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1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL
DIREITO CONSTITUCIONAL – NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
SocioLógico (Fernand Lassalle)
A Constituição é a soma dos fatores reais de poder que emanam da sociedade. A
Constituição é um reflexo das relações de poder vigentes em determinada comunidade
política. Defendia a existência duas constituições, uma real (ou efetiva) e outra escrita.
- Constituição real ou efetiva: soma dos fatores reais de poder;
- Constituição escrita: mera folha de papel.
PolíTico (Carl SchmiTt)
A Constituição decorre de uma decisão política fundamental, e se traduz na estrutura
do Estado e dos Poderes e na presença de um rol de direitos fundamentais. Faz distinção
entre Constituição, que são normas vinculadas à decisão política fundamental e Leis
Constitucionais, que são normas, que embora integrem o texto constitucional, são
dispensáveis por não comporem a decisão política fundamental do Estado.
- Constituição = BIZU: DEO: Direitos Fundamentais; Estrutura do Estado e Organização
dos Poderes.
CONCEITO DE Jurídico (Hans Kelsen)
CONSTITUIÇÃO A Constituição é enfocada em dois sentidos:
a) Lógico-jurídico: é a norma fundamental hipotética pura, cuja função é servir de
fundamento lógico de validade da Constituição jurídico-positivo (plano lógico).
- Norma fundamental hipotética;
- Plano suposto;
- Fundamento lógico-transcendental de validade da Constituição jurídico-positiva.
b) Jurídico-positivo: é a norma posta, norma positiva suprema, conjunto de normas
que serve para regular a criação de outras normas (plano positivo).
- Norma posta, positivada;
- Norma positivada suprema;
- Fundamento das demais normas jurídicas.
Culturalista (Meirelles Teixeira)
A Constituição é produto de um fato cultural, produzido pela sociedade e que sobre
ela pode influir. É uma formação objetiva de cultura. Relaciona-se com o conceito de
constituição total, que apresenta, na sua complexidade intrínseca, aspectos
econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos, a fim de abranger o seu o conceito
em uma perspectiva unitária.
Elementos Orgânicos
São as normas que tratam da estrutura do Estado, dispondo sobre a sua organização e
funcionamento.
Exs.: Título III (Da Organização do Estado); e Título IV (Da Organização dos Poderes e do
ELEMENTOS DA Sistema de Governo).
CONSTITUIÇÃO
(José Afonso da Elementos Socioideológicos
Silva) São as normas que revelam o compromisso da ordem constitucional.
Exs.: Título II, Capítulo II (Dos Direitos Sociais); Título VII (Da Ordem Econômica e
BIZU: O SELF Financeira); e Título VIII (Da Ordem Social).
Elementos de Estabilização Constitucional
São as normas destinadas a garantir a solução dos conflitos constitucionais para
assegurar a supremacia constitucional e a manutenção do próprio Estado.
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Exs.: Título V, Capítulo I (Do Estado de Defesa e do Estado de Sítio); Arts. 34 a 36
(Intervenção nos Estados e Municípios); Emendas à Constituição; e Controle de
Constitucionalidade.
Elementos Limitativos
São as normas que tratam dos limites de atuação do Estado, restringindo o poder de
atuação de seus agentes para resguardar direitos indispensáveis à pessoa humana.
Exs.: Título II, Capítulo I (Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos).
Elementos Formais de Aplicabilidade
São as normas destinadas a possibilitar a aplicação dos dispositivos constitucionais.
Exs.: Preâmbulo; ADCT; e Art. 5º, § 1º (normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata).
Normas Constitucionais de Eficácia Plena
São auto-aplicáveis e não podem ser reduzidas pelo legislador infraconstitucional.
- Autoaplicáveis;
- Não restringíveis;
- Aplicabilidade Direta, Imediata e Integral - BIZU: IDI.
Ex.: Art. 2°, CF: São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo,
o Executivo e o Judiciário; Remédios constitucionais.
Normas Constitucionais de Eficácia Contida
São auto-aplicáveis, mas podem ser reduzidas pelo legislador infraconstitucional.
- Autoaplicáveis;
- Restringíveis;
- Aplicabilidade Direta, Imediata e Não Integral - BIZU: DI.
Ex.: Art. 5º, XIII, CF: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas
as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
Normas Constitucionais de Eficácia Limitada
Não auto-aplicáveis, dependendo de ato infraconstitucional ou de EC posterior para
APLICABILIDADE DAS inteira aplicabilidade.
NORMAS - Não-autoaplicáveis;
CONSTITUCIONAIS - Aplicabilidade Indireta, Mediata e Reduzida - BIZU: MI.
(José Afonso da Ex.: Art. 88, CF: A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da
Silva) administração pública; Direito de greve do servidor público. Podem ser:
1) Normas de Princípio Institutivo ou Organizativo
São aquelas que dependem de lei para dar corpo, dar estrutura às instituições, pessoas
e órgãos previstos na CF.
Ex.: Art. 134, § 1º, CF: Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do
Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos
Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público de
provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado
o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais.
2) Normas de Princípio Programático
São aquelas que veiculam programas a serem implementados pelo Estado visando a
realização de fins sociais.
Ex.: Art. 205, CF: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o trabalho.
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💀 EFEITO PARALISANTE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: o efeito ou eficácia
paralisante é um efeito intrínseco das normas constitucionais, inclusive as normas
constitucionais de eficácia limitada. Trata-se de um efeito mínimo que as normas
constitucionais possuem de revogar normas infraconstitucionais anteriores a
Constituição Federal que sejam contrárias às normas da Constituição. Dessa forma, ainda
que se trate de norma constitucional de eficácia programática, por exemplo, apesar de
depender de integração legislativa para a sua aplicação integral, essas normas, por si só,
já possuem um efeito paralisante de revogar (não recepcionar) dispositivos pré-
constitucionais que lhe sejam contrários.
