Sistemas de Ventilação Industrial: Guia Técnico
Sistemas de Ventilação Industrial: Guia Técnico
PROPÓSITO
Com a diversidade de situações ocupacionais em que o ar ambiente se encontra contaminado ou com
temperatura anormal, é de grande importância o estudo de soluções, objetivando garantir um ambiente
saudável.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos papel, caneta, uma calculadora científica ou use a
calculadora de seu smartphone/computador, para a realização das tarefas em aula.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
MÓDULO 2
Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de
tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a
unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o
padrão internacional de separação dos números e das unidades.
MÓDULO 1
LIGANDO OS PONTOS
Você sabe o que significa ventilação geral diluidora e ventilação local exaustora? Conseguiria identificar
em uma atividade do dia a dia uma situação de exposição ocupacional passível de ser reduzida ou
eliminada com o emprego de ventilação industrial? Para entendermos os conceitos envolvidos, tomando
por base uma situação prática, vamos analisar o case da Cozinha Industrial da Dona Bela, a seguir:
A Cozinha Industrial da Dona Bela está legalmente estabelecida, na cidade de Itaperuna, Rio de Janeiro,
cuja velocidade média sazonal dos ventos, perpendiculares à parede, é de
3, 4m/s
2
48, 47m
, com um pé direito de
3, 70m
; duas janelas laterais e duas portas, sendo que cada uma das janelas possui dimensões de
2m × 1m
(75% correspondem à área de abertura das janelas); iluminação artificial de lâmpadas fluorescentes
econômicas; ventilação natural de portas e janelas e artificial local exaustora. Os principais
equipamentos e dispositivos utilizados são: fogão industrial de quatro bocas
(p × l × h)
, e forno. Cabe observar que cada um dos fogões possui uma coifa do tipo ilha central, responsável pela
remoção das respectivas emissões, situada a 1,10m de distância da fonte de calor.
Da mesma forma, existe uma coifa para o conjunto das duas fritadeiras com
1, 10m
1, 20m × 1, 00m
0, 40m
de distância da fonte de calor. Você foi consultado para apresentar a sua posição técnica sobre o
sistema de ventilação empregado, assim como propor novas configurações.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
RESPOSTA
Atende na medida em que a faixa recomendada está compreendida entre 10 e 30 trocas por hora.
A importância do ar para o homem é por demais conhecida sob o aspecto da necessidade de oxigênio
para o metabolismo. Por outro lado, a movimentação de ar natural, isto é, através dos ventos, é
responsável pela troca de temperatura e umidade que sentimos diariamente, dependendo do clima da
região. A movimentação do ar por meios não naturais constitui o principal objetivo dos equipamentos de
ventilação, ar-condicionado e aquecimento, transmitindo ou absorvendo energia do ambiente, ou mesmo
transportando material, atuando em um padrão de grande eficiência sempre que utilizado em
equipamentos adequadamente projetados.
Cabe ressaltar a forma pela qual se processa a transferência de energia e que dá ao ar capacidade de
desempenhar determinada função. A velocidade, a pressão, a temperatura e a umidade envolvem
mudanças nas condições ambientais, tornando-as propícias ao bem-estar do trabalhador. A ventilação
industrial tem sido e, continua sendo, a principal medida de controle efetiva para ambientes de
trabalho prejudiciais ao ser humano.
SAIBA MAIS
O AR
Ar respirável (ar puro) é a camada atmosférica próxima ao nível do mar, de espessura aproximada de
1% a 2% do total da camada atmosférica. Essa camada permite, em condições normais, a sobrevivência
do ser humano. A composição média do ar respirável apresenta os seguintes componentes principais:
N2 - 78,03%
O2 - 20; 99%
CO2 - 0,03%
H2O - 0,47%
Outros gases - 0,49%
SAIBA MAIS
Os valores da pressão sofrem alterações à proporção que nos afastamos verticalmente em referência ao
nível do mar, graças ao peso da camada de ar que reduz à medida que nos elevamos.
Por isso, a importância de conhecer mais sobre o ar e os processos que o envolvem. Confira a
seguir!
Isto é:
T = Q / V
Onde:
Q - Vazão em m³/h
V - Volume do ambiente em m³
Isto é:
Q = V / t
Onde:
Q - Vazão em m³/h
V - Volume em m³
t - Tempo em h
No quadro a seguir, são indicadas as relações de espaço ocupado e vazões necessárias para diversas
situações.
