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Análise do Poema "Ser Mulher" de Gilka Machado

O texto apresenta um fragmento de um conto de Rubem Braga que descreve o padeiro contando como aprendeu a dizer que "não é ninguém" quando entregava pão nas casas. A conjunção "mas" contrasta a aparência de velho do personagem com sua agilidade e postura, indicando que ainda tinha vigor de juventude. A conjunção "e" introduz um novo detalhe relevante sobre os olhos do personagem, que transmitiam sabedoria de diferentes idades ao mesmo tempo. As conjunções são importantes na estruturação e sentido do

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Análise do Poema "Ser Mulher" de Gilka Machado

O texto apresenta um fragmento de um conto de Rubem Braga que descreve o padeiro contando como aprendeu a dizer que "não é ninguém" quando entregava pão nas casas. A conjunção "mas" contrasta a aparência de velho do personagem com sua agilidade e postura, indicando que ainda tinha vigor de juventude. A conjunção "e" introduz um novo detalhe relevante sobre os olhos do personagem, que transmitiam sabedoria de diferentes idades ao mesmo tempo. As conjunções são importantes na estruturação e sentido do

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Português

Exercícios sobre Pronomes (Indefinidos e Relativos)

Exercícios

1. (UFRJ) O Padeiro (fragmento)


(Rubem Braga)
Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando
de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento
ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
- Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
“Então você não é ninguém?”
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater
a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma
voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro:
“não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.
(In: “Ai de ti, Copacabana.” 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, pp. 44,45)

a) Que sentido assume o pronome indefinido NINGUÉM no texto acima?


b) Quando esse pronome indefinido é usado na função sintática de sujeito, a dupla negação pode ou
não ocorrer. Justifique essa afirmativa, exemplificando-a.

2. (UFES) Frequentemente, nas redações escolares, usa-se inadequadamente onde em lugar de em que.
Considere os fragmentos de redações escolares abaixo e assinale a alternativa que contém o emprego
adequado.
a) O Brasil é um país onde ainda se registra a existência de milhões de pessoas na condição de
iletrados.
b) Este milênio vem em boa hora, num momento onde todos os povos fortalecem sentimentos de
esperança por dias melhores.
c) Em nossos dias, é difícil ter um amor verdadeiro onde a pessoa possa apoiar-se e se dar bem na
vida.
d) A preservação do emprego tornou-se a maior preocupação do trabalhador neste início de século,
onde a baixa qualificação profissional aumenta a exclusão social.
e) A criança começa a frequentar a escola com seis ou sete anos. É uma idade maravilhosa onde ela
ainda está descobrindo a vida e necessita de uma orientação.

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Português

3. (Fatec) Complete com os pronomes relativos, adaptando-o conforme à regência.


I. O século ................................. vivemos tem trazido grandes transformações ao planeta.
II. O ministro reafirma a informação ....................... o presidente se referiu em seu último
pronunciamento.
III. Todos lamentavam a morte do editor ...... publicou obras importantes do Modernismo.

a) onde - a que – que


b) onde - a que – cujo
c) em que - que - o cujo
d) em que - a que – que
e) em que - de que – o qual

4. (Cesgranrio) Assinale a opção em que a indicação entre parênteses completa corretamente a lacuna
das frases de acordo com as recomendações da norma culta.
a) Muitas foram as transformações ______ passou a medicina nas últimas décadas. (porque)
b) Quase ninguém sabia ______ os prêmios seriam guardados. (aonde)
c) Deixaram a maior parte da tarefa para _____ fazer sozinho. (mim)
d) Apresentaram-me aquele diretor antipático ______ eu não estava disposto a conversar. (que)
e) Choveu muito na tarde ______ meus pais retornaram ao Brasil. (em que)

5. (Fuvest) Conheci que (1) Madalena era boa em demasia... A culpa foi desta vida agreste que (2) me deu
uma alma agreste. Procuro recordar o que (3) dizíamos. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma
que (4) piava há dois anos? Esqueço que (5) eles me deixaram e que (6) esta casa está quase deserta.
Nas frases acima o que aparece seis vezes; em três delas é pronome relativo. Quais?
a) 1, 2 e 4
b) 2, 4 e 6.
c) 3, 4 e 5.
d) 2, 3 e 4.
e) 2, 3 e 5.

6. (UEPG) “Toda pessoa deve responder pelos compromissos assumidos.” A palavra destacada é:
a) pronome adjetivo indefinido
b) pronome substantivo indefinido
c) pronome adjetivo demonstrativo
d) pronome substantivo demonstrativo
e) nenhuma das alternativas acima é correta

7. (UFMA) Identifique a oração em que a palavra "certo" é pronome indefinido:


a) Certo perdeste o juízo.
b) Certo rapaz te procurou.
c) Escolheste o rapaz certo.
d) Marque o conceito certo.
e) Não deixe o certo pelo errado.

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Português

Gabarito

1.
a) O pronome indefinido “ninguém” significa pessoa sem importância.
b) Se o pronome (sujeito) é vem antes do verbo, não ocorre a dupla negação: “Ninguém veio”. Se, no
entanto, ele estiver posposto ao verbo, a dupla negação ocorre: “Não veio ninguém”.

2. A
Apenas na letra A, “onde” está fazendo referência a um lugar físico: Brasil, que é um país.

3. D
Não podemos utilizar “onde” para se referir a século; o verbo “referir” rege a preposição “a”. Dessa forma,
o gabarito é letra D.

4. E
a) O certo seria “por que” ou “pelas quais”;
b) o certo seria “onde” já que o verbo não rege preposição “a”;
c) o certo seria “pra eu fazer sozinho”;
d) o certo seria “com quem” por conta da regência do verbo “conversar”

5. D
Em 1, o “que” inicia uma oração subordinada substantiva, sendo, portanto, conjunção integrante. Em 5 e
6, o “que” também é conjunção integrante.

6. A
O pronome adjetivo indefinido é aquele que qualifica um ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção
de quantidade aproximada. Enquanto o substantivo assume o lugar do ser ou da quantidade aproximada
de seres na frase. Como o pronome “toda” está acompanhando (e não substituindo) a palavra “pessoa”
dando uma ideia de quantidade, é classificado como pronome indefinido adjetivo.

7. B
Na letra a, “certo” é substantivo; na letra c, a palavra “certo” é adjetivo; na letra d, também é adjetivo, na
letra e, “certo” é substantivo.

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Português

Exercícios sobre Conjunção (Papéis Argumentativos e Polissemia)

Exercícios

1. (UFRJ) Na verdade, à primeira vista, seu aspecto era de um velho como tantos outros, de idade
indefinida, rugas, cabelos brancos, uma barba que lhe dará um vago ar de sabedoria e respeitabilidade.
Mas uma certa agilidade e o porte ereto darão a impressão de que, apesar da aparência de velho, o
viajante guardará o vigor da juventude. E os olhos... ah, o brilho dos olhos será absolutamente sem
idade, um brilho deslumbrado como o de um bebê, curioso como o de um menino, desafiador como o
de um jovem, sábio como o de um homem maduro, maroto como o de um velhinho bem-humorado que
conseguisse somar tudo isso.
(MACHADO, Ana Maria. O CANTO DA PRAÇA. Rio de Janeiro: Salamandra, 1986.)

As conjunções "mas" e "e”, que iniciam o segundo e o terceiro períodos, são especialmente importantes
na ESTRUTURAÇÃO e no SENTIDO DO TEXTO. Explique por quê.

1
Português

2. (Fatec) Observe o texto publicitário a seguir reproduzido, que explora de forma criativa o uso da
conjunção.

Assinale a afirmação correta a respeito dos procedimentos linguísticos encontrados em "Viver ou


Sonhar?" e "Viver e Sonhar.".
a) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa aditiva e conjunção coordenativa alternativa,
pois, quando se joga com o sentido das frases, opondo-se as ações umas às outras, as conjunções
podem assumir valores e significados diferentes ou até mesmo opostos.
b) A primeira frase traz uma conjunção coordenativa alternativa com valor aditivo, e a segunda frase,
uma conjunção coordenativa aditiva com valor adversativo. Isto se dá devido à intenção do autor
de fazer um jogo de palavras muito em uso na linguagem publicitária.
c) Vê-se que a conjunção coordenativa, presente em ambos os casos, apesar de adquirir
significativos diferentes, não altera o sentido das frases, já que liga elementos independentes,
estabelecendo relações de alternância, no primeiro caso, e de igualdade ou alternância, no
segundo caso.
d) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa alternativa e conjunção coordenativa aditiva. A
mudança de sentido obtida com a troca das conjunções está na escolha a ser feita: a primeira
implica exclusão de ações, o que leva à indecisão, enquanto a segunda expressa a soma de uma
ação à outra, resultando disso um modo mais completo de vida.
e) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa alternativa e conjunção coordenativa aditiva. O
autor do texto publicitário, ao fazer um jogo, alternando as conjunções, tenta obter uma mudança
de sentido; porém, como podemos observar com uma leitura mais cuidadosa, nem toda troca de
conjunção caracteriza uma alternância de pensamento.

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Português

3. (Fatec)
Vou-me embora pra Pasárgada Mando chamar a mãe-d'água
Vou-me embora pra Pasárgada Pra me contar as histórias
Lá sou amigo do rei Que no tempo de eu menino
Lá tenho a mulher que eu quero Rosa vinha me contar
Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
Vou-me embora pra Pasárgada É outra civilização
Aqui eu não sou feliz Tem um processo seguro
Lá a existência é uma aventura De impedir a concepção
De tal modo inconsequente Tem telefone automático
Que Joana a Louca de Espanha Tem alcaloide à vontade
Rainha e falsa demente Tem prostitutas bonitas
Vem a ser contraparente Para a gente namorar
Da nora que nunca tive
E quando eu estiver mais triste
E como farei ginástica Mas triste de não ter jeito
Andarei de bicicleta Quando de noite me der
Montarei em burro brabo Vontade de me matar
Subirei no pau-de-sebo - Lá sou amigo do rei -
Tomarei banhos de mar! Terei a mulher que eu quero
E quando estiver cansado Na cama que escolherei
Deito na beira do rio Vou-me embora pra Pasárgada.
(Manuel Bandeira, Libertinagem)

“E quando eu estiver mais triste


Mas triste de não ter jeito”

Contrariando o emprego tradicional, a palavra “mas” não assume, no contexto acima, o papel de criar
contraste ou oposição entre os enunciados que liga; antes, cria um vínculo de sentido de intensificação
entre eles.
Assinale a alternativa em que se repete esse emprego de “mas”:
a) Se você gosta, mas gosta mesmo de comer, então você tem de conhecer Digeplus. (Texto de
anúncio publicitário)
b) Na mesa do escritório (...) a cadeira onde sentava era injustamente mais alta do que as duas
poltronas (...) reservadas aos seus interlocutores. Falava de cima, mas sabia ser suave, educado e
divertidamente inteligente. (ISTOÉ)
c) Nos próximos anos ele vai torcer o pé no futebol, machucar o joelho no pega-pega, vai cair de
bicicleta, da árvore... Mas tudo bem, ele já é um associado Trasmontano. (Texto de anúncio
publicitário)
d) Então Macunaíma foi pescar porque agora não tinha mais ninguém que pescasse pra ele não. Mas
cada peixe que tirava do anzol e jogava no paneiro, a sombra pulava do ombro, engo lia o peixe e
voltava pro poleiro outra vez. (Mário de Andrade)
e) Chegou a pegar o punhal que o índio lhe dera, mas compreendeu logo que não teria coragem de
meter aquela lâmina no peito e muito menos na barriga, onde estava a criança. (Veríssimo)

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Português

4. (ENEM – 2016) O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?
Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e
da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas
vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando
estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local
específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso,
o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse
mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós,
mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como
o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em [Link] Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho
“Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele
estabelece com a oração seguinte uma relação de
a) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de
vocalização dos ratos.
b) oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização
dos ratos.
c) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização
dos ratos.
d) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado
no cérebro.
e) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização
dos ratos.

5. (UFPel-RS) Leia este texto: “O esparadrapo X não gruda no machucado, portanto não dói na hora de
trocar; ainda que seja um pouco mais caro que os outros, é muito, muito melhor...”
a) Na primeira parte desse texto, há uma relação de causa-consequência. Essa relação está
evidenciada pelo uso do nexo conclusivo “portanto”. Escreva a primeira parte, evidenciando a
mesma relação (causa-consequência) através de um nexo de causa.
b) Escreva a 2ª parte do texto, substituindo o nexo de concessão “ainda que” por outro semelhante
(também concessivo).

4
Português

6. (Puc-CAMP) CONFORME estava prestes a viajar para o exterior, não foi escolhida para o papel, QUE era
a mais indicada para representar aquele tipo de personagem.
A frase anterior está mal estruturada pelo uso inadequado das palavras em destaque. Mantida intacta
a oração principal, alterações têm de ser feitas para que o texto adquira coerência. Nesse caso, as
palavras destacadas devem ser substituídas, respectivamente, por:
a) Assim que – ainda que
b) Pois – visto que
c) Enquanto – ou
d) Se – à medida que
e) Como – embora

7. (UPF-RS) Se bate-boca resolvesse o problema da seca, muitos nordestinos deixariam de morrer de


fome. Enquanto lideranças políticas, judiciárias, eclesiásticas e da oposição continuam se digladiando
pela imprensa, a fome e a miséria vão consumindo esperanças, estimulando saques e criando um
cenário de guerra no tórrido território nordestino, onde dez milhões de brasileiros são vítimas indefesas
do flagelo da seca. Desses, 2,3 milhões estão no Ceará.

No 1º período do texto, estabelece-se uma relação entre:


a) Um fato e sua causa
b) Um fato e sua consequência
c) Um fato e sua condição de realização
d) Um fato e sua finalidade
e) Um fato e seu modo de realização

5
Português

Gabarito

1. A conjunção “mas” traz a ideia de que, apesar da aparência de velho, o homem guardava em si o vigor da
mocidade, e na sequência, a conjunção “e” acrescenta o detalhe dos olhos que, por sua vivacidade,
tornam a idade do homem absolutamente indevassável.

2. D
A conjunção “ou” na primeira oração é alternativa, pois apresenta a ideia de exclusão de uma das
alternativas: viver ou sonhar, fazendo com que o leitor tenha que escolher uma das duas; já a conjunção
“e” é aditiva, isto é, apresenta valor inclusivo, de forma que o interlocutor possa harmonizar as duas
decisões.

3. A
Já na primeira alternativa, encontramos a palavra “mas” intensificando uma ideia, enfatizando a
repetição do termo que veio anteriormente. Em todas as demais alternativas, o “mas” funciona como
marcador de oposição.

4. C
Há uma relação de condição porque o rato apenas deixa de fazer a vocalização se o cientista provocar
um dano em um local específico do seu cérebro.

5.
a) Como o esparadrapo X não gruda no machucado, não dói na hora de trocar. (Poderia ser “já que” ou
alguma outra conjunção causal).
b) Embora seja um pouco mais caro que os outros, é muito muito melhor.

6. E
Devemos trocar a ideia de conformidade por uma conjunção causal, primeiramente. Depois, precisamos
pensar em uma relação de concessão. Por isso, a melhor opção é a letra E: COMO estava prestes a viajar
para o exterior, não foi escolhida para o papel, EMBORA fosse a mais indicada para representar aquele
tipo de personagem.

7. C
No período “Se bate-boca resolvesse o problema da seca, muitos nordestinos deixariam de morrer de
fome” existe uma relação de condição marcada pela conjunção “se”.

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Português

Exercícios sobre conjunções

Exercícios

1. (CESGRANRIO – 2011 – FINEP – Técnico – Suporte Técnico) Considere a sentença abaixo.


Mariza saiu de casa atrasada e perdeu o ônibus.
As duas orações do período estão unidas pela palavra “e”, que, além de indicar adição, introduz a ideia
de:
a) Oposição
b) Condição
c) Consequência
d) Comparação
e) União

2. (FCC – 2012 – TCE-AP – Técnico de Controle Externo) Preços mais altos proporcionam aos
agricultores incentivos para produzir mais, o que torna mais fácil a tarefa de alimentar o mundo. Mas
eles também impõem custos aos consumidores, aumentando a pobreza e o descontentamento.
A 2ª afirmativa introduz, em relação à 1ª, noção de:
a) Condição.
b) Temporalidade.
c) Consequência.
d) Finalidade.
e) Restrição.

3. (FUNCAB – 2010 – SEJUS-RO – Contador) Releia-se o que escreve Beccaria: “Contudo, se o roubo é
comumente o crime da miséria e da aflição, se esse crime apenas é praticado por essa classe de
homens infelizes, para os quais o direito de propriedade (direito terrível e talvez desnecessário) apenas
deixou a vida como único bem, [...] as penas em dinheiro contribuirão tão somente para aumentar os
roubos, fazendo crescer o número de mendigos, tirando o pão a uma família inocente para dá-lo a rico
talvez criminoso.”
A palavra ou locução que, usada no espaço entre colchetes deixado no período, fortalece a conexão
lógica entre as orações adverbiais condicionais e o que ele afirma a seguir é:
a) Inclusive.
b) Além disso.
c) Então.
d) Por outro lado.
e) Mesmo.

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Português

4. (FGV – 2010 – DETRAN-RN – Assessor Técnico – Contabilidade) “… e eu sou acaso um deles,


conquanto a prova de ter a memória fraca…”; a oração grifada traz uma ideia de:
a) Causa.
b) Consequência.
c) Condição.
d) Conformidade.
e) Concessão.

5. (FUMARC – 2011 – PRODEMGE – Analista de Tecnologia da Informação) No trecho “Ao tempo de


Pilatos e de James Joyce, a linguagem virtual estava longe”. Mas, além da realidade física, da palavra
impressa, ela servia de símbolo da identidade e da perenidade da comunicação”. Os termos negritados
acima têm, respectivamente, a equivalência de:
a) Adversidade – causa – tempo.
b) Consequência – tempo – adversidade.
c) Tempo – adversidade – adição.
d) Adição – adversidade – tempo.

6. (COPEVE-UFAL – 2010 – CASAL – Advogado) Em qual período o se é uma conjunção integrante?


a) “Paraquedista se prepara para romper a barreira do som com salto da estratosfera.”
b) “Um tecido comum pegaria fogo se fosse exposto diretamente a essa radiação.”
c) “Sabe-se também que a alimentação materna pode ter impacto na chance de a criança vir a
desenvolver câncer.”
d) “Marilyn Monroe morreu aos 36 anos de forma trágica, vítima de uma overdose de medicamentos
que até hoje não se sabe se foi intencional, acidental ou provocada por alguma misteriosa
conspiração política.”
e) “Não fale rápido demais. Se sua dicção não for boa, ninguém irá entender o que você diz.”

7. (CONSULPLAN – 2006 – INB – Analista de Sistemas) “Já a produção de petróleo não é suficiente para
atender à demanda, embora a dependência externa no setor tenha conhecido…”
O termo “embora”, nesse fragmento, estabelece relação lógico-semântica de:
a) Condição.
b) Adição.
c) Conformidade.
d) Concessão.
e) Tempo.

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Português

8. (CONSULPLAN – 2010 – Prefeitura de Congonhas – MG – Técnico de Laboratório – Informática)


“- Pois é, não jogo futebol, mas tenho alma de artilheiro…” a palavra destacada anteriormente exprime
ideia de:
a) Escolha.
b) Contraste, oposição.
c) Finalidade.
d) Explicação.
e) Soma, adição.

9. (NCE-UFRJ – 2010 – UFRJ – Contador) “Dicas para acelerar sem perder o ritmo”. Nessa frase, os dois
conectivos sublinhados indicam, respectivamente:
a) direção e negação;
b) comparação e ausência;
c) finalidade e concessão;
d) modo e condição;
e) movimento e modo.

10. (FUMARC – 2011 – Prefeitura de Nova Lima – MG – Procurador Municipal) No Texto lê-se: “A língua
que falamos é um bem, se considerarmos “bens” “as coisas úteis ao homem”.
O termo negritado, segundo Cunha e Cintra (2009), tem o valor de um (a):
a) Construção linguística que apresenta relação causal.
b) Sintagma com sentido opinativo, que apresenta uma relação comparativa.
c) Conectivo com valor de condição, pois indica uma hipótese.
d) Vocábulo gramatical, que serve para adicionar uma ideia a outra.

3
Português

Gabarito

1. C
A conjunção “e”, além de adicionar uma informação, está marcando a consequência (perde o ônibus) de
ela ter saído de casa atrasada.

2. C
“O que torna mais fácil a tarefa de alimentar o mundo” introduz um valor de consequência em relação à
primeira afirmativa: o aumento dos preços incentiva os agricultores a produzirem mais e, por
consequência, mais pessoas são alimentadas.

3. C
Devemos colocar um elemento conclusivo em relação à condição imposta, por isso, o “então” é o que
melhor se encaixa.

4. E
A conjunção “conquanto” é sinônimo de “embora”, “ainda que”, “apesar de”, tendo, portanto, valor
concessivo.

5. C
“Ao tempo de” tem ideia de tempo; “mas” é uma conjunção adversativa; “além de” marca uma adição.

6. D
As conjunções integrantes (“que” e “se”) não possuem valor semântico e apenas introduzem a oração
subordinada substantiva. Na letra A, “se” é pronome reflexivo; na B, é conjunção condicional; na C, é
partícula apassivadora; na E, é conjunção condicional.

7. D
A conjunção “embora” marca um contraste, introduzindo o argumento mais fraco. Portanto, é
concessiva.

8. B
O “mas” é uma conjunção opositiva/adversativa, pois marca um contraste introduzindo o argumento
mais forte.

9. C
“Para” indica finalidade/objetivo; o “sem” marca uma quebra de expectativa, introduzindo um argumento
fraco, portanto, é concessivo.

10. C
O vocábulo “se” estabelece uma condição: a língua só será considerada um bem, caso considerarmos
“bens” as coisas úteis ao ser humano.

4
Português

Exercícios sobre conjunção: coordenativas x subordinativas

Exercícios

1. (ENEM)

Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a)
a) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.
b) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações.
c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos.
d) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”
e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações.

2. Preços mais altos proporcionam aos agricultores incentivos para produzir mais, o que torna mais fácil
a tarefa de alimentar o mundo. Mas eles também impõem custos aos consumidores, aumentando a
pobreza e o descontentamento.
A 2ª afirmativa introduz, em relação à 1ª, noção de
a) condição.
b) temporalidade.
c) consequência.
d) finalidade.
e) restrição

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Português

3. (ENEM) Diego Souza ironiza torcida do Palmeiras


O Palmeiras venceu o Atlético-GO pelo placar de 1 a 0, com um gol no final da partida. O cenário era
para ser de alegria, já que a equipe do Verdão venceu e deu um importante passo para conquistar a
vaga para as semifinais, mas não foi bem isso que aconteceu.
O meia Diego Souza foi substituído no segundo tempo debaixo de vaias dos torcedores palmeirenses
e chegou a fazer gestos obscenos respondendo à torcida. Ao final do jogo, o meia chegou a dizer que
estava feliz por jogar no Verdão.
— Eu não estou pensando em sair do Palmeiras. Estou muito feliz aqui — disse.
Perguntado sobre as vaias da torcida enquanto era substituído, Diego Souza ironizou a torcida do
Palmeiras.
—Vaias? Que vaias? — ironiza o camisa 7 do Verdão, antes de descer para os vestiários.
Disponível em: [Link] Acesso em: 29 abr. 2010.

A progressão textual realiza-se por meio de relações semânticas que se estabelecem entre as partes
do texto. Tais relações podem ser claramente apresentadas pelo emprego de elementos coesivos ou
não ser explicitadas, no caso da justaposição. Considerando-se o texto lido,
a) no primeiro parágrafo, o conectivo já que marca uma relação de consequência entre os segmentos
do texto.
b) no primeiro parágrafo, o conectivo mas explicita uma relação de adição entre os segmentos do
texto.
c) entre o primeiro e o segundo parágrafos, está implícita uma relação de causalidade.
d) no quarto parágrafo, o conectivo enquanto estabelece uma relação de explicação entre os
segmentos do texto.
e) entre o quarto e o quinto parágrafos, está implícita uma relação de oposição.

4. (UNESP)
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?


Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,


Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gregório de Matos (Poemas escolhidos, 2010.)

Em “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,” (1ª estrofe), a conjunção aditiva “e” assume valor:
a) causal.
b) alternativo.
c) conclusivo.
d) adversativo.
e) explicativo.

2
Português

5. (ENEM) O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte
marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-
negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à
área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área.
No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga
alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por
cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da
rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0.
Disponível em: [Link] (adaptado).

O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009,
contém vários conectivos, sendo que:
a) “após” é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de
cabeça.
b) “enquanto” tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem
aplicadas no jogo.
c) “no entanto” tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem
cronológica de ocorrência.
d) “mesmo” traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo
naturalmente esperado.
e) “por causa de” indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o
Botafogo a fazer um bloqueio.

3
Português

Gabarito

1. A
A conjunção adversativa “mas” quebra a expectativa da tirinha. Se antes o personagem apresentava de
forma negativa que ‘a preguiça é a mãe de todos os vícios’, agora, ele passa a aceitar essa ideia, visto
que a noção de maternidade remete ao respeito.

2. E
A conjunção “mas” é adversativa, dessa forma, ela gera um contraste. Nesse sentido, podemos dizer que
a 2ª afirmação restringe a ideia apresentada em "o que torna mais fácil a tarefa de alimentar o mundo",
isto é, apresenta as consequências aos consumidores.

3. C
“Já que” desempenha ideia de explicação; “mas”, de oposição; “enquanto” estabelece uma relação
temporal; existe uma relação de ironia entre esses parágrafos.

4. D
A conjunção coordenativa “e”, normalmente tem a noção de adição, porém também pode apresentar
sentido adversativo quando exprime oposição ou contraste.

5. D
A conjunção concessiva introduz um fato que deveria impedir outro, mas não o faz. Dessa forma,
notamos que ter mais posse de bola não impede que o time enfrente dificuldades.

4
Português

Exercícios sobre Pronomes (Possessivos e Demonstrativos)

Exercícios

1. (UFViçosa-MG) Na passagem abaixo, os pronomes que substituem, pela ordem, os termos em


destaque sem que haja alteração de sentido são:
Toda ciência contém, em seus fundamentos, uma mitologia. Para muitos, a mitologia é coisa da
fantasia, enquanto a ciência se constitui em fala de gente séria.
a) esta, essa
b) aquela, esta
c) essa, aquela
d) aquela, essa
e) esta, aquela

2. (UFSCar-SP) AUTO-ESTIMA
“Fiz a cirurgia com 16 anos. Não fiz pelas outras pessoas, fiz para me olhar no espelho e me sentir bem
(...) Eu sinto como se o meu corpo tivesse absorvido o silicone, como se o peito fosse meu mesmo. E
é: meu pai pagou e ele é meu.” C. S., 17, sobre cirurgia plástica que fez nos seios, ontem na Folha.
(Folha de [Link], 03.08.2004.)

Refletindo sobre o emprego dos pronomes possessivos em português, responda:


a) Como, no texto, pode ser definido o sentido de posse presente na expressão como se o peito fosse
meu mesmo?
b) E como pode ser definido o sentido de posse na expressão E é: meu pai pagou e ele é meu?

1
Português

3. (UERJ) Penseroso:
Vê - o mundo é belo. A natureza estende nas noites estreladas o seu véu mágico sobre a terra, e os
encantos da criação falam ao homem de poesia e de Deus. As noites, o sol, o luar, as flores, as nuvens
da manhã, o sorriso da infância, até mesmo a agonia consolada e esperançosa do moribundo ungido
que se volta para Deus. (...) Quando tua alma ardente abria seus vôos para pairar sobre a vida cheia de
amor, que vento de morte murchou-te na fronte a coroa das ilusões, apagou-te no coração o fanal do
sentimento, e despiu-te das asas da poesia? Alma de guerreiro, deu-te Deus porventura o corpo
inteiriçado do paralítico?
(...) Oh! Não! Abre teu peito e ama. Tu nunca viste tua ilusão gelar-se na frente da amante morta, teu
amor degenerar nos lábios de uma adúltera. Alma fervorosa, no orgulho de teu ceticismo não te
suicides na atonia do desespero. A descrença é uma doença terrível: destrói com seu bafo corrosivo o
aço mais puro. (...) Para os peitos rotos, desenganados nos seus afetos mais íntimos, onde sepultam-
se como cadáveres todas as crenças, para esses aquilo que se dá a todos os sepulcros, uma lágrima!
(...) A esses leva uma torrente profunda: revolvem-se na treva da descrença como satã no infinito da
perdição e do desespero! Mas nós, mas tu e eu que somos moços, que sentimos o futuro nas
aspirações ardentes do peito, que temos a fé na cabeça e a poesia nos lábios, a nós o amor e a
esperança: a nós o lago prateado da existência. Embalame-nos nas suas águas azuis - sonhemos,
cantemos e creiamos.
(AZEVEDO, Álvares de. Macário, "Noites na Taverna e Poemas Malditos." Rio de Janeiro, Francisco Alves 1983, p.138-9.)

“Quando tua alma ardente abria seus voos para pairar sobre a vida cheia de amor, que vento de morte
murchou-te na fronte a coroa das ilusões, apagou-te no coração o fanal do sentimento, e despiu-te das
asas da poesia?”
a) Transcreva da frase acima o termo que o pronome possessivo “seus” retoma. Explique, em uma
frase completa, a relação sintática entre “seus” e ” voos”.
b) Reescreva integralmente apenas a quarta oração colocando-a na ordem direta e substituindo o
pronome oblíquo por um pronome possessivo. Faça somente as alterações necessárias.

4. (Puc) Na frase: “Chegou Pedro, Maria e o seu filho dela”, o pronome possessivo está reforçado para:
a) Ênfase
b) Elegância e estilo
c) Figura de harmonia
d) Clareza
e) N.d.a

5. (UNIRIO) Assinale o item que completa convenientemente as lacunas do trecho: A maxila e os dentes
denotavam a decrepitude do burrinho; _______, porém, estavam mais gastos que ________.
a) esses, aquela
b) estes, aquela
c) estes, esses
d) aqueles, esta
e) estes, esses

2
Português

6. (Unicamp) O Partido X dedica-se a essa atividade mais do que nunca. Ocorre que ainda está longe do
desejado, seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade do partido. Entre outras razões, é
por esse motivo que o dólar sobe.
(Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo, 25/09/2002 - parcialmente adaptado)

a) Na primeira oração ocorre uma palavra (um pronome) que permite concluir que o trecho acima
não é o início do texto de Fernando Rodrigues. Qual é a palavra e por que sua ocorrência permite
tal conclusão?
b) O final da sequência “seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade...” apresenta um
problema de coerência, que pode ser eliminado de duas maneiras. Quais são essas duas
maneiras?
c) Destaque uma passagem que indica que o texto é pessimista (ou crítico) em relação ao Partido.

7. (FCMSCSP) Complete as lacunas:


Por favor, passe ______ caneta que está aí perto de você: ______ aqui não serve para ____ desenhar.
a) aquela, esta, mim
b) esta, esta, mim
c) essa, esta, eu
d) essa, essa, mim
e) aquela, essa, eu

3
Português

Gabarito

1. E
É importante ter atenção à ordem em que as palavras aparecem, pois os demonstrativos não só tem
relação com as pessoas do discurso, mas também com a ordem em que os termos aparecem para
estabelecer relação com a proximidade com eles. Dessa forma, a palavra mais próxima da sequência do
enunciado deve ser substituída por “este” e suas variações; a mais distante será substituída por “aquele”
e suas variações.

2.
a) O sentido de posse no fragmento destacado tem a ver com o fato de o silicone não ser algo natural,
portanto, não é o “peito natural”. Mas a autora do relato sente que o corpo se deu tão bem com a
prótese a ponto de ela sentir que é como se fosse uma parte natural do que pertence ao corpo dela.
b) No segundo fragmento, a posse está relacionada ao poder de compra: se o pai dela pagou, pertence
a ela.

3.
a) O pronome “seus” retoma “tua alma”, indicando posse. “Seus” exerce função sintática de adjunto
adnominal de “voos”.
b) Apagou o teu fanal do sentimento no coração.

4. D
Como o pronome possessivo “seu” pode provocar ambiguidade na sentença, o pronome “dela” foi
utilizado para reforçar/esclarecer a ideia de que o filho é da Maria, desfazendo a ambiguidade.

5. B
É importante ter atenção à ordem em que as palavras aparecem, pois os demonstrativos não só tem
relação com as pessoas do discurso, mas também com a ordem em que os termos aparecem para
estabelecer relação com a proximidade com eles.

6.
a) A palavra é o pronome demonstrativo essa (“essa atividade”), que, coesivamente, está relacionada
a um elemento anterior do texto, fato que nos faz concluir que a “atividade” em questão já tenha
sido mencionada.
b) Os termos “de vontade”, “de vocação” e “de incapacidade” se ligam ao substantivo “falta”, fazendo
com que a ideia de “falta de incapacidade” se mostre contraditória. Para desfazer esse problema,
podemos reescrever: I. Seja por falta de vontade, de vocação ou por incapacidade. II. Seja por
incapacidade, por falta de vontade ou de vocação.
c) “Ocorre que ainda está longe do desejado, seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade
do partido.”

7. C
“Essa” faz referência ao que está perto do interlocutor; “esta” faz referência ao que está perto do emissor;
“mim” não pode funcionar como sujeito da oração.

4
Português

Exercícios sobre Pronomes Pessoais (Retos e Oblíquos)

Exercícios

1. (Fuvest) Assinale a alternativa onde o pronome pessoal está empregado corretamente:


a) Este é um problema para mim resolver.
b) Entre eu e tu não há mais nada.
c) A questão deve ser resolvida por eu e você.
d) Para mim, viajar de avião é um suplício.
e) Quanto voltei a si, não sabia onde me encontrava.

2. As frases que seguem são variantes populares do português. Transcreva-as adequando-as à língua
escrita.
a) Deixa eu entrar?
b) Mandei ela voltar para a casa.
c) A conversa fez eu sair do sério.

3. (ITA) Assinale a incorreta:


a) Não vá sem eu.
b) Ele é contra eu estar aqui.
c) Ele é contra mim, estar aqui é crime.
d) Como eu estava doente, não houve palestra.
e) Não haveria entre mim e ti entendimento possível.

4. (UFV) Assinale a alternativa em que o LHE está empregado corretamente:


a) Espero que essa notícia vá encontra-lhe feliz.
b) O fato ocorreu há muito tempo. Esqueci-lhe completamente.
c) Mas que surpresa, João: há quanto tempo não lhe via!
d) Prezado Senhor, lembro-lhe a necessidade de renovar o seu título de eleitor.

5. (UFOP-MG) Aponte, em cada par de frases, aquela em que o pronome pessoal está sendo bem usado,
de acordo com as normas do uso culto da língua. Justifique a resposta.
a) Ele se preocupa só com ele mesmo.
Ele se preocupa só consigo mesmo.

b) Deixe o livro aí, para eu estudar.


Deixe o livro aí, para mim estudar.

1
Português

6. (FATEC) Assinale a alternativa em que a substituição do(s) termo(s) em maiúsculo(s), na frase I, pelo
pronome da frase II está correta.
a) I - Deixe A MOÇA decidir com calma. II - Deixe ela decidir com calma.
b) I - Entende que não há nada entre FULANO e os envolvidos no escândalo dos precatórios. II -
Entende que não há nada entre eu e os envolvidos no escândalo dos precatórios.
c) I - Espero, até que façam O CANDIDATO entrar na sala. II - Espero, até que façam ele entrar na sala.
d) I - O homem, igual A SI mesmo. II - Eu, igual a mim mesmo.
e) I - Poderá escolher outros dois técnicos para assessorar A DEPUTADA. II - Poderá escolher outros
dois técnicos para lhe assessorar.

7. (ENEM 1998) Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua
Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este fato, seu
professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto Aí, Galera, de Luís Fernando Veríssimo. No texto,
o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte.

