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Camada Limite em Escoamento de Fluidos

1) O documento descreve o conceito de camada limite, que se forma em uma região próxima a uma superfície sólida devido aos gradientes de velocidade causados pela viscosidade do fluido. 2) A espessura da camada limite é definida como a distância da superfície onde a velocidade do fluido é 99% da velocidade do fluido livre. 3) Dentro da camada limite, as tensões de cisalhamento são significativas, enquanto fora dela as tensões são desprezíveis.
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Camada Limite em Escoamento de Fluidos

1) O documento descreve o conceito de camada limite, que se forma em uma região próxima a uma superfície sólida devido aos gradientes de velocidade causados pela viscosidade do fluido. 2) A espessura da camada limite é definida como a distância da superfície onde a velocidade do fluido é 99% da velocidade do fluido livre. 3) Dentro da camada limite, as tensões de cisalhamento são significativas, enquanto fora dela as tensões são desprezíveis.
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Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina 1

MECÂNICA DOS FLUIDOS

CAPÍTULO 5 - CAMADA LIMITE

1. O Conceito de Camada Limite


O conceito de camada limite foi introduzido pioneiramente por Ludwig Prandtl, um alemão
estudioso da aerodinâmica em 1904. O conceito de camada limite marcou o começo da era moderna
da mecânica dos fluidos.

Como se forma a camada limite?


Em qualquer escoamento viscoso observa-se que o fluido em contato direto com uma fronteira
sólida tem a mesma velocidade que ela; não há escorregamento na fronteira. A velocidade do fluido
em contato com a superfície sólida é zero, embora o fluido esteja em movimento. Decorrente deste
fato, existem gradientes de velocidade e, consequentemente, tensões tangenciais devem estar
presentes no escoamento.
Como um caso prático considere o movimento de um fluido ao redor de uma asa delgada ou de
um casco de navio. Esse escoamento poderia ser representado de forma aproximada por um
escoamento sobre uma placa plana.

O fluido se aproxima da placa com velocidade uniforme U. A placa exerce uma ação retardadora
sobre o fluido diminuindo a velocidade do fluido nas vizinhanças da superfície. Numa ordenada y,
suficientemente longe da placa (ponto B) , o escoamento não será afetado por sua presença. Parece
razoável esperar que a velocidade cresça suave e gradativamente de u=0 em y=0 até u=U em y=B,
formando um perfil de velocidades.
A região próxima à placa, onde as tensões de cisalhamento estão presentes (por haver
gradientes de velocidade), é chamada então de CAMADA LIMITE. Fora da camada limite, o gradiente
de velocidade é nulo e, por conseguinte, as tensões de cisalhamento são nulas. Nesta região pode-se
pensar o escoamento como não viscoso.
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Espessura da camada limite


A espessura da camada limite é a distância a partir da superfície onde o efeito de
retardamento que a superfície exerce sobre o fluido em escoamento se torna desprezível. Esta
distância é comumente chamada de . Sua definição é:
o valor de y para o qual u = 0,99 U (a velocidade é 99% do valor da velocidade da corrente
livre).
Quando se fala do perfil de velocidades na camada limite, esta referência se dá em relação à
maneira como a velocidade varia em função de y, através da camada limite. Dessa forma o
escoamento do fluido é caracterizado pela existência de duas regiões distintas, uma fina camada de
fluido (a camada limite) onde os gradientes de velocidade e as tensões cisalhantes são grandes, e
uma região exterior à camada limite, onde os gradientes de velocidade e as tensões cisalhantes são
desprezíveis. Com o aumento da distância da aresta frontal da placa, os efeitos da viscosidade
penetram cada vez mais na corrente livre, e a camada limite aumenta ( aumenta com x).

