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Gestão de Resíduos Sólidos em Nampula

O documento discute a gestão inadequada de resíduos sólidos em Nampula, Moçambique. A coleta de lixo é precária e incompleta, e os lixões existentes estão lotados, causando riscos à saúde pública. Soluções sustentáveis como aterros sanitários, compostagem e reciclagem ainda precisam ser implementadas de forma abrangente.
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Gestão de Resíduos Sólidos em Nampula

O documento discute a gestão inadequada de resíduos sólidos em Nampula, Moçambique. A coleta de lixo é precária e incompleta, e os lixões existentes estão lotados, causando riscos à saúde pública. Soluções sustentáveis como aterros sanitários, compostagem e reciclagem ainda precisam ser implementadas de forma abrangente.
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Universidade Lúrio

Esperança Ruthy Kawawa

NOMe do docente

Nome da cadeira, curso e ano

A Gestão de Resíduos Sólidos em Nampula – Moçambique, representa o que hoje se


encontra em boa parte da África. As Leis podem servir de exemplo para o continente
africano e a implementação de soluções pode abrir um mercado continental de muitos
bilhões de dólares. Oportunidade para empresas que queiram se especializar no sector.

Nenhum município do país ainda resolveu satisfatoriamente o gerenciamento dos resíduos


sólidos urbanos e o modelo tradicional de gestão apresenta uma série de problemas. Em
Nampula os migrantes provenientes de áreas rurais estabelecem-se nos bairros periféricos
em assentamentos informais de alta densidade populacional.

Essas áreas não têm acesso aos serviços básicos e o lixo é deixado em aterros informais ou
nas próprias áreas habitadas. O chorume gerado pela decomposição e os gases tóxicos da
queima são um perigo grave para a saúde e segurança ambiental. Nampula é uma província
desfavorecida em termos de serviços e infra-estruturas: apenas 20% dos habitantes têm
acesso a água potável (EMUSANA, 2015).

A palavra lixo não serve mais para definir o que é descartado diariamente pelas residências,
empresas e órgãos públicos. Tudo o que no passado aprendemos a chamar de lixo deve ser
chamado actualmente de “resíduo sólido”. Hoje, os especialistas asseguram que qualquer
que seja o resíduo sempre haverá uma destinação mais adequada para ele do que
simplesmente descartar. Da reutilização à geração de energia, tudo tem valor e pode
inclusive tornar-se fonte de renda e vector de novos negócios.

Desta, a Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT:

Resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de
atividades da comunidade, de origem: industrial, doméstica, de serviços de saúde,
comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os
lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo
d'água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor
tecnologia disponível. (ABNT, 1987).

Desta pode se perceber que, a gestão de resíduos pode ser entendido como uma série de
ações que envolvem as etapas de colecta, transporte, transbordo, tratamento, destinação e
disposição final ambientalmente adequadas.

A gestão de resíduos envolve o mapeamento dos processos de uma empresa, a análise dos
resíduos gerados por cada processo, como também a classificação e quantificação dos
mesmos, o armazenamento e identificação, e então a destinação.

Além disso, uma gestão eficiente precisa garantir ao máximo o reaproveitamento e


reciclagem, bem como reduzir a produção dos rejeitos, que são os materiais que não
apresentam viabilidade técnica e económica para serem reciclados.

De acordo com o texto da Política Nacional de Resíduos sólidos classifica os tipos de


resíduos de acordo com a origem e a periculosidade.