Aí, Galera
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um
jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não?
- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
- Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso
dos seus lares.
- Como é?
- Aí, galera.
- Quais são as instruções do técnico?
- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada,
na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um
contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação
momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
- Ahn?
- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a
uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
- Pode.
- Uma saudação para a minha progenitora.
- Como é?
- Alô, mamãe!
- Estou vendo que você é um, um...
- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um
ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?
- Estereoquê?
- Um chato?
- Isso.
Correio Braziliense, 13/05/1998.

A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em
língua culta, formal, por:
a) pegá-los na mentira.
b) pegá-los desprevenidos.
c) pegá-los em flagrante.
d) pegá-los rapidamente.
e) pegá-los momentaneamente

2
Português

Gabarito

1. D
Na letra A, o certo seria “para eu resolver”; na B, o certo seria “entre mim e ti”; na C, o certo seria “por mim
e você”, na E, o certo seria “voltei a mim”.

2.
a) Deixe-me entrar? - Os pronomes pessoais retos atuam como sujeitos – agentes da ação. Enquanto
os oblíquos funcionam como objeto.
b) Mandei-a entrar. – Mesma explicação da letra A.
c) A conversa me fez sair do sério. – O pronome pessoal do caso reto não pode receber a ação: é
somente agente.

3. A
O certo deveria ser “não vá sem mim”, pois não devemos empregar os pronomes retos depois de
preposição sem que eles sejam agentes de uma oração (como acontece na letra B).

4. D
Na A, o lhe está sendo utilizado para fazer referência à 2ª pessoa; na B, o certo seria “esqueci-o
completamente”; na C, não devemos usar o lhe para fazer referência à 2ª pessoa.

5.
a) A primeira sentença está de acordo com a norma culta; a segunda também está correta.
b) A primeira está correta, pois o pronome reto “eu” é agente da ação verbal; a segunda está incorreta,
pois o oblíquo “mim” não deve ser empregado como agente da ação verbal.

6. D
a) Está incorreta, pois o pronome reto não deve funcionar como objeto. Deveria ser “deixe-a decidir com
calma”.
b) Está incorreta, pois “Fulano” é 3ª pessoa: “entende-se que não há nada entre ele e os envolvidos no
escândalo do precatório”.
c) Está incorreta pelo mesmo motivo da A.
e) Está incorreta, pois O LHE só deve atuar como objeto indireto. Deveria ser: assessorá-la.

7. B
Todas as opções fazem a colocação pronominal corretamente; no entanto, devemos olhar para a
expressão “pegar sem calças” que é o mesmo que dizem “pegar desprevenido”.

3
Português

Exercícios sobre pronomes

Exercícios

1. (Fuvest) “O anúncio luminoso de um edifício em frente, acendendo e apagando, dava banhos


intermitentes de sangue na pele de seu braço repousado, e de sua face. Ela estava sentada junto à
janela e havia luar; e nos intervalos desse banho vermelho ela era toda pálida e suave. Na roda havia
um homem muito inteligente que falava muito; havia seu marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso;
uma senhora recentemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que falava de política e de
pintura? Ela não dava atenção a ninguém. Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra,
ela apenas mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. Senti que ela fruía nisso um prazer
silencioso e longo. “Muito!”, disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro — e
disse mais algumas palavras; mas mudou um pouco a posição do braço e continuou a se mirar,
interessada em si mesma, com um ar sonhador.”
(Rubem Braga, “A mulher que ia navegar”.)

O termo sublinhado no trecho “Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo” refere-se, no
texto:
a) Ao sorriso que ela dava quando lhe dirigiam a palavra.
b) Ao prazer silencioso e longo que ela fruía ao sorrir.
c) À percepção do efeito das luzes do anúncio em seu braço.
d) À falta de atenção aos que se encontravam ali reunidos.
e) À alegria da roda de amigos que falavam de política e de pintura.

1
Português

2. (Unirio)
Um Homem de Consciência
Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com
um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos
importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis
nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua Itaoca.
— Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um e bem ruinzote.
Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de
cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha
Itaoca está se acabando...
João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato
qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo
possível.
— É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais
nada de nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem
recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca
fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada...
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seriíssima. Não há cargo mais importante. É o homem
que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa
colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas.
Pela madrugada botou-as num burro, montou no seu cavalo magro e partiu.
— Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?
— Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
— Mas, como? Agora que você está delegado?
— Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus.
E sumiu.
(LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. São Paulo: Brasiliense, s.d. p. 110 – 111)

O pronome possessivo pode assumir múltiplos valores semânticos, distanciados do sentido originário.
Em “Nosso homem...” (§ 7º), o pronome revela, por parte do produtor do texto,
a) Elogio.
b) Crítica.
c) Interesse.
d) Modéstia.
e) Amargor.

2
Português

3. (Uerj)
Maria Cora
Uma noite, voltando para casa, trazia tanto sono que não dei corda ao relógio. Pode ser também que a
vista de uma senhora que encontrei em casa do comendador T. contribuísse para aquele esquecimento;
mas estas duas razões destroem-se. Cogitação tira o sono e o sono impede a cogitação; só uma das
causas devia ser verdadeira. Ponhamos que nenhuma, e fiquemos no principal, que é o relógio parado,
de manhã, quando me levantei, ouvindo dez horas no relógio da casa.
Morava então (1893) em uma casa de pensão no Catete. Já por esse tempo este gênero de residência
florescia no Rio de Janeiro. Aquela era pequena e tranquila. Os quatrocentos contos de réis permitiam-
me casa exclusiva e própria; mas, em primeiro lugar, já eu ali residia quando os adquiri, por jogo de
praça; em segundo lugar, era um solteirão de quarenta anos, tão afeito à vida de hospedaria que me
seria impossível morar só. Casar não era menos impossível. Não é que me faltassem noivas. Desde os
fins de 1891 mais de uma dama, – e não das menos belas, – olhou para mim com olhos brandos e
amigos. Uma das filhas do comendador tratava-me com particular atenção. A nenhuma dei corda; o
celibato era a minha alma, a minha vocação, o meu costume, a minha única ventura. Amaria de
empreitada e por desfastio¹. Uma ou duas aventuras por ano bastavam a um coração meio inclinado
ao ocaso e à noite.
Talvez por isso dei alguma atenção à senhora que vi em casa do comendador, na véspera. Era uma
criatura morena, robusta, vinte e oito a trinta anos, vestida de escuro; entrou às dez horas,
acompanhada de uma tia velha. A recepção que lhe fizeram foi mais cerimoniosa que as outras; era a
primeira vez que ali ia. Eu era a terceira. Perguntei se era viúva.
– Não; é casada.
– Com quem?
– Com um estancieiro do Rio Grande.
– Chama-se?
– Ele? Fonseca, ela Maria Cora.
– O marido não veio com ela?
– Está no Rio Grande.
Não soube mais nada; mas a figura da dama interessou-me pelas graças físicas, que eram o oposto do
que poderiam sonhar poetas românticos e artistas seráficos². Conversei com ela alguns minutos, sobre
cousas indiferentes, – mas suficientes para escutar-lhe a voz, que era musical, e saber que tinha
opiniões republicanas. Vexou³-me confessar que não as professava de espécie alguma; declarei-me
vagamente pelo futuro do país. Quando ela falava, tinha um modo de umedecer os beiços, não sei se
casual, mas gracioso e picante. Creio que, vistas assim ao pé, as feições não eram tão corretas como
pareciam a distância, mas eram mais suas, mais originais.
(Machado de Assis. Relíquias de casa velha. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 1990)

Vocabulário:
Desfastio: apetite, desejo
Seráficos: místicos
Vexou: envergonhou

Observe as formas sublinhadas em: “Morava então (1893) em uma casa de pensão no Catete. Já por
esse tempo este gênero de residência florescia no Rio de Janeiro. Aquela era pequena e tranquila.”

ESSE, ESTE e AQUELA são formas empregadas como recursos de coesão textual. Indique a classe
gramatical a que pertencem essas palavras e justifique a escolha de cada uma no trecho de acordo
com a respectiva função textual.

3
Português

Gabarito

1. C
“Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, ela apenas mirava o próprio braço, atenta
à mudança da cor. Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo.”. O pronome “nisso” está
recuperando anaforicamente o fato de ela ficar olhando para o braço observando a mudança de cor: é
nisso que ela sente prazer.

2. B
O pronome “nosso”, nesse caso, não traz uma ideia de elogio, com carinho e afetividade, mas sim é usado
com valor negativo, pois existe uma crítica em relação ao nomeado nunca ter sido “nada”, como se ele
não fizesse jus ao cargo a que foi nomeado.

3. As palavras “esse”, “este” e “aquele” são pronomes demonstrativos, e são importantes operadores
coesivos, pois servem para fazer referência ao que já foi dito (anáfora) e ao que se vai dizer (catáfora).
A coesão referencial é um processo linguístico que remete a interpretação de um elemento expresso no
texto a outro que já foi utilizado para construir esse texto. No trecho em questão, esse refere-se ao ano
de 1893, mencionado no início do trecho; este refere-se ao gênero de residência, mencionado na
sequência e aquela retoma uma informação dita anteriormente: uma casa de pensão no Catete.

4
Português

Exercícios sobre Substantivos, Adjetivos, Artigos e Numerais

Exercícios

1. Deus quer otimismo


Procópio acordava cedinho, abria a janela, exclamava: – Que dia maravilhoso! O dia mais belo da minha
vida!
Às vezes, realmente, a manhã estava lindíssima, porém outras vezes a natureza mostrava-se
carrancuda. Procópio nem reparava. Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:
– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!
Choveu o mês inteiro e Procópio saudou as trinta e uma cordas-d’água com a jovialidade de sempre.
Para ele não havia mau tempo.
A família protestava contra a sua disposição fagueira e inalterável. A população erguia preces ao
Senhor, rogando que parasse com o dilúvio. Um dia Procópio abriu a janela e foi levado pelas águas. Ia
exclamando:
– Sublime! Agora é que sinto realmente a beleza do bom tempo integral! O azul é de Sèvres! Chove ouro
líquido! Sou feliz!
Os outros, que não acreditavam nisto, submergiram, mas Procópio foi depositado na crista de um pico
mais alto que o da Neblina, onde faz sol para sempre. Merecia.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa [Link] de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)

Observe a seguinte afirmativa:


“―(...) Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência: – Estupendo! Sol glorioso!
Delícia de vida!”
Identifique a “essência” a que se refere o narrador e descreva cada uma das diferentes estruturas
gramaticais que concretizam a variação “de forma”.

1
Português

2. (Uerj) Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu


a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo


olhando para mim:
– Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava


no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história


era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu


a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu (v. 7-8)

Lá longe meu pai campeava


no mato sem fim da fazenda. (v. 18-19)

Classifique gramaticalmente as palavras sublinhadas e aponte a diferença de sentido entre elas.

2
Português

Texto para as próximas questões:


Conversa no ônibus
Sentaram-se lado a lado um jovem publicitário e um velhinho muito religioso. O rapaz falava
animadamente sobre sua profissão, mas notou que o assunto não despertava o mesmo entusiasmo
no parceiro. Justificou -se, quase desafiando, com o velho chavão: – A propaganda é a alma do negócio.
– Sem dúvida, respondeu o velhinho. Mas sou daqueles que acham que o sujeito dessa frase devia ser
o negócio.

3. (Fuvest) Responda às questões:


a) A palavra “alma” tem o mesmo sentido para ambas as personagens? Justifique, gramaticalmente,
sua resposta.
b) Seguindo a indicação do velhinho, redija a frase na versão que a ele pareceu mais coerente.

4. A utilização dos artigos é fundamental para o estabelecimento da coesão dos dois primeiros períodos
no texto acima. Explique essa afirmativa.

5. (Fuvest) O uso do sufixo “-inho” em “velhinho” traduz, pelo menos, dois valores semânticos. Indique-os.

6. (Fuvest) As palavras “jovem”, “publicitário”, “velhinho” e “religioso”, dependendo do contexto em que


aparecem, podem ser tomadas como adjetivos ou como substantivos.
a) Quais as suas classes no primeiro período do texto?
b) O que justifica essa análise?

3
Português

Texto para as próximas questões:


O manjar

Os dois estavam comendo sem falar. Só os dois na mesa, e os dois em silêncio. Aí ele fez um
comentário. Só por fazer.
— Não existe nada pior do que risoto frio.
Ela só olhou para ele e continuou mastigando.
Daí a pouco disse:
— Bunda caída.
— O quê?
— Bunda caída. É pior do que risoto frio.
Novo silêncio. Depois ela completou:
— E risoto frio tem jeito. É só esquentar.
Mais dois ou três minutos. Ele:
— Bunda caída também tem jeito.
— Como?
— Ginástica. Plástica.
Desta vez o silêncio durou até o fim do jantar. Ela levantou e levou os pratos para a cozinha.
Depois, como ela estivesse demorando para voltar, ele gritou:
— Matilde!
Ela apareceu na porta da cozinha.
— Que mais? – disse.
— Sobremesa, ué.
— Não. Que mais? Você já criticou meu risoto, já criticou minha bunda... Que mais?
— Eu critiquei sua bunda?
— Eu faço plástica. Me dá o dinheiro que eu faço.
— Tidinha!
— Não seja por isso, Vicente.
Ela desapareceu na cozinha. Ele esperou um pouco e depois foi atrás. Ela estava olhando fixo
para uma massa disforme dentro de uma fôrma, em cima do balcão.
— O que é isso? – perguntou ele.
— Manjar branco.
A massa era escura. Ele chegou a abrir a boca para falar, mas decidiu ficar quieto. Depois, na
mesa, comeu o manjar e fez ―Mmmmm‖. Ela levantou da mesa, pegou algumas coisas no
banheiro e no quarto e foi para a casa da Enolina, que tinha comprado uma TV de 29 polegadas.
Decidida a não voltar mais. Aguentava tudo, menos a ironia.
Luis Fernando Verissimo

7. Como as atitudes dos personagens revelam a estratégia do autor em relação ao andamento e ao


desfecho do texto?

8. Qual é a intenção da repetição do numeral no primeiro parágrafo?

9. Qual o valor semântico da quarta oração do 14º parágrafo?

10. O uso do artigo indefinido do primeiro parágrafo é reforçado semanticamente. Que mecanismo
linguístico é utilizado nesse processo?

4
Português

Gabarito

1. A essência a que se refere o narrador corresponde a uma visão positiva diante dos fatos. Quanto à
variação “de forma”, a primeira expressão é constituída de um adjetivo (“estupendo”), a segunda, a um
substantivo e um adjetivo (“sol glorioso”), e a terceira, de um substantivo mais locução adjetiva –
preposição e substantivo (“delícia de vida”).

2. (Gabarito oficial) Longes: substantivo comum


Longe: advérbio de lugar
Longes: tempos distantes
Longe: espacialmente distante, longínquo, afastado

3.
a) Não. Para o jovem publicitário, “alma” tem sentido de “essência” – elemento mais importante, sendo,
então, um substantivo abstrato. Já para o velhinho, podemos interpretar “alma” como algo
relacionado à espiritualidade, sendo um substantivo concreto.
b) O negócio é a propaganda da alma.

4. No primeiro período, utiliza-se o artigo indefinido “um”, pois ainda estamos falando deles pela primeira
vez, de maneira genérica. Já no segundo período, empregamos o artigo definido “o”, pois eles já foram
apresentados. Assim, podemos nos referir coesivamente a eles de maneira especifica.

5. Sentido de afeto; carinho. Pode ser também a ideia de intensidade: quão velho ele é.

6.
a) Jovem publicitário: jovem = substantivo; publicitário = adjetivo; Velhinho religioso: velhinho =
substantivo; religioso = adjetivo.
b) “Publicitário” caracteriza o substantivo “jovem”, pois ele é um jovem que tem como profissão a
publicidade. O mesmo acontece em “velhinho religioso”, pois a palavra “religioso” caracteriza o
substantivo “velhinho”, dizendo que ele é alguém ligado à religião.

7. As frases curtas, características de cenas de diálogos, são a estratégia do autor que pretende narrar uma
cena de jantar entre marido e mulher de maneira dinâmica. O desfecho repentino colabora para isso, pois
acontece de maneira inusitada.

8. O emprego dos numerais tem por intenção intensificar/realçar/enfatizar que só havia os dois na cena.

9. Oração “Como ela estivesse demorando a voltar”: tem valor de causa em relação à oração seguinte.

10. O uso do artigo indefinido “um” é reforçado pela expressão “só por fazer”, como se fosse um comentário
qualquer.

5
Português

Exercícios sobre Advérbio, Interjeição, Preposição e Palavra


Denotativa

Exercícios

1. Ser mulher...

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada


para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada


para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto


para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!


ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

(MACHADO, Gilka. Poesias completas. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial: FUNARJ, 1991.p.106)

Em três versos do texto, encontra-se um conectivo normalmente descrito com o sentido de


finalidade/movimento. Em um desses versos, o efeito de sentido extrapola essa descrição. Identifique
tal verso, destaque o conectivo e explique o referido efeito de sentido.

1
Português

2. Leia o seguinte texto, extraído de uma biografia do compositor Carlos Gomes: No ano seguinte [1860],
com o objetivo de consolidar sua formação musical, [Carlos Gomes] mudou-se para o Rio de Janeiro,
contra a vontade do pai, para iniciar os estudos no conservatório da cidade. “Uma ideia fixa me
acompanha como o meu destino! Tenho culpa, porventura, por tal cousa, se foi vossemecê que me deu
o gosto pela arte a que me dediquei e se seus esforços e sacrifícios fizeram-me ganhar ambição de
glórias futuras?”, escreveu ao pai, aflito e cheio de remorso por tê-lo contrariado. “Não me culpe pelo
passo que dei hoje. [...] Nada mais lhe posso dizer nesta ocasião, mas afirmo que as minhas intenções
são puras e espero desassossegado a sua bênção e o seu perdão”, completou.
([Link]

a) Sobre o advérbio “porventura”, presente na carta do compositor, o dicionário Houaiss informa: usa-
se em frases interrogativas, especialmente em perguntas delicadas ou retóricas. Aplica-se ao texto
da carta essa informação? Justifique sua resposta.
b) Cite duas palavras, também empregadas pelo compositor, que atestem, de maneira mais evidente,
que, daquela época para hoje, a língua portuguesa sofreu modificações.

3. Preciso que um barco atravesse o mar


lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
(...)

Marina Colasanti, Gargantas abertas.

Gosto e preciso de ti
Mas quero logo explicar
Não gosto porque preciso
Preciso sim, por gostar.

Mário Lago, [Link]

a) Nos poemas acima, as preposições “para” e “por” estabelecem o mesmo tipo de relação de
sentido? Justifique sua resposta.
b) Sem alterar o sentido do texto de Mário Lago, transcreva-o em prosa, em um único período,
utilizando os sinais de pontuação adequados.

2
Português

4. O comprador de fazendas

O acaso deu a Trancoso uma sorte de cinquenta contos na loteria. Não se riam. Por que motivo não
havia Trancoso de ser o escolhido, se a sorte é cega e ele tinha no bolso um bilhete? Ganhou os
cinquenta contos, dinheiro que para um pé atrás daquela marca era significativo de grande riqueza.

De posse do bolo, após semanas de tonteira deliberou afazendar-se. Queria tapar a boca ao mundo
realizando uma coisa jamais passada pela sua cabeça: comprar fazenda. Correu em revista quantas
visitara durante os anos de malandragem, propendendo, afinal, para a Espiga. Ia nisso, sobretudo, a
lembrança da menina, dos bolinhos da velha e a ideia de meter na administração ao sogro, de jeito a
folgar-se uma vida vadia de regalos, embalada pelo amor de Zilda e os requintes culinários da sogra.
Escreveu, pois, a Moreira anunciando-lhe a volta, a fim de fechar-se o negócio.

Ai, ai, ai! Quando tal carta penetrou na Espiga houve rugidos de cólera, entremeio a bufos de vingança.
– É agora! – berrou o velho. – O ladrão gostou da pândega e quer repetir a dose. Mas desta feita curo-
lhe a balda¹, ora se curo! – concluiu, esfregando as mãos no antegozo da vingança. No murcho coração
da pálida Zilda, entretanto, bateu um raio de esperança. A noite de sua alma alvorejou ao luar de um
“Quem sabe?” Não se atreveu, todavia, a arrostar² a cólera do pai e do irmão, concertados ambos num
tremendo ajuste de contas. Confiou no milagre. Acendeu outra velinha a Santo Antônio...

O grande dia chegou. Trancoso rompeu à tarde pela fazenda, caracolando o rosilho³.
Desceu Moreira a esperá-lo embaixo da escada, de mãos às costas. Antes de sofrear4
as rédeas, já o amável pretendente abria-se em exclamações.
– Ora viva, caro Moreira! Chegou enfim o grande dia. Desta vez, compro-lhe a fazenda.
Moreira tremia. Esperou que o biltre5 apeasse e mal Trancoso, lançando as rédeas, dirigiu-se-lhe de
braços abertos, todo risos, o velho saca de sob o paletó um rabo de tatu e rompe-lhe para cima com
ímpeto de queixada6.
– Queres fazenda, grandissíssimo tranca7? Toma, toma fazenda, ladrão! – e lepte, lepte, finca-lhe rijas
rabadas coléricas.
O pobre rapaz, tonteando pelo imprevisto da agressão, corre ao cavalo e monta às cegas, de passo que
Zico lhe sacode no lombo nova série de lambadas de agravadíssimo ex-quase-cunhado.
Dona Isaura atiça-lhe os cães:
– Pega, Brinquinho! Ferra, Joli!
O mal azarado comprador de fazendas, acuado como raposa em terreiro, dá de esporas e foge à toda,
sob uma chuva de insultos e pedras. Ao cruzar a porteira inda teve ouvidos para distinguir na grita os
desaforos esganiçados da velha:
– Comedor de bolinhos! Papa-manteiga! Toma! Em outra não hás de cair, ladrão de ovo e cará!... E
Zilda?
Atrás da vidraça, com os olhos pisados do muito chorar, a triste menina viu desaparecer para sempre,
envolto em uma nuvem de pó, o cavaleiro gentil dos seus dourados sonhos. Moreira, o caipora8, perdia
assim naquele dia o único negócio bom que durante a vida inteira lhe deparara a Fortuna: o duplo
descarte – da filha e da Espiga...
LOBATO, Monteiro. Urupês. São Paulo: Globo, 2007.

3
Português

Vocabulário:
1 balda - defeito habitual, mania
2 arrostar - encarar sem medo
3 rosilho - cavalo de pelo avermelhado
4 sofrear - conter
5 biltre - homem vil, infame
6 queixada - espécie de porco-do-mato
7 tranca - indivíduo ordinário, de mau caráter
8 caipora - indivíduo azarado

Observe as expressões destacadas nos fragmentos abaixo.

Ai, ai, ai! Quando tal carta penetrou na Espiga houve rugidos de cólera, entremeio a bufos de vingança.
(l. 12-13)

Toma, toma fazenda, ladrão! – e lepte, lepte, finca-lhe rijas rabadas coléricas. (l. 27-28)

Classifique essas expressões e explicite o valor estilístico de cada uma.

5. Observe as frases abaixo:

I. A cigarra só canta.
II. A cigarra canta só.
III. Só a cigarra canta.

Explique a diferença de sentido do vocábulo só nas três frases acima.

4
Português

Gabarito

1. O verso é “para a larga expansão do desejado surto”. “Para” o conectivo que extrapola o sentido de
finalidade e/ou movimento e, nesse caso, encerra uma comparação.

2. O advérbio “porventura”, de fato, se faz presente na pergunta e está sendo utilizada no contexto de
pergunta retórica. Isso se deve ao fato de o enunciador não se sentir de ter se mudado para o Rio de
Janeiro, já que a mudança foi para investir nos estudos das artes que o próprio pai o ensinara a amar.

3.
a) As preposições têm valores de diferentes. O “para” no primeiro texto veicula a ideia de finalidade.
Já no texto de Mário Lago, “por” veicula a ideia de causa.
b) Gosto e preciso de ti, mas quero, logo, explicar: eu não gosto porque preciso, preciso sim por gostar.

4. As expressões “ai, ai ai”,“lepte, lepte” são interjeições, pois veiculam emoções, sensações ou estados de
espírito. Entretanto, note-se que em “lepte lepte” há a tentativa de reprodução de um som, portanto, tem
valor de onomatopeia.

5. Em I, “só” é adjetivo e caracteriza o substantivo cigarra e equivale a “sozinha”; já em II, a mudança de


posição da palavra altera o sentido global da frase. Nesse caso, “só” está ligado ao verbo “canta”,
exercendo função de adjunto adverbial e equivale a “somente”, pois se trata de um advérbio de exclusão;
por fim, em III, a palavra “só” é uma palavra denotativa de exclusão, pois acompanha o substantivo
“cigarra”, mas NÃO pode ser caracterizada como substantivo, tendo em vista que Advérbios não
modificam substantivos.

5
Português

Exercícios sobre Palavras invariáveis (advérbios: estilística; semântica;


comparação com adjetivo)

Exercícios

1. Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história


Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente
(Carlos Drummond de Andrade)

No poema “mãos dadas” apresentam, respectivamente, as circunstâncias adverbiais de:


a) Intensidade, negação, finalidade
b) Intensidade, negação, lugar
c) Modo, negação, finalidade
d) Modo, lugar, finalidade

2. Em todas as alternativas há dois advérbios, exceto em:


a) ele permaneceu muito calado
b) amanhã não iremos ao cinema
c) menino ontem cantou desafinadamente
d) tranquilamente realizou-se hoje o jogo
e) ele falou Calma e sabiamente

1
Português

3. O ÓDIO À DIFERENÇA
É milenar o hábito de estranhamento entre os homens. Indivíduos que por algum motivo destoam num
grupo qualquer costumam provocar sentimentos de antipatia entre aqueles que se sentem iguais entre
si - e superiores ao que lhes parece diferente. O racismo, baseado em preconceito, nasce daí. Povos
mais escuros, mais pobres, menos cultos ou simplesmente de outra etnia sempre foram vítimas de
desprezo irracional por parte de coletividades que se consideram superiores na comparação.
(VEJA. 26/9/2001)

O advérbio “simplesmente” sugere que, no tocante ao bom convívio entre as pessoas, ser de outra etnia,
em comparação com ser mais escuro, mais pobre, menos culto, tem
a) nenhuma importância
b) igual importância
c) muita importância
d) menos importância

4. (Fuvest) Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o capanga um casal de velhinhos, que
seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios particulares. Das
poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo
quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir
uma boa roça.
- Mas chegará, homem? perguntou a velha.
- Há de se espichar bem, mulher!
Uma voz os interrompeu:
- Por este preço dou eu conta da roça!
- Ah! É nhô Jão!
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de fazer o que prometia.
Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que estava destinado para o roçado.
Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a qual ele
esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos
e foi-se deixando-os embasbacados.
José de Alencar, Til.
* moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho “mal seus olhos descobriram entre os
utensílios a enxada” expressa ideia de
a) tempo
b) qualidade
c) intensidade
d) modo
e) negação

2
Português

5. (Uerj)

O advérbio destacado é empregado para relativizar o sentido da palavra a que se refere em:

a) utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? (l. 8-9)


b) Certamente me irão fazer falta, (l.17)
c) Afirmarei que sejam absolutamente exatas? (l.25)
d) desenterrarmos pacientemente as condições que a determinaram. (l.36-37)

3
Português

Gabaritos

1. B
“Tão” é advérbio de intensidade (intensifica o adjetivo “grande”); “não” tem valor de negação (se liga ao
verbo “afastaremos”); “para as ilhas” é locução adverbial de lugar.

2. A
Na B, “amanhã” e “ao cinema” são advérbios; na C, “ontem” e “desafinadamente” são advérbios; na D,
“calma” e “sabiamente” são advérbios (em “calma” o sufixo “-mente” foi suprimido).

3. D
Dentro do texto, discursivamente falando, o advérbio “simplesmente” confere menor importância à etnia
em relação ao resto do que foi colocado.

4. A
Nesse contexto, o advérbio “mal” é entendido com o mesmo sentido de “assim que”, conferindo ideia de
temporalidade.

5. A
O advérbio “presumivelmente” indica que não há certeza sobre o que se fala, apenas é
presumível/provável.

4
Português

Exercícios sobre Classes gramaticais - I

Exercícios

1. (UFRJ) Deus quer otimismo


Procópio acordava cedinho, abria a janela, exclamava: – Que dia maravilhoso! O dia mais belo da minha
vida!
Às vezes, realmente, a manhã estava lindíssima, porém outras vezes a natureza mostrava-se
carrancuda. Procópio nem reparava. Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:
– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!
Choveu o mês inteiro e Procópio saudou as trinta e uma cordas-d’água com a jovialidade de sempre.
Para ele não havia mau tempo.
A família protestava contra a sua disposição fagueira e inalterável. A população erguia preces ao
Senhor, rogando que parasse com o dilúvio. Um dia Procópio abriu a janela e foi levado pelas águas. Ia
exclamando:
– Sublime! Agora é que sinto realmente a beleza do bom tempo integral! O azul é de Sèvres! Chove ouro
líquido! Sou feliz!
Os outros, que não acreditavam nisto, submergiram, mas Procópio foi depositado na crista de um pico
mais alto que o da Neblina, onde faz sol para sempre. Merecia.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa [Link] de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)

Observe a seguinte afirmativa:


“(...) Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência: – Estupendo! Sol glorioso! Delícia
de vida!”
Identifique a “essência” a que se refere o narrador e descreva cada uma das diferentes estruturas
gramaticais que concretizam a variação “de forma”.

1
Português

2. (Uerj) Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu


a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo


olhando para mim:
– Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava


no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história


era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002

No meio-dia branco de luz uma voz que


aprendeu a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu (v. 7-8)

Lá longe meu pai campeava


no mato sem fim da fazenda. (v. 18-19)

Classifique gramaticalmente as palavras sublinhadas e aponte a diferença de sentido entre elas.

2
Português

3. (Puc-Rio) Em pouco tempo, deixando de dormir sobre a primeira árvore, ou de se refugiar em


cavernas, [o homem] encontrou algumas espécies de machados de pedras duras e afiadas que
serviram para cortar madeira, escavar a terra, e fazer cabanas de folhagens, que em seguida logo
foram entremeadas de argila e de lama. Essa foi a época de uma primeira revolução, que consolidou
o estabelecimento e a distinção das famílias e que estabeleceu uma espécie de propriedade, a qual já
deu margem a uma série de querelas e conflitos.
(…)
Eis precisamente o nível a que chegou a maior parte dos povos selvagens que conhecemos; e é por
não ter distinguido suficientemente as ideias, e observado como esses povos já estavam longe do
primeiro estado de natureza, que muitos se precipitaram em concluir que o homem é naturalmente
cruel e que precisa de uma organização social e política para domá-lo; ao passo que nada é tão
manso como ele em seu estado primitivo, quando, afastado pela natureza tanto da estupidez dos
brutos como das luzes funestas do homem civil, e coagido tanto pelo instinto quanto pela razão a se
resguardar do mal que o ameaça, é impedido pela piedade natural de fazer ele próprio mal a alguém,
sem ser levado a isso por algo, mesmo depois de ser agredido.
[Rousseau, Jean-Jacques. Discurso sobre a desigualdade – A origem da sociedade, In: Marcondes, D. (org.) Textos básicos em
filosofia, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 96]

a) No texto, o filósofo Jean-Jacques Rousseau se manifesta contrário a uma determinada ideia.


Qual?
b) Explique o que é a piedade natural de acordo com o texto.
c) Todas as palavras sublinhadas abaixo pertencem a uma mesma classe gramatical, exceto uma.
Diga qual, justificando a sua resposta:
… [o homem] encontrou algumas espécies de machados de pedras duras e afiadas que serviram
para cortar madeira, escavar a terra, e fazer cabanas de folhagens, que em seguida logo foram
entremeadas de argila e de lama… é impedido pela piedade natural de fazer ele próprio mal a
alguém, sem ser levado a isso por algo, mesmo depois de ser agredido.

3
Português

4. (Uerj) Tempo da camisolinha


Toda a gente apreciava os meus cabelos cacheados, tão lentos! e eu me envaidecia deles, mais que
isso, os adorava por causa dos elogios. Foi por uma tarde, me lembro bem, que meu pai suavemente
murmurou uma daquelas suas decisões irrevogáveis: “É preciso cortar os cabelos desse menino.” Olhei
de um lado, de outro, procurando um apoio, um jeito de fugir daquela ordem, muito aflito. Preferi o
instinto e fixei os olhos já lacrimosos em mamãe. Ela quis me olhar compassiva, mas me lembro como
si fosse hoje, não aguentou meus últimos olhos de inocência perfeita, baixou os dela, oscilando entre
a piedade por mim e a razão possível que estivesse no mando do chefe. Hoje, imagino um egoísmo
grande da parte dela, não reagindo. As camisolinhas, ela as conservaria ainda por mais de ano, até que
se acabassem feitas trapos. Mas ninguém percebeu a delicadeza da minha vaidade infantil. Deixassem
que eu sentisse por mim, me incutissem aos poucos a necessidade de cortar os cabelos, nada: uma
decisão à antiga, brutal, impiedosa, castigo sem culpa, primeiro convite às revoltas íntimas: “é preciso
cortar os cabelos desse menino”.
Tudo o mais são memórias confusas ritmadas por gritos horríveis, cabeça sacudida com violência,
mãos enérgicas me agarrando, palavras aflitas me mandando com raiva entre piedades infecundas,
dificuldades irritadas do cabeleireiro que se esforçava em ter paciência e me dava terror. E o pranto,
afinal. E no último e prolongado fim, o chorinho doloridíssimo, convulsivo, cheio de visagens próximas
atrozes, um desespero desprendido de tudo, uma fixação emperrada em não querer aceitar o
consumado.
Me davam presentes. Era razão pra mais choro. Caçoavam de mim: choro. Beijos de mamãe: choro.
Recusava os espelhos em que me diziam bonito. Os cadáveres de meus cabelos guardados naquela
caixa de sapatos: choro. Choro e recusa. Um não conformismo navalhante que de um momento pra
outro me virava homem-feito, cheio de desilusões, de revoltas, fácil para todas as ruindades. De noite
fiz questão de não rezar; e minha mãe, depois de várias tentativas, olhou o lindo quadro de Nossa
Senhora do Carmo, com mais de século na família dela, gente empobrecida mas diz-que nobre, o olhou
com olhos de imploração. Mas eu estava com raiva da minha madrinha do Carmo.
E o meu passado se acabou pela primeira vez. Só ficavam como demonstrações desagradáveis dele,
as camisolinhas. Foi dentro delas, camisolas de fazendinha barata (a gloriosa, de veludo, era só para
as grandes ocasiões), foi dentro ainda das camisolinhas que parti com os meus pra Santos, aproveitar
as férias do Totó sempre fraquinho, um junho.
MÁRIO DE ANDRADE Contos novos. São Paulo: Martins; Belo Horizonte: Itatiaia, 1980.

Mário de Andrade é um escritor conhecido pela adjetivação expressiva e original que utiliza em seus
textos, como nos exemplos sublinhados abaixo:

Toda a gente apreciava os meus cabelos cacheados, tão lentos! (l. 1)


palavras aflitas me mandando com raiva entre piedades infecundas, (l. 15-16)

Descreva o valor expressivo dos dois adjetivos e explique por que o emprego de cada um deles é
peculiar.

4
Português

5. (Unicamp) A propaganda abaixo explora a expressão idiomática ‘não leve gato por lebre’ para construir
a imagem de seu produto:

a) Explique a expressão idiomática por meio de duas paráfrases.


b) Mostre como a dupla ocorrência de BOM BRIL no slogan ‘SÓ BOM BRIL É BOM BRIL’, aliada à
expressão idiomática, constrói a imagem do produto anunciado.

5
Português

Gabarito

1. A essência a que se refere o narrador corresponde a uma visão positiva diante dos fatos. Quanto à
variação de forma, a primeira expressão é constituída de um adjetivo (“estupendo”), a segunda, de um
substantivo e um adjetivo (“sol glorioso”), e a terceira, de um substantivo mais locução adjetiva –
preposição e substantivo (“delícia de vida”).

