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Contabilidade e Tributação na Atividade Rural

1. O documento discute a atividade rural na contabilidade e tributação no Brasil, abordando os seguintes tópicos: a definição de atividade rural no Código Civil, o tratamento tributário para pessoas físicas e jurídicas, e os tipos de associação na exploração da atividade rural. 2. Para pessoas físicas, a atividade rural deve ser tratada como uma entidade contábil separada para fins tributários, embora nem sempre seja fácil separar os gastos da atividade dos gastos pessoais.
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Contabilidade e Tributação na Atividade Rural

1. O documento discute a atividade rural na contabilidade e tributação no Brasil, abordando os seguintes tópicos: a definição de atividade rural no Código Civil, o tratamento tributário para pessoas físicas e jurídicas, e os tipos de associação na exploração da atividade rural. 2. Para pessoas físicas, a atividade rural deve ser tratada como uma entidade contábil separada para fins tributários, embora nem sempre seja fácil separar os gastos da atividade dos gastos pessoais.
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ATIVIDADE RURAL

CONTABILIDADE E
TRIBUTAÇÃO
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

SUMÁRIO

PAG.

1 – ATIVIDADE RURAL NO CÓDIGO CIVIL ------------------------------------------------- 03

2 – ATIVIDADE RURAL NO SISTEMA TRIBUTÁRIO --------------------------------------- 04

3 – TIPO DE ASSOCIAÇÃO NA EXPLORAÇÃO ATIVIDADE RURAL----------------------- 06

4 – ATIVIDADE RURAL – PESSOAS FÍSICAS ----------------------------------------------- 09

5 – INSS PRODUTOR PF ----------------------------------------------------------------------- 20

6 – ATIVIDADE RURAL – PESSOAS JURÍDICAS -------------------------------------------- 23

7 – TRATAMENTO TRIBUTÁRIO IRPJ E CSLL ---------------------------------------------- 39

8 – PIS E COFINS NA ATIVIDADE RURAL -------------------------------------------------- 44

9 – INSS PRODUTOR PJ ----------------------------------------------------------------------- 47

Material Elaborado por:


EVARLEY DOS SANTOS PEREIRA - Sócio-Diretor da Trainee Assessoria,
Consultor Jurídico Tributário, Contador Tributarista, Auditor, Perito
Judicial, Mestrando Internacional em Auditoria e Gestão Empresarial, Pós
Graduado em Planejamento Tributário, Gestão Tributária, Auditoria
Tributária e Docência Superior, Ex-Gerente de Filial e da Consultoria
COAD-MG, Instrutor de Cursos e Palestras de Conselhos Regionais de
Contabilidade, SENAI, SENAC, FIEMG, SEBRAE, SINDUSCON, SESCOOP,
AMIS, CMI, Sindicato de Contabilistas em MG, Escola de Lideres FIEMG,
Revistas LegisWeb, Objetiva (GO), Econet, Verbanet, Informare e COAD,
Autor de inúmeros artigos e trabalhos.
[Link]
trainee@[Link]
Versão 01.21
Reprodução deste material fica permitida desde que a fonte seja citada

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

1 - ATIVIDADE RURAL NO CÓDIGO CIVIL

O Código Civil de 2002, apresenta no artigo 966 a definição de empresário. Empresário é a pessoa que
explora atividade econômica organizada para a produção e circulação de bens e serviços. Tal pessoa
pode ser física ou jurídica. Neste caso, é mister não confundir empresário individual (pessoa física) com
sócios de sociedade empresária. Aquele explora pessoalmente a atividade econômica enquanto que
sócio é integrante da sociedade empresária (pessoa jurídica).

O empresário rural é o que exerce atividade agrária seja ela agrícola, pecuniária, agro-industrial ou
extrativa, procurando conjugar, de forma racional, organizada e econômica, segundo os padrões
estabelecidos pelo governo e fixados legalmente, os fatores terra, trabalho e capital.

Pelo art. 970 do NCC, dispõe que o empresário rural “terá tratamento favorecido, diferenciado e
simplificado no exercício da atividade”, quanto a inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

No art. 971 consta que o empresário que tiver sua principal profissão a atividade rural poderá para gerir
essa atividade, solicitar a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis como os demais
empresários. Caso contrario, poderá continuar na condição de produtor rural, sem inscrição na Junta
Comercial, devendo manter a inscrição na Secretaria da Fazenda de seu Estado para obter talão de
notas fiscais de produtor rural.

De maneira geral, conforme o novo Código Civil, o empresário, cuja atividade rural constitua sua principal
profissão, pode exercer esta atividade nas seguintes formas jurídicas:
Autônomo, sem registro na Junta Comercial, permanecendo apenas com a inscrição de produtor;
Empresário individual, quando inscrito na Junta Comercial (é optativo);
Sociedade empresária, inscrita na Junta Comercial (na forma de sociedade limitada, sociedade
anônima etc.).

Essa atividade rural, no Brasil, é explorada, majoritariamente, em dois tipos: agroindústria e agricultura
familiar. A primeira emprega tecnologia avançada, mão de obra assalariada (permanente e temporária);
há especialização de culturas em latifúndios. Neste tipo, normalmente, uma sociedade explora a
atividade própria de empresário rural. A Segunda não emprega tecnologia, a mão de obra é familiar e
são relativamente mais diversificadas as culturas e menores as áreas de cultivo; aqui se tem a figura do
empresário rural individual. Em vista destas características da agricultura brasileira, o Código Civil de
2002 reservou para o empresário rural, seja pessoa física ou jurídica, um tratamento específico (arts. 971
e 984), que será analisado no último tópico do presente trabalho.

Os empresários estão sujeitos, em termos gerais, às seguintes obrigações:


a) Registrar-se na Junta Comercial antes de dar início à exploração de sua atividade;
b) Manter a escrituração regular de seus negócios;
c) Levantar demonstrações periódicas.

Essas obrigações, consideradas de natureza formal, se descumpridas, geram conseqüências sérias,


inclusive na área penal. O rigor vem do fato de que não interessa somente ao próprio empresário estar a
par da atividade econômica desenvolvida, mas também aos credores e parceiros, à receita e, em certa
medida, à própria comunidade. O empresário que falta nessas obrigações, conhecido como empresário
irregular, deixa simplesmente de desenvolver negócios com empresários regulares, contrair empréstimos
bancários, vender para a Administração Pública etc. Sua empresa, em suma, será informal, clandestina e
devedora de impostos.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Como visto, o Código Civil impõem aos empresário em geral três obrigações: a de se registrar na Junta
Comercial, antes de dar início a exploração de suas atividades; a de manter escrituração regular de seus
negócios; e, finalmente, a de levantar balanços anuais, patrimoniais e de resultado.

O empresário, cuja atividade agrícola constitua sua principal profissão, está dispensado de requerer
inscrição no registro de empresas, mas pode fazê-lo. Caso optar por se registrar na Junta Comercial, será
considerado juridicamente empresário, ficando submetido às exigências descritas acima e às sanções de
irregularidade no cumprimento das obrigações gerais.

Se o empresário rural não optar por sua inscrição no registro da empresas, não se considera
juridicamente empresário e suas ações serão do regime de direito civil (claro, se a atividade for
desenvolvida em sociedade, seus atos constitutivos deverão ser levados ao Registro Civil de Pessoas
Jurídicas). Pode-se dizer, portanto, que para uma sociedade rural exercente de agronegócios é mais
vantajoso usufruir dessa faculdade de se registrar, opção oferecida pelo direito empresarial, enquanto
que o regime de direito civil seria apropriado aos titulares de negócios rurais familiares – empresário rural
individual.

2 - ATIVIDADE RURAL NO SISTEMA TRIBUTÁRIO

2.1 - PESSOA FÍSICA

No Brasil, a agropecuária pode ser explorada pela pessoa física sem a constituição de pessoa jurídica.
Pelo princípio em estudo, constata-se que a pessoa física, no que tange à sua atividade agropecuária,
deverá ser tratada como uma entidade contábil, dada a importância dos relatórios individualizados
decorrentes dessa atividade.

A Receita Federal disponibilizou um software (programa) para a pessoa física que exerce atividade rural,
denominado "Livro Caixa da Atividade Rural", abrangendo receitas, despesas de custeio, investimentos
e demais valores que integram a atividade rural do declarante, possibilitando a integração com a
Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física. Esse programa é específico para a Receita Federal
e não possibilita a emissão de relatórios gerenciais.

Para efeito de Imposto de Renda, haverá necessidade de controle individualizado (separado) da


atividade agropecuária em relação a outras atividades ou outros rendimentos que a pessoa física possa
ter. Assim, o negócio deve ser tratado como uma firma, pois o fazendeiro tem outros interesses, alguns
dos quais não econômico (social, político etc.); que nada tem que ver com o objetivo do negócio, que é o
lucro máximo nas operações.

Todavia, nem sempre é tarefa fácil separar o que compete à atividade do que diz respeito às contas
particulares da pessoa física. Por exemplo, separar consumo de água, luz, telefone etc. da atividade
agropecuária e da pessoa física e sua família; considerar o trabalho da família do proprietário, que quase
sempre não é remunerado, como custo do negócio agropecuário etc.

Normalmente, o proprietário e sua família utilizam-se dos bens do negócio agropecuário, como a casa
onde reside a família (dentro da propriedade agropecuária), os veículos, que muitas vezes são utilizados
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

para locomoção da família, o gado, que é abatido e consumido pela família do proprietário etc.

Dada à dificuldade de separar essas séries de eventos e considerando que nem sempre o benefício
decorrente da separação é maior que o seu custo monetário, o Princípio da Entidade Contábil nem
sempre é integralmente colocado em prática nesse setor de atividade.

2.2. PESSOA JURÍDICA

Considerando a pessoa jurídica em virtude das necessidades organizacionais, da prestação de contas


aos sócios ou acionistas, da importância dos relatórios contábeis para diversos usuários - em alguns
casos existe Auditoria - e considerando o volume de negócio (normalmente, maior que o das pessoas
físicas), há um cuidado maior em exercitar o Princípio da Entidade Contábil.

No que concerne às pessoas físicas, comparam-se a legislação do Imposto de Renda e o princípio em


estudo sob dois aspectos; por um lado, há perfeito entrosamento e, por outro, total desarmonia.

Em primeiro lugar, destacam-se as formas de apuração de rendimento na agropecuária, que,


dependendo da receita bruta do negócio, poderão ser: simplificada (escrituração rudimentar ou
simplificada nos moldes do livro caixa) ou contábil (escrituração regular em livros contábeis e
fiscais, podendo manter o livro caixa). Quanto maior for a receita bruta, mais completa será a
escrituração, até atingir a forma contábil.

A receita bruta mensal e as despesas de custeio e investimento apurados em qualquer das três
formas já indicadas serão transcritas na Declaração de Rendimentos - Pessoas Físicas, no
Demonstrativo da Atividade Rural, onde se apurará o rendimento líquido tributável oriundo da
atividade agropecuária. Essa apuração na declaração não é individualizada por imóvel, quando o
proprietário tiver mais de uma propriedade.

Portanto, no que tange à apuração de rendimentos, há identificação entre os preceitos de legislação


do Imposto de Renda e os do Princípio da Entidade Contábil, qual seja: a individualização de
apuração do resultado do negócio agropecuário independente, de forma separada de outros
rendimentos.

Em segundo lugar, destacam-se os registros dos itens patrimoniais competentes ao negócio


agropecuário como os valores de terra nua que deverão constar, conforme disposição do Imposto
de Renda, da declaração de bens e de dívidas da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física,
em conjunto com outros bens do proprietário.

Dessa forma, os valores correspondentes a terra nua passam a fazer parte do patrimônio particular
do proprietário, e não da entidade.

Dever-se-ia fazer um controle paralelo do patrimônio da entidade (isto normalmente ocorre quando
a pessoa estiver obrigada a utilizar a forma de escrituração contábil). Todavia, Inexistindo a
obrigatoriedade fiscal, dificilmente isso vai ocorrer. Ressalte-se que, para outras atividades, muitas
vezes com volume de negócio menor que o de muitas agropecuárias, tais como empresas
individuais, bares, bancas de jornal, um pequeno consultório etc., o patrimônio dos proprietários é
destacado, por força legal, do da entidade.

Para efeito do princípio em estudo, portanto, o proprietário dispõe parcial ou totalmente dos seus
bens para operar no negócio agropecuário, formando um ativo para a entidade. Esse ativo,
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

enquanto o negócio mantiver continuidade, será controlado como patrimônio da entidade.

Só assim se poderá melhor atingir alguns objetivos da Contabilidade, tais como determinar o valor
do negócio, determinar a rentabilidade do negócio em certo período, prover o fazendeiro de
informações que o auxiliarão nas tomadas de decisões etc.

3 – TIPOS DE ASSOCIAÇÃO NA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE


RURAL

Nas explorações agropecuárias, encontram-se dois tipos de investimentos:


Capital fundiário: terra, edifícios e edificações rurais, benfeitorias e melhoramentos na terra,
cultura permanente, pastos etc. São todos os recursos fixos, vinculados à terra, e dela não
retiráveis. O capital fundiário, na agropecuária, representa aquilo que nas indústrias
transformadoras corresponde aos edifícios e seus anexos; e
Capital de exercício (capital operacional, ou capital industrial, ou capital de trabalho): gado para
reprodução, animais de trabalho, equipamentos, trator etc. É o instrumental necessário para o
funcionamento do negócio. Esse capital pode ser permanente (não se destina à venda; é de
vida útil longa) ou de giro (recursos financeiros e valores que serão transformados em dinheiro
ou consumidos a curto prazo).

Observam-se também duas personalidades economicamente distintas nas associações dos capitais
fundiário e de exercício na atividade agropecuária.
O proprietário da terra, que participa no negócio com o capital fundiário;
O empresário, que participa com o capital de exercício, explorando o negócio agropecuário
independente de ser ou não proprietário da terra.

A partir das combinações dessas duas personalidades, observam-se, além das sociedades comerciais,
as formas de associação nas explorações agropecuárias enumeradas a seguir.

3.1 - EMPRESÁRIO AGROPECUÁRIO COM A PROPRIEDADE DA TERRA

Nesse caso, somam-se os capitais fundiário e de exercício, isto é, o proprietário da terra também a
utiliza, na condução do negócio agropecuário. O proprietário investe em capital de exercício e administra
seus negócios.

Nessa circunstância, a entidade contábil é o negócio agropecuário, incluindo os capitais fundiário e de


exercício. Portanto, a contabilidade fará os registros contábeis para o proprietário, destacando-se a
entidade como pessoa distinta da pessoa do proprietário. Assim, o Ativo, o Passivo e o Patrimônio
Líquido são da entidade. O proprietário terá retirada pró-labore pelo seu trabalho (se houver), bem como
retirada total ou parcial nos lucros. A retirada parcial dos lucros implicará reinvestimentos da parte não
retirada e, consequentemente, aumento no Patrimônio Líquido da entidade.

Conclui-se, então, que o Patrimônio Líquido pertence à entidade (Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido) e
não ao proprietário ou aos investidores, salvo a parcela destacada como distribuível, que poderá ser,
como já se viu, até lucro total.
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

3.2 - PARCERIA

Quando o proprietário da terra concorre no negócio com capital fundiário e o capital do exercício,
associando-se a terceiro(s) em forma de parceria (à meia, à terça parte etc.), há uma união (de direito ou
de fato) semelhante à sociedade de capital e indústria.

Nesse tipo de associação (capital e indústria), há duas espécies de sócios:


Capitalista (proprietário): entra com o capital e, geralmente, com a gerência do negócio;
De trabalho (parceiro): entra com a execução do trabalho.

Quando se trata de uma associação (regular ou irregular) que envolve uma única gleba, a contabilidade,
como no caso anterior, fará os registros contábeis da entidade (o conjunto Ativo, Passivo e Patrimônio
Líquido), reportando-se ao proprietário e ao parceiro.

Para apuração do resultado do exercício, serão debitadas, além das despesas comuns, despesas como:
depreciação dos bens do proprietário, aplicados no negócio, à disposição e utilizáveis na atividade; pró-
labore do sócio de trabalho e do sócio capitalista (se este trabalhar como administrador ou técnico) etc.
O resultado, se positivo, será distribuído, total ou parcialmente, aos sócios, na proporção combinada no
contrato.

Nesse tipo de associação, é relevante ressaltar que todo o Ativo da entidade emana exclusivamente do
proprietário; no encerramento da sociedade, o Ativo continuará de posse do proprietário, salvo itens
gerados na parceria, como estoque, investimentos realizados em comum acordo, criação etc. (neste
caso, haverá a partilha).

A não retirada dos lucros por parte do proprietário significa acréscimo ao Patrimônio Líquido
(normalmente, o sócio de trabalho retira toda a sua parte nos lucros). O Patrimônio Líquido também será
acrescido se o proprietário adquirir novos bens permanentes, ou realizar novas benfeitorias ativáveis.
Todavia, nessa situação, os recursos utilizados não serão do caixa da sociedade, mas
do sócio capitalista.

Podem-se encontrar ainda situações, embora pouco comuns, em que o colono (sócio de trabalho-
parceiro) contribui com algum capital de exercício. Nesse caso, o Patrimônio Líquido destacará a parte
do proprietário e a parte do colono. Não significa que se está aceitando a Teoria do Proprietário (em
oposição à Teoria da Entidade), mas um controle no Patrimônio Líquido, para facilitar o reembolso dos
bens aos respectivos sócios, no encerramento da sociedade.

Embora muitos agropecuaristas que trabalham com o sistema de parceria prefiram adotar
contabilidade em regime de Caixa para, no final do exercício, distribuir objetivamente o lucro
financeiro, e também por ser mais simples, esse sistema já não é indicado; isso porque, além de
não considerar despesas não desembolsáveis, como Depreciação, também não registra o fluxo de
bens e de benfeitorias que o proprietário canaliza diretamente para a atividade (fluxo não
monetário), não avaliando, dessa forma, as variações do Patrimônio Líquido.

A receita proveniente da parceria é considerada como da atividade rural para efeito de Imposto de
Renda.

3.3 - ARRENDAMENTO

Quando o proprietário da terra aluga o seu capital fundiário (dificilmente aluga o capital de
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

exercício) por determinado período a um empresário, há o que se chama Sistema de


Arrendamento. O arrendador recebe do arrendatário uma retribuição certa, que é o aluguel.

Nesse caso, a contabilidade vai reportar-se ao arrendatário, relatando os registros decorrentes da


atividade agropecuária. Na Demonstração do Resultado do Exercício, estará discriminado como
despesa o aluguel devido ao locador. Não haverá para a entidade, obviamente, a Despesa de
Depreciação relativa ao capital fundiário, uma vez que se subentende que o proprietário, na
importância paga como aluguel, está-se ressarcindo daquela despesa.

A receita proveniente do arrendamento não é considerada como da atividade rural para efeito de
Imposto de Renda, devendo este ser recolhido por meio do Documento de Arrecadação de
Receitas Federais (Darf).

3.4 - COMODATO

Nesse caso, o Proprietário cede seu capital sem nada receber do comodatário.
A contabilidade irá, portanto, reportar-se ao comodatário.

3.5 - CONDOMÍNIO

É a propriedade em comum, ou a co-propriedade, em que os condôminos


proprietários compartilham dos riscos dos resultados, da mesma forma que a parceria, na
proporção da parte que lhes cabe no condomínio.

3.6 - LATIFÚNDIO

Os latifúndios são extensas propriedades rurais onde existe uma grande proporção de terras cultivadas
ou não e são exploradas com tecnologia obsoleta e de baixa produtividade com mão-de-obra de baixo
custo.

3.7 - MINIFÚNDIO

O minifúndio é a propriedade fundiária de dimensão mínima, em função de vários fatores: a situação


regional, a destinação econômica e a produtividade.

Não se pode confundir pequenas propriedades com produção pequena. Com técnicas avançadas, alguns
minifundiários auferem bons lucros ao aproveitar ao máximo o espaço resumido, através do plantio de
hortaliças, apicultura, criação de aves, piscicultura, fruticultura e qualquer atividade que dependa de
pouco espaço e muita mão-de-obra.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

4 – ATIVIDADE RURAL – PESSOAS FÍSICAS

O resultado da exploração da atividade rural exercida pela pessoa física é apurado mediante a
escrituração do livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas, os investimentos e demais valores que
integram a atividade.

A escrituração e a apuração devem ser feitas em destaque, por contribuinte, pelo valor global das
receitas auferidas das unidades rurais exploradas individualmente, em conjunto ou em comunhão em
decorrência do regime de casamento.

Quando a receita bruta total auferida no ano-calendário não exceder a R$ 56.000,00 é facultada a
apuração mediante prova documental, dispensada a escrituração do livro Caixa, encontrando-se o
resultado pela diferença entre o total das receitas e o das despesas/investimentos.

É permitida à pessoa física apurar o resultado pela forma contábil. Nesse caso, deve efetuar os
lançamentos em livros próprios de contabilidade, necessários para cada tipo de atividade (Diário, Caixa,
Razão etc.), de acordo com as normas contábeis, comerciais e fiscais pertinentes a cada um dos livros
de registro utilizados.

Ressalte-se que somente deve ser escriturada a parte da receita, da despesa de custeio e dos
investimentos, correspondente ao produtor rural na unidade rural explorada.

A SRF disponibiliza o programa aplicativo livro Caixa da Atividade Rural para imóveis rurais localizados
no Brasil, o qual permite a escrituração pelo sistema de processamento eletrônico no endereço
<[Link]

Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural devem apurar o


resultado nas formas previstas na legislação correspondente, separadamente, na proporção dos
rendimentos e despesas que couberem a cada um, observada a comprovação dessas condições
mediante escritura ou contrato por escrito. O resultado da atividade rural produzido em bens comuns ao
casal, em decorrência do regime de casamento, deve ser apurado e tributado pelos cônjuges
relativamente à sua parte. Opcionalmente, esse resultado pode ser tributado pelo total na declaração de
um dos cônjuges, junto com a totalidade dos demais rendimentos comuns.

