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Introdução a Sistemas Dinâmicos

O relatório descreve estudos sobre sistemas dinâmicos de tempo contínuo e discreto, abordando: 1) Sistemas de equações diferenciais lineares e classificação de pontos de equilíbrio. 2) Bifurcação de Hopf em sistemas não lineares. 3) Teoremas sobre fluxos tubulares e órbitas periódicas. 4) Sistemas unidimensionais discretos, incluindo a família quadrática e dinâmica simbólica. 5) Conceitos de caos e o te
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Introdução a Sistemas Dinâmicos

O relatório descreve estudos sobre sistemas dinâmicos de tempo contínuo e discreto, abordando: 1) Sistemas de equações diferenciais lineares e classificação de pontos de equilíbrio. 2) Bifurcação de Hopf em sistemas não lineares. 3) Teoremas sobre fluxos tubulares e órbitas periódicas. 4) Sistemas unidimensionais discretos, incluindo a família quadrática e dinâmica simbólica. 5) Conceitos de caos e o te
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Universidade Estadual de Campinas

Instituto de Matemática, Estatı́stica e Computação Cientı́fica

Uma introdução aos sistemas dinâmicos: tempo


contı́nuo e tempo discreto

Relatório Final de Atividades

Aluno: André Boscariol Rasera, RA: 231312

Orientador: Ricardo Miranda Martins

Campinas, SP

02/09/2022
Sumário
1 Introdução 2

2 Metodologia 2

3 Resumo das Atividades 2


3.1 Sistemas Dinâmicos de Tempo Contı́nuo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
3.1.1 Sistemas de EDOs Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
3.1.2 Bifurcação de Hopf . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
3.1.3 Teorema do Fluxo Tubular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
3.1.4 Teorema de Poincaré-Bendixson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
3.2 Sistemas Dinâmicos de Tempo Discreto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
3.2.1 Conjunto dos Terços Médios de Cantor . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
3.2.2 A Famı́lia Quadrática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3.2.3 Dinâmica Simbólica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3.2.4 Caos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3.2.5 Teorema de Sarkovskii . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

4 Conclusão 19

1
1 Introdução
Um sistema dinâmico pode ser descrito como uma ação de um grupo G em uma variedade
diferenciável X, isto é, uma função ψ : G × X → X que associa a cada par ordenado (g, x)
um elemento ψ(g, x) ∈ X. Neste projeto, os estudos foram desenvolvidos em duas frentes,
considerando dois casos particulares dessa definição:
• O primeiro é chamado “sistema dinâmico de tempo contı́nuo”, em que G = R e X = Rn
para algum natural n, e a função ψ é tomada como a solução da equação diferencial
autônoma ẋ = X(x), de forma que {ψt (x0 ) : t ∈ I ⊆ R} é a solução da equação com
condição inicial x(0) = x0 .
• O segundo é chamado “sistema dinâmico de tempo discreto”, em que G = Z e X = Rn ,
e a função ψ é descrita por ψ(n, x) = T n (x), e T é um difeomorfismo. Um caso mais
geral, em que X é um espaço métrico e T é uma função contı́nua também foi bastante
explorado.
Quanto aos sistemas dinâmicos de tempo contı́nuo, foram estudados a princı́pio os sistemas
de equações diferenciais lineares, passando em seguida para o estudo de fluxos induzidos por
equações diferenciais no plano e considerando o conceito de bifurcação. Depois, foi analisado
o Teorema do Fluxo Tubular e sua demonstração, que emprega importantes teoremas de
ponto fixo, e por fim foram exploradas condições para a existência de órbitas periódicas
nesses sistemas, utilizando o Teorema de Poincaré-Bendixson.
Quanto aos sistemas dinâmicos de tempo discreto, foram estudados em particular os sistemas
unidimensionais (quando X = R1 ), com especial ênfase à aplicação quadrática Qc (x) = x2 +c,
avaliando seu comportamento ao variar o parâmetro c em R. Fazendo uso de dinâmica
simbólica, foi construı́da a noção de caos, baseada no comportamento do shift map no espaço
das sequências. Ao fim, foi destrinchado o Teorema de Sarkovskii, resultado historicamente
muito importante para o desenvolvimento da dinâmica unidimensional.

2 Metodologia
A metodologia deste projeto consistiu em estudar e consultar referências variadas, listadas
ao final deste relatório, tais como livros e notas de aula, reescrevendo e completando as de-
monstrações e argumentos e fazendo diversos exercı́cios. Foram realizadas reuniões semanais
com o orientador para discutir os resultados, tirar dúvidas e planejar os próximos passos.

3 Resumo das Atividades


3.1 Sistemas Dinâmicos de Tempo Contı́nuo
3.1.1 Sistemas de EDOs Lineares
Para iniciar os estudos de sistemas dinâmicos de tempo contı́nuo, foram explorados os sistemas
de equações diferenciais lineares e suas soluções analı́ticas utilizando a Forma Canônica de
Jordan e a exponencial de matrizes [9, 10]. De fato, com essas ferramentas é possı́vel descrever
explicitamente as soluções dos sistemas com relativa facilidade: em particular, a classificação
dos sistemas planares (sistemas 2 × 2) a menos de isomorfismos lineares é simples e foi
minuciosamente explorada.

2
 
a b
Seja A = uma matriz com entradas reais. Seu polinômio caracterı́stico é
c d

pA (λ) = det (A − λI) = λ2 − (a + d)λ + (ad − bc) = λ2 − tr (A)λ + det (A).

Abreviando T = tr (A) e D = det (A), os autovalores (as raı́zes do polinômio caracterı́stico)


são √
T ± T 2 − 4D
λ= .
2
Dependendo dos valores que T e D assumem, os autovalores são números reais distintos, ou
o mesmo real repetido, ou números complexos conjugados.
Definição 1. Denote Mn (R) para o conjunto das matrizes n × n com entradas reais. Sejam
A e B ∈ Mn (R). A e B são ditas semelhantes se existe uma matriz invertı́vel P ∈ Mn (R)
tal que B = P −1 AP .
Teorema 2. Seja M ∈ M2 (R). Considere as seguintes matrizes:
       
λ 0 η 0 γ 1 α −β
(1) , (2) (3) , (4) ,
0 µ 0 η 0 γ β α

• Se M possui autovalores reais distintos λ e µ, então M é semelhante à matriz (1);


• Se M possui apenas um autovalor real repetido η cujo autoespaço possui dimensão 2,
então M é semelhante à matriz (2);
• Se M possui apenas um autovalor real repetido γ cujo autoespaço possui dimensão 1,
então M é semelhante à matriz (3);
• Se M possui dois autovalores complexos conjugados α + iβ e α − iβ, então M é seme-
lhante à matriz (4).
A partir desse teorema, é possı́vel avaliar o comportamento das soluções do sistema de
equações diferenciais ẋ = Ax, considerando apenas os casos acima, a menos de semelhança
matricial (ou equivalentemente, como supracitado, a menos de transformações lineares in-
vertı́veis). Essa análise está esquematizada no chamado “Diagrama Traço-Determinante”,
representado na Figura 1 na página seguinte, baseada em [6].
Esse estudo acompanhou a parte inicial do curso de Álgebra Linear Avançada, reforçando os
conceitos a respeito das formas canônicas dos operadores lineares, além de ter sido o primeiro
contato com a interpretação qualitativa do retrato de fase de um sistema, essencial para o
estudo da dinâmica em tempo contı́nuo.

