Perspectivas em
Avaliação Psicológica
Prof. Dr. João Carlos Alchieri
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Associação Brasileira de Psicologia Jurídica
Temática
• 1. Aspectos fundamentais do processo • 8. Abrangência e limitações do uso de
avaliativo em psicologia instrumentos em avaliação psicológica
• 2. Avaliação psicológica e avaliação em • 9. Entrevista Psicológica em diversos
psicologia contextos avaliativos
• 3. Aspectos conceituais atuais em Avaliação • 10. Análise de resultados provenientes de testes
psicológica na avaliação psicológica
• 4. Atividades do psicólogo junto ao Sistema • 11. Comunicando resultados de processos
Judiciário avaliativo
• 5. Indicadores psicológicos e comportamentais • 12. Elaboração e redação de informes
de alterações psicopatológicas psicológicos
• 6. Fatores decisionais na escolha de • 13. Manejo de técnicas projetivas gráficas e seus
instrumentos, métodos e técnicas na avaliação limites técnicos
psicológica
• 14. Manejo de técnicas projetivas aperceptivas
• 7. Diagnóstico em Psicologia e os sistemas de
referência na tomada de decisão do psicólogo • 15. Estudos com casuísticas
Definição de AP
Processo que permite identificar em medida ou
grau, critérios, metas ou objetivos de
caracterizar aspectos comportamentais
objetivando fornecer elementos de decisão.
3
Avaliação Psicológica
Fluxograma
Técnicas
psicológicas
Processo Análise
Demanda integrada de
Avaliativo psicológico
elementos
Informe
Psicológico
O que avaliar?
Ambiente
Funções Contexto
psicológicas Comportamento Desenvolvimental
Contexto Sócio
cultural
Estrutura do processo avaliativo
Comportamento Instrumentais Processo
• Funções • Técnicas • Demanda
Psicológicas • Instrumentos • Enquadre
• Constructos • Métodos • Resultados
Psicológicos
Expertise do Profissional
Comportamento
•Funções Psicológicas
•Constructos Psicológicos
Constructos Psicológicos
• Atenção • Linguagem
• Sensação • Aprendizagem
• Percepção • Memória
• Orientação • Emoção
• Pensamento • Consciência
As funções executivas permitem ao indivíduo interagir no mundo de maneira
intencional. Envolvem a formulação de um plano de ação, baseado em
experiências prévias e demandas atuais do ambiente. Tais ações precisam
ser flexíveis e adaptadas, e em alguns casos, monitoradas em suas várias
etapas de execução (Santos, 2002)
Bases teóricas para compreender
comportamentos
Psicologia do Desenvolvimento Psicopatologia
• Bases morfofuncionais • Riscos evolutivos
• Crescimento e aquisições • Patologias
• Influências socioambientais
• Terapêuticas
• Alterações esperadas
• Prognósticos
• Crises Vitais
Comportamento é variável.....SEMPRE!
Em função de:
• Idade
Assim, para cada situação há uma
• Sexo avaliação distinta
• Escolarização Avaliação Escolar
Avaliação Laboral
Avaliação Compulsória
Plano
Desenvolvimental Avaliação Clínica
Instrumentais
Técnicas
Instrumentos
Métodos
Avaliação do fenômeno psicológico
Comportamento
Dimensão
Observacional
.
Ações
diretamente
observáveis
Dimensão
Inquiridora
Dimensão
Ações auto-
Representativa
. .
avaliadas pelo
Ações cliente
representadas
por meio de
situações
semelhantes
12
Observação
Vantagens e desvantagens
• 1- Percepção real do • 1-Treinamento para evitar
fenômeno enganos
• 2- Acompanhamento direto e • 2- Conhecimento dos
real dos eventos aspectos fundamentais do
• 3- Possibilidade de agregar fenômeno psicológico
novas informações ao evento • 3- Necessita de constante
investimento temporal e
descritivo
Observação
• Estudar, examinar, olhar com atenção, pesquisar minuciosamente
• Método mais aberto de avaliação psicológica
• Primeiro instrumento
• Treino é fundamental
• Gera muitas informações
• Usada em vários ambientes
• Não pode ser substituída
• Compreender a complexidade dos ambientes psicossociais
• Mais adequado a análise de comportamentos espontâneos e à
percepção de atitudes não verbais
Observação
• Direciona a entrevista
• Entrevista <=> Observação
• Deve ter um objetivo
• Controlada e sistemática.
