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Estudo de Diodos e Circuitos Elétricos

[1] O documento discute diodos semicondutores e seus circuitos, incluindo diodos ideais e reais, polarização de diodos, e aplicações de diodos. [2] É fornecido um guia de estudo com dicas para organização dos estudos. [3] O material explica como diodos funcionam usando semicondutores como silício e germânio e como diodos são formados pela junção de materiais tipo N e P.

Enviado por

Paulo Neto
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Estudo de Diodos e Circuitos Elétricos

[1] O documento discute diodos semicondutores e seus circuitos, incluindo diodos ideais e reais, polarização de diodos, e aplicações de diodos. [2] É fornecido um guia de estudo com dicas para organização dos estudos. [3] O material explica como diodos funcionam usando semicondutores como silício e germânio e como diodos são formados pela junção de materiais tipo N e P.

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Eletrônica Geral

Material Teórico
Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Diego Bomfim Pedretti

Revisão Textual:
Prof. Esp. Luciano Vieira Francisco
Estudo de Diodos
e Circuitos com Diodos

• Diodos;
• Diodos Ideais e Reais;
• Barreira de Potencial;
• Corrente de Fuga Superficial;
• Ruptura;
• Modos de Polarização do Diodo Semicondutor;
• Técnicas de Análise de Circuitos com Diodos;
• Tipos de Diodo;
• Aplicações de Diodos.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Verificar o funcionamento dos diodos semicondutores e suas aplica-
ções como retificadores de tensão.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Diodos

Figura 1 – Estrutura física do diodo


Fonte: iStock/Getty Images

O diodo é um componente eletrônico com dois eletrodos – daí a origem de


seu nome: di = dois; odo = eletrodo –, construído a partir de cristais de material
semicondutor, capaz de permitir, ou não, a passagem de corrente elétrica, conforme
o tipo de polarização a que está submetido.

Para entender como diodos, transistores e circuitos integrados funcionam, você


precisa compreender o que são os semicondutores: materiais que não são nem
condutores, nem isolantes. Semicondutores contêm alguns elétrons livres, mas o
que os torna incomuns é a presença de lacunas.

Semicondutores
Os melhores condutores – prata, cobre e ouro – têm um elétron de valência,
enquanto que os melhores isolantes têm oito elétrons de valência. Assim, um semi-
condutor é um elemento com propriedades elétricas entre as de um condutor e de
um isolante. Como você poderia esperar, os melhores semicondutores têm quatro
elétrons de valência, entre os quais:
·· Germânio: é um exemplo de semicondutor com quatro elétrons na última
camada, muito utilizado há anos e que caiu em desuso devido a uma falha
ligada à sua alta corrente reversa – veremos corrente reversa em breve –,
falha que não foi possível corrigir;
·· Silício: é um dos elementos mais abundantes na natureza, de modo que
sem a sua descoberta e possibilidade de refino as comunicações e os com-
putadores seriam impossíveis, já que possui, quando isolado, quatorze pró-
tons e quatorze elétrons – como pode ser visto na Figura 2.

8
Ge Si
+32 +14

Figura 2 – Estruturas atômicas do germânio e do silício


Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

Valência e Cristais
A valência de um átomo está relacionada ao número de elétrons que esse possui
em sua última camada. Assim e por exemplo, se um átomo possui:
· Dois elétrons na última camada, será bivalente;
· Três elétrons na última camada, será trivalente;
· Quatro elétrons na última camada, será tetravalente;
· Cinco elétrons na última camada, será pentavalente.

Os átomos de germânio e silício, em seu estado natural, possuem quatro elé-


trons na última camada, sendo, portanto, tetravalentes. Mas o que significa isso?
A estabilidade de um átomo depende do número de elétrons em sua última ca-
mada. Na maioria dos casos, um átomo é dito estável quando possui oito elétrons
na última camada. Basicamente, existem três formas de um átomo, naturalmente
instável, obter o seu equilíbrio, vejamos:
1. Recebendo elétrons de outros átomos;
2. Doando elétrons para outros átomos;
3. Compartilhando elétrons com outros átomos.