3.1.2 Bifurcação de Hopf


Iniciando os estudos em não-linearidade, o assunto seguinte abordou os sistemas de EDOs
não lineares unidimensionais e bidimensionais [7]. Se a análise anterior foi feita a menos de
transformações lineares invertı́veis entre sistemas, a partir daqui a análise passou a ser feita
a menos de funções contı́nuas invertı́veis (homeomorfismos) definidas nas vizinhanças dos
pontos de interesse entre retratos de fase. Quando uma tal função existe de um sistema em
outro, os dois são chamados “localmente topologicamente equivalentes”.

3
Diagrama Traço-Determinante
det (A)
det (A)=[tr (A)]2 /4

Foco atrator Foco repulsor

Nó impróprio Nó impróprio

Centro

Nó atrator Nó repulsor


tr (A)

Autovalor nulo Sela Autovalor nulo

Figura 1: Classificação dos sistemas de EDOs lineares planares.

Os pontos de interesse nesse contexto são os chamados pontos de equilı́brio ou singularidades.


Definição 3. Seja f : Ω ⊆ Rn → Rn , em que Ω é um aberto, e considere o sistema ẋ = f (x).
O ponto x0 ∈ Rn é dito ponto de equilı́brio se f (x0 ) = 0. Note que, nesse caso, x(t) = x0 é
solução do sistema e sua trajetória é um ponto.
Definição 4. Acrescente ao sistema um parâmetro α ∈ Rm , isto é, considere a função
f : Ω × Rm → Rn e o sistema associado ẋ = f (x, α). A aparição de sistemas não localmente
topologicamente equivalentes numa vizinhança de um certo ponto ao variar o parâmetro é
chamada bifurcação.
Nos sistemas não lineares em que f é diferenciável, sua parcela linear (sua matriz jacobiana)
é muito relevante no retrato de fase próximo à origem. A classificação dos sistemas linea-
res planares descrita na seção anterior permite constatar que surgem diferenças topológicas
significativas quando os autovalores da matriz associada têm o sinal de sua parte real al-
terado. De fato, no contexto de sistemas não lineares, esse comportamento se repete: no
contexto unidimensional, a bifurcação estudada é chamada sela-nó; no contexto bidimensio-
nal, é chamada bifurcação de Hopf. Através de várias transformações contı́nuas e invertı́veis
e reparametrizações, foram destrinchados os seguintes teoremas, que descrevem o comporta-
mento dessas bifurcações:
Teorema 5 (Forma Normal da Bifurcação Sela-Nó). Seja f : R × R → R uma função di-
ferenciável. Suponha que o sistema ẋ = f (x, α) apresenta, para valores suficientemente

4
pequenos de |α|, um ponto de equilı́brio x = 0, e seja

∂f
λ= (0, 0) = 0.
∂x
Se vale que
∂2f ∂f
2
(0, 0) ̸= 0 e ̸= 0,
∂x ∂α
então o sistema é localmente topologicamente a uma das formas normais da bifurcação sela-nó
próximo à origem:
η̇ = β ± η 2 ,
em que β é um real que depende apenas de α.
Teorema 6 (Forma Normal da Bifurcação de Hopf). Seja f : R2 × R → R2 uma função
diferenciável. Suponha que o sistema ẋ = f (x, α) apresenta, para valores suficientemente
pequenos de |α|, um ponto de equilı́brio x = 0 com autovalores da matriz jacobiana

λ1,2 (α) = µ(α) ± iω(α),

em que µ(0) = 0, ω(0) = ω0 > 0. Defina β(α) = µ(α)/ω(α). Se o primeiro coeficiente de


Lyapunov l1 (β) é tal que l1 (0) ̸= 0 e µ′ (0) ̸= 0, então o sistema é localmente topologicamente
equivalente a uma das formas normais da bifurcação de Hopf próximo à origem:
      
ẏ1 β −1 y1 y
= ± (y1 + y2 ) 1 .
2 2
ẏ2 1 β y2 y2

Segue abaixo um dos exercı́cios realizados aplicando o Teorema 6.


Exercı́cio 7 (Exercı́cio (5)(b) da seção 3.6 de [7]). Mostre que a equação de Rayleigh exibe
bifurcação de Hopf para algum α e calcule o primeiro coeficiente de Lyapunov:

ẍ + ẋ3 − 2αẋ + x = 0.

Solução. Chame x1 = x e x2 = ẋ e construa o sistema


      
ẋ1 0 1 x1 0
= + .
ẋ2 −1 2α x2 −x32

Dessa forma,    
0 1 0
A(α) = , F ((x1 , x2 ), α) = .
−1 2α −x32

Os autovalores de A(α) são λ1,2
√ = α ± α2 − 1. Para |α| < 1, os autovalores são complexos
e λ(α) = µ(α) + iω(α) = α + i 1 − α .2

Em particular, em α = 0, (x1 , x2 ) = (0, 0) é ponto de equilı́brio e λ(0) = i, λ(0) = −i. Assim,


ω0 = 1 > 0 e o sistema exibe uma bifurcação de Hopf em α = 0.
Para calcular o primeiro coeficiente de Lyapunov, escolha um autovetor q(α) relativo a λ(α):
 T  T
q(α) = λ(α) 1 é uma possibilidade. Em particular, q = q(0) = −i 1 .

5
Para escolher p(α), observe que p1 (α) = −λ(α)p2 (α) e, para que o sinal de l1 (0) seja preser-
vado, ⟨p(α), q(α)⟩ = 1. Resolvendo o sistema linear, tem-se que

λ(α) 1
p1 (α) = − e p2 (α) = .
1 − λ(α)2 1 − λ(α)2
 T
Em particular, p = p(0) = −i/2 1/2 .
Construa agora as funções multilineares B e C. Como F não possui termos de ordem 2, é
evidente que B = 0. Por outro lado,

∂ 3 F2


3 (ξ, 0) = −6.
∂ξ2 ξ=0

Assim,    
0 0
C(x, y, u) = ⇒ C(q, q, q̄) = .
−6x2 y2 u2 −6 · (1 · 1 · 1)
1
Dessa forma, g20 = g11 = 0 e g21 = ⟨p, C(q, q, q̄)⟩ = 2 · (−6) = −3. Então, ig20 g11 + ω0 g21 =
0 + 1 · (−3) = −3 ⇒ l1 (0) = 1/2 · (−3) = −3/2.
É evidente que µ′ (0) = 1 ̸= 0. Aı́, ambas as condições do Teorema 6 estão satisfeitas e o
sistema é, de fato, localmente topologicamente equivalente à forma normal da bifurcação de
Hopf próximo à origem (os métodos aqui empregados estão todos descritos em [7]). ■