Formação da camada limite em escoamento interno

O escoamento tem velocidade U0 na entrada do tubo. Por causa da condição de não


escorregamento na parede do tubo, sabemos que a velocidade ali deve ser zero em todo o
comprimento do tubo. Uma camada limite desenvolve-se ao longo das paredes do tubo. A superfície
sólida exerce uma força retardante sobre o escoamento, assim a velocidade do fluido nas vizinhanças
da parede é reduzida. Nas seções sucessivas ao longo do duto, nesta região de entrada, o efeito da
superfície sólida é sentido cada vez mais dentro do escoamento. Suficientemente longe da entrada
do tubo, a camada limite em desenvolvimento na parede do tubo atinge a sua linha de centro e o
escoamento torna-se inteiramente viscoso. Quando a forma do perfil de velocidades não muda mais
com o aumento da distância, x, o escoamento está completamente desenvolvido, A distância à
jusante, a partir da entrada , até o ponto em que o escoamento completamente desenvolvido começa
é chamado de comprimento de entrada. A forma real do perfil de velocidades completamente
desenvolvido depende de o escoamento ser laminar ou turbulento.
Para escoamento laminar, o comprimento de entrada L é uma função de Reynolds:
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L  uD
 0,06 então L pode ser tão grande quanto 138 D
D 
Se o escoamento for turbulento, a mistura acelerada entre as camadas adjacentes do fluido causa
o crescimento mais rápido da camada limite. Experiências mostram que o perfil de velocidade torna-
se completamente desenvolvido dentro de 25 a 40 diâmetros do tubo a partir da entrada.

Escoamento laminar e turbulento na camada limite


Como nos dutos, o escoamento em camada limite pode ser laminar ou turbulento. Não há valor
singular do número de Reynolds no qual ocorre a transição na camada limite. Entre os fatores que
afetam a transição estão o gradiente de pressão, a rugosidade superficial, a transferência de calor, as
forças de campo e as perturbações da corrente livre.
A camada limite é laminar até uma curta distância a partir da borda de ataque, a transição ocorre
sobre uma região da placa e não sobre uma linha sobre a placa. A região de transição estende-se até
o local onde o escoamento em camada limite torna-se inteiramente turbulento.
Para fins de cálculo sob condições típicas de escoamento , considera-se que a transição ocorra a
um número de Reynolds de 500.000.

Com o progresso do escoamento a espessura da camada limite  aumenta e, consequentemente


u/y cai e também a tensão de cisalhamento diminui, diminuindo as forças viscosas. Como o número
de Reynolds é uma relação entre forças viscosas e forças inerciais, a queda das forças viscosas,
acentua a predominância das forças inerciais, permitindo a caotização do escoamento.
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Observe que, quanto mais espessa a camada limite, maior será o isolamento da placa em relação
ao escoamento externo. Portanto, menor será a capacidade do escoamento em remover calor ou
massa da placa.

Descolamento da camada limite


Considere o escoamento ao redor do corpo abaixo. No ponto A, temos o ponto de máxima
pressão, ou o ponto de estagnação, uma vez que a velocidade neste local é igual a zero. Com o
progresso do escoamento, de A para B, temos uma diminuição na pressão, devido à diminuição da
seção de escoamento, o que provoca um aumento de velocidade. Ou seja, a pressão é maior em A
do que em B, sendo a diferença de pressão favorável ao escoamento.
Entretanto, após o ponto B, na região posterior do corpo (no dorso), ocorre um aumento da
seção de escoamento, o que provoca um aumento da pressão na direção do escoamento. Ou seja, o
fluido sofre uma pressão oposta ao escoamento. Neste caso, as camadas de fluido próximas à
superfície são levadas ao repouso e o escoamento separa-se da superfície.
A separação da camada limite acarreta a formação de uma região de pressão relativamente
baixa atrás do corpo. Esta região é chamada de esteira de vórtices.
Assim para o escoamento separado, em torno de um corpo separado, há um desequilíbrio
líquido de forças de pressão no sentido do escoamento, o que acarreta um arrasto de pressão sobre.
um corpo. Quanto maior a esteira, maior o arrasto.
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Pode-se observar nesta figura que, mesmo em


escoamento interno pode haver descolamento da
camada limite. Na figura superior observa-se uma
variação bastante suave do diâmetro interno da
seção. Neste caso, o aumento de pressão
resultante (devido à diminuição da energia
cinética), não é suficiente para provocar o
descolamento da camada limite.

Na figura inferior, observa-se um aumento abrupto


do diâmetro interno da seção. Neste caso, o
aumento de pressão resultante da queda da
energia estática, é suficiente para provocar a
inversão do escoamento na região próxima à
parede e provocar o descolamento da camada
limite.

O descolamento da camada limite acarreta um tipo de transformação de energia conhecida


como perda de carga localizada, que será estudada no capítulo 7.