• Planejamento cuidadoso do trabalho
• Preparação rigorosa do observador
• Dificuldades
• eficiência da observação baseada na capacidade de recolher dados
significativos em um curto espaço de tempo.
• conclusões precipitadas
Observação
• Observação comportamental
• Monitoração de ação
• Usada como auxílio diagnóstico
• Observação Naturalista
• ambiente natural
• Mais prático em pesquisa
• Observar situações reais
• Acesso a ricas informações contextuais
• Falta de controle experimental
• Possível influência no comportamento naturalista devido
à presença do observador
Observação
• Testes de dramatização
• Encenação de um papel improvisado em um situação simulada.
• Dirigidos a agir como se estivessem em determinada situação.
• Avaliação de acordo com comportamento e pensamento expressado
Exame do estado mental
• Atenção: concentração do psiquismo frente a determinado estímulo
• Senso percepção: receber um estímulo e transformá-lo em uma
imagem
• Consciência: Estado de clareza psíquica
• Orientação: situar-se em relação a si mesmo e ao ambiente
• Memória: fixar, conservar, evocar e reconhecer um estímulo
• Pensamento: elaborar, associar e criticar ideias. Aptidão de elaborar
conceitos, articulá-los em juízos e construir raciocínios de modo a
solucionar problemas
• Linguagem: Sinais convencionados utilizados para se expressar;
• Afetividade: experimentar sentimentos e emoções;
Exame do estado mental
• Conduta: Tendência psicomotora da atividade psíquica.
• Aparência geral
• Higiene
• cuidados corporais e vestimenta
• aspecto físico e de saúde
• modo de comportar-se
• Setting físico ideal: confortável tanto para o paciente como para o
terapeuta.
• Evitar interrupções
Entrevistas
Vantagens e desvantagens
• 1- Descrição real do • 1- Possibilidade de erros de
fenômeno auto-percebido descrição, avaliação e
• 2- Encadeamento intencionais
multidimensional (evento, • 2- Equívocos, falhas, lapsos e
tempo, percepção) do falta de coerência do narrador
narrador • 3- Perda da objetividade
• 3- Possibilidade de ampliar e descritiva, ausência de
descrever o fenômeno condução lógica e descrições
resignificado sem-fim do fenômeno
Entrevista
Método de obter informações por intermédio da comunicação
direta envolvendo troca recíproca.
Estruturadas
Roteiro muito preciso
Colher dados específicos que permitam gerar hipóteses
Semiestruturada
Roteiro mais ou menos preciso
Informais
Sem roteiro preestabelecido
Vantagens
Desvantagens
Que tipo deve ser usado?
Entrevista quanto ao contexto: Clínica
• Entrevista no contexto clínico
• O que se deve investigar?
• Dados de identificação e socioculturais
• História familiar e escolar
• História e dados profissionais
• História e indicadores de saúde/doença
• Aspectos da conduta social
• Visão e valores associados a temática investigada
• Características pessoais
• Expectativas de futuro
Entrevista quanto ao contexto:
Tomada de Dados
• Informações preliminares sobre um paciente em determinada
instituição.
• Clarificar a natureza dos serviços da instituição
• Clarificar a natureza do tratamento
• Comunicar as regras, regulamentos e política da instituição
• Determinar o tipo de tratamento e o terapeuta mais indicado
Entrevista quanto ao contexto:
História de Caso
• Rever a natureza dos conflitos em sequência histórica
• Foco nos períodos críticos, antecedentes e desencadeantes
• Uma das mais ricas fontes de informação
• Pode também ser obtidas através da família ou de amigos
Entrevista quanto ao contexto:
Desligamento
• Conhecer o ponto de vista do paciente
• Examinar os planos para pós-alta ou trabalhar qualquer
problema não resolvido
Técnicas de entrevista
Questionamento
• Técnica mais frequente
• Questionamento direto ou indireto
• Ex. Paciente: Eu sempre tinha problemas na escola
• Terapeuta: Que tipo de problemas?