Método Hermenêutico Clássico ou Jurídico (Ernest Forsthoff)
Este método considera que a Constituição é uma lei como qualquer outra, devendo ser
interpretada usando as regras da hermenêutica tradicional, ou seja, os elementos
literal (textual), lógico (sistemático), histórico, teleológico e genético.
- Elemento literal: analisa o texto da norma em sua literalidade;
- Elemento lógico: avalia a relação de cada norma com o restante da Constituição;
- Elemento histórico: avalia o momento de elaboração da norma (ideologia então
vigente);
- Elemento teleológico: busca a sua finalidade; e
- Elemento genético: investiga a origem dos conceitos empregados na Constituição.
BIZU: Regras de hermenêutica tradicional: gramatical, histórico, teleológico,
sistemático, genético
Método Tópico-problemático ou da Tópida (Theodor Viehweg)
Neste método, há prevalência do problema sobre a norma, ou seja, busca-se
solucionar determinado problema por meio da interpretação de norma constitucional.
Este método parte das premissas seguintes: a interpretação constitucional tem caráter
prático, pois busca resolver problemas concretos e a norma constitucional é aberta, de
significado indeterminado (por isso, deve-se dar preferência à discussão do problema).
BIZU: Prevalência do problema sobre a norma
MÉTODOS DE Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse)
INTERPRETAÇÃO A leitura da Constituição inicia-se pela pré-compreensão do seu sentido pelo intérprete,
CONSTITUCIONAL a quem cabe aplicar a norma para a resolução de uma situação concreta.
Valoriza a atividade interpretativa e as circunstâncias nas quais esta se desenvolve,
promovendo uma relação entre texto e contexto, transformando a interpretação em
“movimento de ir e vir” (círculo hermenêutico).
BIZU: Prevalência da norma sobre o problema
Método Científico-espiritual, Integrativo, Interpretativo Evolutivo ou Valorativo
(Rudolf Smend)
A interpretação da Constituição deve considerar a ordem ou o sistema de valores
subjacentes ao texto constitucional. A Constituição deve ser interpretada como um
todo, dentro da realidade do Estado.
BIZU: Considera-se o “espírito da constituição”, o sistema de valores subjacente ao
texto constitucional
Método Normativo-estruturante ou Concretista (Friedrich Müller)
Este método considera que a norma jurídica é diferente do texto normativo: aquela
é mais ampla que este, pois resulta não só da atividade legislativa, mas igualmente da
jurisdicional e da administrativa. Assim, para se interpretar a norma, deve-se utilizar tanto
seu texto quanto a verificação de como se dá sua aplicação à realidade social (contexto).
A norma seria o resultado da interpretação do texto aliado ao contexto.
BIZU: Texto da norma x Norma jurídica. A norma jurídica deve ser interpretada de
acordo com o contexto
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Método Comparativo ou da Comparação Constitucional (Peter Häberle)
Para este método a interpretação dos institutos se implementa mediante comparação
nos vários ordenamentos. Estabelece-se, assim, uma comunicação entre as várias
Constituições. Partindo dos 4 métodos ou elementos desenvolvidos por Savigny
(gramatical, lógico, histórico e sistemático), Peter Haberle sustenta a canonização da
comparação constitucional como um quinto método de interpretação.
BIZU: Comparação entre Constituições
Princípio da Unidade
Esse princípio determina que o texto da Constituição deve ser interpretado de forma a
evitar contradições entre suas normas ou entre os princípios constitucionais em
abstrato. Assim, não há antinomias reais no texto da Constituição; as antinomias são
apenas aparentes. Segundo esse princípio, na interpretação deve-se considerar a
Constituição como um todo, e não se interpretarem as normas de maneira isolada. Não
há hierarquida entre as normas da CF.
BIZU: Evitar contradições; Não há hierarquia entre as normas da CF
Princípio da Máxima Efetividade, da Eficiência ou da Interpretação Efetiva
Esse princípio estabelece que o intérprete deve atribuir à norma constitucional o sentido
que lhe dê maior efetividade social. Visa, portanto, a maximizar a norma, a fim de
extrair dela todas as suas potencialidades. Sua utilização se dá principalmente na
aplicação dos direitos fundamentais, embora possa ser usado na interpretação de
todas as normas constitucionais.
Diferenças entre as categorias de normas:
- Existência: é uma norma produzida por uma autoridade aparentemente competente
para tal.
- Validade: produzida de acordo com seu fundamento, produzido de acordo com a
norma superior.
- Vigência: uma norma que existe no mundo jurídico. Inicia sua vigência na sua
publicação ou após a vacatio legis.
PRINCÍPIOS DA - Eficácia: aptidão da norma para ser aplicada ao caso concreto (eficácia positiva) ou
INTERPRETAÇÃO para invalidar norma contraria (eficácia negativa).
CONSTITUCIONAL - Efetividade: quando a norma atinge os efeitos para qual foi criado.
BIZU: Efetividade social
Princípio da Justeza, da Conformidade Funcional, da Correção Funcional ou da
Exatidão Funcional
Esse princípio determina que o órgão encarregado de interpretar a Constituição não
pode chegar a uma conclusão que subverta o esquema organizatório-funcional
estabelecido pelo constituinte. Assim, este órgão não poderia alterar, pela
interpretação, as competências estabelecidas pela Constituição para a União, por
exemplo.
