e trechos de
Embalde recortam pirogas o rio; óperas ao violão, vocalizando como um soprano. Dava um
Embalde procuram no escuro da mata. "mi" acima de um "dó" de peito, com a mesma facilidade
Fugira a mulata, com que Caruso emitia um "sf' ·bemol. Era convidado para
~.·.~·,
Por quem o feitor cantar e tocar em casas de pessoas de alta categoria. Era
Se foi definhando, perdido de amor. muito apreciado pelos estrangeiros que diziam que um ho-
,f
mem de voz tão rara, devia viver em outro meio. E esse
homem, que foi cabeleireiro da imperatriz, da Princesa Isabel,
de marquesas, condessas e baronesas, esse cantor, que teve
298 ~ 299
·-i
J
-~
a honra de pentear celebridacies . . . (não sendo ele menos de 1846 e não, como informa Cemicchiaro, a 15 d~ agosto
célebre pela originalidade de sua voz) como Tamberlik, Ta- de 1849.
magno, Lagrange, Charton, etc., morreu desprezado na Santa
Casa, numa tarde formosíssima de abril, sendo logo depois Freqüentou o Conservatório de Música do Rio de Ja-
atirado à vala comum de um cemitério ... " neiro, retornando, depois, a São Paulo. Escreveu uma Missa
a São Benedito, para inaugurar a igreja desse nome, em
Lorena. E tal foi o sucesso alcançado, que obteve, como
prêmio, uma viagem à Itália, com pensão dada pelo Im-
perador D. Pedro II.
FRANCISCO ALFREDO BEVILACQUA
Seguiu para a Europa em 1884. Estudou em Milão
(1846 - 1927) com o professor Cesar Dominicetti. Escreveu a ópera
Edméia, seguida de Carmosi;na (esta, com libreto de Ghis-
Do compositor Francisco Alfredo Bevilacqua, autor da lanzoni), representada, a 1. 0 de maio de 1888, no Teab.o
música da modinha ..Como o Favorito Que Passá', sobre versos Dai Veme, em Milão, com a presença de D. Pedro II e
de Joaquim Manuel de Macedo, impressa em 1852 - tinha, de toda a família imperial. Carmosina - que, segundo Cer-
portanto, então, seis anos de idade. . . - informa-nos a publi- nicchiaro, tem páginas belíssimas - foi levada à cena, pela
cação "Música no Rio de Janeiro Imperial (1822-1870)", da primeira vez, no Rio de Janeiro, a 2 de março de 1891,
Biblioteca Nacional: "Filho de Isidoro Bevilacqua, conhecido sendo, mais tarde, também apresentada em São Paulo. João
pianista e compositor, foi menino prodígio, tendo-se dedi- Gomes de Araújo compôs ainda uma terceira ópera, H e lena,
cado depois ao magistério, onde ocupou posição de grande
com libreto de Bento de Camargo (São Paulo, 1908) e uma
destaque".
quarta, Maria Petrorma, com libreto de Ferdinando Fontana
Francisco Alfredo Bevilacqua nasceu no Rio de Janerro { ( São Paulo, 1929). Escreveu também cinco Sinfonias, seis
a 25 de agosto de 1846, e faleceu na mesma cidade, a 26 de
Missas (incluindo a citada de São Benedito), 31 romanças
janeiro de 1927.
para canto com texto em português e nove ·com texto em ita-
liano. E teve ainda editados, pela Casa Imperial de Narciso e
Artur Napoleão, Porque Choras (lamentação), Sonho âElisa
FONTES PARA O ESTUDO DE FRANCISCO ALFREDO ( 1. 0 Notumo ), A Meditação (2. 0 Notu.n).o ), Estrela do Mar
BEVILACQUA
(Polca Característica), Espera!}Ça (Polca), Eu e Tu (Polca),
Não Ouvi (Valsa), Sempre Alegre (Mazurca). Arcanjo Tris-
1. •Música no Rio de Janeiro Imperial" (1822-1870)" - Exposição
comemorativa do Primeiro Decênio da Seção de Música e Arquivo te (Recitativo), Donzela Triste ( Modinha) e Nosso Amor
Sonoro (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1962) - p. 27-28.
!'"
(Modinha).
Em março de 1930, o Rei Vittorio Emmanuele conde-
corOU-{) com a Comenda da Coroa da Itália.
Um dos fundadores do Conservatório de São Paulo, de
JOÃO GOMES DE ARAúJO que foi professor, exercia ainda o cargo de fiscal desse esta-
(1846 - 1943) f belecimento aos fYl anos de idade quando, aos 30 minutos de
8 de setembro de 1943 - ver Luís Heitor - "recebeu a
Filho do capitão Benedito Gomes de Araújo e de D. visita da morte".
Maria Rafaela César de Araújo, o compositor João Gomes Deixou um filho também compositor, João Gomes Júnior,
de Araújo nasceu em Pindamonhangaba, SP, a 5 de agosto e uma filha, a professora Estefânia Gomes de Araújo, que,
800 .'301
em 1946 - no centenário de seu pai - publicou, em São Paulo, de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor. 1908 ), p. 270, escre-
o livro João Gomes de Araújo - Sua Vida e Suas Obras. ve: ..vemos Castro Alves criar para esse gênero canções de
uma frescura eterna como a Tirana:
302 303
l
nunca chegaram a se entender. Após muitas viagens entre o
prol da abolição dos escravos. Pregou também a República.
Rio e o Prata, e o nascimento do filho, deu-se a inevitável
Em 1897, compõe o famoso "Corta Jaca" ("O Gaúcho").
separação. Pouco mais tarde, unia-s~ de novo a um enge-
nheiro civil, mas, mais uma vez, não foi feliz. Passou a Em 1899, quando morava no Andaraí, procurada por uma
morar só com os filhos em uma modesta casa de São Cristó- comissão do cordão ••Rosa de Ouro", escreveu o famoso
vão, na Rua General Bruce. Abandonada pela família e tendo ••ó Abre Alas", que abre, também, a lista de sucessos cârna-
agora que lutar pela subsistência, fez-se professora de piano valescos. Em 1902 visita, pela primeira vez, a Europa, per-
e, graças ao auxílio do famoso flautista Joaquim Antônio da correndo Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Bél-
Silva Calado Júnior, conseguiu participar de conjuntos or- gica, Inglaterra e Escócia. De volta ao Brasil, retorna, em
questrais que animavam as festas da época. Consta que, um 1904, a Portugal. Mas só em 1906, em sua terceira viagem
dia do ano de 1877, cansada, adormeceu' e sonhou com uma a esse país, é que se tornaria um ídolo para o público lusi-
música que executou depois em uma festa em casa do com- tano. Musicou, então, vários libretos para peças portuguesas,
positor Henrique Alves de Mesquita: a polca ..Atraente", de incluindo as famosas "As Três Graças" e "A Bota do Diabo".
Em 1911, compõe a famosa modinha ..Lua Branca". A 11
enorme sucesso. Aperf~içoou seus estudos de piano com Ar-
tur Napoleão, tocando juntos em vários concertos. Nessa de junho de 1912, já de novo no Brasil, assiste à estréia da
época, começou a se manifestar seu interesse pelo teatro. burleta ··Forrobodó", libreto de Luís Peixoto e Carlos Bitten-
Musicou, então, um libreto de Artur Azevedo, ..Viagem ao court, com música da maestrina. Em 1915, colhe nO'I."'S triun-
fos com ··sertaneja", peça de Viriato Correia, musicada por
Parnaso", que não foi aceito pelos diretores dos teatros _da
ela.
época. Chiquinha não desanimou e ela mesma escreveu e
musicou, em 1883, uma peça em um ato: ..Festa de São João". Lança, em 1919, uma campanha, só coroada de êxito
Mas foi só em 1885 que conseguiu romper a barreira teatral quatro anos mais tarde, para ser dada uma sepultura con-
da época, musicando, a convite de Falhares Ribeiro, ••A digna a Francisco Manuel da Silva, autor da música do
Corte na Roça", que estreou, a 17 de janeiro desse ano, no "Hino Nacional Brasileiro". A 16 de julho de 1919, estréia
Teatro Príncipe Imperial - depois São José - levado pela "Juriti", texto de Viriato Correia, música de Chiquinha -
companhia portuguesa Sousa Bastos. Ficou famoso o tango um de seus maiores triunfos como compositora.
··Menina Faceira", dessa peça. Chiquinha obteve um grande Em 1926, é publicado, em Milão, o livro «Storia Della
triunfo e recebeu muitas propostas para novas partituras. Musica nel Brasile", em que Vincenzo Cemicchiaro assim
Nesse ano, são lançadas, além de "Menina Faceira", suas com-
posições ·"Viver E Folgar", valsa; "Se o Forreta 'stá de Ve-
!1
se refere a ela: ••La popolarissima compositrice Francisca
Gonzaga, la cui produzione di ballabili attinse un numero
neta", polca; "Para a Cera do Santíssimo', cançoneta; "Saci- í considerevole, ne scrisse di bellissimi col suo ingegno faci-
-Pererê" (de "A Corte na Roça"), tango; ••Recitativo", tango; t le e pronto; nel 1881 publicava il valzer ••Ismenia", dedicato
all'artista dello stesso nome. A questo fan seguito i suoi tipici
I.,,
e "Balada Romântica", tango. Hoje, a relação de sua obras
é imensa: 77 partituras de peças teatrais, entre operetas, tangos, una infinità di polke, musica per operette e riviste,
burletas e revistas, cinco das quais ficaram inéditas. Escre- scritte in uno stile facile, ma con un sapore tutta grazia e
~:
leggiadria".
veu ainda cerc:a de 2. 000 composições: polcas, choros, tan-
gos, valsas, canções, modinhas, etc. Já quase com 90 anos, em 1933, Chiquinha produz seu
último trabalho teatral: ••Maria", de parceria com Viriato Cor-
Em 1885 apresentou-se regendo uma banda da Polícia reia.
Militar. Participa, então, da campanha abolicionista, dedi-
cando a renda da venda de suas músicas a associações em J
---t
E a 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, deixava
esta vida para outra, oxalá, melhor.
804 .'305
Em seu livro "O Choro", Alexandre Gonçalves Pinto 16. AN-GA-CATU-RAMA - Choro para piano (Inédita) . '
17. ANGELITUDE - Poema (letra de Gonzaga Filho)
assim se refere a Chiquinha ( p. 42) : 18. ANIMATóGRAFO - Valsa para piano
"Maestrina e compositora. Chiql,linha Gonzaga, foi uma 19. ANITA - Polca para piano
20. ANTOINETTE - para piano
das primeiras pianistas em todo o Brasil, conhecia o piano 21. ARAC~ ("O Dia Sai") - Polca para piano (Inédita)
por dentro e por fora. Era de um gosto extraordinário 22. ARAC~ - Habanera para flauta e piano
como nenhum ainda apareceu. 23. ARARIBóiA - Polca para piano (Inédita)
24. ARCÁDIA - Quadrilha para piano
"Chiquinha, era de uma educação finíssima, de um tra- 25. ARY - Valsa para piano
tamento sublime, na sua casa, recebia todos com o maior 26. ARY - Polca para piano
27. ARY - Valsa para grande orquestra
carinho, sempre risonha e satisfeita. Quando pedia-se para 28. ATRAENTE - Polca para piano
tocar um choro, não se fazia de rogada, abria o piano e, 29. AVE MARIA - Canção sacra
com os seus dedos hábeis e admirados principiava com um 30. BAIANA DOS P ASTÉIS(A) - Cançoneta para canto e piano
31. BALADA- Romança (letra de J. Brito)
choro composto por ela pois são inúmeros, e fazia a delícia 32. BALADA - para piano e violino
dos que a escutavam. Tocava também o clássico, tinha grande 33. BALADA ROMÂNTICA - Tango (1885)
predileção pelas músicas de Carlos Gomes, que ela conhecia 34. BANDOLIM - Serenata para piano
35. BARCELONA - Barcarola (letra da própria Chiquinha Gonzaga)
com grande proficiência, também adorava as músicas de Ver- 36. BEIJO(O) - Romança (letra de J. Brito)
di, Puccini, Leoncavallo, Paganini e muit_os outros grandes 37. BEIJOS - Tango para canto e piano (letra de Luís Murat e
músicos. Infelizmente faleceu há pouco tempo deixando gran- Alfredo Sousa)
des saudades aos que a conheciam. Neste livro que só à força
de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pê-
sames e imorredouras saudades, à distinta família Neves
I
t
38,
39.
40.
BEIJOS DO CÉU - Romança (letra de Alberto de Oliveira)
BELA "FANCIULLA" (A) - Valsa para piano
BELA JARDINEIRA (A) - Valsa para piano
41. BIJU - Tango para piano (1883)
Gonzaga." I
!
42. BIONE - Polca para piano
43. BIONE - Tango para piano (1883)
1.
2_
3.
ABRE ALAS (ó) - Marcha (1899)
ADA - Polca "inglesa" para piano
AG NUS DEI - canção sacra
Ií 46.
47.
48.
49.
"BOULEVARD" DA IMPRENSA- para piano
BRASILEIRA - para piano.