2. Arrasto
Sempre que há um movimento relativo entre um corpo sólido e o fluido no qual está imerso, o
primeiro é submetido a uma força resultante F, devida à ação do fluido. Se o corpo estiver se
movendo através de um fluido viscoso, tanto forças de pressão como de cisalhamento atuam sobre
ele. A força resultante pode ser dissociada nas componentes paralela e perpendicular à direção do
movimento. A componente da força paralela à direção do movimento é chamada de força de arrasto
FD e a perpendicular à direção do movimento é chamada de força de sustentação FL .
 
Como a força de cisalhamento é dada por dFcis   dA

E a de pressão é dada por dF pressão   pdA

Pode-se pensar que arrasto e sustentação podem ser avaliados analiticamente. Entretanto, há
muito poucos casos em que arrasto e sustentação podem ser avaliados analiticamente devido ao
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efeito de separação que não permite a solução analítica. Neste caso é necessário empregar
coeficientes determinados experimentalmente a fim de determinar a sustentação e o arrasto.

Arrasto viscoso

F V2
É a força gerada pelo atrito viscoso na camada limite. Dado por: Cf  
A 2
onde A é a área de contato entre o corpo fluido e o sólido;
Cf é o coeficiente de atrito adimensional sobre a superfície;
 é a massa específica do fluido;
V é a velocidade da corrente livre do fluido.

Conhecido, em escoamentos internos, como perda de carga distribuída.

Arrasto de pressão (de forma)


É a força gerada pela diferença de pressão entre a parte anterior e posterior do corpo. Dada por
F V2
 CD   sendo CD = f (Re)
Ap 2
Onde Ap é a área frontal do corpo submerso;
CD é o coeficiente de arrasto adimensional;

Conhecido, em escoamentos internos, como perda de carga localizada.

O coeficiente de arrasto é determinado para cada forma geométrica, através de dados


experimentais em função de Reynolds. Em escoamentos internos este coeficiente é conhecido como
fator de atrito (Fanning e Darcy).
O carenamento ou afuselamento conveniente do corpo reduz o gradiente adverso de pressão
por dispersar um dado aumento de pressão sobre uma distância maior . O carenamento do corpo
retarda a separação, reduzindo o arrasto sobre o corpo.
A separação também pode ocorrer em escoamentos internos (dutos) como resultado de
mudanças rápidas ou bruscas na geometria do duto.
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Camada limite térmica


Da mesma forma que há uma camada limite fluidodinâmica no escoamento de um fluido sobre
uma superfície, uma camada limite térmica deve se desenvolver se houver diferença entre as
temperaturas do fluido na corrente livre e da superfície. Considere o escoamento sobre uma placa
plana isotérmica. Na aresta frontal o perfil de temperaturas é uniforme, com T (y) = T. Contudo, as
partículas de fluido que entram em contato com a placa atingem o equilíbrio térmico na temperatura
superfícial da placa. Por sua vez, essas partículas trocam energia com as camadas de fluido
adjacente, causando o desenvolvimento de gradientes de temperatura no fluido. A região do fluido
onde existem estes gradientes de temperatura é conhecida como camada limite térmica, e sua
Tsup  T
espessura T, é definida como o valor de y no qual a razão  0,99 . Com o aumento da
Tsup  T
distância da aresta frontal da placa, os efeitos da transferência de calor penetram cada vez mais na
corrente livre e a camada limite térmica aumenta.
As condições no interior da camada limite térmica, influenciam fortemente o gradiente de
temperatura na superfície, determinam a taxa de transferência de calor através da camada limite.
Quanto mais espessa se torna a camada limite, isto é, com o aumento de x, o coeficiente convectivo
de transferência de calor h, bem como a taxa de transferência de calor q, diminuem.
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Camada limite de concentração


Da mesma forma que as camadas limite térmica e fluidodinâmica determinam o atrito e a
transferência de calor por convecção em uma parede, a camada limite de concentração determina a
transferência de massa por convecção. Se uma mistura binária das espécies químicas A e B escoa
sobre uma superfície e a concentração da espécie A na superfície CAsup é diferente daquela na
corrente livre CA, uma camada limite de concentração irá se desenvolver. Ela é a região do fluido
onde existem gradientes de concentração e sua espessura é dada por C. A espessura é definida
como o valor de y no qual
C A, sup  C A
 0,99 .
C A, sup  C A, 
A transferência de espécies por convecção entre a superfície e a corrente livre do fluido é
determinada pelas condições na camada limite.
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Significado das camadas limite