O resultado obtido por um dos cônjuges na condição de arrendatário, condômino ou parceiro, quando a
unidade rural não pertencer ao casal, deve ser apurado e tributado integralmente pelo titular dessa
atividade, salvo no caso de opção pela declaração em conjunto.

4.1 – CONCEITO E RECEITAS

Serão considerados como receitas da atividade rural das pessoas físicas e declarados como os
rendimentos recebidos individualmente, em parceria rural ou em condomínio, relativamente à exploração
das seguintes atividades:
• Criação, recriação ou engorda de animais de qualquer espécie;
• Cultura do solo, seja qual for a natureza do produto cultivado;
• Apicultura, avicultura, cunicultura, piscicultura, sericicultura, suinocultura ou quaisquer outras
culturas animais, inclusive da captura e venda in natura do pescado;
• Extração e exploração animal e vegetal;
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

• Transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as


características do produto in natura (exemplo: transformar grãos em farinha ou farelo;
pasteurização e o acondicionamento do leite de produção própria, transformação do leite em
queijo, manteiga ou requeijão; produção de suco de laranja acondicionado em embalagem de
apresentação; frutas em doces etc.), quando feita pelo próprio agricultor ou criador e seus
familiares e empregados, dentro do imóvel rural, com equipamentos e utensílios usualmente
empregados nas atividades agropastoris, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na
propriedade agrícola ou pastoril explorada.

Se a transformação dos produtos não for feita nas condições referidas no item acima, a pessoa física
será considerada empresa individual equiparada à pessoa jurídica, sendo os rendimentos
descaracterizados como atividade rural e tributados como de pessoa jurídica.

O contribuinte somente pode considerar como receita da atividade rural a venda de produtos e
subprodutos dela decorrentes. Não são consideradas como receita da atividade rural as provenientes do
aluguel ou arrendamento de imóvel rural, pastos ou máquinas e instrumentos agrícolas, e da prestação
de serviços de transporte de produtos de terceiros, as quais devem ser incluídas com os demais
rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos da pessoa física.

Alevinos e Embriões de Rebanho


É considerado atividade rural a produção de alevinos e embriões de rebanho, independentemente de
sua destinação: reprodução ou comercialização.

Gado Bovino
Não se caracterizam como atividade rural a compra e venda de rebanho bovino com permanência em
poder do contribuinte em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento, ou 138 dias nos
demais casos. O tratamento tributário neste caso seria o seguinte:
a) Os rendimentos auferidos, na venda, são tributados como ganho de capital, se esta atividade não
for exercida com habitualidade; ou
b) Se houver habitualidade e fim especulativo de lucro, a pessoa física é considerada empresário
(empresa individual) equiparado a pessoa jurídica, sendo seus lucros tributados nessa condição.

Captura In Natura do Pescado


Considera-se atividade rural a captura in natura do pescado realizada por embarcações, inclusive a
exploração realizada em regime de parceria, desde que a exploração se faça com apetrechos
semelhantes aos da pesca artesanal (arrastões de praias, redes de cerca etc.). O beneficiamento ou a
industrialização de pescado in natura não são considerados atividade rural

O fato de o produtor rural possuir a propriedade de mais de um barco pesqueiro, explorado em parceria,
não implica equiparação a pessoa jurídica.

Os rendimentos da pessoa física tripulante de barcos pesqueiros têm o seguinte tratamento:


a) Quando à pessoa física couber parte ou quinhão nos resultados da pesca, equipara-se a parceiro
rural para os efeitos do imposto sobre a renda. Não é tributável na fonte ou no carnê-leão o
quinhão ou a parte de cada um, por ocasião do rateio do produto da pesca, pois constitui
rendimento da atividade rural;
b) Quando a pessoa física exercer as suas funções mediante contrato de trabalho com vínculo
empregatício, de conformidade com o que prescreve a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
as quantias recebidas são rendimentos do trabalho e sujeitam-se à tributação na fonte e,
também, ao ajuste na declaração anual;

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

c) No caso de a pessoa física prestar serviço sem vínculo empregatício, os valores recebidos
sujeitam-se ao carnê-leão, se recebidos de pessoas físicas, ou à retenção na fonte, se pagos por
pessoa jurídica, e, também, ao ajuste na declaração anual.

Hospedagem de Animais
O rendimento decorrente da hospedagem de animais em haras não é tributado na atividade rural,
devendo ser tributado como aluguel ou arrendamento, sujeitando-se ao carnê-leão, se recebido de
pessoa física, ou à retenção na fonte, se pago por pessoa jurídica, e, também, ao ajuste na declaração
anual.

Pasteurização de Leite
A pasteurização, com acondicionamento, do leite, bem como o acondicionamento e embalagem de
apresentação do mel e do suco de frutas, são considerados atividade rural apenas quando efetuados
com produção própria.

Aluguel de Bens
O valor correspondente a aluguel de pastagens, máquinas e equipamentos não é considerado receita da
atividade rural, devendo ser incluído como rendimento mensal sujeito ao carnê-leão, se recebido de
pessoa física, ou submetido à retenção na fonte, se pago por pessoa jurídica, e, também, ao ajuste na
declaração anual. O locador ou arrendatário deve informar o valor total pago, o nome e o número de
inscrição no CPF do locatário ou arrendador na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da sua
declaração de rendimentos.

Avicultura
A avicultura é considerada pela legislação tributária como atividade rural, nela incluída a produção de
ovos, que não se descaracteriza como tal, em virtude da utilização de máquinas para lavagem,
classificação e embalagem de ovos.

O fato de o produtor rural entregar, mediante contrato de prestação de serviços, ovos férteis de sua
produção, para que sejam incubados por terceiros, não descaracteriza a atividade rural, uma vez que o
risco da atividade permanece com o produtor. A incubação faz parte da produção dos "pintinhos de um
dia", portanto é irrelevante se a mesma é executada pelo produtor ou por terceiros.

Turismo Rural
As atividades de turismo rural, hotéis-fazenda, locais de passeio etc., não constituem atividade rural.

Venda de Árvores Plantadas


Os rendimentos recebidos na venda de árvores plantadas têm o seguinte tratamento:
a) Se as árvores plantadas são decorrentes do cultivo de florestas exercido pelo alienante, as
quantias recebidas são incluídas na receita da atividade rural explorada;
b) Se as árvores plantadas não são decorrentes do cultivo de florestas exercido pelo alienante:
Os rendimentos auferidos na venda são tributados como ganho de capital, se esta
atividade não for exercida com habitualidade; ou
Se houver habitualidade e fim especulativo de lucro, a pessoa física é considerada
empresário (empresa individual) equiparado à pessoa jurídica, sendo seus lucros
tributados nessa condição.

Extração de Madeira e Produção de Carvão


O tratamento tributário é o seguinte:

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

a) Se a pessoa física exerce o cultivo de florestas utilizando-se do setor secundário da economia,


porém, por meio de procedimento que não configure produção, as quantias recebidas na venda
da madeira extraída ou do carvão produzido são incluídas na receita da atividade rural explorada;
b) Excetuada a hipótese acima referida:
Os rendimentos auferidos na venda são tributados como ganho de capital, se esta
atividade não for exercida com habitualidade; ou
Se houver habitualidade e fim especulativo de lucro, ou procedimento que configure
industrialização, a pessoa física é considerada empresário (empresa individual)
equiparado a pessoa jurídica, sendo seus lucros tributados nessa condição.

Venda de Minério Extraído de Propriedade Rural


Os rendimentos recebidos na venda de minério extraído de propriedade rural têm o seguinte tratamento:
a) Os rendimentos auferidos na venda são tributados como ganho de capital, se esta atividade não
for exercida com habitualidade; ou
b) Se houver habitualidade e fim especulativo de lucro, a pessoa física é considerada empresário
(empresa individual) equiparado à pessoa jurídica, sendo seus lucros tributados nessa condição.

Quando houver cessão de direitos para pesquisar e extrair os recursos minerais (metal nobre, pedras
preciosas, areia, aterro, pedreiras etc.), os rendimentos, auferidos pelo cedente do direito, sujeitam-se à
apuração do ganho de capital.

Venda de Produtos Diretamente a Centros de Abastecimento


O produtor rural que em seu nome vender produtos de sua atividade rural diretamente a centros de
abastecimento, fornecendo notas de venda para atender às exigências do fisco estadual, não perde a
condição de pessoa física, devendo os rendimentos derivados dessa atividade compor o resultado da
atividade rural.

4.2 - DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTO

Podem ser considerados de uma forma geral como despesas de custeio e investimentos os gastos, com
computador, telefone, fax, combustíveis, lubrificantes, salários, aluguéis, arrendamentos, ferramentas,
utensílios, corretivos e fertilizantes, defensivos agrícola e animal, rações, vacinas e medicamentos,
impostos (exceto imposto de renda), taxas, encargos trabalhistas, benfeitorias realizadas no imóvel
(currais, casas, galpões, açudes, pastagens, cercas, desmatamentos etc.), aquisição de tratores,
equipamentos, implementos, veículos de carga, utilitários rurais, reprodutores, matrizes, rebanho de cria
e engorda, desde que necessários ao desenvolvimento da atividade, à expansão da produção ou à
melhoria da produtividade agrícola.

As despesas devem ser assim consideradas:


• As aquisições a prazo, no mês do pagamento de cada parcela;
• Os encargos financeiros efetivamente pagos em decorrência de empréstimos contraídos para o
financiamento de custeio/investimentos da atividade rural, no mês do pagamento;
• O valor do bem adquirido por meio de financiamento rural, no mês do pagamento do bem e não
no mês do pagamento do empréstimo;
• O valor de cada parcela paga após o recebimento do bem, quando adquirido por meio de
consórcio ou arrendamento mercantil, no mês do respectivo pagamento;

O valor dos bens adquiridos por meio de permuta com produtos rurais que caracterizem pagamento
parcelado, no mês do pagamento de cada parcela.

12
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

As despesas devem ser comprovadas por meio de documentos idôneos, tais como notas fiscais, guias de
recolhimento de imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) e de encargos
trabalhistas, recibos emitidos por empregados ou prestadores de serviço etc.

Assistência à Saúde de Trabalhador Rural


Somente podem ser deduzidos os gastos com assistência à saúde que se configurem como
permanentes e constantes, e se destinem à melhoria da condição de vida do trabalhador rural, não
sendo permitida a dedução de gastos eventuais.

Despesas de Aluguel, Uso e Manutenção de Veículos


Desde que as despesas sejam realizadas com veículos utilizados diretamente na atividade rural, tais
como os gastos realizados com peças de reposição, manutenção e uso de veículos, combustíveis, óleos
lubrificantes, serviços de mecânico, salários do condutor.

Aeronaves
Somente podem ser deduzidos os gastos com:
a) Aquisição de aeronaves próprias para uso agrícola, desde que a utilização seja exclusiva para a
atividade rural, bem assim os gastos realizados com peças de reposição, manutenção e uso da
aeronave, combustíveis, óleos lubrificantes, serviços de mecânico, salários do piloto etc.;
b) Aluguel das aeronaves descritas na alínea "a" ou a contratação de serviço com o uso delas
(pulverização, semeadura etc.).

Prestação de Serviços
Considera-se prestação de serviços da atividade rural, para fins de dedução como despesa de custeio,
aquela que contribui normalmente para a realização da produção rural, como por exemplo:
As operações culturais, de colheita, debulha, enfardação, ceifa e recolha, incluindo operações de
sementeira e de plantação;
As operações de embalagem e de acondicionamento, tais como a secagem, limpeza, trituração,
desinfecção e ensilagem de produtos agrícolas;
A armazenagem de produtos agrícolas;
A guarda, criação ou engorda de animais;
A locação, para fins rurais, dos meios normalmente utilizados nas explorações agrícolas, pecuárias,
silvícolas ou de pesca;
A assistência técnica;
A destruição de plantas e animais nocivos, o tratamento de plantas e de terreno por pulverização;
A exploração de instalações de irrigações e de drenagem; e
A poda de árvores, corte de madeira e outros serviços silvícolas.

Despesas Ocorridas Fora da Área Rural


Como regra geral, somente as despesas ocorridas dentro da propriedade rural explorada podem ser
deduzidas das receitas auferidas nessa atividade. Assim, em princípio, só podem ser computadas as
despesas ocorridas fora da área de exploração rural quando efetivamente necessárias a essa atividade,
como utilização de mão-de-obra e equipamentos de escritório, uso e ocupação de imóveis etc., quando
exista contrato formal de uso, locação, arrendamento, armazenamento etc.

Todavia, quando a pessoa física que explore essa atividade possuir imóveis situados fora da área rural,
mas cuja destinação única e específica seja para seleção, secagem, armazenamento etc., dos produtos
oriundos exclusivamente das propriedades rurais das quais seja participante, percebendo ou não pela
cessão desses bens, as despesas de mão-de-obra correspondentes a essas atividades, bem como as
13
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

decorrentes da utilização e da conservação desses bens, podem ser deduzidas da receita bruta, desde
que sejam compatíveis com as práticas usuais e preço de mercado e estejam devidamente
comprovadas.

Aquisição Bem por Consórcio


Somente após o recebimento do bem, os valores já pagos, expressos em reais, acrescidos do valor
correspondente ao lance, se for o caso, podem ser considerados despesa. Daí em diante, os demais
pagamentos, até o final do contrato, também serão considerados despesa no mês correspondente.

Enquanto o bem não for recebido, os valores pagos em cada ano-calendário devem ser informados
apenas em Bens da Atividade Rural do Demonstrativo da Atividade Rural, não podendo ser considerados
despesa.

Empréstimos e Financiamentos
As importâncias correspondentes aos financiamentos ou empréstimos obtidos são consideradas recursos
no ano em que forem recebidas e declaradas pelo saldo em 31 de dezembro de cada ano na ficha
Dívidas Vinculadas à Atividade Rural do Demonstrativo da Atividade Rural. Os dispêndios com formação
e manutenção da atividade rural são considerados despesas ou investimentos no mês em que forem
efetivados como custeio ou como inversão de capital. Os encargos financeiros efetivamente pagos em
decorrência de empréstimos contraídos para o financiamento de custeio e investimentos da atividade
rural podem ser deduzidos como despesa na apuração do resultado.

Ressalte-se que as parcelas de amortização do financiamento ou empréstimo, no montante


correspondente ao valor do principal, não podem ser deduzidas como despesa quando de seu
pagamento, devendo apenas ser informadas na ficha Dívidas Vinculadas à Atividade Rural do
Demonstrativo da Atividade Rural.

Multas
A regra geral é que são indedutíveis como despesas da atividade rural os pagamentos de multas
efetuados durante o ano-calendario, especialmente aquelas decorrentes de infrações legais aplicadas por
auto de infração/notificação.

Entretanto, as multas moratórias decorrentes do pagamento em atraso de despesas dedutíveis da


atividade rural têm o mesmo tratamento destas despesas e, neste caso, são também dedutíveis.

Também as multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, de que não resulte falta
ou insuficiência de pagamento de tributos, são dedutíveis, bem como as decorrentes do descumprimento
de obrigações contratuais que representem despesas dedutíveis da atividade rural.

Investimentos
De forma geral, considera-se investimento a efetiva aplicação de recursos financeiros, durante o ano-
calendário, que vise ao desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da
produtividade e seja realizado com:
a) Benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, culturas permanentes, essências
florestais e pastagens artificiais;
b) Aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou
utilitários usados diretamente na atividade rural, utensílios e bens de duração superior a um ano e
animais de trabalho, de produção e de engorda;
c) Serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando a elevar a eficiência do uso dos
recursos da propriedade ou exploração rural;

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

d) Insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como: reprodutores,
sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e
animais;
e) Atividades que visem especificamente à elevação socioeconômica do trabalhador rural, tais como:
casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde;
f) Estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade;
g) Instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica;
h) Bolsas de estudo para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de
estabelecimentos e contabilistas.

Na aquisição de imóvel rural o custo da terra nua não constitui investimento da atividade rural.

Os gastos com a construção de escolas em propriedade rural e com a educação dos filhos dos
empregados podem ser deduzidos das receitas da atividade rural, como investimentos e podem ser
deduzidos como despesas para efeito da apuração do resultado da atividade rural, desde que ocorridos
dentro da propriedade rural do contribuinte. Além disso, também podem ser deduzidos os gastos com
bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e
contabilistas.

Desmatamento de Terras
Os valores pagos a título de desmate, enleiramento, derrubada de árvores, catação de raízes etc., para
implantação de culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais, constituem
investimentos.

Alerte-se que, havendo recebimento de valores em virtude da posterior venda de produtos da atividade
rural, tais como madeira, lenha, carvão etc., retirados do imóvel rural, o montante recebido deve ser
tributado como receita da atividade rural.

Reprodutores e Matriz
O valor despendido com a compra de reprodutores ou matrizes, inclusive P.O. (puro por origem) ou P.C.
(puro por cruza), bem como de alevinos, embriões e sêmen, pode ser considerado investimento no ano
de sua aquisição e, como tal, pode ser deduzido no mês em que se efetivarem as despesas.

Também pode ser deduzida parte do valor correspondente a esses reprodutores ou matrizes, quando
adquiridos em sociedade ou condomínio.

Quotas de Cooperativa Rural


Não será considerado como despesas, o dispêndio da aquisição de participação societária e deve ser
incluído na ficha de Bens e Direitos da Declaração de Ajuste Anual.

4.3 – DISPOSIÇÕES GERAIS

Alienação da Propriedade Rural


Na alienação de propriedade rural pode ocorrer a alienação apenas da terra nua (sobre a qual se apura o
ganho de capital), ou da terra nua mais benfeitorias. Caso o instrumento de transmissão identifique
separadamente o valor de alienação da terra nua e das benfeitorias e o custo dessas benfeitorias (tanto
as adquiridas pelo alienante quanto as por este realizadas) tenha sido deduzido como custo ou despesa
da atividade rural, o valor de sua alienação deve ser oferecido a tributação como receita da atividade
rural.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Quando o instrumento de transmissão não identificar separadamente o valor de alienação da terra nua e
das benfeitorias, o valor dessas deve ser apurado por meio de cálculo específico.

Caso o custo das benfeitorias (tanto as adquiridas pelo alienante quanto as por este realizadas) não
tenha sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural, o seu valor integra o custo de aquisição
para fins de apuração do ganho de capital, sobre o valor total da alienação.

Venda de Benfeitorias e Bens


No caso de alienação de bens ou benfeitorias juntamente com a terra nua, sem que o instrumento de
transmissão identifique separadamente o valor da terra nua, o valor de venda a ser atribuído aos bens ou
benfeitorias é determinado da maneira a seguir descrita.
1 - Contribuinte computou como despesa da atividade rural os bens ou benfeitorias:
a) Calcula-se o valor dos bens ou benfeitorias que foram deduzidos como custo ou despesa na
apuração do resultado da atividade rural atualizados pela variação da UFIR, se adquiridos até
1994. A partir de 1995, pelo seu valor de aquisição.
b) Determina-se a relação percentual entre o valor dos bens ou benfeitorias computadas como
despesa, que corresponde ao total em reais apurado conforme a alínea "a", e o custo total em
reais do patrimônio alienado, ou seja, do imóvel rural (terra nua e benfeitorias) somado ao dos
bens;
c) Aplica-se o percentual apurado na alínea "b" sobre o valor de venda do patrimônio, constante do
instrumento de transmissão. Essa quantia deve ser oferecida à tributação como receita da
atividade rural e a diferença entre o valor de venda e esta quantia será considerada valor de
alienação da terra nua.

2 - Contribuinte não computou como despesa da atividade rural os bens ou benfeitorias:


Nesse caso, os rendimentos auferidos na venda dos bens ou benfeitorias são tributados como ganho de
capital, a ser apurado separadamente, considerando-se:
a) Como custo de aquisição, o valor em reais constante na ficha de Bens e Direitos de sua
declaração de rendimentos, ou zero, caso não tenha sido incluído na ficha de Bens e Direitos; e
b) Como valor de alienação, a parcela correspondente aos bens ou benfeitorias do valor recebido na
venda do patrimônio, a ser calculada da seguinte forma:
• Determina-se a relação percentual entre o custo de aquisição em reais dos bens ou
benfeitorias e o custo total em reais do patrimônio alienado, ou seja, do imóvel rural (terra
nua e benfeitorias) somado ao dos bens. Caso os bens ou benfeitorias não tenham sido
incluídos na ficha de Bens e Direitos, o contribuinte deve providenciar um laudo de
avaliação de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), relativo à data da alienação, para determinar a relação percentual entre o valor
dos bens ou benfeitorias e o do patrimônio alienado;
• Aplica-se o percentual apurado conforme o item anterior sobre o valor de venda do
patrimônio, constante do instrumento de transmissão.

A receita decorrente da venda de bens e benfeitorias deve ser sempre comprovada por documentos
reconhecidos pelas fiscalizações estaduais, por instrumentos de transmissão, quando alienados
juntamente com o imóvel rural, ou por documentos hábeis e idôneos, inclusive recibos, onde
necessariamente devem constar as informações do adquirente, o preço, a data da operação e as
condições de pagamento.

Adiantamentos
O valor recebido por conta de adiantamento de recursos financeiros, referente a produto rural a ser
entregue em ano posterior, deve ser informado em Apuração do Resultado Não Tributável do
Demonstrativo da Atividade Rural.
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Como o contrato de compra e venda de coisa futura configura modalidade de ato jurídico sob condição
suspensiva, ou seja, modalidade em que a eficácia do ato jurídico fica pendente de evento futuro, o fato
gerador da obrigação tributária somente ocorre com o implemento da condição, isto é, com a
materialização da coisa futura (produção rural) e sua venda ao financiador.