Assim, um átomo com menos de quatro elétrons na última camada pode doar
elétrons para se estabilizar, enquanto um átomo com mais de quatro elétrons pode
receber elétrons para se tornar estável. Já um átomo com quatro elétrons na últi-
ma camada tende a compartilhar elétrons com outros átomos para se estabilizar.
A união de átomos que compartilham elétrons forma estruturas complexas, chama-
das de cristais. Assim, um cristal de silício é a união de átomos de silício em uma
estrutura complexa e estável.

9
9
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Dopagem de um Semicondutor
Uma forma de aumentar a condutividade de um semicondutor é por dopa-
gem, ou seja, adição de átomos de impureza em um cristal intrínseco alterando
a sua condutividade elétrica. Um semicondutor dopado é denominado semicon-
dutor extrínseco.

Após o processo de dopagem, o semicondutor assume características elétricas


diferentes dependendo do processo de dopagem que sofreu, podendo se dividir em
materiais extrínsecos de tipos:
·· n. Tanto o material de tipos p quanto n são formados pela adição de
um número predeterminado de átomos de impureza em uma base de
germânio ou silício. O de tipo n é criado introduzindo-se os elementos de
impureza que possuem cinco elétrons de valência, tais como antimônio,
arsênico e fósforo;
·· p. É formado dopando-se um cristal de germânio ou silício puro com
átomos de impureza, apresentando três elétrons de valência. Os elemen-
tos frequentemente usados para esse propósito são o boro, gálio e índio.

Diodo Semicondutor

Ânodo Cátado

Ânodo Cátado

Figura 3 – Diodo físico e simbologia elétrica do diodo semicondutor

O diodo semicondutor é formado juntando-se simplesmente o material de tipos


n e p em uma mesma base Ge ou Si, conforme mostrado na Figura 4.

P N
+ + – –

+ + – –

Átomos trivalentes Átomos pentavalentes


Figura 4 – Formação do diodo semicondutor
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

10
Explor
Por que se usa o termo semicondutor?
O material semicondutor leva este nome porque conduz apenas corrente elétrica em um
sentido; no caso do diodo, condu z a corrente elétrica somente quando polarizado direta-
mente, por exemplo.

Diodos Ideais e Reais


Diodo ideal, como o próprio nome sugere, é aquele cujo modelo ideal conside-
ra o diodo como um elemento sem perdas. Quando a corrente estiver circulando
pelo diodo – polarização direta –, não haverá queda de tensão sobre o qual – des-
considera-se a tensão de barreira, ou seja, faz-se Vb = 0 V (Figura 5).

A K A K
On
Figura 5 – Diodo representado como chave fechada
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

Quando o diodo estiver reversamente polarizado, não haverá corrente no circui-


to, ou seja, a corrente de fuga será considerada igual a 0A. O componente elétrico
que corresponde a esse tipo de funcionamento é a chave elétrica – ou interruptor
–, cujo símbolo é mostrado na Figura 6.

A K A K
Off
Figura 6 – Diodo representado como chave aberta.
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

Já o diodo real é aquele como uma chave em série com uma bateria e resistor.
Tal modelo representa todas as perdas que podem existir em um diodo. Além da
tensão de barreira, esse modelo evidencia um resistor para representar as perdas
durante a passagem da corrente pelo corpo do diodo – resistência de corpo do
diodo –, apesar de essas serem desprezíveis.

Vb
r + –
A K A K
Off
Vb
r + –
A K A K
On
Figura 7 – Representação do diodo real com perdas na junção
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

11
11
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

A queda de tensão na junção do diodo é de 0,7 V para Si e 0,2 V para germânio, de modo que
Explor

tal queda de tensão se deve a uma barreira que se forma na junção, chamada de barreira
de potencial.

Barreira de Potencial
Cada tipo dipolo tem um campo elétrico entre os íons positivos e negativos.
Portanto, se elétrons livres adicionais entram na camada de depleção – região da
divisa entre o material de tipos n e p –, o campo elétrico tenta empurrá-los de
volta à região n. A força do campo elétrico busca aumentar em cada travessia de
elétrons até que o equilíbrio seja atingido. Uma primeira aproximação significa que
o campo elétrico finalmente interrompe a difusão de elétrons por meio da junção.

