INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DE ANGOLA – ISTA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
CURSO DE PSICOLOGIA EDUCACIONAL
PRÉ-PROJECTO
O ABANDONO ESCOLAR NA ESCOLA Nº 718 – COMANDANTE
DIMBUONDWA NO MUNICÍPIO DE NAMBUANGONGO PROVÍNCIA
DO BENGO
CAXITO
2023
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INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DE ANGOLA – ISTA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
CURSO DE PSICOLOGIA EDUCACIONAL
PRÉ-PROJECTO
O ABANDONO ESCOLAR NA ESCOLA Nº 718 – COMANDANTE
DIMBUONDWA NO MUNICÍPIO DE NAMBUANGONGO PROVÍNCIA
DO BENGO
Os Autores:
Catarina Domingos Guimarães Benedito
Lopes Hungo Pascoal
Isabel Nsibo
CAXITO
2023
1
2
Índice
Introdução
……………………………………………………………………………………………………………
………………….3
1) Escolha do tema........................................................................................................4
2) Revisão de literatura..................................................................................................5
O Abandono Escolar......................................................................................................5
2.1.1 Introdução............................................................................................................. 5
[Link] Conceito de abandono escolar...........................................................................5
Conceitos afins.............................................................................................................. 7
3 - Causas do Abandono Escolar..................................................................................8
2.3 Consequências do Abandono Escolar...................................................................10
4- Formulação do Problema de Investigação...............................................................13
3-Hipóteses..................................................................................................................13
5-Determinação dos objectivos....................................................................................14
4.1- Objectivo geral......................................................................................................14
4.2 - Objectivos específicos:........................................................................................14
6. Abordagem metodológica........................................................................................14
6.1 Introdução.............................................................................................................. 14
6.3 População do estudo criação de amostras............................................................15
7. Aspectos organizacionais da ZIP Nº 15 de Malica...................................................15
7.1. Desafios................................................................................................................16
7.2. Perspectivas.........................................................................................................16
8 - Colecta de dados....................................................................................................17
8.1-Instrumentos e técnicas de recolha de dados........................................................17
8.2 - Técnica de tratamento de dados..........................................................................17
9 – Tabulação dos dados.............................................................................................17
10 – Apresentação, análise e discussão dos resultados..............................................18
10.1. Análise das entrevistas.......................................................................................18
10.2. Análise da notícia da rádio Moçambique.............................................................18
12. Recomendações finais...........................................................................................20
Referências..................................................................................................................21
3
INTRODUÇÃO
A problemática do abandono escolar em Angola tem vindo a preocupar há vários
anos o governo, pedagogos, psicólogos e a sociedade em geral, querendo conhecer
as suas causas, os factores que concorrem para esse fenómeno e as formas de o
combater.
As consequências do abandono escolar poderão manifestar-se de formas diferentes
retardando o avanço socioeconómico do indivíduo que abandona a escola e a
comunidade respectivamente.
Escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município de Nambuangongo, em todos
os ciclos de aprendizagem a problemática do abandono escola é notório, dai que
seja pertinente esta pesquisa como forma de conhecer as reais causas e trazer
algumas estratégias que poderão ajudar a combater o abandono escolar naquela
instituição de ensino primário. A metodologia adoptada nesta psquisa é uma
metodologia qualitativa
O presente trabalho de pesquisa encontra-se estruturado da seguinte maneira:
Primeiramente apresenta a literatura, referindo-se do conceito de Abandono Escolar
e conceitos afins, causas do abandono escolar, consequências do abandono
escolar. Depois apresenta justificativa reflectindo sobre “o porque” da realizacao da
pesquisa procurando identificart as razoes de preferencia pelo tematema escolhido
e a sua importancia, de seguida vem a formulacao, formulação do problema de
investigação , hipóteses, determinação dos objectivos, abordagem metodológica,
aspectos organizacionais da escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município
de Nambuangongo, colecta de dados, tabulação dos dados, apresentação, análise e
discussão dos resultados, conclusão da análise dos resultados e por ultimo
apresenta-se recomendações finais.
