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Irrigação e Novas Variedades no Café

Um novo polo cafeeiro está se desenvolvendo no norte de Minas Gerais, com projetos maiores que utilizam irrigação, mecanização e novas variedades de café. A região tem clima quente e seco, mas as novas variedades como a Arara têm se mostrado mais produtivas, com produtividades médias de 70 sacas/ha. A irrigação e as árvores para sombreamento têm ajudado a aumentar a produtividade e qualidade do café nesta região.
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Irrigação e Novas Variedades no Café

Um novo polo cafeeiro está se desenvolvendo no norte de Minas Gerais, com projetos maiores que utilizam irrigação, mecanização e novas variedades de café. A região tem clima quente e seco, mas as novas variedades como a Arara têm se mostrado mais produtivas, com produtividades médias de 70 sacas/ha. A irrigação e as árvores para sombreamento têm ajudado a aumentar a produtividade e qualidade do café nesta região.
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POLO CAFEEIRO NO NORTE DE MINAS SE FORTALECE COM NOVAS

VARIEDADES.
J.B. Matiello e S.R. Almeida– Engs Agrs Fundação Procafé e Gianno Brito – Eng Agr Consultor e Tercio Pascoal –
Gerente Empresa Agropecuária MGX
Um novo polo cafeeiro vem se estruturando, nos últimos anos, na região Norte de Minas Gerais,
quase divisa com a Bahia. Nessa área, a cultura do café está sendo explorada em projetos empresariais, de
maior tamanho e com bons níveis tecnológicos, incluindo irrigação sistemática, mecanização intensiva e
introdução de novas variedades de café, as quais vem apresentando características vantajosas, tornando as
lavouras mais produtivas e econômicas.
A região cafeeira nova está compreendida em áreas com altitudes entre 700 e 900 m, situadas nos
municípios de Águas Vermelhas, Ninheiras, Berizal, até Taiobeiras. Os solos tem bom nível de argila, a
vegetação é de mata seca, as terras são plano-onduladas, com facilidade de mecanização, mas o clima é
seco, chovendo, normalmente, 600- 900 mm ao ano. A temperatura média anual fica na faixa de 21- 22,5º
C, sendo que em boa parte da área ela não cai abaixo de 19º C em nenhum mês do ano, o que resulta em
crescimento dos cafeeiros, praticamente o ano todo.(ver climograma de águas Vermelhas, a 746 m de
altitude- fig 1). Nesses últimos anos o clima tem sido mais seco, com alguns chovendo menos de 400 mm
ao ano.

Fig. 1- Climograma em Águas Vermelhas- (Altitude 746 m) – Dados de chuvas e temperaturas médias
mensais e média anual.
A condição climática ajustada com o suprimento de água e combinada com o uso de tratos
racionais, tem resultado em altos níveis de produtividade nas lavouras, sendo comum encontrar áreas de
cafezais alcançando produtividade ao redor de 70 scs/ha, na média de 10 safras colhidas.
Nessas condições, de clima mais seco e quente, a irrigação deve ser a nível tecnológico, tendo sido
instalada, nas lavouras cafeeiras, nos sistemas de pivô-lepa com plantio circular e em gotejo. Algumas
lavouras vêm recebendo, também, arborização com mogno africano, com plantio a 4m entre plantas, cada
4-6 linhas de cafeeiros. Em anos mais secos e quentes tem-se observado que, apesar de haver concorrência
significativa, das árvores com os cafeeiros, na linha plantada, o ambiente sombreado fica mais propicio,
com os cafeeiros ficando sempre mais verdes nessas áreas arborizadas. Nesse aspecto, tratando-se de região
mais quente, a escaldadura provoca o efeito de face de exposição dos cafeeiros de forma mais diferencial.
O lado das linhas mais exposto ao sol da tarde mostra folhas mais amareladas, menor produtividade e maior
ataque de cercosporiose. Outro aspecto fisiológico observado é o efeito dreno, bem pronunciado, nos
cafeeiros nessas áreas. Os ramos de cafeeiros praticamente paralisam seu crescimento na fase de granação
dos frutos.
Nas variedades plantadas ainda predomina a cultivar Catuai vermelho, porem os dados de campos
de observação e os plantios em maior escala, vem demonstrando bom desempenho de cultivares novos
(tabela 1), como de Catucai amarelo 2SL e 24/137 e, especialmente, da cultivar Arara. Esta última, além de
muito produtiva, tem demonstrado a característica de boa bebida, alcançando, mesmo nessa região, um
pouco mais quente, mais de 86 pontos na escala SCAA. O emprego de variedades tolerantes à ferrugem e
de maturação mais precoce ou tardia favorece, ainda, o controle da doença e a programação da colheita.
Conclui-se que -apesar do clima mais seco, o polo cafeeiro do Norte de Minas Gerais, com o uso de
variedades adequadas e de tecnologias de irrigação e de manejo dos tratos nos cafezais, se mostra viável
economicamente, pela facilidade na mecanização e pela alta produtividade nas lavouras. Dentre as
variedades se destaca a cultivar Arara.

Tabela 1- Produtividade em cafeeiros, nas 3 primeiras safras, em diferentes variedades, nas condições de
ambiente e manejo na Região Norte de Minas – Machado Mineiro, Águas Vermelhas-MG, 2017.
Variedades/cultivares Produtividade, em sacas/ha
1ª safra-2015 2ª safra-2016 3ª safra-2017 Média 3 safras
Catuai amarelo 62 47 63 53 54,3
Catucai A 24-137 FG 52 57 61 56,6
Catucai A 2SL 50 53 59 54,0
IBC 12 ou IAC 125 27 67 34 42,6
Arara 53 69 59 60,3
Fonte – Matiello et ali. In- Anais do 42ºCBPC, Fundação Procafé 2016. p. 230 e dados complementares em 2017.

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