Estudo de Diodos e Circuitos Elétricos
Estudo de Diodos e Circuitos Elétricos
Material Teórico
Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Revisão Textual:
Prof. Esp. Luciano Vieira Francisco
Estudo de Diodos
e Circuitos com Diodos
• Diodos;
• Diodos Ideais e Reais;
• Barreira de Potencial;
• Corrente de Fuga Superficial;
• Ruptura;
• Modos de Polarização do Diodo Semicondutor;
• Técnicas de Análise de Circuitos com Diodos;
• Tipos de Diodo;
• Aplicações de Diodos.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Verificar o funcionamento dos diodos semicondutores e suas aplica-
ções como retificadores de tensão.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.
Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.
Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.
Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Diodos
Semicondutores
Os melhores condutores – prata, cobre e ouro – têm um elétron de valência,
enquanto que os melhores isolantes têm oito elétrons de valência. Assim, um semi-
condutor é um elemento com propriedades elétricas entre as de um condutor e de
um isolante. Como você poderia esperar, os melhores semicondutores têm quatro
elétrons de valência, entre os quais:
·· Germânio: é um exemplo de semicondutor com quatro elétrons na última
camada, muito utilizado há anos e que caiu em desuso devido a uma falha
ligada à sua alta corrente reversa – veremos corrente reversa em breve –,
falha que não foi possível corrigir;
·· Silício: é um dos elementos mais abundantes na natureza, de modo que
sem a sua descoberta e possibilidade de refino as comunicações e os com-
putadores seriam impossíveis, já que possui, quando isolado, quatorze pró-
tons e quatorze elétrons – como pode ser visto na Figura 2.
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Ge Si
+32 +14
Valência e Cristais
A valência de um átomo está relacionada ao número de elétrons que esse possui
em sua última camada. Assim e por exemplo, se um átomo possui:
· Dois elétrons na última camada, será bivalente;
· Três elétrons na última camada, será trivalente;
· Quatro elétrons na última camada, será tetravalente;
· Cinco elétrons na última camada, será pentavalente.
Assim, um átomo com menos de quatro elétrons na última camada pode doar
elétrons para se estabilizar, enquanto um átomo com mais de quatro elétrons pode
receber elétrons para se tornar estável. Já um átomo com quatro elétrons na últi-
ma camada tende a compartilhar elétrons com outros átomos para se estabilizar.
A união de átomos que compartilham elétrons forma estruturas complexas, chama-
das de cristais. Assim, um cristal de silício é a união de átomos de silício em uma
estrutura complexa e estável.
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Dopagem de um Semicondutor
Uma forma de aumentar a condutividade de um semicondutor é por dopa-
gem, ou seja, adição de átomos de impureza em um cristal intrínseco alterando
a sua condutividade elétrica. Um semicondutor dopado é denominado semicon-
dutor extrínseco.
Diodo Semicondutor
Ânodo Cátado
Ânodo Cátado
P N
+ + – –
+ + – –
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Explor
Por que se usa o termo semicondutor?
O material semicondutor leva este nome porque conduz apenas corrente elétrica em um
sentido; no caso do diodo, condu z a corrente elétrica somente quando polarizado direta-
mente, por exemplo.
A K A K
On
Figura 5 – Diodo representado como chave fechada
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017
A K A K
Off
Figura 6 – Diodo representado como chave aberta.
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017
Já o diodo real é aquele como uma chave em série com uma bateria e resistor.
Tal modelo representa todas as perdas que podem existir em um diodo. Além da
tensão de barreira, esse modelo evidencia um resistor para representar as perdas
durante a passagem da corrente pelo corpo do diodo – resistência de corpo do
diodo –, apesar de essas serem desprezíveis.
Vb
r + –
A K A K
Off
Vb
r + –
A K A K
On
Figura 7 – Representação do diodo real com perdas na junção
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
A queda de tensão na junção do diodo é de 0,7 V para Si e 0,2 V para germânio, de modo que
Explor
tal queda de tensão se deve a uma barreira que se forma na junção, chamada de barreira
de potencial.
Barreira de Potencial
Cada tipo dipolo tem um campo elétrico entre os íons positivos e negativos.