O campo elétrico entre os íons é equivalente a uma diferença de potencial


denominada potencial de barreira. A 25ºC, a barreira de potencial é igual a 0,3
V ao germânio e 0,7 V ao silício.

Corrente de Fuga Superficial


Existe uma corrente que aparece em um diodo reversamente polarizado que flui
através da superfície do cristal. Conhecida como corrente de fuga, é causada pelas
impurezas da superfície e imperfeições na estrutura cristalina.

Ruptura
Diodos possuem especificações máximas de tensão reversa que podem suportar
antes de serem destruídos, pois, como sabemos, um diodo reversamente polarizado
não conduz corrente elétrica. Assim, para sabermos estes valores, entres outros
máximos e mínimos de um diodo, devemos consultar a sua folha de dados ou data
sheet – fornecida por seu fabricante.
Explor

Exemplo de data sheet em: [Link]

Em Síntese Importante!

Um diodo ideal é aquele em que as perdas não são levadas em consideração; já no diodo
real estão consideradas as perdas relativas.

12
Modos de Polarização
do Diodo Semicondutor
· Polarização direta – ou ligada: a condição desta polarização é estabele-
cida aplicando-se o potencial positivo ao material de tipo p, e o potencial
negativo ao material de tipo n (Figura 8a) – neste momento, o diodo se
comporta como uma chave fechada (Figura 8b);

R I + R –
I + –

+ + + +
V V D
D –
– – –

(a) (b)

Figura 8 – Diodo polarizado diretamente


Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

· Polarização reversa – ou desligada: sua condição é estabelecida apli-


cando-se o potencial positivo ao material de tipo n, e o potencial negativo
ao material de tipo p (Figura 9a) – neste momento, o diodo se comporta
como uma chave aberta (Figura 9b);

R I + R –
I + –

+ + + +
V V D
D –
– – –

(a) (b)

Figura 9 – Diodo polarizado reversamente


Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

Técnicas de Análise de Circuitos com Diodos


Para resolver um circuito com diodos em Corrente Contínua (CC), deve-se pro-
ceder da seguinte forma e ordem:
1º. Verificam-se os sentidos das quedas de tensão nos componentes, de acor-
do com os percursos das correntes no circuito – usando o sentido conven-
cional para a corrente;
2º. Verifica-se se os diodos estão diretamente polarizados, ou se estão rever-
samente polarizados, trocando-os pelos modelos adequados em cada caso.

13
13
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Como padrão, pode-se utilizar o modelo prático e, para a polarização


direta, a chave no modelo estará fechada; enquanto que na polarização
reversa, usa-se a chave aberta;
3º Trocados os diodos pelos seus modelos, basta resolver o circuito resultante
de acordo com as leis de Kirchhoff e de Ohm.

Vejamos exemplos e suas soluções.

D1 D2 R3

+ D3 1 kΩ
V1 10 V R1 D4
– 2 kΩ R2
10 kΩ

Figura 10 – Exemplo de circuito com diodos em CC


Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

Com a corrente partindo da fonte V1, tem-se os seguintes sentidos para as que-
das de tensão do circuito:

I1 D1 I3 D2 I5 R3
+ – + – + –
I2 I4 +
+ + 1 kΩ +
V1 D3 –
10 V R1 + D4
– – 2 kΩ –
R2 10 kΩ

Figura 11 – Sentidos das quedas de tensão ao circuito da Figura 10
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

+ – + – I5
I1 D1 I3 D2 R3
+ – + – + –
I2 – + 1 kΩ +
+ I4 +
V1 + +
10 V R1 D4
– – –
– 2 kΩ D3 –
+
A B R2 10 kΩ C

Figura 12 – Circuito com os diodos trocados por seus modelos
Fonte: Adaptado de Duarte, 2017

Observando a Figura 12, notamos que para diferenciar a queda de tensão no


diodo – externa à caixa – da queda de tensão da bateria interna do modelo – inter-
na à caixa –, os diodos estão representados com os seus modelos em retângulos.
Quando os diodos estão em polarização reversa, esses sentidos se tornam opostos.
Ademais, nota-se que a queda de tensão no diodo, polarizado reversamente, não é
a mesma que o sentido da fonte interna do modelo – veja o caso de D3.