TAXA DE RENOVAÇÃO
ÁREA FUNCIONAL VAZÃO(ft³/min.)/pessoa
(trocas/hora)
Salas de animais 12 – 16 -
Auditórios 10 – 20 10
Padaria e confeitaria 20 – 60 -
Boliches 15 – 30 30
Igrejas 15 – 25 5
Salas de aula 10 – 30 40
Salas de conferência 25 – 35 -
Corredores 3 – 10 -
Escritórios 8 – 12 -
Cozinhas industriais 10 – 30 -
ATENÇÃO
As trocas de até oito vezes por hora são suficientes para remover contaminantes emitidos por
ocupantes.
O limite superior de cada faixa é recomendado para remover calor e vapor em zonas tropicais.
Em climas quentes, sugere-se o dobro dos valores considerados no quadro. Se ocorrer a presença
de fumantes também deve ser considerado o dobro dos valores da tabela.
O espaço não deve ser inferior a 150ft3 / pessoa (4,248m3 / pessoa) ou 15ft2 / pessoa (1,394m2 /
pessoa).
Segundo Macintyre (1990), o cálculo da vazão volumétrica de ar que entra no recinto através de
aberturas é dado por:
Q = φ × V × A
0, 5 ≤ φ ≤ 0, 6
0, 25 ≤ φ ≤ 0, 35
).
V – é velocidade que corresponde a cerca de 50% do valor da velocidade média sazonal dos
ventos locais, em m/s.
SAIBA MAIS
TEMPERATURA DO AR
Influi na troca térmica que ocorre entre o organismo humano e o meio ambiente, pelos mecanismos de
convecção ou condução. Para uma temperatura maior do que a temperatura da pele, temos um ganho
de calor do organismo.
UMIDADE DO AR
Influi na troca térmica que ocorre entre o organismo humano e o meio ambiente pela evaporação.
VELOCIDADE DO AR
É a responsável por aumentar a troca térmica entre o corpo e meio ambiente, por condução/convecção.
CALOR RADIANTE
É a energia emitida pelos corpos aquecidos a partir de fontes de radiação infravermelha.
TAXA METABÓLICA
Varia em função do tipo de atividade exercida pelo trabalhador. É estimada por tabelas disponíveis na
legislação.
A exposição do trabalhador às temperaturas extremas pode ser entendida pela expressão a seguir
(balanço térmico):
S = + M ± C ± R – E
Onde:
ATENÇÃO
tsc < ta – corpo recebe calor do meio ambiente e entra em sobrecarga térmica.
A avaliação da exposição ocupacional ao calor toma por base o índice de bulbo úmido termômetro de
globo (IBUTG) relacionado à taxa metabólica (M), calculado pelas seguintes equações:
Onde:
tbn - Temperatura de bulbo úmido natural em °C (70% – depende da umidade relativa do ar).
SISTEMAS DE VENTILAÇÃO
MANUTENÇÃO DO CONFORTO
MANUTENÇÃO DA SAÚDE E SEGURANÇA DO HOMEM
CONSERVAÇÃO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS (POR
IMPOSIÇÃO TECNOLÓGICA)
MANUTENÇÃO DO CONFORTO
Reduzir concentrações no ar de gases vapores, aerodispersoides em geral, nocivos ao homem, até que
baixe a níveis compatíveis com a saúde. Manter concentrações de gases, vapores e poeiras inflamáveis
ou explosivos fora das faixas de inflamabilidade ou de explosividade.
Ventilação natural.
Ventilação geral para conforto térmico.
Ventilação geral diluidora.
Ventilação local exaustora (sistema).
Tipos de ventilação
A seguir, saiba mais detalhes sobre ventilação, seus tipos e suas especificidades:
MÉTODOS DE DISTRIBUIÇÃO DO AR
Para os processos citados, quanto à renovação, podemos distribuir o ar no recinto de várias maneiras,
conforme as condições apropriadas do recinto, definidas pelo projeto, seja arquitetônico ou de planta
industrial.
Distribuição cruzada.
Distribuição mista.
• Entrada superior formando jato circulatório em todo recinto com saída (grades de insuflamento)
próxima da entrada.
• Boca de insuflamento no teto, que ocorre quando o ponto de entrada e de saída estão próximas
empurrando o ar para baixo formando uma mistura e retirando o ar por insuflamento no centro da boca
(típicos de lojas, bancos etc.).