BIZU: Não subverta o esquema organizatório-funcional estabelecido pela CF
Princípio da Concordância Prática ou da Harmonização
Esse princípio impõe a harmonização dos bens jurídicos em caso de conflito entre
eles em concreto, de modo a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros.
É geralmente usado na solução de problemas referentes à colisão de direitos
fundamentais. Assim, apesar de a Constituição, por exemplo, garantir a livre
manifestação do pensamento (art. 5º, IV, CF/88), este direito não é absoluto. Ele encontra
limites na proteção à vida privada (art. 5º, X, CF/88), outro direito protegido
constitucionalmente.
BIZU: Harmonização dos bens jurídicos em conflito; Evitar sacrifício
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Princípio do Efeito Integrador ou Eficácia Integradora
Esse princípio busca que, na interpretação da Constituição, seja dada preferência às
determinações que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade
política. É, muitas vezes, associado ao princípio da unidade da constituição, justamente
por ter como objetivo reforçar a unidade política.
BIZU: Favoreçam a integração política e social
Princípio da Força Normativa
Esse princípio determina que toda norma jurídica precisa de um mínimo de eficácia,
sob pena de não ser aplicada. Estabelece, portanto, que, na interpretação
constitucional, deve-se dar preferência às soluções que possibilitem a atualização de
suas normas, garantindo-lhes eficácia e permanência.
São reflexos:
* Efeito Transcendente
* Objetivação do Controle Difuso
* Relativização da Coisa Julgada
BIZU: Buscar a eficácia
Princípio da Convivência das Liberdades Públicas ou da Relatividade
Parte da presunção que não existem princípios absolutos, pois todos encontram
limites em outros princípios também consagrados na constituição. Para que as
liberdades possam conviver, elas não podem ser absolutas, devem encontrar óbices.
BIZU: Não existem princípios absolutos
Recepção
A norma infraconstitucional (préconstitucional), que não contrariar a nova ordem, será
recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma outra “roupagem”.
Ex.: CTN (Código Tributário Nacional - Lei nº 5.172/66), que, embora tenha sido
elaborado com natureza jurídica de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem
como lei complementar, sendo que os ditames que tratam das matérias previstas no art.
146, I, II e III, da CF só poderão ser alterados por lei complementar, aprovada com o
quórum da maioria absoluta (art. 69).
Requisitos:
DIREITO
- estar em vigor no momento do advento da nova Constituição;
INTERTEMPORAL
- não ter sido declarada inconstitucional durante a sua vigência no ordenamento
anterior;
As normas da
- ter compatibilidade formal e material perante a Constituição sob cuja regência ela foi
constituição anterior
editada (no ordenamento anterior);
e as normas
- ter compatibilidade somente material perante a nova Constituição, pouco importando
infraconstitucionais
a compatibilidade formal.
anteriores podem
sofrer algumas
Características:
consequências
- no fenômeno da recepção, só se analisa a compatibilidade material perante a nova
jurídicas diversas com
Constituição;
a instauração de uma
- a lei, para ser recebida, precisa ter compatibilidade formal e material perante a
nova ordem
Constituição sob cuja regência ela foi editada;
constitucional:
- como a análise perante o novo ordenamento é somente do ponto de vista material,
uma lei pode ter sido editada como ordinária e ser recebida como complementar (“nova
roupagem”);
- em complemento, um ato normativo que deixe de ter previsão no novo ordenamento
também poderá ser recebido. É o caso, por exemplo, do decreto-lei, que não mais existe
perante o ordenamento de 1988: o Código Penal (DL n. 2.848/40) foi recebido como lei
ordinária;
- se incompatível, a lei anterior será revogada, não se falando em inconstitucionalidade
superveniente;
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- nesse caso, a técnica de controle ou é pelo sistema difuso ou pelo concentrado, mas,
neste último caso, somente por meio da ADPF. Isso porque só se fala em ADI de uma lei
editada a partir de 1988 e perante a CF/88 (contemporaneidade);
- é possível, também, mudança de competência federativa para legislar, ou seja, matéria
que era de competência da União pode perfeitamente passar a ser de competência
legislativa dos Estados-Membros (como exemplo, citamos a instituição de região
metropolitana que, na atual Constituição, passou a ser de competência estadual — art.
25, § 3.º, da CF/88), mas a recíproca não é verdadeira. Assim é possível a
DESFEDERALIZAÇÃO para normas estaduais ou municipais, mas não é possível a
FEDERALIZAÇÃO de normas estaduais ou municipais (Ex.: leis municipais ou estaduais
não podem ser recepcionadas como leis de competência da União);
- é possível, ainda, a recepção de somente parte de uma lei, como um artigo, um
parágrafo etc.;
- o denominado fenômeno da recepção material de normas constitucionais (com status
de lei infraconstitucional) somente é admitido mediante "expressa" previsão na nova
Constituição. No entanto, a recepção material de normas infraconstitucionais
compatíveis com a nova constituição pode ocorrer de forma implícita ou explícita
(expressa);
- a recepção ou a revogação acontecem no momento da promulgação do novo texto.
Entende-se, contudo, que o STF poderá modular os efeitos da decisão, declarando a
partir de quando a sua decisão passa a valer. Nesse caso, a aplicação da técnica da
modulação poderia se implementar tanto no controle difuso como no controle
concentrado por meio da ADPF.
Não recepção ou revogação
É a regra. É tácita e dispensa disposição nesse sentido. Lei nova revoga lei anterior no
que lhe for contrário.