BRASILEIRA (A) - para canto e piano (letra de José Serra)
BURRO DE CARGA - para piano
4. AGUARA ("Garça Vermelha") - Valsa para piano 50. CAMILA - Polca para piano
5. AI, MORENA - para canto e piano (Inédita) 51. CAMILA - Polca para orquestra de salão {1884)
6. AI, QUE BRUMA - para canto e piano (letra de Ernesto 52. CAMILA - Tango
Matoso) · 53. CANANÉIA - Valsa para piano
54. CANANÉIA - Valsa para piano e orquestra
7. ALEGRE-SE, VIúVA - para canto e piano 55. CANÇÃO DOS PASTORES - Canção (1858)
8. ALERTA- Polca para piano 56. CANDOMBLÉ - para piano
I
9. AMAP A - Valsa para piano 57. CANDOMBLÉ ("Céu e Inferno") - Batuque (letra de Luís de
10. AMAPÁ ( ..Na Verdade Tem Razão") - para piano Castro)
11. AMARGURA- para canto e piano (letra de Paulo S. Araújo) 58. CANDOMBLÉ - Danca africana
12. A MEMóRIA DO GENERAL OSóRIO - Marcha fúnebre t 59. CANDOMBLE - Jong~ (1888)
\
(1879?) ~
60. CAOBIMPARA ("Mar Azul") - Polca para piano (Inédita)
61. CAOBIMPARA- Choro
13.
14.
15.
AMENDOIM(O) -para canto e piano
AMOR - Canção (letra de João de Deus)
ANGA - Mazurca para piano
_j f-
62. CA POR COISAS - para canto e piano (letra de Oscar Peder-
neiras)
306 307
J
•
63. CARAMURU -- Dança (letra d.e Furtado Coelho) 108. DIABINHO - Tango para plano
64. CARAMURU - Toada sertaneja 109. DIABINHO - para piano
65. CARIT ú - para piano 110. DIALOGO - Canção para canto e piano (letra da própria
66. CARl Jú - Choro Chiquinha Gonzaga)
67. CARIOCA - Choro 111. DIARIO DE NOTICIAS - Polca para piano
68. CARIRI - Valsa 112. DJANIRA - Polca para piano
69. C ARLINDO - para piano 113. DOCE FADO - Fado português (com letra de Popular)
70. CARLOS GOMES - Valsa brilhante de concerto, para piano 114. DONA ADELAIDE - para canto e piano (letra de José do
71 . CARMENCITA - para piano Patrocínio Filho)
72. CARTA DE ZITINHA - para canto e piano (letra de Filintu 115. DONA ADELAIDE - Cançoneta
Almeida) 116. DUETO DE AMOR - Canção, para canto e piano (letra da
73. CASA DE CABOCLO - Canção, para canto e piano (letra de própria Chiquinha Gonzaga)
Luís Peixoto) 117. DUQUESNE - Marcha para piano e banda
74. CATITA - Polca para piano 118. I! ENORME - Polca para piano
75. CECI - Valsa para piano 119. EIS A SEDUTORA - para piano
76. CHI! - para piano 120. ELVIRA - para canto e piano (letra de Bruno Nunes)
77. CHOROS - de números 1 a 10 (1.• Série) 121. EM GUARDA - para piano
78. CHOROS - de números 11 a 20 (2." Série) 122. ESPANHA E BRASIL - para canto e piano Oetra de José do
79. CHOROS - de números 21 a 30 (3." Série) Patrocínio Filho)
80. COCO VELHO - Dança (1902) 123. ESTRELA D'ALVA - Valsa para piano
81. COiú (0) - para canto e piano 124. ESTRELA D'ALVA - para piano
82. COLJ!GIO DAS SENHORITAS ("Os Pombos") - Dueto (letra 125. ESTRELA D'ALVA (Tônio) - Fado desg., para canto e piano
de Paulo Araújo) (Inédito)
83. COMPENSAÇÃO - Cançoneta (letra de Orlando Teixeira)
84. CORA- Romança para canto e piano (letra de Furtado Coelho) 126. ESTRELA D'ALVA - Abertura para pequena orquestr:1
85. CORTA-JACA ("'0 Gaúcho") 127. ESTRELA D 'ALVA - Valsa para pequena orquestra
86. CORTE NA ROÇA - para piano 128. EU JA VOLTO - Polca para piano
87. CORTE NA ROÇA - para canto e piano (letra de Franci:sco 129. EU TE ADORO - Tango (1886)
Sodré) 130. EU TE AMO -para piano
131. EVOJ! - para piano
88. CORTE NA ROÇA - Balada (letra de Palhares Ribeirol 132. FACEIRA - Tango
89. CORTE NA ROÇA - Prelúdio para orquestra de salão 133 . FACE IRA - para piano
90. COZINHEIRO (0) - Cançã.o (letra da própria Chiquinha 134. FACEIRA, ESCUTA - para canto e piano (Inédita)
Gonzaga) 135. FACEIRO - Tango
91. CUBANITA - Habanera para piano 136. FADO DE COIMBRA - Fado português
92. DAMA DE OUROS - para piano 137. FALENA - Valsa para piano
93. DAMA DE OUROS -Valsa para piano 138. F AN I - Valsa para piano
94. DAMA DE OUROS (A)- para piano 139. FANTASIA - para piano
95. DANÇA BRASILEIRA - Dança 140. FEIJOADA DO BRASIL - para canto e piano (letra da própria
I
96. DANÇA BRASILEIRA - Dança para Orquestra de salão Chiquinha Gonzaga)
(Inédita)
141. FENO DE ATKINSONS - Valsa para piano
97. DANÇA BRASILEIRA - Polca
98.
99.
100.
DANÇA DAS FADAS - Valsa de salão, para piano
DANÇA N. 1 -Tempo de minueto- para piano
DANÇA N. 2 - Dança para Orquestra de salão
! 142. FESTA DE SÃO JOÃO - Romança, para canto e piano (letra
da própria Chiquinha Gonzaga)
143. FIANDEIRA (A) - Raconto, para canto e piano (letra de
101. DAYBREAK - para piano Maria Cunha)
102. DAYBREAK- Tango 144. FILHA DA NOITE (A) - Polca para piano
103. DESALENTO - Valsa para piano 145. FOI UM SONHO - para canto e piano (letra de Ernesto de
104. DESEJOS - Fado português Sousa)
105.
106.
107.
308
DESEJOS -para piano
DESEJOS - para canto e piano (letra de Esculápio)
DESFILADA DOS MORTOS (A) - Hino (letra de Paulo Araújo)
J '
-~----
146. FOI UM SONHO -Barcarola
147. FORROBODú ("Não Se Impressione") - para piano
309
l
,I 22 - I~-~LE".B.
148. FORROBODó (0) - para piano 186. JURITI (A) - ("Corcundiilha") - Canção. ·parà carito e- piano
149. FORROBODó ("Escandanhas/Mulata") - para canto e piano (letra de Viriato Correia)
(letra de Luís Peixoto e Carlos Bittencourt)
, p . f 187. JURITI - Prelúdio. para cordas e piano
150. FORROBODó - para canto e piano (letra de L uts etXoto e t88. KUAUDTEMOC - Marcha para canto e piano (Inédita) (letra
Carlos Bittencourt) -de Avelino de Andrade)
151. FORROBODó ("Não Se Impressione") - para canto e piano 189. L'AGE DU SEIGNEUR - Canção sacra para piano e' canto
(létra de Luís Peixoto e Carlos Bittencourt) · (Inédita)
152. FORROBODó -Tango 190. LAURITA - Mazurca para piano
153. FORROBODó - Marcha carnavalesca 191. LA VIOLETTE - para piano (Inédita)
154. FORROBODó ("Não Se Impressione") - para pequena orquestra 192. LEONTINA- para piano
155. GEN~IA - Valsa para piano 193. LINDA MORENA - para piano
156. GEN~IA - Valsa-Canção para canto e piano - com letra de 194. LINDA MORENA - valsa para flauta e piano
Paulo Araújo (Inédita) 195. LUA BRANCA- Modinha (de "Forrobodó") (1911)
157. GONDOLEIRA - para piano (Inédita) 196. MACHUCA - para canto e piano (letra de Patrocínio Filho)
158. GONZA ("Manobras do Amor") - para canto e piano (letra 197. MANHÃS DE AMOR - para canto e piano (letra de C. C.)
de Osório Duque Estrada) 198. MANOBRAS DO AMOR - Desgarrada
159. GRATA ESPERANÇA - Valsa para piano 199. MANOBRAS DO AMOR- Fado português
160. GRUTA DAS FLORES - Polca para piano 200. MANOBRAS DO AMOR- Serenata
161. GUAIANASES - Polca para piano (Inédita) 201. MAR (0) - Balada para canto e piano (versos de Holanda
162. GUASCA - Polca para piano (Inédita) · Cunha)
163. GUITARRA (A) - Fado para canto e piano - letra de Oscar 202. MARCHA DO CORDÃO - Marcha para pequena orquestra
Pederneiras (Inédito) 203. MARIA _;. Valsa para piano _
164. HA ALGUMA NOVIDADE? - para piano . 204. MARIA - para canto e. piano (Da opereta "Maria"; letra de
165. HA ALGUMA NOVIDADE? - Cançoneta (letra de Moreira Viriato Correia)
Sampaio) 205. MEDITAÇÃO - para piano
166. HABANERA - para piano 206. MEDITAÇÃO - Melodia para orquestra de salão (1893)
167. HABANERA - para pequena orquestra 207. MEDITAÇÃO - Habanera para orquestra de salão
168. HARMONIA DAS ESFERAS - Valsa para piano 208. MEDITAÇÃO - Noturno para piano e violoncelo
169. HARMONIAS DO CORAÇÃO (Concerto) - Valsa para piano 209. MEIA-NOITE - Polca para_ piano
170. HELOfSA- Valsa para piano 210. MENINA FACEIRA - para canto e piano (letra da própria
171. HERóiCA - Marcha para canto e piano Chiquinha Gonzaga)
172. H lP - para piano 211. MENINA FACEIRA - Cateretê (1885)
173. lAIA FAZENDA ETC. E TAL - Cançã,o, para canto e piano 212. MENINA FACEIRA- Tango
(letra de Almeida Júnior) 213. MENINA FACEIRA- Canção para canto e piano
174. IARA - Valsa de concerto, para piano 214. MINEIROS (Os) -para piano
175. !ATARAM - Polca (será a mesma "ltararé?") 215. MINEIROS (Osl - para pequena orquestra
176. ISMENIA - Valsa para piano (1881) 216. MINHA PATRIA - para piano
177. ITARAM - Pol.Ça para piano 217. MINHO EM FESTA - Romança para canto e piano (letra de
178. JAGUNÇO -para piano Cândido Costa)
179. JANDIRA- para piano 218. MORENA - Canção para canto e piano (sobre letra de Guerra
180. )ANDIRA (A) - ("A Viola") - Canção (letra de R. Gil e Junqueiro)
A. Breda) 218(a). MORENA, MORENA - para canto e piano (letra de Ernesto
181. JANDIRA (A) - ("Abertura do 3. Ato") - Canção (letra de
0
de Sousa)