2. Longes: substantivo comum


Longe: advérbio de lugar
Longes: tempos distantes
Longe: espacialmente distante, longínquo, afastado

3.
a) Rousseau se contrapõe à ideia de que “o homem é naturalmente cruel e que precisa de uma
organização social e política para domá-lo”.
b) De acordo com o texto 3, a piedade natural é uma virtude do homem primitivo que o impede de fazer
mal aos demais.
c) Em todos os casos, os termos são verbos (no particípio passado), excetuando-se o caso de afiadas,
que é um adjetivo.

4. Lentos: dá destaque ao movimento dos cabelos. Porque normalmente é empregado para qualificar a
duração de algo, que não é o caso dos cabelos.
Infecundas: enfatiza a ideia de que as piedades foram inúteis, não tiveram efeito. Porque não costuma
ser empregado para caracterizar um sentimento, mas a terra, os animais, os homens.

5.
a) Considerando que a carne de gato é bastante semelhante à de lebre, mas de qualidade inferior, duas
paráfrases possíveis seriam: “Não adquira um produto de qualidade inferior crendo que é superior”
ou “não adquira um produto guiando-se apenas pela aparência”.
b) A expressão idiomática “Não leve gato por lebre” alerta para o risco de o consumidor se deixar iludir
e adquirir um produto que aparenta ser de qualidade superior, mas na verdade não é. Ao afirmar que
“Só Bom Bril é Bom Bril”, a propaganda manifesta que nenhum outro produto se iguala a “Bom Bril”
(lebre), sendo os demais de qualidade inferior (gatos). Pode-se considerar também que o termo
“Bom Bril” — por um processo metonímico em que o nome de uma marca é usado para designar o
produto, tal qual em Gillete, por exemplo — é comumente usado para referir-se ao produto “palha de
aço”, qualquer que seja sua marca. Assim, a propaganda também lembra o consumidor de que
imitações (gatos), apesar de comumente chamadas de “Bom Bril”, não têm a qualidade do
verdadeiro Bom Bril (lebre).

6
Português

Exercícios sobre Classes gramaticais - II

Exercícios

1. (Fuvest) Leia o seguinte texto, extraído de uma biografia do compositor Carlos Gomes.
No ano seguinte [1860], com o objetivo de consolidar sua formação musical, [Carlos Gomes] mudou-se
para o Rio de Janeiro, contra a vontade do pai, para iniciar os estudos no conservatório da cidade. “Uma
idéia fixa me acompanha como o meu destino! Tenho culpa, porventura, por tal cousa, se foi vossemecê
que me deu o gosto pela arte a que me dediquei e se seus esforços e sacrifícios fizeram-me ganhar
ambição de glórias futuras?”, escreveu ao pai, aflito e cheio de remorso por tê-lo contrariado. “Não me
culpe pelo passo que dei hoje. [...] Nada mais lhe posso dizer nesta ocasião, mas afirmo que as minhas
intenções são puras e espero desassossegado a sua bênção e o seu perdão”, completou.
[Link]

a) Sobre o advérbio “porventura”, presente na carta do compositor, o dicionário Houaiss informa: usa-
se em frases interrogativas, especialmente em perguntas delicadas ou retóricas. Aplica-se ao texto
da carta essa informação? Justifique sua resposta.
b) Cite duas palavras, também empregadas pelo compositor, que atestem, de maneira mais evidente,
que, daquela época para hoje, a língua portuguesa sofreu modificações.

2. (Fuvest) Preciso que um barco atravesse o mar


lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
(...)
Marina Colasanti, Gargantas abertas

Gosto e preciso de ti
Mas quero logo explicar
Não gosto porque preciso
Preciso sim, por gostar.
Mário Lago,
[Link]

Nos poemas acima, as preposições “para” e “por” estabelecem o mesmo tipo de relação de sentido?
Justifique sua resposta.
Sem alterar o sentido do texto de Mário Lago, transcreva-o em prosa, em um único período,
utilizando os sinais de pontuação adequados.

1
Português

3. (UFF) Foi mudando, mudando


Tempos e tempos passaram
por sobre teu ser.
Da era cristã de 1500
até estes tempos severos de hoje,
quem foi que formou de novo teu ventre,
teus olhos, tua alma?
Te vendo, medito: foi negro, foi índio ou foi cristão?
Os modos de rir, o jeito de andar, pele,
gozo,
coração ...
Negro, índio ou cristão?
Quem foi que te deu esta sabedoria,
mais dengo e alvura,
cabelo escorrido, tristeza do mundo,
desgosto da vida, orgulho de branco, algemas, resgates, alforrias?
Foi negro, foi índio ou foi cristão?
Quem foi que mudou teu leite,
teu sangue,
teus pés,
teu modo de amar,
teus santos,
teus ódios,
teu fogo,
teu suor,
tua espuma,
tua saliva,
teus abraços,
teus suspiros,
tuas comidas,
tua língua?
Te vendo, medito: foi negro, foi índio ou foi cristão?
Jorge de Lima, Obra poética

a) Transcreva o refrão do poema e explique o seu sentido, tendo em vista uma temática característica
do movimento modernista.
b) Caracterize o interlocutor do eu lírico no Texto, justificando sua resposta.
c) O Texto aborda as mudanças históricas que ocorrem no tempo. Transcreva integralmente os dois
versos que delimitam o tempo da mudança.

2
Português

Gabarito

1.
a) Sim. O advérbio “porventura” está presente em uma pergunta delicada e retórica. Retórica porque já
contém em si a resposta, isto é, o enunciador não se sente culpado por ter contrariado o pai ao
mudar-se para o Rio de Janeiro, mas se sente afetivamente condoído, daí a delicadeza. Percebe-se
que, na verdade, o propósito do enunciador é afirmar delicadamente que seu ato foi, no fundo,
motivado pelo próprio pai, ao dar-lhe “o gosto pela arte” e ao dedicar-lhe “esforços e sacrifícios” que,
por sua vez, geraram a “ambição de glórias futuras” e a necessidade de mudar-se para o Rio de
Janeiro.
b) As duas palavras que atestam mais evidentemente modificações na língua portuguesa são “cousa”
e “vossemecê”, variantes históricas de “coisa” e “você”, respectivamente.

2.
a) O sentido das preposições essenciais “para” e “por” empregadas nos textos de Marina Colasanti e
Mário Lago, respectivamente, não é o mesmo. A primeira estabelece relação de finalidade (introduz
oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo): manifesta o desejo (a intenção) que o
poeta sente de fugir da inércia (do imobilismo) e de se libertar da rotina (da escravidão do trabalho).
Já a segunda estabelece relação de causa (introduz oração subordinada adverbial causal reduzida
de infinitivo), evidenciando a razão pela qual o enunciador gosta (o motivo que provoca a
necessidade).
b) O texto de Mário Lago, transcrito em um único período, ficaria: Gosto e preciso de ti, mas quero(,)
logo(,) explicar: não gosto porque preciso, preciso sim por gostar.
Outra possibilidade seria: Gosto e preciso de ti, mas quero(,) logo(,) explicar: não gosto porque
preciso; preciso, sim, por gostar

3.
a) (Gabarito oficial da banca) “Te vendo, medito: foi negro, foi índio ou foi cristão?” (Serão aceitas
também as formas abreviadas: “Negro, índio ou cristão?” [verso 12] e “Foi negro, foi índio ou foi
cristão?” [verso 17]) O eu-lírico questiona no refrão quem ou o quê seria responsável pelo ser que se
formou e desenvolveu entre 1500 e o presente do narrador. Percebe-se também uma referência ao
retorno às raízes culturais e à miscigenação.

b) (Gabarito oficial da banca) Trata-se de um ser que tem existência desde a “era cristã de 1500” até o
presente da elocução do eu-lírico (“estes tempos severos de hoje”), o que exclui a possibilidade de
ser uma pessoa individual. Serão aceitas respostas que contemplem entes genéricos, como: o Brasil,
o povo brasileiro etc. Com a devida justificativa.

c) “Da era cristã de 1500


Até estes tempos severos de hoje, “

3
Português

Palavras Invariáveis (Preposições, Interjeições e Palavras


Denotativas)
Resumo

Palavras denotativas
As palavras denotativas possuem essa nomenclatura por não se enquadrarem em nenhuma classe gramatical.
Embora elas se assemelhem, em alguns aspectos, aos advérbios, não possuem uma classificação especial.
No ponto de vista semântico elas são importantes no contexto em que se encontram e são classificadas de
acordo com a ideia que expressam, são elas: designação, exclusão, inclusão, realce, retificação e situação,
afetividade, explanação e limitação.

• Sinto que ele me escapa, ou melhor, que nunca me pertenceu. (retificação)


• Da família só elas duas subsistiam. (exclusão)
• Tudo na Vida engana, até a Glória. (inclusão)
• Só Deus é perfeito. (limitação)
• Ainda bem que o orador foi breve! (afetividade)

Preposição
As preposições relacionam dois termos de uma oração, de forma que o sentido do primeiro (antecedente) é
explicado ou completado pelo segundo (consequente).

Vou (antecedente) a (preposição) Roma (consequente).

Além disso, as preposições denotam diferentes significados dependendo do contexto em que estão inseridas.
Elas podem possuir valores semânticos de: posse, causa, matéria, assunto, companhia, finalidade, instrumento,
lugar, origem, tempo, meio, conformidade, modo e oposição. Veja alguns exemplos:

• Os objetos que foram comprados são feitos com porcelana. (matéria)


• Viajaremos nas férias para descansar. (finalidade)
• Os visitantes vinham do Maranhão. (origem)
• Recebemos as visitas com muita alegria. (modo)

Interjeição
A interjeição é a expressão com que traduzimos uma reação emotiva. Uma mesma interjeição pode
corresponder a sentimentos variados e, por isso, deve-se estar atento ao contexto e a entoação dessa palavra.
Assim como os advérbios, as interjeições também são classificadas de acordo com o sentimento que
denotam. Veja os exemplos mais comuns:

• Alegria: Oba! Oh! Ah!


• Aplauso: Bis! Bravo! Viva!
• Dor: Ai! Ui!
• Espanto ou surpresa: Ah! Ih! Oh! Ué! Puxa!
• Invocação: Alô! Ô! Ó! Olá! Psiu!
• Silêncio: Psiu! Silêncio!
Português

Exercícios

1.

No último quadrinho, a expressão “DROGA!” refere-se a:


a) um substantivo que nomeia o objeto que o menino deveria comprar.
b) um adjetivo que qualifica o modo como a mãe deu a ordem para o menino.
c) um advérbio que acompanha o verbo esquecer, modificando-o em seu valor original.
d) uma interjeição que indica um julgamento negativo do menino sobre sua própria ação.
e) uma conjunção subordinativa que imprime valor de circunstância concessiva ao trecho seguinte.

2. Bode no pasto
Quase ninguém duvidou do saber do homem, do seu poder mágico, pois andava com uns livros de
história, de magia, com versões sobre fatos reais, mistérios, ciências ocultas. Até mesmo os céticos,
críticos, admitiam sua condição de mestre, de domínio da arte, da mágica, reflexo de vivências no país e
no mundo.
Então visto como sábio, senhor de poderes ocultos, o homem prometeu uma façanha, ou seja, domar
bodes, mudar o hábito da espécie. Aí pegou umas folhas, esfregou na venta dum cabrito, e garantiu que
a praga estava eliminada, nunca mais faria estragos naquela terra. (…)
(Nagib Jorge Neto. Diário de Pernambuco. 20/11/98)

As palavras destacadas no texto estabelecem, respectivamente, as seguintes relações lógicas:


a) explicação, soma, comparação, soma, conclusão
b) causa, inclusão, comparação, explicação, situação
c) causa, exclusão, conformidade, retificação, tempo
d) conclusão, soma, conformidade, ratificação, tempo
e) explicação, inclusão, causa, retificação, conclusão
Português

3. Impressionista
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
(Adélia Prado)

Sobre aspectos gramaticais, assinale a opção correta:


a) O vocábulo “uma” (verso 1), por singularizar uma ocasião especificada ao longo do poema, deve ser
tratado como numeral, e não como artigo.
b) No segundo verso, o vocábulo “toda” possui a mesma classificação morfológica que “alaranjado”.
c) A preposição “por”, genericamente, introduz uma indicação de tempo, já que participa de uma
expressão adverbial de valor durativo.
d) O advérbio “constantemente” empresta, além de uma noção de modo, uma de frequência ao verbo
“amanhecendo”, que ele modifica.

4. Observe o fragmento a seguir do “Sermão do Bom Ladrão” de Antônio Vieira:


Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma
tal sentença em Roma. reinando nela Neto; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os
nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos. ou para a emenda, ou para a cautela, não
preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que
calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca. e que
se não podem ofender: e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode
tocar. [..]
Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza
de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu
pecado [...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno os que não só vão, mas levam, de
que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais afta esfera [...]. Não são só ladrões, diz o santo
[São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa;
os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam
os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com
manha, Já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes
roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros,
se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
(Essencial. 2011.)
Os termos destacados constituem, respectivamente,
a) artigo, uma preposição e uma preposição.
b) uma preposição, um artigo e uma preposição.
c) um artigo, um pronome e um pronome.
d) um pronome, uma preposição e um artigo.
e) uma preposição, um artigo e um pronome.
Português

5. Leia esta tira de Orlandeli e assinale a alternativa incorreta.

a) Ainda que flexione o verbo ver no imperativo, o personagem do primeiro quadrinho, ao fazê-lo na
primeira pessoa do plural, faz uma espécie de convite ao colega para conhecerem juntos as novas
regras ortográficas. É como se dissesse: Vamos ver as novas regras.
b) O termo Nossa!!, no segundo quadrinho, não funciona como um pronome possessivo, mas como
uma interjeição, não só porque exprime uma sensação do personagem, como porque, na escrita, as
interjeições vêm, via de regra, acompanhadas de ponto de exclamação.
c) Embora apresente um valor semântico de admiração, de surpresa, a expressão Que coisa..., no
segundo quadrinho, não se configura uma interjeição, pois vem seguida de reticências, que somente
indicam suspensão ou interrupção de uma ideia ou pensamento.
d) Pode-se inferir do terceiro quadrinho que as regras ortográficas são imposições decorrentes do uso
que os falantes fazem da língua, ou seja, como a maioria dos usuários desconhecia a função do
trema e não sabia empregá-lo na escrita, o sinal tornou-se obsoleto, não havendo razão para
continuar existindo nas regras ortográficas da língua.
e) O significado das interjeições está sempre vinculado ao uso, por isso qualquer palavra ou expressão
da língua pode atuar como interjeição, dependendo do contexto e da intenção do falante. Assim,
conclui-se que, por expressarem espanto, as três falas do personagem no segundo quadrinho são
interjeições.
Português

6. Pela internet
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
(Gilberto Gil, 1997.)

“Num site de Helsinque para abastecer”


As preposições sublinhadas expressam as noções, respectivamente, de:
a) origem e finalidade.
b) localização e causalidade.
c) pertencimento e objetividade.
d) causalidade e conclusão.

1
Português

6. Leia o texto a seguir e responda à questão:

As matas ciliares são tão importantes para os rios e lagos, como são os cílios para a proteção dos
nossos olhos. (...) Sem as matas ciliares, as nascentes secam, as margens dos rios e riachos solapam,
o escoamento superficial aumenta e a infiltração da água no solo diminui, reduzindo as reservas de
água do solo e do lençol freático. As consequências são dramáticas para o meio ambiente: a poluição
alcança facilmente os mananciais e a vida aquática é prejudicada, rios e reservatórios transformam-se
em grandes esgotos ou lixões.

Na primeira frase do texto, a preposição para, na oração destacada, foi empregada com o valor
semântico de:
a) finalidade
b) conclusão
c) explicação
d) concessão
e) proporcionalidade

7. O projeto Montanha Limpa, desenvolvido desde 1992, por meio da parceria entre o Parque Nacional de
Itatiaia e a DuPont, visa amenizar os problemas causados pela poluição em forma de lixo deixado por
visitantes desatentos.
(Folheto do Projeto Montanha Limpa do Parque Nacional de Itatiaia)

A preposição que indica que o Projeto Montanha Limpa continua até a publicação do folheto é:
a) entre.
b) por (por visitantes).
c) em.
d) por (pela poluição).
e) desde.

2
Português

8. Neste mundo é mais rico, o que mais rapa


Quem mais limpo se faz, tem mais carepa
Com sua língua ao nobre vil decepa
O Velhaco maior sempre tem capa.
Gregório de Matos
Assinale a alternativa correta:
a) Na expressão “Neste mundo”, o pronome refere-se a um mundo utópico, irreal.
b) Em “Quem mais limpo se faz”, o pronome “se” indica reciprocidade.
c) “Língua” e “capa” são termos empregados em sentido denotativo.
d) A expressão “Com sua língua”, que remete a “nobre”, é indicativa de causa.
e) Em “ao nobre”, emprega-se a preposição para evitar ambiguidade.

9. Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,


Um garbo senhoril, nevada alvura;
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados;

Fios de ouro que enredam meus cuidados,


Alvo peito que cega de candura;
Mil prendas e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados;

Mil extremos de preço mais subido


Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido;

Tão pouco de mim julgo que a mereço,


Que enojá-la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
(Filinto Elísio)
No verso “Metal de voz que enleva de doçura”, a preposição de ocorre duas vezes, formando expressões
que indicam, respectivamente, relação de:
a) posse e consequência.
b) causa e posse.
c) qualificação e causa.
d) modo e qualificação.
e) posse e modo.

3
Português

Gabarito

1. D
A palavra “droga” foi utilizada para expressar uma emoção de seu emissor.

2. B
As palavras “pois” e “como” são conjunções e considerando o contexto no qual foram inseridas,
estabelecem, respectivamente, relação de causa e de comparação; já as demais são palavras denotativas
e estabelecem as seguintes relações lógicas: “até mesmo” (inclusão); “ou seja” (explicação)
e “aí” (situação).

3. C
A preposição “por”, seguida da expressão “muito tempo”, apresenta a ideia de passagem de tempo, ação
de valor durativo.

4. B
A preposição “a” antecede o pronome relativo “quem”, que não admite artigo; o artigo “a” antecede o
substantivo feminino “pobreza”; e a preposição “a” antecede o pronome demonstrativo masculino “este”.

5. C
A interjeição não é definida pela pontuação que a sucede, e sim pelo seu uso. Considerando que “Que
coisa...” exprime espanto, pode-se classificar a expressão como uma interjeição.

6. A
De acordo com a música de Gilberto Gil, pode-se perceber que as preposições “de” e “para” possuem,
respectivamente, o sentido de origem de um site, ou seja, o site é proveniente de Helsinque e tem como
objetivo abastecer.

7. A
No fragmento apresentado, a preposição “para” indica a finalidade dos cílios, ou seja, para a proteção dos
olhos.

8. E
A preposição “desde” apresenta, no fragmento, o sentido que o projeto começou em 1992 e até os dias
de hoje continua existindo no Parque Nacional de Itatiaia.

9. E
No poema de Gregório de Matos, o verso “Com sua língua ao nobre o vil decepa” apresenta uma inversão
dos termos da oração, visto que a palavra “vil” é o sujeito e a palavra “nobre” é objeto direto, que foi
preposicionado para evitar ambiguidade.

4
Português

10. C
Na expressão “metal de voz”, a preposição rege o adjunto que determina metal. Trata-se, na verdade, de
uma transposição, pois o sentido é de “voz de metal”, que qualifica, metaforicamente, o timbre da voz
(soa como se fosse metal). Em “que enleva de doçura”, a preposição indica relação de causa: enleva por
causa da doçura.

5
Português

Exercícios sobre Verbos (Conceito e Flexões)

Exercícios

1. (FUVEST) Sobre o emprego do gerúndio em frases como “Nós vamos estar analisando os seus dados
e vamos estar dando um retorno assim que possível”, um jornalista escreveu uma crônica intitulada
“Em 2004, gerundismo zero!”, da qual extraímos o seguinte trecho:
“Quando a teleatendente diz: “O senhor pode estar aguardando na linha, que eu vou estar transferindo
a sua ligação”, ela pensa que está falando bonito. Por sinal, ela não entende por que “eu vou estar
transferindo” é errado e “ela está falando bonito” é certo.”

a) Você concorda com a afirmação do jornalista sobre o que é certo e o que é errado no emprego do
gerúndio? Justifique sucintamente sua resposta.
b) Identifique qual de seus vários sentidos assume o sufixo empregado na formação da palavra
“gerundismo”. Cite outra palavra em que se utiliza o mesmo sufixo com esse mesmo sentido.

2. (PUC) Nas frases abaixo, os conselhos são expressos com verbos no imperativo. Reescreva esses
comandos, usando outras estruturas frasais em registro formal:
a) “Conheça as normas de etiqueta.”
b) “Leia sobre estratégias de carreira.”

3. (FUVEST) “Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no céu
eternamente, E viva eu cá na terra sempre triste.”
Os verbos “repousa” e “viva” estão no mesmo modo? Explique.

1
Português

4. (UNICAMP) A leitura atenta do poema de Mário Quintana, transcrito a seguir, permite que se
identifiquem, de maneira clara, referências a dois momentos diferentes: o presente e o passado.
Pesquisa
Na gostosa penumbra da Biblioteca Pública,
leio velhos jornais
e
dos anúncios prescritos
das novidades caducas
dos poetas mortos há tanto tempo que parecem
[de novo estreantes
das ferocíssimas campanhas políticas do ano
[de 1910
– brotam como balões meus sábados azuis,
as horas bebidas aos goles
(num copo azul),
e as ruas de poeira e sol onde bailam sozinhos
os meus sapatos de colegial
(Mário Quintana, APONTAMENTOS DE HISTÓRIA SOBRENATURAL)

a) Transcreva palavras ou expressões do poema que remetem a esses dois momentos.


b) Como se explica que, no poema, formas verbais no presente possam fazer referência tanto ao
tempo presente quanto ao tempo passado?

2
Português

Gabarito

1.
a) Se levarmos em conta o uso do gerúndio prescrito pela gramática normativa, sim, pois o gerúndio
não deve ser empregado para indicar uma ação futura (como acontece na fala da teleatendente,
configurando, assim, o vício de linguagem chamado gerundismo). Nesse caso, o ideal seria utilizar
o infinitivo “vou transferir”. Na segunda construção, o emprego de gerúndio está correto. No entanto,
é importante levar em consideração o preconceito linguístico na fala do jornalista, já que, ainda que
tenha desvio gramatical, a fala da atendente é entendida pelos seus interlocutores.
b) O sufixo “ismo” indica, nesse caso, algo com uma frequência viciosa. O mesmo acontece, por
exemplo, em “consumismo”.

2. (Gabarito oficial Puc-Rio)


a) As normas de etiqueta devem ser conhecidas.
b) Deve-se ler sobre estratégias de carreira.

3. Não. “Repousa” está no modo imperativo, pois entendemos que “alma minha gentil” é um vocativo; já o
segundo verbo (“viva”) está no modo subjuntivo, pois indica uma ideia de desejo.

4.
a) Momento presente: “leio”, “novidade”, “estreante”;
Momento passado: “velhos jornais”, “anúncios prescritos”, “há tanto tempo”, “novidades caducas”.
b) Os verbos “brotam”, “bailam”, por exemplo, estão no presente, mas fazem referência a uma
lembrança do eu lírico. Por isso, temos um presente remetendo ao passado.

3
Material de apoio do Extensivo

Português
Professor: Eduardo Valladares

Exercícios de Verbos (Semântica a


Estilística)
Ler e crescer
Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir,
constatar, enfim, refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo, a produção textual vem se
ampliando ao longo da história. As conquistas tecnológicas e a democratização da educação
trazem a esse acervo uma multiplicação exponencial, que começa a afligir homens e mulheres de
várias formas. Com a angústia do excesso. A inquietação com os limites da leitura. A sensação de
hoje ser impossível abarcar a totalidade do conhecimento e da experiência (ingênuo sonho de
outras épocas). A preocupação com a abundância da produção e a impossibilidade de seu
consumo total por meio de um indivíduo. O medo da perda. A aflição de se querer hierarquizar ou
organizar esse material. Enfim, constatamos que a leitura cresceu, e cresceu demais.
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça.
Precisa crescer muito mais. Assim, multiplicamos campanhas de leitura e projetos de fomento do
livro. Mas sabemos que, com todo o crescimento, jamais a leitura conseguirá acompanhar a
expansão incontrolável e necessariamente caótica da produção dos textos, que se multiplicam
ainda mais, numa infinidade de meios novos. Muda-se então o foco dos estudiosos, abandona-se
o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura, multiplicam-se as
reflexões sobre livros e leitura, numa tentativa de ao menos entendermos o que se passa, já que
é um mecanismo que recusa qualquer forma de domínio e nos fugiu ao controle completamente.
Falar em domínio e controle a propósito da inquietação que assalta quem pensa nessas questões
equivale a lembrar um aspecto indissociável da cultura escrita, e nem sempre trazido com clareza
à consciência: o poder.
Ler e escrever é sempre deter alguma forma de poder. Mesmo que nem sempre ele se exerça
sob a forma do poder de mandar nos outros ou de fazer melhor e ganhar mais dinheiro (por ter
mais informação e conhecer mais), ou sob a forma de guardar como um tesouro a semente do
futuro ou a palavra sagrada como nos mosteiros medievais ou em confrarias religiosas, seitas
secretas, confrarias de todo tipo. De qualquer forma, é uma caixinha dentro da outra: o poder de
compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras possibilidades de
compreensão sempre significou poder – o tremendo poder de crescer e expandir os limites
individuais do humano.
Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas
atitudes antagônicas dos tempos modernos. Uma, autoritária, tenta impedir que a leitura se
espalhe por todos, para que não se tenha de compartilhar o poder. Outra, democrática, defende a
expansão da leitura para que todos tenham acesso a essa parcela de poder.
Do jeito que a alfabetização está conseguindo aumentar o número de leitores, paralelamente à
expansão da produção editorial que está oferecendo material escrito em quantidades jamais
imaginadas antes, e ainda com o advento de meios tecnológicos que eliminam as barreiras entre
produção e consumo do material escrito, tudo levaria a crer que essa questão está sendo
resolvida. Será? Na verdade, creio que ela se abre sobre outras questões. Que tipo de
alfabetização é esse, a que tipo de leitura tem levado, com que tipo de utilidade social?
(MACHADO, Ana Maria. [Link])

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Material de apoio do Extensivo

Português
Professor: Eduardo Valladares
1. ―tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? (l. 35)‖
O emprego da forma verbal ―levaria‖ e a forma interrogativa que se segue – ―Será?‖ – sugerem
um procedimento argumentativo, empregado no texto.
Esse procedimento está explicitado em:
a) A exposição de um problema que será detalhado
b) A incerteza diante de fatos que serão comprovados
c) A divergência em relação a uma ideia que será contestada
d) O questionamento sobre um tema que se mostrará limitado

Múltiplo sorriso
Pendurou a última bola na árvore de Natal e deu alguns passos atrás. Estava bonita. Era um
pinheiro artificial, mas parecia de verdade. Só bolas vermelhas. Nunca deixava de armar sua
árvore, embora as amigas dissessem que era bobagem fazer isso quando se mora sozinha.
Olhou com mais vagar. Na luz do fim da tarde, notou que sua imagem se espelhava nas bolas.
Em todas elas, lá estava seu rosto, um pouco distorcido, é verdade – mas sorrindo. ―Estão
vendo?‖, diria às amigas, se estivessem por perto.
―Eu não estou só.‖
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2010.)

2. ――Estão vendo?‖, diria às amigas, se estivessem por perto.―


O trecho acima revela o choque entre o mundo imaginário da personagem e a realidade de sua
solidão.
Esse choque entre imaginação e realidade é enfatizado pela utilização do seguinte recurso de
linguagem:
a) O uso das aspas duplas
b) O emprego dos modos verbais
c) A presença da forma interrogativa
d) A referência à proximidade espacial

3. ((PUC 2011) a) Mantendo-se fiel ao sentido original, reescreva o seguinte trecho extraído do
Texto 4, de acordo com o novo começo indicado:
―Desenterraria os ossos do dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna
de madeira preciosa‖
Recolheria os ossos...
b) A palavra item, no primeiro parágrafo do Texto 4, funciona como um sinal de coesão, marcando
a relação entre o período que introduz e o anterior. Levando em conta essa relação, indique outra
expressão coesiva que possa substituir item nesse contexto.
c) Passe para o futuro a seguinte frase extraída do texto 4:
Foi preciso que lhe apegassem muito as mãos, com força – a força dos parabéns.

4. (FUVEST 2011 – 1ª Fase) Todo o barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que
fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna.
O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era
um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.

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Material de apoio do Extensivo

Português
Professor: Eduardo Valladares
— Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
— Sim, eu também sangro...
— Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar a gente a bordo; morre-
se ali que é uma praga.
— Homem, eu da cirurgia não entendo muito...
— Pois já não disse que sabe também sangrar?
— Sim...
— Então já sabe até demais.
No dia seguinte saiu o nosso homem pela barra fora: a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria
sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro;
restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta.
Por um feliz acaso logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros; chamou-se o
médico; ele fez tudo o que sabia... sangrou os doentes, e em pouco tempo estavam bons,
perfeitos. Com isto ganhou imensa reputação, e começou a ser estimado.
Chegaram com feliz viagem ao seu destino; tomaram o seu carregamento de gente, e voltaram
para o Rio. Graças à lanceta do nosso homem, nem um só negro morreu, o que muito contribuiu
para aumentar-lhe a sólida reputação de entendedor do riscado.
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.

Para expressar um fato que seria consequência certa de outro, pode-se usar o pretérito imperfeito
do indicativo em lugar do futuro do pretérito, como ocorre na seguinte frase:
a) ―era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo‖.
b) ―você estava bem bom, se quisesse ir conosco‖.
c) ―Pois já não disse que sabe também sangrar?‖.
d) ―de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro‖.
e) ―logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros‖.

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Português

Exercícios sobre palavras variáveis (adjetivo e numeral)

Exercícios

1. Analise as palavras assinaladas nas frases que vêm a seguir, de acordo com o código:

1. Substantivo
2. Adjetivo
3. Advérbio

a) Tivemos a melhor impressão possível. ( )


b) Cantavam melhor do que nós. ( )
c) O mal se paga com o bem. ( )
d) Nunca me senti tão mal. ( )
e) Cercou-se de maus amigos. ( )
f) Havia apenas meia laranja de cada um. ( )
g) Não havia bastantes exemplos para confirmar a regra. ( )
h) Não iremos longe. ( )

1
Português

2. (UFF) Pero Vaz Caminha


A descoberta
Seguimos nosso caminho
por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão
saradinhas
Que de nós as muito olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
(ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1978. p.80.)

A conversão de substantivos em adjetivos, isto é, tomar uma palavra designadora (substantivo) e usá-
la como caracterizadora (adjetivo), constitui um procedimento comum em língua portuguesa. Assinale
a opção em que a palavra sublinhada exemplifica este procedimento de conversão de substantivo em
adjetivo.
a) E depois a tomaram como espantados.
b) Fez o salto real.
c) Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis.
d) Com cabelos mui pretos pelas espáduas.
e) E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas.

3. Certos adjetivos, de tão usados, acabam se esvaziando do seu verdadeiro significado e, em


consequência disso, são usados inadequadamente. É o que ocorrem nos trechos que seguem:
a) O presidente eleito anunciou que vai dar prioridade absoluta ao setor social. Qual o significado de
“prioridade”? Qual o significado de “absoluta”? Por que é inadequado dizer “prioridade absoluta”?
b) “Trata-se de um atleta especialista em todas as modalidades esportivas.”. Qual é o adjetivo usado
inadequadamente? Por quê?

2
Português

4. (Fuvest)
a) Dê os numerais correspondentes a três vezes maior e três vezes menor.
b) A forma “primeira” é um numeral ordinal. Dê o numeral ordinal correspondente a 1075.

5. Leia o texto publicitário que vem reproduzido a seguir em uma propaganda da Coca-Cola:
“Ei, garçom! Traga 65 fábricas, 340.000 empregos, 980.000 pontos de compra, 14.000 veículos,
560.000.000 em investimentos, [Link] de faturamento e 1,1 bilhões de reais em impostos aqui
no Brasil.”

Agora, considera as afirmações a seguir:


I. Por meio, basicamente, de uma sequência de numerais, o anúncio destacas os benefícios
associados que o produto anunciado traz para o Brasil.
II. O anúncio explora a classe dos numerais e a ideia de exatidão a eles associada como recurso
argumentativo, destinado a persuadir o leitor de que o consumo do produto traz vantagens para a
economia do país.
III. O recurso argumentativo mais forte deste anúncio está concentrado mais diretamente nas
múltiplas qualidades do produto anunciado.
São corretos apenas:
a) I
b) II
c) III
d) I e III
e) I e II

3
Português

Gabarito

1.
a) (2) Adjetivo – pois atribui uma característica ao substantivo “impressão”.
b) (3) Advérbio – pois se refere ao verbo “cantar”, atribuindo uma circunstância de modo a ele.
c) (1) Substantivo – nesse caso, a palavra sofreu uma substantivação pelo artigo “o” anteposto a ela.
d) (2) Adjetivo – a palavra está caracterizando o substantivo “amigos” e acompanha a variação
(masculino plural).
e) (2) Adjetivo – a palavra “meia” está caracterizando o substantivo “laranja” e acompanha sua
variação.
f) (2) Adjetivo – a palavra “bastantes” acompanha em gênero e número o substantivo “exemplos”.
g) (3) Advérbio – a palavra “longe” está atribuindo uma circunstância de lugar ao verbo “ir”.

2. C
O vocábulo “moças” é ressignificado e assume o sentido de “novas”, portanto, é deslocado da função
de substantivo para a de adjetivo.

3.
a) A palavra “prioridade” significa “um destaque”, “algo que é mais importante”. “Absoluta” é aquilo que
é único/imbatível. Não é adequado dizer “prioridade absoluta”, pois acaba virando um pleonasmo,
já que aquilo que é prioridade, naturalmente, já é algo único/imbatível. Dessa forma, é redundante.
b) A palavra “especialista” indica que alguém tem um conhecimento aprofundado em relação a um
determinado assunto. Por isso, dizer que o atleta é “especialista em todas as modalidades” acaba
sendo incoerente, pois não é possível que ele tenha se especializado em, literalmente, todas.

4.
a) Três vezes maior = triplo ou tríplice. Três vezes menor = terça parte ou um terço.
b) 1075º = Milésimo septuagésimo quinto (lugar).

5. E
I. Está correto. Os ganhos são evidenciados por numerais.
II. Está correto. Os numerais dão um peso argumentativo ao anúncio, concretizando os dados.
III. Está incorreto, pois o recurso argumentativo mais forte não está focado na qualidade do produto,
mas no benefício econômico que ele traz ao Brasil.

4
Português

Verbos: conceito e locução verbal

Resumo

Verbo é uma palavra de forma variável que exprime o que se passa, isto é, um acontecimento representado no
tempo. Tal expressividade é manifestada em indicações de ação, estado ou fenômenos da natureza.

Ex.:
I. Estudamos ontem à noite.
II. Choveu muito pela manhã.
III. Ana continua a comer.
IV. Luana estava linda na festa.

Flexões verbais
Os verbos podem variar em número, pessoa, modo, tempo, aspecto e voz.

I. Número: Estudo (singular); Estudamos (plural)


II. Pessoa: Podemos dizer que seriam os pronomes do caso reto. “Eu” e “nós” quando se trata daquele que
fala; “Tu” e “vós” são a quem se fala; “Ele” ou “ela” e “eles” ou “elas” são as pessoas de quem se fala.
III. Modos: Indicam certeza, dúvida, mando, suposição; são as formas possíveis dos verbos para indicar essas
atitudes sobre o que se enuncia. Na Língua Portuguesa, temos 3 modos: Indicativo, Subjuntivo e Imperativo.
IV. Tempo: como o próprio nome já diz, é a variação que indica o momento em que ocorre o fato expressado
pelo verbo. São o Presente e as subdivisões de Pretérito (Passado) e Futuro, englobadas por seus
respectivos modos.
V. Aspecto: manifesta o ponto de vista do locutor sobre a ação expressa pelo verbo. Isso se reflete na divisão
dos tempos verbais em perfeitas, mais-que-perfeitas e imperfeitas. Aqui, considera-se se a expressividade
do verbo mostra a ação concluída, ou não concluída. Essa noção também aparece nos verbos auxiliares:
Posso estudar mais. / Pode chover hoje.

