Ebook Renda+Fixa

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Luiz Blanger

1

Marilia Fontes

RENDA FIXA

E-BOOK -X X X- CONTEÚDO EXCLUSIVO -X X X- W W W. F I N C L A S S .C O M


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Capítulo i

INTRODUÇÃO

3
Eu sou Marília Fontes, analista de renda fixa, for-
mada em economia pelo Insper (Instituto de Ensi-
no e Pesquisa), mestrado em economia, também no
Insper. Entrei no mercado em 2008, no dia em que
o Brasil ganhou o investment grade (título de grau
de investimento pela agência de avaliação de rating
Standard & Poor’s).

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-X X X-
FONTE: [Link]

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

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Passei 10 anos como gestora de fundos multimerca-
dos, gestora de renda fixa e câmbio de fundos na-
cionais e internacionais, um pouco de renda fixa no
exterior. Nessa fase, aprendi como os grandes profis-
sionais de mercado operavam renda fixa.

Em 2016, fui convidada a abrir a área de renda fixa


da Empiricus, que sempre foi focada no mercado de
ações. Aceitei o desafio, acreditando que seria fácil.

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Pensei: “Só fazer um relatório do que eu faria no mer-
cado e passo para as pessoas”.

No mesmo dia tive 300 e-mails. Ninguém entendeu


nada! As pessoas queriam saber por que deveria ser

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daquela forma. Naquele momento, percebi que havia
todo um trabalho educacional a ser feito, antes de

CONTEÚDO EXCLUSIVO
emitir um relatório de renda fixa.
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E-BOOK

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Em 2018, fundei a NORD com propósito de profissio-
nalizar a pessoa física tornando-a capaz de entender
e acompanhar o relatório e, por outro lado, as reco-
mendações práticas do que poderia ser feito para ga-
nhar dinheiro no mercado de renda fixa.

As pessoas sempre me perguntam “por que renda


fixa?”, acreditam que o grosso da rentabilidade de-
las vem com as ações, o que é um absurdo, qualquer
mesa de multimercados sabe. O grosso da rentabili-
dade dos fundos multimercados sempre veio de ren-
da fixa. Sempre! Inclusive os operadores de renda fixa
sempre foram os mais bem remunerados, mais “gla-
morosos”.

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Renda fixa é a “menina dos olhos”, porque pode sim
dar retornos tão agressivos quanto o mercado variá-
vel (ações). Mas as pessoas acreditam que renda fixa
é só papai e mamãe, controle de risco, compra e leva
até o vencimento. Também pode ser isso, após fixada

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é exatamente controle de risco, mas isso é um pedaço
da renda fixa, existe todo outro cenário da renda fixa
CONTEÚDO EXCLUSIVO
que é ter retornos agressivos como 30, 40 e 50% de
retorno em um ano com renda fixa.
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Porém você tem que entender primeiro o que é renda
fixa, como funciona cada tipo de título, e qual dá re-
torno de 50%? E quando?

E para compor um bom portfólio de renda fixa com


rentabilidade e controle de risco, você precisa conhe-
cer cada tipo de produto, e cada tipo de indexador.
Precisa de uma análise profunda. Muita gente me fala
que renda fixa é difícil de entender. É verdade. Mas

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depois desta Finclass, vai ficar fácil.

Nesta finclass vamos desmitificar a renda fixa!

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Capítulo ii

O QUE É REALMENTE
A RENDA FIXA

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O que realmente é renda fixa? Nada mais é que um
empréstimo, é você emprestar seu dinheiro para al-
guém e como qualquer empréstimo você tem que
descobrir como será pago (o vencimento), qual o juro
que vai ser pago, a forma do juro (indexado, pós fi-
xado, pré-fixado...) e principalmente para quem você
vai emprestar esse dinheiro, se é confiável, arriscado?
Porque isso também influencia na taxa que você vai
cobrar.

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Todos os produtos de renda fixa envolvem um em-
préstimo, você tem que saber exatamente todas es-
sas condições do seu empréstimo. A grande diferen-
ça entre renda fixa e renda variável é que na renda
fixa, como é um empréstimo, você sabe como vão ser

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pagas as parcelas. Se você combina que vão te pagar
10% de juro, você sabe que todo ano você vai receber
10% do montante, que você emprestou. CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Na renda variável você também compra um pedaço
da empresa e você recebe parcela via dividendos, a
diferença é que você não sabe quanto vão ser os divi-
dendos, não tem nada acordado, a empresa vai pagar
o quanto ela puder pagar, baseado nas receitas que
ela teve naquele ano, então, se a empresa teve muito
crescimento, se você está em um cenário econômi-
co muito positivo, vai ser muito bom; provavelmente
você vai receber de dividendos mais do que você re-

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ceberia através de um empréstimo.

Agora, se for um cenário de crise econômica, de que-


da na receita, queda na arrecadação, talvez não rece-
besse nada, enquanto com empréstimo vai receber
aquela parcela acordada sem o risco, digamos assim.

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A parcela é a acordada, então escolher entre renda
fixa e renda variável depende do cenário macroe-
conômico, depende se você está em um cenário de
crescimento, tal que é melhor você receber parcelas
ligadas à receita, crescimento ou geração de lucro ou
se você está em um cenário de uma incerteza, muito
risco, talvez queda de crescimento e prefere estabe-
lecer antes a parcela que você vai receber.

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cenário i cenário ii

PARCELAS LIGADAS À RECEITA INCERTEZA


CRESCIMENTO RISCO

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GERAÇÃO DE LUCRO QUEDA DE CRESCIMENTO
PARCELA PRÉ-ESTABELECIDA

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No mercado existem pessoas que se vangloriam de
investir só em ações, os que se consideram “conser-
vadores” e que só investem em renda fixa. Isso é uma
grande besteira, pois você tem que escolher o melhor
momento de fixar as parcelas, por exemplo, em uma
crise, e o melhor momento de tomar o risco, mas po-
der ter todo upside do crescimento de uma empresa.

Você não vai querer sempre tomar o risco e nem sem-


pre ser ultraconservador. Vai jogar como se fosse um
jogo, baseado no cenário macroeconômico. Ora sen-

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do mais conservador ora sendo mais agressivo. E os
dois estarão ali como soldados para ajudar a vencer
essa guerra. Não precisa escolher um ou outro. Isso é
uma grande besteira, não faça isso!

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EXEMPLO DE COMO ESCOLHER
ENTRE RENDA FIXA OU VARIÁVEL

Vou dar um exemplo de quando é melhor usar um


e quando é melhor usar outro. Imagine que estamos
em 2003, no início do primeiro super ciclo de com-
modities, sabemos que o Brasil é um país exportador,

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imagine que você quer se expor aos dividendos de
uma empresa exportadora no Brasil, uma maravilha,
de 2003 a 2007, a Bolsa foi um foguete por conta
exatamente do super ciclo de commodities e do alto
crescimento, não só no Brasil, mas também mundial.

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Se você tivesse focado no investimento de renda fixa,
você receberia o combinado, mas isso seria peque-
no perto do valor crescente que receberia, se tivesse
investido na Bolsa, principalmente em empresas do
agronegócio.

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Esse era um excelente momento para tomar um pou-
quinho mais de risco e escolher rendimentos variá-
veis. Agora, depois de 2008, com a chegada da crise
da subprime, a Bolsa brasileira ficou, praticamente,
uma década parada. Se tivesse escolhido rendimen-
tos variáveis talvez tivesse amargado prejuízos ou tal-
vez rendido absolutamente nada, em dez anos.

Por outro lado, se você tivesse investido na renda fixa,


um investimento conservador, por exemplo, tesouro
Selic, nesses mesmos 10 anos, teria mais que dobrado
o seu capital. Às vezes é melhor fixar seus investimen-
tos e algumas vezes é melhor ser mais agressivo, os
dois andam juntos e em paralelo. Você só tem que
escolher a hora certa de usar cada um.

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Uma coisa também é importante na hora de entender
renda fixa, a renda fixa não é só aquele investimen-
to conservador que você compra e deixa lá no seu
tesouro direto, na sua corretora até o vencimento.
Não! Essa não é a forma de operar renda fixa, essa
não é a forma que os gestores profissionais operam
renda fixa. Pessoas físicas costumam fazer isso, mas
não está certo. A renda fixa pode, sim, ser o grande
promotor de crescimento do seu patrimônio, você

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pode ter, com renda fixa, retornos tão agressivos
quanto tem no mercado de ações.

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OS TIPOS DE RENDA FIXA

Existem 3 grandes formas dos seus empréstimos de


renda fixa serem pagos: de forma pré-fixada, de for-
ma pós-fixada e indexada a inflação. Cada um desses
indexadores se comporta de uma maneira totalmen-
te diferente dado o cenário macroeconômico. Se es-
colheu o título certo no momento econômico certo,
poderá ter retornos muito agressivos com renda fixa,
dada marcação a mercado, que também vou explicar.

Por exemplo, se você escolhe um título que se benefi-

W W W. F I N C L A S S .C O M
cia quando as taxas de juros sobem, no momento em
que a taxa de juro cai, pode ter um resultado muito
ruim, da mesma forma se escolhe um título que se
beneficia da época em que as taxas de juros caem,
quando as taxas de juros sobem você pode, inclusive,

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ter prejuízo em uma venda antecipada. Saber o me-
lhor momento para comprar cada título é crucial. Na

CONTEÚDO EXCLUSIVO
maioria das vezes, as pessoas físicas, simplesmente
escolhem qualquer um, geralmente de maior taxa do
tesouro direto, não é mesmo? Mas você não vai mais
fazer, porque está lendo aqui.
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Um último papel importantíssimo da renda fixa pós-
-fixada: é a sua melhor ferramenta de controle de ris-
co. Ninguém aqui, ainda mais quem tem família, vai
conseguir colocar 100% do patrimônio em ações. Nin-
guém faz isso, porque pode pegar uma crise, precisar
do dinheiro na hora errada, enfim. Então, sempre vai
usar a renda fixa para controle de risco, a principal
características dos títulos pós-fixados é que eles não
têm marcação a mercado com variação de taxa.

Quer dizer que você não perde dinheiro com eles.


Imagine que quer ter 100% em ações, mas sabe que
em uma crise a Bolsa cai 40% e acha que perder 40%
do seu patrimônio é muito, então fica com 50% de
renda fixa e 50% de ações.

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Quando a Bolsa cair, em vez de você perder 40% do
patrimônio, agora você só perde 20%. Controle de ris-
co, antes perderia 40 e agora só perde 20%. E quan-
to mais conservador for, mais vai colocar renda fixa
pós-fixada na sua carteira, para ter certeza que seu

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potencial de perda é limitado a exatamente ao que
está disposto a perder.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Capítulo iii

INVESTIMENTO
PRÉ-FIXADOS

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Os títulos pré-fixados não são necessariamente aque-
les que a gente fixa a taxa, porque, por incrível que
pareça, a taxa muda todo dia. Os títulos pré-fixados
são aqueles que a gente fixa exatamente o quanto vai
receber lá na frente, lá no vencimento. Por exemplo,
um pré-fixado de 5 anos eu fixo que vou receber R$
1.000,00, lá na frente, depois de 5 anos. Um pré-fixa-
do de 10 anos eu fixo que vou receber R$ 1.000,00 lá
na frente, depois de 10 anos. Isso é fixado, isso não

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muda nunca, todo o resto muda e vou explicar por
quê.

Imagine que tenho no tesouro direto um título pré-fi-


xado de 10 anos a 10% de taxa. Vou pegar aqueles R$
1.000,00 que eu vou receber lá na frente que não vão

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mudar nunca e vou trazer a valor presente por essa
taxa de 10%.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
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valor presente
FÓRMULA

1000
= 385,54
(1 + 10) 10

A fórmula do valor presente é R$ 1.000,00 sobre (di-


vidido) 1 mais a taxa, que nesse caso é 10% elevado a
10 (por que são 10 anos). Se fizer essa conta, vai ter
um valor final de R$ 385,54, ou seja, você entra no
tesouro direto, compra o título pré-fixado e vai pagar
R$ 385,54. Daqui a 10 anos você vai ter R$ 1.000,00 e

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isso vai ter representado um rendimento de 10%.

tesouro direto

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TÍTULO PRÉ-FIXADO DE 10 ANOS | TAXA DE 10% a.a.

CONTEÚDO EXCLUSIVO

PRINCIPAL PRINCIPAL + JUROS


10 ANOS
R$ R$ 1.000,00
VALOR PRESENTE VALOR DE RESGATE
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Acontece que esses 10% você só vai ter SE e somen-
te SE levar esse título a vencimento. Se decidir fazer
uma venda antecipada, não sabe o que vai receber e
vai depender do mercado, como explicar agora.

Antes disso vou explicar de onde vem essa taxa de


10%. Este é o pulo do gato, é o que vai diferenciar
você de qualquer gerente de banco, de qualquer ana-

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lista financeiro.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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COMO FUNCIONA A TAXA DE UM PRÉ-FIXADO

É um pouquinho complicado, mas você vai entender


de onde vêm esses 10%. É a estimativa do mercado
a respeito da trajetória da Selic durante os 10 anos,
então imagine: a Selic começa 3,5, de repente, sobe
para 4,25; na próxima reunião, depois de 45 dias, sobe
para 5; e sobe para 6, 7, 8, 9 e 10 e o mercado vai tra-
çando essa estimativa ao longo dos 10 anos.