R. Gil e A. Breda) 219. MORGADINHA- Polca para piano . . .
182. JANIQUINHA- &:hottisch, para piano 220. MULATINHA (A) - para canto e piano (letra de Patrocímo
183. JúLIA - para piano Filho)
184. JURACI - Valsa de salão, para piano _ 221. MULHER HOMEM- Polca para piano
185. JURITI ("Fogo Foguinho") - para canto e piano (letra . de 222. MUSICIANA - Polca para piano (1885)
Viriato Correia) · 223. MUSICIANA - Mazurca
310 311
l
224. MUSICIANA- ·Polca 260. PIN-DUDO - Tango· para· orquestra de salão
225. NAMORADOS DA LUA (Os) ~ Para .canto e piano Oetra 261. PLANGENTE - Valsa para piano
da própria Chiquinha Gon;zag~) . . , . .J 262. PLATINA- Valsa para piano:
226. NAMORO (0) - para canto e c piano (letra· de Frederico Júnior) 263. 'PLATINA - Mazurca
227. NÃO INSISTAS. RAPARIGA! - Polca .para orquestra de salão 264. POESIA E AMOR- Romança para canto e piano (sobre versos
(1881) de Casimiro de Abreu)
228. NÃO INSISTAS. RAPARIGA! - Batuque para orquestra de 265. POLCA MILITAR - Polca
salão 266. POMBAS (As) -.para canto e piano (sobre versos de Ra4Dundo
229. NÃO INSISTAS. RAPARIGA! - Polca para piano Correia)
230. NÃO SE IMPRESSIONE ("Forrobodó") - Tango para pequena 267. PORQUE CHORAS - Romança para canto e piano (letra de
orquestra Vítor Cunha)
231. NÃO SONHES - Romança para canto e piano (Letra de Lute- 268. PORTUGUESES (Os) - ("Não Venhas") - para canto e piano
garda Caíres) (letra de Cardoso Júnior)
232. NÃO VENHAS (Lídia) - para canto e piano (letra de Car- 269. PRECE A VIRGEM - Canção sacra
doso Júnior) 270. PRELúDIO -para piano (Inédito)
233. NÃO VENHAS (Pedrinho) - para canto e piano (letra de Car- 271. PROMESSA - Valsa para piano
doso Júnior) 272. PROMESSA - Valsa-canção para canto e piano (letra de Paul('\
234. NÃO VENHAS ("0 Abre Alas")- para canto e piano Araújo)
235. NOITE (A) - para piano 273. PSIQU~- para piano
236. NOIVA (A) - Valsa-canção para canto e piano (letra da própria 274. PSIQUÊ - Choro para flauta e piano
Chiquinha Gonzaga) 275. PUDESSE ESTA PAIXÃO - t.• Valsa para piano
237. NOIVADO- para canto e piano (letra.'de Lúcio de Mendonça) 276. PUDESSE ESTA PAIXÃO- 2.• Valsa para piano
238. NOSSA SENHORA DAS DORES - Canção sacra 277. PUDESSE ESTA P AIXAO - para canto e piano (letra de
239. NU E CRU (0 Sertanejo)- para canto e piano (letra de Antônio Alvaro Goiás}
Quintiliano) 278. PUDESSE ESTA PAIXÃO - Polca
240. NU E CRU (Os Talheres) - Cançoneta (letra de Antônio Ouinti- 279. PWú-PEKIM- para piano
liano) · 280. RADIANTE - Polca para piano
241. OH, MON :I?.TOILE! - para canto e piano (letra de C. C.) 281. RECITATIVO - Tango (1885)
242. OH, NÃO ME ILUDAS! - para piano 282. REDENTORA (A) ...,... Hino (1888) (letra da própria Chiquinha
243. OITO BATUTAS (Os) - Tango para orquestra de salão Gonzaga)
244. OLHOS DELA (Os) - Polca para piano 283. REDES AO MAR- Barcarola (1. ato) (letra de Mário Monteiro}
0
245. OLHOS IRRESISTfVEIS - Polca para piano 284. REPúBLICA (A) - para {:anto e piano
246. O QUE :1?. SIMPATIA - Mod~a, para canto e piano 285. ROBERTINHA - Valsa para piano
247. ORTRUNDA - Valsa para piano 286. RODA, 1010 - para canto e piano (letra de Ernesto de Sousa)
248. PADRE AMARO (0) - Valsa para piano 287. ROMEU E JULIETA - (Dueto de Mário e Beatriz) - Para
249. PALACIANA - Marcha para piano e banda canto e piano (letra de Renato Viana)
250. PARA A CERA DO SANTfSSIMO - para canto e piano (letra 288. RONDOLINI, RONDOLINÃO - para canto e piano (letra de
de Artur Azevedo) (1885). Oscar Pederneiras)
251. PARAGUAÇU- para piano (Inédito) 289. ROSA - Valsa para piano
252. PARAGUAÇU - Choro para saxofone 290. SABIA DA MATA -'- Polca para piano (Inédita)
253. PASSOS NO CHORO (0) - Polca 291. SABIA DA MATA - Choro para flauta e piano
254. PEO-P:I?.-CHIM- Dança "chinesa" . 292. SACI-PERER~ - para piano ou orquestra de salão (De "A
255. PERDÃO (0) - Romança para canto e piano (letra de Avelino Corte na Roça")
de Andrade) 293. SADA.- Tango para piano ou para orquestra de salão
256. PEROBA (A) - para canto e piano (letra de Antônio Quinti- 294. SANTA - para. canto. e piano (sobre versos de Alberto de
J
liano) · Oliveira)
251. PHOENIX - pará piano '
295. SÃO PAULO - Tango para· piano ou para orquestra de salão
258. PIN-DUDO - para piano. . (1902)
259. PIN-DUDO ("Beija-Flor") . -. Batuque para orquestra de salão 296. SATÃ -'-- Tango para piano
(1889) '=-·-- -···-·- 297. SATÃ - Lundu (1891)
312 313
[Link]Â - Notumo para orquestra de salão 337. TUPININQUINS - Valsa para piano
[Link] - Valsa para piano. ou para saxofone 338. UMA PAGINA TRISTE - Tango para orquestra de ~alão
[Link]- para piano (1917) 339. UM FADO _:_ Fado português (letra folclórica portuguesa)
301. SEDUTOR - Tango para piano 340. UM FADO - Fado português (letra folclórica portuguesa)
SE O FORRETA 'STA DE VENETA - Polca para piano
.:502. 341 . V ALQUlRIA - para orquestra de salão
[Link] - para piano (Inédita) 342. V AMOS A MISSA - para canto e piano (letra de Batista C.
-[Link] - Balada (sobre versos de Aluísio Azevedo) e Cardoso)
305. SERENATA - Serenata para piano e violino 343. VIDA OU MORT.E - Dobrado - para piano e banda
'[Link] (A) - para piano 344. VILANCETE - Balada (letra de Haddock Lobo)
[Link] (A) (A Viola) - Desafio (letra de Viriato Correia) 345. VINDE, VINDE! - Canção sacra (para canto e piano)
308. SERTANEJA - Barcarola (letra de Viriato Correia) 346. VIVA LA GRACIA! -Valsa espanhola para piano
[Link] FORA VERDAD - para piano 347. VIVA O CARNAVAL! - Polca para piano
[Link] FORA VERDAD - para canto e piano (letra da própria 348. VIVER l! FOLGAR (Filha do Guedes) - Valsa para piano
Chiquinha Gonzaga)
311. SOBERANO - para piano 349 _ VOU DAR UM BANHO EM MINHA SOGRA - Polca para
piano
312. SO NA FLAUTA - Polca para piano (Inédtta/1911)
313. SONHANDO - Habanera para piano ou para saxofone ou para 350. YO TE ADORO - para piano
orquestra de salão (1879)
314. SO NO CHORO - para piano
315. SORTE GRANDE (A)- Canção (Letra de A. Armando (Lisboa)
(Inédita) FONTES PARA O ESTUDO DE CHIQUINHA GONZAGA
316. SULTANA - Polca para piano, ou para saxofone, ou para
orquestra de salão 1. Anúncio {"Gazeta de Notícias", Rio de Janeiro, 20 de julho de
317. SUSPIRO - Tango para piano 1885).
318. TAMBIOUERERE- para piano
319. TAMOIO - Choro para piano ou para saxofone em mi bemol 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "La Storia Deila Musica nel
e piano Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 63.
320. TANGO BRASILEIRO - Tango para piano 150, 300 e 343.
321. TANGO CARACTERlSTICO - Tango para piano 3. ORESTES BARBOSA - "Samba" (Rio de Janeiro, Livraria Edu-
322. TAPUIA - Choro para piano ou para saxofone em mi bemol cadora, 1933) - p. 39 e 148.
e piano 4. MARISA LIRA - "Brasil Sonoro" (Rio de Janeiro, Editora
323. TE AMO - Tango para piano "A Noite", s/d) - p. 27, 182, 189, 195, 196, 197, 233, 234,
324. TECHI - para canto e piano (letra em italiano de autor desco- 242, 243, 254, 296 e 306.
nhecido)
325. TEUS OLHARES - Canção (letra de Avelino Andrade) 5. MARISA LIRA ·- "Chiquinha Gonzaga - Grande Compositora
326. TEU SORRISO - Polca para piano Popular Brasileira" (Rio de Janeiro, Livraria Jacinto Editora, 1939).
327. TIMBIRA - Valsa para piano ou para saxofone em mi bemol 6. RENATO ALMEIDA - "História da Música Brasileira" - 2."
e piano Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.- Editores, 1942) -
328. TIM-TIM - para piano p. 183, 187, 193, 200, 442 e 447.
329. TOUJOURS ET EN CORE - Polca para piano 7. VASCO MARIZ - "A Canção Brasileira" (Rio de Janeiro, Ser-
330. TRES GRAÇAS - (1.0 Ato) - Fado português (letra de Luís viço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, 1959)
Galhardo) - p. 142, 144, 152, 115, 116, 111, 118 e 179.
331. TRICANAS DE COIMBRA (As) - Fado português (sobre versos
folclóricos portugueses) 8. LúCIO RANGEL - "Sambistas & Chorões" (São Paulo, Livraria
332. TRIGUEIRA- para canto e piano (sobre versos de Júlio Dinis) Francisco Alves, 1962) - p. 38, 47, 52 e 56.
~
333. TRIGUEIRA (A) - Fado para canto e piano .
9. EDIGAR DE ALENCAR - "O Carnaval Carioca Através da
334. TUPÃ - para piano ou para saxofone em mi bemol e piano Música" (Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos, 1965) - p.
334(a). TUP Ã - Polca para orquestra de salão (Inédita) . 20. 30, 36, 66, 70, 74 e 88.
335. TUPI -Valsa para piano
336. TUPI - Tango para piano ou para saxofone em mi bemol c 10. JOSE RAMOS TINHORAO - "Música Popular - um Tema
em Debate" (Rio de Janeiro, Editora Saga, 1966) - p. 11, 12 e 58.
piano
.314 815
11. JOSE RAMOS TlNHORAO - "Música Popular - Teatro & Possuía lábios grossos, dentadura perfeita e uma compleição·
Cinema, (Petrópolis, Editora Vozes, 1972) - p. 23, 24, 25, 37,
38. 56. 63, 64, 67, 70 e 177. N robusta reveladora de pulmões esplêndidos, o que aliás se
confirmava no pasmoso fraseado que dava às suas execuções,.
em que a respiração não consistia entrave algum para in-
termipáveis frases cheias de arabescos que ia improvisando".
1!: ainda o mesmo autor que fala de sua "pasmosa facilidade
JOAQUIM ANTÔNIO DA SILVA CALADO, JúNIOR de inventar melodias" e conta que "escrevia no que lhe caía
(1848 - 1880) às mãos: papel de embrulho, em canto de jornal, sobre aLgum
livro e até nos largos punhos móveis que então se usavam". De·
Joaquim Antônio da Silva Calado, Júnior, filho de Joa- sua técnica, escreveu Renato Almeida em "História da Música
quim Antônio da Silva Calado e de D. Matilde Joaquina Brasileira": "Calado tinha não só um sopro muito seguro,
de Sousa Calado, nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de julho como ainda uma técnica assombrosa, dizendo-se que exe-
de 1848. cutava quase sempre toda a melodia em rapidíssimos saltos
Seu pai tocava cornetim e foi professor de música e mes- oitavados, dando a impressão perfeita de que eram duas flau-
tre da Banda Sociedade União de Artistas. Foi também pintor tas a tocar".
da Sociedade Carnavalesca "Zuavos". Conta-se que, aos seis No dia 13 de janeiro de 1869, Calado teve publicada,
anos, o filho, também Joaquim Antônio, assistiu, pela pri- pela primeira vez, uma obra: a polca "Querida por Todos",
meira vez, a um desfile de carros de crítica das Sumidades dedicada a Chiquinha Gonzaga. Em 1872, outra polca sua
Camavalescas e da Sociedade [Link], cujas passeatas é publicada: "Linguagem do Coração". Em 1873- ano em
constituíam o ponto alto do carnaval da época. que apareceu sua polca "íman" - apresentou em concerto,
Provavelmente começou a estudar música com o pai e, pela primeira vez, um lundu - tido, até então, como música de
a partir de 1856 - mas não por muito tempo - com o famoso consumo exclusivo entre os escravos. Esse "Lundu Carac-
Henrique Alves de Mesquita. Dedicou-se ao piano e à flauta, terístico" fez tanto sucesso que lhe valeu a nomeação para
tendo sido, neste último instrumento, que se destacou, atin- a cadeira de flauta do Imperial Conservatório de Música.
gindo mesmo a categoria de virtuose, tomando-se uma das. Em 1875, foram publicadas suas polcas "Como 1!: Bom" (só
figuras mais populares do Rio de Janeiro da segunda metade para flauta) e ..Cruzes, Minha Primaf'. Desfrutava de tal
do século XIX. prestígio que, em 1879, D. Pedro II deu-lhe a mais alta con-
Seu primeiro sucesso ele o obteve aos 19 anos de idade decoração do Império: a Ordem da Rosa.
com a quadrilha "Carnaval de 186T. Foi ainda em 1867 (dia Pouco se sabe de sua vida sentimental, a tradição oral
19 de junho), que perdeu seu pai, vitimado por endocardite, referindo-se a diversas mulheres que cruzaram sua vida e
aos 52 anos de idade. cujos nomes foram provavelmente fixados nos títulos da maio-
Calado vivia de aulas particulares, tocatas em bailes e ria de sua composições: "Rosinha", "Manuelita", "Celeste",
espetáculos que organizava. O melhor "portrait" literário que "Conceição", "Emestina:", "Laudelina", "Hermelinda", "Flo-
dele possuímos é o de Vasco Mariz ("A Canção Brasileira") : rinda", "Maria Carlota" e ..Salomé". Entretanto, casou-se com
"Calado era um mestiço extremamente simpático. Rep;rrtia D. Feliciana Adelaide Calado, que lhe deu cinco filhos (Leo-
cabelos ao meio e os penteava para trás, deixando dos lados nor, Alice, Luísa, Elvira e Artur), revelando-se um marido ·
da cabeça dois tufos salientes que o tornavam inconfundíveL exemplar.