Dessa forma, a importância paga pela aquisição da produção, referente à parte contratada que o produtor
tenha recebido como antecipação, deve ser computada como receita somente no mês do ano-calendário
em que a condição se implementar, ou seja, no mês em que a venda se concluir com a entrega efetiva
dos produtos.

Caso haja devolução de valor antes da efetiva entrega do produto rural, este valor deve ser diminuído da
importância recebida por conta da venda, porém, se houver devolução após a entrega efetiva do produto
rural, este valor constituirá despesa no mês da devolução.

Devolução
Caso a devolução ocorra no mesmo ano-calendário do pagamento da aquisição, este valor deve ser
diminuído da importância considerada como despesa, porém, se houver a devolução no ano-calendário
seguinte (ou seguintes), este valor constituirá receita no mês do recebimento.

Recebimentos de órgãos Públicos


Os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, Aquisições do
Governo Federal (AGF), Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e as indenizações recebidas do
Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Pro-Agro) são considerados como receita da atividade
rural no mês em que forem recebidos. Também classificam-se como receita da atividade rural os valores
recebidos a título de crédito tributário, como, por exemplo, as transferências de crédito de ICMS, quando
previstas nas respectivas legislações.

Sinistro de Bens Segurados


O valor recebido das companhias seguradoras, nestes casos, deve ser considerado receita da atividade
rural, com o mesmo efeito de ter sido alienado, tendo em vista a anterior apropriação como custo ou
despesa daquela atividade.

Cooperativa
Como o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de
mercadoria ou produto, e como a entrega de produto rural do cooperado à sua cooperativa não significa
mais do que a outorga de poderes, o cômputo como receita e a tributação dos rendimentos deve ocorrer
no momento do recebimento do produto da venda de produto agropecuário realizado pela sociedade
cooperativa.

Ressalte-se que integram também a receita da atividade rural as sobras líquidas decorrentes da
comercialização de produtos agropecuários, apuradas na demonstração de resultado do exercício -
sobras ou perdas líquidas e quando pagas, creditadas ou distribuídas pelas sociedades cooperativas de
produção agropecuária ou agroindustrial aos cooperados produtores rurais.

Integralização de Capital
A entrega de animais, produtos ou bens rurais para integralização de capital em sociedade por quotas
implica obtenção de receita e, em conseqüência, deve compor o resultado da atividade rural. O valor pelo
qual os animais, produtos ou bens rurais forem transferidos deve ser incluído como receita para apuração
do rendimento tributável.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

4.4 – LIVRO CAIXA

Regra geral, o resultado da exploração da atividade rural exercida por pessoas físicas é apurado através
da escrituração do livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e
demais valores que integram essa atividade. Examinamos a seguir as normas gerais de escrituração e
manutenção do livro Caixa para comprovação do resultado da atividade.

A escrituração do livro Caixa deve ser efetuada abrangendo todas as unidades rurais exploradas pelo
contribuinte, de modo a permitir a apuração dos valores da receita bruta e das despesas de custeio e dos
investimentos que integram o resultado da atividade rural. O resultado da atividade rural apurado pelas
pessoas físicas, quando positivo, integra à base de cálculo do Imposto de Renda devido, na Declaração
de Ajuste Anual, e quando negativo, constitui prejuízo compensável. É considerado resultado da
atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos
investimentos pagos no ano-calendário (regime de caixa).

Formalidades da Escrituração
Plano de Contas do Livro Caixa

Código 1.00.000 - Receita da Atividade Rural


As receitas da atividade rural devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea usualmente
utilizada nessa atividade, tais como nota fiscal de produtor, nota fiscal de entrada, notas promissórias
rurais vinculadas às notas fiscais de produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações
estaduais e do Distrito Federal.

O contribuinte que realizar a entrega de produto rural em 2015, pelo qual tenha sido recebido
adiantamento de recursos financeiros em anos anteriores, deverá escriturá-lo tanto no código 1.00.000
(Receita da Atividade Rural) como no 4.00.000 (Receita de Produtos Entregues no Ano Referente a
Adiantamentos Recebidos até o Ano Anterior). Estes recursos são computados como receita no mês da
efetiva entrega do produto, porém é feito um ajuste na Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício
de 2015, ano-calendário de 2014, na disponibilidade de recursos financeiros do período, por meio de seu
registro na linha Receita(s) de produto(s) entregue(s) em 2015 referente a adiantamento(s) recebido(s)
até 2014, tendo em vista que o recurso financeiro foi recebido antes de 2015.

Exemplo:
O produtor rural recebeu adiantamento de R$ 100.000,00, em 28/06/2014, por conta de venda para
entrega futura de café em 30/04/2015. Quando da entrega do produto, em 30/04/2015, o contribuinte
deve emitir a Nota Fiscal de Produtor, no valor de R$ 100.000,00, que é receita da atividade rural e
escriturada no Livro Caixa sob o código 1.01.002. O valor de R$ 100.000,00 deverá também ser
escriturado no Livro Caixa, sob o código 4.00.001, como produtos entregues em 2015, referentes a
adiantamentos recebidos até 2014.

Código 2.00.000 - Despesas de Custeio e Investimentos


Podem ser considerados despesas de custeio e investimentos os gastos, com computador, telefone, fax,
combustíveis, lubrificantes, salários, aluguéis, arrendamentos, ferramentas, utensílios, corretivos e
fertilizantes, defensivos agrícolas e animais, rações, vacinas e medicamentos, impostos incidentes na
atividade (exceto imposto sobre a renda), taxas, contribuições para o INSS e demais encargos
trabalhistas, benfeitorias realizadas no imóvel (currais, casas, galpões, açudes, pastagens, cercas,
desmatamentos etc.), aquisição de tratores, equipamentos, implementos, veículos de carga, utilitários
rurais, reprodutores, matrizes, rebanho de cria e engorda, desde que necessários ao desenvolvimento da
atividade à expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Código 3.00.000 - Despesas não Dedutíveis


Não é obrigatória a escrituração de valores com este código. Informe, se quer, as despesas não
dedutíveis da receita de atividade rural, como poupança para aquisição de bens por consórcio e as
despesas gerais não vinculadas à atividade rural.

Código 4.00.000 - Receita de Produtos Entregues no Ano Referente a Adiantamentos Recebidos


até o Ano Anterior
Neste grupo informe a receita referente aos adiantamentos de recursos financeiros recebidos até 2014,
relativos a produtos entregues em 2015. O contribuinte que realizar entrega de produto em 2015, cujo
adiantamento tenha sido recebido em anos anteriores, deve escriturá-lo tanto no código 1.00.000
(Receita da Atividade Rural) como no 4.00.000 (Receita de Produtos Entregues no Ano Referente a
Adiantamentos Recebidos até o Ano Anterior).

Código 5.00.000 - Adiantamentos Recebidos no Ano por Conta de Vendas para Entrega Futura
Neste grupo informe os adiantamentos de recursos financeiros que receber em 2015, relativos a produtos
para entrega futura, a partir de 2016, que serão computados como receita somente no mês da efetiva
entrega do produto.

Exemplo:
O produtor rural recebe adiantamento de R$ 100.000,00, em 28/06/2015, por conta de venda para
entrega futura de café em 30/04/2016. Quando do recebimento do adiantamento em 28/06/2015, o valor
de R$ 100.000,00 deve ser escriturado no Livro Caixa sob o código 5.00.001, como adiantamento
recebido em 2015 por conta de venda para entrega futura. Quando da entrega do produto, em
30/04/2016, o contribuinte emite a Nota Fiscal de Produtor no valor de R$ 100.000,00, que é escriturada
no Livro Caixa, simultaneamente, como receita da atividade rural, sob o código 1.01.002, e como produto
entregue referente a adiantamento sob o código 4.00.001.

Histórico
Informe o histórico relativo à conta selecionada, como, por exemplo, o número e o tipo da nota fiscal, nos
casos de compra ou venda, e os dados constantes do recibo, no caso de realização de despesas,
inclusive a descrição e a quantidade da mercadoria e/ou serviço correspondente.

Valor
Informe o valor da receita/despesa na moeda de origem do país correspondente a este Livro Caixa.

Totais
Durante a escrituração, para verificar os totais dos lançamentos no mês, clique sobre o botão

Autenticação
O livro Caixa não depende de registro ou autenticação em qualquer órgão.

Compensação de Prejuízos
Para compensação de prejuízo acumulado, a pessoa física deve manter escrituração do livro Caixa,
mesmo que esteja dispensada desta obrigação. A não escrituração terá como consequência a perda do
direito à compensação do prejuízo acumulado.

Arbitramento do Resultado
À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural, quando positivo, será limitado a 20% da receita
bruta do ano-calendário. Todavia, neste caso, o contribuinte perderá o direito à compensação do total dos
prejuízos correspondentes a anos-calendário anteriores ao da opção.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

A falta de escrituração do livro Caixa implicará no arbitramento do resultado da atividade rural à razão de
20% da receita bruta do ano-calendário.

Insuficiência de Caixa
O contribuinte que, tendo escriturado as receitas e as despesas e investimentos da atividade rural,
encontrar insuficiência de caixa em qualquer mês do ano-calendário deverá justificá-la inequivocamente
pelos rendimentos das demais atividades, rendimentos tributados exclusivamente na fonte ou isentos e
por adiantamentos ou empréstimos, subsídios e subvenções obtidos, coincidentes em datas e valores,
comprovados por documentação idônea.

5 – INSS – PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA

1 - PRODUTOR RURAL

Produtor rural é a pessoa física, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária,
pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter
permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo:
a) o segurado especial que, na condição de proprietário, parceiro, meeiro, comodatário ou arrendatário,
pescador artesanal ou a ele assemelhado, exerce a atividade individualmente ou em regime de
economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos
cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 16 anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem
comprovadamente com o grupo familiar;
b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária (agrícola, pastoril ou
hortifrutigranjeira) ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio
de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não
contínua.

2 - PRODUÇÃO RURAL

Considera-se produção rural os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos
a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os
processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização,
resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento,
destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses
processos.

Subprodutos e Resíduos
Subprodutos e resíduos são aqueles que, mediante processo de beneficiamento ou de industrialização
rudimentar de produto rural original, surgem sob nova forma, tais como a casca, o farelo, a palha, o pelo
e o caroço, dentre outros.

Excremento de Animais
O excremento de animais, quando comercializado, é considerado produto rural para efeito de incidência
das contribuições sociais, em razão de característica e origem próprias.

3 - CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

A legislação determina que as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta proveniente da
comercialização da produção rural, industrializada ou não, substituem as contribuições sociais incidentes
sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I
(CPP – Contribuição Patronal Previdenciária de 20%) e II (Gilrat – Grau de Incidência de Incapacidade
Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho de 1%, 2% ou 3%) do artigo 22 da Lei
8.212/91, sendo devidas por produtores rurais pessoa física.

Alíquotas
O produtor rural que recolhe a contribuição previdenciária devida sobre a comercialização dos produtos
rurais, o faz considerando a forma como este está constituído, ou seja, pessoa física.

A alíquota de contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização


da sua produção, em substituição à contribuição sobre a folha de salários (20% de CPP e 1%, 2% ou 3%
de Gilrat), para o produtor rural pessoa física, desde 1-1-2018, é 1,5%, no código FPAS 744, sendo:
a) 1,2% para custear os benefícios do trabalhador rural;
b) 0,1% para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho;
c) 0,2% destinado ao Senar.

Vale lembrar que o produtor rural, pessoa física equiparado a autônomo (contribuinte individual),
empregador, que contribui sobre a receita bruta da comercialização da produção, ainda deverá recolher,
com o código FPAS 604, a contribuição de terceiros (código de terceiros 0003), no total de 2,7%, que
corresponde a 2,5% de Salário-Educação e 0,2% de Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, incidente sobre a folha de pagamento, e a contribuição previdenciária de 8%, 9% ou 11%
descontada dos empregados.

Opção pela Contribuição sobre s Receita ou Folha de Salários


Com base nas alterações promovidas pela Lei 13.606/2018, o produtor rural pessoa física que se
dedique à produção rural poderá optar por contribuir sobre a receita bruta proveniente da
comercialização da produção rural ou sobre a folha de salários, manifestando sua opção mediante o
pagamento da contribuição previdenciária relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência
subsequente ao início da atividade rural, e será irretratável para todo o ano-calendário.

A opção pelo recolhimento da contribuição previdenciária sobre a folha de salários abrangerá todos os
imóveis em que exerça atividade rural.

O produtor rural pessoa física que fizer a opção do recolhimento previdenciário sobre a folha de salários
deverá apresentar à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou cooperativa, ou à pessoa física
adquirente não produtora rural, a declaração de que recolhe as contribuições previdenciárias desta
forma, conforme modelo.

ANEXO

Declaração de opção pelo recolhimento das contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do
Art. 22 da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 (Instrução Normativa RFB nº 971, art. 175, § 9º)

Matrícula:
Nome:

Declaro, sob as penas da Lei, para fins do disposto no § 9º do art. 175 da Instrução Normativa RFB nº
971, de 2009, que o produtor rural acima identificado recolhe a contribuição previdenciária incidente
21
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

sobre a folha de pagamento prevista nos incisos I e II do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991.
Declaro também ter conhecimento de que a opção tem caráter irretratável.

Cidade, _______ de __________________ de __________.

Representante Legal:
Nome:
Qualificação:
CPF:
Assinatura:

O empregador rural pessoa física equiparado a autônomo (contribuinte individual), empregador, que optar
por contribuir sobre a folha de pagamento, fica obrigado às seguintes contribuições:
a) 20% sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a empregados e trabalhadores avulsos
a seu serviço;
b) 20% sobre a remuneração de contribuintes individuais (trabalhadores autônomos) a seu serviço;
c) Contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em
razão do Gilrat, incidente sobre a remuneração de empregados e trabalhadores avulsos;
d) 2,5% a título de Salário-Educação sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a
empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço;
e) 0,2% para o Incra sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a empregados e
trabalhadores avulsos a seu serviço;
f) 0,2% para o Senar sobre a comercialização da produção rural.

4 - RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO

As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são
devidas pelo produtor rural, sendo a responsabilidade pelo recolhimento do produtor rural, pessoa física,
e do segurado especial, quando comercializarem a produção diretamente com:
a) Adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado que não há incidência das contribuições
previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização
ocorra a partir de 12-12-2001;
b) Consumidor pessoa física, no varejo;
c) Outro produtor rural pessoa física;
d) Outro segurado especial.

O produtor rural pessoa física e o segurado especial também serão responsáveis pelo recolhimento da
contribuição, quando venderem a destinatário incerto ou quando não comprovarem, formalmente, o
destino da produção.

Da mesma forma, o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher,
diretamente, a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente:
a) Da comercialização de artigos de artesanato elaborados com matéria-prima produzida pelo
respectivo grupo familiar;
b) De comercialização de artesanato ou do exercício de atividade artística; e
c) De serviços prestados, de equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural,
desde que em atividades turística e de entretenimento desenvolvidas no próprio imóvel, inclusive

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

hospedagem, alimentação, recepção, recreação e atividades pedagógicas, bem como taxa de


visitação e serviços especiais.

A obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária da produção rural, recaíra para:


a) A empresa adquirente, inclusive se agroindustrial, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na
condição de sub-rogada nas obrigações do produtor rural, pessoa física, e do segurado especial;
b) Os órgãos públicos da administração direta, das autarquias e das fundações de direito público que
ficam sub-rogados nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, quando
adquirirem a produção rural, ainda que para consumo, ou comercializarem a recebida em
consignação, diretamente dessas pessoas ou por intermediário pessoa física;
c) A pessoa física adquirente não produtora rural, na condição de sub-rogada no cumprimento das
obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, quando adquirir produção para
venda no varejo, a consumidor pessoa física.

A responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa prevalece


quando a comercialização envolver produção rural de pessoa física ou de segurado especial, qualquer
que seja a quantidade, independentemente de ter sido realizada diretamente com o produtor ou com o
intermediário, pessoa física.

A sub-rogação é a condição que se reveste a empresa adquirente, consumidora, consignatária ou a


cooperativa que, por expressa disposição de Lei, torna-se diretamente responsável pelo recolhimento das
contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial.

Não Cabe Retenção


No caso de aquisição de produção de produtor rural pessoa física que fizer a opção pelo recolhimento
sobre a folha de salários e que comprovar a opção por meio da declaração, em relação a cada ano, não
há contribuição previdenciária a ser retida sobre a comercialização da produção rural pela empresa
adquirente, inclusive se agroindustrial, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de
sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física.

6 – ATIVIDADE RURAL – PESSOAS JURÍDICAS

O sucesso de qualquer empreendimento está subordinado a uma administração eficiente. É justamente


nesse aspecto que a empresa rural brasileira apresenta uma de suas mais visíveis carências,
prejudicando todo o processo da modernização da agropecuária. É possível constatar que a
administração rural no Brasil ainda se desenvolve dentro de critérios bastante tradicionais. Essa
característica não é constatada apenas em pequenas propriedades rurais, prevalecendo também entre
as médias e grandes empresas.

Uma das ferramentas administrativas menos utilizadas pelos produtores é, sem dúvida, a Contabilidade
Rural, vista, geralmente como uma técnica complexa em sua execução, com baixo retorno, na prática.
Além disso, quase sempre é conhecida apenas dentro de suas finalidades fiscais, sendo que a maioria
dos produtores sujeitos à tributação do I.R. não mostra grande interesse por uma aplicação gerencial,
relegando toda sua contabilidade a profissionais de área contábil.
23
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Verifica-se, no entanto, que a atual crise econômica, a retirada de subsídios e incentivos fiscais, por
parte do governo, vem provocando uma reversão desse quadro. A necessidade de alcançar elevados
níveis de produtividade, através do emprego de técnicas produtivas modernas, torna-se indispensável a
implantação de uma contabilidade rural, propiciando um melhor gerenciamento e efetivação de um
resultado almejado, que é a maximização do lucro. A contabilidade Rural destaca-se como o principal
instrumento de apoio às tomadas de decisões, durante a execução e o controle das operações da
empresa rural.

Um sistema contábil eficiente, aliado ao bom senso do administrador, deve proporcionar um diagnóstico
realista, com a localização dos pontos fracos e fortes de cada atividade produtiva, e da empresa como
um todo. De posse de tais informações, poderão ser tiradas inúmeras conclusões para diversas
finalidades.

Contabilidade Rural é a contabilidade geral aplicada às empresas rurais (agrícolas, zootécnica,


agropecuária e agro-industrial).

6.1 - ATIVIDADE RURAL

A exploração da atividade rural inclui as operações provenientes do giro normal da empresa, em


decorrência do exercício das seguintes atividades:
• Agricultura;
• Pecuária;
• Extração e exploração vegetal e animal;
• Exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura,
sericicultura, piscicultura e de outras culturas de pequenos animais;
• Exploração de atividade florestal, ou seja, o cultivo de florestas que se destinem ao corte para
comercialização, consumo ou industrialização;
• Venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes;
• Transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a
composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com
equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando
exclusivamente matérias-primas produzidas na área rural explorada, tais como:
a) Beneficiamento de produtos agrícolas:
Descasque de arroz e de outros produtos semelhantes;
Debulha de milho;
Conservas de frutas etc.;
b) Transformação de produtos agrícolas:
Moagem de trigo e de milho;
Moagem de cana-de-açúcar para produção de açúcar mascavo, melado,
rapadura;
Grãos em farinha ou farelo;
c) Transformação de produtos zootécnicos:
Produção de mel acondicionado em embalagem de apresentação;
Laticínio (pasteurização e o acondicionamento do leite; transformação do leite em
queijo, manteiga e requeijão);
Produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação;
Produção de adubos orgânicos;
d) Transformação de produtos florestais:

24
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Produção de carvão vegetal;


Produção de lenha com árvores da propriedade rural;
Venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural;
e) Produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos em propriedade rural,
independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização);
• Atividade de captura de pescado in natura, realizada por embarcações, desde que a
exploração se faça com apetrechos semelhantes ao da pesca artesanal (arrastões
de praia, rede de cerca etc.), inclusive a exploração em regime de parceria.

A inclusão de rendimentos auferidos em outras atividades que não seja atividade rural, com o objetivo de
usufruir de benefícios fiscais, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de 150% do valor da diferença
do imposto devido, sem prejuízos de outras cominações legais.

Estão excluídas do conceito de atividade rural, não sendo aplicável o tratamento ora examinado, as
atividades diversas daquelas mencionadas, dentre elas:
a) A industrialização de produtos, tais como bebidas alcoólicas em geral, óleos essenciais, arroz
beneficiado em máquinas industriais, fabricação de vinho com uvas ou frutas;
b) A comercialização de produtos rurais de terceiros e a compra e venda de rebanho com permanência
em poder da pessoa jurídica rural em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento,
ou 138 dias, nos demais casos;
c) O beneficiamento ou a industrialização de pescado in natura;
d) O ganho auferido por pessoa jurídica rural proprietária de rebanho, entregue, mediante contrato por
escrito, à outra parte contratante (simples possuidora do rebanho), para o fim específico de
procriação, ainda que o rendimento seja predeterminado em número de animais;
e) As receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e
pastagens, e da prestação de serviços em geral, inclusive a de transportes de produtos de terceiros;
f) As receitas decorrentes da venda de recursos minerais, extraídos de propriedade rural, tais como
metal nobre, pedras preciosas, areia, aterro, pedreiras;
g) As receitas de vendas de produtos agropecuários recebidos em doação, quando o donatário não
explore atividade rural;
h) As receitas financeiras de aplicações de recursos no período compreendido entre dois ciclos de
produção;
i) Os valores dos prêmios ganhos a qualquer titulo pelos animais que participarem em concursos,
competições, feiras e exposições;
j) Os prêmios recebidos de entidades promotoras de competições hípicas pelos proprietários, criadores
e profissionais do turfe;
k) As receitas oriundas da exploração de turismo rural e de hotel fazenda.

