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Introdução à Epístola de Tiago

Tiago apresenta uma introdução ao livro de Tiago no Novo Testamento. Discute a autoria, data e destinatários possíveis. O livro parece ter sido escrito por Tiago, irmão de Jesus, para cristãos judeus dispersos fora da Palestina, provavelmente entre 49-62 d.C. O estilo literário reflete sabedoria judaica e ensinamentos de Jesus, enfatizando a fé em ação.

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Introdução à Epístola de Tiago

Tiago apresenta uma introdução ao livro de Tiago no Novo Testamento. Discute a autoria, data e destinatários possíveis. O livro parece ter sido escrito por Tiago, irmão de Jesus, para cristãos judeus dispersos fora da Palestina, provavelmente entre 49-62 d.C. O estilo literário reflete sabedoria judaica e ensinamentos de Jesus, enfatizando a fé em ação.

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INTRODUÇÃO A TIAGO

L DECLARAÇÕES DE ABERTURA
A. Este é o livro favorito de Soren Kierkegaard no Novo Testamento porque ele enfatiza o
cristianismo prático, diário.
B. Este foi o livro menos favorito de Martinho Lutero no Novo Testamento porque parece ele
parece contradizer a ênfase da "justificação pela fé" de Paulo em Romanos e Gãlatas.
C. Este é um gênero muito diferente dos outros livros do Novo Testamento
1. Muito como um livro de Provérbios da nova aliança falado por um profeta ardente
2. Escrito cedo depois da morte de Jesus e ainda muito judaico e prático
II. AUTOR
A. O autor tradicional é Tiago (Hebraico, "Jacó"), o meio-irmão de Jesus (um dos quatro, cf. Mt
13.55; Marcos 6.3; Atos 1.14; 12.17; G1 1.19). Ele foi o líder da igreja de Jerusalém (48-62 A.D.,
cf Atos 15.13-21; G1 2.9).
1. Ele foi chamado "Tiago o Justo" e depois apelidado "joelhos de camelo" porque ele
constantemente orava de joelhos (de Hegesipo, citado por Eusébio).
2. Tiago não era um crente até depois da ressurreição (cf Marcos 3.21; João 7.5; I Co 15.7).
3. Ele estava presente no cenáculo quando o Espírito veio no Pentecostes (cf Atos 1.14).
4. Ele era casado (cf. I Co 9.5).
5. Ele é referido por Paulo como uma coluna (possivelmente um apóstolo, cf G1 1.19) mas
não um dos Doze (cf. G1 2.9; Atos 12.17; 15.13-ss).
6. Em Antiquities of the Jews [Antigüidades dos Judeus], 20.9.1, Josefo diz que ele foi
apedrejado em 62 A.D. pelos saduceus do Sinédrio, enquanto uma outra tradição (os
escritores do segundo século, Clemente de Alexandria ou Hegesipo) diz que ele foi
empurrado da parede do Templo.
7. Por muitas gerações depois da morte de Jesus um parente de Jesus foi nomeado líder da
igreja em Jerusalém.
B. Em Studies in the Epistle of James [Estudos na Epístola de Tiago], A. T. Robertson afirma a
autoria de Tiago:
"Há muitas provas que a epístola foi escrita pelo autor do discurso em Atos 15.13-21 -
similaridades delicadas de pensamento e estilo sutis demais para mera imitação ou cópia. A
mesma semelhança aparece entre a Epístola de Tiago e a carta para Antioquia, provavelmente
escrita também por Tiago (Atos 15.23-29). Há, além disso, aparentes reminiscências do Sermão
do Monte, que Tiago pode ter ouvido pessoalmente ou pelo menos ouviu a essência dele. Há o
mesmo vigor de imagens na epístola que é uma característica tão proeminente do ensino de
Jesus" (p. 2).
A. T. Robertson está aqui seguindo The Epistle of St. James [A Epístola de São Tiago] de J.
B. Mayor, pp. iii-iv.

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C. Há dois outros homens chamados Tiago na lista apostólica do NT. No entanto, Tiago, o irmão de
João, foi morto muito cedo em 44 A.D. por Herodes Agripa I (cf. Atos 12.1,2). O outro Tiago,
"o menor" ou "o mais jovem" (cf. Marcos 15.40), nunca é mencionado fora das listas dos
apóstolos. O autor de nossa epístola era aparentemente bem conhecido.
D. Há três teorias quanto ao relacionamento de Tiago com Jesus:
1. Jerônimo disse que ele era primo de Jesus (de Alfeu e Maria de Clopas). Ele obteve isso da
comparação de Mt 27.56 com João 19.25.
2. A tradição católica romana afirma que era um meio-irmão de um casamento anterior de
José (cf. comentários de Orígenes sobre Mt 13.55 e Epifânio emHeresies [Heresias], 78).
3. Tertuliano (160-220 A.D.), Helvídio (366-384 A.D.) e a maioria dos protestantes afirmam
que ele era um verdadeiro meio irmão de Jesus de José e Maria (cf. Marcos 6.3; I Co 9.5).
4. Opções n 1 e n° 2 foram desenvolvidas para proteger a doutrina católica romana da
u

virgindade perpétua de Maria.