DISTRIBUIÇÃO CRUZADA
Os pontos de entrada e saída (de insuflamento) ficam em lados opostos, situados pela parte superior do
recinto, formando um fluxo dentro do recinto. Esse processo é utilizado em pequenos espaços, por sua
eficiência.
DISTRIBUIÇÃO MISTA
É utilizado em recintos em que existem vários comportamentos na atividade e os contaminantes não
apresentam uniformidades. Normalmente, a combinação de distribuição permite insuflar tanto para cima
como para baixo. O ponto de insuflamento fica normalmente em altura mediana.
AR-CONDICIONADO
Processos de fabricação de certos produtos com controle de umidade, temperatura e pureza, por
exemplo: fabricação de produtos farmacêuticos, alimentícios, impressão de cores, industriais
têxteis, de solventes etc.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
LIGANDO OS PONTOS
Você sabe o que significa ventilação geral diluidora e ventilação local exaustora? Conseguiria identificar
em uma atividade do dia a dia uma situação de exposição ocupacional passível de ser reduzida ou
eliminada com o emprego de ventilação industrial? Para entendermos os conceitos envolvidos, tomando
por base uma situação prática, vamos analisar o case da Cozinha Industrial da Dona Bela, a seguir:
A Cozinha Industrial da Dona Bela está legalmente estabelecida, na cidade de Itaperuna, Rio de Janeiro,
cuja velocidade média sazonal dos ventos, perpendiculares à parede, é de
3, 4m/s
, com um pé direito de
3, 70m
; duas janelas laterais e duas portas, sendo que cada uma das janelas possui dimensões de
2m × 1m
(75% correspondem à área de abertura das janelas); iluminação artificial de lâmpadas fluorescentes
econômicas; ventilação natural de portas e janelas e artificial local exaustora. Os principais
equipamentos e dispositivos utilizados são: fogão industrial de quatro bocas
(p × l × h)
, e forno. Cabe observar que cada um dos fogões possui uma coifa do tipo ilha central, responsável pela
remoção das respectivas emissões, situada a 1,10m de distância da fonte de calor.
Da mesma forma, existe uma coifa para o conjunto das duas fritadeiras com
1, 10m
0, 40m
de distância da fonte de calor. Você foi consultado para apresentar a sua posição técnica sobre o
sistema de ventilação empregado, assim como propor novas configurações.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
RESPOSTA
Qv = v × A
2
A = 1, 20 × 1, 00 = 1, 2m
−1
V = 0, 5m. s
3 −1
Qv = 1, 20 × 0, 5 = 0, 6m . s
Q = AV
Onde:
Q – Vazão em m³/h
A – Área em m²
V – Velocidade em m/s
ATENÇÃO
Existem, no mercado, difusores com seções diferentes adaptados às diversas vazões, basta que o
projetista determine a vazão de insuflamento.
Como já foi destacado, a ventilação local exaustora tem como objetivo principal captar os poluentes de
uma fonte (gases, vapores ou poeiras toxicas) antes que eles se dispersem no ar do ambiente de
trabalho, ou seja, antes que atinjam a zona de respiração do trabalhador. A ventilação de operações,
processos e equipamentos, dos quais emanam poluentes para o ambiente, é uma importante medida de
controle de riscos.
Onde:
1 - Captor
2 - Sistema de dutos
3 - Ventilador
Para a aplicação da ventilação geral, no tocante à manutenção das condições de conforto, diversos
procedimentos devem ser atendidos, entre eles, o cálculo da quantidade de ar para produzir correntes
de ar com as velocidades compreendidas entre 1,5 e 15m/min, já que esse intervalo é o recomendado
para melhorar a sensação de conforto. Por exemplo, para um ambiente de escritório (10 trocas de
ar/hora), com cerca de
3
1.200m (30 × 10 × 4m)
3
10 × 1200 = 12.000m /h
O emprego da ventilação geral diluidora, com sucesso, para a dispersão de contaminantes, depende
dos seguintes aspectos:
O poluente gerado não deve estar presente em quantidade que exceda a que pode ser diluída com
um adequado volume de ar.
A distância entre os trabalhadores e o ponto de geração do poluente deve ser suficiente para
assegurar que os trabalhadores não estarão expostos a concentrações médias superiores ao limite
de tolerância.