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O mercado vai compondo a taxa, imagine se eu ti-
vesse um investimento que rendesse 3,5% durante 45
dias, depois 4,25% etc... Ao final, terei uma rentabili-
dade média. Esta rentabilidade é os 10% que você vê
no tesouro direto. Acontece que esses 10% mudam
todo santo dia. Mudam porque o mercado reestima a
expectativa sobre a trajetória da Selic.

Vamos supor que hoje você esteja olhando o merca-


do, no seu home broker e, de repente, pipoca o núme-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ro da inflação, o mercado esperava inflação de 1% e
veio e inflação de 0,5%, o que acontece? O mercado
vai estimar agora que a necessidade de subir a taxa
Selic, pelo Banco Central, é menor. Por quê? Porque
não tem tanta inflação e o Banco Central não precisa

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subir tanto assim os juros.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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O mercado reestima a expectativa de alta da Selic,
que tinha ontem, por conta desse dado mais fraco.
Então, vai estimar que ao invés de 3,5 para 4,25 vai de
3,5 para 3,75, talvez, uma alta um pouquinho menor, e
vai traçando a estimativa e a média, a composição de
todas essas estimativas, vai dar uma taxa final menor.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Vamos supor que a taxa de 10% caiu hoje para 9,5%,
por conta do dado mais fraco do IPCA; todos os dias
o mercado reestima essa trajetória e todo dia a taxa
pré-fixada de 10 anos para o mesmo título de 10 anos,
muda e quando ela muda, coisas acontecem com o
título.

Lembra que eu falei que a principal característica do


pré-fixado é que você fixa o quanto vai receber no

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futuro e isso nunca muda. Imagine ter o mesmo título
de 10 anos que vai valer R$ 1.000,00 lá na frente, só
que hoje a taxa de mercado não é mais 10%, é 9,5%. O
que vai acontecer com o título?

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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MARCAÇÃO A MERCADO

O título vai sofrer marcação a mercado, ou seja, vai


ser precificado ao preço tal que reflita taxa de hoje
(9,5%) e não mais os 10%. Quem comprar a 9,5% hoje
tem que receber R$ 1.000,00 lá frente. Se aplicar a
mesma formula de valor presente acima, com a taxa
de hoje, teremos um valor diferente que tínhamos on-
tem, ou seja, por conta do mercado reestimar a tra-
jetória da Selic para baixo, e ontem um investimento
que valia R$ 385,00, hoje tem um investimento que
vale R$ 403,00, assim! De um dia para o outro, você

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ganhou 4,7%. Isso é ou não é retorno de ação?

valor presente
FÓRMULA

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CONTEÚDO EXCLUSIVO

1000
= 403,51
(1 + 9,5) 10
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CONCLUSÃO

Recordando, pré-fixado: se você o leva até o venci-


mento, terá exatamente a taxa acordada inicialmente,
e não tem conversa, é aquela taxa e pronto! Comprou
a 385,00 levou até o vencimento terá 1.000,00, isso
dá 10% ao ano e acabou, não tem o que falar. Agora,
se decidir vender antes, vai sofrer os efeitos de mar-
cação a mercado. O que a marcação a mercado faz?
Ela antecipa ou posticipa o fluxo. Você compra um
título a 10%, a taxa cai para 5%, a partir de agora você
recebe 5% igual a todo mundo do mercado.

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título R$ 1.000,00
FÓRMULA

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VP = VALOR PRESENTE $$$

(R$ 1.000) CONTEÚDO EXCLUSIVO

[(1+ 10%)^10]
VP = R$ 385,54
= R$ 385,54 10%
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E-BOOK

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título R$ 1.000,00
FÓRMULA

VP = VALOR PRESENTE $$$

(R$ 1.000)
[(1+ 5%)^10]
VP = R$ 613,91
= R$ 613,91 5%

E as pessoas perguntam “Para onde foi o meu rendi-


mento?” Toda a diferença entre 10% e 5% você rece-

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be hoje, na cabeça. Você recebe uma grande bolada.
Então a taxa cai, você antecipa esse fluxo, esse dife-
rencial de taxa, recebe uma bolada agora e passa a
receber 5% em cima dessa bolada.

Tem muita gente que passa por um período de mar-

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cação a mercado muito positiva e depois fica com
medo de vender o título. Escuto muito que compra-
ram título pré-fixado a 16% antes do impeachment e CONTEÚDO EXCLUSIVO

não vão vender porque onde vão achar outro título


de 16%? Não! Este título já sofreu marcação a merca-
do, este título não rende mais 16%, ele rende a taxa de
mercado de agora, digamos 5 ou 6 %.
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E onde é que está todo o dinheirão que você ia ren-
der de 16%, ele foi antecipado para sua conta; se você
vende esse papel você garante todo o rendimento,
então se você tem uma outra opção de investimen-
to que rende 8% é melhor você vender esse de 16 e
ir para o de 8, porque não está mais rendendo 16%!
Você comprou a 16, já sofreu marcação a mercado e
hoje você rende a taxa de mercado, digamos 6 ou 7.

Qualquer coisa melhor que isso, venda e mude, esse


retorno já está garantido. A partir de hoje você ren-
de 6! Não mais 16. Isso ajuda a tomar decisão, quan-
do a taxa sobe é mesma coisa, as pessoas me dizem
“Comprei um título a 6% e taxa de mesmo título subiu

W W W. F I N C L A S S .C O M
para 10, que tal eu vender meu título de 6 e comprar
de 10? Genial, né? Só que não!

Não faz o menor sentido, quando for vender, vai ven-


der a 10%, porque esse título sofre marcação a merca-
do e como a pessoa que compra agora tem que com-

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prar a 10%, que é a taxa de mercado, você só vende
a 10%, então vai vender a 10 e comprar a 10%, não faz
CONTEÚDO EXCLUSIVO
sentido, não faz o menor sentido, ou seja, não dá para
“operar” o mercado. Não dá para arbitrar o mercado.
O mercado é espertinho demais!
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E-BOOK

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Capítulo iv

INVESTIMENTO
PÓS-FIXADOS

31
Enquanto nos pré-fixados a gente fixava hoje exata-
mente o quanto eles valiam no futuro, nos pós-fixa-
dos a gente fixa hoje o quanto eles valem hoje! E isso
não muda nunca. Eles vão render exatamente o valor
desse indexador.

Por exemplo, os pós-fixados do governo são os te-


souros SELIC, que são indexados à SELIC, então se a
taxa SELIC for 3,5% ao ano o seu pós-fixado, imagi-
nando que começou a 1.000, vai valer amanhã 1.000
valorizado por esses 3,5% ao dia, que vai dar uma taxa
de 0,0 alguma coisa. No dia seguinte ele vai render

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novamente a taxa diária equivalente aos 3,5%, no dia
seguinte novamente, até ter uma reunião do COPOM.

Digamos que depois do quarto dia teve uma reunião


do COPOM e a taxa mudou para 4,5%, então a par-
tir daquele dia o seu título pós-fixado passa a render

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4,5% equivalente ao dia, todo santo dia, até a próxima
reunião do COPOM. Se ao invés do COPOM subir, ele
CONTEÚDO EXCLUSIVO
abaixasse a taxa SELIC para 2%? Seu título, a partir
daquele dia, passaria a render 2%.
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E-BOOK

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TESOURO SELIC

TAXA SELIC TAXA SELIC


R$ 1.000,00 +
3,5% a.a. DIA 1 + 0,014% DIA 2 + 0,014% 4,5% a.a. DIA 4 + 0,017%
0,014%

R$ 1.000,00
DIA 0 DIA 1 DIA 2 DIA 3 DIA 4 DIA 5

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TAXA SELIC TAXA SELIC
R$ 1.000,00 +
3,5% a.a. DIA 1 + 0,014% DIA 2 + 0,014% 2% a.a. DIA 4 + 0,008%
0,014%

R$ 1.000,00
DIA 0 DIA 1 DIA 2 DIA 3 DIA 4 DIA 5

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

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Note que como a SELIC é sempre o valor positivo,
pelo menos no Brasil, ele sempre vai render um valor
positivo, por isso que a gente fala que o pós-fixado
é o título mais seguro da economia. Ele não sofre os
efeitos de marcação a mercado que sofrem os pré-
-fixados, por exemplo, inflação subiu, o máximo que
pode acontecer com os pós-fixados é na próxima
reunião do COPOM, o Banco Central achar que tem
que fazer um aumento de taxa de juros um pouqui-
nho maior e aí vai acabar rendendo mais do que você
estava esperando render antes.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Para o pós-fixado é bom que aquele indexador, nesse
caso do tesouro SELIC, seja cada vez maior, ou seja,
quanto maior for a SELIC mais você vai receber, dia-
riamente, na valorização do seu papel, quanto menor
for, menos você vai receber na valorização do seu pa-
pel. Em épocas que a SELIC está muito baixinha, você

-X X X-
rende um pouquinho e em épocas que a SELIC vai
subindo você rende cada vez mais.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
E-BOOK

34
O pós-fixado é isso! É simples assim, não tem como
perder dinheiro com marcação a mercado. Aviso que
essa frase não é 100% verdade, mas vamos chegar lá,
depois.

Outro exemplo: se você não sabe para onde vai a SE-


LIC, se você não sabe para onde vai a inflação, você
não sabe nada e não tem quem ajude para saber se é
hora ou não de comprar um pré-fixado, vai no pós-fi-
xado! Pelo menos vai saber que não vai perder dinhei-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ro, dadas as movimentações da SELIC. Agora tem o
pulo do gato dos pós-fixados, é a parte que separa os
homens dos meninos.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

35
QUANDO ESCOLHER UM TÍTULO PÓS-FIXADO

Pelo pós-fixado ser exatamente este título que não


sofre marcação a mercado e que sempre valoriza po-
sitivamente, dado que a SELIC é uma taxa positiva,
é o menor risco da economia, principalmente o pós-
-fixado do governo, que é o tesouro SELIC. Não tem
variação de marcação a mercado, por conta de va-
riação na taxa e rende sempre positivo, porque tem
uma SELIC sempre positiva, usamos esses títulos para
reserva de emergência. Por que a reserva de emer-
gência é aquele lugar onde não queremos correr risco

W W W. F I N C L A S S .C O M
nenhum, precisamos de segurança e liquidez.

Os títulos do governo são os títulos mais seguros da


economia; aqui, tem segurança e liquidez, porque se
entrar no tesouro direto e comprar um tesouro SELIC,
pode pedir resgate no mesmo dia, tem segurança e

-X X X-
liquidez e ainda não tem nem rentabilidade negativa
por conta da marcação a mercado. O tesouro SELIC é
CONTEÚDO EXCLUSIVO
um dos títulos mais usados para reserva de emergên-
cia, exatamente por conta dessas propriedades.
-X X X-
E-BOOK

36
O CUIDADO COM O TESOURO SELIC

Quando você entra no tesouro direto e vê um tesouro


SELIC, vai notar que tem uma pequena taxa na fren-
te do título, então vai render SELIC + 0,2%, SELIC +
0,02%. O que é essa taxa? É um ágio ou deságio que
tem a ver, não com a taxa de mercado, mas com as
condições de oferta e demanda desse papel. Se o te-
souro decidiu fritar muito esse papel, precisa pagar
um pouquinho mais para o mercado ter vontade de
absorver, então a taxa sobe um pouquinho. Por exem-
plo, na crise da pandemia de 2020, o Governo teve

W W W. F I N C L A S S .C O M
que emitir muito mais títulos para financiar o corona
voucher. Ele teve que emitir mais, títulos do tesouro
SELIC e esses títulos tiveram que pagar um pouqui-
nho mais de taxa, a taxa que antes da pandemia era
negociada a SELIC + 0,02%, passou a bater até no

-X X X-
pior momento SELIC + 0,40%.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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Apesar da variação de ser muito pequena, para títu-
los de longuíssimo prazo, por exemplo, para títulos de
2027, a alta da taxa representou uma queda no papel
de 1,30%. É pouco, mas enfim, assustou algumas pes-
soas que achavam que o tesouro SELIC nunca podia
dar prejuízo.

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A taxa voltou depois de um tempo para 0,25, mesmo
assim muitos ficaram inseguros pelo efeito de marca-
ção a mercado.

Esse efeito é pequeno, logo depois normaliza, nessas


condições de oferta e demanda do papel, é impor-
tante saber. Porque se quer investir por 3 meses, 6
meses e não pode de jeito nenhum sofrer pequenini-
nhos efeitos de marcação a mercado, então é melhor
escolher, por exemplo, um CDB de liquidez diária pós-
-fixado do seu banco, de preferência, desde que seja
um dos cinco ou seis maiores bancos do país.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Precisamos lembrar: liquidez e segurança. Você pre-
cisa investir só nos maiores bancos, pode ser uma al-
ternativa; como vou mostrar depois, títulos de bancos
não sofrem marcação a mercado. Mas como eu sei
que o título é pós-fixado? Ele é pós-fixado quando

-X X X-
está atrelado à SELIC ou CDI.

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COMO SABER SE UM TÍTULO É PRÉ OU PÓS-FIXADO?