Reflexão
• reproduzir o material do paciente, mostrando-lhe que seus
sentimentos foram compreendidos
• Ex: Paciente: Estrago tudo de bom que me acontece
• Terapeuta: Parece que sua dificuldade em lidar com as
situações te deixa frustrado
Técnicas de entrevista
Reexposição
• Coloca em outras palavras, de maneira mais clara e mais articulada
• Faz com que o paciente saiba que o terapeuta está prestando
atenção.
• Ex. Paciente: Muitas ideias passam pela minha cabeça ao mesmo tempo e não
consigo decidir.
• Terapeuta: Você tem dificuldade de tomar decisão porque tem muitas opções.
Clarificação
• Utilização de alguma das outras técnicas, mas seu propósito é
auxiliar o paciente a compreender o que é dito.
• Ex. Paciente: Meu namorado nunca me atende quando ligo, sinto como se nunca
me desse atenção.
• Terapeuta: O que isso diz do relacionamento de vocês?
Técnicas de entrevista
Confrontação
• Discrepâncias entre o que é observado e o que é falado
• Aumenta a ansiedade e desencadeia a negação e a evitação
• Pode ser construtiva ou destrutiva.
• Ex: Paciente: Eu como pouco, não sei porquê engordo.
• Terapeuta: Vamos ser realistas! Você come pouco muitas comidas
calóricas e várias vezes ao dia. Isso tem contribuído para seu ganho
de peso.
Autorrevelação
• Transmite ao paciente suas experiências pessoais ou sentimentos.
• Ex: Paciente: As pessoas não entendem como é não ser boa em esportes. Eu sou
uma derrota.
• Terapeuta: Eu também não era muito boa em esportes na sua idade. Você pode se
sair bem na vida apesar disso, você não é uma derrota.
Técnicas de entrevista
Exploração
• O terapeuta investiga áreas da vida do paciente que requerem um exame
mais profundo.
• Ex: Paciente: Eu tive uma recaída semana passada.
• Terapeuta: Que tipo de recaída? O que você usou? O que
aconteceu que fez você ter vontade de usar drogas de novo?
Silêncio
• Proporciona ao paciente oportunidade de processar e compreender o
que foi dito
• Facilitar a introspecção ou permitir ao paciente reassimilar suas
emoções depois deliberá-las.
• Ex: Paciente: Eu tenho tanta raiva que fico com vontade de deixar o
emprego
• Terapeuta: Silêncio
Representativa
Vantagens e desvantagens
• 1- Percepção equivalente do • 1-Não possibilita
fenômeno psicológico generalização direta
• 2- Verificação de diversas
modalidades psicológicas do • 2- Imprecisão quanto ao
comportamento fenômeno
• 3- Possibilidade de agregar • 3- Necessita de constante
novas informações ao evento investimento temporal e
• 4- Ganho de tempo e recursos descritivo
na verificação do
comportamento • 4- Não pode ser definido
como o comportamento final
Definição de Termos e Conceitos
Elaboração de Hipóteses Operacionais da Medida
Elaboração dos Itens
Ensaio Experimental
Análise dos Itens: dificuldade; discriminação; intercorrelações
Etapas de Composição de Forma Final
Construção
do Teste
de um VALIDADE PRECISÃO
Teste
Validade Lógica Validade Empírica Aporte Metodológico:
•Teste-Reteste
•Paralelas
•Duas Metades
Preditiva Concorrente
Homogeneidade:
Conteúdo Conceito •
•KR
Construção Análise Fatorial
Padronização
Percentil
Material Aplicação Normas Idade
30
Escores Padrão
Classes Normalizadas
Amostra
Quantidade Variabilidade Decisão
Variada
Atende critérios
demográficos? Representativa
Amostra (n) é
importante
Especifica
ESCOLHA DE TESTES PSICOLÓGICOS
1 -Aspectos definidores da avaliação (indicação com base nos
fundamentos teóricos)
• Você entende o construto teórico que o teste supõe medir?
• Os itens do teste correspondem com a descrição teórica do
construto?
• É o melhor instrumento (técnica) a utilizar?
• Quais suas limitações?
(Baseado em Groth-Marnat, 1999) 32
2 - Indicadores dimensionais (considerações práticas)
• Se é necessário que o examinando saiba ler e escrever para responder ao teste
o examinando tem o nível requerido?
• O tamanho do teste é apropriado?
• O tempo de aplicação, correção interpretação é conveniente as necessidades?