Resíduos Sólidos Urbanos, sendo originários de estabelecimentos comerciais, domicílios e


da limpeza urbana (varrição de logradouros e vias públicas e outros serviços públicos de
limpeza). Podem ser divididos pela composição química em:

Resíduos Orgânicos, sendo compostos por alimentos e outros materiais que se decompõem
na natureza, tais como cascas e bagaços de frutas, verduras, material de podas de jardins,
entre outros;

Resíduos Inorgânicos, compostos por produtos manufacturados, tais como plásticos,


cortiças, espumas, metais e tecidos;

Resíduos Sólidos Industriais, são os gerados nos processos produtivos e instalações


industriais. Podem ser descartados em estado sólido ou semi-sólido, como lodos e alguns
líquidos contaminantes, que não podem ser lançados na rede pública de esgotos ou corpos
de água;

Resíduos Especiais, os riscos que representam para o meio ambiente e a saúde pública são
outra forma de classificação de resíduos considerados especiais. Podem ser gerados em
atividades industriais, hospitalares, agrícolas, entre outras, e exigem cuidados especiais no
seu acondicionamento, transporte, tratamento e destino final.

São muitas as formas de destino dos resíduos sólidos, mas há problemas na maioria deles,
como poderemos ver a seguir.

Lixões, são uma forma incorrecta de disposição dos resíduos sólidos. Não prevêem nenhum
tipo de cuidado para evitar os problemas de saúde pública e o impacto ambiental dos
depósitos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que os lixões devem ser
extintos.

Aterros controlados, são outra forma inadequada de disposição final de resíduos e rejeitos,
que são cobertos por camadas de terra. Esse cuidado não impede a contaminação do solo e
das águas subterrâneas por substâncias tóxicas, nem a produção de gases perigosos.

Aterros sanitários, são considerados a forma mais adequada de disposição de rejeitos. Estes
locais são preparados com a aplicação de tecnologias que reduzem os impactos ambientais
e os riscos à segurança e à saúde pública. Para não contaminar o solo e os lençóis
subterrâneos, adoptam-se técnicas eficazes de impermeabilização da superfície aterrada; é
feita a drenagem dos gases que se formam na decomposição da matéria orgânica, da água
de chuva e do chorume; a área é cercada para evitar a presença de pessoas e animais.

Além disso, as seguidas camadas de resíduos e rejeitos depositados são também cobertos
por camadas de terra. A aplicação dessas técnicas deve ter como meta confinar os resíduos
na menor área, procurando reduzi-los ao menor volume possível.

Compostagem, é outra forma importante de destinação final, que é incentivada na Política


Nacional de Resíduos Sólidos.
A situação actual da gestão de resíduos da cidade é extremamente precária. A colecta é
mista e os dois lixões oficiais do município já estão lotados. Os motoristas dos caminhões
da recolha, com medo de furar os pneus, já não entram mais nos locais, depositando o lixo
nas laterais das estradas, sem nenhum controle. Além disso, por toda a cidade existem
depósitos irregulares de lixo em terrenos desocupados, laterais de ruas, ferrovias e cursos
d’água. Nas áreas periféricas de urbanização desordenada, o acesso aos caminhões é
inviável devido à largura estreita das vias. Nestes locais, o lixo se acumula até mesmo entre
as casas, sendo utilizado muitas vezes para evitar a erosão, criando problemas ainda
maiores. A queima de lixo também é uma prática comum, tanto nas áreas residenciais,
como nas feiras e mercados de alimentos.

O crescimento econômico dos últimos anos, unido ao crescente êxodo rural para as cidades
e o consequente aumento na produção de Resíduos Sólidos em Nampula, tem produzido
efeitos perigosos para a segurança do meio ambiente da cidade e, consequentemente, para a
saúde da população. A Empresa Municipal de Saneamento e Água de Nampula
(EMUSANA) ainda não adoptou medidas para o tratamento e deposição de Resíduos
Sólidos em Nampula e em matéria de educação ambiental ainda há muito a ser feito, visto
que a separação do lixo e colecta selectiva ainda são práticas desconhecidas para a maior
parte da população. Actualmente, Nampula recolhe menos de 50% do total dos resíduos
domésticos (EMUSANA, 2016). O serviço é principalmente focado nas áreas centrais,
ainda com poucas intervenções eficientes nas áreas suburbanas. A insuficiente cobertura do
serviço de colecta, transporte e tratamento está ligada à falta de fundos disponíveis e à
alternativas economicamente sustentáveis

Os pontos de recolha são caracterizados por grandes caçambas localizadas em cima das
calçadas. Muitas dessas caçambas não são suficientes para armazenar todo o lixo
depositado, sendo necessária a recolha com pás pelos lixeiros.  Diversos catadores
informais se ocupam da recolha de materiais recicláveis, como alumínio, garrafas de vidro,
papelão e alguns tipos de plástico. À noite, pessoas se reúnem ao redor dessas caçambas e
queimam o lixo para se aquecer e, principalmente, para cozinhar.