Usava quase sempre pince-nez e seus longos bigodes caídos Falando ainda de sua música, conta Renato Almeida:
nos cantos dos lábios lhe davam uma expressão mongólica. "Quando ele amansava a flauta - afirmam os contemporâ-
816 317
neos - era um prazer ouvi-lo, nas suas melodias ardentes ou maravilhosa, mas o grande músico deixando a sua flauta dei-
lânguidas, nesse misto de melancolia e espevitado tão cariOca., tada na estante um oficial do mesmo ofício, desaparafusou
nos ritmos vibrantes e sincopados, nas caprichosas modul~
uma das chaves de seu instrumento sem que ele percebesse
'ÇÕes. A sua escrita era sempre difícil, com um certo preckl-
afim de quando fosse tocar a mesma pular, e Calado fazer
sismo, através da qual a inspiração se resolvia nesse patos
11m ·grande fiasco, mas o seu intento não deu· o resultado
·sentimental em que vivacidade e nostalgia, alegria e ternura,
~sperado, pois apesar da chave ter saído fora do lugar, Ca-
ingenuidade e volúpia, tudo isso se junta, como taras dos vá-
rios sangues que se miscigenam no nosso mulato. Nos seus lado, à força de beiço tocou toda a sua partitura sem per-
lundus, polcas, quadrilhas e valsas, valeu-se das células rít- turbar-se, sendo [Link] abraçado e cumprimentado por aque-
micas e melódicas que encontrava nos choros, a expressão les que souberam do fato, estando neste meio o velho Im-
mais característica da música carioca do seu tempo. Com perador que o condecorou com o título de comendador.
originalidade, invenção rica e sentimento preciso das vozes Calado, não era só músico para tocar de primeira vista, como
populares, há nas músicas de Calado uma sensibilidade -também para compor qualquer choro de improviso, quantas
nitidamente nossa, não só na lírica, como no modo de compor vezes achava-se tocando em um baile de casamento, batiza-
e no trato dos instrumentos. Da nossa música sestrosa e se- do, aniversário ou outra qualquer reunião e se nesta ocasião
resteira, cheia de dengues e com uma ponta de pernosticismo qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um choro
mulato, que lhe dá um tom particular, foi Calado legítimo e em homenagem ao festejado, Calado, não dizia que não, pas-
admirável representante. Entre os fixadores da música popu- sava a mão em qualquer papel quando não tra.21ia o próprio,
lar carioca, contaminada tanto por influências estrangeiras, Tiscava a lápis e zás! punha-se a escrever, daí a momento
principalmente as italianas que dominaram as modinhas, Ca- entregava a um chorão presente que executando-a tornava-se
lado tem um papel significativo, que se deve considerar com um delírio para todos os convivas pela clareza e linda ins-
apreço e exerceu considerável influência, que não seria lícito piração da mesma".
esquecer". Em março de 1880 - após haver tocado no Teatro D.
Com Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho Pedro II durante o carnaval e ter tido lançada sua polca
e outros chorões da época, participou de famosos choros, '"Desejada" - adoeceu e recolheu-se ao leito em sua residência,
sendo, de todos, o compositor mais executado. Com eles, Ca- 11ma casa modesta da Rua Visconde de ltaúna, 40. Recebendo
lado foi dos primeiros a fixar as tendências da música po- ~ notícia do falecimento de Reichert, seu estado de saúde
pular do Rio de Janeiro. agravou-se, vindo Calado a falecer às 20 h do dia 20 de
Calado tinha em Chico Albuquerque, compositor de mo- março de 1880. Meningo-encefalite perniciosa foi a causa
dinhas, um amigo inseparávei. Outro bom amigo seu foi o mortis. O sepultamento realizou-se no dia 21, na cova rasa
flautista belga Matheus André Reichert, que, a convite de D. '6.852, número de ordem 1.940, no Cemitério de São João
Pedro II, e para animar os saraus do Paço, chegara ao Rio .Batista.
de Janeiro, em 1859. Outro ainda: o famoso flautista e com-
Onze dias após sua morte, as casas de música do Rio de
positor Viriato Figueira da Silva.
Janeiro colocaram à venda a última composição, justamente
Em sua prosa rude, o carteiro Alexandre Gonçalves Pinto, a que lhe daria a imortalidade como compositor: a polca
autor do livro "'O Choro" ("Reminiscências dos Chorões An- ""A Flor Amorosa", na qual Catulo da Paixão Cearense, mais
tigos"), escreve nele o seguinte sobre Calado: "Contavam al- tarde, viria a colocar versos famosos.
guns daqueles tempos que também já dormem o sono dos A maioria das composições de Calado, conservadas em
L
justos, que Calado, foi chamado para um concerto num dos manuscrito (poucas foram as editadas), infelizmente, se per-
teatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta deram. O maestro Batista Siqueira, em seu livro ..Três Vultos
318
-r 319
L
Históricos da Música Brasileira", relaciona 48 peças de Ca- Músicos da época sonharam reunir, também na morte,
lado: "As Cinco Deusas", quadrilha; "As Flores do Coração",. dois amigos tão unidos em vida e quiseram construir, para
quadrilha; ..Carnaval de 1867', quadrilha; "Celeste", polcl; Calado e Viriato, um único mausoléu no Cemitério de São
"Choro"; "Cinco Deusas", quadrilha; "Como :E: Bom", polca; Francisco Xavier. Foi organizado um festival a 17 de de-
"Conceição", polca; "Cruzes, Minha Prima", polca; ··Dengosa", zembro de 1883 e, com essa renda, a idéia pôde ser realizada,
polca; ··Des~jada", polca; ··Ermelinda", polca; "Ernestina";. transladando-se, a 27 de julho de 1885, os restos mortais de
··Família Meyer", quadrilha; ··Fantasia Para Flauta"; "Flor Calado para o Caju.
Amorosa"; ••Florinda", polca; ••tman", polca; ··Laudelina",. No livro de registro do Cemitério de São João Batista
quadrilha; ••Lembrança do Cais da Glória", polca; ··Lingua- .existe a seguinte anotação: "Foram tr~nsladados estes restos
gem do Coração", polca; ··Lírio Fanado", recitativo; ··Lundu mortais para o Cemitério de São Francisco Xavier em 27 de
Característico"; "Manuelá', quadrilha; ••Maria", polca; "Maria julho de 1885, ordem em ofício de 20 do mesmo mês e ano.
Carlota", quadrilha; ••Mimosa", quadrilha; "Não Digo", pol- A. Abreu".
ca; "O Que :E: Bom ... ", quadrilha; "Pagodeira", quadrilha; Ali, no Caju - é ainda o carteiro & chorão Alexandre
"Perigosa", polca; "Polca em Dó Maior"; "Polucena", polca; Gonçalves Pinto quem escreve- ··r ... ]
se acham os dois jun-
··Puladora", polca; "Querida por Todos", polca; ··Rosinha", tinhas dormindo o sono da etemidade, dando assim uma
polca; "Salo~é", polca; ··saturnina", polca; ..Saudade do Cais recordação perpétua aos chorões de agora, que ao passarem
da Glória", polca; "Saudades de Inhaúma", quadrilha; ··sau- naquele mausoléu curvam-se respeitosamente em homena-
dosa", polca; "Sedutora", polca; ··Souzinha", quadrilha; "Sus- gem àquelas duas entidades [sic], que as atuais geraçó<es
piros de Uma Donzela", quadrilha; "último Suspiro"; ··uma ainda não deram iguais". A sepultura encontra-se na Rua
Noite de Folia", quadrilha; "Vinte e Um de Junho", polca; Provedor José Clemente, Quadra 40, um pouco adiante do
e ..Consoladorã, polca. Cruzeiro - à direita de quem entra no cemitério, atrás do
mausoléu da família Giordano - e nela está a seguinte
:E: o mesmo pesquisador que aponta Calado como o
inscrição: ••A memória dos artistas Joaquim Antônio da Si1va
criador do Conjunto Choro Carioca, formado por uma flauta,
Calado e Viriato Figueira da Silva".
um cavaquinho ;e dois violões. Infelizmente, lembra que
"não é possível, como seria de desejar, descobrir-se uma
data infalível para o aparecimento do grupo choro cario- FONTES PARA O ESTUDO DE JOAQUIM ANTONIO DA SILVA
ca . .. " Entre 1867 e 1880, provavelmente, ou seja, no período CALADO, JúNIOR
compreendido entre a primeira composição de Calado e a 1. JOÃO DO RIO - "A Alma Encantadora das Ruas"' CRio de
data de sua morte; talvez mais exatamente, na década· de Janeiro, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1908) - p. 271.
setenta. 2. ORESTES BARBOSA - "Samba. Sua História, Seus Poetas, Seus
João do Rio, em "A Alma Encantadora das Ruas", trans- Músicos e Seus Cantores" (Rio de Janeiro, Liv. Educadora, 1933)
- p. 62. .
crevendo Melo Morais Filho, refere-se a ele como Caladinho: 3. ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - "O Choro - Reminis-
"No Olimpo das serenatas do tempo, percebemos neste mo- cências dos Chorões Antigos" (Rio de Janeiro, Tip. Glória, 1936)
mento desfilar espectralmente, orvalhados dos relentos da- - p. 11 e 12.
quelas noites, vultos de transcendente nomeada, excelentes
rapazes que passaram neste mundo para deixar lampejos fu-
gazes e duradouras recordações. E foram eles pelo crisma
popular conhecidos por Zuzu Cavaquinho, Lulu do Saco [ ... J
I
\
4. RENATO ALMEIDA -
I
6. BATISTA SI QUEIRA - "Três Vultos Históricos da Música Brasi- polca; "O Canto do Peru", polca para piano; música ·para os:
léira - Mesquita-Calado-Anacleto" (Rio de Janeiro, Editorà D. dràmas "A Donzela de Belleville" e '"Aimée" (representados
Araújo, 1970) - p. 19, 20, 25, 26, 97 a 151, 199, 202, 203, 201,
209, 210, 211. 225. 226, 227. 228, 229, 246, 247 e 48. por Eugênia Oâmara, em 1868); "Santa Cecília". noturnO>
para piano; "A Hebréia", recitativo, poesia de Castro Al,ves;
"Ali Right", polca de salão; "Riograndense", quadrilha para
piano"; "Branca Rosa", recitativo, poesia de Luís Guimarães
Jr.; "Lacrimosa", romance sem palavras (dedicado à me-
ANTóNIO FREDERICO CARDOSO DE MENESES mória de Gottschalk); ..Celeste", cantiga de berço; e "Carlos:
(1848 - 1915) Gom~s", polca brilhante (oferecida ao insigne maestro).
Em 1869, Gottschalk: exibe-se em São Paulo, desenca-
O oompositor e pianista Antônio Frederico Cardoso de deando o entusiasmo de Antônio Frederico. Este acompanha-o·
Meneses e Sousa, filho do Barão de Paranapiacaba, Dr. João sempre e dele recebe - conta Cernicchiaro - conselhos.
Cardoso de Meneses e Sousa ( 1827-1915), nasceu em Tau- Escreve sobre o grande pianista norte-americano, no "Correio-·
baté, a 8 de julho de 1848, e não "a Santos nel 1845", comO> Paulistano", um arrebatado folhetim. E quando, em dezem-
escreveu Vincenzo Cernicchiaro. bro desse mesmo ano, Gottschalk morre, no Rio de Janeiro,.
Freqüentou a Faculdade de Direito de São Paulo, de 1867 Cardoso de Meneses vem à Corte para o enterro e, na hora
a 1871. Conta Carlos Penteado de Rezende em "Tradições do corpo baixar à sepultura - conta Penteado de Rezende
Musicais da Faculdade de Direito de São Paulo" (São Paulo, - "interpretou a dor geral, num discurso repassado de lá-
Saraiva, 1954), p. 213: "Como estudante, sua conduta foi uma grimas". Foi ainda em setembro de 1869 que Antônio Fre-
antevisão do que se tornaria no futuro, isto é, um dos mais derico escreveu a música para o drama "Manon Lescaut",.
apreciados e populares musicistas do Brasil Imperial". E extraído do célebre romance do Abade Prévost. Algumas
acrescenta: "Almeida Nogueira, seu contemporâneo, as~im semanas depois, a canção "Manon Lescaut", impressa em•
se manifestou sobre ele: ..Alto, esbelto, extremamente jovial São Paulo. era anunciada com destaque no estabelecimento
e simpático. Possuía muitas prendas sociais, que tornavam de Henrique Luís Levy.
agradabilíssimo o seu convívio. Por exemplo: era insigne pia- Em 1870, a pianista portuguesa Judite Ribas exibe-se
nista e inspirado compositor, desenhista gênero caricatura, em São Paulo. Faz parte da ilustre família Ribas - pai e·
bom taco e prestidigitador. Além disto, fino literato e espi- irmãos foram cantores, músicos e compositores celebrados.
rituoso folhetinista [ ... ] . Deixou dos seus tempos acadêmicos Judite, que nascera no Porto, em 1846, e fizera seus primeiros
deliciosas composições musicais, que, adaptadas a peças de estudos musicais com o professor D. Alonzo Conte, muitü.c'
teatro, eram executadas e aplaudidas com delírio pela pla- menina ainda era aplaudida e admirada pelos maiores artis-
téia e toda a lotação do velho São José". Em seus cinco anos tas do tempo. Já dera diversos concertos no Rio de Janeiro·
em São Paulo, Antônio Frederico dedicou-se com intensidade -tocando Thalberg, Gottschalk, Herz e Weber, os composi-
à música, seu nome aparecendo freqüentemente no "Correio tores da moda - a primeira dessas apresentações realizada
Paulistano". O negociante-musicista Henrique Luís Levy, pai I nos salões do Clube Fluminense. O primeiro recital em•
de Alexandre Levy - cuja casa muito freqüentava - estava l São Paulo foi também muito concorrido. Antônio Frede-
rico deve ter conhecido, nessa ocasião, aquela que iria se·
sempre anunciando novas músicas dele. E nos cartazes dos
teatros seu nome também era muito desenhado. Carlos Pen-
teado de Rezende ( op. cit.~ p. 214) arrola as seguintes músicas
I tornar sua mulher.