Para o engenheiro, as principais manifestações das três camadas limite são:
- atrito superficial – camada limite fluidodinâmica.
- transferência de calor por convecção – camada limite térmica.
- transferência de massa por convecção – camada limite de concentração.
Os parâmetros chave das camadas limite são portanto o coeficiente de atrito Cf, o coeficiente
convectivo de transferência de calor h e o coeficiente convectivo de transferência de massa hm.
No escoamento sobre qualquer superfície sempre existirá uma camada limite fluidodinâmica e,
portanto, atrito na superfície. Contudo, uma camada limite térmica e a transferência de calor por
convecção somente existirão se houver gradiente de temperatura entre a superfície e a corrente
livre. O mesmo pode-se dizer da transferência convectiva de massa. Podem ocorrer situações nas
quais a s três camadas limite estão presentes. Nesses casos, raramente as camadas limite crescem
a uma mesma taxa e os valores de , T e C estão presentes.

Existem três números adimensionais que relacionam as espessuras das camadas limite
fluidodinâmica, térmica e de concentração. São:

Número de Prandtl Pr  [(difusividade de qde de movimento – viscosidade cinemática)/

difusividade térmica]
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Número de Schmidt Sc  [(difusividade de qde de movimento – viscosidade cinemática)/
D AB
difusividade mássica]


Número de Lewis Le  [difusividade térmica/difusividade mássica]
D AB

Exercícios
1. Calcule a distância em relação à borda frontal de uma placa plana da região em que ocorre a
transição do escoamento laminar para turbulento com água a 25C e velocidade de (admita que a
transição se dá a Rec = 5x105):
a) 1 m/s
b) 2 m/s
c) 10 m/s
Resposta: a) 44 cm b) 22 cm c)4,5 cm

2. Em um túnel de vento de baixa velocidade, o ar flui a 1 atm e 20C com uma velocidade de 40 m/s.
Qual deve ser o comprimento de uma placa plana de ensaio para que 90% da extensão da placa
esteja sob escoamento turbulento? Considere o nº de Reynolds de transição igual a 5x105
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Resposta: 1,875 m

3. Considerando um número de Reynolds crítico de 500000 para a transição do regime laminar para
o regime turbulento em escoamento sobre uma placa plana, determine a distância da borda
frontal em que a transição irá ocorrer para cada um dos seguintes fluidos com velocidade
u=1m/s: ar atmosférico, água, óleo de máquina e mercúrio. Em todos os casos a temperatura do
fluido é 27°C e as viscosidades cinemáticas dos mesmos são, respectivamente, 15,89 x 10-6 m²/s,
8,58 x 10-7 m²/s, 550 x 10-6 m²/s e 0,1125 x 10-6 m²/s
Resposta: 7,9 m, 0,4 m, 275 m e 0,056 m respectivamente.

4. Determine a distância à borda frontal de uma placa plana na qual ocorre a transição de
escoamento laminar para turbulento no escoamento do ar a 70C com uma velocidade u = 20 m/s
à pressão de 0,5, de 1 e de 4 bar.
Resposta: 1m, 0,5 m e 0,125m, respectivamente.

5. Uma expressão aproximada para o perfil de velocidades u(x,y) na camada limite laminar do
escoamento sobre uma placa plana é dada por

3 4
u( x , y ) y  y   y 
2  2 
u  ( x )   ( x)    ( x) 

 ( x) 5,83
onde a espessura da camada limite (x) é 
x Re1/ 2
a) deduza uma expressão do coeficiente de arraste local cx
b) deduza uma expressão do coeficiente de arraste médio cm sobre uma distância x = L a partir da
borda frontal da placa
c) determine a força de arraste F que atua em uma placa de 2m por 2m no escoamento de ar à
pressão atmosférica e a 70ºC, com a velocidade de 3 m/s.
Resposta :
2
0,686 1/ 2 y 3 y3
a) c f   0,0605 Re  6,92 x10 Re 3
Re1 / 2 x2 x
1,372
b) c f , m 
Re 1 / 2
c) 0,046 N
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6. A expressão exata do coeficiente de arraste local cx no escoamento laminar sobre placa plana é
0,644
dado por c x 
Re1/ 2
O ar, a pressão atmosférica e 70ºC, flui com uma velocidade de 30 m/s sobre uma placa plana de
comprimento L = 0,2 m. Determine a força de arraste que atua por metro de largura da placa.
Resposta: 2,17 N

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