Desconstitucionalização
As normas constitucionais são recepcionadas com status de lei infraconstitucional pela
nova constituição, desde que compatível materialmente com a nova ordem e que haja
previsão expressa.
--> Requisitos:
- deve ser compatível materialmente com a nova Constituição;
- deve vir expressamente prevista na nova Constituição;
Obs.: NÃO É ADOTADO NO BRASIL!
Recepção Material das Normas Constitucionais
É a persistência de normas constitucionais anteriores que guardam, se bem que a título
secundário, a antiga qualidade de normas constitucionais.
Ex.: art. 34, caput, e seu § 1º, do ADCT, que asseguram, expressamente, a continuidade
da vigência de artigos da Constituição anterior, com o caráter de norma constitucional,
no novo ordenamento jurídico instaurado.
As referidas normas são recebidas por prazo certo, em razão de seu caráter precário,
características marcantes no fenômeno da recepção material das normas constitucionais.
Só será admitido se houver expressa manifestação da nova Constituição; caso
contrário, as normas da Constituição anterior serão revogadas.
Requisitos:
- deve vir expressamente previsto na nova Constituição;
- são recebidas por prazo certo, em razão de seu caráter precário.
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- QUANTO À ORIGEM
* Outorgadas, Impostas, Ditadoriais ou Autocráticas
São aquelas impostas pelo detentor do poder político.
Exs.: CF’s brasileiras de 1824, 1937, 1967 e EC nº 01/1969.
* Democráticas, Promulgadas, Votadas ou Populares (CF)
São aquelas produzidas com a participação popular em regime de democracia (seja
direta ou representativa). Normalmente, são fruto do trabalho de uma Assembleia
Constituinte.
Exs.: CF’s brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.
* Cesaristas ou Bonapartistas
São aquelas produzidas pelo detentor do poder político, mas dependem de ratificação
popular por meio de referendo. Não há constituições brasileiras.
* Dualistas ou Pactuadas
São aquelas fruto de um compromisso instável de duas forças políticas rivais
antagônicas. Governo/monarquia enfraquecido x Burguesia fortalecida. Não há
constituições brasileiras.
- QUANTO À FORMA
* Escritas, Legais ou Instrumentais (CF)
São aquelas produzidas em documentos formais/escritos e solenes.
CLASSIFICAÇÃO DAS
* Não Escritas, Históricas, Costumeiras ou Consuetudinárias
CONSTITUIÇÕES
São aquelas pautadas em costumes, tradições, leis esparsas e jurisprudência.
#CUIDADO: as constituições não escritas também são formadas por leis e convenções.
Ex.: Constituição inglesa.
- QUANTO À SISTEMÁTICA
* Codificadas (CF)
São aquelas cujas normas se encontram inteiramente contidas em um só texto,
formando um único corpo de lei.
* Não Codificadas
São aquelas escritas formadas por normas esparsas ou fragmentadas em vários
textos.
- QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO
* Dogmáticas ou Sistemáticas (CF)
São aquelas que são sempre escritas e elaboradas por um órgão constituinte, segundo
os dogmas e valores em voga.
* Históricas ou Costumeiras
São aquelas que são não escritas e concebidas historicamente pela sociedade,
produto de um processo social lento. São mais estáveis que as dogmáticas.
Ex.: Constituição inglesa.
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- QUANTO AO CONTEÚDO
* Materiais
São aquelas identificadas por consagrarem um conjunto de normas estruturais da
sociedade. São consideradas normas materialmente constitucionais as que contêm
matérias típicas de uma constituição, quais sejam, estrutura do Estado, organização
dos poderes e direitos e garantias fundamentais.
Ex.: Constituição imperial brasileira de 1824.
* Formais (CF)
São aquelas que podem ser definidas como o conjunto de normas jurídicas
produzidas por um processo mais árduo e mais solene que o ordinário, com o
propósito de tornar mais difícil a sua alteração. Esta espécie pressupõe uma constituição
escrita.
- QUANTO À EXTENSÃO
* Analíticas, Prolixas, Extensas ou Longas (CF)
São aquelas que versam sobre determinadas matérias de forma detalhada e
específica. São necessariamente escritas e fruto do Constitucionalismo Contemporâneo.
Ex.: Constituição de 1988
* Sintéticas, Concisas, Sumárias ou Curtas
São aquelas que possuem conteúdo abreviado e versam tão somente sobre princípios
gerais e regras básicas sobre organização e funcionamento do Estado.
Ex.: Constituição do EUA, que possui apenas sete artigos
- QUANTO À ESTABILIDADE OU MUTABILIDADE
* Imutáveis, Graníticas, Intocáveis ou Permanentes
São as Leis Fundamentais antigas (Código de Hamurabi e a Lei das XII Tábuas), que
surgiram com a pretensão de eternidade e que, por isso, não podiam ser modificadas
sob pena de maldição dos deuses.
* Fixas ou Silenciosas
São aquelas que só podem ser modificadas pelo mesmo poder constituinte que as
elaborou, quando convocado.
Ex.: Constituições francesas da época de Napoleão I.
* Rígidas (CF)
São aquelas que somente podem ser modificadas mediante procedimentos mais
solenes e complexos que o processo legislativo ordinário. São sempre escritas, mas
as escritas nem sempre são rígidas.
Exs.: CF’s brasileiras de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988.
* Super-rígidas
Classificação trazida por Alexandre de Moraes. São aquelas constituições rígidas
dotadas de normas imutáveis (clausúlas pétreas). Para o autor, a CF é um exemplo
desta classificação.
* Semirrígidas ou Semiflexíveis
São aquelas que contêm uma parte rígida e outra flexível.