Quando, em 1871, a A,cademia de São Paulo _lamenta a
de Antônio Frederico Cardoso de Meneses, todas provavel- morte de Castro Alves e faz realizar uma sessão especial de-
mente dessa época: "Folôtre", valsa; "Colibri ou Beija-Flor"7 dicada ao funesto acontecimento, Cardoso de Meneses exe-
322
I 323:
l
.cuta, ao piano, marcha fúnebre de sua autoria, dedicada .-ao certo, pelo menos, uma 2. a. . . Carlos Penteado de. ;Rezende
_grande poeta baiano. :f:_ desse ano sua carta ao amigo Ferreira afirma que Sacramento Blake menciona outras páginas, em
de Meneses - publicada pela imprensa de São Paulo - ~m seu Dicionário, de Antônio Frederico. E, como outros fa-
que vaticina para os dois filhos de Henrique Luís Levy (Ale· mosos artistas do tempo, exibiu-se no Clube Beethoven, en-
-xandre Levy tinha, então, sete anos de idade) um brilhante tidade que organizou recitais no Rio de Janeiro, entre 1882 e
futuro. 1889. Em 1888, na festa comemorativa da lei que aboliu a
Em fins de 1871, forma-se. E, provavelmente, em 1872, escravidão no Brasil, Cardoso de Meneses regeu uma or-
realiza-se seu casamento com Judite Ribas, o casal vnido questra de 40 professores e duas bandas militares executando
morar no Rio de Janeiro, onde Antônio Frederico chegaria a sua marcha sinfónica "A Marselhesa dos Escravos", utilizan-
_sub-diretor do Tesouro Nacional. No Rio, continuou com- do-se da primeira frase da ••Marselhesa" de Rouget de Lisle.
pondo música ligeira, a exeocer crítica musical e a participar Em 1892, quando Alexandre Levy faleceu, Antônio Fre-
-de concertos. Mora nas Laranjeiras, onde - informa-nos sua derico escreveu, na ··cazeta Musical", uma crónica em que
neta, a pianista Carolina Cardoso de Meneses - o casal re- deplora a morte do amigo e adverte que, na obra dele, estão
.cebia os amigos todas as quintas-feiras. E certa ocasião - é as sementes da escola nacionalista brasileira, escola desti-
.ainda Carolina quem nos conta - Antônio Frederico e Ju- nada, dizia, "a fazer triunfante carreira nos domínios da arte
dite tocaram a quatro mãos para D. Pedro II, na Quinta da moderna". Como sempre, estava certo. Em 1915, Antônio
Boa Vista. Frederico Cardoso de Meneses faleceu no Rio de Janeiro.
A casa das Laranjeiras começa a se povoar de filhos: ··seu nome enche um período da vida artísti~a do Rio de
--üsvaldo, que, em casa, era chamado familiarmente de Lilica e Janeiro do Segundo Império" - escreve Carlos Penteado
também de Elias, e, um dia, se tornaria o pai de Carolina de Rezende.
<Cardoso de Meneses; Judite, que iria ser cantora lírica; Laura Mas além do nome e de suas composições, legou à pos-
( Laurita), pianista que tocaria em cinemas, ao tempo da cena teridade' descendentes que dariam prosseguimento às tradições
muda; Zita ( Zitinha), também pianista; João, o único que musicais da família. destacadamente seu filho, o compositor
não tocava nem se dedicou à música; e Antônio (Antonico ), Osvaldo Cardoso de Meneses, e sua neta, filha de Osvaldo,
.o caçula, violinista, e que chegou a tocar com Pixinguinha no a insigne pianista e compositora Carolina Cardoso de Me-
Cinema Palais. neses.
Mas, apesar de seus afazeres como advogado e no Tesouro
_Nacional, Antônio Frederico continua compondo intensamen- FONTES PARA O ESTUDO DE ANTONIO FREDERICO
te. Uma de suas peças obtem imensa popularidade em todo CARDOSO DE MENESES
-o Brasil: a polca «Os Canários", "polka originale e caratteris-
tica"- escreve Cernicchiaro- ..considerata, per la sua squisita 1. JúLIA DE BRITO MENDES - "Canções Populares do Brasil"
fattura, come una delle piu :rimarchevoli dei genere". Escreve (Rio de Janeiro, J. Ribeiro dos Santos/Livraria Cruz Coutinho, 1911)
- p. 121, 122, 123. 214, 215 e 216.
ainda esse autor: «L'autoré, ai suoi hei tempi, soleva suo-
narla in un modo assai particolare, dandole una ~mpronta ~d 2. VINCENZO CERNICCHIARO - "Storia Della Música nel Bra-
! sile" (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926) - p. 337, 339.
I
uno spirito inimitabile." E várias outras páginas desse com-
~IX>Sitor-diletante tórnam-se também bastante conhecidas. A an-
tologia "Canções Populares do Brasil" estampa duas compo-
sições de Antônio Frederico: ··serenata" e a ••s. a Serenatâ',
I
i
'
3. RENATO ALMEIDA -
p. 390, 412.
"História da Música Brasileira" ~ 2."
Edição (Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp.-Editores. 1942)
825
-324
23- R.~LF.B.
DUQUE ESTRADA MEYER "Impossível me é descrever, a grandeza, e a sublimidade
deste grande professor. As suas glórias {oram tantas e tantas,
(1848 - 1905) que só com muitas lágrimas ·pode-se dizer a sua vida, como
imenso maestro que foi o· nome acima. Foi um gênio na
O flautista e compositor Paulo Augusto Duque Estrada música, conhecia teoria como poucos, a sua flauta em' seus
Meyer nasceu a 15 de fevereiro de 1848, presumivelmente lábios não tocava mas chorava. Não só conhecia os grandes
no Rio de Janeiro. choros dos imensos flautas já por mim descrito, como tam-
Discípulo de . Reichert e de Calado, foi ele, posterior- bém o clássico. Tocou em muitas orquestras, sendo admira-
mente, também um grande professor de flauta, destacando-se, díssimo, pelos maestros daquela época.
entre seus discípulos, Patápio Silva, Parga Rodrigues, Hen- Meyer era um gênio alegre, e folgazão, de uma educação
rique Itiberê da Cunha, Maria José de Brito, Vincenzo De- finíssima, exemplar pai de família. No choro quando tocava
marco, Maria Rocha, Gregório de Couto, Porto Júnior, Pedro as· músicas de Calado, Viriato, Silveira, Luizinho, e outros,
de Assis (este, falecido o mestre, substituiu-o na cátedra) e fazia com alma sentimento e graça.
Antônio dos Santos Vieira (justamente um dos melhores alu- Foi grande arnjgo dos chorões acima, mas tinha uma
nos, falecido mal terminara o curso). Rodrigues Barbosa, crí- grande predileção pelo sempre chorado músico Calado, pois
tico musical, e Artur Tolentino da Costa, que ocupou o posto quase sempre tocavam juntos. Calado em atenção a esta
de secretário do Instituto Nacional de Música, durante muitos grande e bondosa famili_a, escreveu uma quadrilha dedicada
anos, contavam-se, também, entre os amadores. à mesma, que botou o nome de Família Meyer que é um
Segundo Isa Queirós Santos ("Origem e Evolução da primor de arte, e que tenho em meu arquivo como uma
Música em Portugal e Sua Influência no Brasil", Rio de Ja- jóia inesquecível. Essa família quase toda de bons músicos
neiro, Imprensa Nacional, 1943, p. 212), "as suas glórias como era admirada por todos.
artista datam de I88r. . Pelas informações por mim colhidas, parece existir uma
Antecedeu a Leopoldo Miguez na direção do Instituto pessoa desta distinta família, que como Meyer, é também
Nacional de Música e, com a morte dele, em 1902, substi- grande executor de flauta, que infelizmente não tenho a fe-
tuiu-o interinamente, nesse estabelecimento. Foi também di- licid~de de conhecê-:lo, e ao contrário, talvez pudesse descre-
retor da Filarmónica do Rio de Janeiro, fundada por Fran- ver essa grande glória brasileira, com maior ·perfeição. Aqui
cisco Manuel da Silva. fica mais ou menos descrita a vida musical e pessoal deste
Ainda segundo Isa Queirós Santos, como flautista, era grande músico, para a glória dos flautistas d'agora, e dos que
"senhor de belas qualidades para execução desse instrumen- vierem· para melhor conhecer essas glórias que o tempo não
to de sopro, possuía excelente técnica que soube transmitir trarão mais." ·
aos seus alunos estudiosos".
Foi um dos virtuoses que se exibiram no Clube Beetho-
ven. ARTUR FLUMINENSE
Em 1888, foi agraciado, pelo governo imperial, coni a (1850? - 1900?)
condecoração de Cavaleiro da Ordem da Rosa.
Faleceu a 24 de abril de 1905, presumivelmente no ilio Do flautista Artur Fluminense - nascido presumivelmen-
de Janeiro. te no Rio de Janeiro, por volta de 1850. e falecido certamente
Em «O Choro", Alexandre Gonçalves Pinto deixou-nos, na mesma cidade, ao redor de 1900 - quase nàda se ·sabe.
Em "O Choro", Alexandre Gonçalves Pinto pouco mais in-
dele, a seguinte descrição ( p. 92-93) :
-=r"·
327
826
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~
forma além de que ..foi carteiro, flautista dos bons". ..Dizia ..Soares "Caixa de Fósforos" como era conhecidO' foi um
Q que sentia em seu instrumento" - e acrescenta ainda: primoroso flauta que há muitos anos já deu a alma a Deus.
-''Apesar de não o ter conhecido pessoalmente pude pegdr Creio que morava ali pela rua de S. Diogo, onde era
:algumas pequenas informações, sabendo que ele privou com muito conhecido.
•os grandes flautas da antiguidade; sua morte causou grande Tocava com alma, não só o choro que compunha, como
~claro entre seus amigos daquela época".
todos os de seus companheiros, fazendo o encanto dos lares
onde era chamado.
Comia bem e regado com a caninha, ou vinho que pq-
dia beber-se, pois era barato. Era muito expansivo, e bom
JUSTINIANO amigo. Onde tocava fazia sempre pilhérias engraçadas que
(1850? - 1910?) agradavam bem."
Soares "Caixa de Fósforos" deve ter nascido no Rio de
Janeiro, por volta de 1850, e morreu presumivelmente também
Ao flautista Justiniano, Alexandre Gonçalves Pinto refe-
nessa cidade, lá por 1910.
re-se em seu livro ..0 Choro". Pode ter nascido em Niterói,
em 1850, e falecido na mesma cidade, em 1910. Como tantos
outros, sempre assinalados com um ponto de interrogação,
esses dados são apenas uma hipótese de trabalho e deverão GALDINO CAVAQUINHO
ser corrigidos por pesquisas posteriores. (1850? - 1910?)
Conta Gonçalves Pinto (p. 32):
..Era flauta que morava em Niterói, e que tocava de ou- O executante de cavaquinho que ficou na história da
vido músicas difíceis, que· punham em embaraço músicos de música popular brasileira como Galdino Cavaquinho, nasceu
primeira nomeada, e que se extasiavam de ouví-lo tocar. O presumivelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1850, e
Justiniano, ia todos os dias para o Arsenal, ouvir os ensaios deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1910.
da banda regida pelo inesquecível Bocot. E gravava no ouvido Foi o mestre de outro chorão célebre: Mário Alvares -ou
as melhores músicas, para executar na sua flauta de cinco Mário Cavaquinho.
Ainda uma vez, teremos de recorrer a Alexandre Gon-
chaves.
çalves Pinto e seu livro "O Choro" em nossa busca de dados
"Este fato passou-se mais ou menos há cinqüenta e tan- sobre música do passado (p. 54):
tos anos, inda hoje se fala no apurado ouvido de Justiniano". "Mestre dos mestres, que se celebrizou com o seu apren-
diz Mário, cujo discípulo venceu naquela época todas difi-
culdades do instrumento transformando, a sua tonalidade de
quatro cordas para cinco, enquanto isso Galdino, continuava
SOARES "CAIXA DE FóSFOROS" com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades
de tons e combinações. de acordes que me é aqui difícil de
(1850? - 1910?) descrever, tal é a magia, e a convicção das .notas vibradas pela
palheta encantada de Galdino, este grande artista inigualá-
Nossa fonte de informação para o flautista Soares ..Caixa
J
vel no meio dos chorões, aonde ele foi o único educador
de Fósforos" é novamente Alexandre. Gonçalves Pinto que, deste instrumento que se chama. cavaquinho."
em seu livro "O Choro" (p. 29-30), conta sobre ele o seguinte: ~-i
Seu nome verdadeiro éra :Galdino Barreto:
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" •1
LEAL· .CARECA dor, Bahia, por volta de 1850, e deve ter falecido na mesma
(1850? - · 1910?) cidade, lá por 1910.
