100% acharam este documento útil (1 voto)
36 visualizações7 páginas

Abuso de Poder na Psicoterapia

O documento discute as relações de poder entre profissionais e clientes em serviços como assistência social e psicoterapia, apontando práticas que podem ser antiéticas ou reforçar a dependência do cliente. Também reflete sobre como fantasias, transferências e a vida fora do trabalho podem influenciar negativamente o processo terapêutico quando não explorados corretamente. Por fim, analisa como diferentes profissões podem exercer poder de forma vertical em vez de buscar uma relação horizontal.

Enviado por

Vinicius Martins
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
36 visualizações7 páginas

Abuso de Poder na Psicoterapia

O documento discute as relações de poder entre profissionais e clientes em serviços como assistência social e psicoterapia, apontando práticas que podem ser antiéticas ou reforçar a dependência do cliente. Também reflete sobre como fantasias, transferências e a vida fora do trabalho podem influenciar negativamente o processo terapêutico quando não explorados corretamente. Por fim, analisa como diferentes profissões podem exercer poder de forma vertical em vez de buscar uma relação horizontal.

Enviado por

Vinicius Martins
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O primeiro capítulo intitulado ‘Serviço Social e Inquisição' contempla as

intervenções promovidas por assistentes sociais, sem levar em consideração a


vontade do cliente. Dessa forma, o profissional atua baseando-se em práticas
morais, afastando-se do conhecimento científico e aproximando-se, em algumas
circunstâncias, de ações antiéticas.

Dentro desse contexto, percebe-se as relações de poder, visto que o


assistente social, supostamente em um nível hierárquico superior, administra a vida
de um terceiro. Conforme apontado no texto, as intervenções podem promover a
criminalização da pobreza, visto que ao identificar um contexto de insalubridade em
função da ausência de recursos financeiros, o profissional pode optar em retirar uma
criança do convívio entre os familiares.

Tratam-se de práticas que contribuem para que as pessoas adotem uma


postura de pacientes, visto que o profissional é considerado um detentor de todo o
conhecimento e, portanto, todos devem agir de acordo com as orientações
mencionadas. No entanto, é necessário refutar a perspectiva abordada, uma vez
que o conhecimento científico (adquirido pelo profissional) é relevante, mas deve
estar articulado com os saberes prévios (vivências dos clientes), pois os dois
conhecimentos se constroem amparando-se um no outro.

O segundo capítulo chamado ‘Psicoterapeuta: charlatão e falso profeta’


aborda a psicoterapia, refletindo sobre a função do psicólogo e as representações
sociais sobre o profissional citado. Dessa forma, caracteriza-se o psicoterapeuta
como uma figura divina, visto que iluminará os pacientes, conscientizando-os acerca
dos fenômenos do cotidiano através de uma espécie de charlatanismo.

Além do exposto, conforme apontado no decorrer do texto, os pacientes


buscam o psicólogo, objetivando obter uma cura divina. No entanto, é imprescindível
que o profissional refute perspectivas baseadas no senso comum, auxiliando para
que o sujeito altere a posição de paciente (relação vertical, onde o psicoterapeuta
deposita o conhecimento) para cliente (uma relação horizontal, onde ambas as
figuras transmitem e, portanto, constroem conhecimentos).

O terceiro capítulo nomeado como ‘O contato inicial entre analista e


analisando’ retrata a interação inicial entre psicoterapeuta e cliente, desde os
motivos que influenciam a busca por um analista até o valor atribuído pela jornada
de trabalho. Sabendo disso, as pessoas procuram o serviço fornecido por psicólogos
para curarem o sofrimento psíquico, compreendendo, em algumas circunstâncias,
que o valor da sessão caracteriza-se como um fenômeno terapêutico.

Em contrapartida, cabe ressaltar que o pagamento não se trata de um


princípio psicoterapêutico, visto que ao priorizar o valor do honorário reforça-se a
lógica elitista e, portanto, capitalista, transmitindo a impressão de que a psicologia é
destinada às classes com recursos financeiros. O serviço ofertado por psicólogos
não deve ser um privilégio, mas, sim, um direito.

Além do exposto, é necessário refletir sobre a relação psicoterapêutica, uma


vez que ao iniciar o processo, em algumas circunstâncias, o profissional exerce a
função de um feiticeiro, enquanto o cliente representa a figura de um aprendiz.
Trata-se de uma simbologia para caracterizar as relações de poder exercidas no
contexto terapêutico.

O quarto capítulo intitulado ‘Relacionamento é fantasia’ propõe um debate


sobre a relação terapêutica, pontuando a possibilidade de conter transferência, isto
é, deslocar sentimentos relacionados às figuras familiares, por exemplo, no analista.
Trata-se de um aspecto negativo, mas é imprescindível que o profissional explore a
transferência, objetivando compreendê-la.