Escolha do tema
A definição do tema pode surgir com base na sua observação do quotidiano, na vida
profissional, em programas de pesquisa, em contacto e relacionamento com
especialistas, no feedback de pesquisas já realizadas e em estudo da literatura
especializada (BARROS; LEHFELD, 1999). Entretanto o presente trabalho tem
4
como tema abandono escolar. Este tema surge devido ao abandono escolar que se
verifica na escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município de
Nambuangongo. Desconhecendo as reais causas decidimos conduzir uma pesquisa
para descobrir as razoes deste fenómeno que tanto preocupa a nós como professor
daquela instituição de ensino, a direcção da escola e o governo em geral. Para ter
uma visão clara acerca do assunto vai se levantar e analisar a literatura já publicada
sobre o tema.
5
2. REVISÃO DE LITERATURA
O Abandono Escolar
2.1.1 Introdução
O abandono escolar constitui uma das preocupações constantes dos sucessivos
governos, tendo em conta o seu nível de crescimento e os prejuízos advenientes
nos domínios educativo, social, económico e familiar. Neste contexto, esforços,
acordos e parcerias vêm sendo feitos entre os vários responsáveis e representantes
da Educação com vista a pôr côbro a esse flagelo, que tanto tem contribuído para o
insucesso escolar e pelos baixos rendimentos escolares.
Para uma melhor compreensão da problemática a investigar no presente estudo,
convêm explorar o que já foi estudado e estabelecido por diferentes autores.
Classificar conceitos permite, também, estabelecer um quadro teórico de referência
para a interpretação deste fenómeno.
Deste modo, o presente capítulo apresenta um breve esclarecimento do conceito de
AE, a consideração das suas causas e consequências e alguns modelos teóricos
propostos, por diversos autores.
[Link] Conceito de abandono escolar
Para uma melhor compreensão do fenómeno abandono escolar, torna-se necessário
conhecer o seu conceito. Contudo, não é fácil encontrar uma definição que seja
concensual entre os diferentes autores. Para Benavente et. al., (1994), o abandono
escolar corresponde ao “abandono das actividades escolares sem que o aluno tenha
completado o percurso obrigatório e/ou atingindo a idade legal para o fazer”. Na
perspectiva de Tavares (1990), “o abandono se concretiza no final do ano lectivo por
razões que não sejam a transferência ou a morte enquanto que a desistência ocorre
algures durante o ano”.
Numa visão semelhante, Rosa (2004, p.201) citada por Oliveira (2009, p.66),
defende que o abandono escolar é um conceito aplicável aos jovens que, por
imperativa legal, deveriam estar na escola mas não estão.
6
Uma das principais diferenças entre as diferenças entre as inúmeras definições de
AE pretende-se com a distinção entre abandono e desistência. Citada por Oliveira
(2009, p.66). Ferrão (1995) considera que o AE (acontece) no final do ano lectivo e a
desistência a qualquer altura do ano. A desistência é o fenómeno que está
relacionado com as situações de transferência de escola. O AE significa ruptura com
o sistema educativo.
Também Benavente e tal (1994) citado por Oliveira (2009, p.66) contempla esta
distinção afirmando que abandono ou desistência significa que um aluno deixa a
escola sem concluir o grau de ensino frequentado por outras razoes que não sejam
a transferência de escola ou…a morte. Saber se se trata de abandono (no final do
ano lectivo) ou desistência (durante o ano) pode ser relevante para a compreensão
dos motivos e das situações, mas não altera o fundamental.
Assim, a desistência pode assim ser considerada, na medida em que os alunos
desistem de usufruir do seu direito à escola e à formação.