33
3 - Definições técnicas e operacionais (instrumentos)
• Padronização
• A pessoa a ser examinada possui características semelhantes às pessoas do grupo de padronização do teste?
• O tamanho do grupo de padronização é suficiente?
• Há normas para grupos especificios?
• As instruções estão suficientemente claras permitindo que a aplicação padronizada seja efetivada
• Precisão
• Os coeficientes são altos? (maiores que 0,70, para decisões clínicas 0,90)
• Quais foram os métodos usados?
• Validade
• Como o teste foi validado?
• O teste produzirá medidas corretas dentro contexto e para o propósito quer você gostaria de usá-lo?
34
4 - Ações posteriores ao processo de avaliação
• Os resultados são compatíveis a solicitação do processo?
• Quais as principais abrangências e limitações do uso do instrumento?
• Em uma re-avaliação é possível utilizar instrumentos semelhantes na medida
efetuada?
• Pode ser dimensionada a medida em um acompanhamento posterior?
35
Processo
Demanda
Enquadre
Resultados
Estruturação dos atendimentos em avaliação psicológica depende
diretamente de dois aspectos:
• Objetivos
• Processo
Atendimento
Enquadre
• Instrumental
• Estrutura física e de apoio
• Procedimental
Procedimentos
• Numero de sessões
• Horários
• Papel de cada um envolvido
• Limites e abrangências do trabalho
• As atividades realizadas
Enquadre (Setting, ambiente, tempo, papéis)
Consultório
Instituições
Situações emergenciais
Definição papéis
• Aos pais
• A criança
• Demais familiares
• Outras pessoas (professores, amigos etc)
Como Trabalhamos
Sessões
• Estabelecer numero fixo ou não?
• Tempo das sessões
• Espaçamento delas
Condução
Horário marcado e agendado! Ver emergências
Trocas substituições
Pagamentos (valor e forma)
O que faremos!
• Contrato. Escrito? Verbal? Cód. Consumidor
• Explicitar função trabalho e resultados.
• Atendimentos. Sigilo
• Encaminhamentos e orientações terapêuticas.
Responsáveis
• Manterão o atendimento (cumprindo horário e sessões, atendimento das
orientações psicológicas, fornecimento de informações)
• Pagamento dos Honorários
Crianças
• Participação nas sessões e nas atividades,
• Colaboração (vinculo terapêutico)
Situações de emergência
• Avaliar necessidade de atendimento
• Abrir horário na agenda
• Contextualizar a emergência no enquadre se possível!
• Avaliar consequências no atendimento
• Reestabelecer processo original, se possível.
Organização e descrição de
aspectos de Personalidade
Observações importantes
• Ênfase no objetivo da avaliação
• Caso possível, descrição por parte do interessado no encaminhamento da avaliação, se não, use roteiro anexo
• Identificação e características de personalidade é expressiva pela idade e escolarização principalmente
• Quanto mais elementos menos enviesada a descrição
• A diversidade de perspectivas instrumentais caracteriza mais variabilidade, menor erro de verificação
• Comportamento é melhor indicação de elementos definidores mais estáveis sobre entendimento de conduta
• Avaliação é conduzida por um profissional não por instrumento!
Características de personalidade
Condições Cognitivas e
Intelectuais Descrição
• Variáveis: • Evidencia indicativos de
• Escolaridade compatibilidade cognitivo
• Linguagem intelectual de acordo ao esperado
para sua idade e escolaridade.
• Histórico escolar
• Atividades profissionais
• Teste inteligência N Verbal (triagem)
Características de personalidade
Flexibilidade e adaptabilidade
nas atividades Descrição
• Variáveis: • Demonstra elementos de
• Histórico de vida (diversas áreas e criatividade, flexibilidade cognitiva
contextos)
para superar dificuldades do
• Atividades profissionais
cotidiano e elaborar atividades de
• Teste inteligência N Verbal (triagem)
acordo com as solicitações.
• Instrumentos neuropsicológicos
• Técnicas projetivas
Características de personalidade
Relacionamento Interpessoal e
grupal Descrição
• Variáveis: • Demonstra características compatíveis
de relacionamento interpessoal
• Histórico de vida (diversas áreas e baseado na percepção e compreensão
contextos) afetiva e uso desta como motivador na
manutenção de vínculos sociais. As
• Atividades profissionais vicissitudes do processo relacional
• Linguagem podem ser adequadamente exploradas
e manejadas sem incremento de
• Testes e técnicas projetivas tensões desnecessárias.