Portanto, se elétrons livres adicionais entram na camada de depleção – região da
divisa entre o material de tipos n e p –, o campo elétrico tenta empurrá-los de
volta à região n. A força do campo elétrico busca aumentar em cada travessia de
elétrons até que o equilíbrio seja atingido. Uma primeira aproximação significa que
o campo elétrico finalmente interrompe a difusão de elétrons por meio da junção.
Ruptura
Diodos possuem especificações máximas de tensão reversa que podem suportar
antes de serem destruídos, pois, como sabemos, um diodo reversamente polarizado
não conduz corrente elétrica. Assim, para sabermos estes valores, entres outros
máximos e mínimos de um diodo, devemos consultar a sua folha de dados ou data
sheet – fornecida por seu fabricante.
Explor
Em Síntese Importante!
Um diodo ideal é aquele em que as perdas não são levadas em consideração; já no diodo
real estão consideradas as perdas relativas.
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Modos de Polarização
do Diodo Semicondutor
· Polarização direta – ou ligada: a condição desta polarização é estabele-
cida aplicando-se o potencial positivo ao material de tipo p, e o potencial
negativo ao material de tipo n (Figura 8a) – neste momento, o diodo se
comporta como uma chave fechada (Figura 8b);
R I + R –
I + –
+ + + +
V V D
D –
– – –
(a) (b)
R I + R –
I + –
+ + + +
V V D
D –
– – –
(a) (b)
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
D1 D2 R3
+ D3 1 kΩ
V1 10 V R1 D4
– 2 kΩ R2
10 kΩ
Com a corrente partindo da fonte V1, tem-se os seguintes sentidos para as que-
das de tensão do circuito:
I1 D1 I3 D2 I5 R3
+ – + – + –
I2 I4 +
+ + 1 kΩ +
V1 D3 –
10 V R1 + D4
– – 2 kΩ –
R2 10 kΩ
–
Figura 11 – Sentidos das quedas de tensão ao circuito da Figura 10
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017
+ – + – I5
I1 D1 I3 D2 R3
+ – + – + –
I2 – + 1 kΩ +
+ I4 +
V1 + +
10 V R1 D4
– – –
– 2 kΩ D3 –
+
A B R2 10 kΩ C
–
Figura 12 – Circuito com os diodos trocados por seus modelos
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017
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Além disso, deve-se lembrar que os diodos com polarização direta terão queda
de tensão igual à sua tensão de barreira (Vb = 0,7 V para diodos de silício e 0,3 V
para diodos de germânio). Os diodos com polarização reversa possuem corrente
igual a zero devido ao aumento da barreira de potencial – a tensão de barreira
escolhida como padrão será 0,7 V.
I3 = I4 + I5 = 0 + 7,9 = 7,9 mA
Do nó D:
Em resumo:
Na fonte: V1 = 10 V I1 = 12,55 mA
Em R2: VR2 = 0 V I4 = 0 A
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Tipos de Diodo
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· Light Emitter Diode (LED) – diodo emissor de luz: em uma corrente
direta, quando os elétrons se recombinam com as lacunas – após passarem
pela região de depleção –, dissipam energia de alguma forma – ou seja, a
diferença de energia inicial e final. Diodos zener, por exemplo, dissipam
essa energia na forma de calor; LED, no entanto, irradiam luz. Por meio
da utilização de elementos como gálio, arsênio e fósforo, por exemplo,
podem ser produzidos LED que irradiam no vermelho, laranja, amarelo,
verde, azul ou infravermelho;
· Fotodiodo: é basicamente um diodo de junção com características cons-
trutivas para direcionar a incidência de luz à camada P. Esta, por sua vez,
é significativamente fina e sua espessura tem relação ao comprimento de
onda da luz a detectar;
+ –
A K
Figura 16 – Símbolo do LED Figura 17 – Símbolo do fotodiodo
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Ânodo Catodo
LED
Figura 20 – Símbolo do LED Figura 21
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons
Aplicações de Diodos
Retificação de Sinais
Retificador é um dispositivo que permite que uma tensão ou Corrente (CA) –
comumente senoidal – seja retificada e transformada em contínua. Existem vários
processos e diversos tipos de retificação, considerando-se a mais comum das retifi-
cações a transformação de uma corrente alternada senoidal em corrente contínua.