Apesar das diferenças entre as definições dos diversos autores importa referir que
para a grande maioria destes, o AE implica, uma ruptura com a escola. Esta pode
ser vista como uma consequência última de um processo de afastamento da escola
alimentado pelas dificuldades de entendimento e articulação entre uma cultura
escolar específica e a realidade dos contextos familiares e socioculturais dos alunos.
Benavente et al., (1999) defende que o AE ocorre repetidamente, no quadro de
assimetrias e desigualdades sociais e de uma instituição escolar cujos conteúdos e
não se adequam à diversidade de quem hoje as frequenta. (Melo, 2008, p. 16)
Tal facto, reforça o argumento de uma escola reprodutora das desigualdades
sociais, incapaz de se oferecer de forma homogénea a todos os que a ela têm
direito. Uma escola incapaz de promover igualitariamente as oportunidades e a
mobilidade social proporcionando situações de exclusão escolar (e de exclusão
social) e que acabam, quando não devidamente intervencionadas, em situações de
AE. (Riehl, 1999 citado por
Rrumberger, 2001, pp. 16-17).
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Conceitos afins
De entre vários conceitos consagrados em obras de diferentes autores, optou-se por
conceitos que se seguem, por constituírem elementos passíveis ao estudo e à
incorporação no desenvolvimento da temática Abandono Escolar:
• A escola é entendida como veículo de transformação social e económica, podendo
os estabelecimentos de ensino, em parceria com as famílias e outros agentes
comunitários desencadear movimentos sociais que contrariam os constrangimentos
impostos pelas forças reprodutoras (Diogo,1998: 24). citado por Fontes (2003).
• A família é uma instituição ou subsistema social básico da organização social. Ela
é um tipo especial de sistema social, constituído por subsistemas (pais, filhos,
irmãos…) e envolvido por supra sistemas (escola, bairro…), com os quais ela
interactua. A família é um contexto primordial para o desenvolvimento da pessoa
humana. Nesta linha de pensamento,
Saraceno, citado por Diogo (1998 : 38), considera como elementos distintos da
família, a relação de parentesco, de afinidade ou afectividade que une entre si várias
pessoas; a coabitação, isto é, a convivência de todos os membros no mesmo
alojamento e a consequente condição da sua residência habitual na mesma
comunidade e a unicidade do orçamento, pelo menos parte das receitas e das
despesas deve ser destinada à satisfação das necessidades primárias da família,
como a alimentação e os serviços de Educação.
• A adolescência é uma das fases de desenvolvimento humano que corresponde à
“fase de reestruturação afectiva e intelectual da personalidade, um processo de
individualização e de metabolização das transformações fisiológicas ligadas à
integração do corpo sexuado” (Doron e Parot, 2001: 32). Segundo os mesmos
autores (2004:354) a adolescência é uma etapa de exploração a qual os jovens
precisam ter várias experiências que irão ajudá-los a traçar o seu projecto de vida e
a sua identidade. Estas experiências podem levar a certos riscos, mas é necessário,
nesse sentido o certo seria uma supervisão adequada por parte dos adultos, de
modo a evitar excessivos riscos e conflitos.
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3 - Causas do Abandono Escolar
Para um melhor entendimento do AE importa reflectir sobre as causas que estão na
sua origem.
Oliveira (2009, p. 67) apresenta aqueles que no início dos anos noventa foram
apontados por Clímaco (1991) como os três factores na base do AE. São eles: as
expectativas demasiado elevadas em relação à educação; as dificuldades de
inserção no contexto escolar, que têm a ver com o fato da escolaridade ter sido
alargada a novos
Estratos sociais. A escola terá de dar resposta a uma diversidade até então
inexistente ou invisível; a probabilidade de inserção no mercado de trabalho, fácil e
recompensadora: “animadas: por: uma: cultura: de: lucro: imediato: e: de:
consumismo, próprias de uma sociedade que um certo desenvolvimento económico
torna mais afluente”
Este factor é, ainda hoje, adequado a uma explicação breve das causas para o AE.