. Está citado por Vincenzo Cernicchiaro - que a ele se re-
O oficlidista Leal Careca nasceu presumivehnente no Rio fere como Dr. Palma - em "Storia Della Musica nel Brasile"
de Janeiro, por volta de 1850, e deve ter falecido na mesma (Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 58); entre
cidade, lá por 1910. os que "furono poeti, cantori e musid, e fecero, ai loro gior-
Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro "O Choro", faz ni, le delizie dei salotti di Rio de Janeiro, di Bahia e di S.
referência a este antigo chorão. A prosa é ordinária, mas as Paolo". Baseado em Cernicchiaro, Flausina Rodriques Vale
informações são preciosas (p. 48): ("Elementos de Folk-lore Musical Brasileiro", São Paulo,
Companhia Editora Nacional, 1936, p. 133) escreve: "Outros
"Era sapateiro, morava na rua Estácio de Sá, quase ao que desfrutaram nomeada: "Antônio Rocha, Anselmo, He-
chegar ao Largo do mesmo. nome. leodoro [ ... ] Dr. Paula [ ... ] etc.". Mónso Rui, em "&êmios
Trabalhava muito em confeccl<lnar botas para montaria, e Seresteiros Baianos do Passado" (Salvador, Livraria Pro-
que naquele tempo era o luxo. gresso Editora, 1954), p. 26, diz: "Cumpre lembrar que há-
Foi chorão como poucos. O seu instrumento era o sem- beis violonistas foram o Des. Palma (Des. J. J. da Palma, ín-
pre lembrado oficlide, que ele manejava com maestria. timo de Rui Barbosa), Teixeira de Freitas [ ... ] etc.".
Leal era amigo e companheiro de Calado, Viriato, Sil-
veira, Luizinho, com quem sempre tocava. Era um músico de
respeito, pois acompanhava os flautistas acima com gosto e
alma. JOÃO G. EFREM
Conheci-o pessoalmente e apesar de muito criança, apre- (1850? - 1910?)
ciei muitas vezes tocar erh bailes que se davam constante-
mente, em uma casa ali ilo Estácio, que era conhecida com
O compositor e letrista João G. Efrem nasceu na fre-
o nome de Gelo, por ser .fabricado ali este refrigerante, que
guesia de Além do Carmo, em Salvador, Bahia, por volta de
era de um francês, chamado Bailly, que hoje julgo. já não 1850, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por 1910.
existir mais. Leal Careca, era um distinto amigo, que encan-
tava a todos que o conheciai:n. . Guilherme de Melo ("A Música no Brasfl", Bahia, Tipo-
Era um gênio nos choros, pois tinha prazer em suplantar grafia de S. Joaquim, 1908, p. 134) cita-o como um dos
a todos os componentes da música. Também já não existe, mestres compositores da Bahia.
só deixando recordações · e saudades. Monso Rui em •Boêmios e Seresteiros Baianos do Pas-
Paz à sua alma." sado" (Salvador, Livraria Progresso Editora, 1954, p. 14-15)
refere-se a Efrem: "o gás, todavia, não matara a serenata
nem afugentara a aventura dos seresteiros. O violão conti-
nuou temido e temível conquistador. O cantador de modi-
nhas da rua, sempre tocador exímio, tinha um rosário de
J. J.· DA PALMA aventuras de amor com recordações permanentes no . corpo
(1850? - 1910?)
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compridos espadagões da ronda das 10 horas, para aparecer, MARRECO
instrumento afinado, quebrando o silêncio da noite com velhos
(1850? - 1910?)
madrigais do Efren ou endechas de Cazuzinha, sob a com-*
placente melancolia do luar e com a cumplicidade dos inspe-
tores de quarteirão". No mesmo livro, p. 24, Monso Rui in- O flautista Marreco nasceu presumivelmente no Rio de-
clui João G. Efrem entre "'os últimos seresteiros da Bahia". Janeiro, por volta de 1850, e deve ter falecido na mesma
cidade, por 1910. É um dos músicos citados por Alexandre-
A coleção "Flores do Brasil", editada, no Rio ·de Janeiro, Pinto em seu livro "O Chorô'. Era irmão de outro flautista,.
pelo Imperial Estabelecimento Buschmann & Guimarães, lan- Jorge, com ele tendo participado de muitas serenatas em São
çou três modinhas de Efrem: ••prazeres Que Eu Não Sonha- Cri~tóvão, geralmente em casa de D. Maria Prata, junto à
va", "'Lá Quando a Noite Se Aproxima" e "Quando os Teus Quinta da Boa Vista. Costumava freqüentar também a casa
Olhos". de Melo Morais Filho. Não se conhece seu nome verdadeiro.
EUSTÃQUIO MORIBECA
JUCA VALE
(1850? - 1910?)
(1850? - 1910?)
Do flautista Eustáquio Moribeca sabemos apenas o que
narra Manuel Querino em ••A Bahia de Outrora": "O Beco O violonista Juca Vale nasceu presumivelmente no RiO=·
do Gilu fora célebre pelos arrojados sambas, em que Eus- de Janeiro, por volta de 1850, e deve ter falecido na mesma
táquio Moribeca, entre outros, com sonorosa flauta, atraía cidade, lá por 1910.
enorme cortejo de admiradores, obedecendo ao compasso de Segundo Alexandre Gonçalves Pinto CO Choro", Rio de
uma bateria de violões, com esta chula: Janeiro, Tip. Glória, 1936, p. 86) foi ··um dos primeiros vio-
lões de sua época". É o mesmo autor quem informa ter sido'
S'eu achasse venda aberta, Juca Vale ··companheiro inseparável de Calado e Viriato,
Que vendesse aguardente, Rangel, Luizinho e muitos outros flautas que tinham nele-
Que tivesse pouca gente, um acompanhador seguro no seu violão".
Eu queria beber
coro
Não bebe, não-ão-ão"
332 333:
"Pai do exímio músico Candinho Silva, já neste livro "Os continuadores de antigos menestréis e trovadores,
descrito. Era um flauta primoroso, e chorão de fato, tocava ·como o simpático Chico Sepúlveda, com sua voz elegante e
.com alma e gosto os melhores choros que existiam na ~ agradável estilo, se faziam ouvir, em meio de ruidosas ova-
época. Apesar de também não ter conhecido pessoalmente -ções. Quem não se recorda desta canção do Sepúlveda?
pude pegar estas informações, com um chorão de seu tempo.
Conhecia bem a música, o que lhe facilitava tocar com grande Dês que meus olhos te viram
primor, e arte. Deixou muitas boas composições que devem Que fiquei por ti perdido;
.existir nas estantes dos bons flautistas, que ainda felizmente Fugiste, também fugi,
.temos." I ·i Ficou-me um s6 lenitivo
Fazer rOT1Ulria.
Guilherme de Melo em "A Música no Brasil" ( Bahia, Ti- O compositor, letrista e cantor Manuel Ricardo de
pografia de S. Joaquim, 1908, p. 251) inclui Chico Sepúlveda SanfAna nasceu presumivelmente em Salvador, Bahia, por
entre os trovadores _"dignos de todos os elogios", "os quais volta de 1850, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por
muito concorreram para o desenvolvimento da modi_p.ha na \
1910.
Bahia". E Vincenzo Cernicchiaro ("Storia Della Musica nel
Brasile", Milão, Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926, p. 57)
I Manuel Querino refere-se a ele em "A Bahia de Outrora",
I
cardo de Sant'Ana, empunhando o violão, prendia o auditório· I ovem casada com velho
com a sua popular No comércio sempre vista,
Se na volta traz presentes .•.
Ta-ra-ra-la-la-lá, está na lista.
A LISTA
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l
MANOEL F. C. LEAL
Deixou três composições: a valsa "Arco-lris"~ 'o xote
(1850? - 1910?) ··Guanabara" e "Caprichos".
342 343
sende e muitos outros chorões daquele tempo. João Elias Morava na rua Bom Jardim número 1. A casa de· Pascoal
ao lado de Damásio, artista, maestro, compositor, fizeram pro- era um céu aberto. '
dígio naquela época, conquanto não possa fazer um perfeitJ Ali reuniam-se os maiores chorões de fama daquela época
perfil desta grande eminência musical, como foi o professor como fossem Valeriano do Couto, sublimíssimo flauta e tam-
João Elias por me faltar os dados necessários. Tentei .dizer o bém seu irmão João Valeriano, o melodioso oficlidista, já
que dele me ocorre na memória cumprindo assim uma ho- por mim descrito neste livro.
menagem e um sacrossanto dever, lembrando os feitos de to- O tamqém respeitado oficlidista Suntum Alves, que era
dos os artistas de mérito, como foi o incansável professor de contínuo da Secretaria da Guerra.
música João Elias." Tenente Castro, também belíssimo e suntuoso oficlidista,
Faleceu presumivelmente em Rio Claro, por volta de 1910. o Man~el Pereira, também violão de arrebatar, e ainda mais
os grandes e imortais Calado, Viriato, Capitão Rangel,- Luj-
zmho e outros muitos que não me vêm à mente, devido os
D. COSTA grandes tempos já passados. Naquela casa que era uma
maravilha, aprendeu também a tocar cavaquinho e violão. o
(1850? - 1910?)
Orlando Manso Reis, apelidado por Zinho, filho do seu
sempre chorado, e lembrado Pascoal, que foi naqueles
A pianista e compositora D . Costa nasceu presumível- tempos um violão e cavaquinho, de fama. Ali naquele con-
mente no Rio de Janeiro, por volta de 1850, e pode ter fa- junto de chorões só tocava o que era custoso para se acom-
lecido na mesma cidade, lá por 1910.
panhar.
Como informa Vincenzo Cernicchiaro, publicou, em 1881, E assim vou ver se me lembro de alguns choros belís-
uma lindíssima ••Habanera de Salão" e também "A Peca-
simos que se tocava: "Salomé, polca de Calado.
dora". Ou nas palavras desse autor, tal como se encontram em
"'Eletrizante"' do imenso Silveira.
"Storia Della Musica nel Brasile" (Milão, Stab. Tip. Edit.
Fratelli Riccioni, 1926), p. 344: "D. Costa, pianista e compo- "'Família Meyer", quadrilha de Calado.
sitrice, pubblica, nello stesso anno [1881], una bellissima "Macia", polca de Viriato; ..Geralda", quadrilha de Ran-
..Habaneira de Salão" e ••A Pecadora", rivelando talento e gel; "12 de agosto", quadrilha do grande professor Antônio
buon gusto". Pedro; "Vivi", do grande e suntuoso Capitão Rangel; "'Poli-
cena" de Calado.
PASCOAL RODRIGUES REIS "'Como ~ Bom", ··o Que ~ Bom", do grande Calado;
••pagodeirà', também de Calado, ••último Suspiro", polca de
(1850? - 1920?) Calado; ··Geralda", quadrilha de Rangel.
··camponesa", polca também de Rangel.
O violonista e executante de cavaquinho Pascoal Rodri- ··Lembranças do Cais da Glória, polca de Calado.
gues Reis nasceu presumivelmente no Rio de Janeiro, por ••Sonhos do Porvir", polca de Silveira; ••Queixume d' Al-
volta de 1850, e deve ter falecido na mesma cidade, lá por ma", polca também de Silveira.
1920. "Mimosa", quadrilha de Calado.
f: Alexandre Gonçalves Pinto quem, em "O Choro" ( p. E finalmente, centenares de que não me recordo. Mas
108-109), evoca esse chorão do passado: julgo outras belas composições de que s6 com estas possa
"Quase me passou desapercebido este imenso e inveterado avaliar o que eram aqueles grandes compositores, e executo-
chorão, que foi no seu tempo uma estrela da maior grandeza. res daqueles saudosos tempos, que não voltam mais.
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Enfim, dizer o que era a casa do Pascoal quase, me é a morte, precisa fazer tristeza, para ter _efeito, 'é outras
impossível, pois ali só reinava a alegria e bom gosto pela vezes, deve ser ao contrário, para fazer alegria, natural. o
música, pois, só estava bem no meio daqueles eminentJs que alguns músicos não compreendiam. Tocava com a parte
músicos, naquele ambiente, era onde ele encontrava vida, e à frente, mas faltava-lhe alma que é o necessário nestas oca-
felicidade. Era de uma educação impossível de descrever-se, siões. Cantalice, morreu já um pouco alquebrado pelos· 'anos,
pois ali todos eram tratados com a maior fidalgtúa, não só mas mesmo assim não ficava devendo nada aos moços, que
por ele como também pela sua sempre chorada prole. muito o admiravam".
Aqui fica mais ou menos dito, o que foi aquela casa, na-
queles bons tempos.
E assim nunca o gato estava no fogão, pois era farta,
em tudo, e bem regada em boas bebidas. BALDUíNO
(1850? - 1920?)
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!
l
de músicos da época, com a renda de um concerto _r,ealizado
ANTôNIO MADEIRA
a 17 de dezembro de 1883, seus restos mortais foram trasla-
(1850? - 1930?) dados para outra e artística sepultura no Cemitério de São
Francisco Xavier, que recebeu também, vindos do São João
O oficlidista Antônio Madeira nasceu presumivelmente Batista, os despojos de outJ::o músico famoso da época, o, flau-
no Rio de Janeiro, por volta de 1850, e deve ter falecido na tista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, Júnior.
mesma cidade, lá por 1930. Ela se encontra pouco depois do Cruzeiro, à direita, na qua-
Eis o que informa, sobre ele, em "O Choro", Alexandre dra 40, ah·ás do mausoléu da família Giordano, e mostra a
Gonçalves Pinto (p. 191): seguinte inscrição: "A mem6ria dos artistas Joaquim Antônio
"Morreu com uns 80 anos. Foi um regular oficlidista, da Silva Calado e Viriato Figueira da Silva".
era da antiga Escola Militar e tocava sempre com Sérgio,
pistonista."
