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Direitos Fundamentais e Perspectivas de Proteção

O documento discute as diferentes gerações de direitos fundamentais, incluindo: 1) Direitos fundamentais de 1a geração como liberdades individuais contra o Estado. 2) Direitos fundamentais de 2a geração como liberdades políticas no Estado democrático, como o direito de voto. 3) Direitos fundamentais de 3a geração como liberdades sociais no Estado de bem-estar social.

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Direitos Fundamentais e Perspectivas de Proteção

O documento discute as diferentes gerações de direitos fundamentais, incluindo: 1) Direitos fundamentais de 1a geração como liberdades individuais contra o Estado. 2) Direitos fundamentais de 2a geração como liberdades políticas no Estado democrático, como o direito de voto. 3) Direitos fundamentais de 3a geração como liberdades sociais no Estado de bem-estar social.

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Direitos

Fundamentais
2022/2023
Semana 2

Benedita Menezes Queiroz


Sumário

- Conclusão da aula anterior;

- O sistema regional europeu de proteção dos Direitos Humanos


O Conselho da Europa e a Convenção Europeia dos Direitos
Humanos (CEDH);

2
1.2 Perspetiva universalista ou internacional

— Direitos Humanos;

— Origem: 2ª metade do século XX (II Guerra Mundial: proteção dos


direitos humanos para além do Estado – Nação);

— Fundamento: Proteção mínima conferida pelo Direito Internacional


independente do Estado.

— Direitos do indivíduo e dos grupos e minorias étnicas, religiosas,


políticas

*Artigo 1º do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos:

“Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude


deste direito estabelecem livremente a sua condição política e,
desse modo, providenciam o seu desenvolvimento económico,
social e cultural.”

3
Sistema Universal

— Carta das Nações Unidas (1945)


— Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948)
— Pacto Internacional doa Direitos Cívicos e Políticos (1966)
— Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966)
* Também parte do International Bill of Rights: Convenção Relativa ao Estatuto dos
Refugiados, 1951; Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Contra as Mulheres, 1979; Convenção sobre os Direitos da Criança,
1989 (...)
Sistemas Regionais

— Convenção Europeia para a salvaguarda dos Direitos do Homem (1950,1953)


— Carta Social Europeia (1965)
— Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2000 - 2009)
— Convenção Americana dos Direitos do Homem (1948,1959,1978)
— Carta Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos (1981,1986)
— Carta Árabe de Direitos Humanos (1994)

4
“Afinal, onde começam os Direitos Universais? Em pequenos lugares, perto de
casa — tão perto e tão pequenos que não podem ser vistos em qualquer mapa
do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que
vive; a escola ou universidade que frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em
que trabalha. Estes são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura
igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem
discriminação.”

Eleanor Roosevelt

(Diplomata e embaixadora dos Estados


Unidos na ONU)

5
1.3 - Perspetiva constitucional ou estadual

— Direitos Fundamentais em sentido estrito


— Origem: Movimentos constitucionais do século XVIII e XIX. Exemplos:
- Constituição do Estado da Virgínia (1776);

- Constituição do Estado do Massachusetts (1778);

- Constituição Federal Norte – Americana (1787)

- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789)

- Constituição Francesa (1791)

- Constituição Portuguesa (1822)

— Fundamento: Princípio da separação de poderes (ideia de limitação do


poder do Estado jus positivista)

6
2. O conceito estrito de Direito Fundamental

Dimensão constitucional positiva que incluí outras perspetivas:

- Perspetiva jusnaturalista : Artigos 1º, 19º (6) CRP;

- Perspetiva universalista: Artigos 8º (1) e 2 16º (1) e (2)


CRP;

7
3 - Os direitos fundamentais numa perspetiva
multinível
• Tríade de proteção dos DF: a) sistema internacional universal e regional
(CEDH); b) sistema de direito da EU; c) sistema constitucional nacional.

• Relações entre os níveis de proteção:

- Sistema constitucional nacional e DUE: princípio do primado +


Artigo 8 (4) CRP;
- Sistema constitucional nacional e CEDH: Artigos 1º e 46º CEDH;
- CEDH e DUE: Artigo 6º (2) TUE e Parecer 2/13 do TJUE.

• Pluralismo Constitucional / “Transconstitucionalismo” /


Constitucionalismo multinível

8
O Lobo de Wall Street
(2013)

9
Factos:
— Manuel Wackenheim sofria de nanismo e trabalhava em eventos de "arremesso
anões" organizados por uma empresa chamada Société Fun-Productions (usava
equipamento de proteção adequado, era atirado a curtas distâncias para uma
cama de ar pelos clientes).

— O Ministério do Interior francês emitiu uma circular sobre o supervisionamento de


eventos públicos, em particular o ”arremesso de anões. A circular dizia que o
arremesso de anões deveria ser proibido com base no artigo 3º da Convenção
Europeia para a Proteção dos Direitos do Humanos e das Liberdades
Fundamentais (proibição da tortura, e tratamentos ou penas desumanos ou
degradantes).

