Direitos
Fundamentais
2022/2023
Semana 2
Benedita Menezes Queiroz
Sumário
- Conclusão da aula anterior;
- O sistema regional europeu de proteção dos Direitos Humanos
O Conselho da Europa e a Convenção Europeia dos Direitos
Humanos (CEDH);
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1.2 Perspetiva universalista ou internacional
Direitos Humanos;
Origem: 2ª metade do século XX (II Guerra Mundial: proteção dos
direitos humanos para além do Estado – Nação);
Fundamento: Proteção mínima conferida pelo Direito Internacional
independente do Estado.
Direitos do indivíduo e dos grupos e minorias étnicas, religiosas,
políticas
*Artigo 1º do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos:
“Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude
deste direito estabelecem livremente a sua condição política e,
desse modo, providenciam o seu desenvolvimento económico,
social e cultural.”
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Sistema Universal
Carta das Nações Unidas (1945)
Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948)
Pacto Internacional doa Direitos Cívicos e Políticos (1966)
Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966)
* Também parte do International Bill of Rights: Convenção Relativa ao Estatuto dos
Refugiados, 1951; Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Contra as Mulheres, 1979; Convenção sobre os Direitos da Criança,
1989 (...)
Sistemas Regionais
Convenção Europeia para a salvaguarda dos Direitos do Homem (1950,1953)
Carta Social Europeia (1965)
Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2000 - 2009)
Convenção Americana dos Direitos do Homem (1948,1959,1978)
Carta Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos (1981,1986)
Carta Árabe de Direitos Humanos (1994)
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“Afinal, onde começam os Direitos Universais? Em pequenos lugares, perto de
casa — tão perto e tão pequenos que não podem ser vistos em qualquer mapa
do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que
vive; a escola ou universidade que frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em
que trabalha. Estes são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura
igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem
discriminação.”
Eleanor Roosevelt
(Diplomata e embaixadora dos Estados
Unidos na ONU)
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1.3 - Perspetiva constitucional ou estadual
Direitos Fundamentais em sentido estrito
Origem: Movimentos constitucionais do século XVIII e XIX. Exemplos:
- Constituição do Estado da Virgínia (1776);
- Constituição do Estado do Massachusetts (1778);
- Constituição Federal Norte – Americana (1787)
- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789)
- Constituição Francesa (1791)
- Constituição Portuguesa (1822)
Fundamento: Princípio da separação de poderes (ideia de limitação do
poder do Estado jus positivista)
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2. O conceito estrito de Direito Fundamental
Dimensão constitucional positiva que incluí outras perspetivas:
- Perspetiva jusnaturalista : Artigos 1º, 19º (6) CRP;
- Perspetiva universalista: Artigos 8º (1) e 2 16º (1) e (2)
CRP;
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3 - Os direitos fundamentais numa perspetiva
multinível
• Tríade de proteção dos DF: a) sistema internacional universal e regional
(CEDH); b) sistema de direito da EU; c) sistema constitucional nacional.
• Relações entre os níveis de proteção:
- Sistema constitucional nacional e DUE: princípio do primado +
Artigo 8 (4) CRP;
- Sistema constitucional nacional e CEDH: Artigos 1º e 46º CEDH;
- CEDH e DUE: Artigo 6º (2) TUE e Parecer 2/13 do TJUE.
• Pluralismo Constitucional / “Transconstitucionalismo” /
Constitucionalismo multinível
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O Lobo de Wall Street
(2013)
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Factos:
Manuel Wackenheim sofria de nanismo e trabalhava em eventos de "arremesso
anões" organizados por uma empresa chamada Société Fun-Productions (usava
equipamento de proteção adequado, era atirado a curtas distâncias para uma
cama de ar pelos clientes).
O Ministério do Interior francês emitiu uma circular sobre o supervisionamento de
eventos públicos, em particular o ”arremesso de anões. A circular dizia que o
arremesso de anões deveria ser proibido com base no artigo 3º da Convenção
Europeia para a Proteção dos Direitos do Humanos e das Liberdades
Fundamentais (proibição da tortura, e tratamentos ou penas desumanos ou
degradantes).
Manuel reagiu nos tribunais nacionais competentes contra esta decisão do
governo francês. No entanto, as instâncias francesas consideraram que o
“arremesso de anões” violava o princípio da dignidade humana.
Sem trabalho, Manuel submete ao Comité dos Direitos Humanos uma queixa
individual contra o Estado Francês.