3.1.3 Teorema do Fluxo Tubular


O tópico seguinte explorou um contexto mais geral: o estudo de equações diferenciais or-
dinárias autônomas n-dimensionais e seu fluxo [2, 13, 14]. Como preparação, foram estudadas
algumas noções de espaços métricos, tais como a métrica do supremo, que torna o conjunto
das funções contı́nuas definidas num compacto contido em Rn num espaço métrico completo,
e um teorema de ponto fixo, o chamado Lema de Contração.
Com essas ferramentas, foi demonstrado o Teorema de Picard-Lindelöf, resultado que garante
a existência e a unicidade de soluções para equações diferenciais ordinárias, com grande
generalidade.
Definição 8. Uma função f : Ω ⊆ R × Rn → Rn é dita Lipschitziana em Ω relativamente à
segunda da variável se existe K ∈ R, K ≥ 0, tal que

∥f (t, x) − f (t, y)∥ ≤ K∥x − y∥,

para todo x, y ∈ Rn .
Teorema 9 (Teorema de Picard-Lindelöf). Dados t0 ∈ R e x0 ∈ Rn , defina

Ia = {t ∈ R : |t − t0 | ≤ a} e Bb = {x ∈ Rn : ∥x − x0 ∥ ≤ b},

em que ∥ · ∥ é a norma euclidiana em Rn .


Sejam Ω = Ia ×Bb e f : Ω → Rn uma função contı́nua que também satisfaz a definição acima.
Logo, f é limitada, isto é, existe M ≥ 0 tal que ∥f (t, x)∥ ≤ M para todo (t, x) ∈ Ω. Então,

6
existe uma única solução para 
x′ = f (t, x),
x(t ) = x ,
0 0

em Iα , em que α = min {a, b/M }.


Continuando essa mesma abordagem empregando espaços métricos, foram estudados outros
resultados, como o Lema de Grönwall e o Teorema de Contração nas Fibras, ferramentas para
demonstrar a diferenciabilidade da variação das condições iniciais de um sistema de equações
diferenciais.
Teorema 10. Se a função f : D → Rn é de classe C 1 num aberto D ⊆ R × Rn , então para
cada (t0 , x0 ) ∈ D a função (t, x) 7→ φ(t, x), em que φ( · , x0 ) é a solução do problema de valor
inicial (
x′ = f (t, x),
x(t0 ) = x0 ,
é de classe C 1 em uma vizinhança de (t0 , x0 ).

Esses resultados permitem demonstrar, numa elegante aplicação do Teorema da Função


Implı́cita, o resultado principal dessa etapa.
Teorema 11 (Teorema do Fluxo Tubular). Seja f : D → Rn uma função de classe C 1 num
conjunto aberto D ⊆ Rn . Dado um ponto p ∈ D com f (p) ̸= 0, existe uma mudança de
coordenadas y = g(x) numa vizinhança de p transformando a equação x′ = f (x) na equação
y ′ = v para algum v ∈ Rn \ {0}.
Intuitivamente, o Teorema 11 indica que uma vizinhança de um ponto regular (que não é
singularidade) de um campo vetorial C 1 é topologicamente equivalente a um campo constante:
as trajetórias podem ser “esticadas”. Esse resultado justifica a afirmação feita na seção
anterior, recorrente no estudo de sistemas dinâmicos contı́nuos, de que os pontos de interesse
frequentemente são os pontos singulares do campo vetorial.

3.1.4 Teorema de Poincaré-Bendixson


O último tópico desta introdução a sistemas dinâmicos de tempo contı́nuo foi o Teorema
de Poincaré-Bendixson, que estabelece condições suficientes para a existência de órbitas
periódicas em sistemas de equações diferenciais planares [11, 14].
Para demonstrar este teorema, foram introduzidos os ômega e alfa limites e estudadas algumas
de suas propriedades topológicas.
Definição 12. Seja f : Ω ⊆ Rn → Rn , em que Ω é um aberto, e considere o sistema x′ = f (x),
de condição inicial x(0) = x0 . Denote sua solução por φ(t, x0 ), como no teorema anterior.
Seja x ∈ Ω tal que φ(t, x) está definida para todo t ≥ 0. O ômega-limite de x é o conjunto
n o
ω(x) = y ∈ Ω : ∃(tn ) tal que lim tn = +∞ e lim φ(tn , x) = y .
n→+∞ n→+∞

7
De forma similar, se φ(t, x) está definida para todo t ≤ 0, o alfa-limite de x é o conjunto
n o
α(x) = y ∈ Ω : ∃(tn ) tal que lim tn = −∞ e lim φ(tn , x) = y .
n→+∞ n→+∞

O ômega-limite de uma órbita é o ômega-limite de qualquer um de seus pontos (o mesmo vale


para o alfa-limite).

O Teorema 11 garante a existência local de uma seção transversal para o campo vetorial; a
partir da existência da seção transversal e do Teorema da Curva de Jordan em R2 , é possı́vel
demonstrar o resultado fundamental dessa seção.
Teorema 13 (Teorema de Poincaré-Bendixson). Seja Ω ⊆ R2 um conjunto aberto e f : Ω →
R2 de classe C 1 . Dado x ∈ Ω, denote Γ para a órbita correspondente. Suponha que ω(x)
está definido, a semi-órbita positiva Γ+ = {φ(t, x) : t ≥ 0} está contida em um compacto
X ⊂ Ω e ω(Γ) não possui singularidades. Então, ω(Γ) é uma órbita periódica do sistema.
Analogamente, se α(x) está definido, se a semi-órbita negativa Γ− = {φ(t, x) : t ≤ 0} está
contida em um compacto X ⊂ Ω e se α(Γ) não possui singularidades, α(Γ) é uma órbita
periódica do sistema.
O teorema foi utilizado para garantir a existência de órbitas periódicas no exercı́cio a seguir:
Exercı́cio 14 (Exercı́cio 1.(a) e (b) da seção 3.7 de [11], adaptado). Considere o sistema

ẋ = −y + x(r4 − 3r2 + 1),


ẏ = x + y(r4 − 3r2 + 1),
p
em que r = x2 + y 2 . Mostre que ṙ < 0 no cı́rculo r = 1 e que ṙ > 0 no cı́rculo r = 2.
Use o Teorema de Poincaré-Bendixson e o fato de que o único ponto crı́tico desse sistema é
a origem para mostrar que existe uma órbita periódica na região anelar A1 = {x ∈ R2 : 1 <
|x| < 2}. Use ideia semelhante para mostrar que existe uma outra órbita periódica na região
A2 = {x ∈ R2 : 0 < |x| < 1}.

Solução. Repare que ṙ = (xẋ + y ẏ)/r.