14
Além disso, deve-se lembrar que os diodos com polarização direta terão queda
de tensão igual à sua tensão de barreira (Vb = 0,7 V para diodos de silício e 0,3 V
para diodos de germânio). Os diodos com polarização reversa possuem corrente
igual a zero devido ao aumento da barreira de potencial – a tensão de barreira
escolhida como padrão será 0,7 V.

No caso dos diodos em polarização direta, deve-se encontrar a corrente que


passa pelos quais. Para diodos em polarização reversa, deve-se achar o valor de
tensão aplicada em seus terminais.

Portanto, analisando-se o circuito da Figura 12, temos:

Da malha A, utilizando o percurso no sentido horário: +10 - VD1 - VR1 = 0 V.


Como VD1 = 0,7 V (Vb), VR1 = 10 - 0,7 = 9,3 V.
VR1 9, 3
Pela Lei de Ohm, tem-se: I2 = = = 4, 65mA
R1 2K Ω
I4 = 0 A (circuito aberto); logo, VR2 = I4 · R2 = 0 · 10 kΩ = 0 V

Da malha B, tem-se: +VR1 - VD2 - VD3 - VR2 = 0 V e VD2 = 0,7 V (Vb);


assim: 9,3 - 0,7 - VD3 - 0 = 0; de onde se conclui que: VD3 = 8,6 V

Da malha C: +VR2 + VD3 - VR3 - VD4 = 0 V e VD4 = 0,7 V (Vb); assim:


0 + 8,6 - VR3 - 0,7 = 0; logo, VR3 = 7,9 V

Pela Lei de Ohm:


VR3 7, 9
I5 = = = 7, 9mA
R3 1K Ω
Do nó E:

I3 = I4 + I5 = 0 + 7,9 = 7,9 mA

Do nó D:

I1 = I2 + I3 = 4,65 + 7,9 = 12,55 mA

Em resumo:

Na fonte: V1 = 10 V I1 = 12,55 mA

Em D1: VD1 = 0,7 V I1 = 12,55 mA

Em R1: VR1 = 9,3 V I2 = 4,65 mA

Em D2: VD2 = 0,7 V I3 = 7,9 mA

Em D3: VD3 = 8,6 V I4 = 0 A

Em R2: VR2 = 0 V I4 = 0 A

Em R3: VR3 = 7,9 V I5 = 7,9 mA

Em D4: VD4 = 0,7 V I5 = 7,9 mA

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15
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Tipos de Diodo

Figura 13 – Tipos de invólucro dos diodos


Fonte: Adaptado de [Link]

·· Diodo schottky: no lugar de material semicondutor de tipo P, utiliza-se um


metal; não haverá lacunas que possam disparar elétrons advindos dos ou-
tros materiais durante a corrente direta. Seu principal destaque é o menor
tempo de recuperação, pois não há recombinação de cargas do diodo de
junção. Outra vantagem é a maior densidade de corrente, o que significa
uma queda de tensão direta menor que a do diodo comum de junção – a
contrapartida é uma corrente inversa maior, o que pode impedir o uso em
alguns circuitos. São usados principalmente em circuitos de alta frequência
e velocidade de comutação;
·· Varicap ou varactor: tem capacidade variável em função da tensão apli-
cada. São basicamente diodos construídos especificamente para funciona-
rem como capacitores variáveis cuja capacitância varia de acordo com a
tensão aplicada;