Diversas razões levam à não utilização frequente desse tipo de ventilação para poeiras e fumos. A
quantidade de material gerado é, usualmente, muito grande e a sua dissipação pelo ambiente é
desaconselhável. Além disso, o material pode ser muito tóxico, requerendo, portanto, uma excessiva
quantidade de ar de diluição.
A taxa de ventilação –
Q
n
Q
n
Onde:
K = 6
K = 3
(para substâncias levemente tóxicas).
Um produto contendo 60% de tolueno como solvente está sendo aplicado em uma organização a uma
taxa de
1, 5l/h
M = 92
SOLUÇÃO
a) Pela NR – 15 o LEO do tolueno é igual a 78ppm.
º
20 C(GE = 0, 87)
d)
3
Qn = 12.354m /h.
Um sistema de ventilação local exaustora deve ser projetado de acordo com os princípios de
engenharia, ou seja, de maneira a se obter maior eficiência com o menor custo possível. Por outro lado,
devemos lembrar que, na maioria dos casos, o objetivo desse sistema é a proteção da saúde do
homem. Assim, esse fator deve ser considerado em primeiro lugar, e todos os demais devem estar
condicionados a ele.
Muitas vezes, a instalação de um sistema de ventilação local exaustora, embora bem dimensionada,
pode apresentar falhas que a tornem inoperante, pela não observância de regras básicas na captação
de poluentes na fonte. O enclausuramento de operações ou processos, a direção do fluxo de ar, entre
outros fatores, são condições básicas para uma boa captação e exaustão dos poluentes.
Como exemplo, a seguir, temos a maneira correta de se proceder, comparada com as situações que
tornam a exaustão inoperante, nos casos específicos de descarregamento de correias transportadoras e
tanques de lavagem. Os captores envolvem todo o sistema não permitindo emissões fugitivas formando
correntes de fluxo ascendente.
Captores
Dependendo das concentrações, não é permitido o lançamento para atmosfera, pois pode atingir a
circunvizinhança, por isso, a necessidade de instalação de filtros ou dispositivos para reduzir as
emissões atmosféricas. Como exemplos, temos: cortina de água, filtros de carvão, filtros de manga etc.
São os equipamentos básicos do sistema de ventilação local exaustora:
Captores.
Ventiladores.
Motores de acionamento.
EXEMPLO
Para soldagem elétrica, deve-se utilizar a velocidade de captura entre 30 e 60m/min., no ponto de
origem para coifa suspensa. Já para operações envolvendo evaporação em tanque, eletrodeposição e
desengraxamento a velocidade de captura – VC deve estar entre 15 e 30m/min.
ATENÇÃO
CAPELAS
São armários normalmente usados em laboratórios.
COIFAS
São captores para arraste de gases ou vapores (fogões, forjas, fornos etc.).
FENDAS
São captores para gases ou vapores emitidos por tanques de banhos, instalados sobre o tanque com
saída de arraste fora de centro pela lateral, a fenda cobre toda superfície do tanque.
CAPTORES DE POLITRIZES ESMERIL
São captores que envolvem motores (rotores), permitindo captura do abrasivo e do material de corte ou
desbasto.
CAMPÂNULAS
São simples caixas que envolvem os equipamentos (serrarias, ensacadeiras etc.).
SIMPLES BOCAS
São apenas aberturas onde entra o ar ambiente.
Captores.
hv
Δp
hv
hv
é determinada por:
2
hv = (V / 2g) . γ
Onde:
−2
m. s
hv
2 2
F = (1 − Ce ) /Ce
Onde:
Ce - Coeficiente de entrada
Cabe registrar, como exemplo, a formulação para o cálculo da vazão de aspiração do captor tipo
coifa aberta, dado pela equação:
Q2 = 1, 4 × P × D × V
Onde:
Q2 - É a vazão de aspiração do captor, em m³/s
P - É o perímetro do tanque, em m
EXEMPLO 1
Determine a vazão para a coifa tipo ilha (cozinha industrial), sabendo que:
Q1 = 2.300 × A1
DIMENSÕES DA COIFA:
Comprimento de 2m.
Largura de 1m.
Afastamento - Altura de 1m.