Caso r = 1, ẋ = −y − x e ẏ = x − y. Aı́, ṙ = −(x2 + y 2 )/r = −r = −1 < 0. Caso r = 2,
ẋ = −y + 5x e ẏ = x + 5y. Então, ṙ = 5(x2 + y 2 )/r = 5r = 10 > 0.
Considere uma curva integral qualquer Γ cujo valor inicial (t = 0) está em A1 , isto é, 1 <
r(0) < 2. Suponha, por absurdo, que, para algum t0 < 0, r(t0 ) ≥ 2. Como r é contı́nua,
existe δ < 0 tal que t ∈ (δ, 0] ⇒ r(t) < 2. Defina o conjunto I = {δ < 0 : r(t) < 2 ∀t ∈ (δ, 0]}
e tome t1 = inf I. Como na demonstração do Teorema do Valor Intermediário, é fácil verificar
que r(t1 ) = 2.
Assim, ṙ(t1 ) > 0 e existe uma vizinhança de t1 na qual r é estritamente crescente; tome
t2 < 0 nessa vizinhança tal que t1 < t2 . Naturalmente, 2 = r(t1 ) < r(t2 ). Mas aı́, novamente
empregando o valor intermediário, existe t3 satisfazendo t1 < t2 < t3 < 0 tal que r(t3 ) = 2,
contradizendo a definição de t1 : t3 é cota inferior de I maior que t1 = inf I. O mesmo
argumento vale para mostrar que, para uma trajetória de valor inicial em A1 , a função r não
pode assumir valores menores ou iguais a 1 para valor negativos de t.

8
Dessa forma, Γ− está contida em A1 . Para empregar o Teorema de Poincaré-Bendixson,
basta considerar o compacto X = {x ∈ R2 : 1 ≤ |x| ≤ 2}. Como não há pontos crı́ticos
nessa região, que evidentemente contém α(Γ), existe uma órbita periódica em X. Segue
imediatamente da contradição desenvolvida no parágrafo anterior que tal órbita está em A1 .
Quanto à região anelar A2 , veja que ṙ < 0 quando r = 1, de forma que argumento comple-
tamente análogo ao empregado acima também funciona neste caso, estudando a semi-órbita
positiva Γ+ de uma trajetória cujo valor inicial está em A2 e seu ômega-limite, demons-
trando que há uma outra órbita periódica. Utilizando o software Mathematica para esboçar
as trajetórias, veja que esse resultado é aparente na Figura 2 a seguir. ■

Figura 2: Trajetórias do sistema estudado neste exercı́cio. As circunferências em vermelho


possuem raio 1 e 2.

3.2 Sistemas Dinâmicos de Tempo Discreto


3.2.1 Conjunto dos Terços Médios de Cantor
Partindo agora para os sistemas dinâmicos em tempo discreto unidimensionais, os estudos
dessa segunda parte foram iniciados investigando as diferentes formas de se definir o conjunto
dos terços médios de Cantor e suas propriedades topológicas [12, 15].
Definição 15. Sejam G0 , G2 : R → R,

1 1 2
G0 (x) = x e G2 (x) = x + .
3 3 3

9
Defina indutivamente Kn , n ∈ N: K0 = [0, 1] e, supondo Kk definido, construa

Kk+1 = G0 (Kk ) ∪ G2 (Kk ).


T∞
O conjunto dos terços médios de Cantor é K = n=0 Kn .

Teorema 16. Seja T : R → R,


(
3x, se x ≤ 12 ,
T (x) =
−3x + 3 se x > 12 .

Então, K = {x ∈ R : T n (x) ∈ [0, 1] para todo n ∈ N}. Além disso, para cada x ∈ [0, 1],
considere sua expansão ternária (que não é única)

X xn
x = 0, x1 x2 x3 . . . = ,
3n
n=1

em que cada xn ∈ {0, 1, 2}. Segue que K é igual ao conjunto dos elementos de [0, 1] que
possuem alguma expansão ternária cujos elementos são todos diferentes de 1.
Segue abaixo um exercı́cio realizado durante o estudo desse resultado.
Exercı́cio 17 (Exercı́cio 6.1 de [15]). Prove que K é o único conjunto limitado e fechado de
R que satisfaz
K = G0 (K) ∪ G2 (K).

Solução. Suponha que K satisfaz as hipóteses acima. Comece observando que K ⊆ [0, 1]:
por contradição suponha que existe k0 ∈ K tal que k0 > 1 ou k0 < 0.
Quanto ao primeiro caso, existe k1 ∈ K tal que k1 /3 = k0 ou k1 /3 + 2/3 = k0 . Logo,
k1 = 3k0 > k0 > 1 ou k1 = 3k0 − 2 > k0 + 2 − 2 = k0 > 1. De qualquer forma, k1 > k0 > 1.
Retornando à definição, existe k2 ∈ K tal que k2 /3 = k1 ou k2 /3 + 2/3 = k1 . Através do
mesmo argumento, vê-se que k2 > k1 > 1. Indutivamente, constrói-se a sequência (kn ) em
K, em que kn+1 > kn > 1 para todo n natural. Como K é limitado, (kn ) também o é, de
forma que (kn ) converge. Sendo K fechado, (kn ) converge para um certo k ∈ K maior do
que 1.
Veja que, para todo natural n, kn+1 ≥ 3kn − 2, de forma que

k = lim kn+1 ≥ lim 3kn − 2 = 3k − 2 ⇒ 2(k − 1) ≤ 0 ⇒ k ≤ 1,


n→∞ n→∞

um absurdo. O raciocı́nio é análogo quanto ao segundo caso. Se k0 < 0, existe k1 ∈ K


satisfazendo k1 /3 = k0 ou k1 /3 + 2/3 = k0 . Logo, k1 = 3k0 < k0 < 0 ou k1 = 3k0 − 2 <
k0 − 2 < k0 < 0. De qualquer forma, k1 < k0 < 0. Retornando à definição, existe k2 ∈ K
tal que k2 /3 = k1 ou k2 /3 + 2/3 = k1 . Através do mesmo argumento, vê-se que k2 < k1 < 0.
Mais uma vez, se constrói indutivamente a sequência (kn ) que satisfaz kn+1 < kn < 0 para
todo n natural, e sendo K um compacto, (kn ) converge para k ∈ K menor do que 0.

10
Perceba que, para todo natural n, kn+1 ≤ 3kn , o que implica que

k = lim kn+1 ≤ lim 3kn = 3k ⇒ 2k ≥ 0 ⇒ k ≥ 0,


n→∞ n→∞

também uma contradição, como desejado. Aı́, como K ⊆ K0 , segue que G0 (K) ⊆ G0 (K0 ) e
G2 (K) ⊆ G2 (K0 ), e então

K = G0 (K) ∪ G2 (K) ⊆ G0 (K0 ) ∪ G2 (K0 ) = K1 .

Indutivamente, K ⊆ Kn para todo n natural, de forma que K ⊆ K. Para a outra inclusão,


repare que, para todo n natural, Kn é a união de 2n subintervalos de [0, 1] de comprimento
1/3n . Denote Kn = I1 ∪ · · · ∪ I2n . Naturalmente,

Kn+1 = G0 (I1 ) ∪ G2 (I1 ) ∪ . . . ∪ G0 (I2n ) ∪ G2 (I2n ).