Ex. 1: Ele estudava muito. (A ação começou no passado, foi contínua durante um tempo e terminou no passado.
Note que no presente, o sujeito “ele” já não estuda);

Ex. 2: Ele estudou ontem. (A ação é mais pontual, não tem ideia de continuidade).

Ex. 3: Ele explicou que estudara muito antes da prova. (A ação do verbo “estudar” é anterior a do verbo
“explicar”)

Outra questão pertinente ao aspecto verbal é o contexto em que ele acontece:

Ex. 4: João começou a comer. João continua a comer. João acabou de comer. (Note que o verbo auxiliar
acrescenta valores ao verbo principal, alterando, assim, seu aspecto)
VI. Vozes:
I. Ativa, quando a ação do verbo é praticada pelo sujeito. Ex.: Caio jogou bola na rua.
II. Passiva, quando o sujeito sofre a ação. Ex.: O muro foi pintado por mim.
III. Reflexiva, quando a ação é praticada e sofrida pelo sujeito. Ex.: Ana feriu-se.
Português

Locução verbal
É o conjunto formado por um verbo auxiliar e um verbo principal, no qual se conjuga apenas o auxiliar; o verbo
principal sempre vem em uma de suas formas nominais: particípio, gerúndio ou infinitivo impessoal. Os
auxiliares mais comuns são: ter, haver, ser e estar. Porém, nada impede que outros verbos assumam essa
função.

Obs: Quando os verbos “ter” e “haver” forem auxiliares de verbos principais no infinitivo e contribuírem para
exprimir obrigatoriedade ou firme propósito, o uso de preposição antes do verbo principal se faz necessário.
Ex.: Tenho de cantar neste espetáculo!

Obs2: As preposições são exigidas pela relação de regência que se estabelece entre elas e o verbo. Numa
locução verbal, é o segundo verbo que rege a preposição. Portanto, mesmo se o primeiro verbo da locução
reger uma preposição, ela deve ser abandonada nesse tipo de construção.
Ex.:
Se ela precisar de viajar, não vou me opor. (Incorreto);
Se ela precisar viajar, não vou me opor. (Correto)

ATENÇÃO: Os verbos transitivos indiretos podem apresentar como complemento um verbo no infinitivo. Nesse
caso, não se trata de uma locução verbal, já que o primeiro verbo não é um auxiliar ou modal. Portanto, o
emprego da preposição é obrigatório.
Ex.: Mariana gosta de ir ao shopping.

No exemplo anterior, há o verbo gostar (verbo transitivo indireto = rege a preposição "de").
Português

Exercícios

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:


Memórias do cárcere

1
Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos − e, antes de começar,
digo os motivos por que silenciei e por que me decido. Não conservo notas: algumas que tomei foram
inutilizadas, e assim, 16com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível,
redigir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria superior às minhas forças, esperei que outros mais aptos
se ocupassem dela. Não vai aqui falsa modéstia, como adiante se verá. 2Também me afligiu a ideia de jogar
no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las,
9
dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de romance; mas teria eu o direito de 5utilizá-las em história
presumivelmente verdadeira? Que diriam elas se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo
palavras contestáveis e obliteradas?
(...)
O receio de cometer indiscrição exibindo em público pessoas que tiveram comigo convivência forçada
já não me apoquenta. Muitos desses antigos companheiros distanciaram-se, apagaram-se.
10
Outros permaneceram junto a mim, ou vão reaparecendo ao cabo de longa ausência, alteram-se,
completam-se, avivam recordações meio confusas − e não vejo inconveniência em mostrá-los.
(...)
E aqui chego à última objeção que me impus. 13Não resguardei os apontamentos obtidos em largos
dias e meses de observação: num momento de aperto fui obrigado a atirá-los na água. 6Certamente me irão
fazer falta, mas terá sido uma perda irreparável? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse
material. 17Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com
rigor a hora exata de uma partida, 11quantas demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de
bruma, a cor das folhas que tombavam das árvores, num pátio branco, a forma dos montes verdes, tintos de
luz, frases autênticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que significa isso? 15Essas coisas verdadeiras podem não
ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam
pouco. Outras, porém, conservaram-se, cresceram, associaram-se, e é inevitável mencioná-las.
7
Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (...)14Nesta reconstituição de fatos velhos, neste
esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. 3Outros devem possuir lembranças diversas. Não
as contesto, mas espero que não recusem as minhas: 4conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão
de realidade. Formamos um grupo muito complexo, que se desagregou. De repente nos surge a necessidade
urgente de recompô-lo. Define-se o ambiente, as figuras se delineiam, vacilantes, ganham relevo, a ação
começa. 18Com esforço desesperado arrancamos de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terríveis nos
assaltam. De que modo reagiram os caracteres em determinadas circunstâncias? O ato que nos ocorre, nítido,
irrecusável, terá sido realmente praticado? Não será incongruência? Certo a vida é cheia de incongruências,
mas estaremos seguros de não nos havermos enganado? Nessas vacilações dolorosas, 12às vezes
necessitamos confirmação, apelamos para reminiscências alheias, convencemo-nos de que a minúcia
discrepante não é ilusão. Difícil é sabermos a causa dela, 8desenterrarmos pacientemente as condições que a
determinaram. Como isso variava em excesso, era natural que variássemos também, apresentássemos falhas.
Fiz o possível por entender aqueles homens, penetrar-lhes na alma, sentir as suas dores, admirar-lhes a relativa
grandeza, enxergar nos seus defeitos a sombra dos meus defeitos. Foram apenas bons propósitos: devo ter-
me revelado com frequência egoísta e mesquinho. E esse desabrochar de sentimentos maus era a pior tortura
que nos podiam infligir naquele ano terrível.

GRACILIANO RAMOS
Memórias do cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2002.

1. Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado.
(ref.14)

O uso do verbo “julgar”, no fragmento acima, promove uma correção do que estava dito imediatamente
antes. Essa correção é importante para o sentido geral do texto porque:
a) questiona a validade de romancear fatos
b) minimiza o problema de narrar a memória
c) valoriza a necessidade de resgatar a história
d) enfatiza a dificuldade de reproduzir a realidade
Português

2. Normalmente, é possível omitir elementos de construção de frases sem dificultar a compreensão do


leitor, uma vez que ficam subentendidos pelo conjunto da própria estrutura ou pela sequência em que
se apresentam.
O exemplo do texto em que há omissão de elementos de construção de frases, sem prejuízo da
compreensão, é:
a) com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta
narrativa. (ref.16)
b) Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com
rigor a hora exata de uma partida, (ref.17)
c) Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (ref.7)
d) Com esforço desesperado arrancamos de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terríveis nos
assaltam. (ref.18)

3. Em sua reflexão acerca das possibilidades de recompor a memória para escrever o livro, o narrador
utiliza um procedimento de construção textual que contribui para a expressão de suas inquietudes. Tal
procedimento pode ser identificado como:
a) encadeamento de fatos passados.
b) extensão de parágrafos narrativos.
c) sequência de frases interrogativas.
d) construção de diálogos presumidos.

4. Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. (ref.15)


Com a frase acima, o escritor lembra um princípio básico da literatura: a verossimilhança − isto é, a
semelhança com a verdade − é mais importante do que a verdade mesma. A melhor explicação para
este princípio é a de que a invenção narrativa se mostra mais convincente se:
a) parece contar uma história real.
b) quer mostrar seu caráter ficcional.
c) busca apoiar-se em fatos conhecidos.
d) tenta desvelar as contradições sociais.

5. Leia a fábula “A raposa e o lenhador”, do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?)

Enquanto fugia de caçadores, uma raposa viu um lenhador e lhe pediu que a escondesse. Ele sugeriu
que ela entrasse em sua cabana e se ocultasse lá dentro. Não muito tempo depois, vieram os caçadores
e perguntaram ao lenhador se ele tinha visto uma raposa passar por ali. Em voz alta ele negou tê-la visto,
mas com a mão fez gestos indicando onde ela estava escondida. Entretanto, como eles não prestaram
atenção nos seus gestos, deram crédito às suas palavras.
Ao constatar que eles já estavam longe, a raposa saiu em silêncio e foi indo embora. E o lenhador se pôs
a repreendê-la, pois ela, salva por ele, não lhe dera nem uma palavra de gratidão. A raposa respondeu:
“Mas eu seria grata, se os gestos de sua mão fossem condizentes com suas palavras.”
ESOPO, G. Fábulas completas, 2013.

Os trechos “Ele sugeriu que ela entrasse em sua cabana” e “vieram os caçadores e perguntaram ao
lenhador se ele tinha visto uma raposa” foram construídos em discurso indireto. Ao se transpor tais
trechos para o discurso direto, o verbo “entrasse” e a locução verbal “tinha visto” assumem,
respectivamente, as seguintes formas:
a) “entrai” e “vira”.
b) “entrou” e “viu”.
c) “entre” e “vira”.
d) “entre” e “viu”.
e) “entrai” e “viu”.
Português

6. Importância da atividade física


Mas o que é atividade física? De acordo com Marcello Montti, atividade física é definida como um
conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica envolvendo gasto de energia e
alterações do organismo, por meio de exercícios que envolvam movimentos corporais, com aplicação
de uma ou mais aptidões físicas, além de atividades mentais e sociais, de modo que terá como
resultados os benefícios à saúde.
No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande importância. As pesquisas
mostram que a população atual gasta bem menos calorias por dia do que gastava há 100 anos, o que
explica por que o sedentarismo afetaria aproximadamente 70% da população brasileira, mais do que a
obesidade, a hipertensão, o tabagismo, o diabetes e o colesterol alto. O estilo de vida atual pode ser
responsabilizado por 54% do risco de morte por infarto e por 50% do risco de morte por derrame cerebral,
as principais causas de morte em nosso país. Assim, vemos como a atividade física é assunto de saúde
pública.
Texto adaptado. Disponível em: [Link]

No texto apresentado, é dito que “No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande
importância”. Pode-se falar sobre a locução verbal que:
a) seu verbo auxiliar está no presente do indicativo.
b) sua conjugação refere-se ao momento passado.
c) seu verbo principal está no futuro do pretérito.
d) seu complemento é “um problema”.
e) seu sujeito é “o sedentarismo”.

7. No dia seguinte fui à casa da filha do dono da livraria [...]. Não me mandou entrar. Olhando bem para
meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte
para buscá-lo. [...] Dessa vez nem caí; guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas
ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Clarice Lispector. Felicidade Clandestina. RJ: ed. Rocco, 1998. p. 9.

Marque a alternativa incorreta quanto à análise gramatical do texto.


a) A ausência da vírgula para indicar o deslocamento da expressão adverbial sublinhada constitui erro
de pontuação nos trechos: 1. No dia seguinte fui à casa da filha do dono da livraria [...]; 2. Dessa vez
nem caí; 3. [...] os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, [...]
b) A oração “Não me mandou entrar.” pode ser escrita, sem alteração de sentido, da seguinte forma:
“Não mandou que eu entrasse.”
c) O adjunto adverbial exigido pelo verbo “ir” tanto pode ser introduzido pela preposição “a”, conforme
no texto, como pode ser introduzido pela preposição “em”: “No dia seguinte fui na casa da filha do
dono da livraria [...]”.
d) A locução verbal “havia emprestado”, no trecho “[...] disse-me que havia emprestado o livro a outra
menina, [...]”, corresponde ao pretérito mais-que-perfeito composto, podendo, pois, ser substituído
corretamente por “emprestara”, que é o pretérito mais-que-perfeito simples do verbo “emprestar”.
e) O nome “amor” pode relacionar-se com complementos precedidos das preposições “a”, “de” e “por”.
Em “[...] o amor pelo mundo me esperava [...]”, a preposição “por” pode ser substituída pela
preposição “a”, sem que o sentido da expressão seja alterado.
Português

8. Do lado de fora dos muros da Febem, a realidade da infância no Brasil é igualmente revoltante. Segundo
dados do IBGE, 40% das crianças brasileiras entre zero e 14 anos vivem em condições miseráveis, ou
seja, a renda mensal familiar não passa de metade do salário mínimo. O desafio é tão dramático que
muita gente acaba dando de ombros, convencida de que se chegou a uma situação da qual não há
retorno. É um erro. Neste momento, milhares de fundações e organizações não governamentais, ONGs,
estão demonstrando como boas ideias, um pouco de dinheiro e muita disposição podem mudar essa
realidade para melhor. Se elas conseguem realizar transformações positivas em universos limitados o
bom senso indica que basta copiar o exemplo apropriado. Estima-se que só as fundações (...) estejam
investindo 500 milhões de reais por ano numa infinidade de programas de cunho educacional, cultural,
esportivo, de saúde, lazer e até mesmo de estímulo a iniciativas governamentais bem-sucedidas. Estão
mostrando como é possível, se não resolver o problema de milhões, pelo menos prevenir o de centenas
de milhares e recuperar outros tantos.

“ESTÃO MOSTRANDO como é possível, se não resolver o problema de milhões, pelo menos prevenir O
de centenas de milhares e recuperar outros tantos.”
Analise o excerto. A locução verbal e o pronome destacados, no processo coesivo textual, referem-se,
respectivamente, a:
a) “fundações e organizações não governamentais.”
b) “transformações” e “bom senso”.
c) “fundações” e “estímulo”.
d) “programas” e “desafio”.
e) “iniciativas governamentais” e “retorno”.

9. Assinale a opção que descreve corretamente UMA das ocorrências de formas verbais em fragmentos
da obra "Os colegas":
(1) - Não vai dar pé, ninguém vai acreditar que você é dono deles.
(2) - E o bom daquele sonho é que ela ia acordar e ver que tudo que tinha sonhado continuava a ser
verdade.
(3) - Pega a mangueira aí!
- Desenrola!
- Engata naquela torneira!
- Abre a torneira todinha!

a) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no imperfeito do indicativo em vez do
futuro do pretérito.
b) Uso do pretérito-mais-que-perfeito simples em vez do pretérito imperfeito do indicativo.
c) Uso de formas do subjuntivo em vez do imperativo.
d) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no imperfeito do indicativo em vez do
imperfeito do indicativo.
e) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no presente do indicativo em vez do
presente do subjuntivo.

1
Português

10. O menino da porteira


Toda a vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino,
De longe eu avistava
A figura de um menino,
Que corria abri[r] a porteira
Depois vinha me pedindo:
– Toque o berrante, seu moço,
Que é p’ra mim ficá[ar] ouvindo.
Luisinho, Limeira e Zezinha, 1955.

Meu bem querer


Meu bem-querer
É segredo, é sagrado,
Está sacramentado
Em meu coração.
Meu bem-querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção.
Meu bem-querer, meu encanto,
Tô sofrendo tanto, amor.

E o que é o sofrer
Para mim, que estou
Jurado p’ra morrer de amor?
Djavan. Alumbramento. Emi-Odeon, 1980.

“O menino da porteira”, gravado em 1955, mostra-se como um significativo exemplo de projeção da


linguagem oral cotidiana na poesia-canção popular brasileira. Observe o verso “Que é p’ra mim ficá[ar]
ouvindo”, e compare-o com o verso “Pra mim, que estou”, de Djavan. Num deles ocorre um fato
linguístico que a gramática normativa considera “erro de português”. A indicação do “erro” e a
“correção” correspondente estão em:
a) p’ra mim, de “O menino da porteira”, que deveria ser corrigida para p’ra eu, pois o pronome pessoal
eu é objeto direto da locução verbal ficá ouvindo.
b) para mim, de “Meu bem-querer”, que deveria ser corrigida para para eu, porque o pronome pessoal
eu é sujeito do verbo estou.
c) para mim, de “Meu bem-querer”, que deveria ser corrigida para p’ra eu, por analogia a p’ra morrer,
do verso seguinte.
d) p’ra mim, de “O menino da porteira”, que deveria ser corrigida para p’ra eu, uma vez que o pronome
pessoal eu é sujeito da locução verbal ficá ouvindo.
e) p’ra mim, de “O menino da porteira”, que deveria ser corrigida para para eu, por se tratar de uma
locução adverbial.

2
Português

Gabarito
1. D
No contexto, o verbo “julgar” adquire o valor semântico de supor, considerar, imaginar, enfatizando a
dificuldade de reproduzir a realidade.
2. C
O termo “leviandade” constitui a resposta curta, transcrita em frase nominal, à pergunta anteriormente
formulada (“Afirmarei que sejam absolutamente exatas?”). Fica subentendido pelo conjunto da própria
estrutura que o narrador considera insensato atribuir qualidade de absoluta exatidão às lembranças do
passado.
3. C
O narrador, perante as dúvidas quanto à composição da narrativa através do fluxo da memória (“Dúvidas
terríveis nos assaltam”), formula uma série de interrogações na tentativa de encontrar uma resposta que
acalme as suas inquietudes (“De que modo reagiram os caracteres em determinadas circunstâncias? O
ato que nos ocorre, nítido, irrecusável, terá sido realmente praticado? Não será incongruência? Certo a
vida é cheia de incongruências, mas estaremos seguros de não nos havermos enganado?”).
4. A
Se, na literatura, a “verossimilhança” (harmonia entre os elementos fantasiosos ou imaginários) é mais
importante do que a verdade mesma, então a invenção narrativa mostra-se mais convincente se parecer
contar uma história real.
5. D
No discurso direto, o verbo “entrasse” (pretérito imperfeito do subjuntivo” e a locução verbal “tinha visto”
(pretérito mais que perfeito composto) seriam substituídos pelo imperativo afirmativo “entre” e pretérito
perfeito do indicativo “viu”.
6. A
A locução é formada pelo auxiliar “ser”, no presente do indicativo, e pelo verbo principal “assumir”, no
gerúndio.
7. C
O verbo ir é regido pela preposição “a”. Não seria correto, portanto, dizer “fui na”.
8. A
Era preciso apenas entender quem era o sujeito da locução verbal e a qual termo o pronome se referia.
9. A
A própria alternativa se justifica, porque apresenta a explicação gramatical correta.
10. D
Os pronomes pessoais do caso reto sempre são sujeitos dos verbos. O pronome MIM não poderia ser
sujeito, já que é oblíquo e funciona normalmente como objeto.

3
Português

Verbos: formas nominais

Resumo

Formas nominais
Infinitivo impessoal: o processo verbal não possui um sujeito específico, ou seja, fala-se da ação por ela
mesma.
Ex.: Resolver problemas faz parte da vida adulta.

Infinitivo pessoal: existe um sujeito envolvido na ação, o que a torna pessoal.


Ex.: Trouxe alguns exercícios para eles resolverem.

Gerúndio: indica uma noção de continuidade ao processo verbal. Muitas vezes, vem acompanhado por um
verbo auxiliar.
Ex.: Estou dirigindo.
Viajando, expandimos nossa visão de mundo.

Particípio: indica uma noção de finalização, conclusão da ação verbal. O particípio aparece nas locuções
verbais de voz passiva analítica (ser + particípio) e de tempo composto (ter/haver + particípio).
Ex.: Terminada a festa, os convidados já haviam partido.
A festa teria acabado por volta das 5 da manjã.
A reforma educacional deve ser aprovada pelos profissionais da área.

1
Português

Exercícios

1. O gerúndio, uma das formas nominais do verbo, está sendo utilizado de maneira adequada em todas
as alternativas, exceto:
a) A vida vai passando enquanto estamos ocupados fazendo planos.
b) Eles estavam sorrindo, brincando e aproveitando o passeio no parque.
c) Eu vou estar entrando em contato para estar resolvendo o problema.
d) Ando procurando soluções para meus problemas.

2. “Acesas” é particípio adjetivo de “acender”, verbo chamado abundante, porque possui dupla forma de
particípio (acendido e aceso). Em abundância, que é geralmente do particípio, em alguns verbos ocorre
em outras formas. Assim, por exemplo, é o caso de:
a) coser
b) olhar
c) haver
d) vir
e) dançar

3. Sobre as formas nominais do verbo, estão corretas as seguintes proposições:

I. A principal característica do gerúndio é conferir ao verbo uma ideia de continuidade, ou seja, de


uma ação que ainda está em andamento e que, por isso, não foi finalizada.
II. Assim como o gerundismo, considerado um vício de linguagem, o gerúndio também deve ser
evitado.
III. O infinitivo pessoal é construído sem sujeito porque não faz referência a uma pessoa gramatical.
Dizemos que essa é a “forma pura” do verbo, tal qual são encontrados nos verbetes de dicionários.
IV. O infinitivo impessoal é uma peculiaridade linguística e é conhecido também como idiotismo. Sua
terminação é idêntica à terminação do futuro do subjuntivo, sendo empregado principalmente nas
orações reduzidas de infinitivo.
V. Os verbos no particípio irregular serão empregados na voz passiva ao lado dos verbos auxiliares
“ser” e “estar”.
VI. Os verbos no particípio regular serão empregados na voz ativa ao lado dos verbos auxiliares “ter”
e “haver”.

a) II, III e IV.


b) I, IV e VI.
c) V e VI.
d) I, V e VI.
e) I e III.

2
Português

4. Ela saltou no meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça,
ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado
luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a
tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e
nunca encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida soltava um gemido prolongado, estalando os
dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar os quadris, e em seguida
sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora
outro, sobre a nuca enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, titilando.
AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço, 25ª ed. São Paulo, Ática, 1992, p. 72-3.

Neste trecho, o efeito de movimento rápido é obtido por verbos empregados no tempo ou modo:

a) pretérito perfeito do indicativo.


b) pretérito imperfeito do subjuntivo.
c) presente do indicativo.
d) infinitivo.
e) gerúndio.

3
Português

5. Soneto
Pálida, à luz da lâmpada sombria
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria


Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando...


Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!


Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
Álvares de Azevedo

I. Em todas as estrofes, sem exceção, a amada apresenta-se intocavelmente linda na sua etérea
beleza de virgem adormecida.
II. No primeiro terceto, o poeta ousa mostrar o erotismo da mulher amada, em movimentos suaves,
expressos em verbos no gerúndio.
III. Nas duas primeiras estrofes, com as figuras de EMBALSAMADA e ESCUMA FRIA, já se prenuncia
um erotismo disfarçado que explode na quarta estrofe.
IV. O último terceto constitui uma retomada da virgem inacessível, muito bem expresso no vocativo
do seu primeiro verso.
V. A anáfora dos dois últimos versos, seguida da antítese, CHORANDO/SORRINDO aponta para a
entrega sem limites ao único centro da vida do poeta, a mulher amada.

Aponte a alternativa correta sobre a relação do texto com as afirmações anteriores.

a) Todas as afirmações estão corretas, com exceção da II.


b) Apenas II e IV estão corretas.
c) Apenas II, IV e V estão corretas.
d) Todas as afirmações estão corretas, com exceção da I.
e) Todas as afirmações estão incorretas, com exceção da I.

4
Português

6. Os diversos tipos de relação sintática entre orações podem ser estabelecidos sem conectivo explícito,
através das formas de infinitivo, gerúndio ou particípio, como vemos no seguinte exemplo:

"TOMANDO Gilberto Freyre como a linha vertical e Mário de Andrade como a linha horizontal de um
ângulo reto, teríamos Guimarães Rosa como a hipotenusa fechando o triângulo."

Reconheça o tipo de relação sintática expressa pelo gerúndio destacado no período acima.

a) conclusão

b) temporalidade

c) condicionalidade

d) mediação

e) conformidade

7. O lema da tropa
O destemido tenente, no seu primeiro dia como comandante de uma fração de tropa, vendo que alguns
de seus combatentes apresentavam medo e angústia diante da barbárie da guerra, gritou, com firmeza,
para inspirar seus homens a enfrentarem o grupamento inimigo que se aproximava:
- Ou mato ou morro!
Ditas essas palavras, metade de seus homens fugiu para o mato e outra metade fugiu para o morro.

Considere o seguinte trecho do texto:


“- Ou mato ou morro!
Ditas essas palavras, metade de seus homens fugiu para o mato e outra metade fugiu para o morro.”

No fragmento acima, para que houvesse redução de possibilidades interpretativas, do ponto de vista
morfológico, e manutenção do sentido original desejado pelo tenente, bastaria que ele, ao encorajar
seus combatentes,
a) acrescentasse preposições, como, por exemplo, “para”, antes dos substantivos, criando locuções
adverbiais.
b) acrescentasse determinantes às palavras, como, por exemplo, o artigo definido “o” antes dos
substantivos.
c) conjugasse os verbos pronunciados no tempo presente do modo indicativo.
d) pronunciasse as palavrar considerando-as como verbos na forma nominal do infinitivo.

5
Português

8. Envelhecer
A coisa mais moderna que existe nessa vida
é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão
caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai
dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente
aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver


Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer
(...)
Arnaldo Antunes. Disponível em [Link] Acesso: 22/9/17.

Sobre as locuções verbais presentes na primeira estrofe da canção (“vai descendo”, “vão caindo”, “vão
crescendo”, “vai dizendo”, “vão morrendo”), NÃO é lícito afirmar que:
a) nestas locuções verbais formadas com o verbo “ir”, é comum que elas expressem algo que
ocorrerá antes do momento da fala.
b) são locuções formadas pelo verbo auxiliar “ir” somado a um verbo principal no gerúndio.
c) o último verbo destas locuções representa a ação que se quer expressar, enquanto o primeiro
verbo exprime o modo e o tempo em que ela se realiza.
d) o verbo auxiliar, além de expressar o modo e o tempo em que a ação se realiza, faz também
referência à duração da ação verbal.

9. Mantendo o sentido do trecho em destaque, assinale a alternativa que reescreve corretamente o


período sem a utilização de verbos no gerúndio.

“Tendo yang atingido seu clímax, retira-se em favor do yin; tendo o yin atingido seu clímax, retira-se em
favor do yang”.

a) A partir do momento em que o yang atinge seu clímax, retira-se em favor do yin; quando o yin atinge
o seu clímax, retira-se em favor do yang.
b) Quando o yang atingindo seu clímax, retira-se em favor do yin, o yin atingindo seu clímax, retira-se
em favor do yang.
c) A partir do momento em que o yang atingisse seu clímax, retisasse em favor do yin; quando o yin
atingisse o seu clímax, retirasse em favor do yang.
d) Quando o yang atingirá seu clímax, retirar-se-á em favor do yin; quando o yin atingirá o seu clímax,
retirar-se-á em favor do yang.

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Português

10. Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro


(...)
Certamente não sabias
que nos fazes sofrer.

É difícil de explicar
esse sofrimento seco (...)

Não é o canto da andorinha, debruçada nos telhados da


Lapa, anunciando que tua vida passou à toa, à toa.
Não é o médico mandando exclusivamente tocar um
tango argentino,
diante da escavação no pulmão esquerdo e do pulmão
direito infiltrado.
Não são os carvoeirinhos raquíticos voltando encara pitados
nos burros velhos.
Não são os mortos do Recife dormindo profundamente
na noite.
Nem é tua vida, nem a vida do major veterano da guerra
do Paraguai,
a de Bentinho Jararaca
ou a de Christina Georgina Rossetti:
és tu mesmo, é tua poesia,
tua pungente, inefável poesia,
ferindo as almas, sob a aparência balsâmica,
queimando as almas, fogo celeste, ao visitá-las;
é o fenômeno poético, de que te constituíste o
misterioso
portador
e que vem trazer-nos na aurora o sopro quente dos
mundos,
das amadas exuberantes e das situações exemplares que
não suspeitávamos.

O trecho acima integra o poema “Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro”, da obra Sentimento do
Mundo de Carlos Drummond de Andrade. Dele NÃO É CORRETO afirmar que
a) utiliza construção que se faz por um jogo antitético consubstanciado por significativo uso de
anáforas.
b) indicia a figura do poeta Manuel Bandeira, objeto da Ode (homenagem), pelas citações de
expressivos poemas que conformam seu universo estético.
c) revela que o que importa não são os poemas nas particularidades de seus temas, mas o fenômeno
poético mesmo em sua essência e que faz do poeta seu misterioso portador.
d) apresenta uma quebra do ritmo poético motivada pelo uso reiterado do gerúndio e pela ausência
de correlação sintática entre as orações que se mostram propositalmente incompletas.

7
Português

Gabarito

1. C
A alternativa traz a representação de um vício de linguagem conhecido como gerundismo. O gerundismo
é o uso inadequado do gerúndio, visto que é transformado, desnecessariamente, um verbo conjugado
em um gerúndio.

2. C
Os verbos “coser”, “olhar”, “vir” e “dançar” não são considerados verbos abundantes, pois somente
podem ser conjugados no particípio regular: “cosido”, “olhado”, “visto” e “dançado”. Já o verbo haver é
considerado abundante porque admite as duas formas, havemos/hemos, muito embora não estejam no
particípio (forma em que usualmente encontramos os verbos abundantes), mas sim no presente do
indicativo. É importante ressaltar que a segunda forma, “hemos”, é pouco utilizada na língua portuguesa.

3. D
II. O gerúndio, a forma nominal, não deve ser confundido com o gerundismo, considerado um vício de
linguagem. O uso do gerúndio não deve ser abolido, mas sim o uso sistemático do gerundismo em
construções que deveriam apresentar apenas um único verbo ou uma locução verbal sem um verbo no
gerúndio.
III. O infinitivo impessoal é construído sem sujeito porque não faz referência a uma pessoa gramatical.
Dizemos que essa é a “forma pura” do verbo, tal qual são encontrados nos verbetes de dicionários.
IV. O infinitivo pessoal é uma peculiaridade linguística e é conhecido também como idiotismo. Sua
terminação é idêntica à terminação do futuro do subjuntivo, sendo empregado principalmente nas
orações reduzidas de infinitivo.

4. E
A forma nominal de gerúndio normalmente configura ideia de movimento e/ou continuidade de uma ação.

5. C
As próprias afirmativas se justificam. I está errada porque há um certo erotismo logo a primeira estrofe
de forma suave, III está errada porque não há uma explosão de erotismo, ele acontece de forma sutil.

6. C
Nesse caso, “tomando” é igual a forma verbal “se tomássemos”.

7. D
O uso de preposições alteraria o sentido do período; seriam apenas alternativas para a fuga. O uso de
artigos também alteraria o sentido do período, indicando substantivos. As formas já estão conjugadas
no presente do indicativo, logo não expressaria o desejo do tenente. Assim, ao preferir as formas verbais
no infinitivo, o tenente daria ordens mais claras a respeito do seu desejo.

8. A
A locução formada pelo verbo “ir” indica ação futura. As demais alternativas estão corretas.

8
Português

9. A
A alternativa que reescreve e mantém o sentido da frase é a alternativa A, vistro que substituiu a forma
no gerúndio “tendo”. Assim a frase fica: “Quando (A partir do momento em que o) yang atinge seu clímax,
retira-se em favor do yin; quando (a partir do momento em que) o yin atinge o seu clímax, retira-se em
favor do yang”.

10. D
O uso reiterado do gerúndio não deixa também de dar cadência à sequência dos versos. Nessas orações
com gerúndio, há correlação sintática entre a oração subordinada reduzida de gerúndio e a principal. O
conjunto desses períodos iniciados pelo advérbio não justapõe elementos temáticos de diversos poemas
do home na geado: Manuel Bandeira.

9
Português

Verbos: modo indicativo, subjuntivo e imperativo

Resumo

Modo: caracteriza as diferentes maneiras como podemos utilizar o verbo, dependendo da significação que
pretendemos dar a ele.
Indicativo: expressa certeza de um fato.
Ex.: Eu irei ao jogo.

Subjuntivo: expressa dúvida, possibilidade, hipótese, condição.


Ex.: Querem que eu vá ao jogo. Se eu fosse ao jogo, sairia mais cedo. Se eu for ao jogo, avisarei.

Imperativo: expressa ordem, sugestão, súplica, pedido.


Ex.: Empreste-me a borracha, por favor! Arrume essa bagunça!

Tempo: indica o momento em que o processo verbal ocorre. Os tempos verbais podem ser simples (formados
por apenas um verbo) ou compostos (formados pela locução “ter (ou haver) + particípio do verbo).

Modo simples
Modo indicativo

Presente: Indica uma ação no momento da fala.


Ex.: Eu acordo. Tu aprendes. Ele dorme.

Pretérito imperfeito: Indica uma ação ocorrida anteriormente ao momento da fala, de continuidade, habitual.
Ex.: Eu acordava. Tu aprendias. Ele dormia.

Pretérito perfeito: Indica uma ação já realizada, concluída.


Ex.: Eu acordei. Tu aprendeste. Ele dormiu.

Pretérito mais-que-perfeito: Indica uma ação passada, concluída antes de outro fato (ambos no passado).
Ex.: Eu acordara. Tu aprenderas. Ele dormira.

Futuro do presente: Indica uma ação futura, que ainda irá acontecer.
Ex.: Eu acordarei. Tu aprenderás. Ele dormirá.

Futuro do pretérito: Indica uma ação futura em relação ao passado, ação que teria acontecido em relação a
um fato já ocorrido no passado.
Ex.: Eu acordaria. Tu aprenderias. Ele dormiria.

Modo subjuntivo
Presente: Expressa uma hipótese, desejo, suposição, dúvida que pode ocorrer no momento atual.
Ex.: É conveniente que estudes para o exame.

Pretérito imperfeito: Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido. Também usado para
expressar condição e desejo.
Ex.: Eu esperava que ele pegasse o carro.

1
Português

Futuro: Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual. Também pode expressar
possibilidade.
Ex.: Quando ele vier à padaria, pegará as tortas.

Compostos
Modo indicativo

Pretérito perfeito: o auxiliar é flexionado no presente do indicativo.


Ex.: Eu tenho dito.

Pretérito mais-que-perfeito: o auxiliar é flexionado no pretérito imperfeito do indicativo.


Ex.: Eu tinha dito.

Futuro do presente: o auxiliar é flexionado no futuro do presente do indicativo.


Ex.: Eu terei dito.

Futuro do pretérito: o auxiliar é flexionado no futuro do pretérito.


Ex.: Eu teria dito.

Modo subjuntivo
Pretérito perfeito: o auxiliar é flexionado no presente do subjuntivo.
Ex.: (Que) Eu tenha dito.

Pretérito mais-que-perfeito: o auxiliar é flexionado no pretérito imperfeito do subjuntivo.


Ex.: (Se) Eu tivesse dito.

Futuro: o auxiliar é flexionado no futuro do subjuntivo.


Ex.: (Quando) Eu tiver dito.

Formação do Imperativo

Pronome Presente do Imperativo Presente do Imperativo


Indicativo Afirmativo Subjuntivo Negativo

Eu Corro (não existe) Que corra (não existe)

Tu Corres (-s) → Corre Que corras → Não corras

Ele Corre Corra ← Que corra → Não corra


(você)

Nós Corremos Corramos ← Que corramos → Não corramos

Vós Correis (-s) → Correi Que correis → Não correis

Eles Correm Corram ← Que corram → Não corram

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Português

Exercícios

1. A voz subterrânea

Às vezes ouvia-se um canto surdo,


que parecia vir debaixo da terra,
Até que os homens da superfície,
para desvendar o mistério,
puseram-se o fazer escavações.
Sim! eram os homens das minas,
que um desabamento ali havia aprisionado.