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Ex.: Constituição imperial brasileira de 1824.
* Flexíveis ou Plásticas
São aquelas que permitem a modificação de suas normas por um processo idêntico ao
de lei ordinária. As normas de uma Constituição flexível reduzem-se a normas legais,
não possuindo nenhuma supremacia sobre as demais.
- QUANTO À IDEOLOGIA
* Ecléticas ou Compromissórias (CF)
São aquelas que procuram conciliar ideologias políticas opostas.
* Ortodoxas
São aquelas que adotam apenas uma ideologia política.
Ex.: Constituição Soviética de 1977 (Comunismo).
- QUANTO À ORIGEM DE DECRETAÇÃO
* Autoconstituições (CF)
São aquelas elaboradas por órgãos do próprio Estado, como a Assembleia Constituinte.
* Heteroconstituições
São aquelas elaboradas por órgãos de fora do Estado, seja por Organização
Internacional ou por outros Estados.
- QUANTO AO SISTEMA
* Principiológicas (CF)
São aquelas em que predominam os princípios.
* Preceituais
São aquelas em que predominam as regras.
- QUANTO À FINALIDADE
* Constituições-garantia ou Constituições-quadro
São aquelas que se concentram nas limitações do poder do Estatal junto aos cidadãos
(liberdade negativa).
* Constituições-balanço ou Constituições-registro
São aquelas que descrevem e registram, periodicamente, o grau de organização
política e relações reais de poder. Fazem, de tempos em tempos, um balanço do
estágio em que se encontra a evolução social.
* Constituições-dirigente ou Constituições-programática (CF)
São aquelas de texto extenso, que definem programas, planos e diretrizes para a
atuação estatal.
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- QUANTO À CORRESPONDÊNCIA COM A REALIDADE (CRITÉRIO ONTOLÓGICO DE
KARL LOEWENSTEIN)
* Normativas (CF)
São aquelas que estão em consonância com a realidade social e política do Estado e
são utilizadas pela população.
Exs.: Constituições brasileiras de 1891, 1934 e 1946.
* Nominativas ou Nominais
São aquelas que não conseguiram ficar em consonância com a realidade social, mas
que anseiam chegar a este estágio e alcançar a simetria entre a Constituição e a
realidade. São constituições prospectivas.
* Semânticas
São aquelas que além de não estarem em consonância com a realidade social, são
feitas para beneficiar os detentores do poder, sendo os interesses sociais relegados a
segundo plano.
Exs.: CF’s brasileiras de 1937, 1967 e 1969.
- QUANTO AO PAPEL DA CONSTITUIÇÃO OU FUNÇÃO DESEMPENHADA PELA
CONSTITUIÇÃO
* Constituições-lei
São aqueles em que suas normas são equiparadas às demais leis do ordenamento,
desprovidas de status hierárquico diferenciado. Nesse sentido, não são capazes de
moldar a atuação do legislador e funcionam, apenas, como diretrizes não vinculantes.
* Constituições-moldura
São aqueles que são só a moldura de um quadro vazio, funcionando como limite à
atuação do legislador ordinário, que não poderá atuar fora dos limites previamente
estabelecidos.
* Constituições-fundamento ou Constituições-total
São aqueles que diferenciam as normas constitucionais das demais, na medida em
que as situa num plano de superioridade valorativo que as torna cogentes para os
legisladores.
- QUANTO AO CONTEÚDO IDEOLÓGICO
* Liberais
São aquelas visam delimitar o exercício do poder estatal, assegurar liberdades
individuais, oponíveis ao Estado.
Exs.: Constituições dos EUA e da França de 1787.
* Sociais (CF)
Típicas de um constitucionalismo pós liberal, são aquelas que passam a consagrar em
seus textos não só direitos relacionados à liberdade, mas também prerrogativas de
cunho social, cultural e econômico. A atuação do Estado deixa de ser meramente
negativa, como era nas Constituições liberais, para se tornar positiva.
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- OUTRAS CLASSIFICAÇÕES
* Constituição dúctil ou suave
Idealizada por Gustavo Zagrebelsky, é a constituição que cria condições para o exercício
dos mais variados projetos de vida (concepções de vida digna), refletindo o pluralismo.
* Constituição plástica
Para Pinto Ferreira, constituição plástica é sinônimo de constituição flexível.
Para Raul Machado Horta, constituição plástica é aquela dotada de uma mabealidade
(são maleáveis aos influxos da realidade social, política, econômica, educacional,
jurisprudencial etc). Possibilita releituras, reinterpretações de seu texto, à luz de novas
realidades sociais.
* Constituição expansiva
Idealizada por Raul Machado Horta, indica constituições que conferem juridicidade a
novas situações e estendem o tratamento jurídico de diversos outros temas já presentes
nos documentos constitucionais anteriores.
* Constituição em branco
É a constituição que não prevê regras e limites para o exercício do poder de reforma.
* Constituição sem organicidade
É a constituição caracterizada pela ausência de um documento único articulando e
organizando as normas constitucionais, restando estas dispersas entre os diversos
documentos, ou com normas constitucionais que sequer estão escritas.
CLASSIFICAÇÃO DA CF/88
• Origem: Promulgada
• Forma: Escrita
• Sistemática: Codificada
• Modo de Elaboração: Dogmática
• Conteúdo: Formal
• Extensão: Analítica
• Estabilidade: Rígida
• Ideologia: Eclética
• Origem de Decretação: Autoconstituição
• Sistema: Principiológica
• Finalidade: Dirigente
• Correspondência com a Realidade: Normativa (prevalece)
• Conteúdo Ideológico: Social
PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO
- Sinônimos: Inicial, Inaugural, Genuíno ou de 1º Grau
- Conceito: É o poder de instaurar uma nova ordem jurídica, rompendo por completo
com a ordem jurídica precedente.