A SELIC é a taxa paga pelos títulos do governo. Os


títulos pós-fixados do governo pagam a taxa SELIC.
Imagine que o Banco Central definiu a meta para SE-
LIC hoje, vai ser 5% (a taxa SELIC efetiva é um pou-
quinho abaixo de 5%, digamos 4,90%). O CDI vai ser

W W W. F I N C L A S S .C O M
mais um pouquinho abaixo então 4,89%, é bem pou-
quinho abaixo, então você pode considerar pratica-
mente que a SELIC e o CDI são a mesma coisa. O CDI
é a taxa que os bancos usam para emprestar entre
eles, então SELIC = governo, CDI = bancos.

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Quando você vai investir no produto de banco pós-
-fixado ele usa o CDI, exatamente a taxa referência
para ele. Quando escolher um título do governo pós-
-fixado é o tesouro SELIC, quando escolher um título
de banco pós-fixado é o famoso CDB, a 100% de CDI,
110% do CDI. Como é que funciona o pós-fixado a
110%? Ele vai render o que o CDI render, por exemplo,
5%, a SELIC, mas ele vai render 110% de 5% então 5,50
e assim vai render o seu CDB a 110% do CDI. Qualquer
movimento que a SELIC fizer, o seu CDB vai acompa-
nhar rendendo sempre 110% do que está rendendo,
por exemplo, o tesouro SELIC.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Também os CDBs de liquidez diária, por exemplo, a
100% do CDI são excelentes oportunidades para fazer
reserva de emergência, porque você vai render 100%
de uma taxa do CDI ou da SELIC, que rende sempre

-X X X-
um retorno positivo e você vai ter segurança.

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-X X X-
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COMO ESCOLHER ENTRE PRÉ E PÓS-FIXADO

Quando escolho um pré-fixado ou pós-fixado? Como


falei, a taxa dos pré-fixados é a expectativa do mer-
cado a respeito da trajetória da SELIC futura. Vamos
supor que o mercado acha que a SELIC vai subir em
todas as reuniões do Copom e a média vai ser 10%.
Se achar que o mercado está errado a respeito da

W W W. F I N C L A S S .C O M
expectativa da trajetória das SELIC e no final a traje-
tória vai ser maior do que ele espera, não faz sentido
se travar em um pré-fixado, porque a SELIC vai subir
muito mais do que o mercado está precificando. A
média de rentabilidade que teria se investisse na SE-

-X X X-
LIC, no tesouro SELIC, vai acabar sendo maior.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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42
Por outro lado, se você achar que o mercado está er-
rado a respeito da trajetória da SELIC e que na ver-
dade ela vai ser menor, ao invés de o Banco Central
subir a SELIC fazendo uma trajetória de alta da SELIC,
você achar que na verdade vai fazer uma trajetória de
queda da SELIC, é excelente estorno pré-fixado!

Porque a taxa estimada pelo mercado, eventualmen-


te, vai ser reestimada para baixo, as taxas de mercado
vão cair e você vai ter ganhos de marcação a merca-

W W W. F I N C L A S S .C O M
do com seus pré-fixados, enquanto quem comprou
tesouro SELIC vai ficar rendendo SELIC, que vai ser
cada vez menor. Escolher entre pré-fixados ou pós-
-fixados depende de quanto acha que o mercado
está certo ou errado na expectativa a respeito da

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trajetória da SELIC.

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43
O ERRO MAIS COMUM NA HORA
DE INVESTIR EM PRÉ-FIXADOS

Aposto que quando entra no tesouro direto você sim-


plesmente escolhe os pré-fixados porque são os títu-
los de taxa mais alta. Não é? Quando a SELIC estava
2%, todo mundo me falava “Comprei os pré-fixados
porque estavam 7% e a taxa SELIC estava 2%, não vou
comprar um tesouro SELIC que rende 2%, se o pré-fi-
xado rende 7%”.

Agora você já sabe que não faz sentido nenhum, es-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ses 7% são a estimativa do mercado a respeito da tra-
jetória da SELIC futura, e se a média é 7% é porque
o mercado acha que em algum momento a SELIC vai
subir acima de 7%.

Se o mercado estiver correto a respeito da trajetória

-X X X-
da SELIC, quem comprou o tesouro SELIC vai ter a
trajetória correta, que o mercado estimou, o pré-fixa-
CONTEÚDO EXCLUSIVO
do e o tesouro SELIC vão render exatamente a mes-
ma coisa. Você não está ganhando mais, porque está
prefixando a 7%.
-X X X-
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44
Esse é um grande erro dos investidores pessoa física,
comparam uma taxa diária que é a SELIC, que é a
taxa de um dia, com uma taxa de cinco anos que é a
taxa do pré-fixado. Agora você sabe disso, vai com-
prar o pré-fixado se acha que o mercado está errado
a respeito da estimativa e, portanto, a taxa vai acabar
sendo menor. “Significa que vou comprar os pré-fixa-
dos quando achar que a SELIC vai cair?” Não! É total-
mente possível você ganhar dinheiro com pré-fixado
durante a alta da SELIC, basta que a alta seja menor
do que o mercado está precificando.

E dá também para ganhar com pós-fixados numa

W W W. F I N C L A S S .C O M
queda da SELIC, basta que a queda seja menor do
que o mercado está precificando. A chave para es-
colher pós-fixado e pré-fixado é quanto o mercado
está precificando. Você sabe quanto o mercado está
precificando? A maioria não sabe e mesmo assim es-

-X X X-
colhem entre o pós-fixado e o pré-fixado.

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Capítulo v

INVESTIMENTO
INDEXADOS À INFLAÇÃO

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Os títulos indexados à inflação são títulos híbridos,
porque têm um componente pré-fixado e um com-
ponente pós-fixado. O componente pré-fixado é o
juro real. Quando você vê um título IPCA+, e ele paga
IPCA+ 3, esses 3 são o juro real, é o componente pré-
-fixado do seu título.

Tem também o componente pós-fixado, que é o IPCA.


O IPCA é aquele componente que quando sobe vai
render mais e quando IPCA cai, vai render menos. O
componente pré-fixado, o juro real, vai também so-

W W W. F I N C L A S S .C O M
frer marcação a mercado.

Este componente é o responsável por fazer com que


títulos IPCA+ sofram oscilações muito bruscas de
preço, principalmente os mais longos, porque é o
componente pré-fixado. Um juro real do pré-fixado

-X X X-
vai funcionar exatamente da mesma forma que o pré-
-fixado, que expliquei antes. O mercado vai fazer uma
estimativa a respeito da trajetória de juro real (e a es- CONTEÚDO EXCLUSIVO

timativa muda diariamente), às vezes sai um dado da


inflação, o que faz subir ou cair.
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47
Quando o juro real cair você pode ter retornos bem
agressivos com os títulos indexados à inflação. Quan-
do o juro real subir você pode ter prejuízo de marca-
ção a mercado dos títulos IPCA+.

Agora, quando a inflação, que é o componente pós-


-fixado do título, cair ou subir, você não tem ganhos
ou perdas de marcação a mercado, porque essa é a
parte pós-fixada. Se a inflação subir você atualiza o
seu título indexado a um valor maior e quando a in-
flação cair você atualiza o seu título por uma inflação
menor. Se a inflação for sempre positiva essa atuali-
zação vai ser sempre positiva.

W W W. F I N C L A S S .C O M
TESOURO ipca

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PREÇO DO TÍTULO | RENDIMENTO: IPCA + TAXA DE JUROS REAL
CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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48
E como juntar um componente pré-fixado em um
componente pós-fixado? O mercado usa para o pós-
-fixado o que eles chamam de VNA, que é o valor
nominal atualizado. Se o valor foi 1.000 em alguma
época do tempo e mensalmente é atualizado pela in-
flação, é um componente que fica bem na frente da
precificação do seu título.

vna

W W W. F I N C L A S S .C O M
(valor nominal atualizado)

FÓRMULA

VARIAÇÃO DO IPCA ENTRE

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VNA = 1000 X 15/07/2000 E O DIA 15 DO
MÊS ANTERIOR AO ATUAL

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49
Hoje em dia é 3.000 alguma coisa, já é bem alto, mas
em algum momento da vida ele foi 1.000. São usados
percentuais de pagamentos, por exemplo, no venci-
mento vai ser pago 100% do fluxo se for um título que
paga juros no meio do caminho a cada semestre, por
exemplo, vai ter 2,98%, que é o pagamento daquele
cupom, então vai ficar com vários fluxos de 2,98% e
no final vai ter um 100%.

W W W. F I N C L A S S .C O M
CUPOM 1 CUPOM 2 CUPOM 3 CUPOM N

2,98% 2,98% 2,98% 100%

DATA DA DATA D0

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COMPRA SEMESTRE 1 SEMESTRE 2 SEMESTRE 3 VENCIMENTO

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50
O valor é trazido para o valor presente, vai dar, vamos
supor, 30%. Valoriza 30%, todo mês, pelo valor no-
minal atualizado. Sei que é complicado, mas é assim
que, tecnicamente, você junta um componente pré-
-fixado em um pós-fixado.

PREÇO DO TÍTULO = VNA X 30% (COTAÇÃO)

W W W. F I N C L A S S .C O M
O que é importante você saber? Toda alta que vier
pelo IPCA não vai gerar marcação a mercado e vai
ser simplesmente atualizada no valor do papel. Toda
alta que vier pelo juro real vai oferecer marcação a
mercado.

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EXEMPLO PRÁTICO

Imagine achar que a inflação vai subir, está preocu-


pado, e comprar um título indexado à inflação para
se proteger contra a alta da inflação. Se a inflação for
tão alta que faz com que o mercado revise a necessi-
dade de juro real ao longo dos próximos anos, a taxa
de juro real do seu título vai subir junto com a alta da
inflação.

Só que a alta do juro real por ser componente pré-fi-


xada causa prejuízo de marcação no mercado. Quan-
to mais longo o título, maior é o efeito de prejuízo de
marcação no mercado quando as taxas sobem. Você

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pode ter uma valorização um pouco maior do IPCA,
mas um prejuízo muito maior da alta do juro real, de
tal forma que mesmo com inflação alta você tem pre-
juízos com título indexado à inflação.

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TESOURO ipca CONTEÚDO EXCLUSIVO

PREÇO DO TÍTULO | RENDIMENTO: IPCA + TAXA DE JUROS REAL


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Por exemplo, 2015. O IPCA subiu tanto até que bateu
10,67%, os títulos IPCA mais longos deram prejuízo
de marcação a mercado; quem escolheu um título
IPCA+ para se proteger da inflação, naquele ano, não
ganhou dinheiro.

Se levar o título até o vencimento, vai ter a proteção


da inflação e a reposição daquele valor da inflação;
mas vai travar com juro real muito menor, por exem-
plo, em 2013, houve um juro real de 2,5%, era uma
época de juros muito baixos e além de tudo uma épo-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ca de inflação subindo.

A inflação começou acelerar e o juro muito baixo,


era irreal, muitas pessoas usaram o IPCA+ para tra-
var contra inflação,que foi acelerando, os juros reais
foram subindo e causaram prejuízo de marcação a

-X X X-
mercado. Em 2016, esses mesmos títulos chegaram a
bater juro real de 7,5%. Era muito melhor ter se trava-
do por todo esse tempo a 7,5% de juro real ao invés CONTEÚDO EXCLUSIVO

de ter se travado a 2 ou 2,5%.


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E-BOOK -X X X- CONTEÚDO EXCLUSIVO -X X X- W W W. F I N C L A S S .C O M
São essas decisões que tem que tomar. Se acha que
a inflação vai subir tanto que vai mexer com juro real
estimado pelo mercado, a melhor coisa é não com-
prar um título IPCA+, porque essas taxas de juro real
vão subir, aí sim, você se trava pela inflação numa taxa
muito maior de juros real.

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Outra coisa extremamente importante de conhecer
nos títulos indexados à inflação: como escolher entre
um pré-fixado e um título indexado à inflação?

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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COMO ESCOLHER ENTRE UM TÍTULO
PRÉ-FIXADO E UM INDEXADO À INFLAÇÃO

Essa decisão é uma das mais difíceis no mercado de


renda fixa e aqui eu vou introduzir um conceito que
se chama inflação implícita.

A inflação implícita é a inflação precificada nos títu-


los IPCA+, por exemplo, se tem um título pré-fixado a
uma taxa de 10% e um mesmo título de mesmo venci-
mento indexado à inflação com uma taxa de 5%, você
tem, grosso modo, uma inflação implícita de 5%, que
é 10% - 5%.

A conta não é essa! A conta é 1 + 10 sobre 1 + 5 que

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vai dar em torno de 4,76%, mas para gente simplificar
vamos usar o 5%.

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cálculo exato

CONTEÚDO EXCLUSIVO

( )
1 + 10%
-1= 4,76%
1 + 5%
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Inflação implícita é a diferença entre o juro nominal
(o juro do pré-fixado) e o juro real que, é o juro do
IPCA+. Para nosso cálculo 10 – 5.

Vou escolher o pré-fixado se achar que a inflação


implícita que o mercado precificou está muito alta.
Imagine entrar no tesouro direto e ver o pré-fixado
com taxa de 10% e outro título IPCA+ para o mesmo
vencimento, digamos cinco anos, precificado IPCA+
5%. Na nossa conta simplificada vai dar uma inflação
implícita de 5%.

Agora, imagine achar que o mercado está errado a


respeito da estimativa da inflação implícita, achar que

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na verdade vai ser 3%. Para essa inflação implícita ser
3, o que tem que acontecer? Ou o juro nominal tem
que cair, o juro do pré-fixado, ou o juro real tem que
subir.