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0 0 Diodo 0
A +
1L
127Vef Tensão Tensão
60Hz alternada RL Contínua
–
B
Figura 22 – Circuito de uma fonte de retificação de meia onda
Tensão
de
entrada
o
π 2π t
VP
Tensão
de
saída
o
π 2π t
Figura 24 – Forma de onda de saída em tensão DC de meia onda
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
V2(t)
V2p
+
t
–
–V2p
Vd(t)
V2p
+
t
–V2p
Vri(t)
V2p
+
t
–V2p
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Observando a Figura 26, existe apenas forma de onda positiva na carga, de
modo que não há mais mudança de polaridade da tensão. A condução se dá em
apenas um sentido. Dito de outra forma, a tensão média na carga deixa de ser zero
volt e assume um valor positivo.
Vri(t)
V2p
t
T
–V2p
Figura 26 – Forma de onda na carga para um retificador de meia onda durante quatro ciclos completos
Vdc = Vmáx / π
Idc = Imáx / π
Vef = Vmáx / 2
Ief = Imáx / 2
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
+ + D1 I1
A
127 Vef +
+
60Hz C
D2 IL
VCC
RL
B + I2
-
Logo, podemos concluir que as formas de onda de VS1 e VS2 têm o mesmo
valor eficaz, mas estão sempre defasadas de 180o entre si, como mostram os grá-
ficos da Figura 27.
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Se a tensão no diodo for muito menor do que Vmáx, pode ser desprezada.
Nesse circuito cada diodo conduz somente meio ciclo de onda, exatamente como
no retificador de meia onda. A carga conduz corrente nos dois semiciclos e no
mesmo sentido, de modo que nessa a tensão e corrente são contínuas – e não mais
alternadas, porém, pulsantes.
Observe que como cada diodo conduz apenas em um semiciclo, a sua corrente
média é a metade da corrente média na carga.
As especificações dos diodos para assegurar o seu correto funcionamento devem ser
as seguintes:
IFmáx > Imáx / π
Ponte de diodos:
Retificador de onda completa em ponte:
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Vin Vout
+ + D3 D1
+
-
-
0 0
t t
+
+
- - RL
-
-
D2 D4
Vin Vout
- - D3 D1 Vp(out)
-
-
+
0 0
+
t t
-
+ + RL
-
+
D2 D4
+
Figura 29 – Formas de onda da retificação em ponte
Nesse circuito, como há sempre dois diodos em série, a tensão na carga é 1,2
V menor que a do secundário do transformador. Portanto, a tensão real na carga
é VL = VS - 1,2
A queda de tensão nos diodos pode ser desprezada nos casos em que for muito
menor do que Vmáx. Nesse circuito, cada par de diodos conduz somente meio ciclo
de onda, mas a carga conduz corrente nos dois semiciclos e no mesmo sentido.
Nessa, a tensão e corrente são contínuas pulsantes.
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Nesse retificador, a corrente média nos diodos é a metade da corrente média na
carga. Ademais, as especificações dos diodos para assegurar o seu correto funcio-
namento devem ser as seguintes:
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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Sites
LEDs versus Lâmpadas Convencionais: viabilizando a troca
[Link]
Livros
Laboratório de Eletricidade e Eletrônica
CAPUANO, F. G.; MARINO, M. A. M. Laboratório de eletricidade e eletrônica.
24. ed. São Paulo: Erica, 2007.
Eletrônica Aplicada
CRUZ, E. C. A.; CHOUERI JR, S. Eletrônica aplicada. 2. ed. São Paulo: Erica, [20--?].
Eletrônica Analógica Básica
DUARTE, M. de A. Eletrônica analógica básica. Rio de Janeiro: LTC, 2017.
Vídeos
Fabricação de Semicondutores
[Link]
Teoria sobre Semicondutores
[Link]
Leitura
Derating of Schottky Diodes
[Link]
Diodo e Ponte Retificadora
[Link]
26
Referências
CAPUANO, F. G.; MARINO, M. A. M. Laboratório de eletricidade e eletrônica.
24. ed. São Paulo: Erica, 2007.
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