PODER
CONSTITUINTE - Titularidade: POVO
Obs.: Joseph Sieyès, em sua obra clássica “O que é o Terceiro Estado?”, defendia que o
titular do poder constituinte seria a nação (corrente minoritária).
- Natureza:
• Jusnaturalista: Poder de direito ou jurídico, pois eles admitem a existência de um
direito natural prévio ao direito positivo.
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• Juspositivista: Poder de fato ou político, pois é anterior ao próprio direito,
metajurídico, não integrando o mundo jurídico. Adotado!
- Características:
• Inicial: A Constituição é a base do ordenamento jurídico. Dá início a uma nova ordem
constitucional e, simultaneamente, desconstitui (revoga) a ordem pretérita.
• Autônomo: É capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição,
bem como sua estrutura e os termos de seu estabelecimento. Independe de quaisquer
fatores jurídicos ou políticos externos ao exercente do poder.
• Ilimitado Juridicamente: Não se submete a limitações jurídicas prévias.
Obs.: Há limites naturais ao PCO!
• Incondicionado: Não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado
pelo ordenamento jurídico que o precede.
• Permanente: Não se esgota quando da conclusão da constituição; ele permanece em
situação de latência, sendo ativado o momento constituinte de necessária ruptura com
a ordem estabelecida se apresentar novamente.
- Espécies:
• Histórico ou Fundacional: É aquele que produz a primeira Constituição de um Estado.
Ex.: CF de 1824.
• Revolucionário ou Pós Fundacional: São todos os posteriores ao histórico, rompendo
por completo com a antiga ordem e instaurando uma nova, um novo Estado. Ex.: Demais
CF’s após 1824.
• Material: É o responsável por definir o conteúdo fundamental da constituição,
elegendo os valores a serem consagrados e a ideia de direito que irá prevalecer. No
momento seguinte, essas escolhas políticas são formalizadas no plano normativo.
• Formal: É o responsável por formalizar as escolhas políticas do poder constituinte
material.
BIZU: O poder constituinte material precede o formal.
- Limitações Materiais: (Jorge Miranda)
• Transcendentes: São aqueles que, advindos de imperativos do direito natural, de
valores éticos ou de uma consciência jurídica coletiva, impõem-se à vontade do Estado,
demarcando sua esfera de intervenção. Nesse sentido, parte da doutrina sustenta o
dever de manutenção, imposto ao Poder Constituinte Originário pelo princípio da
proibição de retrocesso, dos direitos fundamentais objeto de consensos sociais
profundos ou diretamente ligados à dignidade da pessoa humana.
• Imanentes: Estão relacionados à configuração do Estado à luz do Poder Constituinte
material ou à própria identidade do Estado de que cada Constituição representa apenas
um momento da marcha histórica. Referem-se a aspectos como a soberania ou a forma
de Estado. É, por exemplo, o que impede que um Estado Federal, que assim quer se
manter, passe a condição de Estado Unitário.
• Heterônomos: São provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos
como, por exemplo, as obrigações impostas ao Estado por normas de direito
internacional. Sob essa perspectiva, seria vedado às futuras constituições brasileiras
consagrar a pena de morte para além dos casos de guerra externa (CF, art. 5º, XLVII, "a"),
ante o disposto na Convenção Americana sobre Direitos Humanos que, promulgada pelo
Decreto nº 678, dispõe em seu artigo 4º, § 3º: "Não se pode restabelecer a pena de morte
nos Estados que a hajam abolido". Tal vedação encontra fundamento na proibição de
retrocesso.
- Direitos Adquiridos e Nova Constituição (Graus de Retroatividade):
Inexiste alegação de "direitos adquiridos" perante nova Constituição, perante o trabalho
do poder originário.
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Poder constituinte e direito adquirido. Graus de retroatividade da norma
constitucional: máximo, médio ou mínimo:
• retroatividade MÁXIMA OU RESTITUTÓRIA: a lei nova atinge fatos consumados.
Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos
jurídicos já consumados.
Ex.: o art. 96, parágrafo único, da Carta de 1937, que permitia ao Parlamento rever a
decisão do STF que declarara a inconstitucionalidade de uma lei;
• retroatividade MÉDIA: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos
verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas, mas ainda não
adimplidas.
Ex.: lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos, mas não pagos
(prestação vencida, mas ainda não adimplida);
• retroatividade MÍNIMA, TEMPERADA OU MITIGADA: a lei nova atinge apenas os
efeitos futuros dos atos jurídicos anteriores, verificados após a data em que ela entra
em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova
lei.
Ex.: o art. 7º, IV, que, ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim,
significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios
celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas).
O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais fruto da
manifestação do poder constituinte originário têm, por regra geral, retroatividade
mínima, ou seja, aplicam-se a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação,
referentes a negócios passados.
Sendo regra, portanto, a retroatividade mínima, nada impede que a norma constitucional
revolucionária, já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e
incondicionado juridicamente, tenha retroatividade média ou máxima. Para tanto,
contudo, deve existir expresso pedido na Constituição.