Figura 14 – Símbolo do diodo schottky Figura 15 – Símbolo do varicap


Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

16
· Light Emitter Diode (LED) – diodo emissor de luz: em uma corrente
direta, quando os elétrons se recombinam com as lacunas – após passarem
pela região de depleção –, dissipam energia de alguma forma – ou seja, a
diferença de energia inicial e final. Diodos zener, por exemplo, dissipam
essa energia na forma de calor; LED, no entanto, irradiam luz. Por meio
da utilização de elementos como gálio, arsênio e fósforo, por exemplo,
podem ser produzidos LED que irradiam no vermelho, laranja, amarelo,
verde, azul ou infravermelho;
· Fotodiodo: é basicamente um diodo de junção com características cons-
trutivas para direcionar a incidência de luz à camada P. Esta, por sua vez,
é significativamente fina e sua espessura tem relação ao comprimento de
onda da luz a detectar;

+ –

A K
Figura 16 – Símbolo do LED Figura 17 – Símbolo do fotodiodo
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

· Optoacoplador: os acopladores ópticos são dispositivos que operam por


meio de um feixe de luz para transmitir sinais de um circuito para outro,
sem a ligação elétrica;
· Diodo zener: utilizado como regulador de tensão, é feito para funcionar
na região de ruptura, utilizado como regulador de tensão;

Figura 18 – Símbolo do optoacoplador Figura 19 – Símbolo do diodo laser


Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

· Diodo Laser (LD): é um componente eletrônico semicondutor, formado


por uma junção pn semelhante à encontrada em um diodo de emissão de
luz (LED);
· Varistor: corresponde a dispositivos que podem ser comparados a dois
diodos zener, um de costas ao outro, de maneira que há alta tensão de rup-
tura nos dois sentidos, podendo ser usados como filtros, ou para proteger
equipamentos de picos de tensão, por exemplo.

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17
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Ânodo Catodo

LED
Figura 20 – Símbolo do LED Figura 21
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

Aplicações de Diodos
Retificação de Sinais
Retificador é um dispositivo que permite que uma tensão ou Corrente (CA) –
comumente senoidal – seja retificada e transformada em contínua. Existem vários
processos e diversos tipos de retificação, considerando-se a mais comum das retifi-
cações a transformação de uma corrente alternada senoidal em corrente contínua.

Circuitos retificadores de meia onda:


A Figura 22 mostra o circuito de uma fonte de alimentação com retificador em
meia onda, sem filtro. Comumente, o transformador será ligado a uma tomada de
energia elétrica, recebendo em sua entrada a tensão alternada em forma de onda
senoidal – fornecida pela concessionária local de energia elétrica. Considerando
o transformador abaixador, tem-se, em sua saída, a mesma forma de onda da
entrada, com menor nível de tensão. As figuras 23 e 24 mostram a ideia básica
da relação entre as formas de onda de entrada do transformador e de entrada do
retificador – saída do transformador.

18
0 0 Diodo 0
A +
1L
127Vef Tensão Tensão
60Hz alternada RL Contínua


B
Figura 22 – Circuito de uma fonte de retificação de meia onda

Tensão
de
entrada
o
π 2π t

Figura 23 – Forma de onda de entrada

VP

Tensão
de
saída
o
π 2π t
Figura 24 – Forma de onda de saída em tensão DC de meia onda

Observando a Figura 26, nota-se que, durante o intervalo de tempo do semiciclo


positivo, o sinal senoidal apresenta valores de amplitudes sempre positivos. Pode-
-se, para esse intervalo, analisar o circuito da Figura 26 usando aquele mostrado na
Figura 22. No transformador, a tensão senoidal para o semiciclo positivo assume a
polaridade mostrada – os potenciais nós componentes do circuito surgem confor-
me indicado na própria Figura. Nesse caso, o diodo está polarizado diretamente e,
portanto, está em condução.

19
19
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

V2p representa a tensão máxima – de pico – fornecida pelo transformador – em


seu secundário – e corresponde a V2p = V2 · √2. Considerando o diodo ideal –
sem perdas –, as formas de onda em cada componente do circuito são mostradas
na Figura 25 apenas ao semiciclo positivo (+):

V2(t)

V2p

+
t

–V2p

Vd(t)

V2p
+
t

–V2p

Vri(t)

V2p

+
t

–V2p

Figura 25 – Forma de onda nos componentes do semiciclo positivo

20
Observando a Figura 26, existe apenas forma de onda positiva na carga, de
modo que não há mais mudança de polaridade da tensão. A condução se dá em
apenas um sentido. Dito de outra forma, a tensão média na carga deixa de ser zero
volt e assume um valor positivo.

