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Contribuições de Jung à Psicanálise

1) Jung desenvolveu sua própria teoria psicanalítica chamada de psicologia analítica, diferente da perspectiva de Freud. 2) Jung acreditava no inconsciente coletivo e nos arquétipos, como formas sem conteúdo presentes no inconsciente. 3) As contribuições de Jung, como a ideia dos complexos e dos sonhos, explicam muito do ser humano e seu inconsciente.

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Contribuições de Jung à Psicanálise

1) Jung desenvolveu sua própria teoria psicanalítica chamada de psicologia analítica, diferente da perspectiva de Freud. 2) Jung acreditava no inconsciente coletivo e nos arquétipos, como formas sem conteúdo presentes no inconsciente. 3) As contribuições de Jung, como a ideia dos complexos e dos sonhos, explicam muito do ser humano e seu inconsciente.

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CONTRIBUIÇÕES DE JUNG PARA A PSICANÁLISE

Thalles Azevedo Ladeira – Módulo XIV

Este módulo visa apresentar algumas das importantes contribuições de Jung para a
psicanálise, assim como nós a conhecemos hoje. Primeiro, cabe destacar que Carl Gustav
Jung nasceu em Kesswyl, na Suiça, em 1875.
Filho de pastor protestante e mãe espírita, Jung cresceu sendo atravessado por um
contexto mítico-religioso, o que assegurou para ele uma leitura de mundo que demandava
uma abertura maior para o universo metafísico, embora tenha se formado em psiquiatria. Se
por um lado, a família de Jung possuía muita estabilidade financeira, chegando o seu pai a
ser prefeito da cidade de Basileia, por outro lado, sua família se configurava como
excêntrica e desequilibrada, tornando a infância de Jung muito difícil, do ponto de vista de
problemáticas familiares, considerando que aos três anos de idade sua mãe foi internada
por um período em um hospital psiquiátrico, sem contar o fato de que no dia a dia, seus
pais dormiam em camas separadas e tinham muitos atritos entre si.
Jung desde a infância sempre se dedicou muito a leitura de autores clássicos, tais
como: Pitágoras, Heráclito, Platão, Shopenhauer, Nietsche, Kant, dentre outros. Com isso,
ele cresceu se consolidando como um grande intelectual, vindo a se formar em medicina
em 1900, aos 24 anos de idade. Em 1902, foi nomeado psiquiatra.
Jung se caracterizou por ter grande empatia pelos pacientes, se considerando como
um intelectual empirista e humanista. Aos poucos, Jung foi se diferenciando da perspectiva
psicanalítica de Freud, se retirando em 1911 da International Psychoanalytic Association,
academia de psicanálise de Freud. Foi a partir daí que ele desenvolveu sua própria teoria e
terapia psicanalítica, que chamou de “psicologia analítica“.
Freud não aceitava o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes
válidas de estudo em si. Enquanto isso, Jung se interessava cada vez mais pelo estudo da
alquimia, publicando em 1946 a obra Psicologia da Alquimia, tendo publicado também,
aos 55 anos, o livro Psicologia da religião.
São específicos à psicologia analítica conceitos muito importantes para os dias
atuais e que são estudados sistematicamente ao redor do mundo, tais como: a ideia dos
arquétipos; complexos; tipos psicológicos; inconsciente pessoal; inconsciente coletivo;
sincronicidade; individuação, dentre muitos outros.
Diferente de Freud, Jung não aceitava a ideia de que as causas dos conflitos
psíquicos sempre envolvessem algum trauma de natureza sexual. Para Jung, a libido é
mais do que uma energia sexual, e ele fala em três princípios que se referem a distribuição
dessa energia: oposição, equivalência e entropia. Não iremos aprofundar nesses conceitos,
nesse momento, a fim de seguir os limites pensados para esse trabalho.
No que se refere a psiquê humana, para Jung ela é composta por três
níveis: consciente, inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.
A ideia de Jung sobre o consciente se aproxima fortemente da estabelecida por
Freud. Para ele, o consciente é formado pelo Ego (eu). O ego, por sua vez, é o centro do
consciente pessoal. Em outras palavras, o consciente é o que eu acho que sei sobre mim
mesmo.
Já o inconsciente pessoal é o acúmulo de experiências da vida de uma pessoa que
não podem ser lembradas conscientemente. Ele é constituído por traços de acontecimentos
ocorridos durante a vida e perdidos pela memória consciente. No inconsciente pessoal
estão as recordações difíceis de serem lembradas pelo consciente. Ainda no consciente
pessoal estão grupos de representações carregadas de forte potencial afetivo, que ele
chama de complexos. Os complexos são compostos por duas partes: A parte externa
composta por conteúdos pessoais reprimidos e o núcleo arquétipo. Sobre isso, iremos
abordar com um pouco mais de profundidade à frente.
Jung fala ainda de um inconsciente coletivo, e é esse também um dos aspectos que
mais diferenciam a sua obra da perpectiva psicanalítica de Freud. O inconsciente coletivo
seria, para Jung, a camada mais produnda do inconsciente. Nele, estão contidos
fundamentos da psiquê comuns a todos os homens, ou seja, uma herança em comum que