Suponha que x1 ∈ I1 , . . . , x2n ∈ I2n . Dessa forma, segue que G0 (x1 ) ∈ G0 (I1 ), G2 (x1 ) ∈
G2 (I1 ), . . . , G0 (x2n ) ∈ G0 (I2n ), G2 (x2n ) ∈ G2 (I2n ). Assim, dado x ∈ K qualquer e iterando
as funções G0 e G2 sucessivamente (continuando dentro de K, por hipótese), é possı́vel obter
um ponto de K em cada intervalo que compõe Kn para todo n natural:
Dado x0 ∈ K, vale que x0 ∈ [0, 1] = K0 . Se para n ≥ 1 existem xi ∈ K tais que xi ∈ Ii como
acima, para todo 1 ≤ i ≤ 2n , então G0 (xi ) ∈ G0 (Ii ) e G2 (xi ) ∈ G2 (Ii ) para todo 1 ≤ i ≤ 2n ,
o que justifica a afirmação acima por indução.
Portanto, se k ∈ K, então k ∈ Kn para todo n natural. Aı́, basta construir a sequência (kn ),
em que cada kn ∈ K está no mesmo subintervalo de Kn que k. Como |kn − k| ≤ 1/3n , é
evidente que (kn ) converge para k e, sendo K fechado, k ∈ K, o que implica que K ⊆ K,
completando a demonstração. ■

Essas caracterizações múltiplas do conjunto dos terços médios de Cantor permitem extrair
imediatamente certas propriedades, tais como o fato de que K é não enumerável. Essa cons-
trução não aparece apenas no estudo da dinâmica da função T ; pelo contrário, conjuntos de
Cantor aparecem naturalmente em sistemas dinâmicos de tempo discreto, como foi explorado
na parte seguinte deste projeto.
Definição 18. Seja X um espaço topológico e S ⊆ X. S é dito denso em lugar nenhum se o
interior do seu fecho topológico é vazio. S é dito totalmente desconexo se seus componentes
conexos possuem apenas um elemento. Essas definições são equivalentes na reta real. Por
fim, S é dito perfeito se é fechado e não possui pontos isolados.
S é denominado um conjunto de Cantor se S é totalmente desconexo, perfeito e compacto.

3.2.2 A Famı́lia Quadrática


O próximo objeto de estudo foi a dinâmica da função quadrática Qc : R → R, Qc (x) = x2 + c,
à medida que c varia em R [4, 12]. Os valores de interesse, a princı́pio, foram c < −2; a
grande maioria de suas órbitas tende a infinito, mas o comportamento dinâmico do sistema
é bastante complicado no conjunto [−p+ , p+ ], em que p+ é o maior ponto fixo de Qc . Para
simplificar a notação, chame I = [−p+ , p+ ]. O primeiro resultado fundamental da análise
dessa função é o teorema a seguir.

11
Teorema 19. Quando c < −2, o conjunto

Λc = {x : Qnc (x) ∈ I para todo n ≥ 0}

é um conjunto de Cantor.
Esse resultado indica que o conjunto dos pontos cuja órbita é limitada é “pequeno” em
certo sentido, visto que um conjunto de Cantor não contém intervalos (tem interior vazio).
Entretanto, a não linearidade da função Qc dificulta a caracterização geométrica de Λc , como
foi feito no caso do conjunto dos terços médios de Cantor. O assunto seguinte explorado nesse
projeto introduziu uma ferramenta poderosa para contornar essa dificuldade.
O comportamento de Qc quando c = −2 foi, também, bastante estudado nessa fase inicial:
a função possui uma quantidade infinita de pontos periódicos; esses pontos são, contudo,
difı́ceis de encontrar computacionalmente.
Teorema 20. A função Q−2 possui ao menos 2n pontos periódicos no intervalo I = [−2, 2].
Os métodos utilizados para demonstrar esse resultado, recorrentes na dinâmica unidimensi-
onal, foram aplicados no seguinte exercı́cio.
Exercı́cio 21 (Exercı́cio 16 do capı́tulo 7 de [4]). Prove que Fλ (x) = λx(1 − x) possui pelo
menos 2n pontos periódicos de perı́odo n no intervalo [0, 1] (não necessariamente de menor
perı́odo n) para λ = 4.

Solução. Repare que cada ponto de I = [0, 1) possui duas pré-imagens em [0, 1): dado
y ∈ [0, 1), resolva 4x(1 − x) = y:

2 1 1−y
4x(1 − x) = y ⇔ 4x − 4x + y = 0 ⇔ x = ± .
2 2

Como 0 ≤ y < 1, tais expressões


√ distintos, de forma que |F4−1 (y)| = 2.
são números reais √
Agora chame g0 (x) = 1/2 − 1 − x/2 e g1 (x) = 1/2 + 1 − x/2, com o domı́nio igual a [0, 1].
Evidentemente, F4 (g0 (x)) = F4 (g1 (x)) = x. Ambas as funções g0 e g1 são injetoras.
Para cada sequência finita de n termos sn = (sn,1 , sn,2 , . . . , sn,n ) de 0s e 1s, isto é, sn,i ∈ {0, 1}
para todo 1 ≤ i ≤ n, defina

gsn = gsn,1 ◦ gsn,2 ◦ . . . ◦ gsn,n .

Naturalmente, F4n (gsn (x)) = x. Como a composição de funções injetoras é injetora, gsn é
injetora quaisquer que sejam n ∈ N e sn . Além disso, segue de que g0 e g1 são monótonas e a
composição de funções monótonas é monótona que gsn também é monótona. Como também
a continuidade é preservada, sua imagem é um intervalo [a, b], em que a = gsn (0) e b = gsn (1)
ou vice-versa.
Agora suponha que sn e tn são duas sequências binárias distintas com n termos. Se Im (gsn )∩
Im (gtn ) ̸= Ø, então existem x, y ∈ [0, 1] tais que

gsn (x) = gtn (y) ⇔ (gsn,1 ◦ . . . ◦ gsn,n )(x) = (gtn,1 ◦ . . . ◦ gtn,n )(y).

12
Se sn,1 = tn,1 , segue da injetividade das funções g0 e g1 que

(gsn,2 ◦ . . . ◦ gsn,n )(x) = (gtn,2 ◦ . . . ◦ gtn,n )(y).

Assim, prossiga até o primeiro 1 ≤ k ≤ n tal que sn,k ̸= tn,k . Então, chame x∗ = (gsn,k+1 ◦
. . .◦gsn,n )(x) e y ∗ = (gtn,k+1 ◦. . .◦gtn,n )(y). Supondo, sem perda de generalidade, que sn,k = 0
e tn,k = 1, tem-se
1 1√ 1 1p
− 1 − x∗ = + 1 − y ∗ ⇔ x∗ = y ∗ = 1.
2 2 2 2
Portanto, gsn (x) = (gsn,1 ◦ . . . ◦ gsn,k )(1), ou seja, há apenas um elemento na interseção. Como
as imagens são intervalos fechados, então este elemento é uma de suas extremidades.
Defina gs∗n : [0, 1] → [a, b], gs∗n (x) = gsn (x). Esta função é evidentemente bijetora. Se fsn =
−1
gs∗n , então  −1 
fsn (x) = F4n ◦ gsn ◦ gs∗n (x) = F4n (x),