E ninguém suspeitava da sua existência,


porque já haviam passado três ou quatro gerações!
Mas a luz forte das lanternas não os ofuscou:
eles estavam cegos
- todos, homens, mulheres, crianças.
Eles estavam cegos... e cantavam!
QUINTANA, Mário. Baú de espantos. 1. Ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

Os acontecimentos descritos por Quintana em seu texto podem ser postos em ordem cronológica pelo
leitor: “havia aprisionado” > “ouvia-se” > “puseram-se”. Sobre os tempos verbais dessa relação, é
CORRETO afirmar que
a) o pretérito imperfeito do indicativo é o evento mais recente, uma vez que descreve um evento pontual
no passado sem duração de tempo.
b) o pretérito perfeito do indicativo representa o evento intermediário, já que denota uma ação cujo
acontecimento é duradouro no passado.
c) o pretérito imperfeito do indicativo descreve a ação mais passada em relação às outras duas, porque
é o tempo verbal dos eventos contínuos.
d) o pretérito-mais-que-perfeito composto do indicativo tem o mesmo valor do pretérito perfeito do
indicativo, dado que indicam simultaneidade.
e) o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo veicula o evento mais anterior, pois se refere a
uma ação que acontece antes das outras.

2. Uma das alternativas abaixo está errada quanto à correspondência no emprego dos tempos verbais.
Assinale-a.
a) Porque arrumara carona, chegou cedo à cidade.
b) Se tivesse arrumado carona, chegaria cedo à cidade.
c) Embora arrume carona, chegará tarde.
d) Embora tenha arrumado carona, chegou tarde.
e) Se arrumar carona, chegaria cedo à cidade.

3
Português

3. Durante este período de depressão contemplativa uma coisa apenas magoava-me: não tinha o ar
angélico do Ribas, não cantava tão bem como ele. Que faria se morresse, entre os anjos, sem saber
cantar?
Ribas, quinze anos, era feio, magro, linfático. Boca sem lábios, de velha carpideira, desenhada em
angústia - a súplica feita boca, a prece perene rasgada em beiços sobre dentes; o queixo fugia-lhe pelo
rosto, infinitamente, como uma gota de cera pelo fuste de um círio...
Mas, quando, na capela, mãos postas ao peito, de joelhos, voltava os olhos para o medalhão azul do
teto, que sentimento! que doloroso encanto! que piedade! um olhar penetrante, adorador, de enlevo, que
subia, que furava o céu como a extrema agulha de um templo gótico!
E depois cantava as orações com a doçura feminina de uma virgem aos pés de Maria, alto, trêmulo,
aéreo, como aquele prodígio celeste de garganteio da freira Virgínia em um romance do conselheiro
Bastos.
Oh! não ser eu angélico como o Ribas! Lembro-me bem de o ver ao banho: tinha as omoplatas magras
para fora, como duas asas!
O ateneu. Raul Pompéia
Na descrição, os verbos estão, em sua maioria no:
a) presente do indicativo
b) futuro do indicativo
c) pretérito mais que perfeito do indicativo
d) pretérito perfeito do indicativo
e) pretérito imperfeito do indicativo

4. Não há devida correlação temporal nas formas verbais em:

a) Seria conveniente que o leitor ficasse sem saber quem era Miss Dollar.
b) É conveniente que o leitor ficaria sem saber quem era Miss Dollar.
c) Era conveniente que o leitor ficasse sem saber quem era Miss Dollar.
d) Será conveniente que o leitor fique sem saber quem era Miss Dollar.
e) Foi conveniente que o leitor ficasse sem saber quem era Miss Dollar.

4
Português

5. Um historiador da nossa língua, creio que João de Barros, põe na boca de um rei bárbaro algumas
palavras mansas, quando os portugueses lhe propunham estabelecer ali ao pé uma fortaleza; dizia o
rei que os bons amigos deviam ficar longe uns dos outros, não perto, para se não zangarem como as
águas do mar que batiam furiosas no rochedo que eles viam dali. Que a sombra do escritor me perdoe,
se eu duvido que o rei dissesse tal palavra nem que ela seja verdadeira. Provavelmente foi o mesmo
escritor que a inventou para adornar o texto, e não fez mal, porque é bonita; realmente, é bonita. Eu
creio que o mar então batia na pedra, como é seu costume, desde Ulisses e antes. Agora que a
comparação seja verdadeira é que não. Seguramente há inimigos contíguos, mas também há amigos
de perto e do peito. E o escritor esquecia (salvo se ainda não era do seu tempo) esquecia o adágio:
longe dos olhos, longe do coração.
Machado de Assis, Dom Casmurro.

No trecho, "... eu duvido que o rei dissesse tal palavra nem que ela seja verdadeira", o termo dissesse:
expressa uma:
a) continuidade.
b) improbabilidade.
c) simultaneidade.
d) impossibilidade.
e) alternância.

6. Nasceu o dia e expirou. Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas
e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. Martim se
embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento.
Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá,
buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela
serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.
José de Alencar, Iracema.
É correto afirmar que, no texto, o narrador:

a) prioriza a ordem direta da frase, como se pode verificar nos dois primeiros parágrafos do texto.
b) usa o verbo “correr” (2º parágrafo) com a mesma acepção que se verifica na frase “Travam das
armas os rápidos guerreiros, e correm ao campo” (também extraída do romance Iracema).
c) recorre à adjetivação de caráter objetivo para tornar a cena mais real.
d) emprega, a partir do segundo parágrafo, o presente do indicativo, visando dar maior vivacidade
aos fatos narrados, aproximando-os do leitor.
e) atribui, nos trechos “aqui lhe sorri” e “lhe entram n’alma”, valor possessivo ao pronome “lhe”.

5
Português

7. Verifica-se o emprego de verbo no modo imperativo no seguinte trecho:

a) “Se eles entram nos trilhos, rodam que é uma beleza. Se não entram, cruzem os braços.”
b) “Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo enquanto viveu. Mas agora é isto.”
c) “Para diminuir a mortalidade e aumentar a produção, proibi a aguardente.”
d) “Aqui existe um salto de cinco anos, e em cinco anos o mundo dá um bando de voltas.”
e) “Não senhor, não procedi nem percorri. Tive abatimentos, desejo de recuar, contornei dificuldades:
muitas curvas.”

8.

As campanhas, de modo geral, sejam elas institucionais ou comerciais, buscam a adesão do


interlocutor. Na figura acima, o principal recurso para atingir esse objetivo é:
a) a relação temporal introduzida pela oposição entre os advérbios “hoje” e “amanhã”.
b) o emprego de verbos no imperativo e do pronome de tratamento “você”.
c) a analogia entre as pessoas do discurso “ela” e “eu” e a imagem de duas mulheres centralizada no
texto.
d) a orientação sobre a idade das meninas que devem ser vacinadas.
e) a utilização de balões de fala, como recurso de intertextualidade como uma história em quadrinhos.

6
Português

9. Receita
Ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos Beatles

Modo de preparar
Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo,


adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.

Corte tudo em pedacinhos


e repita com as canções dos
Beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.

Parte do sangue pode ser


substituída por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.

Sirva o poema simples


ou com ilusões.
BEHR, Nicolas. In: As bases da literatura brasileira. Porto Alegre: Editora AGE, 1999, p. 187

Em relação aos recursos linguísticos mobilizados para alcançar os efeitos de sentido pretendidos, o
texto caracteriza-se pelo emprego de:
a) advérbios irônicos.

b) locuções adverbiais.

c) verbos no infinitivo.

d) substantivos abstratos.

e) verbos no imperativo

7
Português

10. Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você quebra o delicado chocolate, o irresistível
recheio cremoso começa a derreter na sua boca, acariciando todos os seus sentidos. Criado por nossa
empresa. Paixão e amor por chocolate desde 1845.
Veja. N. 2.340, 8 mai. 2013 (adaptado).

O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-alvo a consumir determinado produto ou


serviço. No anúncio, essa intenção assume a forma de um convite, estratégia argumentativa
linguisticamente marcada pelo uso de:
a) conjunção (quando).
b) adjetivo (irresistível).
c) verbo no imperativo (descubra).
d) palavra do campo afetivo (paixão).
e) expressão sensorial (acariciando).

8
Português

Gabarito

1. E
O pretérito mais-que-perfeito é utilizado para expressar o fato mais remoto, ou seja, um acontecimento
no passado que se deu anteriormente a outro acontecimento, também no passado. Assim, temos que o
aprisionamento se deu anteriormente às ações de ouvir e pôr-se.

2. E
O correto seria “se arrumasse carona”, porque o futuro do pretérito “chegaria” pede a combinação com
o pretérito do subjuntivo.

3. E
O pretérito imperfeito aparece para descrever como eram as ações no passado, dando uma ideia de que
foram daquela forma por um período de tempo.

4. B
A forma verbal que deveria ser substituída é “É conveniente que o leitor fique”.

5. B
A forma verbal “dissesse” apresenta a ideia de possibilidade improvável, característica do subjuntivo.

6. D
O presente do indicativo usado para descrever ações do passado é conhecido como presente histórico
ou presente narrativo. Ele configura mais vivacidade ao texto e realça os acontecimentos.

7. A
Apenas a frase transcrita em [A] apresenta verbo no modo imperativo afirmativo, terceira pessoa do
plural: “cruzem”.

8. B
As campanhas buscam convencer os interlocutores de algo. Assim, é comum a utilização de verbos no
modo imperativo (que exprime uma ordem, conselho) e a identificação direta com o interlocutor por meio
de pronomes (como o “você”).

9. E
O texto segue a estrutura de uma receita, tanto no formato, quanto na linguagem. Assim, faz bastante
uso de verbos no imperativo (“dissolva”, “deixe”, “leve”, “corte”, etc).

10. C
Na primeira frase do texto publicitário, o uso do imperativo nos termos verbais “descubra” e “aproveite”
configura o uso da função apelativa da linguagem sob a forma de convite, tentando persuadir o público-
alvo a consumir determinado tipo de chocolate.

9
Português

Conjunção (conceito, locução conjuntiva, coordenativas x


subordinativas, valores das coordenativas)
Resumo

Conceito
Conjunção é a palavra invariável que tem como objetivo ligar termos ou orações de mesma função sintática.
Elas podem ser classificadas como coordenativas ou subordinativas, dependendo da relação que elas
estabeleçam entre as orações. Possuem fundamental importância na coesão textual, podendo ser também
chamadas de “conectivos”.
Além disso, há a locução conjuntiva, que ocorre quando duas ou mais palavras desempenham função de
conjunção. Por exemplo: uma vez que, tanto que, desde que, ainda que, assim que, etc.

As conjunções devem ser analisadas nas perspectivas sintática, morfológica e semântica.


a) Perspectiva sintática: devemos analisar se a conjunção está conectando duas orações independentes
sintaticamente (coordenativa) ou introduzindo uma oração que exerce função sintática em relação à outra
(subordinativa).
b) Perspectiva morfológica: devemos entender que as conjunções são uma classe de palavras invariáveis,
ou seja, não sofrem flexão. Podem ser representadas por uma ou mais palavras (locução).
c) Perspectiva semântica: essa á a principal análise que devemos fazer sobre essa classe gramatical e é a
mais cobrada nos vestibulares. As conjunções ajudam a estabelecer diferentes relações semânticas entre
os
termos ou orações ligados por elas. Essas relações podem ser de adição, adversidade, alternância,
conclusão, explicação, causa, consequência, comparação, condição, concessão, conformidade, finalidade,
proporção e temporalidade.

Veremos que essas relações semânticas se dividem entre as conjunções coordenativas e as


subordinativas.

Obs.: Existem as conjunções integrantes (“que” e “se”), que não estabelecem valor semântico, apenas
unem
sintaticamente as orações.
Observe os enunciados a seguir:
i. João foi ao cinema e ao restaurante.
ii. Mariana gostaria que seu namorado chegasse.
iii. André comeu tanto que passou mal.

No primeiro caso, a conjunção “e” está ligando duas orações sintaticamente independentes, conferindo-lhes
uma relação semântica de adição.
No segundo, a conjunção “que” não estabelece valor semântico entre as orações, apenas liga
sintaticamente a segunda oração (subordinada) à oração principal.
No terceiro, a locução conjuntiva “tanto que” estabelece relação de consequência entre a segunda oração
(subordinada) e a oração principal, além de conecta-las sintaticamente.

1
Português

Coordenadas x Subordinadas

As conjunções podem ser classificadas em:


i) Coordenativas: quando introduzem uma oração que não estabelece função sintática em relação à outra.
ii) Subordinativas: quando introduzem uma oração que exerce função sintática em relação à oração
principal.
Veja os exemplos:
a) Rodrigo dormiu cedo, mas acordou cansado.
b) Luana saiu de casa assim que começou a chover.

No primeiro exemplo, a conjunção “mas” apenas conecta duas orações independentes, estabelecendo
relação semântica de adversidade.
No segundo exemplo, a locução conjuntiva “assim que” conecta uma oração que exerce função sintática de
adjunto adverbial em relação à outra, estabelecendo valor de temporalidade.

Vamos analisar, a seguir, os tipos de conjunções coordenativas e as relações semânticas que elas ajudam
a
estabelecer.
I. Aditivas: Indicam soma dos conteúdos, de ideia, etc. São elas: e, nem, não só... mas também, além disso,
ademais, etc.
Ex.: Ela não dormiu nem estudou no final de semana.

II. Adversativas (opositivas): Indicam contraste, quebra de expectativa. Além disso, introduzem o argumento
mais forte. São elas: mas, porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto, etc.
Ex.: Acordou cedo, mas voltou a dormir.

III. Alternativas: Indicam exclusão ou alternância entre os conteúdos. São elas: ou, ora... ora, quer... quer,
seja... seja, etc.
Ex.: Ele vai à praia ou ao cinema hoje.

IV. Conclusivas: Indicam conclusão lógica do conteúdo de um enunciado em relação ao outro. São elas:
portanto, pois (depois do verbo), logo, então, por isso, assim, por conseguinte, etc.
Ex.: Acordou cedo hoje, logo, conseguirá estudar mais.

V. Explicativas: Indicam por que se pode declarar algo em um enunciado em relação ao outro. São elas:
porque, que, pois (antes do verbo), porquanto, etc.

2
Português

Exercícios

1. – “Deboísta” é quem é adepto da filosofia do “ser de boa” – explica Carlos Abelardo, 19 anos, estudante
de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Goiás e criador, ao lado da namorada, Laryssa de
Freitas, da página no Facebook “Deboísmo”. – É aquela pessoa que não se deixa levar por problemas
bestas, que, mesmo discordando de alguém, não parte para a agressão. É a pessoa calma, que escolhe
o lutar em vez de brigar. Segundo Abelardo, o movimento é apartidário, mas político. E sobre a escolha
do símbolo, que é uma preguiça, ele diz que a calmaria natural do animal passa uma sensação
automática de “ficar de boas”. – É o animal mais de boa – diz.
Adaptado de: [Link] conheca-deboismo-nova-filosofia-de-boas-da-internet-
17392121. Acesso em 02 abr. 2016

O emprego de “mas” em “o movimento é apartidário, mas político” (linhas 09 e 10) permite afirmar que
a) aderir a essa filosofia de vida implica não pertencer a partido político algum.
b) participar das manifestações políticas do país faz parte das ações apoiadas pelo movimento.
c) ser apartidário não significa eximir-se do envolvimento com a política.
d) não se envolver com partidos políticos é uma forma de negar a política.
e) discordar dos partidos políticos é uma das características do “Deboísmo”.

2. Os filhos de Anna eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam
para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão
enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o
vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar
a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão,
não outras, mas essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A autora emprega por duas vezes o conectivo “mas” no fragmento apresentado. Observando aspectos
da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas
a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase.
c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.

3
Português

3. O BOI
Ó solidão do boi no campo,
ó solidão do homem na rua!
Entre carros, trens, telefones,
entre gritos, o ermo profundo.
Ó solidão do boi no campo,
ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.
Ó solidão do boi no campo,
homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
e as casas não têm sentido algum.
Ó solidão do boi no campo!
O navio-fantasma passa
em silêncio na rua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Obra Completa. 2a Ed. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1967. p. 122.

Observe os versos:
“Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.”

A expressão que, empregada para ligar esses versos, expressa noção adequada ao contexto é:
a) portanto, com sentido de conclusão.
b) desde que, com sentido de condição.
c) embora, com sentido de concessão.
d) pois, com sentido de explicação.
e) que, com sentido de consequência.

4. Esparadrapo
Há palavras que parecem exatamente o que querem dizer. “Esparadrapo”, por exemplo. Quem quebrou
a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto, há outras, aliás de nobre sentido, que
parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo, “incunábulo* “.
QUINTANA, Mário. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro, Globo. 1987. p. 83.

*Incunábulo: [do lat. Incunabulu; berço]. Adj. 1- Diz-se do livro impresso até o ano de 1500./ S.m. 2 –
Começo, origem.

4
Português

A locução “No entanto” tem importante papel na estrutura do texto. Sua função resume-se em
a) ligar duas orações que querem dizer exatamente a mesma coisa.
b) separar acontecimentos que se sucedem cronologicamente.
c) ligar duas observações contrárias acerca do mesmo assunto.
d) apresentar uma alternativa para a primeira ideia expressa.
e) introduzir uma conclusão após os argumentos apresentados

5. “Mariza saiu de casa atrasada e perdeu o ônibus.” As duas orações do período estão unidas pela
palavra “e”, que, além de indicar adição, introduz a ideia de
a) oposição
b) condição
c) consequência
d) comparação
e) união

6. “- Pois é, não jogo futebol, mas tenho alma de artilheiro…” a palavra destacada anteriormente exprime
ideia de:
a) Escolha.
b) Contraste, oposição.
c) Finalidade.
d) Explicação.
e) Soma, adição.

7. Indique a alternativa em que não se estabelece uma relação de causa-consequência.


a) A diferença de salários para o homem e para a mulher, no exercício da mesma função, é devida a
discriminações na aplicação da lei.
b) A constituição, por ter afirmado a proteção ao mercado de trabalho da mulher, provocou muita
polêmica em alguns setores.
c) A educação, processo de aprendizagem e aperfeiçoamento, defende a integração do homem em
seu meio social.
d) A vivência em um meio familiar em que se pratica o respeito pelo outro motiva a formação da
criança para a solidariedade.
e) Com o apoio à educação e à saúde, os governos de alguns países têm conseguido diminuir a
desigualdade social da população.

8. "Podem acusar-me: estou com a consciência tranquila." Os dois pontos (:) do período acima poderiam
ser substituídos por vírgula, explicitando-se o nexo entre as duas orações pela conjunção:
a) portanto
b) e
c) como
d) pois
e) embora

5
Português

9. O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?
Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face
e da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas
vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando
estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local
específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o
riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas
esse mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como
nós, mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído
como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em [Link] Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho
“Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele
estabelece com a oração seguinte uma relação de
a) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de vocalização
dos ratos.
b) oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização
dos ratos.
c) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização
dos ratos.
d) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado
no cérebro.
e) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização dos
ratos.

10. Racismo e Fraude


A campanha para provar que o Brasil é um país racista não esmorece. Há uma semana, o IBGE
divulgou pesquisa sobre emprego e raça, e os jornais concluíram que os dados "comprovavam" que os
negros são discriminados no mercado de trabalho. A pesquisa revelou que os negros - a soma de
pretos e pardos - são a maioria dos desempregados, têm as piores ocupações e ganham a metade do
salário dos brancos. Mas nada no estudo permitia dizer que os negros estão nessa condição porque o
Brasil é racista ou porque os brancos são racistas ou porque os empregadores discriminam os negros.
O nosso problema não é o racismo, mas a pobreza e o modelo econômico que, ao longo dos anos, só
fizeram concentrar a renda: os que eram pobres - e os negros, ex-escravos, por definição foram os
despossuídos da nação - permaneceram pobres ou ficaram mais pobres; e os que eram ricos, ricos
ficaram ou enriqueceram mais ainda. O Brasil deveria estar unido para resolver esse problema,
distribuindo renda e investindo maciçamente em educação. Quando os pobres deste país tiverem uma
educação de qualidade, todos terão a mesma chance no mercado de trabalho. E as distorções entre
brancos e negros terão um fim.
Adap. de KAMEL, Ali. JORNAL O GLOBO, 15/06/2004, p. 7.

"Há uma semana, o IBGE divulgou pesquisa sobre emprego e raça, e os jornais concluíram que os
dados 'comprovavam' que os negros são discriminados no mercado de trabalho."

6
Português

Para eliminar a repetição do conectivo que na última oração desse período, pode-se reescrevê-la da
seguinte forma:
a) sendo os negros discriminados no mercado de trabalho.
b) tendo sido os negros discriminados no mercado de trabalho.
c) serem os negros discriminados no mercado de trabalho.
d) discriminam os negros no mercado de trabalho.
e) discriminando os negros no mercado de trabalho.

7
Português

Gabarito

1. C
Comentário: A conjunção “mas” introduz o argumento mais forte. Dessa forma, podemos entender que o
fato de essa filosofia não pertencer a nenhum partido político específico, não faz com que ela deixe de
ser política.

2. E
Comentário: Na primeira ocorrência, o “mas” estabelece relação de oposição. Já no segundo, assume
valor de adição, pois está somando uma ideia à outra.

3. D
Comentário: O segundo verso explica uma condição expressa pelo primeiro. Portanto, a alternativa
correta é a “d”.

4. C
Comentário: A conjunção “no entanto” é adversativa.

5. C
O fato de ter perdido o ônibus foi uma consequência de ter saído atrasada.

6. B
A palavra “mas” é uma conjunção adversativa, que exprime contraste entre as ideias.

7. C
A única opção que não apresenta relação de causa-consequência é a letra c. Nas demais, verificamos
essa relação expressa por “é devida”, “provocou”, “motiva”, “com”.

8. D
Os dois pontos podem ser substituídos pela conjunção “pois”, porque eles introduzem uma explicação
em relação à afirmação anterior.

9. C
Há uma relação de condição, pois o rato apenas deixa de fazer a vocalização se o cientista provocar um
dano em um local específico do seu cérebro.

10. C
O conectivo “que” funciona como conjunção integrante, unindo as orações sintaticamente. Para que não
haja falha no paralelismo e a relação lógica seja mantida, a opção correta é a letra “c”.

8
Português

Conjunções (valores das subordinativas)

Resumo

Vamos analisar, agora, os tipos de conjunções subordinativas e as relações sintáticas e semânticas que elas
ajudam a estabelecer.

Grupo I:
Integrantes: Não estabelecem relação semântica entre as orações. São elas: que, se.
Ex.: Joana queria muito que Pedro viajasse.

Grupo II (adverbiais):
Causais: Introduzem enunciado que indica causa do fato apresentado na oração principal. São elas: porque,
porquanto, pois, como (em início de oração), já que, visto que, uma vez que, etc.
Ex.: Visto que comeu tanto, passou mal.

Comparativas: Introduzem enunciado que traz um dos termos de uma comparação. São elas: como, que nem,
(do) que, qual, quanto, etc.
Ex.: Praia é bom como piscina.

Concessivas: Introduzem um fato que poderia inviabilizar o evento apresentado na oração principal, mas não
o faz. São elas: embora, ainda que, mesmo que, por mais que, apesar de que, etc.
Ex.: Embora esteja chovendo, vou à praia.

Condicionais: Introduzem enunciado que indica condição necessária para que o fato declarado na oração
principal se realize. São elas: se, caso, contanto que, a menos que, a não ser que, salvo se, etc.
Ex.: Vou caminhar, a menos que não esteja chovendo.

Conformativas: Introduzem enunciado em relação ao qual o fato apresentado na oração principal está em
conformidade, exprimem um modelo. São elas: conforme, segundo, como, consoante.
Ex.: A viagem ocorreu conforme planejamos.

Consecutivas: Introduzem enunciado que indica a consequência do fato apresentado na oração principal. São
elas: de maneira que, de modo que, de forma que, que (combinada com “tal”, “tanto”, “tão”), etc.
Ex.: Comeu tanto que passou mal.

Finais: Introduzem enunciado que expressa a finalidade do fato apresentado na oração principal. São elas: a
fim de, para, etc.
Ex.: Vou dormi para acordar cedo amanhã.

1
Português

Proporcionais: Introduzem enunciado que expressa em que proporção ocorreu o fato apresentado na oração
principal. São elas: à medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais, quanto menos, etc.
Ex.: Quanto mais andava mais cansado ficava.

Temporais: Iniciam enunciado que exprime o tempo de realização do fato da oração principal. São elas:
enquanto, logo que, quando, antes que, até que, assim que, desde que, etc.
Ex.: Desde que foi morar fora, não o vi mais.

2
Português

Exercícios

1. A Carolina
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro


Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados


Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos


Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.
Machado de Assis
“Que, a despeito de toda a humana lida, fez a nossa existência apetecida.”
Dentre as seguintes conjunções subordinativas, qual delas pode substituir aquela em destaque sem
alteração de sentido?
a) como.
b) a fim de.
c) apesar de.
d) dado que.
e) assim que.

3
Português

2. Leia a fábula “O morcego e as doninhas” do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?) para responder
à questão.
Um morcego caiu no chão e foi capturado por uma doninha¹. Como seria morto, rogou à doninha que
poupasse sua vida.
– Não posso soltá-lo – respondeu a doninha –, pois sou, por natureza, inimiga de todos os pássaros.
– Não sou um pássaro – alegou o morcego. – Sou um rato.
E assim ele conseguiu escapar.
Mais tarde, ao cair de novo e ser capturado por outra doninha, ele suplicou a esta que não o devorasse.
Como a doninha lhe disse que odiava todos os ratos, ele afirmou que não era um rato, mas um morcego.
E de novo conseguiu escapar. Foi assim que, por duas vezes, lhe bastou mudar de nome para ter a vida
salva.
Fábulas, 2013.

¹doninha: pequeno mamífero carnívoro, de corpo longo e esguio e de patas curtas (também conhecido
como furão).

“Como seria morto, rogou à doninha que poupasse sua vida.”

Em relação à oração que a sucede, a oração destacada tem sentido de:


a) proporção.
b) comparação.
c) consequência.
d) causa.
e) finalidade

3. Belo Horizonte, 28 de julho de 1942.


Meu caro Mário,

Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a respeito
da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar com você tudo o
que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo e te chatear.
Fernando Sabino.

No texto, o conectivo “se bem que” estabelece relação de:


a) conformidade.
b) condição.
c) concessão.
d) alternância.
e) consequência.

4
Português

4. “Labaredas nas trevas”. Fragmentos do diário secreto de Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski

20 DE JULHO [1912]
Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane. Envio-lhe uma carta: “Acredite-me,
prezado senhor, nenhum jornal ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra pessoa,
escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. […] Dificilmente encontro alguém, agora, que
saiba quem é Stephen Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que estão surgindo
ele simplesmente não existe.”

20 DE DEZEMBRO [1919]
Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reconhecido como o maior escritor vivo da
língua inglesa. Já se passaram dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E
parece que outros também não. The London Mercury resolveu celebrar os vinte e cinco anos de
publicação de um livro que, segundo eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um artigo.
FONSECA, R. Romance negro e outras histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 (fragmento).

Na construção de textos literários, os autores recorrem com frequência a expressões metafóricas. Ao


empregar o enunciado metafórico “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se
estabelecer, entre os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de:

a) causalidade, segundo a qual se relacionam as partes de um texto, em que uma contém a causa e
a outra, a consequência.
b) temporalidade, segundo a qual se articulam as partes de um texto, situando no tempo o que é
relatado nas partes em questão.
c) condicionalidade, segundo a qual se combinam duas partes de um texto, em que uma resulta ou
depende de circunstâncias apresentadas na outra.
d) adversidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta uma
orientação argumentativa distinta e oposta à outra.
e) finalidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta o meio,
por exemplo, para uma ação e a outra, o desfecho da mesma.

5. Releia-se o que escreve Beccaria:


“Contudo, se o roubo é comumente o crime da miséria e da aflição, se esse crime apenas é praticado
por essa classe de homens infelizes, para os quais o direito de propriedade (direito terrível e talvez
desnecessário) apenas deixou a vida como único bem, [...] as penas em dinheiro contribuirão tão-
somente para aumentar os roubos, fazendo crescer o número de mendigos, tirando o pão a uma família
inocente para dá-lo a rico talvez criminoso.”
A palavra ou locução que, usada no espaço entre colchetes deixado no período, fortalece a conexão
lógica entre as orações adverbiais condicionais e o que ele afirma a seguir é:
a) inclusive.
b) além disso.
c) então.
d) por outro lado.
e) mesmo.

5
Português

6. Ainda que mal


Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Carlos Drummond de Andrade
O termo que introduz a maioria dos versos do texto acima estabelece relação de:
a) comparação
b) condição
c) concessão
d) conformidade
e) finalidade

7. "Mas eu o exasperava tanto QUE se tornara doloroso, para mim, ser o objeto do ódio daquele homem
QUE de certo modo eu amava."
Há no período duas orações que se iniciam com o conectivo QUE. A primeira dá ideia de:
a) condição
b) consequência
c) concessão
d) causa
e) tempo

6
Português

8. No período: “Da própria garganta saiu um grito de admiração, que Cirino acompanhou, embora com
menos entusiasmo”, a palavra destacada expressa uma ideia de:
a) explicação
b) concessão
c) comparação
d) modo
e) consequência

9. Em qual período o se é uma conjunção integrante?

a) “Paraquedista se prepara para romper a barreira do som com salto da estratosfera.”


b) “Um tecido comum pegaria fogo se fosse exposto diretamente a essa radiação.”
c) “Sabe-se também que a alimentação materna pode ter impacto na chance de a criança vir a
desenvolver câncer.”
d) “Marilyn Monroe morreu aos 36 anos de forma trágica, vítima de uma overdose de medicamentos
que até hoje não se sabe se foi intencional, acidental ou provocada por alguma misteriosa
conspiração política.”
e) “Não fale rápido demais. Se sua dicção não for boa, ninguém irá entender o que você diz.”.

10. Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análise de sua estrutura, que, por falta de
melhor expressão, devemos chamar de "temporal". É comum dividirmos o tempo em passado, presente
e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente é o
"agora", o instante atual.
As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua teoria da
relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a passagem
do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico adquire uma
plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos a
relatividade geral para descrever a origem do Universo.
Adaptado. (Folha do [Link]. 07.06.1998.)

Em “[Einstein] mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a passagem do
tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia.”, a conjunção destacada pode ser
substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
a) visto que.
b) a menos que.
c) ainda que.
d) a fim de que.
a) desde que.

7
Português

Gabarito

1. C
A locução “a despeito de” expressa um sentido de contraste, nesse caso, indica uma concessão visto
que há um fato inesperado e uma quebra de expectativa. Portanto, poderia ser substituída sem alteração
de sentido pela expressão “apesar de” que possui também valos de oposição.

2. D
O fato de o morcego pensar que seria morto foi a causa para que ele implorasse à doninha que não o
matasse.

3. C
A locução conjuntiva “se bem que” é concessiva, pois expressa um fato deveria impedir o expresso pela
oração principal, mas não o faz.

4. B
Entre os dois fragmentos do texto percebemos a relação estabelecida com o tempo, pois, nas partes em
questão, o tempo localiza o que é narrado.

5. C
A conjunção “então” indica uma conclusão lógica entre as ideias apresentadas e, por isso, ela pode ser
utilizada no trecho entre colchetes por ser o elemento de ligação necessário para estabelecer a relação
entre as partes do texto.

6. C
“Ainda que” é uma conjunção concessiva, que indica um fato que deveria impedir o expresso pela oração
principal, mas não o faz.

7. B
A primeira conjunção “que” está introduzindo a oração que exprime a consequência do fato expresso
pela oração principal.

8. B
A conjunção “embora” é concessiva, indicando que um fato deveria impedir o expresso pela oração
principal, mas não o faz.

9. D
Na opção “d”, temos o “se” funcionando como conjunção integrante, introduzindo uma oração
subordinada substantiva, sem expressar valor semântico.

10. C
A conjunção “embora” é concessiva e, portanto, pode ser substituída pela expressão “ainda que” porque
possui o mesmo valor semântico.

8
Português

Conjunção (papeis argumentativos e polissemia)

Resumo

Semântica das conjunções


Conjunções são vocábulos que ligam: termos de mesma na natureza (substantivo + substantivo, adjetivo +
adjetivo, etc.); duas orações de natureza diversa, das quais a que é encabeçada pela conjunção completa a
outra ou a determina. Elas podem ser classificadas em: coordenativas ou subordinativas.

As coordenativas são cinco:


1. Aditivas: relacionam pensamentos similares. São: e, nem.

A veterinária veio e telefonou mais tarde.


A veterinária não veio, nem telefonou.

2. Adversativas: relacionam pensamentos contrastantes. São: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no
entanto.

Gosto de dançar, mas prefiro atuar.

3. Alternativas: relacionam pensamentos que se excluem. São: ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, já...já,
seja...seja.

Ora age com parcimônia, ora com inconsequência.

4. Conclusivas: relacionam determinados pensamentos de forma que o segundo encerre o enunciado do


primeiro. São: logo, pois, portanto, consequentemente, por conseguinte, etc.

Foste indelicado com tua esposa; deves, pois, desculpar-te

5. Explicativas: relacionam pensamentos em sequência justificativa, de tal forma, que a segunda frase
explica a razão de ser da primeira. São: que, pois, porque, porquanto.

Espere um pouco, pois ela não demora.

1
Português

Conjunções subordinativas:
Ligam orações, subordinando uma(s) à(s) outra(s). Classificam-se em: causais, concessivas, condicionais,
conformativas, comparativas, consecutivas, finais, proporcionais, temporais e integrantes.

1. Causais: expressam a ideia de causa. São: que, porque, porquanto, como, já que, desde que, pois que,
visto como, uma vez que, etc.
Dica: As conjunções “como”
Todos permaneceram lá porque estava chovendo. e “se” também são causais
Se você quer assim, nada mais posso fazer. quando significarem “já
Como você não veio, chamamos outro profissional. que” e estiverem no início
do período.

2. Concessivas: Introduzem uma oração em que se admite um fato contrário ao anterior, mas incapaz de
anulá-lo. São: embora, conquanto, ainda que, posto que, se bem que, etc.

Comprei-lhe um presente sem que ela percebesse


Embora seja verdade, há muitas coisas sem explicação nessa história.

3. Condicionais: iniciam uma oração que indica condição ou hipótese necessária para que se dê o fato
principal. São: se, caso, contanto que, salvo se, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.

Caso você me abandone, eu vou chorar.


Observação: a conjunção pode estar oculta!
(Se) Fosse menos insensível, perceberia todo o afeto que recebe.

4. Conformativas: iniciam uma oração em que é expressa a conformidade de um pensamento com um


anteriormente apresentado. São: conforme, como (= conforme), segundo, consoante, etc.

Como todos sabem, amanhã é dia do casamento de Julia.


Conforme é desejo de todos, amanhã parto para a Europa.

5. Comparativas: iniciam uma oração que encerra o segundo elemento de uma comparação, de um
confronto. São: que, do que (depois de mais, menos, maior, menor, melhor e pior), tal qual, tanto quanto,
como, assim como, bem como, como se, que nem.

O carnaval do Brasil é mais animado do que o europeu.

6. Consecutivas: iniciam uma oração na qual se indica a consequência do que dito anteriormente. São: que
(combinada com uma das palavras: tal, tanto, tão ou tamanho, presentes na oração anterior), de forma
que, de maneira que, de modo que, etc.

Sua sorte era tanta, que ganhou cem vezes na loteria.

2
Português

7. Finais: iniciam uma oração que indica a finalidade do que foi dito anteriormente. São: para que, a fim de
que, porque (= para que), etc.

A fim de que aprenda logo, você deve refazer todos os exercícios.

8. Proporcionais: iniciam uma oração em que se menciona um fato ocorrido ou que vai ocorrer
concomitantemente a outro expresso anteriormente. São: à medida que, ao passo que, à proporção que,
etc.

À proporção que envelhece, mais idiota fica o homem.

9. Temporais: iniciam uma oração que indica circunstância de tempo. São: quando, antes que, assim que,
depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que,
apenas, mal, que (= desde que), etc.

Ele saiu quando entrei.

10. Integrantes: iniciam uma oração que pode funcionar como sujeito, objetos direto ou indireto, predicativo,
complemento nominal, ou aposto de outra oração. São: “que” e “se”.

Percebi que alguém entrou na sala.