#EMRESUMO:
a) as normas constitucionais, por regra, têm retroatividade mínima, aplicando-se a
fatos ocorridos a partir de seu advento, mesmo que relacionados a negócios celebrados
no passado - ex.: art. 7º, IV;
b) é possível a retroatividade máxima e média da norma introduzida pelo constituinte
originário desde que haja expressa previsão, como é o caso do art. 51 do ADCT da
CF/88. Nesse sentido, doutrina e jurisprudência afirmam que não há direito adquirido
contra a nova Constituição;
c) por outro lado, as Constituições Estaduais (poder constituinte derivado decorrente -
limitado juridicamente) e demais dispositivos legais, vale dizer, as leis
infraconstitucionais, bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte
derivado reformador, também limitado juridicamente), estão sujeitos à observância do
princípio constitucional da irretroatividade da lei (retroatividade mínima) (art. 5º,
XXXVI — “lei” em sentido amplo), com pequenas exceções, como a regra da lei penal
nova que beneficia o réu (nesse sentido, cf. AI 292.979-ED, Rel. Min. Celso de Mello, DJ
de 19.12.2002).
PODER CONSTITUINTE DERIVADO
- Sinônimos: Instituído, constituído, secundário, de 2º grau, remanescente.
- Conceito: O poder constituinte derivado é criado e instituído pelo originário. Ao
contrário de seu “criador”, que é, do ponto de vista jurídico, ilimitado, incondicionado,
inicial, o derivado deve obedecer às regras colocadas e impostas pelo originário, sendo,
nesse sentido, limitado e condicionado aos parâmetros a ele impostos.
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- Natureza: Poder de direito ou jurídico, pois deve obedecer às limitações impostas
pelo PCO.
- Características:
• Subordinado: Retira fundamento de validade da CF.
• Condicionado: Precisa respeitar a forma pré-determinada para sua criação, que se
encontra na CF.
• Limitado: Encontra limites na CF.
- Espécies: Reformador (art. 60, CF); Revisor (art. 3º, ADCT); e Decorrente (art. 25, CF e
art. 11, ADCT).
1. Poder Constituinte Derivado REFORMADOR (PCDR)
- Conceito: É responsável pelas alterações no texto constitucional segundo as regras
instituídas pelo Poder Constituinte Originário.
- Natureza Jurídica: Poder de direito ou jurídico
- Limitações:
a. Expressas
a.1. Formais ou Procedimentais
• Subjetivas
- Iniciativa: (art. 60, caput, I, II e III)
Um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
Presidente da República;
mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-
se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
• Objetivas
- Discursão e Votação: (art. 60, § 2º)
Será discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, sendo
aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos membros. BIZU: 2C + 2T +3/5V
- Promulgação: (art. 60, § 3º)
pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número
de ordem.
- Proposta de EC rejeitada ou prejudicada: (art. 60, § 5º)
Proposta de Emenda rejeitada ou prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta
na mesma sessão legislativa (princípio da irrepetibilidade).
a.2. Circunstanciais (art. 60, § 1º)
intervenção federal; estado de defesa; estado de sítio.
a.3. Materiais ou Substanciais (art. 60, § 4º)
- Cláusulas Pétreas:
a forma federativa de Estado;
o voto direto, secreto, universal e periódico.
a separação dos Poderes;
os direitos e garantias individuais.
Obs.: Não há limitações TEMPORAIS ao PCDR!
b. Implícitas (doutrina)
- impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário;
- impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte derivado reformador;
- proibição de se violar as limitações expressas (aqui reside a impossibilidade da teoria
da dupla revisão).
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2. Poder Constituinte Derivado REVISOR (PCDREV)
- Conceito: Poder encarregado de fazer a revisão constitucional. Via extraordinária de
alteração da CT, utilizado para alterações gerais.
O poder revisor só é exercido uma única vez, como o foi em 1994, tendo dele resultado
em seis Emendas Constitucionais de revisão. Uma vez exercido, o poder revisor teve sua
eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada.
- Previsão: Art. 3º, do ADCT:
“Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação
da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em
sessão unicameral.”
Revisão Constitucional:
- Realizada: após 5 anos da promulgação da CF;
- quórum de votação: maioria absoluta dos membros do CN;
- sessão: unicameral.
- Limitações
• Temporais: 5 anos
• Materiais: Idem as limitações do poder reformador - cláusulas pétreas (doutrina)
3. Poder Constituinte Derivado DECORRENTE (PCDD)
- Conceito: É a capacidade conferida pelo poder originário aos Estados Membros,
enquanto entidades integrantes da federação, para elaborarem e alterar suas próprias
constituições.
- Características:
- Poder de direito ou jurídico, instituído pela Constituição, possuidor de natureza jurídica;
- Limitado (ou subordinado),
- Condicionado, e
- Secundário ou de 2° grau.
- Limitações:
• Sensíveis: São os que representam a essência da organização constitucional da
federação brasileira e estabelecem limites à autonomia organizatória dos Estados-
membros (CF, art. 34, VII, “a” a “e”).
• Extensíveis: São os que consagram normas centrais organizatórias para a União que
se estendem aos Estados, por previsão constitucional expressa (CF, arts. 28 e 75) ou
implícita (CF, art. 58, § 3º; arts. 59 e ss.)
• Estabelecidos ou Organizatórios: São os que restringem a capacidade organizatória
dos Estados federados por meio de limitações expressas (CF, art. 37) ou implícitas (CF,
art. 21)
PODER CONSTITUINTE DIFUSO
O poder constituinte difuso pode ser caracterizado como um poder de fato e que serve
de fundamento para os mecanismos de atuação da mutação constitucional.