-X X X-
Se o juro nominal cai para 8%, o mesmo juro real de
5% a inflação implícita é 3%. Se o juro real sobe de 5%

CONTEÚDO EXCLUSIVO
para 7%, os mesmos 10% de juro nominal, tem 7% de
juro real e tem 3% de inflação implícita.
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Note que, se o juro nominal cai de 10% para o 8%, vai
ganhar dinheiro porque juro nominal pré-fixado cai,
a marcação a mercado positiva! Agora, se o juro real
sobe de 5% para 7% vai perder dinheiro. Juro real é a
parte pré-fixado do meu IPCA+, se sobe você perde
dinheiro na marcação a mercado.

JURO NOMINAL CAI DE 10% PARA 8%

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GANHO DE DINHEIRO

JURO NOMINAL SOBE DE 5% PARA 7%

PERDA DE DINHEIRO

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Se acho que a inflação implícita será menor do que o
mercado está esperando, tenho certeza de que os tí-
tulos pré-fixados vão se beneficiar muito mais do que
os títulos indexados à inflação.

Os dois podem até cair, o juro real pode cair junto


com o pré-fixado, mas para a implícita ser menor, o
pré-fixado tem que cair mais, vai ter uma performan-
ce melhor do que um indexado à inflação. Então, es-
colho pré-fixado quando acho que inflação implícita
está muito mais alta do que acho que vai ser.

Da mesma maneira, escolho IPCA+ quando acho que


inflação implícita está muito mais baixa do que acho
que vai ser. Vamos supor que a inflação implícita está
a 5% e acho que vai ser 10%, o mercado vai ter que
reestimar o juro nominal para cima e o juro real pode

W W W. F I N C L A S S .C O M
até subir, mas com certeza, o juro nominal vai ter que
subir mais para a minha implícita subir.

Essa é a forma como escolho entre um pré-fixado e


um indexado à inflação. Não é só entender se vai ou

-X X X-
não vai ter inflação e, sim, o quanto o mercado está
precificando a inflação e se concordo ou discordo
com o mercado e acho que, na verdade, ela vai ser CONTEÚDO EXCLUSIVO

maior ou menor.
-X X X-
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59
Capítulo vi

TÍTULOS DO GOVERNO
EXPLICADOS

60
Títulos do governo são os títulos mais seguros da
economia porque o governo é tido como o emissor
mais seguro, capaz de pagar os seus empréstimos
com mais certeza, digamos assim.

Num cenário de crise, o governo pode aumentar os


impostos, pode emitir dinheiro, pode pegar emprésti-

W W W. F I N C L A S S .C O M
mo com entidades internacionais como o FMI, então
é muito mais fácil do governo angariar dinheiro para
pagar, do que um banco ou uma empresa. Se der uma
crise o banco quebra, ele não pode aumentar impos-
to, não pode emitir dinheiro. O governo é tido como o

-X X X-
emissor mais seguro.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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61
E por ser o emissor mais seguro, é o que menos paga
juros em seus empréstimos, isso é fácil de entender.
Imagine aquele seu primo que é um cara legal, cor-
reto, precavido na vida, que faz poupança e aquele
outro primo totalmente louco. Para quem emprestar
dinheiro? Se emprestar para os dois, de quem vai co-
brar mais juros? O risco do emissor tem a ver com o
montante de juro que ele paga, como o governo é
o mais seguro da economia, é aquele que vai pagar
menos juros.

O governo tem os três tipos de indexadores que ci-


tei anteriormente, os pré-fixados, os pós-fixados e os
indexados à inflação. Os pós-fixados são o tesouro
SELIC, os pré-fixados são com juros ou sem juros e os
indexados à inflação são os títulos IPCA+.

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títulos disponíveis no tesouro

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PÓS-FIXADO PRÉ-FIXADO INDEXAÇÃO À INFLAÇÃO

CONTEÚDO EXCLUSIVO

TESOURO SELIC TESOURO PREFIXADO TESOURO IPCA


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62
Os três tipos de títulos são a base para bancos e
empresas, também emitirem esse tipo de título. Por
exemplo, se quer um título pós-fixado, pode escolher
o pós-fixado do governo a 100% da SELIC ou, por
exemplo, pós-fixado do banco, só que como o banco
é mais arriscado, tem que pagar um pouquinho mais
do que 100% da SELIC, tem que pagar, algo em torno
de 104% do CDI.

A SELIC e CDI podem ser considerados, praticamen-

W W W. F I N C L A S S .C O M
te, a mesma coisa, como já mencionei. O banco tem
que pagar 104%, por que é mais arriscado, aquela em-
presa que é um pouquinho mais arriscada tem que
pagar 110%. Logo, quanto maior o risco do seu emis-
sor mais prêmio vai pagar, em cima do que pagam os

-X X X-
títulos do governo.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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63
Tem empresas que são tão seguras, que geram mui-
to caixa e não têm nenhuma dívida, (por exemplo, a
Vale, que tem mais caixa do que dívida), que acabam
pagando um pouquinho menos do que o governo
emite no mesmo vencimento, mas isso é muito raro.
Pode acontecer, mas geralmente, “regra de bolso”,
todos os títulos de bancos e empresas têm que pa-
gar mais do que o governo paga para aquele mesmo
vencimento.

Vou comprar um título IPCA+, um CRA IPCA+de uma


empresa de commodities. Vai acontecer de você
comparar com o IPCA+ do governo para o mesmo
vencimento, então se o IPCA+ pagar IPCA+3%, a em-

W W W. F I N C L A S S .C O M
presa de commodities vai ter que pagar IPCA+4 ou +
5%, a depender do risco, até IPCA+ 6, enfim, o céu é
o limite.

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3% 6%
CONTEÚDO EXCLUSIVO
MESMO VENCIMENTO
IPCA+ CRA IPCA+

GOVERNO EMPRESA DE COMMODITY


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64
Então o título do governo vai servir como base para
compor a sua carteira com mais retorno, mas também
mais risco. Se na corretora e você vê títulos de ban-
cos e empresas com muitas taxas, saiba que só paga
taxa porque tem muito risco. Tem gente que adora
pegar CDB de banco quebrado a 140% de CDI. Às
vezes o banco está dando prejuízo e você está insis-
tindo na situação.

Tome cuidado quando decidir colocar mais risco na


sua carteira precisa saber se aquele prêmio que es-
ses outros emissores pagam, justifica o risco que está
correndo. Às vezes, os emissores pagam um prêmio

W W W. F I N C L A S S .C O M
de nada e você corre um risco enorme.

Por exemplo, tem um CDB de 5 anos que está pagan-


do 104% do CDI. Acontece que o banco está em pre-
juízo há cinco anos. Investir nesse banco para ganhar
4% a mais do que o governo paga? Tem que ponderar

-X X X-
risco retorno e correr mais risco, de uma forma cons-
ciente, e que tenha uma recompensa real pelo risco a
CONTEÚDO EXCLUSIVO
mais que corre, senão, são títulos do governo sempre!
-X X X-
E-BOOK

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COMO ACESSAR TÍTULOS DO GOVERNO

E como você acessa os títulos do governo? Tem vá-


rias formas, mas a mais fácil e transparente é atra-
vés do tesouro direto. O tesouro direto foi criado em
2002, para dar transparência e acessibilidade para tí-
tulos que antes, a pessoa física, só conseguia comprar
através de fundos e os fundos cobravam, claro, uma
taxa maravilhosa para permitir que você investisse.

O tesouro direto cobra 0,25% ao ano, cobrado semes-


tralmente, para dar acesso a esses títulos. Se você
tem até R$ 10.000,00 investidos em tesouro SELIC, o
tesouro direto te isenta dessa taxa. O bom do tesou-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ro direto é que você também tem liquidez diária nos
títulos, todo dia útil você pode pedir resgate e recebe
a valor de mercado.

Os títulos públicos todos sofrem marcação a merca-

-X X X-
do, menos os pós-fixados, que já mencionei, que não
sofrem marcação a mercado por variação nas taxas
de mercado, mas é possível ter uma pequena marca- CONTEÚDO EXCLUSIVO

ção a mercado, por conta de ágio e deságio do papel.


-X X X-
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66
Os pré-fixados e os indexados à inflação sofrem mar-
cação a mercado, se quiser fazer venda antecipada
dos títulos, vai ter uma rentabilidade diferente da
rentabilidade acordada, a depender da taxa do título
no momento. Além da taxa de 0,25% que o tesou-
ro direto cobra, você paga também nos investimen-
tos de renda fixa, o IOF e o imposto de renda, ambos
em cima da rentabilidade que teve por papel, seja no
vencimento ou na venda antecipada.

O IOF é uma tabela regressiva que começa em 99% e


acaba depois de 30 dias, passados os 30 dias, não é
mais cobrado.

Tabela regressiva - iof

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N° DE DIAS ALÍQUOTA N° DE DIAS ALÍQUOTA N° DE DIAS ALÍQUOTA
1 96% 11 63% 21 30%
2 93% 12 60% 22 26%
3 90% 13 56% 23 23%

-X X X-
4 86% 14 53% 24 20%
5 83% 15 50% 25 16%
CONTEÚDO EXCLUSIVO
6 80% 16 46% 26 13%
7 76% 17 43% 27 10%
8 73% 18 40% 28 6%
9 70% 19 36% 29 3%
10 66% 20 33% 30 0%
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O imposto de renda segue uma tabela, regressiva
também, que começa em 22,5% para períodos até
seis meses, cai para 20% entre seis meses a um ano,
depois entre um e dois anos 17% e acima desse perí-
odo 15%, então se você segurar um título do tesouro
direto acima de dois anos você paga só 15% em cima
da rentabilidade que teve.

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Essa parte do imposto de renda é um grande bene-

CONTEÚDO EXCLUSIVO
fício para títulos comprados diretamente no tesouro
direto porque se comprar os mesmos títulos via fun-
dos, os fundos além de cobrar uma taxa de adminis-
tração, que às vezes pode ser zero e às vezes pode
ser bem alta, eles pagam o come-cotas.
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E-BOOK

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O que é o come-cotas? A cada seis meses é cobra-
do o imposto de renda de 15% sobre a rentabilidade
que você teve. No tesouro direto, aquilo que a cada
seis meses você estaria pagando de imposto de ren-
da, está rendendo juros sobre juros, sobre juros, sobre
juros.

Se comparar esses dois fatores, um título do tesouro


direto comprado diretamente no tesouro direto, aca-
ba rendendo mais do que um título do tesouro direto
investido via fundos, simplesmente, pela diferença do
imposto de renda.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Por isso alguns fundos de liquidez diária que compra
um tesouro direto acabaram optando por ter taxa de
administração zero para compensar o efeito do come
cotas e ser também uma excelente alternativa para os
seus títulos de liquidez diária, tesouro SELIC e reserva
de emergência.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

70
CURVA DE JUROS

A curva dos títulos públicos é a base para todo o res-


to da economia, funciona como um parâmetro. Por
exemplo, se o banco quer pegar um empréstimo e vai
pegar a taxa do governo mais um spread; se uma em-
presa quer pegar um empréstimo é a taxa do governo
mais um spread; se você quer pegar um empréstimo
é a taxa do governo e mais um spread gigantesco,
infelizmente.

W W W. F I N C L A S S .C O M
A curva de juros dá uma ideia de qual é a taxa base
da economia, a curva de juros vai ser a taxa pré-fixa-
da que o governo paga para cada vencimento, por
exemplo, a taxa pré-fixada de 1, 2, 3, 4 de 5 anos. Não
é bem uma curva, mas é chamada de curva de juros.
Quando você bate o olho na curva de juros vai ver,

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se quiser emprestar o dinheiro para o governo quan-
to receberia para o prazo de 1 ano, 2 anos, 3 anos,
CONTEÚDO EXCLUSIVO
4 anos, até 30, tem até mais se você quiser. Isso é a
curva de juros.
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E-BOOK

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A gente olha a curva de juros para saber o que está
acontecendo com o mercado, essa curva é negociada
todo santo dia. Imagine que hoje saíram dados IPCA
e eles vieram muito acima do esperado, então a curva
de juros deu um salto para cima, porque agora vamos
precisar de mais juros. Imagine que veio uma crise e a
atividade vai ser muito fraca, a curva de juros naquele
dia vai achatar. Todos os vencimentos vão ter menos
juros, porque vêm uma crise e provavelmente vai ter
menos inflação.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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Não necessariamente a curva de juros se mexe em
paralelo. Assim, a taxa pré-fixado de dois anos e a
pré-fixado de 30 anos sobe dois também. Não! Tem
dias que a pré-fixada de 2 anos sobe e a de 30 anos
cai. Como é possível? Acontece o tempo todo.

Imagine que temos um Banco Central super auste-


ro. Banco Central fala para o mercado “vou controlar
essa inflação e vou subir o juro muito mais do que o
mercado está esperando”, o mercado que esperava

W W W. F I N C L A S S .C O M
uma SELIC de 3,5% para 5% passa esperar uma SELIC
indo de 3,5% para 7% e a taxa de juro curtinha, aquele
prazo curtinho sobe muito, porque o mercado reesti-
ma a trajetória desse SELIC de curto prazo.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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73
O que vai acontecer com longo prazo? Depende, não
necessariamente vai subir também, o mercado pode
achar que de 5% para 7% é muita coisa. Nossa, desne-
cessário, não precisaria de tudo isso para controlar a
inflação, então o que vai acontecer? Vai subir o juro,
mas lá na frente vai ter que cair; se subiu demais, con-
trolou a inflação demais, pode gerar uma crise lá na
frente com uma taxa de juro tão alta. O mercado sobe
a taxa de juros de curto prazo, mas estima que lá na
frente a taxa de juro tem que ser muito menor, de tal
forma que a média de longuíssimo prazo cai.