(objeto direto)

Os conectivos ou operadores argumentativos são palavras ou expressões responsáveis pela ligação, pela
coesão de duas orações e servem para acentuar, introduzir, diminuir valores em determinadas sentenças.
Dessa forma, para estabelecer essa ligação, eles podem indicar: causa, consequência, conclusão, oposição
ou ressalva, soma de ideias, objetivo ou finalidade, entre outros. Por isso, existem diversos tipos de
operadores que proporcionam diferentes sentidos aos textos e eles são importantes porque garantem a
coesão dos textos.

Principais operadores argumentativos:

Operadores que somam argumentos: e, também, ainda, não só…mas também, além de…, além disso…, aliás.
Exemplo: Além de ser muito inteligente, é ótimo professor.

Operadores que indicam conclusão: portanto, logo, por conseguinte, pois, consequentemente.
Exemplo: João tira notas baixas e trata mal os professores, portanto não é um bom aluno.

Operadores que indicam comparação entre elementos: mais/menos…(do) que, tão…quanto.


Exemplo: Vamos colocar Luisa no lugar de Joana, uma é tão competente quanto à outra.

Operadores que indicam causa/explicação: porque, que, já que, pois, por causa de…
Exemplo: Estou triste, pois não fui bem na prova.

3
Português

Operadores que indicam oposição (adversidade e concessão): mas, porém, contudo, todavia, no entanto,
embora, ainda que, posto que, apesar de…
Exemplo: Gabriel fez um bom trabalho, mas não foi aprovado.

Operadores que indicam o argumento mais forte de um enunciado: até, mesmo, até mesmo, inclusive, pelo
menos, no mínimo.
Exemplo: João era muito ambicioso; queria ser, no mínimo, o presidente da empresa onde trabalha.

Operadores que indicam uma relação de condição entre um antecedente e um consequente: se, caso.
Exemplo: Se você não for ao médico, não melhorará.

Operadores que indicam uma relação de tempo: quando, assim que, logo que, no momento em que…
Exemplo: Assim que você chegar, me ligue!

Operadores que indicam finalidade/objetivo: para, para que, a fim de…


Exemplo: Eu estudo a fim de passar no vestibular.

Além disso, cabe ressaltar algumas diferenças semânticas em relação às conjunções.

1. A oração subordinada adverbial e a oração coordenada adversativa mantêm uma relação de oposição
entre duas ideias. Entretanto, apesar da semelhança, elas apresentam diferenças entre si. Enquanto a
primeira apresenta a ideia menos importante da oposição, a coordenada apresenta a ideia mais
importante. Veja:
O trabalho consome a pessoa por completo, mas a dignifica.
O trabalho dignifica a pessoa, mas a consome por completo.

2. Algumas conjunções podem, no discurso, assumir diversos significados de acordo com a relação que
estabelecem entre as orações. A conjunção ‘e’, por exemplo, não possui apenas o valor aditivo, mas
também:
Valor adversativo: Tanto tenho aprendido e não sei nada.
Indicar uma consequência/conclusão: Embarco amanhã, e venho lhe dizer adeus.
Expressar uma finalidade: Ia decorá-la e transmiti-la ao irmão e à cachorra.
Valor consecutivo: Estou sonhando, e não quero que me acordem.
Introduz uma expressão enfática: Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu.

3. A conjunção alternativa “ou” pode ser empregada tanto com valor de inclusão quanto de exclusão.
Maria pode-se casar com João ou Antonio.
As plantas são prejudicadas pelo frio ou pelo calor excessivo.

No primeiro item, a conjunção “ou” tem valor de exclusão, pois se João se casar com Maria, Antonio
ficará excluído do processo, ou vice e versa. Enquanto no segundo item, a conjunção “ou” tem valor de

4
Português

inclusão, pois tanto o frio, quanto o calor excessivo prejudicam as plantas e a ocorrência de um não
impede a do outro.

Valor semântico da conjunção ‘’se’’:


Valor condicional: Se você estudar, conseguirá seu intento.
Valor causal: Se você sabia que era proibido, por que entrou lá?
Valor concessivo: Se não ofendeu a todos, ainda assim insultou os mais velhos.
Valor temporal: Se fala, irrita a todos.

Valor semântico da conjunção “como”:


Valor aditivo: Não apenas é dedicado, como inteligente.
Valor comparativo: Simples e rápido como um passe de mágica.
Valor conformativo: Faço o trabalho como o regulamento prescreve.
Valor causal: Como estava chovendo, não fui ao trabalho.

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Português

Exercícios

1. O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?

Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e
da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas
vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando
estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local
específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso,
o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse
mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós,
mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como
o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em [Link] Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho
“Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele
estabelece com a oração seguinte uma relação de:

a) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de
vocalização dos ratos.
b) oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização
dos ratos.
c) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização
dos ratos.
d) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado
no cérebro.
e) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização dos
ratos.

6
Português

2. Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam
para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão
enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o
vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar
a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não
outras, mas essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A autora emprega por duas vezes o conectivo “mas” no fragmento apresentado. Observando aspectos
da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo “mas”:
a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase.
c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.

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Português

3. REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA: O FIM DO SENSO CRÍTICO?


Conectados. Essa palavra nunca fez tanto sentido quanto agora. Quando se discutia no
passado sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia global (...) não se imaginava o quanto
esse processo seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em 1968, ele sequer imaginaria que não seria a
5 televisão a grande responsável pela interligação mundial absoluta, e sim a internet, que na época não
passava de um projeto militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira como nos comunicamos e percebemos o mundo.
Graças a ela temos acesso a toda informação do mundo à distância de apenas um toque de botão. E
quando começaram a se popularizar as redes sociais, um admirável mundo novo abriu-se ante nossos
10 olhos. Uma ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o contato imediato com outras pessoas
através de suas afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo geográficas. Projetos
colaborativos, revoluções instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as pessoas se alinhassem
na órbita de seus ideais. O tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites de humor e outros assemelhados. Conhecidos
15 como memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard Dawkins, que representaria para nossa
memória o mesmo que os genes representam para o corpo, ou seja, uma parcela mínima de
informação), essas figuras surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira icônica, algum
sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a tendência de ter uma reação diversa daquelas expressas
pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se. Sem
20 chance para o debate ou questionamento. (...)
A situação é ainda mais grave quando um dos poucos entes criativos restantes na internet
produz algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a respeito de alguma situação atual ou
recente... Em minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-se sem o menor bom senso, sem
créditos. Pensar e refletir, e depois falar, são coisas do passado. O importante agora é copiar e colar, e
25 depois partilhar. As redes sociais desfraldaram um mundo completamente novo, e o uso que o homem
fará dessas ferramentas é o que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela partilha de ideias,
gestando-as em nossas mentes e depois as passando a outros, será uma estufa mundial a produzir
avanços incríveis em todos os campos de conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça de pensar, a humanidade estará fadada ao
30 processo antinatural de regressão. O advento das redes sociais trouxe para perto das pessoas comuns
os amigos distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais arraigados, mas aparentemente está
levando para longe algo muito mais humano e essencial na vida em sociedade: o senso crítico. Será
uma troca justa?
Eugênio Mira. Disponível em:
[Link] Adaptado.
Acesso em: 21 fev 2017

8
Português

Observe o emprego da conjunção "e" nos enunciados abaixo, considerando o contexto de onde foram
recortados, e as respectivas análises.

I. "Ele sequer imaginaria que não seria a televisão a grande responsável pela interligação mundial
absoluta, e sim a internet..." - A conjunção é aditiva.
II. "O tempo passou, e essa revolução não se instaurou." - A relação estabelecida é de adversidade.
III. "A internet mudou definitivamente a maneira como nos comunicamos e percebemos o mundo." -
A conjunção estabelece uma relação de finalidade.
IV. "...copiar e colar, e depois partilhar." - A repetição da conjunção visa enfatizar o automatismo das
ações.

a) I e III.
b) III e IV.
c) I e II.
d) II e IV.

4. Como o novo jogo “Pokémon Go” coloca pessoas para andar e já causou problemas com a polícia
Depois de muita espera, ele está causando um rebuliço nos países onde já foi lançado. Tanto é
que até a polícia precisou intervir. Pelo menos foi o que ocorreu na Austrália, onde as autoridades
precisaram emitir um alerta para que jogadores de “Pokémon Go” não se aventurassem em lugares
perigosos, como túneis, ou recomendar que os mesmos tirem “os olhos do telefone e olhem para os
dois lados da rua antes de atravessar”.
“Pokémon Go” é a atualização mais recente da franquia de jogos de videogame lançada pela
Nintendo há 20 anos. A nova versão começou a ser lançada mundialmente há poucos dias e leva
jogadores a procurar pokémons em museus, parques, esquinas, em seus banheiros e até no porta-luvas
do carro. Toda essa atividade, contudo, levou preocupações com a segurança.
Portal de notícias – R7.

Em “Toda essa atividade, contudo, levou a preocupações com segurança”, a conjunção destacada
estabelece uma ideia de:
a) causa.
b) condição.
c) conclusão.
d) adição.
e) oposição.

9
Português

5. A Verdadeira Arte de Viajar


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mário Quintana

A conjunção sublinhada nos dois versos estabelece uma relação de sentido de:
a) causa.
b) conformidade.
c) comparação.
d) consequência.

6.

Releia o seguinte trecho:


“A filosofia do homem branco é filosofia.
E a história de qualquer outro homem é folclore”

Em qual das alternativas abaixo a conjunção “e” foi substituída sem alteração de sentido:

a) A filosofia do homem branco é filosofia, mas a história de qualquer outro homem é folclore.

b) A filosofia do homem branco é filosofia a fim de que a história de qualquer outro homem é folclore.

c) A filosofia do homem branco é filosofia ou a história de qualquer outro homem é folclore.

d) A filosofia do homem branco é filosofia porque a história de qualquer outro homem é folclore.

e) A filosofia do homem branco é filosofia, portanto a história de qualquer outro homem é folclore.

10
Português

7. Conjunções são palavras que ligam orações independentes; elas podem apresentar ideias conclusivas,
alternadas, explicativas, dependendo do contexto e conjunção utilizada. Observe a oração abaixo:

Joana estudou o ano inteiro, logo foi bem nas provas finais.

Assinale a alternativa cuja conjunção destacada apresenta a mesma função da conjunção destacada
na oração.
a) Ele não respondeu às minhas cartas nem me telefonou.
b) A mulher chamou o táxi, porém não foi ouvida.
c) Tudo foi executado conforme planejamos.
d) Você me ajudou muito; terá, pois, minha eterna gratidão.
e) Viajarei mesmo que meus pais não autorizem.

8. Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra,
porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a
terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou
qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa
salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a
terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber.
Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não
deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque
o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e
os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Antônio Vieira, Sermão de Santo Antônio.

Vieira é um homem do século XVII. É possível detectar, no texto de Vieira, características da língua
portuguesa que divergem de seu uso contemporâneo. Pensando nessa diferença entre o português
atual e o português usado por Vieira, considere as seguintes afirmativas:

1. Diferentemente de hoje, o pronome pessoal oblíquo átono antecedia a negação.


2. O “porque” é empregado no texto como conjunção explicativa e sua grafia é a mesma usada
atualmente.
3. A conjunção “ou” tem no texto um uso que não é o de alternância.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
b) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.

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Português

9. O discurso
Natividade é que não teve distrações de espécie alguma. Toda ela estava nos filhos, e agora
especialmente na carta e no discurso. Começou por não dar resposta às efusões políticas de Paulo; foi
um dos conselhos do conselheiro. Quando o filho tornou pelas férias tinha esquecido a carta que
escrevera.
O discurso é que ele não esqueceu, mas quem é que esquece os discursos que faz? Se são bons, a
memória os grava em bronze; se ruins, deixam tal ou qual amargor que dura muito. O melhor dos
remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, e, se a razão não aceita esta imaginação, consultar
pessoas que a aceitem, e crer nelas. A opinião é um velho óleo incorruptível.
Paulo tinha talento. O discurso naquele dia podia pecar aqui ou ali por alguma ênfase, e uma ou outra
ideia vulgar e exausta. Tinha talento Paulo. Em suma, o discurso era bom. Santos achou-o excelente,
leu-o aos amigos e resolveu transcrevê-lo nos jornais. Natividade não se opôs, mas entendia que
algumas palavras deviam ser cortadas. (...)
Esaú e Jacó. Machado de Assis.

O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, e, se a razão não aceita esta
imaginação, consultar pessoas que a aceitem, e crer nelas.
Analise as frases abaixo e identifique qual alternativa possui o mesmo sentido da conjunção “e” e a
mesma estrutura do período original:

a) O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, mas, se a razão não aceita esta
imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas.
b) O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, ou, se a razão não aceita esta
imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas.
c) O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, porque, se a razão não aceita
esta imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas.
d) O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, logo, se a razão não aceita esta
imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas.
e) O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, então, se a razão não aceita esta
imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas.

12
Português

10.

Os dois primeiros quadros da tirinha criam no leitor uma expectativa de desfecho que não se concretiza,
gerando daí o efeito de humor. Nesse contexto, a conjunção “e” estabelece a relação de:
a) conclusão.
b) explicação.
c) oposição.
d) consequência.
e) alternância.

13
Português

Gabarito

1. C
Há uma relação de condição porque o rato apenas deixa de fazer a vocalização se o cientista provocar
um dano em um local específico do seu cérebro.

2. E
O conectivo “mas” assume funções distintas em suas duas ocorrências: na primeira, como indicador de
oposição (“O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo...”);
Na segunda, assume caráter de adição (“Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas
essas apenas”).

3. D
Na primeira afirmativa, “Ele sequer imaginaria que não seria a televisão a grande responsável (...)”, a
conjunção é adversativa. Já na terceira afirmativa, “A internet mudou definitivamente (...)”, a conjunção
estabelece uma relação de adição.

4. E
A conjunção apresenta uma ideia de adversidade, oposição. Portanto, pode ser substituída, sem perda
de sentido, por conjunções como: “porém” e “entretanto”.

5. C
Pode-se observar que nos dois trechos a conjunção “como” estabelece uma relação de comparação. No
trecho I, compara a forma como as pessoas devem sair à rua como fugidos. No trecho II, retoma a forma
como as pessoas devem sair à rua, comparando-a com uma saída em que estivessem abertos diante
das pessoas todos os caminhos do mundo.

6. A
A conjunção “e” adquire, no contexto, valor semântico de oposição entre as orações, podendo ser
substituída por outra de valor adversativo, tais como: “mas”, “porém” ou “contudo”.

7. D
A função da conjunção destacada na oração é de conclusão. A única alternativa que também apresenta
uma conjunção conclusiva é a “D”, em que o “pois” entre vírgulas atua como elemento conclusivo,
podendo ser substituído por “logo”.

8. C
A alternativa 3 é falsa porque persiste a ideia de alternância entre as orações em todas suas ocorrências;
no sermão, Padre Antônio Vieira fornece duas possibilidades de resposta para cada problemática
apresentada.

14
Português

9. B
A questão explora o reconhecimento do valor semântico que a conjunção coordenativa aditiva “e” pode
assumir em alguns contextos. Nesse caso, a melhor utilização é a da conjunção “ou” que expressa o
sentido de alternativa, ficando então: “O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes,
ou, se a razão não aceita esta imaginação, consultar pessoas que a aceitam, e crer nelas”.

10. C
Seria de esperar que a indignação de Calvin, expressa nos dois primeiros quadrinhos, provocasse um
comportamento inverso ao que na verdade acontece. Apesar da crítica, o personagem não só continua
a assistir a esse tipo de programas, como admite o seu apreço por eles. Na última fala de Calvin, a
conjunção “e” adquire, assim, uma relação de oposição ao que foi afirmado anteriormente.

15
Português

Pronomes (indefinidos e relativos)

Resumo

Indefinidos:

1. Definição: São os pronomes utilizados para representar a 3ª pessoa do discurso de


maneira indeterminada ou imprecisa.

Masculino Feminino

Alguns(s), certo(s), muito(s), nenhum(uns), Alguma(s), certa(s), muita(s), nenhuma(s),


outro(s), qualquer(quaisquer), tanto(s), todo(s), outra(s), qualquer(quaisquer), tanta(s), toda(s),
vários, pouco(s), bastante(s) várias, pouca(s), bastante(s)

Invariáveis

Alguém, algo, nada, ninguém, outrem, cada, tudo

Existem pronomes indefinidos que são utilizados na formulação de perguntas. Eles são chamados de
interrogativos

Interrogativos

Quem, que, quanto, qual

OBS!

Os pronomes indefinidos podem aparecer substitutos genéricos de substantivos ("Algo foi dito na
reunião.") ou como acompanhantes de substantivos ("Certas pessoas têm enxaqueca crônica.")

2. Emprego
a) Ninguém: admite dupla negação, quando estiver proposto ao verbo.
Exemplo: Não achei ninguém.

b) Algum: Possui valor positivo, se vier anteposto ao substantivo; posposto, negativo.


Exemplo: Alguma pessoa virá à festa. / Pessoa alguma virá à festa.

c) Qualquer: não devemos utilizá-lo como sinônimo de “nenhum”.


Exemplo: Ele não tem qualquer chance de conseguir o emprego. (errado)

1
Português

Obs.: Pronome indefinido X Adjetivo


Algumas palavras podem ser pronomes indefinidos ou adjetivos.

Exemplo: Certa pessoa passou por aqui. (pronome indefinido)


A pessoa certa (= correta) passou por aqui. (adjetivo)

Exemplo 2: Toda semana eu estudava. (pronome indefinido)


Toda a semana (= a semana inteira) eu estudava. (adjetivo)

Pronome indefinido X Advérbio


Tenho bastantes cabelos. (pronome indefinido)
Gosto bastante dela. (advérbio de intensidade)

Relativos

1. Definição:
São os pronomes que não só unem orações, como também substituem um termo anterior.
Exemplo: O perfume que adoro custa caro. (refere-se ao antecedente “perfume”).

Variáveis Invariáveis

o qual, os quais, a qual, as quais, quanto(a), quantos(as), cujo(a), onde, que, quem
cujos(as)

Obs.: Os pronomes relativos podem ser precedidos pela preposição exigida pelo verbo da oração na qual se
encontram.
Exemplo: Esse é o menino de quem gosto. /Essa é a festa sobre a qual falei.

2. Emprego
a) Onde: Só pode ser utilizado para fazer referência a lugares. Equivale a “em que”.
Ex.: O Brasil é o país onde moro.
Obs.: Muitas vezes, o pronome “onde” é empregado de maneira coloquial. Na língua culta, o uso desse relativo
deve ser limitado aos casos em que há referência a lugares físicos e espaciais. Caso não haja, devemos
utilizar “em que”, “no qual” (e suas flexões).

b) Cujo(a)(sapesar de não ser pronome possessivo, é utilizado para estabelecer relação de posse. Não é
correto utilizar artigo após o “cujo” e suas variações.
Ex.: Passei pela mulher cuja beleza é infinita.
Derrubaram as casas cujas as paredes estavam caindo. (ERRADO, devido ao artigo “as”)

c) Quem: Só pode ter como antecedente pessoa (ou coisa personificada). Costuma ser precedido por
preposição.

2
Português

Ex.: Ela é a pessoa por quem fui apaixonado.

d) Que/ o(a) qual / os(as) quais: podem fazer referência tanto a pessoas, quanto a coisas. Porém, é preciso
ter atenção ao uso da preposição. Se a preposição possuir duas ou mais sílabas “entre”, sobre”, “para”,
utilizamos o(a) qual, os(as) quais.
Ex.: A cidade em que/na qual moro é maravilhosa.
Os assuntos sobre os quais falei cairão na prova.

e) Quanto(a)(s): são utilizados após os indefinidos “todo”, “tanto” e “tudo”.


Ex.: Fiz tanto quanto ele.

3
Português

Exercícios

1. Encontrando bolaño
O chileno Roberto Bolaño escreveu muito desde os seus 17 anos e só foi publicado pela primeira vez
aos 43 anos – e faleceu aos 50. Nada mais natural, portanto, que aos poucos estejam sendo reveladas
obras que, por algum motivo, não chegaram ao conhecimento do público antes. O espírito da ficção
científica é um desses casos. Falecido em 2003, o autor terminou esse livro em 1984 – embora tenha
declarado para amigos nos anos seguintes como a obra o torturava e como ele sentia faltar algo para
ajustá-la, concluí-la de fato –, antes daqueles que o consagrariam, como Os detetives selvagens e 2666,
por exemplo. Justamente por isso, o leitor perceberá elementos e obsessões de Bolaño que marcaram
os títulos posteriores. A história, ambientada na Cidade do México dos anos 1970, apresenta Jan
Schrella e Remo Morán, que dividem moradia. Enquanto o primeiro é um jovem recluso, imerso nos
livros de ficção científica e dedicado a escrever cartas delirantes aos autores do gênero, o segundo é
um poeta que almeja se inserir no mercado literário – e por isso mesmo um dos primeiros alter egos
de Bolaño.
Revista da Cultura, ed. 110, março/17, p. 18.

Diferentes pronomes podem ser empregados com a finalidade de acompanhar, retomar ou substituir
substantivos em um texto. Na apresentação sintética da vida e obra de Roberto Bolaño, os pronomes
estão presentes de diferentes maneiras, destacando-se CORRETAMENTE:
a) a possibilidade de substituir, no último período, “o primeiro” e “o segundo” por aquele e este
respectivamente.
b) a necessidade de, por obediência à norma-padrão, substituir o pronome oblíquo em “concluí-la” e
“ajustá-la” por “lhe”.
c) que em “o autor terminou esse livro”, o pronome deveria ser substituído por este, devido à relação
estabelecida com o nome da obra.
d) a primeira ocorrência da palavra “que” é um pronome relativo e pode ser substituída por “o qual” ao
retomar o escritor referido no texto.
e) que em “como ele sentia faltar algo para ajustá-la”, o pronome pessoal reto pode ser substituído
adequadamente pelo demonstrativo este.

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Português

2. O amor e o tempo
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas
de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo
sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro
para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos
sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos
os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não
atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe
crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a
novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não
serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não
amar e o ter amado muito, de amar menos.
VIEIRA, Antônio. Apud: PROENÇA FILHO, Domício. Português. Rio de Janeiro: Liceu, 1972. V5. p.43

Os pronomes relativos, sublinhados abaixo, estabelecem a coesão textual, retomando substantivos


anteriormente expressos. Em “Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que
já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via”, os pronomes fazem referência aos seguintes
substantivos:
a) arco, olhos, tempo
b) instrumentos, setas, olhos
c) arco, asas, setas
d) tempo, arco, olhos
e) arco, setas, olhos

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Português

3. Cada brasileiro poderia ser um quadro de Portinari


Nenhum artista pintou tanto um país quanto Portinari pintou o Brasil. Ele eternizou em tinta e tela a
alma de um povo inteiro. Brancos, pretos, índios, mestiços, retirantes, artistas, trabalhadores, heróis e
anônimos, estão todos lá, mostrando quem somos para o mundo e para nós mesmos. Neste ano em
que se comemora os 100 anos de nascimento do pintor, uma série de exposições e eventos vão lembrar
sua vida e seu trabalho. E tentar realizar o maior sonho: que cada brasileiro veja sua obra. E nela se
reconheça.

Em relação à sintaxe do texto em que se apoia a publicidade, afirma-se que:

a) a conexão sintática que se estabelece através de “TANTO... QUANTO” traduz uma circunstância
de consequência;
b) o pronome indefinido “TODOS” posposto assume o caráter de um sujeito resumitivo;
c) "mostrando quem somos para o mundo" - a concordância do verbo “SER” com o pronome “QUEM”
é a expressão de um registro coloquial inadequado;
d) "Neste ano ..." - o uso do demonstrativo aponta o ser no espaço e no tempo restrito a um fato no
passado;
e) "Cada brasileiro poderia ser um quadro de Portinari" - o futuro do pretérito, nesse trecho, foi
empregado para indicar um fato que não pôde se realizar, nem se poderá realizar.

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Português

4. Eu vejo uma gravura


Descrição de gravuras – Seis

Eu vejo uma gravura onde passam aranhas


grande e rasa. e baratas.
No primeiro plano E os telhados são
uma casa. folhas de zinco.
À direita da casa E podem cair
outra casa. a qualquer vento.
Lá no fundo da casa E matar uma mulher
outra casa. que mora dentro.
Em frente da casa E matar a criança
uma vala: que está dentro
onde escorre a lama da mulher que mora
doutra casa. nessa casa.
E no chão da casa Ou da mulher que mora
outra vala: noutra casa.
onde escorre o esgoto É preciso pintar
doutra casa. outra gravura
Esta casa que eu vejo com casas de argamassa
não se casa na paisagem.
com o que chamamos Crianças cantando
uma casa. a segurança
Pois as paredes são da vida construída
Esburacadas à sua imagem.
Joana em Flor, Reynaldo Jardim

A repetição do pronome indefinido "outra", no poema "Eu Vejo uma Gravura", enfatiza a ideia de:

a) isolamento

b) conglomerado

c) repulsão

d) concórdia

e) ambiguidade

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Português

5. Língua para inglês ver


A incorporação da língua inglesa aos idiomas nativos dos mais diversos países não é novidade.
Traduz, no âmbito da linguagem, uma hegemonia que os Estados Unidos consolidaram desde a década
de 50. Com a globalização e o encurtamento das distâncias entre as nações obtido pelo avanço dos
meios de comunicação, a contaminação das demais línguas pelo inglês ficou ainda mais patente.
O fenômeno não é em si mesmo nocivo. Pode até enriquecer um idioma ao permitir que se
incorporem informações vindas de fora que ainda não têm correspondência local. A Internet é um
exemplo nesse sentido.
Outra coisa, porém, bem diferente, é o uso gratuito de palavras em inglês como o que se verifica
hoje no Brasil. A não ser pela vocação novidadeira - e caipira - de quem se deslumbra diante de qualquer
coisa que o aproxima do "estrangeiro", não há nenhuma razão para que se diga "sale" no lugar de
liquidação, ou qualquer motivo para falar "off" em vez de desconto. Tais anomalias são um dos
sintomas do subdesenvolvimento e exprimem, no seu ridículo involuntário, a mentalidade de quem
confunde modernidade com uma temporada em Miami.
Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa,
discute hoje uma reforma ortográfica para "germanizar" expressões estrangeiras, o que já é regra na
França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.
Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria
transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de
hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra "entrega"
em vez de "delivery".
FOLHA DE S. PAULO - 20/10/97

As palavras destacadas em “DIANTE DE QUALQUER coisa que O aproxima do estrangeiro” classificam-


se, respectivamente, como

a) locução adverbial – pronome relativo – pronome demonstrativo.


b) locução prepositiva – pronome indefinido – artigo definido.
c) advérbio de lugar – pronome relativo – pronome pessoal.
d) locução prepositiva – pronome indefinido – pronome pessoal
e) advérbio de lugar – pronome indefinido – artigo definido.

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Português

6. Como dizemos concordo com as ideias,


devemos dizer: “as ideias com que concordo
são sempre as menos radicais”.
As ideias que
concordo são
sempre as
menos radicais.
MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. Menas: o certo do errado, o errado do certo. São Paulo, 2010. Catálogo de exposição. p.
29.
A ocorrência de frases como “As ideias que concordo são sempre as menos radicais” é comum na
conversa espontânea de falantes do português brasileiro. Considerando as informações do quadro,
assinale a alternativa em que o emprego do pronome relativo esteja adequado à modalidade escrita
formal da língua portuguesa.
a) O livro o qual a autora foi premiada está esgotado.
b) Este é o livro que eu falei dele ontem.
c) O livro cujo o autor foi premiado está esgotado.
d) O livro do qual falamos ontem está esgotado.

7. A arqueologia não pode ser desvencilhada de seu caráter aventureiro e romântico, cuja melhor
imagem talvez seja, desde há alguns anos, as saborosas aventuras do arqueólogo Indiana Jones. Pois
bem, quando do auge do sucesso de Indiana Jones, o arqueólogo brasileiro Paulo Zanettini escreveu
um artigo no Jornal da Tarde, de São Paulo, intitulado “Indiana Jones deve morrer!”. Para ele, assim
como para outros arqueólogos profissionais, envolvidos com um trabalho árduo, sério e distante das
peripécias das telas, essa imagem aventureira é incômoda.
O fato é que o arqueólogo, à diferença do historiador, do geógrafo ou de outros estudiosos,
possui uma imagem muito mais atraente, inspiradora não só de filmes, mas também de romances e
livros os mais variados.
Bem, para usar uma expressão de Eça de Queiroz, “sob o manto diáfano da fantasia” escondem-
se as histórias reais que fundamentaram tais percepções. A arqueologia surgiu no bojo do
Imperialismo do século XIX, como um subproduto da expansão das potências coloniais europeias e
dos Estados Unidos, que procuravam enriquecer explorando outros territórios. Alguns dos primeiros
arqueólogos de fato foram aventureiros, responsáveis, e não em pequena medida, pela fama que se
propagou em torno da profissão.
Adaptado de Pedro Paulo Funari, Arqueologia
Assinale a alternativa correta.

a) O pronome relativo “cuja” refere-se à palavra “arqueologia”, denotando sentido de possessividade.


b) Em “há alguns anos” a forma verbal também pode ser escrita sem a letra “h” inicial.
c) Pelas novas regras de ortografia, a palavra “auge” também pode ser escrita na forma “auje”.
d) É opcional o emprego do acento indicador de crase em “à diferença”.
e) A expressão “tais percepções” refere-se às imagens descritas em romances de Eça de Queiroz.

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8. Assinale a alternativa correta quanto ao emprego do pronome relativo.

a) Aquele era o homem do qual Miguel devia favores.


b) Eis um homem de quem o caráter é excepcional.
c) Refiro-me ao livro que está sobre a mesa.
d) Aquele foi um momento onde eu tive grande alegria.
e) As pessoas que falei são muito ricas.

9. Leia um trecho do poema de Cora Coralina.

Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida (...)

A palavra destacada, nesse fragmento, morfologicamente, classifica-se como um:

a) artigo definido, pois determina o substantivo.


b) artigo indefinido, pois indetermina o substantivo.
c) advérbio, pois atribui uma circunstância ao verbo.
d) pronome pessoal, pois designa a pessoa do discurso.
e) pronome relativo, pois refere-se a um termo anterior.

10. Em que opção utilizou-se corretamente o pronome relativo?


a) Admiro as pessoas as quais os filhos são gentis e educados a qualquer tempo.
b) A adolescência é a idade onde as pessoas apresentam conflitos existenciais.
c) César é o profissional a quem confiei a educação e o futuro dos meus filhos.
d) A prova em cujos textos nos baseamos foi aplicada há dois anos por esta instituição.
e) Não é possível domesticar animais a quem não se ame verdadeiramente.

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Gabarito

1. A
O pronome “lhe” substitui objeto indireto e, no caso dos verbos “concluir” e “ajustar”, temos objeto direto
como complemento. Assim, não se deve empregar o “lhe”; Como o nome do livro foi mencionado
anteriormente (“O espírito da ficção científica”), deve-se utilizar o pronome demonstrativo “esse”, que
retoma termos anteriormente mencionados; A primeira ocorrência da palavra “que” é uma conjunção; O
pronome “este” anunciaria um termo que viria a seguir. No caso, já foi mencionado o autor. Assim, não é
possível efetuar a substituição.

2. E
Os pronomes utilizados evitam a repetição dos substantivos aos quais se referem. “que” substitui “arco”,
“que” substitui setas, “que” substitui olhos.

3. B
A palavra “todos” engloba os demais sujeitos em um só. Daí o caráter resumitivo.

4. B
A ideia de conglomerado vem do sentido da repetição da palavra “outra” que expressa a sensação de
continuidade, de fileiras de casas sem fim.

5. D
A expressão “diante de” é uma locução prepositiva porque possui valor de preposição, “qualquer” é um
pronome indefinido e “o”, nesse caso, funciona como um pronome pessoal oblíquo.

6. D
As demais alternativas apresentam desvios gramaticas que, se corrigidos, ficariam: (a) Pelo qual; (b) de
que falei; (c) cujo autor.

7. A
O verbo “haver” não pode ser grafado sem “h”; Não há qualquer regra que preveja a grafia “auje”; “Como
há a junção da preposição “a” com o artigo feminino que antecede o substantivo “diferença”, é necessário
o uso da crase; A expressão refere-se às percepções que as pessoas têm dos arqueólogos, encarando-
os como aventureiros.

8. C
As expressões deveriam ser substituídas por: (a) ao qual; (b) cujo; (d) em que; (e) de que.

9. E
O termo “que” está retomando a expressão “semente boa” do verso anterior. Assim, o verso “que
lançamos hoje no solo da vida” pode ser substituído por “Lançamos a semente boa no solo da vida”.

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10. C
As expressões corretas para as alternativas são: (a) cujos; (b) na qual; (d) cujos; (e) os quais.

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Pronomes: conceitos e pessoas do discurso

Resumo

Pronome é a classe de palavra que substitui o substantivo (nome). Essa classe tem a finalidade de indicar a
pessoa do discurso ou situar no tempo e espaço, sem utilizar o seu nome. Além disso, os pronomes podem
variar em gênero (feminino e masculino), número (singular e plural) e pessoa (1ª pessoa, 2ª pessoa ou 3ª
pessoa).

Pronomes substantivos e pronomes adjetivos


Os pronomes substantivos desempenham a função de um substantivo. Já os pronomes adjetivos recebem
esse nome porque modificam o substantivo, que acompanham, como se fossem adjetivos.

Cabe destacar, também, que os pronomes substantivos aparecem isolados na frase, ao passo que os
adjetivos se empregam sempre junto de um substantivo, com o qual concordam em gênero e número.

Observe as frases:
1. Lembranças a todos os teus.
2. Teus olhos são dois desejos.
A palavra “teus” é um pronome substantivo na primeira, e pronome adjetivo na segunda.

Ademais, os pronomes também podem fazer referência às pessoas do discurso. São elas:
a) quem fala: 1ª pessoa: eu (singular), nós (plural).
b) com quem se fala: 2ª pessoa: tu (singular), vós (plural).
c) de quem se fala: 3ª pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).

Há seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos.

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Exercícios

1. “Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem
poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia, a língua portuguesa renasce
em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas,
guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por
deuses muito mais antigos, e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se
apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo
para dizer certas coisas que nas outras não cabe. Toda noite, duzentos milhões de pessoas sonham
em português.”
Texto de abertura do filme “Língua – vidas em português”, de Victor Lopes.

No texto, há uma palavra usada para substituir a expressão “a língua portuguesa”. Assinale a alternativa
que apresenta essa substituição:
a) suas.
b) bocas.
c) ela.
d) línguas.
e) português.

2. Fazer 70 anos
Fazer 70 anos não é simples.
A vida exige, para o conseguirmos,
perdas e perdas no íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras perdas.
[...]
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos...
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?
ANDRADE, C.D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento).

O pronome oblíquo “o” nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante
a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento
a) “Ó José Carlos”.
b) “perdas e perdas”.
c) “A vida exige”.
d) “Fazer 70 anos”.
e) “irmão-sem-Escorpião”.

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Português

3. Na frase "Isso pouco importa, eu já lhe falei bastantes vezes", as palavras sublinhadas são,
respectivamente:

a) advérbio de intensidade e pronome indefinido.


b) pronome indefinido e advérbio de intensidade.
c) pronome indefinido e pronome indefinido.
d) advérbio de intensidade e advérbio de intensidade.
e) advérbio de intensidade, ambas, mas a segunda está grafada erroneamente no plural.