FONTES PARA O ESTUDO DE VIRIATO FIGUEIRA DA
SILVA
VIRIATO FIGUEIRA DA SILVA
1. PINTO, Alexandre Gonçalves. "O Choro" (Reminiscências dos
(1851 - 1883) Chorões Antigos). (Rio de Janeiro, Tip. Glória, 1936) - p. 20 e 21.
2. BATISTA SIQUEIRA - Folheto do álbum "Música Imperial".
contendo 3 long-playings e editados pela Sociedade Culiural e
Viriato Figueim da Silva, flautista e compositor popu- Artística Uirapuru em convênio com o Ministério da Educação e
lar, nasceu em Macaé, Estado do Rio de Janeiro, em 1851 e Cultura (Rio de Janeiro. 1968).
faleceu a 24 de abril de 1883, na cidade do Rio de Janeiro.
Um dos grandes mestres do choro, Viriato é autor de ins-
piradas polcas como "S6 Para Moer" (gravada, por volta de
1903, pelo célebre flautista Patápio Silva), "Macia", "E Se-
gredó' e "Caiu! Não Disse?", além da composição "Carolina".
De sua vida, entretanto, pouco mais se sabe do que informa
Alexandre Gonçalves Pinto, em péssimo português, no livro
..0 Choró': "Inesquecível músico de grande nomeada pelas
suas produções admiráveis. S6 aqui podemos descrever suas
produções "Macia" e "S6 Para Moer", músicas estas que nunca
perderão o seu valor. Faço ponto aqui deste grande músico
científico [sic] que se fosse fazer a apologia de Viriato e
de outros musicistas de sua têmpera, seria necessário multi-
plicar as páginas deste livro". Além disso, conhece-se apenas
que era casado e residia, quando morreu, na Rua D. Ana
Néri, 5-H, no Rio de Janeiro.
Vítima de tuberculose pulmonar, Viriato faleceu às
3 h 30 min de 24 de abril de 1883, tendo sido sepultado, no
mesmo dia, no cameiro 587, Quadra 1, do Cemitério de São
Francisco Xavier. Mas, a 27 de julho de 1885, por iniciativa
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25 - !R.:M.P.B.
íNDICE ONOMÁSTICO
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.I
~~- . ·-.: .t
ANóNIMO DE '"MEU ANJO, ESCUTA" (ou "LAUSINA" ou "ELVI-
RA, ESCUTA") (Rio de Janeiro?, 1830? - Rio de Janeiro?, BITTENCOURT SA, Manoel Tomé - compositor, exetutante de
1890?) - p. 175-177. flautim, cantor, regente e pianista (Salvador, BA, 21-12-1826
ANóNIMO DE "O BALAIO" - compositor e letrista (?, RS. 18211? Salvador, BA, 30-9-1886) - p. 170.
- ?, RS?, 1880?) - p. 143-145. BITTENCOURT SAMPAIO (Francisco Leite de Bittencourt Sampaio)
ANONIMO DE "PERDÃO, EMíLIA" - compositor e letrista (Rio - letrista, violonista e cantor (Laranjeiras. SE, 1836 - . ,Rio de
de Janeiro?, 1830?- Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 177-179. Janeiro, 1895) - p. 202-208.
ANóNIMO DE '"VEM CA, BITU!" - compositor e letrista (Rio de BOM JESUS, Quinquim (Joaquim do Bom Jesus) - violonistà (Sal-
Janeiro?, 1780? - Rio de Janeiro?, 1840?) - p. 57-62. vador?, BA?, 1840? - Salvador?, BA?, 1900?) - p. 258.
ANSELMO, Mestiço - compositor?, letrista?, cantor?, instrumen- BORGES, Aires - compositor (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio de
tista? (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de Janeiro?, 1880? - p. Janeiro?, 1900?) - p. 266-267.
148-149. BORGES, Antônio - cantor e violonista (Rio de Janeiro?, 1810?
ANTóNIO CAVAQUINHO - violonista (e executante de cavaquinho?) Rio de Janeiro?, 1870?) - p. 84.
(Salvador?, BA?, 1840? - Salvador?, BA?, 1900?) - p. 257. BUSSMEYER, Hugo - compositor, pianista e organista (Brunswick.
ARAGÃO, José de Sousa - compositor, violinista e regente (Cachoeí-· Alemanha, 26-2-1842 - Rio de Janeiro, 1-2-1912) - p. 282-283.
ra, BA, 7-12-1819 - Cachoeira, BA, 13-9-1904) - p. 125-131. c
ARAúJO, João Gomes de - compositor (Pindamonhangaba, SP.
5-8-1846 - São Paulo, SP, 8-9-1943) - p. 300-302. CALADO, Júnior - Joaquim Antônio da Silva - flautista e compo-
ARAúJO JúNIOR, Evaristo Ferreira de (Salvador? BA?, 1820? - sitor (Rio de Janeiro, 11-7-1848 - Rio de Janeiro, 20-3-1880) -
Salvador?, BA?, 1880?) - p. 146. p. 316-322.
CAMILO PEITO DE BRONZE - cantor (Salvador?, BA?. 1840? -
ARNAUD, Genaro - pianista e compositor (Nápoles?, Itália, 1830? Salvador?, BA?, 1900?) - p. 251-252.
- Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 189.
CAMPOS, A. - compositor (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de Janei-
ARVELLOS, filho - Januário da Silva - compositor, pianista e orga- ro?, 1880?) - p. 138-139.
nista (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de Janeiro?, 1890?) - p. CAMPOS, J. J. - compositor (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de
161-165.
Janeiro?, 1880?) - p. 147-148.
B CANTALICE, Guilherme - compositor e violinista (Rio de Janeiro?.
BACURI - flautista e compositor (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de 1850? - Rio de Janeiro?, 1920?) - p. 346-347.
Janeiro?, 1880?) - p. 137. CARDOSO, Francisco Magalhães - compositor, letrista e cantor (Sal-
BAGUET, Auguste - compositor, contrabaixista, arranjador e regente vador?, BA, 1840? - Salvador? BA, 1890?) - p. 229-232.
(?, França, 1820? - Rio de Janeiro?, 1877?) - p. 133. CARDOSO DE MENESES, Antônio Frederico (Antônio Frederico
BAHIA, Quinquim (Joaquim Bahia) - violonista e cantor (Salvador?, Cardoso de Meneses e Sousa) - compositor e pianista (também
BA?, 1840? - Salvador?, BA?, 1900?) - p. 257-258. letrista?) - (Taubaté, SP, 8-7-1848 - Rio de Janeiro, 1915) -
BAHIA, Xisto (Xisto Bahia de Paula) - compositor, letrista, cantor p. 322-325.
e violonista (Salvador, BA, 5-9-1841 - Caxambu, MG, 30-10-1894) CARVALHO, Anacleto Rufino de - letrista (Salvador?, BA?, 1840?
- p. 273-282. - Salvador?, BA?, 1890?} - p. 236-237.
BALDUlNO - executante de bombardino (Rio de Janeiro?, 1850? CARVALHO, Francisco Antônio de - compositor (Rio de Janeiro?,
- Rio de Janeiro?, 1920?) - p. 347. 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 249.
BARBOSA, Damião (Damião Barbosa de Araújo) - compositor, vio- CASTRO, Alice de - pianista e compositora (Rio de Janeiro?, 1840?
linista e regente (Ilha de Itaparica, BA, 27-9-1778 - Salvador?, - Rio de Janeiro?, 1900?} - p. 271.
BA?, 2().4..1856) - p. 55-51. CASTRO, S. Luís de - compositor, pianista (também cantor e le-
BARBOSA, Domingos Caldas - compositor, letrista, cantor e violo- trista?) (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) -
nista (Rio de Janeiro, 1740 - Lisboa, Portugal, 9-11-1800) - p. p. 261-262.
46-49.
CASTRO ALVES (Antônio de Castro Alves) - poeta (também compo-
BARROS, J. A. - compositor e letrista (Rio de Janeiro?, 1840? sitor?) - (Curralinho, hoje Castro Alves, BA, 14-3-1847 - Sal-
Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 268-269. vador, BA, 6-7-1871) - p. 302-303.
BERNARDES, J. J. - compositor (Rio de Janeiro?. 1840? - Rio de
Janeiro?, 1900?) - p. 247.
BEVILACQUA, Francisco Alfredo - compositor (Rio de Janeiro,
25-8-1846 - Rio de Janeiro, 26-1-1927) - p. 300.
BITTENCOURT E SA, Joaquim Silvério de - compositor, clarine-
j CHAGAS, J. F. das - compositor (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio de
Janeiro?, 1900?) - p. 248-249.
CHAVES, Manuel Pimenta - compositor, oboísta, organista (Rio de
Janeiro?, 1800? - Rio de Janeiro?, 1860?) - p. 89-90.
CHICO DEDO DE OURO - violonista (Salvador? BA?, 1840?
tista, organista, pianista e executante de violeta (Salvador, BA, Salvador? BA?, 1900?) - p. 251.
30-12-1829 - Salvador?, BA? 15-4-1899) - p. 171. CIMBRES, Joã.o Batista - compositor (Rio de Janeiro?, lMO? - Rio
de Janeiro?, 1900?) - p. 259-260.
352
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1
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GUEDES DA SILVA - compositor (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio LEAL CARECA - oficlidista (Rio de Janeiro?, 1850? ......: Rio de
de Janeiro?, 1900?) - p. 265. Janeiro?, 1910?) - p. 330.
GUIMARÃES, América Floripes de .Castro - compositora e letristd LEANDRO, José - violonista (Salvador?, BA?, 1840? - Salvadm?.
(Salvador?, BA?, 1830? - Salvador?, BA?, 1890?) - p. 187. BA?, 1900?) - p. 253.
GURJÃO, Henrique Eulália - compositor e regente (Belém, PA. LEITE, José- compositor (Rio de Janeiro?. 1840? -Rio de Janeiro?,
15-11-1834 - Belém, PA, 27-7-1885) - p. 196-198. 1900?) - p. 266. .
LIMA, Antônio Xavier da Cruz - compositor e flautista (Rio de
H Janeiro?, 1820?- Rio de Janeiro?, 1870?) - p. 116-117.
LIMA, Plínio de - letrista (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio de Janei-
HELEODORO - compositor?, letrista?, cantor?, instrumentista? (Rio ro?, 1900?) - p. 238-239.
de Janeiro?, 1820? - Rio de Janeiro?, 1880?) - p. 149. LISBOA, Clementina - cantor? violonista? (Rio de Janeiro?, 1845?
HELMOLD, Gustavo - compositor e pianista (Chamnitz, Alemanha, - Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 293-294.
24-1-1834 - Niterói, RJ, 21-12-1888) - p. 199. LISBOA, Damião - violonista e cantor (Salvador?, BA?, 1840? -
HORTA. Geraldo Antônio - compositor e pianista (Rio de Janeiro?. Salvador?, BA?, 1900?) - p. 256.
1820? - Rio de Janeiro?, 1880?) - p. 140-141. LOBO, Elias Alvares- compositor (ltu, SP, 9-8-1834- São Paulo, SP,
15-12-1901) - p. 199-201.
J LOBO, S. C. - compositor (e letrista?) - (Rio de Janeiro?, 1830?,
JACQUES, Cláudio Jeremias da Silva - compositor (Rio de Janeiro?, - Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 181-182.
1830? - Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 179. LOPES, FRANCISCO J. - compositor (Rio de Janeiro?, 1820- -
JOÃO DE DEUS - violonista (Salvador?, BA ?, 1840? - Salvador?. Rio de Janeiro?, 1880?) - p. 141.
BA?, 1900?) - p. 255-256. LUIZINHO - flautista (Rio de Janeiro?, 1845? - Rio de Janeiro?,
JOAQUIM MANUEL - compositor, violonista e executante de cava- - 1905?) - p. 296-297.
quinho (Rio de Janeiro?, 1780? - Rio de Janeiro?, 1840?) - LULU DO SACO - cantor?, violonista? (Rio de Janeiro?. 1845? -
p. 65-66. Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 290.
JORGE - flautista (Rio de Janeiro?, 1850? - Rio de Janeiro?, 1910?)
- p. 342-343. M
JOSE MAURfCIO, Padre (Padre José Maurício Nunes Garcia) -com-
positor (Rio de Janeiro, 22-9-1767 - Rio de Janeiro, 18-4-1830) MACHADO, Domingos de Faria - compositor e letrista (Salvador?,
- p. 52-55. BA?, 1840? - Salvador?, BA?, 1900?) - p. 252.
JúLIO BEMOL - flautista e oficlidista (Rio de Janeiro?, 1840? - MACHADO, Rafael Coelho - compositor (Ilha da Madeira, 1814 -
Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 260. Rio de Janeiro, 15-8-1887) - p. 123-125. •
JUSTINIANO - flautista (Niterói?, RJ?, 1850? - Niterói?, RJ?, 1910?) MADEIRA, Antônio - oficlidista (Rio de Janeiro?. 1850? - Rio de
- p. 328. Janeiro?, 1930?) - p. 348.