Características de personalidade
Controle de impulsos e reações
e emocionais Descrição
• Variáveis: • Evidenciam-se características
• Histórico de vida (diversas áreas e compatíveis a adoção de
contextos) comportamentos e atitudes
• Linguagem satisfatórias para manutenção de
• Testes objetivos personalidade satisfação e bem estar.
• Testes e técnicas projetivas
Características de personalidade
Motivação, autocrítica e • Demonstra elementos indicadores de
aprendizado Descrição
expressão motivacional adequada e
• Variáveis: compatíveis ao seu nível sociocultural,
• Histórico de vida (diversas áreas e contextos) com uso de autocrítica e aprendizado
• Histórico escolar de situações e experiencias anteriores.
• Linguagem
• Atividades profissionais
• Testes Objetivos de personalidade
• Testes e técnicas projetivas
AVALIAÇÕES COMPULSÓRIAS
• Caráter de determinação legal
• Definições técnicas mutáveis e inflexíveis
• Escassa produção técnico cientifica
Avaliação Psicológica no contexto CNH
• Inicio 1940
• Diversas alterações
• Alta frequência de realizações N??
• Resolução
• Escassas ações jurídicas e de problemática relatada
Avaliação em Saúde
Atualmente
• Bariátrica • Transexualização
• Res. • Rs.
Manuseio de Armas
• Resolução
Elaboração de laudos e pareceres no contexto
forense
• Princípios norteadores
• Técnicos da linguagem escrita
• Éticos
• Técnicos
Relatório / laudo psicológico
CONCEITO E FINALIDADE
O relatório ou laudo psicológico é uma apresentação descritiva acerca de
situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas,
sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de avaliação
psicológica. A finalidade do relatório psicológico será a de apresentar os
procedimentos e conclusões gerados pelo processo da avaliação psicológica
(CFP, 2003);
Todo relatório redigido posteriormente a uma perícia e exige
sempre consulta a tratados e obras especializadas sobre o tema em
questão (Skaf, 1997).
Elaboração de laudos e pareceres no contexto
forense
• Técnicos da linguagem escrita
• Redação estruturada, expressando o que quer comunicar;
• Estrutura do texto, composição de parágrafos e correção gramatical;
• Linguagem profissional, com precisão da comunicação, evitar
linguagem popular;
• Comunicação com clareza, concisão (lacônico X prolixo) e harmonia.
Elaboração de laudos e pareceres no contexto
forense
• Éticos
• Observar Código de Ética Profissional dos Psicólogos
✓Relações com a pessoa atendida
✓Sigilo
✓Relações com a justiça
✓Alcance das informações
• Manter o compromisso social da Psicologia: evitar todo tipo de
segregação e modos de dominação.
Elaboração de laudos e pareceres no contexto
forense
• Técnicos
• considerar a natureza dinâmica, não definitiva e não
cristalizada do seu objeto de estudo;
• os instrumentais técnicos devem obedecer a condições
mínimas requeridas de qualidade e de uso e devendo ser
adequados ao que se propõem a investigar;
• a linguagem deve-se restringir pontualmente às
informações que se fizerem necessárias;
• deve-se rubricar as laudas, desde a primeira até a
penúltima, considerando que a última estará assinada.
Cuidados na escrita
• Não emitir juízo de valor
• “bom temperamento”
• Expressões dogmáticas
• “...acreditamos em seu pleno restabelecimento”
• Incorreções teóricas e técnicas
• “falta maturidade”
Cuidados nas inferências
• Detalhar níveis de confiança
• Fundamentar inferências
Inferências ...
• A partir das observações ou indicadores se elaboram as inferências para
interpretar os conteúdos dos instrumentos. É um nexo entre as respostas do
teste e as hipóteses do profissional de acordo com uma categoria mais ampla de
conceitos.
• Níveis de Inferência:
1. Mínimo nível de inferência com contribuição dos dados apontados pelo sujeito,
familiares e outras pessoas para interpretação do observado.
2. A informação conseguida por meio dos dados manifestos se generaliza em
categorias descritivas mais amplas.