DATA

A. Se a autoria acima é aceita, há duas datas possíveis:


1. Cedo, antes do Concilio de Jerusalém (Atos 15) em 49 A.D. (se essa data é verdadeira
então Tiago é o livro mais antigo do NT a ser circulado)
2. Mais tarde, pouco antes da morte de Tiago em 62 A.D.
B. A primeira data tem a seu favor:
1. O uso de "sinagoga" em 2.2
2. A falta de organização de igreja
3. O uso da palavra "presbítero" em seu sentido judaico em 5.14
4. Nenhuma menção da controvérsia sobre a missão dos gentios (cf. Atos 15)
5. Tiago parece estar escrevendo para uma comunidade crente judaica primitiva longe de
Jerusalém e possivelmente fora da Palestina (cf. 1.1)
C. A última data tem a seu favor:
1. A possível reação de Tiago (cf. 2.14-20) à carta de Paulo aos Romanos (cf. 4.1ss),
tomando uma abordagem contrária para corrigir um uso inapropriado pelos hereges (cf. II
Pe 3.15,16). Se isso é verdadeiro, um bom título para Tiago seria "uma correção no meio
do percurso".
2. O livro aparentemente supõe as doutrinas cristãs básicas por causa da ausência total delas
do livro.

DESTINATÁRIOS

A. A referência "às doze tribos que andam dispersas" (1.1) é nossa dica importante. Também, a
inclusão da carta nas "epístolas católicas" reflete sua natureza encíclica. Obviamente uma igreja
não é tão proeminente quanto um específico embora disperso grupo de indivíduos e estes
parecem ser cristãos judeus fora da Palestina.

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B. Há três possíveis interpretações da frase em 1.1:
1. Judeus - Isto parece improvável por causa do uso recorrente de "irmãos" e a falta das
verdades importantes do evangelho sobre Jesus. Também, depois do Exílio, muitas das
doze tribos originais nunca retornaram. A mesma metáfora é usada simbolicamente dos
crentes em Ap 7.4-8.
2. Cristãos judeus - Isto parece ser o mais provável por causa do tom judaico do livro e a
posição de liderança de Tiago na igreja de Jerusalém.
3. A igreja como Israel espiritual - Isto é possível por causa do uso de "diáspora" em I Pe 1.1
e a alusão de Paulo à igreja (judeus e gentios crentes) como Israel espiritual (cf. Rm
2.28,29; 4.16ss; G1 3.29; 6.16).
V. DESTINATÁRIOS
A. Uma tentativa para aplicar o Novo Pacto especificamente a cristãos judeus do primeiro século
vivendo em cenários pagãos.
B. Alguns acreditam que era judeus ricos perseguindo judeus cristãos. É também possível que os
cristãos primitivos estavam sujeitos ao abuso pagão anti semita. Era obviamente um tempo de
necessidade física e perseguição (cf. 1.2-4, 12; 2.6,7; 5.4-11,13,14).
VI. GÊNERO LITERÁRIO
A. Esta carta/sermão reflete um conhecimento de literatura de sabedoria, tanto canônica (Jó -
Cantares) e inter-bíblica (Eclesiástico aproximadamente 180 a.C.). Sua é a vida prática - fé em
ação (cf. 1.3,4).
B. De algumas maneiras o estilo é muito similar tanto aos mestres da sabedoria judaica quanto aos
mestres itinerantes da moral grega e romana (como os estóicos). Alguns exemplos são:
1. Estrutura frouxa (pulando de um assunto para outro)
2. Muitos imperativos (54 deles)
3. Diatribe (um suposto objetante fazendo perguntas, cf. 2.18; 5.13). Isso também é visto em
Malaquias, Romanos e I João.
C. Embora haja poucas citações diretas do AT (cf. 1.11; 2.8,11,23; 4.6), como o Livro do
Apocalipse, há muitas alusões ao AT.
D. O esboço de Tiago é quase mais longo do que o livro mesmo. Isso reflete a técnica rabínica de
pular de assunto para assunto a fim de manter a atenção do público. Os rabis chamavam-na
"pérolas num cordão".
E. Tiago parece ser uma combinação de gêneros literários do AT: (1) sábio (mestres de sabedoria) e
(2) profetas (muito como Amós e Jeremias). Ele usa verdades do AT mas as lava no Sermão de
Jesus nos ensinamentos do Monte.
VII. CONTEÚDO

A. Tiago usa alusões às palavras de Jesus, encontradas nos Evangelhos Sinóticos, mais do que
qualquer outro livro do NT (i.e. 1.5,6,22; 2.5,8,13; 3.12,18; 4.10,12; 5.12). É ainda possível que
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Tiago contenha algumas citações de Jesus (cf. 1.27; 2.13; 3.18; 4.11,12,17).
B. Tiago é rememorativo do Sermão do Monte