Existem, no entanto, outras causas organizadas por outros autores sobre as quais
considerar.
A maioria dos autores parece concordar que são sobretudo os alunos com
dificuldades de integração na escola e com contextos familiares e socioculturais
específicos a decidir abandonar a escola. Citada por (Dias, 2010, p. 29) Benavente
(1994) identifica este facto como uma das causas mais frequentes para o AE, os
alunos que abandonam têm problemas com a escola e foram já por ela
abandonados, em muitos casos. Só ocasionalmente se encontra um bom aluno,
entusiasmado, com projectos escolares, que renuncia à escola.
Dias (2010, pp. 29-30) apresentam uma lista de causas para o AE tal como definidas
por L. W. Barber, M. C. McClellan (1987). São causas:
De Integração e relacionais: falta de interesse pela escola; aborrecimento quanto à
escola e às actividades escolares; idade; problemas com os professores; problemas
com os colegas; inadaptação à escola, levando a falta de integração à falta de
interesse; interesse por outras actividades; e maus resultados escolares que
aumentam o desinteresse pela escola.
Familiares: responsabilidades (nas tarefas domésticas, maternidade na
adolescência, etc.) e problemas familiares; nível de instrução considerado suficiente
para a actividade profissional, levando ao início da actividade laboral e a um
9
aumento da falta de interesse pela escola; problemas financeiros; e necessidade de
começar a trabalhar, que tal como na causa anterior pode estar relacionado com a
necessidade do aluno de ganhar dinheiro para ajudar a economia familiar ou para o
seu próprio sustento.
De Acessibilidade: problemas de transporte, dificuldade do aluno em chegar à
escola normalmente por morar longe da escola e por existirem poucos meios de
transporte disponíveis e com pouca flexibilidade de horários. Isto promove o
desinteresse do aluno pela escola e, em última instancia, o AE.
Rumberger (2001) considera serem os factores familiares os mais importantes no
processo de AE. Uma vez que, o contexto familiar é reconhecido como sendo o mais
importante contribuidor para o sucesso escolar. É por isso importante considerar
como causa não apenas as características das famílias, mas também, a capacidade
de aproximação e dialogo entre a instituição escolar e as famílias dos alunos em
risco de AE.
Vicêncio et al (2004, p.15) apresenta outro conjunto organizado de factores na
origem do AE, assim como estabelecido por Mata (2000). São factores:
Individuais, como: a inadaptação à escola; o fraco investimento na vida escolar; o
absentismo elevado; os problemas disciplinares; o baixo nível de capacidades; o
insucesso escolar; a baixa auto-estima; o mau relacionamento com colegas; o
isolamento; o relacionamento próximo com jovens que abandonaram a escola; os
problemas de saúde e as incapacidades; o casamento e/ou a gravidez; e a
toxicodependência.
Familiares, como: o baixo nível socioeconómico; as fracas expectativas
relativamente à vida escolar dos filhos; o interesse por uma rápida inserção dos
jovens na vida ativa; a vida familiar disfuncional; as relações parentais negligentes
ou abusivas; as estratégias familiares desfavoráveis; a pertença a uma minoria
étnica; e a mobilidade elevada.
Escolares, como: um clima escolar negativo; o conflito entre as culturas da escola e
da comunidade; o currículo irrelevante; o horário fatigante; a despersonalização da
relação professor/aluno; as estratégias de ensino passivas; o desprezo pelos
diferentes estilos de aprendizagem dos alunos; as fracas expectativas dos
professores; um sistema disciplinar ineficaz; a utilização frequente de retenções e
suspensões; um corpo docente instável, inexperiente e pouco qualificado; a
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utilização deficiente das novas tecnologias; a inexistência de serviços de
aconselhamento; e a má qualidade de vida (pouca limpeza, falta de instalações
desportivas). Sociais, como: uma grande incidência de actividades criminais; a
disponibilidade de emprego juvenil; a fraca ligação entre a comunidade e a escola; a
falta de serviços sociais de apoio; e um sistema de transportes casa escola ineficaz.