6.2 – ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

A forma de escrituração das operações é de livre escolha da pessoa jurídica rural, desde que mantenha
registros permanentes com obediência aos preceitos da legislação comercial e fiscal, e aos princípios de
contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e
registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência, sendo obrigatória a manutenção
do Lalur para fins da apuração do lucro real.

No caso de a pessoa jurídica que explora a atividade rural também desenvolver outras de natureza
diversa e desejar beneficiar-se dos incentivos fiscais próprios concedidos à atividade rural, deverá manter
escrituração da atividade rural em separado das demais atividades com o fim de segregar as receitas, os
custos e as despesas referentes à atividade rural de modo a permitir a determinação da receita líquida e
25
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

a demonstração, no Lalur, do lucro ou prejuízo contábil e do lucro ou prejuízo fiscal da atividade rural
separados dos das demais atividades.

Os registros contábeis devem evidenciar as contas de receitas, custos e despesas, segregadas por tipo
de atividades.

6.3 - NORMA CONTÁBIL

O CFC - Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução 1.186/2009, aprovou a NBC TG 29 –


Ativo Biológico e Produto Agrícola, com vigência a partir de 2010, onde estabelece o tratamento contábil
dos ativos biológicos (animais e vegetais, vivos) e dos produtos agrícolas (bens gerados pelos ativos
biológicos) obtidos no momento de colheita.

De acordo com a referida NBC TG, os ativos biológicos e os produtos agrícolas serão mensurados da
seguinte forma:
a) Ativo biológico: deve ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda no momento do
reconhecimento inicial e no final de cada período de competência, exceto para os casos em que o
valor justo não pode ser mensurado de forma confiável;
b) Produto agrícola: deve ser mensurado ao valor justo, menos a despesa de venda, no momento da
colheita. O valor assim atribuído representa o custo, devendo ser aplicadas as Normas específicas
para avaliação de estoques. Considera-se valor justo o valor pelo qual um ativo pode ser negociado,
ou um passivo liquidado, entre partes interessadas, conhecedoras do negócio e
independentes entre si, com a ausência de fatores que pressionem para a liquidação da transação
ou que caracterizem uma transação compulsória.

Valor justo é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado, ou um passivo liquidado, entre partes
interessadas, conhecedoras do negócio e independentes entre si, com a ausência de fatores que
pressionem para a liquidação da transação ou que caracterizem uma transação compulsória.

Conforme prevê a NBC TG 29, há uma premissa de que o valor justo dos ativos biológicos pode ser
mensurado de forma confiável. Contudo, tal premissa pode ser rejeitada no caso de ativo biológico cujo
valor deveria ser determinado pelo mercado, porém, este não o tem disponível e as
alternativas para estimá-los não são claramente confiáveis. Em tais situações, o ativo biológico deve ser
mensurado ao custo, menos qualquer depreciação e perda por irrecuperabilidade acumuladas.

Quando o valor justo de tal ativo biológico se tornar mensurável de forma confiável, deve-se mensurá-Io
ao seu valor justo menos as despesas de venda. Quando o ativo biológico classificado no Ativo Não
Circulante satisfizer aos critérios para ser classificado como mantido para venda, ou
incluído em grupo de ativo mantido para essa finalidade, de acordo com a NBC T 19.28 - Ativo Não
Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada, presume-se que o valor justo possa ser
mensurado de forma confiável.

A presunção mencionada anteriormente pode ser rejeitada somente no reconhecimento inicial. A


empresa que tenha mensurado previamente o ativo biológico ao seu valor justo, menos a despesa de
venda, continuará a mensurá-Io assim até a sua venda.

Em todos os casos, a empresa deve mensurar o produto agrícola no momento da colheita ao seu valor
justo, menos a despesa de venda. A Norma assume a premissa de que o valor justo do produto agrícola
no momento da colheita pode ser sempre mensurado de forma confiável. Na determinação do custo, da
depreciação e da perda por irrecuperabilidade acumuladas, deve-se considerar a NBC TG 16 - Estoques,
26
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

NBC TG 27 - Ativo Imobilizado e NBC TG 12 - Redução ao Valor Recuperável de Ativos.

A NBC TG 29 dispõe que o ganho ou perda decorrente de variações no valor justo do ativo biológico e do
produto agrícola será incluído no resultado do período em que tiver origem ou em que ocorrer.

Na NBC TG os seguintes termos são usados com significados específicos:


• Planta portadora é uma planta viva que:
a) é utilizada na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas;
b) é cultivada para produzir frutos por mais de um período; e
c) tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, exceto para eventual venda
como sucata.

Não são plantas portadoras:


a) Plantas cultivadas para serem colhidas como produto agrícola (por exemplo, árvores
cultivadas para o uso como madeira);
b) Plantas cultivadas para a produção de produtos agrícolas, quando há a possibilidade
maior do que remota de que a entidade também vai colher e vender a planta como
produto agrícola, exceto as vendas de sucata como incidentais (por exemplo, árvores
que são cultivadas por seus frutos e sua madeira); e
c) Culturas anuais (por exemplo, milho e trigo).
• Atividade agrícola é o gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos
para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais, pela
entidade.
• Produção agrícola é o produto colhido de ativo biológico da entidade.
• Ativo biológico é um animal e/ou uma planta, vivos.
• Transformação biológica compreende o processo de crescimento, degeneração, produção e
procriação que causam mudanças qualitativa e quantitativa no ativo biológico.
• Despesa de venda são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda de ativo, exceto
despesas financeiras e tributos sobre o lucro.
• Grupo de ativos biológicos é um conjunto de animais ou plantas vivos semelhantes.
• Colheita é a extração do produto de ativo biológico ou a cessação da vida desse ativo biológico.

Exemplos de ativos biológicos, produto agrícola e produtos resultantes do processamento depois da


colheita:
Produtos resultantes do
Ativos biológicos Produto agrícola
processamento após a colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para madeira Árvore abatida Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Planta de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa
Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhida Vinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

6.4 – EMPRESAS AGRÍCOLAS

Aspectos Gerais
As empresas agrícolas são aquelas que se destinam à produção de bens, mediante o plantio,
manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas.
As culturas agrícolas dividem-se em:
a) Temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e
b) Permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita,
sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as
colheitas.

O ciclo operacional é o período compreendido desde a preparação do solo, entendida esta como a
utilização de grade, arado e demais implementos agrícolas, deixando a área disponível para o plantio até
a comercialização do produto.

Atividade agrícola compreende uma série de atividades, por exemplo, aumento de rebanhos, silvicultura,
colheita anual ou constante, cultivo de pomares e de plantações, floricultura e cultura aquática (incluindo
criação de peixes). Certas características comuns existem dentro dessa diversidade:
a) Capacidade de mudança - Animais e plantas vivos são capazes de transformações biológicas;
b) Gerenciamento de mudança - O gerenciamento facilita a transformação biológica, promovendo,
ou pelo menos estabilizando, as condições necessárias para que o processo ocorra (por
exemplo, nível de nutrientes, umidade, temperatura, fertilidade, luz). Tal gerenciamento é que
distingue as atividades agrícolas de outras atividades. Por exemplo, colher de fontes não
gerenciadas, tais como pesca no oceano ou desflorestamento, não é atividade agrícola; e
c) Mensuração da mudança - A mudança na qualidade (por exemplo, mérito genético, densidade,
amadurecimento, nível de gordura, conteúdo proteico e resistência da fibra) ou quantidade (por
exemplo, descendência, peso, metros cúbicos, comprimento e/ou diâmetro da fibra e a
quantidade de brotos) causada pela transformação biológica ou colheita é mensurada e
monitorada como uma função rotineira de gerenciamento.

A Transformação biológica resulta dos seguintes eventos:


a) Mudanças de ativos por meio de crescimento (aumento em quantidade ou melhoria na qualidade
do animal ou planta); degeneração (redução na quantidade ou deterioração na qualidade de
animal ou planta) ou procriação (geração adicional de animais ou plantas); ou
b) Produção de produtos agrícolas, tais como látex, folhas de chá, lã, leite.

6.3.1 - Culturas Temporárias


Culturas temporárias são aquelas sujeitas ao replantio após a colheita. Normalmente, o período de vida é
curto. Após a colheita, são arrancadas do solo para que seja realizado novo plantio. Exemplos: soja,
milho, arroz, feijão, batata, legumes. Esse tipo de cultura é também conhecido como anual.

Esses produtos são contabilizados no Ativo Circulante, como se fossem um "Estoque em Andamento"
numa indústria. Dessa forma, todos os custos serão acumulados numa subconta com o titulo específico
da cultura em formação (arroz, ou trigo, ou alho, ou cebola) da conta "Culturas Temporárias".

Os custos que compõem esta rubrica são: sementes, fertilizantes, mudas, demarcações, mão-de-obra,
encargos, energia elétrica, encargos sociais, combustível, seguro, serviços profissionais, inseticidas,
depreciação de tratores e outros imobilizados na cultura em apreço.

Observe-se que, em se tratando de uma única cultura (o que é muito mais raro de ocorrer), todos os
custos se tornam diretos à cultura, sendo apropriados diretamente. Todavia, existindo várias culturas, fato
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

que ocorre com maior freqüência, há a necessidade do rateio dos custos indiretos, proporcional a cada
cultura.

Custo x Despesa
Consideram-se custo de cultura todos os gastos identificáveis direta ou indiretamente com a cultura (ou
produto), como sementes, adubos, mão-de-obra (direta ou indiretamente), combustível, depreciação de
máquinas e equipamentos utilizados na cultura, serviços agronômicos e topográficos etc.

Como despesa do período entendem-se todos os gastos não identificáveis com a cultura, não sendo,
portanto, acumulados no estoque (culturas temporárias), mas apropriados como despesa do período.
São as despesas de venda (propaganda, comissão de vendedores), despesas administrativas
(honorários dos diretores, pessoal de escritório) e despesas financeiras (juros, atualização monetária).

Gastos com Colheita


Todo o custo da colheita será acumulado na conta "Cultura Temporária" e, após o término da colheita,
essa conta será baixada pelo seu valor de custo e transferida para uma nova conta, denominada
"Produtos Agrícolas", sendo especificado, como subconta, o tipo de produto (soja, milho, batata).

Embora não se assemelhe a um estoque em formação, mas a um estoque acabado, recolhido ao


depósito ou ao armazém, essa conta também compõe o Ativo Circulante.

A essa conta de "Produtos Agrícolas" serão somados todos os custos posteriores à colheita (para
acabamento do produto ou para deixá-Io em condições de ser vendido, consumido ou reaplicado, tais
como beneficiamentos, acondicionamentos etc.) e todos os custos para manutenção desse estoque:
silagem, congelamento etc.

À medida que a produção agrícola for vendida, dá-se proporcionalmente baixa na conta "Produtos
Agrícolas" e transfere-se o valor de custo para a conta "Custo do Produto Vendido" (resultado),
especificando-se o tipo de produto agrícola vendido (trigo, tomate, abóbora). Dessa forma, haverá o
confronto entre a Receita e o Custo do Produto Vendido, podendo-se apurar o Lucro Bruto.

Gastos com Armazenamento


Quando o produto agrícola estiver pronto para venda, totalmente acabado, não devendo sofrer mais
nenhuma alteração, é comum, em alguns casos, armazena-lo, no sentido de vendê-Io em momento
oportuno, esperando-se o preço oscilar para cima.

Estes gastos são normalmente tratados como Despesa de Vendas, no grupo Despesa Operacional, e
não Custo do Produto. Dessa forma, são considerados custo do período e não do produto.

6.3.2 - Culturas Permanentes


São aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção.
Normalmente atribui-se às culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto
de vista basta apenas a cultura durar mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser
permanente. Exemplos: cana-de-açúcar, citricultura (laranjeira, limoeiro) cafeicultura, silvicultura
(essências florestais, plantações arbóreas), oleicultura (oliveira), praticamente todas as frutas arbóreas
(maçã, pêra, jaca, jabuticaba, goiaba, uva).

No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados
Ativo Não Circulante - Imobilizado. Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas,
herbicidas, mão-de-obra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras,
seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos
29
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.

É importante ressaltar que as despesas administrativas, de vendas e financeiras não compõem o gasto
de formação da cultura, mas são apropriadas diretamente como "despesa do período" e não são,
portanto, ativadas.

Os custos para formação da cultura são acumulados na conta "Cultura Permanente em Formação", da
mesma forma como acontece com a conta "Imobilização em Andamento" ou em curso em uma indústria.

Dentro da conta "Cultura Permanente em Formação" há subcontas que indicam especificamente o tipo
de cultura: café, pastagem, florestamento (araucária, eucaliptos), guaraná, seringueira etc.

Após a formação da cultura, que pode levar vários anos (antes do primeiro ciclo de produção ou
maturidade, ou antes, da primeira florada, ou da primeira produção), transfere-se o valor acumulado da
conta "Cultura Permanente em Formação" para a conta "Cultura Permanente Formada", identificando-se
uma subconta por tipo de cultura especifica. Comparando-se tal fato com uma indústria que constrói
máquinas para seu próprio uso, estar ramos no estágio em que a máquina está pronta para produzir. Daí
por diante, na fase produtiva, os custos já não compõem o Imobilizado, mas são tratados como estoque
em formação e são acumulados ao produto que está sendo formado.

Há caso em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura
formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a cana-de-
açúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem
novamente.

Colheita ou Produção
A partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua
contabilização e apuração do custo.

A colheita caracteriza-se, portanto, como um Estoque em Andamento, uma produção em formação,


destinada a venda. Dai sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e
maturação do produto normalmente é longo, pode-se criar uma conta de "Colheita em Andamento",
sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido.

Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mão-de-obra e
respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação), produtos
químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos), custo com irrigação (energia elétrica,
transporte de água, depreciação dos motores), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da
safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc.

Adiciona-se ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "Cultura Permanente Formada", sendo
consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. A
Depreciação/Exaustão, normalmente, é o principal item do cálculo do custo da colheita.

Se durante a colheita ou a qualquer momento forem aplicados recursos à cultura permanente para
melhorar a produtividade ao longo dos anos ou aumentar a vida útil da cultura, evidentemente não se
deve sobrecarregar a safra do ano, mas o imobilizado, e este ativo será diluído às safras através da
depreciação (ou exaustão).

Após o término da colheita, transfere-se o total acumulado de "Colheita em Andamento" para "Produtos
Agrícolas". Nessa conta são acumulados, se houver, custos de beneficiamentos, de acondicionamentos
30
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

(embalagens), de silagem etc.

À medida que a produção agrícola é vendida, dá-se proporcionalmente baixa na conta "Produtos
Agrícolas" e transfere-se o valor do custo à conta “Custo do Produto Vendido" (resultado do exercício)
especificando-se o tipo de produto agrícola vendido (algodão, café, uva). Dessa forma, haverá o
confronto entre a Receita e o Custo do Produto Vendido, podendo-se apurar o Lucro Bruto.

Custos Indiretos
No período da "Cultura em Formação", todos os custos voltados para a referida cultura serão
acumulados nessa conta, inclusive a depreciação dos bens utilizados, desde a preparação do solo até
a maturidade da plantação. Incluem-se também nessa conta os adiantamentos concedidos a
fornecedores por conta de fornecimento de adubos, sementes, mudas etc. É evidente que, havendo
mais culturas, os custos indiretos deverão ser rateados e apropriados à "Cultura Permanente em
Formação", conforme sua atribuição para essa cultura. Assim, considera-se o número de horas que o
trator da fazenda destinou especificamente à cultura em análise; o número de horas que determinados
funcionários estiveram à disposição da cultura em formação, e assim sucessivamente.

Inicio da Depreciação
Enquanto a cultura estiver em formação, não sofrerá depreciação (ou exaustão), já que, nesse
período, não existe perda da capacidade de proporcionar benefícios futuros, mas, muito pelo contrário,
essa potencialidade aumenta na proporção do crescimento da planta. A depreciação (ou exaustão),
portanto, pode ser iniciada por ocasião da primeira colheita ou primeira produção.

Perdas Extraordinárias (Involuntárias)


As culturas, todavia, em formação ou formadas, estão constantemente sujeitas as perdas
extraordinárias decorrentes de incêndios, geadas, inundação, granizo, tempestades, secas e outros
eventos desta natureza. A ocorrência de um desses fatos provoca perda de capacidade parcial e, em
alguns casos, até total; deve, sem dúvida, ser baixada do Ativo Imobilizado e ser considerada como
perda do período, indo diretamente para o Resultado do Exercício, mesmo que tal perda esteja coberta
por seguro, não importando se culturas formadas ou em formação. Essas perdas serão classificadas
como Despesas não Operacionais.

Normalmente, não se caracterizam perdas extraordinárias as que se apresentarem como simples


frustração ou retardamento de safra agrícola. Todavia, tratando-se de perdas normais, inerentes à
própria plantação, sendo previsíveis, fazendo parte da expectativa da empresa, farão parte do custo
dos produtos agrícolas (não sendo baixado como perda extraordinária).

Aumento da Vida Útil


Os gastos que beneficiam mais de uma safra, ou que aumentam a vida útil da plantação,
incrementando sua capacidade produtiva, devem ser adicionados ao valor da cultura formada para
serem depreciados até o final da vida útil da cultura.

Despesas Financeiras
Quando se faz um financiamento para capital de giro, por exemplo, à medida que o tempo for
decorrendo (mais comum é mensalmente), vai-se contabilizando a despesa financeira
proporcional ao tempo decorrido, independentemente do pagamento dos juros.

Na agropecuária, esses financiamentos para capital de giro denominam-se financiamentos


para custeio.

Os financiamentos para custeio, de modo geral, visam cobrir uma safra (colheita) específica. A
31
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

pergunta que normalmente se faz é se as despesas financeiras de um financiamento contraído


num ano agrícola 1 para custear a safra do ano agrícola 2 devem ser contabilizadas
proporcionalmente ao tempo decorrido no ano 1 ou no ano 2, onde a safra será colhida e
vendida.

Alguns entendem que as despesas financeiras, como despesas do período, deveriam ser
contabilizadas proporcionalmente ao tempo decorrido no ano 1 e ano 2. Esse procedimento
traria vantagens fiscais, já que se antecipariam despesas, reduzindo o lucro do ano 1 (reduz
Imposto de Renda do ano 1).

Outros preferem contabilizar despesas financeiras no ano 2 para associar a Despesa com a
respectiva Receita, propiciando melhor confronto (princípio da Realização da Receita e
confrontação da Despesa).

Para manutenção da boa técnica contábil somos favoráveis à segunda corrente: o perfeito
confronto de Receita com Despesa quando isso for possível.

6.4 – EMPRESAS PECUÁRIAS

Aspectos Gerais
As Empresas Pecuárias são aquelas que se dedicam à cria, recria e engorda de animais para fins
comerciais. As atividades alcançam desde a inseminação, ou nascimento, ou compra, até a
comercialização, dividindo-se em:
a) Cria e recria de animais para comercialização de matrizes;
b) Cria, recria ou compra de animais para engorda e comercialização; e
c) Cria, recria ou compra de animais para comercialização de seus produtos derivados, tais como:
leites, ovos, mel, sêmen, etc.

O ciclo operacional é o período compreendido desde a inseminação, ou nascimento, ou compra, até a


comercialização, que serão os seguintes segundo as atividades:
a) Cria: a atividade principal é a produção de bezerros que são vendidos após o desmame (período
igual ou inferior a 12 meses);
a) Recria: a partir do bezerro (período de 13 a 23 meses), produzir e vender o novilho magro para
engorda;
b) Engorda: é a atividade denominada de invernista, que, a partir do novilho magro, produz o
novilho gordo para vendê-lo (o processo normalmente ocorre no período de 24 a 36 meses).

Classificação Contábil do Rebanho


Devem ser consideradas como integrantes do ativo imobilizado as contas a seguir indicadas, que
poderão atender à discriminação mais apropriada a cada tipo de criação:
a) Rebanho Reprodutor: indicativa do rebanho bovino, suíno, eqüino, ovino etc, destinado à
reprodução, inclusive, por inseminação artificial;
b) Rebanho de Renda: representando bovinos, suínos, ovinos e eqüinos que a empresa explora
para produção de bens que constituem objeto de suas atividades;
c) Animais de Trabalho: compreendendo eqüinos, bovinos, muares, asininos destinados a
trabalhos agrícolas, sela e transporte.

Poderão ser classificados no ativo circulante ou não circulante em conta apropriada, aves, gado bovino,
suínos, ovinos, eqüinos, caprinos, coelhos, peixes e pequenos animais, destinados a revenda, ou a
serem consumidos na produção de bens para revenda.
32
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Em atividade agrícola, o controle pode ser evidenciado, por exemplo, pela propriedade legal do gado e a
sua marcação no momento da aquisição, nascimento ou época de desmama. Os benefícios econômicos
futuros são, normalmente, determinados pela mensuração dos atributos físicos significativos.

Os custos com a atividade de criação de animais devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo
a expectativa de realização:
a) No Ativo Circulante, os custos com os estoques dos animais destinados a descarte, engorda,
consumo e comercialização até o final do próximo exercício (Estoques Vivos - aves, gado bovino,
suínos, ovinos, caprinos, coelhos, peixes e pequenos animais)
b) No Ativo Não Circulante Imobilizado, os custos com os animais destinados à reprodução ou à
produção de derivados:
• Gado Reprodutor - representado por touros puros de origem, touros puros de cruza, vacas
puras de origem, vacas puras de cruza e plantei destinado à inseminação artificial,
• Gado de Renda - representado por bovinos, suínos, ovinos e eqüinos utilizados para a
produção de bens que constituem objeto de suas atividades. (caso típico é o gado leiteiro); e
• Animais de Trabalho - compreendem eqüinos, bovinos, muares, asininos destinados ao
trabalho agrícola, sela e transporte.