transcende todas as diferenças culturais e sociais.
Durante seus experimentos de livre associação, aplicados ao longo de suas terapias,
Jung afirma ter descoberto o conceito de “complexos” . Na teoria de Jung, os complexos
podem ser conscientes, parcialmente conscientes ou inconscientes. Os complexos podem
ser positivos ou negativos, resultando em consequências boas ou ruins. Existem muitos
tipos de complexos, mas o núcleo de qualquer complexo é o que Jung chama de
arquétipos.
Alguns dos principais complexos sobre os quais Jung escreveu foram a anima;
o animus; o complexo mãe; pai; herói e, mais recentemente, irmão e irmã.
A diferença entre os complexos e os arquétipos é que os arquétipos, são, na
verdade, o centro de todo complexo. Isso significa que os complexos são formados a partir
dos arquétipos, que, por sua vez, se faz presente no inconsciente coletivo e funciona como
uma espécie de imã que atrai as experiências significativas de nossas vidas. Dessas
experiências que carregam em si mesmas grandes significados, surgem os complexos.
Os arquétipos podem ser explicadas como formas sem conteúdos, que todo ser
humano nasce com, representando a possibilidade de uma ação. Em outras palavras, os
arquétipos são disposições latentes que cada ser humano possui, de forma muito particular
e subjetiva. Os arquétipos organizam a psiquê humana.
Alguns dos arquétipos mais famosos de Jung são: Persona; Sombra;
Anima/Animus; Self; Grande-mãe e velho sábio.
O arquétipo da persona ilustra a maneira da pessoa se apresentar em sociedade. O
arquétipo sombra refere-se aos nossos conteúdos reprimidos que projetamos em outras
pessoas, de forma individual ou coletiva. O arquétipo anima e animus tem a ver com os
relacionamentos com as pessoas do sexo oposto e com o ideal projeto nessa pessoa que
nós criamos em nossas idealizações. Segundo Jung, a anima representa o feminino que há
dentro de cada homem, enquanto o animus representa o masculino que há dentro de cada
mulher. Já o arquétipo Self representa a unificação do consciente e do inconsciente em
uma pessoa. Assim como o Sol é o centro do Sistema Solar, a função desse arquétipo
consiste na organização e na unificação, pois ele tem a poderosa missão de atrair e
harmonizar os demais arquétipos. O Self tem a capacidade de ser o regulador e o
governante de nossa personalidade. Quando uma pessoa relata estar de bem com a vida e
em paz com o mundo a sua volta, podemos afirmar que o Self está cumprindo o seu papel.
Geralmente, desenvolvemos no nosso Self na meia idade, quando amadurecemos a nossa
individuação. Os arquétipos da grande-mãe e do velho-sábio estão relacionados a
indivíduos que, por alguma razão, se veem como seres com capacidade para guiar,
orientar e/ou influenciar as demais pessoas. O perigo dessa identificação reside no fato do
indivíduo se fechar para novas experiências, justamente por considerar que ele já “conhece
tudo”, ou já sabe o suficiente para cumprir o seu propósito.
A partir de toda essa explanação, fica muito claro para nós como que as
contribuições de Jung são fundamentais para a psicanálise, na medida em que suas teorias
se aplicam na realidade e explicam muito do ser humano e das expressões de seu
inconsciente.
Segundo Jung, as formas de manifestação do inconsciente podem ser por meio de:
mandalas, sonhos, catarse, símbolos, mitologia, artes e sincronicidade.
O que fica claro então, na escola psicanalítica de Jung, são as maneiras com que ele
costura sua teoria psicanalítica de modo a relacionar toda a explicação da psiquê humana
com explicações metafísicas e religiosas. Em toda a sua teoria, podemos ver a sua
preocupação em buscar compreender o biológico e o espiritual cientificamente.
A importância de sua teoria pode ser apreciada ainda no documentário: “O Efeito
Sombra - Debbie Ford”. Nesse documentário fica claro a exploração de um dos
arquétipos mais famosos de Jung, que é o arquétipo sombra. Por meio de uma série de
reflexões, ao longo do vídeo, somos confrontados com nossas pró prias sombras
subjetivas, que geralmente preferimos materializar em outras pessoas, e com isso,
somos convidados a nos tornarmos melhores como seres humanos.
Trata-se de um vídeo sensível, cheio de falas reflexivas, todo desenvolvido
dentro da psicologia analítica de Jung, fazendo menção a uma série de outros
conceitos importantes, como: self, persona, inconsciente coletivo, dentre outros.
De modo geral, o documentário que é derivado do livro “O efeito sombra”
publicado por Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson nos instiga, de
muito muito visceral a acessar a nossa sombra de modo profundo e mais do que isso,
a lançar luz sobre essa sombra, que é de fato tudo aquilo que nós não queremos ser,
mas somos, e com isso, ter a oportunidade de nos conhecermos melhor e nos
aprimorar como seres humanos, para assim alcançarmos uma plenitude maior na vida.

Referência bibliográfica:

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica. Editora Artemed.


Porto Alegre. 2007.

CHOPRA , D. FORD, D. WILLIAMSON, M. O efeito sombra. 1ª Edição. 2010.

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