3. O comportamento manifesto se interpreta como expressão de um traço
intrapsíquico do sujeito.
4. Os dados do comportamento se integram e organizam em torno de uma teoria
da personalidade. Constrói-se uma hipótese teórica difícil de contrastar
empiricamente.
Laudo: síntese das sugestões
• CFP • Sugestões
• Identificação • Identificação
• Descrição da demanda
• Descrição da • Procedimentos
demanda
• Análise ou Apresentação dos dados:
• Histórico ou anamnese
• Procedimento
• Descrição de conduta
• Dados de testagem
• Análise
• Discussão
• Conclusão • Conclusão
• Resposta aos quesitos
Elaboração de laudos e pareceres no contexto
forense
• Estrutura dos documentos:
O perigo da busca de um padrão único, tipo “modelo”.
O uso de um padrão rígido demonstra:
- atitudes defensivas
- postura dogmática e mecanicista
(Bircz Minian, 2001)
Críticas mais comuns (Grow-Marnat, 2003)
✓Sobre as inferências realizadas a partir dos dados brutos
Cuidados:
• Descrever níveis de confiança das predições
Estar preparado:
• Para ser questionado – com quesitos complementares ou para depor em audiência
• É uma visão técnica do problema e não “a verdade dos fatos”
• Lembrar sempre do “princípio constitucional do contraditório”
Introdução
Processos avaliativos compulsórios:
Toda e qualquer situação onde a avaliação psicológica é determinada com base em um
resultado de indicação/não indicação – aprovado/não aprovado – apto/inapto, e
amparada em por determinações legais (certames públicos, avaliações para permissões
etc)
Não permitem explicações dos resultados nem tampouco esclarecimentos.
Possuem somente a possibilidade de resposta definida a priori e finaliza o processo.
Confusão conceitual: Avaliação Psicológica, Testagem, Psicotécnico, Psicodiagnóstico
Concursos
• Avaliação baseada em perfil profissiográfico (Decreto nº 6.944/09; Decreto Nº 7.308/10; CFP nº
011/1997; CFP N.º 01/2002; CFP 007/2009;
• Na jurisprudência do STJ e do STF continua sendo eliminatório, desde que:
• a) houver lei em sentido material que expressamente o autorize;
• b) previsão no edital do certame;
• c)grau mínimo de objetividade e de publicidade dos critérios que nortearão a avaliação
psicotécnica;
• d) possibilidade de recurso.
• Atentar o Edital do Certame
• Definição do que, como e o resultado são pontos importantes nos questionamentos judiciais.
• Informes precisam apresentar igualdade dos dados constantes no Edital
Informes de concursos
• Identificação (nome ....cargo)
• Instrumentos empregados
• Resultados
• Conclusão
Permissão CNH
• Origem
• Histórico
• Processo
• RESOLUÇÃO Nº 425/12
• É avaliação ou medida psicológica?
Legislação
• Lei n. 9.503, de 23 de setembro de 1997 (1997). Dispõe sobre o código de trânsito brasileiro. Acessado em 05 de setembro de 2012 pelo
link [Link]
• Resolução CFP 012, de 20 de dezembro de 2000 (2000). Dispõe sobre o Manual para avaliação psicológica de candidatos à Carteira Nacional de Habilitação e
condutores de veículos automotores. Acessado em 05 de setembro de 2012 pelo link[Link] .
• Resolução CFP 007, de 04 de agosto de 2009 (2009). Dispõe sobre normas e procedimentos para a avaliação psicológica no contexto do trânsito. Acessado em 05 de
setembro de 2012 pelo link[Link] .
• Resolução CFP 009, de 19 de maio de 2011 (2011). Dispõe sobre alteração do anexo II da Resolução CFP 07/2009. Acessado em 05 de setembro de 2012 pelo
link [Link] .
• Resolução CONTRAN 51, de 21 de maio de 1998 (1998). Dispõe sobre os exames de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica. Acessado em 05 de
setembro de 2012 pelo link[Link] .
• Resolução CONTRAN 80, de 19 de novembro de 1998 (1998). Dispõe sobre os exames de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica. Acessado em 05
de setembro de 2012 pelo link[Link] .