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PROTOCOLO FACULTATIVO REFERENTE AO PACTO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS
CIVIS E POLÍTICOS
Os Estados partes no presente Protocolo,
Considerando que, para melhor assegurar o cumprimento dos fins do Pacto Internacional sobre
os Direitos Civis e Políticos (a seguir denominado «o Pacto») e a aplicação das suas disposições,
conviria habilitar o Comité dos Direitos do Homem, constituído nos termos da quarta parte do
Pacto (a seguir denominado «o Comité»), a receber e examinar, como se prevê no presente
Protocolo, as comunicações provenientes de particulares que se considerem vítimas de uma
violação dos direitos enunciados no Pacto,
acordam no seguinte:
Artigo 1
Os Estados partes no Pacto que se tornem partes no presente Protocolo reconhecem que o
Comité tem competência para receber e examinar comunicações provenientes de particulares
sujeitos à sua jurisdição que aleguem ser vítimas de uma violação, por esses Estados Partes, de
qualquer dos direitos enunciados no Pacto. O Comité não recebe nenhuma comunicação
respeitante a um Estado Parte no Pacto que não seja parte no presente Protocolo.
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Human Rights Committee, 75th Session, 2 – 26 July 2002
Wachkenheim v. France
7.4
“O Comité considera que o Estado parte demonstrou, no presente caso, que a
proibição de arremesso anões, tal como praticada pelo autor, não constituía
uma medida abusiva, mas era necessária para proteger a ordem pública e
justifica as considerações sobre a compatibilidade da dignidade humana
com os objetivos do Pacto”.
In: [Link]
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Gerações de Direitos Fundamentais
Acumulação Enriquecimento
Variedade Pluralismo
Abertura Catálogo DF aberto
Crítica a) Sugere inferioridade dos direitos anteriores?; b) separação
estanque de gerações?
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Gerações de Direitos Fundamentais
Direitos Fundamentais de 1ª geração: os Direitos como liberdades
individuais: Estado Liberal
Direitos Fundamentais de 2ª geração: os Direitos como liberdades
políticas: Estado Democrático
Direitos Fundamentais de 3ª geração: os Direitos como liberdades
Sociais: Estado Social
Direitos Fundamentais de 4ª geração: Direitos de solidariedade,
ecologia e tecnologia: Estado Global
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Direitos Fundamentais de 1ª geração:
(Direitos como liberdades individuais)
Final do século XVIII: Revoluções liberais e primeiras Constituições
Liberais;
Liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade contratual de
comércio e indústria;
Direitos Negativos ou de Defesa: dever de abstenção do Estado;
Exigência do atomismo: titularidade individual dos direitos → acentua a
dimensão subjetiva dos DF mercado funciona, automaticamente, sem
intervenção reguladora do Estado (Adam Smith, “Mão invisível”)
STATUS NEGATIVUS
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Direitos Fundamentais de 2ª geração
(Direitos como liberdades políticas)
A partir do século XIX (para todos os homens) e século XX todas as mulheres;
Processo de industrialização: classes “não proprietárias” reivindicam o poder
político;
Direitos Fundamentais como garantias de igualdade na construção
Democrática do Estado;
Dimensão objetiva dos DF = a democracia torna-se uma conditio sine qua non
da própria liberdade dos cidadãps
STATUS ACTIVUS
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Exemplos de direitos de participação política: direito ao voto, a ser eleito, a
tomar posse de cargo para o qual se foi eleito e direito a exercer o cargo até nova
eleição.
Sufrágio Feminino em Portugal
I República portuguesa (1911): direito ao voto aos
portugueses com mais de 21 anos que soubessem
ler e escrever e aos chefes de família;
1926 – voto nas eleições para as juntas de
freguesia às mulheres “chefes de família” (...)
1934 – eleição das 3 primeiras deputadas à Assembleia
Nacional
1945 – mulheres com curso secundário ou superior
(Carolina Beatriz Ângelo) 1968 – todos os votantes que soubessem ler e escrever
1974 – Voto UNIVERSAL em Portugal
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Direitos Fundamentais de 3ª geração
(Direitos como liberdades Sociais)
Afirmados de forma mais efetiva no pós 2ª Guerra Mundial: Fim do Estado de
Direito Liberal do século XVIII;
Direitos a prestações ou de quota-parte (direitos através do Estado);
Exigem comportamentos positivos por parte do Estado;
Reconhecimento de uma função social dos DF em geral;
Princípio da igualdade material;
Aumento das liberdades: direito à greve, liberdade de escolha do trabalho,
liberdade sindical, direito ao trabalho.