MADEIRA, Ismael - compositor (Rio de Janeiro?, 1850? - Rio de
K Janeiro?- 1910?) - p. 340-341.
KLIER, Jorge Henrique - compositor (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio MAERSCH, Adolfo - compositor (?, Alemanha?, 1820? - Rio de
de Janeiro?, 1880?) - p. 146-147. Janeiro?, 1880?) - p. 137-138.
MALIO, Frederico - compositor e pianista (Rio de Janeiro?. 1850?
- Rio de Janeiro?, 1930?) - p. 341.
L MANDACARU - violonista (Salvador?, BA?. 1840? - Salvador?.
LAGO, Emílio do (Etru1jo Eutiquiano Correia do Lago) - compositor BA?, 1900?)- p. 253.
e pianista (Mogi Mirim, SP, 1838? - São Paulo, SP, 7-1-1871) MANDUCA DE CATUMBI (Armando ... ) - violonista e cantor (Rio
- p. 218-220. de Janeiro?, 1842? - Rio de Janeiro?, 1920?) - p. 284-285.
LAURA, Lúcio de - compositor (Rio de Janeiro?, 1830? - Rio de MANEZINHO DA CADEIA NOVA (ou Manezinho da Guitarra)
Janeiro?, 1890?) - p. 179-180. (Manuel. .. ) - cantor?, violonista? (Rio de Janeiro?, 1845? -
LEAL, A. F. Castro - letrista (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de ~ :.-
Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 291. ·
Janeiro?, 1880?) - p. 134. MANUEL RICARDO - compositor (Salvador?, BA?, 1840? - Sal-
LEAL, João Francisco - compositor (Rio de Janeiro?, 1800? - Rio vador?, BA?, 1900?) - p. 254.
de Janeiro?, 1870?) - p. 83-84. MARCONDES, Domingos - composito.J,:? poeta? cantor? instrumen-
LEAL, Manoel F. C. - compositor (Rio de Janeiro?, 1850? - Rio tista? (Rio de Janeiro?, 1820?, - Rio de Janeiro?, 1880?) - p.
de Janeiro?, 1910?) - p. 340. 149-150.
356 357
NEGRÃO, Dalmácia Francisco - compositor e pianista '(também
MARIA, Manuel Joaquim - compositor, violonista, violinista, violon- cantor?) - (Salvador?, BA, 1820? - Salvador?, BA, 1880?) - p.
celista, regente (também letrista?) - (Rio de Janeiro, 1840 - 142-143.
Rio de Janeiro, 1874) - p. 222-226. W NEPOMUCENO, João Brás - compositor (também cantor?) (Salva-
MARRECO - flautista (Rio de Janeiro?, 1850? - Rio de Janeiro?, dor?, BA?, 1820?- Salvador?, BA?, 1880?) - p. 145-146. .
1910?) - p. 333. NORONHA, Francisco de Sá - compositor e violinista (?, Portugal,
MARTINS, Francisco José - compositor, letrista e contrabaixista (Rio 1820? - Rio de Janeiro, 26-1-1881) - p. 152-154.
de Janeiro?, 1830? - Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 185-186. NORONHA E CASTRO, Maria Guilhermina de - compositora (Rio
MARTINS, Joã.o de Sousa - compositor (também letrista?) - (Rio de Janeiro?, 1820? - Rio de Janeiro?, 1880?) - p. 136-137.
de Janeiro?, 1830? - Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 188. NUNES, Lino José - compositor, contrabaixista, cantor (também
MATOS, Gregório de (Gregório de Matos Guerra) - compositor, letrista?) - (Rio de Janeiro?, 1790? - Rio de Janeiro?, 1850?)
letrista e executante de viola de arame (Salvador, BA, 20-12-1633 - p. 68-69.
- Recife, PE, 1696) - p. 38-43.
MATOS, Madame A. de - compositora (Rio de Janeiro?, 1820? - o
Rio de Janeiro?, 1880?) - p. 151-152.
MAZZIOTTI, João Paulo - compositor e cantor (Lisboa?, Portugal?, OLIVEIRA, Alexandrina Maciel de - pianista e compositora (Rio de
1780? - Rio de Janeiro?, 1850?) - p. 62. Janeiro?, 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 266.
OLIVEIRA, Dâmaso Porcino de - compositor (Rio de Janeiro?,
MEDEIROS, A. Soares de - compositor (Rio de Janeiro?, 1840?
Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 270. 1850? - Rio de Janeiro?, 1910?) - p. 337.
OLIVEIRA, Félix F. de - pianista e compositor (Rio de Janeiro?.
MELO, Félix de - pianista e compositor (Rio de Janeiro?, 1840?
Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 242. 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 247-248.
MELO, João Alves de - compositor (também cantor?) (Salvador?, OLIVEIRA COSTA, José Rufino d' - compositor (Rio de Taneiro?.
BA?, 1820? - Salvador?, BA?, 1880?) - p. 143. 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 261.
MELO MORAIS FILHO (Alexandre José de Melo Morais Filho) - p
poeta (Bahia, 23-2-1843 - Rio de Janeiro, 1919) - p. 285-286.
MESQUITA, Henrique Alves de - compositor, regente, trompetista e PALMA, J. J. da - violonista (Salvador?, BA?, 185Ó? - Salvador?,
organista (Rio de Janeiro, 15-3-1830 - Rio de Janeiro, 12-7-1906) BA?, 1910?) - p. 330-331.
- p. 190-194. PAULA BRITO (Francisco de Paula Brito) - letrista (Rio de Janeiro,
MILLIET, L. F. - compositor, clarinetista e guit:urista (?. França, 2-12-1809 - Rio de Janeiro, 15-12-1861) - p. 107-110.
1810? - Rio de Janeiro?, 1870?) - p. 117-118. PEÇANHA PóVOA (José }0aquim Peçanha Póvoa) - poeta (São
MONTEIRO, A. J. S. (Antônio José dos Santos Monteiro) - pianista, João da Barra, RJ, 15-4-1837 - São Paulo?, SP?, 1895?) - p.
cantor e compositor (Rio de Janeiro?. 1830? - Rio de Janeiro?. 201-202.
1890?) - p. 182-185. PEDRO I, Dom - cantor (Palácio de Queluz, Distrito de Lisboa,
MONTEIRO E SOUSA, Comendador Carlos - pioneiro da fonografia Portugal, 12-10-1798 - Palácio de Queluz, Distrito de Lisboa, Por-
(Rio de Janeiro?, 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 243-246. tugal, 24-9-1834) - p. 11·12.
MOREIRA, Francisco M. Sousa - compositor (Rio de Janeiro?, 1830? PEDROSA, Luís - compositor (Rio de Janeiro?, 1840? - Rio cfe
- Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 182. Janeiro?, 1900?) - p. 270-271.
MOURA, Antônio Luís de - compositor e clarinetista (Rio de Janei- PEREIRA, J. C. PINTO - compositor e letrista (Rio de Janeiro?.
ro?, 1820? - Rio de Janeiro, 18-6-1889) - p. 155-157. 1840? -Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 242-243.
MOURA CARIJó - compositor?, poeta?, cantor?, instrumentista? (São PEREIRA DA SILVA, João - compositor, saxofonista, flautista e
Paulo?, 1820? - São Paulo?, 1880?) - p. 150. regente (Rio de Janeiro, 1830? - Rio de Janeiro?, 1910) - p. 194.
MUNIZ. José da Cunha - compositor (também cantor?) - (Salva- PESSOA, Francelina Domingos de Moura - compositor (Rio de Tanei-
dor?, BA?, 1810? - Salvador?, BA?, 1870?) - p. 118. ro?, 1840? - Rio de Janeiro?, 1900?) - p. 241-242.
MURICI, João da Veiga - compositor e letrista (Salvador, BA, 1806 PESTANA, Miguel Emídio - compositor e pianista (Rio de Janeiro?,
- Salvador, BA, 24-2-1890) - p. 97. 1845?, - Rio de Janeiro?, 1885?) - p. 288-289.
MUSSURUNGA, Domingos da Rocha (Domingos da Rocha Viana) PINTO, Francisco da Luz - compositor e cantor (Rio de Janeiro?.
- compositor e letrista (Salvador, BA, 20-1-1807 - Salvador, BA, 1795? - Rio de Janeiro, 5-7-1865) - p. 86-87.
28-2-1856) - p. 97-101. PORTUGAL, Marcos (Marcos Antônio da Fonseca Portugal) - campo"
N sitor, cantor e regente (Lisboa, Portugal, 24-3-1762 - Rio de
NAPOLEÃO, Artur (Artur Napoleão dos Santos) - pianista e com- Janeiro, 7-2-1830) - p. 50-52.
positor (Porto, Portugal, 6-3-1843 - Rio de Janeiro, 12-5-1925) - PROENÇA, Antônio Sousa - compositor (Rio de Janeiro?, 1830? -
p. 286-287. Rio de Janeiro?, 1890?) - p. 180.
359
358
Q
SANT'ANA, Padre- compositor (Salvador? BA, 1810?- Salvador?
BA. 1870?) - p. 119.
QUEIRóS, M. A. de Sousa - compositor (também letrista?) (Rio <1f SANT'ANA TORRES (Miguel dos Anjos de Sarit'Ana Torres) - com-
Janeiro?, 1810? - Rio de Janeiro?, 1870?) - p. 117. positor e oficlidista (Salvador, BA, 16-12-1837 - Salvador?, BA,
R 16-7-1902) - p. 218.
SANTA ROSA, José Martins de - compositor e pianista (Rio de Ja·
RABELO, Laurinda (Laurinda José da Silva Rabelo) - letrista, com- neiro?, 1840? - Rio de Janeiro?, 1874) - p. 226-228.
positor e cantor (Rio de .Janeiro, 3-6-1826 - Rio de Janeiro, SANTINI, Francisco - compositor e pianista (também cantor?) (Sal-
28-11-1864) - p. 168-170. vador?, BA?, 1830? - Salvador?, BA?, 1890?) - p. 186-187.
RAMOS, Cândido da Costa - violonista (Rio de Janeiro?, 1850? - SANTO AMARO, Custódio de - violonista (Santo Amaro da Purifi-
Rio de Janeiro?, 1920?) - p. 347. cação?, BA?, 1840? - Salvador?, BA?, 1900?) - p. 251}-257.
RANGEL, Capitão - compositor (também violonista?) (Rio de Janei- SANTOS, Aureliano Quintino dos - compositor (Rio de Janeiro?,
ro?, 1845? - Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 294-295. 1820? - Rio de Janeiro?, 1880? - p. 135-136.
REBOUÇAS, José Pereira - compositor, violinista e regente (Mara- SAPUCAf, Marquês de (Cândido José de Araújo Viana) - compo-
gogipe, BA, 2-1-1789 - Salvador, BA, ?-1-1843) - p. 66-68. sitor e letrista (Sabará, MG, 15-9-1793- Rio de Janeiro, 23-1-1875)
REICHERT, Matheus André - flautista e compositor (Maestricht, p. 70-71.
Bélgica, 1830 - Rio de Janeiro, 15-3-1880) - p. 171-173. SATURNINO - flautista (Rio de Janeiro?, 1845? - Rio de Janeiro?.
REIS, A. T. P. -compositor (Salvador?, BA?, 1830? - Salvador?. 1905?) - p. 295-296.
BA?, 1890?) - p. 187-188. SEPúLVEDA, Chico (Francisco Sepúlveda) - cantor, compositor e
REIS, Domingos dos - cantor? violonista? (Rio de Janeiro?. 1845? letrista (Salvador, BA, 1850? - Salvador?, BA?, 1910?) - p. 334-
- Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 294. -337.
REIS, Pascoal Rodrigues - violonista e executante de cavaquinho SERRA, Júlio Antônio Leal - compositor (Salvador?, BA, 1810? -
(Rio de Janeiro?, 1850? - Rio de Janeiro?, 1920?) - p. 344-346. Salvador?, BA, 1870?) - p. 112.
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RIBAS, João Vítor- compositor, regente, violinista (?. Portugal, 1810? SILVA, Cândido Dias da - compositor (Rio de Janeiro?, 1820? -
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RIBEIRO, Pe. Lourenço - cantor, compositor, letrista, citarista e exe- SILVA, Cândido Inácio da - compositor, letrista e cantor (Rio de
cutante de viola (Salvador, BA, 1648 - Salvador?, BA?, 1724) - Janeiro, 1800 - Rio de Janeiro, 1838) - p. 72-81.
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RIVERO, Demétrio - compositor e violinista (?, Argentina, 1820? - - Rio de Janeiro, 18-12-1865) · - p. 85-86.
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~
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360 j 361
I
i
T
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TELES, Padre -compositor (Salvador?. BA. 1800?- Rio de Janeiro?,
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TORRES, Miguel - compositor e regente (Salvador?, BA?, 1850?
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VIEIRA BARBEIRO (. ... Vieira) - cantor?, violonista? (Rio de Janei-
ro?, 1845? - Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 292.
z
Z~MENINO (José ... ) - cantor?, violonista? (Rio de Janeiro?, 1845?
- Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 291.
ZUZU CAVAQUINHO - executante de cavaquinho (Rio de laneiro?,
1845? - Rio de Janeiro?, 1905?) - p. 289-290
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