SOLUÇÃO
3
Q1 = 2300 × 2 × 1 = 4.600m /h
3
Q2 = 915 × 2 (2 + 1) × 1 = 5.490m /h
3
5.490m /h
EXEMPLO 2
Determine a vazão para a coifa encostada em uma parede (cozinha industrial), sabendo que:
Q2 = 915 × A2
DIMENSÕES DA COIFA:
Comprimento de 1,5m.
Largura de 1m.
SOLUÇÃO
3
Q1 = 1460 × 1, 5 = 2.190m /h
3
Q2 = 915 × 5 = 3.202, 50m /h.
3
3.202, 50m /h
Para o cálculo da vazão de ar necessária em uma coifa de forno, utiliza-se a equação, a seguir:
Q = v × A
v
Onde:
Q
v
SAIBA MAIS
Segundo Macintyre (1990), os dutos são equipamentos responsáveis pela condução do ar contaminado
até a entrada do ventilador e deste ao exterior, ou aos dispositivos e equipamentos de controle
ambiental. A linha de dutos a ser instalada em um sistema de ventilação local exaustora deverá ter o
menor comprimento possível, minimizando a perda de carga no sistema.
É importante salientar que os dutos do sistema de ventilação local exaustora devem possuir seção
circular, sempre que possível, a fim de evitar arestas ou zonas de velocidade reduzida, que possibilitam
a estagnação dos contaminantes. Como o sistema de exaustão possui uma série de tubos e elementos,
a perda de carga deve ser considerada, pois ela ocorre por meio do atrito entre o gás e as paredes
internas da tubulação, convertendo a energia mecânica em energia térmica.
O resultado desse atrito causa a diminuição no nível de pressão total do sistema, que deverá ser
compensado posteriormente. Além da perda de carga pelo atrito entre o fluido e o duto, cotovelos,
junções, curvas e reduções causam distúrbios no fluxo do ar, e representam pontos em que ocorrem
perda de carga localizada. O dimensionamento do sistema de dutos está estruturado a partir da equação
de continuidade e do princípio de conservação de energia para os fluidos em escoamento, ou equação
de Bernoulli (MACINTYRE, 1990).
S = Q / V
1/2
d = (4 × S/π)
Q - É a vazão, em m3.s-1
d - É o diâmetro do duto, em m.
Perda de carga.
A seguir, são iniciados os cálculos referentes à definição da perda total de carga que o sistema irá
apresentar. Levam em conta as perdas de carga em junções, curvas e joelhos, assim como os
referentes às reduções de diâmetro e derivações observadas no projeto. Macintyre (1990) é de opinião
que, para determinar a perda de carga
Δp
em junções, curvas, derivações e joelhos, deve-se multiplicar o valor tabelado de K pela pressão
dinâmica
hv
Δp = K × hv
Sendo que:
2
hv = V / 16, 34
Onde:
hv
- Pressão dinâmica, em mmH2O
Δp
Ângulo k Ângulo K
Tabela: Determinação de K.
Extraído de Macintyre, 1990, adaptada por Lucio Villarinho Rosa.
Perda de carga.
Singularidades.
Tipos de ventiladores.
O ventilador de hélice consiste em uma hélice montada em uma armação de controle de fluxo, com o
motor apoiado por suportes normalmente presos à estrutura dessa armação. O ventilador é projetado
para movimentar o ar de um espaço fechado a outro, a pressões estáticas relativamente baixas. O tipo
de armação e a posição da hélice têm influência decisiva no desempenho do ar e eficiência do próprio
ventilador.
Capacidade ou vazão?
Qual o diâmetro da peça onde vai ser ligado o ventilador, se for o caso?
Trata-se de instalação de ventilação para fins de conforto ou para fins de aspiração de poeiras, ou
troca de calor, ou de ar-condicionado, civil ou industrial, ou torres de arrefecimento de água, ou de
cabine de pintura?
No caso de o ventilador ser centrífugo, indicar a posição da boca de saída, olhando do lado do
motor ou da polia.
Quais são o diâmetro e o comprimento dos dutos onde vai ser ligado o ventilador?
Esse duto termina na atmosfera ou dentro de uma máquina? Como se chama essa máquina?
No caso de substituição de ventilador existente, indicar: Motor = Potência HP; RPM; Volts e
transmissão direta ou por polia? De que é feito o material?