2.3 Consequências do Abandono Escolar
Sobre o AE importa ter em mente que não se trata apenas de um problema da
escola e de indivíduos em particular, mas também, de um problema social com
consequências para o desenvolvimento do país. Estudos e reflexões bastante
recentes sobre as desigualdades sociais e o papel da educação na sua produção ou
superação destacam as consequências económicas, culturais, cívicas e pessoais
dos fracos níveis de escolaridade e de saber de muitos cidadãos (Benavente et al.,
1994 citada por Vicêncio et al, 2004, p. 17). A grande maioria dos autores considera
que o AE tem sobretudo consequências ao nível do futuro e do campo de
possibilidades dos indivíduos que, por falta de escolarização, se encontra
francamente diminuído. Estas contrariedades no futuro prendem-se com uma maior
dificuldade de acesso ao mundo do trabalho, acesso a empregos pouco qualificados
e precários, geralmente mal remunerados, tornando-se estes indivíduos alvos de
uma maior vulnerabilidade associada às baixas expectativas quanto às suas
possibilidades e condições futuras e que acarreta um aumento da desigualdade e
dependências sociais. (Divisão de Acção Social da Câmara Municipal de Faro, 2006,
p.24) O trabalho de Análise da Relação entre o Perfil Psicossocial do Aluno e o
Abandono Escolar desenvolvido pela Divisão de Ação Social da Câmara Municipal
de Faro em 2006 (p.24) cita ainda autor que relacionam o AE com o aumento de
risco psicológico, naquela que pode ser considerada uma relação de causa-efeito.
Aumenta, assim, o risco de alcoolismo, consumo de substâncias ilícitas (Crum,
Ensminger, Ro, & McCord, 1998; Silbereisen, Robins, & Rutter, 1995) e prática de
crimes (Farrington, Gallagher, Morley, [Link], & West, 1986).
Deve, ainda, ter-se em conta que alguns dos alunos que deixam a escola o fazem
para assegurar a sua sobrevivência e também a da sua família, normalmente
também pouco qualificada. Por outro lado, o fracasso na experiência de
escolarização constitui uma memória de frustração que pode vir a influenciar as
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gerações que se seguirem, na medida em que a má experiência dos pais pode
significar um menor envolvimento na escolarização dos filhos.
Numa comunicação da Comissão Europeia ao Parlamento Europeu sobre o
combate ao AE (Comissão Europeia, 2011, pp. 3-4) é dado relevo às consequências
deste fenómeno. Estas consequências são concebidas a nível individual indo ao
encontro do já referido (menor participação social, maior risco de desemprego,
desvantagem educativa dos descendentes, etc.), mas também, como consequências
a nível económico e da sociedade em geral sendo referidos efeitos a longo prazo no
desenvolvimento da sociedade e no crescimento económico, devido a uma menor
participação dos cidadãos nos processos democráticos e a um comprometimento da
inovação e do crescimento que dependem de uma força de trabalho qualificada.
Hoje, numa sociedade de cariz assumidamente tecnológico, o abandono é
interpretado como sinal de inadaptação social e de incapacidade para investir no
futuro. (Lopes et al, 2008, p.135)
O AE significa, assim, um sem número de consequências que vão desde os aspetos
individuais até ao mais global desenvolvimento do país e que significam,
necessariamente, um vasto conjunto de desafios para a escola e para a intervenção
social escolar de hoje e do futuro.
Fontes (2003), no seu trabalho, intitulado “O Drama do Insucesso Escolar”, descreve
as consequências deste fenómeno nos mais variados domínios, nomeadamente:
• Física – os alunos possuem um auto conceito depreciativo, pois, acham –se feios
e sem jeitos; sentimentos de estigmatização (Auto – desvalorização), entre outros.
