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Habilidade Social na Teoria dos Campos

O artigo discute a teoria dos campos e a habilidade social na teoria organizacional. Apresenta o conceito de campos como ordens sociais locais baseadas nas relações entre grupos de atores. Argumenta que os atores não são meros reprodutores das estruturas, mas podem alterá-las por meio da habilidade social - a capacidade de induzir a cooperação de outros e impor novos padrões de relacionamento. Também discute pontos de convergência e divergência entre a teoria dos campos e o interacionismo simbólico.
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Habilidade Social na Teoria dos Campos

O artigo discute a teoria dos campos e a habilidade social na teoria organizacional. Apresenta o conceito de campos como ordens sociais locais baseadas nas relações entre grupos de atores. Argumenta que os atores não são meros reprodutores das estruturas, mas podem alterá-las por meio da habilidade social - a capacidade de induzir a cooperação de outros e impor novos padrões de relacionamento. Também discute pontos de convergência e divergência entre a teoria dos campos e o interacionismo simbólico.
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Disciplina: Teoria das Organizações

Resumo do texto: Habilidade Social e a Teoria dos Campos

FLIGSTEIN, N. Social skill and the theory of fields. Sociological Theory, v. 19, n. 2, p. 105-125,
2001.

No seu artigo o autor apresenta o estudo da vida social a partir de arenas e campos (ordens
sociais locais baseadas nas relações sociais entre grupos de atores). Ele argumenta que a relação
entre os atores e as estruturas sociais onde eles estão imersos é fundamental para a teoria
sociológica, mas que existe pouco consenso entre os teóricos a respeito dessa afirmação, na teoria
sociológica clássica as mudanças sociais são explicadas basicamente pela estrutura social, visão
voltada a transformar as pessoas em agentes que exercem pouco efeito sobre a constituição de seu
mundo social.
Flingstein então desenvolve uma visão sociológica da ação, a partir da literatura empírica e
teórica, e afirma que pode encontrar “nas várias teorias neo-institucionalistas das ciências sociais
um importante conjunto de ferramentas conceituais úteis para repensar as estruturas e a ação”
(p.62).
O conceito de ação proposto pelo autor tem raízes no interacionismo simbólico e pode ser
denominado Habilidade Social. O interacionismo simbólico consiste no mundo simbólico
construído por meio da interação entre duas ou mais pessoas, que agem em relação às coisas
baseando-se no significado que estas tenham para elas, estes significados são resultantes da sua
interação social e modificados por sua interpretação. Segundo o autor, em cada campo, o objetivo
central da ação está na tentativa de alcançar cooperação com outros atores, a habilidade dos atores
para analisar e conseguir tal cooperação pode ser vista como habilidade social - capacidade de
induzir e de obter a cooperação alheia.
Este estudo é elaborado pelo autor para sugerir o quanto os atores são importantes na
construção e na reprodução de ordens locais, eles não são meros reprodutores das estruturas em que
se inserem, mas têm a capacidade de alterar a correlação de forças dentro de um determinado
campo, impondo um novo padrão de relacionamento recíproco como base de sua cooperação. O
artigo então possui duas dimensões, uma integrando a literatura sobre ação estratégica na sociologia
para descrever as táticas que os atores sociais usam para conseguir a cooperação dos outros e
afirmando que todas essas táticas tem em comum uma percepção de atores que assumem o ponto de
vista de outros para persuadi-los a cooperar, e a segunda relacionando o projeto da ação
interacionismo simbólico ao projeto neo-institucionalista.
Todos membros da sociedade são capazes de desempenhos sociais hábeis, porém alguns
podem ser mais hábeis que outros, e isso é medido pela capacidade de induzirem a cooperação e
ajudarem os outros a obter seus fins – e isto depende de várias táticas, o que significa que atores
sociais hábeis não se limitam a seus interesses próprios e não tem metas fixas.
Flingstein afirma que “em geral, a reprodução dos campos depende do desempenho
habilidoso dos atores em organizações dominantes, e acrescenta que a capacidade dos atores de
utilizar habilmente as regras e os recursos também é importante. Estes são atores estratégicos hábeis
que encontram formas de induzir grupos muito diferentes a cooperar” (p.62). Onde há turbulência
social ou incerteza, por exemplo, a habilidade social pode desempenhar um papel importante na
manutenção da ordem local, e mesmo em campos estáveis, os atores sociais hábeis precisam
manipular regras e recursos para auxiliar a reprodução desta ordem.
O autor defende que todas as teorias neo-institucionalistas tem pontos em comum,
concentrando-se no estudo de ordens sociais locais, também chamadas de “campos”, “arenas” ou
“jogos”, onde tentam compreender como elas surgem, permanecem e se transformam. O autor
recupera este conceito de campos, defendendo que os mesmos atuam para ajudar a reproduzir o
poder e o privilégio dos grupos e para definir as posições dos desafiantes, em um contexto de
construções institucionais. Essas construções instituições ocorrem em um ambiente de atores
poderosos tentando produzir regras de interação para estabilizar sua situação em relação aos outros
atores, e decorrem de crises e confrontos, momentos de contestação políticas e de lutas por recursos
escassos.
Assim um dos pontos em comum do autor com a teoria neo-institucionalista refere-se a
percepção de que grande parte da dinâmica da sociedade moderna vem das difíceis relações entre
grupos desafiantes e responsáveis, dentro e através dos campos, por lutas compreendidas como
“jogos” ou interações sociais orientadas a alcançar resultados.
Mas o autor também menciona alguns pontos discordantes com esta teoria, principalmente no
que se refere aos papéis dos atores, cultura e poder. Para Fligstein estas teorias não concedem aos
indivíduos a possibilidade de criar seus mundos sociais, são considerados incompetentes culturais e
receptores passivos das instituições. Também afirma que a maioria dos estudos desta teoria não é
acompanhada pela teoria do “poder”, que está ligado à ação, e nem abordam a produção de
equilíbrio para induzir a cooperação tanto de aliados quanto de oponentes.
Finalmente o autor afirma que para se observar o surgimento e transformação de um campo é
necessário identificar quem são os principais atores, recursos e regras que orientam a ação, deve-se
entender quem são os participantes em um campo, como ele funciona e quais são as ferramentas
disponíveis para que os atores estratégicos reforcem o “status quo” – estado atual.

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