Dentro desse contexto, cabe uma atenção minuciosa na possibilidade do


terapeuta desenvolver uma contratransferência, ou seja, reação interna oriunda da
relação com o analisando. No entanto, engana-se quem acredita que o processo
psicoterapêutico contém somente transferência e contratransferência, visto que as
relações, de modo geral, possuem fantasias.

As fantasias são caracterizadas em função do potencial de vida, isto é,


fenômenos que podem ser experienciados. Além disso, existem as fantasias
negativas designadas pela redução, advinda do terapeuta, do desenvolvimento do
cliente a esfera negativa, pois o analista, nesta circunstância, não prioriza o bem
estar do analisando.

O quinto capítulo ‘A vida extra-analítica do analista e do paciente’ é iniciado


propondo reflexões sobre a estrutura psíquica do profissional, visto que a vida extra-
analítica afeta o desempenho do analista, contribuindo para que haja limitações no
processo. As limitações se referem às fantasias destrutivas do psicólogo,
influenciando para que direcione a atenção somente para aspectos negativos.

O sexto capítulo chamado ‘Sexualidade e análise’ retrata a sexualidade no


contexto analítico, pontuando que existem fantasias sexuais (advindas pelo
terapeuta ou pelo analisando). Dentro desse contexto, existem fantasias que, em
algumas circunstâncias, configuram-se como um mecanismo eficiente para destruir
o terapeuta.

No que se refere à postura do analista, é necessário que recuse qualquer


relacionamento sexual com o cliente e afaste-se de práticas que buscam despertar o
interesse sexual da cliente para mantê-la no contexto terapêutico. No entanto, a
fantasia sexual deve ser explorada enquanto uma temática durante o processo, visto
que trata-se de um conteúdo psíquico que busca comunicar algo ao profissional.

O sétimo capítulo intitulado ‘O medo destrutivo da homossexualidade’ afirma


que a homossexualidade é vista, em alguns contexto, como uma doença, mas trata-
se de uma orientação que reprime a heterossexualidade em função da ausência de
atração. O analista, nesta circunstância, deve afastar-se de perspectivas morais,
buscando explorar as fantasias, mas lembrando que nem todo conteúdo psíquico diz
respeito a homossexualidade.

O oitavo capítulo nomeado como ‘O analista e a lisonja' contempla a


necessidade do terapeuta em ser firme, em algumas circunstâncias, abordando
temáticas complexas. No entanto, é importante distinguir informações que devem
ser contempladas em função da importância no contexto terapêutico versus
fenômenos que são abordados para reforçar o poder do analista, contribuindo para
que ocorra uma espécie de tortura. O psicoterapeuta, portanto, deve propor
reflexões sobre o lado genuíno do cliente.

O nono capítulo ‘O abuso da busca de sentido’ retrata a relação entre ego


(valores existentes no mundo) e si-mesmo (alma), a qual realiza exigências ao ego
para obter prazer. No que se refere ao prazer, é possível que, em determinados
momentos, o terapeuta comporte-se como um charlatão, isto é, um sujeito que prevê
o futuro, incluindo as informações que o cliente mencionará. Trata-se de uma prática
inadequada.

O décimo capítulo chamado ‘O médico todo poderoso e o paciente pueril’


caracteriza o poder atribuído ao médico. No entanto, trata-se de um poder
relacionado às estruturas psicológicas ao invés do conhecimento científico, visto que
os pacientes internados possuem uma postura passiva, transformando-se em uma
espécie de crianças indefesas, as quais são auxiliadas pela figura poderosa
retratada pelo médico.

O décimo primeiro capítulo ‘O arquétipo de “terapeuta-paciente” e o poder’


propõe reflexões sobre a importância de uma relação terapêutica adequada, visto
que é fundamental para o benefício do processo. Em contrapartida, existem
profissionais que transformam o outro em um objetos, objetivando manipulá-los e
aproximar-se de uma autodeificação, isto é, representar uma figura divina,
idolatrando a si mesmo.

O décimo primeiro capítulo nomeado como ‘A cisão do arquétipo’ caracteriza


o arquétipo como a polaridade de uma relação (por ex: o médico, ao mesmo tempo
que é medico, é paciente). No entanto, no processo terapêutico não há um arquétipo
especial, visto que o profissional caracteriza-se como o detentor do poder em curar o
cliente, impedindo a possibilidade do paciente em buscar, de modo simultâneo ao
serviço ofertado, cura interna.

O décimo segundo capítulo intitulado ‘O fechamento da cisão por meio do


poder’ descreve a possibilidade do médico em transformar o paciente em um objeto
para manipulá-lo, reforçando o poder existente na relação. Trata-se de um manejo
que torna o paciente dependente e o profissional não leva em consideração a
possibilidade de cura. No entanto, o poder não é completamente negativo, o
arquétipo é manifestado de diferentes formas no médico.