Os animais destinados à reprodução ou à produção de derivados, quando deixarem de ser utilizados


para tais finalidades, devem ter seus valores transferidos para as Contas de Estoque, no Ativo Circulante,
pelo seu valor contábil unitário.

Custos
Para a apuração dos resultados anuais por ocasião do Balanço Patrimonial, conforme a legislação, o
rebanho bovino poderá ser inventariado pelo preço real de custo (método de custo) ou pelo preço
corrente de mercado (método do valor de mercado).

O método de custo é semelhante ao de uma empresa industrial. Todos os custos com a formação do
rebanho são acumulados ao plantel e destacado no "Estoque". Os animais originários da cria ou da
compra para recria ou engorda são avaliados pelo seu valor original, na medida de sua formação,
incluindo todos os custos gerados no ciclo operacional, imputáveis, direta ou indiretamente, tais como:
rações, medicamentos, inseticidas, mão-de-obra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica,
depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de
máquinas, equipamentos ou terras, seguros, serviços de terceiros, fretes e outros.

Considerando, porém que o ciclo operacional da pecuária bovina de corte é extenso, o valor dos
estoques mesmo que recebam custos periodicamente, tendem a se desatualizar em função da perda do
poder aquisitivo da moeda - a inflação. Além disso, com o passar do tempo o "Estoque em Formação" vai
ganhando peso e envergadura, produzindo ganhos econômicos superiores aos custos.

Devido às deficiências do método do custo histórico como base de valor, é admissível o método de
avaliação a valores de mercado.

Nas atividades de criação de animais, os componentes patrimoniais devem ser avaliados como segue:
a) O nascimento de animais, conforme o custo acumulado do período, dividido pelo número de
animais nascidos;
b) Os custos com os animais devem ser agregados ao valor original à medida que são incorridos, de
acordo com as diversas fases de crescimento; e
c) Os estoques de animais devem ser avaliados segundo a sua idade e qualidade.

Classificação do Gado para Corte e para Produção


33
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

No caso da pecuária bovina de corte, por ocasião do nascimento dos bezerros deve-se classificá-los no
Ativo Circulante, como se todos se destinassem à venda.

Após certo período de experimentação faz-se urna reclassificação, transferindo-se para o Imobilizado
aqueles considerados aptos para a reprodução e que serão efetivamente utilizados. Tal avaliação
considera fertilidade, ardor sexual, carcaça, peso, etc., e varia com a política de produção do produtor
rural. Alguns transferem para o Permanente as fêmeas e alguns machos.

Os ativos são incorporados à empresa pelo valor de aquisição ou pelo custo de fabricação (incluindo
todos os gastos necessários para colocar o ativo em condições de gerar benefício para a empresa). Pela
sua fácil aplicabilidade e pela sua aceitação entre os auditores, o Custo Histórico é amplamente utilizado
na contabilidade rural.

Uma das críticas que se pode se feita ao Custo Histórico é de que, em período inflacionário, à medida que
o tempo passa, os valores dos ativos (avaliados ao custo históricos) distanciam-se dos seus valores
correntes de mercado. Dessa forma, geralmente, as demonstrações contábeis perdem a potencialidade
informativa, não refletindo a realidade no momento da evidenciação daquelas demonstrações.

Através do Custo Histórico obtêm-se somente o Lucro Realizado, não sendo reconhecidos ganhos ou
perdas pela estocagem de Ativos. Reconhece-se, porém, apenas a Receita no momento da venda
(transferência) para o cliente.

Técnicas Para Utilização Do Custo Histórico


Basicamente, a técnica consiste em apropriar ao rebanho todos os custos ocorridos e a ele pertinentes;
periodicamente, deve-se efetuar a distribuição proporcional entre todas as cabeças.

a) Custo distribuído ao rebanho (incluindo os bezerros a nascer)


Acumulam-se todos os custos do período, por exemplo, mensalmente e, no final do mês, divide-se o
resultado pelo número de animais que compõem o rebanho (estoque + imobilizado). Assim, obtém-se o
Custo Médio por cabeça.

Os animais que constam de estoques receberão diretamente o custo do mês, acumulando-se, portanto, o
custo até o momento da venda, dar-se á então baixa no estoque, transportando-o para Custo do Produto
Vendido.

Os animais constantes do Permanente não receberão custo, dado que o custo médio mensal por cabeça
será atribuído aos bezerros nascidos no mês e aos bezerros que estão por nascer (corresponde à
manutenção das vacas prenhas). Para tanto, há necessidade de estimar o número de bezerros
nascituros para, proporcionalmente, atribuir custos aos nascidos e díferi-los aos nascituros. Bezerros e
bezerras que estão para nascer pertencem à conta Estoques.

b) Custo distribuído ao rebanho (excluindo os recém-nascidos)


O custo é acumulado e, no final do mês, é rateado por cabeça, tendo como base todo o gado do Ativo
Circulante e do Ativo Permanente (matriz e reprodutor) em formação até 3 anos. Por ocasião da venda,
será dado baixa na conta Estoque correspondente, pelo sistema PEPS.

O bezerro não recebe custo por ocasião do seu nascimento; a partir daí, faz parte do rebanho e participa
do rateio. Dada a grande extensão da propriedade e a dificuldade de controle individual do rebanho, as
baixas por mortes são proporcionais à quantidade do rebanho do Circulante e do Permanente, pelo
PEPS.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

c) Custo unitário
Obtém-se o custo unitário do bezerro da seguinte forma:
• Reprodutor: a depreciação do reprodutor no período mais a sua manutenção comporão o custo
do reprodutor para gerar bezerros. Dividindo-se o custo pelo número de crias que dele se
pretende obter no período (coberturas eficazes), teremos a parcela do custo do reprodutor
atribuída a cada bezerro;
• Matriz: a depreciação da matriz no período e sua manutenção (não só no período de gestação,
mas também de lactação da cria) serão atribuída ao bezerro;
• Custo com a manutenção do bezerro: compreende desde os custos complementares, durante
o período de lactação, até o atingimento do peso desejado para a venda. Esse componente de
custo poderá ser obtido através da multiplicação do número de dias do período em consideração
(mês, trimestre etc.) pelo custo diário de manutenção do animal em estoque (alimentação,
manuseio etc.), adicionando-se outros custos, tais como vacinas, medicamentos etc.).

Esse sistema é utilizado em propriedades menores, em que se pode contar com um controle razoável e a
cultura extensiva começa a ser substituída pela intensiva.

6.6 - AVALIAÇÃO DE ESTOQUES

Segundo a NBC TG 29 o ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda
no momento do reconhecimento inicial e no final de cada período de competência, em que o valor justo
não pode ser mensurado de forma confiável.

Há uma premissa de que o valor justo dos ativos biológicos pode ser mensurado de forma confiável.
Contudo, tal premissa pode ser rejeitada no caso de ativo biológico cujo valor deveria ser cotado pelo
mercado, porém, este não o tem disponível e as alternativas para mensurá-los não são, claramente,
confiáveis. Em tais situações, o ativo biológico deve ser mensurado ao custo, menos qualquer
depreciação e perda por irrecuperabilidade acumuladas. Quando o valor justo de tal ativo biológico se
tornar mensurável de forma confiável, a entidade deve mensurá-lo ao seu valor justo menos as despesas
de venda. Quando o ativo biológico classificado no ativo não circulante satisfizer aos critérios para ser
classificado como mantido para venda (ou incluído em grupo de ativo mantido para essa finalidade), de
acordo com a NBC TG 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada,
presume-se que o valor justo possa ser mensurado de forma confiável.

O produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade deve ser mensurado ao valor justo, menos a
despesa de venda, no momento da colheita. O valor assim atribuído representa o custo, no momento da
aplicação da NBC TG 16 – Estoques, ou outra norma aplicável.

De acordo com a legislação do Imposto de Renda, os estoques de produtos agrícolas, animais e


extrativos podem ser avaliados pelos preços correntes de mercado, segundo as práticas usuais de
avaliação utilizadas em cada tipo de atividade. A faculdade de avaliar o estoque de produtos agrícolas,
animais ou extrativos ao preço corrente de mercado aplica-se não só aos produtores, mas também aos
comerciantes e industriais que operem com tais produtos. Essa possibilidade não impede que as
empresas que exerçam atividades agropastoris ou extrativas adotem outro tipo de determinação do
custo, desde que previsto em lei.

Segundo a Instrução Normativa RFB 1.700/2017, a contrapartida do aumento do Ativo, em decorrência


da atualização do valor dos estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda,
tanto em virtude do registro no estoque de crias nascidas no período de apuração, como pela avaliação
do estoque a preço de mercado, constitui receita operacional, que comporá a base de cálculo do Imposto
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

sobre a Renda no período de apuração em que ocorrer a venda dos respectivos estoques.

A receita operacional mencionada anteriormente, no período de sua formação, constituirá exclusão do


lucro líquido e deverá ser controlada na Parte "B" do Lalur. No período de apuração em que ocorrer a
venda dos estoques atualizados, a sua entrega como permuta ou dação em pagamento com outros
bens, a receita operacional controlada na Parte "B" do Lalur deverá ser adicionada ao lucro líquido para
efeito de determinar o lucro real.

O mesmo tratamento fiscal de diferimento mencionado será aplicado à Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido, conforme a Instrução Normativa RFB 1.700/2017.

6.7 - SUPERVENIÊNCIAS ATIVAS E INSUBSISTÊNCIAS ATIVAS

São formas de variação patrimonial, sendo as Superveniências Ativas, os acréscimos ganhos em relação
ao Ativo da empresa. Esses acréscimos ocorrem com o nascimento de animais e ganhos que ocorrem
com o crescimento natural do gado. São as já mencionadas, variações patrimoniais positivas.

As Insubsistências Ativas significam reduções do Ativo da empresa, decorrentes de perdas, fatos


fortuitos, anormais e imprevistos. E o caso de mortes, desaparecimento de animais do rebanho. São
variações patrimoniais negativas.

As perdas por morte natural, devem ser contabilizadas como despesa operacional, por decorrentes de
risco inerente à atividade.

6.8 - DEPRECIAÇÃO NA ATIVIDADE RURAL

A depreciação na atividade rural é a apropriação ao resultado, da perda de eficiência ou da capacidade


de produção de bens tangíveis, componentes do Ativo Permanente que servem à produção de vários
ciclos de produção e não se destinam à venda. É o caso das culturas permanentes, maquinas e
equipamentos, tratores, gados reprodutores, animais de trabalho e outros bens que são de propriedade
da empresa.

De acordo com o artigo 260 da Instrução Normativa RFB 1.700/2017, os bens do Ativo Imobilizado,
exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore atividade rural, para uso nessa atividade,
poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Não terá direito ao benefício da
depreciação acelerada incentivada a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem
exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria.

A depreciação integral no mesmo ano de aquisição consiste em registro, na escrituração comercial, do


encargo calculado à taxa normal de depreciação e exclusão, na Parte "A" do Lalur, do complemento
necessário para atingir o valor integral do bem.

O valor da depreciação, excluído na determinação do lucro real do ano de aquisição, deverá ser
controlado na Parte "B" do Lalur, para adição, a partir do período de apuração seguinte, na medida em
que a depreciação, à taxa normal, for sendo registrada na escrita contábil.

Por ocasião da alienação do bem, existindo saldo de depreciação na Parte "B" do Lalur, este deverá ser
adicionado ao lucro líquido da atividade rural para fins de apuração do lucro real.

36
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

No período de apuração em que o bem já totalmente depreciado, em virtude de depreciação incentivada,


for desviado exclusivamente para outras atividades, deverá ser adicionado ao resultado líquido da
atividade rural o saldo da depreciação complementar existente na Parte "B" do Lalur. Retornando o bem
a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta poderá voltar a
fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do resultado líquido da atividade rural no
período a diferença entre o custo de aquisição do bem e a depreciação acumulada até a época, fazendo
os devidos registros na Parte "B" do Lalur.

Retorno ao Lucro Real


A pessoa jurídica rural que retornar à tributação com base no lucro real deverá adicionar o encargo de
depreciação normal registrado na escrituração comercial, relativo a bens já totalmente depreciados, ao
resultado líquido do período de apuração, para determinação do lucro real da atividade rural, efetuando a
baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte "B" do Lalur.

Lucro Presumido e Arbitrado


A pessoa jurídica rural que tiver usufruído o benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada, vindo,
posteriormente, a ser tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, caso aliene o bem depreciado com o
incentivo durante a permanência em um desses regimes, deverá adicionar à base de cálculo, para
determinação do lucro presumido ou arbitrado, o saldo remanescente da depreciação não realizada.

Depreciação Segundo as Novas Normas Contábeis


O valor depreciável de um ativo deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil
estimada. O valor residual e a vida útil de um ativo são revisados pelo menos ao final de cada exercício
e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança deve ser contabilizada como
mudança de estimativa contábil, segundo a NBC TG 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e
Retificação de Erro.

A depreciação é reconhecida mesmo que o valor justo do ativo exceda o seu valor contábil, desde que o
valor residual do ativo não exceda o seu valor contábil. A reparação e a manutenção de um ativo não
evitam a necessidade de depreciá-lo.

O valor depreciável de um ativo é determinado após a dedução de seu valor residual. Na prática, o valor
residual de um ativo frequentemente não é significativo e por isso imaterial para o cálculo do valor
depreciável. O valor residual de um ativo pode aumentar. A despesa de depreciação será zero enquanto
o valor residual subsequente for igual ou superior ao seu valor contábil.

A depreciação do ativo se inicia quando este está disponível para uso, ou seja, quando está no local e
em condição de funcionamento na forma pretendida pela administração. A depreciação de um ativo deve
cessar na data em que o ativo é classificado como mantido para venda (ou incluído em um grupo de
ativos classificado como mantido para venda de acordo com a NBC TG 31 – Ativo Não Circulante
Mantido para Venda e Operação Descontinuada) ou, ainda, na data em que o ativo é baixado, o que
ocorrer primeiro. Portanto, a depreciação não cessa quando o ativo se torna ocioso ou é retirado do uso
normal, a não ser que o ativo esteja totalmente depreciado. No entanto, de acordo com os métodos de
depreciação pelo uso, a despesa de depreciação pode ser zero enquanto não houver produção.

Os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo são consumidos pela entidade principalmente
por meio do seu uso. Porém, outros fatores, tais como obsolescência técnica ou comercial e desgaste
normal enquanto o ativo permanece ocioso, muitas vezes dão origem à diminuição dos benefícios
econômicos que poderiam ter sido obtidos do ativo. Consequentemente, todos os seguintes fatores são
considerados na determinação da vida útil de um ativo:
a) Uso esperado do ativo que é avaliado com base na capacidade ou produção física esperadas do
37
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

ativo;
b) Desgaste físico normal esperado, que depende de fatores operacionais tais como o número de
turnos durante os quais o ativo será usado, o programa de reparos e manutenção e o cuidado e
a manutenção do ativo enquanto estiver ocioso;
c) Obsolescência técnica ou comercial proveniente de mudanças ou melhorias na produção, ou de
mudança na demanda do mercado para o produto ou serviço derivado do ativo; e
d) Limites legais ou semelhantes no uso do ativo, tais como as datas de término dos contratos de
arrendamento mercantil relativos ao ativo.

A vida útil de um ativo é definida em termos da utilidade esperada do ativo para a entidade. A política de
gestão de ativos da entidade pode considerar a alienação de ativos após um período determinado ou
após o consumo de uma proporção específica de benefícios econômicos futuros incorporados no ativo.
Por isso, a vida útil de um ativo pode ser menor do que a sua vida econômica. A estimativa da vida útil do
ativo é uma questão de julgamento baseado na experiência da entidade com ativos semelhantes.

O método de depreciação utilizado reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios
econômicos futuros. O método de depreciação aplicado a um ativo deve ser revisado pelo menos ao final
de cada exercício e, se houver alteração significativa no padrão de consumo previsto, o método de
depreciação deve ser alterado para refletir essa mudança.

6.9 - EXAUSTÃO NA ATIVIDADE RURAL

A exaustão corresponde à perda do valor, decorrente da exploração de direitos cujo objeto sejam
minerais ou florestais.

Enquanto as propriedades físicas se deterioram física ou economicamente, os recursos naturais se


esgotam. O esgotamento é a extinção dos recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do
valor desses recursos naturais (florestas, minas, etc.). Na proporção em que são extraídos os recursos
naturais, registra-se a exaustão deste recurso.

O valor da quota de exaustão florestal é apurado identificando-se a relação percentual entre o volume
dos recursos florestais utilizados, ou a quantidade de árvores extraídas durante cada período de
apuração do imposto, e o volume ou quantidade de árvores que compunham a floresta no ínicio desse
período.

A percentagem encontrada é aplicada sobre o valor da floresta registrada no Ativo, e o seu resultado
corresponde à quota de exaustão relativa aos recursos florestais extraídos.

Tratando-se de floresta ou plantações que não se extinguem com o primeiro corte, a quota de exaustão é
calculada em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada,
englobando os diversos cortes.

As florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado também podem ser
exauridas pelo adquirente desses direitos, que deve tomas como valor da floresta o do contrato, corrigido
monetariamente, quando for o caso.

6.10 - AMORTIZAÇÃO NA ATIVIDADE RURAL

A ocorrência da amortização se dá nos casos de aquisição de direitos sobre bens de terceiros.


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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Corresponde à perda do valor do capital aplicado em Ativos Intangíveis de duração limitada. Como
exemplo, a aquisição de direitos de extração de madeira em florestas de propriedade de terceiros ou de
exploração de pomar alheio, por prazo determinado, a preço único e prefixado.

Outros gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, registrados
no Ativo Diferido, também deverão ser amortizados. É o caso de gastos com melhoras no solo que
propiciam incremento na capacidade produtiva, tais como: desmatamento, destacamento, corretivos, etc.

A quota de amortização do período é obtida, dividindo-se o valor do direito ou do gasto em


melhoramento, pelo número de períodos de duração deste direito ou melhoramento.

7 – TRATAMENTO TRIBUTÁRIO IRPJ E CSLL

As pessoas jurídicas que se dedicam à exploração de atividade rural sujeitam-se, atualmente, às


mesmas regras de incidência do Imposto de Renda (inclusive adicional) e da Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido aplicáveis às demais pessoas jurídicas, podendo, atendidas as condições e limites da
legislação vigente, enquadrar-se no lucro real, presumido ou arbitrado.

A atividade rural é beneficiada com determinados incentivos que somente podem ser utilizados pela
pessoa jurídica quando tributada com base no lucro real.

O lucro real deverá ser apurado de conformidade com as leis comerciais e fiscais, inclusive com a
manutenção do Lalur, segregando contabilmente as receitas, os custos e as despesas referentes à
atividade rural das demais atividades, a fim de se proceder a correta determinação dos resultados da
atividade rural, com vistas à utilização dos citados incentivos.

A regra geral de apuração do lucro real é trimestral. No entanto, a empresa pode optar pela apuração do
lucro real anual, sem prejuízo do recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados com base em
regime de estimativa. Nesse caso, o período de apuração encerra-se em 31 de dezembro do respectivo
ano-calendario.

Lucro Presumido ou Arbitrado


A pessoa jurídica que exerce atividade rural poderá optar pela tributação com base no lucro presumido,
desde que não se utilize de qualquer dos incentivos aplicáveis a essa atividade, observadas as normas
aplicáveis às demais pessoas jurídicas.

A pessoa jurídica rural pagará o Imposto de Renda sobre o lucro arbitrado nas hipóteses e condições
previstas para as demais pessoas jurídicas.

Na tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, a apuração trimestral é obrigatória, qualquer
que seja a atividade da pessoa jurídica.

Para efeito de determinação do lucro presumido ou arbitrado, as pessoas jurídicas que desenvolvem
atividades rurais devem aplicar, sobre a receita bruta apurada a cada trimestre, o percentual de 8% ou
9,6%, respectivamente. À parcela, assim determinada, deverão ser acrescidos os ganhos de capital, os
rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

positivos não abrangidos na receita bruta.

Apuração do Ganho de Capital na Alienação de Imóvel Rural


A partir de 01/01/97, por força do artigo 19 da Lei 9.393/96, para fins de apuração do ganho de capital, as
pessoas jurídicas, tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, deverão considerar como custo
de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua (VTN) constante do Documento de
Informação e Apuração do ITR (Diat) ou o valor atribuído de ofício quando o Diat não for entregue pelo
proprietário do imóvel, nos anos de ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente. Na
apuração do ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente a 01/01/97, será
considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, devendo ser observado, com base
no artigo 17 da Lei 9.249/95, que:
a) Tratando-se de bens cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição
poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomando-se por base o
valor da UFIR vigente em 01-01-1996 (R$ 0,8287), não se Ihes aplicando qualquer correção
monetária a partir desta data;
b) Tratando-se de bens adquiridos após 31-12-1995, ao custo de aquisição dos bens não será
atribuída qualquer atualização monetária.

7.1 - RECEITA BRUTA

Considera-se receita bruta da atividade rural aquela decorrente das atividades rurais mencionadas, das
quais serão excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais
concedidos.

Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador
ou contratante, dos quais o vendedor dos produtos seja mero depositário.
São também computados como receita bruta da atividade rural:
• Os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, Aquisições
do Governo Federal (AGF) e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade
Agropecuária (Proagro);
• O valor da entrega de produtos agrícolas, pela permuta com outros bens ou pela dação em
pagamento;
• As sobras líquidas da destinação para constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de
Assistência Técnica, Educacional e Social, quando creditadas, distribuídas ou capitalizadas à
pessoa jurídica rural cooperada.