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Quando o banco central é muito austero, no curto
sobe e no longo cai. Isso para dizer que além de to-
mar a decisão de estar no pré-fixado ou pós-fixado
ou no indexado à inflação você também tem que to-
mar decisão de estar no curto prazo ou no longo pra-
zo. Porque a taxa de pré-fixado se comporta de uma
maneira completamente diferente da taxa de juro de
longo prazo.

Pode acontecer, por exemplo, de a taxa de juros de


curto prazo cair e a de longo prazo subir, em 2012, o
Banco Central caiu a taxa de juros muito mais do que
o mercado esperava e muito mais do que o mercado
considerava necessário, dado o cenário de crise eco-
nômica.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO

FONTE: [Link]
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O mercado começou achar que a queda relevante da
taxa de juro iria provocar inflação lá na frente. Con-
sequência? Quanto mais o Banco Central caía a taxa
de juro, caía a taxa SELIC, mais o mercado puxava os
pré-fixados longos para cima.

O mercado precificava que a taxa de juro longo ia


ter que ser muito maior. Então, quem tinha pré-fixado
curto ganhou dinheiro com marcação a mercado e,
quem tinha pré-fixado longo perdeu muito dinheiro
com marcação a mercado. Ou seja, não basta só es-

W W W. F I N C L A S S .C O M
colher se você quer pré, pós ou indexado, também
tem que escolher o prazo.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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76
Capítulo vii

TÍTULOS BANCÁRIOS

77
Os títulos de banco são levemente mais arriscados do
que os títulos do governo, que como falei, o governo,
em épocas de crise, consegue se virar melhor do que
os bancos.

Os títulos mais conhecidos de banco são os CDBs,


LCIs e LCAs.

Os CDBs são como se você fizesse um empréstimo


para o banco ele volta o dinheiro em certo prazo e
um certo juro, eles pagam imposto de renda e essa é

W W W. F I N C L A S S .C O M
a grande característica do CDB. Podem ser de liqui-
dez diária, você pode resgatar a qualquer momento
ou de vencimento fechado. Os títulos de vencimen-
tos fechado são bem importantes porque não sofrem
marcação a mercado, uma vez que só podem ser res-
gatados no vencimento. Por exemplo, às vezes você

-X X X-
vê CDBs de 4 ou 5 anos, não podem ser resgatados
antes. Algumas corretoras até deixam você resgatar
CONTEÚDO EXCLUSIVO
antes do vencimento, mas cobram um pênalti tão
grande, que acaba não valendo a pena.
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E-BOOK

78
Há também os LCIs e LCAs, a grande diferença desses
títulos é que não pagam imposto de renda; são isen-
tos porque são de setores que o governo gosta de
estimular. Por exemplo, as LCAs são do setor de agro-
negócios, o banco é obrigado a oferecer o dinheiro,
que arrecadou, para empréstimos do agronegócio. A
LCI é a mesma coisa, só que para o setor imobiliário.

Além disso, tem também as letras de câmbio, iguais


ao CDB só que são de financeiras, por isso são cha-
madas de letras de câmbio. Esses quatro produtos
são, provavelmente, o que mais vê na sua corretora
ou no seu distribuidor, principalmente porque eles
são garantidos pelo FGC.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Tem outro produto, que é mais recente, que chama
LIG, que é a letra imobiliária garantida. É como se fos-
se a LCI, também é lastreada em empréstimos imobili-
ários, só que ao contrário da LCI, não é garantida pelo

-X X X-
FGC, por outro lado, é garantida pelos imóveis las-
tros daquele empréstimo. O que, muitas vezes, pode
acabar sendo até uma boa garantia, se aqueles forem CONTEÚDO EXCLUSIVO

imóveis seguros, pode até ser uma garantia melhor.


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E-BOOK

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O QUE É O FGC

O grande benefício de títulos de bancos é que são


garantidos pelo FGC, Fundo Garantidor de Crédito.
Importante que você, investidor, não tome essa ga-
rantia tão cegamente, tem que fazer uma análise de
crédito de cada banco, porque não funciona como se-
guro comum.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Como funciona o seguro comum? Você tem o sinistro,
a seguradora é obrigada a pagar o valor do seu car-
ro, certo? O FGC não é obrigado apagar. Só paga SE,
e somente SE tiver o dinheiro em disponibilidade. E
quanto o FGC tem em disponibilidade? Cerca de 2,4%
do que ele garante e essa informação é pública e está

-X X X-
no balanço do FGC. Você pode ver no próprio site.
Esses 2,4% são muito ou pouco? Depende.
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E-BOOK -X X X- CONTEÚDO EXCLUSIVO -X X X- W W W. F I N C L A S S .C O M
Em uma situação de tranquilidade, principalmente,
sem crise financeira pode quebrar um banco aqui, um
banco ali é comum, o mercado vai conseguir absor-
ver. O problema é se tem uma crise sistêmica no setor
financeiro, por exemplo, em 2008, houve uma crise
sistêmica no setor financeiro americano e o FDIC, que
é FGC americano, quebrou, porque mais de 6% do
sistema quebrou.

A diferença é que o FDIC é do governo, então o go-


verno americano resgatou. O nosso FGC é privado e,

W W W. F I N C L A S S .C O M
portanto, numa crise sistêmica você poderia simples-
mente ficar sem receber o dinheiro. É muito positivo
ter uma garantia a mais, mas não invista em banco
quebrado só por conta da FGC, faça uma análise de
crédito, porque no final das contas está correndo um

-X X X-
risco de crise sistêmica no setor financeiro.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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investimentos garantidos pelo fgc

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
O FGC GARANTE ATÉ O LIMITE DE R$250 MIL POR CPF OU CNPJ, POR CONJUNTO DE DEPÓSITOS E
INVESTIMENTOS EM CADA INSTITUIÇÃO OU CONGLOMERADO FINANCEIRO, LIMITADO AO TETO DE R$1 MILHÃO,
A CADA PERÍODO DE 4 ANOS, PARA GARANTIAS PAGAS PARA CADA CPF OU CNPJ.
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83
Para investir em CDBs precisa saber que quanto mais
arriscado o banco, mais juro ele paga. Quando vir um
CDB de banco a 140%, CDI para um ano, muito pro-
vavelmente esse banco está em situação complicada,
todo ano a gente tem um banco entrando em falência
decretada pelo Banco Central.O FGC durante a cri-
se na quebra da DACASA demorou mais de 180 dias
para pagar algumas pessoas, exatamente por conta
da pandemia.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Não dependa do FGC para investir em banco bom,
invista em banco bom, vale a pena. Muitas vezes as
pessoas acabam investindo num banco quase que-
brado para ganhar 5% a mais do CDI em 5 anos, e não
faz o menor sentido; é possível ganhar 5%, facilmente,

-X X X-
em outros investimentos, em muito menos tempo.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
E-BOOK

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QUANDO ESCOLHER OS TÍTULOS BANCÁRIOS

A melhor forma de usar os títulos de bancos é ter


uma rentabilidade um pouquinho maior do que os tí-
tulos do governo. Se quer investir pós-fixados, mas
o tesouro SELIC está com uma SELIC baixa, de 2%.
Então, vá no CDB do banco, por exemplo, a 150% do
CDI, vai render um pouquinho mais, por um risco que
é um pouco maior, mas nem tanto. É possível pegar
um banco médio, ainda bem seguro e garantir uma
rentabilidade maior para o portfólio.

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= 2,85%*
CDB

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150% DO CDI
CONTEÚDO EXCLUSIVO

* CONSIDERANDO TAXA SELIC DE 2% a.a.


-X X X-
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85
Ou então eu pegar uma LCi, LCA pré-fixada para dois
ou para três anos, enfim o prazo que achar que faz
mais sentido no momento e ao invés de render7%,
que paga o pré-fixado do governo, vai render 8%,
8,5%, a depender do risco do banco.

Componha o patrimônio com títulos do governo e


títulos de banco (que darão um up na sua rentabili-
dade), mas lembre-se, um up na rentabilidade com-
promete a liquidez, porque para renderem mais eles
vão cobrar um prazo de vencimento muito firme. São
títulos de vencimento fechado, só podem ser resga-
tados no vencimento.

Por um lado, você ganha mais, por outro lado abre


a mão da liquidez, que tem no tesouro direto. No te-

W W W. F I N C L A S S .C O M
souro direto podem ser vendidos os pré-fixados e os
títulos IPCA+, a qualquer momento, nos CDBs não.
Cuidado com CDBs de cinco, seis anos, porque é difí-
cil saber onde vai estar o mercado daqui a seis anos.

-X X X-
Será que as taxas de mercado daqui a seis anos vão
ser maiores? Não dá para cravar, e garantir que não

CONTEÚDO EXCLUSIVO
vai precisar dos recursos por seis anos é muita coisa.
Cuidado com essas fases muito longas. De novo, às
vezes o pessoal dá 2% do CDI, a mais, para amarrar
em um CDB muito longo, não faça isso.
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E-BOOK

86
CONTAS REMUNERADAS

Alguns bancos que remuneram o seu depósito de


conta corrente, por exemplo, a 100% de CDI, o que
bancos fazem? Pegam esse dinheiro e colocam em
uma compromissada.

Compromissada é uma operação entre o tesouro e o


mercado institucional. Você empresta dinheiro para
o banco, por um período muito curto de tempo, às
vezes, é de um dia a três meses, seis meses e ele re-
munera a SELIC, e pode, inclusive, dar um colateral,
que geralmente são títulos públicos.

A garantia do empréstimo, o lastro, está em títulos

W W W. F I N C L A S S .C O M
públicos. Nesse caso específico, o seu dinheiro fica
em patrimônio separado do banco, ou seja, se o ban-
co quebrar, o seu dinheiro está na compromissada
com CPF, que é lastreada em títulos do governo.

Eu não colocaria muito dinheiro nisso, afinal tem al-

-X X X-
gum risco de execução, mas se for para deixar um
dinheirinho pouco, não tem problema nenhum, desde
CONTEÚDO EXCLUSIVO
que o banco use as compromissadas e tenha lastro
em títulos públicos.
-X X X-
E-BOOK

87
ÚLTIMOS CUIDADOS

Ao contrário do tesouro direto, que você pode fra-


cionar o preço do papel e comprar pequenos lotes
(a partir de R$ 40,00 você já consegue comprar uma
fração daqueles títulos públicos), os CDBs têm um
montante mínimo que o banco exige, para a compra.

Cada banco exige um montante mínimo diferente e


claro, quanto maior for o investimento mais a taxa
que o banco vai pagar; provavelmente se quiser in-
vestir R$ 10.000,00 a taxa de um ano é uma; se quiser
investir R$ 10.000.000,00 a taxa será muito melhor.

W W W. F I N C L A S S .C O M
guia de fixação

CDB

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- EMPRÉSTIMO AO BANCO;
CONTEÚDO EXCLUSIVO
- PAGAM IMPOSTO DE RENDA;
- LIQUIDEZ DIÁRIA OU PRAZO FECHADO;
- OS DE PRAZO FECHADO NÃO SOFREM
MARCAÇÃO À MERCADO.
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E-BOOK

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LCAs

- NÃO PAGA IMPOSTO DE RENDA;


- EMPRÉSTIMO AO SETOR DE AGRONEGÓCIO;
- LIQUIDEZ DIÁRIA OU PRAZO FECHADO.

LCIs

- NÃO PAGA IMPOSTO DE RENDA;


- EMPRÉSTIMO AO SETOR IMOBILIÁRIO;
- LIQUIDEZ DIÁRIA OU PRAZO FECHADO.

W W W. F I N C L A S S .C O M
LCs

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- EMPRÉSTIMO POR MEIO DE FINANCEIRAS;
- PAGAM IMPOSTO DE RENDA;
CONTEÚDO EXCLUSIVO
- GERALMENTE TEM PRAZOS FECHADOS.
-X X X-
E-BOOK

89
Capítulo viii

TÍTULOS DE EMPRESAS:
DEBÊNTURES, CRIS E CRAS

90
Já falei sobre os emissores do governo e agora vou
falar sobre o último emissor, as empresas. As empre-
sas também oferecem títulos de renda fixa que são as
debêntures, os CRIS e os CRAs.

As debêntures são empréstimos de vários tipos, de


empresas diferentes. O engraçado é que cada uma
funciona de uma forma completamente diferente da

W W W. F I N C L A S S .C O M
outra. Algumas têm amortização, ou seja, pagam um
pedaço do empréstimo ao longo do tempo, outras
que pagam os juros ao longo do tempo, outras que
só pagam juros no final, além disso, tem os vários ti-
pos de indexadores. O mais comum de encontrar em

-X X X-
debêntures são as pós-fixadas ou as indexadas à in-
flação.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
E-BOOK

91
É mais fácil achar esses indicadores nas debêntures de
empresas. As debêntures não têm garantia do FGC, já
que não são produtos de bancos e não tem garantia
nenhuma, sem ser a garantia da própria empresa.