STATUS POSITIVUS
(teoria do Estado de Direito Social)
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Direitos Fundamentais de 4ª geração
(Direitos de solidariedade, ecologia e tecnologia)
Finais do século XX: Sociedade globalizada, de informação, de risco;
Direitos de solidariedade: protegem bens simultaneamente individuais e
comunitários (ex: direito ao ambiente; direitos do consumidor).
Novos direitos relativos à informação perante a Administração Pública:
transparência;
Novos direitos ligados à evolução científica e tecnológica: direito à identidade
biológica; à identidade de género (mudar de género no registo civil); direito ao
esquecimento.
Segurança + Diversidade + Solidariedade
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Factos:
Mário, um advogado espanhol, ao pesquisar sobre o seu
nome no motor de busca Google encontra duas notícias
relativas à venda de um imóvel seu em hasta pública para
uma pagar uma dívida junto da Segurança Social.
Mário acaba por pagar a dívida e a referida venda em hasta
pública do imóvel não se chega a realizar.
Por considerar que estas notícias prejudicavam o seu o seu
bom nome e reputação profissional, Mário quer que as
referidas notícias não sejam acessíveis na Internet.
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TJUE Caso C-131/12, Google Spain (2014)
“Com a sua terceira questão, o órgão jurisdicional de reenvio
pergunta, em substância, se (...) permitem à pessoa em causa
exigir ao operador de um motor de busca que suprima da lista
de resultados, exibida na sequência de uma pesquisa efetuada
a partir do nome dessa pessoa, as ligações a
páginas web publicadas legalmente por terceiros e que
contenham informações verdadeiras sobre ela, com o
fundamento de que essas informações são suscetíveis de a
prejudicar ou de que deseja que sejam «esquecidas» decorrido
algum tempo.”
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TJUE Caso C-131/12, Google Spain (2014)
O que estava em causa e qual foi o sentido da decisão do
TJUE?
Tendo em conta o que foi dito sobre a decisão Google Spain,
diga se do 17.º do Regulamento Geral sobre a Proteção de
Dados Pessoais resulta um verdadeiro direito ao
esquecimento.
Caso C-507/17, Google v. CNIL: não há obrigação para
desindexar links fora da UE.
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Direito ao esquecimento?
23
24
25
v Adotada pelo Conselho da Europa, em 4
de novembro de 1950, e entrou em vigor
em 1953;
Convenção v a CEDH é um tratado internacional
destinado a proteger os direitos humanos e
Europeia dos as liberdades fundamentais na Europa. Os
47 países que formam o Conselho da
Direitos Humanos Europa são parte na Convenção, sendo 28
desses países membros da UE;
(CEDH)
v A Convenção criou o Tribunal Europeu dos
Direitos do Humanos.
v A Convenção possui vários protocolos que
46 países desde alteram o seu enquadramento.
16.09.2022: a Rússia
deixa de ser Alta
Parte Contratante
O Sistema da Convenção Europeia dos Direitos
Humanos
Artigo 1°
Obrigação de respeitar os direitos do homem
As Altas Partes Contratantes reconhecem a qualquer pessoa
dependente da sua jurisdição os direitos e liberdades definidos
no título I da presente Convenção.
No entanto, com respeito ao princípio da subsidiariedade
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Âmbito de proteção da CEDH e dos Protocolos
Adicionais
Direito à vida
Proibição da tortura
Proibição da escravatura e do trabalho forçado
Direito à liberdade e à segurança
Direito a um processo equitativo
Princípio da legalidade
Direito ao respeito pela vida privada e familiar
Liberdade de pensamento, de consciência e de religião
Liberdade de expressão
Liberdade de reunião e de associação
Direito ao casamento
Direito a um recurso efectivo
Proibição de discriminação
Direito de proteção da propriedade
Direito à educação
Direito de participar em eleições livres
Abolição da pena de morte
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A interpretação da CEDH
Regra Geral: Convenção de Viena de 1969;
“Objeto e propósito” da Convenção: “a protecção e
o desenvolvimento dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais” (...) cuja preservação repousa essencialmente
(...) num regime político verdadeiramente democrático
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A interpretação da CEDH
Interpretação dinâmica ou evolutiva: “um instrumento
vivo… que deve ser interpretado à luz das condições atuais”
“[O] tribunal não pode evitar ser influenciado pelos
desenvolvimentos aceites como standards comuns dos
membros do Conselho da Europa. [....]”
-
Tyrer v United Kingdom, para. 183.
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