TIAGO SERMÃO DO MONTE


1.2 Mt 5.1-2
1.4 Mt 5.48
1.5 Mt 7.7 (21.26)
1.12 Mt 5.3-11
1.20 Mt 5.22
1.22-25 Mt 7.24-27
2.5 Mt 5.3 25.34
2.8 Mt 5.43; 7.12
2.13 Mt 5.7 (6.14,15; 18.32-35)
3.6 Mt 5.22,29,30
3.12 Mt 7.16
3.18 Mt 5.9; 7.16.17
4.4 Mt 6.24
4.11,12 Mt 7.1
4.13 Mt 6.34
5.2 Mt 6.19,20
5.10,11 Mt 5.12
5.12 Mt 5.34-37

C. É teologia aplicada (fé sem obras e morta). Dos 180 versos, 54 são imperativos.

VIII. CANONIZAÇÃO

A. A inclusão de Tiago foi tardia e difícil.


1. Tiago não estava na lista canônica de Roma aproximadamente 200 A.D. chamado
"Fragmento Muratoriano".
Não estava na lista canônica da África do Norte, 360 A.D., chamada "Lista de
Cheltenham" (também chamada catálogo de Karl Mondem).
Não estava incluída na versão Antiga Latina do NT.
Eusébio a lista como um dos livros mais disputados (Hebreus, Tiago, II Pedro, II e III
150
João, Judas e Apocalipse), Hist. Ecl. 11.23.24 24; III.25.3.
5. Não foi recebida na Igreja Ocidental até o 4 século e não foi documentada na Igreja
o

Oriental até a revisão da tradução Peshita do 5 século.


o

6. Foi rejeitada por Teodoro de Mopsuéstia (397-428 A.D.), o líder da escola antioquina de
interpretação bíblica (ele rejeitou todas as epístolas católicas).
7. Erasmo tinha dúvidas sobre ela, como fez Martinho Lutero, que a chamou "epístola de
palha" porque ele achava que ela contradizia as ênfases de Romanos e Gálatas na
"justificação pela fé".
B. Evidencia da autenticidade de Tiago:
1. Foi aludida nos escritos de Clemente de Roma (96 A.D.) e depois no segundo século por
Inácio, Policarpo, Justino Mártir e Irineu.
2. Foi aludida no escrito cristão não canônico, mas popular, chamado Pastor de Hermas,
escrito aproximadamente 130 A.D.
3. É citada diretamente por Orígenes (185-245) em seu comentário sobre João XIX.23.
4. Em sua Hist. Ecl 11.23, Eusébio a listou entre os "livros disputados", mas acrescentou que
era aceita pela maioria das igrejas.
5. Está incluída na revisão da tradução siríaca de 412 A.D. (chamada Peshita).
6. Orígenes e João de Damasco no Oriente e Jerônimo e Agostinho no Ocidente defenderam
a inclusão deste livro no Cánon. Recebeu seu status canônico oficial nos Concílios de
Hipona, 393 A.D., e Cartago, 397 A.D. e novamente em 419 A.D.
7. Foi aceita por Crisóstomo (345-407 A.D.) e Teodoreto (393-457 A.D.), ambos líderes da
escola antioquina de interpretação de bíblica.

TERMOS E FRASES PARA IDENTIFICAR SUCINTAMENTE

A. "as doze tribos", 1.1


B. Dispersas, 1.1
C. "tende por motivo", 1.2
D. Aprovado, 1.12
E. Coroa da vida, 1.12
F. "não há mudança, nem sombra de variação", 1.17
G. "cumpridores da palavra", 1.22
H. A lei perfeita, 1.25
I. "também os demônios o crêem", 2.19
J. "mais duro juízo", 3.1
K. Inferno, 3.6
L. "jurar pelo céu ou pela terra", 5.12
M. Ungir, 5.14
N. "confessai os vossos pecados uns aos outros", 5.16
PESSOAS PARA IDENTIFICAR SUCINTAMENTE
A. "homem de ânimo dobre", 1.8
B. "o Pai das luzes", 1.17
C. Raabe, 2.25
D. "o Senhor dos Exércitos", 5.4
E. Jó, 5.11
F. Os presbíteros, 5.14
C. Elias, 5.17

LOCAIS DO MAPA PARA LOCALIZAR - NENHUM

. QUESTÕES DE DISCUSSÃO

A. Como 1.2 pode ser verdadeiro?


B. Como a oração é limitada? (1.5-8; 4.1-5)
C. Como 1.9-11 inverte as expectativas do papel cultural?
D. Como 1.13 se compara com Mt 6.13?
E. Como 1.22 é o tema do livro?
F. 2.1-7 está falando sobre um cenário de adoração ou um cenário de corte da igreja? Por quê?
G. A que evento na vida cristã 2.7 está se referindo?
H. Por que 2.10 é uma verdade importante?
I. Por que 2.17 causou tanto conflito na igreja? (cf. 2.20)
J. Como Paulo e Tiago usam Abraão como um exemplo, mas de maneiras diferentes? (2.18-26)
K. Explique o ponto de 3.1 -5 em suas próprias palavras.
L. Descreva a diferença entre a sabedoria mundana e a sabedoria de Deus. (3.15 17)
M. Por que 4.5 é tão difícil para interpretar?
N. Por que 5.1-6 teria surpreendido os crentes judeus?

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