A EMUSANA já possui um terreno de 25 hectares a 16km do centro da cidade, para a


realização de um aterro controlado, mas ainda não possui fundos para a sua realização.
As principais iniciativas de reuso e reciclagem na cidade se referem a plásticos, vidros e
metais. A empresa Cervejas de Moçambique – principal produtora de cerveja do país -, é
responsável pela reciclagem de suas próprias garrafas de vidro. Outras pequenas empresas
de aguardente utilizam garrafas usadas para seus produtos. Também é comum ver potes e
garrafas reutilizados para a venda de produtos artesanais em feiras, como óleo e a
tradicional pimenta piripiri.

Os plásticos, são reciclados por duas empresas, que os utilizam para a produção de baldes,
potes, e outros acessórios. Os metais são acumulados e enviados em caminhões para a
venda no porto de Nacala, cidade litorânea a 193km de Nampula. Além disso, existe
também um discreto negócio com venda de baterias de carros para o exterior.

Uma iniciativa interessante sendo actualmente realizada pela EMUSANA, é um projecto-


modelo de um pequeno biodigestor manual para a produção de biogás e biofertilizantes. A
estrutura foi construída por um moçambicano que actualmente vive na Alemanha e trabalha
com resíduos sólidos, mas ainda não foi finalizada. O material usado é o estrume, e a
autarquia pretende desenvolvê-lo para instalar em estruturas privadas e prestar serviços de
manutenção.

Chegado a este ponto, realizando estudos sobre a gestão de lixo em Nampula, fica claro que
a situação da cidade é emergencial, devido à inexistência de um local adequado para a
deposição final, à falta de controle na recolha e deposição, de iniciativas consistentes de
reciclagem e tratamento de resíduos e de consciência ambiental da população. Entretanto,
apesar da falta de recursos técnicos e financeiros, a actual administração do município tem
demonstrado interesse e esforço para a melhoria do sistema. Todos os habitantes
consultados se demonstraram satisfeitos com a limpeza da cidade realizada pela actual
gestão.

Com a falta de recursos do Conselho Municipal, todas as iniciativas são difíceis e


demoradas para serem implementadas. O biodigestor modelo, por exemplo, já produz gás,
mas ainda não tem os encanamentos necessários para a sua utilização no gerador de energia
da própria EMUSANA. Até iniciativas de compostagem tendem a falir, devido ao escasso
conhecimento do seu valor pelos habitantes. O composto seria muito útil para evitar erosões
e melhorar a segurança alimentar, tão precária na região.

O município depende, então, de fundos da cooperação internacional. Todos os estudos e


iniciativas mais avançadas são realizados por ONGs e programas de desenvolvimento, com
fundos internacionais. Felizmente, com os atuais estudos que estão sendo realizados e a
realização do primeiro Plano de Gestão de Resíduos Sólidos em Nampula, será mais viável
realizar qualquer tipo de investimento. 

Ruschel & Associados (2012): Gestão de Resíduos sólidos. Uma oportunidade para o
desenvolvimento municipal e para as micro e pequenas empresas. (1ª ed.). São Paulo:
Instituto Envolverde

Bernardes Jr.; et all (1983): classificação de Resíduos Sólidos Industriais. (1ª ed.). São
Paulo

Portal Resíduos Sólidos (2018): Gestão de Resíduos Sólidos em Nampula- Moçambique.


(1ª ed). Moçambique

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