— Manuel reagiu nos tribunais nacionais competentes contra esta decisão do


governo francês. No entanto, as instâncias francesas consideraram que o
“arremesso de anões” violava o princípio da dignidade humana.

— Sem trabalho, Manuel submete ao Comité dos Direitos Humanos uma queixa
individual contra o Estado Francês.

10
PROTOCOLO FACULTATIVO REFERENTE AO PACTO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS
CIVIS E POLÍTICOS

Os Estados partes no presente Protocolo,

Considerando que, para melhor assegurar o cumprimento dos fins do Pacto Internacional sobre
os Direitos Civis e Políticos (a seguir denominado «o Pacto») e a aplicação das suas disposições,
conviria habilitar o Comité dos Direitos do Homem, constituído nos termos da quarta parte do
Pacto (a seguir denominado «o Comité»), a receber e examinar, como se prevê no presente
Protocolo, as comunicações provenientes de particulares que se considerem vítimas de uma
violação dos direitos enunciados no Pacto,

acordam no seguinte:

Artigo 1

Os Estados partes no Pacto que se tornem partes no presente Protocolo reconhecem que o
Comité tem competência para receber e examinar comunicações provenientes de particulares
sujeitos à sua jurisdição que aleguem ser vítimas de uma violação, por esses Estados Partes, de
qualquer dos direitos enunciados no Pacto. O Comité não recebe nenhuma comunicação
respeitante a um Estado Parte no Pacto que não seja parte no presente Protocolo.

11
— Human Rights Committee, 75th Session, 2 – 26 July 2002
Wachkenheim v. France

7.4

“O Comité considera que o Estado parte demonstrou, no presente caso, que a


proibição de arremesso anões, tal como praticada pelo autor, não constituía
uma medida abusiva, mas era necessária para proteger a ordem pública e
justifica as considerações sobre a compatibilidade da dignidade humana
com os objetivos do Pacto”.
In: [Link]

12
Gerações de Direitos Fundamentais

— Acumulação Enriquecimento

— Variedade Pluralismo

— Abertura Catálogo DF aberto

Crítica a) Sugere inferioridade dos direitos anteriores?; b) separação


estanque de gerações?

13
Gerações de Direitos Fundamentais
— Direitos Fundamentais de 1ª geração: os Direitos como liberdades
individuais: Estado Liberal

— Direitos Fundamentais de 2ª geração: os Direitos como liberdades


políticas: Estado Democrático

— Direitos Fundamentais de 3ª geração: os Direitos como liberdades


Sociais: Estado Social

— Direitos Fundamentais de 4ª geração: Direitos de solidariedade,


ecologia e tecnologia: Estado Global

14
Direitos Fundamentais de 1ª geração:
(Direitos como liberdades individuais)

— Final do século XVIII: Revoluções liberais e primeiras Constituições


Liberais;

— Liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade contratual de


comércio e indústria;

— Direitos Negativos ou de Defesa: dever de abstenção do Estado;

— Exigência do atomismo: titularidade individual dos direitos → acentua a


dimensão subjetiva dos DF mercado funciona, automaticamente, sem
intervenção reguladora do Estado (Adam Smith, “Mão invisível”)

STATUS NEGATIVUS

15
Direitos Fundamentais de 2ª geração
(Direitos como liberdades políticas)
— A partir do século XIX (para todos os homens) e século XX todas as mulheres;

— Processo de industrialização: classes “não proprietárias” reivindicam o poder


político;

— Direitos Fundamentais como garantias de igualdade na construção


Democrática do Estado;

— Dimensão objetiva dos DF = a democracia torna-se uma conditio sine qua non
da própria liberdade dos cidadãps

STATUS ACTIVUS

16
— Exemplos de direitos de participação política: direito ao voto, a ser eleito, a
tomar posse de cargo para o qual se foi eleito e direito a exercer o cargo até nova
eleição.
Sufrágio Feminino em Portugal

I República portuguesa (1911): direito ao voto aos


portugueses com mais de 21 anos que soubessem
ler e escrever e aos chefes de família;

1926 – voto nas eleições para as juntas de


freguesia às mulheres “chefes de família” (...)

1934 – eleição das 3 primeiras deputadas à Assembleia


Nacional

1945 – mulheres com curso secundário ou superior

(Carolina Beatriz Ângelo) 1968 – todos os votantes que soubessem ler e escrever

1974 – Voto UNIVERSAL em Portugal

17
Direitos Fundamentais de 3ª geração
(Direitos como liberdades Sociais)
— Afirmados de forma mais efetiva no pós 2ª Guerra Mundial: Fim do Estado de
Direito Liberal do século XVIII;

— Direitos a prestações ou de quota-parte (direitos através do Estado);


— Exigem comportamentos positivos por parte do Estado;
— Reconhecimento de uma função social dos DF em geral;
— Princípio da igualdade material;
— Aumento das liberdades: direito à greve, liberdade de escolha do trabalho,
liberdade sindical, direito ao trabalho.