4. Não era e não podia o pequeno reino lusitano ser uma potência colonizadora à feição da antiga Grécia.
O surto marítimo que enche sua história do século XV não resultara do extravasamento de nenhum
excesso de população, mas fora apenas provocado por uma burguesia comercial sedenta de lucros, e
que não encontrava no reduzido território pátrio satisfação à sua desmedida ambição. A ascensão do
fundador da Casa de Avis ao trono português trouxe esta burguesia para um primeiro plano. Fora ela
quem, para se livrar da ameaça castelhana e do poder da nobreza, representado pela Rainha Leonor
Teles, cingira o Mestre de Avis com a coroa lusitana. Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei
o melhor das suas atenções. Esgotadas as possibilidades do reino com as pródigas dádivas reais,
restou apenas o recurso da expansão externa para contentar os insaciáveis companheiros de D. João
I.
Caio Prado Júnior, Evolução política do Brasil. Adaptado.

O pronome “ela” da frase “Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei o melhor das suas
atenções”, refere-se a

a) “desmedida ambição”.
b) “Casa de Avis”.
c) “esta burguesia”.
d) “ameaça castelhana”.
e) “Rainha Leonor Teles”.

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5. MÚSICA E POESIA
A relação entre música e poesia vem desde a antiguidade. Na cultura da Grécia Antiga, por exemplo,
poesia e música eram praticamente inseparáveis: a poesia era feita para ser cantada. De acordo com
a tradição, a música e a poesia nasceram juntas. De fato, a palavra “lírica”, de onde vem a expressão
“poema lírico”, significava, originalmente, certo tipo de composição literária feita para ser cantada,
fazendo-se acompanhar por instrumento de cordas, de preferência a lira.
A partir de então, configuraram-se muitos momentos em que a música e a poesia se uniram. Segundo
Antônio Medina Rodrigues, “a grande poesia medieval quase que foi exclusivamente concebida para o
canto. O Barroco, séculos além, fez os primeiros ensaios operísticos, que iriam recolocar o teatro no
coração da música. Depois Mozart, com a Flauta mágica ou D. Giovanni, levaria, como sabemos, esta
fusão ao sublime”.
Durante muito tempo, a poesia foi destinada à voz e ao ouvido. Na Idade Média, “trovador” e “menestrel”
eram sinônimos de poeta. Seria necessário esperar a Idade Moderna para que a invenção da imprensa,
e com ela o triunfo da escrita, acentuasse a distinção entre música e poesia. A partir do século XVI, a
lírica foi abandonando o canto para se destinar, cada vez mais, à leitura silenciosa.
Entretanto, mesmo separado da música, o poema continuou preservando traços daquela antiga união.
Certas formas poéticas, ainda vigentes, como o madrigal, o rondó, a balada e a cantiga aludem
diretamente às formas musicais. Se a separação de poetas e músicos dividiu a história de um gênero
e outro, a poesia não abandonou de vez a música tanto quanto a música não abandonou de vez a poesia.
[...]
Luciano Cavalcanti. Disponível em [Link]/[Link]/travessias/article/ 2993/2342. Acesso: terça-feira, 12 de
novembro de 2013. Adaptado.
“(...) e com ela o triunfo da escrita (...)”.
Que termo é retomado pelo pronome pessoal “ela” presente no trecho destacado acima?
a) invenção da imprensa.
b) distinção entre música e poesia.
c) Idade Moderna.
d) poesia.
e) Idade Média.

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6. Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do escritor português Luís de Camões (1525? – 1580),
para responder a questão.

Aquela triste e leda madrugada,


cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada


saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio que,


de uns e de outros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas


que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.

O pronome “Ela”, que se repete no início de três estrofes, refere-se a


a) “piedade”.
b) “mágoa”.
c) “saudade”.
d) “claridade”.
e) “madrugada”.

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7. Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análise de sua estrutura, que, por
falta de melhor expressão, devemos chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado,
presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente
é o “agora”, o instante atual.
Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos passado e futuro, precisamos
definir o presente. Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo,
pois nesse caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para sermos
coerentes em nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não
existe!
A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma
origem, então existiu um momento no passado em que ele passou a existir. Segundo nossas modernas
teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo, esse momento especial é o momento
da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com “quântico”, a área
da física que lida com fenômenos atômicos e subatômicos.
[...]
As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua
teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a
passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico
adquire uma plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos
a relatividade geral para descrever a origem do Universo.
(Folha de [Link], 07.06.1998.)

“Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo, pois nesse
caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro.” (2º parágrafo)
Os pronomes destacados no texto referem-se a
a) “separação”.
b) “presente”.
c) “caso”.
d) “tempo”.
e) “período”.

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8. Leia o soneto “LXXII”, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para responder a questão:

Já rompe, Nise, a matutina Aurora


O negro manto, com que a noite escura,
Sufocando do Sol a face pura,
Tinha escondido a chama brilhadora.

Que alegre, que suave, que sonora


Aquela fontezinha aqui murmura!
E nestes campos cheios de verdura
Que avultado o prazer tanto melhora!

Só minha alma em fatal melancolia,


Por te não poder ver, Niso adorada,
Não sabe inda que coisa é alegria;

E a suavidade do prazer trocada


Tanto mais aborrece a luz do dia,
Quanto a sombra da noite mais lhe agrada.

Na terceira estrofe, o pronome “te” refere-se a


a) “alma”.
b) “melancolia”.
c) “Nise”.
d) “coisa”.
e) “alegria”.

9. Leia:

“Voce é exatamente o que eu sempre quis/


Ela se encaixa perfeitamente em mim”.

O trecho apresenta um fragmento de uma canção, de autoria de Sorocaba. Em relação ao uso dos
pronomes, marque a alternativa correta, de acordo com a gramática normativa.
a) O pronome “ela” indica com quem se fala no discurso.
b) O pronome “você” indica a pessoa que fala no discurso.
c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto
exemplificado.
d) O pronome “você” se refere, gramaticalmente, à mesma pessoa descrita pelo pronome “ela”, no
texto exemplificado.

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Português

10. Leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), que integra o livro “Claro
enigma”, publicado originalmente em 1951.

Escurece, e não me seduz


tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.

E com ela aceito que brote


uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.

Vazio de quanto amávamos,


mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?

E nem destaco minha pele


da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.

E aquele agressivo espírito


que o dia carreia consigo,
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.

Vai durar mil anos, ou


extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.

Imaginação, falsa demente,


já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.

O pronome “te”, empregado no segundo verso da última estrofe, refere-se a:

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Português

a) “imaginação”.
b) “palavra”.
c) “rosa”.
d) “mundo”.
e) “corpo”.

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Português

Gabarito

1. C
O pronome pessoal “ela” é utilizado para substituir a expressão “a língua portuguesa”.

2. D
Os pronomes oblíquos destacados recuperam o segmento “fazer 70 anos” do texto.

3. A
“Pouco” é advérbio de intensidade. “Bastantes” poderia causar dúvidas, pois esta palavra é amplamente
utilizada como advérbio, entretanto, advérbios são invariáveis. Nesse caso, a flexão desse vocábulo nos
leva a crer e que se trata não de um advérbio, mas de um pronome (equivalente a muitas).

4. C
“Ela” é utilizado para evitar a repetição do termo sobre o qual se fala: “esta burguesia”.

5. A
A partir do trecho “Seria necessário esperar a idade Moderna para que a invenção da imprensa, e com
ela o triunfo da escrita acentuasse a distinção entre música e poesia”. A partir disso, fica claro que “ela”
retoma a “invenção da imprensa”.

6. E
Em ordem direta, a 1a estrofe é reescrita desta forma: “Quero que aquela madrugada triste e leda cheia
de toda mágoa e de (toda) piedade seja sempre celebrada enquanto houver saudade no mundo”.
Note-se que “madrugada” é o núcleo do sujeito da oração do verbo “ser” ([...] que aquela madrugada
triste e leda [...] seja[...]). Na condição de termo nuclear, é retomado pelo pronome pessoal reto “ela”.

7. B
O pronomes “seu” é possessivo de característica anafórica e retoma, pelo contexto, o termo “presente.”

8. C
O verso “Por te não poder ver, Nise adorada” indica que o pronome “te” faz referência ao vocativo, “Nise
adorada”.

9. C
O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto
exemplificado. O pronome de tratamento “você” indica a pessoa com quem se fala no discurso; o
pronome “ela” indica a pessoa da qual se fala no discurso.

10. A
O pronome “te”, empregado no segundo verso da última estrofe (“já te desprezo”) refere-se
anaforicamente ao termo “imaginação”, vocativo seguido do aposto “falsa demente” no primeiro verso:
“imaginação, falsa demente; já te desprezo”.

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Português

Pronome Se

Teoria

A partícula “se” pode assumir diferentes funções na Língua Portuguesa. Nesta aula, veremos três dessas
funções: a voz passiva sintética, a voz reflexiva e o pronome indeterminador do sujeito.

Voz passiva sintética


A voz passiva sintética é formada a partir do verbo principal transitivo direto na voz ativa (na terceira pessoa
do singular ou do plural) + partícula apassivadora “se”. Por exemplo:

• Despejam-se toneladas de lixo.


• Vendem-se carros na feira de automóveis.

Note que, na passiva sintética, não há determinação do agente da passiva. Dessa forma, podemos entender
que a ênfase é dada exclusivamente ao termo paciente. Por isso, essa estrutura é bastante utilizada em
discursos que buscam o distanciamento do emissor e a impessoalidade.

Atenção!
A forma sintética da voz passiva deve, obrigatoriamente, poder ser convertida em analítica. Caso não seja
possível, não há voz passiva. Veja o exemplo:
I. Investigam-se as causas do problema. -> As causas do problema são investigadas.
II. Precisa-se de funcionários. -> Funcionários são precisados.

No caso (II), não se trata de um caso de voz passiva. Em primeiro lugar, vimos que não há possibilidade de
conversão em passiva analítica. Além disso, como vimos anteriormente, não é possível formar voz passiva
com verbos transitivos indiretos.

Repare, também, que, quando se trata de voz passiva sintética, o verbo deve concordar com o sujeito e ir para
o plural, se o sujeito estiver no plural – como acontece em (I). No entanto, coloquialmente, tendemos a não
fazer essa concordância – o que é errado do ponto de vista gramatical. Ex.: Vende-se casas. (O correto é
“Vendem-se casas”).

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Português

Voz reflexiva
Trata-se da voz em que o agente que pratica a ação (sujeito) é o mesmo que sofre a ação (objeto). Por isso,
só ocorre voz reflexiva com verbos transitivos. Dessa forma, são indispensáveis os pronomes reflexivos.
Veja alguns exemplos:

I. Não me responsabilizo pela entrega do material.


II. Cortei-me quando estava fazendo o almoço.
III. Sempre que sai para trabalhar, João se vê no espelho do elevador.

Obs.: Na voz reflexiva, há também a possibilidade de reciprocidade; ou seja, quando o verbo indica uma ação
mútua entre dois ou mais seres. Por exemplo: João e Roberto se abraçaram quando se viram.

Pronome indeterminador do sujeito


O pronome indeterminador do sujeito pode ser conhecido, também, como índice de indeterminação do sujeito.
Esta partícula sempre aparece junto a um verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação. Pode aparecer
junto a um verbo transitivo direto caso o objeto direto venha preposicionado. Como o nome indica, o pronome
“se” é utilizado para indeterminar ou não indica o sujeito da oração. Esse tipo de oração não admite a
transposição para a voz passiva analítica e, portanto, o verbo sempre permanece na 3ª pessoa do singular.
Veja os exemplos:

• Vive-se apreensivamente no Rio de Janeiro.


• Precisa-se de funcionário.
• Aqui, se é tratado como animal.

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Português

Exercícios

1. (IFCE) Pedrinho, na varanda, lia um jornal. De repente parou e disse à Emília, que andava rondando por
ali:
– Vá perguntar à vovó o que quer dizer folk-lore. – Vá? Dobre a sua língua. Eu só faço coisas quando
me pedem por favor. Pedrinho, que estava com preguiça de levantar-se, cedeu à exigência da ex-
boneca.
– Emilinha do coração — disse ele —, faça-me o maravilhoso favor de ir perguntar à vovó que coisa
significa a palavra folk-lore, sim, teteia? Emília foi e voltou com a resposta.
– Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as
coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos.
Os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular etc. e tal. Por
que pergunta isso, Pedrinho?
O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos lá longe. Depois disse: — Uma ideia que eu tive. Tia
Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando de um para outro, ela deve saber. Estou com
o plano de espremer Tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela.
Emília arregalou os olhos. – Não está má a ideia, não, Pedrinho! Às vezes, a gente tem uma coisa muito
interessante em casa e nem percebe.
Fonte: do livro Histórias de Tia Nastácia. São Paulo: Globo, 2009.

A partícula “se”, empregada em “calou-se”, pode ser definida como


a) índice de indeterminação do sujeito.
b) pronome apassivador.
c) conjunção subordinativa condicional.
d) conjunção integrante.
e) pronome reflexivo.

2. (EPCAR) O vocábulo se exerce, na língua portuguesa, várias funções. Observe seu uso nos excertos a
seguir.

I. “Copia-se sem o menor bom senso...”


II. “...um admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos.”
III. “Ou se aceita a situação ou revolta-se.”
IV. “O tempo passou, e essa revolução não se instarou.”

Assinale a análise correta.


a) Em I, o “se” é uma partícula expletiva ou de realce.
b) Em II, o “se” é uma partícula integrante do verbo.
c) Em III, o “se” foi utilizado para flexionar o verbo na voz passiva sintética em ambas as ocorrências.
d) Em IV, o “se” classifica-se como pronome apassivador.

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Português

3. (EEAR) Assinale a alternativa em que o “se” é índice de indeterminação do sujeito na frase.


a) Não se ouvia o barulho.
b) Perdeu-se um gato de estimação.
c) Precisa-se de novos candidatos militares.
d) Construíram-se casas e apartamentos na rua pacata.

4. (UNIFESP) LOJA DE CALÇADOS FEMININO


Vende-se 3 lojas bem montadas
tradicionais, nos melhores Pontos
da Cidade. Ótima Oportunidade!
F: (__) xxx-xxxxxx

No corpo do anúncio, a expressão “Vende-se 3 lojas bem montadas”


a) Apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrer na forma “Vendem-se” porque “se” é
índice de indeterminação do sujeito, e “lojas” é o sujeito paciente.
b) Não apresenta problema de concordância verbal porque “se” é índice de indeterminação do sujeito,
e “lojas” é o objeto direto.
c) Apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrrer na forma “Vendem-se” porque “se”
é partícula apassivadora, e “lojas” é o sujeito paciente.
d) Não apresenta problema de concordância verbal, porque “se” é partícula apassivadora, e “lojas” é
o sujeito paciente.
e) Apresenta problema de concordância verbal. Deveria ocorrer na forma “Vendem-se” porque “se” é
pronome reflexivo com função sintática de objeto indireto, e “lojas” é objeto direto.

5. Em relação a frase “Precisa-se de trabalhadores”, indique a alternativa incorreta.


a) Sujeito indeterminado.
b) “de trabalhadores” é objeto direto.
c) “se” é índice de indeterminação do sujeito.
d) A frase é ativa de sujeito indeterminado.
e) A frase é passiva.

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Português

Gabarito

1. E
Como a partícula indica que o verbo é reflexivo, isto é, o sujeito realiza e sofre a ação verbal, podemos
defini-la como pronome reflexivo.

2. D
Em [I], o “se” é indice de indeterminação do sujeito; em [II], é pronome apassivador; em [III], na primeira
ocorrência, o “se” foi utilizado para flexionar o verbo na voz passiva sintética, já na segunda ocorrência é
pronome reflexivo.

3. C
Nas alternativas [A], [B] e [D], os verbos (“ouvia-se”, “perdeu-se”, “construíram-se”) estão na voz passiva
sintética e são acompanhados de sujeitos pacientes (“o barulho”, “um gato de estimação” e “casas e
apartamentos”). O mesmo não ocorre na [C] , em que o verbo “precisar” é transitivo indireto, “de novos
candidatos militares” é objeto direto e o “se” é o índice de indeterminação do sujeito.

4. C
Em “Vende-se 3 lojas bem montadas”, há um problema de concordância verbal, pois como são três lojas,
deveria haver concordância, portanto, utilizando a forma verbal “Vendem-se”.

5. E
A frase em questão está na voz ativa e se trata de um caso de indeterminação do sujeito, pois há um
verno transitivo indireto (precisar). Por isso, a única afirmação incorreta está na letra E.

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Português

Pronomes: conceitos e pessoas do discurso

Resumo

Pronome é a classe de palavra que substitui o substantivo (nome). Essa classe tem a finalidade de indicar a
pessoa do discurso ou situar no tempo e espaço, sem utilizar o seu nome. Além disso, os pronomes podem
variar em gênero (feminino e masculino), número (singular e plural) e pessoa (1ª pessoa, 2ª pessoa ou 3ª
pessoa).

Pronomes substantivos e pronomes adjetivos


Os pronomes substantivos desempenham a função de um substantivo. Já os pronomes adjetivos recebem
esse nome porque modificam o substantivo, que acompanham, como se fossem adjetivos.

Cabe destacar, também, que os pronomes substantivos aparecem isolados na frase, ao passo que os
adjetivos se empregam sempre junto de um substantivo, com o qual concordam em gênero e número.

Observe as frases:
1. Lembranças a todos os teus.
2. Teus olhos são dois desejos.
A palavra “teus” é um pronome substantivo na primeira, e pronome adjetivo na segunda.

Ademais, os pronomes também podem fazer referência às pessoas do discurso. São elas:
a) quem fala: 1ª pessoa: eu (singular), nós (plural).
b) com quem se fala: 2ª pessoa: tu (singular), vós (plural).
c) de quem se fala: 3ª pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).

Há seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos.

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Português

Exercícios

1. “Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem
poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia, a língua portuguesa renasce
em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas,
guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por
deuses muito mais antigos, e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se
apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo
para dizer certas coisas que nas outras não cabe. Toda noite, duzentos milhões de pessoas sonham
em português.”
Texto de abertura do filme “Língua – vidas em português”, de Victor Lopes.

No texto, há uma palavra usada para substituir a expressão “a língua portuguesa”. Assinale a alternativa
que apresenta essa substituição:
a) suas.
b) bocas.
c) ela.
d) línguas.
e) português.

2. Fazer 70 anos
Fazer 70 anos não é simples.
A vida exige, para o conseguirmos,
perdas e perdas no íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras perdas.
[...]
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos...
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?
ANDRADE, C.D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento).

O pronome oblíquo “o” nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante
a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento
a) “Ó José Carlos”.
b) “perdas e perdas”.
c) “A vida exige”.
d) “Fazer 70 anos”.
e) “irmão-sem-Escorpião”.

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Português

3. Na frase "Isso pouco importa, eu já lhe falei bastantes vezes", as palavras sublinhadas são,
respectivamente:

a) advérbio de intensidade e pronome indefinido.


b) pronome indefinido e advérbio de intensidade.
c) pronome indefinido e pronome indefinido.
d) advérbio de intensidade e advérbio de intensidade.
e) advérbio de intensidade, ambas, mas a segunda está grafada erroneamente no plural.

4. Não era e não podia o pequeno reino lusitano ser uma potência colonizadora à feição da antiga Grécia.
O surto marítimo que enche sua história do século XV não resultara do extravasamento de nenhum
excesso de população, mas fora apenas provocado por uma burguesia comercial sedenta de lucros, e
que não encontrava no reduzido território pátrio satisfação à sua desmedida ambição. A ascensão do
fundador da Casa de Avis ao trono português trouxe esta burguesia para um primeiro plano. Fora ela
quem, para se livrar da ameaça castelhana e do poder da nobreza, representado pela Rainha Leonor
Teles, cingira o Mestre de Avis com a coroa lusitana. Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei
o melhor das suas atenções. Esgotadas as possibilidades do reino com as pródigas dádivas reais,
restou apenas o recurso da expansão externa para contentar os insaciáveis companheiros de D. João
I.
Caio Prado Júnior, Evolução política do Brasil. Adaptado.

O pronome “ela” da frase “Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei o melhor das suas
atenções”, refere-se a

a) “desmedida ambição”.
b) “Casa de Avis”.
c) “esta burguesia”.
d) “ameaça castelhana”.
e) “Rainha Leonor Teles”.

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Português

5. MÚSICA E POESIA
A relação entre música e poesia vem desde a antiguidade. Na cultura da Grécia Antiga, por exemplo,
poesia e música eram praticamente inseparáveis: a poesia era feita para ser cantada. De acordo com
a tradição, a música e a poesia nasceram juntas. De fato, a palavra “lírica”, de onde vem a expressão
“poema lírico”, significava, originalmente, certo tipo de composição literária feita para ser cantada,
fazendo-se acompanhar por instrumento de cordas, de preferência a lira.
A partir de então, configuraram-se muitos momentos em que a música e a poesia se uniram. Segundo
Antônio Medina Rodrigues, “a grande poesia medieval quase que foi exclusivamente concebida para o
canto. O Barroco, séculos além, fez os primeiros ensaios operísticos, que iriam recolocar o teatro no
coração da música. Depois Mozart, com a Flauta mágica ou D. Giovanni, levaria, como sabemos, esta
fusão ao sublime”.
Durante muito tempo, a poesia foi destinada à voz e ao ouvido. Na Idade Média, “trovador” e “menestrel”
eram sinônimos de poeta. Seria necessário esperar a Idade Moderna para que a invenção da imprensa,
e com ela o triunfo da escrita, acentuasse a distinção entre música e poesia. A partir do século XVI, a
lírica foi abandonando o canto para se destinar, cada vez mais, à leitura silenciosa.
Entretanto, mesmo separado da música, o poema continuou preservando traços daquela antiga união.
Certas formas poéticas, ainda vigentes, como o madrigal, o rondó, a balada e a cantiga aludem
diretamente às formas musicais. Se a separação de poetas e músicos dividiu a história de um gênero
e outro, a poesia não abandonou de vez a música tanto quanto a música não abandonou de vez a poesia.
[...]
Luciano Cavalcanti. Disponível em [Link]/[Link]/travessias/article/ 2993/2342. Acesso: terça-feira, 12 de
novembro de 2013. Adaptado.
“(...) e com ela o triunfo da escrita (...)”.
Que termo é retomado pelo pronome pessoal “ela” presente no trecho destacado acima?
a) invenção da imprensa.
b) distinção entre música e poesia.
c) Idade Moderna.
d) poesia.
e) Idade Média.

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Português

6. Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do escritor português Luís de Camões (1525? – 1580),
para responder a questão.

Aquela triste e leda madrugada,


cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada


saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio que,


de uns e de outros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas


que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.

O pronome “Ela”, que se repete no início de três estrofes, refere-se a


a) “piedade”.
b) “mágoa”.
c) “saudade”.
d) “claridade”.
e) “madrugada”.

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Português

7. Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análise de sua estrutura, que, por
falta de melhor expressão, devemos chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado,
presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente
é o “agora”, o instante atual.
Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos passado e futuro, precisamos
definir o presente. Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo,
pois nesse caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para sermos
coerentes em nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não
existe!
A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma
origem, então existiu um momento no passado em que ele passou a existir. Segundo nossas modernas
teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo, esse momento especial é o momento
da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com “quântico”, a área
da física que lida com fenômenos atômicos e subatômicos.
[...]
As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua
teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a
passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico
adquire uma plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos
a relatividade geral para descrever a origem do Universo.
(Folha de [Link], 07.06.1998.)

“Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo, pois nesse
caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro.” (2º parágrafo)
Os pronomes destacados no texto referem-se a
a) “separação”.
b) “presente”.
c) “caso”.
d) “tempo”.
e) “período”.

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Português

8. Leia o soneto “LXXII”, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para responder a questão:

Já rompe, Nise, a matutina Aurora


O negro manto, com que a noite escura,
Sufocando do Sol a face pura,
Tinha escondido a chama brilhadora.

Que alegre, que suave, que sonora


Aquela fontezinha aqui murmura!
E nestes campos cheios de verdura
Que avultado o prazer tanto melhora!

Só minha alma em fatal melancolia,


Por te não poder ver, Niso adorada,
Não sabe inda que coisa é alegria;

E a suavidade do prazer trocada


Tanto mais aborrece a luz do dia,
Quanto a sombra da noite mais lhe agrada.

Na terceira estrofe, o pronome “te” refere-se a


a) “alma”.
b) “melancolia”.
c) “Nise”.
d) “coisa”.
e) “alegria”.

9. Leia:

“Voce é exatamente o que eu sempre quis/


Ela se encaixa perfeitamente em mim”.

O trecho apresenta um fragmento de uma canção, de autoria de Sorocaba. Em relação ao uso dos
pronomes, marque a alternativa correta, de acordo com a gramática normativa.
a) O pronome “ela” indica com quem se fala no discurso.
b) O pronome “você” indica a pessoa que fala no discurso.
c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto
exemplificado.
d) O pronome “você” se refere, gramaticalmente, à mesma pessoa descrita pelo pronome “ela”, no
texto exemplificado.

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Português

10. Leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), que integra o livro “Claro
enigma”, publicado originalmente em 1951.

Escurece, e não me seduz


tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.

E com ela aceito que brote


uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.

Vazio de quanto amávamos,


mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?

E nem destaco minha pele


da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.

E aquele agressivo espírito


que o dia carreia consigo,
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.

Vai durar mil anos, ou


extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.

Imaginação, falsa demente,


já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.

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Português

O pronome “te”, empregado no segundo verso da última estrofe, refere-se a:


a) “imaginação”.
b) “palavra”.
c) “rosa”.
d) “mundo”.
e) “corpo”.

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Português

Gabarito

1. C
O pronome pessoal “ela” é utilizado para substituir a expressão “a língua portuguesa”.

2. D
Os pronomes oblíquos destacados recuperam o segmento “fazer 70 anos” do texto.

3. A
“Pouco” é advérbio de intensidade. “Bastantes” poderia causar dúvidas, pois esta palavra é amplamente
utilizada como advérbio, entretanto, advérbios são invariáveis. Nesse caso, a flexão desse vocábulo nos
leva a crer e que se trata não de um advérbio, mas de um pronome (equivalente a muitas).

4. C
“Ela” é utilizado para evitar a repetição do termo sobre o qual se fala: “esta burguesia”.

5. A
A partir do trecho “Seria necessário esperar a idade Moderna para que a invenção da imprensa, e com
ela o triunfo da escrita acentuasse a distinção entre música e poesia”. A partir disso, fica claro que “ela”
retoma a “invenção da imprensa”.

6. E
Em ordem direta, a 1a estrofe é reescrita desta forma: “Quero que aquela madrugada triste e leda cheia
de toda mágoa e de (toda) piedade seja sempre celebrada enquanto houver saudade no mundo”.
Note-se que “madrugada” é o núcleo do sujeito da oração do verbo “ser” ([...] que aquela madrugada
triste e leda [...] seja[...]). Na condição de termo nuclear, é retomado pelo pronome pessoal reto “ela”.

7. B
O pronomes “seu” é possessivo de característica anafórica e retoma, pelo contexto, o termo “presente.”

8. C
O verso “Por te não poder ver, Nise adorada” indica que o pronome “te” faz referência ao vocativo, “Nise
adorada”.

9. C
O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto
exemplificado. O pronome de tratamento “você” indica a pessoa com quem se fala no discurso; o
pronome “ela” indica a pessoa da qual se fala no discurso.

10. A
O pronome “te”, empregado no segundo verso da última estrofe (“já te desprezo”) refere-se
anaforicamente ao termo “imaginação”, vocativo seguido do aposto “falsa demente” no primeiro verso:
“imaginação, falsa demente; já te desprezo”.

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Português

Palavras Invariáveis (Advérbios - conceito + locução adverbial +


posição)

Resumo

Advérbios
A função básica de um advérbio é modificar um verbo, entretanto, os advérbios de intensidade e formas
semanticamente correlatas podem reforçar o sentido de um adjetivo, advérbio, ou ainda uma oração inteira.
Observe os exemplos abaixo, respectivamente:
1. Ficara completamente imóvel.
2. O homem caminhava muito devagar.
3. Eu me recuso, simplesmente.
A classificação dos advérbios ocorre devido à circunstância ou outra ideia acessória que expressam. Entre
eles estão os advérbios de afirmação, de dúvida, de intensidade, de lugar, de modo, de negação, de tempo.
Analisando os exemplos apresentados acima, temos advérbios de modo terminados em “–mente”
(completamente e simplesmente) e um advérbio de intensidade (muito).

Locuções Adverbiais
São expressões que exercem a função de advérbios. Iniciam-se comumente por preposição e classificam-se
como os advérbios, isto é, de acordo com as circunstâncias que exprimem: tempo, modo, intensidade, etc.
Para tanto, essas expressões devem se ligar a verbo, adjetivo ou advérbio, como fazem os advérbios.

Exemplos: às cegas, às claras, à toa, a medo, à pressa, às pressas, à tarde, à noite, a fundo, às escondidas, às
vezes, ao acaso, de súbito, vez por outra, lado a lado, etc.

O capitão me olhou de alto a baixo.


Chegou de tardinha a Floripa.

Além disso, cabe destacar que a maioria dos advérbios e das locuções adverbiais podem ser maleáveis dentro
de uma mesma frase, ou seja, podem ocupar diferentes posições. Isso ocorre devido ao destaque que o
emissor deseja dar a uma determinada informação. Veja os exemplos abaixo:

Resolverei o problema junto com você. (ordem direta)


Junto com você, resolverei o problema. (ordem inversa)
Resolverei, junto com você, o problema. (ordem inversa)

Note que nos exemplos anteriores não há alteração de sentido entre as frases. Entretanto, nos dois últimos
enunciados há a presença da vírgula. Nesses casos, a utilização da pontuação é obrigatória, porque a
locução adverbial está deslocada.

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Português

Exercícios

1. Considere a charge e as afirmações:

A charge é uma ilustração que tem como objetivo fazer uma sátira de alguém ou de alguma situação
atual por meio de desenhos caricatos.
I. O advérbio “já”, indicativo de tempo, atribui à frase o sentido de mudança;
II. Entende-se pela frase da charge que a população de idosos atingiu um patamar inédito no país;
III. Observando a imagem, tem-se que a fila de velhinhos esperando um lugar no banco sugere o
aumento de idosos no país.

Está correto o que se afirma em:


a) I apenas.
b) II apenas.
c) I e II apenas.
d) II e III apenas.
e) I, II e III.

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Português

2. A questão a seguir refere-se ao texto abaixo.


(…) As angústias dos brasileiros em relação ao português são de duas ordens. Para uma parte da
população, a que não teve acesso a uma boa escola e, mesmo assim, conseguiu galgar posições, o
problema é sobretudo com a gramática. É esse o público que consome avidamente os fascículos e
livros do professor Pasquale, em que as regras básicas do idioma são apresentadas de forma clara e
bem-humorada. Para o segmento que teve oportunidade de estudar em bons colégios,
a principal dificuldade é com clareza. É para satisfazer a essa demanda que um novo tipo de
profissional surgiu: o professor de português especializado em adestrar funcionários de empresas.
Antigamente, os cursos dados no escritório eram de gramática básica e se destinavam principalmente
a secretárias. De uns tempos para cá, eles passaram a atender primordialmente gente de nível superior.
Em geral, os professores que atuam em firmas são acadêmicos que fazem esse tipo de trabalho
esporadicamente para ganhar um dinheiro extra. “É fascinante, porque deixamos de viver a teoria para
enfrentar a língua do mundo real”, diz Antônio Suárez Abreu, livre-docente pela Universidade de São
Paulo (…)
JOÃO GABRIEL DE LIMA. Falar e escrever, eis a questão. Veja, 7/11/2001, n. 1725.

O adjetivo “principal” (em a principal dificuldade é com clareza) permite inferir que a clareza é apenas
um elemento dentro de um conjunto de dificuldades, talvez o mais significativo. Semelhante inferência
pode ser realizada pelos advérbios:
a) avidamente, principalmente, primordialmente.
b) sobretudo, avidamente, principalmente.
c) avidamente, antigamente, principalmente.
d) sobretudo, principalmente, primordialmente.
e) principalmente, primordialmente, esporadicamente.

3.

Na passagem: “Assim as moscas nunca vão cair na sua teia”, as expressões em destaque
caracterizam-se, respectivamente, como advérbios de:
a) Modo, negação e lugar
b) Modo, tempo e lugar.
c) Modo, negação e tempo.
d) Tempo, modo e lugar.
e) Tempo, lugar e modo.

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Português

4. Filme

Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. Cinema era coisa que
ele adorava, sempre sonhara em se tornar cineasta; não o conseguira, claro, mas queria que a filha
partilhasse sua paixão, com o que se sentiria, de certa forma, indenizado pelo destino. Uma
responsabilidade que só fazia aumentar o verdadeiro terror que Berenice sentia quando se aproximava
o sábado, dia que habitualmente o pai, homem muito ocupado, escolhia para a sessão cinematográfica
semanal. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa; e
quando o pai, chegado o sábado, finalmente lhe dizia, está na hora, vamos, ela frequentemente se punha
a chorar e mais de uma vez caíra de joelhos diante dele, suplicando, não, papai, por favor, não faça isso
comigo. Mas o pai, que era um homem enérgico e além disso julgava ter o direito de exigir da filha que
o acompanhasse (viúvo desde há muito, criara Berenice sozinho e com muito sacrifício), mostrava-se
intransigente: não tem nada disso, você vai me acompanhar. E ela o fazia, em meio a intenso
sofrimento.
Por fim, aprendeu a se proteger. Ia ao cinema, sim. Mas antes que o filme começasse, corria ao
banheiro, colocava cera nos ouvidos. Voltava ao lugar, e mal as luzes se apagavam cerrava firmemente
os olhos, mantendo-os assim durante toda a sessão. O pai, encantado com o filme, de nada se
apercebia; tudo o que fazia era perguntar a opinião de Berenice, que respondia, numa voz neutra mas
firme:
- Gostei. Gostei muito.
Era de outro filme que estava falando, naturalmente. Um filme que o pai nunca veria.
MOACYR SCLIAR. In: Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
“Era de outro filme que estava falando, naturalmente.”
Neste trecho, o termo em destaque cumpre a função de:
a) afirmar ponto de vista
b) projetar ideia de modo
c) revelar sentimento oculto
d) expressar sentido reiterativo

5. Diz a lenda que, na Bahia, em meados da década de 60 do século passado, havia um menino que,
além de muito levado, era também muito mentiroso, e que, certo dia, após aprontar muito na sala de
aula, foi colocado de castigo no porão da escola por sua professora.
Depois de certo tempo, o menino começou a gritar desesperadamente que havia uma cobra com
ele, mas, como ele era muito mentiroso, ninguém levou a sério. Dizem que seria uma enorme sucuri,
que devorou o garoto depois de matá-lo por esmagamento; há versões que dizem até que, quando a
professora entrou no porão, ainda pôde ver o pé do menino desaparecendo na boca da cobra.
A partir dessa trágica data, o fantasma do menino passou a assombrar os porões de diversas
escolas.
“Depois de um certo tempo, o menino começou a gritar desesperadamente que havia uma cobra
com ele, mas, como ele era muito mentiroso, ninguém levou a sério.”

Nesse segmento do texto, o advérbio “desesperadamente” pode ser substituído por “com desespero”.
Assinale a opção que apresenta a substituição do mesmo tipo que está incorreta.
a) Reagiu raivosamente = Reagiu com raiva.
b) Cantou tristemente = Cantou com tristeza.
c) Agiu solenemente = Agiu sozinho.
d) Gritava nervosamente = Gritava com nervosismo.
e) Comia vorazmente = Comia com voracidade.

4
Português

6. De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e com a gramática normativa e tradicional,


assinale a alternativa em que o termo destacado tem valor de advérbio.
a) Não há meio mais difícil de trabalhar.
b) Só preciso de meio metro de aniagem para sacos de carvão.
c) Encarou os meninos carvoeiros, esboçando meio sorriso.
d) Os carvões caíram no meio da estrada.
e) Achei o menino meio triste, raquítico.