• Resolução CONTRAN 267, de 15 de fevereiro de 2008 (2008). Dispõe sobre os exames de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica. Acessado em 05
de setembro de 2012 pelo link[Link] .
O que se avalia!
• Art. 5º Na avaliação psicológica deverão ser aferidos, por métodos e técnicas
psicológicas, os seguintes processos psíquicos (Anexo XIII): I - tomada de
informação; II - processamento de informação; III - tomada de decisão; IV -
comportamento; V – auto avaliação do comportamento; VI - traços de
personalidade.
Características dos informes
• Definidos parcialmente por formulários específicos por Estado da Federação
• Baseados nos resultados dos testes administrados
• Baixa expressão de estilo pelo profissional (quase check list)
• Realizados em grandes quantidades e variáveis por local
• Devido as características do processo administrativo (9 instâncias recursais!!)
pouco questionado judicialmente
Manuseio de Arma
• Origem
• Resolução PF
• Condições
• Processo
Cirurgias
• Bariátrica Portaria 360 editada pelo SUS em 06/07/2005, e a Resolução CFM
1942/2010
• é função do psicólogo investigar, orientar e preparar o paciente para:
1) Compreender intelectualmente e psicologicamente todos os aspectos envolvidos
no pré, trans e pós-operatório, bem como viabilizar suporte familiar constante;
2) Comprometer-se a seguir todas as orientações clínicas e psicológicas, as quais
devem ser mantidas indefinidamente;
3) Verificar a ausência de distúrbios psicológicos graves, história recente de tentativa
de suicídio, alcoolismo, dependência química.
Transgenitalização
• PORTARIA Nº 457, DE 19 DE AGOSTO DE 2008 - Aprova, na forma dos Anexos desta Portaria, a Regulamentação do Processo Transexualizador no âmbito do
SUS
• Avaliação que consiste em: anamnese, aferição dos critérios mínimos de definição de transexualismo, conforme estabelecido na Resolução CFM nº 1.652/2002, hipótese
diagnóstica e apropriada conduta propedêutica e terapêutica; avaliação psicológica e psiquiátrica;
• Portaria nº 1.707, de 18 de agosto de 2008 - Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Processo Transexualizador, a ser implantado nas unidades
federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão
•
• Intervenções médico-cirúrgicas devem atender aos critérios estipulados pela Resolução Nº 1.652/2002 do CFM, que determinam o prazo mínimo de dois anos de
acompanhamento terapêutico como condição para a viabilização de cirurgia, bem como a maioridade e o diagnóstico de transexualismo.
• Transcorridos os dois anos de acompanhamento terapêutico, caso o usuário seja diagnosticado transexual está apto a se submeter à cirurgia de transgenitalização, o que
não significa que deva necessariamente se submeter a este recurso terapêutico.
• A cirurgia de transgenitalização deve ser concebida como um dentre outros recursos terapêuticos dos quais dispõe o indivíduo transexual em seu processo
transexualizador. A escolha pela intervenção na genitália deve ser alcançada pelo usuário através do processo psicoterapêutico e social, requerendo:
• - Conhecimento acerca dos aspectos cirúrgicos; - Conhecimento dos resultados cirúrgicos em suas dimensões estética e funcional; - Consideração crítica das
expectativas que acompanham a demanda de transgenitalização; - Consideração crítica das consequências estéticas e funcionais da intervenção cirúrgica experiência
pessoal e relacional do indivíduo transexual; - Consideração crítica de outras alternativas necessárias para a melhoria da qualidade de vida, sobretudo no que se refere às
relações sociais.
Processo de Adoção
• Origem ECA 1990
• Resolução
• Processo
• IDENTIFICAÇÃO
• .Autor: xxxx
• INTERESSADO : MEDICO xxxx
• ASSUNTO: AVALIAR A PACIENTE ANGELA xxxx
• 3. PROCEDIMENTO: QUATRO ENTREVISTA E O TESTE DE RORSCHACH
• 4. ANALISE
• Data do exame: 10.09.1900
• O paciente e divorciada, mora coma mãe doente e possui duas irmãs. Na infância relata que o pai era
alcoólico e presenciou muitas brigas com a mãe. Na adolescência os pais melhoraram financeiramente
e foram morar no wwwwww, estudou em escola de freira , concluiu o ensino médio, casou e
atualmente esta separada, não possui filhos. Durante as entrevista Ângela se portou tranquilamente e
muito triste o que aconteceu com ela , relata que irmã a persegue, obrigando á tomar medicamentos
controlado e internamentos, diz que as pessoas são manipuladas e ¨comprada¨por esta irmã, isto
aconteceu após esta saber da conta bancária. Se encontra aposentada pelo INSS.