• Emocional – os alunos revelam problemas de comportamentos, sentimentos de
incompetência, danos de personalidade e de identidade, bem como a ausência de
construção de sonhos e projectos (Moroso, 2003) apud Fontes (2003)
• Social - os alunos acham-se maus e revelam dificuldades de integração social.
Ainda, no domínio social, o abandono escolar arrasta consigo consequências que se
correlacionam com o uso de drogas e álcool, com doenças sexualmente
transmissíveis, com início precoce da vida sexual, baixa auto-estima e auto-eficácia,
com probabilidade maior de depressão, stress, estilo explicativo pessimista, baixo
desempenho académico e baixas habilidades sociais e futuro comportamento anti-
sociais (mentir, roubar, agredir,…). Por outro lado, essas crianças que abandonam
as escolas, muitas delas, na idade adulta, não são bem acolhidas em instituições.
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• Educativo - o abandono escolar é um fenómeno que causa prejuízos no campo
educativo, uma vez que as crianças que não concluem a escolaridade mínima, vão
engrossar a lista de analfabetismo e vão diminuir a lista dos que concluem a
escolaridade mínima, contribuindo, deste modo, para o insucesso escolar.
3) Justificativa
Se as razões que levam os alunos a abandonarem a escola não forem conhecidos
por parte dos gestores educacionais e pelo ministério de educação Ciência e
Tecnologia e a sociedade em geral pode não ser fácil combater este fenómeno que
tanto preocupa a todos os intervenientes do processo de ensino e aprendizagem.
Esta pesquisa tem como objectivo investigar o que leva os alunos a abandonarem a
escola e propor algumas estratégias que poderão ajudar a combater este fenómeno.
O interesse pelo tema surgiu da constatação de que muitos alunos matriculados no
ensino básico não chegam até no final do ano devido a vários factores
particularmente na escola na escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município
de Nambuangongo.
É preciso dizer, ainda, que na nossa sociedade, muitas são as crianças que se vêem
empurradas para a vida activa, isto é, obrigadas a terminar a carreira escolar,
mesmo antes da conclusão do 3º ciclo do EB (Ensino Básico) que corresponde a
escolaridade mínima e obrigatória, com o intuito de resolver os problemas com
efeitos imediatos.
Assim se entende que as crianças em idade escolar não devem estar fora do
sistema do ensino, pelo que se torna necessário congregar esforços no sentido de
prevenir e posicionar contra o abandono escolar, sobretudo porque se trata de um
direito que lhes assiste.
4- Formulação do Problema de Investigação
A investigação gira em torno de um problema determinado que, pelos mais diversos
motivos, interessa estudar, seja porque não se sabe nada sobre o assunto, seja
porque se quer melhorar o conhecimento sobre algo. (Pardal & Lopes, 2011, p. 120).
Assim, o problema assume um carácter central aquando da definição/clarificação do
que importa estudar e equacionar acerca do AE. As crianças que não concluem a
escolaridade mínima, vão engrossar a lista de analfabetismo e vão diminuir a lista
dos que concluem a escolaridade mínima; no campo social pode-se verificar que as
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crianças que abandonam os estudos, muitas delas não são acolhidas em outras
instituições, o que faz com que elas enveredam por outros caminhos que de nada as
dignificam, quais sejam a droga, prostituição, alcoolismo, roubo e actos de
vandalismo; do ponto de vista económico, estas crianças vão engrossar a taxa de
desemprego e, ou então, são candidatos a mão-de-obra não qualificada, auferindo
baixos rendimentos, dificultando desta forma o seu bem-estar familiar e social.
A par disto, surge uma questão: : Quais são as razões que levam os alunos a
abandonar a escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município de
[Link] pergunta simples, mas determinante, na medida em que
envolve uma situação com repercussões na vida pessoal e social no futuro dos ex-
alunos em situação de abandono escolar.