7. GRITO
Quadro que fundou o expressionismo nasceu de um ataque de pânico
Edvard Munch nasceu em 1863, mesmo ano em que O piquenique no bosque, de Édouard
Manet, era exposto no Salão dos Rejeitados, chamando a atenção para um movimento que nem nome
tinha ainda. Era o impressionismo, superando séculos de pintura acadêmica. Os impressionistas
deixaram o realismo para a fotografia e se focaram no que ela não podia mostrar: as sensações, a parte
subjetiva do que se vê.
Crescendo durante essa revolução, Munch – que, aliás, também seria fotógrafo – achava a
linguagem dos impressionistas superficial e científica, discreta demais para expressar o que sentia. (...)
Fruto de suas obsessões, O Grito não foi seu primeiro quadro, mas o que o tornaria célebre. A inspiração
veio do que parece ter sido um ataque de pânico, que ele escreveu em seu diário, pouco mais de um
ano antes do quadro: “Estava andando por um caminho com dois amigos – o sol estava se pondo –
quando, de repente, o sol tornou-se vermelho como o sangue. Eu parei, sentindo-me exausto, e me
encostei na cerca – havia sangue e línguas de fogo sobre o fiorde negro e a cidade. Meus amigos
continuaram andando, e eu fiquei lá, tremendo de ansiedade – e senti um grito infinito atravessando a
natureza”.
Ali nasceria um novo movimento artístico. O Grito seria a pedra fundadora do expressionismo,
a principal vanguarda alemã dos anos 1910 aos 1930.
Adaptado (Aventuras da História)

Sobre o advérbio “ali”, é correto afirmar que indica:


a) um lugar distante da pessoa que fala.
b) um lugar diferente do lugar da pessoa que fala.
c) naquele ato, naquelas circunstâncias, naquela conjuntura.
d) hora, naquele momento.

8. Ygor não tinha muito dinheiro para ir à casa de Marcelle, não poderia pegar duas conduções.
Teria que seguir uma longa peregrinação, afinal a S... não disponibilizava ônibus praquelas bandas. (...)
Dentro do ônibus, tentava achar um lugar onde pudesse acomodar seus pés tamanho 42 sem
pisar nos alheios. Riu indignadamente ao ver, num ponto, um abrigo com um anúncio que dizia:
“CIDADANIA É USAR O TRANSPORTE DE MASSA: DÊ PREFERÊNCIA AO ÔNIBUS”.
Após um enjoativo fluxo de para e anda, para e anda que durou uma hora e quinze minutos,
enfim o ônibus seguia sem grandes interrupções, e inclusive já se aproximava do destino de Ygor.
DENISSON, Ari. Contos Periféricos. Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2016. P.31.
O advérbio “indignadamente”, no segundo parágrafo, assinala o modo pelo qual Ygor visualiza a
contradição entre o anúncio e o estado de coisas que ele vive dentro do ônibus, e revela:
a) serenidade.
b) exaltação.
c) sossego.
d) benevolência.
e) calma.

5
Português

9. Se o relógio da História marca tempos sinistros, o tempo construído pela arte abre-se para a
poesia: o tempo do sonho e da fantasia arrebatou multidões no filme O mágico de Oz estrelado por
Judy Garland e eternizado pelo tema da canção Além do arco-íris. Aliás, a arte da música é, sempre,
uma habitação especial do tempo: as notas combinam-se, ritmam e produzem melodias, adensando
as horas com seu envolvimento.
Considere o parágrafo e o verbete extraído do Dicionário eletrônico Houaiss da língua
portuguesa.

- aliás: advérbio. 1. De outro modo, de outra forma. Ex: sempre ajudou o filho, a. seria mau pai se não o
fizesse; 2. Além disso. Ex: a., não era a primeira sujeira que ele fazia; 3. Emprega-se em seguida a uma
palavra proferida ou escrita por equívoco; ou melhor, digo. Ex: estávamos em março, a., abril; 4. Seja
dito de passagem; verdade seja dita; a propósito. Ex: não aceitou o emprego, que a. é muito cobiçado;
5. No entanto, contudo. Ex: andar muito é cansativo, sem, a., deixar de ser saudável.

O sentido preciso com que a palavra “aliás” foi empregada no texto está indicado em:
a) 3
b) 2
c) 5
d) 4
e) 1

10. Em “Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias”, temos uma mudança na
ordem direta da frase, de modo que o advérbio ficou deslocado de sua posição mais habitual, que seria
após o verbo: “Tirou dos armários as roupas de seda” e “Tirou das gavetas todas as joias”.

Assinale a alternativa em que uma nova posição do advérbio “não” altera o sentido da frase original
nem gera ambiguidade:
a) Tirou as roupas dos armários de seda.
b) Tirou as roupas de seda dos armários.
c) Tirou dos armários de seda as roupas.
d) Dos armários de seda tirou as roupas.
e) Das roupas de seda tirou o armário.

6
Português

Gabarito

1. E
De acordo com a charge apresentada, é possível perceber que a fila de idosos esperando um lugar no
banco indica o aumento dessa faixa etária no país. Além disso, o advérbio “já” traz o sentido à frase de
que como o aumento dessa população é esperado, já chegou ao patamar de 10% no país.

2. D
Os advérbios “sobretudo, principalmente, primordialmente” são os que se enquadram o mesmo contexto
trazido pelo enunciado da questão em relação ao adjetivo “principal”.

3. B
“Assim” equivale a “desse modo”; “nunca” expressa a ideia de tempo, uma impossibilidade eterna; “na
sua teia” é o local onde a ação vai ou não ocorrer.

4. A
O advérbio de modo “naturalmente”, de acordo com o contexto apresentado no texto, apresenta uma
confirmação do ponto de vista do narrador.

5. C
“Solenemente” equivale a “com solenidade” e não a “sozinho”.

6. E
O primeiro e o quarto possuem valor de substantivo e o segundo e o terceiro têm valor de adjetivo.

7. C
O advérbio “ali” que inicia o último parágrafo do texto é precedido do relato do próprio Munch sobre o
que aconteceu durante uma crise de ansiedade. Por isso, indica as circunstâncias e a conjuntura em que
o Expressionismo aconteceu.

8. B
Ygor fica exaltado ao ler o anúncio do ônibus, já que o garoto vê a dificuldade de se locomover com o
meio de transporte e se indigna com o incentivo.

9. D
O advérbio “aliás” introduz, por associação instantânea de ideias, um pensamento que, provocado por
situação presente, evoca outro que confirma e reforça a tese defendida, significando “por falar nisso”, “a
propósito”, “por sinal”.

10. B
A alternativa (A) apresenta ambiguidade, pois é possível ler que tanto as roupas podem ser de seda,
quanto os armários podem ser de seda. A alternativa (C) tem o seu sentido alterado. Na alternativa (D)
entende-se que os armários são feitos de seda e na alternativa (E), o sentido é alterado já que coloca que
ela tirou o armário de dentro das roupas de seda.

7
Português

Palavras Variáveis (Adjetivos e Numerais)

Teoria

Adjetivos
São palavras que modificam substantivos e servem para caracterizar seres, objetos indicando uma qualidade
ou defeito, modo de ser, aspecto ou aparência e estado e para estabelecer com o substantivo relações de
tempo, de espaço, de matéria, de finalidade, de propriedade.
Por exemplo: aluno inteligente, pessoa humilde, céu azul, casa arruinada, nota mensal (= nota relativa ao
mês), vinho português (= vinho proveniente de Portugal).

Locuções adjetivas
São expressões formadas pela união de preposição e substantivo com o objetivo de caracterizar
substantivos.
Exemplo: Amor de mãe (= amor materno)
Sol da manhã (= sol matutino)

Estilística
Em algumas situações, a mudança de posição do adjetivo lhe confere maior destaque, o que, ainda que
mantenha seu sentido original, tende a enfatizá-lo.
Exemplo: menina bela/bela menina.

Já em outros casos, é possível que a mudança de posição do adjetivo provoque mudança em seu significado
original. Exemplo: homem grande/grande homem.

Além disso, o adjetivo (termo determinante) tem uma relação muito próxima com o substantivo (termo
determinado) e por isso deve-se ter muita atenção com a sua posição em uma frase. Veja:
Exemplo: autor defunto/defunto autor.
No primeiro caso, a palavra “autor” é um substantivo que é caracterizado pelo adjetivo “defunto”, enquanto no
segundo, ocorre o contrário, ”defunto” é um substantivo e “autor” é adjetivo.

Existe também a substantivação do adjetivo quando um determinante (artigo) está anteposto ao adjetivo e
provoca uma alteração de sentido na frase. Compare:
O céu cinzento indica chuva.
O cinzento do céu indica chuva.

Enquanto na primeira frase, a palavra ‘cinzento’ é um adjetivo, na segunda é um substantivo.

1
Português

Numeral
É uma classe de palavras que indica número ou quantidade exata de seres ou o lugar por eles ocupados em
uma série. Em seu aspecto semântico, designa o conceito número-ordem, multiplicação e divisão e podemos
utilizá-los para intensificar ou atenuar uma ideia.
Veja: Já disse mil vezes.
Troquei duas palavras com ele.

Os numerais podem ser:


1. Cardinais: indicam o número exato dos seres.
Exemplo: um, dez, trezentos, mil.

2. Ordinais: indicam a ordem dos seres.


Exemplo: terceiro, décimo, centésimo.

3. Multiplicativos: indicam o múltiplo dos seres.


Exemplo: dobro, triplo, cêntuplo.

4. Fracionários: indicam a divisão dos seres.


Exemplo: meio, metade, décimo, um quinto.

5. Coletivos: indicam um conjunto de seres.


Exemplo: trio, dezena, década.

Obs.: Ambos/ambas são considerados numerais e são muito empregados para retomar elementos citados
anteriormente.

Exemplo: Mário e Lucas, alunos do Colégio Pedro II, foram classificados para a final do campeonato de xadrez.
Ambos foram ovacionados.

Os numerais podem exercem funções adjetiva e substantiva.


Exemplos: “Um é pouco, dois é bom, três é demais.” (os numerais exercem a função de sujeito).
Vinte alunos foram convidados para a inauguração da nova sede da escola. (o numeral exerce a função de
adjunto adnominal).

2
Português

Exercícios

1.

As palavras “sete”, “fome” e “colabore”, em destaque no cartaz, podem ser classificadas, correta e
respectivamente, nas classes gramaticais:
a) artigo, substantivo e adjetivo.
b) artigo, adjetivo e substantivo.
c) numeral, preposição e verbo.
d) numeral, advérbio e conjunção.
e) numeral, substantivo e verbo.

2. Durante uma Copa do Mundo, foi veiculada, em programa esportivo de uma emissora de TV, a notícia
de que um apostador inglês acertou o resultado de uma partida porque seguiu os prognósticos de seu
burro de estimação. Um dos comentaristas fez, então, a seguinte observação: "Já vi muito comentarista
burro, mas burro comentarista é a primeira vez."
Percebe-se que a classe gramatical das palavras se altera em função da ordem que elas assumem na
expressão. Assinale a alternativa em que isso não ocorre:
a) obra grandiosa
b) jovem estudante
c) brasileiro trabalhador
d) velho chinês
e) fanático religioso

3
Português

3. Pero vaz caminha


a descoberta Depois de dançarem
Seguimos nosso caminho Diogo Dias
por este mar de longo Fez o salto real
Até a oitava da Páscoa as meninas da gare
Topamos aves Eram três ou quatro moças bem moças e
E houvemos vista de terra bem gentis
os selvagens Com cabelos mui pretos pelas espáduas
Mostraram-lhes uma galinha E suas vergonhas tão altas e tão
Quase haviam medo dela saradinhas
E não queriam pôr a mão Que de nós as muito olharmos
E depois a tomaram como espantados Não tínhamos nenhuma vergonha
primeiro chá
ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1978. p.80.

A conversão de substantivos em adjetivos, isto é, tomar uma palavra designadora (substantivo) e usá-
la como caracterizadora (adjetivo), constitui um procedimento comum em língua portuguesa. Assinale
a opção em que a palavra sublinhada exemplifica este procedimento de conversão de substantivo em
adjetivo.
a) E depois a tomaram como espantados.
b) Fez o salto real.
c) Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis.
d) Com cabelos mui pretos pelas espáduas.
e) E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas.

4.

Os gêneros textuais nascem emparelhados a necessidades e atividades da vida sociocultural. Por isso,
caracterizam-se por uma função social específica, um contexto de uso, um objetivo comunicativo e por
peculiaridades linguísticas e estruturais que lhes conferem determinado formato.

Esse classificado procura convencer o leitor a comprar um imóvel e, para isso, utiliza-se:
a) da predominância das formas imperativas dos verbos e de abundância de substantivos.
b) de uma riqueza de adjetivos que modificam os substantivos, revelando as qualidades do produto.
c) de uma enumeração de vocábulos, que visam conferir ao texto um efeito de certeza.
d) do emprego de numerais, quantificando as características e aspectos positivos do produto.

4
Português

5. Observe a construção do texto a seguir:


Nuvens brancas
Passam
Em brancas nuvens.
LEMINSKI, Paulo. Caprichos & relaxos. São Paulo: Brasiliense 1983.

Analisando-se o texto acima, a afirmação imprópria é:

a) “nuvens brancas” significam nuvens da cor do leite, da neve.


b) “brancas nuvens” significam momentos cercados de facilidade, de conforto, de alegria; sem
sofrimento.
c) sempre que se muda o adjetivo de lugar, muda-se o sentido do substantivo.
d) a mudança de posição do adjetivo ‘brancas’ foi o recurso que o poeta utilizou para provocar a
alteração de sentido.
e) o autor faz um jogo de palavras utilizando o mesmo adjetivo e substantivo.

6. Há situações em que o adjetivo muda de sentido, caso seja colocado antes ou depois do substantivo.
Observe:
Lá se vão os pobres meninos
Pelas ruas da cidade.
Meninos pobres,
pelas ruas da cidade rica.

Qual é o significado da primeira e da segunda ocorrência da palavra “pobres” no trecho acima?


a) humildes e modestos.
b) mendigos e sem recursos.
c) dignos de pena e improdutivos.
d) dignos de compaixão e desprovidos de recursos.
e) ingênuos e sem posses.

2
Português

7. (Enem) O sedutor médio


Vamos juntar
Nossas rendas e
Expectativas de vida
Querida,
O que me dizes?
Ter 2, 3 filhos
E ser meio felizes?
VERISSIMO, L.F. Poesia numa hora dessas?! Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

No poema O sedutor médio, é possível reconhecer a presença de posições críticas


a) nos três primeiros versos, em que “juntar expectativas de vida” significa que, juntos, os cônjuges
poderiam viver mais, o que faz do casamento uma convenção benéfica.
b) na mensagem veiculada pelo poema, em que os valores da sociedade são ironizados, o que é acentuado
pelo uso do adjetivo “médio” no título e do advérbio “meio” no verso final.
c) no verso “e ser meio felizes?”, em que “meio” é sinônimo de metade, ou seja, no casamento, apenas um
dos cônjuges se sentiria realizado.
d) nos dois primeiros versos, em que “juntar rendas” indica que o sujeito poético passa por dificuldades
financeiras e almeja os rendimentos da mulher.
e) no título, em que o adjetivo “médio” qualifica o sujeito poético como desinteressante ao sexo oposto e
inábil em termos de conquistas amorosas.

8. Futurolândia
George Jetson não poderia desejar TV mais bacana que esta. Chama-se Satellite, e foi criada pela
empresa norte-americana Mercury. Possui monitor de 14 polegadas e repousa sobre uma esfera de
alumínio polido. Os tubos de plástico ABS conduzem a fiação para duas esferas: na menor, vermelha,
está instalado o alto-falante; e na maior, com um globo terrestre, fica o sensor do controle remoto. O
resultado é absolutamente inovador.
Carta Capital, São Paulo, 19 mar. 1997.
Quanto ao termo “bacana” podemos afirmar que é:
a) substantivo que indica qualidade positiva.
b) adjetivo que indica qualidade positiva, pertencente à gíria brasileira.
c) gíria, usada sempre no sentido de grã-fino.
d) gíria americana e foi introduzida no Brasil na década de 50.
e) conotativo; no sentido denotativo significa festeiro.

3
Português

9. Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral cardinal empregado como substantivo.
a) Há muitos anos que a política em Portugal apresenta (...)
b) Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder (...)
c) (...) os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar (...)
d) (...) são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos (...)
e) (...) aos quatro cantos de uma sala (...)

10. Leia o fragmento abaixo:


Se sua mãe pedir um presente, dê logo dois
Compre um produto X e ganhe 50% (...) Sempre que adquirir um produto X, você vai pagar metade de
uma assinatura anual da revista Y que você escolher.
Adaptação de página publicitária de produtos eletrodomésticos.

Assinale a opção que corresponde, respectivamente, à identificação da classe gramatical dos


vocábulos destacados.
a) Numeral ordinal; numeral cardinal; numeral fracionário.
b) Artigo indefinido; numeral cardinal; substantivo.
c) Numeral cardinal; numeral cardinal substantivado; substantivo.
d) Artigo indefinido; numeral cardinal; numeral fracionário.
e) Numeral cardinal; substantivo; numeral fracionário.

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4
Português

Gabaritos

1. E
“Sete” é uma palavra que representa um número, sendo classificada como numeral. “Fome” é um
substantivo que dá nome ao estado de carência alimentar. “Colabore” é um verbo no modo imperativo,
que está conjugado na 3ª pessoa do singular.

2. A
Entre as alternativas apresentadas, apenas em “obra grandiosa” ou “grandiosa obra” não há alteração de
sentido nem de classe gramatical das palavras caso sua ordem seja alterada porque “obra” é substantivo
e “grandiosa”, adjetivo.

3. C
O vocábulo “moças” é ressignificado e assume o sentido de “novas”, portanto, é deslocado da função de
substantivo para a de adjetivo.

4. B
O texto – se tratando de um anúncio com objetivo de convencer o interlocutor a adquirir o que está sendo
anunciado – apresenta forte adjetivação a fim de convencer o leitor de que o produto é bom: maravilhoso
jardim, linda residência, rua tranquila.

5. C
A afirmação “sempre que se muda o adjetivo de lugar, muda-se o sentido do substantivo” é incorreta,
pois isso não ocorre sempre, depende do caso e do contexto; por exemplo: a linda menina/ a menina
linda. As demais afirmações estão corretas.

6. D
Na primeira ocorrência, o vocábulo “pobres” significa “coitados”, “dignos de pena”. Na segunda,
entendemos que eles não possuem recursos (como dinheiro, por exemplo).

7. B
Uma das características da obra de Veríssimo é o uso de ironias, que fazem uma crítica social. No poema
“O Sedutor Médio”, essa ironia é caracterizada pelo adjetivo “médio” e o advérbio “meio”, utilizada para
criticar o matrimônio.

8. B
O adjetivo “bacana” é uma gíria que caracteriza o substantivo “TV” e possui um sentido de qualidade
positiva.

9. C
O numeral cardinal “cinco” é empregado como substantivo porque está determinado pelo artigo definido
“os”. Já os outros numerais cardinais estão empregados na sua função própria.

10. D
No primeiro caso, “um presente”, podemos entender “um” como um numeral cardinal (=quantidade de
presentes) ou como artigo indefinido (=algum presente). No entanto, não há opção que contemple a
primeira opção. Portanto, devemos considerar “um” = “algum”.
No segundo caso, “dois” é um numeral cardinal, pois indica quantidade de presentes.
No terceiro caso, “metade” é indica uma fração.

5
Português

Palavras Variáveis (Substantivos e Artigos)

Teoria

Substantivo
É a palavra que usamos para designar seres, pessoas, lugares, sentimentos, processos, características e
afins. Eles devem funcionar sempre como termo mais importante das expressões nominais das quais fazem
parte. Os substantivos podem ser classificados:

Quanto ao significado
1. Concreto: designam seres, sejam reais ou fictícios.
Exemplo: caneta, árvore, homem, cavalo.

2. Abstrato: designam ações, estados, qualidades e sentimentos.


Exemplo: beleza, saudade, ira, doçura, bondade.

Quanto à abrangência:
1. Comuns: designam, genericamente, um elemento de um conjunto.
Exemplo: aluno, homem, país, cachorro.

2. Próprios: designam, especificamente, um elemento de um conjunto.


Exemplo: Brasil, Totó, Maria, José.

Quanto à formação:

1. Simples: são formados por um só radical.


Exemplo: mar, lápis, casa, mesa.

2. Compostos: são formados por mais de um radical.


Exemplo: beija-flor, pé de moleque.
Quanto à origem:
1. Primitivos: são aqueles cujo radical não passa por nenhuma forma de derivação.
Exemplo: blusa, menina, cabelo.

2. Derivados: são aqueles que sofrem sufixação, prefixação ou alguma forma de derivação.
Exemplo: blusinha, menininha, cabeleira.

1
Português

Os substantivos podem ser flexionados de acordo com seu número (singular e plural), e gênero (feminino e
masculino). Além disso, por adição de sufixo, eles assumem categoria de grau (diminutivo e aumentativo).

Artigo
São palavras variáveis em número e gênero que se antepõem aos substantivos para indicar um ser já
conhecido (definido) pelo leitor ou para indicar um representante de uma espécie ao qual não se fez menção
anterior (indefinido).

Por exemplo:
O jornalista recebeu o prêmio. (= jornalista específico, já mencionado anteriormente).
Um jornalista recebeu o prêmio. (= jornalista genérico, não mencionado antes).

Classificações
• Artigos definidos (“a”, “as”, “o”, “os”) - têm a função semântica de especificar, determinar os
substantivos.
Ex.: O jornalista recebeu o prêmio. (= jornalista específico, já mencionado anteriormente).

• Artigos indefinidos (“um”, “uns”, “uma”, “umas”) – têm a função de indeterminar o substantivo que
acompanham.
Ex.: Um jornalista recebeu o prêmio. (= jornalista genérico, não mencionado antes).

Substantivação
Os artigos podem substantivar qualquer palavra ou expressão a que se antepõem, independentemente da
classe gramatical a que essa palavra pertence. Esses casos são conhecidos como derivação imprópria.
Ex.: O andar de Gabriela chama atenção.
O esperto se deu mal: levou uma bronca.

Atenção!
O artigo definido também é utilizado para ressaltar a notoriedade de algum ser para destacar o seu caráter
único. Esse recurso é muito utilizado em propagandas para apresentar produtos como os melhores de sua
categoria.

2
Português

Na publicidade acima, podemos observar a frase “É assim que se constrói o Canal Campeão”. Logo, o artigo
‘o’ enfatiza que o canal apresentado é o melhor, o campeão dentre todos os outros canais.

3
Português

Exercícios

1. O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa
porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se
deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas
palavras que, por sua forma original, são ameaçadoras demais.
Luís Fernando Veríssimo, Diminutivos.

A alternativa inteiramente de acordo com a definição do autor sobre diminutivos é:


a) O iorgurtinho que vale por um bifinho.
b) Ser brotinho é sorrir dos homens e rir interminavelmente das mulheres.
c) Gosto muito de te ver, Leãozinho.
d) Essa menininha é terrível!
e) Vamos bater um papinho.

2. Selinho, sim, mas só para poucos


Primeiro, Hebe Camargo, toda animada, pediu a Sílvio Santos um “selinho” (beijinho). Não ganhou:
“Nem selinho, nem selo, nem selão”, ouviu dele, categórico. Em seguida, Gilberto Gil entrou no palco, de
mão estendida para cumprimentá-lo. O que fez apresentador? Disse “selinho”, esticou os lábios e zás
— tascou um beijinho na boca do músico. A cena foi ao ar de madrugada, no encerramento do Teleton,
a Maratona beneficente exibida pelo SBT. Gil ficou surpreso. Hebe fingiu brabeza e Sílvio riu muito.
“Tirei uma onda, foi só uma bicotinha”, diz ele. “Tudo tem uma primeira vez”.
Veja, 07.11.2001, pág. 101.

O termo “selinho” é bastante utilizado na linguagem atual. O diminutivo no uso da palavra serve para
enfatizar que se trata de um beijo
a) indiscreto.
b) demorado.
c) engraçado.
d) indecente.
e) breve.

4
Português

3. A CIÊNCIA DO PALAVRÃO
Por que diabos m... é palavrão? Aliás, por que a palavra diabos, indizível décadas atrás, deixou de ser
um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como fllha da...,
mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.

Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência
ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à
parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da
parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões moram nos porões da cabeça.
Mais exatamente no sistema Iímbico. Nossa parte animal fica lá.

E sai de vez em quando, na forma de palavrões. A medicina ajuda a entender isso. Veja o caso da
síndrome de Tourette. Essa doença acomete pessoas que sofreram danos no gânglio basal, a parte do
cérebro cuja função é manter o sistema Iímbico comportado. E os palavrões saem como se fossem
tiques nervosos na forma de palavras.

Mas você não precisa ter lesão nenhuma para se descontrolar de vez em quando, claro. Justamente
por não pensar, quando essa parte animal do cérebro fala, ela consegue traduzir certas emoções com
uma intensidade inigualável.

Os palavrões, por esse ponto de vista, são poesia no sentido mais profundo da palavra. Duvida? Então
pense em uma palavra forte. Paixão, por exemplo. Ela tem substância, sim, mas está longe de transmitir
toda a carga emocional da paixão propriamente dita. Mas com um grande e gordo p.q.p. a história é
outra. Ele vai direto ao ponto, transmite a emoção do sistema Iímbico de quem fala diretamente para o
de quem ouve. Por isso mesmo, alguns pesquisadores consideram o palavrão até mais sofisticado que
a linguagem comum.
Disponível em: [Link]/revista/. Adaptado.

No texto, o substantivo "palavrão", ainda que se mostre flexionado em grau, não reporta a ideia de
tamanho. Tal emprego também se verifica em:
a) Durante a pesquisa, foi colocada uma "gotícula" do ácido para se definir a reação.
b) Na casa dos sete anões, Branca de Neve encontrou sete minúsculas "caminhas".
c) Para cortar gastos, resolveu confeccionar "livrinhos" que cabem nos bolsos.
d) Não estava satisfeita com aquele "empreguinho" sem graça e sem perspectivas.
e) Teve um "carrinho" de dois lugares, depois um carro de cinco e, hoje, um de sete.

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Português

4. Leia o seguinte trecho de uma entrevista concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal,
Joaquim Barbosa:
Entrevistador: — O protagonismo do STF dos últimos tempos tem usurpado as funções do Congresso?
Entrevistado: — Temos uma Constituição muito boa, mas excessivamente detalhista, com um número
imenso de dispositivos e, por isso, suscetível a fomentar interpretações e toda sorte de litígios.
Também temos um sistema de jurisdição constitucional, talvez único no mundo, com um rol enorme
de agentes e instituições dotadas da prerrogativa ou de competência para trazer questões ao Supremo.
É um leque considerável de interesses, de visões, que acaba causando a intervenção do STF nas mais
diversas questões, nas mais diferentes áreas, inclusive dando margem a esse tipo de acusação. Nossas
decisões não deveriam passar de duzentas, trezentas por ano. Hoje, são analisados cinquenta mil,
sessenta mil processos. É uma insanidade.
Veja, 15/06/2011.

No trecho “dotadas da prerrogativa ou de competência”, a presença de artigo antes do primeiro


substantivo e a sua ausência antes do segundo fazem que o sentido de cada um desses substantivos
seja, respectivamente,
a) figurado e próprio.
b) abstrato e concreto.
c) específico e genérico.
d) técnico e comum.
e) lato e estrito.

5. A questão aborda um fragmento de um artigo de Mônica Fantin sobre o uso dos tablets no ensino,
postado na seção de blogues do jornal Gazeta do Povo em 16.05.2013:
Ou seja, pensar na potencialidade que o tablet oferece na escola - acessar e produzir imagens, vídeos,
textos na diversidade de formas e conteúdos digitais - implica em repensar a didática e as
possibilidades de experiências e práticas educativas, midiáticas e culturais na escola ao lado de
questões econômicas e sociais mais amplas. E isso necessariamente envolve a reflexão crítica sobre
os saberes e fazeres que estamos produzindo e compartilhando na cultura digital.
(Tablets nas escolas. [Link]. Adaptado.)

No último período do texto, os termos “saberes” e “fazeres” são


a) adjetivos
b) pronomes
c) substantivos
d) advérbios
e) verbos

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Português

6. VIDE VERSO MEU ENDEREÇO


Falado:
Seu Gervásio, se o doutor José Aparecido
aparecer por aqui, o senhor dá esse bilhete a
ele, viu? Pode ler, não tem segredo nenhum.
Pode ler, seu Gervásio.
Venho por meio dessas mal traçadas linhas
Comunicar-lhe que fiz um samba pra você
No qual quero expressar toda minha gratidão
E agradecer de coração tudo o que você me fez.
Com o dinheiro que um dia você me deu
Comprei uma cadeira lá na Praça da Bandeira
Ali vou me defendendo
Pegando firme, dá pra tirá mais de mil por mês.
Casei, comprei uma casinha lá no Ermelindo
Tenho três filhos lindos, dois são meus, um é de criação.
Eu tinha mais coisas pra lhe contar
Mas vou deixar pra uma outra ocasião.
Não repare a letra, a letra é de minha mulher.
Vide verso meu endereço, apareça quando quiser.
(Adoniran Barbosa, CD Adoniran Barbosa-1975, remasterizado EMI, 1994.)

Em "Casei, comprei uma casinha lá no Ermelindo", o diminutivo no substantivo expressa, além de


tamanho e carinho, o sentido de
a) penúria
b) humilhação
c) simplicidade
d) pobreza
e) ironia

7. ACHADO
Aqui, talvez, o tesouro enterrado
há cem anos pelo guarda-mor.
Se tanto o guardou, foi para os trinetos,
principalmente este: o menor.
Cavo com faca de cozinha, cavo
até, no outro extremo, o Japão
e não encontro o saco de ouro
de que tenho a mor precisão
para galopar no lombo dos longes
fugindo a esta vidinha choca.
Mas só encontro, e rabeia, e foge
uma indignada minhoca.
Carlos Drummond de Andrade.

Sobre a expressão "vidinha choca", entendida no contexto do poema, é correto afirmar:


a) o diminutivo exprime carinho, ao contrário do termo que o acompanha.
b) a ideia aí presente é de tempo: sugere-se que a vida é passageira.
c) seu sentido se opõe àquilo que, poeticamente, "minhoca" está representando.
d) o adjetivo deve ser entendido denotativamente, ao contrário do substantivo.
e) o segundo termo reforça o sentido negativo do primeiro.

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Português

8. ARRASTÃO
Estarrecedor, nefando, inominável, infame. Gasto logo os adjetivos porque eles fracassam em dizer o
sentimento que os fatos impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, como tantos,
que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs
de todas as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e seiscentos reais, que paga
pontualmente seus carnês, como milhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias
não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga no porta-malas de um carro policial a
pretexto de ser atendida, é arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio.
(...)
O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas não se abrisse como abriu (por obra do
acaso, dos deuses, do diabo), esse seria apenas “mais um caso”. Ele está dizendo: seria uma morte
anônima, aplainada pela surdez da praxe, pela invisibilidade, uma morte não questionada, como tantas
outras. (...) Pois assim como Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo,
Cláudia é aquela que subitamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o
reverso do mesmo.
O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos ver no caso do desaparecimento de
Amarildo. A sua passagem meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que escondemos.
Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se
transforme no carro alegórico do Brasil.
José Miguel Wisnik. Adaptado de [Link], 22/03/2014.

Observe o fragmento destacado do texto.


“Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se
transforme no carro alegórico do Brasil.”
A sequência do emprego dos artigos em “de um Brasil” e “do Brasil” representa uma relação de sentido
entre as duas expressões, intimamente ligada a uma preocupação social por parte do autor do texto.
Essa relação de sentido pode ser definida como:
a) generalização
b) conclusão
c) causalidade
d) ironia

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Português

9. A MENTE QUE TUDO PODE


O médico me garante que a maioria de nossos males tem origem psicossomática. Talvez a totalidade,
ele acrescenta. Do alto de sua longa experiência, garante que pessoas felizes não ficam de cama. Para
comprovar a tese, relaciona tipos de personalidade com as doenças: os muito exigentes ficam
hipertensos, os nervosos contraem dermatoses, os obsessivos desenvolvem câncer, os estressados
sofrem acidentes cardiovasculares. A mente tudo pode. Mente?
O médico não está sozinho. Muita gente acredita que a mecânica newtoniana – a ação e a reação – se
aplica à saúde humana com a mesma precisão que às maçãs em queda livre. Li um artigo sobre os
males que acometeram pessoas famosas a partir da análise de suas cabeças, do tipo fulano morreu
assim porque era assado (assados morreram muitos, porque ousaram pensar). Até parece que nossos
miolos são imutáveis e possuem uma característica única, sem direito à tristeza, estresse, euforia,
obsessão ou felicidade de vez em quando.
Adaptado de GIFFONI, Luiz. [Link]

Na frase do texto “O médico não está sozinho.”, o uso do artigo definido “o” pode se justificar porque:
a) vulgariza esse simples especialista.
b) especifica uma categoria em ascensão.
c) determina um profissional em particular.
d) generaliza essa classe profissional.

10. Quaresma despiu-se, lavou-se, enfiou a roupa de casa, veio para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira
de balanço, descansando. Estava num aposento vasto, e todo ele era forrado de estantes de ferro. Havia
perto de dez, com quatro prateleiras, fora as pequenas com os livros de maior tomo. Quem examinasse
vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que
presidia a sua reunião. Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento
Teixeira, da Prosopopéia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar
(todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros.
BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Mediafashion, 2008, p. 12 (com adaptações).

No texto, o uso do artigo definido anteposto aos nomes próprios dos escritores brasileiros:
a) demonstra a familiaridade e o conhecimento que o personagem tem dos autores nacionais e de
suas obras.
b) consiste em um regionalismo que tem a função de caracterizar a fala pitoresca do personagem
principal.
c) é uma marca da linguagem culta cuja função é enfatizar o gosto do personagem pela literatura
brasileira.
d) constitui um recurso estilístico do narrador para mostrar que o personagem vem de uma classe
social inferior.
e) indica o tom depreciativo com o qual o narrador se refere aos autores nacionais, reforçado pela
expressão “tidos como tais”.

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Português

Gabaritos

1. C
Na palavra “leãozinho” há o viés afetuoso, pois serve como vocativo a alguém; mas, também, há o viés
precavido, pois há a redução do peso da palavra “leão”, sendo assim, evidencia que é um animal de
tamanho reduzido.

2. E
O diminutivo “selinho” reforça a ideia de brevidade do beijo, assim como quando colamos um selo.

3. D
O diminutivo da palavra “emprego” não está relacionado ao tamanho físico, mas sim a uma ideia de
inferioridade, assim como acontece com a ideia de “palavrão”: a ideia de “palavrão” está relacionada ao
sentido da palavra e não ao tamanho dela. Nas demais opções, o diminutivo tem a ver com grandeza:
“carrinho” = carro pequeno, por exemplo.

4. C
O artigo definido tem por objetivo especificar palavras, logo, sua presença determina palavras
específicas, bem como sua ausência pode comprometer a singularidade e deixá-las com sentido mais
genérico.

5. C
Os vocábulos “saberes” e “afazeres” são substantivos, pois estão precedidos de artigos definidos.

6. C
O diminutivo da palavra “casa” confere uma ideia de simplicidade; uma casa sem luxos.

7. E
O sentido do diminutivo “vidinha” é depreciativo, assim como, nesse caso, o do adjetivo choca
(“paralisada qual uma ave em período de chocar ovos”).

8. A
Com a caracterização “de um Brasil”, o autor se refere a uma parte específica do Brasil, mais sofrida,
mais esquecida, mais violenta. Já em “do Brasil”, a referência é a todo o país, que pode ser afetado em
função daquela parte específica, com toda sua carga de violência. Ao mostrar a possibilidade dessa
passagem da parte para o todo, por meio do uso dos artigos “um” e “o”, o texto estabelece uma
generalização consciente. (Comentário UERJ)

9. D
Nesse caso específico, o artigo definido serve para generalizar o tipo de profissional: “O médico”, nesse
contexto, equivale a “qualquer médico”.

10. A
O artigo definido visa à especificação, à aproximação, à indicação de familiaridade. Dessa forma, é nesse
sentido que a classe de palavra é utilizada no texto porque apresenta o conhecimento do autor sobre os
autores nacionais.

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