STATUS POSITIVUS

(teoria do Estado de Direito Social)

18
Direitos Fundamentais de 4ª geração
(Direitos de solidariedade, ecologia e tecnologia)

— Finais do século XX: Sociedade globalizada, de informação, de risco;

— Direitos de solidariedade: protegem bens simultaneamente individuais e


comunitários (ex: direito ao ambiente; direitos do consumidor).

— Novos direitos relativos à informação perante a Administração Pública:


transparência;

— Novos direitos ligados à evolução científica e tecnológica: direito à identidade


biológica; à identidade de género (mudar de género no registo civil); direito ao
esquecimento.

Segurança + Diversidade + Solidariedade

19
Factos:

— Mário, um advogado espanhol, ao pesquisar sobre o seu


nome no motor de busca Google encontra duas notícias
relativas à venda de um imóvel seu em hasta pública para
uma pagar uma dívida junto da Segurança Social.

— Mário acaba por pagar a dívida e a referida venda em hasta


pública do imóvel não se chega a realizar.

— Por considerar que estas notícias prejudicavam o seu o seu


bom nome e reputação profissional, Mário quer que as
referidas notícias não sejam acessíveis na Internet.

20
TJUE Caso C-131/12, Google Spain (2014)

“Com a sua terceira questão, o órgão jurisdicional de reenvio


pergunta, em substância, se (...) permitem à pessoa em causa
exigir ao operador de um motor de busca que suprima da lista
de resultados, exibida na sequência de uma pesquisa efetuada
a partir do nome dessa pessoa, as ligações a
páginas web publicadas legalmente por terceiros e que
contenham informações verdadeiras sobre ela, com o
fundamento de que essas informações são suscetíveis de a
prejudicar ou de que deseja que sejam «esquecidas» decorrido
algum tempo.”

21
TJUE Caso C-131/12, Google Spain (2014)

— O que estava em causa e qual foi o sentido da decisão do


TJUE?

— Tendo em conta o que foi dito sobre a decisão Google Spain,


diga se do 17.º do Regulamento Geral sobre a Proteção de
Dados Pessoais resulta um verdadeiro direito ao
esquecimento.

— Caso C-507/17, Google v. CNIL: não há obrigação para


desindexar links fora da UE.

22
Direito ao esquecimento?

23
24
25
v Adotada pelo Conselho da Europa, em 4
de novembro de 1950, e entrou em vigor
em 1953;

Convenção v a CEDH é um tratado internacional


destinado a proteger os direitos humanos e
Europeia dos as liberdades fundamentais na Europa. Os
47 países que formam o Conselho da
Direitos Humanos Europa são parte na Convenção, sendo 28
desses países membros da UE;
(CEDH)
v A Convenção criou o Tribunal Europeu dos
Direitos do Humanos.

v A Convenção possui vários protocolos que


46 países desde alteram o seu enquadramento.
16.09.2022: a Rússia
deixa de ser Alta
Parte Contratante
O Sistema da Convenção Europeia dos Direitos
Humanos

Artigo 1°
Obrigação de respeitar os direitos do homem

As Altas Partes Contratantes reconhecem a qualquer pessoa


dependente da sua jurisdição os direitos e liberdades definidos
no título I da presente Convenção.

No entanto, com respeito ao princípio da subsidiariedade

28
Âmbito de proteção da CEDH e dos Protocolos
Adicionais
— Direito à vida
— Proibição da tortura
— Proibição da escravatura e do trabalho forçado
— Direito à liberdade e à segurança
— Direito a um processo equitativo
— Princípio da legalidade
— Direito ao respeito pela vida privada e familiar
— Liberdade de pensamento, de consciência e de religião
— Liberdade de expressão
— Liberdade de reunião e de associação
— Direito ao casamento
— Direito a um recurso efectivo
— Proibição de discriminação
— Direito de proteção da propriedade
— Direito à educação
— Direito de participar em eleições livres
— Abolição da pena de morte

29
A interpretação da CEDH

— Regra Geral: Convenção de Viena de 1969;

— “Objeto e propósito” da Convenção: “a protecção e


o desenvolvimento dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais” (...) cuja preservação repousa essencialmente
(...) num regime político verdadeiramente democrático

30
A interpretação da CEDH

— Interpretação dinâmica ou evolutiva: “um instrumento


vivo… que deve ser interpretado à luz das condições atuais”

“[O] tribunal não pode evitar ser influenciado pelos


desenvolvimentos aceites como standards comuns dos
membros do Conselho da Europa. [....]”
-
Tyrer v United Kingdom, para. 183.

31

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