3-Hipóteses
Quivy e Campenhoudt (1995, p.150) definem como hipótese (…) uma resposta que
antecipa uma relação entre dois termos que, de acordo com o caso, podem ser de
conceitos ou de fenómenos. Ela e portanto, uma resposta provisória, uma
presunção, que requer ser verificada. A hipótese será confrontada, numa etapa
posterior da pesquisa, aos dados colectados. Para ser objecto dessa verificação
empírica, uma hipótese deve ser falsa.
Para a presente problemática tem seguinte hipótese. As razões que levam os
alunos a abandonar a escolas são:
Falta de interesse e conhecimento da importância de escola;
Pobreza absoluta que afecta a família em que se insere o aluno;
Falta de mobilização por parte dos pais e encarregados de educação aos
seus educandos;
Casamentos prematuros;
Gravidez precoce;
Nomadismo e
Faltas constantes dos professores na escola.
5-Determinação dos objectivos
Quanto aos objectivos, adopta-se a pesquisa exploratória para proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito ou a construir
hipóteses. A grande maioria dessas pesquisas envolve: (a) levantamento
14
bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiencias práticas com o
problema pesquisado; e (c) analise de exemplos que estimulem a compreensão
(GIL. 2007). Essas pesquisas podem ser classificadas como: bibliográfica e estudo
de caso (GIL, 2007).
Para o presente estudo foram definidos como objectivos:
4.1- Objectivo geral
Conhecer as razões que levam os alunos a abandonar o ensino básico.
4.2 - Objectivos específicos:
Conhecer o contexto familiar, socioeconómico e cultural dos alunos em AE;
Conhecer a concepção dos alunos em AE sobre a educação e a escola;
Conhecer a posição da escola face à situação de AE através do discurso dos
alunos em situação de AE.
6. Abordagem metodológica
Depois de apresentados e relacionados os conceitos teóricos que sustentam o
presente trabalho de investigação, importa atentar sobre o enquadramento
metodológico que balizou a forma como foi desenvolvida a investigação centrada
nas motivações para o AE dos jovens.
6.2 Método de estudo
No presente capítulo serão apresentadas as opções metodológicas tomadas, assim
como, o problema, objectivos e questões do estudo e a amostra trabalhada.
No presente estudo opta-se pela utilização de uma metodologia qualitativa
justificada pela necessidade de abordar um fenómeno social a partir da visão que os
sujeitos/actores do mesmo têm sobre este. A metodologia qualitativa (paradigma
qualitativo) caracteriza-se, entre outras coisas, pela obtenção de informação de
maneira imediata e pessoal, utilizando técnicas e procedimentos baseados em
contacto directo com a gente ou realidade que se investiga. (Ander-Egg, 2000, p. 37)
Sobre o paradigma qualitativo pode, ainda, dizer-se que este considera o
investigador como parte do estudo/investigação. Em oposição ao paradigma
quantitativo, é possível a interferência e até o condicionamento do estudo por parte
de quem investiga.
15
O presente estudo pode ser caracterizado como um estudo de caso na medida em
que se centra apenas na análise dos casos de AE na escola Primária do 1º 2º grau
de Malica durante um período determinado de tempo. Os estudos de caso
correspondem, em síntese, a um modelo de análise intensiva de uma situação
particular (caso). Tal modelo, flexível no recurso a técnicas, permite a recolha de
informação diversificada a respeito de uma situação em análise, viabilizando o seu
conhecimento e caracterização. (Pardal & Lopes, 2011, p.33)
6.3 População do estudo criação de amostras
Neste estudo foi entrevistada a direcção da escola na pessoa do
director/coordenador da ZIP em causa, enquanto gestora que assume a liderança do
processo administrativo na instituição de ensino em referência e ao Presidente do
Conselho da Escola, enquanto representante da sociedade local e elo de ligação entre a
escola e a comunidade em geral.