Na prática, a tensão média na carga ao circuito retificador de meia onda, sem


filtro – ou ainda, a tensão contínua na saída do retificador –, será proporcional à
área sob a curva para um período, sendo encontrada a partir da seguinte expressão:

Vcc = 0,318 · V2p

Vri(t)

V2p

t
T
–V2p

Figura 26 – Forma de onda na carga para um retificador de meia onda durante quatro ciclos completos

Assim, no circuito retificador de meia onda temos:

Tensão média na carga:

Vdc = Vmáx / π

Corrente média na carga e no diodo:

Idc = Imáx / π

Tensão eficaz na carga:

Vef = Vmáx / 2

Corrente eficaz na carga e no diodo:

Ief = Imáx / 2

Ademais, as especificações do diodo, para assegurar o seu correto funcionamento,


devem ser as seguintes:

IFmáx > Imáx / π

VRmáx > Vmáx

Circuitos retificadores de onda completa:


Retificador de onda completa com ponto neutro:

Inicialmente, vejamos como se comporta o secundário de um transformador


com derivação central em ponto neutro.

21
21
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

+ + D1 I1
A

127 Vef +
+
60Hz C
D2 IL
VCC
RL
B + I2
-

Figura 27 – Retificador de onda completa com ponto neutro

Considere tensão VS! = tensão entre A e C, tensão VS2 tensão entre B e C.


Ligando a derivação central do secundário ao potencial zero do circuito – pon-
to neutro – e estando a tensão do primário no semiciclo positivo, o ponto A do
secundário tem potencial positivo em relação ao ponto neutro; o ponto B tem
potencial negativo.

Quando a polaridade da tensão do primário muda para negativa, o ponto A do


secundário passa a ter potencial negativo em relação ao ponto neutro, enquanto o
ponto B passa a ter potencial positivo.

Logo, podemos concluir que as formas de onda de VS1 e VS2 têm o mesmo
valor eficaz, mas estão sempre defasadas de 180o entre si, como mostram os grá-
ficos da Figura 27.

Quando a tensão no primário está no semiciclo positivo, a tensão VS1 do


secundário também o está, de modo que o diodo D1 tem o seu anodo positivo e,
assim, conduz, tal como mostra a Figura 27.

Simultaneamente, a tensão VS2 está negativa, polarizando reversamente o dio-


do D2, fazendo com que se comporte como um circuito aberto – ou seja, não con-
duzindo. Na carga RL, a corrente circula no sentido de cima para baixo. A tensão
é igual a VS1 com a polaridade indicada na Figura 27, ou seja, com potencial
positivo no seu terminal superior. Quando a tensão no primário passa ao semiciclo
negativo, a tensão VS1 também está negativa, polarizando reversamente o diodo
D1, fazendo com que se comporte como um circuito aberto, logo, não conduzindo,
tal como indica a Figura 27.

Simultaneamente, a tensão VS2 do secundário está positiva, fazendo com que


o diodo D2 esteja com o anodo positivo e, portanto, conduzindo. Na carga RL,
novamente a corrente circula no sentido de cima para baixo, mas a tensão é igual a
VS2, com a polaridade igual à situação anterior, isto é, com potencial positivo em
seu terminal superior.

Nesse circuito, a tensão na carga também é 0,6 V menor que a do secundário


do transformador, portanto, a tensão real na carga é: VL = VS1 - 0,6 = VS2 - 0,6

22
Se a tensão no diodo for muito menor do que Vmáx, pode ser desprezada.
Nesse circuito cada diodo conduz somente meio ciclo de onda, exatamente como
no retificador de meia onda. A carga conduz corrente nos dois semiciclos e no
mesmo sentido, de modo que nessa a tensão e corrente são contínuas – e não mais
alternadas, porém, pulsantes.