Fundo de Liquidez para Garantia dos Financiamentos Contratados


A Lei 11.524/2007 permitiu à instituição financeira a constituição de fundo de liquidez para garantia dos
financiamentos, composto de recursos oriundos das participações, não restituíveis, a serem pagas pelos
produtores rurais ou suas cooperativas, destinado a financiar a liquidação de suas dívidas com
fornecedores de insumos agropecuários.

Os valores das participações para constituição do fundo de liquidez poderão ser considerados como
despesa dedutível na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido, quando pagos por pessoa jurídica produtora rural.

O bônus de adimplência recebido pelo produtor rural ou sua cooperativa, em decorrência de sua
participação no fundo, bem como o valor resultante do rateio do saldo do fundo de liquidez serão
considerados receita operacional.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Comprovação da Receita e da Despesa


A receita da atividade rural e as despesas de custeio e os investimentos deverão estar lastreados com
documentos com as características a seguir.

A receita bruta da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser sempre
comprovada por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor,
nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos
reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Quando a receita bruta da atividade rural for decorrente da
alienação de bens utilizados na exploração da atividade rural, a comprovação poderá ser feita por
documentação hábil e idônea, onde necessariamente constem o nome, CPF ou CNPJ e endereço do
adquirente, bem como a data e o valor da operação em moeda corrente nacional.

A despesa de custeio, assim considerada aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade
rural e à manutenção da respectiva fonte produtora, relacionada com a natureza das atividades rurais
exercidas, e o investimento, que é a aplicação de recursos financeiros que visem ao desenvolvimento da
atividade rural para a expansão da produção e melhoria da produtividade, serão comprovados através de
documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, duplicata, recibo, contrato de prestação de serviços,
laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamento de empregados, de modo que possa ser
identificada a destinação dos recursos.

A nota fiscal simplificada e o cupom de máquina registradora, quando identificarem o destinatário das
mercadorias ou produtos, são documentos hábeis para comprovar as despesas.

Resultado da Atividade Rural


Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas auferidas e das
despesas incorridas no período de apuração, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas
pela pessoa jurídica rural.

Admite-se como da atividade própria das empresas que se dedicam à criação de animais os resultados
provenientes da venda de reprodutores ou matrizes, bem como do rebanho de renda, qualquer que seja
o montante do resultado dessa operação, desde que observado o período de permanência na empresa
em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento, ou 138 dias, nos demais casos.

Resultado da Venda do Imobilizado


Integra o resultado da atividade rural a alienação de todos os bens utilizados exclusivamente na
produção rural, tais como tratores, implementos, equipamentos, máquinas, utilitários e benfeitorias
incorporadas ao imóvel rural.

Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui resultado da atividade
rural. Nesse caso, o ganho ou perda deve ser apurado de acordo com regras aplicáveis às demais
pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real.

7.2 - LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL - LALUR


A empresa rural que explore atividades mistas deverá demonstrar, no Lalur, separadamente, o lucro ou
prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades.

Embora a atividade rural esteja sujeita, como as demais atividades, à alíquota básica de 15% e ao
adicional de 10% quando o lucro real ultrapassar o limite fixado, haverá necessidade de se apurarem
dois lucros separadamente, para fins de compensação de prejuízos fiscais.

41
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

7.3 - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS

Com o advento das Leis 8.981 e 9.065/95, a compensação de prejuízos fiscais, pelas empresas em
geral, ficou limitada a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do
Imposto de Renda. No entanto, como a tributação da atividade rural é regida por legislação específica,
esse limite não se aplica à compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural.

Empresa com Atividade Mista


Segundo a Instrução Normativa RFB 1.700/2017, para efeito de compensação de prejuízos fiscais, as
empresas que exploram atividade rural juntamente com outra atividade deverão observar o exposto a
seguir.
a) O prejuízo fiscal da atividade rural poderá ser compensado, sem qualquer limitação, nos seguintes
casos:
• Compensação do prejuízo fiscal da atividade rural com o lucro real dessa mesma atividade,
apurado em períodos subsequentes;
• Compensação do prejuízo fiscal da atividade rural com o lucro real de outras atividades
apurado no mesmo período.
b) A limitação de 30% do lucro real deverá ser observada na compensação:
• De prejuízos fiscais da atividade rural com o lucro real de outra atividade, apurado em
períodos subsequentes;
• De prejuízos fiscais de outras atividades com o lucro real dessas mesmas atividades, em
períodos de apuração subsequentes.

Os prejuízos fiscais da atividade rural correspondentes aos anos-calendário de 1986 a 1990 somente
poderão ser compensados com o lucro real da atividade rural.

Prejuízos Não Operacionais


Por força do artigo 31 da Lei 9.249/95, os prejuízos não operacionais apurados pelas pessoas jurídicas a
partir de 1-1-96 somente poderão ser compensados em períodos de apuração seguintes, com lucros da
mesma natureza, observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado.

Para fins do disposto anteriormente, consideram-se não operacionais os resultados decorrentes da


alienação de bens e direitos do antigo Ativo Permanente contido no atual Ativo Não Circulante não
utilizados exclusivamente na produção rural, incluída a terra nua, exceto as perdas decorrentes de baixa
de bens ou direitos do antigo Ativo Permanente, em virtude de terem-se tornado imprestáveis, obsoletos
ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata.

Para os efeitos fiscais, considera-se prejuízo compensável o apurado na demonstração da base de


cálculo do imposto devido na atividade rural. Somente poderão ser compensados os prejuízos fiscais da
atividade rural apurados a partir de 31-12-86.

7.4 - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO

As empresas rurais tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, estão sujeitas ao
pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01-01-2003, a alíquota da CSLL é de 9%.

A Lei 8.981/95 limitou em 30% da base de cálculo positiva apurada em períodos de apuração

42
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

subsequentes, a compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro


Líquido. A limitação de 30% era observada inclusive para efeito de compensação da base de cálculo
negativa da Contribuição Social apurada pelas empresas rurais.

A partir de 13-3-2000, com a edição da Medida Provisória 1.991-15, de 10-3-2000, atual Medida
Provisória 2.158-35/2001, esta limitação não mais se aplica ao resultado decorrente da exploração da
atividade rural.

7.5- CÁLCULO DO IRPJ

O cálculo do Imposto de Renda devido pelas empresas rurais deve ser efetuado de acordo com os
critérios aplicáveis às pessoas jurídicas em geral.

A alíquota básica do IRPJ é de 15%. As pessoas jurídicas estão sujeitas ao adicional de 10% sobre a
parcela do lucro que ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 para cada mês abrangido no período de
apuração.

As empresas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, bem como aquelas tributadas pelo
lucro real, que se enquadrarem na apuração trimestral, estarão sujeitas ao adicional quando o lucro
apurado no trimestre exceder o limite de R$ 60.000,00 ou o valor correspondente ao resultado da
multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses que compuserem o período de apuração.

As empresas enquadradas no regime de estimativa, que pagarem o Imposto de Renda mensalmente,


com base na receita bruta e acréscimos, estarão sujeitas ao adicional quando a base de cálculo do
imposto ultrapassar o limite de R$ 20.000,00. A pessoa jurídica deverá pagar o adicional do IRPJ,
quando o lucro real apurado no encerramento do ano-calendário ultrapassar o limite de R$ 240.000,00.
No caso de período de apuração inferior a doze meses, bem como de apuração procedida em
balanços/balancetes intermediários, para fins de suspensão/redução do pagamento mensal do imposto, o
limite será o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses a que
corresponder o respectivo período de apuração.

O adicional de 10% incidirá sobre a parcela do lucro real (atividades em geral e atividade rural) que
exceder a R$ 20.000,00 multiplicado pelo número de meses do período de apuração.

7.6 – SIMPLES NACIONAL

O Simples Nacional regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido previsto na Lei


Complementar nº. 123, de 2006, aplicável às Microempresas e às Empresas de Pequeno Porte, a partir
de 01.07.2007, pode ser utilizado pela Empresa Rural.

Considera-se ME, para efeito do Simples Nacional, a sociedade empresária, a sociedade simples, a
empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário que aufiram, em cada ano-calendário,
receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais).

Considera-se EPP, para efeito do Simples Nacional, a sociedade empresária, a sociedade simples, a
empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário que aufiram, em cada ano-calendário,
receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$
4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais).

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Também a partir de 2012, há um limite extra para exportação de mercadorias no valor de R$


4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais).). Dessa forma, a EPP poderá auferir receita bruta
até R$ 9.600.000,00 (nove milhões e oitocentos mil reais), desde que não extrapole, no mercado interno
ou em exportação de mercadorias, o limite de R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentoes mil reais).

Uma vez a empresa optando pelo simples nacional implicaria no recolhimento mensal, mediante
documento único de arrecadação, dos seguintes tributos:
• Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
• Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
• Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
• Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);
• Contribuição para o PIS/Pasep;
• Contribuição Patronal Previdenciária (CPP); e
• Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de
Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS).

A opção pelo Simples Nacional não abrange no recolhimento unificado alguns tributos e contribuições. O
contribuinte deverá recolher os seguintes tributos, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável,
nos termos da legislação aplicável às demais pessoas jurídicas:
• Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);
• Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
• Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador;
• Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte
individual;

8 - PIS E COFINS NA ATIVIDADE RURAL

8.1 - CONTRIBUINTE

São contribuintes do PIS e da Cofins as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são
equiparadas pela legislação do imposto de renda, estando sujeitas ao regime de não cumulatividade as
pessoas jurídicas tributadas pelo referido imposto de renda com base no lucro real.

8.2 - FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO

A Contribuição para o PIS e a COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o
faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,
independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, o total das receitas
compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e
todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Para as empresa tributadas pelo regime
cumulativo o faturamento mensal compreende apenas a receita bruta da pessoa jurídica.

A base de cálculo é o faturamento mensal, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços
nas operações em conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Para

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

as empresa tributadas pelo regime cumulativo o faturamento mensal compreende apenas a receita bruta
da pessoa jurídica.

Exclusões da Base de Cálculo


Não integram a base de cálculo:
o Receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição;
o Sujeitas à alíquota zero;
o Receitas não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente;
o Receitas auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às
quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;
o Vendas canceladas;
o Descontos incondicionais concedidos;
o Mercadorias ou bens recebidos em bonificação;
o Reversões de provisões;
o Recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas;
o Resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e dos lucros e
dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido
computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta
de Participação (SCP);
o IPI; e
o ICMS, quando cobrado pelo vendedor na condição de substituição tributária

Fornecimento a Pessoa Jurídica de Direito Público


No caso de fornecimento a preço determinado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de
direito público, a receita poderá ser diferida para efeito de recolhimento das contribuições para o mesmo
do seu efetivo recebimento.

8.3 - ALÍQUOTAS
Para determinação do valor do PIS e da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada as
seguintes alíquotas:
Regime Cumulativo: 0,65 para o PIS e 3% para a Cofins.
Regime Não-Cumulativo: 1,65 para o PIS e 7,6% para a Cofins.

Alíquotas Diferenciadas
Para alguns produtos temos alíquotas zero (0%), como:
• Venda de produtos hortícolas e frutas, classificados no capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na
posição 04.07;
• As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade.
De acordo com o Decreto nº 5.442/2005, a redução não se aplica aos juros sobre capital próprio, mas
aplica-se às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de
incidência não cumulativa;
• Sementes e mudas destinadas à semeadura e ao plantio, e produtos de natureza biológica utilizados
em sua produção;
• Feijões comuns (Phaseolus vulgaris), classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99
da NCM, arroz descascado (arroz "cargo" ou castanho), classificado no código 1006.20 da NCM,
arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido (glaceado), classificado no código
1006.30 da NCM e farinhas classificadas no código 1106.20 da NCM;
• Pintos de 1 (um) dia classificados no código 0105.11 da TIPI;

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

• Queijos tipo mozarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota, requeijão, queijo provolone, queijo
parmesão e queijo fresco não maturado;

8.4 - CRÉDITOS A DESCONTAR

Do valor apurado a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:


A. Das aquisições efetuadas no mês:
I. De bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos cuja tributação é por
substituição tributária ou incidência monofásica;
II. De bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos:
a. Na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou
b. Na prestação de serviços;

Entendem-se como insumos:


I. Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:
a. A matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer
outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de
propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre
o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;
b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou
consumidos na produção ou fabricação do produto;
II. Utilizados na prestação de serviços:
a. Os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não
estejam incluídos no ativo imobilizado; e

B. Das despesas e custos incorridos no mês, relativos:


I. A energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;
II. Os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas
atividades da empresa;
III. A contraprestação de operações de arrendamento mercantil pagas a pessoa jurídica, exceto
quando esta for optante pelo Simples; e
IV. a armazenagem de mercadoria e frete na operação de compra e venda, quando o ônus for
suportado pelo vendedor.

C. Dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos:


I. As máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos no País
para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;
II. As edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da
empresa; e
D. Relativos aos bens recebidos em devolução, no mês, cuja receita de venda tenha integrado o
faturamento do mês ou de mês anterior, e tenha sido tributada na forma não cumulativa.

Vedação ao Creditamento
Não dará direito a crédito o valor de mão-de-obra paga a pessoa física e a aquisição de bens ou serviços
não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive quando revendidos sujeitos à alíquota 0 (zero),
isentos ou não alcançados pela contribuição. O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação
aos:
o Bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;
o Custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País;

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

o Bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a
aplicação da Lei.

O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes.

As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o
PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas
operações. (art. 17, da lei 11.033/2005)

Estorno do Crédito
Deverá ser estornado o crédito do PIS e da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados
como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à
venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou,
ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação.

9 – INSS PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA

9.1 - CONCEITOS

Segundo a legislação previdenciária, em relação à atividade rural, deparamos com as seguintes


conceituações:

I. Produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou
rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos
primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio
de prepostos.
II. Produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a
processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os
resíduos obtidos por esses processos;
III. Beneficiamento, a primeira modificação ou o preparo dos produtos de origem animal ou vegetal,
realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física e desde que não esteja sujeito à
incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), por processos simples ou sofisticados,
para posterior venda ou industrialização, sem lhes retirar a característica original, assim
compreendidos, dentre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem,
descascamento, debulhação, secagem, socagem e lenhamento;
IV. Industrialização rudimentar, o processo de transformação do produto rural, realizado pelo produtor
rural pessoa física ou pessoa jurídica, alterando-lhe as características originais, tais como a
pasteurização, o resfriamento, a fermentação, a embalagem, o carvoejamento, o cozimento, a
destilação, a moagem, a torrefação, a cristalização, a fundição, dentre outros similares;
V. Subprodutos e resíduos, aqueles que, mediante processo de beneficiamento ou de industrialização
rudimentar de produto rural original, surgem sob nova forma, tais como a casca, o farelo, a palha, o
pelo e o caroço, dentre outros;
VI. Parceria rural, o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo
determinado ou não, o uso de imóvel rural, de parte ou de partes de imóvel rural, incluindo ou não
benfeitorias e outros bens, ou de embarcação, com o objetivo de nele exercer atividade agropecuária

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

ou pesqueira ou de lhe entregar animais para cria, recria, invernagem, engorda ou para extração de
matéria-prima de origem animal ou vegetal, mediante partilha de risco, proveniente de caso fortuito
ou de força maior, do empreendimento rural e dos frutos, dos produtos ou dos lucros havidos, nas
proporções que estipularem;
VII. Parceiro, aquele que, comprovadamente, tem contrato de parceria com o proprietário do imóvel ou
embarcação e nele desenvolve atividade agropecuária ou pesqueira, partilhando os lucros conforme
o ajustado em contrato;
VIII. Meeiro, aquele que, comprovadamente, tem contrato com o proprietário do imóvel ou de embarcação
e nele desenvolve atividade agropecuária ou pesqueira, dividindo os rendimentos auferidos em
partes iguais;
IX. Parceria de produção rural integrada, o contrato entre produtores rurais, pessoa física com pessoa
jurídica ou pessoa jurídica com pessoa jurídica, objetivando a produção rural para fins de
industrialização ou de comercialização, sendo o resultado partilhado nos termos contratuais;
X. Arrendamento rural, o contrato pelo qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo
determinado ou não, o uso e o gozo de imóvel rural, de parte ou de partes de imóvel rural, incluindo
ou não outros bens e outras benfeitorias, ou embarcação, com o objetivo de nele exercer atividade
de exploração agropecuária ou pesqueira mediante certa retribuição ou aluguel;
XI. Comodato rural, o empréstimo gratuito de imóvel rural, de parte ou de partes de imóvel rural,
incluindo ou não outros bens e outras benfeitorias, ou embarcação, com o objetivo de nele ser
exercida atividade agropecuária ou pesqueira;
XII. Consórcio simplificado de produtores rurais, a união de produtores rurais pessoas físicas que,
mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos, outorga a um deles poderes
para contratar, gerir e demitir trabalhador para a exclusiva prestação de serviços aos integrantes
desse consórcio.
XIII. Cooperativa de produção rural, a sociedade de produtores rurais pessoas físicas, ou de produtores
rurais pessoas físicas e pessoas jurídicas que, organizada na forma da lei, constitui-se em pessoa
jurídica com o objetivo de produzir e industrializar, ou de produzir e comercializar, ou de produzir,
industrializar e comercializar a sua produção rural;
XIV. Cooperativa de produtores rurais, a sociedade organizada por produtores rurais pessoas físicas ou
por produtores rurais pessoas físicas e pessoas jurídicas, com o objetivo de comercializar, ou de
industrializar, ou de industrializar e comercializar a produção rural dos cooperados;

9.2. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL

A legislação determina que as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta proveniente da
comercialização da produção rural, industrializada ou não, substituem as contribuições sociais incidentes
sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I
(CPP – Contribuição Patronal Previdenciária de 20%) e II (Gilrat – Grau de Incidência de Incapacidade
Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho de 1%, 2% ou 3%) do artigo 22 da Lei
8.212/91, sendo devidas por produtores rurais pessoa jurídica e agroindústrias, exceto as de piscicultura,
de carcinicultura, de suinocultura e de avicultura.

A substituição prevista anteriormente ocorre, dentre outros, em relação à remuneração dos segurados
empregados:
a) Que prestam serviços em escritório mantido por produtor rural, pessoa física ou pessoa jurídica,
exclusivamente para a administração da atividade rural;
b) Contratados pelo consórcio simplificado de produtores rurais para suas atividades administrativas.

Empresa que se Dedique ao Florestamento e Reflorestamento

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Em relação à empresa que se dedique ao florestamento e reflorestamento como fonte de matéria-prima


para industrialização própria, caberá a contribuição sobre a produção rural, quando:
a) A atividade rural da empresa for exclusivamente de florestamento e reflorestamento e seja utilizado
processo industrial que não modifique a natureza química da madeira nem a transforme em pasta
celulósica;
b) O processo industrial utilizado implicar modificação da natureza química da madeira ou sua
transformação em pasta celulósica e desde que concomitantemente com essa situação, a empresa:
1) Comercialize resíduos vegetais, sobras ou partes da produção cuja receita bruta decorrente
da comercialização desses produtos represente mais de 1% da receita bruta proveniente da
comercialização da sua produção;
2) Explore outra atividade rural;

Não caberá a contribuição sobre a produção rural, quando:


a) Relativamente à atividade rural, a empresa se dedica apenas ao florestamento e reflorestamento
como fonte de matéria-prima para industrialização própria e utiliza processo industrial que modifique
a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica; e
b) Na hipótese de efetuar venda de resíduos vegetais, sobras ou partes da produção rural, a receita
bruta dela decorrente represente menos de 1% da receita bruta proveniente da comercialização da
sua produção.

Não é Considerado Produtor Rural


A instituição de ensino, a entidade hospitalar, a creche, a empresa de hotelaria ou qualquer outro
estabelecimento que, por sua natureza, realiza, eventual ou subsidiariamente, atividade rural, não é
considerado produtor rural, para os efeitos da substituição das contribuições sociais incidentes sobre a
folha de pagamento, sendo que a eventual comercialização de sua produção não constitui fato gerador
de contribuições sociais.

Apenas a aquisição de produção rural de terceiros para industrialização ou para comercialização não se
caracteriza atividade rural, devendo a empresa adquirente contribuir com base na remuneração paga,
devida ou creditada aos segurados a seu serviço, respondendo, também, pelas obrigações decorrentes
da sub-rogação.

9.3. OPÇÃO PELA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA OU FOLHA DE SALÁRIOS

Com base nas alterações promovidas pela Lei 13.606/2018, o produtor rural pessoa jurídica que se
dedique à produção rural poderão optar por contribuir sobre a receita bruta proveniente da
comercialização da produção rural ou sobre a folha de salários, manifestando sua opção mediante o
pagamento da contribuição previdenciária relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência
subsequente ao início da atividade rural, e será irretratável para todo o ano-calendário.

Se a pessoa jurídica, exceto a agroindústria, explorar, além da atividade de produção rural, outra
atividade econômica autônoma comercial, industrial ou de serviços, no mesmo estabelecimento ou em
estabelecimento distinto, ou optar por contribuir sobre a folha de pagamento, fica obrigada às seguintes
contribuições, em relação a todas as atividades:
a) 20% sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a empregados e trabalhadores avulsos
a seu serviço;
b) 20% sobre a remuneração de contribuintes individuais (trabalhadores autônomos) a seu serviço;
c) Contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em
razão do Gilrat, incidente sobre a remuneração de empregados e trabalhadores avulsos.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

9.4. FATO GERADOR

O fato gerador das contribuições previdenciárias sobre a receita ocorre:


I. Na comercialização da produção rural do produtor rural pessoa jurídica, exceto daquele que,
além da atividade rural, exerce atividade econômica autônoma do ramo comercial, industrial ou
de serviços;
II. Na comercialização da produção própria ou da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela
agroindústria, exceto quanto às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura,
carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1-11-2001.
III. Na destinação, para fins diversos daqueles que asseguram a isenção, de produto originariamente
adquirido com isenção, tais como o descarte, a industrialização, a revenda, dentre outros;
IV. Na comercialização de produto rural vegetal ou animal originariamente isento de contribuição
com adquirente que não tenha como objetivo econômico atividade condicionante da isenção;
V. Em qualquer crédito ou pagamento efetuado pela cooperativa aos cooperados, representando
complementação de preço do produto rural, incluindo-se, dentre outros, as sobras, os retornos,
as bonificações e os incentivos próprios ou governamentais;
VI. No arremate de produção rural em leilões e praças, exceto se os produtos não integrarem a base
de cálculo das contribuições.