Às vezes, as empresas colocam garantias nas debên-


tures, essas garantias podem ser fiança, a garantia de
um imóvel (a sede da empresa); podem ser garantias
dos próprios sócios controladores. Às vezes, as de-
bêntures têm algumas garantias para melhorar o ra-
ting delas, para isso oferecem alguma garantia, que-
rendo ter um rating melhor e atrair investidores.

W W W. F I N C L A S S .C O M
garantias em debêntures

FIANÇA IMÓVEL SÓCIOS -X X X-


CONTEÚDO EXCLUSIVO

TODAS AS CARACTERÍSTICAS E INFORMAÇÕES SOBRE DEBÊNTURES


PODEM SER ENCONTRADAS NO SEU PROSPECTO DE EMISSÃO.
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E-BOOK

92
Muitas vezes, as garantias podem até ser bem me-
lhores do que, por exemplo, o FGC como garantidor.
Não tem problema, só que, como investidor tem que
analisar cada uma das garantias, cada uma das de-
bêntures e ver como funciona cada uma.

Existe debênture que vai ter amortização e não vai


ter garantia e vai ser IPCA+, outra que vai ser de cur-
to prazo, sem garantia, sem amortização e vai pagar
tudo só no final. Cada uma vai ser diferente e para en-
tender como funciona cada uma delas, tem que olhar
o que chamamos de ‘prospecto’.

Existe um prospecto da emissão que, honestamen-


te, é um calhamaço de 400 páginas, acho que dificil-
mente você vai ler, mas existe e lá estão todas as in-
formações a respeito das debêntures. As debêntures
podem ser compradas, principalmente, nas emissões

W W W. F I N C L A S S .C O M
primárias.

Na sua corretora é possível ver emissões de debêntu-


res CRIs e CRAs, por exemplo, nessas emissões todo
mundo investe, pelo mesmo preço e taxa, mas uma

-X X X-
vez adquiridas pelo mercado podem também ser ne-
gociadas entre as pessoas que compraram. É o cha-

CONTEÚDO EXCLUSIVO
mado mercado secundário, onde você compra uma
debênture que já foi emitida, que já está em circula-
ção e existe troca entre compradores e vendedores.
Alguém quer comprar, alguém quer vender e acertam
o preço e a taxa.
-X X X-
E-BOOK

93
OS CUIDADOS AO INVESTIR EM DEBêNTURES

Mercado secundário de debêntures não tem muita li-


quidez no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo,
o mercado secundário de bonds é maior do que o
mercado de ações; no Brasil é muito difícil conseguir
vender debêntures no mercado secundário.

Ao comprar uma debênture tem que ter em mente:


muito provavelmente vai ter que levar para o venci-
mento. Se comprar uma debênture para 2035, vai ter
que levar para vencimento até 2035. Vai querer fazer
isso? É uma decisão que tem que tomar, além disso as

W W W. F I N C L A S S .C O M
debêntures por terem um risco das empresas, pagam
mais taxa do que normalmente os CDBs e os títulos
do governo.

São legais para dar aquele quick na rentabilidade do

-X X X-
seu portfólio. Você perde em termos de liquidez, por-
que se você quiser sair antes do vencimento não é a
melhor estratégia. CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
E-BOOK

94
CRIS E CRAS

Outros tipos de títulos de empresas são os CRIs e os


CRAs. Da mesma forma que as LCIs e LCAs são isen-
tas de imposto de renda, porque são de setores que o
governo gosta de estimular, os CRIs os CRAs também
são isentos.

Os CRIs são do setor imobiliário e os CRAs são do


setor do agronegócio. Por exemplo, uma exportadora
quer um empréstimo para usar na produção da cana-
-de-açúcar, ela vai emitir um CRA, isento de imposto
de renda para o investidor, e, portanto você vai ter
uma rentabilidade um pouco melhor.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Lembrando que os CRIs e os CRAs também têm pou-
ca liquidez. É muito fácil serem achados quando são
emissão primária, você entra de forma bem fácil, con-
segue negociar, por exemplo, a partir de R$ 1.000,00,
que geralmente é o lote padrão; se for tentar vender

-X X X-
esse CRI - CRA antes do vencimento também vai ter
um probleminha de liquidez. Vai ter que ligar para o

CONTEÚDO EXCLUSIVO
corretor, que vai procurar alguém querendo comprar,
talvez não ache ou pode ser que encontre com um
preço ruim; enfim, vale a pena considerar.
-X X X-
E-BOOK

95
DEBÊNTURES INCENTIVADAS

E temos também as debêntures de infraestrutura. O


setor de infraestrutura também é um setor que o go-
verno adora estimular. Essas debêntures também são
isentas de imposto de renda. Imagine uma elétrica
que quer fazer um novo projeto, parque elétrico, pre-
cisando daqueles recursos para construir um empre-
endimento, vem com debêntures de infraestrutura e
você, investidor, vai conseguir isenção de imposto de
renda.

W W W. F I N C L A S S .C O M
-X X X-
PROJETO DE DEBÊNTURE DE INVESTIDOR TEM CONTEÚDO EXCLUSIVO
PARQUE ELÉTRICO INFRAESTRUTURA ISENÇÃO DE IMPOSTO
ALOCA RECURSOS DE RENDA
-X X X-
E-BOOK

96
Geralmente as debêntures de infraestrutura são de
longuíssimo prazo, porque projetos de infraestrutura
demoram muito para maturar, 30, 40 anos, são de-
bêntures sem liquidez e com prazo muito alongado,
não vai poder mexer no seu patrimônio. Será que
você pode esperar tanto tempo assim? Principalmen-
te, será que o prêmio compensa?

Você tem que pensar, se sua debênture de infraestru-


tura paga quase a mesma coisa que um título mais
curto, de banco ou o próprio título do governo, não
vale a pena. Sem contar que um projeto de infraestru-
tura é extremamente difícil de analisar uma coisa que
demora 40 anos para acontecer; no meio do cami-

W W W. F I N C L A S S .C O M
nho muita coisa pode acontecer na macroeconomia,
como uma mudança do governo, um calote da dívida.

É difícil analisar propriamente e cobrar o risco neces-


sário, o juro necessário, em um projeto desse, porém
é mais uma alternativa e aparecendo boas alternati-

-X X X-
vas, você também consegue investir.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

97
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Recapitulando, temos as debêntures que pagam o


imposto de renda e os CRIs CRAs e debêntures de in-
fraestrutura que não pagam o imposto de renda. Es-
ses quatro títulos são emitidos por empresas. Como
as empresas são muito mais arriscadas que o gover-
no, o juro deve ser maior.

W W W. F I N C L A S S .C O M
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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

98
Capítulo ix

FUNDOS DE INVESTIMENTO
DE RENDA FIXA

99
Todos esses títulos, citados anteriormente, títulos pú-
blicos, títulos de bancos e títulos de empresas, po-
dem ser comprados diretamente pelo investidor ou
podem ser acessados pelos fundos de investimento.
Investir via fundo tem algumas diferenças, e a prin-
cipal delas é que os fundos cobram uma taxa de ad-

W W W. F I N C L A S S .C O M
ministração para executarem as operações, cobram
uma taxa para facilitar a sua vida.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

100
FUNDOS DI

Os fundos DI Selic simples são fundos que estão na


moda agora. Investem em títulos do tesouro SELIC,
provavelmente, vão render a mesma coisa que um te-
souro SELIC, descontado a taxa de administração do
fundo. Alguns fundos oferecem os serviços cobrando

W W W. F I N C L A S S .C O M
quase nada de taxa de administração, alguns cobram
zero de taxa de administração, outros já cobram 1%
até 2%, mas já vimos histórico de 4%.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

101
FUNDOS IMA-B

O IMA-B investe em títulos do tesouro IPCA+.É um


dos índices mais conhecidos na indústria de fundos.
O que é o IMA-B? O fundo compra praticamente to-
dos os títulos IPCA+ disponíveis no mercado, a ANBI-
MA cria um índice, que é o IMA-B, ponderando o peso
de cada um, o volume, a proporção no montante total
emitido.

Esses fundos também são bem conhecidos. Quanto


vai render um fundo de IMA-B? Vai render o quê ren-
der os títulos IPCA+.A tomada de decisão de “é hora

W W W. F I N C L A S S .C O M
de investir em títulos de IMA-B”, vai depender da res-
posta de “é hora de investir em títulos IPCA+”.

Os fundos vão ter de rentabilidade daquele ativo. Por


exemplo, se achar que estamos no momento de au-
mento de juro real, sabe que os títulos IPCA+ vão per-

-X X X-
der valor por conta da marcação a mercado negativa,
portanto os fundos IMA-B, que são atrelados, vão ter
prejuízo também. CONTEÚDO EXCLUSIVO
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E-BOOK

102
Muita gente que investiu no fundo IMA-B, entre 2016
e 2019, acha que fundo de IMA-B é a melhor coisa do
mundo, porque pegaram uma enorme queda estrutu-
ral nas taxas de juros reais no Brasil. Isso vai se repe-
tir? Dificilmente.

Você tem que entender porque aquele fundo perfor-


mou? Porque o ativo performou? Porque era um mo-

W W W. F I N C L A S S .C O M
mento macroeconômico muito bom para ele. Isso vai
se repetir daqui para frente? Se a resposta for não,
então não é o momento de investir nesse fundo.

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-X X X-
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103
FUNDOS DE CRÉDITO PRIVADO

Outros fundos bem famosos são os fundos de crédito


privado. Podem ser tanto crédito privado de bancos
ou de empresas, quanto fundos de debêntures de in-
fraestrutura. Os fundos de debêntures de infraestru-
tura são fundos isentos de imposto de renda.

Os fundos de crédito privado já podem ter uma ma-


neira mais ampla, o importante é saber que quem es-
colhe o crédito do fundo é o gestor. Você tem que
confiar muito no gestor. Como tudo na vida, existem
bons profissionais e não tão bons assim, e você tem

W W W. F I N C L A S S .C O M
que analisar não apenas os ativos do fundo, tem que
analisar o gestor.

Você não sabe exatamente o que ele vai ter hoje, ama-
nhã ou depois de amanhã. Ele pode trocar totalmente
a posição daquele fundo. É importante analisar a con-

-X X X-
sistência que o gestor mantém, a cabeça do gestor e
o controle de risco daquela equipe.
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104
São decisões muito mais de analisar os gestores e a
equipe, do que analisar os ativos em si, porque os ati-
vos uma hora estarão no fundo, outra hora não mais.

Outra coisa importante quando investir em um fundo


de crédito privado é se os títulos têm um prazo con-
dizente com prazo de resgate do fundo. Por exemplo,
um fundo de debênture de infraestrutura não pode
ser D0, não pode pedir resgate hoje e receber hoje.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Imagine um fundo que investe em títulos que vencem
em 2035, 2045, de longuíssimo prazo, como é que o
gestor vai vender os títulos para te pagar de volta?
Não vai conseguir. São prazos de resgate mais largos,
D30, D60, D90, tem que ser condizente para não cor-
rer risco de descasamento de liquidez.

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105
A mesma coisa vale para fundos de crédito privado, a
não ser que sejam fundos, como se fossem fundos de
caixa, que precisam investir em produtos geralmen-
te de bancos, e bem de curtinho prazo. Se forem em
fundo de crédito privado mais longos, com outro tipo
de estrutura, aí sim você tem que prestar muita aten-
ção também no descasamento de prazos.

Como todos os fundos, temos que prestar atenção


na taxa de administração cobrada. Se entrar no cré-
dito privado para ganhar 10% a mais do CDI, mais a
taxa de administração, vai receber a mesma coisa de
quem está no tesouro Selic, só vai pagar taxa de ad-
ministração para o gestor.

W W W. F I N C L A S S .C O M
As coisas têm que fazer sentido, você tem que olhar
para aquele fundo e ver que tem uma performance
suficientemente maior do que um título de crédito,
ou então do que um título sem risco do governo, e
achar que vale a pena pagar a taxa de administração

-X X X-
do gestor, para ter um retorno maior.

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106
FIDCS: FUNDOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS

Fundos de direitos creditórios, os famosos FIDCS. São


complexos, precisamos analisar os direitos de crédito
envolvidos e o gestor.

Se não tem familiaridade com títulos de crédito e não

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consegue analisar a fundo, fica difícil você analisar um
produto desses.

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107
COMO SABER O QUÃO CARA É
UMA TAXA DE ADMINISTRAÇÃO

Vou dar umas estimativas de taxa de administração.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Fundos DI, que investem em títulos tipo tesouro SE-
LIC, os mais famosos, são os mais fáceis de serem en-
contrados que têm taxa zero. Muita gente me pergun-
ta se a taxa zero é pegadinha. Não!

-X X X-
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108
Nos fundos de IMA-B as taxas de retorno são de 0,25
a 0,5% por cento.

Fundos de crédito privado as taxas podem ser um


pouquinho maiores, porque quanto melhor o gestor
mais dá de retorno e, portanto, mais ele cobra de taxa
de administração. Elas variam também entre 0,5 e 1%.

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109
POR QUE INVESTIR VIA FUNDOS

A pergunta que muitos me fazem é: “porque investir


em renda fixa via fundos, já que tenho que pagar uma
taxa de administração”? A maioria dos fundos de ren-
da fixa são fundos passivos, por exemplo, o fundo de
DI SELIC simples, o fundo IMA-B, podem ser acessa-
dos diretamente no tesouro direto e realmente não

W W W. F I N C L A S S .C O M
tem por que pagar uma taxa de administração.