Segundo Macintyre (1990), a potência requerida do ventilador pode ser calculada pela seguinte
equação:
N = Q . Δp / 75 . η
Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Onde:
Δp
- Rendimento do ventilador
EXEMPLO
Considere que a perda de carga total do sistema, ou seja, o somatório das perdas de carga (captor,
trechos de dutos, curvas, derivações) desde a entrada do captor até o ventilador seja de 200mmH2O e,
hv
seja de 7,6mmH2O. Agora, determine a potência do motor que aciona o ventilador, considerando que o
, seja de
3 −1
1, 176m . s
SOLUÇÃO
a) Como primeiro passo, deve-se determinar a pressão total ou energia total que o ventilador deverá
atender, ou seja:
N = Q . Δp / 75 . η
N = 5cv.
Segundo Macintyre (1990), os poluentes, uma vez captados e conduzidos em dutos pela ação dos
ventiladores, devem ser coletados, eliminados do ar, recolhidos e tratados de modo com que o ar
purificado possa ser liberado na atmosfera. Para Costa (2005), os principais equipamentos que realizam
os objetivos de separar, coletar e dar uma destinação aos poluentes são:
CÂMARAS GRAVITACIONAIS
Em geral, são grandes caixas de decantação natural em que o ar contaminante assume uma redução
drástica de velocidade, o que permite que as partículas se depositem no fundo do recipiente, pela ação
da gravidade.
CICLONES
Trabalham em função da ação da força centrífuga que age sobre as partículas, empurrando-as na
direção das paredes, e retirando-as dos fluxos gasosos.
PRECIPITADORES ELETROSTÁTICOS
Conduzem o fluxo de ar com os contaminantes por um campo elétrico de elevada diferença de potencial,
em que o ar se ioniza e transmite sua carga elétrica para as partículas que podem ser atraídas por um
eletrodo coletor de polaridade contrária.
FILTRO DE MANGAS
Os filtros de tecido operam de modo similar a um aspirador de pó, deixando passar o ar com as
partículas menores e retendo as maiores.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como estudamos, para que haja segurança à saúde do trabalhador, a ventilação do espaço laboral é de
extrema necessidade. Porém, vimos que existem algumas atividades específicas em que o controle da
ventilação é de suma importância para garantir a segurança do trabalhador e garantir que o excesso ou
a falta de ventilação não irá inviabilizar o cumprimento da atividade.
Aprendemos a importância do cálculo da taxa de renovação do ar, assim como, a sua medição por meio
de fluxo do ar, e aprendemos o porquê de utilizar a medição do IBUTG para garantir a segurança da
saúde do trabalhador. Por fim, examinamos que a renovação de ar no ambiente laboral garante
qualidade de vida ao trabalhador e que ela deve ser tratada com muita seriedade.
PODCAST
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Cartilha de Proteção Respiratória contra
Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde. Brasília: Anvisa, 2009.
ARAUJO, G. M. de. Normas regulamentadoras comentadas e ilustradas. 8. ed. Rio de Janeiro: GVC,
2013.
BELTRAMINI, M.; STUMM, S. Higiene no trabalho. Curitiba: Instituto Federal do Paraná, Educação a
distância; Rede e-Tec Brasil, 2013.
COSTA, Paulo. Segurança do trabalho II. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, Colégio
Técnico Industrial de Santa Maria; Rede e-Tec Brasil, 2013.
MACINTYRE, A. J. Ventilação Industrial e Controle da Poluição. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1990.
OLIVEIRA, A. de. Estudo de caso: análise da eficácia de um sistema de ventilação local exaustora
utilizado para controle da sílica em uma indústria de borracha do Estado de São Paulo. 2016.
Dissertação (Mestrado em Trabalho, Saúde e Ambiente) – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de
Segurança e Medicina do Trabalho, São Paulo, 2016.
PEIXOTO, H.; FERREIRA, L. Higiene ocupacional I. Santa Maria: Universidade Federal de Santa
Maria, Colégio Técnico Industrial de Santa Maria; Rede e-Tec Brasil, 2012.
SALIBA, T. Manual prático de higiene ocupacional e PPRA: Avaliação e controle dos riscos
ambientais. 1. ed. São Paulo: LTr, 2005.
VIEIRA, S. I. Manual de Saúde e Segurança no Trabalho. 2. ed. atual. São Paulo: LTr, 2008.
EXPLORE+
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste conteúdo, assista aos seguintes vídeos da
Fundacentro no YouTube:
Marmorarias.
CONTEUDISTA
Lucio Villarinho Rosa