Se por um lado a mudança implementada pelo poder constituinte derivado reformador
se verifica de modo formal, palpável, por intermédio das emendas à Constituição, a
modificação produzida pelo poder constituinte difuso se instrumentaliza de modo
informal e espontâneo, como verdadeiro poder de fato, e que decorre dos fatores
sociais, políticos e econômicos, encontrando-se em estado de latência. Trata-se de
processo informal de mudança da Constituição, alterando-se o seu sentido
interpretativo, e não o seu texto, que permanece intacto e com a mesma literalidade.
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PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL
Trata-se de um poder destinado a elaborar uma constituição supranacional, apta a
vincular os Estados ajustados sob o seu comando e fundamentada na vontade do povo-
cidadão universal, seu verdadeiro titular. Este poder é considerado constituinte por ter
a força de criar uma ordem jurídica de cunho constitucional, na medida em que
reorganiza a estrutura de cada um dos Estados que adere ao direito comunitário e
submete as constituições nacionais ao seu poder supremo.
O poder constituinte supranacional busca a sua fonte de validade na cidadania
universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em
um conceito remodelado de soberania.
ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO
ADCT
CORPO FIXO
PREÂMBULO (ATOS DAS DISPOSIÇÕES
(PARTE DOGMÁTICA)
CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS)
Representa os É a parte mais importante – art. 1º É norma constitucional transitória,
objetivos/finalidade ao 250 excepcional
Desprovido de normatividade
Possui normatividade Possui normatividade
(âmbito da política)
Não é parâmetro para o É parâmetro para o controle de É parâmetro para o controle de
controle de constitucionalidade constitucionalidade constitucionalidade
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL.
PREÂMBULO CONSTITUCIONAL
- O preâmbulo é um elemento formal de aplicabilidade.
- O preâmbulo não pode, por si só, servir de parâmetro de controle da constitucionalidade de uma norma.
- O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filosóficos, ideológicos, sociais e econômicos e,
dessa forma, norteia a interpretação do texto constitucional.
- Em termos estritamente formais, o Preâmbulo é uma espécie de introdução ao texto constitucional, um resumo
dos direitos que permearão a textualização a seguir, apresentando o processo que resultou na elaboração da
Constituição e o núcleo de valores e princípios de uma nação.
- O termo "assegurar" constante no Preâmbulo da CF/88 constitui-se no marco da ruptura com o regime anterior
e garante a instalação e asseguramento jurídico dos direitos listados em seguida e até então não dotados de
força normativa constitucional suficiente para serem respeitados, sendo eles o exercício dos direitos sociais e
individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça.
- A invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição da República vigente, não tem força
normativa, não sendo de reprodução obrigatória pelos Estados.
- Para o STF o preâmbulo constitucional situa-se no domínio da política e reflete a posição ideológica do
constituinte. Logo, não contém relevância jurídica, não tem força normativa, sendo mero vetor interpretativo das
normas constitucionais, não servindo como parâmetro para o controle de constitucionalidade.
TEORIAS QUANTO À NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO:
1. Teoria da Irrelevância Jurídica: O preâmbulo está no âmbito da política, portanto, não possui relevância
jurídica. Adotada!
2. Teoria da Plena Eficácia: O preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais.
3. Teoria da Relevância Jurídica Indireta ou Específica: O preâmbulo faz parte das características jurídicas da
Constituição Federal, entretanto, não deve ser confundido com as demais normas jurídicas desta.
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#INFO
- Natureza jurídica do preâmbulo.
O preâmbulo não se situa no âmbito do Direito, mas sim no domínio da política. Ele apenas reflete a posição
ideológica do constituinte.
Desse modo, o preâmbulo não possui relevância jurídica.
Vale ressaltar, ainda, que o preâmbulo não constitui norma central da Constituição, não sendo de reprodução
obrigatória nas Constituições dos Estados-membros.
A invocação a Deus, presente no preâmbulo da CF/88, reflete um sentimento religioso. Isso não faz, contudo, que
o Brasil deixe de ser um Estado Laico. O Brasil é um Estado Laico, ou seja, um Estado em que há Liberdade de
consciência e de crença, onde ninguêm é privado de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica.
A invocação da proteção de Deus contida no preâmbulo da CF/88 não se trata de norma de reprodução obrigatória
na Constituição estadual não tendo força normativa. Se a Constituição estadual não tiver esta expressão, não há
qualquer inconstitucionalidade nisso.
STF. Plenário. ADI 2076. Rel. Min. Carlos Velloso. Julgado em 15/08/2002.
TÍTULO I
Dos Princípios Fundamentais
Art. 1º A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO e tem como FUNDAMENTOS:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição.
República Federativa do Brasil
Forma de Estado Federado As duas iniciais formam FE de Federação
Forma de Governo Republicano FOGO na República
Sistema de Governo Presidencialista SIGO o Presidente
Regime de Governo Democrático REGO Democrático
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Poder Função Típica Função Atípica
- Legislar Nat. Executiva: ao dispor sobre sua organização, provendo
- Fiscalização contábil, financeira, cargos, concedendo férias e licenças a servidores;
Legislativo
orçamentária e patrimonial do Nat. Jurisdicional: Senado, quando julga o PR nos crimes de
Poder Executivo responsabilidade (art. 52, I, CF).
- Administrar Nat. Legislativa: PR, quando adota Medida Provisória, com
- Pratica de atos de chefia de força de lei (art. 62, CF);
Executivo
Estado, chefia de governo e atos Nat. Jurisdicional: Executivo julga, apreciando defesas e
administrativos recursos administrativos.
Nat. Executiva: quando concede férias e licenças aos
magistrados e serventuários (art. 96, I, “f”, CF);
Judiciário - Julgar
Nat. Legislativa: regimento interno de seus tribunais (art. 96,
I, “a”, CF).