O décimo terceiro capítulo ‘Médico, psicoterapeuta, assistente social e


professor’ retrata a forma como poder se manifesta nas diferentes profissões,
contribuindo para que haja uma relação vertical. Os professores, por exemplo,
enxergam na criança o Outro que não querem ser, afastando-se da possibilidade de
despertar a vontade de aprender, os professores reforçam a lógica de doutrinação e
do poder exercido através das profissões.

O décimo quarto capítulo nomeado como ‘A sombra, destrutividade e o mal’


interpreta que os jovens possuem comportamentos destrutivos em função do prazer
em realizá-los. No entanto, a corrente teórica marxista afirma que as ações
destrutivas ocorrem devido às diferenças de classes, sendo a educação não-
autoritária um mecanismo para evitar a destrutividade. Cabe ressaltar que o homem
é alienado e, portanto, a destrutividade é um sintoma da frustração, tratando-se de
um impeditivo para o desenvolvimento das relações humanas.

Além do exposto, existem três tipos de sombras. A primeira se refere à


sombra pessoal caracterizada por conteúdos inconscientes e, portanto, inofensivas,
visto que não são lembradas. A sombra coletiva diz respeito ao que não é aceitável,
baseando-se em termos morais e éticos, no contexto sóciopolítico em que o sujeito
está inserido. A sombra arquetípica contempla as duas sombras mencionadas
anteriormente, fornecendo energia.

Dessa forma, para se desenvolver é necessário entrar em contato com a


sombra arquetípica, as quais devem ser controladas através do ego. Além do
exposto, as fantasias destrutivas são conteúdos importantes no processo, visto que
representam sentimentos e, em algumas circunstâncias, as pessoas projetam-nas
em determinadas figuras. Cabe ressaltar que o mal transita-se em diferentes
estágios do desenvolvimento somente quando há alterações psicológicas no sujeito.

O décimo quinto capítulo nomeado como ‘Estará a análise condenada ao


fracasso?’ retrata que quanto mais o sujeito busca ser consciente, mais o lado
inconsciente se manifestará. Dessa forma, é necessário que o analista conheça o
escopo da psicologia para identificar conteúdos neuróticos, reconhecendo que a
teoria de que irá conscientizar o cliente trata-se de uma lógica baseada no poder
existente na relação.

O décimo sexto capítulo intitulado ‘Análise não adianta’ contempla o


desenvolvimento do repertório profissional, visto que a supervisão trata-se de um
fenômeno complexo, pois nem todos os analistas falarão exatamente o que
aconteceu, enquanto o supervisor pode se equivocar a respeito das orientações. Em
algumas circunstâncias, ao ter um supervisor mais experiente, é possível que o
psicoterapeuta se torne um estudante. É necessário que o terapeuta busque ajuda
fora do contexto analítico.

O décimo sétimo capítulo ‘Erros’ afirma que a amizade pode ser uma
estratégia eficiente para o desenvolvimento adequado do processo analítico, visto
que permite experienciar a relação, afastando-se do poder exercido pelo profissional
e aproximando-se de uma relação horizontal entre analista e analisando.

No entanto, a reflexão mencionada não implica em desenvolver uma relação


de amigo, onde o terapeuta fornece conselhos, por exemplo. A amizade é utilizada
como uma metáfora sobre uma uma relação horizontal, visto que as pessoas
envolvidas auxiliam na construção do processo, viabilizando para que não haja
disputas de exercer poder sobre o outro.

O décimo oitavo capítulo chamado ‘Individuação’ refere-se que o processo


analítico possui dois objetivos: a cura e a individuação. A individuação caracteriza-se
como a busca por um ouro, ou seja, entrar em contato consigo mesmo. Dessa
forma, a análise é um meio para se promover a individuação, contemplando
diferentes fases diferentes fases do desenvolvimento.

O décimo nono capítulo ‘O psicoterapeuta impotente’ retrata que a


individuação pode ocorrer em qualquer contexto. Além do exposto, o terapeuta não
deve usar somente técnicas, mas a personalidade trata-se de um mecanismo que
exerce efeito sobre o processo. O analista não consegue auxiliar o cliente a avançar
mais longe do que chegou.

Levando em consideração a personalidade do terapeuta, torna-se presumível


refletir que um cliente extrovertido prefira um profissional extrovertido, mas não se
trata de uma regra. Em contrapartida, não significa que o terapeuta contextualize
somente uma face do cliente (o bom humor, nesta circunstância), visto que o
profissional deve impor limites, reconhecendo quando e onde a própria
personalidade pode ser utilizada de forma benéfica no processo.

O vigésimo e último capítulo intitulado ‘Eros de novo’ contempla que a


amizade auxilia para que o sujeito se aproxime da própria sombra profissional,
possibilitando que haja uma constelação dos problemas. Além disso, é necessário
discutir sobre as barraqueiras que os profissionais criam.

Você também pode gostar