isto é, fsn é a restrição de F4n a [a, b]. Para garantir a existência de pontos fixos, comece por
f(0,0,...,0) : [0, b] → [0, 1] e f(1,0,...,0) : [a, 1] → [0, 1]. Há quatro casos a considerar:
• Se f(0,0,...,0) (0) = 0, então este é um ponto fixo para tal função.
• Se f(0,0,...,0) (0) = 1, então construa h(x) = f(0,0,...,0) (x) − x e veja que h(0) > 0 e
h(b) < 0, de forma que há uma raiz de h em (0, b), isto é, um ponto fixo de f(0,0,...,0)
em (0, b).
• Se f(1,0,...,0) (1) = 1, então este é um ponto fixo para tal função.
• Se f(1,0,...,0) (1) = 0, então construa h(x) = f(1,0,...,0) (x) − x e veja que h(a) > 0 e
h(1) < 0, de forma que há uma raiz de h em (a, 1), isto é, um ponto fixo de f(1,...,1) em
(a, 1).
Considere então qualquer outra sequência binária de n termos sn . É certo que se fsn : [a, b] →
[0, 1], então 0 < a < b < 1: a desigualdade do meio é trivial; a da esquerda e a da direita se
devem ao fato de que se i ∈ {0, 1}, então gi (x) = 0 ⇔ i = 0 e x = 0, e gi (x) = 1 ⇔ i = 1 e
x = 0.
Portanto, chame h(x) = fsn (x) − x e note que h(a) < 0, h(b) > 0 se fsn (a) = 0, e h(a) > 0,
h(b) < 0 se fsn (a) = 1. Isso garante a existência de um ponto fixo para tal função em (a, b).
Os cálculos acima demonstram que para cada sn há um ponto fixo de fsn em seu domı́nio
aberto. Como as interseções dos domı́nios se dão apenas nas extremidades, cada função fsn
produz ao menos um ponto fixo de F4n . Como há 2n possı́veis sequências sn e, dessa forma,
2n funções fsn , então F4n tem ao menos 2n pontos fixos, como se queria demonstrar. ■

3.2.3 Dinâmica Simbólica


Para aprofundar o difı́cil estudo analı́tico de Qc , foram introduzidas as ideias fundamentais
da chamada dinâmica simbólica [4, 12]. Trabalhar num espaço de sequências topologicamente
conjugado ao sistema dinâmico em estudo permite compreender com detalhes o comporta-
mento de suas órbitas e encontrar pontos periódicos com facilidade.

13
Definição 22. Seja

Σ = {s = (s0 s1 s2 . . .) : sj ∈ {0, 1} para todo j ≥ 0}

e defina a distância d : Σ × Σ → R+ ,

X |si − ti |
d[s, t] = .
2i
i=0

Com essa métrica, (Σ, d) é um espaço métrico. A função σ : Σ → Σ, σ(s0 s1 s2 . . . ) =


(s1 s2 s3 . . . ), chamada shift map, é conjugada à Qc .
Seja A1 o conjunto dos pontos de I que sai de I após uma iteração de Qc . I − A1 é a união
de dois intervalos fechados disjuntos, I0 e I1 .
Teorema 23. Suponha que c < −2. Então, defina S : Λc → Σ,

S(x) = (s0 s1 s2 . . .),

em que sj = 0 se Qjc (x) ∈ I0 e sj = 1 se Qjc (x) ∈ I1 para todo j ≥ 0. Então, S é um


homeomorfismo e S ◦ Qc = σ ◦ S.
No espaço de sequências, é muito fácil produzir pontos periódicos de qualquer perı́odo: a
sequência
(s0 s1 s2 . . . sn−1 )
é um ponto periódico de perı́odo n de σ. Por outro lado, o espaço de sequências não permite
fazer uso da intuição geométrica. Ao trabalhar com Qc na reta real, por outro lado, não
é imediato encontrar pontos periódicos, porém a intuição geométrica é muito útil. Assim,
transitar entre esses espaços permite contornar certas caracterı́sticas intrı́nsecas a cada um
deles.
Segue abaixo um dos exercı́cios realizados utilizando os métodos da dinâmica simbólica.
Exercı́cio 24. Considere a função
(
3x se x ≤ 1/2,
T (x) =
3 − 3x se x > 1/2.

Como já demonstrado anteriormente, Γ = {x ∈ [0, 1] : T n (x) ∈ [0, 1] ∀n ∈ N} é o conjunto


de Cantor. Defina uma função itinerária S : Γ → Σ e prove que S é um homeomorfismo.

Solução. Defina I0 = [0, 1/3] e I1 = [2/3, 1]. Seja S : Γ → Σ,

S(x) = (s0 s1 s2 . . .) se x ∈ Is0 , T (x) ∈ Is1 , . . . , T n (x) ∈ Isn , . . . .

I. S é injetora.
Tome x, y ∈ Γ e suponha que S(x) = S(y) mas x ̸= y.
Chame Jn o intervalo de extremidades T n (x) e T n (y). Suponha que, para algum m ∈ N, Jm

14
é degenerado, isto é, T m (x) = T m (y). Mas como T é injetora em Ism , intervalo que contém
T m (x) = T m (y), segue que T m−1 (x) = T m−1 (y). Como T é injetora em Ism−1 , intervalo que
contém T m−1 (x) = T m−1 (y), segue que T m−2 (x) = T m−2 (y). Iterativamente, se conclui que
x = y, um absurdo, de forma que os intervalos Jn não são degenerados.
Como |T ′ (t)| = 3 para todo t ∈ R, o Teorema do Valor Médio garante que existem ξ1 , . . . , ξn ∈
R tais que
|T k (x) − T k (y)|
= |T ′ (ξk )| = 3
|T k−1 (x) − T k−1 (y)|
para todo 1 ≤ k ≤ n. Logo,
n
Y |T k (x) − T k (y)|
|T n (x) − T n (y)| = |x − y| = 3n |x − y|,
|T k−1 (x) − T k−1 (y)|
k=1

de forma que
1 ≥ |T n (x) − T n (y)| = 3n |x − y|
para todo n ∈ N. Mas isso é um absurdo, pois limn→∞ 3n |x−y| = ∞, de forma que a hipótese
inicial é falsa e S é injetora.
II. S é sobrejetora.
Tome s ∈ Σ, s = (s0 s1 s2 . . .). Dado um intervalo fechado J ⊆ [0, 1], seja T −n (J) a sua pré-
imagem por T n , n ∈ N. Se T1 = T |[0,1/2] e T2 = T |[1/2,1] , existem as inversas T1−1 : [0, 1] →
[0, 1/2] e T2−1 : [0, 1] → [1/2, 1],
x x
T1−1 (x) = e T2−1 (x) = − + 1.
3 3

Veja que Im (T1−1 ) = [0, 1/3] e Im (T2−1 ) = [2/3, 1]. Como essas inversas são contı́nuas e
injetoras, qualquer intervalo fechado J em [0, 1] tem como pré-imagem por T dois intervalos
fechados, um em I0 = [0, 1/3], correspondente a T1−1 , e outro em I1 = [2/3, 1], correspondente
a T2−1 . Defina o conjunto

Is0 s1 ...sn = {x ∈ [0, 1] | x ∈ Is0 , T (x) ∈ Is1 , . . . , T n (x) ∈ Isn }.

É evidente que esse conjunto é igual a

Is0 ∩ T −1 (Is1 ) ∩ . . . ∩ T −n (Isn ).