Parceria Rural Integrada


Na parceria de produção rural integrada, o fato gerador, a base de cálculo das contribuições e as
alíquotas serão determinados em função da categoria de cada parceiro perante o RGPS – Regime
Geral de Previdência Social no momento da destinação dos respectivos quinhões.

Contratos de Compra e Venda para Entrega Futura


Nos contratos de compra e venda para entrega futura, que exigem cláusula suspensiva, o fato
gerador de contribuições ocorrerá na data de emissão da respectiva nota fiscal, independentemente
da realização de antecipações de pagamento.

Não Configura Fato Gerador


O recebimento de produção agropecuária oriunda de outro país, ainda que o remetente seja o próprio
destinatário do produto, não configura fato gerador de contribuições sociais sobre a receita bruta
proveniente da comercialização da produção rural.

Os seguintes eventos são também considerados fatos geradores de contribuições sociais:


a) A destinação, para fins diversos daqueles que asseguram a isenção, de produto originariamente
adquirido com isenção, tais como o descarte, a industrialização, a revenda, dentre outros;
b) A comercialização de produto rural vegetal ou animal originariamente isento de contribuição com
adquirente que não tenha como objetivo econômico atividade condicionante da isenção;
c) A dação em pagamento, a permuta, o ressarcimento, a indenização ou a compensação feita com
produtos rurais pelo produtor rural com adquirente, consignatário, cooperativa ou consumidor;
d) Qualquer crédito ou pagamento efetuado pela cooperativa aos cooperados, representando
complementação de preço do produto rural, incluindo-se, dentre outros, as sobras, os retornos, as
bonificações e os incentivos próprios ou governamentais;
e) O arremate de produção rural em leilões e praças, exceto se os produtos não integrarem a base de
cálculo das contribuições.

9.5. BASE DE CÁLCULO

50
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é:


I. O valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e dos subprodutos e
resíduos, se houver;
II. O valor do arremate da produção rural;
III. O preço de mercado da produção rural dada em pagamento, permuta, ressarcimento ou em
compensação, entendendo-se por:
a) Preço de mercado, a cotação do produto rural no dia e na localidade em que ocorrer o
fato gerador;
b) Preço a fixar, aquele que é definido posteriormente à comercialização da produção rural,
sendo que a contribuição será devida nas competências e nas proporções dos
pagamentos;
c) Preço de pauta, o valor comercial mínimo fixado pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios para fins tributários.

Considera-se receita bruta o valor recebido ou creditado ao produtor rural pela comercialização da sua
produção rural com adquirente ou consumidor, pessoas físicas ou jurídicas, com cooperativa ou por meio
de consignatário, podendo, ainda, ser resultante de permuta, compensação, dação em pagamento ou
ressarcimento que represente valor, preço ou complemento de preço.

Agroindústria
A base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da
comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as
agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas.

Ocorre a substituição da contribuição tratada, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade
econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá
sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades.

A base de cálculo das contribuições das agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e


avicultura e das sociedades cooperativas, independentemente de terem ou não outra atividade comercial
ou industrial, é a remuneração contida na folha de pagamento dos segurados a seu serviço.

9.6. ALÍQUOTAS

O produtor rural, constituído como pessoa jurídica, que tenha como fim apenas a atividade de
produção rural, contribui sobre a receita bruta da comercialização de sua produção com a alíquota de
2,05%, sendo:
a) 1,7% para custear os benefícios do trabalhador rural;
b) 0,1% para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho; e
c) 0,25% destinado ao Senar.

Também estão obrigadas ao recolhimento de 2,85% sobre a produção rural as agroindústrias, exceto
as de piscicultura, de carcinicultura, de suinocultura e de avicultura.

51
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

ANEXOS
PARCERIA PECUÁRIA
O contrato de parceria pecuária, além de observar as disposições relativas aos contratos em geral, do Código
Civil, deve amoldar-se as condições específicas previstas na Lei nº 5404 ,de 1964 (Estatuto da Terra) e
respectivo Decreto regulamentador – Decreto nº 59.566, de 1966. Para melhor orientar o usuário deste “site”,
transcrevemos no final os artigos pertinentes da Lei e do Decreto em questão.

Quanto aos contratos de parceria pecuária entre proprietários de terra e pecuaristas de grande porte,
fazemos remissão ao que foi dito a respeito quando tratamos do contrato de arrendamento.

MINUTA DE CONTRATO DE PARCERIA PECUÁRIA DE CORTE

1. PARTES CONTRATANTES

PARCEIRO OUTORGANTE: (Nome do Parceiro Outorgante), (Nacionalidade), (Profissão), (Estado Civil),


portador da cédula de Identidade nº ........ C.P.F. nº ..............., residente e domiciliado na Rua................, nº
............., bairro ................., cidade......................., Cep. .............., no Estado de........

PARCEIRO OUTORGADO: (Nome do Parceiro Outorgado), (Nacionalidade), (Profissão), (Estado Civil),


portador da cédula de Identidade nº ..........., C.P.F. nº................, residente e domiciliado na rua.................,
nº.................., bairro ................., cidade ................, Cep. ...................., no Estado de................,
As partes acima identificadas têm, entre si, justo e contratado o presente Contrato de Parceria Pecuária,
que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas normas pertinentes da Lei nº 4.504/64, do Decreto nº
59.566/66 e pelo Código Civil no que for aplicável à espécie.

Cláusula [Link] objeto O presente contrato tem como OBJETO, a criação (recriação ou engorda) de
gado bovino de corte concorrendo o parceiro outorgante com o gado e o parceiro outorgado com a
fazenda conforme a seguir se especifica.(se o contrato for de recriação ou de engorda, diversas cláusulas
deverão ser adaptadas)

Parágrafo único. O parceiro outorgante entrega ao parceiro outorgado, no ato de assinatura deste
contrato, ........... (quantidade por extenso) cabeças de gado.............................(descrever a espécie do gado,
idade e estado geral, número de matrizes e de reprodutores), para serem apascentadas e reproduzirem na
fazenda de propriedade do parceiro outorgado, localizada no município de ......................,(descrever a
localização da fazenda), com área de ................hectares, objeto da matricula imobiliária nº ......... do Registro
de Imóveis da Comarca de ......................
(obs.A fazenda pode, também, ser arrendada pelo parceiro outorgado ou simplesmente estar na pose deste a
justo título)

Cláusula segunda. O parceiro outorgado se responsabiliza pelo apascentamento, manejo e trato do gado
bem como por todos os cuidados necessários inclusive de ordem sanitária, como vacinações preventivas,
devendo, para tanto, alimentar de forma eficiente os animais, seguindo as normas técnicas e os usos e
costumes locais, enfim tratar com zelo e cuidado os animais que lhe são confiados.

Cláusula terceira. O parceiro outorgado recebe o gado objeto da parceria, descrito no parágrafo único da
cláusula primeira, em perfeitas condições sanitárias e normal estado de desenvolvimento, dentro do padrão
técnico para animais da espécie.

Cláusula quarta. A parceria compreende o manejo, a alimentação, o tratamento das doenças, o alojamento,
e todo trato relacionado com o gado por parte do parceiro outorgado.

Cláusula quinta. O pastoreio do gado objeto desta parceria deverá ser feito pelo sistema (descrever o
52
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

sistema de pastoreio, se extensivo, intensivo, semiconfinamento, rotativo etc.) observados os usos e


costumes locais.

Cláusula sexta. Os custos com a manutenção do rebanho e demais gastos resultantes da parceria serão
suportado pelas partes contratantes observado o seguinte :
• por conta do parceiro outorgante: aquisição de sal, suplementos minerais, medicamentos veterinários,
vacinas , produtos esses que serão entregues em tempo oportuno, na sede da fazenda ,ou repassado o
valor correspondente ao parceiro outorgado, em tempo hábil para que este os adquira (as partes devem
acertar qual a opção que desejam);
• por conta do parceiro outorgado:despesas com limpeza e conservação dos pastos, manutenção de
cercas, currais e demais benfeitorias da fazenda em geral, mão de obra, empregados, encargos
trabalhistas e previdenciários; (Obs.: nesta cláusulas deverão ser detalhados todos os encargos que
caberão a cada parte conforme for negociado).

Cláusula sétima. Da partilha. Caberá ao parceiro outorgado .......%(..................por cento) das crias ,
devendo a partilha ser feita no último dia do prazo de vigência deste contrato, quando o parceiro outorgante
retirará da fazenda as matrizes e reprodutores de sua propriedade juntamente com as crias que lhe
couberem.

Cláusula oitava. O parceiro outorgado se obriga a apresentar ao parceiro outorgante relatório mensal, por
escrito, segundo modelo previamente estabelecido, contento as principais ocorrências na execução do
presente contrato, principalmente perdas ocorridas e respectivas causas, animais nascidos, vacinações e
outra medidas profiláticas, outras providências a cargo do parceiro outorgante que necessitem ser
implementadas etc.

Parágrafo único. Comprovada a ocorrência de perda por culpa exclusiva do parceiro outorgado, de seus
prepostos ou empregados, este fica obrigado a ressarcir o parceiro outorgante pelo valor de mercado, salvo
as ocorrências de caso fortuito ou força maior.

Cláusula nona. Renovação do contrato. O presente contrato só será renovado por igual período, mediante
acordo expresso, após a partilha do produto da parceria, ficando excluida qualquer hipótese de renovação ou
prorrogação tácita.

Cláusula décima. Rescisão. O inadimplemento de qualquer cláusulas deste contrato, conferirá à parte
contrária a faculdade de declará-lo unilateralmente rescindido e de pleitear o ressarcimento das perdas e
danos, sem prejuízo da multa contratual adiante convencionada.

§ 1º. No caso de extravio, perda ou desvio do gado de reprodução, por culpa ou dolo do parceiro outorgado,
as perdas e danos compreenderão a evolução da reprodução segundo a taxa de desfrute reconhecida na
região, que fica desde já estabelecida em ....% (.............por cento).

§ 2º. Se o extravio perda ou desvio ocorrer entre as crias, as perdas e danos serão calculadas com base no
valor de mercado por cabeça com a idade que teria na data do ressarcimento.
Cláusula décima primeira. Da multa contratual. A parte que infringir quaisquer cláusulas, pagará à outra a
multa no valor de R$.....................(........................................................).

Cláusula décima segunda. Prazo. A presente parceria terá a duração de ........................ meses, a iniciar-se
no dia ......de...........................de ......, e findar-se no dia .......... de...................de......., data em que serão
devolvidas ao parceiro outorgante as matrizes e reprodutores juntamente com as crias que lhe couberem,
independentemente de aviso, notificação, interpelação ou qualquer outra medida judicial ou extrajudicial.

Cláusula décima terceira. Fica convencionado entre as partes que nenhum animal produto da criação será
alienado ou retirado da fazenda em que se encontra sem que se proceda à previa partilha da produção.
53
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Cláusula décima quarta.O parceiro outorgado fica alertado que o desvio ou alienação de qualquer número
de cabeça de gado de reprodução ou cria, configura crime de apropriação indébita como tal previsto no
art.168 do Código Penal.

Cláusula décima [Link] fiscal e trabalhista. Cabe ao parceiro outorgante a


responsabilidade integral e exclusiva pelos encargos ambientais, tributários, trabalhistas e previdenciários
referentes à propriedade e seus empregados, ficando assegurado ao parceiro outorgante o direito de
regresso caso venha a ser responsabilizado solidária ou subsidiariamente por tais encargos.

Cláusula décima sexta – Anexos


Fazem parte deste instrumento, como anexos I e II, a transcrição na íntegra dos seguintes dispositivos legais
que o acompanham e que as partes declaram haver lido e, por isso, apõem suas assinaturas:
− Artigos 92, 93, 94 e 96 da Lei nº 5.504 de 1964 (Estatuto da Terra);
− Artigo 13 do Decreto nº 59.566, de 1966.

Cláusula décima Sétima. Foro. Elegem as parte o foro da comarca de...................... , estado de Mato
Grosso, para dirimir qualquer demanda originária deste contrato, com renúncia de qualquer.

Por estarem, assim justas e contratadas, firmam as partes o presente instrumento, em duas vias de igual teor
e forma, juntamente com duas testemunhas.

............................,, de .................................de ...............

...............................................................................
nome e assinatura do parceiro outorgante

...............................................................................
nome e assinatura do parceiro outorgado

54
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

PARCERIA AGRÍCOLA

O contrato de parceria agrícola, além de observar as disposições relativas aos contratos em geral, do Código
Civil, deve amoldar-se às condições específicas previstas na Lei nº 5404 ,de 1964 (Estatuto da Terra) e
respectivo Decreto regulamentador – Decreto nº 59.566, de 1966. Para melhor orientar o usuário deste “site”,
transcrevemos no final os artigos pertinentes da Lei e do Decreto em questão.

O legislador, ao normatizar sobre os contratos de parceria e de arrendamento, no Estatuto da Terra, em 1964,


estava com sua preocupação voltada para a tutela da parte que se lhe apresentava, na época, como
hipossuficiente, isto é o parceiro ou arrendatário que trabalhava a terra com seu próprio esforço e o de sua
família. A Lei, então, tratou de estabelecer limites ao proprietário que inibissem a exploração do trabalhador
hipossuficiente. É óbvio que, em se tratando de parceria ou arrendamento para quem explore diretamente a
terra, tais normas continuam plenamente em vigor.

Mas, Mato Grosso, dada a pujança de sua economia rural e do agronegócio tem oferecido, comumente um
quadro diferenciado que permite uma pactuação desatrelada das limitações do Estatuto da Terra. Referimo-
nos ao arrendamento de grandes áreas para agricultura ou pecuária por arrendatários que se enquadram no
conceito de grandes empresários rurais, alguns até constituídos em pessoas jurídicas. O mesmo ocorre com
frequência em contratos de parceria . Em tais contratos, onde as partes se equivalem em poder de barganha,
ou até o arrendatário ou parceiro se sobrepõe ao proprietário da terra em poder de pressão, é nosso
entendimento que todas as cláusulas são livremente convencionadas, observadas apenas as regras que
disciplinam os contratos em geral.

A minuta que oferecemos a seguir não se destina a essa situação peculiar, mas aos contratos celebrados sob
a égide do Estatuto da Terra.

MINUTA DE CONTRATO DE PARCERIA AGRÍCOLA

1-PARTES CONTRATANTES
PARCEIRO OUTORGANTE:(Nome), (nacionalidade),(estado civil), (profissão), portador da cédula de
identidade nº................... e CPF nº.........................., residente domiciliado na cidade de ...........,rua
.........................................................., nº..........................., neste instrumento designado, simplesmente,
PARCEIRO OUTORGANTE.

PARCEIRO OUTORGADO (Nome), (nacionalidade), (estado civil), profissão, portador da cédula de


identidade nº...................................e CPF nº......................................., residente e domiciliado na cidade de
....................., rua.................., nº........., neste instrumento designado, simplesmente, PARCEIRO
OUTORGADO.

As partes acima identificadas, pelo presente instrumento particular de contrato, têm justo e contratado uma
PARCERIA AGRÍCOLA, que se regerá pelas cláusulas adiante convencionadas e, no que for omisso este
instrumento, pelo disposto na Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra), no Decreto nº 59.566/66 , no Código Civil e
demais disposições legais aplicáveis à espécie.

CLÁUSULA PRIMEIRA-OBJETO
O Parceiro-Outorgante, legítimo proprietário, a justo título, e possuidor de um imóvel rural
denominado............(descrever o imóvel ),..........., situado.............., cidade de ..........., Estado de
.............,objeto da matrícula imobiliária nº.............., do Registro Geral de Imóveis da Comarca de
........................., com as confrontações ............................................................................,(em se tratando de
parte do imóvel deve ser individualizada esta parte com bastante clareza) entrega-o na data de assinatura
deste instrumento ao Parceiro Outorgado e conjunto familiar, sob sua responsabilidade exclusiva, para nele
plantar as lavouras de ................e outras culturas temporárias (indicar tipo da lavoura a ser explorada),
55
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

compreendendo o preparo do solo, plantio, tratos culturais, combate a pragas e ervas invasoras,
colheita...........................;

Parágrafo único. Integram, ainda, o presente contrato, o conjunto de benfeitorias, máquinas e implementos
agrícolas a seguir especificados, que são entregues ao parceiro outorgado:
− casa residencial para uso do parceiro outorgado e sua família;
− galpão, tulha etc.....;
− trator.....................;
− implementos agrícolas......................;
− -........................

CLÁUSULA SEGUNDA-PRAZO
O presente contrato terá vigência de...................(ano/s,meses) a começar no dia ....de......................de 20.. e
a terminar no dia ....de .................de 2.0.., podendo esse prazo ser prorrogado por convenção expressa entre
as partes.

Parágrafo ú[Link] a lavoura ou parte dela por colher na data de término deste contrato, o prazo se
prorrogará, automaticamente, pelo tempo necessário à conclusão da colheita.

CLÁUSULA TERCEIRA-PARTILHA DA SAFRA


Convencionam as parte a partilha da produção agrícola resultante da parceria ora contratada, pelos seguintes
percentuais:
− caberá ao Parceiro Outorgante a quota de .....% (.....) na cultura de .........e......% (.....) nas culturas
temporárias,e no que mais produzir a área objeto deste contrato, que deverá ser entregue...........(local da
entrega da colheita). A partilha efetuar-se-á...........(local e data), devendo o Parceiro Outorgado
comunicar com antecedência o Parceiro Outorgante a data em que terá início a colheita, ficando
facultado a este último acompanhar pessoalmente os trabalhos ou designar preposto para tanto.

CLÁUSULA QUARTA-DESPESAS DE CUSTEIO


As despesas de custeio, tais como, preparo, gradagem, correção e conservação do solo, sementes, plantio,
adubação, tratos culturais, defensivos agrícolas, defensivos, inseticidas, insumos diversos, colheita etc., serão
de responsabilidade exclusiva do Parceiro-.................(explicitar com clareza as despesas a cargo de cada
parceiro).

Parágrafo único. O parceiro outorgado poderá obter financiamento para o cultivo, oferecendo em garantia a
parte que lhe caberá na safra futura, ficando vedada a constituição de garantia sobre o imóvel e sobre a parte
da safra que couber ao parceiro outorgante sem a prévia e expressa anuência deste.

CLÁUSULA QUINTA
O Parceiro Outorgado fica autorizado a ocupar, com sua família e dependentes, a casa de moradia existente
na fazenda, localizada.................................................e terá também galpão ou tulha para guardar cereais e
implementos agrícolas, sendo-lhe concedida área de ..........para plantar horta, podendo também criar animais
domésticos, tais como porcos e galinhas, desde que em cercados de modo a não causar prejuízos a lavoura
ou à terceiros.

CLÁUSULA SEXTA
Ao Parceiro Outorgante assiste o direito de vistoriar toda a lavoura, a qualquer tempo, até a conclusão da
colheita, armazenamento e partilha.

CLÁUSULA SÉTIMA

56
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Os danos causados por negligência ou outra modalidade de culpa, serão imputáveis à parte faltosa. Se os
prejuízos decorrerem de força maior ou de caso fortuito, ambos os contratantes deverão suportar os riscos
que advierem.

CLÁUSULA OITAVA
Ao Parceiro Outorgado é vedado, a qualquer título, a transferência ou cessão, parcial ou total, do presente
contrato, salvo expressa anuência do Parceiro Outorgante.

CLÁUSULA NONA
O presente contrato ficará rescindido nos seguintes casos:
a) inadimplemento contratual por qualquer das partes;
b) inaptidão do Parceiro-Outorgado no trato do cultivo objeto deste contrato;
c) acontecimento natural que venha a danificar toda a lavoura.

CLÁUSULA DÉCIMA
O presente contrato continuará em pleno vigor em todos os seus efeitos, até o prazo fixado na cláusula
segunda, mesmo em caso de alienação do imóvel, sub-rogando-se, nesse caso, o adquirente nos direitos e
deveres do alienante.

CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA


O Parceiro Outorgado não responderá pelos encargos fiscais incidentes sobre o imóvel, mas responderá por
aqueles devidos sobre a parcela da produção que lhe couber.

CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA


O Parceiro Outorgado compromete-se em conservar os recursos naturais existentes na propriedade, tais
como pomares, florestas naturais, nascentes, rios, podendo consumir os frutos.

CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA


O Parceiro Outorgado se obriga a dispensar aos equipamentos, máquinas, implementos e instalações que
lhe são entregues, todo o cuidado e zelo, de modo a utilizá-los exclusivamente para os fins a que se
destinam, correndo por sua conta exclusiva todas as despesas de manutenção e reparos necessárias para
preservar o estado em que os recebe.

CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA


O Parceiro Outorgado se obriga a preservar as áreas de preservação permanente e de reserva legal da
propriedade e impedir que terceiros causem danos àquelas que estiverem abrangidas na área objeto da
parceria, respondendo civil, administrativa e criminalmente pelos danos ocorridos nas referidas áreas em
decorrência de dolo ou culpa sua ou de seus familiares, empregados ou prepostos.
Parágrafo único. Nenhuma alteração que afete direta ou indiretamente as áreas de preservação permanente
ou de reserva legal, ou que implique na necessidade de licença ambiental, poderá ser executada pelo
Parceiro Outorgado sem prévia concordância do Parceiro Outorgante e a devida permissão do órgão
ambiental competente, arcando o Parceiro Outorgado com as sanções administrativas e com a
responsabilidade civil em caso de descumprimento desta cláusula.

CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA-CLÁUSULA PENAL


A parte que infringir qualquer cláusula do presente contrato pagará à outra a multa irredutível e não
compensatória,de R$.......(..........), sem prejuízo da rescisão contratual e do ressarcimento por perdas e
danos.(esta multa poderá ser fixada em sacos se cereal)

CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA-FIANÇA


Em garantia do cumprimento do presente contrato, assinam este instrumento,como FIADORES do Parceiro
Outorgado,............................................................... (nome,nacionalidade,profissão, estado civil, RG, CPF e
endereço do fiador)e sua mulher Sra................................(nome, nacionalidade, estado civil, profissão, RG,
57
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

CPF e endereço da esposa),que, desde já, renuncia ao privilégio de exoneração previsto no art. 835 do
Código Civil e ao benefício de ordem previsto no art. 827 do mesmo Código.

CLAUSULA DÉCIMA SÉTIMA-PROIBIÇÃO DE CESSÃO


É vedado ao Parceiro Outorgado ceder total ou parcialmente ou transferir a terceiro os direitos e obrigações
decorrentes deste contrato.

CLÁUSULA DÉCIMA OITAVA


Exaurido o prazo fixado na cláusula segunda, sem que ocorra renovação, o Parceiro Outorgado restituirá o
imóvel, imediatamente, independentemente de aviso ou notificação, em perfeito estado de conservação,
indenizando o Parceiro Outorgante por qualquer dano que porventura tenha ocorrido.
Parágrafo único: As bases para eventual renovação do presente contrato serão negociadas entre as partes
em tempo oportuno.

CLAUSULA DÉCIMA NONA-OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS


O Parceiro Outorgante não responde pela obrigações trabalhistas e previdenciária do Parceiro Outorgado
em relação aos empregados deste e, caso venha a ser chamado a responder, solidária ou subsidiariamente,
por tais obrigações, cabe-lhe o direito de regresso contra o Parceiro Outorgado

CLÁUSULA VIGÉSIMA – ANEXOS


Fazem parte deste instrumento, como anexos I e II, a transcrição na íntegra dos seguintes dispositivos legais
que o acompanham e que as partes declaram haver lido e, por isso, apõem suas assinaturas:
-Artigos 92, 93, 94 e 96 da Lei nº 5.504 de 1964 (Estatuto da Terra);
-Artigo 13 do Decreto nº 59.566, de 1966.

CLÁUSULA VIGÉSIMA PRIMEIRA-FORO


Elegem aas partes o foro da comarca de .......................para dirimir qualquer demanda originária deste
contrato, com renúncia de qualquer outro.

E por estarem as partes acordes, firmam o presente contrato em duas vias de igual teor e forma, na presença
de duas testemunhas, obrigando-se a fielmente cumprir, por si e seus sucessores, tudo quanto aqui
convencionaram.

..................., .........de...................., de 20..

...............................................
PARCEIRO-OUTORGADO

..............................................
PARCEIRO-OUTORGANTE

58
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONSTITUIÇÃO DO “CONDOMÍNIO AGROPECUÁRIO


____________________(nome do condomínio)”

As partes abaixo denominadas e qualificadas:

1 - .............................................., ........................... (estado civil), ...................(profissão), portador da carteira


de identidade nº ................. – SSP/.............., inscrito no CPF/MF sob o nº ........................, residente e
domiciliado na Rua .............................., nº ..............., .......................(município), Estado de ..................., na
qualidade de Condômino;

2 - .............................................., ........................... (estado civil), ...................(profissão), portador da carteira


de identidade nº ................. – SSP/.............., inscrito no CPF/MF sob o nº ........................, residente e
domiciliado na Rua .............................., nº ..............., .......................(município), Estado de ..................., na
qualidade de Condômino;

3 - ...

Considerando-se que possuem propriedades em comum de imóveis rurais destinados à exploração da


atividade agropecuária, bem como de bens móveis relacionados a tais atividades, e por haver necessidade de
se convencionar a respeito do funcionamento de tal Condomínio, resolvem estipular a presente
CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO, nos termos do Código Civil Brasileiro e legislação complementar, havendo
consenso de que a administração do negócio deve ser feita de comum acordo, conforme termos e
disposições abaixo descritas:

CLÁUSULA PRIMEIRA
Os Condôminos são coproprietários de partes ideais dos imóveis rurais descritos no Anexo “1”, parte
integrante deste Instrumento, utilizados na exploração da atividade agropecuária.

CLÁUSULA SEGUNDA
Incluem-se também como bens objeto do Condomínio, aqueles descritos no Anexo “2”, bem como de todos
os demais bens relacionados à manutenção e reparo de máquinas e equipamentos utilizados na exploração
da atividade agropecuária, tais como instalações, ferramentas, benfeitorias, entre outros, bens que, como
acessórios, acompanham o principal e passam a fazer parte integrante das disposições desta Convenção.

CLÁUSULA TERCEIRA
As partes têm, entre si, justa e contratada, que os bens referidos nas cláusulas anteriores e constantes dos
Anexos: “1” e “2”, nos termos do Código Civil, conservar-se-ão indivisos por 05 (cinco) anos, a contar desta
data, podendo, de comum acordo, ser prorrogada a indivisibilidade, exceto quando ocorrer o previsto na
Cláusula Quarta.

Parágrafo Único:
O Condômino que pretender retirar-se do Condomínio ao final do prazo estabelecido no “caput” desta
cláusula ou em prazo inferior ao pactuado neste contrato, deverá comunicar sua intenção aos demais
Condôminos, expressamente e com antecedência de, no mínimo, 06 (seis) meses.

CLÁUSULA QUARTA
O Condômino que se retirar do Condomínio ao final do prazo estabelecido na cláusula anterior, cederá por
um período utilização de mais 03 (três) anos de sua parte ideal das máquinas e equipamentos utilizados na
exploração da atividade agropecuária, com finalidade de dar condições de continuidade ao Condomínio com
os consortes remanescentes. Os condôminos remanescentes, de comum acordo, poderão por livre e
espontânea vontade, não exercer esse direito.

59
ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Quanto à terra nua, o prazo de cessão, corresponderá ao período remanescente para a conclusão do ciclo da
atividade explorada, inclusive quando se tratar de cultura permanente como cana-de-açúcar, laranja, café,
etc, que se dará com a última colheita da cultura implantada na área.

Se a atividade explorada na terra nua, for à pecuária, o prazo de utilização da terra pertencente ao condômino
que se retira, será cedida pelo período de 03 (três) anos a contar da data do período de sua saída.

Parágrafo Primeiro
O Condômino que enquadrar na situação descrita no “caput” deste artigo receberá, a título de aluguel dos
bens cedidos, inclusive a terra nua, o equivalente, ao preço médio de locação, no mercado de atuação do
condomínio. Este valor será obtido pela média aritmética de 03 (três) cotações a ser efetuada por um arbitro,
indicado de comum acordo, pela maioria dos Condôminos, na data fixada para a retirada do Condomínio.

Parágrafo Segundo
Na hipótese prevista no parágrafo anterior, caso os Condôminos não nomeiem o arbitro, dentro do prazo de
30 (trinta) dias, contados a partir da data fixada para a retirada do Condomínio, o Condômino que esta se
retirando, poderá indicá-lo.

CLÁUSULA QUINTA
Os rendimentos, os custos e as despesas das atividades exploradas pelos condôminos serão entre eles
rateadas, na seguinte proporção:

CONDÔMINOS PERCENTUAL
%
%
TOTAL 100,00%

O percentual, aqui livremente pactuado entre as partes, foi definido com base na área das glebas de terras já
possuídas até a data da constituição deste condomínio e aquelas estimadas para aquisição no decorrer do
ano de 2003. Novas aquisições a partir de 2004, em proporcionalidade diversa da prevista nesta cláusula,
obriga a partes a ajustarem suas participações neste contrato, de acordo com a somatória das áreas de
propriedade dos condôminos, exploradas por este condomínio.

CLÁUSULA SEXTA
No campo do Direito Tributário, na área específica do Imposto de Renda, os Condôminos será tributado
separadamente nas pessoas de cada um, nos termos do artigo 59 do Regulamento do Imposto de Renda
(Decreto no 3.000, de 26 de março de 1.999) e do art. 18 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1.995.

CLÁUSULA SÉTIMA
Os Condôminos nomeiam como administrador do Condomínio, o(a) Sr(a).............................., inscrito(a) no
CPF sob o nº ..................

Parágrafo Único
A alteração da administração do Condomínio, por retirada de um ou mais de seus membros, ou admissão de
novo membro, somente poderá ser efetuada mediante a deliberação de todos os Condôminos ou, nas
condições em que a legislação de regência determinar.

CLÁUSULA OITAVA
A exploração da atividade rural será feita em conjunto e administrada nos termos do disposto neste
Instrumento, presumindo-se mandatário comum aquele Condômino que administrar sem oposição dos outros.

Parágrafo Único

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

O Condômino que agir como mandatário na administração do Condomínio e exceder aos poderes inerentes a
atividade que lhes foi outorgada, responderá pelos prejuízos causados aos demais Condôminos.

CLÁUSULA NONA
A administração conjunta do Condomínio será feita na forma convencionada e sob denominação de
“CONDOMÍNIO AGROPECUÁRIO ...................................”, na qual cada Condômino tem como quinhão as
propriedades enumeradas nos Anexos: 01 e 02, valendo as disposições do Código Civil no que este
Instrumento for lacunoso ou contraditório.

Parágrafo Único
Os direitos e as dívidas contraídas sob administração comum serão considerados de todos os seus
Condôminos, na proporção de seu quinhão, nos termos dos artigos 638 e 639 do Código Civil.

CLÁUSULA DÉCIMA
A denominação “CONDOMÍNIO AGROPECUÁRIO ..........................”, será lançada em todos os atos,
contratos e documentos assinados pelo administrador, a título de nome fantasia. A denominação, para efeitos
fiscais, cadastrais e assunção de obrigações contratuais, será sempre “ ......................................(nome de um
dos condôminos administradores) e Outros”.

CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA


O administrador poderá praticar todos os atos de administração e gestão, necessários e úteis ao bom
desempenho de sua função e a exploração proveitosa da atividade agropecuária, entre os quais:
a) Adquirir quaisquer bens necessários ao desenvolvimento da referida atividade;
b) Vender seus produtos e frutos;
c) Alienar ou onerar bens móveis;
d) Abrir, movimentar ou encerrar contas bancárias em nome do Condomínio;
e) Contratar financiamentos ou empréstimos bancários;
f) Assinar contratos de mútuo;
g) Constituir procuradores e gerentes para cooperar na exploração da atividade agropecuária;
h) Dar recibos e quitações;
i) Contrair dívidas, emitir, sacar e endossar notas promissórias, letras de câmbio e outros títulos de crédito.

Parágrafo Primeiro
Para o cumprimento dos atos de administração previstos nos itens “d” a “i”, desta cláusula, será sempre
necessário a assinatura em conjunta de dois administradores ou de 02 (dois) procuradores. O Procurador não
poderá assinar em conjunto com o administrador que o outorgou a procuração, bem como com os parentes
deste administrador: por afinidade; de primeiro grau em linha direta ou de segundo grau em linha colateral.

Parágrafo Segundo
Para representar o Condomínio perante terceiros, os administradores poderão nomear procuradores, por
meio da outorga expressa de mandato, com a delegação de poderes amplos ou específicos.

Parágrafo Terceiro
O administrador não poderá alienar ou onerar bens imóveis, praticar atos de liberalidade, garantir dívidas de
terceiros e, em geral, praticar atos que não se compreendam entre os atos de gestão normal dos negócios.

Parágrafo Quarto
É terminantemente proibida a aquisição, pelo Condomínio, de bens móveis e imóveis para uso particular dos
Condôminos, bem como a concessão de avais e fianças a terceiros.

Parágrafo Quinto

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

O administrador poderá adquirir e/ou substituir máquinas e equipamentos utilizados na atividade


agropecuária, mediante solicitação de profissionais deste Condomínio diretamente envolvidos com a
exploração desta atividade.

Parágrafo Sexto
Os atos de administração ou gestão, necessários ou úteis ao bom andamento da atividade operacional diária,
poderão ser efetuados verbalmente, sendo desnecessário aos administradores do negócio tornar expressa
toda e qualquer autorização desta ordem.

Parágrafo Sétimo
Os condôminos terão direito de preferência em condições de igualdade com terceiros, para adquirir bens do
condomínio e ou de seus condôminos, devendo para tanto o pretenso vendedor, comunicar os demais
condôminos. O período para exercício do direito de preferência será de 30 (trinta) dias da data de
comunicação formal, podendo os condôminos, resolverem de comum acordo, adquirem pelo condomínio.

CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA


Os Condôminos reunir-se-ão em Assembléia anual ou sempre que houver necessidade, quando serão
submetidos à apreciação, entre outros assuntos de interesse geral, os seguintes temas:
a) Demonstração dos ativos e passivos, de resultados e de relatórios dos administradores;
b) Proposta de destinação de sobras de caixa , quando houver;
c) Prestação de contas.

Parágrafo Único
O domicílio do Condomínio será na Rua/Avenida ........................, nº............, na cidade de
................................., Estado de ....................., onde serão realizadas as Assembleias de Condôminos, salvo
se a unanimidade deles deliberar realizá-las em outra localidade.

CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA


As convocações para as Assembléias de Condôminos serão feitas por carta registrada ou por qualquer outro
meio hábil que comprove o recebimento pelo interessado, com antecedência mínima de 10 (dez) dias. Serão
consideradas regulares as Assembléias a que comparecer a totalidade dos Condôminos, ainda que não
formalmente convocados.

Parágrafo Único
Os Condôminos requisitarão a presença nas Assembléias de qualquer administrador ou empregado do
Condomínio, sempre que entenderem necessário.

CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA


As Assembléias somente poderão deliberar sobre a ordem do dia constante da convocação, salvo por
anuência da totalidade dos Condôminos.

CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA


Os Condôminos poderão ser representados por outro, ou por procurador com poderes expressos, exibindo
instrumento de procuração nas Assembléias e deliberações.

CLÁUSULA DÉCIMA SÉTIMA


Por conta de “superávits” do exercício será, desde que haja sobras de caixa, distribuído mensalmente aos
Condôminos importância correspondente a uma retirada, dividida na proporção dos seus quinhões, até o
limite convencionado entre eles, salvo se outra destinação for aprovada pelos Condôminos na forma da letra
b da cláusula décima terceira. Em dezembro de cada ano, além da referida importância, será efetuada uma
distribuição adicional de valores relativos aos lucros disponíveis das atividades em comum, tomando-se essas
distribuições mensais, se houver, como forma de antecipação do resultado final do exercício.

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

CLÁUSULA DÉCIMA OITAVA


As sobras de caixa apuradas anualmente terão a destinação que for deliberada pelos Condôminos que, em
princípio, deverão destinar, pelo menos 1 % (um por cento) das sobras líquidas à distribuição, sendo
deduzidos desta parcela os pagamentos efetuados em conformidade com a cláusula anterior.

CLÁUSULA DÉCIMA NONA


O presente Instrumento é irrevogável e irretratável, não admitindo arrependimento das partes. Nesse sentido,
estipula-se multa de 10% (dez por cento) sobre o valor dos bens ora estabelecidos em Condomínio, a qual
será cobrável da parte que infringir qualquer de suas cláusulas ou condições, arcando, ainda, com custas e
despesas judiciais, honorários advocatícios, além de perdas e danos, se houverem, a serem apurados em
execução da sentença.

CLÁUSULA VIGÉSIMA
O presente Instrumento obriga as partes contratantes entre si, seus herdeiros e sucessores, elegendo estas,
como competente para dirimir eventuais litígios que possam resultar, o Foro da Comarca de
.............................., Estado de ....................., renunciando as partes a qualquer outro, por mais privilegiado
que seja ou venha a ser, e estipulando-se que as cláusulas e condições aqui por ventura omissas serão
reguladas pelo disposto no Código Civil e, no que couber, a legislação complementar.

De pleno acordo, as partes assinam o presente em 4 (quatros) vias de igual teor, juntamente com as duas
testemunhas abaixo denominadas.

.............................. (município),.............. (UF), ..........(data) de ................ de ...........

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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL

ARRENDADOR: .............(Nome), ..................(nacionalidade), ...............(profissão), ............(estado Civil),


portador da cédula de identidade R.G. nº ............ e CPF/MF nº ................, residente e domiciliado na
..............(Rua), ............(número), ................(bairro), ..................(Cidade), .............(Estado), e sua esposa
................(Nome), .................(nacionalidade), ...................(profissão), ................(estado Civil), portadora da
cédula de identidade R.G. nº ..............e CPF/MF nº ................, residente e no mesmo endereço.

ARRENDATÁRIO: .............(Nome), ..................(nacionalidade), ...............(profissão), ............(estado Civil),


portador da cédula de identidade R.G. nº ............ e CPF/MF nº ................, residente e domiciliado na
..............(Rua), ............(número), ................(bairro), ..................(Cidade), .............(Estado).

As partes acima identificadas acordam com o presente Contrato de Arrendamento de imóvel rural para fins de
exploração agrícola, que se regerá pelas cláusulas seguintes:

OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1. O OBJETO do presente instrumento é o imóvel constituído de uma Fazenda


........................(Nome da fazenda), de propriedade do ARRENDADOR, situado na ...............(Rua),
............(número), ..........(bairro), .............(CEP), .........(Cidade), ........(Estado), registrada sob o n.º ...............,
do Cartório do ........... Ofício de Registro de Imóveis, livre de ônus ou quaisquer dívidas.

Parágrafo primeiro. O imóvel objeto deste contrato possui área de xxx, conforme consta na descrição do
cadastro do INCRA, sendo o mesmo entregue pelo ARRENDADOR ao ARRENDATÁRIO na data de
assinatura deste contrato.

Parágrafo segundo. Fica obrigado o ARRENDATÁRIO a utilizar-se somente da área demarcada constante
do documento em anexo.

Parágrafo terceiro. O ARRENDADOR também cede ao ARRENDATÁRIO todos os bens localizados na


fazenda, quais sejam: (Descrever detalhadamente os bens).

DO PRAZO

Cláusula 2. Este arrendamento terá prazo de xx meses, iniciando-se na data de ....../....../......com término em
....../....../....... , devendo o ARRENDATÁRIO após findo o prazo de validade do presente contrato, devolver a
fazenda e os bens nas condições em que foram entregues, efetivando-se sem a necessidade de notificação
judicial ou extrajudicial.

DO VALOR

Cláusula 3. O ARRENDATÁRIO, efetuará o pagamento do valor de R$ ................ (Valor) ao ARRENDADOR


pelo arrendamento objeto deste contrato.

Parágrafo primeiro. Fica estipulado que o valor pago pelo arrendamento será reajustado anualmente de
acordo com o índice (Índice para reajuste).

Parágrafo segundo. O pagamento deve ser realizado todo dia xx do mês de (mês) de cada ano, ou no
primeiro dia útil subsequente da data de vencimento.

Parágrafo terceiro. A título de aluguel dos bens da fazenda, o ARRENDATÁRIO pagará mensalmente a
importância de R$ ..............(Valor), a ser paga mensalmente todo dia ............., ou no primeiro dia útil após a
data de vencimento.
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ATIVIDADES RURAL – CONTABILIDADE E TRIBUTAÇÃO

Parágrafo quarto. O valor do aluguel será reajustado anualmente, pelo mesmo índice relacionado no
parágrafo primeiro desta cláusula.

Parágrafo quinto. Todos os pagamentos efetuados pelo ARRENDATÁRIO ao ARRENDADOR, serão


precedidos de recibo.

Parágrafo sexto. São de responsabilidade exclusiva do ARRENDATÁRIO os financiamentos obtidos junto as


instituições financeiras para o custeio do plantio, ficando proibido de dar em garantia produtos decorrente do
plantio bem como os bens pertencentes a fazenda.

DA LAVOURA E TERRAS

Cláusula 4. Fica obrigado o ARRENDATÁRIO, efetuar o plantio de acordo com as instruções dadas pelo
ARRENDADOR, conforme documento em anexo.

Parágrafo primeiro. As terras que não forem utilizadas para o plantio, poderão ser utilizadas pelo
ARRENDATÁRIO, para a criação de animais, desde que não prejudiquem as terras destinadas a lavoura.

Parágrafo segundo. Todos os produtos utilizados para o plantio, serão de responsabilidade do


ARRENDATÁRIO, devendo utilizar material de boa qualidade.

DEVOLUÇÃO DA PROPRIEDADE

Cláusula 5. Ao termino do prazo do arrendamento, este poderá ser dilatado de acordo com a vontade das
partes. Não havendo a prorrogação do presente contrato, cabe ao ARRENDATÁRIO devolver o imóvel objeto
deste contrato, assim como todos os bens constantes deste instrumento.

DISPOSIÇÕES FINAIS

Cláusula 6. Começa a vigorar este contrato entre as partes, a partida assinatura de ambos.

Cláusula 7. Fazem parte do presente instrumento, os documentos que descrevem a fazenda, bem como o
comprometimento do ARRENDATÁRIO em seguir as orientações do ARRENDADOR.

Cláusula 8. Ficam obrigados os herdeiros, sucessores ou cessionários das partes contratantes pelo inteiro
teor deste contrato.

Cláusula 9. As partes elegem o foro da comarca de (Cidade), para dirimir quaisquer controvérsias oriundas
do CONTRATO.

E, por estarem justas e convencionadas as partes e fiadores assinam o presente CONTRATO DE


ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL PARA FINS DE EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, juntamente com 2
(duas) testemunhas.

(Local, data, ano)

(Nome e assinatura do arrendador)

(Nome e assinatura do arrendatário)

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