Além disso, lembre-se que nos fundos existe o come-


-cotas, a cada seis meses você paga imposto de ren-
da em cima da rentabilidade, enquanto no título do
tesouro direto que você só paga imposto de renda no

-X X X-
vencimento ou na venda antecipada.

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-X X X-
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110
Agora, em fundos, por exemplo, crédito privado, o
gestor acessa mercados que você não consegue aces-
sar, o mercado secundário de títulos de crédito priva-
do, de títulos de empresas, que têm pouca liquidez.
No mercado institucional conseguem um pouquinho
mais de liquidez, porque têm lotes maiores.

Investir em crédito privado através de fundos pode

W W W. F I N C L A S S .C O M
ser um bom negócio, além disso, você é uma pessoa
física que não tem condição de analisar o balanço das
empresas e dos bancos, investir em fundos de crédi-
to privado pode ser um boa saída e ter uma taxa um
pouquinho maior, mas delegar um pouco da gestão

-X X X-
para um profissional apto a fazer esse trabalho. Você
tem que ver claro se a taxa cobrada inviabiliza o re-
torno. CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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111
É difícil achar fundo de gestão de renda fixa ativo que
vai investir, por exemplo, em DI, no mercado futuro,
porque geralmente esses fundos acabam virando um
fundo multimercado. Eles investem em DI, juros, in-
vestem também no câmbio e podem investir na Bol-
sa, enfim, esses fundos já são um pouco mais difíceis
de encontrar, mas também poderiam ser uma boa sa-
ída para você delegar a gestão da sua renda fixa para
um gestor profissional, tantas são as variáveis.

Pré-fixado, pós-fixado, indexado à inflação, qual emis-


sor? Governo, bancos ou empresas. Qual prazo? Cur-
to ou longo. Cada um se comporta de uma maneira
totalmente diferente.

W W W. F I N C L A S S .C O M
resumo dos fundos de renda fixa

FUNDOS DI

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- INVESTEM EM TÍTULOS PÚBLICOS PÓS-FIXADOS;
- TEM COME-COTAS E RENDIMENTO PARECIDO COM O TESOURO SELIC; CONTEÚDO EXCLUSIVO

- TEM ALTA LIQUIDEZ (VOCÊ CONSEGUE RESGATAR RAPIDAMENTE);


- BUSQUE POR TAXA 0% DE ADMINISTRAÇÃO.
-X X X-
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FUNDOS IMA-B

- INVESTEM NA MÉDIA DOS TÍTULOS INDEXADOS A INFLAÇÃO;


- TEM COME-COTAS, RENDIMENTO QUE PODE SER PRÓXIMO AO TESOURO IPCA;
- BUSQUE POR TAXA DE ADMINISTRAÇÃO ENTRE 0,25% E 0,5%.

FUNDOS DE CRÉDITO PRIVADO

- INVESTEM EM TÍTULOS DE BANCOS OU EMPRESAS;


- PODEM TER DIVERSAS FORMAS DE INDEXAÇÃO (GERALMENTE PÓS-FIXADO E INDEXADO A INFLAÇÃO);
- IMPORTANTE ANALISAR O GESTOR E FUGIR DE TAXAS ALTAS.

W W W. F I N C L A S S .C O M
FUNDOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS

-X X X-
- INVESTEM EM TÍTULOS DE BANCOS OU EMPRESAS;
- PODEM TER DIVERSAS FORMAS DE INDEXAÇÃO (GERALMENTE PÓS-FIXADO E INDEXADO A INFLAÇÃO);
CONTEÚDO EXCLUSIVO
- IMPORTANTE ANALISAR O GESTOR E FUGIR DE TAXAS ALTAS.
-X X X-
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113
Capítulo x

ETFS DE RENDA FIXA

114
Existem também ETFs de renda fixa. ETF significa,
em inglês, Exchange Traded Founds. São fundos ne-
gociados em Bolsa. Esses fundos compram um títu-
lo que replica um benchmark, por exemplo, o fixa11 é
uma ETF de renda fixa que compra títulos pré-fixados
de três anos, então tenta replicar um pré-fixado de
três anos.

W W W. F I N C L A S S .C O M
É como se você investisse no pré-fixado de três anos,
mas faz isso através de um fundo e a cota desse fun-
do é negociado em bolsa.

-X X X-
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-X X X-
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115
Qual é o lado bom do ETF, nesse caso do fixa11? Pri-
meiro: esses fundos não têm come-cotas, então você
só vai pagar imposto de renda na venda. Segundo: o
imposto de renda não é regressivo como no investi-
mento de renda fixa comum, é 15% sempre! Terceiro:
a taxa é bem baixinha, geralmente, gira em torno de
0,25 a 0,30%, que é muito parecida com a do tesouro
direto.

vantagens dos etfs

- NÃO TEM COME-COTAS


(IMPOSTO DE RENDA DEVE SER PAGO SOMENTE NA VENDA DO ETF)

W W W. F I N C L A S S .C O M
- IMPOSTO DE RENDA NÃO É REGRESSIVO
(SEMPRE 15%)

- BAIXAS TAXAS
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(ENTRE 0,25 E 0,3%)
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Essas ETFs são totalmente diferentes do que investir


no pré-fixado do governo de três anos.
-X X X-
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116
A DIFERENÇA ENTRE ETFs E OS TÍTULOS COMUNS

Quando você compra um título de pré-fixado de três


anos, no tesouro direto, depois de seis meses ele vira
um título de dois anos e meio, nas ETFs isso não acon-
tece.

Conforme o título vai perdendo vencimento o gestor


daquela ETF vende e compra outro, um pouquinho
mais longo, de tal forma que a ETF fica sendo sempre
rolada e sempre mantida no prazo de três anos. É to-
talmente diferente do que ter um título que depois de

W W W. F I N C L A S S .C O M
três anos vence. A ETF nunca vence, ou seja, na ETF
você nunca consegue se travar numa taxa, se você
comprar um pré-fixado no tesouro direto a 10% você
tem certeza que depois de três anos, vai render 10%.
No ETF nunca vence, sempre é rolado, a todo mo-

-X X X-
mento vai sofrer marcação a mercado.

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-X X X-
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117
QUANDO INVESTIR EM ETF DE RENDA FIXA?

Quando usar o ETF e não título pré-fixado? Quando


achar que quer correr o risco de marcação a mercado;
se acha que tem altas chances das taxas do pré-fixa-
do de três anos caírem, ter um benefício de marcação
a mercado e os ETF vão se valorizar se quiser vender.

Depois de três meses, vai pagar só 15% de imposto de

W W W. F I N C L A S S .C O M
renda, enquanto o mesmo movimento no pré-fixado
tesouro, iria pagar 22,5% de imposto de renda, por-
que é cota máxima; é o primeiro intervalo da tabela
do imposto de renda regressivo. ETFs serão usados
se você quiser efeitos de marcação a mercado, obri-
gatoriamente, e quando achar que os movimentos se-

-X X X-
rão mais de curto prazo, para aproveitar do imposto
de renda, que é sempre 15%.
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-X X X-
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118
As ETFs de IMA-B, a IMA-B11, são a mesma coisa, re-
plicam o índice IMA-B e como nunca vencem, o ges-
tor vende os mais curtos e vai comprando os mais
longos, de tal forma a sempre replicar o IMA-B, sem-
pre tem os efeitos de marcação a mercado dos títulos
IPCA+.Você nunca consegue travar uma taxa a ven-
cimento, é impossível! O gestor sempre rola o título
e você sempre sente os efeitos de marcação a mer-
cado. Se achar que os juros reais vão cair, vai ganhar
no efeito de marcação a mercado. É completamente
diferente de comprar um título. A ETF não vence, e
isso muda tudo.

W W W. F I N C L A S S .C O M
As ETFs são vendidas na Bolsa como se fossem ações.
Se compra R$ 40,00 em ETFs, equivale a um número
de lote, se quiser vender paga o imposto de renda de
15%.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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119
Capítulo xi

O FUNCIONAMENTO
DE UMA DURATION

120
Duration é o prazo médio de recebimento dos fluxos
de um título de renda fixa. Por exemplo, um título que
seja pago metade ao final do ano um e metade é o
final do ano dois; o prazo médio de recebimento dos
fluxos vai ser um ano e meio, 50% no ano um e 50%

W W W. F I N C L A S S .C O M
no ano 2. Fácil, mas qual é o impacto da duration nos
investimentos dos seus títulos? Quanto maior a du-
ration do título, mais o choque de um basis point na
taxa.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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121
O que é um basis point? É 0,01%. Um título cuja taxa
era 5% aumentou um base point, agora é 5,01%.

10 basis point, sobe para 5,10%. Um título de um ano,


que subiu um basis point dá uma variação no pre-
ço de cerca de 0,01%. Em 10 anos um choque de um
basis point causa uma variação no preço de 10 basis
point.

título de 1 ano
SUBIU 1 BASE POINT
VARIAÇÃO NO PREÇO DE:

0,01%

W W W. F I N C L A S S .C O M
título de 10 anos

-X X X-
SUBIU 1 BASE POINT
VARIAÇÃO NO PREÇO DE: CONTEÚDO EXCLUSIVO

0,10%
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122
O título que estava sendo negociado, aquele pré-fixa-
do, a 5 e subiu para 5,01 me deu um prejuízo de 0,01%,
se era um título de um ano. Agora, um título de 10
anos deu um prejuízo de 0,10%.

título prefixado
vencimento de 1 ano

SUBIU DE 5% PARA 5,01%


VNA CAIU DE R$ 952,38 PARA R$ 952,29

PREJUÍZO DE 0,01%

W W W. F I N C L A S S .C O M
título prefixado
vencimento de 10 anos

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VNA CAIU DE R$ 613,91 PARA R$ 613,32
CONTEÚDO EXCLUSIVO

PREJUÍZO DE 0,10%
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123
Quanto maior o vencimento, maior a duration do títu-
lo, mais um choque na taxa causa uma variação no PU
(preço unitário). Porque quanto maior é o vencimen-
to, maior é o efeito de marcação a mercado. Quando
a taxa cai tem que antecipar todo o fluxo super longo,
lá na frente, e levar a valor presente. Vai causar um
aumento ou postecipar uma perda grande do PU.

Por exemplo, vamos supor um título IPCA, se achar


que as taxas de juros vão cair, de repente, as taxas
de juros sobem, terá prejuízo. Se o título for muito
longo terá um prejuízo grande, se o título for curtinho
terá um prejuízo menor. Se não tem muita certeza o

W W W. F I N C L A S S .C O M
que vai acontecer com as taxas de juros de mercado
é melhor se manter no curto prazo, vai correr menos
riscos.

Agora, se você está muito, convicto a respeito de uma

-X X X-
queda de juros, vai para o mais longo possível, porque
daí terá todo o efeito da duration a seu favor, aumen-
tando muito os ganhos com marcação a mercado. CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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124
EXEMPLO DO EFEITO DURATION

Em 2016 os títulos IPCA+ renderam 50%, retorno de


bolsa não é mesmo? Pois é isso aconteceu exatamen-
te porque esses títulos têm uma duration muito gran-
de.

W W W. F I N C L A S S .C O M
-X X X-
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Recapitulando, duration é o prazo médio de recebi-
mento dos fluxos. Como é que isso vai impactar nos
seus investimentos? A duration vai dar o efeito que
terá no PU (preço unitário) do papel, no valor do títu-
lo, dado uma variação de um basis point na taxa.

Dado um choque de um basis point na taxa, o título


de duration um, vai ter um choque equivalente de um
basis point no PU, preço unitário. Se o título tiver uma
duration de cinco anos, um choque de um basis point

W W W. F I N C L A S S .C O M
vai ter uma variação no PU, cinco vezes maior, cinco
basis points 0,05%.

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-X X X-
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126
Capítulo xii

COMO FUNCIONAM
OS COES

127
Agora vamos falar de um assunto polêmico. COEs são
os certificados de operações estruturadas, são ope-
rações estruturadas, empacotadas e vendidas para o
investidor, e ele pode ter o principal garantido, pode
ser exposto a uma estrutura de opções.

O COE ele é uma coisa para o investidor e é uma

W W W. F I N C L A S S .C O M
coisa totalmente diferente para o banco emissor. Para
o banco emissor ele é um produto de renda fixa, fun-
ciona como um CDB, pode pegar o dinheiro que você
investiu no COE e repassar para outras pessoas como
empréstimo. Para o banco, o COE funciona como um

-X X X-
CDB.

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Para o investidor tem uma característica do CDB, tem
o risco de crédito do banco emissor. Ao comprar um
COE do banco X, corre o risco do banco X. Porque se
o banco X quebrar, não vai pagar o seu COE e, apesar
de ser um produto de banco, o COE não tem garantia
do FGC. Então, você realmente está correndo o risco
do banco.

Mas além de você correr o risco do banco, o COE


também é uma aposta, cada COE vai ser totalmente

W W W. F I N C L A S S .C O M
diferente do outro e vai fazer uma pós-específica. Por
exemplo, tem COE que está comprado em dólar, tem
COE vendido em commodities, tem COE em ação da
Bolsa, tem COE que junta as três melhores ações da-
quele pool, enfim, cada COE é diferente e o céu é o

-X X X-
limite!