Será provado por indução que cada Is0 s1 ...sn é um intervalo fechado (e, portanto, não vazio).
Comece observando que I0 e I1 são intervalos fechados. Suponha então que, para qualquer
sequência binária de n dı́gitos t1 . . . tn , It1 ...tn é um intervalo fechado. Logo, dada uma
sequência binária de n + 1 dı́gitos r0 r1 . . . rn ,

Ir0 r1 ...rn = Ir0 ∩ T −1 (Ir1 ) ∩ . . . ∩ T −n (Irn )

= Ir0 ∩ T −1 (Ir1 ∩ . . . ∩ T −(n−1) (Irn ))

= Ir0 ∩ T −1 (Ir1 ...rn ).

15
Mas aı́ Ir1 ...rn é, por indução, um intervalo fechado, de forma que sua pré-imagem T −1 (Ir1 ...rn )
são dois intervalos fechados, um em I0 e outro em I1 . Como Ir0 = I0 ou I1 , segue que Ir0 r1 ...rn
é um intervalo fechado, completando a indução. Usando que

Is0 ...sn = Is0 ...sn−1 ∩ T −n (Isn ) ⊂ Is0 ...sn−1

para todo n ≥ 0, temse que (Is0 ...sn ) é uma sequência de intervalos fechados encaixados.
Assim, vale o Teorema dos Intervalos Encaixados e existe x ∈ [0, 1] tal que
\
x∈ Is0 ...sn ⇒ x ∈ Is0 , T (x) ∈ Is1 , . . . , T n (x) ∈ Isn , . . . ,
n≥0

e S(x) = s, como esperado. Além disso, como S é injetora, x é o único ponto nessa interseção,
de forma que o tamanho dos intervalos Is0 ...sn tende a zero à medida que n cresce (caso
contrário, essa interseção seria ela própria um intervalo).
III. S e S −1 são contı́nuas.
Resta mostrar a continuidade da função e de sua inversa. Dados ε > 0 e x ∈ Γ, com
S(x) = (s0 s1 s2 . . .), tome n ∈ N tal que 1/2n < ε. Aı́, considere os intervalos fechados It0 ...tn
para qualquer sequência binária de n dı́gitos (t0 . . . tn ).
Tais intervalos são disjuntos: se (t0 . . . tn ) ̸= (r0 . . . rn ), existe 0 ≤ i ≤ n tal que ti ̸= ri , de
forma que, se y ∈ It0 ...tn ∩ Ir0 ...rn , então T i (x) ∈ Iti ∩ Iri = Ø, uma contradição. Aı́, tome
δ > 0 tal que δ < min {x − a : a é uma extremidade de Is0 ...sn }, escolha que é possı́vel pois
|Is0 ...sn | → 0 quando n → ∞,o que implica que (x − δ, x + δ) ⊆ Is0 ...sn .
Dessa forma, tome y ∈ Γ tal que |x − y| < δ, e aı́ y ∈ Is0 ...sn ⇒ d[S(x), S(y)] ≤ 1/2n < ε e S
é contı́nua, como desejado.
Por outro lado, dado s ∈ Σ, observe que há 2n intervalos disjuntos da forma It0 ...tn , todos
contidos em [0, 1]. Logo, |Is0 ...sn | ≤ 1/2n . Então, escolha δ = 1/2n+1 , pois d[s, t] < 1/2n+1 ⇒
si = ti para todo 0 ≤ i ≤ n + 1 ⇒ |S −1 (x) − S −1 (y)| < |Is0 ...sn sn+1 | ≤ 1/2n+1 < 1/2n < ε e
S −1 é contı́nua, concluindo a prova. ■

3.2.4 Caos
Dada a relevância do shift map para o entendimento da função quadrática Qc , é natural
buscar compreender melhor a dinâmica de σ. Assim, o tópico de estudo seguinte consistiu
em abstrair as caracterı́sticas mais fundamentais do comportamento de σ em Σ. Essa análise
levou à definição do conceito de caos [4].
Definição 25. Seja (X, d) um espaço métrico e f : X → X. f é dita topologicamente
transitiva se, para quaisquer x, y ∈ X e ε > 0, existem z ∈ X tal que d(x, z) < ε e k ∈ N
satisfazendo d(f k (z), y) < ε. f exibe dependência sensı́vel das condições iniciais se existe
β > 0 tal que para todo x ∈ X e para todo ε > 0, existem y ∈ X e k ∈ N satisfazendo
d(x, y) < ε e d(f k (x), f k (y)) ≥ β.
Um sistema dinâmico (f, X) é chamado caótico se o conjunto dos pontos periódicos de f é
denso em X, se f é transitiva e se f exibe dependência sensı́vel das condições iniciais.
A existência de uma órbita densa em X é, nos contextos considerados, equivalente a f ser

16
topologicamente transitiva [3]. Além disso, o comportamento caótico é preservado por con-
jugação topológica (até por semi-conjugação; as duas primeiras propriedades são preservadas,
embora a terceira não seja, mas isso não faz diferença, vide [1]). Como σ é caótica em Σ,
segue dessa observação que Qc é caótica em Λc para c < −2.
Algumas conjugações topológicas são imediatas e permitem revelar bastante informação a
respeito de vários sistemas.
Teorema 26. A função quadrática Q−2 (x) = x2 − 2 é caótica em [−2, 2]; a função logı́stica
F4 (x) = 4x(1 − x) é caótica em [0, 1]; a função diádica D(x) = 2x mod 1 é caótica em [0, 1].
A última parte desse teorema foi realizada como exercı́cio e revela uma conexão profunda
entre a função D e Q−2 .
Exercı́cio 27. Prove que a função diádica dada por
(
2x se x < 1/2,
D(x) =
2x − 1 se x ≥ 1/2,

é caótica em [0, 1].

Solução. Comece observando que todo racional de denominador ı́mpar em [0, 1) é ponto
periódico de D. De fato, seja n um inteiro positivo e veja que os pontos fixos de Dn são 0 e
os racionais 1/(2n − 1), . . . , 2n /(2n − 1).
Isto se verifica indutivamente: para todo 0 ≤ i ≤ 2n − 1, a restrição de Dn a [i/2n , (i + 1)/2n )
é tal que  
n n i i+1
D (x) = 2 x − i ∀x ∈ n , n .
2 2
Quando n = 1, esta afirmação é obviamente verdadeira. Supondo-a verdadeira para n = k ≥
1, considere n = k + 1: observe primeiro que Dk+1 = Dk ◦ D. Aı́, dado 0 ≤ i ≤ 2k+1 − 1,
tome x ∈ [i/2k+1 , (i + 1)/2k+1 ) e repare que, se i = 2j, 0 ≤ j ≤ 2k − 1, então

1
Dk (x) = 2k x − j ⇒ 0 ≤ Dk (x) < ,
2

aı́ Dk+1 (x) = 2Dk (x) = 2k+1 − 2j = 2k+1 − i. Por outro lado, se i = 2j + 1, 0 ≤ j ≤ 2k − 1,
então
1
Dk (x) = 2k x − j ⇒ ≤ Dk (x) < 1,
2
aı́ Dk+1 (x) = 2Dk (x) − 1 = 2k+1 − 2j − 1 = 2k+1 − i, completando a indução. Assim, fica
evidente quais são os pontos periódicos de D. É fácil verificar que esse conjunto é denso em
[0, 1).
Agora seja x ∈ [0, 1) o número cuja expansão binária consiste em todas as possı́veis sequências
finitas de 0s e 1s:

X xi
x = 0, x1 x2 x3 . . . = 0, 0 1 00 01 10 11 . . . = .
2i
n=1

17
Em binário, a aplicação D se comporta da mesma forma que o shift map: dado y ∈ [0, 1),
y = 0, y1 y2 y3 . . . em binário, tem-se que: se y1 = 0 (e existe algum i ≥ 1 tal que yi = 0),
então y < 1/2 e D(y) = 2y = 0, y2 y3 y4 . . .; se y1 = 1, então y ≥ 1/2 e D(y) = 2y − 1 =
1, y2 y3 y4 . . . − 1 = 0, y2 y3 y4 . . .. A única exceção a essa fórmula ocorre quando 1/2 é escrito
como 0, 111 . . ..
Como Dn (x) é evidentemente diferente de 0, 111 . . . para qualquer n ∈ N, segue que Dn (x) =
0, xn+1 xn+2 xn+3 . . .. A órbita de x por D é, portanto, densa em [0, 1), e segue que este sistema
é transitivo. Basta exibir dependência sensı́vel das condições iniciais: defina β = 1/3. Tome
x, y ∈ [0, 1) distintos. Suponha, sem perda de generalidade, que x < y. Suponha, sem perda
de generalidade, que x < y. Para todo n ∈ N, existe pn ∈ N tal que

pn − 1 pn
≤ x < n.
2n 2
 
pk − 1 pk
Seja k ∈ N o maior número tal que x, y ∈ , k . Assim,
2k 2

pk − 1 pk 2pk − 2 2pk − 1 2pk


k
≤x<y< k ⇒ k+1
≤x< k+1
≤ y < k+1 ;
2 2 2 2 2

caso contrário, isto é, caso x ≥ (2pk − 1)/2k+1 ou y ≤ (2pk − 1)/2k+1 , então
   
pk+1 − 1 pk+1 qk+1 − 1 qk+1
x, y ∈ , k+1 , pk+1 = 2pk , ou x, y ∈ , k+1 , qk+1 = 2pk − 1,
2k+1 2 2k+1 2

contradizendo a maximalidade de k. Segue que


     
pk − 1 pk 2pk − 2 2pk − 1 2pk − 1 2pk
x, y ∈ , k e x∈ , k+1 ,y ∈ , .
2k 2 2k+1 2 2k+1 2k+1

Isso implica que

Dk (x) = 2k x − pk + 1, Dk (y) = 2k y − pk + 1 ⇒ |Dk (x) − Dk (y)| = 2k |x − y|.

Se 2k |x − y| ≥ 1/3, não há mais nada a fazer. Caso contrário, tem-se que

2 1
|Dk+1 (x) − Dk+1 (y)| = |2k+1 (x − y) − 1| ≥ 1 − 2k+1 |x − y| > 1 − = .
3 3
Isso conclui a demonstração. ■

3.2.5 Teorema de Sarkovskii


O último tópico examinado foi o celebrado Teorema de Sarkovskii, que destrincha profunda-
mente o comportamento de sistemas dinâmicos na reta [5]. Antes de estudá-lo, foi primeiro
analisado o resultado intermediário de Li e Yorke (1975) [8], descrito no teorema a seguir.
Teorema 28. Seja J um intervalo não degenerado da reta e F : J → J uma função contı́nua.
Suponha que existe um ponto a ∈ J tal que

F 3 (a) ≤ a < F (a) < F 2 (a) (ou F 3 (a) ≥ a > F (a) > F 2 (a)).

18
Então, para cada k ∈ N, existe um ponto periódico em J de menor perı́odo k.
Naturalmente, se F possui um ponto periódico de menor perı́odo 3, o resultado acima im-
plica que F possui pontos periódicos de quaisquer outros perı́odos, bastando que a função
seja contı́nua. Surpreendentemente, esse teorema pode ser bastante generalizado através de
ideias sofisticadas que fazem uso de métodos elementares apenas, como o Teorema do Valor
Intermediário. Nos enunciados que seguem, assuma que f : I → I é uma função contı́nua.
Definição 29. Sejam J0 , J1 , . . . , Jn−1 , Jn ⊆ I intervalos fechados tais que Jn = J0 e Ji+1 ⊆
f (Ji ) para cada 0 ≤ i ≤ n − 1. Então J0 J1 . . . Jn−1 J0 é dito um ciclo de comprimento n.
Lema 30. Se J0 J1 . . . Jn−1 J0 é um ciclo de comprimento n, então existe um ponto periódico
y de f tal que f i (y) ∈ Ji para todo 0 ≤ i ≤ n − 1 e f n (y) = y.
O repetido uso desse lema em determinados ciclos é o método principal utilizado na de-
monstração do Teorema de Sarkovskii. A estrutura essencial que permite aplicar o tal lema
repetidamente são os ciclos de Štefan. O teorema decorre de maneira bastante natural após
examinar a natureza desses ciclos.
Definição 31. Seja P uma órbita de perı́odo m de f com m ≥ 3 ı́mpar. Se existe um ponto
p ∈ P tal que

f m−2 (p) < · · · < f 3 (p) < f (p) < p = f m (p) < f 2 (p) < f 4 (p) < · · · < f m−1 (p)

ou
f m−1 (p) < · · · < f 4 (p) < f 2 (p) < p = f m (p) < f (p) < f 3 (p) < · · · < f m−2 (p),
então P é chamado um ciclo de Štefan de f com menor perı́odo m.
Lema 32. Se m ≥ 3 é ı́mpar e não existem pontos periódicos de f de menor perı́odo ı́mpar
l tal que 1 < l < m, então P é um ciclo de Štefan, f possui pontos periódicos de todos os
perı́odos pares e pontos periódicos de todos os perı́odos maiores que m.
Teorema 33 (Teorema de Sarkovskii). Considere a ordenação de Sarkovskii dos naturais:

3 ≺ 5 ≺ 7 ≺ 9 ≺ · · · ≺ (2n + 1) · 20 ≺ · · ·
≺ 3·2 ≺ 5·2 ≺ 7·2 ≺ 9·2 ≺ · · · ≺ (2n + 1) · 21 ≺ · · ·
≺ 3 · 22 ≺ 5 · 22 ≺ 7 · 22 ≺ 9 · 22 ≺ · · · ≺ (2n + 1) · 22 ≺ · · ·
.. .. .. .. .. .. ..
. . . . . . .
≺ ··· ≺ 2n ≺ ··· ≺ 23 ≺ 22 ≺ 2 ≺ 1

Seja f : R → R. uma função contı́nua. Se f possui um ponto periódico de perı́odo funda-


mental n e n ≺ k na ordenação de Sarkovskii, então f possui um ponto periódico de perı́odo
fundamental k.

4 Conclusão
Este projeto permitiu ao aluno ter contato com vários métodos e resultados relevantes a
respeito de sistemas dinâmicos, em ambas as frentes, desenvolvendo boa intuição e interesse

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por essa importante área da matemática.

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