Igualmente, procedeu-se com a administração do inquérito por questionário a 3
professores afectos a escola Nº 718 – Comandante Dimbuondwa, município de
Nambuangongo em representação da maioria, sendo um da 1ª classe, um da 5ª classe
e outro da 6ª classe em cada um dos três ciclos que compõem o ensino primário, numa
escolha aleatória, de forma a ter uma visão generalizada de todo sistema de ensino
naquele estabelecimento do processo de ensino aprendizagem.
Os inquéritos foram aplicados no dia _____________________ de __________ de
___________________, pelas oito horas na mesma Escola.
8 - Colecta de dados
8.1-Instrumentos e técnicas de recolha de dados
Uma das técnicas de recolha de dados foi a análise documental do relatório
referente as actividades desenvolvidas ao longo do ano lectivo de 2016, na ZIP Nº
15 – Malica. E a notícia da Rádio Moçambique que relata a desistência de raparigas
no ensino moçambicano. Para conhecer as percepções dos gestores, recorreu-se à
entrevista semi-estruturada ao director da escola e ao presidente do conselho da
escola. Para conhecer as percepções dos docentes foi utilizado o inquérito por
questionário aplicado a três professores que compõem o corpo docente da escola.
Para conhecer a opinião dos pais e encarregados de educação e dos ex-alunos foi
aplicado um inquérito por questionário.
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8.2 - Técnica de tratamento de dados
A entrevista semi-estruturada nem é inteiramente livre e aberta comunicação,
entrevistador e entrevistado, com carácter informal, nem orientada por um leque
inflexível de perguntas estabelecida a prior. (Pardal & Lopes, 2011, pp. 86 87) Com
estas entrevistas pretende-se um momento de diálogo, que permita um discurso o
menos condicionado possível dos sujeitos da amostra. Neste sentido pretende-se
que o questionamento surja de modo tão natural quanto possível, com precisão e
sentido de oportunidade. (Pardal & Lopes, 2011, p. 87)
Para as entrevistas foi construído um guião de entrevista semi-directiva.
9 – Tabulação dos dados
Os dados recolhidos por inquérito foram trabalhados estatisticamente.
As entrevistas feitas a directora da escola e ao presidente ao conselho da escola
foram sujeitas à análise de conteúdo.
Recorrendo a triangulação metodológica procedeu-se a uma interpretação dos
dados e apresentamos seguidamente uma interpretação dos dados e apresentamos,
seguidamente, a sua análise e comentário.
12. Recomendações finais
Assim, apresenta-se a seguinte contribuição que poderá ser aproveitada como
proposta para minimizar a problemática do abandono escolar:
Chamada de atenção a sociedade para a problemática do abandono escolar,
através do desenvolvimento duma campanha de sensibilização para o retorno
a escola das crianças e adolescentes que abandonaram o ensino.
Reflexão sobre os diversos factores internos e externos à escola que têm
influencia directa no abandono escolar;
Trabalhar com as comunidades sensibilizando-as sobre a importância da
escola;
Distribuir peças de roupas, produtos escolares, de higiene e limpeza aos
alunos carenciados.
17
Referências
Ander-Egg, E. (2000). Métodos e técnicas de investigación social – como organizar
el trabajo de
investigación. Cuenca: U ediciones
Canavarro, J.M. (2007). Para a compreensão do abandono escolar. Lisboa: Texto
Editores
Castro, C. F. V. (2010). Abandono Escolar – Factores e Estratégias de Combate.
Tese de Mestrado não
Gonçalves, C. (2003). Escola e família: uma relação necessária e conflitual. In
Costa, M. (coord.), Gestão
de Conflitos na Escola (pp. 97 – 142). Lisboa: Universidade Aberta
Guadalupe, S. (2009). Intervenção em Rede – Serviço Social, Sistémica e Redes de
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