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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129
Cada COE vai fazer uma aposta totalmente diferente,
então, COE é bom? Depende. Que aposta você está
fazendo? Pode estar fazendo uma excelente aposta,
por exemplo, pode estar apostando em empresas
do setor de agronegócio, durante um super ciclo de
commodities; provavelmente, vai ser legal.

Ou pode estar apostando numa empresa de commo-


dities do super ciclo de commodities durante uma
época de baixo crescimento, crise, aí não vai ser le-
gal. O COE é bom dependendo da aposta que estiver
fazendo.

W W W. F I N C L A S S .C O M
coe

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APOSTA NO AGRONEGÓCIO APOSTA EM EMPRESA DO SUPERCICLO
DURANTE SUPERCICLO DE COMMODITIES DE COMMODITIES DURANTE CRISE
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130
Muitas vezes, os bancos para viabilizar um capital ga-
rantido, usam dentro do COE uma estrutura de op-
ção. Por exemplo, você investe naquele COE, com o
dinheiro que ganharia da rentabilidade do CDI, a di-
ferença eles investem numa estrutura de opções, por
exemplo, call spread, uma trava de alta de dólar. Se o
dólar subir acima de 5% você ganha duas vezes aque-
la rentabilidade.

Tem que analisar a estrutura, porque para viabilizar o


COE, muitas vezes, embutem muitas taxas nas opera-
ções. Grande parte das vezes se você, pessoa física,
fizesse a mesma estrutura de opções ia sair mais ba-
rato, e acaba saindo bem mais caro pelo número de
taxas que embutem no COE.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Existem COEs a que a pessoa física simplesmente não
teria acesso, por exemplo, mercado de commodities é
um mercado super ilíquido, difícil a pessoa física en-
trar. O próprio mercado de câmbio é um mercado de
difícil acesso para pessoa física também; ações ame-

-X X X-
ricanas também não são tão fáceis assim. Os COEs
podem servir para dar acesso a mercados que você,
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como pessoa física, não tem liquidez, não tem acesso
e portanto podem ser uma boa opção. Você precisa
saber:
-X X X-
E-BOOK

131
1. O banco emissor do COE é seguro ou não?
Precisa ser feita uma análise de crédito.

2. A aposta no COE é uma aposta barata?Está


em preços razoáveis para eu fazer? Se sim, en-
tão segue sendo uma boa aposta.

3. É um momento macroeconômico bom fazer


esse tipo de aposta? Por exemplo, acabou de
ter uma eleição e ganhou um governo liberal,
provavelmente o real vai se valorizar, então não
vou comprar dólar via COE, provavelmente vou
perder meu custo de oportunidade, vou receber
meu capital garantido e nada mais, quando eu
poderia estar investindo em outra coisa.

W W W. F I N C L A S S .C O M
Se você juntar um bom momento macroeconômico,
com um bom emissor e um COE com taxas ‘compor-
tadas’, o COE pode ser, sim, um excelente instrumen-
to, você só tem que analisar bem. Lembre-se, COE é
uma aposta. COE é bom? Depende do COE. No que o

-X X X-
COE aposta? Você tem que fazer a análise e entender
se é uma boa coisa ou não. Vai depender!
CONTEÚDO EXCLUSIVO
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132
Capítulo xiii

APLIQUE NA PRÁTICA
O QUE APRENDEU

133
Agora, vou descrever alguns cenários macroeconômi-
cos e você vai me dizer na prática que título de renda
fixa escolheria e por que.

Depois eu vou falar que título de renda fixa eu esco-


lheria e por que, e a gente vê se bate.

O cenário é que em 2012, no meio de uma crise eco-


nômica, com atividade caindo e o Banco Central pre-
ocupado. Imagina que o mercado acha que o Banco
Central deveria cair 200 basis, a taxa SELIC, mas o
Banco Central está muito mais preocupado com a ati-
vidade, com as eleições, com a popularidade do go-
verno e acaba caindo 400 basis points a SELIC; acaba
caindo muito mais a taxa SELIC do que o mercado es-
perava. Qual título de renda fixa você escolheria para

W W W. F I N C L A S S .C O M
esse tipo de cenário?

-X X X-
CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
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134
Eu vou dizer qual eu escolheria. Primeiro um pré-fixa-
do curto, afinal os pré-fixados ganham quando a taxa
de juro do mercado é abaixo, menor do que o merca-
do espera. Como o Banco Central está caindo muito
a taxa Selic, do que o mercado espera, os títulos pré-
-fixados de curto prazo vão ter a sua taxa reestimada
para baixo e vão ter ganhos de marcação a mercado.

Como estou usando curtíssimo prazo, posso usar os

W W W. F I N C L A S S .C O M
pré-fixados do governo ou usar, por exemplo, CDBs,
LCIs e LCAs pré-fixados de um ou dois anos, porque
além do pré-fixado, da taxa pré-fixada do governo,
ainda tem rentabilidade a mais.

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-X X X-
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135
Se você falou que investiria em qualquer título de
longo prazo, vou dizer que não seria uma boa idéia.
Como o mercado está sendo surpreendido com uma
queda muito maior do que ele acha que vai ser, mui-
to provavelmente vai precificar altas muito maiores
no futuro, então as taxas de longo prazo vão subir,
apesar de usar queda na taxa de curto prazo, nas de
longo prazo, nesse caso não seria uma boa idéia.

Além disso, você teria, muito provavelmente, um au-

W W W. F I N C L A S S .C O M
mento da inflação implícita; o mercado, com certeza,
vai precificar que o Banco Central não vai conseguir
controlar inflação. Nesse momento, usar debêntures
de infraestrutura que tem prazos longuíssimos ou
usar títulos IPCA+ 2035, 2050, enfim, de prazos lon-

-X X X-
guíssimos também, não é uma boa idéia.

CONTEÚDO EXCLUSIVO
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136
Tem um segundo cenário para você e esse é bem le-
gal. Imagina que você acorda certo dia e vê em to-
dos os jornais, um áudio do seu presidente com certo
empresário, muito famoso também, discutindo coisas
estranhas, digamos assim, tipo batom na cueca. Ima-
gine que o presidente, no caso, tivesse baixa popula-
ridade, mas fazia muitas reformas liberais, o mercado
gostava muito dele.

Quando saem essas notícias nos jornais, a população


começa a pedir por impeachment; quando pipocam
essas notícias nos jornais, sobre os áudios vazados,
o mercado entra em desespero e a Bolsa cai forte-
mente e os juros sobem fortemente. O que você faria
nessa hora?

W W W. F I N C L A S S .C O M
-X X X-
CONTEÚDO EXCLUSIVO
-X X X-
E-BOOK

137
Vou falar o que eu faria. Esse é o momento de insta-
bilidade do mercado, que provavelmente não muda
nada no fundamento macroeconômico, não muda a
inflação de lugar, não muda a atividade de lugar; é só
fumaça, só euforia do mercado momentâneo. Nessas
horas você pode fazer movimentos mais oportunistas
e aproveitar que o mercado subiu muito as taxas de
juros para apostar contra; nada fundamental mudou.

Por exemplo, um excelente instrumento para um mo-


mento desses é uma ETF, por exemplo a fixa11. Depois
que passar o calor do momento e depois que o presi-

W W W. F I N C L A S S .C O M
dente não sofreu o impeachment, as taxas vão voltar
a cair, afinal a gente está em um governo liberal, você
entra em ETF, e as taxas provavelmente vão cair mais
rápido. Período em que, se tivesse um título público,
pagaria o máximo do imposto de renda, mas estando

-X X X-
em uma ETF, vai pagar sempre o imposto de renda
de 15%.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
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138
Então, pode se aproveitar dessas oscilações repenti-
nas e malucas do mercado para fazer como se fosse
um trade, uma operação mais rápida, mais oportunis-
ta e entrar no mercado para pegar esse prêmio no
curtíssimo prazo.

Essa situação que acabei de escrever, aconteceu, foi o


grande joesley-day. O dia em que os áudios do Joes-
ley Batista com o presidente Temer foram divulgados.
Nesse dia os pré-fixados subiram 200 basis.

W W W. F I N C L A S S .C O M
-X X X-
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FONTE: [Link]
-X X X-
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139
Foi impressionante esse movimento e, uma sema-
na depois, voltaram exatamente para onde estavam.
Quem investiu no pré-fixado de quatro anos, ganhou
em uma semana 6%.

Nesse caso se você investisse em títulos de crédito


privado, não teria a liquidez necessária para sair da
operação. Estaria, muito provavelmente, travado em
um título de quatro ou cinco anos e não iria poder sair
nunca mais! Como essa é uma operação bem oportu-
nista, você tem que entrar e sair rápido. Nessas horas,
as ETFs são muito melhores.

Agora o último cenário, esse você vai acertar! Imagi-


ne que está em um governo totalmente expansionis-
ta, intervencionista, gastador, que o mercado odeia,
a inflação não para de subir, o Banco Central perdeu

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todas as expectativas e desancorou as expectativas,
estamos com altas de preços crescentes, tudo um
caos. Eis que temos um impeachment e o presidente,
que entra, é um presidente totalmente liberal que fala
sobre reformas, o que você faz?

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E-BOOK -X X X- CONTEÚDO EXCLUSIVO -X X X- W W W. F I N C L A S S .C O M
Com uma troca de gestão que pode ser de longuís-
simo prazo, você pode trabalhar com a duration dos
seus títulos e vencimento cada vez maiores, para bus-
car ganhos máximos de marcação a mercado. Você
sabe que como o governo anterior era muito gastão o
mercado pedia mais prêmio, mas agora que o gover-
no liberal vai fazer reformas, o mercado vai reestimar
a trajetória da SELIC para baixo.

Vão ser necessárias menos altas da SELIC para con-


trolar uma mesma inflação, dado uma mesma ativida-
de. Quando o mercado cair a taxa de juro, como um
todo, você vai ter ganho de marcação a mercado. Se

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você for mais longo possível, você, por conta da du-
ration, vai ter ganhos turbinados de marcação a mer-
cado, 50% ou até mais com renda fixa.

Neste caso, eu iria para títulos IPCA+, o mais longo


possível ou então para títulos de crédito privado,

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como debêntures, CRIS – CRAS, um pouquinho mais
longos, também para pegar aquele premiozinho a
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mais, ainda acima dos títulos do governo.
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Se escolheu, para esse momento, títulos de curtíssi-
mo prazo, não são uma boa escolha. Por quê? Quan-
do entra um novo governo, precisa primeiro ganhar
credibilidade, o Banco Central precisa ganhar credibi-
lidade. Como estávamos passando por uma época de
alta da inflação o Banco Central ganha credibilidade
subindo a taxa SELIC, então não faz sentido você se
prefixar no curto prazo.

A nova gestão vai ter que ganhar credibilidade dei-


xando a taxa de juro pelo menos no patamar mais
alto, por mais tempo, então, essa é a hora de ir para o

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longo prazo. Eles vão subir a taxa SELIC, vão contro-
lar inflação, vão fazer reformas no meio do caminho,
de tal forma que a taxa de juro, lá na frente, vai ter
que ser menor, então você vai mais longe possível e
confia que essa gestão vai ter credibilidade.

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COLOCANDO TUDO JUNTO

Lembre-se, na renda fixa temos três tipos de títulos:


pós-fixados, prefixados e indexados à inflação. Cada
um deles se comporta de uma maneira totalmente di-
ferente dado o cenário macroeconômico, além disso,
cada vencimento se comporta de uma maneira total-
mente diferente.

Curto prazo ou longo prazo, você tem que saber qual


é o melhor título para aquele momento e qual ven-
cimento, também. Além disso, você tem três tipos
de emissores: o governo, as empresas e os bancos, e
cada um tem características muito únicas.

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Os títulos do governo têm marcação a mercado e li-
quidez; os títulos dos bancos podem ter liquidez ou
podem não ter liquidez e também não têm marcação
a mercado. Os títulos de empresas têm marcação a
mercado, mas tem baixa liquidez, tem que usar cada

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um desses instrumentos na hora certa, no momento
macroeconômico certo, para ter um bom portfólio de
renda fixa. CONTEÚDO EXCLUSIVO

A chave de tudo em renda fixa é macroeconômica.


Tem que olhar o cenário e ver se você acha que as
taxas podem subir muito mais do que o mercado es-
pera ou muito menos do que o mercado espera.
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Para isso, vai depender da inflação, da atividade, da
política, do mercado internacional enfim, várias coisas
influenciam. Claro, a renda fixa é um instrumento tão
potente quanto a renda variável, depende do cenário
macroeconômico. Tem horas que você quer ter renta-
bilidade mais fixas, por exemplo, no momento de cri-
se. Ou horas em que pode esperar uma queda muito
grande de juros, como uma mudança de regime.

Nesse caso, seria legal usar renda fixa em vez da ren-


da variável, mas em momento de crescimento econô-
mico, super ciclo de commodities, as ações podem
ser um instrumento muito mais interessante.

Você não tem que se limitar a um ou a outro; tem

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que escolher os dois na hora que convém; os dois são
peças que você pode usar a qualquer momento para
atingir o seu objetivo, que é mais retorno na carteira
de investimentos.

E não se esqueça de que renda fixa não é fixa e pode

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ter retornos tão agressivos quanto os do mercado de
ações.
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Meu nome é Marília Fontes e


essa foi a minha FINCLASS
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