RELATÓRIO PSICOLÓGICO:
Identificação:
Nome: A
Data de Nascimento: 26/10/2000.
Escolaridade: II ano do Ensino Fundamental.
Idade: 7 anos.
Responsáveis: Genitores (Te C).
Período de atendimento: 20 de julho até o presente atual.
Descrição da demanda:
Paciente encaminhado pelo Endrocrinologista para Psicoterapia devido sobrepeso.
Impressão geral transmitida:
A é uma criança de cabelos escuros, moreno claro, que usa óculos, apresenta excesso de peso e de
saliva (que escorre durante os atendimentos), chega as sessões com o cuidado de higiene esperado.
Procedimentos:
Durante o período de atendimento ocorreram 23 encontros, em que foram realizadas entrevista de
anamnese com genitor, avó materna e avó paterna; técnica de observação; técnica ludodiagnóstica;
sessões de psicoterapia individual.
Análise:
Segundo dados da anamnese, o paciente estava apresentando nervosismo e medo. Além disso, estava
ficando isolado, trancado e falava muito em morte e violência. Repetiu o primeiro ano do ensino médio por
dificuldade em se alfabetizar.
O foco do processo psicoterapêutico se deu nos medos e ansiedades do paciente e em sua socialização.
Há cerca de três meses o paciente passou a residir com o genitor, antes disso, residia com os avôs
maternos.
Observou-se que as atividades realizadas durante a sessão demandam conteúdos de características
violentas. Paciente costumava apresentar um discurso confuso (passava rapidamente de um assunto para outro
e às vezes era difícil compreender o que ele estava
querendo dizer). Mostrou dificuldade em montar quebra-cabeças (mesmo que a idade indicada para
jogar o quebra-cabeça fosse inferior que a sua) e em compreender o objetivo de alguns jogos.
Atualmente, A já não fala mais tanto em morte e violência; apresenta um discurso mais coerente
e compreensível; e está mais acessível em suas relações sociais.
Conclusão:
Necessita continuação do processo psicoterapêutico.
Resolução 002/2003
• O SATEPSI – Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos foi instituído pela
Res. 002/2003, e encontra-se disponível na página do CFP.
• Este serviço oferece informações atualizadas sobre:
• as etapas de cada teste psicológico em análise;
• a relação de testes aprovados, com inclusão e/ou exclusão de instrumentos
em função do cumprimento ou não do que dispõe esta Resolução;
Documentos Avaliação Psicológica
• Resolução CFP nº 2/2003;
• Resolução CFP nº 1/2002 e Leis Federais
• Resolução CFP nº 7/2003;
• Resolução CFP n° 3/2007;
• Resolução CFP nº 18/2008 e Portaria da PF
• Resolução CFP nº 7/2009;
• Resolução CFP nº 11/2012.
• Código de Ética
• Nota Técnica Avaliação Psicológica para Pessoas com Deficiência.
Referências
Fernández-Ballesteros, R. [org.](2003). Reports (General). In: Encyclopedia of Psychological
Assessment, Volume 2, SAGE Publications.
Apresentação do Capítulo 9 do livro: “Psychological Assessment and Report Writing” de
Karen Goldfinger & Andrew M. Pomerantz.
Tallent, N. (1998). Psychological Report Writing. New Jersey: Printice-Hall.
Goldfinger & Pomerantz. Form and Content of the Assessment Report. Phychological
Assessment and Report Writing. Sage Publications, California, USA: 2010.
*[Link]
olucao2001_25.pdf
Essentials of Assessmente Report Writing (II series) Autores: Elizabeth O. Lichtenberger,
Nancy Mather, Nadeen L. Kaufman, Alan S. Kaufman Editora: Wiley, 2004
Pinto, I. T. (2007). El informe pericial, su contenido y los aspectos formales. In: Pinto, I. T.,
Perícia Psicológica (pp. 219-231). Buenos Aires, Argentina: La Rocca.