Assim, no circuito retificador de onda completa com ponto neutro, temos:

Tensão média na carga: Vdc = 2 · Vmáx / π

Corrente média na carga: Idc = 2 · Imáx / π

Tensão eficaz na carga: Vef = Vmáx / √2

Corrente eficaz na carga: Ief = Imáx / √2

Corrente média nos diodos: Idc = Imáx / π

Observe que como cada diodo conduz apenas em um semiciclo, a sua corrente
média é a metade da corrente média na carga.

As especificações dos diodos para assegurar o seu correto funcionamento devem ser
as seguintes:
IFmáx > Imáx / π

VRmáx > 2 · Vmáx

Ponte de diodos:
Retificador de onda completa em ponte:

A Figura 29 apresenta um circuito retificador de onda completa em ponte com


carga resistiva. Nesse circuito a polaridade da tensão do secundário do transformador
acompanha a polaridade da tensão do primário.

Figura 28 – Retificador de onda completa em ponte


Fonte: Wikimedia Commons

23
23
UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Vin Vout
+ + D3 D1

+
-

-
0 0
t t

+
+
- - RL

-
-
D2 D4

Vin Vout
- - D3 D1 Vp(out)

-
-

+
0 0

+
t t

-
+ + RL

-
+
D2 D4

+
Figura 29 – Formas de onda da retificação em ponte

No intervalo de tempo em que a tensão VS do secundário é positiva, ou seja,


com ponto 1 positivo em relação ao ponto 2, os diodos D2 e D4 conduzem em
série – isso ocorre porque as tensões sobre os quais polarizam-nos diretamente,
conforme mostra a Figura 29.

Na carga RL, a corrente circula no sentido de cima para baixo e a tensão é


VL com a polaridade indicada na Figura 29, isto é, com potencial positivo no seu
terminal superior.

Na carga RL, novamente a corrente circula no sentido de cima para baixo e a


tensão é VL com a mesma polaridade da situação anterior, isto é, com potencial
positivo no seu terminal superior.

Nesse circuito, como há sempre dois diodos em série, a tensão na carga é 1,2
V menor que a do secundário do transformador. Portanto, a tensão real na carga
é VL = VS - 1,2

A queda de tensão nos diodos pode ser desprezada nos casos em que for muito
menor do que Vmáx. Nesse circuito, cada par de diodos conduz somente meio ciclo
de onda, mas a carga conduz corrente nos dois semiciclos e no mesmo sentido.
Nessa, a tensão e corrente são contínuas pulsantes.

No circuito retificador de onda completa em ponte, temos:

Tensão média na carga: Vdc = 2 · Vmáx / π

Corrente média na carga: Idc = 2 · Imáx / π

Tensão eficaz na carga: Vef = Vmáx / √2

Corrente eficaz na carga: Ief = Imáx / √2

Corrente média nos diodos: Idc = Imáx / π

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Nesse retificador, a corrente média nos diodos é a metade da corrente média na
carga. Ademais, as especificações dos diodos para assegurar o seu correto funcio-
namento devem ser as seguintes:

IFmáx > Imáx / π

VRmáx > Vmáx

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UNIDADE Estudo de Diodos e Circuitos com Diodos

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
LEDs versus Lâmpadas Convencionais: viabilizando a troca
[Link]

 Livros
Laboratório de Eletricidade e Eletrônica
CAPUANO, F. G.; MARINO, M. A. M. Laboratório de eletricidade e eletrônica.
24. ed. São Paulo: Erica, 2007.
Eletrônica Aplicada
CRUZ, E. C. A.; CHOUERI JR, S. Eletrônica aplicada. 2. ed. São Paulo: Erica, [20--?].
Eletrônica Analógica Básica
DUARTE, M. de A. Eletrônica analógica básica. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

 Vídeos
Fabricação de Semicondutores
[Link]
Teoria sobre Semicondutores
[Link]

 Leitura
Derating of Schottky Diodes
[Link]
Diodo e Ponte Retificadora
[Link]

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Referências
CAPUANO, F. G.; MARINO, M. A. M. Laboratório de eletricidade e eletrônica.
24. ed. São Paulo: Erica, 2007.

DUARTE, M. de A. Eletrônica analógica básica. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

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